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Importância dos Jogos na Educação Infantil

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JOGOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
ALICE PINTO GIRELLI / RA: 2012437 
 
Nome do tutor: WILSON DA SILVA 
 
RESUMO 
 
O objetivo deste artigo é destacar a relevância dos Jogos e Brincadeiras na Educação Infantil, 
salientando que o ato de brincar pode contribuir de maneira abrangente para o 
desenvolvimento global das crianças, abarcando aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e 
sociais. A seleção desse tema para análise visa proporcionar aos educadores a compreensão 
da importância e do significado das atividades lúdicas nesse contexto educacional. A 
presença de elementos lúdicos é essencial na Educação Infantil, uma vez que os jogos, 
brinquedos e brincadeiras desempenham um papel significativo na construção do 
conhecimento dos estudantes, assim como na interação social com colegas e professores. A 
justificativa para a elaboração deste artigo reside na necessidade de aprofundar o estudo 
sobre a relevância dos jogos e brincadeiras na vida das crianças, especialmente no âmbito 
da Educação Infantil, fase em que o indivíduo vai formando sua subjetividade. A elaboração 
deste artigo apoiou-se em autores tais como: Levy Vygotsky (1991, 1979), Jean Piaget (1971), 
Tizuko Kishimoto (1997) e Friedmann (1996). Esses teóricos comentam que os jogos e 
brincadeiras são a base epistemológica da educação, sendo indispensáveis no processo de 
ensino-aprendizagem infantil. 
 
Palavras-chave: Educação Infantil. Brincadeiras. Jogos. Ludicidade. Aprendizagem. 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Este artigo tem como propósito analisar a relevância dos jogos e Brincadeiras 
na educação das crianças. É notório que os jogos e brincadeiras desempenham um 
papel crucial na Educação Infantil, pois permitem que a criança se desenvolva de 
maneira abrangente, integrando aspectos físicos, sociais, culturais, afetivos, 
emocionais e cognitivos, e também para que conquiste autonomia, habilidades e 
valores valiosos. 
É fundamental abordar esse assunto para promover uma reflexão sobre a 
qualidade da educação que é fornecida às nossas crianças nos dias de hoje. Portanto, 
este artigo se justifica pela necessidade de conscientizar os educadores sobre a 
importância de integrar o brincar na rotina infantil. Contudo, é crucial compreender que 
o uso do lúdico, dos jogos, das brincadeiras, da interação podem proporcionar 
experiências de aprendizagem significantes e essenciais para o desenvolvimento das 
crianças. Assim Kishimoto (1997) mostra que a brincadeira/jogo é instrumento de 
grande importância para aprendizagem no desenvolvimento infantil, pois se a criança 
aprende de maneira espontânea, o brinquedo passa a ter significado crucial na 
formação e na aprendizagem. 
A elaboração deste artigo norteou-se em alcançar objetivos específicos, os 
quais incluem a identificação da relevância dos jogos e brincadeiras na educação 
infantil. Destacamos que o ato de brincar pode favorecer a aquisição de 
conhecimentos e promover o desenvolvimento das crianças no ambiente escolar. 
Com o intuito de discorrer a importância dos jogos e brincadeiras na educação 
infantil, baseamos nossa argumentação em autores que defendem a qualidade da 
educação e valorizam a aprendizagem significativa para as crianças. Entre os 
principais nomes, merecem destaque: Levy Vygotsky (1991, 1979), Jean Piaget 
(1971), Tizuko Kishimoto (1997) e Friedmann (1996). 
 
