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segunda harmônica, o de 3 kHz é a terceira harmônica e assim por diante. A frequência fundamental não é consi- derada uma harmônica. A análise de Fourier não considera frequências harmônicas fracionárias — somente múltiplos inteiros da fundamental. distorção harmônica Consideramos que um sinal possui distorção harmô- nica quando há componentes harmônicos de frequência (e não simplesmente o componente fundamental). Se a frequência fundamental tiver uma amplitude A1 e o n- -ésimo componente de frequência tiver uma amplitude An, a distorção harmônica poderá ser definida como: = % de distorção da n-ésima harmônica % Dn = 0An 0 0A1 0 × %001 (12.30) O componente fundamental costuma ser maior do que qualquer componente harmônico. EXEmplo 12.13 Calcule os componentes da distorção harmônica para um sinal de saída com amplitude fundamental de 2,5 V, amplitude da segunda harmônica de 0,25 V, amplitude da terceira harmônica de 0,1 V e amplitude da quarta harmônica de 0,05 V. solução: Utilizando a Equação 12.30, temos % D2 = 0A2 0 0A1 0 × 100% = 0,25 V 2,5 V × 100% = 10% % D3 = 0A3 0 0A1 0 × 100% = 0,1 V 2,5 V × 100% = 4% % D4 = 0A4 0 0A1 0 × 100% = 0,05 V 2,5 V × 100% = 2% Distorção harmônica total Quando um sinal de saída possui vários componentes de distorção harmônica, pode-se considerar que o sinal tem uma distorção harmô- nica total baseada nos elementos individuais combinados pela relação da seguinte equação: % THD = "D2 2 + D2 3 + D2 4 + g × %001 (12.31) onde THD é a distorção harmônica total. EXEmplo 12.14 Calcule a distorção harmônica total para os componen- tes de amplitude dados no Exemplo 12.13. solução: Utilizando os valores calculados de D2 = 0,10, D3 = 0,04 e D4 = 0,02 na Equação 12.31, temos: % THD = "D2 2 + D2 3 + D2 4 × 100% = "(0,10)2 + (0,04)2 + (0,02)2 × 100% = 0,1095 × 100% = 10,95% Um instrumento como o analisador de espectro per- mitiria medir as harmônicas presentes no sinal fornecendo em um mostrador o componente fundamental do sinal jun- tamente com suas diversas harmônicas. De modo análogo, um instrumento analisador de onda permite medidas mais exatas dos componentes harmônicos de um sinal distorcido ao filtrá-los e fornecer uma leitura de cada um deles. De qualquer maneira, a técnica de considerar que qualquer sinal distorcido contém um componente fundamental e componentes harmônicos é prática e útil. Para um sinal amplificado em classe AB ou classe B, a distorção deve ocorrer principalmente nas harmônicas pares, das quais o componente de segundo harmônico é o maior. Portanto, embora o sinal distorcido contenha, teoricamente, todos os componentes harmônicos a partir da segunda harmônica, o mais importante em termos de quantidade de distorção nas classes apresentadas anteriormente é o componente de segundo harmônico. Distorção da segunda harmônica A Figura 12.20 mostra uma forma de onda para uso na obtenção da distor- ção de segunda harmônica. Uma forma de onda de corrente do coletor é mostrada com os valores do ponto quiescente, mín máx Figura 12.20 Forma de onda para a obtenção de distorção da segunda harmônica. 586 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap12.indd 586 3/11/13 6:09 PM de sinal máximo e mínimo, marcados juntamente com o tempo no qual eles ocorrem. O sinal mostrado indica que uma distorção está presente. Uma equação que descreve aproximadamente a forma de onda do sinal distorcido é iC ≈ ICQ + I0 + I1 cos ωt + I2 cos ωt (12.32) A forma de onda contém a corrente quiescente ori- ginal ICQ, que ocorre com sinal nulo de entrada; uma corrente CC adicional I0, decorrente da média do sinal distorcido diferente de zero; o componente fundamental do sinal CA distorcido I1; e um componente de segundo harmônico I2, em uma frequência que é o dobro da fre- quência