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ACÚSTICA MUSICAL 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Alysson Siqueira 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Na condição de musicistas e educadores musicais, precisamos prezar 
pela qualidade sonora da música que estamos apresentando aos nossos 
espectadores e estudantes. A preparação acústica é essencial até mesmo para 
sermos bem compreendidos musicalmente. 
Pensando nisso, abordaremos nesta etapa os princípios de isolamento e 
tratamento acústico. O primeiro diz respeito a impedir a propagação do som para 
que não possa ser percebido fora de um determinado ambiente sonoro. O 
segundo tem seu foco no interior do espaço, procurando otimizar suas 
características acústicas. Esses dois princípios serão fundamentais para 
tratarmos também da acústica de salas de espetáculo e também de estúdios de 
gravação e ensaio. 
Muitas vezes esses ambientes sonoros necessitarão de equipamentos 
para suprir demandas acústicas. Por esse motivo trataremos das bases teóricas 
do áudio e sobre os equipamentos de sonorização. 
TEMA 1 – PRINCÍPIOS DE ISOLAMENTO ACÚSTICO 
 Já sabemos que o som precisa de um meio elástico para se propagar. No 
nosso cotidiano existem diversos materiais com comportamento elástico 
evidente, como os prendedores cabelo e os elásticos das roupas. Porém, 
quando, após sua deformação, não há retorno à forma original, o material é 
considerado plástico. Isso acontece, por exemplo, com a argila e com as massas 
de modelar. 
De modo geral, os materiais se comportam de forma elástica até um certo 
limite do esforço a que são submetidos. Ao ultrapassá-lo, seu comportamento 
torna-se plástico. As características de elasticidade e plasticidade se diferenciam 
de acordo com a natureza do material. 
As paredes de alvenaria atuam no isolamento acústico por possuírem 
pouca elasticidade, por consequência, menor capacidade de transmitir som do 
que o ar. Já o concreto, que possui elasticidade ainda menor, é melhor isolante 
acústico ainda. Quanto maior o peso específico da parede, concluindo, menor 
será sua capacidade de transmitir som para o exterior. 
 
 
3 
A capacidade de transmissão do som ao ambiente externo é apenas um 
dos aspectos envolvidos no isolamento acústico. Há, ainda, outros três, 
conforme a Figura 1: 
Figura 1 – Comportamento acústico dos materiais 
 
Fonte: Siqueira, 2020, p. 210. 
Ao atingir um anteparo, uma parte do som é refletida; outra, absorvida; 
uma terceira é propagada pelo próprio material; e a última, transmitida para fora 
do ambiente. As paredes de concreto e alvenaria são bastante reflexivas e pouco 
absorventes. Por conta de sua falta de elasticidade também propagam pouco 
som dentro de si e transmitem pouco para fora. 
A análise desses quatro princípios da relação entre onda e matéria 
determina se um material específico é mais ou menos isolante. 
A associação com materiais absorvedores auxilia no isolamento, já que 
impedem parte do som de atingir o obstáculo. Nesses casos também podemos 
falar de “sistemas isolantes acústicos” (Carvalho, 2006, p. 56). 
O nível de isolamento acústico (IA) de um material ou sistema pode ser 
obtido em laboratório. No livro Acústica arquitetônica, Régio Carvalho (2006) 
 
