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AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEGURANÇA DO PACIENTE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Prof. Luiz Fernando da Silva 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
SEGURANÇA DO PACIENTE: ASPECTOS FUNDAMENTAIS 
Vamos analisar assuntos relacionados à Segurança do Paciente. Iremos 
abordar os conceitos básicos, os princípios e a trajetória da Segurança do 
Paciente até os dias atuais, bem como as políticas e programas que atuam em 
conjunto para que os objetivos de segurança sejam alcançados. 
O conteúdo abordado irá te apoiar a entender a importância do tema para 
um futuro com mais qualidade nos serviços de saúde e a entender os objetivos e 
princípios que fazem da Segurança do Paciente um tema atual e necessário. 
Além disso, esta etapa busca fomentar discussões sobre o caminhar da 
segurança do paciente em nosso país e estimular o pensamento crítico e reflexivo 
sobre esse tema, levando-nos a reconhecer novos métodos e valores na prática 
cotidiana, culminando no engajamento de novas perspectivas para a segurança 
do paciente no Brasil. 
TEMA 1 – ASPECTOS HISTÓRICOS 
A Segurança do Paciente é definida pela Organização Mundial da Saúde 
(OMS) como uma estrutura de atividades organizadas que cria e estimula 
comportamentos que reduzem riscos, a ocorrência de danos evitáveis, tornam o 
erro menos provável e reduzem seu impacto quando ele ocorre (WHO, 2017). 
Ao longo da história, há várias iniciativas empíricas e discursos que 
refletem a preocupação com a segurança do paciente, nos anos 460 – 377 a.C., 
Hipócrates proferia em seu discurso a ideia de que “primeiramente, o médico não 
deve causar mal ou danos”, já nos anos (1820 – 1910) a enfermeira britânica 
Florence Nightingale promovia ações sanitárias e estimulava mudanças nos 
cuidados prestados aos indivíduos com foco em segurança do paciente e controle 
de microrganismos (Wachter, 2013; Nightingale, 1863). 
Em 1991, um estudo pioneiro foi realizado, denominado Incidence of 
adverse events and negligence in hospitalized patients, e revisou 30 mil 
prontuários de pacientes que receberam alta de hospitais no estado de Nova York. 
Além disso, encontrou eventos adversos em 3,7% dos casos, sendo que 13,6% 
desses eventos levaram o paciente ao óbito (Brennan et al., 1991). 
 
 
3 
Apesar da inserção do tema ao longo da história, o marco de 
reconhecimento da importância da Segurança do Paciente se deu apenas em 
1999, a partir da publicação do relatório to err is human: building a safer health 
system pelo Institute of Medicine (IOM) dos Estados Unidos, onde houve a 
avaliação da incidência de Eventos Adversos em revisões retrospectivas de 
prontuários. 
Figura 1 – Capa do relatório “To err is human: Building a Safer Health System”. 
 
Fonte: WHO. 
O relatório estimou que entre 44.000 e 98.000 americanos morreram por 
consequência de erros médicos e na assistência à saúde. Essa mortalidade 
atribuída aos eventos adversos na assistência à saúde era uma mortalidade (nos 
EUA, na época da publicação) maior que a de acidentes automobilísticos (43.458 
mortes em um ano), câncer de mama (42.297 mortes em um ano) ou Aids (16.516 
mortes em um ano), colocando mortes por erros decorrentes da assistência em 
saúde como oitava causa de mortalidade nos EUA. Além disso, outro dado 
importante levantado foi a estimativa de custos gerados pelos eventos adversos 
 
