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Análise do 
Comportamento
(Parte I)
Tânia Maria de Carvalho Câmara Monte
Análise do Comportamento 
(Parte I)
2
Introdução
Neste conteúdo, abordaremos algumas causas populares do comportamento. 
Apresentaremos também a definição de comportamento e as variáveis das quais ele 
é função. Finalizaremos, expondo e diferenciando as definições de comportamento 
reflexo, reflexo condicionado, operante e operante discriminado. 
3
 Análise do Comportamento (Parte I): uma 
abordagem científica do comportamento humano
A Análise do Comportamento (AC) é uma abordagem da Psicologia, “amplamente 
sustentada na obra filosófica e científica” de Burrhus Frederic Skinner (TOURINHO; 
SÉRIO, 2010, p. 1).
O objeto de estudo é o comportamento, entendido como a interação entre o indivíduo 
que se comporta e seu ambiente (antecedente e consequente à ação), entre estímulos 
(S) e respostas (R). Para Baum (2019) a contribuição de Skinner foi fundamental 
no estudo do comportamento relacionado aos “fenômenos comportamentais 
subjetivos”:
Enquanto muitos sustentavam concepções de que o comportamento 
humano é muito complexo para ser estudado cientificamente, ou que 
a subjetividade humana está além do alcance da ciência, Skinner 
trabalhou arduamente em seus laboratórios para mostrar a viabilidade 
de uma ciência do comportamento e da inclusão dos “fenômenos 
comportamentais subjetivos” nesse campo. Com esse esforço, produziu 
conhecimentos que, hoje, são a base para o trabalho de milhares de 
analistas do comportamento em todo o mundo (BAUM, 2019, p. 209).
De acordo com Skinner (1974) assumir o comportamento como interação entre 
o indivíduo e seu ambiente, significa dizer que as nossas ações só podem ser 
compreendidas se o ambiente no qual elas ocorrem (= ambiente anterior à ação) e/ou 
o ambiente que passa a existir como efeito da ação realizada (= ambiente posterior à 
ação) for elucidado (esclarecido). Dito de outra maneira, para a AC, o comportamento 
envolve mais do que a especificação de uma determinada ação; inclui a descrição 
do que as pessoas fazem, quando o fazem e/ou o que acontece depois de fazerem 
alguma coisa. 
A seguir alguns exemplos de como o conceito de comportamento é compreendido 
pela AC e de como pode ser esquematizado. 
Maria acendeu uma vela (ação) ao entrar em uma casa escura e abandonada (contexto 
anterior à ação). Assim, pode ver o que estava ali (ver os objetos que não tinha visto 
antes de acender a vela e iluminar o ambiente) (contexto posterior à ação). 
4
Ambiente anterior à ação
(= Quando? ou Por quê?)
Ação
Ambiente posterior à 
ação
(= O que acontece de-
pois? Ou: Para quê?)
Casa escura e abandonada
+ Vela + Fósforo
Casa escura e 
abandonada
+ Vela +
Fósforo
Claridade
+ Aparecimento de objetos que 
antes não apareciam no escuro
Quadro 1 - Ambiente anterior à ação.
Fonte: elaborada pela autora (2021)
#PraCegoVer: Tabela de três colunas e duas linhas. Primeira linha: Ambiente 
anterior à ação (= Quando? ou Por quê?); Ação; Ambiente posterior à ação (= 
O que acontece depois? Ou: Para quê?). Segunda coluna: Casa escura e aban-
donada + Vela + Fósforo; Claridade + Aparecimento de objetos que antes não 
apareciam no escuro
Ambiente anterior à ação
(= Quando? ou Por quê?)
Ação
Ambiente posterior à 
ação
(= O que acontece de-
pois? ou Para quê)
Pandemia
+ Orientações da OMS e/ou
Adoção e divulgação das orientações 
da OMS pelo Ministério da Saúde 
brasileiro
Uso de 
máscara
Lavar as mãos
Distanciamento 
social
Evitação de contágio pelo 
coronavírus (consequência 
individual) + 
Diminuição do contágio pelo 
coronavírus (consequência 
social) +
Manutenção do atual estado de 
saúde (consequência individual)
Quadro 2 - Ambiente anterior à ação.
