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Homicídio qualificado
§ 2°. Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou
por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo,
asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou
de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante
dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
STJ - REsp 1.209.852/PR
O reconhecimento da qualificadora da "paga ou promessa de recompensa" (inciso I do § 2º do art. 121) em relação ao
executor do crime de homicídio mercenário não qualifica automaticamente o delito em relação ao mandante, nada
obstante este possa incidir no referido dispositivo caso o motivo que o tenha levado a empreitar o óbito alheio
seja torpe.
STJ - HC 307.617/SP
Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2°, II, do CP), na hipótese de homicídio supostamente praticado por
agente que disputava "racha", quando o veículo por ele conduzido - em razão de choque com outro automóvel também
participante do "racha" - tenha atingido o veículo da vítima, terceiro estranho à disputa automobilística.
STJ - HC 307.617-SP
É incompatível com o dolo eventual a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2°, II, do CP).
STJ - AgRg no REsp 1.113.364/PE
A anterior discussão entre a vítima e o autor do homicídio, por si só, não afasta a qualificadora do motivo fútil.
STJ - REsp 1.836.556/PR
O dolo eventual no crime de homicídio é compatível com as qualificadoras objetivas previstas no art. 121, § 2º, III e IV, do
Código Penal.
STJ - REsp 1.829.601/PR
A qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual.
STJ - REsp 1.241.987/PR
O juiz na pronúncia não pode decotar a qualificadora relativa ao "meio cruel" (art. 121, § 2º, III, do CP) quando o
homicídio houver sido praticado mediante efetiva reiteração de golpes em região vital da vítima.
Homicídio qualificado
§ 2°. Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou
por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo,
asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel,
ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante
dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Homicídio qualificado
§ 2°. Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou
por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo,
asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel,
ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante
dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Lei nº 9.455/97
Art. 1º Constitui crime de tortura:
§ 3º. Se resulta lesão corporal de natureza grave ou
gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez
anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a
dezesseis anos.
Homicídio qualificado
§ 2°. Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou
por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo,
asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou
de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante
dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Homicídio qualificado
§ 2°. Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou
por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo,
asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou
de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante
dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Homicídio qualificado
§ 2°. Se o homicídio é cometido:
VII – contra autoridade ou agente descrito nos
arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
integrantes do sistema prisional e da Força
Nacional de Segurança Pública, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo
até terceiro grau, em razão dessa condição:
VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito
ou proibido:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Homicídio qualificado
§ 2°. Se o homicídio é cometido:
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts.
142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança
Pública, no exercício da função ou em decorrência
dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou
parente consanguíneo até terceiro grau, em razão
dessa condição:
VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito
ou proibido:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Feminicídio
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo
feminino:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2º-A. Considera-se que há razões de condição de
sexo feminino quando o crime envolve:
I - violência doméstica e familiar;
II - menosprezo ou discriminação à condição de
mulher.
Causas de Aumento do Feminicídio
§ 7º. A pena do feminicídio é aumentada de 1/3
(um terço) até a metade se o crime for praticado:
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses
posteriores ao parto;
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos,
maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou
portadora de doenças degenerativas que acarretem
condição limitante ou de vulnerabilidade física ou
mental;
III - na presença física ou virtual de descendente ou
de ascendente da vítima;
IV - em descumprimento das medidas protetivas de
urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do
art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.
Erro sobre a pessoa
§ 3º. O erro quanto à pessoa contra a qual o crime
é praticado não isenta de pena. Não se consideram,
neste caso, as condições ou qualidades da vítima,
senão as da pessoa contra quem o agente queria
praticar o crime.
Erro na execução
Art. 73. Quando, por acidente ou erro no uso dos
meios de execução, o agente, ao invés de atingir a
pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa
diversa, responde como se tivesse praticado o
crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no
§ 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser
também atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Erro sobre elementos do tipo
Art. 20. O erro sobre elemento constitutivo do tipo
legal de crime exclui o dolo, mas permite a
punição por crime culposo, se previsto em lei.
Descriminantes putativas
§ 1º. É isento de pena quem, por erro plenamente
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de
fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não
há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e
o fato é punível como crime culposo.
Erro sobre elementos do tipo
Art. 20. O erro sobre elemento constitutivo do tipo
legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição
por crime culposo, se previsto em lei.
Descriminantes putativas
§ 1º. É isento de pena quem, por erro plenamente
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de
fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não
há isenção de pena quando o erro deriva de culpa
e o fato é punível como crime culposo.
ERRO SOBRE A PESSOA
Legítima defesa
Art. 25. Entende-se em legítima defesa quem,
usando moderadamente dos meios necessários,
repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito
seuou de outrem.
Parágrafo único. Observados os requisitos
previstos no caput deste artigo, considera-se
também em legítima defesa o agente de segurança
pública que repele agressão ou risco de agressão a
vítima mantida refém durante a prática de crimes.
Homicídio culposo
§ 3º. Se o homicídio é culposo:
Pena - detenção, de um a três anos.
Aumento de pena
§ 4º. No homicídio culposo, a pena é aumentada de
1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância
de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o
agente deixa de prestar imediato socorro à vítima,
não procura diminuir as consequências do seu ato,
ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo
doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3
(um terço) se o crime é praticado contra pessoa
menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta)
anos.
§ 5º. Na hipótese de homicídio culposo, o juiz
poderá deixar de aplicar a pena, se as
consequências da infração atingirem o próprio
agente de forma tão grave que a sanção penal se
torne desnecessária.
§ 6º. A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a
metade se o crime for praticado por milícia privada,
sob o pretexto de prestação de serviço de
segurança, ou por grupo de extermínio.
STJ - HC 433.898/RS
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no crime de homicídio
praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar.
STJ - REsp 1.836.556/PR
O dolo eventual no crime de homicídio é compatível com as qualificadoras objetivas previstas no art. 121, § 2º, III e IV, do
Código Penal.
STJ - AgRg no REsp 1.851.435/PA
A tenra idade da vítima é fundamento idôneo para a majoração da pena-base do crime de homicídio pela valoração
negativa das consequências do crime.
STJ - REsp 1.829.601/PR
A qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual.
STJ - REsp 1.689.173/SC
A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de premissa bastante para a afirmação do
dolo eventual em acidente de trânsito com resultado morte.
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a
automutilação
Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou
a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio
material para que o faça:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.
§ 1º. Se da automutilação ou da tentativa de
suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou
gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129
deste Código:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a
automutilação
§ 2º. Se o suicídio se consuma ou se da
automutilação resulta morte:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
§ 3º. A pena é duplicada:
I - se o crime é praticado por motivo egoístico,
torpe ou fútil;
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por
qualquer causa, a capacidade de resistência.
§ 4º. A pena é aumentada até o dobro se a conduta
é realizada por meio da rede de computadores, de
rede social ou transmitida em tempo real.
Lesão corporal seguida de morte
§ 3º. Se resulta morte e as circunstâncias
evidenciam que o agente não quis o resultado, nem
assumiu o risco de produzi-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Diminuição de pena
§ 4º. Se o agente comete o crime impelido por
motivo de relevante valor social ou moral ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a
injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a
pena de um sexto a um terço.
Substituição da pena
§ 5º. O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda
substituir a pena de detenção pela de multa, de
duzentos mil réis a dois contos de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo
anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Lesão corporal culposa
§ 6º. Se a lesão é culposa:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Aumento de pena
§ 7º. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se
ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4º e 6º do
art. 121 deste Código.
§ 8º. Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do
art. 121.
Aumento de pena
§ 7º. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se
ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4º e 6º do
art. 121 deste Código.
§ 8º. Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do
art. 121.
Aumento de pena
§ 4º. No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância
de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima,
não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso
o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14
(quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
§ 5º. Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da
infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.
§ 6º. A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada,
sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
Violência Doméstica
§ 9º. Se a lesão for praticada contra ascendente,
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda,
prevalecendo-se o agente das relações domésticas,
de coabitação ou de hospitalidade:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.
Violência Doméstica
§ 9º. Se a lesão for praticada contra ascendente,
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda,
prevalecendo-se o agente das relações domésticas,
de coabitação ou de hospitalidade:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo,
se as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste
artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será
aumentada de um terço se o crime for cometido
contra pessoa portadora de deficiência.
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou
agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força
Nacional de Segurança Pública, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é
aumentada de um a dois terços.
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou
agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força
Nacional de Segurança Pública, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é
aumentada de um a dois terços.
Art. 1º. São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados
no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal,
consumados ou tentados:
I-A – lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2º) e lesão
corporal seguida de morte (art. 129, § 3º), quando praticadas contra autoridade
ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou
parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição;
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de
todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das
pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital.
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por
razões da condição do sexo feminino, nos termos do
§ 2º-A do art. 121 deste Código:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos).
§ 13. Se a lesão for praticadacontra a mulher, por
razões da condição do sexo feminino, nos termos do
§ 2º-A do art. 121 deste Código:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos).
Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à
integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica
e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado do
lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida:
I - pela autoridade judicial;
II - pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca; ou
III - pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver
delegado disponível no momento da denúncia.
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por
razões da condição do sexo feminino, nos termos do
§ 2º-A do art. 121 deste Código:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos).
Observe-se, inicialmente, que, conforme determina o art. 121, § 2º-A, I, do CP, a
qualificadora do feminicídio deve ser reconhecida nos casos em que o delito é
cometido em face de mulher em violência doméstica e familiar. Assim, "considerando
as circunstâncias subjetivas e objetivas, temos a possibilidade de coexistência entre as
qualificadoras do motivo torpe e do feminicídio. Isso porque a natureza do motivo
torpe é subjetiva, porquanto de caráter pessoal, enquanto o feminicídio possui
natureza objetiva, pois incide nos crimes praticados contra a mulher por razão do seu
gênero feminino e/ou sempre que o crime estiver atrelado à violência doméstica e
familiar propriamente dita, assim o animus do agente não é objeto de
análise" (Ministro Felix Fischer, REsp 1.707.113-MG, publicado em 07/12/2017).
Perigo de contágio venéreo
Art. 130. Expor alguém, por meio de relações
sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de
moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que
está contaminado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
§ 1º. Se é intenção do agente transmitir a moléstia:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 2º. Somente se procede mediante representação.
Perigo de contágio venéreo
Art. 130. Expor alguém, por meio de relações
sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de
moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que
está contaminado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
§ 1º. Se é intenção do agente transmitir a moléstia:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 2º. Somente se procede mediante representação.
Perigo de contágio venéreo
Art. 130. Expor alguém, por meio de relações
sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de
moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que
está contaminado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
§ 1º. Se é intenção do agente transmitir a moléstia:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 2º. Somente se procede mediante representação.
Aumento de pena
Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena
é aumentada:
IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o
agente transmite à vítima doença sexualmente
transmissível de que sabe ou deveria saber ser
portador, ou se a vítima é idosa ou pessoa com
deficiência.
Perigo de contágio de moléstia grave
Art. 131. Praticar, com o fim de transmitir a outrem
moléstia grave de que está contaminado, ato capaz
de produzir o contágio:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Perigo para a vida ou saúde de outrem
Art. 132. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo
direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato
não constitui crime mais grave.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a
um terço se a exposição da vida ou da saúde de
outrem a perigo decorre do transporte de pessoas
para a prestação de serviços em estabelecimentos
de qualquer natureza, em desacordo com as normas
legais.
Perigo para a vida ou saúde de outrem
Art. 132. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo
direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato
não constitui crime mais grave.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a
um terço se a exposição da vida ou da saúde de
outrem a perigo decorre do transporte de pessoas
para a prestação de serviços em estabelecimentos
de qualquer natureza, em desacordo com as normas
legais.
Art. 99. Expor a perigo a integridade e a saúde, física
ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições
desumanas ou degradantes ou privando-o de
alimentos e cuidados indispensáveis, quando
obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho
excessivo ou inadequado:
Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e
multa.
§ 1o. Se do fato resulta lesão corporal de natureza
grave:
Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2o. Se resulta a morte:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
Abandono de incapaz
Art. 133. Abandonar pessoa que está sob seu
cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por
qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos
resultantes do abandono:
Pena - detenção, de seis meses a três anos.
§ 1º. Se do abandono resulta lesão corporal de
natureza grave:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2º. Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Aumento de pena
§ 3º. As penas cominadas neste artigo aumentam-se
de um terço:
I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
II - se o agente é ascendente ou descendente,
cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima.
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos
Exposição ou abandono de recém-nascido
Art. 134. Expor ou abandonar recém-nascido, para
ocultar desonra própria:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
§ 1º. Se do fato resulta lesão corporal de natureza
grave:
Pena - detenção, de um a três anos.
§ 2º. Se resulta a morte:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Omissão de socorro
Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando
possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou
ferida, ao desamparo ou em grave e iminente
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da
autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se
da omissão resulta lesão corporal de natureza grave,
e triplicada, se resulta a morte.
Omissão de socorro
Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando
possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou
ferida, ao desamparo ou em grave e iminente
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da
autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se
da omissão resulta lesão corporal de natureza grave,
e triplicada, se resulta a morte.
Art. 97. Deixar de prestar assistência ao idoso,
quando possível fazê-lo sem risco pessoal, em
situação de iminente perigo, ou recusar, retardar ou
dificultar sua assistência à saúde, sem justa causa,
ou não pedir, nesses casos, o socorro de autoridade
pública:
Pena – detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e
multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se
da omissão resulta lesão corporal de natureza grave,
e triplicada, se resulta a morte.
Condicionamento de atendimento médico-
hospitalar emergencial
Art. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória
ou qualquer garantia, bem como o preenchimento
prévio de formulários administrativos, como
condição para o atendimento médico-hospitalar
emergencial:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e
multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se
da negativa de atendimento resulta lesão corporal
de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte.
Maus-tratos
Art. 136. Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa
sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim
de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer
privando-a de alimentação ou cuidados
indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho
excessivo ou inadequado, quer abusando de meios
de correção ou disciplina:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa.
§ 1º. Se do fato resulta lesão corporal de natureza
grave:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.§ 2º. Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
§ 3º. Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é
praticado contra pessoa menor de 14 (catorze)
anos.
Maus-tratos
Art. 136. Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa
sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim
de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer
privando-a de alimentação ou cuidados
indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho
excessivo ou inadequado, quer abusando de meios
de correção ou disciplina:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa.
§ 1º. Se do fato resulta lesão corporal de natureza
grave:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
§ 2º. Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
§ 3º. Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é
praticado contra pessoa menor de 14 (catorze)
anos.
Rixa
Art. 137. Participar de rixa, salvo para separar os
contendores:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou
multa.
Parágrafo único. Se ocorre morte ou lesão corporal
de natureza grave, aplica-se, pelo fato da
participação na rixa, a pena de detenção, de seis
meses a dois anos.
Rixa
Art. 137. Participar de rixa, salvo para separar os
contendores:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou
multa.
Parágrafo único. Se ocorre morte ou lesão corporal
de natureza grave, aplica-se, pelo fato da
participação na rixa, a pena de detenção, de seis
meses a dois anos.
Calúnia
Art. 138. Caluniar alguém, imputando-lhe
falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º. Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a
imputação, a propala ou divulga.
§ 2º. É punível a calúnia contra os mortos.
Exceção da verdade
§ 3º. Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação
privada, o ofendido não foi condenado por sentença
irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas
indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública,
o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
Calúnia
Art. 138. Caluniar alguém, imputando-lhe
falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º. Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a
imputação, a propala ou divulga.
§ 2º. É punível a calúnia contra os mortos.
Exceção da verdade
§ 3º. Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação
privada, o ofendido não foi condenado por sentença
irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas
indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública,
o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
Difamação
Art. 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato
ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Exceção da verdade
Parágrafo único. A exceção da verdade somente se
admite se o ofendido é funcionário público e a
ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
Difamação
Art. 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato
ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Exceção da verdade
Parágrafo único. A exceção da verdade somente se
admite se o ofendido é funcionário público e a
ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a
dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º. O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável,
provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em
outra injúria.
§ 2º. Se a injúria consiste em violência ou vias de
fato, que, por sua natureza ou pelo meio
empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa,
além da pena correspondente à violência.
§ 3º. Se a injúria consiste na utilização de elementos
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a
condição de pessoa idosa ou portadora de
deficiência:
Pena - reclusão de um a três anos e multa.
Calúnia
Art. 138. Caluniar alguém, imputando-lhe
falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º. Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a
imputação, a propala ou divulga.
§ 2º. É punível a calúnia contra os mortos.
Exceção da verdade
§ 3º. Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação
privada, o ofendido não foi condenado por sentença
irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas
indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública,
o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
Difamação
Art. 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato
ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Exceção da verdade
Parágrafo único. A exceção da verdade somente se
admite se o ofendido é funcionário público e a
ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a
dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º. O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável,
provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em
outra injúria.
§ 2º. Se a injúria consiste em violência ou vias de
fato, que, por sua natureza ou pelo meio
empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa,
além da pena correspondente à violência.
§ 3º. Se a injúria consiste na utilização de elementos
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a
condição de pessoa idosa ou portadora de
deficiência:
Pena - reclusão de um a três anos e multa.
Desacato
Art. 331. Desacatar funcionário público no exercício
da função ou em razão dela:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou
multa.
Denunciação caluniosa
Art. 339. Dar causa à instauração de inquérito
policial, de procedimento investigatório criminal, de
processo judicial, de processo administrativo
disciplinar, de inquérito civil ou de ação de
improbidade administrativa contra alguém,
imputando-lhe crime, infração ético-disciplinar ou
ato ímprobo de que o sabe inocente:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
§ 1º. A pena é aumentada de sexta parte, se o
agente se serve de anonimato ou de nome suposto.
§ 2º. A pena é diminuída de metade, se a imputação
é de prática de contravenção.
Comunicação falsa de crime ou de contravenção
Art. 340. Provocar a ação de autoridade,
comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de
contravenção que sabe não se ter verificado:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a
dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º. O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável,
provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em
outra injúria.
§ 2º. Se a injúria consiste em violência ou vias de
fato, que, por sua natureza ou pelo meio
empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa,
além da pena correspondente à violência.
§ 3º. Se a injúria consiste na utilização de elementos
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a
condição de pessoa idosa ou portadora de
deficiência:
Pena - reclusão de um a três anos e multa.
Disposições comuns
Art. 141. As penas cominadas neste Capítulo
aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é
cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe
de governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas
funções, ou contra os Presidentes do Senado
Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo
Tribunal Federal;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que
facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da
injúria.
IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou
portadora de deficiência, exceto no caso de injúria.
§ 1º. Se o crime é cometido mediante paga ou
promessa de recompensa, aplica-se a pena em
dobro.
§2º. Se o crime é cometido ou divulgado em
quaisquer modalidades das redes sociais da rede
mundial de computadores, aplica-se em triplo a
pena.
Exclusão do crime
Art. 142. Não constituem injúria ou difamação
punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa,
pela parte ou por seu procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística
ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de
injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário
público, em apreciação ou informação que preste no
cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único. Nos casos dos ns. I e III, responde
pela injúria ou pela difamação quem lhe dá
publicidade.
Retratação
Art. 143. O querelado que, antes da sentença, se
retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica
isento de pena.
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado
tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-
se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á,
se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios
em que se praticou a ofensa.
Art. 144. Se, de referências, alusões ou frases, se
infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga
ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele
que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as
dá satisfatórias, responde pela ofensa.
Art. 145. Nos crimes previstos neste Capítulo
somente se procede mediante queixa, salvo quando,
no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão
corporal.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do
Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do
art. 141 deste Código, e mediante representação do
ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem
como no caso do § 3o do art. 140 deste Código.
“E aí a fala da Tatiana foi muito importante, porque ela traz essa dimensão histórica, que envolve a escravidão de a
negros; depois, a abolição, sem nenhuma política de inclusão no mercado de trabalho, a exclusão territorial; e,
depois, toda uma produção de sentido que desqualifica essa comunidade como humana. Então, há um imaginário
impregnado, sobretudo nos agentes das forças de segurança, de que uma pessoa negra e pobre é potencialmente
perigosa, é mais perigosa do que uma pessoa branca de classe média. Esse é um imaginário que está impregnado na
gente, uma dimensão aí. E os policiais partem desse imaginário” (STF, AP 1021/DF)
O crime de injúria racial, espécie do gênero racismo, é imprescritível. A prática de injuria racial, prevista no art. 140,
§ 3º, do Código Penal (CP) (1), traz em seu bojo o emprego de elementos associados aos que se definem como raça,
cor, etnia, religião ou origem para se ofender ou insultar alguém. Consistindo o racismo em processo sistemático de
discriminação que elege a raça como critério distintivo para estabelecer desvantagens valorativas e materiais, a
injúria racial consuma os objetivos concretos da circulação de estereótipos e estigmas raciais. Nesse sentido, é
insubsistente a alegação de que há distinção ontológica entre as condutas previstas na Lei 7.716/1989 e aquela
constante do art. 140, § 3º, do CP. Em ambos os casos, há o emprego de elementos discriminatórios baseados
naquilo que sociopoliticamente constitui raça, para a violação, o ataque, a supressão de direitos fundamentais do
ofendido. Sendo assim, excluir o crime de injúria racial do âmbito do mandado constitucional de criminalização por
meras considerações formalistas desprovidas de substância, por uma leitura geográfica apartada da busca da
compreensão do sentido e do alcance do mandado constitucional de criminalização, é restringir-lhe indevidamente a
aplicabilidade, negando-lhe vigência. Com base nesse entendimento, o Plenário, por maioria, denegou a ordem de
habeas corpus, nos termos do voto do relator. Vencido o ministro Nunes Marques. (STF, HC 154248/DF)
A Seção entendeu que compete à Justiça estadual processar e julgar os crimes de injúria praticados por meio da
rede mundial de computadores, ainda que em páginas eletrônicas internacionais, tais como as redes sociais Orkut
e Twitter. Asseverou-se que o simples fato de o suposto delito ter sido cometido pela internet não atrai, por si só, a
competência da Justiça Federal. Destacou-se que a conduta delituosa - mensagens de caráter ofensivo publicadas
pela ex-namorada da vítima nas mencionadas redes sociais - não se subsume em nenhuma das hipóteses elencadas
no art. 109, IV e V, da CF. O delito de injúria não está previsto em tratado ou convenção internacional em que o Brasil
se comprometeu a combater, por exemplo, os crimes de racismo, xenofobia, publicação de pornografia infantil, entre
outros. Ademais, as mensagens veiculadas na internet não ofenderam bens, interesses ou serviços da União ou de
suas entidades autárquicas ou empresas públicas. Dessa forma, declarou-se competente para conhecer e julgar o
feito o juízo de Direito do Juizado Especial Civil e Criminal. (STJ, CC 121.431-SE).
A retratação da calúnia, feita antes da sentença, acarreta a extinção da punibilidade do agente independente de
aceitação do ofendido. (APn 912/RJ)
A ausência de previsibilidade de que a ofensa chegue ao conhecimento da vítima afasta o dolo específico do delito
de injúria, tornando a conduta atípica. (STJ, REsp 1.765.673-SP)
Esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de postagem que sugere relação extraconjugal do
marido (STF, Pet 7.417 AgR/DF)
É possível que se impute, de forma concomitante, a prática dos crimes de calúnia, de difamação e de injúria ao
agente que divulga, em uma única carta, dizeres aptos a configurar os referidos delitos, sobretudo no caso em que
os trechos utilizados para caracterizar o crime de calúnia forem diversos dos empregados para demonstrar a prática
do crime de difamação. (STJ, RHC 41.527-RJ)
Disposições comuns
Art. 141. As penas cominadas neste Capítulo
aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é
cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe
de governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas
funções, ou contra os Presidentes do Senado
Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo
Tribunal Federal;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que
facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da
injúria.
IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou
portadora de deficiência, exceto no caso de injúria.
§ 1º. Se o crime é cometido mediante paga ou
promessa de recompensa, aplica-se a pena em
dobro.
§ 2º. Se o crime é cometido ou divulgado em
quaisquer modalidades das redes sociais da rede
mundial de computadores, aplica-se em triplo a
pena.
Exclusão do crime
Art. 142. Não constituem injúria ou difamação
punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa,
pela parte ou por seu procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística
ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de
injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário
público, em apreciação ou informação que preste no
cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único. Nos casos dos ns. I e III, responde
pela injúria ou pela difamação quem lhe dá
publicidade.
Retratação
Art. 143. O querelado que, antes da sentença, se
retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica
isento de pena.
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado
tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-
se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á,
se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios
em que se praticou a ofensa.
STJ, APn 912/RJ
A retratação da calúnia, feita antes da sentença,
acarreta a extinção da punibilidade do agente
independente de aceitação do ofendido.
Art. 144. Se, de referências, alusões ou frases, se
infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga
ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele
que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as
dá satisfatórias, responde pela ofensa.
Art. 145. Nos crimes previstos neste Capítulo
somente se procede mediante queixa, salvo quando,
no caso do art. 140, § 2º, da violência resultalesão
corporal.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do
Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do
art. 141 deste Código, e mediante representação do
ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem
como no caso do § 3o do art. 140 deste Código.
Súmula 714 do STF
É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante
queixa, e do Ministério Público, condicionada à
representação do ofendido, para a ação penal por
crime contra a honra de servidor público em razão
do exercício de suas funções.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
PROFESSOR DERMEVAL FARIAS
Instagram @professordermevalfarias
Furto
Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
§ 4º-B. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se o furto mediante fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático, conectado ou não à rede de computadores, com ou sem a violação de mecanismo de segurança ou a utilização de
programa malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021)
§ 4º-C. A pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso: (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021)
I – aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional; (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021)
II – aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é praticado contra idoso ou vulnerável. (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021)
§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
§ 6o A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se a subtração for de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração. (Incluído pela Lei nº 13.330, de 2016)
§ 7º A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14155.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14155.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14155.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14155.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9426.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13330.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
SÚMULAS do STJ sobre furto
Súmula 442 É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a
majorante do roubo.
Súmula 511 É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos
casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o
pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.
Súmula 567 Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência
de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a
configuração do crime de furto.
Súmula 582 Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante
emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à
perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse
mansa e pacífica ou desvigiada.
Furto
1- Análise elementares do tipo
2- Momento consumativo
2.1- Contrectatio
2.2- Apreensório ou apprehensio
2.3- Ablatio
2.4- Amotio (Súmula 582 STJ)
2.5- Illatio
3- Furto noturno- §1º
4- Furto privilegiado- §2º (diferente de furto insignificante)
5- Furto qualificado- §4º, §4ºA, §5º, §6º e §7º
6- Relação com concurso de pessoas
7- Relação com concurso de crimes
Análise das elementares do
furto
Furto
Apossamento da coisa alheia:
direto ou indireto:
O apossamento da coisa alheia, que caracteriza a conduta de subtrair,
pode ser direto ou indireto: “Há o apossamento direto quando o
sujeito pessoalmente subtrai o objeto material. Há a forma indireta
quando o sujeito se vale, por exemplo, de animais adestrados para a
realização da subtração” (JESUS, v.II, 2020, p.421).
Furto
coisa alheia:
A elementar coisa alheia constitui uma elementar normativa. Dessa forma, não é
possível o furto de coisa própria, mesmo se o agente acreditar que estar subtraindo
coisa alheia. Em tal hipótese, o fato será atípico se a coisa for própria. De forma
reversa, no caso de o agente subtrair coisa alheia acreditando tratar-se de coisa
própria, haverá erro de tipo que afasta o dolo, não há se perquirir se o erro é
vencível e possibilidade de culpa, porque não existe furto na forma culposa
(exemplo: Caio pega uma mala no aeroporto, acreditando tratar-se de coisa própria,
porque a mala era idêntica à sua. Em seguida, é abordado por um segurança do
aeroporto que solicita a devolução da mala que pertence a um terceiro. Caio atuou
com erro de tipo (art.20 caput do CP) que incidiu sobre e elementar coisa alheia.
ATENÇÃO: O CP de 1890 punia o furto de coisa própria (art.332). O CP de 1940 não repetiu a
redação.
Furto
Objeto jurídico:
O bem jurídico tutelado na norma que se apresenta no caput do art.155 do CP é o
patrimônio. Protege-se a posse, a detenção ou a propriedade da coisa. De forma
imediata, protege-se a posse. Não há proteção de coisa abandonada ou de coisa de
ninguém. “É necessário, porém, que a posse seja legítima. Assim, no exemplo do
ladrão que furta ladrão, existe furto, entretanto o sujeito passivo do segundo fato
não é o ladrão, e sim o dono da coisa” (JESUS, v.II, 2020, p.417).
ATENÇÃO: é chamado de furto impróprio o que ofende apenas a posse quando dela está
privado o proprietário (MARTINS, 2014, p.32).
Furto
Objeto material:
O sentido de coisa móvel constitui o objeto material do furto.
Coisa móvel ainda pode ser definida como:
“[...] todo objeto material que, tendo algum valor para o dono ou
possuidor, ainda que de afeição ou meramente de uso, possa, e
qualquer maneira, ser separado das coisas, apreendido, subtraído e
levado para outro lugar” (MARTINS, xxxx, p.19xxx)..
Furto
Objeto material:
O sentido de coisa móvel constitui o objeto material do furto.
Coisa móvel ainda pode ser definida como:
“[...] todo objeto material que, tendo algum valor para o dono ou
possuidor, ainda que de afeição ou meramente de uso, possa, e
qualquer maneira, ser separado das coisas, apreendido, subtraído e
levado para outro lugar” (MARTINS, xxxx, p.19xxx)..
Furto
Objeto material:
O sentido de coisa móvel constitui o objeto material do furto.
Bens móveis, segundo do art. 82 do Código Civil, são os bens suscetíveis de movimento
próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação
econômico-social. No entanto, o sentido de bem móvelpara o Direito Penal (sentido
naturalístico) nem sempre corresponde ao sentido de coisa móvel atribuído pelo Direito
Civil. Para o Direito Penal, a possibilidade de deslocamento do bem o caracteriza como bem
móvel, enquanto o Direito Civil (CC) considera determinados bens como imóveis, apesar de
poderem ser deslocados, conforme art.81 do CC:
“Não perdem o caráter de imóveis: I - as edificações que, separadas do solo, mas
conservando a sua unidade, forem removidas para outro local; II - os materiais
provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem”.
Furto
Objeto material:
O sentido de coisa móvel constitui o objeto material do furto.
“De outro lado, porque podem ser objeto material desses crimes os navios
(imóveis por determinação legal) e os animais, as máquinas, os efeites de casa,
mesmo quando, segundo o Código Civil, se caracterizem como imóveis por
acessão intelectual, coisas que podem ser removidas naturalmente de onde
estão; ou árvores, seus frutos, as partes da casa (uma porta, uma janela) ou
porções do solo (a areia monazítica, as pedras preciosas e semipreciosas), que
se mobilizam ao serem arrancadas, cortadas ou colhidas”. (MARTINS, 2014,
p.19).
Observação da expressão em vermelho
Furto
Coisa de propriedade do agente? Para responder, é necessário responder se o bem imediatamente tutelado é a posse ou a
propriedade.
“alheia é a coisa que se acha na posse de terceiro e não somente a pertencente a outrem” Noronha, apud Weber,p.27).
Posição diversa de Nelson Hungria, sob o fundamento de que o legislador repeliu a punição do furto de coisa própria,
consagrando a punição da conduta no art.346 (p.28). “Não se pode negar a lei a pretexto de ser iníqua”
No mesmo sentido de Hungria é a posição de Fragoso, Damásio, Mirabete, Mayrink, Weber
O CP de 1890 punia o furto de coisa própria (art.332). O CP de 1940 não repetiu a redação.
Furto impróprio- aquele que ofende a posse
Sujeito passivo de furto e de roubo é tanto o propietário quanto o possuidor (Weber, p.32)
Furto
Perguntas iniciais
É possível tentativa de furto da estátua da liberdade?
O cheque pode ser objeto de furto?
Caça de animais selvagens em terreno alheio?
Pesca em tanque particular?
Coisa de dono ignorado?
A dívida de serviço de transporte urbano por táxi pode ser considerada coisa
alheia móvel para configurar a tipicidade do crime de furto?
QUESTÃO: o cheque pode ser objeto de furto?
Segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), sim, conforme decisão abaixo:
STJ [...]
3. Na hipótese dos autos, a despeito da res furtiva não possuir expressão econômica intrínseca - no
caso, um talão de cheques -, é inegável a existência de prejuízos suportados pelo proprietário,
acarretados pela cobrança de tarifas bancárias, bem como a sua sujeição a eventual constrangimento
judicial ou administrativo por meio de órgãos competentes, fruto de estelionato, fraude, falsificação ou
outro tipo de conduta que possa ocorrer com a ilícita circulação das cártulas.
[...] (AgRg no REsp 1342213/MT, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em
06/05/2014, DJe 13/05/2014)”.
QUESTÃO: A dívida de serviço de transporte urbano por táxi pode ser considerada coisa
alheia móvel para configurar a tipicidade do crime de furto?
Segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), não, conforme decisão abaixo:
“DIREITO PENAL. RECURSO ESPECIAL. TENTATIVA DE LATROCÍNIO. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA. REVOLVIMENTO PROBATÓRIO.
DESCLASSIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. DÍVIDA DE CORRIDA DE TÁXI. COISA ALHEIA MÓVEL. NÃO CONFIGURAÇÃO. RECURSO PARCIALMENTE
CONHECIDO E PROVIDO.
1. Na linha da jurisprudência deste Tribunal, "para reconhecer a desistência voluntária, exige-se examinar o iter criminis e o elemento subjetivo da
conduta, a fim de avaliar se os atos executórios foram iniciados e se a consumação não ocorreu por circunstância inerente à vontade do agente, tarefa
indissociável do arcabouço probatório" (AgRg no AREsp n. 1.214.790/CE, relator Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 17/5/2018,
DJe de 23/5/2018). Incidência da Súmula n. 7/STJ. 2. A dívida de serviço de transporte urbano por táxi não pode ser considerada "coisa
alheia móvel" para fins de configuração da tipicidade dos delitos patrimoniais, sob pena de se fazer equiparação em prejuízo do
acusado, violando o princípio da legalidade estrita que rege o Direito Penal. 3. A dinâmica dos fatos narrada no acórdão descrevendo a
conduta da ré, que desferiu uma facada no pescoço do taxista, ao fim da corrida, por não possuir dinheiro para o pagamento, não se amolda à figura
do latrocínio. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e provido. Ordem concedida, de ofício, para que a recorrente seja posta em liberdade. (REsp
1757543/RS, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 24/09/2019, DJe 07/10/2019)”.
QUESTÃO: objeto não quantificável economicamente, mas que possui valor de afeição para o seu dono, pode figurar como
coisa para efeito de crime patrimonial?
Esse tema figura na doutrina de maneira divergente. Uma parte da doutrina entende que a resposta é negativa, uma vez
que não pode existir crime patrimonial se o interesse jurídico não é apreciado economicamente (Fragoso). A resposta é
sim para Antolisei (1954, P.E.,v.1, p.189):
“O patrimônio não compreende apenas as relações jurídicas apreciáveis– isto é, os direitos que são avaliáveis em
dinheiro– senão também as que versam sobre coisas que têm mero valor de afeição (recordações de família, objetos que
nos são caros por motivo especiais, etc). posto que também essas coisas fazem parte do patrimônio, a subtração delas
representa, sem dúvida, uma diminuição patrimonial e, assim, constitui um dano patrimonial”.
Essa perspectiva compreende que inexiste identidade entre dano patrimonial e dano econômico, ou seja, o dano
patrimonial compreende não somente o dano econômico, mas tem uma extensão maior.
Sobre o tema, com apoio em Noronha, argumenta Weber (2014, p.9):
“Ora– como o diz Noronha–, se é o próprio Direito Civil que reconhece a existência do direito de propriedade sobre a coisa
que não tem valor pecuniário, mas tem valor de afeição, seria ilógico retirar desse direito a tutela da lei penal (1977, v.2,
p.232).
Assim, deve-se concluir que faz parte do patrimônio das pessoas e, portanto, deve ser considerado coisa, para o direito
Penal, qualquer objeto material que, embora não seja economicamente apreciável, tenha algum valor para o dono ou
possuidor, por satisfazer suas necessidades, usos ou prazeres. Incluem-se entre estes, por exemplo, a mecha de cabelos do
único amor de sua vida, acarta do filho morto, o pedaço de tecido da capa da santa milagrosa, das pessoas humildes, a
pedra colhida no caminho por onde Jesus teria passado, uma pequena porção do solo da terra natal, etc. –objetos que,
embora sem valor de troca, podem ter grande valor de afeição para o dono”.
Questões para debate
Furto de uso
Coisa alheia, abandonada, perdida, esquecida
Sêmem de animal
- Quem encomenda subtração específica a outrem é coautor do
furto e não receptador
- Relação entre furto qualificado e princípio da insignificância
- concurso entre as circunstâncias qualificadoras
Consumação do furto
Acrescentei explicações na aula.
As teorias relativas à consumação do furto e do roubo são as seguintes
Contrectatio: basta tocar a coisa alheia com a intenção de subtrair;
Apreensório ou apprehensio: basta segurar a coisa alheia com a intenção de
subtrair;
Amotio: basta a inversão da posse, ainda que por breve espaço de tempo, sem
necessidade de posse mansa e pacífica;
Ablatio: exige a posse mansa e pacífica da coisa, de forma desvigiada (sentido
que foi poluído na doutrina, originariamente possui outro significado);
Illatio: exige o transporte da coisa para o seu local de destino.
Observações na aula: : Weber página 45-46
A jurisprudência atual, tanto do STF quanto do STJ, no que concerne
ao momento consumativo do furto e do roubo, adota a teoria da
amotio,segundo a qual o furto e o roubo se consumam com a
inversão da posse, sem necessidade de posse mansa e pacífica. Em
alguns julgados, o STJ menciona amotio ou apreehensio, com
imprecisão terminológica. Existe entendimento sumulado do STJ, no
qual se observa o conceito da teoria da amotio: Súmula 582:
“consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem
mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve
tempo e em seguida à perseguição imediata”.
As teorias relativas à consumação do furto e do roubo são as seguintes:
Contrectatio: basta tocar a coisa alheia com a intenção de subtrair;
Apreensório ou apprehensio: basta segurar a coisa alheia com a intenção de
subtrair;
Amotio: basta a inversão da posse, ainda que por breve espaço de tempo, sem
necessidade de posse mansa e pacífica;
Ablatio: exige a posse mansa e pacífica da coisa, de forma desvigiada;
Illatio: exige o transporte da coisa para o seu local de destino.
Furto- CONSUMAÇÃO
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. INQUÉRITO POLICIAL. COMPETÊNCIA RELATIVA. FURTO MEDIANTE FRAUDE. SAQUE DE PARCELA DE SEGURO-DESEMPREGO SEM O
CONSENTIMENTO OU CONHECIMENTO DA VÍTIMA.
TEORIA DA AMOTIO. CONSUMAÇÃO NO LOCAL EM QUE OS VALORES FORAM SACADOS.
1. Situação em que, ao tentar sacar parcela do seguro-desemprego a que fazia jus, a vítima foi informada, por funcionária de agência da Caixa Econômica Federal, em Niterói/RJ, que tais
valores haviam sido previamente sacados por terceiro não identificado em agência da mesma instituição bancária, localizada em Praia Grande/SP.
O relatório da autoridade policial informa a existência de uma série de investigações de delitos com modus operandi semelhante, nos quais saques foram efetuados em autoatendimento ou
lotéricas, com utilização de cartão cidadão emitido pelo Ministério do Trabalho, sem prévia solicitação dos beneficiários, cujos endereços de entrega foram indevidamente alterados.
Embora se suspeite da existência de uma mesma organização criminosa responsável por grande parte dos delitos, não há, ainda, evidências palpáveis de que ela se situe no Estado do Rio de
Janeiro ou de que envolva servidores do Ministério do Trabalho ou da Caixa Econômica Federal. 2. Diferenciando o estelionato do furto com fraude, a Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS
MOURA esclarece que "O furto mediante fraude, escalada ou destreza não se confunde com o estelionato. No primeiro, a fraude visa a diminuir a vigilância da vítima, sem que esta perceba que
está sendo desapossada; há discordância expressa ou presumida do titular do direito patrimonial em relação à conduta do agente. No segundo, a fraude visa a fazer com que a vítima incida em
erro e, espontaneamente, entregue o bem ao agente; o consentimento da vítima integra a própria figura delituosa" (CC 86.241/PR, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Terceira
Seção, julgado em 8/8/2007, DJ 20/8/2007, p. 237).
3. Se o agente fraudador teve acesso aos valores de seguro-desemprego sem o conhecimento ou anuência do legítimo beneficiário, que não colaborou de forma alguma para a consumação do
delito, é de se concluir que a conduta investigada melhor se amolda ao furto qualificado pela fraude, previsto no art. 155, § 4º, inciso II, do Código Penal.
4. Tendo em conta que o Código Penal adota a teoria da aprehensio ou amotio, segundo a qual a consumação do crime de furto ocorre com a simples inversão da posse da res, e que, de posse
do cartão cidadão, os valores do seguro-desemprego podem ser sacados em qualquer agência bancária da Caixa Econômica Federal, em máquinas de autoatendimento ou em lotéricas, é de
se reconhecer que o delito se consuma no momento e no local em que ocorre o saque.
Precedentes: CC 168.878/RJ, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Terceira Seção, julgado em 27/11/2019, DJe 6/12/2019. Decisões monocráticas: CC 168.183/RJ (Rel. Ministro RIBEIRO
DANTAS, DJe de 8/10/2019; CC 167.258/RJ; Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO (Desembargador Convocado do TJ/PE), DJe de 15/10/2019; CC 167.033/RJ, Rel. Ministro
JORGE MUSSI, DJe de 12/11/2019; CC 167.948/RJ, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, DJe de 5/9/2019; CC 167.037/RJ, Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, DJe de 2/9/2019;
CC 166.228/RJ, Rel. Ministro ROGÉRIO SCHIETTI CRUZ, DJe de 2/8/2019.
