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PROBLEMA 3 - TOCAR QUANDO NÃO SE PODE VER SISTEMA SENSORIAL · O sistema sensorial é a parte do sistema nervoso relacionado com a recepção, transdução e processamento das informações originadas no próprio organismo ou no ambiente, que serão utilizadas na organização dos mais variados tipos de respostas. · Para isso o sistema conta com receptores sensoriais vias ascendentes, circuitos neurais e centros superiores de integração. OBJETIVO 1: DESCREVER OS TIPOS DE RECEPTORES E COMO OCORRE A TRANSDUÇÃO Fonte: SNELL, Neuroanatomia clínica, 2010; AIRES, Fisiologia, 2018; GUYTON, Tratado de fisiologia médica, 2017 e BORON, Fisiologia médica, 2015; BEAR, Neurociências: desvendando o sistema nervoso, 2017 · RECEPTORES SENSORIAIS: são diferentes tipos de células, em estruturas especializadas, responsáveis pela transdução do sinal. · A especificidade de um receptor para cada tipo de estímulo encontra-se, basicamente, nos mecanismos moleculares envolvidos no processo de transdução. · DE ACORDO COM A LOCALIZAÇÃO DO RECEPTOR: Pode-se classificar os receptores de acordo com a sua localização, o que define a natureza do estímulo que os ativa, com base nesse critério, distinguem-se três categorias de receptores, exteroceptores, proprioceptores e interoceptores. · EXTERORRECEPTORES: · Captam estímulos do ambiente; · Localizados externamente, ou na superfície do corpo; · Especializados em captar estímulos provenientes do ambiente externo do corpo, como a luz, temperatura, tato, sons e pressão; · Captam estímulos emitidos à distância, como luz e som, também são chamados de teleceptores. · PROPRIOCEPTORES: · Os proprioceptores localizam-se mais profundamente, situando-se nos músculos, tendões, ligamentos e cápsulas articulares · Monitoram o grau de estiramento do tecido no qual eles estão localizados. · Os impulsos nervosos originados nesses receptores, impulsos nervosos proprioceptivos, podem ser conscientes e inconscientes. Estes últimos não despertam nenhuma sensação, sendo utilizados pelo sistema nervoso central para regular a atividade muscular por meio do reflexo miotático ou dos vários centros envolvidos na atividade motora. · Os impulsos proprioceptivos conscientes atingem o córtex cerebral e permitem a um indivíduo, mesmo de olhos fechados, ter percepção de seu corpo e de suas partes, bem como da atividade muscular e do movimento das articulações. São, pois, responsáveis pelos sentidos de posição e de movimento. · A capacidade de perceber posição e movimento, ou seja, a propriocepção consciente, depende basicamente das informações levadas ao sistema nervoso central pelos fusos neuromusculares e órgãos neurotendinosos, sendo possível, entretanto, que os receptores das articulações tenham pelo menos um papel subsidiário nessa função. · INTERORRECEPTORES: · Os interoceptores (ou visceroceptores) localizam-se nas vísceras e nos vasos e dão origem às diversas fonnas de sensações viscerais, geralmente pouco localizadas, como a fome, a sede e a dor visceral. · Grande parte dos impulsos aferentes originados em interoceptores é inconsciente, transmitindo ao sistema nervoso central informações necessárias à coordenação da atividade visceral, tais como o teor de O2 , a pressão osmótica do sangue e a pressão arterial. · DE ACORDO COM O TIPO DE ESTIMULO: · TERMOCEPTORES: · Um único tipo de sensor, cuja atividade varia proporcionalmente à temperatura. Os receptores de frio, embora respondam a uma faixa ampla de temperaturas (entre 10°C e 40°C), exibem uma atividade máxima para temperaturas situadas em torno dos 25°C. Já os receptores de calor apresentam uma atividade máxima para temperaturas próximas dos 40°C, embora respondam a temperaturas situadas entre 30°C e 45°C. Algumas terminações nervosas associadas a receptores de frio começam a descarregar novamente quando a temperatura ultrapassa os 40°C, aumentando a frequência dessa descarga em paralelo ao aumento da temperatura. · O processo de transdução mediado pelos termorreceptores é iniciado por canais iônicos presentes na membrana de terminações nervosas livres. As proteínas “termoTRP” compõem esses canais iônicos sensíveis à temperatura. Em torno de 43ºC, ocorre a transição de uma sensação inócua de calor para uma sensação dolorosa de queimação. Alguns tipos de proteínas termoTRP (sensíveis ao calor) também são ativados por substâncias químicas presentes em vários tipos de pimentas (e que também ativam nociceptores), por isso a sensação de calor é atribuída ao sabor de muitas pimentas. Já outros representantes da família TRP, ativados por temperaturas mais baixas, em torno de 25°C a 28°C, são também sensíveis ao mentol e ao eucaliptol, o que explica a sensação de frescor que essas substâncias podem induzir. Os termorreceptores estão distribuídos por toda a superfície corpórea e também pelas cavidades oral e nasal. · Um aumento da temperatura causará a sensação de calor não só pelo aumento da atividade dos receptores de calor, mas também pela concomitante redução na atividade dos receptores de frio, o inverso acontecendo no caso de reduções da temperatura. · A intensidade de um estímulo térmico não depende, porém, apenas da magnitude da temperatura, mas também do número de receptores recrutados, que por sua vez depende da área sob estimulação. Dessa maneira, um estímulo térmico aplicado à maior superfície do corpo produz uma sensação mais intensa se comparada àquela provocada por um estímulo de igual temperatura aplicado à menor superfície. · MECANOCEPTORES: · Os seus receptores estão distribuídos em todo o corpo e não estão localizados em pequenas superfícies sensoriais especializadas, como a maioria dos outros sistemas sensoriais. Os receptores somatossensoriais são encontrados na pele, no tecido subcutâneo, nos músculos esqueléticos, ossos e articulações, nos principais órgãos internos, no epitélio e no sistema cardiovascular. Esses receptores variam muito quanto à especificidade. · Os mecanorreceptores, que são sensíveis a distorções físicas, tais como uma deformação ou um estiramento, compõem a maioria dos receptores sensoriais somáticos. Eles existem por todo o nosso corpo e monitoram os seguintes estímulos: o contato físico com a pele, a pressão sanguínea no coração e nos vasos, o estiramento do intestino e da bexiga e a pressão nos dentes. A transdução desses mecanorreceptores ocorre em uma ou mais terminações axonais amielínicas. · Os mecanismos pelos quais a força mecânica é transferida das células e suas membranas para os canais mecanossensíveis não são totalmente claros. Os canais iônicos podem ser acoplados fisicamente a estruturas extracelulares (EX: a fibras de colágeno, como as proteínas de ligamento apical nas células ciliadas) ou aos componentes do citoesqueleto (EX: microtúbulos) que transferem energia proveniente da deformação das células para o mecanismo de ativação do canal. É possível também que alguns canais sejam sensíveis à pressão na bicamada lipídica e que não necessitem de outros tipos de proteínas de