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Questões resolvidas

Nos capítulos finais de Opúsculo humanitário, Nísia Floresta faz uma série de considerações sobre os aborígenes de nossa terra, destacando o papel das mulheres indígenas. Vejamos um trecho do capítulo LIX: "Dignas, por suas virtudes inatas, de receberem educação moral e intelectual que as colocasse a par de nossas mulheres civilizadas, as aborígenes do Brasil foram as primeiras vítimas imoladas à licença dos homens da civilização, que vieram trazer ao seu país as vantagens da vida europeia. Companheiras submissas e fiéis de seus maridos, a quem seguiam na guerra e ajudavam com incansável zelo e natural dedicação em diferentes mistérios da vida errante, na cabana ou fora dela, sua sorte era preferível à que depois lhes trouxe o cristianismo de seus vencedores, envolvendo-as na atmosfera de seus vícios, ligando-as ao férreo poste da escravidão, e vendendo-as, como faziam, com inaudita atrocidade sob o mesmo céu onde Deus as havia feito nascer com seus irmãos no pleno gozo da liberdade!"
Considere as seguintes afirmacoes:

I O trecho afirma que a vida das mulheres indígenas era pior antes da chegada dos europeus.

II As mulheres indígenas são descritas como vítimas da civilização.

III O trecho destaca que as mulheres indígenas ajudavam seus companheiros em diferentes aspectos da vida.

IV O trecho afirma que as mulheres indígenas mantiveram-se livres dos vícios da civilização.

Quais estão corretas?
I O trecho afirma que a vida das mulheres indígenas era pior antes da chegada dos europeus.
II As mulheres indígenas são descritas como vítimas da civilização.
III O trecho destaca que as mulheres indígenas ajudavam seus companheiros em diferentes aspectos da vida.
IV O trecho afirma que as mulheres indígenas mantiveram-se livres dos vícios da civilização.
A) Apenas I e II.
B) Apenas II e III.
C) Apenas I e IV.
D) Apenas III e IV.
E) I, II, III e IV.

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Questões resolvidas

Nos capítulos finais de Opúsculo humanitário, Nísia Floresta faz uma série de considerações sobre os aborígenes de nossa terra, destacando o papel das mulheres indígenas. Vejamos um trecho do capítulo LIX: "Dignas, por suas virtudes inatas, de receberem educação moral e intelectual que as colocasse a par de nossas mulheres civilizadas, as aborígenes do Brasil foram as primeiras vítimas imoladas à licença dos homens da civilização, que vieram trazer ao seu país as vantagens da vida europeia. Companheiras submissas e fiéis de seus maridos, a quem seguiam na guerra e ajudavam com incansável zelo e natural dedicação em diferentes mistérios da vida errante, na cabana ou fora dela, sua sorte era preferível à que depois lhes trouxe o cristianismo de seus vencedores, envolvendo-as na atmosfera de seus vícios, ligando-as ao férreo poste da escravidão, e vendendo-as, como faziam, com inaudita atrocidade sob o mesmo céu onde Deus as havia feito nascer com seus irmãos no pleno gozo da liberdade!"
Considere as seguintes afirmacoes:

I O trecho afirma que a vida das mulheres indígenas era pior antes da chegada dos europeus.

II As mulheres indígenas são descritas como vítimas da civilização.

III O trecho destaca que as mulheres indígenas ajudavam seus companheiros em diferentes aspectos da vida.

IV O trecho afirma que as mulheres indígenas mantiveram-se livres dos vícios da civilização.

Quais estão corretas?
I O trecho afirma que a vida das mulheres indígenas era pior antes da chegada dos europeus.
II As mulheres indígenas são descritas como vítimas da civilização.
III O trecho destaca que as mulheres indígenas ajudavam seus companheiros em diferentes aspectos da vida.
IV O trecho afirma que as mulheres indígenas mantiveram-se livres dos vícios da civilização.
A) Apenas I e II.
B) Apenas II e III.
C) Apenas I e IV.
D) Apenas III e IV.
E) I, II, III e IV.

