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Mercados do Amanhã
Autor 
Paulo Renato Lima 
Apresentação
Seja bem-vindo(a) ao curso Mercados do Amanhã! Aqui, trataremos sobre questões de mercado,
sustentabilidade, inovação, meio ambiente e suas alterações ao longo do tempo, minimização e
otimização de processos para uma melhor integração, Painel Intergovernamental sobre Mudança
do Clima (IPCC, na sigla em inglês), Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e o
futuro do comércio em consonância com a sustentabilidade. O nosso foco principal é trazer um
contexto voltado a dois grandes temas que justificam o título do nosso material: o mercado e o
futuro, sendo este último termo voltado para as questões sustentáveis.
Este conteúdo foi cuidadosamente preparado para impulsionar a sua formação. Por exemplo, já
na Unidade 1, trabalharemos as temáticas relacionadas a micro e macrocenários dentro da
economia, além das questões relacionadas ao meio ambiente. Mais do que isso, a Unidade 1
encerra em si a integração entre sustentabilidade e economia. Na Unidade 2, abordaremos as
questões de inovação, sustentabilidade e ceticismo, refletindo sobre as mudanças climáticas e
algumas propostas de geoengenharia para a produção de energia limpa, sustentável e inovadora.
Na Unidade 3, nos depararemos com as propostas da Agenda 2030 da ONU, as previsões e
incertezas sobre o clima e, claro, o IPCC. Na Unidade 4, finalizaremos com as questões sobre
stakeholders e o futuro, além do comércio em um meio sustentável, população, consequências
para o clima e questões sociais nessa relação, encerrando com a questão mais central para o ser
humano: o futuro do mercado de alimentos.
Os assuntos que não forem profundamente tratados neste material são temas que podem ser
facilmente encontrados na web. Por isso, ressaltamos a importância das leituras
complementares para uma melhor compreensão holística do nosso tema.
Esperamos que você embarque conosco ao longo deste conteúdo, leia atentamente o material,
as sugestões de leitura e a bibliografia e, principalmente, que reflita e coloque em prática o que
aprenderá aqui.
Professor Paulo Renato de Lima
Videoaula - Apresentação
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"https://player.vimeo.com/video/726113622".
Noções iniciais, micro e macro cenários1
Nesta unidade, introduziremos os principais conceitos sobre mercado e seus limites de acordo
com algumas escolas de pensamento econômico mais intervencionistas - mas, é claro, sem nos
esquecermos das outras. Tudo isso sob uma perspectiva social e ambiental.
Logo depois, passaremos a tratar das aplicações para o Brasil nos cenários micro e macro, com
uma panorâmica conexão entre mercado e sustentabilidade, sempre com olhar para as
concepções que influenciam diretamente diversos cenários futuros. Mostraremos alguns
exemplos e tendências dessa interação sob a ótica mercadológica e o setor ambiental - o que
envolve questões de responsabilidade e cooperação -, apresentando alguns cenários e
oportunidades.
Os temas que envolvem os mercados do amanhã são, por definição, extremamente vastos. São
assuntos que englobam desde serviços à sociedade, como nutrição, saúde e educação, até
questões que norteiam os maiores empreendimentos do mundo, como tecnologia,
comunicações, agricultura e política em geral.
Sintetizar tudo isso em apenas um material é um trabalho complexo, que envolve a abordagem
dessas áreas de modo ímpar. Com isso, tentamos explorar temas pertinentes às questões
mercadológicas que envolvam sustentabilidade, bem com abordar temáticas que se voltem para
o meio ambiente e a ação do homem, sem nos esquecermos, contudo, de assuntos como
comida, inovação e regulamentações em geral, sempre visando o futuro.
Introdução1.1
Figura 1 – Os mercados do amanhã
Fonte: DilokaStudio/Freepik.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/01.jpg
Nossa expectativa é demonstrar que as previsões são incertas e de risco, pois trabalhamos
esses dois temas em alguma medida. Deixaremos claro também que até determinado ponto é
possível tratar a relação do homem com o meio utilizando dados científicos. No entanto, em
dado momento, incorre-se, naturalmente, em conjecturas filosóficas, já que até agora ninguém
sabe como lidar com a conscientização ambiental, isto é, como fazer com que o homem entenda
onde está o impacto negativo de suas ações sobre o meio e como isso implicará danos
irreversíveis no futuro.
Pelo contexto em que vivemos, esta ainda não é uma ideia tão presente, beirando a metafísica, o
que faz com que haja posições técnicas severamente repressoras, compreendendo a produção e
o consumo como sérias ameaças à sustentabilidade, como é o caso de muitos ambientalistas.
Por outro lado, pode ser vista como uma espécie de “autorização para poluir” a posição que
defende princípios de geoengenharia e demais tecnologias que possam atenuar a ação do
homem sobre o meio, enxergando a produção e o consumo não somente como oportunidades
para o tema da sustentabilidade, mas como as únicas alternativas que podem gerar o tão
sonhado sistema sustentável.
Esses debates são sumamente importantes, pois são atuais e ditarão o futuro. Sem eles, não há
como abordarmos o que acontecerá, pois o estudo dos pontos históricos não garante o futuro -
certamente o norteia, mas não dita nenhuma regra sobre como serão as próximas décadas ou
séculos.
O Banco Mundial (World Bank Group - WBG) é uma instituição financeira internacional com 189
países-membros e tem sede em Washington, D.C., nos EUA. É uma das maiores fontes de
financiamento e conhecimento para países em desenvolvimento.
A missão do WBG é erradicar a extrema pobreza e promover a prosperidade compartilhada. Até
2030, o WBG quer reduzir a parcela da população mundial que vive em extrema pobreza para 3%.
A outra missão é aumentar a renda dos 40% mais pobres de todos os países.
Além disso, as cinco instituições que compõem o WBG compartilham o compromisso de reduzir a
pobreza, aumentar a prosperidade compartilhada e promover o desenvolvimento sustentável
global.
Videoaula - O que é mercado?
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Mercado é um conjunto de grupos de agentes econômicos com intenções de compra e/ou venda
de bens e/ou serviços. Os compradores e vendedores (agentes econômicos) interagem para
fazer escolhas e tomar decisões com diversos objetivos, mas sempre com a intenção de
melhorar sua própria situação de momento. Essa reunião de grupos de agentes econômicos é
denominada mercado.
Segundo os economistas Common e Stagl (2008), em certas ocasiões utiliza-se a palavra
mercado para fazer referência ao lugar de se comprar e vender, mas, para esses autores, o
significado de mercado é mais amplo do que isso, o que parece pertinente, dado que a relevância
dos mercados do amanhã, para fins de nossos estudos, estará voltada para questões mais
abrangentes e amplas, num sentido especialmente ambiental e sustentável.
Introdução1.1
O mercado1.1.1
O que é mercado?
As instituições que compõem o Banco Mundial são:
The International Bank for Reconstruction and Development (IBRD). É uma cooperativa de
desenvolvimento global.
International Development Association (IDA). É uma instituição que tem múltiplas funções no
fornecimento de empréstimos com juro zero ou a taxas muito baixas com foco em subsidiar
programas que tenham o objetivo de impulsionar o crescimento econômico, reduzir as desigualdades
e melhorar as condições de vida.
International Finance Corporation (IFC). É a maior instituição de desenvolvimento global com foco no
setor privado dos países em desenvolvimento.
Multilateral Investment Guarantee Agency (MIGA). É uma agência garantidora de investimentos com
o intuito de promover o investimento em países em desenvolvimento.
International Centre for Settlement of Investment Disputes (ICSID). É a instituição dedicadaà solução
de controvérsias sobre investimentos internacionais.
Conheça mais sobre o Banco Mundial e suas instituições acessando o seguinte link:
www.worldbank.org [https://www.worldbank.org/pt/country/brazil] .
Há três perguntas que norteiam o problema econômico que a humanidade enfrenta em seu
cotidiano e que modificam a forma de pensar sobre os mercados futuros. Common e Stagl (2008,
p. 308) nos informam quais são elas:
1. Quais bens devem ser produzidos e em quais quantidades?
2. Como devem ser produzidos esses bens em relação à quantidade de insumos necessários?
3. Como devem ser compartilhados esses bens produzidos entre os membros individuais de uma
sociedade?
Smeraldi (2009, p. 48) ressalta a importância da segunda pergunta quando afirma que o “desafio
é entender quais insumos passarão a ser precificados e cobrados, antecipando a tendência”.
As respostas para essas questões podem ocorrer de diversos modos em diferentes tipos de
sociedades. Por exemplo, um líder que decidia por todos numa sociedade do passado, como a
dos caçadores-coletores, daria essa resposta facilmente. Já em nossa sociedade, respostas
como essa são bem mais complexas, considerando a quantidade de pessoas e suas mais
variadas sociedades e personalidades, bem como os avanços tecnológicos.
Os limites dos mercados
https://www.worldbank.org/pt/country/brazil
No que se refere às definições, Common e Stagl (2008, p. 309) nos ajudam diferenciando os tipos
de mercado:
No entanto, na prática, não existe uma economia de mercado totalmente pura, completamente
livre das ações estatais ou governamentais, dado que diversas decisões envolvem questões
públicas e políticas, as quais, por sua vez, envolvem decisões de algum líder. As questões
voltadas para a produção de bens e serviços também incorrem na decisão de liderança, uma vez
que as empresas, em geral, possuem seus respectivos representantes e porta-vozes, sendo que
estes, em última instância, exercem algum tipo de liderança, direta ou indiretamente (COMMON;
STAGL, 2008).
Por outro lado, não existe uma economia de mercado completamente planejada ou planificada.
Isso se deve, teoricamente, ao tradicional problema do cálculo econômico. Em linhas gerais, é a
impossibilidade de deter todas as variáveis e os fatores de produção em uma sociedade por um
indivíduo, um grupo de pessoas ou um planejador central.
A impossibilidade - ou o problema do cálculo econômico – é sintetizada em intensos debates
desde Ludwig von Mises, em 1920, até os dias atuais. Diversos economistas e teóricos,
representantes de uma gama de escolas de pensamento, se debruçaram (e ainda continuam a se
debruçar) sobre esse problema, chegando até a propostas de solução. Uma delas, a mais
recente, é a de que a tecnologia computacional resolveria todas as equações com as variáveis e
os fatores de produção e daria uma solução, uma forma de produzir, em uma sociedade. Mas o
problema do cálculo econômico é mais epistemológico e ontológico.
Economia planificada
É o tipo de economia em que uma autoridade ou um planejador central (pode ser um indivíduo ou
um grupo de pessoas) determina toda a produção.
Economia de mercado pura
Oposta à planificada, é a economia que tem em seus agentes econômicos todas as relações, as
decisões e o planejamento. Não há um líder geral, um planejador central ou uma ordem produtiva
completa.
Sobre o tradicional problema do cálculo econômico, há uma vasta bibliografia, de livros a artigos,
inclusive pesquisas atuais. Para introdução nesse problema e posterior atualização, recomenda-
se as referências a seguir, que são tradicionais e básicas para futuras leituras:
O cálculo econômico sob o socialismo, por Ludwig von Mises. É um livro para introdução ao tema.
Socialismo, cálculo econômico e função empresarial, por Jesús Huerta de Soto. É um livro atual e que faz
uma revisão de todo o debate, passando por Hayek e indo até os dias atuais.
A retomada do debate do cálculo econômico socialista: economia da informação, escolha pública e a crítica
austríaca, por Fábio Barbieri. É um artigo de análise sobre o tema feito por um professor brasileiro e
bem atualizado. Você encontra este artigo no seguinte link: www.scielo.br
[https://www.scielo.br/j/ee/a/9Jxt43tZkJ4RYksJWq5dNYq/?lang=pt] .
Videoaula - Os limites do mercado
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"https://player.vimeo.com/video/726116170".
As empresas decidem o que produzir, em quais quantidades (dependendo de todos os
levantamentos de dados e especialistas técnicos), quais métodos serão implementados e quais
insumos serão utilizados na produção. Elas são livres para implementar seus planos, mas com o
direcionamento dos respectivos dispositivos legais (COMMON; STAGL, 2008).
Introdução1.1
O mercado1.1.1
https://www.scielo.br/j/ee/a/9Jxt43tZkJ4RYksJWq5dNYq/?lang=pt
Poderíamos citar diversos mercados em que não há um organismo no comando central, como as
indústrias alimentícia, automobilística e de construção. Veja que esses três pequenos exemplos
são constituídos por diversas cadeias e empresas produtoras e dos mais variados ramos, como
agricultura, pecuária, processamento de alimentos, tecnologias da informação, mineração,
transformação etc. Logo, o sistema de mercado (ou sistema de preços) é uma “estruturação
social notável, que coordena os planos e atividades de milhões de empresas e indivíduos de
modo que o problema econômico da sociedade tenha resultado” (COMMON; STAGL, 2008, p. 309,
tradução nossa).
Um conjunto de condições que seja satisfeito para que um sistema de mercados seja resolvido e
cuja solução, em uma economia pura de mercados, implique uma alocação eficiente, inclui:
Figura 2 – Informações do mercado
Fonte: jannoon028/Freepik.
Tecnologias e preferências corretas
As tecnologias de produção são relações que as empresas utilizam - de forma combinada - dos
insumos com o intuito de produzir diversos níveis de sua cadeia de produtos. Já as preferências
são os determinantes das demandas dos agentes econômicos por bens e serviços que são
disponibilizados. Tanto as tecnologias como as preferências devem permitir a existência de um
equilíbrio competitivo.
Condição dos mercados completos
Todos os produtos (bens e serviços) devem ser comercializados nos mercados para que um
sistema de mercado puro tenha uma alocação eficiente. E, para que essa condição seja
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/02.jpg
De acordo com Common e Stagl (2008), a solução para os problemas de mercado, tanto os
atuais quanto os futuros, não se refere somente a como os mercados funcionam, no sentido de
oferecer uma resposta ou um resultado final, mas é preciso averiguar também se tal solução é
boa e aplicável. Deve gerar bem-estar (tal qual a teoria da economia do bem-estar) e, para
nossos fins, ser sustentável. Para tanto, segundo os autores, deverá existir no mercado um:
satisfeita, todos os fatores e produtos que influenciam o bem-estar dos indivíduos devem ser
produzidos por agentes econômicos, ou seja, tudo deve ser propriedade privada de alguém. Em
outras palavras: produtos que não têm dono não podem ser negociados (vendidos e/ou
comprados).
Condição do agente tomador de preços
Todo agente deve ser um tomador de preços. Para um sistema de mercado puro possuir um
equilíbrio geral com alocação eficiente, todos os tomadores de preços devem agir em todos os
mercados, garantindo uma competição perfeita. Em caso de monopólio, há apenas um vendedor
com poder de influenciar o preço de mercado com a variação da mercadoria. No outro polo, há a
situação de monopsônio, em que há apenas um comprador. No meio desses polos, surgem os
casos de concorrência imperfeita: muitos compradores tomadores de preços e muitos
vendedores que não são tomadores de preços - e também o contrário, os oligopólios, com
muitos compradores tomadores de preços e alguns vendedores que não são tomadores de
preços. Em uma situação em quehá uma grande quantidade de compradores e vendedores, as
variações na oferta e na demanda são pequenas com relação a um domínio único (comprador ou
vendedor). Nesse cenário, temos uma concorrência perfeita quando todos os vendedores e
compradores são tomadores de preços.
Condição da racionalidade
Os agentes são racionais quando fazem o melhor para si mesmos nas condições que eles
julgam ser necessárias onde estão inseridos. Isso implica que os mercados tenham equilíbrio
com alocação eficiente.
Condição da informação completa
Todo agente deve ter informação completa sobre as consequências ao realizar qualquer
transação de mercado (COMMON; STAGL, 2008).
(I) equilíbrio geralmente competitivo: quando todos os mercados - de todos os bens, serviços e
insumos - encontram-se em equilíbrio, e, se isso existir, também haverá uma alocação eficiente;
(II) alocação eficiente: quando todas as condições citadas anteriormente são satisfeitas:
tecnologias e preferências corretas, mercados completos, tomador de preço, racionalidade e
informação completa.
Deixaremos para tratar sobre esses pormenores mais adiante em nosso material.
Videoaula - Economia de mercado pura, de comando e planejada
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Videoaula - Conciliação entre o ponto de vista mercadológico e as
questões sociais
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O relatório Mercados do amanhã: tendências globais e suas implicações para as empresas foi
desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), bem como pelo
Instituto de Recursos Mundiais (WRI, na sigla em inglês) e pelo Conselho Empresarial Mundial
para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês), com o objetivo de alcançar
uma maneira de conciliar o setor empresarial e as questões ambientais.
Michael E. Porter é a maior autoridade em estratégias competitivas e competitividade
internacional, e William Lawrence, pertencente à Harvard Business School, mundialmente
conhecida, é professor titular do mais alto nível profissional que alguém pode alcançar em
Harvard. Segundo esses autores, Mercados do amanhã é uma relação entre estratégias
corporativas e questões sociais. Em outras palavras, é uma simbiose entre as questões de meio
ambiente (da sua exploração à sua manutenção) e os dilemas e problemas sociais aí envolvidos,
como pobreza, saúde, desenvolvimento sustentável e quaisquer outros vértices sociológicos
(PORTER; LAWRENCE, 2002).
Introdução1.1
Macrocenário: conciliação entre o ponto de vista mercadológico e as
questões sociais
1.1.2
Para Porter e Lawrence, uma boa parte do mercado, que envolve os meios privados, tende a
reduzir os detalhes sociais (dilemas, problemas, questões e soluções) a uma “consciência
individual”, cidadania ou filantropia corporativa. A recíproca, pelo que podemos observar, é
verdadeira, pois, de acordo com líderes sociais de ideologias que tangem vertentes histórico-
dialéticas, os empresários e empreendedores são vilões, adversários e inimigos das causas
sociais.
