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GUANABARA~ KOOGAN
Fundamentos de Odontologia
Estomatologia
EDITOR
Gilberto Marcucci
ProfessorTitu]ar da D isciplina de Semiologia do
Departamento de Escom.atologia da Faculdade de
Odontologia da Universidade de São Paulo
COOIUJENADOR DA SÉRlE
Oswaldo Crivello Junior
Professor do Departamento de Címrgia, Prótese e
Traumatologia Maxi.lofaetais da
Faculdade de Odontologia da Univemdade de São Paulo
GUANABARA!!!;KOOGAN
NO'L\ DA WlTORA: A área da saúde ê um campo cm conr-umte mudança. As normll.\ <lc
segurança p:tdroniz.ndlls precisam ser obedecidos; contudo, à medida que as aOVII..'- pcsqw~s
ampliwn no~,11~ conhccrrnentos. tomam-se occcssánas e adequadas modificações leraf)Eu·
ticas e medtcnmcntosas. O editor e os autores d~ui obra verificaram cuidodos.uneote o:.
nome.-. gcnéricO'i e comerciais dos medicamentos mencionados, bem como conferiram o,
dado:. referento à po,ologia, de modo que llS informações fo sem acuradas e de acordo com
oi. pudruci. accuos por ocasião da publicação. Todavia, os leitores devem prestar atenção
às mforrnuçõcs fomeciclns pelos fahricantes, 11 fim de se certificarem de que as doses pn::·
conizadas ou as contra-indicações não :.ofrernm modificações. Isso é importante, sobretudo
cm relação a substâncias novas ou prescritas com pouca freqüência. O editor, os auto~ e
a editora não podem ser responsabili,.adoi. pelo uso impróprio ou pela aplicação incorreta
do produto apre,entado ne<tta obra.
No intcn:,"4: de difü,.ãoda cullma e do conhecimento, o edítor, os autores e a editora envidaram o
máximo e~forço para lucafü.ar os detentores dos di~ito<; autorais de qualquer material
uulizado, dispondo-se a possíveis acenos posteriores caso, inadvemdamenre. a 1denúficação
de algum ddes tenha sido omitida.
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDfCATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS. RJ.
E.84
Eqmna1olog.aa
I editor Gilberto Marcucci : coordenador da ,érie Oswaldo CnveUo Jumor. • Rto de
Janeiro . Guanobarn Koogan. 2005
il. - (Fundamentos de odontologia) BIBLIOTECA
lnclui hiblaogrnfia
ISDN 85-277-1046-3
1. Estomatologia. 2. Boca - Doenças
1. Marcuccl, Gilberto, 1936-. n. Série.
05-970.
30.03.05 01.04.05
CDD616.3 1
CDU6l6.3 1
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Rio de fancaro. RJ - CEP 20040-040
Tcl.: 21-3970-9480
Fax: 21- 2221-3202
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ou reprodução deste volume, no todo ou cm po:n.e.
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Fom: LIVROTEC J Q
NF: 255 fJ
Valor. 63.80
Data: 23/03/07
Da11tc Antôt1lo Migliarí
Prof. L1vrc- Docence da Disaphna de Sem1ologia do
Oepa.rumeoto de Estomatologu da Faculdade de- Odontologia
da Uruvcrsid..lJI.' de São Paulo
Esther Goldenbug Birman
Pmf.ªT1tul.u da Disciplina de Senuologia do Deparwnento de
Euom:1tolog1a da Faculdade de Odontologu da Umversidade
de ~ão Paulo
Fer11a11do Ricardo Xavier da Sífoeira
Prof. Livre-Docente da Di~ciplina de Sem.iologia do
Dt!partamento de Estomatologia da Faculdade de Odontologia
da Uruvcn,dade de São Paulo
Geraldo Gomes dos Sanú>s
Prof. Dr. da Dimplina de Scrruologia do Departamento de
EsconucoJogia da Faculdade de Odontologia da Umversidade
de ~ão Paulo
Gilberto Marc,icci
Prof. T itular da Oasciphna de Scmiolog1a do Departamento de
faLOmalología da Faculdade de Odontolog1a da Umversidade
de São Paulo
na,, Wtitifeld
Prof. Dr da Oiq:1phna de Serruologu do Depare.amemo de
Estonutologia da Faculdade dt- Odontologia ela Unwcrndadc
de São Paulo
Jayro Guimarães Jr.
Prof. Dr. da Disciplina de Semiologia do Dcpartan11:11lo de
Estomatologu da Faculdade de Odontologia <la Univenülade
de São Paulo
Norberto Nob110 S11gaya
Prof. Dr da Disciplina de Scmiologia Jo DcparWllicuLo de
Est01ru1tol~a da Faculdade de Odontolog1a da Umversidade
de São Paulo
Sérgio Spinelli Silva
Prof. Or. da 01mplina de Sem10log1a do Deparumenro de
Estomatologia eh Faculdade de Odoncologta da Uruverndade
de São Paulo
Os aurores desejam expressar seus agradecimentos
Ao Sr. Ramilson Almeida, Agente Literário,
pela oportunidade para a materialização do presente li"To,
bem como pelo esómulo constante, durante o seu desenvolvimento.
À Sra. lracema Mascarenhas Pires e ao Mestre CD Sílvio Kenji Hirota.
pela colaboração na redação dos origmais.
Aos pacientes, que nos permitiram exercer nossa inclinação
para ajudar o próximo. com os quais muito aprendemos.
A proposta de reunir importantes profissionais para de
senvolver temas de suas especialidades expondo os pnn
cipais conceitos ministrados em um curso de graduação
em Odontologia foi um desafio apaixonante, motivador e
árduo. Torná- la real, wna tarefa das mais complexas, pois
diferences obstáculos surgiram e precisaram ser resolvidos.
As dificuldades não foram poucas, mas em nenhum mo
mento transformaran1-se en1 n1otivo para impedir a con
ánua busca deste ideal.
Os autores desta Série, F1111dmne11tos de Odo11tologia, são
todos docentes da Universidade de São Paulo, altamente
capacitados em suas rarefas de ensino e pesquisa em suas re
spectivas áreas. Profissionais que se dedicam ao nobre oficio
de preparar as futuras gerações de Cirurgiões-Dentistas para
o nosso país e de melhorar os indicadores da saúde bucal
da população brasileira. Os conceitos aqui apresentados re
fletem filosofias desenvolvidas através de anos de fruáfera e
inesgotável dedicação ao ideal desta Universidade, que é a
geração de conhecimentos.
Os alunos de graduação, a quem sobretudo dedicamos
estes livros, deverão encontrar em suas páginas a informação
fundamental para que possam adquuir os alicerces imc1ais
da profissão que optaram por exercer. Não obstante, o pro-
fissional formado poderá rever conceicos imporranres para
a sua atividade clinica.
Nenhuma obra é feita sozinha e nunca estará ddirúuva
meme acabada. O conánuo cui<lado cm atua.luar as mfor
mações aqui contidas é uma importante característica desta
Série. Não podemos e~quecer que oucros colegas colabo
raram com a confecção dos diferentes capíntlos e livros
que a compõem; todos vinculados a esca Universidade, se
jam como ex-professores ou pós-gra<luados. A rodos, meu
agradecimento pela confiança nesta idéia e minha gratidão.
Agradecimentos especiais ao Prof. Dr. Edmir M_atson, o
primc:iro a acreditar e: a incentivar a criação desta coletánea.
e ao Sr. Ramilson Almeida, da Editora Guanabara Kooga.n,
pela paciência em compreender as dificuldades encontradas
e a cerceza de que iríamos superá-las.
Desejamos para aqueles que forem utilizar estes livros que
possam adquirir informações que venham a enriqLtecer seus
conhecimentos com alicerces científicos sólidos para a boa
prática odontológica.
Prof. Dr. Oswaldo Crivdlo Jurúor
Coordenador da Série
Fundamentos de Otlontolo.!!Ía
.Prefárno - --- --- -- - - - - -~--- -
Toda prática clinica fundamcnta-.,e no d1agnósáco. A
melhor forma de se conceituar diagnóst..ico é como: "O
JUÍZO de um profissional a respeito do t!'itado de saúde de
uma pessoat' Para que esse ':iuízo" seja alcançado, há uma
$ér 1e de pa.c.sos a serem seguidos. o~ qum comtiruem o pro
caso diagnóstico. Esse procc:sso envolve: conheomentos.
lubiliJad1.-s práticas e antudes. Para os estudantes de hrradu
ação e para os jovens profissionais. conduzir ôse processo
lorna-se frequentemente cti6cil, canto pela sua complexidade
e diver;idade de siruações md1V1dua1~ quanto pda ansiedade
que normalmente envolve os pnmciros contatos entre pro
fi~~ional/aluno e pacientes.
fate texto vem preencher um.a lacuna, pois é dedicado
pnmanamente ao aluno de graduação. Ele contém não so
mente conheomentos específicos da área de futomarologia.
mas também di~e.com propriedade e cm considerável ex
temão. o processo diagnó)áco, dedicando-se inclusive a entrar
em decalhes aoruclinais na relação profü.s1onal/ pacience.
Q,; rapítulm que tratam dac; docnça!i da boca o fazem
a parrir de uma abordagem clínica. Depois de uma dis
cussão a respeito das lesões fundamentais, as doenças são
estudadas por upo de lesão. Essa é uma abordagem dificil.
pelo fato de que algumas doenças aprc~entam tantas carac
terimca\ clímca:. que poderiam ser incluídas em mais de
uma categoria Por esu razão, os autore.. áveram que op
tar por di~cuór algumas doença) no capítulo em que fo!'>
scm mais adequadamente enquadradas. Ao escolherem que
condi(Õcs clíruca.s deveriam abordar, u~aram o critério d.a
m:uor prevalência, e, embora mencionem outra.~ condições
no d1agnú!>oco diferencial, são discutidas as doenças mais
importantes por causa de sua freqi.iêncaa de ocorrência. Os
e:-:ame~ complementares ~o objeto de d.Jscussão. e o leitor é
apresentado ao:, c..xamó mais comumente usados na prática
esromatolóh11ca. Temas tmporcanccs, como a b10,,;egurança
na Odontologia. recebem também atenção, ,cndo a esse as-
sunto dedi1.ado todo um capítulo. Outro capitulo é dedicado
ao atenduncnco a mctiv1duos que se submetem a radio- e/ ou
quimioterapia, reconhecendo o fato de que cada vez mais o
C1rurgião-Oenti.sta vê-<ie ,;olicimdo a prestar acendimento a
paaences com nece,sidadc:s éSpecia1s, por lorp de e,;tarcm
medicamente compromeodos. Acn:d1tamo:> qm:,t.·m cd1çõt..~
subseqúent~ desta obra, e,;~ ~ão pos,a ,er expandida ou
desdobrada, em face da enorn:údade de situações em que
condições ~1stêm1c.as devam çer comtdera<L., ao !,C abonlar
um paaente para crawnento ouontoi:stomatológico. Noções
dt" Terapêutica encerram o comcúdo e fornecem "º aluno
conhecimentos básicos para prescrição dm farmaco\ mais
comum na prática odontológica
Acrcd.JUmO'i que csca publicação, fruto do crahalho co
operativo de profes.sores da USP, será de grande \'ilia para o~
estudantc.. de graduação. A despeito de d~pretem1o~mence
se inàrular apenac; "Fundamentos". temo~ a con\'tcçào de
que profisc.1omus mais expenentes poder:io também a ele
recorrer. Com uma melhor formação em fatomatologia,m
Cirurgtõc:s-Dennstas se tornam profissionais mai~ compe
tentes e capaze<i de melhor ocupar sua posição uo concerto
das pmfüsões do setor ~aúde. A Estomatologia é uma espe
cialidade e uma área de atuação pnv1lcgmla da Odontologia.
Temos que nos capacitar parn bem exercê la. não deixando
margem a dúvtdas quanto à nossa compt"lêm 1.1 de fato em
cumprir o que foi Já conqmscado de d.Jre1co.
Cwnprimencamos a,; autore5 pelo m1porunce trabalho
realizado, canco pela com:nbwçào i hterarura 1.~pecializada
em língtrn portugoesa, quanto pelo tr:ibalho cooper:mvo de
profes~ores de uma mesma d.Jsciplma <la FOUSP Isso re
força nossa crença de que podemos e devemoc; nm umr em
torno de propostas de trabalho construovo e de que junco~
sempre podemos ma1s que m<l1v1dualmentc.
A.bel S. Cardoso, CD. N1SD, FICO
1 INTRODUÇÃO, 1
Gílhuto Marr:11a:i e Estira Golde111wR Bíntto11
R.eferenc,a~ Bibliográficas, 2
2 O MÉTODO DIAGNÓSTICO, 3
]ttyro Guimarães Jr.
2 1 Material e Equipamento, 4
2.2 Pronruáno, 4
2.3 A Divisão do E.xame Clínico, 5
2.4 Anamnese, 5
2.4.1 Considerações Gerais, 5
2.4.2 Tipos de Pergunta. 7
2.4.3 Jdenti.6cação do Paciente, 8
2.4.4 QuelX!l. Pnnetpal ou .Escímulo
latrotróp1co, 9
2.4.5 História da Doença Atual, 9
2.4.6 História Odontoestomatológtc~ 1 O
2.4.7 Tratamento Méd.icoArual, 12
2.4 .8 História Médica Pregressa, 14
2.4.9 Antecedentes Hereditários, 16
2.-1.10 Hábitos. 16
2.4.11 Observação do .Escado Psicológico, 16
2.5 Exame FíStco ou Exame Objetivo, 16
2.5 1 Considerações Gerais, 16
2.5.2 Recursos Serruotécnicos, 17
2.5.2.1 Inspeção, 17
2.5.2.2 Palpação, 17
2.52.3 Ausculmçào, 18
2.5.2.4 Olfação, 18
2.5.3 Divisão do Exame Físico, 18
2.5.4 EXl'lille Geral, 18
2.5.4.1 Sexo, 19
2.5.42 Idade Aparente e Idade Real, 19
2.5.4.3 Hannorua dos Segmencos do
Corpo, Ambulaçào e Aamdes, 19
2.5.4.4 Tegumento Visível, 20
2.5.4.5 Sinais Vitais, 20
2.5.4.5. l Pressão Arterial, 20
2.5.4.5.2 Pulso Arterial, 20
2.5.4.5.3 Ritmo e Volume
Respiratórios. 21
2.5.4.5.4 Altura. 21
2.5.4.5.5 Peso Corpóreo. 22
2.5.4.5.6 Temperacura, 22
2.5.5 Exame Físico Locorregional fu."tr.abucal, 22
2.5.5. l Fácies, 22
2.5.5.2 Ex.ame Básico dos Seios
Paranasais, 23
2.5.5.3 Olhm, 2.1
2.5.5 .+ Músculos Fanai~ e C.làndula
Parótida, 23
2.5.5.5 .Articulação
Temporomandibular. 24
2.5.5.6 Palpação da Glândula
Tireóide, 2-1
2.5.5.7 Cadeias Ganglionare;
Crânio-cervicais, 24
2.5.6 .Exame Físico Locorreg,onal Incrabucal. 26
2.5.6. 1 Lábios e Ve$abulo Bucal, 26
2.5.6.2 Assoalho eh Boca e Face Interna
da Mandíbula. 26
2.5 6.3 Língua, 26
2.5.6.-l Mucosas Jugais, 27
2.5.6.5 Pai.atos, 27
2.5.6.6 Rebordo~ Alveolares. 27
2.5.6.7 Úvula, Pi.lares Tonstlam, foru1las
é Orofaringe, 27
2.5.6.8 Dent~ e: Tecido~ Peciodontais, 28
2.6 Diagnóstico Diferencial. Hipóteses D1agnósocas ou
Diagnóscico de Trabalho, 28
2.7 Exames Complementares, 28
2.8 Diagnósaco Final, 28
2.9 Prognóstico, 28
2.1 O Tratamento, 29
2.1 1 Acompanhamento, 29
Referências Bibliográficas, 29
3 RELAÇÕES PACIENTE-PROFISSIONAL:
O EVENTO CENTRAL DAS CIÊNCIAS DA
SAÚDE, 30
Jnyro G11in1arãu Jr.
3.1 Saindo do Modelo Cienúfico-B1ológico Escrito, 30
3. 1. 1 Por que Estudar Relações
Paciente-Profissional (RPP), 30
3.1.2 Profissão e Ane Médica. 31
3.1.3 A [afluência de Descartes na Ciência. 32
3.1.4 Alcerações Comportamentais Requendas
nos Planos de Tratamento, 32
3.2 Deneficios, Obstáculos, Negociação, Concrato e
Consenso, 33
3.2 . l Beneficios da RPP. 33
3.2.2 Obstáculos nas RPP, 33
3.2.3 Negociação. 34
3.2.4 Concraco e Consenso, 34
3.3 O Lado do Paaeme, 34
3.3.1 Responsabilidades do Pacience, 34
xiv Co11terído
3.3.2 As Condições Pré-morbosas, 34
3.3.3 A Fase Pré-consulta, 3+
3.+ O Lado do Profissional, 37
3.-1.I Responsabilidades do Profissional, 37
3 4.2 A Escolha Ja Profusão, 37
3.4.3 O que se Requer do Profissional '' Ideal". 38
3.-1.-1 O Estudante no Início do Atendimento
Clínico. 38
3.4.5 lnsatmção, 39
3.4.6 A Necessidade de Autoconhecimenco e
Conhecimento do Ser Humano, 39
34 7 Empaua,39
3.4.8 Annpatta, 40
3.4.9 A R egulação da Agressividade do
Profimoaal, 40
3.-1.10 A R~ção da Auto-estima, 40
3.4.11 Aprendendo a Dizer"Eu Não Se,", 41
3.4. 12 Tolerância, 41
3.4.13 Quando o Paciente Chora, 41
3.-1.14 Aprendendo a Lidar com o Paciente
Agressivo, 41
3A.15 Colocando Limices, 42
3.-1.16 Maneirismo Profusiooal,42
3.4.17 Preconceitos, 42
3.4.18 O Paciente como Objeto Sexual, 42
3.4.19 Abordando a Sexualidade do Paciente, 43
3.5 A~ RPP no Exame Clinico, 43
3.5.1 Obtendo Confiança. 43
3.5 2 PressÕe.\ do Tempo, 44
3.5.3 A Bscuta,44
3.5.4 Informações Não-verbais. 44
3.5.5 Contribuições da individualidade do
Pacieme.45
3.5.6 A Queixa Prmcipal. 45
3.5.7 A Hi~tóna da Doença AruaJ, 45
3.5.8 O Exame Fis.tco. 45
3.5.9 A Comurucação do Dlllgnósnco, 45
3.5 10 o~ Cinco Estágio\ de Elizabcth
Kübler-Ross, 46
Referências Bibliográficas, 46
4 CONHECENDO AS LESÕES
FUNDAMENTAIS, 47
Gilberto Mamu:ci t Sérgio Spilltlli Sifoa
4.1 Alterações de Cor - Mácula ou Mancha, 48
4.2 Formações Sólidas. 49
4.3 Coleçõc:s Líqwda.\, 49
4.4 Perdas Teciduais. 49
Referências Bibliográficas. 49
5 MÉTODOS DE AUXÍLIO DIAGNÓSTICO, 50
Fema11do Ri.ardo Xm,ier da Silvtiro, Geraldo Games dos Santos t
Jayro G11imaríies jr.
5.1 Métodos Radiológicos, 51
5.1.l Exames Radiográficos, 5 1
5. l 1 1 Técnicas lntr.tbuca.is, 51
5.1.1.2 Técrucas E.xo-abucais, 53
5.2
5.3
5.4
5.5
5.6
5.7
5.8
5.1.1.3 Tomografia Comput:idorizada, 54
5. 1.1 .4 Radiografia Digital, 56
Citológicos e Biópsia, 57
5.2. 1 Exames Cirológicm. 57
5.2. l.l Citologia Esfohanva. 57
5.2.1.2 Outro~ Exames C1cológicos. 58
5.2.2 Bióps~ 59
Ultra-~onografia, 60
R t:S:>onânciaMagnénca. 61
Medicina Nuclear, 62
5.5.1 Cintilografia. 62
Exames Hematológicos. 63
5.6.l Coagulograma, 64
5.6.1.1 Tempo de! Protrombina. 65
5.6.1.2 Tempo de T romhoplastma Parcial
Ativada, 65
5 6.1.3 Tempo de Coab'ulaçio, 65
5.6.1 4 Tempo de: S:ingna, 65
5.6.1. 5 Contagem de Plaquetis. 65
5.6.1.6 Prova do Laço, ou Tcsce de
Fragilidade Capilar. ou Teste de
Rwnpel-Leed, 66
5.6.2 Eritrograma, 66
5.6.2.l Número de Eritrócitos
Circulantes, 67
5.6.2.2 Hematócrüo (Ht}. 67
5.6.2.3 Dosagem da Hemoglobm.i. 67
5.6.2.4 Hemoglobina CorpuscuLrr
Mécha (H bCM). 67
5.6.2.5 Volwne Corpuscular Médio
(VCM),67
5.6.2.6 Concentração de Hemuglobin.1
Corpuscular Média (C HhCM).68
5.6.2.7 Volume Globular. 68
5.6.3 Hemossedimentaçào, 68
5.6.3. 1 As Anell1las, 68
5.6.4 Leucograma, 69
5.6.4.1 Contagc:m D1ferenc1al de
Le11cóc1ros, 69
Exarnl'S Sorológ1cos, 70
5.7.1 Doenç~ lnfoccio~a:,. 72
5. 7 1.1 Sorologia nas Doenças
Bactcmanas, 72
5.7.1.2 Sorologia nas Doenças
Fúng,cas, 73
5 7.1.3 Sorologia nas DoençasVuais, 73
5.7.1.4 Sorologia nas Parasitose~ de
Lnt~c! facomatológico. 76
5.7.2 Sorologia nas Doenças Auro-unun~ de
Interesse Estomatológico. 77
5.7.2.l lmunofluorescênc1a Diret.1. 77
5.7.2.2 lmunofluorescenaa lnchreta, 77
Exames Bioquímicos, 77
5.8.1 Glicose, 77
5.8.2 Glicemia emJeJum, 78
5.8.3 Teste de Tolcrânoa à Glico5e ou Cun<l
Glicêm1ca, 78
Comeúdo XV
5.8.4
5.8.5
5.8.6
5.8.7
5.8.8
5.8.9
5.8.10
5.8.11
5.8.12
Glicemia Pós-pranchai. 78
Glicosúria. 78
Hemoglobina Ghcostlada (ou Ghcada), 78
Depuração (Clenra11ce) da Creat:uuna, 79
Cálcio, Magnésio e Fósforo, 79
Fosfacase Alcalina (ALP) e Fosfatase Ácida
(ACP). 79
Hidrox1prolina. 80
Pararormoruo (PTH) e Proceína
Relacionada (PTH-RP), 81
Proteína C Reativa. 81
5.8.13 Elccroforese de Proteínas, 81
Referências Bibliográficas. 81
6 TRABALHANDO COM BIOSSEGURANÇA. 83
)ll)•ro G11i111nrãcs ]r.
6.1 Introdução, 83
6.2 M:milúvio, 84
6.3 Equipamentos de Proteção lndtvidual (EPl), 84
6 .4 Campos e Coberturas das Supedfocs Climca.~. 85
6.5 Sugadores de Saliva, 85
6.6 Radiografias Odontológicas, 85
6.7 Aná-~epsia Pré-operatória., 86
6.8 Manuseio de Biopsias. 86
6.9 M:inuseio de Denres Exrraídos. 86
Refurênaa fübliográ.fic:a, 86
7 ALTERAÇÕES DE COR DA MUCOSA BUCAL
E DOS DENTES. 87
Esther Goldo,bag Bin11a11, Gill,mo Marcucci f ll1111 Wdnftld
7 .1 Mucosa, 87
7. LL Branca, 87
7.1.1.1 Linha Alba, 87
7.1 1.2 Lcucoedema, 87
7 .1. 1.3 Língua Geográfica, 88
7 .1.1.4 Nevo Branco EsponJoso, 89
7 .1.1.5 Estomatite Nicotíruca, 89
7. l.1.6 Lc-ucoplasia., 89
7.1.1.7 Liquen Plano, 91
7.1 1.8 Lúpus Ericematoso Crônico
Discóide (LECD). 92
7. l. l. 9 Queilire Accínica (QA). 92
7 .1.1 10 Leucoplas1a Pilosa, 93
7 .1.1.11 Papilomavíru.~ Humano
(HPV), 93
7 .1.1. 12 Candidíase/Canrudose. 94
7 . 1.1.13 OutraS. 96
7. 1.2 Amarela, 96
7.1.2.1 Grânulos de Fordycc, 96
7.1.2.2 Queras. 96
7.1.3 Marrom, 96
7.1.3.l Ef'ehdes e Mácula Mclanóoca
Bucal. 96
7.1.3.2 Pigmentação Melânica Racial
(Mdanoplaquia), 97
7.1.3.3 Outras. 97
7.1.4
7.1.5
7.1.6
Negr.i. 97
7.1.4.1 Língua Pilosa Negra, 97
7.1..t.1 Nevo P1gmcmado. 98
7 .1.4.3 Entema P1gmenw Fixo. 98
7.1.4.4 Melanoma., 99
7 1.4.5
7.1.4.6
Azul 99
Xeroderma PigmentO\O, 99
Queras. 99
7 .1.5.1 Vanzes ou Varicosidades. 99
7.1.52 Tatuagem porAmálg:mu. 100
Vermelha, 100
7. t.6. L Petéquias e Eqmmo~c~. 100
7 1.62 Lúpus Sistêmico (LS). 1 OI
7. l.6.3 Entroplasia. 101
7. l.6.4 Candid.íase/Canditlosc. 102
7.1.6.5
7 1.6.6
Sarconu tle Kaposi, 103
Outras. 104
7 .2 Pigmentação Dental. 104
7 .2. 1 Pigmentação Exógena Local. 104
7 .2.1. 1 Tabaco. 104
7 .2.1.2 Cafe, 104
7.2.1.3 Bactérias Cromogênicas. 1n4
7 2.2 Pigmentação Exógena Si~cem1ca. l 04
7 .2.2. l Auorose, 104
7.2.2.2 Te-craciclina., 10-4
7 2.J P1gmentação Endógena. 104
7.2.3.1 EmrobJascose Fetal. 104
7.2.-1 Hipoplasia do Esmalte. 104
7.2.4.1 Causada por Infecção Focal, 104
7 .2.5 Hereditárias. 104
7.2.5.1 Amelogênesc:: lmpcle11.a, 104
7.2.5.2 Dentinogênese Imperfeita
Hereditária. LOS
Referências Bibhográficas, 105
8 LESÕES EROSIVAS E ULCERATIVAS DA
MUCOSA BUCAL, 107
Furtando Ricarda X a11itr da Si/1,eira, Gilberto Mam1cri,
Dan Wéi,ifdd e Norberto Nab110 Suta>>a
8.1 Úlceras Traumáticas ou Reacionais. !08
8.2 Úlceras Decorrentes de R.aruotcrap1a e
Qwmioterap1a., 108
8.3 Úlceras Facócias ou P~1cogêmcas. 109
8.4 Úlceras de Natureza lnfccaosa. l 09
8.4.1 Gengivite Ulcerativa Necrosanre Aguda
(GUNA). 109
8.42 Paracocc1cho1domicose. 1 1 O
8.4.3 Hmoplasmost; 111
8.4.4 Leishmaniose Cucineo-mucou, 1 11
8.4.5 Sífilis, 112
8.4.6 Tuberculose. 114
8.4.7 Hansc:níasc:, ll4
8.4.8 Citomegalovírus (HHV-5 ou CMV), 115
8.5 lJlceração Aftosa Recorrente (UAR). 115
8.6 Doença de Bchçet, 117
8.7 Sialometaplasia Necro~te, 118
xvi Conmído
8.8 Carcinoma Ep1dennó1de (Espmocelular), 118
8.8.1 Generalidades. 118
8.8.2 Noções Epidemiológicas do Câncer, 118
8.8.3 Fatores de Risco, 119
8.8.3.1 Tabagismo, 120
8.8.3.2 Alcoolismo, 120
8.8.3.3 Dieta, 121
8.8.3.4 Ageot~ Biológicos, 121
8.8.3.5 Radiações, 121
8.8.3.6 Trritaçào Mecânica Crônica, 121
8.8.3.7 Fatores Ocupacionais, 121
8.8.3.8 Má Higiene Bucal, 121
8.8.3.9 Outros Fatores, 121
8.8.4 Classificação TNM e Estágios
(U1CC. FOSP, 1997).121
8.8.5 Aspectos Clirucos, 122
8.8.6 Aspectos Radiogciócos, 124
8.8. 7 Diagnóstico, 124
8.8.8 Prognóstico, 124
8.8.9 NoçõesTerapêuricas, 125
8.8.9. l Cirurgia/Radioterapia/
Qu1mioterap1a da Lesão Primána
e dos Linfonodos Regiona.is
Quando Mecastaazados, 125
8.8.9.2 Do$ Efeitos Secundános das
Referidas Terapêuticas, 125
8.8.10 Prevenção, 125
8.8.11 Perfil dos Pacientes Portadores de
Caranoma Ducal, 125
8.9 Língua Fissurada, l25
8.10 Outras. 125
Referências Bibliográficas. 126
9 LESÕES VÉSICO-BOLHOSAS, 127
Dame Aurô11io iWiJllinri, Gilbuto Mnrc11cci e flnu Wei,ifeld
9.1 Pên:figos, l27
9 .1.1 Pênfigos Verdadeiros. 127
9. 1.1.1 Pênfigo Vulgar ou de
Dcmier, 127
9. 1 .1 .2 Pênfigo Veget:mte ou de
Newmann, 128
9. t . 1.3 Pênfigo Foliáceo - Casenavc
(1852), 129
9.1.1.4 Outros Pênfigos
(Menos Comum), 130
9.2 Penfigó1des, 130
9.2.1 Penfigó1de Bemgno de Mucosa, 130
9.2.2 Penfigóide Dolhoso - Parapênfigo/
Lener, 131
9 .3 Infecções Virais, 131
9.3.1 Herpesvírus Humano (HHV). 131
9.3. 1.1 Ví~ do Herpes Simples
(HSV-1 e HSV-2). 131
9.3.1.2 VírusVaricela-Zosrer
(HHV-3 ou VZV). 132
9.3.1.3 Vírus Epstem-.Barr
(HHV-4 ou EBV). 133
9.4 Infecção Paramária, 133
9.4 l Toxoplasmose, 133
9.5 Erupções Medicamentosas. 133
9.5.1 Entema Multiforme. 133
9.5.2 Síndrome de Stevens-Johnsoo. 134
9.6 Fenômenos de Retenção de Muco, 134
9.6.1 Mucocele, 134
9.6.2 Rânula, 135
9. 7 Sialolitíase.. 136
9.8 Cisto de Retenção (Erupção). 136
9.9 Outras. 136
Referências Bibliográficas, 137
10 CRESCIMENTOS TECIDUAIS, 138
Da11tc At,tônio MigUnri, Es111u Goldc11berg Birma11, Fernnudo
Ricardo XAviu dn Silveira, Gilberto Mnrruai t' lln11 Weinftld
10.1 Neoplas1as Benignas, 138
10.1.l Papiloma, 138
1 O. 1.2 Fibroma, 139
10.1.3 H c!I1Ungioma, 139
10.1.4 Linf.mg10ma. 140
10.1.5 Llpoma.140
10.1.6 Leiolllloma., 141
1 O .1. 7 Rabdomioma, 141
10.1.8 Neunlemoma ou Schwanoma, 141
10.1.9 Neurofibroma. 141
10.1.10 Outras, 142
10.2 Processos Proliferarivos Não-neoplásicos, 142
10.2.1 Hiperplasia Fibrosa Lnílamatória, 142
10.2.2 Fibromarose Gengival. 143
10.2.3 H.ipcrplasta Gengival lnduzida por
Medicamentos, 143
10.2.4 Granuloma P1ogêruco. 144
10.2.5 Lesão Periférica de Células Gigantes, 145
10.2.6 Fibroma Ossificante Pente-rico, 145
10.3 Cistos de Tecidos Moles, 146
10.3. I Cisto de Dueto Tireoglosso. 146
10.3.2 Cisto Dermóide. 146
10.3.3 Cmo Branqmal (Cmo I.mfoep1tehal
Benigno), 146
10.3.4 C1sto Nasolabial, 147
10.4 GloS-me R.ombo1dal Mediana (GRM), 147
10.5 Actinormcose Cérv1co-facial, 147
10.6 Parotidites, 14R
10.6. I Ca.~mba (Parocidite Epidêmica). 148
10.6.2 Outra5 ParotidiresTnfeccio~. 148
10.7 Neoplas1a.\ de Glândulas Salivares. 148
10.8 Leucem1as, 150
R.eferênoa., Bibliográficas, 150
11 PATOLOGIA ÓSSEA.152
Norbmo Nob110 S11gaya e Ságio Spi11dll Sil,,a
11 l Tncrodução, 153
11.2 O Processo do Diagnóstico, 153
11.2.1 Os Grupos de Patologias. 155
l l.2.2 Análise Radiográfica. 157
11.2.3 As Vanáveis Clínicas. 158
11.2.3.1 Dor. 158
11.2.3.2 Idade, 159
11.2.3.3 Sexo, 159
112.3.4 Localização. 159
11.2.3.5 E.."\.1)ansâO, 159
112.3.6 Dentes, 159
11.2.4 O Diagnóstico Final. 160
11.3 Tratamenro, 160
11.4 Doenças Ósseas lnflamacónas, 161
11.4.l Abscesso PenapicalAgudo, 161
11.4.2 Osteomielites, 162
l l.4.2.1 O~teomielite Aguda, 162
11.-t.2.2 Osceomielite
Crônica Supurativa, 163
11.4.2.3 Osce01lll.elice
Crôruca Esclerosante
(Osteite Condensante). 163
11.4.2.4 o~ceollllelite de Garré
(Periostice Proliferativ:1
Crônica), 163
11.4.2.5 Osteorrndionecrose
(Osceorracliomielice). 164
11.5 Ciscos, 164
11.5.1 Ciscos Odonrogêrucos, 165
11.5.1.l Cisto Radicular ou Cisto
Periapical, 165
11.5. l.2 Cisto Denógero
(Cisco Folicular), 165
Co11tzúdo
11.5.l.3 Queratocisco Odootogênico. 166
1 l.5. l.4 Cisco Periodontal Lateral. 167
11.5.1.5 Cisco Odoncogêruco Glandular
(Cisco Sialo-odonrológico), 167
11.5.1.6 Cisto Paradental, 167
11.5.2 Cistos Não-odontogênicos, 167
11.6.2.2 Osteoma Osteó1de/
Osteoblascoma, 178
11 .6.2.3 Hisnoc1to~e de CéluJa., de
Langerhans, 179
1 1 6.3 Neoplasias Malignas, 180
11.6.3. l Osteossarcoma, 180
11.6.3.2 Condrossarcoma. 182
11.6.3.3 Sarcoma de Ewrng, l82
1 1 .6.3.4 Lmfomas, 182
11 .6.3.5 Mieloma Múltiplo, 184
11.7 Lesões Fihrósseas Berugrm, 185
11 7 1 Displasias Cemeoto-ósseas. 185
11.7.1.1 Displasia Cemenciria
Penap1cal 185
11. 7 .1.2 D isplasia Cemento-óssea
Florida, 186
11.7.2 Displasia Fibrosa, 186
1 1.7 .2.1 Displasia Fibrosa Juvenil
Mononótica, 187
xvii
1 1. 7 .2.2 Displas1a Fibrosa Monostótica do
Adulro, 188
11.7.2.3 Displasu Fibrosa
Poliosrócica, 188
1 1 7 .3 Querubismo, 188
1 1.8 Lesões de Células Gjganres. 189
11.8.1 Lesão Central de Células Gigantes. 189
11.8.2 Tumor Marrom do
H1perparanreo1ctismo, 190
1 1.9 Alterações Metabólicas. 190
11 9. 1 Doença de Paget do Osso
(Ostcíte Deformante), 191
11.92 Hiperparacireoidismo.191
1 ) .9.3 Osteopettost:\ t 92
11.9.4 Osteogênese imperfeita, 192
Refurênoas Bibliográficas. 192
11 .5.2. 1 Cisco do Dueto Nasopalacino, 167
11.5.3 Pseudoci tos. 168
11.5.3. 1 Cisco Ósseo Traumático. 168
11.5.3.2 Cisco Ósseo Aoeurismático. 169
11.6 Neoplasias, 170
12 TEMAS ESPECIAIS, 194
1 t 6 1 Neop.lmas Odontogênicas, 170
11 .6.1 1 Ameloblasto~ 170
11.6.1.2 Mixoma Odonrogênico. 172
11.6.1.3 Fibroma Ameloblástico, 173
11.6.1 A Fibroma Odontogênico
Ceno:al 174
11.6.1.5 Tumor Odontogênico
Adenomacó1de, 17 4
11.6.1.6 Cisco Odoncogêruco Calcificante
(Cisto de Gorlin), 17 4
11.6.1.7 Tumor Odontogênico
Epitelial Calcificante
(Tumor de Píndborg), 176
11.6.1.8 Cememoblastoma Benigno. 176
l l.6.1.9 Odoncoma. 177
1 1.6.2 Neoplas1a.~ Óssea.~ Bemgnas. 178
11.6.2. I Osteoma, 178
Dalllt A11t611io Mig/iari, Estl10- CaLdmlH!rg Birt11a11, Ftma11do
Ricardo Xavier da Silvt'ira t Norberto Nob110 Sugara
12.1 Xeroscomia, 194
12.1.1 Causas. 194
t 2. 1.2 Diagnóstico. 195
12.1.2.1 Sincomas.195
12.1.2.2 Sinais, 195
12.1.2.3 Determinação do Fluxo
Salivar, 195
12. 1 .J Tratamento, 195
12.2 Síndrome de Ardência Bucal., 195
12.3 H alitose, 196
12.3. l Principais Causas, 196
12.4 Síndrome de Sjõgren. 196
12.5 Hepatites. 197
12.5. l Hepance A, 197
12.5.1.1 Transnussão, 197
12.5. 1.2 Marufescações. 198
12.5.2 Hepante D. 198
xvüi Cllmtaído
12.5 .2.1 Prevenção. 198
12.S 2 .2 Quadro Clínico, 198
12.5.2.J Diagnósaco, 199
12.5 2 4 Diagnósttco D1fcrcnc1al, 199
12.S 2.5 Tracamento, 199
12.5.3 Hepatite C. 200
12.5 3 1 Sorologia. 2()0
12-5-4 } lepautc Delu (D). 200
12.5.4 1 Sorologia. 20ll
l 2.5.5 Hepatite E. 200
12. 5 :; 1 Diagnóstico Lahoracor1al, 201
12.6 Doença de Chagns, 201
12.6.1 Qwclm Clínico. 201
12.6.2 Mc:ga~ôfago Chagásico. 202
12.6.3 Da.agnósaco e Tratamento, 202
12.7 Síndrome w lmun0Jefic1ên02 Adquirub
(ArDS/ SIDA), 202
Rc:fcrêncm Bibhogrifica.,, 204
13 TRATAMENTO DAS MANIFESTAÇÕES
ESTOMATOLÓGICAS ANTES. NO DECORRER
E DEPOIS DE QUIMIO- E RADIOTERAPIA. 205
Jayro C11in1Jtrãu Jr.
1 .\. 1 A Equipe Mulaprofü,ional, 205
l3.2 PecuhandadP na Anamncse. 206
13.3 Pecuh:mdadcs no 1::.xamc Físico e: 11m Exames
Complcmcnmrcs, 206
13.4 Comphcaçõc, fatomatológicas da Oncoter:ip1a. 206
13.5 F-.uore Je Rl\co p:ir:i Complic.içõo
btomacológica\, 207
13.6 Tratamento cus Comphcaçõo farom:uológicas no
Trncamcmo Radioter.ipico - Protocolo, 207
13.6.1 Tratamento Odontológico
Pr~-racliotc:rnpu, 207
13.6.2 Tr:uamcnto Oclomológico Transracltotcrapia
(na Mctaclc ou Fim da R.ld1oterap1.1), 207
13.6.3 Trat:1.memo Odontológico
Pó,-radiotcrapia, 207
13.7 Mucosm:s, 207
13. 7 .1 Clamficaç.io, 207
13.7.2 Ebopatogcma,208
13.7.3 Tratamento, 208
13.7.4 PrcV\!nção da Mucome, 208
13.8 Cárie) de Radiação. 209
13.8.1 Tratamento ws Cáries de fud1ação. 209
13.9 Infecções Oponumsu.,, 209
13. 9 .1 Exa.m~ Complementares. 209
13.9.2 Traumcnto das Infecções Oportunisr:is, 209
1 J .1 O Osteorradionecro~c:. 209
13.1 O I Considt.nções Gerais, 209
13.10.2 Prcvençio.210
13 10.3 Tratamento, 210
13.11 XerostoOlla, 21 O
13.11.1 Efc1tos da R.acuocerapta Sobtt> a
SahV2çào, 21 O
13.11.2 Tratamento da Xcrostooua, 21 O
1312 Tnm10. 210
13.12.1 Tratamento do T mmo, 2 l O
l.3.13 R.adiodennue - Informações pano Paoenu:, 211
11 14 Alopeaa - Informações para o Pac1c:ntc, 211
Referênoa.~ Bibliográficas. 211
1,t TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA DE
ALGUMAS DOENÇAS ESTOMATOLÓGICAS
(COMO PRESCREVER E ATESTAR). 213
Jaym Guimarães Jr.
14. 1 lnttodução e Quadro Geral 213
14 2 Ant1b1óocos. 218
14 .2.J I ntroduçio, 218
14.2-2 Pcn.icihn:b, 220
14.2.2.1 Pcruolina Cmtahna ou
Aquo...a. 220
14.2 .2 2 Penicilina G PmC'ain:i ou tk
Longa Duração. 220
14.2.2.3 Peruolina G Bcnzanna. 220
14.2 2 4 Pemc1lina V Porás.s.lca
(FenoxuneriJperuc1lina), 221
14 2 2 5 Arumciahna, 221
142.3 Tnib1dor de Beti.l.:acam2ç~. 221
14 2.3.1 Clavulanato
(Áodo Clavuláruco). 221
14.2.4 Cefalmponnas, 222
14.2 4 1 Ccfalonna. '.!22
14.2 4.2 Cefalexma 1: Cefadroxil. :!22
142.5 M~crolideos, 222
14 2 5 1 Emrom1cina, 222
14 2 5 2 Cbricromicina, 222
14.2.5.3 A.mrormcina. 223
14 2 5 4 RolCltromicma, 223
14.2.6 LillCO'lamlna, 223
14.2 <, 1 Chndamicma, 223
H.2.7 Ammoglico,idcos, 224
14 2 7 1 Gcntamicina. 224
14.2 7 2 Clor:mfc:nicol. 224
14.2.8 lmidazóhco. 224
14 2 8 1 Mccrorudazol. 224
14.2.9 Qu1nolon:1, 225
14 2 9 1 Ciprofioxacina, 225
14.2.10 Drogas Anofüngica.~. 225
14 2 10.1 Anfotericina B, 225
14 2 IO 2 Cctoconazol 215
142. 10.3 M,cooazol226
14 2 IU.4 Auconazol. 226
14.2.1 n.s Nmauna, 226
14.2.11 Orog:i~ Antwirais, 227
14.2.1 1 l Ac1cloVIr, 227
14. 2 1 1 2 V.,bciclo\'ir, 22.,
14 2.11 3 Fo~camet. 227
14.3 Ulcerações Altos.is R.ccorrente!.. 227
14.4 Cand.idmc . .228
14.-U Tratamento Top1co, 228
14.4.2 Tratamento Si,têmico. 22<>
14 .5 Paracoccidioidomicosc!. 229
14.6 He-rpe~ S1111pb, 229
14.7 Gcngt,'lte Ulccronccro~nte Aguda. 229
14.7 l Trnt.amcnto Local. 229
14.7.2 Tratamento Sistêm1co, 229
14.8 Nevralgia Tnge-mmal 230
14 9 Doen~ Auto-imune!,, 230
14.9 1 Pênfigo Vulgar e Penfi~ó1de Bolho~. 230
14.9.2 Penfi~óid1. Benigno de- Muco~.231
14-.9_'3 Lúpm E.nccmacoso Crômco D,~cmdc.-. 231
14.9.4 L1qucn Plano. 231
14 1 O Como Rcce1t.:1r, 23 1
14- 1 1 Como Atc~c.,r, 212
Rc:ferêncw Bibliogr.itica.\. 233
bulice Alfabético. 234
Introdução
Gilberto iWarmccr e Esther Goldenberg Bim1cm
O rc:rmo estonucologia vem do grego, stJmato - boca. e
fó,~os - ~tudo, mas c"a disciplina também se denomina
Propedêunca Clínica. Scmiologia, 01agnósáco Bucal e
Medicina Oral Todavia, independentemente da nomen
clatura. o que no:. interes.~a aqm é o seu conreúdo.A Odontologia, no passado, era técruca e artesanal. Em
1920, apóio a conceíruação de infecção focal, iruciou-se o
seu despertar oentifico l.3urkec (1958) consagra esse des
pertar quando diz qué ~ de responsabilidade do cirurgiio
demisra o t"Studo, diagnóstico, prevenção e tratamento dos
segumces itens:
• Doenças dos tecidos mineralizados e oão-nuncrali.zado~
dos dent~.
• Doença.o; dos tecidos de suporce e proteção dos dentes.
• Doenças limitadas aos lábios, língua, mucosa bucaJ e glân
dula.~ o;ahvares.
• Lesões bucais e dos órgãos contido:. na boca como parte
dos t.-stados mórbidos generahudos.
É uma dJ.,;ophna nova no conre.xto <la Odontologia no Br.ml.
Particularmente ao que concerne à Faculdade de Odontolo
gia da Uruvers1dade de São Paulo. rcsunudamcnu· podemos
historiá-la no tempo e no espaço da \eguinte maneua:
• 1957 - Disciplina de Proped~utica Clinica - ministrada
cm cada um.a das disciplinas clínicas.
• 1963 - Di,;oplina de Diagnósaco Bucal dava seus pn
me1ros passos, sendo min1str.u:Li pda pnmeira vez (pio
neira no Brasil) na 11 Cadeira de Clinicas Odontológtcas
- Prof. Cervantes Jardim.
• 1970 - Reforma curricular da FOUSP, cnando a disa
phna autônoma de Diagnóstico 13ucal. CUJO pnmetro re:.
ponsável foi o Prof Dr. António Fernando Tommasi.
• 1972 - Foi fundada a Sociedade Brasileira de Estonuto
logia.
• 197 4 - O Comelho Federal de Educação tomou obn
gacóna sua presença, fazmdo parte do a1rric11/11m minimo
em rodas as faculdades brasileiras.
• 1992 - O Conselho Federal de Odontologia n:co11hcce
a Estomatologia como especialidade odontológica. con
forme r~oluçào 181 / 92.
Como vimos, é uma d.1sc1pltna jovem, ma.~ de grande
1mponincia o.a formação do cirurgião-dcntma. pois com
a.rui o elo de ligação encre o ciclo básico. com fulcro na
Patologia Bucal, e o ciclo clinico, com fulcro no paciente
para diagnósuco e rraramento da.~ docu~as que ocorrem n:t
.irea de atwçfo do arurgilo-denruta.
Vieira Romeiro (1983) conceirua Semiologi.t como scm
do "o tr.1t.1do ou esmdo dos mécodm de ex.a.ml' clíwc.o
Perquire os sinah e: sintomas da doença. discute seu m<.·ca
msmo e valor, coordena e -.i~tcmanza todos os elemenros
para construir o diagnó,uco e como consequência dedUZ11'
o prognóstico".
É composta por crês parte,;:
• Semiotécnica - técnica de pesqui'i.lr m 'ilJUl) ~ s1Uto
mas e i.c: resolve na ane de explorar.
• Propedêutica clínica - absorvt• os dados colhidos pela
semiotécn.ica, os quais, apó~ anafüado~ e: critic.ido< no ~eu
valor mcrinseco, servem para espcc1ficar o cliagnósnco,
presumir o prognósnco e craurnento.
• Semiogênese - estuda os mecanismos fonnadores dos
sinais e sintomas em seus mínimos detalh~ (eno6s1opa
togenia).
Além de seu conteúdo programaaco específico, a dtsa
pl.u,a é responsável pelo estudo das lcsõ~ própnas da mu
cosa bucal, do complex:o maxilomandibular e órgãos ane
xos, bem como da.-. repercussões bucais de doenças sistêmi
cas. Seu conteúdo é de ul abrangência que os amencanos a
denoaunaram Mechcma Oral.
Sendo a primeira d1,;ciplina clínica, o acadêmico terá o
seu primeiro contato com o paciente portador de determi
nada queixa Nes.re momento. deverá transfonnar~e em um
verdadeiro detetive à caça de um criminoso (doença), pro
curando mdioo,; obtidos através dos .. incarnas pela an:un-
nese e dos ~nai~ observados durante o exame füico, fornm
lando então h.ipótest-s diagnósticas para, através das prova.\
obtida~, solicitar m exames complementares necessários para
chegar ao diagnó~tico final (criminoso) e, em seguida, cle
gl"r a terapêutica efetiva (condenação).
Para que tal fato possa ocorrer, o acadêmico cerá que
valorizar os indicio~ coletados através dos sinais e micomas
e basear-se nos conhecimentos anteriores obtidos nas disci
plinas básicas com fecho na Patologia Bucal. Sem esses co-
11hcc1mencos, não cbeg:mí à fonmdação de hipóteses diag
nósticas corretas, dificultando ou fomrnlando um diagnós
tico final errôneo e, conseqüentemente, reahzando terapêu
tica inadequada, que poderá causar até danos irreparáveis ao
paciente, não esquecendo de levar em conta o paoente como
wn todo b1opsicossocial indivisível.
t de grande in1porclncia salientarmos o trabaJho em con
junto com outros profissionais da área de saúde, destacando
o médico em váaas de suas especialidades, quando formos
tratar de manifcstaçõc, bucais de doenças sistêmicas. Cabe
~alientar que as lesões buc:us são de responsabilidade cuag
nfotica do owmacologisa, e, também, na grande maioria dos
c:isos, o tratamento local é, obvtamente, a manutenção da
lugidez bucal. Exemplificando, o cirurgião-dentista tem a
obngação de chagnosocar o cáncer bucal e de participar da
equipe multid1~c1plinar1 sempre liderado por um médico
oncologista, no lralamento do paciente e de sua reabilita
ção. Em outras doenças da boca, de caráter crônico ou agu
Jo, pockrá ele acuar ~i<.têm1ca e localmente, procurando sem
pre o bem-estar do doente.
C:om malS de lrés décadas de expcnênc1a, obnda rnirus
trando a disciplina nesta casa, criamos uma filosofia de en
sino bem estabelecida, procurando agora transmitir esse
conhecimento ao nos\o aluno de graduação através deste
J:1111dame,1ros de Estomatologia.
O grande de<:afio, ao dcsenvolvennos esce rrahalho, foi
apre-.encannos as doença'\ atravé'> de suas lesõe~ fundamen
tais cm capírulo,; e~pecíficos, c:us como: alceraçõ('.'1; de cor,
lesões erosivas e ulceradas, lesões vbico-bolhosas, cresci
memos tec1dua1s, patologia óssea e outros. Essa segineo
cação facilietrá ao aluno m1c1ante- formul.u- hipó teses diag
nósocas corretas e , atravé, dos exames complemenorec;,
quando necessários, chegar ao d1agnósuco final, fumando
o prognóstico e msntuindo terapêuric..a específica para cada
caso.
De grande importância para a disciplma foi a oporturu
dade que tivemo~ para uniformizar os conceitos das do
enças e de suas respecovas tt:rapêubcaJ> numa lmguagem
únic.a.
Apresentamos neste livro, após múmcr.l!> rcuruÕC!I e dis
cussões entre m docentes, o núrumo necessáno que, acre
ditamos, o aluno de graduação dt:vt: conhecer, com biblio
grafia que lhe permita aprofundar nos matl> tliver;m a~fün
tos, se assim o desejar. Visamos também a cmtOl> menores;
,;cm que houves.~e. enrreranto, perda da sua qualidade.
Apesar do grande desafio. cremol. que valeu .1 pena o tra
balho empreendido na elaboração de:sre ce>..-co, que, com roda
a cerceu, apresentará falhas, e agradecemos dec;de Já suges
tões para aprim.oci-lo.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1. Burket, L.W. Oral Medicine, po~t, pn:~ent :md íuturc. J
Periodom, 29:67-75, Jul. 1958.
2. Romeiro, V. Seminlo~ia Médica, 21 edição. Rio Jc Janeiro,
Guanabara Koogao, 1983.
O Método Diagnóstico
2.1. MATERIAL E EQUIPAMENTO
2.2. PRONTUÁRIO
Jayro G11i111arãe.s ]r.
2.3. A OMSÃO DO EXAME CLÍNICO
2.4. ANAMNESE
2.4.1. Collliderações gerai,
2.4 .2. Tipos d.e pergunta
2.4.3. Identificação do paciente
2.4.4 . Queixa principal ou estímulo iauou-6pko
2.4.5. História da doença atual
2.4.6 . Hln6ria odontoenomatológíca
2.4.7. Tratamento médico atual
2.4.8. História médica pregressa
2.4.9. Antecedentes hereditários
2.4.10. llibitos
2 .4.11 . Observação do estado psicológico
2.5. EXAME FÍSICO OU EXAME OBJETIVO
2.5.l . Considerações genüs
2.5.2 R ecunos sem.iot6cnicos
2.5.2.1. Irupeçio
2.5.2.2. PaJpaç.ão
2.5.2.3. Awcultação
2.5.2.4. Olf.açio
2.5.3. D ivuão do exame luko
2.5.4. Ex.ame geral
2.5.4. l. Sexo
2 .5.4.2 . Idade nplll'ente e idade rui
2.5.4.3. Harmonia dos segm.flltos do corpo,
ambulAção e atitudes
2.5.4.4. Tegumento virivel
2.5.4.S. Sinai1 vitais
"M11irns e 11111itas 11ezes eu saí para 111cu co11s11ltóno à noite semi11do
que 11ão co11seg11iria manter mtm.f olhos abertos 11e111 mais 11111
mamemo. Alas q11a11do eu 11ía o p,1dmte, t11do isto desaparecia.
N um iu.sca11tc, os dcral11es do caso começm1a111 a se org,wizar 1111111
esquema idc111[firá11cl, o d1ag11Js11co começava a se decifrar011 se
recusaria a mastrar-sc claramente e n caçada co111eça11n. Ao mesmo
tempo, o pr6pn'o paciente se tomava algo que preâs,wa de atenção,
2. 5.5. Exame llsico locorreg:ion_al extrabuc:al
2.5.S.1. Fácies
2.5.5.2 . .Exame básico dos ~ios pan.nasau
2.5.5.3. Olhos
2.5.S.4. Músculos fadais e gJânduJa parótida
2.5.5.5. Articulação temporomandibulaT
2.5.5.6. Palpação da glinduJa tireóide
2.5.5.7. Cadriu ganglionares crinio-cemcals
2.5.6. &.ame fisico locorngional intnhucal
2. 5.6.1. Lábios e utúbulo bucal
2.5.6.2. Assoa.lho da boca e face intema da
man.dibula
2.5.6.3. Língo-a
2.5.6.4. Mucosas jugais
2.5.6.S. Palatos
2.5.6.6. Rebordo, alveolares
2.5.6.7. Úvula. píliues too.sila.rM, tonsilas e
orofaringe
2.5.6.8. Deores e tecido, pcriodootais
2.6. DIAGNÓSTICO DIFERENCJ.AL, WPÓTESES
DIAGNÓSTICAS OU DIAGNÓSTICO D.E
TRABALHO
2.7. EXAMES COMPLEMENTARES
2.8. DIAGNÓSTICO FINAL
2.9. PROGNÓSTICO
2.10. TRATAMENTO
2.11. ACOMPANHAMENTO
as pcculiariedade.s dc:lc, as reticências e a suafra11q11eza. E, embora
t ll p11dtsst sc111ir-me alTafdo 011 rtpelido, a atitude prof1ssio11al que
todos os médicos tka1t111 mame, mt s1mr,,ta1•a t defima em q11t termos
t 11 dei,eria proada. "
William C.ufo, Williams, 171t A11tob1ogmpl1y it1 11,c Doaor
Stori~. New Dirw1011S. N ew York, 1984.
4 O Mh.od" D1agmist1tO
MATERIAL E EQUIPAMENTO
O eqwpamcnco necessário para o exame clinico estoma
tológico é o ~eguinte:
• Eqwpo odontológico compleco.
• Eqwpa.mento de proteção mcbv1dual: avental, másca
ra, gorro. luvas de procedimento e óculos de prote
ção.
• Abrux.adores de língua.
• Algodão em rolo e cm ma.nu.
• Compres.~as de gaze.:.
• Pmç:a, espelho e explorador.
• Sond:i periodontal.
• Fio dcncaL
• Sennga triplice.
• Esfigmomanômetro, t."Stctoscóp10 e cennômerro.
• T'ronruârio e caneta.
Todos os encontros entre o paciente e o profissional
envolvem o registro (scmiografia) d.a~ mfomuções trocadas
em um formulário própno. Durante toda a sua Vlda. o pa
ciente apresenta diversa., manifestações de doenças que se
rão devidamente descritas cm todos os seus detalhes. Esses
dados têm não somente valor clínico e de visão integral do
p:ineatc, como também v'1or jurídico e de aucbtona em
even tuais litigios des:;a natureza. Uma nova história e exa
me são rcgi.,rrados sempre que o paciente apresentar um
problema novo.
No ambiente uruvers1c.áno ou hospitalar, wna sén e de
profissionaIS de diferente~ áreas conrribuirá para o prontuá
rio. Faz-se necessáno que renha.mos determinado grau de
uniformização da semiografia para que os dados mantenham
certa coerência geral. O autor de cada registro deve forne
cer um relato detalhado e acurado que po ~ c;er compreen
dido por outras p~oas. devendo nele consu.r, de.: forma
clara, a idennficação do autor do relato e o departamento a
que está agregado.
U ma boa regra para a sermografia de prontuáno em ms
ambientes muloprofi.sstoru.Jc; é escrever não para\!, mas para
que outros leram e emendam. As descáções devecio 'icr tão
adjetivadas que, mesmo quem não viu o fato ou uma ma
nifestação clínica, tenha uma idéia o mais próximo possível
d.a realidade
Em situaÇÕô emergenci.m. em que o paciente possa es
tar tmpechdo de falar, as anotações <la imtóna médica pre
gressa e da atual. por t!.Xcmplo, ganham valor inescimávd.
As consultas entre o profis'itonal e o paciente <levem c;er
senuograf..tcb.s (semiografu = notação dos sinais e ,;intomas).
Além do exame clíruco micial, são regmradas detalhadamen
te e datada!;, no item evolução clínica, a~ ~olic1taçôe!> de
exames complementares e ~cus resultados, as prov1dências
terapêuticas e suas alterações. O profissional podera. n.l fo
lha de evolução. registrar, a cada consuJta, com a letra "S"a
avahação sub3eova do paciente, com a letra "O'' a sua ava
liação objeci, a, com a letra " I " suas impressões ~obre o que
observou e com a letra "C" a manutenção ou alter.i(io da
conduta. Por exemplo. suponhamo~ um paciente que C'lci
sob tratamento de um abscesso dentoalveolar com um an
tibiótico e nos procura para eguimeoco durante duas con
:iulta5. A notação será feita como nos mosm o Quadro 2.1.
O prontuáno relat.1 a lmtóna cliruca desde a pnm"1ra
doença que o profissional diagnosticou até a morte do pa
ciente. U m conjunto de dados referente) a um novo exa
me clínico será agregado ~empre que o paciente aprec;encar
Wlll ouaa qucL-a.
No caso de haver váno~ autores dos registros. dentro de
wua aávtdade mulciprofi.sSJonal, cada rcgi,;tro deve fome
cer wna narrativa clara e acurada de forma a ser facilmentt'
Exemplos de notação da evolução cliruca
Evolução díniC':1
Data -0o_ca_ç_ão- --- - ~----
12 02.04 5 - A dor continua preçcncc.
O - O edem:i :.\umenwu, afcundo a pálpebra m.fi!rior.
1 - O tratamento parece não estar SUJ'tlndo efeito.
C - Agregar um :mtib1ótic:-o qu~ tenl1a .tçâo contra .trucróbios: metronidazol, 4ll0 mg cada.