Prévia do material em texto

Opúsculo 
humanitário
N Í S I A F L O R E S TA
por Lívia Bueloni Gonçalves
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D
isponibilizado por Jardim
 da Babilônia 
Poliedro Sistema de Ensino
T. 12 3924-1616
sistemapoliedro.com.br
COLEÇÃO AOL
Copyright © Poliedro Sistema de Ensino Ltda., 2025.
Todos os direitos de edição reservados ao Poliedro Sistema de 
Ensino Ltda. Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal, 
Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
ISBN 978-85-7901-959-3
Presidente: Nicolau Arbex Sarkis 
Autoria: Lívia Bueloni Gonçalves
Gerência editorial: Marcela Regina Silva de Pontes
Projeto editorial: Roberta Amendola
Coordenação de projeto editorial: Rogério Fernandes Salles
Edição de conteúdo: Cláudio Leyria e Francisco Mariani Casadore
Coordenação de revisão: Renata Ultramari
Revisão: Ana Luísa Ruggieri, Camila Coutinho, Diego Carrera 
Guimil, Ellen Barros e Eric Luzzi
Coordenação de arte: Leonardo Carvalho
Ilustração: Pati Perez
Coordenação de licenciamento e iconografia: Letícia 
Palaria de Castro Rocha
Analista de licenciamento: Izilda Monte Alto da Silva Canosa
O Poliedro Sistema de Ensino Ltda. pesquisou, junto às fontes apropriadas, 
a existência de eventuais detentores dos direitos de todos os textos e de todas 
as imagens presentes nesta obra didática. Em caso de omissão, involuntária, de 
quaisquer créditos, colocamo-nos à disposição para avaliação e consequentes 
correção e inserção nas futuras edições, estando, ainda, reservados os direitos 
referidos no art. 28 da Lei no 9.610/98.
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N Í S I A F L O R E S TA
Opúsculo humanitário
por Lívia Bueloni Gonçalves
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 da Babilônia 
Na obra que iremos analisar, Nísia 
Floresta aborda a importância da 
educação feminina, pensamento 
que não era comum em sua época. 
Para defender sua argumentação, 
a escritora percorre a história do 
papel das mulheres em diversas 
sociedades, caminhando desde 
a Antiguidade até o Brasil do 
momento em que escreve, na 
metade do século XIX. A obra nos 
apresenta um importante manifesto 
sobre a emancipação feminina e o 
desejo de igualdade entre homens e 
mulheres. 
Os trechos da obra reproduzidos nesta análise foram extraídos do livro: 
Opúsculo humanitário, de Nísia Floresta. Brasília, DF: Senado Federal, 2019. v. 3. 
(Coleção Escritoras do Brasil).
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INTRODUÇÃO
É uma verdade incontestável que a educação da mulher muita influência teve 
sempre sobre a moralidade dos povos, e que o lugar que ela ocupa entre eles é o 
barômetro que indica os progressos de sua civilização. (p. 23)
Opúsculo humanitário é uma obra composta de 62 artigos que discorrem essencialmente 
sobre a importância da educação das mulheres. É fundamental no argumento da autora a 
noção de civilização atrelada à educação. 
O livro foi publicado em 1853, quando a frequência escolar das meninas da época era 
extremamente baixa. O direito à educação não era visto como algo necessário às meninas, 
pensamento de um período no qual a vida da mulher ficava restrita aos cuidados com o lar 
e à maternidade. Nísia é uma voz pioneira em nosso país, ainda na época do Brasil Império, 
por discorrer sobre a importância da escola no sentido de preparar as alunas para o exercício 
do intelecto, da cidadania e da liberdade. 
Ao longo dos 62 peque-
nos capítulos, a autora refle-
te a respeito das condições 
vividas pelas mulheres em 
diversas sociedades, reali-
zando um panorama históri-
co que começa na Babilônia 
e chega até o Brasil do 
século XIX. Nísia Floresta 
também tece considerações 
sobre a escravidão, ainda 
em voga, condenando-a, e 
aborda a situação dos indí-
genas, particularmente das 
mulheres. 
A obra apresenta não 
apenas o pensamento de 
Nísia Floresta sobre a condi-
ção feminina, mas também 
propostas para um ensino 
de qualidade.
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SOBRE A AUTORA
Breve biografia
Dionísia Gonçalves Pinto, mais conhecida pelo pseudônimo de Nísia 
Floresta Brasileira Augusta, nasceu em Papari, Rio Grande do Norte, em 
1810 e faleceu em Rouen, na França, em 1885. Escritora e educadora, Nísia 
destacou-se, sobretudo, como uma defensora da emancipação feminina. 
Nascida no Rio Grande do Norte, Nísia Floresta (1810-1885) é considerada a 
primeira pensadora brasileira a defender o direito das mulheres, sendo vista 
como uma precursora do feminismo em nossas terras. 
Filha do advogado português Dionísio Gonçalves Pinto e da brasileira 
Antônia Clara Freire, uma herdeira local, Nísia morou em diversos lugares 
do Brasil e vivenciou de perto eventos como A Revolução Farroupilha (1835-
-1845), no sul do país. Ela também viajou pela Europa e chegou a residir na 
França, onde viria a falecer. Com o estudante de Direito Manuel Augusto Faria 
Rocha, falecido precocemente aos 25 anos, teve dois filhos. 
Nísia começou a publicar seus artigos em 1831 em um jornal intitulado 
Espelho das Brasileiras, sempre tratando da condição feminina. A escritora 
ainda exerceu um papel importante como educadora fundando o Colégio 
Augusto no Rio de Janeiro em 1838. Do período em que passou na Europa, 
merece destaque seu contato com Auguste Comte, conhecido como o pai 
do positivismo, do qual assistiu às conferências em Paris. 
Entre suas publicações, Opúsculo humanitário é considerada a obra que 
melhor sintetiza o pensamento de Nísia. Papari, sua cidade natal, foi reno-
meada como Nísia Floresta, em homenagem à sua célebre filha.
A AUTORA E SEU PERÍODO
Quando começa o século XIX, as mulheres brasileiras, em sua grande 
maioria, viviam enclausuradas em antigos preconceitos e imersas 
numa rígida indigência cultural. Urgia levantar a primeira bandeira, 
que não podia ser outra senão o direito básico de aprender a ler e a 
escrever (então reservado ao sexo masculino). A primeira legislação 
autorizando a abertura de escolas públicas femininas data de 1827, e 
até então as opções eram uns poucos conventos, que guardavam as 
meninas para o casamento, raras escolas particulares nas casas das 
professoras, ou o ensino individualizado, todos se ocupando apenas 
com as prendas domésticas. 
DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no Brasil. Estudos Avançados, v. 17, n. 49, 
p. 152-153, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/6fB3CFy89Kx6wLpwCwKnqfS/?for
mat=pdf&lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2024.
PARA IR ALÉM
O pseudônimo Nísia 
Floresta Brasileira Augusta é 
composto do diminutivo de 
seu nome Dionísia (Nísia), 
do sítio em que a escritora 
nasceu no Rio Grande do 
Norte (Floresta), do amor 
à pátria (Brasileira) e da 
menção ao nome de seu 
companheiro Augusto 
(Augusta).
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Nísia Floresta viveu em uma época na qual o 
ensino formal e de qualidade estava praticamen-
te vedado ao sexo feminino. Considerando esse 
período, destaca-se ainda mais o papel pioneiro 
da escritora na luta para que as meninas tivessem 
acesso aos mesmos currículos escolares destina-
dos aos rapazes. O desenvolvimento intelectual 
era considerado exclusivo ao sexo masculino e 
restavam às meninas trabalhos manuais e ativida-
des domésticas. Naquele momento, as mulheres 
eram vistas apenas dentro desse campo limitado, 
sem qualquer possibilidade de outras ambições. A 
questão da educação feminina, foco de Opúsculo 
humanitário, ocupou grande espaço na obra de Nísia. 
Para além desse livro, a escritora também abordava 
esse assunto em artigos de jornal e outros textos.que os indígenas seriam indolentes.
 Sexta afirmativa: falsa. Nísia destaca os preconceitos 
com relação à mulher herdados dos portugueses.
5 E
Afirmativa I: correta. Nísia condena o sistema 
escravocrata ao longo da obra, o que se evidencia 
pelo trecho citado. 
Afirmativas II e III: corretas. A citação dos versos de 
A lágrima de um Caeté dialogam com sua crítica 
afirmando que não existe superioridade racial. 
Afirmativa IV: correta. No final do fragmento, Nísia 
faz um apelo para que as mães ensinem os filhos 
a olhar para os escravizados como semelhantes.
6 A
Alternativa A: correta. A autora comenta o fato 
de “inculcarem” nas mulheres da época que 
elas não eram capazes de fazer nada sozinhas. 
Alternativa B: incorreta. O texto menciona a ca-
pacidade de inglesas e francesas de utilizarem 
