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Montagem de Caixa de Primeiros Socorros

Aula sobre montagem de caixa de primeiros socorros que explica itens essenciais e uso em lesões perfurocortantes e musculoesqueléticas. Lista materiais básicos como bandagem triangular, ataduras crepom, esparadrapo, curativos oclusivos, tesoura sem ponta e talas.

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Técnicas e Procedimentos 
de Primeiros Socorros 
Aula 3
ABERTURA 
Montagem de 
caixa de 
Primeiros 
Socorros
Olá!
As situações de urgência e emergência são inesperadas e podem acometer qualquer um, em 
qualquer lugar. Nessas situações, seus conhecimentos sobre os procedimentos em primeiros 
atendimentos serão decisivos para a recuperação dos acidentados. No entanto, muitas vezes será 
necessário o auxílio de material específico para a proteção do acidentado e para sua própria 
proteção.
Como em qualquer área da ação humana, o uso da ferramenta adequada irá garantir o melhor 
resultado. 
Nesta aula você verá o quanto é relevante a montagem de uma caixa de primeiros socorros. Você 
terá valiosas informações que lhe ajudarão a montar uma caixa de primeiros socorros que seja 
adequada à sua realidade de atuação.
Bons estudos.
REFERENCIAL TEÓRICO
Uma caixa de primeiros socorros é item obrigatório para alguns locais onde são 
desenvolvidas atividade físicas, como escolas e academias de ginástica. 
No capítulo Montagem de caixa de primeiros socorros, da obra Primeiros atendimentos 
em Educação Física, você identificará algumas situações e os equipamentos 
necessários para lidar com elas. Ao final da leitura, você terá o conhecimento 
necessário para montar uma caixa de primeiros socorros.
Faça sua leitura e, ao final, estará apto a:
• Explicar os itens primordiais que compõem uma caixa de primeiros socorros.
• Descrever quais são os itens em caso de lesões perfurocortantes.
• Identificar quais são os itens da caixa de primeiros socorros e como devem ser 
utilizados em caso de lesões musculoesqueléticas.
Montagem de caixa de 
primeiros socorros 
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Explicar quais itens primordiais compõem uma caixa de primeiros 
socorros.
 � Descrever como devem ser utilizados os itens em caso de lesões 
perfurocortantes.
 � Identificar quais são os itens da caixa de primeiros socorros e como 
devem ser utilizados em caso de lesões musculoesqueléticas.
Introdução
Diferentes tipos de acidentes exigirão diferentes procedimentos de 
atendimento. Você precisará estar preparado para os mais diversos ti-
pos de emergência que poderão surgir. Nesse cenário de incerteza, é 
necessário estar munido de equipamentos específicos para tornar o seu 
atendimento mais rápido e mais seguro, tanto para você como para o 
indivíduo acidentado.
A montagem de uma caixa de primeiros socorros que atenda suas 
necessidades será decisiva na hora de prestar os primeiros socorros. Você 
poderá ter caixas de primeiros socorros voltadas a situações que envolvam 
hemorragias, fraturas, ferimentos perfurocortantes, entre outras. Será 
importante você identificar quais são as potenciais lesões que podem 
se desenvolver no seu ambiente de trabalho.
Neste capítulo, você vai encontrar os itens que devem compor uma 
caixa de primeiros socorros, assim como a descrição e a utilização destes. 
Você vai ver, também, como identificar situações de trauma e estratégias 
para lidar com elas.
O que é necessário constar em uma caixa 
de primeiros socorros?
A maioria das pessoas pode se deparar com diferentes situações emergenciais. 
No entanto, nem todas as pessoas estão preparadas para atuar nesses tipos 
de situações, sendo que isso pode diferir entre a vida e a morte da vítima. 
Portanto, é importante estar preparado para prestar um atendimento básico e 
imediato com pequenos materiais, equipamentos e ferramentas. Esses equi-
pamentos e essas ferramentas podem ser adquiridos em diferentes locais, 
como farmácias, lojas de venda de material hospitalar e lojas especializadas 
em venda de equipamentos para primeiros socorros. 