 
4 
ao longo de um ano nos EUA: U$ 17 a 29 bilhões por ano (Gandhi; Feeley; 
Schummers, 2020). 
Esses dados acenderam um alerta mundial sobre a situação das 
instituições de assistência à saúde e à segurança do paciente e subsidiaram a 
decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) de determinar o tema 
“Segurança do Paciente” como alta prioridade na agenda de seus países 
membros (WHO, 2017). 
Neste período, foram surgindo Institutos e Programas voltados para a 
criação de políticas de Gerenciamento de Risco em Saúde com foco na 
Segurança do Paciente. Nos EUA, a principal empresa de acreditação de 
qualidade hospitalar do mundo – Joint Commission on Accreditation of Healthcare 
Organizations (JCAHO) acrescentou em seu programa a necessidade do 
gerenciamento de risco para melhorar a segurança do paciente (Anvisa, 2014). 
Em 2004, mantendo o objetivo de definir e identificar prioridades na área 
de segurança do paciente em várias partes do mundo, a Organização Mundial da 
Saúde (OMS) criou em 2004 a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente 
(World Alliance for Patient Safety). 
O programa compreende estratégias, diretrizes e metas internacionais que 
visam difundir e garantir, em diferentes países, práticas que possibilitem a 
segurança do paciente (WHO, 2017). Desde então, intervenções eficazes têm 
sido observadas em várias áreas. Nas últimas duas décadas, áreas adicionais de 
risco de segurança estão sendo identificadas, como o atendimento ambulatorial, 
os erros de diagnóstico e o uso incorreto de tecnologia da informação em saúde 
(Bates; Singh, 2018). 
TEMA 2 – PRINCIPAIS CONCEITOS EM SEGURANÇA DO PACIENTE 
Em 2004, ainda com poucas mudanças práticas, a área de Segurança do 
Paciente apresentava dificuldades, principalmente com a falta de consenso sobre 
a definição de erro em saúde e evento adverso. Essa e outras necessidades foram 
atendidas em 2004, quando a OMS criou a Aliança Mundial para a Segurança do 
Paciente. 
Esse programa tinha como um dos principais objetivos organizar os 
conceitos e as definições sobre segurança do paciente e propor medidas para 
reduzir os riscos e mitigar os eventos adversos (WHO, 2017). E assim ocorreu. 
 
 
5 
Nesta ocasião, foi desenvolvida a Classificação Internacional de Segurança do 
Paciente (International Classification for Patient Safety – ICPS). 
Descrevemos, a seguir, alguns dos mais importantes conceitos-chave da 
Classificação Internacional de Segurança do Paciente. 
• Ação de melhoria: uma ação realizada ou circunstâncias alteradas para 
melhorar ou compensar qualquer dano após um incidente. 
• Detecção: uma ação ou circunstância que resulte na descoberta de um 
incidente. 
• Erro: falha em realizar uma ação planejada conforme pretendida ou 
aplicação de um plano incorreto. 
• Evento: algo que acontece com o paciente ou que o envolve. 
• Evento adverso: um incidente que resulta em dano evitável a um paciente. 
• Evento sentinela: uma ocorrência inesperada envolvendo morte ou grave 
lesão física ou psicológica, ou o risco de que ela venha a ocorrer. Lesões 
graves incluem especificamente a perda de um membro ou função. A 
expressão “ou o risco de que ela venha a ocorrer” inclui qualquer variação 
de processo para a qual uma recorrência acarretaria uma possibilidade 
significativa de resultado adverso grave. 
• Fator atenuante (“mitigating factor”): uma ação ou circunstância que 
impede ou diminui a progressão de um incidente que causa danos a um 
paciente. 
• Fator contribuinte: uma circunstância, ação ou influência que se acredita 
ter desempenhado um papel na origem ou no desenvolvimento de um 
incidente ou para aumentar o risco de um incidente. 
• Incidente: qualquer desvio do cuidado médico usual que cause lesão ao 
paciente ou represente um risco de dano, incluindo erros, eventos adversos 
evitáveis e perigos. 
• Perigo: uma circunstância, agente ou ação com potencial para causar 
dano. 
• Quase evento (“near miss”): um incidente que não atingiu o paciente. 
• Tipo de incidente: um termo descritivo de uma categoria composta por 
incidentes com uma natureza em comum, agrupados por apresentarem 
características compartilhadas, em concordância. 
 