Hoje, mais do que nunca, é sabido que a concorrência existente nos mercados requer uma
integração, uma interação e a inter-relação mais próxima possível entre políticas econômicas e
sociais. O primeiro exemplo que sempre vem à mente é o controle de emissões de gases do
efeito estufa (GEE). Diversos setores produtivos enxergam esse problema (a emissão excessiva
de GEEs) como uma “questão social” por envolver variáveis que afetam diretamente a sociedade
e, claro, gastos e custos na cadeia de produção (PORTER; LAWRENCE, 2002).
Por outro lado, alguns ambientalistas acreditam que as empresas buscam apenas o lucro por
meio da exploração do povo. Com isso, buscam que poluidores potenciais, que em suas visões
são intrinsecamente prejudiciais à sociedade e ao meio ambiente, sejam altamente
regulamentados e que tenham a qualquer custo instalações de tecnologias limpas ou, em casos
mais extremos, sofram embargos das atividades empresariais e econômicas.
Figura 3 – Questões sociais
Fonte: freepik/Freepik.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/03.jpg
Segundo Porter e Lawrence (2002, p. 7), semelhantes conclusões “se aplicam a outras áreas
sociais, como discriminação racial e social, saúde e segurança no trabalho e treinamento”.
Exemplo disso são as perspectivas de falta de mão de obra, o que, em países desenvolvidos,
culmina no incentivo às empresas a contratar apenas em casos em que não há entraves legais
ou riscos.
Ainda há um outro ponto que os autores destacam: a “economia mundial não é um jogo no qual o
sucesso de um país implica perdas para outros”, uma vez que há “enorme potencial de
crescimento se muitos países melhorarem sua produtividade e as relações comerciais com
outros”, já que “existem diversas necessidades humanas não satisfeitas e a demanda pelas
mesmas crescerá somente se as nações se tornarem mais prósperas" (PORTER; LAWRENCE,
2002, p. 7).
Essa forma de pensamento é considerada um modo real e não ideológico de tratar as questões
ambientais no futuro. Está cada vez mais claro que simplesmente debruçar-se no “apelo à
consciência” da população e do mercado em geral ou focar em paralisações e embargos
Questões sociais e corporativas se aliarão também em áreas controversas da globalização. Tanto
ativistas sociais como empresas têm muito a ganhar com um sistema de comércio internacional
aberto e justo. As evidências provam que, quando comparadas a empresas locais em países em
desenvolvimento, empresas estrangeiras trazem padrões ambientais mais altos, pagam e tratam
melhor seus funcionários, e empregam práticas de trabalho mais seguras. Se os ativistas sociais
têm por objetivo melhorar essas práticas em seus países, certamente preferirão trabalhar lado a lado
com as empresas estrangeiras a se oporem a elas (PORTER; LAWRENCE, 2002, p. 7, grifo nosso).
Figura 4 - Questões ambientais
Fonte: jcomp/Freepik.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/04.jpg
econômicos diversos não resultam em resoluções para problemáticas ambientais. Pelo
contrário: geram mais transtornos, provocando forte instabilidade entre as diferentes
cosmovisões, em que, de um lado há os conservadores contemporâneos (como Roger Scruton,
que será tratado em grande medida em nosso material), que enxergam plena capacidade de
conciliação entre crescimento mercadológico e desenvolvimento sustentável, e, de outro, alguns
ambientalistas que procuram, em grande parte, reverter o quadro de crescimento industrial, o
que, em última instância, é praticamente impossível nos dias de hoje.
Não há autoridade em nosso país para trabalhar o setor de micro e pequenas empresas a não ser
o próprio Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Segundo este
órgão, a estatística dos micro e pequenos negócios mostra que o grupo emprega cerca da
metade da população nacional de maneira formal, e quase metade de toda a massa salarial,
sendo, portanto, um setor que jamais pode ser esquecido ou posto de lado como tendo menos
importância do que as grandes indústrias.
Microcenário: as pequenas empresas e as questões ambientais1.1.3
Conheça, nesse estudo realizado pelo Sebrae, o perfil dos pequenos negócios no Brasil.
Resumidamente, eles são divididos da seguinte maneira:
Microempreendedor individual: faturamento anual de até R$ 81 mil.
Microempresa: faturamento anual de até R$ 360 mil.
Empresa de pequeno porte: faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões.
Pequeno produtor rural: propriedade com até quatro módulos fiscais ou faturamento anual de até R$
4,8 milhões (informação atualizada em janeiro de 2022).
O link a seguir mostra definições mais detalhadas sobre esses públicos com estudos e pesquisas
relacionados a eles: www.sebrae.com.br
[https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/estudos_pesquisas/quem-sao-os-pequenos-negociosdestaque5,7f4613074c0a3410VgnVCM1000003b74010aRCRD] .
Como, então, conciliar a inovação e a incorporação da sustentabilidade no crescimento do setor?
Paul Krugman, premiado com o Nobel de Economia em 2008, keynesiano, professor de Economia
e Assuntos Internacionais na Universidade de Princeton e colunista do The New York Times,
https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/estudos_pesquisas/quem-sao-os-pequenos-negociosdestaque5,7f4613074c0a3410VgnVCM1000003b74010aRCRD
afirmou que uma das saídas para os países emergentes está no mercado interno. Do mesmo
ponto de vista, Robert McKinley, vice-presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico da
Universidade do Texas (USTA, na sigla em inglês), em San Antonio, defende a formação de uma
rede empreendedora em que pequenas empresas tenham melhores oportunidades (SEBRAE,
2013).
A interação entre mercado e meio ambiente não é de hoje. Um exemplo clássico é o mercado de
baleias da Nova Inglaterra até o século XVIII, que colapsou em 1840 devido à intensa predação e
à pouca preocupação com a limitação da reprodução das baleias. O setor da indústria pesqueira,
como um todo, foi grande um dia, mas hoje encontra-se numa posição não tão favorável
(SAVITZ; WEBER, 2007).
Infelizmente, nos informam Savitz e Weber (2007, p. 1), as “frotas pesqueiras contemporâneas
não parecem ter absorvido os ensinamentos do passado”. Como exemplo, temos a população de
bacalhau - bem como as de badejo e linguado -, que decresceram 95% no Atlântico Norte desde
1995.
A questão sustentável é multidisciplinar: envolve setores de meio ambiente, economia, política,
tecnologia, sociedade e cadeia produtiva. A interação e a integração são necessárias entre
homem e ambiente, biodiversidade e equilíbrio aquático, organismos e o meio, saúde humana e
preservação ambiental, entre outros.
Mercado e sustentabilidade1.2
Figura 5 – Mercado e sustentabilidade
Fonte: freepik/Freepik.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/05.jpg
Savitz e Weber (2007, p. 4, grifo nosso) dizem que a sustentabilidade “se desenvolveu como
método integrado de abordar ampla gama de temas de negócios referentes ao meio ambiente,
direito dos trabalhadores, proteção aos consumidores e governança corporativa”, incluindo
também “o impacto das atividades da empresa em relação a questões sociais mais abrangentes,
tais como fome, pobreza, educação, saúde e direitos humanos – e aos efeitos desses temas
sobre o lucro”.
Veremos a seguir um quadro que os autores nos apresentam acerca das medidas que ainda
perturbam os setores de atividade quando se trata da aplicação da sustentabilidade visando
possíveis aprimoramentos futuros.
Quadro 1 - Principais questões de sustentabilidade em setores selecionados
Setor Questões de sustentabilidade
Produtos
farmacêuticos
Necessidade de novos modelos de negócios, que tornem os medicamentos acessíveis
no mundo em desenvolvimento.
Agricultura e
biotecnologia
Reação às críticas e ao receio referentes a alimentos transgênicos, sementes e
escassez de água.
Papel e celulose Desenvolvimento de programas de certificação que garantam tecnologias de
exploração de madeiras não prejudiciais ao meio ambiente. A organização não
governamental Forest Stewardship Council (FSC) desenvolve um papel importante
neste aspecto.
Computadores e
telecomunicações
Necessidade de estreitar o "abismo digital" por meio de atividades de filantropia e do
desenvolvimento de produtos para a base da pirâmide, além de reduzir o lixo
eletrônico.
Vestuário Demanda por monitoramento mais cuidadoso das práticas trabalhistas e ambientais
da cadeia de suprimentos.
Automobilística Reação contra utilitários esportivos e outros veículos com forte impacto ambiental e
altos custos de energia.
Energia Preocupação com o impacto ambiental da exploração do petróleo e com a redução do
uso de combustíveis fósseis sobre o aquecimento global.
Bancos e outras
instituições
financeiras
Necessidade de avaliação sistemática e confiável do impacto ambiental, econômico
e social dos projetos de desenvolvimento a serem financiados.
Mineração e
outras indústrias
extrativas
Receio de danos ambientais; pressão para a revelação de pagamentos a governos
corruptos e abusivos.
Alimentos Necessidade de lidar com a pressão dos consumidores e dos reguladores com
relação à obesidade.
Fonte: adaptado de Savitz e Weber (2007, p. 145).
Há um conceito que interliga a questão mercadológica e econômica com a sustentabilidade,
proposto inicialmente por John Elkington (1949). Para ele, o desempenho financeiro é somente
um item de avaliação do sucesso de uma empresa, devendo também ser levado em
consideração o impacto que a companhia gera na economia, na sociedade e no meio ambiente.
Com isso, não somente recursos financeiros, mas também sociais (por exemplo, tempo e talento
de pessoas) e ambientais estão envolvidos (SAVITZ; WEBER, 2007).
Esses três pontos principais são denominados por Elkington de tríplice resultado (TR): uma
espécie de balanced score card (boletim balanceado) que coopta a essência da sustentabilidade,
considerando a média do impacto das atividades da organização no mundo, definindo “em
números e palavras a extensão em que as empresas criam ou não criam valor para seus
acionistas e para a sociedade”.
De maneira simples, uma vez que os atributos completos seriam muito mais complexos e
ramificados do que o exposto, vejamos o tríplice resultado de Elkington:
Indicadores típicos
Quadro 2 - Tríplice resultado
Indicadores típicos
Econômicos Ambientais Sociais
Vendas, lucro, ROI Qualidade do ar Práticas trabalhistas
Impostos pagos Qualidade da água Impactos sobre a comunidade
Fluxos monetários Uso de energia Direitos humanos
Criação de empregos Geração de resíduos Responsabilidade pelos produtos
TOTAL TOTAL TOTAL
Fonte: Savitz e Weber (2007, p. 5).
 O tríplice resultado (TR)1.2.1
Videoaula - A Era da Responsabilidade
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As empresas que não tiverem objetivos de negócios em alinhamento com uma agenda
sustentável podem ver lucros diminuírem no futuro, dado que especialistas como Savitz, Weber e
tantos outros acreditam que hoje vivemos a Era da Responsabilidade. Os stakeholders estão por
toda parte, dos acionistas aos defensores dos direitos humanos, passando por promotores,
gestores públicos, mídia etc. Por esse motivo, grandes marcas estão se moldando ao novo
quadro contemporâneo.
Mercado e sustentabilidade1.2
A Era da Responsabilidade1.2.2
Savitz e Weber (2007, p. 7) nos mostram alguns exemplos:
Toyota: desenvolveu o híbrido gasolina-eletricidade.
BP: não se preocupa mais somente com o petróleo.
Dupont: tenta ao máximo afastar-se dos produtos químicos e tornar-se a maior produtora de proteína
de soja do mundo.
Procter & Gamble e Unilever: travam uma disputa para alcançar a população de baixa renda.
PepsiCo: em função de novos programas voltados para minorias sociais, cresceu anualmente mais de
US$ 250 milhões na década passada e segue avançando. Especialmente na América Latina, a PepsiCo
cresceu 31% no quatro trimestre de 2015, reportando lucro líquido de US$ 1,72 bilhão.
3M: cresceu muito em função também do seu programa Pollution Prevention Pays.
Em tese, a Johnson & Johnson, por exemplo, foca primeiramente na responsabilidade que tem
frente aos consumidores; em segundo lugar, a responsabilidade se volta para os empregados;
em terceiro, para a comunidade e o meio ambiente; por último, para os acionistas. Eles entendem
que, cumpridos todos os primeiros aspectos, os mais interessados (os acionistas) receberão o
que desejam (SAVITZ; WEBER, 2007).
Os autores ressaltam que a Johnson & Johnson e a DuPont “foram pioneiras de sustentabilidade,
cada uma desenvolvendo aspectos específicos da reponsabilidade empresarial, com base nas
próprias circunstâncias”, sendo que essas duas empresas, bem como a Ford, são exemplos deorganizações que atuam em três setores: econômico, social e ambiental. Sendo elas analisadas
sob os critérios do tríplice resultado, fica demonstrado que “o compromisso com a
sustentabilidade – a gestão imbuída de responsabilidade social – é plenamente compatível com
o crescimento lucrativo e duradouro” (SAVITZ; WEBER, 2007, p. 49-50).
Figura 6 – Stakeholders
Fonte: rawpixel.com/freepik.
Responsabilidade empresarial e as tendências
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Há diversas tendências no ambiente de negócios e no mundo corporativo que, além de deixarem
as relações mais competitivas, estão levando a condições de “travar a economia” de uma forma
geral, a ponto de haver prejuízo em todos os setores da sociedade no futuro. Isso é uma
incerteza mais veloz do que em outros momentos históricos de desenvolvimento.
Por exemplo, Savitz e Weber (2007, p. 67) expõem que “não há dúvida de que essas tendências
acabarão afetando com intensidade todas as indústrias e negócios, de maneira que ninguém
será capaz de prever com exatidão”.
São sinais de advertências para empresas do mundo inteiro, de acordo com Savitz e Weber
(2007, p. 67), sob o aspecto de responsabilidade empresarial, tanto de cunho ambiental quanto
geral:
Grande expansão da sociedade civil;
Proliferação de ações judiciais;
Incentivo aos delatores;
Acúmulo de trabalho na mesa dos promotores públicos.
As indagações que ficam são: o que o futuro espera de nós e como nos aguarda? Como serão
expandidas as responsabilidades empresariais nos anos que seguem? Será que os hospitais
serão processados por não atenderem todo o público? Será que todas as empresas que
queimam carvão ou praticam atos danosos aos trabalhadores serão responsabilizadas? São
perguntas cujas respostas estão no campo positivo, mas somente no da crença por enquanto.
Figura 7 – Responsabilidade nas empresas
Fonte: rawpixel.com/freepik.
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Práticas profissionais - Economia e sustentabilidade: fatos, mitos e
caos
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Talvez a concepção de conciliação entre a responsabilidade sociale o setor empresarial tenha se
iniciado por meio da filantropia de grandes grupos capitalistas na década de 1920, cujos
principais representantes eram John D. Rockfeller, Henry Ford e Andrew Carnegie (SAVITZ;
WEBER, 2007). No entanto, o filósofo e sociólogo Max Weber deixa claro, em sua famosa obra A
ética protestante e o espírito do capitalismo, que o berço do pensamento capitalista é
proveniente do ascetismo protestante, seguindo princípios cristãos em que a preocupação com o
próximo era (ou deveria ser) o norteador dos seguidores de Jesus.
Empresários do petróleo e das indústrias automobilística, metalúrgica e siderúrgica do século
XVIII, após serem duramente criticados pela população em geral e questionados por suas noções
éticas, aparentemente não estavam muito preocupados com elas, mas sim – um pouco mais –
com a restituição à sociedade, por meio da filantropia, de parte da riqueza que acumularam.
Constituíram, portanto, “universidades, hospitais, museus, bibliotecas, escolas e igrejas que até
hoje são importantes para melhorar a qualidade de vida” (SAVITZ; WEBER, 2007, p. 50).
Breve histórico da interação do mercado com o setor ambiental1.3
Presidente da Cambridge Energy Research Associates (CERA) e autoridade respeitada no
segmento da política energética, assim como na política e na economia internacionais, Daniel
Yergin, também vencedor do prêmio Pulitzer por sua exaustiva obra O Petróleo, informa que
Rockefeller, além de filantropo, tinha uma vertente espiritual. Embora fosse um homem
extremamente “frio”, como relatado por aqueles que o conheciam, quando desligado dos
negócios, Rockefeller concentrava sua vida na Igreja Batista. “Ele supervisionava a escola
dominical, onde deixou impressão indelével numa estudante amiga de seus filhos” (YERGIN, 2010,
p. 51-52).
Provavelmente, Rockfeller é a figura mais emblemática e conhecida da era da Revolução
Industrial. Conhecido como “Pai do Petróleo”, era detentor de todas as empresas petrolíferas
juntas, a Standard Oil, um vigoroso império que se desmembrou por meio de uma ação antitruste
do governo americano e que deu origem às companhias Exxon e Mobil, entre outras (YERGIN,
2010).
Nas décadas de 1930 e 1940, a responsabilidade empresarial foi influenciada pelo cenário dos
direitos trabalhistas (mesma época em que a Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT, foi
Figura 8 – Standard Oil Company
Fonte: commons.wikimedia.org
[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Standard_Oil.jpg] .
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https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Standard_Oil.jpg
criada pelo governo de Getúlio Vargas, em 1943). Mas o foco na sociedade intensificou-se
mesmo em 1960 (SAVITZ; WEBER, 2007).
Em 1972, o Congresso dos Estados Unidos constituiu a Consumer Product Safety Commission,
sendo que após esse ano, segundo Savitz e Weber (2007, p. 52), “uma série de tendências
manteve o foco dos refletores sobre as atividades das empresas, inclusive a multiplicação dos
processos judiciais sobre a segurança dos produtos destinados a consumidores finais”.
Entre as décadas de 1970 e 1990, diversos novos movimentos sociais criaram pressão sobre as
empresas para que elas assumissem responsabilidades sociais cada vez mais demandadas e
duradouras. Savitz e Weber (2007) citam alguns: Movimento dos Direitos Civis, Movimento pelo
Direito das Mulheres, Movimento Antiapartheid, cujo foco era a África do Sul, etc.
Essa responsabilidade empresarial é bastante difundida. Por meio de alguns exemplos, Scruton
(2016, p. 138) demonstra que “uma lei ativa contra prejuízos pode proteger o meio ambiente mais
rápida e eficientemente do que a ação normal do Legislativo, desde que os proprietários atuem
como querelantes”. Assim que a Exxon Valdez viu seu caso resolvido, a empresa “foi obrigada a
assumir os custos de restauração de um precioso hábitat à sua condição prévia” (SCRUTON,
2016, p. 138).