 
4 
apresenta uma extensa tabela com os IA de diversos materiais medidos a partir 
de um som de 500Hz. Na tabela a seguir, destacamos alguns de interesse para 
a música. 
Tabela 1 – IA de materiais e sistemas acústicos a 500Hz 
Materiais e sistemas IA (dB) 500Hz 
Gesso acartonado 13mm, fixado em cada um dos lados por 
montantes de madeira 75 x 38 mm 
35 
Alvenaria de concreto 30 cm com agregado graúdo (pedras) 50 
Alvenaria de concreto 15 cm com agregado miúdo (areia) 40 
Alvenaria de concreto 15 cm com agregado miúdo (areia) 40 
Alvenaria de concreto 15 cm com reboco de 13mm 49 
Parede dupla de tijolos 11,2cm, com 13 mm de reboco e espaço 
vazio de 4,2cm (espessura total: 29,2 cm) 
54 
Esquadria de madeira ou metal com vidros duplos de 3mm, com 
câmara de ar de 100mm e absorvente no marco inferior entre os 
vidros, frestas seladas 
40 
Janela simples de vidro 3mm 20 
Fonte: elaborada por Siqueira, 2023, com base em Carvalho, 2006, p. 57-60. 
Entre os sistemas, alguns são compostos de duas placas separadas por 
um material absorvente. Esse método, muito eficiente para o isolamento 
acústico, é conhecido como “massa-mola-massa” (Carvalho, 2006, p. 62). Cabe 
ressaltar que quanto maior for a massa da mola e a distância entre as duas 
placas, maior será a efetividade do sistema. 
TEMA 2 – PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO ACÚSTICO 
Ambientes muito grandes e com paredes reflexivas produzem 
reverberações e ecos em excesso que podem prejudicar o resultado sonoro da 
apresentação musical. Algumas reflexões precisam ser eliminadas e outras 
valorizadas. É preciso, portanto, compreender bem esse processo para que 
possamos utilizar essas reflexões a nosso favor. 
Até meados dos anos 2000, os estúdios de gravação e ensaio procuravam 
eliminar completamente as reflexões. Isso se deve ao fato de que o som captado 
sem elas era muito mais fácil de manipular. Atualmente, muitos estúdios buscam 
 
 
5 
uma ambiência ideal na sala de gravação, em vez de criá-la artificialmente no 
computador. 
Uma onda refletida propaga-se pelo ambiente e, ao encontrar um novo 
anteparo, o fenômeno repete-se. Assim ocorre sucessivas vezes até sua perda 
total de energia. Além disso, como o som se propaga em todos os sentidos, isso 
acontece em todos os anteparos do ambiente. A primeira reflexão, provocada 
pelo anteparo mais próximo do emissor, denomina-se primária. Considerando 
apenas um emissor e um receptor no ambiente, obtemos um esquema como o 
da Figura 2: 
Figura 2 – Esquema de reflexões 
 
Fonte: Siqueira, 2020, p. 214. 
A figura representa uma sala retangular vista de cima, na qual há um 
emissor e um receptor. Ao ser emitido, o som direto (ilustrado pela linha cheia) 
viaja em linha reta até o ouvinte. Há frentes de onda – simbolizada pelas linhas 
grossas pontilhadas – que incidem diagonalmente nas paredes laterais e no 
anteparo atrás do emissor. Elas atingem os objetos em ângulos que permitem a 
propagação de suas reflexões (primárias) também na direção do receptor. 
Existem, ainda, frentes de onda (representadas pelas linhas finas pontilhadas) 
 
 
6 
refletidas duas vezes até chegar no ouvinte, percorrendo uma distância maior, 
essas se responsabilizam pela reverberação. 
As reflexões primárias, em alguns casos, podem ser bem-vindas para 
reforçar o som direto. Em outros, elas podem ser prejudiciais, como no caso de 
estúdios de gravação. Para reflexões indesejadas, uma das estratégias é usar a 
absorção. 
Outra estratégia muito utilizada atualmente se baseia em redirecionar as 
ondas sonoras. Esse processo aumenta a possibilidade de interferências 
destrutivas entre as ondas refletidas, devido à inversão de fase que sofrem. O 
redirecionamento realiza-se de diversas formas, uma delas é eliminando as 
paredes paralelas do projeto do ambiente acústico, projetando plantas oblíquas 
quando o ambiente acústico é planejado ou permite reformas. 
É também possível recorrer à aplicação de revestimentos oblíquos em 
paredes paralelas. Um material bastante usado com esse intuito são as placas 
de gesso com formatos angulares aplicadas à parede ou ao forro. 
Ainda pensando em promover reflexões difusas, há uma terceira 
possibilidade: o uso de difusores acústicos. 
Figura 3 – Difusor acústico 
 
Crédito: Feel Photo Art/Shutterstock. 
 
