Prévia do material em texto
AA FFUUNNÇÇÃÃOO DDAASS FFIINNAANNÇÇAASS OOBBJJEETTIIVVOOSS DDEE AAPPRREENNDDIIZZAAGGEEMM • Saber qual é a relação da economia e mercado com a função �nanceira da empresa. • Aplicar os conhecimentos dos cálculos �nanceiros para as decisões de investimentos e �nanciamentos na empresa. • Conhecer de que forma a empresa realiza os investimentos em projetos de renovação e expansão. • Elaborar estudos práticos com cálculos na HP 12C para aplicar as decisões de �nanciamentos e investimentos na empresa. • Analisar projetos com aplicação das ferramentas de Análise do Valor Presente Líquido. • Avaliar a melhor opção em compras de insumos utilizando a metodologia do PV – Valor Presente da Matemática Financeira. • Analisar projetos com aplicação das ferramentas de Análise da Taxa Interna de Retorno. • Compreender a melhor decisão na escolha entre dois projetos de investimentos da empresa. AA ppaarrttiirr ddaa ppeerrssppeeccttiivvaa ddoo ssaabbeerr--ffaazzeerr,, nneessttee ccaappííttuulloo vvooccêê tteerráá ooss sseegguuiinntteess oobbjjeettiivvooss ddee aapprreennddiizzaaggeemm:: 11 CCOONNTTEEXXTTUUAALLIIZZAAÇÇÃÃOO O papel do administrador �nanceiro é prover oportunidades para que a empresa alcance os melhores resultados na gestão dos seus ativos �nanceiros. Neste sentido, é primordial que o gestor �nanceiro, além de utilizar as informações contábeis, que foram estudadas no Capítulo 1 deste livro de estudos, busque aprimorar e aplicar os seus conhecimentos especi�camente na área de �nanças. Por isso, apresentaremos a você as principais funções do administrador �nanceiro e sua relação com a contabilidade, com a economia e com o mercado. Assim, a importância da disciplina Finanças Corporativas está na necessidade de aperfeiçoar e atualizar constantemente as empresas e os pro�ssionais envolvidos na gestão �nanceira no que diz respeito às informações cruciais sobre o mundo dos negócios. As empresas podem ser vistas como sistemas globalizados, cujos propósitos se vinculam à interação de mercados nacionais e internacionais na busca da otimização de resultados econômicos. Tal observação nos leva a entender os motivos pelos quais esse estudo é recomendado no trabalho empresarial. Para tanto, há a necessidade de aprimorar seus conhecimentos sobre o cálculo da in�ação, bem como sua aplicação e impacto no resultado da empresa. É fundamental conhecer o mecanismo do cálculo da in�ação por causa da desvalorização da moeda nacional ao longo do tempo. Os valores investidos na empresa sofrem a desvalorização e tornam necessário o reajuste do preço de vendas dos produtos. Uma das ferramentas é a aplicação dos conceitos da matemática �nanceira. Além da apuração do custo do dinheiro no tempo, apresentaremos neste capítulo as vantagens de se conhecer essa ferramenta na negociação das compras das matérias-primas. Con�ra, é muito interessante. Ao �nal, ainda com a utilização da matemática �nanceira, estudaremos o comportamento dos projetos de investimento e sua aplicação para compreender o comportamento da Taxa Interna de Retorno (TIR) no Valor Presente Líquido (VPL). 22 OORRGGAANNIIZZAAÇÇÃÃOO DDAA FFUUNNÇÇÃÃOO FFIINNAANNCCEEIIRRAA Muitas vezes nos questionamos sobre o que representam as Finanças e qual sua relação com as atividades das empresas, ou das pessoas, uma vez que esta área envolve a gestão dos recursos �nanceiros. Para as empresas, as Finanças possuem relação com a estrutura do capital investido, e se esse capital investido gera o retorno desejado. A análise do retorno desejado nesses investimentos dá-se com a aplicação de ferramentas de avaliação, como Payback Descontado, Taxa Interna de Retorno, entre outras ferramentas. As decisões de investimentos são as ações realizadas na escolha da melhor alternativa para a aplicação dos recursos disponíveis, tanto no ambiente interno quanto no externo da organização, objetivando benefícios �nanceiros futuros, já considerando a análise de risco e retorno. Portanto, Finanças é uma área em que se necessita de conhecimentos e práticas das pessoas envolvidas com essas atividades, que contribuem para agregar valor ao capital investido. Contudo, é importante sempre estar alerta para que a busca pela excelência nos resultados econômicos seja sempre cumprida com respeito à ética empresarial. Ross, Wester�eld e Jordan (2002, p. 23) corroboram que “na terminologia das �nanças, ao se fazer investimento em ativos, tais como estoques, máquinas, instalações e mão de obra, o montante de dinheiro aplicado em ativos deve ser contrabalançado por um montante equivalente em termos de �nanciamento”. Isso signi�ca que as origens dos recursos �nanceiros necessários para investimentos podem advir dos recursos dos sócios sob a forma de Capital Social (Capital Próprio) ou de empréstimos e �nanciamentos, como Capital de Terceiros. Dando continuidade, Gropelli e Nikbakht (2005, p. 3-4) a�rmam que: Finanças é a aplicação de uma série de princípios econômicos e �nanceiros para maximizar a riqueza ou o valor total de um negócio. Mais especi�camente, ao usar o valor presente líquido (�uxo de caixa futuro, descontado o valor presente menos os custos originais) para medir a rentabilidade, uma empresa maximiza a riqueza investindo em projetos e adquirindo ativos cujos retornos combinados produzem os lucros mais altos possíveis com menores riscos. Na realidade, ninguém realmente sabe quando a riqueza máxima é atingida, embora ela seja entendida como a meta �nal de toda empresa. Uma maneira de descobrir a riqueza de uma empresa é por intermédio do preço de sua ação ordinária. Podemos compreender que a gestão das �nanças nas empresas envolve um conjunto de conhecimentos voltados para otimizar os valores investidos nas empresas. Com isso, buscou-se a contribuição de Ross, Wester�eld e Jordan (2002, p. 23), que reforçam essa ideia: Imaginemos que você decida montar uma empresa para fabricar bolas de tênis. Para esse �m, contrata gerentes para adquirir matéria-prima e organiza um grupo de empregados para produzir e vender as bolas de tênis. Na terminologia de �nanças, faz investimento em ativos, tais como estoques, máquinas, instalações e mão de obra. O montante de dinheiro aplicado em ativos deve ser contrabalançado por um montante equivalente em termos de �nanciamento. Ao começar a vender bolas de tênis, sua empresa estará gerando caixa. Essa é a base da criação de valor. A �nalidade da empresa é criar valor para você, seu proprietário. O valor está re�etido no arcabouço do modelo simples de balanço patrimonial da empresa. É perfeitamente notório que a essência dos estudos das �nanças nas empresas está unicamente relacionada com o objetivo de gerar riqueza em relação ao valor investido. Em outras palavras, em Finanças nas empresas, o objetivo é gerar caixa e aumentar a riqueza do investidor, pois ao se investir em um mercado capitalista, o foco é o aumento no retorno de investimentos. 22..11 RREELLAAÇÇÃÃOO CCOOMM AA EECCOONNOOMMIIAA Os estudos da área de �nanças estão profundamente interligados com os estudos da economia. Dessa forma, o estudo da economia, os movimentos dos mercados internacionais e a política econômica de vários países são fatores fundamentais para que o gestor �nanceiro possa pautar as suas decisões. O mercado de commodities, por exemplo, tem profunda in�uência na economia e nas empresas. Um exemplo de commodities que tem impacto direto nos resultados das empresas é o petróleo, que é cotado no mercado internacional e seu valor re�ete na bomba de combustível, que, por sua vez, tem impacto no valor do frete de transporte de produtos, do transporte coletivo urbano, interurbano e interestadual, entre outros. O motivo é bem simples, como o valor do custo do frete está diretamente relacionado com o valor do produto posto no cliente, isso representa um impacto na margem de lucro gerado na venda do produto. O equilíbrio para essa disparidadeentre receita e custo está no ajuste de preços dos produtos da empresa (aumento dos preços), visto que geralmente as empresas não absorvem os impactos dos custos dos produtos e serviços controlados pelo mercado. Em Economia, isso se chama Paridade do Poder de Compra, pois as variações cambiais nos commodities exercem impacto nos preços de vendas no mercado internacional. Vejamos um exemplo: o valor da venda é de R$ 100.000,00, os custos da produção são de R$ 65.000,00 e as despesas gerais e administrativas representam o valor de R$ 15.000,00. Por sua vez, o valor gasto na entrega do produto ao cliente é de R$ 500,00, logo, o lucro da venda é de R$ 19.500,00. No entanto, se houver uma majoração do valor do frete de R$ 500,00 para R$ 1.000,00, o valor do lucro reduz para R$ 19.000,00. O valor de R$ 500,00 que representa um aumento nos gastos realizados para a entrega do produto ao cliente inicialmente era de 0,50% (R$ 500,00 / R$ 100.000,00) e aumentou para 1,00% (R$ 1.000,00 / R$ 100.000,00). Esse mesmo valor do gasto com frete em relação ao valor do lucro, que antes era de 2,56% (R$ 500,00 / R$ 19.500,00), agora mais que dobrou o gasto com frete em relação ao novo valor do lucro gerado, passando para 5,26% (R$ 1.000,00 / R$ 19.000,00). Faça as contas, �ca o desa�o. Isso ocorre pela proporcionalidade inversa do lucro ser menor que o valor gasto do frete, se compararmos o valor gasto do frete em relação às vendas. O valor das vendas está inalterado de um cenário para outro, e o valor do lucro reduz de um cenário para outro. Por isso, o administrador �nanceiro deve conhecer economia, custos, �nanças, contabilidade e inúmeras outras áreas para que possa criar novos cenários e assim tomar decisões mais e�cazes para o bom desenvolvimento da empresa e melhor lucratividade. Vejamos! Como fazer com que esse valor do frete, que sofreu alteração pelo valor do petróleo negociado no mercado internacional, não tenha tanto impacto no resultado da empresa? Vamos conhecer as relações da área de �nanças com o mercado, cliente, preço e qualidade. Temos de avaliar o poder de decisões do gestor �nanceiro, que também exercerá in�uência na negociação das compras e na negociação das venda com sugestões de taxas de juros a serem negociadas, entre outras. 