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EMPREENDEDORISMO José Janguiê Bezerra Diniz gente criando o futuro JOSÉ JANGUIÊ BEZERRA DINIZ AUTORIA EMPREENDEDORISMO © Ser Educacional 2019 Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro Recife-PE – CEP 50100-160 *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Imagens de ícones/capa: © Shutterstock Presidente do Conselho de Administração Diretor-presidente Diretoria Executiva de Ensino Diretoria Executiva de Serviços Corporativos Diretoria de Ensino a Distância Autoria Organizadora Projeto Gráfico e Capa Janguiê Diniz Jânyo Diniz Adriano Azevedo Joaldo Diniz Enzo Moreira José Janguiê Bezerra Diniz Lilian da Silva Almeida Moura DP Content DADOS DO FORNECEDOR Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão. DINIZ, José Janguiê Bezerra. Empreendedorismo. ISBN: 978-65-81507-30-5 I.Empreender. II.Tecnologia. III.Inovação. Boxes ASSISTA Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple- mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado. CITANDO Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo abordado. CONTEXTUALIZANDO Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstra-se a situação histórica do assunto. CURIOSIDADE Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado. DICA Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado. EXEMPLIFICANDO Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto. EXPLICANDO Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada. Unidade 1 - Definições de empreendedorismo Objetivos da unidade ........................................................................................................... 13 Definições de empreendedorismo .................................................................................... 14 Origens do pensamento empreendedor .................................................................... 19 Tipos de empreendedorismo ....................................................................................... 20 Diferenças entre o empreendedor e intraempreendedor ............................................. 25 Vantagens e desvantagens ......................................................................................... 31 Descrevendo as características do perfil do empreendedor ...................................... 32 Diferenças e similaridades entre o empreendedor e o executivo não empreendedor ..36 É possível aprender a ser empreendedor? ...................................................................... 42 Sintetizando ........................................................................................................................... 44 Referências bibliográficas ................................................................................................. 45 Sumário Sumário Unidade 2 - Entenda a globalização e o empreendedorismo no Brasil Objetivos da unidade ........................................................................................................... 47 Entendendo a globalização ................................................................................................ 48 Globalização empresarial ............................................................................................ 49 Vantagens e riscos da globalização .......................................................................... 50 Papel do empreendedor e do intraempreendedor na globalização ..................... 52 Empreendedorismo no Brasil ............................................................................................ 53 Fatores que influenciam e fomentam o empreendedorismo ................................. 57 Quem são os novos empreendedores? ..................................................................... 58 O empreendedorismo feminino ................................................................................... 60 O empreendedorismo digital ....................................................................................... 63 Startups ........................................................................................................................... 67 Descrevendo e definindo: empreendedores e intraempreendedores ........................ 68 Clientes ........................................................................................................................... 68 Fornecedores ................................................................................................................. 74 Concorrentes ................................................................................................................. 75 Sintetizando ........................................................................................................................... 77 Referências bibliográficas ................................................................................................. 78 EMPREENDEDORISMO 6 Sumário Unidade 3 - Definições de empreendedorismo Objetivos da unidade ........................................................................................................... 81 Planejamento estratégico .................................................................................................. 82 Análise de mercado ...................................................................................................... 89 Análise de cenários ...................................................................................................... 91 Análise ambiental (micro e macroambiente) ........................................................... 95 Aprendendo a construir a Matriz SWOT ................................................................... 97 A importância da criatividade e da inovação para a criação de produtos e serviços ........................................................................................................... 99 Principais tipos de organização ...................................................................................... 100 Indústria, comércio e serviços ................................................................................. 101 Governamental ou Estatal .......................................................................................... 103 Empresa não governamental .................................................................................... 104 Modelo de empresas: individual, micro e pequenas empresas e empresas de gran- de porte.................................................................................................................................105 Sintetizando ......................................................................................................................... 109 Referências bibliográficas ............................................................................................... 110 EMPREENDEDORISMO 7 Sumário Unidade 4 - Plano de negócios e apresentação do empreendimento ao mercado Objetivos da unidade ......................................................................................................... 113 Identificando as oportunidades de negócio ................................................................. 114 Qual é o negócio, mercado e pesquisa de mercado? ........................................... 118 Qual é o produto/serviço e o melhor caminho a seguir? ...................................... 121 Quais são as oportunidadese os riscos do negócio? .......................................... 123 Como otimizar as suas chances de sucesso? ........................................................ 125 Importância do cliente e análise cuidadosa do produto ...................................... 125 Construindo o plano de negócios .................................................................................... 127 Como elaborar um plano de negócios ..................................................................... 129 Gestão estratégica ...................................................................................................... 137 Fontes de financiamento ................................................................................................... 139 Como definir o investimento inicial .......................................................................... 141 Fontes de financiamento e linhas de crédito ......................................................... 141 Apresentando o seu empreendimento ao mercado ..................................................... 143 Sintetizando ......................................................................................................................... 148 Referências bibliográficas ............................................................................................... 149 EMPREENDEDORISMO 8 Nos dias de hoje, torna-se cada vez mais evidente o crescimento e a importân- cia do empreendedorismo. Isso ocorre porque as pessoas perdem seus empregos e precisam arranjar outras maneiras de rendimento, ou até mesmo porque elas querem mudar de profissão, descobrem habilidades para executar novas ativida- des e querem colocar seus sonhos em prática. Sendo assim, os motivos que levam pessoas a empreender são inúmeros. Entretanto, sabemos que essa atitude, além de muito corajosa, requer o uso de algumas ferramentas importantes de apoio à ação empreendedora, como conhe- cimentos sobre o segmento no qual se quer empreender, informações sobre os clientes, o mercado, dentre outras. Tendo isso em mente, neste curso aprenderemos a desenvolver característi- cas empreendedoras facilmente identificadas no empreendedor, como ousadia, perseverança, persistência, etc. Falaremos também sobre o intraempreendedor, ou seja, sobre aquele que empreende dentro das organizações por meio de no- vas soluções para produtos e serviços, utilizando a tecnologia para trazer mais competitividade para a empresa. O intraempreendedor não precisa ser o dono do próprio negócio, pois ele empreende dentro de uma organização e gera inovações, desenvolvendo, desse modo, o empreendedorismo corporativo. Por fim, mostraremos os tipos de empreendedorismo, como o empreendedo- rismo social é importante para o desenvolvimento de uma sociedade e como essa atitude pode potencializar e maximizar os resultados organizacionais. EMPREENDEDORISMO 9 Apresentação Dedico esta obra primeiramente a Deus por me conceder sabedoria, aos meus Mestres, que me ajudaram no meu desenvolvimento intelectual, e aos meus familiares, que tanto me apoiam e acreditam em meu potencial. O professor José Janguiê Bezerra Diniz é doutor (2003), mestre (1998) e bacha- rel (1987) em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e gra- duado em Letras (1987) pela Universi- dade Católica de Pernambuco (UNICAP). Trabalhou durante toda sua graduação e, antes de se formar, montou seu pri- meiro escritório. Depois disso, atuou como Juiz Federal do Trabalho do TRT – 6ª Região, como Procurador do Trabalho do Ministério Público da União e como professor de Direito. Sua vida profissional começou cedo e, de certa forma, sempre esteve envol- vido com a área educacional. Em 1994, fundou um dos cursos preparatórios para concursos mais qualificados de Recife e, em 1998, fundou uma escola que até hoje atende alunos da Educação Infantil ao Ensino Pré-vestibular. Atual- mente, é Fundador e Presidente do Con- selho de Administração do grupo Ser Educacional. Além disso, possui mais de 20 livros pu- blicados. Dentre eles, sua autobiografia Transformando sonhos em realidade – a trajetória do ex-engraxate que chegou à lista da Forbes, publicada em 2015, além de livros sobre estratégias para se obter sucesso e sobre empreendedorismo. Currículo Lattes: <http://lattes.cnpq.br/7165319815990198.> EMPREENDEDORISMO 10 O autor A professora Lilian da Silva Almeida Moura é licenciada em Pedagogia pela Uni- nove (2017), mestre em Gestão de Pessoas e Organizações pela Umesp (2012), possui extensão internacional pela University of La Verne na área de Marketing, Strategic Executive Management (2007), é especia- lista em Marketing de Serviços pela Unip (2006), em Gestão Empresarial pela Fecap (2005) e bacharel em Administração com ênfase em Comércio Exterior também pela Uninove (2000). É docente do ensino su- perior há 12 anos, ministrando disciplinas de Marketing, RH e Administração. Tem vasta experiência na área comercial com empresas multinacionais para serviços de Experiência em projetos de inclusão social, ministrando cursos de Administração para Currículo Lattes: <http://lattes.cnpq.br/8788172995479158> Organizadora EMPREENDEDORISMO 11 DEFINIÇÕES DE EMPREENDEDORISMO 1 UNIDADE Objetivos da unidade Tópicos de estudo Permitir a compreensão do termo empreendedorismo e os tipos existentes; Entender diferenças e similaridades entre empreendedor e intraempreendedor; Perceber as características do empreendedor e do administrador. Definições de empreendedorismo Origens do pensamento empre- endedor Tipos de empreendedorismo Diferenças entre o empreende- dor e intraempreendedor Vantagens e desvantagens Descrevendo as características do perfil do empreendedor Diferenças e similaridades entre o empreendedor e o execu- tivo não empreendedor. É possível aprender a ser em- preendedor? EMPREENDEDORISMO 13 Definições de empreendedorismo O que é empreender? Poderíamos ficar horas e horas tentando achar uma única definição para esse termo. Entretanto, o verbo agir é o que me- lhor define seu significado. Quando falamos de empreendedorismo, muitos verbos podem surgir, tais como sonhar, realizar, fazer algo novo, desenvolver, revolucionar, exe- cutar, criar, dentre outros. Todavia, a ação é o que concretiza qualquer um desses verbos ou desejos. Nesse sentido, empreender pode ser en- tendido como tirar uma ideia do papel e colocar as “mãos na massa” para executá-la. O empreendedor é aquele que transforma seus sonhos em realidade e que não desiste de seus projetos. CITANDO “Empreendedores são indivíduos que apresentam características e competên- cias para idealizar, sonhar, ousar, criar e conduzir um negócio com sustenta- bilidade, perenidade e lucratividade. É um indivíduo que munido de uma forma extraordinária que surge do seu interior, transforma pensamentos em ação e sonhos em realidade. E não desperdiça oportunidades” (Fonte: DINIZ, sd). Outro estudioso da área, José Dornelas, em seu livro Empreendedorismo: transformando ideias em negócios, escrito em 2016, afirma que o empreende- dorismo está relacionado com a criação de um novo negócio que envolve pes- soas, processos e transforma ideias em oportunidades. No passado, o empreendedor já foi visto como um grande influenciador da economia, introduzindo novos produtos e serviços no mercado e, consequen- temente, criando novas formas de empresas, bem como oportunidades em momentos difíceis. O empreendedor é uma pessoa dinâmica, que sonha e realiza, tem um espírito revolucionário e ansiedade por colocar novas ideias em prática. Além disso, ele não tem medo de correr riscos e ir atrás de seus sonhos, pois tem, em sua essência, a criatividade e a usa para criar novas coisas. É claro que também não podemos empreender de qualquer jeito, sem dire- ção, ou seja, precisamos de um norte, de planejamento e necessitamos sabercomo as coisas devem ser feitas para que alcancemos o sucesso. Entretanto, é EMPREENDEDORISMO 14 importante lembrar que os empreendedores nem sempre vencem na primeira tentativa. Desse modo, errar, acertar e, principalmente, não desistir fazem par- te do aprendizado do empreendedor. Além disso, o empreendedor tem muitas responsabilidades, sendo que, se dedicar e investir na criação de novos negócios é uma delas. Gerar tra- balhos, empregos e fazer a diferença são outras responsabilidades de igual importância. DIAGRAMA 1. EMPREENDEDOR TEM MUITAS RESPONSABILIDADES Dedicar-se Investir na criação de novos negócios Gerar trabalhos, empregos Fazer a diferença O termo empreendedor vem da palavra francesa entrepreneur e significa aquele que assume riscos e faz algo novo. Muitos acreditam que não conse- guem empreender por acharem que esse perfil corajoso e cheio de audácia é algo inato, ou seja, a pessoa nasce empreendedora. Não é totalmente errado pensar desta forma, porém Dolabela, em um de seus cursos sobre empreendedorismo, defende que todos nascemos empreendedores. De certa forma, essa afirmação pode ser consoladora. De acordo com o autor, nascemos todos empreendedores, mas uns têm mais habilidades do que outros devido aos estímulos recebidos do ambiente em que crescemos, ou seja, da escola, da comunidade, dos relacionamentos e, principalmente, da família. Sendo assim, podemos aprender a desenvolver tais características se formos mais estimulados ou buscarmos esse desenvolvimento. EMPREENDEDORISMO 15 ASSISTA Assista a um trecho de um curso que preparei, que aborda a questão do empreendedorismo como questão cultural. O empreendedorismo é o resultado da ação do empreendedor. Em ou- tras palavras, é aquilo colocado em prática que gera lucros e riquezas para a empresa e o país. A prática ficou conhecida em 1950 pelo economista fran- cês Joseph Schumpeter, que classificava empreendedores como pessoas de sucesso por meio da criatividade e inovação. Deste modo, empreendedo- rismo deve ser considerado um dos principais fatores que desenvolvem economicamente uma nação. Podemos afirmar que o empreendedor é estimulado pela família. Dessa for- ma, se você nasceu em uma família de empreendedores, você terá maior pro- pensão de se tornar um empreendedor, ou seja, se temos algum exemplo de em- preendedorismo na família, é bem provável que possamos desenvolver a ideia de empreender. Se não temos nenhum exemplo, a tendência é buscarmos por empregos que nos deem mais estabilidade, como empregos de carteira assinada e concursos públicos. Consideramos, assim, que o empreendedorismo é uma questão cultural, ou seja, é uma cultura passada de pai para filho. Portanto, se o pensamento do pai for negativo em relação ao processo de empreender, vendo a atividade como capitalista, nociva e gananciosa, os filhos terão a mesma imagem do empreende- dorismo. E, por acharem que isto não é legal, não acharão importante empreen- der e irão buscar outras opções de trabalho. Há autores que defendem que todos podem empreender, pois se trata de uma habilidade que pode ser desenvolvida, e não um traço de personalidade. Nesse sentido, pode-se usar como ferramenta de desenvolvimento a busca de conceitos e teorias, e não apenas se prevalecer da própria intuição e imagina- ção. É de extrema importância que o empreendedor, além de ter um sonho, busque condições para empreender, ou seja, adquira habilidades e competên- cias básicas para se tornar um bom empreendedor. Essas primeiras definições nos levam a refletir que o empreendedorismo é: EMPREENDEDORISMO 16 SONHO QUE GERA UM DIAGRAMA 2. UM MIX Conceitos Conhecimentos Habilidades Emoções Sentimentos Que pode trazer lucratividade e benefícios, tanto para o realizador quando para as pessoas envolvidas atingidas por essa realização. Além disso, podemos falar em “iluminação divina”, que não diz respeito a uma religião específica, mas sim à ligação com Deus, com o ético, o moral e o correto. Quando você faz as coisas certas, tudo começa a correr bem. Diante de tudo isso, surge uma pergunta: empreender é uma ciência, um dom ou uma arte? Empreender é desenvolver o dom interior que se transforma na arte de criar, fazer e acontecer com ousadia, determinação, coragem, motivação e criatividade. Com a prática, o dom é desenvolvido e, assim, se transforma em arte. Dessa forma, precisamos empreender em nossas vidas antes de empreen- DIAGRAMA 3. EMPREENDER É X PRÁTICA PARA EMPREENDER Com a prática, o dom é desenvolvido e, assim, se transforma em arte. DOM PARA EMPREENDER Empreender é desenvolver o dom interior que se trans- forma na arte de criar, fazer e acontecer com ousadia, determinação, coragem, motivação e criatividade. EMPREENDEDORISMO 17 dermos nos negócios, ou seja, é preciso olhar primeiro o que estamos fazendo, como administramos nossas finanças pessoais, nossos relacionamentos, nossa vida profissional, ter organização e planejamento antes de se aventurar no mun- do dos negócios. O estudioso Chiavenato, em seu livro Empreendedorismo, dando asas ao es- pírito empreendedor, publicado em 2008, nos mostra que o empreendedor faz coisas, tem sensibilidades diversas e consegue transformar ideias em realidade. Na verdade, o empreendedor é a pessoa que consegue fazer as coisas acontecerem, pois é dotado de sensibilidade para os ne- gócios, tino financeiro e capacidade de identificar oportunidades. Com esse arsenal, transforma ideias em realidade para benefício próprio e para o benefício da comunidade. Por ter criatividade e um alto nível de energia, o empreendedor demonstra imagina- ção, perseverança, aspectos que, combinados adequadamente, o habilitam a transformar uma ideia simples e mal estruturada em algo concreto e bem-sucedido no mercado (p. 7). Ao buscarmos desenvolver estas habilidades com dedicação e força de von- tade, poderemos empreender em algo que acreditamos. Sendo assim, é importante que o empreendedor possa responder algumas questões que darão o direcionamento ao seu projeto e suas ações. No Quadro 1, é possível ver algumas dessas questões. A diferença do não empreendedor, nestes casos, é que ele não age, ou seja, QUADRO 1. PERGUNTAS FUNDAMENTAIS PARA QUEM DESEJA EMPREENDER Quais são suas características pessoais? Que tipo de empreendedor você é? Qual é a sua necessidade de realização? Qual é a sua disposição para assumir riscos? Qual é o seu grau de autoconfiança? Você tem conhecimento sobre o segmento? Qual é seu planejamento estratégico? Fonte: CHIAVENATO, 2008, p.13. (Adaptado). EMPREENDEDORISMO 18 só sonha e não tira seus sonhos do papel, não tem atitude. Muitas vezes, esse comportamento é caracterizado pelo medo. O medo é um sentimento muito im- portante em nossas vidas, pois nos dá um senso de responsabilidade quanto àquilo que fazemos. Entretanto, não podemos deixar que esse sentimento nos domine, pois não conseguiremos fazer nada o que queremos, ou seja, iremos idealizar muito mais do que realizar. Origens do pensamento empreendedor O estudioso Chiavenato, em sua obra Empreendedorismo, dando asas ao espírito empreendedor, publicada em 2008, afirma que “O empreendedo- rismo tem sua origem na reflexão de pensadores econômicos dos séculos XVIII e XIX, conhecidos como defensores do laissez-faire ou liberalismo eco- nômico” (p. 5). Esse princípio defendia que as forças livres de mercado e da concorrên- cia influenciavam a economia da região. E o empreendedorismo, ao trazer novos negócios, era visto como um grande impulsionador da economia. Não só o Liberalismo estudou o empreendedorismo, mas também outras ciências, como a Sociologia, a Psicologia, a Antropologia, as escolas dos econo- mistas behavioristas e dos precursores da teoria de Traços da Personalidade. O sociólogo Max Weber buscou analisar a economia e o empreendedorismo e desenvolveu a Teoria doCarisma. Essa teoria identificava um perfil especial de ser humano, que tinha seguidores exclusivamente pela sua personalidade ex- traordinária. Para Max, esse perfil apenas teria funcionado como um promotor de mudanças nos estágios iniciais da humanidade. EMPREENDEDORISMO 19 Em sua obra A ética protestante e o espírito do capitalismo, republicada em 1967, Weber traz duas visões sobre o empreendedor: a primeira com o foco no desenvolvimento do empreendedorismo depois da Reforma Protestante e a segunda enfatiza como a orientação da religião ajudou no desenvolvimento de uma atitude clara e positiva sobre ganhar dinheiro e o trabalho, dando ênfase para o assunto. A psicologia realizou vários estudos sobre o perfil do empreendedorismo. Alguns dos estudiosos da época foram David McClelland, com a tese central sobre o empreendimento. Everett E. Hagen defendia que o empreendedor se formava a partir das necessidades dos locais onde crescem e vivem enquanto minorias na sociedade. Todavia, entende-se que até hoje muitos estudiosos trabalham o tema de em- preendedorismo, contribuindo para o conhecimento e interpretação do tema. Tipos de empreendedorismo Já vimos que o empreendedorismo é um fenômeno muito importante em um país, pois é capaz de contribuir para o seu desenvolvimento, com o objetivo de melhorar a vida das pessoas que lá vivem. O empreendedorismo é dividido em: DIAGRAMA 4. TIPOS DE EMPREENDEDORISMO Empreendedorismo social de primeira ordem ou grandeza É o empreendimento que não visa o lucro, os empreendedores trabalham para melhorar a qualidade de vida das pessoas em um determinado local ou da sociedade; É o empreendimento que visa lucro e que também gera benefícios para o bem comum e para a sociedade. Empreendedorismo social de segunda ordem ou grandeza EMPREENDEDORISMO 20 Além disso, o assunto pode ter uma visão sociológica que possui a seguinte classificação: Primeiro setor: Estado; Segundo setor: empresas de forma geral; Setor 2,5: empreendimentos sociais que visam lucro e ge- ram benefícios sociais; Terceiro setor: empresas sem fins lucrativos (ONGs e OSCIPs). Dessa forma, o empreendedorismo social de pri- meira ordem ou grandeza tem o objetivo social de, por meio de recursos e investimentos, realizar sonhos sustentáveis para minimizar o sofrimento dos outros, dando aos que pre- cisam uma oportunidade de mudar seu status quo e sua situação social. O empreendedorismo social tem por base a responsabilidade social das empresas. No empreendedorismo de primeira ordem ou grandeza existe uma preocupação com o outro. Ele não visa o lucro, ou seja, é puramente social. O empreendedorismo exclusivamente social é um braço do empreendedorismo tradicional, do qual os empreendedo- res, em vez de trabalhar para criar uma empresa, objetivan- do vender produtos ou serviços, cujo foco principal seja ge- rar lucro para aumentar o patrimônio da corporação e gerar riqueza para o empreendedor, utilizam recursos f inanceiros, emocionais, criativos, inovadores, etc (DINIZ, sd). O empreendedorismo exclusivamente social tem o objetivo de transformar a vida das pessoas por meio de ações inovadoras e sem contar com muitos re- cursos, apenas com ideias e vontade de melhorar a qualidade de vida de alguém ou de uma comunidade. Ele busca desenvolver soluções para diversos problemas sociais, econômicos, culturais, éticos, dentre outros. Podemos classificar estes empreendimentos como Instituições sem Fins Lu- crativos, como é o caso das ONGs e OSCIPs. Os estudiosos Melo Neto e Froes, no livro Responsabilidade social e cidadania empresarial: a administração do terceiro setor, publicado em 2002, afirmam que o empreendedorismo social possui algumas características: EMPREENDEDORISMO 21 • trabalhar para um coletivo inte- grado, visando melhor qualidade de vida; • produzir bens e serviços que ajudam no desenvolvimento e no sustento da comunidade; • tem foco em buscar soluções que tragam melhoria no cotidiano; • como medida de desempenho, avaliam qual é o impacto causado na transferência do nível social; • resgatar pessoas da situação de risco social. Neste sentido, podemos falar de várias ações desenvolvidas por pes- soas para contribuir com a mudança de um lugar ou comunidade para me- lhor até se tornar uma política pública. Como exemplo, podemos aprender com o modelo de empreendedoris- mo aplicado na Pastoral da Criança, que tinha como objetivo diminuir a mortalidade infantil por meio de visitas de voluntários às famílias caren- tes, orientando mães a cuidarem melhor de seus filhos. Foi um excelente trabalho realizado pela pediatra Dra. Zilda Arns Neumann. ASSISTA Para saber mais sobre o trabalho da Pastoral da Criança e sobre empreendedorismo social, assista ao vídeo. O segundo modelo de empreendedorismo social, chamado de segunda or- dem ou grandeza, também pode ser chamado de empreendimentos ou negó- cios sociais, empreendimentos ou negócios de impacto positivo ou empreendi- mentos ou negócios com causa. O objetivo dos empreendimentos ou negócios sociais é auferir valiosa con- tribuição para a sociedade. EMPREENDEDORISMO 22 A