Fonte: elaborada pela autora (2021)
#PraCegoVer: Tabela de três colunas e duas linhas. Primeira linha: Ambiente 
anterior à ação (= Quando? ou Por quê?); Ação; Ambiente posterior à ação (= O 
que acontece depois? Ou: Para quê?). Segunda coluna: Pandemia + Orienta-
ções da OMS e/ou Adoção e divulgação das orientações da OMS pelo Ministé-
rio da Saúde brasileiro. Uso de máscara Lavar as mãos Distanciamento social; 
Evitação de contágio pelo coronavírus (consequência individual) Diminuição 
do contágio pelo coronavírus (consequência social) + Manutenção do atual 
estado de saúde (consequência individual)
Agora que uma nova forma de compreender o conceito de comportamento foi 
apresentada a você, precisamos esclarecer algumas questões sobre os seus 
componentes. O primeiro esclarecimento se refere ao conceito de ação, tomado a 
partir desse momento como equivalente à palavra resposta (R). 
5
De acordo com Sério et al (2009), para os analistas do comportamento, as nossas 
ações podem ser manifestas (respostas que podem ser observadas por mais de uma 
pessoa como, por exemplo, correr, cantar, recitar um poema, acender uma vela etc) 
ou encobertas (respostas que podem ser observadas apenas pela pessoa que se 
comporta como, por exemplo, pensar, sonhar, sentir, ver etc). Emboras essas ações 
difiram quanto ao seu tamanho (a ponto de serem vizíveis por mais de uma pessoa 
ou apenas para o sujeito que se comporta), não devemos entendê-las como sendo 
diferentes em sua natureza (ambas são físicas e comportamentais). 
Nas palavras de Sério et al : 
[...] em princípio um organismo vivo está sempre respondendo, mesmo 
quando é muito difícil identificar que está ocorrendo uma resposta; a 
facilidade ou dificuldade para identificar a ocorrência da resposta não é 
critério para falar da sua existência. Com isto estamos afirmando que 
a atividade do organismo envolve respostas manifestas (respostas que 
podem ser observadas de forma independente por mais de um observador) 
e respostas encobertas (respostas que podem ser observadas apenas 
pelo organismo que se comporta). Se as respostas envolvidas na relação 
(comportamento) são encobertas ou manifestas, isto não é critério para 
incluir ou excluir a relação como objeto de estudo da psicologia (2009, p. 
5).
Ainda sobre a questão de classificação da resposta em manifesta ou encoberta, 
devemos considerar que uma mesma ação pode assumir diferentes formatos a 
depender de como a realizamos (SKINNER, 1974,apud TOURINHO, 2010). Como 
exemplo dessa afirmação, tomemos o comportamento de recitar (= dizer em voz alta) 
um poema. A princípio essa resposta pode ser definida como manifesta, pois atinge 
outras pessoas, além daquele que recita o poema. Entretanto, nada nos impede de 
declamar um poema para nós mesmos e num formato tão diminuto (pequeno) que a 
única pessoa a ser afetada por essa ação é àquela que se comporta.
O segundo esclarecimento, que devemos fazer a respeito dos componentes de um 
comportamento, diz respeito ao conceito de ambiente. Sério et al. (2009) citando 
Skinner (1974) afirmam que esse conceito ultrapassa a noção de lugar, no qual 
uma ação ocorre; equivale à noção de estímulo (aquilo que estimula ou afeta uma 
resposta). Segue abaixo uma representação a respeito da diferença entre local e 
ambiente. 
6
AMBIENTE
LOCAL
Figura 1 - Conceito de Ambiente.
Fonte: adaptado de Tourinho, 1997, p. 222.
#PraCegoVer: Dentro de um retângulo com fundo branco as palavras Local e 
Ambiente. Essa última sobre um retâgulo amarelo.
Sobre a definição de ambiente como equivalente ao termo estímulo, devemos 
esclarecer três de suas vantagens. A primeira delas se refere redução daquilo que 
nos afeta (SKINNER, 1974). 
Figura 2 - Redução do que nos afeta.
Fonte: elaborada pela autora (2021)
#PraCegoVer: Dentro de um retângulo pontilhado com fundo branco as pa-
lavras Local (Cinema) e abaixo: pipoca, pessoas, poltronas. Abaixo a palavra 
Filme dentro de um retângulo amarelo. 
A segunda vantagem se refere a possibilidade de mudança daquilo que nos afeta, 
momento a momento (SKINNER, 1974).
Figura 3 - Possibilidade de mudança.
Fonte: elaborada pela autora (2021).