22..22 RREELLAAÇÇÃÃOO CCOOMM AA CCOONNTTAABBIILLIIDDAADDEE O administrador �nanceiro sempre deve tomar as decisões com base nas informações geradas pela contabilidade. Não existe outra ferramenta a não ser o Balanço Patrimonial, que permite identi�car a estrutura patrimonial e �nanceira da empresa, a Demonstração do Resultado do Exercício, que permite apurar o resultado econômico da empresa, e os demonstrativos contábeis complementares que a contabilidade fornece, como a DVA (Demonstração do Valor Adicionado), que permite identi�car a riqueza gerada e aplicada pela empresa, e a DFC (Demonstração do Fluxo de Caixa), que permite identi�car o valor do caixa operacional gerado pela empresa. Você deve se perguntar se há valores que não são contabilizados e que podem exercer in�uência signi�cativa nas decisões do gestor �nanceiro. Sim. Por exemplo, a perspectiva do aumento da taxa cambial do dólar futuro, se a empresa importa 70% de toda a matéria-prima para a produção.Essas previsões podem estar registradas no Orçamento Empresarial, mas não na Contabilidade, pois a Contabilidade registra eventos passados. Por esse motivo, o gestor �nanceiro deve conhecer inclusive a Controladoria e o Orçamento Empresarial. Isso pode gerar um equívoco em compreender o campo de atuação do gestor �nanceiro? Precisamos ter esse cuidado, enquanto o contador evidencia fatos passados, também deverá ajudar o gestor �nanceiro nas previsões orçamentárias de acordo com o orçamento de tendências (que é a análise da ocorrência dos resultados anteriores que potencialmente podem exercer in�uência nas previsões futuras). Na visão de Groppelli e Nikbakht (2005, p. 13): Administradores �nanceiros empregam os contadores para preparar os demonstrativos �nanceiros que fornecem informações sobre a lucratividade – Demonstrativo do Resultado do Exercício – e sobre a posição �nanceira da empresa – Balanço Patrimonial. Já o Demonstrativo de Fluxo de Caixa é um relatório que fornece uma análise detalhada da maneira como o caixa foi gerado e indica como foi utilizado na condução de cada fase do negócio. Como consequência, esse demonstrativo fornece outra ferramenta importante para os administradores que procuram controlar e entender os fatores externos e as políticas internas que in�uenciam os �uxos de caixa da empresa. Isso signi�ca que é o contador que deverá gerar as informações para que o gestor �nanceiro possa executar os diversos cenários possíveis que possam in�uenciar as atividades da empresa, interpretando e prospectando esses cenários. É possível a�rmar que a área da Contabilidade e a área das Finanças sempre devem trabalhar juntas. 22..33 FFUUNNÇÇÕÕEESS DDOO GGEERREENNTTEE FFIINNAANNCCEEIIRROO A macroeconomia e os fatores macroambientais afetam todas as empresas e não especi�camente uma ou outra em especial. Os fatores microambientais estão sujeitos às atividades internas da empresa, por exemplo, contratos de pessoal, processos administrativos e de produção, políticas de marketing, entre outros. Neste ambiente, o gestor �nanceiro possui controle das ações e encontrará os potenciais e fragilidades que poderão bene�ciar ou prejudicar os negócios da empresa. Por sua vez, os fatores macroambientais da empresa estão relacionados com o mercado externo, por exemplo, a política tributária e econômica em que a empresa está sujeita e não possui controle sobre essas ações. Por isso, não adianta o gestor �nanceiro deixar de admitir eventuais fracassos nas suas decisões, uma vez que surgem situações novas que podem ocorrer sem que a empresa ou a pessoa no papel do gestor �nanceiro possa ter gerência. A Contabilidade Gerencial engloba a contabilidade �nanceira, aliada com cálculos da previsão dos custos e ponto de equilíbrio, para que os gestores possam tomar decisões com base em números que estão além da contabilidade tradicional. Por exemplo, o lucro gerado por região onde a empresa possui negócios. A informação do lucro está na DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) e deve ser distribuído de acordo com a região. Esta é única e exclusivamente para o uso interno da diretoria ou gerência. A Contabilidade Financeira é elaborada para os usuários externos e os relatórios são elaborados e dispostos de acordo com a legislação em vigor. Uma greve de alguma categoria pro�ssional ou uma pandemia gerada por algum tipo de contágio que afeta a saúde pública e necessite isolar ou fechar fronteiras, não está sob a alçada dos gestores das empresas. Nestes casos, muitas decisões são provocadas pelos governantes públicos com o objetivo de evitar ao máximo consequências danosas na saúde das pessoas e preservar vidas. No entanto, estas decisões podem provocar impactos na economia e na saúde �nanceira da empresa. Como contornar isso? Possivelmente, com a manutenção das reservas �nanceiras ao longo do tempo. Outros fatores, como novas tecnologias para o controle e gestão da produção, logística, custos de transporte e armazenagem, custos dos produtos, podem gerar diferenciais nos resultados das empresas. Hoji (2000, p. 25) reforça que “a administração �nanceira dentro de uma empresa é exercida por pessoas ou grupo de pessoas que podem ter diferentes denominações, como: vice-presidente de �nanças, diretor �nanceiro, controller e gerente �nanceiro”. 22..33..11 MMeettaa ddoo ggeerreennttee ffiinnaanncceeiirroo Uma das principais metas do gestor �nanceiro com relação ao controle �nanceiro está em avaliar a necessidade da captação de novos recursos �nanceiros frente às variações dos custos da produção da empresa, impactos, como a variação do preço do barril de petróleo ou da taxa de câmbio.A margem de lucro poderá ser afetada por esses fatores, assim como decisões governamentais com alterações nas alíquotas dos impostos ou encargos trabalhistas. Utilizando como exemplo os impostos das vendas, esses são variáveis e se o governo decidir aumentar as alíquotas dos impostos, haverá menor margem de lucro gerado, pois nem sempre é possível uma empresa aumentar os preços de vendas. No caso contrário, a empresa terá maior sobra no lucro do produto e o aumento na lucratividade da empresa se tornará melhor. Outro aspecto importante é a análise do mercado que o gestor �nanceiro deve realizar, pois em vários momentos a concorrência poderá in�uenciar na determinação dos preços dos produtos na sua empresa, e também afetará a margem da lucratividade da empresa. O gestor �nanceiro, com os demais membros da equipe da direção da empresa, deverá saber o que o cliente deseja encontrar, se é meramente o preço ou a qualidade do produto. O que não pode ocorrer é pensar que todo o conhecimento adquirido junto ao cliente seja o su�ciente para criar um cenário. Isso não é verdade, as reações e as emoções das pessoas alteram a cada momento, e, nesse caso, a experiência adquirida no passado ajuda, mas não substitui a necessidade em acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor. O gestor �nanceiro deve ter o preparo su�ciente em um campo chamado “negociação”, pois o relacionamento com as instituições �nanceiras deve ser o mais próximo possível, mas sempre preparado em negociar as melhores linhas de crédito para a empresa, objetivando reduzir ao máximo o impacto dos gastos de �nanciamento no resultado da empresa. O gestor �nanceiro deve ter conhecimento sobre o risco �nanceiro. Em muitos casos, as alterações das taxas básicas de juros podem in�uenciar decisões, que envolvem decidir entre manter uma reserva �nanceira emergencial, mesmo que a rentabilidade não seja interessante, ou investir na produção da empresa. Outro aspecto que o gestor �nanceiro deverá conhecer, mas não necessariamente dominar, é o planejamento tributário, pois junto ao seu contador, deverá compreender qual é o melhor enquadramento tributário da empresa, se é o Lucro Real ou o Lucro Presumido, em função da opção limitada ao teto do faturamento anual. Acesse o seguinte link e avalie os tipos de enquadramento tributário para �ns de conhecimento. Para maiores detalhes, converse com o seu contador. Disponível em: hhttttpp::////wwwwww..ppoorrttaallttrriibbuuttaarriioo..ccoomm..bbrr. Cada tipo de enquadramento tributário possui diferentes alíquotas e condições para o crédito tributário nas compras das matérias-primas e o débito tributário nas vendas dos produtos. 22..33..22 MMaaxxiimmiizzaarr aa rriiqquueezzaa ddoo aacciioonniissttaa O que se espera do ‘valor percebido’ para o cliente é a satisfação que determinado produto ou serviço tenha proporcionado com relação a quanto o cliente pagou por ele. Frequentemente, pensamos que o preço do produto mais barato irá satisfazer as necessidades do cliente. Isso nem sempre é possível, pois as necessidades e o poder aquisitivo das pessoas são totalmente diferentes. Talvez possamos relacionar com a tomada de preços, muito utilizada em processo de licitação de obras ou serviços públicos, mas pode muito bem se adequar à iniciativa privada. Realizar cotações é interessante, porém, deve-se atribuir o conceito de “custo“ pelo retorno da qualidade gerada. Se o cliente necessita do conserto de um encanamento e paga R$ 50,00 a valores atuais e logo estragou, esse serviço tornou-se extremamente caro para o cliente, não pelo valor desembolsado apenas, mas por todo o novo transtorno em reservar tempo, limpeza e falta de oportunidade para desenvolver o trabalho em decorrência do aguardo da disponibilidade do serviço do encanador. http://www.portaltributario.com.br/noticias/lucroreal_presumido.htm http://www.portaltributario.com.br/noticias/lucroreal_presumido.htm Responder Outrossim, se o serviço realizado por outros pro�ssionais tivesse sido cobrado por R$ 150,00 e não tivesse ocorrido nenhum problema posterior, signi�ca que o valor agregado ao cliente superou todas as suas expectativas e a margem de lucro da empresa potencialmente pode ser maior. Geralmente isso ocorre, o tipo e o valor dos materiais utilizados podem ser os mesmos, mas a técnica na execução do serviço por esses pro�ssionais é diferente. O valor que pode ser aceitável passa por alguns fatores, como a base de experiência do cliente com determinado setor do mercado e com as mercadorias (o cliente sabe o que quer em termos de qualidade, preço e tecnologia). Os gestores das empresas, inclusive o gestor �nanceiro, possuem várias di�culdades ao �xar metas para a empresa como um todo. Isso é motivado fundamentalmente por in�uência do marketing, que provoca as rápidas mudanças e necessidades dos clientes. Sistemas contábeis mais so�sticados requerem plataformas robustas para que possam funcionar. Por exemplo: na internet, atualmente, usa-se �bra ótica, tecnologia 5G, entre outras tecnologias. Quanto custa atualizar os sistemas? Esse valor é compensado ao longo do tempo de uso? Há a necessidade de atualização constante? Essas e outras indagações in�uenciam diretamente as decisões do gestor �nanceiro, que não conseguirá ser um verdadeiro expert em todas as áreas do conhecimento. Por isso, esse pro�ssional precisa conversar com todos os níveis da direção da empresa. 11 OOss eessttuuddooss ddaa áárreeaa ddee ��nnaannççaass eessttããoo iinntteerrlliiggaaddooss ccoomm ooss eessttuuddooss ddaa eeccoonnoommiiaa?? Responder 22 NNoo ccaassoo ddee uummaa ggrraavvee ccrriissee nnoo mmeerrccaaddoo,, ggeerraaddaa ppoorr aallgguummaa ppaannddeemmiiaa oouu rreessttrriiççõõeess ddee mmeerrccaaddoo,, ooss ggeessttoorreess ssee vveeeemm eennvvoollvviiddooss ccoomm ddiiffíícceeiiss cceennáárriiooss ppaarraa aa ggeerraaççããoo ddoo ccaaiixxaa.. PPaarraa eevviittaarr oo aauummeennttoo ddoo eennddiivviiddaammeennttoo éé ssaalluuttaarr ttoommaarr aallgguummaass pprroovviiddêênncciiaass aaoo lloonnggoo ddoo tteemmppoo.. CCoommoo ccoonnttoorrnnaarr iissssoo?? 