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LOGÍSTICA GLOBAL E A SUA 
IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Carla Diógenes 
 
AULA 6 
 
 
2 
TEMA 1 – LOGÍSTICA REVERSA NO COMÉRCIO INTERNACIONAL 
A logística reversa é uma prática cada vez mais comum e importante no 
ambiente empresarial. Organizações que atuam no ambiente nacional e/ou 
internacional têm encontrado, nessa prática, uma forma eficaz de redução de 
custos e despesas. 
Luz (2018) explica que a logística tradicional tem o objetivo de entregar o 
produto certo para o cliente certo, no tempo e local certos. Já a logística reversa 
“trata do retorno do produto que já foi vendido ou consumido, de forma que 
retorne ao ciclo de negócios, ou ao ciclo produtivo, com valor econômico, legal 
ou de imagem” (p. 44). 
A Figura 1 ilustra como os fluxos da logística tradicional e reversa se 
cruzam no dia a dia de uma organização. 
Figura 1 – Fluxos da logística tradicional e da logística reversa 
 
Fonte: Cunha, 2019. 
A logística reversa vem ganhando força nos últimos anos porque ela é 
uma estratégia que ajuda a alcançar a sustentabilidade organizacional, 
principalmente nas áreas econômica e ambiental, além de ser um diferencial 
competitivo. 
Quando a empresa consegue revender ou reutilizar os resíduos derivados 
do consumo de seus produtos (embalagens e eletrônicos), por exemplo, ela 
 
 
3 
diminui custos, obtém novas fontes de receita, diminui o lançamento de lixo no 
ambiente e melhora a imagem perante a sociedade. 
A logística reversa se divide em dois grupos: de pós-venda (exemplo: 
devolução de um aparelho celular com defeito) e de pós-consumo (exemplo: 
devolução de embalagens de vidro). 
1.1 Logística reversa no pós-venda 
O Quadro 1 apresenta as motivações que norteiam a logística reversa no 
caso de pós-vendas. 
Quadro 1 – Motivações da logística reversa no pós-venda 
Classificação Motivação 
Garantia de qualidade 
- Produto apresentou defeito no prazo de garantia. 
- Defeito de fabricação ou de funcionamento. 
- Avaria no produto ou na embalagem. 
- Término de validade. 
Substituição de 
componentes 
- Danificação no transporte. 
- Adaptação ao pedido do cliente. 
Comercial 
- Erro de processamento de pedido. 
- Retorno de produtos consignados. 
- Excesso de estoque no canal de distribuição. 
Fonte: elaborado por Diogenes, 2024, com base em Luz, 2021. 
A área da logística reversa que lida com o pós-venda precisa gerenciar a 
movimentação de produtos físicos com pouca ou nenhuma utilização, que, por 
alguma razão, saem do cliente e fazem o caminho reverso na cadeia de 
distribuição. 
Muitos desses produtos retornam ao fabricante, que precisa ter um 
sistema de controle apurado, com informações corretas sobre cada lote e data 
de fabricação para identificar os itens comprometidos e corrigir as causas. 
1.2 Logística reversa no pós-consumo 
Agora veremos, no Quadro 2, as motivações que norteiam a logística 
reversa no caso de pós-consumo. 
 
 
 