Em 2010, o mesmo autor cita um caso semelhante, desta vez com derramamento ocorrido no
Golfo do México. Na ocasião, a BP assumiu toda a responsabilidade e arcou com todos os
custos, montante que poderia até mesmo levá-la à falência (SCRUTON, 2016).
Recapitulando a Unidade 1
Nesta unidade, abordamos os conceitos principais de mercado e limites, tudo isso sob uma
perspectiva social, sustentável, responsável e ambiental.
Tratamos sobre a conciliação entre o ponto de vista mercadológico e as questões sociais em um
ambiente de macrocenário e fizemos algo semelhante com relação ao microcenário concernente
a pequenas empresas.
A relação entre o mercado e a sustentabilidade por meio do tríplice resultado foi outra
abordagem feita. E finalizamos com um breve histórico da interação entre o mercado e o setor
ambiental.
Esperamos que você tenha absorvido ao máximo esse conteúdo e que reflita sobre o que foi
colocado, sem deixar de ler os links e os materiais recomendados como complementos, pois eles
serão extremamente úteis para que sua formação seja completa.
Agora, vamos ver a Unidade 2, que tratará sobre inovação, sustentabilidade e ceticismo.
Videoaula - Inovação e sustentabilidade
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Inovação, sustentabilidade e ceticismo2
Nesta unidade, nosso foco estará voltado para as questões relacionadas ao ceticismo quanto ao
aquecimento global e suas nuances sob a ótica da geoengenharia. Apresentaremos também
algumas tecnologias rumo à inovação e às energias do futuro, focando a mitigação e a
otimização das atividades comerciais em prol do ambiente.
Um ponto muito importante que trataremos aqui são as questões futuras e os possíveis
mercadospara a geração de energia. Há diversas tecnologias em estudo, pesquisa, aplicação e
melhoramento com o objetivo de mitigar ao máximo os problemas que temos com relação a
mais desenvolvimento, mais produção e consumo de energia, tudo isso caminhando lado a lado.
Dessa forma, estaremos concentrados aqui será em fornecer as principais projeções para o
futuro, nos voltando para as celeumas mais em voga, como o aquecimento global, o futuro da
energia, o impacto do homem sobre o meio e como isso poderá impactar as futuras gerações.
Tratamos, portanto, de pontos voltados para uma perspectiva futura.
Finalizaremos a unidade com uma boa discussão sobre o IPCC, suas implicações e incertezas.
Introdução2.1
Não é possível tratar sobre a relação entre sustentabilidade e mercado sem abordar temas
relativos à inovação. Para isso, é importante, de antemão, termos em mente algumas definições,
como nos mostra Smeraldi (2009, p. 41):
Inovação incremental: melhoramento ou atualização de um produto, serviço ou processo já
existentes.
Inovação radical: criação de um produto, serviço ou processo rompendo com os convencionais.
Inovação disruptiva: inovação radical e alteração das bases de competição. Geralmente, requer alto
investimento inicial, com a tendência de impactar de modo profundo a cadeia de suprimento e/ou de
valor.
Com isso, o termo inovação, bastante almejado por basicamente todas as empresas ao redor do
globo, com maior atenção das indústrias da informática e das telecomunicações, fez com que o
ambiente social e econômico visasse não somente novos produtos e sistemas, mas
características revolucionárias, isto é, aquelas que marcam a História. A internetem geral,
smartphones, WhatsApp e Facebook são utilizados por grande parte da população mundial, não
apenas por puro entretenimento, mas por necessidade em diversas camadas.
Inovação e sustentabilidade2.2
Stuart Hart, fundador e diretor do Centro Global de Empreendimento Sustentável, além de
professor da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, entende que as micro e pequenas
empresas possuem papéis fundamentais nesse contexto de inovação com mais
sustentabilidade. Hart “defende há muito tempo que o desenvolvimento sustentável só estará
garantido se for puxado de baixo para cima, ou seja, com foco na base da pirâmide”, isto é,
“naqueles 4 bilhões de pessoas que se encontram na pobreza em todo o planeta” (SEBRAE, 2013,
p. 21).
Isso é o que enxerga Scruton (2016) por meio de uma posição conservadora quanto às questões
ambientais. É preciso lidar com o problema sob um sentimento local de urgência, ou seja, de
baixo para cima, avalia o filósofo em Filosofia Verde, em que ativismo e ideologias ambientalistas
de esquerda pouco podem resolver problemas sérios como esses.
Tal medida não está ligada, segundo o Sebrae (2013, p. 21), à “adaptação de produtos feitos para
o topo da pirâmide a fim de serem vendidos às pessoas de renda inferior”, como já vem
ocorrendo; pelo contrário, existe a necessidade de desenvolvimento de novos produtos para a
base dessa pirâmide por meio de tecnologias mais limpas (haja vista o conceito notório de P+L,
ou seja, produção mais limpa) e, ainda, a promoção da inclusão social.
Algo semelhante ocorreu quando, em menos de dez anos, 40 milhões de brasileiros ascenderam
à classe econômica C, somando-se aos 65 milhões que já pertenciam a esse grupo,
transformando assim uma nova classe média. A previsão é que esse número ultrapasse os 120
milhões, o que representaria a maior parte da população brasileira (SEBRAE, 2013).
Figura 9 – Inovação e meio
ambiente
Fonte: rawpixel.com/freepik.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/09.jpg
No Brasil e no mundo, temos algumas tendências com o potencial de estimular o
desenvolvimento de tecnologias disruptivas, as quais podem caracterizar as próximas décadas.
Smeraldi (2009) expõe esse panorama nos seguintes termos:
Quadro 3 - Inovação e tecnologia: tendências
O foco principal da busca por
sustentabilidade deve
progressivamente migrar do
produto ou serviço para as
cadeias.
O peso relativo das restrições de suprimento, da súbita afirmação de
novos processos, vai crescer expressivamente e reduzir o da tradicional
abordagem produtocêntrica. Savitz e Weber também expressam a
importância de se dar mais atenção aos valores do que aos produtos.
O produto também deve
continuar perdendo espaço
para o serviço no futuro.
Algo já iniciado por grandes grupos na área de eletros, como a italiana
Merloni, a Ariston e a Indesit.
As novas fronteiras de
design dever ser norteadas
pelo conceito de
materialização.
Preveem este cenário McDonough e Braungart, que dizem que haverá
somente duas grandes categorias de produtos: os de base orgânica, cujo
ciclo de vida representa um círculo e que são concebidos para voltar à
natureza diretamente ou depois de serem transformados em energia; e
osnão orgânicos, que não podem retornar para a natureza, mas que
possivelmente serão repassados como serviço, sendo reinseridos no ciclo
industrial.
Oferecimento de produtos e
serviços após a fase atual, na
qual os principais alvos
foram as jovens gerações.
Passará progressivamente a priorizar gerações mais avançadas, em
consequência do aumento da expectativa de vida e da inversão no
crescimento populacional.
Cenários e oportunidades2.2.1
Figura 10 – Inovação e oportunidade
Fonte: freepik/Freepik.
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Expansão do consumo da
base da pirâmide não deve
acontecer exatamente da
maneira como é prevista por
muitos analistas.
Conhecida como BoP, pela sigla em inglês, aspectos de acesso, logística e
distribuição devem reduzir as expectativas "milagrosas" que norteiam as
políticas atuais. Envolve o desenvolvimento de produtos sustentáveis,
que estarão relacionados com as áreas social, educacional e de
infraestrutura.
De todas as tendências para
abrigar tecnologias
disruptivas, atualmente a
que tem abrangência maior é
o desenvolvimento da
biomimética, a indústria do
conhecimento da natureza.
Trata-se de copiar o mundo natural em vez de extrair recursos da
natureza. Aplicação de sistemas e métodos biológicos encontrados na
natureza para desenhar sistemas de engenharia e outras tecnologias. Já
gerou centenas de produtos, como velcro, sistemas robóticos celulares e
computação evolucionária.
Fonte: adaptado de Smeraldi (2009, p. 42-44).
Videoaula - Inovação e tecnologia
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Toda a área de mercados do amanhã tem, em seu bojo, componentes de previsibilidade e de
construção do futuro com o intuito de abastecer a realidade atual e debater uma
sustentabilidade progressiva. Isso ocorre por causa do comportamento humano, de mercados
dos mais variados tipos e com as mais diversas influências e de pensamentos filosóficos e
sociais, além das próprias ações concretas e realizadas.
É um conjunto de fatores que está inteiramente envolvido com a economia e com todo o setor de
bens e consumo. Nada melhor do que tratar essa questão pela ótica de Nate Silver, renomado
Previsões acerca das mudanças climáticas2.3
estatístico e escritor americano do New York Times cuja notoriedade se deve às suas análises
estatísticas acerca das campanhas eleitorais. Silver foi incluído pela Times na lista das cem
pessoas mais influentes do mundo em 2009.
Em sua obra O Sinal e o Ruído (2013), Silver demonstra vários pontos sob os quais podemos
considerar o futuro, entre eles, claro, as ações negociadas nas bolsas de valores e as posições
dos principais investidores do mundo, como Warren Buffett, Robert Kiyosaki e outros
influenciadores do mercado.
Partindo de um pensamento de Silver (2013, p. 348), decerto o “desempenho no passado não é
indício de resultados no futuro”. Isso contraria muitos historiadores, antropólogos e sociólogos,
especialmente aqueles que enxergam uma sociedade cíclica – de tempos e tempos.Portanto,
mesmo ações que foram tomadas no passado como tentativa de impedimento do crescimento
econômico em prol do clima podem não fazer mais efeito no futuro, dado que tantas “vacinas”
dos céticos estão minando a percepção dos mais leigos. Em outras palavras: tem sido feito um
enorme esforço no sentido de prevenir e mitigar as mudanças climáticas, de forma que a
percepção do tamanho da “dose” (evitar as mudanças climáticas) pode estar minando a
percepção do resto da população. Silver (2013, p. 340) assinala que jamais houve “tantas
previsões que foram feitas de forma tão rápida e com tanto em jogo".
Sim, há muito em jogo: a vida humana na Terra. E esse não pode ser um simples tópico de
conversa de “sala de estar”, devendo estar entre as principais pautas mundiais e nos mais
variados setores, públicos e privados, pois, sim, o homem interfere no meio ambiente. Exemplos
Figura 11 – O homem interfere no meio ambiente
Fonte: freepik/Freepik.
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muito conhecidos disso são a poluição (do ar, do solo, da água e a luminosa), as alterações de
terrenos, originando erosões, e a elevação da temperatura média da Terra, entre outros.
O que está na mira dos céticos é o aquecimento global (haja vista as controversas posições de
Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos) e seu impacto no mundo mercadológico. Entre
os céticos estão os americanos Scott Armstrong, Richard Siegmund Lindzen e William Haper,
feita a ressalva de que este último discorda de algumas opiniões acerca dos efeitos do
aquecimento, mas não de que sua causa são as emissões industriais, e que Armstrong também
admite que as emissões são um fato e que nos últimos 150 anos ocorreu um pequeno
aquecimento. Vale citar também os brasileiros Luiz Carlos Baldicero Molion e Ricardo Augusto
Felicio, que, entre muitas posições, acreditam que o ciclo global de leve aquecimento está
ocorrendo naturalmente e que tudo voltará ao normal no futuro.
Há problemas de profunda importância para a questão ambiental, mas que talvez popularmente
fiquem atrás no debate sobre o clima no planeta, como a ameaça humana à biodiversidade na
Terra, a poluição do solo e a aquática, o desmatamento etc. Diante desse cenário, nos
concentramos em alguma medida, por ora, no problema do clima, uma vez que este também
pode ser uma das causas da perda de biodiversidade.
O ceticismo2.3.1
No último trimestre de 2018, aconteceu a 48ª Sessão do IPCC. O link a seguir é um relatório sobre
os impactos do aquecimento global com a temperatura 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais.
Nele, há a caracterização de riscos de diversos tipos, que se relacionam direta e indiretamente
com a atividade humana, além de serem uma ameaça à vida humana como a conhecemos:
www.ipcc.ch [https://www.ipcc.ch/site/assets/uploads/2019/07/SPM-Portuguese-version.pdf] .
De maneira muito interessante, além de suas posições voltadas para o mercado de ações, Silver
(2013, p. 380), como um bom analista de mercados futuros e de modo aparentemente imparcial,
traz as seguintes indagações, que conciliam o pensamento acerca do futuro e as questões
climáticas:
Até que ponto as previsões acertaram ou erraram?
O que é consenso entre os cientistas e quais são os pontos mais controvertidos?
https://www.ipcc.ch/site/assets/uploads/2019/07/SPM-Portuguese-version.pdf
Qual é o grau de incerteza das previsões e como devemos reagir?
É mesmo possível criar bons modelos para algo tão complexo quanto o sistema climático?
Os cientistas especializados estão propensos a sofrer com os mesmos problemas - como o excesso
de confiança - que acometem os previsores de outras áreas?
Até que ponto motivações políticas e outras iniciativas perversas minam a busca pela verdade
científica?
Dando razão ao título do seu livro - O Sinal e o Ruído -, Silver escreve que, em muitos casos,
vários dados estatísticos podem ser apenas sinais de ruído. Um exemplo é a taxa de obesidade
da população da Coréia do Sul, que é de 3%, sendo que, em média, cada pessoa consome cerca
de 3.070 calorias por dia, número acima da média mundial. Já em Nauru, os habitantes
consomem praticamente a mesma quantidade de calorias, mas a taxa de obesidade é de 79%.
Esse é um exemplo que pode gerar diferentes interpretações.
Contudo, analisando a questão, os dados podem incutir um falso-positivo, isto é, fatores como
biótipo genético, qualidade de vida e cultura fazem a diferença e podem não ser considerados em
dados brutos.
De igual modo, portanto, poderíamos ter muitas razões para “duvidar das alegações sobre o
aquecimento global, se estivesse fundamentado na causalidade”, isto é, em dados simples como
fases quentes e frias do globo, duração de anos etc., contudo, “as previsões são bem mais
robustas quando fundamentadas na sólida compreensão das causas básicas subjacentes a um
fenômeno” (SILVER, 2013, p. 381) que atualmente conhecemos bem, o efeito estufa acentuado.
Práticas profissionais - A verdadeira causa dos problemas
ambientais
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O chefe de departamento da Microsoft Nathan Myhrvold entende que alguns cenários otimistas
quanto à diminuição da emissão de gases são uma espécie de futuro distópico, já que não
resolvem, em última instância, os problemas do globo.
Questões futuras e possíveis mercados para a geração de energia2.4
Questões climáticas e a geoengenharia2.4.1
Para ele, energias como a eólica e a solar são excelentes ideias teóricas, mas, na prática, não
resolvem. Mesmo sendo atraente, a energia eólica, especialmente nas fazendas que a utilizam,
vive basicamente de subsídios públicos, já que a instalação é cara. Por outro lado, deixar de
gerar eletricidade por meio de carvão é inviável economicamente. A energia solar, por sua vez,
converte apenas 12% (em média) da energia oriunda do sol em eletricidade. Sendo assim, esse
sistema seria uma ilusão, não somente por isso, mas também por sua lenta implantação, que
poderia demorar de 30 a 50 anos - enquanto isso aconteceria, o aquecimento global seguiria
aumentando (LEVITT; DUBNER, 2012).
Assim como Roger Scruton, Myhrvold acredita que a resolução dos problemas futuros não estará
no passado ambientalista de regresso ou no embargo econômico, mas sim na geoengenharia e
em processos em que o crescimento econômico seja um aliado nas questões ambientais
globais, não um opositor.
Manipular o clima em função do equilíbrio seria o foco. Talvez isso não resolva questões de
conservação de espécimes, biotas e toda a biodiversidade em geral, uma vez que estas envolvem
questões éticas e sociais que se voltam para a caça ilegal, o desflorestamento etc. Muito embora
a biotecnologia esteja cada vez mais atenta à transformação genética e ao resgate de espécie
extintas, existem algumas regulamentações que impedem mais estudos de manejo com
tecnologias aliadas à biodiversidade no Brasil, como questões genéticas.
Contudo, quanto a esta questão de preservação de espécies em extinção e preservação de
animais silvestres, a biotecnologia poderá demonstrar-se cada vez mais a melhor alternativa
Figura 12 – Energia e meio ambiente
Fonte: freepik/freepik.
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para toda a manutenção do ecossistema.
Apresentaremos agora artigos que tratam de questões biotecnológicas, ferramenta extremamente
útil, sob o ponto de vista ambiental, para preservação e conservação de biomas e espécies, entre
outros, e para o futuro. Seguem alguns deles:
Biotecnologia, biodiversidade e modelos de conservação. Disponível em: www.ipea.gov.br
[http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?
option=com_content&view=article&id=1060:catid=28&Itemid=23] .
Estratégias para evitar a perda de biodiversidade na Amazônia. Disponível em: www.scielo.br
[http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
40142005000200009&lng=pt&tlng=pt] .Oportunidades na indústria de medicamentos e a lógica do desenvolvimento local baseado nos
biomas brasileiros: bases para a discussão de uma política nacional. Disponível em:
www.scielo.br [https://www.scielo.br/j/csp/a/rwbgVmY3s7PR7pWnrX8tkGv/abstract/?lang=pt] .
Biotecnologia animal. Disponível em: www.scielo.br [http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0103-40142010000300009&lng=pt&tlng=pt] .
Antes totalmente contrário às propostas de geoengenharia, o ambientalista Ken Caldeira,
ganhador do Prêmio Nobel com a equipe de Al Gore em 2007, acabou unindo forças com os
estudiosos desse tema Lowell Wood e Nathan Myhrvold após entender que o clima pode ser
estabilizado por alguns processos que a geoengenharia propõe (LEVITT; DUBNER, 2012).
