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1ª Edição | 2023
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA EDITORA
CIP - Brasil
Oliveira, Arthur Henrique de
 UM OLHAR FRIO SOBRE UM TEMA QUENTE: 
HISTÓRIA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS ANTRÓPICAS
 Arthur Henrique de Oliveira
 Ler & Saber | Barra Bonita - SP | 2023
 317 páginas | 14 X 21 cm.
 ISBN 978-85-67840-45-1
 1. Estudo 2. Clima
UM OLHAR FRIO SOBRE UM TEMA QUENTE: 
HISTÓRIA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS ANTRÓPICAS
Copyright © 2023 by Arthur Henrique de Oliveira
1ª. Edição | Dezembro
TODOS OS DIREITOS DESTA OBRA RESERVADOS AO AUTOR
Produção e Impressão:
Ler & Saber Gráfica e Editora
CNPJ: 52.950.654/0001-80
Rua José Francisco Correia, 377
Jd. Nova Barra | Barra Bonita - SP | Brasil
17.342-323
14 - 99869 1701
Impresso no Brasil
Diagramação: Espírito Digital
Selo Editorial: Ler & Saber
Capa: Espírito Digital
Apresentação......................................................................5
1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS ANTRÓPICAS: BREVE 
HISTÓRICO....................................................................19
1.1 Determinismo Climático..........................................27
1.2 Indissociabilidade entre clima e sociedades..........30
1.3 A hipótese do CO2 controlar o clima.....................45
2 RESFRIAMENTO OU AQUECIMENTO GLOBAL? 
...........................................................................................57
2.1 Nova Refutação do Efeito Estufa.............................76
2.2 Painel Não-Governamental sobre Mudanças 
Climáticas (NIPCC)........................................................77
3 O IPCC E A CONSTRUÇÃO DO CONSENSO 
CIENTÍFICO...................................................................81
3.1 Os Grupos de Trabalho (GT)..................................88
3.2 IPCC: O “Big Player” na arena da ciência do clima 
.........................................................................................106
ÍNDICE
4 A FALÁCIA DO CONSENSO CIENTÍFICO.........133
4.1 O consenso científico na História da Ciência......138
4.1.1 Origem da ideia de consenso..............................148
5 TEMPERATURA, CLIMA, TEMPO GEOLÓGICO 
E CO2 ............................................................................191
5.1 História dos dados climáticos................................204
6 ECOANSIEDADE: MEDO CRÔNICO DA 
CATÁSTROFE CLIMÁTICA....................................207
6.1 Alguns fenômenos oceânicos-atmosféricos.......214
6.2 Mídia e desinformação...........................................222
6.3 As secas ao longo da história.................................239
6.4 Catástrofes climática na Antártica........................246
6.5 Urso polar: símbolo do aquecimento global......253
6.6 Eventos climáticos extremos e os modeladores..262
7 A INSUSTENTABILIDADE DO CAPITALISMO 
VERDE ...........................................................................273
7.1 O crescente aumento da demanda por minerais 
.........................................................................................289
7.2 A guerra na Ucrânia e a crise energética..............296
7.3 A transição para os veículos elétricos...................306
5
APRESENTAÇÃO
Não, este autor não é um “negacionista” na 
acepção atual da palavra. Muito pelo contrário, é um 
árduo defensor na ciência. Sou um cético nato que 
gosta de questionar as coisas e investigar. Entender 
as divergências entre pontos de vistas opostos 
me ajuda a entender melhor as coisas, portanto, 
é muito difícil ver os céticos pintados de forma 
tão negativa em grande parte da discussão sobre 
o clima. “Negador do clima” e “cético do clima” 
são termos usados de maneiras intercambiáveis, 
sugerindo que é uma má ideia questionar a ciência 
climática estabelecida principalmente quando 
circula na grande mídia ao redor do globo a ideia 
de um consenso esmagador que afirma que 97% 
dos cientistas do planeta concordam que 100% do 
aquecimento global (cerca de 1º C) registrado nos 
últimos 150 anos é fruto da ação humana. 
 Contudo, quando se escrutina a verdade 
por traz dessa construção alegórica e midiática, 
quando se alcança os bastidores nos quais essas 
pesquisas foram desenvolvidas o resultado é 
alarmante e desolador: assemelha-se aos trabalhos 
realizados por estudantes do ensino médio na 
página do Google. É importante ressaltar que a 
atividade científica não deve estar pautada em 
opiniões, mas em evidências, portanto, não restam 
6
dúvidas de que os termômetros globais subiram 
nos últimos 150 anos e que a interferência humana 
influenciou nesse aquecimento, porém, a grande 
discussão na ciência climática que se mantém viva 
é: quanto desse percentual pode ser atribuído às 
ações antrópicas e quanto pode ser atribuído aos 
fenômenos naturais. 
 A ciência do clima está definida como 
muitos afirmam? É a única Ciência estabelecida 
que se encontra blindada contra o escrutínio da 
dúvida e da incerteza? 
É possível que a História da Ciência 
forneça algum tipo de lógica para que este tipo 
de raciocínio, baseado no dogma da autoridade 
científica, tenha algum tipo de sustentação?
A mudança climática representa 
obviamente sérios perigos para toda biosfera, 
contudo, o perigo mais urgente é a “desinformação” 
e a ascensão do chamado “climatismo”, fenômeno 
que relaciona qualquer evento meteorológico 
usual do dia-a-dia e, que se repete naturalmente a 
centenas de anos, como se fosse um algo vinculado 
à mudança no clima. A mudança climática 
deixou de ser um fenômeno predominantemente 
físico para se tornar um fenômeno social, nesta 
perspectiva, o “climatismo” se consolidou nas 
últimas décadas tornando-se tão difundido e 
incorporado no cotidiano que é cada vez mais difícil 
questioná-lo sem ser chamado pejorativamente 
de “negacionista”. Tal visão, perigosamente 
míope, reduz a condição do planeta ao destino da 
temperatura global ou da concentração atmosférica 
de dióxido de carbono (CO
2
). 
7
 Todo fenômeno tem raízes históricas, 
portanto, com as mudanças climáticas não 
poderia ser diferente. É preciso, pois conhecer o 
panorama no qual uma simples e despretensiosa 
hipótese depois de percorrer quase um século de 
história se tornou uma unanimidade dentro e fora 
da comunidade científica mundial: o efeito estufa 
antropogênico.
Muitos pesquisadores atribuem a 
“descoberta” do chamado efeito estufa ao 
matemático e físico francês Jean-Baptiste Joseph 
Fourier (1768-1830) que trabalhou na teoria 
matemática da condução de calor, porém, isso não 
é verdade. O estudioso francês nunca utilizou o 
termo “serre” (estufa) em suas pesquisas. Fourier, 
na verdade, estabeleceu que apenas três fatores 
controlariam as temperaturas do planeta: o calor 
do sol, o calor interno da Terra e o calor emanado 
da luz das estrelas (a temperatura do espaço) não 
citou, portanto, o “efeito estufa”. 
O mais próximo que Fourier esteve 
do efeito estufa foi comparar a atmosfera 
ao funcionamento de um “coletor solar” ou 
heliotermômetro, instrumento construído e usado, 
em 1760), por Horace-Bénedict De Saussure 
(1740-1799), naturalista, geólogo e alpinista 
suíço, que conduziu uma série de experimentos 
nos Alpes. O instrumento era formado por uma 
caixa de madeira pintada de preto por dentro com 
as paredes internas revestidas com lã e cortiça, 
no interior havia um termômetro e em cima da 
caixa uma tampa feita com vidros transparentes. 
O equipamento se popularizou quando as pessoas 
8
passaram a utilizá-lo para aquecer e cozinhar 
alimentos.
Desde o século XVIII, com o início da 
Revolução Industrial, diz-se que a intensificação do 
consumo de combustíveis fósseis teria aumentado 
as concentrações de CO
2 
na atmosfera elevando 
também as temperaturas. Sabe-se que as medições 
de carbono na atmosfera não estavam disponíveis 
antes de 1958 em Mauna Loa nem pela National 
Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) 
nos EUA, portanto, o carbono fóssil antropogênico 
e o carbono fóssil não-antropogênico nunca foram 
estimados pela NOAA em seus observatórios ou 
em qualquer outrolugar e, mesmo diante da falta 
de informações a literatura científica, de maneira 
geral, afirma que todo ou a maior parte do aumento 
de CO
2 
desde 1800 foi devido ao componente fóssil 
antropogênico. 
Alguns pesquisadores, no entanto, na 
contramão da culpabilidade do homem pelo 
despejo excessivo de carbono na atmosfera a 
partir da Revolução Industrial, afirmam que o 
clima há cerca de 10.000 anos estava relativamente 
mais frio e com tendência de resfriamento se não 
tivesse ocorrido um incremento substancial na 
atmosfera de gases do efeito estufa (GEE) pelos 
nossos ancestrais do neolítico. Antigas civilizações 
(Mesopotâmia, Babilônia, Assíria, Pérsia, Egito, 
entre outras) também teriam influenciado no 
aumento das temperaturas ao desmatar sem parar 
as florestas e praticar excessivamente a agricultura. 
Nessa perspectiva, o chamado “Antropoceno”, 
conceito popularizado, em 2000, pelo químico 
9
holandês Paul Crutzen (1933- 2021), vencedor 
do Prêmio Nobel de Química em 1995, para 
designar uma nova época geológica caracterizada 
pelo impacto do homem na Terra, teria iniciado 
há muito tempo atrás e não a partir de meados do 
século XIX.
A história do Homo sapiens sobre a terra 
segue analogamente a história da natureza com 
uma regra básica: alterações climáticas constantes. 
A estabilidade climática ocorreu nos últimos 
12.000 anos somente em curtos intervalos de 
tempo. As últimas grandes oscilações ocorreram 
durante o último milênio com o “Ótimo Climático” 
ou Período Quente Medieval (PQM) que ocorreu 
entre os 1000 e 1300 e a Pequena Idade do Gelo 
(PIG), período de clima relativamente frio que 
afetou a Europa e a América do Norte, entre 1300 e 
1850 – há também registros documentados de altas 
e baixas temperaturas na China, o que evidencia 
que o PQM e a PIG foram fenômenos climáticos 
globais e não locais. 
A escassez e o esgotamento dos recursos 
naturais, superpopulação, fome, miséria, migração 
climática, elevação do nível do mar, o problema 
da camada de ozônio, desertificação, aumento 
na intensidade de furacões no Atlântico Norte, 
o derretimento dos polos, etc. são eventos que 
começaram a ser alardeados desde meados da 
década de 1960 o que tornou a possibilidade 
de colapso e destruição total do planeta algo 
facilmente imaginável. A partir daí o Capitalismo 
se transvestiu de “verde”, “eco” ou “Green New 
Deal” e tornou-se consenso evidente diante da 
10
presunção da catástrofe climática anunciada. 
Margaret Thatcher (1925-2013) ex-primeira-
ministra britânica por dois mandatos consecutivos 
(1979-1990), foi uma das primeiras figuras da 
política internacional a trazer a mudança climática 
como uma emergência global, chegou a levar 
o assunto para a Royal Society, em 1988, e para 
a Assembleia Geral das Nações Unidas no ano 
seguinte. Surpreendentemente, afirmava em seus 
discursos que o “livre mercado inviabilizaria seu 
próprio objetivo se ocasionasse danos ao meio 
ambiente e a qualidade de vida das pessoas”. 
Quem diria que o capitalismo poderia oferecer 
um bom “antropoceno”! Al Gore, afirmou que 
a sustentabilidade é a maior oportunidade de 
investimento da história. Seu ativismo sobre 
mudanças climáticas lhe rendeu um Prêmio Nobel 
da Paz (concedido em conjunto com o Painel 
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas-
IPCC), em 2007. O documentário “Uma 
Verdade Inconveniente” abocanhou também 
duas estatuetas (Oscar) e um Grammy. Em 2011, 
Gore publicou o “Manifesto para o Capitalismo 
Sustentável” no qual defende um novo modelo 
econômico para a economia mundial. A ideia 
é inspirada no conceito de Desenvolvimento 
Sustentável (DS) que quando surgiu na década de 
1980 teve a proeza de agradar capitalistas e grande 
parte do movimento ambientalista, diferentemente 
do conceito de “Ecodesenvolvimento” proposto 
na década de 1970 pelo economista polonês 
naturalizado francês Ignacy Sachs.
Para dar vida ao manifesto Al Gore fundou 
junto com David Blood, ex-CEO da Goldman 
11
Sachs Asset Management, a Generation Investment 
Management, empresa de administração de fundos 
com sede em Londres para acelerar a expansão do 
capitalismo sustentável. A Generation comprou 
9,6% de participação da Camco International, 
empresa que desenvolve projetos de redução de 
emissões de gases de efeito estufa (GEE) e também 
fornece serviços de consultoria em carbono e 
desenvolvimento sustentável, incluindo avaliação 
de emissões, gestão de carbono e trabalho de 
estratégia e política para empresas e governos. 
Entre os clientes da Camco estão o Banco Mundial 
e a Comissão Europeia.
 Desde a crise financeira iniciada nos 
EUA, em 2008, que levou a quebradeira geral 
de empresas e empurrou as economias do globo 
para a recessão, foi acessa a luz vermelha para o 
Capitalismo. “O Capitalismo corre o risco de 
desmoronar, precisamos ser mais agressivos”. 
“Investimento verde gera retorno e não apenas 
brilho clamoroso” alertou Al Gore e David Blood 
em artigo do Financial Times de julho de 2017, que 
soou mais como um manifesto sobre a necessidade 
de salvar o sistema capitalista do que um apelo à 
razão para se evitar a “catástrofe climática”. Nesse 
contexto, surge a tábua de salvação chamada 
“riqueza climática” que se tornou uma das maiores 
oportunidades de investimentos da história.
 Greta Thunberg converteu-se em uma 
peça midiática importante para a propaganda do 
Green New Deal: a narrativa da garotinha solitária 
indignada com a inação dos países ricos em decretar 
o fim dos combustíveis fósseis é a superfície 
12
publicitária ideal pela qual passa o Capitalismo, que 
através da monetização da natureza proporcionada 
pela “crise climática” encontra novos mercados 
para se expandir. Porém, o mundo ainda não está 
preparado para abolir completamente o petróleo, 
apesar dos esforços dos EUA, Canada, Austrália 
e União Europeia. A transição para a completa 
“descarbonização” não está ocorrendo de maneira 
tão rápida, eficiente e suficiente para a substituição 
dos combustíveis fósseis por energia renovável. 
O mais engraçado é que a energia de baixo 
carbono não nasce em árvores, sua produção exige 
mineração, uso de combustíveis fósseis, derrubada 
de florestas, além de diversos impactos ambientais, 
porém, o mito da energia limpa se mantém vivo no 
imaginário popular e na grande mídia.
Pouco se fala sobre a atuação de milicianos, 
do trabalho escravo e da exploração da mão-de-
obra infantil na extração do cobalto, que é um 
componente essencial para a fabricação de baterias 
recarregáveis de íon-lítio usadas em smartphones, 
tablets, laptops e veículos elétricos, na República 
Democrática do Congo, que detém cerca de 75% 
do suprimento mundial de cobalto1.
O processo de obtenção dos Elementos 
Terras Raras (ETRs) requer a extração de minérios 
sólidos, geralmente após a remoção de grandes 
quantidades de rochas. Em seguida, o minério 
deve ser processado, criando uma enorme 
1 Kara, Siddharth. Cobalt Red: How the Blood of the Congo 
Powers Our Lives. New York: ST Martin’s Press, 2023.
13
quantidade de resíduos. A purificação de uma 
única tonelada de terras raras requer o uso de 
centenas de metros cúbicos de água, que então 
fica completamente poluída com ácidos e metais 
pesados. Como os metais raros se tornaram cada 
vez mais onipresentes em tecnologias verdes e 
digitais, o lodo extremamente tóxico produzido no 
processo leva a contaminação de cursos de água, 
lençol freático, solo e a atmosfera com os gases 
liberados pelas chamas dos altos-fornos. Portanto, 
de limpas, as tecnologias verdes, nada tem.
Entre as tecnologias futuras que 
impulsionarão a corrida para a produção das 
“energias limpas”, há uma conexão química 
fundamental: todos esses elementos fazem parte 
do grupo dos 17 “Terras Raras” - os 15 lantanídeos 
da Tabela Periódica, do Lantânio (La) ao Lutécio 
(Lu), além do Escândio (Sc) e do Ítrio (Y)2. O s 
ETRs formam três subgrupos de acordo com o grau 
de densidade: Elementos Leves (La, Ce, Pr, Nd, 
Pm), Elementos Médios(Sm, Eu, Gd) e Elementos 
Pesados (Tb, Dy, Ho, Er, Tm, Yb, Lu, Y, Sc). As 
células solares usam Disprósio (Dy), Neodímio 
(Nd), e Térbio (Te) para converter a luz solar em 
energia de forma eficiente. Diodos emissores de 
luz dependem de Európio (Eu) e Disprósio para 
sua luminescência. Neodímio e Samário (Sm) 
são ingredientes dos poderosos ímãs usados em 
turbinas eólicas e motores elétricos. 
2 Geng, Yong; Sarkis, Joseph; Bleischwitz, Raimund. How 
to build a circular economy for rare-earth elements. Nature 
Vol. 619 pp. 248-251 - 13 July 2023.
14
Os parques eólicos, um dos tipos “mais 
ecológicos de energia” que muitos consideram um 
componente essencial na luta contra a mudança 
climática, representa atualmente um dilema: estão 
impactando negativamente a vida selvagem em 
todo mundo com a morte de pássaros, mamíferos 
marinhos e morcegos acarretando sérias 
implicações ecológicas como desequilíbrios nas 
cadeias alimentares dos ecossistemas. Os parques 
eólicos offshore - uma das mais caras entre todas 
as formas de geração - não ficam de fora, pois 
apesar de não haver ainda estudos conclusivos, 
tem ocorrido um número razoável de mortes de 
baleia por encalhe em algumas regiões dos EUA 
próximas a esses parques.
A obsessão por tecnologias Net Zero 
desencadeou um boom na mineração, um dos 
empreendimentos que mais causam impactos no 
ambiente no mundo e transformou o processo 
de extração em “mineração verde”. Quanto mais 
veículos elétricos nas estradas, mais energia é 
necessária para carregá-los, o que implica na 
necessidade de se construir mais turbinas eólicas, 
painéis solares e baterias. É uma equação que 
fica completamente fora de controle devido ao 
gigantesco volume de minerais necessários para 
suprir à demanda.
 A demanda por ETRs está crescendo muito 
rápido. São necessários cerca de 170 quilos desses 
elementos químicos para se gerar um megawatt 
que é o suficiente para abastecer cerca de 900 
residências. Prevê-se que a demanda global desses 
elementos aumente cerca de 5 vezes, de cerca de 
15
60.000 toneladas, em 2005, para 315.000 toneladas 
em 2030. No entanto, sua disponibilidade é 
limitada, apenas China, EUA e Rússia controlam 
56% das reservas globais desses minerais e 76% 
de sua produção. Por mais de uma década, a 
geopolítica, as consequências da pandemia 
de COVID-19 e agora a guerra entre Rússia e 
Ucrânia interromperam as cadeias de suprimentos 
globais e tornaram os preços voláteis. Entre 2020 
e 2021, alguns desses metais tiveram seus preços 
triplicados ou quintuplicados após um período 
de relativa estabilidade3. 
 
 As indústrias verdes da Europa e EUA já 
enfrentam escassez desses materiais cruciais. Para 
driblar essa situação a montadora de veículos 
alemã Volkswagem, por exemplo, está investindo 
em mineração para reduzir o custo de produção de 
baterias para veículos elétricos4. 
A disputa por mais mercado levou o 
Departamento de Defesa dos EUA a conceder um 
contrato de 35 milhões de dólares à MP Materials 
Corporation para processar ETRs. Em janeiro de 
2023, a mineradora estatal sueca LKAB anunciou 
que havia encontrado um vasto depósito de ETRs, 
3 Ibidem
4 Kalmowitz, Andy. VW Wants to Become a Mining 
Company for EV Battery Materials. Disponível em: 
https://jalopnik.com/volkswagen-battery-mining-ev-
materials-1850236848. March 17, 2023. Acesso em 10 Jul. 
2023.
16
que atualmente é o maior da Europa5. Outro 
problema complicado é que a cadeia de produção 
desses minerais consome grandes quantidades de 
energia e água e libera poluentes e emissões de 
carbono. O refino de apenas um quilograma gera 
de 40 a 110 quilos de dióxido de carbono (CO
2
). O 
processamento de uma tonelada de óxido de ETRs 
pode produzir cerca de 1,4 toneladas de resíduos 
radioativos, 2.000 toneladas de resíduos e 1.000 
toneladas de águas residuais contendo metais 
pesados6. 
Como os veículos a combustão interna 
estão com os dias contados nos países ricos, já existe 
data inclusive para o banimento nas respectivas 
legislações, os países emergentes serão obrigados 
a pagar a conta pelo excesso de CO
2 
lançado na 
atmosfera. A chamada “financeirização” das 
renováveis (energias solares, eólicas e outras 
tecnologias) impactará negativamente na 
economia, principalmente dos países emergentes. 
A ideia central da economia verde, “diante de um 
planeta em vias de destruição”, é propor soluções 
que sejam mantidas dentro dos limites do mesmo 
sistema econômico que devastou os elementos 
naturais por séculos. 
5 LKAB. Europe’s largest deposit of rare earth elements 
now 25% larger – today marks the first step in critical 
review. June 12, 2023. https://lkab.com/en/press/europes-
largest-deposit-of-rare-earth-elements-now-25-percent-
larger-today-marks-the-first-step-in-critical-review/. Acesso 
em: 10 Jul. 2023.
6 Geng, Y.; Sarkis, J. Bleischwitz, R. How to build a circular 
economy for rare-earth elements, 2023.
17
O Painel Intergovernamental sobre 
Mudanças Climáticas (IPCC), grande jogador 
constituído pela Organização das Nações Unidas 
(ONU) para atuar na esfera global das discussões 
sobre a mudança climática tem se dedicado a 
parcela das mudanças climáticas atribuíveis 
somente às ações antrópicas, apesar do sistema 
climático ser extremamente complexo e não ser 
possível fazer uma distinção tão clara e óbvia entre 
o que é natural e o que humano. E, apesar dos 
relatórios elaborados pelos Grupos de Trabalhos 
não estarem isentos daquilo que se atribui o nome 
de “incertezas”, o Resumo para Formuladores de 
Políticas retira deliberadamente quaisquer tipos 
de “incertezas”, e isso é captado diretamente pelos 
demagogos climáticos e pela grande mídia. 
 
18
19
1 
MUDANÇAS CLIMÁTICAS 
ANTRÓPICAS: BREVE 
HISTÓRICO
 O clima do planeta Terra está sempre em 
constante transformação, isso vem ocorrendo há 
bilhões de anos e a ascensão das temperaturas 
globais vem ocorrendo desde o fim da última Era 
Glacial, quando uma enorme parte do hemisfério 
norte esteve sob uma camada de gelo com mais de 
um quilômetro de espessura e o nível dos oceanos 
era inferior ao atual. Sabe-se atualmente que entre 
as principais causas conhecidas das mudanças 
climáticas estão a intensidade da atividade solar; 
o campo geomagnético, a cobertura de nuvens; 
os raios cósmicos; o vulcanismo; o feedback entre 
a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre; 
as alterações da órbita terrestre e os gases do 
efeito estufa. No entanto, a atenção mundial gira 
muito mais em torno dos gases do efeito estufa, 
especialmente o CO
2
, ou seja, dentre todos esses 
fatores somente uma hipótese ganhou consistência 
e tornou-se uma unanimidade dentro e fora dos 
meios acadêmicos nas últimas décadas do século 
XX.
 Para alguns pesquisadores a hipótese do 
CO
2
 de origem humana interferir nas temperaturas 
e desequilibrar o clima remonta ao final do século 
XIX e está ancorada nas premissas estabelecidas por 
diversos pesquisadores como o físico e matemático 
20
francês Jean Baptiste Joseph Fourier (1768-1830) e 
o químico sueco Svante August Arrhenius (1859-
1927). Fourie é apontado como o “precursor” da 
descoberta do efeito estufa e Arrhenius o “pai” 
da teoria do efeito estufa antropogênico, por isso, 
embora tenhamos a impressão de que os debates em 
torno da hipótese do aquecimento global pareçam 
uma novidade, o interesse e as considerações sobre 
as alterações climáticas induzidas pelas atividades 
humanas certamente não o são, constituindo-
se uma difícil tarefa precisar a origem dessa 
discussão. Da antiguidade grega passando pelos 
Estados Unidos e pela Europa dos séculos XVII e 
XVIII, até alcançar os dias atuais o tema vem sendo 
alvo de debates. Como o tema não tem recebido a 
atenção adequada, um dos objetivos desse livro, é 
justamente resgatar a sua origem histórica e buscar 
subsídios para entender como a tal hipótese foi se 
consolidando paulatinamente no decorrer dos 
últimos cem anos até atingir o status atual de 
“verdadecientífica” incontestável.
 As possíveis alterações climáticas causadas 
pela ação humana já foram no passado objeto de 
intensos debates. O filósofo, abade e matemático 
francês Jean-Baptiste Du Bos (1670-1742), no livro 
Réflexions critiques sur la poësie et sur la peinture 
(1719) afirmava que o clima europeu e americano 
havia se tornado mais ameno em decorrência 
das derrubadas das florestas para a expansão da 
agricultura.
 Outros pensadores como o Barão de 
Montesquieu (1689-1755) e David Hume (1771-
1776) também acreditavam que as mudanças 
21
climáticas que estavam em curso na Europa e 
América do Norte tinham como causa a derrubada 
das florestas para a agricultura:
Assumindo, portanto, que esta afirmação 
[de Du Bos] esteja correta, de que a Europa 
está se tornando mais quente do que antes, 
como podemos considerá-la? Basicamente 
por nenhuma outra maneira que não 
supor que a terra no presente é muito 
melhor cultivada, e que os bosques foram 
retirados, os quais antigamente lançavam 
uma sombra sobre a terra e impediam os 
raios solares de penetrarem nela. Nossas 
colônias do norte da América tornaram-se 
mais temperadas, na proporção em que os 
bosques foram derrubados, mas em geral, 
cada um pode observar que o frio ainda 
é muito mais severamente sentido, tanto 
na América do Norte e do Sul, do que em 
lugares sob a mesma latitude na Europa1 
(Hume, 1742, pp. 210-211 – tradução 
livre).
David Hume no ensaio Of the populousness 
of ancient nations (1742) escreveu que no passado 
as temperaturas eram tão baixas no Mediterrâneo 
e na Europa que o Rio Tibre em Roma permanecia 
congelado durante o inverno. Ainda nesse 
ensaio, Hume faz referências aos escritos de 
Diodorus Siculus de que a região da Gália possuía 
1 Hume, David. Of the Populousness of Ancient Nations. 
Essays: Moral, Political and Literary. London: T. H. Green 
and T. H. Grose, 1742 [1875]. pp. 210-211.
22
temperaturas extremamente baixas no passado; 
que a Gália, segundo Aristóteles, era tão fria no 
passado que nem mesmo um asno conseguiria 
suportar o seu clima; que a região da Arcádia 
(atualmente Grécia), segundo Polybius, era muito 
fria e o ar extremamente úmido; a Itália, segundo 
Varro, tinha o clima mais temperado da Europa e 
que o norte da Espanha, de acordo com Strabo, era 
praticamente inabitável por causa do frio. 
 
 Em 1771, Hugh Williamson (1735–1819) 
professor do Harvard College escreveu: 
É normalmente lembrado pelas pessoas 
que residem há bastante tempo na 
Pensilvânia e nas colônias vizinhas que 
nos últimos quarenta ou cinquenta anos 
ocorreu uma grande mudança obser-vável 
no clima, que nossos invernos não são tão 
intensamente frios, nem nossos verões tão 
desagradavelmente quentes como eram2. 
 Segundo Williamson, tais mudanças 
ocorriam devido à derrubada das florestas que 
permitiriam maior absorção de calor pelo solo 
e maior circulação dos ventos e, vislumbrando 
o futuro afirmava: “quando as gerações tiverem 
cultivado o interior do país, raramente seremos 
2 Fleming, James R. Historical perspectives on climate 
change. Oxford: Oxford University Press, 1998, p.24
. 
23
visitados por geadas ou neves” 3. Thomas Jefferson 
(1743-1826) em “Notas sobre o Estado da Virgínia” 
(1781), também fez apologia as alterações 
climáticas:
Uma mudança no nosso clima, entretanto, 
está se posicionando muito sensivelmente. 
Tanto o calor quanto o frio estão se 
tornando muito mais moderados na 
memória das pessoas, mesmo as de meia-
idade. As neves estão menos frequentes e 
menos profundas. Não permanecem mais, 
no sopé das montanhas, mais do que um, 
dois ou três dias, muito raramente uma 
semana. São lembradas como tendo sido, 
antigamente, frequentes, profundas e 
contínuas. Os idosos informam-me que a 
terra ficava coberta de neve cerca de três 
meses por ano. Os rios, que dificilmente 
deixavam de congelar ao longo do inverno, 
quase não se congelam agora 4. (Tradução 
livre).
 Em 1799, Noah Webster (1758-1843), 
escritor e professor americano, publicou um ensaio 
no qual criticava as pesquisas sobre mudanças 
climáticas europeias e norte-americanas. De acordo 
com Webster o clima poderia ter se tornado mais 
variável em decorrência da atividade agrícola, mas 
não havia razão para supor que o planeta estava 
3 Ibidem, p.25
4 Jefferson, Thomas. Notes on the State of Virginia. Boston: 
Published by Lilly and Wit, 1832, pp 88-89
24
se aquecendo ou que a Europa e a América do 
Norte estariam atravessando mudanças climáticas 
significativas, por isso, os textos antigos sobre 
o clima deveriam ser colocados de lado, pois 
não havia neles bases seguras para se afirmar 
qualquer coisa a respeito das mudanças climáticas 
impulsionadas pela ação humana5.
 Tais ideias também eram corroboradas 
pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt 
t (1769-1859), que questionava as afirmações 
sobre mudanças climáticas antrópicas baseadas 
unicamente nos relatos dos antigos: 
As afirmações tão frequentemente 
avançadas, apesar de não apoiadas pelas 
medições, de que desde os primeiros 
assentamentos europeus na Nova 
Inglaterra, Pensilvânia e Virgínia, a 
destruição de muitas florestas nos dois 
lados dos Apalaches tornou o clima 
mais homogêneo – com invernos mais 
suaves e verões mais amenos – são agora 
desacreditados de maneira geral. Nenhuma 
série de observações de temperatura digna 
de confiança estende-se por mais de 78 anos 
nos Estados Unidos. Descobrimos a partir 
de observações na Filadélfia que de 1771 
a 1814 a temperatura média anual mal se 
elevou em 2.7ºF, um aumento que pode ser 
largamente creditado à extensão da cidade, 
sua maior população, e a numerosas 
máquinas a vapor[...] Trinta e três anos de 
observações em Salem quase não mostram 
alguma diferença [...] os invernos de 
5 Fleming, 1998. 
25
Salem, ao invés de terem se tornado mais 
suaves, conforme se conjectura, por conta 
da retirada das florestas, resfriou-se em 
cerca de 4º F durante os últimos trinta e 
três anos 6 (Ttradução livre).
 Os estudos e as discussões a respeito da 
influência das florestas sobre o clima prosseguiram, 
em 1871, o professor do Museu de História 
Nacional e membro da Academia de Ciências, M. 
Becquerel (1788-1878), em artigo intitulado Forests 
And Their Climatic Influence, tratou das relações 
entre florestas, agricultura, solo e clima. Becquerel 
era favorável à elaboração de trabalhos respaldados 
por dados empíricos e a necessidade de se colocar 
de lado as especulações dos relatos dos antigos. 
Segundo o autor, Alexander Von Humboldt, 
estava no caminho certo quando confrontou os 
dados fornecidos pelos termômetros espalhados 
por diversas estações no continente americano, 
com os relatos dos antigos7.
 Em 1853, ocorreu na Bélgica a Marine 
Conference Held At Brussels For Devising An 
Uniform System of Meterological Observations At 
Sea, que produziu o documento intitulado Report 
6 Von Humboldt, Alexander. Or conplemlations on the 
sublime phenomena of creation. With scintific Illustrations. 
London: Henry G. Bohn, 1850, pp. 103-104.
7 Becquerel, M. Forests and their Climatic Influence. In: 
Annual Report of the Board of Regents on the Smithsonian 
Institution. Washington: Government Printing Office, pp. 
394-416, 1871.
26
of the Conference held at Brussels at the invitation 
of the Government of the United States of America, 
for the purpose of concerting a systematical and 
uniform plan of meteorological observation at 
sea. Neste documento os países participantes 
França, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, 
Estados Unidos, Noruega, Portugal, Rússia e 
Suécia se comprometeriam, entre outras medidas, 
a implantar um sistema uniforme de observação 
meteorológica e marítima e desenvolver um plano 
geral de observação para as correntes atmosféricas 
e oceânicas com vista à melhoria da navegação. Os 
países signatáriospoderiam utilizar seus navios para 
coletar, armazenar e compartilhar informações 
estreitando assim os laços cooperativos 8.
 Aos poucos os sistemas nacionais 
de observações meteorológicas foram se 
desenvolvendo na Europa, Rússia e EUA. 
As pesquisas sobre o clima passaram a ser 
compartilhadas com o uso do telégrafo e os 
boletins meteorológicos passaram a circular a 
partir da década de 1870. A coleta e compilação 
de dados meteorológicos proporcionam assim 
novas perspectivas sobre as questões climáticas e 
estabeleceram as bases para a Climatologia.
8 Marine Conference. Report of the Conference held 
at Brussels at the invitation of the Government of the 
United States of America, for the purpose of concerting 
a systematical and uniform plan of meteorological 
observation at sea. August and September, 1853.
27
1.1 Determinismo Climático
 Até alguns séculos atrás, o clima era 
um problema central para diversos pensadores. 
Muitos atribuíam ao clima um poder enorme 
acreditando, por exemplo, que a ascensão e queda 
de civilizações inteiras dependeriam do clima e 
de suas mudanças. O clima teria uma influência 
muito grande no humor, no caráter e no cotidiano 
das pessoas9. 
 Charles Louis de Secondat, o Barão 
de Montesquieu (1689-1755) é um dos mais 
conhecidos pensadores quando a referência é o 
determinismo climático. Montesquieu, com sua 
ênfase no papel do clima sobre a cultura, buscou 
compreender as influências dos fatores naturais e 
culturais sobre o homem objetivando a elaboração 
das leis, ou seja, um princípio geral que pudesse 
guiar o bom legislador. No livro L’Espirit des lois 
(1748) afirma que o clima determinaria o caráter 
dos indivíduos e nações 10.
9 Carvalho Jr, Ilton J. Dos mitos acerca do determinismo 
climático/ambiental na história do pensamento 
geográfico e dos equívocos de sua crítica: reflexões 
metodológicas, teórico-epistemológicas, semântico-
conceituais e filosóficas como prolegômenos ao estudo 
da relação sociedade-natureza pelo prisma da ideia das 
influências ambientais. Tese de Doutorado. Faculdade de 
Filosofia, Letras e Ciências Humanas-USP, 2011.
10 Montesquieu, Baron de (Charles de Secondat). The Spirit 
of Laws. Canada: Batoche Books, 1742.
28
 Jean-Baptiste Du Bos (1670-1742), David 
Hume (1771-1776) e Thomas Jefferson (1743-
1826), por exemplo, escreveram que o clima 
exerceria influência direta sobre os indivíduos 
e a sociedade, e que as mudanças climáticas em 
curso na Europa e América do Norte estavam 
relacionadas com as atividades humanas, Du Bos 
chegou a afirmar que os gênios não nasciam em 
qualquer clima e que a localização geográfica de 
uma nação exerceria forte influência sobre a mente 
e os corpos dos indivíduos 11.
 As ideias de Du Bos, Momtesquieu e 
Hume permearam as discussões sobre o clima até 
meados do século XVIII. Du Bos desenvolveu uma 
teoria “ambiental” sobre ascensão e queda de eras 
criativas influenciadas pelo clima. Segundo ele, 
as diferenças entre as diversas nações poderiam 
ser explicadas pela composição do ar que seria 
um misto de minúsculas partículas (animais e 
sementes) e emanações oriundas da própria Terra, 
alterações na qualidade do ar poderiam ocasionar 
mudanças também em seus habitantes. Em relação 
à qualidade do ar na França escreveu ele: “Como 
a qualidade do nosso ar varia em alguns aspectos 
e continua invariável em outros, segue-se que os 
franceses em todas as épocas terão um caráter 
geral que os distinguirá de outras nações” 12.
 Porém, o Determinismo Climático, 
ou seja, aquele fator que atribui ao clima a 
11Fleming,1998.
12 Du Bos, Jean-Baptiste. Réflexions critiques sur la poësie 
et sur la peinture. 1748, pp 214-215.
29
capacidade de influenciar a inteligência humana 
e o desenvolvimento social, é bem mais antigo. 
A história começa com o termo “clima” que tem 
sua origem na palavra grega klima, que descreve 
a latitude. Os filósofos gregos deduziram que a 
temperatura em uma determinada época do ano 
variava aproximadamente com o klima, porque a 
latitude determina quanta energia uma região recebe 
do sol. Utilizando o conceito de “meio-termo”, o 
equilíbrio ideal ou moderação entre os excessos, os 
filósofos gregos argumentaram que a cultura grega 
era superior às culturas contemporâneas do Norte 
(climas mais frios) e do Sul (climas mais quentes), 
pois a Grécia, não por coincidência, estava no 
clima médio. Filósofos gregos e romanos, como 
Platão, Aristóteles, Heródoto, Cícero, Ptolomeu 
e Plínio, o Velho, parecem ter sustentado pontos 
de vista consistentes com a ideia de Determinismo 
climático. Hipócrates, por exemplo, acreditava 
que as sociedades equatoriais eram inferiores 
porque os climas quentes impediam a criatividade 
e o florescimento. Platão e Aristóteles acreditavam 
que o clima havia contribuído para que os gregos se 
tornassem altamente desenvolvidos desde o início, 
em comparação com outras civilizações em climas 
mais quentes ou mais frios13. Durante o Iluminismo 
(século XVIII), as suposições deterministas 
ambientais foram usadas para justificar a crença 
de que as culturas nativas das Américas e da África 
eram inferiores para justificar as ações coloniais e 
imperiais das potências europeias. Por exemplo, 
13 Siddiqi, Akhtar H.; Oliver John E. Determinism, Climatic. 
Encyclopedia of World Climatology, 2005.
30
o filósofo Immanuel Kant argumentou que os 
europeus eram mais inteligentes e trabalhadores 
do que os povos dos trópicos porque o clima 
quente persistente diminuía a acuidade mental 
e a motivação. Muitos pensadores americanos 
e europeus proeminentes mantiveram crenças 
deterministas semelhantes sobre culturas nativas e 
equatoriais até o século XX 14.
1.2 Indissociabilidade entre clima e 
sociedades
 
 A indissociabilidade entre clima e 
civilizações, como apontam pesquisas de 
arqueólogos, paleontólogos e pesquisadores 
do clima, é fundamental para se compreender 
as razões pelas quais no passado impérios se 
estabeleceram, subsistiram por séculos e de repente 
desapareceram tão rapidamente da história. 
 Após o término do último período 
glacial ou idade do gelo que ocorreu há cerca 
de 10.000 anos, seguiu-se um prolongado 
período de aumento nas temperaturas globais, 
o chamado Período Holoceno, o mais recente 
e ainda duradouro período interglacial no qual 
ainda vivemos. Com temperaturas, em média, 
dois a três graus mais quentes do que as atuais 
surgiram às condições ambientais adequadas 
que permitiram aos povos nômades tornarem-se 
14 Ibidem.
31
sedentários. Consequentemente, esse novo modo 
de vida permitiu ao homem, além de coletar e 
caçar, dedicar-se também à agricultura, a criação 
e domesticação de animais. Essa fase conhecida 
por Período Neolítico (de 8.000 a. C. a 5.000 a. 
C.), Idade da Pedra Polida ou Revolução Agrícola 
e Pastoril representa o segundo período da pré-
história e tem como principal característica o 
desenvolvimento das sociedades agropastoris.
 Geralmente as pesquisas que culpabilizam 
o homem e o CO
2 
pela escalada no aumento das 
temperaturas globais remetem o problema a 
intensificação da queima do carvão a partir da 
Revolução Industrial em meados do século XVIII, 
no entanto, para o geólogo marinho William 
F. Ruddiman, professor do Departamento de 
Ciências Ambientais da Universidade de Virgínia, 
nos EUA, autor do artigo The Anthropogenic Era 
Began Thousands of Years Ago Clima Change 
(2003), há 10.000 anos o clima estava relativamente 
mais frio e com mais tendência de resfriamento se 
não tivesse ocorrido um incremento substancial 
na atmosfera de GEE como o CO
2
 e metano (CH
4
) 
pelos antepassados neolíticos e agrários precoces 
por meio dos desmatamentos e da prática da 
agricultura.
 Não apenas William F. Ruddiman segue 
essa linha de pesquisa como também outros 
pesquisadores como o professor de geografia da 
Universidade de Oxford, Michael Williams, autor 
do livro Defloresting the Earth From Prehistory 
to Global Crisis (2003) e Peter B. deMenocal,oceanógrafo e paleoclimatologista do Lamont-
32
Doherty Earth Observatory da Universidade de 
Columbia, autor do artigo Cultural Responses to 
Climate Change During the Late Holocene (2001). 
Ambos endossam a ideia de que no passado antigas 
civilizações lançaram quantidades gigantescas de 
CH
4
 e CO
2 
suficientes na atmosfera para impactar 
no clima da Terra. Seguindo a lógica desses 
pesquisadores os nossos habilidosos antepassados 
da Mesopotâmia, Babilônia, Assíria, Pérsia e Egito, 
por exemplo, teriam influenciado no aumento das 
temperaturas ao desmatar sem parar as florestas e 
praticar excessivamente a agricultura.
 Jared Diamond, por sua vez, no livro 
Colapso: como as sociedades escolhem o sucesso ou 
o fracasso (2005), confronta o mundo com fatos 
semelhantes indagando os motivos pelos quais 
determinadas sociedades humanas trilharam 
a via do colapso, enquanto outras obtiveram 
sucesso. Ao examinar as sociedades do passado 
e da atualidade e, tendo como base as possíveis 
variáveis ambientais que possivelmente poderiam 
ter influenciado de maneira decisiva no destino 
dessas sociedades, o autor denomina de suicídio 
ecológico, ou “ecocídio” a incapacidade das 
antigas sociedades compreender a dinâmica dos 
ecossistemas naturais.
 Com a descoberta do fogo a humanidade 
criou a primeira fonte significativa de poluição do 
ar: fumaça e material particulado. A fumaça era 
um forte aliado para a proteção contra mosquitos, 
porém, irritava os olhos, tornava a respiração 
difícil e comprometia a capacidade pulmonar e 
consequentemente a qualidade de vida. O Homo 
33
heidelbergensis, que viveu entre 200 e 300 mil 
anos, cujo crânio foi encontrado em uma mina de 
chumbo e zinco em Broken Hill, Zâmbia, também 
chamado de Homem de Broken Hill, apresenta 
evidências de envenenamento por chumbo cujo 
minério provavelmente estava presente nos 
reservatórios de água15.
 A derrubada de florestas para a agricultura, 
retirada de madeira para construção de habitação, 
fornecimento de combustível e queimadas, de 
modo geral, estão entre as principais formas pelas 
quais os humanos transformaram o ambiente. 
Rastreando o efeito do desmatamento induzido 
pela ação do homem nas economias, paisagens 
e sociedades ao redor do mundo e começando 
pelas florestas europeias, americanas e tropicais 
do período pós-glacial, ou seja, há cerca de 10.000 
anos, Williams (2010), traça o impacto dos 
incêndios provocados pelo homem em atividades 
de coleta e caça, limpeza de terras para agricultura e 
outras atividades do período paleolítico ao mundo 
clássico e o período medieval desmistificando a 
ideia de natureza intocada que existia antes do 
alvorecer da Revolução Industrial16. 
 Para Crutzen (2002), ao longo da história 
as atividades antrópicas tiveram apenas efeitos 
locais significativos e que somente a partir da 
Revolução Industrial (1750) a humanidade 
15 Williams, M. Deforesting the Earth: from prehistory 
to global crisis, an abridgment. Chicago: University of 
Chicago Press, 2010.
16 Ibidem.
34
se tornaria uma força global impactante no 
ambiente quando amostras de ar presas em gelo, 
ou testemunhos de gelo, mostraram considerável 
aumento nas concentrações de dióxido de carbono 
e metano na atmosfera e, portanto, estaria 
influenciando diretamente o clima. Contudo, para 
Ruddiman (2003), implícita a esta visão estaria 
a ideia equivocada de que a influência humana 
era praticamente insignificante em relação as 
concentrações dos GEE antes de 1800, portanto, 
o Antropoceno realmente teria começado há 
milhares de anos17.
 Algumas civilizações do passado 
desapareceram ao passo que outras foram 
bem-sucedidas. Sociedades do passado que 
desapareceram como a Groelândia Nórdica; 
Cahokia Mounds que é considerada uma das 
primeiras cidades com mais de 20.000 habitantes 
e Anasazi dentro da fronteira dos EUA; cidades 
maias na América Central (o colapso da civilização 
maia ocorreu durante um período prolongado de 
seca regional, pontuado por secas plurianuais mais 
intensas centradas em aproximadamente 810, 860 
e 910 d.C. a seca prolongada afetou o regime de 
chuvas e sobrecarregou os recursos da região o que 
levou ao desaparecimento dessa civilização18); as 
17 Crutzen, P. I. Geology of mankind. Nature volume 
415, p.23 January, 2002 e Ruddiman, William F. The 
Anthropogenic Era Began Thousands of Years Ago. 
Climatic Change 61: 261–293, 2003.
18 Haug, G. H.; Günther, D. Peterson, L.; Sigman, D.; 
Konrad, A. H.; Aeschlimann, B. Climate and the Collapse 
of Maya Civilization. Science Vol. 299 pp. 1731-1735 14 
35
sociedades Mochica e Tiahuanaco, na América do 
Sul; a Grécia Miceniana e Creta Minoica, na Europa; 
o Grande Zimbábue, na África; a civilização do 
Vale do Indo, ou civilização harappiana, nome 
derivado de sua principal cidade, a capital Harappa; 
a ilha de Páscoa no oceano Pacífico, entre outras, 
entraram em colapso ou desapareceram, deixando 
para trás apenas ruínas19.
 O declínio e o desaparecimento de 
civilizações do passado tendem a seguir um padrão 
cíclico similar com destaque para o crescimento 
populacional que exige consequentemente o 
aumento da produção agrícola que, por sua 
vez, requer a expansão de áreas para cultivo 
e intensificação da irrigação, depois como 
consequência, segue-se o processo de abandono 
de terras improdutivas, salinização do solo, 
escassez de alimentos e recursos naturais, doenças 
e epidemias, crise política, social e econômica, 
guerras, etc. Contudo, não se pode atribuir em 
nenhum caso de colapso, como os que ocorreram 
com as civilizações Acadiana (Mesopotâmia, 2200 
a. C.), Maia (Mesoamérica, há 1.200 anos), Moche 
(Peru, há 1.500 anos) e Tiwanaku (Bolívia/Peru, 
há 1000 anos) ou Cahokia Mounds, unicamente 
a influência do fator degradação ambiental e/
ou mudança climática, uma vez que, uma 
conjuntura de fatores provavelmente pode ter 
contribuído para o declínio e posteriormente para 
March 2003. 
19 Diamond, Jared. Colapso: como as sociedades escolhem 
o sucesso ou o fracasso. Rio de Janeiro: Record, 2007.
36
o desaparecimento20. Um artigo publicado por 
Hou et al (2023) afirma que a mudança climática 
é cada vez mais considerada como um fator 
importante que pode ter impactado a capacidade 
dos grandes impérios de governar. De acordo com 
os pesquisadores, a mudança climática promoveu 
a ascensão e queda do Império Tibetano de 600 a 
800 d. C.21
 Conhecido como o “Teto do Mundo”, 
devido à sua altitude média superior a 4.000 metros 
acima do nível do mar, o Planalto Tibetano (PT) 
pode fornecer um exemplo único para se estudar 
os efeitos das mudanças climáticas na civilização 
de alta altitude. O PT é excepcionalmente sensível a 
variações nas mudanças climáticas e experimentou 
mudanças de temperatura maiores do que as médias 
globais atuais durante o seu apogeu. Há muito 
tempo se argumenta que o PT apresenta barreiras 
biogeográficas substanciais para a colonização 
humana, porém, esta região abrigou um dos 
impérios de maior altitude do mundo no início do 
período medieval. O Império Tibetano (ou Reino 
Tubo) começou como uma pequena organização 
política no meio do Yarlung Tsangpo no sul do 
PT durante o início do século VII. Durante os dois 
séculos seguintes, o Império conquistou outras 
comunidades políticas e realizou campanhas 
militares nas regiões vizinhas, tornando-se uma 
20 Ibidem. 
21 Hou, Juzhi et al. Climate change fostered rise and fall of 
the Tibetan Empire during 600–800 AD. Science Bulletin 
Volume 68 pp. 1187-1194, 15 June 2023.
37
“superpotência” de altitude durante a Idade 
Média22. A prosperidade do PT entre os séculos VII 
e IX sugere que a sincronicidade de temperatura 
quente e alta precipitação foi importante para o 
funcionamento do regime político. O artigo afirma 
que a região atualmente poderá novamente se 
beneficiar do fator temperatura em decorrência do 
aquecimento global. Diamond (2007, p.17), aplica 
uma estrutura de cinco pontos para analisar as 
sociedadesdo passado que entraram em colapso: 
“dano ambiental, mudança climática, vizinhança 
hostil, parceiros comerciais amistosos e respostas 
da sociedade aos seus problemas ambientais”. 
O primeiro conjunto de fatores envolve os 
impactos que as sociedades inadvertidamente 
infligem ao meio ambiente e:
[...] referem-se tanto à fragilidade 
(suscetibilidade a dano) quanto à 
resiliência (o potencial para se recuperar 
dos danos sofridos), de modo que é 
possível falar separadamente de fragilidade 
ou resiliência de uma área florestal, de seu 
solo, de suas populações de peixes, e daí 
por diante. Portanto, o porquê de apenas 
certas sociedades sofrerem colapsos 
ambientais pode em princípio envolver 
tanto a excepcional imprudência de seus 
povos, a fragilidade excepcional de alguns 
aspectos de seu meio ambiente, ou ambas 
as coisas ao mesmo tempo23.
22 Ibidem.
23 Diamond, 2007. p. 18
38
 O segundo fator, mudança climática - 
diferentemente do uso que se faz atualmente do 
termo, ou seja, intensificação dos GEE por fontes 
antropogênicas e que seria responsável pelo 
aumento de 1,07 º C nas temperaturas globais 
nos últimos 150 anos -, diz respeito a variação 
natural do clima que pode se tornar mais quente 
ou mais frio, mais úmido ou mais seco, ou mais 
ou menos variável entre meses, anos ou mesmo 
séculos devido a alterações de forças naturais. Há 
um certo consenso entre alguns pesquisadores de 
que as variações de temperatura em escala pré-
antropogênica (pré-1850) se devem a unicamente 
a fatores naturais que atuaram de maneira 
conjunta. Porém, Ruddiman (2003), William 
(2003) e Demenocal (2001), vão no sentido oposto, 
estabelecendo a hipótese de que as concentrações 
antrópicas de GEE vem ocorrendo há milhares 
de anos e, portanto, antes do marco temporal da 
Revolução Industrial. 
 Para Diamond (2007), houve impacto 
humano de diversos tipos, especialmente 
desmatamento em várias civilizações assim como 
houve mudanças climáticas naturais como secas 
severa e seus efeitos interagiram com os efeitos dos 
impactos ambientais antrópicos. 
 Bem, o que se sabe é que o clima do planeta 
não possui absolutamente nada de imutável, como 
uma gangorra oscila para cima e para baixo, isto já 
ocorreu inúmeras vezes e muito mais drasticamente 
do que na atualidade. Assim funciona o planeta 
Terra desde há bilhões de anos, às vezes torna-se 
mais quente, às vezes mais frio. A história humana 
39
segue analogamente a história da natureza com 
uma regra básica: alterações climáticas constantes. 
 A estabilidade climática ocorreu nos 
últimos 12.000 somente em curtos intervalos de 
tempo24. As últimas grandes oscilações ocorreram 
durante o último milênio, como exemplo, podemos 
citar dois eventos climáticos importantes que 
afetaram os EUA e a Europa: o “Ótimo Climático” 
ou Período Quente Medieval (PQM), que ocorreu 
entre os 1000 e 1300 e a Pequena Idade do Gelo 
(PIG), período de clima relativamente frio que 
ocorreu entre 1300 e 1850 – há também registros 
documentados que reforçam as evidências de 
que esses dois eventos climáticos teriam ocorrido 
na China e outras regiões do globo, portanto, 
fenômenos globais e não locais como afirma o 
IPCC 25. 
24 Pesquisas recentes indicam que entre 2030-2040 o Sol 
experimentará um novo mínimo grandioso de energia solar, 
isso pode ser observado pelos estudos que analisam a fase 
de ciclos das manchas solares. Durante os três grandes 
mínimos solares anteriores - Mínimo de Spörer (1440-1460), 
Maunder (1687-1703) e Dalton (1809-1821) - as condições 
climáticas se deterioraram derrubando as temperaturas como 
ocorreu durante a Pequena Era do Gelo (Mörner, Nils-Axel. 
The Approaching New Grand Solar Minimum and Little 
Ice Age Climate Conditions. Natural Science - 7, 510-518, 
2015.
25 Blüchel, Kurt G. A fraude do efeito estufa. São Paulo: 
Publishing House, 2008.; Cioccale M. Climatic Fluctuations 
in the Central Region of Argentina in the last 1000 Years. 
Quaternary International 62, p.35-37, 1999.; Winter et 
al. Caribbean Sea Surface Temperatures: Two to Three 
Degrees Cooler than Present During the Little Ice Age. 
40
 A omissão desses eventos climáticos no 
famoso gráfico “Hockey Stick” rendeu muita 
polêmica e acalorados debates dentro e fora da 
comunidade científica. Michael Mann, pesquisador 
do departamento de geociências do Massachusetts 
Institute of Technology, o principal autor do artigo 
Northern Hemisphere Temperatures During the 
Past Millennium: Inferences, Uncertainties, and 
Limitations (1999), simplesmente sumiu com os 
períodos climáticos fazendo com que o gráfico 
tivesse uma tendência quase linear com uma 
pequena tendência de resfriamento no final do ano 
de 1900. Esse episódio é muito importante porque, 
apesar da contestação feita por Steve McIntyre e 
Ross McKitrick26, o gráfico foi – e até certo ponto 
continua sendo – um dos pilares centrais que 
sustenta a tese das mudanças climáticas antrópicas.
 Al Gore usou uma versão desse mesmo 
gráfico no livro e no filme “Uma verdade 
inconveniente” (2007) no qual vincula o aumento 
das emissões antrópicas de CO2 ao aumento 
das temperaturas no decorrer do século XX, 
ou seja, estabelece nexo causal entre emissões e 
Geophysical Research Letters, v.27, 20, p.3365, Oct. 15 
2000.; Fan, Ka-wai. The Little Ice Age and the Fall of the 
Ming Dynasty: A Review. Climate 11, nº 3: 71, 2023. https://
doi.org/10.3390/cli11030071
26 Pesquisadores canadenses que refutaram a pesquisa de 
Mann et al devido a vários erros metodológicos. McIntyre, 
Stephen; McKitrick, Ross. Corrections to the Mann et al 
(1998) proxy data base and northern hemispheric average 
temperature series. In: Energy & Environment vol. 14 nº 6, 
2003, pp. 751-771.
41
ascensão repentina da temperatura no mundo. 
Trata-se assim de um gráfico que mostra como a 
temperatura global tem subido no último milênio 
com destaque para salto repentino a partir do 
final do século XX. Subitamente aparece no final 
do gráfico uma drástica subida de maneira similar 
ao formado de um taco de hóquei, passando a 
ideia de que nunca na história da humanidade 
ocorreu um período de aquecimento tão intenso e 
repentino como na atualidade. Mesmo diante das 
contestações e da evidente farsa montada por Mann 
et al, o IPCC continua afirmando que o século XX 
foi o mais quente dos últimos tempos, ignorando 
por completo os dois episódios da história da 
climatologia: o PQM e a PIG. Não houve se quer 
uma retratação pública nem o reconhecimento 
das falhas. O mais interessante é que no seu 
primeiro relatório, de 1990, o Painel do Clima 
da ONU apresentou os dois períodos climáticos, 
não admitindo, porém, sua abrangência global, ou 
seja, a ascensão e a queda das temperaturas teria 
ocorrido e afetado apenas o hemisfério norte.
 O relatório de 1995, por sua vez, apresenta 
dois gráficos tratando da evolução histórica da 
temperatura, porém, retroage até 1400 e argumenta 
rapidamente de maneira desfavorável aos dois 
eventos climáticos, que foram definitivamente 
suprimidos no relatório de 2001, obviamente 
em decorrência da influência dos estudos do 
climatologista Michael Mann e sua equipe. 
 No relatório, de 2007, o IPCC manteve o 
famoso e questionável gráfico “taco de hóquei”, 
que mesmo sendo desmascarado como manobra 
42
de falsificação, ainda continua servindo de “base 
científica” para o IPCC, que apresenta uma escala 
retilínea da temperatura que tem início, em 1800, 
e de repente curva-se bruscamente para cima no 
final da década de 1990 indicando com isso que 
o aumento das emissões de CO
2 
pelas atividades 
humanas estaria elevando a temperatura da 
Terra. Ainda, em 2007, além de levar o Oscar de 
melhor documentário o ex-vice-presidente norte-
americano ao Al Gore e o IPCC foram laureados 
com o Prêmio Nobel da Paz “pelo esforço mútuo 
na luta contra as mudanças climáticas antrópicas”.
 O filme/livro é um verdadeiro compêndio de 
alarmismo, desinformação e falta de cientificidade. 
Qual a formaçãocientífica de Al Gore? Nenhuma, 
a não ser um autêntico profissional do espetáculo 
político. 
 O documentário que teve sua origem 
nas inúmeras palestras proferidas por Al Gore 
foi exibido globalmente, contudo, na Inglaterra, 
único país a tomar tal atitude, a Suprema Corte 
autorizou a exibição do documentário mediante 
advertência ao público de que a película continha 
nove afirmações não consensuais na comunidade 
científica27.
 A discussão sobre o famígero taco de 
hóquei gerou também um embate jurídico entre 
seu autor, Michael Mann e Timothy Ball (1938-
27 Maruyama, Shigenori. Aquecimento global? São 
Paulo Oficinas de Textos, 2009. Lewis Jr, Marlo. A ficção 
científica de Al Gore. Portugal: Booknomics, 2008.
43
2022) ex-professor do Departamento de Geografia 
da Universidade de Winnipeg, acusado por Mann 
de calúnia e difamação. Em agosto de 2019, o 
Superior Tribunal de Justiça do Canadá sentenciou 
Michael Mann como criador e produtor de dados 
científicos fraudulentos, que além de ser condenado 
por má fé teve que arcar com o pagamento das 
custas judiciais no valor de 700.000 dólares. 
 Antes, em 2005, o caso havia chegado 
também ao Congresso Americano, o então 
deputado Joe Barton, presidente do Comitê de 
Energia e Comércio da Câmara dos Deputados, 
solicitou a Michael Mann que apresentasse a 
liberação completa das informações referentes à 
sua publicação para que fosse revista e avaliadas 
por duas equipes de especialistas, o parecer final 
dos especialistas foram publicados, em 2006, e 
dei origem ao Relatório Wegman, como ficou 
conhecido o documento que constatou falhas 
na publicação de Mann e validou grande parte 
das críticas feitas por McIntyre e McKitrik, além 
de severas críticas à comunidade científica por 
endossar os dados fraudulentos e a falsa ciência do 
clima28. 
 O clima do planeta Terra tem variado 
naturalmente como um processo natural ao 
longo de toda a sua existência, civilizações se 
estabeleceram e desapareceram ao longo dos 
tempos com evidências de prosperidade durante 
28 Lino, Geraldo Luiz. A fraude do aquecimento global. 
Como um fenômeno natural foi convertido numa falsa 
emergência mundial. Rio de Janeiro: Capax Dai, 2010.
44
os períodos quentes, sendo os períodos de 
arrefecimento marcado negativamente por fome, 
guerras, doenças, desestabilidade econômica e 
política e guerras. Durante o período datado 
entre 400 a. C. e 200 d. C. conhecido por Ótimo 
Climático Romano as civilizações grega, persa e 
romana progrediram substancialmente. Nessa 
época os desertos da Ásia Central e o Saara 
formavam uma savana verdejante com rica 
biodiversidade. A atração de Roma por Cartago 
ocorreu devido à fertilidade do solo e a produção 
de grãos especialmente o trigo29.
 Durante o PQM os vikings, nórdicos ou 
normandos colonizaram a Groelândia, aportaram 
no continente americano, norte do Canadá, e 
estabeleceram comércio com indígenas e esquimós. 
Durante mais de 300 anos permaneceram na 
região onde cultivaram cereais e criaram animais, 
contudo, após três séculos de colonização o gelo 
voltou a fazer parte das paisagens da Groelândia 
e Islândia, não restando aos vikings outra opção 
a não ser voltar para a sua pátria originária 
na região da Escandinava. Essa guinada nas 
temperaturas causada pela Pequena Idade do Gelo 
foi responsável por grandes transtornos sociais, 
políticos e econômicos, particularmente na região 
central da Europa Ocidental 30. 
29 Blüchel,2008 e Hopper, Hans-Hermann. Uma breve 
história do homem: progresso e declínio. São Paulo: LVM 
Editora, 2018.
30 Baptista, Gustavo M. Aquecimento global: ciência ou 
religião? Brasília: Hinterlândia, 2009.
45
 A partir das primeiras décadas do século 
XX os termômetros registram uma leve tendência 
de subida nas temperaturas mundiais que atinge 
a casa dos 0,4º C que praticamente corresponde a 
cerca de 70% do aquecimento registrado no último 
século. Nesse período a região do polo Ártico 
registrou uma retração extraordinária de gelo, 
com registros documentados de derretimento 
intenso do gelo flutuante muito superior ao 
observado nos dias de hoje. Os fatores apontados 
como responsáveis pela ascensão das temperaturas 
no período foram o aumento da atividade solar e 
a diminuição do efeito albedo em decorrência 
da diminuição das atividades vulcânicas – vale 
ressaltar que as temperaturas atuais, por mais que 
o IPCC negue, ainda são inferiores as registradas 
durante a década de 193031. 
 
