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JOEL DE JESUS MACEDO ANÁLISE DE RISCOS E PROJETOS ACESSE AQUI ESTE MATERIAL DIGITAL! Coordenador(a) de Conteúdo Cleide Tirana Nunes Possamai Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Lilian Andreia Hasse Lavígnia Santos Design Educacional Vanessa Tiburcio Revisão Textual Elaine Machado Ilustração Eduardo Aparecido Alves Fotos Shutterstock e Envato Impresso por: Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Núcleo de Educação a Distância. MACEDO, Joel de Jesus. Análise de Riscos e Projetos/ joel de Jesus Macedo. - Florianópolis, SC: Arqué, 2023. 224 p. ISBN papel 978-65-6083-199-5 ISBN digital 978-65-6083-196-4 “Graduação - EaD”. 1. Análise 2. Projeto 3. EaD. I. Título. CDD - 658.404 EXPEDIENTE Centro Universitário Leonardo da Vinci.C397 FICHA CATALOGRÁFICA 180493 RECURSOS DE IMERSÃO Utilizado para temas, assuntos ou con- ceitos avançados, levando ao aprofun- damento do que está sendo trabalhado naquele momento do texto. APROFUNDANDO Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de filmes que se conectam com o tema do conteúdo. INDICAÇÃO DE FILME Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de livros que agregarão muito na sua vida profissional. INDICAÇÃO DE LIVRO Utilizado para desmistificar pontos que possam gerar confusão sobre o tema. Após o texto trazer a explicação, essa interlocução pode trazer pontos adicionais que contribuam para que o estudante não fique com dúvidas sobre o tema. ZOOM NO CONHECIMENTO Este item corresponde a uma proposta de reflexão que pode ser apresentada por meio de uma frase, um trecho breve ou uma pergunta. PENSANDO JUNTOS Utilizado para aprofundar o conhecimento em conteúdos relevantes utilizando uma lingua- gem audiovisual. EM FOCO Utilizado para agregar um con- teúdo externo. EU INDICO Professores especialistas e con- vidados, ampliando as discus- sões sobre os temas por meio de fantásticos podcasts. PLAY NO CONHECIMENTO PRODUTOS AUDIOVISUAIS Os elementos abaixo possuem recursos audiovisuais. Recursos de mídia dispo- níveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. 4 149U N I D A D E 3 ESCOPO DO CICLO DE VIDA DO PROJETO 150 METODOLOGIA DE PROJETOS EMPRESARIAIS 174 AVALIAÇÃO E VIABILIDADE DOS RISCO EM PROJETOS EMPRESARIAIS 202 7U N I D A D E 1 FUNDAMENTOS DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 8 RETORNO E RISCO DE INVESTIMENTOS 30 CONCEITOS DE CARTEIRA DE INVESTIMENTOS 52 77U N I D A D E 2 INVESTIMENTOS EM TÍTULOS DE DÍVIDA, INVESTIMENTO EM AÇÕES ORDINÁRIAS 78 DERIVATIVOS FINANCEIROS 100 FUNÇÕES, OBJETIVOS E PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DOS PROJETOS EMPRESARIAIS 124 5 SUMÁRIO UNIDADE 1 MINHAS METAS FUNDAMENTOS DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS Explorar os riscos associados à tomada de decisão. Entender a importância de fazer uma correta avaliação da empresa. Conhecer os diferentes métodos de valuation. Analisar os métodos de avaliação de empresas. Compreender o método de avaliação de empresa por Valor Patrimonial. Avaliar empresas pelo método de avaliação de empresa por Múltiplos. Aplicar o método de avaliação de empresa por Fluxo de Caixa Descontado. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1 8 INICIE SUA JORNADA Imagine que você foi contratado para intermediar ou determinar o valor de venda de uma empresa. Certamente, o primeiro passo é você determinar o valor de venda do negócio, assim como as forças e fraquezas, oportunidades e ameaças. Além de ter que evidenciar como chegou no valor de venda, e nesse caso, o uso dos modelos de valuation entrará em cena praticamente como pré-requisito. Evidenciar o uso e o domínio dessa técnica, certamente, aumentará as chances de êxito no fechamento do negócio. Outra prática muito comum no mundo dos negócios diz respeito às fusões, diante de cenários cada vez mais desafiadores como: necessidade de expansão, reposicionamento no mercado, fortalecimento na abrangência de atuação, ou mesmo, pelo fortalecimento diante de crises, as empresas se unem, num processo chamado fusão, nesse caso, também é muito comum o uso do valuation. No caso de empresas de capital aberto, o valuation é uma estratégia muito usada para determinar o valor inicial das ações, principalmente para ingressarem na bolsa de valores. Nesse caso, o valor determinado no valuation da empresa é dividido pelo número de ações colocadas à venda, assim é determinado o valor de cada ação. Depois dessa etapa, o mercado se encarrega de ajustar os valores para mais ou para menos, segundo os resultados e decisões estratégicas das empresas. No que tange às decisões estratégicas de negócios, a técnica do valuation é muito útil para definir os caminhos de crescimento da empresa, pois permite identificar os parâmetros de aumento do valor da empresa. Para isso, se calcula o valor da empresa e simula-se os indicadores ou drivers de valor que podem valorizar no futuro. Depois disso, planeja-se e implementa-se as melhorias que permitam a empresa valer mais. Feitas as implementações de melhorias aplica-se um método de valuation para mensurar o incremento do valor. E, continuamen- te, o método pode ser aplicado para apurar a maximização do valor. Além das decisões intra empresa, têm aquelas deci- sões que são tomadas pelo investidor externo à empresa, isto é, aquele que estuda as empresas de modo geral e, a partir das técnicas de avaliação, as conhece, dentre as di- versas companhias existentes no mercado, e decide alocar na sua carteira de investimentos, ativos promissores e que estejam em linha com os objetivos de seu portfólio. A técnica do valuation é muito útil para definir os caminhos de crescimento da empresa UNIASSELVI 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Não há um modelo de cálculo único e padrão admitido para todos os casos. Existem vários métodos, e, dependendo do método utilizado, pode resultar em valores que nem sempre são iguais. DESENVOLVA SEU POTENCIAL Espero que a esta altura você já esteja convencido que estabelecer o valor de um negócio ou investimento é primordial no contexto das finanças. Para corroborar com a nossa afirmação, citamos Damodaran (2007), o qual afirma que a avalia- ção está no centro das discussões em finanças corporativas, seja no estudo da eficiência dos mercados ou na comparação de diferentes regras de decisão de investimentos no orçamento de capital. Para melhorar o nosso entendimento acerca da importância do valuation nas em- presas, te convido a acessar a área do podcast. Lá, você vai ouvir sobre os con- ceitos, as técnicas e as aplicações que fazem a diferença na hora de analisar os aspectos financeiros de uma empresa. Vamos lá! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Para avaliar o crescimento da empresa, é necessário estimar o lucro do negócio e, para isso, avaliar o faturamento, custos, despesas, lucros etc. O ideal é fazer um plano de negócios por, no mínimos uns cinco anos, e na estimativa do valuation trazer ao valor presente os resultados que a empresa está gerando ao longo desse período. Vamos recordar o que é a avaliação de empresas assistindo aos vídeos. Recursos de mídia disponíveis no conteúdodigital do ambiente virtual de aprendizagem 1 1 O processo de avaliação financeira de uma empresa deve passar por três fases: ■ Fase 1: elaborar a matriz SWOT da empresa avaliada. ■ Fase 2: traçar uma perspectiva dos rumos da empresa. ■ Fase 3: realizar a avaliação financeira. Na Fase 1 devem ser analisadas as oportunidades e ameaças, forças e fraquezas da empresa avaliada, a fim de conhecer o contexto em que está inserida. Além disso, nessa fase também são analisados os prazos médios de faturamento e pagamentos da empresa, assim como a taxa de retorno. Na Fase 2, projetar a expansão dos negócios de forma segura, dentro de uma previsão orçamentária, evitando contrair dívidas superiores à capacidade de pagamento. Nessa fase do orçamento, é importante que o plano de vendas de produtos ou serviços seja suficiente para suportar todos os gastos incorridos na produção, inclusive aqueles decorrentes das vendas dos produtos ou serviços, despesas tributárias, fiscais etc. Vencidas as fases anteriores, cabe à última, a realização da avaliação financeira do negócio, isto é, os produtos das fases anteriores permitem traçar uma linha para os negócios, já se tem o bastante para produzir os documentos essenciais que um valuation requer. De modo geral, falamos bastante em avaliação de empresas e valuation, con- tudo, existem métricas de avaliação mais ou menos aderentes. Isso varia de acordo com as premissas e ambiente em que a empresa avaliada está inserida, ou seja, uma métrica pode se demonstrar mais ou menos adequada, dados as circunstâncias da avaliação e o conjunto de informações disponíveis. Na prática, existem três principais métodos de avaliação de empresas, “mé- todos de valuation”, que são usados para calcular o valor da empresa: FLUXO DE CAIXA DESCONTADO (FCD) Neste método, o cálculo se dá sob o enfoque da renda. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 MÚLTIPLOS DE MERCADO Neste método, a avaliação se dá sob o enfoque de comparação de indicadores eco- nômicos e financeiros com o desempenho de outras empresas similares no mercado. VALOR PATRIMONIAL Neste método, a avaliação se dá sob dois enfoques: pelo valor patrimonial de liquida- ção “preço de mercado” e valor patrimonial contábil “valor histórico contábil”. Cada método de avaliação tem sua particularidade e importância para cada fase da empresa ou da negociação que se pretende fazer. AVALIAÇÃO DE EMPRESAS PELO MÉTODO VALOR PATRIMONIAL (OU CONTÁBIL) Esse método de valuation tem como premissa a contabilidade e o patrimô- nio líquido da empresa, por meio das demonstrações contábeis trimestrais e os números do balanço. Nesse método, considera-se o valor contábil dos ativos ou do Patrimônio Líquido da empresa, sem mensurar ativos intangíveis. Esse não é um método que reflete a imagem fiel do negócio e não reflete as perspectivas da empresa para o futuro. Em virtude da sua especificidade de apuração, é bastante aplicado em casos mais específicos, como: ■ venda de empresas inoperantes e com ativo imobilizado significativo; ■ situações de empresas em dificuldades financeiras, sem geração relevante de lucros e com urgência de venda. Na abordagem de Perez e Famá (2008) o método Patrimonial Contábil se dá a partir das finanças e relatórios contábeis da empresa. Esse método assume o custo histórico dos ativos e passivos, e a partir deles determina-se o valor da 1 1 empresa pelo Patrimônio Líquido, também chamado de valor patrimonial da empresa ou Book Value. Sob a ótica de Paiva (2001), a avaliação pelo valor contábil é o método mais direto para se avaliar empresas, pois este tem como premissa apenas nas in- formações disponíveis no Balanço Patrimonial e pelo custo histórico do imo- bilizado. Contudo, por ser uma avaliação a partir de uma abordagem estática, baseada em seus custos históricos, esse modelo é visto como limitado, pois os ativos e passivos não acompanham a evolução inflacionária, logo, é um modelo que pode apresentar grande divergência dos valores de mercado. Para Martins (2000), o uso desse método é mais recomendado para empresas cujo patrimônio não se desvie de forma significativa do seu valor de mercado, ou seja, que não possua Goodwill significativo. Esse método do valuation é bastante simples, contudo, o resultado final de- pende da disponibilidade e uso de dados completos sobre os balanços patri- moniais da empresa e de sua organização, de modo que se algum dado estiver faltando ou defasado impactará em um resultado final viesado. Apesar da simplicidade do método, os conceitos de ativo circulante e não circulante precisam estar bem claros. Enquanto o ativo circulante transforma-se em valor monetário em menos de um ano, o não circulante diz respeito aos ativos que se transformarão em dinheiro depois do período de doze meses. Compreender esses conceitos é primordial para a aplicação do método, que se desdobra no seguinte procedimento: IDENTIFICAR OS ATIVOS TANGÍVEIS E INTANGÍVEIS Inicia realizando o inventário completo dos ativos da empresa, incluindo imóveis, equi- pamentos, estoques, marcas registradas, patentes, direitos autorais, entre outros. DETERMINAR O VALOR DOS ATIVOS TANGÍVEIS Neste grupo se encontram os imóveis e equipamentos, que podem ser avaliados com base em seu valor de mercado ou custo de substituição, também conhecido como valor de reposição. Como desejamos estimar o valor líquido, os ativos devem ser apli- cados às respectivas cotas de depreciação. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 AVALIAR OS ATIVOS INTANGÍVEIS Este grupo costuma ser o mais difícil de avaliar, uma vez que seu valor não é facilmen- te mensurável. Uma prática bastante usada para avaliação é o custo histórico, o valor justo de mercado ou a estimativa do valor futuro que esses ativos podem gerar. DEDUZIR AS OBRIGAÇÕES E PASSIVOS Nesta etapa soma-se às obrigações e passivos da empresa. Como o valuation pelo método do valor contábil busca identificar o valor da empresa a partir das informações contábeis, realizado o procedimento ante- rior, basta calcular a diferença entre os ativos líquidos e os passivos e teremos o valor da empresa. É importante ressaltar que o método do Valor Patrimonial tem algumas restrições. Por exemplo, ele não considera aspectos como o potencial de geração de fluxo de caixa da empresa, seu desempenho financeiro atual, perspectivas de crescimento, fatores de mercado e outros elementos. Esse método mostra o que a empresa gerou até o momento da análise, isto é a principal limitação do método: não avalia a continuidade da empresa. AVALIAÇÃO DE EMPRESAS PELO MÉTODO MÚLTIPLOS A avaliação pelo Método Múltiplo consiste na avaliação baseada no conceito de valor relativo, isto é, o valuation é feito por comparação e não pelo potencial de renda ou valor intrínseco. Aqui a prática consiste na análise comparativa do desempenho econômico de empresas semelhantes ou de transações já realizadas que guardem alguma semelhança com a empresa que está sendo avaliada. A avaliação de empresas por múltiplos tem como premissa a avaliação dos ativos a partir dos preços de seus correntes e de outros ativos que sejam compa- ráveis. sob o enfoque da avaliação relativa, Damodaran (2007) sugere avaliar os ativos a partir de outros ativos similares já precificados no mercado. A compa- ração de preços dos ativos com outros já precificados no mercado se dá a partir 1 4 da padronização de valores, para isso, encontram-se os chamados múltiplos de mercado para aquelas variáveis comuns entre os ativos, por exemplo, lucros, fluxos de caixa, valor patrimonial ou receitas, EBITDA. Para Damodaran (2007), a avaliação de empresas pelo método múltiplo, pressupõe que o preço de uma empresa ou ação será similar ao preço de outras empresas “comparáveis” e que, o mercado, em média, precificou essas empresas de modo correto. Segundo Palepu, Healy e Bernard (2000), o processo de avaliação por múlti- plos de mercado deve ser estruturado no mínimo em três fases:FASE 1 Seleção da medida de desempenho ou o valor que será a base para a análise por múl- tiplos. Nesta fase, são definidos os múltiplos a serem utilizados na análise. FASE 2 Estimação dos múltiplos das empresas comparáveis, utilizando a medida de de- sempenho ou valor definida na fase 1. Nesta fase é definido o conjunto de empresas comparáveis, e, a partir dos dados dessas empresas, é gerado o múltiplo relativo a ser aplicado na empresa-alvo. FASE 3 Nesta fase, é feita a aplicação do múltiplo das empresas comparáveis, utilizando a medida de desempenho ou valor da empresa analisada. Quanto aos tipos de múltiplos, podemos dizer que existem diversos múltiplos de mercado, no entanto, os mais conhecidos, e que você já pode ter visto são: ■ valor da empresa / EBITDA; ■ valor da empresa / Lucro Líquido; ■ valor da empresa / Faturamento. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 No enfoque de “MÚLTIPLOS” a metodología de “valuation” o valor da empresa é mensurado a partir da comparação do desempenho econômico-financeiro entre companhias se- melhantes no mercado. Para isso, identifica o quociente re- sultante do valor da empresa e uma variável qualquer, como o EBITDA, lucro líquido ou faturamento. Para compreender o cálculo, precisamos compreender o significado de cada variável. O valor da empresa pode ser dado pela soma do valor de mercado da com- panhia com sua dívida de curto e de longo prazo, desse resultado é subtraído o valor das disponibilidades do ativo circulante. O EBITDA (Earning Before interest, taxes, depreciation and amortization) que significa Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LA- JIDA), indica a capacidade de geração de caixa operacional de uma empresa. O faturamento é dado pela soma de todas as vendas, incluindo os produtos e os serviços, que uma empresa realiza em determinado período. Já o lucro líquido é o dado pela diferença entre a receita total e o custo total. Com esses indicadores, já é possível avaliar a empresa, ou fazer uma com- paração entre o valor de mercado das empresas similares à empresa avaliada. Lembrando que neste modelo de avaliação de empresas, o que queremos é identificar quanto vale uma empresa, comparando-a com outra (s) dos mesmos setores “comparáveis”. Para esse método de avaliação, o indicador a ser utilizado vai depender muito do objetivo da avaliação, por exemplo, para fusão de em- presas ou em aquisição de sociedades, o múltiplo mais utilizado é o EBITDA, já para empresas de capital aberto, o indicador mais utilizado é o lucro líquido. Para a comparação de empresas há necessidade de conhecer os indicadores de cada uma. Para empresas listadas em bolsa, os valores são conhecidos (valor da ação), nesse caso, basta multiplicar o preço de cada cota “ação” pelo número total de ações. Ambas as informações são publicadas em seus relatórios contábeis, assim como os seus lucros, EBITDA, receita etc. Já as empresas não listadas em bolsa de valores não são possíveis determinar o valor de mercado a partir das ações, como fazemos quando é listada, e, não são divulgados os balanços. Logo, a forma de obter o preço de referência se dá a o lucro líquido é o dado pela diferença entre a receita total e o custo total 1 1 Tabela 1 – Valuation por múltiplos de Lucro (Valor da empresa / EBITDA) / Fonte: o autor. Valor atual da empresa M na bolsa de valores a) R$ 6.000.000,00 Valor da dívida da empresa M b) R$ 5.000.000,00 Valor da empresa M (a+b) c) R$ 11.000.000,00 EBITDA estimado para o ano atual d) R$ 1.200.000,00 Múltiplo estimado de EBITDA (c / d) 9,17 vezes partir do valor de aquisição de empresas, a partir de algum meio de publicidade, “valor de transação “ou valor pelo qual foi vendido”, da mesma forma deve se obter alguns parâmetros como receitas, EBITDA e lucro líquido. Para avaliar o valor da sua empresa pelo método “Múltiplos” escolha duas ou mais empresas similares à empresa avaliada, com potencial de crescimento, tam- bém, similar. Depois de identificado o grupo de empresas calcule seus múltiplos e a média do grupo, dessa forma, você terá o valor de referência para identificar o quanto vale a empresa avaliada. Avaliação de empresas pelo Múltiplos de EBITDA Esse é um indicador que avalia a empresa sob a ótica dos resultados operacio- nais. Não é o nosso objetivo calcular o EBITDA, então, vamos assumir que você já sabe calcular ou o EBITDA é conhecido. Vamos supor que você foi contratado por um grupo de acionistas para avaliar a empresa J, ou seja, fazer o valuation desta empresa. Inicialmente, você escolheu a empresa M como a empresa referência para sua comparação. Suponha ainda, que a empresa M tem capital aberto em bolsa, logo, seus números são conhecidos, caso contrário você teria que ter acesso e calculá-los. Calculado o múltiplo de referência, “empresa M”, o próximo passo é calcular o valor da “empresa J”, lembre-se que o objetivo é comparar as empresas. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Em suma, um múltiplo de 9,17 vezes ou (9,17x) indica que, comparado com a geração de caixa operacional, a empresa vale 9,17 anos o caixa gerado, conside- rando o último EBITDA divulgado pela empresa. Nesse método, o lucro inde- pendente é substituído pelo EBITDA da empresa, e as informações acerca dos demais itens do resultado do exercício são considerados irrelevantes. O objetivo é avaliar o potencial de geração de caixa produzido pelos ativos operacionais. O método não leva em consideração a retenção de recursos para reinvestimentos. O EBITDA tem como premissa a comparação de desempenho e valor entre as empresas análogas do mesmo setor, usado como indicador de desempenho operacional e, em alguns casos, é usado como base para avaliação dos negócios. Avaliação de empresas pelo Múltiplos de Lucro Líquido O método de “múltiplos de Lucro Líquido” é mais usado para empresas negocia- das na Bolsa de Valores, pois depende do preço da ação. Em geral, é dado pelo quociente do preço por ação pelo lucro por ação. Conhecido como Preço/Lucro (P/L) ou do inglês Price Earnings Ratio (P/E). Este múltiplo permite determinar o tempo necessário para o investidor re- cuperar o capital investido na compra de uma determinada ação. Por exemplo, empresas com baixo índice sinalizam para uma desvalorização. Apesar de ser um cálculo simples, não tem muita precisão por conta da variação de preços das ações, por isso, o método é recomendado no uso em conjunto com outras metodologias como o fluxo de caixa descontado. Múltiplo estimado para a empresa de referência “M” a) 9,17 vezes EBITDA estimada da empresa J para o ano atual b) R$ 2.500.000,00 Valor estimado da empresa J (EBITDA x Múltiplo) c) R$ 22.925.000,00 Valor da dívida d) R$ 10.000.000,00 Valuation da empresa J para seus acionistas (“c” – “d”) R$ 12.925.000,00 Tabela 2 – Valuation por múltiplos de Lucro (Valor da empresa / EBITDA) / Fonte: o autor. 1 8 Ao adotar o método de “Múltiplos de Lucro Líquido” recomenda-se avaliar em ter- mos percentuais (%) o quanto a empresa distribui de dividendos e JCP, pois isso implica na decisão. O exercício que fizemos desprezou a retenção de parte dos lucros para novos investimentos, mas reflita que as empresas distribuem lucros mínimos de 25% previsto em Lei, mas com frequência arbitram em percentuais superiores ao mínimo. Suponha que a empresa do Sudeste distribua todo o lucro gerado, enquanto a empresa do sul distribua apenas 50% do lucro e reinvista a diferença, logo, isso pode alterar a decisão de alocação do seu investimento. ZOOM NO CONHECIMENTO Imagine que você está avaliando empresas de saneamento para investir seus recursos e, para isso, está usando o método “Múltiplos de Lucro Líquido”. Exemplo 1: uma empresa de saneamento do sul do Brasil reportou um lucro líquido referente ao ano de 2022 no valor total de R$ 1,151 bilhões. Suponha que o total de ações da empresa em 31/12/2022 era de 1.511.205.519, cujas ações esta- vam sendonegociadas em 31/12/2022 ao preço de R$ 4,42. Veja que o lucro por ação foi de R$ 0,7616. Ao aplicar a regra do “P/L”, temos que pelo lucro líquido o investidor recuperaria o capital investido em aproximadamente 5,8 anos. Agora suponha que você está avaliando uma segunda empresa de sanea- mento localizada no Sudeste brasileiro, e, a partir destes dados, irá comparar com os anteriores, a fim de decidir a melhor opção de investimentos. A em- presa reportou um lucro líquido, referente ao ano de 2022, no valor total de R$ 3,121 bilhões. Suponha que o total de ações da empresa em 31/12/2022 era de 683.509.869, cujas ações estavam sendo negociadas em 31/12/2022 ao preço de R$ 57,16. Veja que o lucro por ação foi de R$ 4,5661. Ao aplicar a regra do “P/L”, temos que, pelo lucro líquido, o investidor recuperaria o capital investido em aproximadamente 12,5 anos. No método “Múltiplos de Lucro Líquido”, demonstramos aplicação de um indi- cador de análise, contudo, existem outros indicadores, por exemplo: UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 INDICADOR FÓRMULA DE CÁLCULO P/L Preço da ação pelo LPA: Preço da ação / Lucro por ação LPA Lucro Líquido por ação: Lucro Líquido / Quantidade total de ações VPA Patrimônio Líquido por ação: Patrimônio Líquido / Quantidade total de ações P/VP Preço da ação pelo VPA: Preço da ação / Valor Patrimonial por ação ROE Retorno Sobre o Patrimônio Líquido: lucro Líquido / Patrimônio Líquido Quadro 1 – Indicadores Múltiplos de Lucro Líquido / Fonte: o autor. Perceba que o caso do exemplo se deu a partir do primeiro indicador apre- sentado, “P/L”. A premissa desse método é a comparação de desempenho e valor entre as empresas análogas, geralmente do mesmo segmento, que compartilham de par- ticularidades semelhantes em termos de mercado de atuação, administrativas e dos direcionadores de desempenho, como também guardam uma relação em termos de riscos. Avaliação de empresas pelo Múltiplos de Faturamento Enquanto os métodos “múltiplos de Lucro Líquido” e “valor patrimonial” têm seus cálculos dependentes das regras contábeis, o método de “Múltiplos de fatu- ramento” depende da receita, isto é, não é tão afetada pelas regras contábeis, que podem atingir as demais variáveis. Também conhecido como “múltiplos de receita”, o “múltiplo de faturamento” permite comparar empresas que atuam em mercados diferentes, contudo, deve ser usado em segmentos ou empresas nas quais a margem de EBITDA, ou lucro, seja mais ou menos constante. Esse método permite identificar quantas vezes o valor do faturamento vale uma empresa. Na prática, o método de “múltiplos de faturamento” só é utilizado quando não é possível a adoção de um driver melhor. 1 1 AVALIAÇÃO PELO MÉTODO FLUXO DE CAIXA DESCONTADO Este é o método de valuation mais aceito pelo mercado, dado o maior grau de confiabilidade e por ser o mais completo. Martins (2000) defende que o método de avaliação de empresas, através do Fluxo de Caixa Descontado, expressa melhor o valor de um negócio. O cálculo consiste em trazer as projeções do fluxo de caixa futuros da Compa- nhia ao valor presente. Nessa linha, Copeland, Koller e Murrin (2006) defendem que o Valor Presente Líquido (VPL) é o método mais aderente à maximização da riqueza dos acionistas, pois ele é alcançado somente após os titulares e os acionistas receberem como expectativas de retorno ajustadas ao risco. O método de valuation Fluxo de Caixa Descontado calcula o valor da empresa a partir do resultado que o negócio pode gerar no futuro. Esse método considera o potencial de geração de renda do negócio segundo as características operacionais intraempresa. Por isso, sua premissa é a do valor intrínseco da empresa. Para realizar o cálculo, inicialmente, projetamos o Fluxo de Caixa da empre- sa. Depois, a partir da taxa de desconto do custo do capital, calcula-se o valor presente da riqueza gerada com os investimentos realizados. O processo de avaliação das empresas a partir do método do Fluxo de Caixa Descontado passa por quatro fases: ■ Fase 1: levantamento das informações. ■ Fase 2: projeções dos fluxos de caixa. ■ Fase 3: determinação da taxa de desconto. ■ Fase 4: definição do valor da empresa. A análise da capacidade da geração de caixa inicia-se a partir dos aspectos inter- nos à empresa e dos fatores externos que a impactam. São analisados os ativos tangíveis, intangíveis, pontos fortes e fracos, os riscos e oportunidades. Este con- junto de informações é fundamental para a determinação da taxa de desconto, cuja finalidade é trazer o fluxo de caixa esperado para o futuro ao valor presente. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Levantamento de informações O valuation pelo Método do Fluxo de Caixa descontado se dá a partir do le- vantamento de dados e informações a respeito do desempenho histórico da empresa avaliada. As informações utilizadas na elaboração da projeção do fluxo de caixa futuro têm como ponto de partida as informações históricas referentes à própria empresa e ao mercado. O fluxo de caixa descontado mensura o quanto a empresa pode produzir de caixa considerando as potencialidades e os riscos internos e externos. Sob a ótica das informações internas são analisados os dados: ■ econômico-financeiros (direcionadores de valor, o retorno do investi- mento, a diversificação de ativos e de risco, a relação entre giro e margem operacional, custo e estrutura de capital etc.); ■ contábeis (DRE e Balanço Patrimonial); ■ comerciais (portfólio de produtos; margem dos produtos); ■ operacionais e de gestão do negócio (processos e análise dos departa- mentos); ■ ativos tangíveis e intangíveis. Sob a ótica das informações externas é analisado o comportamento do mercado, a partir das seguintes premissas socioeconômicas: ■ desempenho do negócio; expansão da demanda e da concorrência; ■ tendências de negócios e de novos produtos; ■ oferta de crédito; ■ preços de commodities; ■ taxa de juros; ■ crescimento do PIB; ■ inflação; taxa de câmbio. O correto levantamento dessas informações, assegura que as projeções sobre a geração de riqueza da empresa avaliada estejam em conformidade com a mensuração real. 1 1 Projeções dos fluxos de caixa A partir das informações históricas levantadas pelo avaliador, são realizadas as projeções de fluxo de caixa, ou seja, projeta-se a taxa de crescimento, a partir do desempenho histórico da empresa. Cabe destacar que as projeções dos fluxos de caixa variam de 5 a 15 anos. Nesse fluxo são projetados os investimentos em ativos imobilizados, capital de giro operacional, e, caso a empresa goze de regime tributário pelo Lucro Real, também desse ser somado à depreciação. A essa projeção de 5 a 15 anos deno- minamos de fluxo de caixa explícito. Além do fluxo de caixa explícito, deve ser elaborado o fluxo de caixa para o horizonte posterior ao fluxo de caixa explícito, isto é, o fluxo do valor residual ou valor de perpetuidade. Esse fluxo representa a estimativa do valor do ativo ao final da vida útil. Portanto, a projeção do fluxo de caixa segue uma lógica de um horizonte previsível, chamado de cálculo do valor explícito, e uma lógica de projeção contínua, chamada de projeção de perpetuidade. A taxa de crescimento para esta última é uma taxa menor a adotada para o primeiro ciclo da projeção, chamamos de taxa de crescimento terminal. Feitas as projeções para a fase do cálculo explícito e para a fase da perpetuidade, ambas as projeções são trazidas a valor presente líquido, por meio da taxa de desconto definida. Determinação da taxa de desconto para trazê-los a valor presente Depois de realizar as projeções, é preciso determinar o valor presente correspon- dente à riqueza futura a ser gerada pela empresa. Para isso, aplicamos uma taxa de desconto aos fluxos de caixa projetados. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Não é o objetivo entrar no cálculo da taxa de desconto, por hora, precisa- mos saber que a taxa deve refletir o custo de oportunidade,isto é, remunerar o acionista pelo risco do negócio e o retorno mínimo que o mercado espera de empresas do mesmo segmento. Esta remuneração pelo capital investido, também conhecido como Custo de Capital. Há uma vasta gama de variáveis e formas de cálculo de custo de capital, mas, em geral, é calculada por meio do Custo Médio Ponderado de Capital (WACC), média ponderada entre o custo de capital próprio (capital dos acionistas) e o custo de capital de terceiros (capital de financiamentos para investimentos). Essas são as duas fontes mais comuns de financiamento. A partir do levantamento dos dados internos e do mercado é que são determinadas as taxas de descontos. Cabe destacar que quanto maior for o risco do negócio, maior será o prêmio esperado pelo acionista “Custo do capital” e vice-versa. A determinação da taxa de desconto (WACC) é o aspecto mais sensível na avaliação da empresa, pois é a partir deste que todo o negócio é observado, isto é, a partir do WACC que se gera o lucro do acionista. Estabelecimento do valor da empresa Cumpridas as etapas anteriores, finalmente é possível determinar o valor da em- presa que reflita o potencial que ela tem em gerar lucro, ou uma faixa de valor, pois é bastante comum o avaliador adotar cenários, ou seja, diferentes taxas de desconto representativas dos cenários otimista, conservador e pessimista. Além do reporte da informação sobre a geração de lucro, o valuation por Fluxo de caixa descontado permite identificar a dimensão de seus pontos fortes e fracos, assim como, de seus riscos e oportunidades. Essas informações, associadas ao know-how do avaliador, possibilitam traçar indicadores estratégicos para aumentar o valor da empresa. Os métodos apresentados são alguns dos principais fundamentos para a ava- liação de empresas. É imperioso destacar que a avaliação de empresas pode ser bastante complexa e envolve diversos outros fatores, dependendo do setor em que a empresa atua e do objetivo da avaliação. Apesar de serem diferentes entre si, as metodologias de avaliação de empre- sas “valuation” apresentadas são complementares. Por isso, é importante que o avaliador compreenda muito bem os fundamentos de empresas. 1 4 NOVOS DESAFIOS Vimos que o Valuation é a principal técnica usada para identificar o valor real de uma empresa e, dependendo do método utilizado, pode resultar em valores que nem sempre são iguais. Os métodos de avaliação podem ser usados em conjunto ou detalhadamen- te, porém, nenhum método isolado pode ser considerado como o mais correto, inquestionável ou exato; cada um requer informações e abordagens diferentes. Assaf Neto (2012) vai no mesmo caminho, ele cita que existem diversas me- todologias para o cálculo do valuation e defende que o cálculo do valor justo, ideal ou correto, depende da coerência, lógica, análise, imparcialidade e rigor na escolha das premissas e do modelo de avaliação a ser admitido diante da situação real da empresa. Confira aqui a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no con- teúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO UNIASSELVI 1 5 1. A avaliação financeira de uma empresa, geralmente, envolve um processo complexo, cuja extensão e detalhes podem variar de acordo com o propósito e a profundidade da avalia- ção. No entanto, em muitos casos, pode-se simplificar o processo em três fases principais: ■ coleta de dados e análise financeira; ■ projeção e valorização; ■ avaliação e recomendação. Está presente na fase da avaliação e recomendação: a) Nessa fase inicial, os analistas coletam informações financeiras da empresa. b) Nessa fase, os analistas projetam o desempenho financeiro da empresa. c) Nessa fase, os analistas eliminam os itens não recorrentes. d) Nessa fase, os analistas emitem recomendações com base na avaliação. e) Nessa fase, é realizada uma análise detalhada dos indicadores. 2. Existem vários métodos de avaliação de empresas, cada um com suas próprias abordagens e aplicabilidades. A escolha do método depende do propósito da avaliação, das informa- ções disponíveis e das características da empresa. Os métodos mais comuns de avaliação são: Fluxo de Caixa Descontado (DCF – Discounted Cash Flow); Avaliação por Múltiplos; Ava- liação de Ativos Líquidos (ou Valor Patrimonial Líquido - VPL); Avaliação por Fluxo de Caixa de Dividendos (Modelo Gordon-Shapiro); Avaliação por múltiplos de EBITDA (EV/EBITDA); Avaliação por Fluxo de Caixa Livre para a Firma (FCFF); Método do Valor Contábil Ajustado. Qual o método utilizado para calcular o valor da empresa com base em seus ativos líquidos? (ativos – passivos). I - Avaliação de Ativos Líquidos (ou Valor Patrimonial Líquido - VPL). II - É útil para empresas em situações de liquidação. III - Avaliação por múltiplos de EBITDA (EV/EBITDA). É correto o que se afirma em: AUTOATIVIDADE 1 1 a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 3. A avaliação de empresas pelo método do Valor Patrimonial Líquido (VPL) é um dos métodos mais simples de avaliação. Esse método calcula o valor da empresa com base em seus ativos e passivos registrados em seu balanço patrimonial. O Valor Patrimonial Líquido é encontrado pela diferença entre os ativos e passivos da empresa. Embora, seja útil para ter uma noção do valor contábil da empresa, ele deve ser usado com cautela e em conjunto com outras técnicas de avaliação para obter uma avaliação mais completa e precisa do valor de mercado de uma empresa. O valuation pelo método Valor Patrimonial Líquido (VPL) tem como premissa a contabilidade e o patrimônio líquido da empresa, por meio das demonstrações contábeis trimestrais e os números do balanço. Diante disso, assinale a alternativa correta: a) Nesse método, considera-se o valor contábil dos ativos ou do Patrimônio Líquido da empresa, sem mensurar ativos intangíveis. b) Esse método reflete a imagem fiel do negócio e não reflete as perspectivas da empresa para o futuro. c) É pouco aplicado em casos de venda de empresas inoperantes e com ativo imobilizado significativo. d) É pouco aplicado em situações de empresas em dificuldades financeiras. e) Esse método não assume o custo histórico dos ativos e passivos. AUTOATIVIDADE 1 1 REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Estrutura e análise de balanços: uma abordagem econômico-financeira: co- mércio e serviços, dinâmicos, bancos comerciais e múltiplos. São Paulo: Atlas, 2012. COPELAND, T. E.; KOLLER, T.; MURRIN, J. Avaliação de empresas–valuation: calculando e ge- renciando o valor das empresas. [S. l.]: Pearson Makron. DAMODARAN, A. Abordagens e métricas de avaliação: um levantamento da teoria e das evi- dências. Washington: Agora Publishers Inc., 2007. MARTINS, E. Avaliação de empresas: da mensuração contábil à econômica. Caderno de estu- dos, v. 24, p. 28-37, 2000. PALEPU, K. G.; HEALY, P. G.; BERNARD, V. L. Business analysis and valuation: using financial statements. 2. ed. Ohio: South-Western College, 2000. PAIVA, W. D. Métodos de avaliação de pequenas e médias empresas. In: SEMINÁRIO EM AD- MINISTRAÇÃO FEA-USP. 5, 2001, São Paulo. Anais [...], Faculdade de Economia, Administra- ção, Contabilidade, São Paulo, 2001. PEREZ, M. M, & FAMÁ, R. Métodos de avaliação de empresas e balanço de estrangeiros. Revista Administração em Diálogo-RAD, v. 6, n. 1, 2008. ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JORDAN, B. D. Princípios de Administração Financeira. 9. edição. São Paulo: Atlas, 2008. 1 8 1. D. Os analistas emitem recomendações com base na avaliação, por exemplo, se a empresa está subvalorizada ou superavaliada, se é atraente para investidores ou se é uma boa opor- tunidade de aquisição. 2. C. É correto que o método de Avaliação de Ativos Líquidos (ou Valor Patrimonial Líquido – VPL) pode ser utilizado para calcular o valor de uma empresa a partir da sua base de ativos líqui- dos, além disso, o método pode ser útil em casos de empresas em situação de liquidação. 3. A. Como o método refletea imagem fiel do negócio, logo, deve considerar o valor dos ativos do patrimônio líquido, e invalida os demais porque é muito aplicado nos casos de venda de empresas e muito aplicado em casos de empresas com dualidades financeiras, e assume o custo histórico dos ativos e passivos. GABARITO 1 9 MINHAS METAS RETORNO E RISCO DE INVESTIMENTOS Entender o significado e os fundamentos de risco e retorno. Descrever os procedimentos de avaliação e mensuração de riscos. Discutir a mensuração do retorno. Compreender as características de riscos e retornos de investimentos. Entender os tipos de riscos. Entender as diferenças entre uso e custo de capital próprio e de terceiros. Compreender como se determina o retorno exigido para um investimento. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2 1 1 INICIE SUA JORNADA Olá, estudante! Se você está iniciando a jornada como empreendedor, se tem experiência no ramo, ou se atua na gestão de empresas, com investimentos no mercado de capitais, ou qualquer outro ativo, já deve ter se deparado com algum dos conceitos de retorno e riscos de investimentos. Além de conhecer o mercado em que vai atuar, ter esses conceitos bem firmes pode ser fundamental para o desempenho dos negócios. Na prática, são muito raras as tomadas de decisões em ambientes com informações incompletas, pois muitos profissionais não têm acesso a todo o conjunto de informações para a tomada de decisão. Como as decisões são tomadas voltadas para resultados futuros e alguns eventos não são claramente identificados, é imprescindível que se introduza a variável incerteza, também conhecida como risco. Se você atua como analista de negócios, analista econômico e financeiro ou se é gestor de alguma empresa, certamente já ouviu este termo “risco”. Para uma melhor mensuração do risco, é preciso ter a dimensão do maior número pos- sível de fatores que impliquem o resultado da decisão tomada. Antes de estudarmos a análise de risco e retorno dos investimentos, que tal uma revisão dos conceitos? A ideia de risco, no sentido mais tradicional, é vista como algo negativo. Esse conceito está voltado ao futuro e revela uma possibilidade de perda, ou seja, o re- sultado está associado à probabilidade de ocorrência de um determinado evento. Toda vez que que a incerteza de ocorrência de determinado evento puder ser quantificada por meio de uma distribuição probabilidade, dizemos que a decisão está sendo tomada sob uma situação de risco. Nesse caso, o risco pode ser entendido pela mensuração da incerteza, mediante o conhecimento prévio da probabilidade associada à ocorrência de determinados resultados ou valores médios esperados. Por exemplo, se soubéssemos o valor da ação de uma empresa no futuro, investir nela seria uma tarefa fácil. No entanto, essa não é uma tarefa fácil, para não dizer impossível, pois depende de vários fatores, como apetite do mercado pelos papais da empresa, variações econômicas, estratégias de gestão da empresa, o setor em que a empresa atua, variáveis internacionais, enfim, é um conjunto UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 extenso de variáveis. Por isso dizemos que quanto mais o tomador de decisão conhecer acerca das variáveis que afetam a tomada de decisão, mais chances de sucesso ele terá. Quando falamos de risco financeiro, estamos nos referindo à possibilidade de per- da financeira. Para mitigar os riscos, precisamos distingui-los. Quer entender mais sobre o assunto? Ouça o podcast no seu Ambiente de Aprendizagem! Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO DESENVOLVA SEU POTENCIAL No sentido mais amplo, o conceito de risco pode ser entendido de diversas ma- neiras, a depender do contexto em que está sendo analisado. Alguns exemplos são risco aéreo para uma situação de seguro, risco de um beneficiário de um plano de saúde contrair uma doença, risco de insucesso de um negócio para um empresário que pretende tomar um empréstimo, risco ambiental para uma em- presa de saneamento básico, risco de crédito de para um tomador de crédito, risco de seleção adversa para uma empresa que contrata um prestador de serviço etc. No contexto das finanças e dos negócios, o risco é a chance de perda finan- ceira. De forma bastante simples, ativos reais ou financeiros que apresentam maior probabilidade de perda são considerados de maiores riscos do que aque- les que trazem menor probabilidade de perda. O termo “risco”, quando está associado à variabilidade dos retornos a determinado ativo, também pode ser chamado de incerteza. No caso de investimentos, a incerteza é entendida como a possibilidade do resultado se desviar do valor esperado. Logo, o risco é definido como uma medida de variação dos possíveis retornos esperados de um ativo. Pela definição, o risco reflete a probabilidade de um resultado ocorrer. Ao estimar a probabilidade de um resultado de uma aplicação financeira ocorrer, temos uma distribuição de probabilidades. Caso não existam dados históricos para definição das probabili- dades objetivas, pode-se estimá-las a partir de opiniões pessoais, isto é, palpites. Assim, constrói-se uma distribuição de probabilidades subjetivas. 1 1 Ao estudar os riscos inerentes a um determinado negócio, é importante segregar a avaliação do risco total em: risco econômico e risco financeiro. As principais causas associadas ao risco econômico são de natureza conjuntural, por exemplo, mudanças econômicas, tecnológicas, mercadológicas e do próprio planejamento da empresa, como vendas, custos, preços, volume de investimentos etc. Já o risco financeiro está relacionado com o endividamento da empresa e com a capacidade de pagamento, e não com as decisões de ativos, como aquelas apresentadas no risco econômico. APROFUNDANDO Ao empreender um negócio ou investir o seu dinheiro no mercado financeiro, o investidor tem como objetivo a multiplicação do seu patrimônio. A multiplica- ção do seu patrimônio se dá pela soma de duas parcelas de remuneração, uma chamada de remuneração pelo risco sistêmico e outra pela remuneração do risco não sistêmico. O primeiro risco está associado ao risco econômico e o outro, ao risco financeiro. No mercado, são tomadas as taxas médias de retornos dos investimentos a partir dos riscos sistêmicos. Já as taxas de risco não sistêmicos são definidas a par- tir do nível de conhecimento e apetites diferentes para os riscos. A consequência disso é que teremos demandas diferentes para os diversos níveis de riscos. Assim, o que varia são os prêmios esperados para cada perfil de investidor. A Grande Aposta Comentário: em 2008, o guru de Wall Street, Michael Burry, percebe que o volume de empréstimos concedidos para o mercado imobiliário está em risco de inadimplência. Então, ele decide apostar contra o mercado aplicando mais de um bilhão de dólares dos seus investidores. Suas ações atraem a atenção do corretor Jared Vennet, que percebe a oportunidade e passa a oferecê-la a seus clientes. Juntos, esses homens fazem uma fortuna tirando proveito do colapso econômico americano. INDICAÇÃO DE FILME UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Em geral, como o próprio nome já diz, o risco sistêmico tende a seguir uma tendência de ocorrência sistêmica de eventos. Por isso, seus eventos são mais pre- visíveis e, como consequência, o retorno esperado tende a ser mais homogêneo para investimentos nesse tipo de risco. Por outro lado, os riscos não sistêmicos estão mais relacionados ao investimento específico e, por isso, tendem a ter me- nos previsibilidade. Isso se dá porque estão diretamente relacionados ao negócio, demandando, portanto, uma taxa de retorno específica de acordo com o nível de informação e apetite assumido pelo investidor. No Brasil, como a taxa de juros é uma das maiores do mundo, a velocidade da multiplicação do patrimônio pode ser superior à daqueles países com taxas de juros baixas. Por essa razão a Selic tem sido bastante utilizadacomo proxy para o retorno médio de mercado. Contudo, pela alta volatilidade política e econômica, as empresas e os ativos são bastante afetados. Logo, o investidor não pode deixar de analisar o risco de cada tipo de investimento. Em geral, o investidor espera um retorno médio de mercado em linha com a Selic. Quanto à parcela do risco não sistêmico, quanto maior for o risco, maior será o prêmio esperado. Contudo, esse prêmio é uma possibilidade de maior re- torno, pois, na prática, não há garantia de que isso ocorra. Pode acontecer de um investimento de alto risco não trazer retorno algum ou trazer prejuízos, por isso o fator “risco não sistêmico” deve ser cuidadosamente estudado e considerado na hora de escolher os ativos que vão compor sua carteira. Por isso, avaliar o risco e o retorno dos ativos é um processo muito importante para evitar surpresas no fu- turo. A boa notícia é que é possível estimar a variável risco. Vamos continuar a leitura para entender mais sobre ris- co e retorno? 1 4 Até aqui, já sabemos que o retorno e o risco estão conectados de forma inver- sa. Em outras palavras, quanto maior o risco, maior também será o retorno espe- rado e vice-versa. Se uma oportunidade de investimentos oferece rentabilidade muito acima da média do mercado, DESCONFIE. É possível que o risco inerente à oportunidade em questão seja muito alto, por isso vale a pena desconfiar, a não ser que você seja o tipo de investidor disposto a correr alto risco em troca de um retorno esperado maior. “Retorno do investimento” é o termo-chave para todo o investidor, pois é algo que todos estão em busca, já que representa quanto o dinheiro investido vai render, assim como a velocidade do retorno. ZOOM NO CONHECIMENTO Suponha que você investiu R$ 10 mil em uma oportunidade com rentabilidade fixada em Selic, atualmente 13,75% ao ano. Ou seja, após esse período de 12 meses, sua aplicação terá rendido R$ 1.375. As aplicações em renda fixa costumam possuir um risco menor, e isso faz com que os retornos sejam mais conservadores. Por outro lado, as aplicações em renda variável, como as ações listadas na bolsa de valores, podem apresentar rentabilidades mais elevadas, mas com um risco também mais elevado. Em virtude das oscilações políticas e econômicas, outro fator muito impor- tante na definição do risco de investimento diz respeito ao prazo que você deseja fazer o investimento. Isso ocorre porque quanto maior o prazo, maiores são as chances de oscilações nas variáveis de risco. Portanto, quanto maiores as incerte- zas e menor o prazo, menores são as chances de oscilações nas variáveis de risco. O Brasil é conhecido de modo internacional pelas fortes variações tanto no ambiente político quanto econômico. Nesse sentido, qualquer mudança que aconteça em um desses ambientes implica diretamente nas oportunidades de investimentos. Assim, uma hora as aplicações em renda fixa costumam possuir um risco menor, o que faz com que os retornos sejam mais conservadores. Por outro lado, as aplicações em renda variável, como as ações listadas na bolsa de valores, podem apresentar rentabilidades mais elevadas, mas com um risco tam- bém mais elevado. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 RISCOS E TAXAS DE CORTES Já sabemos que os investimentos têm como premissa uma parcela de rentabili- dade inerente às taxas de risco do mercado, risco zero, e uma taxa de prêmio de risco inerente ao negócio específico. Custo de capital próprio Nas análises econômicas e financeiras, chamamos de custo de capital próprio a taxa de retorno que os investidores desejam para fazer um investimento de risco em determinada empresa. Relembrando que todos os modelos de riscos e de retorno necessitam de uma taxa de risco zero e de uma taxa de prêmio de risco. Taxa de risco zero Para um investimento ser livre de risco, o retorno gerado deve ser igual ao retorno esperado. Este é um caso em que o investidor conhece com certeza os retornos esperados. Em geral, os títulos emitidos pelo governo têm essa característica. Damodaran (2007) destaca que devem ser avaliadas duas condições para um investimento ser livre de riscos: ■ Não pode haver risco de inadimplência. ■ Não pode haver risco de incerteza a respeito das taxas de reinvestimentos. Por outro lado, imagine que uma empresa dificilmente consegue garantir as duas condições citadas, a exemplo das empresas de utilidades como saneamento, que, no período pandêmico, não conseguiram garantir nenhuma das condições mencionadas. 1 1 Prêmio de risco Ao decidir alocar seus recursos, o investidor espera uma rentabilidade mínima, a taxa de juros livres de risco, aquela apresentada para a remuneração de títulos públicos, cujo risco de investimento é zero. O prêmio de risco nos modelos de precificação de ativos de capital consiste no retorno extra esperado pelo investidor para transferir seus recursos de um investimento de risco zero para um com risco médio. Logo, o prêmio de risco é uma função de duas premissas: ■ Aversão ao risco de investidores. ■ O tamanho do risco de um investimento de risco médio. A primeira premissa significa que quanto mais o investidor se torne avesso ao risco, maior será o prêmio exigido para a alocação do recurso. Já a segunda premissa diz que quando o risco de um investimento de risco médio aumenta, o seu prêmio também deve aumentar. Quanto à mensuração do prêmio de risco, apresentaremos três métodos mais utilizados: • Prêmios por pesquisa. • Prêmios históricos. • Prêmios implícitos de ações. Lembre-se de que durante a Covid-19, como o saneamento era a principal medida de combate à pandemia, muitas empresas tiveram fortes oscilações nos índices de inadim- plências. Além disso, houve medidas que incentivaram a inadimplência por conta de de- terminações de parcelamento e políticas de não corte. Aqui, não estamos questionando as medidas, apenas apresentando exemplos de eventos que tendem a ter maiores riscos de investimentos. Na mesma esteira, algumas empresas revisaram para menos os per- centuais de dividendos, justificando a imprevisibilidade imposta pela pandemia. Esta últi- ma estratégia tem um efeito semelhante ao aumento nas taxas de reinvestimentos, isto é, tendem a reduzir o volume dos dividendos, e dados os eventos não previsíveis, tendem a gerar ruídos nas séries históricas e, portanto, aumentar o risco de investimentos. APROFUNDANDO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 O método de prêmio por pesquisa consiste na consulta junto aos investidores a respeito das expectativas para o futuro. Este método é pouco utilizado, porque os prê- mios dependem muito da opinião pessoal de investidores. Além disso, os prêmios são extremamente dependentes dos movimentos recentes do mercado e tendem a ser de curto prazo — em geral as pesquisas apontam para um horizonte máximo de 12 meses. O método de prêmios histórico é o mais utilizado para precificação de risco de ativo de capital. Ele se baseia em dados históricos dos preços de ativos. Nesse método, são adotados dados de um período mais longo, visto que os retornos das ações são bastante voláteis. Assim, quanto maior o prazo de análise, mais com- portados são os riscos. O método de mensuração tem, no mínimo, três etapas: Para compreender esse modelo, imagine que uma companhia de saneamen- to apresente os seguintes valores de fechamento em seus papéis negociados no Brasil, Bolsa e Balcão (B3) nos últimos dias dos meses e anos, juntamente aos dividendos acumulados ao longo desses períodos. Para facilitar a demonstração, adotamos a Selic média acumulada no ano: PRIMEIRA Definir o horizonte temporal da estimativa. SEGUNDA Calcular os retornos médios sobre um índice de ações e de um ativo sem risco para um determinado horizonte temporal. TERCEIRA Calcular a diferença entre os retornos do ativo específico e o retorno do ativo sem risco. QUARTA Realizadas as três etapas relacionadas acima, basta utilizar a diferença encontrada entre os retornosdos ativos específicos e o retorno do ativo sem risco como o prêmio de risco. 1 8 ANO INÍCIO (R$) DIVID (R$) TOTAL (R$) RETOR- NO (%) SELIC (%) PRÊMIO DE RIS- CO (%) 12/13 22,26 22,26 12/14 13,30 0,787 14,09 -36,7 12,15 -48,87 12/15 21,32 0,738 22,06 56,6 14,84 41,74 12/16 31,35 0,219 31,57 43,1 14,30 28,82 12/17 36,38 1,205 37,58 19,1 6,68 12,38 12/18 43,37 1,030 44,40 18,1 6,04 12,09 12/19 56,51 1,159 57,67 29,9 4,53 25,36 12/20 42,84 1,377 44,22 -23,3 1,94 -25,27 12/21 33,21 0,398 33,61 -24,0 9,64 -33,63 12/22 52,66 0,943 53,60 59,5 14,30 45,19 Tabela 1 – Demonstração hipotética do cálculo do prêmio de risco / Fonte: O autor. No exemplo, verificamos uma taxa média de retorno nominal de 15,8% para os investimentos específicos, enquanto a taxa média de retorno nominal para os ati- vos de risco zero foi de 9,38%. Logo, sob a ótica dos dados históricos, o prêmio de risco para o ativo de capital da companhia, para o período analisado, foi de 6,42%. No método de prêmio implícito de ações, não há necessidade de pesquisa de dados nem coleta de dados históricos. Contudo, como os dados para o cálculo são tomados no mercado, pressupõe-se que o mercado tenha os avaliado corre- tamente. Assim, o cálculo pode ser feito da seguinte forma: UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Parâmetros de risco Agora você já sabe que a alo- cação de recursos em qualquer investimento, diferentemente daqueles de risco zero, parte da premissa de que existe uma taxa de retorno mínima exi- gida e uma taxa de prêmio de risco inerente ao ativo ou em- presa analisada. Para compreender esse modelo, vamos retomar o exemplo da empresa de saneamento negociada na B3. Considerando que o fechamento em 31 de dezem- bro de 2022 foi de R$52,66 e considerando a distribuição de dividendos histórica foi de 2,67% e a taxa de crescimento esperada da receita e dividendos ao longo do tempo foi de 7%, temos o seguinte retorno esperado sobre o capital próprio: Considerando que a taxa Selic, atualmente, está em 13,75%, o prêmio espera- do para esse ativo será de 24,40%. Mas atente-se para o fato de que, nesse modelo, assume-se que o ativo está corretamente precificado pelo mercado. EU INDICO Para os dados de taxa de retorno para investimentos com risco zero, foram ado- tadas as taxas da Selic, que é a média dos juros que o governo paga àqueles que lhe emprestaram dinheiro. A taxa Selic serve de referência para outras taxas de juros do país, sendo a taxa básica de juros da economia. Quer saber mais sobre o assunto? Clique aqui para acessar! Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem 4 1 Se considerarmos que o risco não sistemático pode ser eliminado com a diversificação da carteira, ou seja, que aquela taxa de retorno extra é nula, resta apenas o risco sistemático. Neste caso, podemos estimar o retorno justo para um investimento, dado o seu risco, a partir do Capital Asset Pricing Model (CAPM). Este modelo assume que o único risco relevante para o investidor é o risco que não pode ser diversificado, isto é, o risco sistemático. Coopeland et al. (2005) definem o CAPM como um modelo de equilíbrio de mercado que possibilita mensurar a parcela do risco de um ativo individual e do prêmio de um determinado mercado. O CAPM considera uma taxa mínima livre de risco, somada ao prêmio pelo risco que um determinado mercado oferece. Esse prêmio é multiplicado pelo beta do ativo que expressa a sensibilidade às variações do mercado. O beta (β) é um coeficiente de risco que mede a sensibilidade do retorno de uma ação em particular às mudanças nas condições de mercado. Assim, quanto maiores os riscos de mercado, maior será o retorno esperado pelos investidores. Para calcular o β, precisamos conhecer de algumas informações estatística acerca dos ativos. Retomando os dados utilizados no exemplo anterior, cujo retorno médio foi de 15,81%, podemos encontrar a variância e o desvio padrão . Assim como calculamos para um ativo individual — no caso a empresa de saneamento —, uma carteira de investimentos também possui variância e desvio padrão próprios, por exemplo, uma carteira composta por dois ativos J e M pode ter sua variância e seu desvio padrão calculados a partir da seguinte equação: (1) Em que representam as proporções dos ativos “J” e “M”, respectiva- mente, e representa a covariância entre os ativos “J” e “M”. Perceba que a variância da carteira apresentada em (1) é uma função da variância de “J” e “M” e das covariâncias. Cabe destacar que a partir de e é possível determinar o coeficiente de correlação entre os dois ativos. UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 A redução do risco da carteira é possível sempre que os retornos dos ativos individuais não estiverem perfeitamente correlacionados. À medida que diversi- ficamos o portfólio e a carteira de ações, há uma tendência de diversificar o risco, ou até de eliminá-lo, restando apenas o risco sistemático. Ehrhardt e Brigham (2012) defendem que à medida que são adicionados ativos em uma carteira de investimentos, o risco total da carteira declina continuamente, enquanto o retor- no é determinado pela média ponderada dos retornos individuais. Quanto aos riscos, vimos que o não sistemático pode ser diversificado até a sua eliminação. Logo, quando avaliamos uma ação ou outro ativo qualquer, o que consideramos é o risco sistemático (de mercado), o beta. Em relação ao parâmetro de sensibilidade β, dizemos que uma ação com: ■ , valoriza ou desvaloriza na mesma proporção que o mercado. ■ , valoriza ou desvaloriza em proporção menor que o mercado. ■ , valoriza ou desvaloriza em proporção maior que o mercado. ■ A equação β utiliza as covariâncias e variâncias: (2) O modelo CAPM, também chamado de modelo de apreçamento de ativos, é o modelo que associa o retorno esperado de um ativo ao seu coeficiente de risco sistemático, β, mostrando a relação linear entre o retorno esperado e o beta, tanto para títulos individuais como para uma carteira de ativos. Custo de capital Inicialmente, convido você a relembrar os conceitos de custo de capital. O custo de capital próprio consiste na taxa de remuneração do acionista da empresa pago na forma de retorno sobre o capital investido. O custo de capital de ter- ceiros consiste nas taxas de juros pagos aos bancos e instituições de empréstimos e financiamentos referentes ao capital tomado para investimentos. A estrutura de capital de uma empresa diz muito sobre a sustentabilidade econômica e financeira do negócio, pois é a partir desse indicador que veri- ficamos o quanto dos investimentos a empresa realiza com recursos próprios do patrimônio financeiro e o quanto ela realiza com recursos de terceiros, por exemplo, empréstimos e financiamentos. 4 1 Uma empresa pode levantar recursos de três formas: pela emissão de ações ordinárias, pela emissão de dívida e pelas ações preferenciais. O desafio das empresas consiste em otimizar essa estrutura ótima de capital, a fim de propiciar o menor custo médio do capital. O custo médio do capital, também conhecido como Weighted Average Capital Cost (WACC), pode ser calculado de várias formas, contudo, todas elas procuram identificar a média ponderada de cada um desses custos, a fim de evidenciar a taxa mínima de retorno para que o investimento seja efetivado. (3) Da equação (3), temos que: ■ Weighted Average Cost of Capital ■ Custo de capital próprio (capital do acionista) ■ Custo de capital de terceiro (custo da dívida) ■ Total do patrimônio líquido (equity) ■ Total de dívida (debt) O reflete o risco do investimento em ações via capital próprio, e o reflete o risco de inadimplência da empresa via capital de terceiros. Os pesos de cada uma dessas variáveis devem refletir os valores de mercado. Custo de capital próprio Para aplicação desse modelo, inicialmente calcularemos o custo de oportuni- dade do acionista, ou seja, iremos analisar no mercado algumasoutras pos- sibilidades de investimento que ele teria e, a partir delas, construiremos uma carteira diversificada. UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 VARIÁVEL RETORNO MENSAL RETORNO ANUAL Selic 1,08% 13,7582% Poupança 0,50% 6,1678% CDB 1,00% 12,6825% Títulos públicos 1,08% 13,7582% Inflação 0,40% 4,9070% Média 11,5498% Média + Inflação 16,9728% Tabela 2 – Benchmark, custo de oportunidade / Fonte: Elaborado pelo autor. Determinado o custo de oportunidade do acionista, utilizaremos o prêmio entre os ativos calculados na Tabela 2 e o retorno do ativo de menor risco do mercado. Em geral, utilizamos a Taxa de Longo Prazo (TLP) como ativo livre de risco, que atualmente está em 10,49%. Aqui, também utilizaremos o beta, que repre- senta a taxa de crescimento esperado da empresa analisada comparada com o mercado e o retorno esperado. Vamos supor que esse valor é . Logo, já temos todos os dados para determinar o custo do capital próprio: (4) 10,4900% 16,9728% 1,40 Custo do capital próprio 19,5700% Tabela 3 – Custo de capital próprio / Fonte: O autor. 4 4 Dados os retornos do ativo livre de risco, os retornos esperados do acionista e o risco do negócio, o acionista espera receber pelo capital próprio investido de 19,57% a.a. Custo de capital de terceiro e custo médio ponderado do capital A equação (3) apresenta o custo médio do capital, WACC. Perceba que o custo total depende dos volumes de recursos alocados em custo próprio e de terceiro, por isso chamamos de custo médio ponderado, pois representa a proporção de capital da empresa financiado pelas acionistas e por terceiros, respectivamente. Em geral, as empresas trabalham com um intervalo de estrutura de capital chamado de intervalo ótimo. Já na fase de elaboração dos planos de negócios, elas projetam o quanto do investimento inicial e do capital de giro da empresa será financiado com capital próprio e quanto será financiado com capital de terceiro. O custo de capital de terceiro, , é resultado do custo de todas as fontes de crédito da empresa. Para essa demonstração, vamos assumir que a empresa financia 45% do seu plano de negócios com recursos próprios e os outros 55% são financiados com recursos de terceiro. Vamos supor, também, que toda a sua dívida está indexada na Selic, portanto, utilizaremos a mesma apresentada na Tabela 2: . Recursos próprios 45% Recursos de terceiros 55% Custo do capital próprio 19,57% Custo do capital de terceiro 13,7582% Custo médio do capital (WACC) 16,3717% Tabela 4 – Custo de capital / Fonte: O autor. UNIASSELVI 4 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Não consideramos acima o efeito do benefício fiscal do imposto de renda (IR) sobre as despesas com juros, o que reduziria ainda mais o custo real da dívida. Contudo, a fórmula de cálculo é simples: (5) A gestão do custo de capital é fundamen- tal para maximização do valor e das taxas de retorno da empresa. A adequada gestão des- sas variáveis implica a mitigação de riscos de decisões equivocadas e possíveis prejuízos. RETORNO SOBRE O INVESTIMENTO Depois, analisamos os riscos sob a ótica do investimento e estudamos um mé- todo para estimar os custos das fontes de recursos. Além disso, apresentamos o custo do capital como a menor taxa aceitável de corte e ressaltamos que a taxa de retorno tem que ser superior à taxa de corte, a fim de criar valor para os acionistas de uma empresa. O retorno sobre o investimento é um conceito bastante utilizado na toma- da de decisão, pois é a partir dele que mensuramos o melhor retorno sobre um projeto de investimento ou para tomada de decisão sobre qual projeto deve ser o escolhido. Existem muitas alternativas de cálculo de retorno sobre o investimento. Você já deve conhecer o conceito da Taxa Interna de Retorno (TIR), que é uma me- dida de todo o fluxo de caixa recebido ao longo da vida de um projeto. Também podemos citar outras métricas, como Return On Equity (ROE) e Return on Assets (ROA), que, diferentemente da TIR, não levam em conta o momento do fluxo de caixa e representam a taxa anual de retorno. O Return On Investment 4 1 (ROI) é outra métrica utilizada para descobrir o quanto a empresa ou negócio retorna sobre o investimento. O ROE é um importante indicador de retorno. Ele mede o Lucro Líquido (LL) gera- do pela empresa em relação ao Patrimônio Líquido (PL), isto é, reflete a taxa de re- torno sobre o capital investido pelos acionistas. A fórmula de cálculo é a seguinte: (6) Quanto maior o ROE de uma empresa, melhor. Se a empresa J possui um ROE superior à empresa M, dizemos que a empresa J é uma melhor oportunidade de investimento, pois isso indica que está sendo mais eficiente no uso de capital. ZOOM NO CONHECIMENTO Ao compararmos o ROE com o custo de capital próprio, esperamos que o ROE seja sempre superior, pois assim a empresa está gerando valor aos seus acionis- tas. Do contrário, a empresa estaria reduzindo o valor para os seus acionistas. Exemplo: se uma empresa tem um ROE de 30%, ela gera LL de R$ 30 para cada R$ 100 de PL. Importante destacar que o ROE pode ser usa- do como medida de comparação para empresas do mesmo setor, sendo que as empresas mais eficientes entregam ROEs melhores. O ROE pode ser afetado tanto por fatores internos quanto externos à empresa. No primeiro, citamos a política de dividendos, a eficiência operacional e a estru- tura de capital, pois a estrutura de capital mais alavancada pode apresentar um custo de dívida menor que o custo do capital próprio, porém, a empresa estará mais exposta a outros riscos, como a taxas de juros e variações de cambiais. No segundo caso, o ROE pode ser afetado por situações econômicas como taxa de juros, políticas cambiais, variações no PIB e ambiente concorrencial. O ROA é um importante indicador de retorno. Ele indica se a empresa é ren- tável em relação ao seu ativo total. Essa métrica é bastante utilizada para analisar a capacidade que a empresa tem de gerar lucro a partir de seus ativos. A partir dos demonstrativos de resultados de exercício (DRE), é possível encontrar o Lucro Operacional (LO) e, a partir do Balanço Patrimonial, encontrar o Ativo Total Médio (ATM). Com essas informações, basta aplicar na seguinte equação: O ROE pode ser afetado tanto por fatores internos quanto externos UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 (7) O ROA é um indicador bastante efetivo na comparação de desempenho da empresa de um ano para o outro. A métrica também pode ser utilizada para comparar, contudo, é mais eficiente quanto maior for a semelhança das empresas em termos de porte e escopo. Quanto maior for o ROA, mais a empresa está gerando valor com seus ativos. Por outro lado, se ROA for menor quando comparado com outras empresas do setor, a empresa está utilizando os ativos de maneira ineficiente. Exemplo: imagine que uma empresa de saneamento tenha em sua base de ativos terrenos, estações de tratamento de esgoto e água, redes de distribuição de tubu- lações de água e esgoto, softwares etc., cujo patrimônio é de R$ 15 bilhões. Ainda, supunha que a companhia gerou, em 2022, R$ 1,2 bilhão de lucro líquido. Logo, o ROA foi de 8%. PENSANDO JUNTOS O ROI é um importante indicador de retorno sobre um investimento realizado, além de permitir a comparação entre opções de investimentos. Ele é bastante utilizado por investidores tanto no mercado de capitais quanto dentro das em- presas. Assim, o ROI pode ser utilizado para: ■ Analisar a aquisição de investimentos financeiros como: ações na bolsa, fundos de investimentos, títulos de renda fixa, ETF. ■ Analisar a aquisição de equipamentos para a empresa. ■ Investir em campanhas publicitárias. ■ Expandir os negócios etc. O ROI é um indicador que mede o retorno de um investimento em relação ao custo da sua aplicação, isto é, mede o custo e o benefício gerados por um investimento em detrimento de outro. Esse indicador é mensurado a partir de eventos passados, ou seja, não é possível prever o ROIde eventos futuros. Para o cálculo do ROI, utilizamos o lucro líquido e o custo do investi- mento, isto é, o custo do projeto. Quanto maior for a proporção, maior será o benefício gerado. Existem várias versões da fórmula de cálculo, as mais utilizadas são as seguintes: 4 8 (8) (9) O ROI não leva em consideração o período do retorno, por isso, um ROI mais alto não é, necessariamente, a melhor opção de investimento. Por exemplo, imagine que você está avaliando dois investimentos com ROI de 50%. Contudo, um deles precisa de 5 anos para gerar esse percentual, já o outro precisa de 10 anos para gerar o mesmo percentual. Para analisar adequadamente, sugere-se anualizar o ROI. Para corrigir esse problema, utilizamos a seguinte fórmula: (10) Cabe destacar que um cálculo de ROI pode ser diferente dependendo da fórmula utilizada, especialmente nos casos em que se o tratamento de custeio ou de impostos é diferente etc. O cuidado que precisa ser tomado refere-se a utilizar todos os custos incorridos. Exemplo: imagine que uma empresa de saneamento implantou um sistema de coleta e tratamento de esgoto em determinado município. O custo de im- plantação desse investimento foi de R$ 20 milhões e a vida útil desse sistema é de 40 anos. A empresa irá faturar R$ 3,6 milhões ano, e ao longo dos 40 anos, terá gerado R$ 144 milhões. Substituindo esses valores na equação (8), temos: Alternativas de análise de retorno As métricas de retorno ROA e ROE, respectivamente, mostram se a empresa está fazendo bom uso dos recursos e o quanto agrega de valor em seu negócio com seus recursos próprios. Esses dois índices não levam em conta o momento do fluxo de caixa e representam uma taxa anual de retorno. No caso do ROI, ele mostra o quanto a empresa tem de retorno ao fazer um investimento. Assim, essa é uma das metodologias de projeção e avaliação mais utilizadas na decisão de investimentos. UNIASSELVI 4 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Acesse e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO NOVOS DESAFIOS Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem! Analisar os riscos e o retorno dos investimentos é importante para saber se ele foi positivo ou não para sua empresa e se atingiu os objetivos estipulados. Ao fazer a análise de risco, você terá mais clareza acerca dos resultados do investi- mento, e ao considerar a análise do investimento, terá mais visão sobre o valor agregado, isto é, o quanto está gerando e qual projeto está gerando mais retorno. Dessa forma, terá clareza sobre os pontos que necessitam de melhorias ou sobre as despesas que podem ser cortadas. 5 1 REFERÊNCIAS DAMODARAN, A. Finanças corporativas aplicadas. Porto Alegre: Bookman, 2007. EHRHARDT, M. C.; BRIGHAM, E. F. Administração financeira: teoria e prática. São Paulo: Cenga- ge Learning, 2012. 5 1 MINHAS METAS CONCEITOS DE CARTEIRA DE INVESTIMENTOS Diferenciar os tipos de investimentos. Analisar as diferenças entre renda fixa e renda variável. Identificar os perfis de investidor. Compreender a relação entre riscos e retorno. Conhecer os tipos de rendas. Distinguir os diversos tipos de investimentos. Diversificar uma carteira de investimentos com segurança. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3 5 1 INICIE SUA JORNADA Olá, estudante! Seja bem-vindo! Você deve ter conhecimento sobre a crise financeira de 2008 que abalou o mundo. Certo? Considerada a pior crise desde a grande depressão de 1929, a crise de 2008 foi causada pelo aumento nos valores imobiliários e provocou um colapso nas bolsas ao redor do mundo, principalmente nos países europeus. E o Brasil não ficou isolado das consequências. A crise causou desvalorização dos ativos imobiliários e se alastrou pelo mundo, causando uma recessão global em 2009, gerando taxas de desemprego altíssimas e causando várias ondas de protestos. Na Grécia, por exemplo, os pro- testos foram violentos e conhecidos no mundo todo. No caso do Brasil, nos primeiros dias após o evento de 2008, a eco- nomia brasileira foi fortemente afetada pela queda no valor das ações e pelo aumento no preço do dólar, acompanhados pela contração no crédi- to, principalmente no imobiliário. Isso provocou uma redução nos preços imobiliários e, consequentemente, puxou os preços dos fundos imobiliários para baixo. Agora imagine que, à época, você tivesse investido todos os seus recursos em fundo imobiliário, cuja modalidade de investimentos é formada por investido- res que formam um grupo a fim de fazer investimentos no mercado imobiliário sem realizar uma compra direta de imóvel. Caso você fosse um desses investido- res, possivelmente teria visto seus investimentos encolheram. Em 26 de fevereiro de 2020, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de covid-19 no Brasil. A pandemia, que teve seu fim declarado pela Orga- nização Mundial de Saúde (OMS) em 5 de maio de 2023, levou as empresas a faturarem menos e, com isso, elas obtiveram menores resultados. Essa condição provocou uma situação de risco no Brasil, gerando muita apreensão e um forte fluxo de saída dos investidores dos mercados de risco, culminando na queda geral na bolsa de valores. No Brasil, as lojas do varejo saíram da crise pandêmica e entraram em outra. A crise das Americanas que revelou inconsistências contábeis da ordem de R$ 20 bilhões, e uma dívida de aproximadamente R$ 45 bilhões. Acumulou, de janeiro a julho de 2023, perdas na bolsa de aproximadamente 90%. Já as ações das Lojas Marisa, puxadas pela onda da Americanas, caíram cerca de 36% no UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 mesmo período. Imagine que, em janeiro de 2023, todo o seu patrimônio estives- se investido em ações das Americanas. Nesse caso, você teria visto seu patrimônio se reduzir a 10%. Apresentamos algumas situações reais e recentes para chamar a atenção sobre a importância de manter uma carteira de investimentos diversificada, a fim de mitigar os riscos da carteira. VAMOS RECORDAR? A maximização dos resultados está diretamente relacionada com a estratégia de diversificação da carteira de investimentos a partir da identificação das melhores oportunidades. Já a estratégia da alocação está relacionada com o perfil do investidor. Sobre o perfil de investidor, convido você para assistir ao vídeo e ler o conteúdo: Perfil de investidor: descubra se você é conservador, moderado ou arrojado Carteira de investimentos para iniciantes: tudo o que você precisa saber para montar a sua - InfoMoney Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem Para compreender melhor como os objetivos financeiros podem ser atingidos a partir da alocação dos recursos, convido você para acessar o podcast. Nele, vamos falar sobre os conceitos de carteira de investimentos e diversificação do portfólio. Ou seja, ao invés de deixar todos os recursos investidos em único ativo, o investi- dor aplica seus recursos em mais de um ativo, seguindo o princípio da diversifi- cação da carteira. Recurso de mídia disponíveis no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO 5 4 DESENVOLVA SEU POTENCIAL# CARTEIRA DE INVESTIMENTOS A carteira de investimentos, também conhecida como portfólio, é o nome dado a um conjunto de ativos que uma pessoa ou uma empresa tem na sua composição de investimentos. A formação de uma carteira de investimento depende dos objetivos do investidor. De acordo com o propósito, as carteiras podem mudar de investidor para investidor, ou os objetivos podem se alterar para um mesmo investidor ao longo do tempo. Sobre os objetivos do investidor, imagine que um investidor deseje comprar um imóvel nos próximos cinco anos; logo, ele não deseja correr riscos que possam comprometer seu objetivo. Dessa forma, possivelmente, boa parte da sua carteira de investimento seja indicadapara investimentos pós-fixados, como algum ativo que seja indexado à inflação, evitando a perda do poder de compra do seu recur- so. Por outro lado, se o investidor já estiver em nível satisfatório para as compras dos bens necessários, há grande chance de ele estar mais disposto a correr algum risco em troca de alguma chance de maior prêmio. Dessa forma, alocar os recur- sos em renda variável parece fazer mais sentido — claro que, mesmo em ativos de riscos, é possível, com algum grau de precisão, prever as probabilidades de ocorrência de riscos. PENSANDO JUNTOS O resultado da carteira de investimentos depende da combinação dos ativos que a compõem, e não de um ativo de forma isolada. A composição da carteira de- pende do perfil do investidor, do apetite ao risco e da expectativa de alocar seus recursos financeiros em ativos de renda fixa ou variável. A renda fixa prevê as regras de remuneração antes mesmo da aplicação, isto é, o investidor conhece, a priori, o quanto o ativo vai retornar. Já a renda variável depende de algum inde- xador, como a inflação que ainda vai acontecer. Por isso, dizemos que o risco na variável é maior, pois há um conjunto maior de eventos desconhecidos. Ao montar uma carteira, o investidor tem, à sua disposição, uma série de variáveis que podem suportar a sua decisão, tais como: renda fixa ou variável; UNIASSELVI 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 tipo de empresa; e qual proporção de recurso deve ser alocada em cada ativo. Ademais, ele deve escolher entre renda fixa e variável e decidir em qual setor vai investir. A regra de ouro do investimento é “nunca colocar todos os ovos na mesma cesta”. É daqui que deriva o conceito de diversificação, principalmente quando o investimento é em renda variável, cujos resultados são bastante impre- visíveis. Por exemplo, se você alocar seus recursos numa única ação, o risco de ter prejuízo é muito grande, pois o papel fica suscetível não apenas às decisões do ambiente econômico externo à empresa, mas também às decisões estratégicas dentro da empresa. Quanto ao formato de apresentação do portfólio, é bastante comum a repre- sentação em gráfico de pizza, conforme apresentado na Figura 1: Figura 1 – Exemplo de Gráfico / Fonte: https://pixabay.com/pt/vectors/%C3%ADcone-gr%C3%A1fico-tor- ta-o-neg%C3%B3cio-2189139/. Acesso em: 20 set. 2023. Descrição da Imagem: a ilustração apresenta quatro exemplos de gráficos em formato de pizza. Em cada um deles, há dois recortes que se assemelham a “fatias” e dividem um espaço de 45 graus do círculo. Um dos gráficos é maior do que os outros e está localizado no centro da imagem, e os outros três são menores e estão localizados um embaixo do outro no lado direito da imagem. Além disso, a ilustração também apresenta cinco quadrados pequenos enfileirados na horizontal, que estão localizados no canto superior esquerdo da imagem. O gráfico de pizza representa a participação de cada ativo na carteira de inves- timentos. O tamanho de cada fatia da pizza é proporcional à participação do ativo em %. 5 1 PERFIL DE INVESTIDOR A determinação da carteira ideal de investimento depende do perfil do investidor, também conhecido como suitability. É uma análise que, a partir de um questio- nário, busca reunir informações para mapear as expectativas do investidor em relação ao retorno esperado, à liquidez e ao nível de risco que ele está disposto a assumir. A partir dessa análise, o perfil é definido como conservador, moderado, arrojado ou agressivo. As decisões dos investidores são sustentadas pela expectativa de retorno, prazo e proteção. As decisões são tomadas num ambiente complexo, podendo dificultar a assertividade quanto aos riscos associados à decisão de investir. Para Cerqueira (2015), a rentabilidade tem uma relação direta com o risco: quanto mais rentável, maior é o risco do investimento. O processo de suitability procura evitar que um investidor que preza mais pela se- gurança financeira invista em ativos de risco. Isso reduz os prejuízos para o investi- dor e propicia mais segurança e oportunidades de aplicações dentro do seu perfil. ZOOM NO CONHECIMENTO O termo suitability passou a ser utilizado pelos órgãos reguladores do mercado americano de capitais. O órgão regulador determinou que o agente financeiro deveria conhecer o seu cliente e, a partir disso, prestar a melhor assessoria pos- sível. De forma semelhante, o Brasil também dispõe de um sistema de regulação dos interesses do investidor. A proteção do investidor que participa do mercado de capitais conta com o regramento de procedimentos a serem adotados pelos agentes e pelos consultores de investimentos e prevê que não se pode realizar operações ou prestar serviços sem verificar adequação do perfil do cliente. O Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Distribuição de Produtos de Investimentos, em seu art. 45, determina que: “ [...] as instituições participantes, no exercício da atividade de dis- tribuição de Produtos de Investimento, não podem recomendar Produtos de investimento, realizar operações ou prestar serviços sem que verifiquem sua adequação ao perfil do investidor. UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 No §1º, o Código determina que as instituições participantes do mercado de capitais devem implementar e manter, em documentos escritos, regras e proce- dimentos que possibilitem a adequação de produtos de investimento segundo o perfil dos investidores, suitability. Na coleta de informações, deve ser possível identificar o objetivo do investidor com o investimento, sua situação financeira e seu conhecimento acerca da matéria de investimento. Quanto à informação do objetivo do investimento, o agente ou consultor de investimento deve considerar as seguintes informações: ■ Período em que o investimento será mantido; ■ Preferências quanto à assunção de riscos; e ■ Finalidade do investimento. Quanto à informação sobre a situação financeira do investidor, deve-se con- siderar, no mínimo, as seguintes informações: ■ O volume financeiro das receitas regulares declaradas; ■ O volume financeiro dos ativos que compõem o patrimônio do investi- dor; e ■ A necessidade futura de recursos declarada. Quanto à informação referente ao conhecimento do investidor, deve-se con- siderar, no mínimo, as seguintes informações: ■ A familiaridade do investidor com os tipos de serviços e produtos; ■ A natureza, o volume e a frequência das operações realizadas pelo in- vestidor; e ■ A formação acadêmica e a experiência profissional do investidor. Em conjunto, essas informa- ções devem ser suficientes para definir o perfil do investidor. O Código ANBIMA também esta- belece que o perfil do investidor deve ser atualizado em prazos máximos de 24 meses. Caso os investidores se recusem a partici- par do processo de identificação de perfil, devem ser considera- dos como investidores sem perfil identificado. 