 
6 
• Reação adversa: dano inesperado e inevitável resultante de uma ação 
justificada em que foi seguido o processo correto para o contexto em que 
o evento ocorreu. 
• Segurança do paciente: uma estrutura de atividades organizadas que cria 
culturas, processose procedimentos, comportamentos, tecnologias e 
ambientes nos cuidados da saúde que, de forma consistente e sustentável, 
diminua riscos, reduza a ocorrência de danos evitáveis, diminua a 
probabilidade de erro e reduza o seu impacto quando o erro ocorrer. 
Entender o significado dos conceitos descritos irá te apoiar no 
entendimento de muitos processos da área de segurança do paciente. Revise-os 
sempre que possível. 
TEMA 3 – SEGURANÇA DO PACIENTE: UMA ESTRATÉGIA MUNDIAL 
A criação da Aliança Mundial para a Segurança do Paciente foi 
demonstrando, ao longo dos anos, sua importância para a expansão do tema 
Segurança do Paciente em âmbito mundial. Em 2005, foram identificadas seis 
áreas de atuação que precisavam de atenção, são elas: envolvimento do paciente, 
desenvolvimento de uma taxonomia de segurança do paciente, pesquisa em 
segurança do paciente, soluções para reduzir o risco dos cuidados de saúde e 
melhorar a segurança, relatórios e aprendizado para melhorar a segurança do 
paciente, Governança e suporte aos programas (WHO,2017). 
A área de atuação " Soluções para reduzir o risco dos cuidados de saúde 
e melhorar a segurança” tem o objetivo de garantir que as intervenções e ações 
de resolução de problemas de segurança do paciente em uma área sejam 
amplamente disponibilizadas de forma acessível para ser replicada em outros 
territórios. Para que o objetivo fosse alcançado, em 2006 foram lançadas as Metas 
Internacionais de Segurança do Paciente: 
 
 
7 
 
Fonte: Anvisa. 
• Meta 1 – Identificar os pacientes corretamente 
É importante que durante todas as fases do tratamento e durante qualquer 
procedimento o paciente esteja devidamente identificado. Falhas nesse processo 
podem causar erros graves como a administração de medicamentos e cirurgias 
em "pacientes errados”. 
• Meta 2 – Melhorar a efetividade da comunicação entre profissionais 
da assistência 
Uma das principais causas de evento adverso é a comunicação que está 
ligada a até 70% dos problemas no ambiente hospitalar. É preciso garantir que 
 
 
8 
nenhum dado ou informações sejam trocadas ou perdidas durante a prestação da 
assistência. 
• Meta 3 – Melhorar a segurança de medicações 
É muito importante prevenir erros nas medicações e nas prescrições, bem 
como utilizá-las de maneira segura. A preocupação não se concentra somente em 
medicamentos como psicotrópicos ou quimioterápicos; soluções de eletrólitos em 
altas concentrações para uso endovenoso também são potencialmente perigosas. 
• Meta 4 – Assegurar cirurgias com local de intervenção correto, 
procedimento correto e paciente correto 
Busca aperfeiçoar a comunicação entre os profissionais envolvidos no 
processo; assegurar a inclusão do paciente na marcação do local da intervenção; 
garantir cirurgias e procedimentos invasivos no local de intervenção correto, 
procedimento correto no paciente correto. 
• Meta 5 – Reduzir o risco de infecções associadas aos cuidados de 
saúde 
Promover a prevenção e controle das infecções em todas as unidades de 
atendimento a pacientes, por meio de um programa efetivo, com ênfase na 
importância da prática da higienização das mãos. 
• Meta 6 – Reduzir o risco de lesões aos pacientes, decorrentes de 
quedas 
Elaborar, implementar e monitorar ações preventivas para reduzir lesões 
decorrentes de quedas. Outro caminho para encontrar soluções para reduzir o 
risco nos cuidados de saúde é permitir que os países e as pessoas que 
administram seus serviços de saúde compreendam o estado atual das estruturas, 
políticas e atividades de segurança do paciente dentro de seu sistema de saúde 
(WHO, 2017). 
TEMA 4 – SEGURANÇA DO PACIENTE NO BRASIL 
Ainda que, antes da expansão dos programas de segurança do paciente 
pelo mundo, no Brasil não tivesse nenhuma iniciativa oficial na área, algumas 
 