#PraCegoVer: Dentro de um retângulo pontilhado com fundo branco as pala-
vras Local (Cinema) e abaixo: pipoca,pessoas, poltronas. Abaixo a palavra 
Pessoas dentro de um retângulo amarelo. 
A terceira vantagem, diz respeito à possibilidade de que um mesmo local (ex.: escolar) 
afete de maneira diferente duas pessoas. 
Nas palavras de Moreira e Medeiros: 
7
Os aspectos do ambiente que influenciam o comportamento do organismo 
podem ser observados por terceiros (i.e., estímulos públicos) ou apenas 
pelo próprio organismo que se comporta (i.e., estímulos privados). Afirmar 
que “duas pessoas que estão no mesmo lugar” ou “duas crianças que 
foram criadas na mesma casa” estão no mesmo ambiente, por exemplo, 
caracteriza uma compreensão estreita do conceito de ambiente e 
incongruente com a Análise do Comportamento. O ambiente influenciará 
o comportamento dos organismos de forma sutil, de modo que pequenas 
diferenças nessa interação resultarão em grandes diferenças em termos 
de comportamentos futuros (2007, p. 210). 
A noção de ambiente ou de estímulo pode envolver tanto aquilo 
que acontece antes da resposta quanto aquilo que acontece 
depois dela (SÉRIO et al., 2009). 
Atenção
Finalmente, gostaríamos de esclarecer que a noção de ambiente ou de estímulo pode 
envolver tanto aquilo que acontece antes da resposta quanto aquilo que acontece 
depois dela (SÉRIO et al., 2009). Segue abaixo representações de como isso pode 
acontecer (retomaremos os exemplos dados no início deste capítulo para que possam 
visualizar novas e possíveis interações entre o ambiente e a resposta). 
AMBIENTE ou ESTÍMULO RESPOSTA ou 
AÇÃO AMBIENTE ou ESTÍMULO
Casa escura e abandonada + 
Vela +
Fósforo
Acender uma vela
Claridade +
Aparecimento de objetos que 
antes não apareciam no escuro
AMBIENTE ou ESTÍMULO RESPOSTA ou 
AÇÃO AMBIENTE ou ESTÍMULO
Pandemia +
Orientações da OMS e/ou
Adoção e divulgação das 
orientações da OMS pelo 
Ministério da Saúde brasileiro
Uso de máscara
Lavar as mãos
Distanciamento 
social
Evitação de contágio pelo 
coronavírus +
Diminuição do contágio pelo 
coronavírus +
Manutenção do atual estado de 
saúde
8
AMBIENTE ou ESTÍMULO RESPOSTA ou AÇÃO
Predador
Agrupar em rebanho
Encarar o predador
Manter uma zona de fuga
Pastar a certa distância uns dos outros
Correr sem direção 
Correr em círculos
Quadros 3 - Exemplos de ambientes e estímulos.
Fonte: elaboradas pelas autoras (2021).
#PraCegoVer: 3 tabelas com exemplos de Ambiente ou estímulo e suas res-
pectivas respostas ou ações.
As causas populares do comportamento: o porquê para o qual 
temos muitas respostas
De acordo com Skinner (1974), estamos acostumados a falar sobre o comportamento 
humano: “O comportamento humano é o traço mais familiar do mundo em que as 
pessoas vivem, e deve ter dito mais sobre ele do que sobre qualquer outra coisa” (p. 
7). Em outras palavras, é praticamente impossível não termos falado sobre o que eu 
ou o outro fizemos, fazemos e/ou faremos. 
[...] em Análise do Comportamento, compreende tudo aquilo que pode 
afetar o comportamento, sejam variáveis mecânicas e químicas, como o 
vento, o movimento, o som, por exemplo, sejam variáveis sociais, como a 
presença de outras pessoas, prêmios, conselhos, moda, etc. (MOREIRA; 
MEDEIROS, 2007).
E é justamente pelo hábito de falar sobre o comportamento, que devemos nos 
perguntar: “E de tudo o que foi dito, o que vale a pena ser conservado?” (SKINNER, 
1974, p. 7).
Muita coisa foi dita a respeito do comportamento e é exatamente por isso, que 
começaremos esta análise utilizando o que Skinner (1998) chamou de “causas 
populares do comportamento” (p. 25). Skinner (1998) afirma que essas se referem 
a falsas explicações ou descrições “causais”, que são reproduzidas com frequência 
entre as pessoas, mas que não podem ser verificadas pelo método científico. 