4 
Quadro 2 – Motivações da logística reversa no pós-consumo 
Classificação Motivação 
Reciclagem 
Os materiais constituintes dos produtos descartados são extraídos 
industrialmente, transformando-se em matérias-primas secundárias 
ou recicladas, que serão reincorporadas à fabricação de novos 
produtos. 
Desmanche 
O produto que sofre o processo de desmontagem. Seus 
componentes em condições de uso ou de remanufatura são 
separados e utilizados para o mesmo uso original. 
Reuso Há extensão do uso, com a mesma função pela qual o produto foi 
originalmente concebido, sem precisar ser remanufaturado. 
Disposição final Local onde são enviados os produtos, materiais e resíduos sem 
condições de revalorização. 
Fonte: elaborado por Diogenes, 2024, com base em Luz, 2021. 
Nesse tipo de logística, o produto já foi utilizado até o final do seu ciclo de 
vida e faz o caminho de volta ao fabricante para ser reciclado ou descartado da 
forma correta. É o caso de produtos eletroeletrônicos. 
O avanço da tecnologia tem encurtado o tempo de vida de muitos 
produtos, que são rapidamente substituídos por modelos mais modernos. 
Sempre que isso acontece, mais e mais resíduos são gerados, e precisam de 
tratamento em programas de logística reversa. 
Sabendo disso, as empresas começam a se preocupar com a reutilização 
dos resíduos gerados ainda na fase de projeto de um novo produto ou serviço. 
1.3. Parcerias com operadores logísticos 
Fazer a entrega de produtos dentro do comércio internacional já requer 
muito planejamento e controle. Porém, a logística reversa global é ainda mais 
desafiadora, pois precisa coletar poucos produtos, em locais diversos e 
dispersos e levá-los de volta para a cadeia produtiva. 
Por isso, muitas empresas optam por contratar operadores logísticos para 
o tráfego de cargas de logística reversa. Almeida (2020) explica que existem dois 
tipos de serviços nessa área: 
• Logística reversa domiciliar: o operador retira o produto na casa do 
cliente e oferece serviços de transporte, de armazenagem, de separação 
(descartados e reaproveitados) e de expedição até o local designado pela 
empresa contratante; 
 
 
5 
• Logística reversa simultânea domiciliar: ao mesmo tempo que coleta 
o produto na residência do cliente, o operador fornece um novo exemplar, 
otimizando o tempo e o custo desse processo. 
Um dos maiores desafios na contratação de operadores logísticos é a 
capacitação desses parceiros, que precisam entender bem dos produtos da 
empresa contratante. Além disso, o uso de sistemas de informação que integrem 
os dados do operador e do contratante é indispensável. 
TEMA 2 – INOVAÇÕES NA LOGÍSTICA GLOBAL 
O desenvolvimento e avanço tecnológico das últimas décadas permitiu 
que uma série de ferramentas fossem criadas para aumentar a eficiência dos 
processos logísticos. 
Sistemas de Gerenciamento de Transportes (TMS), Sistemas de 
Gerenciamento de Armazéns (WMS), Sistema de Identificação por 
Radiofrequência (RFID), entre outros, realmente revolucionaram a atuação das 
empresas, permitindo que elas chegassem em lugares cada vez mais distantes. 
Veremos, a seguir, as inovações tecnológicas mais recentes aplicadas no 
universo logístico global. 
2.1 Inteligência Artificial (IA) 
Podemos dizer que uma tecnologia se enquadra como IA quando ela tem 
capacidade de aprendizagem, adaptação e simulação do pensamento humano. 
“Esse tipo de tecnologia consegue processar grandes blocos de dados a 
uma velocidade sobre-humana, encontrando e classificando padrões e utilizando 
esses resultados para fazer previsões e tomar decisões” (Reina, 2024, p. 12). 
Diferentemente de sistemas de automação convencionais, que se limitam 
a executar tarefas previamente programadas, as tecnologias IAs executam as 
tarefas, aprendem com experiências passadas, adaptam-se e tomam decisões 
complexas. 
A aplicação da IA nos processos logísticos de roteirização tem sido um 
grande fator de diferenciação competitiva. Essa tecnologia consegue identificar 
as rotas mais eficientes, considerando as diversas variáveis envolvidas, tais 
como distância total percorrida, tempo de deslocamento, custo de combustível e 
percentual de ocupação do veículo. 
 