--+l-'-2 bocas, 7 11111!>, e voltar após J ilias_. _ _ _
15.02.04 e; - A dor dmunu1u, o paciente se sente melhor.
O - A áréa cdcrmctada est.i menor
1 - O tr.uamcmo parece \Cr cfcovo.
C- Continuar com o meuno c:~quema terapêutico e volwr após 4 dms.
Nome legível
O .\térodl' Diag11C1stito s
compreendida por outros profi sionais. Se houver uma pa
dronização de~as várias anotações, ramo melhor.
O pronruáno é a principal base de dados nas auditorias,
u.~ado para controle da qualidade da prática clinica, nas pes-
4uisas clírnca,; e nas pendências legais. Se sua memória fa
lhar, sua con6ab1hdade se basear.í exclusivamente no pron
tuário.
Os pronruános contêm u1fom1ação confidencial. Deve
haver um controle sobre o acesso a eles. Somc:mte os profu
sionaJ..S envolvidos no tratamento podem lê-lo~ e fãzer ano
tações no!> mesmos.
Se houve cana de encaminhamento, a leitura desta é o
primeiro procedimento a ser feito. Dependendo da quah
dade pessoal do profissional que a escreveu. eb podm conter
uma gama enorme de valiosas informaçõe,;. Infelizmente,
nos~a t!Ã1)enênc1a mostra que muito:, não sabem fàzer uma
canahza.ç:io desse npo, pecando canto a.a cécmca como nas
regras m.iis :.impl~ de relacionamento profoi~ional. Essa cana
deve ser feita em papel timbrado e comer a 1dentificaçào
breve do paciente. um rcswno do e.'Gltl'le clírnco feito e a
causa do encarrunhamenco. Ati:. por uma qu~tio de elegân
cia, nunca deve ditar a condura do profissional para quem a
estamo~ encanw1hando.
Em su:i m:i1oria, os pacienres ,;ão cooperativos e, portan
to, esperam ~cr tratados com cortesia e carinho.
Comece solicicmdo que: o paciente lhe faça um resumo
dos seus problemas. Se ele ovcr queixas múloplas, peça que
ele as liste de forma cronológtca.
Evite ficar totalmente voltado para a senuografia, restau
rando cononuamente o contato com os olhos.
lliMillM A DIVISÃO DO EXAME
CLÍNICO
Cl~sicamt!nte. o exame clíruco se divide em uma fase
subjetiva, cham.a<l.t ,mamnese, na quaJ o paciente relatará so
bretudo sua percepção do'> ~mornas e descreverá sua visão
do~ sinais, e uma fa.'le objeciva, conhecida como exame fisi
co, em que o profissional procurará descrever, apurada e
<lecalhadamente, os smais e pesquisará alguns smcomas que
poderão ser relatados com os recursos semiorécnicos adian
te mencionados.
O exame clínico começa pela anamnese por várias ra
zões. Uma dela!\ vai ao encontro dos desejos do paciente que,
quando vem à comulta. cem a nece'>Sidade de ser ouvido
ames de rudo. Outr3 razão é que, se imediatamente fizer
mos o exame fisico, é quase impossível não tentarmos ime
diatamente fazer hipóteses de diagnóstico. Isso levará a uma
anamnese dirigida. quase que tentando corroborar essas hí
póces.es, o que pcrrurbará a espontaneidade do rebro e. o
que é pior, poderá conduzir a um diagnóstico equivocado.
O que se aconselha. se possível, é que a an3.JllDcse seja
foica numa mesa comum, com profissional c paciente sen
tados um em frente ao outro, de preferência com os olhoc;
de ambos no mesmo nível."A atiamt1ese, a proccdunmto d111ia1 maiJ sofistimdo da ,\.Jedid11a, 1
111110 técmc;i dr 11n•r.snx<Jfào ~wruord111ána: cm po11q11ismna.f 011mu
formas dt! pesq11is11 a't'lttfjiru o obJeto obstrvado fala."
Alvan Fcmstcm, em Climcalj11Jgmc111.
2.4 .1. Considerações Gerais
O tenno anamnese vem do grego e significa recordar.
No ex.ame clinico vale dizer recordar os ewntos ligados à
biografia. queixa principal e história médica do paciente.
É o ponto focal da relação profissional-paciente e c:sta
belece a conexão pessoal nec~sána aos cU1dado~ com o
paciente. A ma1ona dos diagnóstico~ é basc.i,fa nda. desde
que bem conduzida. Freqüenremence, sua duração é maior
que o exame fis, co. Longe de esw na penfcna dJ cJut.içào
médica. a anamnese e as interações médico-pacit"ntc e,;c:ào
no imago da metodologia do cxaml· clínico e deverwn ser
centrais na formação dos profis~10nais de saúde. De manei
ra geral, a c1ênc1a crê que, como m dados ,;ubJct1vo~ não
podem ser deccnmnados com acurácia. eles deLxam de cer
valor. Todo clíruco e,-penente e,;tará pronto para mnn.ir que,
longe de estar na periferia da educação médica. a anarnnesc
e 3$ mterações méd1co-paaente estio no centro do proces
so diagnóstico.
A desejada acuráeta será obmb com 11131.,; crité-rio ,;e o
examinador despoJar-'ie das crença, e prcccmu:ilO) .wl~ de
fãzc:r as observaçõe": procurar compreemler e aio Julgar: não
tentar interpretar o smcoma prcmarurJ ou afoit.amcntc e se
parar os dados do ~istcma <le crenças e preconce1cos do pa
ciente, o que não ~ignifica ignorá- to~. Assim fazendo.já in.i
cwnos um relaclOnam.enro rernpêuocu
A aparente ausência de reprodutibilidade é um outro fa
tor que leva a menosprezar a .mat11llese. Diforcntt'S e-xami
n.adores podem obtt'r hiscónas diferentes em tcmpo!i diso.n
cos. Entre as causas ~o. mclucm-se as seguintes:
• O paciente não sabe dar valor aos seus smtomas.
Aprende, porém. a perceber quaj.s os sintomas rnaisun
portantes para o encreviscador.
• O paciente pode aprender a con~dera:r importantes fà
ros em que não havia sequer pensado ant~
• O pac1cme já orgaruzou a sua doenç.a ame,1: da con
sulr.a e procurará revelar os sintomas filcr.idos ou, até
6 O Mitodo D1ag11iSstico
mesmo, censurados e coerentes com a füru. hipóteses
ou crenças de diagnóstico (p.ex., tc:nho aftas). Geral
mence, o examinador tenta, ~em menosprezo, não se
mfluenc1ar pelo diagnósaco feito pelo paoente.
• O pac1ence, ,imples c conscientemente, muda a sua
htstóna; e o entrevistador não fo1 hábil e empático o
suficiente e não procurou amphar a fonnulação de c;ua~
perguntas.
O comultório, a clínic~ da faculdade ou o hospu.al não
~o o~ ambientes ruturais do paciente Muito meno<; seus
corredore,; ou um grande número de pessoas fix.:mdo os
olho~ no pauente, apesar da, nece\.,icbdes do ensino. Para
amennar es.sa realidade. o local onde ~ an.m1ncsc é feita deve
penninr privacidade, pelo menos a po<.~ívcl, a.~c;im como cal
ma. confono, ausência de interrupções e, de prefcrênoa, que
os interlocutores ~e sentem no mesmo nível.
É melhor realizar o procedimenco em Lima mesa de es
cntóno do que na cadeira odontológica, onde o profissio
nal geralmente fica em posição mais alt.1 do que o paciente
e, .unda, este fica com um facho de luz sobre os olhos. Toda
pontualidade, cortesia. inceres:,e, atenção. aceitação, com
preensão e desejo de atender que puderem ,er dt'})ensado,;
ao paciente serao bem-vindos. O eottevist.1dor hábil pare
ce ser calmo e ,em p~a.
Evite ficar cxccs.~1vamcnte voltado para a scmiografia, isco
é, para as anotações, do que para o que o paciente dtz, e
procure m:mter o contato vbua.l. Cuidado com a postura.
Uma posição muito à vontade pode dar a unprc:ssào de falta
de mlere~!tc. Assim como o profo,~ionaJ está observando o
paciente, ele t.:unbém está sendo avaliado por este. Evite
exprosões de aborrecimento, de..aprovaçfo, 1mpac1ência,
agastamento. tédio e escárnio.
A dl,;tància entre entrevistado e enrrevtstador deve ser
razoável. Não muito perto. para não criar uma intimidade
indesejável, nem muito longe, para não dificultar a comu
nicação. Üll ruídos e as interrupções prejudicam muito, e a
entrevista feita em ambiente acadêmico, com vi.rios alunos
espreitando o que se passa. pode ser inviável, dependendo
do rema da conversa.
O tempo deve ser suficiente para manter uma conversa
calma e descontraída. O enrrevistador deve ter habilidade
para ,aber c:.nmular os paciente. reticentes e conter e di
recionar produnvamcnte m loquazes. O paciente verbor
rágico poderá ser até ma.is dificiJ que o reservado. Ele deve
rá ser 111terrompido com cortesia e direcionado para forne
cer as 111fom1açôes mais indispensáveis.
Se o paciente se mostra ansioso, melhor será identificar e
acolher esse sentimento do que pcdtr-lhc que não fique
preocupado. Se o caso for de raiva ou choro incontrolável.
pennita que ele e>..'tl'avase esse ,encimemo. Não convém re
bater ou concrapor-sc a um comportamento hostil. Esteja
atento para º" s1n.us de depressão: da é m.ll\ noci\'a que a
ansiedade.
o~ pacientes com defiaência audiova podem preferir
comunicar-~e por escrito e aqueles com deficiência visual
devem ser di~crec.unence tocados e mfom1ado .. sobre o lu
gar onde elt:S ~tão. Com t."Stt....,, não levante de,;necessana
mente seu volume de voz. pots assim estara contundmdo a
deficiência e ..,endo desagradável
O pnmeim julgamento que o paciente faz de você ba
<;eia-se na sua ap,m'.:nc1a. O umfonne completo ou um aven
t:al branco aliado aos cuidados normais de higiene e boa apre
'>enução ~tabdccem o seu papel na relação, neutnl1um os.
go tos incomum de: ~e vestir e fazem pane dos requisiro1,
min1mo!I de b10..,segurança.
É import3nte lembrarmo~ que: a comunicação humana
pode ~er verbal e não-verbal. A<1. exprc~~õe~ faet:m e corpo
rais de :unbo, os mterlocutores mtlucnciam o diálogo. O
paciente que se ~ema com as perna~ volwdas para a porta
poderá sugerir que está com medo e vontaJe de sair dah. O
profissional que não olha para o paciente demonstra fulta de
mtere<.~e por ele. E. c;e demorutrar t...,panto com o que está
ouvindo. poderá intimidar ou preocupar o paciente. Seria
mwto longo citar o<. vinos exemplo~ po,,ivel\, ba.~tando
no\ enfatizar a importância do tema.
A fonte da anamnese, chamada tambc:111 de fonte da his
tóna, poderá ~er o próprio paciente ou, em ca.sos pediitri
cos. gcnátnco~ ou em que haja imped1memo de compre
ensão ou diálogo do paciente, o acompanhante do mesmo,
um amigo. a polkia ou bombeiro que o ~ocorreu, um mé
dico que o acendia no ho~1t:al etc. Fora de~~~ ~1cuações par
ócularcs, o paciente geralmente ,e sente: mai, à vont.1de
quando está sozinho para re-;ponder às pergunus. Em se
tratando de adol~centes, isso lica muito claro.
Inicia-se: a confabulação apresentando- e para o pacien
te. Em pnncipio, até amostra., do contrário. o rracamenro
dew conservar a fonnalidade. Evita-~e chamar o paoence
de "mãe". "pai". "avo21Ilha", "vovô", "ào", ''querida" etc.
Prefere-~e "senhor", "senhora". "senhorita" etc.
Se você for estudante, a condição deve ser indicada. Num
ambiente univers1táno ou hosp1calar, o uso de crachás de
1dcnt16cação pelos profiss1onru.s e cstudantes facilita bastan
te a 6..-ução dos nomes e deveria ~er de- uso comum. Se não
houver es."41 identificação, o examinador deve primeiramente
~e apresentar ao paoeme.
Tradtc1onalmente, toda a anamne:.e é e:.crita (,erniogra
fada) nas palavras do paciente. Apenas tcnt.ullO\ dar-lhe uma
ordem e coerência cronológica.
A pabvrn latina "sic" (no scmndo de 11a.'i.~im mesmo'') será
usada somente ~e a informação for extraordmána ou sus
peita, para demon'itrar para outros que irão ler o prontuário
que o examinador também estranhou a mfonnação e ten
tou esclarecê-la. mas o paciente tru1Dteve-,e irredurí\'el em
O Método Diag11óslico 7
ma informação. Para marcar o conceito, citamos algumas
frases latinas. Sic it11r ad astra = assim se vaiàs estrelas, que
podena ~er usada para um aluno que se saiu bem numa prova
dificil. Sir s1m1til111s rebus = mantendo-se assim as coisas, que
podena ser usada para a educação no Brasil Sic craJ1Sit gloria
1111111di = assim passa a glória do mundo, que poderia ser usada
para professores que se julgam os maiorais.
Ao final da primeira anamne<ie, você já deve ter uma boa
compreensão dos problemas clínicos do paciente. mas tam
bém da personalidade dele como um rodo.
Um profissional hábil e treinado em fazer anamnese di
ficilmente colocará no prontuário frases como "o paciente
informa mal". Terá a consciência de que, em vez dlSSo, pro
vavelmente foi de que não soube obter a informação.
O psicólogo americano Carl Rogers enumerou algumas
das qualidades pessoais essenciais que o profissional de saú
de deve possuir:
• Respeito e consideração incondicional: a capacida
de de aceitar o paciente como uma pessoa única, adi
ando o julgamento crítico e aceitando-o como ele é.
Significa valorizarª" pecularicdadcs e as crenças do pa
ciente a despeito dos seus próprios sentimentos pes
soais cm relação a elas. Encarar os hábitos ou senti
mentos dos pacientes como a melhor forma de eles
se adaptarem à sua doença ou às circunstâncias da sua
vida.
• Sinceridade e congruência: a capacidade de ser você
mesmo numa relação, não se escondendo atrás de um
papel ou de uma fachada (maneirismo). O primeiro
teste dessa sinceridade é feito no exame clinico.
• Empaca: a capaodade de se colocar no lugar do paci
ente, percebendo com exatidão a experiência e os sen
timentos dele e de comunicar-lhe essa compreensão.
Não confundir com pena nem compaixão.
A anamnese não é conversa social No convívio social,
um indivíduo pode ser considerado importuno se você per
guntar ··como vai?" e ele realmente re<,ponder nos míni
mos dera.lhes. Na anamnéSe, você quer saber mesmo e re
gÍ-'ltra mclusivc a mtens1dade dos sentimento,; que cercam
os fatos. Você não deve ignorar nt!Ill minimizar os sinto
mas, mas incercambiar, isco é, reconhecer os sentimentos,
avaliá-los cuidadosamente e direcionar o seu comportamen
to levando em consideração esses sentimentos do paciente.
Você pode também aduzir acrescent.ando dados que não
foram expressos verbalmente, mas por outros mecanismos
de comunicação, como, por exemplo, a comunicação não
verbal.
Quando se conversa, não se ouvem somente palavras, mas
também pausas. As pausas podem servir para:
• Ganhar tempo para formar uma frase.
• Ganhar tempo para uma lembrança completa.
• Fazer censura do material.
• Criar um efeito dramático para obter simpatia pela sua
condição.
• Preparar-se para mentir.
Os silêncios podem ser sinais não-verbais de angústia ou
uma demonstração de que o paciente vai se coroar passivo,
deixando para você a iniciariva, ou, ainda, pode ser que te
nha se inibido ou até ficado ofendido com alguma coisa.
2.4.2. Tipos de Pergunta
As perguntas são chamada~ de aberta,; quando possibili
tam ao perguntado cfücorrcr livremente sobre o assunto. Por
exemplo: ''Conte-me como o ciru rgi:io-denoqa gue você
consultou tratou o seu problema" ou "Conte-me tudo o
que lhe aconteceu". Qualquer detalhe ~obre o que for refa
tado será obtido com perguncas adicionais, mais específicas.
É o opo de pergunta de que o paaente am1oso para ser
ouvido mais gosta; é útil quando o paciente tem capacida
de de expressar-se, mas perde a utilidade nos paaente.~ reo.
centes e pouco comunicativos. O primeiro tipo de pacien
te poderá extrapolar, disparando wna enxurrada de infor
mações úteL~ e mútcis, quando devcmm tomar as rédeas da
entrevista conduzindo-o de volta ao que interessa. No se
gundo caso, teremos que incentivá-lo para "arrancarmos"
as resposcas que precisamos.
As perguntas mais específicas ou mais diretas são chama
das de perguntas fechadas. Espera-se que as respostas a elas
sejam curras. Podem ser as mais eficiente- para obcennos
informações, conto rnando o problema dos paciente,
verborrágicos, embora o excesso de especificidade pos.~a ser
pouco eluadaavo. Ex.: "Há quanto tempo você tem este
problema?" ou " Quantos cigarros você fuma por dia?".
As perguntaS dirigidas embutem uma rC'lposca no seu
interior. É uma pergunta arriscada, pois os pacientes que
querem agradar o profissional poderão concordar com es
sas sugestõc:s, sejam elas verdadeiras ou não. E.x.: ''Pelas dores
que relata, você deve ranger os dentes à noite?" ou "Esta
ferida na sua boca deve incomodá-lo mmto a ponto de per
turbar o seu sono, não é mesmo?". De uma forma geral as
perguntas dirigidas devem ser evitadas.
As perguntas contraditórias tentam conferir a veracidade
de uma mforn1ação ou achados suspe1cos. Ex.: "Você diz
que escova os dentes cuidadosamente, como se explica apre
sença de canta tártaro na sua boca?" ou ·'Você conta que
não procurou nenhum profissional de saúde, então quem
lhe indicou o remédio que você está tomando?". A agressi
vidade desse tipo de pergunta pode ser amenizada se o pro
fissional admitir certa culpa. Ex.: ''Devo ter entendido er
rado, você diz que o problema cem dms anos, como você
diz agora que consultou um dentista há três ano~?'·.
8 O Mhodo Dia.~1ós1i,o
As pergunta.<; 1ndJrew serve01 par.i esclarecer outr0 pro
blema não ex,1tarncntc explicado no seu conteúdo. Ex.: "Sua
gengiva costuma -.., ngrar?" pode ser usada não para sabt!r ISSO,
nus para avaliar se o parn:ntc t.-scá seguindo as oncntações
sobre a higiene bucal.
2.4.3. Identificação do Paciente
·• Voei mie> fala com J'clCimt,s; fala com um conjuntn J~ «tJlfil.S
s11brr <' mundo ...
c:1.~,c1. t 979.
A identificação sumária do paaente é a únie1 parte que pode
ser fcita pelo pessoal auxiliar. w identificação poderá ser es.
cntl do própno punho pelo paciente, evitando-se assim er
ros de grafia. Ne!>~c caso, antes de começar o exame clínico,
o profis.~onal deve ler C$CS dados para se siruar e começar a
saudar o pacremc pelo seu nome e fomia de crat:amemo com
paóvd com o seu estado c1vil e fu.x.a etária., ,;egumdo-se a sua
própria aprl.>senução e cumprimento dando-lhe a mão.
As pergunt.a.~ que fazemos estão no Quadro 2.2.
Os estudos epidermológico,; nos mostram que algumas
doenças são mais freqüentes em cerca faixa ecin.1, ~exo,
etnia, profissão e assim por diante. Os carcinoma.e; ocor
rem 1ruus na meia-idade, cnquanto º" ~comas oc.orrem
mais nos pacientes pediátrico", :i~ displasias fibro,a!I
polioscóncas ocorrem mai" no <.exo felllllllno, enquanto m
osteossarcomas ocorrem mais no c;exo masculino: a mc
mia falciforme ocorre mais na raça negra, enqu;into a ca
la.t<;em1a e o sarcoma de Kapo.,1 clá.mco. não vmculado à
infecção pelo HIV. ocorrem mah no,; na.,;cidos ,is marg•.:ns
do MedJterrâneo ou onundos de'isa região: os que lid:im
pro6,;!i1onalmentL com metais pe,ados podem ap,cscnt.ir
com maior freqüência linhas pigmentada.<; na gengiva, rn
quanco os profus1ona1s de saúdt: ,ão mais suscetívei,; às
hepatites B e C; no norte do pai,;, ma.,;ca- se mais o fumo
de corda, enquanto, no sul. cosrwn.i-;,e beber mai, o chi
marrão quente.
Dessa foona, a 1dentúicação do paciente podL no~ d.i..r
puta<; importantes sobre a construção de decem1inada,; hi
pótes~ diagnóstica.'>.
Mas não só •'-"º· Como temo, que obter uma vi<..io mais
abrangente do paciente por uma c;érie de outr.is mzõ1.:s. co
mcotadas no capiruJo dedicado às relações pac1erm:--proti~,;1
Dados colcudos na identificaçfo. históru !>ocial e biogr.ifu do paciente
Identificação sumária
Nome
brado c1nl
~o
R.1ç:1 ou Cttul
Idade
Í ).ll.1 ,k 11a>cit11('1llU
Prufusão
Níia.:iuualiwdc (p;ai\)
Narur.tlicbd~· (c1d.1dd c!>tado)
Procedênda
Endcrcço) (comc:rdal e re.,1Jr:ncial)
T clcfuno (comerci.tl e res1denci.il}
E-mail
Fonre de encaminhamento (qul"m 1mlicou)*
• Prefere-se que os enanunh:unento, \C;:tm featos por escnco.
Identificação expandida - biografia **
Rei igiio-creur,."llll
Ninnl!ro de hlho~ e mn:ios
llt'l1ÇÕe5 .tãmilum: coe~ão.mccrdcpcn,iênna
Tipo dC' habau,,ãu
Hflb1to, nutncaonais
V1z111h.inça
Refa\·n~ ~ociai~
Filo,ofu de vid.1
Grau Je auco-e,;u1ru
E\t.1do p~icolõ~c:o
Preocupações, medo,, ava,;õc,; e fobi,n
Rel.v;õe~ pregrc:~;u com outro\ dentist.u
Expc:ct.1tivas quanto .10 futuro tr.1tm1cnto
lntcn:s~
Preierências polin<".as
H.mórfa e filosofu Jc \·ub
Nivel culrural
Amb1encc culrur:tl
San-fação e ~egur.mçi protimonal
Renda
Históna Joç t:mprcE,roç
Preferências e ~mpo dedicado ao l.m."f
Prdcrênca.u \e.xu:m
l'.ulrõe\ de sono
ri Nem sempre qu~oonada rut pnmCID consuh.. .m;u oecesqria. ao menos, se: for o~.i~ no dccuno do ttawnento. ~ qwscnnos ttat.u o
paciente como um todo.
O ,_\1irodo Dra.enJ1tuo 9
onal. a biografia do pacü:ntc:. e; a história oci.il sfo funda
lll l'l1W.,, mais do qui: a idenoficação.
Embora possamos que<.tionar ou não. por acharmos que
faremo~ peq,,'rUntas em denus1a ao paciente, numa anarnnc
,c formal é m:ces,.írio que esreJamo, mtc:n:~1do, não só n.1
identificação do pacicncc, m,tc. também na sua biografia.
Ainda que optemo, por não qut:5tionar, é inrerec.,;anre sa
bennos do paciente sobre seus interesses, religião, preferên
nas politia.~. rebçõe~ soaat, e funiliares, hí.~tória e filosofu
de vida. nívd cultural. satisúçio profissional. prc:ferênci.a.s de
l.tzcr, preferê-ncia~ ... e:-.-uais, grau de ,;w auto-e.,;nm.1, preo
wpaçõt!li e medo~ e rudo tn.U) que po!>sa sc:r capta.do :.obre
~ua individualidade.
Tau infomiaçõ~ não serão n-ac.ad~ como mer.1 curio~i
<lade, masºº""º comporumenro, nossa conclua e forma de
comunicação e até noss~ opçõe:, técnicas ,;erào dentro do
possíve], alterados e: adaptados a c,sas caracteri .. ucas.
2.4.4. Queixa Principal ou
Estímulo Iatrotrópico
É o motivo pdo qual o paciente procurou o profissional
(G = iatw profi,,ional: tropos: din:cionamento) Nem sem
pre coincid1. com o problema ma.is 1D1ponancc que o paci
ente po,~m. Ele podttá vu tratar de um.a cáne e de!>cobrir
w1u neopla,ia maligna que ignorava.
Trata-se <lt' uma notação sucinta e escrita n3.) palavras do
pac1cmc:. Gemi mente, quando a prolongamos, c~ta..mos en
trando n.i lu:.tória da doença acuai.
As questõe, ahc:n:.a:. fe1~ são "O que o está incomodan
do?'', "O que: o trouxe à comulta?"; "O que o trouxe ao
consultório (ou faculdade)?"; "O que você e:sci ,encindo?":
e "A can., de encammhamcnco cita alguns smcomas, mas
você pode th::.crevê-los para mim?".
Conforme a gravidade ou urgênna da quew pnnapal
pode ser necesürio ilireviar todo o exame clínico para acen
der à dem:1nd.1 detectada.
2.4.5. História da Doença Atual
Pode também ser entendida como história da queixa
pnnopal. É uma narraova cronológica e clara sobre a quei
xa principal Sem esmagar as evidências que estamos pro
curando, o paciente deve ser suttlmenre levado a relatar cro
nologicamente o,; acontecimento), apesar de haver uma ten
dência de ele começar a contar o estado arual do seu pro
blema. A luscóna reflete o modo de pensar do paciente so
bre o seu problema.
O enrrevtsc.1dor poderá usar alguns amficios para conse
guir o seu intento· f.acilitação, reflexão, esclarecimento,
empatia, confrontação e mrerpretaçào.
Seqüê11da d~cJ.ivel n.i h1\tÔn.1 da
Jocnça acuai
• 1 ).1ta dos pnmctro!> sinais e j1fl!llrius
• Oc:;mç.i.o des,C':S pnmeu-o, m.U!> e srntom.'l.'i
• C;u-.arnuçio dt ~tonutologi:a: percepção,
penod1~1dadi:, frequência. alh,os e agravanu.-ntos
• De5envolvimcnto - cvoluç.io ,ité o presente
• Tr:ic.1.mcnro, e (t.>m resultados: por conta própru t'
com ourros prufis.S1onm
• E.um~ complementares n:.iliz.idos e scui result2dos.
D1~ponibilid;:uk'
• 8t:1do aru:tl dt docnr,."':l
A f.aciliução é u~ada quando o entrevistador uah:z.i :>Ud.)
pom1ra,;, ,;ua comunicação não verbal e verbal para enco
rajar o entrevistado a falar. Usa a atenção, a indinação do
corpo para a frente e palavras como "continue'', "hum,
hum", "continue", "estou entendendo", ~~cou ouvmdo'º.
"e em.ão?", "o que aconteceu dc:po~?" etc.
Usa a reflexão quando repete as palavras do paciente: pro
curando encorajá-lo a prosseguir. Exemplo: apó, o paacn
te ter uúon11ado que a dor se trradta, o profus1011al diz:
"Então ela se irrac.ii.i'" e pro~~eguc: "Para onde?"
Usa o esclarecimento quando, após uma a.firmação do
paciénte, pergunr.1: "O que você quer dizer por .. , ..
Usa a empatia quJI1do, tentando se colocar no lugar do
paciente, chz, por exemplo· "Isco deve inc:omod.i- lo mw
to."
Utiliza a confrontação quando diz, por exemplo: "Você
diz que Bto não o mcomoda. mas suas mãos ec;t.io tremen
do.''
Usa a interpretação quando diz, exemplific:mc.Jo: "Você
está, a todo o momento, falando em câncer; pur ,u.:~u í: ~lo
que perua ter?."
O processo inicia-,;e com questÕl"S aberta'-, jqo é, gené
ncas, e cononua-st' com qu~tÕt''.> Ít"ch 11:l.1-. 111.1i, específi
cas. O ideal é que haJa um equilíbno corre tun tipo e ou
tro. Por exemplo "Qual a <lur.l\·fo da ma dor de deme?'';
"Onde você a sente?", "Mmtrc::-1m: onde é": "P<-rmanece
.u ou UTadta-,c:'": "Para onde?".
fu quc::srõo não devem ser tendenciosas. Por exemplo:
"A sua lesão branca parece leite coalh.ido?". Prefira: "Com
o que se pa.rect: sua lesão branca?". Se o paciente for inca
paz de descrever, forneça respo~c.a de múlopla ~colha.
Faça uma pergunta de cada vez. Se você aa-opdar o pa
cicnre, ele ficara confu~o. U(e Ull13 linguagem compaovel
com o seu presumível grau de entendime11to
A,; perguntas de foro pessoal e intimo podem embaraçar
o pacience e o profi~~tonal; entretanto, um.a po)cura ~éria e
compenecrada pode 3Judar O profimonal de: ~úde deve
10 O ,\1étodo D1a.~11ástico
ProbleuLl, n:bcionado~ com a
,mcomatologia <l.1 queixa pnnc1pal
que.-: devem ~c.:r ~>selarecidos na
h1c;tóna d2 doen~.a atual
Quando a queixa pnnc1pal tô1 notada'
Qu,u a origem e: a localizaçào J;& ~mtomacologi.1?
O que acb.i ,1ut: pmlt- ti:- l:1 c:1umlo?
Qual a qumridadc ou intemi1fadl.' da que.ixa?
Em que c1rcumui11cus da ocorre?
Qu;us o, fatore que a acenu:un ou agr.l\'am~
Qu:w J.) mani.fe-;1:.1çõ~ a,,oc1.uh,?
Qu.m ai. preoi;up.,çot.., :1dy1cr11te,>?
Como .1 <1m·1x., pnnc1paJ wm evoluindo?
Se houver dm.
O Como ~t.l K .iprncnta?
o É localiz.1d.1 ou irradia-,t.'' Em c.uo po,1two. para
onde'
O É con,r.u11e ou mtemlltcntd
o Qu:m o, ,mtotn3.) ~,od.ido\?
O O que :a :th\'13 ou agrav;a?
o Tomou 11lgum:i pru,,déncia ou remédio? Em ca~o
po!,Jurn, 4ual (is)?
~ Se sun, qtul o cfe1to obudo?
< > 11uc fui feito J rc5pc:Íro?
Qua1, m profi"mnais procuradm?
Que o::tmc:5 complementares cs~ ((°)lil'ltacun e 54:U( rc-uletd~?
Quais os diagnó~nco, finai, a que chegaram?
Qu~· tmtamt'nto, indicaram ~ qu.m foram o~ )eu~ roult.1dcx?
Como a untom.uologia vem i.nllumdo na vida do p.1c1.:me?
{JuaJ a s!lua\ão da queixa uo iusc,1ntc: do e.xamc clinico?
~e111pre observar os clínicos mais experientes, procurar cu r
'°' e leiruras especificas e usar sua própria nutun dade e
<:~periêucu ele vu.la.
Não é função do profissJonal tm1àr opiniões e criticas
sobre o uso de substância" nocivas Ele deve reurur os da
do:. t • planejar uma estratégia tcknica para ajudar o paciente
a evitá-las.
Quando conveniente, o clinico deverá usar uma frase
tr.1n,;1c1onal para passar de um assunto a oucro. Por exem
plo: "Gostana agora de ouvt-lo sobre um outro ponto."
A conclusão da an amnese poderá ser feita com fuses do
tipo "Você gostana de falar mais alguma coisa?" ou ''Acha
que nos esquecemos de a]guma coisa?".
Na história da doença arual. deveremo,; clanficar alguns
problemas fundamentais relaaonados com a smtomatolo
gta dt::sca queixa.
Se estivermos freme a uma queixa de dor. as caracterís
ticas clisposcas no Quadro 2.5 dt•verào ~r perguntatit<: e <:e
mioE,rrafadas:
Caractcnzação da queixa dolorosJ
A~pcctos copob•T:iticos: a local.iz.lçfo an:uônuca. Ex.:
~upcrficial, profünda, vm:eral, ncuro~éruca, ~icogêruc.1.
A)pect.<h quantit:&tÍ\o,· imeruid.ide. Ex.: discreta. b1:u1d.l,.11uportivd, mtcrua. msuporti\d e: tm1-
Ajpc:cros ccmpomi,: duração. freqüênci.1 e seqüêuci.1. E.,.:
longa ou curca, continua, 10term1teme, rccorrcntr, st'ib1t.1
erc.
A,pecto, qwliuuvo~: linguagem de:«T1t1,·a por :uulogi.1.
Ex.: formigante, urcntc, queimante, latejante, 2hrupu.
,urd.l, como~ fo,~c unu fãcad.1, t•m apeno, como um
bdhcfo. em sal\"a, fulgur.mte ,·te.
Aspecto) fisiológicos ,L\,ociados: proCC))O) ~pont..incm que
.11,,rravam ou iliv1.1m .1 dor, Ex.; qu;mdo \C coca 11:i pde,
quando me mo\'unemo. junto com o h.mmcnro C'adiaco.
quando rc,p1ro, qu:amlo mastigo, quando engulll etc
rupecto, mcdic.uucmo-o~ .lSSOciJllo~: <leu~ que ali,-iam ou
não .1 dor.
Aspecto~ comporc.amentai\ e p~ico,,uu~1is: comportamento
induzido ou :i~,oci.ado com a dor e o, signifiuJm
p~ico~,oci.m dc1t:1. E,c .. 1mtilçãu. 11c:rvo,im10. depCMo.
mc:ipaaciç.io, ..-ergonh:i, dcp<.>nJênc1:i ccc.
Ao se tratar do fenômeno dolom'io, alguns cenno~ cem
que ser aprendido!>.
Quando a queixa foi notada, pode ser diferente d.a ver
dadeira duração. A .tlternç~o pode l.'SU! lá sem que o pac:i
entc a note até que tenru uma C:UlllCll~iO lll;II'> pt"rCt"pÓve{
ou que haja um ~intoma. É dilicil. por exemplo. d11er que
uma dL'>plasia Gbrosa ou um querub1smo escava pre~eme
de~dc que o paàcncc nasceu ou se:: apart:ct:u há m~es, ou até
há anoc; mais carde.
A principio pode parecer estranho perguntar ao pJc11:u
te ~obre a causa de sua doença; entretanto, pensamos que
não devemos subc~ttmar o conhecimento que cada um de
oó~ tem sobre o próprio corpo. O paciente pode não saber
a ongem provável de uma doença; eventualmente, de po
derá as.";OCtar o seu aparecimento com um fãtor caU!>.1l. como.
por exemplo, um trauma. Pode não <;aber infonnar a pnn
cfpio a verdadeira duração da queixa, mas pode associá-la a
um evento qualquer da sua vida pessoal.
2.4.6. História
Odontoestomatológica
É muito mais que a história dental presente em vános
prontu.ínos. T rata-~e de conhccennos todas a1; c.,cperiêncw
que o paciente te, e com eu sistema odontoestomatogruiti-
'
'
O Mirodo D1agnós1ico
~ADRG O dmonário J., dor (de interesse estomatológico)
Aloduua: dor çem escunubç3o noc1,·.1 no local de ocorrênaa. Dor csponcin~.
~~~~~~~~-
An.J g cm :a. ;iusênciJ de ~eruib1lid.1Jc à dor.
Anestesia: aU)ênci:i ,lc qualquer sen~ção.
Dor central: dor as.~oc1ad.t com uma lesão do SNC.
Dor e<.mtr.il.tter.tl: Jor do lado contrário :io d.1 lesSo orgât1il':I,
Dor cm ,alva: dor ::tguda l"pisódic.1. Em ronLllL, elcttio, fulgurante ou em mo.
Dor ~p.htica: dor acompanhada de mioconmç.io.
Dor L"'ipontânea: dor sem cstnnubçio noa,·a no local de- ocorr~nna Alodinu.
DM hl0 tt·mtópica: Jor ,enci<la cm ou1ra área. c.Jifcn:ntc do loc:..u de ongcm. Oor referida.
Dor hu11101ópia1: dm \eucida no lunl d.:i lesão.
Dor 1p~iLm:ral: Jnr Jo momu Lido d.t l~o o~ruc:i.
1 )nr mtl,UlLltócia; dor pron:ruc-ntc- Jt• tecido infl.imado.
Dor mi'hn1lu~qud~u1..a ou miot:tsci.al: dor sonÜtlC'3 profunda provcmentt' de mú~culo, csqucléncos. wci.t~ ,. temfôcj
(dor rruotrêru,a 011 1111algu), o1'os e pcnfuteo (Jor ô~~a} e amcul.lçõ~ e c:m componente\ (dor artr.ílgic:i)
Dor org.imca: dor C1U5.ld.l por um.1 lesão 0~1k:'I.
Dor paro.xisuca : dor epiq';Jica e mar~-anre, um agra,·2mento do \lntoma.
----
11
Dor :i pcrcu!>São: dor apecus provocad.i por um tnunu produzido pelo e.~minaJor ou durante um ôfor,o m:m:igatório.
Dor 1>51cogêruca· dor em lc!Sà.o orgãmca den1onsrr.ivd
Dor rdenJa. proJet.1Ja ou refü:xa: ,lor senoda cm outrn área. diferente do local de ongcm Dur hetcrotópic.i.
r>or :i ~ucussão: dol' provocada pelo :ihalo.
Dvr urcmc: dor qucunante.
I ksaforr.:noação: cfdto da eliminação da ativid.ldc: neural aferente devido à mtem.1pção d" ncurôruo.
D~nen"J,io: rcssccç:'io ou exnrpaçfo Je nervo\,
()isestesia· seru.1~0 anomul de$2~'T3W\'el
Hiperalges1a: ~en(1b1lidadc aumem.ttla j, dor de emmulação ou provocada.
- - - - - - - -
HipcrCStl"ia: aume11to de ~e1mhilid.1dt• de qualquer tipo.
---
H1po:ilg1.><,1a: seruibihd.1de dimmuíw à dor de esnmulação ou provocacb.
I lipué<>tl."'i1a: dimmu1ção de \emibilid.ldc: de qu;alqucr npo.
- - -
.Liuuar de dor: a menor interu.idadc de: esúmulo capaz di: ativar a \l!rua.Çào de dor.
~e,T.t.lgi.:i dor geracb cm um nervo (e nio apcn;u carre.ida por ele).
Par~tes1a: scn~~o .monnal d~:a~d.h·d ou n.io.
Tcla.lgia: <lor refenda ou hetcrotóp1ca.
--- -
12 o Mtu,d,., D111g116Sll{(I
co e: com ~ vnioo anten orc!s que fez a outro) cirurgiões
dc::ntlSta.'i. Diante do obodo, serão tomada,; a,; providências
cabíveis.
2.4.7. Tratamento Médico Atual
O que devemos perguntar, nesse ca.m , está no Qua
dro 2.7
lnfom1ará as doenças presentes, suas duraçôe,;, dC'-C'ri(Õt,><;
detalhadas do tratamento e conseqüências dos trataml.!nto:.
e das doenças.
Qucstõ1:~ fei1:2:, para obter a história odoncoescomatológica
Quantas vezes por ano você vai ao denfüca?
Quando fo1 ,;na ultmt:1 vmra ao denrma?
___ \'eze~
___ / ____ / __ _
O que, na sua opinião, é o \CU maior prohlem.1 odontológico?
- --- -
l'e\.'l" algum problenu no rracamenro ie1to em algum denasca? -----cc
Qu.,l[I\)'
~me medo quando ,,m:;i o denmta'
Em ca.'io pmibvo, n que lhe causa medo?
- - ----
Jg foz :ilgumn cirnrgw na boca?
Em c,uo posiovo. por que foi fci1.,1?
Em caso posiriYo. teve muito inchaço apó~ .. cirurgia?
- --- -~-
Já teve algum rrawm na tãcc ou obeça? ---- --~
Já usou aparelho ortodónacCI;
- --- -
Ji teve reação comum a ancfü~'iaco~ local\ (àquele que o denosta uça)?
Tem ou teve hcrp~ l.,hul?
Tem bolhmh.a.s noc lih10~ rcperidas vezõ? -------
T t'm ou te\'e c.111d1dC1\e (Qrinho) bucal?
Tem ou teve .ÚU( bucat<?
Sentt' quci.1uação ou ,.ksconforto na língua?
Tem algum.a dor nos dcnrt'~ provocada por algum c:scímulo?
Qual(as) ~ (são) o(s) c;rimulo(~)? Fno '.:] Calor O Ma.,ogação O Doces O facovaçio O Fio dl"ntal O
~ente dor ~poncinca c~m e1rimulo nenhum) 00\ dente<?
Scmc rctençjo 1lt.> .dmwnll.>\ t'nttt os dentes?
Ma~ng.i nos cio1~ lados ela boca? - ---- --~
S,• não, qual o L1tlo que prefere? Direito O Esquerdo O
l l'or quê?
Algum ilimento irrita os tecido~ moles da <ua boc.1?
Qual(is) ahmento(s)? -------
Em que lugar (ou região)?
- - --
SunO
Sllll O
Stm O
S1rnO
Sim O
Sim O
S1n10
Sun O
Sun0
Sim O
S1010
Sim U
SIIll ~
Srm O
S1mO
Sm10
Stmte dor e/ou ~ta.lido {ruído) na aroculação temporomandibular (esta .,diante do om,do) quando mastiga? Sim O ---- -
Usa algum tipo de prótc\c? ·Suno
--- -
Tem problemas nas glãndul~ salivar-o? Sim O
--- - --I Sente a boca seca com frequência? SunO
Sence a boca che1a de sali\'a com frcqüênru? Sam O
N:ioO
N5o0
Não O
Não O
N.ioO
NaoO
Não O
'.\Ião O
'\Jio O
'.'rio O
NloO
NfoO
Não O
Não O
1\Jão D
Nãon
t,.;inO
N5o0
Não O
'JãoO
NfoO
N.ãoO
O Méwdo Di,ig116srico
Que~tões fo1ta.\ para obt~r a h.istóna odomoe~tomatológica (conrit11M(à(1)
Co,tu11lól r~p•rar p~ boc~?
Sua linJitU:i L',ti \('Tllpn: ~hnnquiç.uu?
Sud língua Já cuc-ve enegreaJ.i?
Co:.nnn.1 ter r.ichadurn, ou ícrid.1, nm c:mtO\ do~ lábios?
Cmtu111., r.mgcr e/ou apertar os dentei?
Só l noite? D O dia inteiro? D
Sencc dorc~ no\ mú«:uJm da face quando eles \ão palpados?
S,·nrc fod1g;a nm mú.çculo\ dl f.lcc?
Tem o háb1co de roer unhas ou qualquer oucro obJeco?
Tem o hábito de morder o l.íb10 ou ;a parte mtenu d.l bochecha?
C:omnru pr~s.ionar os dentes com a lingua?
Sente <lificuld.1Jc- t!1ll e11h,olir? ---
Su.1 gengiva !>;Ull,rr.l fadlmcncc? -----
S6 quando õcov:i? O fupontam:-.11nente? O Qwndo encost.1 o rosco no tta\'~1r0? O
-~~~~~~~ ~~~~~~~~~~
QuJnt.u vc-zl.~ por dia você ocova m dcmtc-s?
bcova °" dente'\ ,uavemente? O Ou fortemente? O
U).i c::,cov-.i ma.eia? O Médu? O ou Dura? O
Qu.tl ., 111.1rc;1 J.1 e<ico,•a que us.l?
-------
Jâ lhe ln)tnliram como c:sco\'Jr e: u,.1r o 60 Jenw.?
- ----- -
Já lht• mJac.tr:un algum tipo Je p,Hta Je dcmtc?
Qual?
E qual aque Cl)\t\J.11U usar?
lá fct cl.m~:imc:mo Jdlul?
)abe como mo pode ser t"t!itu?
-~~~~~~~-
S.1be o que é wuro e onde ele )e forma?
-~~~~~~-
S. t h e o que ê pbc;i bact1:ru.na e como com.i·la m;m v1sfrel?
J.i ,li"eram que vncê tem tártaro e/ou plaC'.l baccenana?
- ----
Vai frequentemente ao denusta parn remover a placa bactenana e o tártaro?
Tem .tlgum dente que lhe parece .llllolccado ou móvel?
~ah,· que a deun11çâo óssea pode ocorrer .ib;uxo til gengiv.a?
~~~~~~~~
Su.i gcngl\':t csci ~ retnindo do\ dcnte1? ----
Tc:m ouu bilito?
Tem án~ com freqüenC13?
Emende o que: é! oclusão tr.1umáric.1?
--- ----
Sabe que wn dente perdido deve ,er subsciniido por prót~e ou 1mpLmcc?
Tem ou teria algum problema cm usar dentõ thlsos?
~~~~~~-~
Já fez tr.ttamento de canal?
Você c:-.ti contente com .1 aparência do, \Cu., dentes?
Ou com forç, mêdia? O
SunO
Stm ':]
Sun ']
Sun D
SunO
\11110
S1mO
SunO
Sim D
S1m O
\1111 D
Sim[)
Sim[J
Sim O
Sw1D
SuuU
~1111 D
~llU D
!:>1m D
Sim O
c;,m D
S1111 D
SunD
SunO
~,mo
Sim O
\1ru D
Sim O
S1mO
S1mO
13
Não O
Não O
Não O
Não O
Não O
Não O
Não O
NioO
NioO
Não O
Não O
Não O
Não O
NiioD
Não D
Não LJ
'.':ão O
"=iio O
'.\l.iu D
Não O
Não O
Não D
~ão =i
'.':ão :J
'.':io O
Não O
Nio O
Não O
Não O
'Jão D
14 O ,\1itodo Dia.e11óstico
Questões feitas p,ml obter a h1,tórfa odonto~ton1.1toló1,riC"a (co11tm1t.ijào)
Já extraíram o, Séu, dentes do mo? Snn O NfoO
Qu;mtm?
Sl" J~ pcnh-u ourro(\) dcntc(s). qual(i~) fo1(ram) .a(\) c:iu~?
ja tCVl'. g.inglio, enfartado~ ("ingua~") na n:wão eia cabeça e p~COÇO?
J.:í upcrnu alb'lllll tumor na boca?
S11110
S1111 0
Não O
N.iuU
Em l~O r<>~itivo, qwl fo1 O diagnó,riro?
Já tl"\'t< par.ilma bl;:tl?
J.í te,·e nc\'r.Úgi2 facial?
Teve algum prohlema com os dcm~ de lt'1te?
Qu:11(1,)?
Teve algum problcma nos fü~os 111ax1l.irc, e: na mandíbub~
Qual(i,)?
Sente n.iu,e;1s com facilidade?
í:m C'.l~O posiuvo, ube por qut!?
E.<.~~ dado" podem ou não ter imponâncaa para o diag
nóstico da queixa principal. Ex. um paciente com disfun
ção rcnal poderá apresem.ar-se com queixa de awncnto de
volwne na maxila ou mandíbula que, no final do processo,
poderá ter o diagnósaco final de hipaparaureoidismo se
cundário; um pac1eme com htslóna de armtc rcumatóide
potforá :,e apresentar a nós com qut!l.X.3 de dbfunção da A TM,
que é parcc do processo s1Stênuco
Ainda que não tenha relação com a queuc.a principal,
poderemos obter infom1açõ~ importante~ para não attapa-
1.hanuos o tratamento médico amvó de interações medt
camentoQ,; em ccrapêuoca que podemo~ receitar. Ex.: an
t111illumatónus não-estcro1dais mteragrndo com hipoglice
uú:mh.'S 4uc, m:~sc caso, terão seus efeitos potenc1alizados,
e tetrncichna receitada para quem in~re ancikidos. A droga
qui: um:mos 4uc receitar pode não rcr mtcraçõe<. com as que
o parit'nrc.- ingere, mas pode ter efeito~ colaterais indesejá
vclli para as doenças que o paciente porta. Ex.: conicóide
em paciente portador de úlcera gá,;mca.
2.4.8. História Médica Pregressa
Como nem ~empre esses dado,; .. ão qu~nonados, pode
acontecer de o paàeoce não informar a lustóna com a de
vida acurác1a. Diante de perguncas desse tipo, ele pode res
ponder apenas aquilo que, no c;eu julgamento, deve inte
ressar a um cirurgião-denásta. Logicamente que:: c:ssa apre
oação de um leigo pode prejudicar a obtenção de dado~ un
portancí~~imos para o diagnóstico e traonenco de seus pro
blema.\. Daí recomendannos que a h1stórin médica deva ser
~Ili! o Não O
~1111 0 N.ioO
S1mO Nio !:J
Snn n NàoO
Sim O Nfo0
qu~tiona<l.i com denodo, p~i.stência e aparente reJwu.l.in
cia, poi5. C.bO contrário. ela ,;eci eivatl1 <lt· " n .d.n " (nada
digno de noca).
Se ~oml.'nte pergun~emos quais os problcm.1s prcgre-..,o ...
de ,;aúde e o pac1ence m ~fiasse de n1.ane1r.1 complcca, uada
mais prcc1,;aríamos fazer; entrt:tanto, observe que a.e; pcrgun
ras a seguir parecem ser repetitivas. Ex..: se Já pcrgw,camos quais
foram O) problenus de saúde, não preo~riamoc; mais pergun
cu quais os motivos das consulta:. que fez com m médicos. ou
por que já foi ho~pu:a11zado e, aimfa, rtwl\.ir o, ,, .. tc:mas
O quõtionamcnto contém perguntas que podem pro
vocar grau~ variáveis de constrangimento; encrec.anco, ~
nece<.sána.c;, pai .. podem ~er inerem~ i!> quci..x:b apróenta
da.,;; pelo paciente.
Não é dado ao profi.c;c;ional o clin.•ito de &zt..-r Jul~um:nr<». O
assunto merece um tratamento técnico e seTVJra somente para
3Juclar o paciente, através de wna orientação ~b1a e pom.lcrada.
As pc.!iw,tnw sobre o víoo d'\S drogas e álcool podem se
gwr as pergunt:.a..,; sobre o tabagismo. Lvenrualmence, o paci
ente pode ser conduzido melhor ao ~unro se pcrgunt:irmos
primeuamence ,;obre a presenç-a. desse-. vicio.; em oucro<. ele
mentos de m.1 família. Em caso pos10vo do uso de tabaco,
seguem-se pergun~ sobre o apo e quantu:bde diária; em caso
positivo ~bre ll~ de álcooL Séguem-~ ~ncas ~obre o opo
de bebida que usa e as doses dián~ que costuma mge-rir. no
caso do uso de drogas, pergunta- ~t' o opo de droga, a.~c.1dm
dadc e fom1a de aplicação. Alguns paciento são dependences
quínucos de algumas drogas lícitas e não acreditam que o
sejam. Um exemplo típico dis.~o é o uso abusivo de cranqüi
lizances menores. A ~cgmr as questões:
O Mbodo Didg116.Hico
Questõ~ foita~ durante a história médica pregrc:~
Esudo !!Cri! J.l <,;iÚdc: de acordu com a percepção ou opuu.io do p.icacmc.
l)o~·n(';J\ própria., cta infincu -DPI (êpoci C' CO!l.\eqüências): lo,lrullpo. rubcola, p:irondire cpidêmJCa r·t":1Xu111b:i''). coqut"luche
("to,,c: compncb"). ~c:ufacin:1, ,·anceb ("catapora') e: poliomiditc: ~"p:irafuu infunól").
Docnç:l, thicas da puberdade e d., idade .1dulta (época e conscquénc,asJ.
15
Ducnc,::.., p,14wjrnc.as e p~1col6gica< da pubcrcb<ll· e da idade adulta (~poca e con~t'quêncfa.ç): an~1cd.tdc, ncrvosi\1110. tkprL,..io,
,1"tilrhiu lnpul.ir. bulim1a .. morcx.ia, e,qu1zofrerua. p~1cose e.- outra.,.
Acidente~ e 1r.1unutmno~ (c:poca e comeqüêncm)
Con\ulc.h feiu, com médico~ durante: mJ.1 :i ,-id.1.
Cirurgi.1~ (época e comc:qüências).
l lospn:alwço~ (época r corul"quêncm).
V:ac11L1~õc,
lnfccçõc~
Rc\'ufo Jo:. ~i;tcma.\ (êpoc:a e: ,omeqüênrus. ,e .und.1 nc:c~)ári.1,) .
SNcma regumenur (dermatopati.1$); erupçôn. nódulm, úlcer~. pruridos. r~ecamemo. di:.cromi~. :Jopcc.i.l c
OnlCODllCOSCS,
Olho\, u.1riz, ouy1do~. fanngc e lannge: \'l~O, 6culos, lente( de conum, uttalnulgi.n. conJUntl\'ltt'5, l.iC'nmt1:uncnto.
lliplopia. gl.mcoma.. catarat.i, rc~lnado~ írcqfü:nte~, ob\truÇÕC:\ n.1s;us, \ccreçôes ou prurido~ n~. e!p1~t:1xc\, ,11nM"IJMt1:\,,
tOn\1lite~ etc.
Pc~roço; nôdufo,. bócio , Jor e rigidez.
M.1111.1~: nódulos. dorcs, secrcçio m.:unilar e :iuto-cx:unc.
- !)1(rc1na r~p1racóno; cmse, escarro. hc:mopo(e, Milos, asn1.1 brõnqmca. bronqwte. enfuemi. pneumonu. mbcn·ulo~e e
pleumu.
Smcma cardiov:a.~cular: c:miiopatm, hapenemio, febre reum.írica, '>opro,, toroc-.ilgias (mgirub) . p.ilp1t:i\ õo, dupn~u.
urtupuc:ia. Jhpnéia paroxi~tica norum:'I, cdem;i. exame) reccrn~. c!Judicaç;io, dores ou niema n.H t":'\"tremubJ~.
\'anCO)tdades e rrombotlebítc.
- S1stc111.1 g;i.mint~tinal: d1s1:1b>ia, odmufugia. azi.t. úlceras, g;l!,tritL'S, n;ill\t'.'ill>, vôuutm. rc~urµit.aç.fo. hc111atê111e\e, &pepsi.i..
e\'.tc:ll.i\·õ~. obmpação, J1amus. \Jll~menro retal. mderu, hcmorrô1da\, abdommalgias, flaculcnna cXCl"li\l\".J. tetl'rina e
hcpatop.1na.~.
Si,tt'm,, unnirio; frcqiii:ncaa J.is 1mcçõc\, poliúria, nic:cúri.i ou noctúna, :ardcnc1a ou dor ao urinar. hcmanuia,
in.conom~nc-i:i, lití:ht!,., Ji,íun~-.io e infc:c(Õe, (uretrice), pidit<."'I, ndiitcs e uretril~).
- S1Hc111a gêmto-reproduror
2. Ma.,culino: hérnias. secrcçõc,; ou ulccr.açõe~ penunas, dor ou nódulo\ resornl.irr~. OST, prnhll'm:h ,i:xuau e oncmaçfo
scx.11al
b. rcmuuno: mcm1rc:i (id.tdc). rcgul.mwJeanerut:rual.. ,.ingr.mmlto (qua11tiLl.1dc), dim1em1rrria, tl'Jl\.\O prê-mcn(mul,
111enop.lu\.\ (id.tde e sintoma~). repo,íç-;'ío hormonal. DST. prundo~. n&lulm, ukcra,õc.."' , ge.t:içõc-5. partos . .ibortos,
anticonccpclonai.s e d1)paurcnia.
Smenia mmculocsquelénrn: 1111:tlgias, 3rtropaba.~. artralgiá3, .,ruice. tiE,ridez, gou. lombalgu. [OIDL:Jw,is C:: CeniuJgi.1~.
- Smcnu ncurológiro: dt'miam,, vemge11,, coovulsôe,;, debilidade, paralMa, <.lormi:nci.i, Cunnjg;unl"nm e crcmorc~.
S1stt·m:i hc:m:nulúb'lco: auvmia,. poli1:1te11uá, linfocitosc-., linfopt:11Íil!I, plài.jUl!topenia, eqUinlote~. hrmorr:agi:t( , mmti.a~õc~ e
nt:<1pl.1.,ids.
Si~cc:m.1 endócrino: tireoidopati,1,, paratireoidopiri:u, diabete (tipo I e 2 ou in\ipiJo), h.iperimulim)mo, h1pofüep,1w.s e
.idrenopaua~.
Sa~tema nervoso pcritcnco- part"\te,ia(, an~te!iia.s. hipofimçôt-s sen)On.m e motora.~.
- Stçtc:m:a ncn·uso c:cntr.tl: ccfalétas, <Íncopcs. \'ert1geru. tmôma\, :1t:1x1aç, Jemêod.i st'nil. domç,1 dt' Alzhcwu.T.
- Alergia,: C.t\1$a$.
Pc:rib,n;. ambientais (no l.tr e trab.alho e rui õcob}.
Tabagt~mo: tempo. cigarros, chanuo, ou cachimbo/ dia
Âkuul: tempo, tipo (dorilaJo ou fennentado), d°'~/dia. Exüte uma equivalência aure o conteúdo alcoólu:o dr 250 m1
de cerveja com lltl13 caça de vinho e uma dose de uísque. H:i rendêncu de (Ubestimnr a su;i mg~u.
- Olltm'I droga~ (recreac1on.m ou não): tempo. opo. freqúênct:i.
16 O Mê1odt1 Diag11ós1ico
Ainda há os que relutam em obter uma lustóna médica
detalhada. Ainda não estão convencidos; se não o forem por
motivos técnicos, que o sejam pelos motivos jurídicos.
Ess~ dados não ~o objetos de mera curiosidade. É im
portante não só conhecê-los, mas ~abcm1os precisamente o
que fazer com eles em termos de diagnóstico, e como po
demos ajudar a não atrapalhar a saúde geral do paciente com
nossas atitudes e proced.imcmtos. Umhvro de medtcma bucal
ajuda.
2 .4. 9. Antecedentes Hereditários
Como várias doenças têm transmissão genética, esse qm.-s
tionamento tem grande 1D1portâne1a. Feito o cliagnóscico
chferencial, poderemos inclusive voltar a esse item buscan
do maiores esclarecimentos.
É o caso, por exemplo, da hipótese de querubismo. Sa
bendo-se que a incidência homem:mulher é de 5:1, temos
que investigar os antecedentes masculinos do paciente,
embora os ancecedentes femininm não sejam descartados in
teiramente.
Pesquisamos as doenças e causa mortis dos avós, pais, ir
mãos, tios, pnmos. cÔnJugcs e filhos.
2.4.10. Hábitos
Como já induímos os vícios na história médica pregres
sa, resta-nos perguntar sobre os hábitos do paocnce. Os 1teus
que podemm perguntar são os seguintes: atividade fisica,
regimes e dietas alimentares, hábitos de higiene e preferên
cias ~t.'Xl.latS.
2.4.11. Observação do Estado
Psicológico
Embora o estomatologista não fuça diagnóstico psicoló
gico, há intere~~e em fazer uma avaliação sumária e refe
rendar o paciente para os profissionais mais habilitados, se
for o caso.
Podemo<; prestar a atenção no seguinte:
• Aparência
lda<le aparente
Asseio e apresentação
Comportamento
Expressão facial
Postura
- Ambulação
Atitude
• Linguajar
- Fluxo das palavras
Entendm,ento, orgaruzação, lógica e coerência
Obsessões, distrações, div:tg"a.ções. fugas de 1déi.b
Pen;everação: repetição constante do mesmo tema
• Afetividade
Expressão e movimentm fac1a1~
Voz
Movimentos corporatS
Relacionamento
• Conteúdo do pensamento
Preocupações
Fenômenos psicóticos
Distorções de percepção
Tdeação suicida
• Cognição
Consciência, aci.:nção. orientação, memória
Lastro de conhecimenros
Cálculos, abstraçõi:.; e julgamento
EXAME FÍSICO OU EXAME
OBJETIVO
2.5.1. Considerações Gerais
Enquanto, na anamnese, podemos escrever os <;mtomas
corn as palavras do pacienre, a siruaçiio aqui é diferente. Corno
o exame fisico é realt:zado pelo profissional, sua semiografia
deve ser feita em termos técnico~ precisos. A leitura de uma
dessas descrições dá wna idéia muuo aproxmud1. do gr:tu de
decalhameoto e conhecimento que ele pmsui
Urna boa parte dos pacientes se sente ansrnsa nesse mo
mento. Uma demonstração clara di~,;o é vi<;ta quando o pa
ciente mantém a mão na frente da boca. assim que su:1 pró
tese é retirada, dizendo coisas parecidas com .. O senhor nào
ni acreditar no que vai ver".
