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Opúsculo humanitário N Í S I A F L O R E S TA por Lívia Bueloni Gonçalves aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 1 09/10/2024 09:30:03 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Poliedro Sistema de Ensino T. 12 3924-1616 sistemapoliedro.com.br COLEÇÃO AOL Copyright © Poliedro Sistema de Ensino Ltda., 2025. Todos os direitos de edição reservados ao Poliedro Sistema de Ensino Ltda. Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal, Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. ISBN 978-85-7901-959-3 Presidente: Nicolau Arbex Sarkis Autoria: Lívia Bueloni Gonçalves Gerência editorial: Marcela Regina Silva de Pontes Projeto editorial: Roberta Amendola Coordenação de projeto editorial: Rogério Fernandes Salles Edição de conteúdo: Cláudio Leyria e Francisco Mariani Casadore Coordenação de revisão: Renata Ultramari Revisão: Ana Luísa Ruggieri, Camila Coutinho, Diego Carrera Guimil, Ellen Barros e Eric Luzzi Coordenação de arte: Leonardo Carvalho Ilustração: Pati Perez Coordenação de licenciamento e iconografia: Letícia Palaria de Castro Rocha Analista de licenciamento: Izilda Monte Alto da Silva Canosa O Poliedro Sistema de Ensino Ltda. pesquisou, junto às fontes apropriadas, a existência de eventuais detentores dos direitos de todos os textos e de todas as imagens presentes nesta obra didática. Em caso de omissão, involuntária, de quaisquer créditos, colocamo-nos à disposição para avaliação e consequentes correção e inserção nas futuras edições, estando, ainda, reservados os direitos referidos no art. 28 da Lei no 9.610/98. aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 2 09/10/2024 09:30:03 D isponibilizado por Jardim da Babilônia N Í S I A F L O R E S TA Opúsculo humanitário por Lívia Bueloni Gonçalves aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 3 09/10/2024 09:30:04 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Na obra que iremos analisar, Nísia Floresta aborda a importância da educação feminina, pensamento que não era comum em sua época. Para defender sua argumentação, a escritora percorre a história do papel das mulheres em diversas sociedades, caminhando desde a Antiguidade até o Brasil do momento em que escreve, na metade do século XIX. A obra nos apresenta um importante manifesto sobre a emancipação feminina e o desejo de igualdade entre homens e mulheres. Os trechos da obra reproduzidos nesta análise foram extraídos do livro: Opúsculo humanitário, de Nísia Floresta. Brasília, DF: Senado Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 4 09/10/2024 09:30:04 D isponibilizado por Jardim da Babilônia INTRODUÇÃO É uma verdade incontestável que a educação da mulher muita influência teve sempre sobre a moralidade dos povos, e que o lugar que ela ocupa entre eles é o barômetro que indica os progressos de sua civilização. (p. 23) Opúsculo humanitário é uma obra composta de 62 artigos que discorrem essencialmente sobre a importância da educação das mulheres. É fundamental no argumento da autora a noção de civilização atrelada à educação. O livro foi publicado em 1853, quando a frequência escolar das meninas da época era extremamente baixa. O direito à educação não era visto como algo necessário às meninas, pensamento de um período no qual a vida da mulher ficava restrita aos cuidados com o lar e à maternidade. Nísia é uma voz pioneira em nosso país, ainda na época do Brasil Império, por discorrer sobre a importância da escola no sentido de preparar as alunas para o exercício do intelecto, da cidadania e da liberdade. Ao longo dos 62 peque- nos capítulos, a autora refle- te a respeito das condições vividas pelas mulheres em diversas sociedades, reali- zando um panorama históri- co que começa na Babilônia e chega até o Brasil do século XIX. Nísia Floresta também tece considerações sobre a escravidão, ainda em voga, condenando-a, e aborda a situação dos indí- genas, particularmente das mulheres. A obra apresenta não apenas o pensamento de Nísia Floresta sobre a condi- ção feminina, mas também propostas para um ensino de qualidade. 5 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 5 09/10/2024 09:30:06 D isponibilizado por Jardim da Babilônia SOBRE A AUTORA Breve biografia Dionísia Gonçalves Pinto, mais conhecida pelo pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta, nasceu em Papari, Rio Grande do Norte, em 1810 e faleceu em Rouen, na França, em 1885. Escritora e educadora, Nísia destacou-se, sobretudo, como uma defensora da emancipação feminina. Nascida no Rio Grande do Norte, Nísia Floresta (1810-1885) é considerada a primeira pensadora brasileira a defender o direito das mulheres, sendo vista como uma precursora do feminismo em nossas terras. Filha do advogado português Dionísio Gonçalves Pinto e da brasileira Antônia Clara Freire, uma herdeira local, Nísia morou em diversos lugares do Brasil e vivenciou de perto eventos como A Revolução Farroupilha (1835- -1845), no sul do país. Ela também viajou pela Europa e chegou a residir na França, onde viria a falecer. Com o estudante de Direito Manuel Augusto Faria Rocha, falecido precocemente aos 25 anos, teve dois filhos. Nísia começou a publicar seus artigos em 1831 em um jornal intitulado Espelho das Brasileiras, sempre tratando da condição feminina. A escritora ainda exerceu um papel importante como educadora fundando o Colégio Augusto no Rio de Janeiro em 1838. Do período em que passou na Europa, merece destaque seu contato com Auguste Comte, conhecido como o pai do positivismo, do qual assistiu às conferências em Paris. Entre suas publicações, Opúsculo humanitário é considerada a obra que melhor sintetiza o pensamento de Nísia. Papari, sua cidade natal, foi reno- meada como Nísia Floresta, em homenagem à sua célebre filha. A AUTORA E SEU PERÍODO Quando começa o século XIX, as mulheres brasileiras, em sua grande maioria, viviam enclausuradas em antigos preconceitos e imersas numa rígida indigência cultural. Urgia levantar a primeira bandeira, que não podia ser outra senão o direito básico de aprender a ler e a escrever (então reservado ao sexo masculino). A primeira legislação autorizando a abertura de escolas públicas femininas data de 1827, e até então as opções eram uns poucos conventos, que guardavam as meninas para o casamento, raras escolas particulares nas casas das professoras, ou o ensino individualizado, todos se ocupando apenas com as prendas domésticas. DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no Brasil. Estudos Avançados, v. 17, n. 49, p. 152-153, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/6fB3CFy89Kx6wLpwCwKnqfS/?for mat=pdf&lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2024. PARA IR ALÉM O pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta é composto do diminutivo de seu nome Dionísia (Nísia), do sítio em que a escritora nasceu no Rio Grande do Norte (Floresta), do amor à pátria (Brasileira) e da menção ao nome de seu companheiro Augusto (Augusta). B ib lio te ca N ac io na l, R io d e Ja ne iro 6 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 6 09/10/2024 09:30:06 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Nísia Floresta viveu em uma época na qual o ensino formal e de qualidade estava praticamen- te vedado ao sexo feminino. Considerando esse período, destaca-se ainda mais o papel pioneiro da escritora na luta para que as meninas tivessem acesso aos mesmos currículos escolares destina- dos aos rapazes. O desenvolvimento intelectual era considerado exclusivo ao sexo masculino e restavam às meninas trabalhos manuais e ativida- des domésticas. Naquele momento, as mulheres eram vistas apenas dentro desse campo limitado, sem qualquer possibilidade de outras ambições. A questão da educação feminina, foco de Opúsculo humanitário, ocupou grande espaço na obra de Nísia. Para além desse livro, a escritora também abordava esse assunto em artigos de jornal e outros textos.que os indígenas seriam indolentes. Sexta afirmativa: falsa. Nísia destaca os preconceitos com relação à mulher herdados dos portugueses. 5 E Afirmativa I: correta. Nísia condena o sistema escravocrata ao longo da obra, o que se evidencia pelo trecho citado. Afirmativas II e III: corretas. A citação dos versos de A lágrima de um Caeté dialogam com sua crítica afirmando que não existe superioridade racial. Afirmativa IV: correta. No final do fragmento, Nísia faz um apelo para que as mães ensinem os filhos a olhar para os escravizados como semelhantes. 6 A Alternativa A: correta. A autora comenta o fato de “inculcarem” nas mulheres da época que elas não eram capazes de fazer nada sozinhas. Alternativa B: incorreta. O texto menciona a ca- pacidade de inglesas e francesas de utilizarem melhor seu tempo, e não que elas têm mais tempo disponível. Alternativa C: incorreta. Ao se casarem, inglesas e francesas não encaravam o fato como a única glória possível para uma mulher. Alternativa D: incorreta. O texto menciona o fato de a sociedade fazer com que as mulheres se sentissem incapazes, e não o fato de elas se sentirem realmente dessa forma. 7 F – V – V – F – F Primeira afirmativa: falsa. Nísia elogia Harriet Stowe (dona de uma “educação religiosa e moral”) e seu romance. Segunda afirmativa: verdadeira. Nísia critica a conduta do clero brasileiro. Terceira afirmativa: verdadeira. Nísia elogia o perfil caridoso das mulheres francesas. Quarta afirmativa: falsa. Nísia comenta que a religião é mal ensinada nas paróquias brasileiras. Quinta afirmativa: verdadeira. Nísia cita o clero francês como o “mais instruído do mundo católico”. 