empresa com finalidade lucrativa pode possuir, ao mesmo tempo, uma proposta de valor social voltada para oferecer produtos ou serviços demanda- dos por determinado público-alvo, ou seja, o modelo de atuação é o mesmo, mas o cerne do negócio tem a ver com a resolução de um problema social: [...] também é um braço do empreendedorismo no qual os em- preendedores criam empresas objetivando vender serviços ou produtos no arfam principal de auferir lucros e dividendos e por via de consequência aumentar o patrimônio do empreendedor e da corporação (DINIZ, sd). Dessa forma, a responsabilidade social deve ser percebida como o dever da organização em auxiliar a sociedade no alcance de seus objetivos, mostrando que não visa apenas explorar recursos econômicos e humanos, mas também contribuir com o desenvolvimento social. Sendo assim, o simples fato de abrir uma empresa e torná-la lucrativa faz parte de uma responsabilidade social. O comprometimento da empresa em ter um bom desempenho econômico deve ser a sua primeira responsa- bilidade social. Assim, notamos que a responsabi- lidade social corporativa demonstra o impacto de suas ações em todos na organização, clientes, funcionários, acionistas, fornecedores, concorren- tes, dentre outros. Além disso, a responsabilidade so- cial assumida de forma consistente e inteligente pela empresa pode contri- buir de forma decisiva para a susten- tabilidade e o desempenho empresa- rial. A busca pelo retorno financeiro das empresas não deve inibir que ela atue com responsabilidade social na- quilo que ela faça e que gere valor para a população, visando o bem-es- tar da sociedade. EMPREENDEDORISMO 23 Em outras palavras, a busca por lucros não impede que o empreendimento social vise o bem-estar da sociedade, pois essa pode ser a própria essência do empreendimento. Este tipo de empreendedorismo tem o objetivo de impulsionar a empresa para impactar de forma positiva na vida das pessoas para que a comunidade e o am- biente no qual a empresa está inserida tenham uma melhor qualidade de vida, oferecendo valiosa contribuição para a sociedade onde atua. Inicialmente, ele pensa em formas de sustentar e oferecer lucros para a empre- sa por meio da venda de produtos e serviços, uma vez que ela não possui nenhum patrocínio ou doações para seu projeto de empreendedorismo social. Posterior- mente, desenvolve ações com o objetivo de gerar valores sociais. O empreendedorismo de segunda ordem ou grandeza começa a partir da cria- ção de uma empresa que tem finalidade lucrativa, mas possui uma proposta de valor que pensa na comunidade, com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida e procurando realizar, se possível, uma transformação social. O modelode atuação dos dois tipos de empreendedorismo social não é o mes- mo, mas a parte central do negócio está voltada para uma resolução de algum problema social, como educação, saúde, segurança, moradia, dentre outros. Deste modo, podemos analisar o exemplo do grupo Ser Educacional, que está sediado está sediado em Recife e é mantenedor, além da UNINASSAU, de outras quatro Instituições de Ensino – UNINABUCO, UNAMA, UNIVERITAS e UNIVERITAS/ UNG. Atualmente, a empresa está entre os seis maiores grupos educacionais do Brasil, sendo o maior do Norte e no Nordeste. O grupo Ser Educacional realiza um trabalho eficiente e de qualidade no cam- po educacional, promovendo aos seus alunos maior desenvolvimento cultural e profissional. CURIOSIDADE O grupo Ser Educacionalé um dos maiores grupos de ensino superior do Brasil. De acordo com o Anuário Época Negócios 360° Melhores Empresas do Brasil 2018, a instituição de ensino está entre as melhores empresas de educação do país, com 3ª posição no segmento de sustentabilidade devido às melhorias no consumo de energia elétrica e água. Além disso, a instituição obteve destaque em outros projetos relacionados ao impacto pós-consumo, plano de descarte consciente e reciclagem. EMPREENDEDORISMO 24 O desenvolvimento sustentável é uma das questões mais pertinentes no mundo contemporâneo. Esse tipo de ação empreendedora pode trazer impac- tos positivos sobre um problema social e, ao mesmo tempo, pode sustentar e desenvolver tanto uma empresa quanto a comunidade. Isso quer dizer que o empreendedorismo sustentável tem foco na preserva- ção da natureza, ou seja, a vida. Suas ações também impactam a comunidade, buscando uma vida mais sustentável por meio de produtos, processos e servi- ços com o objetivo de gerar ganhos. Um dos exemplos que podemos referenciar é a Natura: por meio da susten- tabilidade e preocupação com a natureza, a empresa possui linhas de produtos de cosméticos ecológicos, como é o caso da linha Ekos Natura. Além disso, ela faz questão de divulgar que não realiza testes em animais. Diferenças entre o empreendedor e intraempreendedor O empreendedor e o intraempreendedor têm o objetivo fazer a diferen- ça, revolucionar e enxergar o futuro como ninguém. Todavia, o segundo está dentro de uma empresa e executa mudanças e inovações em produtos e servi- ços, maximizando a lucratividade da organização. No caso do empreendedor, temos o perfil daquele que cria o seu próprio negócio, buscando se diferenciar dos produtos e serviços já existentes, trazendo novidades e benefícios para a sociedade e, consequentemente, Figura 1. Linha Ekos Natura. Fonte: Divulgação Natura. Esse tipo de posicionamento da empresa fortalece sua marca e promove maior credibilidade em seus produtos, atraindo mais clientes e maior competitividade. EMPREENDEDORISMO 25 lucro para a sua empresa. Para isso, ele detecta uma oportunidade e cria, correndo riscos que devem ser calculados. Na verdade, o empreendedor corre riscos para conseguir realizar seus sonhos e atingir seus objetivos. Desta forma, é possível identificar facilmente um empreendedor quando identificamos algumas características, pensadas pelo estudioso Dornelas em seu livro Empreendedorismo: transformando ideias em negócios, publica- do em 2016: 1. tem iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz; 2. utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, transformando o am- biente social e econômico no qual vive; 3. aceita assumir os riscos calculados e a possibilidade de fracassar. O empreendedor deve estar alinhado a todas as funções que demandam a criação de um novo negócio. Além disso, também existe o empreendedor revolucionário, que é aquele que cria novos mercados, como foi o caso de Bill Gates, criador da Microsoft. Entretanto, a maioria dos empreendedores empreendem em negócios já exis- tentes, proporcionando êxito e sucesso. Uma característica importante de pessoas empreendedoras é que elas vivem “sempre no futuro”, usando o presente como ferramenta para o seu futuro. Esta visão de negócios é o que irá impulsionar a empresa até onde o empreendedor deseja chegar. Desse modo, o empreendedor acompanha atentamente as tendên- cias e os ciclos de negócios no am- biente macroeconômico, prevendo ciclos favoráveis e minimizando as surpresas, permanecendo conec- tado às fontes de relacionamentos diretos e indiretos no seu ramo de negócios. Pinchot III fala que o intraempreen- dedorismo está relacionado ao am- biente interno da instituição e busca desenvolver, de forma criativa e inova- EMPREENDEDORISMO 26 dora, produtos, serviços, técnicas e estratégias para a organização, cujo foco é a melhoria contínua, competitividade, melhor performance, a busca pelo cresci- mento e a sustentabilidade. Dessa forma, intraempreendedoris- mo é a ação empreendedora interna na empresa. Os colaboradores que atuam para empreender dentro da organiza- ção são chamados de intraempreen- dedores e fazem parte do processo de empreendedorismo interno. Atual- mente, é levado tanto em consideração a manutenção do capital intelectual nas organizações, pois este capital é base essencial para a sobrevivência da empresa, sustentabilidade e rentabili- dade. Com ele, é possível o desenvol- vimento de metodologias, produtos e serviços que tragam maior competiti- vidade para a organização e, consequentemente, o aumento do market share (participação de mercado). Intraemprededorismo deve ser considerado uma modalidade do em- preendedorismo. Consiste numa atuação empreendedora dos colaboradores da em- presa, realizada no ambiente interno da instituição de forma criativa e inovadora com o intuito de criar não apenas novos negócios, mas sobretudo outras atividades e orientações inovadoras, como desen- volvimento de novos produtos, serviços, tecnologias, técnicas admi- nistrativas, estratégias e posturas competitivas (DINIZ, sd). Trata-se de uma atuação proativa que vem se tornando cada vez mais co- mum dentro das organizações que buscam pela competitividade. Com esse ob- jetivo, as empresas permitem que seus colaboradores intraempreendedores tenham uma análise do cenário em que atuam e possam criar e desenvolver produtos e serviços que melhor respondam, de forma eficiente e rápida, às necessidades e demandas do mercado. EMPREENDEDORISMO 27 Os intraempreendedores, por outro lado, não precisam se preocupar ou temer em apresentar suas ideias para seus superiores, pois a cultura da em- presa empreendedora está voltada para a busca de melhoria contínua e, con- sequentemente, melhores negócios para a organização. As características do intraempreendedor são as mesmas do empreende- dor: ousadia, atenção às novas ideias, criatividade, inovação, determina- ção, dedicação, persistência, autoconfiança, otimismo, proatividade, pai- xão pelo que se faz, resiliência, dentre outras. Muitas organizações têm demonstrado um interesse cada vez maior pelo perfil intraempreendedor de seus colaboradores. Isso ocorre porque os indiví- duos intraempreendedores desejam, com uma certa frequência, criar sempre algo novo, gerando vantagem competitiva e competitividade. Além de criar algo novo, eles querem assumir responsabilidades e têm uma necessidade de li- berdade dentro do ambiente de trabalho. Portanto, para que as empresas estimulem este perfil dentro de seu ambiente de trabalho, devem ter uma cultura desenvolvida para este obje- tivo, permitindo que seus colabora- dores possam ousar mais, criar mais e visualizarem seu trabalho como se fosse seu próprio negócio. Caso con- trário, esses indivíduos se sentirão frustrados e desmotivados, baixando o índice de produtividade ou até mesmo buscando emprego em outras organizações. Essa nova busca de significado e a impaciência relacionada vem causando um descontentamento sem precedentes nas organi- zações estruturadas. Quando o significado nãoé encontrado dentro da organização, os indivíduos procuram uma instituição que o ofereça (HISRICH; PETERS; SHEPERD, 2014, p. 118). O empreendedorismo corporativo vem para estimular seus colaboradores a serem intraempreendedores ou até mesmo para identificar tais características nos colaboradores da organização que possuem necessidade e desejo de mudar as coisas na empresa, seja produtos ou processos. EMPREENDEDORISMO 28 O empreendedorismo dentro das organizações se reflete mais nas atividades empreendedoras, como por orientações vindas da alta administração. Os autores Hisrich, Peters e Sheperd, que escreveram e publicaram o livro Empreendedorismo em 2014, afirmam que empreender consiste nos quatro ele- mentos-chave: novo empreendimento, espírito de inovação, autorrenovação e proatividade. NOVO EMPREENDIMENTO ESPÍRITO DE INOVAÇÃO AUTORRENOVAÇÃO PROATIVIDADE DIAGRAMA 5. OS QUATRO ELEMENTOS-CHAVE DO EMPREENDEDORISMO Está relacionado à criação de um novo negócio dentro da empresa. Pode ser realizado por meio da redefinição de produtos e serviços ofertados pela organização; Utiliza a inovação tecnológica para inovar produtos e serviços ofertados pela empresa, aperfeiçoando seus métodos e procedimentos em busca de mais qualidade; Relacionado à renovação organizacional, por meio de novas ideias da empresa, como uma nova estratégia, novos conceitos, mudanças; Está relacionada à ação, aceitar riscos, ser ousado e competitivo. Percebemos que para ser empreendedor é preciso ter disposição e boa per- cepção das coisas que acontecem ao nosso redor, no intuito de criar algo novo e ter lucratividade a partir deste projeto. As empresas já existentes também podem ser empreendedoras e buscar novas oportunidades, se renovando sempre. Para que isto aconteça, seus ad- ministradores precisam ter o controle da organização e criar ambientes que encorajem seus colaboradores a empreender, ou seja, a se tornarem intraem- preendedores. Precisam criar uma cultura empreendedora, voltada para promo- ver esses tipos de comportamento, dando oportunidade para seus colaborado- res manifestarem suas ideias. A estratégia da empresa deve estar voltada para a busca de oportunidades, não apenas pensar no futuro, mas analisar as situações que acontecem no pre- sente e projetar cenários futuros. Isso demonstra a atitude e posicionamento da organização frente às inovações que acontecem. EMPREENDEDORISMO 29 As empresas administradas de forma empreendedora são facilmente identi- ficadas e demonstram seu diferencial competitivo frente às organizações tradi- cionais. Elas possuem uma orientação empreendedora e conseguem enxergar as oportunidades mesmo quando outras empresas só enxergam crise. As empresas empreendedoras possuem muitas características importan- tes que as tornam diferentes, como possuir uma boa rede de comunicação interna e externa, ou seja, além de boa comunicação com seus funcionários na empresa, também é bem relacionada com seus fornecedores, clientes, con- correntes, dentre outros. Já nas empresas mais tradicionais, percebe-se uma hierarquia mais forma- lizada e inflexível, sendo a empresa mais burocrática e com uma cultura mais engessada. A rotina é evidente em todos os processos. Não conseguem res- ponder com rapidez às demandas geradas pelo mercado, mas são mais eficien- tes do que inovadoras à sua maneira. Quando falamos das empresas empreendedoras, identificamos dentro dela o perfil de intraempreendedores que representam um novo valor para a or- ganização, ou seja, essas pessoas promovem novo comportamento, trazem o “novo” para a organização, novas ideias, novas formas de ver e fazer as coisas acontecerem. Tal prática tem gerado um impacto positivo para os dois, empresa e cola- borador, pois faz com que os intraem- preendedores sejam mais valorizados e recompensados por suas inovações. Assim, dizemos que estas empresas são orientadas para um sistema de re- compensa, ou seja, recompensam os funcionários que trazem novas ideias e novas soluções que geram resultados para a organização. É fácil identificarmos, na empresa tradicional, recompensas voltadas apenas para gerência e alguns cargos de responsabilidade. Esse comportamento não promove um ambiente empreendedor, tampouco estimula seus funcionários a trazerem algo novo para a empresa, pois o mérito é sempre o da hierarquia. EMPREENDEDORISMO 30 Dentro das organizações mais tradicionais, hierarquias rígidas com muitos cargos acabam promovendo o medo das pessoas em desenvolver novas ideias. Desse modo, elas acabam se conformando com que já existe e realizam suas funções, mesmo contrariadas ou insatisfeitas. Esse é um ponto negativo para organizações com este perfil, pois o nível de produtividade é baixa. Algumas características do empreendedor e do intraempreendedor podem ser vistas no Quadro 2. Perspectiva Significado de interação Ser inovador empresarial. Ter autoridade. Estar atento às novas oportunidades. Extrapolar as funções e tarefas do cargo. Assumir riscos calculáveis. Ampliar sua inserção nos resultados. Construir patrimônio sólido. Negociar interna e externamente. Ser negociador interna e externamente. Exercer gerenciamento compartilhado. Persistir na adversidade. Conhecer o ramo de negócios da corporação. Exercer papel social importante. Inserir-se em redes internas e empreendedoras. Manter-se atualizado. Gerenciar o afunilamento das inovações para o resultado. Acumular e compartilhar experiências. Subordinados funcionais. Inserir-se em redes de relacionamento. Inserir-se em redes de relacionamento. QUADRO 2. PERFIL DO EMPREENDEDOR E DO INTRAEMPREENDEDOR Não existem diferenças entre o perfil do empreendedor e do intraempreen- dedor, o que difere é o ambiente no qual eles atuam. Dessa forma, o empreende- dor atua para o desenvolvimento de sua empresa e o intraempreendedor para o desenvolvimento da empresa de outra pessoa. Vantagens e desvantagens O empreendedor é aquele que deseja ter seu próprio negócio, se reinventar, contribuir com a sociedade, criar algo que traga benefícios às pessoas que utilizam seus produtos e serviços. O intraempreendedor, por sua vez, também possui as mesmas características, mas está realizando atividades dentro da empresa de outra pessoa. EMPREENDEDORISMO 31 As vantagens de ser dono do próprio negócio é que você mesmo pode ditar as regras, tomar decisões importantes e assumir riscos. Em outras pa- lavras, você é o seu próprio patrão e pode aumentar ou não os rendimentos de sua empresa conforme sua administração. O empreendedor tem liberda- de, não tanto em relação às regras de uma empresa, mas liberdade para agir e colocar em prática seus sonhos, testar suas competências e habilidades e não se limitar. Alguns acham que o empreendedor está preso à empresa, mas isto não é verdade. Na realidade, trata-se de um ponto de vista distorcido. O empreendedorismo te prende, mas a diferença é que ele te prende naquilo que é seu, naquilo que você ama. Ora, amigos, para mim, a prisão do empreendedorismo é temporária. Você se prende no início para posteriormente conquistar a sua verdadei- ra liberdade pessoal e financeira (DINIZ, sd). O intraempreendedor, por sua vez, não precisa assumir os mesmos ris- cos que o empreendedor. Ele tem seu salário e benefícios garantidos no final do mês e pode mudar de empresa se quiser. Entretanto, ele tem que possuir muita persuasão para convencer o dono da empresa de suas ideias. Vai pre- cisar se conformar em aceitar regras, burocracias impostas pela organiza- ção em que trabalha e vai sempre depender da aprovação de alguém, ou melhor dizendo, do dono da empresa. Descrevendo as características do perfil do empreendedor Para ser empreendedor, é preciso motivação. A motivação surge inter- namente, ou seja, é de cada pessoa. Refere-se à forma como as pessoas sentem e têm vontade de realizar coi- sas.É inexplicável, pois relaciona-se com as necessidades internas de cada um, proporcionando uma sensação de prazer e bem-estar pessoal, tanto emocional quanto espiritual. EMPREENDEDORISMO 32 A motivação acrescenta sentido e significado ao que se quer fazer. Torna mais fácil encarar os obstáculos e dificuldades, transformando-os em oportunidades geradoras de negócio e lucratividade. Aumenta o nível de resiliência, persistência e toda dedicação que ele terá para realizar seu objetivo com paixão. É algo que impele o comportamento e a ação, além de toda euforia, alegria e esforço que traz ao empreendedor ao se criar um novo empreendimento. Também causa satisfação pelas perspectivas, visão de futuro e o compartilha- mento do novo negócio entre amigos e familiares. Será que a decisão de se tornar um empreendedor pode ocorrer por acaso? Não é difícil encontrarmos empreendedores que, ao serem questionados qual o motivo da criação de suas empresas, respondem: “não sei, foi por acaso, de repente tive que abrir uma empresa”. Podemos entender que essa situação pode ser advinda de muitos fatores internos ou externos. Por exemplo, uma pessoa que perdeu seu emprego e que precisou montar um negócio para sobreviver, ou até mesmo aquele que, por influência dos pais, familiares ou amigos, optou por abrir uma empresa, empregando aquilo que ele faz de melhor. Há também os insatisfeitos com seu trabalho e querem trocar de profissões e até mesmo aqueles que, ao buscarem conhecimento, despertaram a visão para uma nova oportunidade de “ganhar dinheiro”. ASSISTA A Fábrica de Bolo Vovó Alzira nasceu de uma ne- cessidade. O início da matéria Receita de sucesso: conheça a história da Fábrica de Bolo Vó Alzira mos- tra como uma senhora de 60 anos criou um negócio que, 11 anos após o início de suas atividades, possui mais de 200 franquias. O vídeo mostra também outras histórias de sucesso, como a de Rosana Magri e de Flávia Raiol. Quando o assunto é inovação, o processo de empreender é voltado para o termo de inovação tecnológica. Nesse caso, as inovações tecnológicas têm sido um grande diferencial, influenciando o desenvolvimento econômico mundial. Para entender melhor este cenário, o autor sugere a análise dos fatores explici- tados no Diagrama 1. EMPREENDEDORISMO 33 DIAGRAMA 6. FATORES DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO Fonte: SMILOR; GILL, 1986 apud DORNELAS, 2016. (Adaptado). O estudioso Chiavenato, que escreveu o livro Empreendedorismo, dando asas ao espírito empreendedor em 2008, afirma que o empreendedor precisa possuir três características básicas: necessidade de realização, disposição para assumir riscos e autoconfiança. 1. Necessidade de realização: refere-se à necessidade que faz com que a pes- soa coloque em prática seu sonho e se realize. Essa intensidade muda de pessoa para outra. Às vezes, quando criança, alguns empreendedores já conseguem de- monstrar esta característica. 2. Disposição para assumir riscos: relaciona-se com não ter medo de enfrentar os obstáculos e os desafios, além de apostar em suas ideias, correndo o risco para que elas se tornem realidade. Entretanto, o empreendedor deve ter em mente que não se deve assumir altos riscos sozinho, ou seja, os riscos podem ser compartilhados. 3. Autoconfiança: enxergar os desafios como oportunidades e acreditar que eles podem dar certo. Em primeiro lugar, é importante saber as razões pelas quais as pessoas se en- gajam em um negócio. Essas razões podem ser muitas, e é preciso entender como cada uma delas motiva o comportamento empreendedor. EMPREENDEDORISMO 34 QUADRO 3. RAZÕES QUE ENGAJAM OS EMPREENDEDORES Forte desejo de ser seu próprio patrão, de ter interdependência e não receber ordens de outros, fundamen- tando-se apenas em seu talento pessoal, chamando isso de espírito empreendedor. Oportunidade de trabalhar naquilo que gosta em vez de trabalhar como subalterno apenas para ter segurança de um salário mensal e férias a cada ano. Sentimento de que é possível desenvolver a sua própria iniciativa sem o guarda-chuva do patrão. Desejo pessoal de reconhecimento e de prestígio. Poderoso impulso para acumular riquezas e oportunidade de ganhar mais do que quando era simples empregado. Descoberta de uma oportunidade que outros ignoram ou subestimam. Desafio de aplicar recursos próprios e habilidades pessoais em um ambiente desconhecido. Fonte: CHIAVENATO, 2008, p. 18. (Adaptado). O empreendedor, antes de iniciar seus negócios, também precisa ter von- tade de trabalhar duro, saber se comunicar e ser organizado, ter orgulho daquilo que faz e, consequentemente, possuir e manter boas relações, assumir desafios calculáveis e saber tomar decisões. Precisa trabalhar com metas e fazer de tudo para alcançá-las. Isso exige muita dedicação, concentração, busca de informações, planejamento, flexibilidade, dentre outros. Como já falamos anteriormente, algumas características dos empreendedo- res não são inatas e nem inerentes, ou seja, podem ser desenvolvidas e adqui- ridas. Tais características são inúmeras, como ousadia, atenção às novas ideias, criatividade, inovação, determinação, autoconfiança, persistência, motivação, dentre outras. O empreendedor tem como parâmetro seguir aquilo que ele acredita ser uma oportunidade de negócio. Como as oportunidades são um conjunto de fontes de incerteza, os empreendedores precisam ter um discernimento para analisá-las e decidir se querem correr o risco e apostar no que acreditam que pode dar certo. No entanto, a dúvida e o medo podem atrapalhar o empreendedor na análise de uma grande oportunidade. Por isso, ele precisa de outras ferramentas que o auxiliem na decisão, como informações sobre mercado, o produto ou serviço, identificar quais são os clientes potenciais, valor inicial de investimento, em quanto tempo será ROI (retorno sobre o investimento), dentre outros. Alguns autores afirmam que o empreendedor pensa de modo diferente das outras pessoas, ou seja, de acordo com uma situação, ele pode raciocinar de forma diferente dentro de um ambiente de decisões. EMPREENDEDORISMO 35 O empreendedor não tem medo de tomar decisões em situações inseguras, com riscos, pressões, incertezas. Este comportamento está na alma do em- preendedor, como se ele quisesse pagar para ver o que vai acontecer, e o seu sentimento é de motivação e positividade, ele anseia por algo novo. Portanto, o empreendedor é uma pessoa que também investe em emoções e as utiliza na tomada de decisões e desenvolvimento de seus projetos. Nem todos pensam desta forma. Muitos, em momentos de crise, preferem desistir, “não trocar o certo pelo duvidoso”, optam pelo “pingar do que secar” e acabam por continuar na zona de conforto. A mudança incomoda, faz com que você encontre novas formas de fazer aquilo que estava fazendo, mas nem todos gostam de mudança. Os empreendedores são dinâmicos, flexíveis, engajados, determinados, persistentes, características que influenciam diretamente na tomada de deci- são. Possuem uma mentalidade empreendedora. Dessa forma, a mentalidade empreendedora faz com que o empreendedor tenha capacidade de detectar, agir e se movimentar, mesmo sob incertezas. Diferenças e similaridades entre o empreendedor e o executivo não empreendedor Muito se estuda sobre o assunto para entender quais são as características e comportamentos que diferem um perfil do outro, ou seja, o que o empreendedor tem que o administrador não tem e vice-versa. DIAGRAMA 7. EMPREENDEDOR X NÃO EMPREENDEDOR EMPREENDEDOR NÃO EMPREENDEDOR Sonha e coloca muita determinação para transformar seu sonho em uma realidade que, inclusive, possa trazer lucratividade. Além disso, ele estabelece metas, tem disciplinas para atingir seu objetivo e muito trabalho. É visionário, corre riscos e acredita em seu projeto; Ele sonha, mas não age. Permanece sempre sonhando. Tem medo, falta coragem e não toma iniciativa. O nãoempreendedor vive sempre no presente, seguindo as regras do passado, e acaba por não pensar no futuro. EMPREENDEDORISMO 36 ASSISTA A diferença do empreendedor e do executivo não empreendedor. Alguns estudos classificam que o administrador dentro da empresa tem o papel de administrar, planejar, orga- nizar, dirigir, controlar, dentre outros. Esses estudos estão embasados no conceito de administração científica, ou seja, nos princípios da administra- ção de Henry Ford, que falava sobre a arte de administrar. Nesse sentido, os administradores se diferem em dois aspectos: nível da hie- rarquia em que ocupam, o que propor- ciona um nível de responsabilidade con- forme o cargo, e o conhecimento que detêm para exercerem suas funções. O administrador também tem uma visão de trabalho gerencial focado nos papéis dos gerentes, que variam conforme cada organização. Esses papéis se referem ao posicionamento interpessoal do administrador e requerem habili- dades como liderança, se referem aos contextos informacionais e aos papéis decisórios na empresa. O administrador também assume papéis em grupos sociais, ou seja, precisa ser bom orador e intermediador. De acordo com a abordagem referente às atividades do administrador, no que diz respeito ao uso do processo de pessoalidade e relacionamento pes- soal, o administrador deve ter uma postura relativamente fraca, podendo ser forte quando se trata do foco na empresa e ações conjuntas, bem como na utilização da hierarquia. O empreendedor de sucesso possui características extras, pensadas inicial- mente por Dornelas em seu livro Empreendedorismo: transformando ideias em ne- gócios, publicado em 2016. Essas características podem ser vistas no Quadro 4. EMPREENDEDORISMO 37 QUADRO 4. CARACTERÍSTICAS DOS EMPREENDEDORES DE SUCESSO São visionários Eles têm a visão de como será o futuro para seu negócio e sua vida, e