1.3 A hipótese do CO
2 
controlar o clima
 Ao discorrer sobre a genealogia da teoria 
do efeito estufa antropogênico observamos que a 
hipótese de que o CO
2 
de origem humana poderia 
afetar o clima remonta ao final do século XIX e 
está ancorado nas premissas estabelecidas por 
vários pesquisadores como o francês Jean Baptiste 
Joseph Fourier (1768-1830), o inglês John Tyndall 
(1820-1893), o sueco Svante August Arrhenius 
(1859-1927), o francês Claude Pouillet (1790-
1868), entre outros. No Brasil escasseiam-se as 
31 Ibidem.
46
publicações voltadas para a elucidação do tema, 
Fourier, por exemplo, é muito pouco citado, 
mesmo na literatura francesa há vários equívocos 
envolvendo as suas reais contribuições.
 Como poderia Fourier ter “descoberto” 
o efeito estufa, como muitos afirmam se na sua 
época os gases constituintes da atmosfera ainda 
não haviam sido identificados? Por que a palavra 
“serre” (estufa) não aprece nenhuma vez em suas 
pesquisas? 
 Na verdade Fourier havia se interessado 
pelo funcionamento de um aparato construído 
por Horace Bénédict de Saussure32 (1740-1799), 
utilizado para estudar a radiação solar e os efeitos 
do calor no alto das montanhas objetivando 
demonstrar que as diferenças de temperaturas 
entre altas e baixas altitudes não era apenas o efeito 
direto dos raios solares incidindo sobre a Terra. 
Para fazer isso, ele desenvolveu um coletor de 
energia, um aparato constituído por termômetros 
envolvidos por várias caixas com painéis de 
vidros, e com base nas observações fornecidas pelo 
aparelho criado por Saussure, Fourier deduziu 
que o mesmo efeito poderia ocorrer na atmosfera 
32 Naturalista, geólogo e físico suíço, inventor do higrômetro, 
instrumento usado para medir a umidade do ar. Diplomou-se 
pela Universidade de Genebra em 1759. Realizou diversas 
expedições e experimentos científicos nos Alpes, escalou 
o Mont-Blanc em 1787, suas numerosas excursões pelos 
Alpes estão relatadas do seu célebre livro Voyages dans les 
Alpes (1796), também foi professor de Filosofia e membro 
da Royal Society.
47
do planeta. Foi assim que ao publicar, em 1824, o 
Remarques générales sur les températures du globe 
terrestre et des espaces planétaires, ele expôs a ideia 
de que a atmosfera seria capaz de interceptar grande 
parte da radiação infravermelha, denominada por 
ele como “calor-escuro”, cuja descoberta havia 
ocorrido, em 1800, por intermédio dos trabalhos 
do astrônomo inglês William Herschel (1738-
1822), o mesmo que descobriu o planeta Urano. 
 Contudo, para Fourier somente três 
fatores seriam responsáveis pelo aquecimento do 
planeta Terra: o calor do sol, o calor interno da 
Terra e a luz das estrelas, e não o efeito estufa. 
Fourier (1827, p. 584), endossava também a ideia 
de que as atividades humanas poderiam provocar 
alterações no clima: “Os movimentos do ar e da 
água, a extensão do mar, a altura e forma do solo, os 
efeitos da atividade humana e todas as mudanças 
acidentais na superfície terrestre modificam as 
temperaturas em qualquer clima” (tradução livre).
 Nos anos 1820-1830, o físico francês 
Claude Pouillet (1790-1868) desenvolveu um 
aparelho chamado pyrhéliomèter (pirômetro) que 
ele utilizava em pesquisas sobre a propagação da 
radiação solar. Segundo Pouillet, a atmosfera 
terrestre teria a capacidade de reter o calor 
emitido pela superfície e, na busca pela explicação 
acerca dos fenômenos físicos que influenciariam 
as características do clima ele fez, em 1838, a 
primeira estimativa sobre aconstante solar. 
Utilizando o pirômetro ele obteve um valor de 
1228 W/m², valor muito próximo da estimativa 
48
atual33. Outro importante pesquisador que 
esteve envolvido com a questão do CO
2 
foi John 
Tyndall. Tyndall nasceu na Irlanda exerceu a 
profissão de engenheiro, dedicou-se ao estudo da 
filosofia natural, foi professor da Royal Institution 
(1853-1887), colaborador, sucessor e biógrafo de 
Michael Faraday (1791-1867), realizou diversos 
experimentos sobre magnetismo, mas notabilizou-
se principalmente por seus estudos sobre a 
condução do calor em gases e vapor de água. 
Realizou diversos experimentos não só para medir 
a absorção de calor pelo dióxido de carbono, mas 
também pelo vapor de água presente na atmosfera. 
Estudou também a capacidade do vapor, do 
dióxido de carbono e do metano em absorver o 
calor dos raios solares, e sugeriu que o resfriamento 
do planeta (eras do gelo) era causado por variações 
dos níveis atmosféricos desses gases. Para Tyndall 
a água presente em estado gasoso na atmosfera 
absorveria muito mais radiação infravermelha 
do que o CO
2
 e seria, portanto, o principal fator 
desencadeador das mudanças climáticas.
33 A constante solar é a quantidade de energia solar que 
chega a Terra e o cálculo é feito por unidade de tempo e 
área em uma superfície perpendicular aos raios solares, de 
acordo com a distância média Terra/Sol. Atualmente o valor 
da constante solar é medido por satélites e equivale a 1.367 
W/m2. No entanto, o valor da constante solar varia de acordo 
com a atividade solar e, mais ainda, com a excentricidade 
da órbita terrestre, dessa forma, o fluxo solar incidente varia 
entre valores máximos e mínimos.
49
 No final do século XIX, com a publicação 
do artigo intitulado On the Influence of Carbonic 
Acid in the Air upon the Temperature of the Ground 
(1896), Svante Arrhenius (1859-1927), químico 
sueco ganhador do Nobel de Química de 1903, 
enalteceu as contribuições de Fourier, mas acabou 
cometendo um deslize ainda hoje perpetrado por 
muitos historiadores: afirmou que o matemático 
e físico francês teria sido o primeiro na história a 
comparar a atmosfera do planeta com uma estufa. 
 No entanto, basta uma leitura dos 
documentos originais para refutar tal prerrogativa. 
Como dito anteriormente, a palavra estufa 
(serre em francês) não aparece se quer uma vez 
nos trabalhos de Fourier e, na introdução de 
sua memória sobre as temperaturas da Terra 
publicada, em 1824, ele claramente apresentou seu 
objeto de estudo: estabelecer as bases científicas 
sobre o estudo da temperatura da Terra. É preciso 
salientar que para Fourier, diferentemente de 
Arrhenius que superestimava o papel do CO
2
 na 
regulação do clima, as temperaturas do espaço era 
o fator preponderante no controle do clima do 
planeta, não o efeito estufa34.
 Svante Arrhenius também fez uma série 
de especulações em relação ao CO
2
: se houvesse 
uma redução ou um aumento na quantidade desse 
gás na atmosfera tal fato poderia causar flutuações 
nas temperaturas do globo; os oceanos exerceriam 
34 Arrhenius, Svante August. On the Influence of Carbonic 
Acid in the Air upon the Temperature of the Ground. In: 
Philosophical Magazine 5, vol. 4, n 251, pp. 237-276, 1896.
50
papel de destaque como regulador da quantidade 
de CO
2
 na atmosfera (libera quando a temperatura 
aumenta, e absorve quando esfria); a redução na 
quantidade de CO
2
 poderia explicar o advento 
das glaciações; a duplicação do percentual de CO
2
 
aumentaria a temperatura da superfície em 4º C; se 
a concentração fosse quadruplicada a temperatura 
subiria 8º C. Assim, se a quantidade de gás 
carbônico aumentasse em progressão geométrica 
o aumento da temperatura aumentaria quase em 
progressão aritmética, se houvesse uma redução 
a tendência seria inversamente proporcional. 
Além disso, a diminuição da quantidade de 
CO
2
 acentuaria as diferenças das temperaturas, 
enquanto um aumento nesse percentual tenderia 
a uniformizar as temperaturas do globo 35. 
 Arrhenius simplificou demais o sistema 
climático, ignorou o fato do vapor de água também 
absorver radiação infravermelha e utilizando 
a Lei de Stefan-Boltzmann realizou cálculos 
equivocados para a obtenção da temperatura 
média global, ou seja, ao invés de tirar a raiz 
quarta de cada temperatura para calcular um 
valor global, ele simplesmente somou todas as 
temperaturas, determinou o valor médio e extraiu 
a raiz quarta36. 
 O químico sueco foi também o primeiro 
a estabelecer uma relação direta entre queima de 
combustíveis fósseis e aumento da concentração 
de CO
2 
na atmosfera, focando a causa no âmbito 
35 Ibidem 
36 Blüchel, 2008
51
do ciclo biogeoquímico do carbono. Mas, 
diferentemente da concepção atual na qual o 
dióxido de carbono é erroneamente confundido 
com um poluente atmosférico, ele via com bons 
olhos a queima dos combustíveis fósseis, pois o 
aumento na sua concentração pelas atividades 
humanas poderia ser uma ótima solução técnica 
para se combater os efeitos de uma nova era glacial. 
 Naquela época os riscos de um eventual 
aquecimento global de origem antropogênica soava 
como algo muito remoto ou mesmo impossível e as 
especulações em torno do assunto permaneceram 
relegadas ao descrédito, o que levou o renomado 
meteorologista britânico George Clark Simpson 
(1878-1965) a afirmar que embora pudesse ocorrer 
variação nas concentrações de dióxido de carbono 
na atmosfera, essas variações seriam incapazes de 
causar efeitos notáveis sobre o clima, pois outros 
mecanismos como alterações na luminosidade 
solar, a transparência atmosférica, a temperatura 
dos oceanos e os elementos orbitais da Terra 
desempenhariam papel muito mais importante na 
regulação do clima 37.
 Em 1909, Robert Williams Wood (1868-
1955), físico e inventor americano publicou na 
Revista Filosófica de Londres um artigo intitulado 
Note on the Theory of the Greenhouse, no qual 
refutava a hipótese da atmosfera se comportar 
como uma estufa. Wood construiu dois modelos 
37 Fleming, 1998.
52
de estufas, uma de vidro e outra de quartzo que 
não absorveria a radiação infravermelha. Sua 
experiência demonstrou que o aumento da 
temperatura no interior da estufa era devido ao 
bloqueio da transferência de calor por convecção 
entre o interior da estufa e a atmosfera aberta. 
Portanto, a absorção pelos GEE não seria o 
mecanismo principal para aquecer o ar próximo à 
superfície.
 Os estudos entre CO
2
 e as mudanças 
climáticas continuaram, apesar da hipótese não 
ser uma unanimidade entre os pesquisadores e 
o vapor de água ser reconhecidamente melhor 
absorvedor de radiação. Naquele momento, o 
aumento nas concentrações de CO 
2
 e a ascensão 
das temperaturas era apenas uma simples 
coincidência 38.
 Porém, não tardou muito até que, em 1938, 
o pensamento de Arrehenius fosse resgatado por 
Guy Stewart Callendar (1878- 1964), engenheiro 
especialista em tecnologias do vapor e combustão 
da Associação Britânica das Indústrias Elétricas. 
A pesquisa de Callendar intitulada The Artificial 
Production of Carbon Dioxide and its Influence 
on Temperature (1938), apresentada na Royal 
Meteorological Society de Londres afirmava que 
o aumento das temperaturas médias no globo 
observado desde o início do século XX era resultante 
38 Brooks, C. E. P. Geological and Historical Aspects of 
Climate Changes. In: Malone, T.F. (eds) Compendium of 
Meteorology. American Meteorological Society, Boston, 
1951. https://doi.org/10.1007/978-1-940033-70-9_80
53
do aumento das emissões de CO
2
 provocadas pela 
queima de combustíveis fósseis e que durante 
os últimos cinquenta anos a combustão desses 
materiais teria lançado cerca de 150 bilhões de 
toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, 
acarretando um aumento de 10% entre os anos 
1900 e 1936. Apesar de questionado por outros 
autores Callendar manteve-se convicto de que 
seus cálculos estavam corretos e que o efeito estufa 
intensificado pelo aumento das concentraçõesde CO
2
 era real, suas conclusões baseavam-se na 
análise das temperaturas obtidas em 200 estações 
meteorológicas espalhadas pelo mundo39.
 As hipóteses de Callendar foram recebidas 
com certo grau de ceticismo pela comunidade 
científica, no entanto, em 1941, após os resultados 
de várias medições, houve uma ligeira mudança 
na opinião de vários pesquisadores que passaram 
a considerar a absorção de calor pelo dióxido 
de carbono como um grande influenciador do 
aumento da temperatura global40. Realmente nas 
primeiras décadas do século XX, entre 1920 e 1930, 
observou-se um rápido e brusco aquecimento da 
ordem de 2º a 4º C nas temperaturas globais, a 
causa seria atribuída às atividades antropogênicas, 
principalmente a queima de combustíveis 
fósseis. Tal fenômeno ficou conhecido por Efeito 
Callendar.
39 Callendar, Guy Stewart. The Artificial Production 
of Carbon Dioxide and Its Influence on Temperature. 
Quarterly Journal Royal Meteorological Society vol. 64, pp. 
223–240, 1938.
40 Fleming, 1998.
54
 Um dos episódios famosos dessa tendência 
de aquecimento foi a terrível seca que assolou 
diversos estados americanos durante a década 
de 1930, o que levou Callendar a continuar 
trabalhando com a hipótese da relação direta entre 
variação de CO
2
 e aumento da temperatura. As 
súbitas alterações das temperaturas nas primeiras 
décadas do século XX foram objeto de estudo da 
reportagem do New York Times, de 12 de dezembro 
de 1938. A reportagem apresentava estudos que 
tentavam diagnosticar a razão do aquecimento 
percebido na época, embora não se soubesse ainda 
sua causa real.
 Na contramão da tendência de 
responsabilização do CO
2
 como vilão do 
aquecimento global, o matemático sérvio Milutin 
Milankovich (1879-1958) publicou o livro 
Mathematical science of climate and astronomical 
theory of the variations of the climate (1930), no qual 
sugeria que os ciclos glaciais eram determinados 
por variações da radiação solar recebida pela 
Terra e tais variações decorriam das seguintes 
combinações: a excentricidade, a obliquidade e 
a rotação do eixo terrestre que varia entre 21,8º e 
24,4º a cada 41.000 anos. No entanto, essa “conexão 
cósmica”, ou seja, a relação entre o aumento 
da intensidade solar e o aquecimento global só 
passaria a ganhar aceitação no final da década de 
1970, depois que análises nos leitos dos oceanos 
no gelo da Antártica e da Groelândia mostraram 
evidencias das alternâncias climáticas. Durante a 
Guerra Fria houve também muita especulação a 
respeito da influência dos testes nucleares no clima 
do planeta. 
55
 No início da década de 1950, Gilbert 
Norman Plass (1920-2004), físico canadense 
fez uma série de previsões sobre o aumento do 
dióxido de carbono na atmosfera e seu efeito sobre 
a temperatura média do planeta. Plass endossando 
os trabalhos de Callendar, afirmava que o acúmulo 
de dióxido de carbono na atmosfera poderia se 
tornar um sério problema num futuro próximo. 
Em 1953, Plass publicou na revista Time Magazine 
um artigo no qual discorreu sobre a relação entre o 
aumento das emissões antropogênicas de CO
2
 e o 
aumento das temperaturas. Segundo ele, o aumento 
de CO
2
 na atmosfera elevaria a temperatura média 
do planeta em 1,5°C a cada 100 anos. 
 Em 1958, começaram as medições de CO
2
 
no vulcão Mauna Loa no Havaí pelo químico 
Charles David Keeling (1928-2005). A partir de 
então, a relação direta entre o aumento de gás 
carbônico e a elevação da temperatura passou a ser 
conhecida como Curva de Keeling. As medições 
que tiveram início no ano de 1958 até os dias atuais 
seria uma evidência, para aqueles que defendem 
a tese do aquecimento global exclusivamente 
antropogênico, que o planeta estaria em processo 
de aquecimento acelerado. Em 1963, a Fundação 
Conservação patrocinou uma conferência sobre 
as implicações do crescente aumento de CO
2 
na atmosfera que foi presidida pelo próprio 
Charles Keeling. O relatório final da conferência 
afirmava que o aumento das concentrações de 
CO
2
 acabaria provocando uma elevação de até 4º 
C nas temperaturas, o que acarretaria inundações, 
derretimento de geleiras e elevação do nível dos 
oceanos. 
56
 No entanto, naquele mesmo ano, 
contrastando com o aquecimento global, 
a Organização das Nações Unidas para a 
Alimentação e Agricultura (FAO) convocou uma 
conferência em Roma para discutir os efeitos do 
resfriamento global sobre a produção de alimentos. 
O principal pesquisador ouvido foi o climatologista 
e especialista no estudo de climas do passado, o 
inglês Hubert H. Lamb (1913- 1997), diretor do 
Centro de Pesquisas Climáticas da Universidade 
de East Anglia. Lamb era um opositor a tese de que 
o CO
2
 teria uma influência determinante sobre o 
clima terrestre.
57
2 
RESFRIAMENTO OU 
AQUECIMENTO GLOBAL?
 Não tardou muito para que a hipótese de 
aquecimento global “esfriasse”. Contrariando 
as tendências de aumento nas temperaturas o 
período pós-guerra (1946-1976) foi marcado 
pelo descenso das temperaturas, justamente no 
intervalo de tempo de maior atividade na produção 
mundial em que a economia global prosperou com 
necessidade de investimento constante na geração 
de energia elétrica e consequentemente aumento 
das emissões dos GEE. Com a queda de - 0,2º C 
nas temperaturas alguns pesquisadores e governos 
da época (década de 1970) trabalhavam com a 
hipótese de um inevitável resfriamento global. 
 Entre as décadas de 1960 e 1970, portanto, 
a discussão sobre aquecimento global cedeu lugar 
à possibilidade de resfriamento com base na 
redução das temperaturas que vinha ocorrendo 
desde a década de 1940. 
 Intencionando responder a essa questão 
a revista Science, uma publicação da American 
Association for the Advancement of Science 
(AAAS), publicou um estudo afirmando que 
as temperaturas estavam em decaimento em 
58
decorrência do aumento das concentrações de 
aerossóis na atmosfera causada pela poluição.
 A publicação saiu no dia 09 de julho de 
1971, o artigo Atmospheric Carbon Dioxide and 
Aerosols: Effects of Large Increases on Global 
Climate, dos pesquisadores S. Ichtiaque Rasool e 
H. Stephen Schneider afirmava que a diminuição 
das temperaturas globais estaria ocorrendo em 
decorrência do aumento nas concentrações de 
aerossóis liberados por causa da queima dos 
combustíveis fósseis. Segundo os autores, o 
material particulado liberado pelo homem na 
atmosfera poderia filtrar a luz solar e caso as 
concentrações continuassem em progressão as 
temperaturas poderiam cair cerca de seis graus, 
resultando em um acúmulo de glaciares que 
eventualmente poderia se espalhar, cobrir grandes 
extensões de terras e desencadear uma nova era 
glacial por volta do ano de 2021.
 Em 1971, John Holdren pesquisador da 
Universidade da Califórnia e Paul R. Ehrlich da 
Universidade de Stanford publicaram o livro Global 
Ecology: Readings Toward a Rational Strategy for 
Man. No sexto capítulo do livro Overpopulation 
and the Potential for Ecocide, os autores discorrem 
sobre a probabilidade de uma nova era glacial 
ocorrer devido às atividades humanas. Segundo 
os autores, a transparência reduzida da atmosfera 
em decorrência da poluição do ar seria responsável 
pela queda de 0,2º C nas temperaturas e apesar 
59
desse número parecer insignificante ele poderia 
chegar a menos 4º C, o que seria suficiente para 
dar início a uma nova era do gelo.
 Em 1972, o pesquisador R. K. Matthews 
da Universidade Brown e George Kukla da 
Universidade de Columbia enviaram ao então 
ex-presidente Richard Nixon (1913-1994) uma 
carta alertando para os perigos de uma nova era 
glacial. Na carta eles informam que a principal 
conclusão de uma recente conferência sobre 
mudanças climáticas apontava como inevitável 
o resfriamento do planeta e que a taxa de 
resfriamento acelerado do hemisfério norte seria 
suficiente para desencadear uma nova era glacial 
nos próximos cem anos 1. 
 Nessa nova tendência o frio passou a ser 
manchete em vários jornais e revistasnos EUA: 
“os climatologistas estão pessimistas se os líderes 
políticos tomarão alguma ação positiva para 
compensar a mudança climática, ou mesmo para 
mitigar seus efeitos”? Alguma semelhança com 
as previsões atuais? Sim, mas com uma pequena 
diferença: o texto foi publicado pelo jornalista 
Peter Gwynne na revista Newsweek de 28 de abril 
de 1975 e faz referência ao resfriamento e não ao 
aquecimento global.
1 Broecker, Wallace S. The End of the Present Interglacial: 
How and When? Quartenary Science Reviews, vol. 17, pp. 
689-694, 1998.
60
 No dia 08 de agosto de 1974, o jornal 
The New York Times noticiava que a comunidade 
científica estava preocupada com a possibilidade 
de redução na produção mundial de alimentos 
em decorrência do resfriamento global já que uma 
nova era glacial estava em curso. Outra matéria 
publicada no dia 21 de maio de 1975, assinada pelo 
61
jornalista Walter Sullivan com o título Scientists Ask 
Why World Climate Is Changing; Major Cooling May 
Be Ahead, reafirmava que a comunidade científica 
estava preocupada com as mudanças climáticas 
e que muitos cientistas estavam convictos de que 
as baixas temperaturas era um claro sinal de que 
uma nova era glacial estava próxima. De acordo 
com a matéria, mais cedo ou mais tarde um grande 
resfriamento do clima seria inevitável.
62
 O resfriamento global também foi capa da 
revista Time em vários momentos naquele período: 
The Big Freeze (31 de janeiro de 1977) e How To 
Survive the Coming Ice Age (8 de abril de 1977). 
 Mas, se a quantidade de CO 
2
 estava aumentando, 
como explicar a queda nas temperaturas?
 As consequências do possível resfriamento 
para o ambiente, economia e segurança alimentar 
também foram objetos de pesquisas do governo 
norte-americano como demonstram os relatórios 
A Study of Climatological Research as it Pertains to 
Intelligence Problem (1974) e Report of the Ad Hoc 
Panel on the Present Interglacial (1974), publicados 
respectivamente pelo Departamento de Mudanças 
Climáticas da Agencia Central de Inteligência 
(CIA) e pelo Federal Council for Sciense and 
Technology. A revista Science News publicou um 
artigo em 1975, do pesquisador John H. Douglas, 
chamado Climate Changes: Chilling Possibilities. 
O artigo endossava a tese de resfriamento global 
tendo como referência os diversos trabalhos da 
literatura da área publicados até então, como o 
relatório da National Academy of Sciences sobre 
mudanças climáticas e o trabalho de Rasool e 
Schneider1.
 Em junho de 1972, ocorreu em Estocolmo 
na Suécia, a primeira Conferência das Nações 
Unidas para o Ambiente Humano cujo mérito 
principal foi introduzir a temática ambiental 
1 Rasool, Ichtiaque.; Schneider, Stephen. Atmospheric 
carbon diox-ide and aerosols: effects of large increases on 
global climate. Science 173, pp. 138-141, 1971.
63
nas relações internacionais abrindo caminho 
para a implantação de uma série de tratados 
internacionais, bem como, a criação do Programa 
das Nações Unidas para o Meio Ambiente 
(PNUMA), sendo que o primeiro diretor executivo 
nomeado para o órgão foi Maurice Strong (1929-
2015), diplomata e empresário canadense ligado 
a área do petróleo e da mineração que também 
atuou como subsecretário-geral da ONU. 
 Antes de ser nomeado para a conferência, 
Strong foi executivo do alto escalão da empresa de 
energia Power Corporation e cargos no governo do 
Canadá. Também mantinha numerosos vínculos de 
negócios com a família Rockefeller, tais condições, 
por incrível que pareça, o credenciou para assumir 
o papel de executivo-chefe do embrionário 
movimento ambientalista globalizado.
 Durante a conferência Maurice Strong 
advertiu urgentemente as nações sobre o advento 
do aquecimento global, a devastação das florestas, 
a perda da biodiversidade e finalmente sobre 
tendência mundial do aumento descontrolado da 
população. Ele propôs também um imposto a ser 
cobrado sobre cada barril de petróleo produzido, 
esses recursos seriam utilizados em programas 
de esclarecimentos sobre as consequências da 
poluição em qualquer parte do globo. 
 Durante os anos em que esteve no cargo 
(1972-1975), Strong promoveu ativamente a 
popularização das principais ameaças para 
atmosfera representada pelo uso dos combustíveis 
fósseis e produtos químicos como o gás 
64
refrigerante Clorofluorcarbono (CFC) que estaria 
supostamente reduzindo a chamada camada de 
ozônio” e articulou a aproximação entre o PNUMA 
e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), 
estabelecendo assim o arcabouço institucional 
para a politização dos temas climáticos. Alguns 
anos mais tarde Strong seria um dos principais 
organizadores da Cúpula da Terra (Conferência 
Rio-92), da Convenção sobre Mudanças Climáticas 
e das negociações do fracassado Protocolo de 
Kyoto. 
 Durante os anos de 1980 os termômetros 
registrariam novamente uma tendência para o 
aumento das temperaturas e com o sucesso do 
Protocolo de Montreal para a questão da camada 
de ozônio foi seguido por outro encontro a 
Conferência Global sobre Mudanças Atmosféricas 
(1988) - ou Conferência de Toronto como ficou 
conhecida. Seguindo o modelo do Protocolo de 
Montreal a Conferência de Toronto foi a primeira a 
estabelecer metas específicas de redução dos GEE.
 No final da década de 1980 a OMM e o 
PNUMA, sob os auspícios da ONU reconheceriam 
formalmente a ameaça do aquecimento global e 
estabeleceriam, em 1988, a criação do IPCC. 
 A escolha dos membros do IPCC é 
baseada na experiência e na área de pesquisa, já 
as indicações são feitas pelos governos e ratificado 
pelo comitê diretor do painel, que pode também 
eleger membros independentemente dessa 
indicação. Em 1990, seis brasileiros participaram do 
Primeiro Relatório de Avaliação (AR1), no Quarto 
65
Relatório, (AR4) de 2007 foram 35 pesquisadores 
e no Sexto Relatório de Avaliação (AR6) o país 
contou com a participação de 21 cientistas. Após a 
compilação e revisão os relatórios produzidos são 
encaminhados aos países membros da ONU para 
o crivo governamental para posteriormente ser 
revisado e finalizado. 
 O IPCC não faz ciência, é um painel 
de especialistas que apenas compila resultados 
científicos publicados na literatura específica. Por 
exemplo, a resposta para a indagação a respeito de 
quanto será o aumento das temperaturas para o 
próximo século, não é dada diretamente pelo IPCC, 
mas sim pelos artigos científicos que embasam os 
seus relatórios, não são por isso uma projeção do 
Painel, mas sim de artigos selecionados no meio da 
comunidade científica.
 A cada quatro anos, aproximadamente, 
o painel realiza uma compilação dos últimos 
resultados de pesquisas relacionadas às mudanças 
climáticas globais. Desde a publicação do seu 
primeiro relatório o IPCC tem sido promovido 
como órgão que representaria a máxima autoridade 
científica mundial em relações as questões 
climáticas, obviamente também tem recebido 
críticas severas em relação as suas previsões e 
publicações.
 Em 2001, o órgão divulgou seu Terceiro 
Relatório (AR3) no qual afirma que a participação 
da ação humana no aquecimento recente estaria 
em torno de 66% a 90%. Como consequência, 
teríamos temperaturas elevadas com ondas de calor 
66
mais intensas e episódios de chuvas torrenciais 
mais frequentes, enquanto, em algumas áreas 
do planeta as estiagens se aprofundariam. Esse 
relatório incluiu o famoso gráfico Taco de Hóquei 
de autoria de Michael Mann e colaboradores no 
qual foi omitido a PQM e a PIG que constavam 
no Primeiro Relatório de Avaliação publicado, em 
1990 (AR1, 1990), como citado anteriormente.
 Andrew Montford, autor do livro The 
Hockey Stick Illusion: Climategate and the 
Corruption of Science (2010), afirma que o gráfico 
de Mann foi construído para justificar a ideia de 
que nunca na história moderna da humanidade 
houve um período de aquecimento global tão 
intenso e repentino. 
 Em 2003, os pesquisadores canadenses 
Stephen McIntyre e Ross McKitrick publicaram 
o artigo Correctionsto the Mann et al (1998) 
proxy data base and northern hemispheric average 
temperature series, no qual demonstraram alguns 
erros empregados e empreenderam a revisão de 
todas as séries de dados. O resultado foi publicado 
na revista Energy and Environment. Os autores 
chegaram à conclusão de que o formato de taco 
de hóquei era inconsistente e fruto de sucessivos 
erros e apresentaram um novo gráfico totalmente 
reestruturado2.
2 McIntyre, Stephen; McKitrick, Ross. Corrections to 
the Mann et al (1998) proxy data base and northern 
hemispheric average temperature series. In: Energy & 
Environment vol. 14 nº 6 pp. 751-771, 2003.
67
 No relatório publicado, em 2007 (AR4), 
foram prognosticados que as temperaturas globais 
aumentariam em até 6,4º C; o nível do mar subiria 
em até 59 cm, haveria aumento na frequência de 
ondas de calor, chuva, seca, ciclones tropicais, 
riscos de extinção de até 30% da biodiversidade 
do planeta, “savanização” da Floresta Amazônica, 
derretimento das geleiras do Himalaia, entre 
outros. 
 Ainda em 2007, ano em que Al Gore e o 
IPCC receberam o Prêmio Nobel da Paz por seus 
“esforços no combate às mudanças climáticas”, 
na Inglaterra a Alta Corte de Justiça Britânica 
caracterizou o filme como alarmista e exagerado 
no apoio à sua tese política, recomendando que 
antes da exibição fosse feita uma advertência ao 
público devido à falta de comprovação científica 
nele expressa, como o relato de que as grandes 
tempestades sobre os oceanos Atlântico e Pacífico 
teriam aumentado cerca de quase duas vezes em 
relação a intensidade e frequência da década de 
1970.
 Em dezembro de 2007, uma carta assinada 
por um grupo de 100 cientistas de dezenove países 
foi enviada para o então Secretário Geral das 
Nações Unidas Ban Ki-Moon criticando a falta de 
embasamentos científicos nos relatórios do IPCC3.
3 Financial Post. Open letter to UN Secretary-General: 
Current scientific knowledge does not substantiate Ban 
Ki-Moon assertions on weather and climate, say 125-
plus scientists. Nov 29, 2012. Disponível em: https://
financialpost.com/opinion/open-climate-letter-to-un-
68
 A oposição ao relatório foi tanta que 
foi criado o Global Warming Petition Project, 
também conhecido como a Petição do Oregon. O 
documento é uma petição assinada por cerca de 
31.000 signatários, sendo 9.000 doutores. A petição 
foi encaminhada ao governo americano exortando 
os políticos a rejeitar quaisquer políticas baseadas 
em preocupações sobre o aquecimento global e, 
em particular ao Protocolo de Kyoto.
 Em 2009, a credibilidade dos dados 
contidos no relatório (AR4) continuou a ser 
abalada quando a mídia noticiou o vazamento 
de informações sigilosas contidas nas mensagens 
eletrônicas (e-mails) trocadas entre os cientistas 
ligados ao IPCC, o caso ficou conhecido como 
Climategate. 
 Os arquivos com mensagens eletrônicas 
e documentos armazenados em um servidor da 
Unidade de Pesquisas Climáticas da Universidade 
de East Anglia (Inglaterra), um dos três grandes 
centros de compilação das temperaturas mundiais, 
foi enviado a um servidor na cidade russa de 
Tomsk de onde se espalhou rapidamente pela 
internet. Foram mais de 1000 e-mails e cerca de 
2000 documentos cobrindo o período de 1996 
a 2009. O exame dos documentos revelou, entre 
outras coisas, a manipulação de dados visando 
omitir as tendências de declínio das temperaturas 
mundiais. O episódio levou um grupo de 12 
ecretary-general-current-scientific-knowledge-does-not-
substantiate-ban-ki-moon-assertions-on-weather-and-
climate-say-125-scientists. Acesso em 27 Jun. 2023.
69
cientistas independentes a fazer uma série de 
recomendações ao IPCC. De acordo com os 
cientistas, que incluem um brasileiro, o físico 
Carlos Henrique de Brito Cruz, o painel do clima 
precisaria passar por mudanças na sua gestão e na 
coleta de informações4.
 Em 2010, o número 1 do IPCC, o indiano 
Rajendra Pachauri (1940-2020) foi acusado de 
conflito de interesses, pois o instituto que ele dirigia 
na Índia recebeu 100 mil euros do Deustche Bank 
e 80 mil dólares da Toyota para prestar consultoria 
a essas empresas, nesse mesmo ano, a ONU 
nomeou um conselho independente de cientistas 
para revisar os trabalhos do órgão, principalmente 
pelo trabalho desleixado apresentado no relatório 
de 2007 que fazia declarações imprecisas sobre a 
condição das geleiras do Himalaia, a extensão da 
Holanda que enfrenta risco de inundação devido 
à elevação do nível do mar e a agricultura na 
África. Os erros – combinados com um escândalo 
envolvendo e-mails vazados da Unidade de 
Pesquisa Climática da Universidade de East 
Anglia – abalaram o apoio público à ação contra 
a mudança climática. O IPCC admitiu ter incluído 
erroneamente no relatório a informação de que 
as geleiras do Himalaia poderiam desaparecer até 
2035, em um erro creditado por Pachauri a uma 
“falha humana”. 
4 Montford, A.W. The Hockey Stick Illusion. Climategae 
and the Corruption of Science. London: Stacey International, 
2010.
70
 Contrariando os cenários apresentados 
pelo IPCC, cuja argumentação está baseada em 
modelos de computador e cenários futuros, o 
Geofísico Nils-Axel Mörner prevê um declínio 
acentuado nas temperaturas globais para os 
próximos cinquenta anos. Mörner, ex-presidente 
do departamento de Paleogeofísica e Geodinâmica 
da Universidade de Estocolmo, afirma que o sol 
estará em um novo e importante mínimo solar 
que resultará em uma nova Idade do Gelo. As 
ideias de Mörner baseiam-se na teoria dos raios 
cósmicos desenvolvida pelo dinamarquês Henrik 
Svensmark, pesquisador do Centro Espacial 
Nacional da Dinamarca que propôs a teoria 
chamada “Cosmoclimatologia” na qual estabelece 
um mecanismo natural para explicar as flutuações 
climáticas. Segundo o pesquisador, existe uma 
conexão direta entre o fluxo de raios cósmicos do 
espaço e a cobertura de nuvens.
 Quando a atividade solar se torna mais 
ativa o fluxo de raios cósmicos diminui, a 
quantidade de nuvens se reduz e a temperatura 
global se eleva. Por sua vez, quando a atividade 
solar está em baixa, como ocorreu durante a PIG, 
o fluxo de raios cósmicos torna-se mais intenso, a 
quantidade de nuvens aumenta e as temperaturas 
globais entram em descenso5. O resfriamento 
e não o aquecimento global, como tendência 
para os próximos anos, também é defendido 
pelo canadense Timothy Ball (1938-2022), um 
5 Svensmark, Henrik; Calder, Nigel. The chilling stars: 
a new theory of climate change. Cambridge: Icon Books, 
2007.
71
consultor ambiental e ex-professor de climatologia 
da Universidade de Winnipeg. De acordo com 
Ball, as temperaturas estiveram em alta de 1680 até 
1940, mas a partir de 1940 entraram em declínio 
como demonstrariam os dados fornecidos por 
satélites.
 A rede de televisão britânica BBC, em 2007, 
exibiu um documentário chamado “The Great 
Global Warming Swindle”, que traz os argumentos 
de vários cientistas que discordam que o CO
2
 