ancoragem. · TRANSDUÇÃO AUDITIVA · 1. As ondas sonoras são transmitidas à orelha interna e provocam a vibração do órgão de Corti. · 2. As células pilosas auditivas são mecanorreceptores localizados no órgão de Corti. A base das células pilosas repousa sobre a membrana basilar e seus cílios estão embebidos na membrana tectorial. A membrana basilar é mais elástica do que a membrana tectorial. Assim, a vibração do órgão de Corti dobra os cílios das células pilosas devido a uma força de deslocamento conforme estes cílios são empurrados contra a membrana tectorial. · 3. O dobramento dos cílios altera a condutância ao íon K+ na membrana da célula pilosa. O dobramento em uma direção aumenta a condutância ao íon e causa despolarização; o dobramento na direção oposta diminui a condutância ao K+, provocando hiperpolarização. · 4. Estas alterações no potencial de membrana são os potenciais receptores das células pilosas auditivas. O potencial receptor oscilante é denominado potencial microfônico coclear. · 5. Quando as células pilosas sãodespolarizadas, seus canais de Ca2+ dependentes de voltagem nos terminais pré-sinápticos são abertos. Em decorrência disso, o íon entra nos terminais pré-sinápticos e provoca a liberação de glutamato, que aqui age como um neurotransmissor excitatório, causando potenciais de ação nos nervos cocleares aferentes que transmitirão estas informações para o SNC. Quando as células pilosas são hiperpolarizadas, ocorrem os eventos opostos e há menor liberação de glutamato. · 6. Assim, a oscilação entre potenciais receptores despolarizantes e hiperpolarizantes nas células pilosas provoca a liberação intermitente de glutamato, o que produz disparos intermitentes nos nervos cocleares aferentes. · FOTOCEPTORES: · A luz deve ser focalizada para gerar uma imagem óptica nítida na retina. Essa função é realizada pela córnea e, em menor grau, pelo cristalino. A focalização requer que a via percorrida pela luz mude de direção ao ser refratada. A refração pode ocorrer quando a luz passa de um meio no qual a sua velocidade é relativamente alta para um meio no qual a velocidade é relativamente baixa. · A retina é uma camada muito fina que reveste o fundo do olho e contém as células sensíveis à luz, que são os fotorreceptores. Os fotorreceptores captam os fótons, convertem sua energia luminosa em energia química livre e, finalmente, geram um sinal sináptico que será transmitido para outros neurônios visuais da retina. · A retina é histológica e embriologicamente uma parte do SNC. Além de realizar a transdução da luz em sinais neurais, ela também realiza o processamento complexo da informação visual antes que ela seja transmitida para outras regiões do SNC. Um tipo de célula, a célula ganglionar, dá origem à via de saída da retina, enviando seus axônios para o tálamo através do nervo óptico (NC II). · Os dois tipos principais de fotorreceptores, os cones (DISTINÇÃO DE CORES) e os bastonetes (INTENSIDADES LUMINOSAS), são assim chamados pelas suas formas características. A retina humana possui somente um tipo de bastonete, que é responsável pela nossa visão monocromática adaptada para o escuro, e três subtipos de cones, que são responsáveis pela visão sensível a cores que possuímos em ambientes iluminados. Os bastonetes são em número maior do que os cones, em uma proporção de pelo menos 16:1, e cada um se distribui em um padrão diferente através da retina. · A fototransdução envolve uma cascata de eventos químicos e elétricos para detectar, amplificar e sinalizar uma resposta à luz. O fato surpreendente sobre o potencial receptor de cones e bastonetes é que ele é hiperpolarizante. A hiperpolarização é um passo essencial na transmissão do sinal visual, porque ela modula diretamente a quantidade de neurotransmissor liberado do fotorreceptor para os neurônios pós-sinápticos. Essa sinapse é convencional, pois ela libera uma quantidade maior de transmissor (neste caso o glutamato) quando o terminal pré-sináptico é despolarizado, e menor quando é hiperpolarizado. Assim, um flash de luz induz uma redução na secreção do transmissor. Consequentemente, os fotorreceptores de vertebrados são mais ativos no escuro. Etapas da fotorrecepção: 1- A luz atinge a retina – inica a fotoisomerização da rodopsina – O 11-cis-retinal é convertido em todo-trans-retinal ---- logo a opsina sofre uma série de alterações conformacionais que culminam na produção de metarrodopsina II 2- A metarrodopsina II ativa uma proteína G chamada de Transducina ou Gt (Há uma enorme amplificação nesta etapa, onde um fóton de luz ativa uma molécula de metarrodopsina II que, por sua vez, ativa quase 800 moléculas de transducina!)--- quando ativada a transducina estimula uma fosfodiesterase que catalisa a conversão do monofosfato cíclico de guanosina (GMPc) a 5’GMP --- levando a um aumento na degradação de GMPc diminuindo sua concentração 3- /4 A membrana do fotorreceptor os canais de NA+ que carreiam a corrente de entrada são regulados pelo GMPc --- no escuro há um aumeno dos níveis de GMPc --- produzindo uma corrente de entrada de Na+ e despolarização da membrana do fotorreceptor --- na luz há uma diminuição dos níveis de GMPc já descrita que fecha os canais de Na+ na membrana do fotorreceptor, reduz a corrente de entrada do íon e produz hiperpolarização (O término do estado ativado por luz envolve a redução do Ca2+ intracelular, o que restaura os níveis de GMPc) 4- A hiperpolarização da membrana do fotorreceptor diminui a liberação de glutamato dos terminais sinápticos do fotorreceptor 5- Existem 2 tipos de receptores de glutamato nas células bipolares e horizontais: os receptores ionotrópicos (são despolarizantes – excitatórios) e os receptores metabotrópicos (são despolarizantes – inibitórios) – o tipo de receptor na célula bipolar ou horizontal determina se a resposta será despolarização- excitação ou hiperpolarização – inibição – assim a menor liberação de glutamato que interage com os receptores ionotrópicos causa hiperpolarização e inibição da célula bipolar ou horizontal – já a menor liberação de glutamato que interage com os receptores metabotrópicos causa despolarização e excitação da célula bipolar ou horizontal --- esse padrão estabelece os padrões d=ligado-desligado dos campos visuais · QUIMIORRECEPTORES: · Os quimiorreceptores estão localizados nos sentidos especiais da olfação e da gustação. · Quando fala-se nos receptores da gustação, os receptores são células não nervosas, que encontram-se na superfície dorsal da língua, concentrados nas papilas. Cada papila possui vários botões gustatórios e cada botão contém de 50 a 150 células receptoras gustatórias. As terminações apicais possuem extensões finas, as microvilosidades, que se projetam para o polo gustativo (pequena abertura por onde as células gustatórias estão expostas aos conteúdos da boca). As células receptoras não são neurônios, mas fazem sinapses com os terminais axonais gustatórios aferentes, na base dos botões gustatórios. Essas células gustatórias fazem a transdução do sinal dependendo do sabor que