5 8 É importante observar que o Código ANBIMA veda que as instituições par- ticipantes recomendem produtos de investimentos quando: O perfil do investidor não for adequado ao produto; As informações não forem suficientes para identificar o perfil do investidor; As informações relativas ao perfil do investidor estejam desatualizadas. Caso o investidor solicite a aplicação em ativos que estejam em discordância com as recomendações anteriores, as instituições devem: ■ Alertar o investidor sobre a inadequação, a ausência ou a desatualização do seu perfil, assim como as causas da divergência; e ■ Solicitar a declaração expressa do investidor (exclusiva para cada tipo de ativo) na manutenção da decisão de investidor, mesmo ciente da ausência, da desatualização ou da inadequação do perfil. Todo esse conjunto de informações tem o in- tuito de entregar os resultados mais adequados aos interesses do investidor. Contudo, Lima et al. (2006) destacam que o perfil pode mudar com o tempo e com a condição financeira. Por exemplo, quando os investidores aumentam o volumede patrimônio, seu nível de risco pode se tornar maior; portanto, terá como objetivo maiores retor- nos em seus investimentos. Na mesma linha, Bessa (2016) defende que a decisão de investimento é algo complexo para a maior parte das pessoas, pois passa pelo entendimento da capacidade de poupança, dos objetivos de investimento, do prazo de investimento, da liquidez desejada, do apetite às flutuações dos retornos e das eventuais perdas. De posse das informações sobre a suitability, podemos classificar os inves- tidores conforme o apetite ao risco e, com isso, determinar os seus perfis como perfil conservador, perfil moderado ou perfil arrojado. O perfil pode mudar com o tempo e com a condição financeira UNIASSELVI 5 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 PERFIL CONSERVADOR Esse perfil é aquele com baixa propensão ao risco, isto é, não deseja que seu investimento sofra com a volatilidade do mercado. Enquadram-se nesse perfil os investidores que não assumem riscos maiores em troca de um retorno maior. Lima et al. (2006) afirmam que o investidor com esse perfil tem reações mais emocionais do que racionais, troca a rentabilidade pela tranquilidade e, em geral, tem pouco conhec- imento e poucas informações sobre investimentos e mercado financeiro. PERFIL MODERADO Esse perfil diz respeito àquele investidor que aloca seus recursos de forma equilibra- da, isto é, deseja maior retorno, mesmo que tenha que aceitar volatilidade no seu pat- rimônio. Enquadram-se nesse perfil os investidores que não correm altos riscos mas que também não são excessivamente conservadores. Lima et al. (2006) afirmam que o investidor com esse perfil tem certo conhecimento de investimentos e de mercado financeiro. PERFIL ARROJADO Também chamado de agressivo, esse perfil é aquele que aloca seus recursos de for- ma mais tranquila quanto a maior volatilidade, em troca de uma expectativa de maior retorno. Lima et al. (2006) postulam que o investidor com esse perfil tem alto conhec- imento de investimentos e de mercado financeiro. Diferente dos perfis conservadores e moderados, renuncia à segurança do seu patrimônio em troca da expectativa de um retorno maior. RELAÇÃO RETORNO E RISCO Veja que, em todos os perfis de investimento, o retorno esperado está relacionado com o risco que cada investidor aceita correr. Nessa mesma linha, Higgins (1995) dest- aca que, ao avaliar as alternativas de investimentos, o que está em questão é se a taxa de retorno é suficiente para compensar os riscos. Por exemplo: verificar se, quando os retornos esperados são altos, os ativos tendem a apresentar riscos mais elevados. 1 1 PERFIL DO INVESTIDOR E CATEGORIAS DE RENDAS Em suma, investidores com um perfil conservador tendem a concentrar a maior parte do seu patrimônio em investimentos de renda fixa. Perfil moderado ten- de a alocar, de maneira igual, os investimentos em renda fixa e renda variável. Perfil arrojado ou agressivo tende a destinar a maior parte do seu patrimônio para renda variável. A diversificação de uma carteira de investimentos entre renda fixa e renda variável é uma estratégia que busca equilibrar as oportunidades de retorno de acordo com o perfil do investidor, considerando a previsibilidade dos retornos e o nível de risco associado a cada categoria. Enquadram-se na categoria de renda fixa os investimentos cujos retornos são conhecidos antecipadamente ou podem ser facilmente calculados. Nessa cate- goria, o investidor conhece as possibilidades dos rendimentos antes de fazer o investimento. Os ativos de renda fixa são considerados mais seguros e estáveis, podendo ser divididos em curto prazo e longo prazo: Renda fixa de curto prazo Nesse grupo de ativos, encontramos aqueles que pagam juros pré ou pós-fixa- dos. Em geral, os vencimentos ocorrem em um ou poucos meses. São exemplos: cotas de fundos de renda fixa; títulos de curto prazo do governo federal (LTN, LFT, BBC etc.); caderneta de poupança; certificado de depósito bancário- CDB; entre outros. Renda fixa de longo prazo Nesse grupo de ativos, encontramos os títulos de dívida do governo e das empre- sas para prazos mais longos, geralmente de vários anos. São exemplos: debêntu- res; Notas do Tesouro Nacional; C-Bonds, entre outros. Enquadram-se na categoria de renda variável os investimentos cujos retor- nos podem variar de acordo com o desempenho do mercado. Nessa categoria, não há garantia de rendimentos futuros, e os investidores ficam mais expostos UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 a flutuações do mercado. São exemplos: ações, contratos de opções, contratos futuros em geral, ouro, dólar e outras moedas. DIFERENTES TIPOS DE APLICAÇÕES A compreensão dos conceitos e dos critérios envolvidos no desenvolvimento de um portfólio de ativos são necessários para compor uma carteira que maxi- mize os retornos do investimento. Para dar seguimento à composição de uma carteira de investimento, ainda nos falta compreender os principais tipos de in- vestimentos disponíveis no mercado e que podem fazer parte do portfólio. São os principais: ações, fundos imobiliários, renda fixa e fundos de investimentos. Ações O mercado de ações vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Atualmente, cerca de 400 empresas são negociadas na Bolsa de valores brasileira. Nesse tipo de investimento, o investidor compra um pedaço de uma empresa de capital e passa a ser sócio da empresa; logo, recebe lucros da empresa periodicamente . A compra de ações permite ao investidor auferir lucros periódicos sobre o capital, isto é, a empresa que lucra ao longo de um ano distribui parte dos lucros aos seus acionistas. Outra forma de um investidor obter ganhos com a compra de ações é com compra e venda da ação. Em geral, o investidor que se posiciona no primeiro caso tende a ser um investidor de mais longo prazo; logo, é menos suscetível à volatilidade. Por outro lado, o investidor com o foco na oscilação do preço da ação tende a ser aquele que investe mais a curto prazo. A diferença na oscilação de curto e longo prazo consiste no fato de que, no curto prazo, as oscilações decorrem de qualquer evento ou até mesmo de um A principal diferença entre a renda fixa e variável está na previsibilidade dos re- tornos e, portanto, no nível de risco associado a cada categoria. Enquanto a ren- da variável oferece a possibilidade de maiores ganhos, também está associada a maiores riscos e volatilidade do mercado; por outro lado, a renda fixa oferece maior segurança e estabilidade nos retornos. ZOOM NO CONHECIMENTO 1 1 Convido você para pesquisar no Google as ações da Apple. Digite “ações Apple” e você verá que, se o horizonte observado for de um mês, por exemplo, dificilmente é possível fazer uma projeção. Agora, se a pesquisa for de cinco anos (“agosto de 2018 a agosto de 2023”), vai ver que esse ativo teve seu valor aumentando em, aproximadamente, 80% ao ano. PENSANDO JUNTOS No curto prazo, as oscilações decorrem de qualquer evento ruído no mercado. Contudo, no longo prazo, o que importa é a evolução da empresa e dos seus lucros, e o que chamamos de ruído fica para trás ou é cor- rigido. Um investidor que aloca os seus recursos ao longo da vida passará por momentos de altas e baixas nos seus ativos; contudo, ao longo do prazo as chances de crescimento são muito grandes. Fundos imobiliários Essa é outra classe de investimento que vem ganhando força no Brasil, também chamado de FIIs. Nessa modalidade, o investidor adquire cotas de um fundo de investimentos que tem participação num conjunto de imóveis. A presença mais comum de imóveis são: ■ Shopping centers; ■ Hotéis; ■ Galpões Logísticos; e ■ Prédios corporativos. Em geral, os fundos imobiliários adquirem os empreendimentos e os alu- gam, e o rendimento é distribuído para os cotistas do fundo de acordo com as quantidades de cotas. De forma semelhante às ações, as cotas dos FIIs também são negociadas na bolsa de valores; logo, o preço da cota varia de acordo com a oferta e ademanda dos papéis. Apesar da volatilidade, tendem a ter oscilações menos intensas que o preço das ações, pois não há tantos ruídos e dependem mais de fatores econô- micos estruturais. Esses empreendimentos são alugados para diversos inquilinos diferentes, e o UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 rendimento líquido obtido é distribuído para os cotistas do fundo. Isso significa que todo mês o investidor pode ter uma renda oriunda de imóveis de alta qualidade. Por conta dessa distribuição mensal dos aluguéis, os investimentos em FIIs tendem a ser mais estáveis para investidores iniciantes. Afinal, todos os meses será possível colher frutos dos investimentos. Por isso, esse investimento é bastante recomen- dado para investidores iniciantes que querem começar a investir na renda variável. Renda fixa Já conceituamos a renda fixa. Contudo, nosso objetivo aqui é apresentar as possibi- lidades de investimento nesse tipo de renda. Comentamos que, nessa categoria, o investidor vai encontrar desde títulos públicos federais, como o tesouro direto, até títulos de crédito privado, como Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Cré- dito de Agronegócio (LCA), Certificado de Depósito Bancário (CDB) e debêntures. Ao contrário das ações, os investimentos em renda fixa são mais estáveis. Por exemplo: ao investir em um desses ativos, o investidor sabe, a priori, quanto vai receber pelo dinheiro que emprestou, assim como quando receberá o dinhei- ro; além disso, normalmente, os juros são semestrais. Em geral, os rendimentos nesses investimentos são indexados, isto é, recebem a remuneração fixa, ou in- dexadas pela CDI ou IPCA, por exemplo: ■ 12% a. a fixo; ■ 110% do CDI a.a; ■ IPCA + 7% a.a. Veja que, ao emprestar o dinheiro na modalidade de renda fixa, o investidor já conhece, a priori, o quanto vai receber. No primeiro caso, ele receberia 12% ao ano; no segundo caso, o seu rendimento seria de 110% do CDI; e, no terceiro caso, ele receberia a inflação (IPCA) + 7 ao ano. Em 15/03/2021, os investidores tiveram a oportunidade de investir em debêntures da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), a qual se comprometeu a pagar os juros de 100% da Taxa CDI +1,65% a.a. Ainda em 15/03/2021, a mesma empresa emitiu outro lote de debêntures e remunerou os investidores em IPCA + 4,4920% a.a. Veja que, nos dois casos, o investidor tem uma certa blindagem do seu patrimônio via indexação pela CDI ou IPCA; além disso, recebe um prêmio pelo investimento. APROFUNDANDO 1 4 Fundos de investimentos Essa é outra modalidade de investimento que pode ser utilizada pelo investidor para diversificar sua carteira. Como o mercado é muito dinâmico e, de certa for- ma, exige um certo grau de conhecimento e tempo para analisar e acompanhar as diversas opções de investimento, muitas vezes o investidor prefere delegar a tarefa de gerenciar seus investimentos a um profissional do mercado. Obviamente, o gestor do fundo recebe uma pequena participação nos ren- dimentos; portanto, vai procurar entregar o melhor resultado ao investidor. Isso porque, muitas vezes, o investidor que deseja aplicar o seu dinheiro não tem tanta experiência ou tempo de analisar e estudar ações, fundos imobiliários e aplicações de renda fixa. Afinal, são muitas as opções disponíveis, e conhecer os ativos e os riscos demanda tempo e conhecimento. Então, por meio dos fundos de investimentos, é possível terceirizar essa aná- lise para um gestor profissional. Nesse tipo de aplicação, o fundo administra o capital de diversos investidores, alocando o patrimônio em alguns tipos de investimentos, tais como: ■ Renda Fixa; ■ Câmbio; ■ Multimercados; ■ Ações. Com o fundo de investimento, o investidor cotista não se preocupa em analisar ou avaliar as opções de investimento, como os melhores momentos para entrar ou sair de um papel. Nesse caso, o trabalho fica a encargo do gestor do fundo. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 DIVERSIFICAÇÃO DE CARTEIRA DE INVESTIMENTOS Diante da problemática de definir quanto de cada ativo deve-se carregar para dentro da carteira, a diversificação é o ponto central da carteira de investimen- to. Afinal, não seria necessário ter uma carteira se o investidor estivesse focado em um único ativo. Logo, a diversificação de uma carteira de investimentos e a distribuição de diferentes tipos de ativos de investimentos dentro do portfólio passa por, no mínimo, quatro pontos principais: número de ativos; classes de investimentos; setores dos ativos; e espaço geográfico. Número de ativos Dizemos que uma carteira é mais diversificada quanto mais ativos estiverem alocados nesse portfólio. No entanto, a diversificação por si só não garante os melhores retornos. Por exemplo: é possível ter um grande número de ativos e continuar com o risco concentrado caso houver uma crise hídrica e o investidor estiver com sua carteira concentrada em grande número de empresas de sanea- mento. Certamente, o risco de um ativo será o mesmo que dos demais; portanto, o desempenho de todos tende a andar na mesma direção. Quando falamos da diversificação da carteira pelo critério do número de ativos, o que pressupomos é que o investidor saiba selecionar as melhores opor- tunidades do mercado e considere em conjunto com o número de ativos os outros três pontos citados. Classes de investimentos Já vimos os conceitos de renda fixa e variável. Essas características, além do nú- mero de ativos, podem contribuir para a composição da carteira de investimentos a fim de minimizar os riscos e maximizar os retornos. Setores dos ativos A diversificação da carteira por setores de ativos também ajuda bastante na hora de minimizar os efeitos de oscilação do mercado. Por exemplo: não adianta o in- vestidor ter 20 ativos em sua carteira se todos forem de empresas de saneamento, 1 1 pois, se ocorrer um evento sistemático, terá toda a sua carteira comprometida. Por isso, usamos a diversificação da carteira por setores. Em geral, indica-se que cada um dos setores não ultrapassem 20% da carteira. Dessa forma, o investidor garantirá que sua carteira fique pouco exposta às oscilações de poucos setores. No Brasil, o investidor tem à sua disposição a possibilidade de investir em ações de empresas dos setores de saneamento, mineração, energia elétrica, petróleo, varejo, bancário, turismo, tecnologia, agropecuária e diversos outros. Em geral, um investidor tem maior afinidade ou gosto por um determinado setor, mas a diversificação dos setores, na regra dos 20%, é fortemente recomendada. Espaço geográfico Por fim, o quarto aspecto sugerido na diversificação de carteira diz respeito à localização geográfica. Essa prática é recomendada em virtude dos problemas geopolíticos, por exemplo. Imagine se, no período pré-guerra (Ucrânia e Rússia), um determinado investidor tivesse todos os seus recursos alocados em investimentos na bolsa da Rússia. Certamente, ele teria visto, ao menos por um longo tempo, seu patrimônio ruir. Caso o investidor se posicione em ativos de empresas de um único país ou de empresas que atuam apenas na economia local, ficará muito suscetível aos riscos daquele país ou daquela economia. Por isso, a alocação em ativos internacion- ais ajuda na mitigação de riscos e volatilidade da carteira. Inclusive, já citamos o exemplo de crescimento da “Apple”, que, em cinco anos, teve o preço dos seus papéis majorados em 384%. Alguns exemplos de outras empresas internacionais são Microsoft, Amazon, Google, Disney, JP Morgan etc. PENSANDO JUNTOS Além de contribuir para a diversificação da carteira visando à mitigação de riscos e volatilidade, ampliar a carteira com ativos internacionais pode propiciar maio- res retornos. Eles podem vir, por exemplo, das variações nos preços de ações das empresas de urânio por conta da energia nuclear. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 EU INDICO Nesse artigo, você pode compreender os aspectos estudados até aqui. O analis- ta da RBC Capital Markets vêmercados alinhados no Ocidente, como nos EUA e na União Europeia (UE), reduzindo a dependência russa e aumentando um déficit prolongado, que deve explodir na década de 2030, na medida em que a demanda de urânio supera a oferta. Na visão de Wong, o preço da ação da Cameco passou de US$ 30 para US$ 50 no início desta semana e, no caso da NexGen, de US$ 7 para US$ 10 por ação. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem A diversificação da carteira de investimento oferece, ao investidor, maior se- gurança de seu patrimônio, menor volatilidade de retorno e uma boa base de informações para tomada de decisões. PERFIL DE INVESTIDOR E CARTEIRA DE INVESTIMENTOS Em geral, cada perfil de investidor tende a seguir uma estrutura muito similar de carteira de investimentos. É comum identificar, nos diversos perfis de inves- tidores, uma tendência de atributos, tais como: CARTEIRA DE INVESTIMENTOS CONSERVADORA Quando falamos de renda fixa, já alertamos que o investidor com perfil conservador tende a priorizar a maior parte do patrimônio para títulos de renda fixa. Já na classe de ações, prefere empresas com resultados mais previsíveis. Esse perfil preza pela segurança; logo, prefere empresas com menores retornos mas que sejam mais es- táveis e seguras. Em geral, nessa classe, enquadram-se empresas do setor de energia, bancos, saneamento, seguridade e telecomunicações. CARTEIRA DE INVESTIMENTOS MODERADA Quando falamos do perfil de investidor moderado, mencionamos que ele prefere equilibrar seus investimentos em renda fixa e variável. Afinal, dentro de um determina- do comportamento de segurança e pouca volatilidade, ele prefere uma rentabilidade maior se comparado ao conservador. Nesse caso, a moderação se dá pela diversifi- cação de classes de ativos e por pesos bem distribuídos entre eles. 1 8 O trabalho da diversificação da carteira de investimento se inicia na análise do perfil do investidor. É a partir dessa análise que começamos a montar uma cartei- ra com rendas fixas e variáveis, as quais, uma vez distribuídas entre os diferentes tipos de aplicações, procuramos diversificar entre classes, setores e espaços geo- gráficos distintos. Dessa forma, é possível mitigar os riscos e assegurar a menor volatilidade no preço dos ativos. CARTEIRA DE INVESTIMENTOS ARROJADA Quando falamos do perfil de investidor arrojado, mencionamos que ele tem preferên- cia por manter a maior parte do seu capital em renda variável. Assim, ele estará no nível mais volátil. Por outro lado, as possibilidades de retornos são maiores. Acesse e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 NOVOS DESAFIOS Chegamos ao fim deste tema de aprendizagem! Vimos que a diversificação da carteira de investimentos visa à mitigação de riscos e volatilidade da carteira. Ampliar a carteira pode ser feito de várias for- mas: desde as classes de investimentos e até decidir quanto será investido em cada ativo. Vimos que tanto a renda fixa quanto a variável possuem diferentes tipos de produtos. Da mesma forma, a carteira pode ser diversificada a partir da alocação de recursos em diferentes tipos de ações dentro da mesma empresa, seja via debênture, ações ordinárias (ON) ou ações preferenciais (PN), que veremos mais adiante. Vistos os conceitos e as opções de diversificação de carteira, cabe ao estudante explorar as técnicas de diversificação de seleção de carteiras. Como exemplo, cito a teoria de Markowitz. 1 1 1. Ao montar uma carteira, o investidor tem uma série de variáveis que podem suportar a sua decisão, tais como: renda fixa ou variável, tipo de empresa, proporção de recurso que deve alocar em cada ativo, bem como também escolhe o setor a ser investido. Cerbasi (2008) defende que o mercado de renda fixa possui rendimento fixo, e o investidor é previamente informado sobre a rentabilidade e a proporção referente ao menor risco oferecido por esse tipo de investimento o potencial de retorno também é menor. Fonte: CERBASI, G. Investimentos inteligentes. 1. ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2008. Da regra de ouro do investimento, “nunca colocar todos os ovos na mesma cesta”, deriva o conceito de diversificação, principalmente, no que tange ao investimento em renda variável, em que os resultados são bastante imprevisíveis. Sobre esse conceito, assinale a alternativa que melhor se enquadra. a) Aumenta os riscos, pois investir em uma variedade de ativos ajuda a aumentar os riscos associados à carteira. b) Maximização dos impactos negativos, pois se um setor específico da economia ou uma classe de ativos sofrer um declínio significativo. c) Se um investimento tiver um desempenho inferior, as perdas em outros investimentos podem piorar as perdas. d) A diversificação piora o desempenho do portfólio total. e) Diversificação pode minimizar o impacto negativo do portfólio total. 2. O risco ainda pode ser conceitualmente dividido em dois tipos: sistemático, o qual se refere aos riscos que podem afetar as empresas em geral, ou seja, através da diversificação não é possível eliminá-lo; e o não sistemático (específico), que afeta determinada empresa ou até mesmo determinado grupo delas. Assim sendo, a diversificação consegue eliminar parte do risco não sistemático; com isso, o investidor consegue criar uma carteira de ativos em que é possível administrar o risco e os retornos insuficientes podem ser compensados por retornos maiores de outros investimentos. A ideia por trás da regra de mitigação de risco e aumento da resiliência do portfólio de in- vestimentos tem como principais premissas de diversificação. Afirmativas: AUTOATIVIDADE 1 1 I Redução da estabilidade: a diversificação pode proporcionar instabilidade ao portfólio, diminuindo a volatilidade global da carteira e tornando-a menos suscetível a oscilações abruptas de curto prazo. II Aumento de risco: investir em uma variedade de ativos ajuda a concentrar e aumentar os riscos associados a um único ativo ou classe de ativos. III Mitigação de erros de avaliação: diante da ausência de clareza e imprevisibilidade dos mercados futuros, a diversificação ajuda a mitigar o risco de cometer erros de avaliação ou tomar decisões de investimento impulsivas. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 3. Os investidores presentes no mercado financeiro possuem características distintas, ou seja, cada investidor possui uma maneira única de agir, sendo que suas ações se manifestam diretamente sobre os resultados dos investimentos realizados. Dessa forma, cada investidor seleciona seus investimentos à medida que se encaixam em seu perfil de risco. Os níveis de risco assumidos por um investidor em suas aplicações definem o perfil individual de cada investidor, sendo o horizonte de investimentos, as despesas familiares, o nível de segurança e as garantias envolvidas. A determinação da carteira ideal de investimento depende do perfil do investidor, também conhecido como suitability. Sobre a suitability, avalie as alternativas a seguir: a) O processo de suitability procura incentivar o investidor que preza mais pela segurança financeira, invista em ativos de risco. b) O processo específico de suitability reduz a segurança e as oportunidades de aplicações, dentro do perfil de cada investidor. c) É uma análise que, a partir de um questionário, busca reunir informações para mapear as expectativas do investidor. d) O termo “suitability” ainda não é utilizado pelos órgãos reguladores do mercado de ca- pitais americano. e) A partir da análise de suitability não é possível definir os perfis de investidores como conservador, moderado, arrojado ou agressivo. AUTOATIVIDADE 1 1 REFERÊNCIAS BESSA, H. A. A hierarquia de preferência do consumidor em decisões de investimento finan- ceiro.2016. 202 f. Tese (Doutorado em Administração) — Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016. CERQUEIRA, A.L.S. Aplicação do Modelo de Elton-Gruber para a Construção de Carteira no índice PSI-20. 2015. 69 f. Dissertação (Mestrado em Contabilidade e Finanças) — Instituto Supe- rior de Contabilidade e Administração do Porto, Porto, 2015. HIGGINS, R.C. Analysis for financial management. 4.ed. Richard D. Irwin, Inc., 1995. LIMA, I. S.; GALARDI, N.; NEUBAUER, I. Fundamentos dos investimentos financeiros. São Paulo: Atlas, 1 ed. 2006. 1 1 1. E Caso você aloque seus recursos em uma única ação, o risco de ter prejuízo é muito gran- de, pois o papel fica suscetível não apenas às decisões do ambiente econômico externo à empresa, mas também às decisões estratégicas intra empresa. 2. B. Redução de risco: investir em uma variedade de ativos ajuda a distribuir e reduzir os riscos associados a um único ativo ou classe de ativos. Aumento da estabilidade: a diversificação pode proporcionar estabilidade ao portfólio, diminuindo a volatilidade global da carteira e tornando-a menos suscetível às oscilações abruptas de curto prazo. Mitigação de erros de avaliação: diante da ausência de clareza e imprevisibilidade dos mercados futuros, a diversificação ajuda a mitigar o risco de cometer erros de avaliação ou tomar decisões de investimento impulsivas. 3. C. O processo de suitability é uma análise que, a partir de um questionário, busca reunir informações para mapear as expectativas do investidor em relação ao retorno esperado, à liquidez e ao nível de risco que ele está disposto a assumir; e, após esta análise, definem-se os perfis, como conservador, moderado, arrojado ou agressivo. GABARITO 1 4 MINHAS ANOTAÇÕES 1 5 UNIDADE 2 MINHAS METAS INVESTIMENTOS EM TÍTULOS DE DÍVIDA, INVESTIMENTO EM AÇÕES ORDINÁRIAS Diferenciar os tipos de investimentos em renda fixa e renda variável. Relacionar os riscos inerentes a tipos de investimentos ao perfil de investidor. Visitar os conceitos de investimento em títulos públicos e privados. Conhecer os principais papéis de dívida pública e privada. Classificar os principais tipos de ações. Analisar os riscos inerentes ao investimento em títulos de dívidas e ações. Compreender os pontos-chave das ações preferenciais e ordinárias. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4 1 8 INICIE SUA JORNADA Olá, estudante! Seja bem-vindo! Quando falamos em investimentos no mercado financeiro, a lista de possibi- lidades que nos vem à mente é quase infinita. São tantas que, se pensarmos nas diferentes proporções em cada ativo, a relação fica ainda maior. A dúvida, muitas vezes, vem do funcionamento de cada uma das possibilidades de investimentos. Por exemplo: “devo investir em dívida ou em ações?”. Essa é uma pergunta cuja resposta depende muito do momento econômico, do setor no qual a empresa está inserida, das políticas tributárias, etc. Enfim, a lista de variáveis envolvidas também é extensa; logo, definir um portfólio não é uma tarefa fácil. Investimentos em títulos de dívida e ações, por exemplo, apesar de guar- darem semelhanças, têm diferenças marcantes que precisam ser conhecidas antes de selecionar o tipo de investimento para a carteira. O caso mais comum de investimento em renda fixa se dá em títulos do governo e muito no âmbito de debêntures. Já o investimento em renda variável o caso mais comum é o in- vestimento em empresas de capital aberto na bolsa de valores. Para compreender melhor, imagine que em 15/03/21 você comprou títulos de dívida (debêntures) da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Nessa emissão de debêntures, a Sanepar ofertou, aos acionistas, a remuneração de DI + 1,65% ao ano, com juros semestrais. Suponha que você investiu um determinado valor e, na ocasião, a taxa acumulada de DI estava 2,22%; logo, imagino que a sua expectativa era receber 3,87% ao ano. Contudo, em 15/03/22, a DI acumulada nos últimos 12 meses foi 6,45% e, em 15/03/23, a DI acumulada foi de 13,29%. Portan- to, sua expectativa de investimento em debêntures era de 3,87% ao ano, mas, no primeiro, o seu investimento retornou 6,45% ao ano e, no segundo ano, acumulou 13,29% ao ano. Logo, se você tivesse investido em debêntures da Sanepar, teria acumulado, em 2 anos, 20,60%, frente a expectativa de 7,89%. Por outro lado, imagine que, se você tivesse investido em ações da mesma em- presa (SAPR4), e se nas mesmas datas como em 15/03/21 em 15/03/22 estava em R$ 3,63 e 15/03/23 estava em R$ 3,39, logo, se você tivesse investido em ações SAPR4 no mesmo período, teria experimentado uma perda no capital investido da ordem de 6,61% — considerando que a empresa paga em torno de 3% de dividen- dos ao ano, a perda teria sido em torno de 0,61% no período. PENSANDO JUNTOS UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 No exemplo apresentado, podemos ver a importância de estudarmos os conceitos de risco e retorno e outras características inerentes aos títulos de dí- vida e ações. Em dois anos, a diferença no retorno entre dois ativos da mesma empresa poderia ter resultado, para o investidor, uma diferença de aproxima- damente 22% nos retornos. Pense que as taxas de juros poderiam ter caído e as condições econômicas fossem mais favoráveis aos investimentos em renda va- riável: o resultado poderia ser outro. Se extrapolar essa análise para um conjunto de empresas, a dificuldade da análise das variáveis aumenta significativamente. Veja que a análise de investimentos não é uma tarefa fácil; por isso, precisamos avaliar alguns pontos que podem trazer mais luz à nossa análise. Investir em títulos de dívida ou investir em ações são duas abordagens bem dif- erentes para a alocação de capital no mercado financeiro. Quer saber mais sobre esses principais tipos de investimentos e ficar por dentro das principais diferenças entre títulos de dívida e ações? Convido você a participar do podcast. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Nessa matéria, você poderá aprofundar alguns conceitos e aprender mais sobre a taxa Selic, importante para relembrar os conteúdos abordados e consolidar seu conhecimento. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem DESENVOLVA SEU POTENCIAL O investimento em títulos de dívida consiste numa forma de empréstimo que o investidor faz para uma determinada empresa ou governo. Dizemos que o com- prador de um título de crédito empresta o dinheiro para o tomador de crédito e, no futuro, o tomador do crédito devolve o montante principal investido no título da dívida, acrescido de juros, que é a rentabilidade do montante investido. 8 1 Damodaran (2005) diz que o título de dívida confere, ao portador, direitos sobre um conjunto controlado de fluxos de caixa, normalmente juros e paga- mento do principal. Já um direito de ações confere, ao portador, direitos sobre quaisquer fluxos de caixa residuais após todos os demais compromissos terem sido antenados. Outra forma de investimento é a compra de ação ordinária, que é um título de propriedade, isto é, as ações ordinárias representam um pedaço da empresa. Quando um investidor compra ações ordinárias, de fato ele está se tornando só- cio e passa a ter direitos sobre uma parcela dos lucros da empresa, na proporção do montante de capital alocado em ações ordinárias. Nessa linha, Damodaran (2005) define a dívida como um veículo de fi- nanciamento que é um direito sobre a empresa, que tem prazo de pagamento definido e garante, ao portador do título da dívida, o direito prioritário sobre o fluxo de caixa, tanto durante a operação quanto em casos de falência. Já as ações são definidas como qualquer instrumento de financiamento que tem um direito, não tem prazo delimitado, não tem prioridade em caso de falência e dá o controle da administração ao proprietário. Quando estudamos os perfis de investidores,vimos que a tomada de decisão sobre os investimentos está relacionada aos motivos que levam o investidor a in- vestir. A partir da informação do perfil do investidor, é possível avaliar a alternativa que oferece as melhores características, de acordo com seu perfil, em termos de prazo, segurança e rentabilidade. Essas também são características que diferen- ciam os investimentos em títulos de dívida e os investimentos em ações ordinárias. UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 PREVISIBILIDADE DOS RETORNOS A avaliação de um investimento envolve basicamente a análise de seu risco, a taxa de retorno esperada e a liquidez do papel. A rentabilidade esperada é outro aspecto a ser considerado. Os investimentos em título de dívida oferecem um limite de rendimento; por outro lado, as ações oferecem potenciais de ganhos mais elevados, mas seus retornos são mais instáveis. Os investimentos em títulos de dívida são mais anuentes aos objetivos de curto prazo, enquanto os investimentos em renda variável costumam estar mais alinhados aos obje- tivos de longo prazo. Compreender a diferença entre um título de dívida e uma ação é essencial, pois ambas as alternativas fazem parte de classes diferentes de investimen- tos. No entanto, não precisa decidir entre comprar uma ação ou uma título de dívida, pois como já estudamos no conceito de diversificação, um mix de investimento pode mitigar os riscos e potencializar os resultados. A partir da análise do perfil do investidor, obtemos uma carteira adequada ao seu perfil. Os títulos de dívida fazem parte da classe de renda fixa, isto é, o investi- dor sabe antes do investimento quanto receberá no vencimento da sua apli- cação; por isso, são considerados investimentos mais seguros. Por outro lado, o investimento em ações está na classe de renda variável, isto é, não oferece ao investidor previsibilidade do resultado, razão pela qual o investimento em ações é considerado uma alternativa de maior risco. RENDA FIXA Essa é uma definição que descreve os investimentos financeiros em que os re- tornos são definidos no momento do investimento. Nessa modalidade de renda fixa, os investimentos têm maior previsibilidade em relação aos pagamentos de juros e ao retorno dos investimentos. No caso de investimento com as regras de rentabilidade conhecidas pelos investidores, existem três possíveis formas de rentabilidade: 8 1 Existe uma gama de possibilidades de investimentos em renda fixa, sendo os mais comuns: ■ Títulos do governo: títulos de dívidas emitidos pelos governos nacio- nais, estaduais ou municipais. Nesta categoria, estão as Letras do Tesouro Nacional (LTN), as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e as Notas do Tesouro Nacional (NTN); ■ Debêntures: títulos de dívidas emitidos por empresas; ■ Certificado de Depósitos Bancários (CDB): emitidos por instituições financeiras; ■ Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agrone- gócio (LCA); ■ Letra de Câmbio (LC). Esses são os principais ativos negociados na classe de renda fixa. Explorare- mos as características individuais de cada um mais adiante. Por ora, precisamos saber que, quanto ao risco e ao retorno, são mais previsíveis e menos arriscados em comparação com a renda variável; por outro lado, seus retornos são meno- res, pois tendem a preservar o capital e gerar renda estável. São os ativos mais desejados por investidores com aversão ao risco. PRÉ-FIXADA É definida por uma taxa fixa conhecida antes do investimento. PÓS-FIXADA Tem o retorno atrelado à variação de um indicador de referência, a exemplo do Certifi- cado de Depósito Interbancário (CDI). HÍBRIDA É formada por uma parcela de taxa fixa e uma parcela atrelada a um indicador, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 RENDA VARIÁVEL Essa é uma definição que descreve os investimentos financeiros cujos retornos podem variar ao longo do tempo. Ao contrário da renda fixa, cujos pagamentos de juros e principal têm as condições de retorno preestabelecidas, na renda va- riável, os investidores têm a oportunidade de maiores ganhos, mas se sujeitam a maiores riscos. As possibilidades de investimentos em renda variável são muitas, tais como: ações, fundos de investimentos em ações, Exchange Traded Funds (ETFs), derivativos, investimentos em startups, entre outras. AÇÕES Representam a propriedade parcial de uma empresa. Quando um investidor adquire uma ação, ele se torna sócio e compartilha um pedaço da propriedade da empresa. Nesta modalidade de investimento, os retornos incluem dividendos, que são parte dos lucros gerados e distribuídos aos acionistas de acordo com a sua participação no capital social da empresa, e ganhos de capital, que é a valorização do preço da ação na bolsa. Você deve ter o conhecimento de que essa segunda parcela é bastante volátil, por isso dizemos que as ações são do tipo renda variável. Perceba que tanto os dividendos quanto os ganhos de capital podem variar, pois ambos dependem do desempenho financeiro específico no âmbito da empresa, de notícias e de eventos do mercado em geral. FUNDOS DE INVESTIMENTOS Representam uma espécie de um conjunto de ações, isto é, o fundo investe numa carteira diferenciada de ações. Investir em fundos de ações permite que os investi- dores acessem uma diversificação sem a necessidade de comprar ações individuais. EXCHANGE TRADE FUNDS (ETFS) Também conhecido como fundo de índice, é um fundo de investimento negociado na bolsa, como se fosse uma ação. 8 4 A renda variável oferece maior potencial de retorno, mas carrega um risco maior. Os preços das ações e outros ativos podem ter volatilidade e flutuações abruptas; logo, é considerado um investimento de risco elevado. Investir em renda variável em um horizonte temporal de longo prazo per- mite atenuar os riscos de curto prazo, isto é, no longo prazo, os riscos tendem a ser mais comportados. A diversificação é outro aspecto que pode reduzir os riscos específicos associados à renda variável. INVESTIMENTOS EM STARTUPS No Brasil, essa prática ainda é embrionária, mas já existe um mercado em que os investidores fornecem capital para startups em troca de participação acionária, na expectativa de terem algum retorno com o crescimento futuro das empresas. É um investimento de alto risco e ainda sem regulação, mas uma prática bastante comum em países avançados. EU INDICO Vale mais a pena investir em título público ou em crédito privado? Neste vídeo, você poderá compreender as vantagens e as desvantagens de cada um deles. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem TÍTULO DE DÍVIDAS Os títulos de dívidas pública e os títulos de dívida privada são dois tipos de instrumentos financeiros de investimentos, emitidos por governos ou empre- sas, que têm a finalidade de tomar dinheiro emprestado junto aos investidores. As emissões desses títulos permitem que empresas e governos captem recursos sem precisar elevar muito o seu endividamento. A emissão de títulos de dívidas pode ajudar as empresas a terem uma gestão financeira mais efetiva sobre seus fluxos de caixa. Neubauer, Lima e Galardi (2006) afirmam que o benefício para as empresas que emitem títulos é conseguir um grande volume de dinheiro a juros mais baixos do que aqueles praticados pelos bancos, tornando-se, portanto, mais atrativo para as empresas. UNIASSELVI 8 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Títulos públicos São emitidos por governos nacionais, estaduais ou municipais, que usam os recursos captados para financiar suas atividades e seus projetos. Pelo fato de os governos terem a capacidade de arrecadar impostos para pagar suas dívidas e devido aos intensos regimes regulatórios, têm baixo risco de inadimplência. Logo, são considerados investimentos de baixo risco. Os títulos mais comuns dessa classe são: TÍTULOS DO TESOURO Títulos federais administrados e contabilizados pela Secretaria do Tesouro Nacional, tendodiferentes formas de pagamentos, juros e prazos. Existem diferentes tipos de títulos do Tesouro, cada um com características específicas, tais como: o Tesouro Selic (LFT) é pós fixado e seu rendimento é indexado à Selic, considerado um dos inves- timentos mais conservadores cujas remuneração andam em linha com as variações da taxa básica de juros; Tesouro Prefixado (LTN) tem seu rendimento determinado no momento da compra: o investidor sabe exatamente o quanto vai receber no venci- mento do título; Tesouro IPCA + (NTN-B e NTN-B Principal) são indexados ao IPCA mais uma taxa de juros prefixada; Tesouro prefixado com juros semestrais (NTN-F) é semelhante ao LTN, mas com pagamentos de juros semestrais. TÍTULOS DE DÍVIDA MUNICIPAIS São títulos emitidos para financiar projetos de infraestrutura, serviços públicos e outras necessidades locais, no âmbito dos municípios. Existem dois tipos de títulos munici- pais: títulos gerais e títulos de receitas. No primeiro caso, o tomador do recurso tem a obrigação de pagar os juros do principal com os recursos disponíveis, incluindo a ar- recadação de impostos. No segundo caso, os recursos são captados com um objetivo específico, como implantar ou ampliar sistemas de água, esgoto, rodovias, aeroportos ou instalações esportivas. No caso de títulos de receita, os pagamentos dos juros e do principal se dá a partir da receita gerada pelo próprio projeto, objeto do financiamento. Veja que, no caso de títulos gerais, em geral, os riscos são menores, uma vez que os pagamentos não dependem do desempenho dos objetos de financiamento. 8 1 Na categoria do Tesouro, o Tesouro Nacional disponibiliza, em sua plataforma, diferentes opções em termos de prazo e taxas. TÍTULOS DE DÍVIDA ESTADUAL São emitidos como forma de captar recursos para financiar projetos de infraestrutura, educação, saúde, transporte e outros setores no âmbito dos programas estaduais; assim como os títulos municipais, fazem parte da classe de renda fixa. A segurança pode variar em relação à saúde financeira do estado emissor; por exemplo: um estado com finanças mais sólidas e capacidade de pagamento comprovada tem menor risco de inadimplência. Ao decidir por alocar esse produto em seu portfólio, o investidor deve ficar atento às notas de classificação de rating, atribuídas pelas agências de classificação de risco, pois é o principal indicador de risco dos títulos. Em relação aos rendimentos, pagam juros aos investidores em intervalos regulares, como semestrais ou anuais. Por meio de corretoras, bancos e outras instituições financeiras, podem participar desse mercado tanto investidores individuais quanto institucionais. EU INDICO Você sabe como funcionam os títulos públicos prefixados? Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem Títulos privados São instrumentos financeiros emitidos por empresas e instituições financeiras com a finalidade de captar recursos para a gestão ordinária de seus negócios ou ampliar seu mercado. Os riscos podem variar de acordo com a saúde financeira do emissor. Em geral, esses títulos são mais arriscados que os títulos de dívida pública, pois a capacidade de pagamento das empresas pode ser mais volátil do que a capacidade de pagamento de um governo, que tem suas receitas mais constantes. Os títulos mais comuns dessa classe são: UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 DEBÊNTURES Emitidos por empresas, são um dos principais tipos de títulos de dívida privada do Brasil, podem ser conversíveis em ações ou não conversíveis. É um instrumento muito recorrente das empresas. Consistem na emissão de dívida para a gestão ordinária dos negócios e na complementação do plano de investimentos. Nessas categorias, há uma variedade de prazos, indexadores e prêmios bastante diversificados. Em geral, se comparada com os empréstimos oferecidos pelos bancos, é uma forma mais barata de crédito. As debêntures possuem basicamente duas modalidades: incentivada e institucional. No primeiro caso, há incentivo do governo federal para o desenvolvimen- to da infraestrutura no Brasil, razão pela qual, atualmente, há isenção de Imposto de Renda sobre os lucros recebidos pelo investidor. CDB Emitidos por instituições financeiras, por exemplo. Nesse caso, o investidor empresta o recurso para o banco e recebe o valor investido com a taxa de juros previamente pactuada. CRI Emitidos por securitizadoras e com lastro em recebíveis do setor imobiliário e do agronegócio, respectivamente, utilizam os aluguéis ou vendas de imóveis como garantia. Atualmente, os investimentos nesse tipo de dívida garantem, ao investidor, isenção de Imposto de Renda sobre o montante oriundo da rentabilidade. CRA Emitidos por produtores rurais com base em recebíveis originados de suas atividades agrícolas. LCI E LCA Emitidos por instituições financeiras, lastreados em créditos do setor imobiliário e do agronegócio. Em alguns casos, são concedidos benefícios fiscais. 8 8 LF São emitidos por instituições financeiras e servem como fonte de captação das própri- as instituições financeiras. NOTAS COMERCIAIS Enquadram-se nessa categoria os títulos de dívida de curto prazo, emitidos por em- presas. É uma alternativa de captação de recursos bastante utilizada pelas empresas, muito semelhante às debêntures. A diferença está no modo simplificado, por exemplo: as notas comerciais dispensam os registros em juntas comerciais. Os riscos associados aos títulos da dívida privada podem variar com as oscilações na saúde financeira da empresa emissora, nas condições do mercado e, princi- palmente, nas características específicas de cada título. EU INDICO Quer aprender mais sobre como funcionam os investimentos em debêntures? Clique aqui para acessar um conteúdo complementar! Neste material, você encontra um conteúdo sobre como funcionam os retornos do CDB. Acesse aqui! Como funcionam os prazos de investimentos, as taxas de retornos e os riscos as- sociados aos CRA e CRI? Este vídeo vai ajudar você a compreender mais detalhad- amente esse assunto! Clique aqui para acessá-lo! Com esses materiais, seus estudos ficarão ainda mais completos! Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem AÇÕES O mercado de capitais assume um dos papéis mais relevantes no processo de desenvolvimento econômico do país, pois ele está estruturado de forma a suprir as necessidades de investimentos dos agentes econômicos. Contempla diversas modalidades de financiamento, desde financiamento para capital de giro e até investimento na ampliação de mercados. UNIASSELVI 8 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 A ação é um produto do mercado financeiro definido por Fortuna (2007, p. 559) como “a menor parcela do capital social de uma sociedade por ações”. Assaf Neto (2006) corrobora esse entendimento, definindo a ação como o valor representativo de uma parcela (fração) do capital social de uma sociedade, negociável no merca- do. Com esse entendimento de que as ações constituem a menor fração (a menor parcela) do capital social de uma empresa, acrescentamos que essa parcela tem a finalidade de financiar o crescimento da empresa, sendo negociável e distribuída aos acionistas (subscritores) de acordo com a participação monetária. APROFUNDANDO Constituído por instituições financeiras não bancárias, instituições integrantes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) e diversas insti- tuições auxiliares, o mercado de capitais possibilita o financiamento de empresas via emissão e subscrição de ações. Em continuidade ao estudo dos mercados financeiros e das operações no mercado de capitais envolvendo títulos de dívi- das realizadas por meio desse mercado (como debêntures), vamos analisar uma forma de derivativo do capital das empresas (ações). 9 1 Ao adquirir ações de uma empresa listada na bolsa de valores, o investidor se torna sócio. Com isso, ele tem direito à participação nos resultados do negócio de forma proporcionalà quantidade de ativos que possui. Existem duas formas de auferir retornos com as ações: vendendo os papéis por um preço superior ao de compra e recebendo proventos. Este último diz respeito aos benefícios pagos aos investidores na forma de dividendos, resultante dos lucros gerados. Portanto, os resultados retornos obtidos com as ações estão fortemente correlacionados com o desempenho das empresas. As ações são investimento em renda variável, o que significa que o retorno da aplicação não está indexado a nenhum indicador econômico e não tem uma taxa fixa de retorno. O seu rendimento está diretamente relacionado com o de- sempenho da empresa e do setor em que ela atua; além disso, também depende do contexto econômico, tanto local quanto internacional. As ações podem ser classificadas de acordo com a natureza dos direitos e das vantagens conferidas aos seus titulares, sendo três os principais tipos: fruição ou gozo, preferenciais ou ordinárias. Diferente dos títulos privados, os investimentos em ações não garantem rentabilidade ao investidor. Fruição ou gozo São colocadas em negociação na bolsa de valores, relando interesse apenas aos fundadores da empresa. Não conferem, ao titular, direitos a dividendos nem a voto nas decisões executivas. São distribuídas aos acionistas fundadores como parte dos ativos da empresa. Contudo, para executar o direito após a liquidação da empresa, somente depois de a empresa pagar todas as dívidas e obrigações. Assim, os ativos que sobram são distribuídos proporcionalmente aos fundadores. Seus direitos ficam limitados ao remanescente dos ativos após a liquidação da empresa. Com finalidade específicas, essas ações podem ocorrer para atender ao objetivo específico, como encerramento de operações, liquidação de dívidas ou divisão de ativos entre acionistas. As ações de fruição ou de gozo podem ter a finalidade exclusiva de recom- pensar os acionistas por um evento específico, como uma fusão, ou funcionar UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 AÇÕES DE FRUIÇÃO POR INCORPORAÇÃO OU FUSÃO Pode ser privada, como uma forma de compensação para acionistas de uma empresa que está em criação ou passando por uma fusão. Essas ações podem permitir que os acionistas fruam de dividendos ou de lucros relacionados aos resultados da empresa antes da fusão ou incorporação serem concluídas. AÇÕES DE GOZO POR EVENTOS ESPECÍFICOS As empresas podem emitir ações para acionistas como resultado de eventos espe- cíficos. Por exemplo: na venda de ativos ou uma garantia, essas ações podem permitir que os acionistas participem de benefícios relacionados a esses eventos; AÇÕES DE GOZO COMO PARTE DE ACORDOS CONTRATUAIS Essas ações podem garantir direitos a dividendos ou lucros durante um período espe- cífico. As ações de fruição ou gozo podem ser adaptadas para atender às necessi- dades específicas de uma situação ou um acordo. Além disso, as leis e os regula- mentos podem influenciar a forma como essas ações são tratadas em termos de direitos e obrigações legais. Preferenciais Essas ações são chamadas de “preferenciais” porque conferem, aos acionistas, a preferência na distribuição de lucros e dividendos e até mesmo reembolso de capital em casos de liquidação da empresa. No entanto, é uma categoria de ação que não dá poder de voto ao acionista. como parte de um acordo contratual. Embora não sejam objeto de negociação em mercado organizado, como as ações ordinárias e preferenciais, pelo fato de serem uma categoria de ações, cabe apresentar alguns exemplos: 9 1 DIVIDENDOS PREFERENCIAIS Quando a empresa distribui lucros na forma de dividendos, os acionistas preferenciais, em geral, recebem dividendos antes dos acionistas ordinários. Contudo, os dividendos são fixos ou calculados a partir de uma taxa fixa, o que pode limitar a participação nos lucros em comparação com as ações ordinárias. DIREITO DE VOTO LIMITADO Em raras exceções, os acionistas preferenciais têm direito a voto. Os casos mais comuns são de “não direito a voto”, o que significa que o acionista preferencialista não tem influência significativa nas decisões da empresa. PRIORIDADE EM CASO DE LIQUIDAÇÃO Os acionistas têm preferência na distribuição de ativos remanescentes antes dos acionistas ordinários, mas isso não garante que eles recebam o valor total do seu investimento. VARIEDADE DE TIPOS Existem diversos tipos de ações preferenciais, com características distintas. Alguns exemplos são: ações preferenciais cumulativas: caso os dividendos sejam atrasados, eles acumulam para pagamento futuro; ações preferenciais resgatáveis: a empresa tem o direito de resgatá-la após um certo período; ações preferenciais conversíveis: podem ser convertidas em ações ordinárias em um momento determinado. RISCO E RETORNO Embora tenham benefícios como dividendos preferenciais, podem ter menor potencial de valorização do capital em comparação com as ações ordinárias. Por ser uma ação com mais benefícios e preferências, tende a ter mais liquidez; portanto, tem fluxo de negociação mais intenso na bolsa se comparada com as ações ordinárias. Esta categoria de ações possui como pontos-chave: UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Empresas emitem ações preferenciais por razões de negócios e estrutura de capital, que vão desde a situação financeira da empresa, condições de mercado e estratégia. As razões mais comuns são: acesso à capital sem diluição de voto; obtenção de capital para investimentos; pagamentos de dividendos estáveis; es- trutura de capital flexível; financiamento de projetos específicos; atendimento de requisitos regulatórios; flexibilidade de dividendos; entre outros. Vale lembrar que nem todas as empresas negociadas na bolsa possuem ações preferenciais. Algumas têm somente ações ordinárias. As ações preferenciais geralmente são identificadas por códigos junto ao Bra- sil, Bolsa, Balcão (B3), usando o número 4 no final. Por exemplo: ■ Banco Bradesco - BBDC4; ■ Azul AS - AZUL4; ■ Vale - VALE4; ■ Banco Itaú - ITUB4; ■ Lojas Americanas - LAME4; ■ Banco Inter - BIDI4. Porém, suas diferenças vão além do numeral no sufixo, e entender quais são esses pontos de distinção pode fazer toda diferença no momento de investir. Ordinárias É considerada a forma convencional de uma empresa de capital aberto obter recursos não onerosos. Confere, ao titular, o poder de voto em assembleia da empresa, podendo influenciar na tomada de decisão e no direcionamento admi- nistrativo da empresa. Assim como outras ações, a ordinária exige que o seu pro- prietário esteja identificado no livro de registro da empresa. Esse tipo de ação pode ser encontrado tanto em empresas de capital fechado quanto de capital aberto. Os acionistas ordinários deliberam sobre o destino e assuntos de interesse da empresa, votam as contas patrimoniais, decidem sobre a destinação dos resultados, elegem seus executivos e podem promover alterações no estatuto da empresa. Com relação aos dividendos, a distribuição aos acionistas ordinários nor- malmente é efetuada em função do dividendo obrigatório previsto em lei, ou 9 4 de acordo com o percentual previsto no estatuto da Companhia — caso seja superior ao mínimo legal. Além das vantagens de influência nas decisões da empresa, o acionista ordinário tem direito ao “tag along”, que é um mecanismo de proteção ao acionista. Ou seja: caso a empresa seja transferida ou vendida, o acionista recebe pelo menos 80% do valor da venda. Essa porcentagem é proporcional à quantidade de ativos que cada um possui; da mesma forma, em caso de falência, também há preferência de recebimento de recursos. A Lei das Sociedades Anônimas, também conhecida como Lei das S/A, institui que: • As dívidas da empresa não são de responsabilidade do acionista ordinário; • Caso a empresa seja vendida, o acionista ordinário deve receber, por direito, pelo menos 80% do valor recebido pelo acionista controlador por suas ações. APROFUNDANDO Essa categoria de açõestem os seguintes pontos-chave: ■ Propriedade da empresa: os detentores são considerados proprietários da empresa, têm participação nos ativos e passivos e têm direito a uma parcela proporcional dos lucros e ativos remanescentes em caso de liquidação; ■ Direito de voto: os detentores têm o direito de votar nas decisões impor- tantes, expressando opinião nas assembleias gerais de acionistas. Em geral, cada ação confere um voto; ■ Participação nos lucros: os acionistas têm o direito de receber dividen- dos gerados a partir do lucro; contudo, os dividendos não são garantidos, pois dependem do desempenho da empresa e das decisões do conselho de administração; ■ Riscos e retornos: os preços podem flutuar com base no desempenho fi- nanceiro, na concorrência, nas condições de resistência e em outros eventos do mercado. Os acionistas podem se beneficiar de ganhos de capital caso o valor das ações se eleve; o contrário, pode estar sujeito a perdas; ■ Acesso à informação: os acionistas têm o direito à informação transparen- te e precisa sobre a empresa, incluindo os relatórios financeiros, contábeis, comunicados e outros dados relevantes que permitam avaliar o desempe- nho da empresa; UNIASSELVI 9 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 ■ Direitos de propriedade limitados: os acionistas têm direitos limitados em comparação com os proprietários individuais de empresas privadas. Por exemplo: eles não têm a mesma autonomia de controle direto sobre as operações da empresa; ■ Influência de decisão: o poder de influência depende do número de ações ordinárias que o acionista detém. Acionista com uma participação maior possui mais influência nas votações em assembleias gerais; ■ Longo prazo: as ações ordinárias são consideradas um investimento de longo prazo, uma vez que seus retornos podem ser acumulados ao longo do tempo e os preços das ações podem ser voláteis no curto prazo; ■ Governança corporativa: ações ordinárias são parte integrante da gover- nança corporativa, pois permitem que os acionistas expressem sua opinião sobre a gestão e as operações da empresa. Quanto à identificação, geralmente, as ações ordinárias são identificadas por códigos junto Brasil, Bolsa, Balcão (B3), usando o número 3 no final. Por exemplo: ■ Petrobras - PETR3; ■ Vale - VALE3; ■ Magazine Luiza - MGLU3; ■ Ambev - ABEV3; ■ B3 (antiga Bovespa) - B3SA3; ■ Grupo br Malls - BRML3; ■ Embraer - EMBR3; ■ Banco do Brasil - BBAS3 ■ Frigorífico JBS - JBSS3. O investimento em ações ordinárias exige a compreensão dos princípios bási- cos do mercado de ação, das características das empresas e dos fatores que podem influenciar os preços das ações. Fatores de risco no investimento em ações Quando apresentamos as definições de renda fixa e renda variável, citamos que o investimento em renda variável tem maior chance de retornos, mas o risco 9 1 também aumenta. O investidor em ações busca maior rentabilidade de seu in- vestimento; no entanto, a rentabilidade está diretamente ligada ao risco que o investidor está disposto a correr. RISCO ECONÔMICO Está relacionado à atividade da empresa e às características do mercado no qual ela está inserida, isto é, o risco de a empresa não alcançar os resultados esperados; RISCO FINANCEIRO Está relacionado à capacidade de a empresa saldar suas dívidas. Empresa com nível de endividamento baixo apresenta baixo risco baixo, e vice-versa; RISCO DE MERCADO Está relacionado à incerteza em relação ao comportamento dos preços dos ativos em função das variações macroeconômicas, como taxa de juros, câmbio, preço das ações de outras companhias, dentre outras; RISCO SISTÊMICO Está relacionado às dificuldades financeiras de uma ou mais instituições, como uma possível interrupção no sistema financeiro, impedindo a realização de compra ou venda de um papel. O preço das ações sofre oscilações, razão pela qual elas são consideradas “ativo de renda variável” e investimento de risco. Já abordamos os principais eventos macroeconômicos que podem impactar no retorno das ações. Contudo, ao avaliar uma ação, sugere-se que sejam avaliados alguns riscos básicos que se aplicam a maioria das empresas: UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 A decisão entre investir em títulos de dívida e investir em ações depende dos objetivos do investidor em relação ao horizonte do investimento, à tolerância ao risco, à situação financeira pessoal, etc. A diversificação da carteira com uma combinação desses tipos de ativos pode ser uma estratégia prudente para equi- librar os riscos e os retornos. Acesse e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO NOVOS DESAFIOS Chegamos ao fim deste tema de aprendizagem! Vimos que tanto os investidores quanto as empresas podem se beneficiar dos títulos de dívidas. Para os emissores desses títulos, é uma possibilidade de captação de recursos financeiros por meio dos valores mobiliários. Já para o acionista, é uma possibilidade de incluir o título em seu portfólio e, assim, obter remuneração pelo capital investido. Os recursos captados via emissão de dívida possibilitam que as empresas financiem seus projetos, componham capital de giro ou alonguem dívidas, por exemplo. Além disso, pode ser um meio muito útil para reduzir o custo médio do capital, pois o custo desse crédito tende a ser menor que o de empréstimos e financiamentos bancários. Compreender as diferenças entre renda fixa e renda variável e fazer a ligação com o perfil do investidor é o ponto de partida para a construção do portfólio. Agora que você conhece os conceitos, as relações e os papéis, o próximo passo é colocar os conhecimentos adquiridos em prática. A partir de uma das diver- sas plataformas de negociação, você pode negociar grande parte dos papéis que apresentamos aqui. Lembrando que o mercado de capitais é muito dinâmico, e isso demanda a atualização constante por parte do analista ou investidor. 9 8 REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Finanças Corporativas e Valor São Paulo: Atlas, 2006. DAMODARAN, A. Finanças corporativas aplicadas: manual do usuário. Porto Alegre: Bookman, 2005. FORTUNA, E. Mercado Financeiro: produtos e serviços. 16. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007. NEUBAUER, I; LIMA, I. S; GALARDI, N.Y., Fundamentos dos investimentos financeiros: manual para certificação profissional ANBID, Porto Alegre: Atlas, 2006. 9 9 MINHAS METAS DERIVATIVOS FINANCEIROS Estudar a volatilidades dos mercados financeiros versus os investimentos. Analisar a relação da volatilidade no valor das empresas. Compreender os atenuantes das volatilidades financeiras. Empregar um mecanismos de derivativo de risco. Conhecer as características dos principais derivativos. Aperfeiçoar as técnicas e uso de derivativos. Compreender as habilidades e desafios do profissional de derivativos. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5 1 1 1 INICIE SUA JORNADA A volatilidade dos mercados financeiros pode impactar de forma significativa o valor das empresas. Quando os mercados são voláteis, os preços dos ativos, como ações e títulos, podem sofrer movimentos bruscos e imprevisíveis, provocando alteração no valor de uma empresa. Dado que o valor de uma empresa no mer- cado de ações baseado em avaliações de seus fluxos de caixa futuros, descontada a volatilidade, afeta, de várias maneiras, diretamente a avaliação. A volatilidade dos mercados e o valor das empresas têm uma relação que pode variar com a saúde financeira da empresa. Por exemplo, empresas com fortes fun- damentos, fluxo de caixa estáveis e estratégias sólidas podem ser menos impactadas pela volatilidade, se comparada com empresas que estão em posição mais frágil. A volatilidade dos mercados financeiros pode ser atenuada com o uso de instrumentos de derivativos, isto é, os investidores empregam um mecanismo de derivar o risco de um ativo a partir do valor de um outro ativo. Os derivativos são mecanismosque permitem multiplicar tanto as perdas como os ganhos possíveis em relação ao capital inicial. Nos mercados de derivativos, pequenas margens iniciais ou depósitos de garantia possibilitam operar imensas quantias. Vamos juntos dar uma olhada no podcast e ver outros possíveis casos de aplicações de derivativos? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Se você ainda não teve contato com a temática dos derivativos, ou se quiser rever os conceitos, assista ao vídeo da ANBIMA, nele são apresentadas as definições e o funcionamento desse tipo de investimento. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 DESENVOLVA SEU POTENCIAL A volatilidade nos mercados financeiros refere-se à medida da variação dos pre- ços ou valores de ativos financeiros ao longo do tempo. Ela indica a instabilidade e incerteza nos mercados e é uma parte natural e intrínseca das operações finan- ceiras, ela tem uma característica que se manifesta em oscilação que tanto pode ser positiva quanto negativa. Para Jubert et al. (2008), a Volatilidade de um ativo representa as alterações ocorridas nos seus preços em razão de fatores relacionados ao desempenho da empresa emitente e da conjuntura econômica. para o autor, o estudo da volati- lidade é uma das ferramentas mais eficazes para orientar os agentes financeiros que atuam no mercado de ações. A volatilidade é frequentemente expressa em termos percentuais e é calculada como o desvio padrão dos retornos de um ativo ou índice de mercado durante um determinado período. Além de compreender os fatores que contribuem para a volatilidade e como ela pode afetar os investimentos precisamos compreender os pontos chaves relacionados a ela e como eles se relacionam na prática: ■ Risco percebido: a volatilidade aumenta o risco percebido pelos inves- tidores, isso pode levar os investidores a exigirem um prêmio de risco maior para investir em ações da empresa, o que poderia reduzir o valor do mercado. ■ Custo de capital: a volatilidade pode aumentar o custo de capital, pois os investidores podem exigir retornos maiores para compensar o risco adicional associados à volatilidade dos preços das ações. ■ Decisões de investimentos: a volatilidade pode influenciar as decisões de investimento das empresas, pois diante de mercados voláteis as em- presas tendem a ser mais cautelosas em relação aos investimentos em expansão e aquisições em virtude das incertezas sobre as condições fu- turas do mercado. ■ Acesso ao capital: a volatilidade pode influenciar a liquidez do mercado e isso implica diretamente nos financiamentos dos projetos e operações das empresas. ■ Percepção dos investidores: a volatilidade pode afetar a confiança dos investidores, se os preços estiverem oscilando, os investidores podem se tornar mais hesitantes em investir na empresa. 1 1 1 Por exemplo: Suponha que você esteja interessado em adquirir ações da empresa deno- minada SIGMA, que atualmente está sendo negociada na bolsa ao valor de R$ 50,00 por ação. No entanto, como você não está seguro sobre os preços das ações da SIGMA para os próximos meses, você decide usar um “derivativo” que é me- canismo de flexibilidade e proteção chamado de “opção” de compra. O cenário dessa opção de compra é o seguinte: ■ preço atual da ação da Sigma: R$ 50,00 por ação; ■ opção de compra com preço de exercício: R$ 55,00; ■ data do vencimento da opção: 3 meses a partir de agora; ■ prêmio da opção R$ 2,00 por opção. Nessas condições você decide comprar uma opção de compra da SIGMA com um preço de exercício de R$ 55,00, pagando um prêmio de R$ 2,00 por ação, perceba que, nessa negociação, você adquire o direito de comprar, mas não ad- quire a obrigação de compra, durante os próximos 3 meses, independentemente de como os preços de mercado oscilem. Cenários possíveis: a) Preço das ações > R$ 55,00: se o preço das ações da SIGMA no venci- mento forem superiores ao preço do exercício, significa que você pode comprar as ações da SIGMA a R$ 55,00 mesmo que o preço de mercado seja superior. Por exemplo, se o preço das ações estiverem R$ 60,00, você poderia comprar e vender imediatamente e realizar R$ 3,00 por ação, descontado o prêmio pago pela opção. b) Preço das ações < = R$ 55,00: se o preço das ações da SIGMA, no venci- mento, estiver abaixo ou igual a R$ 55,00 por ação, você não é obrigado a exercer a opção, neste caso, perderia apenas o valor do prêmio pago, R$ 2,00 por ação. A opção de compra apresentada nesse exemplo é um derivativo porque seu valor é derivado das flutuações do preço das ações da SIGMA. Nesse exemplo, apre- sentamos uma possibilidade de especular sobre o movimento futuro dos preços das ações sem precisar possuir as ações diretamente. Claro que, na prática, os derivativos podem ser mais complexos, e os cenários no mundo real envolvem enredos e estratégias mais sofisticadas. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Os derivativos são instrumentos empregados para reduzir ou gerenciar os riscos associados à volatilidade nos mercados financeiros. Dodd e Griffith (2007) definem o derivativo como um contrato financeiro, cujo valor deriva de um ativo subjacente. O valor pode derivar dos valores de outros ativos, como: ações, títulos, commodities, moedas, índices, taxas de juros ou outros instrumentos financeiros. Conforme Bernstein (1997), os derivativos possuem esse nome por derivarem o seu valor do valor de algum outro ativo. Os derivativos não são uma novidade do mercado financeiro, porém a avaliação do seu preço só começou a se desenvolver no final dos anos 1960. Para Neto (2007), os derivativos oferecem às empresas a possibilidade de reduzir seus riscos financeiros, transferindo esses riscos a outra que esteja disposta a assumi-los e gerenciá-los, em geral, para um banco. Em outras palavras, é um instrumento financeiro cujo valor é “derivado” do valor de outro ativo, denominado ativo subjacente, no qual o valor de um derivativo está diretamente relacionado às flutuações de preço de outro ativo. Utilizados, principalmente, para gerenciamento de riscos financeiros, especulação e arbitragem, e podem ser usados para proteger um investidor contra flutuações adversas no preço do ativo subjacente (hedge), para apostar na direção do mo- vimento do preço (especulação) ou para corrigir discrepâncias nos preços entre mercados diferentes (arbitragem). Guttmann (2008), defende que os instrumentos de derivativos já se demonstraram úteis na redução dos diferentes tipos de risco associados às finanças, e serviram como excelentes ferramentas de especulação. O Hedging em si não é um derivativo, mas é uma ferramenta importante na estratégia de gerenciamento de risco usada para reduzir ou mitigar potenciais perdas em investimentos financeiros ou transações. A estratégia de hedging pode envolver o uso de derivativos para proteger ou mitigar os riscos em investimentos ou transações financeiras, movimentos desfavoráveis de preços em ativos, moe- das, commodities, taxas de juros, entre outros. Para implementar uma estratégia de hedging, muitas vezes, são usados instrumentos financeiros derivativos, como contratos futuros, opções, swaps e outros. 1 1 4 Por exemplo, uma empresa que importa matéria-prima de um país estran- geiro pode se proteger contra flutuações nas taxas de câmbio usando contratos futuros de moeda ou opções de moeda. Isso envolve o uso de derivativos para mitigar o risco cambial. Portanto, o hedging em si não é um derivativo, ele fre- quentemente envolve a utilização de derivativos para atingir seus objetivos de gerenciamento de risco. TIPOS DE DERIVATIVOS Boissieu e Aglietta (1994) afirmam que derivativos são pontes entre segmentos financeiros, até então, imperfeitamente arbitrados. Os mercados de derivativos de balcão multiplicam essas pontes que os mercadosorganizados só realizavam para produtos financeiros padronizados. Contratos Derivativos Os contratos de opções, contratos futuros e swaps são instrumentos comuns usados para hedging. Esses contratos permitem que um investidor estabeleça um preço fixo para comprar ou vender um ativo em uma data futura. ■ Contratos de Opções: garantem ao detentor o direito, mas não a obriga- ção, de comprar ou vender um ativo a um preço predeterminado dentro de um prazo especificado. Opções de venda, também chamadas de put option, podem ser usadas para se proteger contra possíveis quedas de preço, enquanto opções de compra, também chamadas de call option podem pro- teger contra aumentos de preço. As opções também possuem uma medida de volatilidade conhecida como “volatilidade implícita”. A volatilidade implícita é a volatilidade esperada pelos participantes do mercado durante a vida da opção. Os investidores podem usar opções para aproveitar opor- tunidades de arbitragem relacionadas à volatilidade implícita, ou simples- mente para especular sobre a intensidade das oscilações de preços. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 ■ Contratos futuros: são contratos garantidos que obrigam as partes a comprar ou vender um ativo a um preço específico em uma data futura. Ao contrário dos contratos a termo, os futuros são negociados em mer- cados organizados. Nesse caso, agricultores que cultivam commodities podem usar contratos futuros para fixar preços e reduzir a exposição às oscilações de preço. ■ Contratos de Swaps: são acordos entre duas partes para trocar fluxos de caixa futuros com base em uma fórmula pré-definida. O swap de taxa de juros é o tipo mais comum de swap, no qual as partes trocam pagamentos de juros em diferentes taxas ou índices de juros. Outra prática comum é o swap de moedas, onde empresas mitigam o risco cambial em transações internacionais, swap de commodities permitem a troca de pagamentos baseados em preços de commodities, como petróleo ou metais preciosos, são usados para gerenciar riscos associados às flutuações de preços de commodities. ■ Contratos a termo (forwards): acordos para comprar ou vender um ativo a um preço acordado em uma data futura. Não são negociados em mercados públicos, mas, sim, diretamente entre as partes. ■ Venda a Descoberto: envolve tomar emprestado e vender um ativo com a expectativa de que seu preço diminua. Isso pode ser usado para se pro- teger contra a queda no valor de um ativo que um investidor já possui. Esses são alguns derivativos comuns e amplamente utilizados nos mercados finan- ceiros. Cada um deles tem características particulares, aplicações e riscos associados. CARACTERÍSTICAS DOS DERIVATIVOS As operações com derivativos se dividem em dois tipos, os Derivativos de Primei- ra Geração e Derivativos de Segunda Geração. Lima e Lopes (1999) consideram os derivativos de primeira geração os contratos a termo, futuro, opções e swap, que derivam de ativos-objetos primários. 1 1 1 Os derivativos variam de acordo com o tipo de mercado e conforme as necessidades dos participantes e as condições econômicas, é recomenda- do que os investidores compreendam bem como esses instrumentos fun- cionam, antes de utilizá-los em suas estratégias financeiras, pois um uso inadequado pode implicar em perdas ainda maiores. Contratos de opções (opções) As opções são negociadas tanto em mercados organizados quanto no mercado de balcão (over-the-counter), proporcionando aos investidores flexibilidade para se envolverem em diversas estratégias de investimento e gerenciamento de riscos. As principais características dos contratos de opções: ATIVO SUBJACENTE A opção está vinculada a um ativo subjacente, que pode ser uma ação, um índice, uma commodity, uma moeda, entre outros. PREÇO DE EXERCÍCIO (STRIKE) O preço de exercício é o preço pré-determinado pelo qual o domínio da opção pode comprar (no caso de uma opção de compra), ou venda (no caso de uma opção de venda), ou ativo subjacente. Esse preço é fixado no momento da criação do contrato. DATA DE VENCIMENTO As opções têm uma data de vencimento específica, após a qual a opção expira e perde sua validade. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 OPÇÃO DE COMPRA (CALL OPTION) Uma opção de compra concede ao detentor o direito de comprar o ativo subjacente a um preço de exercício pré-determinado até ou na data de vencimento. OPÇÃO DE VENDA (PUT OPTION) Uma opção de venda dá ao detentor o direito de vender o ativo subjacente a um preço de exercício específico até ou na data de vencimento. PRÊMIO O detentor da opção paga um prêmio ao vendedor da opção pelo direito conferido pela opção. O prêmio é determinado pelo mercado e varia de acordo com fatores como volatilidade, preço do ativo subjacente e tempo até o vencimento. RISCO LIMITADO Para o titular da opção, o risco é limitado ao valor do prêmio pago pela opção, pois ele não é obrigado a exercer a opção se não for fazê-lo. POTENCIAL DE LUCRO ALAVANCADO As opções permitem que os investidores obtenham exposição a movimentos de preços do ativo subjacente com um investimento menor do que seria necessário para comprar o ativo diretamente. ESTRATÉGIAS DIVERSIFICADAS Investidores podem usar opções de renda em uma variedade de estratégias, incluindo hedge, especulação, geração e proteção contra volatilidade. As opções podem ser uma ferramenta de grande valia na mitigação dos riscos, con- tudo, são complexas e arriscadas, por isso, é fundamental entender completamente como elas funcionam e como diferentes fatores podem afetar seu valor. 1 1 8 Contratos de futuros de opções (opções sobre futuros) São derivativos financeiros que conferem ao detentor o direito, mas não a obri- gação, de comprar (opção de compra) ou vender (opção de venda) um contrato de futuros subjacentes a um preço de exercício pré-determinado em, ou até, uma data específica no futuro. Essas opções são garantidas em contratos futuros, que são acordos para comprar ou vender um ativo subjacente em um dado futuro a um preço fixo, previamente determinado. As opções sobre futuros têm muitas semelhanças com as opções tradicionais, mas em vez de se referirem a um ativo subjacente contratado direto, elas se re- ferem a um futuro. Aqui estão algumas características importantes das opções sobre futuros: ATIVO SUBJACENTE Em vez de um ativo subjacente físico, as opções sobre futuros têm um contrato futuro como ativo subjacente. Esse contrato futuro especifica os termos para a compra ou venda do ativo subjacente em uma data futura. PREÇO DE EXERCÍCIO (STRIKE) Assim como nas opções tradicionais, as opções sobre futuros têm um preço de exercí- cio, que é o preço pelo qual o detentor da opção pode comprar (opção de compra) ou vender (opção de venda) o contrato futuro subjacente. DATA DE VENCIMENTO As opções sobre futuros têm uma data de vencimento específica, após a qual a opção expira e perde sua validade. Normalmente, o vencimento de uma opção sobre futuros coincide com a data de vencimento do contrato futuro subjacente. MERCADOS ORGANIZADOS As opções sobre futuros são negociadas em bolsas e mercados regulamentados, assim como os próprios contratos futuros. UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 HEDGE E ESPECULAÇÃO Assim como outras opções, as opções sobre futuros podem ser usadas para proteção contra riscos (hedge) e para especulação sobre movimentos futuros de preços. PRÊMIO O detentor da opção paga um prêmio ao vendedor da opção pelo direito conferido pela opção. O prêmio é determinado pelo mercado e varia de acordo com fatores como volatilidade, preço do contrato futuro e tempo até o vencimento. RISCO LIMITADO Para o titular da opção, o risco é limitado ao valor do prêmio pago pela opção. As opções sobre futuros oferecem a possibilidade de uso de estratégias de inves- timento e gerenciamento de riscos que são específicas para contratos futuros, isso permite que os investidores tenham exposição a movimentosfuturos de preços em uma variedade de mercados, como commodities, moedas, índices de ações, entre outros. Assim como com qualquer derivativo, é importante que os investidores e analistas compreendam completamente os termos e riscos associados às opções sobre futuros antes de utilizá-los em suas estratégias de investimento. Swaps São frequentemente usados para gerenciar riscos, ajustar posições de investimen- to e otimizar fluxos de caixa, podem envolver uma variedade de ativos subjacen- tes, incluindo taxas de juros, moedas, índices de preços e commodities. ■ Swaps de Taxa de Juros: nesse tipo de swap, duas partes concordam em trocar fluxos de caixa de juros com base em um valor nominal (principal) durante um período especificado. Um exemplo comum é um swap em que uma parte paga uma taxa de juros fixa e recebe uma taxa de juros variável (baseada em uma taxa de referência, como a LIBOR) e outra parte faz o contrário. 1 1 1 ■ Swaps de Moedas (Currency Swaps): nesse tipo de swap, as partes trocam fluxos de caixa em diferentes moedas, com o objetivo de obter vantagens em termos de taxas de juros ou de câmbio. Isso é útil para empresas que apresentam riscos cambiais ou precisam financiar em moedas estrangeiras. ■ Swaps de Retorno Total (Total Return Swaps): esses swaps permitem que uma parte receba ou pague os retornos de um ativo subjacente, como uma ação, índice ou título, sem realmente possuir o ativo. Isso é frequen- temente usado por investidores que desejam ganhar exposição a um ativo sem adquiri-lo diretamente. ■ Swaps de Inflação: nesse tipo de swap, as partes trocam fluxos de caixa com base em índices de preços, permitindo a proteção contra a vibração. Um participante pode querer proteger-se contra aumentos nos preços ao receber um fluxo de caixa ajustado pela consciência. ■ Swaps de Commodities (Swaps de Commodities): esses swaps envol- vem a troca de fluxos de caixa baseados em preços de commodities, como petróleo, gás, metais etc. Eles podem ser usados por produtores e consu- midores para gerenciar riscos de preços de commodities. Os swaps oferecem flexibilidade e personalização, pois os termos do contrato podem ser adaptados às necessidades específicas das partes envolvidas. No en- tanto, eles também apresentam riscos, incluindo riscos de crédito, quando a parte contraparte não cumpre seus compromissos, e riscos de mercado, quando ocorrem mudanças nas taxas de juros, preços das moedas ou commodities etc. Os swaps são frequentemente contratados entre instituições financeiras, empre- sas e investidores institucionais, devido a sua complexidade e aos riscos envolvidos. Contratos a termo (forwards) Lima e Lopes (1999) argumentam que, nas operações com contrato a termo, uma das partes concorda em comprar o ativo-objeto numa data específica por certo preço. A contraparte assume uma posição vendida e concorda em vender o ativo na mesma data pelo mesmo preço. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 É um tipo de derivativo financeiro que envolve um acordo entre duas partes para comprar ou vender um ativo específico a um preço acordado em um dado futuro. Esses contratos são negociados diretamente entre as partes envolvidas e não em bolsas ou mercados públicos. ATIVO SUBJACENTE O contrato a termo específico ou ativo subjacente que será comprado ou vendido, como uma commodity, moeda, ação, índice ou taxa de juros. PREÇO ACORDADO (PREÇO A TERMO) As partes concordam com um preço de compra ou venda para o ativo subjacente. Esse preço é conhecido como “preço a termo” e é fixo no momento da celebração do contrato. DATA DE VENCIMENTO O contrato a termo possui uma data de vencimento específica no futuro, na qual o acordo será liquidado. Nesses dados, o ativo subjacente será entregue pelo vendedor e pago pelo comprador, de acordo com os termos acordados. NÃO PADRÃO Os contratos a termo não são assinados como os contratos futuros. Eles podem ser adaptados às necessidades das partes envolvidas em relação ao ativo, preço e dados. RISCO DE CRÉDITO Uma vez que os contratos a termo são negociados diretamente entre as partes, existe o risco de uma das partes não adquirir suas obrigações financeiras no momento da liquidação, conhecido como risco de crédito. FLEXIBILIDADE Como os contratos a termo não são percebidos, as partes têm flexibilidade para perso- nalizar os termos do contrato de acordo com suas necessidades e objetivos específicos. 1 1 1 FINALIDADE Os contratos a termo são frequentemente usados para fins de hedging, permitindo que as partes se protejam contra flutuações de preços do ativo subjacente. Também podem ser usados para especulação. CUSTO INICIAL (MARGEM) Geralmente, não há pagamento inicial no momento da contratação de um contrato a termo, mas pode haver acordos de margem ou depósitos de garantia para garantir o compromisso das partes. USO Os contratos a termo são frequentemente usados para proteção contra flutuações de preços (hedge), especulação sobre movimentos futuros de preços ou para atender a necessidades específicas de investimento ou negócios. Os contratos a termo não são negociados em mercados regulamentados, a liquidez e a transparência podem ser menores em comparação com os con- tratos de futuros ou opções. Além disso, os riscos associados ao risco de cré- dito e à volatilidade dos preços devem ser cuidadosamente considerados ao utilizar contratos a termo, especialmente o risco de crédito, antes de utilizá-lo com estratégia de investimento ou gerenciamento de risco. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Contratos de permuta de retorno (Total Return Swaps – TRS) Ao contrário de outros tipos de swaps que envolvem trocas de fluxos de caixa, nos TRS, os retornos do ativo subjacente são trocados, mas a propriedade do ativo não é recorrente. ■ Ativo Subjacente: o ativo subjacente é o que determina os retornos que serão trocados entre as partes, pode ser um índice de ações, uma ação individual, um fundo de investimento, títulos ou qualquer outro instru- mento financeiro com retornos mensuráveis. ■ Fluxos de Retorno: uma das partes no TRS recebe os retornos do ativo subjacente, que podem incluir juros, valorização do preço, entre outros. A outra parte paga esses retornos. ■ Objetivos: os TRS são frequentemente usados para permitir que os in- vestidores obtenham exposição aos retornos de um ativo sem precisar adquirir o ativo propriamente dito. Por exemplo, um investidor pode querer ganhar exposição aos retornos de um índice de ações sem comprar todas as ações individuais. ■ Hedge e especulação: TRS também pode ser usado para estratégias de hedge (proteção contra riscos) e especulação. Um investidor pode usar um TRS para proteger-se contra perdas potenciais em um ativo sem pre- cisar vendê-lo. ■ Risco de Crédito: como em outros derivativos, há um risco de crédito envolvido nos TRS. A parte que está pagando os retornos precisa confiar que a parte que está recebendo os retornos cumprirá seus compromissos. ■ Flexibilidade e Customização: TRS são contratos privados e, portan- to, podem ser personalizados de acordo com as necessidades específi- cas das partes envolvidas, incluindo a escolha do ativo subjacente e os termos do contrato. ■ Não Propriedade do Ativo: é importante observar que, nos TRS, a parte que recebe os retornos do ativo subjacente não se torna proprietário do ativo real. Uma propriedade permanece com uma parte que possui o ativo subjacente. 