9
“Ciência e comportamento humano” foi escrito durante um 
intervalo da peleja que foi escrever “Comportamento verbal”. 
Skinner começou o trabalho em 1934, parou durante a Segunda 
Guerra Mundial (1941-1944), e parou de novo para escrever 
“Ciência e comportamento humano”, no fim dos anos 40. 
Fonte: TODOROV, João Cláudio. A Evolução do Conceito de 
Operante. Psicologia: Teoria e Pesquisa. Brasília, Mai-Ago 2002, 
Vol. 18 n. 2, p. 123-127, 2012. Disponível em: https://www.scielo.
br/j/ptp/a/ZYjPPLddBNgYWxnV7G7x6Nf/?format=pdf&lang=pt 
Acesso em: 13 ago 2021.
Curiosidade
Um  exemplo de causa popular do comportamento é a  posição dos planetas no 
nascimento de uma pessoa, que a Astrologia se utiliza para interpretar o que uma 
pessoa faz e o porquê ela o faz (SKINNER, 1974). Diz-se, por exemplo, que pessoas 
com ascendente em Virgem são organizadas e trabalhadoras ou, ainda, que pessoas 
com ascendente em Áries são energéticas e competitivas.
A causa de seus comportamentos? Terem nascido em uma determinada data e/
ou horário. Mas onde está o problema dessa descrição “causal”? O porquê ela não 
deveria ser mantida, segundo a AC? A resposta é simples: não podemos manipular 
a data e o horário de nascimento de uma pessoa para saber como ela irá agir ou 
para saber se a ação dessa pessoa muda em função da alteração do seu dia de 
nascimento, mês, ano e horário. 
AMBIENTE ou ESTÍMULO RESPOSTA ou AÇÃO
Data e horário de nascimento
(Signo Virgem) Organizar
Quadro 4 - Ambiente ou estímulo.
Fonte: elaborada pela autora (2021).
#PraCegoVer: Tabela com duas linhas e duas colunas. Linhas: Ambiente ou 
Estímulo; Resposta ou ação. Segunda linha: Data e horário de nascimento 
(signo de virgem). Organizar. 
Estrutura do indivíduo: outra causa popular do comportamento, segundo Skinner 
(1974), refere-se à explicação do comportamento pela estrutura física do indivíduo 
https://www.scielo.br/j/ptp/a/ZYjPPLddBNgYWxnV7G7x6Nf/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/ptp/a/ZYjPPLddBNgYWxnV7G7x6Nf/?format=pdf&lang=pt
10
como: a cor dos olhos, a proporção do corpo, o cabelo, a cor da pele, a palma das mãos 
etc. Segundo esse autor, tais afirmações são problemáticas por motivos diferentes. 
Figura 4 - Estrutura do indivíduo.
Fonte: Plataforma Deduca 2021.
#PraCegoVer: Foto do detalhe de um olho azul com cílios de uma criança 
pequena. 
De especial interesse para a AC, tem-se: A) a impossibilidade de manipulação 
destas variáveis (cor dos olhos, por exemplo) e a observação do seu efeito ou não 
sobre o comportamento e; B) abre espaço para que novos traços (agora, neurais ou 
psicológicos) sejam estabelecidos como “causa” do comportamento. 
De acordo com Sampaio (2005) entender as causas do comportamento e a ação 
humana é bastante complicado. O autor que estuda Skinner diz que o objeto de 
pesquisa para o qual esse modelo investigativo se volta – comportamento ou ação 
humana – é visto de maneira cada vez mais complexa; partindo de uma pesquisa 
que se limita a reflexões e relacionada à causalidade limitada de eventos anteriores 
mais diretos Skinner continuou a estudar comportamento operante, discurso e 
comportamento social, e até mesmo práticas culturais mais amplas baseadas no 
ponto de vista do selecionismo e múltiplas decisões humanas. O autor ressalta que 
Skinner, em última análise, atribuiu sua ciência comportamental ao resultado da 
inter-relação de processos seletivos operando em três níveis: filogenia (em relação 
à espécie), ontogenia (em relação ao indivíduo) e cultura (em relação a um grupo de 
indivíduos). 
11
Leia a primeira frase do livro de Skinner chamado “O 
comportamento verbal” e que mostra a concepção de homem 
no ponto de vista do Behaviorismo Radical, apontando a relação 
entre o homem e o mundo em que vive. “Os homens agem sobre 
o mundo, modificando-o, e, por sua vez, são modificados pelas 
consequências de sua ação” (Skinner, 1974). 
