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Não escreva no livro. O rei Aliates, que governou a Lídia entre 600 a.C.-560 a.C., cunhou moedas de diversos tamanhos fundidas em um metal que os gregos chamavam de electrum – uma mistura de ouro e prata obtidos em uma mina na localidade de Sárdis (veja o mapa da página anterior). O valor de cada moeda era determinado pela sua massa e pela figura cunhada no metal, a garantia do rei. A figura ao lado mostra uma dessas moedas, que tinha 220 g de massa. As moedas se espalharam pelo mundo e cada governante man- dava cunhá-las com imagens que caracterizavam aspectos do lugar onde circulavam, do próprio governante e de sua cultura. Veja na figura ao lado uma moeda grega cunhada em Tebas. A moeda desse período, de dominação tebana na Grécia (c. 371 a.C.- -323 a.C.), geralmente apresenta, em um lado, um escudo e, no ou- tro, algum objeto ou símbolo representativo da cultura grega. Com o dinheiro, surgiu a operação de empréstimo. Quem tem di- nheiro pode emprestar a quem precisa por um período determinado. Quem tomou emprestado deverá pagar, no momento da devolução do dinheiro, um valor adicional pelo “aluguel” da quantia que tomou emprestada. Esse valor adicional é o juro. Na realidade, os juros já existiam antes do dinheiro; há registros de que na Babilônia, por vol- ta de 2 000 a.C., já havia o empréstimo de sementes para agriculto- res. Estes, na safra seguinte, deveriam devolver a mesma quantidade acrescida de sementes adicionais. A primeira operação da Matemática financeira foi o câmbio. Como desde a Antiguidade cada país cunhava as próprias moedas, o comércio precisava estabelecer as equivalências entre elas. Nas viagens era sempre necessário trocar moedas de um país por moe- das de outro, e isso era feito por pessoas especializadas, chamadas cambistas, que cobravam uma pequena taxa pela transação. Operações envolvendo câmbio existem até hoje. Em pouco tempo, os cambistas acu- mularam enormes quantidades de dinheiro e passaram à atividade seguinte: guardar o dinheiro dos outros, devolvendo a eles quando pedissem. Surgia então o conceito de banco, palavra que tem origem no fato de que o antigo cambista trabalhava sentado em um banco de madeira em algum lugar do mercado. Quem não tinha dinheiro suficiente para fechar certo negócio recorria então ao banqueiro. Rapidamente os bancos se transformaram em instituições sólidas – inicialmente entre os babilônios e os egípcios, depois entre os gregos e romanos – e acumularam enormes fortunas. Fonte de consulta: LAGO, L. A. C. A moeda metálica em perspectiva histórica. Disponível em: http://www. econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/td481.pdf. Acesso em: 11 ago. 2020. 1. O que era o escambo? Escreva no caderno um pequeno texto explicando essa prática. 2. De acordo com o texto, por qual motivo surgiu a necessidade de criar o dinheiro? 3. Um dos mais antigos problemas de Matemática financeira aparece em um tablete da Babilônia antiga, onde, naquela época, os juros anuais eram de 20% ao ano. Nessas condições, em quanto tempo uma dívida não paga dobrava de valor? G u ill e m o t/ C D A /a k g -i m a g e s /A lb u m / F o to a re n a Moeda da Lídia, com as figuras de um leão (símbolo do reino) e de um touro (símbolo dos povos rivais) lutando. Do período entre 561 a.C.-546 a.C., fim do reinado de Aliates e início do reinado de Creso (o último rei de Lídia). Dimensões da moeda: 1,54 cm 3 1,18 cm. Escudo (simbolizando a força do exército) e ânfora (antigo vaso de barro grego, com formas ovais e duas alças/asas simétricas) em moeda de prata grega cunhada em c. 365 a.C. G ra n g e r/ F o to a re n a Exemplo de resposta: Escambo é o nome dado à prática de troca de serviços ou de produtos sem o uso de moeda. Transação caracterizada pela permuta e que substitui o uso do dinheiro. Caso queira saber mais sobre a história do dinheiro e outras curiosidades, como a origem do cifrão, acesse o site da Casa da Moeda do Brasil. Disponível em: https://www. casadamoeda. gov.br/portal/ socioambiental/ cultural/origem- do-dinheiro.html. Acesso em: 17 jul. 2020. Sobre o assunto Em aproximadamente 3,8 anos ou 3 anos e 10 meses. O exemplo de resposta encontra-se nas Orientações específicas deste Manual. 