O bom clínico estará atento a cais sennmenco~ e será
delicado, tentando ameni7..ar o estado de ~pírico do paci
ente. Apói, c:xplicar brevemente o c1ue será realizado e os
eventuais desconfortos, fará um c.xamc cncticu1oso, abran
gente, compleco, ordenado e sistemático; rudo isso sem ser
ríspido nem causar desconfono, pen.la., 1.ksnc.:u:.'i.Sá:ri~ tlc
tempo e receios. Tentará parecer calmo, organizado e com
petente, evitando expressar, verbalmente ou não, descon
tentamento, de,;aprovaçào, sobressalto, ou inqmctação;
mesmo diante de alterações aparentemente gy-aves ou con
ducas condenáveis de outros profissionais antenores.
O estudante neófito poderá senar-se UJSeguro e temero
so. entretanto deverá ter em mente que, no devido tempo,
terá a desenvoltura necessária. Enquanto isso não ocorre, não
convém que se comprometa oferecendo hipóteses de diag
nósnco além da sua capacidade momentânea, deixando isso
para os professores mais experiente<;.
O AittoJC1 D1o1g11Mt1t,, 17
Melhor que cfü:an110<: normas .,obre uma ~ü~ncia rigida
du ~xame fisico, acon,elllamos a cada um procurar a ordem
que lhe parecer o.ui\ racional t:, então, praticá-la sisremaá
camcnte da mesma fonna, ,empre que for exanunar alguém.
Isso evitará lapso5 durante os exames. A ordem aqw descn
ta é da prefercnc1a do autor e poderá ou não ,er seguida.
2.5.2. Recursos Semiotécnicos
São os órgãos do=> sentidos do profissional. Embora des
critoç separadamente, são u.~dos pelo profiç-lonal expen
cncc c:m conjunto A habilidade para ll"1T t"'\s~ recurso\ di
fc:reocu qual1oovamence urn profisqonal de outro.
Alguns possuem o dunudo .. olho clinico'', que pode
mos considerar um <lom inato da pt:"'~Oa.
Esse dom está muico ligado à intuição Est.1 não deve ser
confundida com premonição, um fenômeno parapsicoló
gico que algum poderão com1derar como e-sotemrno. fn
ruição é wn (aber que nos chega antes do raciocimo lógico.
O própno Freud nocou que, quando um., pe<.,oa faz psica
nâlmt, emerge uma série: de conhecimentos de que a p~soa
já ,;abia ames do proce,.so: '>Ó que de!'>conhecfa que (abia.
Aqueles que não possuem ou que não ac~ esses do
tes poderão perfeitamente fu(!r um bom cXJJ11e 6s1co com
o escudo, aplicação, esforço, orgaruzação e mcoculosidack.
São qualidade:. filha., Ja experiên0.1, somente adquinda com
o passar do tempo. Para um bom olho clínico. poderíamos
invocar uma série Je qu.1lidades: premonição, intuição, bom
senso e capacidade de julgamento. Muito'> de-.,ô predicados
podem c;cr inerentes .a alguns clinico~. enttet.Ulto, aqueles
que Julgam não possuir esse!. predicados muito ganhariam
~e elt>S fossem aplicados na metodologia do exame climco.
2.5.2.1. INSPEÇÃO
13aseia-se no ~entido da visão. É facilitada pcl.a aspiraçlo
intem11rente da saliva. secagem com ar ou g:iu e pelo uso
de l'spclho clínico, afasudore.., boa iluminação e lupas. As
ga,:c~ também são usad.b para tracionarmos .1 língua para sua
mdhor visualização. A,;, proreo;es removíveis e cocais devem
ser retirada:. assim que ,mafuamos sua posiç.io, qualidade ~
tabilidade e retenção.
O posiaonamento do paciente é importante para unu
boa U1Speção. Muic~ vezes devemos pedir ao p.aaence que
muJt! de posição para melhorá-la.
A capacidade de procurar. perceber e distinguir do nor
mal as alterações de cor, c;uperficie, texrura, contorno e ta
manho otá entre O!, principais requisitos de~ej.ivc1s num
climco. Ele de"e conhecer indusive as variaçõe:. da nom1a
lid.lde.
A transilummaçâo é: um rt!curso de inspeção que empre
ga uma fonte de luz para pa~sá-la acravéc; de obJeros capaze<i
de cr.1mmici-la. Com a pre-sença defocopolimcrizador~ em
codo\ os consulcóno"i hoje cm dia, o método devena ter
maior aplicação. Ell' facilita, por exemplo. a comtitação de
cáries mccrproxima1s. é usa<l.1, como vimm, na transtlum1-
naç.10 das cavidadô sinma1~.
A d1ascopia é wn proce~~o que ~prega uma lâmina de
microscopia para comprimir uma ãrc.1 é bquemiá-la e ob
~ervar o que acontece apó~ a descompr~são . É U',a.da cm
lésôes pigmenta<h., por exemplo, para Jhcinguir se a cor é
proveniente de pigmentos extravasados de \J~o, ou incra
\'ascul.i.re,. No primeiro caso, a cor não esmaecc ~ob com
pre:.sâo. como. por exemplo. na tatuagém por amálgama.
e, no ~cgundo caso, c;im. como. por exemplo. nos heman
gionus.
A inspeção é cio imporume que pode ,~u~r um dos
pnncipab defeitos do ex.une tiqco. o de r~cnng1r-,c \Omente
a da, esquecendo-se de usar outro recuI"io igualmente 1m
porcante: a palpação.
2.5.2.2. PALPAÇÃO
Bil!>da-se no c;enodo do taco. Pem1ite obter o que não se
tem pela simples inspeção. Com ela. o examinador conse
gue perceber alteraçô~ m:u..-. profunda,; e .ivaliar a cons1s
cência (,mdurecimenco ou amolecimento} alccraçõe<i de
textura superficial Oisa, rugosa, áspera). presença e ca111a
nho de cre5cimcntos teciduais, aumentos de espessura. com
pre•"ibilid.'ldt:, envolvimento,; dos planos rcc1dua.i, (pele ou
mucma, músculos e órgão,). ,c:nsilitlic.lad, ,1 palpação (que
nem sempre -;e equi\ ah: .i ,erhibilidade ~ponc.ãnl·,1 rdar.ada
na anamnC\e), devar,:ão Jc lcmpc:rarura. infiltração. lmfa
dcnomegalaas. delimitação e mobilidade. fa,J, qu,tl1t!Ade.. ,ão
1mpO\SÍVt:lS de avalia, pda sllllplcs mspeção
A palpação pode ser bimwual, quando rc:tli:za<la com
ambas a) mãos; bidigiml. quando realizacb com Joi> dl'dos
de uma !iÓ mão ou com um dedo de cada mão: e dignopal
mar. quando palmamo, com um dedo de unu das mão:.
e'itntturas apoiadas pela palm.J da mão opmtJ El.i pode ,er
unilaceraJ ou bilateral . O primeiro tipo pode ,c:r c,empltfi
cado pela palpação bidigital de uma lesão num dos lados da
línt:,rua. O segundo com palpação com um dm dedos mdi
cadore, de cada mão na régÍ3o dos mú\culo~ pteri~óideos
ou da arnculaçio temporom.andibuhr de cadc1 lado, para
rnmparar qual do!> doi, lad~ tem maior 'ien,ihilid.tde.
O!> dados obt1dos. em tc:nnos de corui.scência poderão
,er mencionados como ílác1do,. borrachó1de,, t:"'ponjo~os,
fibrosos, pécreo\, duros ou ósseos.
Quanto à re:smênc1a .i compressão, poderão ser descncos
como compressíveis ou depnmÍ\'eis e não-comprC",íveis ou
não-dc:pnmive\S. A compr~o pode ou não colabar a le
sio, ou 1;eja. pro\ocar uma deformação eli~cica ou plist1ca
Com a palpação. podemos tentar isquemiar uma lcio
pigmentada sob ruspctta de:: 'ier um hemanbrionu. Com ela
18 O .\léto,lo D1t11?11tSstiai
rodemos detectar um aumento localizado de remperarura,
sentir uma crepitação típica do adelgaçamento de- uma tá
bua o~sea e a pulsação de l~õe~ m.1is vasculanzadas e das
grandes anéru, Podemos também perceber o choque de
rc-como ao palparmos lll1ll leo-io osteolioca com conteúdo
liquido em ~eu interior.
Uma fonna p:irncular de palpação é a percussão, intro
duzida na mcd1can.l por Leopoldo Auenbruggcr. cm 1761.
Ne~ta. batemo~. com pancada~ concroLuias e rápida~. em
e,;truru.ras utilizando um umrumenco ou os própnos dedos.
Podemos percutir O\ dentõ com o cabo dt.> um ilhtrumen
m ou colocar um <ledo sobre uma irea ante a uma cavidade
,ínu'-11 e percuur ~obre esse deJo com um do:. dedos da outra
mão.
N~ pac~.,fo. freqüentemente fazemos comparações da
,ern.ib1liuade de uma área com a de oucra, ou de um dente
com outro. Quando temos que dt.">cobrir um dente respon
l>ávd pda dor entre vário~. a percussão vertical cem um va
lor decisivo. Dcve-,;e começar a percunr a cerca dm.ância,
par:i que o paciente se acostume com as seru.açõ~ normais
ame~ de senor o dente afetado. A percussão pode ,er ~cgut
da cL1 palpação do dente em quc,.tão para sentir a ,ua even
tual mobilu.:bde.
A palpação pode ser direta ou indireta. A primeira é foica
diretamente com os dedos: a segunda é a,sim chamada quan
do usamos um instrumento p.tr.1 intermediar a palpação. Isso
acontece quando usamos, por exemplo. um explorador ou
uma ,;onda pcnodontal para palpannos, rc .. pccuvameoce,
cavidades de cánec\ ou bord.u de rc,ciuraçõe~ e bolsa~ perio
<loma.LS.
2.5.2.3. AUSCULTAÇÃO
Aqw ~e us:i o senado da audição. Com da podemos ouvir
os sons emitidos pda articu1lção cemporomandibular, pe
lo,; ,;opros cardíacos, pelo roçar do,- fragmento'- de uma fra
tura e dos produzido\ pela percu .. ,ão A auscultação pode
ser ampliada com o uso de WJl estetoscópio
2.5.2.4. OLFAÇÃO
O senado do olfato é pouco U"3do, ma~ tem a sua con
tribuição. Com de podemo~ detectar d.t,,ersa~ alterações: as
hal1to~~. o cheiro de álcool de alguém que bebeu, o odor
cecônico dos diahéncos bastante de'\compensado~. o cheiro
ma ,~ intenso dt: pu~ mfecrado por anaeróbios, o odor de
tc.:c1dos necrosado, dos pênfigo~ (em "ninho de ratos") e do~
carcinomas A capacidade de sentir e identificar os odore:;
cm função do d1agnómco depende da expenencia do exa
minador.
São causas de halitose:
Má higiene dental e lingual
Tabagismo
Penodontopatias
Gengivite úkcm-necrosantt!' aguda
Rm1rc
Sinusite
Tomilne
Bronquite
Abscesso~ pulmonares
í)15túrb10, gammtestina1\
2.5.3. Divisão do Exame Físico
O ex.ame fü1co pode <Jer di Vld1do t'm geral e loc om:gio
nal, e esse último em t!'xtra-ornl e: intra-oral. N:i t.1\c gerJ.l.
o ~tomatologi.sta ~e voltará para cl ol-Ker,.açào po~,;ívc:I de
rodas as regiões do corpo. excetuando a cabeç;i e J regüo
cervical. Na fa.,;e locorregional extr.1-ora.l. examinará essas
dua.~ regiões e, n,l fa~t' locorregional mera-oral, .1 t Jv1c.bde
bucal e a orofaringc.
A 'iem1ografu do exame fi,ico usará, meticulosa e dc:ta
lhad.1mc:ruc, rermo~ dc::.critivos e. quando coubt.>r . .1 descn
çfo <la.<; lesõ~ fundamentais (vi,;ta em capítulo poscenor).
Não será aqm que notaremos as entidades nosológic:is. ou
seja. º" nomes de doença~. E"~e'i serão aventado no diag
nómco diferencial
2.5.4. Exame Geral
"Somcmr ~r rnmmra 11 qur ir rc111l1rc1' "
CuuJe Bernard
O paciente que nos procura para diagnó,àco é um indi
víduo, o que sigmfica ~cr uma umdadc 111divts1vd. O exa
me fi<;1co exclusivo da boca de sc paciente sempre comti
tu1r.i uma abordagem paraal e não-integral dele. Uma aten
ção mais ampla d~st' indivíduo diierc:ncta.rá um verdadeiro
perito em saúde de um técnico.
Pode-5e ob~ervar o ~exo, o ~cado geral de saúde, a idade
aparente, a e<;t.atura, o biótipo. o tegumemo vi\ível, a pos
rura, a morric1d.1de, a .1mbulação, a maneira de dar a m:io, a
vestimenta. a higiene ~oal. os odon."'i, a.~ expressões faciais,
a 6cies. o afeto, a reação às pe<;soa, presentes, a fala. os ní
ve1,; de percepção e consciência e se vem ,;ó ou acompa
nh.ido. O estado geral de saúde pode oforecer alguma~ dú
v1d1,., quando os dL-svio,; não são tão acentuados.
Como se percebe. o exame fi,;1co começa pela ,1mples
pre,;ença do paciente Ao otreitar a mão do paciente êJl1
cumprunento, o profi .. ,;1onaljá começa a observar-lhe a in
ccgndade fisica e p~íqu1ca, ao me'imO tempo em que é ob
"ervado por ele. O contato das mãos Jª é wn preâmbulo do
contato mais estreito que ocorrerá durante o exante fi.,1co.
O Mhod,, D1ag11thtic<1 19
O profi,;sional obtém infomuções como sexo, altura, idade
e p~o aparentes. h:mnorua do\ cfünmos ,egmento,; do cor
po, vescuáno, ,u,dados com a aparência, insígma,;, aacudc,
ambulação e u:gumento vi'tível. Qb.,erva também se o pa
ciente vem só ou acompanhado.
2.5.4.1. SEXO
Existc111 doenças própria., de cada sexo, bem corno pre
dic.po-.ição de n·rus doençac; por determinado c;exo.
2.5.4 .2. IDADE APARENTE E IDADE REAL
A 1cl.lde aparente maior do que a cronológica pode indi
car uma vida sofrida. cheia de pn,·açôcs de toda a ordem,
além dt~ conflito\ de ordem, pc;1cológica ou social.Uma tdadc
cronológica n:al .1, ançad.1 poderá indicar uma maior pro
bab1liJade de periodoncopauas, leucopl.asias, líquen plano,
carcinoma ep1dcrmóide, herpes zosccr, .,,,aloadenito, ame
loblastoma, pênfigo vulgar, penfigó1de. nnelom.a múltiplo,
doença dt> Pagi:c do osso e leucemia.o; crônicas. Na juventu
de são maic. comuns a, cáries, o cumor odontogêmco
adenonutó1d~, o mbmma, os ,arcomac;, a penost1tc prolifo
rativa e a mononucleoS\: infecc10sa.
2.5.4.3. HARMONIA DOS SEGMENTOS
DO CORPO, AMBULAÇÃO E ATITUDES
As relaçõ~ entre o cam.mho cL1 cabeça e o do ttonco.
entre o comprimemo dm membro5 1nfenore1- e superiores
e o do tronco. entre a face e o crânio e outras sofrem altcra
çõ~ de acordo com o sexo, idade. alterações fisiológicas e
patológicas.
Ao nascimento, o tronco é relativamente longo cm rela
ção ao segmento mfenor do corpo. Ao redor dos 10 ou 1 1
ano~. o~ do~ segmentos ficam .tprox.unacbmente iguais.
No h1porirco1dtsmo congi-mco, por exemplo, a.s propor
ções permanecem mfant1,. No htpogonadi,;mo e na <iíndro
mc de Marún, há wn crescimento conánuo dJs epífues, o
que provoca um crescimento maior do ,;egmemo inferior
do corpo em relação ao segmento ,upenor Na acondro
plasia. há encurt:i.mcnto da~ excren:udadc.-s. Da~ fonna, as
proporções corpóreas podem dar uma 1Jé1a das doença\ con
genü:a.s e adquiridas
A nururação do t.,"'<ludeto. i~u.almeme conhéOw como ida
de ó~ pode ser dÍenda amvé; de mécodos radiogr.üicos que
venficarn o cresamcmo das ep1filiõ dos a,-,;os da mão e punho.
A figura de unta mulher grá"ida. com o abdome .uimen
tado e tórax e cabcça inclinado( para tr.í.s, para manter o
equilíbrio, ilustra uma condição facilmente ob:.erv.h·d no
exame fi,ico geral.
A aparência de um homem magro com aumento de
volume abdominal que o abnga a tamhém manter cabeça e
tórax par.1 trás, pode~ no,; ,ugerir a ascit~ drrónca de um
akoólacra que poder.í, fi.uur.unence. no,; trazer um probk
ma de coal;Ulopaaa.
Um paciente com problem.1.., de coluna, t;ii, forno esco
liose. cifo~e e lordo~e, pode <.er portador de wua lesão
fibró,;sea berugna, como. por exemplo, d1Spla.qa tibrma
poliosrótica e doença de Pager do osso.
Um paciente com a palma da mão no rosto poderá nm
,;ugerir que C:)tamos frente a uma urgencia c.:nJodomica Ao
contr.íno ,e tentar proteger a fact: p.1r.i que o profü:.1onal
não a toque, poder..i ,ugenr que está protq~cndo .1 70na ga
tilho de unu nevralgia do tngt"meo.
Um homem de idade a,·;mç.ida. inclinado p,1ra diame.
com as pemac. ligetramcnce tlc-:ionada~. cabeça uu:hnada para
a frencC:', dedos cfa mão como :.e cont:i,;sem moeda., e com
hge1ro tremor em todo o corpo podem sugerir um <.J!>O de
parkimonismo Se quisermo, ter certeza <.fa l'X1,tê-nc1a de um
tremor ,util generalizado. um do) recu~os que temos é d:1
colocação de wna folha de papel sobre o dorso de u111a da.,;
mãos quando es,a c,tá <.om o~ d~o~ e<>CÍ(1no<..
O portador da síndrome cerebelo~.1 cem 1mt,bi.lidade
ambulatóna ("andar de ébno'') e t.awiuha com ª" pernas se
paradas
Doença~ bucai~ com predispo(ição por determinado ,i::.xo (cxcmplm)
Sexo masculino
C1rcinonu cp1dcm1óide
Carcinoma i11 s,111
C:irnnoma vcm1roso (de Ackennan)
Dcnname hcrpcufonm.· (de l)tlhring-füocq.J
fatonuute nitolÍmCll
L.cucoplan.1
Mclanonu
Qucr:lloJc.antoma
Qucrubi,mo
5.u-com.1 ~teol{i-nico
Sexo feminino '- - - - -
Dtspl.ui.a cemcnto-Q";:.:i tlorida
Dhpb.s1as fibros:IS rnonustóticas
D1sph~ia, tmrmas pohmcót1c:1s
Gengiv1w uc~C':lnl:10\'3
Glo ,odmu
Gr.lllulmna p1ogêmco
l.c:.~o cenrral de céluu) gigante'>
Lingua geo~.ilka
O,tconueluc , rôruc.1 csclero$l.OU! ti,fw:i
\mdromc de SJôgren
20
Um paoeoce poderá \'ÍJ" portando uma bengala, uma
mule!ta ou um outro disposmvo ortopédico.
Uma pac1cncc que cobre a boca e que pede imediatamen
te um gua.rdan.ipo para esconder <;UJ prótese toa.l moscra
nos o grau de conscrang:unenco pelo ~eu estado bucal
Paciente com excessivos cU1dados com a .1parênc1a e
vcscuáno está no~ mostrando as dificuldades que reremos na
estética de seu tratamento.
2.5.4.4. TEGUMENTO VISÍVEL
A palidez da pele, ioo é, falta de: ox.icmoglobina, é ob
~crvada oas anc1111a<; e na redução dos influxo~ sangüíneos,
por exemplo, nos desmaios e na insuficiência arterial. A
palidez pode ser confinnada no, leitos unguea.i'i nm lábws
e nas mucosas, pamcularmeoce nas mucosas palpebr.us. Nas
unhas e pelce podc: ~er obscervada a cianose, que será confir
mada nos lábto\, mucosa bucal 1: lingual. A 1ctcríc1a poderá
~t!r observad.1 na) rcgiõl!S p:ilman!) e: faciais e confirmada na
mucosa da esderócica. Uma prega cutânea da pele pode ser
levam.ada. e observam-se sua mobilidade:, facilidade com que
é de<ilocada e o rurgor ou turgidez, ou seJa. a velocidade com
que retorna ao nom1al. Haverá menor mobilidade no ede
ma e na esclerodermia e re<luç·ão do rurgor nas dc,1drata
ÇÕC!). Múltiplas lesões de carcinomas basocelulares podem
(Urgtr na 'itndrome basonév,ca ou de Gorlm.
O baqueceamento dos dedos. isto é:. aumento das falan
ges discais fàzcndo que os dedos fiquem com a fom1a da hasce
de m.idctra com que \C toca bateria, pode ter vá nas causas,
entre as qwm a h1póxia e wn.a ucopln~ia mahgna pulmonar.
As unhas an fom,a de colher (coaloníquia), ou seJa. cônca
vas, são ocasionalmente notadas na anemia ferropriva, a mais
comum no nos\o meio.
2.5.4.5. SINAIS VITAIS
Alguns sina1\ \ it.m, como pr~são arterial, pul~o. ritmo
rc,p1rnróno, temper::arura corpornl. peso e alrura. são aferi
do:. e anotado<; Se não forem vcnficados no exame obJeti
vo, devem ser questionados na anamnese.
2.5.4.5.1. Pressão Arterial
É preferível que todas as roupas sejam afascad.1s da área
de trabalho.
É medida com esfigmomanômctro de Riva-Rocci e es
teto~cópio de Bowles ou de Ford. O primeiro é colocado
no braço com ~ua borda inferior a cerca de 2 a 3 cm ili prega
do cotovelo. O segundo é colocado logo abaixo do pruueiro,
numa depre~ão medial ao te-otlão do músculo bíceps, após
tem1os palpado a região como descrito a segmr e sentmnos
o pul~o da arténa br.iqwal.
Rigorosamente. o manguito que usamos é de umanho
médio, apesar de sabermo~ que braço,; ma,~ volumosos
deveriam receber mangwtos m.:ii~ largos t:' braçm lllaJS del
gados mangu1tos ma1) l!Stre1tos; em odomopediarna, deve
riamos usar um manguito infantil. O nunguito é ajustado
sem folgas, rru.-. também sem constrição do braço.
O braço deverá e-.tar na mesma .iltura do coração Se não
houve!r como apoiá-lo, o operador dceve sustentá-lo com
uma das mãos.
Para ~bermos para quanto devemos inflar o manguito,
devemos palpar a artéria radial e inflar aré cerca de 20 mm
Hg acuna do valor em que não mais c;encimos o pulsar dc~-;a
anéria. A seguir, nmos desintlando lentamente até ouvu
mos o pnmerro :.om de Korotkoff. que coinàde com a volta
do pulso radial. Nesse ponto, temo,; a pressão sistólica. Po
demos tirar os dedo., da arténa radial, pcm a prc"fo d1astó
hca somente pode ser afenda pt:lo ,om, enquanto J pr~são
'iÍStóltca, como vm1os, pode ser aferida pela auscultação e
pela palpação. Os SOO), primeiramente vivo~ e ncrnados, 1rio
tomar-se tnalS abafados ou graves até um ponto em que não
ão mais audíveis. quando acingtmos a pressão d1a~tóhca.
Cerca de 20",o dos pacientes poderão apresenttr um hia
to amculcacóno, isto ê, à medida que desinflamm, o<. '>On.s
desaparecem anu.".'i d.1 pressão chastólica, mas recomam até
que, depois. reaparecem e dôaparccem novamente Em
outras palavras, a prec;são dtascóhca comcide com um segun
do 'i1lêncio e é menor do que pen~ávamos. Por õS3 razão,
sempre que! .itingimos o silênào {pre~o diascólica) conâ
nuamoc; a desintlar calmamence até termos ceneZJ de que
os sons desapareceram de ,,ez.
Os manómetros eletrônico~ podem ser impre<.~o~ e os
aneróide<; perdem a preasão com o uso. De\ent ser cali
brados junto a um manômetro de mercúrio, o melhor dos
dL~posmvos, o qual. quando usado, deverá estar emposição
perfe1tlll1ente vemcal.
Não é: boa nom1a confiar numa única medid.1, exceto ~e
a hipenensão for severa. O paciente poderá mostrar-se le
vemente hipertcmo por motivm cmoc1onais. até pcl:i pre
,ença do profü~1onal (h1pem:n..ão do avental branco). ex
ceto quando se declara portador de doença hipertemi\•a (um
conjunto de smah e \mtomas htlcrauo, pela hipertensão
arterial e lesões em órgãos-alvo). O, pacientes com a doen
ça lupertem1va não controlada co~tumain ter outro ,1mo
matologia assoc1ad.1, como altcraçôe<. de ret:Ula, hipcmofia
ventticular. proteinúria e cdàléia occipital.
2.5.4.5.2. Pulso Arterial
Embora o pubo po,;.c;.a ~er senado em vánas ané:nas (tem
poral superficial. caróada. ulnar. poplítea. tibial po~tenor e
doNl do pé), na m.:uon.1 das ve2t.'\ palpamos a anéna radial.
na região do pulso. no lado do polegar e com o~ quarro de
dos das mãos (não usa os polegares)
Quando suspe1camos de parad.i cardíaca e outra,; condi
çõe~ de extrema debilidade ou de nenhum pulso, procura
mo,; a carótida., por ter um calibre maior.
Q uando queremm localizar a melhor po~1çio ela artén.a
braquial para colocar o e~recoscóp10 no proc~so de afen
çào da prt!Ssâo arrcnal, palpamos a artéria braquial colocan
do o polegar da mão dominante logo acm,a da prega do co
tovelo e medialmente ao tendão do músculo bíceps. com
o~ outros dedos colocado~ em tomo da parte po~terior do
braço.
A onda de pulso é mais rápida que o fluxo ,;angüíneo real.
O pulso é afetado por vá.nos furores: vdocidade da ejeção
cardíaca, volw11c smól.ico, rcsisrência penrenca. obstrução
aórtica na saída do venoículo e elastictdade dos vasos pen
fencos. A veloodadc depende do ritmo cardiaco; o volu
me está diminuído na taqwcardia e na msufic1énc1a cardía
ca. A aorta pode estar obsrruída por estenose. Os vasos do
idoso perdem elasticidade, tomando o pulso mat., "agudo".
As características que poderemos avaliar com a palpação
do pulso arterial são as seguintes:
- Freqüência: pulso rápido ou t~qu1cárd1co (p11ls1u
freq11e11s); ou lento ou braclicárdtco (p11Lws rnms).
Volume: grande ou pulso com pressão alra (pul.sm
111agm1s); ou pequeno, com b.ú.xa pressão ou pulso
fihforme (p11l_rns pamus).
T ipo de onda: rip1da ou prolongada (p11lsus cder e p11ls11s
tartl11s).
Ritmo: regular e irregular (p11fs11s re,{!11/aris e p11ls11s
i~iularis).
Tensão: duro ou mole (pulms dums e p11Lms molcis).
A freqüência média normal do pulso. em adultos, é de
60 a 90 por minuto: em infames, 90 a l 40; e, em idosos. 70
a 80.
A freqüência é fisiologicamente aumentada durante o
exercício, inspiração, cxc1cações emocioD.3.lS e cópula e após
a.\ refeições. Para eVJtarmo~ os efeitos da excitação sobre a
freqüência do pulso, devemos esperar cerca de 2 minutm
ant~ de iniciarmos a contagem. A freqüência está fisiologi
camente diminuída durante o sono e à expiração.
A freqüência está pacologicamente aumentada nas l11per
tennias (8 batimento~ por aumento de 1 ºC), ancnuas e he
morragia.e; unport.ames, nuocardtopatias e taquicardtas pa
roxísocas essenciau, no h1pertireoidismo e sob ação da atro
pw.a.
Os casos de pulsos bradicárdicos escio p~enres na con
valescença de algumas doenças infecciosas (ex.: gripe), ar
teriosclerose, 1creríc1a e no bloqueto cardíaco e nuxedema.
O pulso magno pode acontecer na insufi ciência aórtica.
quando também é célere, e pode ser chamado de "em mar
telo d'água". O pulso parvo pode acontecer na estenoc;e
nutra!.
Uma sucessão de batimentos a interva.los regulares carac
teriza o pulso normal. Existem pulsos permaoenremence
irregulares. Na.e; ammuas sinusa.is, o nono do p ulso muda
21
cou,GU1ten1ente Batm1ento,; "'"altos" ocorrem nas contr.1-
çõ~ pn:maruras. Nesses ca.c;o~. eles podem comar-,;e duplos
(pulso bigernina.l) ou tripiai. sc1:,.ruidos de um,.1 pau,a (pulso
tn ge Ill.1.llal)
O pulso dum acorre em pacientes em adiantado pmces
~o de arrenosclero~c
2.5.4.5.3. Ritmo e Volume Respiratórios
A frcqücncia respiracóna normal (eupné1a) é de 12 a 20
ciclos por minuto. no adulto, e de até +4 ciclos por nunu
to, em lactentes.
Alterações do nm10 respiratório para mais ou para me
nos e.ão chamadas de d1'pné1a.c; (taqm ou bradtpné1a). Uma
dispnéia tmponame ocorre na msufietênc1a cardíaca con
gesn,•a ou na hipertcmâo aórtica (dispnéia paroidstica no
turna).
Alterações de volume relacionadas com um aumento
melabólico são chamada:. de b.iperpnéia. e as desproporcio
na1o; a e~sas necessidade~. de lupervenolaçào.
Uma caquipnéta rápida e superficial pode deoow-, por
exemplo, uma doença pulmonar obsmmv:t. Outra." causas
de caqu1pnéia são fibrose ou edema pulmonM, exercício,
febre, anemia. neuropaoas, estados hipennec.1ból.icos e an
siedade (taqu1pné1a e luperventilação ps1cogênica).
2.5.4.5.4. Altura
Qwndo um adulto tem mais de 1,9U m de altura. f.ili-se
em giganasmo e. abaixo de 120 m, &la-se em rurusmo. No
pnmeiro caso poderão cscar envolvim as ,índromes de
Marfan. K.linefeltcr, lupogemrais e lupcr-fupofisánas; no se
gundo, o b.ipoóreoidismo, o htpo-h1polisammo, as h1po
v1tanunoses D , as síndrom es. de Down e de Turner, a
osceogênese imperfeita e a dísplasia cleídocranial.
O, longilineos est..fo n1a1:. propensos às seguintes condi
çÕt!<.º maior tendência i cla.-. .. e II de Angle. m;uor cendênet.1
à rc:spmçào bucal, maior mcidência de trnnstomos cardio
vasculares, respiracónos e d1gec;nvos, maior tendência à
introversão, mais taciturnos, austeros de sentimentos. mais
reflexivo~ e místico~. facilmcncc rmt.1ve1s, m:us sensíveis à
dor e têm ma10r mc1d~neta de dismenorré1a e d1!,p)as1a
mamána.
Ü!> brevtlíneos est.io mau propenso:. ~ )eguímc:s condi
ções: maJor tendência à cla.sse III de Angle, ma1or mcidên
cia de gota, maior cendl!ncia à obesidade: e: maior incidên
cia de diabetes.
Os normolineos estão mais propensos às ,eguinces con
dições: maior tendência à oclusão normal ou à Cfil<;e I de
Angle. maior tenacidade e perseverança. mais cumpridores
e fiéis. nwor resi~ência à dor. mais tendência is doenças
osceoa.rriculares. ma.is detalh.istas e preferem que o tratamen
to lhe,; ,eja bem explicado.
22 O Afhodo Dille11ósruo
2.5.4.5.5. Peso Corp6reo
Proporaooa tnd1cações ,obre o t',r.1do nutricional do
pac1eme, podendo classúid-lo como de peso normal, ma
gro e obeso. No nosso meto observamo!> tanto o problema
d.1 111..1greza, repn.-seowdo pela mbnutrição, como o da obe
.,ida<le, levando a uma \êrit: de problemas de ,;aúdc
Pessoa-. muiro musculo'.'1.15 podem rer peso acima do nor
mal ,cm ~ercm obe,Q.,;, e os 1do,os com mÚ\Culo~ atrofiados
podem ter depósitos de brordura acentuados apc..~ar de o pl.!SO
c~tar dentro dos par.imctro~ normais.
A avaliação do peso está sendo substituída pelo índice de
m.1s.,;.1 corpórea. O cálculo do lMC é muito ~unples, e se
gue :i )~e fórmula: IMC = peso (em kg) ' altura (em
mecros) ao quadrado ou ..,implesmenre lMC = p/ h2
•
• IMC abaixo dt' 20 -;ignifica que o pc..~o ~tá abaixo da
faixa rnnsidcrad.i normal É possível qui: seja do tipo
longtlíneo, e, n~~e caso, ,;eu pcrccnrual de gordura
corporal pode cscar nomul. IMC entre 20 e 25 tndica
que o peso csra denrro da fux.a con,;iderada normal.
Norm.thncnte, 1s,o corresponde à., rnai, ba1x.1.> ra._xa.s
de morrahdadc cm relação ao peso. Se o paciente não
~orre de díabetc.."I, hipcrtensão artt!nal ou exc~o de
colesrerol e crigliceridcos e, ainda assun, deseJa ema
grecer. provavelmente o motivo é de- ordem estética.
• IMC entre 25 e 10 co111 cintura até 89 cm indica que
o paciente est.í com excci;,o de peso Como a medida
de cinrnra está abaixo de 90 cm. provavelmente não
:ipresenta um e..xcc,,o de tecido adiposo no interior do
abdome. fa~e tecido adjposo. chamado de gordura
v1sce-ral. é o que mat~ acarreta nscos par.i a "iaúde
Portanto. de :.i: 5itua em um grupo de menor proba
bilidade de compltcaçõe~. como diabete<;, htperten,;ão
arterial e hipercolescerolemia. MC!Smo ~sim, í: acon
,;clhável que procure(eguir uma dice.a.
• IMC entre 25 e 30 com cintura iguaJ ou ,;uperior a
90 cm mo,;cra que o pacieme esrá com exce<-~o d<.> peso.
Como sua me<l1dJ c.le cmrura ~ci ac11na de 90 cm.
provavelment<.> elt' está acwnulando wn excesso de te
cido adipo,;o no intenor do abdome. Esse tecido
adiposo, conhecido como gordura visceral. é o que
mais craz rucos para a saúde!. O paciente encontra-se
em um grupo de maior probabilidade de complica
ções, como diabetes, hipertensão arterial e htperco
le~rerolt!mi.a.
• Quando o lMC t-stá entre 30 e 35, coos1dcr:Hc que
o paciente apr~i:ota obesidade leve. EJe se s1rua em
um grupo de m:uor probabilidade! de complicações.
como diabete!\, hipertensão anenal e htpcrcolescerole
nua. e prectsa perder pe<io. Mesmo perdas moderadas,
como 10%, do ,;eu pec;o arual, podem redu21r sigrufica
c1v:uneuce seu asco dt: complicaçõ~ 0Lct1bólicas.
• IMC entre 35 e 40 mo,m-nos que o p.icicnce tem
obe,;1d.ade modcrad.a. Seu cxce,;.~o de pc(o Já pode ~
car provocando um mco muito elevado de complica
ções wt:tabóhcas, como d1abctt.-s, hipcrtcm:io am:nal
t' h1pcrcolesterolewia, além de predispor ,1 doenças
osceoanicularõ diversas. Deve procurar um espeoa
lm.1 e fuer um tratamento para emagrecer. Mõmo
perdas moderacl.is. como 11)0/o do pl!So acw.J, podem
reduzir ~tgrufi.caôvamcnte O'- risco,; de comphcaçõ~
metabólic~. Se não conseguir emagrecer com uma
oncncação adequacli sobre dieta e cxcrc1ct0s tisicas,
pode ser nccc,sáno o uso de medicamento,, de-;de que
~oh a supervbâo de profüs1onati bab1ht.1dos. IMC
maior que 40 indica obc..~idade mórbida que leva a um
ruco awnemado pua divcrças doenç~. Seu tr:1cunemo
cm geral é muico dificiJ, mas necessário. Perdas mo
deradas, como 1 Cl"'n do p<.>so atual. podem redu:rir sig
mficauvamcncc os riscos de complicaçÕe\ mccaból1-
cas. Se não conseguu emagrecer com uma oncntação
adequada sobre modificações dit:tétic~ e práticas de
anvid.ades fis1cas. Jmtúic.He o uso de medicamento'-.
desde que sob a ~upen t,ão de um médico.
A obesidade pode favorecer o aparecimento dos segum
te~ problcm~: diabete. gota, doenças cardio, ascularc..-s. hér
rua <lc luato, artroses, meuor abertura bucal, nteuor mo
v1mentação A TM, maior volume lingual, menor capac1d.a
dc respiratória e menor docilidade no ma.ni:jo cen ical.
A magreza pode f.lvorecer o aparecrmenco do( scgwntes
problemas: desnutrição, úlceras gasttintcmna1s crômcas.
h.tpertirt."01d1smo, msufictêncta adrcn.al crônic.a (Addtson),
insuficiência h1pofisw, hcmopatias, anorexia otrvo~a. ten
dência a lipoúmia. fudiga e falta de dinamismo.
2.5.4.5.6. Temperatura
Pode 'ier realizada colocando-'ie um termômetro de co
luna de mercuno na boca. O valor é considerado nomul
para o paciente in.aávo quando marcar 37°C. Adultos aavos
podém chegar até 37 .2ºC. Valores até 38ºC são normais em
cnanças recém-saída'I de bnncadell'3S. Durante o 'lono, a
temperatura pode d.urunu1r cerca de 2ºC. V J.!on. ... acima dos
mcnc1onados podem "cr co,mderados como febra .
2.5.5. Exame Físico Locorregional
Extrabucal
2.5.5.1. FÁCIES
Na ,;índrome nerróoca, a face csci edemaciada. e lívida.
O edema cosruma aparecer. primi:1rarneotl!. na regiio pe
norb1tal, e a nma oculu pode ~cmelhar-se a uma fenda.
Na síndrome de Cushlng, uma hipecfunçào do córtex da
glândulo supra-renal temos a fãc1es cushmgó1de. também
O A1érodo D11.w1ósnco 23
conheciw como "fuce~ lua cheia". com as n:giõ~ geni
ana.,; cor.adas, hu:suosmo (crec.ctmc.!mo exc~ivo de pêlos) e
pdc acn~ca. Acompanha-!><: de lupertensio arterial. giba (de
pómo adlpo~o da região dor.-al), .1sccnia muscular e escrias
púrpuras na pele.
A l.tu.fudcuomegalia paroódca bilateral pode ser devida a
diabete, cirrme e parottdtte cp1dênuca. A l.mfadenomegaba
parocídea unilateral pode ser devida a paroádice epidêmica
e a tumores que, quando levam à paralt,;1a facial, podem
~u~enr malignidade.
Na acromega.ha. o aumento do honnônio do crt..··scuncnto
provoca hipertrofia do esqueleto, e a face fica abrutalhada.
alongada e com ~ bo~.b fronuii. e os\o manclibular proe
minente,. Há também macroqucilia, m..1croglo'cla, progna
tismo rrumdibul.tr, nari2 e .froncé procubernnces. áfose ver
tebral. hipertensão e mcolerina_a â glicose.
No mL"-edema, um estágio avançado de lupoáreo1dismo.
a face fica edemaciada, os cabelos, pêlos e pele estão resse
cados, inclusive com alopccia. Acompanha-se de letargia.
aumento de peso. intolerância ao frio. perda de memória,
deterioração mtelecrual e voz grave (o que é notado ao
conwrsanno:. durante a anamne:.e).
A exoftalnua e o bócio estio present~ na doença de
Graves. uma forma de lúpertireoidismo que se acompanha
também de propcose, edema conJuntival, baqueteamenro
d1giuJ, onicóhse, taqwc.arclia, c;udon:.,c, hiperteorua da pele.
tremorC'i e mi:1!11:c:nia
No h1poparat1reoidisn10, temo,; parestc<;1as nas comissuras
Jabiajs (também nos dedos e artelhos) e irritabilidade ner
vosa e muscular Se percutim1os sobre o nervo fucial, à freme
do tragu<; auncular, haverá urna contração momentânea da
comissura labial ip,;ilate:raJ (sinal de Chvoscek).
2.5.5.2. EXAME BÁSICO DOS SEIOS
PARANASAIS
Algumas algtas smusah podem ser confundidas com
odontalgias. Pode-se notar h1percst1..-sfa dos seio) frontais pres
,ioaando para cima. com os dois polegares, na regi.ão das so
brancelha~. ,em pressionar os globos oculares, ou de um dos
~cios maxilar~ pressionando de maneira 1dênoca logo abai
xo da., proéml.Dênaas anreriorc., <lo!> O'>SOli 21gomáácos.
Ar:. regiôe-; menaonadas podem ser te~radas colocando
'iC um dos dedos mclicadore. ,;obre a,; m~ma.,; área.'i e pt!rcu
tindo-)e com os dedos médios da outra mão ,obre a região
ungue3.l dos dedos mdic:adores. Pode-r:.e testar btlateralmenre
e perguntar ao paciente mbre as d1fcrcnçél!> dt> lleI1.S1bihdade
entre um lado e oucro. Uma manobra clíruca que podemos
usar~ pedir ao paocntc que incline a cabeça para a frente e
para baixo. o que poderá provocar a intensificação ou ali
vto da dor, aJudando no d1agnósoco.
O fotopolimeri.zador de compó,1co~ pode ser usado como
trarutlununador dos se10s da face O comultório cem que
c:st.tr h c:.curas. O paciente é coloc:ido na cackira quase em
decúbito dorsal cocal.. pedindo-lhe que abra a boca. A luz
deve ,er colocada na pele freme ao, eio, m.1...xila.rô, clireci
onada par.a .:i região palao.na do memio bdo. Se o ~e10 esti
ver normal, haverá llJlU cranstlummação perfeita que apa
recerá na região palatma. Pos1c10namo<. a luz abaL,o da '-O
brancelha de ambo~ os lados, logo acima da comissura
palpebnil uuema e direcionada para a região do, seios fron
ta.i~. enquanto colocamo~ uma da!> mão~ sobre a ponta do
fotopohmerizador para não scnno~ ofuscado~. Da memia
fom1a. ~e o :-.eio frontal esm er livre dl' ob<.truçôe-., haverá :a
pa,~'lgem de luz à região frontal infcrior.
Na ,;incomatologu das mmitc .... incluem-se dor. febre.
mal-e ur. 3.)tcnia. obstrução nas.'ll. rinorréia e descarga pós
na" al. A ~nuc;ite, principalmentt" a agucu. provocA do~ com
freqüência. A~ doce,. poderio levar o clínico a confuncli-b.s
com as dores de ongem odonrogêmc:i.
A., •anumec; ec;tão da deptmdênc1a dos \eguintô fatores:
Pcriaptcopacia., odoncogêruc.b.
Alterações de \11.Scos1dade e, ou qu;mtidadc do muco
~lllU.'i.al.
Viabilidade do ósáo de drcn.1gcm: qualquer fator que
d1mmua a fluênru do Ó\tÍO pode c.au ar ,inusite. Ex.:
alter.1çõe~ J.Ilatõmicas. polipose, hipcrpl:uia ~ ade
nóides, infecçõe~ que cau<;em edema de mucosa e IJ'
nunte!>.
Alterações da aucóchse pruduZJtLts pelo mov1mcnco das
células ciliadas.
2.5 .5.3. OLHOS
Ac. .inomala~ ocu)are,; ~ugercm que outras t!Scrucu.ras fa
oais podem estar alteradas.
O lupertdonsmo, o aumento da cfut.incu entre do1<. ór
gãos. no caso doli globos ocular~. e o .1umento rdativo da
ponte na<.al ocorrem em vánas <;Índrome,. Ex.: 5Índrome de
Aperc, dasostme crânio-fac1aJ de Crouzon e c.índrome de
Grc1g.
A cscleróttca azuladafaz parte dt o<.tcogêne,e uuperfeira
e doença de Ehlers-Danlos. A amarelo-cmzenca está na
anemia fakiformc. e a amarel.lda, na 1ctcnc1a
A falt.1 da lacnmejamento normal pode :,c:r um do~ coru
ciruint~ da <.indrome de Sjõgren.
A pto~c palpebral pode ser conseqüência de mi.astenia
gr:t\'C, k'<iâo do nervo oculomocor. dic.funçâo do<. nervos s101-
párico<; que pre-.erva.m o tônus palpebral cau,;.mdo ptose
umlareml (síndrome de Horner) ou da ,enilidade.
2.5.5.4. MÚSCULOS FACIAIS E GLÂNDULA
PARÓTIDA
A palpação bilateral dos músculo" tâc1a1, part:'I pennite
ao clíruco comparar as diferenças de ~emibilidade entre eles
24
A palpação das regiões masseterina r: temporal permite inruir
a p~nça de bruxismo e disfunção nmri!,';)tóru.,. fu regiões
dos do~ ptcngó1deos serão palpada.\ no exame intrabucal.
Poderemo, observar distúrbio,; do movunenco tàcial. A
&sciculação. rrcmor contínuo d.t mu~cularura. ocorre cm
doenças dos neurônios morares. A nuoquinua é uma con
tração fina, mais ou menos contínua e cremulamc, de todos
os músculos mervados pelo nervo facial que ocorre. por
exemplo, na esclerose múlopla. O l.'Spasmo henufaaal, uma
conrração involunt.iria e aleacóáa do~ mú~cuJos f.icia.ís, fre
qüentemente ctrcurucrica ao orbicular do~ olhos, sugere fra
quez.;) nlll.~cular (lTllasteoia). O rcpu.wncnco d.l face para. um
lado, com parafüia do lado opo!lco. impo~sibilid.tde de fran
zir a resta, incapacidade de techar a boca e dificulcbde em
fechar a pálpebra desse lado, é caractcrí,cici1 da paralisia de
Bdl, urna paralisia do nervo faciaJ.
A palpação do~ músculos faciais é acompanhada cb pal
pação da articulação temporomandibular.
A palpação da região parocidea perlTl.ltc cxarru.oar a pre
sença de nódulos ou rumores.
2.5.5.5. ARTICULAÇÃO
TEMPOROMANDIBULAR
Seu exame consme na palpação bilateral da a.roculaçào
ru região anterior ao cragus do pavilhão auncular e por
dentro do meato auricular; deti::miinaçfo da aberrura má
xima, na ausênc~ de dor, com um paquímetro; observação
di:: désvio~ later-ab da mandíbula à abcnura e ausculta com
CSlelOSCÓplO.
Dor;. palpação na região AT M ~igmfica inOamação,jun
tamente com wn desvio lareral: hrn1taçiio da abertura bu
cal, dor durante a função masngatóna, travamentos, desar
monia oclusaJ, ou.lgia e salto. esuJo (ruido descontínuo ou
''c;eco ") ou uma crepnação (ruido contínuo, ~emeJhante ao
de papel celofane amassado) do côndilo ou ci.t a.mculaçâo
são fatores que, isoladamente ou em conjunto. sugerem
dic;íunção cb ATM. Esses dados geralmeme são acompanha
dos de dor à palpação dos músculos masug:icórios e.xtra
e mcrabucab.
Os d1stúrb10'\ da ATM podem ser dcv1doc; ao~ c;cguint~
&tores: omioa.rtrose, deslocamento do cfüco articular. infla
rnaçõt:~ pnmánas (ex.: artrite reumaró1dc e c,;ponclihce an
quilo,ance) t' secundárias (ex.· lúpu~ entemato'io ,;mêmico
e got..1) . .fn:mrras. luxaçõe:.. anquilo:.c:., hiperphs1a condilar e
neoplas1as berugnas e malignas.
2.5.5.6. PALPAÇÃO DA GLÂNDULA
TIRE Ó IDE
A glândula tircóide possui dois lóbulos lacerais, e o es
querdo co'ituma ,;er maior qut: o chre1to.
Geralmente, a glândula não é Vlsívcl e não é palpável em
condições de normalidade, exceto no paciente longilineo,
magro e com pôcoço longo, quando entio é possível per
ceber a regi3o do t~ono cencral glandular. Qu.mdo o paa
ente deglute. pode-~e ver o movimento d.t gl2nduu.
O paciente de,·c voltar-se levemente par.i o lado a ser
examinado para que haja rdaxamento do~ mfü,culo-. cuci
neo,; O polegar do examinador, juntamente com o~ dedos
indicador e médio. deve afastar a camla~m circóide para
um do~ lados, a fim de deslocar a traquéia para o me~mo
lado. enquanco o polegar da outra mão fica apoiado sobre a
borda do mú.~culo e-:cernocletdom.astó1deo. e o~ dedo" in
dicador e médio ,obre .1 borda posterior do mesmo múscu
lo. Pede-se que o pacicnce degluca.
O lóbulo da glinduh ~r.í palpado com o polC!-,>ar JU fr~ce
do músculo e os dedo~ mdicadore-- n., porção posterior do
lóbulo. Sohciundo-se que o paciente deglura a seco ou com
água. haverá uma elevação da glândula A palpação de am
bos o,; lóbulos poderá ser feita com ambos os poleg.m .. -s co
locados mcdialmente ao músculo cstcmoclc1doma~tóideo,
quando o p.ic 1cntc voltará o pescoço hgeir.uncntc para a
freme.
2.5.5.7. CADEIAS GANGUONARES
CRÂ.NTO-CER.VICAIS
Na região, devemos exanunar O\ ,egtuntes grupos de
gânglios: menrua1s. submandibular~. ccn·1cai, pmccriores
rupemci.ai.<o e profundos, JUf:.'lllarcs, ocop11:a1ç, pré- e pó,.-auri
culan.::. é ~upracla\>'Ículares.
A palpação pode ~er pela frente ou por tr.h do paC1ente.
Na segunda hipótese (que preferimos) po,icione-\e .más d.l
cadcir.a e, com a mão esquercb, empurre gennlmence o
paciente parn a frente, cm se desviar do pLmo sagiul, e. com
a diren:.a, palpe º" ganglios mentua.1'-, com os dedo( mdica
dor, m~clio e anuLir, levando-os de encontrO .i face intem.l
da região mencual do osso mandibular.
As cadeia~ qm.> o estomatologista deve avaliar são as --e
gui nces:
• Os gânglio!> fübmenrum estão locaJ1zados enrre os ven
tre, anteriore~ dos músculos digastncos. Drenam o as
soalho bucal. região anterior da língua. dentC) ânce
ro-1.n.fenon.~ e lábio infenor. À (Ua palpação, vene
mos a cabeça do paciente para a frente, qu.l!-e encos
cando-lhc o queixo ao pe1co, para podermos relaxar
os músculos cuóculares e aprofundar o, dedo:> na re
gi.ão. tracionando-os de encontro à bord:i incema da
porção lingual da manchbula.
• Os gânglios da cadeia ~ubmand1buJar estão locahzados
na Clct: interna da mancli'bula, Junto ao ângulo. Dre
nam a re~ào genia.na, borda lateral e região posterior
da língua. consilas, 3$0alho poscenor, nanz. palato e
parte do lábio mfenor. Fazem0<; a palp.1ção ~ cadeias
submand1bularcs direita e esquerda inclinando a ca-
beça do pac1eme lateralmente em rebção ao plano
\3gital. na direção do Lldo que iremo~ palpar com os
mesmos dedo,; acuna e mais o dedo mínimo, tracio
nando do plano ~agtt:al para a face interna da região
postenor do corpo e região do ângulo mandibular e
deslocando os dedo,; anteriormente.
• o~ gãnglio) cervicais posteriores profundos direito e
e,;querdo üo palpados com os dedos por detrás do
mfuculo e-;tcmocle1domastóideo, levando-os desde a
apófise mastó1de até a região mpraclavicular, onde cor
remos os dedos na fo~a supraclavicular da região pró
xima ao esterno até a região do acrônúo. Quando te
mos dúvida quanto à cxistêncta de um gânglio supra
davicu1ar profundo alterado. pedimo~ .10 paoente que
tussa, o que pode ajudar na exterioriuçào do gânglio.
• As cadeia) jugu]MC1> e cervicais profundas locali.zam
se na parte infenor do músculo omo-h1ó1de.
• Os gânglios ccrvicm antenore~ superficiatS direitos e
esquerdos são p:tlpados1 com os dedos na porção ance
rior do mú~culo e~cemocleidoma.sróideo desde o ân
gulo mandibular ,lté a exrremid1de estemal da claví
cula. Logo abaixo do ângulo mandibular, encontr:He
o gângl10 toruilar.
• As cadeias Jugular direita e esquerda ~ão palpadas com
preemão bidigital do músculo estcmocleidomascói<leo
entre o,; dedos polegar e indicador, deslizando es.ses de
dos de,;de a apófise mastótde até a extremidade escer
nal da clavícula. faY., cadeJ.aS estão na borda poscenor
do mfüculo.
As cadei:b pré- e pós-auriculares direitas e esquer~
~ão paJpacbs adiante e atrás dos pavtlhões aunculares,
com os dedos mdicador e médio. As cadeias pré-auri
cuL.res localizam-se na região amcnor ao pavilhão
auricular, superficialmente à glândula paróada, e dre
nam o ple.xo hnücico da pele. A.-. cadeias pô~auncula-
25
res localizam-se na região po<.rcrinr Ju pavilhão
auricular.junco ao ma.stóide. Drenam o plexo l.m6o
co da pele da região e do couro cabeludo.
• O.-. gânglios d.a cadeia parotiJea c~tão loralw1doc; na
mornidade da glândula. Drenam a gliinJula l' panes rui
orof.u:inge. Sua palpação é ft:u.a por compn."Ssào digic:al
• As cadeias occip1u.1s estão locahu~ao longo w arrc
ria occípicat São palpa~ deshzando-:,c os dedo> desde
o occipíao até a região da nuca. 1 )n:11.JJTl , pde e cou
ro cabeludo e recirculam a linfa na rt:giào occ1p1tal
• Os gânglios cerv1c:u<. posteriores superfiC1a1c. direitos e
c<;querdos ~ão palpado\ com os dedo~ atrás do mú.c;cu
lo esremoclddomastôideo e na região do músculo rra
pézio. Recebem linfa da traquéia., lanng" . couro ca
bdudo e dos nódulo,; cervicais profundo~ ~upenoro.
• O músculo esternoclcidomasró1deo m~l"re-c.e no mso
mastó1de e na extremidade acrom1al da d.wirula, en
tre a fossa (01.1 mingulo) ca.roádca t: .1.l fos:1:b (ou tri
ângulos) homoclavicular e lateral do p~co,o. C,mtem
linfonodos localizados na rua porção ,upeoor.
• As cadeias supracla11iculares local12::un-se no mângulo
Llceral do p~coço. Pertencem ao grupo <los nódulos
cervicais profundo) e recebem linfa cu craquéia. larin
ge, regiões submandibular e cireó1dea.
O que se procur:i e o que deve ser si:nuogrnfado ~o ali
caractcristtcas dos gânglio\ palpáve1~ e, portamo alterado!>,
já que gânglios nomu1s não são palpávds. e não J mtcrpre
r.ação dos achado~. que de\'e c;er deuc.ada para o capítulo &~
hipóteséS diagnóstica.\. Cl~1cami::me. o que se pretende fàzer
é diferenaar os gânglios de narureza intlamatóna dos de ua
rurez.a neopl.isica maligna 1rn:tastática ou primária.
TatS descritores estão na Quadro 2. 1 O. E,crcvcm-se pn
metramente o nome da cadeia coseu lado (quando for uni
lacerai) O termo homolateral ou ipsilat~raJ ê us;1do par., a
linfadenomegalia do mesmo lado da patologia pnmária, e o
Oifercnaação clin1ra entre gânglios de natun:2;1 mílamatóa.1 e os de n.ltureu neopLlltCil maligna
1m~ta~tiric.a ou pnmán.t
Descritores dos aspectos clínicos
Características Awuento ele Superficie lnfilmção Mobilitbcle Sem1b1l1cude Aumemode Consutenaa
volume à palpição temperarur.i ..,.
lnfLunatóri.u > Lisa + > >~ Ftbro~
Atí: um limite Borrach6ide
Nf'opli\ic.u ScJtl lumtc R ugosa <ª _ 3 Rigid.-1
Pétrca
> = ;mmeoado: < = d1mmuido; + = presemc: - = :msctuc.
Pode estar =ivd no u:úao do pTOCC$.W.
i Mm cvtdcotc em pl'OCC-.\0\ 2gudoi do que ncx cn5ruc01.
' Ch.mlado, c1a.~1=cmc. por compai,ção, de nódulo frio, cmboa sua temperatura SCJa ;a corp6rc.i.
26 O Método Diagnóstico
rem10 concralareral é usado para a linfadenomegalia do lado
contrário ao da patologia primária.
As linfadenites podem ~er primárias, como no caso da
tuberculose ganglionar, ou secundárias, como nas várias in
fecções da cavidade bucal, das quaJ.S exemplificamos com a
actmom1cose cervicofacial, a paracoccidioidom.icosc, a sífi
lis secundária, a AIDS/SIDA e a mononucleose infecciosa.
E:xmem linfadenites associadas a drogas. Ex.: ludantoína,
sulfonamidas, antiinflamacórios (fenilbutazona e indometa
cma) e analgésicos e ancitéanicos (salicilato~ e paracetamol).
As linfadenomegalias neoplásicas malignas podem ser
primárias, como no caso dos linfomas, e secundánas, como
no caso da metástase do carcinoma bucal.
2.5.6. Exatne Físico Locorregional
Intrabucal
A boca é uma estrutura anarôm1ca baseante acessível à
exploração fuica para profissionais e, até, para os pacientes.
Se ism fucilica a tarefa do cirurgião-dentma, traz, por oucro
lado, um aumento da responsabilidade. O paciente pode não
procurar um médico a cada semestre ou ano, mas, geral
mente, é matado a fazê-lo com o profissional de Odonto
logia. Se este compreender que não deve examinar apenas
os denres e seu periodonto, mas toda a área sob sua respon
sabilidade, terá a oportunidade de realizar diagnósticos que,
eru ce::rtos casos e:: devido à precocidade desces, poderá sal
var a vida de seu cliente.
O paciente deverá estar confortavelmente sentado na
cadeira odontológica, que deverá estar inclinada em várias
posições para facilitar a iluminação e visualização das estru
turas a serem examinadas. A lmha de visão do profissional
deverá estar no mesmo nível da cavidade bucal.
2.5.6.1. LÁBIOS E VESTÍBULO BUCAL
Ainda com a boca fechada sem esforço, observam-se a
simetria, tex_'tUfa, higidez, tamanho e coloração dos lábios e
suas comissuras. A coloração da mucosa labial é rosada e
homogênea. Um ligeiro pontilhado demonstra presença de
glândulas ,;alivares aces.sórias.
Sohc1ta-se que o paciente entreabra os lábios e, por pal
pação, examinam-se os seus tecidos, procurando alterações
de comistência e a presença de nódulos ou bolhas, bem como
a prec;ença de c;intomatologia à compressão suave. A boca
será mais aberta e o lábio inferior será invertido com uma
das mãos ou com ambas, fazendo-se sua inspeção e palpa
ção bidigital. O lábio inferior será separado dos dentes para
exame visual e digital do fundo de sulco e porção vestibular
dos dentes inferiores, gengiva e mucosa alveolar vestibular.
A seguir, passa-se à inversão do lábio superior e sua proje
ção para antenor, com os mesmos objetivos, observando-
se e palpando agora a porção vestibular dos dentes, gengi
va, mucosa alveolar e fundos de sulco superiores.
2.5.6.2. ASSOALHO DA BOCA E FACE
INTERNA DA MANDÍBULA
Passamos a examinar o assoalho da boca. solicitando que
o paciente abra a boca e levante a língua. A moV1ment.1ção
desta e seu freio central são analisados, e pede-se que opa
ciente a eleve procurando cocar o seu ápice no palato duro
e, alcemadamence, nos dentes superiores posteriores direi
tos e esquerdos.
Com a lingua alçada, inspecionamos e palpamos o asso
alho, procurando alterações de higidez, coloração, con,1c;
tência e sensibilidade à palpação.