1 1 4 Os contratos de permuta de retorno total são usados, principalmente, por inves- tidores institucionais, fundos de investimento e outras instituições financeiras para diversas finalidades, incluindo a criação de exposições diferenciadas, a busca de alavancagem em seus investimentos e gestão de riscos. Como esses contra- tos podem ser complexos, é importante que as partes envolvidas compreendam completamente os termos do contrato, os riscos associados. Venda a descoberto Apesar de a venda adescoberto não ser considerada um derivativo em si, pode ser uma excelente estratégia de investimento que envolve a venda de um ativo que o investidor não possui. Ela envolve tomar emprestado e vender um ativo com a expectativa de que seu preço diminua. Isso pode ser usado para se proteger contra a queda no valor de um ativo que um investidor já possui. Na venda a descoberto, um investidor toma emprestado um ativo (como ações) de outra pessoa ou de uma corretora e vende esses ativos no mercado com a expectativa de que o preço irá cair. Se o preço realmente cair, o investidor pode comprar os ativos de volta a um preço mais baixo, devolvê-los ao proprietário original e lucrar com a diferença. Mesmo que a venda a descoberto possa ser usada em conjunto com alguns derivativos, como contratos de opções ou contratos futuros, ela não é, em si mes- ma, considerada um derivativo. No entanto, pode ser usada como uma estratégia que envolve o empréstimo e a venda de ativos reais, enquanto os derivativos são contratos financeiros que derivam seu valor de um ativo subjacente. RISCOS ENVOLVIDOS NO USO DE DERIVATIVOS O uso de derivativos financeiros oferece diver- sas oportunidades, no entanto, traz consigo vários riscos emergentes que os investidores e participantes do mercado devem estar cientes. Alguns dos principais riscos envolvidos no uso de derivativos incluem: UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 RISCO DE MERCADO Os preços dos ativos subjacentes aos derivativos podem flutuar de maneira imprevisí- vel, devido a mudanças nas condições do mercado, fatores psicológicos e psicológi- cos. Isso pode afetar o valor dos derivados. RISCO DE CRÉDITO O risco de uma das partes envolvidas não adquirir suas obrigações financeiras, é conhecido como risco de crédito. Isso é especialmente relevante nos derivativos de balcão (over-the-counter), onde não há uma câmara de homologação. RISCO DE LIQUIDEZ Nem todos os derivativos têm mercados líquidos e ativos, o que pode dificultar a compra ou venda de contratos no momento desejado. Isso pode levar a preços menos aceitáveis ou mesmo à incapacidade de sair de uma posição. RISCO DE ALAVANCAGEM Muitos derivativos permitem que os investidores controlem uma grande quantidade de ativos com um investimento relativamente (prêmio ou margem). Isso pode aumen- tar os lucros potenciais, mas também potencializar as perdas. RISCO DE VOLATILIDADE A volatilidade dos preços dos ativos subjacentes pode resultar em movimentos brus- cos nos valores dos derivativos. Essa volatilidade pode ser particularmente prejudicial para investidores que não estão preparados para lidar com ela. RISCO DE BASE O “base” refere-se à diferença entre o preço do ativo subjacente e o preço do contrato de futuros ou opções. Flutuações na base podem afetar a eficácia das estratégias de hedge. 1 1 1 RISCO DE MODELO Derivativos, frequentemente, dependem de modelos matemáticos complexos para avaliar seu valor. Erros nos modelos ou suposições incorretas podem levar a estimativas imprecisas. RISCO REGULATÓRIO Mudanças nas regulamentações podem afetar a negociação, o valor e a disponibilidade de derivativos. As regras e regulamentos também podem variar entre diferentes jurisdições. RISCO DE EVENTOS INESPERADOS Eventos imprevisíveis, como desastres naturais, crises políticas ou respiratórias, podem causar impactos nos mercados e nos valores dos derivados. RISCO DE CORRELAÇÃO Derivativos podem ser usados para diversificar riscos, mas se os ativos subjacentes estiverem correlacionados de maneira inesperada, as estratégias podem falhar em proteger ou atenuar os riscos. O conhecimento das características específicas dos derivativos, juntamente com uma análise completa dos riscos associados, é crucial para tomar decisões de sucesso e insucesso no mercado de derivativos. Os investidores que considerem o uso de derivativos devem compreender plenamente esses riscos e devem estar dispostos e prepara- dos para gerenciá-los de maneira adequada. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 NOVOS DESAFIOS O profissional que trabalha com derivativos financeiros enfrenta diversos desa- fios devido à natureza complexa e dinâmica desses instrumentos, que incluem: complexidade, que podem ser superadas com o uso de conceitos matemáticos complexos, modelos de precificação avançados e diversos termos técnicos; com- pressão dos mecanismos de riscos e volatilidade, incluindo risco de mercado, risco de crédito e risco de liquidez. A volatilidade nos mercados financeiros pode impactar significativamente o valor dos derivativos e as estratégias adotadas. Compreensão dos mecanis- mos de regulamentação em evolução, os mercados de derivativos estão em constante evolução, logo, os profissionais precisam acompanhar as mudanças nas leis e regulamentos que passaram a negociação, a contabilização e o geren- ciamento de riscos. Muitos derivativos dependem de modelos de precificação para avaliar seu valor, o profissional deve optar por um modelo adequado, pois a precisão das suposições podem influenciar significativamente as decisões e os resultados. Em mercados voláteis, as decisões de negociação devem ser tomadas rapidamente, o profissional precisa ser capaz de analisar informações em tempo real e tomar decisões fundamentadas sob pressão. O gerenciamento de risco é essencial ao lidar com derivativos, isso envolve avaliar cuidadosamente os riscos envolvidos. O profissional precisa ser capaz de analisar cenários hipotéticos e entender como diferentes fatores podem afetar os preços dos derivativos e suas estratégias, compreender profundamente os mercados nos quais operam, incluindo as dinâmicas do mercado, os participantes, as tendências e os eventos que podem afetar os preços. Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO 1 1 8 O profissional deve estar atualizado com as ferramentas tecnológicas relevantes, de plataformas de negociação, softwares de análise e sistemas de ge- renciamento de risco é crucial, ter habilidades de comunicação para garantir que todos compreendam os riscos e benefícios envolvidos, habilidade em análise de equilíbrio de risco e retorno entre assumir riscos para obter retornos maio- res e limitar os riscos para preservar o capital é um desafio constante. Devido à evolução constante dos mercados e das regulamentações, os profissionais de derivativos precisam se manter atualizados por meio de educação e desenvol- vimento profissional contínuo. Em resumo, os profissionais de derivativos financeiros enfrentam desafios técnicos, de gestão de riscos e de tomada de decisões em um ambiente de mer- cado altamente dinâmico. Para ter sucesso nesse campo, é necessário conheci- mento sólido, habilidades analíticas, agilidade, adaptabilidade e uma abordagem disciplinada para lidar com riscos. UNIASSELVI 1 1 9 1. Os derivativos oferecem às empresas a possibilidade de reduzir seus riscos financeiros, transferindo esses riscos a outro que esteja disposto a assumi-los e gerenciá-lo, em geral, para um banco. O derivativo opera como um contrato financeiro, cujo valor deriva de um ativo subjacente. O valor pode derivar dos valores de outros ativos, como: ações, títulos, commodities, moedas, índices, taxas de juros ou outros instrumentos financeiros. Sobre o assunto, avalie a seguir a alternativa correta: a) Os derivativos possuem esse nome por derivarem o seu valor do valor de algum outro ativo. b) Os derivativos são uma novidade do mercado financeiro. c) Os derivativos oferecem às empresas a possibilidade de aumentar seus riscos financeiros. d) O valor de um derivativo está diretamente relacionado às flutuações do próprio preço. e) O derivativo expõe o investidor às flutuações adversas no preço do ativo subjacente. 2. Os derivativos são pontes entre segmentos financeiros até então imperfeitamente arbi- trados. Os mercados de derivativos de balcão multiplicamessas pontes que os mercados organizados só realizavam para produtos financeiros padronizados. Os contratos de opções, contratos futuros e swaps são instrumentos comuns usados para hedging. Esses contratos permitem que um investidor estabeleça um preço fixo para comprar ou vender um ativo em uma data futura. Sobre esses derivativos avalie as afirmativas a seguir: I - Contratos de Opções: garantem ao detentor o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo a um preço predeterminado dentro de um prazo especificado. II - Contratos futuros: são contratos garantidos que obrigam as partes a comprar ou vender um ativo a um preço específico em uma data futura. III - Contratos de Swaps: são acordos entre duas partes para trocar fluxos de caixa futuros com base em uma fórmula pré-definida. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 3. Contratos futuros de opções são derivativos financeiros que conferem ao detentor o di- AUTOATIVIDADE 1 1 1 reito, mas não obrigação, de comprar (opção de compra) ou vender (opção de venda) um contrato de futuros subjacentes a um preço de exercício pré-determinado em, ou até, uma data específica no futuro. Fonte: TOLEDO, F. J. R. Mercado de Capitais Brasileiro: uma introdu- ção. São Paulo: Thomson Learning, 2006. As opções sobre futuros têm muitas semelhanças com as opções tradicionais, mas em vez de se referirem a um ativo subjacente contratado direto, elas se referem a um futuro. Com relação aos contratos futuros de opções, avalie as características a seguir: I - Têm um preço de exercício, que é o preço pelo qual o detentor da opção pode comprar (opção de compra) ou vender (opção de venda) o contrato futuro subjacente. II - São negociadas em bolsas e mercados regulamentados, assim como os próprios con- tratos futuros. III - Podem ser usadas para proteção contra riscos (hedge) e para especulação sobre mo- vimentos futuros de preços. IV - Têm uma data de vencimento específica, e mesmo vencida não expira e não perde sua validade. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 1 1 REFERÊNCIAS BERNSTEIN, P. L. Desafio aos deuses: a fascinante história do risco. Rio de Janeiro: Campus, 1997. BOISSIEU, C., AGLIETTA, M. Les marchés dérivés de Gré à Gré et le risque systémique. Bulletin COB, Paris, n. 283, set. 1994. CARVALHO, L. N. Uma Contribuição à Auditoria do Risco de Derivativos. 1996. 155 f. Tese (Dou- torado em Controladoria e Contabilidade) – Faculdade de Economia, Administração e Contabi- lidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996. DODD, R.; GRIFFITH-JONES, S. Report on derivatives markets: stabilizing or speculative impact on Chile and a comparison with Brazil. Santiago: Cepal e Nações Unidas, maio de 2007. GUTTMANN, R. Uma introdução ao capitalismo dirigido pelas finanças. Revista Novos Estudos Cebrap, n. 82, p. 11-33, nov. 2008. JUBERT, R. W. et al. Um Estudo do padrão de volatilidade dos principais índices financeiros do Bovespa: uma aplicação de modelos Arch. Revista UnB Contábil, v. 11, n. 1-2, p. 221-239, jan./ dez. 2008. LIMA, I. S.; LOPES, A. B. Contabilidade e controle de operações com derivativos. São Paulo: Thomson Pioneira, 1999. NETO, S.; ARAÚJO, L, de. Derivativos financeiros: derivativos: definições, Emprego e Risco. São Paulo: Atlas, 2002. NETO, J. A. Derivativos: uma ferramenta para a gestão de riscos financeiros. Revista de Adminis- tração da Universidade Federal de Minas Gerais, v. 42, n. 2, p. 237-252, 2007. TOLEDO, F. J. R. Mercado de Capitais Brasileiro: uma introdução. São Paulo: Thomson Learning, 2006. 1 1 1 1. A. Conforme Bernstein (1997), os derivativos possuem esse nome por derivarem o seu valor do valor de algum outro ativo. Os derivativos não são uma novidade do mercado financei- ro, porém a avaliação do seu preço só começou a se desenvolver no final dos anos 1960. Para Neto (2007), os derivativos oferecem às empresas a possibilidade de reduzir seus riscos financeiros. 2. E. Contratos de Opções: garantem ao detentor o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo a um preço predeterminado dentro de um prazo especificado. Contratos futuros: são contratos garantidos que obrigam as partes a comprar ou vender um ativo a um preço específico em uma data futura. Contratos de Swaps: são acordos entre duas partes para trocar fluxos de caixa futuros com base em uma fórmula pré-definida. 3. D. Têm uma data de vencimento específica, após a qual a opção expira e perde sua validade. GABARITO 1 1 1 MINHAS METAS FUNÇÕES, OBJETIVOS E PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DOS PROJETOS EMPRESARIAIS Entender a importância de um bom planejamento no desenvolvimento de projetos. Compreender as principais funções de projetos empresariais. Identificar os principais objetivos de projetos empresariais. Aplicar os princípios fundamentais em um desenvolvimento de projeto empresarial. Avaliar oportunidades e ameaças no desenvolvimento de projetos empresariais. Identificar possíveis gargalos no desenvolvimento de projetos. Sintetizar novas ideias em possíveis projetos. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6 1 1 4 INICIE SUA JORNADA Seja bem-vindo, estudante, a este tema de aprendizagem! Nossa jornada começa com uma situação bastante presente no cotidiano de empreendedores. Conheça, Carol, proprietária de uma pequena loja de roupas, localizada em um bairro movimentado da cidade. Acontece que, nos últimos meses, Carol tem registra- do uma diminuição significativa no número de clientes na loja e dos pedidos de vendas, enquanto os seus custos permanecem os mesmos. Preocupada com o futuro do seu negócio e desejando reverter essa situação, Carol precisa fazer alguma coisa para aumentar a receita da empresa. Com sua pequena equipe, a empresária promove uma reunião em que comunica a necessidade de criar um serviço ou produto novo para aumentar a receita da loja. Esse novo produto, ou serviço, precisa ser desenvolvido com bastante dedicação por todos, para que o resultado obtido tenha um impacto positivo no objetivo empresarial: o aumento da receita. Carol sabe que, para que dê certo, terá que desenvolver um projeto de forma eficaz. Entretanto, Carol não sabe como desenvolver, e como um projeto pode auxiliar na resolução dessa necessidade. Como você poderia ajudar a Ca- rolina a desenvolver esse projeto? Vamos iniciar essa jornada juntos! Portanto, no início da nossa jornada, se faz necessário entender as vantagens de uma correta gestão de projetos no mundo empresarial. Uma boa gestão de projetos é essencial para o sucesso de qualquer organização. Ela permite planejar, executar e controlar as atividades de forma eficiente, garantindo que os objetivos sejam alcançados com qualidade, prazo e custos adequados. Para melhorar a nossa perspectiva na gestão de projetos, vamos aprender mais sobre essa área acessando o nosso podcast. Neste podcast, você vai ouvir sobre os conceitos, ferramentas, técnicas e competências que fazem a diferença na hora de gerenciar projetos de sucesso. Vamos lá!! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO O gerenciamento de projetos é uma área bastante ampla nas organizações, uma vez que engloba uma grande quantidade de conhecimento de diversas áreas. Esse conhe- cimento é focado para a realização de uma ação ou desenvolvimento de algo novo. Portanto, a gestão de projetos é intensamente relacionada com inovação! UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 DESENVOLVA SEU POTENCIAL Para sabermos analisar bons projetos, precisamos, primeiro, aprender a desenvol- vê-los. As empresas possuem necessidade de projetos inovadores que, por sua vez, possuem como objetivos específicos a alavancagem financeira e crescimento da empresa no mercado. Para tanto, existe uma oportunidade crescentepara profis- sionais que saibam planejar, desenvolver e executar projetos dentro das empresas. GRANDES PROJETOS, GRANDES RESULTADOS! O desenvolvimento de projetos é crucial para a organização de grupos de ativi- dades com um objetivo em comum. A palavra “Projeto” tem diferentes aponta- mentos em relação a sua origem etimológica, um dos conceitos mais aceitos, a palavra vem do latim “proiectum” e do verbo em latim “proicere” com significado de agir com precedência ou antes de uma ação. Portanto, projetos desenvolvidos anteriormente a uma ação concreta são a base de um planejamento antes da execução de um objetivo (CORREIA; MARTENS, 2020). Conforme vimos anteriormente, através da etimologia da palavra, o estudo de desenvolvimento de projetos é feito a bastante tempo, pode ser identificado desde quando os seres humanos começaram a realizar atividades coordenadas em busca de objetivos comuns (CORREIA; MARTENS, 2020). Na antiguidade, muitas das grandes obras arquitetônicas, como as pirâmides do Egito e a Grande Muralha da China, exigiam um alto nível de coordenação, adaptação e planejamento. Embora não houvesse uma metodologia formal de gerenciamento de projetos, os líderes dessas empreitadas eram responsáveis por VAMOS RECORDAR? Que tal lembrarmos da importância das funções de gestão na administração de um negócio? As funções da administração estão presentes, em intensidade diferente, em quase todos os processos dentro de uma organização. São bastante úteis no correto gerenciamento de projetos. Vamos recordar assistindo ao vídeo: Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. 1 1 1 supervisionar o trabalho, alocar recursos, dirigir pessoas, organizar processos e garantir que os objetivos fossem concluídos dentro dos prazos e orçamentos (KEELING; BRANCO, 2017). Figura 1 – Pirâmide de Gizé no Egito Descrição da Imagem: A imagem é uma visão panorâmica da pirâmide de Gizé no Egito durante o dia, tomada de uma distância de cerca de um quilômetro. A pirâmide ocupa o centro da imagem, com o deserto se estendendo ao fundo. O céu está azul claro, com alguns nuvens brancas. Fim da descrição. No entanto, a aplicação de gerenciamento de projetos em empresas começou com os estudos de Henry Gantt (1861-1919) e Frederik Taylor (1856-1915), no início do século XX, em pleno nascimento do que se tornaria a administração científica. Os pesquisadores iniciaram a análises de tarefas com a abordagem de raciocínio científico no estudo de processos e atividades que compõem uma tarefa (KEELING; BRANCO, 2017; RODRIGUES; DE JESUS; OLIVEIRA, 2019). Henry Gantt foi um inovador em processos de gestão, suas inúmeras contribuições para a administração de empresas são utilizadas até hoje no planejamento e con- trole de projetos. Vamos aprender um pouco mais sobre uma das contribuições mais conhecidas de Henry Gantt, o Diagrama de Gantt, um importante instrumento de acompanhamento de projetos. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Como podemos perceber, a gestão de projetos é ligada a várias áreas do conhe- cimento como engenharia, arquitetura e, até mesmo, no campo militar. Durante a Segunda Guerra Mundial, o gerenciamento de projetos foi essencial para lidar com a complexidade das operações militares. As forças armadas precisavam pla- nejar e coordenar tarefas complexas, como o desenvolvimento de armas, logística de suprimentos e estratégias de batalha (RABECHINI, 2019). Após a segunda guerra mundial, a economia mundial passou a ter liberdade para a criação e desenvolvimento de empresas atuantes em diversos setores. A competitividade entre as empresas gerou a necessidade de utilizar o gerencia- mento de projetos com foco nas empresas. As empresas da área de construção civil se destacaram na aplicação de técnicas de gerenciamento de projetos, com a introdução do chamado método do caminho crítico (SILVA, 2019). Esse método ajuda gestores a identificar quais são as atividades mais críticas em um projeto, permitindo que os gestores se concentrem em áreas-chave para evitar atrasos e falhas. Com o desenvolvimento econômico e acadêmico, muitas organizações vão incentivar estudos e novas formas de administrar empresas baseadas em gestão de projetos (RODRIGUES; DE JESUS; OLIVEIRA, 2019) A partir da década de 1950, organizações como a Força Aérea dos Estados Unidos e a NASA começaram a desenvolver metodologias mais abrangentes para gerenciar projetos complexos. O Project Management Institute (PMI), um instituto formado com foco para desenvolvimento de diferentes metodologias para gerir projetos foi fundado em 1969 e desempenhou um papel fundamental na promoção e padronização do gerenciamento de projetos como uma disciplina profissional (SCHMIDT; VERONEZE; ZANELLA, 2021). Estamos aprendendo como pessoas e organizações conseguiram conquistar gran- des coisas mediante o uso de gerenciamento de projetos. Você conseguiria iden- tificar como a gestão de projetos poderia ser aplicada em sua carreira profissional? PENSANDO JUNTOS 1 1 8 Com o avanço da tecnologia da informação e a crescente globalização, o ge- renciamento de projetos se tornou ainda mais importante e novas metodologias foram desenvolvidas no decorrer dos anos. Para sintetizar e promover as melhores práticas e processos no desenvolvimento de projetos o PMI (Project Management Institute) desenvolveu um guia denominado Project Management Body of Know- ledge (PMBOK) para atender às necessidades de empresas e organizações na im- plementação das melhores práticas atualizadas em gestão de processos. O PMBOK é um guia referencial em gestão de projetos utilizado mundialmente por empresas e outros tipos de organizações (BORGES; ROLIM, 2015; WALKER, 2021). Atualmente, o gerenciamento de projetos é amplamente reconhecido como uma competência essencial para o sucesso organizacional. É aplicado em di- versos setores, desde tecnologia e engenharia até marketing e desenvolvimento de produtos. O uso de ferramentas digitais e softwares especializados facilitou ainda mais o planejamento, a execução e o controle de projetos, permitindo que equipes remotas colaborem de forma eficaz. À medida que as organizações enfrentam desafios cada vez mais complexos e competitivos, o gerenciamento de projetos continua evoluindo para se adaptar às demandas em constante mudança. Através de boas práticas, como definição clara de objetivos, estruturação do trabalho, alocação de recursos adequados e monitoramento do progresso, o gerenciamento de projetos desempenha um papel fundamental na realização de iniciativas bem-sucedidas e no alcance dos resultados desejados (SILVA, 2019). FASES E FUNÇÕES DOS PROJETOS EMPRESARIAIS Analisando toda a trajetória no desenvolvimento e estudo de gestão de projetos, já é possível identificar que a gestão de projetos é um processo que envolve planejar, organizar, executar e controlar os recursos necessários para alcançar um objetivo específico dentro de um prazo e um orçamento definidos. É possível também compreender que a gestão de projetos pode ser aplicada a diversos tipos de empreendimentos e atividades, desde o desenvolvimento de um novo produto até a construção de uma casa. A gestão de projetos é um processo UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Vamos voltar a situação de Carol? Como estratégia para aumentar as vendas e a quantidade de clientes, decide realizar um projeto empresarial Carol identifica a necessidade de explorar novas estratégias para atrair clientes, melhorar a experiência de compra na loja e aumentar as vendas. Ela estabelece como objetivo principal do projeto o aumento das vendas em 20% nos próximos três meses. Já sabemos que podemos utilizar a gestão de projetos para uma diversidade de razões. Então para aumentar as vendas da loja, Carol pode utilizar o gerenciamento de projetos para auxiliar em seu objetivo.Vamos continuar a nossa jornada e aprender sobre as principais funções de um projeto voltado para empresas. As fases da gestão de um projeto empresarial são responsáveis por estabelecer o conjunto de ações necessárias no desenvolvimento adequado das atividades que compõem um projeto. Assim, como na administração, as principais fases na gestão de projetos irão envolver (PMI, 2017): PLANEJAMENTO o planejamento é uma função essencial para a definição dos objetivos, recursos necessários, cronograma e estratégias a serem adotadas ao longo do projeto. Ele é a base para todas as etapas subsequentes. ORGANIZAÇÃO a organização envolve a alocação de recursos, a formação de equipes e a definição das responsabilidades de cada membro. Essa função busca otimizar o uso dos recur- sos disponíveis e garantir a eficiência na execução das tarefas. EXECUÇÃO a execução é a fase em que as atividades planejadas são realizadas. Aqui é crucial gerenciar o tempo, assegurar a qualidade das entregas e lidar com eventuais desafios que possam surgir ao longo do caminho. 1 1 1 CONTROLE o controle visa monitorar o progresso do projeto, comparando-o com o planejado e identificando eventuais desvios. Essa função permite tomar medidas corretivas e garantir que o projeto siga na direção certa. ENCERRAMENTO o encerramento é a fase final do projeto, em que as atividades são concluídas, os resultados são avaliados e os aprendizados são registrados. Essa função é importante para garantir a finalização adequada do projeto e permitir que os resultados sejam aproveitados pela organização. Um aspecto importante na essência de um projeto, é a limitação de tempo. Um projeto é temporário, obrigatoriamente terá um início e um fim. O resultado do projeto pode ser duradouro, mas os processos de desenvolvimento e criação do resultado são temporários. Portanto, todo projeto precisa entregar um resultado, seja um novo produto, novos processos ou serviços. A etimologia da palavra já nos ensinou que o projeto é uma fase que antecede algo (KEELING, 2017). Logo, o projeto precisa ser temporário, com um início e um fim! As organizações desenvolvem projetos por diferentes razões e motivações. Assim, podemos identificar diversas funções essenciais que projetos desempe- nham dentro de uma organização. Conforme literatura acadêmica, as principais funções que os projetos desempenham em empresas são (KEELING, 2017; PMI 2017; RODRIGUES; DE JESUS; OLIVEIRA, 2019; SILVA, 2019; SCHMIDT; VERONEZE; ZANELLA, 2021): IDENTIFICAR OPORTUNIDADES os projetos empresariais permitem que as empresas identifiquem e aproveitem opor- tunidades de negócio. Eles permitem a exploração de novos mercados, o desenvolvi- mento de novos produtos e serviços e a implementação de melhorias operacionais. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 RESOLVER PROBLEMAS os projetos empresariais são frequentemente lançados para resolver problemas espe- cíficos dentro da organização. Eles podem estar relacionados a processos ineficientes, lacunas no mercado, necessidades dos clientes ou questões internas. Os projetos são estruturados para encontrar soluções eficazes e implementá-las de forma organizada. ALCANÇAR OBJETIVOS ESTRATÉGICOS os projetos empresariais são alinhados aos objetivos estratégicos de uma organização. Eles ajudam a alcançar metas de crescimento, lucratividade, expansão geográfica, desenvolvimento de novos mercados, entre outros. Os projetos são projetados para impulsionar o progresso da organização em direção a sua visão e missão. PROMOVER A INOVAÇÃO a inovação é fundamental para o sucesso empresarial. Os projetos empresariais são uma plataforma para a implementação de ideias inovadoras e o desenvolvimento de produtos, serviços ou processos revolucionários. Eles estimulam a criatividade e a busca por soluções originais para desafios e necessidades específicas. AUMENTAR A EFICIÊNCIA OPERACIONAL os projetos empresariais podem ter como função a melhoria da eficiência operacional de uma organização. Eles podem analisar os processos existentes, identificar gargalos e pontos de melhoria e propor soluções para otimizar o desempenho. Ao implementar mudanças e aprimoramentos, os projetos contribuem para a redução de custos, o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade. Portanto, o uso de gerenciamento de projetos em empresas é bastante versátil e ao mesmo tempo singular, uma vez que cada projeto nasce com um objetivo específi- co. Contudo, um projeto não será a solução para qualquer problema, embora possa buscar soluções. Em um ambiente empresarial dinâmico, a capacidade de se adaptar 1 1 1 a mudanças é essencial e os projetos empresariais permitem que as organizações se ajustem a novas demandas do mercado, mudanças regulatórias, avanços tecnológicos e outras transformações. Uma vez que fornecem a estrutura necessária para buscar e implementar mudanças necessárias de forma organizada e eficaz. Essas são algumas das principais funções dos projetos empresariais. Eles de- sempenham um papel fundamental no crescimento, sucesso e sustentabilidade das organizações, permitindo que elas se adaptem, inovem e alcancem seus ob- jetivos estratégicos. Para alcançar o objetivo de aumento das suas vendas, Carol traça um plano de ação que inclui diversas atividades, como a renovação do layout da loja, a criação de campanhas de marketing direcionadas, a oferta de descontos e promoções especiais, além da melhoria do atendimento ao cliente. Ao longo do projeto, Carol recrutou seus poucos ajudantes para formar uma equipe para executar as diferentes tarefas em prazos estabelecidos e passa a acompanhar de perto o progresso, faz ajustes quando necessário e mantém a equipe motivada e engajada. Você conseguiria definir o papel de Carol neste projeto? O papel da Carol na organização do projeto deve ser a de líder, todo projeto deve possuir um líder, denominado de líder de projeto ou gerente de projetos. O papel da liderança é fundamental em todas as fases de um projeto. O papel de gerente de projetos se torna ainda mais essencial quando o projeto enfrenta desafios, mudanças ou dúvidas sobre as melhores decisões. Este papel de liderança é fundamental para concentração de atividades espe- cíficas de gestão e para que a pessoa na posição de gerente de projeto esteja focada em uma visão macro e seja responsável pela comunicação entre as pessoas interessadas pelo projeto e as pessoas que estão executando. Consequentemente, o gerente de projeto também precisa demonstrar lide- rança fora da equipe, atuando como um(a) representante do projeto diante da alta direção e todas as pessoas interessadas. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 A esta altura já podemos começar a construir os principais aspectos que formam um projeto. Sabemos que precisa haver um objetivo claro, uma função especí- fica, um tempo determinado e uma liderança inspiradora. Vamos, agora, nos aprofundar na nossa jornada e entender mais um pouco quais são os princípios fundamentais e norteadores para uma boa gestão de projetos em empresas. Onze Homens e um Segredo (Ocean´s Eleven) Sinopse: Danny Ocean é um homem de ação. Apenas 24 horas após deixar a penitenciária de Nova Jersey ele já está pondo em prática seu novo plano: assaltar três cassinos de Las Vegas em apenas uma noite, em meio à realização de uma luta que vale o título mundial dos pesos-pesados. Ocean reúne uma equipe de 11 especialistas a fim de ajudá-lo em seu plano, se- guindo sempre três regras básicas: não ferir ninguém, não rou- bar alguém que realmente não mereça e seguir o plano como se não tivesse nada a perder. Refletindo sobre a história : sob a perspectiva de análise de projetos, esse filme aborda como a organização de um projeto requer equipe e liderança. Conforme vimos, o resultado de um projeto pode ser um produto ou um serviço, e, nesse filme, os personagens se encontram com um grande desafio a ser ven- cido com limitações de recursos. Vale a pena assistir.INDICAÇÃO DE FILME 1 1 4 PRINCÍPIOS DOS PROJETOS EMPRESARIAIS Cada projeto possui um objetivo único e aplicado à realidade de uma organiza- ção. Conforme o guia Project Management Body of Knowledge (PMBOK) (PMI, 2017), um projeto pode ser definido como um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. Portanto, por mais abran- gente que seja a definição de um projeto, alguns princípios são inerentes a todos os processos e exemplos de projetos. A seguir, apresentamos alguns deles: ■ Objetivos claros: todo projeto empresarial deve ter objetivos claros e bem definidos. Os objetivos devem ser específicos, mensuráveis, alcan- çáveis, relevantes e com prazo determinado (critérios SMART). Esses objetivos fornecem uma direção clara para o projeto e ajudam a manter o foco nas metas a serem alcançadas. ■ Planejamento adequado: o planejamento é um princípio fundamental dos projetos empresariais. Um planejamento adequado envolve a defini- ção de recursos necessários, cronograma, orçamento e identificação de riscos potenciais. Um plano detalhado fornece uma estrutura sólida para a execução do projeto e ajuda a minimizar riscos e incertezas. ■ Envolvimento das partes interessadas: as partes interessadas são pes- soas ou grupos que têm interesse ou são afetados pelo projeto, são co- nhecidas também pelo termo Stakeholders. O envolvimento das partes interessadas é crucial para o sucesso do projeto. É importante identificar, entender e gerenciar as expectativas e necessidades das partes interessadas ao longo de todo o projeto. ■ Equipe competente: o sucesso de um projeto empresarial depende de uma equipe competente e bem estruturada. É fundamental contar com profissionais qualificados, com as habilidades e conhecimentos neces- sários para realizar as tarefas do projeto. Uma equipe coesa, motivada e com boa comunicação é essencial para alcançar os objetivos do projeto. ■ Gerenciamento eficaz de recursos: o gerenciamento eficaz dos recur- sos disponíveis é um princípio fundamental dos projetos empresariais. Isso inclui o uso adequado de recursos financeiros, humanos, materiais e tecnológicos. Um bom gerenciamento de recursos ajuda a maximizar a eficiência, minimizar desperdícios e garantir que os recursos sejam utili- zados de forma adequada e eficaz. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 ■ Acompanhamento e controle: o acompanhamento e controle são prin- cípios essenciais para o sucesso de um projeto empresarial. É necessário monitorar regularmente o progresso do projeto, comparar os resultados alcançados com os planejados e tomar ações corretivas quando necessá- rio. O controle adequado garante que o projeto esteja alinhado aos obje- tivos e ajuda a evitar desvios significativos. ■ Aprendizado contínuo: o aprendizado contínuo é um princípio fun- damental dos projetos empresariais. Após a conclusão de um projeto, é importante realizar uma análise detalhada dos resultados obtidos, iden- tificar lições aprendidas e aplicar esse conhecimento em projetos futuros. O aprendizado contínuo ajuda a aprimorar a eficiência, a qualidade e a eficácia dos projetos empresariais. ■ Comunicação eficiente: a comunicação eficiente é um princípio fun- damental dos projetos empresariais. É essencial estabelecer canais de comunicação claros e abertos entre todos os membros da equipe, partes interessadas e demais envolvidos no projeto. A comunicação eficiente promove o alinhamento de expectativas, a troca de informações relevan- tes e a resolução rápida de problemas. ■ Flexibilidade e adaptação: a flexibilidade e a capacidade de adaptação são princípios fundamentais dos projetos empresariais. À medida que o projeto progride, é possível que ocorram mudanças nas circunstâncias, requisitos ou prioridades. É necessário estar preparado para ajustar o plano, realocar recursos e modificar abordagens conforme necessário. A capacidade de adaptação permite lidar de forma eficaz com imprevistos e garantir que o projeto continue alinhado aos objetivos estratégicos. ■ Ética e responsabilidade: a ética e a responsabilidade são princípios fun- damentais que devem nortear os projetos empresariais. É necessário agir de acordo com os mais altos padrões éticos, garantindo a transparência, a integridade e o respeito pelas partes interessadas. A responsabilidade en- volve assumir a responsabilidade pelos resultados do projeto, pelos recursos utilizados e pelo impacto nas pessoas, na sociedade e no meio ambiente. 1 1 1 Ao adotar e aplicar esses princípios fundamentais, os projetos empresariais têm uma base sólida para alcançar resultados de sucesso, gerar valor para a or- ganização e contribuir para o crescimento e o desen- volvimento sustentável. Após a implementação das estratégias do projeto, seguindo esses princípios norteadores, Carol começa a perceber mudanças positivas na sua loja. O novo layout atrai mais clientes, as campanhas de marketing geram maior visibilidade e interesse, e o atendimento ao cliente aprimorado resulta em maior satisfação e fidelização. Conforme os meses passam, Carol também observa um aumento gradual nas vendas. Ao final dos três meses, as vendas da sua loja aumentaram exatamente 20%, alcançando o objetivo estabelecido pelo projeto empresarial. Com um bom gerenciamento de projetos, Carol se sente aliviada e motivada a continuar investindo em novos projetos para manter o crescimento do seu negócio. Essa situação problema ilustra a importância dos projetos empresariais. Eles permitem que as empre- sas identifiquem problemas, estabeleçam metas claras e implementem estratégias específicas para alcançar essas metas. Os projetos empresariais são ferramen- tas eficazes para impulsionar o crescimento, melhorar a eficiência operacional, adaptar-se às mudanças do mercado e alcançar vantagem competitiva. E quando os projetos não produzem resultados positivos? Vamos ver adiante algumas situações de- correntes de projetos não eficazes. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 FALHAS COMUNS EM PROJETOS EMPRESARIAIS Agora que sabemos o que é necessário para um projeto ter sucesso, podemos ana- lisar algumas situações em que os projetos falham. Contudo, precisamos entender em que situação um projeto falha. Ao vermos as funções e princípios dos projetos entendemos que todo projeto necessita de uma razão de existir, um objetivo! Um projeto que tenha por objetivo aumentar as vendas de uma loja de roupas vai ser um projeto de sucesso, se ao final do tempo estipulado, as vendas da loja, de fato, aumentaram! Em outras palavras, o projeto atingiu o seu objetivo. Então o que classificaria um projeto com falha, ou um projeto fracassado? Um projeto tem sucesso, se o seu objetivo traçado no planejamento for atin- gido ao final do seu desenvolvimento, um projeto de sucesso é um projeto eficaz. Um projeto fracassado é aquele que não consegue cumprir com o seu objetivo estipulado, logo foi ineficaz (GASSENFERTH; MACHADO; KRAUSE, 2020). Contudo, nem todo projeto de sucesso pode trazer um impacto positivo para uma empresa, assim como nem todo projeto fracassado pode ter um impacto negativo. Imagine que, em uma indústria automobilística, um projeto teve como objetivo desenvolver uma nova pintura nos carros que mude de cor de acordo com o clima e condições de temperatura em que o carro esteja. Se o carro estiver em um ambiente frio, a pintura estará de uma cor, se o carro estiver em um ambiente quente, a pintura do carro estará de outra. Ao final do projeto, a equipe tenha desenvolvido tal pintura, feito os testes e tudo funciona perfeitamente. Por ter atingido o seu objetivo, esse projeto pode ser considerado um sucesso. Contudo, quando os carros começam a ser vendidos com essa nova pintura, os clientes não identificam isso como algo positivo, logo não compram, e a empresa é forçada a abandonar a pintura desenvolvida. Perceba que o projeto foi um sucesso por atingir o seu objetivo de desenvolveruma nova tinta, porém, para a empresa, o projeto não agregou valor ao seu produto, sendo abandonado logo em seguida. Então precisamos entender que, sob a perspectiva técnica, o sucesso de um pro- jeto está relacionado apenas ao seu objetivo e não ao seu impacto (GASSEN- FERTH; MACHADO; KRAUSE, 2020). 1 1 8 Esse caso é real, aconteceu com a empresa 3M ao desenvolver o famoso Post-It, a empresa tinha objetivo de desenvolver um adesivo forte e aderente, tendo como resultado um adesivo fraco e pouco aderente, contudo com uma possibilidade de uso fenomenal para comunicação escrita. Agora, imagine que uma empresa esteja criando um projeto com o objetivo de desenvolver um novo produto, uma fita adesiva grande e resistente, capaz de colar objetos que permanecem colados por bastante tempo. Ao final dos recursos e do tempo estipulado, o resultado que o projeto entregou foi um adesivo fraco, sem grande aderência em objetos. Por conseguinte, se não cumpriu com o seu objetivo, esse projeto foi considerado um fracasso. Todavia, um dia, alguém que participou do desenvolvimento do projeto conseguiu identificar um novo uso para aquele adesivo. Com o adesivo aplicado em tiras em pequenos papéis, criou-se um novo produto, e a empresa passou a comercializar esse produto que foi um enorme sucesso de vendas. Logo, um projeto fracassado trouxe um impacto positivo para a organização. Que tal conhecer um pouco mais sobre a história desse produto inovador? Co- nheça como foi criado e aplicado estrategicamente no mercado pela empresa 3M, visite o site da empresa para obter este interessante relato. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO Uma forma de entender as causas do fracasso de um projeto é inverter a lógica dos elementos que contribuem para o seu sucesso. Assim, podemos identificar os fatores que prejudicam o desempenho, a qualidade e os resultados esperados de um projeto. Estudante, nesta videoaula, vamos aprofundar o conteúdo apresentado até aqui e saber um pouco mais sobre o gerenciamento de projetos, suas funções, princípios e objetivos. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente vir- tual de aprendizagem. EM FOCO UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Existem vários aspectos que podem levar um projeto ao fracasso. Os principais fatores podem ser relacionados ao fracasso na implementação dos seus princí- pios, como (PMI, 2017): PLANEJAMENTO DEFICIENTE Um planejamento inadequado é um dos principais fatores que podem levar um pro- jeto ao fracasso. Isso inclui a falta de definição clara de objetivos, escopo mal definido, estimativas de recursos incorretas e cronogramas irrealistas. Sem um plano sólido e realista, o projeto fica sujeito a problemas e dificuldades ao longo de sua execução. MÁ GESTÃO DO TEMPO A má gestão do tempo é um fator crítico que pode levar um projeto ao fracasso. Isso envolve a falta de um cronograma adequado, a não identificação e o gerenciamento eficaz das tarefas prioritárias, a falta de acompanhamento e controle do progresso, bem como a não aplicação de medidas corretivas quando necessário. O não cumpri- mento dos prazos estabelecidos pode comprometer todo o projeto. FALTA DE RECURSOS ADEQUADOS A falta de recursos adequados, como financeiros, humanos, tecnológicos e materiais, pode levar um projeto ao fracasso. A escassez de recursos pode levar a atrasos, falta de qualidade e dificuldades na execução das tarefas. É importante alocar os recursos necessários de forma adequada e garantir que estejam disponíveis quando necessário. COMUNICAÇÃO DEFICIENTE A comunicação ineficaz é um aspecto que pode causar sérios problemas em um projeto. A falta de comunicação clara e aberta entre a equipe do projeto, as partes interessadas e outros envolvidos pode levar a mal-entendidos, desalinhamento de expectativas, retrabalho e atrasos. Uma comunicação eficiente e constante é essencial para o sucesso do projeto. 