 
6 
Ao analisar esses fatores, a ferramenta de IA aprende a dinâmica da 
roteirização, adapta-se e consegue oferecer respostas rápidas e inteligentes, 
mediante mudanças, imprevistos e diferentes cenários. 
No exemplo da roteirização, as vantagens da aplicação da IA são 
diversas. Auxilia na tomada de decisão da melhor rota, reduzindo o tempo de 
entrega e os custos de deslocamento. Também diminui as emissões de carbono 
e consumo de combustível, além de atender às altas expectativas dos 
consumidores. 
2.2 Transporte autônomo 
A entrega de mercadorias por veículos autônomos é uma realidade cada 
vez mais próxima. Com sistemas de navegação, câmeras internas e externas e 
sensores avançados, esses veículos conseguemoperar com segurança e 
eficiência em várias condições. 
É o caso de robôs que movimentam cargas dentro de armazéns. Barroso 
(2024) lembra que em uma operação de armazém, o trabalho para os 
funcionários é fisicamente desgastante. A utilização das ferramentas robóticas 
diminui os riscos de acidentes e aumenta a saúde e segurança no trabalho. 
Fora dos armazéns, o transporte feito por drones (Figura 2) e veículos 
elétricos também tem crescido, tendo como vantagens a redução dos custos 
operacionais e a diminuição da emissão de gás carbono no ar. 
Figura 2 – Drones de entrega 
 
Créditos: Rax Qiu/ Adobe Stock. 
 
 
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2.3 Blockchain 
Considerada como uma tecnologia que está revolucionando o comércio 
internacional, o blockchain pode ser entendido como: 
Um banco de dados distribuído e seguro, composto por vários pares 
capazes de rastrear, verificar e executar transações, além de 
armazenar informações de uma grande variedade de entidades, sendo 
capaz de oferecer mais transparência, segurança e rastreabilidade 
aprimorada, alta eficiência, redução dos custos e nenhuma intervenção 
de terceiros. (Telles, 2022, p. 179) 
Em um futuro breve, o blockchain permitirá que todos os membros da 
cadeia logística global consigam rastrear itens em tempo real, validar sua origem 
e prevenir fraudes. Seu uso contribuirá para aumentar a eficiência nas 
alfândegas, portos, aeroportos e demais fronteiras, agilizando a verificação de 
documentos e tornando as operações logísticas globais cada vez mais seguras. 
A rastreabilidade de produtos por meio do blockchain permite, entre outros 
pontos, o registro inalterável de informações sobre a origem e o movimento dos 
itens ao longo da cadeia de suprimentos, até chegar na mão do consumidor final 
(fator essencial para uma indústria de alimento, por exemplo). 
2.4 IoT – Internet das Coisas 
A IoT, no original em inglês, “Internet of Things”, está presente em objetos 
físicos e virtuais ligados à internet. Na logística, as soluções de IoT mais 
utilizadas são o monitoramento do desempenho de equipamentos, manutenção 
preventiva, rastreamento de entregas, monitoramento da localização e condição 
dos produtos em tempo real. 
Uma esteira do armazém, por exemplo, pode ter a massa dos itens que 
passa por ela monitorada e armazenada, para se ter controle estatístico desse 
parâmetro, ajudando no planejamento da manutenção do equipamento. 
2.5 Avanço tecnológico na logística no Brasil 
Apesar do grande avanço tecnológico em diversas áreas da logística 
internacional, ainda existem muitos desafios nas empresas brasileiras para que 
cheguem na vanguarda tecnológica. 
Barroso (2024) comenta que, segundo dados do “Panorama de 
Automação da Indústria”, somente 43% das indústrias brasileiras utilizam o WMS 
 