A ponta do dedo mdicador deverá percorrer cada lado e
junto ao assoalho, desde o freio central, passando pelas
carú11cttlas, onde desembocam os duros das glândulas sub
mandibuJares (dutos de Wharton), até a região mais poste
rior possível, quando estaremos palpando ind1recan1ence,
entre outros elemento\ o trajeto dos dutos dessas glându
las. Outra forma de palpação que deve ser usada é a dígito
palmar, colocando-se um dedo no assoalho e levando suas
estrucuras em direção da palma da ou era mão. espalmada na
região submentual e cervical As doença.-. mais comuns no
assoalho bucal poderão manifestar-se por qualquer das le
sões fundamenca1s, além de podem1os encontrar e..c;trutura.s
calcificadas correspondentes a sialolicos.
A compressão das glândulas submandibulares pode pro
vocar fluxo salivar na região das carúnculas.
Quando se percorre o dedo pdo assoalho, a face interna
da mandíbula é também palpada. Protuberância:; bilacerais
(nódulos ou tumores) recoberta., por mucosa normal po
dem ser devidas à presença de toros mandibulares.
2.5.6.3. LÍNGUA
A seguir, inspecionamos e palpamos o venere, o ápice.
as borda~ e o dorso da Língua, esses d01s úlomos nos seus
três cerços (anterior, médio e posterior), após fazermos sua
apreensão com uma compressa de gaze, para que não nos
escape.
No ventre, examinamos o freio e a!i pregas subhnguais.
No dorso, visualizamos a presença e integridade das papilas
fungiformes, foliácl!as e circunvaladas, estas freqüentemen
te confundidas pelo paaente com uma doença. Os terços
posteriores das bordas e dorso são de dificil visualização e
palpação, mas devemos, gentil, delicada e, ao mesmo tem
po, decididamente, tracionar bem a língua para a frente.
direita e esquerda, evitando o nsco de deixar algo para trás,
metafõrica e literalmente. É comum. em pacient~ de meia
idade ou mais, a presença de varicosidades lmguais no ven
tre e bordas lacerais da língua.
O Método Oiag116stúo 27
É muito comum a presença de uma placa esbranqwçada
no dorso linguaL conhecida como saburra. importante con
tribuinte para a hal1tose, devendo ser diminada pelo pact
ente com um limpador de língua.
Numerosas fissuras que não têm conotação patológica
estão presentes na língua fissurada. O paciente deve esme
rar-se na sua higiene. Placas encemacosas mucances, circun
dadas por halos esbranquiçados, c;ào típicas da língua geo
gráfica ou glossite migratória. A repetição da inspeçãoem
outra oporrunidade confirmará a variação de forma e po
sição.
Na língua estão 90% das papilas gustativas; os 10% res
tantes estão na mucosa bucal posterior e faringiana. A gran
de maioria das papilas gustaovas está no dorso lingual. As
papilas filifonnes não possuem receptores gustativos. As
papilas fungifon11es concêm esses receptores, mas cm peque
na quantidade. As papilas foliáceas os contêm na quantida
de de 25 a 30 por papila. As circunvaladas são as que têm a
maior quantidade de todas (300 ou maic; por papila).
O sabor doce é sentido na região anterior, o azedo ou
ácido nas regiõei; látero-medianas, o salgado na porção cen
tromediana e o amargo nas regiões látero-posteriores, jun
to às papilas circunvaladas.
2.5.6.4. MUCOSAS JUGAIS
As mucosas Jug:w; direita e esquerda, terços anterior, mé
dio e postenor, são exammadas por inspeção, por palpa
ção bidigital e dígito-palmar e por tração para ântero-la
tcral.
Notamos a desembocadura dos ducos de Stensen, na re
gião à frente dos pnmciros e segundos molares, freqüence
mente sobre uma papila de amanho variável Essa variab1-
licbde poderá confundir os examinadore5 menos c!Xperien
tes, que podem tomá- la como uma patologia presente.
Costumamos comparar um lado com o outro para avali
armos a presença ou não de sunetria. Alguns neófitos desa
visados poderio confundi-los com uma doença, e uma si
metria presente descarta essa possibilidade. Secamos os dutos
com gaze ou jato de ar e verificamos a volta do fluxo ~alivar
e as características desse fluido. Um desvio de quantidade.
consistência, viscosidade, fluidez ou transparência poderá nos
levar à suspeita de sialoadcnite uni- ou bilateral das paróti
das. Se corrermos o dedo da saída dos dutos em sentido
posterior. estaremos percorrendo o duto parotídeo.
Um retículo esbranquiçado plano e/ou ligeiramente
papular, reflexo de hiperqueratose e trauma, na correspon
dência entre os dentes em oclusão, denunciará a presença
da linha de mordida ou hnha alba. Nela há um espessamen
to epitelial (acantose) e hiperqueratose.
Pápulas amareladas. principalmente no terço posterior.
podem ser conseqüência de grânulos de Fordyce, apenas
glândulas sebáceas ectópicas.
2.5.6.5. PAI.ATOS
Exploraremos, por inspeção e palpação, o~ palatos duro
e mole, separados pela sua consistência, superficie, colora
ção (rosa-pálido) e mobilidade espontânea ou provocada ao
pedirmos ao paciente que pronuncie a primeira vogal com
a boca abena. Para exammarmos os palatos, o paciente de
verá estar com a cabeça hiperestendida para mís.
O palato duro é formado pelo osso palatino e possui, na
linha mediana. a rafe palatina. que termina na porção ante
nor, na papila mc1S1va cercada pelas rugosidades palacirias.
O palato duro, no seu terço anterior, apresenta as rugo
sidade5 palatinas, ua linha mediana a rafe palatina e, no ter
ço posterior, as duas fóveas palatinas.
Eventualmente. o paaente poderá apresentar um nódu
lo ou tumor central no palato duro, representativo de um
toro palatino, uma variação da normalidade.
Nos fumantes habituais, as glândulas salivares menores do
palato duro se ap~entarão como pontos entematosos ou
pápulas esbranquiçadas com o centro eritematoso. acusan
do a presença de mucomes da estomaote mcoánica.
À palpação do palato, poderemo~ sentir crepitação,
dcpressibilidadc ou choque de retorno, demonstrando
osteólise de causas \~anáve1s. Nódulo ou tumor de forma
variada. recoberto por mucosa normal, pode simular apre
sença de toro palatino, apena~ um desvio de dcsenvolvuneu
to sem significado patológico.
O palaco mole é uma lâmma Ullomcmbranosa, móvel.
situada na porção posteóor, em seqüência ao platô duro,
separando incompletamente a boca da fàringe e esta da ca
vidade nasal.
2.5.6.6. REBORDOS ALVEOLARES
São exarrunados e, depois. palpados a.faseando-se as mu
cosas Jugais e pedindo ao paciente que aproxime os dentes.
A expansão dos rebordos alveolares pode revelar os si
nais de uma e>..1>ansâo dos ossos do complexo maxiloman
dibular.
A palpação da região correspondente aos ápice5 dentais
poderá revelar as periapicopattas. A palpação dos rebordos
poderá se apresentar com conmrência pétrea, crepitante, in
dicando adelgaçamento das corneais, ou com choque de
retorno indicando a presença de conteúdo líquido própóo
dos ctscos ou ameloblastomas.
2.5.6.7. ÚVULA, PJLARES TONSILARES,
TONSILAS E OROFARINGE
Dos palatos, prosseguimos, por continuidade, e.xanúnan
do a úvula, pilares tonsilares anterior (arco ou pilar glosso
palatino) e posteóor (arco ou pilar faringopalanno), região
tousilar e orofaringe. Se necessário. abaixamos a língua para
faohtar essa manobra. O paciente poderá a_iudar pronunci
ando a vogal "a". Evennialmente, a úvu.la poderá estar bífida.
28 O Mbodo D1a.(!11Óslico
Usualmence, no adulto, o volume da tonsila não ultrapas
sa os pilare~ ton~ilare,; e apr~cnta color.ição idênaca à das
dt·TllaIS mucosas Nas cnanças, o volw11c é J.llalor e ª" constlas
pnJt."Tào t."\tar mais ericemacosas. Os pilares c;âo palpados dt:S
lizando-se o dedo verticalmente ao longo deles.
A orofaringe f tomada por pequeno,; vasos e pela pre
sença de algum~ placas de tt"cido Jinfóide.
2.5.6.8. DENTES E TECIDOS
PERIODONTAIS
Evidentemente, o exame des\as e-;crururas é de 'IUtna
importânc1.1 em uma consulta odontológica; entretanto, os
livros e~ wsciphnas de .Endodonoa, Dcntísnca e Penodontia
exploram o a.'imnto com propriedade e amplitude. razão pda
qual não o estamo .. detalhando neste livro.
O e:.tudance, uma vez formado, fucilmente unirá o exa
me dessas eslruturas com o que aqui está descnro.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL,
HIPÓTESES DIAGNÓSTICAS
OU DIAGNÓSTICO DE
TRABALHO
É um exercício de probabilidade~. Considerando-se to
dos o, ciaJos :ué aqut obttdos, usa-se a propedêuaca clínica
para chegar ao dtagnó,;ttco diferencial, que t: uma elencagem
h.ic:rarquizada. i~to é. da m.úor para a menor probabilidade
das possibt11dade,; de diagnóstico final. Aqw u~arernos os
nomi:i. elas entidades no'iológicas, tsto é, das doença,.
Algun~ preforem serruografur como 1) 1, D2, 03 etc.; ou
rrm p~fettm nocar doença A X, doença B X, doença C X. ..
O clímco, ao reumr os dados do exarnc: clinico e fom,u-
1:tr hipótl'scs, t:stá atuando como um pesqu.isador, pois, à
'\emelhança de<ite, estará usando um raciocín.io h1pocét1co
deduovo. Mas, ~e aruar no paciente em beneficio exclUS1vo
da c1ênc1a e p~quisa, e!itarâ infringindo prinápios éacos:
os da não-beneficência do paciente e desrespeito à indivi
dualidade deste O paciente não deve ser apenas uç_ado para
conferir tírulos ao pesquhador.
Sua lim.itição qua1itaova e quanataova é necessanamente
feica apó~ um reflerido diagnóstlco cliferenctal, sem o que sua
solicitação se coma aleatória, trabalho~. dispendiosa e inúál
Nenhum exame que não sirva para elucidar um diagnóstico
e, a paror daí, tratar o paciente deve ~er pedido.
Apesar de auxiliarem e ampliarem os sentidos do profu
s1onal, não ~erào eles que fornecerão o d1.agnóst1co final. E.sce
é sempre obtido pelo profü,s1onal, que levará em coma. todo
o exame clinico, o que ouviu, senàu e examinou obJcava
mence, e, também, os exames cornplr.:mcnrares. Tanto é
verdade que, se os reIDJcado~ desses úlumos não ,e co.iduna
rcm com o conjunto de dados. cabe ao profu..\ionaJ que,;tion~-
101,, repeli-los, contestá-los e repetir sua rl-ahzaçio.
Os examec; complementares podem ~er.
• Específico:.: quando são decisórios para o diagnósàco
final. Ex.: FT A-Abs para silihs.
• Semi-específicos: quando sugerem mas não fechJ.m o
diagnóstico. Ex.: hemograma.
• lnespecifico,;: quando fornect:m apenas um indício
d1agnóst1co. F-'i'..: calccmia.
Em outras partes deste Lvro, enconcra--.e a descrição dos
pnncipa1s exames solic1udos. Alguns, como °' ex.imes
imagino]ógico), fogem ao ~copo deste trabalho, pois per
tencem a cursos específicos dentro do cuniculo odomoló
gico
Os e.xames DL'llS so!tc1rado,; em Estonucologiasão:
• Htstopacológ,co, após biópsia
• Citológico, após citologia esfoliativa
• ímagenológico
• Mtcrob1ológico
• CuJmra
• Antibaograma
• Laboratoriais
Hematológicos: hemograma e coagulogram:i
G1icênuco~
Bioquíuucos de ~angue e unna
A palavra d1agnóst1co vem do grego (d,a = através;
gnoscie,i = conhecer). É o objetivo da metodologia do exa
me clinico: a 1dena.ficação da doença que o paciente pos
sui. É dele que trataremos e iremo~ informá-lo ao paciente.
Não chegamos a ele para nossa sansfução pessoal. mas por
um motivo prag:máoco: cuidar do paciente.
Repetindo: o diagnósáco final é dado pelo profissional e
não pelos exame-. complemencares. Tanto é verdade que
podemos chegar ao diagnó,t1co final !>em o concurso de
nenhum exame complementar É o que fazemos em alguns
c.1Sos de ulceraçõt..-s afto~ recorrentes, candado~e pseudo
membranosa aguda e herpes recorrente.
Depende do diagnóstico final enconcrado e será elabo
rado graças ao conhecimento que o pro6ss1ooal cem sobre
O ,Wirodo Diag11óstic(I 29
a doença encontrada. Além do tipo de doença, depende de
outros fatores: dano anatômico e funcional, efetivid.lde dos
recursos lerapêut1cos disponíveis, estado geral do paciente
e das condições psicológicas do paciente.
Vanará de acordo com o diagnóstico final encontrado.
Cada paciente tem suas identidades biológicas, psicológicas
e sociais que precisam ser levadas em consideração no seu
t.ratamento. Um exame clinico competente pode consegtur
esses dados essenciais para a tomada de uma decisão cera
pêuaca. A isso chamamos diagnosticar o paciente e não di
agnosticar a doença. Padronizar uma conduta traz grandes
inconveniênC1a.S. Em qualquer terapêutica, pensaremos na
relação beneficias, custos e riscos.
O tratamento deverá ser, quando possível, especifico. Ex.:
penicilina para o tratamento da sífilis.
Será inespccifico quando receitamos corticó1des para wn
edema pós-operatório.
Poderá ser de suporte quando procuramos melhorar as
condições gerais do indivíduo para que consiga combater
mais efetivamente a doença. Ex.: receitamos vitamina~ para
um paciente subnutrido ou hidratamos um paciente desi
dracado.
Será sintomático quando tentamos aliviar os sintomas.
Ex.: analgésicos para dores causadas por uma úlcera bucal.
Será empínco quando não temos dados que comprovem
sua efetividade. Ex.: antibióticos receitados sem cultura e
antibiograma. Será de escolha quando baseado nesses exa
mes.
A substância falsa, ~em atividades terapêuticas, que se as
semelha a uma apresentação (comprimido, cápsula, drágea
etc.) verdadeira é chamada de placebo.
Quando fazemos o diagnóstico clinico e tentamos tratar
a doença com uma droga específica, sem nenhum exame
complementar, dizemos que estamos fàzendo um teste te
rapêutico diagnóstico.
Qualquer que seja a modalidade, ela fará parte de um
conjunto que podemos chamar de planejamento tera
pêutico.
Um dos problemas que temos para enfrentar no trara
mento é a adesão do paciente a este. Nem sempre ele segue
o esquema proposto pelo profissional por urna série de ra
zões, desde as pessoais até as financeiras.
Todo cracamemo deve sofrer um segw.menco para vigiar
seus resuJtadm. Independentemente disso, algwnas doen
ças correm o risco de recorrênoa e, assim. o exame clínico
deve ser repetido de tempoc; em tempos. A periodiadade
dependerá da doença e dos mesmos futorcs citados no prog
nóstico. Dependerá também do estado geral e/ou das do
enças sistêmicas que o paciente poc;su1. Ex.: podemos deci
dir que os problemas periodoncrus devam ser revisado<; a cada
semestre, entretanto, freme a um paciente diabético ou
mesmo de um que não tenha aderido às imtruçôes <le hígi
ene, poderemos amiudar esi,e prazo.
REFERÊNCIAS
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ci1U1 Oral, 2.• ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1996.
Relações Paciente-Profissional:
o Evento Central das
Ciências da Saúde
j ayro Guimarães Jr.
J . I. SAINDO DO MODELO CIENTIFICO-BlOLÓGlCO
ESTRITO
J . 1. l. Por que estudar relações paciente-profissional
(RPP)
3. 1.2. Profusão e arte médica
3.1.J. A ioflut!ncla de Descanes na ciência
J . 1.4. Alterações comportament111is requeridas nos
pia.nos de tratamento
3.2. BBNBFÍCJOS, OBSTÁCULOS, NEGOCIAÇÃO,
CONTRA TO E. CONSENSO
J.2.1. Bencficios da RPP
J.2.2. Ob5táculos nas RPP
J.2.J. Negociação
J.2.4. Contrato e corue:nso
J .J . O LADO DO PACIENTE
J .J .1. Rffpotuabilidades do paciente
J .J .2. Ar. condições pr~morbosu
J.J.J. A fase pré-consulta
,U. O LADO DO PROFISSlONAL
J.'4 . J . Responnbilldades do profüslonal
3.4.2. A escolha da profissão
3.4.J. O qoe se requer do profimonal "ideal"
J .4.4. O estudante no início do atendimento clínico
J.4.S. lnruiçio
J .~.6. A necemdade de autoconhecimento e
conhecimento do ser humano
"E11 11ào romana """'º rc111po do mtlt médl(o. Dcscjan'a apenas
que matutasse sobre a mi11/1a siflla(âo, tal,,ez 1111s a11co r111muos,
que por 11111 brePe tempo se itino,/assc comigo, esq11adn'11lta11do-
111t a alma tiio bem como o me11 corpo, para a,tiio ctJteuder o
111c11 mal, pors cada i11di1r(d110 adoete a sr,a ma11cira ... Assim
como me pede exames de sa11g11e e dos ossos do meu corpo,
desejaria que o me11 médico me exa111i11asse considera11do o meu
espírito tn11to q11n11to a mi11l,a próstata. Sem um reco11/1ecimemo
desses, 11iic> sem mars que uma doença."
Anacole Paul llroyard (1920-1990), ensaí~ta americano,
pouco antes de morrer de câncer de próstata, em Boston.
3.4.7. Empatia
J.4.8. Antipatia
J .4.9. A ttgulação da agressivid•de do prnfhsional
J.4.10. A regulação da auto-estima
3.4 . lt. Aprendendo a dizer " eu nio sei' '
J.4.12. Tolerincfa
J .4. IJ. Quando o paciente chora
J.4. 14. Aprendendo a lidar com o paciente agreslivo
J.4.1 S. Colocando limites
3.4.16. Maneirismo profiss ional
3.4.17. Preconceitos
3.4.18. O paciente como objeto sexual
3.4. 19. Abordando a sexualidade do pad ent•
J .S. AS RPP NO .E.X.AME CLÍNICO
J .5.1. Obtendo confiança
3.5.2. Pressões do tempo
3.5.3. A escuta
3.S.4. lnfomias-3es não-verbais
J .S.5. Contribuições da individualidadw do paciente
J .S.6. A queixa principal
J .S.7 . A hln6ria da doença atual
3.5.8. O exame fu.ico
3.5.9. A comunicação do di.agnónko
3.5. 10. Os cinco estágios de .l::.li.zabeth Küblcr-Ro»
SAINDO DO MODELO
CIENTÍFICO-BIOLÓGICO
ESTRITO
3.1.1. Por que Estudar Relações
Paciente-Profissional (RPP)
Porque, não importaqual a queixa pnnc1pal ou proce
dimento técnico estamos fazendo ou no qual nos especiali
z:imos, ~cmprc estaremos estabelecendo ~~ relações.
Rela(Õt'.S Parimtr-Profissio1111/· o E~mo Crmraf 1/1t( CíF,uia.s dil SalÍde 31
Porque:" o diploma de orurgião-denusta rüo dá certifica
do de hannonia mental e equilíbrio emociotul para pene
trar na mente da., pe~oas que ,ofrem.
Porque, quando a escudamos. 1dcnnficamos e desenvol
vemos habilidades e conheamentos que J:Í pmsuímos, e usa
mos sem perceber, acerca ~ relações com as pessoas e,
agora. com paoentes.
Para 6cannos lll.3.lS atentos aos aspectos importantes des
sas rebções que antes passavam despercebidos.
Para podermos esclarecer dúvidas que remos duram:e es
sas relações.
Para tomam1os mais objecivo e: racion.11 esse tema, sem
aprendem1os verdades absoluta.e;, pois ele é geralmente tra
tado de forma subjetiva e intuitiva.
O obJcm da., RPP não é aprender a lidar com os proble
mas orgânicos da., pessoas, mas aprettder a lidar com pesso
as. Entretanto, antes de aaibuir uma c:ausa p:.icológica a um
sintom:i, é preciso investigá-lo t!xtensamente para excluir
todas as causas fisicas.
Para conscgurrmos alcançar um dos objcavos de uma
coruulca, que é trazer a satisfação de ambas c1S partes envol
vida$.
Para termos sucesso profus1onal não ,ó do ponto de vtst2
financeiro. ~ c:ambém da satisfação pt:SSoal.
Profiss1onatS podem ser perfeitos tccrucamente e fracas
sar por não ~aberem se relacionar, e profü,;ionais incompe
tentes podem ter sucesso porque dominam essas habilida
des.
3.1.2. Profissão e Arte Médica
NL'!itc advento de um novo século, as profissões de saú
de vêm apresentando um progresso tecnológico expressi
vo. Apesar dtsso, o paciente está sendo olvidado. Nunca
tantos exam~ complementares foram tão solicicados, nem
sempre por necessidade, o que, além de causar ônus, sub
mete o paciente a desconfortos e aprecn'iôcs. A tecnologia
não mc:lhorou a quahdade do atendimento, e a falta de um
diálogo humano entre os envolVJdos é cada vez mais evi
dente. 1-.so cem traz.ido desapontamento, insarisfàçào e des
confiança para o doerue. De modo redundante, até para
ev1rar dema.odas judici:u.s, muita.,; vezes geradas por es.sa des
confiançd, o profissional de saúde procura cercar-se de exa
me<; que não trazem eJuodação complementar para o d1ag
nó~tico. mas i,ervem de material de defoa pe!i.!ioal. Tudo isso
porque a, R.PP cstào sendo esquec1da.s. Me,;mo denrro do
ambiente universitário, ela é menosprezada por alguns, que
gostariam de "aproveitar" mais o tempo enrulhnndo mais
tecnologia em seus alunos.
A profissão de saúde vem desde a Pré-história. No pas
sado. apresentava ela virtudes agora esquec1da.s. Era exerci
da por sacerdot~. curandeiros, xamãs, fe1ciceiros e pajés que
acumulavam outras funçoo na ~ocicdadc. Além de cuida
rem da aúde. eram liderõ c:spíritwb é sociah. o que lhes
permu:u rer um conhecimento profundo do,; membros das
pequenas comunidades em que aruavam, onde facilmente
poderiam unir a rerapêunca fistca com a p~1cológica e a fe.
Qumhenco:. anos antes de Cnsto, Alcmacon de Crotona,
no sul da ltáha, começou a ~cear anu11,u:,, l' esse processo
evoluiu para difü!cações humanas até que Andréa~ VesaLius
publicou, em 1543, o seu famoso tratado de J!L'ltom.ia hu
mana De /11111,nm rorporis jãbrica. O interesse das artes médt
c~ l.~tava voltado para o paciente-obJeto, isto é. um con
junto de órgãoç_ e 'aS Jeçõe,; nele,; provocada~ pelas doenças.
A de..coberu d.ts bacté~ levou à idéia da etiologia uni
tária, ou seJa. â noçio de que cada doença tem a füa causa,
única que é. váhda, se tanto, para explkar as doenças infcc
c1o~as. embora não ~eJa apenas a presença do nucrorganis
mo que causa a doença. Essa 1dé1a criscalizou-:;e com a
enunciação do~ criténos de Hcnle, em 1840, para derenm
aar o envolvtmento de um microrganmno como caw,a de
uma doença específica:
O microrganismo devena el.tar pn::~ente em todos os
casos da doença.
Oc, cria ,cr isolado em cultura pura e cultivado, fora
do hospedeiro. em geraçõc.c; ,uces,;1\'as.
A culrura maculada em um organmno ,u.\Ccóvel de
vena reproduztr a doença.
Esses cnténo,; foram recomados, cerca de 40 anos depms,
por Robert Koch, cendo ~do imortalizados como "po tu
lados de Kocb", aos quais também agregou de llllli um
cnténo: a reprodução da doença pela introdução do tal
nucrorgamsmo em modelos ani.mab.
A e...u altura - século XIX - , a ciência médica era um
conhecimento aplicado. guiado pela Química. Física t' Bi
ologia, dentro de um modelo ciemifico-biológico que ad
mitia ~er o organismo humano um mtema de reaçõe<. fisi
co-quínúco-b1ológicas, por meio das qua.i, a Fis10logia e
Patologia Humanas podiam ~er explicadas e/ ou manipula
cla.s. Nos dias de hoje, esse pensamento tem como coroláno
a Biologia Molecuhr. Algum especialistas nessa área acre
ditam que. se entendermos o corpo humano em suas inte
rações moleculares. entenderemos o c;cr hum.ano como um
todo. Nada ma1 engano~.
No século XX. começou wna cena (e ínsufiaence) preo
cupaç.ão com os mecanismos básico; da doença como ~ua eá-
06.s1opatogerua e suas relações com os 1àron.-s ps1cossoaais.
Surgiu o conceito de Medicina I lolíc;tica (G. l1ofos =
todo}, que pregava que o rraramento pode ser impessoal.
mas a assistência ao paciente deve c;cr pessoal. O sofrunento
humano é uma coisa pessoal e nem sempre o doente con
<iegue explicar o verdadeiro motivo (~timulo 1acrorróp1co)
por que procurou o profissional O dt,gnó\aco e o rraca-
32 Rtlacõr5 Ptrn1't1tr-Prc,_fi,sional: o E11n1t,, Cn1tral d,u Ci~1ri,1s da S.uidr
mento dependem da qualidade da.e; RPP, que. por si c;ós, têm
um potencial terapeuáco. pois contribuem para a ~t:isfação,
adesão ao tratamento e. portanto. para o~ rec.uJtadoc; deste.
As RPP incluem convtvênc1a harmôruca. bioêtica e respon
sabilidadt> moral.
O hohS-mo prega um cont.ito direto com a realidade
hwnana do paoente e admite que uma das reclamações mais
frcqücnct.."S do doente é contra a inabilidade do profissional
cm se comunicar com ele. Para essa corrente de pensamen
to, o modelo c1entífico-b1ológico não c;ervc para exammar
e compreender o pclbatnento e as emoçÕI!\ humanas. Além
d.isso. o trar.unenco deve ser 10dividw.lizado de forma a cra
ar o doente e não a doença.
Um biólogo molecular pode não cer contam com o paci
ente, m.n o cliruco o fiz corneante e C$treic.unence. Portan
to, ele deve individualizar o protocolo de cracamento sem
violar os conhcc1mencoc; técnico~. éoco~ e mol'3.IS, e paciente
e profissional assumem, cada um. suas rcsponsabilidades.
Não ,;e mede um fato psicos.soc1al u,;ando exclusivamen
te critérios numéricos e matemático~. Há nece~sidade dt:,
pelo menos, doLc; referenoa.1s: o corpõreo ou fis1co e o psi
cossocial. Admite-se que cerca de um terço dos pacientes
de uma clíJ11ca apresenta smtoOl.Js p,1copatológicos ou
psicôgeoos.
3.1.3. A Influência de
Descartes na Ciência
René Du Perron Descartes ou Renato Cartcsius (3 J /3/
1596- 11121 1650) ceve uma uúluênc1.11mporcanássima na
ciência. de fonna geral e~ an~ médica!., ele forma paró
cular. Muitos não notaram. mas a exc~1vJ especialiuçào nas
profi~õ~ em geral e nas da saúde decorre das suas idéias.
Na sua obra "LA dcsmptio11 du corps /111mai11", Descartes
afinnava: "se deLxannos de lado as aovtdades intelectuais e
volicion:tis d;i "alma racional", o funcionamento da máquina
corporal pode ser explicado por pnncípios puramente me
cânico~··. Acreditava que o mundo inteiro, exceto Deus e a
alma, operava mecanicamente e que, portanto, todos os
acontcnmcnto, natur:us podenam ser explicados por cau
sas mecânicas, ou seja. o corpo humano é apenas sujeito às
leis comuns da mecânica. lc;so ,;e tomou uma das idéias fun
damentaJS da Fisiologia mode~.
No seu livro "Discou, de la 111c1l10,Jr" (" Dismrso sol,n? o
mét<Jdo''), onde está sua famosa frase "jt peusc, do11c jt suís'',
traduzida parao latim como "Cogito. ergo s11111" e para nossa
língua como "Penso, logo existo". mrroduztu uma meco
dologia científica apart:ntemencc inconcesuível, onunda de
seu pensamenco filosófico e matemánco:
Nunca accuar nada como verdadeiro sem cer conhe
ci menco evidente da. sua verdade.
Deve-,;e dividir cada uma da.<. dificuldade.. ex.a.mina
~ em emas partes quantas forem po,gvei., e em quan
tas forem necessanas para resolvê-las.
Deve-se coodunr os pensamento$ di: maneu-a orde
nada. começando pelos mais simpl~ e mais fuctlmen
te conhecido~. para então a.c;cender, pouco a pouco,
:io conhcc1mento dos mais complexos.
Fazer enumerações tão complecas que mt' assegurem
não ter deixado nada de fora.
Isso. que hoje pode parecer um rruí,mo, revolucionou a
pesg~ e propiciou uma fantástica evoluçio. Entretanto, se
anafüa.m1os bem a segunda assertiva. veremo~ que da é
inquc:stion~vcl, ma.c; levou-nos à c.upctt<ipccia.liz.aç-ão, que é
útil, embora po,sa acarrt:rar uma perd.l da noção de conjun
to. Vem daí a exi,;tência de cirurgiõ~cnu,;m que, por não
serem especiahstas em endodontia, se mosa.un incapazes de
aplacar a dor de um paciente ao se cous1dcrarem incapazes
de trcpanar o teco da câmara pulpar com uma broca ~~fenca.
Docanes não parou por aí. Sobre a relação mentc-cor
po afim1ou "existe um.a 10corponedade da mente e uma
distintivid.lde ec.c;c.mciaJ entre meorc: e corpo. A mente não
deixaria de c;er o que é, mesmo que o corpo não eX1Sàsse.
O espírito e a nucéru são coisas tão diferentes que um não
pode exercer influênoa sobre o ourro''.
Com j,;c;o de estava negando a c.xi,tL"ncia <la.o; doenças
psico~omácic~. Data l'enia, Descanes. ape~ar da su;i influ
ência marcante, cJG1gerou.
V cm daí a e.xistênc1a de profissional\ de saúd<.' reducio
nistas que cratam de órgãos e não ma.IS de pcsso~. não tra
tando seus organismos como um todo e ignorando que
pos:1uem mente, alma, espírito, ps1qmsmo ou como qlll!>e
rem chamar as dunensões humana<. 1maccnai~.
3 .1.4. Alterações Comportamentais
Requeridas nos Planos de Tratamento
O modelo tradicional considerava que, ao se ~cabelecer
wna verdade científica sobre o modo de tratar uma doença,
~ verdade era imposta ao pacientc, que dcvcna alterar ao
máx:imo o seu componamemo pan ~e adapt.ar à terapêutica
ou para cootnbulf para a sua cura Como o protocolo tinha
um respaldo técnico bem estabelecido, er:i aplicado de ma
neira idê-noca a rodos os paoenres. O profi.~ional não nnha
que alterar o seu compommenro. Não era ele que er.wa do
ente e sua função, como récruco, era aplicar o conhecimento.
A escola comportameru:afut.i. de Burrhu.'i Frcdenc Skmner
(1904 - 1990) coru.iderou que. "atravó de um reforço (ou
estímulo) negaovo ou pos10vo, influimo~ no comportamen
to ou resposta desejada". Assim, o curador pode mfluir no
doente através de incenovos, e a r~posta. ou alreraçio com
portamental, fica por conta do paciente Continuamos no
luin(Õrs Paor11tt--~(1.monal: o El'l'mo Cmtral daJ Ciê11rias da S.uídr 33
m~mo estilo crad.icional. O comport:unenco do pro~io
nal n..iJa muda. ele muw. apenas no paoence.
Com essa forma <lc pensamento. admitia-~c que a habili
dade clínica do profissional aliada aos seus conhecimento~
tfrmcm levava. mexoravelmente, ao sucesso do tratamento.
Carl R ogcrs (1902-1987) connibum para um modelo de
traumento adaptado às pcõonahdades individuai~. Ao de
fender uma terapia centrada no pac1enre, coruiderava: "o
tcr;1pcuw c:nlr3 em rdaç.io pessoal e subJeova com seu paa
entc. não como um cicnttst.l diante de um obJeto de estu
do, não como um mi:d1co que espera fazer diagnóstico e
curar. mas de pe:.soa para pessoa ... sigrúfica que ele consi
dera o paaente como uma p~oa de , alor wconchc1onal,
não importando qual ~cja a sua condiçio. seu componamen
to e seus sennmentos". Estabeleceu, a~1,im, a pcr.onahzação
d:i terapêutica e a relação pacient~rofusional menos au
contána e urulateral e, como vemos, dcstituit.la de precon
c.:c1los de qualquer C$pécie.
Dentro desses conce,tm, propõem-se protocolos de cra
camenco que profissional e paciente não necessitem de tan
t.1s alterações comportamenta.lS, desde que o mesmo seJa
.1t.lapcado às neces:;1dadcs dc\tC fila.mo.
Por exemplo supomo~ qtl.l! temos sob tratamento perio
tlo11t..1l um grupo de pacientes normaJS e tenhamos um outro
grupo de pacientes com outras caracteáscicas pessoais, diga
mo~ falr.a de motivação. 1munodefic1ência, dJabete d~om
pemado ou fàlt:a de habilidade motora. Se estabelecermos que
o pomCll"O grupo deva volar para contt0le a cada 6 meses. um
protocolo mais raoon.'ll para o :.egundo grupo não seria amiu
d'U' ~e tempo, adaptando-o a cada situação em particular?
Cons1deramos que ou nenhum dos dois envolvidos te
nha que alterar o <;cu comportamento, ou se algo tem que
mudar que seJa para ambos. O profissional alterando o seu
modo de rratar o paciente, e o paciente alterando os seus
hábitos ao h1g1eniur a boca.
Com essa fomia di: pensamento, adnúte-se que a habili
dadc clinica do profü-'ltonal aliada aos seus conhecimentos
técnicos, a uma boa relação paciente-profissional. adesão do
parn.:ncc ao tr.uamenco (co111plin11ce) e monvação de ambos
pode ou não levar ao suce.r;,;o do tratamento.
BENEFÍCIOS, OBSTÁCULOS,
NEGOCIAÇÃO, CONTRATO
E CONSENSO
3.2.1. Beneficios da RPP
Nulllll refação btunJvoca e Justa, a.,; RPP somente serão
satisfatórias se n:sultan:m em beneficias recíprocos e de graus
comparáveis para ambos os envolvidos.
Há necessidade: Jc: harmonizar e ~peitar os direitos do
paciente com a responsabilidade do profisli1on:1I t ,,rc-vcr.a.
O. bendki~ para o p:1c1cnce podem ser ~u,mdO$ a._~,;im:
Alivio do sofrimento, desconforto e angú~n:i
Tranqüiliz.ação de ,cu~ temores e am.c.:10!>.
Recuperação da capandade funcmnal e e<.ténca.
Cura da doença.
Apoio empático.
Informação, e<.clarccimento, educação e onencação.
R ecuperação da auto-esama.
Os beneficio<; para o~ profi.~~tonais poderão s~'l' os scgumt~-s:
Sentimento de uaht.lade e altruísmo.
Realização p~~oal e profic;~1onal.
Prazer inrelecrual.
Reforço da auto-esnma.
Recompensa financeira.
3.2.2. Obstáculos nas RPP
Problemas pessoais do paocnrc e do profusio1u.l podem
interferir.
Um. ourro ou ambos podem não c::.tar :.ufic1c11Lemcnte
moávados.
O paciente, mal mformado sobre coisas té-rnica!; e o pro
fissional que desconhect: os prinóp10s das RPP podem oào
consegwr fazer escolha~ e comportamentos comc1entes.
O pacienre pode estai' ~en:xo e preocupa.do com o que o
tratamento llie a:aci e/ou como suponará os crit~ fina.nrem~.
Paciente e profissional sofrem gnm variáveb Je mfluên
cia da sociedade e doi. meios de comurucaçào.
O profissional poderá estar dcsprep:irado p:ira hdar com
o pacrimônio psicológico do paciente, assim como potkr.í
estar despreparado para lidar cuw ª" ,ua.s próp, 'ª" emoções.
A sociedade atual cru pnvtlegiando o mwv1duahsmo e a
competitividade.
Embora o paaente esteJa vivamente imerc"-'13do com a
sua ~aúde bucal. as conchçõ~ para esse aprendizado nem
sempre são as melhores, pou.:
Ele está freqüentemente numa posLUra forçada com a
boca abena.
Uma luz forte está sobre os seus olhos e ele não vê
muito bem o que você vê ou quer mostrar-lhe.
A tennmologia que você usa pode parecer-lhe uma
lin gua alienígena.
Ele pode se sentir inibido de fazer cercas perguntas en
quanto você coleta dados na anamn~e.
O ambiente de consukóáo lhe é estr:mho, apresentan
do muitas distrações visuais. tácre-is. sonoras e olfàrónas.
O fator emoc1orul t'.'<;t.l sempre presente. quer seJa a
causa dos sintomas orgânicos do paciente. quer seja a
conseqüêne1a dcs-.es sintomas.
34 Rl'lll(«r Padtnt~Profus1011al: o Evento Cmtrol das Cii11CWS dJ 111dt
3.2.3. Negociação
Como o~ termos do contrato a ser escabelec1do não são
rígidos, haverá uma negociação prévta. É um processo no
qual duas partes ou duas pc soas ativas e de pm~e de pode
r~ cqüicicivos desejam e.xercer influências recíprocascom
a finalidade de alcançar ~cw respectivos obJerivos.
N~ RPP é uma ~tratégia para dinmrr e solucionar as
diferença.~ entre pac1eoce e profüs1011al nos seus mrcmos de
l"~tabdecer um contrato consensual
Deve ser deixada wna porta para o profissional alterar o
plano de tratamento sem que isso signifique incoerência e
insegurança. Ao contráno, reveJa marundade, competên-
c1a, noção de ~eu.e; limites, respetto pelo paoente e tentativa
de obter adesão do paciente ao tratamento.
3.2.4. Contrato e Consenso
Para que os beneficio) seprn garantidos, é neces.~ário ha
ver um contrato de cooperação entre os envolvidos, ou seja.
um acordo entre as partes que transferem entre St direitos e
ohngações. H á até uma corrente que acredita na necessida
de: de formalização por e~cnto desse contrato, que de-verá
ser finuado por ambos. O que precisa ficar ben1 claro é que
amba.~ a.~ partes gozem de privilégios e, princ1palmence, de
obrigaçõ1..-s. sem necessidade de termos ágidos.
Geralmente exi.src um consenumemo explícno ou táci
to para chegar a um cfügoóstico, explicar a etiofuiopatoge
ma e mstituir um tratamento para buscar a cur:i
Cabe ao profissional, conhecedor do assunto, buscar um
coosc::mo !>obre os procedimentos a serem adotados e esti
mular a aderênaa do paciente ao tratamento.
Se houver negação desse item. ele deve procurar as ori
gem de tal aótude parJ comgir o que esteja errado ou, caso
ncccssirio. ~ustar a rua participação no tratamento por que
bra de couc:raco, a menos que cmca uma emergência, e remar
cncam.1.0har o pacienle para outro profusional.
O LADO DO PACIENTE
Nas condi{ôts 11c,m1ars dt prtssõo, temptr.1tura t 11midadt
e outras l'anávtl$ rítidamtt11e controladas, o <'l]la11ismo t o
psiquismo /1111110110 st co111portt1rão da 1110,rtira q11t for mais
co1111tnimre a eles.
3.3.1. Responsabilidades
do Paciente
Caraccerizar, tão honesta e exatamente quanto possí
vel, os dados relatados e pergttncados na anamnese.
Ponderar senamente ,obre as recomendações do pro
&~~tonal e procurar segui-las, embora não ~t"J,1 obng:i
do .1 fazê-lo.
Cooperar <;mceramentc com o profi<;~1011.1J
Comparecer às consulcas assiduamente e na horil com
binada. ou avisar o profissional com ancec1paçio ~o
bre a rmpossibilidade de comparecer à consulta, ou
indemz.i-lo pelo tempo perdido caso mo não seJa
feuo.
Pagar pelos se_rviço~ profus1on:us.
3 .3 .2. As C ondições Pré- morbosas
R.efenmo-nos aqui à!> ,1ruaçõe<. da vida que favon:cc:m
previamente o aparecimento de doenças.
Quanto maior as mudança." de v1da que o pacu~utc , em
sofrendo. maior a possibilidade de adoecer. Entre essas mu
danças, exemplificamos com discórdias conJugah, ~epara
ÇÕI!'>, viuvez, perda., de qualquer natureza. mudança de em
prego, aposencadona e velluce.
Tanto a angústia e .1m1ed.1de como a depressão podem
causar morb1dades; entrc:tanro, os dados dispo,úveis apon
t.-un que essa última pode ~er pior.
A depressão se caracteriza. em graus "ari:1do~. por tmre
z.a constante, humor dcpnnudo, autodeprec1ação ou baixa
auro-esóma. desamparo. dl')C..,per:mç~, dl!SÍnterc:)!>e. anedo
rua (incapacidade de ~enctr pra7c.·r). dcsmonvação, dilicul
dades em tomar decisõe,;, f.alca de memóna, )tnJrome de
pán.ico, insônu, 1dea.is swcu:bs, carcmogên~e e morte.
A an~1edade ou angú!>tia se mostra. em grau .. variado",
como sensação de medo, apreensão, tensão, vago de~con
forto, inquietação, irritah1lid.1Je, aJucinaçõci. fugazes, ton
curas, alterações da perc.onalicbde, perda da noção de reali
dade. diminuição c1.i capandade de concentração. faJu de
memóna e incapacidade de Julgamento.
fumce a porubilidadc de canco um faro como oucro esta
rem presem~. complicando o dtagnósoco do médico ou
psicólogo. M uito comum 0:1 clímca é a presença de c..-stados
depressivos tratados com tranqüihzarires menores, o que
pode agrav.1.r a s1ruação. A queixa de imônia pode ser trata
da dessa forma, quando sua cau a é:, mais freqüentemente. a
depressão.
A urbanização da população brastle1ra e as condiçõe'i
sociais das grandes cidadt!'> são fatores de con01bu1ção dec1-
siva para essas duas condições.
3.3.3. A Fase Pré-consulta
É o tempo que vai da con~1enõzaçào do paoence ~bn: que
algo c!Stá errado consigo até a primeira consulta com o profu
s1onaJ. Os ~,mornas podem ~cr maJ definidos ou agudos.
RdD{~o l'1U1t11te-Profis1io11al: o fa1tt1to Ct11tral d,u Cib1ciM dt1 &wdr 35
Exemplos de doença.~ 6.s1ca.s relac1onadJ~ com a depressão e am1ed.-idc
lnfecci~.:i\ (por baixa ~ imunidade)
Nc:urológic:is
- Demência ~c:ml
Doeuça de Alzhellller
- Acidente ,"al>cuJocerehral
- t>arkimomçmo
- faclero"L" múlopla
- Epih.·p~ia
Emlócriu.b
- Hipo- e: hipcrtin:oidirnio
- Doença de Addimn
- Doença de Cmhing
- Hipenu\Ulummo
-D1abc~
- Menopausa_
Neopl.lsias
- C.ucmoma d1: pinc:rca~
- Carcinomacose gcneraluada
- V.-in:L~ neoplas1as malignas
Doenças ;mto-imun~
- Líquen plano
- Li1pu, critcmam~o illtêm1c:o
- Lúpus critemato.;o crôruco ,fücó1de
- Artrite tn1DL1tóidc
- Polfarterire nodo>.1
A avaliação da doença depende da imagem corporal, que
é a percepção comciente ou não que a pessoa possw sobre
a ~struturn, aparência e funções do corpo, associada com seus
pensamcmos, &ntasias e idealizações sobre si próprio. A ima
gem. corporal é, ao me:-;mo tempo, objl!ti.va e subjetiva. Nisso
dúere da opmião do profissional. que tem uma tmagem cor
poral do pac1ente geralmente mm objetiva.
A sintom.ttologia pode ccr significados diferentes. sendo
mais alannauces quanto mai,; ameaçarem as fwiçõe.,; vitats,
ou quando forem mais vi,;ive1 .. : uma dor no peito preocupa
mais que uma dor no dedo: um nódulo na coxa preocupa
meno, que uo1 nódulo no rosto.
O s1gruficado ~unbóhco da sintomatologia depende da
esnucura psíquica do paciente, de seus cUltecedentes sociais
e da própria soaedade em que v1vc e da localização da do
ença. Isso fica claro se uma pequena sintomatologia provo
ca uma reação psicológica muno mtensa e ceoncamentc
de,;proporcional.
A boca possuí um significado simbólico pamcular que se
origma tnterna e externamente.
Através da boca se expressa o .amor e é saciada a fome,
ambos esses &cores geaninais para o ser humano.
O amor pode ser mamfestado de diversas formas pela
boca, tanto na forma de palavras como sendo um órgão
sexuaJ.
Docnç.u cardiov:ascubtt)
- Hipcrtcruão an:crial
-Angina
- .I:.nfutc do miocirdio
Numcion.ai,
-Pd.1gr;a
-Derihéri
- Anemia pemicios.1
- Hipom.agn~c:m1.1
- Porfi:ria
- Urcnua
-Ob~1dule
Digestónas
-Úk~
- G~mto
-Colite'\
- Doença de Crohn
- Bul11111a
- Anort-xia
TóxiQ$
-Akooh~mo
- Cac.imomarua
- Hcromoaunia
-Tabagismo
A fome é aplacada pela wgestão de alimento,; t.• vem so
frendo conotações históricas e mor:us na históna humana.
No Ge11m bíblico (3: 19) <..-stá escrito: "Com o suor do
teu rosto comerás o pão, até que voltes à terra donde- foste
tirado. Porque és pó, e em pó te tomará,;."
Maimômdes (1135-1204), médico, cahnudist:i e filósofo
judeu, escreveu:" Aprendemos a refre.i.r nossos dcs~,o~ ron
S1deran<lo comer e beber .ipena~ como finalidade d~ vida."
Na ceona da hb1do de S1gmund Freud (1856--1939) en
contramo:> algumas faSô prê-gcn.ic;m - oral, anal fàhca t"
latente - antl!S da fue genital. Na fue oral. que v:u do nas
cimento até 18 meses de idade, a pstcologia é dominada pela
necessidade de wcorporar os alimento), sendo a boca sua
c:stimulação táctil e o comer as pnnc1pais fomes de sansf::1-
ção e prazer. Por essa razão, as crianças nessa fallQ ecária
levam tudo que encontram à boca. Por mecanismos de re
gressão, o paciente poderá voltar a es.<ie estágio no decorrer
do traramenco ou consulc.i e se tornar dependente recepti
vo e egocêntnco. própno desse estágio de desenvolvimen
to. E.sses senomentos ressurgem tod~ a vez que a pessoa se
sente insegura e/ ou ansiosa. A excessiva preocupação com
a boca é própria dos narcisistas, auroceotrados, ansiosos, frus
tr.1dos e inseguros.
Aregressão pode ser considerada como a volta transicó
na a escigio~ evolutivos da personalidade antenores aos da
36 Relações Padmte--Profas,onal. o E1•01to Ccmral das Ciências da Salidt·
faixa etária do paciente, substinundo as funçõ~ da perso
nalidade recém-adqumdas. GeraJmente é causada por medo
e :tnl-itdade. A fix:iç:io é a pernunêncu da pel"ionahdade do
indivíduo em estágios evolutivo~ da personalidade anterio
res aos da faixa etána em que se encontra. Enquanto a pri
meira é desencadeada pelas circunstâncias e pela incapaci
dade que a pessoa cem de lidar sozmha com a doença, a
,;egunda é um estado penn.anente. É esperado que você te
nha graus variáveis de mfaut:ui.z.a_çào frente a wn futo extre
mamente assustador (regressão), mas nem canco que vocé
seja o tempo todo imaturo (fixação). A fixação pode ocor
rer porque a passagem para uma fase achante e,;tá carregada
de enorme ansiedade inconsciente.
Quando o paoente mfantihza, perde a lógica e a realida
de do pensamenco, alimenta funtasias e to~-se rejeitante,
10anustoso, beligerante, exigente e irado, numa emumra
comportamental que, provavelmente, tinha com seus pais.
Para ace1car a doença, o pac1ence poderá U$ar as ~egwn
te~ estratégias:
Enfrentá-la com coragem
Ignorá-la canto quamo po~ível.
AJu~tá-la às suas condiçõ~ de vida (e vtce-versa).
Desesperar-se.
Tomar-se afetivamente carente.
Regredir.
Ess.'l adaptação à doença poderá envolver as -.egwnces pos
tura.~:
Manter o equilíbrio emocional perance o estresse cau
sado pela presença da doença.
Preservar a~ relaçõe5 socws, que podem tomar-se tensas.
Resguardar a estrutura familiar das dificuldades emo
cionais, -func1onau e financeiras.
Enfrentar corajosamente as situações adversas: a inca
pacidade, a dependência dos funil1ar~ e esrranhos, o
desconfono causado pela doença ou pelo" procedi
mentos diagnósticos e terapêuticos que virão.
Ter uma formação reativa: aamentar 3.J.Dda ma1c; seu
grau de atividade par.i provar a si mesmo e aos outros
que mantém sua força e capacidade de controle sobre
a situação.
Apresentar medo da morte ou msegurança sobre seu
fururo e o de seus f.uruliares.
- Apresencar os crncos escig10s do moribundo de
Elizabeth Kübler-Ross: negação, ira, barganha moral,
depressão e aceitação (descricos adiante).
A negação pode levar ao adiamento da consulta, oculta
do sob uma série de: alc:gações, como falta de tempo, falta
de dinhéiro. medo, vergonha. expectativa de cura espontâ
nea, más e>.-periênoas preg:resc;as e cencaova de aucomedJca
ção ou procura de métodos alcem.ativos.
Tai\ ~entimentos independem de cultura, inteli~e-ncia e
conhecimento. É conhecida a dificuldade que temos em
ttatar de médicos, que co~cumam c;ofrer de .. e~111cral1.htc" (a
doença da pedra usada cm seus anéis): dos denri~cru;. que co -
tumam sofrer de "granadice" (sua pedra é a granada). e dos
execuovos em geral. que sofrem de ''execuov1ct"" ou da
"molésoa das reuniões" Toda~ eles comumazes proteladores
de consultas.
O medo e a preocupação diante da dol!nça são, até certo
ponto, nonnats.
A vergonha, que alguns sentem, pode estar :b)Ociada com
fraqueza, mferiondade. culpa e punição. Em algumas ~itu
açõe:s a vergonha é fruco do preconceito e da i~orâncü É
o caso. por exemplo. d.a.-. doença., esogmariz.adas pela ,octe
dade como o câncer, 3.) doenças '>exualmence O'aOSlllbSÍVei~
em geral (sífilis, gonom:1J., AIDS/ SIDA e ourras) e as do
ença., mentais.
A transferência é a adoção incomcicnte, num momento
atual, de um comportamento apreendido com um fato do
passado. Ele pode ~er também um motivo para adiamento
da consulta ou de uma séne de ,encimemo, contra o profis
sional que podem ou não ter n..~paldo com a realidJde (ge
ralmcnce não cêm). A consulc;i será adiada porque:, "no pa~
sado, quando o mesmo fato me aconteceu, \Ofn muico,
paguei mu1co ou perdi mwto tempo". Se vou ter que ex
trair um terceiro molar, "provavelmence vai mcha.r mwto,
porque, na última vez que fiz isto ... "). Poderá acé ,cr fome
de preconceitos: "Na última vez que mo ocorreu, fui aten
dido por uma mulher. um rnsse1, um profi.mon.tl alto, um
Judeu, um italiano etc., e agora, t:LS que me encontro na
mesma situação."
A contracraruferência é o mesmo sentimenco no ,entido
inverso, do profissional par.a o paciente: ''T oda vez que
extraio um dente do ~ThO do lado esquerdo. ou de uma
mulher etc.··. O profissional pode dmgir ao~ paciente" ,cn
tuncntos que nada têm .1 ver com de, mas fuz pane: de sua
Vlda p~soal. A contratransferénoa pode ser dmgida a um
único pacicnce ou a cerco, tipos de personalidade I! grupo~
ctános, raciais, reltgao~os ou sexuais. É imporuncc que se
esteja atento aos senomento't que certos pac1cnces evocam
sem u1na causa aparente ou concreta.
Tramferênc1a e contracramferência podém \er e<.pt!cifi
cas e mespecíficas e posmvas e negativas.
Serão ~pecificas quando voltadas para um úto ou pt!S
soa particular. e inespecificas quando forem mah genéàcas.
Serão positivas quando trouxerem beneficio, para a., R.PP,
e negaávas quando as prt:Judicaran. Ex.:, se o a.mb1t!ncc fà
miliar onde foi criado fo1 bom. o pro6.ss1onal pode ser enca
rado como bondoso. poderoso e onipotente!, como as crun
ças idealizam os seus pais. Sofrerá regressão '\e o profis.,10nal
não corresponder a essas expectaovas. Os efeitos po,mvos da
transferência manifestam-se pda colaboração nos exame:., tUS
Rrloçõt'l Pacrrmt-Pro.fissional· o Evenro Cnural dOJ Cibrmu d,1 Saúde 37
manobras dificds, na adl!Sào ao cr:u::unenco. diminuindo a
amiedade e aumencmdo as po o;ibilidade-. de cura.
Uma cr.meferência po .. 1ci'va ex;iger:uh pode ser negaó\"a.
po1~ o paciente poderá ap:u.xorur-~e pelo profissionaJ. Numa
,ina:u;iio de cr:msferência. o profissional deve romar cuida
do para não ~er seducor.
Se o ambiente familiar foi ruun, poderão ocorrer desa
pomamemos, hwnilhações. hostilidades, agressividade e de
SanllOIU3S. A ho~olidade contra o profu:.1ona.l gt:r.umenre está
deutro do corice1tu de socialmente aceit:ivel
A rran<;ferênc1a negativa provoca re-.er,..a, desconfiança,
má cooperação, ansiedade, depressão e, aré m~mo, agra
vamento da sintomatologia.
O LADO DO PROFISSIONAL
Q11a11d11 se tmb,111111 na Sl)/11(,fo ,1( 11111 problema, O)llda
"""'" sr a rcsposra for ro11!1ea'da antes.
3.4.1. Responsabilidades
do Profissional
- Envidar todos os ~forço~ para manter-se atualizado.
Empenhar-se em empregar todos o~ recursos terapêu
aco~ d1 .. poníveis e ooenw para a prevenção dos pos
~ívc1i, problemas.
IndMdualinr a 'ieleção de métodos de diagnóstico e
de tt>r:tpêutica. baseado criteriosamente nos conheci
mentos c1encíficos disponível( e avaliando as relações
me.o, beneficio e custo.
Re<ipc1tar O( horário( e as datas das consultas.
Rl':lpciw a autonomia do paciente, ISCO é, sua capacida
dt> de governar a si próprio, deadir entre as opções ofe
n-cu bs C' dtliberarsobrt' a ~ua vida, infom,ando-o, esda
rt:ce11du-u e ~1 mrn]:uido--o a pamc1par das decisões.
Reconhecer suas lim.tc.,ções, solicitar tnterconsultas e
fazer encaminhamentos para outros profissionais e ins
tituiçõe-; mais capaciradas de acordo com o perfil pes
soal e sócio-l!conômico de cada paciente.
- Respeitar o código de éoca cscabelec1do e guardar 'il
gílo
3.4.2 . A Escolha da Profissão
Um dos fucores que levam alguém a escolher a profissão
odontológica é o !>Ocial.
Nos úlcunos anos, houve uma queda de pn.-scígio devido
à proliferação desenfreada de cu~o~ de graduação, pós
graduaçiio e espec1al1zação sem qualidade técnica e docen-
ce. movida Dlab por interesses de uma indústna do t!nsmo
do que pelo mteres.se da populaçio carente d~ses rerviços.
Tudo mo ocorreu com a pífia anução dos organismos
rcspomáve1~ pela educação. das entidades reprt:Sencauvas da
classe. mJJs interessadas em promover cursos para prover ~ua
sobrevivência, e dos própnos profissiona.is que não têm ainda
consciência de classe desenvolvida.
No ano de 2004. a Ordemdos Advogados do Bra.,;-il re
provou 73% dos candidatos à obtenção do registro em seus
quadros. É o caso de especularmo,; ~obre o que .1conteccri.i
se nosso,; conselhos aplicasst:m filrroot emelhante<,.
Como decorrênc1a, houve a proletariz.,ção da aovidadc,
à mercê da exploração de convênios qul' proliferam por
oporrum~mos econômicos, explorando paacnces de um lado
e profusionais do outro. E5S3S mscitmçôes não estão preo
cupadas rrunímamente com a qualidade dos serviços ofere
cidos. o que é comprovado pela existência de cabebs não
rc-aJustadas por mais de uma década, coralmence alheias ao
que ocorre na economia do país. C pensar que ainda man
têm o termo honorário, que contém, na ~ua etllnologi.a, a
palavra honra. A grande oferta dl· mão de obra, auH.l.a que
:U ve-z~ de)quali6cada, tàcilita ~e vampirismo apoiado num
inexoravd cÍCl(O econômico: quando a oten.1 de mão de
obra é ~ta. o<o salinos caem.
A proletanz.:ição impede a uect.-ssá.na atu:ilr7ação conti
muda do conhecimento e a aruahzação malea.tl. bta pr<>
duz um abismo entre o que a aência é capaz de fazer e a
capacidade da população de ter acesso a esses bcncfic10s.
Enganam-~t' os que pemam que isso vc-m f.worecendo a
população carente, que continua de~prov,da da atenção à
sua saúde, po1c; c;eus salários sequer chegam para cobnr ~ua.,;
nt!ces~dades mais primitivas, quanto mat, para cobár O) al
tos cuscos cobrado,; pelos convéruos. Assim. a população de
de,dcncados continua a cre.c;cer
Apesar disso, a pro~ão amd, m:mcém se11 respeno e é
presÚb'ÍaW pcLl soc1cdade e pelo núcleo fam1har.
Conscientemente ou não, aistc:m f,non:~ de: ordem psi-
cológtca:
A profissão permite ajudar outro) )ere:. humanos (al
truísmo e humarutanSmo).
.É capaz de suprir as nc::ct!i,:,iuadc) narc:1i,1Sm de apro
vação e a.ceir.ação
Mantém cm alta a auto-estima.
A escolha pode advir de uma idealtução real ou
úncas10 a do curso de graduação ou do própno exer
cício profiss1onaJ.
Pode ser resultado de um voyensmo inconscience, pois
pcmútc entrar em contato íntimo com os Cacos da vida
dt! outros seres humanos.
Pode ter ~ido escolhida pela bu~ca de um poder ~o
brcnarunl ou super-humano. Já que cem uma aura
(falsa) de 1nfilihilidade e orupocenc1a.
38 Rtftl(Õt!S Paae11re-Prefwior1al: t> Ev~uo Ce,itral dru Ciênaas d11 Sllúde
Amigos e parentes próximos podem ter influído na esco
lha, ainda que a real vocação possa ou não estar presente.
Algumas pessoas escolhem as profusões da saúde por
medo inconsciente da morte.
Existem fatores de ordem intelectual e pessoal que, pelo
meaos teoricamente, os profissionais de 'iaúdc têm ou de
veriam ter:
Os dotes intelectuais e os conhecimentos geralmente
estão acima da média populacional.
São estudtosos e dotados de ambições intelectuais.
Os profissionais de saúde têm ambição e apego ao su
cesso acima dessa média.
T êm interesse pdas ciências naturais, biologia e fisio
logia do corpo humano.
Têm interesse em lidar com outras pessoas.
São cuidadosos, meticulosos, ordenados e trabalhado
res.
As pessoas podem escolher a profissão por mocivos pu
ramente financeiros, ou seja, por valorização do dtnhe1ro,
jul1:,r,1.11do que alcançarão um poderio econômico através dela.
Existem muitas dificuldades para uma escolha conscien
te e que vá de encontro à verdadeira vocação: a pouca ida
de na época da escolha, o obstáculo dos exames vestibula
res. a falta de um processo de escolha mais apurado, falta de
conhecimento sobre as at1v1dades profis~onais e falta de
dinheiro para suportar as demandas do curso de graduação.
3.4.3. O que se Requer do
Profissional "Ideal"
H á necessidade de cerco grau de vocação, calento,
capacitação e apódão em todas as atividades humanas. Al
gumas qualidades são reahnence requeridas, e a sociedade
também requer suas idealizações fantasiosas. Alguns desses
requisitos podem ser clencados:
O profüsional '"idcaJ'º deve ter conhecimento e habi
lidade motora.