33 CCÁÁLLCCUULLOOSS FFIINNAANNCCEEIIRROOSS Um dos principais “vilões” da economia e principalmente das �nanças é a in�ação. Por isso, estudaremos alguns aspectos conceituais e um modelo conceitual para a apuração da in�ação interna da empresa. É uma proposta real e aplicável, pois o índice o�cial da in�ação divulgado pelo Banco Central nem sempre está de acordo com a realidade da empresa. Assim, o modelo apresentado neste livro contribuirá para as projeções �nanceiras futuras e oportunizará reajustes dos preços sugeridos de vendas. Outro ponto importante está relacionado com a diferença existente entre os prazos negociados junto aos fornecedores e os prazos de vendas concedidos aos clientes, que se tornam relevantes na medida em que os valores são in�uenciados pelo custo do dinheiro no tempo. Isso signi�ca que os prazos obtidos nas compras dos fornecedores, no pagamento dos salários e encargos sociais que incidem na folha de pagamento, dos tributos, entre outros e os prazos para recebimento dos valores das vendas devem ser considerados nos cálculos dos preços sugeridos de venda. Com isso, aumenta a responsabilidade e a preocupação do gestor �nanceiro em conhecer profundamente esse tema. 33..11 DDEEFFIINNIIÇÇÃÃOO DDEE IINNFFLLAAÇÇÃÃOO A in�ação é de�nida como o aumento generalizado e constante dos preços (dos custos, dos serviços, dos produtos), resultando na perda do poder aquisitivo da moeda. É considerada apenas um fenômeno monetário, causada pelas novas emissões do papel-moeda pelo Banco Central do país, que injetadas no sistema �nanceiro, elevam os meios de pagamentos, sob a rápida propagação do efeito multiplicador da moeda escritural. Também pode ocorrer com o aumento de dé�cit público. Na sociedade civil, tambémé forte o impacto da in�ação, pois se a renda das famílias reduz, estas deixarão de consumir produtos ou serviços mais caros e de qualidade superior e migrarão para o consumo de produtos com menor valor agregado, que irão satisfazer as necessidades básicas. Famílias com renda elevada conseguem administrar melhor essa situação. Hoji (2000, p. 55) a�rma o seguinte: “pode-se de�nir a in�ação, de forma simplista, como sendo o aumento generalizado de preços, que provoca a redução do poder aquisitivo da moeda. Se ocorrer a redução generalizada de preços, esse fenômeno econômico se chama de�ação”. Se a in�ação provoca o aumento de preços, a redução da in�ação também pode provocar impacto na economia. No Brasil, onde os preços variaram em torno de 80% ao mês, em 1994, e, atualmente, chegaram a patamares de menos de 10% ao ano, pode ocasionar, segundo Silva e Jorge (1999, p. 231-232): 1. Uma ameaça para o sistema bancário, em virtude da perda dos rendimentos derivados da aplicação �nanceira dos saldos de contas de depósitos à vista de seus correntistas, saldos estes não remunerados ou não corrigidos. 2. Uma oportunidade para as empresas mais competitivas, em virtude da maior facilidade de comparações de preços por parte dos consumidores, em situação de maior estabilidade de preços. 3. Oportunidade para vendas a prazo, em virtude de maior previsibilidade por parte dos demandantes. 4. Oportunidades para negócios que competem com grandes supermercados, diante do fato de que, sob condições de estabilidade de preços, os consumidores podem mudar de hábito, passando de uma prática de realização de grandes compras mensais para outras de compras amiúde. Neste caso, poderão ser bene�ciados os empreendimentos menores, estrategicamente localizados junto à sua clientela. In�ação é o aumento generalizado de preços, que provoca a redução do poder aquisitivo da moeda. De�ação é a redução generalizada de preços. Estag�ação é a situação em que o produto nacional (ou produto per capita) não mantém nível de crescimento à altura do potencial econômico do país. 33..22 CCOONNSSEEQQUUÊÊNNCCIIAASS DDAA IINNFFLLAAÇÇÃÃOO Os danos causados pela in�ação são tremendamente devastadores à economia de uma nação, da família e das empresas. Por isso, o gestor �nanceiro deve acompanhar constantemente os efeitos in�acionários, pois pode gerar grandes impactos nos resultados da empresa. Estes impactos estão relacionados com a perda do poder aquisitivo da moeda, pois se a empresa atua no mercado com preços �xos de forma temporária, talvez um ano sem incorrer nos reajustes dos preços terá impacto progressivo do custo da manutenção das atividades da empresa. Se os custos aumentam e a empresa não consegue repassar esses aumentos para os seus produtos, os gestores deverão repensar o modelo do produto ou negócio. Se determinado produto está saturado no mercado, não há como agregar valor a ele. Segundo Possamai (2003, p. 25), “as mesmas consequências atingem também as instituições cujos rendimentos são decorrentes de juros pre�xados auferidos através de títulos de crédito emitidos pelo governo ou por empresas do setor �nanceiro”. A empresa sofrerá com as distorções no mercado de crédito, os efeitos das taxas de juros no mercado �nanceiro, cobradas pelos bancos, estão acompanhando as taxas de in�ação do país e se a empresa não reavaliar a política das cobranças do custo �nanceiro pelas vendas a prazo, as consequências podem ser irreversíveis. Possamai (2003, p. 25) aborda que “credores são duramente atingidos e os devedores bene�ciados. Quando as taxas de juros passam a ser negativas, aumentam as pressões sobre as fontes de crédito, mas estas, em contrapartida, não disporão de recursos ao nível da demanda”. Outro impacto está relacionado às alterações na área de investimentos produtivos, a in�ação retira recursos �nanceiros da empresa de forma gradativa e que poderiam ser aplicados em atividades produtivas. Muitas vezes esses recursos �nanceiros acabam convergindo para �ns especulativos. Possamai (2003, p. 25) observa que: A in�ação intensa de rentabilidade desencoraja o setor privado a investir em indústria de base, devido aos longos prazos de maturação desse tipo de empreendimento. Esses desvios reduzem a expansão possível de emprego e induzem a aplicações que possibilitem o lucro de curto prazo ou que protejam o patrimônio pessoal, de que são exemplos típicos as transferências imobiliárias. A in�ação tem forte impacto também no equilíbrio da balança de pagamentos, pois a desvalorização da moeda nacional, a valorização da taxa de câmbio da moeda estrangeira e a necessidade de maior volume de importação de produtos fazem com que no momento do pagamento das operações de câmbio, o desembolso se torne muito maior. A consequência pode impactar no nível do emprego e da economia do país. Esse problema somente pode ser revertido caso ocorrer a desvalorização da taxa de câmbio. O aumento interno dos preços e as taxas mais aceleradas do que as de outros países com os quais se mantêm relações de comércio podem estimular a importação e desestimular a exportação. Outro ponto relevante sobre a in�ação está relacionado com as distorções no papel orientador do mercado, pois em economias de livre iniciativa empresarial, o movimento dos preços e das forças de mercado é um fator para orientação das atividades do mercado. Com os preços estáveis, o aumento do preço de determinado produto signi�ca que a oferta é insu�ciente para atender à demanda. Se o mercado sinalizar a diminuição do preço de determinado produto, pode representar o excesso de oferta no mercado. Como os empresários geralmente se orientam por essas sinalizações de mercado, serão estimulados à produção de produtos com demanda insu�ciente. No entanto, um processo in�acionário intenso pode distorcer esse papel orientador do mercado, prejudicando a e�ciência do sistema empresarial. As principais consequências da in�ação no mercado de uma nação estão praticamente relacionadas com a perda do poder aquisitivo da moeda, o mercado de crédito se torna impraticável para a empresa, o investimento na produção se torna inviável, pois não há condições de planejar o exato volume das demandas do mercado e o excedente �nanceiro é utilizado como especulação no mercado �nanceiro. Ratti (2001, p. 47) contribui que, “em linguagem elementar, a in�ação nada mais é do que uma elevação contínua de todos os preços, motivada por um excesso de crescimento dos meios de pagamento, em relação ao crescimento dos bens e serviços à disposição do público”. Isso signi�ca que com os preços estáveis, o aumento do preço de determinado produto indica que a oferta é insu�ciente para atender à demanda. Por outro lado, a diminuição do preço de determinado produto pode representar o excesso de oferta no mercado. 33..22..11 TTiippooss ddee iinnffllaaççããoo ee sseeuuss mmeeccaanniissmmooss ddee ccoonnttrroollee Como já estudamos, a in�ação exerce efeito devastador na economia de um país, assim como nas empresas e nas famílias em geral. Existem praticamente dois tipos diferentes de in�ação, a in�ação de custos, que é um processo in�acionário ocasionado ou intensi�cado pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos salários ou dos preços das matérias-primas. Temos também a in�ação de demanda, que é ocasionada pelo aumento dos rendimentos. Isso ocorre quando os meios de pagamento crescem além da capacidade de crescimento da economia ou, antes que a produção esteja em plena capacidade, impedindo que a maior demanda decorrente do aumento dos rendimentos seja atendida. Com isso, aumentam os preços e, por consequência, os salários e os rendimentos em geral, formando uma espiral in�acionária (POSSAMAI, 2003). A intensidade da in�ação determina o aumento de preços, em in�ação rastejante, esta é caracterizada por uma leve e quase imperceptível expansão geral dos preços. Por sua vez, a in�ação galopanteou hiperin�ação é caracterizada por uma violenta expansão do nível geral dos preços. Segundo Ratti (2001, p. 49), a in�ação “galopante é aquela que se inicia com uma taxa superior a 10% ao ano e vai rapidamente subindo a cada ano, atingindo taxas de três dígitos (200, 300, 500 por cento ao ano)”. As medidas do combate à in�ação são de�nidas pelo conjunto de ações tomadas pelo governo do país com o objetivo de atuar e in�uir sobre o mecanismo da produção, distribuição e consumo de bens e serviços, denominados de política econômica. O alcance e o conteúdo de uma política econômica variam de acordo com cada país, dependendo do grau de diversi�cação de sua economia, da natureza do regime social e do nível de atuação dos grupos de pressão (partidos, sindicatos, associações de classe e movimento de opinião pública). Existem três tipos de políticas econômicas que atuam no combate à in�ação: A política eessttrruuttuurraall está voltada para a modi�cação da estrutura econômica do país (podendo chegar até mesmo a alterar a forma de propriedade vigente), regulando o funcionamento do mercado (proibição de monopólios e trustes) ou criando empresas públicas, regulamentando os con�itos trabalhistas, alterando a distribuição de renda ou nacionalizando empresas estrangeiras. A política de eessttaabbiilliizzaaççããoo ccoonnjjuunnttuurraall visa à superação de desequilíbrios ocasionais. Pode envolver tanto uma luta contra a depressão como combater a in�ação ou a escassez de determinados produtos. A política de eexxppaannssããoo tem por objetivo a manutenção ou a aceleração do desenvolvimento econômico. Nesse caso, podem ocorrer reformulações estruturais alfandegárias e maior rigor na política cambial contra a concorrência estrangeira (POSSAMAI, 2003, p. 27-28, grifo do autor). A política econômica depende da própria visão que os governantes têm do papel do Estado no conjunto da sociedade de acordo com critérios políticos e ideológicos. No Brasil, as políticas econômicas das últimas décadas, buscando a estabilização da economia, �zeram com que fossem implementados diversos planos, como: o Plano Cruzado (1986), o Plano Bresser (1987), o Plano Verão (1989), o Plano Collor (1990), o Plano Collor II (1991) e o Plano Real (1994). O Estado exerce sua atividade através de uma série de medidas que visam ao desenvolvimento econômico e consequente controle da in�ação, conforme Possamai (2003, p. 28, grifo do autor). PPoollííttiiccaa FFiissccaall: de�ne e aplica os impostos e taxas sobre os agentes econômicos; com base na Receita Fiscal, de�ne os gastos do Governo; in�ui na política monetária, em especial no �uxo de caixa e na concessão de créditos dos agentes econômicos. PPoollííttiiccaa MMoonneettáárriiaa: conjunto de medidas adotadas pelo governo visando adequar os meios de pagamentos disponíveis às necessidades da economia do país. PPoollííttiiccaa CCaammbbiiaall: de�ne o valor externo da moeda; controla os �uxos de moeda estrangeira; impacta o valor interno da moeda. PPoollííttiiccaa ddee RReennddaass: controla os fatores de produção, como salários, encargos, distribuição de resultados da atividade econômica, sistemas de preços. 