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Muitas vezes, pessoas brancas questionam o que podem fazer para aju- dar na luta contra o racismo. Demonstrar respeito, solidariedade e empatia é um primeiro passo para se posicionar. Nesse sentido, a filósofa Djamila Ribeiro (1980-), em artigo que comenta o racismo sofrido pela jornalista Maria Júlia Coutinho (1978-), tem uma boa resposta: É urgente que pessoas brancas discutam racismo pelo viés da branqui- tude, que se questionem. Que reflitam e perguntem a si mesmas: quantas vezes contribuí com a baixa autoestima da minha amiga negra ao fazer piadas sobre o cabelo dela? Quantas vezes fui obstáculo no sonho de uma pessoa negra por achar que filha de empregada doméstica não pode fazer faculdade com meu filho? Quantas vezes internalizei que mulheres ne- gras deveriam me servir em vez de entender que são empurradas a isso por conta do racismo e do machismo estruturais? Sem esses questionamentos, não serve de nada mostrar indignação. Já estamos fartas de campanhas que não mexem nas estruturas e não questionam privilégios. Não adianta se revoltar com as ofensas que Maju sofreu julgando que são coisas isoladas, que só acontecem às vezes, quando o racismo é uma realidade para a qual muitos fecham os olhos. Não adianta se incomodar com isso e ser contra cotas, ser fã de humo- ristas racistas, chamar militantes de vitimistas. Ou ainda ser a favor da redução da maioridade penal quando se sabe que ela só vai encarcerar jo- vens negros, porque se julga que jovens brancos ricos ou de classe média são “de boa família” e “cometeram um erro”. Não dá para ter indignação seletiva, se revoltar com o que aconteceu com a jornalista e se calar quando é com o porteiro, com o menino da periferia. No Brasil, até quem se coloca contra certas atitudes racistas não sabe ou finge não saber como o racismo age. Racismo é um sistema de opres- são que vai além de ofensas, negando direitos. Como disse o antropólogo Kabengele Munanga certa vez numa entrevista: “O racismo é um crime perfeito no Brasil, porque quem o comete acha que a culpa está na pró- pria vítima; além do mais, destrói a consciência dos cidadãos brasileiros sobre a questão racial”. RIBEIRO, Djamila. O racismo dos outros. In: RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro? São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 70-71. NÃO ESCREVA NO LIVRO 1. Como a postura de questionamentos sugerida pela autora se relaciona com a ideia de empatia? 2. Como podemos entender a expressão “indignação seletiva” utilizada pela autora? Veja as respostas no Manual do Professor. Interpretar R e p ro d u ç ã o /E d it o ra C ia . d a s L e tr a s Quem tem medo do feminismo negro? Djamila Ribeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. Seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista Carta Capital, entre 2014 e 2017, discutindo questões relativas a sexismo e racismo presentes na sociedade brasileira. Saber 147 V5_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_118a157.indd 147V5_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_118a157.indd 147 9/24/20 9:18 AM9/24/20 9:18 AM DI¡LOGOS NÃO ESCREVA NO LIVRO 1. Observe atentamente a reprodução da tela Guernica, de Pablo Picasso, que representa os horrores do ataque nazista à cidade basca de mesmo nome. Pintada em tempo recorde, a tela foi apresentada, ainda em 1937, na Exposição Internacional de Paris. Em 26 de abril de 1937, uma unidade da Força Aérea da Alemanha, cha- mada Legião Condor, bombardeou a cidade de Guernica, na Espanha, para fazer um cálculo da quantidade de explosivos necessária para aniquilar uma cidade. Guernica foi totalmente destruída pelos bombardeios. Na ocasião, Pablo Picasso estava exilado em Paris e inspirou-se nos re- latos sobre o bombardeio de Guernica para pintar uma das obras de arte mais famosas da história. Faça uma descrição da tela: a) Quais foram as cores utilizadas? b) O que você acha que as figuras representadas na tela significam? c) Como as figuras estão dispostas na tela? d) Quais impressões essa obra causa em você? e) Em sua opinião, por que Picasso pintou o contorno de uma flor brotando no centro da tela? Qual seria o significado dessa flor? 2. Uma anedota muito conhecida diz que, durante a Segunda Guerra Mundial, o general alemão Otto Abetz, que governava a cidade de Paris ocupada pe- los nazistas, dirigiu-se a Picasso e, referindo-se à tela Guernica, perguntou: “Foi o senhor quem fez este horror?”, ao que, com toda a elegância, Pi- casso teria respondido: “Não, senhor general. Esse horror foi feito pelos senhores!” Explique a resposta de Picasso dada ao general nazista. Guernica. 1937. Pablo Picasso (1881-1973). Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia (Madri, Espanha). R e p ro d u ç ã o /M u s e u N a c io n a l C e n tr o d e A rt e R a in h a S o fi a , M a d ri , E s p a n h a Veja as respostas das atividades desta seção no Manual do Professor. 148 V5_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_118a157.indd 148V5_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_118a157.indd 148 9/24/20 9:18 AM9/24/20 9:18 AM