Deve po~suir atualização continuada e ter amplo co
nhecimento técnico - para alguns, até ilimitado co
nhecim.emo técnaco.
Deve ter cultura geral para poder relacionar-se com
todo tipo de paciente.
Deve ter urna desenvolta consciência social, política e
humanística.
Deve cer grande capacidade de comunicar-se com os
outros.
Deve priorizar a pessoa do paciente, possuir empatia
e interesse pelo bem-estar do próximo.
Deve estar sempre disposto a acender às necessidades
dos pacientes.
- Deve saber ouvir.
- Deve posswr capaodade de observação e uso racional
dessa qualidade.
Deve cer consciência das suas limitações.
Deve ter tolerância, receptividade e flexibilidade de
condura frente ao comportaincnco do paciente e da
sua doença.
Ao mesmo tempo, tem que ser dedicado, cumpridor.
responsável e pontual capaz de estar disponível a qual
quer hora do dia ou da noite. se a situação assim re
querer.
Deve colocar o paciente e a profusão acima de qual
quer oucro aspecto da ma vicia corno ser humano.
Deve posswr boa saúde para poder oferecer sua dis
ponibilidade sem mterrupções "indesejáveis".
Deve estar disponível apesar de estar enfrentando pro
blemas pessoa.is.
3.4.4. O Estudante no Início do
Atenditnento Clínico
O profissional formado já possui um modelo pessoal de
adapração, enquanro o esrudanre rem uma expenênc1a de
vida comparativamente mais limitada.
A mtcração inccrpessoal amda não aconteceu no seu cur
rículo e, pela primeira vez. tem a responsabilidade sobre o
bem-estar de um semclhanre. Nada mais natural que o es
tudante porte ma.is ansiedade, ansegurança e mcene-z.as do
que gostaria de admitir.
Podem ocorrer problemas de auto-estima se ele se com
parar com seus mestres. que possuem muito ma.is experiên
cia. A baixa da auto-estuna pode levá-lo a scnru vergonha,
timidez e humilhação.
A tentaova de c;uperar esse quadro pode levá-lo a uma
postura reativa, pcla qual procurará demonstrar mais segu
rança e habilidade do que realmenre possm, o que redun
dará em atitudes ousadas e temerárias.
Poderá senor-sc muito ansioso quando ouvir a intimi
dade do paciente e, pior ainda, quando ~e deparar com pro
blemas incuráveis, situação em que também poderá sennr
repugnância.
Se essa problemática não for bem conduzida, sofrerá da
nos irreparáveis na sua capacidade de interação com os pa
cientes e criará rapidamente maneirismos espúrios.
Existe a descrição de uma síndrome do 5º. semestre, que,
na verdade, se refere ao início das atividades clínicas. O
"quadro clínico" dessa síndrome mclw: tensão, aagúsua,
ansiedade. preocupação, medo, insegurança, baixa auto-es
tima, sensação de 10capac1dade, consciência exagerada de
suas limitações e incompetência e cobrança exacerbada de
si próprio.
Relações Pacieme-Profiss1011al: o Evento Ce11tral das Ciências da Sa,,de 39
O estudante deve ter em mente que não é o único, nem
o primeiro, a passar por ISSO. Dessa compreensão sairá a cura.
É importanássimo que o escudante dialogue com seus
colegas e professores. E esses úlámos devem estar acentos e
ter a sensibilidade de detectar essas dificuldades e se ofere
cerem para ajudar. Um sel"VlçO de psicologia de apoio ao
estudante cena um papcl fundamental nessas questões. EIS
um dos motivos que nos levou a pensar e escrever sobre es
ses assunto~.
3.4.5. Intuição
Apesar de ser possível e necessáno aprender RPP, nem
sempre valorizamos nossa intuição. Esta pode ser conct:i
ruada como a capacidade de escutannos a nossa "voz interior",
também conhecida como "mestre interior", sem o uso do
raciocínio lógico ou pensamento analítico. Não é um con
ceito mísoco.
É o acesso ao conhecimento que codos possuímos antes
de usar a 1mclcctualização e racionalização do fato. Todos
que fàzem psicanálise acabam por acessar conhecimentos que
sempre estiveram conosco. Apenas desconhecíamos que os
possuímos. Segundo Freud, a psicanálise nos ajuda a acessá
]o~. A maioria das respostas sobre como lidar com os outros
já está dentro de nós.
Em muitas situaçõesduvidosas, o que melhor podemos
fazer é deixar a voz interior do inconsciente prevalecer so
bre a voz extenor do consoente. N:b R.PP devemos sem
pre prestar atenção aos efeitos e às impressões que escarnas
causando ao paciente e, naturalmente, vice-versa.
No seu encontro com o paciente, cada gesto, movimento.
postura e palavra cêm um efeito enorme sobre ele.
Embora valorizemos enormemente a intuição, as RPP são
w11 desafio a ser enfrentado não somente com ela. mas tam
bém com preparo técmco. Este suprirá as de:ficiências de de
senvolvimento pessoal e da capacidade de intuir de cada um.
3.4.6. A Necessidade de
Autoconhecim.ento e
Conhecimento do Ser Humano
O profissional de saúde necessita de autoconhecimcnto
e conhecimento da psicologia humana para evitar conflitos
entre ele e o paciente e poder carregar a carga emocional
profissional de maneira madura, racional e bem- humorada.
EsséS conhecimentos podem ou não ser parte da estrutura
pessoal que o individuo possw.
Se ele não possui essas qualidades, melhor que procure
desenvolvê-las através de wn trabalho p~oal ou da ajuda de
profissionais habilitados para isso. Pode ser adequado um tra
tamento psicoanalítico ou outra metodologia. A carga emo-
cional presente nas profissões de saúde e o alto nível de res
ponsabilidade requenda tomam L'SSa necessidade 1U1periosa.
Entre os vários questionamentos de que precisa fazer
estão:
Quem sou eu e o que desejo para m.irn?
Quais são minhas lururações pessoais, culturais, soci
ais e económkas?
Como e por que me relaciono com outros <;eres hu
manos e, particularmente, com os pacientes?
Que rmagem proJeto para as pessoas?
Essa imagem corresponde às minhas e..'l{pectativas e às
dos outros?
Que tipo de profissional sou ou desejo ser?
Qual a mmha capacidade técruco-c1ená.fica?
Escou disposro a dar ao meu paciente o que ele espera
de mim?
Quem são meus pacientes?
Que níveis econômicos, financeiro . educacionais e
cukurais possuem?
Quais ão suas fontes de renda?
Quais são essas rendas?
Seus valores coincidem com o~ meus?
O que esperam de mim?
Como entendem a Odontologia?
Que npo de clinica pretendo ter?
Como farei para concreozar isso?
O que é minha classe profissional?
Em que país. estado e município vivemos?
Quais as nossas aspirações comunitárias?
Quais as c,itegorias sociais predominantes?
Quais os problemas sociais gerais e da ,;aúdc?
Quais os sc1viços odontológicos que estão disponívct~?
3 .4. 7. Empatia
Não deve ser confundida com simpatia, embora esta tam
bém sep necessária. Empatia é a capacidade de nos colocar
mos na posição ou situação de outra pessoa, através de un:ia
idencificação temporária, para podermos melhor compre
endê-la. A cemporariedade do processo é necessária, pois
Jogo a seguir teremos que ser ernpábcos com o prÓXlillO
paciente. e assim por diante. De preferênoa. para salvaguar
darmos a nossa saúde emocaonal, devemo~ procurar esque
cer esses problemas.
A empatia é mais do que conhecer o que se vê. É a ge
ração de tuna emoção provocada pela imagem v1Sta. Urna
condição básica para que o ser humano seja um ser social.
A falta de empana ex-plica muitas das queLxas que os pa
cientes têm dos profusionats de saúde.
É importante para avaliar e compreender o s1gmficado do
exame clinico e os aspectos biopsicossociais das doenças.
.to Rela(ões Paacmr-Ptofissio11al: o Ei-mto Central das C,focias Ja Saúdr
O desenvolvimenco da empatia é um fator fundamental
para a melhoria das RPP.
3 .4.8. Antipatia
O que fazer se sentmnos anapati.a pelo pac1emd
Dificilmente somos indiferentes às pesso~ qut· conhece
mos, mclusive aos pacientes. Podemos sencir snnpana e ca
minharmo~ para a ,;mtorua e a empana, mas podemos c.entir
antiparia. até m~mo por mecanismos de contr.unnsferên
c1a, encontrando as~in1 dificuldades 110 relac1onamenco.
Quando sennmos antipana na pnmeira comulra, é pos
sível que tenhalllos melhore,; c.cntunencos diferentes à me
Ji<.L1 que vamoc; conhecendo melhor a outra pes~oa. Uma
p1!:,$oa que Julgamos calada e vaidosa rui pruneira consulta.
pode revelar-se t1m1da e retraída numa c;egunda anáfüe. Ela
pode estar num processo de crnnsferência porque foi mal
tratada pclm profissionais que nos antecederam. Caberá a
nós usar nossm conhecimentos de RPP para contornar o
problema.
Nem sempre 1c.,;o acontece, podendo até mesmo 1r se
intensificando. e o mclhor que fazemos é, delicadamente,
enc;inunhar no\~O paciente para um colega; até porque c.erá
muito pouco provável que ele não perceba nossos c;cnamen
co~.
É muuo pcnO\O prestar um ~erviço rependa.\ vez~ sem
que haJa um grau de afetividade entre os protagoniscas. Sem
e~ta, a relação ,;e toma enfàdonh,1 e pesada. Tudo o que o
pac1ence falar provocará irritação.
Quando no~ graduamos, podemos ter a doce a.lusão de
que nos daremo!> b~ com todos os pacientes. lnfelizmen
lt:, LS!,O não e poc;sível. Certas pco;soac; portam consigo ta1
complexidade emocional que mesmo os profic;s1ona1s de psi
cologia mais habil1rados não resolvem facilmente. Que di
rcmos nós, com as nossas defic,encias de formação nesses
a.c;c;umos?
Miranda diz que, quando enc.uninhamos um paciente
indesejável. poderemos ter tr~ pes~oa!> felizes: o profissio
n.tl que encanunha, o paciente e o profissional para o qual
o paciente t! encaminhado.
3.4.9. A Regulação da
Agressividade do Profissional
O e...xerdoo cliruco requer anrudes ~c.iva~. Nmguém
consegue ~"trair um terceiro mobr incluso. conm,lar uma
hemorragia de emergência ou cuidar de um.a parada cardior
n:!>piratória sem apresentar certo grau de agr~c;1v1d.1de. Mas
tem que haver um controle dos impubos agressivos do pro
fissional de fomu a subluná-loc;. São unpulso, uc;ados para
proporcionar uma ajuda eficaz ao paciente ou salvar-lhe a vida.
Se houver hesitação, om1dez. repul\a frente ao ~ngue ou
medo de causar dor, não se fu cirurgias. não se sohc1tam
ccrcoc; exames complementarcc; nem se tomam certa.e. me
d1d.1s terapêuoca..,
Se esses llllpulsos esaverem em conflito, luverá uma
1mb1çâo func1onal, perda do podc:r dec1sóno. preocupa
ção excl!ssiva. )Cntimcnco~ e culpa e prejuízo~ para o pa
ciente.
Exmem cert:lS falácia!> sobre óte .mumo Uma delól) i: que
o profissional deve '>Cr totalmente iscnco de sentlmcnro~ e
pc:nsamentos agre-.~ivo<;. Outra é que pensamento, agressi
vos, agora não sublimados, dingidos ao paciente e.ão tão re
prováveis quanto ato, agressivos e, por isso, devem provo
car '>entimt:ntos de: culpa. E. finalmente, que todo) o, pen
samenros d~e npo devem ser aniquilados.
Claro que o profissional pode ~enor rai\'J do palieme,
da mesma maneira que: i:ste pode ,i:nar o mec;mo pt'lo pro
fisc;1011al. Como acontece com todo ,er humano, quando o
profi~ional dedica Jfotividade c10 ~cu paciente. tto~t1ria de
ser pago na me<>rua moeda. A hosohdade repnm1cu pode
até levar à negligênc1.1.
3.4.10.A Regulação da
Auto-estima
A auto-esnma do profissional pode ser mantida e exa
cerbada pelo doamparo e pela dcpcndf:ncia, carência e ~ub
miss:io dos pacientes, numa soc1ed.ldc que OUlOrgJ poJeres
especiais aos profü~1ona1s de ,aú<lc
A c1pacrdade de curar pode sunular que e<it~ tenham wna
magia conferida que lhec; aproxima dos poderes nonn.tlmen
te confcndos às d1vrndades.
Se el~ não tiverem consciência d1s~o e se cfütanciarem
d1 humildade que todos devemo~ cultivar. algum proble
ma... poderão surgir:
A presença de ompotência, orusciénc1a, granJio,,dade,
soberba. vaidade. autoritaric;mo e autocracia
Incapacidade crNcente de reconhecer as própnas li
mitações.
Relutância em ouvir outt'~ op1111ões.
Dtficuldade. em receberfeedl,ntk$ reahsta.S de pacien
tes e de colcg.15.
l 11capac1dade ou rdutânc,a cm delegar podcrec; e fun
ções.
Uso do pacienre como prO\'a de sua habilidade pro
fi~,;1onaJ.
Adoção de procedunentos que excedemª" nec~ida
des ou o bom senso.
Irritabilidade com os pacientes que se "recusam•· a
curar o que procuram trata-lo de igual para igual.Exagero nos valores do pre-,ágio pro~ional.
Comportamento pcremptóno e impositivo.
- .Exageros nos cfücurso!>, explicações. pedagogia e an
dragogi.a. Conferê-nc1a,; para um único ouvmre.
fa,coramento da auco-c~tun.1 na fraqueza temporária
do paacntc
Auto-estima baseada no poJer, adouração ou adora
ção do paciente ou no~ resultados dramáacos dos tra
tamentos
O paciente passa a existir para beneficio do profissio
nal e não ao concráno.
3.4 .11. Aprendendo a Dizer
"Eu Não Sei,,
Uma da'i conseqüêneta$ da vaidade ex.acerbada ou do
narci~ismo é: o medo de admitir o desconhec1mento. Uma
das aleb,;tÇÕe5 para tal comportamento é: que cssa confusão
levaria o paciente a perder a confiança.
Ao narctsismo se junca a ompotcncia. As idéias de oni
potência vêm desde a inf'ancia, quando a criança cria para si
um mundo onde rudo pode fazer. Na fa"e adulta. remo,;
rdduos d1 pe~onalidade inf.mcil.já tJUt" o dc:senvolvtmen
to emocional se faz através de conexão e descum:xão com
etapa.~ anteriort.'S
O sentimento de orupotêncta está intimamente relacio
nado com o autootansmo. Quanto ma1or a necessidade de
onipotência. maior a nc:cessidade de obtermos o poder.
Algun.'> pacientes têm realmente a fanca.s1a de que o pro
fü!>tonal sabt! rudo. Este não pode alimentar tal ilusão.
A maiona da,; pessoas go~r.aru que soub~emoli tudo, mas
!>abe que isso t! 1D1possivel, ~obrcrudo ,e c,nvl!r sendo aten
dida por um estudante.
A verdadeira desconfiança virá ,e o paciente perceber
que o profüs1onaJ está menondo ou fingindo ter o conhe
cimento.
Encret.into. quanto maior a onipocêneia, maior a frustra
ção porque a orupocênaa é evidentemente ilusória.
Afirmar no!>sO desconl-1ecunenco tem sua!> compensações:
O paciente ,;aberá que será bem rracado por um pro
nsc;ional correco.
Pcrccbeni a honestidade do "cu oão sei".
Pcrcebt·r.í que a respmt.1 certa 'icr.Í procurada.
3.4.12. Tolerância
O paciente tem sua mchviduahdade e t.-~U é dúerente da
t.lo profusiona.1. que deve evitar exprinúr sua!> crenças e juízos
pessoa.is. A aprovação do profus1onaJ é u11portance para o
pac1cncc. Se for reprovado, tende a çer c;elecivo no que diz
ou 111fom1a., numa tentativa de obter aprovação. Aquele não
dt•vc modular neste a doença. ma <;tntomacologia c o seu
41
comporumcnto frente a ~t."i fatore~ de acordo com ~eu
modo de! ve-lo .
A tolcrâncu para com os oucros depende da tolerânru
que temo~ para com nós mesmos
Existe uma lenda grega que no, fala J;i aovtdade de um
salteador de estrada que. além de roubar, colocava suas vi
timas num leito. Se clas excediam as dimeruões deste, suas
perna~ t!ram cortadas; se menores as dimcnsõ~. a!> vítima.e;
eram esticadas com cordas acé que ficas'ietn do C1manho do
leito. A,;~1m colocar o paciente no leito de Procusto s1gru
fica modular intoleranremt:nte sua doença ou 'iua fonna de
,;cno-Ll de acordo com nosso modelo péSSoal.
Entretanto. tolerância não SJgrufica pemuss1v1dade.
3 .4.13. Quando o Paciente
Chora
Na nossa sociedade, o choro pode ser ente11d1do como
um sinal de fraqueza e covardia. Daa as pe--,oas ~e envergo
nharem quando choram.
Diante de certas emoções, o choro pode ~er a única
mandra de dl$lbafu. E a pesi,oa pode ~im pa.rolhar ~eus
,;encunentos.
O profi'isional deve pennitir que haja cS!>a e.:\.l'ressão.
podendo demomcrar ma ernp:itia e soli&nedade seguran
do as mãos do paciente e ofcrccen<lo-lhc: um lenço para
diminutr o constrangimento e desconforto por ficar mo
lhado.
O aJudador poderá ficar calado ou marufestar-se com
frases que demonstrem sua compreensão diante do que está
acontecendo
Provavdmcnre. o diálogo fluirá com fãcilida<le, ~ que
o paciente se acalmar.
3.4.14. Aprendendo a Lidar
com o Paciente Agressivo
Geralmente. a agressividade não é pessoal. mas voltada
contra o sofnmento com o qual não ~e abe ltd.u. É preci.'>o
léltlbrar que: o pacienre é a pane ma.is fragilizada das RPP.
Não cabe ao profissional revidar a agr~sào. Seu papel é
~cum e permitir o desabafo. afirmando. empaticamente,
que entende o que ~ se pa.,;_c;.ando.
Em caso extremos e raro!>, o profu:.ionaJ se verá obrig.i
do a impor lmute'i, demonscrando que o procedimento está
anterfenndo no bom andamenco do crac.unento e no rclacio
nan1ento.
Se os esforçol'i não derem resulrados, o melhor é encami
nhar o paciente para outro profus1ouaJ. com o qual. talvez,
a agressividade po,;~ ~er amcmzada.
42
3.4.15. Colocando Limites
Em raras ocasiões, a habilidade mcerpessoal não é sufici
ente para impor limites ao paciente. A irritação deste nunca
deve ser rebatida no mesmo com. O melhor é escutar com
preendendo que o paciente se encontra emocionalmente
desajustado. Mais adiante <;e colocam limites com delicade
za e com firn,eza e deternunação.
Se até cnanças devem receber um não, que se dirá de
adultos?
3.4.16. Maneirismo Profissional
É uma espécie de annadura ou carapaça ocial atrás da
qual o profissional se esconde para ocultar sua maneira de
ser. sua, preocupações. hesitações e incertezas, sua timidez
e sua inabilidade em manter a.<; RPP.
É uma espécie de papel teatral que escolhemos de acor
do com a nossa personalidade.
Seu problema é ser reperinvo e escereonpado para todas
as sicuaçõe, das RPP, não ,;e flexionando frente a novas si
tuações e relac1onamentos humanos camb1ames. O profu
)ional somente se dará bem quando houver adaptação do
~tilo escolhido com o estilo do paciente.
O papel que escolher pode ser o do apo "alegre ou brin
calhão e joviaJ", ou •• frio e calculista". ou "severo e reser
vado" ou acé do "bom e permissivo" na especiahdade de
Odoncopediaoia.
O maneiri,mo pode representar um enorme esforço
pessoal e ser um caminho \eguro par.i a depressão. É muito
difkil deixarmo) de ser quem somos para assumirmos uma
atuação teatral constance. P10r amda e tencanno trocar de
papel comt.incemente para adapci-lo a cada pacicote que
atendemos.
Claro que n.10 devemos trazer nossos problemas pessoais
para o consultório, mas .igi.anos constantemente à revelia
deles é um caounho para o céu ou para a loucura.
3 .4.17. Preconceitos
Como todo o ser humano, o profissional pode ter os seus
preconceitos cm relação a pessoas, comportamento~ e do
enças, dependendo da sua personalidade e história de vida.
Ele pode ter normas sobre como as pessoas devem tole
rar seus malé<i, como e quando devem ter medo, queixar-se
ou pedir ajuda. Como vimos, colocar as pessoas no seu lei
to de Procusto.
Assim, costuma dividir seus paciente<; em bo~ e maus,
fazendo Julgamemos monis e intelectuais.
Obviamente, as pessoas ficam doentes e sentem as doen
ças à sua moda. Elas têm comportamentos sexuais, falam e
<;entem prazer como querem.
Não é papel do profissional de saúde fuer julgamentos
,;obre seus pacientes. Toda vez que perceber o preconceito
rondando su:1 mente. deve policiar-se e afastar tal!\ pen,;a
memos.
A diferença entre profus1onal e paocnce não está nos '>em
valores como pessoa. O curso que o primeuo fez não o coma,
obngatonamente, wru p~1oa melhor. nem a falta dele não
o toma um ser humano pior.
A diferença entre o profio;s1onal e o paciente está apenas
no repertório di: habilidades. A relação é de aJuda. Esses
papéis e as habilidades requendas podem um dia inverter
.se Um dentista pode ser mais habilitado a tratar do, dentes
de um mecânico, mas, no d1a em que seu carro qut'.'brar, . ..
3.4.18. O Paciente como
Objeto Sexual
fu RPP estão sujeiras à erot1zação devido à confideno
altdade merence, à pnvac1d.ide e à proximidade e contato
físico de ambos, durante o tratamento, e à inrinlldadc que
pode estabelecer-se.
Esse sentimento pode se explicar por razõ~ amolutamen
te natu.clli, mas pode decorrer de sedução consciente ou
inconsciente.
Ambos podem ter um comportamento <;educor por vá
rias razões: carência afeti, a, interpretação imatura das RPP.
regressão ou cransferência (quando o oucro "a~qim1r.í" os
papéis matemo, paterno ou ourro qualquer)ou. llil1ple<.men
cc, acraçào fu1ca.
Se, de um lado, não é necessário sentir culpa equiparan
do pensamentos a atos, e--tes descrwrão as RPP. que p~sa
riio a ser um outro upo de rdaçõec;: o d.lS relações JillOTO
sas.
Estas poderão trazer a ambos alguns sentimento-. negati
vos: culpa, lamentações. traumas. p!!rda d.l respeitabilidade.
fofoca e criticas (incluc;1ve do outros paeténtes) .
O paciente poderá apre,;entar declarações de c1mor im
plícitas, isto é, runs. Nesse caso, o pro6SS1onal usar.í sua ha
biltcilde de comunicação mrerpessoal para captar a ~1ruação
e conanuar tratando do paetence, fingindo desconhecimen
co: entretanto, mais acento às poscuras do paaente.
Se a carência afcnva do paciente for muito grande, ele
poderá criar prete}..'tOS para vir ao consulcóno atravé\ da m
venção de que1x;is e sincomas e demorando-se além cfa conta
para curar-se.
O paciente poderá também se marufostar exphcuamen
te, declarando -.ua afeiç~o amorosa pelo profissional
Nesses casos no~ veremos obrigado:> a comunicar no a
percepção do que e<>cá ocorrendo. Isso sera feito de ma11e1-
ra delicada, procurando não dar uma idéia de rejeição a uma
pessoa que tem carência afetiva.
Rtl,,,,ia Att1t11tt-Profissío11al: o E1•t11tt1 Crntr.u d.u Cirnrius da Saúde 43
Se não houver um ewazi:uncnto de "entusiasmo". o
melhor ser.i encm1inhar C'>:>c paciente para outro profi.~ío
nal.
O profaçional tunbl!m pode ap:uxonar-se peJo paciente
e t.unbém adotar uma postura sedutora.
Ell' tk·vc Cizer um auto-exame, pdo qual pensará nas
segumtes questõc::s: o estado do St!U supnmento afetivo. emo
cional e sexual e se sentt• ou não ~obdào.
Todo ~enrimenco faz pane da natureza humana e não deve
~cr ,'Ísco com ~evendade e levar a um complexo de culpa.
Por outro lado. o~ scntimcnto'.i poderio ser legítimos e.
'iC encarados com matundade. podem levar a grarificações
pes~oais relevantes.
~e .unbos sentem as suas carências e hi corre<.pondênaa
bilateral. se não querem usar o outro num.a relação imarura
e efemera e se a relação trouxer gratificação para ambas as
parle~. que sejam feliz~.
O que se aconselha, em qualquer das hipóteses, é que as
novas relaçõ~ sejam desenvolvicbs em outro terreno, rufe
rence do ambiente de trabalho.
3.4.19. Abordando a Sexualidade
do Paciente
Acreditamos que essa indagação se torru necessária. É
multo narural que alguns estudantes encontrem dificuldade
nessa abordagem. Se for necessáno, pode-c;e informar o
p:iciente mbre as finalidades de~sas perguntas A finalidade
<lo profi~,;ional não é julgar e, ~im, ajudar.
Uina postura séria mantida dur::inte todo o exame clini
co permicirá que as pergunta.s nws innmas ~ejam fercas sem
chocar a sensibilidade do paciente.
O profissional deve fuer as perguntas com naturalidade,
não dando a conotação que sc!jam opeciais e fora do con
texto J.i.,, uemais feitas na anamnese. Deve também ~e man
ttr tmpassível d.ta.ore de codas as resposus que forem dadas.
Podem fazer perguntas menos diretas. Em vez de pergun
tar )l.' o pal ieme já teve relacionamentos sexuais, pode per
guntar como anda sua vida sexual.
Pcrgunw fettas sobre os nscm de conta.DlJJUção com as
hepatuei B e C poderão dar ptstas sobre os ascos de conta
minação com o HIV, Já que são muito semelhann:s.
Em prináp10. tudo que for relatado scci verdaderro. Pode
não ser a verdade obJetiva, mas ser.i, pelo menos, a verdade
:mbJetiv:i.
A .. r~po~ta..~ podem tr contra o que o profüs1onal prefere
para si, o que pode causar certo de)conforto para ele. que
deve fazer um esforço para manrcr rua neutralidade e, as
sim, atender o paciente com maic; facilidade.
Ele deve avaliar o nível de mfom1nção, distorções e pre
conceitos que o paciente cem ~obre a ~exualidade.
Se. durance o quesoonamenco, o paciente demonstrares
w mwto agitado. o profissional pode dl'iX2r .1.<. pergunras para
outrJ oportunidade. A mesma decisão dt."\'er.Í ,;er tomada se
o p.tcience. abertamente, negar-se a üla.r ~obre o ~sumo.
P~o.u ido~,s terão maior dificuldade cm responder.
Um Já ant1go Livro c;obre :i <;e:waladade hwnaru.. de M_as
cers e Johnson, colocava a sexualidade humau.1 numa lmh:1
cm que, nos dois extremos, escavam a prefe-réncia "cocal
mcntc hctcro~~cxu.tl" t' a "tot..tlmcnte homoc;c;exual'' Pon
tos entre o~ extn.'mo~ m."":>Sa linha apr~cn~\arn outros ter
mos. "geralmente heterossexual, eveorualmence homo .... e
xual", de um lado. e "geralrm:ntl' homos~l·xual, e, enrual
mcme heterossexual'' , do ouuo. No ccmro eh linha, cínha
mos "tanto heccro como bomo .. scxual". O que o grifico
nos dizia. enfim. é que a sexualidade humana suporta inú
meras vuiáve1S, não merecedoras de julg:imenro enrre o que
é ou não é normal. A palavra-chave (: n.-spdco.
AS RPP NO EXAME CLÍNICO
Apesar de haver um capítulo a Te<ipeico. faremo~ aqui
algum.as obc;ervações pernnenc~ ~~ RPP.
3.5 .1. Obtendo Confiança
É o que todos queremos obter do,; noc;soc; pacientes.
Nunca é demais enfatizar o valor da primeira impressão"ª"
relações humanac;. Além da nossa postura, todo o ambiente
do consultório tem sua influência
A sala de recepção, nunca sala de t"Sper.1, deve ~r lim
pa, conservada, bem decorada, pintacb com C'O~ relaxan
tes ou lumino~. com a ,füponibilidadc de mú~ca ambien
te relaxante, reVIstas inceressamcs e aruahz:idas, ccmperaru
ra :igrad.ível, água e acc..'S:,u ao billl11eiro
O pesso:il da recepção deve manif t:Star um tratamento
ami~toso, cannboso e respeitoso
O consultório, além de bem inst.1lado sem oscenrações,
deveci estar limpo, bem conservado, com m 1mcrumencos
mah agre:>~IVO) fora das vistas e penmnr pnvaci&de. O
paciente que tudo ouvir, enquanto e,nver rui recepção, d1-
6ctlmente se exporá quando e,;over sendo ~ubmeado à ana
mnesc dentro do consultóno. O diálobro deverá ser feito sem
mterrupçõe,. Esus podem ofender ou tmta.r o paoente.
O profü\1onal deverá estar com boa aparência. limpo.
arrumado e vescmdo roupas discreus, sem, necessariamen
te, serem ostensivas.
O paciente será acolhido pelo nome e: será cumprimenta
do verbal e não-verbalmente, indo o profi~aonal ao ,e-u en
contro. dando-lhe a mão e conduzindo-o ao consulcóno.
Se esovennos em consultas dúerences da pnmeira, coda
a modificação que o paciente aprc!>t."ntar ~erá comentada,
44 Rtlll{MS Pacit11~Profas,011al: CI E1'tnlO Central das Cirnna.s da Saúde
numa f om1a de md1v1duali:ci-lo. Ex.: "Bela blusa", "Belo
temo", "Este cone de cabelo lhe caiu muito bt!m". etc.
O conforto 6sico do paciente ~rá tentado. Ex.· "Está com
sede?". "O ;u- condicionado está bem assím?'º, "Quer que
eu abra a janela?".
O melhor lugar para a primeira entrevista é na me<;a, com
cadeiras colocadas na mesma alrura, para podermos ficar
"olho no olho" com o paciente. Deve-se assumir uma pos
mr:i 6.sica adequada, lembrando que exme uma comunica
ção verbal e outra não-verbal:
Devemos manter uma fisionorrua receptiva e tranqüila.
Não devemos colocar as mãos ~obre a barriga.
Não devemos ficar olhando com freqüênoa para ore
lógio.
- Devemos ficar de frente e hge1ramenre curvados em
dirl!çâo ao paciente. Não devemo., e1,carrapacharmo
nos da cadeira.
Devemos escabclccer uma distância adequada: nem tão
próximos, nem tão separados.
Devemos ,;empre manter o contato visual.
Conforme a necessidade. por l!xemplo. quando opa
ciente chorar, podemos tocar-lhe as mãos.
Devemos nos concentrar no que o paciente e~cá di
zendo e evicar fuzer qualquer outra coisa.
É preferível que o pessoal auxiliar não esteja presente,
poL~ 1,;~o poderá inibir o pacieucc.
3.5.2. Pressões do Tempo
Se o paciente esperar demastadamcnte para ser atendido,
ficará 1rrimdo, desamparado, menosprezado e ofondido, e
voltar esses çenomento contr.1 o profissional.
É preciso organizar bem a agenda. Nada justifica o fac.o,
em alguns consultórios; de os pacíemes ficarem esperando
horas ou a marcação de horário <;er coísa ab~olucamence
desntuída de unportânc,a Se houver atrasos, o profissionaldeve apresentar sua.~ desculpas aos pacientes que esperam.
Existe uma palavra que atrapalha totalmente o que afu
mamos: o encauce. O tal de encai.xe, ísto é, colocar pacien
tes marcados para o mt:Smo horário, contraria as Jc:i!. da fisi
ca. O tempo não sofre expansão de acordo com noc;sa ga
nância em ganh.u:mos pda consulta que marcamos. Os en
caixes somente devenam ser feitos excepcionalmcnce, em
casos selecionados de emergênaa.
Se você nunca consegue chegar em determinado ho.rá
no porque tem outras atiV1dades, qual o sentido de conti
nuar marcando pacientes para esse borário, se nunca você
vai cumpnr o combinado?
O profu~ionaJ apressado é um freqüente alvo de queixas
dos seus pacientes. E, com razão, a pressa poderá levar a
diagnósoco\ apressados e. portanto, t!rrados.
Consultas excessivamente cunas não são mwco produa
vas É unu das cau..~ dt> per:unbula,:io de pacient~ por
vános consultóno~ ace que c;cJanl atendidos como dC'.'vc:-m.
Gascam-se tempo, conhecimento e enel"gla. Qua.J o c;en
t1do de as consultas serem granutas? Se você tem um con
vêruo que a.<-c;im coruidcra, deve procurar mostrar a verda
de. Se é um paciente paracular, pior Muítos profü,s1onais
sénos e competente-. <.ão obngados a se explicar aos pacien
t~"> porque cobram consulta.e; onde se dedicam muito ao~
mesmos. por causa de outros afoitos que não cobram. mas
também não fazem.
Mesmo em 1nstitu1çõ~ onde não nos é dado tempo.
deveríamm ev1ca.r desculpas como: .. O tempo é curto";· O
sistema de saúde está falido"'; ·'O salário é bauw'º; ''Não te
mos condiçõ~" etc. Não ~ão boas dt!Sculpél.\ para maltratar
p~oas. "'Pode não ser o mat'i adequado, mac; e tudo que po<.-<;a
fazerº' pode ser pensamento e atitude muito melhores.
3.5.3.A Escuta
Ser ouvtdo é o desejo pnmário do paciente. Somente esse
ato já tem um efeito cerapêunco. Para aprender a OllVlr é
preaso ter mreres,;e pelas pe,;~oas.
Quando o paciente percebe que é compreendido pdo
profissional, a anamne-.e flw muuo melhor.
lmagrne, usando a empaoa, como o pac1t!nte deve e<itar
se scnádo ao relatar o que está relatando.
O respeito ao paciente e o tato reforçam a sua auto-1."in
ma. pois. ao revelar sua do,mça. pode \e \C0 nnr mfenon1_1do,
envergonhado e ter wna baixa na auto-c~ttrna.
O dt-srespeito. o desmterc:,!>e, a irona.1, o humor de.- nuu
gosto e na hora imprópna e o dogio fãciJ insultam, intimi
dam e parafüam.
Durante a escuta, estaremos atento\ .is seguinte\ mani
festações: o tom de voz, vocabulário. dislahas. gagueira.\, \ e
locidade, suspll'OS, duados. dispnéias etc
Quando se con\'etsa com alguém. ouvt:m-se as palavra!>
e também as pausas. As pausas podem ~ervrr para ganhar um
tempo para fonnar uma fra~c ou ter um., lembrança com
pleta, censurar um matcnal, cnar um cfüito dramático ou
preparar-se para menor.
Durante O'I silêncios, pau~ mais longas, devemos pres
tar atenção aos sinais nào-verhais de angú,oa nas aocud~ pa.c;
•avas do paciente. deixando para você a 1mc1anva, ~ ao fato
de ec;car ofendido. irubido ou intimid.ldo.
3.5.4. Informações Não:..verbais
Um livro ctissico de Piem: We1l, ··o corpo fala"". nos
oferl!ce impomnres dado5 ~obre a comunicação não-ver
bal, e os livro'! de programação neurolanguísaca complemen
t.un o assunto com muita propriedade
Relr1rões Parir111e-Profa$ional: o fa•e111C1 C:t71tral rins Ciê11ri1JS da Saúde 45
Modo de ser, aparência. modo de ,·estir. distintivos.
"l)()ttoms". insígnias. bijoun:ria:.,jófas, penteado e ou~ fàto
r~ dt2em muito \Obre o paciente que t.'<itamos observando
Gesto) e expressões facia1,, olhar, cnrubescimemo, ~odo
r~c. tremores nas mãos, mord1scamcmo do~ lábios. aqu~
nervosos. lacrimação, bru.,;smo. fomw de sentar etc. são
outro~ fatores a observar.
3.5.5. Contribuições da
Individualidade do Paciente
Confomie ,isto no capítulo dedicado .i metodologia do
exame clinico. ~camos intemsado~ não ~omenre na idenà
ncaç~o do paciente, mas na c;w coai biografia. Somente de
pmsL· dela poderen1m rnchv1duali2.1r o acendimento a de.
F.s~e, <ladm envolvem noml', 'íCN:O, tc.lade, estado civil,
raça, nacionalidade (país onde nasceu), namrahdade (cida
dl' e estado onde nasceu), h1stóna individual, tipo de per
)Onalidade. laços fumi)iares, classe social. comunidade onde
vive, religião, ideologia polioca, educação reub1da, rela
c;õc.-s ~oc1a.i,; que mantém. reações ao meio, comport.amen
ro e experiência.~ nas relaçõ~ mécucas e odoncológicas an
tcnore:\
3.5.6. A Queixa Principal
Nunca deverá ser mc.mospreZ.1d.t, embora nem sempre seja
o problema mais 1mporcance que o pac1cnrc apresenta.
Geralmcncc é carregada de mtcraçõe!> biops1cossoc1ais,
como acomece de fom,a mai~ clara quando o pac1eme é
poltque1xoso. o que aos levará à urefa de ~eparar o real do
irreal É preo~o considerar também que o idoso poderá ser
poliqueixoso com Justas razõe.. pot\ possua realmente ,~án
as docnç~ concom1ra.nce-;.
3. 5. 7. A História da Doença Atual
Uma preocupaçio exagenu..b com a sintomatologia dt:
vcrá ,er omervada com cuidado. Poderá 'ler um indício de
uma psicopatologia ,;ubJacence.
3.5.8. O Exame Físico
É a parte do exame clinico que m,Üs causa apreensão. O
pac1cncc deve receber ex--phcaçõc~ sobre o que será feico.
O exammador deve pedir que o exammado manifeste
imediatamente qualquer desconforto que ~inca. Ele u.c;ará de
ddicadeza. técnica. habilidade. 6m,eza e respeito pelo pu
dor do pac1ence, levando em cons1dcraçio a sensibilidade
ind1v1dual.
O examimdo pode sentir ansiedade. vergonha e humi
lhação diante da exposição da doença ou d1 ~ua fraqueza,
da eventual repugnanaa e da expecuriv.1 de dor e de<.con
forto.
Também sencir.í medo do diagnó'lcico e da, eventuais más
notícia.,;
É importante que o examinador mamenha uma ancudc
e fisionomia impassíveis diance de qualquer anormalidade
que observe. Manterá silêncio enquanto examina. Não é
intere~sance ir relatando o que vai encontrando.
Exprcssõ~ de susto. repugnânoa. nojo. preocupação e
oisceza são desastrosas.
3 .5. 9. A Comunicação do Diagnóstico
., O iJlle mais tortma~•a h-1111 llyclr er,1 a ml'tltira, 12']111'/a
111e111m1 q11r, por alguma razão, tod11s tl1mpartí111,wam, de q11e ele
rstann 1IClr11te r de nenlrnnra forma se ericomr,wa 1111 leito da mone, e
que bast,wa rle ficar calmo e sr dr,xar rumr para que mdo temi111assc
btm r tJS1t mrntira o tonurava Tort11r,111a-o q11e 11i11g11em qwsesse
iJCntat o q11r todo.< 5ab,am, que dt mesmo sal11a, mas q11e prrfmssem
111e11tir-ll1t sol,,r sua c,mdirão desesptTado,a, r 11Jo sii desr.,,wam ,11u· dr
me.1111c> paniaJ"l"e dtsSa mmtiroJ, mas ,, ,,lrri_l{a11arn a isso. "
Ivan Uv1ch. per.orugem de "A monc d~ lv.ui llyich"
d~ Lcon Tol\tói (1826-1910) .
A pergunta que sempre é lcvancada é: mcnnr ou não
mennr? No,;~a opinião é jamais mentir Me<;mo que seja a
chamada mentira abençoada, assim cunhada por Miguel
Couco, efecuada por pretensa compaixão O que pode ha
ver ~o as mwr.as formas de enrregar a verdade e a melhor
opomm1dade de tãzer lSSO. E'CJ.Stt:m dw.., vercude-.. a rígida
verdade: cienó.fica e a flexível verdade médica ou tcrapéurica.
O pac1ence precisa ser preparado para aceitar a verdade
e:. para isso, não exmem formulas riguhs Mesmo dentro
do quJdro m.:us grave, devemos procurar alguma coisa de
pomivo para dizer. Se dissermos que os recursos terapêua
cos estão avançados. não estaremos mentmdo.
O obJettvo fundamental da comumcação do diagnóstico
í: tra2er beneficios para o paciente, não lhe cauS.1.r danos e
respeitar <.eu d1re1to de autononúa,
Os beneficio) ~ão a aménWçâo cu., incerce-z..u, alivio do
temore-; reai~ e 1rre:us, melhor compreen~ão. ~d~o ao rra
tamenco e a prevenção e a promoção das RPP com respei
to e confi.mça bilacerais. Os malefic1os serio prancamcnce
de natureza emocional.
Devemos escolher o momento adequado, sem recardar
demasiadamente por causa do aumento d.l expecta.uva e do
dano p)icológico. A antecipação de fras~ utiliz.i.ndo o "acho
que"é pouco mteltgeme e causa fru<.craçào, 1rrespon<.ab:ih
dade e de;confiança.
46 Rtlaçõt'.s J'.1rimtt-Profosio11al: o E11et1to Crntri1l das Ciênciiis da Smíde
nevemos (omiderar uma vi~ão global do~ problemas
envolv1dos no caso, o conteúdo do que vai ser dito. a capa
c1dadc tntcle(cual e o ~ta.do emocional do paciente. Ao
infomurmo:.. u~o~ cordialidade. empatia. clareza, segu
rança. franqueza, ~lllceridade, sunplicidadc. interesse genuí
no e ,e11~1h1l1dadc
Se fom,os abruptos, teremos prejuízos psicológicos e das
RPP. Se formo,; tristes e excc~tvamcnu: p1cdoso'i, levare
mo, :'\ dc'icspcranç.,.
É sempre necessáno verificar se as mfonnações foram bem
compreendida>. O paciente precisa de apoio familiar e: p5-i
cológico, dc:pc:ndc:ndo de: cada caso.
O p.,cwntc.'. com mau prognóstico precisa ~er tratado com
certo\ cuidado:.:
neve ,c:r acolhido com palavras e gestos afetuosos, com
umu poscura profissional de recepnvidade.
Ao paoeutc, devemos pemutlr que mamfcste seus sen
timentos, que serão ouvidos atcncamence.
JJevemos aguçarºº""ª capacidade de observação para
c:1pt:ir suas necbS:idad~ e: dc,c;o~.
- O profissional deve demonstrar disporubilidade, empe
nho, con'ílderaçào, sensibilidade. compreensão e amor.
Se o ajuclador avcr boa habilidade de comunicar- se:,
poderá contnbutr para que o aJudado tenha uma morre plena
de cligmdadc.
3.5.10. Os Cinco Estágios de
Elizabeth Kübler-Ross
Essa psicanali~ta ~uíça, radicada nos EUA. fez um escudo
longnudmal com pacaeoces que e5tavam para morrer. não
com1dtmmdo a causa. O comportamento geral pode ser
csqucmaozado cm cinco fàses que se sucediam.
TatS escudos ajudam o clinico a compreender melhor o
que se passa na mente dos pacient~ que recebem um diag
oósnco grave com péssimo prognósnco.
A primeir.t fuse é a da negação. Nessa fa_~c. o paciente se
recusa a acdtar o diagnóstico e manifesta incredulidade:
"Não é possível que isco esceja ocorrendo comigo" ou "Eu
não mcrnço taJ muação .. ,
Uma das comeqüências possíveis é a procura de outro~
profimona1s para obtenção de noóe1a.~ mais animadoras.
Claro que i~~o vai acarretar ape0a$ perda de tempo, se o
pnmetro diagnóstico esover correto. O prognóstico pode
piorar devido .10 recardamento do míc10 da terapêutica.
A )t:gundJ fue é a da ira. O paciente demonstrará raiva
vokada contra rudo e conrra rodo~. Reclamará do profi.sstonal,
dos auxihares, dos exames complementares e da terapêutica.
Nessa fuse, o paciente podc:rá tomar-se pouco coopera
tivo. É preciso que a equipe profissional entenda que essa
raiva não é pessoal.
A terceira fa._'>C foi chamada de barganha mor.ti. O p.aci
entt: tentará colaborar para ver se consegue s~ir do seu pro
blema E.,;~ tentativa de negociação é bem ampla e poderá
ter conotações religiosas. "Se Deus me li\•rar dhlo. prome
to mudar meu e~rilo d1..• vida ou meu comportamenro·• erc.
Nessa fase, o paciente aceita com fac1lid1de tod,h as re
comendações que lhe~ são feitas e aument.lrá sua adesão ao
tratamento. Ao contráno da fase anterior, l'll· Cil' mostrar.í
extremamente "simpático"
A quan:a fa.~e é a da dep~o. Diante da mcxor.ível evo
lução da sua doença, apesar do~ esforço!> JC\pend1do<;, o
paciente cai em melancolia e torn;i-,;e indiferente e
de<íesperançado em relação ao crat.amento.
É uma &se cm que também seri pouco cooperativo,
mostrando-~e apático diante do que ocorre
A quinm f.15e é a da aceicação. &gundo Kiibler-Ro~. un1:1
mamfescação da clemência dJvina. O paciente ~e aquieta e
se confom1a com seu destino. Começa me\1110 a pn.•parar
se para o mevitável, procurando org.1111/:H sua ,mb práoca,
organizando c;cus papéis, suas dívida,. \lLl conta b.1ndina e
seus seguro de vida.
Como a p,;icologia humana é m:\i,; complex:i do que es
quema.,; rígido~. as fues, apesar de predomtn.intc:menre se
qüenciai,;, podem misturar-se. Assim. o paci.culc ou está
irado, ora depre,;<.1vo. ora aegocL1J1do, e a."m1 por diante.
Da compreensão desses mecanbmo:. • .iJvém um mdhor
pos1c1onamemo frente a ~ses doi.:im .....
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Amnz, P., B.lrbcro,JJ . Barreto, P. &. B.iy~~. R.. Jmen.'(1t<iM
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Affon,o, 20l)J
11 Miranda, CF Atmdr11d1, o Pa{lentt. Belo Horizonte, Cres
cer. 1996
Conhecendo as Lesões
Fundamentais
Gilberto 1vfarmcci e Sérgio Spinelli Silva
4. l. ALTER.AÇÕES DE COR - MÁCULA OU MANCHA
4.1 . FORMAÇÕES SÓLIDAS
O conhecimento das lesões fundamentalS é de vital im
portância ao estomatologista. Grinspan, em 1970, Já enmia
o segwnte concc1co: " Lesões fundamentais são como
letras de um alfab eto. indispensáveis para se conhe
cer o idioma", pois, como é dt.> conhec1memo geral, inú
meras doenças 10ic1am-St.> amwés de dccennmada lesão. fa
cilitando então a formulação da~ hipóteses diagnósticas que
pcrrrutirá o pedido de um exame complementar específico,
quando nec~ário. para chegar ao diagnósoco final e à con
seqüence adequada terapêutica. Para que cal fato possa ocor
rer, é m:ccss.íno que o profiss1ona.J relembre de todos os
conhecin1cmos autcriormente adquiridos nas matérias bá
sicas com fulcro na Patologia Bucal, pois nesta irá conhecer
a eaopatogema das doc:nç.is e, na Estomatologia, terá dian
te de si o paciente portador de determinada doença acom
panhada de \111tonutologia ~pecífica para cada caso. Sem
e,,:,es conhecimentos. não ,:ibcrá analisar e valorizar intrin
secamenre os dados oba dos no exame clímco, o~ quais, so
mados ao\ da anamnese, 1rão permitir-lhe a formulação de
hipóteses d1agn6srica. .. corretas, além de facilitar-lhe a co
municação 111lerprofusional e dtdáttca.
Não poderá esquecer que dcccrminada lesão fundamental
poderá ser expressa por aspectos clínicos diversos. Assim, por
exemplo, a afu comum é representada por uma ou múltiplas
ulcerações com bordas ras.b. halo éJ:icematoso. centro caseoso.
de pequenas dimen,;ões, com forma c:i.rcula.r ou ovótde, ocor
rendo princ1palmeme na muco'i.3 de revestimento, com du
ração de 5 a 7 dias. e presença de dor intensa nos primeiro!>
dias. Aspecto~ esses totalmente diversos da úlcera do carci
noma espmocelular (ou ep1deanó1de), neopl.ma maligna mais
comum da mucosa bucal, que ~e apresenta única, com bor-
4.J. COLEÇÕES LÍQUIDAS
4.4. PERDAS TECIDUAIS
da, elevadas, níttdas e endurecidas, centro necróoco. Je ca
ráter crônico, e ass-intomática em seu míc10.
A padronização das lesões fundamentaJs, ainda no,; dia~
de hoje, é polêmica. Foi muito clhcutida c .1imu o é por
inúmeros aurore , pois cada um, de acordo com a sua ex
pL·riência, dpre-;enta cla.'iSi:ficaçào que lhe seja peculiar Nú\
mesmos, pamc1pando de um grupo de estomalologistas, após
inúmeras rcuniõe, e cLscu .. sões com grande) wvcrgências,
propusemos uma nomcnclatur:1 da~ lesões fundamenuis
(Gwma.ràes Jr. J. cr nl., 1992). A partir dc""3 data e elo seu
uso, no dia-a-dia na nossa clínica da disaplina de Scmiolo
gia da Faculdade dc O doncoJogia da USP. podemo~ agora.
obviamente, apó~ vánas modúicaçõt'S, ~ugenr a que uuh.u
mos atualmente, como segue.
Classificação- Lesões
fundamentais
"Quem não sa~ o que procura n.ão incerpn:g o que: .tcha"
(Claude Bernard)
l. ALTERAÇÕES DE COR - MÁCULA OU
MANCHA
1. 1. p1gmc:ucaçio endógc:na
1. 1.1. ,~.uculo-~n~
1. 1 .1.1. h:ipercrõmic;u
- eritem.1
-ex:mcema
- e1UJ1tcm.a
- rubor
Reinaldo
Realce
Reinaldo
Realce
48 Co11l1ccendo as Lesões Fimdamr11t,1is
Cla.-.sitk1çio - Lcsões
funciunenuis (tot1ti111,aratt)
t. ALTERAÇÕES DE COR - MÁCULA OU
MANCHA (continuação)
-cunoq~
- angiom.1to~a
- ,·:uÍf.'0\1dadc:'.'.
- tebngicct.uia.(
- púrpura~
1.1.1.2. h1pocrômir.u
mancha :111ê111i~
livide1 (i)queruu)
1.1.2. mclân1~
1.1.2. l. hipercrônm":li
1.1.2.2. hipocrêunic.is
L2. p1gmcnca,'io exõgcn.1
1. .2 1. mer.m pesac.lm
2. FORMAÇÕES SÓLIDAS
2.1 . p.1pub
2.2. piara
2 3 nódulo
1..1. rumor (noJ<l(ldade)
3. COLEÇÕES LÍQUIDAS
3, J. Vt'(Ícwa
3.2. bollu
3.3. hem.1toma
3.-l . Jh~CC(\0
4. PERDAS TECIDUAIS
4 l (."f'OS30
4.2. úlccra/ulrt'mç.10
-1 .3 exukcraç,io
·I. •1. .l ll u fia
MIIIIII ALTERAÇÕES DE COR -
MÁCULA OU MANCHA
São alterações de cor sem elevação ou depressão. Sua
pigmentação podi: ter origem endógena ou exógeru.
As pigmencaçõe~ endógena\, que .ibrangem a grande
maioria das lesões pigmencadns, são subdivida!> em vásculo
sangüineas e melânicas. que podem ser h1percrô111.1cas ou
hipocrõmicas.
As lesões hipercrômicas vásculo-sanguíneas são repre
,;entadas através dos fünômenos de vasodilatação ativa ou ar
terial, produzindo. c:m codas elas, coloração avermelmda.
Essa coloração ~e deve ao pigmento bemoglobin.a e seus de
nvados, pnncipalménte no eritema, na pde, que, quando
generalizado, é denominado dé exantema O eritema,
quando ocorre na mucosa bucal. é <lcnoID1Dado de
enantema, como, por exemplo, nas c!Stomaates cu.,; m:m
variadas ongens (mccuc:unentosas, alérgic:is, mflamalórias).
O rubor, na pele, ocorre por vasocongnclo att\12, acom
panhada de calor local; em conc:rapartida, a cianose é re
pre~entada por mancha de coloração azuJ-v1olácea, devido
a vasocongescào passiva ou veno<;a, com d.inunwção cu cem
peratur.1 local, como, por exemplo, nas alterações C.lrdior
resplr.ltórias, na intoxicação pelo gás carbônico.
A mancha angiomatosa i: p1mnanente e catl!>.i<la por
neofomiações né\;ca'i de capilar~. como, por exemplo, a~
manchas vermelhas do nascimento e, muira,; vez~ ,m<lrô
nucas, como na hemangiom.acose rrigenunal (síndrome de
Sturger-Weber).
As varicosidades apresentam coloração azubda e, na
mucosa buc.il, ocorrem principalmente no ventre e hordas
da língua e assoalho bucal observada.,; com maior mcen~1-
dade no) paciente:\ ido,o).
As telangiectasias são, na ma grande maioria, de a~pecro
filamento)O ou pontilh:tdo devido à dilat:açào dos capilares.
como. por exemplo. a telangiectasia hereclaána (síndrome
de Rendu Ü)ler- Weher).
Todos o, e.Yemplos mencionados são úolmt>me diaguosli
cados, poís desaparecem .1trav6 eh \1tropres.~o (limina tlt': vi
dro) ou pela digitopressão (pl'C'ISão do,;, dedm). !"l"comando em
seguida ao aspecto miei.ti, após a n:nnda do referido e:gfmulo.
Já as púrpuras, representadas também por mancha~ aver
melhadas, não de'iap.trt'ccm peb Vltropre<.~ào 1,01~ ~o de
vida. .. ao exrravasamenco de sangue (hem.ia as). São deno
minada.,; de petéquias, que podem ~cr punoforme~ ou len
riculares, quando medem acé 1 cm de d.ümcrro, e de equi
mose, quando m.liol'e'i, e, :..: lineares. tle vibice Temo:,
como exemplo âpico dessas k-ssõ~ na ocorrencia das púr
puras crombocitopénícas das mah Jiver.as origens, cm ou
t.r.lS dt~crasias ungume3S, &agilidade capilar, nas leucemia. ...
Nas hepatites, tomam coloração amareladl pela decompo
sição da hemoglobma.
As lesões hipocrômicas vasculares são representad.1.s
peb lividez (palidez) devido a ~ quemia por vasocomm
ção capilar, como. por exemplo. quando localizada após
mfiltração de anestés1co com va~oconstritor, quando gene
ralizada em quadro fflêmico~ leucê:mico) ocorrendo. prin
cipalmente, na muco~a gengival, e as devidas à agencs1a
vascu1ar, que são raras na mucoS.1 bucal.
As pigmentações melânicas endógenas hipercrô
micas ~o devidas a acúmulo de melanina. tendo como
exemplo típico a pigmentação racial (melanoplaqu1a), o
erttcma pigmént.l.r fixo, no meb.noma maligno. nas ~drô
mtcas como na síndrome de Peutz-Jeghers, ,;indrome de
McCune-Albnght e oucras. A'l hipocrômicas, em razão
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Ccmltemido as l.Lsõe5 Fu11da111r111ais 49
da perda de pigmt:nt.tção, são reprõemacw pelo vitiligo, que
pode ocorrer na se1nimucosa labial.
As pignientações ex6genas. causada., por pigmentos
mecáhcos, podem ser produzu:las pela pcncrração local, como
na t.ituagem por amálgama, na língua negra pilosa, ou in
trodundas sistemicameme. por razÕL~ medicamentosas ou
não, com vá.nos exemplos, tats como agirismo. plwnbismo
('-antmismo). hidnrg1m,mo, platinismo. bismummo.
FORMAÇÕES SÓLIDAS
Pápula - é uma elevação circun.,crita de LOn'iistência
fibrosada, menor que 5 mm. de origt:m epitelial, conJunci
va ou nmta, podendo ser ~éssil, como na c-;romatite rucon
mca.. nos grânulo!> de fordyce, ou pedicubda, nas hiperpla
s1as fibrosas inflamatónas e no~ papilomas.
Placa - devação de conststenoa fibrosa, bem ctrcunscn
ta, que pode c;e e.,tender por ván~ centímetros. podendo c;er
resultante de um aglomerado dL pápula!,, denominada.e; então
dt• pfacac; papulo,;as, como podem ocorrer n.lS leucopJa.ga.-.,
querato:.õ imtattn.,, liqut:n plano e na ,ífifü ,ecundina.
N6da.lo - elevação de consistencia fibrosada ou sólida.
'iuperficial ou profunda, com até 3 cm, de origem epitelial,
conjuntiva ou mista, como na.\ ncopla.,ias e nos processos
proliferarivos 11ão-ncoplá,1cos.
Tumor (nodosidade) - idcntíco ao nódulo, nus quan
do u10"3passa 3 cm Anwmence estamos dei.undo de! utilizar
a denominação rumor. pois esse cem10 leva o paciente me
nos ~brecido à conotação com neoplasia maJip;na. ~ con
fü~fo pode cama.r-llie muitas vezes, desnecess..1namente. até
akerações psicologicar. profunda,, pois, como sabemos, essa
terminologia como les.fo fundamental pode ,cr cmpregada
no 1bc;ce-;.<.o dencoa.lveobr, ncoplasias bemgna., e malignas, e
no) proct!SSO~ pmhfcr.itivo\ não-neopla.sicos. Pref enmo,, as
,im, ucilizara denom.in.1çào de nodosidade ou massa nodal.
COLEÇÕES ÚQUIDAS
Vesícula - lc~o elevada, a.rcunscrita, com conteúdo
liqUido no mcenor do epitélio ou imediatamente abaixo, n:io
ulLtapassando 3 mm. como ocorre no herpe<. recorrente,
vmceu, hcrpangina.
Bolha - idêntica à Ve<iÍcula. mas quando <iupcnor a 3 mm.
como, por exemplo, no<i p~nfigos e penftgó1dc\.
As vesículas ou bolha.~. dependendo do seu conteúdo. são
denonunadas de sero~a.<i, ,angutnolenca., (hemorrágicas),
pustulosas; quando infectadas secundariamence. mdícéncas
(semelhantes ao mel) de CO!lli!itência viscoo;a e límpida. como
no cisco de erupção.
Deve-se levar em cone o peáodo fugaz des.1-as Jesõ~.
pnncipalmenre na mucoo;a bucal, p015 se rompem logo em
seguida à sua formação. devtdo a tramna.~ co1N:antc~ a que a
muco~ e-;tá c;uJeita durante a fonação, alimenuçjo, deglu
tição. formando então lesõ~ secundárm, denominadas de
úlcera., ou ulceração.
Hematoma - é o extravasamento de '-lngue no tecido
conJunàvo, apresem.ando cor azulada apóc. trauma agudo.
Pode ocorrer depois da remoção de cerce1ros molart.-.. in
clu,o" infenores, e, com o pas."ar dos dias, comJ coloração
anu.rcuda. decorrente da dccompoStçào dos pigmentos de
hemoglobina, ate: que haja !1U3 reabsorção coral.
Abscesso - é a coleção de pul> dentro dl· lUllll cav1dadc
ccc1dual acompanhada do quadro de Celsus (rubor, calor,
dor e cumor) com perda de função local.Denomina-se
empiema quando a coleção purulenu ocorrt" no mcerior
de cavidades narurais, como. por exemplo. cmpLclll.l Musal.
Erosão - perda ceciduaJ do epitélio sem .mngir tecido
conJunovo adJaccntc. Ex~· ltquen plano ero~vo e língua
geográfica (eritema mignróno benigno).
Úlcera ou ulceração perda de ~bsclncia do epLtého
com conseqüente cx-po,1çào do conJuntivo ~ubjacente; quan
do crônica. denonúna-se úJcera. como, por exemplo, o car
cinoma e~pinocelubr (ou cp1dcrmó1de), e, quaudo aguda,
ulceração. como nas afu.'i recorrenres, lesÕl'\ t:r:nun.íticas.