Atenção
Para quê nos comportamos? A definição de comportamento e 
suas causas 
Em nossa cultura, utilizamos a palavra “causa” para identificar aqueles estímulos que 
antecedem a nossa ação. Em outras palavras, popularmente causa é aquilo que vem 
antes da nossa ação (resposta) (SKINNER, 1974).
 Entretanto, para a AC, as causas de uma ação, em suagrande maioria, encontram-se 
no ambiente posterior a uma ação, ou seja, nas suas consquências (SKINNER, 1974). 
Se esta afirmação estiver correta, para encontramos as causas de um comportamento, 
devemos nos perguntar “pra quê nos comportamos?” (pergunta que nos levará às 
consequências de uma ação) e não “por que nos comportamos?” (pergunta que nos 
levará a qualquer evento que coincida ou que seja anterior a nossa ação como, por 
exemplo, pensamentos e sentimentos). Para Skinner (1974), um comportamento não 
pode ser explicado por um pensamento, sentimento, desejo ou vontade ou, ainda, 
por datas de nascimento, signos, estruturas físicas etc. Nossas ações devem ser 
explicadas pelas suas consequências. E como fazer isso? Por meio da aprendizagem, 
sendo aprendizagem uma comprovação de comportamento novo ou modificado. 
Se o comportamento é controlado por suas consequências, isso dá duas 
possibilidades extremamente úteis para os psicólogos: (a) podemos 
entender o que leva as pessoas a fazerem o que fazem, isto é, a função 
de seus comportamentos, a partir da análise das consequências de seus 
comportamentos; e (b) se os comportamentos das pessoas e também 
de animais não humanos são controlados por suas consequências, 
isso significa que podemos, quando e se necessário, modificá-los 
por meio da alteração de suas consequências. Essa é a essência da 
abordagem psicológica. Análise do Comportamento, cujo determinismo 
12
do comportamento se baseia no modelo de seleção por consequências 
(MOREIRA; MEDEIROS, 2017, p. 50).
A seguir, exemplos de ações (respostas) e de suas possíveis consequências (ambiente 
posterior a ação e decorrente desta). 
13
Exemplos de ações e de suas possíveis consequências
 Ação (resposta) Consequência(ambiente poste-
rior a ação)
Dizer “Oi!” Outra pessoa responder “Olá!”
Apertar um botão do elevador Chegada do elevador ao andar
Abrir uma torneira Sair água da torneira
Fazer uma pergunta ao professor O professor responder
Fazer o dever de casa O professor elogiar
Fazer juras de amor Ganhar um beijo
Estudar Tirar boa nota na prova
Fazer uma ligação telefônica Outra pessoa atender ao telefone
Chorar Obter atenção das pessoas
Contar piadas Obter atenção das pessoas (risadas)
Cuidar da aparência Receber elogios
Executar um trabalho (consertar 
uma torneira)
Produto do trabalho pronto (a torneira para de 
pingar)
Executar um trabalho Receber o pagamento
Executar um trabalho Receber elogios
Tocar violão Produzir sons
Quadro 5 - Exemplos de ações e de suas possíveis consequências.
Fonte: adaptada de Moreira e Medeiros (2007).
#PraCegoVer: Tabela com duas colunas. A da esquerda relação de exemplos 
de Ação (resposta). Na segunda coluna, exemplos de Consequência (ambiente 
posterior a ação)
14
É interessante notar, que na tabela anterior um mesmo comportamento (ex.: realizar 
um trabalho) pode resultar em diferentes consequências (ex.: trabalho realizado; 
pagamento; e/ou elogio). Qual ou quais destas consequências ou estímulos afetam a 
nossa ação? A resposta para esta pergunta pode ser obtida mediante a manipulação 
das consequências e observação de seus efeitos sobre o responder.
Segue outros exemplos de ações e de suas consequências. Diferente da tabela 
anterior, agora, comportamentos considerados como socialmente “inadequados” e 
suas possíveis consequências serão apresentados (MOREIRA; MEDEIROS, 2017). 