ofereceu o estímulo para ela: os sabores salgado e azedo são transduzidos pela ativação de canais iônicos, mediante a entrada de Na+ e o bloqueio da saída de K+, respectivamente, ambas provocando a despolarização das células e a liberação de vesículas de serotonina. Já os sabores doce, amargo e umami são dependentes da proteína G e utilizam o mesmo princípio de ativação: quando uma molécula que desencadeia esses três sabores liga-se ao receptor, ela ativa proteínas G específicas para aquele sabor, estimulando a fosfolipase C e aumentando as concentrações de IP3 intracelular. O IP3 ativa a abertura de canais de Na+, permitindo a despolarização, e promove a liberação do Ca+2 do que estava armazenado dentro da célula e esse aumento de Ca+2 intracelular ativa um canal que permite a saída de ATP da célula, e é esse ATP que age como transmissor sináptico para a ativação dos neurônios de primeira ordem. · · Já os quimiorreceptores do epitélio olfatório sofrem transdução da seguinte maneira: a substância odorífera se liga a uma proteína receptora olfatória específica presente na membrana plasmática de um cílio de um receptor olfatório → a ativação do receptor estimula uma proteína G heterotrimérica chamada Golf → a subunidade alfa da Golf ativa a adenilato ciclase, a qual produz AMPc → o AMPc se liga a um canal catiônico dependente de AMPc → a abertura desse canal aumenta a permeabilidade ao Na+ , K+ e Ca2+ → a corrente resultante para dentro conduz à despolarização da membrana e ao aumento da concentração de Ca+2 intracelular → o aumento da concentração de Ca+2 intracelular abre os canais para Cl- ativados por Ca2+ e a abertura desses canais produz uma despolarização adicional em virtude da alta concentração de Cl- intracelular dos neurônios receptivos olfatórios → se o potencial receptor exceder o limiar, será deflagrado um potencial de ação no corpo celular que se propaga pelo axônio em direção ao SNC. · · NOCICEPTORES: · Nociceptores são terminações livres, sem estruturas acessórias destinadasà transdução do estímulo. As terminações nervosas nociceptivas têm seu corpo celular nos gânglios das raízes dorsais espinais ou no gânglio trigeminal, compõem diferentes classes de fibras aferentes, e são encontradas na pele e em tecidos profundos. · Fibras mielínicas do tipo A-delta estão associadas a nociceptores térmicos e mecânicos e são divididas em duas classes: ambas respondem igualmente a estímulos mecânicos intensos, mas diferem na capacidade de responder ao calor intenso. Outros nociceptores, chamados de polimodal, estão associados à fibras C amielínicas, e são ativados por estímulos mecânicos, químicos e térmicos de alta intensidade e a transdução de estímulos térmicos nocivos (temperatura maior de 43ºC) é mediada por canais iônicos vaniloides da família TRP, que são diretamente ativados por calor. · A lesão de um tecido intensifica a experiência dolorosa por aumentar a sensibilidade dos nociceptores a estímulos térmicos e mecânicos (hiperalgesia). A liberação de mediadores químicos e também de células não neurais, intimamente relacionadas com o processo inflamatório, podendo alterar a excitabilidade neuronal por interagirem diretamente com canais iônicos na membrana dos nociceptores, enquanto outras podem ligar-se a receptores metabotrópicos e exercerem seus efeitos por meio de uma cascata intracelular mediada por segundos mensageiros. · Ao entrarem na medula espinal, as fibras nociceptivas A-delta e C bifurcam-se ascendendo e descendendo alguns segmentos por meio do trato de Lissauer. O glutamato é um importante neurotransmissor liberado por terminais de fibras nociceptivas. · TRANSDUÇÃO: · Existem várias modalidades de receptores, porém sistema nervoso só o entende uma forma de energia, que é a eletroquímica. Logo, os nossos receptores são transdutores, eles transformam o estímulo (seja ele térmico, químico, eletromagnético...) em potencial eletroquímico propagável ou não. Resumindo, eles pegam a informação do meio externo e a traduz em alteração do potencial eletroquímico no neurônio sensitivo. Essa alteração do potencial de membrana do neurônio sensitivo é chamado de potencial gerador e nem sempre é um potencial de ação. · Potencial gerador = É uma alteração do potencial de membrana causada por um estímulo detectado pelo receptor. · começa pela detecção de um dado estímulo pelo receptor sensorial. · Um mecanismo comum a todos os receptores é a geração de um potencial receptor, caracterizado por uma alteração do potencial elétrico de uma membrana da célula receptora que, nesse caso, acontece devido a modificações na condutância dos canais iônicos. · Os locais de geração de um potencial receptor e de um potencial de ação são, geralmente, separados, podendo ser em diferentes regiões da mesma célula ou até mesmo em diferentes células. · O sinal elétrico que caracteriza o potencial receptor alcança as regiões do receptor em que um impulso nervoso poderá ser iniciado, propagando se então em direção ao sistema nervoso central (SNC). O potencial receptor é, portanto, um potencial local e graduado, ou seja, restrito à célula receptora, que apresenta uma amplitude variável e reflete a intensidade do estímulo sensorial aplicado. · EXEMPLO: receptores destinados à sensibilidade dolorosa → o potencial receptor é produzido nas ramificações axônicas, propagando-se eletrotonicamente à porção inicial do axônio e aí podendo dar origem a um potencial de ação. · O passo final no processo de transdução é a geração de um impulso nervoso na fibra nervosa aferente, que irá conduzir a informação sensorial para o interior do SNC. Enquanto o potencial receptor é local e graduado, o potencial de ação que se propaga na fibra aferente apresenta uma característica tudo ou nada, que se manifesta por uma amplitude constante. A recepção sensorial envolve a transformação de estímulos sensoriais de amplitude variável em um conjunto de impulsos tudo ou nada. · A frequência dos impulsos de vários de potenciais de ação é que codifica a intensidade do estímulo sensorial associado àquela descarga. Intermediando esse processo temos a geração do potencial receptor, cuja amplitude é proporcional à intensidade do estímulo. A intensidade de um dado estímulo também é codificada pela quantidade de receptores sensoriais recrutados naquela estimulação. · A transdução sensorial requer a detecção e a amplificação, geralmente seguidas por um potencial receptor local. Na maioria das vezes, a transdução envolve também um ou mais passos de amplificação do sinal, de modo que a célula sensorial possa transmitir fielmente os estímulos pequenos (EX: poucos fótons ou poucas moléculas dispersas) para um SNC grande e em um ambiente com muita interferência sensorial. Esta célula sensorial deve converter, então, o sinal amplificado em uma alteração elétrica, modificando a conformação de algum canal iônico entre aberto e fechado (gating). O gating do canal conduz a alterações do potencial de membrana da célula receptora, conhecidas como potencial receptor. · O potencial receptor não é um potencial de ação, mas sim um evento eletrotônico graduado que pode modular a atividade de outros canais (EX: canais para Na+ ou Ca+2 dependentes de voltagem) ou disparar potenciais de ação em uma porção diferente da mesma célula. Muito comumente, o potencial receptor pode regular o fluxo de Ca+2 para dentro da célula e, assim, controlar a liberação de algum transmissor sináptico que atuará no neurônio sensorial aferente. São os potenciais receptores que determinam a frequência e o padrão de disparos dos potenciais de ação do neurônio sensorial e esse padrão de disparo é o que é reconhecido pelo SNC. · OBJETIVO 2: CLASSIFICAR OS SISTEMAS SENSORIAIS DE ACORDO COM A SENSIBILIDADE OU ESPECIALIDADE SOMÁTICA OU VISCERAL · Pode classificar o sistema sensorial de acordo com as sensibilidades, em interoceptiva, exteroceptiva e proprioceptivas, envolvidas na detecção de informação originada, respectivamente, no interior do organismo e no meio ambiente. