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2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................. 3 2 TERAPIA OCUPACIONAL – MARCO HISTÓRICO ......................................... 4 2.1 Surgimento e desenvolvimento da profissão no Exterior e no Brasil ......... 7 2.2 Realidade atual da formação profissional ................................................ 10 3 INTERVENÇÕES DA TERAPIA OCUPACIONAL NO CAMPO SOCIAL ........ 13 3.1 Atuação do terapeuta ocupacional com indivíduos em situação de risco social ...................................................................................................................14 3.2 Intervenções da Terapia Ocupacional em Saúde e Trabalho. ................. 16 4 ERGONOMIA ................................................................................................. 18 4.1 Conceitos, métodos e técnicas utilizados em ergonomia ......................... 19 4.2 Introdução à análise ergonômica da atividade com enfoque nos aspectos materiais, fisiológicos, psicológicos e organizacionais ...................................... 26 4.3 Abordagem do funcionamento do ser humano em situação real de trabalho... ........................................................................................................... 30 4.4 Ergonomia: uma história do trabalho e da saúde da classe trabalhadora 36 4.5 Ergonomia, uma ciência pautada na interdisciplinaridade ....................... 38 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ............................................................... 41 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 TERAPIA OCUPACIONAL – MARCO HISTÓRICO Fonte: https://www.telavita.com.br/ Desde os tempos pré-históricos o homem utiliza a arte para expressar seus feitos, medos e desejos. Estas eram as pinturas rupestres elaboradas nas paredes das cavernas onde viviam, fabricação de cerâmica no período neolítico, o polimento de pedras, etc. (DUNCAN et al, 2004, p.17). No Egito antigo os nobres não precisavam trabalhar, ocupando seu tempo ocioso com atividades que lhes davam prazer como o trabalho em jardins. Os egípcios assim como os gregos utilizavam a música, a diversão e os jogos para aliviar o sofrimento dos doentes mentais, reconhecendo as propriedades curativas dessas atividades. Em 172 a.C., Galeno, médico grego escreveu “A ocupação é o melhor remédio, e é essencial para proporcionar a felicidade humana”. (DUNCAN et al, 2004, p.17-18). No ano de 1791, Pinel visitou o Asilo de Saragoça, onde estavam utilizando o trabalho como conduta terapêutica no tratamento dos doentes, reconhecendo a validade e os benefícios do trabalho e introduziu a atividade na terapêutica em sua 5 reforma no Hospício de Bicêtre. Esta atitude ficou historicamente conhecida como “queda dos grilhões que mantinham presos os infelizes insanos de espírito”. (DUNCAN et al, 2004, p.18). O alemão Herman Simon foi considerado o “pai” da Terapia Ocupacional, pois quando trabalhava no Westefalian Hospital transformou o hospital em “oficina”, seu método era chamado de “Tratamento Ativo” e dizendo que “a ocupação é um tratamento”. Simon teve bastante influência na psiquiatria brasileira. (DE CARLO; LUZO, 2004, p.25). A ideia de que a ocupação ou diversão é benéfica aos doentes remota à 2.000 a.C. Galeno e Hipócrates propunham o uso de exercícios e atividades como importantes agentes terapêuticos. No fim do século XVIII e primórdios do século XIX, Phillipe Pinel e Benjamim Rush, entre outros, passam a utilizar o tratamento moral baseado em atividades físicas e trabalho produtivo como principal estratégia terapêutica. (LANCMAN, 2004). Em 1913 foi fundado um curso de ocupação para inválidos em Wisconsin, USA, e a profissão foi fundada em 15 de março de 1917 em Clifton Springs, New York. (SCHWARTZ apud NEISTADT; CREPEAU, 2002, p.796). Logo após a profissão terapia ocupacional ser criada, a Primeira Guerra Mundial eclodiu e os E.U.A. entraram na guerra. Isso gerou uma chamada imediata de voluntárias (somente sexo feminino), com compromisso civil, conhecidas como “auxiliares de reconstrução”, para assistir os homens feridos na frente de batalha. As “auxiliares de reconstrução de terapia ocupacional” utilizavam instruções sobre ofícios como recurso. No final da guerra, quase 1200 auxiliares de reconstrução de terapia ocupacional contribuíam com seus serviços. (SCHWARTZ apud NEISTADT; CREPEAU, 2002, p.798) “As Guerras Mundiais ajudaram a aumentar a consciência pública dos benefícios da Terapia Ocupacional e forneceram uma oportunidade para que os terapeutas provassem sua competência e valor social. As guerras alinharam, de forma mais próxima, a Terapia Ocupacional com a medicina, como aconteceu na ligação entre AOTA e a AMA. À medida que a profissão negociou sua função com outros profissionais dentro do sistema médico, surgiram questões básicas, como a diferenciação entre Terapia Ocupacional e a Fisioterapia. Para atuar dentro do sistema médico, houve pressão sobre a Terapia Ocupacional para estreitar sua definição de 6 serviços e abandonar alguns objetivos humanistas dos fundadores. ” Schwartz apud Neistadt e Crepeau, 2002 (p. 798). “Naquela época, as mulheres eram escolhidas para exercer a profissão, pois acreditava-se que suas características maternais fossem muito benéficas no tratamento dos doentes mentais. Foram elas, também, as pioneiras no trabalho com indivíduos incapacitados, recebendo a denominação de ‘auxiliares de reconstrução’. ” De Carlo e Bartalotti, 2001 (p.27) Na Segunda Guerra Mundial, mais uma vez, se ressaltou o valor da terapia ocupacional como auxilio as pessoas doentes e feridas. Nesta época, a profissão passou a ser vista como um trabalho de mulheres. As demandas exigiram a ênfase sobre os trabalhos manuais, deslocou-se para as habilidades mais práticas ligadas ao trabalho. (SCHWARTZ apud NEISTADT; CREPEAU, 2002, p.798). “No final dos anos 60 até os anos 80, houve um período de rápidas mudanças na sociedade e na terapia ocupacional. A prática da terapia ocupacional tornou-se especializada e começou a se expandir para áreas dos cuidados de saúde, além do hospital.... Entretanto, a especialização ameaçou a conduta generalista para o processo do tratamento, que considerava todos os aspectos do paciente. A íntima ligação desenvolvida com a medicina e sua fundamentação nas condutas científicas continuaram a conflitar com a arte da prática e com os objetivos da terapia ocupacional. ” Schwartz apud Neistadt e Crepeau, 2002 (p. 800). De início, a formação dos Terapeutas Ocupacionais seguia o modelo curricular de curso técnico, com duração de dois anos e três anos, após algum tempo. O primeiro curso de T.O. foi ministrado no Hospital das Clínicas de São Paulo, e foi regulamentado em 1964.A formação dos Terapeutas Ocupacionais a nível universitário, no Brasil, iniciou com muita influência do modelo norte- americano, devido à vinda de orientadores estrangeiros enviados pela ONU para treinamento de orientadores locais. Ao mesmo tempo em que o ensino iniciava em São Paulo, por iniciativa de outros estados, com ou sem apoio da ONU, outros cursos foram instalados. Os profissionais formados a partir da década de 50 “seguiram o modelo clínico vigente na medicina que lhes possibilitou constituir uma determinada identidade e corpo de conhecimento técnico científico”. (SOARES, 1991). 