Segundo Levitt e Dubner (2012, p. 455), Ken Caldeira ficou impressionado com “a pequena
quantidade necessária para realizar o trabalho: menos de 134 litros por minuto, não muito mais
do que a quantidade de água que sai de uma mangueira de jardim para serviço pesado”.
Ainda mais impressionado ficou Paul Crutzen, ganhador do Prêmio Nobel em 1995 por suas
pesquisas sobre a camada de ozônio atmosférica. Crutzen também é favorável às pesquisas em
geoengenharia e, por este motivo, foi hostilizado pela comunidade científica, cujo alarde motivou
Permissão para poluir?
http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=1060:catid=28&Itemid=23
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142005000200009&lng=pt&tlng=pt
https://www.scielo.br/j/csp/a/rwbgVmY3s7PR7pWnrX8tkGv/abstract/?lang=pt
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142010000300009&lng=pt&tlng=pt
até mesmo a tentativa de impedimento de publicação de seus artigos. Por conta desses e de
outros motivos, Thomas Kuhn, um prestigiado e polêmico filósofo trata da subjetividade da
ciência, não pelo fato de este tema em si ser subjetivo, mas por ser composto por pessoas, por
seres humanos que têm seus próprios interesses, convicções, credos, ideologias, prestígio etc.
(KUHN, 2009).
Talvez a polêmica em torno da geoengenharia seja uma implícita mensagem de “autorização
para poluir”, mas culpá-la por esse fato, como bem escrevem Levitt e Dubner (2012, p. 460), seria
como “responsabilizar o cirurgião cardíaco por salvar a vida de alguém que não faz exercícios
físicos e come muita batata frita”.
No entanto, os próprios defensores da questão ambiental, conforme nos informam Thomas e
Callan (2010, p. 465), começam a ceder sobre essa “autorização de poluição”, como quando a
Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) lançou a ideia do
mercado de permissões, autorizando que “as empresas produzam ou importem substâncias
prejudiciais ao ozônio se elas mantiverem uma quantidade apropriada de permissões
comercializáveis”.
Com relação a essas permissões comercializáveis sobre embargos diversos, vale perguntar: a
cobrança de encargos por poluidor é uma dessas “permissões”? Taxas sobre efluentes para
fontes pontuais seria outra? O National Pollutant Discharge Elimination (Sistema Nacional de
Eliminação do Despejo de Poluentes) controla o lançamento de efluentes de poluidores
industriais nos Estados Unidos, fazendo uso também de cargas máximas totais por diacomo
forma de limitar esses lançamentos, de forma que não violem o corpo hídrico lançando mais do
que ele é capaz de degradar.
Por mais que nos esforcemos para tratar as questões ambientais sob o aspecto científico,
sempre incorreremos no campo filosófico. Os limites da questão se deparam com assuntos que
se relacionam com o querer pretendido pelo homem, algo que talvez setores da ética ambiental
possam ajudar um pouco mais do que somente com a análise de dados estatísticos.
Levitt e Dubner (2012, p. 465) reconhecem isso quando citam as falas de Al Gore, que diz que, “se
não sabemos o suficiente para parar de lançar 70 milhões de toneladas por dia de poluentes na
atmosfera que agravam o aquecimento global, como poderemos saber o bastante para
compensar toda essa poluição?”. Em resposta, os autores assertivamente afirmam: “O raciocínio
de Al Gore é improcedente. Não é que não saibamos como parar de poluir a atmosfera, a verdade
é que não queremos ou não estamos dispostos a pagar o preço” (LEVITT; DUBNER, 2012, p. 465,
grifo do autor).
Roger Scruton também trata dessa questão. Para o autor, o res nullius ocupou o espaço do res
communis omnium, ou seja, o meio ambiente está mais para uma terra de ninguém do que para
nossa propriedade. Scruton apela para a filosofia de John Locke acerca dos direitos de
propriedade, mas é bastante interessante quando ele traz um termo pouco conhecido, baseando-
se no filósofo australiano Glenn Albrecht: solastalgia, que está voltado para o sentimento de dor
que os seres humanos sentem quando perdem seu lugar de habitação ou o observam ser
destruído.
O problema está especialmente voltado para a máxima de que o ser humano não está disposto a
sacrificar o que quer por aquilo que valoriza (SCRUTON, 2016). A oikophilia (amor pelo lar) que
propõe Scruton mediante a valorização da tradição e das origens humanas consiste em
possíveis pensamentos de zelo pelo patrimônio natural das futuras gerações.
Videoaula - Mudanças climáticas e geoengenharia
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Questões futuras e possíveis mercados para a geração de energia2.4
Biomassa2.4.2
A aplicação da biomassa é bastante ampla e pode ser encontrada em diversos tipos de atividade.
Scruton (2016, p. 146) cita algumas formas de aplicação:
Queima direta de lenha em padarias e fabricação de produtos cerâmicos.
Na redução de ferro gusa (queima de carvão vegetal) em fornos siderúrgicos.
Combustível alternativo em fábricas de cimento.
Em indústrias químicas, por conta da queima do carvão mineral, bem como do álcool etílico e
metílico com fins carburantes.
Geração de vapor voltado para a produção de eletricidade em usinas de açúcar e álcool, tendo foco
especial no material que resulta desse processo, servindo de combustível para as indústrias de
celulose.
A vantagem dessa tecnologia é que ela proporciona alto recurso renovável e custo médio de
investimento, sendo bastante proveitosa por não emitir gás carbônico e causar menos danos de
corrosão a equipamentos. Por outro lado, as desvantagens são o baixo poder calorífico e a
possibilidade de gerar material particulado e causar impactos ambientais (PEREIRA, 2010).
Figura 13 – Biomassa
Fonte: mervin07/iStock.
Biogás e gás de aterro sanitário2.4.3
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/13.jpg
A geração de biogás depende muito do material orgânico que é utilizado, bem como do tipo de
tratamento anaeróbico. Composto basicamente por hidrocarbonetos de cadeia curta e linear (de
até seis carbonos), pode ser usado para a geração de energia elétrica, térmica ou mecânica,
sendo utilizado especialmente em zonas rurais. Sua composição básica, ainda segundo Pereira
(2010), é a que segue:
1. Metano (CH ): 50% a 70% do volume de gás produzido.
2. Dióxido de carbono: 25% a 50% do volume de gás produzido.
Outros gases com menor grau que também podem compor o biogás são os seguintes:
hidrogênio – H (0% a 1% do volume); gás sulfídrico – H S (de 0% a 3%); oxigênio – O (de 0% a
2%); amoníaco – NH (de 0% a 1%); e nitrogênio – N (de 0% a 7%). Sendo assim, é um pouco
diferente do gás de aterro sanitário, que tem como composição básica metano – CH4 (de 40% a
50%); dióxido de carbono – CO (de 35% a 45%); nitrogênio do ar – N (de 5% a 15%); oxigênio do
ar – O (de 1% a 3%); e vapor d´água – H O (saturado) (PEREIRA, 2010).
Figura 14 – Biogás
Fonte: commons.wikimedia.org
[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Biogas_plant_near_Wremen.jpg] .
4
2 2 2
3 2
2 2
2 2
Não é nossa intenção tratar em detalhes das energias que são tidas como limpas e do futuro.Há
muitas, certamente, mas boa parte delas pode ser facilmente encontrada na web, logo, no
tocante às principais, além das já citadas anteriormente, temos a energia maremotriz, que pode
ser dividida em três grupos principais.
Energias maremotriz2.4.4
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/14.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Biogas_plant_near_Wremen.jpg
O primeiro tipo é a energia das ondas, à qual se aplica a coluna oscilante de Buoy. A usina das
ondas é bem visada por conta da alta energia que gera. Funciona com a movimentação das
ondas pressionando o ar, que, por sua vez, move a turbina. As ondam então retornam e sugam o
ar, fazendo com que a turbine se movimente no sentido oposto (PEREIRA, 2010).
O segundo tipo é a energia das marés, que depende da força gravitacional do sol e da luz.
Utilizam-se oscilações das marés por meio da construção de uma barragem. A desvantagem é
depender dos ciclos solares e lunares, isto é, fases que mudam de 12 em 12 horas, bem como do
ciclo quinzenal das amplitudes máxima e mínima e da energia das correntes marítimas.
Temos também a energia osmótica, sobre a qual Pereira (2010, p. 228) informa que, nesta usina,
a “água doce e a água salgada são colocadas em grandes câmaras, divididas por uma
membrana semipermeável”. Depois disso, as “moléculas da água salgada empurram a água doce
pela membrana, aumentando a pressão do lado que tem água salgada”, sendo esta pressão de
aproximadamente 12 kg/cm , o suficiente para fazer a turbina girar e, assim, produzir
eletricidade.
Figura 15 – Gerador no oceano
Fonte: en.wikipedia.org
[https://en.wikipedia.org/wiki/Tidal_power#/media/File:Sihwa_Lake_Tidal_P
ower_Station_01.png] .
2
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/15.jpg
https://en.wikipedia.org/wiki/Tidal_power#/media/File:Sihwa_Lake_Tidal_Power_Station_01.png
Segue uma interessante lista voltada para as perspectivas midiáticas acerca de novas
oportunidades de negócios para um futuro sustentável.
Usina de ondas (veja funcionando), disponível em: www.youtube.com
[https://www.youtube.com/watch?v=EEmM6Qxnd_w] .
Primeira usina de energia osmótica do mundo: inaugurada na Noruega, protótipo servirá para
melhorar a tecnologia. Disponível em: www.cimm.com.br
[http://www.cimm.com.br/portal/noticia/exibir_noticia/6119-primeira-usina-de-energia-
osmotica-do-mundo] .
Inovação e sustentabilidade na produção de energia: o caso do sistema setorial de energia eólica
no Brasil. Disponível em: www.scielo.br [http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1679-39512012000300010&lng=pt&tlng=pt] .
Protocolo de Quioto e as possibilidades de inserção do Brasil no Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo por meio de projetos sobre energia limpa. Disponível em: www.scielo.br
[http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
85292008000100001&lng=pt&tlng=pt] .
Outra grande fonte de energia é a nuclear. Apesar de parecer controverso, as usinas
termonucleares são extremamente seguras, não poluem o meio ambiente com GEEs e
contribuem com uma alta capacidade tecnológica para o local/país onde está instalada. Além
disso, a área de construção é muito menor do que qualquer outra geradora de energia e a
quantidade de combustível é muito pequena, em termos de volume, na comparação com
qualquer outra usina.
Energia nuclear2.4.5
https://www.youtube.com/watch?v=EEmM6Qxnd_w
http://www.cimm.com.br/portal/noticia/exibir_noticia/6119-primeira-usina-de-energia-osmotica-do-mundo
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-39512012000300010&lng=pt&tlng=pt
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292008000100001&lng=pt&tlng=pt
O básico do funcionamento de uma planta de energia nuclear é simples de entender. Pela fissão
de elementos químicos (como urânio), há emissão de uma grande quantidade de energia, que
ferve uma caldeira com água, e o vapor proveniente movimenta as turbinas de um gerador
elétrico: a eletricidade é produzida e distribuída.
Figura 16 – Esquema de uma usina nuclear
Fonte: pt.m.wikipedia.org [cola__Ficheiro:Esquema_de_uma_Usina_Nuclear.png] .
O Brasil possui uma usina de geração de energia nuclear no Rio de Janeiro, além da subsidiária da
Eletrobras responsável por operar e construir esse tipo de sistema, a Eletrobras Eletronuclear.
Veja mais detalhes sobre a Eletrobras Eletronuclear e as usinas termonucleares Angra 1 e Angra 2
acessando o seguinte link: www.eletronuclear.gov.br
[https://www.eletronuclear.gov.br/Paginas/default.aspx] .
Esta outra fonte de energia ainda está em estudo, pesquisa e desenvolvimento em vários locais.
A energia por fusão nuclear é diferente, em processo e geração, da energia termonuclear, que usa
a fissão nuclear de átomos. Aqui, o processo não é por fissão, mas por fusão: dois ou mais
Energia por fusão nuclear2.4.6
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/16.png
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/cola__Ficheiro:Esquema_de_uma_Usina_Nuclear.png
https://www.eletronuclear.gov.br/Paginas/default.aspx
núcleos atômicos (geralmente hidrogênio e hélio) são fundidos em uma grande câmara, onde a
energia é capturada e transformada em energia elétrica para distribuição.
Há diversas tecnologias, e talvez a mais conhecida seja a tokamak. A ideia da geração de energia
por fusão nuclear é imitar a fonte principal que já temos: o sol. É uma fonte extremamente limpa,
segura e que não emite GEEs.
Um dos maiores projetos de reator de fusão nuclear baseado na tecnologia tokamak é o
International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), uma parceria entre China, União
Europeia, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia e EUA.
Veja mais sobre o ITER na página geral da Wikipédia: pt.wikipedia.org
[https://pt.wikipedia.org/wiki/ITER] . Além disso, acompanhe mais informações completas no
próprio site do ITER: www.iter.org [https://www.iter.org/] .
Para compreender um pouco mais sobre a tecnologia tokamak, acesse o seguinte link:
www.ipfn.tecnico.ulisboa.pt
[https://www.ipfn.tecnico.ulisboa.pt/cfn/pt/Prj_Tokamak_main_1.html] .
Mitigar eotimizarsão propostas sustentáveis para as empresas, considerando que a mitigação
está voltada para a redução do tamanho dos “rastros” que a empresa deixa no que se refere aos
impactos ambientais negativos, ao passo que a otimizaçãoestá relacionada ao comportamento
mais benéfico. Essas são tendências para as empresas no futuro. A restauração ambiental
também pode ser citada aqui, segundo os autores Savitz e Weber (2007); logo, podemos ler
otimização como impactos ambientais positivos, uma vez que o posicionamento otimizado pode
levar à minimização de impactos negativos. O Quadro 4 nos ajuda a compreender melhor.
Quadro 4 - Minimização e otimização
Função da
empresa Minimização Otimização
Minimização e otimização2.5
Conceituações2.5.1
https://pt.wikipedia.org/wiki/ITER
https://www.iter.org/
https://www.ipfn.tecnico.ulisboa.pt/cfn/pt/Prj_Tokamak_main_1.html
Função da
empresa Minimização Otimização
Medicina e
segurança do
trabalho
Reduzir acidentes no local de
trabalho
Contribuir para a saúde e a felicidade do pessoal
Proteção do meio
ambiente
Remoção de resíduos
perigosos
Usar os resíduos como insumos para outros
produtos
Uso da energia Reduzir o uso de combustíveis
sólidos
Substituir boa parte da energia por energia solar
Embalagem do
produto
Reduzir o uso de embalagem
desnecessária
Desenvolver embalagens biodegradáveis, que
contenham sementes e fertilizantes
Serviços aos
clientes
Responder com mais rapidez
às queixas dos clientes
Trabalhar com clientes insatisfeitos para
desenvolver novos produtos, mais adequados
Fonte: Savitz e Weber (2007, p. 154).
O que os autores Savitz e Weber (2007) propõem como remoção dos resíduos perigosos é, na
verdade, a reutilização e a não geração, o que leva aos três “Rs” (reduzir, reutilizar e reciclar) ou
então aos cinco “Rs” modernos (repensar, reduzir, recusar, reutilizar e reciclar). A minimizaçãoda
geração de resíduos é uma busca constante, já que, além de tudo, gera custos de destinação.
Essa é uma perspectiva futura.
Já resíduos como borra de retífica e alguns outros, que possuem poder calorífico alto, como
borras oleosas em geral, cujo poder calorífico específico não pode ser inferior a 2.700 kcal/kg =
11.300 kJ/kg (base seca), possivelmente não terão no futuro as altas taxas que hoje são
cobradas pela tecnologia de coprocessamento para proceder com o destino final. Consideramos
essa hipótese, pois a destruição térmica de resíduos em fornos de cimento e sua posterior
blindagem servem de combustível para fornos de cimenteira. Logo, as borras oleosas poderão
até mesmo pagar, em vez de cobrar valores que se aproximam hoje de R$ 1 mil a tonelada
(muitas vezes, o dobro disso), uma quantia altíssima para pequenas e médias empresas - além
de frete e de todos os trâmites legais que ainda devem ser considerados. Há ainda destinos
como a incineração, cujo valor ultrapassa R$ 5 por cada quilo de resíduo destinado, destinação
esta que até hoje não resolveu completamente o problema da emissão de dioxinas e furos na
atmosfera.
Apenas nesse processo de destinação final para o coprocessamento incorre-se ainda em taxas à
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); obrigatoriedade de o motorista possuir o
curso de movimentação operacional de produtos perigosos (MOPP); e romaneio dos resíduos
Destinação de resíduos e as burocracias em uma perspectiva futura2.5.2
(em São Paulo, por exemplo, há o caso do Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse
Ambiental, o Cadri), cujo rastreio normalmente é feito pelo órgão ambiental (como a Agência
Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb), cujas taxas também podem chegar a valores
significativos para grandes empresas. Essa taxa gira em torno de 7 Ufesps (unidade fiscal do
Estado de São Paulo) para micro e pequenas empresas e 70 Ufesps para as de grande porte,
considerando que atualmente cada Ufesp (atualizada anualmente) vale R$ 31,97.
Nessa tecnologia bastante importante para as questões ambientais, não paramos por aí, pois, se
a empresa não possui funcionários com alguma habilidade para lidar com as questões
ambientais, ela procurará uma consultoria ambiental que faça a mediação entre o gerador e o
destinador final. Essa empresa mediadora cobrará taxas de consultoria. Como se pode ver, trata-
se de um cenário custoso, mas obrigatório.
Logo, cada vez mais empresas estão buscando a não geração de resíduos, mas, caso eles sejam
gerados, também podem ser reaproveitados. Chegamos ao cenário utópico em que
coprocessamento pagapelos resíduos, e existem opções como a destinação de materiais para
reaproveitamento, como eletroeletrônicos, eletrodomésticos, os específicos de informática e
resíduos tecnológicos em geral.