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO TIPO DE SENSIBILIDADE · SENSIBILIDADE SOMÁTICA · A palavra grega soma significa corpo, o que explica o nome dado a essa modalidade sensorial. · Deve-se ressaltar que a sensibilidade somestésica não se restringe, no entanto, à superfície externa do corpo, existindo também em locais como algumas mucosas, músculos e tendões, periósteo e algumas vísceras. · Além disso, a modalidade somestésica não representa um tipo único de sensibilidade, mas divide-se em algumas submodalidades. Usaremos uma classificação que divide a sensibilidade somestésica em três submodalidades: tátil, térmica e dolorosa. · Estímulos com processamento consciente: · Tato · Temperatura · Dor · Coceira · Propriocepção · Estímulos com processamento inconsciente: · Comprimento e tensão muscular · propriocepção · SENSIBILIDADE VISCERAL / INTEROCEPÇÃO · Estímulos com processamento inconsciente: · Pressão sanguínea; · Distensão do TGI; · Concentração de glicose no sangue; · Temperatura corporal interna; · Osmolaridade dos líquidos corporais; · Insuflação do pulmão; · pH do líquido cerebrospinal; · Oxigênio e pH do sangue. · SENSIBILIDADE ESPECIAL · Estímulos com processamento consciente: · Visão; · Audição; · Gustação; · Olfato; · Equilíbrio. · A informação que parte de um conjunto de receptores sensoriais, conduzida por potenciais de ação, será transmitida por meio de uma série de “estações sensoriais”, as quais terão o papel de processar esses sinais em estágios mais elaborados de integração. Dessa maneira, uma via sensorial constitui-se em uma série de neurônios conectados sinapticamente e relacionados com uma mesma modalidade sensorial. Define a unidade sensorial como o conjunto formado por uma única fibra aferente e todos os receptores sensoriais que ela inerva. A razão por trás dessa definição é que a estimulação de qualquer um dos receptores de uma mesma unidade sensorial ativará a mesma fibra aferente, de maneira indistinguível para o sistema nervoso. Pela mesma razão, o conjunto de receptores pertencentes à mesma unidadesensorial compõem o que se denomina campo receptivo daquela unidade. O conceito de campo receptivo pode ser aplicado a qualquer neurônio pertencente a um circuito sensorial. · O neurônio sensorial primário, que é diretamente associado ao receptor sensorial, pode projetar se sobre vários outros neurônios, em um processo denominado divergência. Por outro lado, um mesmo neurônio pertencente a um circuito sensorial recebe a projeção de diferentes unidades sensoriais, em um processo de convergência neural. Um mecanismo neural possibilitado por esse substrato anatômico é o de inibição lateral. · A inibição lateral é um mecanismo comum aos sistemas sensoriais de muitas espécies, e está basicamente envolvida na modulação do contraste de um estímulo sensorial. · O mecanismo de inibição lateral recebe esse nome já que um neurônio de um dado circuito sensorial pode ser excitado por projeções que partem da região central de seu campo receptivo, enquanto recebe projeções inibitórias (produzidas por interneurônios inibitórios) originadas na periferia desse mesmo campo receptivo. · O mecanismo de inibição lateral é encontrado em circuitos de diferentes modalidades sensoriais, desempenhando um papel muito importante na “focalização” sensorial de um estímulo, o que contribui para aumentar o “poder de resolução” do sistema. · Essa maior acuidade pode ser mais bem entendida considerando-se dois estímulos aplicados em regiões vizinhas como, por exemplo, duas pontas de lápis pressionando regiões próximas da pele. A inibição lateral atenua a superposição das respostas a esses dois estímulos, tornando possível que sejam identificados como dois estímulos distintos. O mecanismo de inibição lateral está intimamente relacionado, portanto, ao poder de resolução de um sistema sensorial, que é a capacidade de esse sistema distinguir dois estímulos quanto a alguma de suas características (no caso do exemplo anterior, essa característica é a localização das pontas dos lápis). · Os exemplos citados anteriormente já ilustram possíveis relações quantitativas entre os estímulos sensoriais e a percepção que deles resulta. Dependendo do sistema sensorial em estudo, um estímulo é caracterizado por sua intensidade, localização, frequência, composição química, dentre muitas outras. Essas características podem ser quantificadas de maneira objetiva, e o estudo das relações entre as variáveis físicas que caracterizam um estímulo e a percepção provocada a partir dele compõem uma disciplina denominada psicofísica. · CIRCUITO DIVERGENTE: em um circuito divergente, um neurônio pós-sináptico tem uma sinapse com vários outros neurônios. Por exemplo, o estiramento de um músculo estimula muitos neurônios sensitivos. Cada neurônio sensitivo tem uma sinapse direta com cerca de 100 a 150 neurônios na substância cinzenta da medula espinal. Alguns desses neurônios são motores que inervam diretamente o músculo estirado e estimulam a contração. Outros são interneurônios que agem inibindo a atividade do grupo muscular antagonista, e ainda outros são interneurônios que projetam informações sensitivas para outras regiões do SNC. Em consequência da divergência, a informação é distribuída através de muitas vias neuronais. · CIRCUITO CONVERGENTE: quando muitos neurônios mantêm sinapse com um único neurônio pós-sináptico, o circuito é convergente. Por exemplo, a convergência ocorre quando um único neurônio motor recebe impulsos excitatórios e inibitórios de muitos outros neurônios. Esses impulsos são integrados pelo neurônio motor-alvo e influenciam na possibilidade de ele iniciar um impulso nervoso. A divergência e a convergência são evidentes por todo o sistema nervoso à medida que os neurônios integram as informações. · CIRCUITO REVERBERANTE: em um circuito reverberante, um neurônio no circuito recebe retroalimentação de outro neurônio no mesmo circuito. Um ramo do axônio de um neurônio dá meia-volta e mantém uma sinapse com um neurônio anterior no circuito. Nessa via, o sinal continua a ser enviado