o mais importante: têm a habilidade de implementar seus sonhos. Sabem tomar decisões Eles não se sentem inseguros, sabem tomar as decisões corretas na hora certa. Além de tomar decisões, implementam suas ações rapidamente. Fazem a diferença Transformam ideias abstratas em ações concretas. Além disso, agre- gam valor aos serviços e produtos que colocam no mercado. Exploram ao máximo as oportunidades O empreendedor é aquele que quebra a ordem corrente e inova, criando mercado com uma oportunidade identificada. O empre- endedor também é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e positiva em um ambiente de caos e turbulên- cia, ou seja, identifica oportunidades na ordem presente. São determinados e dinâmicos Implementam suas ações com total comprometimento. Atrope- lam as adversidades, ultrapassando os obstáculos, com uma von- tade ímpar de “fazer acontecer”. Mantêm-se sempre dinâmicos e cultivam certo inconformismo diante da rotina. São dedicados Eles se dedicam 24 horas por dia, sete dias por semana, ao ne- gócio. São trabalhadores exemplares e encontram energia para continuar mesmo em situações adversas. EMPREENDEDORISMO 38 São otimistas e apaixonados pelo o que fazem O amor pelo trabalho é o principal combustível que os mantêm cada vez mais animados e autodeterminados, tornando-os os melhores vendedores de seus produtos e serviços, pois sabem como ninguém como fazê-lo. São independentes e constroem o próprio destino Querem criar algo novo e determinar os próprios passos, abrir os próprios caminhos, ser o próprio patrão e gerar empregos. Ficam ricos Ficar rico não é o principal objetivo dos empreendedores. Eles acreditam que o dinheiro é consequência do sucesso dos negócios. São líderes e formado- res de equipes Os empreendedores têm um senso de liderança incomum e são respeitados e adorados por seus funcionários, pois sabem valo- rizá-los, estimulá-los e recompensá-los, formando um time em torno de si. São bem relacionados (networking) Os empreendedores sabem construir uma rede de contatos que os auxilia no ambiente externo da empresa, junto a clientes, for- necedores e entidades de classe. São organizados Os empreendedores sabem obter e alocar os recursos materiais, humanos, tecnológicos e financeiros de forma racional, procuran- do o melhor desempenho para o negócio. Planejam, planejam, planejam Os empreendedores de sucesso planejam cada passo de seu negócio, desde o primeiro rascunho do plano de negócios até a apresentação do plano a investidores, definição das estratégias de marketing do negócio, sempre tendo como base a forte visão de negócio que possuem. Possuem conhecimento São sedentos pelo saber e aprendem continuamente, pois enten- dem que, quanto maior o domínio sobre um ramo de negócio, maior será a chance de êxito. EMPREENDEDORISMO 39 Fonte: DORNELAS, 2016, p. 21. (Adaptado). Assumem riscos calculados O verdadeiro empreendedor é aquele que assume riscos cal- culados e sabe gerenciar o risco, avaliando as reais chances de sucesso. Para o empreendedor, quanto maior o desafio, mais estimulante será a jornada empreendedora. Criam valor para a sociedade Os empreendedores utilizam seu capital intelectual para criar valor para a sociedade, com a geração de empregos, dinamização da economia e inovação, sempre usando sua criatividade em bus- ca de soluções para melhorar a vida das pessoas. Muitos estudos revelam que existem muitos pontos em comum entre o administrador e o empreendedor, pois o empreendedor é um administra- dor. Todavia, o empreendedor é menos limitado e mais visionário do que o administrador. Mesmo com essas diferenças entre o empreendedor e o executivo não empreendedor, é importante frisar que muitos executivos também são em- preendedores, mesmo exercendo a função de executivos. As diferenças entre empreendedor e administrativo podem ser compara- das em cinco dimensões distintas de negócio: orientação estratégica, aná- lise das oportunidades, comprometimento dos recursos, controle dos recursos e estrutura gerencial, em que o administrador fica voltado para a organização de recursos e o empreendedor fica voltado para a definição de contextos. Outro diferencial é que o empreendedor conhece muito sobre o seu negó- cio, muito mais do que um administrador que está adminis- trando uma empresa de outra pessoa. Para adquirir esse conhecimento, é preciso tempo e experiência. No entan- to, são fatores-chave para que uma empresa não entre em falência com poucos anos de vida. Há, ainda, alguns mitos sobre o assunto. Esses mitos foram abordados por Dornelas em seu livro Empreendedorismo: transfor- mando ideias em negócios, publicado em 2016: EMPREENDEDORISMO 40 QUADRO 5. COMPARAÇÃO ENTRE GERENTES TRADICIONAIS E EMPREENDEDORES Fonte: HISRICH, 1998 apud DORNELAS, 2016. p. 22. MITO 1 Empreendedores são natos, nascem para o sucesso. Realidade: empreendedores acumulam, com o passar dos anos, conhecimentos, habilidades e experiências que podem ser desenvolvidas e adquiridas; MITO 2 Empreendedores são “jogadores” que assumem riscos altíssimos. Realidade: assumem riscos calculados, evitando riscos desnecessários; MITO 3 Empreendedores são “lobos solitários” e não conseguem trabalhar em equipe. Realidade: são ótimos líderes de equipes, promovem excelentes relacionamentos, tanto internos quanto externos (colegas, clientes, fornecedores, entre outros). São grandes negociadores. Tema Gerentes tradicionais Empreendedores Motivação principal Promoção e outras recompensas tradicionais da corporação, como secretária, status, poder etc. Independência, oportunidade para criar algo novo, ganhar dinheiro. Referência de tempo Curto prazo, gerenciando orçamen- tos semanais, mensais etc e com horizonte de planejamento anual. Sobreviver e atingir cinco a dez anos de crescimento do negócio. Atividade Delega e supervisiona. Envolve-se diretamente. Status Preocupa-se com o status e como é visto na empresa. Não sepreocupa com status. Como vê o risco Com cautela. Assume riscos calculados. Falhas e erros Tenta evitar erros e surpresas. Aprende com erros e falhas. Decisões Geralmente concorda com seus superiores. Segue seus sonhos e toma decisões. A quem serve Aos outros (superiores). A si próprio e a seus clientes. Histórico familiar Membros da família trabalham em grandes empresas. Membros da família possuem pequenas empresas ou já cria- ram algum negócio. Relacionamento com outras pessoas A hierarquia é a base do relacionamento. As transações e acordos são a base do relacionamento. EMPREENDEDORISMO 41 Nosso país tem histórias de grandes empreendedores que tiveram uma ideia, colocaram seu sonho em prática e acreditaram que podia dar certo. Nem sempre o sonho do empreendedor dá certo na primeira tentativa. Muitas vezes, ele coloca em prática e vai aprimorando suas técnicas por meio de conhecimentos. Existem muitas empresas que começaram do nada, de um sonho, em pequenos lugares e hoje são potências internacionais, como o empreendedor Bill Gates, que iniciou sua empresa Microsoft em uma pequena garagem. É possível aprender a ser empreendedor? Será que o empreendedorismo pode ser ensinado ou até mesmo aprendido pelas pessoas? Segundo alguns relatos de anos anteriores, isso era impossível. Naquele tem- po, acreditava-se que o empreendedorismo era inato, ou seja, uma característica que nascia com a pessoa, um atributo de sua personalidade e, assim, ela estava predestinada ao sucesso. As demais pessoas que não pos- suíam estas características não eram estimuladas a empreender. Sendo as- sim, acabavam sendo desencorajadas quando tinham vontade de realizar al- gum sonho empreendedor. Atualmente, este discurso mudou bastante. Acredita-se cada vez mais que o processo empreendedor possa ser ensinado e entendido por qualquer pessoa, como já falamos anteriormente. É claro que ainda temos os empreendedores inatos e com sucesso, porém te- mos aqueles empreendedores que se arriscaram, buscaram conhecimento e cor- reram atrás de seus sonhos. Podemos falar de grandes mitos empreendedores, como Bill Gates, Silvio Santos, Steve Jobs, dentre tantos outros que tiveram uma empresa sustentável e duradoura. Ao buscar conhecimento sobre seu próprio negócio, o empreendedor está buscando ser um empresário de sucesso. O conhecimento é um parceiro constan- te do empreendedor, que o ajudará a gerar riquezas para si e para o país. EMPREENDEDORISMO 42 Além disso, muitas universidades e escolas técnicas disponibilizam cursos so- bre empreendedorismo para pessoas que querem desenvolver e aprimorar seus conhecimentos sobre o assunto. Entretanto, é preciso ficar atento ao que essas instituições ensinam para ver se o conhecimento está realmente alinhado ao pro- pósito de desenvolver empreendedores. No Quadro 6, idealizado por Dornelas, estudioso e autor do livro Empreendedo- rismo: transformando ideias em negócios, publicado em 2016, é possível ver a classi- ficação das habilidades requeridas de um empreendedor. QUADRO 6. HABILIDADES DO EMPREENDEDOR Habilidades técnicas Estão relacionadas à escrita, à fala, a ouvir as pessoas, buscar in- formações importantes para o negócio, desenvolver o trabalho em equipe e buscar conhecimento sobre o que se pretende fazer, como qual será o seu diferencial e o know-how técnico na área de atuação. As habilidades gerenciais Envolvem criação, desenvolvimento e gerenciamento da empresa, bem como os departamentos que ela possui: Marketing, Recursos Humanos, Finanças, dentre outros. Ser bom negociador e ter controle da adminis- tração da empresa. As características pessoais Estão relacionadas a todos aqueles que fazem de alguém um empre- endedor. EMPREENDEDORISMO 43 Sintetizando Nesta unidade, estudamos o significado de empreendedorismo e os seus tipos. Pudemos perceber a importância de empreender como fonte de geração de riqueza para um país e para a lucratividade do negócio. Para isto acontecer, é relevante que se tenha uma boa administração e con- trole da empresa. Caso contrário, o empreendedor não conseguirá alcançar seus objetivos. Vimos também as características dos empreendedores e intraempreen- dedores e pudemos analisar como tais características contribuem para o em- preendedorismo organizacional, o que tem despertado o interesse de algumas organizações. Os intraempreendedores são capazes de trazer novas ideias e desenvol- ver algo novo para empresa, aumentando sua competitividade, respondendo rapidamente às demandas de mercado e desenvolvendo uma vantagem com- petitiva. Isso mostra que as empresas já existentes também podem ser em- preendedoras. Outro fator importante foi entender como se formam os empreendedores e analisar suas características, sua forma de ver, pensar e agir sobre os fatos ocorridos. Por fim, pudemos evidenciar que o empreendedor não precisa ser um so- nhador sem estratégias e organização, pelo contrário: ele precisa ser uma pes- soa de coragem, assumir riscos calculados e, se possível, dividir esses riscos. É uma pessoa inspiradora que transforma sonhos em realidade. EMPREENDEDORISMO 44 Referências bibliográficas BERNARDI, L. A. Empreendedorismo e armadilhas comportamentais: cau- salidades, emoções e complexidade. São Paulo: Atlas, 2015. CHIAVENATO, I. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. DIAS, S. R. Marketing: estratégia e valor. São Paulo: Saraiva, 2006. DINIZ, J. A arte de empreender: manual do empreendedor e do gestor das empresas de sucesso. São Paulo: Editora Novo Século, 2019. DINIZ, J. A Arte de Empreender. Curso de Empreendedorismo organizado por Ser Educacional. Disponível em: <https://sereduc.com/player/?mod=startup&- categoria=3246>. Acesso em: 19 jul. 2019. DORNELAS, J. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2016. DRUCKER, P. Sociedade Pós-capitalista. 5. ed. São Paulo: Pioneira, 1996. GOMES, T; SEGALA, M. Após perder o emprego aos 60 anos, ela criou franquia de bolos com mais de 200 lojas. Revista Pequenas Empresas & Grandes Negó- cios, 04 set. 2018. Disponível em: <https://revistapegn.globo.com/Mulheres-em- preendedoras/noticia/2018/09/apos-perder-emprego-aos-60-anos-ela-criou- franquia-de-bolos-com-mais-de-200-lojas.html>. Acesso em: 09 de jul. 2019. HISRICH, R. D.; PETERS, M. 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Entendendo a globalização Globalização empresarial Vantagens e riscos da globalização Papel do empreendedor e do intraempreendedor na globalização Empreendedorismo no Brasil Fatores que influenciam e fomentam o empreendedorismo Quem são os novos empreendedores? O empreendedorismo feminino O empreendedorismo digital Startups Descrevendo e definindo: empreendedores e intraempreendedores Clientes Fornecedores Concorrentes EMPREENDEDORISMO 47 Entendendo a globalização O tema globalização, embora pareça novo, é um processoantigo. Não conseguimos precisamente definir o seu início, entretanto, quando falamos das trocas de bens e serviços no início da produção e da moeda, estamos falando de globalização. Se formos mais atrás na história e mencionarmos o processo de migração de pessoas, estamos falando de um movimento que contribuiu para o proces- so de globalização. Nesse sentido, podemos aproximar o processo da globali- zação com o rompimento de fronteiras, processo no qual as pessoas ganham maior proximidade e conseguem fazer negócios ou criar relacionamentos. Com o tempo, a globalização, em parceria com a tecnologia, foi tomando novos formatos. À medida que as nações iam se relacionando e se desenvol- vendo, vivenciavam um processo de globalização. Outro fator importante foi a criação de empresas multinacionais, que romperam fronteiras e conseguiram importar ou exportar mercadorias para outros países que não fosse o seu e, assim, trabalhar com novos mercados. Dessa forma, o comércio internacional tem crescido ao longo dos tempos, isso porque as facilidades de comunicação, transportes e investimentos aca- bam promovendo o setor e realizando a globalização dos países envolvidos. Os blocos econômicos surgiram com o objetivo de incentivar o relaciona- mento comercial entre seus países membros e, por outro lado, acabaram res- tringindo a negociação com outros países que estavam fora dele, tais como Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), Mercado Comum do Sul (Mercosul), Mercado Comum Árabe (MCA), Brasil, Rússia, Índia, China e Áfri- ca do Sul (BRICS), dentre outros. A inovação tecnológica quebrou a distância entre países e pessoas, assim como promoveu a diminuição de custos com transportes e ligações de telefo- nes celulares, contribuindo para a globalização. O estudioso Lacombe, em seu livro Administração fácil, publicado em 2011, defende que a globalização dá ênfase aos aspectos econômicos e comerciais, permeando todas as atividades humanas, influindo nas culturas, comporta- mentos e valores de todos os povos. Vejamos o que o autor tem a dizer sobre o assunto: EMPREENDEDORISMO 48 Globalização empresarial No desenvolvimento da globalização, o que pode ter maior promoção lu- crativa para as organizações é a quebra de barreiras para criar negócios com públicos distantes. Além disso, alguns estudos revelam que a globalização empresarial pode ser dividida em quatro possibilidades: [...] integração crescente de todos os mercados (financeiros, de pro- dutos, serviços, mão de obra, etc.), bem como dos meios de comu- nicação e de transportes de todos os países do planeta. Também é o processo em que a vida social nas sociedades sofre influência cada vez maiores de todos os países, incluindo os aspectos políticos, econô- micos, culturais, artísticos, moda, meios de comunicação, etc (p. 213). Sendo assim, a importância da globalização para o desenvolvimento de um país, das pessoas e, inclusive, para a contribuição da sua cultura é primordial. DIAGRAMA 1. A GLOBALIZAÇÃO EMPRESARIAL PODE SER DIVIDIDA EM QUATRO POSSIBILIDADES: Conforme aumenta o poder aquisitivo no mundo, as pessoas têm acesso a produtos comuns, comercializados em outras partes. Esse tipo de globalização permite que as empresas tenham grandes economias de escala, além de divulgarem a sua marca pelo mundo; A possibilidade de competir com empresas do mesmo segmento e analisar suas estratégias e diferenciais, dando oportunidade para o consumidor de escolher produtos e serviços que mais atendem a sua necessidade e de maior qualidade; É classificada pela facilidade das empre- sas em fazer novas alianças estratégicas, fusões, aquisições, dentre outros. Isso só é possível porque muitas empresas estão instaladas em diversos países, e não só em seu país de origem; A possibilidade de verificar e analisar qual o país dá mais incentivos de ganhos para produzir seus produtos ou matérias-primas neste local. DEMANDA COMPETIÇÃO OFERTA ESTRATÉGIA EMPREENDEDORISMO 49 Vantagens e riscos da globalização A globalização pode proporcionar muitas vantagens. Com a quebra de bar- reiras que minimizam a distância entre pessoas e empresas, por exemplo, é possível realizar negócios mais dinâmicos e lucrativos para todos os envolvidos. Algumas das vantagens são: Entendendo cada uma das possibilidades, fica mais claro para o empreen- dedor definir sua estratégia e orientar seu planejamento estratégico. DIAGRAMA 2. VANTAGENS DA GLOBALIZAÇÃO LIVRE FLUXO DE RECURSOS FINANCEIROS LIVRE COMÉRCIO DE MERCADORIAS $ FAVORECE A COMERCIALIZAÇÃO E O CONHECIMENTO DA EMPRESA E SEU PORTFÓLIO, ESTIMULA A COMPETIÇÃO POR MERCADO COM PRODUTOS DE QUALIDADE E PROMOVE A SATISFAÇÃO DO CONSUMIDOR; OS RECURSOS SÃO DIRECIONADOS PARA OS LUGARES DE MAIS NECESSIDADE, SEM BARREIRAS. ALÉM DISSO, QUANDO BEM CAPTADOS; AJUDAM A DESENVOLVER OS PAÍSES MAIS NECESSITADOS; POSSIBILIDADE DE TER ACESSO A TODOS OS DADOS E INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA QUE A EMPRESA POSSA DESENVOLVER ESTRATÉGIAS DE MERCADO QUE VIABILIZEM SEUS OBJETIVOS. AUMENTO DO FLUXO DE INFORMAÇÕES EMPREENDEDORISMO 50 Entretanto, ela pode trazer também alguns riscos, caso os envolvidos não estejam atentos, tais como: • Livre fluxo de recursos financeiros: aumento das especulações influen- cia no risco da economia de um país e, consequentemente, influencia nas deci- sões da empresa quanto à atuação e investimento; • Diminuição da soberania dos países: países em blocos econômicos de- vem seguir regras elaboradas conjuntamente com outros países e isso, às ve- zes, influencia na sua soberania, pois são obrigados a seguir os tratados inter- nacionais; • Velocidades diferentes da globalização: diferenças de velocidade entre os planos financeiro, com transações rápidas e dinâmicas, econômico, com in- tegração realizada a partir dos blocos econômicos, político, com a globalização ainda mais atrasada, e social; • Empobrecimento cultural: a globalização cria a exclusão de culturas, cos- tumes locais e regiões, prevalecendo uma cultura global e homogeneizada; • Riscos da padronização: padronizar produtos e serviços dependentes das culturas, costumes, hábitos etc. Percebemos, desse modo, que a globalização é um processo inevitável e transformador. Do ponto de vista financeiro, é possível perceber que a globalização promove transações rápi- das e dinâmicas, além do surgimento de novos produtos no setor. Para o setor produtivo das organi- zações, a globalização foi um avanço, uma vez que ela promove a competitividade entre as empresas e, consequen- temente, melhora a qualidade de seus produtos e serviços, aumentando a par- ticipação de mercado e explorando novos segmentos e públicos. Todavia, ao olharmos para outros fatores, como o político e o social, conse- guimos perceber uma diferença que a globalização ainda não pode solucionar. Muitos não têm acesso a ferramentas importantes que promovem a globali- zação e o setor político, por exemplo, que ainda é muito burocratizado e não consegue atender as demandas da sociedade. EMPREENDEDORISMO 51 Papel do empreendedor e do intraempreendedor na globalização O cenário da globalização pode ser muito motivador e desafiante para o empreendedor e o intraempreendedor. Em relação às influências da globalização no setor financeiro e produtivo, o empreendedor tem papel fundamental em analisar os acontecimentos e ten- dências, olhando para as oportunidades e transformando-as em negócios ge- radores de lucro. Elas são vistas com uma importância extrema para o desenvolvimento das empresas, que gerarão empregos nos locais onde estiverem inseridas. DIAGRAMA 3. EMPREENDEDOR E INTRAEMPREENDEDOR EMPREENDEDOR EMPREENDEDOR EM SUA VISÃO, O EMPREENDEDOR TEM UM SONHO E DIRECIONA TODAS AS SUAS FORÇAS PARA REALIZÁ-LO COM O APOIO DA EDUCAÇÃO, DO TRABALHO E DA RESILIÊNCIA, SEMPRE COM MUITA ÉTICA. JÁ O INTRAEMPREENDEDOR,QUANDO DENTRO DE UMA ORGANIZAÇÃO, AUXILIA A EMPRESA A EMPREENDER QUANDO PERCEBE OPORTUNIDADES E BUSCA DESENVOLVER NEGÓCIOS LUCRATIVOS A PARTIR DELAS PARA A ORGANIZAÇÃO. PARA ISSO, ELE PRECISA OLHAR “O MUNDO LÁ FORA” E COLETAR INFORMAÇÕES SOBRE CLIENTES, MERCADO, PRODUTOS, CONCORRENTES, FORNECEDORES, DENTRE OUTROS. EMPREENDEDORISMO 52 Esse tipo de ação permite que a empresa se reinvente por meio de novos produtos e serviços que atendam de forma rápida e efetiva as demandas e necessidades de um determinado público-alvo. Destaco o importante papel do intraempreendedor dentro das organizações para que elas sejam sustentáveis e tenham competitividade. Sendo assim, o intraempreen- dedor possui um papel imprescindível para o crescimento e a sustentabilidade das empresas. Quando a empresa tem um intraempreendedor trabalhando para que ela seja inovadora no mercado, ela ganha maior evidência se comparada com as demais de seu segmento; isto permite maior credibilidade e o fortalecimento de sua marca. O empreendedor, por sua vez, realizando o mesmo papel com sua empresa, conseguirá os mesmos objetivos, permitindo que a organização tenha maior competitividade por meio de uma vantagem competitiva, ou seja, o seu diferencial. Chamamos este tipo de ação de estratégia empreendedora. EXEMPLIFICANDO A Gol Transportes Aéreos revolucionou o mercado aéreo nacional com uma estratégia empreendedora quando optou por trabalhar com o con- ceito de baixo custo e tarifa baixa (low cost), modelo que ainda não era usado no Brasil. Para que isto fosse possível, deveria ter um custo mais baixo e desenvolveu muitas estratégias para reduzir seu custo, como voos fretados. Ganhou reconhecimento nacional e, atualmente, é uma das maiores empresas de transportes da América Latina, transportando mais de 75 milhões de passageiros por ano com domínio de 40% do mercado doméstico nacional. As empresas que trabalham com uma estratégia empreendedora usam a inovação para trazer produtos e serviços diferentes ao mercado e acabam ten- do maior visibilidade. Empreendedorismo no Brasil Por mais que o Brasil seja um dos maiores países voltados para o empreende- dorismo, empreender no país é algo desafiador e extremamente difícil por vários motivos, tais como mão de obra desqualificada, maior carga tributária do mundo, EMPREENDEDORISMO 53 maiores taxas de juros, ser um dos países mais corruptos e extremamente burocrá- tico, dentre outros. Além disso, há no país uma atenção especial para o tema empreendedorismo no que diz respeito à criação de pequenas empresas duradouras e a necessidade de diminuir a taxa de mortalidade dessas empresas. Isso porque o empreendedorismo movimenta a economia e gera empregos para a sociedade. O índice de mortalidade das pequenas empresas que abrem e fecham em pouco período de vida é muito grande no país, potencializando a preocupação para o tema. Muitos fatores influenciam diretamente esse problema, principalmente no que se diz respeito à economia do país. Outros fatores importantes são a globalização, a necessidade de inovação para ter competitividade, a necessidade de investir na em- presa para ela se manter no mercado, dentre outros. Ainda, segundo pesquisas do Sebrae realizadas entre 2016 e 2017, o empreende- dorismo no Brasil é exercido de forma atabalhoada, ou seja, sem qualquer critério, disciplina ou responsabilidade social. Atualmente, existem 52 milhões de pessoas que possuem seu próprio negócio no país. Dentro do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o país ocupa o primeiro lugar do ranking. Dessa forma, o empreendedorismo é um fator importante para o desenvolvimen- to de um país, para geração de riquezas, empregos e, consequentemente, contribui para o desenvolvimento como principal promotor do avanço econômico e social. Em 2017, o projeto Global Entrepreneurship Monitor – GEM, com o apoio do Se- brae, criou um relatório com o resultado de suas pesquisas referentes ao empreen- dedorismo no Brasil. Para entendermos seu resultado, é importante conhecermos a classificação dos empreendedores dentro da pesquisa: • Nascentes: indivíduos donos de um negócio que ainda estão começando e não pagaram salários ou qualquer outra forma de remuneração aos donos por mais de três meses; • Novos: são donos de empreendimentos que já conseguiram remunerar de alguma forma o proprietário por um período superior a três meses e inferior a 42 meses, ou seja, 3,5 anos; • Estabelecidos ou consolidados: são donos de empreendimentos que conse- guem remunerar seus proprietários com um período superior a 42 meses. Tanto os empreendedores nascentes como os novos são considerados em- preendedores iniciais. EMPREENDEDORISMO 54 TABELA 1. EMPREENDEDORES NO BRASIL ESTÁGIO TAXAS (Percentual) ESTIMATIVA (Unidades) Total de empreendedores (18 a 64 anos) 36,4 49.332.360 Iniciais 20,3 27.482.078 Novos 16,3 22.093.966 Nascentes 4,4 6.010.858 Estabelecidos 16,5 22.337.649 Fonte: SEBRAE – GEM Brasil, 2017, p. 10. (Adaptado). A Tabela 1 nos informa que, entre os empreendedores brasileiros de 18 e 64 anos, 36,4% possuem um negócio próprio. Os novos empreendedores repre- sentam 16,3%, os iniciantes ou nascentes representam 4,4% e, por fim, os já estabelecidos representam o total de 16,5%. A taxa de sobrevivência das empresas é influenciada pelos desafios viven- ciados. Todavia, segundo pesquisa do GEM, houve uma alteração nos percen- tuais das empresas com dois anos de vida. Fonte: SEBRAE, 2016, p. 16. (Adaptado). GRÁFICO 1. TAXA DE SOBREVIVÊNCIA DE EMPRESAS DE DOIS ANOS: EVOLUÇÃO NO BRASIL EMPREENDEDORISMO 55 O Gráfico 1 mostra que 76,6% das empresas brasileiras criadas em 2012 so- breviveram por até dois anos. Como é possível observar no gráfico, foi a maior taxa de sobrevivência de empresas com até dois anos no período de 2008 a 2012. A pesquisa também nos apresenta dados referentes à taxa de mortalidade, ou seja, empresas que abrem e não conseguem sobreviver mais de dois anos de existência, conforme mostra Gráfico 2. Fonte: SEBRAE, 2016, p. 17. (Adaptado). GRÁFICO 2. TAXA DE MORTALIDADE DE EMPRESAS DE DOIS ANOS: EVOLUÇÃO NO BRASIL A taxa de mortalidade complementa a taxa da sobrevivência das empre- sas. Assim, conforme resultado da pesquisa realizada pelo Sebrae, a taxa de mortalidade das empresas com até dois anos caiu de 45,8% entre as empre- sas nascidas em 2008 para 23,4% entre as empresas nascidas em 2012. Conse- quentemente, a taxa de sobrevivência demonstrada no Gráfico 1 aumentou. ASSISTA Este vídeo explica detalhadamente o que é a taxa de mor- talidade das empresas e quais são os fatores importantes que influenciam esse cenário. 