Você deverá sempre montar sua caixa de primeiros socorros voltada as 
suas necessidades, por exemplo, se você é um professor de natação, não deverá 
dar tanta importância a equipamentos utilizados em lesões perfurocortantes, 
mas será necessário equipamento voltado a lesões traumáticas e de afoga-
mento. Confira os materiais básicos que devem ser usados em uma situação 
de emergência:
 � Bandagem triangular: composta por algodão, é utilizada para imobi-
lizações de qualquer natureza, e pode ser usada também como tipoia.
 � Ataduras crepom: produzidas em algodão, são faixas compridas, que 
se apresentam enroladas antes da aplicação. Utilizadas para terapias 
compressivas, imobilização e procedimentos ortopédicos.
 � Esparadrapo: fitas adesivas que ajudam a imobilizar membros ou para 
segurar compressas no local de uma ferida.
 � Curativos oclusivos: podemos encontrar na forma de plástico ou po-
mada, tendo como função evitar o contato da ferida com o ambiente. 
Devem ser aplicados por toda a extensão da ferida.
 � Tesoura sem ponta: servirá para cortar as bandagens e cortar a roupa 
da vítima, em caso de imobilização ou de que ela esteja presa pela roupa.
 � Jogo de talas para imobilização de membros superiores e inferiores: 
talas de madeira ou material rígido como de EVA aramado emborra-
chado. É aplicado no membro que será imobilizado, sendo preso por 
fitas e faixas flexíveis como panos.
 � Pinça: instrumento metálico que tem como finalidade tirar objetos en-
cravados na pele (somente quando necessário), pois em casos de objetos 
encravados, o melhor a ser feito é procurar os serviços de emergência.
 � Compressas esterilizadas: compostas de tecido poroso, podendo ser 
de algodão ou não, são usadas como curativos para evitar infecções.
Montagem de caixa de primeiros socorros2
 � Gazes esterilizadas para cobrir feridas: tecido leve, poroso, geral-
mente feito de algodão, servirá para estancar sangramentos.
 � Película aderente: papel plástico fino e transparente, usado para fixar 
os curativos ao corpo.
 � Solução de glicose e pacotes de açúcar: para pessoas que estejam 
sofrendo de hipoglicemia, o que é comum quando temos o engajamento 
de pessoas mal-alimentadas em atividades físicas.
 � Ligaduras: fitas de tecido de algodão, geralmente poroso, que podem 
ser elásticas. Utilizadas para fixação de curativos no corpo.
Todos os materiais de primeiros socorros expostos anteriormente devem estar guar-
dados em uma caixa específica para primeiros socorros e guardados num lugar fresco, 
seco e visível. É importantíssimo verificar periodicamente a data de validade dos 
produtos que compõem essa caixa.
Todas as empresas devem ter caixas de primeiros socorros, essa é uma 
norma do guia trabalhista (BRASIL, 1994). A caixa deve estar em local de 
fácil acesso e boa visibilidade. Muitos profissionais da saúde acabam execu-
tando trabalhos fora de empresas, como personal trainers, fisioterapeutas, 
entre outros. Recomenda-se que esses profissionais também tenham caixas 
de primeiros socorros com materiais mais simples, que facilitem o transporte.
Equipamentos de proteção individual 
Da mesma maneira que são importantes os materiais básicos ou o kit de 
emergência, é sumamente importante os equipamentos básicos de proteção 
individual, os quais deverão ser utilizados pelos socorristas ao iniciar o processo 
de primeiros socorros. Os socorristas deverão utilizar esses equipamentos 
para prevenir doenças ocasionadas pela contaminação por agentes infecciosos 
(doenças contagiosas) que podem ser transmitidas pelo sangue ou outros fluidos, 
como hepatite e vírus da aids. Os materiais para uso próprio são os seguintes:
3Montagem de caixa de primeiros socorros
 � Luvas: podem ser fabricadas em látex, vinil ou outro material sintético 
e impermeável. Inspecione suas mãos, verificando presença de cortes 
ou lesões, antes de colocar as luvas. Faça isso antes do contato com o 
paciente. Se necessário, use duas luvas. Troque de luvas a cada paciente 
que você atender e sempre lave as mãos depois do atendimento.
 � Proteção ocular: as membranas mucosas dos olhos podem absorver 
fluidos e são um caminho para a infecção. Use protetor ocular que 
protege a frente e as laterais dos olhos. 