fundamental. Embora outras harmônicas também estejam presentes, somente a segunda é considerada aqui. Equacionando a corrente resultante da Equação 12.32 em alguns pontos do ciclo (para aqueles mostrados na forma de onda de corrente), obtemos as três relações a seguir: No ponto 1 (ωt = 0), iC = ICmáx = ICQ + I0 + I1 cos 0 + I2 cos 0 ICmáx = ICQ + I0 + I1 + I2 No ponto 2 (ωt = π/2), iC = ICQ = ICQ + I0 + I1 cos p2 + I2 cos 2p 2 ICQ = ICQ + I0 - I2 No ponto 3 (ωt = π), iC = ICmín = ICQ + I0 + I1 cos π + I2 cos 2π ICmín = ICQ + I0 – I1 + I2 Resolvendo as três equações precedentes simulta- neamente, obtêm-se os seguintes resultados: e I0 = I2 = ICmáx + ICmín - 2ICQ 4 I1 = ICmáx - ICmín 2 Com relação à Equação 12.30, a definição de dis- torção da segunda harmônica pode ser expressa como: D2 = ` I2 I1 ` × 100% Inserindo os valores de I1 e I2 determinados ante- riormente, obtemos: D2 = ` 1 2(ICmáx + ICmín) - ICQ ICmáx - ICmín ` × 100% (12.33) De modo análogo, a distorção da segunda harmôni- ca pode ser escrita em termos das tensões medidas entre coletor-emissor: D2 = ` 1 2(VCEmáx + VCEmín) - VCEQ VCEmáx - VCEmín ` × 100% (12.34) EXEmplo 12.15 Calcule a distorção de segunda harmônica se uma forma de onda de saída mostrada em um osciloscópio fornecer as seguintes medidas: a) VCEmín = 1 V, VCEmáx = 22 V, VCEQ = 12 V. b) VCEmín = 4 V, VCEmáx = 20 V, VCEQ = 12 V. solução: Utilizando a Equação 12.34, temos: a) D2 = ` 1 2(22 V + 1 V) - 12 V 22 V - 1 V ` × 100% = 2,38% b) D2 = ` 1 2(20 V + 4 V) - 12 V 20 V - 4 V ` × 100% = 0% (sem distorção) potência de um sinal com distorção Quando ocorre distorção, a potência de saída calcula- da para o sinal não distorcido não é mais correta. Quando há distorção, a potência de saída entregue para o resistor de carga RC devido ao componente fundamental do sinal distorcido é: P1 = I 2 1RC 2 (12.35) A potência total devida a todos os componentes harmônicos do sinal distorcido pode então ser calculada utilizando-se: P = (I 2 1 + I 2 2 + I 2 3 + g) RC 2 (12.36) A potência total também pode ser escrita em termos de distorção harmônica total: P = (1 + D 2 2 + D 2 3 + g) I 2 1 RC 2 = (1 + THD2)P1 (12.37) Capítulo 12 Amplificadores de potência 587 Boylestad_2012_cap12.indd 587 3/11/13 6:09 PM EXEmplo 12.16 Para uma leitura de distorção harmônica de D2 = 0,1, D3 = 0,02 e D4 = 0,01, com I1 = 4 A e RC = 8 Ω, calcule a distorção harmônica total, a potência do componente fundamental e a potência total. solução: A distorção harmônica total é: DHT = "D2 2 + D2 3 + D2 4 = "(0,1)2 + (0,02)2 + (0,01)2 0,1 A potência fundamental, usando a Equação 12.35, é: P1 = I 2 1RC 2 = (4 A)2(8 ) 2 = 64 W A potência total calculada usando a Equação 12.37 é, portanto, P = (1 + THD2)P1 = [1 + (0,1)2]64 = (1,01)64 = 64,64 W (Observe que a potência total resulta, principalmente, do componente fundamental, mesmo com 10% de distorção da segunda harmônica.) descrição gráfica dos componentes harmônicos de um sinal distorcido Uma forma de onda distorcida, tal como a que ocorre na operação classe B, pode ser representada se utilizarmos a análise de Fourier por uma fundamental com componen- tes harmônicos. A Figura 12.21(a) mostra um semiciclo positivo tal como resultaria da operação de apenas um tran- sistor em um amplificador classe B. Utilizando as técnicas de análise de Fourier, o componente fundamental do sinal distorcido pode ser obtido como mostra a Figura 12.21(b). Da mesma forma, os componentes de segundo e terceiro harmônicos podem ser obtidos e são mostrados nas figuras Sinal senoidal distorcido (Componente fundamental senoidal) (Componente de segundo harmônico) (Componente de terceiro harmônico) Forma de onda resultante da soma dos componentes fundamental, segundo e terceiro harmônicos sen sen sen sen pico Figura 12.21 Representação gráfica de um sinal distorcido utilizando componentes harmônicos. 