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Análise do Comportamento (Parte I) Tânia Maria de Carvalho Câmara Monte Análise do Comportamento (Parte I) 2 Introdução Neste conteúdo, abordaremos algumas causas populares do comportamento. Apresentaremos também a definição de comportamento e as variáveis das quais ele é função. Finalizaremos, expondo e diferenciando as definições de comportamento reflexo, reflexo condicionado, operante e operante discriminado. 3 Análise do Comportamento (Parte I): uma abordagem científica do comportamento humano A Análise do Comportamento (AC) é uma abordagem da Psicologia, “amplamente sustentada na obra filosófica e científica” de Burrhus Frederic Skinner (TOURINHO; SÉRIO, 2010, p. 1). O objeto de estudo é o comportamento, entendido como a interação entre o indivíduo que se comporta e seu ambiente (antecedente e consequente à ação), entre estímulos (S) e respostas (R). Para Baum (2019) a contribuição de Skinner foi fundamental no estudo do comportamento relacionado aos “fenômenos comportamentais subjetivos”: Enquanto muitos sustentavam concepções de que o comportamento humano é muito complexo para ser estudado cientificamente, ou que a subjetividade humana está além do alcance da ciência, Skinner trabalhou arduamente em seus laboratórios para mostrar a viabilidade de uma ciência do comportamento e da inclusão dos “fenômenos comportamentais subjetivos” nesse campo. Com esse esforço, produziu conhecimentos que, hoje, são a base para o trabalho de milhares de analistas do comportamento em todo o mundo (BAUM, 2019, p. 209). De acordo com Skinner (1974) assumir o comportamento como interação entre o indivíduo e seu ambiente, significa dizer que as nossas ações só podem ser compreendidas se o ambiente no qual elas ocorrem (= ambiente anterior à ação) e/ou o ambiente que passa a existir como efeito da ação realizada (= ambiente posterior à ação) for elucidado (esclarecido). Dito de outra maneira, para a AC, o comportamento envolve mais do que a especificação de uma determinada ação; inclui a descrição do que as pessoas fazem, quando o fazem e/ou o que acontece depois de fazerem alguma coisa. A seguir alguns exemplos de como o conceito de comportamento é compreendido pela AC e de como pode ser esquematizado. Maria acendeu uma vela (ação) ao entrar em uma casa escura e abandonada (contexto anterior à ação). Assim, pode ver o que estava ali (ver os objetos que não tinha visto antes de acender a vela e iluminar o ambiente) (contexto posterior à ação). 4 Ambiente anterior à ação (= Quando? ou Por quê?) Ação Ambiente posterior à ação (= O que acontece de- pois? Ou: Para quê?) Casa escura e abandonada + Vela + Fósforo Casa escura e abandonada + Vela + Fósforo Claridade + Aparecimento de objetos que antes não apareciam no escuro Quadro 1 - Ambiente anterior à ação. Fonte: elaborada pela autora (2021) #PraCegoVer: Tabela de três colunas e duas linhas. Primeira linha: Ambiente anterior à ação (= Quando? ou Por quê?); Ação; Ambiente posterior à ação (= O que acontece depois? Ou: Para quê?). Segunda coluna: Casa escura e aban- donada + Vela + Fósforo; Claridade + Aparecimento de objetos que antes não apareciam no escuro Ambiente anterior à ação (= Quando? ou Por quê?) Ação Ambiente posterior à ação (= O que acontece de- pois? ou Para quê) Pandemia + Orientações da OMS e/ou Adoção e divulgação das orientações da OMS pelo Ministério da Saúde brasileiro Uso de máscara Lavar as mãos Distanciamento social Evitação de contágio pelo coronavírus (consequência individual) + Diminuição do contágio pelo coronavírus (consequência social) + Manutenção do atual estado de saúde (consequência individual) Quadro 2 - Ambiente anterior à ação. Fonte: elaborada pela autora (2021) #PraCegoVer: Tabela de três colunas e duas linhas. Primeira linha: Ambiente anterior à ação (= Quando? ou Por quê?); Ação; Ambiente posterior à ação (= O que acontece depois? Ou: Para quê?). Segunda