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O NAZISMO NO PODER
Em 1923, os nazistas tentaram dar um golpe, que resultou em fracasso. Hitler
foi condenado a cinco anos de cárcere, mas ficou preso apenas dois anos. Anis-
tiado, voltou a liderar o partido, agora convertido à ideia de disputar o poder pela
via eleitoral.
Apesar do aumento do número de militantes e das seções partidárias, o par-
tido não conseguia alcançar uma votação expressiva, ficando em nono lugar
nas eleições gerais de 1928. Tudo mudou com a crise de 1929, cujos efeitos na
Alemanha foram desastrosos. Os capitais estadunidenses e os ingleses foram
repatriados, multiplicaram-se as falências e a inflação alcançou níveis estratos-
féricos. O número de desempregados chegou a 6 milhões em 1932.
Por outro lado, a esquerda dividia-se, como na Itália, apesar da força do
Partido Comunista. Fiéis à orientação soviética, os comunistas alemães acha-
vam que o nazismo era um mal menor, comparado à democracia burguesa,
considerando-o um movimento pequeno-burguês incapaz de mobilizar a classe
operária. Esperavam o acirramento das contradições entre burguesia e pro-
letariado, e alguns até achavam que os desempregados da Tropa de Assalto
(Sturmabteilung – SA) apoiariam a revolução socialista. Mas as avaliações dos
comunistas estavam longe da realidade.
Em meio à crise, o desempenho eleitoral dos nazistas cresceu, bem como
a aproximação do partido com grupos industriais ligados ao grande capital.
Selou-se o acordo entre o nazismo e o capitalismo alemão. Nas eleições parla-
mentares de 1930, o número de cadeiras ocupadas por nazistas no parlamento
saltou de 12 para 107, enquanto o de cadeiras ocupadas por comunistas passou
de 54 para 77.
Animado com o êxito eleitoral do partido e seu crescente prestígio, Hitler can-
didatou-se à presidência em 1932, competindo com o velho marechal Paul von
Hindenburg (1847-1934), herói da Primeira Guerra e candidato à reeleição. O de-
sempenho de Hitler foi excepcional, forçando um segundo turno. Hitler perdeu,
obtendo 37% dos votos contra 53% dados ao marechal. Segmentos da classe
média, burguesia e aristocracia agrária ainda desconfiavam dele.
A derrota na eleição presidencial não deteve o Partido Nazista, que prosseguiu
com a agitação e as lutas de rua, fomentando a campanha para as eleições par-
lamentares de 1932. O resultado foi uma vitória estrondosa: 230 cadeiras contra
133 dos social-democratas, 89 dos comunistas e 74 do centro. Foi nessa conjun-
tura que as classes dominantes apoiaram de vez o nazismo. Em manifesto com
38 assinaturas de grandes industriais, apelou-se ao presidente para que nome-
asse Hitler chanceler, o que ocorreu em 29 de janeiro de 1933. Empossado no dia
seguinte, ele assistiu da janela da chancelaria a um grande desfile de militantes
nazistas saudando sua ascensão. De Führer (do alemão, “líder”, “condutor”) do
partido, Hitler tornou-se o Führer da Alemanha.
Uma vez empossado, pôs em marcha um programa radical de nazificação
do Estado e da sociedade. A administração pública passou por expurgos, com
a demissão de judeus, esquerdistas e democratas. Criaram-se campos de con-
centração para os presos e fundou-se a Gestapo (Geheime Staatspolizei), polícia
secreta do Estado. Em fevereiro de 1934, Hitler pôs a culpa nos comunistas por
um incêndio no prédio do parlamento e decretou estado de emergência, com a
suspensão das liberdades individuais e o fechamento dos sindicatos de esquer-
da. Em seguida, foi criada uma lei que estabeleceu a esterilização dos doentes
hereditários, e o Estado iniciou a eliminação de deficientes físicos, que eram reti-
rados da família sob o pretexto de tratamento, sendo depois mortos. Os nazistas
chegaram a fazer experimentos de morte por intoxicação com gás carbônico,
com as vítimas num furgão e o cano de descarga expelindo a fumaça para dentro.
O triunfo da
vontade
Direção de Leni
Riefenstahl.
Alemanha, 1935.
Duração: 114 min.