7 Somente em 13 de outubro de 1969 foram definidas as atribuições da Terapia Ocupacional e a formação de nível superior foi reconhecida. (DE CARLO; BARTALOTTI, 2001, p.29- 36) Na década de 80 começam a discutir a necessidade de práticas com caráter preventivo e comunitário, promovendo a manutenção da saúde e não somente a reabilitação. Isso fez com que a procura por este tipo de atendimento aumentasse. (DE CARLO; BARTALOTTI, 2001, p.38). “Embora a clientela da Terapia Ocupacional ainda seja constituída, em sua maioria, por aqueles considerados ‘diferentes’ (as pessoas com deficiência, os doentes crônicos, os loucos etc.), novas populações têm sido atendidas por meio de ações inovadoras dos terapeutas ocupacionais, sejam pacientes com quadros clínicos agudos e de recuperação mais rápida, sejam sujeitos em condição de risco pessoal e/ou social. ” De Carlo e Bartalotti, 2001(p.38) Uma nova direção vem sendo tomada na prática da Terapia Ocupacional e propõe mais possibilidades e recursos em vários sentidos. Dessa forma, as atividades estão passando a constituir um campo prático, de pesquisa e de reflexão abundante. (DE CARLO; BARTALOTTI, 2001, p.46) 2.1 Surgimento e desenvolvimento da profissão no Exterior e no Brasil A Terapia Ocupacional como profissão da área de saúde surgiu nos Estados Unidos e sua primeira escola foi fundada em Chicago, em 1915. Neste país, com intento de minimizar os efeitos da primeira Guerra Mundial, propunha-se o atendimento em reabilitação aos incapacitados físicos e mentais que retornavam dos campos de batalha. Este período foi chamado de “reconstrução” ou da restauração (do latim, reabilitare) dos potenciais físicos e mentais dos sequelados de guerra. No Brasil, formalmente, a história da profissão remonta ao período pós II Guerra Mundial e às estratégias de implantação de programas de reabilitação na América Latina, preconizadas por organismos internacionais (ONU, OIT, Unesco). Com efeito, embora já houvesse experiências de uso das “ocupações com objetivo terapêutico” em instituições asilares psiquiátricas no Brasil, devido à 8 influência norte-americana, os cursos de formação em Terapia Ocupacional foram implantados, preferencialmente, na área da reabilitação física (BARTALOTTI; DE CARLO, 2001, p.31). De modo gradativo, na formação dos terapeutas ocupacionais, foram incorporados estágios na atenção psiquiátrica. No Brasil, em 1852, ocorrem as primeiras práticas destas atividades em instituições psiquiátricas, quando foi fundado o Hospício Pedro II. Naquele momento criaram as oficinas de sapateiro, alfaiate, marceneiro, florista e de desfiar estopa para os pacientes. (SILVEIRA, 1966, p.19). A Terapia Ocupacional no Brasil está relacionada de forma histórica com as instituições para doentes mentais, as psiquiátricas, como foi relatado em trabalhos de médicos brasileiros como Nise da Silveira. Em 1946 surgiu o Serviço de Terapia Ocupacional no Centro Psiquiátrico Nacional, cuja direção ficou ao encargo da Dra. Nise M. da Silveira. Porém, as ocupações, desde o século XIX, eram mais utilizadas como medidas disciplinares do que terapêuticas nos manicômios psiquiátricos. (DE CARLO; LUZO, 2004, p.04). Em relação à implantação de programas de reabilitação física no Brasil, no início dos anos 50, uma comissão da ONU visita a América Latina e apresenta o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo como o local mais adequado para a implantação de um Centro de Reabilitação. Em 1956, foi implantado o Instituto Nacional de Reabilitação (INAR), na Clínica de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da USP. O Instituto de Reabilitação passou a ter dupla finalidade: realizar assistência aos “deficientes” acometidos por afecções do aparelho locomotor e promover cursos de formação técnica em áreas como fisioterapia e terapia ocupacional. Segundo referência de profissionais da área, a formação técnica em terapia ocupacional era “restrita e específica das profissões técnicas de reabilitação (eminentemente clínica, referente à sintomatologia, à intervenção médica específica, aos princípios de indicação terapêutica etc.), sendo a Terapia Ocupacional responsável somente por membros superiores e pelas técnicas em atividades de vida diária” (BARTALOTTI; DE CARLO, 2001, p.34). 9 Os programas terapêuticos ocupacionais seguiam indicações médicas e centravam-se na patologia ou na afecção orgânica do paciente. A Terapia Ocupacional “dividia” o paciente com a Fisioterapia, sendo que a reabilitação dos membros superiores ficava sob responsabilidade dos terapeutas ocupacionais. As atividades terapêuticas eram analisadas sistematicamente em suas possibilidades de ação, relativas ao diagnóstico médico e às funções lesadas. Elas eram selecionadas, graduadas e estruturadas em etapas de complexidade crescente e seu exercício repetitivo promovia a completa recuperação funcional ou a minimização das sequelas motoras. Na ocorrência de sequelas, os pacientes eram treinados para readaptação nas atividades da vida diária (alimentação, vestuário, higiene pessoal...) e, quando possível, preparados para o retorno ao trabalho produtivo. Esgotadas as possibilidades funcionais do paciente, o médico (não o terapeuta ocupacional ou outro profissional) prescrevia a “alta” ou o desligamento do programa de reabilitação. Somente em 1969, a profissão foi reconhecida como de nível superior. No ano de 2001, somavam-se 29 escolas de formação em Terapia Ocupacional no Brasil. Não obstante, o processo de aprovação da formação superior em Terapia Ocupacional não ocorreu sem o desagrado da classe médica, “que não desejava esse tipo de emancipação” (BARTALOTTI; DE CARLO, 2001, p.34). Entrementes, a Terapia Ocupacional já havia incorporado em seus pressupostos teórico-metodológicos o modelo biomédico. Deste modo, o terapeuta ocupacional, para vencer a condição de “subalternidade” em relação à classe médica buscou tornar-se um profissional “high tech” e incorporar “conhecimentos científicos de anatomia, fisiologia, técnica de reparos, acompanhando os avanços da cirurgia e dos cuidados emergenciais (...) demonstrando competência clínica e tecnológica em relação à abordagem de seus pacientes” (GOLLEGÃ; LUZO; DE CARLO In: BARTALOTTI; DE CARLO, 2001, p.139). No Brasil, no final da década de 70, o movimento de Reforma Psiquiátrica Brasileira, fortemente influenciado pelo movimento de desinstitucionalização psiquiátrica italiano, representou uma crítica às instituições asilares e a busca de transformação das propostas de atendimentos em saúde mental. Neste processo, 10 lutou-se pela implementação de novas políticas públicas, pela garantia e construção de direitos as pessoas com transtornos mentais e por uma rede de atenção pública integral em saúde mental. Representando um forte avanço neste processo, em abril de 2001, foi sancionada a Lei Federal no 10.216 que “dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental” e orienta a atenção prioritária em serviços comunitários. 2.2 Realidade atual da formação profissional A Terapia Ocupacional é um campo de conhecimento e intervenção em saúde,em educação e na área social, que reúne tecnologias orientadas para a emancipação e a autonomia de pessoas que, devido a problemáticas específicas (físicas, sensoriais, psicológicas, mentais ou sociais), apresentam dificuldades de inserção e participação na vida social temporária ou definitivamente (BARROS E COL., 2002, P. 366). É notável o crescimento dessa profissão no campo da saúde, especialmente na última década. A ampliação da participação desses profissionais pode ser verificada através do incremento da oferta de cursos de graduação na área, principalmente em instituições públicas de ensino, e, também, pelo aumento do número de vagas e de convocações oferecidas pelos concursos públicos. (BARROS E COL., 2002, P. 366). Tentando atingir a integralidade, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem criado novas oportunidades para diversas categorias profissionais na rede. Este é o caso da Terapia Ocupacional, que possui características que favorecem sua inserção no atual sistema público de saúde no Brasil. A preocupação com a visão integral das pessoas e o reconhecimento da dimensão social da saúde sempre estiveram presentes para a profissão. Qualidade de vida, cidadania, prevenção, promoção da saúde são termos bem próximos da Terapia Ocupacional e são, também, termos próprios do SUS. Por outro lado, a diversidade de suas áreas de atuação (saúde mental, a reabilitação, prática hospitalar, área educacional, social e 11 outras) garante ao terapeuta ocupacional uma formação geral e ampla, que vem sendo valorizada no atual sistema de assistência à saúde. (BARROS E COL., 2002, P. 366). Apesar de seu crescimento, o desconhecimento acerca da profissão parece ser um incômodo para os profissionais. Em recente pesquisa junto aos terapeutas ocupacionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade do Rio de Janeiro, foi constatado que 24% dos profissionais entrevistados apontaram a falta de reconhecimento da profissão como o principal desafio em sua prática (CARVALHO, 2010). Entidades de classe O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) é uma Autarquia Federal criada pela Lei nº 6316, de 17 de dezembro de 1975. Com sede no Distrito Federal, o COFFITO tem objetivos constitucionais de normatizar e exercer o controle ético, científico e social das profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional. Enquanto Autarquia Federal, o conselho exerce a função normativa e o controle ético, científico e social do exercício da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional. (BRASIL, 2017). Atualmente o COFFITO busca defender os interesses corporativos das profissões, dedicando-se em defender a inserção profissional nos diversos ambientes no mundo do trabalho, bem como, fomentar a boa formação técnica e humanista dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, para que a sociedade possa receber serviços resolutivos e de excelência. (BRASIL, 2017). Produção de conhecimento Compreender a terapia ocupacional como um núcleo profissional composto por saberes e práticas (CAMPOS, 2000; MALFITANO, 2005) implica em explorar, conhecer e debater acerca das tendências e tensões que têm sido produzidas longitudinalmente no saber-fazer profissional. Trata-se, portanto, de reconhecer que as perspectivas, referências, modelos e abordagens utilizados expressam modos https://www.educamaisbrasil.com.br/cursos-e-faculdades/fisioterapia/noticias/fisioterapia-e-a-melhor-alternativa-para-tratamento-da-dor https://www.educamaisbrasil.com.br/cursos-e-faculdades/terapia-ocupacional/carreira-de-terapeuta-ocupacional-salario 12 de entendimento e ação da terapia ocupacional em consonância com sua época, que podem ou não ter continuidade no curso histórico da profissão. Ao longo dessas seis décadas, desde a criação dos primeiros cursos de terapia ocupacional no Brasil, em 1956, referenciais teóricos e metodológicos vêm sendo incorporados e substituídos de acordo com os contextos e mudanças históricas, sociais e políticas do país, tendo sido o ensino, a pesquisa e a extensão, desenvolvidos nas universidades, importantes vetores de produção de novas perspectivas e tendências para a profissão. A incorporação de novas perspectivas teórico-metodológicas e referenciais teórico-práticos acontece, também, em diálogo com reconfigurações no âmbito das políticas públicas, com recomendações de organismos internacionais e com a difusão de novas tecnologias e tendências produzidas nos cenários nacional e/ou internacional. (CAMPOS, 2000; MALFITANO, 2005) Mercado de trabalho A Terapia Ocupacional e, consequentemente, seu mercado de trabalho, constituem práticas sociais ligadas ao contexto histórico e, como tais, vêm se transformando ao longo dos anos. Essas mudanças e rupturas refletem o contexto cultural, político, ideológico e socioeconômico no qual a profissão está inserida. De acordo com Medeiros (2003), o percurso de uma profissão e o caminho que esta assume depende de seus papéis e das funções sociais desempenhadas por seus profissionais, além de suas construções teóricas, das práticas utilizadas e do caminho das diferentes convicções de homem e sociedade que dão suporte à elaboração da construção do seu conhecimento. Assim, tentar entender a Terapia Ocupacional e seu mercado de trabalho de forma linear é uma visão reducionista, pois: [...] é preciso entender as diferentes características que ela assumiu e continua assumindo, e os diferentes contextos nos quais essas formas se manifestam (MEDEIROS, 2003, p. 38). 13 Nesse sentido, Cavalcante, Tavares e Bezerra (2008) propõem uma análise do mercado de trabalho da Terapia Ocupacional sob um olhar crítico ao sistema econômico capitalista, em sua vertente liberal. De acordo com esses autores, as transformações geradas pelo capitalismo exercem influências sobre a profissão, tanto no mercado de trabalho quanto nas demandas impostas aos profissionais. Bezerra, Tavares e Cavalcante (2009) corrobora com essa perspectiva e afirma que a análise do mercado de trabalho da Terapia Ocupacional não deve perder de vista o cenário político e social que vem ocorrendo no Brasil, pois este afeta diretamente a profissão, uma vez que as mudanças sociais decorrentes têm seus efeitos no mundo do trabalho e podem atingir a classe trabalhadora através das mudanças no seu mercado. De acordo com Medeiros (2003, p. 39): A Terapia Ocupacional como profissão é resultado da divisão de classes sociais, com as consequentes especializações do trabalho humano nas sociedades capitalistas, e da tendência de compartimentalização fragmentada do conhecimento. 3 INTERVENÇÕES DA TERAPIA OCUPACIONAL NO CAMPO SOCIAL Fonte: http://www.cruzverde.org.br 14 Segundo a World Federation of Occupacional Therapy (2003), a Terapia Ocupacional é um campo de conhecimento e de intervenção em saúde, educação e na esfera social, reunindo tecnologias orientadas para a emancipação e autonomia das pessoas que, por razões ligadas a problemáticas específicas, físicas, sensoriais, mentais, psicológicas e / ou sociais, apresentam, temporariamente ou definitivamente, dificuldades na inserção e participação na vida social. A Terapia Ocupacional na área social teve seus primeiros momentos nos anos 70, quando alguns profissionais brasileiros compreenderam a necessidade de atuar em projetos de ações sociais e em instituições até então distantes de seus interesses. Terapia ocupacional no campo social foram constituídas durante a década de 1980 sob forte influência do contexto histórico-político, uma vez que esse período foi marcado pela emergência dos movimentos sociais, pela luta em favor da redemocratização do país e pelo debate da Reforma Sanitária e da Luta Antimanicomial. Outrossim, os docentes e pesquisadores da terapia ocupacional buscavam formação em áreas de conhecimentosafins, tais como a antropologia, a filosofia, a educação e a psicologia (BARROS; GHIRARDI; LOPES, 2002; GALHEIGO, 2016). O terapeuta ocupacional, no âmbito de sua atuação, é profissional competente para atuar em todos os níveis de complexidade da política de assistência social, do desenvolvimento socioambiental, socioeconômico e cultural (BRASIL, 2010, p. 80). 3.1 Atuação do terapeuta ocupacional com indivíduos em situação de risco social No campo social, observa-se uma variedade de ações desenvolvidas, na maioria das vezes, por organizações não governamentais e voltadas a crianças e adolescentes, especialmente para aqueles que se encontram em situações de maior vulnerabilidade e risco pessoal e social (LOPES et al., 2006). A grande parte das instituições dialoga pouco com outros serviços, como a comunidade, a família e a escola, deixando a desejar na promoção dos direitos das 15 crianças e dos adolescentes em situação de vulnerabilidade, tornando ineficaz atender a essa população. Portanto, é necessário o fortalecimento de ações que se dediquem à promoção dos direitos desses sujeitos (LOPES; SILVA; MALFITANO, 2006). Segundo a Política Nacional de Assistência Social (BRASIL, 2005), a vulnerabilidade é formada por situações que levam à exclusão social dos sujeitos. Situações como essa surgem não só nos processos de produção e reprodução de desigualdades sociais, mas também nos processos discriminatórios, nas construções histórico-sociais e nas dificuldades de acesso às políticas públicas. Sendo assim, a vulnerabilidade é constituída por fatores sociais, culturais, políticos, biológicos, econômicos, assim como pelo difícil acesso a direitos, que atuam de diversas maneiras sobre as possibilidades de enfrentamento de situações adversas (BRASIL, 2010). A Terapia Ocupacional social atua com base no que emerge das contradições desta sociedade, marcada pela desigualdade e pela presença crescente de grandes contingentes da população submetidos à marginalização, dissolução de vínculos e vulnerabilização das redes sociais, como sugerem Barros et al. (2007). Na Resolução COFFITO nº 445/2014 (BRASIL, 2014), foram definidos os parâmetros e competências para a atuação do terapeuta ocupacional nos contextos de saúde, sociais, culturais e educacionais em todo território nacional. Os parâmetros assistências terapêuticos ocupacionais em contextos sociais são pautados no âmbito comunitário, territorial, domiciliar ou outras formas de moradia em: I) Serviços, programas e projetos sócio assistenciais de proteção social básica; II) Serviços, programas e projetos sócio assistenciais de proteção social especial de média complexidade; III) Serviços, programas e projetos sócio assistenciais de proteção social especial de alta complexidade; IV) Serviços, programas e projetos culturais; 16 V) Serviços, programas e projetos educativos formais e não formais; VI) Serviços, programas e projetos socioambientais, econômicos, diversas modalidades associativas e com comunidades tradicionais. 