5. Conflito conhecido, a fim de declarar competente para a condução do Inquérito Policial o Juízo Federal da 1ª Vara de São Vicente - SJ/SP, o suscitado.
(CC 167.440/RJ, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2019, DJe 17/12/2019)
ATENÇÃO
Furto- CONSUMAÇÃO
STJ
SÚMULA n. 567
Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência
de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna
impossível a configuração do crime de furto.
Furto
3- Furto noturno- §1º
Furto
Acrescentei explicações na aula.
3- Furto noturno- §1º
Noite- sentido?
Habitação- há ou não necessidade?
Há possibilidade de convívio com a hipótese qualificada?
FURTO COM REPOUSO NOTURNO- Há possibilidade de convívio com a hipótese qualificada?
STJ
Explicação durante a aula
PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES DE FURTO QUALIFICADO PRATICADO DURANTE REPOUSO
NOTURNO, ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA E EXPLOSÃO. FURTO QUALIFICADO. COMPATIBILIDADE ENTRE A QUALIFICADORA E A MAJORANTE PREVISTA NO §
1º DO ART. 155 DO CP. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. REVERSÃO DO JULGADO. REEXAME DE PROVAS.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. EXPLOSÃO. CONSUNÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
OFENSA A BENS JURÍDICOS DISTINTOS DO DELITO DE FURTO. 1. A causa de aumento prevista no § 1.° do art. 155 do Código Penal, que se refere à
prática do crime durante o repouso noturno - em que há maior possibilidade de êxito na empreitada criminosa em razão da menor vigilância do bem,
mais vulnerável à subtração -, é aplicável tanto na forma simples como na qualificada do delito de furto (HC 306.450/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA
DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 4/12/2014, DJe 17/12/2014).
2. Presentes a materialidade do delito do art. 288, parágrafo único, do CP e indícios suficientes de autoria, reconhecidos pelas instâncias ordinárias, a
pretensão de absolvição encontra óbice na Súmula 7/STJ.
3. Demonstrado que a conduta delituosa expôs, de forma concreta, o patrimônio de outrem decorrente do grande potencial destruidor da explosão,
notadamente porque o banco encontra-se situado em edifício destinado ao uso público, ensejando a adequação típica ao crime previsto no art. 251 do
CP, incabível a incidência do princípio da consunção.
4. Infrações que atingem bens jurídicos distintos, enquanto o delito de furto viola o patrimônio da instituição financeira, o crime de explosão ofende a
incolumidade pública.
5. Recurso especial e agravo em recurso especial improvidos.
(REsp 1647539/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 01/12/2017)
FURTO COM REPOUSO NOTURNO- Há possibilidade de convívio com a hipótese
qualificada?
STJ [...]
4. Nos moldes da jurisprudência desta Corte, "as normas que estabelecem as
qualificadoras do furto e a causa de aumento do repouso noturno são harmonizáveis,
haja vista que o legislador tanto nas qualificadoras objetivas (§ 4º do art. 155 do Código
Penal) como na referida causa de aumento apreciou e revalorou o desvalor da ação do
agente, e não fez uma análise sob a ótica do desvalor do resultado. Impende registrar
que a causa de aumento de pena em comento, assim como as demais majorantes
previstas no Código Penal e na legislação esparsa, nada mais são do que circunstâncias
especiais erigidas pelo legislador infraconstitucional como de maior gravidade" (HC
509.594/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 6/6/2019, DJe
11/6/2019). [...] (HC 559.086/SC, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA,
julgado em 05/03/2020, DJe 23/03/2020).
FURTO COM REPOUSO NOTURNO- Há possibilidade de convívio com a hipótese qualificada?
STJ
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSOESPECIAL. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE.
INEXISTÊNCIA DE OFENSA. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 932 DO CPC E 34 DO RISTJ E DA SÚMULA N. 568 DO STJ. FURTO QUALIFICADO E AUMENTO DA
PENA EM RAZÃO DO REPOUSO NOTURNO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA PENA RECLUSIVA POR RESTRITIVA DE DIREITOS. MAUS ANTECEDENTES.
DESCABIMENTO. EXECUÇÃO IMEDIATA DA PENA. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO EM PARTE.
1. Não há falar em ofensa ao princípio da colegialidade quando a decisão monocrática é proferida em obediência aos arts. 932 do Código de Processo
Civil e 34, XVIII e XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e ao enunciado contido no verbete sumular n. 568 desta Corte Superior, que
franqueiam ao relator a possibilidade de não conhecer de recurso caso manifestamente inadmissível, procedente ou improcedente.
2. É possível a incidência da causa de aumento referente ao repouso noturno tanto no crime de furto simples como na sua modalidade qualificada. Precedentes.
3. É incabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direito diante da presença de circunstância judicial desfavorável ao réu.
4. Em recente julgamento, o Supremo Tribunal Federal, nas ADCs n.
43, 44 e 54, decidiu que é constitucional a regra do Código de Processo Penal que prevê o esgotamento de todas as possibilidades de recurso para o
início do cumprimento da pena. Assim, não se pode mais executar antecipadamente a reprimenda imposta em condenação penal, confirmada pelo
Tribunal, nas hipóteses em que o acusado respondeu em liberdade ao processo 5. Agravo regimental provido em parte, para afastar a execução
provisória da pena.
(AgRg no AREsp 1373881/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 02/06/2020, DJe 10/06/2020)
FURTO COM REPOUSO NOTURNO- Habitação- há ou não necessidade?
STJ
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FURTO QUALIFICADO.
ESTABELECIMENTO COMERCIAL. REPOUSO NOTURNO. MAJORANTE.
APLICABILIDADE. PRECEDENTES. 1. Consoante a jurisprudência sedimentada
nesta Corte Superior, a causa de aumento do art. 155, § 1º, do CP, é aplicável
tanto para o furto simples como para o qualificado e independe de o local do fato
encontrar-se habitado ou não durante a execução do crime. Precedentes.
2. Agravo regimental ao qual se nega provimento.
(AgRg no REsp 1726761/SC, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado
em 19/11/2019, DJe 03/12/2019)
FURTO COM REPOUSO NOTURNO- Habitação- há ou não necessidade?
STJ
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FURTO. CRIME OCORRIDO DURANTE O
REPOUSO NOTURNO. APLICAÇÃO DA MAJORANTE DO ART. 155, § 1º, DO CÓDIGO
PENAL ? CP. ESTABELECIMENTO COMERCIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO.
1. A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que, para aplicação da
majorante do § 1º do art. 155 do Código Penal, basta que o furto seja praticado
durante o repouso noturno, ainda que o local dos fatos seja estabelecimento comercial
ou residência desabitada, tendo em vista que a lei não faz referência ao local do crime.
2 . Agravo regimental desprovido.
(AgRg no REsp 1851700/DF, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA,
julgado em 22/09/2020, DJe 28/09/2020)
FURTO COM REPOUSO NOTURNO- julgado isolado (interessante)
STJ
HABEAS CORPUS. FURTO. REPOUSO NOTURNO. DELITO PRATICADO EM VIA PÚBLICA. DIMINUIÇÃO DA
VIGILÂNCIA DA VÍTIMA. AUSÊNCIA. EXISTÊNCIA DE OUTRAS PESSOAS NO LOCAL. CAUSA DE AUMENTO NÃO
CONFIGURADA.
1. Com inclusão da causa de aumento prevista no art. 155, § 1º, do Código Penal, quis o legislador punir mais
severamente o agente que se utiliza da diminuição da vigilância, própria do período de repouso noturno, no
intuito de facilitar a prática ou ocultação da empreitada criminosa.
2. Se, embora o furto tenha ocorrido durante a noite, tal circunstância não contribuiu para a sua prática ou a
ocultação, especialmente porque não havia diminuição da vigilância da vítima em relação à res furtiva, não é
cabível a aplicação da causa de aumento do furto noturno.
3. Hipótese em que o furto ocorreu em via pública, não havia diminuição da vigilância sobre a res furtiva que, no
caso, era o relógio que estava no pulso da vítima e, ainda, segundo consta dos autos, não estava configurada a
situação de repouso pois, em razão de acidente automobilístico envolvendo aquele que viria a ser o autor do
furto e a vítima, havia um agrupamento de pessoas no local.
4. Ordem concedida, para afastar a causa de aumento do repouso noturno e, em consequência, reduzir a pena
referente ao furto para 1 (um) ano e 6 (seis) meses de reclusão e 15 (quinze) dias-multa.
(HC 116.432/RJ, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 01/06/2010, DJe 28/06/2010)
Ao incidir sobre a pena do furto simples previsto caput, a causa de aumento
altera o patamar mínimo e impede a suspensão condicional do processo, mas
não impede o acordo de não persecução penal. No caso de convivência do
repouso noturno com a forma privilegiada, é possível a incidência da suspensão
condicional do processo, uma vez que a causa de aumento corresponde ao
aumento de 1/3, mas uma das alternativas do privilégio consiste na redução de
2/3 da pena.
Furto
4- Furto privilegiado- §2º
Requisitos
Diferenças entre o furto privilegiado e o furto insignificante
Há possibilidade de convívio com a hipótese qualificada?
JULGADOS
STJ FURTO QUALIFICADO – furto privilegiado e abuso de confiança
STJ [...]
3. No que se refere à figura do furto privilegiado, o art. 155, § 2º, do Código Penal impõe a aplicação
do benefício penal na hipótese de adimplemento dos requisitos legais da primariedade e do pequeno
valor do bem furtado, assim considerado aquele inferior ao salário mínimo ao tempo do fato. Trata-se,
em verdade, de direito subjetivo do réu, não configurando mera faculdade do julgador a sua
concessão, embora o dispositivo legal empregue o verbo "poder". No caso, cuida-se de réu primário à
época dos fatos, condenado pelo furto de pneu estepe, bem avaliado em R$ 300,00 (trezentos reais),
ou seja, em montante inferior ao salário mínimo em vigor em 2018.
4. Nos termos da pacífica jurisprudência desta Corte, consolidada na Súmula 511/STJ, é viável a
incidência do privilégio na hipótese de furto qualificado, desde que a qualificadora seja de caráter
objetivo. Decerto, a única qualificadora que inviabiliza o benefício penal é a de abuso de confiança
(CP, art. 155, § 4º, II, primeira parte).
[...]
(HC 579.142/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 02/06/2020, DJe 15/06/2020)
ATENÇÃO
JULGADOS
STJ FURTO QUALIFICADO – furto privilegiado e abuso de confiança
STJ [...]
5. Nos termos da pacífica jurisprudência desta Corte, consolidada na Súmula/STJ 511, é viável a
incidência do privilégio na hipótese de furto qualificado, desde que a qualificadora seja de caráter
objetivo. Decerto, a única qualificadora que inviabiliza o benefício penal é a de abuso de confiança
(CP, art. 155, § 4º, II, primeira parte).
6. No caso, tratando-se de réu primário, condenado pelo furto de bens de pequeno valor e tendo
incidido as qualificadoras objetivas do repouso noturno e do concurso de pessoas, deve ser
reconhecido o privilégio.
[...]
(HC 633.407/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 02/02/2021, DJe
08/02/2021)
ATENÇÃO
JULGADOS
STJ FURTO QUALIFICADO – furto privilegiado e a qualificadora do emprego de fraude para afastar a vigilância
da vítima
1. A Terceira Seção desta Corte Superior, no julgamento dos EREsp n. 842.425/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, DJe 02/09/2011, e do REsp n.
1.193.194/MG, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, DJe 22/8/2012, sob a égide dos recursos repetitivos, art. 543-C do CPC, firmou
posicionamento no sentido da possibilidade da aplicação do privilégio previsto no art. 155, § 2º, do Código Penal ao furto qualificado, máxime se
presente qualificadora de índole objetiva, a primariedade do réu e o pequeno valor da coisa furtada.
2. A qualificadora do emprego de fraude possui natureza subjetiva e, poressa razão, por demonstrar maior gravidade da conduta, torna
incompatível o reconhecimento da figura privilegiada do furto, independentemente do pequeno valor da res furtiva e da primariedade da
agravante.
3. Salienta-se que o fato da qualificadora da fraude (natureza subjetiva) ter sido utilizada como circunstância judicial negativa, para sopesar a
pena-base, e do concurso de pessoas (natureza objetiva), para qualificar o crime, não altera o entendimento supra, uma vez que a Súmula
511/STJ quis afastar a figura do furto privilegiado dos crimes de pequena ofensividade e baixo grau de reprovabilidade, não se enquadrando,
nestes casos, o furto praticado mediante fraude.
4. Agravo regimental não provido.
(AgRg no REsp 1841048/MS, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 10/12/2019, DJe 19/12/2019)
ATENÇÃO
JULGADOS
STJ FURTO QUALIFICADO – furto privilegiado e a qualificadora do emprego de fraude para afastar a vigilância
da vítima
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL.
QUALIFICADORA. FRAUDE. FURTO PRIVILEGIADO. RECONHECIMENTO.
IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO.
1. A qualificadora relativa ao emprego de fraude é de natureza subjetiva conforme entendimento desta Corte Especial, razão pela não se
torna possível a incidência do benefício previsto no § 2º do art.155 em favor do réu.
2. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no HC 593.994/SC, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 23/02/2021, DJe 01/03/2021)
ATENÇÃO
JULGADOS
STJ FURTO QUALIFICADO – furto privilegiado e a qualificadora do emprego de fraude para afastar a vigilância
da vítima
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PENAL. ART. 155, § 4.º, INCISO II, DO CÓDIGO PENAL. RECONHECIMENTO DA FORMA
PRIVILEGIADA.
IMPOSSIBILIDADE. QUALIFICADORA DE NATUREZA SUBJETIVA. SÚMULA N.
511/STJ. AGRAVO DESPROVIDO.
1. Na hipótese dos autos, o crime de furto foi qualificado pelo emprego de fraude. Dessa forma, verifico que a conclusão exarada pelo Tribunal
estadual está em consonância com a orientação do Superior Tribunal de Justiça "consolidada no enunciado n. 511, [de que] é possível a incidência
do benefício previsto no art.155, § 2º, do Código Penal, no caso de furto qualificado, desde que a qualificadora seja de natureza objetiva.
Entretanto, tanto a qualificadora do abuso de confiança como a do emprego de fraude possuem "natureza subjetiva e, por essa razão, por
demonstrar maior gravidade da conduta, torna[m] incompatível o reconhecimento da figura privilegiada do furto, independentemente do pequeno
valor da res furtiva e da primariedade da agravante" (AgRg no AREsp n. 395.916/MG, relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA,
DJe 28/2/2014)" (AgRg no HC 462.322/SC, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 27/11/2018, DJe
12/12/2018).
2. Agravo desprovido.
(AgRg no HC 663.514/SC, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 18/05/2021, DJe 28/05/2021)
ATENÇÃO
O pequeno valor no furto privilegiado!
O pequeno valor, segundo a doutrina, não pode ultrapassar um salário mínimo, conquanto não seja um critério
absoluto. O pequeno valor, segundo Rogério Greco, é aquele que gira em torno de um salário mínimo
(GRECO, v.2, 15ª ed, 2018, p.583). Há discussões sobre a necessidade de analisar a importância do valor
para a vítima do caso concreto, quando da valoração do sentido da expressão “pequeno valor”.
ATENÇÃO: Há quem entenda que a expressão constante no texto legal do furto privilegiado– pequeno valor–
deve ser analisada de maneira objetiva, se refere apenas à coisa furtada, sem verificar a importância do valor
para a vítima. Isso porque o legislador não usou a expressão “pequeno prejuízo”, como o fez na construção do
estelionato privilegiado (art.171 §1º), quando a expressão remete à relação entre o valor da coisa e a sua
importância para a vítima do caso concreto.
O pequeno valor no furto privilegiado!
Há julgados divergentes do STJ que analisam, no furto privilegiado, o prejuízo para a vítima do caso concreto e há
julgados que consideram o pequeno de forma objetiva, separando a expressão pequeno valor do furto da expressão
pequeno prejuízo do estelionato.
STJ- HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO. DESCABIMENTO. PRETENSÃO DE
RECONHECIMENTO DE FURTO PRIVILEGIADO (ART. 155, § 2º, DO CP). IMPOSSIBILIDADE.
CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO. ELEVADA REPROVABILIDADE DA CONDUTA. HABEAS CORPUS NÃO
CONHECIDO. 1. Em consonância com a orientação jurisprudencial da Primeira Turma do Supremo Tribunal
Federal, esta Corte não admite habeas corpus substitutivo de recurso próprio, sem prejuízo da concessão
da ordem, de ofício, se existir flagrante ilegalidade na liberdade de locomoção do paciente. 2. Na aplicação
do furto privilegiado (art. 155, § 2º, do Código Penal), o salário mínimo vigente à época dos fatos vem
sendo utilizado como parâmetro para se atribuir à coisa furtada a qualidade de "pequeno valor".
Porém, não se trata de um critério absoluto. Deve ser considerado juntamente com as demais
circunstâncias do delito. In casu, o valor furtado, equivalente a um salário mínimo vigente à época dos
fatos, era proveniente da aposentadoria da vítima e ainda representada toda a quantia existente na
conta bancária, o que demonstra elevada reprovabilidade da conduta e, em consequência, a
impossibilidade de reconhecimento do furto privilegiado. Habeas corpus não conhecido. (HC
401.574/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 07/11/2017, DJe
14/11/2017)”.
O pequeno valor no furto privilegiado!
STJ [...] . 5. No que se refere à figura do furto privilegiado, o art. 155, § 2º, do Código Penal impõe a aplicação
do benefício penal na hipótese de adimplemento dos requisitos legais da primariedade e do pequeno valor do
bem furtado, assim considerado aquele inferior ao salário mínimo ao tempo do fato. Trata-se, em verdade, de
direito subjetivo do réu, não configurando mera faculdade do julgador a sua concessão, embora o dispositivo
legal empregue o verbo "poder". 6. O art. 155, § 2º, do CP apenas menciona o pequeno valor da res furtivae,
não sendo admissível que o prejuízo suportado pela vítima venha a ser reconhecido como óbice à incidência
do privilégio, ao contrário do previsto para o crime de estelionato privilegiado. Ora, não é facultado ao
intérprete criar novos requisitos não elencados na legislação de regência para a concessão da benesse. [...]
(HC 396.785/SC, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 20/06/2017, DJe
28/06/2017)”.
O pequeno valor no furto privilegiado!
Vale ressaltar, ainda, há julgados recentes do STJ tanto que consideram o pequeno valor aquele que não ultrapassa
10% do salário mínimo quanto que analisam com o limite não superior a um salário mínimo (ainda majoritário),
conforme se verifica:
STJ [...] IV - No caso concreto, o valor da res furtiva não equivale a uma esmola, não configurando, portanto,
um delito de bagatela, uma vez que, o valor total subtraído foi de R$ 132,53, não pode ser considerado
irrisório, já que equivale a mais de dez por cento do salário mínimo vigente à época dos fatos. Ainda, ressai
dos autos que: "O réu ostenta condenação prévia, anotação 2 de sua FAC, em 31/10/19, como afere-se pelo
sistema deste Tribunal -, por furto com arrebatamento, ocorrido em 11/05/2013, processo nº 0158201-
34.2013.8.19.0001, que ficou suspenso por algum tempo, ainda sem trânsito em julgado por encontrar-se o
apenado em local incerto e não sabido, ensejando citação editalícia da sentença." V - Assim, no caso
concreto, o valor do prejuízo causado pela conduta do paciente evidencia não ser o caso de reconhecer-se a
irrelevância penal da conduta. VI - No tocante ao privilégio, o parágrafo 2º, do art. 155, do Estatuto Repressivo
dispõe que: "Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de
reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa." Nessecompasso, os requisitos para a configuração do furto privilegiado, cingem-se à verificação da primariedade do
acusado e do pequeno valor do objeto furtado. VII - Na hipótese, é incabível a subsunção dos fatos com a
figura do furto privilegiado, pois, o valor dos itens furtados, não pode ser considerado irrisório, já que
equivalem a mais de dez por cento do salário mínimo vigente à época do fato, inexistindo, portanto,
flagrante ilegalidade a justificar a concessão da ordem de ofício. [...] (AgRg no HC 642.916/RJ, Rel. Ministro
FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 25/05/2021, DJe 31/05/2021)”.
O pequeno valor no furto privilegiado!
STJ [...] 1. No que tange à figura do furto privilegiado, o art. 155, § 2º, do Código Penal impõe a aplicação do
benefício penal na hipótese de adimplemento dos requisitos legais da primariedade e do pequeno valor do
bem furtado, assim considerado aquele inferior ao salário mínimo ao tempo do fato, tratando-se, pois, de
direito subjetivo do réu, embora o dispositivo legal empregue o verbo "poder", não configurando mera
faculdade do julgador a sua concessão. 2. Todavia, quando se está diante de crime continuado ou de
concurso de crimes, esta Corte Superior tem entendido que a aferição desse valor deve levar em conta a
soma do valor total do prejuízo causado em todos os ilícitos, a fim de que se verifique o cumprimento dos
requisitos da figura privilegiada. Desse modo, se a soma do prejuízo causado em todos crimes ultrapassar o
valor do salário mínimo, torna-se inviável o reconhecimento do benefício. 3. In casu, embora se trate de réu
primário à época dos fatos, a condenação foi pelo crime de furto em concurso material com três crimes de
roubo, condutas que, somadas, geraram um prejuízo superior a R$ 1.130,00 (e-STJ, fl. 368), portanto superior
ao salário mínimo vigente à data dos fatos (R$ 954,00 - 2018), de modo que não se constata qualquer
ilegalidade na não aplicação do privilégio. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC 568.662/MS, Rel.
Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 19/05/2020, DJe 28/05/2020)”.
O pequeno valor no furto privilegiado!
O privilégio do furto pode conviver com a forma simples, com a majorada do repouso noturno e com a
hipótese qualificada. No último caso, a qualificadora não pode ser subjetiva. Exemplo: o furto não pode ser
privilegiado e qualificado pelo abuso de confiança. O abuso de confiança, qualificadora subjetiva do crime de
furto, não convive com o privilégio. O privilégio do crime de furto pode conviver com qualificadora objetiva, não
convive com qualificadora subjetiva. Nesse sentido, segue entendimento sumulado do STJ:
Súmula 511: "É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2o do art. 155 do CP nos casos de crime
de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a
qualificadora for de ordem objetiva."
JULGADOS
STJ – DIFERENÇA ENTRE FURTO INSIGNIFICANTE E FURTO PRIVILEGIADO
[...]
1. Para a incidência do princípio da insignificância, são necessários a mínima ofensividade da conduta do agente,
nenhuma periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a
inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Precedente do STF.
2. A atitude do paciente revela lesividade suficiente para justificar uma condenação, havendo que se
reconhecer a ofensividade do seu comportamento, até porque furtou e tentou furtar (foram dois crimes, em
continuidade delitiva), mediante o uso de uma chave falsa, vários objetos existentes em dois veículos,
avaliados em R$ 245,00 (duzentos e quarenta e cinco reais), valor este acima de meio salário-mínimo e
que, portanto, não pode ser considerado ínfimo.
3. No caso do furto, não se pode confundir bem de pequeno valor com de valor insignificante. Este,
necessariamente, exclui o crime em face da ausência de ofensa ao bem jurídico tutelado, aplicando-se-lhe
o princípio da insignificância; aquele, eventualmente, pode caracterizar o privilégio previsto no § 2º do art.
155 do Código Penal.
4. Ordem denegada.
(HC 148.496/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 02/02/2010, DJe 22/02/2010)
Furto de energia
No §3º do CP, o legislador brasileiro anota que “equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra
que tenha valor econômico”. Há redação semelhante no CP italiano. Sobre o tema, após discorrer sobre as
divergências na legislação estrangeira do fim do século XIX até a metade do século XX, Hungria esclarece
ainda o seguinte:
“Várias são as energias que, além da eletricidade, têm valor econômico ou reduzível a dinheiro: a
radioatividade, a energia genética dos reprodutores, as energias térmicas, sonoras, cinéticas, etc. É claro que
somente podem ser suscetíveis de subtração ou captação as que são separáveis das substâncias de que
procedem, pois só então se tornam apresáveis e assenhoráveis. Assim, a energia intelectual, não obstante o
seu valor econômico, não é passível furto, porque indestacável do cérebro humano. Se vem a manifestar-se e
fixar-se externamente, por exemplo, num manuscrito, este é que pode ser objeto de furto”. (HUNGRIA, v.VII,
1958, p.37).
Furto de energia
EXPLICAÇÃO DURANTE A AULA
Furto de energia
Furto de sinal de TV a cabo
QUESTÃO: Configura crime de furto a subtração de sinal de TV a cabo ou de internet? Sobre o tema, a
jurisprudência tem decidido da seguinte forma: julgado antigo do STF considerou a hipótese como fato atípico.
Julgados divergentes do STJ admitiram a tipicidade e a atipicidade da conduta no furto do155, § 3º, mas
admitiram a tipicidade da conduta de vender aparelhos de debloqueio de sinal, no art. 183, parágrafo único, da
Lei n.º 9.472/1997, bem como a conduta de transmitir o sinal sem autorização, ou seja, transmissão irregular
de programação televisiva.
EXPLICAÇÃO DURANTE A AULA, QUANDO FORAM MOSTRADOS OS JULGADOS
Furto de energia
Furto de sinal de TV a cabo
QUESTÃO: Configura crime de furto a subtração de sinal de TV a cabo ou de internet? Sobre o tema, a
jurisprudência tem decidido da seguinte forma: julgado antigo do STF considerou a hipótese como fato atípico.
Julgados divergentes do STJ admitiram a tipicidade e a atipicidade da conduta no furto do155, § 3º, mas
admitiram a tipicidade da conduta vender aparelhos de debloqueio de sinal no art. 183, parágrafo único, da Lei
n.º 9.472/1997, bem como a conduta de transmitir o sinal sem autorização, ou seja, transmissão irregular de
programação televisiva.
EXPLICAÇÃO DURANTE A AULA, QUANDO FORAM MOSTRADOS OS JULGADOS
STF [...] O sinal de TV a cabo não é energia, e assim, não pode ser objeto material do delito previsto no
art. 155, § 3º, do Código Penal. Daí a impossibilidade de se equiparar o desvio de sinal de TV a cabo ao
delito descrito no referido dispositivo. Ademais, na esfera penal não se admite a aplicação da analogia
para suprir lacunas, de modo a se criar penalidade não mencionada na lei (analogia in malam partem),
sob pena de violação ao princípio constitucional da estrita legalidade. Precedentes. Ordem concedida.
(HC 97261, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 12/04/2011, DJe-081 DIVULG 02-
05-2011 PUBLIC 03-05-2011 EMENT VOL-02513-01 PP-00029 RTJ VOL-00219-01 PP-00423 RT v. 100, n.
909, 2011, p. 409-415)”
Furto de energia
Furto de sinal de TV a cabo
QUESTÃO: Configura crime de furto a subtração de sinal de TV a cabo ou de internet? Sobre o tema, a
jurisprudência tem decidido da seguinte forma: julgado antigo do STF considerou a hipótese como fato atípico.
Julgados divergentes do STJ admitiram a tipicidade e a atipicidade da conduta no furto do155, § 3º, mas
admitiram a tipicidade da conduta vender aparelhos de debloqueio de sinal no art. 183, parágrafo único, da Lei
n.º 9.472/1997, bem como a conduta de transmitir o sinal sem autorização, ou seja, transmissão irregular de
programação televisiva.
EXPLICAÇÃO DURANTE A AULA, QUANDO FORAM MOSTRADOS OS JULGADOSSTJ “[...] 1. A Sexta Turma desta Corte Superior, no julgamento do Recurso Especial n. 1.838.056/RJ, de
minha Relatoria, em sintonia com precedente do Supremo Tribunal Federal, entendeu que a captação
clandestina de sinal de televisão por assinatura não pode ser equiparada ao furto de energia elétrica, tipificado
no art. 155, § 3.º, do Código Penal, pela vedação à analogia in malam partem. [...] 3. A conduta investigada, de
venda de aparelhos para desbloqueio clandestino de sinal de televisão por assinatura, configura, em tese, o
crime do art. 183, parágrafo único, da Lei n.º 9.472/1997. [...] (CC 173.968/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ,
TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2020, DJe 18/12/2020)”.
Furto de energia
Furto de sinal de TV a cabo
QUESTÃO: Configura crime de furto a subtração de sinal de TV a cabo ou de internet? Sobre o tema, a jurisprudência tem decidido
da seguinte forma: julgado antigo do STF considerou a hipótese como fato atípico. Julgados divergentes do STJ admitiram a
tipicidade e a atipicidade da conduta no furto do155, § 3º, mas admitiram a tipicidade da conduta vender aparelhos de debloqueio de
sinal no art. 183, parágrafo único, da Lei n.º 9.472/1997, bem como a conduta de transmitir o sinal sem autorização, ou seja,
transmissão irregular de programação televisiva.
EXPLICAÇÃO DURANTE A AULA, QUANDO FORAM MOSTRADOS OS JULGADOS
STJ “[...] . De fato, a suscitante fazia verdadeira transmissão televisiva por meio de canais da TV aberta na SKY, o que
denota, em princípio, o desenvolvimento clandestino de atividade de telecomunicações, ainda que por meio do sinal da
SKY. Dessarte, observa-se que o dolo da recorrente não era de subtrair o sinal, mas sim de transmitir, razão pela qual, na
via eleita, não vislumbro a possibilidade de desclassificação do delito, o que inviabiliza a discussão acerca da competência.
2. Agravo regimental improvido. (AgRg no CC 128.801/RJ, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO (DESEMBARGADOR
CONVOCADO DO TJ/PE), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2015, DJe 18/05/2015)”.
Furto de energia
Furto de sinal de TV a cabo
QUESTÃO: Configura crime de furto a subtração de sinal de TV a cabo ou de internet? Sobre o tema, a jurisprudência tem decidido da
seguinte forma: julgado antigo do STF considerou a hipótese como fato atípico. Julgados divergentes do STJ admitiram a tipicidade e a
atipicidade da conduta no furto do155, § 3º, mas admitiram a tipicidade da conduta vender aparelhos de debloqueio de sinal no art. 183,
parágrafo único, da Lei n.º 9.472/1997, bem como a conduta de transmitir o sinal sem autorização, ou seja, transmissão irregular de
programação televisiva.
EXPLICAÇÃO DURANTE A AULA, QUANDO FORAM MOSTRADOS OS JULGADOS
STJ [...] RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CAPTAÇÃO IRREGULAR DE SINAL DE TELEVISÃO A CABO. ALEGADA
ATIPICIDADE DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NECESSIDADE DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA.
EQUIPARAÇÃO À ENERGIA ELÉTRICA. POSSIBILIDADE. RECURSO IMPROVIDO. 1. Não há na impetração a cópia da denúncia
ofertada contra os recorrentes, documentação indispensável para análise da alegada atipicidade da conduta que lhes foi atribuída. 2. O rito
do habeas corpus pressupõe prova pré-constituída do direito alegado, devendo a parte demonstrar, de maneira inequívoca, por meio de
documentos que evidenciem a pretensão aduzida, a existência do aventado constrangimento ilegal suportado pelo paciente. 3. Assim não
fosse, tomando-se por base apenas os fatos relatados na inicial do mandamus impetrado na origem e no aresto objurgado, não se
constata qualquer ilegalidade passível de ser remediada por este Sodalício, pois o sinal de TV a cabo pode ser equiparado à
energia elétrica para fins de incidência do artigo 155, § 3º, do Código Penal. Doutrina. Precedentes. 4. Recurso improvido. (RHC
30.847/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 20/08/2013, DJe 04/09/2013)”.
Furto de energia
Vale destacar que o STJ já decidiu que o pagamento, antes do recebimento da denúncia, do prejuízo que
fora resultado do furto de energia elétrica não extingue a punibilidade, porquanto não se compara com
tributos submetidos ao modelo do programa do REFIS tributário.
STJ [...] 2. Este Tribunal já firmou posicionamento no sentido da sua possibilidade. Ocorre que
no caso em exame, sob nova análise, se apresentam ao menos três causas impeditivas, quais
sejam; a diversa política criminal aplicada aos crimes contra o patrimônio e contra a ordem
tributária; a impossibilidade de aplicação analógica do art.34 da Lei n. 9.249/95 aos crimes
contra o patrimônio; e, a tarifa ou preço público tem tratamento legislativo diverso do imposto. 3.
O crime de furto de energia elétrica mediante fraude praticado contra concessionária de
serviço público situa-se no campo dos delitos patrimoniais. Neste âmbito, o Estado ainda
detém tratamento mais rigoroso. O desejo de aplicar as benesses dos crimes tributários
ao caso em apreço esbarra na tutela de proteção aos diversos bens jurídicos analisados,
pois o delito em comento, além de atingir o patrimônio, ofende a outros bens jurídicos,
tais como a saúde pública, considerados, principalmente, o desvalor do resultado e os
danos futuros. [...] 6. Nos crimes patrimoniais existe previsão legal específica de causa de
diminuição da pena para os casos de pagamento da "dívida" antes do recebimento da denúncia.
Em tais hipóteses, o Código Penal - CP, em seu art. 16, prevê o instituto do arrependimento
posterior, que em nada afeta a pretensão punitiva, apenas constitui causa de diminuição da
pena. [...] (RHC 101.299/RS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, Rel. p/ Acórdão Ministro JOEL
ILAN PACIORNIK, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/03/2019, DJe 04/04/2019)”.
STF- “HABEAS CORPUS – ATO INDIVIDUAL – ADEQUAÇÃO. O habeas corpus é adequado em se tratando
de impugnação a ato de colegiado ou individual. FURTO – OBJETO – PEQUENO VALOR –
INSIGNIFICÂNCIA – INADEQUAÇÃO. O princípio da insignificância não se coaduna com a previsão do §
2º do artigo 155 do Código Penal, a revelar que, sendo primário o réu e de pequeno valor a coisa
furtada, o juiz poderá substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de 1/3 a 2/3 ou somente
aplicar multa. PENA – CUMPRIMENTO – REGIME. O regime de cumprimento da pena é definido pelo
patamar da condenação e as circunstâncias judiciais. PRISÃO PREVENTIVA – PRAZO – EXCESSO. O
extravasamento de 90 dias, sem ato mantendo a prisão, revela-a ilegal – artigo 316, parágrafo único, do
Código de Processo Penal. (HC 200599, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em
28/06/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-155 DIVULG 03-08-2021 PUBLIC 04-08-2021)”.
FURTO QUALIFICADO
O §4º, inciso I, narra o furto qualificado “com destruição ou rompimento de obstáculo à
subtração da coisa”. No passado, CPs de 1830 e 1890, a violência à coisa era equiparada à
violência à pessoa (HUNGRIA, v.VII, 1958). Hoje, violência à coisa, no contexto da subtração, não
afasta o nomen juris de furto, enquanto a violência à pessoa, no contexto da subtração, é tipificada
como roubo.
O inciso I do § 4º trata de uma forma especial de execução do furto, na qual o agente rompe
(afasta) ou destrói algum obstáculo à subtração crime. Esse obstáculo é algo externo à coisa que
se almeja subtrair. Exemplo: quebra a porta da residência para subtrair a TV que estava dentro da
casa da vítima.
“Os obstáculos podem ser externos ou internos, ativos (offendicula, fios, elétricos de uma companhia de alarma e, em geral, dispositivos
automáticos de segurança), ou passivos (muros, paredes, vidraças, portas, grades, redes ou telas metálicas, aparelhos antifurto de
automóveis, selos de chumbo, etc)”. HUNGRIA, v.VII, 1958, p.42).
O STJ, conquanto não seja um entendimento razoável, possui posição no
sentido de que a subtração do veículo automotor, precedida da quebra da
janela do veículo para abrir a porta, não caracteriza crime de furto qualificado
por rompimentode obstáculo, uma vez que a janela é inerente ao veículo, não
constitui um obstáculo externo. Todavia, se o agente quebra a janela do
veículo automotor para subtrair um aparelho de som ou uma bolsa que se
encontra dentro do automóvel, a qualificadora do inciso I do § 4º se faz
presente.
STJ [...] “4. Não obstante o posicionamento outrora exarado acerca da
irrazoabilidade de se considerar o furto "qualificado" quando há rompimento do
vidro do veículo para a subtração do som automotivo, e considerá-lo "simples"
quando o rompimento se dá para a subtração do próprio veículo, a Terceira
Seção desta Corte, no julgamento do EREsp n.º 1.079.847/SP, firmou a
orientação de que a subtração de objeto localizado no interior de veículo
automotor mediante o rompimento de obstáculo - quebra do vidro - qualifica o
furto. 5. Habeas corpus não conhecido. (HC 205.967/SP, Rel. Ministra MARIA
THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 03/12/2013, DJe
13/12/2013)”.
STJ “PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FURTO DE
MOTOCICLETA. LIGAÇÃO DIRETA EFETUADA NO VEÍCULO. DANO NO PAINEL E NO
SISTEMA DE IGNIÇÃO. QUALIFICADORA DE ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO. NÃO-
OCORRÊNCIA. INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. EXACERBAÇÃO DA PENA-BASE.
FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA QUANTO À PERSONALIDADE DO AGENTE E ÀS
CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. DOSIMETRIA REFEITA. PENA-BASE REDUZIDA. I. A
incidência da qualificadora do art. 155, § 4º, inciso I, do Código Penal, pressupõe conduta
praticada pelo Réu objetivada à destruição ou ao rompimento do óbice que dificulta a
obtenção da coisa. Se o dano é contra o próprio objeto do furto, sendo o obstáculo peculiar
à res furtiva, não incide a majorante. [...] (AgRg no AREsp 230.117/DF, Rel. Ministro FELIX
FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 24/02/2015, DJe 03/03/2015)”.
QUESTÃO: O rompimento ou a destruição de obstáculo após segura a coisa,
com a finalidade, por exemplo, de sair de uma residência, configura a
qualificadora? Para Hungria, sim. Para Noronha, não.
O §4º, inciso II, narra o furto qualificado “com abuso de confiança, ou mediante
fraude, escalada ou destreza”. A primeira, abuso de confiança, trata-se de uma
circunstância subjetiva, baseada nas relações antecedentes de confiança entre a
vítima e o agente, de modo que a vítima confia no agente e não se preocupa com
a vigilância de seus objetos, de modo a deixar coisas ao fácil alcance do agente.
Exemplos: casos do empregado doméstico, ou de quem se vale de relação de
hospitalidade, de coabitação (HUNGRIA, v.VII, 1958).
QUESTÃO: qual é a diferença entre o furto cometido com abuso de confiança e o
estelionato?
Sobre o tema, já decidiu o STJ:
STJ “[...] 2. No furto mediante abuso de confiança, tem-se o bem subtraído por desatenção,
uma vez que o agente, de forma fraudulenta, burla a vigilância da vítima para furtá-la. Já no
estelionato, a fraude é usada como meio para obter o consentimento da vítima que, iludida,
entrega voluntariamente o bem ao agente. 3. Hipótese em que a paciente se valeu da
condição de enfermeira doméstica para, mediante abuso de confiança, furtar talões de
cheques e utilizá-los de forma fraudulenta, restando caracterizado o crime previsto no art.
155, § 4º, II, do Código Penal. 4. Habeas corpus não conhecido. (HC 305.864/SC, Rel.
Ministro GURGEL DE FARIA, QUINTA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe 12/02/2015)”.
Merece crítica o fundamento lançado
No que diz respeito à fraude como hipótese que qualifica o
furto, a sua presença ocorre quando o agente a utiliza para
afastar a vigilância da vítima. A fraude no furto é uma
circunstância acidental, “é o emprego de meios ardilosos ou
insidiosos para burlar a vigilância do lesado” (HUNGRIA,
v.VII, 1958, p.43). É distinta da fraude no crime de estelionato,
no qual a fraude constitui uma circunstância essencial,
elementar do crime, para enganar a vítima e obter o seu
consentimento viciado.
Para o STJ, configura furto mediante fraude a subtração de valores bancários mediante transferência ou saque
sem autorização do correntista. Do mesmo modo, configura furto mediante fraude o uso de cartão clonado para
subtrair valores bancários da conta da vítima.
STJ “[...] 6. O entendimento firmado pela Terceira Seção desta Corte Superior é no sentido de que a realização
de saques indevidos na conta corrente da vítima, sem o seu consentimento, seja por meio de clonagem de cartão
e/ou senha, seja por meio de furto do cartão, seja via internet, configuram o delito de furto mediante fraude.
Precedentes. [...] (AgRg no AREsp 829.276/RJ, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em
17/10/2017, DJe 23/10/2017)”
STJ “[...] A 3a. Seção desta Corte definiu que configura o crime de furto qualificado pela fraude a subtração de
valores de conta corrente, mediante transferência ou saque bancários sem o consentimento do correntista;
assim, a competência deve ser definida pelo lugar da agência em que mantida a conta lesada. [...] (CAt .222/MG,
Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 11/05/2011, DJe 16/05/2011)”.
A fraude no furto constitui qualificadora. A fraude é usada
para afastar a vigilância da vítima. A fraude prevista no inciso
II do § 4º do art.155 (pena de reclusão de 2 a 8 anos e multa)
representa a forma genérica.
Em 2021, a Lei 14155 transformou a fraude mediante uso de
dispositivo eletrônico em uma qualificadora com maior
censura, conforme narração contida no § 4º-B. Ainda foi
incluída, no § 4º-C, causa de aumento de pena ao furto
cometido mediante uso de dispositivo eletrônico.
A Lei 14.155/2021, entre outras modificações, introduziu o §
4º-B e o § 4º-C no art.155 do CP. Buscou tratar de maneira
mais gravosa–com qualificadora mais gravosa e causas de
aumento de pena– o furto cometido mediante fraude por
meio de dispositivo eletrônico ou informático, conectado ou
não à rede de computadores, com ou sem a violação de
mecanismo de segurança ou a utilização de programa
malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo.
Apesar das críticas à posição topográfica das causas de
aumento de pena § 4º-C no art.155, bem como ao uso de
relevância do resultado gravoso para efeito de majorar a
pena na terceira fase– o que seria mais adequado na
valoração da pena base– é importante considerar a presença
das novas causas de aumento e a necessidade de distinguir
a hipótese do furto, com a semelhante previsão feita pelo
legislador, do crime de estelionato.