liberado pela atividade humana esteja causando a 
elevação das temperaturas globais.
 O documentário argumenta que o 
aumento das concentrações de CO
2
 na atmosfera 
não tem relação com as mudanças do clima e que 
tais mudanças podem ser explicadas com melhor 
precisão pelo efeito da radiação cósmica incidente 
sobre o planeta e pela intensificação da atividade 
solar do que pela teoria do dióxido de carbono.
 Em 2010, as incertezas a respeito das 
mudanças climáticas causadas por atividades 
antrópicas, levou a Royal Society, organização 
científica proeminente do Reino Unido, a publicar 
um relatório intitulado Climate change: a summary 
of the science, apontando as incertezas que ainda 
pairavam sobre as possíveis mudanças climáticas 
induzidas pelas atividades humanas 6.
 Respeitáveis pesquisadores no Brasil e 
no mundo têm discordado dos relatórios do 
6 The Royal Society. Climate change:a summary of the 
Science. London: CryoSat, 2010.
72
IPCC. Segundo esses pesquisadores, as alterações 
climáticas fazem parte da históriado ciclo natural 
do planeta, são os chamados de “céticos do clima”.
 Não tardou muito até o debate chegar à 
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência 
(SBPC), que durante sua Reunião Anual, em 2010, 
promoveu um acirrado debate sobre o papel da 
ação humana no clima. De um lado o representante 
da visão hegemônica que atribui o aumento de 
100% das temperaturas globais à ação humana, o 
professor da Universidade de São Paulo (USP) e 
representante do IPCC, o físico Paulo Artaxo. Do 
outro lado o meteorologista e também professor 
do Departamento de Geografia da USP, Ricardo 
Augusto Felício.
 O formato da discussão foi inspirado 
nos debates eleitorais no qual cada debatedor 
tem vinte minutos para sua exposição inicial. 
Em seguida, fizeram perguntas um ao outro e 
receberam também questões do público. No final 
do debate a questão que permaneceu sem resposta 
foi: o aquecimento global é ou não fruto da ação 
humana? 
 Nas discussões acirradas sobre o percentual 
de culpabilidade do homem nas mudanças 
climáticas, ambos os lados têm sofrido baixas. 
James Lovelock Efraim (1919-2022), pesquisador 
britânico e ambientalista mundialmente conhecido 
por propor a chamada Hipótese Gaia, tornou-se 
quase um cético ao admitir que exagerou e errou 
nas suas previsões a respeito das consequências 
das mudanças climáticas. Por outro lado, Bjorn 
73
Lomborg, ambientalista, pesquisador e cientista 
político dinamarquês, professor adjunto do 
Copenhagen Business Scholl, diretor do Centro 
de Consenso de Copenhague, ex-diretor do 
Instituto de Avaliação Ambiental em Copenhague 
e autor do conhecido best-seller The Skeptical 
Environmentalist (2001), cuja obra é considerada 
uma das principais referências para muitos céticos 
do clima, atualmente defende que a mudança 
climática é um problema real e o aquecimento 
global é causado principalmente pela ação humana, 
porém, o pesquisador combate o chamado 
“alarmismo” e defende meios mais inteligentes e 
menos apocalípticos para o tratamento da questão 
climática7.
 O Geofísico francês Jean Claude Allegre, 
membro da Academia Francesa de Ciências, 
ministro da Educação no Governo Lionel 
Jospin (1997-2002), autor de mais de 100 artigos 
científicos e que há mais de 20 anos alertava para 
os perigos do aquecimento global antropogênico 
(AGA), agora afirma ser desconhecida à causa das 
mudanças climáticas.
 Em 2011, o físico Richard A. Muller da 
Universidade da Califórnia, muito reverenciado 
pelos céticos climáticos devido a sua posição 
crítica em relação ao AGA, resolveu mudar de lado 
e assumir o papel de “cético convertido”. Muller, 
ao ser convidado pelo Comitê de Ciência, Espaço 
7 Lomborg, Bjorn. False alarm: how climate change panic 
costs us trillions, hurts tthe poor, and fails to fix the planet. 
Basic Books: New York, 2021.
74
e Tecnologia do congresso americano, afirmou 
que o planeta realmente estava se aquecendo em 
decorrência das atividades humanas, conforme 
indicavam os modelos climáticos, deixando grande 
parte dos céticos perplexos.
 Em maio de 2023, o físico estadunidense 
John F. Clauser, ganhador do Prêmio Nobel de Física 
de 2022, pelas contribuições aos fundamentos da 
mecânica quântica, não poupou críticas as narrativas 
acerca da emergência climática, chamando-a de 
“uma perigosa corrupção da ciência que ameaça 
a economia mundial e o bem-estar de bilhões de 
pessoas”. Clauser criticou a concessão do Prêmio 
Nobel de Física de 2021 aos pesquisadores Syukuro 
Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi pelo 
trabalho no desenvolvimento de modelos usados 
para prever o clima futuro. Ele destacou que os 
modelos climáticos prevalentes não são confiáveis 
porque não levam em consideração o papel das 
nuvens, fato inclusive reconhecido pelo próprio 
IPCC que admite que os efeitos das nuvens 
realmente representam grandes incertezas em 
relação as previsões climáticas:
Uncertainty in the sign and magnitude 
of the cloud feedback is due primarily to 
continuing uncertainty in the impact of 
warming on low clouds. [...] Low clouds 
contribute positive feedback in most 
models, but that behaviour is not well 
understood, nor effectively constrained by 
observations, so we are not confident that 
it is realistic8.
8 IPCC. Climate change 2013: the physical science basis. 
75
 Clauser, ainda argumenta que a análise do 
IPCC (AR5) sobre o papel das nuvens é superficial 
e omite totalmente o processo de transporte de 
energia, ele também desenvolveu um novo modelo 
climático que inclui o efeito albedo que envolve a 
luz visível que é refletida por nuvens cúmulos que 
cobrem, em média, metade da Terra. Os modelos 
existentes subestimam muito esse feedback e 
superestimam o papel do CO
2
. 
 A capacidade albedo das nuvens modula 
a quantidade de radiação solar que aquece a 
superfície, quando a cobertura de nuvens aumenta, 
menos radiação de ondas curtas atinge a superfície, 
levando ao resfriamento. Quando a cobertura de 
nuvens diminui, como tem acontecido desde a 
década de 1980, mais radiação solar é absorvida. 
Portanto, a diminuição da cobertura de nuvens 
nas últimas décadas pode explicar o aquecimento 
registrado entre 1979 e 2017 9. 
Working Group I contribution to the 5th assessment report 
of the Intergovernmental Panel on Climate Change, p.574.
9 Herman, J.; DeLand, M. T.; Huang, L.K.; Labow, G., 
Larko, D.; Lloyd, S. A.; Mao, J.; Qin, W.; Weaver, C. A 
net decrease in the Earth's cloud, aerosol, and surface 340 
nm reflectivity during the past 33 yr (1979–2011). Atmos. 
Chem. Phys. Vol. 13, pp. 8505–8524, 2013. Pokrovsky, 
O.M. Cloud Changes in the Period of Global Warming: 
the Results of the International Satellite Project. Earth 
Exploration from S, nº 1 pp. 03-13, 2019. Loeb, N.G.; 
Thorsen, T.J.; Norris, J.R.; Wang, H.; Su, W. Changes in 
Earth’s Energy Budget during and after the “Pause” in 
Global Warming: An Observational Perspective. Climate, 
pp. 1-18, 2018.
76
2.1 Nova Refutação do Efeito Estufa
 A atmosfera realmente se comportaria 
como uma estufa?
 Vimos que Robert Wood, no início do 
século XX, questionou a analogia feita entre a 
atmosfera terrestre e uma estufa, passados mais 
de cem anos, em maio de 2011, o professor e 
pesquisador mexicano Nasif Nahle iniciou uma 
série de experimentos objetivando validar ou 
refutar os resultados obtidos por Wood, em 1909. 
O artigo intitulado Repeatability of Professor Robert 
W. Wood’s 1909 experiment on the Hypothesis of the 
Greenhouse Effect (2011), concluiu que o efeito 
estufa ocorre devido ao bloqueio da transferência 
de calor por convecção, portanto, não está 
relacionado e nem obedece a qualquer tipo de 
radiação.
 Outro artigo que refuta a existência do 
efeito estufa foi publicado pelos pesquisadores 
alemães Gerhard Gerlich e Ralf Tscheuschner. Na 
pesquisa intitulada Falsication of the Atmospheric 
CO
2
 Greenhouse Effects Within the Frame Of Physics 
(2009), os pesquisadores concluíram que de acordo 
com a 2ª Lei da Termodinâmica o efeito estufa não 
pode existir, sendo apenas um mecanismo fictício 
que não pode se quer ser falseado.
 Quem também corrobora com tais ideias é 
o pesquisador brasileiro e árduo defensor do ponto 
de vista cético sobre o clima, o meteorologista do 
Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade 
77
Federal de Alagoas, o professor Luiz Carlos Molion. 
Segundo o pesquisador, no artigo Reflexões sobre 
o Efeito Estufa (2009), o fenômeno do efeito 
estufa, como descrito nos livros de Meteorologia, é 
questionável e desafia as leis da Termodinâmica 10. 
2.2 Painel Não-Governamental sobre 
Mudanças Climáticas (NIPCC)
 Em 2007, foi criado o NIPCC, um painel 
internacional criado por cientistas e estudiosos 
não-governamentais que se dispõe a oferecer uma 
segunda opinião a respeito dos prognósticos feitos 
pelo IPCC. O painel, como o próprio nome sugere, 
é um órgão internacional que agrega cientistas 
e acadêmicos que se reúnem para entender as 
causas e consequências das mudanças climáticas,o órgão não tem vínculo formal ou patrocínio de 
nenhum governo ou agência governamental. 
O NIPCC busca analisar e interpretar dados e 
fatos objetivamente sem se conformar a nenhuma 
agenda específica. Essa estrutura organizacional e 
propósito contrastam com os do IPCC patrocinado 
pela ONU.
10 Molion. Luiz C. Baldicero. Reflexões sobre o Efeito 
Estufa. Instituto de Ciências Atmosféricas. Disponível 
em: https://icat.ufal.br/laboratorio/clima/data/uploads/pdf/
REFLEX%C3%95ES_EFEITO-ESTUFA_V2.pdf. Acesso 
em 10 Agosto 2022.
78
 Sua formação remonta a uma reunião 
informal realizada em Milão, Itália, em 2003, 
organizada pelo Dr. S. Fred Singer e pelo Science 
and Environmental Policy Project (SEPP). O 
objetivo era produzir uma avaliação independente 
das evidências científicas disponíveis sobre o tema 
do aquecimento global induzido pelo dióxido 
de carbono em antecipação ao lançamento do 
Quarto Relatório de Avaliação (AR4) do IPCC. 
Os cientistas do NIPCC concluíram que o IPCC 
era tendencioso em relação as projeções futuras 
sobre as mudanças climáticas. Para destacar as 
deficiências contidas no AR4 do IPCC, em 2008 
o SEPP fez parceria com o The Heartland Institute 
para produzir o relatório “Nature, Not Human 
Activity, Rules the Climate”, um resumo da pesquisa 
para formuladores de políticas que foi amplamente 
distribuído e traduzido para seis idiomas. Em 
2009, o Center for the Study of Carbon Dioxide and 
Global Change, juntou-se aos dois patrocinadores 
originais para ajudar a produzir o Climate 
Change Reconsidered: The 2009 Report of the 
Nongovernamental International Panel on Climate 
Change (NIPCC), uma das primeiras alternativas 
abrangente a se contrapor aos relatórios do IPCC.
 Em 2010, um site (www.nipccreport.
org) foi criado para destacar estudos científicos 
que os cientistas do NIPCC acreditavam 
que provavelmente seriam minimizados ou 
ignorados pelo IPCC durante a preparação de seu 
próximo relatório de avaliação. Em 2011, as três 
79
organizações patrocinadoras produziram Climate 
Change Reconsidered: The 2011 Interim Report 
of the Nongovernamental International Panel on 
Climate Change (NIPCC).
 Em 2013, o Centro de Informações para 
Estudos de Mudanças Globais, uma divisão da 
Academia Chinesa de Ciências, traduziu e publicou 
uma edição resumida dos relatórios do NIPCC de 
2009 e 2011 em um único volume, organizando 
também no dia 15 de junho, um Workshop em 
Pequim para permitir que os principais autores do 
NIPCC apresentassem resumos de suas conclusões.
 Em setembro de 2013, o NIPCC lançou 
Climate Change Reconsidered II: Physical Science, o 
primeiro de três volumes expandindo e atualizando 
o relatório original de 2009, além de oferecer um 
contraponto ao Quinto Relatório de Avaliação 
(AR5) do IPCC.
 Em 2014, foi publicado o segundo volume 
Climate Change Reconsidered II, subtitled Biological 
Impactsde, com mais de 1.000 páginas de análises de 
pesquisas científicas que concluíram que o impacto 
do aquecimento global causado pelo homem 
é benigno e até benéfico para a humanidade e o 
mundo natural. 
 Em novembro de 2015, os três principais 
autores do NIPCC - Craig Idso, Robert M. 
Carter e S. Fred Singer - escreveram um pequeno 
livro intitulado Why Scientists Disagree About 
80
Global Warming: The NIPCC Report on Scientific 
Consensus, revelando que nenhuma pesquisa ou 
estudo mostra um “consenso” sobre as questões 
científicas mais importantes no debate sobre 
mudanças climáticas.
 Em outubro de 2018, o NIPCC lançou o 
Resumo para Formuladores de Políticas do último 
volume da série, Climate Change Reconsidered II: 
Fossil Fuels. O volume completo foi lançado em 4 de 
dezembro de 2018 em Katowice, Polônia, durante a 
conferência climática das Nações Unidas, COP-24.
81
3 
O IPCC E A CONSTRUÇÃO DO 
CONSENSO CIENTÍFICO
Não se pode negar que o nível de CO
2 
na 
atmosfera está em ascensão (420 ppm, dias atuais) 
e que as temperaturas tiveram uma elevação média 
de 1,07º C nos últimos 150 anos. A grande discussão 
que se coloca é quanto desse aquecimento pode ser 
creditado as ações antrópicas, ou seja, o quanto a 
queima dos combustíveis fósseis tem contribuído 
para este aumento. Ainda que seja inegável a 
influência do homem no clima a contribuição 
da natureza permanece pouco conhecida e 
pouco quantificada. A ciência do clima ainda 
está se desenvolvendo, portanto, não está de 
forma alguma “estabelecida”. Mesmo que as 
projeções climáticas do IPCC se concretizassem as 
consequências econômicas seriam muito menores 
e as sociedades, inevitavelmente, teriam que se 
adaptar às mudanças climáticas da mesma forma 
que sempre fizeram. 
 Em termos científicos, não se pode 
afirmar com absoluta certeza que o aumento das 
concentrações de CO
2 
na atmosfera de origem 
antrópica foi responsável por si só pela elevação 
das temperaturas, isso é somente correlação sem 
caracterização de causa. O cientista sério deve 
sempre manter seu grau de ceticismo para que 
correlações casuais não sejam tomadas como 
82
causa, daí a importância da prática do exercício 
da dúvida. Mesmo o IPCC em seus relatórios 
não conseguiu dar como certa esta suposição, 
justamente por falta de dados.
 Os relatórios do IPCC são publicados 
a cada quatro anos e envolvem diversas etapas 
conduzidas por três Grupos de Trabalhos, GT I, 
GT II e GT III.
 Em 1988, o IPCC foi criado como uma 
joint venture entre a OMM e o PNUMA para 
aconselhar líderes globais sobre os riscos das 
mudanças climáticas antropogênicas. Em 1992, 
a cobrança tornou-se mais específica, pois a 
Convenção Quadro das Nações Unidas para 
as Mudanças Climáticas (UNFCCC) definiu 
o conceito de “ Interferência Antropogênica 
Perigosa (DAI) no sistema climático. Os cientistas 
foram convidados a definir o nível de mudança 
climática que constituiria o DAI e avaliar quais 
poderiam ser suas consequências. Em agosto de 
2021, um dos três grupos de trabalho do IPCC, 
o GT I publicou seu sexto relatório abrangente 
(AR6). Grande parte dos meios de comunicação 
chamou o relatório de devastador e sombrio, 
o secretário-geral da ONU António Guterres 
afirmou que o relatório é um alerta vermelho para 
a humanidade e, que o documento representa uma 
sentença de morte para os combustíveis fósseis. 
Crucialmente, o relatório enfatizou que o nível 
atual de aquecimento, pouco mais de um grau 
Celsius, ultrapassou o limiar DAI.
83
 Para se entender o funcionamento e as 
interferências que o órgão do clima da ONU 
sofre é preciso examinar como os seus relatórios 
são fabricados e publicados, especificamente o 
“Sumário para formuladores de Política” que é a 
parte destinada aos líderes dos governos.
 1º Relatório de Avaliação (1990, AR1) 
afirma que o “O aumento observado (da 
temperatura no século XX) em grande parte pode 
ser atribuído a uma variação natural”.
 2º Relatório de Avaliação (1996, AR2): 
“A análise das provas indica uma perceptível 
influência humana sobre o clima”. 
 3º Relatório de Avaliação (2001, AR3): 
“Existem novas e fortes provas de que a maior 
parte do aquecimento observado ao longo dos 
últimos cinquenta anos é consequência das 
atividades humanas”, neste relatório o órgão 
considerou como “provável”, ou seja, existe 66% 
de probabilidade de a humanidade ser responsável 
pelo aumento das temperaturas globais.
 4º Relatório de Avaliação (2007, AR4): 
a qualificação subiu para “muito provável”, ou 
seja, havia mais de 90% possibilidade de ser a 
ação humana o principal agente das mudanças 
climáticas. 
 5º Relatório de Avaliação (2014, AR5): 
classifica como “extremamente provável”, ou seja, 
há 95% de certeza que os níveis médios de CO
2
, 
CH
4
 e N
2
O – dióxido de carbono, metano e óxido 
nitroso – são os mais altos dos últimos vinte e dois 
84
mil anos, e que a atividade humana causou mais 
da metade do aumento da temperatura observado 
entre 1951 e 2010.
 6º Relatório de Avaliação (AR6), 
denominado “Climate Change 2021: the Physical 
Science Basis”,publicado em 09 de agosto de 2021. 
Na verdade, este relatório é a primeira de três 
partes e foi divulgado antes da cúpula climática 
COP 26 realizada em novembro de 2021 na cidade 
escocesa de Glasgow. De acordo com o relatório a 
influência humana no aquecimento do planeta é 
inequívoca e inquestionável. 
 Em fevereiro de 2022, a contribuição do 
Grupo de Trabalho II para o Sexto Relatório de 
Avaliação avaliou os impactos das mudanças 
climáticas nos ecossistemas, na biodiversidade 
e nas comunidades humanas nos níveis global e 
regional, também analisou as vulnerabilidades e 
as capacidades e limites do mundo natural e das 
sociedades humanas para se adaptar às mudanças 
climáticas.
 Em março de 2023, com a publicação do 
chamado Relatório Síntese, o IPCC concluiu seu 
Sexto Ciclo de Avaliação. Nesse ciclo, iniciado em 
2015, o IPCC publicou três documentos especiais: 
Aquecimento Global de 1,5°C em outubro de 2018; 
Mudanças Climáticas e Terra, em agosto de 2019 e 
Relatório Especial sobre o Oceano e a Criosfera em 
um Clima em Mudança, em setembro de 2019. 
 Esses relatórios foram seguidos por 
relatórios de três Grupos de Trabalho. A 
contribuição do GT I para AR6, Climate Change 
85
2021: the Physical Science Basis, lançado, em 
9 de agosto de 2021. A contribuição do GT II, 
Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and 
Vulnerability, lançado em 28 de fevereiro de 2022. 
O Grupo de Trabalho III, Climate Change 2022: 
Mitigation of Climate Change, lançado em 4 de 
abril de 2022. O ciclo foi então completado com 
o AR6 Synthesis Report, Climate Change 2023. Ao 
todo, o ciclo de avaliação durou oito anos e rendeu 
7 volumes. Após o grande “ciclo de gestação” o 
relatório do GT I apresenta 2.409 páginas, o GT II, 
3.068 páginas e o GT III, 2.913 páginas.
 Além da natureza extensa dos relatórios, 
o IPCC como um grande “Big Player” no cenário 
das pesquisas científicas, domina completamente a 
narrativa científica sobre a mudança climática no 
mundo. Supor algum tipo de consenso quando se 
observa a quantidade excessiva de 8.390 páginas 
beira a insanidade. Obviamente que acreditar 
que todos os colaboradores ou revisores leram 
todos os volumes e estão de acordo com todo seu 
conteúdo é algo surreal, uma vez que, em muitos 
tópicos importantes existem linhas de evidência 
conflitantes. Admitir que o IPCC tenha uma visão 
única sobre cada tópico não é algo plausível do 
ponto de vista da ciência. 
 O que não se ouve falar na grande mídia é 
que os cenários do último relatório AR6 do IPCC 
desconsideram tanto a responsabilidade histórica 
dos países industrializados do Norte Global pelas 
emissões de carbono quanto as necessidades 
futuras de energia dos países do Sul Global. O 
ônus da mitigação das mudanças climáticas recai 
86
diretamente sobre os países em desenvolvimento, 
enquanto os países desenvolvidos continuam a 
aumentar seu consumo de energia sem restrições. 
Na prática a construção de novos cenários e 
transformações no sistema produtivo com o 
objetivo de tornar o planeta habitável e sustentável 
no futuro deve ser para todos e não apenas para 
alguns segmentos da população global., portanto, 
as desigualdades entre Norte e Sul global devem ser 
amenizadas e não acentuadas. Nenhuma política 
climática global terá sucesso se negligenciar as 
desigualdades entre as nações. Os meios importam 
mais do que os fins. Colocando isso de forma 
diferente, existem alguns futuros além de 1,5°C 
(ou mesmo 2°C), portanto, o sucesso da política 
climática não dever estar restrito apenas a uma 
métrica global de temperatura desejável, é preciso 
não perpetuar no futuro as desigualdades globais 
históricas do presente.
 A mudança climática representa 
obviamente sérios perigos para a vida humana e 
não humana, embora talvez o perigo mais urgente 
seja a ascensão do “climatismo”, fenômeno 
identificado por Mike Hulme1 que consiste 
em todo e qualquer fenômeno social, político, 
meteorológico e ecológico que o mundo enfrenta 
na atualidade, desde a invasão russa da Ucrânia 
até o controle dos incêndios florestais, e que se 
converte rapidamente em uma questão vinculada a 
mudança no clima. Com complexos desafios éticos, 
1 Hulme M. Is it too late (to stop dangerous climate change)? 
An editorial. WIREs Climate Change – pp. 1-7.2020. https://
doi.org/10.1002/wcc.619
87
tecnológicos, políticos, científicos, econômicos, 
etc. enquadrados de forma tão estreita, deter a 
mudança climática se tornou o desafio político 
número 1 na atualidade e tudo o mais se torna 
subserviente a essa proposta. A mudança climática 
deixou de ser um fenômeno predominantemente 
físico para se tornar um fenômeno social, portanto, 
circula ansiosamente nos mundos da política 
doméstica e da diplomacia internacional e com 
força mobilizadora nos negócios, direito, academia, 
desenvolvimento, assistência social, religião, ética, 
arte e celebridade, entre outros. Nesta perspectiva, 
o climatismo se consolidou nas últimas décadas 
tornando-se tão difundido e incorporado na vida 
pública que é cada vez mais difícil identificá-lo 
sem ser descartado como um negador do clima. 
Tal visão perigosamente míope reduz a condição 
do planeta ao destino da temperatura global ou da 
concentração atmosférica de CO
2
. 
 Os cenários do IPCC não são simplesmente 
exercícios acadêmicos: são importantes para 
a implementação de políticas climáticas no 
mundo real, seja sob a Convenção-Quadro sobre 
Mudanças Climáticas (FCCC) ou em muitos 
outros cenários internacionais, nacionais e 
multilaterais. A implantação de políticas globais 
de descarbonização afetará a vida de milhões de 
pessoas no mundo, principalmente na África, que 
sediou a COP 27 no Egito, e está fadada a arcar 
com grande parte do ônus do sucesso da política 
climática global.
88
 Ainda em relação ao AR6, diversos erros e 
omissões foram apontados neste relatório. Todo 
mundo comete erros e o IPCC não é exceção à 
regra, seus relatórios, portanto, estão sujeitos 
ao escrutínio. Obviamente que a admissão dos 
erros é outra história. Integridade científica não 
é ser perfeito, mas o importante é o processo de 
autocorreção que infelizmente o IPCC desconhece. 
Como dito anteriormente, as avaliações científicas 
do painel da ONU são importantes em muitas 
áreas principalmente para os formuladores de 
políticas. As avaliações também podem ajudar a 
entender as opções políticas e as expectativas de 
como escolhas diferentes podem levar a resultados 
diferentes2. 
3.1 Os Grupos de Trabalho (GT)
 GT I - A Base da Ciência Física - avalia a 
ciência física das mudanças climáticas, ou seja, 
reúne evidências científicas de que a mudança 
climática se deve à ação do homem. Os tópicos 
científicos avaliados por este grupo de trabalho 
incluem: gases de efeito estufa e aerossóis na 
atmosfera; mudanças de temperatura no ar, terra 
2 Pielke Jr, Roger. The Political Agenda of the IPCC. 
Scientific Assessment or Environmental Advocacy 
Group? 15 mai. 2023. Disponível em: https://rogerpielkejr.
substack.com/p/the-political-agenda-of-the-ipcc?utm_
source=post-email-title&publication_id=119454&post_
id=121615460&isFreemail=true&utm_medium=email
89
e oceano; o ciclo hidrológico e mudanças nos 
padrões de precipitação (chuva e neve); clima 
extremo; geleiras e mantos de gelo; oceanos e 
nível do mar; biogeoquímica e ciclo do carbono e 
sensibilidade climática.
 O último relatório afirma que a ciência 
física que explica os perigos da interferência 
humana no sistema climático tornou-se 
inequívoca, o que levou a historiadora Naomi 
Oreskes a afirmar em artigo publicado na revista 
Scientific American, edição de novembro de 2021, 
que a hora é de redirecionar o foco, uma vez que, 
a causa é antropogênica, portanto, não haveria 
mais razão para a existência dos trabalhos do GT 
I do IPCC: “A mudança climática não é mais uma 
questão de ciência física. Portanto, vamos agradecer 
aos cientistas do clima que trabalharam tanto para 
esclarecer o problema e procurar outraspessoas que 
contribuam para a sua resolução” 3.
 O GT II- Impactos, Adaptação e 
Vulnerabilidade - avalia os impactos das mudanças 
climáticas de uma visão mundial para uma visão 
regional de ecossistemas, biodiversidade, seres 
humanos e suas diversas sociedades, culturas e 
assentamentos. Ele considera as vulnerabilidades, 
3 Oreskes, Naomi. IPCC, You’ve Made Your Point: 
Humans Are a Primary Cause of Climate Change. It’s 
time to redirect your major focus to how we deal with 
the problem. Scientific American, November 1, 2021. 
https://www.scientificamerican.com/article/ipcc-youve-
made-your-point-humans-are-a-primary-cause-of-climate-
change/. Acesso em: 27 Jun. 2023.
90
capacidades e limites desses sistemas naturais e 
humanos para se adaptar às mudanças climáticas 
e assim reduzir os riscos associados ao clima.
 O GT III - Mitigação das Mudanças 
Climáticas – concentra-se na mitigação das 
mudanças climáticas avaliando métodos para 
reduzir as emissões e remover os GEE da 
atmosfera. Como os GEE podem vir de várias 
fontes e a mitigação climática pode ser aplicada 
em todos os setores e atividades como energia, 
transporte, edifícios, indústria, gestão de resíduos, 
agricultura, silvicultura e outras formas de gestão 
da terra, o grupo não defende nenhuma opção 
específica de mitigação. O Grupo aborda diversos 
aspectos dos processos de mitigação, incluindo 
viabilidade técnica, custo e ambientes propícios 
que permitiriam a adoção de medidas. 
 Mas o IPCC é mesmo um órgão imparcial 
e rigorosamente científico como se costuma 
afirmar?
 É importante destacar que o IPCC não 
realiza pesquisas científicas, mas seleciona, avalia 
e julga a pertinência ou não da inclusão dos artigos 
nos relatórios. Obviamente com total rejeição e 
depreciação às publicações científicas que estão em 
desacordo com os critérios ideológicos e políticos 
do órgão. Vale lembrar que o processo de redação 
dos “Sumários” do IPCC tem sido alvo de críticas 
de vários cientistas que integram a instituição pela 
inclusão de informações que inicialmente não 
constavam nos resumos dos GTs.
91
 Em 1995, o relator do GT I, o climatologista 
Benjamin D. Santer, do Laboratório Nacional 
Lawrence Livermore, simplesmente excluiu 
alguns trechos do relatório final e incluiu outros 
deliberadamente sem o aval dos revisores, com o 
objetivo explícito de adequar a redação à hipótese 
de aquecimento antrópico, como pode ser 
verificado do trecho abaixo que foi suprimido:
Nenhum dos estudos acima citados 
mostrou evidências claras de que podemos 
atribuir as mudanças [climáticas] 
observadas à causa específica do aumento 
dos gases de efeito estufa [...] Embora 
alguns dos estudos aqui discutidos tenham 
manifestado a detecção de uma mudança 
climática significativa, nenhum estudo 
até o presente atribui positivamente toda 
ou parte dela às causas [humanas]. Nem 
qualquer estudo quantificou a magnitude 
de um efeito de gases de efeito estufa ou 
aerossóis nos dados observados – um 
tema de relevância primária para os 
formuladores de políticas4. 
Texto acrescentado: O corpo de evidencias 
estatística no Capitulo 8, quando examinado no 
contexto do nosso entendimento físico do sistema 
climático, aponta, agora, para uma influência 
humana discernível no clima global 5. 
4 Lino; Geraldo Luís. A fraude do aquecimento global. 
Como um fenômeno natural foi convertido numa falsa 
emergência mundial São Paulo: Capax Dei, 2010, p. 85. 
5 Ibidem, 85. 
92
 O físico de atmosfera Richard Lindzen 
do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT) 
que colaborou na elaboração do 3º Relatório 
de avaliação (AR3) do IPCC também acusou o 
órgão de manipulação em relação às causas do 
aquecimento climático. Escreveu ele no Wall 
Street Journal, de 11 de junho de 2001: Com 
relação às tendências climáticas de longo prazo 
ou o que as causam, não há consenso [...] nós não 
temos condições de atribuir, de boa consciência, 
ao dióxido de carbono a mudança do clima, nem 
podemos fazer prognósticos sobre o clima do futuro 
6.
 Em 2007 7, o relatório afirmou com muita 
convicção que havia grande probabilidade dos 
glaciares do Himalaia desaparecer completamente 
por volta de 2035, e talvez até mesmo antes 
disso, com grau de certeza “muito alta” (em seus 
relatórios o IPCC indica o grau de certeza sobre 
as afirmações feitas entre parênteses logo após as 
afirmações: “Confiança muito alta”, “Confiança 
alta”, “confiança média” e “confiança baixa”), 
portanto, se nada fosse feito todo um subcontinente 
estaria fadado a morrer de sede.
6 Blüchel; Kurt. A fraude do Efeito Estufa. Aquecimento 
global, mudança climática: os fatos. p. 63.
7 IPCC, 2007: Climate Change 2007: Synthesis Report. 
Contribuição dos Grupos de Trabalho I, II e III ao Quarto 
Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre 
Mudanças Climáticas. Equipe de Redação do Núcleo, 
Pachauri, RK e Reisinger, A. IPCC, Genebra, Suíça, 104 pp.
93
 Contudo, a verdade veio à tona, o problema 
não era real e não havia confiabilidade científica 
na previsão catastrófica. Tudo começou quando 
o Dr Syed Hasnain, professor do Indian Institute 
of Technology Delhi concedeu uma entrevista à 
revista Down to Earth, em 1999, citando a referida 
data. Contudo, como uma publicação extraída de 
uma obscura revista na Índia foi capaz de produzir 
tamanho impacto a ponto de ser utilizada como 
referência no AR4?
 Para se esquivar do problema o IPCC optou 
por citar como referência um relatório de 2005 
do World Wide Fund (WWF), que mencionava 
uma outra entrevista similar dada pelo professor 
Hasnain à revista inglesa New Scientist – relatório 
que também não foi submetido a avaliação por 
pares. Posteriormente, o Dr Georg Kaser que, 
em 2020, foi presidente da Comissão de Ciências 
Criosféricas da União Internacional de Geodésia 
e Geofísica e professor da University of Innsbruck 
(Áustria), contestou enfaticamente a previsão 
alarmista e destituída de bases científicas do IPCC. 
Também o geólogo e glaciologista Dr Vijay Kuma 
Raina, autor de um controverso documento de 
discussão do Ministério do Meio Ambiente e 
Florestas da Índia sobre as geleiras do Himalaia e 
que liderou duas expedições científicas conduzidas 
pelo Programa Antártico Indiano publicou o artigo 
Himalayan glaciers: 
A state of art review of glacial studies, 
glacial retreat and climate change (2009), no 
qual contestou de forma veemente a hipótese de 
derretimento dos glaciares em tão curto período 
94
de tempo em decorrência das mudanças climáticas 
antrópicas. 
 Mas, o caso não estava completamente 
encerrado. A publicação do artigo científico do 
Dr Raina contrariando as previsões alarmistas 
desagradou e causou uma reação desmedida por 
parte então presidente do IPCC Rajendra Pachauri, 
que insistia em defender a tese do Dr Hasnain. 
Soube-se então que Hasnain era funcionário 
de Pachauri e trabalhava em uma unidade do 
Instituto de Energia e Recursos (TERI) que 
realizava pesquisas de glaciologia com recursos 
vindos da Carnegie Corporation para pesquisas 
sobre o derretimento de gelo no Himalaia. A 
suspeita era de que a empresa havia sido criada 
apenas com o objetivo de receber parte dos 500 
mil dólares oferecido pela Carnegie Corporation, e 
como ficou evidente na época, a ideia alarmista de 
derretimento dos glaciares plantada por Hasnain 
e Pachauri foi decisiva para assegurar o repasse 
de verbas e garantir o fechamento do lucrativo 
negócio. 
 Vários exageros e imprecisões científicas 
podem ser constatadas na leitura do AR4 de 
2007, vejamos: em 2020, vários países africanos 
terão sua produção agrícola reduzida em até 50% 
devido à escassez de água provocada por alterações 
no regime de chuvas como consequência das 
mudanças climáticas (na verdade não havia 
base científica para tal informação); a mudança 
climática irá diminuir a precipitação de chuva 
na floresta amazônica e aumentará intensidade 
dos períodos de secas severas (porém, o único 
95
documento apresentado para embasara previsão 
não havia passado pelo crivo de avaliadores e 
estava baseado em um artigo produzido pelo 
Dr Daniel Nepstad, ex-funcionário do WWF, 
que abordava apenas os efeitos das derrubadas 
de árvores e queimadas não fazendo nenhuma 
alusão ao tema mudanças climáticas); a Holanda 
é um exemplo de país altamente suscetível tanto 
à elevação do nível do mar quanto à inundação de 
rios porque 55% de seu território está abaixo do 
nível do mar; a Savanização da Amazônia pode 
colapsar bioma de forma irreversível (alguns 
cientistas alegam que o relatório foi produzido 
com base em afirmações não comprovadas por 
parte de grupos e instituições ambientais, que 
erraram ao desconsiderar inúmeras variáveis sobre 
as condições geográficas locais); dos últimos doze 
anos (1995-2006), onze estariam entre os mais 
quentes já registrados na história dos registros 
instrumentais de temperatura em todo o globo 
desde 1850, entre outros 8.
 Em 2011, o IPCC divulgou o relatório 
Special Report on Renewable Energy Sources and 
Climate Change Mitigation (SRREN), que trata 
sobre as energias renováveis e mitigação das 
mudanças climáticas, porém, um dos seus autores 
era Sven Teske membro do Greenpeace na verdade 
estava atuando em causa própria mediante a 
autoridade confiável do IPCC. Nesse mesmo ano a 
jornalista canadense Donna Laframboise publicou 
o livro The delinquent teenager who was mistaken 
8 IPCC, 2007. p. 30-31
96
for the world’s top climate expert (O adolescente 
delinquente confundido com o maior perito 
climático do mundo), um compêndio detalhado 
sobre os métodos de trabalho do IPCC. De acordo 
com a autora grande parte dos cientistas autores 
dos Relatórios de Avaliação (AR) são jovens que 
se formaram recentemente sem a necessária 
qualificação e selecionados mais em função do 
grau de engajamento com a causa do aquecimento 
global antrópico do que conhecimento científico 
específico propriamente dito. 
 Ainda segundo a autora grande parte dos 
colaboradores do IPCC estão ligados à grupos que 
possuem interesses e realizam campanhas políticas 
ambientais abertamente, que a revisão dos artigos 
científicos por pares não ocorre de maneira 
satisfatória, pois vinte e um dos quarenta e quatro 
capítulos do relatório de 2011 usavam menos de 
60% de fontes revisadas por pares; que autores de 
capítulos dos relatórios costumam enfatizar os 
seus próprios trabalhos em detrimento de outros 
autores; dados são incluídos a posteriori (adhoc) 
e alongamento de prazos são feitos para permitir 
manipulação, mesmo após estar encerrado os 
processos de avaliação; alguns capítulos recebem 
contribuição direta de referências que não tem 
como origem os documentos submetidos ao crivo 
avaliativo, ou seja, provêm da chamada “literatura 
cinza” ou simplesmente propaganda patrocinada 
por grupos de ativistas ambientais como WWF e 
Greenpeace 9.
9 Laframboise; Donna. The Delinquent Teenager Who Was 
97
 É evidente que os relatórios do IPCC 
apoiam interesses políticos e econômicos, e 
possuem graves falhas do ponto de vista científico. 
Um simples relatório gera centenas de páginas 
em apenas um capítulo que precisa ser enxugado 
até atingir um número razoável de páginas para 
facilitar a leitura. Depois de reduzido o texto é 
submetido à avaliação dos governos e do poder 
econômico que age como sensor do ponto de vista 
político, econômico e ideológico em detrimento 
dos aspectos científicos.
 O renomado físico americano Frederick 
Seitz (1911-2008) que foi professor da 
Universidade de Rockefeller e presidente da 
Academia Nacional de Ciências (1962 a 1969) do 
EUA em artigo publicado no Wall Street Journal, 
intitulado A Major Deception on Global Warming 
(1996), escreveu que jamais havia testemunhado 
tamanha corrupção em processos de avaliação por 
uma banca de especialista do que nos eventos que 
deram origem a ciência das mudanças climáticas:
Este relatório do IPCC, como todos os outros, 
é tido em alta consideração principalmente porque 
foi revisado por pares. Ou seja, foi lido, discutido, 
modificado e aprovado por um corpo internacional de 
especialistas. Esses cientistas colocaram suas reputações 
em risco. Mas este relatório não é o que parece ser - não é 
a versão que foi aprovada pelos cientistas contribuintes 
listados na página de título. Em meus mais de 60 anos 
como membro da comunidade científica americana, 
incluindo serviço como presidente da National 
Mistaken for the World's Top Climate Expert. Toronto: Ivy 
Avenue Press, 2011.
98
Academy of Sciences e da American Physical Society, 
nunca testemunhei uma corrupção mais perturbadora 
do processo de revisão por pares do que os eventos que 
levou a este relatório do IPCC 10.
 Na verdade, a hipótese do Aquecimento 
Global Antropogênico (AGA) foi paulatinamente 
erigida a partir do final da década de 1970 e 
atualmente se sustenta a partir do tripé ciência-
política-economia. Porém, causa espanto o fato 
dos seus proponentes tentarem de todas as formas 
suprimir o debate científico alegando que os 2500 
cientistas do IPCC não podem estar errados, 
que existe consenso de que 97% dos cientistas 
endossam a ideia de AGA e que quem discorda 
desses “fatos” devem ser incluídos no rol dos 
chamados “negacionistas”.
 Nessa perspectiva seria um absurdo 
ousar questionar a esmagadora maioria dos 
proeminentes cientistas do mundo, mesmo 
sabendo-se que o fator inquestionabilidade não 
faz parte do jogo científico, muito menos o uso do 
“apelo à autoridade”. O que essas pessoas fazem 
consciente ou inconsciente é apelar à falácia 
natural do argumentum ad verecundiam que é uma 
expressão latina que significa apelo à autoridade 
ou argumento de autoridade. É uma falácia lógica 
que apela para a palavra ou reputação de alguma 
autoridade a fim de validar o argumento.
10 Seitz, Frederick. A Major Deception On Global Warming. 
The Wall Street Journal. June 12, 1996. Disponível em: 
https://www.wsj.com/articles/SB834512411338954000. 
Acesso em 10 abr 2023. 
99
 É necessário, portanto, salientar que existe 
uma diferença muito grande em negação de 
fatos científicos e oposição entre teorias rivais no 
campo da ciência. A oposição cientifica ao AGA 
não pode ser considerada “negacionismo”, isto é 
falta de conhecimento acerca do funcionamento 
da ciência. Quando se fala em “provar”, como o 
senso comum conhece, é diferente de provar em 
ciência. Ciência não prova absolutamente nada 
porque a palavra “prova”, em ciência possui outra 
conotação. 
 A ciência é um empreendimento sempre 
inacabado, portanto, as “verdades” são sempre 
provisórias e a rivalidade entre teorias opostas 
é salutar para a existência da própria ciência. É 
preciso deixar bem claro, o trabalho da ciência 
não é obter consenso como muitos pesquisadores 
colocaram e foram veementemente contestados. 
Consenso é problema de política. Em ciência, 
consenso não tem a mínima importância, pois 
relevantes são os resultados obtidos por meio 
das pesquisas passíveis de serem reproduzidas. 
Ademais, o tal consenso científico quando evocado 
objetiva única e exclusivamente vender a ideia de 
que o debate climático científico está encerrado, o 
que não é verdade.
 Consenso científico significa julgamento, 
posição e opinião coletiva sobre determinado 
campo de estudo, mas então qual é o papel do 
consenso na ciência?
 O consenso científico, em geral, é o que 
a maioria dos cientistas acredita ser “verdade” 
100
sobre um determinado assunto com base em 
interpretações de supostas evidências que se tem 
à disposição. Em outras palavras, é uma resposta 
coletiva a uma questão particular. Entretanto, 
os grandes cientistas da história justamente se 
destacaram porque romperam com o consenso. 
Esta falácia de consenso inexiste na atividade 
científica, se consensual não pode ser ciência. 
O mais impressionante em tudo isso é que o 
questionamento permanente do estado geral do 
conhecimento é uma característica intrínseca da 
atividade científica. 
 Basta uma pesquisa nos periódicosda 
ciência do clima para se perceber o quanto os 
cientistas estão longe dessa pretensa unanimidade. 
Em ciência duvidar é uma dádiva, os cientistas éticos 
e honestos e comprometidos com a verdadeira 
ciência procuram refutar os conhecimentos 
aceitos baseando-se no ceticismo para promover 
avanços nas pesquisas, diferentemente da ciência 
do aquecimento global que tenta convencer 
as pessoas a não questionar a autoridade da 
maioria esmagadora dos eminentes cientistas. 
A ciência nunca esteve, não está e nunca estará 
definitivamente resolvida, é assim que ela funciona. 
Karl Popper (1902-1994), filósofo conhecido por 
rejeitar as visões indutivistas clássicas sobre o 
método científico, propôs que para uma teoria 
científica ser aceita deve ser passível de falsificação, 
ou seja, deve ser possível “provar” que é falsa, seja 
por observação ou pela experiência. Em outras 
palavras, uma boa teoria encerra em si a própria 
destruição. 
101
 Em ciências naturais não existe proposições 
imunes aos testes empíricos, portanto, não existem 
enunciados que não estejam sujeitos a contestação. 
Princípios que se mantém a despeito das evidências 
contrárias e que a experiência não seja capaz de 
refutar nada mais são do que mitos. Uma passagem 
rápida pela história da ciência é suficiente para que 
se possa recordar o quanto o conceito de consenso 
científico não é motivo de orgulho.
 Quando se lê ou se ouve as pessoas dizendo 
que a ciência do clima está definida, que não existem 
mais dúvidas de que a ação humana é responsável 
por praticamente 100% do aumento de 1,07ºC na 
temperatura do planeta, que os céticos são pessoas 
deploráveis por negarem as evidências e o consenso 
científico, que o IPCC é autoridade maior sobre o 
clima, etc. nada disso deve causar espanto, porém, 
quando historiadores da ciência endossam a ideia 
de consenso científico, que a ciência do clima está 
resolvida, que o IPCC é a “autoridade” maior do 
clima e, portanto, a sua ciência climática não deve 
ser questionada, abre-se espaço para a seguinte 
indagação: desde quando uma área científica pode 
ser considerada definida? A ciência não é mais um 
empreendimento inacabado? 
 A ciência do clima é a única na qual não 
pode haver embate entre teorias opostas? 
 O que também causa espanto é ver a inclusão 
de nomes de cientistas chamados de céticos no 
mesmo rol daqueles que negam o holocausto, 
a efetividade das vacinas, os terraplanistas e 
criacionistas, quando na verdade a discordância 
102
gira em torno do percentual de participação 
humana no aquecimento observado nos últimos 
150 anos. Portanto, sempre que se ler ou ouvir a 
palavra negacionista fora de uma discussão sobre 
o nazismo ou do campo psicológico (negação da 
doença), estaremos diante de uma desonestidade 
intelectual, pois há dezenas de palavras adequadas 
para designar qualquer discordância ou ceticismo, 
além do mais, é preciso ficar muito bem claro que 
questionar não significa “negar”.
 E o que se sabe verdadeiramente até agora 
a respeito das mudanças climáticas antrópicas? 
Simplesmente que a questão não está resolvida e 
muito menos definida!
 Muito embora as temperaturas mundiais 
tenham se mantido estáveis nas últimas décadas11 
o lobby do aquecimento global antropogênico 
continua bombardeando relatos ofegantes de 
destruição iminente devido ao uso de combustíveis 
fósseis convencionais pelas atividades humanas. 
Afirma-se a todo tempo que as emissões de dióxido 
de carbono pela queima de carvão, petróleo e gás 
natural estão causando um aumento perigoso das 
temperaturas globais, intensificando o aquecimento 
global e portanto, aumentando a ocorrência dos 
chamados fenômenos climáticos extremos como: 
11 Baptista, Gustavo. Aquecimento global: ciência ou 
religião, p.62-63; Spenser, Roy. Latest Global Temp. 
Anomaly (June '20: +0.43°C). Disponível em: https://www.
drroyspencer.com/latest-global-temperatures/. Acesso em 
13 jul 2020; Jakubaszko; Richard et al. CO
2 
– aquecimento e 
mudanças climáticas: estão nos enganando? p.50.
 
 
103
extinções em massa da biodiversidade; elevação do 
nível do mar que ameaça a existência de nações, 
prevê-se que a inundação e a erosão tornem 
diversos países insulares como Ilhas Maldivas, 
no Oceano Índico, e Tuvalu, no Oceano Pacífico, 
inabitáveis até o final deste século12; intensificação 
de secas, ondas de calor, frio, furacões e tornados; 
mudanças no regime de chuvas; derretimento de 
gelo nos polos (Ártico e Antártica); intensificação 
de nevascas como as que assolaram alguns estados 
americanos como o Texas que teve grande parte 
da produção agrícola comprometida e interrupção 
no fornecimento de energia e água, em 2020, 
entre outros. Isso mesmo, você leu corretamente: 
as nevascas, fenômenos naturais e cíclicos que já 
ocorreram várias vezes no passado e, continuarão 
a ocorrer no futuro, em alguns estados americanos 
têm como causa o aquecimento global induzido 
pela ação humana13, da mesma forma que surgiram 
12 O nível do mar nas Maldivas está atualmente mais baixo 
que na década de 1970 e Tuvalu, pesquisa atual sobre 
elevação do nível do mar e mudanças climáticas utilizando 
dados de sensoriamento remoto demonstrou que nas últimas 
quatro décadas vem ocorrendo um aumento líquido da área 
de terra em Tuvalu. Os resultados desafiam as percepções da 
perda de ilhas, mostrando que as ilhas possuem características 
dinâmicas que persistirão como locais de habitação no 
próximo século (Kench, Paul S. Ford, Murray R; Owen, 
Susan D. Patterns of island change and persistence offer 
alternate adaptation pathways for atoll nations. Nature 
Communications volume 9, Article number: 605, 2018.
13 Há mais de 115 anos, uma onda de frio que ficaria 
conhecida como “Grande Surto do Ártico” atingiu os 
Estados Unidos. Pessoas em todo o país se prepararam para o 
104
pesquisas relacionando a pandemia de Covid-19 
as mudanças climáticas antrópicas14.
 Os relatórios do IPCC demonstraram até 
agora serem extremamente úteis somente para os 
governos dos países ricos do hemisfério norte que 
buscam justificativas para maior planejamento 
central e mais poderes regulatórios e tributários. 
Políticos e burocratas costumam citar o IPCC como 
uma justificativa para a concessão de subsídios 
e privilégios a grupos e corporações favorecidas 
às custas enormes dos contribuintes. Portanto, 
pior com a queda das temperaturas durante as primeiras duas 
semanas de fevereiro de 1899. Mas, então qual seria a causa 
deste fenômeno se as emissões de CO
2
 na época estavam 
bem abaixo das atuais? Um fenômeno climático meramente 
natural que ocorreu, ocorre e continuará ocorrendo no futuro 
sem nenhuma relação com atividade humana. Disponível 
em: https://www.weather.gov/bmx/climate_feb_1899_
arctic_outbreak. Acesso em 24 fev. 2021.
14 As mudanças climáticas desencadeadas pela ação humana 
estariam entre as possíveis causa da pandemia do novo 
coronavírus. Esta é a conclusão parcial de uma pesquisa que 
examinou como as mudanças no clima transformaram as 
florestas do sudeste asiático, resultando em uma explosão 
de espécies de morcegos na região. De acordo com os 
pesquisadores envolvidos no estudo, as alterações no clima 
causada pela ação humana pode se converter em fator de 
risco para o surgimento e disseminação de novas doenças.
Berardelli, Jeff. Climate change may have played a key 
role in coronavirus pandemic, study says. February 5, 
2021 CBS NEWS. Disponível em: https://www.cbsnews.
com/news/climate-change-coronavirus-bats-study/. Acesso 
em 28 fev. 2021.
105
somente mediante sólidas evidencias científicas 
é que o IPCC deveria fazer predições e se afastar 
definitivamente de defesas políticas e ideológicas, 
pois embora o estatuto da instituição afirme que 
ele deve ter determinada “relevância política” 
sem defender políticas específicas, alguns de seus 
representantes não encaram essa determinação 
com seriedade.
 O IPCC e a ciência climática contemporânea 
têm ignorado os estudos publicadosdurante 
os últimos 15 anos que demostram por meio 
de observações de satélite e de superfície que a 
absorção da radiação solar pelo sistema Terra-
atmosfera aumentou significativamente desde 
1982 devido à diminuição da cobertura de nuvens/
albedo, um fenômeno frequentemente referido 
como “branqueamento global”, e não por causa do 
aumento das concentrações de CO
2
 na atmosfera 
15.
 Para Nikolov e Zeller (2022), o planeta Terra 
é sensível a mudanças na cobertura de nuvens, que 
afeta a quantidade de radiação solar de ondas curtas 
que atinge a superfície, mas não muito sensível 
a mudanças na irradiação solar total que chega 
ao topo da atmosfera. Eles também descobriram 
15 Nikolov, N.; Zeller, K. (2022). Exact Formulas for 
Estimating the Equilibrium Climate Sensitivity of Rocky 
Planets & Moons to Total Solar Irradiance, Absorbed 
Shortwave Radiation, Planetary Albedo and Surface 
Atmospheric Pressure. Disponível em: https://tallbloke.
files.wordpress.com/2022/05/ecs_universal_equations-1.
pdf. Acesso em 10 abr. 2023. 
106
que a sensibilidade a mudanças nos níveis de 
CO
2 
foi superestimada pelos modelos climáticos 
atuais. Os autores também demonstraram que a 
duplicação da concentração atmosférica de CO
2 
de 
280 ppm para 560 ppm causará um aquecimento 
global praticamente indetectável. Em 2010, um 
grupo de pesquisadores e revisores das academias 
de ciências da Grã-Bretanha, Holanda, Estados 
Unidos e de outros países europeus protestaram 
contra a prematuridade e inconsistência científica 
encontrada largamente nos relatórios do painel do 
clima da ONU e sugeriram que as probabilidades 
qualitativas devem ser utilizadas para descrever 
resultados somente quando houver evidências 
científicas suficientes para embasar o estudo, além 
de reivindicar a reestruturação da administração 
e a adoção de procedimentos técnicos mais 
rigorosos em relação as revisões científicas a fim 
de minimizar as possibilidades de erros no futuro. 
 