Hoje, existem empresas que trabalham com a manufatura reversa de materiais recicláveis, o que
envolve catalisadores e ligas especiais também. A tendência é que no futuro essas companhias
cresçam no mercado, a fim de proporcionar aos clientes formas e medidas alternativas de
destinação final de resíduos que não somente os triviais aterros, talvez tão poluidores quanto os
próprios geradores.
Empresas que possuem certificação ambiental - tal qual a ISO 14.000 - tendem a ter mais
clientes e fornecedores, já que também são auditadas por clientes e fornecedores que estão
preocupados em garantir que seus produtos ou serviços estejam de acordo com o arcabouço
legal ambiental. Podemos citar 3M, Klabin, Faber-Castel e Subway como exemplos de empresas
com essa preocupação.
Por fim, retomando as posições de Savitz e Weber (2007, p. 157), vale ressaltar algumas formas
de buscar futuras oportunidades de minimização que são capazes de auxiliar empresas, seja
qual for o nicho de mercado:
Destinação de resíduos e as burocracias em uma perspectiva futura2.5.2
Oportunidades de minimização
1. Identifique os processos e procedimentos que geram desperdícios.
2. Busque áreas de conflitos com os stakeholders.
3. Faça o benchmark de sua empresa em relação a outras.
No primeiro ponto, a dica é estar sempre atento aos desperdícios em geral. No segundo, é
encarar as críticas das partes interessadas como uma “dádiva” e, por fim, verificar sempre como
os concorrentes identificam e reduzem desperdícios, analisando esses dados de modo
comparativo - o que não deixa de ser uma autorregulação mercadológica.
Já no que se refere às oportunidades de otimização, quando uma empresa chegar a esse nível no
futuro, deve-se levar em consideração, ainda de acordo com Savitz e Weber (2007, p. 161-162):
1. Orientar o programa de minimização no rumo da otimização: ao concentrar-se na redução de impactos
ambientais negativos, o processo de inovação tende à estimulação de ideias capazes de aumentar a
produtividade, culminando em diversos outros avanços;
2. Buscar ideias de novos produtos ou serviços, como subprodutos naturais das iniciativas de
sustentabilidade: assim como a DuPont e a GE já procederam, lançando uma busca por novos negócios e
ampliando os tradicionais com iniciativas sustentáveis;
3. Identificar novos mercados, “invisíveis à primeira vista” por estarem ofuscados por mercados tradicionais
mais ostensivos: mercados em desenvolvimento, como os da Ásia, África e América Latina, fornecem
ótimas oportunidades de negócios. Contudo, mercados “mal servidos” também são encontrados em países
desenvolvidos, como o grande mercado de seguros de saúde de baixo custo nos EUA. A descoberta desses
novos mercados pode ser, segundo Savitz e Weber (2007, p. 162), “o subproduto de uma estratégia de
otimização que parte da identificação de necessidades sociais e econômicas insatisfeitas”, procurando,
com isso, desenvolver depois uma estratégia de negócios que atenda a demanda.
Figura 17 - Oportunidades de minimização geram economia
Fonte: rawpixel.com/Freepik.
Oportunidades de otimização
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/17.jpg
As principais dicas que os especialistas em questões sustentáveis e econômicas fornecem é que
o foco deve estar voltado para: (i) analisar as necessidades dos clientes; (ii) trabalhar com a
cadeia de suprimentos; (iii) reforçar a atual posição; (iv) antecipar-se às mudanças iminentes; (v)
capacitar os colaboradores. A “mentalidade enxuta” (abordada em livro por James Womack e
Daniel Jones em 1996), partindo do conceito de minimização, também é importante,
especialmente quando se aplica a ideia de que se volta mais para os valores da empresa do que
para os produtos em si.
Roger Scruton (2016) afirma que não estamos dispostos a sacrificar aquilo que queremos em
função daquilo que valorizamos, e este é um cenário que está nos levando à decadência e que
explica bem onde estamos hoje, pois nos esquecemos de quem somos e de onde queremos
chegar. Toma-se decisões precipitadas que se voltam somente para o hoje e o agora, mas que
são parte da decisão das próprias futuras gerações, as quais sequer estão presentes para se
posicionar a respeito. Por isso, a importância da ética ambiental e da noção do “sentimento de
responsabilidade” de Hans Jonas.
Recapitulando a Unidade 2
Na Unidade 2, abordamos questões relacionadas ao ceticismo quanto ao aquecimento global
pela ótica da geoengenharia, além de termos feito uma apresentação panorâmica sobre as
tecnologias, inclusive algumas ainda em plena pesquisa.
Também tratamos sobre o futuro e a relação dele com mercado - aliás, o que os mercados
podem oferecer para a geração de energia de forma sustentável, limpa e que acompanhe a
evolução humana.
Diante de tudo, a única certeza que temos é que há impacto direto no meio ambiente, seja local
ou global, feito pelo homem. Com isso, temos o dever de trabalharmos para uma
sustentabilidade permanente, sem a quebra das cadeias produtivas já em andamento e sem
prejuízo de outras, melhorando o sistema de manutenção com vistas à evolução humana: social,
tecnológica e ambiental.
Agenda2030, responsabilidade e supervalorização dos
mercados3
Depois de estudarmos sobre inovação, sustentabilidade e ceticismo, agora é hora de falarmos
sobre o IPCC e as incertezas sobre o clima, focando na Agenda 2030 da ONU e nas relações do
mercado com a sociedade. Aqui, estudaremos sobre resiliência e mercados (livre e quase-
mercado), além de observarmos as questões sobre pensamento político, responsabilidades e
riscos moral e ético.
Um dos principais entraves que servem de chamariz para os céticos é a questão do primeiro
relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla para
Intergovernmental Panel on Climate Change). Este órgão da ONU divulgou dados fundamentados
em ciências simples cuja base era conhecida há mais de 150 anos, sendo que o pior é que tais
“descobertas ainda são as conclusões científicas mais importantes sobre a mudança climática”
(SILVER, 2013, p. 382).
Em setembro de 2013, o IPCC apontou que entre os anos de 1951 e 2012 houve uma tendência
mundial de elevação de temperatura de 0,12 ºC, desacelerando entre 1998 e 2012 somente
0,07ºC. Mas a Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos demonstrou que isso ocorreu
em função da forma como foram coletados os dados, corrigindo a distorção ao avaliar
corretamente a temperatura dos oceanos (G1, 2013).
Introdução3.1
Previsões e o IPCC3.2
Figura 18 – Previsões climáticas do IPCC
Fonte: wirestock/Freepik.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/18.jpg
Já em 2021, outro relatório, este com quase 3.500 páginas, escrito por mais de 200 cientistas de
diversas áreas localizadas em mais de 60 países e embasado por mais de 14 mil estudos, trouxe
outros detalhes sobre o meio ambiente no planeta. Segue uma pequena lista resumida das
conclusões desse relatório:
A atividade humana está contribuindo com mais causas de aquecimento do planeta.
As fontes humanas desse aquecimento são as emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Os impactos como consequência desse aquecimento atingem todas as regiões do planeta em maior
ou menor grau.
Há diversos agravamentos, em termos de potência, de fenômenos naturais: ondas de calor mais
extremas, maior frequência de secas, maior quantidade de inundações em diversas regiões, maior
intensidade e quantidade de furações, tufões e outros fenômenos de vórtices com massas de ar e
aumento do nível do mar em todo o planeta.
O ano de 2016 foi o mais quente já registrado, de acordo com a Agência Oceânica e Atmosférica
dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês): elevação de 0,94 ºC na temperatura média da
Terra, acima da média do século XX. O ano de 2015 já tinha registrado números próximos: 0,90 ºC
acima da média. Veja mais em: revistagalileu.globo.com
[http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2017/01/2016-e-considerado-
o-ano-mais-quente-da-historia.html] .
Uma outra notícia importante é o estudo que desmente a desaceleração do aquecimento global
entre 1998 e 2014, após cientistas analisarem conclusões de pesquisas da NOAA. Disponível em:
g1.globo.com [http://g1.globo.com/natureza/noticia/estudo-desmente-desaceleracao-do-
aquecimento-global-de-1998-a-2014.ghtml] .
Em 2021, o recorde de temperatura média na Terra foi quebrado. Além de ser o ano mais quente já
registrado, a média anual entrou na casa de 1,1 ºC. Veja mais em: www.cnnbrasil.com.br
[https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2021-ficou-entre-os-anos-mais-quentes-da-
historia-aponta-agencia-da-onu/] .
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2017/01/2016-e-considerado-o-ano-mais-quente-da-historia.html
http://g1.globo.com/natureza/noticia/estudo-desmente-desaceleracao-do-aquecimento-global-de-1998-a-2014.ghtml
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2021-ficou-entre-os-anos-mais-quentes-da-historia-aponta-agencia-da-onu/
Todavia, também é bastante notório que muito do ceticismo em relação ao clima se dá por parte
daqueles que se beneficiam deste espírito cético, ou seja, por interesses pessoais. Por exemplo,
segundo Silver (2013, p. 288), somente “em 2011, o setor de combustíveis fósseis investiu quase
300 milhões de dólares em lobby”, sendo que apenas 30 milhões (10%) foram destinados às
energias alternativas.
Interesses pessoais são um tipo de ceticismo, assim como a contrariedade. Considerando um
cenário em que haja certa discussão que gere polêmica, alguns preferirão a vantagem de estar
ao lado da maioria, ao passo que outro grupo menor, aquele dos que discordam, se sentirá
perseguido, o que pode ser aplicado à questão do clima, em que os dados podem possuir certo
ruído (SILVER, 2013).
Por último, há o ceticismocientífico. Há várias comunidades científicas, e elas podem discordar e
até temer os resultados de outras que discordam de suas posições. Por esse motivo, Thomas
Kuhn, um contemporâneo filósofo da ciência, diz que a ciência até possui critérios objetivos, mas
que não é de todo objetiva, haja vista que o aspecto social do prestígio, a posição de uma
determinada comunidade científica em que o cientista está inserido, a posição de poder e
Figura 19 – Mapa de satélites
Legenda: Mapa de satélite mostra temperaturas globais. 
Fonte: en.wikipedia.org
[https://en.wikipedia.org/wiki/Climate_change#/media/File:The_heat_is_on_
ESA19461898.jpeg] .
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/19.jpg
https://en.wikipedia.org/wiki/Climate_change#/media/File:The_heat_is_on_ESA19461898.jpeg
financiadores do projeto, entre outros, influenciam os resultados finais. Logo, o consenso pode
existir, mas não garante a verdade pura.
Scott Armstrong, um dos céticos climáticos, entendia que o IPCC, em seu terceiro relatório, não
respeitou 72 dos 89 princípios de previsão, informa Silver (2013, p. 392), e prossegue ressaltando
que o IPCC de fato é potencialmente um bom exemplo de “um processo de consenso”, uma vez
que seus “relatórios demoram anos para serem concluídos, e todas as descobertas são
submetidas a um detalhado e, às vezes, um tanto ou quanto bizantino e burocrático processo de
revisão”. Mesmo assim, a “extensão em que se pode esperar que um processo como o realizado
pelo IPCC produza previsões melhores, porém, é mais discutível.
Não é nada fácil prever mudanças. Smeraldi (2009), em seu Novo Manual de Negócios
Sustentáveis,nos fornece dois caminhos possíveis. O primeiro deles é o de investir muito dinheiro
a fim de contratar uma equipe especializada para prever comportamentos e estudar o mercado.
Previsões e o IPCC3.2
A incerteza das previsões3.2.1
Figura 20 – Escolhas e previsões
Fonte: storyset/Freepik.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/20.jpg
Esse é um “caminho para grandes empresas cuja preocupação com a sustentabilidade seja
superior àquela do desempenho do mês na bolsa de valores” (SMERALDI, 2009, p. 39).
O segundo caminho seria aquele que envolve paciência, confiança e, especialmente,
sensibilidade. Ele chama de serendipidade, que está relacionada às “oportunidades que
favorecem mentes preparadas”, como diria Louis Pasteur. Estratégias de competição,
desenvolvimento de capacidade adaptativa e percepção da mudança gradual obrigatória, em que
os principais mercados se encontram, são alternativas imprescindíveis para os que desejam
antecipar-se no cenário global. Contudo, mesmo com toda essa lógica de Pasteur, a incerteza
das previsões persiste.
Se prever como estará o clima daqui uma semana já incorre em diversos tipos de erros e
imprecisões, a dificuldade cresce quando a tentativa é fazer previsões sobre décadas à frente.
Assim como o documento anterior, o quinto relatório do IPCC, em 2014, ressalta ainda que “as
estimativas incompletas de perdas econômicas anuais globais para o aumento da temperatura
adicional de ~ 2°C são entre 0,2 e 2,0% da renda (± 1 desvio padrão em torno da média)
(evidência média, concordância média)” (IPCC, 2015).
Figura 21 – Sede da Organização
Meteorológica Mundial
Fonte: commons.wikimedia.org
[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:WMO_%C5%BDeneva.jpg] .
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/21.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:WMO_%C5%BDeneva.jpg
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, de Intergovernmental Panel on
Climate Change) é uma organização científico-política criada em 1988 pela ONU por iniciativa do
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Organização Meteorológica
Mundial (OMM).
O IPCC não produz pesquisas, apenas reúne as publicações de cientistas de diversas instituições
ligadas a organizações governamentais, centros de pesquisas em ciências naturais em geral e
outros organismos. A qualidade e a seriedade do seu trabalho como painel renderam o Prêmio
Nobel da Paz em 2007. Veja mais em: pt.wikipedia.org
[https://pt.wikipedia.org/wiki/Painel_Intergovernamental_sobre_Mudan%C3%A7as_Clim%C3%A1ti
cas] .
Em 25 de setembro de 2015, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou formalmente a
Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030, na qual lançava orientações para a ação
global nos 15 anos posteriores. O documento consiste basicamente em 17 objetivos de
desenvolvimento sustentável (ODSs) e 169 ramificações desses 17 pontos. É bem abrangente e
se concentra em cinco temas principais: as pessoas, o planeta, a prosperidade, a paz e as
parcerias (WORLD BANK, 2016).
Segundo o Banco Mundial, os ODSs visam também:
Acabar com a pobreza e a fome, bem como garantir que todas as pessoas possam realizar seu
potencial de dignidade e igualdade em um ambiente saudável;
Proteger o planeta da degradação e tomar medidas urgentes sobre as alterações climáticas;
Assegurar que todas as pessoas possam desfrutar de vidas prósperas e gratificantes e que o
progresso se realize em harmonia com a natureza;
Fomentar sociedades pacíficas, justas e inclusivas, livres de medo e violência;
Mobilizar os meios para implementar a Agenda 2030, centrada nos mais pobres e mais vulneráveis,
por meio de uma forte parceria global.
Agenda 2030 da ONU3.3
https://pt.wikipedia.org/wiki/Painel_Intergovernamental_sobre_Mudan%C3%A7as_Clim%C3%A1ticas
O Global Collaboration World Development Indicators é o resultado da colaboração de
numerosas agências internacionais, mais de 200 institutos nacionais de estatística e muitos
outros que contribuíram para os indicadores. É importante frisar que trata-se, em sua maioria, de
objetivos de cunho teórico, isto é, denotam uma perspectiva sobre ondechegar, mas apresentam
proporcionalmente uma menor quantidade de metas, as quais estão relacionadas aos aspectos
numéricos do documento, ou seja, o objetivo é teórico, ao passo que metas são alfanuméricas.
Figura 22 – Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável
Fonte: pt.wikipedia.org
[https://pt.wikipedia.org/wiki/Objetivos_de_Desenvolvimento_Sustent%C3%A
1vel#/media/Ficheiro:Pr%C3%A9dio_da_ONU_em_Nova_York,_estampado_co
m_os_Objetivos_de_Desenvolvimento_Sustent%C3%A1vel.jpg] .
A Agenda 2030 é um plano de ação que um grupo de pessoas planejou, de forma centralizada,
para todo o planeta com o intuito de estabelecer prosperidade, fortalecer a paz universal e até a
liberdade. Além de tudo isso, reconhece que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e
amplificações é um dos maiores desafios de toda a humanidade e um dos requisitos
indispensáveis para um desenvolvimento sustentável e duradouro.
Veja mais sobre esse documento no site da ONU: nacoesunidas.org
[https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf] .
Resiliência e princípio da precaução3.3.1
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/22.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Objetivos_de_Desenvolvimento_Sustent%C3%A1vel#/media/Ficheiro:Pr%C3%A9dio_da_ONU_em_Nova_York,_estampado_com_os_Objetivos_de_Desenvolvimento_Sustent%C3%A1vel.jpg
https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf
O termo resiliente aparece algumas vezes ao longo dos objetivos específicos, mas está presente
especialmente nos ODSs 9 e 11. Muito embora Roger Scruton seja da linha conservadora, ele
defende veementemente a resiliência para que os mercados possam estar alinhados às questões
ambientais.
O princípio da precaução está ligado às questões futuras, assim como a capacidade de retornar
ao estado original (definição do termo resiliência). O princípio da precaução, segundo o
Ministério do Meio Ambiente, é de origem grega e tem como significado ter cuidado e estar
ciente.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, esse princípio possui basicamente quatro componentes,
que podem ser resumidos da seguinte forma:
I. A incerteza passa a ser considerada na avaliação de risco;
II. O ônus da prova cabe ao proponente da atividade;
III. Na avaliação de risco, um número razoável de alternativas ao produto ou processo deve ser estudado
e comparado;
IV. Para ser precaucionária, a decisão deve ser democrática, transparente e ter a participação dos
interessados no produto ou processo.
É um princípio que realmente está em todos os níveis da escala ambiental quando há
preocupação relacionada à ação presente e seu impacto futuro. Todo mercado leva-o em
consideração, qualquer que seja: bolsas de valores, mercado financeiro em geral, ações de cunho
político, social e ambiental etc.
Todavia, como nosso intuito é também o de ampliar o escopo trivial de termos ambientais,
buscando pensar em algo além do que já é trabalhado há tanto tempo, deparamo-nos, neste
sentido, com os pensamentos de Roger Scruton. Ele trabalha em função da resiliência preferível à
precaução, isto é, retornar ao estado original é melhor do que a precaução, sendo a escolha mais
sensata a fazer.