2. DESENVOLVIMENTO 
 
2.1. LEGISLAÇÃO 
 
A partir de bases legais, temos garantido em âmbito nacional o Direito a 
Educação, conforme o artigo 205 da nossa Constituição Federal (1998): “A educação, 
direito de todos e dever do Estado e da família”. 
 As leis nacionais que garantem o direito a educação são muito importantes, 
pois com elas as crianças podem ter acesso a uma educação de qualidade. Além da 
Constituição Federal (1988), existem outras leis que regulamentam e complementam 
as legislações do direito à Educação Infantil, como: O Estatuto da Criança e 
Adolescente (Lei nº 8.069/1990) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(Lei nº 9.394/1996). 
Em união, estes mecanismos abrem as portas da escola pública fundamental 
a todos os brasileiros, já que nenhuma criança, jovem ou adulto pode deixar de 
estudar por falta de vaga. A educação trata-se de um direito fundamental social porque 
institui um processo de desenvolvimento individual próprio à condição humana. Além 
disso, ele deve ser visto, sobretudo, como um direito coletivo, com ações afirmativas 
do Estado que ofereçam à sociedade instrumentos para alcançar seus fins. 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), explicita 
no artigo 30, capítulo II, seção II que: “A educação infantil será oferecida em: I - 
creches ou entidades equivalentes para crianças de até três anos de idade; II - pré-
escolas, para as crianças de quatro a seis anos”. Este Referencial Curricular Nacional 
para a Educação Infantil adota a mesma divisão por faixas etárias contemplada nas 
disposições da LDB. Embora arbitrária do ponto de vista das diversas teorias de 
desenvolvimento, buscou-se apontar possíveis regularidades relacionadas aos 
aspectos afetivos, emocionais, cognitivos e sociais das crianças das faixas etárias 
abrangidas. No entanto, em alguns documentos fez-se uma diferenciação para os 
primeiros 12 meses de vida da criança, considerando-se as especificidades dessa 
idade. A opção pela organização dos objetivos, conteúdos e orientações didáticas por 
faixas etárias e não pela designação institucional — creche e pré-escola — pretendeu 
também considerar a variação de faixas etárias encontradas nos vários programas de 
atendimento nas diferentes regiões do país, não identificadas com as determinações 
da LDB. 
 
2.2. O BRINCAR 
 
 
Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998): 
O brincar apresenta-se por meio de várias categorias de experiências que 
são diferenciadas pelo uso do material ou dos recursos predominantemente 
implicados. Essas categorias incluem: o movimento e as mudanças da 
percepção resultantes essencialmente da mobilidade física das crianças; a 
relação com os objetos e suas propriedades físicas assim como a 
combinação e associação entre eles; a linguagem oral e gestual que 
oferecem vários níveis de organização a serem utilizados para brincar; os 
conteúdos sociais, como papéis, situações, valores e atitudes que se referem 
à forma como o universo social se constrói; e, finalmente, os limites definidos 
pelas regras, constituindo-se em um recurso fundamental para brincar. Estas 
categorias de experiências podem ser agrupadas em três modalidades 
básicas, quais sejam, brincar de faz-de-conta ou com papéis, considerada 
como atividade fundamental da qual se originam todas as outras; brincar com 
materiais de construção e brincar com regras. 
As brincadeiras de faz-de-conta, os jogos de construção e aqueles que 
possuem regras, como os jogos de sociedade (também chamados de jogos 
de tabuleiro), jogos tradicionais, didáticos, corporais etc., propiciam a 
ampliação dos conhecimentos infantis por meio da atividade lúdica. 
 
A intervenção intencional baseada na observação das brincadeiras das 
crianças, oferecendo-lhes material adequado, assim como um espaço estruturado 
para brincar permite o enriquecimento das competências imaginativas, criativas e 
organizacionais infantis. Cabe ao professor organizar situações para que as 
brincadeiras ocorram de maneira diversificada para propiciar às crianças a 
possibilidade de escolherem os temas, papéis, objetos e companheiros com quem 
brincar ou os jogos de regras e de construção, e assim elaborarem de forma pessoal 
e independente suas emoções, sentimentos, conhecimentos e regras sociais. 
É preciso que o professor tenha consciência que na brincadeira as crianças 
recriam e estabilizam aquilo que sabem sobre as mais diversas esferas do 
conhecimento, em uma atividade espontânea e imaginativa. Nessa perspectiva não 
sedeve confundir situações nas quais se objetiva determinadas aprendizagens 
relativas a conceitos, procedimentos ou atitudes explícitas com aquelas nas quais os 
conhecimentos são experimentados de uma maneira espontânea e destituída de 
objetivos imediatos pelas crianças. Pode-se, entretanto, utilizar os jogos, 
especialmente aqueles que possuem regras, como atividades didáticas. É preciso, 
porém, que o professor tenha consciência que as crianças não estarão brincando 
livremente nestas situações, pois há objetivos didáticos em questão. 
 