&ulceração - é uma ulceração superfina! com aspecto
de ponnlhado hemorrágico. hgetra1J1ente clc\·ada, como na
pracoccídlo1domicose e histoplasmo1>e.
Atrofia - dunmwçào da espessu:ra da mucosa pela redu
ção do5 c;eus consmuíntcs tcci<lua.i.s, como ocortt, por exem
plo. no líquen plano acr6fico. Q uando linearc:s. ~ Jtrofüts
>ião dcnouw1adas fissuras , que, quando localwda<1 pcn fc
ncamcnte, são chama~ dt• rágades ou ravdia'I rnmo
na~ queilites angulares Denomina-se sulco quaudu nãu há
solução de continmdJdc e o fundo é recoberto por mucosa
ou pele sã, como, por exemplo. o ,ulco :.cnil na senwnucosa.
e na csclcrodcnnia.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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R.io de Janeiro. Athc:neu, 2001. pp. 31/39
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3 Gumuràojr.J .• Dhr:ll. L.A.G .. Soares. H.A & M.m:uco. G.
Nomenclarura ~ l!!!>õe) fuodamencais. Rn . • ·hi«. Pa11l. Cir.
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Bá.oca, 4.' ed. São i>aulo, Art~ Médicas, 2001. pp. 49/60.
Reinaldo
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Métodos de Auxílio Diagnóstico
Femmido Ricardo Xar,ier da Silveira, Gemido Gomes dos Samfü
e Jayro Guimarães ]r.
5.1. MÉTODOS RADIOLÓGICOS
5. l. l . E,cames radíogr.ificos
5.1.1.1. Técnicas inr:rabucais
S. l.1.2. Técnicas enrabucals
5. 1.1.J. Tomografia computadori-zada
5.1. 1.4. Radiografia d igita!
S.2. CITOLÓGICOS E BIÓPSIA
5.2.1 . &ame, ci to lógicos
5.?.1 . 1. Citologia erl'oliadva
S.?.1 .2. O u tr.os examu citológicos
5.2.2. Biópsia
5.3. ULTRA-SONOGRAFIA
5.4. RI!SSONÀNCIA MAGNÉTICA
5.5. MEDICINA NUCLEAR
5.5. l Cintilografia
5.6 . .EX.Ar.1.ES HEMA T OLÓGlCOS
5.6.1. CoaguJognma
5.6.1.1. T empo de p ro trombina
5.6.1.2. Tempo de tro m boplaJtina pa rcial
ativada
5.6. 1.3. Tempo de coagulação
5.6.1.4. Tempo de sangria
5.6. t .S. Contagem de p laquetu
5.6.1.6. Prova do laço, ou reste d" fragilidade
capilar, ou teste de Rumpel-Leede
5.6.2. Erirrograma
5.6.l . l. NÚDlero de ericrócicos circu1antH
S.6..?.2. Hemacócrico (Ht)
S.6.2.3. Dosagem da hemoglobina
S.6.2.4. Hemoglobina corpuscular média
(HbCM)
!i.6.2.5. Volume corpuscu lar m édio (VCM)
O método diagnóstico se complementa. muitaS vezes,
com o amúho de exames subsidcirios, dos quais o profissi
onal de -;aúde lança mão, com vistas a alcançar uma das se
guintes metas:
Conftmuçào de cuagnóstico - para confinna.r uma
dada hipótese diagnóstica formulada após o exame
clínico do paciente.
5.6.2.6. Conceouação de hemoglobina
corpwcubr média (Cl lbCM)
5.6.2.7. Volu.me globular
5.6.3. Hemossedimentaçâo
5.6.3.1 As anemias
S.6.4. Leucograma
S.6A.1. Contagem düenocial de leucócitos
5.7. EXAMES SOROLÓGICOS
5.7. 1. Doença,i infecciosas
5. 7. l.1. Sorologi.a nas doe.oç;u bacterianas
S.7. 1.2. Sorologia nas doeoç-:is faíngini
5.7. 1.3. Sorologia nas dofflfU vin.h
S.7.1.4. Sorologia nas panasilDSC!5 da interessa
utotnatológico
5. 7 .1 . Sorologfa nas doenças auto-imunts de lottrtsn
estom1uol6gico
S.7.2.1. Imunofiuon,cência direta
5. 7 .2.2. lmuno.fluoresd.ncia indireta
5.8. EX.AMES .BIOQUÍMICOS
5.8. l. Glicose
5.8.2. Glicemia can Jejum
5.8.3. Tene de co)erincia à glicose o u curva glir:~nnca
5.8.-4. Glicemia pós-pra:ndiaJ
5.8.S. Glicosúria
S.8.6. Hemoglobina glicosilacb (ou glicacb)
5.8.7. Depuração (cfo:mina) da creatlnina
5.8.8. Cálcio, m agnésio e fósforo
5.8.9. Fosfatase alcalina (ALP) e fosfatasc ácida (ACP)
5.8.10. Hidroxiprolina
5.8.11. Paruonn&nio (PTH) " proteína relacionada
(PTH-RP)
5.8.12. Ptotefoa C reativa
5.8.13. Eeuoforese de pToteínas
fadusão diagnóstica - para dc!SC211:U" determinado esta
do ou quadro clímco, que pode oçorrer em concomi
tância com o objeto da investigação presence. Podemos
citar, como exemplo. o caso da neces.~idade de excluir a
gestação em uma pacienre cujo exame ~b:.idiário neces
sáno a elucidar determinado quadro clinico fo,;se con
cra-indie1do durante o primc!l.TO trimestre d.l gravidez.
Prospecção em segmento'i popubc1ona1s - muitas ve
z~ detem,inada por legi\bÇào Slrután:1 e procedida
independencemence de qi(peia clinica. É o caso, por
e:wmplo, da (Orologia par3 hepatite infeccio~ e AIDS
SIDA nm doadore-; de (angue, ou protocolos de exa
me,; Jdmic;sionais em cmprL">as públicas e privadas.
Outros obJet1Vm, igualmente importamcs, não serão
aqui mcluído:. por não dizerem respeito ao pre:.ence capí
LUlo Dcncrc eles, podcriamoc. citar aqudt"S dmgidos a ori
ent,u prognó,;rico e alternativas terapêutica,. De qualquer
maneira, num enfoque inicial maÍ\ direcionado à estoma
tologia, o cirurgião-dentista buscar.i, em regra. um dos dois
primeiro, objetivos. sendo o cerceiro reseí\'.tdo a serviços m<!
d1cos.
Ameia genericamente, é nc~ce,;sário di,;cutir, a \eguir, al
gun., ac;pectos conce1cuais que dizem rcc;pc1ro aos exames
complementares de uma maneira geral S:io, na verdade,
qualidades e características que confcm~m um maior ou
menor grau de confubiltdade .i dctcm1mado exame subs1-
d1áno;
fapecificidade - Refere-se à propriedade de derem1ina
do exame ou tt.>:.te de caracceriur apena., o, indivíduos do
entes (realmente positivm ou ncganvos para determinado
testt.!, excluindo O'i fal'>o-po<.icivo<; ou fa)<;o-negativos).
Semibilid.ide - Indica a propricd.1de de determinado
exame ou tc<itC de caracterizar uma dada doença sem e..x
cluir m<livíduos <lot.:ntes, eventualmente classificados como
~audávci\,
Ac-urâc1a Rt•vela a proximidade de d.1da 'iubstânc1a
avaliada c:m um exame. de seu valor n:al.
l'rcc,~ão - Mo<;tra a proximidade de valort:S reais com
relação à repeciçio de determinado en~io, para uma mt?$
ma .. ub.,rincu. num.a mesnia amostra.
fu~w,, o cxarm: complementar ideal, não importando o
npo ou e~pcciahdade a que se destina, deve i.er o mais pm
!tÍvel e,pedlic:o, sensível. justo e preciso, Jlém de ter custo
adequado para o paciente, fato que deve 'ier sempre toma
do em cons1dcr:ição.
Para efeito de sistematização, com enfoque para o e-;ru
da.nte de odontologia. os exau1c:. suh:.id1árim aqui aborda
do~ 'ierio 'iuhdiv1d1dor, em categorias, e, dentro destas. 'ie
rão d1<1cutidos aqueles de uso mais comum na práàca em
estomatologia clímca..
51
MÉTODOS RADIOLÓGICOS
5.1.1. Exames Radiográficos
A uuliz:1ção de exame<. radiográfico,; é ba.sunce difundi
da e comum na prática clinica, cormiLui11du-,1: 1:m valioso
subsídio ao diagnósaco de wna séne de patologia,;, quer dos
dentes, quer do complexo maxtlonundibular e de estrutu
ras J.i~ circunvizinhanças. As medid.ls de proteção contra
radiação. bem como o a,·anço cb cccnolog.ia dos aparelhos
de raios X, possibilitam, nos dia<. de hoje, que :.e- obtenham
imagem com re~olução hasrnnre ... :iri,farória t' com ba.i.x.a
exposição do paciente à ação mal~fica da., radiaçõo. Na
dependência do., objetivo!> a :.en:m alcançado\ com vi~w ao
d..iaguó)tico, podc-,e lançar mão de diver;a., técnicas radio
gráfica,. Esta, <;erfo a seguir d..i,curidas, com enfoque cm rua.-.
pnncipaJ!> md1cações na práoca ~ronrntológica, nLando claro
que, quando necessário um maior aprofundamento,deverá
~cr comukada a bibliografia complementar especifica. rela
c10n.1.d.i ao fim do presence capítulo.
5.1.1.1. TÉCNICAS INTRABUCAIS
A~im denominada\ pelo futo de o filme radiográfico estar
po,ic1onado denrro eh c~;dade bucal. Sio a< m.us comu
mence utilizada., no quotidiano da dimca odoncoestom.1-
coJógic.1, poir, a maioria dos consult6rios po--~ui dei 11.re ~cu t:qui
pamento, um aparelho de raios X. A., md1caçôe<. de uso das
técnicas intrabucais são mais relativa., ao di:1g11ó,1irn dt' lc:
sõc, dcncinas e áreas pemlcnc.m muito pró:x'imas. Generi
camente, pode-se diz.er queª"' téc:nk.1$ mrrnh11c.11s produzem
radiografus com detalhe, m:iis nítido,, porem liTTUtidos a uma
pequeru irca, corrC'ipondenlt> .io t:unanho tio filme
5.1.1.1.1. Radiografias Periapicais
Con,;ritucm-~c na cornada r:idiogrific, mais comum. Em
no~\O mdo, é uohzado o conjunto de 1 i rad1ogr.ifia.s. sen
do 7 para a região maxilar e 7 para .1 região mandibubr. Cada
conJunto delumta urna porção detemunada (Quadro 5.1).
As indicações dessa técnica, cm regra, decorrem ou de
dados :tn.u1111t':ucos rebtivos aos antcn·dcntc~ médicos,
odonto~tomatológicos e/ou fiunili.ares do paaente, ou de
sinai'> e/ou smtomas observados durante o exame fisico. As
,;im, histórn de cratamentos peáodontais ou endodônaccx
Conjunto de radiografias pena.picais para dentes permanentes (boca coiu)
Dentes Molares Pré-molares Caninos/Laterais lucisivos Caninos/ Laterais Pré-molares Molares
Região
118-:-16
D D D / E D / E E E
.,i_
Maxila 15-14 13-12 11-21 22-23 24-25 26-27-28
Mandíbula 48-47-46 45-44 43-42 41-31 32-33 34-35 36-37-38
52 ,\ fétoJos dt A11xll10 DrcJ,~11611,r,l
FIG. 5.1 Rachografu penapical mo~rrando INo em molar en
dodonncamcnte tratado.
prév1m (Fig. 5.1.); episódios pass.ados de craumaa.çmos; pre
,ença de implantes; hmóna úmiliar de alter.ações de desen
volvimento ou síndromes com marufescaçõcs no complexo
maxtlomandibular. Dentre os sinais e sintomas a serem con
~•der:idos, enumc:ra.m-sc; lc<;Ões de cáries; dentes mal posj
c1onados; mobilidade dentária; anodontta sem h1stóna pré
Vla de exodontia; sensibilidade dentina, odontalgias. loca
li74'd1s ou dtfusa.s; alteraçõe, de morfologia e/ou coloração
do dc:ntn; cronologia de erupção alterada: assimetrias faci
ab; aumentos de volume maxtlomandtbulares focats.
S .1.1.1.2. Radiografias lnterproximais
E~.,a técnica poss1b1ht.1 :wali.rr as coroas dent.ínas e crisw
Ó'i\C~s do:. arco:. em oclusão (Fig. 5.2). A porção radicular
não é visualizada, ~endo a prim:ipal mdicação a suspeita de
FIG. S.2 Radiografia 101erprox1ma.l evidenciando M dcnlc.."\ em
oclusão Nor.a.r infilttaçfo de cárie na., r~i.aura~Õõ cm mol.ues,
supenor .: mf.:nor.
cárit!~ interproxirnais. Permite rnmbém a avaliação ck, cris
tas ós~ca,; e pos.sívets exc~~o,; proxunais de rcc.wur.lçÕc:~.
5.1.1.1.3. Radiografias Oclasais
N~a cécruca, o filme r:adiográfko é po 1c1onaJo na su
pc:rficte oclmal de um dos arco~ e: o pac:1c:ntc: oclui su.we
mente. fixando, assim, o fiLm.: entre m doi~ ;ircos dt'mais.
A raruogratia ocluw é indicada quando ~e nece,;<at.l de- Unta
visão mais ampliada da região da rna..~la e m.111rHh11la real
çando dentes ou tecidos adjacentes. na J~c:nJêncu da va
riação de .mgulaçào (Quadro 5.2). São su~ pnncipais inru
caçõc,; o uso em desdentados totais, com énfa;,e À prrn ur.i
de raízc:!> residuais, dentes inclu,;os ou áreas com lc:!,ÕC!. que,
ev1denc1adas em radiografias periapicais, não puder.1111 :.er
totalmente observadas em razão da.~ limu:a,õe, dt:' L1m.mho
do fiLnc nelas uti.li.zado (Fig 5 3)
T~cmca oclusal e ~uas vanações de angulaçio e mctdência paraª" <lave~ regiôe-. em ma,,13 e
manciíbula
Ângulo Ãngulo Incidência de
Região Vertical Horizontal raios X primirio~
Total + 65º ()O Glabela
Incisivos + 65° Oº Ápice do nariz
Maxila Caninos + 65° 45° Forame infra-orbirário
Pré- e Molares + 65° 90° Forame in.&a-orbitário
~ se;o Maxila, + 80º Oº Atrás da co~sura palpebral
Tubero,idade + 45° 45° Região medial do assoalho
Torai + 90° Oº Região medial do assoalho
Maodaõula Parcial + 90° 00 Lado a ser exaJninado
Sínfise - 55° Oº Sínfise
l\féJodos dt Auxmo D1o1-'116mco 53
F1G. 5.3 R:adiografia odu~ Je ma.,ili e\1denoando mugem
,uge>ti,.a de cisto rusopalatino.
Podem ser aplicadas, também, nas suspeicas de sialoliáase
em ducro de Wharmn (glândulas submand1bulares) e em
traumatologia, para evidenciar algum tipos de fraturas de
maxila e mandíbula.
5.1.1.2. TÉCNICAS EXTRABUCAIS
Nessas técnica:i, o filme é: po)icionado fora da cavidade
bucal. Ela.,; pcnmce:m uma vmul1zação maior do complexo
maxilomandibular e áreas adjacentes, porém fornecem de
ta.lhes com menor precisão, ,e comparadas com as técnicas
mlrabucatS, nocadamente a pcnapical.
5.1.1.2.1. Radiografia Panorâmica
É, ~em ~ombra de dúvtda, a radiografia extrabucal mais
ucilizada. daí seu destaque: cm relação às demais técnicas
exrrabucais. Está indicada, em cStomatologia, na suspeita de
le~õe~ extensas, acomcrcndo ma.xila ou mandfüula. mww
veze4i expressas por awnento~ de volume nessas regiões,
rnnfigurando, cluúcamencc, assuncmas faC1ai~ de aspecto
vmável (FiK5. 5.4 e 5.5).
FIG. S,4 R.ldiografia panorâmica mo~trando mugem racholúmb
em rmndíbula, com radiopacid.,de em 'lC!U interior (raiz denciria).
FJG. 5.5 Radiografia panorâmica cu qUJ.1 «" pode notar=
r:1d10paca c1rcunscn1:2 em mandíbuu. entre pre-mobr~ e mob
n'.S c:,q uc:rdo ...
Outra) situações clínicas incluem aquelas em que há
unpombihdade de o paaente abnr a boca par.i a introdu
ção dos film~ inttabucais.
5.1.1.2.2. Outras Técnicas Extrabucais
Ne,te icem incluiremos oucras proJe('Õ~ c:xnahuc.m que
podem concnbu1r para o dtagnómco de vanadas situações
clinica.~. Detalhes mais ~pecífico~. como J.Í frisa.mos, deve
rão ser colh1dm de rratadm de r.id1olog1a, mdtcados nas re
ferência~ b1bhográficas ao fim do pr~ente capítulo.
QUàlltO à classificação. as ourras técnicas radiográficas
e»-crabucais podem ser agrupadas em laterais, póm:ro-ault'
riores (PA). axiais e técnicas para a região da a.n:iculaçào
cemporomandtbular (AT M). As lateratS compreendem téc
nicas para ângulo. cotpo e ramo a!>cc:ndeme de mancUbula.
Algum.as dessas normas podem ,;er unhz.idis cm assooaçio
a meios de contraste, para C)tuJo J.i., gUudulas sali\·,irr-~
lll3.10res (s1alografias). Vale notar que esses exames são inva
sivos e dewm ter indicação pm. Í)d (Fig. 5.(,, A). P.ira J re
gião da cabeça, incluem-se as técnicas de perfil mole e per-
6] duro. Dentre as cefalométricas, uma técnica bastante ua
hzada é a tdcrradiografu cdalométrica (Fig. 5.6, B e C).
que pem11te avaliar o desenvolvimento craniofacial. sendo
bastante difundida em orcodoncia. As tomadas póscero-an
tenores incluem PA de mandfüula. ~10 ma.xilar e seio fron
al: a tomacb axial. também conhecidJ como incidência de
Hirtz, é bastante úol para evidenoar fraruras ou alterações
no arco z1gomáoco, moscrando também a área basilar do
crâmo.
Fmalmcnce. as radiografias para a região da ATM. com
preendem as mc1dênc1as laterais, rranscrarual e rransfac1al,
cransorbital (ântero-postcrior) e ínfero--:upenor. Para maior
facilidade de consulta, as técrucas excrabucais, bem como suas
indicações, estão resumidas no Quadro 5.3.
Mho,fos dt Auxilio Di,w116st1co
FIG. S. 6 Sialognúia de glândula submanctibular (A) e telerradiograúa (8 - perfil duro: C - perfil mole).
Nonna
Laterais
Técnicas radiogrifit."a., exrrabuca.is
Região
Mandíbula
--l-
Cabeça
Cefalométricn
Técnica
Ãngulo e Ramo
---l
Corpo
Pedi.J Mole
Pmil Duro
P6stero-anteriores
~ lerradiogn6a
Mandíbula I _ PA de MandJbula
Seios Maxilares PA de S. Maxilar
-+---
Seio frontal PA de S. Frontal ---- --,---
Axial Base do Crânio A. Base do C rânio
5.1.1.3. TOMOGRAFIA
COMPUTADORIZADA
T omografu. compucadonzada (TC) é um mécodo de
ex.ame radiológico fundamentado no trabalho coocom1tante
de um computador e um aparelhode raios X Por esse
método, os fócons de raios X após atravessarem o corpo do
paciente. são lidos e quantificado:. por um conjunto de de
teccort..., que enca.m.inham t.-...~ .. mfoanaçõe\ a um compu
tador, no qual O) sinais aJU!ógicos são procos.ado,. digitali
zado<: e cnnsfonnadoc. cm imagem (Fig. 5.'). A obtenção
d.1 inugcm na TC é semelhante, d.ifcrenaando-se apenas
quanto à leitura das mfonn.açÕc'i e fom1a,; de aqui.s.ição. Pelo
Mtrodos dt Auxilio Oí<1J!t1~sti<o 55
FlG. 5.7 Tomografu computadonz.ada deulhc do eqwpame-n
to mo)trando o cornp11L1dor que compõe as unagens.
rnélodo convencional, as imagem são obtida.~ no filme por
projeção, enquanto, na TC. a estrutura é decomposta pelos
fobccs de raios X, lida no, detectores e finalmente: cligicalizacb
unhzando-se de algoritmos macemáacos efetuados pelo
çomputador. Em seguida é armazenada para posterior vtSU
.,l i.wção e documentação. Pelo uso de um monitor. essa
decomposição ponto a ponto, denvada do movunento do
lubo de raios X ao redor do paciente, po,~1bilira a ind1v1-
dualização das c-;crururas conudas em um corte, sem supcr
po~1çào de imagens, permitindo o e!)tudo individual de oda
W1J desses pontos
5.1.1.3 .1. Tomografia Computadorizada
Espiral (TCE)
A TC espiraJ po~ibilita medição em vdocidade maior
com ~istema de nibo em1s<;or de raios X e detector de rota
ção continua. Tanto o cubo ~ar de raio,; X como o arco
elo detector giram conanuameme, e, assim, a radiação dis
persa é supnm1da de maneira eficaz. Com a TC espiral é
possível realixar med1ção contínua em até 24 segundos. A
TC espiral produz um volume ininterrupto e sem espaços,
do qu~l podtm '.)er definidos cortes adjacentes ou mais de
300 seções superpoc;ca,; O tempo de exame, entretanto, é
um fàtor crítico. pamcuhumeoce para as aplicações nas quais
é importante rer um tluxo consnme de meio de conrrasre
para todo o volume da porção do organic;mo escudada. A
TC espiral tem apresentado aplicações importantes em ge
natna, pedtacna, traunutologia e card1ologia, devido à difi
culdade de55es pacientes em e manterem em apnéia. ou pda
velocidade do aclo carcüaco. que pode, através do exame
cm equipamento,; mais recentes, ser praticamente "conge
lado''. Essa caracterísoca. associada a softwares modernos,
permite, por exemplo, avaliação precüa das artérias coro-
n.iria'i. Até volumes maiores podem ser obtido" com clin
ência, o que comritui fato importante 110 Cl.'iO da.e; denomi
nad.1.s reconsauções 3D. Cada e>.'Ploraç:io ~ti ha~e.ada em
rotação de 1 ~eguudo, 1ndepcndencemence do '\Ítio a ser
estudado e da e,;pe<.<.ura do cone, pen111nndo a unhzação
da técruca conhecida como Mulrucan t\ 1ulurroc.1c101ul ou
Múltipla
Em e5tomatologia, os usos da TC, m.tb do que no diag
nó~cico. otào dtngtdo!> à ddirmtaçào de uma série de le
sões, quer de rutureza traum.ític.i quer ncopli'ilca, onde. pela
possibilidade de cortes seriados, é produzido um l!srudo
acurado da escrururn analt.sada e sua rt-1.ação com a., esLrUlu
ras üzi.nha.s (fi~. 5 8, 5.9 e 5.10). Oucm uc;o aru.aJ e bas
tante unponarue da TC esci na área de impl.ancodono~ om.l.t:
se requer uma dclimitiçào bastante prectsa d.1 ~r~.1 da ma,,
la ou m.andíbufa para colocação dos implante~ (fig. 5.11).
Flc. 5.8 Tomografia rn111put:.1dori7.'ld1 rcvcbndo dcfoito ósseo
(seu) na maxila antcnor.
FIG. S.9 Tomografia computadonuda mo,tr.mdo grande mas\a
cumoral na cortical craniana (displasia fibro\ól).
56
F rG. 5 . 10 TC e,-idenc1ando aumento de volume
maxil.v com ~..a rumor:il no <e10 maxtlar D.
FIG. S. l l TC em cones senados mostrando 1mplanre umtáno, Já fi:udo .io 0550 alveolar em nundfuula.
5.1.1 .4. RADIOGRAFIA DIGITAL
Os sistemas de rac:L.ogrnfi.1 digital (Fig. 5 12) trabalham
com um ~ensor ligado a nucrocomputador, eliminando o
uso de pdícula penap1cal e a revelação quimtca, reduzindo
ameia em cerca de 90% o tempo de exposição do paciente
ao:. raios X
Os smemas posStbihcam o estudo dessa.~ unagens acravés
do controle do contra.,cc, inversão de cores e zoom, bem
como a medição de distâncias (odontomema. cálculo de pro
fundidade de bolsas). O sopware acoplado realiza um
histograma dos tons de cmza, que: penmtc a análise da den
sidade da imagem radiográfica. A.-. unagenc; capturadas com
o si,tema também podem ser transmiridas c!:lltte microcom
puradores. Embora seJa muito uti.hzado em endodonc:ia. na
estomatologia clinica pode ser usado para todas a.-. técnicas
FIG. 5 .12 Equipamento para radiografia dig1t.tl mm-onl otar
ac1ma, à e-.querda. o~ \emon-\ que subsoruem a película peiup1-
caJ. (Digora Oprime®.)
.\fhodos dt A11:1dl1P D111g11óscico 57
F IG. >.13 R.admw;i-6.ts digitais: A - digitalização nunnal; B- baixo cclc:rn: C - m·gat1rn.
r.1dingráfira.c. incrabucais que utilizem a película penapical,
substituindo ess..1 úlama com vantagens no que respena à
menor exposição do paocnte :i radiação e economizando
os passos rdaavo,; l revelação e fixação <la radiografia (Fig.
5 13,A, H e C)
5.2.1. Exames Citológicos
Consmem na obrençâo de célula.e. superfioai,., ~m como
de nmerial colet.ldo de le:.&s d.l mucosa buol, para posceàor
aplicação de mecodo de coloração e exame ao micro<:cóp10.
5.2.1.1. CITOLOGIA E SFOLIATIVA
Origmalmente lançada na comunidade científica por Pa
panicolaou e Traut, em 1941, para observação e ~cudo de
t..-sfrcgaço!> das células obtida, da muro~ da cérvicc uterin.1,
é b.rgarnence utilizada ate'.> o~ dias atuais, nos prngr.una.~ de
prc,.cnçào de dnn·r Je Útero ('h autores cstJbele-ce-nm
cntêrios compaávcis com JJ1Jlig111d~de e, baseado~ n~es cri
térios, estabclcccr-.un wua classsúcação em cla,~c-~:
Cbsse U - Mlterial msuficienre- (o exame deve M:r re
pccido).
Classe T - Células nomm,
Classe n - Cdubs inflamarónas (sem caracceri~ncas de
mahgrudade).
Classe Ili - Celulas sugestl\'as de ma.ligrudade.
Classe TV - Célula.., fortemente füge'-~ de nuhgnidade.
Classe V - Exame cioológico conclusivo de m:tligmdadc.
Foi postenom1eme escudada e ad.apt.ada para o dugnósrico
do carcinoma epadennóide ~ muco~ bucal por inúmero~
.1ucores (Fig. 5. 14), com resultadoc; ba.\tante sansfatóno\, sendo
um método sub-.1düno basca.me útil em e-;ronutologia clínica.
58 .Hhodos dt Auxilio D1a_~m!Str!o
FJG. 5 .14 Citologia esfolianva mo,rrando alreraçõ~ compariveis
mm rlasse V
Uevc ~cr r~udo que ~se: mécodo não subsrirm o pro
cedimento de b1óp'i1J. Entnmmco, está indicado nas situa
ções em qut:" n.io há poss1bilidadt: de procedern biópsia, quer
por situações de imped1menco clínico do paciente, quer
mesmo por sua negação em s1;; :.ubmeter a esse exame. Sua
tecnica é basunte ,;1mples. exigmdo ~pátula metálica ou
cifllbmsl, para colc:t.i (c:vita-M: o uso de espátulab de madeira
ou zaragatoas por causarem danos, pnnopalmence des1dra
t1ç:io :10 materinl coletado). O material raspado é aplicado
sobre uma lâmina de vidro para uucroscopu, sendo previ
:uncnte ült:nrifica<lo e fixado com solução de álcool-éter a
700/n ou fixa<lorespeáfico em ~P'º)' (Fig.5. 5.15, 5.16 e 5.17),
FIG. 5.16 Aplicação do 1natenal rnkt.1do em limin.i p.1ra m1-
cro,.copi.i.
FIG. 5.17 Aplicação do lixadnnohrt" ., hi111iua
e. posccnom1ence. corado pelo método de Papamcolaou ou
bemacoxilina-eo,ma, pal"3 observação em m1cros(Óp10 óp
nco. Existem recíp1emcs próprim para o transporte cb(s)
lãmma(s), nos qwb est25 são acond1non:\Ci.1s 1mers.1S no meto
fixador, t:v1tando manuseio inadequado.
5.2.1.2. OUTROS EXAMES CITOLÓGICOS
Além da citologia e,_folíaciva, existem di, cr,.a.., outra" ~
ruações clirucas tUS quais se uohza a m~ma técruca de co
leta. mas agora vi,ando aos result.idoo; de auxilio a d1agnós
ncos outros que nio o cancer bucal. Em mfeccologi.a, pode
se lançar mão dos t.".>fregaços de muco..a bucal para o diag
nóstico de candidoses. paracocc1dio1dormcose e outras in
fecçõt:S por bactcna~ (F1gs. 5.18 e 5 19). Na suspeita de vi
ro es (esromacite herpc!tica recorrente, lc:sõc!S por víru Ep'.'>
tem-Barre outras vu-o,;es), apli~- e o exame c1tológico de
macenal raspado da., lesões na busca de inclusões virais.
Aplica-se, ain~ o exame citológico em biologia molecu
lar para confirmaçfo de paternidade, na suspei~ de mani
FIG, 5.15 Decalhe d:i coleta de esfreg:aço lingual com o rirolmislr. fesuçõc:s bucaJ.S de doenças SJstêmicas auto-rmune5, pnnci-
Mititd1l! dt Auxfli<' Diagnóstico 59
'~· .... .
•
FIG. S .18 Cstolôgico Je inucOf>a bucru moro-ando bacténa.~ Gram
negaava,
FIG. S. 19 Citológico para paracoccidio1dom1cose.
palmcnte no penfi~o vulg;ir. bem como no marenal líqui
do coletado de lesões cístic:is.
5.2.2. Biópsia
A b1ópst.a é um procedimento diagn6scico que consJ.Ste
na remoção de um fragmento de tecido de um ser vivo para
escudo da.,; alterações evencualmence presentes. A sua utili
zação deveria ser rotina no~ ambulatórios odoncológicos,
visto ser, em regra, um exame tecnicamente viável do pon
to de vista de sua execução pelo clínico. Por razõ~ que não
nos cabe discutir no presente capítulo. acaba sendo uma
práoca mais roone1ra aoç espeetahstas em esooautologia e
c:iruqtia. Está indicada, com~ primeira e:.colha, em lesões
ulceradas ou não, suspeicas de maligrudade (úlceras que não
cicatrizam apó~ período de 1 O a 20 dias, placas ceratóoca.s
ou máculas eritroplástcas. citologia esfoliativa com te!Sulta
s1vas ou não. e cresc1ment0s da supcrfic1e da mucosa bucal.
Genericamente, podemo~ dividir as bióp)l.lll em dois gru
pos pnncspais: incisionais, quando se reà.m apenas um fr~
me-nto da lesão a ,;er éXaminada. Estão mdicadas. como regra
geral, na :.uspe1ta de neopla~ia maligna, mamfostaçào bucal
de doença mcêmica ou lesões mwco excensas na mucosa
bucal, nas quais não haJa mdicação técnica de sua remoção
cm aro único. Cabe aqui discutir um caso especial, qu.11 ,eJa
a suspeita de melanoma maligno bucal (Fig. 5.20). Como
se trata de ncopla.,;ia maligna em regra :igre,;.c.iva (não obs
tante ser de freqüência bastante baixa em cavidade bucal),
vários autore<. discutem a vahdade ou não da numpulação
dosa lesão pdo clínico ou pelo estomatologista, cm razio
do tempo decorrente entre o ato da b1ópSLa e o cncammha
mento pmtenor do pacit·nte, com o r~ultado, ao oncolo
gista. já que. como sabemos, o cmrrgsão-dencisc:a não rrata
câncer.
Ponderam que a neoplasia pode-se agr,tvar coru.i<lcravcl
mcnre, ou mesmo oca,;1orur meciscascs cm ra7.ào da mani
pulação, preferindo, n~ casos. precom7.ar que ... e enca
mmhe o paciente duetamente ao oacologisca, apcn:is com
a hipóce"e diagnóstica Em no~q e~1>eriênc1a no Amhula
tório de facomatologsa da Escola Pública de Odontologia
(Univel"'i1dade de São Paulo}, optamos por realizar o;cmpre
a biópsia. Nas lesões com mais de 3 on, optamos peb bióp
sia 1ne1~ioru.l. O paacnce que no5 procura w W11ve~1dade
e. na ma1ona das veze-., do-provido de reC'Ul"'iO) com rda
ção à atenção à saúde. Ass1111, cm nossa opinião, é wn nsco
maior a indicação a um ~erV1ro de oncologia apenas com a
,u.speita clímca, pelo nsco de o pac1enre ou iüu procma.r o
setvlço, ou demorar tt:rupo excessivo. Nc.-nhum do, casos
atendidos em nosso serviço até o prcsc:ntt" ,ofreu mudança
de progn6st1co em razão de Sl" ter pmc-edido i b1óp>w; em
ua totalidade. ~~ o.<1os foram remeódo:i .i centro~ d~ nn-
do de Classe Ill , IV ou V), bem como lesões ósseas, expan- FIG. 5.20 l~o ~wpesta de mel.inom:s.
cologia Já de posse do re-;ultado do exame hi,;topotológico,
tendo c;ido em.fo c;ubmettdos a crncamento especializado. Na
h1úp~1:i t:xc1.S1onol, é removido rodo o fragmento de tecido
a ser e:xaounado. Sua indicação e para os ca.,os de lesões de
pequena extensão. sem suspcma de maligrudade. indo o
exame complementar corr~ponder ao traramento da lesão.
Didaàcamenre. porém, é necessário enfatizar que biópsia é
c,a1m: cornpkmcnmr, e não c:r.n:amenro. Na ficha clinica
Jc um paciente que realizou bióp~aa ex-cisioaal, e<ita deve
figurar no espaço correspondente aos exame<; complemen
tar~. sendo, no Hem relaovo ao rracamemo, anotada a re
moção cirúrgtco da lesão.
Não exi.~Lem contra- im.licações absolutas para a realiza
ção da biópsia. fat.b são relativa:., e dizem respeito, quase
sempre, ao estado geraJ ou condição local do paciente. Es
,;as condições devem ser sempre ponderadas em rel.lção ao
diagnómco clínico. Nos ca~o~ de pacientes diabéticos não
concrolados ou hipertensos graves. bem como em outras
coudiçõe,; ~mênucas, devemos entrar em contato com o
médico para enconcrar as condições míoaroas nece-.qnas à
con\ecução de nos'\o exame. Em caso de suspeita de lesões
benignas, podemos esperar uma oportunidade para aruaçào
com maior ~egumnça. No que tange às condiçõe!> locais.
enfatizamos os cuidados nece,;.,anos em relação à suspeita de
lesõc!S angiomatos:tS Quando ~t~das na superficic da mu
coY., ou m~o em .. 1ruações ma,~ internas, são ma,~ tãceis
clt: l.trnctcrizar pelas variáveis morfológicas que aprc:.entam.
Devemos rer baseante cuidado com as lesões incra-ósseas, das
quais inicialmente se tem, muita.~ vezes, apena!, o exame
radiográfico, que não aponta se :i le,;ão é ou não de nature
za angiomacosa N~es ca.c;os, deve- se. antes da b1ópS1a. pro
ceder à punção, com visw a dinunar essa possibilidade.
A técnica de execução da b1óps1a deve seguir º" padrões
de! biossegurança exigidos parn atuação em clínfra odonco
lógit·a. Não .1bordaremos ~!>C:" detalhes porque, pela sua
1111portânc:i.l, )ào discutidos em capítulo especial desce livro.
A e e
FIG. 5.21 Esquema momando, cm A, a correra remoção <le frag
mento teru:lual em uma b1ópsi.1 íncmoml. Em B e C. temos erro..
frcqücntanente cometidos, rcsulW1do em material imuficicn~.
A e
/
FIG. S.22 Esquema mo~tr.1J1do que. cm uma h1óp~1a cxOSlonal,
deve ~er removida a touhi.hde da lcs.io '-' HI~ margens conter te
cido ~au..Uvd (A). Em 8 , nota-se que não foi remo\ 1d.1 :.1 tot.ali
d.tdc da lesão e as margen~ não são adcqu.~.
Na biópsia inm1onal, deve ser removido um fragrmimo ex
premvo da lesão que comenha. cambem, margcm de ccct
do clirucamence ,audávd (Fig. 5 21, A, B e C).
Na biópsia excis1onal, deve ser removida a mc.1hd:idc do
tec1Jo alterado, olxervando-se o, cuidados necc.....,,,.ino!> quan
do for exigicb margem de seguranç:1 RéSsalte-:.c.- que, lllô
mo quando não houver es.sa exigêncu, as bonla!I de rodo o
fragmento removido Jen:m exibir recado c:ão (T'1g 5.22. A
e B). Outros tipos de biópsia melo em a técnica de ·"pi ração
e com agulha fina. ec;,;a última raramente uLilua<l.L em cavi
dade bucal
lllllillim ULTRA-SONOGRAFIA
A ultra-sonografo ou ecogr.i.lia é uma mecodologi:1 de
imagem que unliza a emissão de on~ \Onora., com freqiiên
cias .1cima de 20.000 henz, portanto .1cuna do lmúu.- .1uclí
vd pelo c;er humano. O som é uma fom1a de energia que c;e
propaga via uma onda mecânica, cuja velocidade ~ direta
mence proporcional à densidade do meio. As.sim, o ~om c;e
propaga nos teadoc; ó,,eos com o dobro da \ doliu.idc: de
propagação em tec1do!i moles e cmco vezes ma.is rapidamente
que no ar. Lembremo~ aqw que o c;om não se propaga no
vácuo.
No~ aparelhos de ultra-.. onografü, o ultra-~om é gerado
pdo transdutor. que fica em coouto com a super6cie do
corpo humano a ~eT examinada. Exim~m.diferearec; apo<; de
transdutor, dt:pendendo da e~trutura orgânica a ,er exami
nada (Fig. 5.23). Costuma-se, por ocasião desse exame
(quando a técruca utila~da é sobre -;uperfiae externJ. do
corpo). aplicar um ~I sobre a superficie cutànea .i -.er c:xami
nada. para que e eliminem bolha.~ de 2l' e outTOs resíduo~.
.\1itod,u dt Aw:flio Di.1g11J$tiro 61
PlG. S .23 Difcrcnc~ ripo, de craruducom empregado~ em ultn
)Onografia.
minimizando, assim, mterferências externas que poderiam
ter alguma uúluênc1a na imagem produzida.
Do fei.xe sonoro emitido. uma fração é absorvida pel().)
tecidos e outra é refleàda como unpulso eJémcos. com ca
raeteri~tica, disnnms. dependendo do órgão examinadoe de
~eu conreúdo. Esses impulso,; serão cransf onnados em ponto,;
que variam do branco ao preto, passando por uma escala in
termediária de tom de cinza, formando a unagem no morn
lo1 do aparelho (fig 5.24) Quando tecidos contíguos apre
sentam derundades diferentes. nessa mterfuce ocorre uma brus
ca mudança Je vdocadade de propagaÇ20 do feixe sonoro,
ocasionando uma formação inadequ.:ida de imagem ecográfica
FIG. 5.24 Det:ilhe do :aparelho d.e ultra-~nografu Medi.roo• mo
delo Mysono 201
FIG. S.25 Ulcra-sonognfia de glândulas )Jlivare:. maiores.
Tecidos com 1na1or densidade (os,;o~. por exemplo) ge
ram imagens dirJ.S com sombra acústica cfütil. r~crutura., rnn
reudo líqwdo em ,eu illtenor geram imagens ditas anecóicas
(há pouca absorção do feixe ~onoro). Acresce not.ir que e\
tru~ sólidas com mt:nor densidade KCram unageru. com
reforço acfünco posterior, sendo, ~ veze1>. dificil chfercnciá-
1~ de liquido.) ~p~o~. Com relação à ecogenicidade. >àu
utilizados ~ termo luperecó1co. lupo1:.cóico, isoec61co e
anecó1co. Em escomatologia. a ultr.1""'onogr.afia é utilizada para
escudo das glândulas salivares nui.ores (Fig :; 25) e dm mús
culos da masogação em algum caso~ de dhtúrbio) da ATM.
Quando se estudam as glândul~ ~aliv.ue:, maiores. a pa
rónda é VlSta como unu ~rura ecogêmca. Sw pu{\lo an
terior profi.mda fica oculta pela projeção do ramo Ja lll.3Jl
cHbuh. A5 lesões foc.w Jas p.uóuda,; ,;ão bem defiruda.s peb
ulcra-sonografu Nonmlmt·nce..ão hipocco..,>i:wca:. em com
par.ação ao tecido glandular normal. Ne,;,;e a~pecco, a ultra
sonografia é vantajos:i sobrr :i si:ilu1,rrafia, t.om 100% de sen
stbtlidade contra 75'}u da sialografia. Pms1lnLta <lifi:1euciM
mas~a~ em siruaçÕt!) unrag)andular e jmugbndul.tr. Em ca
sos duVJdosos. é úal .10 diferenciar árc4) pitoló~c.,s fnnm
das difusas. Po~~1btl1t.1 r:tr:1cccnzar vanave~ como. J.ifusa,
mulcifocal. cística. eno-e oucras. Encrernnco. qu.,ndo se tra
tar de dehrruca.ção de.- neoplas1a~ malignas. deve-se prefcnr
a~ tomografias computadorizadas e/ou a re<:<iunâmía m.tg
nécica. Nas doença,; mflamacórias, é mcuu, lll il que a
sialografia. embora seJa est.1 uma técnica bastance inv.wv.i.
RESSONÂNCIA MAGNÉTICA IIMili...:
A ressonância magnética (RM) é um exame subsidiário
que possibilita prodUZll' imagens sec10nad.as do corpo hu
mano sem que: ha.Ja expo,;içào do paciente à.s radiações 10-
ruzanres. Essas imagens são obtidas pela interação dos nú
cleos de ludrogêmo pr~,;entes am tecidos humano,; que
contêm ágw e lipídios. com um intenso campo magnético
e pulsos de radiofreqüência. O concrasre encre os diversos
62 Mfo,das de A,IÁ-ll,o D11w1Jstictl
Pie. 5.26 R~onânri.i m.i~êtica mostr.utdo áre:a dé ATM
rcc1dos do corpo humano (norn1:us e parológicos) é assim
cnado em função do número de átomos de hidrogênio exis
tentc!> cm derermmado tecido e do meio onde !>e encoo
tr:un. Re-.~alte-se que se trata de exame n.ão-mva.qvo. o qual
aliado à alta qualjdade dos resultados. coloca a RM como
um excelente auxiliar em múmeras espea.altdade!i. São hoje
muito diversas as aplicações clirucas da ressonância magné
uca, destacando-se encre as 1u.1.ÍS importantes o estudo do
1.rânio, fuce, coluna e <lo ~i~tema músculo-<Squelécico. Em
estomatologia. são vánas as indicações da ressonância mag
nética. dehmrtação de neoplas1as e estudo da amculação
temporomandibula.r (Fig. 5.26) são algumas de suas aplica
ções. Segundo Kar.zberg rt tll (1986), a ressonância magné
tica, quando utilmtda parn a ATM, penn,te o diagnósáco
das desordens internas, sendo possível visualizar o desloca
mento discai com precisão. No entender de Santler et ai.
(1993). po~ilita um., melhor visualização do disco arri
n1lar quando comparada a outras récrucas. como rachogra
fia cr.m~craniana, tnmogr:tfia e arcrogra.fu. pois a técmca não
é invasiva, não utili.z.a racliação ionizante:, a.relação côndilo
ooco é confiável e possibilita a detecção de processos mfla-
111.atórios. Infelizmen te é uma metodologja ajnda cara, sen
do este um fator limitante de sua uti.liz.ação. Comra-mdtca
ções· pacientes pomdores de clipes ele-trom.agnéoco) utili
za.dos cm cirurgias de aneunsmas cercbrats, portadores de
marcapasso cardíaco, indivíduos claustrofóbicos, gei;tances
e ponadores de próteses valvares cardíacas.
MEDICINA NUCLEAR
5.5.1. Cintilografia
A medicina nuclear abrange todos os procedunenros que
envolvam a administração de substâncias com baixas caxas
de radiação (menor que a eounda em raio~ X de tórax)
para estudar a fis10logia dos diversm órgãos. São coruidc:
r.idos exames nâo-m, a.sjvo,. A med1ona nudear é uma das
maí!> modernas técnicas de inve:>rigação e vem se impon
do gradativamente como excelente método de d,agnóm
co por imagem. Utiliz.:mdo-,c de: pequenas quanódad~ de
sub'irânc1as radioanva.~ e equipamcriro c:spccul (câmera de
cinolação ou gama-câmera), ,ão obádas váru..'i imagen~ do,;
órgãos a serem estudados sem a unhzação ck· gr:mdt"\ lJUan
ndadcs de radiação. A cinttlografia permite o e)tudo JJ fi
siologrn dos órgãos e constm11 mécodo n..10-iuvasivo tle di
agnó~ríco A gama-camera e um eqwpamemo doudo de
um crista.) de 10deto de ~ódio e tálio. que interage com a
radiação emitida pelo paciente:, produzindo um cfotto fo
todétrico. Esre é amplificado por válvula> fotomulripli
cadora~. transformado em pubos clémco~ que ~ão pro
cessados por ~1stemas cspcc1a1s de computador e C'onver
t1dos em imagens, as quais, então, ~ão avaliadas pelo
médico A medicina nuclear não utiliza contrastes para a
obtenção de imagens e, !,tm, ,;ubscincias radio:mva.s mar
cada.,; com radio6rmaco,; Esse~ traçadores podem ,c:r in
jetados ou ingeridos, dependendo do tipo do estudo a !ter
realizado
RADIOISÓTOPOS: rnbstâncias que emitem r.1di:1ç:in:
ucihzados no <;eu esc.ido livre (não marcados) para a ohcen
çào de imagens. Os mais usados são: 99"'T c (Lcn11!( io), utili
zado para estudos da tireóide e de mucosa g;t."tric:i ecrópica
(dtverticulo de Meckel) e o m 1 (iodo), uol12Ãdo para estu
dos eh tireóide e pesquisas de metástase) de tumorc:)
oreoidunos. 01. outros radioisóropos m.:us ual12.1dm em
medicina nuclear são. ~º1TI (tálto), (,"/G,1 (gálio). ••JSm
(sam.íno), entre outros A~ principais indicações em esto
matologia são: te<ite dC" c.1pt.1çào e cmalografi.t tlc lm:ú1Je.
mdtcados na identifictçào de tin.'Õicle eaópica: pesqwsa de corpo
mteiro com 1
" I.
É a inveságação ma~ cnsí\'el e especifica para a detec
ção de metástases de tumore-. diferenciados da o.reó1de Cin
alografia de paraâ.reóides CUJO) tum.ore~ podem ser 1dena
ficados através da antilografia combmada da nreóide com
ll•1T1 e 'l?mTc. Cintilografia do esqueleto com/,em fluxo
sangüíneo consurw hoje o exame mais ~iu·nte em quase
todos os serviços de medicina nuclear. É indioda pnnc1-
palmenrc para pesqwsa de metásc:ases óss~. sendo. nesse
contexto, o proced1mcnto de escolha no c~tad,amento
oncológico. T em ainda indicação na suspeita de osceomie
litc aguda e crônica, osteoma osceóide, procc,;so~ articula
res, fraturas de estresse, na avaliação -da mtegmbde de
próteses, na investigação de dores ósseas a esclarecer, nas
doenças sisrêmicas, no diagnóstico de doença de Pagét, dts
pl~ia fibrosa (Fig. 5.27. A e B) e h1perparanreou:hsmo. Além
das antilogra.fias do esqudeco e dos rumores de oreó,de, são
importantes os seguintes esrudos: cintilografia de corpo in-
Métodos de A11xflio Diag116stiLo 63
)
..
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A B
,, A N 1 µO~ 1 "
,, A l'i I roe; r ,,
FIG. 5.27 Cinulografia óssea normal (A) e de um caso de cfüplasia fibrosa (B) .
reiro com gálio--67. O radiofarmaco concentra-se em algu
mas neoplasia.~ e cm processos infecciosos, pem1itindo de
tectar hnfomas e rnetástases de mel.morna. No estudo dos
linfomas, é fundamental na avaliação da eficácia de um tra
tamento, uma vez que o tumor pode ser substituído por
tecido fübrosado, continuandoa ser detectado como uma
massa nos exames radiológicos, o que não ocorrerá com o
gálio, que só concentrará se ainda houver tecido twnoral
Viável. Cmttlografia com gá110-67 wipõe-se nos casos de fe
bres não esclarecidas, sendo um exame de alta sensibilidade
para abscessos por Stapliylococcus aureus e osteomieliccs crô
nicas. Os exames com gálio devem ser agendados com an
cecedência, pois o isótopo é produzido no exterior, sob en
comenda.
A cimilografia da~ glândulas salivares maiores com
cecnécio-99 {°"Te) permite sua avaliação funcional, bem
como clunmar suspeita de adenomegalias cervicais próxi
mas d~ subru.anilibulares. O tecnécio, após administração
endovenosa. é captado pelas glândulas maiores e excretado
pelo epitélio dos duetos . .As unagens são obtidas em gama
cfunara, em duas etapas: na primeira é observado o acúmu
lo do matenal radioattvo; na segunda, após ~tímulo ácido,
com suco de l.unão, avalia-se a drenagem. Assim, pode-se
estudar a permeabilidade ductal em vário$ processos, como
síndrome de Sjogren, neoplasias mistas de parótida, tumor
de Warthin e adenoma pleomórfico. Também é bastante
útil na avaliação glandular após tratamento radioterápico. O
exame é contra-indicado para gestantes e nos períodos de
aleitamento, devendo ser realizado somente em cac;os de
extrema necessidade, nos quais se deve avaliar criteriosamen
te a relação risco/beneficio.
"Aplicam os n'gimes pnra o bem dos doe11t~, n:g1111tlo " mm sabt·r
e a mmlra razão, mmru para prr111diú1r 011 _f.1zt'r mal &J q11e111 q11rr
que s~ja., . Se eu mmprir este j11rame11to com fidelidade, JlO,U
eu a 111i11ha vida e a 111111/,a arte com boa rep,trnção entre os lwmei,s
e para sempre; se dele me ,!fastar 011 irifrl11gir, suceda-me o comrário."
Do J11m111rnto de Hipkr,11,•s.
Desde que entra na faculdade, o c:irurgi.ão-dentisca podt>
rrazer a aspiração de se dedicar a procedimentos cirúrgicos.
motivo de grande interesse para boa parte dos estudantes.
São pretensões legítimas e razoáveis e é dever dos nosso~ re
presentantes de classe luca.r para 111.1.mer esses d1re1cos res
peitados e defendidos. J wito com essas prerrogativas, é de
ver ético dos profusiona.is adquinr 3S noções e habilidades
compaáveís com o bem-estar dos pacientes e os valorei,
bioéticos e morais, evttando-se o erro mé-dico ou odonco
lógico, se preferirem_ Nesse contexto, :1 educaçiío ronrinu
ada é um dever que todos os profissionais Jevt:riam abra
çar.
A cirurgia requer um planepmenro, sem o qual o fracas
so será inevitável. A fase pré-arúrgica inclui executar o exa
me clinico detalhado, ordenado, sistemááco e completo. Essa
metodologia está explicitada em outro lugar deste livro. Um
questionamento mais direcionado para problemas de
bemoscas1a está no Quadro 5.4.
Alguns problemas sistêmicos poderão complicar, alterar
o prognóstico ou até contra-indicar, pelo menos tempora
riamente, a realização de cirurgias. o~ paaeote~ poderão re-
64 ,\,1étodos dr A11.-dfío D1ng11Jstico
QuõtÕc::, diretas para obter hi,tória de clistúrbios da hemostaSia na anamnese pré-operatória
1. Você já sangrou por um tempo exagerado l!m algum aodc11te perfurocortame ou logo após uma extração dental?
2. Alguma vi:z. apó~ urna l.!xtração dt:ntal ou outro opo de onugia. o sangramenco voltou a ocorrer, uo di:i seguiule, sem motJvo
ap:irente?
3. Já desenvolveu um hemarom:i incomum ao redor de uma mci~ão c1rúrgici ou de uma ferida?
4. Voc:ê:Já ob<;ervou ~u:t língua ou boca inchada apó~ corta:r-~c ou morder no local, ou na boched1:1 ou lábio?
5 Costuma ter hcmato!IUS sem consegmr lembrar-<;e de rer batido ou injuriado o local?
6. Algum parente próximo tem problemas de ,;angramento espontaneamente ou após ferimento~ ou cirurgias?
lacar esses problemas na anamne!ic ou c;equer c;uspe1car das
,;u.ts presenç.as. É Jever do crrurgião-dl!ntista investigá-los
clinicamente e atrnvés da solicitação de exames laboratoriais
específicos.
Dependendo do número de dispositivos colocados. a
cmrrgia poderá ser de pequena ou grande extensão. Não tem
nenhum sentido realizá-la sem sabermos com segurança se
o paciente poderá ter boa coagulação, cicatrização, resposta
inflamatória e resistência às infecçõ~ ou possuir anemia ou
mfecção presente. Esses dados guiarão nosso planejamento
cirúrgico. Reconheçamos que os cirurgiões médicos não
10correm com -freqüência nesse erro grosserro, tão comum
entre os cirurgiões-dentistas. Como diz Gustavo O. Kruger,
autor de um livro de arurgia bucomaxilofaoat "Os dmrgiões
têm a obrigação de mel/,omr o tratamento progredindo 110 co11hed
me11to cinírgico. Se não fizermos isto, ,iossos pacientes vão pagar o
preço da 11ossa cnrê11cin. "
É sobre alguns desses exames complementares pré-ope
rat6rim que discorreremos n~te capítulo.
5.6.1. Coagulograma
É wn parâmetro hemostático freqüentemente usado para
a avaliação laboratorial inicial de pacicnces com disrúrbios
hemorrágicos e: para avaliação da hemostasia pré-operacó
na. Compreende os scgumtL'S exames: tempo de sangramen
to, tempo de coaguhção, contagem de plaquetas, tempo de
prorrombina e rempo de rromboplastina parcial aàvado. O
conjunto de exames peonite a avaliação da hemostas:ia de
tectando deficiências quantitativas e qualitativas das pla
guetal., dtsrúrbios vasculares e dos fátores de coagulação e
a presença de inibidores específicos e inespecíticos da co
agulação.
Hemoscasia é conceituada como a parada do sangramenco
ou hemorragia. A hemorragia encona:ada nos procedimencos
odontológicos é geralmente autolimitante e cessa esponta
neameme. Em caso de ser contínua., os principais meios de
controle são a pressão direta, a oclusão de vasos pelo uso de
sururas, a pressão dos vasos com pinças hemostáticas ou o
uso de vános produtos capazes de promover a formação do
coágulo, como adstringentes, celulose madada, gelatina.~ ah
sorv íve is, ttombina, criotcrapia, eletrocoagulaçào.
laserrerapia, adestvos de cianoacrilaco e vasoconsmtor~. Até
para disponibilizannos cm recursos, é útil sabermos anteci
padamente os dados do coagulograma do paciente.
A bemostasia envolve resumidamente alguns pa.<;,;m:
1 . lmediacameme após o trauma tecidual ocorre a vaso
commição, que envolve mecanismos neuronais. locais
e humorais.
2. Logo as plaquetas entram em contato com a parede
do vaso lesado, aderem aos tecidos subendoteliais le
sados, difundem-se para cobrir a super6cie lesada. li
beram alguns compostos e se agregam, fonnando um
tampão no sítio inJunado.
3. A epine-frina e a serotonina awncncam a vasoconsm
ção, enquanto a adenosma difosfato (ADP), liberada
pelas plaquetas, aumenta a agregação plaquetária, re
crutando novas plaquet1S.
-+. A proscaciclina, sincerizada pelas célula.,, cndotclia.is. di
minw a liberação de AD!', ao passo que a cromboxane
A2, sintetizada pelas plaquetas, a aumenta
5. As plaquetas agregadas expõem um fosfoltpicLo (FP-3)
que age como pomo de encontro para os fatores da
coagulação. A,:, célula<; endoceli:11,:, rompida-. umhém
o liberam, mas numa qU,tntidade h:mante m<"nor
6. lrucra-~e o mecarusmo mtrimeco de coaglilação, lSW
é, independente de substâncias originárias dos tecidos,
com o fator plasmático X I 1.
7. A elastina e o colágeno expostos combinam-se com
substâncias liberadas pelas plaquecas e pelos cec1do<; le
sados, dando início ao SIStema excrínseco.
8. Os dois sisremas são conhecidos como "cascatas" da
coagulação, o que significa que um :fator formado va.t
ativar a formação de outro num mecanismo seqüen
cial. Na seqüência da coagulação. o~ dois sistemas se
unem numa via comum.
9. A consolidação das plaquetas forma um coágulo de
fibrina, formado a partir do fibrinogênio. O fator XJTT
estabiliza o coágulo de fibana e assegura que este sele
o vaso danifie.1do.
Afétodos dt Auxflfo Dii1g,1éstico 65
10. Enzima,; fibrinolicicas digerem os m.ateria.i,; hcmostáti
cos e o coágulo de fibrina de dentro para fora. A forma
aava do plasminogêmo é a plasmma, quefragmenta as
grandes molécula.e; de fibnna. mais fãceis dc rt:mover, res
tabelecendo-se: as característic~ primitivas dos tecidos.
5.6.1.1. TEMPO DE PROTROMBINA
O tempo de protrombina é usado para analisar as vias
extrínseca e comum de coagulação, avaliar a função hepá
uca e monitorar a resposta à terapêutica anticoagulante O
uso desse tipo de medicamento poderá ~er obtido na anam
ne<:e.
É um "cempo de coaguJação •• em condições especais.
Tr:ica-se o ungue com um attato. recalcifica-se o soro em
separado e ad1ciona.-se trombopla.c;on.a tecidual. A coagula
ção depende dos ati\.ador~ da via extrínseca: protrombina
e: fatores V, X e Vil.
Ele está aumentado nos defeitos dos fatores I (fibnnogê
mo), 11 (hipoprotombmcn:ua), V (fator lábiJ de Owren
para-hemofilia), Vil (fator estável ou convcmna). X (fator
de Stuan-Prower). ddicuincias de vitanuna K, má absor
ção de gorduras (icteócia obscruova, e<iteacorréia, doença
celíaca, colice e diarréia.s crôrucas}, hepatopanas (intoxica
ção, hepatites e cirroses), drogas ancicoaguJ.antes (dicumaó
mcos e salicilato~) e outras causa,;. O tempo aumenta nor
ma] e ligeiramente nos pacientes com sudorcsl' profusa de
vido a altas temperaturas ambiente<;.
Os valo~ normais, no'I maiores de 6 mes~ de idade. são
de! 70 a 100% de atividade ou 10 a 20 :>égllndos. Abaixo de
300-o, temos ,;éri~ conseqüências clínicas. Em termos OIÚrgl
cos, aceita-se que pacientes podem ser optm1dos com 70%.
5.6.1.2. TEMPO DE TROMBOPLASTINA
P AR.CIAL ATIVADA
O rempo de tromboplasnru parcial aovada é usado para
avaliar deficiências congênicas do ~;~terna intrínseco. avaliar
hemofilias A e D, morutorar o uso de heparina e avaliar
defeitos de inibidores da coagulação. É um tempo de co
agulação do plasma recalcificado em wn tubo de ensaio, no
quaJ ~e adiciona a ce&lina em substituição ao &tor plaquetá
ao UI. Pode ser t.1mbém aovado pelo cauhm. É o melhor
l~te para alreraçõ~ da coagulação na vta intrínseQ (fatores
Vlll. lX. Xl e X ll) e da via comum (fatores X. V, pro
trombma e 6bnnogênio). Consegue informar a aciV1dade
de todos os fatore'> da coagulação, excc;to os fatores V11 e
XJU.