até a fadiga ou a inibição, por outro sinal, interromper o circuito. Os circuitos reverberantes estão envolvidos no controle de muitas atividades rítmicas, como a respiração e a oscilação dos braços durante a caminhada. · PROCESSAMENTO SERIAL: a informação é processada de duas maneiras no sistema nervoso. · Os neurônios que mantêm sinapse de um para um, em sequência, são conhecidos como neurônios ligados em série e o processamento chama-se serial. Os neurônios ligados dessa forma passam o seu sinal ao longo de uma única via, de um neurônio para o outro, como os elos em uma corrente. O arco reflexo é um exemplo. · PROCESSAMENTO PARALELO: a segunda maneira de processar informação é ao longo dos neurônios ligados em paralelo. A informação de um único neurônio é enviada ao longo de duas ou mais vias paralelas. Isso chama-se processamento paralelo, que ocorre quando um único estímulo resulta em várias percepções. · Por exemplo, quando você vê um amigo andando na sua direção, muitas vias processam em paralelo os estímulos visuais provenientes da sua retina, avaliando a cor, a forma, a localização espacial e o movimento do seu amigo. Os estímulos também são processados por outras partes do seu cérebro associadas com o reconhecimento e a memória das experiências pregressas, habilitando-o a reconhecer o seu amigo, lembrar -se do seu nome e também da última vez em que o viu. Em toda a sua complexidade, o processamento paralelo ocorre quase instantaneamente. Ele permite que o cérebro avalie os estímulos com velocidade incrível e viabiliza a integração das informações ao longo de muitas vias. OBJETIVO 3: RELACIONAR OS RECEPTORES TÁTEIS COM AS VÁRIAS FORMAS DE SENSIBILIDADE · A sensibilidade tátil é mediada por mecanoceptores que se dividem em duas classes funcionais: mecanoceptores de adaptação rápida e de adaptação lenta. Os de adaptação rápida respondem apenas ao início de uma estimulação e frequentemente também ao seu término, mas não respondem a uma estimulação contínua. Os de adaptação lenta podem responder continuamente a uma estimulação persistente. · Os dois principais tipos de mecanoceptores na superfície da pele glabra são os corpúsculos de Meissner e de corpúsculos de Merkel, exemplos, respectivamente, de receptores de adaptação rápida e lenta. Ambos estão associados a estruturas acessórias que lhes conferem suas características funcionais. O tecido subcutâneo, por sua vez, também contém dois tipos de mecanoceptores: o corpúsculo de Pacini, um receptor de adaptação rápida, e o corpúsculo de Ruffini, de adaptação lenta. Enquanto os receptores mais superficiais (Meissner e Merkel) se organizam em campos receptivos pequenos, os campos receptivos proporcionados pelos corpúsculos de Pacini e Ruffini são relativamente maiores. · Enquanto a resolução espacial está principalmente associada ao tamanho de campos receptivos, a resolução temporal associa-se ao curso temporal de adaptação do receptor. Os corpúsculos de Meissner e Pacini são mais sensíveis a estímulos mecânicos vibratórios, fato que está associado a um tempo de adaptação mais curto para esses receptores. O receptor de Meissner, no entanto, possibilita melhor localização do estímulo, enquanto Pacini medeia uma sensação mais difusa, originada em tecidos mais profundos. Essa diferença na resolução espacial está vinculada ao tamanho dos campos receptivos constituídos por esses receptores. Fonte: MARGARIDA, BORON · Estímulos naturais ativam, em geral, mais de uma classe de mecanoceptores, em diferentes combinações, e as qualidades desses estímulos serão reconstruídas a partir da ativação simultânea e diferenciada desses tipos distintos de “canais” sensoriais. Esses quatro tipos de receptores são inervados por axônios de neurônios localizados nos gânglios das raízes dorsais. Os prolongamentos centrais desses neurônios ascendem pela coluna dorsal projetando-se aos neurônios de segunda ordem localizados nos núcleos da coluna dorsal (núcleos grácil e cuneiforme). Axônios desses núcleos cruzam a linha medianae projetam-se ao tálamo, de onde neurônios de terceira ordem irão partir em direção ao córtex somatossensorial primário (SI). A informação sensorial é processada e transformada em cada uma dessas estações retransmissoras, constituídas por microcircuitos que modulam, de uma forma extremamente elaborada, a atividade dos neurônios de projeção. Interneurônios inibitórios desempenham, no interior desses circuitos, um papel de controle da aferência e eferência desses impulsos. Esses processos possibilitam controlar o fluxo de informação em um dado núcleo, limitando a atividade de certos grupos neuronais ou amplificando o contraste na atividade de populações neuronais vizinhas. · O limiar para a detecção perceptiva de um estímulo somestésico (limiar psicofísico) tem sido determinado e comparado com o limiar associado à ativação de uma fibra aferente (limiar biofísico). A ativação de uma fibra sensorial é uma condição necessária, mas não é uma condição suficiente para que possamos perceber aquele estímulo conscientemente. Embora a magnitude da sensação cresça com a frequência de descarga de potenciais de ação na fibra aferente, essa relação não é linear, ou seja, a intensidade do estímulo não é meramente proporcional à frequência da descarga. · A intensidade de um estímulo é codificada pela frequência de potenciais de ações em uma dada população de neurônios. A estimulação de áreas restritas do córtex somestésico produzia sensações referidas, por exemplo, como pressão, prurido, formigamento, em áreas correspondentes da superfície corpórea. · Mapeamento do córtex → homúnculo → áreas corticais maiores refletem maior sensibilidade e maior poder de resolução naquelas partes do corpo às quais correspondem → pode-se avaliar a resolução espacial somestésica testando nossa própria habilidade em discriminar dois diferentes pontos de estimulação aplicados sobre a pele. · COLUNAS CORTICAIS: A maioria dos neurônios somestésicos responde a apenas uma modalidade (tato, pressão, temperatura ou dor). O córtex somestésico apresenta uma organização colunar, em que a mesma coluna de córtex responde a uma classe específica de receptores sensoriais. EX: enquanto algumas colunas são ativadas por receptores de adaptação rápida de Meissner, outras respondem à ativação de receptores de adaptação lenta de Merkel, sendo que as células da mesma coluna cortical recebem projeções da mesma região da pele. · A coluna cortical pode ser vista, portanto, como um módulo funcional básico do córtex cerebral. Enquanto a camada 4 recebe projeções talâmicas, a camada 6 projeta-se de volta ao tálamo, e as camadas 2, 3 e 5 projetam-se a outras regiões corticais e subcorticais. · PROCESSAMENTO CORTICAL: a área 3a, por exemplo, recebe predominantemente projeções de receptores localizados nos fusos neuromusculares, enquanto receptores cutâneos projetam-se para a área 3b. A área 2 recebe projeções de receptores profundos de pressão, e receptores cutâneos de adaptação rápida projetam-se predominantemente para a área 1. Dessa