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UFSJ – UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI CAMPUS ALTO PARAOPEBA ENGENHARIA DE BIOPROCESSOS DETERMINAÇÃO DE CAFEÍNA EM MEDICAMENTO POR ESPECTROFOTOMETRIA DE ABSORÇÃO MOLECULAR E CROMATOGRAFIA LÍQUIDA Gustavo Medeiros de Sousa Letícia Inouhe Ziliotti Thaylara R. B. Ferreira Ouro Branco - MG Junho/2023 Relatório apresentado como parte das exigências da disciplina Análise Instrumental Aplicada a Bioprocessos Experimental, sob responsabilidade da Prof.ª Ana Maria de Oliveira. 2 DETERMINAÇÃO DE CAFEÍNA EM MEDICAMENTO POR ESPECTROFOTOMETRIA DE ABSORÇÃO MOLECULAR E CROMATOGRAFIA LÍQUIDA RESUMO Este experimento teve como objetivo determinar a concentração de cafeína em medicamentos utilizando duas técnicas analíticas: espectrofotometria de absorção molecular e cromatografia líquida. A cafeína é uma substância amplamente utilizada em medicamentos devido às suas propriedades estimulantes do sistema nervoso central. A espectrofotometria de absorção molecular envolveu a preparação de uma curva de calibração com padrões conhecidos de cafeína e a medição das absorbâncias das amostras e dos padrões em um espectrofotômetro. Na cromatografia líquida, foi utilizada uma solução padrão de cafeína e amostras de medicamentos foram injetadas em um sistema HPLC para separação e quantificação da cafeína com base no tempo de retenção e área do pico. O resultado obtido pelo método da cromatografia líquida de alta eficiência foi de 26,5 (± 0,8) mg mL-1 e pelo método da espectrofotometria de absorção molecular foi de 32,3 (± 0,1) mg mL-1. Embora o método da espectrofotometria de absorção molecular tenha apresentado um erro menor (7,67%) em comparação com a cromatografia líquida de alta eficiência (11,67%), ambas as técnicas demonstraram sua utilidade e eficácia na determinação da concentração de cafeína. 1. RESULTADOS E DISCUSSÃO A cafeína é um dos alcaloides com atividade biológica mais consumidos no mundo. Classificada como uma substância psicoativa legal, ela possui uma ação farmacológica variada, afetando o sistema nervoso central, cardiovascular e a homeostase do cálcio. Seus efeitos sobre o comportamento humano são conhecidos por aumentar a capacidade de alerta e reduzir a fadiga, melhorando o desempenho em atividades que requerem maior vigilância (SILVA, 2021; DE MARIA e MOREIRA, 2007). No entanto, seu consumo também pode ter efeitos negativos. Alguns indivíduos podem experimentar irritabilidade, nervosismo e problemas de sono, especialmente se consumirem doses elevadas ou se forem sensíveis à substância. Além disso, em pessoas com quadros de ansiedade, a cafeína pode agravar os sintomas. Dessa forma, torna-se crucial o estabelecimento de níveis seguros de ingestão desta substância (MARIANO, 2018; RIBEIRO, 2012). Sendo assim, existem vários métodos analíticos descritos na literatura para a detecção e quantificação da cafeína, incluindo a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) e a espectrofotometria de absorção molecular. Na primeira, a determinação é feita através da comparação dos tempos de retenção das amostras com os padrões correspondentes (MARIANO, 2018). Na segunda, a quantificação é conduzida com base na análise da absorbância em determinado comprimento de onda (SKOOG, 2015). O objetivo do experimento foi determinar a concentração de cafeína em um antitérmico/analgésico neosaldina (solução oral), com concentração declarada de 30 mg mL-1 de cafeína, utilizando cromatografia liquida de alta eficiência e espectrofotometria de absorção molecular. 