 
7 
Esse modelo de difusor, feito de tacos de madeira de diversos 
comprimentos, funciona muito bem para eliminar reflexões indesejadas em 
ambientes acústicos. 
Vistos os conceitos básicos, vamos aplicá-los às salas de espetáculos. 
TEMA 3 – ACÚSTICA DE SALA DE ESPETÁCULOS 
Um teatro possui três partes principais: o palco, onde, normalmente, se 
realiza o espetáculo, a plateia, onde fica o público,e as áreas de serviço. As 
duas primeiras partes compõem, de fato, a sala de espetáculo. Existem 
diferentes tipos de palco que interferem diretamente na concepção arquitetônica 
da casa de espetáculo. 
Figura 4 – Tipos de teatro 
 
Fonte: Siqueira, 2020, p. 218. 
O modelo teatro mais comum é o italiano, em que toda a plateia fica de 
frente para o palco. Normalmente possui uma planta retangular, possibilitando 
 
 
8 
que a reflexão proveniente da parede oposta ao palco provoque reflexões 
indesejadas. 
Conforme suas dimensões do teatro, o som pode chegar fraco aos 
ouvintes das últimas fileiras. Para vencer essas dificuldades, os teatros 
passaram a construir conchas acústicas. 
A concha consiste em uma inclinação no forro do teatro com a finalidade 
de direcionar uma reflexão primária para a plateia, como podemos observar na 
Figura 5. 
Figura 5 – Concha acústica 
 
Fonte: Siqueira, 2020, p. 219. 
O cálculo da inclinação da concha acústica considera que o ângulo de 
incidência da onda sonora é igual ao de reflexão. Assim, por meio da 
trigonometria, obtém-se o ângulo da concha. 
Em teatros com plateias com mais de 17 metros de comprimento, 
necessariamente e pelo menos, devem revestir a parede oposta ao palco com 
algum tratamento acústico, com a finalidade de evitar eco no palco – o que 
poderia gerar problemas de sincronia na performance musical. Em geral, todas 
 
 
9 
essas distâncias iguais ou maiores que 17 metros devem ter um tratamento 
especial. 
Além de tudo que já discutimos, caso estejamos estudando um novo 
projeto, recomenda-se sempre pensar no princípio da planta oblíqua. Um 
modelo bastante aplicado atualmente pode ser definido como uma combinação 
entre a semiarena e o palco italiano. 
Figura 6 – Planta oblíqua de teatro 
 
Fonte: Siqueira, 2020, p. 221. 
Mesmo com o paralelismo completamente eliminado, o tratamento 
acústico das superfícies pode ser necessário em função das dimensões. Se o 
som refletir várias vezes, o eco poderá, mesmo com paredes oblíquas, interferir 
na experiência do público. 
TEMA 4 – ACÚSTICA DE ESTÚDIOS DE GRAVAÇÃO E ENSAIO 
Por se tratar, em geral, de um ambiente menor do que uma sala de 
espetáculo, em um estúdio de gravação e ensaio, normalmente, é mais viável 
 
 
10 
pensar no princípio da planta oblíqua. Às vezes a readequação de uma parede 
pode ser suficiente para eliminar o paralelismo do ambiente. 
Um estúdio de gravação profissional básico conta, no mínimo, com dois 
ambientes: a sala de gravação e a técnica. Há estúdios mais sofisticados que 
possuem diversas cabines e salas de gravação. Quanto mais ambientes 
acústicos para a captação de som disponíveis, maior é a possibilidade de 
gravação de instrumentos simultaneamente sem vazamentos. 
Saiba mais 
Vazamento é um termo usado na produção sonora para se referir à 
captação, pelo microfone de um instrumento, de sons de outros instrumentos, de 
vozes e, até mesmo, de fones de ouvido. 
A sala de gravação, também chamada de aquário, normalmente 
corresponde ao maior espaço do estúdio e precisa passar por tratamento 
acústico. Caso você deseje uma sala seca, ou seja, com reflexões tendendo a 
zero, a alternativa é revestir todas as paredes com espuma acústica. 
Esse ambiente quase sem reflexões afeta a nossa percepção espacial. 
Sonoramente, diz-se que a sala fica sem ambiência. Porém, atualmente, há uma 
tendência de busca por uma ambiência natural que elimine as reflexões 
primárias, mas mantenha algumas reflexões de intensidade moderada. 
Para obter esse resultado, os difusores instalados nas paredes são 
fundamentais. Eles podem ser fixos, integrando o revestimento das paredes, ou 
móveis. 
Arestas verticais, formadas pelo encontro de duas paredes, 
principalmente aquelas que formam ângulos agudos, necessitam de tratamento 
para evitar interferências construtivas indesejadas. Nesse caso, o mercado 
oferece uma espuma específica, mas também podemos adotar outra solução 
criativa, como pedaços de velho colchão recortados e colados irregularmente na 
aresta, para absorver o som que ali chega. 
No caso do forro, placas oblíquas de gesso são bastante usuais. Também 
há situações em que placas de isopor foram usadas com sucesso. Depois de 
cortadas e coladas formando desenhos com relevo variado, elas foram 
revestidas com massa corrida e ajustadas no forro. 
O piso também não deve ser completamente revestido por material 
absorvedor. Em vez de carpete, por exemplo, atualmente costuma-se adotar 
 