8 Resposta pessoal. Espera-se que o aluno asso- cie a falta de instrução com a facilidade de ser manipulado por alguém com mais poder, seja uma pessoa ou um governo. A temática central da obra – o direito das mulheres à educação – defende que o sexo feminino possa ter acesso ao ensino de qualidade. 9 Resposta pessoal. Espera-se que o aluno avalie os dados da matéria comentando o fato de que as mulheres dedicam-se mais aos afazeres domésticos que os homens, situação que vem de longa data em nossa sociedade, como apon- tado em Opúsculo humanitário. Apesar de os números indicarem uma escolaridade maior da população feminina hoje, a taxa de partici- pação masculina no mercado de trabalho é bem maior. Isso se deve ao fato de as mulheres ainda serem as maiores responsáveis pelos cuidados domésticos. 30 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 30 09/10/2024 09:30:26 D isponibilizado por Jardim da Babilônia 10 B Alternativa A: incorreta. Não se trata de uma obra ficcional. Alternativa C: incorreta. A obra não dialoga com nenhuma escola literária e tem um caráter ensaístico. Alternativa D: incorreta. Não se trata de um mani- festo contra o sistema escravocrata, apesar de a obra condenar a escravidão. Alternativa E: incorreta. Não se trata de uma obra ficcional com personagens. 11 D O trecho refere-se à vinda da Corte portuguesa para o Brasil em 1808, fugindo das tropas na- poleônicas. Nísia comenta este acontecimento histórico no capítulo mencionado. 12 D Alternativas A e B: corretas. A autora comenta o preconceito dos portugueses com as mulheres e as dificuldades encontradas por Castro para frequentar a Universidade de Coimbra. Alternativa C: correta. Nísia exalta as capacidades e conquistas de Públia Hortênsia de Castro. Alternativa D: incorreta. Conforme explicado na alternativa c, as capacidades de Hortênsia de Castro são exaltadas por Nísia. 13 Resposta pessoal. Espera-se que o aluno destaque o pioneirismo de Nísia ao criar o colégio e implementar um currículo escolar que não era o padrão para meninas da época. Nísia tenta colocar em prática sua visão sobre a educação feminina, já que não queria que a educação das mulheres ficasse reduzida aos afazeres domésticos. Espera-se que o aluno enfatize as críticas que sua ousadia gerou na sociedade, comentando a resistência que atitudes inovadoras costumam causar e o preconceito demonstrado pela crítica do jornal O Mercantil. 14 B Afirmativa I: incorreta. O trecho não menciona uma vida melhor após a colonização e cita as indígenas como vítimas da civilização. Afirmativa IV: incorreta. O trecho afirma que as indígenas foram envolvidas em uma atmosfera de vícios, portanto não se mantiveram livres deles. 15 Resposta pessoal. Espera-se que o estudante possa explicar que a qualidade do ensino que ele recebe hoje é muito maior que a situação enfrentada naquela época, ainda que haja quesitos que precisam ser melhorados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAMPOI, Isabela Candeloro. O livro “Direitos das mulheres e injustiça dos homens” de Nísia Floresta: literatura, mulheres e Brasil no século XIX. História, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 196-213, ago./dez. 2011. DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no Brasil. Estudos Avançados, v. 17, n. 49, p. 151-172, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ ea/a/6fB3CFy89Kx6wLpwCwKnqfS/?format=pdf& amp;lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2024. DUARTE, Constância Lima. Nísia Floresta. Recife: Fundação Joaquim Nabuco; Massangana, 2010. FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília, DF: Senado Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). WESTIN, Ricardo. Para lei escolar do Império, meninas tinham menos capacidade intelectual que meni- nos. Agência Senado, 2 mar. 2020. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/ arquivo-s/nas-escolas-do-imperio-menino- estudava-geometria-e-menina-aprendia- corte-e-costura. Acesso em: 15 jul. 2024. 31 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 31 09/10/2024 09:30:26 D isponibilizado por Jardim da Babilônia O estudo das obras promove a compreensão e o aprofundamento do texto, revela as intenções de cada autor e elucida as características da escola literária da qual a obra faz parte. Ler é condição fundamental para compreender o mundo, os seres, os fenômenos e os acontecimentos. Entender e desvendar uma obra é compreender o prazer da leitura e da busca de novos saberes. É encontrar a beleza da essência de cada autor. Para saber mais sobre esta obra, assista à videoaula no P+: aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 32 09/10/2024 09:30:26 D isponibilizado por Jardim da BabilôniaDo ponto de vista histórico, as ideias a respei- to do papel da mulher começam a sofrer alguma mudança na metade do século XIX. Ainda segundo Constância Lima Duarte, especialista na obra de Nísia: Todos pareciam concordar – ainda que com interesses diversos – que o século XIX representava para a sociedade burguesa o auge da civilização, e não era mais possível admitir que metade da população estivesse numa situação de inferioridade tão gritante, diante da outra que detinha todos os privilégios e poderes. Aos poucos criava-se um quase consenso (perceptível nas opiniões veiculadas nos jornais) em torno da ideia de que uma sociedade não evolui se não cuidar também da educação feminina, e não habilitar a mulher para participar, junto com o homem, dos progressos da técnica e das ciências. DUARTE, Constância Lima. Nísia Floresta. Recife: Fundação Joaquim Nabuco; Massangana: 2010. p. 18. Em um trecho de Opúsculo humanitário, Nísia nos mostra que, pelos dados oficiais de 1852, apenas 55 500 alunos haviam frequentado a escola públi- ca. Deste montante, apenas 8 443 eram meninas. A população brasileira nesse ano era estimada em aproximadamente 9 milhões de habitantes. Ainda estávamos no período do Brasil Império e a abolição da escravatura só ocorreria em 1888. Esses dados são importantes, pois, em Opúsculo humanitário, Nísia faz comentários a respeito de nossa herança portuguesa, fonte de alguns preconceitos sobre o sexo feminino, e critica o horror da escravidão. A autora não se contentou apenas em escrever sobre o que pensava e teve um papel de destaque no cenário escolar do país. Como educadora, em 1838, fundou o Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, onde também atuou como diretora. A instituição dedicava-se à educação feminina e implementou um programa nada comum à época. Entre as disci- plinas havia Latim, História, Geografia, Matemática, Inglês, Francês etc. O currículo procurava trazer matérias que só eram ensinadas aos meninos. Nísia foi criticada por sua ousadia. O reconhecimento de seu pioneirismo ainda tardaria a chegar. PARA SABER MAIS Assista à palestra “Nísia Floresta: Uma mulher à frente de seu tempo”, com Constância Lima Duarte, especialista na obra da autora. Disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=tC1rwWYnbGE&t=479s. Acesso em: 21 ago. 2024. 7 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 7 09/10/2024 09:30:07 D isponibilizado por Jardim da Babilônia A PRODUÇÃO LITERÁRIA Obras 1878 18 32 NÃO FICÇÃO (ENSAIOS, RELATOS DE VIAGEM, NOTAS BIOGRÁFICAS E ARTIGOS) Direitos das mulheres e injustiça dos homens (1832) Conselhos à minha filha (1842) Discurso que às suas educandas dirigiu Nísia Floresta (1847) Opúsculo humanitário, ensaio (1853) Itineraire d’un Voyage en Alemagne, relato de viagem (1857) Cintilações de uma alma brasileira, ensaio (1859) Trois ans en Italie: suivis d’un Voyage en Gréce, relato de viagem (1864) Páginas de uma vida obscura, Um passeio ao aqueduto da Carioca e Pranto Filial, artigos publicados em livro (1854) A mulher, ensaio (1865) Le Brésil, ensaio (1871) Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques, biografia (1878) POESIA Fanny ou o modelo das donzelas (1847 ) A lágrima de um Caeté (1849) Dedicação de uma amiga (1850) NOVELAS ROMANCE Daciz ou a jovem completa (1847) R ep ro du çã o R ep ro du çã o aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 8 09/10/2024 09:30:08 D isponibilizado por Jardim da Babilônia COMO ESTUDAR Para estudar os aspectos abordados em Opúsculo humanitário, consulte os seguintes conteúdos nos seus materiais: • Feminismo • Escritoras brasileiras do século XIX • Educação no século XIX • Brasil Império • Romantismo • Textos argumentativos ASPECTOS GERAIS DA PRODUÇÃO LITERÁRIA A obra de Nísia Floresta compõe-se de textos publicados em diversas línguas e sob diferentes gêneros. Além de sua presença na imprensa nacional, ela escreveu romance, novelas, poemas e textos de caráter ensaístico. Opúsculo humanitário destaca-se na obra de Nísia porque os temas da educação feminina e da emancipação da mulher são marcantes em sua produção. No entanto, a autora também se dedicou a outras temáticas de sua época, tais como a questão indianista e a escravidão, além de escrever alguns relatos de viagens. Vamos perpassar alguns pontos centrais de sua produção. A primeira obra de relevo de Nísia foi Direito das mulheres e injustiça dos homens. O livro chama a atenção para o lugar ocupado pelas mulheres na sociedade e questiona a ausência do sexo feminino em postos de co- mando. Em sua primeira publicação, Nísia já se preocupava em defender a ideia de que as mulheres têm as mesmas capacidades que os homens. A exaltação do indígena também se fez presente em sua obra e, nesse caso, a autora dialogou com um tema do nosso