2008 45,8 44,6 23,8 24,2 23,4 2009 Ano de constituição da empresa 2010 2011 2012 EMPREENDEDORISMO 56 Fatores que influenciam e fomentam o empreendedorismo O empreendedorismo no Brasil é uma prática constante e faz parte da cul- tura do país, estimulada por muitos fatores. Um dos fatores que mais estimula tal prática é viver sob constantes momentos de crise. Dessa forma, o brasi- leiro é mais estimulado a abrir seu próprio negócio quando está passando por uma situação financeira complicada, como o desemprego, e precisa de alguma forma suprir a renda que recebia. É possível também identificar uma maior concentração de perfis em- preendedores nas grandes cidades, pois a concentração de empresas é maior e, consequentemente, o número de desempregados, assim como as oportunidades, são maiores. Desse modo, quando não há muitas alternativas para voltar ao merca- do de trabalho, os funcionários demitidos passam a criar novos negócios, mesmo sem contar com experiência e conhecimento do ramo. Sendo as- sim, criam apenas com o que receberam de sua rescisão, Fundo de Garan- tia, dentre outros investimentos. Em outras palavras, essas pessoas pas- sam a se ver como donos e patrões de maneira muito abrupta e precisam saber administrarmuito bem sua empresa para que ela não caia no índice de falência com pouco tempo de vida. Com tudo isso, o conhecimento é imprescindível para um empreende- dor de sucesso. Sem ele, é impossível que o negócio dê certo. Além disso, o conhecimento não é limitado, pois o bom empreendedor busca informações de todos os fatores que envolvem seu negócio. Além de obter informações e conhecimento do seu ramo de atuação, deve conhecer seu público-alvo, concorrentes, fornecedores, mercados, dentre outros. Muita gente tem vontade de abrir seu próprio ne- gócio. Entretanto, em muitos casos, devido à falta de informações tão importantes, es- sas pessoas acabam desistindo. Um gran- de empreendedor deve ter como base de sua empresa três pilares importantes: EMPREENDEDORISMO 57 CONHECIMENTO RESULTADO LUCRO DIAGRAMA 4. OS TRÊS PILARES DE UM GRANDE EMPREENDEDOR Além disso, tanto no meio acadêmico quanto nas áreas de interesse no tema, existem muitas discussões que buscam o desenvolvimento de pesquisas para melhor entender o assunto, assim como o desenvolvimento de alguns pro- gramas importantes voltados para o público empreendedor. Como exemplo, podemos citar o Programa Brasil Empreendedor, criado em 1999 pelo Governo Federal com o objetivo de capacitar mais de um milhão de empreendedores brasileiros, incluindo o desenvolvimento de plano de negócios e planejamento financeiro, como captação de recursos. Quem são os novos empreendedores? O empreendedor continua o mesmo, com as mesmas características, pen- samentos e com o desejo de transformar o seu sonho em realidade. Nesse sentido, trata-se de um perfil com criatividade, inovação, persistên- cia, flexibilidade, busca pelo conhecimento, resiliência etc. São pessoas extre- mamente focadas e persistentes, e possuem o objetivo de criar negócios que tragam benefícios aos usuários e, consequentemente, lucratividade. Os empreendedores de sucesso são aqueles que passam a vida estudando, aprimorando seus conhecimentos e buscando informações para colocar em prática seu projeto. Essas informações estão relacionadas ao seu próprio ne- gócio, sobre os concorrentes, os clientes e o mercado. Além disso, é importante mencionar que o empreendedor atual precisa buscar muito mais informações do que o empreendedor de antes. Isto ocorre devido à livre concorrência e à alta competitividade das empresas. EMPREENDEDORISMO 58 Portanto, é preciso ter conhecimento para sobreviver no mercado, en- tender o segmento dentro do qual se atua, conhecer o cliente, seus gos- tos e comportamentos, bem como saber quem são os seus concorrentes, quais estratégias estão sendo desenvolvidas por eles e quais são os for- necedores que podem permitir que seu produto ou serviço tenha mais qualidade e diferencial de mercado. Também é necessário saber como realizar parcerias produtivas e estar atualizado com a economia do país, bem como a cultura das pessoas que con- sumirão seus produtos, os fatores climáticos que podem influenciar sua pro- dução, quais as legislações possíveis que sua empresa deve seguir para evitar o pagamento de multas e perder dinheiro, dentre outros. Do ponto de vista socioeconômico, de acordo com pesquisas realizadas pelo CONAJE (Confederação Nacional de Jovens Empresários): DIAGRAMA 5. O JOVEM EMPREENDEDOR BRASILEIRO 65% 35% HOMENS MULHERES 49,5% 21,9% 15,6% 8,8% 4,3% Sudeste Sul Nordeste Centro-oeste Norte 18 A 20 ANOS 3% 97% 26 A 35 ANOS 73% 9% ENSINO SUPERIOR ENSINO MÉDIO ÁREA DE COMÉRCIO ÁREA DE SERVIÇOS 57,9% 10,1% EMPREENDEDORISMO 59 O empreendedorismo feminino As mulheres têm conquistado grande representatividade no seg- mento empreendedor. Um dos fato- res importantes revelados para que isso ocorra é o fato de muitas mulhe- res sustentarem a casa atualmente. O Sebrae informou, no relatório es- pecial de empreendedorismo femini- no no Brasil, publicado em 2019, que nos últimos dois anos esse número subiu de 38% para 45% de famílias sustentadas por mulheres. Outro fator importante é que elas querem ficar mais perto dos filhos sem deixar de trabalhar. Por isso, passam a em- preender de casa. Há também outros casos, como aqueles de mulheres que optam por empreender para au- mentar a renda familiar ou para ter independência financeira. Além disso, 9,3 milhões de mulheres estão a frente de um negócio atual- mente, com uma representatividade de 34% dos negócios formais e informais. Ainda de acordo com o relatório, essas mulheres empreendedoras, além de serem mais jovens do que os homens, também possuem um nível de escolari- dade maior quando comparadas com homens que possuem Ensino Médio ou Superior completo ou incompleto. Todavia, o salário ainda é menor se compa- rado ao empresário homem. Outro obstáculo vivenciado pelas empreendedoras diz respeito ao acesso ao crédito e linhas de financiamento. Os homens ainda possuem maior acesso e as mulheres pagam juros maiores quando conseguem crédito, mesmo com um índice de inadimplência menor. O relatório ainda aponta que as mulheres empreendedoras representam EMPREENDEDORISMO 60 48% das MEIs (Microempresas Individuais) e que a maioria, ou seja, 55,4%, rea- liza sua atividade laboral de casa. Por fim, o relatório faz menção a uma pesquisa realizada pelo GEM em 2018, que comparou a proporção de mulheres entre empreendedoras ini- ciais em 49 países e constatou que o Brasil ficou em 7º lugar no ranking, conforme mostra Gráfico 3. Fonte: GEM, 2018 apud SEBRAE, 2019. (Adaptado). GRÁFICO 3. MULHERES/HOMENS EMPREENDEDORES INICIAIS NO MUNDO M ad ag as ca r In do né sia Ca ta r Br as il Es pa nh a Ca na dá Ar ge nt in a Es ta do s U ni do s Po lô ni a Co re ia Lu xe m bu rg o Irl an da Su dã o Isr ae l Cr oá cia Ar áb ia Sa ud ita Au st ria Po rto R ico Pa íse s B ai xo s Al em an ha Re in o Un id o M ar ro co s Es lo vê ni a Tu rq ui a Bu lg ar ia 1.2 1 0.8 0.6 0.4 0.2 0 O Sebrae aponta que ainda existem muitas informações referentes às mulheres empreendedoras, como também alguns desafios encontrados por elas. Segundo o estudo, 96% das mulheres empreendedoras possuem um único trabalho, o que possibilita maior dedicação ao seu negócio. Além disso, a informalidade ainda é alta entre elas, sendo que dois terços dos empreendimentos ainda não estão formalizados. A pesquisa revelou, também, que as mulheres preferem trabalhar sem sócios e que o porte dos negócios femininos é menor do que os negócios masculinos. Por fim, atualmente, quase metade das MEIs são de mulheres, tendo um cresci- mento gradual entre os anos de 2010 a 2016, conforme mostra o Gráfico 4. EMPREENDEDORISMO 61 Fonte: SEBRAE, 2019 apud SEBRAE, 2017. (Adaptado). GRÁFICO 4. DISTRIBUIÇÃO DE MEI POR GÊNERO (2010 A 2016) TABELA 2. SEGMENTOS ATUANTES DAS MULHERES EMPREENDEDORAS NO BRASIL % DE MEI SETOR DESCRIÇÃO 76 COMÉRCIO Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios. 79 SERVIÇOS Cabeleireiros. 96 SERVIÇOS Outras atividades de tratamento de beleza. 75 INDÚSTRIA Fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para consumo domiciliar. 73 COMÉRCIO Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal. 90 INDÚSTRIA Confecção, sob medida, de peças do vestuário, exceto roupas íntimas. 85 INDÚSTRIA Confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida. 81 INDÚSTRIA Fabricação de produtos diversos não especificados anteriormente. 63 COMÉRCIO Comércio varejista de artigos de armarinho. 60 COMÉRCIO Comércio varejista de outros produtos. Fonte: SEBRAE, 2017 apud SEBRAE, 2019. (Adaptado). Os segmentos atuantes das mulheres são diversos. Entretanto, a maior con- centração da sua atuação está nos segmentos relacionados à beleza, moda e alimentação, conforme Tabela 2. EMPREENDEDORISMO 62 Analisamos, então, que o empreendedorismo feminino pode servisto como um outro fenômeno do empreendedorismo que se concentra mais na necessida- de de ter uma renda e na falta de preparo para iniciar um empreendimento. Ter dados e analisar o segmento feminino é fundamental para trazer informa- ções relevantes a várias áreas que possam desenvolver produtos e serviços que atendam às necessidades femininas, como a área de crédito. Pesquisas revelam que as mulheres que empreendem se preocupam muito com carreira, maternida- de, apoio do parceiro, da família e apoio financeiro. Além disso, constatou-se que elas sofrem preconceitos e enfrentam alguns desafios no momento de abrir a pró- pria empresa, ocasionando em um nível maior de solidão na hora de empreender. Pesquisas realizadas pela Instituição Rede Mulher Empreendedora entre os anos de 2016, 2017 e 2018 revelam que as mulheres empreendedoras ainda preci- sam desenvolver algumas habilidades, como saber delegar tarefas e funções, bem como aprender a desenvolver um planejamento financeiro. Por outro lado, são mui- to otimistas, o que torna tudo à sua volta melhor, vivem se capacitando para enten- der melhor do seu negócio e possuem bom networking (relacionamento). CURIOSIDADE Uma empregada doméstica, um taxista e dois atendentes do McDonald’s, sendo um deles a presidente da empresa Leila Velez, transformaram um sonho em realidade. A empresa Beleza Natural, que nasceu a partir de ex- perimentos para resolver um problema de descontentamento com cabelos crespos e ondulados, atende mais de 100 mil clientes por mês atualmente e está para se tornar uma empresa multinacional. O empreendedorismo digital O empreendedorismo digital vem se transformando em um fenômeno e em uma tendência das empresas empreendedoras. Conforme o IBGE, em 2021, o número de domicílios brasileiros com acesso à inter- net chegou a 90,0%. Em termos absolutos, são 65,6 milhões de domicílios conectados, 5,8 milhões a mais do que em 2019. Esse número vem aumentando gradativamente ao mesmo tempo que aumenta o número de pessoas que compram smartphones e, consecutivamente, acessam às lojas virtuais através dos aplicativos móveis. EMPREENDEDORISMO 63 Nesse sentido, a internet, cada vez mais acessível e simplificada, vem promo- vendo a entrada de novos empreendedores neste setor. Consequentemente, a ampliação das possibilidades neste ambiente está cada vez mais forte no em- preendedorismo digital: [...] neste contexto, podemos definir empreendedorismo digital como um ato de criar e desenvolver um negócio que funcione es- sencialmente na internet de forma digital, e que tenha a maioria de seus processos e procedimentos realizados neste ambiente, tendo a tecnologia como instrumento essencial de inovação para performance, sustento e perenidade do negócio (minuto 4:40). Desse modo, os negócios virtuais têm obtido muitas facilidades que promo- vem o empreendimento. O espaço virtual otimiza os negócios virtuais, pois pos- sui alguns princípios importantes, tais como: DIAGRAMA 6. PRINCIPIOS IMPORTANTES Baixo investimento inicial para começar e operacionalizar o negócio. Facilidade de acesso à internet. Maior dinamismo nas negociações on-line, evitando encontros enfadonhos. Alta escalabilidade: a alta conectividade do ambiente virtual é capaz de acessar pessoas diferentes, em diferentes locais no mundo inteiro e, consequentemente, maiores transações negociais e maior lucratividade. EMPREENDEDORISMO 64 Grandes exemplos de empresas que trabalham seguindo esses princí- pios são: Amazon, Dafiti, Net Shoes, Mercado Livre e empresas que traba- lham 100% pelo comércio eletrônico. Além disso, são muitas as ferra- mentas dos negócios digitais: e-com- merce, portais de cursos on-line, blogs de conteúdo, web TVs, vídeos etc. Todavia, o Brasil ainda tem muito a crescer no quesito inovação. Con- forme o IGI (Índice Global de Inova- ção) de 2018, o Brasil ocupa 64º lugar no ranking mundial. O 1º lugar ficou com a Suíça, que ocupa a mesma po- sição pelo sétimo ano consecutivo. Um dos motivos do ranking brasi- leiro é o investimento muito baixo para a área de Pesquisa de Ciência, Tecno- logia e Inovação, que recebe 1% do PIB. Países como Estados Unidos, por exemplo, possuem um investimento de 2,7% do PIB, quase três vezes maior do que o do Brasil. As principais cidades que são Polos Tecnológicos de referência no Brasil são: • Recife - Porto Digital • Porto Alegre – TecnoPuc • Belo Horizonte - San Pedro Valley • São José dos Campos: Parque Tecnológico • Florianópolis: Capital da Inovação • Santa Rita do Sapucaí: Vale da Eletrônica • Campinas: Fundação UNICAMP • São José dos Campos: ITA Os parques tecnológicos têm o objetivo de reunir universidades e empresas em um espaço em comum para desenvolver produtos e serviços inovadores. A Figura 1 apresenta um mapa dos parques tecnológicos estabelecidos e em andamento. EMPREENDEDORISMO 65 Figura 1. Parques tecnológicos no Brasil. Fonte: DORNELAS, 2016. (Adaptado). As empresas que vivem nesta área chamada de incubadora são chamadas de empresas incubadoras. Elas são auxiliadas para começar a iniciar seu próprio negócio com significativo grau de inovação. Neste ambiente, elas encontram su- porte técnico, administrativo, mercadológico e gerencial. Além disso, as pessoas EMPREENDEDORISMO 66 envolvidas podem realizar cursos de Empreendedorismo e têm acesso a novas tecnologias. Com este suporte, o empreendimento é acompanhado desde a sua fase inicial, tendo todo o auxílio para seu planejamento e desenvolvimento. As incubadoras favorecem a ação empreendedora e o desenvolvimento nas principais áreas importantes para o negócio: gestão empresarial e tecnológica, marketing e vendas, contabilidade, apoio jurídico, dentre outras. Startups Diferentemente do empreendedorismo tradicional, temos as startups. Elas utilizam amplamente as inovações tecnológicas de ponta, especialmente as tecnologias de inovação e comunicação, que auxiliam o mercado a satisfazer suas demandas, acelerando consideravelmente os empreendimentos ligados à tecnologia. O conceito de startup se firmou no Brasil e está voltado exclusivamente para a modalidade de empreendedorismo digital. Desse modo, startup pode ser considerada como um modelo de negócio inovador, rápido, dinâmico, que tenha escalabilidade e com o propósito de gerar muita lucratividade para o empreendedor. STARTUPS PODEM ATRAIR INVESTIDORES QUE ACREDITAM NA SUA IDEIA. ESSES INVESTIDORES SÃO CHAMADOS DE INVESTIDORES ANJOS. ALÉM DISSO, ESSE MODELO DE EMPRESA É INICIADO EM UM AMBIENTE DE INCERTEZAS, OU SEJA, EM AMBIENTES EM QUE NÃO EXISTE A POSSIBILIDADE DE SABER SE A IDEIA VAI DAR CERTO OU NÃO. POR ISSO, A LUCRATIVIDADE DA EMPRESA PODE SER IMPACTADA. DIAGRAMA 7. STARTUPS EMPREENDEDORISMO 67 Entretanto, a facilidade do negócio consiste na abrangência de pessoas que ele pode rapidamente atingir a um custo muito baixo (escalabilidade). Não à toa, a maioria das startups são digitais. De acordo com matéria divulgada pela EBC, “Startups crescem no Brasil e consolidam nova geração de empreendedores”, publicada em 2018, pes- quisas realizadas pela ABStartups (Associação Brasileira de Startups) mos- tram que a quantidade de empresas cadastradas na associação aumentou de 2.519 no ano de 2012 para 5.147 no ano de 2017. Atualmente, o número é de mais de 12.000 empresas atuantes nesta modalidade, dentre elas a Nubank, PagSeguro e a 99 que, segundo a associação, valem mais de um bilhão de dólares. Descrevendo e definindo: empreendedores e intraempreendedores Para os empreendedores e intraempreendedores, desenvolver produtos e serviços para atender os clientes é requisito básico. Desse modo, ambos precisam analisar o mercado, as pessoas, as tendências e projetar suas ideias, desenvolvendo soluções para a empresa que beneficiem a sociedade. Tanto empreendedores quanto intraempreendedores pos- suem características semelhantes,tendo como única dife- rença o local de trabalho onde atuam. Um está focado em desenvolver sua própria empresa e o outro está dentro da empresa. Contudo, a premissa básica é a mesma: desenvolver soluções que tra- gam rentabilidade para o empreendedor. Clientes Para este novo objeto de estudo, continuaremos a nos embasar em meus estudos ao longo de minha carreira e na obra de Dantas, em seu livro Gestão da Informação sobre a satisfação dos consumidores/clientes: condição primordial na orientação para o mercado, publicado em 2014. A essência da empresa é viver para atender as necessidades de seus clien- EMPREENDEDORISMO 68 CONSUMIDORES tes. Seguindo essa linha de raciocínio, devemos tratar o cliente como se fôsse- mos seu médico em mesa de cirurgia: com o maior cuidado e atenção possí- vel para que tudo ocorra bem. CLIENTES OS CONSUMIDORES SÃO DEFINIDOS COMO AQUELES QUE COMPRAM PRODUTOS E SERVIÇOS DE UMA EMPRESA PARA O USO PRÓPRIO OU DE TERCEIROS. ALÉM DISSO, QUEM CONSOME O PRODUTO OU SERVIÇO ADQUIRIDO É CLASSIFICADO COMO USUÁRIO. OS CLIENTES, POR SUA VEZ, REALIZAM A MESMA AÇÃO: COMPRAM PRODUTOS E SERVIÇOS PARA SI OU PARA TERCEIROS, ENTRETANTO, COM UMA FREQUÊNCIA MAIOR, O QUE OS TORNA CLIENTES. ELES REPETEM A AÇÃO DE COMPRA NAQUELA EMPRESA, OU SEJA, ELES COMPRAM COM UMA CERTA REGULARIDADE CONFORME O GRAU DE SATISFAÇÃO QUE TIVERAM NA PRIMEIRA COMPRA. DIAGRAMA 8. CONSUMIDORES E CLIENTES EMPREENDEDORISMO 69 Nesse sentido, podemos entender que o cliente é o maior motivador do ne- gócio da empresa. Em outras palavras, não existe empresa sem cliente. Desse modo, é importante que ele seja o cerne da organização, do seu planejamento, do desenvolvimento de produtos e dos serviços. O lucro da empresa é muito importante, mas mais importante ainda é quando as duas partes ganham, ou seja, empresa e cliente, pois com esta ação ela acaba por fidelizá-los. E como fazer com que o cliente ganhe também? É de extrema im- portância que a empresa adote um comportamento e uma postura ética, baseados em princípios e com responsabilidade social, entregue o que o produto divulgou em suas ações de marketing e não faça propagandas enganosas que frustrem o cliente. Desse modo, a empresa cria mecanismos para surpreender o cliente quando o conhece. Em outras palavras, quando ela entende seu perfil e comportamento de compra, pode desenvolver produtos e serviços que atendam suas necessidades. O empreendedor deve ter os olhos sempre voltados para este fator. Antiga- mente, as empresas desenvolviam um produto, o lançavam no mercado e anali- savam se o cliente poderia comprá-lo ou não. Dessa forma, as grandes empresas ditavam as regras, criando seus produtos e serviços sem precisar da opinião do público, independentemente de conhecerem seus comportamentos e gostos. Atualmente, com a concorrência acirrada e a busca pela competitividade, a pos- tura das empresas mudou e deve ser assim. As empresas procuram responder rapidamente às necessidades de seus clientes, buscando como parceiras a ino- vação e a tecnologia, conseguindo, assim, ter vantagem competitiva de mercado. Empresas podem realizar pesquisas de mercado para entender seu público- -alvo. Além disso, elas podem realizar pesquisas de satisfação do cliente, ques- tionando fatores importantes como qualidade, atendimento, facilidades, locali- zação e perguntar ao cliente o que ele deseja comprar. Com estas informações, os empreendedores podem desenvolver seus produtos e serviços de maneira diferenciada, atraindo novos clientes e fidelizando os que já estão “em casa”. Visar o lucro é condição fundamental para a empresa no sistema capitalista. Entretanto, quando todos os envolvidos ganham, ou seja, clientes, fornecedores e parceiros, o processo se torna ainda mais interessante, pois esta preocupação reflete uma ação de responsabilidade social que todas as empresas deveriam ter. Quando se tem um pensamento voltado para a responsabilidade social, coi- sas importantes são levadas em consideração, como: EMPREENDEDORISMO 70 Sem clientes/consumidores não há organizações que sobrevivam, pois é de- les que provém todo o recurso para empresa sobreviver e investir. Portanto, não adianta ter investimentos em instalações, equipamento e tecnologia de ponta se a empresa não tiver clientes/consumidores que comprem seus produtos e serviços. Quando a empresa consegue classificar seus clientes e separá-los, ela con- segue entregar melhor seus produtos e serviços. Ela pode classificar por fato- res de afinidade; em marketing, chamamos essa ação de segmentação e ela consiste na seleção ou separação de clientes por fatores de maior familiarida- de/afinidade. Exemplos de segmentação podem ser vistos em: faixa etária, localização, profissão, faixa salarial, comportamento, hábitos, hobbies, tamanho da família, religião, personalidade, dentre outros. ÉTICA QUALIDADE DE PRODUTOS E SERVIÇOS DIAGRAMA 9. RESPONSIBILIDADE SOCIAL BOM ATENDIMENTO ATENDIMENTO PÓS-VENDA, DENTRE OUTROS EMPREENDEDORISMO 71 TABELA 3. NECESSIDADES E DESEJOS DOS CONSUMIDORES NECESSIDADE DESEJO COMER em uma churrascaria de referência. DORMIR em um colchão ortopédico. RESPIRAR em um parque. RELACIONAR-SE SEXUALMENTE ir a um motel de luxo. COMUNICAR-SE por meio de um celular de última geração. BEBER vinhos importados. EVACUAR em um banheiro limpo com bacias de mármore. URINAR em um ambiente esterilizado e agradável. EXERCITAR-SE com um personal trainer. LOCOMOVER-SE em um carro de luxo importado. DIVERTIR-SE em festas noturnas e viagens internacionais. LOCALIZAR-SE NO TEMPO por meio das horas de um relógio importado. PROTEGER-SE com uma jaqueta de couro. INFORMAR-SE por meio de assinatura de jornais e revistas eletrônicas. Fonte: DANTAS, 2014, p. 15. (Adaptado). Muitos estudos revelam que, sem clientes/consumidores nenhuma empre- sa ou organização se justifica. Por isso, é de extrema importância entender o seu comportamento, necessidades e desejos. A Tabela 3 mostra as diferenças entre necessidades e desejos. A Tabela 3 mostra que todos temos necessidades, mas os desejos podem ser diferentes. Nesse sentido, quando o empreendedor tem estas informações, consegue desenvolver produtos e serviços de sua empresa para que o cliente faça suas escolhas. No caso da Tabela 3, poderíamos realizar outro exercício, colocando marcas de empresas na área de desejos. Dessa forma, fica mais fácil compreender as estratégias de marketing direcionadas para o cliente e futuros consumidores. Para entendermos as necessidades dos clientes, é necessário analisar a questão do desejo, que está direcionado para a obtenção de uma satisfação referente à compra. Os desejos podem ser despertados e estimulados pelas empresas. Quando os empreendedores possuem as informações necessárias sobre o comportamento e hábito dos consumidores, conseguem desenvolver estratégias de marketing para despertar o desejo dos clientes. Quem nesta vida nunca comprou por impulso, achando que estava precisando de algo quando EMPREENDEDORISMO 72 na verdade nem era tão importante assim? Desse modo, a prática do marketing na empresa estimula as necessidades e desejos das pessoas por meio das ferramentas de comunicação, como as propagandas, aguçando a vontade do consumidor de possuir aquele produ- to. O esforço da equipe de marketing consiste em sensibilizar aquele cliente/ consumidor para adquirir seu produto ou serviço por meio das evidências dos diferenciais que ele pode proporcionar ao consumidor. As marcas existem para chamar a atenção das pessoas e, consequentemente, realizar seus desejos e satisfazer suas necessidades. A empresa pode perder clientes por diversos fatores, como péssimo atendi- mento, mudança do local, o produto ou serviço não supre suas necessidades, falta de qualidade, dentre outros. Por isso, o empreendedor precisa ficar atento à gestão de clientes, promovendo a suasatisfação e respondendo rapidamente às suas necessidades para que ele não busque produtos substitutos no mercado. Fonte: BERG, 2014. (Adaptado). GRÁFICO 5. POR QUE AS EMPRESAS PERDEM CLIENTES? Dessa forma, o empreendedor precisa ficar atento a esses fatores e, diante dos resultados, desenvolver estratégias que eliminem a perda de cliente. EMPREENDEDORISMO 73 Fornecedores Os fornecedores são muito importantes para a organização, pois permitem que a empresa delegue algumas atividades para criar parcerias. Eles podem ser fornecedores de diversas áreas, como de matéria-prima ou um insumo para a fabricação e produção de mercadoria, mão de obra terceirizada, ser- viços de cobrança etc. Podemos terceirizar outras áreas, tais como marketing, produção, dentre outras. TAMBÉM CONHECIDA PELA EXPRESSÃO INGLESA OUTSOURCING; ESSA AÇÃO PERMITE QUE A EMPRESA DIRECIONE SEU FOCO PARA OUTRAS ATIVIDADES “FINS”, OU SEJA, A ATIVIDADE FINAL. QUANDO A EMPRESA OPTA POR ESTA AÇÃO DE DESCENTRALIZAÇÃO, PODEMOS FALAR QUE ELA ESTÁ CRIANDO PARCERIAS COM OUTRAS EMPRESAS. TEM SIDO UMA ESTRATÉGIA UTILIZADA PELAS EMPRESAS COM O OBJETIVO DE TRANSFERIR À OUTRA EMPRESA, ATIVIDADES “MEIO”, OU SEJA, ATIVIDADES QUE AJUDAM A VIABILIZAR A ATIVIDADE PRINCIPAL DA EMPRESA. DIAGRAMA 10. TERCEIRIZAÇÃO 1 2 3 4 5 EMPREENDEDORISMO 74 CURIOSIDADE A Nike, em 2014, se envolveu em um escândalo de mão de obra escrava que repercutiu negativamente em sua marca. Desde 1996, a empresa precisa lidar com fornecedores que trabalham com mão de obra escrava na confecção de seus produtos. Para evitar tal situação, a empresa criou cargos de fiscalização em todas as etapas do processo, fiscalizando até mesmo os padrões de saúde e de segurança das empresas fornecedoras. A importância de parcerias para as empresas é muito grande. Atualmente, as empresas têm utilizado este tipo de estratégia para, além de otimizar seus processos, promover ações de marketing e atrair novos clientes. No entanto, o empreendedor precisa se atentar ao controle dos processos envolvidos na parceria. É importante que se conheça o fornecedor, analise seu histórico de mercado, se ele trabalha com produtos de qualidade, é ético etc. A importância de ter esse tipo de informação ocorre devido ao fato de que qualquer fator sobre o fornecedor, seja ele negativo ou positivo, influencia diretamente na marca da empresa, podendo até diminuir a sua participação de mercado. As empresas optam pela terceirização para terem mais autonomia e quali- dade em seus produtos e serviços com uma redução de custo e otimização de tempo para analisar outras atividades “fins” da empresa. Concorrentes São chamadas concorrentes as empresas que vendem produtos e serviços se- melhantes, dividindo um segmento de mercado. É importante que o empreende- dor conheça quais seus concorrentes, o que eles estão fazendo, quais estratégias estão desenvolvendo, quais os diferenciais de seus produtos ou serviços, qual o seu percentual de marketing share (participação de mercado), dentre outros. A partir desta análise da concorrência, ele pode averiguar quem é o seu concorrente mais direto, que pode ser uma grande ameaça para a sua empre- sa. Para obter mais informações, o empreendedor pode realizar uma pesquisa de mercado com o objetivo de coletar algumas informações, tais como: • Pontos principais dos concorrentes, como preço, qualidade, localização, serviço de entrega, garantia estendida, atendimento, dentre outros; • Avaliar a estrutura do concorrente, se é mais enxuta ou não, como quadro de funcionários e as áreas importantes da organização; EMPREENDEDORISMO 75 CURIOSIDADE A Uber entrou no Brasil em 2014 e revolucionou o segmento de trans- porte público, tendo como seu concorrente direto o táxi. Para entrar no mercado, a empresa analisou o cenário e percebeu que tinha um público disposto a pagar por um serviço melhor, como também pessoas que que- riam trabalhar utilizando seus próprios carros. A empresa desenvolveu várias estratégias de serviços, revolucionando o setor. A Uber realizou pesquisa de mercado, criou um aplicativo para unir pessoas e meios de transporte, é uma empresa de tecnologia e facilitou o acesso mais barato ao transporte público. • Analisar quais necessidades apresentadas pelos clientes que não estão sendo atendidas pelo concorrente para que se possa criar um produto ou ser- viço com o objetivo de atendê-las. EMPREENDEDORISMO 76 Sintetizando Nessa unidade, estudamos o desenvolvimento da globalização, sua impor- tância e vimos como ela impacta as relações no mundo, fazendo com que em- presas possam comercializar seus produtos e serviços com seu público-alvo a qualquer distância. A globalização permitiu o rompimento de barreiras, in- clusive para transações comerciais, financeiras, troca de informações e conhe- cimentos. Pudemos perceber a importância deste processo para a empresa, principalmente para as empresas do empreendedorismo digital, como é o caso das startups. Para que tudo ocorra bem, é de extrema importância que as empresas co- nheçam o ambiente no qual estão inseridas, como o mercado, os clientes, a cultura local, a política, seus concorrentes, fornecedores, dentre outros. Esse conhecimento direciona o planejamento estratégico do empreendimento para que se obtenha êxito na busca do seu objetivo. Vimos também a importância do empreendedorismo feminino, como ele vem crescendo no país e quais são os fatores motivadores que impulsionam esse crescimento. Esse fenômeno tem trazido uma opção de emprego ou ren- da extra, principalmente para as mulheres que desejam uma independência financeira, reconhecimento de carreira e que querem acompanhar o cresci- mento de seus filhos, tendo maior flexibilidade de horário. Outro fator importante foi entender como funcionam as startups e quais os apoios para o seu desenvolvimento. Além disso, analisamos a importância da tecnologia e da inovação para êxito dos empreendimentos. Por fim, demonstramos que, embora o cenário brasileiro seja um ambiente desafiador e que tem muito a crescer, muitas pessoas acreditam no país e não enxergam isto como um problema. Não à toa, estamos entre os países que mais empreendem no mundo, embora ainda possamos nos aprimorar mais no quesito inovação e desenvolver novos negócios que beneficiem a população e gerem riqueza para a empresa e para o empreendedor, ajudando no desenvol- vimento do nosso país. EMPREENDEDORISMO 77 Referências bibliográficas AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS. PNAD Contínua TIC 2017: Internet chega a três em cada quatro domicílios do país. 20 dez. 2018. Disponível em: <https://agencia- denoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/re- leases/23445-pnad-continua-tic-2017-internet-chega-a-tres-em-cada-quatro- domicilios-do-pais>. Acesso em: 01 ago. 2019. BERG, E. Por que as empresas perdem clientes? Revista Meio Filtrante, n. 66, jan./fev. 2014, ano XII. 