1 4 1 FALTA DE ENGAJAMENTO DAS PARTES INTERESSADAS Quando as partes interessadas não estão envolvidas de forma adequada no projeto, isso pode levar ao fracasso. A falta de envolvimento, apoio e comprometimento das partes interessadas pode resultar em resistência à mudança, falta de suporte e falta de recursos necessários para o projeto. É fundamental obter o engajamento das partes interessadas desde o início e ao longo de todo o projeto. Esses são alguns dos principais aspectos que podem levar um projeto ao fracas- so. É fundamental ter uma gestão eficaz, planejamento adequado, comunicação clara, recursos suficientes e engajamento das partes interessadas, para maximizar as chances de sucesso do projeto. O PMSURVEY (2014) foi uma iniciativa global do PMI (Project Management Institute) que realizou uma pesquisa sobre gerenciamento de projetos com organizações de vários países. Em 2014, a pesquisa contou com a participação de 400 organizações e re- velou que a principal dificuldade enfrentada pelos projetos era a comunicação. A principal dificuldade enfrentada pelos projetos era a comunicação A pesquisa demonstrou em ordem quais foram os problemas mais citados pelas empresas: 1. problemas de comunicação; 2. não cumprimento de prazos; 3. mudanças de escopo constantes; 4. recursos humanos insuficientes; 5. riscos não avaliados corretamente; 6. não cumprimento do orçamento; 7. estimativas incorretas; 8. concorrência de atividades fora do projeto; 9. falta de prioridade; 10. problemas com fornecedores. UNIASSELVI 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Como podemos perceber, a gestão de projetos é uma atividade essencial para as empresas que buscam inovar, melhorar seus processos e alcançar seus ob- jetivos. No entanto, muitos projetos falham por diversas razões. Essas falhas podem gerar prejuízos financeiros, perda de credibilidade, insatisfação dos clientes e desmotivação dos colaboradores. Por isso, as empresas precisam eliminar falhas na gestão de projetos, adotando boas práticas, ferramentas adequadas e uma cultura de aprendizado contínuo. NOVOS DESAFIOS Neste tema, vimos os fundamentos básicos e a importância do gerenciamento de projetos. Conforme aprendemos no decorrer da nossa jornada, as empresas necessitam de inovações e novas formas de atuação no mercado para vencerem a competição. Essa necessidade de inovação exigirá profissionais cada vez mais capacitados em gerenciamento de projetos. Já é possível identificar a forte tendência de desenvolvimento de projetos voltados para uso e implementação da inteligência artificial no mundo dos negó- cios. No geral, o futuro da gestão de projetos será caracterizado pela continuação do processo de automatização, uso de colaboração e comunicação remota entre equipes. Para tanto, será necessário que os profissionais estejam prontos para adotar metodologias ágeis e façam uso das informações disponíveis para melhor adaptação às mudanças e aproveitamento das oportunidades que a tecnologia e o ambiente empresarial em constante evolução proporcionam. O computador Lisa, lançado pela Apple em 1984, foi um grande fracasso de mer- cado. Entretanto, as inovações tecnológicas que ele trouxe foram fundamentais para o sucesso do Macintosh, que veio depois. Assim, podemos questionar se o projeto Lisa realmente fracassou (PENTECOST, 2021). PENSANDO JUNTOS 1 4 1 1. O fim da segunda guerra mundial abriu espaço para o surgimento e o crescimento de empresas em vários setores da economia mundial. Para se diferenciar da concorrência, as empresas precisaram adotar o gerenciamento de projetos como uma ferramenta estraté- gica. Nesse sentido, as empresas de construção civil foram pioneiras no uso de técnicas de gerenciamento de projetos, como o método do caminho crítico. Assinale a alternativa que aponta qual é o objetivo principal do método do caminho crítico no gerenciamento de projetos. a) Identificar as atividades mais críticas em um projeto. b) Evitar atrasos e falhas em todas asáreas do projeto. c) Desenvolver estudos acadêmicos sobre gestão de projetos. d) Incentivar o desenvolvimento econômico de empresas. e) Administrar empresas baseadas em gestão de projetos. 2. A gestão de projetos é importante, uma vez que permite às equipes organizar e controlar a qualidade do que está sendo entregue, respeitando prazos e custos. As fases da gestão de um projeto empresarial são responsáveis por estabelecer o conjunto de ações necessárias no desenvolvimento adequado das atividades que compõem um projeto. De acordo com o texto base, assinale a alternativa que aponta a resposta correta sobre qual a função da fase de Controle na gestão de projetos empresariais: a) Monitorar o progresso do projeto, comparando-o com o planejado e identificando even- tuais desvios. b) Definir os objetivos, recursos necessários, cronograma e estratégias a serem adotadas. c) Alocar recursos, formar equipes e definir as responsabilidades de cada membro. d) Realizar as atividades planejadas, gerenciando o tempo e assegurando a qualidade das entregas. e) Concluir as atividades, avaliar os resultados e registrar os aprendizados. AUTOATIVIDADE 1 4 1 3. A gestão de projetos em empresas visa contribuir no planejamento, execução e controle de atividades que contribuem para o atingimento de um objetivo específico. Para ter suces- so, a gestão de projetos precisa obedecer a um conjunto de princípios, entre os quais se destaca a definição clara de um escopo, o cronograma, o orçamento e os riscos do projeto. Analise as afirmativas a seguir, e julgue de acordo com os princípios básicos no geren- ciamento de projetos empresariais. I - O gerenciamento eficaz dos recursos disponíveis é um princípio fundamental dos pro- jetos empresariais. II - O acompanhamento e controle são princípios essenciais para o sucesso de um projeto empresarial. III - A ética e a responsabilidade são princípios fundamentais que devem nortear os projetos empresariais. IV - À medida que o projeto progride, é possível que ocorram mudanças nas circunstâncias, requisitos ou prioridades, portanto a flexibilidade não é importante no desenvolvimento de projetos. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 4 4 REFERÊNCIAS BORGES, C.; ROLIM, F. Gerenciamento de Projetos Aplicado: conceitos e guia prático. Rio de Janeiro: Brasport, 2015. CORREIA, S. R. V.; MARTENS, C. Empreendedorismo digital e gestão de projetos: uma revisão sistemática da literatura. Iberoamerican Journal of Project Management, v. 11, n. 1, p. 1-24, 2020. GASSENFERTH, W.; MACHADO, M. A. S.; KRAUSE, W. Gestão empresarial em gotas: agite de- pois de ler. São Paulo: Cengage Learning, 2020. KEELING, R.; BRANCO, R. H. F. Gestão de projetos. São Paulo: Saraiva Educação S.A., 2017. CARVALHO, M. M. de. RABECHINI, R. Jr. Fundamentos em Gestão de Projetos – Construindo Competências para gerenciar Projetos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2018. PENTECOST, L. Introducing Programming Concepts via A Social History of Computing. In: ACM Technical Symposium on Computer Science Education. 52nd, p. 1256-1256, 2021. Proceedings [...], [s. l.]: ACM, 2021. PMI. Project Management Institute Inc. Um guia do conhecimento em gerenciamento de pro- jetos (guia PMBOK®). 6. ed. Estados Unidos da América: PMI, 2017. PMSURVEY. Benchmarking GP. E. Pmipe org, 2014. Notícias. Disponível em: https://pmipe.org. br/site/noticia/visualizar/id/65/PMSURVEY---Benchmarking-GP. Acesso em: 3 set. 2023. RODRIGUES, T. V.; DE JESUS, R. G.; OLIVEIRA, N. P. A importância do gerenciamento de projetos para pequenas e médias empresas. Gestão e Desenvolvimento em Revista, v. 5, n. 1, p. 4-12, 2019. SCHMIDT, O.; VERONEZE, S.; ZANELLA, C. A contribuição da gestão de projetos para a elabora- ção do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) em instituições de ensino superior. Revista Gestão Universitária na América Latina-GUAL, p. 231-255, 2021. SILVA, A. S. B. O sucesso das organizações à luz do planejamento estratégico e da gestão de projetos. Revista Científic@ Universitas, v. 6, n. 3, 2019. WALKER, A. P. Gestão de projetos: avaliação da aplicação das práticas do guia PMBOK em uma empresa da consultoria e assessoria agronômica. 2021. 100p. TCC (Bacharel em Engenharia de Produção) – Universidade Federal do Pampa, Bagé, RS, 2021. 1 4 5 1. A Esse método ajuda os gestores a identificar quais são as atividades mais críticas em um projeto, permitindo que os gestores se concentrem em áreas-chave para evitar atrasos e falhas. Com o desenvolvimento econômico e acadêmico, muitas organizações vão incentivar estudos e novas formas de administrar empresas baseadas em gestão de projetos. 2. A O papel da função Controle na gestão de projetos é monitorar o progresso do projeto, comparando-o com o planejado e identificando eventuais desvios. Essa função permite acompanhar o andamento das atividades, avaliar se estão sendo executadas conforme o planejado e identificar qualquer desvio em relação ao cronograma, orçamento ou qualidade estabelecidos. 3. D Existem alguns princípios inerentes a todos os processos e exemplos de projetos. Os objeti- vos devem ser claros e bem definidos. O planejamento adequado, que envolve a definição de recursos, cronograma, orçamento e identificação de riscos potenciais, é fundamental. O envolvimento das partes interessadas, ou stakeholders, é crucial para o sucesso do projeto, sendo importante identificar, entender e gerenciar suas expectativas e necessidades. Além disso, uma equipe competente, com habilidades e conhecimentos necessários, é essencial para o sucesso do projeto. A única alternativa errada é a do item IV. Os projetos precisam ser de fácil adaptabilidade a mudanças que possam ocorrer durante a sua execução, tornando, portanto, a alternativa incorreta. GABARITO 1 4 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 4 1 UNIDADE 3 MINHAS METAS ESCOPO DO CICLO DE VIDA DO PROJETO Compreender os conceitos fundamentais do escopo e ciclo de vida do projeto. Identificar os princípios que regem o escopo do projeto. Aplicar técnicas de gerenciamento de escopo. Identificar e avaliar os riscos associados ao escopo do projeto. Compreender as fases e as atividades do ciclo de vida do projeto. Aplicar práticas de controle de mudanças no escopo do projeto. Integrar o escopo com outras áreas de conhecimento de gerenciamento de projetos. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7 1 5 1 INICIE SUA JORNADA O gerenciamento eficaz de projetos é fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento, seja ele de pequena, média ou grande escala. No contexto do gerenciamento de projetos, duas áreas essenciais se destacam: o escopo e o ciclo de vida do projeto. O escopo de um projeto define o trabalho que precisa ser realizado para os objetivos estabelecidos serem atingidos. Ele abrange a identificação clara das entregas esperadas, dos requisitos do projeto e das restrições envolvidas. O geren- ciamento adequado do escopo, portanto, é essencial para evitar problemas como a falta de clareza sobre ele, esclarecendo aspectos como (BORGES; ROLIM, 2015): ■ O que deve ser realizado; ■ Quando vai ser realizado; ■ Quem vai realizar; ■ De que forma vai realizar; e ■ Quanto vai custar cada processo e o projeto completo. Por outro lado, o ciclo de vida do projeto compreende as fases e as atividades pelas quais um projeto passa desde a sua concepção até o seu encerramento. Cada fase tem características e objetivos específicos, e o progresso do projeto é contro- lado e monitorado em cada etapa por todos os aspectos humanos e financeiros que envolve a entrega do resultado. O ciclo de vida do projeto inclui processos de planejamento, execução, monitoramento e controle, visando garantir que o projeto seja concluído com sucesso dentro das limitações estabelecidas (ALMEI- DA, 2019; RODRIGUES; DE JESUS; OLIVEIRA, 2019). Compreender e dominar o escopo e o ciclo de vidado projeto é essencial para os profissionais envolvidos em gerenciamento de projetos. Isso contempla a habilidade de analisar e definir corretamente o escopo do projeto, identificar os riscos associa- dos, aplicar técnicas adequadas de gerenciamento de escopo, controlar mudanças e integrar o escopo com outras áreas-chave do gerenciamento de projetos (DIAS; LOPES, 2021). Ao adquirir conhecimentos sólidos sobre o escopo e o ciclo de vida do projeto, os profissionais estarão bem preparados para enfrentar os desafios ine- rentes ao gerenciamento de projetos e alcançar os resultados desejados, atendendo às expectativas das partes interessadas e garantindo o sucesso do empreendimento. UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Nesta jornada, vamos ver, com maiores detalhes, o que envolve um escopo de projeto e como um projeto se comporta na sua trajetória de ciclo de vida. VAMOS RECORDAR? A gestão de projetos é formada por diversos processos administrativos. Esses processos podem ser agrupados em quatro matrizes, chamadas de função da administração. Vamos lembrar, assistindo ao vídeo a seguir, quais são essas matrizes e como cada uma delas pode ser útil na gestão de projetos. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem Vamos descobrir como definir e analisar corretamente o escopo de um projeto, identificando objetivos, requisitos e entregas esperadas. Junte-se a nós nessa jor- nada e desvende os segredos por trás do sucesso do gerenciamento de projetos ouvindo o podcast sobre o tema. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO DESENVOLVA SEU POTENCIAL Saber planejar e executar projetos em empresas é um fator importante no coti- diano empresarial. Em mercados competitivos um projeto, o desenvolvimento de novos projetos impulsiona o sistema de inovação das organizações. A inovação é uma força impulsionadora no mundo dos negócios e está se tornando cada vez mais crucial para a sobrevivência e o sucesso das organizações. Nesse contexto, a gestão de projetos desempenha um papel fundamental na viabilização e no gerenciamento eficaz de iniciativas inovadoras. A inovação nas organizações e a gestão de projetos estão intrinsecamente li- gadas. A gestão fornece uma estrutura e um conjunto de processos que permitem transformar ideias inovadoras em realidade. Ela envolve a identificação, o plane- jamento, a execução e o controle de projetos, contribuindo para que os objetivos planejados sejam alcançados dentro do prazo, do orçamento e da qualidade esta- belecidos. Uma gestão de projetos eficiente é essencial para lidar com os desafios 1 5 1 únicos que a inovação apresenta. Muitas vezes, projetos inovadores enfrentam incertezas, riscos e mudanças constantes, e a gestão adequada desses projetos re- quer flexibilidade, adaptabilidade e uma abordagem iterativa, com a possibilidade de aprender e ajustar o curso à medida que o projeto avança (FREDERICO, 2021). Portanto, o desenvolvimento de projetos é fundamental para a criação de uma cultura de inovação nas organizações. Nesse sentido, a gestão de projetos desempenha um papel fundamental na seleção e na priorização de ideias inova- doras. Ela permite que as organizações avaliem e classifiquem projetos com base em sua viabilidade técnica, viabilidade de mercado e alinhamento estratégico. Dessa forma, os recursos limitados podem ser alocados de forma eficaz para os projetos mais promissores e com maior potencial de impacto (RODRIGUES; DE JESUS; OLIVEIRA, 2019). A gestão de projetos também fomenta a colaboração e a interdisciplinaridade, facilitando a integração de diversas áreas de conhecimento e competências. Com equipes multidisciplinares, é possível reunir diferentes perspectivas e expertises para impulsionar a inovação e enfrentar os desafios complexos que surgem ao longo do caminho (BORGES; ROLIM, 2015). Em resumo, a inovação e a gestão de projetos são inseparáveis. A gestão de projetos fornece a estrutura, as ferramentas e as técnicas necessárias para trans- formar ideias inovadoras em resultados tangíveis. Ao mesmo tempo, a inovação traz novos desafios que demandam uma abordagem ágil e adaptativa de gestão de projetos (VARGAS, 2016). A capacidade de identificar oportunidades, traduzi-las em projetos bem gerenciados e implementar soluções inovadoras é o caminho para impulsionar o crescimento, conquistar a vantagem competitiva e garantir o sucesso a longo prazo. EU INDICO O maior expoente do mundo corporativo em que podemos visualizar a associação de inovação com gestão de projetos é a Apple. Uma cultura empresarial de inova- ção só pode ser concretizada quando é possível entregar projetos com inovação disruptiva. Vamos aprender um pouco sobre a rica história da Apple. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 O INÍCIO DE UM PROJETO Cada projeto pode ter objetivos e resultados distintos. Porém, o processo de for- mação e a estrutura obedecem a princípios e estruturas que precisam convergir. Sob esse aspecto, projetos podem ser aprimorados em um processo contínuo, sempre buscando eficiência e eficácia. Pensando nisso, foi criado um guia geral, o Project Management Body of Knowledge (PMBOK), uma importante refe- rência na gestão de projetos. Amplamente reconhecido e utilizado no campo da gestão de projetos, o PMBOK é desenvolvido pelo Project Management Insti- tute (PMI), um instituto mundialmente reconhecido e voltado para pesquisas e aprimoramento na gestão de projetos. Como um guia referencial, o PMBOK estabelece um conjunto de conhecimentos e práticas que auxiliam os profissio- nais a gerenciar projetos de forma eficaz (PMI, 2020). De acordo com o PMBOK, a gestão de projetos envolve a aplicação de pro- cessos, técnicas e habilidades para atingir os objetivos do projeto dentro das res- trições estabelecidas, como prazo, custo, qualidade e escopo. O PMBOK oferece uma estrutura abrangente que aborda todas as áreas de conhecimento essenciais para o gerenciamento de projetos (PMI, 2020). Uma das principais contribuições do PMBOK é a divisão das áreas de co- nhecimento em 10 grupos, que abrangem desde o gerenciamento de escopo e cronograma até a gestão de recursos humanos e comunicações. Cada área de conhecimento é composta por processos específicos que orientam as atividades necessárias para alcançar os resultados desejados em um projeto (PMI, 2020). 1 5 4 “Entregar valor" é um conceito essencial na gestão de projetos O PMBOK também enfatiza a importância das áreas de conhecimento inter- relacionadas e a integração entre elas. Por exemplo: a gestão do escopo está diretamente ligada à gestão do tempo e ao gerenciamento dos custos. A gestão das partes interessadas tem influência sobre a gestão das comunicações e a gestão dos riscos. A integração eficaz dessas áreas é fundamental para garantir o sucesso do projeto como um todo (VARGAS, 2016). Ao adotar o PMBOK como guia de referência, os profissionais de gerencia- mento de projetos têm uma base sólida para a prática eficaz. O PMBOK fornece uma linguagem comum, uma estrutura consistente e diretrizes práticas que aju- dam a padronizar a gestão de projetos e facilitar a comunicação entre os membros da equipe, os stakeholders e as partes interessadas (FREDERICO, 2021). No entanto, é importante destacar que o PMBOK é um guia, não uma meto- dologia rígida. Os profissionais de gerenciamento de projetos têm flexibilidade para adaptar as práticas e técnicas do PMBOK de acordo com as necessidades específicas de cada projeto e cada organização. Guia PMBOK: Um Guia para o Conjunto de Conhecimentos em Gerenciamento de Projeto (2020) Sinopse: importante guia para interessados em gerir projetos eficientes e eficazes, o PMBOK é reconhecido mundialmente por sua relevância. Atualizado a cada quatro anos, a 7ª edição, lançada em 2020, traz importantesmudanças em processos e projetos para uma sociedade regida por novos paradigmas, como gestão de projetos com equipes geograficamente dis- tantes e o trabalho on-line. INDICAÇÃO DE LIVRO No desenvolvimento de projetos, os resultados precisam entregar valor na entrega. O significado de “entregar valor” é um conceito essencial na gestão de projetos e nos negócios em geral. Significa for- necer produtos, serviços ou resultados que aten- dam às necessidades e às expectativas dos clientes, agregando benefícios tangíveis e satisfazendo seus requisitos (DIAS; LOPES, 2021). UNIASSELVI 1 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 É importante salientar que “entregar valor” vai além de simplesmente cumprir o objetivo do projeto ou entregar um produto. Envolve compreender e atender às demandas do cliente, superando suas expectativas sempre que possível. Isso pode incluir aspectos como qualidade, desempenho, funcionalidade, confiabilidade, inovação, eficiência, custo-benefício e satisfação geral (MORAES, 2019). O PMBOK, na sua 7ª edição, afirma que existem 12 princípios para os pro- jetos entregarem valor (PMI, 2020): SERVIDÃO Voltado para os líderes dos projetos, a servidão está relacionada ao desenvolvimento de uma gestão de pessoas equilibrada, em que o líder tem o papel de fornecer e auxiliar o material necessário aos seus colegas de equipe para o desenvolvimento do projeto. COLABORAÇÃO Para o correto desenvolvimento dos projetos, é necessário que as equipes integrantes possuam uma mentalidade de colaboração, integração e interdependência. EMPATIA No desenvolvimento de projetos, a empatia envolve o entendimento e a compreensão de expectativas de todos que estão envolvidos no projeto e na entrega do resultado. FOCO NO VALOR Conforme vimos, atender às necessidades e às expectativas é mais importante do que outros aspectos, como orçamento e prazo. Um cliente satisfeito com o resultado tende a superar pontos negativos que o desenvolvimento do projeto possa ter tido. PENSAMENTO SISTÊMICO Embora cada equipe ou integrante de um projeto desempenhe processos e atividades independentes, é importante que cada integrante tenha uma visão de como sua ativi- dade se encaixa na estrutura geral e entenda a importância de cada projeto. 1 5 1 LIDERANÇA O trabalho em equipe pode ser potencializado quando líderes são voltados para uma boa gestão de pessoas. Líderes possuem uma importância fundamental em cada estágio dos processos na gestão de projetos. TAILORING (ADAPTAÇÃO) A adaptação do projeto para cada necessidade envolve a seleção adequada de pro- cessos, metodologias e ferramentas para as circunstâncias específicas. Isso pode sig- nificar a adoção de uma metodologia ágil em vez de uma abordagem tradicional, ou a customização dos processos para lidar com riscos específicos ou requisitos exclusivos. QUALIDADE A qualidade é associada ao conceito de entregar valor. A qualidade se refere à entrega de resultados conforme os padrões esperados pelo cliente. COMPLEXIDADE As equipes e os líderes precisam desenvolver capacidades e habilidades para lidar com projetos cada vez mais complexos e ricos em detalhes. RISCOS As ameaças a que um projeto está sujeito precisam ser identificadas e elaboradas com possíveis soluções. Caso algo de errado aconteça, o projeto precisa estar pronto para uma possível mudança. ADAPTABILIDADE Diante das diversas ameaças e oportunidades enfrentadas pelas equipes e pelos líde- res de projetos, é crucial cultivar a habilidade de adaptação. RESILIÊNCIA E MUDANÇAS Os projetos precisam ter facilidade de adaptação a cenários adversos, uma vez que o contexto de desenvolvimentos de projetos é bastante imprevisível. UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Após a pandemia de covid-19, o trabalho e o ensino remoto se tornaram primordiais para a sobrevivência de negócios e processos educacionais. As orga- nizações precisaram desenvolver capacidades de comunicação para gerir equipes a distância e manter a produtividade. Muitas empresas voltaram do trabalho remoto enquanto outras o mantiveram. Essa nova configuração demanda que os profissionais tenham motivação e habilidades de comunicação, tanto em um contexto presencial quanto em um contexto de equipes remotas. Sobre esse aspecto, qual é a importância de uma comunicação eficaz na gestão de projetos e como ela pode influenciar o sucesso ou o fracasso do projeto em uma realidade pós-pandêmica? Reflita sobre essas novas configurações de tra- balho nas empresas. PENSANDO JUNTOS Ao iniciar um projeto, é fundamental entender a complexidade e os prin- cípios que formam um projeto. Ao atentar para os fundamentos, a construção e a execução dos projetos tendem a entregar valor aos clientes como resultado. Vamos entender um dos aspectos mais importantes no desenvolvimento de um projeto: o seu escopo (MARCELINO; DOMINGUES, 2022). 1 5 8 O ESCOPO DE UM PROJETO – CONSTRUINDO O CAMINHO PARA O SUCESSO O escopo é um elemento fundamental na gestão de projetos. Ele estabelece os limites e as fronteiras do trabalho a ser realizado, definindo o que está incluído e o que está excluído do projeto. Em outras palavras, determina o que vai estar no projeto e o que não vai ser contemplado. Vamos explorar, em detalhes, o conceito de escopo de um projeto, sua impor- tância e as etapas envolvidas na definição clara e precisa de um escopo. O que é escopo de um projeto? O escopo de um projeto se refere ao conjunto de todos os trabalhos, tarefas, ativi- dades e resultados que devem ser entregues para alcançar os objetivos do projeto. Ele define os limites do projeto, identificando o que será feito, quais requisitos serão atendidos e qual será o produto (PMI, 2020). Um escopo bem definido é crucial para o sucesso do projeto. Ele proporciona clareza e alinhamento entre a equipe do projeto, os stakeholders e os clientes, estabelecendo expectativas realistas e mensurá- veis. Portanto, o escopo serve como base para o planejamento, a execução e o controle do projeto, permitindo uma gestão eficaz do trabalho e dos recursos (VARGAS, 2016). A definição do escopo envolve uma série de etapas que devem ser seguidas para garantir que todas as áreas relevantes sejam consideradas. Essas etapas in- cluem (PMI, 2020; SOTILLE et al., 2019): ■ Identificar as necessidades e os requisitos dos clientes do projeto: é essencial compreender as necessidades dos clientes e identificar os re- quisitos aos quais o projeto deve atender. Isso envolve a realização de pesquisas, entrevistas e análises para capturar as expectativas e as deman- das dos envolvidos. O sucesso do projeto será baseado no que as pessoas interessadas querem como resultado. Ele proporciona clareza e alinhamento entre a equipe do projeto UNIASSELVI 1 5 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 ■ Estabelecer os objetivos do projeto: os objetivos do projeto devem ser claramente definidos, especificando o que se espera alcançar. Eles devem ser mensuráveis, realistas e alinhados com as necessidades e os requisitos dos clientes e da organização. ■ Definir as entregas: consiste em identificar e listar todas as entregas esperadas do projeto, incluindo produtos, serviços ou resultados especí- ficos que serão produzidos. Isso ajuda a estabelecer uma base sólida para o planejamento e a execução do projeto. ■ Determinar os limites do projeto: estabelecer os limites do projeto, definindo o que está dentro e o que está fora do escopo. Isso ajuda a evitar escopo inchado ou indefinido, garantindo que o projeto se concentre nas atividades essenciais e evitando desperdício de recursos. ■ Documentar o escopo: registrar todas as informações relacionadas ao escopo em um documento formal, como a Declaração do Escopo do Projeto. Esse documento deve ser claro, conciso e compartilhado com todas as partes interessadas para obter consenso e aprovação. ■ Gerenciamento do escopo: após a definição inicial, o escopo do proje- to deve ser gerenciado ao longo de todo o ciclo devida do projeto. Isso envolve realizar revisões regulares para garantir que o escopo permaneça atualizado, identificar e gerenciar mudanças e tomar medidas corretivas, se necessário. Um escopo não possui um único modelo que englobe todos os projetos. Cada projeto ou empresa define um modelo de escopo único; o importante é seguir as etapas e os princípios. Isso traz segurança para todos os envolvidos no projeto. ZOOM NO CONHECIMENTO Existem vários modelos de escopo na internet. Para facilitar a visão de um escopo, analise o modelo apresentado na Tabela 1. 1 1 1 Tabela 1 – Cabeçalho para um escopo. / Fonte: O autor. Relacione as tarefas que fazem parte do projeto e serão executadas com base nas entregas listadas na seção anterior. Coloque as datas das entregas e as pessoas/ equipes responsáveis pelas tarefas. Adicione mais linhas conforme necessário. PROJETO Nº DATA SUBMETIDA 123456-78 DD/MM/AAAA OBJETIVOS DO PROJETO Descreva os objetivos do projeto, especificando o que se espera alcançar. Eles devem ser mensuráveis, realistas e alinhados com as necessidades e os requisitos dos clientes e da organização. ENTREGAS DESCRIÇÃO 1 Liste todas as entregas/resultados esperados do projeto e descreva brevemente cada uma delas. 2 Os resultados devem incluir resultados principais e resultados auxi- liares, como todos os relatórios, documentação envolvida, propostas, etc. 3 O nível de detalhes dependerá dos objetivos do projeto. TAREFA Nº DESCRIÇÃO DA TAREFA DATA DA EXECUÇÃO DA TAREFA RESPONSÁVEL 1 Planejamento 2 Execução 3 Avaliação Tabela 2 – Descrição da tarefa. / Fonte: O autor. O próximo passo é relacionar o que está fora do escopo, ou seja, resultados, tarefas e processos que não estão contemplados nesse projeto. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 ESTE PROJETO NÃO REALIZARÁ OU INCLUIRÁ O SEGUINTE: Liste os produtos ou tarefas que você não concluirá ou fornecerá como resultados do projeto. Tabela 3 – Descrição da tarefa que não será concluída. / Fonte: O autor. DATA DE INÍCIO DO PROJETO DD/MM/AAAA DATA DE LANÇAMENTO/ GO-LIVE DD/MM/AAAA DATA DE TÉRMINO DO PROJETO DD/MM/AAAA LISTE QUALQUER PRAZO DIFÍCIL(S) LISTE OUTRAS DATAS/ DESCRIÇÕES DE MARCOS IMPORTANTES RESTRIÇÕES ORÇAMENTÁRIAS Insira informações sobre limitações de orçamento do projeto (orçamento total do projeto, orçamento máxi- mo para produtos essenciais). RESTRIÇÕES DE QUALIDADE OU DESEMPENHO Insira quaisquer outros requisitos para a funcionalida- de, desempenho ou qualidade do projeto. RESTRIÇÕES DE EQUIPAMENTO/ PESSOAL Insira quaisquer restrições relativas ao equipamento ou às pessoas que irão impactar o projeto. RESTRIÇÕES REGULATÓRIAS Insira quaisquer restrições jurídicas, políticas ou outras restrições regulatórias. Tabela 4 – Descrição das datas e restrições. / Fonte: O autor. A próxima etapa é relacionar as datas principais do projeto, início e término, e relacionar as principais restrições e riscos ao projeto. 1 1 1 Por fim, relacione as aprovações de todos os envolvidos. É importante que o escopo seja discutido, analisado e confirmado por todos os envolvidos no projeto. NOME E TÍTULO DAS PARTES INTERESSADAS FUNÇÃO DE PARTES INTERESSADAS DATA ENVIADA PARA APROVAÇÃO APROVAÇÃO DE DATA RECEBIDA Tabela 5 – Aprovações. / Fonte: O autor. Existem vários modelos de escopo, que variam de acordo com a complexidade e as características de cada projeto. Utilizá-lo traz segurança para todos os envolvidos, e ele deve ser adotado como referência do que se deve fazer, quando, por quem e quanto vai custar. A internet é um grande banco de modelos de es- copos utilizados por diversos projetos. Vale a pena pesquisar e adequar o escopo à necessidade do projeto (PMI, 2020; VICTOR, 2023). O escopo será um forte indicador e guia para o acompanhamento da execução de um projeto. Consequentemente, vai auxiliar na análise do ciclo de vida de cada projeto. O CICLO DE VIDA DE UM PROJETO – NAVEGANDO PELAS FASES DO SUCESSO Todo projeto tem um ciclo de vida composto por fases distintas, desde o seu início até a sua conclusão. Todo projeto tem um início e um fim, e a essência de um projeto é a sua existência temporária. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 VOCÊ SABE RESPONDER? Você saberia distinguir um projeto de um programa? Muitos não conseguem distinguir o que caracteriza um projeto e o que define um programa. Ambos os termos são amplamente utilizados pelas organizações, mas têm uma diferença latente. Para Wideman (2022), o projeto é um esforço temporário para criar um resultado único, ao passo que um programa é um conjunto de projetos relacionados, que são coordenados e gerenciados de forma integrada para alcançar benefícios estratégicos. Ou seja, os programas englobam projetos com alguma relação entre si. O QUE É O CICLO DE VIDA DE UM PROJETO? O ciclo de vida de um projeto representa a sequência lógica de etapas pelas quais um projeto passa, desde a concepção até o encerramento. Cada etapa possui características específicas e requer diferentes atividades e entregas para garantir o sucesso do projeto (FREDERICO, 2021). Essas fases são tipicamente limitadas no tempo, com um início e um fim definidos ou pontos de controle. Um ciclo de vida pode ser formalmente docu- mentado em uma metodologia, podendo ser definido ou adaptado de acordo com os aspectos exclusivos da organização, do setor ou da tecnologia utilizada. Embora todos os projetos tenham um início e um fim claros, as entregas e as atividades realizadas durante esse período podem variar significativamente de um projeto para outro. O ciclo de vida de um projeto representa uma estrutura básica e um mapa da jornada de desenvolvimento de um projeto (PMI, 2020). Quais as fases do ciclo de vida de um projeto? As principais fases do ciclo de vida de um projeto podem ser definidas como (PMI, 2020): 1 1 4 1 FASE DE INICIAÇÃO Na fase de iniciação, identifica-se a necessidade do projeto. As atividades dessa fase incluem a identificação das principais necessidades do projeto, as primeiras análises de viabilidade, a definição dos objetivos e a obtenção da aprovação para iniciar o projeto. 2 FASE DE PLANEJAMENTO A fase de planejamento é crucial para o sucesso do projeto. Nessa etapa, são definidos os planos detalhados para todas as áreas de gerenciamento, incluindo escopo, crono- grama, custos, qualidade, recursos, comunicação, riscos e aquisições. O principal re- sultado dessa fase é o Plano de Gerenciamento do Projeto (PGP), ou Plano do Projeto. O PGP engloba o escopo do projeto e detalha como o projeto será executado, contro- lado e encerrado. Cada projeto terá suas especificações; porém, planos de gerencia- mento completos poderão incluir os tópicos: • Objetivos; • Justificativas; • Escopo; • Plano de custos e desembolso; • Cronograma detalhado; • Conjunto de processos e atividades; • Indicadores de performance e controle; • Planejamento dos riscos; • Gestão de comunicação; • Avaliação e requisitos de entrega. 3 FASE DE EXECUÇÃO: Na fase de execução, o trabalho é realizado. É nessa etapa que as equipes executam as atividades do projeto, gerenciam os recursos, coordenam as comunicações e moni- toram o progresso. As entregas específicas do projeto são desenvolvidas e testadas, e os resultados são registrados. 4 FASE DE MONITORAMENTO E CONTROLE: A fase de monitoramento e controle envolve o acompanhamento contínuo do pro- gresso do projeto em relação ao plano estabelecido. Nessa etapa, realizam-se medi- ções, análises de desempenho e ajustes para garantir que o projeto esteja seguindo o curso correto. Conforme necessário, são tomadas ações corretivas para lidar com desvios e mudanças. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Figura 1 – Ciclo de vida dos projetos. / Fonte: O autor Descrição da Imagem: a imagem apresenta um fluxo horizontal, onde se relacionam, sequencialmente, os ele- mentos: “Iniciação”, na cor alaranjada; “Planejamento”,na cor azul; “Execução”, na cor vermelha; “Monitoramento e Controle”, na cor verde; e “Encerramento”, na cor roxa. Apesar do nome “Ciclo de vida dos projetos”, as etapas não são cíclicas, pois cada projeto tem um início e um encer- ramento. Existem casos em que a en- trega dos resultados não é satisfatória e um novo processo precisa ser iniciado. Nesses casos, um novo projeto é inicia- do com um novo escopo, que é fruto do processo de aprendizagem de possíveis falhas do escopo anterior (MARCELI- NO; DOMINGUES, 2022). INSTRUMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS — FERRAMENTAS DE SUCESSO EM UMA NOVA ERA A inteligência artificial (IA) tem desempenhado um papel cada vez mais relevan- te na gestão de projetos, oferecendo oportunidades significativas para melhorar a eficiência, a precisão e a tomada de decisões. A combinação da IA com os 5 FASE DE ENCERRAMENTO: A fase de encerramento marca o término formal do projeto. É nessa etapa que as entregas finais são concluídas, revisadas e aceitas. As lições aprendidas são documen- tadas, os recursos são liberados e os relatórios finais são produzidos. A fase de encer- ramento inclui a celebração dos resultados alcançados e a transição para a operação normal — se aplicável. 1 1 1 princípios e as práticas da gestão de projetos pode impulsionar a produtividade e o sucesso na entrega de projetos. A IA tem impacto direto no planejamento e na estimativa de projetos. Algoritmos de IA podem analisar grandes quantidades de dados históricos de projetos anteriores, considerando variáveis como escopo, recursos, cronograma e riscos para gerar estimativas mais precisas de tempo e custo. Isso permite melhor programar e alocar recursos, reduzindo o risco de atrasos e de orçamentos estourados (VICTOR, 2023). Consequentemente, a IA atua de forma direta na identificação e no gerencia- mento de riscos. Por meio da análise de dados e padrões, a IA é capas de iden- tificar potenciais ameaças ao projeto e recomendar estratégias de mitigação. Ela também pode monitorar continuamente os riscos durante a execução do projeto, alertando a equipe sobre desvios e fornecendo insights para a tomada de decisões proativas (SHANG; LOW; LIM, 2023). Além disso, a IA pode melhorar a comunicação e a colaboração entre os membros da equipe do projeto. Por exemplo: chatbots baseados em IA podem fornecer respostas instantâneas a perguntas frequentes, liberando tempo da equipe para tarefas mais estratégicas. Além disso, a IA pode facilitar a gestão de documentos e o compartilhamento de informações, garantindo que todos os envolvidos tenham acesso aos dados atualizados do projeto (VICTOR, 2023). Outra aplicação da IA na gestão de projetos está relacionada ao monitora- mento e ao controle do progresso. Por meio da análise de dados em tempo real, a IA pode fornecer insights sobre o desempenho do projeto, identificando áreas de atraso ou riscos iminentes. Isso permite que os gerentes de projeto tomem medidas corretivas oportunas e eficazes para manter o projeto no caminho certo (PAN; ZHANG, 2023). É importante destacar que a implementação da IA na gestão de projetos requer cuidados e considerações adequadas. A qualidade e a integridade dos dados são essenciais para garantir resultados confiáveis. A implementação de ferramentas de IA não descarta a participação e a importância humana, uma vez que a IA apenas complementa, mas não substitui, a expertise e a tomada de decisões humanas (SHANG; LOW; LIM, 2023; VICTOR, 2023). A IA tem impacto direto no planejamento e na estimativa de projetos UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 O uso de gerenciamento de projetos não é restrito a profissionais especiali- zados nessa área. O gerenciamento pode ser aplicado para diversas organizações e distintos empreendimentos, uma vez que tem uma abordagem amplamente aplicada em diversas profissões e áreas. Como exemplo de aplicação em diversas áreas, a gestão de projetos é utilizada para (PAN; ZHANG, 2023): TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO É fundamental para o desenvolvimento de software, implementação de sistemas, migração de infraestrutura e outras iniciativas tecnológicas. ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO É essencial para coordenar equipes, planejar cronogramas, controlar orçamentos e garan- tir a entrega bem-sucedida de projetos de infraestrutura, edificações e obras públicas. SAÚDE É aplicada para melhorar processos hospitalares, implementar sistemas de infor- mação, desenvolver projetos de pesquisa clínica e lançar iniciativas de melhoria da qualidade dos serviços de saúde. MARKETING E PUBLICIDADE É usada para planejar e executar campanhas de marketing, lançamentos de produtos, desenvolvimento de sites e criação de conteúdo promocional. EVENTOS E TURISMO É utilizada para organizar e executar eventos corporativos, festivais, conferências, exposições e viagens turísticas. ENERGIAS RENOVÁVEIS É aplicada para desenvolver e implementar projetos de energia solar, eólica, hidrelétri- ca e outras formas de energia limpa. 1 1 8 EDUCAÇÃO É utilizada para implementar programas de ensino, desenvolver currículos, planejar e executar projetos de construção de escolas, e lançar iniciativas de melhoria educacional. SETOR FINANCEIRO É usada para implementar sistemas de gestão financeira, desenvolver novos produtos financeiros, gerenciar fusões e aquisições e realizar projetos de transformação digital. Acesse e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO NOVOS DESAFIOS Chegamos ao fim deste tema de aprendizagem! À medida que o ambiente empresarial se torna cada vez mais complexo e di- nâmico, a gestão de projetos está constantemente evoluindo e enfrentando novos desafios. Os profissionais de gerenciamento de projetos devem estar preparados para lidar com esses desafios emergentes e se adaptar às mudanças. A natureza flexível e adaptável da gestão de projetos permite que ela seja amplamente utili- zada em uma variedade de setores, ajudando a garantir o sucesso na entrega de projetos complexos e o alcance dos objetivos organizacionais. Com o constante desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial, mais profissionais poderão usar conhecimentos práticos de gestão de projetos em suas respectivas áreas, buscando, assim, inovar, aumentar a eficiência, a efi- cácia e a qualidade dos projetos. Essa busca resultará na adoção de projetos que contribuirão para o sucesso de qualquer organização. UNIASSELVI 1 1 9 1. O PMBOK é um guia essencial para a gestão de projetos. Fornece um conjunto abrangente de práticas e conhecimentos que ajudam os gerentes de projeto a executarem seus proje- tos de forma eficiente e eficaz, seguindo as melhores práticas da área. O PMBOK é ampla- mente utilizado como referência para certificações em gerenciamento de projetos, como a certificação Project Management Professional (PMP), fornecida pelo Project Management Institute. Portanto, ele serve como uma base para o desenvolvimento de metodologias específicas de gerenciamento de projetos e é uma fonte confiável de orientação para os gerentes de projetos em todo o mundo. É importante ressaltar que o PMBOK é atualizado periodicamente para refletir as práticas mais recentes e as tendências emergentes na área de gestão de projetos. Portanto, é es- sencial estar ciente da versão mais atualizada do guia para obter os benefícios atualizados em termos de conhecimento e práticas recomendadas. Fonte: Adaptado de PMI – PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Guia PMBOK: um guia para o conjunto de conhecimentos em gerenciamento de Projeto. 