Romantismo, movimento literário de sua época. Trata-se de A lágrima de um Caeté, longo poema composto de mais de 700 versos, dos quais alguns surgem citados em Opúsculo humanitário. Nísia tematiza o drama dos indígenas brasileiros frente à colonização. Em Páginas de uma vida obscura, folhetim de 1855, a autora critica o sistema escravocrata ao contar a história de um escravizado. Alguns livros de Nísia são o resultado de suas viagens à Europa. Neles, ela faz relatos e comenta impressões dos locais que visitou. Fazem parte desse conjunto Itineraire d’un Voyage en Alemagne [Itinerário de uma viagem à Alemanha] e Trois ans en Italie: suivis d’un Voyage en Gréce [Três anos na Itália, seguidos de uma viagem à Grécia]. Cintilações de uma alma brasileira é composto de ensaios que também abordam a questão educacional e demonstram a saudades que Nísia sentia de seu país. A predominância do tema da educação reflete o pró- prio papel de educadora que Nísia desempenhou. Além de Opúsculo humanitário, fazem parte desse universo A mulher, Discursos à minha filha (obra que ela dedicou à filha Lívia) e Discurso que às suas educandas dirigiu Nísia Floresta, ainda que sob diferentes abordagens. Sobre a mesma temática estão os textos ficcionais Daciz ou A jovem completa e Fanny ou O modelo das donzelas. HABILIDADES DA BNCC MOBILIZADAS EM13LGG202, EM13LGG601, EM13LGG602, EM13LGG604, EM13LP01, EM13LP02, EM13LP03, EM13LP05, EM13LP06, EM13LP07, EM13LP10, EM13LP48, EM13LP49, EM13LP52. 9 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 9 09/10/2024 09:30:09 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Quanto mais ignorante é um povo, tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele o seu ilimitado poder. É partindo desse princípio, tão contrário à marcha progressiva da civilização, que a maior parte dos homens se opõe a que se facilite à mulher os meios de cultivar o seu espírito. Porém, é este um erro, que foi e sempre será funesto à prosperidade das nações, como à ventura doméstica do homem. (p. 51) A quem interessa a ignorância das mulheres? Em plena metade do século XIX, Nísia Floresta levantou sua voz para defender o direito da popu- lação feminina ao estudo de qualidade. Segundo a autora, as mulheres deveriam estudar e ocupar os mais diversos cargos em uma sociedade, assim como os homens, e serem respeitadas por isso. Tal afirmação pode parecer banal nos dias de hoje, mas, em 1853, ninguém pensava dessa forma. As mulheres viviam confinadas no ambiente doméstico e tinham poucas chances de desenvolver-se intelectualmente. O acesso à escola não era visto como um direito importante a elas. Com seus escritos, Nísia Floresta tentou mudar essa mentalidade. Um dos resultados dessa reivindicação é Opúsculo humanitário, livro com 62 artigos sobre o tema publicados no Diário do Rio de Janeiro em 1853. Nísia já havia defendido o direito das mulheres à instrução em Direitos das mulheres e injustiças dos homens. A autora considera que o avanço de uma nação está diretamenteligado à capacidade de intervenção das mulheres em suas respectivas sociedades. Em Opúsculo humanitário, o tema é desenvolvido em detalhes, como poderemos observar. A estrutura da obra O termo “opúsculo” significa “obra pequena”. Segundo o Dicionário Houaiss, a palavra refere-se a “impresso ou livro pequeno, de poucas páginas”. Os textos, que chamaremos aqui de capítulos (do I ao LXII), estão focados no papel da mulher na sociedade ocidental e, principalmente, na importância da educação feminina. Nísia preocupava-se com a ausência das meninas nos bancos escolares e o livro faz um apelo à sociedade da época, convocando-a a alterar essa situação. Para a autora, as mulheres exerceriam uma influência central em suas nações se recebessem a instrução devida. Entre as considerações da autora estão o descaso dos governantes com a educação e a baixa qualidade do ensino. Para refletir sobre seu tema central, Nísia se vale da história de nosso país enquanto ainda era colônia portuguesa e da herança dos preconceitos da metrópole. Em diversos trechos, a autora aborda a vergonha e os problemas de fazer parte de uma nação escravocrata. A abolição só ocorreria em maio de 1888 com a Lei Áurea. A autora também combate a ideia vigente de que a mulher deveria concentrar-se apenas em atividades domésticas e não no desenvolvimento de suas habilidades intelectuais. A obra expõe os estudos de Nísia a respeito da condição feminina em diversas civilizações e nações pelo mundo antes de se concentrar em nosso país, o “império de Santa Cruz”. O destaque dado à importância da religião cristã na instrução de uma mulher também surge com frequência nos capítulos. Ao contrário de uma obra ficcional, que apresenta elementos como enredo, narrador, personagens, tempo e espaço, um livro de caráter ensaístico como este traz os argumentos e as reflexões da autora. Ao longo dos 62 capítulos, Nísia desenvolve seu pensamento acerca dos motivos do atraso de nosso país em relação à educação feminina. Iremos analisar os pontos centrais da obra a seguir. Funesto: Sinistro, fatal. Ventura: Sorte, destino. 10 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 10 09/10/2024 09:30:09 D isponibilizado por Jardim da Babilônia A linguagem utilizada remete ao século XIX e muitos termos são arcaicos e distantes da língua portuguesa corrente, bem como certas constru- ções da autora. Um exemplo é a frase que abre o capítulo XVIII: “Não ignoramos que imos [...]” (p. 42). “Imos” refere-se a uma forma antiga da conjugação do verbo ir no presente do indicativo, o correspondente a “vamos”. Em alguns trechos, o leitor pode sentir a necessidade de utilizar um dicionário. Adjetivos como “morigerado” (mo- derado) e advérbios como “embalde” (em vão), que surgem mais de uma vez ao longo da obra, podem travar a compreensão do texto para um leitor contemporâneo. Ler Opúsculo humanitário hoje é entrar em contato com a linguagem de uma escritora que viveu há dois séculos de nós. Seu tom varia entre o explicativo (nos trechos em que demonstra a situação das nações abordadas e avalia a história de nosso país) e o indignado (nos trechos em que percebe a condição da mulher brasileira, dos preconceitos que sofre, e ao comentar temas como a escravidão). A obra segue dois movimentos principais. Inicialmente, a autora analisa a condição feminina em diversas civilizações, começando na Antiguidade e chegando até países como Alemanha, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos. Em seguida, dedica-se à análise da condição da mulher e da educação no Brasil. Este segundo movimento é o mais exten- so da obra. O livro é dedicado ao irmão de Nísia, Joaquim Pinto Brasil: “tu, digo, compreenderás, lendo estes reflexos de um coração sempre dedicado à educação de nossa mocidade, o interesse que ela me inspira ainda lutando com o mal físico que me oprime, depois de minha volta da Europa.” Em suas análises, Nísia se vale, por diversas vezes, da comparação entre o Brasil e as chamadas nações “mais civilizadas”, principalmente a França. aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 11 09/10/2024 09:30:11 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Momentos essenciais Logo no capítulo I, Nísia evoca um de seus temas centrais – a conexão entre a educação da mulher e a civilização das nações –, clamando para que nosso país dedique atenção ao assunto: Enquanto pelo velho e novo mundo vai ressoando o brado – emancipação da mulher – nossa débil voz se levanta, na capital do império de Santa Cruz, clamando – educai as mulheres! [...] Em todos os tempos, e em todas as nações do mundo, a educação da mulher foi sempre um dos mais salientes característicos da civilização dos povos. (p. 17) Enfatizando que a educação da mulher é essencial para a moralidade dos povos, Nísia faz uma retomada histórica sobre a condição feminina em diferentes civilizações. Nos capítulos I a V, a escritora transporta-nos para diversos espaços e períodos, seguindo uma ordem cronológica com o objetivo de refletir sobre o tratamento dado à mulher. Inicialmente, o leitor é levado para a Ásia (onde “a mulher foi sempre considerada como um ins- trumento do prazer material do homem” (p. 17); em seguida, para o Egito (que permaneceu “em completa ignorância a respeito da educação que convém à mulher” (p. 18) e valorizou apenas a beleza física); para a Grécia, onde “a inteligência da mulher, conquistando a ciência, começava a distinguir-se, mas faltava-lhe o tipo da mulher cristã” (p. 20); e para Roma, onde “déspotas tais como os Romanos não podiam compreender e ministrar à mulher a educação que lhe convém” (p. 20). Nísia ainda se detém na época feudal chegando à conclusão de que não houve progressos significativos na educação da mulher em todo o período abordado. O objetivo dos capítulos iniciais é fazer um panorama desses povos antigos, mostrando as peculiaridades de cada um deles e destacando que o papel da mulher ainda não havia sido devidamente valorizado. Nos capítulos VI a XIII, a autora falará sobre a condição feminina nas três grandes nações da Europa Moderna: Alemanha, Inglaterra e França. Com relação à Alemanha, a autora destaca “o verdadeiro tipo do espírito de família” (p. 26) e elogia a educação das mulheres alemãs. A admiração de Nísia também é notável em relação às mulheres inglesas que concentram, em sua visão, “virtudes domésticas e [...] nobre altivez de seu sexo” (p. 29). A educação da mulher inglesa é, como a liberdade política dos ingleses, fundada em sua moral: e assim como a verdadeira base de um governo é a liberdade política, conforme observa o ilustre autor do Espírito das Leis, assim também a religião deve ser a base da educação da mulher. O povo inglês compreendeu, e mais que nenhum outro demonstra praticamente, esta verdade; daí a causa primária das vantagens de sua educação sobre a dos outros povos. (p. 30) No pensamento de Nísia, a moralidade e a re- ligião são consideradas fundamentais na instrução de uma mulher. Ela cita escritoras inglesas que souberam transmitir essa moralidade em suas obras, tais como Maria Edgeworth, Jane Austin e Elizabeth Hamilton. Mais adiante, já tratando das mulheres francesas, Nísia reforça: Dê-se ao sexo uma educação religiosamente moral, desvie-se dele todos os perniciosos exemplos que tendem a corromper-lhe, desde a infância, o espírito em vez de Brado: Grito. Débil: Fraco, desanimado. 