No estelionato, o legislador, por meio da Lei 14.155/2021,
inseriu § 2º-A do art.171 do CP, e o rubricou como “fraude
eletrônica”, caracterizada pelo estelionato cometido com a
utilização de informações fornecidas pela vítima ou por
terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos
telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por
qualquer outro meio fraudulento análogo. E estabeleceu uma
causa de aumento de pena no §2º-B.
QUESTÃO a conduta do agente que faz uso de cartão bancário ou de senha por meio de um computador para
retirar valores da conta da vítima caracteriza furto mediante fraude ou estelionato (fraude eletrônica)?
Conforme decisões do STJ, vistas anteriormente, a conduta de retirar valores bancários da conta da vítima, sem o
seu consentimento, mediante uso de cartão bancário, de cartão clonado, de senhas inseridas via internet,
configuram furto mediante fraude (AgRg no AREsp 829.276/RJ, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA,
julgado em 17/10/2017, DJe 23/10/2017).
Todavia, diante dos novos dispositivos, quais sejam: § 4º-B e § 2º-A do art.171, quando se tratar de obtenção de
dados bancários mediante o engano da vítima (ou de terceiro), para consequente uso no saque de valores de sua
conta bancária, configurará o crime de estelionato. Dito de outro modo, se tais dados forem obtidos com a vítima
em erro (ou de terceiro em erro), a qual fornece os dados ao agente que se passa por outra pessoa, como, a título
de ilustração, seu gerente de banco, coma subsequente retirada dos valores de sua conta bancaria, haverá
subsunção na fraude eletrônica do § 2º-A do art.171.
No que se refere à escalada como hipótese que qualifica o furto
“É o ingresso em edifício ou recinto fechado, ou saída dele, por vias não
destinadas normalmente ao trânsito de pessoas, servindo-se o agente de
meios artificiais (não-violentos) ou de sua própria agilidade. Tanto é escalada
galgar uma altura, quanto saltar um desvão (exemplo: um fosso), ou passar
por via subterrânea não-transitável ordinariamente (ex: um túnel de esgoto). Se
a passagem subterrânea é escavada adrede, o que se tem a reconhecer é o
emprego de meio fraudulento”. (HUNGRIA, v.VII, 1958, p.44).
No que concerne à destreza como hipótese que qualifica o furto, caracterizada pela habilidade de
subtrair objeto da vítima sem lhe despertar a atenção, segue trecho de elucidativa decisão do STJ
sobre o tema:
“ INFO 554 STF Quinta Turma DIREITO PENAL. QUALIFICADORA DA DESTREZA NO CRIME DE FURTO. No crime de furto, não deve ser reconhecida a qualificadora da
"destreza" (art. 155, § 4º, II, do CP) caso inexista comprovação de que o agente tenha se valido de excepcional - incomum - habilidade para subtrair a coisa que se encontrava na
posse da vítima sem despertar-lhe a atenção. Efetivamente, não configuram essa qualificadora os atos dissimulados comuns aos crimes contra o patrimônio - que, por óbvio, não
são praticados às escancaras. A propósito, preleciona a doutrina que essa qualificadora significa uma "especial habilidade capaz de impedir que a vítima perceba a subtração
realizada em sua presença. É a subtração que se convencionou chamar de punga. A destreza pressupõe uma atividade dissimulada, que exige habilidade incomum, aumentando o
risco de dano ao patrimônio e dificultando sua proteção". Nesse passo, "a destreza constitui a habilidade física ou manual empregada pelo agente na subtração, fazendo com que a
vítima não perceba o seu ato. É o meio empregado pelos batedores de carteira, pick-pockets ou punguistas, na gíria criminal brasileira. O agente adestra-se, treina, especializa-se,
adquirindo habilidade tal com as mãos e dedos que a subtração ocorre como um passe de mágica, dissimuladamente. Por isso, a prisão em flagrante (próprio) do punguista afasta a
qualificadora, devendo responder por tentativa de furto simples; na verdade, a realidade prática comprovou exatamente a inabilidade do incauto". Dispõe ainda a doutrina que
"Destreza: é a agilidade ímpar dos movimentos de alguém, configurando uma especial habilidade. O batedor de carteira (figura praticamente extinta diante da ousadia dos
criminosos atuais) era o melhor exemplo. Por conta da agilidade de suas mãos, conseguia retirar a carteira de alguém, sem que a vítima percebesse. Não se trata do 'trombadinha',
que investe contra a vítima, arrancando-lhe, com violência, os pertences". REsp 1.478.648-PR, Rel. Min. Newton Trisotto (desembargador convocado do TJ/SC), julgado em
16/12/2014, DJe 2/2/2015”.
QUESTÃO: a subtração com arrebatamento de inopino não caracteriza destreza, mas sim audácia
do agente. Nessa hipótese, há furto ou roubo?
Para Hungria (1958, v.VII, p.45), no caso de arrebatamento de inopino não há destreza.
“[...] pois em tal caso não há destreza, mas audácia, podendo apresentar-se, ou o furto qualificado
pela violência (se há vis in rem furatam, como por exemplo, se, para o arrebatamento de uma
bolsa, teve de ser rompida a respectiva alça), ou roubo (se há vis in personam, isto é, se resulta
algum dano à integridade física do lesado: ao ser arrancado o anel, é ferido o dedo a que estava
ajustado), ou furto simples (se não ocorre qualquer das referidas circunstâncias)”.
O §4º, inciso III, narra o furto qualificado “emprego de chave falsa”. A chave
falsa, para efeito da qualificadora do furto, possui o sentido de qualquer outro
instrumento, ainda que sem a forma de chave, mas apto a abrir fechadura ou
imprimir funcionamento em aparelhos e máquinas. Nesse sentido, tem
decidido o STJ:
STJ “[...]1. A jurisprudência desta Corte tem pontificado que o emprego de gazuas, mixas, ou qualquer outro
instrumento, ainda que sem a forma de chave, mas apto a abrir fechadura ou imprimir funcionamento em
aparelhos e máquinas, a exemplo, automóveis, caracteriza a qualificadora do art. 155, § 4º, inciso III, do Código
Penal. 2. Despicienda, na espécie, a realização de perícia da chave, visto que devidamente apreendida, depois
de encontrada na ignição do automóvel, que somente parou em virtude da interceptação policial. 3. Ordem
denegada. (HC 119.524/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 26/10/2010, DJe
22/11/2010)”.
Com relação à perícia, vale a interpretação conjunta dos arts.158 e 167 do CPP, dada pela
jurisprudência, qual seja, se o fato deixou vestígios, faz-se o exame pericial, caso contrário, a prova
suplementar testemunhal pode suprir a falta do exame.
STJ “[...] 1. O entendimento desta Corte Superior de Justiça está consolidado no sentido de que, nos casos de furto
qualificado pelo emprego de chave falsa em que há vestígios é imprescindível a elaboração de laudo pericial para a
comprovação da mencionada qualificadora, salvo se desaparecidos os vestígios. 2. No caso, foi esclarecido na sentença a
existência de vestígios, já que a vítima destacou que se "danificou o tambor do veículo" e a testemunha policial militar
consignou que "a moto estava com o miolo estragado", não tendo sido afirmado nos autos o desaparecimento de tais
vestígios - circunstâncias essas que evidenciam a imprescindibilidade da realização da perícia e a insuficiência da confissão
do ora Agravante e do depoimento testemunhal para a imposição da qualificadora do emprego de chave falsa. [...] (AgRg no
HC 627.886/SC, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 02/02/2021, DJe 17/02/2021)”
QUESTÃO: a chave verdadeira que fora subtraída da vítima ou que a vítima perdeu e foi usada
pelo agente para realizar a subtração caracteriza emprego de chave falsa?
Para Hungria (1958, v.VII, p.46), não, mas deveria qualificar o furto pelo emprego de fraude,
porque, segundo o renomado autor, se tratava de furto mediante fraude. Em decisão mais antiga, o
STF decidiu em um jogado que tal conduta caracterizaria emprego de chave falsa:
STF [...] 3. O conceito de chave falsa abrange qualquer instrumento empregado para abrir
fechaduras em geral. A chave do próprio agente, quando ilicitamente utilizada, também qualifica o
crime de furto. Ordem indeferida.(HC 95014, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma,
julgado em 07/10/2008, DJe-241 DIVULG 18-12-2008 PUBLIC 19-12-2008 EMENT VOL-02346-07
PP-01483 RT v. 98, n.882, 2009, p. 518-521)”.
O §4º, inciso IV, exara o furto qualificado cometido “mediante concurso de duas ou mais pessoas”.
Trata-se de um concurso eventual de pessoas que abrange tanto a coautoria quanto à
participação. Não há necessidade de que todos estejam no local do crime, no momento da
subtração, nem que todos pratiquem atividade executória.
Esse concurso de pessoas pode envolver um imputável e um inimputável. Nesse caso, o
imputável responderá pelo furto qualificado pelo concurso de pessoas em concurso formal próprio
com o crime de corrupção de menores previsto no art.244B da lei 8069/90 (ECA).
É possível coexistir o furto qualificado pelo concurso de pessoas em concurso material com o
crime de associação criminosa. Não há se falar em bis in idem como sustenta determinado setor
da doutrina. Os bens jurídicos são distintos e os momentos consumativos não se confundem.
STJ “[...] 4. É insubsistente a tese de que a condenação por furto qualificado pelo concurso de pessoas e por formação
de quadrilha, na forma do art. 69 do CP, isto é, em concurso material de crimes, configura violação do princípio do non
bis in idem. A instância ordinária, quanto a esse tema, laborou em consonância com a jurisprudência desta Corte
Superior, que não vislumbra violação do mencionado princípio quandoa dupla condenação se referir a delitos autônomos
e independentes, como no caso concreto, no qual se apurou a prática de crime patrimonial e contra a paz pública.
Precedente. [...] (AgRg no AREsp 1081540/MG, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,
julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017)”.
Importa ainda salientar que o concurso de pessoas, no crime de furto, constitui qualificadora, enquanto no crime de roubo
o concurso de pessoas figura como causa de aumento de pena. no furto, a consequência da qualificadora é maior em
percentual de pena do que a previsão constante para a causa de aumento do roubo. Isso não fere a proporcionalidade
conforme entendimento sumulado do STJ no enunciado de número 442: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo
concurso de agentes, a majorante do roubo”.
O §5º do art.155 narra “A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo
automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior”. Essa
qualificadora, fruto de alteração de 1996, quando o furto e roubo de veículos que eram
transportados para outros estados e para o exterior foi objeto de preocupação do legislador, bem
como desmanche de veículos com receptação (receptação qualificada do § 1º do art.180 do CP)
e a adulteração de sinal identificador de veículo automotor (art.311 do CP), conforme alterações
advindas da Lei 9426/96.
Quanto aos §§ 4ºA e 7º do art.155, vale destacar, conforme leciona Damásio (2019, p.450), “Dois são os fatores especializantes das figuras
qualificadas decorrentes da alteração legislativa, um referente ao meio executório e outro relativo ao objeto material”. No §7º pune aquilo
que seria a fase preparatória para a execução anunciada no § 4ºA. Não há se falar em consunção quando o agente pratica as duas
condutas.
“Dessa forma, portanto, responde por dois furtos qualificados o agente que subtrai o explosivo de um depósito onde armazenado e,
posteriormente, o utiliza para explodir um “caixa eletrônico” e dele levar o dinheiro. Não há como reconhecer a consunção entre os fatos. As
condutas lesam patrimônios distintos: o do proprietário do material da substância explosiva ou do material empregado para fabricá-la ou
montá-la e a instituição financeira responsável pelo “caixa eletrônico”. Os sujeitos passivos são, desse modo, diversos. Além disso, os
objetos materiais são diferentes (no primeiro crime, é o explosivo etc.; no segundo, são as cédulas guardadas no terminal bancário de
autoatendimento)” (JESUS, 2019, p.451)
Não há se falar em concurso de crimes com o crime de explosão previsto no art.251 do CP, quando agente faz uso de
explosivo para o cometimento do crime de furto.
“Desse modo, o sujeito que pratica o furto com emprego de explosivo responde por dois crimes: o furto qualificado (art. 155, §
4º-A) e o delito de explosão (art. 261)? Não, pois há entre as infrações relação de subsidiariedade implícita. Esta se dá
quando um tipo figura como elementar ou circunstância de outro. Prevalece, em tais casos, o tipo principal sobre o tipo
subsidiário. O crime de explosão figura como circunstância do furto qualificado, tornando-se, desse modo, subsidiário em
relação a este. A imputação de ambos os crimes, portanto, constituiria bis in idem. Se o agente, porém, faz uso de explosivo
para a prática do furto, cujo impacto de detonação extravasa a capacidade de romper o cofre onde se encontra o dinheiro,
por exemplo, gerando perigo concreto a outros bens (como um imóvel vizinho à instituição financeira), há concurso formal de
delitos. A qualificadora pressupõe que a explosão utilizada cause perigo comum somente ao patrimônio do titular do bem
subtraído. Quando gera esse risco a terceiros, em nada relacionados com a posse ou propriedade da res furtiva, há concurso
de crimes. É necessário que o agente conheça o excessivo poder vulnerante do aparato utilizado ou deva conhecê-lo (v.g.,
pela grande quantidade de material utilizado). Se sabia, há dolo direto; se devia saber, ocorre dolo eventual. Do contrário,
responde somente por furto qualificado”. (JESUS, 2019, p.452).
QUESTÃO: como deve proceder o julgador na dosimetria da pena, diante de mais de uma circunstância
qualificadora no crime de furto?
Segundo o STJ:
STJ [...] 1. Nos termos da orientação jurisprudencial desta Corte, havendo pluralidade de qualificadoras,
uma delas pode ser utilizada para reconhecimento do crime qualificado e as demais, como agravantes
genéricas, se legalmente previstas ou como circunstância judicial desfavorável, na primeira etapa.
Precedentes. 2. Uma vez reconhecida a incidência da qualificadora do abuso de confiança pelo Tribunal de
origem fundamentadamente com base na prova dos autos no sentido de que comprovada diante das
declarações do corréu e no fato de que ambos eram funcionários da empresa vítima, valendo-se dessa
condição para a prática do delito, inexiste ilegalidade a ser sanada. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg
no REsp 1920453/SP, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª
REGIÃO), SEXTA TURMA, julgado em 11/05/2021, DJe 17/05/2021).
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
PROFESSOR DERMEVAL FARIAS
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ROUBO
Possui descrição legal no art.157 do CP:
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou
depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou
grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
§ 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade:
I – (revogado)
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior;
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem
sua fabricação, montagem ou emprego.
VII - se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que
cause perigo comum.
§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido,
aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo.
§ 3º Se da violência resulta
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa”.
roubo
O roubo é um crime complexo, ou seja, pluriofensivo que pode atingir vários bens jurídicos: patrimônio; liberdade individual; incolumidade física. E
pode atingir até a vida na hipótese qualificada pela morte, ou seja, no caso de latrocínio.
Cuida-se de crime material que se consuma com o resultado naturalístico nos termos da já apresentada súmula 582 do STJ. O roubo pode ser
classificado em: próprio; impróprio; majorado; qualificado.
O roubo próprio está narrado no caput do art.157 do CP, o qual pode ser cometido com violência própria (vis absoluta–violência física), grave
ameaça (vis relativa) e violência imprópria (outra forma que reduz a capacidade de resistência da vítima). A violência, a grave ameaça ou a
viol6encia imprópria são empregadas antes e/ou durante a subtração.
O roubo impróprio possui previsão no § 1º do art.157 do CP, o qual pode ser cometido com violência própria (vis absoluta–violência física)ou com
grave ameaça (vis relativa). Não pode ser cometido com violência imprópria. Nessa modalidade, o agente, após furtar a coisa, no mesmo contexto
fático, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para
terceiro.
Observa que, no roubo impróprio, o agente atua com mais de um desígnio, porquanto primeiro furta e depois usa a violência ou grave ameaça
(dolo de furtar + dolo de roubar), razão pela qual cuida-se de uma hipótese de progressão criminosa, na qual o agente responde por um só crime
(tema estudado no PDF de Teoria da Norma dentro do tema conflito aparente de normas, onde se tratou do princípio da consunção ou absorção).
Esse tema foi cobrado na prova objetiva do MPDFT de 2015.
Roubo: Sobre a coisa móvel (tema já explicado na aula de furto)
Questão: o entorpecente pode ser objeto material do roubo?
STJ [...]
1. O Tribunal de Justiça mineiro, diante dos fatos constantes da sentença, decidiu por alterar a tipificação feita pelo Magistrado, desclassificando o tipo penal de latrocínio para
homicídio, por considerar que coisa ilícita não poderia ser objeto do crime patrimonial, motivo pelo qual considerou que a conduta (subtrair) insere-se em uma daquelas descritas no
tipo penal do tráfico - art. 33 da Lei n. 11.343/2006 -, em concurso material com o homicídio.
2. A compreensão adotada no acórdão recorrido vai de encontro à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a qual admite a configuração do crime contra o patrimônio nas
hipóteses em que o entorpecente é objeto material do crime de furto ou de roubo.
3. A doutrina é unânime quanto ao objeto material dos crimes patrimoniais, sendo esse, além da pessoa humana, a coisa em si, desde que alheia e móvel, e que possua valor (de
troca ou de uso), exigindo-se para a consumação do delito, no tocante ao elemento subjetivo, a intenção de subtraí-la com a finalidade de tê-la para si ou para outrem. Havendo
distinção quanto à capitulação do tipo, em furto ou roubo, a depender da violência ou grave ameaça utilizadas.
4. Inexistindo no tipo penal dos crimes contra o patrimônio qualquer análise concernente à ilicitude da coisa alheia, não há como se dispensar tratamento restritivo na aplicação da
norma, já que não há na lei essa limitação concernente ao objeto material.
5. Sendo a hipótese dos autos um ilícito penal relativo ao crime contra o patrimônio, em que o resultado morte ensejou a configuração do tipo penal do latrocínio - art. 157, § 3º, do
Código Penal -, não há falar em competência do Tribunal do Júri.
[...]
(REsp 1645969/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 06/12/2018, DJe 01/02/2019)
QUESTÃO relevante costuma ser feita no seguinte sentido: é possível a tentativa no roubo impróprio? Se no roubo próprio, com
certeza, é possível a existência de tentativa por se tratar de crime material plurissubsistente, no roubo impróprio há divergência
doutrinária. Esclarece Nucci (2018, 3ª ed, p.513-514):
“Há duas posições a respeito: pode haver tentativa de roubo impróprio, quando o agente, apesar de ter conseguido a subtração, é detido por
terceiros no instante em que pretendia usar violência ou grave ameaça; não é cabível. Se a subtração concretizou-se, não há que se falar em
tentativa de roubo impróprio: ou o agente usa violência ou grave ameaça e está consumado o roubo impróprio, ou não a utiliza e mantém-se
somente a figura do furto (simples ou qualificado).
A polêmica é de difícil solução, embora esteja concentrada no significado a ser dado à expressão “logo depois de subtraída a coisa”. Se
entendermos que tal expressão quer dizer o mesmo que furto consumado, naturalmente não se pode aceitar a ocorrência da tentativa de roubo
impróprio, uma vez que a coisa já saiu da esfera de disponibilidade e vigilância da vítima. Não teria cabimento supor que, encontrado o autor bem
longe do lugar da retirada do bem e ingressando em luta com o ofendido, a quem está agredindo quando é detido, está-se falando de tentativa de
roubo impróprio. O que temos é um furto consumado em concurso com um crime violento contra a pessoa.
Entretanto, se dermos à expressão a simples conotação de “retirada da coisa” da vítima, sem necessidade de se exigir a consumação do furto,
então podemos cuidar da tentativa de roubo impróprio. O ofendido, por exemplo, vendo que sua bicicleta está sendo levada por um ladrão, vai atrás
deste que, para assegurar sua impunidade ou garantir a detenção da coisa, busca agredir a pessoa que o persegue, momento em que é detido por
terceiros. Existe aí uma tentativa de roubo impróprio. Esta nos parece ser a melhor posição”.
Parece que a adoção da teoria da amotio para resolver o problema de consumação do furto e do roubo (súmula 582 do STJ)
impede a figura do roubo impróprio tentado, uma vez que, no referido crime, o agente remove a coisa da esfera de
disponibilidade da vítima, consumando o furto, e, em seguida, usa violência ou grave ameaça para garantir a detenção da coisa
ou a impunidade.
O roubo majorado possui previsão nos § 2º,
§ 2ºA e § 2ºB do art.157 do CP e, em regra,
convive com as formas básicas do caput ou
do caput ou do § 1º, por sua vez.
O § 2º estabelece aumento da pena de 1/3 a 1/2,
ou seja, incidência de causa de aumento de pena
na terceira fase da dosimetria da pena. Vale
destacar conforme entendimento do STJ:
“O aumento na terceira fase de aplicação da
pena no crime de roubo circunstanciado exige
fundamentação concreta, não sendo suficiente
para a sua exasperação a mera indicação do
número de majorantes” (Súmula 443).
No inciso II, há a majorante do concurso de duas ou mais pessoas. Trata-se de um concurso eventual de pessoas que abrange tanto
a coautoria quanto à participação. Não há necessidade de que todos estejam no local do crime, no momento da subtração, nem que
todos pratiquem atividade executória.
Esse concurso de pessoas pode envolver um imputável e um inimputável. Nesse caso, o imputável responderá pelo roubo
majorado/circunstanciado pelo concurso de pessoas em concurso formal próprio com o crime de corrupção de menores previsto no
art.244B da lei 8069/90 (ECA).
É possível coexistir o roubo majorado/circunstanciado pelo concurso de pessoas em concurso material com o crime de associação
criminosa. Não há se falar em bis in idem como sustenta determinado setor da doutrina (ex: Rogério Greco). Os bens jurídicos são
distintos e os momentos consumativos não se confundem.
“[...] 4. Segundo a jurisprudência desta Corte, não há bis in idem na condenação pelo crime de associação criminosa armada e pelo
de roubo qualificado pelo concurso de agentes, pois os delitos são autônomos, aperfeiçoando-se o primeiro independentemente do
cometimento de qualquer crime subsequente. Ademais, os bens jurídicos protegidos pelas normas incriminadoras são distintos - no
caso do art. 288, parágrafo único, do CP, a paz pública e do roubo qualificado, o patrimônio, a integridade física e a liberdade do
indivíduo.[...] (AgRg no AREsp 1425424/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 06/08/2019, DJe
19/08/2019).
No inciso III, o legislador narrou a seguinte majorante: se a vítima
está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal
circunstância. O elemento subjetivo constitui destaque aqui, qual
seja, o agente deve saber, no momento da subtração, que a
vítima transporta valores.
No inciso IV, se a subtração for de veículo automotor que venha
a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. Essa
causa de aumento de pena, fruto de alteração de 1996, quando o
furto e roubo de veículos que eram transportados para outros
estados e para o exterior foi objeto de preocupação do legislador,
bem como desmanche de veículos com receptação (receptação
qualificada do § 1º do art.180 do CP) e a adulteração de sinal
identificador de veículo automotor (art.311 do CP), conforme
alterações advindas da Lei 9426/96.
QUESTÃO importante:se o carro foi subtraído no DF é transportado para o Estado de Goiás, pode se falar em causa de
aumento de pena, considerando a ausência de previsão expressa do Distrito Federal no inciso IV § 2º do art.157?
Nesse sentido, decidiu o STJ:
STJ “ROUBO CIRCUNSTANCIADO. TRANSPORTE DE VEÍCULO AUTOMOTOR. SUBTRAÇÃO NO DISTRITO
FEDERAL. TRANSPORTE PARA OUTRA UNIDADE DA FEDERAÇÃO. CAUSA DE AUMENTO. INCIDÊNCIA.
RECURSO IMPROVIDO. 1. O legislador, ao cominar a pena do delito de roubo, prevendo como majorante o transporte
interestadual de veículo automotor, tem como objetivo reprimir, com maior severidade, a conduta do agente que o
conduza para fora dos limites territoriais dos estados. 2. O Distrito Federal, como ente federativo autônomo, é equiparado
a estado-membro, para fins de incidência da majorante, que tem por escopo desestimular a prática delitiva entre unidades
federativas, dificultando a atuação das forças policiais na repressão do crime. 3. A subtração de veículo automotor no
Distrito Federal, seguida do transporte à região contígua, no estado de Goiás, atrai a incidência da causa de aumento do
art. 157, § 2º, inciso IV, do Código Penal. 4. Recurso especial improvido. (REsp 1855785/DF, Rel. Ministro NEFI
CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 02/06/2020, DJe 08/06/2020)”.
Outra QUESTÃO relevante: se o carro foi desmontado e somente partes dele foi transportado, nesse caso,
configura a majorante?
Segundo Damásio (2020, v.2, p.445), não.
“O transporte, nos moldes do tipo, de partes de veículo não qualifica o delito. O Projeto de Lei n. 73/93, de
iniciativa do Presidente da República, que agravava as penas da receptação na hipótese de “veículo motorizado”,
estendia a incriminação a seus “componentes” (art. 180, § 1º, I, d)”.
A circunstância do inciso V (se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade)
é muito relevante, porquanto se faz presente em várias hipóteses fáticas do dia a dia da prática
forense. Esse tempo de permanência da vítima com o autor pode ser pequeno, exemplo: agente
ingressa em uma mercearia, abaixa a porta principal e, durante 10 minutos, submete o proprietário
à ameaça de arma de fogo, enquanto o seu comparsa subtrai vários bens do estabelecimento
comercial. Em seguida, ambos fogem do local em uma motocicleta”.
A hipótese do inciso IV pode conviver em eventual concurso material de crimes entre roubo e
extorsão, de modo que não há se falar de bis in idem quando as restrições da liberdade para cada
delito são distintas nos contextos fáticos sob exame, exemplo: Caio e João ingressam na casa das
vítimas José e Maria e, mediante emprego de arma de fogo, ameaçam as vítimas e subtraem
vários bens de valor econômico. Enquanto Caio apontava arma para as vítimas, João subtraia os
bens menores de maior de valor que estavam na residência. Em determinado momento, ao ver um
cartão bancário de Maria, João exige que Maria o acompanhe até uma Agência bancária para
sacar dinheiro de sua conta com o referido cartão, enquanto Caio permanecia na casa ameaçando
José com o emprego de arma de fogo. Ao fim, após o saque bancário, João traz Maria de volta
para casa. Maria e José são colocados dentro do banheiro. Caio e João fogem com os bens. Nesse
caso, com contextos fáticos distintos, Caio e João vão responder pelo crime de roubo cometido
com restrição da liberdade das vítimas e emprego de arma de fogo (art.157 §2º V e §2ºA I), mais
ainda o crime de extorsão com restrição da liberdade da vítima como condição para a obtenção da
vantagem (art.158 §3º do CP), em concurso material de crimes (art.69 do CP).
Do mesmo modo, haverá concurso material entre roubo e extorsão se, no contexto do roubo, após
esse crime, em seguida, ao invés de levar a vítima até a agência, os agentes a obrigasse a
fornecer senha e cartão bancário. Em seguida, fugissem do local com as coisas subtraídas, cartão
e senha.
STJ “[...] II - "É firme o entendimento desta Corte Superior de que ficam configurados os crimes de
roubo e extorsão, em concurso material, se o agente, após subtrair bens da vítima, mediante
emprego de violência ou grave ameaça, a constrange a entregar o cartão bancário e a respectiva
senha, para sacar dinheiro de sua conta corrente" (AgRg no AREsp n. 1.557.476/SP, Sexta Turma,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe de 21/02/2020). Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp
1931204/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 18/05/2021, DJe
26/05/2021)”.
Em razão de vários furtos e roubos a bancos, com o uso de explosivos, que aconteciam de forma contínua no
país, o legislador alterou inseriu qualificadora no furto e causa de aumento roubo. No caso do roubo, o inciso VI
exara: “se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem
sua fabricação, montagem ou emprego”.
Por sua vez, o inciso VII, inserido em 2019, com a expressão “se a violência ou grave ameaça é exercida com
emprego de arma branca”, retornou a causa de aumento do emprego de arma branca, a qual tempos atrás fazia
parte do inciso I, agora revogado, que continha a expressão emprego de arma. O emprego de arma branca
abrange, por exemplo, o uso de faca, punhal, facão etc.
O § 2º-A traz um aumento maior de pena e patamar fixo de 2/3
quando, no roubo, a violência ou ameaça é exercida com
emprego de arma de fogo, ou quando há destruição ou
rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de
artefato análogo que cause perigo comum. O §2º-B narra que a
pena do caput será aplicada em dobro “se a violência ou grave
ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso restrito
ou proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste
artigo”.
Com relação ao emprego de arma de fogo no roubo, a causa de
aumento está condicionada à potencialidade lesiva dessa arma.
Não se confunde aqui com a intepretação do perigo abstrato
existente nos crimes de porte e de posse de arma de fogo, sem
autorização legal, previstos na Lei 10826/2003 (potencialidade
lesiva presumida, HC 446.679/RS do STJ). Dito de outro modo,
no roubo, há necessidade de potencialidade lesiva da arma de
fogo para configurar a causa de aumento prevista no § 2º-A I do
art.157 (potencialidade lesiva não presumida).
A demonstração dessa potencialidade lesiva é feita com o exame de eficiência da arma de fogo que
se apresenta nos autos do processo via Laudo de Exame de Eficiência da Arma de fogo, ou seja,
crime que deixa vestígios exige-se o exame de corpo de delito direto. Não sendo possível o exame
direto, faz-se o indireto, nos termos do art.158 do CPP. Não sendo possível nenhum dois, utiliza-se a
prova testemunhal suplementar, conforme art.167 do CPP, ou o próprio depoimento da vítima. Desse
modo, não é necessário, impreterivelmente, a apreensão da arma para configurar a causa de
aumento, uma vez que o seu uso e a potencialidade lesiva podem ser demonstrados por outros
meios.
STJ “[...] 1. A Terceira Seção deste Tribunal Superior, no julgamento do EREsp n. 961.863/RS, consolidou o entendimento de que a configuração
da majorante atinente ao emprego de arma de fogo prescinde de apreensão da arma utilizada no crime e de realização de exame pericial para
atestar a sua potencialidade lesiva, quando presentes outros elementos probatórios que atestem o seu efetivo emprego na prática delitiva, tal
como na hipótese dos autos, em que o uso do artefato foi evidenciado pela palavra da vítima.[...] (AgRg no REsp 1916225/RJ, Rel. Ministro
REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 15/06/2021, DJe 21/06/2021)”.
No § 3º, há duas modalidades de roubo qualificado, ambas qualificadas pelo
resultado, quais sejam: roubo do qual resulta lesão grave na vítima; roubo do
qual resulta a morte da vítima. As hipóteses foram descritas de forma restritiva
no que concerne à forma de cometimento, de modo que só podem ser
cometidas mediante violência, não é possível a existência de tais qualificadoras
quando o roubo for cometidocom grave ameaça ou com violência imprópria.
O ser humano pode figurar como objeto material do crime de roubo quando se trata, por exemplo, de
latrocínio ou de roubo com lesão grave. É importante recordar o conceito tradicional de objeto material
de crime, qual seja: pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta humana.
STJ [...]
3. A doutrina é unânime quanto ao objeto material dos crimes patrimoniais, sendo esse, além da pessoa humana, a coisa em si, desde
que alheia e móvel, e que possua valor (de troca ou de uso), exigindo-se para a consumação do delito, no tocante ao elemento subjetivo,
a intenção de subtraí-la com a finalidade de tê-la para si ou para outrem. Havendo distinção quanto à capitulação do tipo, em furto ou
roubo, a depender da violência ou grave ameaça utilizadas. 4. Inexistindo no tipo penal dos crimes contra o patrimônio qualquer análise
concernente à ilicitude da coisa alheia, não há como se dispensar tratamento restritivo na aplicação da norma, já que não há na lei essa limitação
concernente ao objeto material. 5. Sendo a hipótese dos autos um ilícito penal relativo ao crime contra o patrimônio, em que o resultado morte
ensejou a configuração do tipo penal do latrocínio - art. 157, § 3º, do Código Penal -, não há falar em competência do Tribunal do Júri. 6. Recurso
especial provido a fim de reformar o acórdão impugnado para afastar a competência do Tribunal do Júri e determinar que o Tribunal de Justiça
mineiro prossiga no julgamento das apelações, como entender de direito.
(REsp 1645969/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 06/12/2018, DJe 01/02/2019)”.
No que diz respeito à hipótese apontada no inciso II, denominada de latrocínio,
vale reafirmar que cuida de crime qualificado pelo resultado, isto é, pode ser
cometido com dolo + dolo ou com dolo + culpa. O primeiro dolo é sempre o de
roubar, de modo que a morte pode ser dolosa ou culposa no contexto do roubo
para configurar o latrocínio. Na primeira hipótese, com dolo + dolo é possível a
tentativa.
STJ“[...]2. O roubo qualificado (CP, art. 157, § 3º) é crime qualificado pelo resultado, cujo resultado agravador, morte ou lesão
corporal grave, pode ter sido provocado dolosa ou culposamente, contudo, a violência que causa o resultado deve ser necessariamente
dolosa. De fato, se o resultado agravador é causado culposamente, não há falar em tentativa, sendo necessária sua efetiva
ocorrência; por outro lado, plenamente possível a tentativa do roubo qualificado em caso de animus necandi ou animus laedendi.
Mais do que isso, essencial a existência de relação de causalidade entre a subtração patrimonial e a violência empregada, seja para
possibilitar a subtração (conexão teleológica), seja para, após a subtração do bem, assegurar sua posse ou a impunidade do agente
(conexão consequencial). 3. O latrocínio (CP, art. 157, § 3º, in fine) é crime complexo, formado pela união dos crimes de roubo e homicídio,
realizados em conexão consequencial ou teleológica e com animus necandi. Estes crimes perdem a autonomia quando compõem o crime
complexo de latrocínio, cuja consumação exige a execução da totalidade do tipo. Nesse diapasão, em tese, para haver a consumação do
crime complexo, necessitar-se-ia da consumação da subtração e da morte, contudo os bens jurídicos patrimônio e vida não possuem igual
valoração, havendo prevalência deste último, conquanto o latrocínio seja classificado como crime patrimonial. Por conseguinte, nos termos
da Súmula 610 do STF, o fator determinante para a consumação do latrocínio é a ocorrência do resultado morte, sendo despicienda a efetiva
inversão da posse do bem. 4. O caso concreto amolda-se à hipótese em que há a subtração do bem, mas não se consumou a morte, tendo
resultado, contudo, lesões corporais gravíssimas à vítima. As instâncias ordinárias, com base na persuasão racional acerca dos elementos
de prova concretos e coesos dos autos, concluíram que o paciente agiu com animus necandi, o que é corroborado pela letalidade do
instrumento utilizado (arma de fogo) e o alto potencial lesivo da região atingida (pescoço), que torna provável o dolo direto ou,
subsidiariamente, irrefutável o dolo indireto eventual quanto ao resultado morte. Tais premissas fáticas, que não podem ser alteradas no rito
sumário do habeas corpus, que exige prova pré-constituída, levam à inarredável conclusão de ocorrência de dolo quanto ao resultado, cuja
consumação não se verificou por circunstâncias alheias à vontade do réu, ora paciente. 5. Diante do afastamento da ocorrência de resultado
agravador culposo e conclusão pela existência de animus necandi, e não mero animus laedendi, e de conexão consequencial com a
subtração, conclui-se haver tentativa cruenta ou vermelha de latrocínio e não o roubo qualificado pela lesão corporal gravíssima, não
obstante a similitude de elementos objetivos destes crimes, que é o resultado naturalístico lesão corporal grave. O elemento subjetivo do
tipo, mais reprovável, é, pois, determinante para a correta tipificação da conduta do réu como latrocínio tentado, crime hediondo. [...]”:
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Habeas Corpus 226.359/DF. Relator Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em 12/08/2016”.
STJ “[...] Desse modo, embora haja discussão doutrinária e jurisprudencial acerca de qual delito é
praticado quando o agente logra subtrair o bem da vítima, mas não consegue matá-la, prevalece o
entendimento de que há tentativa de latrocínio quando há dolo de subtrair e dolo de matar, sendo que o
resultado morte somente não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente. Por essa razão, a
jurisprudência do STJ pacificou-se no sentido de que o crime de latrocínio tentado se caracteriza
independentemente de eventuais lesões sofridas pela vítima, bastando que o agente, no decorrer do roubo, tenha
agido com o desígnio de matá-la. HC 201.175-MS, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/4/2013”.
Sobre a tentativa de latrocínio, vale esclarecer, nesse ponto, equívocos na interpretação do tema feita pelo STF em
passado recente. Foram várias decisões do Supremo Tribunal Federal que titubearam sobre a possibilidade de configuração
do crime de latrocínio na forma tentada, descrito no art. 157, §3º (segunda parte), combinado com art. 14, inciso II, parágrafo
único, ambos do Código Penal, ou seja, roubo praticado com violência que resulta morte, que constitui uma forma
qualificada do delito de roubo, com previsão de pena de reclusão de 20 a 30 anos, com redução de um a dois terços no
caso da tentativa.
Em algumas decisões iniciais, a Corte decidiu, na esteira de Hungria (1980, v. 7, p. 62-63), que o latrocínio somente
admitiria a tentativa se não houvesse lesão patrimonial e, ainda, não ocorresse morte, ou seja, somente se o agente não
lograsse conseguir as duas violações. Em outra oportunidade, o STF afirmou que, em hipótese alguma, seria possível a
ocorrência de tentativa de latrocínio, pois seria uma causa de aumento de pena, de modo a não admitir a convivência com a
forma tentada.
Por fim, em decisões mais recentes, o Tribunal concluiu que se trata de crime qualificado pelo resultado e, portanto, pode
ser praticado com dolo de roubar e dolo de matar ou com dolo de roubar e culpa ao matar a vítima, convivendo a primeira
hipótese com a forma tentada.
Merece crítica, sob o aspecto da estrutura dogmática, a Súmula 610 do STF, que consagrou a consumação de um crime
complexo sem que todos os seus resultados estejam concretizados, como reflexo de uma escolha jurisprudencial pela maior
gravidade da conduta que gerou a morte da vítima. Cuida-se de uma justificativa por comparação, tendo em vista que uma
tentativa de latrocínio com morte da vítima poderia redundar em uma sanção menor do que a prevista para o homicídio
qualificado.
Aprovada no ano de 1984, a Súmula 610 do STF possui a seguinte redação: “Há crime de latrocínio, quando o homicídio se
consuma, ainda que não realize o agente a subtração de bensda vítima”. Sobre os aspectos favoráveis e contrários à referida
súmula, há divergência doutrinária.
Weber Martins, ao criticar a posição de Hungria e Fragoso, defendeu a Súmula 610 do STF:
“Com esse pensamento, data vênia. A melhor solução para o caso em que o agente mata a vítima, mas não logra consumar a subtração
patrimonial, está em considerar consumado o latrocínio. [...] Admitir-se, na hipótese, a tentativa de latrocínio, será permitir a imposição, a crime
tão grave, cometido por um dos motivos mais torpes previstos em lei- o de roubar- uma pena menor do que a prevista, não apenas para o
homicídio qualificado, como até mesmo para o homicídio simples. Optar pelo homicídio qualificado, como o fazem Hungria e Fragoso, implica em
cindir a incindível unidade do crime complexo, em detrimento da lei”. (BATISTA, Weber Martins. O furto e o roubo no Direito e no processo penal.
3. ed. Atualizada por Marcellus Polastri Lima. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2014. p. 276-277).
De forma contrária, criticando a Súmula 610, Busato discorre sobre a necessidade de todos os elementos do tipo para o
reconhecimento de sua consumação, por fim, sustenta:
“Daí, sem dúvidas, de lege ferenda, a melhor solução seria o abandono completo da figura do latrocínio, optando pelo
concurso de crimes entre o homicídio ou lesões corporais e o roubo, de modo que seria permitido identificar a tentativa
com um tipo específico”: (BUSATO, Paulo César. Direito Penal: parte especial 1. São Paulo: Atlas, 2014. p. 453).
QUESTÃO: se o agente mata duas pessoas com o objetivo de subtrair o patrimônio de uma delas, há um latrocínio ou dois
latrocínios?
Há concurso de crimes com soma das penas. Há decisões antigas do STJ que solucionava com crime único. Todavia, a
jurisprudência atual soma as penas, explicando que haverá concurso formal impróprio se tudo ocorreu no mesmo contexto fático.
STJ [...] 3. Esta Corte Superior, de forma reiterada, já decidiu que incide o concurso formal impróprio (art. 70, segunda
parte, do Código Penal) no crime de latrocínio, nas hipóteses em que o agente, mediante uma única subtração
patrimonial, busca alcançar mais de um resultado morte, caracterizados os desígnios autônomos. Precedentes. 4. Na
espécie, após a subtração de um veículo automotor de propriedade de Juraci José Ferreira Jasmim, pai da vítima
Renan Jordan Jasmim, e de um celular, marca Samsung, pertencente ao último, o agente aderiu à conduta que
levou aos disparos da arma de fogo (por ele providenciada) contra as vítimas Luciana Chiacarino Gioseffi da Gama e
Renan, que vieram a óbito. 5. Habeas corpus não conhecido. (HC 120.455/RJ, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ,
SEXTA TURMA, julgado em 30/06/2016, DJe 01/08/2016)”.
STJ [...] 2. Descabe falar em reconhecimento de crime único de latrocínio. Isso porque as instâncias ordinárias adotaram
entendimento em consonância com a jurisprudência prevalente neste Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que há
concurso formal impróprio na prática de latrocínio quando a conduta do agente tenha por escopo mais de um resultado
morte, ainda que a subtração recaia sobre os bens de uma única vítima, na medida em que ficam evidenciados desígnios
autônomos, atraindo, portanto, o comando legal disposto no art. 70, segunda parte, do Código Penal. [...] (AgRg no HC
531.133/MS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 12/11/2019, DJe 25/11/2019)”.