3 Inicialmente, foi feita a preparação das amostras de medicamento. Para isso, mediu-se 100µL do medicamento, transferiu-se para um balão volumétrico de 50mL, completou-se o volume com água:acetonitrila (60:40) e homogeneizou-se, sendo preparada triplicata da amostra. Para a análise por cromatografia líquida, fez-se a confecção da curva analítica, onde, a partir de uma solução estoque de cafeína 100mg L-1, preparou-se 50mL de soluções padrão com concentrações crescentes, conforme indicado na Tabela 1, utilizando a fase móvel (água:acetonitrila 60:40) para aferição do balão volumétrico. O procedimento foi preparado em duplicata. Em seguida, injetou-se 20µL de cada solução padrão preparada anteriormente em um cromatógrafo liquido com detector ultravioleta-visível, com comprimento de onda ajustado em 273,2 nm, contendo uma coluna C18 (octadecilsiloxano) de 25cm de comprimento, 0,46cm de diâmetro e 5µm de fase. Utilizou-se a fase móvel (água:acetonitrila 60:40) na vazão de 1mL min- 1. A área do pico da cafeína obtida em cada um dos cromatogramas está apresentada na Tabela 1. Tabela 1: Áreas de pico obtidas em cada replicata das amostras de solução padrão de cafeína e suas respectivas concentrações. Concentração padrão de cafeína (mg L -1 ) Área do pico da cafeína Média ± Desvio padrão da área do pico 20 78,1 74,6 76,35 (± 2,47) 40 156,7 156,5 156,60 (± 0,14) 60 231,8 233,1 232,45 (± 0,92) 80 323 315,5 319,25 (± 5,30) 100 366,5 364,2 365,35 (± 1,63) A partir dos dados obtidos na Tabela 1, foi possível plotar o gráfico da curva analítica por padronização externa, mostrado na Figura 1. Figura 1: Curva analítica por padronização externa pelo método HPLC. A curva analítica por padronização externa utilizando o método HPLC foi utilizada para determinar a concentração de um analito. Apresentou-se uma equação da reta y = 3,7033x + 7,805, 4 com um coeficiente de determinação (R²) de 0,9922. Isso indicou uma relação linear positiva entre a concentração conhecida do analito e o sinal de resposta obtido pelo detector. Em sequência, para análise das replicatas do medicamento, injetou-se em um cromatógrafo líquido 20µL de cada replicata de amostra de medicamento preparada inicialmente, utilizando as condições cromatográficas já descritas. A área do pico da cafeína obtida para cada replicata da amostra está apresentada na Tabela 2. A partir das áreas de pico obtidas e da equação da reta obtida na Figura 1, foi possível determinar a concentração de cafeína no medicamento diluído para cada uma das leituras, com o cálculo demonstrado abaixo para a primeira replicata. y = 3,7033x + 7,805 199,2 = 3,7033x + 7,805 x = 51,6822834 mg L-1 Como o valor encontrado refere-se à amostra de medicamento diluída, foi necessário corrigir o resultado obtido, multiplicando-o pelo fator de diluição. C = 50 mL 100 µL x 51,6822834 mg L-1 = 50 mL 0,1 mL x 51,6822834 mg L-1 C = 25.841,1417 mg L-1 Corrigindo as unidades para mg mL-1, tem-se: C = 25.841,1417 mg/L 1000 mL = 25,8411417 mg mL-1 Os valores encontrados para as demais replicatas, juntamente com a média e o desvio padrão, encontram-se na Tabela 2. Tabela 2: Áreas de pico obtidas em cada replicata das amostras do medicamento e concentrações encontradas. Área do pico da cafeína Concentração de cafeína no medicamento diluído (mg/L) Concentração de cafeína corrigida (mg/mL) Média ± Desvio padrão 199,2 51,6822834 25,8411417 26,5 (± 0,8) 210,5 54,7336160 27,3668080 203,6 52,8704129 26,4352064 Logo, a concentração de cafeína na amostra do medicamento obtida pelo método da cromatografia líquida de alta eficiência foi de 26,5 (± 0,8) mg mL-1. Dessa forma, foi possível calcular o erro com relação ao valor esperado de 30 mg/mL, conforme mostrado abaixo. Erro = (valor esperado - valor encontrado) / valor esperado (x 100%) Erro = (30 – 26,5) / 30 (x 100%) Erro = 11,67% 5 Na cromatografia líquida de alta eficiência, a concentração de cafeína na amostra do medicamento foi determinada como 26,5 (± 0,8) mg mL-1, representando um erro de11,67% em relação ao valor descrito pelo fabricante. A maior incerteza associada a essa medida pode ser atribuída a variações nas condições experimentais, interferências