33..22..22 ÍÍnnddiicceess ddee iinnffllaaççããoo O índice ideal da in�ação para ser apurado é a in�ação da própria empresa ou a medida da in�ação da própria família ou de uma determinada comunidade. O Banco Central divulga o índice da in�ação o�cial, porém, é um parâmetro geral da nação. Deve haver outros parâmetros de âmbito regional para medir a in�ação. Muitos fatores impactam na medida in�acionária adotada. Além da in�ação do custo e da in�ação da demanda, conforme já estudamos, há também a classe social, onde pessoas da sociedade com poder aquisitivo mais elevado sofrem menos os impactos in�acionários no seu consumo de bens e serviços. Por sua vez, classes sociais mais baixas sofrem profundo impacto com relação a esses aspectos, pois as necessidades básicas sofrem alto grau de impacto in�acionário, muitas vezes motivadas pelo aumento na procura por esses bens e serviços. A própria emigração das áreas do interior do país para os grandes centros urbanos pode acarretar aumento no impacto in�acionário, pois o aumento do número de pessoas pressiona o aumento das ofertas de bens e serviços, que muitas vezes as empresas não estão preparadas para atender. Por motivos de ordem prática, muitos índices foram criados e estão sendo utilizados. Para se medir a variação dos preços dos produtos �nais consumidos pela população, usam-se índices de custo de vida (ICV) ou de preços ao consumidor (IPC), tendo como base os hábitos de consumo de uma família padrão (para toda a sociedade ou para certa classe). Para se medir a variação dos preços nos insumos e fatores de produção (e demais produtos intermediários), usam-se índices de preços ao produtor ou, em termos agregados, o índice de preços ao atacado (IPA). No Brasil, a in�ação é medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), elaborado pelo IBGE, e pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPC), medido pela FIPE. 33..22..33 CCoommoo ccaallccuullaarr aa iinnffllaaççããoo ddaa eemmpprreessaa Vamos apresentar um modelo de como apurar a in�ação de uma empresa. A proposta é bem simples, contudo, devemos buscar outras áreas de conhecimento, como a área de Custos. Se ocorrer o aumento dos custos da produção, os produtores reduzirão a oferta desses bens no mercado, que, por sua vez, com a redução da oferta, os bens sofrerão aumento de preço para o consumidor �nal. Portanto, nesse cenário, a economia desse país teria que se deparar com uma in�ação de custos. Em Custos, precisamos identi�car os insumos consumidos para a produção em determinada Ficha Técnica da produção, levar essas quantidades para uma nova base de dados e apurar a proporcionalidade no seu consumo. Isso signi�ca dizer que cada componente utilizado para a produção de determinado produto representa um peso relativo nesse processo e, por �m, a somatória de todos os pesos relativos totaliza 100% dos insumos para a produção total. Vejamos um exemplo prático com o estudo do seguinte quadro. QUADRO 1 – APURAÇÃO DA TAXA DE INFLAÇÃO DA EMPRESA FONTE: O autor Vamos entender a sistemática para a apuração da in�ação da empresa. Primeiro devemos separar os principais insumos utilizados no processo industrial e apurar o custo da produção ou compra entre dois períodos, que nesse caso utilizamos como exemplo o quadro de portas no primeiro item do quadro anterior. Esse quadro de portas em 31/07 tinha o custo da compra em R$ 3,8915 por unidade e esse mesmo item da produção custava em 31/08 o valor de R$ 4,2500. Isso signi�ca que ocorreu a variação percentual no seu custo de um período para outro em 9,2124%. Logo, R$ 4,2500 / R$ 3,8915 = 1,092124. Deve-se descontar 1 desse coe�ciente, pois precisamos apenas conhecer a variação, que é de 0,092124. Como estamos apurando a in�ação em percentual, multiplicaremos o coe�ciente de 0,092124 por 100 e teremos o % em 9,2124% na variação dos custos da matéria-prima. Não podemos simplesmente de�nir como taxa da in�ação da empresa esse percentual em 9,2124%, mas compreender qual é o seu impacto como peso relativo no produto �nal. Esse quadro de portas representa a ordem de 15,65% do componente utilizado no processo até �nalizar o produto. Portanto, se a variação dos custos está em 9,2124% e o peso relativo da participação desse produto no processo �nal do produto pronto representa 15,65%, apenas multiplicaremos esses valores. Assim, teremos 9,2124% (variação dos custos) x 15,65% (participação da matéria- prima no produto �nal) = 1,4417% de in�ação apenas para essa matéria-prima do quadro de portas. Esse procedimento deve ser adotado para todos os insumos do quadro anterior, e cada percentual da variação dos custos deve ser multiplicado pelo peso relativode cada insumo no produto �nal. Observe que o total do peso relativo de cada insumo (participação de cada matéria-prima no produto �nal) deve fechar em 100%, que é o produto �nalizado com todos os insumos correspondentes a sua produção. 33..33 OO CCUUSSTTOO DDOO DDIINNHHEEIIRROO NNOO TTEEMMPPOO As �nanças apenas são de�nidas pela gestão do dinheiro no tempo. É preciso saber o momento certo para a empresa aplicar os recursos excedentes do caixa, ou de captar recursos �nanceiros no mercado, e essa linha tênue entre aplicar e captar recursos �nanceiros se chama tempo, período. O impacto �nanceiro, tanto no mercado interno como no mercado externo se chama taxa, pois cada país possui o seu ambiente econômico. Vários cálculos �nanceiros requerem apenas operações simples e manuais, mas à medida que aumenta a complexidade para apurar determinados valores, há a necessidade de utilizar aplicativos especí�cos da área �nanceira ou a própria calculadora �nanceira. Avalie o cálculo, a seguir, na condição de juros compostos. Observe que o juro é somado ao valor inicial no cálculo dos juros do período seguinte. Exemplo: R$ 100,00 + 3,00% = R$ 103,00 + 3,00% = R$ 106,09 + 3,00% = R$ 109,27 + 3,00% = R$ 112,55. Esse é o impacto dos juros sobre juros, e o pro�ssional atuante na área das �nanças deve dominar essa técnica para saber o seu efeito no resultado da empresa. A linha do tempo, ou o período, nos remete ao presente e ao futuro distante por um intervalo de dias, meses ou anos. Nesta linha do tempo, entre um valor presente e outro futuro, os montantes são corrigidos por uma taxa preestabelecida. No campo da área �nanceira, existem algumas abreviaturas, cujo signi�cado será apresentado a seguir: VP ou PV = Valor Presente ou Present Value. VF ou FV = Valor Futuro ou Future Value. n ou N = tempo, medido em número de dias, semanas, quinzenas, mês ou anos. i ou I = % de juros, que podem ser por dia, semanal, quinzenal, mensal ou anual. Pagto = Pagamento (de prestação, por exemplo). Diariamente, o BACEN (Banco Central do Brasil) divulga a taxa de rendimento de algum fundo, como a caderneta de poupança ou CDI (Certi�cado de Depósito Interbancário). Vamos supor que o rendimento, considerando juros e correção monetária, foi de 0,60% a.m. (ao mês), agora o saldo é de R$ 1.006,00, sendo que R$ 6,00 foi o rendimento. Para o próximo mês, a base de cálculo será o saldo de R$ 1.006,00. Tecnicamente, a aplicação tem como base a capitalização composta (juros sobre juros). Acompanhe a projeção do valor futuro da aplicação no quadro a seguir em um período de 12 meses a uma taxa de correção em 0,60% ao mês: QUADRO 2 – PROJEÇÃO DE VALOR FUTURO ANUAL SEM DEPÓSITOS FONTE: O autor Do exemplo anterior (Quadro 2), vamos supor que este dinheiro foi aplicado há um ano e que em cada um dos meses o rendimento da poupança foi de 0,60% a.m. No término deste primeiro ano de aplicação, o montante total da aplicação é de R$ 1.074,42, e neste caso a taxa de correção foi de 7,44% a.a. (ao ano). Apenas com o depósito inicial de R$ 1.000,00, com uma correção �xa de 0,60% a.m., obtivemos durante um ano o rendimento de R$ 74,42, ou seja, 7,442% a.a. Se esse valor é interessante ou não, você deverá comparar com os diversos índices de remuneração dos ativos �nanceiros disponíveis no mercado com a variação do ouro, do mercado de ações na Bolsa de Valores, entre outros. Vale lembrar que o gestor �nanceiro deve optar pelas operações de aplicação dos ativos �nanceiros disponíveis no mercado apenas na condição de aplicar o excedente dos recursos �nanceiros do caixa. Não pode deixar de investir nas atividades operacionais da empresa, criando a falsa expectativa de ganhos �nanceiros no mercado, pois o mercado �nanceiro serve para manter o valor do dinheiro no tempo, que é corroído pela taxa de in�ação. Agora vamos considerar que, além de um depósito inicial de R$ 2.000,00, sejam aplicados mais R$ 200,00 em cada um dos meses subsequentes, e ainda a uma taxa de 0,75% a.m. Qual será o nosso saldo daqui a um ano? QUADRO 3 – EXEMPLO DE POUPANÇA ANUAL COM DEPÓSITOS FONTE: O autor O rendimento de R$ 238,37 durante o período dos 12 meses com depósitos mensais de R$ 100,00 totalizaram o valor de R$ 1.200,00. Isso ocorreu pelo efeito dos juros sobre juros, e quanto mais longo for o período da aplicação, maior será o retorno �nanceiro, contanto que esse retorno �nanceiro não seja menor que a taxa de in�ação. Você pode observar que o rendimento das aplicações �nanceiras sempre é inferior à taxa de juros paga nos empréstimos. No ambiente empresarial, o gestor �nanceiro precisa ter a capacidade de lidar com estas variáveis, que são o valor presente e o valor futuro, tanto nas atividades operacionais como nas de investimento e de �nanciamento. O orçamento empresarial visa projetar os resultados com base na perspectiva da produção, das horas disponíveis dos funcionários contratados e das despesas gerais e administrativas orçadas. O orçamento �nanceiro busca prever resultados futuros, com a aplicação da projeção de taxas de juros para trazer o valor futuro à base do valor presente. Por exemplo, o valor do lucro é projetado para o mês de dezembro, mas deve ser avaliado para o início do ano, com o uso do cálculo do valor presente. As bases para a avaliação e análise são diferentes. O valor do lucro de R$ 100.000,00 hoje, como exemplo, não possui o mesmo poder de compra para o mês de dezembro do período anual avaliado. Procure analisar alguns produtos, avalie o seu valor à vista e as demais condições de pagamentos oferecidas pela empresa. Veri�que o quanto é pago de juros. 