Destaca-se, ainda, que a jurisprudência afirma a impossibilidade de continuidade delitiva entre roubo e latrocínio,
uma vez que são crimes do mesmo gênero, mas não são crimes da mesma espécie. Resolve-se com o concurso
material de crimes.
STJ “[...] 3. É assente nesta Corte o entendimento no sentido de que não é possível o reconhecimento da
continuidade delitiva entre os crimes de roubo e latrocínio pois, apesar de se tratarem de delitos do mesmo gênero,
não são da mesma espécie. 4. Writ não conhecido. (HC 297.632/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS
MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 12/05/2015, DJe 21/05/2015)”.
Em outra decisão, em caso semelhante ao anterior, o STJ aplicou a soma de penas pelo concurso formal impróprio e não pelo concurso
material.
STJ “[...] 1. Não obstante configurado concurso formal impróprio, e não concurso material, quando praticado os crimes de roubo e
latrocínio tentado em um mesmo contexto fático, mediante uma só ação, contra vítimas diferentes, inexiste reflexo na dosimetria da
pena, por ser idêntica à regra do concurso material, nos termos do art. 70, segunda parte, do CP. [...] (AgRg no AREsp 1395908/MG,
Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 05/09/2019, DJe 12/09/2019).
O roubo contra várias vítimas no mesmo contexto fático configura, segundo o STJ, concurso formal próprio de crimes.
STJ “[...] "É assente nesta Corte Superior que o roubo perpetrado contra diversas vítimas, ainda que ocorra em um único evento,
configura o concurso formal e não o crime único, ante a pluralidade de bens jurídicos tutelados ofendidos" (HC 430.716/SP, Rel.
Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 19/6/2018, DJe 29/6/2018)”.
O roubo cometido em concurso de pessoas com a participação de menor de idade resultará em responsabilidade penal do imputável por
concurso formal próprio entre o roubo majorado pelo concurso de pessoas e o crime do art.244 B do ECA, ou seja, na forma do art.70 caput,
primeira parte, do CP.
STJ “[...] 1. A Terceira Seção deste Superior Tribunal, no julgamento do Recurso Especial Representativo da Controvérsia n. 1.127.954/DF,
uniformizou o entendimento de que, para a configuração do crime de corrupção de menores, basta que haja evidências da participação de
menor de 18 anos no delito e na companhia de agente imputável, sendo irrelevante o fato de o adolescente já estar corrompido, porquanto
se trata de delito de natureza formal. Incidência da Súmula n. 500 do STJ.
2. Não configura bis in idem a aplicação da majorante relativa ao concurso de pessoas no roubo e a condenação do agente por
corrupção de menores, tendo em vista serem condutas autônomas que atingem bens jurídicos distintos. Precedentes.
3. Agravo regimental não provido.
(AgRg no REsp 1806593/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 26/05/2020, DJe 04/06/2020)”.
STJ “[...] " 3. Deve ser reconhecido o concurso formal de crimes quando a corrupção de menores ocorre em razão da prática de
delito de roubo majorado na companhia do adolescente. 4. Agravo regimental desprovido. Ordem de habeas corpus concedida, de ofício,
para afastar os maus antecedentes e a reincidência, reconhecer o concurso formal entre os delitos e redimensionar a pena imposta.
(AgRg no AREsp 1665758/RO, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 19/05/2020, DJe 05/06/2020)”.
Sobre a presença de duas ou mais causas de aumento no roubo, vale destacar recentes entendimentos do STJ sobre tema:
Foi dito outrora, com citação da jurisprudência do STJ, que há duas formas de se fazer a dosimetria da pena de um crime de
roubo cometido com duas ou mais circunstâncias de aumento presentes no mesmo parágrafo (exemplo: 157 § 2º, II e IV):
considerar ambas na terceira fase da dosimetria, com a ressalva de que o número de circunstâncias não implica
necessariamente em um amento superior a 1/3 (súmula 443 do STJ); ou considerar somente uma das circunstâncias na 3ª fase
da dosimetria, antecipando a outra para a primeira fase, quando da análise do artigo 59 do Código Penal.
Todavia, uma situação distinta merece ser considerada. O STJ, em decisões recentes, relativas ao crime de roubo majorado,
com circunstâncias situadas em parágrafos diferentes (exemplo: no §§ 2º e 2ºA), tem aplicado a solução prevista no parágrafo
único do artigo 68, ou seja: o julgador poderá fazer a incidência em cascata das duas circunstâncias; ou poderá fazer a
incidência apenas da circunstância que mais aumenta a pena, no caso, o §2ºA.
Sobre a presença de duas ou mais causas de aumento no roubo,vale destacar recentes entendimentos do STJ sobre tema:
É importante acompanhar o desenrolar dos próximos julgados do Tribunal. Até 2018, era comum a orientação no sentido de
que o magistrado, diante das circunstâncias do §§ 2º e 2ºA do artigo 157 do CP, deveria, na terceira fase, levar em conta
somente um dos aumentos, isto é, o do §2ºA (HC 472.771/SC de 2018). Mas em 2019, 2020 e 2021, o STJ decidiu a
matérias várias vezes no mesmo sentido, ou seja, com o novo entendimento.
A nova orientação, confirmada nos julgados abaixo, supera a ideia de que o parágrafo único do artigo 68 seria aplicado
estritamente aos casos de aumentos previstos em artigos diferentes (exemplo: artigos 250 §1º, I, “a”, e 258 do Código
Penal).
Sobre a presença de duas ou mais causas de aumento no roubo, vale destacar recentes entendimentos do STJ sobre tema:
STJ- 6ª TURMA - DUAS CAUSAS DE AUMENTO E O ARTTIGO 68 [...] 1. A teor do art. 68, parágrafo único, do Código
Penal, é possível, de forma concretamente fundamentada, aplicar cumulativamente as causas de aumento de pena
previstas na parte especial, não estando obrigado o julgador somente a fazer incidir a causa que aumente mais a pena,
excluindo as demais. 2. Relativamente às causas de aumento de pena do concurso de agentes e de restrição de liberdade da
vítima, o aumento da pena em fração superior ao mínimo decorreu de peculiaridade concreta do crime, capaz de demonstrar a
especial reprovabilidade da conduta, notadamente, pelo fato de que a vítima teve sua liberdade restringida por mais de 6 horas,
tempo este que se revela muito superior ao necessário para a subtração dos bens. 3. De rigor a aplicação da majorante
prevista no art. 157, § 2º-A, I, do Código Penal, na medida em que sendo o delito cometido com o emprego de arma de fogo, a
elevação é arbitrada em índice fixo pelo legislador, não cabendo ao julgador, portanto, ponderar sobre o quantum da
exasperação. [...] 5. Habeas corpus denegado. (HC 560.059/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em
26/05/2020, DJe 02/06/2020)”.
Sobre a presença de duas ou mais causas de aumento no roubo, vale destacar recentes entendimentos do STJ
sobre tema:
STJ- 6ª TURMA - DUAS CAUSAS DE AUMENTO E O ARTTIGO 68 [...] 1. A teor do art. 68,
parágrafo único, do Código Penal, a aplicação das causas majorantes e minorantes se dá sem
compensação, umas sobres as outras, não sendo admissível a pretendida tese de incidência de
única majorante dentre as aplicáveis. 2. Tendo sido o crime de roubo praticado com o efetivo
emprego de arma de fogo e ainda mediante concurso de cinco agentes, correta foi a incidência
separada e cumulativa das duas causas de aumento. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no
HC 512.001/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 15/08/2019, DJe
29/08/2019)”.
Sobre a presença de duas ou mais causas de aumento no roubo, vale destacar recentes entendimentos do STJ sobre tema:
STJ- 5ª TURMA - DUAS CAUSAS DE AUMENTO E O ARTTIGO 68 [...] 2. "O art. 68, parágrafo único, do CP, não impede de todo a aplicação
cumulativa de causas de aumento de pena. É razoável a interpretação da lei no sentido de que eventual afastamento da dupla cumulação deverá ser
feito apenas no caso de sobreposição do campo de aplicação ou excessividade do resultado" (Trecho do voto condutor do acórdão do ARE 896843
AgR, Relator: Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 8/9/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-189 PUBLIC 23/9/2015). 3. No caso
em análise, a majoração da pena em razão da utilização de arma de fogo (art. 157, §2º-A, inciso I) e do concurso de agentes (art. 157, §2º, inciso II)
resultou na aplicação de pena que extrapolou a razoabilidade, qual seja 8 anos, 10 meses e 20 dias, pena sob a qual ainda incidiu o aumento de 1/6,
decorrente da continuidade delitiva. 4. De rigor, nos termos do art. 68, parágrafo único, do Código Penal, a incidência apenas da maior causa de
aumento, qual seja 2/3.A circunstância do concurso de agentes não pode ser desprezada, o que leva a sua consideração como circunstância judicial
desfavorável, devendo a pena base ser elevada em 1/6. Não há falar em reformatio in pejus, uma vez que a circunstância foi reconhecida na
sentença e confirmada no acórdão, além da pena total restar reduzida.5. Habeas Corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício, para reduzir a
pena aplicada ao paciente com a extensão dos efeitos aos demais corréus na mesma situação jurídica, nos termos do requerido pelo Ministério
Público Federal.(HC 527.704/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 12/11/2019, DJe 25/11/2019)”.
ROUBO
ATENÇÃO- Novos temas de penal na perspectiva jurisprudencial
3- Roubo e concurso de crimes
- Concurso formal próprio (roubo contra várias pessoas)
- Concurso formal impróprio no latrocínio com mais de uma morte (STJ, não
pacificado no STF)
- Roubo e concurso com a associação criminosa (concurso material)
- Roubo com a corrupção de menores (concurso formal próprio)
- - Roubo e extorsão (concurso material)
Roubo: CONSUMAÇÃO
STJ [...]
4. A jurisprudência pacífica desta Corte Superior e do Supremo Tribunal Federal é de que o crime de
roubo se consuma no momento em que o agente se torna possuidor da coisa subtraída, mediante
violência ou grave ameaça, ainda que haja imediata perseguição e prisão, sendo prescindível que o
objeto subtraído saia da esfera de vigilância da vítima.
5. A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal.
Súmula n. 231 do STJ.
6. Agravo regimental não provido.
(AgRg no HC 217.755/MG, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em
06/08/2015, DJe 26/08/2015)
Roubo CONSUMAÇÃO (súmula também aplicável ao furto, conquanto a narração seja do
crime de roubo)
STJ
Súmula 582 - Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem
mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e
em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada,
sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada. (Súmula 582,
TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 14/09/2016, DJe 19/09/2016)
Roubo: TENTATIVA. TEORIA DA AMOTIO
STJ [...]
1. No que tange à consumação dos delitos patrimoniais, esta Corte adotou a Teoria da Amotio ou Aprehensio, que se satisfaz com a "inversão da
posse", não se preocupando se ela se fez mansa, pacífica e desvigiada, conforme enuncia o verbete n. 582/STJ.
2. No leading case que analisou o tema no Supremo Tribunal Federal, firmando a Teoria da Amotio no direito jurisprudencial brasileiro, o relator do
Recurso Extraordinário n. 102.490/SP, Ministro Moreira Alves, consignou em seu voto que "a aquisição da posse por apreensão e a conseqüente perda
da posse contra a vontade do antigo possuidor, é preciso que se tenha poder de fato sobre a coisa, imediatamente depois de cessada a
clandestinidade ou a violência, tanto assim que o possuidor esbulhado (e, portanto, o que perdeu a posse pela apreensão de outrem) poderá restituir-
se (o que implica dizer: recuperar a posse) por sua própria força, se agir imediatamente, ou após breve intervalo de tempo".
3. Na legislação civil, adotada por analogia, a posse pressupõe o exercício, de fato, de um ou de alguns dos atributos da propriedade, quais sejam,
usar, gozar e dispor do bem, o que leva a entender que a posse de um veículo implica a possibilidade usá-lo, ou seja, movimentá-lo minimamente.
4. No caso, os agentes, antes de serem rendidos por um segurança, ficaram por brevíssimos minutos no interior do veículo da
vítima, sem contudo dispor de nenhuma possibilidade de movimentá-lo, por razões alheias à sua vontade (ausência das chaves, que
foram carregadas pela vítima ao se afastar do veículo, e tempo exíguo para qualquer tentativa de "ligação direta"). Assim, não se
pode admitir que os réus tenham, de fato, se apossado do bem, de modo que o crime de roubo não chegou a se consumar, sendo de
rigor o reconhecimento da tentativa.
5.Recurso especial improvido.
(REsp 1558787/RJ, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 17/12/2019, DJe 19/12/2019)
Roubo (JULGADOS ISOLADOS):
ROUBO E USO DE ARMA DESMUNICIADA
PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO.
ROUBO CIRCUNSTANCIADO. IMPRESTABILIDADE DA ARMA DE FOGO. AFASTAMENTO DO AUMENTO DA PENA. ATENUANTE DA
CONFISSÃO ESPONTÂNEA.
INAPLICABILIDADE NA TERCEIRA FASE DA DOSIMETRIA. WRIT NÃO CONHECIDO E, NO MAIS, ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO APENAS EM
PARTE. 1. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração não deve ser conhecida, segundo orientação
jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal - STF e do próprio Superior Tribunal de Justiça - STJ. Contudo, considerando as alegações expostas na
inicial, razoável a análise do feito para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. 2. "Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento
consolidado no sentido de que 'De acordo com a Súmula n. 231 do STJ, descabe a redução da pena na segunda fase da dosimetria a patamar aquém
do mínimo legal em razão da existência de circunstância atenuante, no caso, a menoridade relativa' (HC n. 404.340/SC, Quinta Turma, Rel. Min.
Jorge Mussi, Dje de 20/3/2018, grifei). Precedentes (AgRg no AREsp 1.261.222/RN, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe 4/6/2018). 3.
A jurisprudência desta Corte Superior está sedimentada no sentido de que a utilização de arma desmuniciada ou sem potencialidade para realização
de disparo, utilizada como meio de intimidação, serve unicamente à caracterização da elementar grave ameaça, não se admitindo o seu
reconhecimento como a causa de aumento de pena em questão.
4. Writ não conhecido e, no mais, ordem concedida, de ofício, em parte, apenas para reduzir a pena para 5 anos e 4 meses de reclusão.
(HC 445.043/SC, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 21/02/2019, DJe 06/03/2019)
Roubo (JULGADOS ISOLADOS):
ROUBO SEGUIDO DE CAPOTAMENTO COM MORTE DA VÍTIMA
STJ- PENAL E PROCESSO PENAL. VIOLAÇÃO AO ART. 157, § 3º, DO CP.
LATROCÍNIO. INOCORRÊNCIA. ROUBO EM CONCURSO DE AGENTES, COM EMPREGO DE ARMA E RESTRIÇÃO DA LIBERDADE. MORTE DA
VÍTIMA EM ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO. TIPO QUALIFICADO QUE EXIGE QUE A MORTE DECORRA DA VIOLÊNCIA FÍSICA EMPREGADA.
RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. O delito de latrocínio resta configurado quando a violência física empregada no delito de roubo enseja a
morte da vítima. Sendo a morte decorrente de acidente automobilístico, não há se falar em roubo
qualificado pela morte, mas sim em crimes autônomos de roubo circunstanciado e de homicídio culposo
no trânsito.
2. Recurso especial a que se nega provimento.
(REsp 1085129/MG, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 10/04/2012, DJe 10/05/2012)
Roubo (JULGADOS ISOLADOS):
SUBTRAÇÃO DE VEÍCULO DO DF PARA OUTRO ESTADO
STJ-
RECURSO ESPECIAL. PENAL. ROUBO. SUJEITO PASSIVO. PROPRIETÁRIO, POSSUIDOR OU PESSOA QUE SOFRE VIOLÊNCIA OU GRAVE
AMEAÇA. TUTELA DO PATRIMÔNIO, BEM COMO DA LIBERDADE E DA INTEGRIDADE FÍSICA. INCIDÊNCIA DA AGRAVANTE GENÉRICA
PREVISTA NO ARTIGO 61, ALÍNEA "H", DO CÓDIGO PENAL. CRIME PRATICADO CONTRA MULHER GRÁVIDA. APLICAÇÃO DA AGRAVANTE
DO ARTIGO 157, § 2º, INCISO IV, DO CÓDIGO PENAL.
TRANSPORTE DO BEM SUBTRAÍDO (VEÍCULO AUTOMOTOR) ENTRE ESTADOS DA FEDERAÇÃO.
1. Não apenas o proprietário ou o possuidor da coisa subtraída é sujeito passivo do delito de
roubo, mas também aquele que sofre a violência, direta ou indireta, ou a grave ameaça,
considerando que o objeto jurídico protegido não é apenas o patrimônio, mas também a liberdade
e a integridade física da vítima. Incidência da agravante genérica prevista no artigo 61, alínea "h",
do Código Penal, pois o crime foi praticado contra mulher grávida que sofrera grave ameaça.
2. Tendo sido o veículo automotor subtraído no Distrito Federal e, após transportado para o Estado
de Goiás, encaminhado para o Estado de Tocantins, de rigor a aplicação da qualificadora de que
trata o artigo 157, § 2º, inciso IV, do Código Penal.
3. Recurso especial improvido.
(REsp 1248800/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 17/12/2013, DJe 03/02/2014)
Roubo (JULGADOS ISOLADOS): ATENÇÃO
SUBTRAÇÃO DE VEÍCULO DO DF PARA OUTRO ESTADO
STJ-
ROUBO CIRCUNSTANCIADO. TRANSPORTE DE VEÍCULO AUTOMOTOR. SUBTRAÇÃO NO DISTRITO FEDERAL. TRANSPORTE PARA OUTRA
UNIDADE DA FEDERAÇÃO. CAUSA DE AUMENTO. INCIDÊNCIA. RECURSO IMPROVIDO.
1. O legislador, ao cominar a pena do delito de roubo, prevendo como majorante o transporte interestadual de veículo automotor, tem como
objetivo reprimir, com maior severidade, a conduta do agente que o conduza para fora dos limites territoriais dos estados.
2. O Distrito Federal, como ente federativo autônomo, é equiparado a estado-membro, para fins de incidência da majorante, que tem por
escopo desestimular a prática delitiva entre unidades federativas, dificultando a atuação das forças policiais na repressão do crime.
3. A subtração de veículo automotor no Distrito Federal, seguida do transporte à região contígua,
no estado de Goiás, atrai a incidência da causa de aumento do art. 157, § 2º, inciso IV, do Código
Penal.
4. Recurso especial improvido.
(REsp 1855785/DF, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 02/06/2020, DJe 08/06/2020)
EXPLICAÇÃO DO LATROCÍNIO- CRIME QUALIFICADO PELO RESULTADO
STJ
Nesse sentido, já decidiu de forma clara o Superior Tribunal de Justiça: “[...]2. O roubo qualificado (CP, art. 157, § 3º) é crime
qualificado pelo resultado, cujo resultado agravador, morte ou lesão corporal grave, pode ter sido provocado dolosa ou culposamente, contudo, a violência que causa o resultado deve ser
necessariamente dolosa. De fato, se o resultado agravador é causado culposamente, não há falar em tentativa, sendo necessária sua efetiva ocorrência; por outro lado, plenamente possível a tentativa do roubo qualificado em caso de
animus necandi ou animus laedendi. Mais do que isso, essencial a existência de relação de causalidade entre a subtração patrimonial e a violência empregada, seja para possibilitar a subtração (conexão teleológica), seja para, após a
subtração do bem, assegurar sua posse ou a impunidade do agente (conexão consequencial). 3. O latrocínio (CP, art. 157, § 3º, in fine) é crime complexo, formado pela união dos crimes de roubo e homicídio, realizados em conexão
consequencial ou teleológica e com animus necandi. Estes crimes perdem a autonomia quando compõem o crime complexo de latrocínio, cuja consumação exige a execução da totalidade do tipo. Nesse diapasão, em tese, para haver a
consumação do crime complexo, necessitar-se-ia da consumação da subtração e da morte, contudo os bens jurídicos patrimônio e vida não possuem igual valoração, havendo prevalência deste último, conquanto o latrocínio seja
classificado como crime patrimonial. Por conseguinte, nos termos da Súmula 610 do STF, o fator determinante para a consumação do latrocínio é a ocorrência do resultado morte, sendo despicienda a efetiva inversão da posse do bem. 4. O
caso concreto amolda-se à hipótese em que há a subtração do bem, mas não se consumou a morte, tendo resultado, contudo, lesões corporais gravíssimas à vítima. As instâncias ordinárias, com base na persuasão racional acerca dos
elementos de prova concretos e coesos dos autos, concluíram que o paciente agiu com animus necandi, o que é corroborado pela letalidade do instrumento utilizado (arma de fogo) e o alto potencial lesivo da região atingida (pescoço), que
torna provável o dolo direto ou, subsidiariamente, irrefutável o dolo indireto eventual quanto ao resultado morte. Tais premissas fáticas, que não podem ser alteradas no rito sumário do habeas corpus, que exige prova pré-constituída,
levam à inarredável conclusão de ocorrência de dolo quanto ao resultado, cuja consumação não se verificou por circunstâncias alheias à vontade do réu, ora paciente.5. Diante do afastamento da ocorrência de resultado agravador culposo
e conclusão pela existência de animus necandi, e não mero animus laedendi, e de conexão consequencial com a subtração, conclui-se haver tentativa cruenta ou vermelha de latrocínio e não o roubo qualificado pela lesão corporal
gravíssima, não obstante a similitude de elementos objetivos destes crimes, que é o resultado naturalístico lesão corporal grave. O elemento subjetivo do tipo, mais reprovável, é, pois, determinante para a correta tipificação da conduta do
réu como latrocínio tentado, crime hediondo. [...]”: BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Habeas Corpus 226.359/DF. Relator Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em 12/08/2016.
EXPLICAÇÃO DO LATROCÍNIO- CRIME QUALIFICADO PELO RESULTADO
É certo que o Supremo, numa terceira fase, depois de alguns anos gerando insegurança
jurídica nas decisões pelo país afora (citar), corrigiu o seu posicionamento e pacificou a
controvérsia. No julgamento do Habeas Corpus 110686, no ano de 2013, a Corte manteve a
condenação por latrocínio tentado, em um roubo com violência, com tentativa de tirar a vida
da vítima, que não se consumou por circunstâncias alheias à sua vontade. Na oportunidade, o
Ministro Marco Aurélio, vencido, insistiu na sua posição quanto à inadmissibilidade da
tentativa de latrocínio.
EXPLICAÇÃO DO LATROCÍNIO- CRIME QUALIFICADO PELO RESULTADO
O tema é controverso na doutrina. Weber Martins, ao criticar a posição de Hungria e Fragoso,
defendeu a súmula 610 do STF: “Com esse pensamento, data vênia. A melhor solução para o
caso em que o agente mata a vítima, mas não logra consumar a subtração patrimonial, está
em considerar consumado o latrocínio. [...] Admitir-se, na hipótese, a tentativa de latrocínio,
será permitir a imposição, a crime tão grave, cometido por um dos motivos mais torpes
previstos em lei- o de roubar- uma pena menor do que a prevista, não apenas para o
homicídio qualificado, como até mesmo para o homicídio simples. Optar pelo homicídio
qualificado, como o fazem Hungria e Fragoso, implica em cindir a incindível unidade do crime
complexo, em detrimento da lei”. BATISTA, Weber Martins. O Furto e o Roubo no Direito e no
Processo Penal. 3ª ed. Atualizada por Marcellus Polastri Lima. Rio de Janeiro: Lumen juris,
2014, p.276-277. De forma contrária, criticando a súmula 610, Busato discorre sobre a
necessidade de todos os elementos do tipo para o reconhecimento de sua consumação, por
fim, sustenta: “Daí, sem dúvidas, de lege ferenda, a melhor solução seria o abandono
completo da figura do latrocínio, optando pelo concurso de crimes entre o homicídio ou
lesões corporais e o roubo, de modo que seria permitido identificar a tentativa com um tipo
específico”: BUSATO, Paulo César. Direito Penal: parte especial 1. São Paulo: Atlas, 2014,
p.453.
Roubo :
TENTATIVA DE LATROCÍNIO
STJ-
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. DESNECESSIDADE DE OCORRÊNCIA DE LESÕES CORPORAIS PARA A CARACTERIZAÇÃO DO CRIME DE
LATROCÍNIO TENTADO.
O reconhecimento da existência de irregularidades no laudo pericial que atesta a natureza das lesões sofridas pela vítima de tentativa de latrocínio (157,
§ 3º, parte final, do CP) não resulta na desclassificação da conduta para alguma das outras modalidades de roubo prevista no art. 157 do CP. Isso
porque, para a configuração daquele delito, é irrelevante se a vítima sofreu lesões corporais. Efetivamente, a figura típica do latrocínio se consubstancia
no crime de roubo qualificado pelo resultado, em que o dolo inicial é de subtrair coisa alheia móvel, sendo que as lesões corporais ou a morte são
decorrentes da violência empregada, atribuíveis ao agente a título de dolo ou culpa. Desse modo, embora haja discussão
doutrinária e jurisprudencial acerca de qual delito é praticado quando o agente logra subtrair
o bem da vítima, mas não consegue matá-la, prevalece o entendimento de que há tentativa
de latrocínio quando há dolo de subtrair e dolo de matar, sendo que o resultado morte
somente não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente. Por essa razão, a
jurisprudência do STJ pacificou-se no sentido de que o crime de latrocínio tentado se
caracteriza independentemente de eventuais lesões sofridas pela vítima, bastando que o
agente, no decorrer do roubo, tenha agido com o desígnio de matá-la. HC 201.175-MS, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 23/4/2013.
Aulas com abordagem legal, doutrinária, jurisprudencial e com exame de questões.
- Sobre estudo do fato típico
- RESULTADO
Destaque para o ITER CRIMINIS ( TEMA DE AULA JÁ MINISTRADA)
Tentativa- Julgados- TENTATIVA, LATROCÍNIO, CONSUMAÇÃO
STJ […]
2. O roubo qualificado (CP, art. 157, § 3º) é crime qualificado pelo resultado, cujo resultado agravador, morte ou lesão corporal grave, pode ter sido provocado
dolosa ou culposamente, contudo, a violência que causa o resultado deve ser necessariamente dolosa. De fato, se o resultado
agravador é causado culposamente, não há falar em tentativa,
sendo necessária sua efetiva ocorrência; por outro lado, plenamente possível a tentativa do roubo qualificado em caso de animus necandi ou animus
laedendi. Mais do que isso, essencial a existência de relação de causalidade entre a subtração patrimonial e a violência empregada, seja para possibilitar a
subtração (conexão teleológica), seja para, após a subtração do bem, assegurar sua posse ou a impunidade do agente (conexão consequencial).
3. O latrocínio (CP, art. 157, § 3º, in fine) é crime complexo, formado pela união dos crimes de roubo e homicídio, realizados em conexão consequencial ou
teleológica e com animus necandi. Estes crimes perdem a autonomia quando compõem o crime complexo de latrocínio, cuja consumação exige a execução
da totalidade do tipo.
Nesse diapasão, em tese, para haver a consumação do crime complexo, necessitar-se-ia da consumação da subtração e da morte, contudo os bens jurídicos
patrimônio e vida não possuem igual valoração, havendo prevalência deste último, conquanto o latrocínio seja classificado como crime patrimonial. Por
conseguinte, nos termos da Súmula 610 do STF, o fator determinante para a consumação da latrocínio é a ocorrência do resultado morte, sendo
despicienda a efetiva inversão da posse do bem.
[…] (HC 226.359/DF, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 02/08/2016, DJe 12/08/2016)
Explicação da decisão do STJ contida no julgado anterior:
Roubo :
TENTATIVA DE LATROCÍNIO
STF -
INFO 694 HC e latrocínio tentado
Ante a inadequação da via eleita, a 1ª Turma, por maioria, julgou extinto habeas corpus em que se pleiteava a estipulação da pena do paciente de
acordo com a primeira parte do § 3º do art. 157 do CP (“Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
... § 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte
a trinta anos, sem prejuízo da multa”). Na espécie, trata-se de condenado com fulcro no art. 157, § 3º, c/c art. 14, II, ambos do CP, por decisão
transitada em julgado. Esclareceu-se que se buscava o enquadramento jurídico da conduta a ele imputada como crime de roubo seguido de lesão
corporal de natureza grave — e não tentativa de latrocínio —, com nova fixação da pena-base, pois a vítima sobrevivera. Rejeitou-se eventual concessão
da ordem de ofício. Assentou-se não ser possível enfrentar ponderação de circunstâncias fático-probatórias em writ para verificar como teria ocorrido o
delito. O Min. Luiz Fux acentuou estar caracterizada a tentativa de tirar a vida da vítima, que não se teria
consumado por motivos alheios à vontade do paciente. Vencido o Min. Marco Aurélio, que concedia a
ordem. Asseverava inexistir, no ordenamento jurídico pátrio, a tentativa de latrocínio, que consistiria ficção
jurídica conflitantecom o preceito legal. Além do mais, sublinhava que o latrocínio pressuporia sempre a
morte. HC 110686/DF, rel. Min. Dias Toffoli, 5.2.2013. (HC-110686)
Roubo :
LATROCÍNIO E CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO
STJ [...]
1. Nos crimes de latrocínio, a prática de uma subtração, com dois resultados morte, é
hipótese de reconhecimento do concurso formal impróprio. Precedentes. 2. Não houve
alteração do contexto fático relatado na denúncia, quando foi expressamente descrita a
ocorrência do falecimento de duas das vítimas, configurado o concurso formal impróprio.
Permanecendo a fidelidade aos fatos narrados, não há óbice ao julgador os adequar a nova tipificação,
evidenciada a hipótese de emendatio libelli, perfeitamente admissível.
3. Agravo regimental improvido.
(AgRg na RvCr 4.109/MT, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
22/02/2018, DJe 27/02/2018)
Roubo :
LATROCÍNIO E CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO
STJ [...]
3. Esta Corte Superior, de forma reiterada, já decidiu que incide o concurso formal impróprio
(art. 70, segunda parte, do Código Penal) no crime de latrocínio, nas hipóteses em
que o agente, mediante uma única subtração patrimonial, busca
alcançar mais de um resultado morte, caracterizados os desígnios
autônomos. Precedentes.
4. Na espécie, após a subtração de um veículo automotor de propriedade de Juraci José Ferreira Jasmim, pai da
vítima Renan Jordan Jasmim, e de um celular, marca Samsung, pertencente ao último, o agente aderiu à conduta que
levou aos disparos da arma de fogo (por ele providenciada) contra as vítimas Luciana Chiacarino Gioseffi da Gama e
Renan, que vieram a óbito.
5. Habeas corpus não conhecido.
(HC 120.455/RJ, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 30/06/2016, DJe 01/08/2016)
Roubo :
LATROCÍNIO E CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO
STJ [...]
2. Descabe falar em reconhecimento de crime único de latrocínio.
Isso porque as instâncias ordinárias adotaram entendimento em consonância com a
jurisprudência prevalente neste Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que há concurso
formal impróprio na prática de latrocínio quando a conduta do agente tenha por escopo mais de um
resultado morte, ainda que a subtração recaia sobre os bens de uma única vítima, na medida em
que ficam evidenciados desígnios autônomos, atraindo, portanto, o comando legal disposto no art.
70, segunda parte, do Código Penal.
[...]
(AgRg no HC 531.133/MS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 12/11/2019, DJe 25/11/2019)
CONCURSO DE CRIMES
STJ- Concurso material entre o 157 e o 158 do CP
STJ [...]
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
ROUBO MAJORADO. ROUBO MAJORADO E EXTORSÃO QUALIFICADA. CONDUTAS DIVERSAS. DELITOS
AUTÔNOMOS. INCABÍVEL O RECONHECIMENTO DO CRIME ÚNICO. APLICAÇÃO DO CONCURSO MATERIAL.
PRECEDENTES DO STJ.
MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA.
I - O agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente
firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada por seus próprios fundamentos.
II - "É firme o entendimento desta Corte Superior de que ficam configurados os crimes de roubo e extorsão, em
concurso material, se o agente, após subtrair bens da vítima, mediante emprego de violência ou grave ameaça,
a constrange a entregar o cartão bancário e a respectiva senha, para sacar dinheiro de sua conta corrente"
(AgRg no AREsp n. 1.557.476/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe de 21/02/2020).
Agravo regimental desprovido.
(AgRg no REsp 1931204/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 18/05/2021, DJe
26/05/2021)
CONCURSO DE CRIMES
STJ- Concurso material entre o 157 e o 158 do CP
STJ [...]
1. É firme o entendimento desta Corte Superior de que Ficam configurados os
crimes de roubo e extorsão, em concurso material, se o agente, após subtrair
bens da vítima, mediante emprego de violência ou grave ameaça, a constrange
a entregar o cartão bancário e a respectiva senha, para sacar dinheiro de sua
conta corrente (HC 127.320/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA
TURMA, julgado em 07/05/2015, DJe 15/05/2015) 2. Agravo Regimental
improvido.
(AgRg no REsp 1702185/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA,
julgado em 13/03/2018, DJe 26/03/2018)
CONCURSO DE CRIMES (CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS)
STJ- Impossibilidade de continuidade delitiva 157 e o 157 § 3º do CP. Concurso material.
PENAL E PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. NULIDADE. PERÍCIA NÃO REALIZADA. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. ROUBO E
LATROCÍNIO.CONTINUIDADE DELITIVA. IMPOSSIBILIDADE. VIA INDEVIDAMENTE UTILIZADA EM SUBSTITUIÇÃO AO RECURSO ESPECIAL. NÃO
CONHECIMENTO.
1. Tratando-se de habeas corpus substitutivo de recurso especial, inviável o seu conhecimento.
2. Este Tribunal sufragou o entendimento no sentido de que "a teor do art. 571, II, do CPP, as nulidades da instrução criminal, nos processos
de competência do juiz singular, devem ser arguidas, em preliminar, na oportunidade do oferecimento das alegações finais, sob pena de
preclusão" (HC 168.984/GO, Rel. Min. ASSUSETE MAGALHÃES, SEXTA TURMA, DJe 21/05/2013).
3. É assente nesta Corte o entendimento no sentido de que não é possível o reconhecimento da continuidade delitiva entre os crimes de
roubo e latrocínio pois, apesar de se tratarem de delitos do mesmo gênero, não são da mesma espécie.
4. Writ não conhecido.
(HC 297.632/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 12/05/2015, DJe 21/05/2015)
CONCURSO DE CRIMES (CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS)
STJ- Impossibilidade de continuidade delitiva 157 e o 157 § 3º do CP
[...]
1. Não obstante configurado concurso formal impróprio, e não concurso material, quando praticado os crimes de
roubo e latrocínio tentado em um mesmo contexto fático, mediante uma só ação, contra vítimas diferentes,
inexiste reflexo na dosimetria da pena, por ser idêntica à regra do concurso material, nos termos do art. 70,
segunda parte, do CP.
2. Aplica-se o princípio da consunção ao crime de porte ilegal de arma de fogo e aos delitos contra o patrimônio ocorridos no mesmo
contexto fático, quando presente nexo de dependência entre as condutas, considerando-se o porte crime-meio para a execução do roubo e
do latrocínio tentado. 3. Não incide a Súmula 7/STJ quando os fatos se encontram delimitados pelo acórdão recorrido, sendo necessária nova
valoração jurídica da prova, e não reexame fático-probatório, uma vez que a conduta do réu se apresenta incontroversa.
4. Agravo regimental provido para redimensionar a pena.
(AgRg no AREsp 1395908/MG, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 05/09/2019, DJe 12/09/2019)
Concurso de crimes, não configuração de crime único (conflito
aparente de normas) com a subtração de bens pertencentes a
pessoas diferentes de uma mesma família
STJ
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. DOSIMETRIA.
TERCEIRA FASE. CAUSAS DE AUMENTO. REGIME PRISIONAL MAIS GRAVOSO.
OUSADIA. PERICULOSIDADE. MAIOR REPROVABILIDADE NA CONDUTA. CRIME ÚNICO. NÃO OCORRÊNCIA. SUBTRAÇÃO DE PATRIMÔNIOS DISTINTOS.
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. As circunstâncias do caso concreto evidenciam o grau mais elevado de periculosidade e reprovabilidade da condutas do agravante, que praticou a
empreitada criminosa com mais outros dois agentes, em superioridade numérica, com o emprego de grave ameaça, utilização de armas de fogo e
realização de disparos durante a fuga, ensejando um tratamento mais rigoroso na dosimetria, em observância ao princípio da individualização da pena.
2. "Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, não há falar em crime único quando, em um mesmo contexto fático, são subtraídos bens
pertencentes a pessoas diferentes, ainda que da mesma família" (AgRg no AREsp 1.651.955/GO, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, DJe
29/6/2020).
3. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no HC 588.314/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 23/02/2021, DJe 01/03/2021)
STJ- Concursoformal próprio- roubo, várias vítimas
[...] 9. "É assente nesta Corte Superior que o roubo perpetrado contra diversas vítimas, ainda
que ocorra em um único evento, configura o concurso formal e não o crime único, ante a
pluralidade de bens jurídicos tutelados ofendidos" (HC 430.716/SP, Rel. Ministro REYNALDO
SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 19/6/2018, DJe 29/6/2018).
10. Caso tenha sido estabelecida a pena-base acima do mínimo legal, por ter sido desfavoravelmente valorada circunstância do
art. 59 do Estatuto Repressor, admite-se a fixação de regime prisional mais gravoso do que o indicado pelo quantum de
reprimenda imposta ao réu.
11. Writ não conhecido. Ordem concedida, de ofício, tão somente para reduzir a 1/3 o aumento pela incidência de três
majorantes do crime de roubo, determinando ao Juízo das Execuções que promova à nova dosagem da pena.
(HC 508.924/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 11/06/2019, DJe 18/06/2019)
STJ- Concurso formal próprio- roubo, várias vítimas
[...] 4. É firme neste Tribunal a orientação de que a subtração de patrimônios distintos
num mesmo contexto fático enseja o concurso formal no delito de roubo. Precedentes.
5. Habeas corpus não conhecido, mas concedida a ordem, de ofício, para reduzir a pena
dos pacientes ao patamar de 6 anos e 5 meses de reclusão, mais o pagamento de 15 dias-
multa, a ser cumprida em regime inicial semiaberto.
(HC 439.037/RJ, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em
27/11/2018, DJe 10/12/2018)
STJ- Concurso formal – roubo e corrupção de menores
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CORRUPÇÃO DE MENORES. CRIME FORMAL. SÚMULA N. 500 DO STJ.
CONDENAÇÃO. BIS IN IDEM COM O CONCURSO DE AGENTES. INOCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. A Terceira Seção deste Superior Tribunal, no julgamento do Recurso Especial Representativo da Controvérsia n. 1.127.954/DF,
uniformizou o entendimento de que, para a configuração do crime de corrupção de menores, basta que haja evidências da
participação de menor de 18 anos no delito e na companhia de agente imputável, sendo irrelevante o fato de o adolescente já
estar corrompido, porquanto se trata de delito de natureza formal. Incidência da Súmula n. 500 do STJ.
2. Não configura bis in idem a aplicação da majorante relativa ao concurso de pessoas no roubo e a condenação do agente por
corrupção de menores, tendo em vista serem condutas autônomas que atingem bens jurídicos distintos. Precedentes.
3. Agravo regimental não provido.
(AgRg no REsp 1806593/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 26/05/2020, DJe 04/06/2020)
STJ- Concurso formal – roubo e corrupção de menores
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 182/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA
DECISÃO AGRAVADA. ILEGALIDADE FLAGRANTE. ATOS INFRACIONAIS PRETÉRITOS. ANTECEDENTES. REINCIDÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA. CONCURSO FORMAL DE
CRIMES. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. ORDEM DE HABEAS CORPUS CONCEDIDA, DE OFÍCIO.
1. O recurso especial não foi admitido pelo Tribunal de origem em razão do óbice da Súmula n.º 83/STJ. Todavia, nas razões do agravo contra essa decisão, o Agravante
limitou-se a tecer considerações genéricas incapazes de infirmar o óbice apontado.
2. Atos infracionais pretéritos não constituem fundamentação idônea para a avaliação negativa dos antecedentes criminais nem se prestam a configurar reincidência.
3. Deve ser reconhecido o concurso formal de crimes quando a corrupção de menores ocorre em razão da prática de delito de roubo majorado na companhia do
adolescente.
4. Agravo regimental desprovido. Ordem de habeas corpus concedida, de ofício, para afastar os maus antecedentes e a reincidência, reconhecer o concurso formal entre
os delitos e redimensionar a pena imposta.
(AgRg no AREsp 1665758/RO, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 19/05/2020, DJe 05/06/2020)
STJ- Concurso formal impróprio- desígnios autônomos
STJ [...] 1. O concurso formal perfeito caracteriza-se quando o agente pratica duas ou mais infrações penais mediante
uma única ação ou omissão; já o concurso formal imperfeito evidencia-se quando a conduta única (ação ou omissão) é
dolosa e os delitos concorrentes resultam de desígnios autônomos. Ou seja, a distinção fundamental entre os dois
tipos de concurso formal varia de acordo com o elemento subjetivo que animou o agente ao iniciar a sua conduta.
2. A expressão "desígnios autônomos" refere-se a qualquer forma de dolo, seja ele direto ou eventual. Vale dizer, o
dolo eventual também representa o endereçamento da vontade do agente, pois ele, embora vislumbrando a
possibilidade de ocorrência de um segundo resultado, não o desejando diretamente, mas admitindo-o, aceita-o.
3. No caso dos autos, os delitos concorrentes - falecimento da mãe e da criança que estava em seu ventre -, oriundos
de uma só conduta - facadas na nuca da mãe -, resultaram de desígnios autônomos. Em consequência dessa
caracterização, vale dizer, do reconhecimento da independência das intenções do paciente, as penas devem ser
aplicadas cumulativamente, conforme a regra do concurso material, exatamente como realizado pelo Tribunal de
origem.
4. Constatando-se que não houve efetiva colaboração do paciente com a investigação policial e o processo criminal,
tampouco fornecimento de informações eficazes para a descoberta da trama delituosa, não há como reconhecer o
benefício da delação premiada.