 
9 
organizações de saúde já colocavam em prática medidas de promoção da 
segurança do paciente. Internamente, houve uma contribuição muito importante 
da avaliação externa para a segurança do paciente. 
A iniciativa do poder público de inspeção e licença sanitária abrangente de 
estabelecimentos de saúde são importantes estratégias de melhoria da qualidade. 
A vigilância sanitária, desde sua criação, sempre foi um ator muito importante 
nesse aspecto, sendo uma importante tecnologia de verificação das condições de 
funcionamento dos estabelecimentos de saúde e controle sobre todos produtos e 
insumos utilizados no cuidado à saúde, à medida que estes estão disponíveis para 
o uso nos pacientes (Anvisa, 2014; Santana, 2020). 
Esses trabalhos de vigilância possibilitam a verificação, in loco, das 
situações e se apoiam na identificação de potenciais fontes de danos, além de 
induzir e tornar comum uma prática de observação sistemática, orientada por 
conhecimentos técnico-científicos, destinada a examinar a conformidade com 
padrões e os requisitos que visam à proteção da saúde individual e coletiva. 
Nesse contexto, as não conformidades encontradas nas inspeções 
reorientam o planejamento e as condutas dos estabelecimentos de saúde e 
constituem uma oportunidade de implementação de medidas de melhoria da 
qualidade e da segurança do paciente. Entre essas medidas inclui-se a adoção 
da rotina de realização de auditorias internas periódicas (Santana, 2020). 
A partir de 2004, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) 
incorporou ao seu escopo de atuação as ações previstas na Aliança Mundial para 
a Segurança do Paciente, da Organização Mundial de Saúde, da qual o Brasil faz 
parte. Desde então, a Agência vem intensificando suas atividades no campo de 
serviços de saúde em parceria com o Ministério da Saúde, a Organização Pan-
Americana da Saúde e demais entes do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. 
Em paralelo, ao redor do mundo, a gestão de riscos e a melhoria nos 
cuidados e na qualidade passavam a ter esforços conjuntos dentro das 
organizações de saúde, perseguindo a segurança do paciente. Fortaleceram-se o 
cuidado ao paciente e as práticas de vigilância e monitoramento como 
componentes indissociáveis das discussões sobre o ambiente, as práticas e o uso 
das tecnologias em saúde, já historicamente presentes no contexto da vigilância 
sanitária (Madeira, 2014; Santana, 2020). 
Com o objetivo de preparar uma proposta nacional para a segurança do 
paciente e se ajustar às propostas da OMS, em 2007, a ANVISA realizou a oficina 
 
 
10 
"Segurança do Paciente: Um Desafio Global". Essa iniciativa deu espaço às 
discussões e sugestões que possibilitaram a construção e a adaptação cultural de 
um projeto nacional para a melhoria de segurança do paciente nas instituições de 
saúde brasileiras (Anvisa, 2014). 
Anos depois, em 2011, foi aprovada a RDC n. 63 que determina requisitos 
de boas práticas para os serviços de saúde, a partir de estratégias e ações como 
a higienização das mãos, ações de prevenção e controle dos eventos adversos 
relacionados a saúde, orientações para a administração segura de medicamentos, 
hemocomponentes e sangue, mecanismos para a prevenção de quedas e lesão 
por pressão dos pacientes, mecanismos para garantir a segurança cirúrgica e 
orientações a fim de fazer com que os pacientes participem da assistência 
prestada (Anvisa, 2014). 
O Programa Nacional de Segurança do Paciente, instituído no Brasil pela 
Portaria GM n. 529, de 1 de abril de 2013, as diretrizes de organização do modelo 
de assistência em Redes de Atenção, a publicação da Política nacional de 
Atenção Hospitalar e, ainda, aprovada a RDC n. 36 que institui ações para a 
segurança do paciente em serviços de saúde, demonstram o comprometimento 
governamental com o tema (Anvisa, 2014). 
TEMA 5 – DESAFIOS DO PROGRAMA NACIONAL DE SEGURANÇA DO 
PACIENTE BRASILEIRO 
O cuidado de saúde atingiu um grau de complexidade que não deixa mais 
espaço para uma gestão de saúde não profissional. As irregularidades dos 
estabelecimentosde saúde que eram inadequadamente gerenciados e a 
necessidade de lidar profissionalmente com organizações que funcionavam em 
condições de alto risco provocaram momentos de fragilidade cada vez mais 
frequentes. 
Apesar dos avanços conquistados nos anos de existência do SUS, era 
preciso reconhecer que existiam problemas, em especial na qualidade dos 
cuidados oferecidos. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde instituiu o 
Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) por meio da Portaria 
MS/GM n. 529, de 1° de abril de 2013, com o objetivo geral de contribuir para a 
qualificação do cuidado em saúde, em todos os estabelecimentos de Saúde do 
território nacional, públicos e privados, de acordo com a prioridade dada à 
 