 � Máscaras ou protetores faciaispara sangue ou fluidos expelidos, 
use máscaras do tipo cirúrgico; para partículas respiratórias menores 
(tosse e espirro), use máscara com filtro de alta eficiência; máscaras do 
tipo cirúrgico podem ser usadas por pacientes se ele estiver acordado e 
cooperando (nesse caso, é preciso controlar a respiração).
 � Avental: protege as roupas e a pele descoberta, nos casos de feridos em 
que artérias jorram sangue, no parto ou em pacientes com múltiplos 
ferimentos e sangramento grave. 
Embora falemos, neste capítulo, em lesões causadas por instrumentos perfurocortantes 
e traumas, também podemos encontrar diferentes casos nos quais deveremos utilizar 
equipamentos e materiais adaptados e criados para emergências específicas, sejam 
afogamentos, queimaduras, intoxicações, entre outras. 
Ferimentos 
Feridas: lesões perturbadoras em qualquer tecido, sendo resultado de um 
trauma direto contra a pele. A pele é considerada o maior e mais superficial 
órgão do corpo humano, portanto, está mais exposta a receber ferimentos 
em comparação com outros órgãos do corpo. A perda de sua integridade 
constitui uma ameaça pelo risco de hemorragia (sangramento), infecção e 
trauma secundário. Pode ser, inclusive, um fator determinante para a vida. 
As feridas classificam-se em fechadas ou abertas. As fechadas são cau-
sadas por contusões diretamente sobre os tecidos, provocando internamente 
hematomas ou equimoses. Os hematomas são extravasamentos de sangue entre 
os tecidos (subcutâneo, fáscia, músculo e órgãos) com formação de coleção 
Montagem de caixa de primeiros socorros4
(aumento de volume) pela ruptura de vasos. Já a equimose é o extravasamento 
de sangue subcutânea sem formação de coleção. Essas feridas apresentam 
como característica a coloração roxa, preta e azulada. As feridas abertas 
são classificadas em escoriações, feridas incisivas, lacerações, avulsões e 
ferimentos perfurantes. A seguir, descreveremos brevemente cada uma dessas 
lesões e os procedimentos básicos a serem adotados.
Escoriações: consistem em esfoliação da epiderme ou das mucosas, não 
atingido as partes mais profundas. É produzida pelo atrito da pele em uma 
superfície áspera. As escoriações podem vir acompanhadas de sujeira (areia, 
pedriscos, graxa e resíduos do asfalto) e é importante realizar a higienização 
do local utilizando soro fisiológico ou água e sabão. A área afetada deve ser 
protegida com gaze estéril, fixada com bandagem elástica ou triangular.
Feridas incisivas ou cortantes: são feridas produzidas por material cortante, 
como facas, bisturis e estiletes. As bordas das feridas são características por 
se apresentarem lineares, sem traumas. Essas feridas podem provocar intenso 
sangramento, portanto, as bordas das feridas devem ser aproximadas e fixadas 
com curativos. Sua fixação pode ser feita com bandagem elástica ou triangular.
Lacerações: são lesões irregulares causadas por pressão ou tração na pele. 
Nessas situações, é importante controlar o sangramento utilizando métodos 
de pressão direta ou elevação do membro. Deve ser colocada uma gaze es-
terilizada no local e firmemente fixá-la com bandagem. Algumas situações 
mais graves exigirão imobilização dos membros, que poderão ser feitas com 
talas de madeira ou aramadas.
Avulsões/amputações: parte do corpo é cortada ou arrancada (como membros, 
dedos e orelhas). Nesses casos, você deverá controlar o sangramento e, em 
caso de retalhos na pele, você poderá recolocar, com cuidado, a pele no lugar, 
após realizar a limpeza, fixando-a com curativo. Em casos de amputações, 
é importante o controle do sangramento por compressão direta, elevação do 
membro e, em último caso, torniquete. O membro amputado deve ser levado 
junto com o paciente, sendo resfriado em saco plástico, nunca congelado.