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EMPREENDEDORISMO 80 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E OS TIPOS DE EMPRESA 3 UNIDADE Objetivos da unidade Tópicos de estudo Definir a importância do planejamento estratégico e sua importância para sua organização; Explicar como esta estratégia irá auxiliar o empreendedor a tirar suas ideias do papel e colocá-las em prática; Aplicar e analisar o processo e, caso necessário, compor novas estratégias para atingir o objetivo da empresa; Entender as diferenças entre os diversos tipos de empresa. Planejamento estratégico Análise de mercado Análise de cenários Análise ambiental (micro e macroambiente) Aprendendo a construir a Matriz SWOT A importância da criatividade e inovação para a criação de produtos e serviços Principais tipos de organização Indústria, comércio e serviço Governamental ou Estatal Empresa não governamental Modelo de empresas: individual, microempresas, pequenas empresas e empresas de grande porte EMPREENDEDORISMO 81 Planejamento estratégico Para a empresa sobreviver e se sustentar, é necessário um planejamento estratégico de suas decisões e ações. Da mesma forma, um empreendedor que tem uma excelente ideia e deseja colocá-la em prática também precisa planejar suas ações, como o momento em que elas serão colocadas em prática, qual o público-alvo de seu negócio, dentre outras decisões que precisam ser tomadas. Nesse sentido, é possível dizer que ele precisa se planejar. Dessa forma, o planejamento estratégico vai ao encontro desta necessidade, uma vez que pre- tende auxiliar o empreendedor a tomar decisões estratégicas. O planejamento é um conhecimento que deve ser contínuo, constante e aplicado às decisões estratégicas que a empresa deve tomar. O conhecimento é uma característica dos dias atuais e de um mundo em cons- tante mudança. Sendo assim, o empreendedor deve estar em constante aprendi- zado para planejar e administrar a sua empresa. CITANDO “[...] a necessidade de um aprendizado contínuo e constante consiste em uma característica de um mundo em constante mudança, cujo aprendizado adquirido fica obsoleto rapidamente.” Fonte: DINIZ, A Arte de Empreender. Além disso, é importante que o empreendedor saiba gerenciar os negócios da empresa como se fosse sua carteira de investimentos. Saber avaliar os pon- tos fortes e fracos do negócio considerando a atuação de mercado frente ao crescimento e ao posicionamento da empresa e, diante disso, pensar em de- senvolver estratégias que atendam cada objetivo da empresa. É possível afirmar que as empresas só conseguirão sobreviver se elas se rein- ventarem, pois não existe outra forma de responder às mudanças de mercado e do comportamento dos consumidores. Dessa forma, é necessário basear suas estraté- gias para que atendam às demandas em constante transformação. A reinvenção passa por diversas ações a começar pela reflexão constante em como sobreviver em e ameaças radicais, indagan- do-se constantemente o que pode aniquilar a empresa. E buscar respostas rápidas e eficazes. (DINIZ, sd). EMPREENDEDORISMO 82 Para que a empresa possa definir estes tipos de estratégias e atender às necessidades dos clientes, ela pode contar com o planejamento estratégico para desenvolver e escolher as melhores estratégias que orientarão a empresa a atingir seu objetivo. Considera-se o planejamento estratégico como um documento formal que contém os planos e ações desenvolvidas para cada objetivo a ser realizado. Desse modo, a empresa pode ter um planejamento estratégico geral, mas tam- bém pode desenvolver um planejamento para cada objetivo ou meta que ela pretende alcançar. Qualquer empresa pode realizar o seu planejamento estratégico, independen- temente de seu tamanho. Na verdade, o planejamento estratégico é para ajudar a empresa e o empreendedor a se direcionar e crescer no mercado, sendo, dessa maneira, um instrumento essencial para o empreendedor e para a administra- ção organizacional. Esse planejamento deve conter passo a passo das ações que devem ser tomadas e, assim, orientar de forma eficaz os envolvidos no processo. Estudos revelam que muitas empresas, principalmente as menores, não utilizam o planejamento estratégico,muitas vezes por não o conhecerem ou por achá-lo muito complexo. Isso pode ser um erro. Na tentativa de acertar e errar, se a empresa tem um planejamento do que fazer, pode tomar decisões mais sábias que tragam bons resultados e evitar muitos momentos de conflito ocorridos pela falta do conhecimento e da ferramenta. AVALIAR O PROGRESSOPLANEJAMENTO ESTRATÉGICO IMPLEMENTAÇÃO ALOCAR RECURSOS ESTABELECER UMA META RECOLHER INFORMAÇÕES Figura 1. Etapas do planejamento estratégico. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 25/07/2019. (Adaptado). EMPREENDEDORISMO 83 O planejamento estratégico tem o objetivo de ordenar as ideias dos em- preendedores ou administradores da empresa, de forma que se possa criar uma visão do caminho que se deve seguir, o qual chamamos de estratégia. Em outras palavras, o objetivo do planejamento estratégico é orientar as decisões para que elas possam trazer resultados positivos para a organização quando transformadas em ações, como fidelizar clientes, atrair novos consumi- dores e permitir maior participação de mercado. Para a empresa sobreviver, é preciso cativar o cliente de forma cada vez mais especial e diferenciada, olhando para os fatores decisivos que tornarão sua proposta atraente. Essa proposta pode ser elaborada por meio do planeja- mento estratégico da empresa. EXEMPLIFICANDO Para atingir com eficiência seus resultados, a Samsung leva à risca seu planejamento estratégico. Quando a empresa cogita novos produtos, devem responder a uma pergunta funda- mental: ele surpreende o cliente? Com base na resposta, ela elabora um plano de ação para garantir que seus produtos cheguem ao seu público-alvo e formula um planejamento estratégico. Nesta entrevista, o gerente de produtos Renato Citrini explica, dentre outras coisas, a mentalidade da empre- sa ao construir produtos. Para entendermos melhor como deve ser o processo de planejamento es- tratégico, observe o Diagrama 1 que demonstra o seu fluxo. DIAGRAMA 1. EMPREENDEDOR TEM MUITAS RESPONSABILIDADES Desenvolvimento do planejamento estratégico (objetivos e metas)Desenvolvimento do planejamento estratégico (objetivos e metas) Desenvolvimento do planejamento estratégico (objetivos e metas)Desenvolvimento do planejamento estratégico (objetivos e metas) Planejamento Desenvolvimento do planejamento estratégico (objetivos e metas)Organização Implementação Desenvolvimento do planejamento estratégico (objetivos e metas)Organização Implementação Implementação Desenvolvimento do planejamento estratégico (objetivos e metas) Mensuração de resultados Diagnóstico do resultados Adoção de ações corretivas Desenvolvimento do planejamento estratégico (objetivos e metas) Mensuração de resultados Diagnóstico do resultados Adoção de ações corretivas Controle Fonte: KOTLER; KELLER, 2006, p. 43. (Adaptado). EMPREENDEDORISMO 84 O Diagrama 1 nos mostra que devemos planejar o que fazer com a empresa, desenvolvendo estratégias e plano de ação alinhados aos seus objetivos e me- tas. Em seguida, vem a fase da implementação, na qual é necessário organizar o que deve ser feito. Por último, é necessário controlar, mensurando os re- sultados, diagnosticando a situação da empresa e alterando estratégias, caso necessário. Isto é um processo contínuo. Desse modo, um bom planejamento estratégico permite aos empreende- dores e gestores maior visão e percepção do seu negócio e, assim, definir quais os planos de ação para atingirem seus objetivos. Permite também otimizar me- lhor seus recursos, analisar qual o melhor caminho a seguir, pensar em alter- nativas e corrigir as estratégias quando necessário. Existem muitas outras formas defendidas por vários autores para estabele- cer o planejamento estratégico. No entanto, o que mais abrange a estratégias são os seguintes pontos: DIAGRAMA 2. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Analisar os aspectos internos, entendendo quais são os pontos fortes e fracos da organização; Análise ambiental: verificar quais são as oportunidades e ameaças do ambiente da empresa; Estabelecimento de estratégias: para atingir os objetivos e obter resultados; Verificar campo de atuação: o que a empresa está fazendo com o campo que está atuando; EMPREENDEDORISMO 85 No Diagrama 3 é possível conhecer quatro fatores importantes para o de- senvolvimento da estratégia da organização. DIAGRAMA 3. AS QUATRO ATIVIDADES DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO QUE LEVAM A ESTRUTURAR A ESTRATÉGIA DE UMA ORGANIZAÇÃO Análise do ambiente Estratégia vigente Análise dos aspectos internos Orientação versus campus de atuação Estratégia da organização Fonte: ALMEIDA, 2010. (Adaptado). Não existe uma ordem para se colocar em prática os pontos apresentados pelo Diagrama 3, o importante é que sejam analisados e praticados conforme os objetivos organizacionais. Outro fator importante no desenvolvimento da estratégia é a definição da missão da empresa. A missão é a razão de sua existência e vai nortear todas as diretrizes do planejamento estratégico. Junto com a missão, também desenvol- vemos os valores organizacionais e a visão de uma empresa. A visão deve também estar estabelecida no planejamento estratégico, como um objetivo que deve ser alcançado. De maneira geral, ao realizarmos a análise dos aspectos internos organizacio- nais, precisamos identificar quais são os fatores de sucesso da empresa em seu segmento. Esses fatores também são conhecidos como Fatores Críticos de Suces- so (FCS) e são determinantes para a vantagem competitiva de uma organização. Podemos ter como fatores de sucesso um excelente serviço de entrega, variedade de produtos ofertados, ótimo atendimento ao cliente, dentre outros. EMPREENDEDORISMO 86 CURIOSIDADE O restaurante Outback possui muitos diferenciais, como atendimento personalizado, variedade de pratos, ambiente diferenciado e agradável, promoções de produtos, happy hours, brindes para aniversariantes, locali- zação privilegiada, etc. Para entender se realmente a empresa possui um FCS, elas devem ser comparadas aos seus concorrentes, ou seja, com os serviços de empresas do mesmo segmento e analisar se são superiores ou não, identificando os pontos fortes e fracos da empresa, com o objetivo de maximizar os pontos fortes e minimizar os pontos fracos. Ao analisar o FCS, podemos também nos atentar para os pontos fracos da em- presa em relação aos concorrentes. Por exemplo: uma empresa de telefonia que não tem um bom atendimento ao cliente pode acumular protocolos de reclama- ção, fazendo com que seus clientes optem por comprar produtos concorrentes. DIAGRAMA 4. PASSOS PARA ANÁLISE DOS ASPECTOS INTERNOS Determinação dos FCS Comparação dos FCS com os concorrentes Pontos fortes e fracos Estratégias (aumentar pontos fortes e diminuir pontos fracos) Fonte: ALMEIDA, 2010, p. 10. (Adaptado). No entanto, existe uma relação de pontos fracos que podem ser atribuídos a qualquer organização, como atraso na entrega de relatórios, dificuldade de entender e atender às necessidades dos clientes, atraso na entrega de mer- cadorias, falta de flexibilização na forma de pagamento, falta de qualidade na produção de produtos, etc. Por conta disso, a formulação do planejamento estratégico depende do estudo das variáveis internas e externas para que a empresa possa tomar decisões mais assertivas. Esta ação, denominada também diagnóstico organizacional, precisa da informação de cada área da organização e levar em conta os dados das variá- veis para tomada de decisão, demonstradas no Quadro 1. EMPREENDEDORISMO 87 Quadro 1. Estudo para o planejamento estratégico AMBIENTE ORGANIZACIONAL versus NEGÓCIOS: AMBIENTE ORGANIZACIO- NAL INTERNO: RECURSOS: Conjuntura econômico socio- política – tendências futuras. • aspectos econômicos: es- pecíficos de maior impacto no negócio; • competição: forças e fra- quezas; • mercado atual: tendências futuras; • oportunidades oferecidas pelo mercado:tendências futuras; • mercado internacional: se a empresa opera com outros mercados, analisar mesmos fatores; • conclusões. Impactos da conjuntura econômico sociopolítica; • situação atual: lucratividade, forças e fraquezas, nível de produtividade; • posicionamento: perante a competição e perante o mercado; • oportunidades a serem aproveitadas; • linhas de produto; • análise da estrutura orga- nizacional; . capital; . finanças; . tecnologia; . máquinas/equipamentos; . instalações; • conclusões. Modelos de Decisões Estratégicas – Metas ALTERNATIVAS Negócio: expansão – diversificação (nova frentes de negócios, aquisições); retração; novos produtos; desativação de produtos etc. Mercado: crescimento nos mercados onde atua; conquistar novos mercados; seleção de mercados; redução de atuação; novos enfoques mercadológicos etc. Competição: negociar fatias de mercado, melhorar a qualidade dos produtos competitivos, lançar novos produtos, competir com preços mais baixos etc. Finanças: aumentar capital, projetar novos investimentos, reduzir custos, aumentar a pro- dutividade, otimizar recursos, novas aplicações tecnológicas etc. Organização: reestruturar a organização (total ou em algumas áreas), racionalizar o tra- balho, centralizar/descentralizar, novo enfoque gerencial, novas especializações, mudanças nas instalações etc. Lucro: projeção de taxas de lucratividade. QUADRO 1. ESTUDO PARA O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Fonte: LUCENA, 2017, p. 147. (Adaptado). EMPREENDEDORISMO 88 Análise de mercado Como viver em uma era na qual o mercado se mostra cada vez mais mul- tidisciplinar e competitivo? Essa per- gunta aparentemente simples, requer uma resposta complexa. Primeiramente, precisamos en- tender sobre qual era ele está fa- lando. De acordo com suas ideias e explicações, a nova era é uma nova sociedade. Deixamos de ser uma sociedade meramente globaliza- da, ou uma aldeia global, para nos transformarmos em uma sociedade tecnotrônica, tecnológica, digital e disruptiva. Esse tipo de sociedade vem exigir ainda mais do empreen- dedor, que precisa estar atualizado e trazer soluções rápidas para res- ponder às demandas dos clientes. Caso contrário, é possível que ele perca, por falta de visão estratégica, excelentes oportunidades. Portanto, é imprescindível que o empreendedor busque informações im- portantes para complementar o seu conhecimento. Essas informações podem ser adquiridas por meio de uma análise de mercado. E o mais importante é que essa análise esteja alinhada com os princípios e valores dessa nova era. Dessa forma, é possível afirmar que estamos na era da 4ª Revolução Indus- trial, ou seja, as demandas atuais são muito diferentes daquelas de anos pas- sados. A revolução tecnológica, um dos fatores primordiais desta revolução, deve ser acompanhada bem de perto, uma vez que é por meio dela que novos comportamentos, hábitos e necessidades dos consumidores surgem. Portan- to, a empresa deve estar atenta a estes fenômenos. Por conta disso, a análise de mercado tem como principal objetivo: EMPREENDEDORISMO 89 DIAGRAMA 5. ANÁLISE DE MERCADO E SEU PRINCIPAL OBJETIVO Analisar esses dados, de clientes e concor- rentes para auxiliar na tomada de decisões estratégicas. Também permite determinar a atratividade de um mercado para os participantes atuais e potenciais. Isso quer dizer que, com base nestas informa- ções, é possível mensurar o prazo de retorno sobre o investimento no mercado fornecendo ao empreendedor informações importantes para a tomada de decisão. Segue, no Quadro 2, informações para direcionar melhor a compreensão so- bre os dados que o empreendedor pode obter por meio da análise de mercado. Mercado Preço mais baixo, surgimento de nichos, solução de sistemas, novas aplicações, tendências do consumidor e tecnologia. Tamanho e crescimento Características, tendências de vendas e concorrentes. Lucratividade Área de negócios, intensidade da concorrência, ameaças de novos entrantes e produtos substitutos. Estrutura de custo Principais componentes de custo versus os tipos de concor- rentes. Sistema de distribuição Canais de vendas. Tendências Comportamento do consumidor, inovações, etc. Fatores-chave de sucesso Vantagem competitiva, estratégia e competência dos concor- rentes. QUADRO 2. INFORMAÇÕES DA ANÁLISE DE MERCADO Fonte: AAKER, 2012. (Adaptado). EMPREENDEDORISMO 90 Outro fator importante é o nível total de vendas, ou seja, desenvolver uma estratégia de vendas de produtos ou serviços para ter participação significativa de mercado. Para isto, é primordial conhecer o tamanho do mercado no qual se atua, seu comportamento, clientes potenciais, perfil dos clientes, produtos, concorrentes etc. Além de se conhecer o tamanho de mercado, se faz necessário entender sua dimensão, ou seja, se ele pode ser explorado, se tem potencial para novos produtos e serviços, se o segmento está em alta de vendas, se o mercado está saturado, etc. Com estas informações, o empreendedor pode analisar se deve investir no segmento por meio de estratégias que tragam lucros para a empresa ou se deve investir em outro negócio. Análise de cenários Para este estudo vamos nos basear na obra de Pasquale, que falou sobre cenários em seu livro Marketing Business to Business, publicado em 2006. A análise de cenários é uma técnica utilizada por administradores e em- preendedores com o intuito de auxiliar a empresa a visualizar o futuro, permi- tindo um melhor preparo para elaboração de suas estratégias. Para isso, as empresas precisam conhecer, inicialmente, quem são os seus concorrentes, o que eles estão fazendo de diferente e qual a estratégia usam para atrair novos clientes. ASSISTA Quem são os competidores atuais, o que eles fazem, com quem competem? Você conhece seus concorren- tes? Quais são as suas estratégias? Neste vídeo, eu respondo de maneira cirúrgica a essas perguntas. Fonte: DINIZ, A Arte de Empreender. Enfrentar desafios, incertezas e instabilidades que influenciam o negócio já faz parte da rotina do empreendedor. No entanto, é importante analisar bem esses fatores para conseguir oportunidades de negócio. O empreendedor pre- cisa estar preparado e atualizado. Uma dessas preparações consiste na importância de se conhecer o cliente e EMPREENDEDORISMO 91 estar conectado com a clientela para observar tendências de consumo e atender às necessidades do público-alvo de forma criativa e inovadora. Com base nessas necessidades, a análise de cenário permite ao empresário identificar e analisar as oportunidades futuras e definir qual melhor estratégia a ser empregada. Podemos entender, então, que a análise de cenário está relacionada a even- tos futuros. Esses eventos são possíveis acontecimentos sociais, políticos, eco- nômicos, demográficos, culturais, legais, ecológicos e tecnológicos no ambien- te onde a empresa está inserida. Um exemplo clássico dos dias atuais diz respeito à inovação tecnológica. As empresas que vendem seus produtos e serviços estão cada vez mais preocu- padas em se aproximar e entender a necessidade do cliente, promovendo a ele mais conforto e comodidade na hora da compra, pois entendem que isto é um diferencial na hora da escolha por parte do consumidor. Por outro lado, a so- ciedade também está demandando este comportamento, principalmente nas grandes cidades, onde as pessoas vivem correndo e vivem atrasadas. Com base neste cenário, muitas empresas passaram a diversificar o seu canal de vendas por meio da internet e aplicativos, proporcionando rapidez, comodidade, flexibilidade e conforto ao cliente. O empreendedor deve ser amigo do cliente, criar laços para melhor conhe- cê-lo e surpreendê-lo. Com essa proximidade, é possível analisar as informa- ções fornecidas pelos clientes em relação a seus hábitos de compra e gostos. Isso permite pensar em futuros negócios que sejam rentáveis para a empresa e que surpreendamo cliente. Para elaboramos a análise de cenários eficaz, é preciso levar em considera- ção alguns itens importantes: • quanto maior for o número de informações sobre o cenário futuro do ne- gócio em análise, mais dados o empreendedor terá; • avaliar todas as possíveis oportunidades que podem ser geridas, confor- me as informações coletadas; • verificar quais são as áreas de maior interesse para gerir as oportunidades; • considerar todas as incertezas e gerar alternativas sobre elas; • as informações coletadas devem ser sistematizadas para que o em- preendedor possas analisá-las, avaliá-las e interpretá-las quando achar necessário; EMPREENDEDORISMO 92 • todos os conceitos, percepções e pontos de vista sobre a análise das infor- mações devem ser respeitados e analisados; • analisar possíveis preocupantes situações futuras; • cruzar as informações, ou seja, dados econômicos, comportamentos, ten- dências, dentre outros; • evitar buscar as alternativas de concorrentes. Caso contrário, a empresa não será inovadora; • examinar alternativas estratégicas dos concorrentes para saber o que ele está fazendo de diferente que pode influenciar na estratégia da empresa, como um novo produto ou serviço que aumente a sua participação de mercado; • elaborar planos e estratégias flexíveis à luz das incertezas. Além disso, o planejamento estratégico depende muito da análise dos cená- rios para ter credibilidade, pois permite que o responsável tenha mais confian- ça na sua formulação e aplicação. Compreender os aspectos favoráveis e não favoráveis à introdução ou manutenção de um pro- duto ou serviço em um determinado macroambiente. Efetuar o planejamento em bases de elevada realidade. Criar consciência empresarial sobre os aspectos macroambientais desfavoráveis e imutáveis, bem como sobre aqueles que a empresa poderá modificar. Consolidar as oportunidades do planejamento com base nas oportunidades presentes no mac- roambiente. Criar um alinhamento estratégico entre os macroambientes e o produto ou serviço em plane- jamento; Auxiliar nas definições de ações para o sucesso do planejamento. QUADRO 3. UTILIDADE DA ANÁLISE DE CENÁRIOS Fonte: SILVA et al, 2006, p. 33. (Adaptado). A análise de cenários tem o objetivo de permitir ao responsável pelo plane- jamento estratégico e ao empreendedor uma visão futura e, assim, desenvol- ver estratégias focadas nestas tendências, direcionando também o desenvolvi- mento de produtos e serviços. EMPREENDEDORISMO 93 As marcas que acompanharem a mudança de cenários conseguirão ofere- cer produtos sempre atrativos, diferenciados e personalizados aos seus clien- tes e potenciais clientes, considerando que essa estratégia é fundamental para que a empresa não entre em falência. Cada negócio possui um tipo de cenário, que deve ser bem definido pelo empreendedor. Essas variedades dependem muito do segmento escolhido para atuar e podem ser específicas de cada segmento. Se estivermos falando de empresas que trabalham com exportação e importação de mercadoria, por exemplo, tudo que influencia a moeda estrangeira, como a alta do dólar, são variáveis que impactam a empresa, assim como as regras de comércio do país com o qual ela comercializa. Umas das características importantes para o planejamento é pensar sobre variáveis importantes do segmento da empresas e possíveis variáveis que po- dem afetar a gestão organizacional, conforme mostra o Quadro 4. Grandes turbulências Mudanças fortes no governo, quedas de ministros, guerras, refor- mas e novas leis. Grandes incertezas Inflação, deflação, maior desemprego, queda ou aumento de con- sumo, aumento ou queda dos juros, greves, taxa do dólar etc. Grandes ambiguidades Desemprego alto e maior consumo devido a baixos juros na poupança ou estocagem por receio de inflação. Dados estatísticos óti- mos São considerados ótimos devido à seriedade da fonte de infor- mações. Dados estatísticos ques- tionáveis Não utilizar para decisões no PE devido à baixa credibilidade da fonte. Grave elevação de custos Taxas de importação ou exportação, escassez por elevada deman- da, difícil mão de obra etc. Grave escassez de matéria- prima Entressafra, falta da base por razões ecológicas ou de produção e importação restrita por lei. Fortes intervenções do Estado Novas regras fiscais ou tributárias, proibições de venda ou pro- dução. Fortes intervenções sociais Grandes turbulências QUADRO 4. TÓPICOS PARA ANÁLISE DE CENÁRIOS EMPREENDEDORISMO 94 Graves deficiências tecnológicas Tecnologia ainda desconhecida, muito cara, ausente no Brasil, ne- cessidade de contratar estrangeiros. Fortes modificações no nível do consumo Devido ao modismo, o consumo cairá ou aumentará. Fonte: SILVA et al, 2006, p.35. (Adaptado). Análise ambiental (micro e macroambiente) O mundo está passando por mui- tas transformações. A era digital trouxe muitas facilidades e também muitos desafios. Nesta era disrupti- va, digital e conectada, as empresas precisam estar atentas a todas as in- formações importantes para o desen- volvimento de estratégias primordiais para o seu sucesso. Em outras pala- vras, as empresas precisam de muita criatividade e inovação para sobrevi- verem a este cenário caótico de com- petição acirrada pelo cliente. Sendo assim, o empreendedor pode contar com a análise ambien- tal para poder desenvolver estratégias e tomar decisões mais assertivas. Uma análise ambiental ou análise do ambiente empresarial é a análise do ambiente no qual a empresa está inserida. Essa análise é dividida em análise do ma- croambiente e análise do microambiente. A análise do macroambiente é composta pelas variáveis de fora da empresa, ou seja, variáveis externas que influenciam o ambiente interno da organização. Elas podem alterar a forma como empresa vende seus produtos e serviços, sua produção, dentre outros aspectos. As variáveis externas incontroláveis são as variáveis econômicas, sociais, culturais, demográficas, políticas, tecnológicas, legais e ecológicas. Chamamos essas variáveis de variáveis incontroláveis porque a empresa não possui con- trole sobre ela. O Quadro 5 mostra algumas dessas variáveis. EMPREENDEDORISMO 95 Variáveis Exemplos Econômicas Crescimento do PIB, balança comercial, taxa de inflação, taxa de juros, estabilidade monetária, mercado de capitais, distribuição de renda etc. Sociais Estrutura socioeconômica, condições de vida, estilo de vida, sistema de valores, estrutura política etc. Culturais Níveis de escolaridade, grau de alfabetização, características da orientação educacional, estrutura do sistema educacional, veículos de comunicação etc. Demográficas Densidade populacional, mobilidade populacional, taxa de cresci- mento demográfico, composição da população. Políticas Fatores de poder, partidos políticos, sindicatos, instituições religio- sas, Forças Armadas, empresas multinacionais e empresas estatais, política tributária, de distribuição de renda, de relações externas, segurança nacional, estatização etc. Tecnológica Capacidade de aquisição e desenvolvimento da tecnologia, proteção de patentes, ritmo de mudança tecnológica, orçamento de pesquisa e desenvolvimento, transferência de tecnologia etc. Legais Legislação (tributária, trabalhista, comercial). Ecológicas Índices (poluição sonora, atmosférica, hidrológica, visual); Legis- lação sobre o uso do solo e meio ambiente. QUADRO 5. VARIÁVEIS DO MACROAMBIENTE Fonte: PASQUALE, 2006, p. 23. (Adaptado). A análise do macroambiente também nos permite analisar quem são os concorrentes, quais são suas estratégias de competição e quem pode entrar ou sair no mercado. Na análise do microambiente, por sua vez, as variáveis podem influenciar os públicos internos e externos da empresa. Pode interferir na qualificação da mão de obra e do atendimento, nas regras e políticas internas e no relaciona- mento com o cliente, conforme mostra o Quadro 6. PúblicosEconômicas Consumidores/clientes, fornecedores, distribuidores, governo, sindi- catos, associações de classe, veículos de comunicação, concorrentes, comunidade e outros. Interno Acionistas, diretores, gerentes e operários. QUADRO 6. VARIÁVEIS DO MACROAMBIENTE Fonte: PASQUALE, 2006, p. 24. (Adaptado). EMPREENDEDORISMO 96 As variáveis do microambiente, chamadas de controláveis, estão na “mão” da empresa para tomar ações para mudar ou manter as variáveis, e suas estra- tégias influenciam diretamente tanto dentro da organização, colaboradores, quanto fora, seus clientes. Aprendendo a construir a Matriz SWOT A matriz SWOT é uma matriz simples utilizada pelas organizações como base do planejamento estratégico. Sua sigla vem das seguintes palavras em inglês strenghts, weaknesses, opportunities e threats e tem como objetivo a aná- lise do ambiente externo (oportunidades e ameaças) e a análise do ambiente interno (forças e fraquezas) da organização. F F O A FORÇAS • Vantagens • Capacidades • Recursos FRAQUEZAS • Desvantagens • Vulnerabilidades • Limitações AMEAÇAS • Obstáculos • Efeitos externo • Riscos OPORTUNIDADES • Chances • Progressos • Benefícios Figura 2. Análise SWOT. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/08/2019. (Adaptado). A análise do ambiente externo é composta pelas variáveis de oportunidades e ameaças. Esta análise permite que o empreendedor olhe para o ambiente fora da empresa e verifique quais são as possíveis oportunidades de negócio, bem como as ameaças que podem interferir na empresa. Dessa forma, com base nes- tas informações, é possível desenvolver estratégias organizacionais. Kotler e Keller, grandes pesquisadores de marketing, no livro Administra- ção de Marketing, publicado em 2006, evidenciam a importância deste tipo de análise para o reconhecimento de novas oportunidades. EMPREENDEDORISMO 97 O processo do planejamento estratégico com a análise SWOT nos permite não apenas identificar as oportunidades, como também formular a estratégia, planejar as ações, implementá-las e acompanhá-las. Ao medir os resultados, a empresa irá ter o feedback necessário para tomada de decisões estratégicas. A outra análise diz respeito às variáveis internas, forças e fraquezas organi- zacionais. Quando falamos em forças, podemos nos referir ao que a empresa tem de melhor, ou seja, o seu diferencial. As fraquezas, por sua vez, dizem res- peito ao que a empresa precisa melhorar ou eliminar para ter mais qualidade. As forças ou pontos positivos de uma empresa pode ser: • excelente atendimento ao cliente; • localização privilegiada; • forma de pagamento facilitada; • entrega rápida de mercadoria; • atendimento exclusivo de pós-venda; • qualidade de produto; • marca forte e consolidada; • colaboradores bem treinados e capacitados; • bom clima organizacional de trabalho. As fraquezas ou pontos fracos são todas as características que repercu- tem de forma negativa para a empresa e promovem, assim, uma desvantagem competitiva, uma vez que geram insatisfação no cliente e fazem com que ele opte pelo produto ou serviço do concorrente. Alguns deles são: • alto índice de reclamação; • demora na entrega da mercadoria; • atendimento ruim ao cliente; • problemas de qualidade na execução do produto/serviço; • falta de capacitação da mão de obra. Os empreendedores precisam e devem olhar para as suas características, evidenciar os pontos fortes e eliminar os pontos fracos. Para isto, é necessário uma análise constante das ações organizacionais, verificar o que está dando certo e o que está dando errado, pensar em soluções para maximizar os impac- tos de seus pontos fortes e minimizar os de seus pontos fracos. Os pontos fortes permitem à empresa um diferencial, ou seja, uma vanta- gem competitiva frente aos seus concorrentes. EMPREENDEDORISMO 98 A importância da criatividade e da inovação para a criação de produtos e serviços Vamos entender melhor a importância da criatividade e da inovação, prin- cipalmente quando as empresa realizam análises de cenários futuros e preci- sam se destacar no mercado. No diagrama abaixo é possível entender que que a criatividade e a inova- ção são duas coisas diferentes: ASSISTA Algumas empresas perderam mercado para seus concor- rentes por não terem inovado em seus produtos ou servi- ços. Este vídeo mostra a importância de se estar atento às tendências e inovações tecnológica para criar produtos ou serviços diferenciados e inovadores, surpreendendo os seus clientes e potenciais clientes. DIAGRAMA 6. CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO Sendo assim, a criatividade consiste em um instrumento essencial para criar coisas e processos. Ainda, é importante ressaltar que as empresas que não olharam para o fu- turo ou não pensaram em realizar nenhum planejamento estratégico com base nos cenários para poder desenvolver um produto ou serviço que atendesse às demandas de mercado não inovaram e faliram. Isso aconteceu com grandes empresas multinacionais que eram detentoras do segmento que atuavam. X CRIATIVIDADE A criatividade, por sua vez, começa com uma ideia. Nesse sentido, é possível dizer que a inovação é responsável por colocar essa ideia em prática. INOVAÇÃO A inovação é a criatividade colocada em prática e pro- porciona bons negócios. EMPREENDEDORISMO 99 A era em que vivemos, chamada de Era Digital, vem afetando direta- mente a vida das pessoas físicas e jurídicas. Desse modo, é de suma impor- tância que o empreendedor esteja atento a essas transformações. A criatividade é fundamental para elaboração de estratégias, cria- ção de cargos, nos relacionamentos, nas formas de pensar, idealizar, agir, concretizar, etc. Podemos dizer que é por meio dela que o empreendedor identifica uma oportunidade e cria meios para persegui-la e concretizá-la. Pode ser um engano do empresário associar a inovação apenas à tec- nologia ou às estratégias de comunicação quando na verdade, elas são ferramentas para a inovação. A inovação empresarial é um mo- delo de sistema de gestão que deve constatar, de forma rápida e eficaz, os desejos, os desafios, demandas e necessidades apresentados pelos clientes atuais e potenciais. Para inovar, é preciso prestar atenção e, principalmente, escutar o cliente, identificar suas necessida- des, desejos e atendê-los de forma surpreendente e encantadora. Por isso, a análise de cenários é tão importante para o planejamento estratégico: dá mais segurança para o empreendedor, orientando-o nas possíveis cria- ções com o foco de atender o cliente e suas necessidades, a fim de trazer resultados positivos e rentáveis para a organização. Principais tipos de organização Neste tópico, falaremos sobre os principais tipos de organização e como elas são classificadas. Para isto, precisamos esclarecer o que é ramo de atividade de uma empresa. Ramo de atividade diz respeito à área na qual a empresa pretende atuar. É de extrema importância que o empreen- dedor tenha isto muito bem definido, pois ela está relacio- nada aos produtos e serviços da empresa. EMPREENDEDORISMO 100 DIAGRAMA 7. CATEGORIAS DO RAMO DE ATIVIDADE Além disso, uma empresa, inde- pendentemente de seu ramo de ati- vidade, pode também ser pública ou privada. Empresas públicas são aque- las geridas pelo Estado e podem se di- vidir entre Estatal e Governamental. As empresas privadas, por sua vez, po- dem pertencer a diversos segmentos e funcionar das mais variadas maneiras. Em relação ao tamanho e ao capital da empresa, podemos dividi-las entre micro e pequenas empresas e empresas de grande porte. Indústria, comércio e serviços O empreendedor deve saber qual o ramo que pretende atuar: ele pode ser um prestador de serviço, desenvolver o seu próprio produto e fabricá-lo ou apenas realizar a venda de produtos já fabricados por outras empresas. De maneira geral, o ramo de atividade pode se concentrar basicamente em três categorias, que pode sedividir em inúmeras subcategorias: COMÉRCIO SERVIÇOSINDÚSTRIA SSERVIÇOCOMÉRCIO INDÚSTRIA EMPREENDEDORISMO 101 DIAGRAMA 8. RAMO DE ATUAÇÃO INDÚSTRIA COMÉRCIO SERVIÇOS A INDÚSTRIA É O RAMO DE ATIVIDADE VOLTADO PARA ELABORAÇÃO DE UM PRODUTO, TRANSFORMANDO A MATÉRIA-PRIMA EM PRODUTO FINAL PARA O CONSUMIDOR. DENTRO DO RAMO INDUSTRIAL, PODEM EXISTIR MUITAS ATIVIDADES RELACIONADAS A ESSA PRODUÇÃO. NO RAMO DO COMÉRCIO AS EMPRESAS VENDEM PRODUTOS DESENVOLVIDOS PELA INDÚSTRIA OU SERVIÇOS. ELAS PODEM SER VAREJISTAS OU ATACADISTAS E SUAS ATIVIDADES SÃO DIVERSAS, PODENDO ATENDER A DIVERSOS SEGMENTOS. NO RAMO DOS SERVIÇOS AS EMPRESAS NÃO ENTREGAM A MERCADORIA, MAS SIM UM “TRABALHO” QUE ATENDE ÀS NECESSIDADES DO CLIENTE. NESTE RAMO, O PRODUTO É INTANGÍVEL E A INTERAÇÃO COM O CLIENTE OCORRE NA HORA DA COMPRA. O Quadro 7 mostra alguns exemplos de subcategorias de empresas nes- ses três ramos. EMPREENDEDORISMO 102 Ramo Tipo Atividade Indústria Fábricas de roupas, móveis, artesan- atos, carros, computadores, dentre outros. Gráfica, calçado, vestuário, bebi- da, alimentos, mecânica, dentre outros. Comércio Supermercados, lojas de roupas, lo- jas de autopeças, loja de brinquedos, dentre outros. Acessórios, alimentos, com- bustíveis, tecidos, sapatos, den- tre outros. Serviços Cinema, lava rápido, lavanderia, es- cola, faculdade, dentre outros. Transporte, turismo, saúde, laz- er, segurança, dentre outros. QUADRO 7. CLASSIFICAÇÃO DE RAMO, TIPO E ATIVIDADE Governamental ou Estatal A empresa Governamental ou Estatal é um tipo de empresa que perten- ce ao governo e é controlada total ou parcialmente por algum nível de gover- no municipal, estadual ou federal. O objetivo de se criar este tipo de empresa é administrar os recursos estratégicos do país, garantindo que a população tenha acesso a eles. As estatais possuem uma administração indireta, ou seja, embora sejam empresas do governo, elas não são administradas diretamente por ele. Na verdade, o governo delega tarefas e atividades para as estatais, que pode ocorrer via nomeação de cargo ou concurso público. Outro fator interessante é que embora elas pertençam ao Estado, o gover- no pode não ser o seu dono totalitário, ou seja, eles abrem a empresa para os acionistas privados e podem receber ganhos por ela. Existem dois tipos diferentes de estatais: a empresa pública e a de socie- dade de economia mista. Vamos aprender um pouco sobre cada uma delas. • Empresa pública: pertence integralmente ao governo, ou seja, ele é dono de 100% das ações da empresa, sendo sua administração totalmente pública. A Justiça Federal, neste caso, é nomeada a responsável por qualquer irregularida- de apresentada pela empresa. Exemplos: Caixa Econômica Federal e os Correios. • Sociedade de economia mista: neste caso, o Estado não é o único dono destas estatais, ou seja, são abertas para acionistas privados com ações co- mercializadas na Bolsa de Valores. Os acionistas participam da administração EMPREENDEDORISMO 103 da empresa por meio de votação e têm direito a participação nos lucros. O Estado também pode ser dono total da empresa, mas suas ações podem ser comercializadas na Bolsa de Valores e lucros para os acionistas onde parte majoritária das ações é do governo. Exemplos: Petrobrás e Banco do Brasil. Empresa não governamental ONGS são organizações não governamentais sem fins lucrativos cujo ob- jetivo é realizar diversos tipos de ações solidárias para um público específico. Podem atuar em diversas áreas, como saúde, educação, assistência social, economia, dentre outros. Atuam tanto no local onde estão inseridas como também no âmbito estadual, nacional e internacional. A ONG não pertence ao Estado, mas oferta serviços sociais que de assistência à sociedade. De acordo com o Sebrae, ONGs são associações civis sem fins lucrativos de direito privado, interesse público e que possui algumas características: DIAGRAMA 9. ONGS as ações solidárias são realizadas de forma mútua e filantrópica; trabalha com livre adesão e autonomia de voluntários associados à ONG; as iniciativas de origem privada não visam lucros; as iniciativas na área pública não são realizadas pelo governo; os princípios são pactuados com os associa- dos da ONG, que orientam suas atuações. EMPREENDEDORISMO 104 Uma OSCIP é uma qualificação jurídica atribuída a diferentes tipos de entida- des privadas que atuam em áreas típicas do setor público com interesse social e podem ser financiadas pelo Estado ou pela iniciativa privada sem fins lucrativos. Está prevista no ordenamento jurídico e, por isso, pode realizar parcerias e convênios com todos os níveis de governo e órgãos públicos, ou seja, fede- ral, estadual e municipal, permitindo que as doações realizadas possam ser abatidas do Imposto de Renda. Nem toda ONG é uma OSCIP, mas toda OSCIP é uma ONG. Isto ocorre porque a figura de ONG não existe na forma jurídica, ou seja, ela é classificada como associação. Ela é usada apenas para identificar empresas do terceiro setor que atuam sem fins lucrativos com o objetivo de realizar interesses públicos. No caso da OSCIP, seu reconhecimento jurídico é legal, pois tem exigências legais na prestação de serviços, que deve seguir prestando contas de todo o dinheiro público recebido. Modelo de empresas: individual, micro e pequenas em- presas e empresas de grande porte Depois de desenvolver o seu plano de negócio e saber qual o segmento que deseja atuar, o empreendedor precisa definir o tipo de empresa que pretende abrir. Desse modo, é necessário dizer que existe um perfil de empresa alinhado para cada negócio. O Quadro 8 mostra quais são os possíveis tipos e formatos jurídicos para as empresas. Tipo Classificação Empresário Indi- vidual Exerce em nome próprio uma atividade, não tem sociedade e a responsabil- idade é ilimitada, ou seja, responde com seus bens pelas obrigações assumi- das. Pode exercer atividade Industrial, comercial ou de prestação de serviço, mas não de profissional intelectual. Possui faturamento anual de até R$ 360.000,00. MEI – Microem- preendedor Individual É o empresário individual com receita bruta de até R$ 81.000,00 optante pelo Simples Nacional e SIMEI. QUADRO 8. FORMATO JURÍDICO DA EMPRESA EMPREENDEDORISMO 105 Empresa Individual de Responsabi- lidade Limitada (EIRELI) Ação individual sem sócio com responsabilidade limitada. Sociedade Empresarial É possível a atuação coletiva entre dois ou mais sócios, sendo sua responsabilidade limitada ao capital social. Sociedade Simples É possível a atuação coletiva entre dois ou mais sócios, sendo sua responsabilidade ilimitada. O porte da empresa pode ser definido como microempresa, empresa de pequeno porte e sem enquadramento. Também temos as empresas de grande porte, nacionais e multinacionais. • Empresário Individual: este modelo de empresa é voltado para o em- preendedor que deseja abrir o seu próprio negócio sozinho, ou seja, sem cons- tituir sociedade. A única pessoa responsável pela empresa é o próprio dono. Seus bens individuais passam a estar à disposição da empresa. Se a empre- sa contrair dívidas, os bens estarão à disposição para saudá-las e vice-versa, quando adquiridas dívidas pessoais. Outro fator importante é que o nome co- mercial da empresa deve ser composto pelo nome inteiro do dono, ou com abreviações, podendo ou não acrescentar outro nome que indique o seu ramo de atividade ou produtos. Pode ser enquadrado como microempresa. • Microempreendedor individual (MEI): tem um faturamento anual de até R$ 81.000,00. Possui CNPJ (cadastro nacional de pessoa jurídica) e pode emitir nota fiscal normalmente. Pagando as taxas regularmente, tem direito ao auxí- lio-doença e licença-maternidade. Também trabalha sozinho e por conta, sem sociedade. • Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI): neste caso, a empresa também está sob responsabilidadede uma pessoa, mas seus bens e capitais não estão disponíveis para a empresa se contrair dívida. Para abrir este tipo de empresa, exige-se que o empreendedor tenha um capital social 100 vezes maior do que o salário mínimo vigente no país na época da abertura da empresa. O empresário só pode constituir apenas uma EIRELI em seu nome e as normas são as mesmas que regem as sociedades limitadas. • Sociedade Limitada (LTDA): se enquadram nesta modalidade de empre- sa aquelas que possuem dois sócios e oferecem bens e serviços de maneira EMPREENDEDORISMO 106 organizada. Para abrirem este formato de empresa, os sócios precisam compa- recer à Junta Comercial de seu estado e realizar uma inscrição. Devem elaborar um contrato social, definindo claramente que são os membros da sociedade, participação e distribuição de lucros entre eles. Nesta modalidade, as contas da empresa são separadas das contas pessoais dos sócios. Cada membro pos- sui uma limitação de responsabilidade dentro da sociedade de acordo com o capital social aplicado de cada sócio. Assim, respondem de maneira limitada referente às dívidas contraídas pela empresa. • Sociedade Anônima: nesta modalidade, utiliza-se as ações para distribuir o capital social da empresa. Os sócios são chamados de acionistas e suas res- ponsabilidades dentro da organização variam conforme o número de ações que têm. Neste caso, 25% dos lucros classificados como dividendos são divi- didos entre os acionistas. O restante deve ser destinado para uma reserva da empresa. Ela pode ser uma empresa de capital aberto, com ações negociadas na bolsa de valores, ou de capital fechado, que não negocia na bolsa de valores. • Sem fins lucrativos: trata-se de empresas que trabalham com ações so- ciais e não visam lucro. • Microempresa (ME): deve ter faturamento bruto de 360 mil ou menos por ano e podem utilizar a tributação Simples Nacional. • Empresa de Pequeno Porte (EPP), Médio e Grande Porte: são empresas com rendimento acima de 360 mil e de até R $ 3.600.000,00. Em relação ao seu tamanho, é possível dizer que, no ramo do comércio e de serviços, as empresas pequenas possuem de 10 a 49 funcionários, as de tamanho médio contam com 50 a 99 funcionários e as de grande porte possuem mais de 100 pessoas trabalhando. Tipos FATURAMENTO BRUTO ANUAL Microempreendedor Individual até R$ 60.000,00 Microempresa acima de R$ 60.000,00 até R$ 360.000,00 Empresa de Pequeno Porte acima de R$ 360.000,00 até R$ 3.600.000,00 QUADRO 9. POR FATURAMENTO EMPREENDEDORISMO 107 Tipos FATURAMENTO BRUTO ANUAL Indústria Comércio e Serviços Microempresa até 19 pessoas ocupadas até nove pessoas ocupadas Pequena Empresa de 20 a 99 pessoas ocu- padas de 10 a 49 pessoas ocu- padas Média Empresa de 100 a 499 pessoas ocu- padas de 50 a 99 pessoas ocu- padas Grande Empresa 500 pessoas ocupadas ou mais 100 pessoas ocupadas ou mais QUADRO 10. POR QUANTIDADE DE FUNCIONÁRIOS Os Quadros 9 e 10 demonstram as classificações das empresas frente ao fatu- ramento e número de funcionários, tanto na área da indústria quanto comércio e serviços. EMPREENDEDORISMO 108 Sintetizando Nesta unidade, foi possível perceber a importância do Planejamento Estra- tégico para a sobrevivência da empresa. Essa ferramenta ajuda o empreende- dor a tirar suas ideias do papel para colocá-las em prática. Vimos todos os pontos primordiais do planejamento estratégico, passando pela análise de mercado, construção da matriz SWOT, análise de micro e ma- croambiente e a importância da criatividade e da inovação na criação e geren- ciamento de empresas. Dessa forma, trata-se de um processo primordial para atingir metas e resul- tados. Por isso, é necessário levar em consideração os dados atuais da empre- sa, como cenário, perfil de clientes, tipo de produtos e serviços, concorrentes e fornecedores. No entanto, a prática do planejamento estratégico é mais recorrente nas grandes empresas, ainda que a utilização desta ferramenta seja ineficiente na maioria dos casos. Fazer uso do planejamento estratégico é fundamental para conseguir aquela vantagem competitiva tão esperada. Além disso, vimos e falamos também sobre os principais tipos de empresa e suas áreas de concentração, com o objetivo de fazer com que você, aluno, con- siga criar um planejamento estratégico sólido para qualquer tipo de empresa. Por fim, apresentamos os modelos de empresas, levando em consideração o tamanho e a rentabilidade de cada tipo. Dessa forma, é possível pensar em uma estratégia alinhada a seu objetivo. EMPREENDEDORISMO 109 Referências bibliográficas AAKER. D. A. Administração estratégica de mercado. 9. ed. São Paulo: Bookman, 2012. ALMEIDA, M. I. R. Manual de planejamento estratégico: desenvolvimento de um plano estratégico com a utilização de planilhas Excel. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. DINIZ, J. A arte de empreender: manual do empreendedor e do gestor das empresas de sucesso. São Paulo: Editora Novo Século, 2019. DINIZ, J. A Arte de Empreender. Curso de Empreendedorismo organizado por Ser Educacional. Módulo 1 a módulo 8. Disponível em: <https://sereduc.com/ player/?mod=startup&categoria=3246>. Acesso em: 01 ago. 2019. DINIZ, J. A Arte de Empreender. Curso de Empreendedorismo organizado por Ser Educacional. Módulo 9 a módulo 17. Disponível em: <https://sereduc.com/ player/?mod=startup&categoria=3246>. Acesso em: 05 de jul. 2019. DINIZ, J., A Arte de Empreender. Curso de Empreendedorismo organizado por Ser Educacional. Módulo 18 a módulo 27. Disponível em: <https://sereduc.com/ player/?mod=startup&categoria=3248>. Acesso em 31 de jul. 2019. KANAANE, R.; RODRIGUES, C. E. Curso de Marketing - Cenários, estratégias e ferramentas. Rio de Janeiro: Grupo Gen, 2016. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. 12. ed. São Paulo: Pear- son Prentice Hall, 2006. LUCENA, M. D. S. Planejamento estratégico de recursos humanos. 2. ed. São Paulo: Grupo Gen, 2017. MOREIRA, PASQUALE, P. P.; MOREIRA, J. C. T. (org). Marketing Business to Busi- ness – como competir em mercados organizacionais. São Paulo: Saraiva, 2006. OSCIP – O QUE VOCÊ PRECISA SABER. (3 min. 06 s.). port. color. son. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=x_Qn7sVlqaM>. Acesso em: 28 jul. 2019. POLITIZE. Estatais: o que você precisa saber sobre este tipo de empresa. Politi- ze!, 08 fev. 2019. Disponível em: <https://www.politize.com.br/estatais-o-que- voce-precisa-saber-sobre-esse-tipo-de-empresa/> Acesso em: 28 de jul. 2019. SAMSUNG: MUITO MAIS DO QUE SMARTFONES. (36 min. 16 s.). color. son. port. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=9mdZQubolos>. Acesso em: 21 ago. 2019. EMPREENDEDORISMO 110 SEBRAE NACIONAL. O que é uma organização não governamental. Sebrae Nacional, 15 ago. 2019. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/Por- talSebrae/artigos/o-que-e-uma-organizacao-nao-governamental-ong,ba- 5f4e64c093d510VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em: 28 de jul. 2019. SEBRAE NACIONAL. OSCIP Organização da Sociedade Civil. Sebrae Nacional, 02 abr. 2019. 