97 086a108_V6_MATEMATICA_Dante_g21At_Cap2_LA.indd 97086a108_V6_MATEMATICA_Dante_g21At_Cap2_LA.indd 97 18/09/2020 10:4518/09/2020 10:45 Fator de atualização A razão (f ) entre dois valores de uma grandeza (como o investimento em títulos públicos citado no Explore para descobrir) em tempos diferentes (passado, presente ou futuro) é chamado de fator de atualização. Cons- titui uma ferramenta importante no trabalho com Matemática financeira. Na divisão entre dois valores quaisquer, ¯ A B , com B = 0˘ só há três resultados possíveis: ou resulta em 1, ou é maior do que 1, ou é menor do que 1. Quando o resultado da divisão é 1, os dois valores são iguais; portanto, nenhum é maior nem menor do que o outro. Um valor é 100% do outro. Por isso, diz-se que f 5 1 é o fator neutro. Se um eletrodoméstico, por exemplo, custava R$ 500,00 e passou a custar R$ 525,00, ao calcular 5 $ $ 5preço final preço inicial R 525,00 R 500,00 1,05, podemos entender o resultado de duas formas equivalentes: 1a) R$ 525,00 é 5% maior do que R$ 500,00; ou 2a) R$ 525,00 é 105% de R$ 500,00 (portanto, 5% maior). Se, ao invés de um aumento, o eletrodoméstico sofrer um desconto, passando de R$ 500,00 para R$ 450,00, ao calcular preço final preço inicial R 450,00 R 500,00 5 $ $ 5 0,90, também podemos entender o resultado de duas formas equivalentes: 1a) R$ 450,00 é 10% menor do que R$ 500,00; ou 2a) R$ 450,00 é 90% de R$ 500,00 (portanto, 10% menor). Na prática é possível determinar o fator de atualização sabendo- -se a taxa de juros e, alternativamente, determinar a taxa de juros a partir do fator de atualização. • Se f > 1, f 5 1 1 i; portanto, a taxa é i 5 f 2 1. • Se f < 1, f 5 1 2 i; portanto, a taxa é i 5 1 2 f. A taxa Selic é a taxa básica de juros do Brasil. A cada 45 dias o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) define o valor dessa taxa que interfere em todas as relações de empréstimo de valores. No início do ano de 2018, um título público atrelado a essa taxa pagava 7% de juros ao ano. Já no início de 2019, o mesmo título pagava 6,5% ao ano e no início do ano seguinte, 4,5% de juros ao ano. Para saber mais sobre a Selic, acesse o vídeo do Banco Central do Brasil disponível em https://www.youtube.com/watch?v=00DbSCX96wU. Acesso em: 12 ago. 2020. Sobre o assunto Para responder, suponha que essas taxas se mantiveram estáveis ao longo dos anos citados e que não existem taxas ou impostos cobrados nesses investimentos: 1. Uma pessoa que investiu R$ 1.000,00 no início de 2018, acumulou quanto ao final daquele ano? 2. Considere que o investidor manteve o investimento. Quanto ele irá resgatar ao final de 2020? 3. Como você responderia à questão 1 utilizando apenas uma multiplicação? 4. Junte-se a um colega e tentem descobrir como chegar à resposta da questão 3 também por meio de uma única multiplicação. R$ 1.070,00. Aproximadamente R$ 1.190,83. Explore para descobrir Não escreva no livro. A sentença a > b é lida como “a é maior do que b” e indica que o número a é maior do que o número b. Analogamente, a sentença a < b é lida como “a é menor do que b” e indica que o número a é menor do que o número b. Fique atento Exemplo de resposta: O esperado é que os alunos multipliquem diretamente o capital inicial (R$ 1.000,00) investido por 1,07 (que corresponde à taxa somada a 1). Exemplo de resposta: O esperado é que os alunos encontrem o fator de atualização do investimento por meio das três taxas conhecidas: 1,07 ? 1,065 ? 1,045 â 1,19083. 98 086a108_V6_MATEMATICA_Dante_g21At_Cap2_LA.indd 98086a108_V6_MATEMATICA_Dante_g21At_Cap2_LA.indd 98 18/09/2020 10:4518/09/2020 10:45