3.2 IPCC: O “Big Player” na arena da 
ciência do clima
Algo muito interessante ocorre nos 
bastidores da ciência do clima: os artigos publicados 
pelos céticos representavam apenas metade dos 
números publicados pelos cientistas favoráveis 
ao AGA durante a década de 2000, essa diferença 
entre polos opostos pode ser explicada da seguinte 
maneira: viés de publicação e financiamento 
público. 
107
 Viés de publicação diz respeito aos artigos 
que de alguma forma estabelecem relações de 
causa e efeito entre atividade humana e mudanças 
climáticas. Esses têm uma probabilidade muito 
maior de serem publicados do que aqueles que não o 
fazem. O financiamento público tem ocorrido 
massivamente e voltado para a busca de resultados: 
o governo dos Estados Unidos, por exemplo, 
investiu US $ 64 bilhões a pesquisadores do clima 
de 2010 a 2013, todos assumindo explicitamente 
ou pretendendo encontrar evidências da influência 
da ação humana sobre o clima, e praticamente 
nenhum centavo para investimentos para 
pesquisadores que focam suas pesquisas nas causas 
naturais das mudanças climáticas16. É o dinheiro 
público que financia a pesquisa do clima, por isso, 
um número cada vez maior de pessoas desconfia 
das conclusões de relatórios “científicos” sobre o 
clima que emanam de fontes governamentais e 
institucionais. Tal ceticismo surgiu em parte de 
revelações de conspirações entre pesquisadores 
influentes para exagerar a existência e ameaças de 
mudanças climáticas causadas pelo homem, reter 
dados de fundo e suprimir descobertas contrárias.
 Mas, quem paga por toda essa ciência 
ruim? De acordo com dados compilados por 
Joanne Nova17 o governo dos EUA gastou mais de 
16 Butos, William N.; McQuade, Thomas J. Causes 
and Consequences of the Climate Science Boom. The 
Independent Review, v. 20, n. 2, Fall 2015, ISSN 1086–
1653, pp. 165–196. 
17 Nova, Joanne. Climate Money. The Climate Industry: 
$79 billion so far – trillions to come. Summary for Policy 
108
79 bilhões de dólares entre 1989 e 2009 em políticas 
relacionadas a mudanças climáticas, incluindo 
pesquisa científica e tecnológica, administração, 
campanhas educacionais e incentivos fiscais. Em 
1989, a primeira agência específica relacionada 
ao clima dos EUA foi criada com um orçamento 
anual de 134 milhões de dólares18 .
 O primeiro comitê consultivo do clima, 
os compiladores do chamado Relatório Charney, 
foi organizado pela National Academy of Sciences, 
em 1979, como uma espécie de IPCC mirim. 
Jule Gregory Charney (1917-1981) organizou 
um grupo de cientistas para revisar a ciência 
do clima disponível na época para pesquisar as 
consequências da intensificação do efeito estufa. 
Embora os pesquisadores tenham levantado o 
espectro do aquecimento global no passado, eles 
também enfatizaram a incerteza das previsões.
 Em 2009, os mercados globais de carbono 
alcançaram um faturamento de US $ 176 bilhões 
por ano, o Bank of America prometeu US $ 50 
bilhões para combater a mudança climática e o 
investimento em energias renováveis atingiu a 
casa de 359 bilhões de dólares anualmente19.
Makers. SPPI Science and Public Policy Institute. July 21, 
2009. Disponível em: http://scienceandpublicpolicy.org/
images/stories/papers/originals/climate_money.pdf. Acesso 
em 14 set 2020. 
18 Nova, Joanne. The trillion dollar guess and the zombie 
theory. In: Alan Moran. Climate Change: the facts. USA: 
Stockade Books, 2015 (Edição Kindle).
19 Ibidem. 
109
 A indústria do clima tem tido durante 
anos um crescimento excepcional e tem sido uma 
bênção natural para agências governamentais e 
pesquisadores climáticos. 
O crescimento do financiamento do 
governo americano aumentou de 209 milhões 
de dólares em 1989, quando o assunto realmente 
começou a “esquentar”, após a realização de 
diversas audiências do Comitê de Ciência, 
Tecnologia e Espaço, presidido pelo então senador 
Al Gore, em 1988, para uma proposta de 1,446 
bilhões de dólares, em 2008: NASA (816 milhões, 
em 2008), National Science Foundation (145 
milhões), Departamento de Comércio dos EUA e 
NOAA (163 milhões) e o Departamento de Energia 
dos EUA (DOE, 122 milhões). Orçamentos 
comparativamente irrisórios foram concedidos ao 
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos 
(55 milhões), para a Saúde, Segurança e Proteção 
(47 milhões) e à Agência de Proteção Ambiental - 
EPA (17 milhões), além de alguns outros20.
 Notadamente, o orçamento climático da 
EPA desde então se tornou muito mais generoso, 
com US $ 112 milhões incluídos pela administração 
Obama-Biden (2009-2017) para o Ano Fiscal de 
2010. Isso é apenas uma pequena parte. De acordo 
com um comunicado à imprensa, em 2007, pelo 
Escritório de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, 
o governo americano estava gastando cerca de US 
20 Bell, Larry. Climate of corruption. Politics and power 
behind the global warming hoax. Austin (TX): Greenleaf 
Book Group, 2011, p.22.
110
$ 5 bilhões por ano em pesquisas climáticas por 
meio de vários programas. Isso foi mais do que 
o dobro da quantia gasta no envio de humanos à 
Lua durante o programa Apollo (cerca de US $ 2,3 
bilhões por ano). Contudo, a Lua não tem um clima 
para estudar, e mesmo se tivesse, provavelmente 
não poderíamos culpar a Revolução Industrial por 
alterá-lo21.
 As agências obtêm verbas de 
financiamento com base na sua importância ou, 
mais precisamente, na importância que somos 
persuadidos a pensar que são. No caso das 
questões climáticas e ambientais, elas parecem ser 
muito mais importantes quando são apresentadas 
como formas de se resolver uma crise global sem 
precedentes, por isso, não pode ser considerado 
desperdício de dinheiro. A mudança climática, um 
tópico que oferece uma oportunidade de regular 
algo realmente perigoso, como o ar natural que 
todos respiramos, é algo bom demais para se deixar 
de lado. Mas, quem são as pessoas responsáveis por 
essas agências? Pessoas com credenciais ortodoxas, 
obviamente. Sendo que, ajuda muito na hora da 
escolha do nome oquesito publicação de livros 
e artigos que favoreçam esses pontos de vista, ou 
pelo menos se associam a organizações influentes 
que fazem do “mainstream” climático. Então, 
novamente, a maioria desses livros e artigos não 
seriam publicados se os respectivos autores não 
tivessem credenciais científicas bem qualificadas 
e pesquisas publicadas em periódicos de renome. 
21 Ibidem, p.23.
111
Também as universidades que apoiam pesquisas 
climáticas e contratam cientistas para conduzi-
las dependem de agências federais e estaduais – 
novamente dinheiro público. Para competir por 
esse dinheiro, devem abordar tópicos que sejam 
reconhecidos pela corrente científica ortodoxa 
hegemônica e alarmista.
 Mas, e se os artigos desses cientistas não 
forem publicados em revistas respeitadas por 
contradizer o chamado “consenso científico” sobre 
as mudanças climáticas antrópicas?
 Nesse caso, esses cientistas não ganham 
bolsas e contratos para obter estabilidade e 
promoções nas principais universidades e 
laboratórios de pesquisa nem conseguem obter 
as credenciais necessárias para serem contratados 
pelas agências e organizações que distribuem 
e administram o financiamento. No entanto, 
aqueles que apenas jogam pelas regras da política e 
da ideologia prevalente indubitavelmente se saem 
muito melhor.
 Os cientistas céticos são acusados de 
receber verbas privadas das grandes empresas 
do petróleo (Big Oil) ao passo que os alarmistas 
recebem dinheiro público e sugerir que o dinheiro 
da ciência do clima goteja do governo seria um 
eufemismo grosseiro, pois desce em forma de 
cascatas através das agências em direção aos 
órgãos subordinados federais e estaduais. Alguns 
exemplos reais para facilitar o entendimento:
112
Um e-mail de 4 de junho de 2003 de Keith 
Briffa para o pesquisador especialista em 
dendroclimatologia - ciência que estuda 
o clima do passado a partir de análises 
de troncos de árvores - Edward Cook do 
Observatório da Terra Lamont-Doherty 
em Nova York declarou: “Eu tenho 
um artigo para revisar (submetido ao 
Journal of Agricultural, Biological and 
Environmental Sciences), escrito por um 
coreano e alguém de Berkeley, que afirma 
que o método de reconstrução que usamos 
em dendroclimatologia (regressão reversa) 
está equivocado, tendencioso, péssimo, 
horrível, etc [...] Se publicado como está, 
este artigo pode realmente causar alguns 
danos [...] Não será fácil rejeitar, pois os 
cálculos matemáticos parece que estão 
teoricamente correto22.
Não consigo ver nenhum desses artigos 
no próximo relatório do IPCC. Kevin 
[Trenberth] e eu vamos mantê-los fora de 
alguma forma - mesmo que tenhamos que 
redefinir o que é a literatura de revisão por 
pares23.
22 Bell, Larry. In Their Own Words: Climate Alarmists 
Debunk Their Science. Forbes 5 Feb 2013. Disponível em: 
https://climaterealists.org.nz/node/953. Acesso em 14 set 
2020. 
23 De Phil Jones para: Michael Mann (Pennsylvania State 
University). 8 de julho de 2004. Conversa entre o ex- diretor 
da Unidade de Pesquisa Climática de East Anglia do Reino 
Unido, Philip Jones a Michael Mann referindo-se a dois artigos 
publicados na revista Climate Research. Por coincidência 
do destino Philip Jones e Trenberth, que na época eram 
chefem da Seção de Análise do Clima do Centro Nacional de 
Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), foram 
113
 Claramente, grande parte do grupo de 
pesquisadores da Unidade de Pesquisa Climática 
da Universidade de East Anglia, usaram sua 
considerável influência para barrar publicações 
de pesquisas conduzidas por cientistas céticos, 
evitando assim a inclusão de descobertas contrárias 
nos relatórios do IPCC. Em um e-mail, Tom 
Wigley, um cientista sênior e associado do National 
Center for Atmospheric Research, compartilhou 
seu desdém por aqueles que desafiam a hipótese de 
mudanças climáticas antropogênicas: Se você acha 
que - o professor de Yale James – Saiers faz parte do 
grupo de cientistas céticos e se pudermos encontrar 
evidências documentais disso, poderíamos tentar 
retirá-lo dos canais oficiais da União Geofísica 
Americana24.O marketing da guerra climática 
também se tornou um grande negócio e está se 
tornando muito maior com a ajuda substancial 
da Climate Reality Project, organização sem 
fins lucrativos envolvida na educação e defesa 
relacionada às mudanças climáticas. 
 O Climate Reality Project surgiu, em 
julho de 2011, como consolidação de dois grupos 
ambientais, a Alliance for Climate Protection e The 
Climate Project, ambos fundados, por Al Gore que 
os autores principais de um capítulo importante incluído no 
relatório do IPCC, em 2007. Lembrando que Mann et al foi 
o criador do infame gráfico do “taco de hóquei”, sugerindo 
a aceleração do aquecimento global causado pelo homem 
desde a Revolução Industrial.
24 Bell, Larry. Climate of corruption. Politics and power 
behind the global warming hoax. Austin (TX): Greenleaf 
Book Group, 2011, p. 4.
114
lançou uma campanha na mídia de 300 milhões 
de dólares, em 2011, para a crise climática durante 
um período de 3 anos para promover as reduções 
dos chamados GEE por meio de um amplo tratado 
internacional: o comércio de carbono, que no 
mundo todo chegou a 126 bilhões de dólares, em 
2008.
 Os mercados de carbonos, que desde então 
permaneceram sem sopro, atualmente se tornaram 
uma das ferramentas mais difundidas na suposta 
luta contra a mudança climática. No final de 2021, 
mais de 21% das emissões mundiais foram cobertas 
por alguma forma de precificação de carbono, 
acima dos 15%, de 2020. Cada vez mais empresas 
precisam pagar aos reguladores pelo direito de 
liberar CO
2 
na atmosfera. Os investidores também 
estão se interessando: as negociações nesses 
mercados cresceram 164% chegando a 897 bilhões 
de dólares, em 2022. 
 Os preços do carbono garantem que as 
empresas que queimam mais combustíveis fósseis 
estejam em desvantagem competitiva, enquanto a 
inovação verde é recompensada. Pela primeira vez 
na história, a União Europeia (UE) chegou a um 
acordo que passará a vigorar a partir de outubro de 
2023: a imposição de um imposto sobre carbono 
de produtos importados, o chamado Mecanismo 
de Ajuste de Fronteiras de Carbono (CBAM). A 
ideia é que os produtos importados pelos países 
da UE sejam sobretaxados para compensar todo o 
carbono emitido durante o processo produtivo e 
transporte. 
115
 A medida, obviamente protecionista, 
visa preservar as indústrias europeias e evitar os 
prejuízos acarretados pelos produtos mais baratos 
fabricados em países com regras mais flexíveis de 
emissão de GEE. 
 A proposta perturbou as cadeias de 
suprimentos em todo o mundo e irritou parceiros 
comerciais da UE como EUA e China, que temem 
que o plano torne mais difícil a exportação 
de mercadorias para a Europa. Os países em 
desenvolvimento com altas emissões, em 
particular, serão os mais prejudicados. 
 O acordo levou outros países, como 
o Reino Unido e o Canadá, a considerar a 
implementação de seus próprios impostos. Nos 
EUA, os legisladores democratas também estão 
pensando em implementar um sistema tributário 
similar. 
 As autoridades europeias dizem que a tarifa 
se converterá em uma ferramenta fundamental 
para fortalecer os esforços de combate à crise 
climática. 
 O imposto surge justamente em meio às 
crescentes tensões comerciais entre a Europa e 
os EUA após a aprovação da Lei de Redução da 
Inflação, que oferece generosos créditos fiscais 
para veículos elétricos fabricados nos EUA. 
 Os líderes europeus argumentaram que o 
benefício prejudica injustamente os fabricantes do 
continente.
116
 Nota-se, portanto, que a economia 
de mercado não é o único espaço que pode 
experimentar booms e busts, isto ocorre também 
na ciência climática. 
 Políticas públicas e financiamentos 
privados e públicos, bem como o surgimento de 
um “Big Player”25 científico de peso como o IPCC, 
foram fatores que fomentaram o ciclo de expansão 
na ciência do clima que teve início emmeados da 
década de 1990 e que cresceu significativamente 
nas últimas décadas. 
 As evidências de um boom contínuo podem 
ser observadas nos Gráfico1, que respectivamente, 
mostra a evolução na publicação de artigos 
científicos e o aumento no nível de financiamento 
por parte do governo dos EUA em pesquisas 
climáticas durante 1978 e 2014.
25 Player no mercado financeiro é um conceito usado para 
definir as empresas que se destacam no ramo em que atuam, 
Big Players são grandes corporações que detêm boa parte 
do capital mundial e movimentam esse grande volume 
para atuar em operações financeiras. Segundo Butos e 
McQuade (2015), a teoria econômica do Big Player pode ser 
aplicada não apenas em relação às interações do mercado, 
mas também à ciência. Os autores identificam dois tipos de 
grandes jogadores na saga da ciência do clima, com efeitos 
separados, mas interligados: as agências de financiamento 
do governo que dominam o financiamento da pesquisa e o 
IPCC, cujos pronunciamentos sobre o estado da ciência têm 
enorme influência. 
117
Gráfico 1 - Novos artigos sobre ciência do clima e 
Financiamento dos EUA em ciência do clima 1978-2014 1
Em 2023, após dois anos desde que 
assumiu o cargo, Joe Biden, presidente dos EUA, 
lançou um plano ambicioso objetivando enfrentar 
a crise climática impulsionando a fabricação e a 
implantação de tecnologias de energia limpa. Além 
de retomar o Acordo de Paris, estabeleceu como 
meta doméstica a redução dos GEE em cerca de 
50% em relação aos níveis de 2005 até 2030.
Os EUA estão fazendo investimentos 
históricos, atualmente o orçamento fornece US$ 16,5 
bilhões para apoiar a ciência climática e a inovação 
em energia limpa, propondo US$ 5,1 bilhões para 
financiar um amplo portfólio de pesquisas para 
melhorar a compreensão sobre o clima e propondo 
medidas de adaptação e resiliência em várias 
agências, incluindo o Departamento do Interior, 
1 Butos; McQuade, 2015 p. 166-176
118
a Administração Espacial, o Departamento de 
Comércio, a Fundação Nacional de Ciência, entre 
outros. O Orçamento apoia a preeminência do país 
no desenvolvimento de tecnologias inovadoras 
que aceleram a transição para uma economia 
descarbonizada para impulsionar a inovação e 
restabelecer a liderança americana em energia 
limpa. O fenômeno do Big Player, portanto, possui 
grande relevância e não se limita apenas ao mercado, 
mas sobretudo, ao campo da ciência: os cientistas 
interagem entre si de maneiras tão complexas e 
estruturadas analogamente as interações entre os 
participantes do mercado. 
Nos mercados, o dinheiro é o componente 
essencial em todas as trocas, e a 
manipulação do dinheiro por um banco 
central discricionário (um Big Player 
prototípico) pode ter efeitos indesejados, 
incluindo a promoção de booms 
insustentáveis. Na ciência, o ingrediente 
essencial necessário para a maioria dos 
cientistas para continuar sua participação é 
o financiamento, e como a ciência em si não 
se autofinancia, isso deve vir de uma fonte 
externa - um empregador (geralmente uma 
universidade), um doador privado, ou uma 
entidade governamental (Butos; McQuade, 
2015 p. 169).
O Big Player “IPCC” conseguiu a façanha 
de elevar e transformar uma hipótese em 
conhecimento científico consensual estabelecido, 
mesmo na ausência de um corpo substancial de 
119
evidências confirmatórias. Nesse sentido, o painel 
da ONU assumiu o papel de grande jogador na 
ciência do clima. A ONU, por meio do IPCC, 
acabou por assumir a responsabilidade pela 
questão climática, em 1988, formando um corpo 
de cientistas encarregados de avaliar a pesquisa 
científica do clima (enfatizando especificamente 
os efeitos da atividade humana no clima) e 
produzindo relatórios detalhados voltados para 
o consumo público, aparentemente um serviço 
muito útil. Os cientistas são nomeados para o 
painel por funcionários do governo, os relatórios 
resumidos do painel são editados por políticos 
e ativistas ambientais sem revisões científicas 
rigorosas, conforme apontou as conclusões da 
auditoria independente instaurada, em 2010.
 O IPCC possui, portanto, todos os atributos 
característicos dos grandes jogadores nos mercados: 
grandeza em termos de influência, insensibilidade 
às restrições usuais e discrição em sua capacidade 
de promover uma direção favorável de pesquisa. 
Sua influência na ciência do clima é generalizada, 
a natureza complexa do sistema climático e a falta 
de compreensão dos feedbacks em jogo permite ao 
painel defender a mais politicamente atraente das 
várias hipóteses plausíveis e ignorar amplamente 
as incertezas. O sucesso profissional na ciência 
climática condicionou-se mais à aceitação dos 
pronunciamentos do IPCC do que à exploração 
de possibilidades contrárias, na verdade, cientistas 
que professam hipóteses concorrentes são 
rotineiramente castigados como “negadores” e 
alguns acabam encontrando grandes dificuldades 
para trabalhar, pesquisar e publicar os resultados. 
120
 Em janeiro de 2022, o The European 
Physical Journal Plus European Physical Journal 
Plus (EPJP), um periódico acadêmico revisado 
por pares publicado pela Springer Nature, uma das 
editoras científicas de maior prestígio do mundo, 
publicou um artigo intitulado “A critical assessment 
of extreme events trends in times of global warming” 
dos pesquisadores italianos Gianluca Alimonti, 
Luigi Mariani, Franco Prodi e Renato Angelo 
Ricci. Então, oito meses depois o periódico 
australiano The Guardian2escreveu matéria 
criticando severamente a pesquisa, citando quatro 
cientistas que se opuseram severamente ao artigo: 
Michael Mann, Steve Sherwood, Greg Holland e 
Lisa Alexander. Michael Mann foi contundente e 
pessoal em seus comentários:
[...] outro exemplo de cientistas de áreas 
totalmente não relacionadas chegando 
e aplicando ingenuamente métodos 
inadequados a dados que eles não 
entendem. Ou o consenso dos especialistas 
em clima do mundo de que a mudança 
climática está causando um aumento 
muito claro em muitos tipos de extremos 
climáticos está errado, ou alguns caras da 
física nuclear na Itália estão errados 3.
2 Readfearn, Graham. Sky and the Australian find ‘no 
evidence’ of a climate emergency – they weren’t looking 
hard enough. Thu 22 Sep 2022. Disponível em: https://
www.theguardian.com/environment/2022/sep/22/sky-and-
the-australian-find-no-evidence-of-a-climate-emergency-
they-werent-looking-hard-enough. Acesso em 20 jul. 2023.
3 Ibidem.
121
 Mas, o que há de errado com o artigo? 
Para ser objetivo, não há absolutamente nenhuma 
alegação de fraude ou má conduta, o artigo 
simplesmente ousou discordar dos cânones 
do aquecimento global, o resumo do estudo 
de 20 páginas afirma: “Com base nos dados de 
observação, a crise climática que, segundo muitas 
fontes, vivemos hoje, não é evidente”. 
 Porém, em vez de contestar argumentos 
e evidências por meio da literatura revisada por 
pares, cientistas ativistas se uniram a jornalistas 
ativistas para pressionar uma editora, quiçá a 
editora científica mais importante do mundo, a se 
retratar de um artigo. É evidente que o abuso no 
processo de revisão por pares aqui observado é um 
alerta de que a ciência do clima está profundamente 
politizada com pesquisadores dispostos a exercer 
influência no processo de publicação, tanto 
abertamente quanto nos bastidores. A enxurrada 
de ataques aos pesquisadores foi intensa apesar dos 
autores Gianluca Alimonti, Franco Prodi e Renato 
Angelo Ricci serem físicos de partículas e Luigi 
Mariani, meteorologista.
 Os ataques vieram de várias frentes: Stefan 
Rahmstorf, chefe de sistemas terrestres do Instituto 
Potsdam de Pesquisa de Impacto Climático 
escreveu: o estudo foi escrito por pessoas que não 
trabalham em climatologia e obviamente não estão 
familiarizadas com o tópico e os dados relevantes; 
Richard Betts, chefe de pesquisa de impactos 
122
climáticos do Met Office da Grã-Bretanha escreveu: 
“o artigo parece ter sido escrito especificamente 
para defender quenão há crise climática, em vez 
de apresentar uma avaliação objetiva, abrangente e 
atualizada” e “os autores ignoraram completamente 
o último Relatório do IPCC (AR6) que corrobora 
o fato da mudança climática induzida pelo 
homem estar causando extremos climáticos em 
várias regiões do globo”; a AFP 4 publicou um 
artigo também crítico com a seguinte manchete: 
“Cientistas pedem que editores importantes 
retirem estudos climáticos defeituosos”; Friederike 
Otto, climatologista sênior do Grantham Institute 
for Climate Change and the Environment, escreveu: 
“eles estão escrevendo este artigo de má-fé. Se 
a revista se preocupa com a ciência, deveriam 
retirá-lo” e Peter Cox, professor de dinâmica do 
sistema climático na University of Exeter, disse que 
o estudo não era bom cientificamente, mas a sua 
exclusão da revista poderia dar mais publicidade e 
ser interpretado como algum tipo de censura. 
 A revista Springer Nature entrou em contato 
com os pesquisadores solicitando que diante das 
repercussões negativas na mídia, o artigo deveria 
receber uma “Errata” por não ter utilizado como 
4 Hood, Marlowe; Parry, L. Roland; Galey, Patrick. Scientists 
urge top publisher to withdraw faulty climate study. Sept. 
27, 2022. Disponível em: https://phys.org/news/2022-09-
scientists-urge-publisher-faulty-climate.html. Acesso em 20 
julho 2023. 
123
referência o relatório mais recente do IPCC o 
AR6 (2021). Os autores não concordaram com 
a elaboração da errata, pois utilizaram o AR5 
(2013) que estava disponível naquele momento e 
sugeriram um “Adendo”, pois o AR6 do Grupo de 
Trabalho I ainda não havia sido publicado na época 
em que o artigo foi submetido a revista. Apesar 
do parecer favorável dos revisores ao adendo, os 
editores resolveram submeter o adendo a um 
quinto revisor cujo parecer final foi desfavorável. 
 O IPCC emergiu no cenário global como o 
grande baluarte provedor de conclusões definitivas 
deduzidas das pesquisas climáticas, portanto, para 
a maioria das pessoas há boas razões para supor que 
seus pronunciamentos sejam considerados oficiais, 
definitivos e inquestionáveis. Se alguém não indaga 
de perto os detalhes do processo pelo qual são 
produzidos seus relatórios tem-se a sensação de que 
há um corpo de cientistas completo, competente 
e desinteressado que se envolvem em serviços 
gratuitos. Contando com o apoio de governos 
em todo o mundo e, como organização da ONU, 
ganhou status especial ao receber o Prêmio Nobel 
da Paz, em 2007, sedimentando definitivamente 
sua reputação de oráculo da ciência do clima. 
 A ciência do clima passou de um 
retrocesso científico a uma área de pesquisa 
ativa, bem financiada e importante ao longo de 
um período de cerca de 30 anos. Na década de 
1980, após uma década de medições confirmando 
que a temperatura global estava em queda com 
124
especulações sobre uma eventual era do gelo, a 
hipótese do CO
2
 controlar o clima, apesar de muito 
debatida e, embora houvesse muita divergência, foi 
amplamente aceita pelos cientistas como plausível.
 Nos EUA, o financiamento em quantidade 
generosa começou a ser direcionado inicialmente 
por organizações filantrópicas como a Fundação 
MacArthur e cada vez mais por várias agências 
governamentais. Embora a grande maioria 
dos cientistas do clima esteja de acordo com a 
hipótese de AGA e com os pronunciamentos do 
IPCC, a precisão e a extensão desse consenso não 
deixou de ser questionada. Contudo, apesar do 
número frequentemente citado de 97% ser irreal 
e insuportável, a aceitação geral pela maioria dos 
cientistas que têm alguma conexão com a ciência 
do clima parece bastante real. Esse contingente é 
o resultado previsível da presença do Big Player do 
IPCC.
 De maneira análoga, a teoria econômica do 
Big Player pode ser aplicada não apenas às interações 
do mercado, mas também à ciência. Pode-se 
identificar dois tipos de grandes jogadores na saga 
da ciência do clima: as agências de financiamento 
governamental que dominam o financiamento da 
pesquisa e o IPCC, cujos pronunciamentos sobre o 
estado da ciência têm enorme influência. O IPCC 
na arena científica interage com as atividades de 
financiamento do governo de maneira que ambos 
se reforçam mutuamente daí o aumento maciço 
125
de financiamento para a ciência e tecnologia do 
clima nos últimos 20 anos. Contudo, a indústria 
da crise climática é muito maior do que o IPCC 
e as agências governamentais e outros jogadores 
importantes incluem grupos de pressão como: 
empresas eólicas, solares e de biocombustíveis que 
oferecem supostas alternativas aos combustíveis 
fósseis, ambientalistas, mídia sensacionalista, 
Ongs e políticos que vinculam suas carreiras se 
beneficiando do cenário apocalíptico da crise 
climática. É preciso não esquecer que o IPCC 
trabalha com cenários a partir de modelos 
climáticos que são altamente incertos e, se 
aceitarmos as previsões do próprio IPCC veremos 
que elas não são de catástrofe iminente, em vez 
disso, apontam para mudanças lentas às quais a 
humanidade pode facilmente se adaptar.
 É preciso investir em cenários de adaptação, 
pois não há basicamente nada que se possa fazer 
sobre isso, porque efetivamente o mundo está se 
desenvolvendo rapidamente e usando cada vez 
mais carbono. Enquanto a maioria dos países da 
Europa, o Canadá e os EUA intentam agilizar 
a descarbonização da economia, como forma 
de reduzir as emissões dos GEE, China e Índia 
continuam investindo pesado na construção de 
usinas termoéletricas movidas a carvão, os dois 
países, atualmente, são os maiores importadores 
de carvão do globo. Nesse sentido, China e Índia 
são exceções flagrantes ao declínio global no 
desenvolvimento de usinas movidas à carvão. O 
126
dióxido de carbono permanece na atmosfera por 
muito tempo, por isso, apesar da pandemia de 
Covid-19 ter paralisado a maioria das economias 
globais, a concentração de CO
2
 na atmosfera 
continuou a aumentar.
 Embora, há cerca de 31.000 anos a 
concentração de CO
2
 na atmosfera fosse de cerca 
de 200 ppm, a Terra era significativamente mais 
quente do que é hoje, especialmente nas latitudes 
mais altas. A presença generalizada de mamutes, 
cavalos, bisões, veados, antílopes e gazelas na 
Sibéria e no Alasca e bem mais ao norte do círculo 
ártico implica a existência de pastos verdes durante 
todo o ano, isso requer temperaturas mais quentes 
e áreas de pastagem sem gelo mais difundidas do 
que as existentes hoje 5.
 Por isso, é correto afirmar que as narrativas 
midiáticas acerca da mudança climática não estão 
especialmente bem correlacionadas com as próprias 
avaliações centrais do IPCC. As inundações que 
assolaram a Europa, em 2022, por exemplo, foram 
atribuídas a mudanças climáticas, contudo, o AR5 
de 2013, já havia encontrado evidências de “alta, 
queda ou nenhuma tendência na magnitude das 
inundações”. Mesmo assim, há uma percepção 
muito forte na mídia e, entre muitos comentaristas 
e formuladores de políticas de que tempestades, 
furacões e secas estão se tornando mais comuns 
5 Ganyushkin et al (2018).
127
como resultado da mudança climática. Ressalta-
se, que esse mesmo relatório do IPCC (ver p.53 
do AR5) atribui “baixa confiança” de que esses 
mesmos fenômenos são mais comuns do que eram 
há 100 anos. 
 Mas, quanto o planeta Terra aquecerá nas 
próximas décadas em resposta ao aumento do CO
2
 
na atmosfera?
 Os dados acerca desse aquecimento 
foram obtidos a partir dos modelos climáticos 
de computador construídos quase inteiramente 
por cientistas que acreditam em um aquecimento 
global catastrófico. A taxa de aquecimento 
prevista por esses modelos depende de muitas 
suposições e engenharia para replicar um mundo 
complexo em termos objetivos. Desde o início da 
modelagem climática na década de 1980, essas 
previsões, em média, sempre exageraram o grau 
de aquecimento da Terra em comparação com o 
clima real. Os modelos, na verdade, superestimam 
grosseiramente o aumento da temperatura.
 Pesquisas têm demonstradoque as 
temperaturas médias anuais da Terra têm sido muito 
mais quentes (ou mais frias) do que na atualidade, 
independentemente das concentrações de CO
2
. Há 
cerca de 31.000 anos a temperatura média anual da 
Terra era muito mais quente, assim como o polo 
norte cuja temperatura era muito mais quente do 
que na atualidade. A temperatura global anual da 
Terra é de 14,4°C, a mesma de um século atrás. 
128
Tais dados são consistentes com outros cálculos, 
como os de Smulsky (2022) que determinou que 
a temperatura média anual do período moderno, 
que inclui o período compreendido entre 991 e 
2018, variou entre 14,07ºC e 14,41°C. Este cálculo 
é semelhante ao que foi proposto por Jones et al 
(1999) que determinou a temperatura da Terra em 
14°C. Kramm et al (2020) também relatou que a 
temperatura global geralmente aceita de 1877 a 
1913, a partir de dezenas de resultados calculados, 
foi de cerca de 14,4°C 6.
6 Smulsky, Joseph. Paleotemperatures of the Earth’s 
surface. Determination of the average anual temperature 
of the Earth and Hemispheres. Journal of Engineering 
Physics and Thermophysics. Nº 95 pp. 291-298, 2022.
Jones, P. D., New, M., Parker, D. E., Martin, S., and Rigor, 
I. G. Surface air temperature and its changes over the past 
150 years. Reviews of Geophysics., 37 (2), pp. 173– 199, 
1999. doi:10.1029/1999RG900002.
Kramm, G; Berger, M.; Dlugi, R.; Mölders, N. Meridional 
Distributions of Historical Zonal Averages and Their Use 
to Quantify the Global and Spheroidal Mean Near-Surface 
Temperature of the Terrestrial Atmosphere. Natural 
Science. Vol. 12, (No. 1), pp: 80-124, 2020.
Ganyushkin et al. Palaeoclimate, glacier and treeline 
reconstruction based on geomorphic evidences in the 
Mongun-Taiga massif (south-eastern Russian Altai) 
during the Late Pleistocene and Holocene. Quaternary 
International. Volume 470, Part A, pp. 26-3715 March 2018. 
129
 Os dados acerca dos registros de 
temperatura dos oceanos compilados pelo Hadley 
Centre e pelos registros de temperatura terrestre 
compilados pela Unidade de Pesquisa Climática 
(CRU) da Universidade de East Anglia, conhecido 
pela sigla “HadCRUT” (Hadley Centre Climatic 
Research Unit Temperature) e pelo Goddard Institute 
for Space Studies (GISS) da National Aeronautics 
and Space Administration (NASA), indicam que 
a temperatura global anual da superfície da Terra 
durante o período de 1991-2018 também foi de 
14,5°C. 
 Portanto, não houve nenhuma alteração 
na temperatura média global perto da superfície 
nos últimos 100 anos. Nesse sentido, de acordo 
com Scafetta (2022), o aquecimento climático 
global exacerbado projetado para as próximas 
décadas pode ser moderado e provavelmente 
não particularmente alarmante. Análises das 
tendências da temperatura global, durante a 
primeira década do século XXI, indicam que não 
houve aquecimento significativo nesse período, 
fato reconhecido inclusive pelo próprio IPCC 
no Quinto Relatório de Avaliação do Painel 
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas 
(AR5). 
 O chamado “hiato no aquecimento” que 
suscitou diversos debates no âmbito das ciências 
climáticas com argumentos a favor e contra, de 
acordo com Karl et al (2015), cientistas da National 
130
Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) 
que publicaram um artigo na revista Science 
afirmando que os métodos de medição utilizados 
foram falhos, que as metodologias utilizadas 
anteriormente foram inadequadas, portanto, não 
houve pausa no aquecimento. 
 A NOAA ajustou os registros o que levou 
à conclusão de que as temperaturas da superfície 
global, durante os anos 2000, foram realmente 
mais altas do que nas décadas anteriores. 
 De acordo com os pesquisadores, as 
temperaturas não se estabilizaram como se 
pensava, que o suposto “hiato” de aquecimento 
foi apenas um artefato de análises anteriores 
equivocadas, que o aquecimento continuou em um 
ritmo semelhante ao da última metade do século 
XX, portanto, a desaceleração foi apenas uma 
ilusão 7.
 Porém, em 2019 e 2020, novos estudos 
revelaram que o hiato do aquecimento global era 
real. Um estudo de Williams et al (2019), publicado 
no Journal of Atmospheric and Solar Terrestrial 
Physics confirmou o período de estagnação sem 
aquecimento. Uma outra análise da temperatura 
global pelos pesquisadores Wang e Liu (2020), da 
Universidade de Tongji, em Xangai, lançou luz 
7 Karl et al. Possible artifacts of data biases in the recent 
global surface warming hiatos. Science. 4 Jun. Vol. 348, 
pp. 1469-1472, 2015. 
131
sobre o tão debatido hiato na temperatura global. 
Escrevendo para o Journal of Earth Science, os 
cientistas chineses dizem que houve um rápido 
aumento na temperatura média global do ar da 
superfície após o final da década de 1970, mas 
houve uma relativa estagnação e até um leve 
resfriamento no período compreendido entre 1998 
e 2012. Os pesquisadores concluíram que o debate 
sobre o hiato representou um desafio substancial 
para nossa compreensão em relação a resposta do 
clima global às emissões antropogênicas de GEE e à 
variabilidade natural 8. Na contramão da negação 
do “hiato no aquecimento” Mann et al (2011), 
isso mesmo, o autor do famoso “taco de hóquei” 
e pesquisador do IPCC, em artigo publicado 
na revista Proceedings of the National Academy 
of Sciences (PNAS) confirmou que houve uma 
pausa no aquecimento global: “Dado a elevação 
amplamente observada nos efeitos de aquecimento 
pelo aumento das concentrações de gases de efeito 
estufa, não está claro por que as temperaturas da 
superfície não subiram entre 1998 e 2008” 9.
8 Williams et al. Global lightning activity and the hiatus 
in global warming. Journal of Atmospheric and Solar 
Terrestrial Physics. Volume 189 pp. 27-34, 2019.
Wang, R.; Liu, Z. Stable Isotope Evidence for Recent Global 
Warming Hiatus. Journal of Earth Science. Vol. 31, pp. 
419–424, 2020. https://doi.org/10.1007/s12583-019-1239-4
9 Mann, M.; Kaufmanna, R. K.; Kauppib, H.; Stock, J. H. 
Reconciling anthropogenic climate change with observed 
temperature 1998–2008. 11790–11793 PNAS vol. 108 nº. 
132
 Um artigo publicado na revista Nature, 
em 2017, confirmou que o “hiato” ou “pausa” no 
aquecimento foi real. De acordo com os autores, 
após um aumento na temperatura média global 
associado ao El Niño de 1998, o sistema climático 
experimentou vários anos de aquecimento 
reduzido e talvez até um leve resfriamento. Esse 
período, chamado de hiato, pausa ou desaceleração, 
segundo os autores, não deveria ser uma surpresa, 
dada a compreensão que se tem sobre o El Niño e 
da variabilidade climática natural 10. 
 Em 2020, um grupo de pesquisadores das 
Universidades de Princeton, Califórnia, Tóquio, 
Kyushu e da Scripps Institution of Oceanography, 
afirmaram que os esforços para se entender o 
hiato possibilitou compreender melhor algumas 
das principais métricas da mudança climática 
global, como a temperatura global e a cobertura de 
gelo11. 
29. July 19, 2011.
10 Medhaug, Iselin; Stolpe, Martin B.; Fischer, Erich M.; 
Knutti, Reto. Reconciling controversies about the global 
warming hiatos. Nature volume 545, pp. 41–47 - May, 2017.
11 Johnson, N.; Amaya, D.; Ding, Q.; Kosaka, Y.; Tokinaga, 
H.; Xie, S. Multidecadal modulations of key metrics of 
global climate change. Global and Planetary Change. 
Volume 188, May 2020.
133
4 
A FALÁCIA DO CONSENSO 
CIENTÍFICO
Toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a 
unanimidade não precisa pensar. 
Nelson Rodrigues
 O método científico deveria nos afastar 
completamente do consenso. Tecnicamente, 
consenso consiste em um acordo geral de opinião. 
 A National Academy of Sciences of the United 
States of America (NAS)1, indica um conjunto de 
critérios bem esquematizados a fim de balizar a 
conduta dos cientistas e prezar pela ética:
 