3.2 Intervenções da Terapia Ocupacional em Saúde e Trabalho. A área da Saúde do Trabalhador (ST) é um campo de práticas e saberes interdisciplinares, que visam à integridade física, emocional e social dos trabalhadores. Atualmente, as intervenções na área são orientadas pela Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora – PNSTT (BRASIL, 2012), cuja premissa é a atenção integral à saúde dos trabalhadores. Na terapia ocupacional (TO), as ações no campo da ST no Brasil, década de 1950, partiram do foco na reabilitação dos indivíduos, dentre eles os trabalhadores, o que impulsionou a criação de diversos centros de recuperação, habilitação e reabilitação profissional. No entanto, o atendimento era voltado apenas para os trabalhadores contribuintes da Previdência Social, e também, não era viabilizada a reinserção para o mercado de trabalho (LAMONATO et al., 2007) Já nos Centros de Reabilitação Profissional (CRP) do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), década de 1980, o modelo de atenção era desenvolvido por equipes multiprofissionais formadas por médicos, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, fonoaudiólogos, pedagogos e sociólogos. Todos os recursos terapêuticos necessários constavam do interior do próprio serviço. O terapeuta ocupacional atendia a clientela do serviço, os trabalhadores amputados por acidentes de trabalho que ficavam em programa de reabilitação profissional visando ao retorno ou à reinserção ao trabalho (TAKAHASHI; IGUTI, 2008). Segundo Soares (1991), a TO vem intervir no binômio trabalho-saúde e, sob o ponto de vista da autora, assume, enquanto base fundamental, o caráter subjetivo/objetivo do trabalho como realização da capacidade humana e inserção do indivíduo na sua realidade material. 17 Watanabe e Nicolau (2001) revelam que os terapeutas ocupacionais brasileiros vêm desenvolvendo diversos trabalhos na área de saúde do trabalhador, exercendo diferentes papéis (funcionários da empresa, consultor, assessor, prestador de serviços, parceiro e colaborador de pesquisa e intervenção) e atuando, basicamente, em quatro frentes: reabilitação, prevenção de doenças, promoção da saúde e promoção social, mas também na investigação das atividades laborais, condições, postos, organização e relações do trabalho, com o objetivo de prevenir doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Nos serviços públicos de saúde, como os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), as ações de TO estão articuladas com as demais ações de saúde em equipes multidisciplinares (LANCMAN; GHIRARDI, 2002), realizando atividades de assistência aos trabalhadores adoecidos ou acidentados no trabalho, traçando plano de atendimento individual ou grupal; vigilância em saúde do trabalhador, dos ambientes e condições de trabalho utilizando recursos como a ergonomia da atividade; e educação em saúde e trabalho, com ações de capacitação junto à rede para auxiliar na supervisão para notificação dos acidentados do trabalho nas unidades de urgência/emergência dos territórios municipais. Destaca-se que a TO passa a fazer parte do cenário não apenas da saúde do trabalhador como também da Vigilância em Saúde do Trabalhador (Visat), desenvolvendo ações essenciais na investigação, análise e intervenção relacionadas ao trabalho visando à promoção de saúde, bem como prevenção de agravos relacionados a acidentes e doenças ocupacionais (DALDON; LANCMAN, 2013a). Lancman e Ghirardi (2002) afirmam a importância da atuação de terapeutas ocupacionais na área de saúde do trabalhador, por ser um profissional altamente habilitado para tratar e prevenir os agravos nutridos pelas relações homem-trabalho intimamente associadas desde os primórdios da humanidade até a contemporaneidade. A prática da TO no cenário da saúde do trabalhador deve incluir ações que busquem a prevenção de doenças ou agravos advindos de atividades laborais, 18 reabilitação dos indivíduos já adoecidos, dando atenção especial ao homem e às questões que permeiam a sua saúde, uma vez que as condições e a forma como é organizado o trabalho constituem fatores importantes na determinação do adoecimento, permitindo, ao trabalhador, a realização de uma tomada de consciência e conhecimento acerca de sua prática, possibilitando a realização de mudanças na sua relação com o trabalho que executa (LANCMAN, 2004). 4 ERGONOMIA Fonte: https://www.daexe.com.br/ A etimologia do termo ergonomia remonta a duas palavras gregas, ergon (trabalho) e nomos (regras), ou seja, “regras para o trabalho”. Na prática, é uma ciência que busca aplicar aos mais diferentes materiais de trabalho normas e formas que propiciem o maior conforto e proteção para o trabalhador, buscando uma convivênciapacífica entre homem e máquina. Dul e Weerdmeester (2012, p. 14) afirmam que a ergonomia é “[...] uma disciplina científi ca que estuda as interações dos homens com outros elementos do sistema, fazendo aplicações da teoria, 19 princípios e métodos de projeto, com o objetivo de melhorar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema”. Quando entendemos a ergonomia como um aprimoramento dos mecanismos laborais, é possível entender que ela remonta aos períodos mais antigos, partindo da criação da roda e de ferramentas que facilitavam a caça e o plantio, bem como o domínio do fogo pelo homem, com a intenção de transformar o alimento pelo calor, processo que possibilitou que outras ferramentas e estilos de vida fosses elaborado (ABRAHÃO et al., 2009). A Ergonomia objetiva modificar os sistemas de trabalho para adequar a atividade nele existentes às características, habilidades e limitações das pessoas com vistas ao seu desempenho eficiente, confortável e seguro (ABERGO, 2000). 4.1 Conceitos, métodos e técnicas utilizados em ergonomia O conceito mais atual da ergonomia envolve a adaptação da máquina ao homem, em um sistema de interação entre as partes. Contudo, essa preocupação vai além da eficácia produtiva, uma vez que abrange todo o processo, desde o projeto do produto até a verificação de formas de trabalho existentes, não considerando a produção máxima que o trabalhador pode executar sem compreender as consequências do impacto disso em sua saúde (WEBER, 2018). A ergonomia engloba técnicas e métodos científicos na análise do trabalho humano, podendo ser classificada de três formas quanto a sua contribuição (WEBER, 2018): Ergonomia de concepção: quando ocorre na fase de projeto de produtos, da máquina ou do ambiente. Ergonomia de correção: aplicada em situações reais existentes, como problemas de fadiga e doenças ocupacionais. Ergonomia de conscientização: ocorre quando os problemas não são resolvidos nas fases de concepção e correção, tornando-se necessário conscientizar o operador a trabalhar de forma segura e fornecer treinamentos para a execução das atividades. 20 Quanto aos seus domínios de especialização, a ergonomia divide-se conforme a ocasião em que e efetuada (SOUZA et al.,2019): Ergonomia física: relacionada a anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica. Ergonomia cognitiva: relacionada aos processos mentais, como percepção, memoria e raciocínio. Ergonomia organizacional: relacionada as otimizações de sistemas sócio técnicos A importância dessas formas de ergonomia consiste em suas aplicações, conforme o seu objetivo nos diferentes ambientes laborais. A análise ergonômica do trabalho (AET), desenvolvida por franceses, e um exemplo de ergonomia de correção, pois visa a aplicar os conhecimentos da ergonomia para analisar, diagnosticar e corrigir uma situação real do trabalho (IIDA, 2005). A elaboração de uma AET e um passo importante para se alcançar essa adaptação da máquina ao homem, pois ela funciona como um mecanismo de auxílio para a compreensão dos problemas existentes no processo produtivo (CORREA; BOLETTI, 2015). Por meio do conhecimento prévio da demanda, da tarefa ou da atividade, e possível aumentar a qualidade de vida do trabalhador em seus aspectos físicos, sensoriais, cognitivos, sociais e organizacionais (WEBER, 2018). O fisioterapeuta do trabalho e um dos profissionais habilitados para a elaboração da AET, pois tem conhecimento técnico-cientifico sobre a anatomia fisiologia humana e a biomecânica corporal, itens importantes na avaliação e em todo o