2.3. BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
A introdução de brinquedos e brincadeiras na educação infantil implica definir 
o que se pensa da criança. A criança, mesmo que pequena, sabe muitas coisas: toma 
decisões, escolhe o que quer fazer, interage com pessoas, expressa o que sabe fazer 
e mostra em seus gestos, em um olhar, uma palavra, como é capaz de compreender 
o mundo. Entre as coisas de que a criança gosta está o brincar, que é um dos seus 
direitos. O brincar é uma ação livre, que surge a qualquer hora, iniciada e conduzida 
pela criança; dá prazer, não exige como condição um produto final; relaxa, envolve, 
ensina regras, linguagens, desenvolve habilidades e introduz a criança no mundo 
imaginário. Para a criança, o brincar é a atividade principal do dia a dia. É importante 
porque dá a ela o poder de tomar decisões, expressar sentimentos e valores, conhecer 
a si, aos outros e o mundo, de repetir ações prazerosas, de partilhar, expressar sua 
individualidade e identidade por meio de diferentes linguagens, de usar o corpo, os 
sentidos, os movimentos, de solucionar problemas e criar. Ao brincar, a criança 
experimenta o poder de explorar o mundo dos objetos, das pessoas, da natureza e da 
cultura, para compreendê-lo e expressá-lo por meio de variadas linguagens. Mas é no 
plano da imaginação que o brincar se destaca pela mobilização dos significados. 
Enfim, sua importância se relaciona com a cultura da infância, que coloca a brincadeira 
como ferramenta para a criança se expressar, aprender e se desenvolver. 
A pouca qualidade da educação infantil pode estar relacionada com a oposição 
que alguns estabelecem entre o brincar livre e o dirigido. É preciso desconstruir essa 
visão equivocada para pensar na criança inteira, que, em sua subjetividade, aproveita 
a liberdade que tem para escolher um brinquedo para brincar e a mediação do adulto 
ou de outra criança, para aprender novas brincadeiras. A criança não nasce sabendo 
brincar, ela precisa aprender, por meio das interações com outras crianças e com os 
adultos. Ela descobre, em contato com objetos e brinquedos, certas formas de uso 
desses materiais. Observando outras crianças e as intervenções da professora, ela 
aprende novas brincadeiras e suas regras. Depois que aprende, pode reproduzir ou 
recriar novas brincadeiras. Assim, ela vai garantindo a circulação e preservação da 
cultura lúdica. 
O brincar desperta a curiosidade das crianças pela exploração de objetos e 
brinquedos e as leva a ver o que se pode fazer com cada objeto: uma bola pode rolar, 
pular, mas pode também ser mordida para se experimentar a textura. A criança se 
encanta quando descobre o botão que aciona o som da caixa de música e o aciona 
repetidas vezes pelo prazer de ouvir o som. Encanta-se quando vê reaparecer um 
objeto que enfiou na abertura de uma caixa. Questiona a razão de a água não parar 
na peneira, o que a faz pensar na hipótese de “segurar” a água com a mão debaixo 
da peneira. É assim que as crianças vão aprendendo, experimentando e repetindo 
várias vezes, em contato com os objetos do mundo físico, o que cada coisa faz e o 
que se pode fazer com cada coisa. 
De acordo com Kishimoto (1994) o brinquedo é representado como um “objeto 
suporte da brincadeira”, ou seja, brinquedo aqui estará concebido por objetos como 
piões, bonecas, carrinhos etc. Os brinquedos podem ser considerados: estruturados 
e não estruturados. São designados de brinquedos estruturados aqueles que já são 
adquiridos prontos, é o caso dos exemplos acima. 
Piaget e Vygotsky também consideraram o brincar como um aspecto 
fundamental do desenvolvimento Infantil. Rolim, Guerra e Tassigny (2008) nos dizem 
que “Vygotsky, ao longo de sua obra, discute aspectos da infância, destacando-se 
suas contribuições acerca do papel que o brinquedo desempenha, fazendo referência 
a sua capacidade de estruturar o funcionamento psíquico da criança”. E Mattos e Faria 
(2011) afirmam que, para Piaget, o jogo “é a construção do conhecimento, 
principalmente, nos períodos sensório motor e pré-operatório”. 
Considerando a importância do brincar para o desenvolvimento da criança, e 
respaldados por pesquisas e trabalhos de importantes autores, voltaremos o nosso 
olhar para a influência dos jogos e brincadeiras no desenvolvimento das crianças. 
 
2.4. O PAPEL DO PROFESSOR 
 
Na educação, o professor precisa saber que o educar também é propiciar 
situações de brincadeiras na aprendizagem, para que de uma forma orientada, ele 
venha a contribuir com o desenvolvimento das capacidades infantis e nas relações 
entre si, se aceitando, respeitando e tendo confiança, como jogos, empilhar blocos, 
lego, brincadeiras de rodas, cantigas, contar história. É possível conhecer a realidade 
social e cultural de cada aluno através do brincar, por que quando ele brincar, ele vai 
colocar em prática a sua realidade vivida dentro do seu contexto social, ele reproduzirá 
essa realidade. Por isso o papel do professor como mediador das atividades que 
envolvam brincadeira é importante, segundo o Referencial Curricular Nacional para a 
Educação Infantil (1998): 
O professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, 
organizando e propiciando espaços e situações de aprendizagens que 
articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e 
cognitivas de cada criança aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos 
referentes aos diferentes campos de conhecimento humano. Na instituição 
de educação infantil o professor constitui-se, portanto, no parceiro mais 
experiente, por excelência, cuja função é propiciar e garantir um ambiente 
rico, prazeroso, saudável e não discriminatório de experiências educativas e 
sociais variadas. 
 
