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Técnicas e Procedimentos de Primeiros Socorros Aula 3 ABERTURA Montagem de caixa de Primeiros Socorros Olá! As situações de urgência e emergência são inesperadas e podem acometer qualquer um, em qualquer lugar. Nessas situações, seus conhecimentos sobre os procedimentos em primeiros atendimentos serão decisivos para a recuperação dos acidentados. No entanto, muitas vezes será necessário o auxílio de material específico para a proteção do acidentado e para sua própria proteção. Como em qualquer área da ação humana, o uso da ferramenta adequada irá garantir o melhor resultado. Nesta aula você verá o quanto é relevante a montagem de uma caixa de primeiros socorros. Você terá valiosas informações que lhe ajudarão a montar uma caixa de primeiros socorros que seja adequada à sua realidade de atuação. Bons estudos. REFERENCIAL TEÓRICO Uma caixa de primeiros socorros é item obrigatório para alguns locais onde são desenvolvidas atividade físicas, como escolas e academias de ginástica. No capítulo Montagem de caixa de primeiros socorros, da obra Primeiros atendimentos em Educação Física, você identificará algumas situações e os equipamentos necessários para lidar com elas. Ao final da leitura, você terá o conhecimento necessário para montar uma caixa de primeiros socorros. Faça sua leitura e, ao final, estará apto a: • Explicar os itens primordiais que compõem uma caixa de primeiros socorros. • Descrever quais são os itens em caso de lesões perfurocortantes. • Identificar quais são os itens da caixa de primeiros socorros e como devem ser utilizados em caso de lesões musculoesqueléticas. Montagem de caixa de primeiros socorros Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Explicar quais itens primordiais compõem uma caixa de primeiros socorros. � Descrever como devem ser utilizados os itens em caso de lesões perfurocortantes. � Identificar quais são os itens da caixa de primeiros socorros e como devem ser utilizados em caso de lesões musculoesqueléticas. Introdução Diferentes tipos de acidentes exigirão diferentes procedimentos de atendimento. Você precisará estar preparado para os mais diversos ti- pos de emergência que poderão surgir. Nesse cenário de incerteza, é necessário estar munido de equipamentos específicos para tornar o seu atendimento mais rápido e mais seguro, tanto para você como para o indivíduo acidentado. A montagem de uma caixa de primeiros socorros que atenda suas necessidades será decisiva na hora de prestar os primeiros socorros. Você poderá ter caixas de primeiros socorros voltadas a situações que envolvam hemorragias, fraturas, ferimentos perfurocortantes, entre outras. Será importante você identificar quais são as potenciais lesões que podem se desenvolver no seu ambiente de trabalho. Neste capítulo, você vai encontrar os itens que devem compor uma caixa de primeiros socorros, assim como a descrição e a utilização destes. Você vai ver, também, como identificar situações de trauma e estratégias para lidar com elas. O que é necessário constar em uma caixa de primeiros socorros? A maioria das pessoas pode se deparar com diferentes situações emergenciais. No entanto, nem todas as pessoas estão preparadas para atuar nesses tipos de situações, sendo que isso pode diferir entre a vida e a morte da vítima. Portanto, é importante estar preparado para prestar um atendimento básico e imediato com pequenos materiais, equipamentos e ferramentas. Esses equi- pamentos e essas ferramentas podem ser adquiridos em diferentes locais, como farmácias, lojas de venda de material hospitalar e lojas especializadas em venda de equipamentos para primeiros socorros. Você deverá sempre montar sua caixa de primeiros socorros voltada as suas necessidades, por exemplo, se você é um professor de natação, não deverá dar tanta importância a equipamentos utilizados em lesões perfurocortantes, mas será necessário equipamento voltado a lesões traumáticas e de