Para Scruton (2016), se não for bem controlada, a precaução pode virar um problema, uma vez
que pode embargar setores dos mercados e de sua adequação às necessidades humanas, o que,
para ele, ocorre de modo natural na maior parte das vezes. A ideia basicamente seria a seguinte:
“se você pensa que pode haver risco, então há risco; e, se há risco, proíba-o”. De modo mais
severo, Scruton (2016, p. 99, grifo nosso) afirma que “o princípio apresenta um obstáculo à
inovação e ao experimento, mesmo em circunstância em que nada se faz mais necessário do que
inovação e experimento”.
Para Scruton, levar o risco a zero é, paradoxalmente sob o aspecto econômico, um grande risco,
uma vez que esse risco sempre haverá em todas as ações humanas.
Exemplo de quão prejudicial pode ser é o que ocorreu na Grã-Bretanha, onde havia um pequeno
riscode que a carne dos animais causasse patologias ao ser consumida. Com isso, o Parlamento
Europeu obrigou que todos os abatedouros tivessem um veterinário de plantão, sendo proibido
que operassem sem um desses profissionais. Não é barato ter um veterinário o tempo todo, isso
é claro, pelo que diversos abatedouros pequenos faliram em decorrência dessa ação em favor da
saúde humana (SCRUTON, 2016).
Essa medida foi tomada em função de casos parecidos que ocorreram em 2001, quando a
doença se espalhou por toda uma região. Nesta nova ocorrência, a patologia precisaria percorrer
mais de 160 quilômetros até o abatedouro mais próximo. Em decorrência disso, segundo Scruton
(2016, p. 100), aproximadamente “sete milhões de animais foram abatidos na tentativa de
controlar a doença, a um custo aproximado de 8 bilhões de libras”.
Foi este o “preço de curto prazo de uma lei que considerou apenas um risco - razoavelmente
insignificante - dentre os muitos que compreendem a gestão pecuária”. A responsabilidade
política deveria levar em consideração “não apenas o pequeno risco indicado pela diretiva”, mas
também “outros fatores de custo/benefício, como os riscos apresentados à comunidade
pecuarista decorrentes do fechamento dos abatedouros locais, das grandes distâncias que os
animais seriam obrigados a percorrer”, e não somente isto, mas também “os benefícios da
produção de comida local e da instalação de mercados regionais de distribuição de carne, entre
outros fatores” (SCRUTON, 2016,p. 100-101).
Scruton faz uma clara diferenciação entre a posição de um guarda de caça e um ativista. O
primeiro está “sempre atento a todos os riscos envolvidos em seu meio ambiente, pesando os
prós e contras de cada intervenção, e dificilmente receberá auxílio de um regime burocratizado”,
ao passo que o segundo, todavia, “não tem meios para pensar em nada melhor. Sua forma
preferida de regulamentação terá um caráter absoluto: um ‘não’ incondicional perante o ‘sim e
não’ de seus oponentes”. Com efeito, este “ativista joga uma partida de soma zero; caso vença,
seu adversário perde, e não há espaço para concessão” (SCRUTON, 2016, p. 103).
A fórmula então se resumiria não em alcançar a vitória no futuro, eliminando todos os riscos,
mas sim, segundo Scruton (2016, p. 105), “contrabalançando-os e reconhecendo os limites do
que se tem como certo”, sendo que, ao “antecipar (e proibir) qualquer risco, ela corteja o maior de
todos os riscos, e teremos de enfrentar a próxima grande emergência coletiva desprovidos da
única coisa que nos asseguraria a sobrevivência”. Significa, portanto, que há uma cultura de
aversão ao risco no setor ambiental, todavia, o risco é a base do pensamento estratégico.
Figura 23 – O risco é a base do pensamento estratégico
Fonte: master1305/Freepik.
Há um caso que ocorreu nos EUA em 1986 e que vigora no Brasil há um tempo, que é o da
proibição do uso de telhas de amianto(a cidade de São Paulo, por exemplo, proibiu seu uso em
2001, ao passo que o estado fez o mesmo em 2007). O Asbestos Hazard Emergency
ResponseAct obrigou a remoção de telhas de amianto em 37 mil distritos escolares nos EUA.
Todavia, um estudo da Universidade de Harvard, dois anos depois (em 1988), concluiu que o
risco de morte por exposição era extremamente baixo. O custo gerado pela obrigatoriedade da
retirada de todas as telhas foi de cerca de US$ 123 milhões por “vida salva”, sem contar a
destruição de inúmeros prédios e instalações que faziam uso das telhas (SCRUTON, 2016).
No Brasil, segundo estimativas feitas em 2012 pela líder de mercado nesse segmento, a Eternit,
não há registro de uma doença sequer relacionada ao amianto crisotila. Ao longo de 30 anos de
fabricação dessas telhas, a Eternitnão registrou qualquer caso de disfunção respiratória entre
seus próprios colaboradores.
O risco e o mercado3.3.2
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/23.jpg
Temos muitos debates dentro desse contexto e, por ser um tema bastante polêmico,
recomendamos que o aluno acesse os seguintes links:
Poluição difusa urbana por compostos inorgânicos: avaliação da contribuição dos componentes
do amianto presente nas telhas de fibrocimento e nos freios de veículos. Disponível em:
www.scielo.br [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-
86212011000300007&lng=pt&tlng=pt] .
Prós e contras do uso do amianto. Uso do amianto em telhas. Disponível em:
brasilescola.uol.com.br [http://brasilescola.uol.com.br/quimica/pros-contras-uso-amianto.htm] .
Resultado da decisão do STF em relação ao uso do amianto no Brasil. Disponível em:
www.jornaldocomercio.com
[https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/2017/08/politica/581766-julgamento-no-stf-
sobre-uso-do-amianto-termina-em-impasse-sobre-
legislacoes.html#:~:text=O%20Supremo%20Tribunal%20Federal%20(STF,d'%C3%A1gua%2C%20%
C3%A9%20inconstitucional] .
Para Scruton (2016), nos proibir “de barganhar com esse risco enquanto barganhamos com
todos os outros é nos privar de nossa arma mais importante para confrontá-la”, uma vez que
“qualquer padrão de pensamento que busque extinguir o risco e retirar as responsabilidades
envolvidas é, portanto, uma ameaça sobre uma necessidade humana primária” (SCRUTON, 2016,
p. 114, grifo nosso).
Em Filosofia Verde, Scruton enxerga grandes problemas quando se leva a zero a motivação
humana, sendo que, num contexto mercadológico futuro, para ele, o panorama é simples: “Os
mercados são, certamente, a causa de alguns problemas ambientais, mas também são a solução
para muitos outros” considerando que “a tragédia dos comuns” - entendendo-se comum como
os bens e recursos de uso comum (res communis omnium) - “não se deve ao fracasso do
mercado, mas sim à ausência de um livre mercado sólido”(SCRUTON, 2016, p. 124 e 126, grifo
nosso). Exemplo disso é o caso do mercado de permissões negociáveis de efluentes, que traz
consigo a ideia do “comércio de direitos para poluir entre as fontes poluidoras da água”, a qual é
um “instrumento econômico alternativo que pode ser usado para melhorar a qualidade da água”
(THOMAS; CALLAN, 2010, p. 366, grifo nosso).
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-86212011000300007&lng=pt&tlng=pt
http://brasilescola.uol.com.br/quimica/pros-contras-uso-amianto.htm
https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/2017/08/politica/581766-julgamento-no-stf-sobre-uso-do-amianto-termina-em-impasse-sobre-legislacoes.html#:~:text=O%20Supremo%20Tribunal%20Federal%20(STF,d'%C3%A1gua%2C%20%C3%A9%20inconstitucional
Funciona da seguinte forma, conforme prosseguem Thomas e Callan (2010, p. 366): “Esse
mercado pode ser estabelecido com o uso de créditos ou de licenças. Os créditos por redução de
efluentes são emitidos se um poluidor descarregar menos do que é permitido por lei”, com isso,
emite-se as licenças de efluentesde modo antecipado, fornecendo ao portador dela o direito do
lançamento de poluição no futuro. Os autores explicam melhor:
Em outro ponto, Scruton (2016, p. 152) lembra bem que, se abandonarmos “a motivação humana
destinada a tomar a frente quando os mecanismos de mercado fracassam, então soluções reais
dos problemas ambientais continuarão uma quimera”.
Por exemplo, uma regulamentação de direitos de propriedade, como águas costeiras marítimas
ou ribeiras, talvez seria melhor do que a noção de fazer do bem comum um “bem de ninguém”
(res nullius).
Um exemplo de sucesso foi a implementação dos direitos territoriaissobre a pesca na Inglaterra
no século XIII, protegendo as áreas de desova e mantendo vivos os recursos. A Lofeten, outro
exemplo, agora na Noruega, detinha a posição de maior pescadora de bacalhau do mundo, sendo
que, conforme Scruton (2016, p. 127, grifo nosso), a “regulamentação estava inteiramente nas
mãos dos pescadores, que operaram por mais de cem anos um sistema de resolução de
conflitos baseado em contenções voluntárias”.
[...] a política do conceito bolha permite que um objeto total de redução da poluição seja determinado
para uma área geográfica, e cada fonte poluidora recebe permissões negociáveis com base nesse
objetivo. A vantagem desses sistemas negociáveis [...] é que a economia de custos pode ser realizada
à medida que os poluidores enfrentam custos de redução da poluição diferentes para controlar o
mesmo poluente [...]. As forças de mercado devem estabelecer um preço tal que todas as empresas
reduzam a polução até o ponto onde os níveis de seus CMRs [custo marginal de redução] sejam
iguais – uma solução custo-efetiva (THOMAS; CALLAN, 2010, p. 366, grifo nosso).
Direito de propriedade e a cooperação
Esse olhar para o passado pode nos trazer vislumbres sobre o futuro, uma vez que exemplos
como esses demonstram que o controle central possivelmente não é a melhor resposta para a
resolução de problemas comuns. Outro exemplo são os prados alpinos da Suíça, considerado o
país mais sustentável do mundo, que “são usados sob a proteção dos princípios de cooperação,
que promovem tanto uma divisão justa dos recursos quanto garantem a sua renovação”
(SCRUTON, 2016, p. 128, grifo nosso). A solução, então, seria proveniente de um pensamento em
que o cunho de baixo para cima é preferível ao vetor oposto. Essa é uma das posições que
corresponderiam ao que ele chama de soluções de mercado e homeostase.
Quem descobre algum tipo de recurso escasso claramente será detentor de grande poder e/ou
fortuna - em casos de alguma descoberta que não for de petróleo, por exemplo, cuja tendência
natural seriaa patente e a solicitação de direitos em cima daquela descoberta. Com efeito, de
acordo com Scruton (2016, p. 134), em uma “economia de mercado, essa descoberta ocorre
muito antes do tempo necessário para que os cientistas que trabalham como funcionários do
Estado alcancem o mesmo nível”.
Vale citar os pensamentos do economista britânico Ronald Coase (1910-2013), o qual afirmava
que “quando um bem comum é privatizado com claros direitos de propriedade designados a
todos que desejam ativamente fazer uso desse bem, essa designação de direitos de propriedade
leva”, em casos em que não há custos de transação, “a uma distribuição final ótima graças à
negociação entre as partes envolvidas” (SCRUTON, 2016, p. 140).
Figura 24 – Costa marítima norueguesa
Fonte: commons.wikimedia.org
[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Indre_Kvar%C3%B8y,_Norway.jpg] .
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/24.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Indre_Kvar%C3%B8y,_Norway.jpg
Ao contrário da posição irredutível de muitos ambientalistas, para Scruton, caçadas, esportes de
tiro e pescaria acabam por criar um interesse difuso na defesa do ambiente que servem para tais
práticas. Ele justifica essa ideia por meio de diversos estudos de caso que não nos cabe aqui.
Essa também seria uma forma de mercados do futuro? Seria o mercado atual aprimorado?
Scruton (2016, p. 146) infere um princípio geral do caso da Anglers’ Conservation Association,
que defende a natureza do esportismo ao zelar pela biodiversidade local: “Uma vez que as partes
envolvidas consigam transferir os seus custos para terceiros, os mercados fracassarão na
geração de equilíbrio entre os interesses conflitantes”, sendo que o mesmo acontecerá “quando
os custos de transação forem muito altos para que as partes lesadas possam ser indenizadas”.
O argumento de Scruton (2016, p. 134, grifo do autor) é bastante claro: “É somente no livre
mercado que surgem os incentivos para as descobertas necessárias, como um real e compulsivo
estímulo individual”. Com efeito, “nós não apenas encontramos substitutos para os recursos
escassos: nós os criamos”.
A questão de utilizar os recursos até eles acabarem e, assim que findarem, simplesmente buscar
alternativas que substituam os anteriores, conforme proposto pelo economista ambiental
americano John V. Krutilla (1949-2003), não explica, para Scruton, como “os mercados
sobreviverão à exaustão dos recursos para os quais ainda não foram encontrados substitutos”, o
que indica também que “seria insensato regulamentar o uso de recursos que estão se
esgotando” (SCRUTON, 2016, p. 134-135, grifo nosso).
De acordo com Scruton (2016, p. 135), os mercados e os quase-mercados (ou quase-mercado)
“podem ser bons em produzir substitutos para recursos que foram esgotados, mas seu
desempenho é muito inferior quanto têm de gerir os resíduos que produzem”, uma vez que os
resíduos são tipos de custo que a maioria procura repassar.
Bertolin (2011) nos informa que o termo quase-mercado “tem sido utilizado para designar
contextos em que, apesar de existirem financiamentos e regulações governamentais, também
estão presentes alguns mecanismos de mercado”. Em outras palavras, este “termo pode ser
utilizado naquelas situações em que decisões relativas à oferta e à demanda são coordenadas a
partir de mecanismos de mercado, mas que somente alguns ingredientes fundamentais do
mercado são introduzidos.”
Segundo o autor, a origem do termo é proveniente do economista e estatístico americano Milton
Friedman (1912-2006), bastante conhecido por defender o livre mercado. Uma situação prática
Mercado, livre mercado e quase-mercado3.3.3
de quase-mercado também pode ser reconhecida ao criar-se “competição entre provedores do
próprio monopólio estatal pela descentralização da demanda e do provimento” (BERTOLIN,
2011).
Exemplo da introdução de alguns incentivos para operação natural dos mercados são os
subsídios agrícolas, os quais recompensam a produção e regulam de modo burocrático ao
desagregar os diferentes aspectos da agricultura, acarretando efeitos que são demoradamente
corrigidos. Caso prático disso foram os governos britânicos do pós-guerra, que subsidiaram os
fazendeiros que optassem por retirar todas as cercas vivas(como pinheiro e plantas diversas em
suas cercas): o saldo foi de 15 mil milhas dessas cercas destruídas. Quando o estrago foi
percebido, já era tarde demais, uma vez que o dano causado “à vida selvagem e à biodiversidade
já havia sido concretizado”. A coisa então se inverteu, e os governos passassem a subsidiar a
plantação das cercas vivas (SCRUTON, 2016).
Segundo Scruton (2016, p. 148, grifo do autor):
Mas o autor ressalta um ponto que gera polêmica entre os ambientalistas mais contrários a um
mercado com grande liberdade, o de que nós “não devemos, contudo, culpar o mercado por isso,
mas sim a facilidade com que – nas economias de larga escala – os ganhos privados são
combinados com custos que serão socializados” (SCRUTON, 2016, p. 148).
Ao subsidiar a produção agrícola, os governos encorajam a superprodução, fomentando dumping
sobre o mercado mundial e destruindo a agricultura do Terceiro Mundo. Assim, atualmente os
governos subsidiam os fazendeiros a não produzir, e os campos sem cultivo são mantidos à custa do
contribuinte. Dessa forma (e de muitas outras), o regime de subsídios destrói mercados e o feedback
negativo. Sempre que os custos forem externalizados e indivíduos não identificados, jamais
retornarão aos seus reais causadores.
Pedir a ajuda do Estado, na maior parte das vezes visto como “amigo do povo”, não funciona tão
bem, mesmo que Scruton admita que a ação estatal é fortemente necessária para a resolução de
vários problemas ambientais. Por diversos motivos, o Estado é um grande causador de
problemas, como subsídios estatais e articulações burocráticas responsáveis pelos sistemas
rodoviários em vez da promoção de energias limpas, regulamentações de planejamento urbano
que endossam o compromisso da falta de preocupação ambiental, regulamentações diversas
sobre embalagens, uso de combustíveis etc.
Para corroborar com esse pensamento, o economista sueco Charles Edquist, um dos mais
respeitados especialistas em inovação mercadológica do mundo, diz que os papéis do Estado e
do mercado precisam ser bem definidos e demarcados. Para o economista, há somente duas
situações em que a intervenção pública do Estado se justifica, como o Sebrae (2013, p. 107) nos
informa:
I. Quando as empresas e o mecanismo de mercado não alcançam os objetivos formulados, o que significa a
existência de um problema.
II. Quando o Estado e suas agências têm capacidade para resolver o problemasurgido. Se o setor público não
tiver essa capacidade, não deve intervir, pois poderá fracassar.
Figura 25 – Questão rural
Fonte: commons.wikimedia.org
[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Agriculture_work_1.jpg] .
A externalização dos custos, para Scruton (2016, p. 150), existe em basicamente dois fatores:
1. O que afeta sensivelmente as pessoas do presente, o que implica em um gerenciamento caseiro e diário,
estando integrado a uma responsabilidade social.
Mercado, livre mercado e quase-mercado3.3.3
Responsabilidade e regulamentações
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/25.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Agriculture_work_1.jpg
2. O que afetará as futuras gerações, ocorrendo uma espécie de intendência pelo bem comum a ser
destinada às novas gerações.