Ferimentos perfurantes: são ferimentos causados por objetos pontiagudos e 
finos, capazes de perfurar a pele e os tecidos adjacentes. Podem ser causados 
por projéteis de arma de fogo. Nessas situações, as feridas de entrada e saída 
do projétil devem ser protegidas. Objetos pontiagudos que permanecem no 
5Montagem de caixa de primeiros socorros
corpo não devem ser retirados, mas sim fixados de maneira a não se moverem 
durante o transporte. Você pode fixar os objetos com bandagens ao entorno 
do objeto.
As feridas podem ser causadas por diferentes agentes mecânicos, sendo que 
apresentarão características distintas, dependendo do causador da moléstia. 
Observe o Quadro 1, que associa o agente mecânico ao tipo de ferida.
Fonte: Adaptado de Valente (1999, apud AGUIAR, 2004, p. 3).
Traumas Tipos Agentes 
Agentes 
mecânicos 
 � Perfurantes: objetos pontiagudos, 
capazes de perfurar a pele e outros 
tecidos.
 � Perfurocortantes: objetos 
pontiagudos que apresentam 
lâmina.
 � Cortantes: objetos afiados 
(também se enquadram aqui as 
armas brancas).
 � Contundentes: objetos que 
podem causar perfurações em 
razão da pressão causada pelo 
impacto, mas que não são afiados.
 � Perfurocontundentes: objetos 
capazes de perfurar os tecidos, 
mas que não apresentam lâmina.
 � Espinho, agulha, 
prego e estilete.
 � Punhal e sabre.
 � Faca, navalha e cacos 
de vidro.
 � Barra de ferro, pedra, 
madeira e martelo.
 � Projéteis de arma de 
fogo e estilhaços.
Quadro 1. Agente mecânico e tipo de ferida
As lesões perfurocortantes são conhecidas por sua alta relação com he-
morragias, já que uma de suas principais características é a profundidade do 
ferimento. 
As hemorragias externas podem ser classificadas em hemorragia arterial 
, venosa ou capilar . Na hemorragia arterial, o fluxo de sangue é vermelho 
vivo, feito em jatos, muitas vezes pulsando na mesma sintonia do batimento 
cardíaco. A perda de sangue e rápida e abundante. Na hemorragia venosa, 
a cor do sangue é vermelho escuro e o fluxo sanguíneo é constante. Já na 
hemorragia capilar, o fluxo de sangue é lento, como é visto em arranhões e 
cortes superficiais da pele. 
Montagem de caixa de primeiros socorros6
Uma hemorragia pode demorar entre seis e oito minutos até sua coagulação, mas, 
se persistir, pode levar ao aumento da frequência cardíaca e da perda de sangue, à 
diminuição da pressão arterial, à falha na circulaçãção e no coração e, finalmente, à 
parada cardíaca. 
Materiais básicos para lesões perfurocortantes 
Bandagem triangular: é utilizada de diferentes formas, tanto para os mem-
bros inferiores como para os membros superiores. Pode ser utilizado para 
imobilizações, diminuindo o sangramento e facilitando o transporte do ferido 
até o centro assistencial mais próximo. 
Ataduras: são utilizadas para fixação de curativos, imobilizações e enfai-
xamentos. Pode-se encontrar de algodão, poliéster, elastano, entre outros 
materiais. Na forma de utilização, deve ser justa, porém não apertada demais, 
a ponto de interferir na circulação sanguínea. Se ocorrer inchaço, manchas, 
sensação de frio, entorpecimento ou formigamento da área afetada, devem 
ser afrouxadas. 
Esparadrapo: é uma fita adesiva utilizada para fixação dos curativos. Desta-
cam-se os adesivos que são impermeáveis e transparentes, já que têm maior 
adesão sobre as bandagens. Também podem ajudar a imobilizar membros. 
Curativos: são um tipo de bandagem que pode ser coloca na ferida. Depen-
dendo do tamanho e da gravidade da ferida, são recomendados diferentes tipos 
de curativos. A principal função do curativo é atuar como barreira mecânica 
contra a entrada de bactérias e manter a umidade entre a ferida e o curativo, 
favorecendo a rápida epitelização, a diminuição da dor e a aceleração da des-
truição de tecidos necrosados. Além disso, serve para manter uma temperatura 
adequada, o que gera maior estímulo na divisão celular e, consequentemente, 
estimulará o processo de cicatrização. 