de outros componentes ou possíveis limitações da técnica. Para a análise por espectrofotometria de absorção molecular, inicialmente foi feita a confecção da curva analítica por meio das soluções padrão já descritas anteriormente. As leituras de absorbância foram feitas no comprimento de onda máximo de 273,2 nm e estão apresentadas na Tabela 3. Tabela 3: Absorbâncias obtidas em cada replicata das amostras de solução padrão de cafeína e suas respectivas concentrações. Concentração padrão de cafeína (mg L -1 ) Absorbância Média ± Desvio padrão da absorbância 20 1,068 1,075 1,072 (± 0,005) 40 2,159 2,144 2,15 (± 0,01) 60 3,141 3,187 3,16 (± 0,03) 80 4,178 4,088 4,13 (± 0,06) 100 4,584 4,640 4,61 (± 0,04) A partir dos dados obtidos na Tabela 3, foi possível plotar o gráfico da curva analítica por padronização externa, mostrado na Figura 2. Figura 2: Curva analítica por padronização externa pelo método da espectrofotometria de absorção molecular. A curva analítica por padronização externa, utilizando o método da espectrofotometria de absorção molecular, apresentou uma equação da reta y = 0,0453x + 0,3077, com um coeficiente de determinação (R²) de 0,9842. Esses resultados indicou uma relação linear positiva entre a concentração conhecida do analito e o sinal de absorção obtido pelo espectrofotômetro. Em sequência, para análise das replicatas do medicamento, foram feitas as leituras da absorbância de cada replicata de amostra de medicamento preparada inicialmente, apresentadas na Tabela 4. 6 A partir das absorbâncias obtidas e da equação da reta obtida na Figura 2, foi possível determinar a concentração de cafeína no medicamento diluído para cada uma das leituras, com o cálculo demonstrado abaixo para a primeira replicata. y = 0,0453x + 0,3077 3,245 = 0,0453x + 0,3077 x = 64,8410596 mg L-1 Como o valor encontrado refere-se à amostra de medicamento diluída, foi necessário corrigir o resultado obtido, multiplicando-o pelo fator de diluição. C = 50 mL 100 µL x 64,8410596 mg L-1 = 50 mL 0,1 mL x 64,8410596 mg L-1 C = 32.420,5298 mg L-1 Corrigindo as unidades para mg mL-1, tem-se: C = 32.420,5298 mg/L 1000 mL = 32,4205298 mg mL-1 Os valores encontrados para as demais replicatas, juntamente com a média e o desvio padrão, encontram-se na Tabela 4. Tabela 4: Absorbâncias obtidas em cada replicata das amostras do medicamento e concentrações encontradas. Absorbância Concentração de cafeína no medicamento diluído (mg/L) Concentração de cafeína corrigida (mg/mL) Média ± Desvio padrão 3,245 64,8410596 32,4205298 32,3 (± 0,1) 3,235 64,6203091 32,3101546 3,223 64,3554084 32,1777042 Logo, a concentração de cafeína na amostra do medicamento obtida pelo método da espectrofotometria de absorção molecular foi de 32,3 (± 0,1) mg mL-1. Dessa forma, foi possível calcular o erro com relação ao valor esperado de 30 mg/mL, conforme mostrado abaixo. Erro = (valor esperado - valor encontrado) / valor esperado (x 100%) Erro = |(30 – 32,3)| / 30 (x 100%) Erro = 7,67% Para a técnica da espectrofotometria de absorção molecular, a concentração de cafeína na amostra do medicamento foi determinada como 32,3 (± 0,1) mg mL-1, o que representa um erro de 7,67% em relação ao valor descrito pelo fabricante, de 30 mg mL-1. A pequena incerteza associada a essa medida indica uma alta precisão do método, sugerindo que os resultados são confiáveis. No entanto, é importante considerar que a espectrofotometria de absorção molecular pode ser afetada por interferências espectrais de outros componentes presentes na amostra. 