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Sociologia Política Professora: Elizabete Bicalho Alunas: Ana Julia Dias, Laysse Gabriella, Luana Maria, Maria Eduarda Silva, Nathalia Veiga Questão 1 – A partir de um exemplo análise o objeto de estudo em MAX WEBER: AÇÃO SOCIAL Consideremos um indivíduo que decide se juntar a um protesto político. Sua decisão pode ser motivada por diversos fatores, como convicções políticas, influência de amigos, ou até mesmo interesses pessoais. Weber classificaria essa ação como uma "ação social" porque é orientada pelo comportamento de outros e pelo significado que ele atribui à situação. Essa análise busca compreender não apenas o comportamento observável, mas também as motivações e significados subjacentes às ações dos indivíduos em contextos sociais. Questão 2 – Analise, dominação e PODER, em MAX WEBER Max Weber, um dos mais proeminentes sociólogos e pensadores do século XX, desenvolveu uma análise abrangente sobre a dominação e o poder em suas obras. Weber explorou profundamente a natureza desses conceitos, suas manifestações na sociedade e as formas pelas quais influenciam as relações de poder. a. Três tipos de dominação: Weber propôs uma tipologia de dominação que inclui três formas principais: a tradicional, a carismática e a racional-legal. A dominação tradicional baseia-se na autoridade hereditária e costumes arraigados, como a monarquia absoluta. A dominação carismática está relacionada à liderança baseada no carisma pessoal, na devoção e na admiração dos seguidores, exemplificada por figuras religiosas ou líderes revolucionários. A dominação racional-legal é fundada na obediência às leis e regras estabelecidas, como nas democracias modernas. b. Poder e autoridade: Weber diferencia poder e autoridade. Poder é a capacidade de impor a vontade sobre os outros, mesmo sem seu consentimento. Autoridade, por outro lado, é o reconhecimento legítimo do direito de exercer poder. Ele argumenta que a autoridade é crucial para a estabilidade social, pois implica a aceitação voluntária da dominação por parte dos subordinados. ● Na teoria de Weber, poder e dominação são distintos: o poder é a capacidade de impor vontade, enquanto a dominação é a aceitação e subordinação a esse poder. A legitimidade do poder é dada pela aceitação da dominação. Dominação é a probabilidade de obter obediência, conferindo autoridade a quem exerce o poder. c. Legalidade e legitimidade: Weber destaca a importância da legalidade e legitimidade na manutenção da ordem social. A legalidade refere- se à conformidade com as leis e regulamentos estabelecidos, enquanto a legitimidade envolve a crença dos membros da sociedade na justiça e validade dessas leis. Para Weber, a legitimidade é essencial para a estabilidade social, pois as instituições e autoridades só podem exercer poder de forma eficaz se forem consideradas legítimas pelos governados. d. Burocracia: Weber também analisa a burocracia como uma forma eficiente de organização associada à dominação racional-legal. Ele descreve a burocracia como uma estrutura hierárquica baseada em regras e procedimentos formais, destinada a maximizar a eficiência e a previsibilidade. No entanto, ele alerta para o potencial de burocratização excessiva, que pode levar à rigidez e à alienação dos membros da organização. e. Desencantamento do mundo: Um conceito chave em Weber é o "desencantamento do mundo", que se refere ao processo pelo qual a racionalidade e a burocracia substituem as crenças tradicionais e místicas na sociedade moderna. Esse desencantamento resulta em uma crescente secularização e racionalização das instituições sociais, mas também pode levar a uma sensação de desencantamento e alienação dos indivíduos. 3- Aponte e explique três categorias de análise/conceito, em Max Weber: Em seus trabalhos, Max Weber, aborda diversos assuntos que se voltam para áreas do pensamento político, do Direito, da História e da Economia. Por meio de estudos com base em observações empíricas, identificou pontos centrais sobre os quais construiu conceitos-chave que serviram como base do restante de suas teorias, Ação Social, Racionalização do Mundo Social e Tipos ideais. ● Ação Social: A ação social seria qualquer ação que possuísse um sentido e uma finalidade determinados por seu autor. Em outras palavras, uma ação social constitui-se como ação a partir da intenção de seu autor em relação à resposta que deseja de seu interlocutor. Para que se compreenda o processo de comunicação e de interação social, é necessário que se compreenda o sentido das ações que ali existem e, ainda mais importante, o objetivo do autor da ação em seu esforço comunicativo. Para Weber, as ideias, as crenças e os valores eram os principais catalisadores das mudanças sociais. Ele acreditava que os indivíduos dispunham de liberdade para agir e modificar a sua realidade. - Tipos de ação social: 1- A ação racional com relação a fins: refere-se às ações tomadas com um fim específico em mente, isto é, o autor busca atingir um objetivo e age racionalmente para atingi-lo. 2- A ação racional com relação a valores: refere-se a ações que são tomadas segundo os valores morais do sujeito que a pratica. 3- A ação afetiva: configura-se quando um sujeito age com base em seus sentimentos sem levar em consideração o fim que deseja atingir. 