33..44 AA CCAALLCCUULLAADDOORRAA FFIINNAANNCCEEIIRRAA HHPP 1122CC No mercado �nanceiro é utilizado o método do cálculo dos juros compostos na prática dos �nanciamentos e investimentos. Essa é a tradicional prática dos juros sobre juros. Nesse tipo de modalidade, para correção dos contratos dos �nanciamentos (ou aplicações �nanceiras, se for o caso), os juros incidem sobre o capital inicial e os demais valores dos juros acumulam durante todo o período negociado, inclusive sobre os valores dos juros dos períodos anteriores. De acordo com Kuhnen e Bauer (1994, p. 69), “em capitalização composta, os juros aumentam a cada período de capitalização exatamente o valor dos juros produzidos pelos juros do período imediatamente anterior”. Conforme Hoji (2000, p. 70), no regime de juros compostos, “[...] os juros produzidos em cada período são integrados ao capital constituído no início dos respectivos períodos, para produzirem novos juros nos períodos seguintes, ou seja, no regime de juros compostos, incidem juros sobre capital inicial e sobre os próprios juros”. Como a prática dos cálculos dos juros está bastante difundida na atualidade e muitos pro�ssionais precisam dominar essa área do conhecimento, eles utilizam uma maneira prática, que é o uso da calculadora �nanceira HP 12C. FIGURA 1 – CALCULADORA FINANCEIRA HP 12 C FONTE: <hhttttppss::////ppllaayy..ggooooggllee..ccoomm>. Acesso em: 2 maio 2020. Observe que na primeira �leira, nas cinco primeiras teclas (da esquerda para a direita), o gestor �nanceiro faz uso dessas funções para calcular os juros compostos. Veja a função de cada tecla a seguir: nn – tecla utilizada para registrar o período contratual. II – utilizada para registrar a taxa negociada no contrato. PPVV – utilizada para registrar o capital inicial ou o valor presente ou atual do contrato. PPMMTT – utilizada para registrar os valores das prestações negociadas. FFVV – utilizada para registrar o valor futuro ou o montante do �nal do contrato. Fique atento! A regra para o cálculo dos juros simples é exatamente a mesma a ser adotada para o cálculo dos juros compostos. • Se a taxa negociada no contrato for mensal, o período a ser calculado também deverá estar especi�cado em meses. Por exemplo: temos uma taxa negociada em 3% ao mês porum período de 45 dias. A taxa a ser registrada para o cálculo será 3% ao mês e o período a ser registrado para o cálculo deverá ser apurado utilizando os dias e dividindo por 30 dias do mês. Logo, 45 dias dividido por 30 dias, o resultado será o período de 1,5 mês.• A taxa, se estiver informada em percentual, deverá ser dividida por 100 para formar um algarismo decimal ou unitário. 33..55 CCOOMMOO CCAALLCCUULLAARR OO PPEERRÍÍOODDOO ““NN”” Quando for calculado o período de um contrato de �nanciamento, esse termo “período” é denominado pela letra “n”, que determina o tempo de duração da transação �nanceira. Esse período pode ser diário, mensal, anual ou outro previamente especi�cado em contrato. Vamos buscar a contribuição em Kuhnen e Bauer (1994, p. 70), que a�rmam que “são intervalos de tempo preestabelecidos, �ndos os quais são calculados os juros https://play.google.com/store/apps/details?id=com.hp.hp12c&hl=pt_BR https://play.google.com/store/apps/details?id=com.hp.hp12c&hl=pt_BR • NNOOTTAA: dividir a taxa por 100 e lançar os dados na fórmula. que, somados ao capital, formam um novo valor atual, valor presente, capital (PV), para o próximo período, ou melhor, para o próximo intervalo”. Como apurar o período “n” utilizando a fórmula? É importante dominar essa ferramenta, pois no caso de o pro�ssional não “ter em mãos” uma calculadora HP 12C, é sempre viável conhecer as técnicas dos mesmos procedimentos, porém, utilizando fórmulas. A fórmula do tempo (nn) é a seguinte: Logo: llnn = Logaritmo Neperiano ou Natural FFVV = Future Value (Valor Futuro) PPVV = Present Value (Valor Presente ou Atual) ii = Taxa nn = Número de Períodos Exemplo: a empresa de Tecidos Leve e Solto realizou um investimento com capital inicial de R$ 58.000,00, e este valor foi aplicado a uma taxa de juros composta de 1,00% ao mês e, após determinado período, resultou no valor �nal de R$ 63.433,75. Identi�que por quantos meses o valor �cou aplicado. Esse tipo de operação exigirá conhecimentos sobre o logaritmo natural ou logaritmo neperiano (ln). Para isso, deve-se primeiro dividir o montante (FV) pelo valor presente (PV). O próximo passo é dividir a taxa por 100 e somar o resultado a 1 para extrair também o logaritmo natural. Para encerrar a operação é necessário dividir o primeiro resultado pelo segundo resultado encontrado. Na calculadora cientí�ca, a tecla Ln (logaritmo natural) �ca ao lado da tecla log. Na planilha eletrônica EXCEL, o Ln é localizado em “INSERIR > FUNÇÃO > MATEMÁTICA E TRIGONOMÉTRICA. Na calculadora �nanceira HP 12C, esta operação pode ser realizada da seguinte forma: Tecle OONN – para ligar a calculadora. FF CCLLxx – primeiro pressione FF e depois CCLLxx para limpar os registros da memória. nn = (esse é o resultado que se deseja apurar) ii = 1,0 PPVV = 58.000,00 CHS (para transformar número positivo em número negativo) FFVV = 63.433,75 Ou Tecle OONN: para ligar a calculadora. FF CCLLxx – primeiro pressione FF e depois CCLLxx para limpar os registros da memória. 58.000,00 CCHHSS PPVV 63.433,75 FFVV 1,0 ii Tecle nn (o resultado para ser encontrado será 9. Portanto, 9 meses). Atente que ao registrar o valor de entrada no PPVV, deve-se primeiramente pressionar a tecla CCHHSS para inserir o sinal negativo (-) e, depois, a tecla PPVV. Exemplo: 58.000 CCHHSS PPVV.. Outra peculiaridade da calculadora �nanceira HP 12C é que o tempo é arredondado, pois não existe período fracionado. 33..66 CCOOMMOO CCAALLCCUULLAARR OO VVAALLOORR EE AA TTAAXXAA DDEE JJUURROOSS ““II”” A remuneração de um contrato de empréstimo é realizada com a negociação de um percentual, que se chama taxa. Com a aplicação da fórmula para apurar a taxa, temos que desenvolver os seguintes passos: Vamos prosseguir com o exemplo anterior, porém, nesse caso, iremos apurar a taxa. Lembre-se, quando apuramos o período no exemplo anterior, utilizamos a taxa em 1%. Vamos conferir o resultado com a utilização da fórmula. Foi aplicado no regime de juros compostos um capital no valor de R$ 58.000,00, que, após 9 meses, obteve um rendimento totalizando um montante de R$ 63.433,75. Apure qual foi a taxa de aplicação mensal. Observe que, conforme o cálculo anterior, o primeiro passo é dividir o montante (FFVV) pelo valor presente (PPVV). Depois, elevar o resultado da divisão de 1 pelo tempo (esse tempo é expresso em meses). O próximo passo é elevar os resultados encontrados, subtrair 1 do novo resultado encontrado e multiplicar o resultado �nal por 100. Assim, encontra-se o percentual (%) da taxa de juros. O mesmo tipo de cálculo pode ser realizado com a utilização da calculadora �nanceira HP 12C, pressionando as seguintes teclas: FF CCLLxx è Primeiro pressione FF e depois CCLLxx para limpar os registros da memória. nn = 9 ii = (é o resultado a ser encontrado) PPVV = 58.000,00 CHS (para transformar número positivo em número negativo) FFVV = 63.433,75 Ou Tecle OONN: para ligar a calculadora. FF CCLLxx è Primeiro pressione FF e depois CCLLxx para limpar os registros da memória. 58.000,00 CCHHSS PPVV 63.433,75 FFVV 9 nn Tecle ii O resultado apresentado será 11,,0000, que é o % de juros mensais negociado no seu contrato. Devemos tomar o cuidado de sempre registrar o capital com valor negativo (CCHHSS PPVV) e o valor futuro (FFVV) com sinal positivo na calculadora �nanceira HP 12C. 33..77 CCOOMMOO CCAALLCCUULLAARR OO VVAALLOORR PPRREESSEENNTTEE ““PPVV”” Em �nanças corporativas, o Valor Presente ou Capital Inicial investido é utilizado para avaliar o rendimento ao longo de um tempo, ou se você souber o valor �nal retornado para a empresa, é possível apurar o valor investido inicialmente utilizando as demais premissas, como taxa de juros e período de investimento. Sua fórmula é a seguinte: FV = PV (1 + i)X n Isso quer dizer que ao investir determinado valor e multiplicá-lo pela somatória do coe�ciente 1 (100% do valor �nal) com a taxa aplicada elevada à potência do período, é possível apurar o valor futuro, ou se você tiver o valor futuro, a taxa negociada e o período negociado, você consegue apurar o valor presente ou capital inicial investido. Vejamos o seguinte exemplo: • Ajuste de tempo para mês: 3 anos = 36 meses (3 x 12). • Não podemos esquecer de transformar a taxa em algarismo decimal (2,50/100 = 0,0250). Determinado investidor resolveu aplicar um valor de capital e obteve de montante o valor de R$ 158.114,80. Pergunta-se: qual é o valor inicial aplicado, ao considerar o tempo da aplicação em 3 anos, com a taxa de 2,5% ao mês no regime de juros compostos? Vamos ao desenvolvimento do cálculo com a utilização da seguinte fórmula: FFVV == PPVV ((11 ++ ii))XX nn R$ 158.114,80 == PPVV ((1 + 0,0250))XX 36 R$ 158.114,80 == PPVV 2,432535316XX PPVV == R$ 158.114,80 / 2,432535316 PPVV == R$ 65.000,00 Nunca se esqueça de primeiro somar 1 + 0,025, que é o coe�ciente dos 100% do capital inicial, justamente o que se quer descobrir somado ao percentual de rendimento ao mês. Em seguida, elevar este resultado ao número de meses do período que está sendo apurado, que nesse exemplo é de 36 meses. Com este resultado, aplicar o conceito da matemática básica, que é colocar em evidência o PPVV separado dos numerais. Desta forma, o PPVV passa para antes do sinal de igual e os valores permanecem depois do sinal de igual. Exemplo: PPVV == R$ 158.114,80 / 2,432535316. Feito isso, o resultado apurado para o valor presente é de R$ 65.000,00. Os procedimentos para a resolução do cálculo com o uso da calculadora �nanceira HP 12C seguem os seguintes passos: Tecle OONN: para ligar a calculadora. FF CCLLxx > Pressionar FF depois CCLLxx para limpeza de memórias. PPeerrííooddoo = 36 n • Ajuste do tempo para mês: 2 anos = 24 meses. • Ajuste da taxa em percentual para número decimal: 3,25/100 = 0,0325. TTaaxxaa = 2,50 i VVaalloorr FFuuttuurroo((jjáá ccoonnhheecciiddoo)) = 158.114,80 CHS FV (aperte a tecla CHS antes do FV para efetuar o registro com valor negativo, pois o que se quer descobrir é o valor do investimento inicial, que resultará em valor positivo). Tecle PPVV (o resultado apurado para o valor presente é de R$ 80.000,00). Ao pressionar a última tecla com o PV (valor presente), é possível apurar a prova real com o processo inverso. Registre o capital encontrado no PPVV (65.000 CCHHSS PPVV) e apure o montante FFVV para veri�car se o resultado é R$ 158.114,80. 