O professor que trabalha na educação infantil deve entender que é ele quem 
conduz todo o processo de brincadeira na sala de aula, atendendo a cada faixa etária 
e as necessidades das crianças. É preciso que o professor possa coordenar a 
brincadeira não somente oferecendo brinquedos. Ele precisa se envolver juntamente 
com as crianças, não somete mostrando como se brinca, mas sugerindo, propondo e 
participando, para que ele possa ver as habilidades de cada aluno e seu avanço no 
desenvolvimento de aprendizagem. 
 
 
Essa individualidade que cada criança tem ao brincar de inventar, cabendo ao 
professor planejar, sem entregar conceitos prontos, mas observando cada descoberta 
e encorajando a descobrir e a se conhecer. Logo, o professor é essencial nesse 
processo, assim como afirma o Referencial Curricular Nacional para a Educação 
Infantil (1998): 
O educador não precisa ensinar a criança a brincar, pois este é um ato que 
acontece espontaneamente, mas sim planejar e organizar situações para que 
as brincadeiras ocorram de maneira diversificada, propiciando às crianças a 
possibilidade de escolher os temas, papéis, objetos e companheiros com 
quem brincar. Dessa maneira, poderão elaborar de forma pessoal e 
independente suas emoções, sentimentos, conhecimentos e regras sociais. 
 
2.5. O OLHAR DE PIAGET 
 
Piaget conceituava o termo jogo, como a ação de brincar, o que era próprio da 
infância e era fundamental para o desenvolvimento e aprendizagem da criança. Ele 
definiu o jogo em três diferentes tipos: o jogo simbólico, o de regra e o de exercício. 
Os jogos de exercício, são os jogos da primeira infância,onde o bebê manipula os 
objetos com ações repetitivas para o seu próprio prazer. Por volta dos 2 até 4 anos, 
surge os jogos simbólicos, que são os jogos de faz de conta, no qual a criança usa a 
imaginação, para representar situações e comportamentos. Essa fase é de extrema 
importância, pois é onde a criança desenvolve a leitura e a escrita. E por último está 
o jogo de regra, que se inicia a partir dos 5 anos de idade. São jogos de regras básicas, 
regras de comportamento, que exige interação com outras crianças. 
Segundo Piaget (1978) “através dos jogos de regras, as atividades lúdicas 
atingem um caráter educativos, tanto na formação psicomotora, como também na 
formação da personalidade da criança”. Através desses jogos as crianças aprendem 
a resolver conflitos, a convivência com outras crianças, desenvolvem seu caráter, 
permitem a flexibilidade e a se comportar de maneira mais elaborada qualitativamente 
novo. Para Piaget, o jogo é um estimulador da formação do pensamento e 
conhecimento, então é através dele que a criança aprende e se desenvolve 
integralmente. 
Para compreender a visão piagetiana do brincar, em especial o brincar na faixa 
etária de 0 a 5 anos, é necessário levar em consideração os estágios de 
desenvolvimento que foram estabelecidos por Piaget. Na concepção Piagetiana, 
existem 4 estágios de formação cognitiva, sendo eles: 
2.5.1. Sensório-motor: de 0 a 2 anos 
 
Nesta fase do desenvolvimento infantil, as crianças desenvolvem a capacidade 
de se concentrar em sensações e movimentos. O bebé começa a interagir com o 
mundo exterior, interessando-se pelos estímulos que ele proporciona. Durante esse 
período se desenvolve a coordenação motora. Os bebés nessa faixa etária só têm 
consciência daquilo que podem ver e é por isso que choram quando a mãe sai do seu 
campo de visão, mesmo que ela esteja muito perto. 
 
2.5.2. Pré-operatório: de 2 a 7 anos 
 
Essa etapa do desenvolvimento cognitivo, caracterizada pela entrada da 
criança no sistema educacional formal, envolve o desenvolvimento da lógica e o uso 
de categorias para classificar os objetos e a realidade. Nessa fase, algumas vezes a 
criança não tem a real percepção dos acontecimentos, mas sim a sua própria 
interpretação. 
Durante esse período a empatia se desenvolve, mas também é possível notar 
uma fase bastante acentuada do egocentrismo. É a fase dos “porquês”, da exploração 
da imaginação. 
 
2.5.3. Operatório concreto: de 8 a 12 anos 
 
Nessa fase começa a ser demonstrado o início do pensamento lógico concreto 
e as normas sociais já começam a fazer sentido para a criança. Nesta fase de 
desenvolvimento, as crianças começam a aprender e praticar operações matemáticas 
simples. A criança consegue entender que um copo fino e alto ou um copo baixo e 
grosso podem comportar a mesma quantidade de líquido. 
Nessa faixa etária, o desenvolvimento da criança já contempla conhecimentos 
sobre regras sociais e sobre o senso de justiça. 
 