A falibilidade dos métodos é um lembrete 
valioso da importância do ceticismo na 
ciência. O conhecimento científicoe os 
métodos científicos, antigos ou novos, 
devem ser examinados continuamente 
quanto a possíveis erros. Esse ceticismo 
pode entrar em conflito com outras 
características importantes da ciência, 
1 National Academy of Science. On Being a Scientist: 
Responsible Conduct in Research. National Academy 
Press, 1995, p. 6. 
134
como a necessidade de criatividade e 
convicção na argumentação de uma 
determinada posição. Mas, o ceticismo 
organizado e perspicaz, bem como a 
abertura a novas ideias, são essenciais para 
se proteger contra a invasão de dogmas 
ou preconceitos coletivos nos resultados 
científicos.
 A história da ciência oferece vários 
episódios nos quais as crenças sociais ou pessoais 
distorceram o trabalho dos pesquisadores. 
 O campo da eugenia usou as técnicas da 
ciência para tentar demonstrar a superioridade 
dos “brancos” sobre os demais povos (africanos, 
indígenas, aborígenes, etc.). 
 A rejeição ideológica da genética 
mendeliana na ex-União Soviética, iniciada 
década de 1930, prejudicou a biologia soviética por 
décadas. 
 O vínculo empírico entre o conhecimento 
científico e o mundo físico, biológico, econômico, 
ideológico e social pode restringir a influência dos 
valores na ciência. 
 Os pesquisadores estão continuamente 
testando suas teorias sobre o mundo contra 
observações. 
 Se as hipóteses não estiverem de acordo com 
as observações, elas acabarão caindo em desuso 
(embora os cientistas possam se apegar a uma 
hipótese mesmo diante de evidências conflitantes, 
135
pois às vezes é a evidência e não a hipótese que está 
equivocada).
 Às vezes, determinados valores podem 
entrar em conflito e isso ocorre quando o 
pesquisador possui algum interesse pessoal ou 
financeiro em um projeto, o que pode gerar um 
viés “alienígena” nos resultados científicos.
 Ao se fazer uma pesquisa no Google 
utilizando as palavras “consenso sobre o 
aquecimento global” encontra-se 414.000 
resultados, utilizando as palavras “mudanças 
climática antrópicas” obtém-se 529.000 resultados 
(em 14 de julho de 2023). 
 Entre os primeiros links encontra-se a 
página da Agência Espacial Norte Americana 
(NASA) enfatizando que noventa e sete por cento 
dos cientistas climáticos do mundo concordam que 
as tendências do aquecimento climático ao longo 
do século passado são muito prováveis devido às 
atividades humanas, e que a maioria das principais 
organizações científicas do mundo endossam 
publicamente esta posição2: 
2 Conway, Erik. Global warming consensus Agreement 
among scientists confirmed, again. BLOG - June 13, 2013. 
Disponível em: https://climate.nasa.gov/blog/938/. Acesso 
em 19 jul 2020.
136
Figura 1- Ilustração do consenso científico de que 
97 em cada 100 cientistas climáticos que publicam 
ativamente concordam com a evidência esmagadora 
de que os seres humanos estão causando o 
aquecimento global
No site1 da agência espacial americana 
quando se clica no item Scientific Consensus, 
logo abaixo do gráfico que mostra a ascensão da 
temperatura média global, vem a afirmação de que 
existe um consenso absoluto de que a ação humana 
é responsável por este aquecimento, utilizando-se 
como referência diversos artigos publicados em 
revistas científicas e revisados por pares, artigos 
que serão aqui analisados e desmascarados. 
 Na verdade, esta estratégia de manipulação 
midiática utilizada pela NASA, bem como pelo 
1 “Scientific Consensus: Earth's Climate Is Warming”. 
Disponível em: https://climate.nasa.gov/scientific-
consensus/. Acesso em 06 Jan 2022.
137
IPCC, tem por objetivo vender a falsa ideia de que 
a ciência do clima está resolvida. Infelizmente não 
apenas o público leigo desconhece o funcionamento 
das engrenagens do sistema chamado ciência. É 
preciso deixar claro que o trabalho da ciência não 
é obter consenso. Consenso é problema de política, 
se é consensual não pode ser ciência2. Também 
é preciso novamente esclarecer que questionar 
não significa negar. O mais impressionante em 
tudo isso é que o questionamento permanente 
do estado geral do conhecimento que é uma 
característica intrínseca da atividade científica 
está sendo jogado para debaixo do tapete. Basta 
uma pesquisa nos periódicos da ciência do clima 
para se perceber o quanto os cientistas estão 
longe dessa pretensa unanimidade. Em ciência a 
dúvida é uma premissa básica. Cientistas éticos 
e honestos e comprometidos com a verdadeira 
ciência procuram refutar os conhecimentos aceitos 
baseando-se no ceticismo para promover avanços, 
diferentemente da ciência do aquecimento global 
que tenta convencer as pessoas a não questionar a 
“autoridade” do IPCC. Novamente, é preciso frisar: 
a ciência nunca esteve, não está e nunca estará 
definitivamente definida. Uma rápida pesquisa 
diacrônica pela história da ciência é suficiente 
para se recordar o quanto o conceito de consenso 
científico é pernicioso.
2 Watts, Anthony. Aliens Cause Global Warming: A Caltech 
Lecture by Michael Crichton. Disponível em: https://
wattsupwiththat.com/2010/07/09/aliens-cause-global-
warming-a-caltech-lecture-by-michael-crichton/July 9, 
2010. Acesso em 17 Jul 2020. 
138
4.1 O consenso científico na História da 
Ciência
 A descoberta dos pesquisadores 
australianos Barry J. Marshall e Robin Warren 
foram recebidas com muito ceticismo ao 
publicarem, em 1982, estudos que contrariavam a 
crença até então aceita de que úlceras no estômago 
e duodeno eram causadas por estresse. A pesquisa 
levou a descoberta da bactéria Helicobacter 
pylori. A descoberta possibilitou a prescrição de 
antibióticos no combate da doença permitindo 
uma cura relativamente rápida. O trabalho sofreu 
muita resistência pois contrariava o “consenso 
científico” aceito até então de que a úlcera seria 
resultado do estresse e do estilo de vida do paciente. 
Porém, as coisas não foram tão fácil assim para os 
ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina (2005): 
Marshall chegou a ingerir uma bebida contendo 
bactérias para demonstrar a verdadeira causa por 
trás da infecção bacteriana3. 
O episódio protagonizado pelos cientistas 
australianos remete ao livro de Thomas Kuhn4 
3 Fapesp. Australianos ganham Nobel de Medicina - 04 de 
outubro de 2005. Disponível em: http://agencia.fapesp.br/
australianos-ganham-nobel-de-medicina/4432/. Acesso em 
10 fev. 2023.
4 O autor questiona os dogmas consagrados enxergando 
o avanço da ciência não tanto como o acúmulo gradativo 
de novos dados gnosiológicos, e sim como um processo 
contraditório marcado pelas revoluções do pensamento 
139
“Estrutura das revoluções científicas” (1962), obra 
em que o autor aborda a mudança de paradigmas 
na ciência. Segundo Kuhn, “paradigmas” são 
realizações científicas universalmente reconhecidas 
que, durante algum tempo, fornecem problemas 
e soluções modelares para uma comunidade de 
praticantes de uma ciência5. Ainda, de acordo 
com Kuhn (1962), a mudança de paradigma 
ocorre quando um número razoável de cientistas 
dissidentes observa e critica as anomalias, ou 
inconsistências do paradigma vigente, gerando 
assim uma fase de incertezas, que por sua vez, 
conduz ao surgimento de um novo paradigma. 
Assim a ciência caminha e avança.
 Em 1895, Wilhelm Conrad Röntgen 
(1845-1923) trabalhando em seu laboratório 
como rotineiramente fazia, notou que alguma 
coisa não estava dando muito certo. Uma tela 
de platinocianeto de bário a certa distância de 
seu dispositivo de proteção ficava luminescente 
enquanto realizava experimentos com o tubo 
de raios catódicos inventado pelo inglês William 
Crookes (1832-1919), alguns anos antes. O 
científico. Tais revoluções são definidas como o momento 
de desintegração do tradicional numa disciplina, forçando 
a comunidade de profissionais a ela ligados a reformular 
o conjunto de compromissos em que se baseia a prática 
dessa ciência. Um dos aspectos mais interessantes da obra 
consiste na análise do papel dos fatores exteriores à ciência 
na erupção desses momentos de crise e transformação do 
pensamentocientífico e da prática correspondente.
5 Kuhn, Thomas. A estrutura das revoluções científicas, 
p.13. 
140
dispositivo consistia em um tubo de vidro 
dentro do qual um condutor metálico aquecido 
emitia elétrons, então chamados raios catódicos. 
Algo saia do tubo, atravessa barreiras e atingia o 
platinocianeto por isso a primeira radiografia obtida 
na história foi da mão da esposa de Röntgen, Anna 
Bertha Ludwig (1872-1919). Ele havia descoberto 
o que às vezes é chamado de raios Röntgen, que 
ele denominou de raios-X (sendo X a designação 
matemática para algo ainda desconhecido). 
A descoberta repercutiu na comunidade 
científica da época de maneira positiva e negativa. 
O físico e matemático Willian Thomson (1824-
1907), que mais tarde passou a ser chamado de 
Lord Kelvin, por exemplo, chegou a afirmar que 
tudo não passava de uma farsa, um embuste bem 
montado6.
 Além de profetizar que os raios-X 
provariam ser uma farsa, Kelvin também alertava 
que era um erro as empresas de energia elétrica 
adotarem a corrente alternada (AC- alternating 
current) em detrimento da corrente direta (DC- 
direct current.
 Thomas Alva Edison (1847-1931), inventor 
da lâmpada, que investiu financeiramente no 
sistema de corrente direta, portanto, totalmente 
contrário ao sistema AC, chegou a usar diversas 
manobras para denegrir o sistema AC (corrente 
6 Martins, Roberto de Andrade. A descoberta dos raios-X: 
o primeiro comunicado de Röntgen. Revista Brasileira de 
Ensino de Física 20 (4): 373-91, 1998.
141
alternada) desenvolvido pelo engenheiro elétrico 
iugoslavo Nikola Tesla (1856-1943), afirmando 
inclusive que não existia nenhum argumento que 
justificasse o uso de alta tensão e corrente alternada, 
no sentido científico ou comercial, portanto, seu uso 
deveria ser terminantemente proibido. Em 1878, 
um Comitê do Parlamento Britânico declarou que 
a lâmpada elétrica inventada por Thomas Edison 
era boa o suficiente para os americanos, mas não 
merecia a atenção da ciência, mesmo raciocínio 
do engenheiro chefe dos correios daquela época 
Sir William Preece (1834-1913) que chamou a 
luz elétrica de um absoluto “ignis fatuus”, ou seja, 
uma farsa7. O físico e filósofo alemão Ernst Mach 
(1838–1916) logo após participar da palestra de 
Ludwig Boltzmann (1844-1906) na Academia 
Imperial de Ciências de Viena, em 1897, afirmou 
que não podia aceitar a teoria da relatividade 
nem tão pouco a existência de átomos e outros 
dogmas desse tipo8. Boltzmann foi um físico 
austríaco, conhecido pelo seu trabalho no campo 
da termodinâmica estatística. É considerado junto 
com Josiah Willard Gibbs (1839-1903) e James 
Clerk Maxwell (1831-1879) um dos fundadores da 
mecânica estatística, foi um defensor contumaz da 
teoria atômica em uma época em que esta, ainda 
era muito controversa.
7 Tucker, David Gordon. Sir William Preece (1834-1913). 
Disponível em: https://www.outsideecho.com/DGT-BIO_
files/PDFs/DGT15.pdf. Acesso em 17 jul 2022.
8 Yourgrau, Palle. A World Without Time: The Forgotten 
Legacy of Gödel and Einstein. New York: Basic Book, 
2005.
142
 Quando o médico Oliver Wendell Holmes 
(1809-1894) publicou o artigo The Contagiousness 
of Puerperal Fever (1943), discorrendo sobre a febre 
puerperal e alertando que a doença era contagiosa, 
apresentando inclusive uma série de evidências, o 
consenso científico da época se recusou a aceitar. O 
ensaio de Holmes foi uma das primeiras publicações 
a apresentar a febre puerperal como uma doença 
contagiosa e a discutir medidas preventivas para 
inibir a disseminação da infecção, o que ajudou a 
preservar a vida de gestantes e recém-nascidos9.
 Em 1849, Ignaz Philipp Semmelweis 
(1818–1865) demonstrou que a febre puerperal 
era uma infecção que ocorreria no trato uterino 
das mulheres após o parto ou após um aborto. 
Semmelweis determinou que a febre puerperal 
era contagiosa e argumentou que as práticas 
anti-higiênicas dos médicos, como examinar 
pacientes após a realização de autópsias causavam 
a propagação da doença. Ele demonstrou que 
se os médicos higienizassem bem as mãos 
antes de atenderem aos pacientes isso evitaria a 
propagação da doença. Ele conseguiu diminuir 
consideravelmente os casos de contaminação no 
hospital onde trabalhava e administrava, até ser 
sumariamente demitido. Contudo, apesar de ter 
sido amplamente criticado durante sua vida, a 
pesquisa de Semmelweis sobre a febre puerperal 
estabeleceu um precedente para muitos cientistas 
e contribuiu significativamente na prevenção e 
9 Holmes, Oliver Wendell. The Contagiousness Of 
Puerperal Fever. The New England Quarterly Journal of 
Medicine 1 (1843): 503–30.
143
profilaxia da doença. Na época a hipótese proposta 
por Semmelweis contrariava a teoria vigente de 
as doenças resultavam de desequilíbrios entre 
os quatro tipos de humores sangue, fleuma, bílis 
amarela e bílis negra procedentes, respectivamente, 
do coração, cérebro, fígado e baço e que cada 
doença era única porque cada pessoa era única. 
Dizia-se que uma pessoa saudável tinha um 
equilíbrio perfeito entre os quatro humores, assim, 
as práticas anti-higiênicas contrastavam com a 
teoria dos humores. De fato, não havia acordo 
sobre a febre puerperal até o início do século XX. 
Assim, o consenso científico retardou em décadas 
a erradicação da infecção bacteriana, apesar dos 
esforços dos proeminentes “céticos” da época10. 
 Durante a década de 1910, milhares de 
pessoas morriam em decorrência de uma doença 
chamada “pelagra” ou deficiência de niacina, uma 
deficiência nutricional causada pela falta de ácido 
nicotínico ou vitamina B3, conhecida também 
como doença dos 3 D’s por causar dermatite, diarreia 
e demência nos casos mais graves. O consenso 
científico da época afirmava que se tratava de uma 
doença infecciosa. O governo americano, em 1914, 
nomeou então Joseph Goldberger (1874–1929), 
um médico do Serviço de Saúde Pública dos EUA 
para liderar a investigação e descobrir a causa. O 
10 Silva, Marcos R.; Mattos, Aline de M. Ignaz Semmelweis 
e a febre puerperal: algumas razões para a não aceitação 
de sua hipótese. Filosofia e História da Biologia, São Paulo, 
v. 10, n. 1, p. 85-98, 2015. Disponível em: http://www.
abfhib.org/FHB/FHB-10-1/FHB-10-1-06-Marcos-R-Silva_
Aline-M-Mattos.pdf. Acesso em 18 jul 2022. 
144
primeiro passo de Goldberger foi simplesmente 
observar. Ele viajou incansavelmente pelo Sul do 
país fazendo anotações, perguntas e anotando 
tudo o que ouvia (anamnese). Ele notou que a 
dieta das pessoas pobres da região consistia em 
pão de milho, melaço e um pouco de gordura de 
porco. Parecia que as pessoas mais pobres estavam 
mais propensas a ter a doença. Instituições como 
prisões, asilos e orfanatos também tinham uma 
dieta limitada e uma grande quantidade de pelagra 
ocorria entre os presos. 
No final das pesquisas Goldberger concluiu 
que a dieta era o fator crucial, porém, o consenso 
permaneceu ligado à teoria dos germes, mesmo 
ele demonstrando que poderia induzir a doença 
através da dieta. 
Ele demonstrou que a doença não era 
infecciosa injetando o sangue de um paciente 
com pelagra nele e em seu assistente. Eles e outros 
voluntários esfregaram o nariz de pacientes e 
engoliram cápsulas contendo crostas de erupções 
cutâneas de pelagra no que foi chamado de “festas de 
sujeira de Goldberger”, contudo, ninguém contraiu 
a doença. No entanto, o consenso continuava 
firme e relutante em não aceitar a hipótese. Além 
disso, havia um ingrediente indigesto chamado 
fator social: os governadores do Sul da Geórgia 
e Carolina do Sul não gostavam da ideia de uma 
dieta pobre ser a causa porque significava que era 
necessário a implantação de uma reforma social 
para reduzir as desigualdades, pois a grande 
maioria dos infectados era extremamente pobre.
145
 As conclusões de Goldberger estavam 
corretas, mas eram impopulares devido às 
implicações negativas para o modo de vida dos 
estados do sul. Além disso, muitos na comunidade 
médica continuaram não convencidos,pois todos 
os estudos de Goldberger foram realizados em 
ambientes controlados e contradiziam os resultados 
apresentados pela Comissão Thompson-McFadden 
que anteriormente, em 1912, havia pesquisado e 
declarado que a doença era contagiosa. 
Somente na década de 1920 novos estudos 
possibilitaram avanços na compreensão da causa 
e do tratamento da doença e as evidências não 
podiam mais ser negadas pelo consenso científico 
até então prevalente.
Todas as crianças em idade escolar, 
provavelmente percebem que a América do Sul 
e a África parecem se encaixar perfeitamente. O 
alemão Alfred Wegener (1880-1930) propôs, em 
1912, que os dois continentes estavam unidos há 
milhões de anos. 
 No entanto, o consenso científico da 
época zombou da teoria da Deriva Continental 
por cinquenta anos e negada com muito vigor 
pelos grandes nomes da geologia até 1961 quando 
evidências demonstraram que o fundo do mar 
estava se movimentando. 
O resultado levou o consenso à reconhecer 
o que qualquer aluno vê quando observa o mapa-
múndi. 
146
Em 1797, Edward Jenner (1749-1823) que 
realizou diversos estudos sobre a varíola teve seus 
estudos e argumentos rejeitados pela Royal Society 
de Londres11. 
Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794) 
que se posicionou contra a Teoria do Flogístico 
que postulava a existência de um elemento ou 
princípio inflável presente no ar que era liberado 
no momento da combustão teve muito trabalho 
para driblar o consenso científico da época. 
Segundo, tal teoria, o ar seria imprescindível para 
a combustão porque transportaria o tal elemento 
chamado “flogístico” de um corpo para outro. No 
entanto, os trabalhos de Lavoisier não convenceu 
a totalidade da comunidade científica da época de 
maneira que muitos permaneceram fiéis a antiga 
teoria12.
Louis Pasteur (1822-1895) era contrário 
à geração espontânea ou biogênese, hipótese 
que postulava que a vida poderia surgir a partir 
da matéria não-viva. Essa hipótese ainda era 
muito aceita pela comunidade científica na 
época. Pasteur inclusive se envolveu em uma 
disputa acirradíssima com o médico naturalista 
Félix Pouchet (1800-1876), defensor na geração 
espontânea. Pouchet era favorável a heterogenia, 
que postulava a existência de uma força plástica 
11 Riedel, Stefan. Edward Jenner and the history of 
smallpox and vaccination. Baylor University Medical Center 
Proceedings Vol. 18, nº 1, pp 21-25, 2005.
12 Best, N.W. Lavoisier’s Reflections on phlogiston I: 
against phlogiston theory. Found Chem 17, 137–151, 2015.
147
ou vegetativa presente no ar que era capaz de 
proporcionar o surgimento de novos seres vivos. 
Os panspermistas, como Pasteur, afirmavam que 
os germes que apareceriam nas infusões expostas 
ao ambiente estavam no ar, portanto, não havia 
geração espontânea. A disputa entre os defensores 
da biogênese e a da abiogênese se manteve durante 
um bom tempo, Pasteur não conseguiu colocar um 
ponto final na polêmica como os livros de história 
costumam afirmar. Do ponto de vista científico, na 
época a balança estava equilibrada entre a geração 
espontânea e seus opositores. Não se deve julgar 
que grande parte da comunidade científica da 
época estava convencida a favor de Pasteur, muito 
pelo contrário: [...] o Grande Dicionário Universal 
(Larrouse, Grand Dictionnaire, vol. 8, p. 1139), em 
1865, considerava que a heterogenia havia vencido. 
Nessa época ou depois, não cessaram de aparecer 
obras favoráveis a geração espontânea13.
Na história da ciência não faltam exemplos 
para elucidar o quanto o consenso científico 
no decorrer do tempo se mostrou equivocado. 
Quantos exemplos serão necessários? Os exemplos 
podem ser multiplicados infinitamente. Contudo, é 
preciso destacar que a invocação da reinvindicação 
de consenso somente ocorre em situações na qual a 
ciência ainda não possui uma base suficientemente 
sólida.
13 Martins, Lilian Al-Chueyr Pereira; Martins, Roberto 
de Andrade. Geração espontânea: dois pontos de vista. 
Perspicillum 3(1): pp 5-32, 1989.
148
Apesar do uso e do abuso do termo 
“consenso”, como visto anteriormente, obviamente 
que existem vários graus de concordância e 
discordância em todos os campos da ciência, 
contudo, quando um pesquisador se insurge 
contra a cartilha ortodoxa da ciência climática 
hegemônica ele provavelmente estará fadado 
ao ostracismo científico. 
 Em última análise, qualquer “consenso” em 
ciência está idealmente sujeito às armadilhas da 
verificação empírica. O grande perigo é quando, 
por razões políticas ou ideológicas, ou ambas, 
o consenso se torna imune ao escrutínio. Isso 
claramente vem ocorrendo na ciência do clima. 
Contudo, consenso que pode significar “acordo 
geral” pode não envolver a unanimidade e nem 
exigir concordância em todos os seus detalhes. 
Portanto, ainda há espaço para discordâncias 
dentro do próprio consenso. 
4.1.1 Origem da ideia de consenso 
Qual seria a origem da crença, 
constantemente repetida pela mídia, de que 
quase todos os cientistas (97%) concordam que as 
atividades humanas estão causando o aquecimento 
global? 
Artigos e pesquisas comumente citados em 
todo mundo pela mídia, formuladores de política, 
ambientalistas, políticos, cientistas alarmistas e, de 
maneira geral, os desinformados de plantão que 
149
repetem mecanicamente a frase absurda acerca 
do consenso científico em favor da hipótese do 
aquecimento global catastrófico causado pelo 
homem são, sem exceção, metodologicamente 
falhos e muitas vezes deliberadamente enganosos. 
Portanto, não há pesquisa ou estudo mostrando 
“consenso” sobre as questões científicas mais 
importantes no debate sobre mudanças climáticas 
atualmente14. 
 A expressão “97% dos cientistas do mundo 
são favoráveis a tese de que a atividade humana 
está influenciando o clima global pelo excesso de 
CO
2
” foi empregada por Al Gore, em 2007, em 
seu filme “Uma Verdade Inconveniente”. No dia 
16 de maio de 2013, o então presidente Barack 
Obama twittou: “97% dos cientistas concordam: # 
mudança climática é real, perigosa e produzida pela 
ação humana”. No site da NASA lê-se: “97% dos 
cientistas climáticos concordam que as tendências 
do aquecimento climático ao longo do século 
passado provavelmente ocorreram em decorrência 
das atividades humanas”15.
No entanto, essa afirmação é enganosa e 
não passa de uma ficção. O chamado consenso 
14 Idso, Craig. Why Scientists Disagree About Global 
Warming: Second Edition: The NIPCC Report on 
Scientific Consensus (p. 26). Heartland Institute. Edição do 
Kindle (2018).
15 NASA. National Aeronautics and Space Administration. 
Scientific Consensus: Earth's Climate is Warming. 
Disponível em: https://climate.nasa.gov/scientific-
consensus/. Acesso em 14 de julho de 2023.
150
vem de um punhado de artigos e exercícios 
matemáticos de contagem de resumos que foram 
posteriormente revisados e reprovados por 
pesquisas mais confiáveis.
 Entre os diversos artigos publicados 
até o momento abordando o suposto consenso 
destacam-se sete entre os mais citados: número 1 
- publicado na revista Science pela historiadora da 
ciência da Universidade da Califórnia por Naomi 
Oreskes: The Scientific Consensus on Climate 
Change (2004); número 2 - publicado pelos 
pesquisadores do departamento de Ciências da 
Terra e Ambientais da Universidade de Illinois, 
Peter T. Doran e Maggie Kendall Zimmerman: 
Examining the Scientific Consensus on Climate 
Change (2009)16; número 3 - publicado por 
Anderegg et al (2010) na revista PNAS: Expert 
credibility in climate change; número 4 - publicado 
por John Cook et al: Quantifying the consensus 
on anthropogenic global warming in the scientific 
literature (2013); número 5 - publicado por Cook et 
al: Consensus on consensus: a synthesis of consensus 
estimates on human-caused global warming (2016), 
entre os autores figuram todos que foram citados 
anteriormente, isto mesmo, não pode existir mais 
consenso do que reunir todos os principais autores 
que publicaram sobre “consenso” paraescrever 
novamente um estudo sobre consenso; número 6 
- publicado por James Lawrence Powell: Scientists 
16 Margaret K. Zimmerman foi aluna de Peter Doran. Ela 
respondeu algumas questões propostas por Doran durante 
uma aula de geologia, posteriormente expandiu as perguntas 
para formar sua dissertação de mestrado.
151
Reach 100% Consensus on Anthropogenic Global 
Warming (2019), no Bulletin of Science, Technology 
& Society e, por fim, o número 7 - publicado 
por Mark Lynas, Benjamin Z. Houlton e Simon 
Perry, em 19 de outubro de 2021: Greater than 
99% consensus on human caused climate change 
in the peer-reviewed scientific literature. Quando 
se observa a fundo a coincidência estatística 
entre os números dessas pesquisas, que apontam 
sempre para os mesmos resultados, surge o sinal 
de alerta: alguma coisa está errada. É importante 
entender qual a origem desses números, quantas 
pessoas responderam, como foram selecionados 
os entrevistados, quais critérios e como ocorreu 
a convergência em um espectro de consenso a 
respeito do percentual de impacto humano sobre 
o clima global. A maioria das pessoas assume 
automaticamente que “consenso” significa que 
os “seres humanos estão causando aquecimento 
global catastrófico por causa das emissões de CO
2
, 
porém, três dos estudos supracitados não abordam 
essa questão, o artigo de Anderegg et al (2010) é o 
único a abordar o problema, pois parte dele está 
fundamentado em autores do IPCC.
Uma simples revisão desses “pseudos 
estudos” que pretendem ratificar o tal consenso 
científico revela apenas uma série de erros 
matemáticos, falsa ciência e muita manipulação. 
 As emissões de GEE por meio da ação 
humana não constitui uma obsessão para grande 
parte dos cientistas climáticos. Muitos cientistas 
climáticos acreditam que são as forças naturais 
que dominam as mudanças climáticas e que 
às emissões desses gases causaram menos da 
152
metade do aquecimento do planeta no século 
XX. O objetivo da alegação de 97% reside nas 
ciências psicológicas, não nas ciências climáticas. 
Uma reivindicação de consenso de 97% é apenas 
um mecanismo social: um poderoso motivador 
psicológico para conduzir e manter o público leigo 
preso ao rebanho. Deve-se deixar claro que grande 
parte dos cientistas concorda que a atividade 
humana afeta o clima e leva a algum aquecimento 
como atividades que incluem desflorestamento, 
desenvolvimento urbano e emissões de GEE 
pelo uso de combustíveis fósseis. Porém, não 
há consenso sobre o percentual de influência 
de cada um desses fatores, suas proporções e se 
o ser humano pode ou não mitigar com sucesso 
essa influência. Evidências atuais sugerem que a 
teoria do Aquecimento Global Antrópico (AGA) 
precisa ser urgentemente revisada em decorrência 
da estabilização das temperaturas observada nos 
últimos 15 anos, o que demonstra que o CO
2
 não 
é um mecanismo de controle que pode por si só 
interferir na variabilidade climática.
É importante ressaltar que as duas 
reivindicações de 97% mais popularmente 
conhecidas foram completamente inventadas. 
Al Gore usou essa alegação em seu filme- “Uma 
Verdade Inconveniente” – a outra pertence a Dra 
Naomi Oreskes, historiadora da ciência, que com 
uma simples pesquisa na internet descobriu que 
97% dos cientistas são favoráveis a hipótese de 
aquecimento global causado pela ação humana, 
mesmo não utilizando como descritores as palavras 
aquecimento global antrópico.
153
Utilizando-se das mesmas palavras-chave, 
ou seja, “mudança climática global” Peiser (2005) 
encontrou 1.117 documentos dos quais 929 eram 
artigos e somente 905 tinham resumos. Portanto, 
não está claro quais foram os 928 “resumos” 
mencionados por Oreskes e quantos endossam 
explicitamente a sua definição limitada de 
“consenso”. 
 Assim ao revisar o estudo Peiser (2005) 
descobriu que apenas 13 dos 1.117, ou seja, somente 
1,2 % endossam explicitamente o consenso, mesmo 
na sua definição mais limitada. A disparidade entre 
os resultados foi tão esmagadora que precisaria 
de alguma explicação plausível, porém, isso não 
aconteceu.
O comentário mais devastador sobre o 
trabalho de Oreskes, sem dúvida alguma, veio 
por parte de Tom Wigley, ex-diretor da Unidade 
de Pesquisa Climática (CRU) da Universidade de 
East Anglia (uma das principais instituições do 
mundo focada no estudo das mudanças climáticas 
naturais e antropogênicas que se tornou o centro 
da atenção mundial quando hackers invadiram, em 
2009, o servidor da instituição e divulgaram uma 
quantidade enorme de e-mails trocados entre os 
pesquisadores que indicavam fraudes nos estudos 
sobre o aquecimento global e manobras científicas 
para esconder o declínio das temperaturas globais, 
enquanto, a instituição recebia milhões de libras em 
pesquisas sobre o aquecimento global antrópico): 
“Análises como essas de pessoas que não conhecem 
o campo são inúteis. 
154
Um bom exemplo é o trabalho de Naomi 
Oreskes”17.
Novamente é preciso destacar que consenso 
não é unanimidade. A unanimidade exige um 
acordo explícito de todas as partes. O consenso 
vai muito além disso. Em termos conotativos 
consenso pode ser confundido como sinônimo 
de unanimidade por grande parte das pessoas, 
como se fosse possível fazer algum tipo de votação 
no mundo real sobre o tema aquecimento global 
antropogênico por todos os cientistas ao redor do 
globo. A palavra consenso aplicada às ciências do 
clima tem sua origem nos relatórios do IPCC e o 
grau de certeza dos cientistas climáticos sobre a real 
participação da ação humana na intensificação do 
efeito estufa desde meados do século XX abrange 
um leque de possibilidades que varia de 20% a 95%. 
Portanto, essa enorme variedade não constitui um 
consenso, um verdadeiro consenso apenas pode 
ser aplicado a uma gama restrita de opiniões18.
Retomando os fatos, o artigo publicado 
por Oreskes (2004), na Science Magazine, teve 
sua origem primeiramente em uma comunicação 
oral proferida pela autora em um seminário. Os 
ouvintes fizeram tantas perguntas que a autora 
17 Ball, Tim. Human Caused Global Warming, p. 23.
18 Friends of Science Society. 97% Consensus? No! 
Global warming math, myth and social proofs. The 
“Science” of Statisticulation. Friends of Science Society, 
Calgary, Canadá, 50 pp. 2014. Disponível em: https://
friendsofscience.org/assets/documents/97_Consensus_
Myth.pdf. Acesso em 05 Agosto 2022.
155
resolveu testar sua hipótese de estudo na prática, 
ou seja, confirmar a existência de um consenso 
científico acerca do aquecimento global antrópico. 
Para tanto, analisou 928 artigos publicados em 
periódicos científicos no período compreendido 
entre 1993-2003, utilizou como referência o banco 
de dados do Institute for Scientific Information 
(ISI), classificou os artigos em diferentes categorias 
e empregou inicialmente os termos “mudança 
climática” como palavras-chave, sem o adjetivo 
“antrópico”. Posteriormente, ela relatou que havia 
utilizado na pesquisa “mudança climática global”, 
porém, a pesquisa não faz nenhuma referência a 
qualquer interferência da ação humana sobre o 
clima, CO
2
 ou emissões de GEE.
Obviamente que este “pequeno” detalhe 
faz uma diferença significativa, pois pode alterar 
consideravelmente o número e as características 
dos artigos escolhidos na execução da pesquisa, 
independentemente da revista Science ter publicado 
uma nota corrigindo o problema, em 200519.
Entre os textos classificados como favoráveis 
à sua pesquisa, Oreskes (2004), incluiu também 
artigos que tratavam dos eventuais impactos 
19 Erratum, Post date 21 January 2005. Essays: “The 
scientific consensus on climate change” by N. Oreskes (3 
Dec. 2004, p. 1686). The final sentence of the fifth paragraph 
should read “That hypothesis was tested by analyzing 928 
abstracts, published in refereed scientific journals between 
1993 and 2003, and listed in the ISI database with the 
keywords ‘global climate change’ (9).” The keywords used 
were “global climate change,” not “climatechange”.
156
humanos no clima e medidas mitigadoras, sem 
falar que o respectivo artigo não passou pela revisão 
de pares. Peiser (2005), enviou posteriormente 
a revista Science uma carta questionando os 
resultados da pesquisa, mas não obteve nenhuma 
resposta, a carta também nunca foi publicada20.
 Além de Peiser (2005), Schulte (2008) 
e Lagates et al (2013) também analisaram, 
questionaram, refizeram a pesquisa de Oreskes 
(2004) e foram unânimes em pontuar as diversas 
inconsistências, refutando veementemente a 
alegação de consenso por não representar de 
maneira adequada as perspectivas de um assunto 
tão complexo e por não ser representativo no 
âmbito das ciências climáticas21.
Schulte (2008) analisou o período 
compreendido entre 2003-2007, usou o mesmo 
protocolo de busca utilizado e as mesmas 
seis categorias e obteve novamente resultados 
discrepantes. Foram encontrados 539 textos dos 
quais somente trinta oito (38) se enquadravam na 
Categoria 1 (favorável), ou seja, se posicionaram 
20 Peiser, B. The letter science magazine rejected. Energy 
and Environment 16, 685-688, 2005. Disponível em: https://
journals.sagepub.com/doi/10.1260/0958305054672330. 
Acesso em 04 agosto 2020.
21 Schulte, K. M. Scientific consensus on climate change? 
Energy & Environment 19, pp 281-286, 2008.; Legates et 
al. Climate consensus and misinformation: a rejoinder 
to agnotology, scientific consensus, and the teaching and 
learning of climate change. Science & Education 24, 299-
318, 2013.
157
favoravelmente em relação as mudanças climáticas 
e outros duzentos e quarenta e quatro (244) que 
se encaixam na Categoria 2 (atribuição implícita). 
Dessa forma, somando-se as duas categorias 
obteve 282, ou seja, um percentual de 52,3% em 
relação ao total de 539. Observa-se que houve 
descenso em relação ao consenso e a relação 
mudou denotando que a concordância mais real 
com os dados publicados seria de 50% a 50%, um 
empate técnico que não ratifica, mas sim derruba a 
falácia do consenso científico.
O artigo sobre consenso de 97% de John 
Cook e colaboradores, eleito o melhor artigo de 
2013, foi publicado pela Environmental Research 
Letters, revista científica trimestral de acesso 
aberto revisada por pares que abrange pesquisas 
sobre todos os aspectos da ciência ambiental, 
publicado pela IOP Publishing. Na atual era do 
“pseudo-iluminismo” ter 97% dos pesquisadores 
alinhados no mesmo lado é somente uma retórica 
poderosa para marginalizar seus oponentes. Cook 
et al (2013) argumenta que 97% da literatura 
acadêmica relevante apoia a ideia de que os seres 
humanos contribuíram para a mudança climática 
observada. Contudo, isso não é digno de nota. 
O problema é que no discurso popular, senso 
comum, a descoberta de Cook é frequentemente 
deturpada: o número fictício de 97% “se refere ao 
número de trabalhos publicados e não ao número 
de cientistas”. O suposto consenso é sobre qualquer 
papel humano nas mudanças climáticas e não um 
papel dominante, é sobre mudanças climáticas e 
não sobre os perigos que elas podem representar.
158
Embora existam grandes áreas de 
concordância substantiva a ciência climática está 
longe de ser resolvida, basta pesquisar na internet 
sobre as possíveis causas para o hiato ou a pausa 
de dezoito anos no aquecimento da atmosfera. No 
total, os pesquisadores analisaram 12.000 artigos, 
porém, esta amostragem é realmente representativa 
para a literatura científica? Infelizmente não, 
pois as conclusões são sobre artigos escolhidos e 
examinados e não sobre a literatura global. Além do 
que, as tentativas de replicar as amostras falharam: 
sem nenhum motivo aparente, observou-se que 
vários trabalhos deveriam ter sido analisados 
não foram. Entre os artigos selecionados merece 
destaque um que é completamente irrelevante para 
o debate científico, pois trata basicamente sobre a 
cobertura da mídia sobre o aquecimento global e 
mesmo assim foi utilizado como evidência.
O fato mais absurdamente extraordinário 
é que cerca de 75% dos artigos analisados e 
endossados como pertinentes não tinham nada a 
dizer sobre o assunto.
Durante o processo os avaliadores 
discutiram entre si suas opiniões, portanto, 
as avaliações não foram obtidas de maneira 
independente. Mesmo assim houve confusão entre 
os avaliadores escolhidos a dedo por Cook que 
discordaram dos critérios acerca da definição do 
que poderia ser definido como jornal - 33% das 
vezes. Em 63% dos casos os revisores discordaram 
de algumas partes dos textos com os próprios 
autores dos artigos. O editor até elogiou os autores 
pela “excelente qualidade dos dados”, embora nem 
159
ele nem os árbitros tivessem tido a oportunidade 
de verifica-los acuradamente.
Cook et al (2013), checaram 11.944 artigos 
escritos por 29.083 autores que publicaram em 
revistas científicas, mas como tal consenso foi 
construído? Na verdade, o percentual obtido de 
97,1% diz respeito apenas aos artigos que endossam 
o AGA, ou seja, apenas 4.014 o que representa 
33,6%.
E o que diz os 66,4% restantes (7.930)?
Segundo os autores, apesar de não 
expressarem nenhuma posição definida sobre 
AGA o consenso estaria de qualquer forma 
subentendido!
Para explicar tal fato argumentou-se que 
este resultado é esperado em situações nas quais 
os cientistas geralmente focam suas discussões 
em questões que ainda estão em disputa ou sem 
resposta. Neste caso, o consenso é descrito como 
uma trajetória em espiral na qual a contestação 
inicialmente intensa gera um acordo rápido e induz 
a uma nova espiral com novos questionamentos. 
É o que ocorre com a ciência fundamental 
do AGA que se tornou praticamente incontroversa 
entre a comunidade científica editorial. Mas, 
o pior ainda estava por vir, Cook et al (2013), 
pasmem, afirma que a falta de expressão sobre o 
consenso em 66,4% dos artigos selecionados é uma 
consequência da existência do próprio consenso22.
22 Morano, Marc. Cook’s 97% Consensus Study Game 
160
Contudo, em março de 2012, algo 
inesperado ocorreu: hackers invadiram o site do 
Clima Skeptical Science e expôs o conteúdo de 
um fórum denominado “Introdução ao TCP” 
- 19/01/2012 – no qual John Cook apresentou 
seu plano para inflacionar o consenso sobre o 
aquecimento global antropogênico na literatura 
científica: 
[...] Assim, ao longo do tempo, iríamos 
processar gradualmente os 6.000 artigos 
neutros, convertendo muitos deles em 
documentos de endosso - e fazer anúncios 
regulares de que o consenso acabou de 
passar de 99,75% para 99,8%, aqui estão 
os artigos mais recentes com aspas. Ari 
Jokimaki respondeu a Cook: Devo dizer 
que acho esse planejamento de grandes 
estratégias de marketing um tanto estranho 
quando nem mesmo temos nossos 
resultados e o assunto de pesquisa também 
não é tão revolucionário23
Plan Revealed by Hackers. Cimate Depot. June 4, 2013. 
Disponível em: https://www.climatedepot.com/2013/06/04/
cooks-97-consensus-study-game-plan-revealed-by-hackers/. 
Acesso em 14 de julho 2023. 
23 Skeptical Sciense. Skeptical Science hacked, private 
user details publicly posted online. Disponível em: https://
www.skepticalscience.com/Skeptical-Science-hacked-
private-user-details-publicly-posted-online.html. Acesso em 
14 de julho de 2023. 
161
Outro fato desastroso cometido pelo 
australiano e não divulgado e que as pessoas, 
portanto, desconhecem, é que apenas 4.014 dos 
11.944 resumos chegaram a expressar alguma 
opinião sobre um possível aquecimento e desse 
montante apenas 41 se enquadram na definição 
proposta de concordar totalmente. Então o 
resultado real foi de apenas 0,3% e não 97% o que 
denota obviamente que a pesquisa foi “construída” 
para atingir determinado objetivo, nesse sentido, 
foi assustadoramente bem-sucedida porque poucos 
sabem, mesmo agora, que o seu desenvolvimento e 
resultados são completamente falsos. Apesar disso, 
é um comentário poderoso quando endossado 
por ninguém menos do que o ex-presidente Barak 
Obama.
Outro fato interessante é que um dos 
avaliadoresconseguiu ler e analisar 675 resumos 
em apenas 72 horas, um esforço sobre-humano. 
Uma análise sobre os procedimentos da pesquisa 
revela algo muito estranho e sério: após a coleta de 
dados por 8 semanas houve 4 semanas de análise, 
seguidas novamente por mais 3 semanas de coleta 
de dados, sendo que as mesmas pessoas coletaram e 
analisaram informações, o que permitiu a inserção 
de novos fatos. Como todos esses meandros 
passaram incólume?
Mais uma vez os autores violaram uma 
regra fundamental da coleta de dados científicos: 
as observações nunca devem seguir as conclusões, 
ou seja, não se pode alterar os dados coletados 
após observá-los. A equipe de Cook et al 
(2013) trabalhou nitidamente em direção pré-
162
determinada, por isso, toda pesquisa deve ser 
descartada. Poderia até ser uma história divertida 
se não fosse trágica, fraudulenta e “científica” que a 
maioria dos leitores infelizmente comuns não tem 
acesso. Portanto, o mais correto é afirmar que 97% 
daqueles cujos meios de subsistência dependem do 
aquecimento global antrópico acreditam nele.
Nesse sentido, quando se está convencido 
de que alguns pesquisadores do clima são 
incompetentes, tendenciosos e desonestos, o artigo 
de Cook et al (2013), é um excelente exemplo.
O estudo produzido por Doran e 
Zimmerman (2009) é relativamente simples e tem 
como base um grande banco de dados constituídos 
por pesquisadores formados em Ciências da Terra 
ou Geociências. Consiste em um estudo de opinião 
enviado por e-mail para 10.257 “geocientistas” 
sendo que somente 3.146 responderam as nove 
perguntas. É preciso destacar que os autores, sem 
nenhuma justificava plausível, deixaram de incluir 
na pesquisa um grupo peculiar de pesquisadores: 
os meteorologistas24 que por coincidência ou não, 
uma pesquisa publicada no Boletim da Sociedade 
Meteorológica Americana, em 2009, revelava que 
a maioria dos meteorologistas discordavam da 
afirmação do IPCC de que os humanos são os 
principais responsáveis pelo aquecimento global 
24 Stenhouse, Neil et al. Meteorologists' Views About 
Global Warming: A Survey of American Meteorological 
Society Professional Members. Bull. Amer. Meteor. Soc. 
(2014) Julho/2014 Issue (7) pp 1029–1040. Disponível em: 
https://doi.org/10.1175/BAMS-D-13-00091.1
163
recente25. Obviamente há uma falha fundamental 
na abordagem de Doran e Zimmerman (2009): 
para testar a posição de consenso sobre um 
determinado tópico da ciência a metodologia 
correta requer que especialistas genuínos desse 
mesmo campo de estudos sejam ouvidos.
Outras informações pertinentes a respeito 
da pesquisam é que apenas 5% dos entrevistados 
se descreveram como cientistas do clima e apenas 
79 haviam publicado mais de 50% de seus recentes 
artigos revisados por pares sobre o tema “mudanças 
climáticas”, portanto, a alegação falaciosa de 97% 
foi baseada nas respostas desses 79, ou seja, apenas 
2,5% dos entrevistados. Ora, 79 entrevistados 
parece ser o tamanho de amostra adequado para 
ser representativo de todos os cientistas?
Também a restrição imposta de 50% de 
publicação recente na literatura da área pode ter 
excluído entrevistados com conhecimento da área. 
Vale ressaltar que a abrangência do estudo ficou 
muito limitada, pois ocorreu uma preponderância 
de entrevistados (96%) como sendo pesquisadores 
norte-americanos o que torna a demografia 
da amostra muito limitada e reduzida para ser 
elevada à categoria de representatividade global.
No entanto, o principal problema com Doran e 
Zimmerman (2009) é que, por incrível que pareça, 
as duas principais perguntas do estudo foram 
muito mal elaboradas (a segunda especialmente):
25 Wilson, Kris. Opprtunities and obstacles for television 
wheathercasters to report on climate change. American 
Meteorological society. pp 1457- 1465. Outubro, 2009. 
164
1- Quando comparado aos níveis anteriores 
a 1880, você acha que as temperaturas globais 
médias geralmente aumentaram, caíram ou 
permaneceram relativamente constantes?
2- Você acha que a atividade humana é um 
fator contribuinte significativo na mudança da 
temperatura média global?
Mas, o que significa “um fator contribuinte 
significativo”? Obviamente como havia pouca 
contribuição humana antes de 1880, mesmo uma 
contribuição de 5% pode ser considerada como 
“significativa”. A primeira pergunta é extremamente 
irrelevante. Não conheço nenhum cientista que 
não acredite que o planeta tenha ficado mais 
quente quando comparado aos níveis anteriores 
ao século XIX, por isso, não é de surpreender que 
76 dos 79 cientistas do clima tenham respondido 
“sim”. Por exemplo, o físico atmosférico e professor 
aposentado pelo Massachusetts Institute of 
Technology (MIT), Richard Siegmund Lindzen, 
provavelmente um dos principais cientistas cético 
da atualidade, ao ser submetido as duas perguntas 
em questão respondeu:
 Minha resposta para (1) é provavelmente, 
mas a quantidade é surpreendentemente pequena 
- sugerindo que a anomalia global da temperatura 
média não é um índice particularmente bom. 
Minha resposta para (2) seria sim, mas depende 
do que se entende por significante26. 
26 Free Republic Bloggers. Study claiming 97% of climate 
scientists agree is flawed. Disponível em: http://www.
165
 O principal problema do estudo de Doran 
e Zimmerman reside na formulação inadequada 
da segunda questão. Na verdade, a formulação é 
tão pobre e precária que todo o estudo se torna 
falho devido a isso. Por exemplo, em relação 
ao binômio “atividade humana” este engloba 
inúmeras ações que podem afetar o clima, além 
dos gases de efeito estufa. “Atividades agrícolas, 
desmatamento e queimadas são exemplos que 
vêm à mente como respostas. Assim, qualquer 
entrevistado que acredita que qualquer atividade 
humana possa afetar o clima responderá ‘sim’ a 
essa pergunta. “Já em relação à expressão “fator 
contribuinte significativo”, o problema é óbvio. O 
que torna algo significativo? Se 5% das mudanças 
recentes de temperatura são causadas pela 
humanidade, isso é significativo? E que tal 10%? 
Não é possível determinar se os entrevistados 
consideram a atividade humana como o principal 
fator na mudança de temperatura. Uma versão 
mais elaborada poderia ser: “você acredita que as 
emissões antropogênicas de GEE são o principal 
fator, contribuindo com 50% ou mais, na mudança 
das temperaturas globais médias?
 Em relação a frase “mudança da temperatura 
média global” esta é a parte mais problemática da 
pergunta porque não há indicação se o grau de 
mudança de temperatura é para cima ou para baixo. 
Por exemplo, se um entrevistado acreditasse que as 
atividades humanas aumentaram a temperatura do 
freerepublic.com/focus/bloggers/2672039/posts. Acesso em 
06 set 2020.
166
planeta em 0,1º C ou 2ºC a resposta ainda seria sim, 
pois muitos cientistas do clima acreditam que as 
atividades humanas aumentaram a temperatura do 
planeta, mas não em quantidade tão significativa. 
A pesquisa deve perguntar especificamente se o 
aquecimento é uma quantidade estatisticamente 
significativa. Além disso, a palavra “mudança” 
deve ser alterada para “aumento”, porque caso 
contrário, algum entrevistado poderia considerar 
que o planeta está esfriando e mesmo assim ainda 
poderia responder “sim”.
 Talvez uma frase mais bem elaborada 
poderia ser: “Você acredita que as emissões 
antropogênicas de gases de efeito estufa foram o 
principal fator (50% ou mais) no aumento médio 
da temperatura global observado desde meados 
do século XX? Na verdade, todo o estudo é 
completamente irrelevante, a segunda pergunta é 
incapaz de determinar se os cientistas climáticos 
realmente endossam a hipótese de aquecimento 
global antrópico, tudo que fica evidente é que 97% 
dos cientistas corroboram a ideia de que o planeta 
se aqueceu desde meados do século XIX e que a 
atividade humana contribuiu com uma quantidade 
não especificada para esse aquecimento. Além 
do que, não foi perguntado objetivamente aos 
cientistas climáticos se eles endossam aideia de que 
o aquecimento global é realmente antropogênico e 
quais são as causas. 
 Doran e Zimmerman (2009), possui tantas 
incongruências que basta uma rápida leitura para 
desqualificá-lo como trabalho científico sério e 
representante legal da opinião dos cientistas do 
167
clima, os autores incluíram na pesquisa e-mails 
de entrevistados que questionaram a construção 
da própria pesquisa e se recusaram a participar. 
Alguns geocientistas alegaram que as perguntas 
não estavam formuladas corretamente, já que 
a premissa era “na sua opinião”, portanto, não 
iriam responder, pois a ciência trata de fatos, 
evidências empíricas e não questão de opinião, 
além obviamente, das perguntas não possuírem 
parâmetros de tempo que são cruciais para os 
cientistas da terra. O foco principal da hipótese de 
aquecimento global antrópico (AGA) é o período 
quente atual que teve início no final do século XIX, 
porém, a visão de tempo para os geocientistas 
é completamente diferente da visão de senso 
comum, por exemplo, geólogos que revisam o 
período denominado Holoceno, que na escala 
geológica teve início há cerca de 11.700 anos antes 
do presente, provavelmente observariam uma 
tendência de resfriamento no clima da Terra e não 
aquecimento.
 Outra questão importante e que deve ser 
destacada diz respeito à intencionalidade, ou seja, 
os motivos da pesquisa. Geralmente os cientistas 
contrários a hipótese de AGA estão constantemente 
tendo seus motivos questionados, como se a ciência 
por si só não fosse suficiente, e acusados de receber 
financiamento das grandes petrolíferas (big oil). 
Todo estudo científico contrário ao establishment 
climático sofre severas restrições, críticas e ataques 
espúrios como se o debate cientifico e as pesquisas 
estivessem encerrados. Por outro lado, quais as 
motivações pessoais por trás do referido artigo?
168
 Peter Doran concedeu uma entrevista, 
em 19 de janeiro de 2009, para um programa de 
notícias da Universidade de Illinois em Chicago 
chamado Research News na qual apresentou sua 
motivação:
Algumas pessoas me perguntaram desde 
que este artigo foi publicado: “Barack 
Obama está no cargo agora, os democratas 
estão no controle, temos que nos preocupar 
mais com isso?”, E a resposta é sim, porque 
o público em geral ainda tem cerca de 50 % 
convencidos de que o aquecimento global 
é um problema real, quanto mais que 
precisamos fazer algo a respeito. E então o 
público precisa ser convencido, e também, 
ainda há pessoas no governo que precisam 
ser convencidas. Recentemente, em 
dezembro, foi apresentado um relatório da 
minoria do Senado que dizia exatamente o 
oposto do que nosso jornal dizia, e estava 
tentando convencer as pessoas no Senado 
de que os cientistas não concordam com 
o aquecimento global. Portanto, ainda há 
uma batalha, se você quiser, a ser travada 
aqui, e espero que nosso jornal empurre os 
números para que mais pessoas acreditem 
que o aquecimento global é uma realidade. 
Acho que se as pessoas não acreditam que 
os cientistas concordam, elas podem usar 
isso como desculpa para a inação, e isso é 
perigoso27.
27 Free Republic Bloggers. Study claiming 97% of climate 
scientists agree is flawed. Disponível em: http://www.
freerepublic.com/focus/bloggers/2672039/posts. Acesso em 
06 set 2020.
169
Nitidamente o pesquisador deseja que 
sua publicação mude a opinião do público e dos 
políticos sobre o consenso científico. O artigo 
não pode ser invalidado por este motivo, mas é 
preciso esclarecer as motivações deste estudo em 
particular, ou seja, objetiva convencer o público e 
os políticos de que o aquecimento global é real e 
não temos desculpa para inação.
O estudo de Anderegg et al (2010) foi 
publicado no prestigioso Proceedings of the 
National Academy of Sciences (PNAS), apesar dos 
autores não serem membros da National Academy 
of Sciences (NAS), Anderegg, o autor principal, era 
estudante de mestrado na época. O PNAS aceitou 
a publicação do estudo a pedido do seu já falecido 
membro Stephen Schneider (1945-2010). Na 
verdade a aceitação da pesquisa para publicação 
foi tendenciosa: o nome de Stephen Schneider 28 
constaria apenas como mero figurante para dar 
credibilidade e forçar a aceitação já que não havia 
anonimato em relação aos nomes dos autores.
Inclusive Anderegg et al (2010) é a terceira 
fonte citada pela agência espacial americana (NASA 
- National Aeronautics and Space Administration) 
como prova de um “consenso científico”, ou seja, 
um artigo publicado por um jovem universitário 
28 Stephen Schneider foi um dos primeiros proponentes, na 
década de 1980, da redução das emissões de gases de efeito 
estufa como meio de parar o aquecimento global. Ele foi 
fundador e editor da revista Climatic Change, foi também o 
principal coordenador do Grupo de Trabalho II do IPCC no 
4º Relatório de Avaliação (2007, AR4).
170
chamado William R. Love Anderegg, então 
estudante da Universidade de Stanford, que usou 
como instrumento de pesquisa o Google Scholar 
objetivando identificar as opiniões de pesquisadores 
sobre mudança climática. Sua pesquisa estabeleceu 
que entre 97% e 98% dos pesquisadores do clima 
que mais publicaram sobre o tema na literatura da 
área apoiam a hipótese de mudanças climáticas 
antropogênica (sigla em inglês ACC).
A característica peculiar desse trabalho 
consiste no fato dele ser uma pesquisa tipicamente 
acadêmica publicada na revista Proceedings of the 
National Academy of Sciences, graças à adição de 
três acadêmicos como coautores, portanto, não é 
uma pesquisa científica que deva ser considerada 
mesmo que o resultado indicasse que todos os 
cientistas ou mais especificamente os cientistas 
climáticos são favoráveis as mudanças climáticas 
antrópicas. Qual a grande façanha dessa pesquisa? 
Qual a diferença com as anteriores que falharam ao 
estabelecer o falso percentual de 97%?
Nenhuma! Simplesmente se computou 
o número de artigos encontrados na internet 
e publicados no Academic Journals, que foi de 
908. Este tipo de exercício de contagem foi a 
mesma metodologia falha utilizada por Oreskes 
(2004). Além disso, Anderegg e colaboradores 
não determinou quantos desses autores acreditam 
que o aquecimento global é prejudicial ou que a 
ciência está suficientemente estabelecida para ser 
a base para políticas públicas. Qualquer pessoa 
que cite este estudo em defesa dessas visões está 
equivocada. Outro fato que merece destaque é 
171
que foram descarados todos os artigos publicados 
pelos cientistas “céticos” cujos trabalhos expõem as 
lacunas na teoria do aquecimento global antrópico 
e aqueles que não endossam as afirmações de 
que as mudanças no clima serão catastróficas 
para a humanidade futuramente. Avery (2007), 
por exemplo, identificou 500 cientistas que 
se enquadravam nesta categoria e que foram 
descartados, muito embora alguns endossassem a 
hipótese de mudanças climáticas antrópicas29.
É muito comum que os artigos sobre 
mudanças climáticas antrópicas tenham um número 
razoável de autores, o chamado preenchimento de 
currículo, que aumenta o número de vezes que 
um pesquisador pode alegar ter sido publicado. 
Incluir o nome de pesquisadores que já publicaram 
anteriormente na literatura da área em trabalhos 
de pesquisadores iniciantes ou novatos ajuda a 
garantir a aprovação por revisores (como foi o 
caso, ironicamente, de Anderegg et al.). Mas, então 
o que a pesquisa de Anderegg et al evidencia?
Absolutamente nada, a não ser que 
um pequeno grupo de alarmistas do clima 
teve seus nomes “enxertados” em dezenas de 
artigos publicados em revistas acadêmicas, algo 
lamentavelmente reprovável e antiético. Além do 
que, o pesquisador não perguntou categoricamente 
e objetivamente aos pesquisados se o aquecimento 
29 Avery, Dennis T. 2007. 500 scientists whose research 
contradicts man-made global warming scares. Disponível 
em: https://www.heartland.org/_template-assets/documents/
publications/21977.pdf. Acesso em 11 set 2022.
172
global é realmenteum problema sério, se a ciência 
está suficientemente estabelecida para fornecer 
subsídios para ações mitigatórias e/ou servir de 
base para políticas públicas. Portanto, qualquer 
pessoa que cite este estudo como evidência de 
suporte científico para a alegação de “97%” está 
deturpando completamente o que está escrito no 
artigo.
Cook et al (2016), reuniu novamente 
todo time anteriormente citado: Naomi Oreskes, 
Peter T. Doran, William R. L. Anderegg e mais 
doze pesquisadores, além do próprio John Cook. 
O grupo se organizou com a pretensa intenção 
de colocar definitivamente uma pedra sobre a 
discussão acerca do consenso científico, porém, 
agora o consenso de que os seres humanos estão 
causando o aquecimento global tem o percentual 
aumentando chegando agora a 100%. Tal alegação, 
no entanto, é muito significativa, não pelo que 
revela sobre a ciência do clima, mas pelo que 
revela sobre a máquina de rotação do movimento 
climático: um exemplo clássico de um grande 
engodo.
O trabalho colaborativo de Cook et al 
(2016) ilustra apenas o problema de se tentar 
utilizar uma possível “prova” social de consenso 
no lugar de evidências cientificamente definidas. 
A falta de parâmetros empíricos que identifique 
especificamente a proporção alegada de efeito 
humano versus influência natural, a escala de 
tempo em questão, o nível de risco ou benefício 
e a atividade humana ou fator (es) causal (is) 
são indefinidos. A noção de consenso desafia o 
173
princípio fundamental da investigação científica, 
que não é sobre acordo, mas sim uma busca 
contínua por compreensão. Em primeiro lugar, a 
ciência não é uma democracia, a questão é: qual é a 
evidência? 30
De acordo com o grupo de autores, a 
pesquisa foi feita com especialistas da área, ou seja, 
cientistas climáticos que publicaram pesquisas 
revisadas por pares, tendo como pano de fundo as 
mudanças climáticas antrópicas como problema 
central, restrita apenas aos EUA. 
Mas, quem e quantos são esses especialistas 
climáticos? 
Segundo Stirling (2016), apenas cerca de 
2.000 especialistas climáticos vivem de maneira 
remunerada da profissão atuando na área das 
ciências atmosféricas nos Estados Unidos, porém, 
esta não é uma profissão muito bem definida. Ao 
todo, seriam aproximadamente cerca de 18.000 
cientistas climáticos qualificados em todo mundo, 
mas desses apenas uma pequena parcela estaria 
atuando em pesquisas climáticas. 
Um levantamento de um estudo do 
congresso americano realizado, em 2014, intitulado 
“The US Science and Engineering Workforce” 
30 Entrevista concedida pelo astrofísico Dr. Nir Shaviv, 
explicando que a ciência trata de evidências, não de consenso, 
e de como as previsões do IPCC sobre o aquecimento 
global não refletem as evidências. Disponível em: https://
www.youtube.com/watch?v=3vCxxecs4hk&feature=youtu.
be&ab_channel=FriendsofScience. Acesso em 24 fev. 2022.
174
estabeleceu que, em 2012, havia 6,2 milhões de 
cientistas e engenheiros (conforme definido neste 
relatório) trabalhando nos Estados Unidos com 
cerca de 4% ou 248.000 trabalhando diretamente 
nas ciências físicas31.
Por sua vez, Lefsrud e Meyer (2012), 
engenheiros e geocientistas profissionais filiados 
à Associação de Engenheiros Profissionais e 
Geocientistas de Alberta (APEGA), contestaram 
veementemente as alegações de aquecimento global 
antropogênico catastrófico. O referido estudo se 
baseou nas respostas de uma pesquisa aplicada 
a 1.077 engenheiros e geocientistas profissionais 
sobre seus posicionamentos acerca das mudanças 
climáticas antrópicas. Portanto, está claro que 
é um erro alegar que apenas algumas áreas do 
conhecimento são as únicas autoridades quando o 
assunto diz respeito às ciências do clima32.
Não se pode olvidar que o clima também é 
afetado por fatores externos, ou seja, influências que 
estão fora da atmosfera terrestre e, para isso, não se 
pode prescindir da contribuição dos astrofísicos. O 
economista Ross McKitrick esclarece que quando 
se trata de análise de modelos esta é uma área na 
31 Stirling, Michelle. Consensus Nonsensus on 97%: 
Science is not a Democracy. July 10, 2016. Disponível em: 
https://ssrn.com/abstract=2807652. Acesso em 12 out 2020.
32 Lefsrud, Lianne M.; Meyer, Renate E. Science or Science 
Fiction? Professionals Discursive Construction of Climate 
Change. Organization Studies, 33 (11) pp. 1477-1506 
2012. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/
pdf/10.1177/0170840612463317.
175
qual os economistas têm muito conhecimento em 
relação a avaliação de previsões e análise de séries 
temporais. As técnicas estatísticas que devem ser 
usadas para toda essa avaliação de tendências 
e comparação de modelos são todas técnicas 
desenvolvidas na literatura econométrica. Este é 
um caso em que a experiência está na verdade na 
comunidade econômica que precisa ser exportada 
para a comunidade climatológica. Sim, o problema 
das mudanças climáticas é complexo demais 
e precisa contar com a contribuição das mais 
diversas áreas do conhecimento. Cook et al (2016) 
afirma que as Academias Nacionais de Ciência 
de 80 países emitiram declarações endossando 
a posição de consenso, porém, omitiu o fato de 
que essas declarações foram emitidas, quase sem 
exceção, antes de 2009. Em 2013, o próprio IPCC, 
de acordo com Stirling (2016, p. 7)33, confirmou 
que as temperaturas estavam estagnadas há mais de 
15 anos, o chamado “hiato do aquecimento global”, 
inclusive o próprio Michael Mann, autor do gráfico 
fraudulento conhecido como “Taco de Hóquei” 
e pesquisador do IPCC, publicou um trabalho 
colaborativo, em 2011, no qual buscou respostas 
para tentar compreender o motivo da estagnação 
das temperaturas no período compreendido entre 
1998 e 2008. 
De acordo com Mann et at. (2011, p. 11790): 
Dado o aumento do aquecimento amplamente 
observado em decorrência da intensificação dos 
33 Stirling, Michelle. Consensus Nonsensus on 97%: Science 
is not a Democracy. July 10, 2016. Disponível em: https://
ssrn.com/abstract=2807652. Acesso em 12 out 2020. 
176
gases do efeito estufa, não está claro por quê as 
temperaturas da superfície não aumentaram entre 
1998 e 2008 34.
O cientista climático o alemão Hans von 
Storch, professor do Instituto de Meteorologia da 
Universidade de Hamburgo, diretor do Instituto 
de Pesquisa Costeira do Centro de Pesquisa 
Helmholtz, em Geesthacht e membro do conselho 
consultivo das revistas Journal of Climate e Annals 
of Geophysics foi um dos primeiros cientistas a 
identificar a influência humana no clima. Em 
entrevista ao jornal alemão Der Spiegel (O Espelho 
em alemão, revista de notícias semanal alemã 
publicada em Hamburgo, é uma das maiores 
publicações desse tipo na Europa) relatou, antes 
mesmo do lançamento do relatório AR5 do IPCC, 
em 2013, que a variação das temperaturas nos 
últimos 15 anos foram muito próximos de zero 
apesar do grande aumento nas concentrações de 
CO
2 
na atmosfera. E foi mais além ainda: é possível 
que os modelos climáticos estejam fundamentalmente 
errados, que os gases de efeito estufa e a influência do 
dióxido de carbono tenham sido mal interpretados 
ou que as influências naturais no clima tenham 
sido subestimadas. Somente esta evidência parece 
superar qualquer consenso emitido anteriormente 
pelas Academias Nacionais de Ciências35. Apesar da 
pesquisa de Cook et al (2016) ser ostensivamente 
34 Mann, Michael; Kaufmanna, Robert K; Kauppi, Heikki; 
Stock, James H. Stock. Reconciling anthropogenic climate 
change with observed temperature 1998–2008. - PNAS - 
July 19, 2011 - vol. 108 - n 29 pp. 11790–11793.
35 Stirling, Michelle. p. 7.
177
sobre o aquecimento global antrópico, o termo 
“aquecimento global” torna-se algo indefinido 
assim como os parâmetros empíricos do suposto 
efeito humano sobre este aquecimento. De fato, 
ao longo do artigo os termos aquecimento global, 
mudança climática global e mudança climática 
são referidos como intercambiáveis e como se 
todos fossem atribuíveis à causahumana, ou 
seja, nenhuma definição específica do que seja 
aquecimento global antrópico é estabelecida, sendo 
que os diversos artigos comparados no estudo 
utilizam diferentes definições e diferentes termos.
Além disso, ao não fazer nenhuma 
referência às influências naturais ou as incertezas 
cria-se uma percepção pública falsa e enganosa de 
que os seres humanos são os únicos responsáveis 
pelo aquecimento global/mudanças climáticas, 
que o uso de combustíveis fósseis é o principal 
fator de disparo do gatilho que intensifica o 
chamado efeito estufa, que os seres os humanos 
podem com sucesso colocar um freio no aumento 
das temperaturas globais ao reduzir o consumo 
de combustíveis fósseis e que quaisquer custos ou 
ações de prevenção são aceitáveis para se evitar a 
catástrofe ambiental que espreita a humanidade.
Na verdade, Cook et al. (2016), é um 
remake muito mal feito da pesquisa de Oreskes 
(2004) que na época era membro do Comitê da 
Academia Nacional de Ciências e do Conselho 
de Pesquisa Nacional sobre o Uso de Modelos 
na Tomada de Decisões Regulatórias 2004-2007. 
Obviamente que este potencial conflito de interesse 
foi omitido propositadamente. A base que sustenta 
178
os argumentos de Oreskes (2004) está posta no 
Terceiro Relatório de Avaliação (TAR) do IPCC 
de 2001, que contém o polêmico “taco de hóquei” 
que, em 2003, esteve sob intenso bombardeio dos 
pesquisadores canadenses Steve McIntyre e Ross 
McKitrick36, que desmascararam a gigantesca farsa 
climática engendrada por Mann et al (1998). 
 O artigo de Powell (2019), consiste em um 
tipo de consenso 100% mágico no qual o autor 
usou o banco de dados central da Web of Science 
para pesquisar artigos revisados por pares sobre 
o tema “mudança climática” ou “aquecimento 
global” publicados, em 2019. Powell selecionou 
21.813 artigos por meio do título depois leu seus 
respectivos resumos para ter a certeza de que 
os artigos não questionavam o AGA, quando 
o texto sugeria o questionamento o mesmo era 
abandonado, ou seja, havia uma atitude clara de 
rejeição. Foi um empreendimento trabalhoso, 
mas insuficiente para reivindicar um consenso 
de 100%, porque alguns preconceitos típicos ou 
falácias lógicas podem minar os resultados se não 
forem controlados ou removidos. 
 Entre esses vieses pode-se destacar: um 
viés de seleção, devido ao uso de palavras-chave 
que induziu o autor a rejeitar artigos contrários à 
sua tese; um viés de confirmação, porque Powell 
endossou AGA e julgou por si mesmo se um título 
estava rejeitando ou endossando o seu objeto 
36 McIntyre, Steven; McKitrick, Ross. Corrections to 
the Mann et al. (1998) Proxy Data Base and Northern 
Hemisphere Average Temperature Series. Environment and 
Energy 14(6) pp. 751-771 2003.
179
de pesquisa. Powell escreve “é inconcebível que 
qualquer cientista do clima hoje não possa ter 
opinião sobre o assunto”. É concebível que a própria 
opinião de Powell possa ter influenciado a maneira 
como ele entendeu ou classificou os artigos? 
Obviamente que uma análise dos artigos 
rejeitados deveria ter sido feita e como Cook et al 
(2013), Powell entra em um raciocínio circular no 
qual o consenso endossa o próprio consenso. 
E finalmente, o último artigo tratando sobre 
o tema consenso científico, foi publicado na revista 
Environmental Research Letters, em 19 de outubro 
2021, por Mark Lynas, Benjamin Z Houlton e 
Simon Perry: Greater than 99% consensus on 
human caused climate change in the peer-reviewed 
scientific literature. 
O referido artigo, na verdade, atualiza 
Cook et al (2013) - Quantifying the consensus on 
anthropogenic global warming in the scientific 
literature – que tratou dos estudos publicados 
entre 1991 e 2012 que apoiam a ideia de que as 
atividades humanas estão alterando o clima do 
planeta, contudo, o foco atual examina a literatura 
publicada entre 2012 e 2020 para verificar se 
o consenso científico sofreu alguma mudança. 
Porém, o consenso agora, de acordo com os 
autores, situa-se bem acima de 99% e, portanto, 
colocou definitivamente uma pedra em cima do 
debate científico sobre a participação da atividade 
humana no aquecimento registrado nas últimas 
décadas, ignorando por completo o fato de que 
a ciência do clima é incerta e não está resolvida, 
como toda ciência.
180
Nenhuma pessoa racional pode negar que 
as forças naturais impulsionam o clima. O registro 
climático mostra mudanças significativas no clima 
muito antes da chegada do homo sapiens neste 
planeta. A ciência do clima não é exata, é incerta, 
é um empreendimento sempre em movimento, 
contudo, a integridade científica exige sempre a 
disposição de se examinar cuidadosamente novos 
dados, hipóteses e teorias para se verificar se há a 
necessidade de se revisar o que se pensava saber.
Examinando os referidos artigos observa-
se que eles sugerem um nível extremamente alto 
de consenso em relação ao aquecimento global 
antropogênico, observa-se que essa avaliação 
se baseia em uma fração significativa, porém, 
muito limitada acerca das publicações científicas 
disponíveis ou em um número limitado de 
opiniões explícitas e que alguns autores ao afirmar 
um nível extremamente alto de consenso sobre 
AGA usaram o raciocínio circular artificial como 
forma de convencimento. 
 Essa possível superestimação não significa 
que o aquecimento global devido às atividades 
humanas não exista, mas uma afirmação de 
100% de consenso beira a magia, a menos que 
seja sustentada e corroboradas por bases sólidas 
e irrefutáveis, o que não é o caso. Novamente 
alerta-se para o fato de que o ato de questionar não 
significa negar, mas uma ferramenta necessária 
para manter uma boa higiene na prática científica.
Toda comunidade científica do clima deve 
provavelmente encontrar uma maneira de analisar 
181
rigorosamente seu próprio trabalho e métodos 
com certo grau de imparcialidade para construir 
cientificamente o nível de acordo sobre o AGA 
para se evitar alegações mágicas e infundadas que 
servem apenas para chamar a atenção do público, 
causar pânico, alarmismo e induzir à ciência 
ao descrédito, por esses motivos os requisitos 
de probidade se aplicam a todos os cientistas 
incluindo, obviamente, os cientistas climáticos.
Provavelmente, a afirmação mais 
amplamente repetida no debate sobre o 
aquecimento global é que “97% dos cientistas 
concordam que a mudança climática tem como 
causa a ação humana”. Tal afirmação não é apenas 
falsa, mas sua presença no debate é um insulto à 
inteligência e a própria ciência.
A ciência do clima é um assunto complexo 
e altamente técnico, portanto, é falso e enganoso 
afirmar com todas as letras que “todos ou a 
maioria” endossa a hipótese de que as atividades 
humanas por si só são responsáveis pelas mudanças 
climáticas observadas nas últimas décadas e podem 
ter efeitos “catastróficos” no futuro como afirmam 
a agencia espacial americana NASA em seu site 
oficial e a Associação Americana para o Avanço 
da Ciência (AAAS)37. Essas duas instituições, por 
incrível que pareça, se referem aos autores aqui 
citados para ratificar a ideia de consenso 38.
37 NASA. (Global Cliamate Change). Scientific Consensus: 
Earth's Climate is Warming. Disponível em: https://climate.
nasa.gov/scientific-consensus/. Acesso em 10 Set 2020.
38 Idso, Craig. Why Scientists Disagree About Global 
182
Mas, por que devemos discordar e debater 
sobre o chamado “consenso”?
Simplesmente para desmistificar essa falsa 
alegação endossada acriticamente pela grande 
mídia e desmascarar os ativistas ambientais e 
pesquisadores que subsistem financeiramente do 
dinheiro do alarmismo climático. 
 Aqueles que insistentemente vilanizam o 
CO
2
 e que muitas vezes caracterizam a ciência do 
clima como um “consenso esmagador” em favor 
de uma visão hegemônica, que algumas vezes é 
desafiada por uma “pequena minoria de cientistas 
financiados pela indústria de combustíveis fósseis”, 
simplificam grosseiramente a questão ao mesmo 
tempo que desqualificamos pesquisadores que 
trabalham na contramão do suposto consenso.
Quais evidências realmente existem em 
torno do suposto “consenso científico” e sobre as 
causas e consequências das mudanças climáticas 
antrópicas? O que os cientistas realmente dizem? 
Qualquer investigação nesse sentido deve começar 
pelo questionamento da legitimidade da questão. 
 A ciência não avança por consenso, a 
discordância é regra e o consenso é a exceção. 
Isso ocorre porque a ciência é um processo que 
leva a uma certeza cada vez maior, implicando 
necessariamente que, o que é aceito como verdadeiro 
hoje provavelmente será revisado amanhã. Como 
Warming: Second Edition: The NIPCC Report on Scientific 
Consensus (p. 32). Heartland Institute. Edição do Kindle 
2018.
183
disse certa vez Einstein apud Calaprice (1996, p. 
224): Nenhuma experiência pode provar que estou 
certo, mas um único experimento pode provar que 
estou errado39.
Há muitos anos que as palavras cético 
e ceticismo vem sendo utilizadas pela mídia de 
maneira pejorativa quando se faz referências as 
pessoas e aos cientistas contrários a hipótese de 
AGA e, portanto, contrários ao consenso científico 
prevalente. No entanto, como a conotação era 
positiva, uma vez que, o ceticismo e a dúvida 
são duas características indissociáveis do fazer 
científico, resolveram adjetivar os céticos de 
“negacionistas”, “negadores do clima”, “hereges 
climáticos”, “negadores da ciência”, etc. - mas, então 
o que significa ceticismo em ciência? Tudo isso 
ocorre porque a teoria do AGA defendida pelo 
IPCC e por boa parte da comunidade científica 
foi alçada à condição de verdade absoluta, sendo 
privilegiada em detrimento de outras formas de 
compreensão sobre a complexa dinâmica do clima. 
 Entretanto, a ala relutante da comunidade 
científica, chamada de cética, reprova de maneira 
contundente o “paradigma hegemônico” que 
atribui exclusivamente a atividade humana a 
culpa pela escalada das temperaturas globais 
nos últimos 150 anos. É preciso esclarecer que o 
conceito de paradigma referido anteriormente 
não tem nenhuma relação com a propositura de 
Kuhn (1962), seria demasiadamente prematuro 
39 Calaprice, Alice. The Quotable Einstein. Princeton, NJ: 
Princeton University Press, 1996.
184
concluir que a “ciência climática” contemporânea 
representa qualquer tipo de paradigma: é, na 
melhor das hipóteses, uma coleção de hipóteses e 
especulações. O planeta teve concentrações muito 
maiores de CO
2
 no passado, sim e nem por isso tal 
fato impediu que eras glaciais ocorressem. Somente 
no século XX tivemos três picos de CO
2
 mais altos 
que os atuais: em 1825, foram medidos 439 ppm; 
em 1942, foram 425 ppm e em 1958, foram 425 
ppm – medição feita pelo método Pettenkofer 
adotado pelo IPCC em alguns estudos. 
 Como explicar os recordes de calor no 
início do século XX, já que o homem colocava 
muito pouco CO
2
 na atmosfera. Como explicar o 
período de resfriamento que ocorreu entre 1945-
1975, quando ocorreu um aumento considerável 
nas emissões de CO
2 
no mundo em decorrência da 
significativa industrialização global?
Qual a resposta do IPCC para essas 
indagações?
Simplesmente: no passado as mudanças 
foram naturais, porém, atualmente não. 
Quer dizer que no passado o CO
2 
não interferiu no 
clima global, mas agora interfere? Onde estão 
as fases climáticas conhecidas como “Período 
Quente Romano”, que registou, entre 250 d.C. e 400 
d.C. temperaturas 3° C mais quente que as atuais?
E o “Período Quente Medieval” com 
temperaturas cerca de 2º C mais quentes que as 
atuais?
185
E a “Pequena Era do Gelo” que fez com que 
as temperaturas despencassem? Se no passado o 
CO
2 
sozinho não controlou o clima por que então 
controlaria atualmente?
Por que o IPCC não leva em consideração 
os períodos climáticos citados anteriormente? 
Obviamente porquê a mudança climática antrópica 
perderia todo o sentido, bem como a razão de 
existência do próprio painel do clima da ONU.
Para o IPCC esses dois episódios climáticos 
foram irrelevantes e ocorreram apenas no 
hemisfério norte, ou seja, esquentou e esfriou 
apenas em uma determinada faixa do globo. 
Novamente mais um argumento anticientífico e 
absurdo, uma vez que estudos – obviamente não 
abalizados pelo IPCC – corroboram que os dois 
fenômenos climáticos ocorreram em todo o globo.
Algumas vezes na história da ciência 
surgem hipóteses sem sentido elaboradas por 
meio de ciência duvidosa e epistemologicamente 
vulnerável com único e verdadeiro objetivo: fins 
políticos. 
Vejamos. Em 1979, nos EUA, o Office 
of Technology Assessment (OTA) publicou um 
relatório intitulado The Effects of Nuclear War, que 
tratava dos possíveis efeitos de uma guerra nuclear 
sobre a economia, populações e meio ambiente. 
O relatório foi solicitado pelo Comitê de 
Relações Exteriores do senado americano. No 
entanto, como os processos científicos envolvidos 
não eram bem compreendidos, o relatório declarou 
186
que não era possível estimar a magnitude provável 
de tais danos40. 
 Na época surgiu a teoria catastrofista do 
“Inverno Nuclear” que se propunha a descrever os 
efeitos climáticos de uma guerra nuclear. Alertava, 
por exemplo, que uma guerra nuclear entre a Índia 
e Paquistão produziria uma grande quantidade 
de material particulado na atmosfera capaz 
de produzir mudanças climáticas globais sem 
precedentes na história humana e, que uma guerra 
nuclear entre EUA e URSS poderia desencadear 
rigorosos invernos que afetaria significativamente 
a produção de alimentos no mundo41.
No ano seguinte, em 1983, um grupo de 
cientistas, publicou um artigo na Revista Science 
chamado Nuclear Winter: global consequences of 
multiple nuclear explosions, o artigo desenvolvido 
com a contribuição de Carl Sagan (1934-1996) 
tentou quantificar com mais rigor os efeitos 
atmosféricos de uma possível catástrofe nuclear 
e contava com a credibilidade adicional de um 
modelo computacional real do clima.
Mesmo após a OTA concluir em seu 
relatório que os processos científicos subjacentes 
eram tão pouco conhecidos que nenhuma 
estimativa poderia ser feita com segurança, Sagan 
et al (1983) insistia em afirmar que uma guerra 
40 OTA. Congress of the United States Office of Technology 
Assessment. The Effects of Nuclear War, 1979.
41 Robock, Alan. Nuclear winter. John Wiley & Sons, Ltd. 
WIREs Clim Change. Volume 1, pp 418-427 May/June 
2010. 
187
nuclear poderia causar uma queda abrupta na 
temperatura global cuja previsão de duração seria 
de três meses42. 
O inverno nuclear foi desde o seu 
início objeto de uma campanha midiática bem 
orquestrada. O primeiro anúncio abordando 
o tema foi publicado por Sagan em um artigo 
publicado no suplemento de domingo da revista 
Parade Magazine. Logo depois foi realizada em 
Washington uma conferência de alto nível sobre 
as consequências da guerra nuclear, amplamente 
divulgada e presidida por Carl Sagan e Paul Ehrlich, 
os dois cientistas mais famosos e solicitados pela 
mídia da época.
Em 1983, Sagan já era popular e 
publicamente visível de uma forma que a 
maioria dos cientistas não era. Ele foi um porta-
voz carismático da ciência particularmente da 
exploração do sistema solar por sondas robóticas. 
Ele apresentou e ajudou a escrever a série de 
televisão “Cosmos” que se tornou o programa 
de ciências mais assistido da história. Seu livro 
publicado em 1977, The Dragons of Eden ganhou o 
Prêmio Pulitzer. Sagan apareceu no programa “The 
Tonight Show” de Johnny Carson 40 vezes. Ehrlich 
esteve em 25 vezes.
42 R. P. Turco, O. B. Toon, T. P. Ackerman, J. B. Pollack 
and Carl Sagan. Nuclear Winter: global consequences of 
multiple nuclear explosions. Science, New Series, Vol. 222, 
No. 4630 (Dec. 23, 1983), pp. 1283-1292.
188
O artigo sobre inverno nuclear foi aceito 
para publicação na revista Science, em 23 de 
dezembro de 1983, e estava destinado a atingir 
milhões de cientistas e influenciar décadas de 
pesquisas futuras. Antes, porém,em outubro 
daquele mesmo ano Sagan havia tomado a decisão 
de anunciar sua advertência ao mundo usando o 
que seria um meio muito pouco ortodoxo: a mídia 
popular. 
Entre os autores do artigo, Carl Sagan foi 
o único convidado a debater o inverno nuclear no 
Congresso dos EUA, em 1984. Posteriormente, em 
1988, foi convidado pelo Papa João Paulo II para 
discutir o tema no Vaticano. 
Em 1988, foi mencionado pelo primeiro-
ministro soviético Mikhail Gorbachev em seu 
encontro com o ex-presidente dos EUA Ronald 
Reagan (1911-2004) como uma grande influência 
nas discussões sobre o fim das armas nucleares.
As ações de Sagan geraram uma reação 
idêntica ao que acontece nos debates científicos 
atuais sobre mudança climática, ou seja, em ambos 
os casos o impacto potencial da ciência é enorme 
com implicações além do escopo da pesquisa 
e envolve preocupações sobre subestimar ou 
exagerar demais os riscos.
O mundo atual pode não ser o lugar ideal 
para se viver, porém, a ciência tem cumprido de 
certa forma a promessa de torna-lo cada vez melhor 
apesar dos efeitos colaterais ou “externalidades”. 
189
A ciência, como “uma vela em um mundo 
assombrado por demônios”, parafraseando 
Carl Sagan, em vez de servir como uma força 
purificadora, em alguns casos, foi atraída e seduzida 
por duas grandes forças: a política e a publicidade.
190
191
5 
TEMPERATURA, CLIMA, 
TEMPO GEOLÓGICO E CO
2
 Quando se propõe uma discussão a 
respeito das mudanças climáticas antrópicas é de 
fundamental importância ter uma compreensão 
de como o clima da Terra era no passado. Isso nos 
fornece uma referência para decidir se as mudanças 
atuais estão ou não dentro de algum padrão de 
normalidade. De maneira geral, as temperaturas 
globais variaram muito nos últimos 500 milhões 
de anos. Dependendo da escala de tempo utilizada 
a temperatura atual pode ser considerada quente 
ou fria, portanto, se quisermos saber que tipo de 
variação de temperatura pode ser considerada 
normal vamos ter que definir uma escala de tempo 
como referência. 
 Conforme ilustra o Gráfico 2 que trata dos 
núcleos de gelo da Groenlândia nos últimos 8.000 
anos, a concentração de CO
2 
atmosférico aumentou 
de forma constante, enquanto a temperatura média 
global diminuiu. Este fato contradiz a afirmação 
de que o CO
2
 é o principal botão de controle do 
aquecimento global. É notório que os níveis de CO
2 
na atmosfera alavancaram nos últimos 150 anos, 
grande parte devido à processos naturais e uma 
pequena parcela pela ação humana: queima de 
192
combustíveis fósseis, expansão das áreas urbanas, 
industrialização, desmatamento, produção de 
alimentos, transporte, medicamentos e outras 
melhorias no bem-estar humano. 
Gráfico 2 – O clima durante o Holoceno - Fonte - 
Disponível em: https://holoceneclimate.com/ Acesso em 
12 out. 2022 
Contudo, embora os níveis de CO
2 
tenham 
subido muito nos últimos 100 anos não há aumento 
correspondente nas temperaturas mundiais, pois 
1,07º C registrado estão dentro de uma variação 
normal. O aquecimento registrado nos últimos 
200 anos evidencia que as temperaturas na verdade 
estão se recuperando do período mais frio do 
Holoceno, e mais recentemente da Pequena Idade 
do Gelo, como pode ser observado no Gráfico 3:
193
Gráfico 3 – Correlação entre CO
2
 e temperatura. 
Disponível em: https://holoceneclimate.com/
temperature-versus-co2-the-big-picture.html. Acesso em 
12 out. 2022
Observa-se também que houve intervalos 
com clara correlação entre CO
2 
e temperatura, 
contudo, de 1940 a 1975 e de 2000 até os dias atuais a 
correlação se inverteu: concentrações crescentes de 
dióxido de carbono juntamente com temperaturas 
em descenso o que inviabiliza a hipótese do CO
2
 