coluna: Pandemia + Orienta- ções da OMS e/ou Adoção e divulgação das orientações da OMS pelo Ministé- rio da Saúde brasileiro. Uso de máscara Lavar as mãos Distanciamento social; Evitação de contágio pelo coronavírus (consequência individual) Diminuição do contágio pelo coronavírus (consequência social) + Manutenção do atual estado de saúde (consequência individual) Agora que uma nova forma de compreender o conceito de comportamento foi apresentada a você, precisamos esclarecer algumas questões sobre os seus componentes. O primeiro esclarecimento se refere ao conceito de ação, tomado a partir desse momento como equivalente à palavra resposta (R). 5 De acordo com Sério et al (2009), para os analistas do comportamento, as nossas ações podem ser manifestas (respostas que podem ser observadas por mais de uma pessoa como, por exemplo, correr, cantar, recitar um poema, acender uma vela etc) ou encobertas (respostas que podem ser observadas apenas pela pessoa que se comporta como, por exemplo, pensar, sonhar, sentir, ver etc). Emboras essas ações difiram quanto ao seu tamanho (a ponto de serem vizíveis por mais de uma pessoa ou apenas para o sujeito que se comporta), não devemos entendê-las como sendo diferentes em sua natureza (ambas são físicas e comportamentais). Nas palavras de Sério et al : [...] em princípio um organismo vivo está sempre respondendo, mesmo quando é muito difícil identificar que está ocorrendo uma resposta; a facilidade ou dificuldade para identificar a ocorrência da resposta não é critério para falar da sua existência. Com isto estamos afirmando que a atividade do organismo envolve respostas manifestas (respostas que podem ser observadas de forma independente por mais de um observador) e respostas encobertas (respostas que podem ser observadas apenas pelo organismo que se comporta). Se as respostas envolvidas na relação (comportamento) são encobertas ou manifestas, isto não é critério para incluir ou excluir a relação como objeto de estudo da psicologia (2009, p. 5). Ainda sobre a questão de classificação da resposta em manifesta ou encoberta, devemos considerar que uma mesma ação pode assumir diferentes formatos a depender de como a realizamos (SKINNER, 1974,apud TOURINHO, 2010). Como exemplo dessa afirmação, tomemos o comportamento de recitar (= dizer em voz alta) um poema. A princípio essa resposta pode ser definida como manifesta, pois atinge outras pessoas, além daquele que recita o poema. Entretanto, nada nos impede de declamar um poema para nós mesmos e num formato tão diminuto (pequeno) que a única pessoa a ser afetada por essa ação é àquela que se comporta. O segundo esclarecimento, que devemos fazer a respeito dos componentes de um comportamento, diz respeito ao conceito de ambiente. Sério et al. (2009) citando Skinner (1974) afirmam que esse conceito ultrapassa a noção de lugar, no qual uma ação ocorre; equivale à noção de estímulo (aquilo que estimula ou afeta uma resposta). Segue abaixo uma representação a respeito da diferença entre local e ambiente. 6 AMBIENTE LOCAL Figura 1 - Conceito de Ambiente. Fonte: adaptado de Tourinho, 1997, p. 222. #PraCegoVer: Dentro de um retângulo com fundo branco as palavras Local e Ambiente. Essa última sobre um retâgulo amarelo. Sobre a definição de ambiente como equivalente ao termo estímulo, devemos esclarecer três de suas vantagens. A primeira delas se refere redução daquilo que nos afeta (SKINNER, 1974). Figura 2 - Redução do que nos afeta. Fonte: elaborada pela autora (2021) #PraCegoVer: Dentro de um retângulo pontilhado com fundo branco as pa- lavras Local (Cinema) e abaixo: pipoca, pessoas, poltronas. Abaixo a palavra Filme dentro de um retângulo amarelo. A segunda vantagem se refere a possibilidade de mudança daquilo que nos afeta, momento a momento (SKINNER, 1974). Figura 3 - Possibilidade de mudança. Fonte: elaborada pela autora (2021). #PraCegoVer: Dentro de um retângulo pontilhado com fundo