maneira, um sinal recebido pelo córtex, embora não seja uma mera repetição do padrão de descarga das fibras aferentes primárias, reproduz com certa fidelidade as características do estímulo, codificadas pelos receptores cutâneos.] · O processamento da informação somestésica ao longo dos vários estágios corticais vai se tornando cada vez mais elaborado. Assim, neurônios envolvidos nos primeiros estágios de processamento respondem a estímulos mais simples, como pressões pontuais sobre a pele, enquanto aqueles neurônios envolvidos nos estágios seguintes do processamento exibem respostas mais complexas. · A percepção de movimento, forma e textura de um estímulo requer a integração de informações diversas, originadas em diferentes receptores sensíveis às diferentes modalidades somestésicas. Essa integração é obtida por meio de uma elaboração da atividade neuronal nos sucessivos estágios de processamento neural, em que as diferentes submodalidades podem convergir para um mesmo grupo de células, tornando maiores os campos receptivos e alterando o padrão de descarga desses neurônios. O aumento na complexidade da resposta neuronal não está apenas associado à percepção, mas também à utilização da informação sensorial na execução de movimentos finos. As áreas corticais somestésicas enviam, por exemplo, informações sensoriais de toda a superfície corpórea para o córtex motor primário e para o córtex parietal posterior, que integra projeções de várias modalidades sensoriais e é relacionado à organização de movimentos. · CORPÚSCULO DE PACINI: possui até 2 mm de comprimento e quase 1 mm de diâmetro. · corpúsculo de Pacini está localizado no tecido subcutâneo das peles glabra e com pelos. Ele possui uma cápsula ovoide com 20 a 70 camadas concêntricas de tecido conjuntivo e uma terminação nervosa no centro. A cápsula é responsável pelas respostas de adaptação rápida características do corpúsculo de Pacini. Quando a cápsula é comprimida, a energia é transferida para a terminação nervosa, em que sua membrana é deformada e os seus canais mecanossensíveis são abertos. A corrente que flui através desses canais gera um potencial receptor despolarizante que, se for grande o suficiente, dispara um potencial de ação no axônio. · No entanto, as camadas da cápsula são maleáveis e com um líquido viscoso entre elas. Se a pressão do estímulo é mantida, as camadas deslizam umas sobre as outras e transferem a energia do estímulo para fora, de modo que a terminação axonal subjacente não estará mais deformada e o potencial receptor se dissipará. Quando a pressão é liberada, os eventos se revertem e a terminação é despolarizada novamente. Deste modo, o revestimento não neural do corpúsculo de Pacini o torna especializado para perceber as vibrações e praticamente não responsivo à pressão constante, mas a vibração provocada pela estimulação de um corpúsculo de Pacini é a de uma vibração pobremente localizada. · CORPÚSCULOS DE MEISSNER: estão localizados nas cristas da pele glabra e apresentam aproximadamente um décimo do tamanho do corpúsculo de Pacini. Eles são de adaptação rápida, embora menos rápidos do que o corpúsculo de Pacini. · CORPÚSCULOS DE RUFFINI: assemelham-se a um pequeno corpúsculo de Pacini e, da mesma forma, estão presentes no tecido subcutâneo das peles glabra e com pelos. Seu estímulo preferencial pode ser chamado de vibrações em “tremor”. Como são receptores de adaptação relativamente lenta, eles respondem melhor a baixas frequências. · DISCOS DE MERKEL: são receptores de adaptação lenta, compostos por uma célula epitelial, não neural, achatada que faz sinapse na terminação nervosa. Eles se situam no limite entre a derme e a epiderme da pele glabra. · BULBOS TERMINAIS DE KRAUSE: inervam as áreas limites entre a pele e as membranas mucosas (EX: em torno dos lábios e da genitália externa) e são provavelmente mecanorreceptores de adaptação rápida. · OBJETIVO 4: DESCREVER O TRAJETO ANATÔMICO DAS VIAS E RELACIONAR COM A SENSIBILIDADE Fonte: MARGARIDA, MACHADO · RECEPTOR: é sempre uma terminação nervosa sensível ao estímulo que caracteriza a via. Existem receptores especializados para cada uma das modalidades de sensibilidade. A conexão deste receptor, por meio de fibras específicas, com uma área específica do córtex, permite o reconhecimento das diferentes formas de sensibilidade (discriminação sensorial); · TRAJETO PERIFÉRICO: é o caminho de um nervo espinhal ou craniano e um gânglio sensitivo anexo a estes nervos. · TRAJETO CENTRAL: é o caminho pelo SNC, onde as fibras se agrupam em feixes de acordo com suas funções. · ÁREA DE PROJEÇÃO CORTICAL: está no córtex cerebral ou no córtex cerebelar. No córtex cerebral, a via permite diferenciação e é consciente. No córtex cerebelar, a via termina não determina qualquer manifestação sensorial e é utilizado pelo cerebelo para integração motora, sendo uma via inconsciente. · A transmissão da informação prossegue de modo hierárquico, sendo primeiramente subcortical e depois cortical. As vias sensoriais constituemuma série de neurônios conectados por sinapses que se relacionam com uma mesma modalidade sensorial. As grandes vias aferentes podem ser consideradas como cadeias neuronais unindo os receptores ao córtex. No caso das vias inconscientes (cerebelares), esta cadeia é constituída apenas por dois neurônios primários e secundários, enquanto nas vias conscientes (cerebrais), estes neurônios são geralmente três, sobre os quais podem ser estabelecidos os seguintes princípios gerais: · NEURÔNIOS PRIMÁRIOS: localiza-se geralmente fora do sistema nervoso central, em um gânglio sensitivo (ou na retina e mucosa olfatória, no caso das vias óptica e olfatória). É um neurônio sensitivo, em geral pseudounipolar, cujo dendraxônio se bifurca em "T", dando um prolongamento periférico e outro central. Em alguns casos o neurônio pode ser bipolar. O prolongamento periférico liga-se ao receptor, enquanto o prolongamento central penetra no sistema nervoso central pela raiz dorsal dos nervos espinhais ou por um nervo craniano; · NEURÔNIOS SECUNDÁRIOS: localiza-se na coluna posterior da medula ou em núcleos de nervos cranianos do tronco encefálico (fazem exceção as vias óptica e olfatória). Originam axônios que geralmente cruzam o plano mediano logo após sua origem e entram na formação de um trato ou lemnisco; · NEURÔNIOS TERCIÁRIOS: localiza-se no tálamo e origina um axônio que chega ao córtex por uma radiação talâmica (faz exceção a via olfatória). · VIAS AFERENTES QUE PENETRAM NO SNC POR NERVOS ESPINAIS: VIAS DE DOR E TEMPERATURA: · os receptores da dor são terminações nervosas livres. Existem 2 vias para que a informação da dor e temperatura chegue ao cérebro: · VIA NEOESPINO TALÂMICA: · constituídas pelo trato espinotalâmico lateral que chega ao tálamo. · Clássica via da dor e temperatura. Algumas evidências dizem que a dor dessa via é aguda e bem localizada (em pontadas). Além da informação da dor ser assimilada no córtex (1, 2 e 3), pode haver associação na parte anterior do giro do cíngulo e da ínsula, o que pode