controlar o clima na Terra.
194
Sabe-se que o papel do CO
2 
na atmosfera 
vem sendo discutido desde o final do século XIX 
com forte ênfase nos últimos cinquenta anos. No 
início do século XX, a atividade humana despejava 
muito pouco CO
2 
na atmosfera, no entanto, 
ocorreram recordes de temperaturas nesse período. 
Durante o período pós-guerra (1945-1975) 
as temperaturas globais despencaram, ao passo 
que o ritmo acelerado das economias mundiais 
crescia vertiginosamente com uma abundância de 
CO
2
 sendo despejado na atmosfera. 
Em 1971, os principais climatologistas 
da NASA e do NCAR (sigla inglês para National 
Center for Atmospheric Research) relataram que 
um efeito estufa descontrolado não seria possível, 
porque o espectro de absorção de CO
2
 já estaria 
quase saturado, portanto, adicionar mais CO
2 
não 
teria nenhum efeito mensurável nas temperaturas 
globais: 
From our calculation, a doubling of 
CO 
2 
produces a tropospheric temperature 
change of 0.8 ºK. however, as more CO 
2
 
is added to the atmosphere, the rate of 
temperature increase is proportionally 
less and less, and the increase eventually 
levels off. Even for increase in CO2 by 
a factor of 10, the temperature increase 
does not exceed 2,5 ºK. Therefore, the 
runaway greenhouse effect does not occur 
because the 15- µm CO
2
 band, which is 
the main source of absorption, satures, 
and the addition of more CO
2
 does not 
substantially increase the infrared opacity 
195
of the atmosphere (Rasool; Schneider, 
1971 p. 139).1
 Ainda em relação ao fenômeno da 
“saturação”, em junho de 2020, os físicos William 
van Wijngaarden do Departamento de Física 
e Astronomia da York University no Canada e 
William Happer do Departamento de Física 
da Princeton University nos Estados Unidos, 
publicaram um estudo no qual esclareceram que 
os atuais níveis de dióxido de carbono atmosférico 
e vapor de água estariam quase completamente 
saturados. Em física da radiação, o termo técnico 
“saturado” implica que adicionar mais moléculas 
não causará mais aquecimento2. 
1 Rasool, S.I., and S.H. Schneider, 1971: Atmospheric 
carbon dioxide and aerosols: Effects of large increases 
on global climate. Science, 173, 138-141, doi:10.1126/
science.173.3992.138. 
 Tradução livre: A partir de nossos cálculos, uma 
duplicação do CO
2
 produz uma mudança de temperatura 
troposférica de 0,8º K. Entretanto, à medida que mais CO
2 
é adicionado à atmosfera, a taxa de aumento da temperatura 
é proporcionalmente menor e menor, e o aumento 
eventualmente se estabiliza. Mesmo para aumento do CO
2
 
por um fator de 10, o aumento da temperatura não ultrapassa 
2,5 º K. Portanto, o efeito estufa descontrolado não ocorre 
porque a banda de CO
2
 de 15 µm, que é a principal fonte 
de absorção, satura e a adição de mais CO
2
 não aumenta 
substancialmente a opacidade infravermelha da atmosfera.
2 Wijngaarden, W. A.; Happer, W. Dependence of Earth’s 
Thermal Radiation on Five Most Abundant Greenhouse 
196
 De maneira simplificada, isso quer dizer 
que as emissões antrópicas de CO
2 
 têm pouco 
ou nenhum impacto adicional no aquecimento 
global. Não haveria, portanto, nenhuma 
emergência climática catastrófica e o planeta não 
estaria vivenciando uma “era de ebulição global”. 
O novo presidente do IPCC, James Skea, disse 
recentemente em entrevista ao jornal Die Welt de 
30 de julho de 2023, que “as pessoas não deveriam 
exagerar a meta de 1,5º C e que, se ultrapassarmos, 
isso não constituiria uma ameaça existencial” 3.
 Salienta-se que na física da radiação, 
o termo “saturação” não é nada parecido com 
aquilo que chamamos de saturação na linguagem 
comum, assim como o efeito estufa não é nada 
parecido com o funcionamento de uma estufa 
como os livros didáticos costumam retratar. N a 
verdade, há cerca de 15.000 anos as temperaturas 
globais começaram a subir quando a Terra saiu 
do último período glacial. E foi justamente este 
período interglacial chamado Holoceno que 
permitiu que o homo sapiens se desenvolvesse 
como nunca antes. Por volta de 8.000 anos as 
temperaturas estavam cerca de 4° C mais altas do 
Gases. Disponível em: https://arxiv.org/pdf/2006.03098.pdf. 
Acesso em 29 Out 2022.
3 DW. Die Welt. Don'toverstate 1.5 degrees C threat, new 
IPCC head says. 24 Aug, 2023. Disponível em: https://www.
dw.com/en/climate-change-do-not-overstate-15-degrees-
threat/a-66386523. Acesso em 25 Agos. 2023.
197
que na atualidade. Desde então, as temperaturas 
têm diminuído constantemente, com alguns altos e 
baixos como o Período Quente Minoico (há cerca 
de 3.500 anos), o Período Quente Romano (há 
cerca de 2.000 anos), o Período Quente Medieval 
(há cerca de 1.000 anos) e a Pequena Idade do Gelo 
que terminou há cerca de 200 anos. Nessa escala, 
vivemos na atualidade um período de frio que se 
recupera dos extremos da Pequena Idade do Gelo, 
lembrando que mais de 90% do período Holoceno 
as temperaturas foram muito mais elevadas do que 
no presente.
 Quando se observa a escala de tempo 
geológico no Gráfico 4 abaixo é possível notar que 
as enormes variações climáticas que ocorreram 
no passado foram muito mais altas do que na 
atualidade. Durante a maior parte desse período, 
nenhuma temperatura abaixo de zero foi medida 
em qualquer lugar da Terra, então as calotas polares 
praticamente não existiam. 
 Os níveis de CO
2
 eram muito altos, acima 
de 5.000 partes por milhão (ppm) durante a maior 
parte do período. Isto equivale a aproximadamente 
12 vezes mais do que os níveis atuais, por isso a 
vida no planeta Terra floresceu, os continentes 
foram cobertos por densas florestas, os recifes de 
corais começaram a se desenvolver juntamente 
com os depósitos de carbono que deram origem 
aos combustíveis fósseis – carvão, gás e petróleo.
198
Gráfico 4 - Escala de tempo geológica 570 milhões. 
Disponível em: https://holoceneclimate.com/temperature-
versus-co2-the-big-picture.html. Acesso em 12 out. 2022
Há cerca de 55 milhões de anos a 
concentração de CO
2 
na atmosfera estava em 
torno de 1.000 ppm, ou seja, uma taxa de 250% 
a mais do que os níveis atuais (420 ppm), nível 
considerado extremamente perigoso pelo IPCC 
e, segundo o órgão, tais concentrações podem 
causar um aquecimento descontrolado. Contudo, 
as medições do mundo real mostram exatamente 
o contrário: as temperaturas estão em descenso o 
que contradiz a hipótese de aquecimento global 
causada pela intensificação do efeito estufa em 
decorrência do aumento de dióxido de carbono. A 
escala de tempo a longo prazo mostra claramente 
que tanto as temperaturas modernas quanto as 
concentrações de CO
2
 são extremamente baixas. 
Portanto, não existe uma correlação clara e bem 
definida entre a temperatura e CO
2
. Outros fatores 
199
como a formação de continentes, atividade solar, 
cobertura de nuvens, vulcanismo e correntes 
oceânicas, inclinação do eixo terrestre, entre outros, 
e não somente o CO
2
 governaram as mudanças 
climáticas. Nos últimos oito mil anos os níveis 
de CO
2
 aumentaram, enquanto, as temperaturas 
sofreram declínio, tal fato contradiz qualquer 
afirmação de que existe uma correlação positiva 
entre os níveis de CO
2
 e a temperatura global.
As alterações na órbita do planeta Terra 
em torno do Sol, causadas pelos chamados ciclos 
de Milankovitch, como a orientação do eixo da 
Terra (precessão), excentricidade e variações na 
inclinação axial que criam variações na entrada de 
energia solar influencia diretamente nas flutuações 
cíclicas de temperatura nos períodos conhecidos 
como glaciais e interglaciais, mais ou menos da 
mesma forma que a inclinação axial da Terra 
proporciona as estações do ano, mas com uma 
duração de ciclo muito maior. 
Os oceanos são os grandes reservatórios 
de dióxido de carbono, portanto, quando estão 
aquecidos possuem tendência de liberar CO
2 
para 
a atmosfera. 
 Como os níveis de CO
2 
na atmosfera 
costumam ficar bem abaixo do ponto de saturação 
no início de cada ciclo de aquecimento que 
ocorre após um período de glaciação, nesse caso, 
um pequeno feedback positivo de aquecimento 
pode ser induzido pelo CO
2
. Contudo, quando a 
concentração de CO
2 
alcança determinado nível o 
aquecimento cessa. 
200
 Portanto, deve-se concluir que o aumento 
nas concentrações de CO
2 
segue o aumento da 
temperatura e não o inverso – o aumento nas 
concentrações de CO
2 
surge na atmosfera como 
consequência e não como causa. A maior parte 
do aquecimento recente, de acordo com Abbot e 
Marohasy (2017), pode ser natural. 
 Segundo o estudo, apesar da ciência 
climática estar repleta de dados sobre a evolução 
das temperaturas que evidenciam a ocorrência de 
oscilações ora para cima e ora para baixo nos últimos 
2.000 anos – elevação durante o Período Quente 
Medieval (PQM) e novamente recentemente por 
volta de 1980, e diminuição durante a Pequena 
Idade do Gelo (PIG) – as reconstruções oficiais 
feitas pelo IPCC (que sustentam o Acordo de 
Paris) negam tais ciclos e imputam o aquecimento 
recente exclusivamente às emissões humanas de 
dióxido de carbono. Não se discute que o dióxido de 
carbono absorve a radiação infravermelha, o que é 
incerto é a sensibilidade do clima as concentrações 
atmosféricas crescentes. Essa sensibilidade pode ter 
sido grosseiramente superestimada pelo químico 
sueco Svante Arrhenius há mais de 120 anos, e 
ainda hoje persiste nos modelos de simulação de 
computador que sustentam a ciência climática 
moderna1. O final da PIG, por volta de 1830, 
corresponderia ao início da industrialização. M a s 
a industrialização causou o aquecimento global?
1 Abbot, John; Marohasy, Jennifer. The application of 
machine learning for evaluating anthropogenic versus 
natural climate change. GeoResJ - Volume 14, pp. 36-46, 
December 2017. 
201
Abbot e Marohasy (2017), ao descontruir 
e reconstruir novamente seis séries de proxies 
paleoclimáticos (sedimentos de lagos, estalagmites, 
grãos de pólen, anéis de arvores, corais, núcleos 
de gelo, etc.) de diferentes regiões do Hemisfério 
Norte a partir de 50 d.C. e terminando no ano 
2000, utilizando o sistema chamado de Redes 
Neurais Artificiais (ANN) - técnica que tem 
sido amplamente aplicada para simulação e 
previsão de variáveis climáticas e meteorológicas, 
incluindo temperaturas - demonstraram que: 1- as 
temperaturas nesse período de quase 2000 anos, 
ziguezagueia para cima e para baixo dentro de 
uma faixa de 0,4°C em uma escala curta de tempo; 
2- mesmo na ausência da Revolução Industrial 
haveria um aquecimento significativo até pelo 
menos 1980. 
Os resultados da técnica utilizada pelos 
pesquisadores estão de acordo com as estimativas 
de sensibilidade climática da espectroscopia 
experimental, mas estão em desacordo com os 
resultados dos Modelos de Circulação Geral 
(GCMs) utilizados pelo IPCC que atribuem mais 
de 90% do aquecimento global desde 1900 e, 
virtualmente 100% do aquecimento global desde 
1970 as forçantes climáticas antropogênicas. 
Conforme destaca o artigo, ao longo do período 
mais longo de quase 2.000 anos, o registro mostra 
uma tendência crescente de aumento que atinge seu 
pico em 1200 d. C. antes de voltar a cair novamente 
em 1650, para voltar a subir em 1980, como mostra 
o Gráfico 5 abaixo:
202
O declínio no final do gráfico é típico de 
muitas pesquisas de reconstruções de temperaturas 
proxy e é conhecido na literatura técnica como “o 
problema da divergência”. Para ser claro, enquanto 
os termômetros e os registros de temperatura 
por satélite geralmente mostram um aumento de 
temperatura ao longo do século XX, o registro 
proxy, que é usado para descrever a mudança de 
temperatura geralmente diminui a partir de 1980, 
ao menos para regiões do Hemisfério Norte, este 
é particularmente o caso dos registros de anéis de 
árvores. Em vez de abordar esta questão, grande 
parte dos cientistas climáticos, enxertam séries 
instrumentais de temperatura no registro proxy 
para literalmente esconder o declínio a partir da 
década de 1980.
Gráfico 5 – Comportamento da temperatura. Registro 
proxy das temperaturas em azul e estimativa de aumento 
na ausência da Revolução Industrial (projeção ANN -linha 
laranja) Abbot e Marohasy (2017, p. 39)
203Considerando os resultados de todas as 
seis regiões geográficas, de acordo com Abbot 
e Marohasy (2017), o modelo ANN sugere que 
o aquecimento dos ciclos climáticos naturais ao 
longo do século XX seria da ordem de 0,6 a 1 °C, 
dependendo da localização geográfica. A diferença 
entre a saída dos modelos ANN e os registros 
proxies é de no máximo 0,2 °C, esta foi a situação 
para os estudos da Suíça e da Nova Zelândia. 
Assim, a contribuição da industrialização para 
o aquecimento ao longo do século XX seria de 
no máximo 0,2°C, diferentemente do IPCC que 
estabelece um aquecimento de 1 º C impulsionado 
basicamente pelo processo de industrialização.
O IPCC apresenta uma avaliação muito 
diferente porque basicamente remodela as séries 
de temperatura proxy antes de compará-las com os 
resultados dos Modelos de Circulação Geral. Por 
exemplo, o penúltimo relatório de avaliação do 
IPCC concluiu que no hemisfério norte, o período 
de trinta anos entre 1983-2012 foi provavelmente o 
mais quente dos últimos 1.400 anos. Se voltarmos 
1.400 anos, temos um período na Europa, 
imediatamente após a queda do império romano 
e anterior ao PQM, que foi tão quente quanto as 
temperaturas atuais, porém, ignorado pelo IPCC. 
Este é o consenso científico oficial que estabelece 
que as temperaturas permaneceram estáveis por 
1.300 anos e, de repente, começaram a subir a 
partir de 1830, sem nenhum declínio até a década 
de 1980. Por meio dessa construção o IPCC afirma 
que há algo incomum nas temperaturas atuais: 
está em curso um aquecimento global catastrófico 
devido à industrialização.
204
Diversos estudos paleoclimáticos sobre 
mudanças climáticas, baseados em reconstruções 
de temperaturas do passado, como Ge et al (2017) 
mostram que as temperaturas registradas no século 
XX podem não ser tão inéditas durante os últimos 
2.000 anos. No referido artigo as reconstruções 
sintetizadas multiproxy mostram que a variação de 
temperatura na China exibiu ciclos significativos 
de 50 a 70 anos, 100 a 120 anos e 200 a 250 anos. 
Os resultados também mostram que as amplitudes 
de variação da temperatura decadal e multidecadal 
foram respectivamente de 1,3°C e 0,7°C, sendo 
esta última significativamente correlacionada com 
mudanças de longo prazo na radiação solar que 
corresponde aproximadamente aos mínimos de 
manchas solares. 
O aquecimento mais rápido, por sua vez, 
teria ocorrido entre 1870 e 2000 d. C. Outro dado 
interessante é que as temperaturas registradas nos 
períodos de 981-1100 e 1201-1270 são comparáveis 
com o comportamento das temperaturas das 
últimas décadas do presente1.
5.1 História dos dados climáticos
1 Ge, Quansheng; Liu, Haolong; Ma, Xiang; Zheng, Jingyun; 
Hao, Zhixin. Characteristics of temperature change in 
China over the last 2000 years and spatial patterns of 
dryness/wetness during cold and warm periods. Advances 
in Atmospheric Sciences. Volume 34 pp. 941–951, 2017.
205
 O conjunto de dados de temperatura do 
ar terrestre da Climatic Research Unit (CRU), 
combinado com os dados de temperatura da 
superfície do mar do Met Office, é conhecido como 
HadCRUT. Este conjunto de temperatura global é 
um dos três usados para monitorar o aquecimento 
global desde 1850 por organizações internacionais, 
incluindo a Organização Meteorológica Mundial 
(OMM) e a Organização das Nações Unidas 
(ONU). Estimar a temperatura global é um desafio 
significativo. HadCRUT abrange os dados a partir 
de 1850 até os dias atuais, ou seja, o período mais 
próximo possível da linha de base pré-industrial 
considerada fundamental pelos formuladores de 
políticas. 
 Os registros de temperatura global 
HadCRUT aparece no Resumo para Formuladores 
de Políticas e Relatório de Síntese em todas as seis 
avaliações do IPCC, sendo utilizado, portanto, 
para embasar o Acordo de Paris de 2015 que é o 
tratado internacional sobre mudanças climáticas, 
adotado na COP21 na capital francesa no âmbito 
da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre 
Mudanças Climáticas (UNFCCC sigla em inglês). 
A UNFCCC é uma convenção baseada na ciência 
e conta com o IPCC para fornecer o estado básico 
de conhecimento sobre mudanças climáticas. 
O objetivo mutuamente acordado em Paris foi 
de limitar o aquecimento global abaixo de 2°C e 
tentar ativamente mantê-lo em 1,5°C nas próximas 
décadas.
206
 Incialmente, a CRU tinha como 
prioridade desenvolver estudos com o objetivo de 
estabelecer o registro passado do clima ao redor 
do globo. Durante a década de 1970, trabalhou na 
interpretação de registros históricos documentais, 
a partir de 1978, iniciou a produção de seu 
conjunto de dados em grade de anomalias de 
temperatura do ar terrestre com base em registros 
instrumentais de temperatura mantidos pelas 
instituições meteorológicas em todo mundo, em 
1986, as temperaturas do mar foram adicionadas 
para formar uma síntese de dados originando o 
primeiro registro de temperatura global. Contudo, 
o acesso aos registros de temperatura da unidade 
era restrito, somente após a promulgação da Lei de 
Liberdade de Informação (FOIA) no Reino Unido, 
em 2005, que a CRU passou a disponibilizar as 
informações. 
 
 
207
6 
ECOANSIEDADE: MEDO 
CRÔNICO DA CATÁSTROFE 
CLIMÁTICA
 A mudança climática é a maior ameaça à 
humanidade?
 Vivemos em uma era de medo, 
particularmente um medo exacerbado em relação 
a mudança climática. Pesquisa recente realizada 
com 10 mil adolescentes e jovens ao redor do globo 
mostrou que grande parte dos jovens estão sofrendo 
de “ansiedade climática” ou “ecoansiedade”, que é 
um efeito sobre o psicológico oriundo do quadro 
apocalíptico com que as questões relacionadas a 
mudança climática vem sendo tratada pelos meios 
de comunicação1.
 O estresse causado pelos possíveis efeitos do 
aquecimento do planeta, segundo a pesquisa, pode 
causar mudanças de comportamento, ataques de 
pânico, pensamentos obsessivos, perda de apetite, 
ansiedade, insônia, queda no rendimento escolar, 
entre outros. Devido a ecoansiedade muitos casais 
estão optando por não ter filho, pois para as 
1 Marks et al. Young People's Voices on Climate Anxiety, 
Government Betrayal and Moral Injury: A Global 
Phenomenon. P. 23 - 0 7 Sep 2021. Disponível em: https://
ssrn.com/abstract=3918955. Acesso em 24 abr. 2023. 
208
novas gerações o futuro passou a ser um ponto de 
interrogação. Se o cenário apresentado pela mídia é 
assustador para os adultos, as crianças, por sua vez, 
ficam apavoradas. Uma pesquisa do Washington 
Post publicada, em 2019, mostrou que entre as 
crianças americanas de treze a dezessete anos, 
57% sentem medo das mudanças climáticas, 52% 
sentem raiva e 42% se sentem culpadas. Um estudo 
acadêmico de 2012 com crianças de dez a doze 
anos de três escolas em Denver descobriu que 82% 
expressavam medo, tristeza e raiva ao discutir seus 
sentimentos sobre o meio ambiente e a maioria das 
crianças compartilhava visões apocalípticas sobre 
o futuro do planeta.
 Outro aspecto revelador é que para 70% das 
crianças, a televisão, os noticiários e os filmes foram 
essenciais para formar suas visões apavorantes2.
 Um dos exemplos mais recentes e 
alarmantes dessa mentalidade apocalíptica pode 
ser observado nas atitudes do grupo alemão 
chamado “Last Generation”, seus integrantes 
entraram em greve de fome como protesto contra 
as mudanças climáticas, o grupo preconiza que 
a crise climática irá desencadear escassez de 
alimento e consequentemente fome em vários 
países, principalmente na Europa nos próximos 
20 anos. Sabe-se que a mudança climática poderá 
afetar de alguma forma a agricultura, mas tal 
informação carece de evidencias científicas e, até 
2 Lomborg, Bjorn. False Alarm: How Climate Change 
Panic Costs Us Trillions, Hurts the Poor, and Fails to Fix 
the Planet. Basic Books. Edição do Kind, 2020.
209
o presente momento nenhuma pesquisa científica 
confiável corroborou tal ideia. Outro exemplo 
é o grupo ambientalista Extinction Rebellion 
fundado por Roger Hallam. Em umvídeo recente, 
intitulado “Conselhos aos jovens enquanto eles 
enfrentam a aniquilação”, Hallam afirma que 
devemos reduzir as emissões a zero caso contrário 
a humanidade será exterminada, embora isso 
esteja completamente fora de linha com a ciência e 
os cientistas atualmente. A imagem abaixo resume 
muito bem esse quadro: 
 
Foto 1 – Disponível em: https://happyeconews.com/youll-
die-of-old-age-ill-die-of-climate-change/. Acesso em 20 
julho 2023.
 Os jovens entre 16 e 25 anos, formam o 
grupo de maior vulnerabilidade, mais da metade 
210
disse que “a humanidade estava condenada”; três 
quartos disseram que o futuro era assustador; 
55% disseram que teriam menos oportunidades 
do que seus pais; 52 % disseram que a segurança 
da família estaria ameaçada e 39% não pretende 
em ter filhos. Esses resultados foram consistentes 
em países ricos e pobres, grandes e pequenos: dos 
Estados Unidos e Reino Unido ao Brasil, Filipinas, 
Índia e Nigéria. 
 Somos bombardeados diuturnamente com 
notícias alarmantes sobre desastres climáticos, essas 
(des)informações não fornecem uma perspectiva 
precisa sobre a frequência e as consequências 
das mudanças climáticas antrópicas, na verdade 
alimentam uma falsa perspectiva. Ora, o mundo 
se tornou mais seguro, as taxas de mortalidade 
por desastres caíram muito no último século, 
a humanidade se tornou mais resiliente, temos 
melhores tecnologias para prever tempestades, 
incêndios florestais e inundações. 
 A mídia, ao alimentar o catastrofismo 
contribui mais ainda como elemento indutor da 
ansiedade. É preciso apresentar a crise climática 
de forma transparente e realista. A retórica 
sobre a mudança climática tornou-se cada vez 
mais radical e menos atrelada à ciência real. 
Nos últimos vinte anos, os cientistas do clima 
aumentaram meticulosamente o conhecimento 
sobre as mudanças climáticas, e temos atualmente 
muito mais dados — e mais confiáveis — do que 
nunca. Mas, ao mesmo tempo, a retórica dos 
comentaristas e da mídia tornou-se cada vez mais 
irracional. A ciência nos mostra que os temores 
211
de um apocalipse climático são infundados. O 
aquecimento é real, porém, não se trata do fim do 
mundo. É um problema administrável que requer 
políticas claras de adaptação e mitigação. A ciência 
não corrobora a ideia de que 2030 é a data limite 
para a salvação do planeta, não é isso que a ciência 
afirma, é o que os políticos dizem1.
 Apesar de o termo ”ecoansiedade” ter sido 
incorporado recentemente ao discurso em defesa 
do ambiente é preciso muita cautela para se evitar 
algum tipo de “patologização”, principalmente entre 
crianças e adolescentes, já que a ansiedade é um 
diagnóstico exclusivamente médico psiquiátrico.
 Futuros apocalípticos superexagerados 
podem ser usados para apoiar o despotismo e a 
imprudência. Por exemplo, cenários catastróficos 
e imprecisos de superpopulação nas décadas de 
1960 e 1970 contribuíram para que vários países 
adotassem programas de esterilização forçada e 
aborto, incluindo a política do filho único da China, 
que causou mais 100 milhões de abortos forçados. 
Os movimentos fascistas e neofascistas do passado 
e do presente frequentemente usam o medo de 
uma catástrofe ambiental para promover a eugenia 
e se opor à imigração e à ajuda humanitária. 
 O governo do Sri Lanka, preocupado com 
a poluição, proibiu precipitadamente fertilizantes e 
1 Pielke, Roger; Burgess, Matthew; Ritchie, Justin. 
Catastrophic climate risks should be neither understated 
nor overstated. Proceedings of the National Academy of 
Sciences – PNAS. Vol. 119 nº 42 - October 10, 2022.
212
pesticidas sintéticos, em 2021, contribuindo para 
uma crise agrícola e econômica sem precedentes 
na história do país 2. A cobertura do clima tornou-
se mais uma promoção narrativa do que notícias, 
o clima passou de um papel determinista para 
um papel reducionista nos discursos sobre meio 
ambiente, sociedade e futuro. O novo determinismo 
climático é impulsionado pela hegemonia exercida 
pelas ciências naturais e biológicas preditivas sobre 
relatos contingentes, imaginativos e humanísticos 
da vida social e visões pessimistas sobre o 
futuro. É uma hegemonia que empresta poder 
desproporcional ao discurso apocalíptico que 
reduz o futuro do planeta ao clima. Provavelmente 
não existe fenômeno natural no mundo atual, que 
em algum momento, não tenha sido associado à 
mudança climática. Existe um grande mercado 
para estudos que oferecem previsões assustadoras 
acerca do futuro, geralmente empregando cenários 
implausíveis: bem-vindos ao Representative 
Concentration Pathway (RCP 8.5) 
 O RCP 4.5 é descrito pelo IPCC como um 
cenário moderado no qual as emissões atingem o 
pico por volta de 2040 e depois diminuem. O RCP 
8.5 é o cenário de emissões de linha de base mais 
alto no qual as emissões continuam a aumentar 
ao longo do século XXI. Um modelo climático 
é um programa de computador concebido para 
simular o clima da Terra a fim de compreender e 
prever o seu comportamento. A modelagem por 
2 Pielke, Roger; Burgess, Matthew; Ritchie, Justin. 
Catastrophic climate risks should be neither understated 
nor overstated.
213
computador é hoje fundamental para a ciência do 
clima, pois os modelos ajudam a entender como 
o sistema climático funciona, por que mudou no 
passado e, o mais importante, como pode mudar 
no futuro. 
 Contudo, ainda há uma grande ressalva a 
ser feita: a dinâmica do clima do planeta continua 
sendo um dos problemas mais desafiadores para os 
modelos de predição, portanto, quão bons são os 
modelos climáticos atuais?
 Em teoria, como se tem hoje uma 
compreensão muito mais robusta sobre as leis 
físicas que governam a matéria e a energia é fácil 
deduzir que se pode simplesmente alimentar os 
computadores com uma série de informações 
e assim prever com precisão como o clima se 
comportará no futuro. Infelizmente, isso não é 
verdade, basta deduzir tal fato pela previsão do 
tempo, que podem ser precisas apenas em duas 
semanas ou mais. Por isso, essa escassa precisão de 
duas semanas nas previsões meteorológicas reflete 
um problema fundamental: o clima é caótico e não 
importa quão precisamente possamos especificar 
as condições atuais, a incerteza em nossas 
previsões cresce exponencialmente à medida que 
se estendem para o futuro.
 É preciso ressaltar que clima é diferente de 
tempo, clima é a média do tempo ao longo dos anos 
(geralmente, no mínimo 30 anos são usados como 
referência). Quando falamos em tempo, estamos 
nos referindo as condições locais temporárias, 
como o sol da manhã, a chuva da tarde ou o frio 
214
da semana que passou, portanto, são as condições 
da atmosfera durante um curto período de 
tempo, e clima é como a atmosfera “se comporta” 
durante períodos de tempo relativamente longos, 
geralmente utiliza-se como modelo padrão um 
intervalo de no mínimo 30 anos. 
6.1 Alguns fenômenos oceânicos-
atmosféricos
 Embora os modeladores climáticos 
baseiem suas suposições nas leis fundamentais da 
física e em observações de fenômenos climáticos 
ainda há um fator considerável envolvido: tipos 
diferentes de modeladores fornecem diferentes 
tipos de suposições, portanto, os resultados sempre 
irão variar significativamente. Isto não é um mero 
detalhe sem importância, pois as flutuações comuns 
em relação a altura e a cobertura das nuvens, por 
exemplo, podem impactar nos fluxos de luz solar 
e calor tanto quanto as influências humanas. Na 
verdade, a maior das incertezas na modelagem do 
clima decorre justamente do tratamento que os 
dados oferecem a cobertura de nuvens.
 A quantidade de nuvens pode aumentar 
ou diminuir o efeito albedo, o que permite maior 
ou menor incidência da radiação. A presença de 
muitas nuvens dificulta a passagem da radiação, 
pouca facilita.
215
 O mesmo pode-se dizer em relação as 
mudanças lentas que ocorrem nas correntes 
oceânicas e a interação entre os oceanos e a 
atmosfera. Um dos exemplos mais conhecido 
é o fenômeno climáticochamado de El Niño-
Southern Oscillation (El Niño Oscilação Sul, 
sigla em inglês ENSO), que consiste em uma 
mudança de calor no Oceano Pacífico equatorial 
que ocorre irregularmente de dois a sete anos e 
influencia os padrões climáticos globais. Outros 
comportamentos mais lento e menos conhecido 
é a Atlantic Multidecadal Oscillation (Oscilação 
Multidecadal do Atlântico, sigla em inglês AMO) e 
a North Atlantic Oscillation (Oscilação do Atlântico 
Norte – sigla em inglês NAO), que envolve 
mudanças cíclicas de temperatura no Atlântico 
Norte.
 Enquanto o El Niño corresponde ao 
aumento da temperatura das águas do Oceano 
Pacífico na sua porção equatorial, La Niña 
corresponde à diminuição da temperatura. 
Ambos são fenômenos atmosférico-oceânicos 
caracterizados pela alteração da temperatura 
das águas que geram diversas consequências 
como impactar significativamente não somente 
nos indicadores de temperatura, mas também 
no regime de precipitação global. Até o início 
de 2023, o Brasil esteve sob a influência de La 
Niña, daí a ocorrência de chuvas e inundações nas 
regiões norte e nordeste e prevalência de secas na 
região sul. Portanto, tais fenômenos são contrários 
em termos de aspectos de ocorrência e, por 
consequência, nos impactos gerados na atmosfera 
global.
216
 Em 2023, após sete anos de ausência, El 
Niño está de volta e transformou o inverno em 
verão e o verão um pouco mais quente do que o 
habitual em várias regiões. Além do El Niño outros 
dois fatores explicam esse calor atípico: Oscilação 
Antártica e o bloqueio atmosférico. A Oscilação 
Antártica, também conhecida como Modo Anular 
Sul, tem um papel importante na variabilidade 
climática do Hemisfério Sul, portanto, não existe 
nenhuma relação com a interferência humana no 
clima.
 A Oscilação Multidecadal do Atlântico é 
um fenômeno cíclico de anomalias da temperatura 
da superfície que ocorre no Oceano Atlântico 
Norte. A AMO pode influenciar as condições 
meteorológicas na América do Norte, Europa e 
Norte da África com padrões característicos que 
ocorrem em diferentes épocas do ano. Nos últimos 
150 anos, a AMO oscilou entre fases positivas e 
negativas. A predominância da fase positiva eleva a 
temperatura da superfície do mar, já a fase negativa 
torna a água mais fria. A AMO pode impactar 
fortemente o clima global, portanto, é uma 
consideração importante na previsão do tempo a 
longo prazo. AMO fase positiva: influências na 
Europa e Ásia no inverno.
 Durante a prevalência da fase positiva, 
Hemisfério Norte, grande parte da Ásia 
(especialmente a Rússia Oriental), Oriente 
Médio e partes do norte da Europa apresentarão 
temperaturas mais altas do que o normal. 
Apenas a região ocidental do Mediterrâneo pode 
eventualmente apresentar temperaturas mais 
217
baixas que o normal, pode haver a prevalência 
de alta umidade em partes da Ásia e do norte da 
Europa. Regiões do sul da Europa, especialmente 
a Península Ibérica poderão sofrer impactos 
climáticos em decorrência da falta de chuva, ou seja, 
pode haver prevalência de períodos extremamente 
secos. AMO fase positiva: influências na Europa e 
Ásia durante o verão.
 Durante a fase fortemente positiva as 
temperaturas durante o verão estarão mais altas 
que o normal no Hemisfério Norte, grande parte 
da Ásia (especialmente a Rússia Oriental), Oriente 
Médio e Sul da Europa. Somente a Escandinávia e a 
Sibéria podem apresentar temperaturas mais baixas 
que o normal. Ao mesmo tempo, grande parte da 
China, Sibéria e norte da Europa podem ficar mais 
úmida do que o normal. No sudoeste da Europa e 
no Oriente Médio o regime pluviométrico pode ser 
prejudicado, vários países podem ser prejudicados 
em decorrência das secas.
 AMO fase negativa: influências na Europa 
e Ásia no inverno. Durante a fase fortemente 
negativa da AMO no inverno do Hemisfério 
Norte, grande parte da Ásia, Oriente Médio e 
Península Ibérica, as temperaturas estarão mais 
baixas do que o normal. Ao mesmo tempo, devido 
a sua influência, grande parte da Ásia e da Europa 
Oriental podem apresentar clima mais seco do que 
o normal. Algumas regiões da Europa Central, 
Península Ibérica, Oriente Médio e China também 
podem apresentar clima mais seco.
218
 AMO fase negativa: influências na Europa e 
Ásia no verão. Durante a fase fortemente negativa da 
AMO no verão do Hemisfério Norte, grande parte 
da Ásia e da Europa provavelmente estarão mais 
frias do que o normal. Ao mesmo tempo, regiões 
da Ásia, Europa Central e do Norte provavelmente 
estarão mais secas do que o normal. Apenas o sul da 
Europa e a Rússia Central, provavelmente, podem 
apresentar clima mais úmido do que o normal.
 No final do século XVIII, o físico e 
climatologista inglês Gilbert Walker (1868-1958) 
nas suas viagens pelo Oceano Atlântico notou que 
as condições de invernos amenos na Groenlândia 
muitas vezes coincidiam com condições de 
invernos severos na Dinamarca e vice-versa. O 
fenômeno severo versus leve que ele descreveu 
atualmente é reconhecido como Oscilação do 
Atlântico Norte ou NAO. A Oscilação do Atlântico 
Norte (NAO) descreve mudanças na força de dois 
padrões recorrentes de pressão atmosférica sobre 
o Atlântico Norte: uma zona de baixa pressão 
perto da Islândia e uma alta pressão próximo 
dos Açores. Durante a fase positiva ocorre uma 
grande diferença de pressão entre os dois padrões 
o que acarreta condições quentes no leste dos 
EUA e norte da Europa e condições frias no sul 
da Europa. Ao contrário do El Niño, o NAO é um 
modo predominantemente atmosférico. É uma das 
manifestações mais importantes das flutuações 
climáticas no Atlântico Norte e nos climas úmidos 
circundantes. A NAO também está intimamente 
relacionada com a oscilação do Ártico ou Modo 
Anular do Norte (NAM) e não deve ser confundida 
com a AMO.
219
 Como temos apenas cerca de 150 anos de 
boas observações, os comportamentos sistemáticos 
que ocorrem em escalas de tempo mais longas são 
menos conhecidos – pode haver (e quase certamente 
há) outras variações cíclicas naturais ocorrendo 
em períodos ainda mais longos. Todos esses ciclos 
influenciam os climas globais e regionais, portanto, 
torna-se muito difícil estabelecer se as mudanças 
observadas no clima são de origem humanas ou 
devido a forças naturais, os picos de anomalias 
para cima durante o período de 1998 a 2016, por 
exemplo, ocorreram em decorrência da influência 
do El Niño. Embora os modelos atuais possam 
reproduzir alguns aspectos do El Niño, eles não 
são muito bons em reproduzir a sua intensidade 
e duração, o mesmo se dá em relação a AMO e a 
NAO.
 É possível que os ciclos oceânicos estejam 
por trás das mudanças climáticas observadas e 
não exclusivamente a queima de combustíveis 
fósseis, portanto, El Niño e seus “primos” podem 
estar influenciado muito mais o clima do que os 
humanos, isso significa que embora as atividades 
antrópicas possam desempenhar papel relevante 
no contexto de aquecimento global, forças naturais 
como os oceanos, cobertura de nuvens, atividades 
vulcânicas e influências externas como radiação 
solar e raios cósmicos podem estar impactando 
muito mais os termômetros 3. Outro grande 
problema é que os modelos não são capazes de 
3 Tsonis, Anastasios. The Litle Boy: El Niño and natural 
climate change. GWPF Report 26, 2017.
220
reproduzir o que ocorreu no passado, isso de certa 
forma corrói ainda mais a confiança nas projeções 
e complica muito quando se tenta estimar o 
percentual de aumento que foi causado por 
variabilidade natural e o que pode ser atribuído 
exclusivamente a interferência antrópica.
 De fato, tem se tornado muito comum ver e 
ouvir nas mídias e redes sociais, políticos, cientistas 
e pseudoespecialistas afirmarem categoricamente 
que os humanos são responsáveis pelas ondas de 
calor e frio, secas, inundações, tempestades e tudo 
o mais que o grande público possa temer. 
 É uma venda muito fácil, o relato da cena 
é poderoso e muitas vezes comovente, pois nossas 
más lembranças deeventos climáticos catastróficos 
do passado pode tornar o “sem precedentes” 
bastante convincente.
 Aqui estão algumas declarações resumidas 
(talvez surpreendentes) do Quinto Relatório de 
Avaliação (AR5), indicando o que sabemos (ou 
não sabemos) sobre algumas dessas tendências:
Baixa confiança quanto ao sinal de 
tendência na magnitude e/ou frequência 
de inundações em escala global; baixa 
confiança em uma tendência observada 
em escala global de seca desde meados 
do século XX; baixa confiança nas 
tendências de fenômenos climáticos 
severos de pequena escala, como granizo e 
tempestades e baixa confiança em relação 
ao aumento da intensidade de ciclones 
221
extratropicais extremos desde 1900 4.
 Grande parte da mídia, seja no Brasil e no 
exterior, age de maneira irresponsável e alarmista, 
as informações veiculadas equivocadamente 
dificilmente são reparadas. Observações 
climatológicas podem identificar períodos de 
oscilações de padrões climáticos, El Niño, por 
exemplo, de acordo com registros paleoclimáticos, 
históricos, arqueológicos e relatos de navegadores 
tem influenciado os padrões climatológicos em 
diversas localidades do continente americano. 
O fenômeno é responsável por mudanças nas 
forças dos ventos, transformações na quantidade 
e intensidade de chuvas, secas, enchentes, 
modificações nas taxas de produção agrícola, 
podendo estar por trás da decadência da Civilização 
Maia, como sugere alguns estudos. Portanto, é 
muito complicado estabelecer se determinadas 
alterações no clima tem como causa a mudança 
climática natural ou a antropocêntrica 5.
4 Koonin, Steven. Unsettled? What climate Science tells us, 
what it doesn’t, and why it matters. Dallas: E-Book Edition, 
2021 p. 98.
5 Barbosa, Antônio I. Gomes; Bulhões, Eduardo M. Rosa. 
Possível influência do fenômeno climático oceânico-
atmosférico El Niño Oscilação Sul (ENOS) sobre a 
precipitação acumulada mensal observada em Campos 
dos Goytacazes – RJ, Brasil. Instituto de Geociências – 
UNICAMP. Os Desafios da Geografia Física na Fronteira 
do Conhecimento. Vol. 1- 2017.
222
6.2 Mídia e desinformação
 De acordo com um relatório da ONU 
(2022)6, “Da Amazônia aos Andes e às profundezas 
nevadas da Patagônia, o clima extremo e as 
mudanças climáticas estão causando megassecas, 
chuvas extremas, desmatamento e derretimento 
de geleiras em toda a região da América Latina e 
Caribe (LAC)”. 
6 United Nations. Mega-drought, glacier melt, and 
deforestation plague Latin America and the Caribbean. 
22 July 2022 - Climate and Environment. Disponível em: 
https://news.un.org/en/story/2022/07/1123032. Acesso em 
09 mai 2023.
Imagem 1 – Disponível em: United Nations- UN News 
https://news.un.org/en/story/2022/07/1123032. Acesso em 
20 julho 2023.
223
 Ouvimos todos os dias enxurradas de 
mensagens apocalípticas que são endossadas 
pela mídia e que são continuamente cravadas 
em nossas mentes, como por exemplo: o fim da 
humanidade está próximo, a mudança climática 
está acontecendo mais rápido do que os cientistas 
previram, fiquem preocupados, fiquem muito 
preocupados porque a mudança climática está 
destruindo nosso planeta e ameaçando a todos 
nós, não existe para a humanidade planeta “B”, a 
incineração iminente do planeta está próxima, o 
aquecimento global pode extinguir a humanidade 
em algumas décadas, o planeta está em ebulição, 
etc.
 Recentemente, a mídia informou que a 
humanidade tem apenas uma década para resgatar 
o planeta, tornando 2030 o prazo para salvar a 
civilização. E, portanto, devemos transformar 
radicalmente todas as principais economias para 
acabar com o uso de combustíveis fósseis, reduzir 
as emissões de carbono a zero e estabelecer uma 
base totalmente renovável para todas as atividades 
econômicas.
 Em 2016, uma pesquisa feita em diversos 
países apontou que a maioria das pessoas acredita 
que o mundo está piorando, não melhorando. No 
Reino Unido e nos EUA, 65% das pessoas estão 
pessimistas quanto ao futuro. Uma pesquisa de 
2019 descobriu que quase metade da população 
mundial acredita que a mudança climática 
provavelmente acabará com a raça humana. Nos 
Estados Unidos, quatro em cada dez pessoas 
acreditam que o aquecimento global levará à 
224
extinção da humanidade. Diferentemente do 
que ocorre no Brasil, a climatologia nos países 
industrializados está no centro de um dos debates 
mais polarizados da atualidade 1. 
 Estratégias de pânico e medo educam?
 É pedagogicamente eficiente? 
 Inibirá a “catástrofe” climática iminente? 
 