branco as pala- vras Local (Cinema) e abaixo: pipoca,pessoas, poltronas. Abaixo a palavra Pessoas dentro de um retângulo amarelo. A terceira vantagem, diz respeito à possibilidade de que um mesmo local (ex.: escolar) afete de maneira diferente duas pessoas. Nas palavras de Moreira e Medeiros: 7 Os aspectos do ambiente que influenciam o comportamento do organismo podem ser observados por terceiros (i.e., estímulos públicos) ou apenas pelo próprio organismo que se comporta (i.e., estímulos privados). Afirmar que “duas pessoas que estão no mesmo lugar” ou “duas crianças que foram criadas na mesma casa” estão no mesmo ambiente, por exemplo, caracteriza uma compreensão estreita do conceito de ambiente e incongruente com a Análise do Comportamento. O ambiente influenciará o comportamento dos organismos de forma sutil, de modo que pequenas diferenças nessa interação resultarão em grandes diferenças em termos de comportamentos futuros (2007, p. 210). A noção de ambiente ou de estímulo pode envolver tanto aquilo que acontece antes da resposta quanto aquilo que acontece depois dela (SÉRIO et al., 2009). Atenção Finalmente, gostaríamos de esclarecer que a noção de ambiente ou de estímulo pode envolver tanto aquilo que acontece antes da resposta quanto aquilo que acontece depois dela (SÉRIO et al., 2009). Segue abaixo representações de como isso pode acontecer (retomaremos os exemplos dados no início deste capítulo para que possam visualizar novas e possíveis interações entre o ambiente e a resposta). AMBIENTE ou ESTÍMULO RESPOSTA ou AÇÃO AMBIENTE ou ESTÍMULO Casa escura e abandonada + Vela + Fósforo Acender uma vela Claridade + Aparecimento de objetos que antes não apareciam no escuro AMBIENTE ou ESTÍMULO RESPOSTA ou AÇÃO AMBIENTE ou ESTÍMULO Pandemia + Orientações da OMS e/ou Adoção e divulgação das orientações da OMS pelo Ministério da Saúde brasileiro Uso de máscara Lavar as mãos Distanciamento social Evitação de contágio pelo coronavírus + Diminuição do contágio pelo coronavírus + Manutenção do atual estado de saúde 8 AMBIENTE ou ESTÍMULO RESPOSTA ou AÇÃO Predador Agrupar em rebanho Encarar o predador Manter uma zona de fuga Pastar a certa distância uns dos outros Correr sem direção Correr em círculos Quadros 3 - Exemplos de ambientes e estímulos. Fonte: elaboradas pelas autoras (2021). #PraCegoVer: 3 tabelas com exemplos de Ambiente ou estímulo e suas res- pectivas respostas ou ações. As causas populares do comportamento: o porquê para o qual temos muitas respostas De acordo com Skinner (1974), estamos acostumados a falar sobre o comportamento humano: “O comportamento humano é o traço mais familiar do mundo em que as pessoas vivem, e deve ter dito mais sobre ele do que sobre qualquer outra coisa” (p. 7). Em outras palavras, é praticamente impossível não termos falado sobre o que eu ou o outro fizemos, fazemos e/ou faremos. [...] em Análise do Comportamento, compreende tudo aquilo que pode afetar o comportamento, sejam variáveis mecânicas e químicas, como o vento, o movimento, o som, por exemplo, sejam variáveis sociais, como a presença de outras pessoas, prêmios, conselhos, moda, etc. (MOREIRA; MEDEIROS, 2007). E é justamente pelo hábito de falar sobre o comportamento, que devemos nos perguntar: “E de tudo o que foi dito, o que vale a pena ser conservado?” (SKINNER, 1974, p. 7). Muita coisa foi dita a respeito do comportamento e é exatamente por isso, que começaremos esta análise utilizando o que Skinner (1998) chamou de “causas populares do comportamento” (p. 25). Skinner (1998) afirma que essas se referem a falsas explicações ou descrições “causais”, que são reproduzidas com frequência entre as pessoas, mas que não podem ser verificadas pelo método científico. 