5. Ordem denegada. (HC 191.490/RJ, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 27/09/2012, DJe
09/10/2012)
STJ- roubo e dosimetria da pena diante de duas ou mais causas de aumento
Foi dito por aqui, com citação da jurisprudência do STJ, que há duas formas de se fazer a dosimetria da pena de um crime de roubo cometido com duas ou mais
circunstâncias de aumento presentes no mesmo parágrafo (exemplo: 157 § 2º, II e IV): considerar ambas na terceira fase da dosimetria, com a ressalva de que o
número de circunstâncias não implica necessariamente em um amento superior a 1/3 (súmula 443 do STJ); ou considerar somente uma das circunstâncias na 3ª fase
da dosimetria, antecipando a outra para a primeira fase, quando da análise do artigo 59 do Código Penal.
Todavia, uma situação distinta merece nossa consideração. O STJ, em decisões recentes, relativas ao crime de roubo majorado, com circunstâncias situadas em
parágrafos diferentes (exemplo: no §§ 2º e 2ºA), tem aplicado a solução prevista no parágrafo único do artigo 68, ou seja: o julgador poderá fazer a incidência em
cascata das duas circunstâncias; ou poderá fazer a incidência apenas da circunstância que mais aumenta a pena, no caso, o §2ºA.
É importante acompanhar o desenrolar dos próximos julgados do Tribunal. Até 2018, era comum a orientação no sentido de que o magistrado, diante das
circunstâncias do §§ 2º e 2ºA do artigo 157 do CP, deveria, na terceira fase, levar em conta somente um dos aumentos, isto é, o do §2ºA (HC 472.771/SC de 2018).
A nova orientação, confirmada nos julgados abaixo, supera a ideia de que o parágrafo único do artigo 68 seria aplicado estritamente aos casos de aumentos previstos
em artigos diferentes (exemplo: artigos 250 §1º, I, “a”, e 258 do Código Penal).
ATENÇÃO: Não se tratou nas linhas anteriores do §3º do artigo 157
VEJA OS JULGADOS A SEGUIR
STJ- roubo e dosimetria da pena diante de duas ou mais causas de aumento
Roubo majorado com causas de aumento distribuídas em parágrafos distintos
Caso concreto: em uma sentença de um crime de roubo cometido com concurso de duas ou mais pessoas e emprego de arma de fogo, como deverá proceder o juiz no
processo de dosimetria da pena?
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. ART. 68, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL.
FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA PARA A APLICAÇÃO CUMULATIVA DAS MAJORANTES DO CONCURSO DE AGENTES E EMPREGO DE ARMA DE FOGO. PENA
REDIMENSIONADA.REGIME SEMIABERTO. CABIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. O comando do parágrafo único do art. 68 do Código Penal ("No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a
um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.") confere ao juiz, no caso de concurso de causas de aumento
previstas na parte especial, a faculdade - e não o dever - de fazer incidir a que mais aumente a pena, excluindo as demais.
2. Optando o magistrado sentenciante pela incidência cumulativa de causas de aumento da parte especial, a escolha deverá ser devidamente fundamentada, lastreada
em elementos concretos dos autos, a evidenciar o maior grau de reprovação da conduta e, portanto, a necessidade de sanção mais rigorosa. No caso, a sentença e o
acórdão impugnado não declinaram fundamentação concreta para justificar a incidência cumulativa das causas de aumento sob análise, motivo pelo qual se deve
excluir o aumento de 1/3 (um terço) pela majorante do concurso de pessoas, redimensionando as penas.
3. Considerando a primariedade do Paciente e a pena imposta, mostra-se cabível a fixação do regime inicial semiaberto, consoante o disposto no art. 33, §§ 2.º e 3.º,
c.c. o art. 59, ambos do Código Penal.
4. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no HC 611.257/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 08/06/2021, DJe 21/06/2021)
STJ- roubo e dosimetria da pena diante de duas ou mais causas de aumento
Roubo majorado com causas de aumento distribuídas em parágrafos distintos
Caso concreto: em uma sentença de um crime de roubo cometido com concurso de duas ou mais pessoas e emprego de arma de fogo, como deverá proceder o juiz no
processo de dosimetria da pena?
STJ [...]
3. Esta Corte Superior considera legítima a aplicação cumulada das majorantes relativas ao concurso de pessoas e ao emprego de arma de fogo, no crime de roubo,
quando as circunstâncias do caso concreto demandarem uma sanção mais rigorosa, especialmente diante do modus operandi do delito.
4. Inexiste ilegalidade no cálculo da terceira fase da pena quando o Juízo sentenciante apresenta motivação concreta para o cúmulo de duas causas de aumento, no crime
de roubo, referentes ao concurso de pessoas (na fração de 1/3) e ao emprego de arma de fogo (na fração de 2/3), com referência a peculiaridades do caso em comento,
notadamente o roubo praticado por 3 agentes e no período noturno, demonstrando que o modus operandi do delito refletiu especial gravidade, o que encontra guarida
na jurisprudência desta Corte.
5. Agravo regimental improvido.
(AgRg no HC 666.284/SC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 01/06/2021, DJe 08/06/2021)
STJ- roubo e dosimetria da pena diante de duas ou mais causas de aumento
6ª TURMA STJ - DUAS CAUSAS DE AUMENTO E O ARTTIGO 68
[...] 1. A teor do art. 68, parágrafo único, do Código Penal, é possível, de forma concretamente fundamentada, aplicar
cumulativamente as causas de aumento de pena previstas na parte especial, não estando obrigado o julgador somente
a fazer incidir a causa que aumente mais a pena, excluindo as demais.
2. Relativamente às causas de aumento de pena do concurso de agentes e de restrição de liberdade da vítima, o
aumento da pena em fração superior ao mínimo decorreu de peculiaridade concreta do crime, capaz de demonstrar a
especial reprovabilidade da conduta, notadamente, pelo fato de que a vítima teve sua liberdade restringida por mais de
6 horas, tempo este que se revela muito superior ao necessário para a subtração dos bens.
3. De rigor a aplicação da majorante prevista no art. 157, § 2º-A, I, do Código Penal, na medida em que sendo o delito
cometido com o emprego de arma de fogo, a elevação é arbitrada em índice fixo pelo legislador, não cabendo ao
julgador, portanto, ponderar sobre o quantum da exasperação.
[...] 5. Habeas corpus denegado.
(HC 560.059/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 26/05/2020, DJe 02/06/2020)
STJ- roubo e dosimetria da pena diante de duas ou mais causas de aumento
6ª TURMA STJ - DUAS CAUSAS DE AUMENTO E O ARTTIGO 68
[...]
1. A teor do art. 68, parágrafo único, do Código Penal, a aplicação das causas majorantes e minorantes se dá sem
compensação, umas sobres as outras, não sendo admissível a pretendida tese de incidência de única majorante dentre
as aplicáveis. 2. Tendo sido o crime de roubo praticado com o efetivo emprego de arma de fogo e ainda mediante
concurso de cinco agentes, correta foi a incidência separada e cumulativa das duas causas de aumento.
3. Agravo regimental improvido.
(AgRg no HC 512.001/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 15/08/2019, DJe 29/08/2019)
STJ- roubo e dosimetria da pena diante de duas ou mais causas de aumento
5ª TURMA STJ - DUAS CAUSAS DE AUMENTO E O ARTTIGO 68
[...]
2. "O art. 68, parágrafo único, do CP, não impede de todo a aplicação cumulativa de causas de aumento de pena. É razoável a
interpretação da lei no sentido de que eventual afastamento da dupla cumulação deverá ser feito apenas no caso de sobreposição do
campo de aplicação ou excessividade do resultado" (Trecho do voto condutor do acórdão do ARE 896843 AgR, Relator: Min. GILMAR
MENDES, Segunda Turma, julgado em 8/9/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-189 PUBLIC 23/9/2015).
3. No caso em análise, a majoração da pena em razão da utilização de arma de fogo (art. 157, §2º-A, inciso I) e do concurso de agentes (art.
157, §2º, inciso II) resultou na aplicação de pena que extrapolou a razoabilidade, qual seja 8 anos, 10 meses e 20 dias, pena sob a qual ainda
incidiu o aumento de 1/6, decorrente da continuidade delitiva.
4. De rigor, nos termos do art. 68, parágrafo único, do Código Penal, a incidência apenas da maior causa de aumento, qual seja 2/3.
A circunstância do concurso de agentes não pode ser desprezada, o que leva a sua consideração como circunstância judicial desfavorável,
devendo a pena base ser elevada em 1/6. Não há falar em reformatio in pejus, uma vez que a circunstância foi reconhecida na sentença e
confirmada no acórdão, além da pena total restar reduzida.
5. Habeas Corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício, para reduzir a pena aplicada ao paciente com a extensão dos efeitos aos
demais corréus na mesma situação jurídica, nos termos do requerido pelo Ministério Público Federal.
(HC 527.704/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 12/11/2019, DJe 25/11/2019)
STJ: concorrência de concursos de crimes (formal e continuado)
AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. DOSIMETRIA. CRIME FORMAL E CRIME CONTINUADO. BIS
IN IDEM. OCORRÊNCIA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou orientação de que "a majoração
da pena, inicialmente pelo concurso formal e posteriormente pelo crime continuado, configura bis in idem" (AgInt no
HC n. 385.006/RJ, rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 28/3/2017, DJe 6/4/2017).
2. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no HC 352.853/SP, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe
03/10/2018)
Concorrência de concursos de crimes
Explicação
Furto e corrupção de menores= concurso formal de crimes
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CONCURSO FORMAL ENTRE OS CRIMES DE FURTO E CORRUPÇÃO DE
MENORES. OCORRÊNCIA NA HIPÓTESE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE DESÍGNIOS AUTÔNOMOS E DE
PLURALIDADE DE CONDUTAS. CONCURSO FORMAL. RECONHECIMENTO QUE PRESCINDE DE REVOLVIMENTO
FÁTICO-PROBATÓRIO. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. A teor do que dispõe o art. 70 do Código Penal, verifica-se o concurso formal de crimes quando o agente, mediante
uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não.
2. No caso dos autos, verifica-se a existência de concurso formal entre os crimes, porquanto a corrupção de menores se
deu em razão da prática do delito do furto qualificado, constatando-se, assim, uma sóação para a prática de dois
crimes.
3. Não há que se falar em reexame de provas, tendo em vista que a aplicação da regra do concurso formal de crimes no presente
caso amparou-se na narrativa dos fatos consignados no acórdão impugnado, no qual se verificou a inexistência de condutas
distintas e desígnios autônomos, tendo ambos os delitos ocorridos no mesmo contexto fático. Precedentes.
4. Agravo regimental não provido.
(AgRg no HC 617.526/AC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 20/10/2020, DJe
26/10/2020)
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
PROFESSOR DERMEVAL FARIAS
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CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
EXTORSÃO
PROFESSOR DERMEVAL FARIAS
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Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de
obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça
ou deixar de fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma,
aumenta-se a pena de um terço até metade.
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo
anterior.
§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa
condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão,
de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte,
aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente
CLASSIFICAÇÃO DA EXTOSÃO DO ART.158 CP
Quanto à extorsão do art.158 e seus parágrafos e incisos, vale ressaltar que cuida de
crime formal, que se consuma com a conduta do agente que preenche as elementares
do tipo, sem necessidade de resultado naturalístico consistente na obtenção da
indevida vantagem econômica, o qual pode existir para fins de exaurimento do crime.
Enfatiza-se, desde logo, que o crime de extorsão admite tentativa se praticado na
forma plurissubsistente, a saber, com possibilidade de fracionar os atos da fase
executória (exemplo: carta extorsionária que se desvia e não chega à vítima por
circunstâncias alheias à vontade do agente). Não se admite tentativa se for praticado
na forma unissubsistente, ou seja, sem possibilidade de fracionar os atos da fase
executória (exemplo: o agente, de maneira verbal, sob uma ameaça de arma fogo,
pratica a conduta contra a vítima exigindo que a vítima faça algo imprescindível para a
obtenção da vantagem econômica).
Sobre o momento consumativo da extorsão, apesar da afirmação contida no
parágrafo anterior, ainda se observa certas divergências doutrinárias e em
julgados. A súmula 96 do STJ exara: “O crime de extorsão consuma-se
independentemente da obtenção da vantagem indevida”. No entanto, não
esclarece o momento exato da consumação, apenas afasta a necessidade de
obtenção da vantagem econômica.
Os julgados do STJ apresentam as seguintes soluções sobre a consumação da
extorsão do art.158 do CP:
STJ “[…] 5. O crime de extorsão (art. 158, CP) é formal e consuma-se no
momento em que a violência ou a grave ameaça é exercida com o intuito
de constranger alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Inteligência
da Súmula n. 96 desta Corte Superior. O monitoramento pelos policiais
federais de encontro entre a vítima e réu após a consumação do crime de
extorsão não configura crime impossível. [...] (HC 353.818/RS, Rel. Ministro
REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 21/02/2017, DJe
24/02/2017)”
STJ “[…] 2. A tese apresentada pela Corte de origem está em conformidade com a
jurisprudência consolidada nos Tribunais Superiores, no sentido de que a
consumação do delito de extorsão ocorre no momento em que há o efetivo
constrangimento, independente da obtenção da vantagem. 3. O delito de extorsão é
formal, consumando-se no momento em que o agente, mediante violência ou grave
ameaça, constrange a vítima com o intuito de obter vantagem econômica indevida. O
recebimento da vantagem indevida constitui mero exaurimento do crime. Neste
sentido, foi editada a Súmula 96/STJ, segundo a qual "o crime de extorsão consuma-
se independentemente da obtenção da vantagem indevida" (HC n. 450.314/SP,
Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 14/8/2018). 4. Agravo regimental improvido.
(AgRg no REsp 1815817/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA,
julgado em 10/09/2019, DJe 19/09/2019)”.
STJ “[…] 3. O delito descrito no art. 158, § 3º, do Código Penal é formal,
restando configurado apenas com o constrangimento da vítima, mediante
violência ou grave ameaça e com restrição à sua liberdade, na intenção de
obter vantagem econômica indevida. A obtenção da vantagem - na hipótese, os
saques realizados - configura o exaurimento do crime. 4. O fato de a vítima ter
fornecido as senhas de seus cartões bancários e de crédito, depois de ter sido
abordada e mantida em seu veículo pelo paciente e outros agentes, sendo
ameaçada com o uso de arma de fogo, enquanto outro elemento realizava
saques em sua conta bancária, caracteriza o crime de extorsão qualificada, o qual
não se confunde com o roubo, sendo que, na hipótese, todos os bens foram
devolvidos depois da realização dos saques. [...] (HC 402.871/SP, Rel. Ministro
RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 20/03/2018, DJe 26/03/2018)”.
EXTORSÃO X ROUBO
A extorsão é diferente do roubo. Há várias distinções apontadas pela doutrina
penal. A principal delas consiste na imprescindibilidade de atuação da vítima
para que o agente obtenha a vantagem no crime de extorsão, o que não ocorre
no crime de roubo.
EXTORSÃO X ROUBO
Sobre o tema, a doutrina ainda aponta as seguintes distinções entre roubo e
extorsão: Hungria= contrectatio e tradicio; Noronha = mal iminente e mal futuro;
Luigi Conti= prescindibilidade ou não do comportamento da vítima; Weber
Batista= na extorsão, o mal deve ser futuro e futura a obtenção da vantagem;
Rogério Greco= necessidade de colaboração da vítima na extorsão.
EXTORSÃO X ROUBO
Sobre a distinção entre roubo e extorsão, já decidiu o STJ:
STJ- “RESP - PENAL - ROUBO - EXTORSÃO - DIFERENÇA - NO ROUBO E NA EXTORSÃO, O
AGENTE EMPREGA VIOLENCIA, OU GRAVE AMEAÇA A FIM DE SUBMETER A VONTADE
DA VITIMA. NO ROUBO, O MAL E "IMINENTE" E O PROVEITO "CONTEMPORANEO"; NA
EXTORSÃO, O MAL PROMETIDO E "FUTURO" E "FUTURA" A VANTAGEM A QUE SE VISA"
(CARRARA). NO ROUBO, O AGENTE TOMA A COISA, OU OBRIGA A VITIMA (SEM OPÇÃO)
A ENTREGA-LA. NA EXTORSÃO, A VITIMA PODE OPTAR ENTRE ACATAR A ORDEM OU
OFERECER RESISTENCIA. HUNGRIA ESCREVEU: NO ROUBO, HA CONTRECTATIO; NA
EXTORSÃO, TRADITIO. (REsp 90.097/PR, Rel. Ministro LUIZ VICENTE CERNICCHIARO,
SEXTA TURMA, julgado em 25/11/1997, DJ 25/02/1998, p. 127)”.
EXTORSÃO E ROUBO- MODALIDADE DE CONCURSO DE CRIMES
Destaca-se que a jurisprudência não aceita continuidade delitiva entre roubo e
extorsão porquanto são crimes de espécies distintas.
STJ “[...] 1. Não há continuidade delitiva entre roubo e extorsão porque não
são crimes da mesma espécie. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e do
Supremo Tribunal Federal. [...] (HC 124.003/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE
ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 10/05/2011, DJe 10/08/2011)”.
EXTORSÃO – CAUSAS DE AUMENTO DE PENA
Há duas causas de aumento no § 1º do art.158, quais sejam: “Se o crime é
cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a
pena de um terço até metade”. Aqui vale as observações feitas para o roubo.
EXTORSÃO – FORMA QUALIFICADA
No § 2º do art.158, o legislador importou a qualificadora do roubo com lesão
grave e do roubo com morte, previstas no § 3º, incisos I e II, “Aplica-se à extorsão
praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior”. Valem aqui
as explicações dadas quando do exame do crime de roubo qualificado.
EXTORSÃO – MEDIANTE RESTRIÇÃO DA LIBERDADE COMO CONDIÇÃO PARA OBTENÇÃO DA
VANTAGEM ECONÔNIMA
“sequestro relâmpago”- terminologia inexistente no CP
No § 3º do art.158, o legislador acrescentouuma hipótese de extorsão na qual a restrição da
liberdade da vítima é condição necessária para a obtenção da vantagem econômica. Tal
modalidade não se confunde com a hipótese do art.159, na qual há privação da liberdade para
trocá-la por qualquer vantagem. No § 3º do art.158, a restrição da liberdade não é trocada por
vantagem, mas um meio necessário para que a vítima, submetida a violência ou grave ameaça,
possa fazer algo para que o agente obtenha a vantagem. É o que ocorre, por exemplo, no caso
do sequestro relâmpago, terminologia do cotidiano, quando o agente obriga a vítima a entrar
no seu carro e a transporta até um caixa eletrônico para que o ofendido saque dinheiro para
entregar ao criminoso.
EXTORSÃO – MEDIANTE RESTRIÇÃO DA LIBERDADE COMO CONDIÇÃO PARA
OBTENÇÃO DA VANTAGEM ECONÔNIMA
“sequestro relâmpago”- terminologia inexistente no CP
A parte final do §3º do art.158 faz remissão ao art.159 §§ 2º e 3º nos casos de
lesão grave de morte respectivamente. É curial alertar que a Lei 13.964 inseriu o
inciso III ao art.1º da Lei 8072/90, de modo a considerar hediondo a “extorsão
qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão corporal ou
morte (art. 158, § 3º)”.
EXTORSÃO – MEDIANTE RESTRIÇÃO DA LIBERDADE COMO CONDIÇÃO PARA
OBTENÇÃO DA VANTAGEM ECONÔNIMA
QUESTÃO: quando o agente faz, via telefone ou outro meio, a simulação de
sequestro de uma jovem para fazer a sua mãe depositar dinheiro caracteriza
extorsão?
Sim.
STJ “[...] 4. Conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ, a
conduta de simulação de sequestro com o objetivo de ameaçar a vítima amolda-
se ao delito de extorsão tipificado no art. 158 do Código Penal - CP. [...] (CC
163.854/RJ, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
28/08/2019, DJe 09/09/2019)”.
EXTORSÃO x CONCUSSÃO
ATENÇÃO: a extorsão (art.158 do CP) não se confunde com a concussão (art.316 do CP). O primeiro é crime contra o patrimônio
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa. O segundo é crime contra a administração pública cometido com a exigência,
sem violência ou grave ameaça. É certo que um funcionário público pode ser autor de extorsão, não somente de concussão,
depende da conduta realizada.
STJ […] 2. Ainda que a conduta delituosa tenha sido praticada por funcionário público, o qual teria se valido dessa
condição para a obtenção da vantagem indevida, o crime por ele cometido corresponde ao delito de extorsão e não ao de
concussão, uma vez configurado o emprego de grave ameaça, circunstância elementar do delito de extorsão.
Precedentes. 3. Ademais, a pretendida inversão do julgado, com vistas a demonstrar a não ocorrência, na espécie, da grave
ameaça, não se coaduna com a via eleita, dada a necessidade de se reexaminar o material cognitivo produzido nos autos,
insuscetível em habeas corpus. Precedentes. 4. Habeas corpus não conhecido. (HC 54.776/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO,
SEXTA TURMA, julgado em 18/09/2014, DJe 03/10/2014)”.
QUESTÃO: EXTORSÃO PODE SER COMETIDA COM AMEAÇÃ ESPIRITUAL?
Sim, a extorsão pode ser cometida com ameaça de mal espiritual, segundo já decidiu o STJ.
STJ “[...] 3. A alegação de ineficácia absoluta da grave ameaça de mal espiritual não pode ser acolhida, haja vista que, a
teor do enquadramento fático do acórdão, a vítima, em razão de sua livre crença religiosa, acreditou que a recorrente
poderia concretizar as intimidações de "acabar com sua vida", com seu carro e de provocar graves danos aos seus
filhos; coagida, realizou o pagamento de indevida vantagem econômica. Tese de violação do art. 158 do CP afastada. [...]
(REsp 1299021/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 14/02/2017, DJe 23/02/2017).
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO
PROFESSOR DERMEVAL FARIAS
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Extorsão mediante sequestro
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer
vantagem, como condição ou preço do resgate:
Pena - reclusão, de oito a quinze anos.
§ 1o Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o seqüestrado é menor
de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou
quadrilha.
Pena - reclusão, de doze a vinte anos.
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos.
§ 3º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade,
facilitando a libertação do seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois
terços.
Conceito
Quanto à extorsão mediante sequestro, prevista no art.159 do CP, o agente
priva a vítima da liberdade com o objetivo de obter qualquer vantagem. O crime
é formal, que se consuma com a privação da liberdade da vítima, mesmo antes
de o agente solicitar a vantagem para o seu resgate, desde que tenha agido com
tal finalidade. Trata-se de crime no qual há o dolo de privar a liberdade da vítima
e o elemento subjetivo especial consistente na obtenção de qualquer vantagem.
Natureza da vantagem na extorsão mediante sequestro do art.159
Há discussão sobre o significado de qualquer vantagem e discussão sobre a
natureza da vantagem. Diferente do crime de extorsão doart.158 do CP, no qual
o legislador especificou “indevida vantagem econômica”. A elementar qualquer
vantagem abrange vantagem não econômica e vantagem econômica. Esse
parece ser o melhor sentido, apesar de o crime fazer parte do rol dos delitos
patrimoniais.
Natureza da vantagem na extorsão mediante sequestro do art.159
Se a vantagem for devida? Decisão do STJ X posição de Hungria = R Greco.
Vantagem só econômica? R Greco= sim (interpretação sistêmica do Código), na
linha de Fragoso, Luís Regis Prado, Mirabete (dinheiro, títulos, cargo
remunerado) X Damásio, Bitencourt (interpretam a expressão qualquer
vantagem em sentido amplo).
Natureza da vantagem na extorsão mediante sequestro do art.159
Já decidiu o STJ que a expressão qualquer vantagem não se refere apenas a vantagem de
natureza financeira.
STJ “[...] 2. Na hipótese, a imputação é clara de que a conduta dos denunciados e ora
recorrente, privando as vítimas de sua liberdade e ameaçando-as de morte, tinha o escopo
de, por meio da obtenção da informação privilegiada, localizar cheques furtados e receber
indevida vantagem econômica de terceiros, o que é suficiente, nesse momento, para a
caracterização do tipo penal do art. 159 do CPB. 3. O tipo penal não impõe que a perseguida
vantagem seja de natureza financeira nem deva ser obtida diretamente dos sequestrados ou
de seus familiares; de todo modo, a questão de saber se a elementar efetivamente ocorreu,
isto é, se os acusados atuaram com este dolo específico, deve ser analisada pelo Tribunal do
Júri. 4. Inadmissíveis os recursos pela alínea c do permissivo constitucional, pois o sugerido
dissídio jurisprudencial não restou demonstrado, já que partem os recorrentes da premissa de
que ausente o elemento normativo do tipo referente à indevida vantagem econômica, o que,
como exposto, não ocorreu. 5. Recurso Especial de FÁBIO MAROT KAIR desprovido. Recurso
Especial de MARCOS PAULO DA SILVA ROCHA parcialmente conhecido, e, nessa extensão,
desprovido. (REsp 1102270/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, QUINTA TURMA,
julgado em 23/11/2010, DJe 06/12/2010)”.
Consumação da extorsão mediante sequestro do art.159
O crime se consuma com a privação da liberdade da vítima, como fora
mencionado nas linhas anteriores, desde que o agente atue com a finalidade
especial de trocar a sua liberdade por qualquer vantagem. Admite-se a tentativa,
exemplo: agente impedido de provar a vítima de sua liberdade por
circunstâncias alheias, quando tentava arrastar a vítima para o seu carro, de
forma a transportá-la para o cativeiro.
Consumação da extorsão mediante sequestro do art.159
STJ “[…] Extorsão mediante sequestro: a consumação desse delito prescinde da
efetiva obtençãoda vantagem, pelo que, com a privação de liberdade, já está
consumado o delito. Alegação de inexistência de dolo específico: incabível a
discussão em tema de habeas corpus. O curto tempo de privação da liberdade
não retira a atipicidade da conduta. Alegação de agir no estrito cumprimento do
dever legal, pois o paciente, na condição de policial, apenas tentou prender
conhecido assaltante de banco: é outra matéria fática impossível de ser discutida
neste writ e, de qualquer modo, a operação policial não fora autorizada, nem
comunicada à Delegacia local, certo que o paciente é policial civil de outro
Estado-membro. (HC 87.764/SC, Rel. Ministro CELSO LIMONGI
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em
07/05/2009, DJe 25/05/2009)”.
Consumação da extorsão mediante sequestro do art.159
STJ […] 2. A extorsão mediante sequestro exige, para sua consumação, a prova
do especial fim de obter vantagem indevida, "comprovado nos autos,
especialmente pela palavra da vítima, das testemunhas e inclusive pelos
próprios acusados, que confessam ter praticado tal delito com o fim de
obterem vantagem financeira". Para afastar a conclusão do acórdão, seria
necessário reexaminar provas, providência vedada no recurso especial, a teor da
Súmula n. 7 do STJ. [...] (AgRg no AREsp 542.798/MG, Rel. Ministro ROGERIO
SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 15/12/2016, DJe 02/02/2017)”.
QUESTÃO: se o inimputável atinge a maioridade durante a prática do crime
permanente, ele poderá ser responsabilidade pelo crime?
Sim.
STJ [...] 1. Os crimes descritos no art. 159, § 1º, e art. 288, parágrafo único, do
Código Penal, são permanentes. Em consequência, se o menor atingir a idade
de 18 (dezoito) anos enquanto os delitos se encontrarem em plena
consumação, será por eles responsabilizado. 2. No caso, não obstante os atos
executórios tenham se iniciado em 22 de setembro de 2004, findaram-se apenas
em 9 de novembro de 2004, quando o paciente já havia atingido a maioridade
(3/10/2004), não havendo que se cogitar de inimputabilidade. 3. Habeas corpus
denegado. (HC 169.510/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA
TURMA, julgado em 07/02/2012, DJe 23/04/2012)”.
Bem jurídico ofendido na extorsão mediante sequestro
Além do patrimônio, a liberdade e a incolumidade física, bem como a vida,
podem ser atingidos na extorsão mediante sequestro. Cuida-se, portanto, de
delito pluriofensivo, formal, plurissubsistente, permanente, monossubjetivo.
A vítima da liberdade é o ser humano, mas a vítima patrimonial pode ser um ser
humano ou uma pessoa jurídica, como ensina Bitencourt (2000):
As formas qualificadas da extorsão mediante sequestro estão narradas nos §§§
1º, 2º e 3º do art.159 do CP.
QUESTÃO: é possível a coexistência de extorsão mediante sequestro qualificada
pela quadrilha ou bando (atual associação criminosa) e o a associação
criminosa?
Discute-se no presente caso haveria bis in idem. Tem prevalecido a possibilidade
de convivência na jurisprudência e em alguns setores da doutrina.
STJ […] 5. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, por se tratarem
de delitos autônomos e independentes e por serem distintos os bens jurídicos
tutelados, é possível a coexistência entre o crime de extorsão mediante
sequestro, majorado pelo concurso de agentes, com o de formação de
quadrilha ou bando (atualmente nomeado associação criminosa). 6. Habeas
corpus não conhecido. (HC 289.885/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS
MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 27/05/2014, DJe 09/06/2014)”.
QUESTÃO: é possível a coexistência de extorsão mediante sequestro qualificada
pela quadrilha ou bando (atual associação criminosa) e o a associação
criminosa?
STJ “[…] 2. É perfeitamente possível a coexistência entre o crime de formação
de quadrilha ou bando e o de extorsão mediante sequestro pelo concurso de
agentes, porquanto os bens jurídicos tutelados são distintos e os crimes,
autônomos. Precedentes do STF. 3. Não há falar em bis in idem no caso porque,
enquanto a formação de quadrilha ou bando, tipificado, aliás, em sua forma
simples, constitui crime de perigo abstrato, o delito de roubo qualificado pelo
uso de arma e pelo concurso de pessoas configura perigo concreto. [...] (HC
120.454/RJ, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em
23/02/2010, DJe 22/03/2010)”.
QUESTÃO: é possível a coexistência de extorsão mediante sequestro qualificada pela
quadrilha ou bando (atual associação criminosa) e o a associação criminosa?
Para Capez (2020, v.2, p.745):
“Sequestro praticado por associação criminosa: trata-se do crime a que se refere o art.
288 do Código Penal, ou seja, a reunião de três ou mais pessoas para o fim de cometer
crimes, não se configurando, pois, essa majorante se a reunião for ocasional –
especificamente para cometer o crime de extorsão mediante sequestro. Questiona-se
sobre a possibilidade de responsabilizar-se o agente pelo crime autônomo de
associação criminosa (CP, art. 288) em concurso material com a forma qualificada em
estudo. A controvérsia reside em saber se a hipótese configura ou não bis in idem. Não
há falar em bis in idem porque os momentos consumativos e a objetividade jurídica
entre tais crimes são totalmente diversos, além do que a figura prevista no art. 288 do
Código Penal existe independentemente de algum crime vir a ser praticado pela
associação criminosa. Do mesmo modo que não há dupla apenação entre associação
criminosa (art. 35 da Lei n. 11.343/2006) e o tráfico por ela praticado, aqui também
incide a regra do concurso material”.
Formas qualificadas da extorsão mediante sequestro
A extorsão mediante sequestro qualificada pela lesão grave ou pela morte são
hipóteses qualificadas pelo resultado. Tais resultados podem “decorrer dos maus-tratos
dispensados ao sequestrado como da natureza ou modo do sequestro” (CAPEZ, 2019,
v.2, p. 746).
O legislador usou a expressão “se do fato” resulta lesão grave ou morte, de modo que o
resultado pode decorrer tanto de violência física quanto de violência moral, não há a
restrição que foi imposta pela lei penal no §3º do art.157, quando tratou do latrocínio e
usou a expressão “se da violência”. Dessa forma, nos §§ 2º e 3º do art.159, a expressão
“se do fato” permite variadas maneiras de provocar a lesão grave ou a morte durante a
extorsão mediante sequestro.
“Ex.: se durante um sequestro, em razão da forte pressão emocional exercida contra a
vítima privada de sua liberdade, ela sofre um ataque cardíaco e morre, cuida-se da
figura qualificada prevista no art. 159, § 3º”. (NUCCI, 2019, 3ª ed, p.549).
A delação na extorsão mediante sequestro
A delação do coautor ou do partícipe na extorsão mediante sequestro (§4º do
art.159) se contribuir para a libertação da vítima constituirá uma causa de
diminuição de pena, que incidirá na terceira fase da dosimetria da pena,
conforme §4º do art.159 do CP e interpretação jurisprudencial acerca do tema.
STJ- PROCESSO PENAL - HABEAS CORPUS ? EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO -
DELAÇÃO PREMIADA ? IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da delação premiada
consiste em ato do acusado que, admitindo a participação no delito, fornece às
autoridades elementos capazes de facilitar a resolução do crime. 2. A conduta
do paciente não foi eficaz na resolução do crime e sequer influenciou na soltura
da vítima. 3. Ordem denegada. (HC 107.916/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES,
SEXTA TURMA, julgado em 07/10/2008, DJe 20/10/2008)”.
A delação na extorsão mediante sequestro
STJ “[...]1. A libertação da vítima de sequestro por corréu, antes do
recebimento do resgate, é causa de diminuição de pena, conforme previsto no
art. 159, § 4º, do Código Penal, com a redação dada pela Lei nº 9.269/96, que
trata da delação premiada. 2. Mesmo que o delito tenha sido praticado antes
da edição da Lei nº 9.269/96, aplica-se o referido dispositivo legal, por se tratar
de norma de direito penal mais benéfica. 3. Ordem concedida. (HC 40.633/SP,
Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 01/09/2005,
DJ 26/09/2005, p. 417)”.
A delação na extorsãomediante sequestro
STJ “[...] 1. A liberação da vítima após configurada a expectativa de êxito da
prática delituosa - recebimento do dinheiro -, ainda que nenhuma outra
violência tenha sido praticada contra ela, não se mostra como uma conduta
própria a autorizar a benesse legal inserta no artigo 159, § 4º, do CP. 2. "A regra
do § 4º do artigo 159 do Código Penal, acrescentada pela Lei nº 8.072/90,
pressupõe a delação à autoridade e o efeito de haver-se facilitado a liberação
do sequestrado" (STF, HC 69.328/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 05/06/1992).
3. Recurso especial do Ministério Público provido, restabelecendo a sentença,
nesse particular. Recurso dos réus prejudicado. (REsp 223.364/PR, Rel. Ministro
HÉLIO QUAGLIA BARBOSA, SEXTA TURMA, julgado em 30/06/2005, DJ
22/08/2005, p. 349)”.
Concurso de crimes entre extorsão mediante sequestro e outros crimes
É possível o concurso de crimes entre extorsão mediante sequestro e outros delitos,
como, a título de ilustração, o delito de roubo. Nesse sentido, já decidiu o STJ:
STJ […] 4. A conduta do recorrente, consistente em subtrair bens pertencentes à vítima,
mediante grave ameaça, e ainda sequestrar o acusado com o fim de exigir vantagem
econômica, embora realizada no mesmo contexto, caracteriza, de forma autônoma, os
delitos de roubo e de extorsão mediante sequestro. 5. O legislador brasileiro, ao definir
os crimes de tortura, através da Lei n. 9.455/1997, ampliou o conceito de tortura para
além da violência perpetrada por servidor público ou por particular que lhe faça as
vezes, dar ao tipo previsto no art. 1°, I, o tratamento de crime comum, hipótese dos
autos. 6. Não há que se falar em princípio da consunção pois o crime de extorsão
mediante sequestro já estava consumado, eis que a vítima já tinha sido privada de sua
liberdade, quando foi praticada a tortura. A segunda ação tem existência penal distinta
da primeira. 7. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp
1835610/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado
em 17/10/2019, DJe 25/10/2019)”.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Extorsão indireta
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Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de
alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima
ou contra terceiro:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Sobre a extorsão indireta, ensina Capez (2019, p.751-752):
“Segundo a Exposição de Motivos do Código Penal, ‘destina-se o novo dispositivo
a coibir os torpes e opressivos expedientes a que recorrem, por vezes, os agentes
de usura, para garantir-se contra o risco do dinheiro mutuado. São bem
conhecidos esses recursos como, por exemplo, o de induzir o necessitado cliente
a assinar um contrato simulado de depósito ou a forjar no título de dívida a firma
de algum parente abastado, de modo que, não resgatada a dívida no
vencimento, ficará o mutuário sob a pressão da ameaça de um processo por
apropriação indébita ou falsidade’. O agente, portanto, vale-se da situação
economicamente mais fraca da vítima, que necessita de auxílio financeiro, para
extorquir-lhe garantias ilícitas em troca da prestação econômica, garantias estas
que se consubstanciam em documentos que podem dar causa a procedimento
criminal contra o devedor, caso este não pague a dívida”.
Conforme ensina Nelson Hungria (1958, v. VII, p.80-81), ao comentar sobre o
objeto material da extorsão indireta, o qual, segundo o autor, trata de simulação
de corpo de delito:
“a vítima, com a formação do documento, presta-se a fingir um corpus delicti
(cheque sem fundos, título de dívida em que se falsifique a assinatura de terceiro
como emitente, fiador ou avalista, título de depósito imaginário como prova para
futura acusação de apropriação indébita, etc.). Não há, por parte da vítima, o
animus delinquendi, senão, exclusivamente, o propósito de, à falta de outra
garantia, colocar nas mãos do credor uma espécie de espada de Dâmocles
contra si próprio, no caso em que a dívida não seja paga no vencimento”.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Usurpação
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O crime de usurpação se divide em várias modalidades entre os arts.161 e 162 do CP, assim descritas:
“Alteração de limites
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-se, no todo
ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem:
Usurpação de águas
I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias;
Esbulho possessório
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício
alheio, para o fim de esbulho possessório.
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada.
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.
Supressão ou alteração de marca em animais
Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de propriedade:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa”
Quanto à previsão de alteração de limites prevista no art.161, esclarece Guilherme de Souza
Nucci (2018, 3ª ed, p.560):
“Nos termos do art. 161, caput, do Código Penal, suprimir significa eliminar ou fazer
desaparecer e deslocar quer dizer mudar do local onde se encontrava originalmente. O delito
tem em vista punir a conduta daquele que se apropria de bem imóvel alheio eliminando ou
mudando o local de marcas divisórias. Tapume é uma cerca ou uma vedação feita com tábuas
ou outro material, utilizada, sobretudo, para separar propriedades imóveis. Marco é qualquer
tipo de sinal demarcatório, natural ou artificial. Nas palavras de HUNGRIA, é “toda coisa
corpórea (pedras, piquetes, postes, árvores, tocos de madeira, padrões etc.) que,
artificialmente colocada ou naturalmente existente em pontos da linha divisória de imóveis,
serve, também, ao fim de atestá-la. Sinal indicativo de linha divisória é qualquer símbolo ou
expediente destinado a servir de advertência ou reconhecimento. Quando inserido no
contexto da linha divisória, quer dizer um símbolo objetivando demonstrar a fronteira
existente entre bens imóveis [...] O sujeito ativo é o dono do imóvel ao lado daquele que terá a
linha divisória alterada; o sujeito passivo é o proprietário do imóvel que teve a linha divisória
modificada.”.
No que concerne ao crime de usurpação de águas previsto no inciso I, § 1º, do art.161, Nucci
(2018, 3ª ed, p.562-563) leciona:
“Desviar significa mudar a direção ou o destino de algo e represar quer dizer deter o curso das
águas. A pena deste delito é muito menor do que a prevista para o furto, o que não deixa de
ser incongruente. Se o agente subtrai uma caixa contendo uma dúzia de garrafas de água
mineral, comete furto, mas se desvia o curso de um rio, prejudicando a vítima, tem uma
punição bem mais leve. É o teor do art. 161, § 1º, I, do CP. A explicação plausível para tal
situação é a possibilidade de recuperação do patrimônio pelo ofendido, situação mais fácil de
ocorrer neste caso do que no furto. Tendo em vista que, no delito de usurpação de águas,
trata-se de coisa imóvel, a sua localização e recuperação são facilitadas, ao passo que, no
furto, há menor possibilidade de encontrar a res furtiva. O termo alheias, como ocorre no
furto, é o elemento normativo, de valoração jurídica, pois fornece a conotação de coisa não
pertencente ao agente, mas a terceiro. Não é, pois, qualquer “água” que pode ser objeto
material desse delito, e, sim, a pertencente a uma pessoa determinada. Sobre o tema relativo
às águas e sua propriedade, consultar os arts. 1.288 a 1.296 do Código Civil e o art. 8.o do
Decreto 24.643/34”.
Com relação ao esbulho possessório, previsto no inciso II, § 1º, do art.161, constitui a
conduta de invadir, mediante violência ou grave ameaça apessoa, ou mediante
concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho
possessório.
“Objeto jurídico imediato é a posse do imóvel. De forma secundária, o tipo penal
protege outros objetos jurídicos, como a tranquilidade espiritual e a incolumidade física
de quem se acha na posse” (JESUS, v.2, 2020, p.508).
Sobre isso, já decidiu o STJ:
STJ [...] “1. A Vítima do crime de esbulho possessório, tipificado no art. 161, inciso II, do
Código Penal é o possuidor direto, pois é quem exercia o direito de uso e fruição do
bem. Na hipótese de imóvel alienado fiduciariamente, é o devedor fiduciário que
ostenta essa condição, pois o credor fiduciário possui tão-somente a posse indireta. 2.
A Caixa Econômica Federal, enquanto credora fiduciária e, portanto, possuidora
indireta, não é a vítima do referido delito [...] (CC 179.467/RJ, Rel. Ministra LAURITA
VAZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2021, DJe 01/07/2021)”.
Concurso de pessoas no esbulho possessório
A maioria da doutrina diz que “o concurso de mais de duas pessoas”, previsto na
lei, pressupõe o mínimo de quatro pessoas, ou seja, o agente invasor e mais três
pessoas. Nesse ponto, parece mais adequado o sentido de no mínimo de três
pessoas como melhor interpretação ao dispositivo (de modo semelhante:
(NUCCI, 2018, 3ª ed, p.565; HUNGRIA, 1959, v.2).