Gazes e compressas esterilizadas: sua principal função é absorver líquidos 
(sangue) ou secreções causadas pelo organismo. São produzidos com tecido 100% 
de algodão hidrófilo, altamente absorvente, branco, isento de amido, alvejantes 
7Montagemde caixa de primeiros socorros
ópticos, corantes, substâncias gordurosas ou quaisquer outros componentes que 
possam trazer riscos para a saúde do ferido. 
O controle de hemorragias é fundamental na maioria das situações que envolvem 
lesões perfurocortantes. Confira a ordem do atendimento para controle de hemorragias:
 � compressão direita;
 � curativo compressivo;
 � compressão direita e elevação;
 � compressão indireta;
 � torniquete.
Lesões musculoesqueléticas 
As lesões musculoesqueléticas são lesões que atingem o aparelho locomotor 
(formado pelo conjunto de ossos, articulações, ligamentos, músculos e nervos). 
A maior parte das lesões musculoesqueléticas é de origem ocupacional, como as 
lesões por esforço repetitivo (LER), como as dores lombares em trabalhadores 
de escritório ou tendinites em pessoas que digitam muito. 
As lesões musculoesqueléticas podem acontecer por três causas principais. 
Aplicação de força direita, a aplicação de força indireta e a força de rotação 
ou de entorse. A aplicação dessas forças são as causas principais das lesões 
musculoesqueléticas, assim que esses tipos de forças podem levar a diferentes 
tipos de traumas, provocando dor, edema e/ou deformidades. Portanto, nestes 
tópicos, falaremos especificamente dos danos ou das modificações ocasionadas 
nos ligamentos, nas articulações, no osso e nos músculos do organismo. 
Considera-se que os traumas causados pela aplicação de força direta possam 
desencadear diferentes tipos de lesões, como entorses, distensões, luxações e 
fraturas (abertas ou fechadas). 
Entorses: são lesões dos ligamentos de uma articulação, sem que haja o 
deslocamento da superfície articular. O tornozelo é a região mais afetada por 
entorses, mas pode se desenvolver na altura dos joelhos e arcos dos pés. É um 
tipo de trauma recorrente durante a prática de atividades físicas e esportes. 
Montagem de caixa de primeiros socorros8
Existem três tipos de entorses possíveis, e são classificados de acordo com 
a magnitude da lesão. Temos a entorse de grau 1, em que há o estiramento 
leve do ligamento; apresenta dor leve ou inexistente. Temos a entorse de grau 
2, em que há o rompimento de algumas fibras do ligamento, a área afetada 
apresenta dor e inflamação e o movimento é dificultado; frequentemente vem 
acompanhado de hematoma. Por fim, temos a entorse de grau 3, em que há o 
rompimento completo dos ligamentos, a área afetada se torna extremamente 
dolorida, inchada e apresenta hematoma. O tratamento das entorses varia 
conforme a gravidade do trauma, indo desde aplicações de crioterapia (bolsas 
de gelo) e anti-inflamatórios para entorses de grau 1 e 2, como processos 
cirúrgicos para entorses de grau 3.
Distensão: são lesões que acometem a junção entre o músculo (parte vermelha) 
e o tendão de um músculo. As causas da distensão muscular incluem o esforço 
excessivo para realizar um gesto motor, como uma corrida durante um jogo 
de futebol. Por isso, esse tipo de lesão é mais frequente entre esportistas. Os 
músculos posteriores da coxa e da panturrilha costumam ser os músculos 
mais afetados, porém, distensões podem ocorrer em outros músculos do corpo 
submetidos à força excessiva. As distensões também são classificadas em três 
graus, sendo que cada grau representa um nível diferente de comprometimento 
da estrutura musculotendínea. As distensões de grau 1 apresentam estiramento 
das fibras sem que haja ruptura destas. A distensão de grau 2 apresenta lacera-
ção do músculo ou do tendão e existe a presença de dor, acompanhada ou não 
de inflamação e hematoma. Por fim, a distensão de grau 3 apresenta ruptura 
total do complexo musculotendíneo e há dor intensa, hematoma, inchaço e 
calor na região afetada. É importante, em situações nas quais esse tipo de 
lesão esteja presente, o cuidado na manipulação do paciente, pois poderá ser 
agravada a situação. A imobilização do membro pode ser necessária para o 
deslocamento até o hospital mais próximo. A aplicação de bolsas de gelo é 
recomendada para diminuir o processo inflamatório e a dor.