 
11 
materiais pouco reflexivos, como a madeira laminada. Nesse cenário, para 
atenuar algumas reflexões do piso, é possível distribuir alguns tapetes pela sala. 
Levando em conta o princípio de que as paredes do estúdio estejam bem 
isoladas, as portas e janelas tornam-se os pontos frágeis. Existem portas 
específicas para isolamento acústico, com modelos comerciais previamente 
montados e prontos para a instalação. 
As janelas são o veículo de comunicação visual entre as pessoas que 
ocupam a área técnica e os músicos em performance no aquário. Para oferecer 
um bom isolamento acústico, o ar precisa ser retirado do espaço entre as duas 
placas de vidro. Isso se faz através de bombeamento, o material deve ser 
bastante resistente para suportar a sucção. A ausência de meio elástico entre as 
placas bloqueia a propagação do som. Uma alternativa para o uso das janelas é 
o uso de câmeras de monitoramento, com o cuidado de isolar a passagem do 
cabeamento entre os ambientes. 
Na sala técnica, o som gravado precisa ser ouvido pelo técnico 
diretamente dos monitores de referência. Para isso, revestimentos absorvedores 
e difusores são aplicados em todas as superfícies. Um cuidado especial deve 
ser tomado com a reflexão primária decorrente da parede imediatamente atrás 
do técnico. 
Saiba mais 
Monitores de referência são caixas acústicas de alto desempenho e 
fidelidade. São usadas em estúdios para fornecer parâmetros confiáveis ao 
operador. 
A acústica do estúdio de ensaio possui muitas semelhanças à da sala de 
gravação. Por não contar com cabines, a bateria fica no mesmo ambiente que 
os outros instrumentos. Se ela estiver posicionada próximo a uma parede, o que 
é comum, pode haver um efeito de concha acústica, produzindo reflexões 
primárias que reforçarão seu som direto. Difusores podem ser instalados logo 
atrás do instrumento, uma vez que, nesse tipo de espaço, ele não precisa ser 
amplificado. Além disso, dois anteparos revestidos de espuma acústica podem 
ser dispostos, diagonalmente, diante da bateria. Eles têm a função de atenuar 
as frentes de onda que poderiam gerar reflexões primárias nas paredes laterais. 
No caso do home studio, na maior parte dos casos compostos por um 
único ambiente que fundem as salas de gravação e técnica, torna-se necessário 
buscar o equilíbrio entre a ambiência sutil desejada para a gravação e a ausência 
 