9 “Ciência e comportamento humano” foi escrito durante um intervalo da peleja que foi escrever “Comportamento verbal”. Skinner começou o trabalho em 1934, parou durante a Segunda Guerra Mundial (1941-1944), e parou de novo para escrever “Ciência e comportamento humano”, no fim dos anos 40. Fonte: TODOROV, João Cláudio. A Evolução do Conceito de Operante. Psicologia: Teoria e Pesquisa. Brasília, Mai-Ago 2002, Vol. 18 n. 2, p. 123-127, 2012. Disponível em: https://www.scielo. br/j/ptp/a/ZYjPPLddBNgYWxnV7G7x6Nf/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 13 ago 2021. Curiosidade Um exemplo de causa popular do comportamento é a posição dos planetas no nascimento de uma pessoa, que a Astrologia se utiliza para interpretar o que uma pessoa faz e o porquê ela o faz (SKINNER, 1974). Diz-se, por exemplo, que pessoas com ascendente em Virgem são organizadas e trabalhadoras ou, ainda, que pessoas com ascendente em Áries são energéticas e competitivas. A causa de seus comportamentos? Terem nascido em uma determinada data e/ ou horário. Mas onde está o problema dessa descrição “causal”? O porquê ela não deveria ser mantida, segundo a AC? A resposta é simples: não podemos manipular a data e o horário de nascimento de uma pessoa para saber como ela irá agir ou para saber se a ação dessa pessoa muda em função da alteração do seu dia de nascimento, mês, ano e horário. AMBIENTE ou ESTÍMULO RESPOSTA ou AÇÃO Data e horário de nascimento (Signo Virgem) Organizar Quadro 4 - Ambiente ou estímulo. Fonte: elaborada pela autora (2021). #PraCegoVer: Tabela com duas linhas e duas colunas. Linhas: Ambiente ou Estímulo; Resposta ou ação. Segunda linha: Data e horário de nascimento (signo de virgem). Organizar. Estrutura do indivíduo: outra causa popular do comportamento, segundo Skinner (1974), refere-se à explicação do comportamento pela estrutura física do indivíduo https://www.scielo.br/j/ptp/a/ZYjPPLddBNgYWxnV7G7x6Nf/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/ptp/a/ZYjPPLddBNgYWxnV7G7x6Nf/?format=pdf&lang=pt 10 como: a cor dos olhos, a proporção do corpo, o cabelo, a cor da pele, a palma das mãos etc. Segundo esse autor, tais afirmações são problemáticas por motivos diferentes. Figura 4 - Estrutura do indivíduo. Fonte: Plataforma Deduca 2021. #PraCegoVer: Foto do detalhe de um olho azul com cílios de uma criança pequena. De especial interesse para a AC, tem-se: A) a impossibilidade de manipulação destas variáveis (cor dos olhos, por exemplo) e a observação do seu efeito ou não sobre o comportamento e; B) abre espaço para que novos traços (agora, neurais ou psicológicos) sejam estabelecidos como “causa” do comportamento. De acordo com Sampaio (2005) entender as causas do comportamento e a ação humana é bastante complicado. O autor que estuda Skinner diz que o objeto de pesquisa para o qual esse modelo investigativo se volta – comportamento ou ação humana – é visto de maneira cada vez mais complexa; partindo de uma pesquisa que se limita a reflexões e relacionada à causalidade limitada de eventos anteriores mais diretos Skinner continuou a estudar comportamento operante, discurso e comportamento social, e até mesmo práticas culturais mais amplas baseadas no ponto de vista do selecionismo e múltiplas decisões humanas. O autor ressalta que Skinner, em última análise, atribuiu sua ciência comportamental ao resultado da inter-relação de processos seletivos operando em três níveis: filogenia (em relação à espécie), ontogenia (em relação ao indivíduo) e cultura (em relação a um grupo de indivíduos). 11 Leia a primeira frase do livro de Skinner chamado “O comportamento verbal” e que mostra a concepção de homem no ponto de vista do Behaviorismo Radical, apontando a relação entre o homem e o mundo em que vive. “Os homens agem sobre o mundo, modificando-o, e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação” (Skinner, 1974). Atenção Para quê nos comportamos? A definição de comportamento e suas causas Em nossa cultura, utilizamos a palavra “causa” para identificar aqueles estímulos que antecedem a nossa ação. Em outras palavras, popularmente causa é aquilo que vem antes da nossa ação (resposta) (SKINNER, 