 
8 
para gestão de seus estoques. Isso mostra que a adesão à tecnologia ainda é 
baixa nesse segmento no Brasil e que há um excesso de processos manuais. 
E acrescenta: “não basta apenas investir em inovação, é preciso investir 
em pessoas, para que, juntos, humanos e máquinas, levem o setor logístico para 
o próximo patamar da inovação” (p. 10). 
O propósito de qualquer inovação tecnológica, em última instância, deve 
ser mudar a vida das pessoas. Na área logística, a tecnologia permite que os 
colaboradores aproveitem melhor sua jornada de trabalho, dedicando-se a 
atividades mais estratégicas enquanto as máquinas fazem funções repetitivas. 
TEMA 3 – PRÁTICAS DE SUSTENTABILIDADE NA LOGÍSTICA GLOBAL 
As preocupações com o meio ambiente e com a sociedade têm crescido 
no mercado empresarial, ano após ano. A reputação de uma organização não 
está atrelada apenas à qualidade dos seus produtos e serviços. Muitos 
consumidores observam a forma como as empresas lidam com questões sociais, 
ambientais e éticas. Por meio das redes sociais, clientes conseguem 
acompanhar com muita facilidade a atuação de empresas, de todo o mundo. 
Atualmente, muito se fala sobre a importância das ações em ESG, em 
inglês, Environmental, Social and Governance (Figura 3). Traduzido para o 
português como Fatores Ambientais, Sociais e de Governança Corporativa, este 
termo indica boas práticas e atividades que estejam em conformidade com os 
princípios de sustentabilidade. 
Figura 3 – ESG 
 
Créditos: Tasha Vector/ Adobe Stock. 
 
 
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Contempla o cumprimento de leis e regulações ambientais, promoção da 
diversidade e inclusão e respeito aos direitos trabalhistas e humanos, ética e 
transparência. 
3.1 Benefícios da ESG 
Um dos principais benefícios que as práticas de ESG trazem para as 
empresas é a redução de custos. A otimização do uso de recursos como água, 
energia elétrica, papel, combustíveis diminui o desperdício e gera economia. 
Essa busca pela eficiência dos processos também é vantajosa, na medida 
em que o trabalho passa a ser feito em menor tempo, aumentando a 
produtividade. 
O ESG também traz benefícios na medida em que empresas que prezam 
pela transparência na prestação de contas à sociedade ganham a confiança e 
preferência de investidores, como um diferencial competitivo em relação à 
concorrência. 
3.2 Práticas da ESG alinhadas à logística 
Como o setor logístico faz um uso intensivo de combustíveis e mão de 
obra, possui um grande potencial para implementar ações de ESG. O 
especialista em logística Carlos Jardim (2024) alerta que “não existe 
sustentabilidade sem sustentabilidade das cadeias de suprimento”. 
Na logística, o grande desafio para implantar práticas ESG está 
relacionado com a eficiência dos processos de distribuição e transporte. 
Sistemas automatizados ajudam na otimização das rotas, diminuindo a emissão 
de poluentes na atmosfera. 
Do ponto de vista social, existem medidas alinhadas aos direitos humanos 
no contexto das operações logísticas: 
• Melhoria das condições e jornadas de trabalho de motoristas e 
operadores; 
• Garantia de segurança nas estradas e nas operações; 
• Promoção da diversidade em cargos operacionais e de liderança, e 
combate à discriminação; 
• Combate à exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas e 
portos; 
 