588 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap12.indd 588 3/11/13 6:09 PM 12.21(c) e (d), respectivamente.Utilizando a técnica de Fourier, a forma de onda distorcida pode ser construída pela adição dos componentes fundamental e harmônicos, como mostra a Figura 12.21(e). De modo geral, qualquer forma de onda periódica distorcida pode ser representada pela adição de um componente fundamental e de todos os componentes harmônicos, cada qual com diferentes amplitudes e diversos ângulos de fase. 12.7 dissipAção dE CAlor Em trAnsistorEs dE potênCiA Embora os circuitos integrados sejam utilizados para aplicações de pequenos sinais e de baixa potência, muitas aplicações de alta potência ainda requerem transistores de potência individuais. As melhorias introduzidas nas técnicas de produção têm propiciado faixas de potências mais altas em encapsulamentos de tamanho reduzido, maiores tensões de ruptura máxima para os transistores e ainda transistores de potência de chaveamento rápido. A máxima potência suportada por um dispositivo específico e a temperatura das suas junções estão relacio- nadas, uma vez que a potência dissipada pelo dispositivo provoca um aumento de temperatura em sua junção. Obviamente, um transistor de 100 W oferece maior capa- cidade de potência do que outro de 10 W. Por outro lado, técnicas apropriadas para dissipação de calor permitirão a operação de um dispositivo em aproximadamente metade da sua potência nominal máxima. Dentre os dois tipos de transistores bipolares — germânio e silício — os transistores de silício são os que apresentam maiores valores de temperatura máxima. Geralmente, a temperatura de junção máxima desses tipos de transistor de potência é: Silício: 150-200 °C Germânio: 100-110 °C Para muitas aplicações, a potência média dissipada pode ser aproximada por: PD = VCEIC (12.38) Essa dissipação de potência, entretanto, somente é permitida até uma temperatura máxima. Acima dessa temperatura, a capacidade de dissipação de potência do dispositivo deve ser reduzida (derated) de modo que, em temperaturas mais altas do encapsulamento, a capacidade de potência suportada seja reduzida, chegando a 0 W na máxima temperatura do encapsulamento do dispositivo. Quanto maior for a potência manipulada pelo tran- sistor, mais alta será a temperatura do encapsulamento. Na verdade, o fator limitante na potência manipulada por um transistor específico é a temperatura da junção coletor do dispositivo. Transistores de potência são montados em grandes encapsulamentos de metal para permitirem uma grande área pela qual o calor gerado pelo dispositivo possa irradiar (ser transferido). Ainda assim, operar um transistor diretamente em contato com o ar (montando-o em uma placa de material plástico, por exemplo) restringe bastante a capacidade de manipulação de potência do dispositivo. Se, em vez disso (como é prática usual), o transistor for montado sobre alguma forma de dissipador de calor, sua capacidade de manipulação de potência pode se aproximar mais do valor máximo especificado. Alguns dissipadores de calor são mostrados na Figura 12.22. Quando o dissi- pador de calor é utilizado, o transistor que dissipa potência tem uma área maior para irradiar (transferir) o calor para o ar, o que mantém a temperatura do encapsulamento em um valor muito menor do que resultaria sem o uso de dissipador. Mesmo com um dissipador infinito (que cer- tamente não está disponível), com o qual a temperatura do encapsulamento seria mantida à temperatura ambiente (do ar), a junção seria aquecida acima dessa, e uma potência nominal máxima teria que ser considerada. Já que mesmo um bom dissipador de calor não consegue manter a temperatura do encapsulamento do transistor na temperatura ambiente (a qual, à propósito, pode ser superior a 25 °C se