Concurso de crimes no esbulho possessório
Há possibilidade de concurso de crimes com outro delito praticado com
violência, conforme § 2º do art.161, se o agente usa de violência, incorre
também na pena a esta cominada. “Assim, por exemplo, esbulho possessório e
homicídio. Há três formas de cometimento do esbulho, de modo que duas delas
não se somam a outros crimes, enquanto noutra – violência contra a pessoa –
exige-se, expressamente, a punição também do delito violento contra alguém”
(NUCCI, 2018, 3ª ed, p.567).
O art.162 pune a conduta de supressão ou alteração de marca em animais. Sobre o referido
crime, leciona Capez (2020, p.767-768):
“O tipo penal contém duas ações nucleares: (i) suprimir – extinguir, eliminar, fazer
desaparecer; ou (ii) alterar – mudar, desfigurar, no caso, marca ou sinal indicativo de
propriedade (objeto material do crime) em gado ou rebanho alheio. A marca “é o
característico empregado, relativo à propriedade do animal, para distingui-lo de outros.
Consiste, geralmente, nas iniciais do proprietário, mas é frequente também o uso de desenhos
(p. ex. estrela, círculo etc.)” . Sinal “é todo distintivo artificial, diverso da marca (ex.: argolas de
determinado feitio nos chifres ou focinho dos animais)”. A supressão ou alteração da marca ou
sinal indicativo de propriedade aposta em gado ou rebanho deve ser indevida (elemento
normativo do tipo). Assinala Hungria que “o emprego deste advérbio, no texto do art. 162, não
é de todo supérfluo (como parece a Magalhães Noronha): com ele, quis o legislador significar
que não é protegida a marca ou sinal em si mesmos, mas a propriedade que indicam, tanto
assim que, se alguém adquire animais e vem a suprimir ou alterar a respectiva marca ou sinal,
não comete crime algum. A proteção penal não incide sobre animais desmarcados, ainda que
pertencentes a gado ou rebanho alheio. Ainda, se o agente introduz marca ou sinal em animal
de outrem com a intenção de fazê-lo parecer seu e com isso tê-lo para si, comete crime de
furto”.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Dano
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O crime dano, por sua vez, foi insculpido entre os arts.163 e 167 do CP:
“ Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos;
(Redação dada pela Lei nº 13.531, de 2017)
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia
Art. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que o fato resulte prejuízo:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.
Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Alteração de local especialmente protegido
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente protegido por lei:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Ação penal
Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo e do art. 164, somente se procede mediante queixa”.
Para efeito da aula, merecerá maior destaque o crime de dano previsto no
art.163.
Conceito do crime de dano
O dano tratado no art.163 se refere ao dano física contra a coisa. O dispositivo
narra a conduta de destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Dentro da
expressão destruir compreende-se o fazer desaparecer (GRECO, v.2, 2018, p.742).
A coisa precisa ser alheia ao agente. Do mesmo modo, quem destrói coisa
abandonada ou destrói coisa de ninguém não pratica o crime. O erro sobre a
elementar coisa alheia afasta o dolo (art.20, caput do CP).
Classificação
O crime de dano somente é punido na forma dolosa. Trata-se de crimes
plurissubsistente que, portanto, admite a tentativa. O dolo do crime de dano
pressupõe que o agente atue com essa finalidade, ou seja, de danificar a coisa
alheira. Não haverá punição pelo crime de dano quando a conduta constituir um
meio ou para outro crime ou forma de execução de outro crime (exemplo: furto
qualificado pelo rompimento de obstáculos).
QUESTÃO: se o agente destrói o próprio bem que se encontra na posse legítima
de terceiro responderá por algum crime?
Para Rogério Greco, cuida-se de fato atípico a ser solucionado no âmbito cível
(GRECO, v.2, 2018, p.744). Segundo Magalhães Noronha (2004, v.2, p.304-305), a
conduta teria subsunção no crime de dano. Enquanto Rogério Sanches (2013,
p.329) enxerga a possibilidade e de configurar exercício arbitrário das próprias
razões.
QUESTÃO: é necessário a presença do animus nocendi para caracterizar o crime
de dano?
Para Hungria (1959, v.VII, p.108), seria necessário a presença do animus nocendi,
ou seja, o propósito de prejudicar o proprietário. Por sua vez, Magalhães Noronha
(2004, v.2, p.309) deixou registrado que este fim especial de prejudicar seria o
dolo específico que não está presente, não se exige um fim exterior, uma vez que
o prejuízo está ínsito no dano, quem destrói a coisa sabe que prejudica o seu
dono ou possuidor.
Segundo Rogério Greco:
“Há controvérsia doutrinária e jurisprudencial no que diz respeito à necessidade
de atuar o agente com o animus nocendi para fins de reconhecimento do crime de
dano. Por animus nocendi deve ser entendida a finalidade especial com que atua
o agente no sentido de causar, com o seu comportamento, um prejuízo
patrimonial à vítima”. (GRECO, v.2, 2018, p.751).
QUESTÃO: é necessário a presença do animus nocendi para caracterizar o crime
de dano?
Sobre o tema, com uma intepretação prejudicial à tutela do patrimônio público, o
STJ decidiu que não configura crime de dano a destruição pelo preso de bem
público que impede a sua fuga, no ato de tentar fugir.
[...] 3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, para que se possa falar em crime
de dano qualificado contra patrimônio da União, Estado ou Município, mister se
faz a comprovação do elemento subjetivo do delito, qual seja, o animus nocendi,
caracterizado pela vontade de causarprejuízo ao erário. Nesse passo, a
destruição, deterioração ou inutilização das paredes ou grades de cela pelo
detento, com vistas à fuga de estabelecimento prisional, ou, ainda, da viatura na
qual o flagranteado foi conduzido à delegacia de polícia, demonstra tão somente
o seu intuito de recuperar a sua liberdade, sem que reste evidenciado o
necessário dolo específico de causar dano ao patrimônio público. [...] (HC
503.970/SC, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em
30/05/2019, DJe 04/06/2019)”.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Apropriação indébita (modalidades)
PROFESSOR DERMEVAL FARIAS
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CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Apropriação indébita do art.168
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“ Apropriação indébita
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Aumento de pena
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
I - em depósito necessário;
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante,
testamenteiro ou depositário judicial;
III - em razão de ofício, emprego ou profissão.
Conceito da apropriação indébita
Quanto ao crime de apropriação indébita, cuida-se de conduta caracterizada pelo
início de uma posse lícita, mas que é invertida mais adiante, no momento em que
é solicitada a coisa alheia do agente. A apropriação significa tornar como sua a
coisa que pertence a outrem. O crime só pode ser cometido na forma dolosa, de
forma que não constitui apropriação indébita a ausência de devolução do bem
por culpa, ou seja, em decorrência de negligência, um esquecimento do agente.
Classificação da apropriação indébita
Para Nucci (2019, 3ª ed., p.589), o crime é próprio porque o agente é especial, já
que recebeu a coisa em confiança. Enquanto Damásio (2020, v.2 p.537) entende
“a apropriação indébita é delito comum, simples, instantâneo, material e
comissivo”. Para o referido autor, só há apropriação indébita na detenção
desvigiada, uma vez que na detenção vigiada, o fato constituiria furto (JESUS,
2020, v.2 p.537).
Distinção entre apropriação indébita, furto e estelionato
Trata-se de crime que se distingue do furto e do estelionato nas suas elementares e no
momento de se apresenta o elemento subjetivo, não se confundem, conquanto sejam
crimes contra o patrimônio. Como esclarece Nucci (2019, 3ª ed., p.586-587):
“A diferença com o estelionato é de “tipo morfológico e comissivo”, pois na apropriação
não existe a fraude prévia que, para o estelionato, é fundamental. Na apropriação, o
agente detém a coisa licitamente; depois, quando instado a devolvê-la, torna-se ilícito.
No caso do estelionato, desde o princípio, a coisa se transmite ao agente por meios
ilícitos, embora a vítima possa nem perceber num primeiro momento. Por vezes, é
justamente a prova da fraude que permite a clara distinção entre os dois delitos. Entre o
furto e a apropriação, a diferença é ainda mais simples. No furto, o agente não detém a
coisa e vai ao seu encalço, subtraindo-a da vítima, contra a sua vontade; na apropriação,
o agente já detém a coisa, que lhe foi entregue pela própria vítima, tornando-se ilícito
posteriormente, quando resolve não devolvê-la. Em ambas as situações não há fraude;
na apropriação, existe abuso de confiança”.
QUESTÃO: a coisa fungível pode ser objeto de apropriação indébita?
Segundo Nucci (2019, 3ª ed., p.586-587), não, salvo na hipótese de coisa que
deveria ser transferida a terceiro:
“A única cautela que se deve ter neste caso é quanto à coisa fungível (substituível
por outra da mesma espécie, qualidade e quantidade), uma vez que não pode
haver apropriação quando ela for dada em empréstimo ou em deposito. Está-se,
nessa situação, transferindo o domínio. Ex.: se A entrega a B uma quantia em
dinheiro para que guarde por algum tempo, ainda que B consuma o referido
montante, poderá repor com outra quantia, tão logo A a exija de volta.
Entretanto, se a quantia for dada para a entrega a terceira pessoa, caso B dela se
aposse, naturalmente pode-se falar em apropriação indébita”.
Arrependimento posterior e apropriação indébita
O arrependimento posterior na apropriação indébita com a devolução da coisa
antes do recebimento da denúncia deve ser tratado na forma do art.16 do Código
Penal, ou seja, como causa de redução de pena. Não pode ser confundido com o
efeito específico da apropriação indébita previdenciária tratada abaixo.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Apropriação indébita previdenciária do art.168A
PROFESSOR DERMEVAL FARIAS
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Apropriação indébita previdenciária
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos
contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de:
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à
previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a
segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado
despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de
serviços;
Apropriação indébita previdenciária
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido
reembolsados à empresa pela previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
§ 2º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o
pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à
previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.
(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
§ 3º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for
primário e de bons antecedentes, desde que:
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento
da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou
II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele
estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o
ajuizamento de suas execuções fiscais.
§ 4º A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de
contribuições cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido,
administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.
Apropriação indébita previdenciária
O bem jurídico protegido é o patrimônio público, porquanto se trata do “crédito
oriundo da contribuição ou do reembolso que advém do benefício” (JESUS, 2020,
v.2, p.543). Trata-se de crime próprio no qual o sujeito ativo é a pessoa que possui
a obrigação de repassar à Previdência Social a contribuição recolhida dos
contribuintes. O sujeito passivo primário é a Previdência social, enquanto os
segurados são sujeitos passivos secundários.
QUESTÃO: há necessidade de animus de ter para si os valores não recolhidos
(animus rem sibi habendi) na apropriação indébita previdenciária?
Há necessidade do animus rem sibi habendi na apropriação indébita comum do
art.168. No entanto, segundo a jurisprudência atual, Não há necessidade de ter
para si os valores não recolhidos na apropriação indébita previdenciária, uma vez
que trata-se de crime autônomo, distinto do previsto no art.168.
Nesse sentido, tem decidido o STJ, tanto que diz respeito ao crime de apropriação
indébita previdenciária (art.168 A) quanto no crime de sonegação fiscal do art. 2º
II da Lei 8137/90: [...] Em crimes de sonegação fiscal e de apropriação indébita de
contribuição previdenciária, este Superior Tribunal de Justiça pacificou a
orientação no sentido de que sua comprovação prescinde de dolo específico
sendo suficiente, para a sua caracterização, a presença do dolo genérico. [...]
(AgRg nos EDcl noHC 641.382/SC, Rel. Ministro OLINDO MENEZES
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEXTA TURMA, julgado em
18/05/2021, DJe 21/05/2021)”.
Tentativa e apropriação indébita previdenciária
Para Damásio, não é possível a tentativa no crime de apropriação indébita previdenciária:
“A consumação do delito do art. 168-A ocorre na data do término do prazo convencional ou legal do
repasse ou recolhimento das contribuições devidas ou do pagamento do benefício devido a
reembolsado ou segurado ao estabelecimento pela Previdência Social. A tentativa é inadmissível”.
(JESUS, 2020, p.546-547).
Vale destacar que o STJ tem entendido que a consumação do crime só ocorrer com a constituição
definitiva do débito no âmbito administrativo: [...] 1. Segundo entendimento adotado por esta
Corte Superior de Justiça, os crimes de sonegação de contribuição previdenciária e apropriação
indébita previdenciária, por se tratarem de delitos de caráter material, somente se configuram após
a constituição definitiva, no âmbito administrativo, das exações que são objeto das condutas. [...]
(AgRg no AREsp 774.580/SC, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 20/03/2018,
DJe 04/04/2018)”.
QUESTÃO: aplica-se o princípio da insignificância em crime de apropriação
indébita previdenciária?
QUESTÃO: aplica-se o princípio da insignificância em crime de apropriação
indébita previdenciária?
Conquanto tenha admitido no passado, a jurisprudência atual do STJ pacificou o
entendimento no sentido de não ser possível a aplicação do princípio da
insignificância em crime de apropriação indébita previdenciária.
“PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO
INCIDÊNCIA. 1. No julgamento da RvCr n. 4.881/RJ, a Terceira Seção concluiu, em
julgamento unânime, acompanhando entendimento do Supremo Tribunal
Federal, que o princípio da insignificância não se aplicaria aos crimes de
apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do Código Penal) e de sonegação
de contribuição previdenciária (art. 337-A do Código Penal). Precedentes. 2.
Agravo regimental provido para negar provimento ao recurso especial da defesa.
(AgRg no REsp 1832011/MG, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA
TURMA, julgado em 10/08/2021, DJe 16/08/2021)”.
Sobre a extinção da punibilidade
Sobre a extinção da punibilidade com o pagamento, a jurisprudência do STJ
entende que a extinção da punibilidade, narrada § 2º e seguintes do art.168 A,
depende do pagamento integral, uma vez que o parcelamento apenas suspende
a persecução penal; e tem permitido a persecução penal em caso de
inadimplência reiterada.
Sobre a extinção da punibilidade
STJ [...] 2. Considerando que a adesão ao REFIS não implica, necessariamente, a
extinção da punibilidade, pois está condicionada ao pagamento integral do débito,
não há ilegalidade na decisão que permite a persecução penal diante da
inadimplência reiterada do acusado. 3. A superveniência de interposição de
inúmeros recursos sem demonstração de tese apta à reversão do julgado revela
nítido caráter protelatório da defesa. Determinação de trânsito em julgado. 4.
Agravo regimental não conhecido. (AgRg nos EDcl nos EDcl no HC 427.660/SP, Rel.
Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 19/11/2019, DJe
26/11/2019)”.
Sobre a extinção da punibilidade
STJ [...] 3. Consoante dispõe o art. 9º, § 2º, da Lei n. 10.684/03, nos crimes
contra a ordem tributária e de apropriação indébita previdenciária, extingue-se
a punibilidade do agente que efetua o pagamento integral do débito em
questão. 4. Embargos de declaração rejeitados. De ofício, por intermédio de
habeas corpus, foi declarada extinta a punibilidade do embargante em face do
pagamento integral do débito previdenciário objeto do presente processo. (EDcl
no AgRg no AREsp 320.281/SE, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO,
SEXTA TURMA, julgado em 06/09/2016, DJe 16/09/2016)”.
Sobre a extinção da punibilidade e a suspensão da pretensão punitiva estatal
STJ [...] 3. A suspensão da pretensão punitiva estatal fundada no art. 68 da Lei n.
11.941/2009 somente é cabível se a inclusão do débito tributário em programa
de parcelamento ocorrer em momento anterior ao trânsito em julgado da
sentença penal condenatória.4. Ocorrendo o parcelamento do débito tributário
antes do trânsito em julgado da condenação, como no caso dos autos, ficará
suspensa a pretensão punitiva do Estado até ulterior revogação do benefício ou
extinção da punibilidade dos agentes pelo integral pagamento, sendo inviável a
prolação de acórdão confirmatório da condenação e trânsito em julgado da
condenação em sua vigência. 5. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida
de ofício para anular o acórdão proferido quando da vigência do benefício do
parcelamento do crédito tributário, bem como para desconstituir o trânsito em
julgado da condenação imposta aos pacientes. (HC 353.827/PI, Rel. Ministro
REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 16/08/2016, DJe
25/08/2016)”.
Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da natureza
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso
fortuito ou força da natureza:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
Apropriação de tesouro
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da
quota a que tem direito o proprietário do prédio;
Apropriação de coisa achada
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente,
deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à
autoridade competente, dentro no prazo de quinze dias.
Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, §
2º
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Estelionato
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O estelionato e outras fraudes foram tipificados entre os arts.171 e 179 do CP:
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou
qualquer outro meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis. (Vide Lei nº 7.209, de 1984)
§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, § 2º.
§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem:
Disposição de coisa alheia como própria
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria;
Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro,
mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias;
Defraudação de penhor
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado;
Fraude na entrega de coisa
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém;
Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as conseqüências da lesão ou doença, com o
intuito de haver indenização ou valor de seguro;
Fraude no pagamento por meio de cheque
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento.
O estelionato e outras fraudes foram tipificados entre os arts.171 e 179 do CP:
Estelionato
Fraude eletrônica
§ 2º-A. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida com a utilização de
informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos
ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. (Incluído pela Lei
nº 14.155,de 2021)
§ 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso, aumenta-se de 1/3
(um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território
nacional. (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021)
§ 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de
instituto de economia popular, assistência social ou beneficência.
Estelionato contra idoso ou vulnerável (Redação dada pela Lei nº 14.155, de 2021)
§ 4º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é cometido contra idoso ou vulnerável,
considerada a relevância do resultado gravoso. (Redação dada pela Lei nº 14.155, de 2021)
§ 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - a Administração Pública, direta ou indireta; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - pessoa com deficiência mental; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Duplicata simulada
Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado. (Redação dada pela Lei nº
8.137, de 27.12.1990)
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquêle que falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de Registro de Duplicatas. (Incluído pela Lei nº 5.474. de 1968)
Abuso de incapazes
Art. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles
à prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Induzimento à especulação
Art. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade mental de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à
especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou devendo saber que a operação é ruinosa:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Fraude no comércio
Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor:
I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada;
II - entregando uma mercadoria por outra:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; vender
pedra falsa por verdadeira; vender, como precioso, metal de ou outra qualidade:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º.
Outras fraudes
Art. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de recursos para efetuar o pagamento:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.
Fraudes e abusos na fundação ou administração de sociedade por ações
Art. 177 - Promover a fundação de sociedade por ações, fazendo, em prospecto ou em comunicação ao público ou à assembleia, afirmação falsa sobre a constituição da sociedade, ou ocultando fraudulentamente fato a ela relativo:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o fato não constitui crime contra a economia popular.
§ 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui crime contra a economia popular: (Vide Lei nº 1.521, de 1951)
I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações, que, em prospecto, relatório, parecer, balanço ou comunicação ao público ou à assembléia, faz afirmação falsa sobre as condições econômicas da sociedade, ou oculta fraudulentamente, no todo ou
em parte, fato a elas relativo;
II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por qualquer artifício, falsa cotação das ações ou de outros títulos da sociedade;
III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à sociedade ou usa, em proveito próprio ou de terceiro, dos bens ou haveres sociais, sem prévia autorização da assembléia geral;
IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por conta da sociedade, ações por ela emitidas, salvo quando a lei o permite;
V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito social, aceita em penhor ou em caução ações da própria sociedade;
VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em desacordo com este, ou mediante balanço falso, distribui lucros ou dividendos fictícios;
VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta pessoa, ou conluiado com acionista, consegue a aprovação de conta ou parecer;
VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII;
IX - o representante da sociedade anônima estrangeira, autorizada a funcionar no País, que pratica os atos mencionados nos ns. I e II, ou dá falsa informação ao Governo.
§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, o acionista que, a fim de obter vantagem para si ou para outrem, negocia o voto nas deliberações de assembléia geral.
Emissão irregular de conhecimento de depósito ou "warrant"
Art. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em desacordo com disposição legal:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Fraude à execução
Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante queixa”
Características do estelionato
Quanto ao crime de estelionato previsto no caput do art.171 do CP, cuida-se de
um crime contra o patrimônio que possui, entre as suas elementares, a fraude (a
condução da vítima ao erro, ao engano). Sem fraude, não existe estelionato ato, a
figura do caput que dirige as demais condutas narradas ao longo do dispositivo
prevê.
Características do estelionato
Em regra, o estelionato é um crime comum que pode ser cometido por qualquer pessoa.
Do mesmo modo, o sujeito passivo é quem sofre o prejuízo. No caso do §3º do art.171,
o sujeito passivo é restrito. O sujeito passivo do crime de estelionato deve possui
capacidade de compreensão, ou seja, de discernimento, para que possa ser mantido ou
induzido em erro. Sem tal capacidade, a subsunção típica não será no crime de
estelionato, mas poderá se dar no crime do art.173 do CP (GRECO, v.2, 2018, p.823).
sobre esse tema, argumenta Bitencourt (2002, v.3, p.277):
“Se a vítima não tiver capacidade de autodeterminação, como a criança ou o débil
mental, o crime será o do art.173 do CP. Se, no entanto, não tiver capacidade natural de
ser iludida, como, por exemplo, ébrio em estado de coma, o crime será o de furto”.
O estelionato é um crime, em regra, material, que se consuma com a obtenção da
vantagem ilícita pelo agente em prejuízo do ofendido. Cuida-se de crime
plurissubsistente, no qual a tentativa será possível. Nas modalidades especiais, há
modalidade formal de estelionato, como a que se faz presente no inicio V, §2º do
art.171 (fraude para recebimento de indenização ou de valor de seguro).
Significado da palavra estelionato
A palavra estelionato tem origem na expressão stellio, a qual significa camaleão.
Conforme leciona Rogério Greco (v.2, 2018, p.822):
“Concluindo, a palavra estelionato se origina de stellio, ou seja, camaleão,
justamente pela qualidade que tem esse animal para mudar de cor, confundindo
sua presa, facilitando assim, o bote fatal, bem como para poder fugir, também,
dos seus predadores naturais, que não conseguem, em virtude de suas mutações,
perceber a sua presença, tal como ocorre com o estelionatário que, em razão de
seus disfarces, sejam físicos ou psíquicos,engana a vítima com a sua fraude, a fim
de que tenha êxito na sua empresa criminosa”.
Significado da palavra estelionato
É certo que fraude penal é distinta da fraude cível empregada nas relações
comerciais para enaltecer um produto, mas não há critério científico que as
diferencie. Tal distinção dependerá da análise do intérprete levando em conta os
valores de cada época (GRECO, v.2, 2018, p.819; BITENCOURT, 2002, v.3, p.277).
Significado do termo fraude
A fraude por meio de artifício ocorre com o uso de algo material, no sentido de
arte ou aparato, como, por exemplo, um documento falso. O artifício pode ainda
se manifestar com gestos, atos. A fraude por meio de ardil se revela com o uso de
sutilezas, manha, constitui uma fraude moral (intelectual), de modo que o agente
leva a vítima ao engano, por exemplo, com um diálogo que se apresenta como
verdadeira, conquanto seja falsa. O ardil, exemplo, pode ocorrer com o uso de
envolvimento afetivo para enganar a vítima e obter vantagem ilícita em seu
prejuízo. No caput do art.171, o legislador ainda aponta uma hipótese genérica,
após a sequencia casuística, ou seja, “qualquer outro meio fraudulento. Faz-se
necessário aqui usar a interpretação analógica, isto é; qualquer outro meio
fraudulento semelhante ao emprego de artifício ou de ardil.
Significado do termo fraude
Já decidiu o STJ:
STJ [...] Configura estelionato a obtenção, para si ou para outrem, de vantagem
ilícita, em prejuízo alheio, com indução ou mantimento de alguém em erro,
mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. Hipótese em que
ficou demonstrado o ardil. O acusado induziu a vítima em erro ao fazê-la
acreditar que sua mãe trabalhava na Receita Federal e que, com isso,
conseguiria adquirir produtos com valor muito abaixo do mercado, no entanto
sua genitora nunca fez parte do quadro de servidores. Não há que se falar em
atipicidade da conduta, visto que o réu se utilizou de informação enganosa para
levar a ofendida a comprar um produto (jet ski) que nunca lhe seria entregue e,
assim, lesar seu patrimônio. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp
1486674/GO, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em
23/02/2021, DJe 02/03/2021)”.
Binômio do estelionato
Fala-se em binômio no crime de estelionato, caracterizado pela vantagem ilícita e
o prejuízo alheiro. Ilícita é a vantagem contrária ao ordenamento jurídico, que não
encontra abrigo no ordenamento jurídico. Parte da doutrina (maioria) entende
que essa vantagem pode ou não ter natureza econômica. Nesse sentido, pensa
Luiz Regis Prado (2000, v.2, p.523). Em sentido contrário, Rogério Greco (v.2,
2018, p.820) entende que há de existir vantagem ilícita somente no sentido
econômico, para efeito e crime de estelionato, diante de uma intepretação
sistemática que leva em conta a sua topografia de crime contra o patrimônio.
Binômio do estelionato
Fala-se em binômio no crime de estelionato, caracterizado pela vantagem ilícita e
o prejuízo alheiro. Ilícita é a vantagem contrária ao ordenamento jurídico, que não
encontra abrigo no ordenamento jurídico. Parte da doutrina (maioria) entende
que essa vantagem pode ou não ter natureza econômica. Nesse sentido, pensa
Luiz Regis Prado (2000, v.2, p.523). Em sentido contrário, Rogério Greco (v.2,
2018, p.820) entende que há de existir vantagem ilícita somente no sentido
econômico, para efeito e crime de estelionato, diante de uma intepretação
sistemática que leva em conta a sua topografia de crime contra o patrimônio.
QUESTÃO: o início da execução no crime de estelionato ocorre com o emprego da
fraude ou somente com o engano da vítima?
Para Bitencourt, somente com engano da vítima “Quando o agente não consegue
enganar a vítima, o simples emprego de artifício ou ardil caracteriza apenas a
prática de atos preparatórios, não se podendo cogitar de tentativa”. BITENCOURT,
2002, v.3, p.287). Damásio (JESUS, v.2, 2020, p.558) parece caminhar no mesmo
sentido ao dizer:
“A tentativa é admissível quando o sujeito, enganando a vítima, não obtém a
vantagem ilícita, ou, obtendo-a, não causa prejuízo a ela ou a terceiro. Ex.: no
conto do bilhete premiado, enganado o ofendido, o sujeito é surpreendido no
momento em que está recebendo o dinheiro”.
QUESTÃO: o início da execução no crime de estelionato ocorre com o emprego da
fraude ou somente com o engano da vítima?
Já decidiu o STJ:
“RECURSO ESPECIAL. PENAL. ADULTERAÇÃO DE CHASSIS DE AUTOMÓVEL PARA
POSTERIOR VENDA. ESTELIONATO TENTADO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ATO
PREPARATÓRIO. 1. Não se pode imputar ao réu que adultera chassi de automóvel
para a posterior venda, a prática de tentativa de estelionato, porque a execução
do crime do art. 171, caput, do Código Penal, inicia-se com o engano da vítima,
sendo as condutas anteriores atos meramente preparatórios, que somente
serão puníveis quando, de per si, consubstanciem a prática de crime autônomo.
2. Recurso provido. (REsp 818.741/BA, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA
TURMA, julgado em 15/03/2007, DJ 23/04/2007, p. 302)”.
Estelionato privilegiado
O estelionato privilegiado foi previsto no §1º do art.171. Exige-se a primariedade
do réu e o pequeno valor do prejuízo. A primariedade já foi discutida quando da
análise do furto privilegiado. Distingue-se do furto privilegiado porque quanto no
estelionato, o legislador usou a expressão pequeno prejuízo, naquele o legislador
usou a expressão pequeno valor, de modo que o no crime de estelionato, é
necessário analisar não somente o valor objetivo, mas principalmente o valor do
prejuízo da vítima do caso concreto. A doutrina de Nucci (2018, 3ª ed., p.638) e de
Capez (2019, v.2, p.840) apontam ainda o fato salário mínimo como limite para
análise do pequeno prejuízo. A análise do pequeno prejuízo deve ser feita no
momento da prática do crime e não posteriormente, segundo Nucci (2018, 3ª ed.,
p.638
Estelionato privilegiado
STJ [...]. Nesse contexto, verifica-se que não é possível a aplicação do benefício
previsto no art. 171, §1º, do Código Penal, haja vista que não foi preenchido um
dos requisitos necessários ao reconhecimento do referido privilégio, qual seja, o
pequeno valor do prejuízo. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg
no AREsp 1665071/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado
em 04/08/2020, DJe 13/08/2020)”.
Estelionato e a súmula 554 STF
O texto da súmula 554-STF expressa: “O pagamento de cheque emitido sem
provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao
prosseguimento da ação penal”. A interpretação que decorre da súmula é de que
o pagamento, antes do recebimento da denúncia, extingue a punibilidade. Essa
súmula se aplica ao estelionato cometido mediante emprego de cheque
verdadeiro, mas sem provisão de fundos, previsto no inciso VI do §2º do art,171
do CP. Vale para o cheque emitido como ordem de pagamento à vista. Não se
aplica a cheque pós-datado, salvo se o agente agira desde o início com fraude,
mas, se pensava em obter o recurso até data futura, não há se falar em
estelionato. A súmula 554, do mesmo modo, não incidirá sobre qualquer
modalidade subsumida ao caput do art.171.
Estelionato e a súmula 554 STF
STJ [...] “ 2. Tipificada a conduta da paciente como estelionato na sua forma
fundamental, o fato de ter ressarcido o do prejuízo à vítima antes do
recebimento da denúncia não impede a ação penal, não havendo falar, pois, em
incidência do disposto no enunciado n.º 554 da Súmula do Supremo Tribunal
Federal, que se restringe ao estelionato na modalidade de emissão de cheques
sem suficiente provisão de fundo, prevista no art. 171, § 2.º, VI, CP. 3. Se no
curso da ação penal restar devidamente comprovado ressarcimento integral do
dano à vítima, antes do recebimento da peça de acusação, tal fato pode servir
como causa de diminuição de pena, nos termos do disposto no art. 16 do Estatuto
Repressivo. 4. Habeas corpus não conhecido. (HC 280.089/SP, Rel. Ministro JORGE
MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 18/02/2014, DJe 26/02/2014)”.
Estelionato e a súmula 554STF
O estelionato mediante a falsificação de cheque também não receberá a
incidência da súmula 554, mas sim do caput do art.171. Quando o falso se exaure
no estelionato, o agente responderá apenas pelo estelionato, nos termos da
súmula 17 do STJ. Há, nessa hipótese, a incidência do princípio da consunção.
Estelionato e o cheque
Vale destacar que a modalidade VI do §2º do art,171 do CP só vale para o
emitente do cheque. Dito de outro modo, se um terceiro, ciente da ausência,
repassa o cheque que recebeu do emitente, haverá o estelionato do caput do
art.171, para o qual não vale a intepretação reversa que se faz da súmula 554,
com a extinção da punibilidade, segundo o STJ:
Estelionato e o cheque
STJ [...] “ 1. Esta Corte Superior de Justiça já sufragou o entendimento de que o agente
que realiza pagamento através da emissão de cheque sem fundos de terceiro, que
chegou ilicitamente a seu poder, incide na figura prevista no caput do art. 171 do
Código Penal, não em seu § 2.º, inciso IV. 2. Tipificada a conduta da paciente como
estelionato na sua forma fundamental, o fato de ter ressarcido o do prejuízo à vítima
antes do recebimento da denúncia não impede a ação penal, não havendo falar, pois,
em incidência do disposto no enunciado n.º 554 da Súmula do Supremo Tribunal
Federal, que se restringe ao estelionato na modalidade de emissão de cheques sem
suficiente provisão de fundo, prevista no art. 171, § 2.º, VI, CP. 3. Se no curso da ação
penal restar devidamente comprovado ressarcimento integral do dano à vítima, antes
do recebimento da peça de acusação, tal fato pode servir como causa de diminuição de
pena, nos termos do disposto no art. 16 do Estatuto Repressivo. 4. Habeas corpus não
conhecido. (HC 280.089/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
18/02/2014, DJe 26/02/2014)”.
Estelionato e o cheque
Ressalta-se que o pagamento do cheque emitido sem fundos antes do recebimento da denúncia extingue a punibilidade:
STJ [...] “ 1. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que a frustração no pagamento de cheque
pós-datado não caracteriza o crime de estelionato, em virtude de não se tratar de ordem de pagamento à vista, mas apenas de
garantia de dívida. No entanto, o simples fato de ser ou não cheque pós-datado não elide peremptoriamente a tipicidade
criminal, devendo cada caso ser analisado de acordo com suas particularidades. 2. Para o preenchimento da tipicidade penal
do delito de estelionato não é suficiente a obtenção de vantagem indevida, ante a sustação dos cheques. É indispensável a
presença do artifício, ardil, ou de qualquer outro meio fraudulento que tenha induzido ou mantido a vítima em erro.
Igualmente, deve ser demonstrado em qual erro incidiu a vítima. A transmissão do imóvel a pessoa indicada pelo recorrente,
antes do adimplemento do valor integral, não se reveste de qualquer fraude, pois todos estavam cientes dos atos que estavam
sendo realizados e o fato de ter sido emitida contraordem para não pagamento dos cheques não pode ser considerado um
engodo, pois trata-se de conduta expressamente prevista no caput do art. 35 da Lei nº 7.357/1985. 3. A conduta de frustrar o
pagamento por meio de cheque, ajustaria-se melhor ao tipo penal descrito no art. 171, § 2º, VI, do Código Penal, que,
contudo, não prescinde da demonstração da fraude - conforme dispõe o verbete nº 246 do Supremo Tribunal Federal -, o que
não se verificou no caso. Outrossim, a reparação integral do dano, antes do recebimento da denúncia, nos termos do que
retratado nos autos, impede o prosseguimento da ação penal. Inteligência do enunciado nº 554 da Corte Suprema. 4. Os
elementos do tipo penal são eleitos com o objetivo de reprimir agressões intoleráveis a bens de maior importância,
justificando- se, dessa forma, a intervenção do Direito Criminal - diretamente relacionado à restrição da liberdade. Assim, além
de não estar preenchida a tipicidade, a conduta narrada não apresenta a especial gravidade que se exige para justificar o início
da persecução penal. De fato, o inadimplemento poderia ter sido justificado e resolvido apenas na seara cível, ainda que
verificado eventual abuso de direito, dando-se primazia, assim, aos princípios da intervenção mínima e da fragmentariedade.
5. Recurso ordinário em habeas corpus a que se dá provimento para trancar a ação penal nº 301.01.2011.000474-8. (RHC
37.029/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 13/08/2013, DJe 20/08/2013)”.
Estelionato e o cheque
Vale destacar ainda que o uso de cheque, com insuficiência de fundos, para
substituir outra dívida não caracteriza o crime de estelionato.
STJ “[...] 2. A entrega de cheque para garantia de dívida relativa à compra de
combustível elide o estelionato, se não honrada a cártula 3. Denúncia e
imputação fática divorciadas das provas do inquérito acarretam a nulidade da
ação penal. 4. Recurso especial interposto pelo Ministério Público a que se nega
provimento. (REsp 445.136/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, Rel. p/ Acórdão
Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA
TURMA, julgado em 17/11/2009, DJe 08/03/2010)”.
Estelionato e a moeda falsa
Segundo a súmula 73 do STJ: “a utilização de papel moeda grosseiramente
falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça
Estadual”.
“CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA ENTRE AS JUSTIÇAS ESTADUAL E
FEDERAL. MOEDA FALSA. LAUDO PERICIAL. FALSIFICAÇÃO GROSSEIRA.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 73/STJ. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1.
Hipótese na qual o laudo pericial aponta a má qualidade da moeda falsificada e
as circunstâncias dos autos indicam que ela não possui a capacidade de ludibriar
terceiros. 2. "A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura,
em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual" (Súmula n.
73/STJ). 3. Competência da Justiça Estadual, o suscitado. (CC 135.301/PA, Rel.
Ministro ERICSON MARANHO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP),
TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 08/04/2015, DJe 15/04/2015)”.
Estelionato e §3º do art.171
Quanto ao estelionato do §3º do art.171, cuida-se de uma causa de aumento de
pena narrada da seguinte forma; “A pena aumenta-se de um terço, se o crime é
cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de
economia popular, assistência social ou beneficência”.
Cuida-se de crime na permanente, para o beneficiário, a modalidade narrada no
§3º do art.171. Se algum funcionário ajudar na fraude, para esse o crime será
instantâneo de efeitos permanentes. Essa distinção influencia em matéria de
prescrição e, ainda, de prisão em flagrante.
Estelionato e §3º do art.171
STJ “[...] 2. A Terceira Seção desta Corte já pacificou o entendimento de que o
estelionato praticado contra a Previdência Social (art. 171, § 3º, do CP), em
relação ao beneficiário, é crime permanente, que se consuma a cada saque feito
indevidamente, e não no recebimento da primeira parcela da prestação
previdenciária. Embargos declaratórios rejeitados. (EDcl no AgRg no AREsp
1150285/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em
07/12/2017, DJe 18/12/2017)”.
Estelionato e §3º do art.171
STJ “PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ESTELIONATO
PREVIDENCIÁRIO. NATUREZA JURÍDICA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1.
A depender do agente que praticou o ilícito contra a Previdência Social, a
natureza jurídica do estelionato previdenciário será distinta: se o agente for o
próprio beneficiário, será um delito permanente, que cessará apenas com o
recebimento indevido da última parcela do benefício; se o agente for um
terceiro não beneficiário ou um servidor do INSS, será um crime instantâneo de
efeitos permanentes. Nesse caso, o delito terá se consumado com o pagamento
da primeira prestação indevida do benefício. 2. Agravo regimental não provido.
(AgRg no REsp 1112184/RS, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA,
julgado em 24/03/2015, DJe 06/04/2015)”.
Estelionato e §3º do art.171
STJ “[...] 2. "Segundoo entendimento desta Corte Superior de Justiça, configura
crime de estelionato praticado contra a Previdência Social a realização de
saques, por terceiros, de valores relativos a benefícios de titulares já falecidos"
(AgRg no AREsp 1337154/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado
em 12/03/2019, DJe 29/03/2019). 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no
AREsp 1804283/AL, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR
CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEXTA TURMA, julgado em 03/08/2021, DJe
09/08/2021)”.
Estelionato e §3º do art.171
A jurisprudência tem decidido que essa modalidade de estelionato não aceita a
incidência do princípio da insignificância:
STJ [...] 7. Não é possível a aplicação do princípio da insignificância ao crime de
estelionato contra a Previdência Social independentemente dos valores obtidos
indevidamente pelo agente, pois, consoante jurisprudência do STJ e do STF, em
se tratando de estelionato cometido contra entidade de direito público,
considera-se o alto grau de reprovabilidade da conduta do agente, que atinge a
coletividade como um todo. 8. O aumento de 6 meses da sanção básica, em razão
da incidência do §3º do art. 171 do Código Penal e a redução de 1/3 pela
aplicação do inciso II do art. 14 do referido Codex, não se mostram desarrazoados,
de modo a reclamar a intervenção desta especial instância. 9. Agravo regimental a
que se nega provimento. (AgRg no AREsp 1476284/PE, Rel. Ministro RIBEIRO
DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 25/06/2019, DJe 01/07/2019)”.
Estelionato e por meio de fraude eletrônica
Quanto à fraude eletrônica, modalidade de estelionato, inserida § § 2º-A e § 2º-B
do art.171, os comentários foram feitos quando do exame do crime de furto. Vale
ressaltar que o legislador rubricou como “fraude eletrônica” a caracterizada pelo
estelionato cometido com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou
por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou
envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento
análogo. E estabeleceu uma causa de aumento de pena no §2º-B.
Estelionato e por meio de fraude eletrônica
Na pode haver confusão essa modalidade de estelionato e o furto cometido por
meio de dispositivo eletrônico. Diante dos novos dispositivos, quais sejam: § 4º-B
e § 2º-A do art.171, quando se tratar de obtenção de dados bancários mediante o
engano da vítima (ou de terceiro), para consequente uso no saque de valores de
sua conta bancária, configurará o crime de estelionato. Dito de outro modo, se
tais dados forem obtidos com a vítima em erro (ou de terceiro em erro), a qual
fornece os dados ao agente que se passa por outra pessoa, como, a título de
ilustração, seu gerente de banco, com a subsequente retirada dos valores de sua
conta bancaria, haverá subsunção na fraude eletrônica do § 2º-A do art.171. o
furto ocorrerá nas demais hipóteses, nos termos do § 4º-B do art.155 do CP.
Estelionato e outras causas de aumento de pena
A lei 14155/2021 acrescentou, ao art.171, outras circunstâncias que redundam
em aumento de pena na terceira fase da dosimetria: “§ 4º A pena aumenta-se de
1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é cometido contra idoso ou vulnerável,
considerada a relevância do resultado gravoso”.
Estelionato e ação penal
Sobre a ação penal no crime de estelionato, em regra, há necessidade de
representação, salvo em algumas hipóteses (§ 5º do art.171), as quais são de ação
pública incondicionada. Há discussão sobre a retroatividade da mudança
legislativa. Por ora, o debate caminha da seguinte forma no STJ e no STF.
Conforme o § 5º do art.171, acrescentado pela Lei 13.964, de 2019:
“§ 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: I -
a Administração Pública, direta ou indireta; II - criança ou adolescente; III -
pessoa com deficiência mental; ou IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou
incapaz”.
Estelionato e ação penal
No âmbito do STF e do STJ, sobre a representação no estelionato em razão da modificação introduzida pela Lei 13964, por ora,
o debate caminha da seguinte forma:
Junho de 2021 (mais recente). Para a 2ª Turma do STF, Previsão contida na lei "anticrime" (Lei 13.964/19), que exige
manifestação da vítima para abertura de ação por estelionato, deve retroagir em benefício do réu. Esse entendimento foi
adotado pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal em julgamento nesta terça-feira (22/6). HC 180.421
Para a 1ª Turma do STF, A única outra jurisprudência formada no Supremo sobre o assunto veio da 1ª Turma. No caso, o
colegiado decidiu que a retroatividade da exigência de representação da vítima no crime de estelionato não deve ser aplicada
nos casos em que o Ministério Público ofereceu a denúncia antes da entrada em vigor da lei "anticrime". HC 187.341
Para a 5ª Turma do STJ, a exigência de representação da vítima só retroage até o momento da denúncia, independentemente
do momento da prática da infração penal. A exigência da representação seria condição de procedibilidade da representação e
não de prosseguibilidade da ação penal (HC 573.093).
