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Número: 1075157-73.2023.4.01.3400 
 
Classe: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 
 Órgão julgador: Juizado Especial Cível Adjunto à 3ª Vara Federal da SJDF 
 Última distribuição: 
 Valor da causa: 
 Assuntos: Fies 
Segredo de justiça? 
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? 
 
Partes Procurador/Terceiro vinculado 
 (AUTOR) (ADVOGADO) 
FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA 
EDUCACAO (REU) 
 
BANCO DO BRASIL SA (REU) 
 
UNIÃO FEDERAL (REU) 
 
 Documentos 
Id. Data da 
Assinatura 
Documento Tipo Polo 
212450296 
0 
08/05/2024 18:08 Sentença Tipo A 
 
 Sentença Tipo A Interno 
 
 
PODER JUDICIÁRIO 
JUSTIÇA FEDERAL 
Seção Judiciária do Distrito Federal 
Juizado Especial Cível Adjunto à 3ª Vara Federal da SJDF 
 
 
 
 
 
13/05/2024 
Justiça Federal da 1ª Região 
PJe - Processo Judicial Eletrônico 
Assinado eletronicamente por: RAQUEL SOARES CHIARELLI - 08/05/2024 18:08:16 Num. 2124502960 - Pág. 1
https://pje1g.trf1.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=null 
Número do documento: null 
 
SENTENÇA TIPO "A" 
PROCESSO: 1075157-73.2023.4.01.3400 
CLASSE: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL (436) 
POLO ATIVO: THIAGO NEVES GOMES 
REPRESENTANTES POLO ATIVO: ALCIDES MARTINHAGO JUNIOR - PR99224 
POLO PASSIVO:FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCACAO e 
outros 
 
 
SENTENÇA 
 
 
 
VISTOS EM INSPEÇÃO. 
 
A parte autora objetiva obrigar os requeridos a realizarem a revisão do seu 
contrato de FIES, a fim de que seja aplicada taxa de juros igual a zero sobre o saldo 
devedor consolidado desde a assinatura do contrato. Subsidiariamente, requer que a 
aplicação da taxa 0% desde a entrada em vigor da Lei nº 13.530/2017. 
Alternativamente, que a aplicação dos juros 0% sobre o saldo devedor consolidado na 
data de propositura da presente demanda. Também requer que sejam abatidos do 
saldo devedor atualizado os valores pagos à maior pelo Requerente e a readequação 
das parcelas do financiamento. 
 
Há muito está consolidado o entendimento jurisprudencial segundo o qual 
são legitimados para figurar no pólo passivo das demandas que envolvem o FIES tanto 
o FNDE quanto a instituição financeira contratada. 
 
Por outro lado, “a atribuição da União Federal para a formulação de 
política de oferta de financiamento estudantil e a supervisão das operações do fundo 
(art. 3º, I, da Lei 10.260/2001, com redação dada pela Lei 12.202/2010), não lhe confere 
interesse ou legitimidade na demanda em que se discute a legalidade de cláusulas 
contratuais atinentes aos juros e à atualização da dívida objeto do mútuo. Ilegitimidade 
passiva da União reconhecida, para determinar sua exclusão da lide”(AC 0005857-
23.2009.4.01.3500, DESEMBARGADORA FEDERAL DANIELE MARANHÃO COSTA, 
TRF1 - QUINTA TURMA, e-DJF1 04/06/2018 PAG.). 
 
Portanto, acolho apenas a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada 
pela União. 
 
No mérito, com razão a parte autora. 
 
A Lei n. 13.530/2017 promoveu alterações significativas na Lei n. 
10.260/2001, dentre estas, a inclusão do art. 5º-C, cujo inciso II, prevê taxa de juros 
real igual a zero para os financiamentos concedidos a partir do primeiro semestre de 
2018. In verbis: 
 
Assinado eletronicamente por: RAQUEL SOARES CHIARELLI - 08/05/2024 18:08:16 Num. 2124502960 - Pág. 2
https://pje1g.trf1.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=null 
Número do documento: null 
Art. 5º-C. Os financiamentos concedidos a partir do primeiro semestre de 
2018 observarão o seguinte: 
 
(...) 
 
II - taxa de juros real igual a zero, na forma definida pelo Conselho 
Monetário Nacional; 
 
A mesma Lei n. 13.530/2017 alterou a redação do art. 5º, caput e §10, da 
Lei n. 10.260/2001. Confira-se: 
 
“Art. 5º Os financiamentos concedidos com recursos do Fies até o 
segundo semestre de 2017 e os seus aditamentos observarão o seguinte: 
 
§ 10. A redução dos juros, estipulados na forma estabelecida pelo inciso II 
do caput deste artigo, ocorrida anteriormente à data de publicação da 
Medida Provisória nº 785, de 6 de julho de 2017, incidirá sobre o saldo 
devedor dos contratos já formalizados. 
 
(destaquei) 
 
Considerando, pois, que o inciso II do caput do art. 5º trata sobre os “juros, 
capitalizados mensalmente, a serem estipulados pelo CMN”, não se pode negar que a 
nova legislação pretendeu expressamente permitir que os contratos antigos 
(concedidos até o segundo semestre de 2017) também fizessem jus à “taxa de juros 
real igual a zero”, conforme inciso II do art. 5º-C, da Lei n. 10.260/2001, incidente 
sobre o saldo devedor existente na data de entrada em vigor da Lei n. 
13.530/2017. 
 
Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para determinar a 
revisão do contrato FIES acima especificado, a fim de que seja aplicada taxa de juros 
igual a zero sobre o saldo devedor consolidado desde a entrada em vigor da Lei n. 
13.530/2017 e, ainda, que seja recalculado o saldo devedor apurado desde, com a 
compensação dos valores pagos a maior pelo Requerente e a readequação das 
parcelas do financiamento. 
 
Extinto o feito com relação à UNIÃO (art. 485, VI, CPC). 
 
Sem condenação ao pagamento de custas e honorários, nos termos do 
art. 55 da Lei nº 9.099/95. 
 
Intimem-se. 
 
Brasília/DF, datado e assinado digitalmente.

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