Prévia do material em texto
5. Modularidade: o século XXI trouxe um grande aumento na busca por per- sonalização de produtos. Com a coleta de um grande número de dados de produção e consumo, a produção direciona-se para a personalização, com seus componentes sendo baseados em módulos capazes de permitir o acoplamento ou o desacoplamento de recursos, segundo a demanda da fábrica. Isso permite flexibilidade na alteração de tarefas em comparação com o modelo anterior. Um bom exemplo de entendimento da modulari- dade é a indústria automobilística, que utiliza o conceito há alguns anos. Um único modelo de carro permite que a indústria venda tipos diversos de acessórios modulares complementares. 6. Orientação a serviços: princípio de que os softwares são orientados a disponibilizar soluções como serviços, conectados com toda a indústria. Assim, a conexão entre trabalhadores e máquinas torna-se vital para a realização de determinadas tarefas. A indústria 4.0 é resultante, portanto, de uma linha contínua de inova- ção e integração de diversas tecnologias. Ela vem sendo tratada por muitos como a Quarta Revolução Industrial por ter em comum o objetivo de tornar as máquinas mais inteligentes, integrando sistemas físico-cibernéticos, o que implica um grau de complexidade bem mais elevado do que as Revoluções Industriais anteriores. Quando falamos em revolução na indústria, não tratamos de uma no- vidade que impacte localmente o processo de alguns fabricantes. Para ser tratado como uma revolução, o impacto da produção deve acontecer em escala mundial e multissetorial. Assim, a tendência tecnológica que observamos aqui se dá pela combinação de novos conceitos e novas tec- nologias. Observe o esquema. Fonte: BCG. Embracing industry 4.0 and rediscovering growth. Boston Consulting Group, 2020. Disponível em: www.bcg.com/pt-br/capabilities/ operations/embracing-industry-4.0- rediscovering-growth.aspx. Acesso em: 16 jun. 2020. B C G a n a lly s is /w w w .b c g .c o m 119 V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_086a125.indd 119V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_086a125.indd 119 16/09/2020 11:5816/09/2020 11:58 Internet das coisas e sistemas integrados da indústria 4.0 A aplicação da internet das coisas na indústria 4.0 é encontrada, por exem- plo, em fábricas integradas por sensores que capturam grandes quantidades de dados por toda a empresa e permitem a gestão de dispositivos de forma remota. Dessa forma, um dos primeiros impactos da internet das coisas so- bre a produção industrial está em sua otimização, sem que, muitas vezes, haja a necessidade de intervenção humana. O monitoramento do desempenho da produção praticamente em tempo real pode ser feito desde a obtenção da matéria-prima até a embalagem e a distribuição dos produtos. A análise desses dados proporciona rapidez nas respostas, ajustando operações e identificando pontos de melhoria nos pro- cessos, com ganhos potenciais em custos e segurança. A internet das coisas e os sistemas integrados permitem ainda o con- trole de estoques por meio da identificação por radiofrequência (RFID), um tipo de etiqueta que captura dados. É a mesma tecnologia adotada em cancelas de pedágio e estacionamentos ou no monitoramento do de- sempenho de maratonistas em corridas. Ao receber um número de série único, cada etiqueta identifica o produto por meio de um microchip. A par- tir daí, o controle do produto no estoque é muito mais eficiente. A etique- ta faz a identificação automática do produto e de todas as informações dele no sistema da empresa, prevenindo assim o roubo e as trocas de mercadoria e ainda reduzindo os erros de armazenamento. A inteligência artificial pode, em combinação com essa tecnologia, solicitar a reposição de determinado produto em estoque quando este atinge um nível crítico, por exemplo. A internet das coisas na indústria 4.0 também é pensada para possibilitar a melhoria da segurança e da proteção individual: câmeras e sensores cap- turam dados que são processados por sistemas especializados e informam atitudes inadequadas ou perigosas, disparando automaticamente ações de proteção e prevenção, ou induzem ao autodesligamento de máquinas com mau funcionamento, de forma a evitar acidentes, e informam a necessidade de manutenção. Com o controle integrado e