melhor seu tempo, e não que elas têm mais 
tempo disponível. 
Alternativa C: incorreta. Ao se casarem, inglesas 
e francesas não encaravam o fato como a única 
glória possível para uma mulher. 
Alternativa D: incorreta. O texto menciona o fato 
de a sociedade fazer com que as mulheres se 
sentissem incapazes, e não o fato de elas 
se sentirem realmente dessa forma.
7 F – V – V – F – F
 Primeira afirmativa: falsa. Nísia elogia Harriet 
Stowe (dona de uma “educação religiosa e 
moral”) e seu romance. 
 Segunda afirmativa: verdadeira. Nísia critica a 
conduta do clero brasileiro.
 Terceira afirmativa: verdadeira. Nísia elogia o 
perfil caridoso das mulheres francesas. 
 Quarta afirmativa: falsa. Nísia comenta que a 
religião é mal ensinada nas paróquias brasileiras.
 Quinta afirmativa: verdadeira. Nísia cita o clero 
francês como o “mais instruído do mundo 
católico”. 
8 Resposta pessoal. Espera-se que o aluno asso-
cie a falta de instrução com a facilidade de ser 
manipulado por alguém com mais poder, seja 
uma pessoa ou um governo. A temática central 
da obra – o direito das mulheres à educação – 
defende que o sexo feminino possa ter acesso 
ao ensino de qualidade.
9 Resposta pessoal. Espera-se que o aluno avalie 
os dados da matéria comentando o fato de que 
as mulheres dedicam-se mais aos afazeres 
domésticos que os homens, situação que vem 
de longa data em nossa sociedade, como apon-
tado em Opúsculo humanitário. Apesar de os 
números indicarem uma escolaridade maior 
da população feminina hoje, a taxa de partici-
pação masculina no mercado de trabalho é 
bem maior. Isso se deve ao fato de as mulheres 
ainda serem as maiores responsáveis pelos 
cuidados domésticos. 
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10 B
Alternativa A: incorreta. Não se trata de uma 
obra ficcional. 
Alternativa C: incorreta. A obra não dialoga 
com nenhuma escola literária e tem um caráter 
ensaístico. 
Alternativa D: incorreta. Não se trata de um mani-
festo contra o sistema escravocrata, apesar de 
a obra condenar a escravidão. 
Alternativa E: incorreta. Não se trata de uma 
obra ficcional com personagens.
11 D
O trecho refere-se à vinda da Corte portuguesa 
para o Brasil em 1808, fugindo das tropas na-
poleônicas. Nísia comenta este acontecimento 
histórico no capítulo mencionado.
12 D
Alternativas A e B: corretas. A autora comenta o 
preconceito dos portugueses com as mulheres 
e as dificuldades encontradas por Castro para 
frequentar a Universidade de Coimbra.
Alternativa C: correta. Nísia exalta as capacidades 
e conquistas de Públia Hortênsia de Castro.
Alternativa D: incorreta. Conforme explicado 
na alternativa c, as capacidades de Hortênsia 
de Castro são exaltadas por Nísia. 
13 Resposta pessoal. Espera-se que o aluno 
destaque o pioneirismo de Nísia ao criar o 
colégio e implementar um currículo escolar 
que não era o padrão para meninas da época. 
Nísia tenta colocar em prática sua visão sobre 
a educação feminina, já que não queria que a 
educação das mulheres ficasse reduzida aos 
afazeres domésticos. Espera-se que o aluno 
enfatize as críticas que sua ousadia gerou 
na sociedade, comentando a resistência que 
atitudes inovadoras costumam causar e o 
preconceito demonstrado pela crítica do jornal 
O Mercantil.
14 B
Afirmativa I: incorreta. O trecho não menciona 
uma vida melhor após a colonização e cita as 
indígenas como vítimas da civilização.
Afirmativa IV: incorreta. O trecho afirma que as 
indígenas foram envolvidas em uma atmosfera de 
vícios, portanto não se mantiveram livres deles. 
15 Resposta pessoal. Espera-se que o estudante 
possa explicar que a qualidade do ensino que 
ele recebe hoje é muito maior que a situação 
enfrentada naquela época, ainda que haja 
quesitos que precisam ser melhorados.
REFERÊNCIAS 
BIBLIOGRÁFICAS
CAMPOI, Isabela Candeloro. O livro “Direitos das 
mulheres e injustiça dos homens” de Nísia 
Floresta: literatura, mulheres e Brasil no século 
XIX. História, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 196-213, 
ago./dez. 2011.
DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no 
Brasil. Estudos Avançados, v. 17, n. 49, p. 151-172,
2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
ea/a/6fB3CFy89Kx6wLpwCwKnqfS/?format=pdf&
amp;lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2024.
DUARTE, Constância Lima. Nísia Floresta. Recife: 
Fundação Joaquim Nabuco; Massangana, 2010.
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília, DF: 
Senado Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras 
do Brasil).
WESTIN, Ricardo. Para lei escolar do Império, meninas 
tinham menos capacidade intelectual que meni-
nos. Agência Senado, 2 mar. 2020. Disponível em: 
https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/
arquivo-s/nas-escolas-do-imperio-menino-
estudava-geometria-e-menina-aprendia-
corte-e-costura. Acesso em: 15 jul. 2024.
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isponibilizado por Jardim
 da Babilônia 
O estudo das obras promove a 
compreensão e o aprofundamento 
do texto, revela as intenções de cada 
autor e elucida as características da 
escola literária da qual a obra faz parte. 
Ler é condição fundamental para 
compreender o mundo, os seres, os 
fenômenos e os acontecimentos.
Entender e desvendar uma obra é 
compreender o prazer da leitura e da 
busca de novos saberes. É encontrar a 
beleza da essência de cada autor.
Para saber mais sobre esta obra, 
assista à videoaula no P+:
aol_2025_opusculo_humanitario_p5.indd 32 09/10/2024 09:30:26
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isponibilizado por Jardim
 da BabilôniaDo ponto de vista histórico, as ideias a respei-
to do papel da mulher começam a sofrer alguma 
mudança na metade do século XIX. Ainda segundo 
Constância Lima Duarte, especialista na obra de Nísia:
Todos pareciam concordar – ainda que 
com interesses diversos – que o século XIX 
representava para a sociedade burguesa 
o auge da civilização, e não era mais 
possível admitir que metade da população 
estivesse numa situação de inferioridade 
tão gritante, diante da outra que detinha 
todos os privilégios e poderes. Aos poucos 
criava-se um quase consenso (perceptível 
nas opiniões veiculadas nos jornais) em 
torno da ideia de que uma sociedade não 
evolui se não cuidar também da educação 
feminina, e não habilitar a mulher para 
participar, junto com o homem, dos 
progressos da técnica e das ciências.
DUARTE, Constância Lima. Nísia Floresta. Recife: Fundação 
Joaquim Nabuco; Massangana: 2010. p. 18.
Em um trecho de Opúsculo humanitário, Nísia 
nos mostra que, pelos dados oficiais de 1852, apenas 
55 500 alunos haviam frequentado a escola públi-
ca. Deste montante, apenas 8 443 eram meninas. 
A população brasileira nesse ano era estimada em 
aproximadamente 9 milhões de habitantes. Ainda 
estávamos no período do Brasil Império e a abolição 
da escravatura só ocorreria em 1888. Esses dados 
são importantes, pois, em Opúsculo humanitário, 
Nísia faz comentários a respeito de nossa herança 
portuguesa, fonte de alguns preconceitos sobre 
o sexo feminino, e critica o horror da escravidão.
A autora não se contentou apenas em escrever 
sobre o que pensava e teve um papel de destaque 
no cenário escolar do país. Como educadora, em 
1838, fundou o Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, 
onde também atuou como diretora. A instituição 
dedicava-se à educação feminina e implementou 
um programa nada comum à época. Entre as disci-
plinas havia Latim, História, Geografia, Matemática, 
Inglês, Francês etc. O currículo procurava trazer 
matérias que só eram ensinadas aos meninos. Nísia 
foi criticada por sua ousadia. O reconhecimento de 
seu pioneirismo ainda tardaria a chegar.
PARA SABER MAIS
Assista à palestra “Nísia Floresta: Uma mulher 
à frente de seu tempo”, com Constância Lima 
Duarte, especialista na obra da autora. 
Disponível no YouTube: 
https://www.youtube.com/watch?v=tC1rwWYnbGE&t=479s. 
Acesso em: 21 ago. 2024.
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A PRODUÇÃO LITERÁRIA
Obras
1878
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NÃO FICÇÃO (ENSAIOS, 
RELATOS DE VIAGEM, NOTAS 
BIOGRÁFICAS E ARTIGOS)
Direitos das mulheres e 
injustiça dos homens
(1832)
Conselhos à minha filha
(1842)
Discurso que às suas educandas 
dirigiu Nísia Floresta
(1847)
Opúsculo humanitário, ensaio
(1853)
Itineraire d’un Voyage en 
Alemagne, relato de viagem
(1857)
Cintilações de uma alma 
