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ParnasianismoParnasianismo Por Christian Aquino Estágio supervisionado (UFC) Percurso Etimologia01 Parnasianismo (Europa)02 03 Parnasianismo (Brasil) Literatura e sociedade04 Poetas05 06 Proposta de análise EtimologiaEtimologia Designa o Monte Parnaso — situado na região central da Grécia; Na mitologia greco-latina, refere-se ao lugar consagrado a Apolo e às musas — local de inspiração para os poetas. A poesia; Os poetas; Antologia poética. Parnasianismo advém de parnaso: Outras acepções: Etimologia ParnasianismoParnasianismo (Europa)(Europa) O termo parnasianismo surge na França, a partir da publicação de uma ontologia poética, sob o título Le Parnasse Contemporain (1866 [1871 e 1876]), que reunia produções de poetas de tendências livres, dentre eles: Théophile Gautier, Banville e Leconte de Lisle. Tais produções poéticas, apesar de seguirem uma tendência livre, cultivam determinadas características que, no mais tardar, viriam a inspirar os nossos poetas parnasianos: Descrição de objetos e paisagens (mimese pela mimese); Culto ao tradicionalismo métrico, rítmico e rímico (rigor formal); O ideal de impessoalidade (assim como no Realismo e Naturalismo); Palavra vista como objeto (reflexão x inspiração); Arte vista como finalidade em si mesma (arte pela arte). Parnasianismo: Europa (BOSI, 2015) (CANDIDO, 1999) ParnasianismoParnasianismo (Brasil)(Brasil) Parnasianismo: Brasil O parnasianismo, no Brasil, surge entre os decênios de 1880 e 1890, sob influência dos movimentos franceses e, lateralmente, português. Sendo, portanto, contemporâneo ao Realismo e Naturalismo, alinhando-se a tais estéticas quanto ao ideário antirromântico: Objetividade no trato dos temas (em oposição ao subjetivismo romântico); Retorno às formas e temáticas clássicas (restauração do soneto); Poema surge da reflexão e do trato das palavras (em oposição à inspiração criativa); Imparcialidade (não envolvimento emocional e político)*; Descritivismo (representação de verdadeiras imagens feitas por palavras). (BOSI, 2015) (CANDIDO, 1999) Parnasianismo: Brasil Principais figuras emblemáticas: Alberto de Oliveira (1857-1937) Raimundo Correia (1859-1911) Olavo Bilac (1865-1918) Francisca Júlia (1871-1920) Júlia Cortines (1863-1948) * O parnasianismo perdura até o segundo decênio do século XX, sob a égide de uma nova geração — os neoparnasianos. Todavia, desde as primeiras décadas do século XX sofre dura repressão da 1ª Geração do Modernismo. (BOSI, 2015) (CANDIDO, 1999) Parnasianismo: Contexto sócio-histórico Revolução Industrial Positivismo Ideário cientificista da segunda metade do século XIX Abolição da escravatura (1888) Proclamação da República (1889) Modernização do Rio de Janeiro (sob o comando do prefeito Ferreira de Passos) Mundo Brasil LiteraturaLiteratura ee sociedadesociedade Muito cedo ficou evidente [...] o anacronismo da velha estrutura urbana do Rio de Janeiro diante das demandas dos novos tempos. O antigo cais não permitia que atacassem os navios de maior calado que predominavam até então, obrigando a um sistema lento e dispendioso de transbordo. As ruelas estreitas, recurvas e em declive, típicas de uma cidade colonial, dificultavam a conexão entre o terminal portuário, os troncos ferroviários e a rede de armazéns e estabelecimentos do comércio de atacado e varejo da cidade. As áreas pantanosas faziam da febre tifóide, impaludismo, varíola e febre amarela, endemias inextirpáveis. [...] Era preciso pois findar com a imagem da cidade insalubre e insegura, com uma enorme população de gente rude plantada bem no seu âmago, vivendo no maior desconforto, imundície e promiscuidade e pronta para armar em barricadas as vielas estreitas do centro ao som do primeiro grito de motim... (SEVCENKO, 1999) O Rio de Janeiro do final do século XIX e começo do XX [....] E acompanhar o progresso significava apenas uma coisa: alinhar-se com os padrões e o ritmo de desdobramento da economia européia, onde "nas indústrias e no comércio o progresso do século foi assombroso, e a rapidez desse progresso miraculosa". A imagem do progresso – versão prática do conceito homólogo de civilização – se transforma na obsessão coletiva da nova burguesia. (SEVCENKO, 1999) O Rio de Janeiro do final do século XIX e começo do XX O Príncipe dos Poetas e o Hino às Picaretas “No aluir das paredes, no ruir das pedras, no esfacelar do barro, havia um longo gemido. Era o gemido soturno e lamentoso do Passado, do Atraso, do Opróbrio. A cidade colonial, imunda, retrógrada, emperrada nas velhas tradições, estava soluçando no soluçar daqueles apodrecidos materiais que desabavam. Mas o hino claro das picaretas abafava esse projeto impotente. Com que alegria cantavam elas — as picaretas regeneradoras! E como as almas dos que ali estavam compreendiam o que elas diziam, no clamor incessante e rítmico, celebrando