processo que resulta na AET (CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL [Coffito], 2016). Outros profissionais com conhecimento em anatomia, fisiologia, biomecânica corporal, organização do trabalho e com curso de pós-graduação lato 21 sensu de, no mínimo, 360 horas em ergonomia em instituição pública ou privada credenciada pelo Ministério da Educação também podem elaborar e assinar uma AET (BRASIL, 2016). A Norma Regulamentadora de Ergonomia 17 (NR 17), publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (atual Secretaria de Trabalho), estabelece os parâmetros ergonômicos norteadores que permitem a avaliação da adaptação das condições de trabalho as características psicofisiologicas dos trabalhadores. (CORREA; BOLETTI, 2015). O objetivo dessas alterações e fornecer o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente ao trabalhador, e isso deve ser a base da AET, pois é uma forma de avaliar a adaptação das condições de trabalho as características psicofisiologicas do trabalhador (BRASIL, 1990). Por esse motivo, são avaliados o levantamento, o transporte e a descarga individual de materiais, bem como os equipamentos, o mobiliário, as condições ambientais e a organização do trabalho. Entre as premissas da AET, destacam-se a compreensão da situação do trabalho e suas implicações, a elaboração de um diagnóstico para investigar as situações mais preocupantes, a emissão de pareceres e a busca por soluções para melhorias (CORREA; BOLETTI, 2015). Além disso, essa e uma importante ferramenta utilizada para a gestão da saúde e segurança ocupacional. Cabe ao empregador realizar as analises ergonômicas por meio de um profissional da ergonomia, tornando-se importante que ele entenda as três etapas da AET. (CORREA; BOLETTI, 2015). A elaboração de um relatório de AET engloba uma extensa teoria, bem como o conhecimento das ferramentas ergonômicas que são recursos auxiliares nas avaliações posturais, as quais se diferenciam pelos fatores analisados e os dados de entrada (SOUZA et al., 2019). Essas ferramentas fornecem recursos de cálculo para estabelecer o limite de peso recomendável em determinadas atividades de trabalho e consistem em registros importantes de análises sobre queixas álgicas e de agravos à saúde. Além disso, elas reúnem informações sobre satisfação no ambiente de trabalho e são ótimos fundamentos para propostas futuras relacionadas com a atuação empresarial, como nos casos de expansão 22 empresarial, além de serem um ótimo indicativo de saúde e segurança ocupacional. Dessa forma, o melhor método a ser utilizado é aquele que se enquadra à necessidade da sua avaliação (SOUZA et al., 2019). Método OWAS O método OWAS é utilizado na análise das posturas das costas, dos braços, das pernas e do esforço do trabalhador (Figura 6), fornecendo uma categoria de ação em que se pode analisar a frequência e o tempo em que o trabalhador fica em cada postura em sua tarefa. Assim, é possível avaliar cada postura, fornecendo pontos, bem como o nível de esforço avaliado por carga. A porcentagem de tempo em determinada postura apresenta categorias de ação, mensurando também a força empregada e as propostas de categorias de ação conforme a pontuação. De acordo com Souza et al. (2019), existem quatro classes de posturas, conforme descrito a seguir. 1. Postura normal: sem necessidade de medida corretiva. 2. Postura levemente prejudicial: pode ser necessária uma medida corretiva. 3. Postura prejudicial: é necessário corrigir a postura o mais rápido possível. 4. Postura extremamente prejudicial: são necessárias medidas imediatas de correção. 23 Método RULA O método RULA é uma adaptação do OWAS, utilizando esquemas de postura do corpo com tabelas de risco de exposição a fatores de cargas externos. Assim, a demonstração do risco de desenvolver doenças ocupacionais é mais simples. Esse método é muito utilizado para a análise das sobrecargas concentradas no pescoço e nos membros inferiores durante execução das atividades laborais (SOUZA et al., 2019). Para o método RULA, o corpo é dividido em duas partes: A e B, que são os membros superiores e os inferiores (pescoço, tronco, pernas e pés). A análise é24 feita de acordo com as angulações do corpo e dos membros, com pontuação de 1 a 7, sendo 1 o menor risco e 7 o maior risco de lesão. 25 Método NIOSH O NIOSH é um órgão do governo norte-americano que desenvolveu uma equação que permite calcular o limite de peso recomendável, levando-se em consideração fatores como a manipulação assimétrica de cargas, a duração da tarefa, a frequência dos levantamentos e a qualidade da pega. Essa equação considera os critérios a seguir para estabelecer os limites de carga, de acordo com o Manual de aplicação da Norma Regulamentadora nº 17 (BRASIL, 2002). Biomecânico: limita o estresse na região lombossacral. Fisiológico: limita o estresse metabólico e a fadiga associada a tarefas repetitivas. Psicofísico: limita a carga conforme a percepção da capacidade do trabalhador. O NIOSH é uma ótima ferramenta para estimar os limites de carga, o que é essencial em empresas cujos serviços envolvem a descarga de materiais. No entanto, essa ferramenta não é aplicável às tarefas em que a frequência de levantamento é elevada (mais de seis levantamentos por minuto). Além disso, deve- se estar atento ao termo localização-padrão de levantamento que é empregado na definição dos fatores da equação, sendo uma referência no espaço tridimensional para avaliar a postura de levantamento. (BRASIL, 2002). 26 4.2 Introdução à análise ergonômica da atividade com enfoque nos aspectos materiais, fisiológicos, psicológicos e organizacionais Conforme a NR 17, para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho (BRASIL, ABNT, 1990). As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos, às condições 27 ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho. A AET visa aplicar os conhecimentos da ergonomia para analisar, diagnosticar e corrigir uma situação real de trabalho. O método desdobra-se em 5 etapas (IIDA, 2005): a. Análise da demanda: consiste na descrição de um problema ou situação problemática, que justifica a necessidade de uma ação ergonômica. Pode ser solicitado pela direção da empresa; pelos trabalhadores e suas organizações sindicais; b. Análise da tarefa: trata-se de um conjunto de objetivos prescritos, que os trabalhadores devem cumprir. A AET analisa a discrepância entre a tarefa que é prescrita (descrição de cargos) e a que é executada; c. Análise da atividade: refere-se ao comportamento do trabalhador na realização de uma tarefa. A atividade é influenciada por fatores internos e externos. Os fatores internos estão relacionados ao próprio trabalhador, caracterizado pelas suas experiências, idade, sexo, motivação, sono e fadiga. Já os fatores externos referemse às condições em que a atividade é executada: i) conteúdo do trabalho (objetivos, regras e normas); ii) organização do trabalho (constituição de equipes, horários, turnos); iii) meios técnicos (máquinas, equipamentos, posto de trabalho, iluminação, ambiente térmico); d. Diagnóstico: o diagnóstico procura descobrir as causas que provocaram o problema descrito na demanda. Podendo ser vários fatores: absenteísmo (faltas ou atrasos); rotatividade (pode ser devido ao treinamento insuficiente ou elevada carga de estresse no ambiente); acidentes (pode ocorrer por falta de manutenção nas máquinas, sinalização mal interpretada, pisos molhados, entre outros); baixa qualidade: pode ser por consequências de erros de dimensionamento do posto de trabalho, ou pela sequência inadequada de tarefas; e. Recomendações ergonômicas: as recomendações ergonômicas referem-se as providências que deverão ser tomadas para resolver o problema diagnosticado. Devem-se prescrever todas as etapas necessárias para resolver o problema. Estas podem vir acompanhadas de figuras com detalhamento das modificações a serem feitas em máquinas ou postos de trabalho, e indicar as 28 respectivas responsabilidades (pessoa e seção do departamento encarregado, com indicação do respectivo prazo). A Ergonomia apresenta-se sobre diversos tipos, dentre eles encontra-se a Ergonomia de campo que, constitui na pesquisa realizada a partir de uma situação real, ou seja, é o estudo do homem no trabalho e em quais condições ele o realiza. Para isto, pode-se utilizar como parâmetro de avaliação dos riscos prospectivos, a