o circuito do transistor estiver em uma área confinada na qual outros dispositivos também estejam irradiando uma boa quantidade de calor), é neces- sário diminuir a quantidade máxima de potência permitida para determinado transistor, em função do aumento da temperatura do encapsulamento. A Figura 12.23 mostra uma curva usual de delimi- tação de potência para um transistor de silício. A curva mostra que o fabricante especifica um ponto superior de temperatura (não necessariamente 25 °C), após o qual ocorre uma diminuição linear da potência máxima do dispositivo. Para o silício, a potência máxima que poderia ser manuseada pelo dispositivo não cai para 0 W até que a temperatura do encapsulamento seja 200 °C. FIG. 12.22 Figura 12.22 Típicos dissipadores de calor. Capítulo 12 Amplificadores de potência 589 Boylestad_2012_cap12.indd 589 3/11/13 6:09 PM Não é necessário fornecer uma curva de delimitação, uma vez que a mesma informação pode ser dada simples- mente por um fator de delimitação apresentado na folha de dados do dispositivo. De forma matemática, temos PD(temp1) = PD(temp0) – (Temp1 – Temp0)(fator de delimitação) (12.39) onde o valor de Temp0 é a temperatura na qual a redu- ção deveria começar; o valor de Temp1 é a temperatu- ra específica de interesse (acima do valor de Temp0); PD (temp0) e PD(temp1) são as máximas dissipações de potência nas temperaturas especificadas; e o fator de delimitação é o valor dado pelo fabricante em unidades de watts (ou miliwatts) por grau de temperatura. EXEmplo 12.17 Determine qual a máxima dissipação de potência permi- tida para um transistor de silício de 80 W (especificado a 25 °C) em uma temperatura de encapsulamento de 125 °C, considerando-se redução acima de 25 °C por um fator de delimitação de 0,5 W/°C. solução: PD(125 °C) = PD(25 °C) – (125 ºC – 25 °C)(0,5 W/°C) = 80 W – 100 °C(0,5 W/°C) = 30 W É interessante observar qual a faixa de potência re- sultante ao usar um transistor de potência sem dissipador. Por exemplo, um transistor de silício especificado com 100 W em 100 °C (ou menos) poderá dissipar apenas 4 W em 25 °C (ou abaixo disso). Portanto, operando sem um dissipador de calor, o dispositivo pode suportar um máximo de apenas 4 W na temperatura ambiente de 25 °C. A utilização de um dissipador grande o suficien- te para manter a temperatura do encapsulamento em 100 °C para 100 W permite operar no valor nominal má- ximo de potência. Analogia térmica de transistores de potência A escolha de um dissipador de calor adequado exige o conhecimento de uma grande quantidade de detalhes que estão além das considerações básicas sobre transistores de potência. No entanto, mais informações sobre a relação entre dissipação de potência e características térmicas do transistor podem possibilitar uma compreensão mais clara de como a potência é limitada pela temperatura. A discussão a seguir pode ser útil. Uma ideia de como a temperatura da junção (TJ), a temperatura do encapsulamento (TC) e a temperatura ambiente (ar) (TA) estão relacionadas pela capacidade do dispositivo de manipular calor — um coeficiente de temperatura normalmente chamado de resistência térmica — é apresentada na analogia térmica-elétrica mostrada na Figura 12.24. Em uma analogia térmica-elétrica, o termo resistên- cia térmica é utilizado para descrever os efeitos do calor através de uma grandeza elétrica. Os termos na Figura 12.24 são definidos da seguinte maneira: θJA = resistência térmica total (junção para o ambiente) θJC = resistência térmica do transistor (junção para o encapsulamento) θCS = resistência térmica de isolação (encapsulamento para o dissipador) θSA = resistência térmica do dissipador (dissipador para o ambiente) Utilizando a analogia elétrica para resistências tér- micas, podemos escrever: uJA = uJC + uCS + uSA (12.40) A analogia também