brasileira, ensaio
(1859)
Trois ans en Italie: suivis 
d’un Voyage en Gréce, 
relato de viagem
(1864)
Páginas de uma vida obscura, 
Um passeio ao aqueduto da 
Carioca e Pranto Filial, artigos 
publicados em livro
(1854)
A mulher, ensaio 
(1865)
Le Brésil, ensaio
(1871)
Fragments d’un 
ouvrage inédit: 
Notes biographiques, 
biografia
(1878)
POESIA
Fanny ou o modelo 
das donzelas
(1847 )
A lágrima de um 
Caeté
(1849)
Dedicação de uma 
amiga
(1850)
NOVELAS
ROMANCE
Daciz ou a jovem 
completa
(1847)
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ep
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çã
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COMO ESTUDAR
Para estudar os aspectos abordados 
em Opúsculo humanitário, consulte os 
seguintes conteúdos nos seus materiais:
• Feminismo
• Escritoras brasileiras do século XIX
• Educação no século XIX
• Brasil Império
• Romantismo
• Textos argumentativos
ASPECTOS GERAIS DA PRODUÇÃO LITERÁRIA 
A obra de Nísia Floresta compõe-se de textos publicados em diversas 
línguas e sob diferentes gêneros. Além de sua presença na imprensa 
nacional, ela escreveu romance, novelas, poemas e textos de caráter 
ensaístico. Opúsculo humanitário destaca-se na obra de Nísia porque os 
temas da educação feminina e da emancipação da mulher são marcantes 
em sua produção. No entanto, a autora também se dedicou a outras 
temáticas de sua época, tais como a questão indianista e a escravidão, 
além de escrever alguns relatos de viagens. Vamos perpassar alguns 
pontos centrais de sua produção. 
A primeira obra de relevo de Nísia foi Direito das mulheres e injustiça 
dos homens. O livro chama a atenção para o lugar ocupado pelas mulheres 
na sociedade e questiona a ausência do sexo feminino em postos de co-
mando. Em sua primeira publicação, Nísia já se preocupava em defender 
a ideia de que as mulheres têm as mesmas capacidades que os homens. 
A exaltação do indígena também se fez presente em sua obra e, nesse 
caso, a autora dialogou com um tema do nosso Romantismo, movimento 
literário de sua época. Trata-se de A lágrima de um Caeté, longo poema 
composto de mais de 700 versos, dos quais alguns surgem citados em 
Opúsculo humanitário. Nísia tematiza o drama dos indígenas brasileiros 
frente à colonização. Em Páginas de uma vida obscura, folhetim de 1855, a 
autora critica o sistema escravocrata ao contar a história de um escravizado. 
Alguns livros de Nísia são o resultado de suas viagens 
à Europa. Neles, ela faz relatos e comenta impressões dos 
locais que visitou. Fazem parte desse conjunto Itineraire 
d’un Voyage en Alemagne [Itinerário de uma viagem à 
Alemanha] e Trois ans en Italie: suivis d’un Voyage en Gréce 
[Três anos na Itália, seguidos de uma viagem à Grécia]. 
Cintilações de uma alma brasileira é composto de 
ensaios que também abordam a questão educacional 
e demonstram a saudades que Nísia sentia de seu país. 
A predominância do tema da educação reflete o pró-
prio papel de educadora que Nísia desempenhou. Além 
de Opúsculo humanitário, fazem parte desse universo 
A mulher, Discursos à minha filha (obra que ela dedicou à 
filha Lívia) e Discurso que às suas educandas dirigiu Nísia 
Floresta, ainda que sob diferentes abordagens. Sobre a 
mesma temática estão os textos ficcionais Daciz ou A jovem 
completa e Fanny ou O modelo das donzelas.
HABILIDADES DA BNCC 
MOBILIZADAS
EM13LGG202, EM13LGG601, 
EM13LGG602, EM13LGG604, 
EM13LP01, EM13LP02, 
EM13LP03, EM13LP05, 
EM13LP06, EM13LP07, 
EM13LP10, EM13LP48, 
EM13LP49, EM13LP52.
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Quanto mais ignorante é um povo, tanto 
mais fácil é a um governo absoluto exercer 
sobre ele o seu ilimitado poder.
É partindo desse princípio, tão contrário 
à marcha progressiva da civilização, que a 
maior parte dos homens se opõe a que se 
facilite à mulher os meios de cultivar o seu 
espírito. Porém, é este um erro, que foi e 
sempre será funesto à prosperidade 
das nações, como à ventura doméstica 
do homem. (p. 51)
A quem interessa a 
ignorância das mulheres? 
Em plena metade do século XIX, Nísia Floresta 
levantou sua voz para defender o direito da popu-
lação feminina ao estudo de qualidade. Segundo 
a autora, as mulheres deveriam estudar e ocupar 
os mais diversos cargos em uma sociedade, assim 
como os homens, e serem respeitadas por isso. Tal 
afirmação pode parecer banal nos dias de hoje, mas, 
em 1853, ninguém pensava dessa forma. As mulheres 
viviam confinadas no ambiente doméstico e tinham 
poucas chances de desenvolver-se intelectualmente. 
O acesso à escola não era visto como um direito 
importante a elas. Com seus escritos, Nísia Floresta 
tentou mudar essa mentalidade. Um dos resultados 
dessa reivindicação é Opúsculo humanitário, livro 
com 62 artigos sobre o tema publicados no Diário 
do Rio de Janeiro em 1853.
Nísia já havia defendido o direito das mulheres 
à instrução em Direitos das mulheres e injustiças 
dos homens. A autora considera que o avanço de 
uma nação está diretamenteligado à capacidade 
de intervenção das mulheres em suas respectivas 
sociedades. Em Opúsculo humanitário, o tema 
é desenvolvido em detalhes, como poderemos 
observar.
A estrutura da obra
O termo “opúsculo” significa “obra pequena”. Segundo 
o Dicionário Houaiss, a palavra refere-se a “impresso 
ou livro pequeno, de poucas páginas”. Os textos, 
que chamaremos aqui de capítulos (do I ao LXII), 
estão focados no papel da mulher na sociedade 
ocidental e, principalmente, na importância da 
educação feminina. Nísia preocupava-se com a 
ausência das meninas nos bancos escolares e o livro 
faz um apelo à sociedade da época, convocando-a 
a alterar essa situação. Para a autora, as mulheres 
exerceriam uma influência central em suas nações 
se recebessem a instrução devida. 
Entre as considerações da autora estão o descaso 
dos governantes com a educação e a baixa qualidade 
do ensino. Para refletir sobre seu tema central, Nísia 
se vale da história de nosso país enquanto ainda era 
colônia portuguesa e da herança dos preconceitos 
da metrópole. Em diversos trechos, a autora aborda 
a vergonha e os problemas de fazer parte de uma 
nação escravocrata. A abolição só ocorreria em 
maio de 1888 com a Lei Áurea.
A autora também combate a ideia vigente de 
que a mulher deveria concentrar-se apenas em 
atividades domésticas e não no desenvolvimento 
de suas habilidades intelectuais. A obra expõe os 
estudos de Nísia a respeito da condição feminina 
em diversas civilizações e nações pelo mundo 
antes de se concentrar em nosso país, o “império 
de Santa Cruz”. O destaque dado à importância da 
religião cristã na instrução de uma mulher também 
surge com frequência nos capítulos. 
Ao contrário de uma obra ficcional, que apresenta 
elementos como enredo, narrador, personagens, 
tempo e espaço, um livro de caráter ensaístico 
como este traz os argumentos e as reflexões da 
autora. Ao longo dos 62 capítulos, Nísia desenvolve 
seu pensamento acerca dos motivos do atraso de 
nosso país em relação à educação feminina. Iremos 
analisar os pontos centrais da obra a seguir.
Funesto: Sinistro, fatal.
Ventura: Sorte, destino.
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A linguagem utilizada remete ao século XIX e 
muitos termos são arcaicos e distantes da língua 
portuguesa corrente, bem como certas constru-
ções da autora. Um exemplo é a frase que abre 
o capítulo XVIII: “Não ignoramos que imos [...]” 
(p. 42). “Imos” refere-se a uma forma antiga da 
conjugação do verbo ir no presente do indicativo, 
o correspondente a “vamos”. Em alguns trechos, 
o leitor pode sentir a necessidade de utilizar um 
dicionário. Adjetivos como “morigerado” (mo-
derado) e advérbios como “embalde” (em vão), 
que surgem mais de uma vez ao longo da obra, 
podem travar a compreensão do texto para um 
leitor contemporâneo. Ler Opúsculo humanitário
hoje é entrar em contato com a linguagem de uma 
escritora que viveu há dois séculos de nós. Seu 
tom varia entre o explicativo (nos trechos em que 
demonstra a situação das nações abordadas e avalia 
a história de nosso país) e o indignado (nos trechos 
em que percebe a condição da mulher brasileira, 
dos preconceitos que sofre, e ao comentar temas 
como a escravidão). 
A obra segue dois movimentos principais. 
Inicialmente, a autora analisa a condição feminina 
em diversas civilizações, começando na Antiguidade e 
chegando até países como Alemanha, Grã-Bretanha, 