Está prolon~do nos defeitos d~ ~tes fátores: 1 (fibn
nogênio}. fI (proO"Ombina), V (fator lábil), VW (anti-hemofilico
A), IX (ann-hemofiltco B), X (fãtor de Sruart-Prower). Xl e
XTT (fator de Hageman). Os valore<; ,ão normais em
trombocitopenias, nas dtsfunçõc:s plaquetán~. na doença de
voa Willebrand e nos defeitos isolado., do fator VII.
O valor nonnal, para aqueles com oiai.\ de 6 meses de
1dade, é menor que 1,20 minuto, geralmente ena-e 60 e 70
segundos.
5.6.1.3. TEMPO DE COAGULAÇÃO
O tempo de coaguhção mensura a capacid.lde de a fibrina
formar o coágulo imcial e é relaovamcnci: sensível às defi
oênnas de 6bnnófüe lndJca o estado do\ tâtores plasmáti
cos auvos no mecanismo de coagulação. E um.a prova rela
tivamente grosseira, não muito sensível e que :>Ó detecta
diátesc..-s hemorrágicas pronunciada!.. Varia entre 5 e 10 mi
nuco,;. Quando o <;aogue é colhido em sennga plástica, pode
i.er considerado normal até 15 minuco~.
Há alguns método, utilizados, dentre o~ quais o de Lee
& Wlute. feito em ruho de ensaio, o de Wright, feuo em
rubo capilar, e o de Milian-Morawitz. feito cm lâmina de
microscopia. O pnme1ro e m.ai.s confuivd, por <.er m:us fid.
O tempo de coagulação e!.tá aumentado nas deficiências
de alguns fatores plasmáticos (hemofilia A e Il, para-hemo-
6..ha, htpoprotrombancnua, a.fibnnogenemia heredJtána), na
deficiência da vitanúna K no choque arufil.itico e frente: a
drogas anocoagulaace<s.
5.6.1.4. TEMPO DE SANGRIA
O tempo de sangria avalia as alterações plaquetárias, quan
titativa.,; e qualitativas. e as vasculares. t normal quando as
plaquetas estão prc~eotes em uma conccnrração de, pelo
menos. 100.000 por nm1'. Não é um exame ÍCJCo III t'itro,
nus duetunentc no paoente. A técnica cli.c;c;ica dt.> Duke é
a ~c..-guinte:
1. Coloca-se. no braço do paciente, um esfigmomanô
metro, que é inOado para 40 mm Hg.
2. Faz-se uma incisão de 1 mm de profundidade e 9 mm
de compamemo na fuce flexora do antebraço. O san
gramenco é secado a cada 30 segundos até que estan
que. O primeuo trombo plaquecário, que aparece apó~
a vasoconsmção reflexa produzida pelo fenmcnto. faz
com que cesse: a hemorragia. Isso depende do núme
ro e eficiência das plaquec.as e da concrat:1.hdade capi
lar. Também se utilizam como sítim de coleta a polpa
dtgnal do dedo médio ou o lóbulo dJ orelha.
3. O tempo de ungria é mensurado desde o instante da
mosão até .a ausêne1a ck sangramcnto.
4. O valor aonnaJ para essa técnica é de 2 a 5 minutos.
Está prolongado nas plaquecopema.,;, nas tromba.scenias
(número normal de plaquec:as e má capacidade de aglua.na
ção), nas i.nsuficiêna.as hepáocas graves i: na afibnnogenemia..
5.6.1.5. CONTAGEM DE PLAQUETAS
A contagem de plaquc:tll.) é um índice qu.motacivo da
capacidade do paciente em coagular. Pode ~cr chamada dt."
66 Métodos dt A11xf1io Diagt1óstico
plaquetograma ou trombocitograma. No Brasil, não é in
cluída no hemograma e é paga em separado, quando solici
tada; entretanto, os modernos contadores eletrônicos a for
necem em conjunto com os outros parâmetros do hemo
grama. Isso cri.1 um problema para os laboratórios quando
o contador eletrônico moderno apontar uma anonnalidade
na contagem de plaquecas não solicitada. O que fazer?
Fornecê-la de maneira graciosa? Sonegar essa informação?
Incluir wna observação contemporizadora da questão, como:
"sugere-se a contagem de plaquetas" ou "aparente trom
boc1topenia "?
A contagem. de plaquetas feita ao microscópio está quase
que abandonada. Usam-se os contadores eletrônicos que as
avaliam no mesmo canal de contagem de eritrócitos, dis
criminando-as por diferenças de volume. Geralmente, as
plaquetas possuem menos de 20 fL (fL = fencolicros = L X
10-15), enquanto os eritrócitos possuem mais de 30 fL.
O plaquetogrnma não informa números exatos e concor
dantes entre laboratórios, mesmo porque esses números
sofrem variações de± 10 a 15% entre um dia e ourro. Os
números são aceitáveis para uma interpretação pré-opera
tória.
Pacientes com distúrbios de hemost:asia devem ser deli
cadamente manipulados durante a cirurgia e ter o fechamen
to primário de suas feridas cirúrgicas maximizado através de
suturas ex'tras; wna gaze umedecida com soro fisiológico
deve ser deixada sobre a ferida, sob pressão moderada du
rante 5 a 10 mmutos. Se a hemorragia perseverar, subscân
cias como a epinefrina devem ser usadas, ou procoagulan
tes como a trombi.na ou colágeno. O paciente não será des
pedido sem antes ouvir instruções, que também serão leva
das por escnto.
O material usado para o coa.gulograma é o sangue veno
so com citrato de sódio 3,8% na proporção de 4,5 para 0,5
para o tempo de protrombina e tempo de tromboplastina
parcial ativado, e sangue corn EDTA (1 a 2 rng de ácido
etilenodiaminotetracético sódico ou potássico por mL de
sangue colerado). A coleta lenta e difícil, por dificuldade de
fluxo na veia puncionada., favorece a agregação plaqueciria
e a coagulação, e deveria ser rejeitada. O exame da disten
são em lâmina do sangue anticoagulado deve ser feito antes
de 4 horas. Se o sangue tiver que ser transportado para outro
laboratório, a distensão em lâmina deve ser feita no labora
tório de ongem. O ideal é passar o sangue no concador
eletrônico dentro de 5 minutos após a colheita. Todas as
amostras que mostrarem plaquecopenia devem passar por
uma análise microscópica. para excluir a hipótese de ter ha
vido uma agregação plaquetária ou satelismo (aderência de
plaquetas aos neutrófilos).
O paciente deverá comprimir o local da punção para
estancamento do sangue, pois o esparadrapo sem a compres-
são é insuficiente para fazê-lo, o que provocará um hemato
ma no local. Ele deve estar em jcjwn de, pelo menos, -1 horas,
após refeição leve, e deve ser anotado o uso de medicamentos
usadosnos últimos 10 dias.
Os valores normais para ambos os sexos .ficam entre
150.000 e 450.000/ mm3, média de 220.000 plaquecas por
µ L (µL = nucrolitos = L X 10 "). A função hemostácica
das plaquetas pode manter-se. mesmo com rrombociropenia.
acé 70.000 µL Há uma relação mversarneme proporcional
entre o volume plaquetáno médio e a contagem de plaque
tas.
A crombocirose ou plaquecose é um mecanismo reacio
nal, e não uma hematopacia. Pode ocorrer nas anemias
ferropênicas, na.~ doenças inflamatórias crônicas, infeccio
sas ou reumáticas, no período pós-hemorrágico imediato.
no pós-operatório, após traumas, após uma esplenectomia
e nas síndromes mieloproliferativas.
A t:rombociropenia ou plaquetopenia ocorre nas púrpu
ras ttombocitopênicas imunológica, trombóóca e genética
(p.e:x., síndromes de Wiscott-Aldrich, de Bernard-Soulicr
e das plaquetas cinzentas), após cransfusões sangüíneas, du
rante o uso de algumas drogas (p.ex., quinidina. sulfas e
clorotiazidas), nas viro~es febris (p.ex., mononucleoses. den
gue e AIDS/ SIDA), nas esplenomegalias com hiperesplenis
mo, na coagulação mtravascular ch.~eminada, na síndrome
urêrnico-hemolitica, nas neoplasias medulares, leucemias, na
anemia aplástica, necrose medular e gravidez.
5.6.1.6. PROVA DO LAÇO, OU TESTE DE
FRAGILIDADE CAPILAR, OU TESTE DE
RUMPEL-LEEDE
Avalia ainteire-za das paredes vasculares após a obstrução
do fluxo venoso. Se elas estiverem anormais e, ameia. se hou
ver defeito quantitativo ou qualitativo das plaquecas ou de
feitos de coagulação, o sangue excra,·asará e pecéqu1as serão
produzidas.
Coloca-se um esfigmomanômetro no braço do paciente
e ele é inflado num ponto mediano encre as pressões dias
tólica e sistólica do paciente. A pressão é mantida durante 5
minutos e o dispositivo é desinflado. Examinam-se a fossa
antecubital e o antebraço, procurando-se as petéquias. Nor
malmence, veri.fica-~e que são poucas. O normal é que se
jam menos de 10. Se o paciente tiver os problemas aponta
dos, elas serão numerosas. Portanto, é um procedimento
muito simples, que bem poderia ser n,aj,; freqüentemente
usado.
5.6.2. Eritrograma
É o exame que avalia o eritrônio. Este é conceituado
como um órgão disseminado pelo organismo constituido
Jtbodos dt flu.,;/f11, D11w1&sti,1.1 67
por dua,; partes: a concencraçio de encróc1to" circulantes
e o tecido emroblá.'itico dentro da medula óssea qué o ori
gtna.
A anemia é a redução d.t função do ericrônio correspon
deme .i UJIL1 dimimúçào eh hemoglobina (Hb) que pode
ou não !.C acompanhar de um dt•créscirno do número de
enrrócito!.. O aumento do enrrômo é chamado de polig)o
bulia. Um aumento isolado do erttrôruo ocorre na policite
mia 1-era (wrdadeira), wm úndromc mieloprolifrrativa crô
ruc:a.
5.6.2.1. NÚMERO DE ERITRÓCITOS
CIRCULANTES
Os v:ilon:~ variam de acordo com o sexo. No homem
branco, varia de 4.400.000 a 6.000.UOO por mm3, média de
5.200.000/ mml. e. na mulhcr branca, vana de 4.200.000 a
5.500.000 por mm.1, médta de 4 800 000/ mm'. Após m 65
anos, h:í um progr~vo e incerto decréscimo desses valo
re'-, o que pode influenctar a rcspo'ita emular em cirurglas.
No,; negro~. e,;<,e~ valores normais são 5% menores. A clife
rença entte os sexos tem causa hom10nal. Os andrógenos
awncnwn a sensibilidade do, ericroblascos à ericropoetina;
os estrógenos a inibem.
Valorec; diminuídos são chamados de entrociropenias.
presentes nru. anemi.l.), e \~alares aumentado~ são chamados
de eritrocttoses. O termo refere-~e somente às hemáoas
circulantes. e não às que estão ainda na medula. Quando.
porém, a encrocicosc é acompanhada de aumenro da dosa
gem de Hh e do hemat6cmo. pode-se também dizer que
há poliglobulia.
As eritrooto~es podem ocorrer 11.i palicitcmia vera, polici
temu secundária, síndro1ne de Cushing, 6.scula aneriove
nosa pulmonar, JU doença cardíaca congestiva e no!> rumo
res renais; as cntroc1toperuas. na leucc.!mía. anemia aplásá~
hemorragia, anenua falofonne e no hiporireotdtsmo.
Podem ocorrer anemias por alterações qualitativas, em
bora, quanncacivamenre, os número~ possam ser norma.is ou
quase normais. A contagem é feita cm câmaras especiais ou
elerromc:imente em contadores Coulter.
5.6.2.2. HEMATÓCRITO (HT)
É o volume dos eritrócitos, expr<..">So cm percentagem,
numa dada quantidade de sangue total Classicamente é
obtido por centrifugação desse sangue a 11.000 rpm. Atu
almente é obndo eletrorucamcnte pelo contador Coultcr.
Como este fàz contagem acurada dos crittócitos. o hema
tócnto vem perdendo seu lugar na clinica e cada vez meno~
é ~olicirado. Pode-se calcular o valor do hemacóccito mul
tiplicando-se o número em gramas da hemoglobina por 3
ou usando-se a seguinte fórmula:
Ht = n.0 de entróatos X volume corpuscular médio
Os \'3.io~ normaJS para o homem ~o de 41 a 51 "{., mctlia
de 46°0, e, pua a mulher. de 37 a 47%, média de 42%.
5.6.2.3. DOSAGEM DA HEMOGLOBINA
É o dado mais importante para a\aliar um c:.tado anêmi
co. A anen:ua é ada como a deficaêncaa de Hb. É dosada
pelo mécodo da ctanomeca.-bemoglobína (a hcmoglobma é
tramfonnada nesse pigmento) e pelo contador de Coulcer.
O valor mécilo é de 15,5 g ± 2.5 g/dL. O valor núrumo é
de 15 g para o homem e de 13.5 para a mulher.
5.6.2.3.1. Índices Eritrocitários
Obtendo-'>c o número de ecitrócito~. a do~agem de he
moglobina e o hematócnto, podemos calcular esses índi
ces. São des a hemoglobma corpuscular mc:dia, o volume
corpuscular médio, a conccnrração de hemoglobma corpu~
cular médta e o volume globular.
5.6.2.4. HEMOGLOBINA CORPUSCULAR
MÉDIA (HbCM)
É a quanod.tde média de hemoglobina que eÃ;sce em um
critrómo O valor normal esá entre 24 e 33 µ µg (micro
microgramas) ou pg (p1cograma.s = 10-u.g). É calcula.da pela
-.eguinte fórmula:
HbCM (em µµ. g ou pg) = Hb (em gramasl dL) X 10/
eritróocos (em milhões)
A anemia será hipocrômica para valores< 24 pg e será
h.ipercrômica para valores > 33 pg. O valor cünico <Li
HbCM fica reduzido se constderannos que eus parâmetros
seguem o VCM. ou seja, células grandes (macrociacas) pos
~uem bastante Hb e células peque~ (nucrocítaca~) pouca
Hb A pr(.-sença simultânea de céJula'i nomtocrôm.icas e
hipocrôm1cas é chamada de ana~ocron11a. º" termos
pectlocico,e e poiquilocitose referem-~e à prt...-..cnça de for
mas anonmus de t:!ntróotos.
5.6.2.5. VOLUME CORPUSCULAR
MÉDIO (VCM)
É calcubdo dividindo-se o volume globular ou o hema
cócrito (Hc) pelo número de eritrórnos prescncc.-s nesse voJu
me. Qo; valores normais variam entre 80 e 98 µ l (micra cúbi
ca) ou fL (fencoliao = 10- 1:. L) e são aguais para ambos os
sexos. O VCM tem wna relação mvers.uneote proporaonal
ao oúmcro de eritrócícos. O cilculo é feito pela fórmula;
VCM (em µ J) = Ht X 10/ entrócatos (em mtlhõcs)
O VCM classifica as anemias em normo-, nucro- (< 80
fL) e macrocitica~ {> 98 fL): pennite demonstrar que há ane-
1ruas com células maiores ou menores que o nonnaJ (ou ~eja,
macro- ou microcíô~). A presença qmultânea de micrócitos
68 Mltodos de Auxilio Diagt1<'st1a,
e macróc1tos é chamada de anisocitose. As macrocitoses
ocorrem no alcoolismo, hcpatopatias, e.~plenectomia, ane
mias megalohlásac~. ancrnia refratária, n.a síndrome de
Down e com o uso de certas drogas (p.ex., AZT, carbama
zepina, femtoína, ácido v:tlprÓlco, primidona, ciclofosfunida
e .,zatiopnna). A microcicose ocorre nas anemias ferropriva
e sidt:roblá.mca, c.alassemi.a mino, t: síndromes 1rueloprolife
rativas.
Os aparelhos eletrôrucos aruais, que: se baseiam no prin
ópio de Coulter, avaliam -;imulcaneamente o número de eri
trócitos e o VCM.
5.6.2.6. CONCENTRAÇÃO DE
HEMOGLOBINA CORPUSCULAR
MÉDIA (CHhCM)
É a rdação entre o valor da hemoglobina connda num
determinado volumt! de sangue e o volume globular, expressa
~m percentagem. estando a normalidade entre 32 t: 36%. Uma
CHbCM dC' x0;6 stgru.fica que x'>Ai do volume globular ou
hematócrito é de hemoglobina. isto é, a CHbCM mdica a
quantidade de hemoglobinaexistente em certo volume de
sangue. A fórmuJa que a calcula é:
CHbCM (em %) = Hb (em gramas}/ Ht X 100
5.6.2.7. VOLUME GLOBULAR.
t a relação entre a percentagem de hemoglobma e o
número de eritrócito~. E.~ci baseado num parâmetro arbi
tr.niamente estabelecido em que 1000/Ó dos encróetcos cor
respondc::111 a 5.000.000 deles por mm3. Fica dependendo
do que çe considera 1 QOOA ou valor normal de hemoglobina
lº de eótróc1tos. Conclui-se que é um dado relativo. O va
lor norma] varia de 0,9 a 1.
C1a .. s1ficação morfológica das anemias
5.6.3. Hemossedi.mentação
É também chamada de vdocidade de hemos.sedimenu
ção {VHS). É um exame mespecüico. m~ bastante sensível
nos rastreamcntos de alguns processm cm que c,;~:i vdoci
dade está aumentada. O sangue é craudo com anucoagu
lante e colocado num tubo capilar de Wmtrobc ou de
Westergreen, onde sedimentará num período mcrc 1 e 2
horas. A velocidade será decorrente do volume dt: cntróc1-
cos e da composição plasmática, particulanue-ntt: do conteú
do protéico d~ta. Nas oligornen:ua.,;, a velocidade é uw.ior
e. nas policitem.ias, menor No cubo de \Vinc:robe. a hemos
sedunentação nomul (sem anemia), no 'iexo fc1run1110, va
na de O a 1 O mm por hora e. no sexo ma'irulino. ;: menor.
O( valores estão alterado~ na tuberculose, cm proces,o'i in
flamatórios, na gravide-2, nas doença., auto-imunes, 110!> lm
fomas e leucenuas e na febre reumánca.
5.6.3.1. AS ANEMIAS
Anemia sigru6ca concentração de hemoglobina aha1xo
de 13 a 15 g/ dL numa pessoa do ,;exo masculino que está
ao nível do mar e po<;su1 volume sangüíneo normal; na
mulher. O) números podem 'ier mcnon.-s.
Se detectada ant:rma no pré-opcratóno, 'ierá nece'iSária
uma 1.11tercomulta com Lun hematologi'ita.
Foge dos obJerivos deste capítulo e n:io permite o e~pa
ço uma descrição detalhada sobre o acc.~unto, de maneira que
fu_remos apenas a citação, classificação e conceituação dos
pnncipais tipos.
5.6.3.1. t. Classificação Morfológica
Não espccüic:i a etiologia da an~ ma.~ apenas a mor
fologia eritroc1tária (Quadro 5.5).
Macrocltica: grande volume e gcralmcnte com Microcltica· pequeno volume e Normodtica: voluJllL" normal e
lupercronua. Pode chcgnr 3 ser rncgaloblásrica.
Sem megaloblastose
Hemorrágtca e hemol.ítica
Secundána ao uso de qwnuorerapias
Devido _a bcpampatias
Com megaloblastose
Deficiência de vttmuna B 12
Anemia perniciosa: acompanhada de
anisootose e po1quílocitose
Nas gastrcctOJll.W
Má absorção íntesrin:i.1
Deficiênoa dé ácido fálico
Falha na síntese de DNA
tupocronua. geralmente com nonuocro1m,.
- ~~- - - ~ --'--- - - - - ----;,
Per:ropriva
Auménto da demanda
Exces!>o de perda
M~ absorção
Mi nutrição
I
Sideroblástica
Talassemias
Hemorrágica aguda
Por deficiência de eritropoiese
Apl:wa medular
- Adqumda
- Coruowc1onal
- De linhagem medUUT únie2
(monoclonal)
Insu6c1enru raul
Doenças crónicas
Mixedenu
Neoplasi.,s: leucorua ou nueloma múltiplo
HemoUticas
Método5 de Auxl/10 D111~nós1,co 69
5.6.3.1.2. Classificação Etiológica
Especifica a etiologia da anemia (Quadro 5 6)
oca Oinfoctto~nese). Esses esómulos podem ser de aaru.rez.i
m.tlamatória ou neoplás1ca, como ocorre na~ lcuccnnas. As
leu coei to~ são, na maioria das vezes, causachs por infecções.
5.6.4. Leucogram a
O ex.ame, cambém chamado de fómmla leucocicária,
identifica os leucócitos e i.uas alterações morfológjcas (aná
lise qualitativa), conca-os (análise qLLanntativa) e é feito
modernamente aoi. contadores eletrônico~. Sofre a influência
de vm.ações fuiológicas como idade, sexo, raça. tempera
tura ambiente. repouso, c.xercíao fisico, a.nsiedade, depres
são. alimentação, gravidez e período menstrual.
5.6.4.1. CONTAGEM DIFERENCIAL
DE LEUCÓCIT O S
Serve para d1agn6stico inespecí6co de infecções e tnfla
maçÕêS e das doenças mieloproliferativas. midocusplásicas
e oucra'i. O cenno granulootopema refere-se à di.trunwção
de todos os granulócicos: neutrófilm. eo~mófilo~ e basófilos.
5.6.4. l .1. Neutrófilos
O número total de leucócitos circulantes vana de 4.000
a 10.000 pormm3
• Em valores abaixo de 4.000/mm3
, esta
mos diante de uma leucopema e, aciou de 10.000/ mm3,
diante de uma leucocitose. Esta reflete uma resposta da
medul.l óssea a estímulos que produzem o aumento da pro
dução de linhagem neutrofilica (granulocirogênt!Se) ou linfocí-
Rép~enwn entre 60 e 65% dos lcucómos. De 2 a 5%
dessas células, os bastonetes, não apr1..'Scntam sclli núcleos
segmentados. Sua principal função é a fagocitose.
Seu aumento é chamado de neulrofiha. l" sua dlDlll)ui
ção, ncutroperua. São causas de neurroftl1a infecçõec; bacte
rianas, viróácas ou füngicas aguda~. necroses tec1dum (p.ex .•
.J.._IJ,lf'r,T, 11,J~lr.J :-r... Classificação etiológica da!. anemias
Por deficiência de eritropoiese
Carenciais
fc:rropenicób ou ,i<leropênicas
Hipovitnmmoses· ácido fólico, vit.1min:1 B 12.
pirido:,.,na e ribofl.avma
H1poprotéicas
Oct'k1ências de s;m minerais: cobre e cobalto
Eritroblastogênicas
Entrobl.1.\topc:nus
Apl.l.sia mc<lul.r
Rcfrat.irias
- Congênit:i..\
- Adqmndas
llcrcdmirw
M.iclogên.icas
Neopl.ís,ca,
l.rurcm1;1,\
Mü:lo111a múltiplo ou pl.1smocimm.1
Carcinom~
Sarcomas
M1clofihm-.c:~
Endocrinopáticas
Mtxedema
I hpo:idrc:nalismo
H1pernreo1dtsmo
Ne&ogên.icas
Insuficiência renal
Hepatogênicas
Cirrose
Inflamatórias
Ooenças m.flamatórias cromas
Por excesso de eritrocit6lise Anemias heniorrág:icas
Celula.ces Agudas
Defeitos de membr:uu Crônicas
Deficiência enzimário
Hemoglobinopatias
Anemia ~derobLl.mca
Porfina
Hemoglobmúna notu~
Sarumismo
Extra celulares
Imunológica (pro<lução de iso- t auto-anócorp<h'
auro-imunicud~)
Drogas
H1peresplcrusmo: excesso dt: ,cquesrração
M.tcroangiopaoas
Próteses cardfara.\
lnfocçôes. Ex.: Closmdf111h sp
Lnfestações. Ex .. malária
10 .\lbodos dt Auxilie, Dia:~rió.stiw
traumas, pancreatue e mfarto do miocárdio), reações de hi
p~rscru1bilidade, insu6c1êncta renal aguda, doença inílama
tóna aguda, neoplas1a maligna com necrose:, leucemias
1111clocít1cas,po/irite111ia 1,ert1, hemorragia ou hcmólise aguda
e exercício imenso. São causas de neutropenia infecções
vir.m, fato~ comtitucionais, neutroperua tcüopánca. ane
mia a plástica. droga<; citoróxicas e / ou hematotóxicas. radi
oterapia, tnfilcração medular e síndrome m1elodac;plástca.
O advento de caula, Jovem precu~oras de neutrófilos
(mctanúclóc1cos, 1111elócicos e pron11cl6c1to'í), próprio das
infecções agudas, é conhecido como desvio à c,;querda.
~chillmg, quando classificou a maturidade dos neutrófilos,
listou as formas maL'>JOvem do lado esquerdo do ,eu esque
ma, d.aí o nome. Nessas condições. geralrnc:nte cxi:.re uma
diminuição relativa de linfócitos (linfocitopcnia rdaova).
5.6.4. l .2. Eosinófilos
Representam entre 2 e ~% dos leucócitos. São capazes
de fagocicar e tomam-se acwos nas fues tardias da mflama
çâo. São aovos nas reações alérgicas e nas parasitosec;.
O awnenro de~ cé!lul3.) é chamado de eo inofilia. e a
dinlinuiçào, eosinopenia São causas de eo'iinofiha doenças
alérgicas, bip~ensibilidade a drogas, infestações parasitári
a.,, tlm.:nça<i do colágcno, linfoma de H odgk.Jn, leucemia
crônica mielógena e doeoçJ..) micloproliferattvas. São cau
~as de: eosinopema ~cre,;o;es agudos (p.ex .. crawnas, cirurgi
a~. infarto do miodrd10 C' inffomaçào aguda)
5.6.4.1.3. BasófiJos
Representam entre O e 4% dos leucócitos. Estão cmvol
v1do~ na.'i r~postas alérgica.o; agudas.
O aumento dessas céluJa5 ~ chamado de basofilia. e a di
uuuu1ção, basopema. São causas de basofilia ~tado'i de hi
persensibilidade. leucem1:1 m1elógena crômc:1 e pólidremia
,•era, são causas de ba.~opcma O'i escresses agudos.
5.6.4.1.4. Linfócitos
Rcprc~cntam entre 20 e 30% dos leucócttos. São re'ipon
:.ávcm pdas 1munidado humoral (linfócitos B) e celular Oin
fócitos T}.
O aumento dessas células é chamado de hnfoatose, e a
cüminu1çào, hnfoatopema. São causas de lmfontosemfec
çõt."> viróttcas (p.ex., hepatite A, mononucleose infecciosa,
c1tomegalovirose, mfecçiio pelo HIV até que: entre em lin
focitopenia, rubéola, sarampo, hepatite A e infecção her
pética), coqueluche, sífilis, mfecções crônica.,, reações de
hipersensibilidade a d.rogas, leucemias lmfocíticas e: doen
ç.u linfoproliferanvas. São ca~ de linfocitopenia estresses
agudos, uremia. doença cardíaca congesnva, linfomas, ane
mia aplá<.tica, lúpus ericemacoso e infecção pelo HTV após
wna linfoc1cose 101cial.
5.6.4.1.5. Monócitos
Representam entre 4 e 8% dos leucócitos.
O aumento dessas células é chamado de monoc1roo;c, e a
dimmu1ção. monociropcma. São causas dt" monoc1tose m
ft-cçõe, crônicas (p.ex., tuberculose, brucelosl') , doenças
inflamatórias CTÔnic~ (p ex., sarcoidose), neopl.1-.i.1c; (p.ex ,
linfomas e leucellllaS) ncutropcma e doenças mielopro)ife
rativas crôru~. São cau~s de monocuopenia e:<.tre->\(.") agu
dos, anemia aplástica, pancitopcrua e o u~o de: comcó1des
Os exames sorológicos compreendem w11.a <.érie de do
sagenc;, V1Sando a pesquis..i, quer de anocorpo~ ou antíge
nos, no soro e em outro~ matena1s orgâmco!>, com fin1 de
d1agnósnco ou acompanhamento da evolução do quadro pa
tológico após iniciado o protocolo rerapêucico. São utiliu
do, amplamente em mfectalogia, mas também na detecção
de doenças auto-ununô, na prospecção de neopfasias ou
li gnas t" outras afecçõe,. A metodologia é bastante
cliver.ificada, e, em dccorrênna do progre<,<.o tecnológico,
hoje se d1 .. põe de inúmera) técnicas avançafu. ~c:gura.~ e: de
bruxo custo. Entn:tmto, alguma,; mecodologfas antigas con
tinuam sendo ainda emprcg.id~. É importante que se reve
ja. 101c1almence, ante, do, te<ite<. especifico,;, um ,;umário das
principais metodologia\ em mo para que o leitor. nut;id.i
mence o eo;cudancc de odoncologia. possa cer um conheci -
mento básico mais aprofundado a respeito dé<-,.1, l~c llllJs,
com , iscas a otunizar o espectro de opções qu.indo tiver que
lançar mão dessa cla.c;se de cxamt...., no exerdC"ln n:i clm1c.1
estomatológica:
Imanoprecipitação (Floculação)
A!. metodologias iniciais visa\'am uma detecção qualica
tJva de anocorpo'I. ~ndo realiuda.,; em cubo< de ensaio. com
período de mcubação van.Í\'d. O resultado esperado era a
obtenção de floculação observávd do dado antÍgcno ensai
ado, c:m -;uspensão. A ucilização de matnzes para di.fmão t:m
gel culminou com os teo;ces de 1munochfu.são, nos quais se
compara um soro padronizado com o resultado do e.oro a
er diagnosticado. em bandas espeáficas. aumenundo em
muito a preo.são. Atualmente, a merodologia de imunoele
troforcc;c possíbilica a verificação da migração de anticorpos
e ancígenos, e sua mteração, em matriz de gel, sob a ação de
um campo elé-crico, produz re:1oulcados alça.mente dic1entes.
N eutralização
Da.c;came utilizada em virologia, essa metodologia é em
preg:tda, não para diagnósnco espeófico de doenças, mas sim
de resL~tênc1a do hospedeiro a deremunadas infecções.Já que
Mhodos d~ Aitxílfo D1a~116srúo 71
se procura, com c."iSél metodologia, venfic;ar a neucralização
de determinada roxma pela ação dos anticorpos ~peóficos.
Atualmente, esse tipo de teste é usado quase que exclusiva
mente para detemunar .1 detecção de anticorpos após uma
doença vtr.tl ou após imumzação contra es-~a doença (veri
ficação de efetividade da vacina).
Aglutinação
Metodologia de m:uor precisão, com relação à precipi
tação e neutralização, possibilita a detecção de determina
do<, anticorpos com titulações reduzidas. São utilizadas par
ticula.s dt: carvão, látex, ht:mácias, revestida\ com o antíge
no especifico. Di: igual maneira pode \cr utilizada a inibi
ção de agluónação, na qual há uma compeação mibirória
entre as partículas rcvc~t1da.\ com o anticorpo e o~ anticor
po:1 prt!Sentes no soro contra o antígeno solúvel. Essa últi
ma é utilizada na detecção de vírus com capacidade bema
glunnante.
Fixação do Complemento
A fixação do complemento é basc:ada na inativação (fixa
ção) do complemento através da ligação de sew f:u:o~ a com
plexo:, imunes. São uahzada.-. hemácias de carneiro, revestidas
com anticorpm (hcmolismas). Fixado o complemenco, este
não promove mac, a aglunnação das hemohsinas. Embora seja
wn teste relaavameute demorado. connnua ~ndo ucili.zado
no diagnóstico de vina., doenças infecoosa.,.
Imunofluorescência
A imunoíluoresc&ncia busca a detecção de anacorpos atra
vés da le1mra em microscópio de luz ultravioleta, que poss1-
bihtl idcnti:ficM o componente fluo~cente empregado na
reação. Pode sC!r indirer.1 ou direta. A diferença básica entre
as duac; técrucas consiste cm que. na primc1r.1, o componente
fluorescente é um inácorpo anti-lgG ou a.nti-lgM humana,
ao passo que, na ,;egunc.b, elite é um anacorpo antiantígeno
probkma (p.ex., contra determinado agence infeccioso ou
componente assular) A 1munoftuoreset:nci.:i mdireta é mais
sensível que a direa, pois a reação ocorre em nível multi.mo
lecular. ao passo que, na direta. se dá com apenas uma molé
cula do anticorpo conjugado. Entretanto, em decorrênoa a
imunfluorescência direet é mais especifica que a indireta.
Ensaio Imunoenzimático (ELISA - Enzyme
Liuked Immuttosorbem Assay)
É um exame cup tecnologia está bastmte desenvolvida,
comtitwndo-se em um do> mais semíveL" à disposição, na
atualidade. para a detecção de agentes infecoo"o.s. Da~
ma maneira. que a tmunofluorescênc1a, também pode ser
direto ou indireto. Geralmente, a detecção de anticorpos se
f.iz pelo método mdircro em que o conJugado utilizado
consta de anticorpo-en21ma-ant1-lgG ou lgM humana. O
resultado é lido em espectrofotômetro, e a cor, venficada a
olho nu, relaciona-se à quantidade de anticorpo presente.
Reação em Cadeia da Polimerase (PCR)
Os avanços recenr~ em biologia molecular po~bilita
ram o desenvoh'llllenro de metodologias capazes de 1deno-
6car, atravé'i de paróculas de DNA amphficada!>, múmeros
organismos biológicos, sendo essas cécmcas aplJcadas tam
bém na identificação de microrganismos, quer seJam bac
ténas, fungos. vírus, quer outros paras1tos.
Todo organmno vivo possm seqüências de nucleotídeos
no DNA que são úmcas e específicas para cada espéc1e.
Atr.iv6 da PCR, é po s1vd obter cópia.~ d~ uma parte do
m..1teria1 genético em quanádade suficiente que permita de
tectar e analisar a sequência que é alvo do c..-srudo. Muitas
vezes denominada "fotocópia molecular". a PCR pode am
phEicar qualquer seqüêno.1. específica de DNA, a partir de
amo\tras dt- d.iferenc~ marenais biológicos, como sangue,
urina e outros flmdos corpor:us, cabelo e fragmentos cec1-
du:us (biópsias frescas ou em bloco~ de parafina). Amostra.S
de microrganismo:.. células arumais ou vegetais. podem tam
bém ser detectadas.
Para a execução da técnica da PCR. é preciso ter conhe
cimento prévio da seqüêne1a do ácido nucléico que ,;e de
seJa amplificar, dita .. seqüência-alvo". A pamr daí, dese
nham-se dois iruciadores (pnmm) para dar paruda ao pro
cesso de síntese em um local específico O pnmer é uma
pequena seqüência de nucleoádeos que hibridiza no míc10
da ~cqi.iência-alvo a ser amplificada e da qual de é comple
mentar. Ao reconhecer o pri111er. a pohmerasl! sintetiza uma
cópia complementar, obedecendo à informação canada na
,;eqüência de DNA que ser:i replicada. A PC R. necessita
ainda de desoxinuclco~ídeos tnfosfacados (dA TP; dTTP;
dGTP; dCTP), mo é, quatro componences, químico:, dife
rentes que amam como se fossem nJolos na construção da
molécula de DNA.
Pa,;sos na Execução da T écruca:
1 . Coleta da amostra biológica:
Deve-se levar em consideração o objeto da pe:.quisa. As
~1m, se um paciente apre<.enc.a uma lesão na muco<.a bu
cal. deve ser coletad.1 uma amoscra dessa mucosa.
2. Extração do DNA do matenal coletado
fasa extração segue protocolo básico, que vana em nm
çào da amostra uohzada Basicamente, utilizam-se subs
tâncias desprotemlZ.lnto.como o fenol-clorotõmuo. que
desnaruram e reoram a~ proteínas acoplada~ ao DNA. A
adição posterior de etanol furá com que o m:mirial gené-
72 \ liwdo5 dt A1u:1/io Diagmi~rica
uco prec1ptte no cubo, que, posrenormcnte, er:í solub1-
liz.1do para o uso na reação,
3. Preparação da mistura dt! reação:
A mmura de reação concém as subscância~ nccc.,sánas para
fazer novas cópia.\ dt: DNA no processo da PCR Em um
tubo são colocados:
a. solução campão para manter a misrura de reação no
pi 1 e condiçõ~ 10111c.1., ideais para a reação;
b. oi. desoxinucleotídeo\ já mencionado,.
e. os pri111ers;
d. a Taq polimerase;
e. DNA extraido da amostra.
4. Rc::a~·ão propriamente diu;
É realizada em um equipamento, chamado tcnnoaclador.
que aquece e resfria o rubo em vário~ ciclos consecuri
vos, amplificando o D NA. O tubo é Jqllecido a 90 a
96ºC, ocasionando a de•maturação do DNA. Em segui
da. a temperatura do termociclador diminui para penni
n r a hibridtzaçào ou anelamenro; a~ fuc. os pri111crs 'iC
ligam às suas seqüência\ complementares no UNA
5. Smtese pela poltn1em.<;c:
Após cerca de 30 ciclo!>, o DNA estará amplificado em
milhões de cópias.
6. Arúlisc do produto de reação:
Rcalrzada através de gd de poliacrilam1da. posteriormente
corado pd.1 prau, ou cm gel de agaro'ic, corado por
bromc::to dé éticlio. Em qualquer uma delas. o material
amplificado é vtsual1z..1do como uma banda, a ~cr anah
sad:1 de :icordo com o ~cu peso molecular.
Vistos esse,; a.~pccto~ conce1tua1,;, passaremo, agora a es
tudar os exames sorológico, de interesse em t:\tomarologia.
Por razões didáticas e para nmor facilidade de comulta, fa
remo) uma cli"™º dos exames por bloco,. relacionados às
diversa~ patologia.,; em1dadas no presente lavro.
5. 7 .1. Doenças Infecciosas
1 )c:ncro des.~e bloco. esrudaremm os exames relaciona
do\ ao dJagnósnco das doenças infecao~ª"· \empre pelos
agt!nu:~ <:tiológicos. a .. aber sorologia na., doença\ bacteáa-
11as, fúngicas, vi.r:u~ t: paras1t.mas.
5.7.1.1. SOROLOGIA NAS DOENÇAS
BACTERIANAS
5.7.1.1.1. Sífilis
• Anncorpos Não-treponêm1cos (Quantitativos). Com
preendem as reaginas, dingidas contra antígenos
lipídicos das célula.~ hospede~ h"3da.'- ou contra o
próprio Trtpo11tma pdllidum.
• Teste de Reaguia P)J\rnáoca É o exaurc nr.:ii, utihza
do, no qual o soro do paciente passa por diluições em
série. sendo o resultado dado an função da maior di
luição do .. oro que agluona pamculas de carvão
revesodas com cardiolipim. São cons1der.1do, posici
vm a pamr de dilUJçôc:, de t ' 32
• VDRL ( Vtttertol Dm·ases R.e.scarcl, L.t1h<'rdtOt'}') Amda
uólizado por vário\ laboratório!>. difen.! do anmior por
,e ailietonar a card1ohpina, leciona dissolvida em par
cículas de colesterol O conJunto passa pcl,1 manvação
do complemento, a 56ºC por 30 ououtos antes da
uolizaçfo. A agluonaçào é, posteriormente. observa
dJ .10 microscópio.
• Anticorpos Treponênuco, (Quahtarivo,;). NomuJ
m1mte utilizados após os exam~ não-treponem1cos,
para confirmação de diagnóstico.
• Ff A-ABS (F111orcscmt Trq,.,11em11/ A11ti/xldy). É um exa
me de imunofluore-.céncia indireta, no qu.tl o :.uttígé
no treponêrruco é marcado com isoriocianaco de tlu
on..-sceim. O r~-:.ulcado é posiavo quando ~e ob~crYam.
ao 11ucroscóp10. os rreponcmas tluore'iccnc~.
• M I-IA-TP (M1croagluonação para Trqumr111111u1//1d11111) .
E."OJ11e de hemaglutinação no qual bérn.ícu., dc" c.1mc:iro.
senstbilizadas com .mtígc:no do T. pallid11111, ~o nusru
rad.~ ao soro do paciente ~mpe1to, sendo ucilil.ld.l!, para
conrrole de hemácias n.io \t:mibihzadas O resultado po
sitivo t: obodo com a aglutinação das hem.icus ·en.s1bili
zad.l!. e não-aglutinação das hernác:ID não ,cn,ihiliz.idas.
• H A TIS (Teste de I lcmaglurinação T rcponcrmal par:i
Sífilis). Técnica rdênt1ca à anterior, com a d1íere11p de
que. no caso presente, ~o uahzadas heuúcias de pr:nl.
É intére»ance ressalt.tr a importância da utiliz~1ção do ..
exames não-treponêm1CO\. tanto na inve~ngaç.io inichl
quanto no acompanhamento da resposu ao mumcnco o.,
anucorpm não-creponêrnicos aparecem entre I e -1 sema
na> de infecção, permanecendo com altos títulos ate o tra
tamento ou fases tardias da doc:nça. quando não d1agno,;tí
cada ou tratada de modo inadequado. Na vagenna de craca
mento adequado, os anticorpos não-crepooêmico, baixam
rapidamente. sendo indctcct.íve1s em pouco tempo. Não
deve ~cr e<.quecido que podem ocorrer resultados faho- po
,;i tivos. e, nessas condiçõe<., deve i;er rc.tltzada a bacena
treponêm ica. Os anocorpos creponêmico~. ao concráno dos
não-trcponêmicos, ~ão perene,;, sendo bastante conhl.'c1da
a tcm,inologia "cicatriz ,orológica".
5. 7 .1.1.2. Estreptococcias
A pesquisa de anacorpo~ esti mdtcada no diagnó)tico das
iofccçôe<1 esrrepcocóCJca., p.ira Srrcptococcus do grupo A dt:
Lancé6dd, <: pode detectar anocorpos para cinco cnz1mas
1\JltC'dt>s dt A11.x11io Dia.~116stic" 73
diferences: anciestreptornma O; anô-Dna~e 13; hialuromda
~e: ~crepcoanase: e NADa:.e (as tr~ primeira.~ são a.~ mais
uuhza~). Ev1dênc~ dc títulos quadruplicado!> são consi
deradas pomiv1<fade para infecção estreptocócica recente,
notadamente cm pacienteS com febre reumática ou glomc:
rulooefute aguda pós~creptocócica.
5.7.1.1.2.1. ANTIESTREPI'OLISINA O {ASO OU
ASLO). Nesse ce<.cc. procura-se quanaficar se os átulos de
ASLO estão elevado,. É uma reação de neutrahz.ação, na qual
títulos de soro do paciente são adicionado~ a uma quantidade
conheoda de escrepcohsina e, postenom,cncc, u:usturados a
bcmáctas humana.~. O resultado positivo com,hte na maior
dtlmçào de soro capaz de 1mpcdu a destrwção das hemácias.
É coI1S1derado po,1ti\"O um titulo igual ou supenor a 1 /240.
5.7.1.1.2.2. ANTI-DNASE B. E também um exame
de neutralização, no qual diluiçõL~ de soro do pacience são
mi.~ruradas a quanodades padronizada~ tle Dnase n estn:p
tocócica. sendo mvcStlgada a despolimcrização do DNA. O
resultado E obtido pela ma1or d1lu1ção de ~oro capaz de
unpcdir a rudrólt,;e do DNA.
5. 7 .1.1.2.3. ANTI-lilALURONIDASE. Nesse exame,
dilu1ç~ dúerences do ,om do paaenre fo mcubad.ls com hi
:iluronidase escreptocócica e, depois. adicionadas a hialuroIU
to de potássio. O ~ultado posiovo coflSlSte na maior dilui
ção <le 'IOIO na qu.tl ,e pode evidenoar um coágulo visível.
5.7.1.2. SOROLOGIA NAS DOENÇAS
FÚNGICAS
Geralmente é de pouca utilidade na.~ nucost."- superficiais
ou ~ paciente-. 1munodeprimidos, cuja imunidade humoral
estep prejudicacfa Não obstante, podem ser de grande va
lin nas infecções perustcnces e nos não-portadores de in1u
nopatias. Serão aqui citados os c..xam~ corre!>pondentes às
nucoses de inter~-:e em csromacologia. ou seJa, candidíase,
p.u.icoccidioidonuco\l! e biscopla'imose
5. 7 .1.2.1. Candida albica,as (Anticorpos
Totais no Soro)
Únl na detecção de candidose<. sistênucas ou viscerais. Tí
tulos iguais ou supcriore<. a 1/64 ~ão considerado,; pos10-
vos. ~endo importante realçar a ocorrência de positividade
cruz.ada com outra.~ micoses. O faro de ocorrer um resulta
do negaavo não exdui a doença. A fixação de complemenco
costuma prop1c1ar falso-pos1rivos (tuberculose e paracoca
d1oidomicose), bc:m como falso-negativo~. tendo valor re
lativo. O imunoensaio por imunodifusiio radial, bem como
a concra-rmunoelctroforese, também não produzem resul
tados aleotadorc:..
5. 7 .1.2.2. Paracoccidioidomicose
A uúecção pelo Parncocadioidcs braziliC'll.ns pode ser diag
nosticada utilizando--;e a dosagem de anticorpos totais no
~oro. <;endo çug~ava com a presença de árulos iguais ou
superio~ a 1 f1 b. Na \'1gência de quadros clínico<; mgesti
vos de atividade da doença, títulos matorc~ podem ser ob
~ervados. Costuma haver reação cruzaw, pnnetpalmence
com hiscoplasmose N~se!-> casos, prevalece o maior tírulo
encontrado para o ancigeno ~eáfico. A reação de fixação
do complemento é outra reação da qual ,;e pode lançar mão
nessa doença, tendo significado qualitativona n':'.>posa frente
.i terapeuoca. Outr.lS metodologias incluem a 1111unofluo
rescência indireta. o imunoeosaio enzimático e o uso de an
ticorpos monoclona1s, po~1bilicando diagnosticar a doença
com sens1bilidade e especificidade de cerca de 80%.
5.7.1.2.3. Histoplasmose (Anticorpos
Totais no Soro)
Anocorpos contra l listop/11.Sma caps11lat111t1, agente etiolo
gico da histoplasmose. são encontrados em cerca de 80% dos
portadores da doença sob fonua crómca, sendo sugesnvos
da doença quando encontrados em óculo'i dl" l / 32 ou maio
rec;. Pode ocorrer reaç.fo cruzada com paracocc1d1oidomi
cose e outras m1cost."'i, prevalecendo, nô,c: C.J\O, o m:uor
tirulo encontrado para o anágeno específico. Apó o início
do tratamento, os ttrulo,; rendem a decre,;cer. A fixação do
complemento é ba~tante uohzada, com cerca de 70% de
~cnsibilidade nos quadros agudos. O 1munoensaio por
ununodifusão t!lll gel detecta duas banda<; de h1stoplasnuna
(M e H). sendo mais específico que o de fixação do com
plemento, porém menos sen~ivel.
5.7.1.3. SOROLOGIA NAS DOENÇAS
VIRAIS
5.7 .1.3.1. Hepatite A
5.7.1.J.1.1. DETECÇÃO DE ANTICORPOS
ANTI-VHA-IgG. Nt!'>,t' exame é unliz.ldo o método
ununofluonmécnco, sendo collSlderado po~1tivo valor maior
do que 1 O mUI/ ml. T e~te útil para c;e verificar a 101unida-
de contra a hepaatt: A. após vacinação ou doença passada..
Sua presença no organismo é perene. Não ~e presta a dia.g
nói.tico de doença ativa.
5.7.1.3.1.2. DETECÇÃO DE ANTICORPOS
ANTI-VHA-IgM. üetecta a doença em .letvtd.ade, ~tan
do pmenre no soro do doente cerca de 1 semana. ames do
quadro clíruco, permanecendo cerca de 3 mese<; no indivi
duo doente. É pos,àvo um resultado a partir de I O mUI/mL
5.7.1.3.2. Hepatite B
5.7.1.3.2.1. ANTICORPO CONTRA O ANTÍGE
NO DE SUPERFÍCIE (ANTI-HBs-HVB). É utiliza
do no acompanhamento da hepaóte B aguda. sendo poYa
vo em 90'Yo dos pacientes que nverarn contato com o vírus.
Nn doença. surge em tomo de 2 semana,; apó, o desapare-
74 Métodos dt A ,u:i/10 D,agn6stito
cimento do antígeno Austrália (Hb~b) e, normalmente, sua
presença é perene. Confere imunidade contra a doença e
seu valor é quantitativo, 5êndo útil no acompanhamento após
vacinação. Resultados a partir de 10 mUl/ mL são conside
rados expressivos na proteção concra a hepatite 8.
5.7.1.3.2.2. ANTICORPO CONTRA O ANTÍGE
NO-E (ANTI-Hbe-HBV). São empregados dois marca
dores do sistema Hbe que avaliam a replicação do HBV.
Assim, quando o antígeno Hbe está em atividade, significa
que eXJste replicação virai. Quando o anticorpo Anti-Hbe
está reagente, o significado é de pouca ou nenhuma repli
cação vual. Existe, porém. uma vanante por mut:ição do
HBV que confere capacidade de replicação viral mesmo em
presença do anticorpo Anci-Hbe. Ne~es casos, a dúvida
pode ser solucionada através do uso e.IA PCR para VHB .•
5.7.1.3.2.3. ANTICORPO IgG CONTRAANTI
GENO CENTRAL (ANTI-HBc-HBV). Esse anticor
po indica o concaco prévio com o HBV, não especificando
se recente ou antigo. No caso de incüvíduo vacinado, o
exame é não-reagente pelo fato de a vacina utilizar somen
te antígenos de super6ete do HBV.
5.7.1.3.2.4. ANTICORPO IgM CONTRA O AN
TÍGENO CENTRAL (ANTI-HBc-HBV). Surge logo
no início do quadro clínico da hepaóte B. permanecendo
nos 4- primeiros meses da doença. Nos portadores de hepa
tite D crônica, relaciona-se à replicação viral. É importante
porque pode ser o único marcador da infecção com reação
positiva no peáodo de ''.janela imunológica" (período de
corrido entre a negativação do HbsAg e a positivação do
anticorpo Anti-HBs).
5.7.1.3 .2.5. ANTÍGENO DE SUPERFÍCIE
(THBs-AG-HBV}. Constitui a principal proteína do
capsídeo do HBV. É detectáve11 a 2 meses após o início da
mfecção, pcm1aueceudo positivo por até 16 semanas após
o início do quadro clínico. Nos casos que evoluem para cura
(cerca de 95% dos adultos), permanece no soro até o 6.º mês
cb doença. lncbvíduos posiovos além do 6.º mês, são deno
minados portldores. Se não houver doença clínica, ~o de
nonunados "ponadon.-s saudáveis".
5.7.1.3.2.6. ANTÍGENO E (HBe-AG-HBV). lncü
cador de replicação vtral, estando presente nos pomdores
de hepatite B crônica. Esse antígeno positiva-se 1 semana
após a positividade do HDs-Ag e toma-se negativo 1 sema
na antes da negacivação daquele.
5.7.1.3.2.7. HEPATITE B - DETECÇÃO DO
DNA POR PCR. É o indicador m:us sensível da repli
cação viral. O marcador sorológico é o Hbe-AG. ocor
rendo, entretanto, em alguns casos. replicação virai na sua
ausência {sugerem a presença de vírus mutante "pré-a>re").
O teste negativo significa ausência de replicação viral, ou
replicação ab:uxo de 1.000 cópias/mi, que é o limite do
exame. A leitura é feit:1 por elettoforese em gel de agarose
e coloração por brometo de eádio. füte é um exame qua
licaàvo.
5.7.1.3.2.8. HEPATITE B-DETECÇÃO QUAN
TITATIVA DO DNA POR PCR. É o ~-ie mais ~ensí
vcl para mcbcar carga virai na hepatite B. O lumte infenor
é de 400 cópias/mL. Utilizado no prognóstico d.t doença,
assim como no acompanhamento da resposta à cerapêuoca.
5.7.1.3.3. Hepatite C
5.7.1.3.3.1. HEPATITE C - DETECÇÃO DE
ANTICORPOS NO SORO. Venfica a p~ença de an
ticorpos Ann-H.Bc após o contato do mchvíduo com o
HBC. É um ensaio imunoenzimático qualitativo.
5.7.1.3.3 .2. HEPATITE C - DETECÇÃO DO
RNA POR PCR (SANGUE TOTAL). Comorui um
eX21T1e dê a1t.l sensibilidade para a detecção do RNA \~ral. do
ponto de vista qualitativo, ~ndo o hmite mfenor 50 Ul/ml.
Negatividade significa ausência de virenúa ou replicação \ iraJ
muito baixa. A posinv1dade acompanhada de alterações cons
tatadas pela biópsia de figado significa doença ativa
5.7.1.3.3.3. HEPATITE e -DETECÇÃO QUAN
TITATIVA DO RNA POR PCR. Utilizado para de
tenmnação da carga virai na hepatite C A presença do HCV
na c1TCulação é um marcador de replicação vtral Altos ní
veis são encontrados nas mfecções agudas e em parcela dos
portadores da doença sob forma crônica. Bastante utih7ado
pelos i:nfectolo~cas no prognóstico, planejamento terapêuti
co e avaliação da resposta, na hepaoce C. É um cesce quan
titaóvo, sendo o limite infenor 600 Ul/mL.
5.7.1.3.3.4. HEPATITE C -GENOTIPAGEM NO
SANGUE TOTAL POR SEQÜENCIAMENTO
GENÔMICO. O vírus da hepatite C po~~u, unra vanabili
cbde signilicabva, sendo agrupado por seis genótipo~ pnnci
pais, cada um dos quais aprd,Cntando subtipos (la, lb, 1c etc.).
Exame utiltzado no prognósoco da doença, pois c~rudos
indicam que doentes portadores do HBC ópo 1 apre<.en
cam baixa resposta à cerapéuoca e, portanto, um prognóso
co mais reservado em rclação aos ponadores de HBC com
ouaos genótipos. É um exame dcscriovo
5.7.1.3.3.5. HEPATITE C - ELISA (IMUNO
BL07) NO SORO. É um exame relativamente mespe
cífico, podendo apresentar re-;ultado falso-posiovo. O, va
lores de referência são:
Não--reagence: índice .lbaixo de 0,9.
- Lndeternunado: íncbce entre 0,9 e 1,1.
- R eagente: incüce acima de L,l.
5.7.1.3.4. Hepatite D
5.7.1.3.4.1. HEPATITE D - ANTICORPO lgG
CONTRA ANTÍGENO NO SORO. Exame imuno
enzimático. Possibilita o diagnósóco e.IA hepatite D . O vírus
Mhod(ls dr A"-'fli" Dia._~nósrico 75
Delt.i e'ltá obngatonamente ass~ociado ao HBV. e a associa
ção é expres~iva de doença grave.
5.7.1.3.5. Hepatite E
5. 7.1.3.5.1. HEPATITE E - DETECÇÃO DE
ANTICORPOS IgG NO SORO. Realizado por en..~a10
1munoen2im:ítico (ELISA). possibilita a detecção de antt
corpos da classe lgG no soro. Não ex-iste amda dtsporubili
dade de exame no Brasil. pat:l caractennr anticorpos da
classe lgM contra o víru.~ HDE. de trammi ... -..io c:nténc~ cau
~ando um.1 hepatm: semelhante à hepatite A. (ncide prefe
n:ncialmentc cm adultos Jovens. adqumndo caracterisocas
particulannence graves na gestante. Ainda não se têm dados
para avaliar a incidência da doença no Brasil. !\Cndo comum
na Europa.
5.7.1.3.6. Herpes Simples Tipos 1/Il
5.7. 1.3.6.1. DETECÇÃO DA PRESENÇA DE
ANTICORPOS DA CLASSE IGG (MÉTODO IMU
N OENZIMÁTICO)CONTRA HSV l E HSV II E
IgM (IMUNOFLUORESCÊNCIA INDIRETA)
PARA HSV (NÃO-ESPECÍFICO PARA OS TIPOS
I E II). Os valores de refcrênc1a são os ~cgumtes:
IgG Não-reagente· índice mfenor a 0,8.
lndctenrunado: i'ndice entre 0,8 e 1.1.
Re~rence: índice acima de 1, 1
IgM - Não-reagente ou reagente.
5.7.1.3.7. Mononucleose Infecciosa
5.7.1.3.7.1. VÍRUS EPSTEIN-BARR (EBV) -AN
TICORPOS IgG E IgM NO SORO. Realizado por 1mu
nofluorescência indireta, o exame pos&bilira qualificar essas clas
ses de anticorpos contra o El3V, um herpe.wírus. causador da
mononucle~e mfecoosa Pelo raro de crianças e Jovens não
produzirem anocorpos heterófilos. mdica-~é o exame para
pesqws.ar anticorpos espeáficos contra o anágeno do capsídeo
do vírus. O diagnóstico clínico da doença é confirmado pel.1
posirivtdadc de lgG e lgM, que são detectáveL~ a pan:i.r de 7 a
10 d.ias da docnç:i. Por essa razão, um resultado negativo, na
vigénaa de ~mtomatologia e leucograma com presença de hn
tõcitos aôpicos, recomenda a repetição do exame. Por oucro
lado. uma positividade de [gM. com négatividade sem so
roconversão de lgG, pode ser representaovo de outro
quadro 111fecc10~0 (c1tomegal1a ou toxopla\mose). Resul
r.ado positivo somente para lgG é mdicacivo de mfecção pre
gressa. Os resultados são expressos como não-reagente ou
reagente).
5.7.1.3 .7.2. VÍRUS EPSTEIN-BARR (EBV) -
QUANTITATIVO NO SORO. ReaJ1i3do porimuno
fluorescênoa indireta, é quancitanvo para lgG e qualicanvo
para l gM. Os anticorpos lgM aparecem com 1 a 2 semanas
da doença. permanecendo po~itivos por att: 6 senunas. O,
de classe [gG surgem logo apó~ o aparecimento~ lgM e
são perenes. fuastem algumas evtdências de que títulos ele
vado~ dé lgG poderiam estar relaoonado ... , fibromtalgia e
~fodrome da fadiga crôruca. Porém, não existem ~tudos para
comprovar ~YS htpótese'i.
5.7.1.3.7.3. VÍRU S EPSTEIN-BARR (EBV) -
REAÇÃO DE PAUL-BUNNEL-DAVIDSON. Pes
qwsa a presença de anticorpos heterófilos (rnonoteste}, sen
do realizado pda absorção do c;oro com nm dt> cobm e: he
mácias de boi. São bastante ~ensíveis t: específicos. porém
deve ser lembrado que cnança., e Jovens não produzem an
ticorpos heterófilo~. 05 valores de rcferêncla são:
- Não-reagente: citulos mfenores a 1 / 56.
- Reagente· óculos acima de 1156.
5.7.1.3.8. Citomegalovírus (CMV)
5.7.1.3.8.1. CMV- PESQUISA DE ANTICOR
POS lgG NO SORO. Realizada pelo método ununo
enz1mát1co, pombthta avaliar ,e um indivíduo Já foi ou
não mfeccado Uma reação nc:gauva s1gnific;1 que o imfü-i
duo nunca foi exposto ao CMV. Os valores de referência
são:
- Não-reagente: inferior a 15 UA/mL.
- Reagente: igual ou supcnor a 15 UA ' ml.
5.7.1.3.8.2. CMV - PESQUISA DE ANTICOR
POS IgM NO SORO. Possibilita idenoficar i_ndivíduos
com infecção .tguda pelo CMV ou com reinfecção causada
por outros subopos. A mt:todologia utihz.id.l é a 1munoen
zimáàca, e os \'alares de referênoa são:
- Não-reagente: índice mfenor a 0,8.
- Indetemtinado: índice entrt: 0,8 e 1,2.
- Reagente: ind1ce supenor a 1,2.
5.7.1.3.9. AIDS/ SIDA (Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida)
5.7.1.3.9.1. ffiV-1-ANTICORPOS TOTAIS NO
SORO. Uálizados na detecção da infecção pelo HN-1 ou
HN-2. O exame não discrinuna o ópo de vírus. São uáli
zadas duas técnicas diferente<. de ensaio imunoenz:unâoco.
No caso de discordânciru. ou concordâncias po irivas. é obri
gatoriamente realizado reste de IVc.nern B/or, que pode qua
lificar o vína~. ,e 1 ou 2. Os exames são altamente ,;ensíveis
e especi6cos. O resultado indica '>e reagente ou não-reagente.