 
10 
• Diminuição de impactos negativos para as comunidades em torno das 
operações (Pereira, 2022). 
Já no tema da governança, as empresas precisam prezar pela 
transparência e ética, com políticas de combate à corrupção, códigos de conduta 
e de proteção de dados. 
Para avaliar se uma empresa possui uma cultura e práticas alinhadas com 
a ESG, Pereira (2022) sugere responder algumas questões listadas no Quadro 
3: 
Quadro 3 – Questões sobre práticas alinhadas à ESG 
Área Questões 
Ambiental 
• Como se compromete com a diminuição da emissão de poluentes? 
• Como busca reduzir o consumo de energia, água, papel e outros 
recursos? 
• Como é feita a gestão dos resíduos? 
• O uso de energias renováveis é priorizado? 
• Como a logística reversa dos produtos é feita? 
• Utiliza softwares de gestão logística para otimizar e automatizar 
processos? 
Social 
• De quantas horas é a jornada de trabalho dos motoristas? 
• Colaboradores e motoristas possuem boas condições de trabalho? 
• Possui soluções para segurança no transporte e operação? 
• A taxa de turnover é baixa? 
• Quais os benefícios oferecidos aos colaboradores? 
• Há programas de treinamento e capacitação? 
• A satisfação de clientes e dos colaboradores é medida? 
• Os parceiros e fornecedores têm práticas alinhadas aos valores ESG? 
Governança 
• Tem transparência em seus dados financeiros e contábeis? 
• A gestão é honesta, equilibrada e busca atender aos interesses de todas 
as partes envolvidas? 
• Segue as normas da Lei Geral de Proteção de Dados? 
• Existe uma política de compliance (conformidade com leis, normas e 
regras)? 
• Existem medidas para gestão de riscos? 
• Utiliza softwares que disponibilizam relatórios e indicadores? 
Fonte: elaborado por Diogenes, 2024, com base emPereira, 2022. 
 
 
 
11 
3.3 ESG na logística brasileira 
Um dos fatores que atestam o desenvolvimento econômico de um país é 
o grau de mobilidade e acessibilidade de sua população no deslocamento 
urbano, entre regiões e países. Um segundo fator é a facilidade de transporte de 
sua produção de mercadorias aos pontos de consumo nacionais ou 
internacionais (Trennepohl; Trennepohl, 2023). 
No Brasil, os problemas na mobilidade de mercadorias impactam 
principalmente o agronegócio, um dos setores mais importantes da economia e 
que enfrenta muitos desafios logísticos para continuar crescendo de forma 
sustentável e responsável. 
Para obter um crescimento sustentável do agronegócio brasileiro, 
Trennepohl e Trennepohl (2023) alertam que é fundamental investir em 
infraestrutura, permitindo que a produção, o armazenamento e distribuição de 
alimentos sejam feitos de forma eficiente e segura. Requer investimentos em 
rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, armazéns, silos e sistemas de irrigação. 
Existem diversas maneiras de se construir infraestrutura sustentável, 
como a utilização de materiais e técnicas de construção ambiental, a 
redução do consumo de energia e água, a implantação de sistemas de 
tratamento de resíduos, adoção de medidas de mitigação de impacto 
ambiental, entre outros. (Trennepohl; Trennepohl, 2023, p. 85) 
Ao mesmo tempo em que o mercado empresarial busca a 
sustentabilidade em suas ações, coloca a logística em uma função estratégica, 
sem se restringir à movimentação de itens, mas também colaborando 
significativamente para a minimização de resíduos, redução de emissões e 
comportamento ético. 
TEMA 4 – A LOGÍSTICA GLOBAL DIANTE DE CRISES 
No passado recente, a logística global tem enfrentado grandes desafios 
em suas operações. Os anos de 2020 a 2022 foram marcados pelo ápice da 
pandemia da covid-19. Para evitar o contágio com o vírus, de uma hora para 
outra pessoas de todo o mundo se trancaram em suas casas. Fábricas, lojas, 
escolas tiveram que fechar suas portas. Boa parte do comércio, que 
tradicionalmente era presencial, teve que se reinventar e disponibilizar opções 
de compras on-line. 
 