7 Essas interferências surgem devido à presença de outros componentes nos medicamentos, como excipientes, ingredientes ativos, metabólitos, produtos de degradação e aditivos, que apresentam absorção em comprimentos de onda semelhantes aos da cafeína (SKOOG, 2015). Essas interferências espectrais podem resultar em sobreposição de espectros e dificultar a identificação e quantificação específica da cafeína. Para minimizar essas interferências, estratégias podem ser adotadas, como a escolha adequada do comprimento de onda, o pré-tratamento das amostras para remover ou separar os componentes interferentes, o uso de técnicas de derivatização ou a adição de padrões internos (MARIANO, 2018). Ao comparar os erros entre as duas técnicas, foi observado que o método da espectrofotometria de absorção molecular apresentou um erro menor (7,67%) em relação ao método da cromatografia líquida de alta eficiência (11,67%). Isso indica uma maior precisão na determinação da concentração de cafeína utilizando a espectrofotometria de absorção molecular. Ambas as técnicas possuem vantagens e limitações específicas, e a escolha do método adequado depende das características da amostra e dos objetivos da análise. É importante considerar cuidadosamente as propriedades das técnicas analíticas e seus desempenhos para obter resultados confiáveis e relevantes para a determinação da concentração de cafeína em medicamentos. A espectrofotometria é mais rápida e simples, mas pode ser menos seletiva e suscetível a interferências. A cromatografia líquida, por sua vez, oferece alta seletividade e sensibilidade, permitindo uma análise mais precisa e confiável (MARIANO, 2018). No entanto, é importante ressaltar que os erros estão dentro de uma faixa aceitável e podem ser influenciados por diversos fatores, como a precisão do equipamento, variações nas condições experimentais e precisão na preparação das amostras, entre outros. Essas técnicas analíticas desempenham um papel fundamental na indústria farmacêutica, proporcionando controle de qualidade e garantindo a eficácia dos medicamentos contendo cafeína. A determinação precisa da concentração de cafeína é crucial para garantir que os medicamentos atendam aos requisitos de segurança e eficácia estabelecidos. E a escolha da técnica mais adequada depende das características específicas da amostra, dos objetivos analíticos e dos recursos disponíveis. 2. CONCLUSÃO Em conclusão, os resultados obtidos por meio da espectrofotometria de absorção molecular e da cromatografia líquida de alta eficiência forneceram informações precisas sobre a concentração de cafeína em amostras de medicamentos. A concentração determinada pela espectrofotometria de absorção molecular foi de 32,3 (± 0,1) mg mL-1, enquanto a cromatografia líquida de alta eficiência resultou em uma concentração de 26,5 (± 0,8) mg mL-1. Embora o método da espectrofotometria de absorção molecular tenha apresentado um erro menor (7,67%) em comparação com a cromatografia líquida de alta eficiência (11,67%), ambas as técnicas demonstraram sua utilidade e eficácia na determinação da concentração de cafeína. Dessa forma, essas técnicas analíticas são úteis na indústria farmacêutica para controle de qualidade e garantia da eficácia dos medicamentos contendo cafeína. 8 3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE MARIA, C. A. B.; MOREIRA, R. F. A. Cafeína: revisão sobre métodos de análise. Química Nova. v. 30, no. 1, p. 99-105, 2007. MARIANO, R. S. Determinação de cafeína em bebidas estimulantes por cromatografia líquida e espectrofotometria UV-Vis. 2018. 67p. TCC (Licenciatura em Química) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Londrina, 2018. RIBEIRO, R. F. Cafeína: benefícios e malefícios do consumo. 2012. 28p. TCC (Bacharel em Nutrição) – Centro Universitário do Sul de Minas, Varginha, 2012. SILVA, T. do C. O. Determinação do teor de cafeína em bebidas: da revisão integrativa da literatura à análise bibliométrica. 2021. 54p. TCC (Bacharel em Química) – Universidade Federal da Paraíba, Areia, 2021. SKOOG, D. A.; WEST, D. M.; HOLLER,F. J.; CROUCH, S. R.; Fundamentos de química analítica. 9ª ed. São Paulo: Cengage Learning Edições Ltda, 2015. 125 p.