12 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 12 09/10/2024 09:30:11 D isponibilizado por Jardim da Babilônia formá-lo à virtude, adornem-lhe a inteligência de úteis conhecimentos e a mulher será não somente o que ela deve ser – o modelo da família –, mas ainda saberá conservar dignidade, em qualquer posição em que porventura a sorte a colocar. (p. 35) Ao discorrer sobre a França, a autoradestaca a caridade típica das mulheres francesas como uma grande virtude e cita as irmãs de São Vicente de Paulo como exemplo. Apesar de tecer elogios às mulheres das três nações, a conclusão é a de que nenhum desses países teria alcançado o “aperfeiçoamento da educação”. Apesar do apreço em que temos às mulheres das três últimas nações em que tão de passagem falamos, reconhecemos, todavia, que muito tem ainda a sociedade que fazer para que cheguem ao aperfeiçoamento da educação, ali mesmo onde ela tão altamente sobressai à que recebem as mulheres dos outros países. (p. 37) PARA IR ALÉM Vicente de Paulo (1581-1660) foi um sacerdote católico francês, declarado santo em 1737 pelo Papa Clemente XII e que ficou conhecido como o “pai da caridade”. As irmãs de São Vicente de Paulo, também chamadas de “irmãs vicentinas”, constituem um movimento católico que tem como missão agir em prol de pessoas em situação de vulnerabilidade. Pernicioso: Nocivo. Porventura: Por acaso. Os capítulos XIV a XVI são dedicados à América. Ela considera os americanos um povo de caráter simples e franco. Ao refletir sobre as mulheres americanas, a autora elogia a escritora Harriet Beecher Stowe, cristã declarada e autora do clássico romance A cabana do Pai Tomás (1852). A obra é considerada fundamental no contexto das discussões sobre a escravidão nos Estados Unidos. O livro já foi apontado como um estopim para a Guerra Civil Americana e traz a história de Tomás, um velho escravizado. Na visão de Nísia, Stowe poderia ser conside- rada um exemplo para todas as mulheres. A educação moral e religiosa dessa escritora contribuem para que ela se eleve aos olhos de Nísia: 13 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 13 09/10/2024 09:30:12 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Educação religiosa e moral, espírito eminentemente cultivado, amor do trabalho, de que deu exuberantes provas desde sua primeira juventude, dirigindo com zelo e perseverança o ensino da mocidade, prática das virtudes domésticas no estado de esposa e de mãe, solidez de uma razão esclarecida, coragem heroica, de que deu exemplo publicando (em face dos terríveis abusos de uma lei, que nodoa sua nação, e que sua nação tolera ainda) um livro, em que a censura acremente dessa imperdoável falta; tudo isto se reúne nesta admirável mulher, que acaba de conquistar a aprovação dos filósofos, a estima dos corações bem formados, e um nome imortal na posteridade. (p. 39-40) A autora busca valorizar e chamar a atenção para as mulheres que se destacaram em sua época e que estavam alinhadas ao seu pensamento. No romance de Stowe, ela também encontra uma relação com o Brasil, já que A cabana do Pai Tomás tem seu foco no tema da escravidão, regime condenado por Nísia ao longo de Opúsculo humanitário. A situação de nosso país começa a ser abordada no capítulo XVII e estende-se até o final da obra. A autora retoma a exclamação que dá início ao livro: Povos do Brasil, que vos dizei civilizados! Governo, que vos dizeis liberal! Onde está a doação mais importante dessa civilização, desse liberalismo? (p. 17) Nísia cobra um alinhamento de conduta com o pensamento liberal e comenta a influência da colo- nização portuguesa em nosso atraso cultural, uma vez que herdamos os preconceitos da metrópole. Ainda no capítulo XVII, ela não observa nenhum avanço no sentido de promover o desenvolvimento da educação das mulheres: Nada, porém, ou quase nada temos visto fazer-se para remover os obstáculos que retardam os progressos da educação das nossas mulheres [...]. (p. 41) O país precisaria mudar sua mentalidade e desarraigar os preconceitos herdados, o que não acontecia naquele momento. O Brasil não oferecia nenhum recurso para a mulher que quisesse se desenvolver intelectualmente. Segundo Nísia, o Brasil herdou de Portugal o desprezo pela educação feminina. A autora cita o caso de Públia Hortênsia de Castro, escritora e humanista portuguesa que teria se vestido com trajes masculinos para frequentar a Universidade de Coimbra. Ela enfatiza que se as mulheres portugue- sas não puderam se destacar como as mulheres do Norte isso não ocorreu devido à sua incapacidade intelectual, mas sim por conta de preconceitos (capítulo XXI). Nísia também critica a índole de muitos portugueses que aportaram no Brasil, outra das razões de nosso atraso: Mas todos sabem que não de homens tais e sim de pessoas vulgares, de aventureiros intrépidos, ou de condenados pelas leis do seu país se compunha a maior parte das expedições que aportavam às praias brasileiras e iam povoando, pouco a pouco, este imenso território, disputando-o muita vez atrozmente a seus legítimos possuidores, que por tanto tempo gemeram sob o jugo iníquo do cativeiro. (p. 47) Os objetivos dos portugueses que aqui chegavam não contemplavam “o progresso das ideias” (p. 44) e menos ainda, a educação da mulher (capítulo XXIII). As escolas existentes eram de baixa qualidade e, segundo Nísia, mais prejudicavam do que ajudavam na instrução das meninas. Ela compara as escolas Sob o jugo: Sob a autoridade. Iníquo: Cruel, atroz. Nodoar: Manchar. Acremente: De forma rude, grosseira. 14 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 14 09/10/2024 09:30:13 D isponibilizado por Jardim da Babilônia primárias a penitenciárias, fazendo uso da palmatória e da vara como método educacional (capítulo XXV): O sistema inquisitorial das torturas infligidas às inocentes vítimas do Santo Ofício, que sob outra forma e com diverso fim transpusera o Atlântico, presidia ao ensino da mocidade brasileira, ministrado por severos jesuítas ou por mestres charlatães, cujo mérito consistia em saber soletrar alguns clássicos portugueses, e assassinar pacificamente Salustio, Tito Lívio, Virgílio e Horácio! (p. 50) No capítulo XXVII, a autora comenta o argumento comum de que a fragilidade física da mulher em comparação ao homem significaria uma desvantagem intelectual: A fraqueza física é um dos pretextos de que se prevalecem certos sofistas para subtraírem a mulher ao estudo, para o qual a julgam imprópria. Não é a natureza física, como pretende Helvecio, que faz a superioridade do homem, mas sim a inteligência. Voltaire, Racine, Pascal e outros muitos de uma compleição demasiadamente delicada comprovam esta verdade. [...] Se a natureza deu à mulher um corpo menos robusto que ao homem, não tem ela por isso mesmo mais precisão do exercício de suas faculdades intelectuais, para que possa melhor preencher os deveres de filha, esposa e mãe, sem descer ao artifício? (p. 53) Inquisitorial: Rígido, desumano. Infligido: Aplicado. Santo Ofício: Tribunal católico que julgava e punia os hereges. Sofista: Especialista em retórica. Compleição: Aspecto, aparência. aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 15 09/10/2024 09:30:16 D isponibilizado por Jardim da Babilônia No capítulo XXIX, Nísia comenta o episódio da vinda da corte portuguesa ao Brasil, o que acabou gerando algumas melhorias no país – “criaram-se tribunais, escolas, academias etc.” (p. 55). No en- tanto, não houve nenhum progresso com relação à educação feminina. O pensamento da época era de que ensinar mulheres a ler e escrever era para fins menores: Dizia-se, geralmente, que ensinar-lhes a ler e escrever era proporcionar-lhes os meios de entreterem correspondências amorosas, e repetia-se sempre que a costura e trabalhos domésticos eram as únicas ocupações próprias da mulher. (p. 56) Com o advento das escolas régias, Nísia cita o despreparo das professoras e o desleixo que havia com o ensino público (capítulo XXXI). A autora ainda critica a comercialização do ensino, já que muitas escolas eram dirigidas por pessoas que agiam como negociantes e não como educadores. Havia um interesse material de estrangeiros no Brasil que se propagavatambém na área educacional. Quando não conseguiam ser bem-sucedidos no comércio, voltavam-se para o ensino. Nísia comenta o hábito de abrir os jornais diariamente em busca de notícias sobre propostas ou avanços do governo sobre a educação feminina brasileira e não encontrar nada. Nos capítulos XXXV a XXXIX, a autora analisa algumas estatísticas educacionais do período, mostrando que o número de meninas frequentando os bancos escolares era extremamente escasso. É neste momento que a autora cita os dados do ano de 1852 