 
12 
A adesão ao e-commerce foi crescendo exponencialmente. 
Impossibilitadas de adquirir muitas mercadorias em lojas físicas, a sociedade 
teve que adaptar seus hábitos de consumo e estudo para o ambiente virtual. A 
indústria tentou se adequar a esse aumento nas atividades de importação e 
exportação, porém, precisou lidar com um grande obstáculo: a falta de insumos. 
Faltaram também contêineres, o que fez com que produtos se 
acumulassem, imóveis, em depósitos e portos mundo afora. Os custos 
da exportação, em alguns lugares, mais que decuplicaram. Quando os 
produtos finalmente chegavam ao seu destino, a sobrecarga de serviço 
e a necessidade de os trabalhadores da logística observarem a 
quarentena atrasavam mais ainda o processo. (Abuhab, 2021) 
Essa alta demanda provocou grandes congestionamentos de navios 
porta-contêineres, especialmente nos grandes portos exportadores como Ásia, 
Estados Unidos e Europa. 
A costa da China foi uma das que mais concentraram embarcações, 
esperando para atracar nos portos. Estima-se que cerca de 25% dos contêineres 
do mundo ficaram parados durante esse período (Mendes , 2022). A Figura 4 
registra um grande número de navios esperando para atracar no porto de 
Cingapura, em maio de 2022: 
Figura 4 – Navios esperando no porto de Cingapura durante o bloqueio 
pandêmico da covid, em maio de 2022 
 
Créditos: Fsteiger/ Adobe Stock. 
Outro incidente recente que comprometeu o desempenho das operações 
logísticas internacionais aconteceu em 2021, no Canal de Suez, no Egito. Um 
mega navio porta-contêiner, chamado Ever Given, encalhou no meio do canal, 
interrompendo completamente o tráfego no local, por seis dias. A Figura 5 mostra 
o Ever Given encalhado no canal: 
 
 
 
 
13 
Figura 5 – Navio Ever Given bloqueia Canal de Suez 
 
Créditos; Corona Borealis/ Adobe Stock. 
Em condições normais, cerca de 30 navios passam diariamente pelo 
canal de Suez. Com a interdição provocada pelo Ever Given, quase 200 
embarcações ficaram paradas nas imediações, esperando para seguir viagem. 
Outras tantas, mudaram o seu trajeto, aumentando significativamente o tempo 
de operação. 
Este incidente também contribuiu para a falta de contêineres disponíveis, 
aumentando o valor do frete marítimo. Além disso, muitas cargas acabaram 
perecendo, pois ficaram retidas por um tempo muito superior ao previsto. 
Conflitos entre países também têm afetado fortemente as cadeias 
logísticas globais. Um dos mais recentes teve início em 2022, com a invasão da 
Ucrânia pela Rússia. Espaços aéreos e marítimos foram fechados, bloqueando 
muitas rotas de comércio entre a Europa e a Ásia, causando o desabastecimento 
de matérias-primas e insumos. Tradicionalmente, a Rússia é uma grande 
fornecedora mundial de petróleo e derivados, gás e metais. Já a Ucrânia é 
conhecida como “celeiro da Europa”, por ser um grande exportador de grãos, 
trigo e sementes. 
A Figura 6 mostra a imagem de um shopping center destruído em Kiev, 
capital da Ucrânia, em março de 2022: 
 
 
14 
Figura 6 – Destruição em Kiev 
 
Créditos: misu/ Adobe Stock. 
4.1 Medidas em tempos de crise 
Crises políticas, econômicas, climáticas e sanitárias são um desafio para 
qualquer setor, pois dificilmente estão previstas no planejamento estratégico de 
uma organização. Porém, em um ambiente tão conectado como o que vivemos, 
os impactos negativos acabam chegando, especialmente, na logística 
internacional. 
Os membros da cadeia da logística global podem tomar algumas medidas 
preventivas para diminuir os prejuízos dessas adversidades. Vamos conhecer 
algumas delas: 
• Buscar fornecedores alternativos e reestruturar as redes de 
abastecimento e distribuição: a dependência excessiva de determinados 
fornecedores ou regiões do mundo deixa a empresa mais vulnerável a 
interrupções repentinas. 
• Definir e viabilizar novas rotas, novos modais de transporte e soluções 
intermodais para evitar gargalos. 
• Manter um estoque de segurança: é importante ter uma quantidade 
mínima de insumos e mercadorias para uso em situações de emergência 
e imprevistos. 
• Ter planos de contingência: desenvolver e preparar estratégias e fluxos 
de trabalho para manter-se produtivo em diferentes cenários. 
• Investir em tecnologia: sistemas como Sistema de Gerenciamento de 
Transporte (TMS), Sistema de Gerenciamento de Armazém (WMS), de 
https://stock.adobe.com/br/contributor/200893343/misu?load_type=author&prev_url=detail
 