afoga- mento. Confira os materiais básicos que devem ser usados em uma situação de emergência: � Bandagem triangular: composta por algodão, é utilizada para imobi- lizações de qualquer natureza, e pode ser usada também como tipoia. � Ataduras crepom: produzidas em algodão, são faixas compridas, que se apresentam enroladas antes da aplicação. Utilizadas para terapias compressivas, imobilização e procedimentos ortopédicos. � Esparadrapo: fitas adesivas que ajudam a imobilizar membros ou para segurar compressas no local de uma ferida. � Curativos oclusivos: podemos encontrar na forma de plástico ou po- mada, tendo como função evitar o contato da ferida com o ambiente. Devem ser aplicados por toda a extensão da ferida. � Tesoura sem ponta: servirá para cortar as bandagens e cortar a roupa da vítima, em caso de imobilização ou de que ela esteja presa pela roupa. � Jogo de talas para imobilização de membros superiores e inferiores: talas de madeira ou material rígido como de EVA aramado emborra- chado. É aplicado no membro que será imobilizado, sendo preso por fitas e faixas flexíveis como panos. � Pinça: instrumento metálico que tem como finalidade tirar objetos en- cravados na pele (somente quando necessário), pois em casos de objetos encravados, o melhor a ser feito é procurar os serviços de emergência. � Compressas esterilizadas: compostas de tecido poroso, podendo ser de algodão ou não, são usadas como curativos para evitar infecções. Montagem de caixa de primeiros socorros2 � Gazes esterilizadas para cobrir feridas: tecido leve, poroso, geral- mente feito de algodão, servirá para estancar sangramentos. � Película aderente: papel plástico fino e transparente, usado para fixar os curativos ao corpo. � Solução de glicose e pacotes de açúcar: para pessoas que estejam sofrendo de hipoglicemia, o que é comum quando temos o engajamento de pessoas mal-alimentadas em atividades físicas. � Ligaduras: fitas de tecido de algodão, geralmente poroso, que podem ser elásticas. Utilizadas para fixação de curativos no corpo. Todos os materiais de primeiros socorros expostos anteriormente devem estar guar- dados em uma caixa específica para primeiros socorros e guardados num lugar fresco, seco e visível. É importantíssimo verificar periodicamente a data de validade dos produtos que compõem essa caixa. Todas as empresas devem ter caixas de primeiros socorros, essa é uma norma do guia trabalhista (BRASIL, 1994). A caixa deve estar em local de fácil acesso e boa visibilidade. Muitos profissionais da saúde acabam execu- tando trabalhos fora de empresas, como personal trainers, fisioterapeutas, entre outros. Recomenda-se que esses profissionais também tenham caixas de primeiros socorros com materiais mais simples, que facilitem o transporte. Equipamentos de proteção individual Da mesma maneira que são importantes os materiais básicos ou o kit de emergência, é sumamente importante os equipamentos básicos de proteção individual, os quais deverão ser utilizados pelos socorristas ao iniciar o processo de primeiros socorros. Os socorristas deverão utilizar esses equipamentos para prevenir doenças ocasionadas pela contaminação por agentes infecciosos (doenças contagiosas) que podem ser transmitidas pelo sangue ou outros fluidos, como hepatite e vírus da aids. Os materiais para uso próprio são os seguintes: 3Montagem de caixa de primeiros socorros � Luvas: podem ser fabricadas em látex, vinil ou outro material sintético e impermeável. Inspecione suas mãos, verificando presença de cortes ou lesões, antes de colocar as luvas. Faça isso antes do contato com o paciente. Se necessário, use duas luvas. Troque de luvas a cada paciente que você atender e sempre lave as mãos depois do atendimento. � Proteção ocular: as membranas mucosas dos olhos podem absorver fluidos e são um caminho para a infecção. Use protetor ocular que protege a frente e as laterais dos olhos. � Máscaras ou protetores faciaispara sangue ou fluidos expelidos, use máscaras do