2.5.4. Operatório formal: a partir dos 12 anos 
 
Aos 12 anos a criança já possui a capacidade de compreender situações 
abstratas e experiências de outras pessoas. Nesta fase é possível notar avanços em 
vários aspetos: 
 Desenvolvimento de uma maior capacidade de gerar conclusões 
abstratas a partir do pensamento lógico; 
 Compreensão da existência de modos de pensar diferentes dos seus, 
principalmente nos primeiros anos da adolescência; 
 A partir desse estágio de desenvolvimento, as crianças começam a 
formular hipóteses para si mesmas, até mesmo sobre aspetos da 
realidade que ainda não conhecem. 
Mattos e Faria (2011) pautam seu artigo “Jogo e Aprendizagem” com base na 
teoria de Piaget, os autores dizem que, na visão piagetiana, o jogo se inicia nos 
comportamentos sensório-motores, quando as reações circulares se prologam em 
jogos, isto é, as ações passam a ser repetidas “unicamente pelo prazer que esta 
repetição lhe proporciona” (MATTOS; FARIA, 2011). 
Meneses (2012) explica as reações circulares da seguinte maneira: “a criança, 
depois de executar por acaso uma ação que provoca uma satisfação, passa a repetir 
essa mesma ação repetidas vezes, o que é chamado de reação circular”. Inicialmente, 
quando do acaso da execução prazerosa, a criança faz o processo de assimilação. 
Posteriormente, na repetição característica das reações circulares, ela, então, passa 
para o processo de acomodação. Para Mattos e Faria (2011) “verifica-se que os 
esforços adaptativos, típicos de uma nova reação circular iniciada, são transformados 
em Jogo”. Nessa fase, os jogos são chamados, por Piaget (1971), de jogos de 
exercício. 
Para Piaget (1971) o jogo simbólico também contém características do jogo de 
exercício, mas recebe essa denominação “na medida em que ao simbolismo se 
integram os demais elementos” e também “as suas funções se afastam cada vez mais 
do simples exercício”. Piaget cita, ainda, o “jogo simbólico solitário” e o “simbolismo a 
dois ou a muitos”, porém não os distingue como categorias. 
 
É construindo representações que a criança registra, pensa, lê o mundo 
através do jogo simbólico, do faz-de-conta, a criança assimila a realidade 
externa adulta à sua realidade interna. A hora do jogo é um momento 
carregado de significações. A criança tem necessidade de vivenciar o jogo 
simbólico: quando a criança brinca, joga ou desenha, está desenvolvendo a 
capacidade de representar, de simbolizar. Está interagindo com o mundo. 
Está recebendo, internalizando ideias e sentimentos. E está dando sua 
resposta criativa (MATTOS; FARIA, 2011). 
2.6. O OLHAR DE VYGOTSKY 
 
O desenvolvimento humano, o aprendizado e as relações entre 
desenvolvimento e aprendizado são temas centrais nos trabalhos de Vygotsky. 
Segundo Vygostsky (1998), para entendermos o desenvolvimento da criança, 
é necessário levar em conta as necessidades dela e os incentivos que são eficazes 
para colocá-las em ação. O seu avanço está ligado a uma mudança nas motivações 
e incentivos, por exemplo: aquilo que é de interesse para um bebê não o é para uma 
criança um pouco maior. A criança satisfaz certas necessidades no brinquedo, mas 
essas necessidades vão evoluindo no decorrer do desenvolvimento. Assim, como as 
necessidades das crianças vão mudando, é fundamental conhecê-las para 
compreender a singularidade do brinquedo como uma forma de atividade. 
O papel do brinquedo, no contexto da teoria de Vygotsky é servir de base para 
a satisfação de certas necessidades da criança, e estas necessidades “vão evoluindo 
no decorrer do desenvolvimento” (ROLIM; GUERRA; TASSIGNY, 2008). Crianças 
muito pequenas, privadas da capacidade de criar situações imaginárias, tendem a ter 
seu comportamento, suas necessidades e desejos vinculados a situações concretas, 
relacionadas intimamente com os seus sentidos. Nas palavras do próprio Vygotsky 
(1991), “a tendência de uma criança muito pequena é satisfazer seus desejos 
imediatamente; normalmente, o intervalo entre um desejo e a sua satisfação é 
extremamente curto”. Todavia, crianças que já possuem a capacidade imaginativa 
podem desejar coisas e até mesmo situações impossíveis de serem realizadas no 
momento do seu desejo. 
Para Vygotsky (1991) o brinquedo surge a partir dessas necessidades 
irrealizáveis, como um meio que permite à criança, ao adentrar no campo imaginativo, 
realizar o seu desejo. Vygotsky (1991) nos fala de dois paradoxos contidos no 
brinquedo: 
O primeiro paradoxo contido no brinquedo é que a criança opera com um 
significado alienado numa situação real. O segundo é que, no brinquedo, a 
criança segue o caminho do menor esforço – ela faz o que mais gosta de 
fazer, porque o brinquedo está unido ao prazer – e ao mesmo tempo, aprende 
a seguir os caminhos mais difíceis, subordinando-se a regras e, por 
conseguinte renunciando ao que ela quer, uma vez que a sujeição a regras e 
a renúncia a ação impulsiva constitui o caminho para o prazerdo brinquedo. 
 