Luxações: é o deslocamento do osso de uma articulação para uma posição 
anormal, a luxação pode acontecer praticamente em qualquer articulação do 
corpo humano, porém, alguns locais são mais afetados, como as articulações 
do ombro, nos dedos da mão e do pé e no tornozelo. As luxações podem ser 
facilmente identificadas, uma vez que o deslocamento do osso dentro da ar-
ticulação gera danos aos ligamentos e à cápsula articular, o que é seguido de 
grande inflamação e dor no local. Para tratar esse tipo de lesão, é importante 
9Montagem de caixa de primeiros socorros
a aplicação de gelo para diminuição da inflamação e da dor. O osso deverá 
ser recolocado no lugar por um especialista, no caso, um médico ortopedista.
Fraturas: são traumas que acometem o tecido ósseo. São lesões extremamente 
dolorosas e podem ser classificadas em abertas e fechada. Fraturas abertas 
caracterizam-se principalmente por fraturas ósseas que levam ao rompimento 
da pele, ocasionando possíveis hemorragias. São situações graves, uma vez 
que o ambiente externo do corpo foi exposto, o que facilita o quadro para 
infecções. Nessas situações, você deve ter especial atenção e não recolocar 
o osso “no lugar”, mas sim imobilizar o membro, conter o sangramento e 
transportar a vítima para um hospital. Já nas fraturas fechadas, que são mais 
comuns, não há rompimento da pele e, em geral, são de menor emergência que 
as fraturas abertas. No entanto, os danos aos ossos podem ser grandes e pode 
haver hemorragia interna por rompimento de artérias. Também são situações 
que irão exigir a devida imobilização antes do transporte do paciente.
Para entender melhor o conteúdo, observe o Quadro 2.
Lesão Local danificado 
Entorse Ligamento 
Distensão Músculo
Luxação Articulação 
Fratura Osso 
Quadro 2. Lesão e local danificado
Equipamentos básicos para lesões musculoesqueléticas 
Talas infláveis: são talas de material plástico, destinadas à imobilização de 
membros superiores e inferiores. São colocadas e infladas pelo socorrista, 
soprando na válvula existente.
Talas maleáveis: são talas de material sintético (talafix) ou de papelão, acol-
choadas, que permitem ser moldadas para realizar uma imobilização adequada 
Montagem de caixa de primeiros socorros10
Tração de fêmur: são equipamentos portáteis, utilizados para a fixação total 
do membro inferior, especialmente nos casos de fraturas de fêmur. Constru-
ídos em alumínio e aço inox, com regulagem de comprimento, dispondo de 
apoios de borracha ou espuma e cintas elásticas que permitam a fixação do 
membro inferior.
Colete de imobilização dorsal: destinado à imobilização da coluna cervical, 
torácica e lombar superior de vítimas acidentadas. É um colete de nylon, 
ajustável ao tronco da vítima e fixado por meio de tiras de nylon, além de duas 
tiras para fixação dos membros inferiores; tem almofada para cabeça, fixada 
por duas tiras de espuma e velcro; é radiotransparente, com estrutura interna 
composta por tiras de madeira
Colar cervical: é um dispositivo que permite a imobilização da coluna cervical, 
principalmente os movimentos axiais. Um bom colar deve ter um desenho 
assimétrico, ser dobrável e plano, com janela extra grande para acesso à região 
cervical anterior (pulso carotídeo e acesso cirúrgico de via aérea superior), 
fornecer uma perfeita adaptação à cabeça e ao ombro da vítima, confeccionado 
em polietileno, ser radiotransparente, com enchimento de espuma em todas as 
fases de contato com a pele da vítima, e ser dotado de apoio para mandíbula. 
Imobilizador lateral de cabeça: são dispositivos colocados em tábuas de 
imobilização, ajudantes do colar cervical na imobilização da cabeça, cons-
tituídos de espuma rígida, revestidos com material impermeável e lavável e 
radiotransparente. 
Tábuas de imobilização (prancha longa): permitem a imobilização de toda 
a vítima deitada. São construídas em PVC ou compensado naval de cedro ou 
pinho de 25 mm de espessura.Devem ter orifícios laterais para a fixação de 
cintos de segurança e para permitir o posicionamento das mãos do socorrista 
e devem ser impermeabilizadas com material resistente. 