33..88 CCOOMMOO CCAALLCCUULLAARR OO VVAALLOORR FFUUTTUURROO ““FFVV”” Outro item muito interessante que se pode apurar com o uso da calculadora �nanceira HP 12C ou pela fórmula é o valor �nal do investimento, ou seja, quanto rendeu o valor aplicado acrescido ao valor dos juros desse rendimento. Dessa forma, o valor futuro ou montante é igual ao capital inicial acrescido ao valor dos juros gerados durante o período aplicado. A fórmula é a seguinte: Vejamos um exemplo: Apure o montante da aplicação de determinado capital de R$ 100.000,00 a uma taxa de 3,25% ao mês durante 2 anos no regime de juros compostos. Ao utilizarmos a fórmula, teremos o seguinte resultado como valor futuro. FFVV == PPVV ((11 ++ ii))XX nn FFVV == R$ 100.000,00 ((1 + 0,0325))XX 24 FFVV == R$ 100.000,00 2,154574164XX FFVV == R$ 215.457,42 Nesse procedimento, devemos tomar cuidado para que no primeiro passo seja somado o percentual dos juros ao coe�ciente 1, para gerar o montante. Nesse caso, somar (1 + 0,0325) para, em seguida, elevar o resultado encontrado a 24 (que é o número de meses, pois a taxa também é mensal). Em seguida, multiplique o valor encontrado pelo capital para apurar o montante �nal. Ao realizarmos os procedimentos para apurarmos o mesmo resultado dessa mesma operação, porém, com o uso da calculadora �nanceira HP 12C, podemos fazer o cálculo da seguinte forma: Tecle OONN: para ligar a calculadora. PPeerrííooddoo = 24 n TTaaxxaa = 3,25 i VVaalloorr PPrreesseennttee ((jjáá ccoonnhheecciiddoo)) = - 100.000,00 (deve-se digitar 100.000,00 CHS PV para registrar o valor negativo) PPMMTT = 0,00 FFVV = R$ 215.457,42 Sempre limpe a memória com o comando FF CCLLxx para apagar registros anteriores antes de iniciar o cálculo. O ideal é registrar o PPVV com sinal negativo. É uma particularidade da calculadora HP 12C, uma vez que no valor �nal apresentará o resultado positivo. Ao registrar o valor no PPVV, deve-se digitar o valor do capital, em seguida, pressionar a tecla CCHHSS (a calculadora HP 12C registrará a entrada com sinal negativo), depois, pressionar a tecla PPVV. Exemplo: 100.000 CCHHSS PPVV. Todos esses exemplos de cálculos �nanceiros nos permitem encontrar o percentual dos juros, ou do período aplicado, valor inicial aplicado ou valor acumulado �nal. Além disso, em �nanças corporativas, existem algumas decisões que o gestor �nanceiro pode tomar ao negociar prazos ou ainda contribuir com o setor de compras da empresa por intermédio de avaliação e identi�cação de uma melhor opção para aceitar ou não determinada condição para aquisição de mercadoria. Aprenderemos esses conceitos e ferramentas com o uso de planilhas a seguir. 33..99 DDEECCIISSÕÕEESS SSOOBBRREE CCOOMMPPRRAASS AA PPRRAAZZOO ((QQUUAALL ÉÉ AA MMEELLHHOORR OOPPÇÇÃÃOO)) Os conhecimentos adquiridos com relação aos prazos de recuperação dos tributos e do custo do dinheiro nos permitem uma melhor avaliação das alternativas de compras. Por sua vez, a avaliação da melhor alternativa de compra deve ser precedida de cálculos especí�cos e que levam em consideração os prazos e também o custo do dinheiro no tempo. Antes de fazer qualquer comparativo, para conhecer a melhor opção de compras, faz-se necessário veri�car quais cálculos devem ser realizados e entendê-los, conforme demonstraremos a seguir. QUADRO 4 – CUSTO LÍQUIDO DE AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PARA REVENDA A VALOR PRESENTE. COMERCIAL VAREJISTA SITUADO NO ESTADO DE SANTA CATARINA FONTE: O autor Para entendimento dos dados que integram o Quadro 4, serão apresentados os seguintes esclarecimentos essenciais. • Há mais fornecedores no mercado para este mesmo produto? • São fabricantes ou distribuidores/atacadistas? • Estão enquadrados no Simples Nacional, Lucro Real ou Lucro Presumido? • Estão localizados dentro ou fora do estado? • Quais preços estão praticando? • Quantos dias de prazo estão concedendo para pagamento da fatura? • O fornecedor vende FOB ou CIF (quem paga o frete? O comprador ou o vendedor?)? • Sendo vários, de qual destes fornecedores é mais vantajoso comprar? Os campos “sombreados” em cinza são os que deverão ser preenchidos ou alterados em função da realidade envolvida. O exemplo refere-se a uma empresa comercial varejista optante pela tributação do lucro pela alternativa lucro real. A taxa �nanceira utilizada no exemplo de 1,20% ao mês é hipotética. A cada cálculo é recomendável veri�car qual a % (percentagem) a ser considerada. Veri�que com o seu gerente �nanceiro. Os tributos passíveis de crédito dependem das circunstâncias da compra e destinação dos produtos. Tratando-se de empresa supermercadista, por exemplo, a recuperação do IPI não é aplicável, e os percentuais de tributos e os dias de prazo para recuperá-los deverão ser periodicamente con�rmados com o seu prestador de serviços contábeis. A�nal, para que servem estes cálculos? Qual é a utilidade? Para responder a essas questões, mais algumas perguntas são necessárias: A importância dos cálculos a valor presente está no fato de que apenas as mesmas unidades de medida são comparáveis entre si, o que é relevante numa decisão de compra. De acordo com o modelo proposto, o valor da matéria-prima adquirida em 15/04/2020 é de R$ 12,94, acrescido do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em 15%, o que perfaz um valor de R$ 1,941 do IPI. Por sua vez, o valor da peça em R$ 12,94, acrescido do valor do IPI em R$ 1,941, 1. O valor dos produtos, acrescido do IPI, está na ordem de R$ 14,881, que deve ser dividido por 1 + a taxa do período, elevado à potência do período, que são representa o valor total em R$ 14,881, que é o valor total da nota �scal a ser paga ao fornecedor em 28 dias, porém, o objetivo desse cálculo é saber seu real valor na data zero, ou seja, pelo valor presente. Assim, o valor de R$ 14,881 trazidos ao valor presente em 28 dias representa um valor à vista ou na data zero em R$ 14,716. O mesmo ocorre com o valor do frete, que tem o seu vencimento em 15 dias e, ao trazer a valor presente, o seu custo da compra é diferente do valor que consta no conhecimento do frete. O crédito do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) se dará apenas em 25 dias, pois como a mercadoria foi adquirida em 15/04/2020 e o crédito do ICMS ocorrerá apenas no dia 10/05, signi�ca que esse crédito tributário será realizado apenas em 25 dias. A mesma situação ocorrerá para o PIS (Programa de Integração Social) e a COFINS (Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social), que tem o vencimento no dia 25/05/2020 e, portanto, o crédito tributário ocorrerá em 40 dias. Diante disso, há a necessidade de realizar o cálculo do custo a valor presente da compra da mercadoria adquirida por uma empresa do comércio varejista. Neste caso, a empresa varejista não tem direito para o crédito tributário do IPI, apenas do ICMS, PIS e COFINS. Sobre o cálculo do valor presente do produto com o IPI, temos: Vamos esclarecer o passo a passo do cálculo a valor presente do produto: 28 dias. 2. O valor de R$ 14,881 deverá ser dividido por 1,0120 (taxa de 1,20% ao mês transformado em numerais decimais em 1,0120). O coe�ciente 1,0120 deverá ser elevado à potência de um período mensal, ou seja, 28 dias dividido por 30 dias, que representam o resultado de 0,93333 meses. 3. O resultado de 1,0120 elevado à potência de 0,93333 apuraráo valor de 1,011195539. 4. Por �m, o valor do produto em R$ 14,881 deverá ser dividido por 1,011195539. 5. O resultado apurado será de 14,716 como valor à vista ou na data 0 (zero). 1. O valor do ICMS destacado na nota �scal é de R$ 1,578, que deve ser dividido por 1 + a taxa do período, elevado à potência do período, que são 25 dias para ocorrer o crédito tributário do ICMS (crédito tributário ocorre no fato gerador do pagamento da guia do ICMS pela diferença entre o valor apurado do ICMS das Vendas descontado o ICMS das Compras). Nota: no ato da Compra existe o Crédito tributário futuro quando ocorrer o pagamento da guia respectiva do ICMS. 2. O valor de R$ 1,578 deverá ser dividido por 1,0120 (taxa de 1,20% ao mês transformada em numerais decimais se transforma em 1,0120). O coe�ciente 1,0120 deverá ser elevado à potência de um período mensal, ou seja, 25 dias dividido por 30 dias, que representam o resultado de 0,83333 meses. 3. O resultado de 1,0120, elevado à potência de 0,83333, apurará o valor de O valor do ICMS, do PIS e da COFINS segue a mesma sistemática do valor do produto. Vejamos os cálculos do ICMS. Vamos esclarecer o passo a passo do cálculo a valor presente do produto: 1,009990046. 4. Por �m, o valor do produto em R$ 1,578 deverá ser dividido por 1,009990046. 5. O resultado apurado será de 1,562 como valor à vista ou na data 0 (zero). Não faremos o desenvolvimento dos cálculos do valor do Frete, PIS e COFINS, uma vez que a operacionalização matemática é a mesma. Ao �nal desse exemplo do valor da compra, apuramos o respectivo valor à vista, ou na data 0 (zero) em R$ 11,986. Esses cálculos permitirão comparar cotações de preços obtidas de fornecedores diversos e de�nir de qual deles comprar, desde que as características e qualidade do produto sejam as mesmas. Apenas alguns alertas e/ou lembretes: • É o empreendedor que de�ne qual taxa �nanceira considerar nos cálculos. Ele conhece a sua condição e conhece também quais taxas �nanceiras estão sendo praticadas naquele momento pelo mercado, tanto para emprestar quanto para aplicar dinheiro. • O direito ou não aos créditos de tributos e correspondentes percentagens dependem de fatores, que entre outros, podem ser: º É uma microempresa ou empresa de pequeno porte, enquadrada no Simples Nacional? º É uma empresa que tributa seus resultados pelo lucro real, ou optante pela tributação dos resultados pelo lucro presumido? º A que se destina o produto ou mercadoria adquirida (industrialização, revenda ou consumo)? º Caso se destine à industrialização, o produto �nal será ou não alcançado pelo IPI? º Os dias de prazo para recuperação dos tributos precisam ser periodicamente revisados com o seu prestador de serviços contábeis. Avalie todos esses casos com o seu contador. A decisão quanto à taxa �nanceira a ser utilizada é uma questão controversa: a) Taxa (%) de remuneração das aplicações no mercado �nanceiro; e/oub) Taxa (%) que onera os empréstimos tomados no mercado �nanceiro. Há momentos em que se recomenda a adoção da primeira alternativa e outros em que se recomenda a segunda. Como terceira alternativa, pode-se ainda utilizar a taxa líquida interna, a qual resulta da soma algébrica dos encargos �nanceiros, diminuídos das receitas �nanceiras. Vamos utilizar três opções de compras e avaliar qual seria a melhor? Com esta operação você poderá compreender da maneira mais prática e objetiva possível de que forma o gestor �nanceiro da empresa pode contribuir para a negociação das compras. QUADRO 5 – PLANILHA PARA CÁLCULO DO CUSTO LÍQUIDO DE AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO A VALOR PRESENTE E IDENTIFICAÇÃO DA MELHOR OPÇÃO DE COMPRA FONTE: O autor Conforme se percebe no quadro anterior, o preço mais alto, que é o do Fornecedor “B”, da fábrica RRR, do Rio Grande do Sul, nem sempre será o de maior custo. Propositalmente, na simulação feita, o maior preço acabou sendo o custo mais baixo. Você poderia responder por quê? Leia a resposta a seguir. Observe que as maiores diferenças não estavam entre os vvaalloorreess dos produtos ou dos percentuais dos iimmppoossttooss e do ffrreettee. Muito menos nos pprraazzooss do crédito tributário e nem do frete. O diferencial que levou a esse interessante resultado foi o pprraazzoo negociado com o fornecedor. Lembre-se: o segredo está em negociar maiores prazos com o fornecedor. É melhor pagar os fornecedores com prazos maiores e receber os valores dos clientes com prazos menores. Isso gera CAIXA. Di�cilmente as transportadoras negociam prazos muito maiores e os créditos tributários possuem suas datas �xadas em lei. Antes de prosseguir, apenas reforçaremos que a sistemática do cálculo a valor presente de cada item nas três cotações segue exatamente as mesmas regras que foram estudadas no exemplo da compra à vista, que resultou no valor de R$ 11,986, que foi estudado anteriormente. Como se pode observar, são muitas as variáveis que precisam ser consideradas simultaneamente. Pergunta-se: a sua empresa vem realizando tais cálculos? O preenchimento dos dados nos espaços “sombreados” em cinza no quadro anterior requer extrema atenção. Qualquer erro conduzirá à conclusão não correta e poderá causar prejuízo à empresa. Nas empresas em geral, normalmente os valores envolvidos com compras são signi�cativos, isto é, envolvem grande soma de dinheiro. No exemplo do Quadro 5, utilizamos valores com menos casas decimais apenas a título de exemplo. A recomendação é: calcular com pro�ssionalismo e com os cuidados requeridos, sem nunca se esquecer de continuamente veri�car as possíveis alterações na legislação �scal com o seu prestador de serviços contábeis. 