1974). Entretanto, para a AC, as causas de uma ação, em suagrande maioria, encontram-se no ambiente posterior a uma ação, ou seja, nas suas consquências (SKINNER, 1974). Se esta afirmação estiver correta, para encontramos as causas de um comportamento, devemos nos perguntar “pra quê nos comportamos?” (pergunta que nos levará às consequências de uma ação) e não “por que nos comportamos?” (pergunta que nos levará a qualquer evento que coincida ou que seja anterior a nossa ação como, por exemplo, pensamentos e sentimentos). Para Skinner (1974), um comportamento não pode ser explicado por um pensamento, sentimento, desejo ou vontade ou, ainda, por datas de nascimento, signos, estruturas físicas etc. Nossas ações devem ser explicadas pelas suas consequências. E como fazer isso? Por meio da aprendizagem, sendo aprendizagem uma comprovação de comportamento novo ou modificado. Se o comportamento é controlado por suas consequências, isso dá duas possibilidades extremamente úteis para os psicólogos: (a) podemos entender o que leva as pessoas a fazerem o que fazem, isto é, a função de seus comportamentos, a partir da análise das consequências de seus comportamentos; e (b) se os comportamentos das pessoas e também de animais não humanos são controlados por suas consequências, isso significa que podemos, quando e se necessário, modificá-los por meio da alteração de suas consequências. Essa é a essência da abordagem psicológica. Análise do Comportamento, cujo determinismo 12 do comportamento se baseia no modelo de seleção por consequências (MOREIRA; MEDEIROS, 2017, p. 50). A seguir, exemplos de ações (respostas) e de suas possíveis consequências (ambiente posterior a ação e decorrente desta). 13 Exemplos de ações e de suas possíveis consequências Ação (resposta) Consequência(ambiente poste- rior a ação) Dizer “Oi!” Outra pessoa responder “Olá!” Apertar um botão do elevador Chegada do elevador ao andar Abrir uma torneira Sair água da torneira Fazer uma pergunta ao professor O professor responder Fazer o dever de casa O professor elogiar Fazer juras de amor Ganhar um beijo Estudar Tirar boa nota na prova Fazer uma ligação telefônica Outra pessoa atender ao telefone Chorar Obter atenção das pessoas Contar piadas Obter atenção das pessoas (risadas) Cuidar da aparência Receber elogios Executar um trabalho (consertar uma torneira) Produto do trabalho pronto (a torneira para de pingar) Executar um trabalho Receber o pagamento Executar um trabalho Receber elogios Tocar violão Produzir sons Quadro 5 - Exemplos de ações e de suas possíveis consequências. Fonte: adaptada de Moreira e Medeiros (2007). #PraCegoVer: Tabela com duas colunas. A da esquerda relação de exemplos de Ação (resposta). Na segunda coluna, exemplos de Consequência (ambiente posterior a ação) 14 É interessante notar, que na tabela anterior um mesmo comportamento (ex.: realizar um trabalho) pode resultar em diferentes consequências (ex.: trabalho realizado; pagamento; e/ou elogio). Qual ou quais destas consequências ou estímulos afetam a nossa ação? A resposta para esta pergunta pode ser obtida mediante a manipulação das consequências e observação de seus efeitos sobre o responder. Segue outros exemplos de ações e de suas consequências. Diferente da tabela anterior, agora, comportamentos considerados como socialmente “inadequados” e suas possíveis consequências serão apresentados (MOREIRA; MEDEIROS, 2017). Exemplos de comportamentos (ações) considerados inadequados em nossa cultura e suas possíveis consequências Comportamento (resposta) Consequência Fazer “bagunça” em sala de aula Obter atenção do professor Fazer “bagunça” em sala de aula Obter atenção dos colegas Dizer que dirigiu em alta velocidade Admiração dos amigos (de alguns) “Matar” aula Obter tempo livre para outras atividades Agir de forma grosseira com funcionários Funcionários fazerem o trabalho mais rapidamente Fazer birra Ganhar um brinquedo Corromper o