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Uma notícia publicada no site do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) afirma que: Cerca de 70% das chuvas que caem sobre outras regiões do Brasil têm influência da Floresta Amazônica. FUNDO BRASILEIRO PARA A BIODIVERSIDADE (FUNBIO). Rios voadores, 6 nov. 2018. Disponível em: https://www.funbio.org.br/ rios-voadores/. Acesso em: 9 jul. 2020. MATERIAL Acesso ao documentário Rios voadores da Amazônia: sem floresta não tem água (Alemanha/Brasil: GIZ Brasil, 2018. 23 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v50Mwo5PVB0ro. Acesso em: 9 jul. 2020. O QUE FAZER 1. Em grupo, elaborem uma hipótese para explicar como é possível a Floresta Amazônica influenciar, em cerca de 70%, o regime de chuvas do Brasil. 2. Apresentem a hipótese de seu grupo para a turma e ouçam as dos outros grupos. As hipóteses apresen- tadas pelos demais grupos são semelhantes à elaborada por seu grupo? Caso sejam distintas, em que diferem? 3. Vocês conhecem a expressão “rios voadores”? O que seriam? 4. Leiam o trecho de texto a seguir e anotem as dúvidas no caderno. Fen™meno dos rios voadores Os rios voadores são “cursos de água atmosféricos”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos [�gura 1.2]. Essas cor- rentes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças, carregando umidade da bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Essa umidade, nas condições meteorológicas propícias, como uma frente fria vinda do sul, por exem- plo, se transforma em chuva. É essa ação de transporte de enormes quantidades de vapor de água pelas correntes aéreas que recebe o nome de rios voadores – um termo que descreve perfeitamente, mas em termos poéticos, um fenômeno real que tem um impacto significante em nossas vidas. Como acontece esse fenômeno? A Floresta Amazônica funciona como uma bomba d’água. Ela puxa para dentro do continente a umidade evaporada do oceano Atlântico e carregada pelos ventos alísios. Ao seguir terra adentro, a umidade cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração das árvores sob o sol tropical, a floresta devolve a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água. Dessa forma, o ar é sempre recarregado com mais umidade, que continua sendo transportada rumo ao oeste para cair novamente como chuva mais adiante. Propelidos em direção ao oeste, os rios voadores (massas de ar) recarregados de umidade – boa parte dela proveniente da evapotranspiração da floresta – encontram a barreira natural formada pela cordilheira dos Andes. Eles se precipitam parcialmente nas encostas leste da cadeia de monta- nhas, formando as cabeceiras dos rios amazônicos. Porém, barrados pelo paredão de 4 000 metros de altura, os rios voadores, ainda transportando vapor de água, fazem a curva e partem em direção ao sul, rumo às regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e aos países vizinhos [como Paraguai e Argentina]. É assim que o regime de chuva e o clima do Brasil se devem muito a um acidente geográfico [os Andes] localizado fora do país! A chuva, claro, é de suma importância para nossa vida, nosso bem-estar e para a economia do país. Ela irriga as lavouras, enche os rios terrestres e as represas que fornecem nossa energia. [...] Rios voadores INVESTIGAÇÃO 13Água em ambientes naturais e urbanos: usando a ciência para cuidar do planeta 010a041_V6_CIE_NAT_Mortimer_g21Sc_U1_Cap1_LA.indd 13010a041_V6_CIE_NAT_Mortimer_g21Sc_U1_Cap1_LA.indd 13 9/28/20 10:27 AM9/28/20 10:27 AM Por incrível que pa- reça, a quantidade de vapor de água evapo- rada pelas árvores da Floresta Amazônica pode ter a mesma ordem de grandeza, ou mais, que a va- zão do rio Amazonas (200 000 m3/s), tudo isso graças aos ser- viços prestados da floresta. Estudos promovi- dos pelo INPA [Ins- tituto Nacional de Pesquisas da Ama- zônia] já mostraram que uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro é capaz de bombear para a at- mosfera mais de 300 litros de água, em forma de vapor, em um único dia – ou seja, mais que o do- bro da água que um brasileiro usa diaria- mente! Uma árvore maior, com copa de 20 metros de diâ- metro, por exemplo, pode evapotrans- pirar bem mais de 1 000 litros por dia. Estima-se que haja 600 bilhões de ár- vores na Amazônia: imagine então quan- ta água a floresta toda está bombean- do a cada 24 horas! Todas as previsões indicam alterações importantes no clima da América do Sul em decorrência da substi- tuição de florestas por agricultura ou pastos. Ao avançar cada vez mais por dentro da floresta, o agronegócio pode dar um tiro no próprio pé com a eventual perda de chuva imprescindível para as plantações. O Brasil tem uma posição privilegiada no que diz respeito aos recursos hídricos. Porém, com o aquecimen- to global e as mudanças climáticas, que ameaçam alterar regimes de chuva em escala mundial, é hora de analisarmos melhor os serviços ambientais prestados pela Floresta Amazônica antes que seja tarde demais. EXPEDIÇÃO RIOS VOADORES. Fenômeno dos rios voadores. Disponível em: http://riosvoadores.com.br/o- projeto/fenomeno-dos-rios-voadores/#prettyphoto[post-65]/0. Acesso em: 9 jul. 2020. REFLEXÃO 1. O que são rios voadores? O texto forneceu evidências para validar ou refutar as hipóteses do grupo? 2. Assistam ao documentário Rios voadores da Amazônia: sem floresta não tem água. 3. O documentário forneceu evidências para validar ou refutar as hipóteses do grupo? Se sim, quais? # Figura 1.2 Ð Caminhos dos rios voadores. R e p ro d u ç ã o /P ro je to R io s V o a d o re s Na faixa equatorial do oceano Atlântico ocorre intensa evaporação. É lá que o vento carrega-se de umidade. A intensa evapotranspiração e condensação sobre a Amazônia produz a sucção dos alíseos, bombeando esses ventos para o interior do continente, gerando chuvas e fazendo mover os rios voadores. Essa umidade avança em sentido oeste até atingir a cordilheira dos Andes. Durante essa trajetória, o vapor de água sofre uma recirculação ao passar sobre a floresta. 2 3 1 Quando a umidade encontra a cordilheira dos Andes, parte dela se precipita novamente, formando as cabeceiras dos rios da Amazônia. 4 A umidade que atinge a região andina em parte retorna ao Brasil por meio dos rios voadores e pode precipitar em outras regiões. 5 Na fase final, os rios voadores ainda podem alimentar os reservatórios de água do Sudeste e da região Sul, dispersando-se pelos países fronteiriços, como Paraguai e Argentina. 6 14 Cap’tulo 1 010a041_V6_CIE_NAT_Mortimer_g21Sc_U1_Cap1_LA.indd 14010a041_V6_CIE_NAT_Mortimer_g21Sc_U1_Cap1_LA.indd 14 9/28/20 10:27 AM9/28/20 10:27 AM