a vitória da higiene, do bom gosto e da arte”. (BILAC, 1904 Apud SEVCENKO, 1999) A MODERNIDADE CHEGA AO RIO DE JANEIRO Cortiços da Rua do Senado ¹ Avenida Central ² A moda e os costumes ³ Não somente os edifícios e avenidas seguiam os moldes importados da Europa, mas, também, a moda e os costumes. Durante a modernização do Rio de Janeiro, os cortiços foram demolidos em prol da “higienização” e “embelezamento” da cidade. As transformações dos espaços públicos seguiam os moldes da Europa — principalmente da França. (Foto: Augusto Malta — Acervo/MIS-RJ) ¹ (Foto: Augusto Malta — Acervo/MIS-RJ) ² (Foto: Acervo/MIS-RJ) ³ Parnasianismo e a burguesia do final do século XIX O mito da pureza da língua, do casticismo vernacular abonado pela autoridade dos autores clássicos, empolgou toda essa fase da cultura brasileira e foi um critério de excelência. É possível mesmo perguntar se a visão luxuosa dos parnasianos (e de algum simbolistas), a sua descrição de vaso de porcelana, salas de mármore vivo, metais preciosos, jóias, tecidos raros, não representava para as classes dominantes uma espécie de correlativo da prosperidade material, e, para o comum dos leitores, uma miragem compensadora que dava conforto. [...] E o fato de praticarem formas poéticas fechadas fez com que o poema se tornasse nas mãos deles uma espécie de jogo mecânico, que facilitou a manifestação dos meros versejadores. (CANDIDO, 1999) PoetasPoetas Alberto de Oliveira (1857-1937) Alberto de Oliveira nasceu em Palmital de Saquarema (RJ). Apesar de ter tido formação em farmácia, exerceu diversos cargos públicos ligados ao ensino. É considerado um dos maiores expoentes do parnasianismo, além de ter sido um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras (1897). Dentre as suas principais obras, merecem destaque: Meridionais (1884); Sonetos e Poemas (1885); e Poesias (1900) – que recebeu diversas reedições. Afrodite II Cabelo errante e louro, a pedraria Do olhar faiscando, o mármore luzindo Alvirróseo do peito, — nua e fria, Ela é a filha do mar, que vem sorrindo. Embalaram-na as vagas, retinindo, Ressoantes de pérolas, — sorria Ao vê-la o golfo, se ela adormecia Das grutas de âmbar no recesso infindo. Vede-a: veio do abismo! Em roda, em pêlo Nas águas, cavalgando onda por onda Todo o mar, surge um povo estranho e belo; Vêm a saudá-la todos, revoando, Golfinhos e tritões, em larga ronda, Pelos retorsos búzios assoprando. in Meridionais (1884). O muro É um velho paredão, todo gretado, Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco de musgo em cada fenda. Serve há muito de encerro a uma vivenda; Protegê-la e guardá-la é seu cuidado; Talvez consigo esta missão compreenda, Sempre em seu posto, firme e alevantado. Horas mortas, a lua o véu desata, E em cheio brilha; a solidão se estrela Toda de um vago cintilar de prata; E o velho muro, alta a parede nua, Olha em redor, espreita a sombra, e vela, Entre os beijos e lágrimas da lua. Raimundo Correia (1859-1911) Raimundo da Mota Azevedo Correia nasceu em São Luís (MA). Formado em Direito (SP), exerceuo cargo de juiz. Muito embora tenha sido considerado um dos melhores poetas do final do século XIX, pouco participou da vida literária. Principais obras: Sonhos (1879); Sinfonias (1883); Aleluias (1891). As pombas Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas Das pombas vão-se dos pombais, apenas Raia sanguínea e fresca a madrugada. E à tarde, quando a rígida nortada Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas, Ruflando as asas, sacudindo as penas, Voltam todas em bando e em revoada... Também dos corações onde abotoam Os sonhos, um a um, céleres voam, Como voam as pombas dos pombais; No azul da adolescência as asas soltam, Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam, E eles aos corações não voltam mais. Mal secreto Se a cólera que espuma, a dor que mora Na alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse; Se se pudesse o espírito que chora Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse! Quanta gente que ri, talvez, consigo Guarda um atroz, recôndito inimigo, Como invisível chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvez existe, Cuja a ventura única consiste Em parecer aos outros venturosa! Olavo Bilac (1865-1918) Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro. O poeta chegou a cursar Medicina e Direito, no entanto não concluiu nenhum curso. Durante vida, trabalhou em diversos periódicos da época. É patrono do serviço militar, área na qual se dedicou e produziu obras como o: Hino à Bandeira. Foi considerado o primeiro "príncipe dos poetas". Dentre as principais obras, merecem destaque: Poesias (1888); – que contém os famosos sonetos que compõem "Via Láctea"; e Tarde (1919). Língua Portuguesa Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura; Ouro nativo, que, na ganga impura, A bruta mina entre os cascalhos vela... Amo-te assim, desconhecida e obscura, Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela, E o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceanos largos! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi: “meu filho!” E em que Camões chorou, no exílio amargo, O gênio sem ventura e o amor sem brilho! in Tarde (1919) A um poeta Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino, escreve! No aconchego Do claustro, no silêncio e no sossego, Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço; e a trama viva se construa De tal modo, que a imagem fique nua, Rica, mas sóbria, como um templo grego. Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edifício: Porque a Beleza, gêmea da Verdade, Arte pura, inimiga do artifício, É a força e a graça na simplicidade. in Tarde (1919) Francisca Júlia (1871-1920) Francisca Júlia da Silva nasceu em Eldorado Paulista (SP). Ao longo da sua vida, trabalhou em periódicos, como O Estado de São Paulo, em que publicava poesias. Dentre as principais obras, merecem destaque: Mármores (1895) e Esfinges (1903). A Florista Suspensa ao braço a grávida corbelha, Segue a passo, tranqüila... O sol faísca... Os seus carmíneos lábios de mourisca Se abrem, sorrindo, numa flor vermelha. Deita à sombra de uma árvore. Uma abelha Zumbe em torno ao cabaz... Uma ave, arisca, O pó do chão, pertinho dela, cisca, Olhando-a, às vezes, trêmula, de esguelha… Aos ouvidos lhe soa um rumor brando De folhas... Pouco a pouco, um leve sono Lhe vai as grandes pálpebras cerrando… Cai-lhe de um pé o rústico tamanco... E assim descalça, mostra, em abandono, O vultinho de um pé macio e branco. Adamah (a Júlia Lopes d'Almeida) Homem, sábio produto, epítome fecundo Do supremo saber, forma recém-nascida, Pelos mandos do céu, divinos, impelida, Para povoar a terra e dominar o mundo; Homem, filho de Deus, imagem foragida, Homem, ser inocente, incauto e vagabundo, Da terrena substância, em que nasceu, oriundo, Para ser o primeiro a conhecer a vida; Em teu primeiro dia, olhando a vida em cada Ser, seguindo com o olhar as barulhentas levas De pássaros saudando a primeira alvorada, Que ingênuo medo o teu, quando ao céu calmo elevas O ingênuo olhar, e vês a terra mergulhada No primeiro silêncio e nas primeiras trevas… Júlia Cortines (1863-1948) Maria Júlia Cortines Laxe nasceu em Rio Bonito (RJ). Autodidata, a poeta escreveu seus primeiros versos aos 13 anos; com 21 já trabalhava como colaboradora em periódicos da Corte. Em vida, publicou apenas duas obras: Versos (1894) e Vibrações (1905). Indiferente E vão assim as horas! – Vão fugindo Um após outro os dias voadores, Ao túmulo do olvido conduzindo As alegrias como os dissabores, O sonho agita as asas multicores, E vai-se e vai-se rápido sumindo, Enquanto a vaga quérula das dores Soluça, e rola pelo espaço infindo… A mim, porém a mim, a mim que importa, A mim, cuja esperança há muito é morta, Que o tempo, como um rio que se escoa, Nos arrebate as ilusões que temos?! – Deixo em descanso os fatigados remos, E que o barco da vida boie à toa. in Versos (1887) Proposta de análise Proposta de análise O ninho Lembro-me ainda: foi numa gravura Que vi de uma ave a prole pequenita, Em roto ninho, que lançou da altura O vento, a resvalar na crespa fita De um rio. E a mãe a vê, e corre, e fita Espavorida as águas; a amargura Lhe estala o coração; por sobre a escura Corrente paira e se retorce aflita Enquanto a onda indiferente desce, Assim como impassível à demência Das lágrimas, dos gritos e da prece, Da vida o rio o ninho perfumoso Das castas ilusões da adolescência No arrebata e leva pressuroso. in Versos (1887) Referências ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS [site]. Membros. Disponível em: <https://www.academia.org.br/academia/quem-somos>. Acesso em: 12 de setembro de 2023. BIBLIOTECA BRASILIANA [site]. Francisca Júlia (1871-1920). Disponível em: < https://www.bbm.usp.br/pt-br/Selecao-BBM-digital/francisca-j%C3%BAlia-1871-1920/>. Acesso em: 13 de setembro de 2023. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 44ª. ed. São Paulo: Cultrix, 2015. CANDIDO, Antonio. Iniciação à literatura brasileira: resumo para principiantes. 3. ed. São Paulo: Humanistas/FFLCH/USP, 1999. CORTINES, Júlia. Versos; Vibrações. Apresentação: Gilberto Araújo. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2010. Referências FAPERJ [site]. O Rio de Janeiro da Belle Époque. Disponível em: <https://siteantigo.faperj.br/?id=2880.2.5>. Acesso em: 12 de setembro de 2023. SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão: tensões sociais e criação cultural na primeira república. São Paulo: Editora Brasiliense, 1999. SILVA, Francisca Júlia da. Poesias. Domínio Público. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraDownload.do? select_action=&co_obra=103364&co_midia=2>. Acesso em: 12 de setembro de 2023. Obrigado!Obrigado!