análise ergonômica do trabalho (AET), que estuda cada posto pertencente a um sistema de produção, analisando todos os pontos desfavoráveis ao desenvolvimento da atividade, agrega as diferentes partes num todo para, posteriormente, fazer uma recomposição da situação de trabalho. Contudo, sua aplicação pode ser realizada nos mais diversos setores da atividade humana como na indústria, na agricultura e mineração, nos setores de serviço e nas atividades domésticas ou atividades de vida diária. (BRASIL, 2002). Neste aspecto, SANTOS (1997), relata a existência de diferentes técnicas que podem ser empregadas para uma intervenção ergonômica, quais sejam, observação direta, observação clínica, registro de diversas variáveis fisiológicas do indivíduo, medidas do ambiente físico (ruído, iluminação, vibração, poeira, temperatura, gases). Para FREITAS (2000), a preocupação com o homem, seu trabalho e o ambiente no qual este é desenvolvido, tem despontado em diversos segmentos produtivos como fator relevante nos programas de aumento da produtividade, nos projetos de implantação da qualidade total, na busca de maior segurança no trabalho e no aumento da qualidade de vida, tanto profissional como pessoal do trabalhador. Devido a esta realidade, POZZOBON et al (2001), apontam para a necessidade de assegurar um ambiente de trabalho ergonomicamente correto e adequado à biomecânica corporal e a uma conscientização de hábitos posturais que levem a adequada realização das tarefas laborativas, evitando dores e possíveis desenvolvimento de doenças. Com a industrialização acelerada em todos os países do mundo, somada às necessidades econômicas imediatas, são geradas agressões constantes ao 29 homem e ao meio ambiente, que para VIEIRA (2000), deixa os trabalhadores à mercê da sorte no que se refere à segurança e à saúde ocupacional. Para o autor, a ocorrência de tal fato se dá não somente pela inexistência de legislação, mas principalmente pela falta de conscientização da responsabilidade que engloba tanto os trabalhadores, como empresários e profissionais da área no aspecto da prevenção, dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais. De acordo com COUTO (1998), a ergonomia apresenta cinco áreas aplicadas ao trabalho: Ergonomia na organização do trabalho pesado: visa adequar as atividades com alto despêndio energético para que os trabalhadores não atinjam a fadiga, que nesta situação se apresenta como um acúmulo de ácido láctico no sangue. Nesta área, estuda-se os ambientes de trabalho à temperaturas extremas; Biomecânica aplicada ao trabalho: a biomecânica trata do estudo dos movimentos humanos sob o ponto de vista da mecânica. Nesta área estuda-se as diversas posturas de trabalho, a coluna vertebral, os membros superiores, com o intuito de entender os mecanismos de formação da fadiga, lombalgias, lesões por trauma cumulativo, entre outras. Também se observa o que acontece com o trabalhador que cumpre sua jornada de trabalho na posição sentada; Adequação ergonômica geral do posto de trabalho: utilizando os conceitos e tabulações principalmente da antropometria, as medidas humanas e as posições de desconforto e conforto são levadas em consideração parao planejamento de postos de trabalho adequados. Estas observações são válidas para o planejamento das diversas situações de trabalho (leve ou pesado, sentado ou em pé). A ergonomia tenta planejar o posto de trabalho para que atenda 90% da população trabalhadora, sendo assim, é necessário o conhecimento do padrão antropométrico desta população; Prevenção da fadiga no trabalho: a ergonomia procura identificar os fatores que predispõem à fadiga, tanto física quanto psíquica, objetivando propor soluções capazes de diminuir esta sobrecarga; 30 Prevenção do erro humano: adequa os postos de trabalho de tal forma que diminua o risco de erro humano. Sabe-se que nem todo o erro acontece por condições ergonômicas desfavoráveis, mas em muitos casos estas condições podem desencadear tal erro. 4.3 Abordagem do funcionamento do ser humano em situação real de trabalho Os riscos ergonômicos são responsáveis por grande parte das queixas, dores, distúrbios e doenças osteomusculares relacionadas às atividades laborais. Esses riscos são referentes à ergonomia física, sendo eles: posturas inadequadas, levantamento manual de carga, repetitividade, esforço físico e condições ambientais (ruído, iluminação e temperatura). (WEBER, 2018). Em seu cotidiano, o profissional de ergonomia se depara com situações em que, após o mapeamento de um ambiente de trabalho, percebe que, em algumas atividades laborais, ocorre a associação de dois ou mais riscos ergonômicos. Isso pode ser fundamental para o aumento de dores e de lesões osteomusculares, promovendo um crescimento do índice de absenteísmo na empresa e, consequentemente, a redução da produtividade e o crescimento do custo com afastamento relacionado a acidentes de trabalho. Para Weber (2018, p. 114): […] os fatores ergonômicos propriamente ditos muitas vezes encontram- se nas situações comuns do ambiente de trabalho, o que pode ocasionar a falsa impressão de normalidade quando, na verdade, eles apresentam riscos. Nesse sentido, a repetitividade excessiva das tarefas, por exemplo, pode provocar fadiga e desgaste. Fisicamente, pode motivar o surgimento de lesões, como tendinite e lombalgia. A postura inadequada dos colaboradores é outro problema comum nos locais de trabalho e origina lesões. Logo, a combinação entre a repetitividade de uma tarefa e a postura inadequada é ainda mais prejudicial para o trabalhador, pois associa duas variáveis negativas, responsáveis por problema físicos, na mesma atividade. 31 Transporte manual de cargas Atualmente, na grande maioria das atividades dos setores operacionais, ocorre algum tipo de transporte manual de cargas, sendo este um dos riscos ergonômicos mais comuns de se identificar no ambiente de trabalho. O transporte manual de cargas refere-se à quando um trabalhador, de forma individual ou em dupla, realiza o levantamento, a sustentação, o transporte ou o deslocamento (puxar ou empurrar) de cargas de qualquer peso. (WEBER, 2018). Pode-se identificar facilmente os principais erros durante a execução da atividade de levantamento manual de carga. De forma descritiva, a grande maioria dos trabalhadores executa essa atividade realizando uma flexão da coluna vertebral e mantendo os joelhos estendidos. Como essa atividade é repetida várias vezes durante o dia com essa postura errada, com o decorrer do tempo, ocorrerá fadiga na musculatura da coluna lombar, sendo essa patologia uma das mais decorrentes nos casos de afastamento do trabalho. (WEBER, 2018). Segundo Iida (2005), o número de lesões e traumas musculares relacionados à atividade de transporte manual de cargas é de 60% do total, sendo, ainda, 20% da atividade de puxar e empurrar. Kroemer e Grandjean (2005, p. 103) reforçam o alto índice de distúrbios relacionados ao transporte manual de cargas: […] O British Health and Safety Executive (Health and Safety Executive, 1992) informou que no Reino Unido mais de um quarto dos distúrbios registrados na indústria, entre 1990 e 1991, estavam associados com o manuseio de cargas — o transporte ou manutenção de cargas pela força manual ou corporal. Destes distúrbios, 45% ocorreram nas costas, 22 nas mãos e 13 nos braços. Dados similares são reportados nos Estados Unidos (Marras et al., 1995). De acordo com Krämer (1973), na Alemanha, os problemas discais são a causa de 20% de absenteísmo e 50% de aposentadorias prematuras. Os problemas de coluna estão entre as causas mais comuns de distúrbios e invalidez em muitas populações industriais. Para fins de mapeamento ergonômico, lembre-se de que a análise do risco de levantamento de carga é feita de forma qualitativa (identificação da existência do risco), não sendo necessário o uso de ferramentas ergonômicas para mensurar quantitativamente o risco de lombalgia durante a atividade de levantamento de cargas. (WEBER, 2018). 