 
11 
segurança do paciente em estabelecimentos de saúde na agenda política dos 
estados-membros da OMS e na resolução aprovada durante a 57ª Assembleia 
Mundial da Saúde) (WHO,2017). 
O maior desafio do sistema de saúde está nos estabelecimentos de saúde, 
principalmente nos hospitais das grandes metrópoles que não comportam a 
demanda e hospitais de pequeno porte com baixa taxa e ocupação (Anvisa, 2014). 
O PNSP não pode ser visto como a única medida capaz de mudar esse 
quadro. Ele é apenas um dos inúmeros programas e iniciativas de saúde que 
visam aprimorar a segurança do paciente nos serviços de saúde. É importante 
que toda a comunidade envolvida na segurança do paciente – desde profissionais 
da área da saúde, gestores, líderes, pacientes e familiares até os responsáveis 
por regulação e financiamento – trabalhem em conjunto para garantir que as 
medidas necessárias sejam implementadas e que as melhores práticas sejam 
adotadas (Anvisa, 2014). 
Outras iniciativas para o aumento da segurança do paciente em serviços 
de saúde, incluem: 
• estabelecimento de diretrizes para a segurança do paciente; 
• monitoramento contínuo das práticas de segurança; 
• treinamento dos profissionais de saúde; 
• estabelecimento de mecanismos de reporte de erros e incidentes; 
• implementação de medidas de controle de infecção; 
• estabelecimento de protocolos de segurança; 
• promoção de boas práticas de saúde; 
• estabelecimento de sistemas de gestão de qualidade; e 
• fornecimento de informação e educação aos pacientes. 
O PNSP é apenas um dos passos importantes na direção de um sistema 
de saúde mais seguro. É necessário o compromisso de todos os envolvidos para 
garantir que as melhores práticas sejam implementadas e que os resultados 
sejam avaliados, a fim de melhorar continuamente a qualidade dos serviços de 
saúde prestados. 
Para que isso ocorra, suas ações devem se articular aos esforços de 
políticas de saúde que objetivam desenvolver: linhas de cuidado em redes de 
atenção; ações organizadas conforme contratos por região; reorientação do 
 
 
12 
sistema, a partir da atenção básica; ações reguladas e melhoria do financiamento 
da saúde (Antunes, 2022). 
Ainda que o PNSP tenha suas fragilidades, ele também pode ter uma 
função impulsionadora de várias outras políticas e pode promover o protagonismo 
dos profissionais e das equipes nos processos de qualificação do cuidado (Anvisa, 
2014). 
Alguns princípios devem ser observados para que o PNSP alcance, com 
sucesso, os objetivos desejados: 
• comprometimento dos dirigentes e gestores do SUS; 
• governança plural, ampla com participação dos atores com acúmulos, 
aportes e responsabilidades com a qualidade e segurança do cuidado; 
• coordenação gestora e executiva do programa, com disponibilidade, 
apoiada por uma estrutura, cujos recursos sejam compatíveis com a 
dimensão e a complexidade da implementação de um programa dessa 
envergadura; e 
• ação de comunicação social ampla para que a busca pela segurança do 
paciente passe a ser de domínio público. 
Outros programas e políticas do Ministério da Saúde, em parceria com os 
estados e munícipios, contribuem com o PNSP e merecem destaque: 
5.1 Programa hospital sentinela 
Programa desenvolvido pela Anvisa com o objetivo incentivar os hospitais 
a adotar medidas para garantir a qualidade da assistência aos pacientes e evitar 
complicações, infecções e erros médicos, promovendo, assim, a segurança do 
paciente. O programa visa a implementação de um sistema de vigilância 
permanente para acompanhar e monitorar a qualidade da assistência prestada. 
Para isso, os hospitais participantes devem atender aos seguintes critérios: 
1. Possuir um Plano de Gestão da Qualidade, que inclua ações para a 
melhoria contínua da qualidade da assistência. 
2. Utilizar sistemas de monitoramento da qualidade, como indicadores, 
auditorias internas, entrevistas com pacientes, registros de incidentes e 
outros. 
3. Ser avaliado, periodicamente, pelo sistema de avaliação da Anvisa. 
 