França e Estados Unidos. Em seguida, dedica-se à 
análise da condição da mulher e da educação no 
Brasil. Este segundo movimento é o mais exten-
so da obra. O livro é dedicado ao irmão de Nísia, 
Joaquim Pinto Brasil: “tu, digo, compreenderás, lendo 
estes reflexos de um coração sempre dedicado à 
educação de nossa mocidade, o interesse que ela 
me inspira ainda lutando com o mal físico que 
me oprime, depois de minha volta da Europa.” Em 
suas análises, Nísia se vale, por diversas vezes, da 
comparação entre o Brasil e as chamadas nações 
“mais civilizadas”, principalmente a França.
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Momentos essenciais
Logo no capítulo I, Nísia evoca um de seus temas 
centrais – a conexão entre a educação da mulher 
e a civilização das nações –, clamando para que 
nosso país dedique atenção ao assunto: 
Enquanto pelo velho e novo mundo vai 
ressoando o brado – emancipação da 
mulher – nossa débil voz se levanta, na 
capital do império de Santa Cruz, 
clamando – educai as mulheres!
[...]
Em todos os tempos, e em todas as nações 
do mundo, a educação da mulher foi sempre 
um dos mais salientes característicos da 
civilização dos povos. (p. 17)
Enfatizando que a educação da mulher é 
essencial para a moralidade dos povos, Nísia faz 
uma retomada histórica sobre a condição feminina 
em diferentes civilizações. Nos capítulos I a V, a 
escritora transporta-nos para diversos espaços 
e períodos, seguindo uma ordem cronológica 
com o objetivo de refletir sobre o tratamento 
dado à mulher. 
Inicialmente, o leitor é levado para a Ásia (onde 
“a mulher foi sempre considerada como um ins-
trumento do prazer material do homem” (p. 17); 
em seguida, para o Egito (que permaneceu “em 
completa ignorância a respeito da educação que 
convém à mulher” (p. 18) e valorizou apenas a beleza 
física); para a Grécia, onde “a inteligência da mulher, 
conquistando a ciência, começava a distinguir-se, 
mas faltava-lhe o tipo da mulher cristã” (p. 20); e 
para Roma, onde “déspotas tais como os Romanos 
não podiam compreender e ministrar à mulher a 
educação que lhe convém” (p. 20). Nísia ainda se 
detém na época feudal chegando à conclusão de 
que não houve progressos significativos na educação 
da mulher em todo o período abordado. O objetivo 
dos capítulos iniciais é fazer um panorama desses 
povos antigos, mostrando as peculiaridades de cada 
um deles e destacando que o papel da mulher ainda 
não havia sido devidamente valorizado.
Nos capítulos VI a XIII, a autora falará sobre a 
condição feminina nas três grandes nações da Europa 
Moderna: Alemanha, Inglaterra e França. 
Com relação à Alemanha, a autora destaca “o 
verdadeiro tipo do espírito de família” (p. 26) e elogia 
a educação das mulheres alemãs. A admiração de 
Nísia também é notável em relação às mulheres 
inglesas que concentram, em sua visão, “virtudes 
domésticas e [...] nobre altivez de seu sexo” (p. 29). 
A educação da mulher inglesa é, como a 
liberdade política dos ingleses, fundada 
em sua moral: e assim como a verdadeira 
base de um governo é a liberdade política, 
conforme observa o ilustre autor do 
Espírito das Leis, assim também a religião 
deve ser a base da educação da mulher. 
O povo inglês compreendeu, e mais que 
nenhum outro demonstra praticamente, esta 
verdade; daí a causa primária das vantagens 
de sua educação sobre a dos outros povos. 
(p. 30)
No pensamento de Nísia, a moralidade e a re-
ligião são consideradas fundamentais na instrução 
de uma mulher. Ela cita escritoras inglesas que 
souberam transmitir essa moralidade em suas 
obras, tais como Maria Edgeworth, Jane Austin 
e Elizabeth Hamilton. Mais adiante, já tratando 
das mulheres francesas, Nísia reforça:
Dê-se ao sexo uma educação religiosamente 
moral, desvie-se dele todos os perniciosos
exemplos que tendem a corromper-lhe, 
desde a infância, o espírito em vez de 
Brado: Grito.
Débil: Fraco, desanimado.
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formá-lo à virtude, adornem-lhe a inteligência de úteis 
conhecimentos e a mulher será não somente o que ela deve 
ser – o modelo da família –, mas ainda saberá conservar 
dignidade, em qualquer posição em que porventura a sorte a 
colocar. (p. 35)
Ao discorrer sobre a França, a autoradestaca a caridade típica das 
mulheres francesas como uma grande virtude e cita as irmãs de São 
Vicente de Paulo como exemplo. Apesar de tecer elogios às mulheres 
das três nações, a conclusão é a de que nenhum desses países teria 
alcançado o “aperfeiçoamento da educação”.
Apesar do apreço em que temos às mulheres das três últimas 
nações em que tão de passagem falamos, reconhecemos, 
todavia, que muito tem ainda a sociedade que fazer para que 
cheguem ao aperfeiçoamento da educação, ali mesmo onde 
ela tão altamente sobressai à que recebem as mulheres dos 
outros países. (p. 37)
PARA IR ALÉM
Vicente de Paulo (1581-1660) foi um 
sacerdote católico francês, declarado 
santo em 1737 pelo Papa Clemente XII 
e que ficou conhecido como o “pai da 
caridade”. As irmãs de São Vicente de 
Paulo, também chamadas de “irmãs 
vicentinas”, constituem um movimento 
católico que tem como missão agir 
em prol de pessoas em situação de 
vulnerabilidade.
Pernicioso: Nocivo.
Porventura: Por acaso.
Os capítulos XIV a XVI são dedicados à América. Ela considera os 
americanos um povo de caráter simples e franco. Ao refletir sobre as 
mulheres americanas, a autora elogia a escritora Harriet Beecher Stowe, 
cristã declarada e autora do clássico romance A cabana do Pai Tomás 
(1852). A obra é considerada fundamental no contexto das discussões 
sobre a escravidão nos Estados Unidos. O livro já foi apontado como um
estopim para a Guerra Civil Americana e traz a história de Tomás,
um velho escravizado. Na visão de Nísia, Stowe poderia ser conside-
rada um exemplo para todas as mulheres. A educação moral e religiosa 
dessa escritora contribuem para que ela se eleve aos olhos de Nísia:
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Educação religiosa e moral, espírito 
eminentemente cultivado, amor do trabalho, 
de que deu exuberantes provas desde sua 
primeira juventude, dirigindo com zelo e 
perseverança o ensino da mocidade, prática 
das virtudes domésticas no estado de esposa 
e de mãe, solidez de uma razão esclarecida, 
coragem heroica, de que deu exemplo 
publicando (em face dos terríveis abusos 
de uma lei, que nodoa sua nação, e que sua 
nação tolera ainda) um livro, em que a censura 
acremente dessa imperdoável falta; tudo isto 
se reúne nesta admirável mulher, que acaba 
de conquistar a aprovação dos filósofos, a 
estima dos corações bem formados, e um 
nome imortal na posteridade. (p. 39-40)
A autora busca valorizar e chamar a atenção para 
as mulheres que se destacaram em sua época e que 
estavam alinhadas ao seu pensamento. No romance 
de Stowe, ela também encontra uma relação com o 
Brasil, já que A cabana do Pai Tomás tem seu foco 
no tema da escravidão, regime condenado por Nísia 
ao longo de Opúsculo humanitário.
A situação de nosso país começa a ser abordada 
no capítulo XVII e estende-se até o final da obra. A 
autora retoma a exclamação que dá início ao livro:
Povos do Brasil, que vos dizei civilizados! 
Governo, que vos dizeis liberal! Onde está a 
doação mais importante dessa civilização, 
desse liberalismo? (p. 17)
Nísia cobra um alinhamento de conduta com o 
pensamento liberal e comenta a influência da colo-
nização portuguesa em nosso atraso cultural, uma 
vez que herdamos os preconceitos da metrópole. 
Ainda no capítulo XVII, ela não observa nenhum 
avanço no sentido de promover o desenvolvimento 
da educação das mulheres:
 Nada, porém, ou quase nada temos visto 
fazer-se para remover os obstáculos que 
retardam os progressos da educação das 
nossas mulheres [...]. (p. 41)
O país precisaria mudar sua mentalidade e 
desarraigar os preconceitos herdados, o que não 
acontecia naquele momento. O Brasil não oferecia 
nenhum recurso para a mulher que quisesse se 
desenvolver intelectualmente. 
Segundo Nísia, o Brasil herdou de Portugal o 
desprezo pela educação feminina. A autora cita 
o caso de Públia Hortênsia de Castro, escritora e 
humanista portuguesa que teria se vestido com 
trajes masculinos para frequentar a Universidade de 
Coimbra. Ela enfatiza que se as mulheres portugue-
sas não puderam se destacar como as mulheres do 
Norte isso não ocorreu devido à sua incapacidade 
intelectual, mas sim por conta de preconceitos 