tipo cirúrgico; para partículas respiratórias menores (tosse e espirro), use máscara com filtro de alta eficiência; máscaras do tipo cirúrgico podem ser usadas por pacientes se ele estiver acordado e cooperando (nesse caso, é preciso controlar a respiração). � Avental: protege as roupas e a pele descoberta, nos casos de feridos em que artérias jorram sangue, no parto ou em pacientes com múltiplos ferimentos e sangramento grave. Embora falemos, neste capítulo, em lesões causadas por instrumentos perfurocortantes e traumas, também podemos encontrar diferentes casos nos quais deveremos utilizar equipamentos e materiais adaptados e criados para emergências específicas, sejam afogamentos, queimaduras, intoxicações, entre outras. Ferimentos Feridas: lesões perturbadoras em qualquer tecido, sendo resultado de um trauma direto contra a pele. A pele é considerada o maior e mais superficial órgão do corpo humano, portanto, está mais exposta a receber ferimentos em comparação com outros órgãos do corpo. A perda de sua integridade constitui uma ameaça pelo risco de hemorragia (sangramento), infecção e trauma secundário. Pode ser, inclusive, um fator determinante para a vida. As feridas classificam-se em fechadas ou abertas. As fechadas são cau- sadas por contusões diretamente sobre os tecidos, provocando internamente hematomas ou equimoses. Os hematomas são extravasamentos de sangue entre os tecidos (subcutâneo, fáscia, músculo e órgãos) com formação de coleção Montagem de caixa de primeiros socorros4 (aumento de volume) pela ruptura de vasos. Já a equimose é o extravasamento de sangue subcutânea sem formação de coleção. Essas feridas apresentam como característica a coloração roxa, preta e azulada. As feridas abertas são classificadas em escoriações, feridas incisivas, lacerações, avulsões e ferimentos perfurantes. A seguir, descreveremos brevemente cada uma dessas lesões e os procedimentos básicos a serem adotados. Escoriações: consistem em esfoliação da epiderme ou das mucosas, não atingido as partes mais profundas. É produzida pelo atrito da pele em uma superfície áspera. As escoriações podem vir acompanhadas de sujeira (areia, pedriscos, graxa e resíduos do asfalto) e é importante realizar a higienização do local utilizando soro fisiológico ou água e sabão. A área afetada deve ser protegida com gaze estéril, fixada com bandagem elástica ou triangular. Feridas incisivas ou cortantes: são feridas produzidas por material cortante, como facas, bisturis e estiletes. As bordas das feridas são características por se apresentarem lineares, sem traumas. Essas feridas podem provocar intenso sangramento, portanto, as bordas das feridas devem ser aproximadas e fixadas com curativos. Sua fixação pode ser feita com bandagem elástica ou triangular. Lacerações: são lesões irregulares causadas por pressão ou tração na pele. Nessas situações, é importante controlar o sangramento utilizando métodos de pressão direta ou elevação do membro. Deve ser colocada uma gaze es- terilizada no local e firmemente fixá-la com bandagem. Algumas situações mais graves exigirão imobilização dos membros, que poderão ser feitas com talas de madeira ou aramadas. Avulsões/amputações: parte do corpo é cortada ou arrancada (como membros, dedos e orelhas). Nesses casos, você deverá controlar o sangramento e, em caso de retalhos na pele, você poderá recolocar, com cuidado, a pele no lugar, após realizar a limpeza, fixando-a com curativo. Em casos de amputações, é importante o controle do sangramento por compressão direta, elevação do membro e, em último caso, torniquete. O membro amputado deve ser levado junto com o paciente, sendo resfriado em saco plástico, nunca congelado. Ferimentos perfurantes: são ferimentos causados por objetos pontiagudos e finos, capazes de perfurar a pele e os tecidos adjacentes. Podem ser causados por projéteis de arma de fogo. Nessas situações, as feridas de entrada e saída do projétil devem ser protegidas. Objetos pontiagudos