automatizado e a disponibilidade de grandes volumes de dados em tempo real, problemas de qualidade do produto são corrigidos quase instantaneamente, liberando ao mercado lotes de produtos mais bem acabados do que os do estágio anterior da industrialização, que dependiam da verificação humana para os padrões de qualidade. A radiofrequência (RFID, sigla para o termo inglês Radio-Frequency IDentification) é utilizada para ler informações de produtos através de sinais de rádio, com o uso de microchips – uma alternativa aos códigos de barras. Nas fotos, exemplos de identificação por radiofrequência. R e p ro d u ç ã o / tr a n s p o rt e m o d e rn o .c o m .b r S c o tt L e w is /F lic k r 120 V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_086a125.indd 120V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_086a125.indd 120 16/09/2020 11:5916/09/2020 11:59 NÃO ESCREVA NO LIVRO 1. Observe os gráficos a seguir. O primeiro re- presenta o rendimento médio da população brasileira por cor ou raça e o segundo, os per- centuais de jovens de 18 a 24 anos com Ensino Superior completo ou cursando. DIÁLOGOS NÃO ESCREVA NO LIVRO Elaborado com base em ROUBICEK, Marcelo. A desigualdade racial do mercado de trabalho em 6 gráficos. Nexo Jornal, 13 nov. 2019.Disponível em: https:// www.nexojornal.com.br/expresso/2019/11/13/A-desigualdade-racial-do- mercado-de-trabalho-em-6-gr%C3%A1ficos. Acesso em: 9 jun. 2020. G rá fi c o s : F ó rm u la P ro d u ç õ e s /A rq u iv o d a e d it o ra (R $ ) 2012 0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Branca Preta ou parda Total Brasil: rendimento médio por cor ou raça – 2012-2018 Elaborado com base em MORENO, Ana Carolina. Taxa de jovens negros no ensino superior avança, mas ainda é metade da taxa dos brancos. G1, 6 nov. 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/11/06/ taxa-de-jovens-negros-no-ensino-superior-avanca-mas-ainda-e-metade-da- taxa-dos-brancos.ghtml. Acesso em: 9 jun. 2020. 33,5 32,9 36,1 16,8 18,3 0 20 10 30 40 2016 2017 2018 (% ) Cursando ou com Ensino Superior completo Brancos Pretos ou pardos 16,8 Brasil: jovens de 18 a 24 anos no Ensino Superior – 2018 a) Descreva os dados apresentados pelos grá- ficos e, em seguida, analise e compare as in- formações obtidas. É possível perceber uma relação entre a renda média da população e o ingresso no Ensino Superior? b) Elabore um breve texto argumentativo sobre o perfil da força de trabalho brasileira utilizan- do as informações fornecidas pelos gráficos. 2. Um dos principais polos mundiais de pesquisa e produção de tecnologia de ponta é a região de- nominada Vale do Silício, localizada no norte da Califórnia (Estados Unidos). Leia a reportagem a seguir, que trata da cultura de trabalho nesse setor de tecnologia, e responda às questões. Vale do Silício é obcecado por jovens e rejeita velhos Bob Crum finalmente deixou o setor de tec- nologia no ano passado, após décadas traba- lhando em empresas do Vale do Silício. Quando seu contrato com a Cisco terminou, ele tentou encontrar um emprego em outro lugar, mas ra- pidamente descobriu que, aos 62 anos, sua “vas- ta experiência” era vista como um impedimen- to, e não uma vantagem, no setor. “Eles me disseram ‘decidimos dar o emprego para alguém em fase inicial da carreira, pois a sua experiência é antiga’. São coisas dolorosas para se dizer a alguém qualificado”, conta Crum. “Depois de vários meses tentando voltar ao mun- do da tecnologia, eu simplesmente desisti e disse para mim mesmo que estava aposentado do se- tor.” Crum agora trabalha para uma instituição sem fins lucrativose também se prepara para abrir uma cervejaria artesanal. Mas ele ainda se ressente da maneira como foi tratado pelo setor obcecado por juventude – e aparentemente imu- ne às leis contra a discriminação por idade. Quando os trabalhadores do setor de tecno- logia chegam aos 45 anos, eles veem o número de ofertas de emprego cair, segundo pesquisa da Hired, plataforma de recrutamento do setor. Os salários também começam a cair aos 45 anos, com os candidatos na casa dos 50 e 60 pedindo a mesma remuneração de “millenials” com ape- nas dois anos de experiência. Laurie McCann, advogada da AARP, que de- fende os direitos das pessoas mais velhas nos Estados Unidos, diz que o preconceito de ida- de no setor tecnológico é “um problema muito Veja orientações e respostas no Manual do Professor. 