32 Condições ambientais A Norma Regulamentadora do Trabalho 17 (NR-17), em seu item 17.5, cita as normativas que se deve seguir quanto aos riscos ergonômicos causados pelas condições ambientais. A NR descreve como riscos ambientais: ruído, temperatura, iluminação, velocidade e umidade relativa do ar. (BRASIL, 2017). É importante ressaltar que o mapeamento ergonômico é uma “apreciação” dos riscos existentes no ambiente de trabalho, sendo assim, é uma análise qualitativa, ou seja, o profissional realizará uma investigação do ambiente, dos mobiliários e das atividades executadas pelo trabalhador. (BRASIL, 2017). Dessa forma, quando se trata da análise qualitativa de riscos ambientais, deve-se atentar para três riscos visíveis durante a apreciação ergonômica, são eles: ruído, temperatura e iluminação. Contudo, todos os riscos ambientais deverão ser mensurados em uma etapa futura (durante a elaboração da análise ergonômica do trabalho). (BRASIL, 2017). O ruído é o primeiro risco que deve ser observado em um mapeamento ergonômico. Ao investigar a atividade laboral e seu ambiente, o profissional deve se atentar a ruídos externos e a ruídos provocados por ferramentas de impacto ou maquinários. (BRASIL, 2017). A temperatura, por sua vez, deve ser classificada na análise qualitativa de forma bem simples: local com temperatura ambiente (sem influência de ar- condicionado e ventiladores) ou local com temperatura controlada (ambiente fechado com uso de ar-condicionado). É importante destacar que as mensurações quantitativas desses riscos serão realizadas na análise ergonômica do trabalho. (BRASIL, 2017). Quanto à iluminação, deve-se observar os tipos de iluminação existentes no posto de trabalho, sendo eles: natural (ambiente aberto ou semifechado que tenha como iluminação somente a luz solar), artificial (ambiente fechado com luz gerada por lâmpadas) ou uma associação entre eles. Além disso, deve-se ficar atento quanto ao ofuscamento da luz natural ou da luz artificial nas telas e nos monitores dos postos informatizados. (BRASIL, 2017). 33 Durante o mapeamento ou análise ergonômica, o profissional deve embasar os seus resultados na NR-17 de ergonomia, que rege a legislação a respeito desse assunto. Assim, ele deve ter total conhecimento dos itens existentes, sendo o levantamento de cargas um item citado em especial. (BRASIL, 2017). Confira, a seguir, os itens da NR-17 referentes ao levantamento e ao transporte manual de cargas (BRASIL, 1978). 17.2 Levantamento, transporte e descarga individual de materiais. 17.2.1. Para efeito desta Norma Regulamentadora: 17.2.1.1 Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o peso da carga é suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o levantamento e a deposição da carga. 17.2.1.2 Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada de Maneira contínua ou que inclua, mesmo que de forma descontínua, o transporte manual de cargas. 17.2.1.3 Trabalhador jovem designatodo trabalhador com idade inferior a dezoito anos e maior de quatorze anos. 17.2.2. Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas por um trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua segurança. 17.2.3. Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas, que não as leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias quanto aos métodos de trabalho que deverá utilizar, com vistas a salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes. 17.2.4. Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas, deverão ser usados meios técnicos apropriados. 17.2.5. Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o transporte manual de cargas, o peso máximo destas cargas deverá ser nitidamente inferior àquele admitido para os homens, para não comprometer a sua saúde ou a sua segurança. 34 17.2.6 O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico deverão ser executados de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua segurança. 17.2.7 O trabalho de levantamento de material feito com equipamento mecânico de ação manual deverá ser executado de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua segurança. Posturas no trabalho As posturas no ambiente de trabalho podem variar durante a jornada laboral. Na maioria das situações, elas são determinadas pelo ambiente ou pela atividade que está sendo executada pelo trabalhador. Por esse motivo, deve-se atentar para a importância da ação da ergonomia nas empresas, a fim de corrigir as inadequações físicas do ambiente, reduzir os riscos posturais e promover a qualidade de vida do trabalhador. (BRASIL, 2017). É considerada uma boa postura no ambiente de trabalho quando o sistema musculoesquelético do trabalhador se encontra fisiologicamente adequado e equilibrado enquanto este realiza as atividades laborais. Segundo o Comitê sobre Postura, da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, referida por Hall e Brody (2001, p. 130): […] A postura é o arranjo relativo das partes do corpo. Boa postura é o estado de equilíbrio muscular e esquelético que protege as estruturas de sustentação do corpo contra as lesões ou as deformidades progressivas, independentemente da atitude (p. ex., ereta, deitada, agachada, inclinada) na qual essas estruturas estão trabalhando ou repousando. Nessas condições, os músculos funcionam mais eficientemente e as posições ótimas são proporcionadas para os órgãos torácicos e abdominais. Assim, é correto afirmar que o principal e mais comum risco ergonômico encontrado em todos os ambientes e setores do trabalho é a postura inadequada ou incorreta. (BRASIL, 2017). 35 A postura inadequada tem como principal causa dois fatores, listados a seguir, que podem ser observados em um mapeamento ergonômico. (BRASIL, 2017). Ambiente de trabalho lesivo: quando um ambiente de trabalho apresenta uma ou mais inadequações físicas (de mobiliários, maquinários ou ferramentas) que exigem do trabalhador posturas e movimentos que causam sobrecarga no sistema musculoesquelético e, consequentemente, o aumento do risco de dores e distúrbios relacionados ao trabalho. (BRASIL, 2017). Ausência de conscientização ergonômica: quando o ambiente ou posto de trabalho se encontra adequado ergonomicamente, porém, devido à falta de conhecimento (treinamentos) dos conceitos de ergonomia, o trabalhador assume vícios posturais inadequados. (BRASIL, 2017). Desse modo, fica evidente a importância da identificação desse risco ergonômico e a implantação de ações que possam reduzi-lo, promovendo a melhoria da qualidade de vida do trabalhador e o aumento da produtividade. (BRASIL, 2017). Movimentos repetitivos Antigamente, era comum encontrar, em diversas literaturas, a nomenclatura lesão por esforço repetitivo (LER). Contudo, o uso demasiado dessa nomenclatura, associado a repetitividade a todas as queixas de dores e distúrbios osteomusculares, mostrou-se um erro, pois, em muitas ocasiões após a análise quantitativa da repetitividade com o uso de metodologias específicas, ficou evidenciado que o risco encontrado era de grau ausente ou baixo, o que não seria a causa primária de tais distúrbios musculoesqueléticos. (BRASIL, 2017). Atualmente, encontra-se com mais frequência nas literaturas a nomenclatura doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT), que 36 permite a associação de causas posturais, repetitivas e traumas em doenças e distúrbios relacionados às atividades laborais. (BRASIL, 2017). É importante enfatizar que os movimentos repetitivos fazem parte de nossas vidas, como, por exemplo, o ato de caminhar. Muitas vezes, trabalhamos em atividades que exigem uma deambulação constante, mas nem por isso ocorre o desenvolvimento de lesões ou doenças relacionadas ao trabalho. O movimento repetitivo pode ser lesivo, porém sempre estará associado a outros fatores de risco, como postura, esforço físico e o próprio excesso da repetitividade na execução da atividade laboral. (BRASIL, 2017). Sendo assim, é importante realizar o mapeamento ergonômico para identificar esse risco, bem como uma análise quantitativa futura, a fim de, por meio de ações ergonômicas, reduzir o risco de doenças relacionas à repetitividade. (BRASIL, 2017). 