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EMPREENDEDORISMO 111 PLANODE NEGÓCIOS E APRESENTAÇÃO DO EMPREENDIMENTO AO MERCADO 4 UNIDADE Objetivos da unidade Tópicos de estudo Definir a importância do plano de negócios para a tomada de decisões; Explicar e identificar as etapas para a elaboração do plano de negócios; Conhecer, identificar e analisar quais as melhores fontes de investimento para captar recursos e colocar o projeto em prática; Entender a necessidade de se preparar antes de apresentar o empreendimento ao mercado. Identificando as oportunidades de negócio Qual é o negócio, mercado e pesquisa de mercado? Qual é o produto/serviço e o melhor caminho a seguir? Quais são as oportunidades e os riscos do negócio? Como otimizar suas chances de sucesso? Importância cliente e análise cuidadosa do produto Construindo o plano de negócios Como elaborar um plano de negócios Gestão estratégica Fontes de financiamento Como definir o investimento inicial Fontes de financiamento e linhas de crédito Apresentando seu empreendimento ao mercado EMPREENDEDORISMO 113 Identificando as oportunidades de negócio Quando o empreendedor deseja colocar seu sonho em prática, antes de tudo, ele deve procurar identificar as oportunidades de mercado. Em outras palavras, é preciso analisar o mercado e detectar a possibilidade de vender um produto ou um serviço que pode ser bem aceito pelos consumidores e que tenha ligação com a realização de um sonho pessoal. Levando em consideração que todo empreendedor tem uma ideia que deseja colocar em prática, é importante fazer uma análise da viabilidade do negócio para ele tenha lucro, sustentabilidade e perenidade. O empreendedor de sucesso deve buscar conhecimento por meio do estudo e que essa é a única forma de se ter um empreendimento de sucesso: CITANDO “O estudo que proporciona conhecimento e visa substituir uma mente vazia por uma mente aberta é o passaporte para o futuro, pois é capaz de abrir nossos horizontes e nos mostrar caminhos jamais conhecidos”. Fonte: DINIZ, A Arte de Empreender. Além disso, é possível dizer que as ideias dos empreendedores podem surgir de muitas maneiras. O empreendedor pode ter uma experiência pessoal e, a partir dis- so, ver a possibilidade de refinar produtos e serviços com um conceito diferenciado. Muitas vezes, o seu hobby pode fazer com que ele desenvolva uma ideia para ter lucratividade. Em outro momento, pode ser que tenha uma ideia do nada, por meio de alguma observação para mudar a vida de alguém ou de algum processo. Quando nenhum desses momentos citados acontecem para o empreende- dor e ele continua com vontade de ter seu próprio empreendimento, é possível realizar pesquisas, analisando o mercado, produtos, serviços e, a partir desta análise, criar seu próprio negócio. É importante afirmar que essa análise, considerada o primeiro passo para a realização de um empreendimento, deve ser realizada com muita cautela, pois todo o negócio depende disso. Durante esse passo, muitos empreendedores ain- da não têm condições de investir em uma pesquisa. Dessa forma, o que podem fazer é montar um negócio que já exista ou procurar um nicho de mercado espe- cífico e começar do zero por meio de um plano de negócios. EMPREENDEDORISMO 114 Muitas vezes, o empreendedor identifica um mercado que acredita ser im- portante e que não possui atuação de concorrência. Neste caso, é necessário tomar muito cuidado, pois pode ser que seja algo que ninguém ainda tenha pres- tado atenção ou pode ser um segmento sem potencial. Por isso, nestes casos, a cautela deve ser maior e a análise precisa ser mais criteriosa. O que o empreendedor deve ter em mente é: DIAGRAMA 1. A MENTE DE UM EMPREENDEDOR Independentemente do o cenário econômico, mudanças e turbulências sempre ocorrerão. Portanto, é preciso ter foco e ade- quar sua empresa a essas variáveis para que o empreendimento tenha sucesso. É adequar sua empresa a essas variá- veis para que o empreendimento tenha sucesso. É imprescindível que o empreendedor saiba quem é o seu cliente e o que vender para ele; seu comportamento, costumes, perfil, ou seja, saber quem são os seus verdadeiros clientes. Colocar no mercado algo que já existe sem nenhum diferencial não traz ao empreendedor vantagem competitiva de mercado. Em outras palavras, ele será apenas mais um com os mesmos produtos e serviços na busca por clientes. Outra característica importante que não pode ser deixada de lado pelo o empreen- dedor é a capacidade de criar e inovar. EMPREENDEDORISMO 115 São muitas as oportunidades que existem no mercado e muitos os segmen- tos que podem ser explorados. No entanto, o empreendedor deve estar atento ao que permite realizar seu sonho. Caso contrário, ele não terá motivação e pai- xão pelo seu negócio, características primordiais e imprescindíveis ao sucesso do empreendimento. A paixão é o combustível da motivação pessoal. É um sentimento profundo que impulsiona o empreendedor a definir objetivos desafiadores e a usar a cria- tividade para atingi-los. Além dessas coisas, a paixão também não permite distrações para desper- diçar o tempo do empreendedor, mantendo-o no foco; inspirar outras pessoas; desenvolver a concentração, a autoconfiança e a motivação. Um ponto importante a ser destacado é que o empreendedor não pode ape- nas sonhar: ele precisa planejar e pensar no futuro. Nesse sentido, não adianta apenas ter um sonho, pois não existe empreendimento de sucesso sem um pla- nejamento eficaz. Em outras palavras, é necessário criar métodos e colocar o pla- no de negócios em ação. Sendo assim, a visão de futuro permite ao empreende- dor que elabore passos importantes para atingir seu objetivo e que desenvolva estratégias, orientando sua empresa em momentos de crise para que ela tenha êxito em suas decisões. DIAGRAMA 2. A VISÃO DE FUTURO A VISÃO DE FUTURO É O DESENVOLVIMENTO DE UM OBJETIVO A LONGO PRAZO QUE VAI NORTEANDO E ORIENTANDO AS AÇÕES NO PRESENTE. ASSIM, É POSSÍVEL AVALIAR SE ESSAS AÇÕES ESTÃO CONDIZENTES COM A VISÃO DE FUTURO. EMPREENDEDORISMO 116 O empreendedor precisa desenvolver visão a longo pra- zo e não pode ser imediatista diante dos acontecimentos vividos pelo seu empreendimento. O sucesso, a sustentabilidade e a perenidade de qual- quer empreendimento dependem da visão a lon- go prazo, ou seja, o empreendedor não pode ser imediatista, pois as coisas não acontecem da noite para o dia. Tem que ser sempre visio- nário e mediatista. A maioria dos empreendedores consideram essa estratégia como um plano de vida. Sendo assim, muitos são os cuidados que o empreendedor deve ter na hora de buscar informações para abrir seu próprio negócio. Para isso, é neces- sário encontrar respostas para as seguintes perguntas: • Quais são as oportunidades e os nichos de mercado que podem ser ex- plorados? • Quais são os produtos e serviços com concorrentes? • O que eles têm de diferencial e quais suas deficiências? • Quais produtos e serviços que possuem demanda de mercado? • Quem são e como são os clientes deste segmento? Qual a ideia de valor para eles? • Como criar valor para o cliente? Como ser competitivo? • Quais os fornecedores potenciais? • Quais os concorrentes e como eles agem? • Quais os riscos do negócio? • Qual o potencial e prazo para que o negócio tenha sustentabilidade? Essas questões podem trazer informações relevantes para o plano de negó- cios do futuro empreendedor, dando a ele um direcionamento do que fazer, a quem atender, o que vender, de que forma vender, dentre outras informações importantes. É sempre bom que o empreendedor tenha o maior número de informações possíveis. Informação nunca é demais, ela auxilia o empreendedor a formar uma opinião e a montar a sua estratégia de ação. Porém, é importante que a fonte das informações seja segura e fidedigna. EMPREENDEDORISMO 117 Qual é o negócio, mercado e pesquisa de mercado? O empreendedorprecisa ter em mente o negócio sobre o qual irá atuar e ter foco para que o empreendimento tenha sucesso. Para isso, é preciso identificar al- guns aspectos do negócio, conforme orienta o estudioso Chiavenato em seu livro Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor, publicado em 2008: • O que produzir? • Como produzir? • Onde produzir? • Quais produtos/serviços? • Para quem? • Em que volume? • Por qual preço? • Com quais características únicas? • Com quais vantagens competitivas? O empreendedor deve ter as respostas para as perguntas, pois isso fará com que ele tenha um norte em relação ao negócio que deseja empreender. O importante é que ele cruze suas experiências com as necessidades de mercado e que possa trazer algo diferente e inovador. Dessa forma, não adianta apenas experiência, pois muitas vezes o empreen- dedor faz uma coisa muito bem que, no entanto, é produzida pelo mercado. O ideal é que as suas experiências consigam atender às necessidades de seus clientes de forma criativa e inovadora, proporcionando uma vantagem competitiva para o empreendimento. Também é necessário definir em qual mercado o empreendimento irá atuar, se é mercado local, físico ou virtual, para que possa elaborar estratégias de ven- das e atendimento ao cliente. A definição de mercado também pode ter relação com um segmento, como mer- cado de imóveis, mercado de industrial, dentre outros. Em outras palavras, trata-se de um ambiente que gera negócios por ter, de um lado a oferta e a procura de outro. EMPREENDEDORISMO 118 O mercado pode ser de oferta quando as empresas possuem muitos pro- dutos a oferecer, maior do que a procura pelos consumidores. Para que estes produtos sejam vendidos, estratégias de promoção de vendas são realizadas, como promoções. Quando o mercado é de procura ou demanda, existe um número grande de consumidores procurando e querendo o produto e as empresas não conse- guem atendê-los. Para diminuir a demanda, muitas empresas utilizam estraté- gias de preço, aumentando o valor do produto. QUADRO 1. A SITUAÇÃO DA OFERTA E PROCURA DE MERCADO Fonte: CHIAVENATO, 2008, p. 74. (Adaptado). Sendo assim, é no mercado que o empreendedor consegue avaliar o com- portamento de seus clientes e o que eles precisam. Desse modo, analisa-se como se comportam seus concorrentes, assim como o impacto de suas ações referentes à estratégia de preço, de marketing, inovação, dentre outros. Por isso, o empreendedor deve ficar sempre atento ao que acontece no mercado, uma vez que ele impacta diretamente nas estratégias organizacionais. É possível identificar também o mercado concorrente, no qual ficam todas as empresas que vendem produtos e serviços similares aos do negócio do em- X SITUAÇÃO DE OFERTA • A OFERTA É MAIOR DO QUE A PROCURA. • MAIS OFERTANTES DO QUE COMPRADORES. • PRODUTOS/SERVIÇOS EM DISPONIBILIDADE. • CONCORRÊNCIA ENTRE OFERTANTES. • TENDÊNCIA À QUEDA DE PREÇOS. • A PROCURA É MAIOR DO QUE A OFERTA. • MAIS COMPRADORES DO QUE OFERTANTES. • PRODUTOS/SERVIÇOS EM FALTA. • CONCORRÊNCIA ENTRE COMPRADORES. • TENDÊNCIA A ELEVAÇÃO DE PREÇOS. SITUAÇÃO DE PROCURA EMPREENDEDORISMO 119 preendedor. Outro mercado identificado é o mercado fornecedor, representa- do pelo conjunto de pessoas ou empresas que oferecem meios para o desen- volvimento e a finalização do produto do empreendedor, como matéria-prima, mão de obra, equipamentos, materiais, dentre outros. Todos os mercados merecem atenção especial do empreendedor. No caso do mercado consumidor, entender seu cliente, conhecer seus comportamen- tos e seu perfil de compra auxiliam a desenvolver estratégias para atender es- tas necessidades. Com base nessas informações, o empreendedor pode criar produtos e serviços diferenciados e inovadores, saindo a frente do concorrente e obtendo uma vantagem competitiva. DIAGRAMA 3. TIPOS DE MERCADO Ao analisar o mercado concorrente, é importante que o empreendedor conheça as estratégias dos seus compe- tidores e como os clientes estão reagindo a elas. Se ele sempre lança produtos e serviços inovadores, como faz para captar clientes, como atende seus clientes, promoção de vendas, dentre outros. Essas informações também orientam o empreendedor a desenvolver produtos dife- renciados de seus concorrentes e atender o maior número de consumidores, aumentando o seu market share. O mercado fornecedor merece também atenção especial. É por meio dele que as empresas desenvolvem e finalizam seus produtos. Eles são considerados atividades nas quais é possível analisar a percepção de valor do cliente, como a qualidade de matéria-prima, a qualidade da produção, dentre outros. Com análise do fornecedor, a empresa reduz custos e despesas de dinheiro e de tempo, além de evitar re- clamações dos clientes e repercussão negativa na imagem da empresa e sua marca. Desse modo, consultar o fornecedor antes de contratá-lo e saber o seu histórico é muito impor- tante para que a empresa não tenha problemas futuros. Além disso, é importante pensar na pesquisa de merca- do. Trata-se de um estudo que permite ao empreendedor analisar e avaliar o comportamento de mercado por meio de levantamento e investigação de fenômenos durante o processo de compra e venda de produtos e serviços. Engloba todas as pesquisas possíveis com o objetivo de trazer informações importantes que direcione as ações do empreendedor. Os tipos de pesquisa podem ser de fornece- dores e de cliente. 1 2 3 4 EMPREENDEDORISMO 120 Além disso, a pesquisa de mercado é uma ferramenta muito importante para a obtenção de informações relacionadas ao perfil do concorrente, dos clientes em potencial, etc. CITANDO “Vale a pena investir em pesquisas de mercado, tanto para sondar a concorrência e o que ela está oferecendo quanto para conhecer melhor os seus futuros clientes e o que eles querem.” Fonte: DINIZ, A Arte de Empreender. A busca de informações pode ser proporcionada de duas formas: • pesquisa direta ou fonte direta de informação: realizada por meio de ques- tionários ou entrevistas pessoais diretamente com os clientes e fornecedores; • pesquisa indireta ou fonte de informação indireta: podem ser coleta- das por meio de pesquisas realizadas em anuários do IBGE, revistas técnicas especializadas, empresas especializadas em pesquisa de mercado, opinião de outras pessoas, indicação, dentre outros. Por estarem mais próximas do cliente, as fontes diretas são as mais adequa- das. No entanto, o empreendedor também pode utilizar das duas formas de pes- quisa para ter mais assertividade nas informações. O importante é que os em- preendedores se utilizem das informações do estudo de mercado para ter uma orientação mais focada sobre seu negócio para elaborar as diretrizes e analisar as melhores estratégias que trarão lucro para a organização de forma sustentável. Sem esse estudo, as empresas não têm condições de competir com efi- ciência, pois ficariam à deriva e sem saber ao certo o que fazer. Sendo assim, quando estes estudos não são realizados, muitas empresas acabam perdendo muito e podem ir à falência com pouco tempo de vida. Por isso, quanto maior o estudo e mais detalhado for, mais informações o empreendedor terá para tomar as suas decisões de forma assertiva e confiável. Qual é o produto/serviço e o melhor caminho a seguir? A empresa precisa definir se vai trabalhar com produtos (material tangível) ou serviços (material intangível). Isso é possível após identificação do negócio, da análise de mercado e da definição do mercado no qual se deseja atuar. EMPREENDEDORISMO 121 Cada produto ou serviço apresenta características diferentes e, consequen- temente, as estratégias de vendas, produção, preço e marketing deverão estar alinhadas ao seu formato. No Quadro 2, é possível ter uma noção sobre como os clientes e a empresa pensam nos preços dos produtos ou serviços. Como o cliente estima o preçoComo a empresa determina o preço • Objetivos desejados; • Grau de utilidade de produto/ serviço; • Grau de qualidade percebida; • Valor determinado pela em- presa; • Nível de serviço de atendimento; • Preço dos similares concor- rentes. • Objetivos almejados pela empresa; • Custos de produção e de vendas; • Margem de lucro pretendida; • Valor que o cliente atribui; • Restrições legais quanto ao preço; • Preços fixados pela concorrência. QUADRO 2. COMO OS PREÇOS SÃO VISUALIZADOS PELO CLIENTE E PELA EMPRESA Fonte: CHIAVENATO, 2008, p. 77. (Adaptado). Todos os componentes são importantes, principalmente os que são visua- lizados pelos consumidores, pois determinam a percepção de valor frente o produto ou serviço ofertado. Além disso, o empreendedor pode seguir e se enveredar por diversos caminhos. No entanto, alguns fatores são primordiais antes de colocar a ideia em prática. • escolha do tipo de atividade: pesquisas e análises de mercado trazem informações importantes para o empreendedor decidir em qual ramo de ati- vidade pode atuar; • analise seus conhecimentos: experiências sobre o ramo de atividade es- colhido e quais competências ainda precisam ser adquiridas; • recursos financeiros: analise a viabilidade do negócio, o recurso finan- ceiro que precisa para investir e o retorno sobre o investimento, ou seja, em quanto tempo o empreendimento poderá lhe proporcionar retorno financeiro; • relação entre experiência pessoal e profissional: importante ter o ali- nhamento entre as duas experiências que irão proporcionar mais conhecimen- tos e informações para o desenvolvimento de estratégias. Caso isto não acon- teça, é importante que o empreendedor busque como alternativa fontes de informações sobre o negócio; EMPREENDEDORISMO 122 • analise o mercado: antes de tomar qualquer decisão, analise criteriosa- mente o mercado, como o perfil do cliente, os fornecedores, estratégias dos concorrentes, dentre outros; • administração: é preciso saber administrar seu negócio, olhar e avaliar os recursos financeiros para que seu empreendimento tenha sucesso; • faça economias: analise todas as possibilidades que possam gerar eco- nomias, principalmente no início de empreendimento. Observe os processos e métodos e busque evitar custos e despesas desnecessárias. Tendo isso em mente, é possível dizer que é muito importante que a empre- sa corte custos e despesas desnecessárias para o sucesso do empreendimento. Quais são as oportunidades e os riscos do negócio? Todo negócio possui riscos e potencialidades. As potencialidades são vis- tas por meio de perspectivas de como o negócio pode prosperar e os riscos são analisados como possíveis percalços que a empresa venha a sofrer. Nesse sentido, as empresas possuem três condições para tomarem decisões estraté- gicas: condição de incerteza, risco e condição de certeza. Nas condições de incertezas, a empresa tem pouco conhecimento e informação do que pode acontecer, dificultando a estimar o grau e a pro- babilidade do evento e suas possíveis consequências. Quando falamos de risco, a empresa já possui um nível de conhecimento para saber o que pode acontecer e como ela deverá agir. No entanto, ainda são probabilidades e que podem gerar diversas interpreta- ções. Ao verificarmos as condições de certeza, a empresa tem ciência dos fa- tos que irão acontecer e como acontecerão, analisando os impactos que serão trazidos à organização. Como falamos, o risco é uma possibilidade de perda e pode ser classificado da seguinte maneira: EMPREENDEDORISMO 123 RISCO ECONÔMICO DIAGRAMA 4. TIPOS DE RISCOS É CONSEQUÊNCIA DE FATORES REFERENTES AO NEGÓCIO DA EMPRESA, COMO ATIVIDADE, OPERAÇÃO, PRODUTO OU SERVIÇO, DEMANDA POR PRODUTOS, DENTRE OUTROS; ESTÁ RELACIONADO AO MODO COMO OS RECURSOS FINANCEIROS DO CAPITAL DE TERCEIROS SÃO EMPREGADOS E COMO SÃO REMUNERADOS AOS ACIONISTAS. RISCO FINANCEIRO Ainda, quando o risco econômico é elevado, deve-se procurar reduzir o ris- co financeiro, evitando alto endividamento e baixando a proporção de capital de terceiros. Assim, o grande desafio é manter o equilíbrio entre os dois riscos. O retorno financeiro é o próprio lucro que a empresa venha a ter com a ven- da de seus produtos e serviços. E, ao contrário do risco, é sempre uma possibi- lidade de ganho. O grande desafio para o empreendedor é aumentar o lucro, diminuindo os custos. Desse modo, o empreendedor precisa saber cortar cus- tos e despesas desnecessárias para a sustentabilidade do empreendimento. As empresas podem utilizar de muitas estratégias para aumentarem seus lucros, como redução de custos, investimentos mais rentáveis, administrar os EMPREENDEDORISMO 124 Riscos Potencialidades • Ameaças relacionadas com a concorrência; • Desvantagens em relação aos concorrentes; • Dificuldade de fornecimento e abastecimento; • Retração do mercado consum- idor; • Perfil inadequado do produto/ serviço. • Oportunidades de mercado; • Vantagens quanto aos concorrentes; • Facilidades de fornecimento; • Expansão do mercado consumidor; • Perfil excelente de produto/serviço. QUADRO 3. OS RISCOS E AS POTENCIALIDADES DOS NEGÓCIOS Fonte: CHIAVENATO, 2008, p. 90. (Adaptado). Como otimizar as suas chances de sucesso? Para as empresas otimizarem as chances de sucesso no mercado, é necessá- rio muita informação, conhecimento e foco. As informações e conhecimento permitem que as empresas sejam mais as- sertivas no desenvolvimento de estratégias e tomada de decisões. Por isso, elas precisam obter o maior número de informações possíveis de fontes confiáveis para que desenvolvam um plano de negócio e possam colocá-lo em prática. O foco deve ser sempre no cliente. Analisar seus comportamentos, seus hábi- tos de compra, suas necessidades, desejos e buscar, em parceria com a criativi- dade e inovação, desenvolver produtos e serviços que respondam rapidamente e de forma eficiente e eficaz às demandas do mercado. recursos com mais eficiência, trocar serviços por custos mais baixos mas sem interferir muito na qualidade, rever fornecedores, substituir matéria-prima, terceirizar alguns departamentos e mão de obra, dentre outros. Importância do cliente e análise cuidadosa do produto É importante que a empresa saiba para quem ela está vendendo, ou melhor, qual é seu público-alvo, onde ele está, quanto ganha, como vive, etc. Todas essas informações ajudam a empresa a satisfazer o cliente e, consequentemente, a fidelizá-lo. EMPREENDEDORISMO 125 Assim, ela consegue elaborar sua proposta de valor, os preços de produtos e serviços, seus canais de vendas e a promoção de vendas que venha a utilizar, buscando a sustentabilidade e o sucesso do negócio. Se não, como ela irá vender para ele? Para quem vai desenvolver produtos e serviços? Como realizará campanhas de marketing que atendam os desejos e necessidades dos clientes se ela não sabe quem são eles e nem onde estão? ? ? ? ? Por isso, a estratégia da empresa deve estar sempre focada no cliente, uma vez que conhecer o cliente é o mínimo que a empresa deve saber. Muitas empresas acabam falindo por não entender muito bem o seu cliente. Começam a vender sem muita responsabilidade e sem conhecer o perfil de compras do seu consumidor. DIAGRAMA 5. A IMPORTÂNCIA DA ESTRATÉGIA DAS EMPRESAS EMPREENDEDORISMO 126 Toda empresa deve se colocar no lugar do cliente, ou seja, pensar em como ele ana- lisaria seu produto ou serviço. O que motiva o cliente a comprar da sua empresa? Qual é sua percepção de valor? Por que ele prefere você a seus concorrentes? O que a empresa precisa fazer para promover satisfação no cliente e fazer com que ele volte a comprar e indicar para outras pessoas, seus produtos e serviços? Atualmente, as pessoas buscam produtos com qualidade a preços acessíveis. A Era Digital permitiu que todas as informações estejam facilmente disponíveis para quem quiser. Assim, os clientes sabem mais dosprodutos do que os pró- prios vendedores da empresa. Portanto, a qualidade do produto, do atendimento, facilidade de pagamento e de entrega podem trazer grandes diferenciais para a empresa frente a seus concorrentes, fazendo com que ela seja mais competitiva no mercado. Padrões internos para o produto Qualidade; Segurança: o produto provoca danos às pessoas ou crianças? Design: o produto é fácil de usar ou manejar? Vida média do produto Produtos concorrentes; Produtos substitutos; Padrões internos de excelência. Desempenho do produto Eficácia: o produto faz o que realmente se propõe a fazer? Garantia: é suficiente ou apenas ra- zoável? Disponibilidade de serviços de atendi- mento; Preço: o investimento de compra do cli- ente vale a pena? QUADRO 4. PRODUTOS E CARACTERÍSTICAS Construindo o plano de negócios Todo empreendedor que deseja abrir uma empresa precisa construir um plano de negócios, uma vez que ele se trata de um instrumento com passo a passo sobre como colocar uma empresa para funcionar. Ele auxilia a empresa a caminhar, dando orientação sobre as coisas EMPREENDEDORISMO 127 que devem ser seguidas e ajudan- do a empresa a não sair dos trilhos. Um bom plano de negócio auxilia o empreendedor a tomar as melhores decisões e ajuda a enfrentar alguns erros que a empresa venha a ter, di- recionando melhor seus esforços. Além disso, ele também pode ajudar a empresa a atrair novos investido- res, fornecedores e a criar parcerias. O plano de negócios também é conhecido como Business Plan. O objetivo dele é descrever a ideia do empreendimento e dar direções de como a ideia deve ser colocada em prática, por meio do levantamento de todos os elementos importantes que podem afetar o empreendimen- to. Os elementos levantados estão relacionados ao que deve ser produzido pela empresa, além de trazer informações sobre para quem produzir, mer- cado, concorrentes, dentre outros. O SEBRAE, em seu artigo denominado “Tudo o que você precisa saber para criar seu plano de negócio”, publicado em 2019, nos chama a atenção para a importância do plano de negócios: O plano de negócios é o instrumento ideal para traçar um re- trato do mercado, do produto e das atitudes do empreende- dor. É por meio dele que o empreendedor tem informações detalhadas do seu ramo de atividade, produtos e serviços, clientes, concorrentes, fornecedores e, principalmente, pon- tos fortes e fracos do negócio, contribuindo para a identif i- cação da viabilidade de sus ideia e da gestão da empresa. Assim, se o empreendedor buscar seguir fielmente o plano de negó- cios, terá as orientações necessárias para decisões importantes que im- pactarão diretamente em seu empreendimento. EMPREENDEDORISMO 128 Como elaborar um plano de negócios Para este objeto estudo, nos basearemos no manual do Sebrae intitulado Como elaborar um plano de negócios, publicado em 2013. Esse material traz infor- mações importantes para o empreendedor sobre como desenvolver o plano de negócios de forma eficiente. O plano de negócios é um documento com informações relevantes sobre o em- preendimento que auxilia o empreendedor nas tomadas de decisões. Sendo assim, para elaborar um bom plano de negócios, se faz necessário seguir alguns passos. 1. Principais pontos que devem estar relacionados no plano de negócios. Para a elaboração do plano de negócios, é importante que a empresa siga as etapas do seguinte sumário executivo: Resumo dos principais pontos do plano de negócios: ao descrever o plano de negócios, é importante que o empreendedor tenha em mente as informações importantes, tais como o que é o negócio, quais os principais produtos e/ ou serviços, quem são seus principais clientes, localização da empresa, o montante do capital a ser investido, o faturamento mensal, o lucro que se espera obter do negócio e em quanto tempo espera que o capital investido retorne. Dados dos empreendedores: informação do empreendedor ou do administrador do empreendimento, destacando os conhecimentos, habilidades e experiências. Além dos administradores, aqui poderão conter os dados dos sócios, caso a empresa os tenha. Forma jurídica: refere-se à constituição formal da empresa (Microempreendedor Individual, Empresário Individual, Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, Sociedade Limitada). Enquadramento tributário: se a empresa é optante pelo simples nacional ou não. E quais os tribu- tos fiscais que ela precisa pagar. Tem a ver com o seu porte e segmento. Missão da empresa: está relacionada à razão da existência da empresa. DIAGRAMA 6. ESTAPAS SUMÁRIO EXECUTIVO PARTE 1 EMPREENDEDORISMO 129 DIAGRAMA 6. ESTAPAS SUMÁRIO EXECUTIVO PARTE 2 Setores de atividades: estão relacionados ao negócio ou setor que a empresa irá atuar (indústria, agropecuária, comércio, presta- ção de serviços, etc). Dados do empreendimento: nome da em- presa, número do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) ou o CPF (Cadastro de Pessoa Física). Capital social: refere-se a todos os recursos investidos na empresa pelo proprietário e sócios se ela tiver. Fontes de recursos: refere-se à captação de recursos para investimento na empresa. Podem ser recursos próprios, de terceiros ou ambos. O empreendedor pode recorrer a bancos, investi- dores, dentre outros. 2. Análise do mercado O planejamento estratégico começa sempre com a análise de mercado. Desse modo, o plano de negócios considera a análise de mercado uma das análises mais importantes para se montar as estratégias a empresa. Ela está dividida em três partes: EMPREENDEDORISMO 130 ESTUDO DOS CLIENTES ESTUDO DOS FORNECEDORES DIAGRAMA 7. ANÁLISE DO MERCADO SÃO TODAS AS INFORMAÇÕES RELACIONADAS AO SEU CLIENTE, TAIS COMO: • CARACTERÍSTICAS DE PERFIL SOCIOECONÔMICO (FAIXA ETÁRIA, GÊNERO, TAMANHO DA FAMÍLIA, ONDE TRABALHA, QUANTO GANHA, ESCOLARIDADE, ONDE MORA, ETC). CASO SEJA PESSOA JURÍDICA, SÃO NECESSÁRIAS INFORMAÇÕES COMO QUAL O SEGMENTO, O QUE VENDEM, TAMANHO DA EMPRESA, TEMPO DE MERCADO, IMAGEM, POTENCIAL DE PAGAMENTO, ETC. • INTERESSES E COMPORTAMENTOS: FREQUÊNCIA E QUANTIDADE DA COMPRA DO PRODUTO/SERVIÇO; ONDE COMPRAM; QUANTO PAGAM. • MOTIVAÇÃO DE COMPRA: PREÇO, QUALIDADE, MARCA, PRAZO DE ENTREGA, ATENDIMENTO. • ONDE ESTÃO OS CLIENTES: LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA. O MERCADO FORNECEDOR ABRANGE TODAS AS PESSOAS E EMPRESAS QUE FORNECERÃO INSUMOS PARA O DESENVOLVIMENTO DO SEU PRODUTO, COMO POR EXEMPLO, MATÉRIAS-PRIMAS, EQUIPAMENTOS, MÃO-DE-OBRA. PARA INICIAR ESTA ANÁLISE, PRIMEIRAMENTE O EMPREENDEDOR PRECISA FAZER UM LEVANTAMENTO DO QUE ELE PRECISA PARA DESENVOLVER SEU PRODUTO E QUE ELE PRECISA TERCEIRIZAR. DEPOIS BUSCAR QUAIS FORNECEDORES PODEM OFERECER O QUE ESTÁ FALTANDO PARA A SUA PRODUÇÃO. ELES PODEM SER ENCONTRADOS POR MEIO DE PESQUISAS, INDICAÇÕES, EM SITES, REVISTAS ESPECIALIZADAS NO SEGMENTO, BUSCAS NA INTERNET, ENTRE OUTROS. IMPORTANTE QUE ITENS COMO QUALIDADE, PREÇO, PRAZO DE ENTREGA, FORMAS DE PAGAMENTO, SEJAM ANALISADOS COM NO MÍNIMO MAIS OUTROS DOS FORNECEDORES PARA QUE A EMPRESA COMPARE E AVALIE A MELHOR PROPOSTA QUE ATENDA A SUA NECESSIDADE. ESTUDO DOS CONCORRENTES OS CONCORRENTES SÃO AQUELES QUE ATUAM NO MESMO RAMO DE ATIVIDADE QUE O SEU E TENTAM SATISFAZER OS MESMOS CLIENTES. PORTANTO É IMPORTANTE QUE SE TENHA INFORMAÇÕES DO CONCORRENTE SOBRE: QUALIDADE EMPREGADA NO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS; PREÇO; LOCALIZAÇÃO; CONDIÇÕES DE PAGAMENTOS OFERTADOS; ATENDIMENTO PRESTADO; SERVIÇOS DISPONIBILIZADOS; GARANTIAS. NESTA ANÁLISE O EMPREENDEDOR VERIFICA O NÍVEL DE COMPETIÇÃO, SE CONSEGUE COBRIR AS OFERTAS E ESTRATÉGIAS DO CLIENTE. EMPREENDEDORISMO 131 3. Plano de marketing O plano de marketing é muito importante para a empresa, pois é por meio dele que os produtos e serviços são divulgados. Ele permite a comunicação en- tre empresa e cliente, define qual a melhor estratégia de vendas dos produtos e serviços e quais os canais de distribuição mais adequadospara cada um deles. O plano de marketing é desenvolvido em cinco fases: DIAGRAMA 8. PLANO DE MARKETING 3 4 51 2 Descrição dos principais produtos e servi- ços: refere-se ao detalhamento do que se é vendido, como tamanho, cor, espécie, marca, modelo, sabores, dentre outros. Localização do negócio: refere-se à definição do ponto de vendas. Com a facilida- de da internet, muitos empreendimentos acabam nascendo nas próprias casas dos empreendedores, que realizam a comercialização de seus produtos via internet. Estratégias promocionais: refere-se às estratégias de divulgação dos produtos e serviços, eviden- ciando ao cliente seus diferenciais. Algumas estratégias utilizadas são: propaganda em meios de comunicação, internet, amostras grátis, mala direta, folhetos e cartões de visita, catálogos, carro de som e faixas, brindes e sorteios, dentre outros. Estrutura de comercialização: diz respeito aos canais de distribuição, também conhecidos como canais de vendas, ou seja, é parte que elabora como o cliente terá acesso ao seu produto. Pode ser por meio de equipe de vendas, e-commerce, aplicativos, representantes, dentre outros. Preço: refere-se ao valor financeiro do produto. Deve-se considerar os custos envolvidos para a elaboração do produto e o lucro que a empresa deseja obter com sua venda. Além disso, é necessário analisar o quanto o cliente está disposto a pagar e o valor praticado no mercado pelos concorrentes. 