 
12 
de reflexões que os processos de edição e mixagem requerem. Para a área 
técnica, os difusores serão necessários. Já para a de gravação, materiais 
absorventes diversos, como colchões, cobertores e travesseiros, podem ser 
criativamente dispostos para criar a ambiência desejada. 
O vazamento de ruídos de equipamentos de áudio e do computador 
representa outro problema dos home studios. Embora as tecnologias tenham 
avançado na redução do nível de ruído de eletrônicos, ele ainda não é nulo. 
Nesse ambiente específico, quanto mais longe dos equipamentos de áudio o se 
posicionar microfones, melhor. Há também a possibilidade de criar anteparos 
para atenuar os vazamentos de ruído. No caso específico da gravação de voz, 
existe um acessório chamado vocal box que pode desempenhar essa função, 
além de reduzir bastante a captação de reflexões pelo microfone. 
Saiba mais 
Vocal box é um dispositivo de seção semicircular revestido internamente 
por material absorvente, geralmente espuma acústica.Ele é preso no mesmo 
pedestal do microfone e cria uma concha que isola o dispositivo de captação das 
possíveis reflexões. 
TEMA 5 – NOÇÕES DE ÁUDIO 
Neste tópico, iremos falar de áudio levando em conta duas aplicações: a 
performance musical ao vivo e as gravações. Ambas também podem ser 
subdivididas entre áudio digital e analógico, embora os métodos analógicos de 
gravação, terem sido relegados a um segundo plano nas últimas décadas. 
Por outro lado, a tecnologia de áudio analógica ainda está muito presente 
na performance. Equipamentos que atuam dessa forma são bem mais 
acessíveis que os digitais, fato que dificulta a transição do trabalhador musical 
médio. Porém, as grandes empresas de sonorização e de produção cultural, 
assim como os artistas mais consagrados já realizaram essa passagem há 
algum tempo. Até mesmo templos religiosos estão em processo de atualização. 
As facilidades que as mesas digitais trazem à performance e seu crescente uso 
revelam uma tendência de substituição que deve se intensificar à medida que os 
equipamentos se tornam mais acessíveis. 
 
 
 
13 
5.1 Áudio para performance (analógico e digital) 
Um sistema de áudio possui dispositivos de entrada e saída. Os de 
entrada consistem em elementos de captação do som que, de maneira geral, 
correspondem a captadores e microfones. Eles possuem em sua estrutura um 
elemento vibrante. No caso do microfone, trata-se de uma membrana que, ao 
entrar em contato com as ondas sonoras, vibra de forma análoga. A vibração 
transforma-se, também analogicamente, em impulsos elétricos que são 
transmitidos através de um cabo. 
Os cabos mais comuns possuem duas vias: uma centralizada, revestida 
por material isolante, e uma malha que a circunda por toda sua extensão. Nas 
duas extremidades do cabo são soldados os conectores. 
Os tipos mais comuns de conectores são o TR e o XLR. No Brasil, o 
primeiro também é popularmente chamado banana, devido ao seu formato 
longilíneo, e pode ser encontrado em quatro tamanhos diferentes: o P1, o P2, o 
P4 e o P10. Devido ao conector, ou plugue, o cabo utilizado para conectar os 
instrumentos ao sistema de áudio é chamado de P10. 
Para instrumentos stereo, como alguns sintetizadores, utiliza-se um cabo 
de três vias soldado a conectores P10 stereo, denominados TRS. 
Já o cabo para conectores XLR possui três vias: uma positiva, outra 
negativa e o aterramento. A negativa transfere os mesmos impulsos que a 
positiva, porém suas polaridades são invertidas, para impedir que ruídos se 
acumulem ao longo do cabo. Ao chegar ao outro conector, as polaridades são 
igualadas e os impulsos elétricos são transmitidos livres de ruído. Esse tipo de 
cabo, também é conhecido como balanceado, é o mais indicado para 
microfones, embora alguns instrumentos com captação também o utilizem. 
Para os instrumentos que não contam com um conector XLR, a opção é 
usar um dispositivo chamado direct box cuja entra é P10 e a saída XLR. 
 Existem duas classificações de microfone, uma é baseada no sistema de 
captação e a outra no padrão de captação. Os microfones podem ser dinâmicos 
ou condensadores. 
Os microfones dinâmicos captam a vibração através de um processo 
estritamente mecânico. A membrana, chamada de diafragma, capta a vibração, 
que um sistema, composto por ímã e bobina, converte em sinais elétricos. Esse 
 