pode ser utilizada na aplicação da lei de Kirchhoff para obtermos: TJ = PDθJA + TA (12.41) A última relação mostra que a temperatura da jun- ção “flutua” sobre a temperatura ambiente e que, quanto mais alta for a temperatura ambiente, menor será o valor permitido para a dissipação de potência do dispositivo. O fator térmico θ forneceinformação sobre o índice de queda (ou elevação) de temperatura que resulta para uma dada quantidade de potência dissipada. Por exemplo, o valor de θJC está geralmente em torno de 0,5 °C/W. Isso P T = D iss ip aç ão m áx im a t ot al do d isp os iti vo (W ) Temperatura do encapsulamento (ºC) Figura 12.23 Curva típica de delimitação de potência para transistores de silício. 590 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap12.indd 590 3/11/13 6:09 PM significa que, para uma potência dissipada de 50 W, a diferença de temperatura entre o encapsulamento (como medida por um termopar) e a temperatura interna de junção é de apenas: TJ – TC = θJCPD = (0,5 ºC/W)(50 W) = 25 ºC Portanto, se o dissipador puder manter o encapsula- mento em, digamos, 50 °C, a temperatura da junção será de apenas 75 °C. É uma diferença de temperatura relati- vamente pequena, especialmente para baixos valores de dissipação de potência. O valor da resistência térmica da junção ao ar livre (sem o uso de dissipador) é, normalmente, θJA = 40 ºC/W (ao ar livre) Para essa resistência térmica, apenas 1 W de potência dissipada resulta em uma temperatura da junção de 40 °C maior do que a ambiente. Um dissipador de calor pode, agora, ser considerado um meio pelo qual se estabelece uma baixa resistência térmica entre o encapsulamento e o ar — muito menor do que o valor de 40 °C/W associado ao encapsulamento do transistor apenas. Utilizando um dissipador com θSA = 2 ºC/W e com uma resistência térmica de isolação (do encapsula- mento para o dissipador) de θCS = 0,8 ºC/W e, finalmente, para o transistor, θCJ = 0,5 ºC/W obtemos: θJA = θSA + θCS + θCJ = 2,0 ºC/W + 0,8 ºC/W + 0,5 ºC/W = 3,3 ºC/W Portanto, com um dissipador de calor, a resistência térmica entre o ar e a junção é de apenas 3,3 °C/W, com- parada a 40 °C/W para o transistor operando diretamente ao ar livre. Utilizando o valor de θJA anterior para um tran- sistor que opera em um valor por volta de 2 W, calculamos TJ – TA = θJAPD = (3,3 ºC/W)(2 W) = 6,6 ºC Em outras palavras, o emprego de um dissipador de calor neste exemplo produz um aumento de apenas 6,6 °C na temperatura da junção, se comparado a um aumento de 80 °C que ocorreria sem um dissipador de calor. EXEmplo 12.18 Um transistor de potência de silício funciona com um dissipador (θSA = 1,5 °C/W). O transistor, especificado para 150 W (25 °C), tem θJC = 0,5 °C/W, e a isolação de montagem tem θCS = 0,6 °C/W. Qual a potência máxima que pode ser dissipada se a temperatura ambiente for 40 °C e TJmáx = 200 °C? solução: PD = TJ - TA uJC + uCS + uSA = 200 C - 40 C 0,5 C>W + 0,6 C>W + 1,5 C>W 61,5 W Temperatura da junção (TJ) Isolação e contato Temperatura do dissipador (THS) Dissipador de calor Zero absoluto Temperatura ambiente (TA) Temperatura do encapsulamento (TC) Transistor Dissipação de potência CS Figura 12.24 Analogia térmica-elétrica. Capítulo 12 Amplificadores de potência 591 Boylestad_2012_cap12.indd 591 3/11/13 6:09 PM 12.8 AmplifiCAdorEs ClAssE C E ClAssE d Embora os amplificadores classe A, classe AB e classe B sejam os mais utilizados como amplificadores de potência, os de classe D também são bastante populares por sua eficiência bastante alta. Amplificadores classe C, embora não sejam utilizados como amplificadores de áudio, são utilizados em circuitos sintonizados em comunicações. Amplificador classe C Um amplificador classe C, como mostra a Figura 12.25, é polarizado para operar em menos de 180° do ciclo do sinal de entrada. O circuito