mostrando que dos 55 500 alunos matriculados apenas 8443 eram meninas (capítulo XXXVI). A autora comenta estatísticas de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Nísia destaca a escassez de recursos para a educação na maioria das províncias brasileiras e acrescenta a tal condição a confusão metodológica vigente na época. Ela também chama a atenção para a diferença curricular que deixava meninas em desvantagem: Não somente os que pertencem ao sexo são em muito menor número, mas também não oferecem geralmente um estudo regular do ensino secundário, ensino vedado, ainda hoje, às nossas meninas em estabelecimento público; e nos particulares nenhuma aula existe de alguns dos ramos das ciências naturais, cujo estudo tão agradável e útil seria às mulheres, que nascem, vivem e sentem no meio da nossa rica natureza tropical. (p. 69) Do capítulo XL em diante, a autora mantém-se concentrada em nosso país e defende a neces- sidade de uma reforma educacional. Nísia tece uma série de comentários sobre nossos costu- mes, de modo a avaliar a condição feminina e a situação da educação no Brasil. Ela menciona o regime escravocrata, por exemplo, como um ambiente prejudicial e nocivo no qual a nossa juventude era criada: De um lado, os mais rudes tratamentos do senhor para com o escravo, do outro, a impotência deste em repelir um jugo anticristão, sancionado pela mais tirânica das leis, e a necessidade do artifício para iludir o senhor e atenuar os sofrimentos da escravidão, tais são os quadros constantemente apresentados na vida doméstica às crianças, que crescem e se vão pouco a pouco insinuando em diversas perigosas práticas, passando dos aposentos de seus pais aos quartos das escravas, que as pensam. Assim, aquele embrião de inteligência envolvido na epiderme de uma graça factícia desenvolve-se nas condições mais contrárias ao seu futuro engrandecimento. (p. 76) Sancionado: Aprovado. Factícia: Artificial, falso. 16 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 16 09/10/2024 09:30:16 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Para Nísia, o país deveria seguir o exemplo de nações que ela considera mais civilizadas, como as que analisa no início do livro: Alemanha, França, Inglaterra e Estados Unidos. Copiemos antes de tudo a educação que naqueles países se dá à mocidade; imitemos principalmente os ingleses no respeito à religião e à lei; os alemães no hábito de pensar e no empenho de elevarem-se acima de todos os povos pelo estudo e pela reflexão; os franceses em seu espírito inventor e em suas generosas inspirações civilizadoras: a todos no gosto pelo trabalho e no desejo sempre progressivo de engrandecerem-se por seu engenho e atividade. (p. 78) A autora faz críticas ao modo com a qual a menina brasileira era educada – como se fosse uma adulta em miniatura, sem a chance de vivenciar a inocência essencial da infância. No capítulo XLVI, a autora conta a trágica história de uma criança de seis anos que fa- leceu em razão do uso de um espartilho extremamente apertado. Nísia questiona e critica a mentalidade por trás da educação das jovens brasileiras. Certo, o que se chama por via de regra no Brasil dar boa educação a uma menina? – Mandá-la aprender a dançar, não pela utilidade que resulta aos membros de tal exercício, mas pelo gosto de a fazer brilhar nos salões; ler e escrever o português, que apesar de ser o nosso idioma não se tem grande empenho de conhecer cabalmente; falar um pouco o francês, o inglês, sem o menor conhecimento de sua literatura; cantar, tocar piano, muita vez sem gosto, sem estilo, e mesmo sem compreender devidamente a música; simples noções de desenho, geografia e história cujo estudo abandona com os livros ao sair do colégio; alguns trabalhos de tapeçaria, bordados, crochê, etc. que possam figurar pelo meio dos objetos de luxo expostos nas salas dos pais a fim de granjear fúteis louvores a sua autora. (p. 85) A autora cita o fato de as mães acabarem sendo as responsáveis pela educação das filhas e, mais uma vez, faz menção às mulheres das nações cultas, enfatizando que estas aprenderam a valorizar outras formas de trabalho. Nísia destaca que a indolência nunca deve ser alimentada e que o trabalho nunca deve ser desprezado. No capítulo LII, ela ainda reforça a importância da instrução como ponte para uma vida melhor no caso das classes mais desfavorecidas. Cabalmente: De forma definitiva. Granjear: Obter, conquistar. aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 17 09/10/2024 09:30:17 D isponibilizado por Jardim da Babilônia No capítulo LIV, Nísia expressa seu amor pela pátria e o desejo de ver seu desenvolvimento, já que estamos todos sob “o mesmo céu brasileiro” (p. 98). Ela enfatiza que os benefícios que reivindica deveriam chegar a todas as brasileiras: Todos os brasileiros, qualquer que tenha sido o lugar de seu nascimento, têm iguais direitos à fruição dos bens distribuídos pelo seu governo, assim como à consideração e ao interesse de seus concidadãos. É, portanto, em favor de todas as mulheres brasileiras que escrevemos, é a sua geral prosperidade o alvo de nossos anelos, quando os elementos dessa prosperidade se acham ainda tão confusamente marulhados no labirinto de inveterados costumes e arriscadas inovações. (p. 98-99) Ao longo dos capítulos, percebemos a preocupação da autora com o futuro do país, especialmente com a situação das mulheres. Seu projeto para um Brasil melhor vincula-se ao papel da educação. Já destacamos ser fundamental, no pensamento de Nísia, a valorização da religião cristã. O tema perpassa o livro em diversos momentos e destaca-se ainda mais quando chegamos ao capítulo LV. “A religião é a cadeia de ouro que une a terra ao céu”, repetiu o nosso marquês de Maricá. Nós parodiaremos esta bela máxima com a seguinte: A religião é a cadeia indestrutível que liga a mulher a seus deveres, a coroa mais preciosa que lhe cinge a fronte. A mulher sem religião assemelha-se àquelas lindas flores de nauseante cheiro que se deve admirar de longe, sendo que o seu contato infecciona o ar que respiramos. (p. 101) Para a autora, a religião não era devidamente ensinada nas paróquias brasileiras. Nísia faz várias críticas ao nosso clero, afirmando que seus abusos aliados ao “mau sistema dessa educação doméstica” (p. 105) seriam a causa primordial do atraso de nossa civilização (capítulo LVII). Nos capítulos finais da obra, a autora comenta a situação dos indígenas e cita alguns trechos de sua obra A lágrima de um Caeté. Ela denuncia os abusos sofridos por essa população e faz elogios às mulheres indígenas, um exemplo de virtude e heroísmo. De feito, o filósofo, o cristão que conhece a história do nosso Brasil não pode deixar de revoltar-se contra os abusos da civilização dos seus povoadores europeus, continuados pelos seus sucessores! O que resta hoje dessas numerosas nações de aborígenes, cujo préstimo e fidelidade tantos fatos comprovam antes e depois dos frutos colhidos pelo incansável zelo de Nóbrega e do virtuoso Anchieta? (p. 109) Fruição: Ato de desfrutar, aproveitar. Anelo: Desejo. Marulhado: Agitado. Inveterado: Antigo. Cingir: Contornar, enfeitar. Nauseante: Enjoativo, repugnante. Aborígene: Povo nativo. Préstimo: Serventia, utilidade. 18 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 1809/10/2024 09:30:18 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Nísia critica o preconceito corrente à época de que os índios seriam indolentes, observa que as mulheres indígenas, além de grandes companheiras, eram habilidosas com os mais variados tipos de trabalho e artefatos. Nísia as considera “mais íntegras que as africanas” (p. 113) e as elogia como merecedoras de ocupar um lugar em nossa terra. Após a análise da situação de nosso país e de seus costumes, o capítulo final do livro faz um apelo à sociedade, conclamando-a a valorizar a educação feminina: A vós, pais de família, a vós cumpre remediar os erros das gerações extintas! Educai vossas filhas nos sólidos princípios da moral, baseada no perfeito conhecimento de nossa santa religião, no exemplo de vossas virtudes, quer domésticas, quer cívicas. Em vez da leitura de inflamantes e perigosos romances, que imprudentemente lhes deixais livres, fornecei-lhes bons, escolhidos livros de moral e filosofia religiosa, que formem o seu espírito, esclareçam e fortifiquem sua razão. A história, principalmente a de nossa terra, de que bem poucas se ocupam, é um estudo útil e agradável, mais digno de ocupar as suas horas vagas que certos contos de mal gosto inventados pela superstição ou fanatismo ignorantes para recrear a mocidade sem espírito. Fazei-lhes compreender desde a infância que a mulher não foi criada para ser a boneca dos salões, a mitológica ridícula divindade, a cujos pés queimam falso incenso os desvairados adeptos do cristianismo. Inspirai-lhes o sentimento de sua aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 19 09/10/2024 09:30:20 D isponibilizado por Jardim da Babilônia própria dignidade e a firme resolução de mantê-la intacta e vantajosamente por ações dignas da mulher, dignas da cristã, dignas da humanidade. (p. 118) Ao longo de Opúsculo humanitário, Nísia Floresta reivindica que o país valorize a educação das mulheres e forneça recursos para que tal instrução seja concretizada. A autora apresenta inúmeras reflexões e dados de sua época para embasar seus argumentos. No entanto, demonstra tristeza ao abrir os jornais e não ver ações serem tomadas com esse propósito. O capítulo final da obra faz um apelo e deposita esperança na sociedade brasileira. Durante toda obra, Nísia combate a visão da mulher como uma “boneca dos salões” (p. 118), imagem corriqueira à época e tão perni- ciosa a ponto de provocar a morte de uma criança (como ela descreve no episódio do espartilho). Destacamos que seu ideal de educação feminina também se associa à prática da religião cristã e à moralida- de, elementos reiterados em diversos trechos e muito presente nos meios em que a autora viveu. Ao comentar a educação em nosso país, Nísia também nos fornece uma análise do Brasil na metade do século XIX, um país ainda imperial e sob um regime escravocrata. DICA PARA O VESTIBULAR Preste atenção no papel pioneiro de Nísia Floresta como escritora e educadora. Nísia defendeu o direito feminino à instrução em um momento no qual as mulheres não tinham nenhuma voz e estavam confinadas ao ambiente doméstico. A autora de Opúsculo humanitário não apenas defendeu esses direitos por meio de seus estudos e escritos como também fundou o Colégio Augusto, no qual colocou em prática o currículo que considerava adequado às meninas. Nísia costuma ser destacada como a primeira feminista brasileira, e a presença de Opúsculo humanitário no vestibular consiste em um importante resgate de seu nome. PARA SABER MAIS Ouça o podcast “Café com Ciência” – Nísia Floresta. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ACxXZ2BlQ2Q. Acesso em: 21 ago. 2024. No episódio 5, é possível acompanhar uma conversa com as autoras do livro Nísia Floresta: Memória e história da mulher intelectual do século XIX, Laura Sánchez e Rute Pinheiro. A especialista na obra de Nísia Floresta, Constância Lima Duarte, também participa do episódio. 20 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 20 09/10/2024 09:30:20 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Aspectos interdisciplinares História e educação Nísia Floresta escreveu Opúsculo humanitário na época do Brasil Império, ou seja, no período de nossa história que ocorreu entre 1822 (ano da Independência) e 1889 (ano da proclamação da República). O período imperial brasileiro é dividido em três fases: Primeiro Reinado (1822-1831); Período Regencial (1831-1840); e Segundo Reinado (1840-1889). No Primeiro Reinado, logo após nossa inde- pendência, o Brasil foi governado por D. Pedro I em uma monarquia constitucional. Em 1824, nossa primeira constituição foi outorgada. É de 15 de ou- tubro de 1827 a primeira lei educacional do Brasil, conhecida como Lei Geral. Por conta dela, nessa data comemora-se o dia do professor até hoje. A lei criava escolas de “primeiras letras” para ambos os sexos. No entanto, determinava que meninos e meninas estudassem separadamente. Os currículos também eram diferentes para cada sexo. Vimos que Nísia combateu essa mentalidade ao dirigir o Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, e tentar igualar os currículos. Segundo a lei de 1827, o currículo das meninas deveria ser menor e oferecer aulas de prendas domésticas. Os currículos só seriam uniformizados em 1854. O período regencial caracteriza-se pela épo- ca em que o príncipe herdeiro ainda não havia atingido a maioridade e nosso país teve diversos governantes. Foi um período marcado por al- gumas rebeliões provinciais, como a Revolução Farroupilha, vivida de perto por Nísia Floresta, que morou no sul do país. No Segundo Reinado, D. Pedro II governou o país em um período no qual destacamos a Guerra do Paraguai (1864-1870) e as campanha abolicionistas. Nísia nasceu em 1810 e faleceu em 1885, ou seja, viveu grande parte do Brasil Império. O con- texto histórico é fundamental na análise realiza- da por Nísia a respeito da educação em nosso país, ainda muito incipiente naquela época. Ela comenta as estatísticas educacionais de algumas províncias, descreve as escolas primárias como penitenciárias e lamenta a falta de propostas para a educação. A constituição de 1824 previa o ensino primário gratuito para todos, mas as condições eram muito diferentes das atuais: As escolas públicas da época não eram como as de hoje. Nos primórdios do Império, o professor dava as aulas na própria residência ou então numa casa que alugava com esse fim. Ele podia ter de alguns poucos alunos a mais de uma centena. Não havia separação por idade ou série. Os estudantes ficavam todos na mesma sala, e o professor os dividia segundo o conhecimento que tinham. Não se fixava idade para entrar na escola. Os alunos podiam começar a qualquer momento entre os 5 e os 12 anos, conforme o desejo da família. O curso durava, em média, 4 anos. Ao fim dos estudos, para receberem o certificado, as crianças se submetiam a 1 exame aplicado por uma banca de inspetores do governo. Parte 21 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 21 09/10/2024 09:30:21 D isponibilizado por Jardim da Babilônia pequena dos meninos continuava os estudos para chegar ao ensino superior – as duas primeiras faculdades do Brasil, as de direito de São Paulo e Olinda, foram criadas nesse mesmo ano de 1827. As meninas, por sua vez, quase nunca iam além da escola de primeiras letras. WESTIN, Ricardo. Para lei escolar do Império, meninas tinham menos capacidade intelectual que meninos. Agência Senado, 2 mar. 2020. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/nas- escolas-do-imperio-menino-estudava-geometria-e-menina-aprendia-corte-e-costura. Acesso em: 15 jul. 2024. Como descrito por Nísia ao longo de Opúsculo humanitário, a frequência escolar, de modo geral, era baixa; a frequência feminina era menor ainda. Dentro desse contexto histórico, outro assunto abordado na obra de Nísiaque ga- nharia mais força no Segundo Reinado é a questão da escravidão e da necessidade de extingui-la. As campanhas abolicionistas ganharam força a partir de 1870. Envolvidos com essa causa em nosso país estavam André Rebouças, Luis Gama, Castro Alves e Joaquim Nabuco, entre outros. A Lei Eusébio de Queirós (1850), uma resposta à pressão da Inglaterra para que o Brasil terminasse com o comércio de escravizados, aboliu o tráfico negreiro no Brasil. No entanto, a escravidão continuava existindo no país. Ainda viriam a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei do Sexagenário (1885) antes da Lei Áurea (1888), que extinguiria definitivamente a escravidão no Brasil. Félix-Émile Taunay (atribuído). Rua Direita, Rio de Janeiro, 1823. Aquarela e grafite sobre papel, 22,2 cm × 28,2 cm. Co le çã o B ra si lia na /F un da çã o Es tu da r/ Ac er vo d a P in ac ot ec a do E st ad o de S ão P au lo , B ra si l 22 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 22 09/10/2024 09:30:23 D isponibilizado por Jardim da Babilônia O tema da escravidão surge diversas vezes em Opúsculo humanitário, principalmente no sentido de criar um ambiente prejudicial à educação das crianças. Nísia lamenta pela situação dos negros, que chama de “infeliz raça, desmoralizada pelo ca- tiveiro e condenada à educação do chicote!” (p. 75). Tais passagens demonstram a reflexão da autora a respeito de um assunto debatido em sua época e que acaba fazendo parte de sua obra. Lembremos que a autora cita a escritora Harriet Beecher Stowe como um grande modelo feminino. Stowe é a autora de A cabana do pai Tomás, um romance que provocou debates sobre a escravidão nos Estados Unidos. De um ponto de vista social, destacamos o papel de Nísia no debate sobre a questão de gênero. Sua luta pelos direitos da mulher lhe rendeu o título de primeira feminista brasileira. Constância Lima Duarte ressalta a importância da autora na discussão da “no- ção de gênero como uma construção sociocultural”: Homens e mulheres, afirma, “são diferentes no corpo, mas isto não significa diferenças na alma”. Ou as desigualdades que resultam em inferioridade “vêm da educação e circunstâncias de vida”, argumenta, antecipando a noção de gênero como uma construção sociocultural. Segundo a autora, os homens se beneficiavam com a opressão feminina, e somente o acesso à educação permitiria às mulheres tomarem consciência de sua condição inferiorizada. DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no Brasil. Estudos Avançados, v. 17, n. 49, p. 153, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/6fB3CFy89Kx6wLpwCwKnqfS/ ?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2024. aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 23 09/10/2024 09:30:25 D isponibilizado por Jardim da Babilônia QUESTÕES 1. Enem 2022 O número cada vez maior de mulheres letradas e interessadas pela literatura e pelas novelas, muitas divulgadas em capítulos, seções, classificadas comumente como folhetim, alçou a um gênero de ficção corrente já em 1840, fazendo parte do florescimento da literatura nacional brasileira, instigando a formação e a ampliação de um público leitor feminino, ávido por novidades, pelo apelo dos folhetins e “narrativas modernas” que encenavam “os dramas e os conflitos de uma mulher em pro- cesso de transformação patriarcal e provinciana que, progressivamente. começava a se abrir para modernizar seus costumes”. No Segundo Reinado, as mulheres foram se tornando pú- blico determinante na construção da literatura e da imprensa nacional. E não apenas público, porquanto crescerá o número de escritoras que colaboram para isso e emergirá uma imprensa feminina, editada, escrita e dirigida por e para mulheres. ABRANTES, A. Do álbum de família à vitrine impressa: trajetos de retratos (PB, 1920), Revista Temas em Educação, n. 24, 2015 (adaptado). O registro das atividades descritas associa a inserção da figura feminina nos espaços de feitura e escrita do Segundo Reinado ao(à) A) surgimento de novas práticas culturais. B) contestação de antigos hábitos masculinos. C) valorização de recentes publicações juvenis. D) circulação de variados manuais pedagógicos. E) aparecimento de diversas editoras comerciais. 