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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, SOCIAIS E AGRÁRIAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA AGROALIMENTAR DISCIPLINA: Metodologia da Pesquisa Científica Prof. Amanda Marília da Silva Sant’Ana DEFINIÇÃO DO TEMA E DO TÍTULO (O QUÊ?) O tema é o assunto que desejamos provar ou desenvolver. Pode surgir de uma dificuldade prática enfrentada pelo pesquisador, da sua curiosidade científica, de desafios encontrados na leitura de outros trabalhos ou da própria teoria. Pode ter surgido pela entidade responsável, portanto, “encomendado”, o que, porém, não lhe tira o caráter científico. Independentemente de sua origem, o tema é, nessa fase, necessariamente amplo, precisando bem o assunto geral sobre o qual desejamos realizar a pesquisa. Do tema é feita a delimitação, que deve ser dotada de um sujeito e um objeto. Já o título, acompanhado ou não por subtítulo, difere do tema. Enquanto este último sofre um processo de delimitação e especificação, para torná-lo viável à realização da pesquisa, o título sintetiza o seu conteúdo. JUSTIFICATIVA (POR QUÊ?) É o único item do projeto que apresenta respostas à questão “por quê?”. De suma importância, geralmente é o elemento que contribui mais diretamente na aceitação da pesquisa pela(s) pessoa(s) ou entidade que vai financiá-la. A justificativa consiste em uma exposição sucinta, porém completa, das razões de ordem teórica e dos motivos de ordem prática que tornam importante a realização da pesquisa. Deve enfatizar: a) o estágio em que se encontra a teoria que diz respeito ao tema; b) as contribuições teóricas que a pesquisa pode trazer: confirmação geral, confirmação na sociedade particular em que se insere a pesquisa, especificação para casos particulares, clarificação da teoria, resolução de pontos obscuros; c) a importância do tema do ponto de vista geral; d) a importância do tema para casos particulares em questão; e) possibilidade de sugerir modificações no âmbito da realidade abarcada pelo tema proposto; f) descoberta de soluções para casos gerais e/ou particulares. g) A justificativa difere da revisão da bibliografia e, por esse motivo, não apresenta citações de outros autores. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA A formulação do problema prende-se ao tema proposto: ela esclarece a dificuldade específica com a qual nos defrontamos e que pretendemos resolver por intermédio da pesquisa. Para ser cientificamente válido, um problema deve passar pelo crivo das questões seguintes. O problema: - pode ser enunciado em forma de pergunta? - corresponde a interesses pessoais (capacidade), sociais e científicos, isto é, de conteúdo e metodológicos? Esses interesses estão harmonizados? - constitui-se o problema em questão científica, ou seja, relacionam-se entre si pelo menos duas variáveis? - pode ser objeto de investigação sistemática, controlada e crítica? - pode ser empiricamente verificado em suas consequências? O problema deve ser especificado com clareza, concisão e objetividade. Outras características importantes devem ser consideradas no momento da sua formulação. O problema deve ser: » compreensível; » individualizado; » específico; » inconfundível; » ter íntima relação com o tema, pois sua caracterização deve identificar o assunto do estudo. Por isso, precisamos nos esforçar para delimitar o problema de modo que ele não seja abrangente demais, caso contrário teremos dificuldade em conduzir as investigações e não conseguiremos chegar aos resultados desejados. Por falta de restrição do objeto de estudo, as buscas se voltarão a um campo do conhecimento muito vasto, dificultando que os objetivos sejam claramente traçados. Formulação do problema: Esclarecer a questão de pesquisa, definir o problema - O quê? Como? Observar: viabilidade; relevância; novidade; exequibilidade; oportunidade. A formulação do problema deve ser interrogativa, clara, precisa e objetiva; possuir solução viável; expressar uma relação entre duas ou mais variáveis; ser fruto de revisão de literatura e reflexão pessoal. O problema, assim, consiste em um enunciado explicitado de forma clara, compreensível e operacional, cujo melhor modo de solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio de processos científicos. Concluímos disso que perguntas retóricas, especulativas e afirmativas (valorativas) não são perguntas científicas. O problema de pesquisa pode ser enunciado de forma afirmativa quando se tratar de questão norteadora, se julgado pelo pesquisador que essa alternativa seja mais adequada em relação ao objeto de investigação. Nesse caso específico, informamos “Questão norteadora” e não “Problema de Pesquisa”; nesse particular, não há enunciado para delimitar hipótese. O problema é um dos aspectos mais importantes do seu estudo. Ele é, sim, o conhecimento que você deve buscar! É um questionamento sobre a realidade. Não deve ser uma questão de valor, e sim delimitado a uma dimensão viável! Exemplo: CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES As hipóteses constituem “respostas” supostas e provisórias ao problema. A principal resposta é denominada hipótese básica, podendo ser complementada por outras, que recebem a denominação de secundárias. Destacamos, no entanto, que há situações em que não se enuncia(m) hipótese(s) em função da especificidade da pesquisa, da investigação. TEMA: Relação entre características morfológicas e produtivas de clones de palma-forrageira (SILVA et al., 2010) R. Bras. Zootec., v. 39, n.11, 2010 PROBLEMA: Qual a relação entre características morfológicas e produtivas de clones de palma-forrageira? Características das hipóteses: - consistência lógica; - verificabilidade - simplicidade; - relevância; - apoio teórico; - especificidade; - plausibilidade; - clareza; - profundidade; - fertilidade; - originalidade Enunciado das hipóteses: - é uma suposição que fazemos na tentativa de explicar o problema; - como resposta e explicação provisória, relaciona duas ou mais variáveis do problema levantado; - deve ser testável e responder ao problema; - serve de guia na pesquisa para verificar sua validade. Surge de: - observação; - resultados de outras pesquisas; - teorias; - intuição. Uma hipótese aplicável deve: - Ser conceitualmente clara; - Ser específica (identificar o que deve ser observado); - Ter referências empíricas (verificável); - Ser parcimoniosa (simples); - Estar relacionada com as técnicas disponíveis; - Estar relacionada com uma teoria. Cabe-nos lembrar, contudo, por um lado, que em algumas pesquisas as hipóteses são implícitas e em outras são formalmente expressas. “Geralmente, naqueles estudos em que o objetivo é o de descrever determinado fenômeno ou as características de um grupo, as hipóteses não são enunciadas formalmente. Nesses casos, as hipóteses envolvem uma única variável e o mais frequente é indicá-la no enunciado dos objetivos da pesquisa.” (GIL, 2010). Por outro lado, ressaltamos que naquelas pesquisas que têm como objetivo verificar relações de associação ou dependência entre variáveis (GIL, 2010), o enunciado claro e preciso das hipóteses constitui requisito fundamental para o adequado desenvolvimento do estudo. REFERÊNCIAS VIANELLO, L. P. Métodos e Técnicas de Pesquisa