ser relacionado com o componente emocional da dor. · É constituída pelo trato espinotalâmico lateral com 3 neurônios: · 1º NEURÔNIO: localizado nos gânglios espinhais da raiz dorsal. O prolongamento desse neurônio se liga ao receptor pelos nervos espinhais. O prolongamento penetra na medula, que faz sinapse com o 2º neurônio; · 2º NEURÔNIO: cruzam o plano mediano pela comissura branca, ascendem formando o trato espinotalâmico. Ao chegar na ponte, as fibras desse trato se unem com as fibras do espinotalâmico anterior, formando o lemnisco espinhal. Terminando no tálamo com a sinapse com o 3º neurônio; · 3º NEURÔNIO: localizados no tálamo no núcleo ventral posterolateral. Os axônios formam radiações talâmicas que chegam até o córtex na área somestésica (1, 2 e 3) · VIA PALEOESPINOTALÂMICA: · constituída pelo trato espinorreticular e fibras retículo-talâmicas. · Essa via não tem organização somatotópica (nível somatossensorial). A dor é pouco localizada, caracterizada por dores profundas e crônicas (dor de queimação). · 1º NEURÔNIO: localizado nos gânglios espinhais, penetram a medula fazendo sinapse com o 2º neurônio; · 2º NEURÔNIO: localizado na coluna posterior, dirige-se para o funículo lateral bilateralmente ascendendo ao trato espinorreticular. Sobe a medula fazendo sinapse com o 3º neurônio na formação reticular; · 3º NEURÔNIO: na formação reticular, o 3º neurônio origina as fibras reticulotalâmicas que terminam nos núcleos do grupo medial do tálamo no 4º neurônio. Alguns 3º neurônios projetam-se na amígdala, contribuindo para o componente afetivo da dor; · 4º NEURÔNIO: projeta-se para o córtex cerebral. É provável, entretanto, que essas projeções estejam mais relacionadas com a ativação cortical do que com a sensação de dor, uma vez que esta se torna consciente já em nível talâmico. VIA DA PRESSÃO E TATO PROTOPÁTICO: · os receptores táteis são corpúsculos de Meissner e de Ruffini. As ramificações dos receptores são ao redor de folículos pilosos. Os impulsos de pressão e tato do tronco e membros chegam ao córtex. O impulso torna-se consciente já no tálamo. · 1º NEURÔNIO: está no gânglio espinhal, onde há ligação do receptor com o prolongamento periférico. A ramificação termina na coluna posterior com sinapse com o 2º neurônio; · 2º NEURÔNIO: está na coluna posterior da medula, cruza o plano mediano na comissura branca, acende formando o trato espinotalâmico anterior, até a ponte e se une com o trato espinotalâmico lateral formando o lemnisco espinhal. Terminam no tálamo fazendo sinapse com o 3º neurônio; · 3º NEURÔNIO: no tálamo, o 3º neurônio atinge a área somestésica do córtex cerebral ao formar radiações talâmicas que passam pela cápsula interna e coroa radiada do tálamo. VIA DE PROPRIOCEPÇÃO CONSCIENTE, TATO EPICRÍTICO E SENSIBILIDADE VIBRATÓRIA: Condução da sensibilidade epicrítica (azul) e protopática (verde) Fonte: SOBOTTA (2000). · os receptores de tato são corpúsculos de Ruffini e Meissner com ramificações do axônio ao redor do folículo piloso. Os receptores da propriocepção consciente são fusos neuromusculares e tendões, enquanto os receptores da sensibilidade vibratória são corpúsculos de Paccini. O tato epicrítico e a propriocepção consciente permitem a discriminação de 2 pontos e reconhecimento da forma dos objetos colocados na mão. A consciência do estímulo dessa via ocorre no córtex. · 1º NEURÔNIO: localizam-se nos gânglios espinhais. O prolongamento central penetra na medula pela divisão medial da raiz posterior, dividindo em ramo descendente curto e ascendente longo. Os ramos ascendentes longos terminam no bulbo e fazem sinapse com o 2º neurônio; · 2º NEURÔNIO: localizam-se nos núcleos grácil e cuneiforme do bulbo. Caminham ventralmente para a formação de fibras arqueadas internas formando o lemnisco medial. Terminam no tálamo com a sinapse com o 3º neurônio; · 3º NEURÔNIO: localizado no tálamo, originam axônios com radiações que chegam na área somestésica do córtex. VIA DE PROPRIOCEPÇÃO INCONSCIENTE: Condução da sensibilidade profunda inconsciente. Fonte: SOBOTTA (2000). · Os receptores são fusos neuromusculares e órgãos neurotendinosos situados são músculos e tendões. · 1º NEURÔNIO: localizado nos gânglios espinais e emitem os prolongamentos periféricos que se ligam aos receptores. O prolongamento central penetra na medula dividindo-se em ramo ascendente longo e ramo descendente curto, fazendo sinapse com o 2º neurônio na coluna posterior; · 2º NEURÔNIO: está em 2 locais, realizando 2 trajetos até o cerebelo: · · NA COLUNA POSTERIOR: dirigem-se para o funículo lateral do mesmo lado formando o trato espinocerebelar posterior até o cerebelo; · NA BASE DA COLUNA POSTERIOR E NA SUBST NCIA CINZENTA INTERMEDIÁRIA: originam axônios que cruzam o funículo lateral do lado oposto formando o trato espinocerebelar anterior e penetra no cerebelo. VIA DE SENSIBILIDADE VISCERAL: · os receptores são terminações nervosas livres e corpúsculos de Paccini na cápsula de algumas vísceras. Os impulsos nervosos originados nas vísceras, em sua maioria, são inconscientes, relacionando-se com a regulação reflexa da atividade visceral. · Os impulsos que seguem por nervos simpáticos, como os nervos esplâncnicos, passam pelo tronco simpático, ganham os nervos espinhais pelo ramo comunicante branco, passam pelo gânglio espinhal, onde estão os neurônios primários, e penetram na medula pelo prolongamento central destes neurônios. Somente uma parte dos axônios de dor visceral segue a via do trato espinotalâmico, a maior parte segue pelo funículo posterior. · Fibras nociceptivas originárias das vísceras pélvicas e abdominais fazem sinapse em neurônios secundários situados na substância cinzenta intermédia medial, próximas ao canal central. Os axônios desses neurônios formam um fascículo que sobe no funículo posterior, medialmente ao fascículo grácil, e termina no núcleo grácil do bulbo, fazendo sinapse com o neurônio terciário, cujos axônios cruzam para o lado oposto como parte do lemnisco mediale terminam no núcleo ventral posterolateral do tálamo, de onde as fibras seguem para a parte posterior da ínsula. Já a via nociceptiva originada nas vísceras torácicas têm o mesmo trajeto das originadas no abdome e na pelve, mas sobem ao longo do septo intermédio que separa o fascículo grácil do cuneiforme. VIAS FISIOLÓGICAS: · VIA DO SISTEMA LEMNISCAL: informação vem através de tato discriminativo, propriocepção, etc. (sensações mais finas). · O estímulo entra na raiz dorsal da medula → ascendem até a o bulbo, nos núcleos grácil e cuneiforme → sinapse e cruzamento da linha média → a informação ascende contralateralmente e ascende até o tálamo → no tálamo, haverá uma nova sinapse → envio do estímulo para o córtex somatossensorial. · VIA DO SISTEMA ANTEROLATERAL: é uma resposta mais grosseira, que não precisa de uma resposta tão fidedigna (tato grosseiro, nocicepção, temperatura, etc.). · O estímulo entra na raiz dorsal da medula → faz sinapse na medula com neurônio de segunda ordem → cruza a linha média → ascende para o tálamo → no tálamo, faz