4.4 Ergonomia: uma história do trabalho e da saúde da classe trabalhadora A etimologia do termo ergonomia remonta a duas palavras gregas, ergon (trabalho) e nomos (regras), ou seja, “regras para o trabalho”. Na prática, é uma ciência que busca aplicar aos mais diferentes materiais de trabalho normas e formas que propiciem o maior conforto e proteção para o trabalhador, buscando uma convivência pacífi ca entre homem e máquina. Dul e Weerdmeester (2012, p. 14) afi rmam que a ergonomia é “[...] uma disciplina científi ca que estuda as interações dos homens com outros elementos do sistema, fazendo aplicações da teoria, princípios e métodos de projeto, com o objetivo de melhorar o bem- -estar humano e o desempenho global do sistema” Quando entendemos a ergonomia como um aprimoramento dos mecanismos laborais, é possível entender que ela remonta aos períodos mais antigos, partindo da criação da roda e de ferramentas que facilitavam a caça e o plantio, bem como o domínio do fogo pelo homem, com a intenção de transformar 37 o alimento pelo calor, processo que possibilitou que outras ferramentas e estilos de vida fosses elaborados (ABRAHÃO et al., 2009). O entendimento do conceito de ergonomia e sua aceitação por parte da comunidade científica surgiu após a Segunda Guerra Mundial, quando a Força Aérea Real britânica buscava compreender por que os equipamentos modernos utilizados em seus aviões não alcançavam a eficácia esperada. Para isso, foi criada uma comissão formada por um psicólogo, um fisiologista e um engenheiro. Após longas análises, eles encontraram os problemas e os solucionaram, adaptando os mecanismos de tal modo que cada piloto conseguisse compreendê-los e manipulá- los com facilidade e maestria (ABRAHÃO et al., 2009), dando origem ao período conhecido como ergometria tradicional. A partir daí, a ergonomia voltou-se à aplicação de conhecimentos pré- - existentes dentro das empresas com o objetivo de aumentar sua produtividade. Com a chegada dos anos 1960, diversos movimentos sociais que buscavam melhores condições laborais e uma carga horária adequada sem a fragmentação do trabalho tomaram conta da sociedade, alçando os ergonomistas a uma posição de destaque (ABRAHÃO et al., 2009). Nessa fase, conhecida como ergonomia do meio ambiente, as intervençõeseram mais mecânicas e pontuais, primando pela segurança do funcionário e buscando minimizar as situações de insalubridade, mas sem modificar postos de trabalho, já que o ambiente era visto como o único responsável pelas doenças laborais. Neste cenário, no ano de 1980 aconteceu uma virada no universo laboral, que começou a investir esforços para a automação de processos de trabalho, buscando cada vez mais transferir o alto esforço realizado nos postos de atuação pelos funcionários por um trabalho automatizado, com o mínimo esforço físico possível (ABRAHÃO et al., 2009). Os anos subsequentes ficaram conhecidos como o período da ergonomia cognitiva. Nessa mesma época, um acontecimento marca a história da ergonomia no Brasil: a fundação da Associação Brasileira de Ergonomia (Abergo) em 1983, com o intuito de regular e difundir as atividades da área pelo país. A partir daí, algumas 38 alterações ergonômicas mais incisivas começam a acontecer no cenário nacional, como as Normas Reguladoras previstas na legislação. Após esse período, inicia-se um ciclo que segue vigente até os dias de hoje, conhecido como macroergonomia, pautado pela participação do público-alvo. Desse modo, aqueles que realizam o trabalho contribuem para a criação de intervenções, o que torna o processo mais assertivo e facilita a aceitação das mudanças implementadas, uma vez que representam contribuições colaborativas (SAMPAIO; SOUZA, 2012). Sendo assim, é possível perceber que a ergonomia evoluiu e sofreu modificações, passando por um processo de autotransformação e transformação da sociedade. Uma vez que as legislações e causas trabalhistas foram evoluindo, a ergonomia acompanhou esse processo, reformulando-se, adaptando-se e produzindo novas ferramentas e tecnologias que viriam a influenciar a maneira como entendemos o trabalho. 4.5 Ergonomia, uma ciência pautada na interdisciplinaridade A ergonomia muitas vezes é entendida como um resultado — como um produto ou uma norma —, mas a verdade é que ela é um processo repleto de etapas, abrangendo desde o ajuste e foco do problema até a identificação do processo de tomada de decisão na organização, o levantamento dos recursos humanos para formar a consultoria interna e a determinação das formas de apresentação de resultados. A análise é fundamental para que o ergonomista realize as modelagens necessárias para prover mudanças no ambiente de trabalho. Já a implementação ergonômica constitui a fase final de uma intervenção. Os pressupostos para a prática desta ciência estão apoiados em fundamentos ou princípios básicos para compreender um fenômeno, sendo eles a interdisciplinaridade, a análise das situações reais e o envolvimento dos sujeitos, formando uma tríade essencial para o trabalho dos ergonomistas, proposta por Abrahão et al. (2009). 39 A interdisciplinaridade consiste em um processo de contínuo desenvolvimento e reconstrução dos conhecimentos de diferentes áreas que se interligam e são atravessadas por conteúdos e saberes umas das outras, criando um novo significado para saberes já consolidados. Esse processo é importante para observar o fenômeno do trabalho humano sob diferentes perspectivas, uma vez que permite compreender todas as facetas de uma mesma situação (Figura abaixo). Fonte: Adaptada de Hermosilla (2006). Na construção do saber interdisciplinar, são englobados os mais diferentes conhecimentos, como as ciências humanas, sociais, da vida e técnicas, situadas em um cruzamento interdisciplinar com a fisiologia, a psicologia, a sociologia, a linguística e práticas profissionais como a medicina do trabalho, o design, a sociotécnica e as tecnologias de estratégia e organização (HERMOSILLA, 2006). Quando compreendemos a ergonomia como um processo, compreendemos que ela acima de tudo propõe um estudo do ser humano em sua pluralidade, o que requer vários conhecimentos em áreas diferentes para compreender os fenômenos, pensando em soluções ergonômicas para cada problema estudado. A análise da situação real consiste em entender o trabalho que é realizado na prática, com intimidade, conhecendo os processos, falhas e potenciais, além de ouvir quem faz o trabalho, quais são os seus objetivos, dificuldades, características e necessidades, criando opções e soluções de acordo com a realidade daquele que 40 irá se beneficiar delas. Esse pressuposto também compreende que o profissional da ergonomia deva sempre ir até o local onde acontecerá a intervenção (ABRAHÃO et al., 2009). A análise dos sujeitos parte do pressuposto de que, além de conhecer a fundo uma atividade laboral, devemos conhecer profundamente aquele que a exerce. Uma vez que as atividades laborais podem apresentar diferenças dependendo de quem as realiza, isso torna a intervenção ergométrica algo pessoal e único, não podendo ser aplicado de maneira indistinta a todos os sujeitos (ABRAHÃO et al., 2009). Por todos os motivos e cenários apresentados ao longo deste capítulo, é notável que a ergonomia cresce sobremaneira, tonando-se imprescindível para o bom funcionamento de empresas. Muitas delas já possuem profissionais da ergonomia contratados justamente para aplicar este olhar atento a todos os funcionários, sendo esta uma das áreas de atuação daqueles que possuem formação na área da educação física e desejam atuar transformando a jornada laboral de maneira positiva, utilizando os conhecimentos sobre o corpo e o movimento. O profissional de educação física possui competências e habilidades que vão ao encontro daquelas exigidas do profissional que atua na área da ergonomia, como conhecimentos anatômicos, fisiológicos e biomecânicos, integrando essas grandezas com a promoção da saúde. Dessa maneira, a ergonomia se compromete a apresentar resultados efetivos para o aprimoramento da atividade laboral, buscando sempre a melhor forma de realizar o trabalho, criando condições para produção e manutenção da saúde. Como resultado, isso gera impactos na relação de trabalho entre empregado e empregador, que, ao ter funcionários em atividades mais funcionais e efetivas, obtém um aumento significativo de seus lucros. 41 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ABERGO. O que é ergonomia? [2019]. Disponível em: http://www.abergo.org.br/internas. php?pg=o_que_e_ergonomia. Acesso em: 5 dez. 2019. ABRAHÃO, J. et al. Introdução à ergonomia: da prática à teoria. São Paulo: Blucher, 2009. ALMEIDA, M. C. Deficiência e cotidiano: reflexões sobre reabilitação. Revista de Terapia Ocupacional da USP, São Paulo, v. 8, n. 2-3, p. 81-86, 1997. Baseada na Comunidade – discutindo estratégias de ação no contexto Sociocultural. Rev. Ter.Ocup. Univ. de São Paulo, v.10, n.1, p.1-10, jan/abr., 1999. BRASIL. 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