4- A ação tradicional: está relacionada com o agir baseado no costume e no hábito, isto é, o sujeito age pelo pressuposto da tradição sem o apoio da razão. ● Racionalização do mundo social: Trata-se das mudanças profundas no cerne do pensamento do indivíduo moderno e das instituições do Estado, como a gradual construção do capitalismo e o crescimento dos meios urbanos, que se tornaram as bases da reordenação das organizações tradicionais que predominavam até então.Os processos pelos quais o pensamento racional, ou a racionalidade, impactou as instituições modernas, como o Estado e os governos, e, ainda, o âmbito cultural, social e individual do sujeito moderno. - Formas de racionalização: 1- A racionalidade formal: relaciona-se com as formas metódicas e calculistas do sistema jurídico e econômico das sociedades modernas. Está ligada aos aparelhos institucionais que se estruturam de forma burocrática, organizando-se em uma hierarquia delimitada por regras fixas. 2- A racionalidade substantiva: aproxima-se da racionalidade formal, mas se difere em sua conduta, que não é voltada para fins. Isso quer dizer que ela leva em consideração o contexto social em que se insere, sendo racional quanto à disposição dos valores que orientam aquele mundo social específico. ● Tipos ideais: servem como parâmetro de observação, um conceito teórico abstrato com características delineadas que serve apenas como ponto de comparação entre o objeto observado e a abstração teórica. Trata-se de modelos conceituais que raramente, ou quase nunca, existem integralmente. Dessa forma, é possível que olhemos, por exemplo, para o sistema político de um país munidos de um tipo ideal, como o da democracia, e, a partir da comparação, classificá-lo como sendo ou não uma nação democrática em um ou outro sentido. O estabelecimento de tipos ideais não busca construir tipologias genéricas nem mesmo, classificar de maneira inflexível o objeto em questão, como é o caso das classificações que encontramos nas ciências naturais. Questão 4 –Qual o método de Max Weber, como ele interpreta a sociedade. Max Weber foi um sociólogo alemão que desenvolveu o método compreensivo de interpretação da sociedade. Esse método busca entender não apenas os aspectos objetivos, mas também os significados subjacentes às ações sociais dos indivíduos. Weber enfatizou a importância das ideias, crenças e valores culturais na formação das instituições sociais e no comportamento humano. Ele também introduziu o conceitode ação social, classificando-a em quatro tipos ideais: racional com relação a fins, racional com relação a valores, afetiva e tradicional. Essas categorias ajudam a compreender as motivações por trás do comportamento humano na sociedade. 5- A racionalidade em Weber, como esse conceito é interpretado, no livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo” na relação sociedade, religião e economia? A racionalidade de Max Weber, como explorada em sua obra, está intrinsecamente ligada à sua análise sobre a influência da ética protestante no desenvolvimento do espírito capitalista. Weber examina a racionalidade como um princípio orientador na tomada de decisões individuais e na organização da sociedade como um todo. Ele diferencia diferentes tipos de racionalidade, incluindo a racionalidade instrumental, na qual os indivíduos agem de maneira calculada para alcançar objetivos específicos. No contexto de "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", Weber investiga como a religião, em particular a ética calvinista, moldou a mentalidade e os valores éticos da sociedade. Ele destaca a doutrina da predestinação, que ensinava que a salvação divina era predeterminada, levando os crentes a buscar sinais terrenos de sua eleição divina. Isso incentivava uma mentalidade de trabalho árduo e uma busca por sucesso material como sinais externos de bênção divina. Esses valores religiosos influenciaram diretamente o desenvolvimento do capitalismo moderno. O espírito de ascetismo calvinista promovia a acumulação de riqueza, mas não para o consumo ostensivo, e sim para o reinvestimento e expansão dos negócios. Assim, a ética protestante proporcionava uma base cultural e moral para o surgimento de uma mentalidade empreendedora e uma economia orientada para o lucro. • Sociedade: Weber examina como diferentes formas de racionalidade moldam a organização e a estrutura da sociedade. Em sua análise da ação social racional com relação a fins, ele explora como as pessoas agem de forma calculada para alcançar objetivos específicos. No contexto de “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, Weber argumenta que a sociedade moderna, especialmente a sociedade capitalista, é caracterizada por uma racionalidade instrumental, na qual os indivíduos buscam maximizar seus interesses materiais de forma calculada e eficiente. • Religião: Weber examina a influência da religião na formação da mentalidade e dos valores éticos da sociedade. No livro, ele destaca a ética calvinista, especialmente a doutrina da predestinação, como uma força motivadora por trás do ascetismo protestante. A ideia de que o sucesso material poderia ser um sinal da salvação divina incentivava os fiéis a trabalharem duro e a acumularem riqueza. Essa ética do trabalho árduo e da busca pelo sucesso material foi fundamental para o surgimento do espírito capitalista. • Economia: Weber analisa como as instituições econômicas e as práticas comerciais são influenciadas por valores culturais e religiosos. No contexto de “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, ele argumenta que a ética calvinista forneceu o ambiente cultural necessário para o surgimento do capitalismo moderno. O trabalho árduo, a disciplina, a acumulação de capital e o reinvestimento de lucros foram todos incentivados pela ética religiosa protestante, criando as bases para o desenvolvimento do sistema econômico capitalista.