 
15 
Rastreamento, de Roteirização e de Gestão de Frotas permitem que a 
empresa tenha mais controle e facilidade de tomar decisões em situações 
de crise. 
• Ter flexibilidade: a maleabilidade facilita e agiliza o ajuste das operações 
logísticas para atender às demandas dos clientes previstas ou não. 
• Manter acordos de colaboração e parcerias estratégicas: a atuação 
colaborativa entre empresas de logística, fornecedores, clientes e 
autoridades regulatórias é fundamental contornar situações de crise. 
TEMA 5 – PERSPECTIVAS PARA A LOGÍSTICA GLOBAL 
Nos últimos anos, o mercado logístico tem estado em franca expansão. 
Segundo dados da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), o 
Brasil conta com mais de mil empresas atuando no segmento, gerando um 
faturamento anual próximo de R$ 200 bilhões. E a tendência é seguir crescendo. 
Dentre os desafios deste mercado, vamos destacar alguns elementos, 
começando pelo planejamento da demanda. 
5.1 Planejamento da demanda 
Prever com precisão a demanda de uma empresa está se tornando uma 
atividade cada vez mais complexa. Os distúrbios globais como guerras e 
pandemias e a facilidade que os consumidores têm de comparar produtos, 
preços e descontos em busca de melhores ofertas, são fatores que dificultam o 
planejamentodos pedidos de compra. Segundo o especialista em Supply Chain 
Management, Donald Neumann (citado por Presa, 2024), o despreparo 
organizacional também contribui para esse problema: 
Prever bem a demanda requer aplicação de técnicas de ciência de 
dados adequadas a um amplo histórico de comportamento do 
mercado, estabelecendo correlação com as alavancas do negócio, dos 
concorrentes e eventos externos. São raras as organizações que 
anteciparam essa necessidade, coletando todos esses dados de forma 
sistemática. (p. 18) 
E alerta: “investir apenas em software não resolve o problema. Gestão e 
previsão de demanda devem ser encaradas como uma competência 
organizacional que requer pessoas capacitadas, boa matéria-prima (dados) e 
boas ferramentas (softwares)”. 
 
 
16 
5.2 Perspectivas e tendências por setores 
Uma pesquisa com executivos de importantes setores da economia 
brasileira, publicada no periódico Mundo Logística, aponta algumas perspectivas 
e tendências para a logística global, apresentadas no Quadro 4: 
Quadro 4 – Perspectivas e tendências da logística setorial 
Setor Perspectivas 
Farmacêutico 
Os esforços para melhorar a acessibilidade e disponibilizar medicamentos 
para pacientes de forma rápida é uma tendência do setor. 
Na questão climática, diminuir as emissões de carbono é outro alvo a ser 
alcançado. 
Automotivo 
A sustentabilidade (redução de CO2), a conectividade total de cargas e 
produtos, a digitalização e a rastreabilidade são pontos-chave para os 
próximos anos. 
Além disso, o crescimento contínuo do agronegócio continuará 
demandando veículos de transporte nas rodovias nacionais e 
internacionais. 
A multimodalidade também é uma tendência, integrando especialmente o 
transporte rodoviário, ferroviário e aquaviário. Essa estratégia gera redução 
de custos, de roubos e de emissões de CO2 na atmosfera. 
Varejista 
O controle dos custos de distribuição é um grande desafio, principalmente 
pela alta nos preços do diesel. 
A adoção da estratégia omnichannel (integração de todos os canais de 
comunicação e vendas de uma empresa) é uma medida que ganha força. 
Parcerias colaborativas com toda a cadeia logística ajudarão na redução 
de desperdício e de custo. 
Operadores 
logísticos 
O uso da automação, da Inteligência Artificial e de plataformas de dados 
deve crescer. 
Muitas multinacionais que dependiam da China estão redesenhando suas 
cadeias de suprimento e optando por fornecedores em países como 
México, Chile e Brasil, geograficamente mais próximos dos seus mercados 
de consumo. Essa tática reduz custos e impactos ambientais. 
Fonte: Presa, 2024. 
5.3 Mudanças legislativas que impactam na logística global 
O chamado Custo Brasil é considerado muito alto, em função de uma série 
de fatores como excesso de burocracia, infraestrutura deficiente, dificuldade de 
 