 
13 
4. Participar das atividades de educação continuada para os profissionais da 
saúde, bem como de atividades de prevenção e controle de infecções 
relacionadas à assistência. 
5. Participar de pesquisas que visem a melhoria contínua da qualidade da 
assistência. 
6. Atender às normas da Anvisa para a qualidade da assistência. 
5.2 Programa Nacional de Avaliação de Serviços de Saúde (PNASS) 
O programa foi criado em 2017 com o objetivo de melhorar a qualidade da 
assistência de saúde e a eficiência dos serviços de saúde no Brasil. O PNASS foi 
desenvolvido pela Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, com 
recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e é financiado pelo governo federal, 
bem como por instituições de saúde e outras entidades. O PNASS realiza 
avaliações regulares dos serviços de saúde e oferece recomendações para 
melhorar a qualidade e a eficiência dos serviços. Além disso, ele também oferece 
orientação técnica para as instituições de saúde. 
O PNASS usa três principais mecanismos para avaliar os serviços de 
saúde: 
1. Avaliação dos serviços, que inclui avaliações de desempenho de serviços, 
processos e qualidade dos cuidados prestados. 
2. Comunicação com os usuários e que inclui estratégias de envolvimento dos 
usuários. 
3. Monitoramento dos resultados. 
O PNASS tem os seguintes princípios. 
• Foco em Resultados: o PNASS enfatiza a avaliação dos resultados dos 
serviços de saúde para a saúde da população. 
• Abordagem Multidisciplinar: o PNASS usa uma abordagem 
multidisciplinar para garantir que as avaliações abranjam todos os aspectos 
dos serviços de saúde. 
• Participação Pública: o PNASS permite a participação do público na 
avaliação dos serviços de saúde, para que a população possa avaliar os 
serviços que estão recebendo. 
 
 
14 
• Transparência: o PNASS garante que os resultados das avaliações sejam 
divulgados publicamente, para que todos possam ver como os serviços de 
saúde estão sendo avaliados. 
• Responsabilidade: o PNASS estabelece um sistema de responsabilidade 
para os serviços de saúde e as organizações responsáveis, para que 
possam responder por seus resultados. 
5.3 Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único 
de Saúde (Proadi-SUS) 
É um programa que visa fortalecer e modernizar o sistema público de 
saúde. Foi criado em 2008 para dar apoio técnico e financeiro às instituições 
públicas de saúde que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de 
melhorar a qualidade e a cobertura dos serviços de saúde. 
O programa é gerido pelo Ministério da Saúde e prevê recursos para a 
construção e a ampliação de unidades de saúde e para a compra de 
equipamentos e insumos. Também oferece treinamento técnico e administrativo 
para trabalhadores e gestores de saúde. Os objetivos do programa são reduzir a 
desigualdade no acesso aos serviços de saúde, reduzir a fragmentação dos 
serviços e aumentar a eficiência e eficácia do sistema de saúde. 
5.4 Princípios do Proadi-SUS 
1. Proporcionar acesso à assistência médica de qualidade a todos os 
cidadãos brasileiros, independentemente de sua condição 
socioeconômica.2. Melhorar o acesso aos cuidados de saúde primários, uma vez que são 
essenciais para melhorar a saúde da população e reduzir os custos do 
tratamento a longo prazo. 
3. Estabelecer um sistema de financiamento equitativo para garantir que os 
recursos sejam distribuídos de forma justa entre todos os cidadãos. 
4. Desenvolver um sistema de prestação de serviços com base na qualidade 
e supervisão eficaz para garantir cuidados de saúde de qualidade. 
5. Promover políticas que estimulem a educação e promovam a prevenção de 
doenças. 
 