Para a 6ª Turma do STJ, a norma retroage até o trânsito em julgado da ação por estelionato, mas não leva à imediata extinção
da punibilidade. O colegiado entendeu que, na hipótese, a vítima deveria ser intimada para manifestar o interesse na
continuação da persecução penal, no prazo de 30 dias, sob pena de decadência (HC 583.837).
QUESTÃO: em que consiste a reticência maliciosa no crime de estelionato?
A reticência maliciosa consiste na conduta do agente que se aproveita da
inexperiência e da ausência de informação da vítima, a qual atua em erro ao, por
exemplo, vender ao agente (colecionador) uma peça de grande valor por um
preço irrisório (HUNGRIA).
QUESTÃO: A torpeza bilateral configura estelionato?
A torpeza bilateral se apresenta quando a não somente o autor, mas também o
próprio ofendido atua de má-fé. Após apontar vários exemplos, o Nelson Hungria
entende que não haverá punição do agente pelo crime de estelionato: “Não há
violação da ordem jurídica quando o interesse individual lesado se achava
comprometido numa ilicitude ou imoralidade” (HUNGRIA, V.2, 1959, p.193). Essa
também é a posição de Rogério Greco (v.2, 2018, p.828).
QUESTÃO: A torpeza bilateral configura estelionato?
De outro lado, há forte posição na doutrina no sentido de que haverá estelionato no
caso de torpeza bilateral ou fraude bilateral. Fernando Capez resume (2019, v.2, p.837):
“(i) 1ª Posição: não existe crime de estelionato. É o entendimento de Nélson Hungria,
com os seguintes argumentos: (i) somente goza de proteção legal o patrimônio que
serve a um fim legítimo, dentro de sua função econômico-social; (ii) o Código Civil, em
seu art. 883, caput, dispõe que “não terá direito à repetição aquele que deu alguma
coisa para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei”. Só existe estelionato quando
alguém é iludido em sua boa-fé; logo, quando houver má-fé da vítima, falta um
pressuposto básico para o crime. (ii) 2ª Posição: existe estelionato, não importando a
má-fé do ofendido. É a posição majoritária. Nosso entendimento: consideramos correta
esta última posição, porque: (i) o autor revela maior temibilidade, pois ilude a vítima e
lhe causa prejuízo; (ii) não existe compensação de condutas no Direito Penal, devendo
punir-se o sujeito ativo e, se for o caso, também a vítima; (iii) a boa-fé do lesado não
constitui elemento do tipo do crime de estelionato; (iv) o dolo do agente não pode ser
eliminado apenas porque houve má-fé, pois a consciência e a vontade finalística de
quem realiza a conduta independem da intenção da vítima”.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Receptação
PROFESSOR DERMEVAL FARIAS
Instagram @professordermevalfarias
A receptação, por sua vez, está narrada do art.180 ao 180A do CP:
Receptação Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir
para que terceiro, de boa-fé, a adquira,receba ou oculte:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Receptação qualificada
§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma
utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa
§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em
residência.
§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-
se obtida por meio criminoso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas.
§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa.
§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação
dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. 155.
§ 6º Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública,
sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo.
Receptação de animal
Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito ou vender, com a finalidade de produção ou de comercialização, semovente
domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes, que deve saber ser produto de crime:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa”.
O crime de receptação se divide em várias modalidades.
No caput do art.180 do CP, o legislador, na primeira parte, tipificou a receptação
própria. Na segunda parte caput do art.180 do CP, tipificou a receptação
imprópria, com a seguinte conduta: “influir para que terceiro, de boa-fé, a
adquira, receba ou oculte”.
O crime de receptação se divide em várias modalidades.
receptação própria
Quanto ao tipo subjetivo, exige-se o dolo direto. Se o agente atua com dolo
eventual no cometimento do tipo objetivo narrado no caput do art.180 do CP
(não no §1º do art.180), deverá responder por receptação culposa, segundo
Capez (2012, 12ª ed, v.2, p.630): “Não basta o dolo eventual. Se assim agir, o fato
será enquadrado na modalidade culposa do crime”. Há ainda um fim especial,
uma elementar subjetiva especial, na expressão “em proveito próprio ou alheio”,
no sentido de obter proveito para si ou para terceiro.
O crime de receptação se divide em várias modalidades.
receptação própria
A lei penal não exigiu no crime de receptação que a coisa seja alheia ao agente.
Desse modo, é possível a receptação de coisa própria. Exemplo de Magalhães
Noronha (1994, v.2, p.484): “o bem se acha na posse do credor pignoratício, e,
furtado por terceiro, , é receptado pelo proprietário. Nesta hipótese, ele recebe,
adquire ou oculta coisa produto do crime (furto), praticado contra o legítimo
possuidor”.
O crime de receptação se divide em várias modalidades.
receptação imprópria
na segunda parte do caput, há uma conduta que não possui relação de
alternatividade com a primeira parte. Existe uma figura de participação em crime
de terceiro que foi tipificada de maneira autônoma, que não necessita da
extensão do art.29 do CP.
Nessa perspectiva, se o agente, em um mesmo contexto fático, adquirir um
produto, que sabe ser produto de crime, e, ainda, instigar um terceiro de boa fé a
adquirir um produto semelhante, haverá dois crimes de receptação (própria e
imprópria), um concurso de crimes. Essa é a nossa posição, uma vez que não há
relação de alternatividade entre a primeira e a segunda parte do caput do art.180
do CP.
Receptação: crime antecedente
Há necessidade de um crime antecedente, que não precisa se tratar um crime
patrimonial (pode ser um crime de peculato, por exemplo), chamado de delito
pressuposto. Não há necessidade de demonstração da autoria do crime
antecedente, basta a prova da existência do fato, ainda que desconhecido ou
isento de pena o autor do crime anterior (§ 4º do art. 180). Vale essa regra tanto
para a receptação dolosa quanto para a receptação culposa.
Receptação: crime antecedente
Ressalta-se que não afasta a existência de receptação a extinção da punibilidade
do crime antecedente ou a dependência de representação do ofendido ou de
queixa-crime, porquanto basta a existência do fato. Não haverá receptação se o
fato antecedente se tratar de uma contravenção.
QUESTÃO: Quanto ao objeto material, o bem imóvel pode ser objeto de
receptação? Para Mirabete (v.2, p.355-356), sim, porque não haveria necessidade
de deslocamento da coisa. Para Hungria (1959, v. VII, p.304), não, porquanto a
receptação pressupõe o deslocamento da coisa, porque receptar é dar
esconderijo, e apenas as coisas móveis podem ser escondidas/ocultadas. A
posição do Hungria é a mesma de Capez (2020, v.2, p.900) e do Damásio (2019,
p.622-623).
Receptação qualificada
Em relação à receptação qualificada, prevista no §1º do art.180 CP, fruto de
inserção legislativa no ano de 1996, há mais verbos do que no caput e, ainda, um
tipo subjetivo distinto do caput, uma vez que fala em “dever saber”.
Para a jurisprudência do STJ e do STJ, o deve saber da receptação qualificada
abrange também o sabe, ou seja, admite dolo eventual e dolo direto. Ademais, a
posição antiga do STF, em decisões cautelares sobre a inconstitucionalidade da
receptação qualificada, foi superada pelo tribunal. Hoje, não se fala mais em
inconstitucionalidade da receptação qualificada.
Receptação qualificada
STF [...] 3. Não há dúvida acerca do objetivo da criação da figura típica da
receptação qualificada que, inclusive, é crime próprio relacionado à pessoa do
comerciante ou do industrial. A idéia é exatamente a de apenar mais severamente
aquele que, em razão do exercício de sua atividade comercial ou industrial, pratica
alguma das condutas descritas no referido § 1°, valendo-se de sua maior
facilidade para tanto devido à infra-estrutura que lhe favorece. [...] (RE 443388,
Relator(a): ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 18/08/2009, DJe-171
DIVULG 10-09-2009 PUBLIC 11-09-2009 EMENT VOL-02373-02 PP-00375)”.
Receptação qualificada
STJ [...]1. Não há ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade,
pela majoração da pena de um delito praticado com dolo eventual (art. 180, §
1.º, do Código Penal) em detrimento de um crime praticado com dolo direto
(art. 180, caput, do Código Penal), pois o legislador objetivou apenar mais
gravemente aquele que sabe ou devia saber que o produto era de origem
criminosa e, ainda sim, dele se utilizou para a atividade comercial ou industrial.
2. Ordem de habeas corpus denegada. (HC 186.066/SP, Rel. Ministra LAURITA
VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 05/02/2013, DJe 15/02/2013)”.
Receptação CULPOSA
Quanto à receptação culposa, prevista no §3º do art.180, vale destacar que o legislador
construiu aqui um tipo culposo fechado ao estabelecer três formas de cometimento.
Isso não é comum, uma vez que o tipo culposo possui, em regra, narrativa aberta, como
ocorre na lesão culposa e no homicídio culposo.
Sobre a receptação culposa, narra Capez:
“O legislador não inclui no tipo penal a conduta de ocultar a coisa, sendo atípica a ação
de quem esconde bem de origem ilícita, sem conhecer sua procedência criminosa, ainda
que tenha obrado com culpa. Da mesma forma, a conduta do agente que, tendo dúvida
no tocante à procedência do objeto, influi para que terceiro de boa-fé adquira ou receba
a coisa também é penalmente atípica [...] (i) natureza do objeto material – citem-se
como exemplos a venda de objetos de valor histórico, veículo automotor sem
documentação etc.; (ii) desproporção entre o valor e o preço – é a disparidade entre o
valor real da coisa e aquele que é ofertado, por exemplo,a venda de um carro
importado a preço vil; (iii) condição de quem oferece – cite-se como exemplo a venda de
objetos de valor por um menor de rua.”. (CAPEZ, 2020, v.2, p.909).
QUESTÃO: se o agente, após adquirir a coisa, descobre que se trava de um
produto de crime, haverá receptação culposa?
“Na hipótese de conhecimento posterior da origem criminosa do bem, esse fato
“não pode dar lugar ao delito do parágrafo. A linguagem deste é por demais
incisiva: ‘Adquirir ou receber coisa que ... deve presumir-se obtida por meio
criminoso’. A culpa só pode existir no ato de adquirir ou receber. Ela não se pode
fundar num resultado posterior a esses atos. O que se pune é o ato culposo, e, se
depois de consumado circunstâncias mostram a origem delituosa da coisa, não
têm elas a força de retroagir àquele momento, tornando culposo um ato, quando
culpa não houve”. (CAPEZ, 2020, v.2, p.909-910).
Receptação e conflito aparente de normas
Quanto ao conflito aparente de normas, é importante não confundir a
receptação qualificada (§1ºdo art.180) com os crimes de descaminho (334, §1º,
IV) e de contrabando (334-A, §1º,V), porquanto há elementares distintas, quais
sejam, respectivamente: “adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou
alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de
procedência estrangeira, desacompanhada de documentação legal ou
acompanhada de documentos que sabe serem falsos”; e “adquire, recebe ou
oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou
industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira”.
QUESTÃO: Marcos, sem autorização legal, adquiriu arma de fogo e, dois dias
depois, portou a referida arma em um aniversário. Nesse caso, haverá um só
crime ou dois crimes?
O art.14 da Lei 10826/2003 (semelhante ao 16 nessa parte) estabelece não
somente a conduta de portar, mas também a de adquirir, o que poderia resultar
na conclusão de que Marcos praticou somente crime de porte ilegal de arma de
fogo, adotando a solução do princípio da alternatividade que soluciona o conflito
aparente de normas, em situações de tipo misto alternativo, com condutas
perpetradas no mesmo contexto fático. Todavia, como se trata de contextos
fáticos distintos, há decisões do STJ que aplicaram o concurso material de crimes
para as hipóteses narradas.
QUESTÃO: Marcos, sem autorização legal, adquiriu arma de fogo e, dois dias
depois, portou a referida arma em um aniversário. Nesse caso, haverá um só
crime ou dois crimes?
STJ “PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. PORTE ILEGAL DE
ARMA E RECEPTAÇÃO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
AUTONOMIA DE CONDUTAS. CONCURSO MATERIAL. REGIMENTAL PROVIDO. 1. A
jurisprudência desta Corte está consolidada nos sentido da inaplicabilidade da
consunção, pois "a receptação e o porte ilegal de arma de fogo configuram
crimes de natureza autônoma, com objetividade jurídica e momento
consumativo diversos" (HC 284.503/RS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA
TURMA, DJe 27/04/2016) 2. Agravo regimental provido para determinar a
devolução do autos ao Tribunal a quo para que dê continuidade ao exame da
apelação criminal afastada aplicação do princípio da consunção. (AgRg no REsp
1623534/RS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em
10/04/2018, DJe 23/04/2018)”.
QUESTÃO: É possível a receptação de receptação ou a receptação em cadeia?
Sim, é possível a receptação de receptação, ou receptação em cadeia. Sobre o
tema, ensina Capez (2020, v.2, p.904):
“É possível a receptação de receptação? Para parte da doutrina, sim, desde que a
coisa conserve seu caráter delituoso; assim, se for adquirida por terceiro de boa-
fé que a transmite a outro, não há receptação, mesmo que o último adquirente
saiba que a coisa provém de crime. Esse é o entendimento de Nélson Hungria e E.
Magalhães Noronha. Em sentido contrário, Victor Eduardo Rios Gonçalves, para
quem respondem pelo crime todos aqueles que, nas sucessivas negociações
envolvendo o objeto, tenham ciência da origem espúria do bem [...] correta esta
última posição”.
Receptação de animais
Quanto à receptação de animais, merece destacar uma passagem de Damásio
Evangelista de Jesus (2020, v.2, p.634):
“A receptação de animais de produção domesticáveis é um tipo especial em
relação à figura do art. 180 do CP, que tem como fatores especializantes os
seguintes: (i) que o objeto material seja “semovente domesticável de produção”,
por exemplo, gado, aves de criação, suínos; (ii) que o agente, ao menos, deva
saber cuidar-se de produto de crime; (iii) que a conduta seja cometida com a
finalidade de produção ou de comercialização”.
Perseguição
Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por
qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física
ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de
locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou
perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade.
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa.
§ 1º. A pena é aumentada de metade se o crime é
cometido:
I – contra criança, adolescente ou idoso;
II – contra mulher por razões da condição de sexo
feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste
Código;
III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas
ou com o emprego de arma.
§ 2º. As penas deste artigo são aplicáveis sem
prejuízo das correspondentes à violência.
§ 3º. Somente se procede mediante representação.
Perseguição
Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por
qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física
ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de
locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou
perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade.
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa.
§ 1º. A pena é aumentada de metade se o crime é
cometido:
I – contra criança, adolescente ou idoso;
II – contra mulher por razões da condição de sexo
feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste
Código;
III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas
ou com o emprego de arma.
§ 2º. As penas deste artigo são aplicáveis sem
prejuízo das correspondentes à violência.
§ 3º. Somente se procede mediante representação.
Violência psicológica contra a mulher
Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a
prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento
ou que vise a degradar ou a controlar suas ações,
comportamentos, crenças e decisões, mediante
ameaça, constrangimento, humilhação,
manipulação, isolamento, chantagem,
ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou
qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde
psicológica e autodeterminação:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa, se a conduta não constitui crime mais grave.
Sequestro e cárcere privado
Art. 148. Privar alguém de sua liberdade, mediante
sequestro ou cárcere privado:
Pena - reclusão, de um a três anos.
§ 1º. A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge
ou companheiro do agente ou maior de 60
(sessenta) anos;
II - se o crime é praticado mediante internação da
vítima em casa de saúde ou hospital;
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze
dias.
IV – se o crime é praticado contra menor de 18
(dezoito) anos;
V – se o crime é praticado com fins libidinosos.
§ 2º. Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou
da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou
moral:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Tráfico de Pessoas
Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar,
transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa,
mediante grave ameaça, violência, coação, fraude
ou abuso, com a finalidade de:
I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo;
II - submetê-la a trabalho em condições análogas à
de escravo;
III - submetê-la a qualquer tipo de servidão;
IV - adoção ilegal; ou
V - exploração sexual.
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e
multa.
§ 1º A pena é aumentada de um terço até a metade
se:
I - o crime for cometido por funcionário público no
exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las;
II - o crime for cometido contra criança, adolescente
ou pessoa idosa ou com deficiência;
III - o agente se prevalecer de relações de
parentesco, domésticas, de coabitação, de
hospitalidade, de dependência econômica, de
autoridade ou de superioridade hierárquica inerente
ao exercício de emprego, cargo ou função; ou
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do
território nacional.
§ 2º. A pena é reduzida de um a dois terços se o
agente for primário e não integrar organização
criminosa.
Violação de domicílio
Art. 150. Entrar ou permanecer, clandestina ou
astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou
tácita de quem de direito, em casa alheia ou em
suas dependências:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
§ 1º. Se o crime é cometido durante a noite, ou em
lugar ermo, ou com o emprego de violência ou de
arma, ou por duas ou mais pessoas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da
pena correspondente à violência.
§ 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência
em casa alheia ou em suas dependências:
I - durante o dia, com observância das formalidades
legais, para efetuar prisão ou outra diligência;
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando
algum crime está sendo ali praticado ou na
iminência de o ser.
§ 4º. A expressão "casa" compreende:
I - qualquer compartimento habitado;
II - aposento ocupado de habitação coletiva;
III - compartimento não aberto ao público, onde
alguém exerce profissão ou atividade.
§ 5º. Não se compreendem na expressão "casa":
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra
habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a
restrição do n.º II do parágrafo anterior;
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.
Invasão de dispositivo informático
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático de uso
alheio, conectado ou não à rede de computadores,
com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou
informações sem autorização expressa ou tácita do
usuário do dispositivo ou de instalar
vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa.
§ 1º. Na mesma pena incorre quem produz, oferece,
distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa
de computador com o intuito de permitir a prática
da conduta definida no caput.
§ 2º. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) a 2/3
(dois terços) se da invasão resulta prejuízo
econômico.
§ 3º. Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo
de comunicações eletrônicas privadas, segredos
comerciais ou industriais, informações sigilosas,
assim definidas em lei, ou o controle remoto não
autorizado do dispositivo invadido:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e
multa.
§ 4º. Na hipótese do § 3o, aumenta-se a pena de um
a dois terços se houver divulgação, comercialização
ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos
dados ou informações obtidos.
§ 5º. Aumenta-se a pena de um terço à metade se o
crime for praticado contra:
I - Presidente da República, governadores e
prefeitos;
II - Presidente do Supremo Tribunal Federal;
III - Presidente da Câmara dos Deputados, do
Senado Federal, de Assembleia Legislativa de
Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou
de Câmara Municipal; ou
IV - dirigente máximo da administração direta e
indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito
Federal.
Ação penal
Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A,
somente se procede mediante representação, salvo
se o crime é cometido contra a administração
pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes
da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou
contra empresas concessionárias de serviços
públicos.
Invasão de dispositivo informático
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático de uso
alheio, conectado ou não à rede de computadores,
com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou
informações sem autorização expressa ou tácita do
usuário do dispositivo ou de instalar
vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa.
§ 1º. Na mesma pena incorre quem produz, oferece,
distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa
de computador com o intuito de permitir a prática
da conduta definida no caput.
§ 2º. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) a 2/3
(dois terços) se da invasão resulta prejuízo
econômico.
§ 3º. Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo
de comunicações eletrônicas privadas, segredos
comerciais ou industriais, informações sigilosas,
assim definidas em lei, ou o controle remoto não
autorizado do dispositivo invadido:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e
multa.
§ 4º. Na hipótese do § 3o, aumenta-se a pena de um
a dois terços se houver divulgação, comercialização
ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos
dados ou informações obtidos.
§ 5º. Aumenta-se a pena de um terço à metade se o
crime for praticado contra:
I - Presidente da República, governadores e
prefeitos;
II - Presidente do Supremo Tribunal Federal;
III - Presidente da Câmara dos Deputados, do
Senado Federal, de Assembleia Legislativa de
Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou
de Câmara Municipal; ou
IV - dirigente máximo da administração direta e
indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito
Federal.
Ação penal
Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A,
somente se procede mediante representação, salvo
se o crime é cometido contra a administração
pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes
da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou
contra empresas concessionárias de serviços
públicos.
Violação de correspondência
Art. 151. Devassar indevidamente o conteúdo de
correspondência fechada, dirigida a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Sonegação ou destruição de correspondência
§ 1º. Na mesma pena incorre:
I - quem se apossa indevidamente de
correspondência alheia, embora não fechada e, no
todo ou em parte, a sonega ou destrói;
Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica
ou telefônica
II - quem indevidamente divulga, transmite a
outrem ou utiliza abusivamente comunicação
telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou
conversação telefônica entre outras pessoas;
III - quem impede a comunicação ou a conversação
referidas no número anterior;
IV - quem instala ou utiliza estação ou aparelho
radioelétrico, sem observância de disposição legal.
§ 2º. As penas aumentam-se de metade, se há dano
para outrem.
§ 3º. Se o agente comete o crime, com abuso de
função em serviço postal, telegráfico, radioelétrico
ou telefônico:
Pena - detenção, de um a três anos.
§ 4º. Somente se procede mediante representação,
salvo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º.
Violação de correspondência
Art. 151. Devassar indevidamente o conteúdo de
correspondência fechada, dirigida a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Sonegação ou destruição de correspondência
§ 1º. Na mesma pena incorre:
I - quem se apossa indevidamente de
correspondência alheia, embora não fechada e, no
todo ou em parte, a sonega ou destrói;
Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica
ou telefônica
II - quem indevidamente divulga, transmite a
outrem ou utiliza abusivamente comunicação
telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou
conversação telefônica entre outras pessoas;
III - quem impede a comunicação ou a conversação
referidas no número anterior;
IV - quem instala ou utiliza estação ou aparelho
radioelétrico, sem observância de disposição legal.
§ 2º. As penas aumentam-se de metade, se há dano
para outrem.
§ 3º. Se o agente comete o crime, com abuso de
função em serviço postal, telegráfico, radioelétrico
ou telefônico:
Pena - detenção, de um a três anos.
§ 4º. Somente se procede mediante representação,
salvo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º.
Correspondência comercial
Art. 152. Abusar da condição de sócio ou
empregado de estabelecimento comercial ou
industrial para, no todo ou em parte, desviar,
sonegar, subtrair ou suprimir correspondência, ou
revelar a estranho seu conteúdo:
Pena - detenção, de três meses a dois anos.
Parágrafoúnico. Somente se procede mediante
representação.
Divulgação de segredo
Art. 153. Divulgar alguém, sem justa causa,
conteúdo de documento particular ou de
correspondência confidencial, de que é destinatário
ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a
outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa, de
trezentos mil réis a dois contos de réis.
§ 1º. Somente se procede mediante representação.
§ 1º-A. Divulgar, sem justa causa, informações
sigilosas ou reservadas, assim definidas em lei,
contidas ou não nos sistemas de informações ou
banco de dados da Administração Pública:
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa.
§ 2º. Quando resultar prejuízo para a Administração
Pública, a ação penal será incondicionada.
Violação do segredo profissional
Art. 154. Revelar alguém, sem justa causa, segredo,
de que tem ciência em razão de função, ministério,
ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir
dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa
de um conto a dez contos de réis.
Parágrafo único. Somente se procede mediante
representação.
CFP - CURSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL – POLÍCIA FEDERAL @prof.felipeleal
CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO
DO TRABALHO
PROFESSOR MESTRE FELIPE LEAL
@PROF.FELIPELEAL
CFP - CURSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL – POLÍCIA FEDERAL @prof.felipeleal
ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DO
TRABALHO
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4
➢ Atentado contra a liberdade do trabalho
Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:
I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar
ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência;
II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de
parede ou paralisação de atividade econômica:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência.
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CRIME INSTANTANEO OU PERMANENTE
Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave
ameaça:
I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou
indústria, ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo
período ou em determinados dias:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência;
II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a
participar de parede ou paralisação de atividade econômica:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da
pena correspondente à violência
.
CFP - CURSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL – POLÍCIA FEDERAL @prof.felipeleal
.
NÃO PRECISA SER REMUNERADA A ARTE
Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou
grave ameaça:
I - a exercer ou não exercer arte
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.
Lei 7.783/89 - Art. 6º São assegurados aos grevistas, dentre
outros direitos:
I - o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou
aliciar os trabalhadores a aderirem à greve;
Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave
ameaça:
(...)
II – (...) ou a participar de parede ou paralisação de atividade
econômica:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da
pena correspondente à violência
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VIOLÊNCIA
Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou
grave ameaça:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além
da pena correspondente à violência
❖ Concurso material com um dos crimes contra a
pessoa (homicídio, lesões corporais).
.
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9
➢ Atentado contra a liberdade do trabalho
• Sujeito ativo – qualquer pessoa (não prevalece a ideia de que o sujeito
ativo deva ter interesse específico na liberdade tolhida)
• Sujeito passivo – qualquer pessoa, desde que artista ou trabalhador
(empregador ou empregado)
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10
Sujeito Passivo
Empregador
Art. 197 - Constranger alguém,
mediante violência ou grave ameaça:
II - a abrir ou fechar o seu
estabelecimento de trabalho, (...)
Pena - detenção, de três meses a um
ano, e multa, além da pena
correspondente à violência.
Empregado
Art. 197 - Constranger alguém,
mediante violência ou grave ameaça:
I - a exercer ou não exercer arte, ofício,
profissão ou indústria, ou a trabalhar
ou não trabalhar durante certo
período ou em determinados dias:
Pena - detenção, de um mês a um ano,
e multa, além da pena correspondente
à violência;
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PESSOA JURÍDICA COMO SUJEITO PASSIVO
Como modalidade de constrangimento ilegal, temos a
vítima como pessoa física e não pessoa jurídica. Há
discussão nesse sentido.
.
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12
➢ Atentado contra a liberdade do trabalho
• Elemento Subjetivo: dolo.
• Bem jurídico: liberdade do trabalho
• Competência: regra é a Justiça Comum Estadual
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COMPETÊNCIA
A Justiça Federal é competente para processar e julgar crime contra a
organização do trabalho desde que afetado direito de categoria profissional ou
de trabalhadores. Não compreende a lesão de direito individual, quando, então,
a competência é deslocada para a Justiça Estadual” (STJ, CComp 9.976/SP). No
mesmo sentido, STJ: CComp 17.932/MG (96/0045651-8); CComp 17.944/SP
(96/0045742-5); CComp 22.667/MG
.
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14
➢ Atentado contra a liberdade do trabalho
• Crimes instantâneo ou permanente.
• Crime material e de dano
• Unissubjetivo
• Comissivo: ações
• Plurissubsistente (admite tentativa)
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ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DO
CONTRATO DE TRABALHO E BOICOTAGEM
VIOLENTA
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16
➢ Atentado contra a liberdade do contrato de trabalho e
boicotagem violenta
Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave
ameaça, a celebrar contrato de trabalho, ou a não fornecer a
outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto
industrial ou agrícola:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência.
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17
❑ Pode haver concurso de crimes:
Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a
celebrar contrato de trabalho;
Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a não
fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou
produto industrial ou agrícola
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CONTRANGIMENTO
CONSTRANGER O FILHO PARA QUE O PAI CELEBRE
CONTRATO.
MAIS DE UMA PESSOA – CRIME ÚNICO
.
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CONTRATO COLETIVO
É de difícil configuração, mas é possível termos violência
física ou moral para celebrar contrato de trabalho.
.
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.
CONSTRANGER ALGUÉM A NÃO CELEBRAR CONTRATO
DE TRABALHO
• FATO ATÍPICO?
CONSTRANGIMENTO ILEGAL - Art. 146 - Constranger
alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois
de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a
capacidade de resistência, a não fazer o que a lei
permite, ou a fazer o que ela não manda:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
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.
CONSTRANGER ALGUÉM A RENOVAR CONTRATO DE
TRABALHO
NÃO DEIXA DE SER: Art. 198 - Constranger alguém,
mediante violência ou grave ameaça, a celebrar
contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou
nãoadquirir de outrem matéria-prima ou produto
industrial ou agrícola:
.
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22
➢ Atentado contra a liberdade do contrato de trabalho e boicotagem
violenta
• Sujeito ativo – qualquer pessoa
• Sujeito passivo – qualquer pessoa. Próprio na hipótese de boicotagem
violenta
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PESSOA JURÍDICA COMO SUJEITO PASSIVO
Boicotagem violenta é um tipo de constrangimento
ilegal, razão pela qual somente a pessoa física pode
figurar como sujeito passivo. Há discussão nesse
sentido.
.
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24
➢ Atentado contra a liberdade do contrato de trabalho e boicotagem
violenta
• Elemento Subjetivo: dolo.
• Bem jurídico: liberdade de trabalho
• Competência: regra é a Justiça Comum Estadual
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25
➢ Atentado contra a liberdade do contrato de trabalho e boicotagem
violenta
• Crimes instantâneo ou permanente.
• Crime material e de dano
• Unissubjetivo
• Comissivo: ações.
• Plurissubsistente (admite tentativa)
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ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DE
ASSOCIAÇÃO
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28
➢ Atentado contra a liberdade de associação
Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave
ameaça, a participar ou deixar de participar de determinado
sindicato ou associação profissional:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência.
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29
➢ Atentado contra a liberdade de associação
• Sujeito ativo: qualquer pessoa.
• Sujeito passivo: alguém que possa fazer parte de uma associação ou
sindicato.
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30
➢ Atentado contra a liberdade de associação
• Elemento Subjetivo: dolo.
• Bem jurídico: liberdade do trabalho
• Competência: regra é a Justiça Comum Federal
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31
➢ Atentado contra a liberdade de associação
• Crimes instantâneo ou permanente.
• Crime material e de dano
• Unissubjetivo
• Comissivo: ações.
• Plurissubsistente (admite tentativa)
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PARALISAÇÃO DE TRABALHO, SEGUIDA DE
VIOLÊNCIA OU PERTURBAÇÃO DA ORDEM
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33
➢ Paralização do Trabalho, seguida de violência ou Perturbação da
Ordem
Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de
trabalho, praticando violência contra pessoa ou contra coisa:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência.
Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de
trabalho é indispensável o concurso de, pelo menos,
três empregados.
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SUSPENSÃO DO TRABALHO
Não há um número mínimo, diferentemente do
abandono coletivo.
.
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35
➢ Paralização do Trabalho, seguida de violência ou Perturbação da Ordem
• Sujeito ativo: empregado ou empregador.
• Sujeito passivo: coletividade.
❖ Abandono de trabalho (greve)
❖ Greve patronal(lockout)
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36
➢ Paralização do Trabalho, seguida de violência ou Perturbação da Ordem
• Elemento Subjetivo: dolo.
• Bem jurídico: liberdade do trabalho/regularidade e a moralidade das
relações trabalhistas
• Competência: regra é a Justiça Comum Federal (abandono coletivo)
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37
➢ Paralização do Trabalho, seguida de violência ou Perturbação da Ordem
• Crimes instantâneo ou permanente.
• Crime material e de dano
• Plurissubjetivo
• Comissivo: ações.
• Plurissubsistente (admite tentativa)
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INVASÃO DE ESTABELECIMENTO
INDUSTRIAL, COMERCIAL OU AGRÍCOLA.
SABOTAGEM
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39
➢ Invasão de Estabelecimento Industrial, Comercial ou Agrícola.
Sabotagem
Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial
ou agrícola, com o intuito de impedir ou embaraçar o curso
normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o
estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas dispor:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
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40
➢ Invasão de Estabelecimento Industrial, Comercial ou Agrícola.
Sabotagem
• Sujeito ativo: qualquer pessoa
• Sujeito passivo: proprietário do estabelecimento (imediato) e a
coletividade (mediato).
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41
➢ Invasão de Estabelecimento Industrial, Comercial ou Agrícola.
Sabotagem
• Elemento Subjetivo: dolo. A depender, pode caracterizar os crimes do art.
150 do CP (que define o crime de violação de domicílio) ou do art. 163
(crime de dano).
• Bem jurídico: liberdade do trabalho e patrimônio
• Competência: regra é a Justiça Comum Federal (interesse coletivo)
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42
➢ Paralização do Trabalho, seguida de violência ou Perturbação da Ordem
• Crimes permanente (invadir, ocupar...)
• Crime formal (com o intuito de ... ). Pode ter a sabotagem, mas não
necessariamente conseguir o impedimento ou o embaraço do curso normal
do trabalho.
• Plurissubjetivo
• Comissivo: ações.
• Plurissubsistente (admite tentativa)
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FRUSTRAÇÃO DE DIREITO ASSEGURADO
POR LEI TRABALHISTA
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44
➢ Frustração de direito assegurado por lei trabalhista
Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado
pela legislação do trabalho:
Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena
correspondente à violência.
§ 1º Na mesma pena incorre quem:
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado
estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em
virtude de dívida;
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45
➢ Frustração de direito assegurado por lei trabalhista
II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza,
mediante coação ou por meio da retenção de seus documentos
pessoais ou contratuais.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor
de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de
deficiência física ou mental
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.
• CERCEAMENTO DA LIBERDADE DE IR E VIR: ART.
149 DO CÓDIGO PENAL.
• ART. 203 – CRIME SUBSIDIÁRIO
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47
➢ Frustração de direito assegurado por lei trabalhista
• Sujeito ativo: qualquer pessoa (não é necessário ter relação de emprego
com o sujeito passivo. Exemplo: contador)
• Sujeito passivo: empregado ou empregador com direito frustrado.
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48
➢ Frustração de direito assegurado por lei trabalhista
• Norma penal em branco
• Elemento Subjetivo: dolo
• Bem jurídico: liberdade do trabalho
• Competência: Justiça Comum Estadual ou Federal
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49
➢ Frustração de direito assegurado por lei trabalhista
• Crime instantâneo ou permanente
• Crime material
• Unissubjetivo
• Comissivo: ações.
• Plurissubsistente (admite tentativa)
• Pode haver concurso de crimes
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.
• CRIME FORMAL
Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência,
direito assegurado pela legislação do trabalho:
§ 1º Na mesma pena incorre quem:
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de
determinado estabelecimento, para impossibilitar o
desligamento do serviço em virtude de dívida;
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EXERCÍCIO DE ATIVIDADE COM INFRAÇÃO
DE DECISÃO TRABALHISTA
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53
➢ Exercício de atividade com infração de decisão administrativa
Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão
administrativa:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.
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• Se for decisão judicial - art. 359 do CP (crime de
desobediência a decisão judicial sobre perda ou
suspensão de direito).
• Se for o exercício ilegal de função pública - art. 324
do CP (Entrar no exercício de função pública antes
de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a
exercê-la, sem autorização, depois de saber
oficialmente que foi exonerado, removido,
substituído ou suspenso)
.
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55
➢ Exercício de atividade com infração de decisão administrativa
• Sujeito ativo: pessoa que exerceu a atividade
• Sujeito passivo: Estado.
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56
➢ Exercício de atividade com infração de decisão administrativa
• Elemento Subjetivo: dolo.
• Bem jurídico: interesse público no cumprimento das decisões do Estado
• Competência: regra é a Justiça Comum Estadual
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57
➢ Exercício de atividade com infração de decisão administrativa
• Crime habitual
• Crime de mera conduta
• Unissubjetivo
• Comissivo: ações.
• Plurissubsistente
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ALICIAMENTO PARA FINS DE EMIGRAÇÃO
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59
➢ Aliciamento para fins de emigração
Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de
levá-los para território estrangeiro.
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.
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• Trabalhadores (plural)
• Fraude
.
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61
➢ Aliciamento para fins de emigração
• Sujeito ativo: qualquer pessoa
• Sujeito passivo: Estado e trabalhador.
• Corrente: mínimo de três trabalhadores
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62
➢ Aliciamento para fins de emigração
• Elemento Subjetivo: dolo.
• Bem jurídico: interesse do Estado com o trabalhadores em território
nacional
• Competência: Justiça Comum Federal (interesse coletivo)
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63
➢ Aliciamento para fins de emigração
• Crime instantâneo
• Crime formal
• Unissubjetivo
• Comissivo: ações.
• Plurissubsistente (admite tentativa)
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ALICIAMENTO DE TRABALHADORES DE UM
LOCAL PARA OUTRO NO TERRITÓRIO
NACIONAL
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65
➢Aliciamento de trabalhadores de um local para outro no território nacional
Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra
localidade do território nacional:
Pena - detenção de um a três anos, e multa.
§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de
execução do trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou
cobrança de qualquer quantia do trabalhador, ou, ainda, não assegurar
condições do seu retorno ao local de origem.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de
dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou
mental.
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66
➢Aliciamento de trabalhadores de um local para outro no território
nacional
• Sujeito ativo: qualquer pessoa
• Sujeito passivo: Estado e trabalhador aliciado.
• Corrente: mínimo de três trabalhadores
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67
➢Aliciamento de trabalhadores de um local para outro no território
nacional
• Elemento Subjetivo: dolo.
• Bem jurídico: interesse de o Estado em preservar os trabalhadores
• Competência: Justiça Comum Federal (interesse coletivo)
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68
➢Aliciamento de trabalhadores de um local para outro no território
nacional
• Crime instantâneo
• Crime formal
• Unissubjetivo
• Comissivo: ações.
• Plurissubsistente (admite tentativa)
CFP - CURSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL – POLÍCIA FEDERAL @prof.felipeleal
.
• CRIME OMISSIVO PRÓPRIO – NÃO ADMITE TENTATIVA -
SUJEITO PRÓPRIO
Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de
uma para outra localidade do território nacional:
Pena - detenção de um a três anos, e multa.
§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores
fora da localidade de execução do trabalho, dentro do
território nacional, mediante fraude ou cobrança de
qualquer quantia do trabalhador, ou, ainda, não assegurar
condições do seu retorno ao local de origem.
CFP - CURSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL – POLÍCIA FEDERAL @prof.felipeleal
OBRIGADO.
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CRIMES CONTRA A PAZ PUBLICA
PROFESSOR MESTRE FELIPE LEAL
@PROF.FELIPELEAL
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❑ BEM JURÍDICO
TRANQUILIDADE. SENTIMENTO DE
SEGURANÇA
X
INSEGURANÇA. MEDO
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OBJETIVIDADE JURÍDICA:
“... ameaça a paz pública, que é o sentimento de tranquilidade e segurança
pessoal, um estado psicológico da humanidade” (COSTA JR.).
“Trata-se de crime de perigo abstrato, presumindo-se em lei o risco causado à paz
pública” (MIRABETE).
“Paz pública, objeto jurídico dos crimes previstos neste título, é o sentimento de
tranquilidade ao qual têm direito todas as pessoas, e sem a qual torna-se
impossível o desenvolvimento e sobrevivência dos componentes de uma
determinada coletividade” (DAMÁSIO DE JESUS)
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Considerações Iniciais
❑Crimes de Perigo Presumido ou Abstrato.
Antecipação da tutela penal (Crimes de obstáculos)
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COGITAÇÃO PREPARAÇÃO EXECUÇÃO CONSUMAÇÃO
Conhecer
Interpretar
Informar
Esclarecer
Elucidar
Impedir ou
neutralizar
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SUJEITO ATIVO: No tipo penal em estudo, qualquer pessoa pode figura no
polo ativo (DAMÁSIO), tratando-se, assim, de crime comum.
SUJEITO PASSIVO: “O sujeito passivo é a coletividade ou o Estado,
tratando-se, portanto, de crime vago” (PIERANGELE).
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INCITAÇÃO AO CRIME
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INCITAÇÃO AO CRIME
❑ Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime:
Pena - detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa
NÚCLEO DO TIPO: / Incitar / Induzir, instigar, não apenas sugerindo,
mas convencendo.
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▪ CONDUTA (ato determinado):
Incitar - ato
criminoso
determinado
Caracteriza
Incitar
genérica
Não
caracteriza
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▪ CONDUTA (Publicidade):
Incitar uma pessoa
em local público, na
presença de número
indeterminado de
pessoas
Caracteriza
Incitar em reunião
fechada com várias
pessoas
Não
caracteriza
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PARA CONSUMAÇÃO,DEVE-SE APONTAR OS
MEIOS DE EXECUÇÃO OU DETERMINAR AS
VÍTIMAS?
.
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Incitar, publicamente, a prática de roubos.
Incitar, publicamente, a prática de furtos.
Incitar, publicamente, a prática de homicídios.
Incitar, publicamente, a prática de contravenção.
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▪ CONCURSO DE CRIMES:
Incitar,
publicamente, a
prática de crime
Ninguém o
pratica
Apenas
incitação
Incitar,
publicamente, a
prática de crime
Alguém o
pratica
Incitação e
participação
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E SE FOR UM ARTIGO ACADÊMICO?
.
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ELEMENTOS SUBJETIVOS: “O dolo do crime em estudo é a vontade de
fazer apologia incriminada. É indispensável que o agente tenha ciência
que está atingindo um número indeterminado de pessoas, embora
possa dirigi-la diretamente a pessoas determinadas. Não exige a lei
qualquer finalidade específica” (MIRABETE).
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Publicamente Pessoa determinada
Código Penal
Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de
crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, ou
multa
Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a
praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio material
para que o faça: (Redação dada pela Lei nº 13.968,
de 2019)
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
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Publicamente Publicamente
Código Penal
Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de
crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, ou
multa
Lei nº 7.170/1983.
Art. 23 - Incitar:
I - à subversão da ordem política ou social;
II - à animosidade entre as Forças Armadas ou
entre estas e as classes sociais ou as instituições
civis;
III - à luta com violência entre as classes sociais;
IV - à prática de qualquer dos crimes previstos
nesta Lei.
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CONSUMAÇÃO: “A consumação ocorre com a percepção, por
indeterminado número de pessoas, da incitação ao crime [...] é
irrelevante que o crime ao qual foram as pessoas incitadas seja não
seja praticado. Trata-se de crime formal” (DAMÁSIO).