No futuro, regulamentações diversas não serão suficientes para evitar que grandes poluidores
repassem seus custos adiante. O primeiro motivo é que “os governos favorecem determinados
grupos e setores”; o segundo é que “regulamentações de cima para baixo desagregam o risco”; e
o terceiro é que “uma regulamentação coerente requer uma hierarquização dos problemas
conforme o grau de seriedade, com a fixação do custo da solução”. Por fim, “regulamentações de
cima para baixo inevitavelmentetransferem problemas e soluções para um organismo central de
tomadas de decisão” (SCRUTON, 2016, p. 151-152).
Por outro lado, Klein (2008) intitula o modelo econômico atual de “capitalismo de desastre”,
quando constata que neste sistema econômico os desastres naturais e a escassez de recursos
são vistos como estimulantes oportunidades de mercado.
Veiga (2015, p. 87) complementa o debate apontando que, se “os mercados de recursos naturais
funcionassem razoavelmente e gerassem seus preços relativos, nem teria surgido preocupação
especial com o meio ambiente ou com sustentabilidade”, uma vez que “eles estariam sendo
alocados de maneira eficiente ao longo do tempo”. Como isso não ocorre, o problema foi
classificado como uma das muitas “imperfeições de mercado”.
Segundo Guimarães e Feixas (2009, p. 308), “tanto os limites biofísicos do planeta como a
deterioração do tecido social ensejam mudanças nos processos de decisão, implementação e
avaliação de políticas públicas, na busca de uma nova forma de desenvolvimento”.
Savitz e Weber (2007), por sua vez, tratam essa posição como pensadores que refletem o espírito
de ceticismo em relação ao comprometimento real das empresas com a questão sustentável. A
essência dos argumentos dos que querem embargar tudo e reduzir os riscos está na alegação de
que existe uma busca egoísta cuja finalidade é somente o lucro.
Os autores rebatem afirmando que tal posição é inquestionável na teoria, mas é inútil na prática,
que mesmo “o defensor mais empedernido do livre mercado aceita o fato de que todas as
pessoas de negócios reconhecem implicitamente certas responsabilidades sociais” (SAVITZ;
WEBER, 2007, p. 101, grifo nosso)
Outros, dentro do próprio mercado, entendem a sustentabilidade como um grande entrave para o
avanço econômico, o que, na opinião de Savitz e Weber (2007, p. 103), é um erro, uma vez que ela
“é fonte de vantagem competitiva e financeira para as empresas, em vez de contra elas”, sendo
que a inclinação sustentável “pode converter-se em diferenciador competitivo nos próximos
anos, à medida que se acumulam provas de que está ajudando algumas empresas a superar os
concorrentes”.
Por isso, não é de se admirar que tantas organizações ambientais que apoiam os negócios, como
o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, tenham a tendência de
“ser grandes defensoras da competição e do livre-comércio, por constatarem que, quando os
mercados são realmente abertos”, o que é visto é que, na maior parte das vezes, “não é o salve-
se quem puder tão temido por alguns ambientalistas e sindicalistas, mas a corrida para o topo na
qual as empresas” que abraçam métodos de negócios mais seguros e produtos responsivos
“conquistam a vitória no mercado” (SAVITZ; WEBER, 2007, p. 103, grifo nosso).
Aqueles que defendem a sustentabilidade no mundo corporativo enxergam o livre mercado como
um novo modelo de mercado que comercializa direitos de emissão, os quais revelam-se cada vez
mais eficazes na mitigação dos efeitos da poluição atmosférica sem que haja uma regulação
grandemente restrita (SAVITZ; WEBER, 2007).
Infelizmente, os autores nos lembram que o livre mercado ainda não incorpora os custos sociais
e ambientais aos preços dos produtos e, por enquanto, ainda não regula a sustentabilidade das
empresas, como punir cobrando algum valor pelo fato de determinada atitude não ser
sustentável.
REFLEXÃO
Indicamos as seguintes leituras para reflexão:
Controvérsias científicas ou negação da ciência? A agnotologia e a ciência do clima.
Disponível em: www.scielo.br [http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1678-31662014000100009&lng=pt&nrm=iso&tlng=en] .
Controvérsias na climatologia: o IPCC e o aquecimento global antropogênico. Disponível em:
www.scielo.br [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-
31662015000300643&lng=pt&nrm=iso&tlng=en] .
Conforme nos informa Smeraldi (2009), poderão ocorrer no futuro alterações importantes no
âmbito da tributação. Segundo ele, há dois tipos de tendências principais:
Perspectivas para a tributação ambiental
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-31662014000100009&lng=pt&nrm=iso&tlng=en
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-31662015000300643&lng=pt&nrm=iso&tlng=en
Impostos ambientais puros
Visam simplesmente desestimular um determinado comportamento. Sua eventual aplicação
bem-sucedida tende a resultar na aniquilação de sua base geradora. São transitórios, marcando
a passagem para o novo patamar produtivo no setor de sua abrangência. Um exemplo é o
imposto sobre o desmatamento no Brasil. Esses impostos serão utilizados com finalidade
regulatória.
Impostos com finalidades simultaneamente mistas, fiscais e ambientais
Buscam arrendar de maneira duradoura e pressupõem que sua base geradora permanecerá ao
longo do tempo. Exemplo de tributação mista é a taxação da água, que deverá aumentar cada
vez mais. Poderão ajudar os gestores públicos a atingir metas socioeconômicas.
Retomando as questões anteriores, não é somente o direito à propriedade e o livre mercadoque
garantiram a manutenção da tradição de posições em que a sociedade civil tomou a iniciativa na
cultura britânica, por exemplo, mas também por meio de leis fiduciárias que protegiam os direitos
de sentimento público e os empreendimentos de caridade, bem como liberdade de gerência por
parte de associações sociais sem intervenções estatais etc.
De acordo com Scruton, tudo isso combinado cria “uma rede eficiente de sistemas
homeostáticos nos quais erros são corrigidos e os riscos são equilibrados à medida que
surgem”. No entanto, todos os tipos de instituição também estão sujeitos à “corrupção e podem
ser sobrecarregados por custos de transação que os tornam inoperantes”.
Alguns igualitaristas radicais, por exemplo, estão voltados apenas para medidas que mudem o
mundo e, se não for assim, para eles não serve. Sob a ótica desse posicionamento, “os fracassos
do mercado e seus efeitos colaterais são motivos mais do que suficientes para a adoção de
amplas políticas de reforma, que, inevitavelmente, convidarão o Estado para o papel principal”
(SCRUTON, 2016, p. 155, grifo nosso).
Para não destruir o interesse das futuras gerações, o mercado atual, na visão do teórico político
Edmund Burke (1729-1797), não poderia seguir a linha de pensamento do Contrato Social de
Rousseau, pois não tinha como consentircom nada. A sociedade, portanto, não seria um
contrato. Logo, ele defendia, segundo Scruton (2016, p. 156), “as comunidades regionais e suas
Pensamento político3.3.4
associações livres, submetidas a um regime de estado de direito, de valores comuns e direitos de
propriedade, dispostas a resolver seus conflitos por meio de concessões e negociações”.
Na visão ambientalista, é exatamente esta a reivindicação atual, a de que “estamos destruindo
um patrimônio comum e devemos assegurá-lo em nome das futuras gerações, e estamos
violando um dever fundamental ao fazer isso”. (SCRUTON, 2016, p. 157, grifo nosso).
Por fim, Scruton (2016, p. 162 e 165) nos chama atenção a fim de tirarmos uma lição de tudo
isso, sob o aspecto dos mercados:
Mercados distribuem custos entre os que os causam e benefícios entre os que os geram,
disponibilizando a todos os participantes informações sobre os desejos de cada um, que, de outra
forma, ficariam irrecuperavelmente dispersos. Os mercados podem resolver os problemas que criam
somente se as suas conexões de feedback não forem cortadas. Esse corte ocorre quando
determinados agentes do mercado se tornam capazes de repassar grandes parcelas de seus custos,
seja impondo esses custos sobre terceiros indeterminados na forma de danos ao meio ambiente,
seja valendo-se de subsídios (explícitos ou implícitos) estatais, ou mesmo blindando-se contra os
riscos [...]. Mercados sustentam economias livres e autorreguladas. Eles não produzem somente
soluções consensuais, mas atribuem responsabilidadese ajudam a manter a estreita conexão entre
livre escolha e responsabilidade individual, conexão esta de que depende a ordem moral.
Práticas profissionais - A matemática da natureza: 1+1=1
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Recapitulando a Unidade 3
Terminamos a unidade com uma ampla discussão sobre IPCC, implicações, incertezas e Agenda
2030 da ONU, com suas propostas e intenções. Além disso, discorremos sobre diversas questões
relativas a mercado, direito de propriedade, cooperação e riscos.
Também falamos sobre os tipos de mercados: livre e quase-mercado. Mesmo tendo algum tipo
de regulação, por menor que seja, o Estado é parte disso, principalmente quanto a questões de
responsabilização e regulamentação, além, claro, do setor de tributação.
Por fim, a questão do- pensamento político foi abordada. Uma das lições que podemos tirar
deste tópico é que não existe pessoa alguma isenta de cosmovisão, já todos temos algum lado e
alguma visão de futuro embasada em alguma ideologia ou crença.
Agora, nosso olhar se voltará para o futuro na próxima unidade.
Videoaula - Aspectos práticos e o futuro dos alimentos
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O futuro4
Chegamos ao final do curso na Unidade 4. Aqui, o nosso olhar estará voltado para o futuro, para
tributação, regulamentações e assuntos que envolvem os stakeholders da questão ambiental.
Também abordaremos questões sobre crescimento global, negócios sob o cunho social e
sustentabilidade nesse mundo tão diverso e complexo, finalizando com o capítulo sobre o futuro
dos mercados de alimentos, ponto-chave para qualquer evolução humana.
Introdução4.1
Figura 26 – Mercado e futuro
Fonte: garsya/iStock.
Decerto há um consenso entre os estudiosos da economia ambiental, o de que quanto mais os
stakeholders forem atendidos, mais a empresa galgará patamares mais altos no mundo
corporativo. Savitz e Weber (2007, p. 84) nos mostram alguns exemplos de partes interessadas
que não devem ser esquecidas, como organizadores comunitários, ambientalistas, defensores da
justiça social, acionistas, ativistas e outros que buscam a mudança do comportamento
empresarial.
Stakeholders e o futuro4.2
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/26.jpg
Os stakeholders mais próximos influenciam muito o futuro dos negócios também por diversas
associações com grupos de interesse, mas eles também podem influenciar de modo diferente
esse futuro, uma vez que podem organizar diversos eventos de boicote e embargos de atividades
consideradas de risco para o meio ambiente (SAVITZ; WEBER, 2007).
O Wal-Mart é um exemplo. A empresa percebeu que as ações dessas partes interessadas
afetarão em larga medida os negócios no futuro, pelo que “lançou dispendiosas campanhas de
propaganda e criou um ‘centro de comando’ de comunicações para apresentar o seu lado nas
controvérsias de que é participante” (SAVITZ; WEBER, 2007, p. 85).
Portanto, estar em sintonia com os stakeholders é fundamental para o futuro dos negócios de
determinada organização. Assim como o Wal-Mart, são exemplos a Shell, a DuPont e a P&G, que,
segundo Savitz e Weber (2007, p. 87), “descobriram que têm muito mais chances de chegar ao
destino almejado no longo prazo se agirem com abertura e se até compartilharem certas
decisões com detentores de interesses situados fora da organização”. Antes, era possível tomar
decisões acerca do futuro olhando somente para os planos internos da empresa, no entanto,
essas decisões requerem parcerias multilaterais, as quais envolvem setores externos e a maior
quantidade possível de stakeholders.
Figura 27 – Stakeholders e o futuro
Fonte: rawpixel.com/Freepik.
Segundo o Banco Mundial (2016, p. 14, tradução nossa), entre os anos de 1990 e 2013, “o
consumo mundial de energia aumentou cerca de 54%, mais do que o aumento de 36% na
população global”. É evidente que o acesso à energia é fundamental para qualquer nível de
desenvolvimento, contudo, “à medida que as economias evoluem, o aumento das rendas e o
Comércio, energia limpa e empregos4.3
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/27.jpg
crescimento das populações exigem mais energia”. Logo, alcançar o objetivo 7 da Agenda 2030
da ONU para o desenvolvimento sustentável exigirá, em decorrência disso, “um maior acesso à
eletricidade, à aceitação de combustíveis limpos, energias renováveis e à eficiência energética”.
Ainda segundo o Banco Mundial (2016), desde 1970, o uso de fontes alternativas de energias tem
aumentado em todos os grupos de renda, muito embora os combustíveis fósseis ainda
representem aproximadamente 81% do uso de energia ao redor do mundo.
Grande parte do uso de energias renováveis é oriunda de fontes tradicionais (a exemplo da
madeira e do carvão vegetal). A biomassa moderna representa somente de 3% a 4% do consumo
total de energia. Outras energias renováveis modernas, como biomassa, geotérmica, eólica e
solar, representam menos ainda - até 2016, apenas 1% do consumo total -, mas têm grande
potencial de crescimento. A cota de energia renovável varia amplamente em todo o mundo
(WORLD BANK, 2016).
O objetivo 7 da Agenda 2030 da ONU para o desenvolvimento sustentável é aumentar o uso
dessas energias, muito embora, ainda de acordo com o Banco Mundial, a proporção do uso delas
tenha decrescido 27% ao redor do globo entre 1990 e 2012.
A sustentabilidade dever ser a base dos negócios do futuro; não há mais espaço para a “indústria
suja”. O que Dornelas, Adams e Spinelli (2010, p. 102) conceituam como limpo não diz respeito,
Figura 28 – Sustentabilidade deve ser a base do negócio
Fonte: Freepik/Freepik.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/28.jpg
na verdade, somente às energias renováveis e limpas, mas também “refere-se ao equilíbrio
líquido entre custos e benefícios para acionistas, outros envolvidos e para o planeta”.
As perspectivas também indicam que diversos motivos para esperança no que tange as
mudanças catastróficas da conservação da biodiversidade, como mudança climática,
necessidade de limitação do uso de energia, redução dos subsídios agrícolas, contaminação dos
solos e da águaetc., poderão levar a “investimentos expressivos de cultivo perene” de alimentos e
plantações em geral, mas que, possivelmente, tais cultivos perenes “apresentam um saldo
negativo no potencial de aquecimento global” por serem obrigados a apresentar maior resiliência
às mudanças climáticas (SMERALDI, 2009, p. 67, grifo do autor).
O ganhador do Prêmio Nobel Ken Caldeira, que também contribui para as pesquisas do IPCC,
entende as árvores como um flagelo ambiental. As pesquisas de Ken Caldeira demonstram,
segundo Levitt e Dubner (2012, p. 450, grifo nosso), que “o plantio de árvores em certas
localidades efetivamente exacerba o aquecimento”, uma vez que “a folhagem relativamente
escura absorve mais luz solar do que, por exemplo, planícies graminosas, desertos arenosos ou
grandes áreas recobertas de neve.”
É preciso pensar - e pesar bem – sobre as alternativas disponíveis com muito rigor. Por isso, nas
quase 600 páginas do livro O império ecológico, o autor Pascal Bernadin, corroborando com
outros economistas ambientais, ressalta que o aquecimento global pode provocar “medos
irracionais que servirão à imposição de decisões infundadas. Seus custos econômicos, assaz
consideráveis, não são nunca comparados aos benefícios mínimos que eles acarretam”. Bernadin
finaliza: “É preciso lembrar que a expectativa de vida cresce com o nível de vida. Empobrecer as
pessoas é apressar sua morte” (BERNADIN, 2015, p. 182). Com isso em mente, recomendamos o
citado livro para a obtenção de argumentos mais sólidos e um melhor entendimento do debate.
Os economistas especializados na questão ambiental Common e Stagl (2008) apresentam uma
fórmula bastanteinteressante com a relação entre a estimativa de crescimento da população
mundial e a emissão de CO2 na atmosfera.
Questões sociais4.4
População mundial, crescimento econômico e emissões de CO24.4.1
Eles denominam o trabalho de Identidade IPAT, em que:
“I” significa impacto;
“P” significa população;
“A” significa afluência e abundância;
“T” significa tecnologia.
Impacto trata-se da extração de recursos naturais renováveis ou não renováveis do meio
ambiente, podendo ser medido em toneladas, litros etc. População se refere à quantidade de
pessoas presentes no mundo em um ano determinado. Afluência remete ao produto total, o qual
é medido em unidades monetárias, como o PIB. Tecnologia seria a quantidade média de CO2
liberado na atmosfera a cada $ do PIB global produzido em um ano determinado.
Se o ano de 2000 for tomado como base, teremos os seguintes dados:
P = 6 bilhões. 
A = $ 7 mil (PIB médio mundial por ano). 
T = 0,00055 T.
Logo, a emissão de gás carbônico na atmosfera foi de: 
I = (6 x 10 ) x 7000 x 0,00055 = 23,1 x 10 = 23.100 x 10 ou 23.100 milhões de toneladas.
Em uma análise sobre o futuro, considerando três cenários de fecundidade (baixa, média e alta)
segundo dados de 2016 da ONU, em que a população mundial poderá chegar a um total entre 8,5
bilhões e 9,7 bilhões de pessoas até 2030, teremos a seguinte porcentagem de aumento de
emissões de CO2 (ainda nos fundamentando nas bases de cálculos dos economistas
mencionados):
Tabela 1 - Efeito do crescimento demográfico nas emissões globais de CO
 
Estimativa de emissões para 2050 (em
T)
Porcentagem de aumento na comparação com o
ano 2000
Fecundidade
baixa
I = (7866 x 10 ) x 7000 x 0,00055 =
30284 x 10
31%
Fecundidade
média
I = (9,7 x 10 ) x 7000 x 0,00055 = 37345
x 10
59%
9 9 6
2
6
6
6
6
 
Estimativa de emissões para 2050 (em
T)
Porcentagem de aumento na comparação com o
ano 2000
Fecundidade
alta
I = (10934 x 10 ) x 7000 x 0,00055 =
42096 x 10
82%
Fonte: adaptado de Common e Stagl (2008).