 
15 
6. Promover a participação cidadã na formulação, implementação e avaliação 
das políticas de saúde. 
7. Estabelecer um sistema de informação que facilite o processamento de 
dados, avaliação e análise dos resultados do sistema. 
8. Estabelecer uma estrutura de gestão para garantir a integridade e eficiência 
do sistema. 
9. Estabelecer um marco regulatório para garantir a segurança e o bem-estar 
de todos os usuários do sistema. 
5.5 Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social em Saúde 
(Cebas-Saúde) 
O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social na Área de 
Saúde (CEBAS) é um documento emitido pelo Ministério da Saúde e que atesta 
a qualificação de uma entidade para prestar serviços de assistência na área da 
saúde. O certificado reconhece que a entidade possui um conjunto de princípios 
e diretrizes que a qualificam para oferecer serviços de saúde de qualidade aos 
usuários. 
Os princípios do CEBAS visam promover um acesso igualitário e universal 
aos serviços de saúde e, ao mesmo tempo, incentivar a melhoria da qualidade 
desses serviços. Além disso, o certificado procura garantir que as entidades 
beneficentes de assistência social na área da saúde sejam responsáveis pelos 
serviços que oferecem, assegurando que os usuários recebam tratamento 
adequado e que sejam respeitados os seus direitos e necessidades. 
5.6 Projeto de Formação e Melhoria da Qualidade da Rede de Atenção à 
Saúde (QualiSUS-Rede) 
É um sistema de informação e monitoramento que auxilia na 
implementação da Política de Atenção Básica no Sistema Único de Saúde (SUS) 
e na gestão das ações e serviços de saúde nos municípios brasileiros. O sistema 
é desenvolvido pelo Ministério da Saúde (MS) e é uma plataforma de informações 
que possibilita aos gestores municipais acessar, analisar e compartilhar dados 
sobre os serviços de saúde oferecidos pelo município, possibilitando a realização 
de avaliações, por meio de indicadores relacionados à qualidade da atenção 
básica. 
 
 
16 
O QualiSUS-Rede também oferece aos gestores das unidades de saúde a 
possibilidade de realizar a gestão do processo de trabalho, a partir de informações 
de qualidade. O sistema foi desenvolvido com o objetivo de contribuir para o 
aprimoramento da qualidade da atenção básica oferecida pelo SUS. 
5.7 Política Nacional de Humanização (PNH) 
A Política Nacional de Humanização (PNH) foi instituída pela Portaria n. 
2.436, de 28 de outubro de 2011, e tem o objetivo de melhorar a experiência do 
paciente, promovendo maior segurança e humanização no cuidado em saúde. 
A PNH estabelece diretrizes que visam à melhoria da qualidade dos 
serviços de saúde oferecidos à população brasileira. 
A PNH tem como principais diretrizes: 
• respeito à integralidade do cuidado; 
• empoderamento do usuário; 
• a participação dos trabalhadores da saúde; 
• construção de vínculos interpessoais; 
• promoção da saúde; 
• humanização dos serviços de saúde; e 
• a valorização dos profissionais de saúde. 
A PNH também estabelece diretrizes para a gestão dos serviços de saúde, 
incluindo a reformulação dos processos de trabalho, o aprimoramento dos 
equipamentos e a implementação de programas de avaliação e controle de 
qualidade. A Política Nacional de Humanização também procura promover a 
formação dos profissionais de saúde, a qualificação dos serviços e a construção 
de vínculos interpessoais entre usuários e profissionais. 
A PNH também visa a garantia de direitos fundamentais dos usuários do 
SUS, como o direito à informação, à participação e à autonomia no processo de 
cuidado. Além disso, a PNH busca a promoção da equidade, a integralidade e a 
equidade no acesso aos serviços de saúde. 
 
 
 
 
 
 
17 
5.8 Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP) 
A Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP) foi criada para 
estabelecer diretrizes nacionais para a qualidade e segurança nos serviços de 
saúde hospitalar em todo o país. 
Tem como objetivo garantir que os serviços de saúde hospitalares sejam 
prestados com qualidade, segurança e eficiência e de forma a garantir a saúde 
dos usuários do serviço. E estabelece os princípios e diretrizes para as ações de 
vigilância, promoção, prevenção e recuperação da saúde, assim como a 
regulação da atividade hospitalar. Além disso, a PNHOSP estabelece as regras 
de regulação dos serviços de saúde hospitalares e os direitos dos utentes do serviço. 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
ANTUNES, C. T. et al. O programa nacional de segurança do paciente brasileiro 
privilegia os direitos do paciente?. Cadernos Ibero-Americanos De Direito 
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