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Experimento Construção de modelos – enantiômeros Material necessário • 2 xícaras de chá de farinha de trigo • 1 xícara de chá de sal • 1 xícara de chá de água (pode ser necessário um pouco mais) • 2 colheres de sopa de óleo (mineral ou vegetal) • corante alimentício em 4 cores diferentes ou pó para fazer suco em 4 cores diferentes (uva, limão, laranja, morango, por exemplo) • tigela ou bacia de plástico • palitos de dente • 1 espelho pequeno, desses usados para ma- quiagem Como fazer Coloque a farinha e o sal na tigela. Misture bem (pode usar as mãos mesmo, previamente limpas). Vá acrescentando a água aos poucos e mexendo com as mãos até que a mistura adqui- ra a consistência de massa de pão. I. Separe a massa em 5 partes iguais. Deixe uma de lado e acrescente corantes ou pó de suco às outras 4 partes da massa, separadamen- te. A ideia é obter massa de modelar de 5 co- res diferentes. Amasse bem cada uma delas para homogeneizar. Para economizar, você pode utilizar apenas dois corantes diferentes, por exemplo, ama- relo e azul. Misturando os dois, você obtém uma terceira cor, no caso, verde. As outras du- as partes de massa podem ser de tonalidades diferentes de uma mesma cor. Por exemplo, em uma das partes da massa você acrescenta mais corante ou pó de suco para obter uma tonalidade intensa e, na outra, acrescenta pouco para obter uma tonalidade clara. Observação: os corantes alimentícios muitas vezes são vendidos como anilina. Trata-se de um nome fantasia. A anilina mesmo (benze- noamina ou fenilamina) é tóxica e não pode ser ingerida. II. Pegue uma cor de massa (a mais intensa) pa- ra ser o carbono (átomo central). Faça uma bolinha com ela. Quebre dois palitos de den- te ao meio e espete-os em quatro pontos da bolinha para formar um tetraedro (conforme mostra a foto da página 134). III. Faça bolinhas de 4 cores diferentes (foto) e espete-as na extremidade livre de cada palito. Repita a operação a partir do item II, toman- do cuidado para colocar as bolinhas coloridas na exata posição que você as colocou no mode- lo anterior. (Chamaremos esses dois modelos idênticos de A.) Repita novamente a operação a partir do item II, invertendo a posição das bolinhas colo- ridas ligadas à bolinha central (átomo de car- bono) em relação à posição que você escolheu anteriormente. (Chamaremos esse outro mo- delo de B.) Pronto, agora você já tem os modelos. Investigue 1. Tente posicionar os modelos A, um sobre o outro, de modo que as bolinhas de cores iguais fiquem exatamente na mesma dire- ção. O que você observa? 2. Pegue agora um modelo A e um modelo B. Ten- te posicioná-los um sobre o outro, de modo que as bolinhas de cores iguais fiquem exata- mente na mesma direção. O que você observa? 3. Coloque um modelo A em frente ao espelho. Tente agora posicionar o outro modelo A ao lado do espelho, de modo que ele fique na mesma posição da imagem A. Isso é possível? 4. Mantenha o modelo A em frente ao espelho. Tente agora posicionar o modelo B ao lado do espelho, de modo que ele fique na mes- ma posição da imagem do modelo A. O que você conclui? Q in g q in g /S h u tt e rs to ck /G lo w I m a g e s Isomeria constitucional e estereoisomeria 135 M_Reis_Quimica_V3_PNLD2018_119a147_U2_C05.indd 135 29/04/16 17:30 Curiosidade Capítulo 5136 A polêmica do carbono assimétrico Em 1874 o químico holandês Jacobus Henricus van’t Hoff (1852-1911) e o químico francês Joseph Achille le Bel (1847-1930), com base em teorias matemáticas, sugeriram, independente mente, a existência de átomos de carbono assimétricos. A publicação desse conceito levou o famoso químico alemão Adolph Wilhelm Kolbe (1818- -1884), cuja contribuição para a Química Orgâ- nica foi da maior importância, a publicar, em 1877, em um dos mais famosos jornais de Quí- mica da época, um protesto muito violento con- tra o trabalho de Van’t Hoff. Esse protesto – que ficou famoso pelo equí- voco que representa – tornou-se um “exemplo clássico” do que não devemos fazer diante de uma ideia que não compreendemos. O protesto de Kolbe dizia o seguinte: “Em um trabalho recentemente publicado com o mesmo título (Sinal dos tempos), insisti no fato de que uma das causas do retrocesso atual da pesquisa química na Alemanha é a falta de conhecimento químico geral e, ao mesmo tempo, fundamental. Muitos de nossos professores de Química estão nessa situação e causam