 
17 
pagar impostos. Porém, algumas mudanças previstas na legislação brasileira 
podem modificar essa condição. 
Uma das medidas que chama a atenção dos membros da cadeia logística 
nacional é a Reforma Tributária. Prevista para estar integralmente implementada 
em 2032, há uma expectativa de melhora no Produto Interno Bruto do país e, 
consequentemente, aumento no comércio exterior brasileiro. 
A reforma propõe uma simplificação significativa por meio da unificação 
de diversos tributos em um único imposto: o Imposto sobre Bens e Serviços 
(IBS). Essa mudança representa um cenário de oportunidades e de desafios 
para o setor logístico brasileiro. Vamos analisar alguns aspectos desse cenário: 
• A implementação da reforma tende a reduzir o tempo de processamento 
e os custos atrelados ao cumprimento das obrigações fiscais. A 
simplificação também pode facilitar o planejamento tributário e financeiro 
das empresas, ajudando na previsibilidade nos negócios. 
• Um sistema tributário mais simples e transparente atrai mais 
investimentos estrangeiros, facilitando o comércio internacional. 
• Em contrapartida, mudanças na tributação de combustíveis e energia - 
fatores vitais para o setor logístico - podem aumentar custos do transporte 
de cargas, diminuir a eficiência da distribuição, reduzir a margem de lucro 
das empresas e aumentar os preços para os consumidores finais. 
• O aumento da carga tributária sobre determinados insumos e serviços 
tende a elevar os custos operacionais das empresas do setor logístico, 
afetando sua competitividade. 
• Outra provável consequência da unificação dos tributos é a readequação 
geográfica de centros de distribuição e armazéns das empresas, 
buscando otimizar a carga tributária. Esta reconfiguração pode gerar uma 
distribuição mais eficiente dos centros logísticos, que estarão 
posicionados mais próximos a mercados consumidores e principais vias 
de transporte. (Soluciona Logística, 2024) 
Enfim, mudanças legislativas sempre são desafiadoras para o setor 
logístico. No caso da reforma tributária, pode reduzir custos administrativos e 
aumentar a eficiência operacional. Porém, o impacto nos custos com 
combustíveis e energia, e a complexidade da implementação, requerem atenção 
e planejamento cuidadoso. 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
ABOL. Associação Brasileira de Operadores Logísticos. Disponível em: 
<https://abolbrasil.org.br/>. Acesso em 11 abr. 2024 
ABUHAB, D. Que lições a pandemia deixou para driblar a crise logística global? 
Revista Exame, 22 dez. 2021. Coluna Bússola. Disponível em: 
<https://exame.com/bussola/que-licoes-a-pandemia-deixou-para-driblar-a-crise-
logistica-global/>. Acesso em: 11 abr. 2024 
ALMEIDA, R. A. Logística reversa no e-commerce. Curitiba: Contentus, 2020. 
BARROSO, J. Do algoritmo à empatia: a interseção que impulsiona a logística 
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