sintonizado na saída, entretanto, oferece um ciclo completo do sinal de saída para a frequência fundamental ou ressonante do circuito sintonizado (circuito tanque LC) da saída. Esse tipo de ope- ração é, contudo, limitado para uso em uma frequência fixa, como ocorre em circuitos de comunicações, por exemplo. A operação de um circuito classe C não é voltada, em prin- cípio, para amplificadores de grandes sinais ou de potência. Amplificador classe d Um amplificador classe D é projetado para operar com sinais digitais ou pulsados. Uma eficiência acima de 90% é obtida com esse tipo de circuito, o que o torna bastante interessante para a amplificação de potência. É necessário, entretanto, converter qualquer sinal de en- trada em uma forma de onda pulsada antes de utilizá-lo para acionar uma carga de grande potência e converter o sinal novamente a um tipo senoidal para recuperar o sinal original. A Figura 12.26 mostra como um sinal senoidal pode ser convertido em um sinal pulsado por meio de uma forma de onda dente de serra ou recortada (chopping) para ser aplicada junto com a entrada a um circuito amp-op do tipo comparador, assim produzindo um sinal pulsado representativo. Embora a letra D seja utilizada para des- Forma de onda dente de serra ou chopping Forma de onda de entrada Forma de onda digital Figura 12.26 “Amostragem” de uma forma de onda senoidal para a produção de uma forma de onda digital. Figura 12.25 Circuito amplificador classe C. 592 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap12.indd 592 3/11/13 6:09 PM crever a operação seguinte à classe C, ela também poderia ser associada à palavra “digital”, pois é essa a natureza dos sinais envolvidos na operação desse tipo de amplificador. A Figura 12.27 mostra um diagrama em blocos da unidade necessária para amplificar o sinal classe D e então convertê-lo de volta a um sinal senoidal utilizando um filtro passa-baixas. Visto que os transistores do amplifi- cador usados para gerar o sinal de saída estão basicamente ligados ou desligados, eles conduzem corrente apenas quando estão ligados, apresentando uma pequena perda de potência devido à baixa tensão no estado ligado. Uma vez que a maior parte da potência aplicada ao amplifi- cador é transferida para a carga, a eficiência do circuito é normalmente muito alta. Dispositivos de potência MOSFET se tornaram bastante populares como disposi- tivos acionadores para amplificadores classe D. 12.9 rEsumo Conclusões e conceitos importantes 1. Classes de amplificadores: Classe A – o estágio de saída conduz por 360° com- pletos (um ciclo completo de forma de onda). Classe B – os estágios de saída conduzem por 180° cada (juntos, oferecem um ciclo completo). Classe AB – os estágios de saída conduzem entre 180° e 360° cada (oferecem um ciclo completo com menor eficiência). Classe C – o estágio de saída conduz por menos que 180° (utilizado em circuitos sintonizados). Classe D – opera utilizando sinais digitais ou pulsados. 2. Eficiência do amplificador: Classe A – eficiência máxima de 25% (sem trans- formador) e de 50% (com transformador). Classe B – eficiência máxima de 78,5%. 3. Considerações de potência: a) Potência de entrada é fornecida pela fonte de alimentação CC. b) Potência de saída é aquela entregue para a carga. c) Potência dissipada pelos dispositivos ativos é basicamente a diferença entre as potências de entrada e saída. 4. A operação push-pull (ou complementar) é tipica- mente o funcionamento oposto de dois dispositivos, um de cada vez — um “empurra” metade do ciclo e o outro “puxa” metade do ciclo. 5. A distorção harmônica se refere à natureza não senoidal de uma forma de onda periódica, sendo a distorção definida como a relação entre as ampli- tudes das harmônicas e a da fundamental. 