21 3 4 5 EMPREENDEDORISMO 132 PROCESSOS OPERACIONAIS NECESSIDADE DE PESSOAL É A DISTRIBUIÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO DA EMPRESA, COMO DEPARTAMENTOS, SETORES, INSTALAÇÕES, MERCADORIAS, DENTRE OUTROS. A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA DISTRIBUIÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO É PROMOVER A PRODUTIVIDADE, EVITAR DESPERDÍCIOS E RETRABALHOS, FACILIDADE DE LOCALIZAÇÃO, DENTRE OUTROS. REFERE-SE À ANÁLISE DE COMO ATENDER OS CLIENTES E A CAPACIDADE PRODUTIVA DA EMPRESA. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ORGANIZACIONAIS, PASSO A PASSO, INCLUINDO AS ÁREAS E DEPARTAMENTOS DA EMPRESA. REFERE-SE À CONTRATAÇÃO DE PESSOAS PARA DESENVOLVER OS SERVIÇOS DA EMPRESA. LAYOUT OU ARRANJO FÍSICO DIAGRAMA 9. PLANO OPERACIONAL CAPACIDADE PRODUTIVA/ COMERCIAL/SERVIÇOS EMPREENDEDORISMO 133 5. Plano financeiro Esta parte do planejamento de negócios é um pouco mais detalhada e exten- sa do que as demais. Sua composição engloba investimento fixo, capital de giro e investimentos pré-operacionais. Além disso, o plano também deve conter o planejamento financeiro detalha- do para o período em que o negócio ainda não estiver dando lucro. DIAGRAMA 10. PLANO FINANCEIRO PARTE 1 Estimativa dos investimentos fixos: tudo que a empresa precisa comprar para o empreendimento funcionar, como maquinários, materiais, uten- sílios, ferramentas, equipamentos, veículos, dentre outros. Capital de giro: recursos necessários para o funcionamento da empresa, como compra de matérias-primas ou mercadorias, financiamento das vendas e o pagamento das despesas. Estimativa do estoque inicial: produtos iniciais indispensáveis para a produção, como materiais e matérias-primas. Caixa mínimo: reserva inicial de caixa para o movimento financeiro da empresa, como cobertura de despesas e custos até que a empresa tenha lucro. Investimentos pré-operacionais: refere-se aos gastos realizados pela empresa antes do início de suas atividades, como refor- mas, pinturas, instalações, dentre outros. Investimento total (resumo): corresponde a todo o valor investido no negócio (investimentos fixos, capital de giro e investimentos pré-operacionais). Estimativa do custo unitário de matéria-prima, materiais diretos e terceirizações: cálculo do custo com materiais (matéria-pri- ma + embalagem) para cada unidade fabricada. Estimativa do faturamento mensal da empresa: o quanto a em- presa vai faturar por mês com a venda de seus produtos. EMPREENDEDORISMO 134 Estimativa dos custos de comercialização: todos os gastos para efetivar a venda dos produtos, incluindo pagamentos e comissões da equipe de vendas. Indicadores de viabilidade: Ponto de equilíbrio: o quanto a empresa precisa faturar para honrar seus custos. Lucratividade: lucro da empresa referente às vendas de produtos e serviços. Rentabilidade: mede o retorno do capital investido pelos sócios. DIAGRAMA 10. PLANO FINANCEIRO PARTE 2 Apuração dos custos dos materiais diretos e/ou mercadorias vendidas: nesta etapa a empresa deve apurar o CMD – Custos com Materiais Diretos (para a indústria) ou o CMV – Custo das Mercadorias Vendidas (para o comércio). Demonstrativo de resultados: refere-se à prevenção de lucro ou prejuízo. Estimativa dos custos com mão de obra: todos os custos que envolvem o colaborador na empresa. Os salários, pagamen- tos dos benefícios legais, encargos sociais, etc. Estimativa do custo com depreciação: análise dos custos envol- vendo a depreciação de maquinários por conta de idade e da necessidade de substituição. É o reconhecimento da perda de valor do bem. Estimativa dos custos fixos operacionais mensais: refere-se ao pagamento das obrigatoriedades da empresa, independente- mente dos resultados financeiros que ela obteve, tais como água, luz, contador, dentre outros. Prazo de retorno do investimento: indicador informando o tem- po que a empresa terá retorno sobre aquilo que investiu. EMPREENDEDORISMO 135 6. Construção de cenários Uma análise de tendências com base em informações do mercado para a criação de novos produtos e serviços que respondam de forma rápida e eficiente às demandas do mercado. 7. Avaliação estratégica: refere-se à análise da estratégia utilizando a matriz F.O.F.A. ou S.W.O.T.: ferramenta utilizada para detectar pontos fortes e fracos, opor- tunidades e ameaças. Assim, com base nestas informações, a empresa pode criar e desenvolver estratégias que a direcionem e auxiliem sua participação de mercado. Forças Oportunidades Faça uso das forças São características internas da empresa ou de seus donos que representam vantagens competitivas sobre seus concor- rentes ou uma facilidade para atingir os objetivos propostos. Exemplos: • Atendimento personalizado ao cliente; • Preço de venda competitivo; • Equipe treinada e motivada ; • Localização estratégica da empresa. Explore as oportunidades São situações positivas do ambiente ex- terno que permitem à empresa alcançar seus objetivos ou melhorar sua posição no mercado. Exemplos: • Existência de linhas de financiamento; • Poucos concorrentes na região ; • Aumento crescente da demanda; • Disponibilidade de bons imóveis para locação. Fraquezas Ameaças Elimine as fraquezas São fatores internos que colo- cam a empresa em situação de desvantagem frente à concor- rência ou que prejudicam sua atuação no ramo escolhido. Exemplos: • Pouca qualificação dos fun- cionários • Indisponibilidade de recursos financeiros (capital; • Falta de experiência anterior no ramo • Custos de manutenção eleva- dos. Evite as ameaças São situações externas nas quais se têm pouco controle e que colocam a empre- sa diante de dificuldades, ocasionando a perda de mercado ou a redução de sua lucratividade. Exemplos: • Impostos elevados e exigências legais rigorosas; • Existência de poucos fornecedores. • Escassez de mão de obra qualificada; • Insegurança e violência na região. QUADRO 5. MATRIZ F.O.F.A. OU S.W.O.T. Fonte: SEBRAE, 2003, p. 109. (Adaptado). EMPREENDEDORISMO 136 Gestão estratégica É muito importante que as organizações planejem suas ações, principalmen- te quando se pensa em um cenário de muita concorrência no qual as empresas precisem de uma vantagem competitiva para serem percebidas pelo seu público- -alvo e, assim, sobreviverem. Sendo assim, ao falarmos de gestão estratégica, conseguimos perceber que se trata de uma ferramenta que norteia as organizações rumo ao patamar que pretendem chegar – por meio de orientações primordiais para que elas alcancem resultados. Gestão estratégicaé o processo sistemático de gerenciamento para acompa- nhar as ações que geram oportunidades de crescimento ao empreendimento e que precisam ser monitoradas e avaliadas. Para se adotar uma estratégia organizacional, é importante que as empresas definam os rumos que pretendem seguir. Portanto, precisam ter sua missão, visão, metas e objetivos bem definidos. Além disso, toda empresa precisa estar preparada para as situações não tão positivas que possam surgir, como situações ambientais (variáveis políticas, eco- nômicas, tecnológicas, climáticas, culturais e demográficas) que interferem dire- tamente na gestão da empresa. Por fim, as empresas precisam se atentar principalmente para o comportamento de seus clientes. Nos dias de hoje, percebemos um comportamento diferenciado do consumi- dor, com foco na rapidez, comodidade, conforto e se- gurança na aquisição de mercadorias. As pessoas estão dependentes de ferramentas digitais para realizarem suas compras e pesquisas, exigindo que 8. Avaliação do plano de negócio: avaliar se o plano de negócios está alinhado e se responde as dúvidas da empresa, preparando o empreendedor para colocar seu sonho em prática. Desse modo, o plano de negócio não tem o objetivo de garantir sucesso da em- presa, mas auxilia na tomada de decisões para que a empresa busque seus resulta- dos e alcance seus objetivos. EMPREENDEDORISMO 137 as empresas desenvolvam ferramentas de marketing para atender esta necessi- dade. Portanto, uma decisão estratégica na área de vendas ou marketing basea- da neste comportamento pode lhe trazer grandes retornos lucrativos. Independentemente do tamanho do empreendimento, ele deve ser compe- titivo, sustentável, proporcionar crescimento aos seus stakeholders (clientes, for- necedores, acionistas, etc.) e ao mercado. Para isso, é de suma importância uma boa gestão estratégica, bem monitorada, principalmente pelo líder da empresa. Definindo missão, visão e valores Toda empresa precisa ter definido sua missão, visão e valores para que se consiga desenvolver sua estratégia empresarial. A missão corresponde à essência da organiza- ção, ou seja, o motivo pelo qual ela existe e seu propósito. A visão significa o lugar onde ela quer chegar. Em outras palavras, representa seus planos a longo prazo. Os valores, por sua vez, dizem respeito à identidade da empresa, suas crenças e a forma como ela se posiciona no mercado. Missão Visão Inclui o negócio da empresa; É o ponto de partida; É o documento de identidade da empresa; Identifica “quem somos”; Dá o rumo a empresa; É orientadora; Tem o foco do presente para o futuro; Tem vocação para a eternidade. É o sonho do negócio; É o lugar para onde vamos; É o passaporte para o futuro; Projeta “quem desejamos ser”; Fornece energia para a empresa; É inspiradora; Tem o foco no futuro; É mutável, conforme os desafios. QUADRO 6. DIFERENÇAS ENTRE MISSÃO E VISÃO Fonte: CHIAVENATO, 2008, p. 147. (Adaptado). A definição destes três fatores é importante, pois eles direcionam o plane- jamento estratégico da organização, auxiliando os empreendedores a chega- rem ao seu objetivo e a trazerem os melhores resultados. EMPREENDEDORISMO 138 EXEMPLIFICANDO A Disney, um dos maiores parques de diversão do mundo, tem como missão alegrar as pessoas; como visão, criar um mundo em que todos possam se sentir como crianças; e como valores, o não ceticismo. Criativi- dade, sonhos e imaginação. Atenção fanática aos detalhes. Preservação e controle da Magia Disney. Se pararmos para pensar, a Disney tem uma estratégia organizacional bem alinhada à sua missão, visão e valores: procura fazer as pessoas felizes independentemente da sua idade e criou um local onde qualquer pessoa possa voltar a ser criança e viver em um mundo cheio de magias. Fontes de financiamento Para “dar certo”, todo negócio precisa de um planejamento e saber se ele é viável, ou seja, se tem procura e se o produto ou serviço vende. Para o negócio se tornar viável, o empreendedor precisa tomar muitas decisões importantes e, para tomar as decisões mais apropriadas, o empreendedor precisa de um guia que o oriente no processo decisório. Esse guia ajuda o empreendedor a identificar e potencializar as oportuni- dades de mercado, identificar as ameaças e tentar neutralizá-las para que não atrapalhe suas estratégias e buscar entender o que o cliente busca como valor em seu produto. Assim, pode desenvolver produtos e serviços que atendam às necessidades de seus consumidores. Por isso, fatores importantes como o que produzir, como produzir, para quem produzir e por que produzir são perguntas primordiais para direcionar o empreendedor em suas decisões estratégicas. Um projeto de viabilidade financeira busca saber quando a empresa se torna rentável e lucrativa a partir do volume de vendas que ela realiza. Com base nisto, a empresa precisa descobrir qual é o seu volume para buscar os recursos financeiros. Sendo assim, algumas perguntas podem nortear o empreendedor em seu levantamento de informações: • Qual o seu volume de vendas? Quanto se vende? • Qual o volume de compras? E quanto se compra? • Qual o capital inicial para o investimento para começar a produção? • Quais e quantas máquinas, equipamentos e materiais são necessários para a elaboração do produto? EMPREENDEDORISMO 139 • Qual o tamanho do nosso quadro de pessoal? • Qual o tamanho de espaço físico necessário? Existem dois tipos de custos que a empresa precisa conhecer: custos fixos e custos variáveis. Os custos fixos são os custos da empresa que permanecem inalterados, como aluguéis, seguros, depreciação, dentre outros. Os custos va- riáveis, por sua vez, são custos diretamente relacionados com o volume de pro- dução da empresa ou a sua atividade, como materiais, matérias-primas, salários e encargos sociais, dentre outros. CUSTOS FIXOS OS CUSTOS FIXOS SÃO OS CUSTOS DA EMPRESA QUE PERMANECEM INALTERADOS, COMO ALUGUÉIS, SEGUROS, DEPRECIAÇÃO, DENTRE OUTROS CUSTOS VARIÁVEIS OS CUSTOS VARIÁVEIS, POR SUA VEZ, SÃO CUSTOS DIRETAMENTE RELACIONADOS COM O VOLUME DE PRODUÇÃO DA EMPRESA OU A SUA ATIVIDADE, COMO MATERIAIS, MATÉRIAS-PRIMAS, SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS, DENTRE OUTROS. DIAGRAMA 11. TIPOS DE CUSTOS Somente por meio da análise dos custos fixos e variáveis é possível calcular o ponto de equilíbrio da empresa (break-even-point), estágio em que a empre- sa não apresenta nem lucro e nem prejuízo. Por meio da análise do ponto de equilíbrio, a empresa consegue saber o quanto ela precisa vender para se tornar lucrativa e evitar o prejuízo. Em um empreendimento novo, é muito difícil encontrar o ponto de equilíbrio, pois a empresa ainda não tem sua carteira de clientes. Portanto, no início dos empreendimentos, a empresa tem mais despesas do que lucros. EMPREENDEDORISMO 140 Como definir o investimento inicial Todo empreendimento precisa de recursos financeiros para começar. Definir o valor do investimento inicial é primordial para que a empresa comece a colo- car seu projeto em andamento. Sem nenhum recurso, é muito difícil iniciar suas atividades. O valor deste recurso é um grande desafio para o empreender. Por ainda não ter muita experiência, pode subestimar o real valor que deve ter em caixa para começar seu negócio. Sendo assim, o empreendedor precisa saber perfei- tamente como será a sua produção inicial, quais ferramentas ou maquinários precisará, o local de instalação da empresa, a quantidade de pessoas para de- senvolvimento de produtos, dentre outros. Investir no início de todo negócio é uma situação complicada, pois a empresa tem mais despesas do que lucros. Desse modo, precisa fazer um planejamento em relação ao tempo de retorno sobre o investimento, tam- bém conhecido como ROI. Assim, um planejamento financeiro detalhado e minucioso é muito impor- tante para fazer a empresa deslanchar nos primeiros meses até que as vendas passem a trazer lucropara o empreendedor e para os investidores. Todos aqueles que investem na empresa assumem o risco inicial e esperam um determinado retorno maior do que o valor que foi investido. Fontes de financiamento e linhas de crédito Todo negócio, para começar a funcionar, precisa de um capital investido. Mui- tas vezes, o empreendedor não possui o capital suficiente e preci- sa de alternativas para fazer seu empreendimento andar. Tendo isso em mente, é possível dizer que existem algumas alternativas para o empreendedor conseguir o investimento necessário. Apesar da mais conhecida ser o banco, é possível encontrar outras fontes. Dessa forma, o empreendedor pode buscar o ca- pital inicial para começar a operacionar sua empresa pelos seguintes meios: EMPREENDEDORISMO 141 Investimento-anjo: pessoas dispostas a investirem em um projeto, contribuindo para o desenvolvimento da empresa na sua fase de início; Fundo de investimento: pessoas jurídicas investem em uma empresa por acreditarem em seu potencial lucrativo; Fundos Constitucionais: : se o empreendimento estiver localizado nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, ainda é possível contar com Fundos Consti- tucionais; Investimento coletivo: captação de recursos de investidores e empreendedores pela internet; BNDES: alguns investimentos a longo prazo também podem ser conseguidos com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvi- mento Econômico e Social); Agências de fomento: dependendo do modelo de negócio, como pesquisa e inovação, é possível obter linhas de crédito por meio das agências de fomento; DIAGRAMA 12. MEIOS PARA OPERACIONAR A EMPRESA PARTE 1 Capital próprio: investimento próprio ou de acionistas da empresa; Participação acionária: o empreendedor que estiver disposto a vender parte de seu negócio pode contar com o investimen- to de acionistas; Capital de terceiros: empréstimos, debêntures, ações; EMPREENDEDORISMO 142 DIAGRAMA 12. MEIOS PARA OPERACIONAR A EMPRESA PARTE 2 PNMPO: atividades produtivas de pequeno porte também podem contar com a liberação de crédito do PNMPO (Progra- ma Nacional de Microcrédito Produtivo e Orientado); CNPq e Finep: os negócios que buscam promover inovação ou lidam com alguns tipos de pesquisa podem tentar obter crédito pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e pela Finep (Finan- ciadora de Estudos e Projetos), além das agências de fomento estaduais; Proger: esse tipo de crédito é ideal para empresas que buscam se moder- nizar ou crescer; Fintech’s: uma outra opção recente no mercado é buscar o capital investido nas Fintech´s (financeiras tecnológicas) que foram criadas com o objetivo de dar créditos a pessoas jurídicas e físicas a juros menores do que as instituições financeiras; Instituições Bancárias: créditos em bancos e instituições financeiras. O empreendedor precisa apenas ter claro qual a sua missão, o seu negócio e o tempo do retorno sobre o investimento. Apresentando o seu empreendedimento ao mercado Começar a empreender não pode ser uma decisão tomada por impulso, ou seja, trata-se de algo que exige preparo e planejamento contínuo. Tendo isso em mente, não existe sorte no empreendedorismo. Sorte para mim consiste na junção de uma série de elementos. Ela nada mais é do que a conjugação de conhecimentos, habilidades, competências, determina- ção, muito trabalho, oportunidade e iluminação divina. EMPREENDEDORISMO 143 Assim, após a definição do seu negócio, qual o ramo de atividade, o que ven- der e para quem vender e a formalização do empreendimento, chega o grande momento de muito trabalho e muito cuidado: o momento de apresentar o seu negócio para o mercado. Nesse momento, é preciso segurar a ansiedade e tomar todo cuidado, pois uma estreia errada pode por em risco todo o negócio. Por conta disso, vamos analisar alguns fatores importantes e primordiais para que a empresa tenha uma entrada triunfal. Alguns preparos são necessários. A equipe deve ser treinada e preparada para atender o seu cliente e é preciso verificar se a produção está em ordem, bem como as vendas e as finanças. DIAGRAMA 13. PREPARAÇÃO DE EQUIPE O EMPREENDEDOR PRECISA SABER QUEM SÃO AS PESSOAS CAPAZES DE IMPULSIONAR SEU NEGÓCIO QUEM SÃO AS PESSOAS QUE IRÃO TRABALHAR COM ELE Quem são as pessoas que irão trabalhar com ele, pois deve orientá-las e prepará-las, tanto para desenvolver o produto quanto para atender os futuros clientes. Quem são as pessoas capazes de impulsionar seu negócio. Por isso, é importante realizar um processo seletivo para esta finalidade. Além disso, iden- tificar e trazer os talentos para a organização são fatores que permitem que a empresa tenha vantagem competitiva sobre atendimento, qualidade, dentre outros. EMPREENDEDORISMO 144 As corporações são feitas de bens materiais e imateriais, ativos tangíveis e intangíveis, como os bens móveis, imóveis, produtos, marca, branding, etc., mas principalmente elas são feitas de recursos humanos, o chamado capital intelectual. As organizações possuem muitas demandas e precisam ter agilidade e cria- tividade para responder rapidamente às exigências de mercado, o que faz com que as empresas voltem seu foco para a inovação de produtos e serviços. Por isso, as empresas têm se preocupado com o mercado, com a concor- rência acirrada e em atender o cliente cada vez melhor, percebendo que a apli- cação do conhecimento em suas estratégias pode trazer um diferencial. Por isso, elas precisam se transformar em verdadeiras organizações do conheci- mento, compartilhando informações para utilizar suas próprias competências e tornando essa prática uma estratégia rentável. Esse tipo de ambiente desafiador faz com que as pessoas se identifiquem com a organização e queiram permanecer na empresa. Além disso, os colabo- radores passam a torcer pela empresa e a “vestir sua camisa”. Como é possível perceber, essa postura influencia na produtividade, no comprometimento e na satisfação. É importante ressaltar que os colaboradores são o bem mais importante de uma organização. São eles que podem dar sustentabilidade e perenidade (ou não) a uma empresa. Por isso, o sucesso de qualquer empresa está inexoravel- mente ligado à contratação de recursos humanos de primeira qualidade, moti- vados, criativos e inovadores e comprometidos com o futuro, sustentabilidade, perenidade e a rentabilidade da empresa. Dessa forma, quanto mais colaboradores engajados e comprometidos, mais garantido está o sucesso da em- presa e o sucesso dos colaboradores, ou seja, as duas partes ganham. Preparação da produção O empreendedor deve procurar um lo- cal adequado para o desenvolvimento dos produtos ofertados ao mercado. Além disso, deve verificar tudo que será neces- sário para a finalização do produto, como EMPREENDEDORISMO 145 Localização industrial Localização comercial Proximidade da mão de obra; Proximidade dos mercados; Proximidade de transporte; Infraestrutura energética; Incentivos fiscais; Custo do terreno; Facilidade de localização; Adequação do local; Infraestrutura. Proximidade dos clientes; Facilidade de acesso; Facilidade de transporte; Facilidade de estacionamento; Infraestrutura para recreação; Adequação do local; Visibilidade; Baixos custos imobiliários; Baixos custos condominiais; Aparência do local. QUADRO 7. FATORES DE LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL E LOCALIZAÇÃO COMERCIAL Fonte: CHIAVENATO, 2008, p. 178. (Adaptado). maquinários, equipamentos, matérias-primas, mão de obra, fornecedores, tecnologia, estoque mínimo para atender a demanda inicial, dentre outros. O ideal para o empreendimento é que o empreendedor consiga adequar a empresa, unificando os dois fatores apresentados no Quadro 7. Preparação do marketing O marketing está relacionado à comercialização e venda de produto e ser- viços. Por isso, é preciso analisar onde serão apresentados e disponibilizados estes produtos,se espaço físico ou virtual. Além disso, é tarefa da equipe de marketing definir como deve ser: DIAGRAMA 14. PREPARAÇÃO DO MARKETING Disponibilização dos produtos Organização Escrítorio Cozinha, dentre outros Estacionamento Banheiro Iluminação Leiaute Escrítorio EMPREENDEDORISMO 146 Preparação das finanças É importante se atentar para o controle dos primeiros rendimentos das ven- das. Se faz necessário analisar sua alocação, pois muitos empreendedores, ao receberem os primeiros valores oriundos das primeiras vendas, passam a uti- lizá-lo para uso pessoal. Sendo assim, o empreendedor não deve misturar as finanças pessoais com as da empresa. Ele deve ter um controle separado e, se possível, não utilizar a renda inicial nos primeiros meses, para que a empresa possa fazer um caixa para usos mais necessários posteriormente. Além disso, é preciso ter em mente que empreender não se trata apenas de ter um sonho e colocá-lo em prática: é preciso preparação e planejamento. Portanto, o empreendedor, nesta fase inicial do projeto de apresentar a empresa ao mercado, precisa trabalhar muito e ir adaptando sua empresa conforme a resposta de seus potenciais clientes. EMPREENDEDORISMO 147 Sintetizando Muitas pessoas possuem o sonho do próprio negócio. Sonhar é fácil e im- portante, pois a primeira característica do empreendedor é sonhar. O sonho impulsiona ação e motiva o comportamento empreendedor. No entanto, não apenas de sonhos vive uma empresa: é preciso planejamento, estratégia, ob- servação, conhecimento, parcerias, dentre muitas outras coisas. Tendo isso em mente, vimos que é preciso desenhar um plano de ação para colocar o sonho em prática e torná-lo um empreendimento. Para alguns, o so- nho vira um pesadelo, mas isso não é um problema para o empreendedor que adora um desafio e acredita em seu sonho. Vimos também que o plano de negócios orienta o empreendedor a tomar decisões importantes sobre seu negócio. Para isso, ele precisa de muitas in- formações, como analisar o mercado e conhecer seu cliente, fornecedores e concorrentes. Além disso, precisa ter uma estratégia de marketing para divul- gar seu produto ou serviço e persuadir o cliente a comprá-lo e deve contar com uma boa equipe de pessoas treinadas para atender o cliente e orientá-lo. Em seguida, vimos que o empreendedor precisa possuir uma produção de qualidade que atenda às demandas de mercado, além do controle financeiro da empresa, principalmente no começo, uma vez que as coisas são muito mais difíceis no início das atividades, com a empresa tendo mais despesas do que receitas por ainda não ter volume alto de vendas. Por fim, falamos brevemente sobre fontes de financiamento e linhas de cré- dito. Assim, se o empreendedor buscar fazer tudo direito, com calma e profissio- nalismo, verá terá a realização de um sonho concretizada em um empreendi- mento que pode ter muito sucesso. EMPREENDEDORISMO 148 Referências bibliográficas ALMEIDA, M. I. R. Manual de planejamento estratégico: desenvolvimento de um plano estratégico com a utilização de planilhas Excel. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. CHIAVENATO, I. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. CONNELLAN, T. Nos Bastidores da Disney. 22. ed. São Paulo: 2010, Saraiva. DINIZ, J. A arte de empreender: manual do empreendedor e do gestor das empresas de sucesso. São Paulo: Editora Novo Século, 2019. DINIZ, J. A Arte de Empreender. Curso de Empreendedorismo organizado por Ser Educacional. Módulo 1 a módulo 8. Disponível em: <https://sereduc.com/ player/?mod=startup&categoria=3246>. Acesso em: 01 ago. 2019. DINIZ, J. A Arte de Empreender. Curso de Empreendedorismo organizado por Ser Educacional. Módulo 9 a módulo 17. Disponível em: <https://sereduc.com/ player/?mod=startup&categoria=3246>. Acesso em: 05 de jul. 2019. DINIZ, J., A Arte de Empreender. Curso de Empreendedorismo organizado por Ser Educacional. Módulo 18 a módulo 27. Disponível em: <https://sereduc.com/ player/?mod=startup&categoria=3248>. Acesso em 31 de jul. 2019. KANAANE, R.; RODRIGUES, C. E. Curso de Marketing - Cenários, Estratégias e Ferramentas. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2016. LIMA, M. et al. Gestão de Marketing. 6. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. SEBRAE NACIONAL. 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