Vygotsky defende a ideia que através da brincadeira que a criança se expressa 
e constrói o seu próprio pensamento. Ela usa a brincadeira para basear seu 
comportamento e fará com que a criança internalize regras de conduta, valores, modo 
de agir e de pensar de seu grupo social, que passará a orientar o seu comportamento 
e desenvolvimento cognitivo. 
 
2.7. O OLHAR DE KISHIMOTO 
 
O brincar é uma ação livre da criança, pode acontecer a qualquer hora e em 
qualquer lugar, é uma rotina na vida desse sujeito. É através do brincar que a criança 
se expressa, aprende e se desenvolve. É brincando que ela satisfaz as necessidades 
que surgem no seu cotidiano, para ela as atividades com brincadeiras, além de serem 
muito prazerosas, é a forma no qual ela se expressa, como ela ordena seus 
pensamentos, organiza e desorganiza, constrói e reconstrói seu mundo. 
(KISHIMOTO, 2010). 
Aos poucos a criança percebe que durante a brincadeira o objeto não é da 
maneira que ele é, mas como desejaria que fosse. Na aprendizagem formal isso não 
é possível, mas no brinquedo isso acontece, porque é onde os objetos perdem a sua 
força dominadora. (KISHIMOTO, 2009). 
 
2.8. A INFLUÊNCIA DOS JOGOS PARA A APRENDIZAGEM INFANTIL 
 
De acordo com os estudos de Ribeiro e Souza (2011), “os jogos educativos são 
aqueles que contribuem para formação das crianças e geralmente são direcionados 
para a educação infantil”. Essas autoras ainda elucidam teoricamente que os jogos 
são divididos em dois grupos: os de enredo e os de regras. 
Os primeiros são chamados de jogo imaginativo como, por exemplo, as fábulas; 
essa modalidade estimula o desenvolvimento cognitivo e afetivo-social da criança, 
pois elas vivenciam o comportamento do adulto. Quanto o segundo pode-se citar o 
jogo de dominó; neste a imaginação está limitada, pois são as normas que norteiam 
o jogo, exigindo atenção para o seu desenvolvimento (RIBEIRO; SOUZA, 2011). 
Segundo Kishimoto (1994), o jogo, vincula se ao sonho, a imaginação, ao 
pensamento e ao símbolo. É uma proposta para a educação de criança (e educadores 
de crianças) com base no jogo e nas linguagens artísticas. A concepção de Kishimoto 
sobre o homem com seu símbolo, que se constrói coletivamente e cuja capacidade 
de pensar está ligada a capacidade de sonhar, imaginar e jogar com a realidade é 
fundamental para propor uma nova “pedagogia da criança”. Kishimoto vê o jogar como 
gênero da “metáfora” humana. Ou, talvez, aquilo que nos torna realmente humanos. 
Para Kishimoto (1997): 
O uso do brinquedo/jogo educativo com fins pedagógicos remete-nos para a 
relevância desse instrumento para situações de ensino-aprendizagem e de 
desenvolvimento infantil. Se considerarmos que a criança pré-escolar 
aprende de modo intuitivo adquire noções espontâneas, em processos 
interativos, envolvendo o ser humano inteiro com cognições, afetivas, corpo 
e interações sociais, o brinquedo desempenha um papel de grande relevância 
para desenvolvê-la. 
 