que permanecem no 5Montagem de caixa de primeiros socorros corpo não devem ser retirados, mas sim fixados de maneira a não se moverem durante o transporte. Você pode fixar os objetos com bandagens ao entorno do objeto. As feridas podem ser causadas por diferentes agentes mecânicos, sendo que apresentarão características distintas, dependendo do causador da moléstia. Observe o Quadro 1, que associa o agente mecânico ao tipo de ferida. Fonte: Adaptado de Valente (1999, apud AGUIAR, 2004, p. 3). Traumas Tipos Agentes Agentes mecânicos � Perfurantes: objetos pontiagudos, capazes de perfurar a pele e outros tecidos. � Perfurocortantes: objetos pontiagudos que apresentam lâmina. � Cortantes: objetos afiados (também se enquadram aqui as armas brancas). � Contundentes: objetos que podem causar perfurações em razão da pressão causada pelo impacto, mas que não são afiados. � Perfurocontundentes: objetos capazes de perfurar os tecidos, mas que não apresentam lâmina. � Espinho, agulha, prego e estilete. � Punhal e sabre. � Faca, navalha e cacos de vidro. � Barra de ferro, pedra, madeira e martelo. � Projéteis de arma de fogo e estilhaços. Quadro 1. Agente mecânico e tipo de ferida As lesões perfurocortantes são conhecidas por sua alta relação com he- morragias, já que uma de suas principais características é a profundidade do ferimento. As hemorragias externas podem ser classificadas em hemorragia arterial , venosa ou capilar . Na hemorragia arterial, o fluxo de sangue é vermelho vivo, feito em jatos, muitas vezes pulsando na mesma sintonia do batimento cardíaco. A perda de sangue e rápida e abundante. Na hemorragia venosa, a cor do sangue é vermelho escuro e o fluxo sanguíneo é constante. Já na hemorragia capilar, o fluxo de sangue é lento, como é visto em arranhões e cortes superficiais da pele. Montagem de caixa de primeiros socorros6 Uma hemorragia pode demorar entre seis e oito minutos até sua coagulação, mas, se persistir, pode levar ao aumento da frequência cardíaca e da perda de sangue, à diminuição da pressão arterial, à falha na circulaçãção e no coração e, finalmente, à parada cardíaca. Materiais básicos para lesões perfurocortantes Bandagem triangular: é utilizada de diferentes formas, tanto para os mem- bros inferiores como para os membros superiores. Pode ser utilizado para imobilizações, diminuindo o sangramento e facilitando o transporte do ferido até o centro assistencial mais próximo. Ataduras: são utilizadas para fixação de curativos, imobilizações e enfai- xamentos. Pode-se encontrar de algodão, poliéster, elastano, entre outros materiais. Na forma de utilização, deve ser justa, porém não apertada demais, a ponto de interferir na circulação sanguínea. Se ocorrer inchaço, manchas, sensação de frio, entorpecimento ou formigamento da área afetada, devem ser afrouxadas. Esparadrapo: é uma fita adesiva utilizada para fixação dos curativos. Desta- cam-se os adesivos que são impermeáveis e transparentes, já que têm maior adesão sobre as bandagens. Também podem ajudar a imobilizar membros. Curativos: são um tipo de bandagem que pode ser coloca na ferida. Depen- dendo do tamanho e da gravidade da ferida, são recomendados diferentes tipos de curativos. A principal função do curativo é atuar como barreira mecânica contra a entrada de bactérias e manter a umidade entre a ferida e o curativo, favorecendo a rápida epitelização, a diminuição da dor e a aceleração da des- truição de tecidos necrosados. Além disso, serve para manter uma temperatura adequada, o que gera maior estímulo na divisão celular e, consequentemente, estimulará o processo de cicatrização. Gazes e compressas esterilizadas: sua principal função é absorver líquidos (sangue) ou secreções causadas pelo organismo. São produzidos com tecido 100% de algodão hidrófilo, altamente absorvente, branco, isento de amido, alvejantes 7Montagemde caixa de primeiros socorros ópticos, corantes, substâncias gordurosas ou quaisquer outros componentes que