121 V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_086a125.indd 121V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_086a125.indd 121 16/09/2020 11:5916/09/2020 11:59 grande”. Dois terços dos trabalhadores mais ve- lhos do setor afirmam já terem testemunhado ou sofrido discriminação no trabalho, segundo uma pesquisa feita em 2013 pela organização. “As pessoas se gabam do quanto sua força de trabalho é jovem e falam coisas depreciativas sobre os mais velhos, quase como se estivessem acima da lei”, diz. [...] Dan Lyons, autor do livro “Disrupted”, sobre sua experiência na startup HubSpot, diz que as empresas de tecnologia precisam reconhecer o valor de uma “força de trabalho multi-geracio- nal” e mostrar em seus relatórios de diversi- dade quantos trabalhadores mais velhos elas empregam. [...] KUCHLER, Hannah. Vale do Silício é obcecado por jovens e rejeita velhos. Valor Econômico, 3 ago. 2017. Disponível em: https://valor.globo.com/carreira/recursos-humanos/ noticia/2017/08/03/vale-do-silicio-e-obcecado-por-jovens-e- rejeita-velhos.ghtml. Acesso em: 4 jun. 2020. a) Levante algumas hipóteses a respeito do que leva ao preconceito de idade contra fun- cionários mais velhos nas empresas de tec- nologia. b) Reúna-se com um colega e discuta o valor e a relevância do emprego da força de traba- lho denominada multi-geracional, que agre- ga funcionários de idades diversas, confor- me proposto pelo autor Dan Lyons. Quais seriam suas possíveis vantagens? 3. Leia o texto abaixo e faça o que se pede adiante. Sistema de reconhecimento facial é usado para ridicularizar mulher de pijama na China Poderíamos argumentar que é impossível ri- dicularizar pessoas por algo que elas optam por fazer em público. Mas uma jovem identificada somente como Dong provavelmente pensou que apenas seus vizinhos de Suzhou a veriam do lado de fora de sua casa usando um roupão cor de rosa. Em vez disso, porém, uma foto de sua infração, exibindo seu nome e número de identidade, foi publicada nas redes sociais pelo governo, para que o mundo todo visse. “Quando esse tipo de coisa acontece é porque uma tecnologia muito sofisticada caiu nas mãos de burocratas de nível muito baixo”, afirmou ao Times a escritora Hung Huang, que também ado- ra usar pijamas. “E quando falo em baixo nível, quero dizer baixo nível de inteligência.” Há maneira mais traiçoeiras de uso da tec- nologia para controlar as pessoas, mas esse in- cidente evidencia o quão rapidamente o uso de tecnologias como o reconhecimento facial pode fugir do controle. Sistemas de vigilância de alta tecnologia nas mãos erradas, inteligentes ou não, causam preocupação. O colunista Farhad Manjoo, do Times, escreveu que justificava sua apatia em relação à privaci- dade porque pensava que não tinha nada a es- conder. Agora, ele vê a questão com outros olhos. “Será que quero que qualquer um descubra tudo ao meu respeito?”, escreveu ele. “E mais es- pecificamente: É sensato de nossa parte permi- tir que qualquer entidade descubra tudo sobre todo mundo? Porque é isso que está em jogo.” Manjoo afirmou estar preocupado com a pos- sibilidade de todas as comunicações ou pensa- mentos serem eventualmente detectados e ana- lisados - um tipo de vigilância que poderia amor- daçar o pensamento radical e a criatividade. “A humanidade seria capaz de sobreviver à possibilidade de algumas empresas saberem mais sobre todos nós do que qualquer um de nós poderia saber sobre nós mesmos?”, escre- veu ele. “Estou preocupado porque acho que logo seremos forçados a descobrir.” A empresa Clearview AI pode acelerar essa descoberta. Charlie Warzel escreveu no Times a respeito da empresa de reconhecimento facial que extrai bilhões de imagens das redes sociais e outros sites para auxiliar na identificação de pessoas com seu software. David Scalzo, um dos primeiros investidores da Clearview reconheceu que um possível mau uso desse sistema poderia levar a um futuro distópico - “ou algo assim”. Mas ele afirmou que não há sentido em bani-lo, porque a tecnologia inevitavelmente acabará com a privacidade. 122 V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_086a125.indd 122V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_086a125.indd 122 16/09/2020 11:5916/09/2020 11:59