 
14 
tipo de microfone é bastante versátil, porém mais utilizado nas performances ao 
vivo. 
Os microfones condensadores, em vez de um diafragma mecânico, 
possuem uma cápsula que, na verdade, é um capacitor elétrico. Este é 
carregado com uma tensão de 48 volts, que oscila de acordo com a variação de 
pressão no ar. Assim, de forma analógica, geram-se impulsos elétricos que serão 
transmitidos para o sistema de áudio. Os condensadores possuem sensibilidade 
muito maior do que os microfones dinâmicos, sendo capazes de captar sons com 
alta fidelidade e amplitude de sinal. Por essa razão, comportam-se bem em 
estúdio e têm o uso limitado em performance. Para funcionarem com a tensão 
de 48 volts, os condensadores precisam de uma fonte de energia. Alguns 
modelos utilizam pilhas, mas a maioria recebe essa alimentação pelo próprio 
cabo balanceado. Nesses casos, a energia provém do mixer ou da interface de 
áudio que possui um botão phantom power, cujo acionamento proporciona a 
alimentação dos condensadores. 
De acordo com o padrão de captação, os microfones apresentam dois 
padrões básicos: os cardioides e os omnidirecionais (ou simplesmente omni). 
Os microfones de padrão cardioide captam o som de uma área semelhante a um 
coração. Os omnidirecionais captam o som da mesma forma em todo seu redor. 
Esses padrões possuem representações gráficas, que normalmente são 
estampadas no próprio microfone. 
Figura 7 – Padrões de captação de microfones 
 
Fonte: Siqueira, 2020, p. 232. 
Além dos dois padrões principais, existe a possibilidade de criar 
combinações e variações para casos específicos. O padrão figura 8, por 
exemplo, capta sons em uma região circular frontal e outra traseira. O 
 
 
15 
supercardioide é uma variação do cardioide com alcance frontal expandido –
padrão também conhecido como direcional. 
Depois de captado e convertido, o sinal elétrico é transmitido pelos cabos 
até um mixer, que, em português, é comumente chamado de mesa de som. 
Este dispositivo conta com diversos canais de entrada e, dentro dele, podem ser 
possíveis diversas operações de processamento de áudio. Entre as mais simples 
estão o controle de volume, o pan, que distribui o som mais para a direita ou para 
a esquerda, e a equalização, que controla a intensidade de determinadas faixas 
ou bandas de frequência. 
À mesa de som podem ser conectados diversos equipamentos auxiliares 
ou periféricos, como módulos de equalizadores, compressores, efeitos, entre 
outros. 
A mesa de som pode ter diversas portas de saída: as auxiliares conectam 
os periféricos; os monitores alimentam as caixas de retorno no palco; saída 
master conduz o sinal para os amplificadores. Existem, ainda, saídas de linha, 
com conectores RCA para gravação analógica, e a de fone de ouvido. 
As mesas de som digitais possuem os mesmos recursos das analógicas 
e agregam uma série de novas possibilidades. Nelas, o operador pode salvar as 
configurações de um determinado grupo musical e restaurá-las a qualquer 
momento. Há periféricos digitais dentro do próprio sistema, sendo desnecessário 
o uso de módulos de efeito físicos. A conversão do áudio analógico para dados 
permite a gravação stereo digital em sua memória interna e, se conectada a um 
computador, é possível gravar todos os instrumentos em pistas separadas – o 
que permite edição e mixagem posteriormente. 
A saída master da mesa leva o sinal elétrico para um amplificador. Este 
amplifica o sinal de tal maneira que ativa os alto-falantes chamados de PA, do 
inglês public adress – que pode ser compreendido como “destinado ao público”. 
A partir desse ponto, as características arquitetônicas do ambiente se 
encarregam da acústica 
5.2 Áudio para gravação digital 
Quanto aos dispositivos de entrada da tecnologia digital para gravação, 
acrescenta-se a figura do controlador. Além de teclados controladores, existem 
diversos tipos de instrumento com essa função, como baterias eletrônicas, 
 