(capítulo XXI). Nísia também critica a índole de 
muitos portugueses que aportaram no Brasil, outra 
das razões de nosso atraso: 
Mas todos sabem que não de homens tais 
e sim de pessoas vulgares, de aventureiros 
intrépidos, ou de condenados pelas leis 
do seu país se compunha a maior parte 
das expedições que aportavam às praias 
brasileiras e iam povoando, pouco a pouco, 
este imenso território, disputando-o 
muita vez atrozmente a seus legítimos 
possuidores, que por tanto tempo gemeram 
sob o jugo iníquo do cativeiro. (p. 47)
Os objetivos dos portugueses que aqui chegavam 
não contemplavam “o progresso das ideias” (p. 44) e 
menos ainda, a educação da mulher (capítulo XXIII). 
As escolas existentes eram de baixa qualidade e, 
segundo Nísia, mais prejudicavam do que ajudavam 
na instrução das meninas. Ela compara as escolas 
Sob o jugo: Sob a autoridade.
Iníquo: Cruel, atroz.
Nodoar: Manchar.
Acremente: De forma rude, grosseira.
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primárias a penitenciárias, fazendo uso da palmatória e da vara como 
método educacional (capítulo XXV):
O sistema inquisitorial das torturas infligidas às inocentes 
vítimas do Santo Ofício, que sob outra forma e com diverso 
fim transpusera o Atlântico, presidia ao ensino da mocidade 
brasileira, ministrado por severos jesuítas ou por mestres 
charlatães, cujo mérito consistia em saber soletrar alguns 
clássicos portugueses, e assassinar pacificamente Salustio, 
Tito Lívio, Virgílio e Horácio! (p. 50)
No capítulo XXVII, a autora comenta o argumento comum de que 
a fragilidade física da mulher em comparação ao homem significaria 
uma desvantagem intelectual:
A fraqueza física é um dos pretextos de que se prevalecem 
certos sofistas para subtraírem a mulher ao estudo, para 
o qual a julgam imprópria. Não é a natureza física, como 
pretende Helvecio, que faz a superioridade do homem, mas 
sim a inteligência. Voltaire, Racine, Pascal e outros muitos de 
uma compleição demasiadamente delicada comprovam esta 
verdade. [...] 
Se a natureza deu à mulher um corpo menos robusto que 
ao homem, não tem ela por isso mesmo mais precisão do 
exercício de suas faculdades intelectuais, para que possa 
melhor preencher os deveres de filha, esposa e mãe, sem 
descer ao artifício? (p. 53) 
Inquisitorial: Rígido, desumano.
Infligido: Aplicado.
Santo Ofício: Tribunal católico que 
julgava e punia os hereges.
Sofista: Especialista em retórica.
Compleição: Aspecto, aparência.
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No capítulo XXIX, Nísia comenta o episódio da 
vinda da corte portuguesa ao Brasil, o que acabou 
gerando algumas melhorias no país – “criaram-se 
tribunais, escolas, academias etc.” (p. 55). No en-
tanto, não houve nenhum progresso com relação 
à educação feminina. O pensamento da época era 
de que ensinar mulheres a ler e escrever era para 
fins menores: 
Dizia-se, geralmente, que ensinar-lhes a ler 
e escrever era proporcionar-lhes os meios 
de entreterem correspondências amorosas, 
e repetia-se sempre que a costura e 
trabalhos domésticos eram as únicas 
ocupações próprias da mulher. (p. 56)
Com o advento das escolas régias, Nísia cita o 
despreparo das professoras e o desleixo que havia 
com o ensino público (capítulo XXXI). A autora ainda 
critica a comercialização do ensino, já que muitas 
escolas eram dirigidas por pessoas que agiam como 
negociantes e não como educadores. Havia um 
interesse material de estrangeiros no Brasil que se 
propagavatambém na área educacional. Quando 
não conseguiam ser bem-sucedidos no comércio, 
voltavam-se para o ensino. Nísia comenta o hábito 
de abrir os jornais diariamente em busca de notícias 
sobre propostas ou avanços do governo sobre a 
educação feminina brasileira e não encontrar nada. 
Nos capítulos XXXV a XXXIX, a autora analisa 
algumas estatísticas educacionais do período, 
mostrando que o número de meninas frequentando 
os bancos escolares era extremamente escasso. 
É neste momento que a autora cita os dados do 
ano de 1852 mostrando que dos 55 500 alunos 
matriculados apenas 8443 eram meninas (capítulo 
XXXVI). A autora comenta estatísticas de Minas 
Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Nísia 
destaca a escassez de recursos para a educação 
na maioria das províncias brasileiras e acrescenta 
a tal condição a confusão metodológica vigente na 
época. Ela também chama a atenção para a diferença 
curricular que deixava meninas em desvantagem:
Não somente os que pertencem ao sexo 
são em muito menor número, mas também 
não oferecem geralmente um estudo 
regular do ensino secundário, ensino 
vedado, ainda hoje, às nossas meninas em 
estabelecimento público; e nos particulares 
nenhuma aula existe de alguns dos ramos 
das ciências naturais, cujo estudo tão 
agradável e útil seria às mulheres, que 
nascem, vivem e sentem no meio da nossa 
rica natureza tropical. (p. 69)
Do capítulo XL em diante, a autora mantém-se 
concentrada em nosso país e defende a neces-
sidade de uma reforma educacional. Nísia tece 
uma série de comentários sobre nossos costu-
mes, de modo a avaliar a condição feminina e 
a situação da educação no Brasil. Ela menciona 
o regime escravocrata, por exemplo, como um 
ambiente prejudicial e nocivo no qual a nossa 
juventude era criada:
De um lado, os mais rudes tratamentos 
do senhor para com o escravo, do outro, 
a impotência deste em repelir um jugo 
anticristão, sancionado pela mais tirânica 
das leis, e a necessidade do artifício para 
iludir o senhor e atenuar os sofrimentos 
da escravidão, tais são os quadros 
constantemente apresentados na vida 
doméstica às crianças, que crescem e se 
vão pouco a pouco insinuando em diversas 
perigosas práticas, passando dos aposentos 
de seus pais aos quartos das escravas, que 
as pensam.
Assim, aquele embrião de inteligência 
envolvido na epiderme de uma graça 
factícia desenvolve-se nas condições mais 
contrárias ao seu futuro engrandecimento. 
(p. 76) 
Sancionado: Aprovado.
Factícia: Artificial, falso.
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Para Nísia, o país deveria seguir o exemplo de nações que ela 
considera mais civilizadas, como as que analisa no início do livro: 
Alemanha, França, Inglaterra e Estados Unidos. 
Copiemos antes de tudo a educação que naqueles países 
se dá à mocidade; imitemos principalmente os ingleses no 
respeito à religião e à lei; os alemães no hábito de pensar e 
no empenho de elevarem-se acima de todos os povos pelo 
estudo e pela reflexão; os franceses em seu espírito inventor 
e em suas generosas inspirações civilizadoras: a todos no 
gosto pelo trabalho e no desejo sempre progressivo de 
engrandecerem-se por seu engenho e atividade. (p. 78)
A autora faz críticas ao modo com a qual a menina brasileira era 
educada – como se fosse uma adulta em miniatura, sem a chance 
de vivenciar a inocência essencial da infância. No capítulo XLVI, a 
autora conta a trágica história de uma criança de seis anos que fa-
leceu em razão do uso de um espartilho extremamente apertado. 
Nísia questiona e critica a mentalidade por trás da educação das 
jovens brasileiras. 
Certo, o que se chama por via de regra no Brasil dar boa 
educação a uma menina? – Mandá-la aprender a dançar, 
não pela utilidade que resulta aos membros de tal exercício, 
mas pelo gosto de a fazer brilhar nos salões; ler e escrever 
o português, que apesar de ser o nosso idioma não se tem 
grande empenho de conhecer cabalmente; falar um pouco 
o francês, o inglês, sem o menor conhecimento de sua 
literatura; cantar, tocar piano, muita vez sem gosto, sem 
estilo, e mesmo sem compreender devidamente a música; 
simples noções de desenho, geografia e história cujo estudo 
abandona com os livros ao sair do colégio; alguns trabalhos 
de tapeçaria, bordados, crochê, etc. que possam figurar pelo 
meio dos objetos de luxo expostos nas salas dos pais a fim de 
granjear fúteis louvores a sua autora. (p. 85)
A autora cita o fato de as mães acabarem sendo as responsáveis 
pela educação das filhas e, mais uma vez, faz menção às mulheres das 
nações cultas, enfatizando que estas aprenderam a valorizar outras 
formas de trabalho. Nísia destaca que a indolência nunca deve ser 
alimentada e que o trabalho nunca deve ser desprezado. No capítulo 
LII, ela ainda reforça a importância da instrução como ponte para uma 
vida melhor no caso das classes mais desfavorecidas. 
Cabalmente: De forma definitiva.
