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Na foto, vista parcial de Orangi Town, em Karachi (Paquistão), em 2017. Nessa favela, a maior do mundo, vivem cerca de 2,4 milhões de pessoas. Em São Paulo (SP), cidade brasileira com o maior número de moradores em assentamentos precários, são cerca de 1,5 milhão de pessoas vivendo nessas condições, mas espalhadas por mais de 1 500 favelas. Teto (Techo). Disponível em: www. techo.org/brasil/. Acesso em: 14 jun. 2020. Essa ONG busca juntar voluntariado e comunidade para um trabalho em conjunto na busca de soluções para melhorar as condições de vida das pessoas excluídas e sem moradia. Para saber mais sobre sua atuação, acesse o site da organização em português. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Disponível em: www.ipea.gov. br/portal/index. php?option=com_con tent&view=article&id =34784&Itemid=432. Acesso em: 13 jun. 2020. Acessando o site do Ipea pode-se consultar o Atlas de Violência 2019, com dados para todos os estados brasileiros. Há também publicações sobre o Estado, as instituições e a democracia no Brasil. Saber Na tentativa de encaminhar soluções para diversos problemas urbanos, entre os quais os assentamentos precários, foi realizada em Istambul, na Turquia, em 1996, a Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos – Habitat II. A primeira reunião, Habitat I, aconteceu em Vancouver, Canadá, em 1976; e a Habitat III ocorreu em Quito, Equador, em 2016. A Habitat II reuniu representantes dos países-membros da ONU e de diver- sas ONGs. Nesse encontro, ficou decidido que os governos deveriam criar con- dições para que o acesso à moradia segura, habitável, salubre e sustentável fosse universalizado. Diversos governos, porém, entre os quais o dos Estados Unidos e o do Brasil, foram contra a proposta de que a habitação fosse consi- derada um direito universal do cidadão e, portanto, garantida pelo Estado, para não serem cobrados judicialmente pela não garantia desse direito. Em diversas cidades do mundo, tanto nos países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos, pessoas sem-teto se organizam para lutar pelo di- reito à moradia urbana adequada e por melhores condições de vida. Uma ou outra dessas organizações tem atuação nacional, mas a maioria delas atua lo- calmente. Há também organizações com atuação internacional, como a TETO (ou TECHO, em espanhol), organização não governamental (ONG) criada em 1997, no Chile, que atua em quase toda a América Latina, até mesmo no Brasil. • Com base na observação das fotos ao longo do capítulo e no conhecimento da realidade brasileira e mundial, responda: a) De que forma as desigualdades sociais se materializam nas paisagens urbanas? b) Essa realidade é visível na paisagem do lugar em que você vive? Veja as respostas no Manual do Professor. Interpretar NÃO ESCREVA NO LIVRO A s im H a fe e z/ B lo o m b e rg /G e tt y I m a g e s R e p ro d u ç ã o /w w w .i p e a .g o v. b r R e p ro d u ç ã o /w w w .t e ch o .o rg 117 V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_094a121.indd 117V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_094a121.indd 117 24/09/2020 10:5924/09/2020 10:59 DI¡LOGOS NÃO ESCREVA NO LIVRO 1. Os trechos a seguir são recortes de entrevistas e opiniões de diferentes atores sociais (advogados, pesquisadores, empresários, professores uni- versitários) sobre casos distintos, mas todos dialogando com a questão da moradia. Leia e em seguida faça as atividades. Texto A “Chegamos ao recorde da série histórica de déficit habitacional. Hoje, ele ocorre, sobretudo, pela inadequação da moradia – famílias que divi- dem a mesma casa, moram em cortiços, favelas – e pelo peso excessivo que o aluguel passou a ter no orçamento das famílias nos últimos anos”, afirma Robson Gonçalves, da FGV. [...] “É uma oportunidade para o mercado, são poucos os países do mundo que têm uma demanda tão expressiva”, diz Alexandre Frankel, presidente da Vitacon. “Vemos um novo ciclo se formando no setor e, se tudo correr bem na economia, os próximos dois anos podem ser de retorno a um mo- mento melhor do mercado imobiliário.” “Temos de olhar com otimismo para o mercado, que é saudável e tem uma forte demanda, não só dos consumidores de baixa renda. A demanda é grande entre os que dependem de financiamento com recursos da pou- pança também”, avalia o presidente da MRV, Eduardo Fischer. Ele lembra que os juros básicos estão em um patamar baixo, a 6,5% ao ano, o que alivia na hora de contratar um financiamento imobiliário. [...] GAVRAS, Douglas. Déficit habitacional é recorde no país. Estadão. São Paulo, 7 jan. 2019. Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/01/07/deficit- habitacional-e-recorde-no-pais.htm. Acesso em: 15 jun. 2020. Texto B [...] “O emprego tem relação direta com a moradia. Por causa do alto índice de desemprego, as pessoas passam a morar em situações precárias porque não têm acesso ao trabalho nem condições de pagar um aluguel”, diz o advogado Benedito Barbosa, 59. Barbosa trabalha com ações de despejo pelo Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, uma ONG para inclusão social de moradores de habi- tações precárias, desde 2006. Estima-se que em São Paulo, com seu 1,8 milhão de desempregados, existam 391 mil domicílios em espaços precários (como favelas e corti- ços), somando 2 milhões de pessoas — ou 11% da população. [...] Para Aluízio Marino, 32, doutorando em Planejamento e Gestão do Territó- rio pela Universidade Federal do ABC, o termo “déficit habitacional” é incorreto. “A moradia é vista como mercadoria, não como direito. Então, não é que fal- tam moradias. O que falta é uma política habitacional adequada”, afirma. [...] SILVA, Eduardo. São Paulo tem déficit de 474 mil moradias, diz estudo. Folha de S.Paulo. São Paulo, 7 set. 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/09/sao- paulo-tem-deficit-de-474-mil-moradias-diz-estudo.shtml. Acesso: 15 jun. 2020. Veja as respostas das atividades desta seção no Manual do Professor. 118 V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_094a121.indd 118V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_094a121.indd 118 24/09/2020 10:5924/09/2020 10:59