possam trazer riscos para a saúde do ferido. O controle de hemorragias é fundamental na maioria das situações que envolvem lesões perfurocortantes. Confira a ordem do atendimento para controle de hemorragias: � compressão direita; � curativo compressivo; � compressão direita e elevação; � compressão indireta; � torniquete. Lesões musculoesqueléticas As lesões musculoesqueléticas são lesões que atingem o aparelho locomotor (formado pelo conjunto de ossos, articulações, ligamentos, músculos e nervos). A maior parte das lesões musculoesqueléticas é de origem ocupacional, como as lesões por esforço repetitivo (LER), como as dores lombares em trabalhadores de escritório ou tendinites em pessoas que digitam muito. As lesões musculoesqueléticas podem acontecer por três causas principais. Aplicação de força direita, a aplicação de força indireta e a força de rotação ou de entorse. A aplicação dessas forças são as causas principais das lesões musculoesqueléticas, assim que esses tipos de forças podem levar a diferentes tipos de traumas, provocando dor, edema e/ou deformidades. Portanto, nestes tópicos, falaremos especificamente dos danos ou das modificações ocasionadas nos ligamentos, nas articulações, no osso e nos músculos do organismo. Considera-se que os traumas causados pela aplicação de força direta possam desencadear diferentes tipos de lesões, como entorses, distensões, luxações e fraturas (abertas ou fechadas). Entorses: são lesões dos ligamentos de uma articulação, sem que haja o deslocamento da superfície articular. O tornozelo é a região mais afetada por entorses, mas pode se desenvolver na altura dos joelhos e arcos dos pés. É um tipo de trauma recorrente durante a prática de atividades físicas e esportes. Montagem de caixa de primeiros socorros8 Existem três tipos de entorses possíveis, e são classificados de acordo com a magnitude da lesão. Temos a entorse de grau 1, em que há o estiramento leve do ligamento; apresenta dor leve ou inexistente. Temos a entorse de grau 2, em que há o rompimento de algumas fibras do ligamento, a área afetada apresenta dor e inflamação e o movimento é dificultado; frequentemente vem acompanhado de hematoma. Por fim, temos a entorse de grau 3, em que há o rompimento completo dos ligamentos, a área afetada se torna extremamente dolorida, inchada e apresenta hematoma. O tratamento das entorses varia conforme a gravidade do trauma, indo desde aplicações de crioterapia (bolsas de gelo) e anti-inflamatórios para entorses de grau 1 e 2, como processos cirúrgicos para entorses de grau 3. Distensão: são lesões que acometem a junção entre o músculo (parte vermelha) e o tendão de um músculo. As causas da distensão muscular incluem o esforço excessivo para realizar um gesto motor, como uma corrida durante um jogo de futebol. Por isso, esse tipo de lesão é mais frequente entre esportistas. Os músculos posteriores da coxa e da panturrilha costumam ser os músculos mais afetados, porém, distensões podem ocorrer em outros músculos do corpo submetidos à força excessiva. As distensões também são classificadas em três graus, sendo que cada grau representa um nível diferente de comprometimento da estrutura musculotendínea. As distensões de grau 1 apresentam estiramento das fibras sem que haja ruptura destas. A distensão de grau 2 apresenta lacera- ção do músculo ou do tendão e existe a presença de dor, acompanhada ou não de inflamação e hematoma. Por fim, a distensão de grau 3 apresenta ruptura total do complexo musculotendíneo e há dor intensa, hematoma, inchaço e calor na região afetada. É importante, em situações nas quais esse tipo de lesão esteja presente, o cuidado na manipulação do paciente, pois poderá ser agravada a situação. A imobilização do membro pode ser necessária para o deslocamento até o hospital mais próximo. A aplicação de bolsas de gelo é recomendada para diminuir o processo inflamatório e a dor. Luxações: é o deslocamento do osso de uma articulação para uma posição