Granjear: Obter, conquistar.
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No capítulo LIV, Nísia expressa seu amor pela pátria e o desejo de ver seu 
desenvolvimento, já que estamos todos sob “o mesmo céu brasileiro” (p. 98). Ela 
enfatiza que os benefícios que reivindica deveriam chegar a todas as brasileiras: 
Todos os brasileiros, qualquer que tenha sido o lugar de seu nascimento, 
têm iguais direitos à fruição dos bens distribuídos pelo seu governo, 
assim como à consideração e ao interesse de seus concidadãos.
É, portanto, em favor de todas as mulheres brasileiras que escrevemos, 
é a sua geral prosperidade o alvo de nossos anelos, quando os 
elementos dessa prosperidade se acham ainda tão confusamente 
marulhados no labirinto de inveterados costumes e arriscadas 
inovações. (p. 98-99)
Ao longo dos capítulos, percebemos a preocupação da autora com o 
futuro do país, especialmente com a situação das mulheres. Seu projeto para 
um Brasil melhor vincula-se ao papel da educação.
Já destacamos ser fundamental, no pensamento de Nísia, a valorização da 
religião cristã. O tema perpassa o livro em diversos momentos e destaca-se 
ainda mais quando chegamos ao capítulo LV.
“A religião é a cadeia de ouro que une a terra ao céu”, repetiu o 
nosso marquês de Maricá. Nós parodiaremos esta bela máxima com 
a seguinte: A religião é a cadeia indestrutível que liga a mulher a 
seus deveres, a coroa mais preciosa que lhe cinge a fronte.
A mulher sem religião assemelha-se àquelas lindas flores de 
nauseante cheiro que se deve admirar de longe, sendo que o seu 
contato infecciona o ar que respiramos. (p. 101)
Para a autora, a religião não era devidamente ensinada nas paróquias 
brasileiras. Nísia faz várias críticas ao nosso clero, afirmando que seus abusos 
aliados ao “mau sistema dessa educação doméstica” (p. 105) seriam a causa 
primordial do atraso de nossa civilização (capítulo LVII).
Nos capítulos finais da obra, a autora comenta a situação dos indígenas 
e cita alguns trechos de sua obra A lágrima de um Caeté. Ela denuncia os 
abusos sofridos por essa população e faz elogios às mulheres indígenas, um 
exemplo de virtude e heroísmo. 
De feito, o filósofo, o cristão que conhece a história do nosso Brasil 
não pode deixar de revoltar-se contra os abusos da civilização dos 
seus povoadores europeus, continuados pelos seus sucessores! 
O que resta hoje dessas numerosas nações de aborígenes, cujo 
préstimo e fidelidade tantos fatos comprovam antes e depois dos 
frutos colhidos pelo incansável zelo de Nóbrega e do virtuoso 
Anchieta? (p. 109)
Fruição: Ato de desfrutar, 
aproveitar.
Anelo: Desejo.
Marulhado: Agitado.
Inveterado: Antigo.
Cingir: Contornar, enfeitar.
Nauseante: Enjoativo, 
repugnante.
Aborígene: Povo nativo.
Préstimo: Serventia, utilidade.
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Nísia critica o preconceito corrente à época de que os índios 
seriam indolentes, observa que as mulheres indígenas, além de 
grandes companheiras, eram habilidosas com os mais variados 
tipos de trabalho e artefatos. Nísia as considera “mais íntegras que 
as africanas” (p. 113) e as elogia como merecedoras de ocupar um 
lugar em nossa terra.
Após a análise da situação de nosso país e de seus costumes, o 
capítulo final do livro faz um apelo à sociedade, conclamando-a a 
valorizar a educação feminina:
A vós, pais de família, a vós cumpre remediar os erros 
das gerações extintas! Educai vossas filhas nos sólidos 
princípios da moral, baseada no perfeito conhecimento de 
nossa santa religião, no exemplo de vossas virtudes, quer 
domésticas, quer cívicas. Em vez da leitura de inflamantes 
e perigosos romances, que imprudentemente lhes deixais 
livres, fornecei-lhes bons, escolhidos livros de moral e 
filosofia religiosa, que formem o seu espírito, esclareçam e 
fortifiquem sua razão. A história, principalmente a de nossa 
terra, de que bem poucas se ocupam, é um estudo útil e 
agradável, mais digno de ocupar as suas horas vagas que 
certos contos de mal gosto inventados pela superstição ou 
fanatismo ignorantes para recrear a mocidade sem espírito. 
Fazei-lhes compreender desde a infância que a mulher não 
foi criada para ser a boneca dos salões, a mitológica ridícula 
divindade, a cujos pés queimam falso incenso os desvairados 
adeptos do cristianismo. Inspirai-lhes o sentimento de sua 
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própria dignidade e a firme resolução de mantê-la intacta e 
vantajosamente por ações dignas da mulher, dignas da cristã, 
dignas da humanidade. (p. 118)
Ao longo de Opúsculo humanitário, Nísia Floresta reivindica que 
o país valorize a educação das mulheres e forneça recursos para 
que tal instrução seja concretizada. A autora apresenta inúmeras 
reflexões e dados de sua época para embasar seus argumentos. 
No entanto, demonstra tristeza ao abrir os jornais e não ver ações 
serem tomadas com esse propósito. O capítulo final da obra faz um 
apelo e deposita esperança na sociedade brasileira. 
Durante toda obra, Nísia combate a visão da mulher como uma 
“boneca dos salões” (p. 118), imagem corriqueira à época e tão perni-
ciosa a ponto de provocar a morte de uma criança (como ela descreve 
no episódio do espartilho). Destacamos que seu ideal de educação 
feminina também se associa à prática da religião cristã e à moralida-
de, elementos reiterados em diversos trechos e muito presente nos 
meios em que a autora viveu. 
Ao comentar a educação em nosso país, Nísia também nos fornece 
uma análise do Brasil na metade do século XIX, um país ainda imperial 
e sob um regime escravocrata.
DICA PARA O VESTIBULAR
Preste atenção no papel pioneiro de Nísia Floresta como escritora e 
educadora. Nísia defendeu o direito feminino à instrução em um momento 
no qual as mulheres não tinham nenhuma voz e estavam confinadas 
ao ambiente doméstico. A autora de Opúsculo humanitário não apenas 
defendeu esses direitos por meio de seus estudos e escritos como 
também fundou o Colégio Augusto, no qual colocou em prática o currículo 
que considerava adequado às meninas. Nísia costuma ser destacada como 
a primeira feminista brasileira, e a presença de Opúsculo humanitário no 
vestibular consiste em um importante resgate de seu nome.
PARA SABER MAIS
Ouça o podcast “Café com Ciência” – Nísia Floresta. 
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ACxXZ2BlQ2Q. 
Acesso em: 21 ago. 2024.
No episódio 5, é possível acompanhar uma conversa com as autoras do 
livro Nísia Floresta: Memória e história da mulher intelectual do século 
XIX, Laura Sánchez e Rute Pinheiro. A especialista na obra de Nísia Floresta, 
Constância Lima Duarte, também participa do episódio.
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Aspectos interdisciplinares
História e educação
Nísia Floresta escreveu Opúsculo humanitário na 
época do Brasil Império, ou seja, no período de nossa 
história que ocorreu entre 1822 (ano da Independência) 
e 1889 (ano da proclamação da República). O período 
imperial brasileiro é dividido em três fases: Primeiro 
Reinado (1822-1831); Período Regencial (1831-1840); 
e Segundo Reinado (1840-1889). 
No Primeiro Reinado, logo após nossa inde-
pendência, o Brasil foi governado por D. Pedro I 
em uma monarquia constitucional. Em 1824, nossa 
primeira constituição foi outorgada. É de 15 de ou-
tubro de 1827 a primeira lei educacional do Brasil, 
conhecida como Lei Geral. Por conta dela, nessa 
data comemora-se o dia do professor até hoje. 
A lei criava escolas de “primeiras letras” para ambos 
os sexos. No entanto, determinava que meninos e 
meninas estudassem separadamente. Os currículos 
também eram diferentes para cada sexo. Vimos 
que Nísia combateu essa mentalidade ao dirigir o 
Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, e tentar igualar 
os currículos. Segundo a lei de 1827, o currículo 
das meninas deveria ser menor e oferecer aulas 
de prendas domésticas. Os currículos só seriam 
uniformizados em 1854. 
O período regencial caracteriza-se pela épo-
ca em que o príncipe herdeiro ainda não havia 
atingido a maioridade e nosso país teve diversos 
governantes. Foi um período marcado por al-
gumas rebeliões provinciais, como a Revolução 
Farroupilha, vivida de perto por Nísia Floresta, 
que morou no sul do país. No Segundo Reinado, 
D. Pedro II governou o país em um período no qual 
destacamos a Guerra do Paraguai (1864-1870) e 
as campanha abolicionistas.
Nísia nasceu em 1810 e faleceu em 1885, ou 