Exemplos de comportamentos (ações) considerados inadequados em 
nossa cultura e suas possíveis consequências
Comportamento (resposta) Consequência
Fazer “bagunça” em sala de aula Obter atenção do professor
Fazer “bagunça” em sala de aula Obter atenção dos colegas
Dizer que dirigiu em alta velocidade Admiração dos amigos (de alguns)
“Matar” aula Obter tempo livre para outras atividades
Agir de forma grosseira com 
funcionários
Funcionários fazerem o trabalho mais 
rapidamente
Fazer birra Ganhar um brinquedo
Corromper o funcionário da secretaria 
da faculdade
Ter acesso à prova e aumentar a chance 
de tirar uma boa nota com menos estudo
Falar mal de alguém Obter atenção de outra pessoa
Fazer cópia “pirata” de livros Obter o livro sem ter que pagar
Dizer piadas machistas Obter atenção ou aprovação de pessoas 
machistas
Dizer piadas homofóbicas Obter atenção ou aprovação de pessoas 
homofóbicas
Fazer comentários racistas Obter atenção ou aprovação de pessoas 
racistas
“Furar” a fila Chegar mais rápido ao caixa
Postar comentários “sem noção” no 
Facebook
Obter curtidas ou aprovação de pessoas 
“sem noção”
Dirigir com velocidade acima da 
permitida
Chegar ao destino mais rápido
Quadro 6 - Exemplos de comportamentos (ações) considerados inadequados em nossa cultura e 
suas possíveis consequências.
Fonte: Moreira e Medeiros (2007) .
#PraCegoVer: Tabela com duas colunas. A da esquerda relação de exemplos 
de Comportamentos (resposta). Na segunda coluna, exemplos de Consequên-
cia 
15
Tipos de comportamento: comportamento reflexo, reflexo 
condicionado, operante e operante discriminado
Análise do Comportamento costuma dividir as relações comportamentais em duas 
categorias “comportamento respondente” e “comportamento operante”, dependendo 
das analogias entre os eventos ambientais e comportamento. 
Comportamento
Respondente
uma alteração no ambiente
elicia uma resposta 
do organismo
uma resposta emitida
pelo organismo produz uma 
alteração no ambiente
S “ R
Comportamento
operante
R “ C
Figura 5 - Comportamento respondente e operante.
Fonte: elaborada pela autora (2021).
#PraCegoVer: seis informações dentro de desenhos na cor azul em formato de 
flecha. Três em cima e três abaixo. Nas de cima a primeira flecha refere-se ao 
Comportamento Respondente e na flecha debaixo a primeira flecha é sobre o 
Comportamento operante. 
Comportamento respondente 
Segundo (Hubner e Moreira, 2012) o termo “comportamento respondente” é usado 
em Análise do Comportamento para se referir aos comportamentos conhecidos como 
reflexos, costumeiramente caracterizados como reações involuntárias do organismo 
a certos eventos. O exemplo mais popular é o reflexo de salivar dos cães, estudado 
por Ivan Petrovich Pavlov.
Conforme (Moreira e Medeiros, 2007): “É uma forma de aprendizagem em que um 
estímulo previamente neutro passa, após o emparelhamento com um estímulo 
incondicionado, a eliciar uma resposta reflexa” (p. 35). 
Eliciar: e o termo usado para dizer que a resposta foi provocada 
pelo estímulo. 
Atenção
Veja este exemplo. Após uma picada de injeção dolorosa, quando você precisou de 
ir ao pronto socorro, quando criança, todas as vezes que você entrar em um PS 
poderá eliciar respostas de medo e tremer ou suar frio etc ( foi assim que muita gente 
desmaiou ao tomar a vacina da Covid).
O condicionamento respondente também pode explicar as nossas emoções: por 
exemplo nosso coração dispara quando sentimos casualmente em um ambiente 
16
o perfume de alguém e que estamos apaixonados sem que essa pessoa esteja 
presente. Isso significa que estamos diante de um reflexo condicionado, ou seja, o 
reflexo condicionado é uma reação a um estímulo casual.
O comportamento reflexo ou respondente obedece a algumas 
leis que regem a sua ocorrência. Por exemplo, o estímulo 
incondicionado tem que ocorrer em intensidade suficiente para 
eliciar a resposta incondicionada, de modo que existe um limiar, 
a partir do qual o estímulo produz a resposta. Uma fonte de calor 
pouco intensa provavelmente não provocara o afastamento 
irresistível da mão.
Atenção
Comportamento operante 
Como você já viu na tabela anterior, o comportamento operante é controlado 
principalmente por eventos ambientais que ocorrem após a uma resposta emitida 
pelo organismo; produz uma alteração no ambiente.