 A mensagem “os perigos da mudança 
climática”, é reformulada para consumo público 
todos os dias. A fabricação de Greta Thunberg 
e toda sua plataforma global tende a reforçar o 
alarde enquanto a urgência da Nova Economia 
Climática Mundial emerge impulsionada por 
ONGs como Greenpeace e WWF, grupos como o 
Extinction Rebellion, governos e corporações que 
movimentam trilhões de dólares com o objetivo 
de “salvar o planeta”, financiando dessa forma o 
chamado “imperialismo verde”. Nesse sentido, 
entra em cena uma campanha de despolitização que 
reduz a questão ecológica apenas ao meio ambiente, 
deixando de lado os fatores socioeconômicos. 
A grande mídia não discute, por exemplo, que 
a substituição da matriz energética baseada em 
combustíveis fósseis pela chamada “energia limpa” 
(eólica, solar), além de igualmente impactar o 
ambiente, atende principalmente aos objetivos 
geopolíticos dos países ricos: transformar os países 
pobres e em desenvolvimento em neocolônias de 
exploração. 
1 Lomborg, 2020.
225
 O movimento ambientalista e contestador 
da década de 1960 foi cooptado pelo capitalismo 
verde e pela esperança no Green New Deal em 
resolver, não apenas os problemas ecológicos, 
mas sobretudo as crises culturais, políticas, 
humanitárias e econômicas que se desenrolam 
a partir dele. A urgência midiática, em relação 
as mudanças climáticas, omite tudo aquilo que 
o documentário “Bright Green Lies” (2021), 
produzido por Julia Barnes, desvenda e expõe ao 
público: a falácia de que as chamadas “tecnologias 
limpas” (veículos elétricos, energia solar e eólica) 
são inertes ao meio ambiente. 
 Essas tecnologias, segundo o documentário, 
não “nascem em árvores”, são produtos de uma 
indústria muito mais devastadora do que a 
tradicional “indústria marrom” o documentário, 
na verdade, é baseado no livro homônimo de Max 
Wilbert “Bright Green Lies: How the Environmental 
Movement Lost Its Way and What We Can Do 
About It” (2021) e revela como o movimento 
ambientalista se tornou uma ferramenta a serviço 
da propaganda enganosa e como centenas de 
milhares de pessoas marchando e protestando 
pelas ruas de grandes cidades como Washington, 
Nova York ou Paris, tão bem-intencionadas em 
salvar o planeta foram cooptadas e transformadas 
em lobistas de uma indústria em busca de isenções 
e incentivos governamentais.
 Como diria David Phillips, membro do 
conselho administrativo da “We Don’t Have Time”, 
226
empresa que administra a gestão da imagem da 
sueca Greta Thunberg, “Como é possível ser tão 
facilmente enganado por algo tão simples como 
uma estória? Ora, tudo se resume a um elemento 
essencial e imprescindível: o investimento 
emocional. O que significa dizer que quanto mais 
investida emocionalmente a pessoa estiver em 
qualquer coisa na vida, menos crítica e observadora 
ela será.
 Contrariando os cenários das expectativas 
apocalípticas para o futuro, Alimonti et al (2022), 
publicou um artigo no qual afirma que a emergência 
climática divulgada dia e noite nas manchetes dos 
jornais não são suportados por dados reais.
 Analisando dados de uma ampla gama de 
fenômenos climáticos, eles dizem que uma “crise 
climática” do tipo que preocupa e tira o sono das 
pessoas “ainda não é evidente” e sugerem que, 
em vez propagar o medo e aumentar os níveis de 
ansiedade, é preciso focar mais nas estratégias de 
adaptação2.
 Ora em relação as questões climáticas, o 
próprio Jim Skea, atual presidente do IPCC,em 
entrevista ao Deutsche Welle (DW), além de alertar 
que um aumento de 1,5º C na temperatura não 
é uma ameaça existencial para a humanidade, 
2 Alimonti, Gianluca; Mariani, Luigi; Prodi, Franco; Ricci, 
Renato A. A critical assessment of extreme events trends in 
times of global warming. Eur. Phys. J. Plus (2022) 137:112.
227
foi enfático em afirmar a necessidade de se fazer 
uma abordagem mais equilibrada e pautada 
criticamente no debate científico. Em declarações 
à revista semanal Der Spiegel, Skea advertiu sobre a 
valorização excessiva da comunidade internacional 
em querer limitar o aquecimento global a 1,5 º 
C, afirmando inclusive em claro e bom tom que: 
“Não devemos ficar desesperados nem entrarmos 
em estado de choque caso as temperaturas globais 
alcançarem este patamar 3.
 Entre as principais considerações que 
constam no artigo publicado pelos referidos 
pesquisadores italianos podemos destacar: 
o aumento recente nas ondas de calor pode 
ser atribuído ao aumento de cerca de 1ºC nas 
temperaturas globais, embora observem que as 
tendências globais de intensidade das ondas de 
calor não são significativas; somente um número 
limitado de estações meteorológicas identificou 
um aumento na precipitação global, portanto, o 
aumento no número das inundações permanece 
até o momento ainda indefinida; alguns estudos 
apontam justamente o oposto, ou seja, evidências 
de diminuição; as tendências globais crescentes de 
secas observadas desde a década de 1970 não são 
mais suportadas, inclusive pelo próprio AR5 do 
3 Deutsche Welle (DW). Don't overstate 1.5 degrees C 
threat, new IPCC head says. July 30, 2023. Disponível em: 
https://www.dw.com/en/climate-change-do-not-overstate-
15-degrees-threat/a-66386523. Acesso em 27 Agos. 2023.
228
IPCC (2013), entre outros4. O estudo destaca ainda 
que a intensidade e a frequência das chuvas estão 
estacionárias em muitas partes do mundo, que não 
há suporte para a afirmação de que a frequência 
de furacões e ciclones tropicais estão aumentando, 
inclusive nos EUA, conforme corrobora a 
própria NOAA em sua última revisão: “Não há 
evidências significativas de tendências crescentes 
na ocorrência de furacões, tornados e ciclones nos 
EUA e na bacia do Oceano Atlântico”. 
 O mesmo se deu com IPCC, que chegou 
a mesma conclusão sobre o aumento de furacões 
em todo o mundo em sua última revisão de 
avaliação. Outras categorias meteorológicas, 
incluindo desastres naturais, inundações e 
secas, não mostram “tendência positiva clara 
de eventos extremos”. Historicamente, cerca de 
60% de todos os danos econômicos causados por 
catástrofes naturais no globo ocorrem nos EUA, 
em decorrência dos furacões. Portanto, não é 
surpreendente que os furacões atraiam interesse 
e atenção dos pesquisadores. Devido ao seu 
assustador potencial destrutivo, também não é 
surpreendente que os furacões sejam um elemento 
central no debate sobre políticas de mitigação e 
adaptação às alterações climáticas.
 Até o presente momento, as observações 
globais não mostram quaisquer tendências 
4 Alimonti et al.
229
significativas para o aumento no número de 
ocorrências de furacões, nem em regiões de alta 
incidência dos EUA, dados observacionais, muito 
pelo contrário, demonstram que a frequência 
de furacões está relativamente baixa, conforme 
corrobora o Gráfico 6 a seguir: 
Gráfico 6 - Alimonti et al (2022, p. 111)
 Em relação aos ecossistemas, os cientistas 
observam um considerável “esverdeamento” da 
biomassa vegetal global nas últimas décadas, 
em decorrência do nível mais alto de CO2 na 
atmosfera. Dados de satélite mostram tendências 
de “esverdeamento” na maior parte do planeta, 
aumentando a produção de alimentos e afastando 
os desertos. São tantas as profecias dos mercadores 
de catástrofes que distinguir entre o que é mito 
e o que é verdade na internet e nas redes sociais 
se tornou uma árdua tarefa. O facebook, por 
exemplo, está repleto de grupos de divulgação e 
230
popularização da ciência que prestam desserviço 
quando endossam e compartilham informações 
equivocadas, sem nenhuma base científica como 
a excessiva hiperbolização da frase: “o mundo 
vai acabar em 12 anos se a humanidade não agir 
para deter a mudança climática”, ou quando o 
website do grupo Extinction Rebellion, com sede 
no Reino Unido, adverte que “o colapso social e a 
morte em massa estão bem próximos de se tornar 
uma realidade no horizonte próximo. A retórica 
alarmista em torno das mudanças climáticas, de 
maneira análoga ao período da Guerra Fria, causa 
medo e pânico generalizado, principalmente entre 
acrianças e adolescentes.
 Em 2020, novamente os grupos 
de divulgação e popularização da ciência, 
infelizmente, endossaram acriticamente 
informações equivocadas sobre a causa da onda 
de calor no Ártico, que rapidamente foi atribuída 
a ação humana. Segundo a BBC de Londres, a 
onda de calor na Sibéria foi um recorde e seria 
praticamente impossível de ocorrer se não fosse a 
mudança climática causada pelo homem, apesar do 
tal calor ocupar uma área relativamente pequena. 
Ainda segundo a reportagem, a temperatura 
que ultrapassou os 38°C na cidade russa de 
Verkhoyansk, em 20 de junho, foi a mais alta já 
registrada ao norte do Círculo Polar e que o Ártico 
estria se aquecendo duas vezes mais rápido que a 
média global. Mas, será isso verdade?
 A mídia, de maneira geral, atribuiu o 
fenômeno precipitadamente a intensificação dos 
GEE, porém, o recorde anterior havia ocorrido 
231
há exatamente 105 anos, em 1915, na mesma 
localização norte do Círculo Polar Ártico e foi 
de 37,8º C, quando a concentração de CO
2 
na 
atmosfera era de apenas 295 ppm. É preciso 
ressaltar que a respectiva onda de calor de 2020 se 
concentrava apenas em uma pequena região em que 
um sistema de alta pressão bloqueava a entrada do 
ar frio. Portanto, um fenômeno climático natural 
que se repete periodicamente.
Disponível em: https://www.bbc.co.uk/news/science-
environment-53415297. Acesso em 29 maio de 2023.
 Em 1988, na mesma Verkhoyansk, as 
temperaturas atingiram 37,3°C (99,1°F), portanto, 
novamente, não há nada de extraordinário sobre 
o clima recente. A onda de calor na Sibéria, na 
verdade, foi resultado da confluência de alguns 
fatores como loops na corrente de jato, que 
trouxeram ar quente do Sul em conjunto com uma 
232
zona de alta pressão atmosférica. O pesquisador 
Hubert Horace Lamb (1913-1997), climatologista 
inglês que fundou a Unidade de Pesquisa Climática, 
em 1972, na Escola de Ciências Ambientais da 
Universidade de East Anglia, foi um dos primeiros 
pesquisadores a se dedicar ao estudo das condições 
climáticas do Ártico que descobriu que o mesmo 
fenômeno havia ocorrido várias vezes durante o 
século XIX1.
 Em julho de 2023, os dias 3 e 4 foram 
considerados os dias mais quente registrados 
no planeta. A temperatura média global relatada 
naqueles dias pelos meios de comunicação foi 
de 62,6ºF ou 17ºC, supostamente a mais quente 
dos últimos 125.000 anos. A referida alegação foi 
derivada do Climate Reanalyzer da Universidade 
do Maine, que se baseia em uma mistura de 
dados de temperatura de satélite e modelos 
de computador para calcular estimativas de 
temperaturas no futuro. Nos EUA, a temperatura 
no Death Valley, que corre ao longo de parte da 
fronteira da Califórnia central com o estado de 
Nevada, atingiu 128ºF (53,3ºC) no domingo dia 16 
de julho. Em ambos os casos o recorde de calor foi 
atribuído a uma combinação de variação de fatores 
naturais, em decorrência da prevalência do El 
Niño e aquecimento global induzido pela atividade 
humana. Na verdade, foram três eventos climáticos 
que ocorreram simultaneamente nos EUA, Europa 
e Ásia e, apesar do alarde da mídia atribuir esses 
1 Lamb, Hubert Horace. Climate, history and the Modern 
World. New York: Routledge, 1982.
233
Disponível em: https://www.washingtonpost.com/
climate-environment/2023/07/05/hottest-day-ever-
recorded/. Acesso em 21 julho 2023.
 Na verdade,ainda é muito prematuro 
qualquer tentativa de se atribuir eventos 
únicos, como a ocorrência de ondas de calor 
simultaneamente em três continentes, como 
consequência do aumento na temperatura 
média global. É preciso muita cautela e o mais 
correto seria examinar qual a probabilidade de 
eventos simultâneos em magnitude e persistência 
semelhantes ocorrem novamente em um clima em 
aquecimento. E como podemos determinar se um 
eventos à mudança climática a NOAA, o IPCC e 
diversos cientistas climáticos foram mais cautelosos 
em relação a esta informação.
234
evento climático extremo específico pode ou não 
ser atribuído à mudança climática? Na verdade, 
infelizmente, não podemos! A atual onda de calor 
é alarmante em termos de intensidade e duração. 
 As temperaturas em alguns locais atingiram 
seus recordes históricos ou estão previstas para 
serem superadas. Embora não haja razão para 
dizer que tais ondas de calor são incomuns em um 
sistema climático natural, principalmente em ano 
de prevalência de forte El-Nino, é razoável esperar 
que o clima mais quente adicione energia extra ao 
complexo sistema climático do planeta.
 Outro problema óbvio dessa narrativa é 
que não há dados de satélite dos últimos 125.000 
anos, portanto, as estimativas das temperaturas 
atuais não podem ser comparadas de forma justa e 
cientificamente correta. 
 A temperatura média global também muda 
sazonalmente, são mais altas globalmente durante 
o verão do Hemisfério Norte por causa de mais 
terras que retêm a luz solar. 
 Neste caso, a referida temperatura 
estimada no início de julho foi distorcida por uma 
onda de calor na Antártica, esta é provavelmente 
a explicação para a diferença entre a estimativa 
de 62,6ºF feita pelo Climate Reanalyzer e 57,45°F 
(14,14°C) do site temperature.global. Portanto, uma 
alternativa mais adequada deveria ser o cálculo 
da média das medições reais da temperatura da 
superfície feita em todo o globo e processadas 
minuto a minuto. 
235
 Os números, por enquanto, têm se mantido 
dentro do padrão, sem alta em julho (2023), 
conforme observado abaixo:
Disponível em: https://temperature.global/. Acesso em 21 
julho 2023 1 
1 O site calcula a temperatura global atual da Terra, utilizando 
temperaturas de superfície não ajustadas. A temperatura 
atual consiste na média dos últimos 12 meses e novas 
observações são inseridas a cada minuto. O site foi criado 
por meteorologistas e climatologistas profissionais com mais 
de 25 anos de experiência em observações meteorológicas de 
superfície.
236
 Além disso, a noção de “temperatura média 
global” não faz nenhum sentido, porque é um 
conceito inventado exclusivamente para favorecer 
a hipótese do aquecimento global. É mais um 
conceito político do que científico. 
 Outro problema é que os dados de 
temperatura são imprecisos. 
 Os registros de monitoramento de 
temperaturas mais completos do mundo são do 
Goddard Institute for Space Studies (NASA), do 
Centro Nacional de Dados Climáticos da National 
Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) 
e pelo Hadley Centre, Instituto Meteorológico do 
Reino Unido, cujas medições tiveram início, em 
1880. Imprecisos são, portanto, os dados antes de 
1880 daí a dificuldade em estimar as temperaturas 
médias para todo o planeta. 
 Para as reconstruções das temperaturas 
pretéritas de longas datas, os cientistas utilizam 
como proxy, anéis de árvores, contagens de pólen e 
núcleos de gelo. 
 As agências acima mencionadas e outras 
recolhem dados de temperatura de milhares de 
estações meteorológicas espalhadas pelo globo, 
incluindo os oceanos. 
 No entanto, os instrumentos não estão 
uniformemente distribuídos e grande parte dos 
locais de medição atualmente foram desmatados 
ou urbanizados o que afeta significativamente a 
temperatura nas proximidades, então foi preciso 
fazer ajustes para remover a interferência causada 
237
pelo calor urbano o que elevou ligeiramente a 
tendência de aquecimento de curto prazo desde 
19981.
 De acordo com Watts et al (2022), estima-
se que 96% das estações de temperatura dos 
EUA produzem dados corrompidos. Cerca de 
92% supostamente têm uma margem de erro 
de 1ºC, ou quase 2ºF. Grande parte das estações 
meteorológicas estão ou em áreas densamente 
povoadas, ou muito perto de fontes de calor ou em 
áreas concretadas que absorvem e refletem calor, 
além disso, grande parte da superfície do globo 
terrestre não é medida e, embora a NOAA goste 
de apresentar as temperaturas globais a partir de 
1880, a coleta regular de temperatura no Ártico 
e na Antártica começaram tardiamente2.Abaixo, 
turistas tiram selfies ao lado de uma tela digital de 
um termômetro “não oficial” no Furnace Creek 
Visitor Center durante a onda de calor em Death 
Valley, Califórnia, em 16 de julho de 2023. Contudo, 
o registro está abaixo do recorde anterior que foi de 
56,7ºC, ocorrido em 13 de julho de 1913, há exatos 
100 anos e que ainda não foi superado, embora, não 
surpreendentemente, haja uma pressão enorme de 
ativistas climáticos para que a OMM arrume uma 
“maneira científica” de invalidar este incômodo 
registro histórico.
1 Karl et al. Possible artifacts of data biases in the recent 
global surface warming hiatos. Science Vol. 348 nº 6242, 
2015.
2 Watts, Anthony et al. Corrupted Climate Stations: The 
Official U.S. Surface Temperature Record Remains Fatally 
Flawed. Illinois: Heartland Institute, 2022.
238
Disponível em: https://themessenger.com/news/americas-
hottest-tourist-attraction-is-death-valley-national-park. 
Acesso em 19 julho 2023.
 Não se pode olvidar da história dos registros 
climáticos do passado que evidenciam o quanto 
o clima do planeta é volátil. Há 4.200 anos uma 
megasseca deu início ao período chamado de Era 
Meghalayan que teria afetado significativamente 
civilizações em todo o mundo como no Egito, 
Grécia, Síria, Palestina, Mesopotâmia, Vale do 
Indo e Vale do Rio Yangtze 1. 
1 Weiss, Harvey et al. Formal Subdivision of the Holocene 
Series/Epoch. Journal of Quaternary Science Vol. 27 (7) pp. 
649-659, 2012.
239
6.3 As secas ao longo da história
 No século XVI, uma seca persistente 
assolou grande parte do continente europeu, em 
1540. A partir de análises paleoclimáticas regimes 
de temperatura e precipitação foram reconstruídos 
e comparados com as condições atuais, segundo 
Wetter et al (2014)2 durante um período de onze 
meses, durante o verão de 1540, houve pouca 
chuva na Europa, Orth et al (2016) concluíram 
que no verão do referido ano a temperatura estava 
acima da média de 1966-2015. A megasseca de 
1540 é corroborada principalmente por mais de 
300 crônicas contemporâneas de toda a Europa, 
que descrevem consistentemente os efeitos da seca 
e do calor prolongados, como déficit significativo 
de precipitação, níveis extremamente baixos das 
águas dos principais rios, incêndios florestais 
generalizados, redução dos níveis dos lençóis 
freáticos (resultando na secagem de poços), bem 
como consequências graves para a agricultura e 
pecuária 3. Vale ressaltar que a onda de calor e a seca 
de 1540 ocorreram durante um período de verões 
2 Wetter, Oliver et al. (2014). The year-long unprecedented 
European heat and drought of 1540 a worst case. Climatic 
Change. Vol. 125 (3–4) pp. 349–363, 2016.
3 Orth, Rene et al. Did European temperatures in 1540 
exceed present-day records?. Environmental Research. Vol. 
11 nº 11 pp.1-11, 2016.
240
excepcionalmente quentes durante a Pequena 
Idade do Gelo (PIG), na Europa, um período de 
resfriamento global e clima extremo que afetou o 
continente entre os séculos 14 e 19.
 De acordo com Brázdil et al (2020), 
durante a década de 1531-1540, ocorreram os 
verões mais quente e secos dos últimos 5 séculos 
na Europa Central4. Em junho de 1743, uma onda 
de calor atingiu a China. Na capital Pequim a 
temperatura chegou a 44,4°C (111,9°F), em 25 de 
julho, maior do que qualquer registro moderno, 
superando inclusive diversos recordes do século 
XX. Cerca de11.400 pessoas morreram. Ressalta-
se que o referido evento climático ocorreu antes da 
Revolução Industrial, quando os níveis de CO
2 
 na 
atmosfera eram muito mais baixos do que os dias 
atuais 5. A onda de calor durante o verão europeu de 
julho de 1757 foi muito semelhante a que ocorreu 
em 1540 e 20036 7.
4 Brázdil, R. et al. Central Europe, 1531–1540 CE: The 
driest summer decade of the past five centuries? Clim. Past, 
vol. 16, pp. 2125–2151, 2020.
5 Zhang, D.; Gaston, D. Northern China maximum 
temperature in the summer of 1743: A historical event of 
burning summer in a relatively warm climate background. 
Chin.Sci.Bull. vol. 49 pp. 2508–2514, 2004.
6 Orth, R. et al. 2016. 
7 Recer, Paul. 2003 Likely Europe's Hottest in 500 Years, 
The Washington Post (Associated Press), Thursday, March 
4, 2004. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/
241
 Em Julho de 1808, entre os dias 12 e 15, 
uma onda de calor fez com a temperatura chegasse 
na casa dos 36°C (97°F) em diversas regiões de 
Londres, nos dias 13 e 14 a temperatura atingiu os 
38°C (100 °F)8. Em 1871, um grande incêndio 
assolou o estado de Michigan, consumindo cerca 
de 1,2 milhões de acres, ou 4,8 km2.. 
 As origens dos incêndios são 
desconhecidas, mas os danos foram agravados 
por uma série de fatores, como a seca ininterrupta 
que assolou o meio-oeste no início de outubro e 
a mudança constante da direção dos ventos fortes 
que impossibilitava a ação dos bombeiros. Vastas 
extensões de floresta queimaram por uma semana 
em partes de Michigan e Wisconsi, em poucas 
horas, várias cidades e vilas do meio-oeste foram 
reduzidas a carvão e cinzas.
 Em setembro de 1881, ocorreram grandes 
incêndios florestais nos EUA que varreram as 
florestas de Michigan e Wisconsin, conhecidos 
como “Thumb Fire” devastaram também o meio-
oeste, o leste e depois o nordeste do país. 
wp-dyn/articles/A30538-2004Mar4.html. Acesso em 31 Jul. 
2023.
8 Murden, Sara. The Heatwave of July 1808. July 17, 2018. 
In: Weather in Georgian England. Disponível em: https://
georgianera.wordpress.com/2018/07/17/the-heatwave-
of-1808/. Acesso em 31 Jul. 2023.
242
 Cidades inteiras foram destruídas, ao todo 
foram cerca de 1 milhão de acres consumidos 
em menos de um dia. A extensão dos estragos se 
equipara aos grandes incêndios de 1871.
Disponível em: https://www.wlfi.com/news/local-
weather-history-the-1881-heat-drought-with-massive-
great-lakes-fires-smoke-in-september/article_20e724b6-
3e09-11ed-b7e8-c3a2d1d9267d.html#:~:text=Early%20
September%201881%20exhibited%20some,the%20
heat%20wave%20moved%20eastward. Acesso em 31 Jul. 
2023.
 O verão de 1881, foi histórico para o 
centro e leste dos EUA e, é classificado como um 
dos eventos climáticos mais marcantes da história 
climática do país, comparável aos verões extremos 
de 1820, 1838, 1839, 1841, 1854, 1887, 1901, 
1934, 1936, 1953, 1954, 1988 e 2012. Em Indiana, 
as temperaturas chegaram a 111ºF. O início de 
setembro de 1881 exibiu um dos climas mais 
243
quentes registrados até o final da temporada com 
as temperaturas chegando a 100ºF.
 Em 1900, uma onda de calor na Argentina 
no início do mês de fevereiro, conhecida como 
“a semana do fogo” fez com que as temperaturas 
chegassem a 37°C na capital, Buenos Aires e 
Rosário, afetando gravemente a saúde das pessoas 
e causando pelo menos 478 morte. Em 1901, 
uma onda de calor antes de chegar a Europa fez 
com que a temperatura chegasse a 32º C na costa 
oeste, 37º C no meio oeste e 43,3º C na costa leste 
dos EUA. As manchetes do New York Times sobre a 
onda de calor de 1901 foram bastante notáveis. Em 
julho, a onda de calor se expandiu para a Europa 
causando mortes em Londres, secas que destruíram 
plantações em várias regiões como os vinhedos na 
Itália e forçou milhares de pessoas a dormirem ao 
ar livre. Em 1911, a expressão “verão anormal” foi 
título de um artigo publicado por Charles Harding 
(1846-1927) no The Quarterly Journal of the Royal 
Meteorological Society. A característica que mais se 
destaca durante o dito “verão anormal” é que, além 
das temperaturas altas, as chuvas também foram 
excepcionais.
244
 O verão de 1911, na Itália, foi 
particularmente quente, contudo, quando se 
analisa a evolução das temperaturas médias do 
verão italiano ao longo dos últimos dois séculos, 
observa-se que o calor pode ter sido muito 
menos extraordinário, portanto, não apresenta 
características excepcionais, pois tudo indica que 
isso é consequência do processo de aquecimento 
natural que que teve início durante as primeiras 
décadas do século XX. Quando comparado com a 
série do perído 1866-1904, constata-se que durante 
o mês de agosto no verão de 1911, as temperaturas 
médias subiram cerca de 1,5°C. 
 O aumento é particularmente evidente em 
Gênova (+2,6°C) e nas cidades de Florença, Milão 
e Sassari, onde as temperaturas médias subiram 
pelo menos 2°C. Somente na estação de Ancona a 
temperatura média de agosto de 1911 foi menor 1. 
Entre 1895 e 2010, em média, cerca de 14% dos 
EUA experimentaram perídos de secas severas, 
de acordo com o US Drought Monitor. Embora, 
os meios de comuinicação noticiarem, em 2023, 
os efeitos aterradores dos incêndios florestais nos 
EUA e Canadá, pelo tamanho da área geográfica 
afetada e pelo tempo que persistiu o Dust Bowl da 
década de 1930 ainda é considerado a seca mais 
notável e o evento de calor mais extremo de toda 
história dos registros climáticos dos EUA 2.
1 Pozzi, Lucia; Fariñas, Diego R. The Heat-Wave of 1911. A 
Largely Ignored Trend Reversal in the Italian and Spanish 
Transition? Annales de Démographie Historique 120(2) pp. 
147-178 January, 2010. 
2 Heim, R. R. A Comparison of the Early Twenty-First 
245
 Heim (2017), identificou 13 grandes 
episódios de secas, ou seja, quando 10% ou mais 
do país está comprometido, que afetaram os EUA 
entre os anos de 1900 e 2014. Desses, 11 cobriram 
10% ou mais do país, com exceção do Alasca e 
Havaí, por pelo menos 90% de sua duração. Os 
três episódios de seca mais longos ocorreram entre 
julho de 1928 e maio de 1942 (a seca do Dust Bowl 
dos anos 1930); entre julho de 1949 e setembro de 
1957 (a seca dos anos 1950) e de junho de 1998 
a dezembro de 2014 (a seca do início do século 
XXI)3, como ilustra o gráfico a seguir:
Century Drought in the United States to the 1930s and 
1950s Drought Episodes. Bull. Amer. Meteor. Soc., 98, pp. 
2579–2592, 2017.
3 Ibidem. 
Gráfico 7- Heim (2017, p. 2583)
246
 No início do século 21, nos EUA, várias 
secas regionais assolaram grandes extensões de 
terras contíguas. Em 2012, as secas se combinaram 
em um evento de escala nacional como não era 
visto há décadas. Com dois terços dos 48 estados 
afetados, a intensidade das secas foi comparada aos 
episódios das décadas de 1930 e 1950 1. 
6.4 Catástrofe climática na Antártica
 Em fevereiro de 2020, a catástrofe climática 
foi enaltecida com o registro de suposto recorde de 
temperatura na Península Antártica: 20,75ºC. 
 A península Antártica é a parte continental 
mais setentrional da Antártica e a única parte 
desse continente que se estende para fora do 
Círculo Polar Antártico. Localiza-se no Hemisfério 
Ocidental, relativamente perto da América do 
Sul. A Antártica se estende por vários milhões 
de km² e está localizada na região mais fria e, ao 
mesmo tempo, mais seca da Terra. Embora seja 
relativamente quente o verão antártico, a média 
anual é consideravelmente baixa.
 Fato relevante é que a maioria das estações 
de pesquisas meteorológicas existentes no 
continente gelado está localizada nessa região e, é 
por isso que temperaturas significativamente mais 
altas são observadas nessa área. Os registros de 
temperaturas são praticamente inexistentes antes 
1 Ibidem.
247
de 1950, portanto, até o presente, são apenas 73 
anos de dados meteorológicos.
 A base de pesquisa Esperanza do governo 
argentino, localizada na ponta norte da península 
Antártica, estabeleceu o recorde de temperatura 
de 18,3°C em6 de fevereiro de 2020, batendo o 
anterior de 17,5°C que ocorreu, em 24 de março 
de 2015, de acordo com o Serviço Meteorológico 
Nacional da Argentina (SMN).
 Um comitê do Arquivo de Clima e Extremos 
Climáticos da OMM realizou uma extensa revisão 
da situação do clima na Península Antártica na 
época dos registros relatados e determinou que um 
grande sistema de alta pressão sobre a área criou 
condições föhn (ventos descendentes produzindo 
um aquecimento significativo da superfície) 
e resultou em aquecimento local na Estação 
Esperanza e na Ilha Seymour. Avaliações anteriores 
demonstraram que tais condições meteorológicas 
são propícias para a produção de cenários recordes 
de temperatura. 
 Além disso, o comitê também examinou as 
configurações instrumentais das duas observações, 
o exame dos dados e metadados da observação da 
estação, operada pelo SMN, não revelou maiores 
preocupações. Contudo, em relação ao recorde 
de 20,75ºC divulgado pela mídia a Organização 
Meteorológica Mundial (OMM), voz oficial do 
Sistema das Nações Unidas sobre Tempo, Clima e 
Água foi mais cautelosa: 
248
Tudo o que vimos até agora indica um 
provável registro legítimo, mas é claro 
que iniciaremos uma avaliação formal 
do registro assim que tivermos dados 
completos do SMN e das condições 
meteorológicas em torno do evento. 
O registro parece estar provavelmente 
associado (no curto prazo) com o que 
chamamos de evento regional “foehn” 
sobre a área: um rápido aquecimento do ar 
descendo uma encosta/montanha2.
2 World Meteorological Organization (WMO). New record 
for Antarctic continent reported. 14 February 2020. https://
public.wmo.int/en/media/news/new-record-antarctic-
continent-reported. 
249
 Contudo, em relação ao recorde de 20,75ºC 
divulgado pela mídia a Organização Meteorológica 
Mundial (OMM), voz oficial do Sistema das 
Nações Unidas sobre Tempo, Clima e Água foi 
mais cautelosa: 
Tudo o que vimos até agora indica um 
provável registro legítimo, mas é claro 
que iniciaremos uma avaliação formal 
do registro assim que tivermos dados 
completos do SMN e das condições 
meteorológicas em torno do evento. 
O registro parece estar provavelmente 
associado (no curto prazo) com o que 
chamamos de evento regional “foehn” 
sobre a área: um rápido aquecimento do ar 
descendo uma encosta/montanha1. 
 
 Randall Cerveny, pesquisador da OMM 
especialista em climas e extremos climáticos 
alertou: “A OMM está buscando obter os dados 
reais de temperatura para uma estação de 
monitoramento na Ilha Seymour [...] Relatos da 
mídia dizem que os pesquisadores registraram 
uma temperatura de 20,75°C”.
 Ainda segundo Cerveny, é prematuro dizer 
que a Antártida ultrapassou os 20°C pela primeira 
vez:
1 World Meteorological Organization (WMO). New record 
for Antarctic continent reported. 14 February 2020. https://
public.wmo.int/en/media/news/new-record-antarctic-
continent-reported. 
250
Primeiro precisamos analisar os metadados 
muito importantes da estação, por exemplo, 
localização, tipo de equipamento, práticas 
de medição, calibração dos instrumentos, 
etc. dos pesquisadores envolvidos. Uma 
vez que temos esses dados, podemos 
começar uma avaliação formal quanto à 
a validade da observação. Infelizmente, 
a realização dessas tarefas não acontece 
rapidamente (particularmente com 
estações meteorológicas polares remotas), 
portanto, provavelmente levará algum 
tempo até que nós do Arquivo de Clima 
e Extremos do Clima da OMM possamos 
fazer uma avaliação provisória dessa 
observação2.
 Os propagadores do medo climático nas 
últimas décadas aperfeiçoaram as palavras para 
tornar o alarde mais incisivo, primeiro veio a ideia 
de aquecimento global, porém, isso não alarmou o 
suficiente, uma vez que o mundo não aqueceu tanto 
quanto se temia, então o conceito evoluiu para uma 
forma mais abrangente de interferência humana: 
mudança climática. Contudo, isso não parecia 
urgente o suficiente, então vieram os termos Clima 
Extremo, Crise Climática, Emergência Climática 
e, por fim, “ebulição global”, termo proposto pelo 
Secretário-Geral da ONU, António Guterres, em 
julho de 2023, em uma conferência de imprensa. 
Nada mudou muito para justificar esse aumento da 
conversa sobre o medo, mas é muito eficaz, como 
2 Disponível em: https://public.wmo.int/en/media/press-
release/wmo-verifies-one-temperature-record-antarctic-
continent-and-rejects-another. Acesso em 21 julho de 2023.
251
podemos ver, embora os altos e baixos dos padrões 
climáticos tenham permanecidos os mesmos.
 O final de junho (2023) marcou o 
início de uma mudança significativa no clima 
e no derretimento de gelo na Groenlândia, 
principalmente na parte sul da camada de gelo, 
conhecida como South Dome. Essas alterações 
resultam de uma mudança na circulação do 
ar, associada a valores negativos do índice de 
Oscilação do Atlântico Norte (NAO). A alta pressão 
do ar que cobria a ilha, trazia ventos quentes do 
Sudoeste favorecendo condições mais ensolaradas, 
aumentando o derretimento da superfície na zona 
de ablação, cuja extensão ficou próxima dos índices 
anteriores nos verões de 2012 e 2019. Apesar do 
alarde, nada de anormal. Uma compilação de 
registros paleoclimáticos de sedimentos de lagos, 
árvores, geleiras e sedimentos marinhos forneceu 
um panorama acerca da variação climática do 
Ártico entre 1840 e meados do século XX, de acordo 
com os pesquisadores 3, as temperaturas estavam 
mais altas nos últimos séculos. Esse aquecimento 
teria colocado fim a Pequena Idade do Gelo, 
causando o recuo das geleiras, derretimento do 
permafrost e do gelo marinho afetando também os 
ecossistemas terrestres e lacustres. O aquecimento, 
particularmente o que ocorreu depois de 1920, 
provavelmente foi causado conjuntamente pelo 
aumento dos gases residuais atmosféricos, aumento 
da irradiação solar, diminuição da atividade 
3 Overpeck, J. et al. Arctic Environmental Change of the 
Last Four Centuries. Science Vol. 278 nº 5341 pp. 151-
1256 - November 14, 1997.
252
vulcânica e pela dinâmica natural dos feedbacks 
internos do sistema climático (cobertura de 
nuvens, aerossóis, oceanos, atividades vulcânicas, 
efeito albedo, vapor de água, cobertura de neve, 
etc.).
 Uma pesquisa mais recente, publicada 
em 23 de julho de 2023, por uma equipe de 
pesquisadores na revista Science4 acidentalmente 
demonstrou que o aquecimento global causado 
única e exclusivamente pela ação humana é algo 
improvável. De acordo com o artigo, há mais de 
400.000 anos a Groenlândia era totalmente verde, 
ou seja, era uma paisagem sem gelo e coberta por 
vegetação. Isso é importante porque evidencia o 
quanto o manto de gelo da Groenlândia é frágil, que 
não houve interferência do CO
2
 atmosférico, que a 
cobertura de gelo é comprovadamente sensível as 
mudanças climáticas não causadas pelo homem 
(aquecimento) e que o derretimento é reversível. 
Em entrevista ao jornal USA Today, Paul Bierman, 
principal coautor do artigo, informou que a camada 
de gelo levará “centenas a milhares” de anos para 
diminuir, ao mesmo tempo que advertiu que isso 
não deve ser uma fonte de conforto para esmorecer 
o combate ao aquecimento global.
 Diante do alarmismo exacerbado, 
obviamente que a pesquisa nos traz sim um pouco 
de reconforto pois a expert em climatologia Greta 
Thunberg alertou, há cerca quatro anos, que a 
4 Bierman, Paul et al. Deglaciation of northwestern 
Greenland during Marine Isotope Stage 11. Science Vol. 
381 pp. 330-335 - 20 Jul 2023.
253
humanidade teria apenas 12 anos para salvar 
o planeta do caos e o ex-presidente Al Gore ao 
discursar durante a Conferência do Clima das 
Nações Unidas (COP-15), em 2009, afirmou 
que pesquisas recentes mostravam que o Ártico 
poderia ficar completamente sem gelo em 2014.
6.5 Urso polar: símbolo do aquecimento 
global
 Um dos maiores símbolos das 
consequências do aquecimento global, o urso polar 
(Ursus maritimus), o maior carnívoro terrestre do 
planeta que vive no Ártico foi incluído, em 2006,na lista de espécies ameaçadas de extinção, por 
conta do “declínio constante de seu hábitat gelado” 
devido às mudanças climáticas. A espécie passa 
basicamente o ano inteiro no gelo marinho, onde 
caça focas, sua dieta quase exclusiva, e também, 
onde se acasala. É durante o inverno que a dieta é 
reforçada para acumular reservas calóricas e poder 
sobreviver aos meses de verão, quando há menos 
oferta de comida.
 Os ursos polares vivem em áreas remotas, 
por isso, a empreitada para estudos é difícil e 
onerosa financeiramente. Monitorar os animais é 
um desafio para os pesquisadores, por esta razão, 
os cientistas não têm números sólidos sobre o 
contingente total de ursos polares. Eles carecem de 
254
dados sobre algumas populações, especificamente 
as da Rússia e da Groenlândia Oriental, pois além 
das áreas serem as mais remotas do planeta, carecem 
de infraestrutura básica (estradas e aeródromos.
Al Gore, em seu livro/filme afirmou que os ursos 
polares seriam extintos por afogamento, fotos de 
ursos idosos, doentes, magros foram exibidas nas 
mídias como prova da mudança climática. Em 
2017, um grupo de conservação divulgou um 
vídeo de um urso polar doente, magro e idoso que 
se tornou viral nas redes sociais, em uma versão 
do vídeo, o texto diz: “É assim que a mudança 
climática se parece”.
https://socientifica.com.br/ursos-polares-estao-
morrendo-de-fome-por-causa-do-aquecimento-global/#. 
Acesso em 29 maio 2023.
255
 Em 20 de agosto de 2015, a fotógrafa Kerstin 
Langenberger postou na sua página do facebook 
uma foto (abaixo a direita) que foi compartilhada 
mais de 50 mil vezes (Kerstin Langenberger/
Facebook). 
 Em 2017, o grupo conservacionista 
SeaLegacy, organização sem fins lucrativos 
constituída por fotógrafos do National Geographic, 
com sede no Canadá e focada na conservação dos 
oceanos, divulgou o vídeo de um urso polar em 
terra firme e completamente descoberta de gelo 
(foto a esquerda). 
 As péssimas condições físicas dos dois 
animais foram automaticamente vinculadas aos 
efeitos da mudança climática antrópica.
256
 Na foto acima, o site afirma, em 2016, que “Alguns 
ecologistas alertam que, se algo não for feito rapidamente, os 
ursos polares podem ser extintos até 2025”.
 A União Internacional para Conservação da 
Natureza, também conhecida pelas siglas UICN e IUCN, 
lista o urso polar como uma espécie vulnerável, citando a 
perda de gelo do mar devido às mudanças climáticas como a 
maior ameaça à sua sobrevivência.
 Aqui a principal ameaça, obviamente, é o 
“aquecimento climático”, não os cerca de 700 ursos mortos 
por caçadores a cada ano, o aumento das atividades 
comerciais, conflitos com pessoas, poluição, doenças e 
proteção inadequada dos habitats.
Como os ursos polares são afetados pelo aquecimento 
global? Disponível em: https://greentumble.com/how-
are-polar-bears-affected-by-global-warming. Acesso em 
29 maio 2023.
257
 Apesar do consenso científico afirmar 
que os ursos polares estão correndo perigo com 
o aquecimento global, já que a região do Ártico 
estaria mais quente, alguns pesquisadores seguem 
em direção diametralmente oposta.
 Por exemplo, Mitch Taylor pesquisador 
canadense do governo do território de Nunavut, 
uma das regiões menos povoada do norte do 
Canadá, afirma que os ursos polares não estão 
em vias de extinção. Segundo o pesquisador, o 
aumento observado na temperatura global nos 
últimos 130 anos, obviamente afetou a área de mar 
congelado, contudo, a população de ursos polares 
não foi afetada até agora. A principal base de seu 
argumento é que atualmente a população de ursos 
varia entre 20 mil e 25 mil - um número superior 
ao que existia em 1973, quando a caça foi banida 
em todo mundo. Ainda segundo o pesquisador, os 
esquimós se referem à era atual como “aquela com 
o maior número de ursos”.
 Para Steven Amstrup, da organização Polar 
Bears International, os riscos de extinção não são 
altos para as gerações atuais de ursos polares, mas 
ele diz que o trabalho da comunidade internacional 
é importante para prevenir uma catástrofe no 
futuro.
 Existe ainda uma corrente científica que 
argumenta que os ursos polares já sobreviveram a 
uma onda anterior de aquecimento global. Usando 
genética molecular, o professor de genética 
da Universidade do Alasca, Matthew Cronin, 
descobriu que os ursos polares são uma espécie 
258
que se originou a partir dos ursos marrons há 1,2 
milhão de anos. Nesse período, a Terra passou por 
ondas de calor. Para ele, isso mostra que os ursos 
polares são capazes de resistir ao aquecimento 
global.
 O mapeamento recente de várias cadeias 
de praias elevadas na costa norte da Groenlândia, 
segundo Astrid Lysa, geóloga e pesquisadora do 
Serviço Geológico da Noruega (NGU), sugere que 
a cobertura de gelo no Ártico foi bastante reduzida 
há cerca de 6.000 a 7.000 anos. Ainda segundo a 
pesquisadora, o clima no Ártico nunca foi tão 
ameno desde a última Idade do Gelo e não se sabe 
ao certo se o Oceano Ártico estava completamente 
livre de gelo, mas havia mais mar aberto na área ao 
norte da Groenlândia do que atualmente 1.
 O pesquisador Jon Aars que atua no 
arquipélago de Svalbard que faz parte do território 
ártico norueguês afirma que os ursos polares 
da região estão prosperando apesar da perda de 
gelo marinho no Ártico.2 Uma publicação da 
revista Nature Climate Change3 por Molnár et al 
1 Geological Survey of Norway. Less Ice In Arctic Ocean 
6000-7000 Years Ago. ScienceDaily. ScienceDaily, 20 
October 2008. Disponível em: www.sciencedaily.com/
releases/2008/10/081020095850.htm.
2 Stempniewicz, L.; Kulaszewicz, I.; Aars, J. Yes, they can: 
polar bears Ursus maritimus successfully hunt Svalbard 
reindeer Rangifer tarandus platyrhynchus. Polar Biology 
44 pp 1-8, 2020. 
3 Molnár, P. K.; Bitz, C. M.; Holland, M. M.; Kay, J. 
E.; Penk, S. R.; Amstrup.S. C. Fasting season length sets 
259
(2020), com base na desacreditada modelagem 
climática RCP8.5, sugere que com altas emissões 
de GEE o declínio acentuado da reprodução e da 
sobrevivência dos ursos polares colocará em risco 
a subsistência de diversas populações do Ártico até 
2100.
 O resultado desse novo modelo sugere que 
várias populações de ursos polares no Canadá (mas 
especialmente no sul da Baía de Hudson, no oeste de 
Hudson e no Estreito de Davis) são particularmente 
vulneráveis ao declínio catastrófico nas próximas 
décadas e concluem que praticamente todas as 19 
subpopulações estão a caminho da extinção até 
o final do século, a menos que o mundo reduza 
drasticamente e imediatamente a produção de CO
2
 