anormal, a luxação pode acontecer praticamente em qualquer articulação do corpo humano, porém, alguns locais são mais afetados, como as articulações do ombro, nos dedos da mão e do pé e no tornozelo. As luxações podem ser facilmente identificadas, uma vez que o deslocamento do osso dentro da ar- ticulação gera danos aos ligamentos e à cápsula articular, o que é seguido de grande inflamação e dor no local. Para tratar esse tipo de lesão, é importante 9Montagem de caixa de primeiros socorros a aplicação de gelo para diminuição da inflamação e da dor. O osso deverá ser recolocado no lugar por um especialista, no caso, um médico ortopedista. Fraturas: são traumas que acometem o tecido ósseo. São lesões extremamente dolorosas e podem ser classificadas em abertas e fechada. Fraturas abertas caracterizam-se principalmente por fraturas ósseas que levam ao rompimento da pele, ocasionando possíveis hemorragias. São situações graves, uma vez que o ambiente externo do corpo foi exposto, o que facilita o quadro para infecções. Nessas situações, você deve ter especial atenção e não recolocar o osso “no lugar”, mas sim imobilizar o membro, conter o sangramento e transportar a vítima para um hospital. Já nas fraturas fechadas, que são mais comuns, não há rompimento da pele e, em geral, são de menor emergência que as fraturas abertas. No entanto, os danos aos ossos podem ser grandes e pode haver hemorragia interna por rompimento de artérias. Também são situações que irão exigir a devida imobilização antes do transporte do paciente. Para entender melhor o conteúdo, observe o Quadro 2. Lesão Local danificado Entorse Ligamento Distensão Músculo Luxação Articulação Fratura Osso Quadro 2. Lesão e local danificado Equipamentos básicos para lesões musculoesqueléticas Talas infláveis: são talas de material plástico, destinadas à imobilização de membros superiores e inferiores. São colocadas e infladas pelo socorrista, soprando na válvula existente. Talas maleáveis: são talas de material sintético (talafix) ou de papelão, acol- choadas, que permitem ser moldadas para realizar uma imobilização adequada Montagem de caixa de primeiros socorros10 Tração de fêmur: são equipamentos portáteis, utilizados para a fixação total do membro inferior, especialmente nos casos de fraturas de fêmur. Constru- ídos em alumínio e aço inox, com regulagem de comprimento, dispondo de apoios de borracha ou espuma e cintas elásticas que permitam a fixação do membro inferior. Colete de imobilização dorsal: destinado à imobilização da coluna cervical, torácica e lombar superior de vítimas acidentadas. É um colete de nylon, ajustável ao tronco da vítima e fixado por meio de tiras de nylon, além de duas tiras para fixação dos membros inferiores; tem almofada para cabeça, fixada por duas tiras de espuma e velcro; é radiotransparente, com estrutura interna composta por tiras de madeira Colar cervical: é um dispositivo que permite a imobilização da coluna cervical, principalmente os movimentos axiais. Um bom colar deve ter um desenho assimétrico, ser dobrável e plano, com janela extra grande para acesso à região cervical anterior (pulso carotídeo e acesso cirúrgico de via aérea superior), fornecer uma perfeita adaptação à cabeça e ao ombro da vítima, confeccionado em polietileno, ser radiotransparente, com enchimento de espuma em todas as fases de contato com a pele da vítima, e ser dotado de apoio para mandíbula. Imobilizador lateral de cabeça: são dispositivos colocados em tábuas de imobilização, ajudantes do colar cervical na imobilização da cabeça, cons- tituídos de espuma rígida, revestidos com material impermeável e lavável e radiotransparente. Tábuas de imobilização (prancha longa): permitem a imobilização de toda a vítima deitada. São construídas em PVC ou compensado naval de cedro ou pinho de 25 mm de espessura.Devem ter orifícios laterais para a fixação de cintos de segurança e para permitir o posicionamento das mãos do socorrista e devem ser