uma nova sinapse → envio da informação para o córtex somatossensorial. · CÓRTEX SOMATOSENSORIAL · principio da via rotulada · · O córtex cerebral contém seis camadas de neurônios, começando pela camada I próxima da superfície cerebral e se estendendo progressivamente à camada mais profunda VI, conforme demonstrado na Figura 48.8. Como seria esperado, os neurônios de cada camada realizam funções diferentes dos neurônios de outras camadas. Algumas dessas funções incluem o seguinte. · CAMADAS DO CORTEX SOMATOSENSORIAL · 1) O sinal sensorial aferente excita primeiro a camada neuronal IV, depois se distribui em direção à superfície do córtex e a camadas mais profundas. · 2) As camadas I e II recebem sinais aferentes inespecíficos e difusos dos centros inferiores do encéfalo, os quais facilitam regiões específicas do córtex; esse sistema é descrito no Capítulo 58. Esses sinais controlam principalmente o nível geral de excitabilidade das respectivas regiões estimuladas. · 3) Os neurônios das camadas II e III emitem axônios a porções relacionadas do córtex cerebral do lado oposto do cérebro por meio do corpo caloso. · 4) Os neurônios das camadas V e VI emitem axônios para regiões profundas do sistema nervoso. Neurônios da camada V são geralmente maiores e se projetam até regiões mais distantes, como núcleos da base, tronco encefálico e medula espinhal, onde controlam a transmissão de sinais. A partir da camada VI, muitos axônios se estendem até o tálamo, fornecendo sinais do córtex cerebral que interagem e auxiliam o controle dos níveis excitatórios de sinais aferentes que chegam ao tálamo. OBJETIVO 5: APRESENTAR O IMPACTO DA CEGUEIRA NO ÂMBITO SOCIAL ECONÔMICO E FAMILIAR · A deficiência visual (DV) abrange desde a baixa visão até à cegueira total. · São consideradas com Baixa Visão as pessoas quem tem uma acuidade visual menor que 0,3 (Snellen), até a percepção de luz ou, um campo visual menor que 10 graus do ponto de fixação (AMIRALIAN, 1997). · A baixa visão ou visão subnormal é uma visão intermediária entre a visão normal e a cegueira. “Uma pessoa com baixa visão ou visão subnormal é aquela que possui um comprometimento do seu funcionamento visual, mesmo após tratamento clínico e/ou correção óptica e apresenta uma acuidade visual no melhor olho, entre 6/18 a percepção luminosa, ou um campo visual inferior a 10 graus do seu ponto de fixação, e que usa ou é potencialmente capaz de utilizar a visão para planejar e/ou executar uma tarefa” (VEIZTMAN, 2000). · A cegueira total, no entanto, vem a ser a pessoa que tem a completa perda de visão, incapacidade de reconhecer uma luz forte direcionada diretamente aos olhos. · Considera-se então o termo deficiência visual a uma situação irreversível de diminuição da resposta visual, em virtude de causas congênitas ou hereditárias, mesmo após tratamento clínico e/ou cirúrgico e uso de óculos convencionais, diminuição esta que pode ser leve, moderada, severa ou profunda. · As dificuldades enfrentadas pelos deficientes visuais sobre a aceitação e adaptação da perda visual, influenciam de forma negativa na sua reabilitação, fazendo deste um processo doloroso, pois o indivíduo se encontra com baixa auto-estima e não acredita que possa vencer esta barreira, interferindo também a deficiência visual em habilidades e capacidades. Afeta não somente a vida da pessoa que perdeu a visão, mas também dos membros da família, amigos, professores, empregadores e outros. · A vida em sociedade é marcada por significações que são atribuídas aos objetos e às coisas e, que terminam por dar certo direcionamento a vida. (PINTO, 2008) · Nesta direção, a forma como as pessoas vivem pode ser determinante na relação saúde/doença e nas condições objetivas e subjetivas da superação de suas necessidades. · A perda da capacidade visual implica outras perdas, como a percepção de eficácia, restrições escolares, ocupacionais, com consequente diminuição de renda que causam repercussões negativas no modo de vida das pessoas com deficiência visual. · As práticas constantes das tarefas diárias na vida de pessoas com baixa visão ou cegueira minimizam a dependência e maximizam a aquisição da independência e autonomia no cotidiano. · A presença da deficiência se estende à família, alternando a sua dinâmica, uma vez que os papéis entram em desequilíbrio; por outro lado gera um bloqueio afetivo que frustra o processo de socialização, ou seja, a participação nos diferentes grupos sociais com autonomia e independência, interferindo e até prejudicando o estabelecimento de projetos de vida. · Entender que os objetivos das Políticas Públicas para esse segmento da sociedade passa pela garantia dos direitos e pela inclusão social; passa também pela desconstrução da desqualificação e do preconceito, isto é, perceber que a pessoa com deficiência não é um ser inútil, mas um ser humano repleto de qualidades e talentos, que se manifestam não só na cultura e nas artes, mas também nas atividades produtivas e na vida diária; passa ainda por dar poder à pessoa com deficiência, ou seja, possibilitar que as pessoas com deficiência possam decidir sobre a construção de sua própria história; e passa, finalmente, pelo rompimento do pressuposto da “normalidade”, o qual vem a ser, não adotar um padrão único de solução para a infinidade de necessidades da população. · A palavra autonomia tem origem grega, autos (próprio) e nomos (regra, autoridade ou lei) e foi utilizada, originariamente, para expressar o autogoverno das cidades-estados independentes(3). Autonomia, para a pessoa com deficiência visual, poderá, portanto, ser interpretada como a "própria regra" ou "própria autoridade" para conduzir sua vida pessoal e social. · Para a pessoa com deficiência visual usufruir dessa autonomia é necessária, por exemplo, a utilização dos serviços de audiodescrição para garantir o acesso à informação, que muitas vezes, é visual. Esse serviço está em implantação no Brasil e muito beneficiará a pessoa com deficiência visual, por meio de narrativas visuais (4). · A pessoa com deficiência necessita da segurança com autonomia, de tal maneira, que a encoraje à independência pessoal e à liberdade prevista na Constituição Federal de 1988, com o direito pleno ao exercício da cidadania. · A reabilitação deve contribuir para a minimização do isolamento, muitas vezes ocasionado pela deficiência visual; aumentar a segurança em relação ao mundo e às pessoas, por meio de atividades autônomas e independentes, tais como a orientação e mobilidade, que oferecem uma locomoção segura e eficiente. Os diferentes vínculos sociais, no processo reabilitador, modificam e transformam significativamente a socialização das diferentes pessoas com deficiência visual. ÂMBITO SOCIAL · ÂMBITO ECONÔMICO · ÂMBITO FAMILIAR · image18.png image17.png image8.png image9.png image1.png image24.png image3.png image20.png image14.png image12.png image21.png image6.png image13.png image7.jpg image4.jpg image10.pngimage22.png image15.png image11.png image23.jpg image19.png image16.jpg image2.png image5.png