6. O dissipador de calor se refere à utilização de encap- sulamentos metálicos ou placas e ventiladores para a remoção do calor gerado em um elemento de circuito. Equações Pi(CC) = VCCICQ Po(CA) = VCE(rms)IC(rms) = IC 2(rms)RC = V 2 C (rms) RC Po(CA) = VCE (p)IC(p) 2 = I 2 C(p) 2RC = V 2 CE(p) 2RC Gerador dente de serra Comparador Amplificador Realimentação Filtro passa-baixas Converte sinal digital novamente em senoidal Figura 12.27 Diagrama em blocos do amplificador classe D. Capítulo 12 Amplificadores de potência593 Boylestad_2012_cap12.indd 593 3/11/13 6:09 PM Po(CA) = VCE(p@p)IC (p@p) 8 = I 2 C (p@p) 8 RC = V 2 CE(p@p) 8RC % h = Po(CA) Pi(CC) × %001 Ação do transformador: V2 V1 = N2 N1 I2 I1 = N1 N2 Operação classe B: ICC = 2 p I(p) Pi (CC) = VCC a 2 p I (p)b Po(CA) = V 2 L (rms) RL Po (CA) = V 2 CC 2RL máxima Pi(CC)= VCC( ICC) = VCCa 2VCC pRL b = 2V2 CC pRL máxima máxima P2Q = 2V 2 CC p2RL máxima Distorção harmônica: de distorção da n-ésima harmônica% = % Dn = 0An 0 0A1 0 * %001 Dissipador de calor: θJA = θJC + θCS + θSA 12.10 AnálisE ComputACionAl programa 12.1 — Amplificador classe A com alimentação-série Utilizando o Design Center, desenhamos o circuito de um amplificador classe A com alimentação-série como mostra a Figura 12.28. A Figura 12.29 mostra alguns re- sultados de saída da análise. Edite o modelo de transistor apenas para os valores de BF = 90 e IS = 2E-15. Isso man- tém o modelo de transistor como ideal, de maneira que os cálculos do PSpice devem ser iguais aos descritos a seguir. A tensão CC de polarização do coletor é Vc(CC) = 12,47 V Figura 12.28 Amplificador classe A com alimentação-série. Series-fed Class-A Amplifier **** CIRCUIT DESCRIPTION ********************************************************************************* **** BJT MODEL PARAMETERS Q2N3904 NPN IS 2.000000E-15 BF 90 **** SMALL SIGNAL BIAS SOLUTION ********************************************************************************* NODE VOLTAGE NODE VOLTAGE NODE VOLTAGE NODE VOLTAGE (N00210) .8146 (N00214) 0.0000 (N00232) 22.0000 (N00286) 12.4670 VOLTAGE SOURCE CURRENTS NAME CURRENT V_VCC -9.639E-02 V_Vi 0.000E+00 TOTAL POWER DISSIPATION 2.12E+00 WATTS Figura 12.29 Resultados de saída da análise do circuito da Figura 12.28. 594 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap12.indd 594 3/11/13 6:09 PM Com o valor beta ajustado para 90, o ganho CA é calculado da seguinte maneira: IE = Ic = 95 mA (a partir do resultado de saída da análise do PSpice) re = 26 mV/95 mA = 0,27 Ω Para um ganho de: Av = –Rc/re = –100/0,27 = –370 A tensão de saída é: Vo = AvVi = (–370) ∙ 10 mV = –3,7 V (pico) A forma de onda de saída obtida utilizando o Probe é mostrada na Figura 12.30. Para uma saída pico a pico de Vo(p-p) = 15,6 V – 8,75 V = 6,85 V a saída de pico é Vo(p) = 6,85 V/2 = 3,4 V que se aproxima bastante do valor calculado a seguir. Da análise de saída do circuito, a potência de entrada é: Pi = VCCIC = (22 V) ∙ (95 mA) = 2,09 W Dos dados Probe CA, a potência de saída é: Po(CA) = Vo(p-p)2/[8 ∙ RL] = (6,85)2/[8 ∙ 100] = 58 mW A eficiência é, portanto, %η = Po/Pi ∙ 100% = (58 mW/2,09 W) ∙ 100% = 2,8% Um sinal maior de entrada aumentaria a potência CA entregue à carga e a eficiência (sendo 25% o máximo). programa 12.2 — Amplificador push-pull quase complementar A Figura 12.31 mostra um amplificador de potência classe B push-pull quase complementar. Para a entrada de Vi = 20 V(p), a forma de onda de saída obtida utilizando-se o Probe é mostrada na Figura 12.32. A tensão CA de saída é Vo(p-p) = 33,7 V de maneira que: Po = Vo 2(p-p)/(8 ∙ RL) = (33,7 V)2/(8 ∙ 8 Ω) = 17,7 W A potência de entrada para a amplitude de sinal dada é: Pi = VCCICC = VCC[(2/π)(Vo(p-p)/2)/RL] = (22 V) ∙ [(2/π)(33,7 V/2)/8] = 29,5 W Figura 12.30 Saída Probe para o circuito da Figura 12.28. Capítulo 12 Amplificadores de potência 595 Boylestad_2012_cap12.indd 595 3/11/13 6:09 PM