11 EEmm qquuee mmoommeennttoo oo ggeessttoorr ��nnaanncceeiirroo ddeevveerráá ssee pprreeooccuuppaarr eemm aapplliiccaarr ooss rreeccuurrssooss ��nnaanncceeiirrooss ddoo ccaaiixxaa eemm ooppççõõeess ddee ffuunnddooss ddee iinnvveessttiimmeennttooss nnoo mmeerrccaaddoo ��nnaanncceeiirroo?? Responder Responder 22 AAoo nneeggoocciiaarr ccoomm ooss ffoorrnneecceeddoorreess aass ccoommpprraass ddaass mmaattéérriiaass--pprriimmaass ppaarraa aa eemmpprreessaa,, qquuaall éé oo aassppeeccttoo mmaaiiss iimmppoorrttaannttee aa sseerr lleevvaaddoo eemm ccoonnssiiddeerraaççããoo ppaarraa ddeecciiddiirr aa mmeellhhoorr ooppççããoo ddee ccoommpprraa?? 44 AANNÁÁLLIISSEE DDEE IINNVVEESSTTIIMMEENNTTOOSS Agora, estudaremos a viabilidade de investimentos em determinados ativos da empresa. O objetivo é perceber se tais projetos possuem o mesmo grau de retorno e por que esse tipo de investimento se torna atrativo. Para que a empresa possa apresentar um retorno interessante, é salutar que os gestores mantenham um determinado valor em recursos de capital de giro, que pode estar mensurado em estoques para gerar vendas futuras, ou contas a receber de clientes para geração de caixa ao longo dos meses, ou até mesmo alguma reserva �nanceira em conta bancária para suprir necessidades urgentes. Primeiramente, estudaremos os dois tipos de projetos de investimentos, que são os projetos independentes e os mutuamente excludentes. Os projetos independentes não possuem nenhuma correlação nas decisões da escolha por um projeto ou outro, por exemplo, a escolha entre dois modelos de caminhão para entrega. Martins e Assaf Neto (1986, p. 415) a�rmam que: [...] para que dois ou mais projetos de investimentos sejam considerados como independentes, duas situações deverão simultaneamente ocorrer: a) A possibilidade física de implementação de um projeto não anula uma possível aceitação de outros. b) Os benefícios produzidos por um projeto não in�uenciam (e também não são in�uenciados) as decisões (aceitar ou rejeitar) que vierem a ser tomadas com relação aos demais. Também temos no campo dos estudos das �nanças corporativas os projetos mutuamente excludentes, os quais recebemesta denominação por serem exclusivos. Ao se aceitar um projeto, automaticamente se elimina o outro. Essa decisão somente é possível ao se avaliar se determinado projeto é mais vantajoso que o outro e, por �m, acaba eliminando os menos viáveis �nanceiramente, por exemplo, um projeto de expansão da produção. Na a�rmação de Martins e Assaf Neto (1986, p. 415), “investimentos mutuamente exclusivos ocorrem quando a aceitação de uma proposta elimina totalmente a possibilidade de implementar outra”. Em �nanças corporativas, os métodos de avaliação dos projetos são utilizados para saber o retorno de um investimento, avaliando se determinado projeto está em condições de ser viável ou não para o investidor. Projetos de investimentos devem ser considerados com o uso de cálculos do tempo de retorno de um investimento, saber em quanto tempo o projeto gerará caixa para a empresa. De acordo com o orçamento de investimentos, o gestor �nanceiro deverá saber quanto aplicará de capital em um projeto, além de saber a identi�cação da capacidade instalada e a previsão das receitas de vendas e dos gastos. Com esses dados, já é possível identi�car em quanto tempo (meses ou anos) esse investimento se paga com a geração do caixa para a empresa. Bodie, Kane e Marcus (2000, p. 141) a�rmam que: Uma vez determinados os objetivos e as limitações, pode ser formulada uma política de investimento que sirva ao investidor. Essa política deve re�etir um per�l de risco/retorno apropriado, assim como as necessidades para liquidez, geração de renda e posicionamento tributário. Tanto o gestor �nanceiro como o investidor ou o empreendedor deverão conhecer o mercado de atuação, a política tributária, o mercado concorrente, as taxas de câmbio, entre outras áreas que poderão afetar a avaliação de investimentos. 44..11 OORRÇÇAAMMEENNTTOO DDEE CCAAPPIITTAALL O orçamento de capital envolve uma análise detalhada da geração do �uxo de caixa projetado como forma de analisar e selecionar o projeto de investimentos mais viável a ser implantado. O gestor �nanceiro pode estar à frente da decisão de investir em um projeto mais barato, mas pode acontecer de o retorno do investimento ser muito mais demorado do que um projeto que requer investimento elevado com geração de retorno mais rápido. Contudo, é necessário saber se a empresa possui os recursos �nanceiros disponíveis para o investimento de valor maior. O orçamento visa justamente planejar algo para o futuro, com o objetivo de prever oportunidades satisfatórias futuras, e a busca pela melhor alternativa reside naquela que melhor se adapta à empresa ao se realizar diversas comparações dos resultados projetados em vários projetos. Para Kuhnen e Bauer (1994, p. 387), “o conceito de Análise de Investimentos pode hoje ser um conjunto de técnicas que permitem a comparação entre os resultados de tomada de decisões referentes a alternativas diferentes de uma maneira cientí�ca”. Quando realizamos os estudos do Ativo no Capítulo 1 deste livro de estudos, veri�camos que os investimentos são reconhecidos contabilmente no grupo do Imobilizado, em contas contábeis com a descrição de: máquinas e equipamentos, veículos, prédios ou móveis e utensílios. Os recursos alocados nestes tipos de Imobilizado são enormes, envolvem um elevado valor em dinheiro, mas são importantes para a empresa por estarem ligados única e exclusivamente às atividades operacionais da empresa. Os investidores e os gestores �nanceiros devem sempre se questionar se esses investimentos realmente valem a pena, se realmente trazem o retorno desejado, e por assim dizer, tornar esse volume de investimentos como sendo viável e rentável. De acordo com Kuhnen e Bauer (1994, p. 387), “neste sentido é que muitos autores consideram que a Engenharia Econômica é, em boa parte, uma aplicação das técnicas de Matemática Financeira nos problemas de tomada de decisões, envolvendo análise de investimentos, substituição de equipamentos e mesmo o estudo da depreciação”. Para o investidor tomar alguma decisão com relação a investir em determinado imobilizado ou não, deverá sempre avaliar alguns aspectos como: a) se é viável o investimento e se este permitirá ampliar o mercado da empresa, b) se os investimentos em novas máquinas serão mais compensadores que os atuais gastos com manutenção das máquinas que a empresa já possui, c) se novos produtos dependem de novas tecnologias ou não, ou se é possível criar novos produtos com o maquinário que a empresa já possui, d) se os novos investimentos terão impacto ambiental. Além disso, existem tipos diferentes de projetos de investimentos, mas isso é o que veremos a seguir. 44..11..11 PPaayybbaacckk O Payback é uma interessante ferramenta para a análise de investimentos, pois apura o tempo do retorno dos investimentos, adotando perspectivas de retorno de investimentos com taxa de atratividade ao custo do capital investido e não pode estar muito além ou aquém das taxas praticadas pelos órgãos o�ciais, como o Banco Central. Não existe nenhum acordo entre os investidores que entendem que um investimento somente é viável se a taxa de risco e retorno seja inferior ou superior a 6% ao ano, ou 8% ao ano, entre outros aspectos. A avaliação desse retorno deve estar relacionada única e exclusivamente com a área de atuação da empresa, pois há segmentos de mercado que exigem altos volumes de investimentos e outros nem tanto. Caso um investidor/empreendedor queira ganhar, por exemplo, 11% ao ano, líquido de impostos, aplicando seus recursos numa empresa, poderá fazer as seguintes contas: QUADRO 6 – REMUNERAÇÃO COMPARATIVA DO INVESTIMENTO FONTE: O autor Uma atividade comercial (loja ou supermercado), via de regra, exige menor investimento que o requerido para uma indústria. Na atividade comercial, o giro tende a ser mais rápido comparativamente com o que ocorre na atividade industrial. Em uma hipotética indústria têxtil o processo produtivo poderá se iniciar com a conversão do algodão em �o e na sequência em tecido, tecido estampado, tecido cortado e �nalmente lençol. Em um supermercado, hipoteticamente, os produtos entram e são vendidos em curto espaço de tempo, sem demanda de processamentos adicionais. O faturamento de um supermercado, comparando-se ao de uma indústria que recebeu idêntico montante de investimento, deverá ser signi�cativamente maior em razão do giro das vendas. Para atingir o mesmo ganho anual, via atividade empresarial, faz-se necessário comparar o investimento feito com a receita estimada/orçada para o exercício sob apreciação. Encontrar-se-á, desta maneira, o percentual (%) de lucro líquido a ser praticado, calculado com base no faturamento. Quando o assunto é lucro líquido, entende-se lucro �nal, ou seja, aquele encontrado depois de deduzidos os tributos devidos. Recomenda-se discutir este assunto com o seu contador, pois lucro tem também conceito contábil. O lucro tem relação com os preços de venda, e este, no contexto das organizações, vem sofrendo mudanças signi�cativas. A condução dos negócios mudou completamente no mundo, resultante do progresso nas comunicações e informática. O avanço permite a transmissão, em tempo real, de desenhos, fotos, grá�cos etc., sem di�culdades para imprimi-los no local de destino. Com isso, o potencial fornecedor que antes, por necessidade de comunicação com o cliente, tinha que estar próximo, a partir destes avanços, pode estar �sicamente em qualquer local geográ�co do planeta. • os preços de venda são valores �nitos. Não se consegue praticar valores superiores aos aceitos pelo mercado globalizado; • o lucro, antes dependente, tornou-se dominante e faz “guerra” para garantir o seu espaço, conforme determinado pelo investidor; e • os custos e despesas, que se não bem controlados, tornam-se in�nitos, passaram a exigir atenção maior daquela que até então se praticou. O quadro a seguir mostrará estes conceitos. • Acumulaçãodo Valor Presente em cada ano do projeto. • Saldo do Projeto com carregamento anual dos juros. Sem dúvidas, os progressos signi�cativos e com as reduções nos custos de utilização destes recursos de comunicação, as organizações passaram a poder transmitir dados, independentemente de seu porte. Todas puderam começar a fazer negócios de forma mais dinâmica. A dinâmica nas negociações atuais é diferente das anteriores, caracterizando, entre outros aspectos, que: QUADRO 7 – A BUSCA DO “SEU” ESPAÇO FONTE: O autor 44..11..22 MMééttooddoo ppaayybbaacckk ddeessccoonnttaaddoo ((PPBBDD)) Como os recursos alocados no investimento nnããoo ssããoo ggrraattuuiittooss,, devemos iinncclluuiirr sseeuuss ccuussttooss ao longo do prazo da análise do projeto de investimento. Há duas maneiras de incluir os custos: Vamos nos ater apenas ao primeiro método, que consiste em incluir o custo de capital ao longo do prazo de análise do projeto de investimento. Na prática, signi�ca trazer todas as entradas do �uxo de caixa para a data t = 0, ou, em outras palavras, trazê-las para um valor presente. EExxeemmpplloo: calcular o ppaayybbaacckk ddeessccoonnttaaddoo considerando que o custo de capital da empresa é de 12% a.a. e o prazo máximo aceito para retorno do investimento é de 4 anos: QUADRO 8 – EXEMPLO DE PAYBACK DESCONTADO FONTE: O autor Cálculo pela HP 12: Tecle OONN: para ligar a calculadora. FF CCLLxx – pressionar FF depois CCLLxx para limpeza de memórias. 