7.ed. Pennsylvania: PMI, 2020. Com base no texto fornecido, explique a importância de se manter atualizado sobre as versões mais recentes do PMBOK e como isso pode beneficiar os gerentes de projetos em termos de conhecimento e práticas recomendadas. 2. A entrega de valor é um conceito essencial na gestão de projetos, pois busca garantir que os resultados alcançadosatendam às necessidades e às expectativas dos clientes, agre- gando benefícios tangíveis e satisfazendo seus requisitos. Quando se trata de projetos, a entrega de valor vai além de simplesmente cumprir o objetivo principal ou entregar um resultado. A entrega de valor envolve compreender, profundamente, as demandas dos clientes e sta- keholders, identificando suas necessidades e expectativas. Isso requer uma comunicação clara e constante, além de um processo de coleta de requisitos eficiente. Ao compreender essas necessidades, o gerente de projeto pode desenvolver um plano adequado para a execução do projeto, buscando maximizar o valor gerado. Além disso, a entrega de valor implica superar as expectativas dos clientes sempre que pos- sível. Isso pode ser alcançado por meio da adoção de abordagens inovadoras, oferecendo soluções diferenciadas e antecipando necessidades futuras. Também envolve aspectos como qualidade, desempenho, funcionalidade, confiabilidade, eficiência e custo-benefício, garantindo que o resultado final seja de alto valor para o cliente. Assinale a opção que aponta a importância da entrega de valor na gestão de projetos. AUTOATIVIDADE 1 1 1 a) A entrega de valor é irrelevante na gestão de projetos quando comparado ao prazo do projeto. b) A entrega de valor está focada no cumprimento do cronograma, independente da ex- pectativa do cliente. c) A entrega de valor envolve a satisfação das necessidades do gerente de projeto como principal agente de interesse. d) A entrega de valor visa atender às necessidades e expectativas dos clientes em confor- midade com o escopo determinado. e) A entrega de valor ocorre quando o orçamento de um projeto consegue cumprir o cro- nograma de desembolso. 3. O escopo de um projeto é uma etapa fundamental na gestão e no planejamento de qual- quer empreendimento. Ele define os objetivos, os requisitos, os limites e as entregas espe- radas do projeto. É uma descrição detalhada de todas as atividades, resultados e recursos necessários para alcançar um resultado desejado. O escopo é elaborado em conjunto com as partes interessadas e serve como uma referência para garantir que o projeto esteja ali- nhado com as expectativas e as necessidades dos envolvidos. A definição clara do escopo ajuda a evitar desvios e aumenta as chances de sucesso na execução do projeto. Leia as afirmativas a seguir: I - O escopo de projetos define os objetivos, os requisitos, os limites e as entregas espe- radas do projeto. II - O escopo ajuda a evitar desvios e aumenta as chances de sucesso na execução do projeto. III - O escopo é uma estratégia de desenvolvimento necessária em projetos pequenos ou simples. IV - O escopo é elaborado com a participação da equipe do projeto e sem envolver as partes interessadas. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 1 1 REFERÊNCIAS ALMEIDA, V. N. Indicadores de desempenho: principais tipos, para que servem e como implan- tá-los. Euax: Consultoria em Gestão empresarial, dez. 2019. Disponível em: https://www.euax. com.br/2019/12/indicadores-dedesempenho-de-processos/. Acesso em 16 de junho de 2023. BORGES, C.; ROLIM, F. Gerenciamento de projetos aplicado: conceitos e guia prático. Rio de Janeiro: Brasport, 2015. DIAS, M. O.; LOPES, R. O. A. O dilema da confiança aplicado à negociação de escopo em geren- ciamento projetos. International Journal of Development Research, v. 11, n. 08, p. 49225-49230, 2021. FREDERICO, G. F. Project Management for Supply Chains 4.0: A conceptual framework proposal based on PMBOK methodology. Operations Management Research, v. 14, n. 3-4, p. 434-450, 2021. MARCELINO, E.; DOMINGUES, L. An analysis of how well serious games cover the PMBOK. Pro- cedia Computer Science, v. 196, p. 1013-1020, 2022. MORAES, A.T. Sistematização dos microprocessos da capacidade absortiva para identifica- ção do conhecimento em gestão de projetos. 2019. 109 f. Dissertação (Mestrado em Adminis- tração) — Programa de Pós-Graduação em Projetos, Universidade Nove de Julho, São Paulo, 2019. PAN, Y.; ZHANG, L. Integrating BIM and AI for smart construction management: Current status and future directions. Archives of Computational Methods in Engineering, v. 30, n. 2, p. 1081- 1110, 2023. PMI – PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Guia PMBOK: um guia para o conjunto de conheci- mentos em gerenciamento de Projeto. 7.ed. Pennsylvania: PMI, 2020. RODRIGUES, Thales Volpe; DE JESUS, Rômulo Gomes; OLIVEIRA, Nathan Peixoto. A importância do gerenciamento de projetos para pequenas e médias empresas. Gestão e Desenvolvimento em Revista, v. 5, n. 1, p. 4-12, 2019. SHANG, G.; LOW, S. P.; LIM, X. Y. V. Prospects, drivers of and barriers to artificial intelligence adop- tion in project management. Built Environment Project and Asset Management, v. 13, n. 5, p. 629-645, 2023. SOTILLE, M. A.; MENEZES, L. C. M.; XAVIER, L. F. S.; PEREIRA, M. L. S. 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À medida que a indústria de gerenciamento de projetos avança, novas técnicas, abordagens e ferramentas são desenvolvidas para melhorar os re- sultados dos projetos. Ao acompanhar as atualizações do PMBOK, os gerentes de projetos têm acesso a esses avanços e podem aplicá-los em suas práticas diárias. 2. Alternativa D. A entrega de valor na gestão de projetos tem como objetivo principal atender às necessidades e às expectativas dos clientes. Isso vai além de simplesmente cumprir o objetivo do projeto ou satisfazer os stakeholders dentro de um planejamento determinado ao desenvolver o escopo do projeto. A resposta correta destaca a importância de focar nas demandas dos clientes para garantir a entrega de valor em um projeto. 3. Alternativa D. O escopo de projetos realmente define os objetivos, os requisitos, os limites e as entregas esperadas do projeto. Essa definição é essencial para que todas as partes envolvidas tenham uma compreensão clara do que será realizado. O escopo também ajuda a evitar desvios e aumenta as chances de sucesso na execução do projeto. Ao ter um escopo bem definido, é possível evitar a inclusão de atividades desnecessárias, o que poderia comprometer o prazo e o orçamento do projeto e deve ser feito em todos os tipos de projetos, grandes ou pequenos, complexos ou simples. O escopo não é elaborado apenas pela equipe do projeto, mas também envolve as partes interessadas, como clientes, patrocinadores e outros stakeholders. GABARITO 1 1 1 MINHAS METAS METODOLOGIA DE PROJETOS EMPRESARIAIS Compreender os fundamentos da metodologia de projetos empresariais. Analisar a importância do planejamento adequado em projetos empresariais. Explorar diferentes abordagens e metodologias utilizadas em projetos empresariais. Analisar os desafios e os benefícios das diferentes metodologias Agile, Waterfall e Lean. Compreender o processo de controle e monitoramento de projetos. Entender a participação do ciclo de vida do projeto e as fases envolvidas na metodologia de projetos. Explorar os desafios e as tendências atuaisna metodologia de projetos empresariais. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8 1 1 4 INICIE SUA JORNADA Desde que nossos ancestrais organizaram obras e movimentos com objetivos es- pecíficos, a gestão de projetos tem avançado muito. No entanto, o gerenciamento de projetos foi expandido de forma mais latente somente a partir de meados da década de 1990. Desde então, frequentemente, as empresas recorrem ao geren- ciamento de projetos para alcançar resultados exclusivos com recursos limitados e prazos críticos. No setor de serviços da economia, o uso do gerenciamento de projetos para atingir os objetivos de uma organização tem se tornado ainda mais comum, com necessidade de inovação constante. O PMBOK (2013) define o projeto como “um empreendimento temporário realizado para criar um produto, serviço ou resultado único” (PMI, 2013, p. 417). Portanto, os projetos têm características peculiares, requerem um resultado único e são temporários. A amplitude de tempo que um projeto pode ter vai depender de cada projeto. Porém, para se caracterizar como um projeto, precisa ter um início e um fim — ainda que um projeto comece como resultado de outro, os projetos não são atemporais. O gerenciamento de projetos é formado por metodologias que agrupam to- dos os recursos necessários para o planejamento, a execução e o controle desses empreendimentos. A eficiência e a eficácia são os princípios norteadores quando se trata de metodologias, e cada projeto vai ser influenciado pelo grupo de pes- soas e pela cultura empresarial aos quais está vinculado. Descubra os segredos do sucesso em metodologia de projetos! Ouça agora o podcast Metodologia de Projetos Empresariais e aprenda as melhores estratégias para gerenciar projetos com eficiência e alcançar resultados extraordinários. Pre- pare-se para impulsionar sua carreira e conquistar o sucesso empresarial. Não perca tempo, dê o play e embarque nessa jornada de conhecimento! Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 VAMOS RECORDAR? A cultura organizacional descreve a identidade e a personalidade de uma empresa, moldando sua atmosfera de trabalho, seu estilo de liderança, sua comunicação interna e até mesmo a forma como a empresa se relaciona com seus clientes e parceiros. Vamos lembrar um pouco sobre o que é a cultura e como sua aplicação é importante para as empresas. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem DESENVOLVA SEU POTENCIAL Cada metodologia ou forma de gerir projetos vai ser influenciada pela cultura organizacional, pela complexidade e pelo grau de maturidade das partes interes- sadas no projeto. Porém, em essência, os projetos devem ter os mesmos princípios norteadores, que são: ■ Objetivos claros; ■ Planejamento adequado; ■ Envolvimento das partes interessadas; ■ Equipe competente; ■ Gerenciamento eficiente de recursos; ■ Monitoramento e controle; ■ Aprendizado contínuo; ■ Comunicação eficaz; ■ Flexibilidade e adaptação; e ■ Ética e responsabilidade. Os objetivos e os resultados podem ser distintos, mas o gerenciamento de projetos requer dedicação e atenção aos indicadores de gestão que podem ser um diferencial para equipes (PMI, 2020). Devido a diferentes metodologias aplicadas por organizações, o guia de gestão de projetos PMBOK elenca os principais processos e procedimentos de sucesso para trazer resultados positivos. O PMBOK é um guia que resulta de 1 1 1 pesquisas sobre as melhores práticas em gerenciamento de projetos e traz, como análise, quais procedimentos, de fato, contribuem para uma boa execução de gerenciamento de projetos em empresas (PMI, 2020). Ao todo, o PMBOK (2020) elenca mais de 50 processos relacionados à boa prática gestão de projetos. Esses processos podem ser agrupados em cinco grandes áreas: ■ Processos relacionados à Iniciação; ■ Processos relacionados ao Planejamento; ■ Processos relacionados à Execução; ■ Processos relacionados ao Monitoramento e controle; e ■ Processos relacionados ao Encerramento. Apesar de cada projeto ter um resultado único e sofrer influência da cultura organizacional, todos vão enfrentar desafios. Geralmente, esses desafios dizem respeito à gestão de restrições que apresentam barreiras em projetos (PERIDES; VASCONCELLOS; VASCONCELLOS, 2020). As principais restrições podem estar relacionadas a: ■ Escopo; ■ Qualidade; ■ Cronograma; ■ Orçamento; ■ Recursos; e ■ Riscos. Portanto, não importa a metodologia empregada: todo projeto será influen- ciado de forma negativa por alguns fatos que podem estar inseridos em uma restrição ou mais. Esses riscos são interdependentes, ou seja: necessariamente, uma alteração em um dos fatores vai afetar os demais. Exemplo: se o escopo de um projeto for alterado, essa alteração afetará o orçamento, os recursos, o cronograma e os riscos. Se o orçamento de um projeto sofrer alterações, vai necessariamente afetar o cronograma, o escopo e demais fatores, em alto ou baixo grau. Portanto, as restrições que afetam os projetos se relacionam, e o gestor precisa adequar a metodologia conforme a influência dessas restrições. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Você sabe a diferença entre projeto, programa e portfólio? 1. Projeto: é um empreendimento temporário realizado por uma equipe que visa entregar um resultado único, seja um produto ou um serviço. 2. Programa: é um conjunto de projetos relacionados, interdependentes e coor- denados que têm o objetivo de alcançar benefícios estratégicos específicos para a organização. 3. Portfólio: é o conjunto não só de projetos, mas também de programas, op- erações e qualquer atividade que seja relacionada de forma integrada para atingir os objetivos estratégicos de uma organização. ZOOM NO CONHECIMENTO Figura 1 – Portfólio, Programas e Projetos / Fonte: O autor. Descrição da Imagem: três esferas inseridas em congruência. Na menor, lê-se a palavra “Projetos”; na interme- diária, “Programas”; e, na maior, englobando as demais, “Portfólio”. Vamos a um exemplo prático para entender a diferença entre os três conceitos. Imagine uma fábrica de veículos que tem um projeto para desenvolver um carro 100% elétrico. O projeto terá seu início e será finalizado com a entrega do carro a ser comercializado. Devido ao sucesso do veículo, a fábrica pode iniciar 1 1 8 vários projetos diferentes para criar distintos modelos de carros elétricos. Ao final, a fábrica terá um programa de desenvolvimento de veículos elétricos com vários projetos em desenvolvimento ou concluídos. Caso a fábrica queira iniciar um programa para desenvolver projetos vol- tados para caminhões e ônibus elétricos, a empresa terá, em seu portfólio, dois programas distintos com projetos relacionados. Os projetos, os programas e o portfólio devem estar em consonância com a estratégia da fábrica de veículos. FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA DE PROJETOS EMPRESARIAIS Diferentes metodologias vão ser influenciadas pelas mesmas restrições e vão ter princípios norteadores e fases similares. As metodologias oferecem um conjun- to de métodos, técnicas e procedimentos utilizados para conduzir um projeto. Portanto, as metodologias de projetos empresariais fornecem uma abordagem sistemática e organizada para realizar um determinado trabalho, projeto ou pro- cesso. As metodologias são adaptadas conforme os elementos formadores de cada projeto, como o ciclo de vida e a fase em que o projeto se encontra (PAN; ZHANG; BIM, 2023). Ciclo de vida do projeto e suas fases O ciclo de vida de um projeto vai depender da metodologia adotada pela orga- nização. Sob aspectos básicos, o ciclo de vida de um projeto determina as fases pelas quais ele precisa passar desde o seu início até a sua conclusão. Os projetos são diferentes quando comparados pelo tamanho e pela complexidade. Contudo, o PMBOK (2020) aponta para uma estrutura genéricae adaptável para a maioria dos projetos. A saber: ■ Início do projeto; ■ Organização e preparação; ■ Execução do trabalho do projeto; e ■ Encerramento do projeto. UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 No início de um projeto, os custos e os recursos humanos necessários cos- tumam ser baixos; contudo, no desenvolvimento, na organização e na prepara- ção, os custos vão aumentando, assim como a necessidade de mão de obra. No nível de execução do projeto, os custos e os recursos humanos aumentam até atingirem um platô, uma equalização dos recursos necessários para executar o projeto. Em último nível, o projeto entra nos processos de encerramento, em que os custos e a equipe são reduzidos até o encerramento completo (MARCELINO; DOMINGUES, 2022). Figura 2 – Relação entre o nível de custos e pessoal. / Fonte: PMI (2013, p. 39). Descrição da Imagem: gráfico com demonstração de relação entre o nível de custos e pessoal, na abcissa, e o fator tempo, na ordenada. O gráfico ainda demonstra uma linha pontilhada em formato de trapézio, com sua reta ascendente delimitada pelos níveis “iniciar o projeto” e ”organização e preparação”, uma semirreta no nível “execução do trabalho” e uma reta descendente demonstrando o nível de “encerramento do projeto” As metodologias dos projetos empresariais podem ser diferentes entre si, mas essas características estão presentes em diferentes proporções em todos os projetos desenvolvidos com base em boas práticas. Alguns projetos com maior complexidade podem requerer mais tempo em cada um dos níveis, enquanto projetos com menor complexidade podem ter um comportamento oposto. 1 8 1 As fases de um projeto podem ser definidas como o conjunto de processos similares que têm um objetivo de entrega específico. Cada fase é interligada e, embora possua uma entrega específica, contempla uma visão global do objetivo geral do projeto. Se um projeto tem uma fase de planejamento do escopo, sua entrega final será o escopo desenvolvido. Então, cada fase de um projeto tem um produto final que contribui para o objetivo geral de um projeto em desenvolvi- mento (FREDERICO, 2021). As fases de um projeto são sequenciais, porém, devido a natureza de alguns projetos, uma fase pode ter início sem que a anterior tenha concluído. Na mon- tagem de um veículo, por exemplo, alguns processos só podem ser iniciados com a entrega de um processo anterior. A pintura da lataria só pode acontecer após a estrutura do veículo estiver montada. Porém, nada impede que os processos de adjacentes estejam acontecendo de forma lateral, como a entrega dos estofados ou preparação das partes mecânicas (FREDERICO, 2021). Ao fim, as fases de um projeto precisam estar em harmonia para que o con- sumo de recursos seja executado com eficiência, sem desperdício. Portanto, os projetos podem ter fases que se relacionam das seguintes maneiras (PMI, 2020): ■ Sequencial – uma fase só se inicia ao término de uma fase anterior. ■ Sobreposta – uma fase tem início antes da entrega da fase anterior. ■ Paralela – as fases têm início e fim concomitantemente. As empresas têm diversos processos que contribuem para o seu funciona- mento no cotidiano. O desenvolvimento de projetos deve ser seguido por me- todologias que apresentam um baixo risco e um alto grau de controle e gestão. Steve Jobs (2015) Comentário: um filme biográfico que relata breve momentos da vida de Steve Jobs na criação e na execução de grandes projetos voltados para a inovação tecnológica. A metodologia adotada na gestão de projetos de Steve Jobs resultou em em- presas e produtos que mudaram a percepção da humanidade e sua relação com a tecnologia. Vale a pena conferir! INDICAÇÃO DE FILME UNIASSELVI 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Aponte uma entrega sob responsabilidade da empresa e identifique quais processos formam a entrega e averigue se os processos são sequenciais, sobre- postos ou paralelos. Papéis e responsabilidades dos envolvidos no projeto Após abordarmos os processos, o ciclo de vida e as fases dos projetos, é impor- tante entender que não importa a metodologia em gestão de projetos adotada pela organização: as pessoas responsáveis pela gestão terão uma forte influência nos resultados alcançados. O primeiro papel a ser determinado no gerenciamento de projetos é o de ges- tor de projetos. Ele é o responsável pelo bom andamento do projeto, do início ao fim. Portanto, um aspecto importante desse papel é sua temporalidade. Por ser um papel exclusivo de um projeto, o papel do gestor (ou gerente) de projetos é diferente do papel de gestores e gerentes de negócios, setores, departamentos ou operações do cotidiano de uma empresa. O gerente de projetos deve estar atento apenas aos processos, às atividades, aos recursos e às pessoas de interesse relacionados exclusivamente ao projeto. Por isso, é fundamental que o papel de gerente de projetos não seja dividido com outras funções que extrapolem as atividades relacionadas ao projeto (VARGAS, 2016). Se a organização tiver vários projetos, é necessário que cada projeto tenha o seu próprio gerente. Contudo, se os projetos forem de baixa complexidade ou forem in- terligados, é possível que um gerente tenha mais de um projeto sob sua supervisão. Pela forte dependência das organizações no desenvolvimento de projetos de inovação, o gerente de projetos é uma posição bastante estratégica para as empresas. Sua importância deve ser pensada levando conta as competências necessárias para um bom gerente. VOCÊ SABE RESPONDER? Você conseguiria identificar que projetos a organização onde você atua desenvolve? 1 8 1 Esse papel vai demandar da pessoa conhecimentos e capacidades relaciona- das à gestão administrativa e à gestão de projetos e conhecimento técnico sobre o produto resultante da entrega. Por exemplo: se uma empresa de investimentos está desenvolvendo um novo projeto que tenha como objetivo final a entrega de um novo portfólio de investimentos, é fundamental que o gerente de projetos tenha conhecimento sobre gestão de projetos e conhecimento sobre mercado e produtos financeiros. PROVISÃO DE PESSOAS O gestor precisa entender bem os objetivos dos projetos para identificar quais posições e que profissionais o projeto vai requerer para sua execução. RECRUTAMENTO E SELEÇÃO Saber onde buscar e como selecionar os profissionais corretos para o desenvolvimen- to do projeto. APLICAÇÃO DE PESSOAS Inserir os integrantes da equipe em uma cultura positiva que forneça um ambiente de incentivo e de trabalho em equipe. Um outro aspecto muito importante que o gerente de projetos deve ter é capaci- dade de gerir pessoas com maestria! Os projetos são desenvolvidos por recursos financeiros, recursos de transformação, recursos de apoio e, o mais importante, os recursos humanos. As pessoas formam o quadro de talentos de uma organização e têm uma influência determinante no sucesso de organizações e projetos (KER- ZNER, 2021). APROFUNDANDO Portanto, cada projeto vai requerer que seu gerente domine os subsistemas de recursos humanos, quais sejam (BUTAFAVA, 2023): UNIASSELVI 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 MANUTENÇÃO DE PESSOAS Identificar os talentos-chave da equipe e saber valorizar e incentivar os colaboradores. DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS Treinar e desenvolver habilidades e capacidades é fundamental para melhoria contínua do gerenciamento de projetos e suas entregas. MONITORAMENTO DE PESSOAS Usar informações necessárias para montar um banco de talentos para futuros projetos é uma estratégia bastante útil. As atividades desse subsistema podem auxiliar o gestor a mensurar a performance dos integrantes da equipe no desenvolvimento das suas atividades. É possível identificar o quanto se faz necessário o gerente de projetos ter habilidades de liderança no gerenciamento. Seja qual for a metodologia de projetos eleita pela empresa, o gerente precisará liderar uma ou várias equipes. Uma outra habilidade importante e bastante necessáriano papel de gerente de projetos é o da comunicação. Além do desenvolvimento de uma comunicação assertiva dentro da equipe, o gerente de projetos vai fazer a ponte de comunicação entre o projeto e todas as partes interessadas nele. A comunicação sobre o projeto deve ser adequada à necessidade de cada grupo de interesse, seja na forma ou no veículo de comunicação utilizado. Cada parte interessada requer um cuidado especial (BUTAFAVA, 2023). O papel mais importante no gerenciamento de projetos é o da equipe! Uma equipe capacitada é formada por indivíduos com diferentes qualificações que atuam em diferentes atividades e processos, mas com um único objetivo. Imagi- ne uma equipe de corrida de Fórmula 1. Muitos papéis podem ser identificados nessa equipe, como mecânicos, analistas, pilotos, assistentes e engenheiros. Cada profissional tem uma área de conhecimento específica e atua em atividades distin- tas; porém, o objetivo final é o mesmo: a vitória da equipe (FREDERICO, 2021). 1 8 4 Uma equipe de gestão de projetos também tem diversos papéis. Segundo o PMBOK (2013 p. 36), as equipes de projetos podem contar com os papéis de: ■ Pessoal de gerenciamento de projetos: pessoas que são responsáveis pelo trabalho burocrático do projeto, como elaboração de orçamentos, cro- nogramas, relatórios e todo suporte administrativo. ■ Recursos humanos do projeto: responsável pelo apoio e pela execução das atividades inseridas nos subsistemas de recursos humanos. ■ Especialistas de suporte: profissionais qualificados em áreas distintas que um projeto pode precisar para sua execução. ■ Representantes de usuários ou clientes: em projetos que tenham como ob- jetivo um produto ou um serviço focado em clientes, uma boa estratégia é convidar os usuários para participarem no desenvolvimento do projeto. ■ Vendedores/fornecedores/contratadas: assim como os clientes, quando projetos têm processos ou entregas de produtos importantes para o seu desenvolvimento, é estratégico que representantes dessas classes também participem do desenvolvimento. ■ Membros parceiros de negócio: empresas e organizações que tenham interesse e parceria com a empresa desenvolvedora do projeto podem participar da equipe, apoiando e dando feedback. UNIASSELVI 1 8 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Qualquer que seja a metodologia de desenvolvimento de projetos, os papéis da equipe e do gerente de projeto são importantes. A depender do tamanho e da complexidade, os papéis podem ser restritos ou até ampliados. Porém, a essência desses papéis está presente em todo projeto e nas mais diversas metodologias. METODOLOGIAS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS E ABORDAGENS POPULARES Existe uma rica amplitude de boas metodologias de gerenciamento de projetos em empresas. Como um guia, o PMBOK resume as melhores práticas, que os projetos podem seguir e adaptar. Porém, outras metodologias surgiram com os mesmos princípios. Algumas são voltadas para setores específicos, outras são mais generalistas. Vamos conhecer algumas. Método Agile de gerenciamento de projetos Essa metodologia surgiu de um manifesto intitulado “Agile Manifesto”: profis- sionais da área de software se reuniram para debater novos princípios e aborda- gens de gerenciamento de projetos voltados para a área de tecnologia da infor- mação. Contudo, o manifesto foi adotado para gestão de todo tipo de projeto, devido ao seu foco na eficiência dos processos internos (STOPA; RACHID, 2019) Essa metodologia pode ser definida como um método cujo foco de inte- ratividade recai sobre a execução de projetos, valorizando a comunicação e o EU INDICO O trabalho remoto é uma realidade cada vez mais presente no ambiente organiza- cional, e o gerenciamento de projetos passa pelo mesmo processo de evolução. Para os gerentes de projetos e sua equipe, é fundamental conhecer ferramentas que possam auxiliar no gerenciamento de entregas e cronograma. Existem várias ferramentas disponíveis na internet. A Mentions é uma ferramenta de mensagens, gestão e documentação para o desenvolvimento de projetos que tenham times remotos. Vale a pena conferir! Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem 1 8 1 feedback humano. A constante evolução do dinamismo comunicativo permite que os projetos se adaptem às mudanças de forma rápida (FERNANDES; RA- BECHINI, 2023). O foco da Agile é a comunicação interativa e prática, em detrimento de pro- cessos burocráticos. Essa comunicação deve estar baseada em processos dinâ- micos e que permitam o constante feedback para a aprimoração contínua do projeto. Por se tratar de princípios a serem seguidos, a metodologia Agile é vista como uma ideologia a ser seguida pela gestão de projetos de sucesso. As palavras que melhor definem essa ideologia são: ■ Comunicação interativa e eficaz; ■ Gestão de equipes; e ■ Resultados tangíveis e funcionais. Dessa visão de gerir projetos, outras metodologias mais práticas vão surgir seguin- do o mesmo raciocínio e os mesmos princípios, como a metodologia SCRUM, que veremos logo adiante. EU INDICO É possível ler a tradução em português do manifesto Agile na internet. O site mostra os 12 princípios que a abordagem Agile defende na execução de projetos. O site também aprofunda o contexto do manifesto e a importância da adoção des- sa metodologia para entregas de resultados práticos e ágeis. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem Método SCRUM de gerenciamento de projetos A interatividade dentro da gestão de projetos resulta em melhoria contínua. Quando processos são abertos ao recebimento de feedback, vai haver avanço nas formas de gestão de processos, procedimentos e equipes. O método SCRUM pode ser definido como: UNIASSELVI 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 “ Scrum emprega uma abordagem iterativa e incremen- tal para aperfeiçoar a previsibilidade e o controle de ris- cos. Três pilares apoiam a implementação de controle de processo empírico: transparência, inspeção e adaptação” (SCHWABER; SUTHERLAND, 2013, p. 4). Nessa metodologia, o projeto é organizado em ciclos chamados de “sprints”, os quais geralmente têm duração de duas a quatro semanas. Cada ciclo “sprint” é formado por listas de tarefas chamadas “backlog”, que contêm todas as fun- cionalidades ou requisitos a serem desenvolvidos para executar o projeto. No início de cada sprint, uma reunião de planejamento é realizada para selecionar um conjunto de tarefas prioritárias (backlog) para serem entregues ao final do sprint (FERNANDES; RABECHINI, 2023). Durante o sprint, a equipe trabalha de forma autônoma e auto-organizada para realizar as tarefas definidas no backlog. Diariamente, é realizada uma reunião curta denominada “daily scrum” para sincronizar o trabalho, compartilhar o pro- gresso, identificar os obstáculos e tomar decisões rápidas. No final de cada sprint, é realizada uma revisão do trabalho concluído, chamada de “sprint review”, na qual a equipe demonstra as funcionalidades desenvolvidas e recebe feedback das partes interessadas no projeto. Em seguida, é realizada uma retrospectiva, chamada de “sprint retrospective”, para analisar o processo de trabalho e identificar pontos po- sitivos que ocorram durante o ciclo sprint. Nessas reuniões, também é importante identificar oportunidades de melhoria (HRON; OBWEGESER, 2022). Uma característica importante do Scrum é o papel do “Scrum Master”, que é re- sponsável por facilitar o processo e remover possíveis impedimentos para o pro- gresso da equipe. O Scrum Master atua como um líder de apoio, garantindo que os princípios e práticas do Scrum sejam seguidos corretamente. Portanto, o “Scrum Master” faz o papel de gerente de projetos, atuando com liderança para o incenti- vo da equipe no desenvolvimento do backlog (HRON; OBWEGESER, 2022). APROFUNDANDO Vamos ver essa metodologia na prática? A empresa “Tech Solutions” é uma startup que desenvolve aplicativos móveis. Eles decidiramadotar o Scrum como metodologia de gestão de projetos para 1 8 8 melhorar a eficiência e a qualidade de seus desenvolvimentos. A equipe de desen- volvimento é composta por um Scrum Master, um cliente e seis desenvolvedores. A equipe da “Tech Solutions” estava trabalhando em um projeto de desen- volvimento de um aplicativo de entrega de comida chamado “FoodExpress”. O objetivo era lançar o aplicativo em três meses, com funcionalidades básicas e uma interface amigável. Para começar, a equipe organizou um sprint de duas semanas. Durante a reunião de planejamento do sprint, o cliente apresentou uma lista de funcio- nalidades prioritárias para serem incluídas na primeira versão do aplicativo. A equipe estimou o esforço necessário para cada funcionalidade e selecionou as que poderiam ser entregues dentro do prazo do sprint. Durante o sprint, a equipe se reuniu diariamente para o Daily Scrum, com- partilhando o progresso, discutindo impedimentos e alinhando o trabalho. O Scrum Master atuou como facilitador, removendo obstáculos e garantindo que a equipe se mantivesse focada no objetivo do sprint. Durante o desenvolvimento, a equipe utilizou quadros de acompanhamen- to de atividades para visualizar o progresso das tarefas. Isso ajudou a identificar gargalos e a tomar medidas para otimizar o fluxo de trabalho. Além disso, eles mantiveram uma comunicação constante com o cliente, realizando reuniões periódicas para receber feedback e fazer ajustes no projeto. No final do sprint, a equipe realizou uma sprint review, na qual apresenta- ram as funcionalidades concluídas aos stakeholders. Eles receberam feedback positivo sobre a interface intuitiva e a rapidez do aplicativo. Após a revisão, a equipe realizou uma retrospectiva para identificar melhorias e definir ações para o próximo sprint. Ao longo dos sprints seguintes, a equipe continuou a desenvolver novas fun- cionalidades e aprimorar o aplicativo com base nas prioridades estabelecidas. Eles mantiveram um ritmo constante de entregas e conseguiram lançar a versão inicial do “Food Express” dentro do prazo de três meses. Por meio desse exemplo, é possível identificar como a metodologia direcio- nou a execução do projeto de forma específica. O exemplo prático foi focado em um projeto cujo resultado final era um aplicativo, mas essa metodologia pode ser utilizada e adaptada para projetos de outras áreas. Vamos conhecer uma outra metodologia? UNIASSELVI 1 8 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Método Lean de gerenciamento de projetos Essa metodologia tem sua origem no sistema Toyota de produção. Esse sistema foi uma inovação na forma de fabricar automóveis. Kiichiro Toyoda, um em- preendedor japonês, fundou a fábrica de automóveis Toyota, em um contexto de escassez de recursos na ilha japonesa. Para competir com as grandes fabricantes mundiais, a Toyota inovou os seus processos para se adaptar a uma produção enxuta, sem desperdício e com custos extremamente controlados (BASAGLIA; BRAGA, 2019). O método Lean de gerenciamento de projetos, também conhecido como Lean Project Management, é uma abordagem que se baseia nos princípios do Lean Manufacturing, desenvolvidos pela Toyota na indústria automobilística japonesa. Essa metodologia tem como objetivo principal eliminar o desperdício e maximizar o valor entregue ao cliente (SOUSA, 2019). No contexto de gerenciamento de projetos, o método Lean busca otimizar o fluxo de trabalho, reduzir o tempo de entrega, melhorar a qualidade e envolver todas as partes interessadas de forma colaborativa. Ele enfatiza a importância de manter o foco nas necessidades do cliente e buscar constantemente a excelência em todas as etapas do projeto (SOUSA, 2019). Para Sousa (2021), o método Lean de gerenciamento de projetos se baseia em cinco princípios principais: 1 9 1 IDENTIFICAR O VALOR O primeiro passo é compreender o valor que o projeto deve entregar ao cliente. Isso envolve entender as necessidades do cliente, seus objetivos e expectativas. O valor é definido pelo cliente e orienta todas as atividades do projeto. MAPEAR O FLUXO DE VALOR O próximo passo é mapear todo o fluxo de trabalho necessário para entregar o valor ao cliente. Isso envolve identificar todas as atividades e todos os processos envolvidos no projeto, desde a concepção até a entrega final. O objetivo é eliminar atividades desnecessárias ou que não agregam valor. CRIAR FLUXO CONTÍNUO O terceiro princípio busca estabelecer um fluxo contínuo de trabalho, minimizando interrupções e gargalos. Isso é feito por meio da otimização do sequenciamento de tarefas, do uso de sistema de produção puxada e da eliminação de tempos de espera ou retrabalho. IMPLEMENTAR O SISTEMA DE TRABALHO PUXADO Nesse princípio, o foco está em estabelecer um sistema em que o trabalho seja puxa- do com base na demanda real. Ao invés de empurrar trabalho para a equipe, as tarefas são solicitadas e realizadas conforme a necessidade e capacidade. BUSCAR A EXCELÊNCIA O último princípio envolve buscar continuamente a excelência e a melhoria em todas as etapas do projeto. EU INDICO Vamos nos aprofundar na incrível história do empreendedor japonês Kiichiro Toyoda! Com espírito de inovação e empreendedorismo, Kiichiro criou uma das maiores empresas de automóveis do mundo! Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Vamos ver essa metodologia na prática? A empresa “Produtos Saudáveis Ltda.” é uma indústria alimentícia que pro- duz alimentos saudáveis e naturais. Eles decidiram adotar o modelo de gestão de projetos Lean para melhorar a eficiência e a qualidade de seus processos de produção. A empresa percebeu que havia desperdícios em seus processos, como estoques excessivos, retrabalho e tempos de espera. A primeira etapa foi a formação de uma equipe de projeto multidisciplinar, composta por representantes de diferentes áreas da empresa, incluindo produção, logística e qualidade. Essa equipe foi responsável por implementar a metodologia Lean em um projeto-piloto focado em melhorar a linha de produção de um dos seus produtos mais populares, as barras de cereais. A equipe realizou um mapeamento detalhado de todo o fluxo de produção das barras de cereais, desde a chegada dos ingredientes até o empacotamento final. Durante essa análise, eles identificaram desperdícios, como movimentação excessiva de materiais, tempos de espera entre as etapas e retrabalho devido a erros de montagem. Com base nessa análise, a equipe implementou várias iniciativas Lean para eliminar desperdícios e otimizar o processo de produção. Algumas das mu- danças realizadas incluíram: CONTROLE DE ESTOQUE A equipe estabeleceu um sistema conhecido como “Kanban” para controlar o estoque de matérias-primas. Isso permitiu que a equipe visualizasse a demanda real e produz- isse apenas o necessário, evitando estoques excessivos e reduzindo o desperdício. MELHORIA DO LAYOUT O layout da linha de produção foi redesenhado para minimizar a movimentação de materiais e reduzir o tempo de transporte entre as etapas. Os ingredientes e ferramen- tas necessários foram organizados de forma eficiente, facilitando o acesso e reduzindo o tempo perdido em busca de materiais. 1 9 1 PADRONIZAÇÃO E TREINAMENTO Foram estabelecidos padrões de trabalho claros para cada etapa do processo de produção. Os colaboradores receberam treinamento adequado para seguir esses padrões, garantindo consistência e reduzindo erros. IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS PUXADOS A equipe implementou sistemas de produção puxados, nos quais a produção de cada etapa era baseada na demanda real da etapa subsequente. Isso ajudou a evitar a superprodução e reduziu o tempo de espera entre as etapas. Após a implementação dessas mudanças, a empresa “Produtos Saudáveis Ltda.” observou melhorias significativas. O tempo de produção das barras de cereais foi reduzido em 30%, o estoque de matérias-primas foi reduzido em 50%e o número de erros de montagem foi quase eliminado. Essas melhorias levaram a uma redução de custos, um aumento na quali- dade dos produtos e uma maior satisfação dos clientes. Na conclusão do projeto, a equipe envolvida no projeto-piloto adquiriu conhecimentos e habilidades em Lean que foram aplicados em outros processos dentro da empresa, resultando em melhorias contínuas em toda a organização. UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Portanto, a metodologia Lean de gerenciamento de projeto é focada em redu- ção de custos e na execução eficiente de recursos em projetos. Essa metodologia surgiu de um sistema de produção, mas pode ser aplicada em diversas áreas, como comércio ou setor de serviços. O futuro do gerenciamento de projetos é promissor e está sendo moldado por diversas tendências e avanços tecnológicos, com destaque para: ■ Métodos Ágeis: os métodos ágeis, como Scrum e Lean, continuarão a ganhar popularidade no gerenciamento de projetos. Eles oferecem fle- xibilidade, colaboração e adaptabilidade, permitindo que as equipes en- treguem valor de forma rápida e contínua. Esses métodos são ideais para projetos complexos e em ambientes de mudanças rápidas. ■ Colaboração e comunicação em tempo real: o futuro do gerenciamen- to de projetos será marcado por uma colaboração e uma comunicação mais eficientes entre as equipes. Plataformas de colaboração em tempo real, chatbots e assistentes virtuais facilitarão a comunicação, o compar- tilhamento de informações e a tomada de decisões em tempo hábil. ■ Gerenciamento de projetos híbridos: o gerenciamento de projetos hí- bridos, que combina abordagens tradicionais e ágeis, ganhará destaque. Isso permitirá que as equipes aproveitem o melhor de ambos os mundos, adaptando os processos de acordo com as necessidades específicas do projeto. ■ Gerenciamento de mudanças: a capacidade de gerenciar efetivamente a mudança será cada vez mais importante no gerenciamento de proje- tos. Os gerentes de projeto precisarão ser ágeis e capazes de lidar com as mudanças nas expectativas dos clientes, nos requisitos em evolução e nas tecnologias emergentes. ■ Gerenciamento de projetos sustentáveis: a sustentabilidade será uma consideração cada vez mais importante no gerenciamento de projetos. Os projetos deverão levar em conta os impactos ambientais, sociais e econô- micos, incorporando práticas sustentáveis e abordagens responsáveis em todas as fases do projeto. 1 9 4 NOVOS DESAFIOS Chegamos ao fim deste tema de aprendizagem! As metodologias de projetos em empresas estão sempre evoluindo para a adaptação de novas necessidades que as diferentes organizações possuem. A tecnologia tem dado grande praticidade à gestão de projetos, mediante o desen- volvimento de softwares de gestão de processos, aplicativos de comunicação entre equipes e formas on-line de controlar cronogramas de execução. A inteligência artificial (IA) tem desempenhado um papel cada vez mais im- portante na gestão de projetos, proporcionando benefícios significativos para equipes e empresas. Muitas ferramentas têm surgido para desenvolver a gestão de projetos. Portanto, o desenvolvimento de novas formas de gestão de projetos ganhará cada vez mais amplitude e espaço no cotidiano das empresas. É impor- tante que os profissionais da área estejam abertos a novas abordagens, aprendam continuamente e se adaptem às mudanças para garantir o sucesso na gestão de projetos em um ambiente em constante evolução. Acesse e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO UNIASSELVI 1 9 5 1. Gerenciar projetos é uma habilidade essencial para qualquer profissional que deseja al- cançar seus objetivos e entregar resultados de qualidade. Um bom gerenciamento de projetos envolve planejar, executar, monitorar e controlar todas as atividades necessárias para atender aos requisitos do cliente e às expectativas dos stakeholders. Além disso, ge- renciar projetos permite otimizar recursos, prazos e custos, evitando desperdícios, atrasos e conflitos. Por isso, gerenciar projetos é importante para o sucesso de qualquer organização. Assinale a alternativa correta que aponta um princípio norteador do gerenciamento de projetos. a) Exploração de recursos. b) Independência das partes interessadas. c) Complexidade reduzida. d) Aprendizado intermitente. e) Comunicação eficaz. 