Em outras palavras, a resposta é controlada pelas mudanças ambientais. Na linguagem 
da análise do comportamento, os comportamentos operacionais são considerados 
emitidos por organismos. Segundo Moreira e Medeiros, que cita Skinner: 
Classificamoscomo operante aquele comportamento que produz 
consequências (modificações no ambiente) e é afetado por elas. Logo, 
consideraremos como as consequências daquilo que fazemos nos 
mantêm no caminho, ou afasta-nos dele. Entender o comportamento 
operante é fundamental para compreendermos como aprendemos 
nossas habilidades e nossos conhecimentos, ou seja, falar, ler, escrever, 
raciocinar, abstrair, etc.), e até mesmo como aprendemos a ser quem 
somos, a ter nossa personalidade (Moreira e Medeiros, 2007, p. 47).
Portanto: o comportamento operante produz consequências no ambiente por 
exemplo ligar a chave do carro " funcionar o motor, pedalar uma bicicleta " sair 
andando ou cair se você não souber andar. Poderíamos citar vários exemplos de 
comportamento operante, envolvendo desde comportamentos mais simples, como 
ler um livro até os mais complexos como resolução de uma álgebra. O fato é que 
17
todos dependem da equiparação entre eventos ambientais antecedentes, respostas 
e eventos consequentes. Segundo (HUBNER E MOREIRA, 2012): “Essa correlação 
entre eventos, quando produz a modificação da probabilidade de que certos estímulos 
antecedentes e certas respostas coocorram, recebe o nome de condicionamento 
operante” (p. 44).
Os mesmos autores descrevem que a Análise do Comportamento explica o 
comportamento operante por meio da tríplice contingencia. Esta envolve não apenas 
a resposta e a consequência, como também considera a circunstância que ocorre, 
esta circunstância é definida por estímulo discriminativo (SD). 
Para conhecer o vocabulário usando nas análise do comportamento 
acesse o link: https://www.fafich.ufmg.br/~vocabularioac/
vocabularioac.pdf Autoria: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior / 
Coautoria: Maria Aparecida Oliveira de Souza e Marcela França 
Dias, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal 
do Pará.
Saiba mais
https://www.fafich.ufmg.br/~vocabularioac/vocabularioac.pdf
https://www.fafich.ufmg.br/~vocabularioac/vocabularioac.pdf
18
Conclusão
Comportamento reflexo:
são comportamentos eliciados por um evento ambiental, chamado estímulo, 
ligados a história da espécie e selecionados em função do bem-estar do 
organismo. 
Comportamento operante:
são comportamentos que produzem algum efeito no mundo. São evocados por 
eventos ambientais (estímulos) e mantidos por suas consequências (estímulos 
reforçadores). Esses comportamentos relacionam-se com a história do 
indivíduo e de sua cultura. 
Estímulo reforçador positivo:
estímulo que – apresentado como consequência de uma ação (ou resposta) – 
a torna mais frequente, no futuro, em situações parecidas. 
Estímulo reforçador negativo:
estímulo que retirado, suspenso ou adiado como consequência de uma ação 
(ou resposta) a torna mais frequente, no futuro, em situações parecidas. 
19
Referências
ANDERY, M. A., MICHELETTO, N., SÉRIO, T. M. (2007). Modo causal de seleção por 
consequências e a explicação do comportamento. In: M. A. Andery, N. Micheletto & 
T. M Sério (Eds.), Comportamento e causalidade (pp. 31-48). São Paulo: Pontifícia 
Universidade Católica.
BAUM Willian M. Compreender o behaviorismo comportamento cultura e evolução. 
Porto Alegre, RS: Editora Artmed, 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde (2020). Saúde anuncia orientações para evitar a 
disseminação do coronavírus. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/
assuntos/noticias/saude-anuncia-orientacoes-para-evitar-a-disseminacao-do-
coronavirus Acesso em: 2 ago. 2021. 
HUBNER, Maria Marta Costa, MOREIRA Márcio Borges. Temas clássicos da psicologia 
sob a ótica da análise do comportamento. Organizadores; editores da série Edwiges 
Ferreira de Mattos Silvares, Francisco Baptista Assumpção Junior, Léia Priszkulnik. - 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
MOREIRA, Márcio Borges; MEDEIROS, Carlos Augusto de. Princípios básicos da 
análise do comportamento. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007.
SAMPAIO, Angelo Augusto Silva. Skinner: sobre ciência e comportamento humano. 
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