Cintos de fixação: são cintos nylon, flexíveis e resistentes, com aproximada-
mente 5 cm de largura e 1,8 m de comprimento, com fivela e nylon resistente 
para fixar a vítima na tábua de imobilização. 
Bandagem triangular: material para imobilizações provisórias ou fixação de 
curativos. É feita em tecido de algodão cru em forma de triângulo-retângulo, 
90 cm de lado.
11Montagem de caixa de primeiros socorros
Em um jogo de futebol, dois jogadores caem na metade do campo, sendo que um 
deles recebeu um impacto na perna direita, gerando uma deformidade imediata no 
tornozelo, principalmente no malévolo lateral. O esportista não consegue caminhar 
e expressa muita dor. O jogador apresenta aumento da temperatura e do volume e 
indica que não pode mexer a perna. 
Imediatamente chega o socorrista com suas respectivos materiais e equipamentos 
e realiza uma imobilização do membro inferior direito. A imobilização é feita com talas 
maleáveis, infláveis e cintos de fixação. O ferido é colocado na prancha longa para ser 
transportado ao pronto-socorro mais próximo.
Neste capítulo, foram apresentados os materiais que são indispensáveis 
para compor uma caixa de primeiros socorros. Lembre-se de que cada situação 
exigirá uma atuação diferente e materiais diferentes, como no atendimento 
a um paciente que apresente uma hemorragia, em que será importante o uso 
de equipamento de proteção individual, compressas de gaze e a técnica de 
compressão para estancar o sangramento. Já em uma situação que apresente 
uma fratura, sua atuação fica voltada para a imobilização, utilizando talas ou 
bandagens para a fixação ou tábuas de imobilização. Por isso, é importante 
que você monte sua caixa de primeiros socorros baseando-se nos possíveis 
acidentes que seu local de atuação pode proporcionar. Mantenha-se sempre 
atualizado também sobre a melhor técnica que deverá ser empregada.
AGUIAR, A. S. W. et al. Atendimento emergencial do paciente portador de traumatismos 
de face. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 17, n. 1, p. 37-43, 2004. Disponível em: 
<http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=40817208>. Acesso em: 19 jul. 2018.
BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupa-
cional. Brasília, DF, 1994. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/
SST/NR/NR7.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2018.
VALENTE, C. Emergências em bucomaxilofacial: clínicas, cirúrgicas e traumatológicas. 
Rio de Janeiro: Revinter, 1999.
Montagem de caixa de primeiros socorros12
Leituras recomendadas
BORBA, C. E. Como agir em situações de emergência. Disponível em: <http://biblioteca.
cbm.sc.gov.br/biblioteca/dmdocuments/CFSd_2011_2_BORBA.pdf>. Acesso em: 19 
jul. 2018.
OLIVEIRA, B. F. M.; PAROLIN, M. K. F.; TEIXEIRA JUNIOR, E. V. Trauma: atendimento pré-
-hospitalar. 3. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2014.
SANTOS, V. S. Fraturas. c2018. Disponível em: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.
br/saude-bem-estar/fraturas.htm>. Acesso em: 19 jul. 2018.
13Montagem de caixa de primeiros socorros
PORFÓLIO
As caixas de primeiros socorros prestam auxílio fundamental e devem ser disponibilizadas 
em locais de fácil identificação. 
Alguns materiais, por mais simples que possam parecer, em situações de urgência viram 
itens imprescindíveis e podem representar até mesmo a diferença entre a vida e a morte de 
uma pessoa.
Pesquise e descreva quais materiais são indispensáveis na composição de caixas de 
primeiro socorros. 
PESQUISA
O que uma escola precisa ter no seu Kit de Primeiros Socorros
https://diarioescola.com.br/kit-de-primeiros-socorros/
Neste link, você terá acesso a um artigo do Diário Escola, que discute os itens prioritários 
que devem existir dentro de um kit de primeiros socorros para o atendimento primário no 
ambiente escolar. O artigo ainda recomenda alguns outros cuidados a serem tomados pelo 
professor enquanto realiza os procedimentos.

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