2. As metodologias de gerenciamento de projetos são abordagens estruturadas e sistemá- ticas que auxiliam na execução e no controle de projetos, visando alcançar os objetivos de forma eficiente e eficaz. Existem várias metodologias disponíveis, cada uma com suas características e abordagens específicas. Assinale a opção que descreve corretamente uma característica da metodologia ágil. a) Ênfase na documentação detalhada e abrangente desde o início do projeto. b) Abordagem estritamente sequencial das etapas do projeto. c) Foco na colaboração constante entre a equipe e o cliente. d) Predição precisa de prazos e custos desde o início do projeto. e) Estrutura rígida e inflexível para lidar com mudanças durante o projeto. 3. Projetos, programas e portfólio são termos amplamente utilizados no contexto de geren- ciamento de projetos, mas cada um tem suas características e desempenha um papel específico na organização. Assinale qual das seguintes opções descreve corretamente a diferença entre programas e portfólio. AUTOATIVIDADE 1 9 1 a) Um programa é composto por projetos relacionados, enquanto um portfólio é composto por programas relacionados. b) Um programa é uma visão consolidada de todos os projetos, enquanto um portfólio é uma visão consolidada de todos os programas. c) Um programa busca entregar um resultado único, enquanto um portfólio busca maxi- mizar os benefícios estratégicos. d) Um programa é uma estrutura de gestão centralizada, enquanto um portfólio é uma coleção de projetos independentes. e) Um programa envolve a alocação de recursos, enquanto um portfólio envolve a priori- zação estratégica. AUTOATIVIDADE 1 9 1 REFERÊNCIAS BASAGLIA, T. R; BRAGA, W. L. M. A importância da Manutenção Produtiva Total como ferramenta do Sistema Toyota de Produção. Trabalhos Científicos, v. 1, 2019. BUTAFAVA, A. C. de A. Promoção da alta performance em equipes de desenvolvimento de software no contexto de gerenciamento de projetos ágeis. 2023. 93 f. Dissertação (Mestrado em Administração) — Programa de Pós-Graduação em Gestão de Projetos, Universidade Nove de Julho, São Paulo, 2023. FERNANDES, P. J. M. A.; RABECHINI Jr., R. Risk management in the agile approach and project success. Revista Gestão & Tecnologia, v. 23, n. 1, p. 138-162, 2023. FREDERICO, G. F. Project Management for Supply Chains 4.0: A conceptual framework proposal based on PMBOK methodology. Operations Management Research, v. 14, n. 3-4, p. 434-450, 2021. HRON, M; OBWEGESER, N. Why and how is Scrum being adapted in practice: A systematic re- view. Journal of Systems and Software, v. 183, p. 111110, 2022. KERZNER, H. Gerenciamento de projetos: uma abordagem sistêmica para planejamento, pro- gramação e controle. 2. ed. São Paulo: Editora Blucher, 2021. MARCELINO, E.; DOMINGUES, L. An analysis of how well serious games cover the PMBOK. Pro- cedia Computer Science, v. 196, p. 1013-1020, 2022. PERIDES, M. P. N.; VASCONCELLOS, E. P. G.; VASCONCELLOS, L. A gestão de mudanças em projetos de transformação digital: estudo de caso em uma organização financeira. Revista de Gestão e Projetos, v. 11, n. 1, p. 54-73, 2020. PAN, Y.; ZHANG, L. Integrating BIM and AI for smart construction management: Current status and future directions. Archives of Computational Methods in Engineering, v. 30, n. 2, p. 1081- 1110, 2023. PMI – PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Guia PMBOK: um guia para o conjunto de conheci- mentos em gerenciamento de projeto. 5. ed. Pennsylvania: PMI, 2013. PMI – PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Guia PMBOK: um guia para o conjuntode conheci- mentos em gerenciamento de projeto. 7. ed. Pennsylvania: PMI, 2020. SCHWABER, K.; SUTHERLAND, J. Guia do Scrum. Um guia definitivo para o Scrum: As regras do jogo. local: Scrum. Org and ScrumInc, 2013. SOUSA, T. R. C. Revisão sistemática de literatura sobre gestão de projetos Lean/Ágeis. 2019. 59 g. Dissertação (Mestrado em Engenharia Industrial) — Escola de Engenharia, Universidade do Minho, Portugal, 2019. 1 9 8 REFERÊNCIAS SOUSA, P. M. F. Implementação de práticas de gestão de projetos e produção lean numa empresa de inovação e automação. 2021. 217 f. Dissertação (Mestrado em Gestão de Projetos de Engenharia) — Escola de Engenharia, Universidade do Minho, Portugal, 2021. STOPA, G. R.; RACHID, C. L. Scrum: Metodologia ágil como ferramenta de gerenciamento de projetos. CES Revista, v. 33, n. 1, p. 302-323, 2019. VARGAS, R. V. Gerenciamento de projetos: estabelecendo diferenciais competitivos. Rio de Ja- neiro: Brasport, 2016. 1 9 9 1. Alternativa E Um dos princípios norteadores do gerenciamento de projetos é a “comunicação eficaz”. Esse princípio destaca a importância de estabelecer uma comunicação clara, aberta e eficiente entre todos os envolvidos no projeto, a fim de garantir uma compreensão comum, alinhar expectativas, trocar informações relevantes e manter um fluxo de comunicação contínuo durante todas as fases do projeto. A comunicação eficaz contribui para evitar mal-entendidos, minimizar erros e promover uma colaboração mais eficiente entre as partes interessadas. Nenhuma das outras opções aborda princípios norteadores do gerenciamento de projetos. 2. Alternativa C A metodologia ágil é conhecida por sua abordagem flexível e interativa, em que as equipes trabalham em ciclos curtos e entregam incrementos do produto de forma iterativa. A cola- boração constante entre a equipe e o cliente é uma característica central dessa abordagem. Por meio de reuniões frequentes e feedback contínuo, o cliente está envolvido ativamente no processo de desenvolvimento do projeto, permitindo ajustes e melhorias contínuas. 3. Alternativa B Um programa é um conjunto de projetos relacionados e gerenciados de forma coordenada, fornecendo uma visão consolidada desses projetos. Ele busca alcançar um objetivo estratégi- co comum. Já um portfólio é uma visão consolidada de todos os programas, projetos e outras iniciativas em andamento na organização. Ele permite uma visão global de todas as atividades em curso, facilitando a tomada de decisões e o acompanhamento do desempenho global. GABARITO 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 1 AVALIAÇÃO E VIABILIDADE DOS RISCO EM PROJETOS EMPRESARIAIS Entender a importância da avaliação de riscos para a atividade de desenvolvimento de projetos. Compreender o conceito de gerenciamento de riscos em projetos empresariais, incluindo a identificação, análise, avaliação e tratamento dos riscos envolvidos. Refletir sobre as diferentes categorias de riscos em projetos empresariais. Aprender a realizar uma análise de riscos, considerando a probabilidade de ocorrência e o impacto potencial de cada risco no projeto. Explorar as principais técnicas e ferramentas utilizadas na avaliação de riscos, como análise SWOT, análise de cenários e análise de sensibilidade. Adquirir conhecimentos sobre as melhores práticas para a comunicação efetiva dos riscos identificados aos stakeholders do projeto e como envolvê-los nas decisões de gerenciamento de riscos. Aplicar a avaliação e viabilidade dos riscos em estudos de caso reais, a fim de ganhar experiência prática na tomada de decisões em projetos empresariais. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9 1 1 1 INICIE SUA JORNADA Olá, estudante! Seja bem vindo! Iniciaremos a nossa jornada sobre a avaliação e viabilidade dos risco em projetos empresariais, entendendo que todo gerenciamento de projetos em or- ganizações deve buscar com eficácia identificar e analisar os riscos que envolvem cada projeto. Vamos conhecer a situação de uma empresa chamada Alpha Tecnologia. A empresa atua na área de tecnologia, desenvolvendo softwares para grandes empre- sas. Contudo, a Alpha está considerando expandir suas operações para um novo mercado. A empresa deseja entrar no mercado de jogos eletrônicos para celular, lançando um novo jogo para dispositivos móveis. A diretoria da empresa acredita que essa expansão pode trazer um grande crescimento e aumento nos lucros, mas também reconhece que existem riscos significativos envolvidos no projeto. O risco de fracasso em um projeto não pode ser descartado ou tratado de maneira leviana uma vez que para o desenvolvimento e execução de novos proje- tos, tempo, recursos financeiros e humanos são utilizados. Quando estes recursos são desperdiçados em projetos fracassados, algumas empresas ficam em prejuí- zo e dependendo do tamanho e intensidade do prejuízo, podem terminar suas atividades (ARRUDA; MENCHINI; RUSSO, 2019). Portanto, no decorrer da nossa jornada, vamos entender os principais conceitos dos riscos que envolvem projetos empresariais e como gerenciá-los utilizando como exemplo a empresa Alpha Tecnologia. O gerenciamento de risco em projetos empresariais é um fator determinante para redução de danos que uma empresa pode ter. Com o avanço da tecnologia, muitos instrumentos estão sendo desenvolvidos para ajudar gestores a identificar e agir mediante riscos iminentes ou a longo prazo. Vamos escutar o nosso podcast para aprender sobre alguns instrumentos tecnológicos que podem ajudar no sucesso de projetos empresariais! Recurso de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendi- zagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 DESENVOLVA SEU POTENCIAL O QUE É UM RISCO? A palavra “risco” é um termo utilizado para descrever a possibilidade de ocorrência de um evento ou situação incerta, independente da vontade de indivíduos, que pode resultar em perdas, danos, prejuízos ou consequências indesejadas (FER- REIRA, 2010). Em outras palavras, o risco é a probabilidade de algo desfavorável acontecer, em oposição ao objetivo traçado anteriormente, e está geralmente asso- ciado a uma situação em que os resultados futuros são incertos ou imprevisíveis. No contexto empresarial, o risco pode abranger diversas áreas, como riscos financeiros, relacionados a flutuações de mercado, mudanças nas taxas de juros, inadimplência, etc., riscos operacionais, que decorrem de falhas em processos, problemas de logística, riscos estratégicos, como mudanças no mercado, novos competidores, e riscos de conformidade, relacionados ao descumprimento de leis, regulamentos ou normas (TERRIBILLI FILHO, 2021). No contexto de gerenciamento de projetos o Guia PMBOK (PMI, 2013, p.337) ou Project Management Body of Knowledge, em inglê, define o risco como: “ O risco do projeto é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, provocará um efeito positivo ou negativo em um ou mais objetivos do projeto tais como escopo, cronograma, custo e qualidade. Um risco pode ter uma ou mais causas e, se ocorrer, pode ter um ou mais impactos. VAMOS RECORDAR? Vamos aprender um pouco sobre a Lei de Murphy? Um conceito bastante popular, porém, possui uma aplicabilidade latente no nosso cotidiano. Assista ao vídeo e reflita sobre a aplicação da Lei de Murphy no gerenciamento e avaliação de riscos em um projeto empresarial! Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem. 1 1 4 Portanto, no gerenciamento de riscos em projetos, haverá uma possibilidade de um evento incerto acontecer e gerar um impacto positivo como resultado e devido a característica sistêmica de um projeto, o ocorrido em uma etapa do processo gera impacto em outras etapas e no projeto como um todo. Conforme Fernandes e Rabechini (2021) descrevem, os riscos podem ainda ser classificados em: riscos conhecidos e riscos desconhecidos. Todo ris- co possui sua origem em um acontecimento inesperado. Porém, determinadosacontecimentos podem ser identificados e mapeados na etapa de planejamento de um projeto, enquanto outros acontecimentos podem ocorrer de forma ines- perada, impossibilitando sua identificação. O Guia PMBOK (PMI, 2017) ainda descreve o risco individual e um risco geral. Quando analisamos os riscos como incertezas que podem ocorrer e que tragam impacto negativo de acordo com cada etapa ou cada objetivo de um projeto, estamos falando de riscos individuais. O risco geral de um projeto será o conjunto de todos os riscos individuais. A análise do risco geral de um projeto será um importante indicador para saber se o projeto terá boa probabilidade de entregar o resultado planejado. A incerteza fragiliza a confiança de um projeto. Quando buscamos algo novo, sempre ponderamos os riscos envolvidos, pensamos em situações distintas e negativas e analisamos se vale a pena correr o risco. Não é verdade? Imagine que um colega ou parente lhe peça um valor em dinheiro emprestado. Antes de Figura 1 – Tipologia dos riscos / Fonte: Adaptada de Guia PMBOK (PMI, 2017). Descrição da Imagem: diagrama composto pelos elementos: risco, está na coluna esquerda e quatro setas apon- tam para a coluna direita. De cima para baixo, conhecido, desconhecido, individual, geral. Os elementos estão escritos dentro de retângulos com as bordas verdes. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 emprestar você analisará o risco dessa pessoa lhe devolver o dinheiro, se o risco for alto, é natural que você recuse o empréstimo. Assim como, muitas vezes, as pessoas analisam de forma inconsciente, as empresas analisam os riscos de forma consciente e utilizam diferentes níveis de intensidade de riscos para tomar decisões. Retornando ao nosso exemplo, se alguém lhe pede dinheiro emprestado e demonstra um nível baixo de risco, você terá maior probabilidade de conceder o empréstimo, pois terá maior confiança de que receberá este valor de volta. Quando o Guia PMBOK (PMI, 2017) descreve os riscos positivos e negativos em um projeto empresarial, estes são equiparados à ameaça e oportunidade. Os ris- cos negativos apontam as ameaças que uma incerteza pode ocasionar e os riscos positivos apresentam oportunidades. Este tipo de classificação poderá auxiliar as empresas a decidirem quanto ao investimento de recursos. Quando os riscos positivos apresentam uma recompensa maior e superam os riscos negativos, as empresas tendem a seguir em frente no investimento de recursos naquele projeto. Por conseguinte, quando uma pessoa analisa o risco de tomar determinada atitude, ela possui uma certa tolerância ao risco negativo. Se o risco for dema- siadamente alto frente a possibilidade de que um acontecimento negativo possa ocorrer, estará acima do nível de tolerância dessa pessoa. As empresas, da mesma forma, possuem características e níveis de tolerância distintos (PMI, 2017). Uma empresa voltada para inovação tende a ter uma tolerância grande aos riscos, uma vez que tende a buscar novos produtos e serviços que ainda não são ofertados pela concorrência. Outras empresas, como os grandes bancos tendem a ter uma tolerância baixa para riscos, uma vez que trabalha com capital de ter- ceiros para investimento. Jobs (2015) Comentário: Quando pensamos em inovação, a empresa Apple é uma referência. Vamos aprender um pouco mais sobre a história da criação da Apple com Jobs (2015). O filme destaca momentos decisivos na vida de Steve Jobs, criador da Apple, desde o lançamento do primeiro Macintosh, em 1984, e a cria- ção da NeXT Inc, até a introdução revolucionária do iMac e o lançamento do iPod em 2001. INDICAÇÃO DE FILME 1 1 1 Voltemos ao nosso caso de estudo, da Alpha Tecnologia. Quais tipos de riscos são possíveis identificar no desenvolvimento de um novo projeto da empresa? Você classificaria os riscos em alto ou baixo? Vamos entender um pouco mais sobre o projeto da empresa Alpha Tecnologia. O projeto possui como principais objetivos: ■ Desenvolver e lançar um novo aplicativo de jogo eletrônico para dispo- sitivos móveis até o final do ano. ■ Atingir 500.000 downloads do aplicativo nos primeiros seis meses após o lançamento. ■ Alcançar uma taxa de retenção de 40% de usuários ativos após o primeiro ano de uso. Quando identificamos, analisamos e decidimos sobre aceitar ou não os riscos, estamos tomando atitudes de gerenciamento do risco. O gerenciamento de riscos pode ser definido como o processo de identificação, análise, avaliação e trata- mento dessas incertezas com o objetivo de minimizar os impactos negativos e maximizar as oportunidades favoráveis. É uma prática importante para organi- zações, pois permite que elas tomem decisões informadas e estratégicas, visando a proteção dos seus interesses e a promoção da sustentabilidade e sucesso a longo prazo (TERRIBILI FILHO, 2021). VOCÊ SABE RESPONDER? De acordo com estes objetivos, você conseguiria identificar os riscos relacionados a cada um? A análise SWOT é uma ferramenta de gestão estratégica que auxilia as organiza- ções a avaliar sua posição competitiva no mercado. Ela pode ser utilizada também como uma ferramenta de análise de riscos em projetos. Esta análise, amplamente utilizada no marketing, funciona quando refletimos sobre um projeto e buscamos identificar os pontos fortes (Strengths) de um projeto, pontos fracos (Weaknesses) do projeto, as oportunidades (Opportunities) que este projeto proporciona e as ameaças (Threats) referentes aos riscos (Hofrichter, 2017). Essa análise fornece uma visão geral da situação interna e externa de um projeto, aju- dando o gestor a tomar decisões mais informadas e desenvolver estratégias eficazes. APROFUNDANDO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Os elementos que compõem uma análise SWOT, segundo Hofrichter (2017) são: Como realizar a análise SWOT: Reúna informações: colete informações relevantes sobre o projeto e o am- biente externo, por meio de pesquisas, dados financeiros, análise de mercado e feedback das partes interessadas. Identifique os pontos fortes e fracos: liste os atributos internos do projeto que são considerados pontos fortes e fracos. Isso pode ser feito com base em análise interna, entrevistas com a equipe e revisão de processos. Identifique as oportunidades e ameaças: analise o ambiente externo e identifique fatores que podem criar oportunidades ou ameaças para o projeto. PONTOS FORTES (STRENGTHS) Referem-se às características internas do projeto que destacam de forma positiva à realização. Isso pode incluir recursos valiosos, competências distintivas, equipe de pro- jeto, entre outros aspectos positivos. PONTOS FRACOS (WEAKNESSES) São os aspectos internos que representam desafios ou deficiências para o projeto. Identificar pontos fracos é importante para que a organização possa trabalhar em melhorias e corrigir possíveis vulnerabilidades. OPORTUNIDADES (OPPORTUNITIES) São fatores externos ao ambiente da empresa que podem ser explorados a seu favor. Isso inclui tendências do mercado, mudanças regulatórias, novas demandas dos clientes, entre outros aspectos que podem criar oportunidades de crescimento e desenvolvimento. AMEAÇAS (THREATS) São fatores externos que podem representar riscos ou obstáculos para o sucesso do projeto. Isso pode incluir a concorrência acirrada, mudanças na economia, avanços tecnológicos, entre outros elementos que podem impactar negativamente o desem- penho da organização. 1 1 8 Cruze as informações: relacione os pontos fortes com as oportunidades para identificar como o gestor do projeto pode aproveitar as vantagens do projeto para explorar oportunidades. Da mesma forma, relacione os pontos fracos com as ameaças para desenvolver estratégias para mitigar riscos. O GERENCIAMENTO DE RISCOS Considerando que os riscos sempre estarão presentes em um projeto, é possível controlá-los e administrá-los, porém não se pode extingui-los. Por serem incer- tos, haverá sempre uma probabilidade de algo inesperado acontecer.Contudo, com uma boa gestão de riscos em um projeto, é possível determinar como e quando agir na ocorrência do inesperado (FONTE, 2019). Existem ferramentas, etapas e técnicas que ajudam no gerenciamento de pro- jetos empresariais e quando aplicadas, fornecem segurança à equipe de projetos e as pessoas interessadas. Ferramentas e Técnicas O sucesso para um bom gerenciamento de riscos está na coleta de informações. Tudo que for possível conhecer sobre os fatores que influenciam o projeto de uma forma posi- tiva e negativa dará à equipe do projeto maior segurança relacionada ao saber como agir e se precaver de danos quando fatos inesperados acontecerem (MAXIMIANO, 2019). UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Três importantes técnicas apontadas pelo Guia PMBOK (PMI, 2017) para ge- renciar os riscos são: 1. Técnicas Analíticas Técnicas analíticas são empregadas para compreender e definir o contex- to geral do gerenciamento dos riscos do projeto. As técnicas podem ser diferenciadas e adaptadas de acordo com cada projeto. O fator de maior importância é que cada projeto possua uma metodologia que seja possível analisar o nível de exposição a riscos e o nível de tolerância. 2. Opinião Especializada Já diz um provérbio que “...Na multidão de conselhos, não falta conheci- mento.” A opinião especializada é uma técnica que envolve a busca por conselhos, opiniões, consultorias, posicionamento que envolvem vários aspectos de um projeto. A equipe de projetos pode consultar opiniões téc- nicas de especialistas como consultores, associações, instituições de ensino, outros gerentes de projetos com experiência, partes interessadas, etc. 3. Reuniões As reuniões entre a equipe e as partes interessadas são fundamentais para determinar um plano de contingência para ocorrência de fatos inespera- dos. É na reunião em que as informações são compartilhadas e debatidas para aproveitamento das opiniões e visões de cada membro da equipe. Assim, em caso de ocorrências inesperadas, a equipe toda possui uma mesma visão de como agir e do que deve ser feito. 4. Definições de probabilidade e impacto dos riscos A equipe de projetos deve determinar a probabilidade de ocorrência de cada risco e avaliar o impacto que esses riscos terão no projeto, caso se materializem. A ação de calcular não envolve necessariamente cálculos matemáticos, mas a identificação e classificação em níveis de riscos como probabilidade baixa de ocorrência, média e alta. Para cada risco é atri- buído um nível, dessa forma é possível analisar a incidência dos riscos individuais e o risco geral de um projeto. Voltemos ao caso da Alpha Tecnologia, de acordo com os objetivos do proje- to, quais técnicas ferramentas você poderia sugerir? De forma detalhada, seria possível desenvolver um planejamento de gerenciamento de riscos baseado nas técnicas e ferramentas? 1 1 1 Etapas de Gerenciamento de Risco As etapas de um bom gerenciamento de risco vão depender do tamanho e pro- pósito do projeto. Alguns princípios, porém, podem ser aplicados a qualquer projeto como um exemplo de boa prática e método zeloso para identificação, gerenciamento e controle de riscos. Estas etapas podem ser descritas conforme preconizado por Maximiano (2019) e PMI (2017): Identificação de riscos: nesta etapa, a organização busca identificar e listar todos os possíveis riscos que possam afetar seus projetos, operações ou estraté- gias. Isso envolve a análise de diversas fontes de riscos, como riscos financeiros, operacionais, tecnológicos, de mercado, legais, ambientais, entre outros. Para cada característica de um projeto, é possível identificar os riscos envolvidos. Só é possível gerir, se antes, o gestor identificar o risco. Para levantar possíveis riscos em projetos específicos, é recomendado que a equipe de gestão de projetos na empresa consulte diferentes fontes de informa- ções como histórico de projetos parecidos, literatura acadêmica e a opinião de especialistas. Um instrumento bastante útil citado por Maximiano (2019) é o diagrama de Ishikawa, um instrumento de qualidade total que pode ser utilizado com ob- jetivo de identificar possíveis riscos envolvendo um projeto. Tomemos o nosso exemplo do caso de estudo: Figura 2 – Diagrama de Ishikawa. / Fonte: Adaptada de Maximiano (2019). Descrição da Imagem: uma grande seta está na horizontal e centralizada. Linhas, na diagonal, saem dela, sendo duas na parte superior e, duas, na parte inferior. Ela compõem um esquema em que se relaciona os seguintes elementos, da esquerda para direita, na parte superior: Diagnóstico - Diagnóstico incorreto da necessidade do produto; Desenho - Erro no desenvolvimento do Escopo do projeto; abaixo, Implantação - Rejeição dos Clientes; Gerência de Contrato - Atraso na entrega de fornecedores; na ponta da seta, Risco do projeto. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Análise e avaliação de riscos: uma vez identificados, os riscos são analisados para determinar sua probabilidade de ocorrência e o impacto potencial sobre as atividades de desenvolvimento do projeto. A avaliação pode ser qualitativa, usando escalas como alta, média e baixa, ou quantitativa, com valores numéricos. Qualquer projeto que envolva viagens, terá como possíveis riscos atraso no percurso, cancelamento de voos, cancelamento de passagens, e dependendo do modal de transporte escolhido, os riscos serão distintos. Como exemplo, é possível usar uma matriz e atribuir uma nota de 0 a 5 em termos de probabilidade de ocorrência e impacto negativo. Com a matriz feita, é possível analisar quais riscos merecem maior atenção e cuidados. Tratamento de riscos: nesta fase, estratégias de tratamento são desenvolvidas para lidar com os riscos identificados. Existem quatro opções principais de trata- mento de riscos: evitar (eliminar o risco), reduzir (mitigar o impacto do risco), transferir (delegar o risco para outra parte, como um seguro) e aceitar (assumir o risco com plena ciência dos impactos). ■ Eliminar o risco diz respeito à prevenção de que o mesmo ocorra. A partir do momento em que um risco alto é identificado e avaliado é possível que a equipe de projetos elimine o processo que gere esse risco. A exemplo de um projeto que envolva viagem, se o risco de atraso no voo é alto, é possível evitar esse risco mudando o meio de locomoção ou marcando a data com antecedência. Figura 3 – Níveis de riscos / Fonte: Elaborado pelo autor. Descrição da Imagem: ilustração de um semicírculo, dividido em três elementos: baixo (verde); médio (amarelo); alto (vermelho), centralizado abaixo, um ponteiro indica para “médio”. 1 1 1 ■ Reduzir ou mitigar o impacto do risco possui como estratégia adotar outros caminhos para certificar que o risco seja reduzido. Adotando o exemplo de uma viagem, quando nos certificamos por meio de do- cumentos de que uma reserva foi feita, estamos reduzindo o risco de errar o nome do hotel ou de errar o endereço do local e perder tempo procurando. Ações de mitigação de riscos envolvem procedimentos de segurança e redundância. ■ Transferir ou delegar o risco é uma estratégia de transferência de respon- sabilidade onde um outro agente (empresa ou pessoa) assume o impacto negativo em caso de ocorrência. Um exemplo típico disso é um contrato de aluguel no qual um fiador é envolvido. O risco de inadimplência por parte do locatário é transferido para a pessoa do fiador. ■ Assumir o risco é uma ação que envolve bastante incerteza. Embora o risco seja conhecido, nada é feito para tratá-lo. Como exemplo podemos citar um veículo cujo dono não faz o seu seguro contra roubo, mesmo sabendo que mora em uma zona de grande ocorrência de roubos. Perce- ba que mesmo havendo ausência de orçamento, outras ações podem ser tomadas para eliminar, reduzir ou transferir o risco, porém, nada é feito. Implementação de medidas de controle: após a seleção das estratégias de tratamento, a organização implementa as medidas de controle necessárias paralidar com os riscos de forma efetiva. Isso pode incluir a criação de políticas e procedimentos, treinamento da equipe, investimento em tecnologias e sistemas, entre outros. Monitoramento e revisão contínua: o gerenciamento de riscos é um pro- cesso contínuo. As estratégias de tratamento implementadas são monitoradas regularmente para avaliar sua eficácia e verificar se novos riscos surgiram. É ne- cessário revisar periodicamente a lista de riscos identificados e ajustar as medidas de controle conforme necessário. Embora as etapas formem passos distintos, os procedimentos são interdepen- dentes e contínuos. Para cada processo novo ou adesão de objetivo no escopo do projeto, todo o processo é refeito, conforme a Figura 4 demonstra. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Vamos ver quais tipos de riscos a empresa Alpha Tecnologia possui? Após reu- niões e consulta a diversas fontes de informações a equipe de gestão de projeto da empresa chegou à seguinte conclusão quanto aos riscos identificados: Figura 4 – Ciclo das Etapas de Gerenciamento de Risco / Fonte: Adaptado Maximiano (2019). Descrição da Imagem: ilustração do ciclo das etapas de gerenciamento de risco com um diagrama circular dividido em cinco cores. Em sentido horário, em amarelo, Análise e Avaliação de Riscos representado por um globo; em cinza, Tratamento de Riscos, representado por um gráfico; em verde, Implementação de Medidas de Controle, representado por uma cabeça; em laranja, Monitoramento e Revisão Contínua, representado por um olho; em vermelho, Identificação de riscos, representado por uma lupa. CONCORRÊNCIA ACIRRADA O mercado de jogos para dispositivos móveis é altamente competitivo, e a entrada da Alpha Tecnologia pode enfrentar desafios de diferenciação e visibilidade frente a jogos já estabelecidos. ACEITAÇÃO DO MERCADO Pode haver uma incerteza sobre como o público-alvo reagirá ao novo jogo, o que pode impactar negativamente as metas de downloads e retenção de usuários. PROBLEMAS DE DESENVOLVIMENTO Riscos técnicos, como atrasos no desenvolvimento, bugs ou falhas, podem compro- meter o lançamento dentro do prazo estabelecido. 1 1 4 O que pode dar errado? No gerenciamento de riscos de um projeto, diversas situações podem dar errado ou apresentar desafios que dificultam a eficácia do processo. Maximiano (2019) aponta para problemas bastante comuns no gerenciamento de riscos em projetos empresariais como: ■ Projetos sem necessidades ou objetivos bem definidos: um projeto confuso e sem coesão é difícil de executar, desenvolvendo vários riscos desnecessários além dos riscos comuns. Quando a necessidade da criação do projeto não é bem entendida pela equipe que vai planejar. A entrega pode resultar em um produto que não tem relação com a real necessidade. Esta é uma das principais razões para constantes reparações e reanálises de projetos gerando custos orçamentários duplicados. CUSTOS FINANCEIROS A expansão requer um investimento significativo em marketing, desenvolvimento e suporte ao cliente. Se os custos excederem o orçamento, a viabilidade financeira do projeto será afetada. Você consegue identificar outros riscos? Que tal traçar uma estratégia de trata- mento desses riscos para a Alpha Tecnologia? PENSANDO JUNTOS UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 ■ Planejamento de má qualidade: um bom processo e resultado possui como base um planejamento eficiente e eficaz. Estimativas de tempo, recursos humanos e financeiros, delineamento do escopo do projeto são ações de planejamento que merecem toda atenção da equipe de projetos. Quando o planejamento é feito com descaso, pode haver identificação insuficiente de riscos ou avaliação inadequada de riscos. Se a análise de probabilidade e impacto dos riscos não for precisa, a equipe pode prio- rizar erroneamente ou subestimar a gravidade de certos riscos. ■ Comunicação deficiente: se a comunicação entre os membros da equi- pe e partes interessadas for deficiente, informações cruciais sobre riscos podem não ser compartilhadas ou entendidas, resultando em decisões inadequadas. ■ Falta de atualização contínua: o gerenciamento de riscos é um processo contínuo, e caso as avaliações e estratégias não forem atualizadas confor- me o progresso do projeto, novos riscos podem passar despercebidos. Estamos chegando ao fim da nossa jornada, mas antes, vamos conferir que estra- tégia o pessoal da Alpha Tecnologia adotou para gerenciar os riscos? Após identificar os riscos que envolvem o projeto empresarial, a Alpha Tec- nologia adotou a seguinte estratégia como avaliação e gerenciamento de riscos: 1. Análise de mercado: realizar uma análise detalhada do mercado para entender melhor a concorrência e as preferências dos consumidores. Isso ajudará a identificar oportunidades de diferenciação e aprimoramento do aplicativo para atender às necessidades do público-alvo. 2. Pesquisas e testes: antes do lançamento, conduzir pesquisas com usuários em potencial para avaliar a aceitação do aplicativo e obter feedback va- lioso para aprimorar a experiência do usuário. Realizar testes beta com um grupo selecionado de usuários pode ajudar a identificar e corrigir problemas técnicos antes do lançamento oficial. EU INDICO Vamos lembrar alguns conceitos vistos neste Tema de Aprendizagem? Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem. 1 1 1 3. Planejamento financeiro: realizar uma análise detalhada de custos e re- ceitas esperadas para garantir que o projeto seja viável financeiramente. Identificar fontes alternativas de financiamento, se necessário, e definir um orçamento realista para o projeto. 4. Plano de contingência: desenvolver um plano de contingência para cada risco identificado. Isso inclui estratégias para enfrentar a concorrência, alterar o plano de marketing conforme necessário, estabelecer prazos rea- listas para o desenvolvimento e identificar formas de reduzir custos sem comprometer a qualidade. 5. Comunicação com stakeholders: manter uma comunicação clara e re- gular com todas as partes interessadas, incluindo investidores, equipe de desenvolvimento e clientes em potencial. Isso garantirá que todos estejam cientes dos riscos envolvidos e das medidas de mitigação adotadas. Resultados esperados: Com a avaliação e viabilidade dos riscos em projetos empresariais devida- mente realizados, a Alpha Tecnologia terá maior confiança para prosseguir com a expansão de forma informada e estratégica. Ao implementar medidas adequadas de gerenciamento de riscos, a empresa poderá minimizar ameaças potenciais e maximizar as oportunidades, aumentando suas chances de sucesso na entrada do novo mercado com o lançamento bem-sucedido do aplicativo e o alcance das metas estabelecidas. Acesse e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponível no conteúdo digital no ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 NOVOS DESAFIOS Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem! Com um cenário de negócios cada vez mais competitivo e em constante evo- lução, a capacidade de gerenciar riscos de forma eficiente torna-se uma vantagem estratégica essencial para o sucesso das empresas e sucesso em projetos pessoais (SOUZA; SOUZA, 2021). A análise minuciosa dos riscos em projetos empresariais é um processo que envolve a identificação de potenciais ameaças e oportunidades, a avaliação de suas consequências e a implementação de medidas adequadas para lidar com eles. Isso permite que as organizações antecipem possíveis obstáculos e ajam proativamente para minimizar seus efeitos negativos, ao mesmo tempo em que identificam opor- tunidades de crescimento e inovação (PERIDES; VASCONCELLOS, 2020). Sob o aspecto profissional, a avaliação de risco é utilizada por todos, ainda que de forma inconsciente, no cotidiano. Como consequência, a avaliação de riscos possibilita uma tomada de decisão mais informada e estratégica, pois forneceuma visão clara dos fatores que podem influenciar o desempenho do projeto ou da empresa como um todo. Dessa forma, os gestores podem tomar decisões baseadas em dados concretos e evitar decisões impulsivas que poderiam levar a consequências indesejadas. No futuro, a capacidade de avaliar e viabilizar os riscos em projetos empresariais será ainda mais crucial, à medida que o mundo dos negócios se tornar mais complexo e volátil. As empresas que possuírem uma cultura sólida de gerenciamento de riscos estarão melhor preparadas para lidar com mudanças inesperadas, crises e oportunidades emergentes. 1 1 8 1. O gerenciamento de riscos empresariais é um processo fundamental para o sucesso e a sustentabilidade das organizações. O risco de fracasso em um projeto não pode ser des- cartado ou tratado de maneira leviana uma vez que para o desenvolvimento e execução de novos projetos, tempo, recursos financeiros e humanos são utilizados. Conforme o texto base, explique qual é a importância do gerenciamento de riscos e como ele contribui para tomada de decisões empresariais. 2. Em projetos, um risco é um evento incerto ou uma condição que, caso ocorra, pode ter um impacto positivo ou negativo nos objetivos do projeto. Os riscos podem surgir de diversas fontes, como mudanças de requisitos, problemas de recursos, incertezas tecnológicas ou fatores externos. O gerenciamento de riscos é uma parte fundamental do processo de gestão de projetos, onde são identificados, avaliados, monitorados e mitigados os riscos potenciais para minimizar suas consequências indesejadas. Assinale a alternativa correta que aponta a definição de um risco em projetos. a) Um evento incerto que sempre terá um impacto negativo no projeto. b) Uma condição garantida de causar falhas no projeto. c) Um evento incerto que pode ter um impacto positivo ou negativo no projeto. d) Uma situação impossível de ocorrer durante o projeto. e) Uma ação planejada para melhorar o projeto. 3. A análise SWOT é uma ferramenta amplamente utilizada na gestão de projetos para avaliar a situação atual de um projeto, identificando seus pontos fortes (Strengths), pontos fracos (Weaknesses), oportunidades (Opportunities) e ameaças (Threats). Essa análise ajuda a equi- pe de projeto a ter uma visão completa do ambiente em que estão trabalhando, permitindo que tomem decisões mais informadas e desenvolvam estratégias eficazes para o sucesso do projeto. Assinale a alternativa que apresenta qual o objetivo principal da análise SWOT em gestão de projetos. a) Identificar os pontos fortes e fracos apenas. b) Avaliar as ameaças e oportunidades apenas. c) Examinar os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças do projeto. d) Criar estratégias para explorar as oportunidades. e) Minimizar os pontos fracos do projeto. AUTOATIVIDADE 1 1 9 ARRUDA, C. L.; MENCHINI, F.; RUSSO, P. T. Percepção sobre os fatores do gerenciamento de ris- cos corporativos que influenciam o planejamento estratégico. Future studies research journal: trends and strategies, v. 11, n. 2, p. 241-254, 2019. ETAPAS das Gestão de Riscos. [S.l.: s. n.], 2022. 1 vídeo (2 min. 50 s). Publicado pelo canal Mi- nistério da Integração Desenvolvimento Regional. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=ra4z3abv4ZY. Acesso em: 29 set. 2023. FONTE, E. C. D. Gerenciamento de riscos: uma comparação entre o guia PMBOK 6ª edição e a ISO 31000: 2018. Boletim do Gerenciamento, v. 4, n. 4, p. 22-32, 2019. SOUZA, J. T. ; SOUZA, J. A. A ferramenta bow-tie no gerenciamento de riscos em projetos. Revis- ta E-Tech: Tecnologias para Competitividade Industrial-ISSN-1983-1838, v. 14, n. 1, 2021. FERREIRA, A. B. de H. Dicionário da Língua Portuguesa. 5 ed. Rio de Janeiro: Editora Positivo, 2010. FERNANDES, P. J. M. A.; RABECHINI JR, R. O gerenciamento de riscos em projetos gerenciados por abordagens ágeis: uma revisão sistemática da literatura. Gestão e Projetos: GeP, v. 12, n. 1, p. 172-194, 2021. HOFRICHTER, M. Análise SWOT: quando usar e como fazer. Rio Grande do Sul: Simplíssimo, 2017. MAXIMIANO, A. C. A. Fundamentos em gestão de projetos: uma obra essencial para profissionais e estudantes. Gestão e Projetos: GeP, v. 10, n. 2, p. 137-138, 2019. O QUE é a lei de Murphy? - Teoria. [S.l.: s. n.], 2019. 1 vídeo (6 min 50 s). Publicado pelo canal Tro- pia. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9POyC0JrPp4. Acesso em: 29 set. 2023. PERIDES, M. P. N; VASCONCELLOS, E. P. G; VASCONCELLOS, L. A gestão de mudanças em proje- tos de transformação digital: estudo de caso em uma organização financeira. Revista de Gestão e Projetos, v. 11, n. 1, p. 54-73, 2020. PMI - PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Guia PMBOK: um guia para o conjunto de conheci- mentos em gerenciamento de projeto. 5.ed. Pennsylvania: PMI, 2013. PMI - PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Guia PMBOK: um guia para o conjunto de conheci- mentos em gerenciamento de projetos. 7.ed. Pennsylvania: PMI, 2020. TERRIBILLI FILHO, A. Indicadores de gerenciamento de projetos: monitoração contínua. São Paulo: M. Books, 2021. GABARITO 1 1 1 REFERÊNCIAS 1. O gerenciamento de riscos consiste na identificação, avaliação e mitigação de possíveis eventos incertos que possam afetar negativamente os objetivos e metas empresariais. Por meio de uma abordagem estruturada, as empresas podem identificar os riscos potenciais, analisar suas causas e consequências, e implementar estratégias para minimizar seu impacto. O gerenciamento de riscos empresariais permite que as organizações estejam preparadas para enfrentar desafios, tomar decisões informadas e aproveitar oportunidades de forma mais assertiva, contribuindo para o fortalecimento de sua resiliência e a maximização de resultados positivos em um ambiente de negócios em constante mudança e incerteza. 2. Alternativa C. Um risco é um evento incerto que pode ter tanto um impacto positivo (oportunidade) como um impacto negativo (ameaça) nos objetivos do projeto. Os riscos podem ser eventos ou condições que ainda não ocorreram, mas que têm a possibilidade de afetar o projeto, seja de forma benéfica ou adversa. O gerenciamento de riscos busca identificar esses eventos incertos, avaliar suas probabilidades e impactos e desenvolver estratégias para lidar com eles, reduzindo assim o grau de incerteza e seus efeitos potencialmente prejudiciais ao projeto. 3. Alternativa C. A análise SWOT tem como objetivo principal examinar e avaliar todos os aspectos relevantes do projeto, incluindo seus pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças. Ao fazer isso, a equipe de projeto pode ter uma compreensão holística da situação atual do projeto e do ambiente em que está inserido. Isso permite que eles identifiquem os fatores internos que podem afetar o projeto (pontos fortes e fracos) e os fatores externos que podem influenciar o seu sucesso (oportunidades e ameaças). Com essa análise abrangente, a equipe pode desenvolver estratégias eficazes para aproveitar os pontos fortes, superar os pontos fracos, explorar as oportunidades e enfrentar as ameaças, buscando, assim, maximizar as chances de sucesso do projeto. As opções A, B, D e E são incompletas e não refletem o objetivo completo da análise SWOT em gestão de projetos. 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 4