Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

130
4.3. A televisão brasileira nos anos 1990. A chegada da televisão por assinatura. As emissoras 
alternativas
A década de 1990, no Brasil, começou com um profundo anseio de se pensar os rumos do país. A teledramaturgia 
torna-se mais madura e crítica, principalmente nas telenovelas e minisséries de Gilberto Braga. Ainda em 1989, 
ele é o autor de “Vale tudo”, um marco da televisão brasileira. Braga destila todos os preconceitos enraizados 
da elite brasileira em uma personagem como a famosa Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall. 
“Vale tudo” discute as corrupções políticas e cotidianas, como no último capítulo da novela, quando o personagem 
Marco Aurélio (Reginaldo Faria), um empresário inescrupuloso que, após se envolver com corrupção e, enquanto 
os seus “laranjas” são presos, foge em seu jatinho para fora do Brasil. Já em voo, Marco Aurélio vira para a 
janela e faz o gesto de “uma banana” para o país. 
Gilberto Braga já havia renovado a telenovela 
brasileira ao final dos anos 1970 com “Dancing 
Days” (1979). Após a redemocratização e as 
eleições de 1989, suas telenovelas e minisséries 
sempre mostraram um lado crítico sobre a 
situação do país. Em 1992, pleno período do 
impeachment do ex-presidente Collor, Braga 
escreve “Anos rebeldes” (1992), sendo a primeira 
vez que a dramaturgia televisiva trata de temas 
caros à história recente do país, como a repressão 
da ditadura militar, a luta armada, a tortura e a 
censura. Vejamos uma das cenas mais fortes da 
"Vale tudo" (1989), de Gilberto Braga
131
minissérie, quando Heloísa (Cláudia Abreu), militante 
política, sai da prisão e encontra seu pai, o banqueiro 
Fábio (José Wilker) e apresenta as marcas da tortura 
realizada pelo regime militar. A dramaturgia televisiva 
chega a um ponto alto, maduro, com potenciais de 
debater as principais questões históricas do país. Vejamos 
esta sequência aqui: https://youtu.be/9wIseywC3e8. 
Os anos 1990 marcam o início de processo de globalização 
econômica e cultural que vivemos. Com o fim da Guerra 
Fria no mundo e a estabilização da economia pelo Plano 
Real, no Brasil, a economia brasileira passa a incorporar os movimentos mundiais do capitalismo transnacional.
A televisão por assinatura chega ao Brasil, apresentando um rol de possibilidades para filmes, séries, jornalismo, 
esportes e variedades. A lei n. 8977/1995, a chamada Lei do Cabo, regulamenta o setor e exige das operadoras 
a disponibilização de seis canais de utilidade 
pública, sendo três legislativos: um da Câmara 
dos Deputados, um do Senado e outro partilhado 
entre as Assembleias Legislativas e as Câmaras 
de Vereadores. Os outros três são: um cultural, 
ligado ao executivo; um universitário e um 
comunitário, sem fins lucrativos.
"Pantanal" (1990), de Benedito Ruy Barbosa
"Castelo Rá-Tim-Bum" (1994-97) - TV Cultura
132
Esta lei permitiu a entrada de agentes públicos no mercado de televisão por assinatura, promovendo 
multiplicidade e o uso para serviços públicos.
Neste campo das televisões públicas, vale destacar o papel da TV Cultura, de São Paulo. Emissora pública de 
caráter educativo, a TV Cultura é mantida pela Fundação Padre Anchieta, do Governo do Estado de São Paulo, 
desde 1969.
A TV Cultura inovou em diversos formatos televisivos, no jornalismo, nos esportes, na teledramaturgia e nos 
programas infantis, um importante nicho da emissora nos anos 1980 e 1990. Dentre os programas da TV Cultura 
que contribuíram para renovar a dramaturgia infantil e infanto-juvenil há “Bambalalão” (1977-1990); “Rá-Tim-
Bum” (1990-1994); “Mundo da lua” (1992); “Castelo Rá-Tim-Bum” (1994-1997); “Cocoricó” (1996-2002).
Vamos assistir a famosa abertura do clássico infantil “Rá-Tim-Bum”: https://youtu.be/9c6w3wdFQpg. 
Nas televisões abertas, é um período de diminuição de hegemonia da TV Globo. A novela “Pantanal” (1990), 
veiculada pela extinta Rede Manchete, escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Jayme Monjardim, foi 
a primeira telenovela a superar a TV Globo no horário nobre com sua trama cheia de erotismo e paisagens do 
interior do país. 
Os anos 1990 também são marcados pela crescimento de audiência do chamado “jornalismo cão”, composto 
por reportagens sensacionalistas que exploram a violência cotidiana das grandes cidades, em programas como 
“Aqui agora” (1991-97) do SBT; junto a programas de auditório apelativos como “Ratinho livre” (1997-98) da 
Rede Record.
No campo da televisão segmentada, temos uma que contribuiu para a renovação dos formatos audiovisuais 
televisivos, a MTV Brasil. A MTV (Music Television) surgiu em 1981, nos Estados Unidos, veiculando videoclipes 
133
e programas sobre música. Logo se espalhou por diversos países do mundo. A MTV Brasil, ligado ao Grupo Abril, 
surgiu em 1990 e, durante esta década, foi uma das principais televisões voltadas ao público jovem.
Os seus programas de debates, como o “Barraco MTV”, as vinhetas criativas, os programas de videoclipes 
nacionais e internacionais nos mais diversos gêneros, contribuíram para uma reaproximação da indústria 
fonográfica com a televisão. 
O formato do videoclipe ganhou força como produto audiovisual, tanto para contribuir com a veiculação 
mercadológica das músicas, quanto também com inovações nas narrativas audiovisuais. 
A MTV Brasil também foi pioneira em debates sobre a AIDS na adolescência, quebrando tabus sobre sexualidade 
e apresentando programas sobre diversidade de gênero. A emissora foi a primeira a mostrar um beijo gay da 
televisão aberta brasileira, no programa “Fica comigo” (2001), apresentado por Fernanda Lima. 
A inovação que o suporte do videoclipe nos 
anos 1990 apresentou, teve na MTV Brasil o 
seu espaço de veiculação. Anteriormente, os 
videoclipes eram apresentados na televisão 
no programa da TV Globo, “Fantástico” 
e com a MTV, este formato teve seu auge 
criativo nos mais diversos ritmos musicais.
Para finalizar o debate sobre a televisão nos 
anos 1990, vamos assistir a um dos videoclipes 
mais famosos da década: “Diário de um 
detento” (1998) do grupo de rap Racionais 
MC’s: https://youtu.be/1WYfMDwPnfA
MTV Brasil. Disponível em: <https://i.ytimg.com/vi/sF6FXjQk7T4/maxresdefault.jpg>. 
Acesso em: 23 de mar. 2018.

Mais conteúdos dessa disciplina