Documentário de
propaganda que
retrata o 6o Congresso
do Partido Nazista e a
força dos símbolos em
sua organização.
Nazismo: o triunfo
da vontade
LENHARO, Alcir.
São Paulo: Ática,
1994.
Livro sobre o nazismo
que trata dos motivos
de milhões de pessoas
terem apoiado Adolf
Hitler, além de
analisar a propaganda
e a produção artística
em função da política.
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A crise de 1929 foi
deflagrada pela queda
vertiginosa da bolsa
de Nova York, nos
Estados Unidos, entre
setembro e outubro
daquele ano. Empresas
descapitalizadas faliram
do dia para a noite.
Grandes e pequenos
investidores foram
arruinados. Como a
economia mundial
já era globalizada, a
crise estadunidense
repercutiu em toda
parte. Na Europa,
sobretudo na Alemanha,
capital estadunidense ali
investido foi repatriado.
Como consequência, o
desemprego cresceu
rapidamente. O nazismo
aproveitou-se dessa
crise para alcançar o
poder.
OBSERVE QUE . . .
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Cartaz de propaganda com a legenda Entartete Musik
(“Música degenerada”), produzido por Ludwig Tersch
em 1938. Nitidamente racista e antissemita, o cartaz
associa a cultura musical estadunidense à estrela
de Davi, símbolo judaico, buscando desqualificá-los.
Hitler passou a ser questionado no interior do partido por sua aproximação
com grandes industriais. A crítica partia de Ernst Röhm (1887-1934), aliado de
primeira hora e chefe da SA. Röhm defendia a radicalização do nazismo, com a
criação de um “Estado de soldados”. Apostava no socialismo, ainda que nacional
e racista, pois era um antiburguês fanático, rejeitando o que chamava de promis-
cuidade entre partido e empresários. O resultado do embate foi o massacre da SA
pela SS (Schutzstaffel ou Esquadrão de Proteção) em junho de 1934, comandado
por Heinrich Himmler. Röhm acabou se suicidando. O Reich ("império", em ale-
mão) virou um Estado policial.
A morte do marechal Von Hindenburg levou Hitler a acumular os cargos de
chanceler e presidente. Estava inaugurado o Terceiro Reich. Todos os partidos
políticos foram proibidos, exceto o nazista. Copiando Mussolini, Hitler submeteu
sua política a um plebiscito, do qual saiu amargan-
do 30% de votos negativos; porém, a nazificação da
sociedade avançou ainda mais. A propaganda do
regime foi confiada ao ministro Joseph Goebbels
(1897-1945), que, em 1933, pôs em ação o projeto
de limpar a Alemanha da cultura internacionalista,
judaica e comunista, incentivando grande queima
de livros em universidades e praças. Além disso,
em 1937, Goebbels promoveu a exposição Arte
degenerada (Entartete Kunst), que, no conceito na-
zista, retratava a imperfeição de raças inferiores,
mentes perturbadas e espíritos derrotistas.
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arte degenerada
obra de arte considerada
pelo regime nacional-
-socialista como
artística ou moralmente
prejudicial aos valores
alemães; obra que,
segundo os nazistas,
fugia à visão clássica de
perfeição, harmonia e
proporção das figuras.
QUESTÕES EM FOCO
A psicanálise no nazismo
■ Livros de não alemães, marxistas e judeus arderam em todas as cidades universitárias. Os livros do judeu
austríaco Sigmund Freud (1856-1939), considerado pai da psicanálise, foram proibidos não apenas por
sua origem étnica, mas também pela condenação da psicanálise pelo nazismo. Pesquisem em grupos:
a) Qual foi o destino de Freud depois que a Alemanha nazista anexou a Áustria em 1938?
b) Quais são os pressupostos da psicanálise condenados pelo nazismo? Escrevam um texto com as conside-
rações do grupo, apontando quais são esses pressupostos e como eles eram contrários aos ideais nazistas.
A menina que roubava livros
Direção de Brian Percival. Estados Unidos/
Alemanha, 2013. Duração: 131 min.
O filme conta a história de Liesel Meminger,
uma garota que sobrevive fora de Munique com
os livros que rouba. Ajudada pelopai, aprende a
ler e partilhar livros com amigos, incluindo um
homem judeu. Uma crítica poética à perseguição
antissemita e à rejeição da diversidade cultural,
típicas do nazismo.
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