funcionário da secretaria da faculdade Ter acesso à prova e aumentar a chance de tirar uma boa nota com menos estudo Falar mal de alguém Obter atenção de outra pessoa Fazer cópia “pirata” de livros Obter o livro sem ter que pagar Dizer piadas machistas Obter atenção ou aprovação de pessoas machistas Dizer piadas homofóbicas Obter atenção ou aprovação de pessoas homofóbicas Fazer comentários racistas Obter atenção ou aprovação de pessoas racistas “Furar” a fila Chegar mais rápido ao caixa Postar comentários “sem noção” no Facebook Obter curtidas ou aprovação de pessoas “sem noção” Dirigir com velocidade acima da permitida Chegar ao destino mais rápido Quadro 6 - Exemplos de comportamentos (ações) considerados inadequados em nossa cultura e suas possíveis consequências. Fonte: Moreira e Medeiros (2007) . #PraCegoVer: Tabela com duas colunas. A da esquerda relação de exemplos de Comportamentos (resposta). Na segunda coluna, exemplos de Consequên- cia 15 Tipos de comportamento: comportamento reflexo, reflexo condicionado, operante e operante discriminado Análise do Comportamento costuma dividir as relações comportamentais em duas categorias “comportamento respondente” e “comportamento operante”, dependendo das analogias entre os eventos ambientais e comportamento. Comportamento Respondente uma alteração no ambiente elicia uma resposta do organismo uma resposta emitida pelo organismo produz uma alteração no ambiente S “ R Comportamento operante R “ C Figura 5 - Comportamento respondente e operante. Fonte: elaborada pela autora (2021). #PraCegoVer: seis informações dentro de desenhos na cor azul em formato de flecha. Três em cima e três abaixo. Nas de cima a primeira flecha refere-se ao Comportamento Respondente e na flecha debaixo a primeira flecha é sobre o Comportamento operante. Comportamento respondente Segundo (Hubner e Moreira, 2012) o termo “comportamento respondente” é usado em Análise do Comportamento para se referir aos comportamentos conhecidos como reflexos, costumeiramente caracterizados como reações involuntárias do organismo a certos eventos. O exemplo mais popular é o reflexo de salivar dos cães, estudado por Ivan Petrovich Pavlov. Conforme (Moreira e Medeiros, 2007): “É uma forma de aprendizagem em que um estímulo previamente neutro passa, após o emparelhamento com um estímulo incondicionado, a eliciar uma resposta reflexa” (p. 35). Eliciar: e o termo usado para dizer que a resposta foi provocada pelo estímulo. Atenção Veja este exemplo. Após uma picada de injeção dolorosa, quando você precisou de ir ao pronto socorro, quando criança, todas as vezes que você entrar em um PS poderá eliciar respostas de medo e tremer ou suar frio etc ( foi assim que muita gente desmaiou ao tomar a vacina da Covid). O condicionamento respondente também pode explicar as nossas emoções: por exemplo nosso coração dispara quando sentimos casualmente em um ambiente 16 o perfume de alguém e que estamos apaixonados sem que essa pessoa esteja presente. Isso significa que estamos diante de um reflexo condicionado, ou seja, o reflexo condicionado é uma reação a um estímulo casual. O comportamento reflexo ou respondente obedece a algumas leis que regem a sua ocorrência. Por exemplo, o estímulo incondicionado tem que ocorrer em intensidade suficiente para eliciar a resposta incondicionada, de modo que existe um limiar, a partir do qual o estímulo produz a resposta. Uma fonte de calor pouco intensa provavelmente não provocara o afastamento irresistível da mão. Atenção Comportamento operante Como você já viu na tabela anterior, o comportamento operante é controlado principalmente por eventos ambientais que ocorrem após a uma resposta emitida pelo organismo; produz uma alteração no ambiente. Em outras palavras, a resposta é controlada pelas mudanças ambientais. Na linguagem da análise do comportamento, os comportamentos operacionais são considerados emitidos por organismos. Segundo Moreira e Medeiros, que