TENTATIVA: “A tentativa é possível, uma vez que o iter criminis é
passível de fracionamento no tempo.
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➢ PÚBLICA INCONDICIONADA. JUIZADO ESPECIAL
CRIMINAL
▪ AÇÃO PENAL
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APOLOGIA DE CRIME OU
CRIMINOSO
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❑ Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.
NÚCLEO DO TIPO: / Fazer apologia / Louvar, elogiar, enaltecer falto criminoso ou
autor de conduta expressamente tipificada como crime (CAPEZ).
“Fazer apologia é a exultação enfática, o elogio rasgado, o louvor entusiástico”.
(COSTA JR.).
APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO
(INCITAÇÃO INDIRETA)
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▪ CONDUTA (Publicidade):
Fazer publicamente
apologia de fato
criminoso ou de autor de
crime
Caracteriza
Fazer publicamente
apologia de fato
criminoso ou de autor de
crime em reunião
fechada com várias
pessoas
Não
caracteriza
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A simples defesa, ou manifestação
de solidariedade não constitui
delito, mesmo porque a
manifestação de pensamento é
garantia constitucionalmente
assegurada a todos os brasileiros ou
estrangeiros no Brasil (DAMÁSIO)
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Fazer publicamente apologia de um fato criminoso
Fazer publicamente apologia de um autor de crime
Fazer publicamente apologia de um autor de contravenção
Fazer publicamente apologia de um ato imoral
Fazer publicamente elogio ou prestar solidariedade
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ELEMENTOS SUBJETIVOS: DOLO.
CONSUMAÇÃO: “Ocorre com a percepção, por indeterminado número de pessoas,
dos elogios endereçados a crime determinado e anteriormente praticado ou a autor
de crime” (DAMÁSIO).
TENTATIVA: POSSÍVEL
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O fato criminoso já deve ter sido assim
considerado por sentença penal transitado
em julgado?
.
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Pode haver apologia de fato criminoso
culposo?
.
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Apologia ao estupro sem divulgação de cena Apologia ao estupro com divulgação de cena
Código Penal
Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de
crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, ou
multa
Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir,
vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou
divulgar, por qualquer meio - inclusive por meio de
comunicação de massa ou sistema de informática ou
telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro
audiovisual que contenha cena de estupro ou de
estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a
sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena
de sexo, nudez ou pornografia:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato
não constitui crime mais grave.
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➢ PÚBLICA INCONDICIONADA. JUIZADO ESPECIAL
CRIMINAL
▪ AÇÃO PENAL
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ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA
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❑ Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer
crimes:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se
houver a participação de criança ou adolescente.
ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA
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A redução de quatro para três é
considerada novatio legis in pejus
A redução da exasperação na figura
agravada (antes o dobro) é
considerada novatio legis in mellius
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Lei 8.072/1990. Art. 8º Será de três a seis anos de
reclusão a pena prevista no art. 288 do Código
Penal, quando se tratar de crimes hediondos,
prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins ou terrorismo.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art288
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❑ASSOCIAÇÃO AO TRÁFICO
❖ REVOGAÇÃO DA LEI 4.898/1965.
➢ ART. 35 DA LEI N. 11.343/2006: “ASSOCIAREM-SE DUAS OU MAIS
PESSOAS PARA O FIM DE PRATICAR, REITERADAMENTE OU NÃO,
QUALQUER DOS CRIMES PREVISTOS NOS ARTS. 33, CAPUT E § 1º , E 34
DESTA LEI”
PENA: RECLUSÃO, DE 3 A 10 ANOS, E PAGAMENTO DE 700 A 1.200 DIAS-
MULTA).
37
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ELEMENTOS SUBJETIVOS: DOLO.
CONSUMAÇÃO: ESTABILIDADE E DURABILIDADE
TENTATIVA: NÃO É POSSÍVEL
CRIME PLURISSUBJETIVO: INCLUEM-SE OS INIMPUTÁVEIS
A pena aumenta-se até a metade se a
associação é armada ou se houver a
participação de criança ou adolescente
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Associação Criminosa Organização Criminosa
Associarem-se Associação
Três ou mais pessoas Quatro ou mais pessoas
Estruturada/Ordenada/Divisão de tarefas
Para o fim específico de cometer crimes Mediante a prática de infrações penais
cujas penas máximas sejam superiores a
04 anos ou que tenham caráter
transnacional
Objetivo de obter direta/indiretamente
vantagem de qualquer natureza
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Parágrafo único se aplica com arma
imprópria?
.
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Quais seriam os efeitos de eventual
desistência voluntária?
.
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Associação Criminosa
•Estabilidade e permanência para o fim de
cometer crimes
Codelinquência
•Reunião para prática de determinado crime
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▪ CONCURSO DE CRIMES:
Associarem-se 3
(três) ou mais
pessoas, para o fim
específico de
cometer crimes
Crime não
ocorre
Apenas art.
288
Associarem-se 3
(três) ou mais
pessoas, para o fim
específico de
cometer crimes
Crime Ocorre
Concurso de
crimes aos que
praticaram
Demais:
apenas art.
288
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MILÍCIA PRIVADA
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❑ Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer
crimes:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se
houver a participação de criança ou adolescente.
ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA
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❑ Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização
paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar
qualquer dos crimes previstos neste Código:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.
CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA
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47
Pretensão de
garantir a
segurança
Discurso de
legitimação
Controle de um
território e da
população que
nele habita por
parte de um
grupo armado
irregular
Caráter coativo
desse controle
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A doutrina entende pela necessidade de ao
menos três pessoas
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E com relação aos crimes previstos em leis
extravagantes?
.
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▪ CONCURSO DE CRIMES:
Constituição
de milícia
privada
Crime não
ocorre
Apenas art.
288-A
Constituição
de milícia
privada
Crime Ocorre
Concurso de
crimes aos que
praticaram
Demais:
apenas art.
288-A
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OBRIGADO
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CRIMES CONTRA A DIGNIDADE
SEXUAL
PROFESSOR MESTRE FELIPE LEAL
@PROF.FELIPELEAL
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CRIMES CONTRA A LIBERDADE
SEXUAL
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4
BEM JURÍDICO
❑ LIVRE CONSENTIMENTO. LIVRE ESCOLHA
AO DISPOR DO SEU PRÓPRIO CORPO.
DIREITO À LIBERDADE E À INTIMIDADE
❑ Art. 225. Nos crimes definidos nos
Capítulos I e II deste Título, procede-se
mediante ação penal pública
incondicionada.
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5
ESTUPRO
❑Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave
ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que
com ele se pratique outro ato libidinoso:
❖Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos
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6
Antes da Lei 12.015/09 Depois da Lei 12.015/09
- artigo 213 - estupro: conjunção carnal
violenta.
❖ Suj. ativo: homem
❖ Suj. passivo: mulher
- artigo 214: atentado violento ao pudor:
atos libidinosos violentos.
❖ Suj. ativo: homem e mulher
❖ Suj. passivo: homem e mulher
- artigo 213 - conjunção carnal violenta
(ou) atos libidinosos.
▪ Princípio da continuidade normativo
típica
❖ Suj. ativo: homem e mulher
❖ Suj. passivo: homem e mulher
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7
➢Atos de Libidinagem:
➢conjunção carnal
➢ato libidinoso (sexo oral - fellatio in ore, sexo anal, cópula vestibular ou
vulvar). Analise objetiva ou circunstancial.
➢Conduta (Dissenso da vítima):
➢Postura ativa da vítima: a praticar mediante grave ameaça ou violência atos
de libidinagem
➢Postura passiva da vítima: a deixar praticar mediante grave ameaça ou
violência atos de libidinagem
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Pode ser com quem constrange
Pode ser com terceiro
Pode ser com a própria vítima (automasturbação)
Escritos ou palavras obscenas
Verbalizações tímidas com gestos positivos
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9
❑ CONSENSO E DISSENSO
•NÃO CONFIGURAINICIO DISSENSO
DEPOIS CONSENSO
• CONFIGURAINICIO CONSENSO
DEPOIS DISSENSO
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10
❑ CONSENSO E DISSENSO
• CONFIGURA
AMEAÇA GRAVE
•NÃO CONFIGURAAMEAÇA NÃO
SUFICIENTE PARA SE
ABDICAR DA LIBERDADE
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Não precisa ocorrer contato
físico ou lesão/Crime
transeunte (Exame pericial
desnecessário)
Exemplo: impotente que
constrange a vítima a ficar sem
roupa para uma visão lasciva
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Não precisa ter o dolo
específico.
Ex.: vingança (não deixa de
existir a lascívia)
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13
Se as vítimas forem vulneráveis,
mesmo com o consentimento, haverá
crime (CP, art. 217-A)
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E NOS CASOS DE ATAQUE SURPRESA?
▪ Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro
ato libidinoso com menor de 14 (catorze)
anos:
▪ Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze)
anos.
▪ § 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações
descritas no caput com alguém que, por enfermidade
ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por
qualquer outra causa, não pode oferecer
resistência.
14
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É POSSÍVEL HAVER UM CONSTRANGIMENTO POR
VIOLÊNCIA OU AMEAÇA CONTRA TERCEIRA
PESSOA?
❑ Art. 213. Constranger alguém, mediante
violência ou grave ameaça em face de terceiros, a
ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir
que com ele se pratique outro ato libidinoso:
❖Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos
15
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É POSSÍVEL HAVER UM CONSTRANGIMENTO POR
ameaça justa?
❑ Art. 213. Constranger alguém, mediante
violência ou grave ameaça justa, a ter conjunção
carnal ou a praticar ou permitir que com ele se
pratique outro ato libidinoso:
❖Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos
16
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É POSSÍVEL HAVER COM VIOLÊNCIA EXERCIDA
CONTRA UMA COISA?
❑ Art. 213. Constranger alguém, mediante
violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal
ou a praticar ou permitir que com ele se pratique
outro ato libidinoso:
❖Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos
17
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É POSSÍVEL HAVER ESTUPRO POR INSEMINAÇÃO
ARTIFICIAL?
18
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BEIJO LASCIVO COM
GRAVE AMEÇA OU
VIOLÊNCIA NA BOCA
Caracteriza
BEIJO ROUBADO,
BEIJO SURPRESA
Não
caracteriza
Caracteriza
BEIJO NAS PARTES
PUDENDAS
(ÓRGÃOS GENITAIS)
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21
➢Consumação:
▪ Realização da conjunção carnal e/ou ato libidinoso
➢Elemento subjetivo: dolo
➢Crime “bicomum”, material, plurissubsistente (Admite
tentativa).
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• Prostituta como sujeito
passivo, ainda que receba
pagamento
• Cônjuge como sujeito ativo
(capricho; onde quando e
como)
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23
➢É possível haver coautoria
▪ Segurar a vítima
➢É possível haver Participação
▪ Instigar alguém a estuprar
➢É possível haver autoria mediata
▪ Instigar alguém sem discernimento a estuprar
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24
ESTUPRO
❑§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza
grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14
(catorze) anos:
❖Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
❑§ 2o Se da conduta resulta morte:
❖Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos
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25
➢Qualificadoras Preterdolosas:❑§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
❑§ 2o Se da conduta resulta morte: Pena - reclusão, de 12 (doze)
a 30 (trinta) anos
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26
➢Idade da vítima:
❑Vítima menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze)
anos:
❖ Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
➢ 14º ANIVERSÁRIO – No dia, já incide.
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▪E SE FOR MENOR DE 14 ANOS?
Art. 217-A do CP (estupro de
vulnerável)
27
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28
❑ PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA
❖ DATA INICIAL:
• DATA DA CONSUMAÇÃO DO
DELITO
FATO OCORRIDO
ANTES DE 18 DE
MAIO DE 2002
• DATA EM QUE A VÍTIMA
COMPLETAR A MAIORIDADE
FATO OCORRIDO
A PARTIR DE 18
DE MAIO DE 2002
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Art. 1o São considerados hediondos os
seguintes crimes, todos tipificados no
Decreto-Lei n.º 2.848, de 7 de dezembro
de 1940 - Código Penal, consumados ou
tentados:
V - estupro (art. 213, caput e §§ 1o e 2o);
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm
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30
Causas de Aumento de Pena (ART. 226)
de 1/3 (um terço) a 2/3
(dois terços), se o crime é
praticado mediante
concurso de 2 (dois) ou
mais agentes
(ESTUPRO COLETIVO)
de 1/3 (um terço) a 2/3
(dois terços), se o crime é
praticado para controlar o
comportamento social ou
sexual da vítima
(ESTUPRO CORRETIVO)
de metade, se o agente é
ascendente, padrasto ou
madrasta, tio, irmão,
cônjuge, companheiro,
tutor, curador, preceptor
ou empregador da vítima
ou por qualquer outro
título tiver autoridade
sobre ela
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31
Causas de Aumento de Pena (ART. 234)
de metade a 2/3 (dois terços), se
do crime resulta gravidez
de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois
terços), se o agente transmite à
vítima doença sexualmente
transmissível de que sabe ou
deveria saber ser portador, ou se
a vítima é idosa ou pessoa com
deficiência.
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Estatuto do Índio (Lei 6.001/1973): “Art.
59. No caso de crime contra a pessoa, o
patrimônio ou os costumes, em que o
ofendido seja índio não integrado ou
comunidade indígena, a pena será
agravada de um terço”
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33
➢Continuidade delitiva
➢Antes, aceito se com a mesma vítima
➢Hoje, aceito mesmo se com vítimas diferentes.
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▪É POSSÍVEL HAVER DESISTÊNCIA
VOLUNTÁRIA?
34
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▪É POSSÍVEL HAVER ABORTO
SENTIMENTAL DA AUTORA DO
ESTUPRO?
35
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SÍNDROME DA
MULHER DE
POTIFAR
Bíblia em
Gênesis 39
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AGRESSÃO À VÍTIMA EM ZONAS SEXUAIS?
• ESTUPRO (CONOTAÇÃO SEXUAL); OU
• INJÚRIA REAL (HUMILHAR)
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E QUANDO O ESTUPRO TEM A INTENÇÃO
DE TRANSMITIR O HIV?
• CONCURSO FOMAL (ESTUPRO +
TENTATIVA DE HOMICÍDIO)
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LEI DE EXECUÇÃO PENAL. Art. 9º-A. O condenado
por crime doloso praticado com violência grave
contra a pessoa, bem como por crime contra a vida,
contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra
vulnerável, será submetido, obrigatoriamente, à
identificação do perfil genético, mediante extração de
DNA (ácido desoxirribonucleico), por técnica
adequada e indolor, por ocasião do ingresso no
estabelecimento prisional.
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▪E SE FOR UM MÉDICO QUE REALIZA
UM CONTATO NA PACIENTE COM
INTENÇÃO LIBIDINOSA?
Art. 215 do CP (Violação sexual
mediante fraude)
40
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42
VIOLAÇÃO SEXUAL MEDITANTE FRAUDE
❑Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso
com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou
dificulte a livre manifestação de vontade da vítima:
❖Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
❖Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter
vantagem econômica, aplica-se também multa.
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43
Antes da Lei 12.015/09 Depois da Lei 12.015/09
- artigo 214 - posse sexual
mediante fraude.
❖ Suj. ativo: homem
❖ Suj. passivo: mulher
- artigo 215: atentado violento
mediante fraude.
❖ Suj. ativo: homem e mulher
❖ Suj. passivo: homem e mulher
- artigo 214: não existe mais.
- artigo 215: violência mediante
fraude.
- Princípio da continuidade
normativo típica
❖ Suj. ativo: homem e mulher
❖ Suj. passivo: homem e mulher
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44
Antes da Lei 12.015/09 Depois da Lei 12.015/09
❖ Vítima Virgem: Gerava o crime
na forma qualificada
❖ Vítima Virgem: Circunstância
judicial na aplicação da pena.
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45
❑ FALSO:
➢LEGITIMIDADE DO ATO/IDENTIDADE DA PESSOA
➢ERRO PROVOCADO/ERRO MANTIDO (BAILE DE
MÁSCARA)
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46
❑ Conduta:
➢Fraude: baile de máscaras, gêmeos, ginecologista,
curas milagrosas sob pretexto de “receber
entidades”.
▪ Discussão: prostituição; promessa de
casamento.
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47
❑ Conduta:
➢Outro meio que impeça ou dificulte a livre
manifestação de vontade da vítima.
❖Atenção: A fraude utilizada na execução do crime
não pode anular a capacidade de resistência da
vítima, caso em que estará configurado estupro de
vulnerável. Exemplo: “boa-noite cinderela”.
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48
•VIOLAÇÃO SEXUAL
MEDIANTE FRAUDE
RESISTÊNCIA
REDUZIDA
•ESTUPRO DE
VULNERÁVEL
RESISTÊNCIA
NULA
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49
•NÃO CONFIGURAVÍTIMA PERCEBE
O ERRO E
CONTINUA
•ESTUPROVÍTIMA PERCEBE
O ERRO E DESEJE
NÃO CONTINUAR
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NÃO CONFUNDIR VÍTIMA
ENGANADA (FRAUDE) COM
VÍTIMA SEDUZIDA (PRÁTICA
CONSCIENTE)
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❖Se o crime é cometido com o fim
de obter vantagem econômica,
aplica-se também multa.
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52
IMPORTUNAÇÃO SEXUAL
❑ Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato
libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de
terceiro:
❖ Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui
crime mais grave.
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53
ESTUPRO IMPORTUNAÇÃO SEXUAL
Art. 213. Constranger alguém,
mediante violência ou grave ameaça, a
ter conjunção carnal ou a praticar ou
permitir que com ele se pratique outro
ato libidinoso:
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez)
anos
Art. 215-A. Praticar contra alguém e
sem a sua anuência ato libidinoso com
o objetivo de satisfazer a própria
lascívia ou a de terceiro:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco)
anos, se o ato não constitui crime mais
grave.
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PRATICAR COM ALGUÉM
X
PRATICAR CONTRA ALGUÉM
(EJACULAÇÃO, ENCOSTAR, FROTTEURISMO)
https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk01HafhoyNWYDawXFwIZ--TIDXvHGg:1626925165462&q=FROTTEURISMO&spell=1&sa=X&ved=2ahUKEwjawsDE4PXxAhWQp5UCHeSsCMgQkeECKAB6BAgBEDU
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Se a vítima for menor de 14 anos, ou
portadora de enfermidade ou deficiência
mental que retire sua capacidade de
discernimento sexual, temos o crime de
estupro de vulnerável.
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• Prática para satisfazer a
lascívia de terceiro: os dois
respondem
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57
ASSÉDIO SEXUAL
❑ Art. 216-A. Constranger alguémcom o intuito de obter vantagem
ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua
condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao
exercício de emprego, cargo ou função."
❖ Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.
❖ § 2o A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor
de 18 (dezoito) anos
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58
➢ Conduta:
➢Não admite grave ameaça nem violência.
➢Vantagem (“para si”) ou favorecimento sexual (“para terceiros)
➢ Crime Próprio:
➢Constrangimento por superior hierárquico (órgão público) ou
por ascendência (relação trabalhista privada)
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59
➢Apesar das dificuldades geradas pela redação do tipo penal,
não se tem qualquer dúvida de que a configuração do assédio
sexual exige muito mais do que a abordagem atrevida ou
inconveniente. Sua principal característica reside na forma
impositiva das propostas sexuais realizadas pelo assediador e
no efetivo poder de cumprir a ameaça (fl. 150).
➢Assediar (insistência)
➢Insinuações/ convites impertinentes. AMEAÇA IMPLÍCITA DE
PREJUÍZO NO TRABALHO
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▪CRIME HABITUAL OU INSTANTANEO?
60
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▪A AMEAÇA DEVE SER INJUSTA?
61
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▪E O ASSÉDIO POR CHEFE FORA DO
AMBIENTE DE TRABALHO,
DESVINCULADO COM A POSIÇÃO?
62
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▪OS LÍDERES ESPIRITUAIS SE
ENQUADRAM?
63
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▪ESTUPRO COLETIVO EM
CONTINUIDADE DELITIVA?
64
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65
➢O professor está presente na vida de crianças, jovens
e também adultos durante considerável quantidade de
tempo, torna-se exemplo de conduta e os guia para a
formação cidadã e profissional, motivo pelo qual a
"ascendência" constante do tipo penal do art. 216-A do
Código Penal não pode se limitar à ideia de relação
empregatícia entre as partes. Assim, releva-se patente a
aludida "ascendência", em virtude da "função" outro
elemento normativo do tipo , dada a atribuição que tem
o cátedra de interferir diretamente no desempenho
acadêmico do discente, situação que gera no estudante
o receio da reprovação (Informativo 658 STJ)
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• Trata-se de um crime formal.
• Se a vítima for menor que 14 anos, e
houver o ato, enquadra-se em estupro
de vulnerável.
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Não caracteriza o crime de assédio sexual
a conduta de médico ginecologista que,
durante atendimento, pratica ato
libidinoso contra paciente, aproveitando-
se do consentimento dado por ela para a
realização de exame ginecológico
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68
Causas de Aumento de Pena (216-A)
A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor
de 18 (dezoito) anos.
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69
Causas de Aumento de Pena (ART. 234)
de metade a 2/3 (dois terços), se
do crime resulta gravidez
de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois
terços), se o agente transmite à
vítima doença sexualmente
transmissível de que sabe ou
deveria saber ser portador, ou se
a vítima é idosa ou pessoa com
deficiência.
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DA EXPOSIÇÃO DA INTIMIDADE
SEXUAL
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72
REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL
❑ Art. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer
meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de
caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes:
❖ Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa.
❖ Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem
em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o fim
de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de
caráter íntimo
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73
Princípio da Especialidade
Código Penal - Art. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou
registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez
ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem
autorização dos participantes:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa.
ECA - Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar
ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou
pornográfica, envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a
expressão “cena de sexo explícito ou pornográfica”
compreende qualquer situação que envolva criança ou
adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou
simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança
ou adolescente para fins primordialmente sexuais.
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O registro tem que ser em ambiente
íntimo ou privado. Ex.: fotografar cena de
nudez de uma vizinha.
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▪E O REGISTRO DE UM ATO SEXUAL
COM UM CASAL EM PÚBLICO?
75
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▪E O REGISTRO NÃO CONSENTIDO,
COM INDIFERENÇA INICIAL E DESEJO DE
NOTICIAR FUTURAMENTE?
76
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77
Absorção?
Código Penal - Art. 216-B. Produzir, fotografar,
filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo
com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de
caráter íntimo e privado sem autorização dos
participantes:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e
multa.
Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar,
transmitir, vender ou expor à venda, distribuir,
publicar ou divulgar, por qualquer meio - inclusive
por meio de comunicação de massa ou sistema de
informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou
outro registro audiovisual que contenha cena de
estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça
apologia ou induza a sua prática, ou, sem o
consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou
pornografia: Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco)
anos, se o fato não constitui crime mais grave
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CRIMES SEXUAIS CONTRA
VULNERÁVEIS
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79
ESTUPRO DE VULNERÁVEL
❑ Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de
14 (catorze) anos:
❖Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém
que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento
para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer
resistência.
§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:
❖Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.
§ 4o Se da conduta resulta morte:
❖Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
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80
➢ Conduta:
➢conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze)
anos.
➢Violência real ou violência presumida
❑Discussão de violência presumida:
❑Menor de 14 – adolescente (Nucci)
❑Menor de 14 – criança
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81
➢ Conduta:
➢Forma livre: violência, grave ameaça, fraude etc.
➢ Elemento Subjetivo: dolo
❖Consciência da vulnerabilidade
❖Erro de tipo:
❖Violência ou grave ameaça – art. 213 (estupro)
❖ Fraude - 215 do CP. (violação sexual mediante fraude)
❖Não empregou violência, grave ameaça ou fraude - fato atípico.
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▪CONFIGURA NO CASO EM QUE A
VÍTIMA ESTEJA COMPLETAMENTE
EMBRIAGADA?
82
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Súmula 593 STJ - O crime de estupro de
vulnerável se configura com a conjunção
carnal ou prática de ato libidinoso commenor de 14 anos, sendo irrelevante
eventual consentimento da vítima para a
prática do ato, sua experiência sexual
anterior ou existência de relacionamento
amoroso com o agente.
.
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Para a configuração do crime de estupro
de vulnerável, é irrelevante, na avaliação
da atipicidade da conduta, averiguar a
existência de relacionamento amoroso
entre a vítima e o agente.
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85
➢Pratica o crime de estupro de
vulnerável aquele que, valendo-se de
nítido poder de controle psicológico,
dado o vínculo afetivo entre eles
estabelecido, incita duas menores de 14
anos à prática de conjunção carnal, com
o envio das respectivas imagens via
aplicativo virtual, para fins de
contemplação lasciva (Informativo 685
STJ)
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Trata-se de crime hediondo.
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CORRUPÇÃO DE MENORES
❑ Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer
a lascívia de outrem:
❖ Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos
➢ Espécie de “participação moral” tipificado como crime
autônomo.
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Críticas ao tipo (exceção à teoria
monista)
Não exige habitualidade.
Pela gravidade da pena, entende-se por
crime material (contato sexual do menor
com terceiro)
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Diferença
Código Penal - Art. 218. Induzir
alguém menor de 14 (catorze) anos
a satisfazer a lascívia de outrem:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5
(cinco) anos
Estatuto da Criança e Adolescente -
Art. 244-B. Corromper ou facilitar a
corrupção de menor de 18
(dezoito) anos, com ele praticando
infração penal ou induzindo-o a
praticá-la: Pena - reclusão, de 1
(um) a 4 (quatro) anos.
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OBRIGADO
Código Penal
Bigamia
Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
§ 1º. Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada,
conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três
anos.
§ 2º. Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo
que não a bigamia, considera-se inexistente o crime.
Constituição (1988)
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1º. O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º. O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como
entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
§ 4º. Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus
descendentes.
§ 5º. Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela
mulher.
§ 6º. O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.
§ 7º. Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento
familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o
exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.
§ 8º. O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando
mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.
A ideia de que em tempos pré-históricos um homem
passaria sua vida caçando apenas para o benefício de
sua própria esposa e filhos, que dependiam
exclusivamente de suas proezas de caça para
sobreviver, é simplesmente uma projeção do
matrimônio dos anos 1950 no passado.
Stephanie Coontz
O casamento foi certamente uma invenção humana
precoce e de vital importância. Uma de suas funções
cruciais na era paleolítica era sua capacidade de forjar
redes de cooperação além do grupo familiar imediato
ou povo local. Os povos precisavam estabelecer
relações amigáveis com outras pessoas para que
pudessem viajar com mais liberdade e segurança em
busca de caça, peixes, plantas e poços de água ou
mover-se conforme as estações mudavam.
George Bernard Shaw descreveu o casamento como
uma instituição que reúne duas pessoas “sob a
influência das paixões mais violentas, insanas, ilusórias
e transitórias. Eles são obrigados a jurar que
permanecerão nessa condição excitada, anormal e
exaustiva continuamente até que a morte os separe.”.
Marriage, a History
CONSTITUIÇÃO DE 1891 CONSTITUIÇÃO DE 1934
Art.72. A Constituição assegura a brasileiros e a
estrangeiros residentes no país a inviolabilidade
dos direitos concernentes à liberdade, à
segurança individual e à propriedade, nos
termos seguintes:
§ 4º. A Republica só reconhece o casamento
civil, cuja celebração será gratuita.
Art 144. A família, constituída pelo casamento
indissolúvel, está sob a proteção especial do
Estado.
Parágrafo único. A lei civil determinará os casos
de desquite e de anulação de casamento,
havendo sempre recurso ex officio, com efeito
suspensivo.
Código Penal
Bigamia
Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
§ 1º. Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada,
conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três
anos.
§ 2º. Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo
que não a bigamia, considera-se inexistente o crime.
INFANTICÍDIO BIGAMIA
Art. 123. Matar, sob a influência do estado
puerperal, o próprio filho, durante o parto ou
logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo
casamento:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Código Civil
Art. 1.514. O casamento se realiza no momento em que
o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua
vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os
declara casados.
Código Penal
Erro sobre a ilicitude do fato
Art. 21. O desconhecimento da lei é inescusável. O erro
sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se
evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
Parágrafo único. Considera-se evitável o erro se o agente
atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato,
quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir
essa consciência.
Consunção
1. O delito de bigamia exige para se consumar a precedente falsidade, isto é: a
declaração falsa, no processo preliminar de habilitação do segundo casamento,
de que inexiste impedimento legal.
2. Constituindo-se a falsidade ideológica (crime-meio) etapa da realização da
prática do crime de bigamia (crime-fim), não há concurso do crime entre estes
delitos.
3. Assim, declarada anteriormente a atipicidade da conduta do crime de
bigamia pela Corte de origem, não há como, na espécie, subsistir a figura
delitiva da falsidade ideológica, em razão do princípio da consunção.
4. Ordem concedida para determinar a extensão dos efeitos quanto ao
trancamento da ação penal do crime de bigamia, anteriormente deferido pelo
Tribunal a quo, à figura delitiva precedente da falsidade ideológica.
(STJ, HC 39.583/MS)
Código Penal
Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a
sentença final
Art. 111. A prescrição, antes de transitar em julgado a
sentença final, começa a correr:
(...)
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de
assentamento do registro civil, da data em que o fato se
tornou conhecido.
Código Civil
Art. 1.548. É nulo o casamento contraído:
I - (Revogado) ;
II - por infringência de impedimento.
Art. 1.550. É anulável o casamento:
I - de quem não completou a idade mínima para casar;
II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal;
III - por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558;
IV - do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento;
V - realizado pelo mandatário,sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não
sobrevindo coabitação entre os cônjuges;
VI - por incompetência da autoridade celebrante. ça a correr:
(...)
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que o fato se
tornou conhecido.
Código Penal
Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento
Art. 236. Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente,
ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e
não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que,
por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.
Código Civil
Art. 1.521. Não podem casar:
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi
do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau
inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas;
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de
homicídio contra o seu consorte.
Código Civil
Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:
I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal
que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao
cônjuge enganado;
II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne
insuportável a vida conjugal;
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não
caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou por
herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua
descendência.
Código Penal
Conhecimento prévio de impedimento
Art. 237. Contrair casamento, conhecendo a existência
de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Código Penal
Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento
Art. 236. Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente,
ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e
não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que,
por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.
Código Civil
Art. 1.521. Não podem casar:
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi
do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau
inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas;
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de
homicídio contra o seu consorte.
Código Civil
Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:
I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal
que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao
cônjuge enganado;
II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne
insuportável a vida conjugal;
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não
caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou por
herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua
descendência.
Código Penal
Conhecimento prévio de impedimento
Art. 237. Contrair casamento, conhecendo a existência
de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Código Penal
Simulação de autoridade para celebração de
casamento
Art. 238. Atribuir-se falsamente autoridade para
celebração de casamento:
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não
constitui crime mais grave.
Código Penal
Simulação de casamento
Art. 239. Simular casamento mediante engano de outra
pessoa:
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não
constitui elemento de crime mais grave.
Código Penal
Registro de nascimento inexistente
Art. 241. Promover no registro civil a inscrição de
nascimento inexistente:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Código Penal
Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de
recém-nascido
Art. 242. Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem;
ocultar recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente
ao estado civil:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Parágrafo único. Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza:
Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O CASAMENTO
Bigamia
Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
§ 1º. Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada,
conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três
anos.
§ 2º. Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que
não a bigamia, considera-se inexistente o crime.
INFANTICÍDIO BIGAMIA
Art. 123. Matar, sob a influência do
estado puerperal, o próprio filho, durante
o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Art. 235. Contrair alguém, sendo casado,
novo casamento:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
CONSTITUIÇÃO
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1º. O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º. O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei
facilitar sua conversão em casamento.
§ 4º. Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.
§ 5º. Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.
§ 6º. O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.
§ 7º. Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal,
competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por
parte de instituições oficiais ou privadas.
§ 8º. O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no
âmbito de suas relações.
CONSTITUIÇÃO DE 1891 CONSTITUIÇÃO DE 1934
Art.72. A Constituição assegura a brasileiros e a
estrangeiros residentes no país a inviolabilidade dos
direitos concernentes à liberdade, à segurança
individual e à propriedade, nos termos seguintes:
§ 4º. A Republica só reconhece o casamento civil,
cuja celebração será gratuita.
Art 144. A família, constituída pelo casamento
indissolúvel, está sob a proteção especial do Estado.
Parágrafo único. A lei civil determinará os casos de
desquite e de anulação de casamento, havendo
sempre recurso ex officio, com efeito suspensivo.
A ideia de que em tempos pré-históricos um homem passaria sua vida
caçando apenas para o benefício de sua própria esposa e filhos, que
dependiam exclusivamente de suas proezas de caça para sobreviver,
é simplesmente uma projeção do matrimônio dos anos 1950 no
passado.
Stephanie Coontz
O casamento foi certamente uma invenção humana precoce
e de vital importância. Uma de suas funções cruciais na era
paleolítica era sua capacidade de forjar redes de
cooperação além do grupo familiar imediato ou povo local.
Os povos precisavam estabelecer relações amigáveis com
outras pessoas para que pudessem viajar com mais
liberdade e segurança em busca de caça, peixes,plantas e
poços de água ou mover-se conforme as estações mudavam.
George Bernard Shaw descreveu o casamento como uma instituição
que reúne duas pessoas “sob a influência das paixões mais violentas,
insanas, ilusórias e transitórias. Eles são obrigados a jurar que
permanecerão nessa condição excitada, anormal e exaustiva
continuamente até que a morte os separe.”.
Marriage, a History
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O CASAMENTO
Bigamia
Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
§ 1º. Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa
circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três anos.
§ 2º. Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a
bigamia, considera-se inexistente o crime.
Código Civil
Art. 1.514. O casamento se realiza no momento em que o
homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de
estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados.
CÓDIGO PENAL
Erro sobre a ilicitude do fato
Art. 21. O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do
fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um
sexto a um terço.
Parágrafo único. Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite
sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas
circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.
Consunção
1. O delito de bigamia exige para se consumar a precedente falsidade, isto é: a declaração falsa,
no processo preliminar de habilitação do segundo casamento, de que inexiste impedimento legal.
2. Constituindo-se a falsidade ideológica (crime-meio) etapa da realização da prática do crime de
bigamia (crime-fim), não há concurso do crime entre estes delitos.
3. Assim, declarada anteriormente a atipicidade da conduta do crime de bigamia pela Corte de
origem, não há como, na espécie, subsistir a figura delitiva da falsidade ideológica, em razão do
princípio da consunção.
4. Ordem concedida para determinar a extensão dos efeitos quanto ao trancamento da ação penal
do crime de bigamia, anteriormente deferido pelo Tribunal a quo, à figura delitiva precedente da
falsidade ideológica.
(STJ, HC 39.583/MS)
CÓDIGO PENAL
Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a sentença final
Art. 111. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final,
começa a correr:
(...)
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do
registro civil, da data em que o fato se tornou conhecido.
CÓDIGO CIVIL
Art. 1.548. É nulo o casamento contraído:
I - (Revogado);
II - por infringência de impedimento.
Art. 1.550. É anulável o casamento:
I - de quem não completou a idade mínima para casar;
II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu
representante legal;
III - por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558;
IV - do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o
consentimento;
V - realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse
da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges;
VI - por incompetência da autoridade celebrante.
(...)
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do
registro civil, da data em que o fato se tornou conhecido.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O CASAMENTO
Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento
Art. 236. Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro
contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e
não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que,
por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.
CÓDIGO CIVIL
Art. 1.521. Não podem casar:
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas;
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o
seu consorte.
CÓDIGO CIVIL
Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:
I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu
conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado;
II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a
vida conjugal;
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não caracterize
deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou por herança, capaz de pôr
em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O CASAMENTO
Conhecimento prévio de impedimento
Art. 237. Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause
a nulidade absoluta:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O CASAMENTO
Simulação de autoridade para celebração de casamento
Art. 238. Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento:
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui crime mais grave.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O CASAMENTO
Simulação de casamento
Art. 239. Simular casamento mediante engano de outra pessoa:
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui elemento de crime
mais grave.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO
Registro de nascimento inexistente
Art. 241. Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO
Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-
nascido
Art. 242. Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem;
ocultar recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao
estado civil:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Parágrafo único. Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza:
Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO
Sonegação de estado de filiação
Art. 243. Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência
filho próprio ou alheio, ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra, com
o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR
Abandono material
Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18
(dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos,
não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia
judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou
ascendente, gravemente enfermo:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo
vigente no País.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incide quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer
modo, inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão
alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR
Entrega de filho menor a pessoa inidônea
Art. 245. Entregar filho menor de 18 (dezoito) anos a pessoa em cuja companhia saiba ou
deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo:
Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.
§ 1º. A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão, se o agente pratica delito para obter
lucro, ou se o menor é enviado para o exterior.
§ 2º. Incorre, também, na pena do parágrafo anterior quem, embora excluído o perigo moral
ou material,auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior, com o
fito de obter lucro.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR
Abandono intelectual
Art. 246. Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em
idade escolar:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR
Art. 247. Permitir alguém que menor de dezoito anos, sujeito a seu poder ou confiado à sua
guarda ou vigilância:
I - frequente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida;
II - frequente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor, ou participe de
representação de igual natureza;
III - resida ou trabalhe em casa de prostituição;
IV - mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O PÁTRIO PODER, TUTELA, CURATELA
Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonegação de incapazes
Art. 248. Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, a fugir do lugar em que se acha
por determinação de quem sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de
ordem judicial; confiar a outrem sem ordem do pai, do tutor ou do curador algum
menor de dezoito anos ou interdito, ou deixar, sem justa causa, de entregá-lo a quem
legitimamente o reclame:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
CÓDIGO PENAL – CRIMES CONTRA O PÁTRIO PODER, TUTELA, CURATELA
Subtração de incapazes
Art. 249. Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda
em virtude de lei ou de ordem judicial:
Pena - detenção, de dois meses a dois anos, se o fato não constitui elemento de outro crime.
§ 1º. O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de
pena, se destituído ou temporariamente privado do pátrio poder, tutela, curatela ou guarda.
§ 2º. No caso de restituição do menor ou do interdito, se este não sofreu maus-tratos ou
privações, o juiz pode deixar de aplicar pena.
CÓDIGO PENAL – FALSIDADE IDEOLÓGICA
Falsidade ideológica
Art. 299. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia
constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser
escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre
fato juridicamente relevante:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de
um a três anos, e multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, se o documento
é particular.
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
Art. 92. Se a decisão sobre a existência da infração depender da solução de controvérsia, que o juiz repute séria e fundada, sobre o estado civil das
pessoas, o curso da ação penal ficará suspenso até que no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado, sem prejuízo,
entretanto, da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente.
Parágrafo único. Se for o crime de ação pública, o Ministério Público, quando necessário, promoverá a ação civil ou prosseguirá na que tiver sido
iniciada, com a citação dos interessados.
Art. 93. Se o reconhecimento da existência da infração penal depender de decisão sobre questão diversa da prevista no artigo anterior, da competência do
juízo cível, e se neste houver sido proposta ação para resolvê-la, o juiz criminal poderá, desde que essa questão seja de difícil solução e não verse sobre
direito cuja prova a lei civil limite, suspender o curso do processo, após a inquirição das testemunhas e realização das outras provas de natureza urgente.
§ 1º. O juiz marcará o prazo da suspensão, que poderá ser razoavelmente prorrogado, se a demora não for imputável à parte. Expirado o prazo, sem que o
juiz cível tenha proferido decisão, o juiz criminal fará prosseguir o processo, retomando sua competência para resolver, de fato e de direito, toda a matéria
da acusação ou da defesa.
§ 2º. Do despacho que denegar a suspensão não caberá recurso.
§ 3º. Suspenso o processo, e tratando-se de crime de ação pública, incumbirá ao Ministério Público intervir imediatamente na causa cível, para o fim de
promover-lhe o rápido andamento.
Art. 94. A suspensão do curso da ação penal, nos casos dos artigos anteriores, será decretada pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes.
CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA
CRIME PRÓPRIO
CRIME MATERIAL
CRIME DE DANO
CRIME DE FORMA VINCULADA
CRIME COMISSIVO
CRIME INSTANTÂNEO DE EFEITOS PERMANENTES
CRIME PLURISSUBJETIVO
CRIME PLURISSUBSISTENTE
CÓDIGO PENAL – OMISSÃO DE SOCORRO
Omissão de socorro
Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à
criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou
em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal
de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
CÓDIGO CIVIL
Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a
todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de
outros.
Art. 1.697. Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes, guardada a ordem de
sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim germanos como unilaterais.
Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de
suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias
as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos
respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a
integrar a lide.
LEI Nº 13.146/15
Art. 90. Abandonar pessoa com deficiência em hospitais, casas de saúde,
entidades de abrigamento ou congêneres:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa.
ECA
Art. 237. Subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua
guarda em virtude de lei ou ordem judicial, com o fim de colocação em lar
substituto:
Pena - reclusão de dois a seis anos, e multa.
VIOLAÇÃO DE DIREITO AUTORAL
ARTS. 184-186, CP
Danilo Andreato
• Mestre em Direito (PUC/PR).
• Especialista em Direito Criminal (UniCuritiba).
• Cofundador do ID-i – Instituto de Direito e Inovação.
• Assessor Jurídico da Procuradoria Geral da República.
www.daniloandreato.com.br
❖ PROPRIEDADE INTELECTUAL
• Noções
- proteção legal e reconhecimento...
...de autoria de obra de produção intelectual
* invenções
* patentes
* marcas
* criações artísticas etc.
- direito de o autor, por determinado período,
...explorar economicamente sua própria criação
❖ PROPRIEDADE IMATERIAL NA CF/1988
• Art. 5º, IX: “é livre a expressão da atividade intelectual artística, científica e de
comunicação, independentemente de censura ou licença”;
• Art. 5º, XXVII: “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou
reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar”;
• Art. 5º, XXVIII: “são assegurados nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem
e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de
que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
sindicais e associativas;”
❖ PROPRIEDADE IMATERIAL NA CF/1988
• Art. 5º, XXIX: “a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário
para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das
marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o
interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País”;
• Art. 216. “Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e
imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à