 
16 
instrumentos de corda, entre outros. Esses dispositivos transmitem dados ao 
computador, que utilizam o protocolo midi para se comunicar. 
Para haver áudio digital é necessário que exista um dispositivo para 
converter o sinal analógico em dados: uma interface de áudio digital. As mesas 
de som digitais mais recentes acumulam essa função, porém o mercado 
desenvolve equipamentos próprios para gravação, desde os mais simples, com 
um ou dois canais de entrada, até os mais sofisticados, com mais de uma 
centena. Há, também, microfones USB, que convertem diretamente o som emdados e os transmitem ao computador. Por essa razão, esses microfones 
desempenham o papel de interfaces de áudio. 
Os dados chegam ao computador e, normalmente, o usuário precisa de 
um programa de gravação que se chama DAW (digital áudio workstation ou 
estação de trabalho de áudio digital). Neste software se constrói o ambiente de 
gravação, no qual podemos criar inúmeras trilhas, ou tracks, de áudio ou de midi 
para controlar instrumentos virtuais. Além disso, é possível conectar uma 
infinidade de módulos de efeitos virtuais a um canal, a um grupo de canais ou a 
todos eles. 
Algumas DAWs muito utilizadas são Pro Tools, Logic, Nuendo, Cubase, 
Ableton e Reaper. Além delas, há softwares de manipulação como o Soundforge 
e o Audacity que sempre são muito úteis para o acabamento dos arquivos de 
áudio digital. 
NA PRÁTICA 
Cada vez mais, em práticas artísticas e educacionais voltadas à música, 
percebemos a necessidade de desenvolvermos habilidades para a produção de 
áudio, seja para a criação de uma guia de gravação de um coro virtual ou até 
mesmo para a produção de um videoclipe para o canal do Youtube. Mas para 
adquirirmos essa habilidade, é preciso conhecimento e prática. E para praticar 
se faz necessário ter em mãos os recursos tecnológicos que aqui comentamos. 
Nesta etapa, a prática fica por sua conta e nós vamos indicar caminhos 
para você montar seu set de gravação digital de acordo com suas necessidades 
e possibilidades. 
Vamos nos basear no princípio de que você já possua um computador 
(desktop ou laptop). Mas caso não tenha, é possível encontrar soluções 
alternativas para celular, inclusive DAWS que funcionam em sistema Android. 
 
 
17 
Se você pode ouvir músicas em seu computador, ele certamente tem uma 
placa de áudio. Ela mesma já é capaz de fazer a conversão do sinal analógico 
para dados. Pensando na solução mais acessível, não vamos considerar a 
aquisição de uma interface de áudio. 
Normalmente os computadores possuem apenas um conector de áudio, 
do tipo P02, que serve tanto para fone de ouvido quanto para microfone. A 
limitação dele é que não se podem conectar os dois dispositivos ao mesmo 
tempo. Para vencer essa limitação, é possível adquirir um adaptador que 
possibilita a conexão dupla na mesma entrada/saída. Basta agora conectar seu 
fone de ouvido e seu cabo de instrumento ou microfone. Apenas mais uma 
adaptação será necessária, pois esses cabos possuem conectores P10. É 
possível encomendar, em lojas de eletrônica, cabos P02-P10 e XLR-P02. 
Também encontramos no mercado adaptadores P10-P02 que podem ser 
utilizados. 
Após a montagem desse set, é preciso equipar o computador com os 
softwares necessário. Um programa que irá suprir as demandas por bastante 
tempo é o Reaper, que possui a vantagem ainda de ser gratuito. 
Então, monte seu set, faça suas gravações, edições e mixagens e 
compartilhe com colegas e professores. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, analisamos diversos aspectos relativos ao comportamento 
do som nos ambientes em que ele se realiza. Os pormenores dessa 
compreensão são objeto de trabalho de arquitetos e engenheiros de som. Mas 
como em algum momento de nosso trabalho teremos que entrar em contato com 
esses profissionais, já saberemos ao menos o básico para sermos 
compreendidos e para compreendermos as ações que venham a ser tomadas. 
A acústica musical busca selecionar os conhecimentos desse ramo da 
física que concerne à música, utilizando-se do conhecimento das características 
básicas do som que exploramos em música, passando pela obtenção das notas 
musicais, pela obtenção de sons por meio de instrumentos e equipamentos 
desenhados para esta finalidade ou não, e finalmente chegando nos ambientes 
onde a música de fato se realiza. 
 
 
18 
Esperamos que essa viagem sonora contribua para um fazer musical mais 
consciente da natureza sonora e das possibilidades que esses conhecimentos 
aqui vistos trazem para a música. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
CARVALHO, R. P. Acústica arquitetônica. Brasília: Thesaurus, 2006.

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