impermeabilizadas com material resistente. Cintos de fixação: são cintos nylon, flexíveis e resistentes, com aproximada- mente 5 cm de largura e 1,8 m de comprimento, com fivela e nylon resistente para fixar a vítima na tábua de imobilização. Bandagem triangular: material para imobilizações provisórias ou fixação de curativos. É feita em tecido de algodão cru em forma de triângulo-retângulo, 90 cm de lado. 11Montagem de caixa de primeiros socorros Em um jogo de futebol, dois jogadores caem na metade do campo, sendo que um deles recebeu um impacto na perna direita, gerando uma deformidade imediata no tornozelo, principalmente no malévolo lateral. O esportista não consegue caminhar e expressa muita dor. O jogador apresenta aumento da temperatura e do volume e indica que não pode mexer a perna. Imediatamente chega o socorrista com suas respectivos materiais e equipamentos e realiza uma imobilização do membro inferior direito. A imobilização é feita com talas maleáveis, infláveis e cintos de fixação. O ferido é colocado na prancha longa para ser transportado ao pronto-socorro mais próximo. Neste capítulo, foram apresentados os materiais que são indispensáveis para compor uma caixa de primeiros socorros. Lembre-se de que cada situação exigirá uma atuação diferente e materiais diferentes, como no atendimento a um paciente que apresente uma hemorragia, em que será importante o uso de equipamento de proteção individual, compressas de gaze e a técnica de compressão para estancar o sangramento. Já em uma situação que apresente uma fratura, sua atuação fica voltada para a imobilização, utilizando talas ou bandagens para a fixação ou tábuas de imobilização. Por isso, é importante que você monte sua caixa de primeiros socorros baseando-se nos possíveis acidentes que seu local de atuação pode proporcionar. Mantenha-se sempre atualizado também sobre a melhor técnica que deverá ser empregada. AGUIAR, A. S. W. et al. Atendimento emergencial do paciente portador de traumatismos de face. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 17, n. 1, p. 37-43, 2004. Disponível em: <http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=40817208>. Acesso em: 19 jul. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupa- cional. Brasília, DF, 1994. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/ SST/NR/NR7.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2018. VALENTE, C. Emergências em bucomaxilofacial: clínicas, cirúrgicas e traumatológicas. Rio de Janeiro: Revinter, 1999. Montagem de caixa de primeiros socorros12 Leituras recomendadas BORBA, C. E. Como agir em situações de emergência. Disponível em: <http://biblioteca. cbm.sc.gov.br/biblioteca/dmdocuments/CFSd_2011_2_BORBA.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2018. OLIVEIRA, B. F. M.; PAROLIN, M. K. F.; TEIXEIRA JUNIOR, E. V. Trauma: atendimento pré- -hospitalar. 3. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2014. SANTOS, V. S. Fraturas. c2018. Disponível em: <https://mundoeducacao.bol.uol.com. br/saude-bem-estar/fraturas.htm>. Acesso em: 19 jul. 2018. 13Montagem de caixa de primeiros socorros PORFÓLIO As caixas de primeiros socorros prestam auxílio fundamental e devem ser disponibilizadas em locais de fácil identificação. Alguns materiais, por mais simples que possam parecer, em situações de urgência viram itens imprescindíveis e podem representar até mesmo a diferença entre a vida e a morte de uma pessoa. Pesquise e descreva quais materiais são indispensáveis na composição de caixas de primeiro socorros. PESQUISA O que uma escola precisa ter no seu Kit de Primeiros Socorros https://diarioescola.com.br/kit-de-primeiros-socorros/ Neste link, você terá acesso a um artigo do Diário Escola, que discute os itens prioritários que devem existir dentro de um kit de primeiros socorros para o atendimento primário no ambiente escolar. O artigo ainda recomenda alguns outros cuidados a serem tomados pelo professor enquanto realiza os procedimentos.