antropogênico.
 A zoóloga e pesquisadora canadense Susan 
Crockford, especialista em ursos polares, apontou 
que o modelo climático RCP8.5 utilizado pelos 
pesquisadores está ultrapassado e totalmente 
desacreditado. Crockford também observa que 
o artigo usa apenas dados de ursos polares da 
Western Hudson Bay (uma subpopulação que 
está longe de ser típica) como proxy para todas as 
subpopulações de ursos polares do globo. Segundo 
a pesquisadora, as populações de ursos em todo 
o globo estão prosperando apesar do declínio do 
gelo marinho, sendo a população atual cerca de 4 
a 6 vezes maior do que a população da década de 
temporal limits for global polar bear persistence. Nature 
Climate Change volume 10, pp. 732–738 (2020).
260
1960. Em relação a Baia de Hudson, desde 1998, a 
retração do gelo se mantém estável.
 A previsão climática a partir do RCP8.5 
também foi exposta recentemente em um artigo 
revisado por Zeke Hausfather e Glen Peters como 
um cenário complemente fictício que pressupõe 
um aumento irreal de 500% no consumo de carvão 
e um aumento de 6º C na temperatura global até 
2100. Isso por si só é suficiente para considerar 
a previsão de extinção simplesmente como algo 
cientificamente implausível.
 Há décadas, o ativismo ambiental, 
equivocadamente, tem utilizado os ursos polares 
como um ícone do apocalipse climático, porém, 
os melhores dados mostram que, longede 
desaparecerem, seus números estão aumentando4. 
As avaliações oficiais dos principais cientistas que 
estudam esses animais – o Grupo de Especialistas 
em Ursos Polares da União Internacional para a 
Conservação da Natureza – estimam a população 
global hoje em 22.000 a 31.000. Isso é mais do que 
os 5.000 a 19.000 ursos polares estimados pelos 
cientistas na década de 1960. Nada disso significa 
que a mudança climática não seja real ou que não 
afetará o planeta, o problema são as narrativas 
ideologicamente inspiradas. 
 Enquanto isso, em julho de 2020, a mídia 
noticiava: a BBC de Londres publicava “Climate 
Change: polar bears could be lost by 2100”, o New 
4 Crockford, Susan J. The Polar Bear Catastrophe That 
Never Happened.The Global Warming Policy Foundation. 
Edição do Kindle, 2019.
261
York Times sugeriu “Global Warming Is Driving 
Polar Bears Toward Extinction, Researchers Say”, a 
Polar Bears International divulga o vídeo intitulado 
“When Will Polar Bear Populations Collapse? The 
Answer is Up to Us”.
Disponível em: https://www.bbc.com/news/science-
environment-53474445. Acesso em 18 Jul. 2023. 
 Bjørn Lomborg, escritor e cientista político 
dinamarquês, autor do livro “O ambientalista 
cético” (1998), em janeiro de 2023, publicou 
matéria no The Wall Street Journal contrapondo 
a censura a que foi submetido pelos chamados 
“verificadores de fatos”, após publicar na sua 
página da rede social Facebook conteúdo sobre 
262
o aumento da população de ursos polares. A 
postagem foi rotulada erroneamente como falsa o 
que demonstra que os verificadores, na verdade, 
estão minando o discurso aberto sobre questões 
importantes, incluindo as mudanças climáticas. 
 De acordo com Lomborg, os dados 
apresentados sobre as populações de ursos são 
sólidos, apesar da Agence France-Presse (AFP) 
classificá-los como enganosos, nesse sentido, 
Susan Crockford alertou para o fato de que alguns 
especialistas em ursos polares estão tentando 
lançar uma cortina de fumaça sobre o crescimento 
do número global de ursos polares. 
 Em 1982, os ursos polares foram listados 
pela IUCN como “vulneráveis”, em 1996, mudou 
para “baixo risco/dependente de conservação”, 
depois para “menor preocupação” porque a 
população havia se recuperado após mais de 20 anos 
de proteção internacional contra a caça excessiva. 
No entanto, a palavra “vulnerabilidade” voltaria a 
ser adotada, em 2006, a partir da suposição de que 
os números da população de ursos iria diminuir no 
futuro devido à perda de gelo, o que até agora não 
aconteceu 1.
6.6 Eventos climáticos extremos e os 
modeladores 
1 Crockford, Susan J. The Polar Bear Catastrophe That 
Never Happened.
263
 Em relação ao aumento de eventos 
“climáticos extremos”, uma matéria publicada 
recentemente pela The Corporation for Public 
Broadcasting (PBS) afirma que “as inundações 
e as secas estão sendo agravadas pelas alterações 
climáticas”. Porém, várias linhas de evidência e 
dados concretos falsificam esta afirmação. Na 
verdade, a matéria escrita pela jornalista Isabella 
O’ Malley, publicada no site PBS com o título 
“Scientists confirm global floods and droughts 
worsened by climate change”, em 13 de março 
de 2023, tem como referência um artigo que 
foi publicado no mesmo dia na Nature Water 
intitulado Changing intensity of hydroclimatic 
extreme events revealed by GRACE and GRACE-
FO, cujos autores são os pesquisadores Matthew 
Rodell, vice-diretor de Ciências da Terra para 
Hidrosfera, Biosfera e Geofísica (HBG)-NASA/
GSFC e Bailing Li, pesquisadora assistente do 
Laboratório de Ciências Hidrológicas do Goddard 
Space Flight Center-NASA. O artigo começa com a 
seguinte afirmação:
A intensidade de eventos extremos 
está fortemente correlacionada com a 
temperatura média global, mais do que 
com o El Niño Southern Oscillation ou 
outros indicadores climáticos, sugerindo 
que o aquecimento contínuo do planeta 
causará secas e inundações mais severas e 
frequentes [...] em uma vasta faixa que se 
estende do sul da Europa ao sudoeste da 
China2.
2 Rodell, Matthew; Li, Bailing. Changing intensity of 
hydroclimatic extreme events revealed by GRACE and 
264
 Os dados que subsidiaram a pesquisa foram 
obtidos a partir de informações fornecidas por dois 
satélites conhecidos como GRACE, ou Gravity 
Recovery and Climate Experiment e, de acordo com 
os autores, tanto a frequência quanto a intensidade 
das chuvas e das secas estão aumentando devido à 
queima de combustíveis fósseis e outras atividades 
humanas que liberam GEE 3.
 Vamos aos fatos: os dados obtidos vieram 
de um satélite projetado para medir as variações 
na gravidade da Terra, não as mudanças climáticas; 
não se levou em consideração os dados dos 
últimos 30 anos como deveria ser de praxe, além 
do que os autores informam que utilizaram um 
“algoritmo novo”, ou seja, algo nunca utilizado 
anteriormente, portanto, não foi possível 
comparar os dados do passado com os atuais. 
Essas inconsistências flagrantes contrastam com 
os procedimentos regulares da ciência do clima, 
portanto, o artigo não inspira confiança em relação 
aos métodos utilizados e nem nas conclusões que 
os pesquisadores chegaram. Outro o ponto a ser 
destacado é que os pesquisadores estabeleceram, 
erroneamente, uma relação direta entre aumento 
de pluviosidade e inundações quando o próprio 
IPCC afirma justamente o contrário:
However, heavier rainfall does not 
always lead to greater flooding. This is 
GRACE-FO. Nature Water - volume 1, pp. 241–248, 2023.
3 Ibidem. 
265
because flooding also depends upon the 
type of river basin, the surface landscape, 
the extent and duration of the rainfall, and 
how wet the ground is before the rainfall 
event4. 
 Portanto, para se fazer afirmações sobre 
aumento das inundações, devemos observar as 
tendências das inundações e não precipitação. De 
acordo Pielke Jr 5, a fusão dos dois é um erro crasso 
muito comum. Em relação a tendência de secas nos 
EUA, de acordo com o Climate at a Glance: Drought, 
não há nenhuma tendência crescente de seca desde 
janeiro de 1895. É preciso também esclarecer que 
para o IPCC as secas são classificadas em quatro 
tipos: hidrológica, meteorológica, ecológica e 
agrícola. Portanto, utilizar somente a palavra 
“seca”, de acordo com os relatórios do IPCC, é 
algo simplesmente incompleto e potencialmente 
confuso. Em relação aos tipos específicos de seca 
esclarece o painel: Seca Hidrológica: “Ainda há 
evidências limitadas e, portanto, “baixa confiança” 
na avaliação dessas tendências em escala em escala 
regional e individual”; Seca Meteorológica: Há, de 
4 IPCC. AR6 WGI FAQ Chapter 8, page 49.
5 Pielke Jr, Roger. A.; Downton, Mary W. Precipitation and 
Damaging Floods: Trends in the United States, 1932–97. 
Journal of Climate. Volume 13: Issue 20, 15 Oct 2000.
Pielke Jr, Roger. How to Understand the New IPCC Report: 
Part 2, Extreme Events. 11 Ago. 2021. Disponível em: 
https://rogerpielkejr.substack.com/p/how-to-understand-
the-new-ipcc-report-1e3?s=r. Acesso em 30 Agos. 2023.
266
acordo com as observações, uma “baixa confiança” 
em relação a contribuição humana em escala 
regional, com raras exceções” e Seca Ecológica 
e Agrícola: “Há uma confiança média de que a 
influência humana contribuiu para mudanças nas 
secas agrícolas e ecológicas e levou a um aumento 
na área total de terra afetada”6.
 Não se coloca em dúvida o fato da 
temperatura média global estar em ascensão desde 
o início do século XX, contudo, uma vez detectado 
o aumento, o próximo passo é descobrir o porquê. O 
IPCC utiliza modelos computacionais para explicar 
as mudanças observadas na temperatura global.
Os modelos RCPs, (Representative Concentration 
Pathway) por exemplo, foram utilizados pelo IPCC 
para traçar a trajetória de concentração dos GEE 
e descrevem diferentes futuros climáticos, todos 
considerados possíveis, pois dependem do volume 
de GEE que serão emitidos pelas atividades 
humanas nos próximos anos. 
 Não se pode negarque existe um grande 
mercado para estudos que oferecem previsões 
assustadoras para o futuro do planeta empregando 
geralmente cenários implausíveis como o faz o 
modelo RCP8.5. Tais estudos rapidamente se 
transformam em alimento para a mídia. Em 
qualquer lugar do planeta basta acontecer um 
fenômeno climático natural - furacão, tornado, 
6 IPCC apud Pielke Jr (2021).
267
inundações, secas, granizo, chuva, frio, neve, 
calor, etc. - que os meios de comunicação 
precocemente e, de maneira precipitada, vinculam 
automaticamente à mudança climática. 
 Uma parte considerável dos estudos 
recentes sobre os impactos climáticos futuros 
se concentrou até agora no cenário RCP 8.5 
que consiste em um cenário de altas emissões é 
frequentemente chamado de “business as usual” 
sugerindo que é o resultado mais provável se a 
sociedade não fizer esforços conjuntos para reduzir 
as emissões de GEE. 
 Quando o último relatório do IPCC (AR6) 
veio a público, em 2021, o Secretário Geral da 
ONU, António Guterres, chamou o relatório de 
“código vermelho para a humanidade” e enfatizou 
que as evidências da influência humana no clima 
eram irrefutáveis.
 Como ocorre nos contos, quando existe 
algum tipo de moral subjacente, é preciso 
identificar quem são os “bandidos” e os “mocinhos” 
nessa história. Geralmente, nos contos isso é 
relativamente fácil, porém, em relação as questões 
climáticas as coisas não são tão simples assim. 
 De maneira geral, a mídia produz um fluxo 
constante de informações que ajudam a identificar 
os mocinhos e os bandidos, os heróis e os vilões. 
Associar alguém com posicionamento político de 
direita ou conservador aos combustíveis fósseis é 
268
uma dica de que essa pessoa é um vilão, associar 
alguém com posicionamento político de esquerda 
ou progressista com a indústria renovável significa 
que esta pessoa é o mocinho. 
 De maneira análoga, a ciência climática 
hegemônica e consensual julga como herege 
quem ousa duvidar e questionar a autoridade 
autoproclamada do IPCC.
 O clima por natureza é instável. Todos os 
dias em algum lugar do planeta está ocorrendo 
algum evento climático “extremo” como 
inundações, secas, tornados, furacões, chuva de 
granizo, ondas de calor, invernos extremante frios, 
entre outros, mas para os “climate beat” associar, 
vincular, conectar eventos climáticos extremos que 
acabaram de acorrer com a mudança climática é 
algo trivial, mesmo que destituído de evidências 
científicas. 
 Portanto, esqueça o IPCC com seus 
rigorosos padrões de detecção e atribuição, a cada 
dia que passa aumenta o número de especialistas 
da indústria caseira que insistem em estabelecer 
algum tipo de nexo causal entre fenômenos 
naturais e mudança climática. 
 Grande parte da pesquisa climática está 
focada em cenários futurísticos implausíveis, por 
isso, implementar uma correção de curso será algo 
muito difícil de se fazer.
269
Disponível em: https://rogerpielkejr.substack.com/p/top-
five-climate-change-narratives. Acesso em 30 abr. 2023
 Nas últimas décadas, muitos cenários 
diferentes foram desenvolvidos nas pesquisas 
climáticas, no entanto, os mais utilizados e que 
em grande parte têm impulsionado discussões por 
formuladores de políticas incluem:
 Seis cenários foram utilizados no segundo 
Relatório de Avaliação (AR2) do IPCC; seis 
Relatórios Especiais sobre Cenários de Emissões 
(SRES) foram utilizados no terceiro (AR3) e quarto 
(AR4); quatro cenários RCP foram utilizados no 
quinto relatório de avaliação (AR5) e, por fim, 
cinco cenários foram utilizados no sexto relatório 
de avaliação (AR6).
 Em seu último relatório (AR6), os cenários 
apresentam as possíveis evoluções do clima ao longo 
do século XXI em função das emissões de GEE 
pelas sociedades. O objetivo não é prever o futuro, 
mas levar em conta as incertezas relacionadas 
às atividades humanas futuras e possibilitar 
270
embasamento aos formuladores de políticas para 
a tomada de decisões. No AR6 os cinco cenários 
cobrem uma ampla gama de futuros possíveis 
em relação as emissões de GEE que vão desde 
um cenário de emissões de CO
2
 que diminuem 
drasticamente até a neutralidade, em 2050, 
tornando-se negativas a partir da segunda metade 
do século (SSP1-1.9), até um cenário em que o CO
2
 
continua a aumentar acentuadamente para o dobro 
dos níveis atuais, em 2050, e mais de três vezes os 
níveis atuais, em 2100 (SSP5-8.5). Esses cenários 
fictícios foram elaborados por pesquisadores do 
GT III do IPCC que avalia soluções para mitigar 
as mudanças climáticas, a partir das possíveis 
trajetórias de desenvolvimento econômico e social 
(Shared Socioeconomic Pathways-SSPs), com o 
objetivo de criar um quadro comum para se pensar 
as questões relacionadas às alterações climáticas, 
até o final do século XXI.
 A história da ciência tem demonstrado que a 
ciência sempre incorre em ímpetos e, esses ímpetos 
podem ser difíceis de mudar, mesmo quando falhas 
óbvias e significativas são identificadas. Em 2023, 
a pesquisa do clima encontra-se em uma situação 
semelhante à da pesquisa do câncer de mama, em 
20071. 
1 Em 2015, uma pesquisa de revisão de literatura encontrou 
900 estudos revisados por pares utilizando material celular 
originalmente derivado de derrame pleural de uma paciente 
com câncer de mama, em 1976, no hospital da University of 
Texas - MD Anderson Cancer Center. Desde então, a linha 
celular “MDA-MB-435” como era chamado, vinha sendo 
utilizado em laboratórios do mundo todo como modelo para 
271
 As evidências indicam que os cenários do 
futuro até 2100, que estão no foco de grande parte 
da pesquisa do clima já divergiram do mundo real 
e, portanto, oferecem uma base fraca para a tomada 
de decisões políticas que envolvam, por exemplo, a 
descarbonização da economia, o que evidencia a 
necessidade urgente de correção de curso. 
 Em seu relatório de 2007, o IPCC afirmou 
que o aumento da temperatura entre 1975 e 2000 é 
“muito provável” de ser causado pela intensificação 
dos GEE, superestimando demasiadamente o 
efeito estufa. 
 De fato, ao contrário do previsto, o aumento 
da temperatura após o ano 2000 foi interrompido 
pelo “hiato no aquecimento”, portanto, prever 
esse tipo de “interrupção” é algo que os modelos 
climáticos não podem fazer.
identificar o câncer de mama. Porém, desde 2007, se sabia 
que o material celular utilizado não era de câncer de mama, 
mas sim de câncer de pele. E o que é pior, vários artigos que 
se referiam à linha celular MDA-MB-435 como de câncer de 
mama continuaram sendo publicados em revistas de renome 
internacional até 2020.
272
273
7 
A INSUSTENTABILIDADE DO 
CAPITALISMO VERDE
 Capitalismo Verde, Economia Verde ou 
Ecocapitalismo, teoricamente é uma tentativa 
de conciliar a lógica de produção capitalista à 
conservação ambiental. Na verdade, é uma das 
falácias do capitalismo para manter em pé sua 
estrutura e funcionamento. O capitalismo verde 
é uma mentira, é algo que não existe, pois nesta 
perspectiva a crise ambiental é o resultado dos 
efeitos colaterais do processo de desenvolvimento 
econômico, portanto, meros ajustes econômicos, 
tecnológicos e demográficos são suficientes para 
superar o problema. Resolve-se a crise sem mudar 
a estrutura do modo de produção prevalente.
 A mudança climática, sim, é real e recebeu 
uma parcela de contribuição da ação humana, 
percentual este que está por trás dos acalorados 
debates nas ciências climáticas. Se a atividade 
humana é culpada, por despejar nos últimos 150 
anos uma quantidade excessiva de CO
2 
na atmosfera 
elevando a temperatura do planeta em cerca de 
1,07º C, o modo de produção capitalista com sua 
operacionalidade alicerçada na racionalidade 
econômica, globalização, lucratividade, exploração 
do trabalho, fundamentado no binômio produção 
e consumo é o grande responsável pela crise 
climática. Tal modelo produz exclusão social, 
274
pobreza, poluição, degradação ambiental, miséria 
e fome. Produz ainda consumismo, opulência,desperdício e, na sequência, perda da qualidade de 
vida.
 O capitalismo verde trata a complexidade 
da crise ambiental como uma questão de 
gestão ambiental. Nessa concepção fortemente 
influenciada pela perspectiva do Desenvolvimento 
Sustentável (DS) o nexo causal entre degradação 
ambiental e produção de riqueza simplesmente 
deixa de existir. Produção e consumo formam um 
ciclo indissociável, de maneira que, sem a realização 
de mudanças estruturais no sistema produtivo, 
de nada adiantará o controle sobre o consumo. 
Portanto, atualmente, quem parece oferecer uma 
alternativa radical ao status de insustentabilidade 
global e que sintetiza os princípios básicos da 
ecologia com a crítica marxista da economia 
política, em teoria, é o chamado “Ecossocialismo”. 
 O Ecossocialismo é um movimento relativamente 
recente, mas alguns dos seus pressupostos básicos 
se encontram nos escritos de Marx e Engels. A 
proposta é recuperar este legado para se efetuar 
uma reestruturação radical da economia de acordo 
com os princípios do planeamento democrático 
ecológico colocando as necessidades humanas e 
do planeta em primeiro plano. Trata-se de uma 
proposta utópica radical, pois ataca a raiz do 
sistema e se distingue tanto das variantes produtivas 
do socialismo do século XX, da social democracia 
ou do comunismo estalinista, tanto quanto das 
correntes ecológicas que contemporizam de uma 
ou de outra forma com o sistema capitalista, 
portanto, não almeja somente a transformação das 
275
relações de produção e consumo, mas sobretudo, 
construir um novo modelo civilizatório que 
leve em consideração a ruptura com o sistema 
capitalista/industrial moderno. Resumidamente, 
“o ecossocialismo implica em uma ruptura com a 
civilização material consumista capitalista. Nesta 
perspectiva, o projeto socialista visa não apenas 
uma nova sociedade e um novo modo de produção, 
mas também um novo paradigma civilizatório”1.
 De modo geral, para o Ecocapitalismo 
ou Capitalismo Verde os problemas ambientais 
são meros efeitos colaterais do desenvolvimento 
econômico que podem ser corrigidos no interior 
do próprio sistema, portanto, a inventividade e 
capacidade de renovação do capitalismo é tal que 
dispensa mudanças mais profundas ou sistêmicas 
bastando apenas ajustes nos níveis de crescimento 
demográfico, na pesquisa e geração de tecnologias 
limpas, na mudança de comportamento e na 
elaboração de leis e normas ambientais mais rígidas. 
Em geral, defende o enfoque de mercado e o livre 
jogo entre produtores e consumidores, tem na 
livre iniciativa o principal agente de sua ação, mas 
não dispensa, obviamente, o papel “coadjuvante” 
do Estado que deve investir em políticas 
públicas para realizar o objetivo de “ecologizar” 
a economia. O Capitalismo Verde caracteriza-
se por ser pragmático, sem influências utópicas 
e por um egoísmo excludente desvinculado de 
quaisquer considerações sociais, e por se apoiar 
1 Michael Löwy. O que é Ecossocialismo? São Paulo: 
Cortez, 2021, p. 36.
276
no pressuposto de que a expansão do mercado, a 
tecnologia e o progresso são remédios universais 
para todos os males, chega a propor que os 
problemas ambientais não são produtos do modelo 
em si, mas inversamente de sua insuficiência.
 O modo de produção prevalente é 
um sistema econômico dedicado ao lucro e à 
acumulação, portanto, tenderá sempre a utilizar 
os ganhos de eficiência ou redução de custos para 
expandir a escala global da produção. A melhoria na 
eficiência acarreta mais expansão econômica, por 
isso, cai por terra o conceito de desenvolvimento 
sustentável (DS)2. 
2 A ideia precursora de DS pode ser creditada ao engenheiro 
florestal norte-americano, Gifford Pinchot (1865-1946). 
Ele era chefe do serviço de florestal dos EUA no século 
XIX e defendia a conservação dos recursos naturais 
apoiado em alguns princípios: o uso racional dos recursos 
naturais, prevenção ao desperdício e o desenvolvimento dos 
recursos naturais para todos e não para poucos cidadãos. 
Gifford foi um dos primeiros a se posicionar contra o 
desenvolvimento a qualquer preço. Um século mais tarde, 
a expressão consolidou-se como uma das palavras de ordem 
contra a degradação ambiental, presente em discursos 
oficiais, extraoficiais e em documentos das conferências 
internacionais, no ativismo ambientalista-ecologista e na 
comunidade científica. O conceito foi utilizado pela primeira 
vez na Assembleia Geral da ONU, em 1979, indicando que 
o desenvolvimento poderia ser um processo integral que 
inclui as dimensões ambientais, éticas e sócio-político-
culturais, e não só econômicas. Em 1983, a ONU cria a 
Comissão Mundial sobre Meio ambiente e Desenvolvimento 
(UNCED). Como presidente da comissão foi designada a 
então primeira-ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland. 
277
 Há, contudo, dentro do capitalismo atual 
aqueles que defendem a opção pelo “decrescimento”. 
O decrescimento é uma teoria econômica radical 
nascida na década de 1970 que em termos gerais, 
significa encolher a economia em vez de crescer 
para se utilizar menos recursos na base da cadeia 
produtiva. Essa premissa fundamentada no 
princípio do decrescimento é uma teoria política 
e econômica que vem ganhando força à medida 
que crescem os temores acerca das catástrofes 
climáticas.
 O termo decrescimento foi cunhado, 
em 1972, pelo filósofo social austríaco-francês 
André Gorz (1923-2007). Como movimento, 
o decrescimento começou a decolar no início 
dos anos 2000. Os protagonistas modernos do 
decrescimento incluem o economista francês 
Serge Latouche, que no livro “Pequeno tratado 
do decrescimento sereno” (2009), argumenta 
que o atual modelo de crescimento econômico é 
Em abril de 1987, a comissão finalmente apresenta o 
relatório Nosso Futuro Comum, que parte do pressuposto 
da necessidade de conciliação entre desenvolvimento 
econômico e conservação ambiental. Nesse contexto, o DS é 
definido vagamente como aquele que atende as necessidades 
do presente sem comprometer as necessidades das gerações 
futuras. Portanto, um conceito que já nasce envolto em muitas 
críticas e uma contradição semântica: desenvolvimento e 
sustentabilidade, uma vez que, encerram um antagonismo de 
difícil solução. Sustentabilidade é um conceito de ecologia, 
que pode significar tendência à estabilidade, equilíbrio 
dinâmico e interdependência entre ecossistemas, enquanto 
desenvolvimento diz respeito ao crescimento dos meios de 
produção, acumulação e expansão das forças produtivas. 
278
insustentável, portanto, para o autor, um novo 
projeto de sociedade é inevitável e urgente, pois 
é preciso realizar rapidamente a transição para 
se evitar as prováveis catástrofes ecológicas e 
humanas. Para Serge Latouche, o decrescimento é 
uma “utopia concreta”. 
 Contudo, em uma sociedade em 
decrescimento quem decide quais bens e serviços 
serão produzidos e quem poderá comprá-los? 
Haverá produção suficiente para atender a 
demanda por determinados produtos? Como evitar 
o surgimento de um mercado de produtos restritos 
apenas a um seleto e rico grupo de consumo?
 Como impor tal modelo aos países pobres 
e em desenvolvimento? Ora, a maior parte das 
emissões de carbono nas próximas décadas virá 
justamente desses países de renda média, como 
Índia, Brasil, China, México, África do Sul e 
Indonésia, entre outros, em vez de países ricos 
como os Estados Unidos e Europa. Nos países 
ricos a transição para a economia descarbonizada 
é paga pelo contribuinte por meio de impostos, 
porém, a substituição da matriz energética a 
base de combustíveis fósseis e energia nuclear 
por gigantescos parques solares e eólicos offshore 
tem elevado muito o preço das tarifas de energia, 
principalmente em países como o Reino Unido, 
França e Alemanha. O desenvolvimento dessas 
fontes ocorre justamente quando os países europeus 
tentam se livrar dos combustíveis fósseis russos, 
incluindo o gás, após a invasão da Ucrânia pela 
Rússia. Desde algumas décadas que o capitalismo 
vem tentandose renovar. Durante a década de 
279
1960, o Banco Mundial - instituição financeira 
internacional que efetua empréstimos a países em 
desenvolvimento, sendo o maior e mais conhecido 
banco de desenvolvimento no mundo, além de 
possuir o estatuto de observador no Grupo de 
Desenvolvimento das Nações Unidas e em outros 
fóruns internacionais, como o G-20 - e diversas 
fundações filantrópicas americanas independentes, 
como as fundações Ford e Rockefeller começaram a 
se concentrar no que consideravam ser o problema 
fundamental das nações em desenvolvimento que 
na época eram chamados de países do Terceiro 
Mundo: a superpopulação. A superpopulação, 
passou a ser apontada como a principal causa da 
degradação ambiental, do subdesenvolvimento 
econômico e da instabilidade política.
 Em 1968, o biólogo americano Paul Ehrlich 
publica o livro “The Population Bomb”, no qual 
sugeriu que já era tarde demais para salvar alguns 
países dos terríveis efeitos da superpopulação, 
do desastre ecológico e na morte de centenas de 
milhões de pessoas em decorrência da escassez de 
alimentos. Segundo o autor, os governos deveriam 
se concentrar na redução drástica das taxas de 
natalidades. Na época, o livro foi muito criticado 
por gente da esquerda e da direita. Os detratores da 
esquerda diziam que ele tinha inspirações nazistas 
em defender o controle populacional. Os da direita 
diziam que suas ideias afrontavam os direitos 
individuais. O livro se transformou em um best-
seller, vendeu mais de 3 milhões de exemplares o 
que lhe rendeu uma enorme fortuna. Seus textos 
estão repletos de previsões catastróficas que até 
agora não se concretizaram, mas pior do que isso 
280
foi o dano que causou à consciência pública e 
política, contribuindo muito para gerar a histeria 
ambiental que vemos dominar o mundo hoje.
 A hipótese da bomba populacional 
defendida por Ehrlich foi um fracasso pelas 
mesmas razões pelas quais Thomas Malthus 
(1766-1834) se equivocou quando publicou “Um 
Ensaio sobre o Princípio da População”, em 1798: a 
engenhosidade humana sempre foi bem-sucedida 
em superar crises que antes pareciam inevitáveis. 
O colapso ambiental e a fome generalizada em 
países “superpovoados” como Índia e China, por 
exemplo, foi frustrada pela Revolução Verde do 
grande agrônomo americano ganhador do Prêmio 
Nobel da Paz, em 1970, Norman Borlaug (1914-
2009). Os experimentos de Borlaug com mutações 
em culturas, sementes de trigo melhoradas, novos 
tipos de semente de arroz de alto rendimento, 
racionalização do uso de fertilizantes e irrigação 
aumentaram drasticamente a produtividade, 
permitindo que países como a Índia, China e 
seus vizinhos alimentassem uma população que 
provavelmente morreria de fome.
 Em 1972, é publicado o livro “Os 
limites do crescimento” ou Relatório Meadows, 
encomendado pelo Clube de Roma3, que tratou 
3 O Clube de Roma é uma organização formada por um 
grupo que reúne para debater um vasto conjunto de assuntos 
relacionados a política, economia internacional e, sobretudo, 
meio ambiente, desenvolvimento sustentável e crescimento 
populacional. Foi fundado em 1968 pelo industrial italiano 
Aurelio Peccei (1908-1984) e pelo cientista escocês 
281
dos possíveis problemas cruciais para o futuro 
desenvolvimento da humanidade: energia, 
poluição, agricultura, saneamento, saúde, 
ambiente, tecnologia e, obviamente, crescimento 
populacional. O livro vendeu mais de 30 milhões 
de exemplares, tornando-se o livro sobre ambiente 
mais vendido da história. Utilizando-se de modelos 
matemáticos, os autores concluíram que o Planeta 
Terra não suportaria o crescimento populacional 
devido à pressão gerada sobre os recursos naturais 
e energéticos e ao aumento da poluição, mesmo 
levando-se em conta os avanços científicos-
tecnológicos. Em maio de 2009, os jornais The 
Wall Street Journal (WSJ) e o The Times de Londres 
publicaram matéria sobre o encontro seleto e 
fechado de um grupo de bilionários: Bill Gates, 
Warren Buffett, David Rockefeller (1915-2017), 
Eli Broad (1933-2021), George Soros, Ted Turner, 
Michael Bloomberg, entre outros. O artigo no 
Times deu a seguinte manchete: “Clube Bilionário 
tenta conter a população”, descrevendo que as 
questões discutidas na pauta ultrassecreta incluíam 
educação e saúde, mas, sobretudo, a necessidade 
da desaceleração do crescimento da população 
global. No WSJ a manchete foi “Bilionários tentam 
diminuir a população mundial, diz relatório”.
 Há quem diga que o problema não é a 
quantidade de pessoas no planeta, e sim seu padrão 
Alexander King (1909 2007). Tornou-se conhecido a partir 
da publicação do Relatório Meadows, elaborado por uma 
equipe do Massachusetts Institute of Technology (MIT), 
contratada pela instituição e chefiada por Dana Meadows 
(1941-2001).
282
de consumo e desperdício de recursos como 
água e comida. Nesse time, está a Organização 
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico 
(OCDE) que em seu relatório “Perspectivas do 
Meio Ambiente para 2030”, prevê que a seca 
prolongada afetará milhões de pessoas, contudo, a 
população não representaria um problema em si. 
As pressões exercidas sobre os recursos naturais 
não vêm do número de habitantes, mas de seus 
hábitos de consumo. Nunca é demais lembrar que 
a OCDE reúne os países mais ricos do mundo, 
justamente aqueles com os padrões de consumo 
mais elevados do planeta.
 Porém, descarbonizar a produção 
inevitavelmente aumentará a pressão sobre os 
recursos minerais de diversas nações como, 
por exemplo, as africanas. Em 2021, a demanda 
global por terras raras atingiu 125.000 toneladas 
métricas. Em 2030, a previsão é de cerca de 315.000 
toneladas 4. EUA, Canadá, Austrália e diversos 
países da União Europeia estão buscando reduzir 
a dependência chinesa como fonte de produção e 
processamento de terras raras. 
 Essa empreitada também está sendo levada 
para as profundezas dos oceanos. A mineração 
do fundo do mar tem potencial para ser uma 
fonte significativa de elementos de terras raras 
4 Baskaran, Gracelin. Could Africa replace China as the 
world’s source of rare earth elements? December 29, 2022. 
Disponível em: https://www.brookings.edu/blog/africa-in-
focus/2022/12/29/could-africa-replace-china-as-the-worlds-
source-of-rare-earth-elements/. Acesso em 20 Jun. 2023.
283
estrategicamente valiosos, os depósitos minerais 
do fundo do mar podem conter mais de 110 
milhões de toneladas de metais. No entanto, 
oceanógrafos, biólogos e outros pesquisadores 
alertaram que esses planos causariam poluição 
generalizada, destruiriam os estoques globais de 
peixes e ecossistemas marinhos, além do risco de 
liberação de grandes quantidades de CO
2 
que estão 
armazenadas nas profundezas dos oceanos. 
 O aumento da demanda por minerais traz 
também algumas “externalidades” ambientais 
negativas5 o que inclui a destruição de ecossistemas, 
poluição, aumento no consumo de combustíveis 
fósseis, impactos na qualidade de vida, entre 
outros. Há uma estimativa de que cerca de 3 
bilhões de toneladas de minerais terão que ser 
extraídos para alimentar a transição energética, 
um aumento “maciço” especialmente para cinco 
minerais críticos: lítio, grafite, cobre, cobalto, 
níquel. A mineração requer a extração de minérios 
sólidos, geralmente após a remoção de grandes 
quantidades de rocha sobrejacente que em seguida 
devem ser processadas, criando uma enorme 
quantidade de resíduos – cerca de 100 bilhões de 
toneladas por ano, mais do que qualquer outro fluxo 
de resíduos produzidos pelo homem, portanto, 
não existe nada de refinado ou sustentável nesses 
empreendimentos. O processo envolve a trituração 
5 Martins, R. C. C.; Rossignoli, M. Desenvolvimento 
econômico sustentável e as externalidades ambientais. 
Disponível em: https://periodicos.unipe.br/index.php/
direitoedesenvolvimento/article/view/578/581. Acesso em 
20 Jun. 2023.
284
de rochas e, em seguida, o uso de uma mistura de 
reagentes químicos, como ácido sulfúrico e nítrico, 
um processolongo e altamente repetitivo que usa 
muitos procedimentos diferentes para obter um 
concentrado próximo a 100% de pureza. Como 
os metais raros se tornaram onipresentes em 
tecnologias verdes e digitais, o lodo extremamente 
tóxico que eles produzem tem contaminado a 
água, o solo e a atmosfera. A mineração é uma das 
atividades mais destruidora e poluente do mundo.
 As tecnologias verdes requerem cada vez 
mais o uso de minerais raros cuja mineração é tudo 
menos limpa. Um dos componentes essenciais 
para a fabricação de baterias de íon-lítio é o cobalto 
(Co) que também é utilizado na fabricação de ligas 
metálicas especiais por ser resistente à corrosão e 
altas temperaturas.
 É preciso não esquecer que as turbinas 
eólicas consomem mais matéria-prima do que 
as tecnologias tradicionais: para uma capacidade 
instalada equivalente, as instalações solares e eólicas 
requerem até 15 vezes mais concreto, 90 vezes mais 
alumínio e 50 vezes mais ferro, cobre e vidro do que 
combustíveis fósseis ou energia nuclear. Portanto, 
é preciso ressaltar que infelizmente estamos sendo 
enganados: as energias renováveis não são limpas 
e verdes e na prática irão se converter em novos 
instrumentos neocolonialistas de exploração de 
commodities dos países emergentes.
 
 Na verdade, a crise ecológica tem 
contribuído muito nos últimos anos para revigorar 
285
o debate acadêmico, científico, ideológico e político 
em torno do conceito de capitalismo e da sua 
relação com a ecologia. Um número crescente de 
cientistas, intelectuais e ativistas consideram que 
responsabilizar a humanidade de maneira abstrata 
é um equívoco, é preciso, portanto, adjetivar essa 
“humanidade”, ou seja, não se pode ocultar o 
obvio e fundamental que é o modo de produção 
prevalente, a distribuição e o consumo, as regras 
políticas, econômicas e financeiras vigentes e, 
quem mais se beneficiam delas.
 O avanço desenfreado do chamado 
Capitalismo Verde ou Sustentável é na verdade 
nada mais do que o mesmo velho e desgastado 
modelo colonialista e extrativista, entretanto, 
com uma nova roupagem ecológica supostamente 
sustentável, mas imperialista, expansionista e 
neoliberal.
 A energia solar e eólica, apesar dos 
grandes avanços científicos e tecnológicos ainda 
apresentam algumas limitações e como todo e 
qualquer empreendimento humano gera algum 
tipo de impacto no ambiente, pois não são 100% 
limpas como erroneamente se supõe. Esse tipo 
de energia é chamada de intermitente, uma vez 
que, é gerada a partir de uma fonte que não pode 
ser armazenada em sua forma original e somente 
pode ser transformada em eletricidade enquanto 
o recurso estiver disponível no sistema de geração 
a menos que se tenha um sistema de backup 
ou armazenamento por meio de bateria, além 
disso dependem exclusivamente das condições 
atmosféricas para produzir energia, portanto, a 
286
geração de energia não pode ser programada com 
antecedência porque o sol nem sempre brilha e o 
vento nem sempre sopra. 
 É um sistema que exige o uso de grandes 
quantidades de terra, os grandes parques de 
geração ocupam vários hectares devido à grande 
quantidade de placas que são instaladas e pela 
presença de gigantescas torres eólicas que não são 
competitivas em termos de custos em relação as 
convencionais, por mais que se diga o contrário. 
Recentemente três empresas comerciais de energia, 
RenewableUK, Energy UK e Scottish Renewables, 
que representam os interesses das empresas de 
energias renováveis do Reino Unido, publicaram 
uma nota em conjunto exigindo do governo 
praticamente mais subsídios para o setor6. 
 A seguir listam-se alguns dos principais 
impactos ambientais produzidos pelas “energias 
verdes”.
 O processo de fabricação das turbinas 
eólicas, além do uso maciço de aço, concreto e outros 
materiais requer quantidades significativas de 
metais pesados tóxicos como neodímio e disprósio 
para os ímãs; problema de descarte, em particular os 
ímãs e as pás maciças; os efeitos de ruído e oscilação 
de luz das turbinas eólicas são um problema sério 
6 Norris, Rob. Energy industry urges Government to reform 
clean power auctions to maximise benefits for consumers. 
04 July 2023. Disponível em: https://www.renewableuk.
com/news/645089/Energy-industry-urges-Government-to-
reform-clean-power-auctions-to-maximise-benefits-for-
consumers.htm. Acesso em 05 Jul.2023.
287
que os arranjos de localização podem resolver 
apenas parcialmente; o problema de descarte de 
resíduos de painéis solares – estimativas de até 78 
milhões de toneladas métricas em todo o mundo 
até 2050, principalmente por causa do chumbo, 
cádmio, cromo e outros metais tóxicos que são 
liberados se os painéis forem quebrados durante o 
processo de descarte; instalações de energia solar 
em grande escala aumentam as temperaturas locais 
criando um efeito de ilha de calor que, embora 
muito menor, é semelhante ao criado por áreas 
urbanas ou industriais (a descoberta desse efeito de 
ilha de calor pode afetar e limitar decisões futuras 
sobre quando, como e onde utilizar ecossistemas 
naturais em instalações solares de grande escala 7); 
consumo excessivo de energia durante o processo 
de fabricação das placas; etapas de fabricação das 
células de Silício desde a extração da matéria-
prima até os vários processos para a sua limpeza e 
purificação causam sérios impactos à fauna e flora 
locais; degradação visual da paisagem; poluição da 
água e do solo já que ocorre emissão de pó de sílica 
na fundição; emissão de hexafluoreto de enxofre e 
tetracloreto de silício na purificação, assim como 
o uso de produtos químicos (ácido clorídrico, 
sulfúrico, nítrico e fluorídrico), altamente tóxicos; 
entre outros. 
 Outro desafio enfrentado pela indústria 
7 Barron-Gafford, G. et al. The Photovoltaic Heat 
Island Effect: Larger solar power plants increase local 
temperatures. Scientific Reports volume 6 nº 35070 (2016).
288
eólica é o potencial das turbinas em afetar 
negativamente a vida dos animais selvagens, 
tanto diretamente, por meio de colisões, quanto 
indiretamente devido à poluição sonora, perda de 
habitat e redução da sobrevivência ou reprodução. 
Entre os animais selvagens mais afetados estão os 
pássaros e os morcegos. 
 Morcegos mortos são encontrados sob 
turbinas eólicas em todo o mundo. 
 Estima-se que dezenas a centenas de 
milhares morram em turbinas eólicas todos os 
anos apenas na América do Norte. 
 Infelizmente, ainda não está claro por 
que isso está ocorrendo, é provável também que 
as turbinas interfiram na migração sazonal e nos 
padrões de acasalamento de algumas espécies. 
 Em janeiro de 2022, segundo o US Wind 
Turbine Database (USWTDB), havia nos EUA 
70.800 turbinas instaladas. 
 Em relação ao desenvolvimento de energia 
eólica offshore, apesar, de não haver estudos 
conclusivos há o problema da mortandade de 
baleias por encalhe próximo desses parques. 
 
289
7.1 O crescente aumento da demanda por 
minerais
 Apesar do alto consumo de combustíveis 
fosseis durante o processo de fabricação dos veículos 
elétricos (VEs), alguns pesquisadores afirmam que 
com o passar do tempo essas emissões de carbono 
seriam compensadas posteriormente pela não-emissão 
durante a rodagem dos veículos pelas estradas. 
 Na Transição para energia limpa, minerais 
críticos trazem novos desafios para a segurança 
energética. 
 Um sistema de energia alimentado por 
tecnologias de energia limpa difere profundamente 
de um alimentado por recursos tradicionais de 
hidrocarbonetos. 
 Usinas solares fotovoltaicas, parques eólicos 
e VEs geralmente necessitam de mais minerais para 
serem construídos do que suas contrapartes baseadas 
em combustíveis fósseis. 
 Um carro elétrico típico requer seis vezes mais 
insumos minerais do que um carro convencional 
e uma usina eólica onshore requer nove vezes mais 
recursos minerais do que uma usina movida a gás8. 
8 International Energy Agency (IEA). Executive 
summaryThe Role of Critical Minerals in Clean EnergyTransitions. Disponível em: https://www.iea.org/reports/
the-role-of-critical-minerals-in-clean-energy-transitions/
executive-summary. Acesso em Jun. 2023.
290
Gráfico 8 - Minerais usados em carros elétricos 
em comparação com carros convencionais. Fonte: 
International Energy Agency 1
1 Ibidem. 
291
Gráfico 09 - Minerais usados em tecnologias de energia 
limpa em comparação com outras fontes de geração de 
energia – Fonte International Energy Agency 1
 Os elementos minerais utilizados variam 
de acordo com a tecnologia em uso. Lítio, níquel, 
cobalto, manganês e grafite são cruciais para 
1 International Energy Agency (IEA). Executive 
summaryThe Role of Critical Minerals in Clean Energy 
Transitions. Disponível em: https://www.iea.org/reports/
the-role-of-critical-minerals-in-clean-energy-transitions/
executive-summary. Acesso em Jun. 2023.
292
o desempenho, longevidade e densidade de 
energia da bateria. Elementos de terras raras são 
essenciais para ímãs permanentes que são vitais 
para turbinas eólicas e motores de VEs. As redes 
elétricas precisam de uma grande quantidade de 
cobre e alumínio, sendo o cobre a pedra angular de 
todas as tecnologias relacionadas à eletricidade. A 
mudança para um sistema de energia limpa deve 
gerar uma enorme pressão sobre os elementos 
naturais. 
 Até meados da década de 2010, para 
a maioria dos minerais, o setor de energia 
representava uma pequena parte da demanda 
total. No entanto, à medida que as políticas de 
transição energética aumentam seu ritmo para se 
livrar do carbono, em um cenário que atenda às 
metas do Acordo de Paris, a demanda por cobre 
e elementos de terras raras poderá aumentar em 
mais de 40% nas próximas décadas, 60-70% para 
níquel e cobalto, e quase 90% para o lítio. No 
entanto, o esforço concentrado para alcançar a 
meta de estabilização do clima abaixo de 2°C, 
para se chegar a zero líquido de carbono até 2050, 
exigiria seis vezes mais insumos minerais do que 
hoje2.
 Nos Estados Unidos, os VEs representam 
atualmente cerca de 2,5% das vendas de carros 
novos, menos de 1% dos cerca de 270 milhões de 
automóveis nas estradas dos Estados Unidos são 
elétricos. No entanto, conseguir que os motoristas 
mudem de veículos movidos a gasolina e diesel 
2 Ibidem.
293
para VE é essencial para que o país alcance a 
neutralidade nas emissões de carbono, por isso o 
atual presidente Joe Biden estabeleceu uma meta 
ambiciosa para que metade das vendas de carros 
novos sejam veículos elétricos, movidos a célula 
de combustível ou híbridos elétricos até 2030 3. 
Contudo, a ambiciosa meta enfrenta obstáculos 
significativos, como o problema da infraestrutura 
de carregamento, receptividade do mercado e 
custos altos dos veículos. Em comunicado em 
conjunto recente, as montadoras Ford, General 
Motors e Stellantis (ex-Fiat Chrysler) anunciaram 
suas aspirações compartilhadas em alcançar as 
metas de emissões zero proposto pelo Acordo de 
Paris.
 Enquanto países da União Europeia 
e da América do Norte têm promovido 
mudanças nas regulamentações para incentivar 
a transição energética, oferecendo benefícios 
para os consumidores e fazendo investimentos 
em infraestrutura de recarga, o Brasil ainda 
não tem uma política nacional que favoreça o 
mercado. Alguns projetos de lei sobre o tema 
foram arquivados enquanto outros seguem em 
tramitação no Congresso Nacional. Em 2017, o 
3 The White House. Fact Sheet: Biden-⁠Harris 
Administration Announces New Private and Public 
Sector Investments for Affordable Electric Vehicles. 
April 17, 2023. Disponível em: https://www.whitehouse.
gov/briefing-room/statements-releases/2023/04/17/fact-
sheet-biden-harris-administration-announces-new-private-
and-public-sector-investments-for-affordable-electric-
vehicles/
294
senador Ciro Nogueira do Partido Progressista 
(PP-PI) propôs o PL nº 304/2017, que iria instituir 
a política de substituição dos automóveis movidos 
a combustíveis fósseis de maneira gradual a partir 
de 2030, com proibição total a partir de 2040. 
A matéria teve parecer favorável da Comissão 
de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), e 
encaminhada à Comissão de Meio Ambiente em 
2020. Porém, perdeu força e acabou arquivada ao 
final da legislatura, em 21 de dezembro de 2022.
 O senador Jaques Wagner (PT/BA) é 
autor do PL nº 2.461/2021, que cria o Programa 
de Modernização Veicular e Mobilidade Elétrica 
(MoVE Brasil) estabelecendo medidas de incentivo 
à substituição dos veículos movidos a combustíveis 
fósseis por veículos de baixa emissão de poluentes, 
e dispõe sobre as regras para a instalação da 
infraestrutura de recarga de veículos elétricos. A 
proposta foi encaminhada para a publicação e está 
em tramitação no Congresso Nacional.
 Em todo o mundo, há uma grande pressão 
para que as montadoras abandonem a fabricação 
de veículos a combustão. A União Europeia vai 
proibir as vendas de carros novos a gasolina e a 
diesel a partir de 2035, Noruega (2025), Coreia 
do Sul (2025), Bélgica (2026), Áustria (2027), 
Eslovênia, Islândia, Holanda, Dinamarca, Irlanda, 
Israel, Suécia e Índia, em 2030, Reino Unido 
(2035), Canadá (2035-2040), China, França, 
Espanha, Egito, Singapura, Sri Lanka e Taiwan 
(2040)4, nos EUA Califórnia, Nova York, Maryland, 
4 Pressman, Matt. Over 25 conuntries and US States are 
295
Massachusetts, Nova Jersey, Oregon e Washington 
(2035). A Agência de Proteção Ambiental (EPA) 
está preparando padrões mais rígidos para 
impulsionar os VEs e eliminar gradualmente 
a venda de veículos com motor de combustão 
interna.
 Vários fabricantes de automóveis, como 
Volkswagen, GM e, claro, Tesla, já começaram a 
construir e investir em novas fábricas de baterias e 
carros elétricos para atender os planos do governo. 
A Tesla está a caminho de concluir duas novas 
fábricas até o final deste ano. Uma fica perto de 
Berlim, na Alemanha, que atenderá o mercado 
europeu. A outra fica em Austin, Texas, que será 
o primeiro e principal local de produção do tão 
aguardado Cybertruck. Desnecessário dizer que 
a maioria das montadoras tradicionais não teria 
acelerado seus planos de carros elétricos sem a 
pressão adicional de vários governos impondo 
proibições aos veículos a combustão. Mas, uma 
coisa é certa e inevitável: é apenas uma questão 
de tempo para os carros elétricos assumirem o 
controle. Enquanto isso o governo Biden tenta 
melhorar as vendas por meio de subsídio de até 
US$ 7.500 para a compra de carro elétrico. A Lei de 
Redução da Inflação 5, uma importante lei climática 
planning to ban gasoline powerer cars. March 01, 2023. 
Disponível em: https://evannex.com/blogs/news/over-
25-countries-and-us-states-are-planning-to-ban-gasoline-
powered-cars. Acesso em 19 Jun. 2023.
5 The White House. Inflation Reduction Act (IRA). August 
16, 2022. Disponível em: https://www.whitehouse.gov/
cleanenergy/inflation-reduction-act-guidebook/ Acesso em 
296
aprovada, reformulou drasticamente o crédito 
fiscal existente para a compra de veículos elétricos. 
Os créditos visam tornar os veículos elétricos mais 
baratos e, portanto, mais atraentes para o plano do 
governo para combater as mudanças climáticas. 
 
7.2 A guerra na Ucrânia e a crise 
energética
 O conflito entre Rússia e Ucrânia, 
deflagrado em fevereiro de 2022, vem causando 
reflexos negativos na economia de vários países 
e no comércio global entre as nações. O embate 
bélico parece estar longe de terminar. A crise 
desencadeada entre os dois países colocou os 
mercados de energia da Europa em situação muito 
complicada com a Rússia deixando de fornecer gás 
para os europeus.
 A guerra, segundo a presidente da 
Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, não 
foi desencadeada somente contra a Ucrânia, mas 
contra a economia, a energia e o futuro da Europa. 
França, Holanda, Irlanda e vários outros países da 
UE, apesar da relutância inicial, concordaram em 
apoiar uma proposta da Comissão Europeia para 
aumentar a meta de energia renovável do bloco 
de 32% para 45% até

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