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256 Figura 210: fenômeno da birrefringência da calcita óptica. Ao se observar a linha através do cristal se percebe duas linhas. Fonte: autor. O fenômeno da birrefringência foi estudado ao longo dos pró- ximos séculos e resultou na descoberta da chamada luz polarizada. Ao atravessar o cristal, a luz se divide em dois raios luminosos (por isso, duas imagens). Foi chamada assim porque acreditava-se que esses raios luminosos tinham polos; mesmo depois que se demonstrou que não era o caso, o nome permaneceu. Cada raio luminoso (chamado ago- ra de luz polarizada) se propaga num único plano, diferentemente da luz comum, que se propaga em planos aleatórios (Figura 211). Figura 211: polarizador da luz comum. Fonte: autor. Observou-se, também, que a luz polarizada ao atravessar um cristal de calcita, que é assimétrico, muda seu plano de propagação. Em 1812, o químico francês Biot resolveu avaliar se substâncias dissol- 257 vidas (soluções) poderiam, também, mudar o plano de propagação da luz polarizada. Para sua surpresa, ele verificou que algumas substâncias orgânicas mudam o plano de propagação (açúcares, por exemplo) e ou- tras não. Essa característica, de soluções de substâncias orgânicas muda- rem o plano de propagação da luz polarizada, tornou-se um enigma, porque, num cristal sólido, assimétrico, pode-se admitir a interação da luz com um corpo sólido, mas, e as moléculas em solução? Um passo importante para o avanço dessa parte da Ciência foi dado em 1848, quando Pasteur, que se tornou um importante cientista francês, trabalhando com cristalização de sais de ácido tartárico, crista- lizou o sal duplo de tartarato de sódio e amônio. Você já viu os cristais que se formam no fundo dos frascos de suco de uva? Os sais de Pasteur são derivados do mesmo ácido que formam aqueles precipitados do suco de uva integral. Com incrível capacidade de observação, Pasteur verificou que haviam se formado dois tipos de cristais, sendo um a imagem do outro (Figura 212). Após separar manualmente os dois tipos de cristais, ele investigou suas propriedades ópticas. Figura 212: cristais dos sais de ácido tartárico. Fonte: reprodução Wikimedia Commons. Ele verificou que soluções de mesma concentração dos dois cristais desviavam a luz polarizada para lados opostos. Um desviava