5.7.1.3.9.2. HIV-1 E HIV-2-'WF,S1ERNBLOTPA
RA SORO . .É o t>xame confumatóno da infecção pe.lo
HIV, 1 ou 2. de acordo com a OMS. Será com1derado re
agente o ~ulcado positivo para proteínas de dois grupo!)
gêmeos diferem~. sendo um deles. obngatoriameme, do
envelope virai
76 Mlrodos dt Auxilio .Diag11óstiLo
5.7.1.3.10. Caxumb a
S.7.1.3.10.1. ANTICORPOS IgG E IgM NO
SORO. Confirma-se o diagnóstico da doença em caso de
reatividade para ambos os anticorpos. A positividade somente
par.i lgC confirma doença pregressa ou 1muruzação vaanal.
Os valores de referênru para esse exame, que é realizado pelo
método imunocnzimático, ~o:
Não-reagente: índice inferior a 1,0
- r adererminado: índice entre l ,O e 2,0.
Reagente: índice supcnor a 2,0.
5.7.1.3.11. Sarampo
5.7.1.3 .11.1. ANTICORPOS IgG E IgM NO
SORO. Confirma-se o diagnóstico do sarampo quando há
reallvtdadc para ambo~ os anocorpos. A posiovidade para
TgG somente confinna doença pregressa ou cobenura vacina]
~osfatóna. O exame é realizado pelo método imunoenzi
mático, com os mesmos valores de rt:ferência do exame
anterior.
5.7.1.3.12. Rubéola
5.7.1.3.12.1. ANTICORPO 1gG NO SORO. Uti
lizado para verificar imunidade contra a rubéoLt. A mcco
dologia é a imunoenzimát:ica e os valorc:s de referência são:
Não-reagente: índice mfenor a 5 Ul / mL.
- Indeterminado: índice de 5 a 9,9 U l /mL.
- Reagente: indicc acima de 9,9 Ul/mL.
5.7.1.3.12.2. ANTICORPO IgM NO SORO. Útil
para confinnar infecção, mas, em decorrência de sua per
manência por longo período após a cura da doença (1 ano
ou mais), deve ser solicitado teste de avidez de TgG no san
gue total, para dmmir dúvidas. Os valores de referência para
éSse exame, qut: é realizado pelo método imanoenzinúti
co, são:
Não-reagente: índice inferior a 0,6.
- Indeterminado: inclice entre 0,6 e 0,79.
- Reagente: índice superior a 0,79.
5.7.1.3 .12.3. AVIDEZ DE IgG NO SANGUE
TOTAL. Utilizado para confirmação ou não de doença
ativa em caso de exame de lgM positivo. Não pode ser fei
to em cnanças abaixo de 1 ano de idade. É realizado pelo
método imunoenzmtáóco {ELISA), e os valores de referên
cia são os seguintes:
Baixa avidez: índice inferior a 30% - doença attva
aguda.
Indeterminado: índice de .30 a 60% - não pos.,;ibilita
determinar.
Alta avidez: ind1ce supenor a 60% - doença pre
gressa.
Obstr11ação· para confirmação de mfecçào fetal, uttltu
se a detecção do RNA vual no líquido .unmóaco ou ~Jo
gue de cordão. Para 1,;so, ut1ltz.am-sc PCR. quahtat1\ a e
détecção por detrofort:Sé em gel de agaro!>e, sendo o re~ul
tado positivo ou negaovo
5. 7 .1.3 .13. Varicela-zoster
5.7.1.3.13.1. VARICELA-ZOSTER -PESQUISA
DE ANTICORPOS IgG E IgM NO SORO. Rt".iliza
da por Lmunoeruaio enzimático A presença de IgM, a ~o
roconversão de lgG ou aumento ~igni6c~tivo de seu~ títu
los, entre duas amo eras pareadas, colecas a intervalo de l O
thas, são ,;uge,;ovos de mf ecção recente.
5.7.1.4. SOROLOGIA NAS PARASITOSES
DE INTERESSE ESTOMATOLÓGICO
S. 7 .1.4.1. Leishmaniose
S.7.1.4.1.1. INTRADERMORREAÇ ÃO DE
MONTENEGRO. Ainda é o exame 014.IS ualiudo no
diagnóstico da fonna cutâneo-mucosa da leíshrnaniosc. já
que a p~qwsa de anncorpos totaJS no soro se presta ao diag
nósoco da forma visceral. Consiste na inJeção mcradému
ca, na fuce anterior do antebraço. de O, 1 .i 0,2 m.L de:: uma
'iOlução fenolada corre~pondente à concentração de 2 ,1 3
milhões de leptomona.\ por mL. A leitura é feita 48 a 72
horas depo1,;, sendo con 1derada posiova l presença de
ericema papuJoso na área de inoculação, maior que 0.5 cm.
fasa reação possw alra sensibilidade e espec1fic1dadc para a
leishmaniose cegumenw americana.
5.7.1.4.2. Toxoplasmose
5.7.1.4.2.1. TOXOPIASMA GONDil - DETEC
ÇÃO DE ANTICORPOS IgG E IgM NO SORO.
O exame é realizado por método ununoenzimático. A pre
~ença da lgG denota que o individuo já teve a infecção. A
detecção da lgM não pressupõe doença aova, Já que pode
pt:nnanecer no organismo por mais de 1 ano. Na vigência
de lgM pomiva. costuma-,;e ~olicitar o teste de avidez de
lgG no soro. Os valore-; de referência são o~ \eguinre~
IgG Não-reagente: inferior a 2 Ul/ mL.
- lndetemunado: entre 2,0 e 2,9 Ul/mL.
R.eageme: acuru de 2,9 UI, ml.
lgM - Não-reagente: infenor a ü,5.
Indeterminado: entre 0,5 e 0,59.
- Reagente: acima de 0,59.
5.7.1.4.3. Doença de Chagas
5.7.1.4.3.1. PESQUISA DE lgG PARA TRYPA
NOSOMA CRUZINO SORO. Reah.zado por tmuno
Buorescência indireta e: ensaio imunoenzimáoco. o exame
Mbodos de A11,.-flio D1ag11ós1ico 77
pi.:nnite verificar se o individuo foi infectado. Pode apre
~enr.ir reação cntzada com I..cish111a11ia bmzilimsis. Como na
fase aguda da doença os paras1tos estão pn....,cntc~ na corren
re ~:ingiiínea, pode ~cr úcil o exame de esfregaço cm mi
c-rmc-npia para abseivar a presença do parasito. O resultado
l' lJualiw.civo. expressando reagente ou não-regente_
5. 7 .2. Sorologia nas Doenças
Auto-imunes de Interesse Estomatológico
Neste tópico veremm alguns exames útci, no diagnósti
co da..s doenças auto-imunes com mamfestação bucal Mui
to embora a b1óps1a e a c1tologia sejam ba,;cance utilizadas
no d1agnósàco de várias doenças auto-rmuncs com mani
fc~tação bucal, o estudante deve conhecer alguns te<>t~ so
rológicos subsidiários básicos ao diagnóstico e acompanha
mento destas.
5.7.2.1. IMUNOFLUORESCÊNCIA DIRETA
É realizada a parár de b1óp'i1as de síoos aforado" ou de
árcJ, pró~;ma.s.
lgG e C intercelular epidérmico - pênfigos vulgar e
foliáceo e ma,; v:mantes. Presença cm 100% dos casos
de doença ativa.
IgG e C lim:·.tr ou fihrihr ao longo d., membrana basal
(MB) - penfigóidc bcrugno de muc~ (penfigóide a
camoal); penfigó1dc bolho)O.
IgA granuloso. linear ou salpicado nas papilas dérmicas
- dermatite herpetifonne.
fgA, IgG, IgM e C, linear na MB (banda lúp1ca)-lúpm
crirt:matmo ,i'ltêmico e cutâneo.
Corpm cilóide,; com IgM e. cm menor freqüência.
com lgA e lgG. & vezes, depómo granuloso na MB
- líquen plano.
5.7.2.2. IMUNOFLUORESCÊNCIA
INDIRETA
F realizada a paror de amostras do soro.
lgG tnrercimento celular - correlaciona-se a ativida
de da doença. m.is não St' presta a diagnósóco (pre
~ente em 90º{, do caso,; de pénfigo vulgar).
lgG .mtimembrana basal - em percentagem variada,
ºº" penfigó1des, não se correlacionando com a acivj
dade da doença.
O sangue cransporca um sem-número de sub~câncias para
os mais diversos sítios do organismo humano. Portamo. é
capaz de refletir os proc~o~ metabólicos em ancbmento.
bem como alreraç:õe.<; fi<;1opacológic.as desses proce<iSOs. Se
gundo Sacher & McPhcr.,on, as substâncias qualificadas e
quannficadas no sangue são clas.,1ficada<1 em catcgunas ou
grupos:
- Grupo da, mb~tâncias presentes no sangue com fun
ção ru circulação: compreendem a ghlO!>l·, !>Ódio.
potá.~10, cloreto, bicarbonaco, proreínas cows, albu
mana, cálcio, magnésio, fósforo, criglicérid~. coleste
rol, tiroxina, coro.sol, vitaminas e proteínas individua
lizadas.
Grupo dos metabólito!> (produtos de degradação. sem
função no procc<-,o de depuração): são eles creanni
na, uréia. ácido úrico , amônia e bilirrubina.
Grupo de subscincias liberadas em decorrência de dano
celular, geralmente repre<;entado por e11zun~ e/ou
proteínas. dentreª" quais se incluem: :mtlnornmsfcra
ses (alanina e aspartato), dcsidrogenase láct1ca. creatina
cinase. amilase. fosfat~cs (ácida e alcalina). feniána e
glu camilrransferase.
Grupo de droga:.: dentre as principa.i~. ritam-sc os an
tib1óacos, anocomuls1vances, álcool. salicilatos e vi
nas oucras substâncias
Acresce thzer que a maioria de,;~as quanoficaçõcs b1oqiú
mica., ,;ão medidas no soro, que é equivalente ao pla~ma, com
remoção da protrombina. fatores V e VTII e fibnnogênto,
confenndo Dl3JS confubwcbdc, já que o emprego <lc .mtirn
ªbruJ:mco no plasma pode interferir no resultado dt> <livt:ou:.
exames. Evidentemente, não vamos nos rcfcnr senão ique
lo exames com importância na práaca estomatológica.
5.8.1. Glicose
O) níveis séricos de ghcose em Jejum fornecem um m
d1caavo basr.anre seguro do merabohsmo gcr.il da glicose.
O Quadro 5. 7, a ~egu1r, demonstra as alteraçÕe) ma~ co
muns encontradas pdo~ valores alterados des~e exame.
Foge deste espaço discorrer sobre os problema.~ pré- ~ pÕ<.
operatórios do portador de diabete que podem mflucnoar
a produção e maturação <lo col.ibrcno e, portanto, l etcam
zação d3 ferida cirúrgica: a rcspost.1 i.n.O.unatória. mc<lí.nb por
células, que pode significar uma baixa resposta as infecções;
e muitos oucros.
I rradonal será arriscar-:.e numa cirurgia sem avaliar a gli
cemia do paciente. Uma boa anamnese que indagará os fa
toré:, hc:red.itários tornará ~a necessidade mab ou mt:nos
forço..a. O paciente é con'i1derado compensado quando es
tiver nonnoglicêmico e aghco úrico. Um paciente compcn
~do pode ser considerado nonnal para efe1ms de nru.rgia.
Recentemente, observou-~e que o estresse cirúrgico pode
descompensar o diabete temporariamente no pó5-0perató-
78 M.étodo5 de Auxílio Diagnósrico
1
~R.() - Alterações mais comuns nos níveis de ghcose !iérica
Valores de referência - glicose sérica em jejum - 70- 110 mg/ dL
Hiperglicemia persistente
Diab,mis mell1t11s
Síndrome dt: Cu.~hing
Hiperoreou:iismo
- - --------~
Acromegalia
Obesidade
Hiperglicemia transitória
Feocromocitoma
Hcpatopacia gmve
Estresse fk1co/ emooonal
- - ----1
Choque
Convulsões
------------+--~
Hipogiicemia persistente Hipogiicemia transitória
=----------------=---=:..._--------------l
lnsulmoma lngesnio aguda de álcool
- - - ----1
lnsufioência adrenocortical (Addison) Salicilaros
-----------------------'
Hipofunçiio da h1pófüc: Hepatopatia grave
Galacroserrua Hipoglicemia funciol121
- -------- - ---
Tumores produtores de insulina Intolerância genética à 6:uto)e
rio. o que nos leva a pensar na necessidade de dosar de per
to a ghcemia. pdo menos arravés de glicosímecros.
Os glicosímetros são aparelhos de baixo custo e, cada ve-z
mais, boa acurácia e fãcil utilização q_ue deveriam fazer par
te do annamencário habitual do consultório odontológico.
Se comnderarmos que m etade dos casos de diabete é oculta.
cl.'rtamcnte eles são ma.is úteis que outros aparelhos ofereci
dos ao ciru.rgião-<leotista., usados apenas para efeitos de marke
ting. Os chabéacos consciennzados costumam tê-los.
5.8.2. Glicemia em Jejum
Uma amostra de sangue venoso é recolhida, após jejum
de 12 horas, e a glicemia não deverá passar de 11 O mg/ dL.
5.8.3. Teste de Tolerância à Glicose
ou Curva Glicêmica
Afere a elevação e a queda da glicemia após uma alta
dosagem de glicose mgenda em jejum de 12 horas. Uma
amosc:ra é colhida antes dessa ingestão e outras são obtidas
após 30 minutos, l, 2 e 3 horas. A glicemia. eleva-se a um
pico entre 1 5 e 60 minutos e não deve exceder a 160 a l 70
mg/ dL A parór desse pico, a glicemia deve diminuir lenta
mente até alcançar 120 mg/ dL ou menos após 2 horas.
5.8.4. Glicemia Pós-prandial
O paciente em jejum ingere 100 g de glicose e a colheita
é feita depois de 2 horas. Se a ghcenúa não voltar para 100
mg/dL, o diabete fica sob suspeita.
5.8.5. Glicosúria
A glicose. normalmente. é filtrada e reabsorvida nos tú
bulos contornados dmais dos glomérulos; enrrecanco, ~e a
glicemia for maior que entre 160 e 180 mg/ c.lL, excede o
limiar renal de glicose e começa a aparecer glicose na unna,
o que é anormal. Por essa razão, os laboratónos podem rea
lizar uma collieira de urina ao colherem sangue durante
o teste de tolerância à glicose. Além do diabete, outra.~
causas de glicosúria são dol.'nça de- Cmhing, fcocrnmoc·i
toma, aumento da pressão incracraniana, dano hepánco e
gravidez.
5.8.6. Hemoglobina Glicosilada
(ou Glicada)
Se a glicemia cm jejum é o "saldo atual" da " conta han
cána da ghcenua", a hemoglobma ghcostlada (HbAlc) é o
seu "saldo médio", enquanto o primeiro exame indica o
estado atual O exame é usado para controle do tratamento
do diabete. lnfonna ao clínico se a eventual hipergl1cenua
é ocasional ou se vem sendo mantida nos últimos 3 meses.
O paciente pode alegar que está controlando bem a sua gli
cemia, mas a HbAlc controla essa alegação. O clínico po
derá mostrar qut: ele está descompensádo há tempo.
Parte da glicose cuculante se fixa à hemoglobina, mais
particularmente a uma das suas frações. a Al e, aí ficando até
que o ericrócitoseJa destruído, o que demorá 3 meses. Essa
fixação é diretamente proporcional à glicemia e-XJstente. Aí
está a base do exame. Este não substitui a glicemia diária e
deve ser feito a cada 6 meses, de acordo com a Amencan
Diabetes Association.
Mbodos dt A llxflio Didgmlst1a, 79
O rc)uludo é fornecido em percentagem de fração
hemoglobínica glicosilada. Um n."Sultado de 7% significa que
7% da 'iua hemoglobina está glicostlada. É desejável e demons
tra bom contr0le se essa mxa csnvér abaixo de 7%. Assim, evi
canMe as comphcações do diabete para o lado dos rins, fígado,
olho) e nervos. Há uma relação entte a HbA 1 c e a glicemia.
O controle em médio prazo pode ser determinado pela
dosagem de hemoglobina ghcosilada ou glicada nos ericróci
to). Pdo método de cromatografia liquida <le alta peifom1nnce_.
m valore'- de referência são de 4 a 6% (Quadro 5.8).
5.8.7. Depuração (Clearance)
da Creatinina
Leva em conta a creaciruna sénca e a quanndade excre
tada em cha. Avalia a função renal. Exige-se jejum de 3 horas.
Os valores de referencia são, respectivamente, na criança até
6 anos: 0,3 a 0,7 mg/ dL; de 7 a 12 ano~: 0,4 a 0,8 mg/d.L;
em maiores de 12 anos. sexo masculino: 0,8 a 1,2 mg/ dL e
~l'"xo feminino: 0,6 a 1,0 mg/dL
5.8.8. Cálcio, Magnésio e Fósforo
Os d01~ pnmeiros ocorrem como cárions b1valemes, sen
do importante.ç na ativação e condução neuromusculares.
Pode-~e dizer, genericamente. que metade do C.a e Mg no
organismo circulam sob a forma iônica livre. A outra meta
de circula ligada a proceínas de carga negaova, predomman
c.emente a albumina, formando complexos aruômcos. A fra
ção hvre é attva. e a fração ligada não exerce função imedi
ata no metabolismo do Ca. O Ca e o P são avahadm con
j untamente, do pom o de vista clímco. O fluxo desses íons
é controlado pdo hormônio da parattreóide (PTH), pela
vit.unína D e pda cal cito nina. Uma diminuição na concen
tração de Ca livre estimula a produção de PTH , que atua
no sentido de aumentar a reabsorção de Ca a partir dos os
sos, suprimindo ,;ua perda pela urina. A viwruna 1) promove
a absorção de Ca e P pelo 1mesnno. acderando a renova
ção desses uuner.us no sistema ósseo Os valore,; de referén
cia para o Ca ~co são: 9 a 11 mgldl (4,5 a 5,5 mEq/L).
Para o Mg, os valores são: 1,8 a 3,0 mg/dL (J ,3 a 2,1 mEq/ L).
Algumas condições de interesse clínico que 1ntcrfere-m no
metabolismo do Ca sérico estão dei.cri~ no Quadro 5.9.
5.8.9. Fosfatase Alcalina (ALP) e
Fosfatase Ácida (ACP)
São enzimas que degradam c;ubstâncu.s que contenham
unicamente grupos fosfato. clivando a porção fosfato. Ge
ralmente, extbem ativtdade em pHs diferentes. As ACP ~o
R elação entre a HbA 1 e {°/o) e a glicemia (mg/ dL)
HbA1c Glicemia HbAlc Glicemia HbAlc Glicemia
4 60 8 180- 11 270
5 90 9 210 12 JOU
6 1201 10 240 13 330
7 150
l 1m1te d_escj.ívcJ.
=1 1mi.Jr ren.tl da glicose.
Alterações mais comuns nos 1úve1s séricos de Ca
4,S-5,5 tnEq/L Valores de referência - 9-11 mg/ dL
Hipercalcemia
~---- - ---~ ~-~
Hipocalcemia --- --
Hipcrparanreo1umno pnmãno llipopuanreo1dmn.o
- - - - - - --- -~
H1perparac1reoidísmo ~cundáno - ne.fropari.s Hipovu.aminose D
Neopb.sia, malign.ti R ;iquici.smo n:mreme .i vit D
------
Síndromes de má absorção Mobilização esquelétic.1
- - - - - ~-- --i---
Hlpervnamino~t: D
Hlperrireoid1smo
lngest:i exc6m':I de Ca
A u sê n c ia de resposta ao PTH ---
P.mcreatite aguda
~-- - ------+-
80 Mtt<'dos dt Auxflir, Diagnéstim
ativas em pH 5, e as AT P, em pH 9. A dosagem de ACP
tcm \ ;Jor na derecção de neoplasias malignas prosciticas,
metastállc~ ou não Também tem Hlor em MedtCtna L:
gal,já que o liqwdo ~emmal é nco em ACP e, devido à ~ua
ausência qua~c total no meio vaginal. é utilizada atualmen
tl.' para comprovação de estupro. Já as alteraçõe<; na fosfacase
alcalina podt.>m ocorrer em diversa!) Mtuações clinicas, rda
c1onada.ç ao mecabolmno de cálcio e fosfato. Os valores de
referência, ucilizando-!>t: a me-codologia cinéaca colorimé
mca, são variáveis. segundo diversas faixas etánas, confor
me descrito no Quadro 5 1 O.
da hidroxiprohna é um bom marcador do carabol1~1110 ós
seo. Assim, no~ eventos em que haja rea~orçào ó~çea, há
um aumento do'.il níveis de excreção urin.1ria da
hidroxiprolin.1. t ba..çunte útil na a,·aliaç.io e e~tudo do
metabolismo ósseo em diversas condições cliníc.as: doença
de Paget, fraturas ósseas em processo <l~ comohd;1çfo, lu
perparacircou:ii!>tnO e mc:tástases éx~ea~ de neopLb1as mabg
nas- Aumento~ menos marcado~ podem ocorrer no raqui
tismo, osteornalacu., h1pertirt'o1dismo e: .tc..Tomegal1a. A de
tcm1mação na urina de 2 horas após w11a uo1tc <lc Jejum é
prefcnda por alguns profü,ionai,;, porqm· fucilita a coleu (.a
outra determinação se faz na unna de 24 horas). O ,:alor Je
n:fcrência para a urina de 2 hora~ é de 7- 21 mg de
hidroxiprolina/ g de: crearinina. Para a urina <li.' 24 hora!>, os
valorcc; de referência ,;ão º" segutulc:\
Alguma!> Ja~ alteraçõe5 mais comuns e que podem ser de
utilidade na prática estomatológica estão relacionada, no
Quadro 5. 1 1.
5.8.10. Hidroxiprolina Até 1 ano: 20 a 50 mg '2-t horas
P um anunoácido presente em grandes quanbclades no
c.:ollgeno que constirw a rnatnz ó-.,;ea. A excreção unnária
l a 10 anm: 25 a 100 mg/ 24 horas.
l I a 20 anos: 70 a 140 m.g/24 bor.b.
Adultos: 15 a 40 mg/24 horas.
Valores de referência <lo~ nívct, .. éricos de fosfatasc alcalina
R.ecc:m-rwodo~ - 1511 a 600 U/L
De 6 ltlC\O a I.J am)) - 250 a 951) U/l
1 )e 11 1 a 11 ano~ mulheres - 250 a 950 U, L, homens - 250 1 ., ln U , L
De 12 .1 13 anos· mulheres - 200 a 730 U/L: homens - 275 :1 875 U/L
De 14 .1 15 anos· mulherb - 170 .1 460 U L. homens - 170 :a 9"'0 U L
Uc ló a IK anos: mulheres - 75 a 270 U/L; homen!> - 125 ;a i:!0 U/1.
MaJorcs de 18 anos; 50 a 250 U/ L par.i ambcx m scxm
Alte rações comum no, nivei<, <,énr.o, de: ÍO)bt~e alca.li.ru
Aumento Pronunciado - 5 ou mai~ vezes o valor de referência
Doença J~ Pagct
S.ircoma osteogênico
H íperpar:irittoidismo
lruu6c1ências bilian:, oh,crutivb
Mobthzação csqudétici
H1pennc:un inose D
H1pcrrireo1d.ismo
lngt."'>~ exc~s1va de Ca
Aumento Moderado - 3 a 5 vezes o valor de referência
Hc:patopaaas mfilcnova.s
Mononudeo~ infecciosa
Mc:cisw~ ó"e.u
R aquitismo
Osceomabcia
Aumento Discreto - até 3 vezes o valor de refermcia
Hepant~ \'trai,
f r:nuras cm acamzaçào
Cirrose
Gravidez
Alitodos dt Auxilio D1.1gfl(Ss11ro 81
Valores laboncoriats comparativo<; no metabolismo ósseo
Doença Ca Fosfato
Hiperparatireoidismo primário ++
Doença de Paget D n
Hipopararireoidismo primário +
llipovitarninose D o -
Hipervitaminose D + +
Neoplasias malignu + n +
Displasia fibrosa polio)tóóca n D
o - Normal
Auseoce
+ Moderadamence aum entado
.J..- Butaote aumeouido
No quadro comparativo acima (Quadro 5.12), tentamos
eswbeleccr alguns parâmetro, comparaavo<; entre as dosa
gem :.é:rica<; de Ca. fo,fàro, fosfata.se alcalin:i e Ca. fosfato e
h1drox1prolina na urina, nos ruver..o~ quadros clímco, en
volwndo o met.1holismo ósseo.
5.8.11. Paratormônio (PTH) e
Proteína Relacionada (PTH-RP)
A c.a.lcemia é: o pnnap:11 regulador da secreção do PTH
No cam <le hipercaJcetrua. e-:<:c cX2111e é úal na dtferenc1a
çào da h1percalcemia do htperparanreo1dismo pnmáno dn
hipercalcemia dos rumores malignos. A PTH-R.P é produ
zida por tumore,, ,ólídos, podendo ligar-se e estimular os
receptores de PTI L Seus nívc1<; c,;cão elevado<; em cerca de
70% UO) port.i<lores de hipercakcm1a associada a neopl:i,;1a
maligna. O leste é realizado por 1munoeruaio quimiolum1-
noméait.o. Os valor~ de referência são de 1 U a 65 pg/ ml
( 1,0 a 6,5 pMol, 1). Para a PTH- R.P, o valor de referência
t: infl"uor a l ,35 pMol/L.
5.8.12. Proteína C Reativa
É considerada uma da,; pnncipais procemas de fase agu
da, pots pode ter .,eus valore\ elevados de I O a 100 vezes O!>
valores de referênc1.1 n::t.S pnmcira.c; 24 hora,;de proc~o~
mfeccio,;os, inflamatórios e neoplásico!.. Baseante únl no
acompanhamento das doenças reumáocas, pnncipalmente
a febre reurnáaca, na qual o aumento de seus valore<; pode
s1gruficar uma reagudização do proc~o. Em alguns c~os,
a dosagem de PCR pode ser uttl na diferenciação de procC'\
sos infecciosos bacterianos (valores altos) de virais (valor~
baixos). Os valores de referência são mfenorc~ a 0,5 mg/dL.
Soro Urina
ALP PTH Ca Fosfato Hidroxiprolina
+ ++ + T ;-+
++ o o + D T ++
D n
+ + o - + +
D + D
n + + T n- +
n + o n n D
5.8.13. Eletroforese de P roteínas
Realizada no soro. com coleta de sangue do paciente cm
Jejum por 4 horas. A mecodolo~a utilizada í: o fraciona
menro elecroforéaco cm gel de agarose. É um exame utili
zado na caracteri7aç.io de processos inflamatório> crônicos.
principalmente das doenças auto-imunes. nuelorna múlnplo,
doenças lmfoprohferaova,; malignas e mfccçõc:!, subaguda..ç e
crômcas Os valore!. de referência $ào o~ seguintes:
Albuouna: 4,00 a 5,30 g/ dL {56.4 a 71,6%)
Alfa-1-globulin:l;): 0.10 a 0,30 g/ dl (1.9 .a -1.5%)
Alfa-2-globuhnas: 0.50 a 1,10 g/dL (7,3 a 15,0%)
Bec.1-globulina.\: 0,40 a U,9U g/dL (6,2 a 1 1,5%)
G.una-globulmas: 0,50 a 1, 40 g/ uL (7 ,8 a 18,2%)
Proteína tot.11. 6,4.0 a 8.10 g/ dL
Rel.lção aJbumina/globulinc1: 0.9 .i 2,0
-· REFERÊN~IAS
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Trabalhando com Biossegurança
6.1. INTRODUÇÃO
6.2 . MANil.ÚVIO
]ayro Guimarães Jr.
6.3. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EP1)
6.4. CAMPOS E COBERTURAS DAS SUPERFÍCIES
CLÍNICAS
IIIIIIII INTRODUÇÃO
Neste capítulo discorreremos sobre algumas necessida
des de biossegu.rança no trabalho clínico com o paciente.
O espaço aqui disponível não permite que detalhemos toda
a biossegurança odontológica. Ademais, esses detalhes es
tão em um livro dedicado exclusivamente ao assunto e que
já public:tmos.
Aqui nos ateremos praticamente ao uso de barreiras fisi
cas conhecid;.u; com equipamentos de pioteção individual.
Enfanzamos que os pac1cnces e profissionais de odon
tologia podem estar expostos a microrganismos patogêni
cos durante o seu trabalho. Entre esses microrganismos
e~l:io m vfrus do herpes simples (HHV- 1 e 2), citome
g:ilovims, os vírus de quase todos os tipos de hepatite, o
HIV, o Mycobacrenum ruberwlosis, várias espécies de escafi
lococos e estreptococos, Ca11dida albicans e vá.rios outros
que colonizam ou mfectam a cavidade bucal e o trato res
piratório.
Esses microrganismos podem ser transmiódos em con
sultórios odoncológicos para os profissionais que aí traba
lham das seguintes formas:
Contato direto com sangue e fluidos bucais e oucros
contamJnantes originados no paciente.
Contato indireto com objetos contaminados: instru
mentos, equipamento ou superfic1es.
Acidentes perfuroconances.
6.5. SUGADORES DE SALIVA
6.6. RADIOGRAFIAS ODONTOLÓGICAS
6. 7. ANTI-SEPSIA PRÉ-OPERATÓRIA
6.8. MANUSEIO DE BIOPSIAS
6.9. MANUSEIO DE DENTES EXTRAÍDOS
- Contato com goáculas contaminadas das mucosas con
juntival, nasal ou bucal espirradas a curta distância pela
tosse, espirro ou fala.
- 1 nalaçào de aerossóis suspensos no ar por longos pe
áodos.
O conceito recentemente prevalente é o de adotar prl.'
cauções universais, o que significava que tomaremos cui
dados de biossegurança iguais com todos os pa<.;c11te1,, con
siderando que todos podem oferecer riscos de cransmissão
quer saibam ou não disso.
Nessas medidas preventiYas se incluem marulúvio. cm
dados com o manuseio de inscrun1entos concam.mados, uso
de dique de borracha para minim17.'.lr os espirros, u~o de
aspiração potente para minimizar o aerossol e o uso de equi
pamentos de proteção individua.!.
O termo precauções universais foi substituído por pre
cauções padrão. Esse conceito expande os elementos incluí
dos nas precauções universais e estabelece padrões para pro
teger os profissionais e pacientes dos patógenos que podem
disseminar-se pelo sangue e outro~ fluidos orgânicos secre
tados ou excretados. Essas precauções se aplicam ao sangue,
a todos os fluidos secretados e excretados (excero o suor)
contendo ou não sangue, pele que perdeu a integridade e
mucosas.
Entretanto, apesar de nos vermos obrigados a informar
os novos conceitos internacionais, do ponco de vista opera
cional não encontramos muita diferença entre um conceito
e outro.
84
Medida~ a <;erem adotadas é o rremrunento de todos os
envolvidos em ambientes acadêmico:.: professores, alunos e
funcionários: imunoprofilaxta: adoção de todas as vacma
çõe.<. di~ponívcas contra mfecções relacionadas; e quimiopro
filaxia pó~-expo&icional: uso de cernpia antes da instalação
de doenças, ap6~ concanunaçõcs reconhecidas. como acon
tece nos acidente,; perfurocon:antes.
A higiene ou degcrmação das mãos reduz o potencial
patogêruco Ue'>ta..'> e é considerada a maneira mais ~1mples
de reduzir a mfocçào cruzada no ambiente clinico.
A n11crobioca das mãos fo1 pnme1rameme descnca em
1938 ~ consiste em nucrorgarusmo. resufonces e cransiróa
os. &te~ últimos são removidos mais facilmente e, felizmen
te, são mau parogêrucos que os primeiros, que são removi
dos mai!. lentamente.
No e.x.une fisico e nos procedimentos não-cirúrgicos, o
manilúvio pode ~er feito com igua e derergenre liquido com
ou~em anti-séptico. O objetivo da anri-sepsía antes dos
procedimentos cirúrgicos é a eliminação da microb1ot:1 tran
sitória, reduzir a res1deotc e prevenir a introdução de mi
crorganismos na fenda cirúrgica se as luvas contiverem
nucroperfurações ou foram ac1denulmcnte rompidas.
Os microrganismo~ d~ mãos podem multiplicar-,;e rapi
dame.rue, na pele umcdeada "ºb as luvas, se as mãos forem
degermadas com detergentes apenas e ,;em o uso de ano-sép
aco~. E'itc~ devem: reduzir a contagem de microrganismos,
não ser irritant~ e alérgenos, agir rapidamente e po,;su1r um
efeito residual Entre o~ vá.rim anó-sépticos, os mais recomen
dados ,;,io as ~luções a 2% de 1odopov1dona ou clorcxid.ma.
faci fora do nosso propómo descrever toda a técnica do
n ,anilúvio, mas enfatizamos que o ensaboamento deve ser
profu$o, da tlrrga do cotovelo às pancas dos dedos, que o uso
de.' uma escova maru mdhora a peefi,m1t111re e que não cem
senado usar u~ c:oalha cot.1.lmente contanunada para enKu
gar as mão~. pamcularmente no preparo pré-cirúrgico.
O uso de luvas não diminui. nem evita. a importância
de fazermos um ngoroso mamlúvio. O marulúv10 deve ser
feito imediatamente após a remoção das luvas. Esru podem
ter microperfurações ou sua remoção pode provocar a con
tanunação das mãos; além disso, pode ter bav,do grande
multiplicação de bactérias durante o uso.
EQUIPAMENTOS DE
lililililll PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)
São barreiras mecânicas designadas para proteger a pele.
as mucosas oculares, nasai'I e bucais, os cabelos. as roupas e
os pés conua a contammação por sangue e outro,; íl11idos
orgânicos.
Na aov1dade odonrológica, remos um.1 ~iruaç;io quase que
~em paralelo em outras pro~Õl!S de "1Úde. O uso d1.c m~
crumc::ntos c11{1rgicos e rotatórios (p. e::~ .• alta-rot1ç5o, se
nngas tríplic~ e raspadores ultra-sônicos) cria unu névoa
vi.'livel que:: contc!m goóculas de saliva, ,;an~e. microrganis
mos e outras panícula..,. Os espu:ros aongem uma dê.l..Ínaa
curta e se depomam no piso, ~obre a~ )Uperfiaes operatóri
as ou sobre os profissionais e o pae1encC'
A névoa v1sível pode conter o aerossol. isco ~- particula5
i.nv1'1Íveis e respirá,·e.15, com diâmetro 10fenor a 10 µme que
não devem ser confundidas com a névoa e os espirrm. 0<;
aerossóis podem ficar suspensos por longos períodos e ser
malados. O u,o Je dtque de borraclu e ue a,pir.tdorc-, de
ala potência minimiza a névoa e o ac:ro,,;ol.
Os EPI incluem luvas, máscara ou re,pirador, óculos,
escudo facial, gorro e avental. Algum incluem lambém os
propés. mas um ~tudo ma1<; aprofundado muscra nus que
seu uso amda. é conrrovemdo, havendo cama pr6, romo
contras. Ü!> EPI devem ser somente colocado!> dentro do
ambiente de mbalho e removidos ante,; dt> abandoná-lo. EPI
reutilizáveis devem ser lavado~ com ~gi1.1, ><tbão e hipoclo
rico de sódio a l '1u e devem ser crocado~ 3SSUll que vruvdmenr.e
contamuudos. Não mais se aceita que m profü~iorui, rra
bnlhem apenas com os urufom1es, calp) ou safas. carmsas
ou blusa!>.
fu máscaras deveriam fornecer filtração de mais de:: 95%
dos microrganismos, além de proteger conrra névoas. es
pirros e aerol,)ol. Num rrab:ilho recém concluído •. umla t:m
publicação, verificamos que nenhuma máscara cfüpo11ih1l1-
zach no mercado nacional tem essa capacidade Da foi so
mence encontrada em algum Tt'spuaJun:s (N95, i'199 e
N100) que deverão ser adotado~ na pr.inra clúuc.1, Se:' yw
sermos atingir essa eficiência. Elt'~ pos!iuern capacidade
filtrante mwto '\Upenor t' pemutem uma melhor adaptação
à face do operador. Essa atenção de, e :.c:r redobrada no~ ca
sos de doenças )élb1darnence cransouóda~ por\ ia aérea, como.
por exemplo, em casos de pacientes pomdores de tubercu
lose.
É sabido que as máscara!\ não devem ~er cocadas durante
os procedimentos e que perdem efioênc1a quando umede
cidas. Nessas últimas condiçõe<i, a resistência ao fluxo de ar
aumenta na áréa umedecida.. forçando o ar a exalar pelas
bordas. Quando as máscaras ficam molhadas, devem ser
,;ubstiruídas cão logo quanto possívd.
Os demais EPI devem ser usados para prevenir a conca
minaçào oriunda do ambiente externo ao local de atendi
mento e protegem os profü,;1onais da contaminação onun
da do paaencc. e Vlce-versa
Os aventais preferido~ são os de manga longa. par.i pro
teção do~ braços.
TriJbalha11do <1>111 81Mst;gur.u1fJ 85
Luvas de procedunemo ou estércJS são EPI dc~cartáveIS,
não devendo "er reaproveitadas \Ob nenhuma hipótese. Pro
t:ed1 mcntos invasivos não devem ser feitos com luvas de
procedimenco,Já que d~ requerem estenlidade. Devem ser
trocadas entTt" p;ic.1cnr~ ou quando se nota perfuração.
A.., nucropcrfurações causadas rus luvas pelo uso variam
de acordo mm o material, duração do uso e tipo de proce
duuento realizado. A freqüência dessas perfurações varia de
6 a 16%, ficando cm aberto, por falta de estudos, com que
periodtc1dade as luva." devem ser trocadas durante os pro
cedimentos.
Durnnre estes, as luvas cnrrai n em contara com um grande
número de maten.m e produtos químicos que podem com
prometer a mtegndade do látex de que são fdw. Seria im
portante que os fabricant~ uúomta~em '-Obre a compao
bilidade de suas lu\,as frente a esses dive~os produtos.
A lavagem das luvas com detergentes, clorexidina ou ál
cool pode favorecer o aparecimento de microperfurações;
por isso, essa atitude não é recomendada. Se as mãos estive
rem umedecidas com álcool ames de calçar luvas, devem
ser ~ecad~ n~orosamente, pelos mesmos moovos.
Devido às limitações apontadas, alguns esruclio'ios acon
~elham o uso do duplo enluva.menta. Perceberam que, quan
do isso aconcccc, a luva interna apresenta mcno~ perfura
ções que a e'.\;terna. A~m. o duplo eoluvamento pode ofe
recer uma melhor proteção ao operador. Aparentemente,
essa princa não d10UDu1. a dc,;treza e sensibt11dadt' necess.á
na para o trabalho.
CAMPOS E COBERTURAS
DAS SUPERFÍCIES CLÍNICAS
Essas superik1e'i podem ser cliretamente contanunadas por
Ouidos oiiginados do paciente ou dos membros da equipt'
odontológica e por mstrumcntos, equipamento~. mãos e
luv~.
São exemplo'i de.,'ia.'i 'iuperfic1es:
• Manoplas dos reflecore,;
• Interruptores
• Aparelhos radiográfico,;
• Teclados de computadores
• Lápis e canetas
• Embalagens de materuus odontológico!>
• Pontas de t:mbalagens de réSinas compostas
• Ponta de fotopobmenzadore<
• Puxadores de gavetas
• Torneiras
• Annános odonrológico'i
• Cadeiras odontológicas e mochos
• Telefones
• Maçanecas das portas
• M.angue1ra.'i
O uso de barreiras de proteção pode pre\enir a conta
minação dessas superficies. SuJ m1po:rtància cr~ce quando
usadas nas superficiec. dúiceis de limpar e tlt..'llinfc:l.1r
As barreiras usadas incluem folh.u de PVC e de alunúnio
de uso domésc1co, sacos de papel, canudinhm de refre~co,
bico!> plásticos para 'ieringas tríplice~. mangueim, ele cober
tura de PVC ou de Th1T (tecido não- tecido), campoç ci
rúrgicos estére~ de TNT e outros materiai'I 1mpermeâ\'e1~.
Essas barreira!I tomam-se contammadas pelo uso, de
maneira que devem ser trocada., entre os pacll'ntt"), t:nquanto
os profissionais de saúde permanecem caluvadoi.. Após ma
remoção, os pro6ssiona1~ devem exarrunar as supcr:6etes para
venficar se não ficaram irudvertidamerue manchadas De
codo modo, as superfioes devem ~cr limpas e desinfetadas
com produtos químicos que aruam sobre o HIV, H VB,
HVC e sejam cuberculicidas.
Os profissionais devem eXJgir dos fabricante'i infonnaçô~
~obre a compatib1lidade dos matena.1s que fubnc:1111 frente
aos váno,; desinfetantes e até como devem ..,e, desinfetados.
Durante a desinfecção. as ptMO~ que as re:WZJ.lll devem
cscar procegidas por EPI para evitar intoxic:ição. Um erro
comum é a utihz.ação de luv.l~ de látex nesw tarefas. Ew
não oferecem restscênc1a sufioente, e as tarefas não ex1gem
refinado tato As luvas de poluutrila (luvas domc:,OC'a..\ ou
de jardinagem) ~o mais adequa~.
SUGADORES DE SALIVA
Nos ejetares debaixo volume ocorre um fluxo dt· retor
no quando a pressão no interior da boca do pacieme é menor
do que aquela que estiver no sugador Esmdo'i demomcra
ram que esse 011xu de retomo provoca a mJcçào dos Illl
crorgarusmos que c~t.1v.ui1 na m.mgut"ira do CJC'tor qumdo
o paciente ela a boca no ejetor de sahva. O fluxo de retor
no tem o porenc1al de produnr infecção cruzada. Esse flu
xo ocorre também qumdo se usa simultaneamente o ,;uga
dor de baixo volume com um de alto volume EJJ..Lbora não
baJa relacos de efeitos deleténos para a ~aúde. crata-'ie de um
efeito. no mínimo. desagradável.
RADIOGRAFIAS
ODONTOLÓGICAS
Quando se obtêm radiografias, corre-se o asco de infecção
cruzada. O procedimenco deve ser realizado usando-se EPI.
Uma boa meclida é sobreencapannru os filme~ com uma
embalagem nornulmente usada para embalar d1apo~10vm
86
:imes de sua montagem. Dessa forma, a embalagem ong:inal
de cor branca dos filmes não entra em contato com os flw
<loi. bucak
O ciru11:,"'lâo-denosca cuidará da colocação do filme na
boca do p:irwnce e o aparelho será disparado pela auxiliar,
que, ponua vez. não colocará as mão,; no paciente, exceto
para colocar as proteções plumbíferas. O pnmeiro retira o
posicionador com o filme, rasga cuidadosamente a
sobreembnbgem e empurra o filme sobre o balcão clínico.
descartando a liobreembalagem em ltxc::ira para matenal con
taminado. A auxiliar apanhará o filme e cuidará da revela
ção, sem levar, dessa forma, a contanunação para a cat.u de
revelação.
De toda manc.rra, a caixa será lavada e dest.nfctada diari
amente.
Os poçicionadores serão aucoclavad~. ,;e forem termor
rcsiscences. ou esterilizados qui.núc:unente :.e não o forem.
-• AN:I-SEPSIA ,
PRE-OPERATORIA
llocbecboi, ou embrocações anti-c;épbcas devem ,er usa
dos antes de qualquer procedimento para reduzir a
microbiola bucal e, conseqüeotemence, a contaminação do
aerossol produzido e a bacteremia induzida nos procedimen
tos mvasivos.
A região perioral deve !>Ofrer a anti-sepsia porque é im
pos.,ível não tocá-la com a luva estéàl, ainda que se use um
c:11npo fc.:ncstrado. Costuma-se fncc1onar com gaze ou
mecha de algodão com clorexid.uu a 2% ou iodopovtdona
a 1%.
MANUSEIO DE BIOPSIAS
Para protegermos a5 pessoas que manu,;.eiam ou trarupor
tam os frascos que contêm matenal de b1ópc,1ac;, dt•H·mos
usar frascos à prova de vazamento. Um frab'lTlcnto <Ir PVC
mrerposco cncrc o frasco e sua campa rosqueada aJutla no
vedamenco. O frasco deve ser emhal.,do com o m~mo
material usado para emhalar instrumental a ser cstenh:zado
devidamente selado.
Na colheita do material, deve-se tomar o cuidado de não
cocar com ele na pane externa do frasco. Se ISSO aconcccer,
o frasco deverá ,;er desinfetado.
O frasco devcna ser etiquetado com o símbolo dt: mco
b1ológico, amda não colocado com a devida amplitude no
mercado nacional.
... MANUSEIO DE DENTES
EXTRAÍDOS
São descartados em frascos fechados e igualmente
ec1quetado5 com o símbolo de cisco biológico. São poten
cwmenre infeccnces. Uou boa medida i: que i.ejam limpo,
e desmfecado~ ou esterilizado~ ante) do descarte.
o~ dentes que contêm ,unilgama de prata não devem ser
i.ucU1eradm, pois há exalação de mercí1rio.
Guimario Jr .. J Bfontg11r.111(.i t Co11rrolc J,as Lifr!fi.io Cm:aJa.1
tm Co1as11/1óno., Odc111t<'lógi1os. S Paulo, S.mcos. 2002
Alterações de Cor da Mucosa
Bucal e dos Dentes
Esrher Goldenberg B irman, Gilberto 1'1arrncd e Ila11 Weitifeld
7.1. MUCOSA
7.1.1. Branca
7 .1.1. 1. Linha alba
7.1.l.2. Leuc:oedcma
7 .1.1.J . Llngua geo gráfica
7 .1. 1... . Nevo branco esponjo,o
7 . 1. I .S. Estomatite nicotlnic:a
7 .1. 1.6. Leucopla,ia
7.1.1.7. Uque_n plano
7 .1. 1.8. Lúpus eritematoso crônico discóide
(LECD)
7. 1. 1.9. Queilile actlnica (QA)
7 .1.1.10. Leocoplasia pilosa
7.1.1.11. Papilomavfrus humano (HPV)
7 .1 . 1.12. Candidlue/ Candidose
7.1.1.13. Outras
7.1.2. Amarela
7.1.2.1. Grânulos de Fordyce
7.1.2.2. Outras
7.1.3. Marrom
7.1.3. 1 • .Eülides e mácula melanórica bocal
7 .1.3.2. Pigmentação melânia racial
(Melanoplaquia)
7. l.3.3. Outras
7.1.4. Negra
7 .1.4.1. Ungu• pilosa negra
7.1.4.2 . N"''º pigmentado
7. J..-.3. F.rium11 pigmentar lixo
--MUCOSA
7 .1.1. Branca
7 .1.1.1. LINHA ALBA
É um.a linha branca de queracinização frtccional, locali
zada na mucosa jugal paralela à linha de oclusão, relaciona
da a áreas dentadas. É as~intomática. apresenta-se em geral
bilateralmente, possui extensão vanável e não é removível
à raspagem. Consntui uma reação à pressão ou sucção da
mucosa decorrente da atividade dos dentes posteriores.
Os efeitos de craumas prodUZ1dos ao plano oclusal e a tex
tur.1 dos alimentos refletem-se no grau de queranruzação
7. 1.4.4. Melanoma
7. 1 • .f.5. Xeroderma pigrnentoso
7.1.4 .6. Ourr:u
7. 1.S. Azul
7 . 1.5. L Varize, ou varicosidades
7. 1.S.2. Tatuagem por amálgama
7.1.6. Vennelha
7 . l.6. l. Petéquias e equimoses
7 .1.6.2. Lúpu1 sistémico (LS)
7.1.6.3 . Hritropluia
7 . l.6.4. Candidlue/Candidose
7.1.6.5. Sarcoma de K.tpon
7.1.6.6 . Ourru
7.2. PIGMENTAÇÃO DHNTAL
7.2. l. Pigmentação exógena local
7.2.t.1. Tabaco
7.2.1.2. Catl
7.2. l.3. Bactéri11 Cromogênic:as
7.2.2. Pigmentação exógena unimica
7.2.2.1. Fluorose
7.2.2.2. Tetnciclina
7.2.3. Pigmentação endógena
7.2.3.1. Eritrobla1tose Fetal
7.2.4. Hipoplasia do esmalte
7 .2.4. 1. Causada por Infecção Focal
7 .2.S. Hereditárias
7.2.S.1. AmeJoglnue imperl'eita
7.2.5.2. Dentinoginese imperfeita heredir, ria
observado; logo, a linha é mais ou menos evidente em di
ferentes indivíduos.
O aspecro clinico (Fig. 7 .1) ca.racterisaco é su6oeote para
o diagnóstico, sendo o mtameoto desoeces~áno; porém,
quando forem observadas alrcrações oclusais unportantes e
maus hábitos, como bruxismo, recomenda-~e .1 correção
desses fatores.
7.1.1.2. LEUCOEDEMA
O leucoedema é considerado uma condi.ção herecht.ána
cluucamence representada por uma área esbranquiçada di
fusa na mucosa bucal. É d.tagnosacado pelo exame fisíco de
rotina, através de manobra climca, quando, ao se distender
88 AlremçJa dr Cttr ,la .\111cos,1 Bum/ e do., Dt>m,.,
FIG. 7 . 1 Lmha .1lba (mordida)- mucosaJugal
a mucosa, dt:5aparece quase totalmente, retornando ,ua co
loração normal após seu relaxamento, faro e~te que não
ocorre com out:ra\ lesões brancas.
Ocorre na mucosa jugal bilatt:ra.lmence, apresentando
coloração difusa, opaca ou branco-acinzentada com mator
mcidênaa no~ md1viduo:. mehnodcmnas e. mais raramen
te, no~ leucodernm (P1g. 7.2)
F10. 7 .2 Lcucocdcma - área br:111ro-..icinzentada, ~ acome
lc11<lo wda a u1u1.u~a JUgal
E.~ condição não tem nenhuma conotação patológica,
não necessitando de exames complemenrare:. para seu di
agnósàco final e nem de a:acamenco.
O diagnóstico diferencial pode incluir líquen plano e
leucoplasra, ,iwus branco esponJoso.
7.1.1.3. LÍNGUA GEOGRÁFICA
A língua geográfica. o entema migram e a glossite migra
tóna benigna são nomenclaturas s1nômmas que se referem
às formas irregulares de! áreas de desnudação, dcpap1lação ou
descamação no dorso e borda lateral da língua decorrentes
de uma condição mflamatória crônica.
Climcamence são áreas represcotadil) por manchas acró-
ficas eritematosas circundadas por um halo devado esbran
quiçado, sem ulceração, que cononuamence sofrem altera
ção no tamanho. fonna ou local de onde'. Jdvém a ternu
nologia migr,ms (Fig. 7 .3). As fonna., de apresentação r~ul
tam do variado padriio de inflamação, do grau de atrofia e
da própna regeneração da.s papila~ que ocorre ao longo do
tempo.
A enologia da língua geográfica pcnnanece obscura. Unu
reação 1munológica tem <.1do propo~l.3 com base no infil
ttado mflamatório associado a essa alteração, que pode ser
donunado por eosmófilo~. Tem sido .1v1..-ntada a lupótese de
ma relação com e.,~1dos de tensão emocional, dencii-ucias
nuaietonais bem como here<licariedade. mas nenhumJ dessas
cond1ções fot ainda confinnacL..Rcfcrc-,e. rodam. que~~
alteração ocorre com rruior frequénc1a em incli\·íduo, com
psorfase.
A língua geográfica é assmtomáttca. porém, quando se
Jpr<!~énta ~ob a forma de mancha com halo esbranquiçado,
representa a condição po,;s1velmentt' .L'>\Octada ao ardor.
O diagnóstico diforc:nc..;al deve incluir outras doênças
inflamatónas da língua, como r~açõcs a droga-. e utfcq·ões
virais. Conrudo. a aparência clinica. a lmtória do curso crô
ruco, a ausência de çincoma.s e de ourn,; lesõ~ dt- pele são
su6cienc~ para o ,cu dtagnósnco delirunvo.
FJG. 7.3 Língua gcográfü:.1-lintw esbranquiçadas o rcund.idas,
.íre.u d~papiladas branc~rirematosas - dono da língua.
.-ilteraçJes 1/t Cor dJ Mu<osa B,um t ,foJ Dwtcs 89
Em geral não é aplicado nenhum npo de tratamento,
irmruindo-~e apenas o paciente a evitar alimentos quentes
e condimencados. Nos casos smtomáoco~. o uso de com
costeróide-. tópicos é indicado. A alteração ocorre pnnc1-
palmcnu· cm cnanças emre 5 e 7 anos de idade, porém pode
permanecer ao longo da vida ou ~ver espont.meamente.
7.1.1.4. NEVO BRANCO ESPONJOSO
É uma doença geneticamente detemunada, rdach amente
rara, apresentando uma condaçiio autossómica dominante,
atnbuída a mutações nos gene, 4 e/ou 13 da queratina. Afeta
as mucosas gcmtal. anal, na5al e principalmente a oral, sem
predileção por ~exo, com prcvalênoa em leucodennas.
A alrcraçio pode ser referida como doença de Cannon
apT"e)en~do placas brancas, de conqc;tênc1a esponJosa com
superlície rugosa. qoeratótica e de aspecto pregueado, não
'iendo rt'movidac; .à ra.c;pagem (fig. 7.-1-). As lesões podem ser
detecrawc. ao nascimento ou na infancia, embora também
po'-sam "er percebidas apenas na adolescência ou mesmo na
fase adulta. permanecendo ao longo da vida.
Na cavidade bucal são geralmente bilacerar<;, "tmém.cas.
afetando a muco!ia jugal e labial, ventre da língua. assoalho
bucal e palato mole. O diagnostico diferencial inclui leu
coedema, líquen plano e mordedura de bochechas.
A histórfa fanul1.1r é importante para o daagnómco, e o
exame citológico ou hi.scopacológico também pode -;er de
valia, visto apre,;encar demento característico, que é a con
densação eosinofil1ca na região perinuclear das células epi
teliais.
A condição é. na m.ator parte dos casos, ;mmtomáàca;
no encanto, m paàente5 freqüentememe quei..xam-Sc da tex
tura da mucosa e do aspecto .ltltlesténco. Vánas terapia,
foram cestad~ como o uso de vitaminas. ancifi.ínbricos, anti
biótico:. e áttdo retinó1ro, toda.s com resultado variáve1,;.
Rcu:ut~mente. o uso de retr:1ciclin:a a 0,25%. em solução
aquosa, m forma de bochecho-. chário), tem apresemado
FIG. 7 .4 Nevo branco esponjo~ - pápuw brancas, rugosas, .lS
pecto pregu~clo. di tribuídas pela mucosa 3ugal.
resultados satisútónos face pnnc1palmence à melhora da
textura das placas e ao incômodo que esru representam ao
paciente. A doença não possui potenetal maligno, tendo wn
bom prognósoco.
7.1.1.5. ESTOMATITE NICOTÍNICA
A estomatite nicotimca é uma lesão específica relaciona
da ao uso do fumo (cigarro, charuto e cachimbo), princi
palmente de fonna invertida., o que é comum cm alguns
países astáàcm e ~ul-americanos.
A alteração dc:.envolve-'ie na.~ ireas queraci.niz.ld~ do pa
lato duro, bem como nas regiõó expostas à concencração
de fumo. A 1mtação resultante promove irucfalmente pon
tos avermelhado) no palato, que. posteriormente, romam
se branco-a.crnzentados. opac1ficados e fí.ssurados devido à
htperquerarose. Pode-se tambc:m observar múltiplas pápu
las brancas na região, com ponto~ central~ avermelludos, que
correspondem à abertura dos duetos das glândulas salivares
menores uúlamadas (Fig. 7.5) Eventualmente, a coloração
esbranqwçacb pode t'nvolver a gengiva 01.1.rgi.nal e papila
interdental associada a uma force pigmenraçio c:KurJ nos
dentes.
O diagnóstico é clínico. rektcionado ao hábito de fumar.
A alteração tem caráter revc:rçívd, desaparecendo totalmente
quando o hábito de fumar é abandonado. Logo. o papel
educanvo do profus1onal é fundamental, vmo que. duni
oando o hábito, a k-são é de mcil re-;olução, não necessitan
do de nenhuma Intervenção.
7.1.1.6. LEUCOPLASIA
O termo leucoplasia, /ato reuso, quer dizer crescimento bran
co, podendo refenr-se a inúmeras doenÇ15 quc- '" minam .ttra
vés de lesões brancas; srn'cto smso, é consiclcr.u.b como uma
lesão branca com pou:ncial de u:ansfonnaçfo maligna.
A Organização Mundial de: Saúde, em 1978, durante
reunião realizada em Kope:nhagen, adorou o concmo emiti-
FIG. 7.5 fatonutite nicotínica -p.ipubs csbr;mquiçad:u com pon
to ;l\'ennelhado central - palato durol mole.
90 ,llterações dt Cor da Mucosa Bucal t dos lx,11,:s
do por Pmdborg (1963): "leucoplas,a í: uma lesão branca
que não pode ser removida por simples raspagem e que.
clímca e: hí tologicamente, não se as.semelha a nenhuma
outra l~o " A nos.,;a Dtsctplma adotou esse conceito acres
cido de "se, ap6s elurunannos rodo~ os fatores 1rritat1vos
crônicos locais, a lesão regredfr, pa:.:,amos a di:::nominá-la de
queratose irritativa". Nos casos em que a lesão perma
nece mdffiO ap6~ ,•liminarmos rodos os fatores de risco, ou
reciclivar ap6s a sua remoção, ou não rt:g.rcdu- ap6s mstitw
ção da rernpêurica. ou, ainda. não enconrrarmo~ justificati
va para sua pre,;enp (i_d1opáoca), ficam()( emão com o diag
nóstico de le ucoplasia como lôão com potencial de trans
formação mahgna, Tom:masi (1989). Segundo os autores,
cerca de 4 a 6% sofrerão cransformação maligna para car
cinoma epidermóide, sem tempo previsto para cal ocor
rênc1a.
Fato de grande interesse ao cliruco é o do exi~tência de
duas corrt!ntes enm~ patologistas: uma delas segue a orien
tação da OMS e, portanto, não emite diagnóstico hiscopa
tológico final de leucoplasia, mas ~1m faz uma descnção das
alterações histoparológicas presentes em cada caso, como
acontece na Disc1phna de Patologia Bucal de no~ Facul
dade; a outra corrente emite o diagnóstico final de: leuco
plas1a. O importante é que o clínico tenha discernimento
de interpretar os diagnósticos e dar o valor clínico que cada
caso requeira.
O corre mais no homem. na proporção 9: 1. acima dos
40 anos, localhando-se principalmente na sem1mucosa la
bial inferior, língua assoalho, comissura labial e palato du
ro.
Fato dt! grande import.ânoa é de poder e~car a.~ociada à
infecção pela C. albíra11s.
Qwinto a ~eu~ a_çpeccos clinico,;, as leucoplasias são clas
stlicadas em· maculosa. queratótJca, vem.icosa, podendo ser
homogênea ou pontilhada (Figs. 7.6, 7.7 e 7.8).
FIG. 7 .6 leucoplasia maculosa - lesão branca ru borda da lín
gua. jumo à sua base.
FlG. 7. 7 Lcucophs1a queracóuca - le-;â_o hr:JJ1c-::1 - gcng, .. -a m:ir
guul 10-~enda e fundo de uko vntibuhr mfmor.
FIG. 7 .8 Leucoplas1a vcrrucosa - les.fo branca, \'c:rrucosa - por
ção anrenor do dorso l.mgual.
O diagnósoco é obtido pela biópsia incisional precedida
da ettologia e)fobaava., ou pela técnica de azul de coluidina
para t:scolm do local a ser removido o fragmento, encmu
nhando-o a exame hisropatológico de rotina.
O d1abrnósoco diferencial é feito com líquen plano. c.m
clidose pseudomcmbranosa aguda e lúpw eritenuco~o crô
nico dtscó1de.
No caso de recebermos resultado h,scoparológíco descri
tivo, citando, entre outros aspectos, o da atipia celufar, que
pode ser quannficada de leve, moderada ou mcensa, somos
obngado~ a removér a lesão no seu todo, principalmente
ao apresentar aopia intensa; da mesma forma procedemos
se o diagnó,tico final do hlstopacológico for de leucoplasia,
poi .. a presença de aop1a celular inren-.a é com1derada
preditiva para a sua cransfomução maligna, apesar de C$,e
fato não ocorrer obrigaconamente em todo" os casos
A terapêutica é feita por excisão cirürgica cruenta, ele
trocauténo. cnocirurgia. mais atualrnénte pdo) nuos laser
de C02 cirúrgico. É referido o tratamento através da vm1-
mina A. que, devido ao seu poder qul!ratolitico.