muito mal à ciência. Uma consequência imediata disso é que se está espalhando uma teia de aparente escolaridade e conhecimento, que não passa da filosofia natural, superficial e estúpida, desmas- carada há cinquenta anos pela Ciência Natural exata e que, agora, ataca novamente, ajudada por pseudocientistas que tra- tam de disfarçá-la e apre- sentá-la como ciência, assim como se tentassem introduzir uma prostituta bem- ves tida e empoada na boa sociedade, à qual não pode pertencer. Qualquer um que pos- sa pensar que os concei- tos acima são exagerados poderá ler, se conseguir, o livro dos senhores Van’t Hoff e Hermann sobre A disposição dos átomos no espaço, recentemen- te publicado, e que está cheio de tolices e fanta- sias. Eu teria ignorado mais este livro se um quí- mico de reputação não o tivesse reco mendado calorosamente como uma realização de alto nível. O tal dr. J. H. van’t Hoff, da Escola de Veteriná- ria de Ultrecht, aparentemente não tem tendência alguma à investigação química exata. Ele prefere montar Pégaso, aparentemente emprestado pe- la Escola de Veterinária, e proclamar em sua La chimie dans l’espace como lhe parecem estar os átomos dispostos no espaço, visto do Monte Par- naso químico a que ele chegou voando”. PINTO, Angelo C. Alguns aspectos da história da aspirina. Disponível em: <www.sbq.org.br/filiais/adm/Upload/ subconteudo/pdf/Historias_Interessantes_de_Produtos_ Naturais05.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2014. Kolbe estava enganado, mas não viveu para assistir à consagração de Van’t Hoff, o primeiro químico a receber o prêmio Nobel, em 1901. Na realidade, outros químicos importantes da épo- ca também criticaram as propostas de Van’t Hoff, porém, aos poucos, suas ideias foram ganhando aceitação. Em 1874, Van’t Hoff pesquisou a diastereoiso- meria cis-trans e mostrou que as ligações duplas impediam a rotação livre entre os átomos de car- bono, levando ao tipo de isomeria que ocorre, por exemplo, entre os ácidos maleico e fumárico. W il T ilr oe -O tte /Sh utte rstock /Glow Images Pégaso, cavalo alado da mitologia grega. Monte Parnaso: maciço montanhoso com 2 457 m de altura. N ig e l B o w e n -M o rr is /L a ti tu d e S to ck /L a ti n s to ck M_Reis_Quimica_V3_PNLD2018_119a147_U2_C05.indd 136 29/04/16 17:30 A polarização da luz Uma propriedade utilizada para diferenciar dois enantiômeros é que eles desviam o plano de vibração da luz polarizada para sentidos opostos, ou seja, um enantiômero desvia o plano da luz polarizada para a direita (sentido horá- rio) e o outro, para a esquerda (sentido anti-horário). Segundo o modelo ondulatório, a luz natural – aquela que recebemos do Sol ou de uma lâmpada incandescente – é composta de ondas eletromagnéticas que vibram em infinitos planos perpendiculares à direção da propagação da luz. Il u s tr a ç õ e s : L u is M o u ra / A rq u iv o d a e d it o ra Representação de Fresnell Representação de Fresnell A luz polarizada é uma luz que vibra em um único plano. Pode-se obter luz polarizada fazendo-se a luz natural (policromática) atra- vessar um polarizador (ou substância polarizadora), como, por exemplo, uma lente polaroide ou um prisma de Nicol. O funcionamento do prisma de Nicol baseia-se na propriedade que a calcita – carbonato de cálcio cristalino, CaCO 3 (c) – apresenta de produzir uma dupla refração, ou seja, de um raio de luznatural que incide sobre o cristal saem dois raios polarizados refratados, denominados raio ordinário e raio extraordinário, que se propagam em planos perpendiculares. luz natural raio ordinário raio extraordinário prisma de CaCO 3 (c) Para eliminar um dos raios e, assim, obter a luz polarizada, é necessário cor- tar o cristal na forma de dois prismas segundo um plano diagonal e, em seguida, colar os prismas com uma resina denominada bálsamo do canadá. Desse modo, o raio ordinário vai atingir o bálsamo do canadá em um ângulo de incidência maior que o “ângulo-limite” e, como essa resina é mais refringen- te que o cristal, será refletido. Somente o raio extraordinário atravessa o prisma. Obtém-se, assim, a luz polarizada. junção de bálsamo do canadá luz natural prisma de calcita (espato de islândia) raio ordinário raio extraordinário luz polarizada 68° 68° As ilustrações estão fora de escala. Cores fantasia. Isomeria constitucional e estereoisomeria 137 M_Reis_Quimica_V3_PNLD2018_119a147_U2_C05.indd 137 29/04/16 17:30