2. Sobre a obra Opúsculo humanitário, de Nísia Floresta, é incorreto afirmar que: A) a obra defende o direito das mulheres à educação, refletindo sobre as condições escolares brasileiras no século XIX. B) Nísia Floresta analisa a condição feminina em diversas civilizações, começando na Antiguidade e chegando até nações da Europa moderna. C) ao final da obra, Nísia conclui que o Brasil havia avançado o suficiente no campo edu- cacional e que as escolas da época estavam bem preparadas para educar as meninas. D) a autora defende a necessidade de uma reforma educacional no Brasil. E) a obra critica o sistema escravocrata vigente no Brasil da época. 3. Leia um fragmento do capítulo III de Opúsculo humanitário, de Nísia Floresta: Os Gregos, cultivando a sua inteligência, o atingindo à perfeição, que os modernos tanto se têm esforçado por imitar, tropeçaram, en- tretanto, nas trevas do paganismo e, como os mais adiantados povos do Oriente, grosseiros erros cometeram... A inteligência da mulher, conquistando a ciência, começava a distinguir-se, mas faltava- -lhe o tipo da mulher cristã; sua mais nobre missão não podia ser ainda cumprida na terra. FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). p. 20. Segundo o fragmento, é possível afirmar que: A) a civilização grega soube cultivar a inteligência do sexo feminino, destacando-se em relação aos povos do Oriente B) as mulheres gregas não estavam prontas para cumprir sua nobre missão na Terra, pois não eram cristãs. C) ao contrário dos mais adiantados povos do Oriente, os gregos cometeram grosseiros erros. D) a inteligência da mulher grega não era mais notável em comparação com a de outros povos. E) as mulheres gregas começaram a destacar-se nas ciências e estavam próximas de cumprir sua mais nobre missão na Terra. 24 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 24 09/10/2024 09:30:25 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Carine Andrade Carine Andrade 4. Com base na leitura de Opúsculo humanitário e em aspectos biográficos de sua autora, assinale verdadeiro ou falso. ( ) Os textos que compõem os capítulos foram inicialmente publicados como artigos no Diário do Rio de Janeiro. ( ) Nísia elogia o empenho dos governantes bra- sileiros em buscar alternativas para melhorar a educação feminina. ( ) Opúsculo humanitário é considerada a obra que melhor condensa o pensamento de Nísia Floresta. ( ) Nísia pode ser vista como a primeira feminis- ta brasileira pela sua luta pelos direitos das mulheres à instrução. ( ) Nísia critica as mulheres indígenas nos capítulos finais da obra por sua indolência. ( ) Em Opúsculo humanitário, Nísia destaca o papel da colonização portuguesa no desen- volvimento da educação brasileira. 5. A escravidão é abordada em diversos trechos de Opúsculo humanitário. Leia um fragmento sobre o tema retirado do capítulo XLIX, que inclui um trecho do poema A lágrima de um Caeté: É tempo de fazer sentir à nossa mocidade que por entre esses infelizes, a quem se oprime de trabalho e de maus-tratos, negando-se- -lhes até a liberdade de refletir, existem mães, filhos, irmãos etc., que sofrem em silêncio sem outra defesa mais que suas lágrimas, sem outra garantia que a cega obediência, sem outra vingança que a sua muda oração a Deus! ... Deus que nenhuma raça fez Para sobre uma outra ter Revoltante primazia, Ilimitado poder. Mães brasileiras, afastai dos olhos de vossos filhos o espetáculo de uma opressão cruel, que lhes enerva a compaixão, e agrava mais a triste sorte dessesmíseros a quem deveis, como cristãs, caridosamente dirigir. Ensinai-lhes cedo a olhá-los como nossos semelhantes, e, por conseguinte, dignos de nossa comiseração no estado a que os redu- ziram nossos maiores. FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). p. 89. Considere as seguintes afirmações: I A autora critica o sistema escravocrata, con- denando a opressão e os maus-tratos aos quais os escravizados estão sujeitos. II A citação do trecho de A lágrima de um Caeté corrobora a crítica da autora à escravidão. III Os versos de A lágrima de um Caeté defen- dem que nenhuma raça é superior a outra. IV A autora deseja que as mães ensinem seus filhos a olhar para os escravizados como seus semelhantes. Quais estão corretas? A) Apenas I. B) Apenas I e II. C) Apenas I e III. D) Apenas II e III. E) I, II, III e IV. 6. Leia um trecho do capítulo LII de Opúsculo humanitário: Vimos em França e em Inglaterra mães de quatro, cinco, e mais filhos, amamentando ainda um, saberem dividir e utilizar tão bem o seu tempo, que os pensavam, faziam todo o serviço interno da casa, e lhes sobravam horas para ajudarem seus maridos no comércio, nas artes ou na lavoura, apresentando no fim do dia um resultado de sua aplicação. Verdade é que naqueles países não se inculca, como aqui, à mulher a falsa ideia de que ela nada pode ser por si mesma, sendo-lhe indispensável o braço do homem para fazê-la viver, como a sua razão para dirigi-la! Assim, quando a jovem, de qualquer condição que seja, transpõe ali o limiar nupcial, não leva como as 25 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 25 09/10/2024 09:30:25 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Carine Andrade V Carine Andrade F Carine Andrade F nossas a presunção de que alcançou a única glória a que deve aspirar a mulher, esperando do marido todas as suas comodidades, e a satis- fação de todos os seus caprichos; direito que julga indisputavelmente firmado constituindo-se simples mãe de seus filhos. FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). p. 95. Considerando o contexto da obra e a citação, é correto afirmar que: A) no Brasil, propagava-se a ideia de que as mulheres não podiam fazer nada sozinhas e precisavam necessariamente de um homem ao seu lado. B) as mulheres inglesas e francesas possuem mais tempo disponível que as brasileiras. C) na Inglaterra e na França, as mulheres en- caravam o casamento como a única glória possível para uma mulher. D) as mulheres brasileiras consideravam-se inferiores aos homens. 7. Em Opúsculo humanitário, a formação religiosa de Nísia Floresta desempenha um papel essencial em seu pensamento sobre a educação feminina. No capítulo LV, a autora diz: “A religião é a cadeia indestrutível que liga a mulher a seus deveres, a coroa mais preciosa que lhe cinge a fronte”. Sobre a presença da religião cristã em Opúsculo humanitário assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ( ) Nísia Floresta critica o romance A cabana do pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe pela ausência de elementos religiosos na obra. ( ) A autora faz críticas ao clero brasileiro que oferece exemplos de uma conduta desregrada. ( ) Nísia elogia o perfil caridoso das mulheres francesas e cita como exemplo as irmãs São Vicente de Paulo. ( ) A autora elogia o modo com o qual a religião é ensinada em nossas paróquias. ( ) A autora faz duras críticas ao clero francês. 8. No início do capítulo XXVI, Nísia afirma: “Quanto mais ignorante é um povo, tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele seu ilimitado poder” (p. 52). Comente a frase considerando a temática central de Opúsculo humanitário. 9. Leia o trecho de uma matéria com dados do IBGE sobre a situação das mulheres brasileiras na educação e no trabalho. A pesquisa foi divulgada em março de 2024. Mulheres brasileiras na educação e no trabalho [...] No Brasil, ainda estamos caminhando para que haja a igualdade entre os sexos em todos os setores da sociedade. Enquanto esse dia não chega, que tal aprender com as es- tatísticas como está a situação das mulheres brasileiras no trabalho, saúde e educação? Você sabia que, em 2022, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidando de pessoas? Já os homens gastaram bem menos, 11,7 horas fazendo a mesma coisa! Essa e outras informações estão no estudo “Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil”, publicado pelo IBGE em março de 2024. As estatísticas mostram que as mulheres tentam conciliar, de modo ainda desigual, os afazeres domésticos e cuidados de pessoas com o trabalho remunerado. Em muitos casos, elas só conseguem empregos que ocupem menos horas durante a semana. Em 2022, 28,0% das mulheres estavam ocupadas (ou seja, trabalhando) em tempo parcial (de até 30 horas semanais), quase o dobro (14,4%) do verificado para os homens. A taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho foi de 53,3% enquanto a dos homens foi bem maior: 73,2%. 26 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 26 09/10/2024 09:30:25 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Se no trabalho, a situação das mulheres ainda é desigual quando comparada aos homens, o estudo aponta uma melhora quando o assunto é educação. Em 2022, cerca de 92,5% de meninas de 15 a 17 anos estudavam, contra 91,9% de meninos na mesma faixa etária. No mesmo ano, na população com 25 anos ou mais de idade, 35,5% dos homens não tin- ham instrução ou possuíam apenas o Ensino Fundamental incompleto, contra 32,7% das mulheres. MULHERES brasileiras na educação e no trabalho. IBGE Educa, [s.d]. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/ atualidades/20459-mulheres-brasileiras-na-educacao-e-no- trabalho.html. Acesso em: 15 jul. 2024 O contexto em que vivemos hoje no Brasil é muito diferente do descrito por Nísia Floresta no século XIX. As meninas têm o mesmo acesso à educação e ao mercado de trabalho que os meninos. No entanto, é possível observar que os cargos de poder e de alto escalão no mundo do trabalho são ocupados, em sua maioria, por homens. Considerando os dados da pesquisa, como você avalia a condição do sexo feminino hoje no Brasil em comparação com a época de Nísia Floresta? 10. Sobre a estrutura de Opúsculo humanitário, é correto afirmar que: A) a obra é ficcional e apresenta uma narradora em primeira-pessoa que comenta a vida das mulheres brasileiras no século XIX. B) a obra é composta de textos ensaísticos que apresentam a visão de Nísia Floresta acerca da condição das mulheres e da educação do período em que escreve. C) a obra dialoga com aspectos do Romantismo brasileiro, movimento literário que caracte- rizou o século XIX. D) a obra é um manifesto de Nísia contra o sistema escravocrata brasileiro. E) a obra apresenta personagens que dialogam a respeito das condições da mulher brasileira no século XIX. 11. Em Opúsculo humanitário, Nísia Floresta refere-se a diversos eventos históricos e sociais da realidade brasileira tanto no século XIX como em períodos anteriores. Vejamos o seguinte trecho do capítulo XXIX: Uma lava do vulcão da Córsega, cuja erupção ameaçava derrubar todos os tronos da Europa, descendo a Portugal, estendeu essa influência até as hospitaleiras praias do Brasil, o qual abriu generosamente seus braços e seus tesouros à Família real, que vinha procurar um asilo em seu seio. FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). p. 55. A que evento histórico do século XIX no Brasil refere-se Nísia no trecho? A) Independência do Brasil. B) Promulgação da Lei Áurea. C) Proclamação da República. D) A chegada da corte portuguesa no Rio deJaneiro. 12. No episódio em que Nísia comenta a trajetória da escritora e humanista portuguesa Públia Hortênsia de Castro na Universidade de Coimbra (capítulo XXI), é incorreto afirmar que: A) o episódio procura mostrar o preconceito dos portugueses com as mulheres. B) o episódio demonstra a dificuldade encon- trada pelas mulheres que desejavam estudar. C) o episódio visa exaltar a inteligência e as conquistas de Públia Hortênsia de Castro. D) o episódio comenta a falta de capacidade intelectual de Públia Hortênsia de Castro. 13. Vejamos um trecho do livro Nísia Floresta, de Constância Lima Duarte, a respeito da criação 27 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 27 09/10/2024 09:30:25 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Carine Andrade Carine Andrade Carine Andrade do Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, estabe- lecimento de ensino criado e dirigido por Nísia. Esta escola, segundo depoimento de todos os que sobre ela escreveram, trouxe avanços consideráveis para a educação de seu tempo. E, entre as inovações aí reconhecidas, cos- tumam ser lembradas o ensino do latim, do francês, do italiano e do inglês, bem como respectivas gramáticas e literaturas; o estudo da geografia e da história do país; a prática da educação física; e a limitação do número de alunas por turma como forma de garantir a qualidade do ensino. Tais questões consistiam realmente em novidades porque os demais colégios femininos enfatizavam principalmente o desenvolvi- mento de prendas domésticas e se limitavam a um ensino superficial da língua materna e a noções rudimentares das quatro operações. A valorização da “educação da agulha” em detrimento da instrução era um fato tão aceito como sendo o mais correto, que não faltou quem criticasse o colégio de Nísia Floresta por incluir disciplinas consideradas supérfluas para a formação das meninas. Um dos críticos, por exemplo, no jornal O Mercantil, de 2 de janeiro de 1847, fez o seguinte comentário acerca dos exames finais em que várias alunas haviam sido premiadas com distinção: “trabalhos de língua não faltaram; os de agulha ficaram no escuro. Os maridos precisam de mulher que trabalhe mais e fale menos”. Duarte, Constância Lima. Nísia Floresta. Recife: Fundação Joaquim Nabuco; Massangana: 2010. p. 17. Considerando o trecho citado e a leitura de Opúsculo humanitário, comente o pioneirismo de Nísia Floresta ao criar e dirigir o Colégio Augusto. 14. Nos capítulos finais de Opúsculo humanitário, Nísia Floresta faz uma série de considerações sobre os aborígenes de nossa terra, destacando o papel das mulheres indígenas. Vejamos um trecho do capítulo LIX: Dignas, por suas virtudes inatas, de rece- berem educação moral e intelectual que as colocasse a par de nossas mulheres civilizadas, as aborígenes do Brasil foram as primeiras vítimas imoladas à licença dos homens da civilização, que vieram trazer ao seu país as vantagens da vida europeia. Companheiras submissas e fiéis de seus maridos, a quem seguiam na guerra e ajuda- vam com incansável zelo e natural dedicação em diferentes mistérios da vida errante, na cabana ou fora dela, sua sorte era preferível à que depois lhes trouxe o cristianismo de seus vencedores, envolvendo-as na atmosfera de seus vícios, ligando-as ao férreo poste da escravidão, e vendendo-as, como faziam, com inaudita atrocidade sob o mesmo céu onde Deus as havia feito nascer com seus irmãos no pleno gozo da liberdade! FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado Federal, 2019. v. 3. p. 110. (Coleção Escritoras do Brasil). Considere as seguintes afirmações: I O trecho afirma que a vida das mulheres indígenas era pior antes da chegada dos europeus. II As mulheres indígenas são descritas como vítimas da civilização. III O trecho destaca que as mulheres indígenas ajudavam seus companheiros em diferentes aspectos da vida. IV O trecho afirma que as mulheres indígenas mantiveram-se livres dos vícios da civilização. Quais estão corretas? A) Apenas I e II. B) Apenas II e III. C) Apenas I e IV. D) Apenas III e IV. E) I, II, III e IV. 28 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 28 09/10/2024 09:30:26 D isponibilizado por Jardim da Babilônia 15. Em Opúsculo humanitário, Nísia Floresta refletiu e escreveu sobre a necessidade de uma educação feminina de qualidade, condição inexistente na época em que viveu. Para isso, reuniu dados, estudou, pesquisou e fez suas propostas. Escreva sobre o que você gostaria que fosse diferente na educação escolar que recebeu. Caso esteja satisfeito com ela, escreva sobre os motivos que o deixam feliz com a educação a qual teve oportunidade. GABARITO 1. A 2. C 3. B 4. V – F – V – V – F – F 5. E 6. A 7. F – V – V – F – F 8. Resposta pessoal. 9. Resposta pessoal. 10. B 11. D 12. D 13. Resposta pessoal. 14. B 15. Resposta pessoal. RESOLUÇÕES 1 A Alternativa A: correta. O papel de destaque que as mulheres passam a experimentar na escrita durante o Segundo Reinado é sintomático do surgimento de novas práticas culturais, como a ampliação do público leitor feminino e a popu- larização dos folhetins. Em tais circunstâncias, na escrita, a atuação feminina ficava predomi- nantemente circunscrita à produção de diários e correspondências, sendo o acesso à imprensa relatado pelo texto uma importante superação das barreiras sociais e culturais estabelecidas ao mundo feminino. Alternativa B: incorreta. O texto trata de uma mudança no perfil de leitores, destacando a ampliação de um público leitor feminino. Não há menção à mudança de hábitos masculinos, mas, sim, às alterações ocorridas com a participação das mulheres na construção da literatura e da imprensa nacional. Alternativa C: incorreta. O texto não menciona publicações juvenis, mas, sim, o processo de emergência das mulheres como leitoras e es- critoras no cenário nacional. Alternativa D: incorreta. A circulação de manuais pedagógicos não é tratada no texto e não apre- senta nenhuma relação com a ampliação da presença feminina nos espaços de leitura. Alternativa E: incorreta. Segundo o texto, a inserção da figura feminina nos espaços de leitura e escrita esteve associada ao aparecimento dos folhetins, e não ao aparecimento de editoras comerciais. 2 C Alternativa C: incorreta. Segundo a análise de Nísia ao longo do livro, ainda havia a necessidade de uma grande reforma no sistema educacional. 3 B Alternativa A: incorreta. O fragmento diz que os gregos souberam cultivar a inteligência de seu povo e até aponta a inteligência da mulher, mas não foi um destaque entre os povos do Oriente – na verdade se juntou a eles no cometimento de erros. Alternativa B: correta. De acordo com o fragmento, as mulheres gregas não estavam prontas para cumprir sua nobre missão na terra. Alternativa C: incorreta. Segundo a autora, os gregos cometeram os mesmos erros grosseiros dos povos do Oriente, e não o contrário. 29 aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 29 09/10/2024 09:30:26 D isponibilizado por Jardim da Babilônia Alternativa D: incorreta. A inteligência da mulher, baseada na Ciência, começava a se destacar, e não era menor em relação à de outros povos. Alternativa E: incorreta. Segundo a autora, as mulheres gregas destacavam-se nas ciências, mas faltavam-lhes as virtudes cristãs para cum- prirem sua missão na Terra. 4 V – F – V – V – F – F Primeira afirmativa: verdadeira. Os textos foram publicados no Diário do Rio de Janeiro. Segunda afirmativa: falsa. Nísia lamenta o des- caso dos governantes em relação à educação feminina. Terceira afirmativa: verdadeira. A crítica considera a obra uma síntese do pensamento de Nísia. Quarta afirmativa: verdadeira. Nísia é considerada a primeira feminista brasileira. Quinta afirmativa: falsa. Nísia critica a opinião errônea de