cita Skinner: Classificamoscomo operante aquele comportamento que produz consequências (modificações no ambiente) e é afetado por elas. Logo, consideraremos como as consequências daquilo que fazemos nos mantêm no caminho, ou afasta-nos dele. Entender o comportamento operante é fundamental para compreendermos como aprendemos nossas habilidades e nossos conhecimentos, ou seja, falar, ler, escrever, raciocinar, abstrair, etc.), e até mesmo como aprendemos a ser quem somos, a ter nossa personalidade (Moreira e Medeiros, 2007, p. 47). Portanto: o comportamento operante produz consequências no ambiente por exemplo ligar a chave do carro " funcionar o motor, pedalar uma bicicleta " sair andando ou cair se você não souber andar. Poderíamos citar vários exemplos de comportamento operante, envolvendo desde comportamentos mais simples, como ler um livro até os mais complexos como resolução de uma álgebra. O fato é que 17 todos dependem da equiparação entre eventos ambientais antecedentes, respostas e eventos consequentes. Segundo (HUBNER E MOREIRA, 2012): “Essa correlação entre eventos, quando produz a modificação da probabilidade de que certos estímulos antecedentes e certas respostas coocorram, recebe o nome de condicionamento operante” (p. 44). Os mesmos autores descrevem que a Análise do Comportamento explica o comportamento operante por meio da tríplice contingencia. Esta envolve não apenas a resposta e a consequência, como também considera a circunstância que ocorre, esta circunstância é definida por estímulo discriminativo (SD). Para conhecer o vocabulário usando nas análise do comportamento acesse o link: https://www.fafich.ufmg.br/~vocabularioac/ vocabularioac.pdf Autoria: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior / Coautoria: Maria Aparecida Oliveira de Souza e Marcela França Dias, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal do Pará. Saiba mais https://www.fafich.ufmg.br/~vocabularioac/vocabularioac.pdf https://www.fafich.ufmg.br/~vocabularioac/vocabularioac.pdf 18 Conclusão Comportamento reflexo: são comportamentos eliciados por um evento ambiental, chamado estímulo, ligados a história da espécie e selecionados em função do bem-estar do organismo. Comportamento operante: são comportamentos que produzem algum efeito no mundo. São evocados por eventos ambientais (estímulos) e mantidos por suas consequências (estímulos reforçadores). Esses comportamentos relacionam-se com a história do indivíduo e de sua cultura. Estímulo reforçador positivo: estímulo que – apresentado como consequência de uma ação (ou resposta) – a torna mais frequente, no futuro, em situações parecidas. Estímulo reforçador negativo: estímulo que retirado, suspenso ou adiado como consequência de uma ação (ou resposta) a torna mais frequente, no futuro, em situações parecidas. 19 Referências ANDERY, M. A., MICHELETTO, N., SÉRIO, T. M. (2007). Modo causal de seleção por consequências e a explicação do comportamento. In: M. A. Andery, N. Micheletto & T. M Sério (Eds.), Comportamento e causalidade (pp. 31-48). São Paulo: Pontifícia Universidade Católica. BAUM Willian M. Compreender o behaviorismo comportamento cultura e evolução. Porto Alegre, RS: Editora Artmed, 2019. BRASIL. Ministério da Saúde (2020). Saúde anuncia orientações para evitar a disseminação do coronavírus. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/ assuntos/noticias/saude-anuncia-orientacoes-para-evitar-a-disseminacao-do- coronavirus Acesso em: 2 ago. 2021. HUBNER, Maria Marta Costa, MOREIRA Márcio Borges. Temas clássicos da psicologia sob a ótica da análise do comportamento. Organizadores; editores da série Edwiges Ferreira de Mattos Silvares, Francisco Baptista Assumpção Junior, Léia Priszkulnik. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. MOREIRA, Márcio Borges; MEDEIROS, Carlos Augusto de. Princípios básicos da análise do comportamento. 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