Assim Kishimoto (1997) mostra que a brincadeira/jogo é instrumento de grande 
importância para aprendizagem no desenvolvimento infantil, pois se a criança aprende 
de maneira espontânea, o brinquedo passa a ter significado crucial na formação e na 
aprendizagem. 
Kishimoto (1997) traz uma coletânea com diversos artigos e um alerta para os 
educadores, para que eles possam descobrir a verdadeira importância do jogo na 
educação infantil. A autora atenta para que os professores não venham ver o jogo 
como um mero momento de distração, pois a educação infantil oferece muito mais do 
que um mundo de sonhos e imaginação. É neste momento do jogo que a criança 
absorve o máximo de informações. 
Kishimoto (1993) afirma que os jogos têm diversas origens e culturas que são 
transmitidas pelos diferentes jogos e formas de jogar. Este tem função de construir e 
desenvolver uma convivência entre as crianças estabelecendo regras, critérios e 
sentidos, possibilitando assim, um convívio mais social e democracia, porque 
“enquanto manifestação espontânea da cultura popular, os jogos tradicionais têm a 
função de perpetuar a cultura infantil e desenvolver formas de convivência social” 
(KISHIMOTO, 1993). 
Kishimoto (2001) fala que o jogo pode ser visto como um objeto, uma atividade 
que possui um sistema de regras a ser obedecido pelos participantes e que distinguem 
uma modalidade de outra, também pode ser apenas um vocábulo usado no cotidiano 
para designar algo dentro de um determinado contexto social. Assim, pode-se 
compreender o jogo: diferenciando significados atribuídos a ele por culturas 
diferentes, pelas regras ou pela situação imaginária que possibilita a delimitação das 
ações em função das regras e pelos objetos que o caracterizam. 
Ao trazer esses sentidos para o termo jogo ela esclarece cada um deles e diz 
que no primeiro sentido “[...] enquanto fato social, o jogo assume a imagem e o sentido 
que cada sociedade lhe atribui.” (KISHIMOTO, 2001). Por conta disso, o termo jogo 
pode possuir significados distintos, de acordo com a cultura e a época. O segundo 
sentido se refere ao sistema de regras característica de cada jogo, na qual é possível 
distingui-lo dos demais. 
O terceiro trata o jogo como o objeto que o materializa, pois, alguns jogos não 
podem acontecer sem um determinado objeto. 
Friedmann (1996) afirma que é necessário dar atenção especial ao jogo, pois 
as crianças têm o prazer de realizar tarefas através da ludicidade. E quando isto a 
acontece vivência o mundo imaginário e assim se afasta da sua vida habitual. O 
brincar na escola é diferente do brincar em outro lugar, a brincadeira na escola tem 
como finalidade o aprendizado da criança envolvendo assim toda a equipe 
pedagógica. 
Friedmann (1995) contempla as três formas de jogo de acordo com a teoria de 
Piaget, tais formas são baseadas nas estruturas mentais, a primeira forma é o: 
Jogos de Exercício Sensorimotor - Caracterizam a etapa que vai do 
nascimento até o aparecimento da linguagem, apesar de reaparecerem 
durante toda a infância O jogo surge primeiro, sob a forma de exercícios 
simples cuja finalidade é o próprio prazer do funcionamento. Esses exercícios 
caracterizam-se pela repetição de gestos e de movimentos simples e têm 
valor exploratório. Dentro desta categoria podemos destacar os seguintes 
jogos: sonoro, visual, tátil, olfativo, gustativo, motor e de manipulação. 
 
Para exemplificar os jogos de exercício sensórios motores que são trabalhados 
na educação infantil citarão as músicas como meio de estimular a audição, as 
minibolas para o tato, as refeições para o paladar e as brincadeiras com as bolas 
grandes para aprimorar o desenvolvimento físico-motor. 
Segundo Friedmann (1995) a segunda forma é o: 
Jogo Simbólico - Entre os dois e os seis anos a tendência lúdica predominante 
se manifesta sob a forma de jogo simbólico. Nesta categoria o jogo pode ser 
de ficção ou de imitação, tanta no que diz respeito à transformação de objetos 
quanto ao desempenho de papéis. A função do jogo simbólico consiste em 
assimilar a realidade. É através do faz-de-conta que a criança realiza sonhos 
e fantasias, revela conflitos interiores, medos e angústias, aliviando tensões 
e frustrações. O jogo simbólico é também um meio de auto-expressão: ao 
reproduzir os diferentes papéis (de pai, mãe, professor, aluno etc.), a criança 
imita situações da vida real. Nele, aquele que brinca dá novos significados 
aos objetos, às pessoas, às ações, aos fatos etc., inspirando-se em 
semelhanças mais ou menos fiéis às representadas. Dentro dessa categoria 
destacam-se os jogos de faz-de-conta, de papéis e de representação (estas 
denominações variam de um autor para outro). 
 