120.000 CHS FV 12 i 1 n PV? – 107.143 Para calcular os demais valores, basta inserir o novo valor em PV e o novo período em “n”. A taxa permanece a mesma. Pergunta-se o novo PV. • Se PBD do projeto < PBD máximo, deve-se aceitar o projeto. • Se PBD do projeto = PBD máximo, deve-se aceitar o projeto. • Se PBD do projeto > PBD máximo, deve-se rejeitar o projeto. • O valor do PBD pode ser interpretado como o prazo de recuperação do investimento remunerado no valor da taxa de juros que representa o custo de capital. EExxeemmpplloo: continuando o exercício, para saber o valor presente de R$ 150.000 do ano 2: Cálculo pela HP 12: Tecle OONN: para ligar a calculadora. FF CCLLxx – pressionar FF depois CCLLxx para limpeza de memórias. 150.000 ENTER CHS FV 2 n PV? – 119.579 Para apurar o PBD, devemos utilizar o último ano do �uxo de caixa negativo e somar ao resultado da divisão entre o valor desse �uxo de caixa negativo (transformá-lo em saldo positivo) pela próxima entrada do �uxo de caixa a valor presente, que está no ano 6. PBD = 5 + 5.994 = 5 + 0,7 = 5,07 anos (0,07 de 12 meses) = 0,84 de 1 mês, 91.194 0.84 x 30 = 25 dias. Signi�ca que o investimento se pagará em 5 anos e 25 dias. Critério do método do Payback Descontado: o procedimento para aplicar o método do payback descontado é equivalente ao procedimento realizado no caso do PBS. Começamos por estabelecer o prazo máximo tolerado pela empresa para recuperar o capital investido. Por exemplo, se o prazo tolerado for igual a 3,5 anos, para que um projeto seja aceito deve apresentar um valor de PBD menor ou igual a 3,5 anos. Resumindo: Análise do método do PBD: a vvaannttaaggeemm do método do PBD é ccoonnssiiddeerraarr oo vvaalloorr ddoo ddiinnhheeiirroo nnoo tteemmppoo, pois o cálculo do PBD é realizado considerando o custo de capital da empresa. Esse resultado tem os seguintes signi�cados: • O método do PBD continua tendo as ddeessvvaannttaaggeennss de não considerar todos os capitais do �uxo de caixa, de ter que de�nir de forma subjetiva o prazo máximo tolerado e, ainda, a empresa continuará com a tendência de aceitar projetos de curta maturação e baixa rentabilidade e rejeitar projetos de maior maturação e alta rentabilidade. 44..11..33 VVPPLL -- VVaalloorr PPrreesseennttee LLííqquuiiddoo Essa técnica possibilita comparar todas as entradas e saídas de dinheiro na data inicial de um determinado projeto, mas devemos descontar os valores de entradas futuras do �uxo de caixa a uma taxa de juros que remunera o custo de capital investido. Para Autran e Coelho (2003, p. 144), “o VPL é uma técnica que procura identi�car o valor líquido atual de um investimento futuro. Para isso, estabelece-se uma taxa, chamada de taxa de desconto ou custo oportunidade, para deduzir os custos que reduziriam os ganhos que tal investimento traria”. Isso signi�ca que se em determinadas circunstâncias o VPL é positivo VPL > 0, então a soma na data T = 0 de todo o �uxo de caixa das entradas previstas é maior que o valor inicial investido. De acordo com a teoria do Orçamento de Capital estudada neste capítulo, ao trabalhar com estimativas futuras de um projeto, é possível identi�car se o capital inicial investido pode ser recuperado ou não. O critério do método do VPL para demonstrar a viabilidade do projeto é o valor presente (T=0) das entradas do �uxo de caixa previsto ser maior que o valor presente das saídas (o investimento inicial) calculado com a taxa de juros que remunera o capital inicial investido. Esse método do VPL (Valor Presente Líquido) é semelhante ao método do payback descontado (PBD), pois o saldo �nal do projeto é o retorno do valor inicialmente investido, é o que sobra no �uxo de caixa. Se um projeto de investimento é aceito pelo método de apuração do PBD, o valor do VPL deverá ser positivo, isto é VPL > 0. Vamos apurar um exemplo de investimento inicial de R$ 550.000,00 e �uxos líquidos de caixa. Veri�que se esse projeto é viável, sabendo que a taxa de custo de capital é de 10% a.a. QUADRO 9 – EXEMPLO DE INVESTIMENTO INICIAL FONTE: O autor Se o cálculo for efetuado na calculadora HP 12C, deve-se proceder da seguinte forma: F REG R$ 550.000,00 CHS g Cfo R$ 125.000,00 g CFj R$ 152.000,00 g CFj R$ 210.000,00 g CFj R$ 235.000,00 g CFj R$ 154.000,00 g CFj R$ 187.000,00 g CFj R$ 89.000,00 g CFj 10 i f NPV → R$ 254.390,05. Se o VPL > 0, então o capital investido no valor de R$ 550.000,00, considerando a taxa de juros de 10% a.a., está sendo recuperado e está gerando o lucro extra (na data T=0) de R$ 254.390,05, correspondente ao VPL. Portanto, o retorno deste projeto é maior que 10%. Signi�ca que a empresa aumentará sua riqueza em R$ 254.390,05 se aceitar o projeto. 44..11..44 TTIIRR -- TTaaxxaa IInntteerrnnaa ddee RReettoorrnnoo A TIR é um método que tem profunda relação de análise com o método do Valor Presente Líquido (VPL), sendo que a sua aplicação consiste em apurar a taxa de retorno �nanceiro de um projeto. Ao ser aplicada em um orçamento empresarial, a TIR visa apurar se o retorno do investimento é interessante comparado com o retorno desejado dos acionistas. Conforme Kuhnen e Bauer (1994, p. 413), a taxa interna de retorno é: A taxa que anula o saldo dos valores atuais do �uxo de caixa. Quando analisamos diversas alternativas de investimentos pelo método de Taxa Interna de Retorno, é necessário equipararmos o investimento inicial, ou seja, aplica-se a diferença de investimento (A MENOR) pela taxa mínima de atratividade nas mesmas condições do investimento base. Na abordagem de Martins e Assaf Neto (1986, p. 38), “[...] a TIR, na realidade, é a taxa de desconto que, quando aplicada a uma série de pagamentos ou recebimentos, gera um resultado igual ao valor presente (VP) da operação”. Complementando, para Dantas (1996, p. 105), “a taxa interna de retorno é o segundo método mais utilizado para calcular a viabilidade de um investimento. Dado o valor futuro, ela varia inversamente com o valor presente”. Por este método, enquanto o valor da TIR for maior que o valor do custo de capital (k), o projeto deve ser aceito. Prosseguiremos com o exemplo do cálculo anterior. Utilizaremos os mesmos dados e também faremos simulações com outros cenários referentes ao valor da TIR e da taxa de desconto utilizada. QUADRO 10 – EXEMPLO DE CÁLCULO FONTE: O autor Após apertar a sequência das teclas f NPV na calculadora HP 12C, aperte as teclas f IRR para apurar a TIR do projeto. Observe que a TIR apurada está em 22,8100220234% durante o projeto de 7 anos. Isso quer dizer que a TIR deve sempre ser MAIOR que a taxa de desconto do cálculo do custo do capital para gerar o VPL em R$ 254.390,05. Agora, faremos uma nova simulação, desta vez, utilizando hipoteticamente a taxa de desconto com a mesma taxa da TIR. Vamos veri�car como �cará o VPL do período? QUADRO 11 – SIMULAÇÃO FONTE: O autor Veja que interessante, não existe riqueza gerada, pois a taxa de desconto é exatamente o mesmo percentual da taxa de desconto do custo do capital. Agora, faremos uma nova simulação, em que utilizaremos hipoteticamente o valor venal (original) das entradas do �uxo de caixa, exatamente no mesmo valor do investimento do projeto, aplicando a mesma taxa de desconto utilizada no cenário da letra (a). Vamos veri�car como �cará o VPL e a TIR do período? QUADRO 12 – NOVA SIMULAÇÃO FONTE: O autor Observe o interessante comportamento desse �uxo de caixa. Se o valor das entradas do �uxo de caixa venal (original) for igual ao valor do investimento inicial do projeto, sendo a taxa de desconto de 10% ao ano, o valor do VPL �cará negativo em R$ 284.889,48, nesse caso, houve DESTRUIÇÃO DA RIQUEZA. Por conseguinte, e não poderia ser diferente, a TIR (Taxa Interna de Retorno) é exatamente 0 (ZERO). 11 CCoommoo ppooddee sseerr iinntteerrpprreettaaddoo oo PPBBDD ((PPaayybbaacckk DDeessccoonnttaaddoo)) nnaa aannáálliissee ddee iinnvveessttiimmeennttooss?? Responder Responder 22 AAoo rreeaalliizzaarr aa aannáálliissee ddee iinnvveessttiimmeennttooss ddee uummaa eemmpprreessaa,, ee aa ttaaxxaa ddee ddeessccoonnttoo aapplliiccaaddaa aaoo ccuussttoo ddee rreemmuunneerraaççããoo ddoo ccaappiittaall ffoorr eexxaattaammeennttee oo mmeessmmoo ppeerrcceennttuuaall aappuurraaddoo nnaa TTIIRR ((TTaaxxaa IInntteerrnnaa ddoo RReettoorrnnoo)),, qquuaall éé oo ccoommppoorrttaammeennttoo ddoo VVPPLL ((VVaalloorr PPrreesseennttee LLííqquuiiddoo))?? AALLGGUUMMAASS CCOONNSSIIDDEERRAAÇÇÕÕEESS Nesse capítulo você estudou as características da in�ação e seu impacto na economia e um interessante modelo para apurar a taxa da in�ação interna da empresa, pois muitas vezes a taxa o�cial divulgada pelo Banco Central não condiz com a realidade da empresa. Você também teve a oportunidade de estudar a matemática �nanceira aplicada em cálculos para avaliar investimentos e �nanciamentos, suas taxas de juros, período apurado, valor futuro e valor presente. As ferramentas da matemática Capítulo 1 Capítulo 3 Conteúdo escrito por: �nanceira podem auxiliar na tomada de decisões de compras, com o uso das taxas negociadas e o valor presente do custo da compra. Com essa ferramenta, o gestor �nanceiro pode avaliar se é interessante pagar à vista as compras das matérias- primas ou negociar maiores prazos de pagamentos com seus fornecedores. Por �m, na avaliação de investimentos na parte que se relaciona com a análise do VPL (Valor Presente Líquido) e da taxa da TIR (Taxa Interna de Retorno), você teve a oportunidade de avaliar alguns cenários de projetos de investimentos, comparando as entradas do �uxo de caixa juntamente à taxa de desconto, VPL e TIR. Todos os direitos reservados © 2020 Valdecir Knuth