A riqueza vem aumentando no mundo, sendo a erradicação da pobreza o objetivo número 1 da
ONU na Agenda 2030. No entanto, se é provável que teremos um mundo mais rico, logo, ele
também terá um potencial consumidor maior.
A Tabela 2 mostra essa comparação, em que a última coluna talvez seja a que mais choca.
Quando se trata da relação entre as emissões de gás carbônico entre os anos 2000 e 2050, a
última linha mostra que, se tivermos um crescimento econômico anual de 4%, a emissão de CO
na atmosfera nesse futuro será sete vezes maior do que em 2000.
Tabela 2 - Crescimento econômico e emissões de CO
Crescimento
econômico anual
(%)
PIB per capita em $
para o ano de 2050
Emissões de CO para o ano
de 2050 em toneladas x 10
Relação entre as emissões
em 2050 e as do ano 2000
1 11.512 37.990 1,65
2,5 24.060 79.398 3,44
4 49.747 164.165 7,11
Fonte: adaptado de Common e Stagl (2008).
A estimativa da capacidade humana de interferir negativamente no planeta irá aumentar, como
visto, significativamente. Isso implica um potencial de novos mercados, em que muitos
ambientalistas despromovem a oportunidade deles sob a alegação de que o capitalismo atual
deseja aproveitar-se sem ter preocupação com a questão ambiental de fato, mas que o mercado
será o responsável futuro por implodir o cenário ambiental numa escala global. Por outro lado,
algumas correntes acreditam que, mesmo que o avanço da poluição seja proveniente do próprio
mercado, é por meio dele que o futuro poderá ser melhor, por conta da autorregulação entre
oferta e demanda.
Por ser um cenário futuro, existe a grande impossibilidade de dosar cada uma das linhas de
pensamento em questão, cabendo ao cursista e a todos os profissionais da área entender,
investigar e propor alternativas que visem um futuro em que possíveis cenários catastróficos
sejam previstos e devidamente combatidos.
6
6
6
2
2
6
Carlos A. Santos, doutor em economia pela Freie Universitätde Berlim, acredita que a questão
sustentável não é uma moda, mas uma maneira de trabalhar, uma vez que a sustentabilidade “a
partir de uma racionalidade econômica se transformará brevemente em padrão de mercado,
porque o termo não é moda” (SANTOS, 2013, p. 77, grifo nosso).
Com isso, as “tendências sociais e os caminhos da inovação passada são tendências de
mercado” que consistem em “uma lista de tópicos de tendências gerais, assim como as políticas
de precificação, distribuição e comunicação no mercado-alvo” (BES; KOTLER, 2011, p. 74-75,
grifo nosso).
Diante disso, o processo de compra, informação básica para estudantes de marketing, de
publicidade e propaganda etc., nos traz um pano de fundo bastante importante para
entendermos o rigor mercadológico de escolhas por bens sustentáveis ou não.
Fazer com que as empresas entendam que existe uma necessidade de compra de energias
limpas, de utilização de recursos renováveis, de consumo consciente por parte da população em
geral, de economia de energia - especialmente as não renováveis – etc., para muitos
conservadores, dependerá do comportamento do próprio mercado, já que ele insere e exclui e
necessidade. O contraponto está voltado para a seguinte indagação: será que quando atingirmos
a real necessidade de aquisição do uso consciente dos recursos não será tarde demais?
Tendências sociais e o processo de compra4.4.2
Figura 29 – Questão sustentável não
é moda
Fonte: Charles Etoroma/Unsplash.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/29.jpg
De fato, existem energias limpas mais baratas e mais abundantes do que as tradicionais, o
problema gira em torno do interesse político em investir nelas, bem como em pesquisas para
novas possibilidades. Hoje em dia, grandes companhias de petróleo, siderúrgicas e indústrias
automobilísticas não se voltam para a questão com a urgência que ela requer. Todavia, exista
certa preocupação que está instigando o mercado a produzir carros híbridos e materiais com
ciclo renovável mais curto. Novamente: será que a pressa desse mercado é equivalente ao grau
de impacto negativo? Difícil dizer.
Santos (2013) entende que, no futuro, o desenvolvimento sustentável será composto por três
pilares fundamentais, e que, como num tripé, nenhum dos três pode ser posto de lado, a saber:
1. Aspecto ambiental;
2. Questão social;
3. Viés econômico.
Práticas profissionais - O consumo consciente não vai salvar o
mundo
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Após passar um bom tempo com mais de 50 executivos das principais empresas de alimentos
do mundo, Roberto Smeraldi nos informa que, ao passo que diversos segmentos, como a
tecnologia da informação, avançam satisfatoriamente, a indústria de alimentos inovou em escala
global apenas há algumas décadas, ao apresentar e popularizar o fast-food e a nouvelle cuisine.
O futuro do mercado de alimentos4.5
Smeraldi (2009, p. 59-61) divide a relação da população mundial com a comida em quatro
grandes grupos, sistema que adaptamos para apresentá-lo de modo mais claro e didático:
1. Segmento opulento: busca uma mistura entre requinte, status, tendência e excelência. Enxerga a cozinha
como um desafio cultural e gera expressivos desperdícios de resíduos orgânicos.
2. Segmento majoritário: aqueles que são maioria no mundo, isto é, não têm muita dificuldade de acesso aos
alimentos. Este segmento não guarda grande expectativa de qualidade, mas enfrenta os maiores impactos
da indústria de alimentos, incorrendo em diversas doenças: obesidade, diabetes, hipertensão, bulimia,
compulsão e vícios alimentares etc.
3. Segmento dos excluídos: enfrenta de fato a falta de comida, a desnutrição e a má nutrição. Está mais
voltado para problemas sociais, políticos e geopolíticos do que para a escassez de alimentos de fato.
Carece de acesso a terra, insumos e abastecimento de água.
4. Segmento rural: pequenos produtores familiares que produzem o próprio alimento.Em geral, este
segmento carece de alta tecnologia, insumos e direitos claros sobre a própria terra. Quando participa do
mercado, o faz de modo limitado. Muitas vezes, é levado aos dois segmentos mencionados imediatamente
acima e, em boa parte das vezes, precisa abandonar tudo o que tem a fim de buscar oportunidades nas
grandes metrópoles.
É evidente, portanto, que esses quatro segmentos carecem de perspectivas sustentáveis. É
necessário, então, que o mundo reinvente “a maneira como se relaciona com a comida, e isso
apresenta enormes oportunidades para a inovação e a sustentabilidade”. Isso vale para todos os
níveis, como exemplo “a construção de formas de inclusão alimentar [...], criação de
diferenciadores de valor baseados na cultura, na vinculação com o território, na diversidade, na
saúde, assim como na adoção de novos hábitos sociais” e de “lazer construídos em torno das
diferentes fases da cadeia” (SMERALDI, 2009, p. 61).
A ONU também pretende aumentar a produtividade agrícola das famílias pobres, o segmento
quatro de Smeraldi. Para a organização, esse passo será fundamental para acabar com a fome
até 2030. Nos países de baixa renda, as mudanças na pobreza e na desnutrição estão
Figura 30 – Futuro do mercado de alimentos
Fonte: freepik/freepik.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/30.jpg
intimamente relacionadas com as alterações na produtividade agrícola. Segundo o Banco
Mundial, entre 2000 e 2012, a taxa média de crescimento anual dos rendimentos sobre os cereais
nos países de baixa renda foi de 2,6%; durante o mesmo período, tanto a pobreza como a
subnutrição caíram 2,7% ao ano (WORLD BANK, 2016).
Matéria publicada no site da BBC Brasil fala sobre a combinação de seca e geada como
consequência de alteração nos preços do café e do açúcar. Veja mais no seguinte link:
www.bbc.com [https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58206634] .
A previsão para o ano de 2030 é que o crescimento populacional aumente e que a demanda por
alimentos cresça junto, especialmente nas regiões mais pobres do mundo, onde a produtividade
agrícola é mais baixa e a vulnerabilidade às alterações climáticas é mais elevada. A proposta é
que haja novos ganhos em produtividade agrícola e resiliência climática, particularmente em
países de baixa renda, para que, com isso, aumente a renda das pessoas mais pobres e que elas
tenham maior acesso à qualidade alimentar (WORLD BANK, 2016).
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58206634
Recapitulando a Unidade 4
Finalizamos a Unidade 4. Vimos sobre futuro, tributação, regulamentações, stakeholders,
comércio, questões sociais e ambientais. Mais do que isso, nossa reflexão final deve ser sobre o
futuro do mercado de alimentos, que é um dos pontos centrais: como continuar desenvolvendo
sustentabilidade permanente com intuito de continuar a evolução tecnológica e humana?
Indo além: como fatores de crescimento populacional, alterações no meio ambiente (a curto,
médio e longo prazos), tendências sociais e comércio podem se relacionar de forma sustentável?
Afinal, o ser humano só existe aqui e é nosso dever manter o meio ambiente em que estamos
inseridos de maneira funcional e da forma mais harmônica possível.
Considerações finais
A interação entre os mercados e o meio ambiente não é nova, trouxemos, então, algum contexto
que liga esses dois assuntos a fim de dar um embasamento teórico, contemplando alguns
limites do mercado e algumas perspectivas sociais e de responsabilidade mercadológica em prol
do meio ambiente.
Com alguns pensadores que se voltam para questões econômicas e sustentáveis, aprendemos a
noção do tríplice resultado e as tendências da responsabilidade empresarial. Foi demonstrado
que possivelmente o próprio mercado será capaz de contornar situações extremas das
alterações globais, sendo esta ideia somente uma perspectiva, uma vez que as demais se voltam
para a diminuição do lançamento de gases de efeito estufa e preservações ambientais diversas,
como todos nós já conhecemos.
As regulamentações fazem parte da sociedade, porém, na visão de alguns autores, o seu excesso
pode ser mais prejudicial do que benéfico. Também abordamos um pouco sobre esse assunto e
como ele influencia hoje as decisões e o cenário ambiental.
Nossa intenção, em especial, é trazer um contexto mais global, não um restrito às regionalidades,
a fim de fornecer uma visão um tanto quanto panorâmica e de cunho aberto, para que diante das
informações e dos posicionamentos ambientais, sociais e políticos traçados o cursista possa
tomar partido por meio de dados e posições que se voltam para as questões ambientais e de
sustentabilidade quando essas abarcam os setores do mercado.
A era da responsabilidade e da cooperação pode ser o sobrenome do século XXI, contudo, o
homem parece estar longe dessa jornada cooperativa, incorrendo em possíveis cenários não
ideais, mas reais, em que o individualismo é o norte. Entretanto, o amor ao próprio ambiente em
que vivemos e os traços de prioridade aos valores diante das vontades podem tornar-se
possíveis ferramentas de educação ambiental e conscientização social.
Autoria
Autor
Doutorando e mestre em Biotecnologia pela Universidade Estadual de Maringá. Possui
graduações em Engenharia Ambiental pelas Faculdades Oswaldo Cruz, assim como em Filosofia
e em Gestão Ambiental. Especialista em diversos outros cursos em nível de pós-graduação.
Engenheiro e gestor técnico com dez anos experiência no setor ambiental. Atuou como diretor e
administrador de Negócios na Luprigfile, sendo o principal responsável pela expansão estrutural
e administrativa da empresa. Também teve como foco expandir o grau de abrangência e atuação
de diversos outros negócios/empresas e seus respectivos nichos de mercado. Acumulou
experiências aplicadas diversas no segmento ambiental, incluindo, além da gestão dos negócios
e dos clientes, manipulação e administração de laboratório de análises. Desempenhou ainda
funções de consultoria e desenvolvimento de setores, planejamento, prospecção e
acompanhamento comercial/técnico de clientes. Ministra palestras e publica artigos em revistas
técnicas sobre diversos assuntos. Atualmente, trabalha especialmente como coordenador e
professor em cursos de pós-graduação.
Paulo Renato Lima
Glossário
Foi um ato de regulação que visava garantir a concorrência entre as empresas nos Estados
Unidos, evitando que qualquer delas se tornasse suficientemente grande para ditar as regras do
mercado em que atuava. Foi formulada por John Sherman. Fonte: pt.wikipedia.org
[https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Sherman_Antitruste] .
É uma doutrina filosófica que defende a abstenção dos prazeres físicos e psicológicos,
acreditando ser o caminho para atingir a perfeição e equilíbrio moral e espiritual. Fonte:
www.significados.com.br/ascetismo [https://www.significados.com.br/ascetismo/] .
É a tecnologia que consiste na mistura de resíduos compatíveis, proporcionado um produto
alternativo para a indústria cimenteira. Fonte: processa.ind.br
[http://processa.ind.br/atividade.shtml] .
Alarido, falatório, balbúrdia, som de vozes, barulho, gritaria. É um clamor de vozes resultado de
um tumulto, de uma confusão, de uma discórdia. Fonte: www.significados.com.br/celeuma
[https://www.significados.com.br/celeuma/] .
Substantivo feminino que significa um juízo ou opinião com fundamentação incerta; ou uma
dedução de um acontecimento que poderá acontecer no futuro, baseada em uma presunção.
Fonte: www.significados.com.br/conjectura [https://www.significados.com.br/conjectura/] .
Modo particular de perceber o mundo, geralmente tendo em conta as relações humanas,
buscando entender questões filosóficas (existência humana, vida após a morte etc.); concepção
ou visão de mundo. Fonte: www.dicio.com.br/cosmovisao
[https://www.dicio.com.br/cosmovisao/] .
Distopia ou antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção
cujo valor representa a antítese da utopia ou promovea vivência em uma "utopia negativa". As
Antitruste
Ascetismo
Blendagem
Celeuma
Conjectura
Cosmovisões
Distópico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Sherman_Antitruste
https://www.significados.com.br/ascetismo/
http://processa.ind.br/atividade.shtml
https://www.significados.com.br/celeuma/
https://www.significados.com.br/conjectura/
https://www.dicio.com.br/cosmovisao/
distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle
da sociedade. Nelas, "caem as cortinas", e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas
para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle,
seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações. Fonte: pt.wikipedia.org
[https://pt.wikipedia.org/wiki/Distopia] .
Que não pode ser apagado; que não se pode extinguir ou destruir; indestrutível; que o tempo não
corrói; permanente: recordação indelével. Fonte: www.dicio.com.br/indelevel
[https://www.dicio.com.br/indelevel/] .
Inovação significa criar algo novo. A palavra é derivada do termo latino innovatio, e se refere a
uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. Hoje, a
palavra inovação é mais usada no contexto de ideias e invenções, assim como a exploração
econômica relacionada, sendo que inovação é invenção que chega no mercado. Fonte:
pt.wikipedia.org [https://pt.wikipedia.org/wiki/Inova%C3%A7%C3%A3o] .
É um verbo prenominal ou transitivo direto na língua portuguesa, e significa o ato de diminuir a
intensidade de algo, fazer com que fique mais brando, calmo ou relaxado. A mitigação é como é
chamado o processo de mitigar. Fonte: www.significados.com.br/mitigar
[https://www.significados.com.br/mitigar/] .
É uma maneira de cozinhar e apresentar usada na cozinha francesa a partir da década de 1970.
Em contraste com a cozinha clássica, a nouvelle cuisine é caracterizada pela leveza, delicadeza
dos pratos e a ênfase na apresentação. Este movimento gastronômico revolucionou a "alta
cozinha" e contribuiu definitivamente para que a estética e os valores nutricionais se firmassem
na gastronomia moderna. Fonte: pt.wikipedia.org
[https://pt.wikipedia.org/wiki/Nouvelle_cuisine_fran%C3%A7aise] .
Significa literalmente “amor ao lar” e “compreende as nossas ligações mais profundas e contagia
as emoções morais, estéticas e espirituais que transfiguram o nosso mundo, criando, em meio às
emergências, um abrigo capaz de amparar as futuras gerações” (SCRUTON, 2016, p. 194).
Indelével
Inovação
Mitigação
Nouvelle cuisine
Oikophilia
Predação
https://pt.wikipedia.org/wiki/Distopia
https://www.dicio.com.br/indelevel/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Inova%C3%A7%C3%A3o
https://www.significados.com.br/mitigar/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nouvelle_cuisine_fran%C3%A7aise
É uma relação ecológica em que animais predadores se alimentam de outros animais para
obtenção de recursos para sobrevivência. Os predadores procuram ativamente e perseguem as
suas presas ou armam emboscadas. Fonte: pt.wikipedia.org
[https://pt.wikipedia.org/wiki/Preda%C3%A7%C3%A3o] .
Que ou aquele que querela, que move ação penal contra outrem, dito querelado. Fonte:
www.dicio.com.br/querelante [https://www.dicio.com.br/querelante/] .
Sonho; resultado da imaginação que tende a não se realizar. Fonte: www.dicio.com.br/quimera
[https://www.dicio.com.br/quimera/] .
É um anglicismo que se refere às descobertas afortunadas feitas, aparentemente, por acaso. A
história da ciência está repleta de casos que podem ser classificados como serendipismo. O
conceito original de serendipismo foi muito usado em sua origem. Nos dias de hoje, é
considerado como uma forma especial de criatividade, ou uma das muitas técnicas de
desenvolvimento do potencial criativo de uma pessoa adulta, que alia perseverança, inteligência
e senso de observação. Fonte: pt.wikipedia.org [https://pt.wikipedia.org/wiki/Serendipidade] .
Segundo Glenn Albrecht, que cunhou o termo, diz respeito à dor que temos quando vemos nosso
lugar de abrigo sendo destruído (SCRUTON, 2016).
Significa público estratégico e descreve todas as pessoas ou “grupo de interesse” que são
impactados pelas ações de um empreendimento, projeto, empresa ou negócio. Fonte:
www.significados.com.br/stakeholder [https://www.significados.com.br/stakeholder/] .
Extremamente; em alto grau; grande. Fonte: www.dicionarioinformal.com.br/sumamente
[http://www.dicionarioinformal.com.br/sumamente/] .
Querelante
Quimera
Serendipidade
Solastalgia
Stakeholder
Sumamente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Preda%C3%A7%C3%A3o
https://www.dicio.com.br/querelante/
https://www.dicio.com.br/quimera/
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