O teatro, os contos, as fabula são elementos para se trabalhar os jogos 
simbólicos, pois é nesta fase a criança exterioriza todos os seus sentimentos, elas 
imitam as situações que são vivenciadas noseu dia-a-dia. A imaginação é 
fundamental para a realização destes jogos. 
Para Friedmann (1995) a terceira forma é o: 
Jogos de Regras - Começam a se manifestar entre os quatro e sete anos e 
se desenvolvem entre os sete e os doze anos. Aos sete anos a criança deixa 
o jogo egocêntrico, substituindo-o por uma atividade mais socializada onde 
as regras têm uma aplicação efetiva e na qual as relações de cooperação 
entre os jogadores são fundamentais. No adulto, o jogo de regras subsiste e 
se desenvolve durante toda a vida por ser a atividade lúdica do ser 
socializado. Há dois casos de regras: - regras transmitidas - nos jogos que se 
tomam institucionais, diferentes realidades sociais, se impõem por pressão 
de sucessivas gerações (jogo de bolinha de gude, por exemplo); - regras 
espontâneas - vêm da socialização dos jogos de exercício simples ou dos 
jogos simbólicos. São jogos de regras de natureza contratual e momentânea. 
Os jogos de regras são combinações sensorimotoras (corridas, jogos de bola) 
ou intelectuais (cartas, xadrez) com competição dos indivíduos e 
regulamentados por um código transmitido de geração a geração, ou por 
acordos momentâneos. 
 
Neste jogo as crianças têm regras a serem cumpridas, onde precisam se 
interagir umas com as outras. É preciso que suceda o entendimento e o 
comprometimento de ambas às partes para então executar o jogo. Desta forma os 
exemplos para estes jogos são: futebol, xadrez e etc. 
Friedmann (1995) afirma que o jogo contribui para o desenvolvimento da 
criança principalmente na educação infantil, onde é dada a oportunidade de manuseio 
com objetos em um ambiente favorável para o seu aprendizado e com isso ela retém 
o conhecimento. É fundamental acreditarmos no jogo como elemento importante no 
que diz respeito ao aprendizado e que é essencial obter conhecimentos sobre as 
atividades lúdicas no que se refere à educação infantil, pois através dessas atividades 
a criança auto-expressa. 
Contudo, ao considerar o corpo, o modo de ação sobre o mundo e as relações 
que o cercam, a atuação crítica da criança na sociedade, como sujeito da história, 
poderá ser resultado da ação pedagógica através do lúdico pois, para a criança, o 
espaço é o corpo vivido, descoberto e conquistado com suas próprias vivências, 
sendo estas a referência básica para que ela primeiro se localize e depois aos outros 
entre si. Portanto, é muito importante que os educadores utilizem os jogos e 
brincadeiras lúdicos como norteadoras da aprendizagem e não apenas como meros 
momentos de recreação, pois tratam-se de atividades vividas e sentidas, repletas de 
fantasia e realidade, ressignificação, percepção, momentos de autoconhecimento e 
pela imaginação. No jogo educativo com função lúdica, o que importa não é o produto 
da atividade, o que dela resulta, mas a apropriação, o processo daquilo que é vivido, 
o que torna um recurso facilitador da aprendizagem e muito mais prazeroso para os 
alunos. 
 
 
3. CONCLUSÃO 
 
Com base nas pesquisas realizadas, foi percebido o quanto os jogos e as 
brincadeiras são essenciais para o desenvolvimento completo da criança, abrangendo 
os aspectos físico, cognitivo, sensorial, motor, social e cultural. Essas atividades 
facilitam a aprendizagem, promovem a autonomia infantil e contribuem de forma 
significativa para a assimilação de conhecimentos de maneira prazerosa, 
favorecendo, assim, o processo de ensino-aprendizagem. É importante ressaltar que 
a utilização de jogos e brincadeiras com diferentes finalidades estimula a imaginação 
e a curiosidade das crianças, resgata brincadeiras que despertam interesse e 
proporcionam prazer, resultando em aprendizado significativo, envolvente e 
prazeroso. Dessa forma, é possível criar um ambiente propício para o pleno 
desenvolvimento infantil. 
É por meio da brincadeira que a criança inicia suas primeiras interações com 
outras crianças, com os brinquedos e com o ambiente ao seu redor. A partir desse 
momento, ela começa a experimentar e aprender a lidar com suas emoções, a criar, 
recriar, descobrir, encantar-se, socializar, interagir, encontrar seu lugar no mundo, se 
descobrir, reinventar-se e inovar ao se deparar com um jogo ou ao brincar com um 
brinquedo. Assim, por meio desta pesquisa, foi possível ampliar a compreensão sobre 
o papel dos jogos e brincadeiras, reconhecendo sua relevância para fornecer 
condições adequadas ao desenvolvimento físico, motor, emocional, cognitivo e social 
das crianças. 
 
4. REFERÊNCIAS 
 
 
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