seja, viveu grande parte do Brasil Império. O con-
texto histórico é fundamental na análise realiza-
da por Nísia a respeito da educação em nosso 
país, ainda muito incipiente naquela época. Ela 
comenta as estatísticas educacionais de algumas 
províncias, descreve as escolas primárias como 
penitenciárias e lamenta a falta de propostas 
para a educação.
A constituição de 1824 previa o ensino primário 
gratuito para todos, mas as condições eram muito 
diferentes das atuais: 
As escolas públicas da época não eram 
como as de hoje. Nos primórdios do 
Império, o professor dava as aulas na 
própria residência ou então numa casa 
que alugava com esse fim. Ele podia ter 
de alguns poucos alunos a mais de uma 
centena. Não havia separação por idade 
ou série. Os estudantes ficavam todos 
na mesma sala, e o professor os dividia 
segundo o conhecimento que tinham. 
Não se fixava idade para entrar na escola. 
Os alunos podiam começar a qualquer 
momento entre os 5 e os 12 anos, conforme 
o desejo da família. O curso durava, em 
média, 4 anos. Ao fim dos estudos, para 
receberem o certificado, as crianças se 
submetiam a 1 exame aplicado por uma 
banca de inspetores do governo. Parte 
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pequena dos meninos continuava os estudos para chegar ao ensino superior – 
as duas primeiras faculdades do Brasil, as de direito de São Paulo e Olinda, 
foram criadas nesse mesmo ano de 1827. As meninas, por sua vez, quase 
nunca iam além da escola de primeiras letras.
WESTIN, Ricardo. Para lei escolar do Império, meninas tinham menos capacidade intelectual que meninos. 
Agência Senado, 2 mar. 2020. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/nas-
escolas-do-imperio-menino-estudava-geometria-e-menina-aprendia-corte-e-costura. Acesso em: 15 jul. 
2024.
Como descrito por Nísia ao longo de Opúsculo humanitário, a frequência escolar, 
de modo geral, era baixa; a frequência feminina era menor ainda. 
Dentro desse contexto histórico, outro assunto abordado na obra de Nísiaque ga-
nharia mais força no Segundo Reinado é a questão da escravidão e da necessidade de 
extingui-la. As campanhas abolicionistas ganharam força a partir de 1870. Envolvidos 
com essa causa em nosso país estavam André Rebouças, Luis Gama, Castro Alves e 
Joaquim Nabuco, entre outros. 
A Lei Eusébio de Queirós (1850), uma resposta à pressão da Inglaterra para que o 
Brasil terminasse com o comércio de escravizados, aboliu o tráfico negreiro no Brasil. 
No entanto, a escravidão continuava existindo no país. Ainda viriam a Lei do Ventre 
Livre (1871) e a Lei do Sexagenário (1885) antes da Lei Áurea (1888), que extinguiria 
definitivamente a escravidão no Brasil. 
Félix-Émile Taunay (atribuído). Rua Direita, Rio de Janeiro, 1823. Aquarela e grafite sobre papel, 22,2 cm × 28,2 cm.
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O tema da escravidão surge diversas vezes em 
Opúsculo humanitário, principalmente no sentido 
de criar um ambiente prejudicial à educação das 
crianças. Nísia lamenta pela situação dos negros, 
que chama de “infeliz raça, desmoralizada pelo ca-
tiveiro e condenada à educação do chicote!” (p. 75).
Tais passagens demonstram a reflexão da autora a 
respeito de um assunto debatido em sua época e que 
acaba fazendo parte de sua obra. Lembremos que a 
autora cita a escritora Harriet Beecher Stowe como 
um grande modelo feminino. Stowe é a autora de 
A cabana do pai Tomás, um romance que provocou 
debates sobre a escravidão nos Estados Unidos.
De um ponto de vista social, destacamos o papel 
de Nísia no debate sobre a questão de gênero. Sua 
luta pelos direitos da mulher lhe rendeu o título de 
primeira feminista brasileira. Constância Lima Duarte 
ressalta a importância da autora na discussão da “no-
ção de gênero como uma construção sociocultural”:
Homens e mulheres, afirma, “são 
diferentes no corpo, mas isto não significa 
diferenças na alma”. Ou as desigualdades 
que resultam em inferioridade “vêm 
da educação e circunstâncias de vida”, 
argumenta, antecipando a noção de gênero 
como uma construção sociocultural. 
Segundo a autora, os homens se 
beneficiavam com a opressão feminina, e 
somente o acesso à educação permitiria 
às mulheres tomarem consciência de sua 
condição inferiorizada. 
DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no Brasil. 
Estudos Avançados, v. 17, n. 49, p. 153, 2003. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/ea/a/6fB3CFy89Kx6wLpwCwKnqfS/
?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2024.
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QUESTÕES
1. Enem 2022 O número cada vez maior de mulheres 
letradas e interessadas pela literatura e pelas 
novelas, muitas divulgadas em capítulos, seções, 
classificadas comumente como folhetim, alçou 
a um gênero de ficção corrente já em 1840, 
fazendo parte do florescimento da literatura 
nacional brasileira, instigando a formação e 
a ampliação de um público leitor feminino, 
ávido por novidades, pelo apelo dos folhetins 
e “narrativas modernas” que encenavam “os 
dramas e os conflitos de uma mulher em pro-
cesso de transformação patriarcal e provinciana 
que, progressivamente. começava a se abrir 
para modernizar seus costumes”. No Segundo 
Reinado, as mulheres foram se tornando pú-
blico determinante na construção da literatura 
e da imprensa nacional. E não apenas público, 
porquanto crescerá o número de escritoras que 
colaboram para isso e emergirá uma imprensa 
feminina, editada, escrita e dirigida por e para 
mulheres.
ABRANTES, A. Do álbum de família à vitrine impressa: trajetos 
de retratos (PB, 1920), Revista Temas em Educação, n. 24, 2015 
(adaptado).
O registro das atividades descritas associa a 
inserção da figura feminina nos espaços de feitura 
e escrita do Segundo Reinado ao(à)
A) surgimento de novas práticas culturais.
B) contestação de antigos hábitos masculinos. 
C) valorização de recentes publicações juvenis.
D) circulação de variados manuais pedagógicos.
E) aparecimento de diversas editoras comerciais.
2. Sobre a obra Opúsculo humanitário, de Nísia 
Floresta, é incorreto afirmar que:
A) a obra defende o direito das mulheres à 
educação, refletindo sobre as condições 
escolares brasileiras no século XIX. 
B) Nísia Floresta analisa a condição feminina 
em diversas civilizações, começando na 
Antiguidade e chegando até nações da Europa 
moderna.
C) ao final da obra, Nísia conclui que o Brasil 
havia avançado o suficiente no campo edu-
cacional e que as escolas da época estavam 
bem preparadas para educar as meninas. 
D) a autora defende a necessidade de uma 
reforma educacional no Brasil. 
E) a obra critica o sistema escravocrata vigente 
no Brasil da época. 
3. Leia um fragmento do capítulo III de Opúsculo 
humanitário, de Nísia Floresta:
Os Gregos, cultivando a sua inteligência, o 
atingindo à perfeição, que os modernos tanto 
se têm esforçado por imitar, tropeçaram, en-
tretanto, nas trevas do paganismo e, como os 
mais adiantados povos do Oriente, grosseiros 
erros cometeram... 
A inteligência da mulher, conquistando a 
ciência, começava a distinguir-se, mas faltava-
-lhe o tipo da mulher cristã; sua mais nobre 
missão não podia ser ainda cumprida na terra. 
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado 
Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). p. 20.
Segundo o fragmento, é possível afirmar que:
A) a civilização grega soube cultivar a inteligência 
do sexo feminino, destacando-se em relação 
aos povos do Oriente
B) as mulheres gregas não estavam prontas para 
cumprir sua nobre missão na Terra, pois não 
eram cristãs. 
C) ao contrário dos mais adiantados povos do 
Oriente, os gregos cometeram grosseiros 
erros. 
D) a inteligência da mulher grega não era mais 
notável em comparação com a de outros povos.
E) as mulheres gregas começaram a destacar-se 
nas ciências e estavam próximas de cumprir 
sua mais nobre missão na Terra.
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4. Com base na leitura de Opúsculo humanitário e 
em aspectos biográficos de sua autora, assinale 
verdadeiro ou falso. 
( ) Os textos que compõem os capítulos foram 
inicialmente publicados como artigos no 
Diário do Rio de Janeiro.
( ) Nísia elogia o empenho dos governantes bra-
sileiros em buscar alternativas para melhorar 
a educação feminina.
( ) Opúsculo humanitário é considerada a obra 
que melhor condensa o pensamento de Nísia 
Floresta.
( ) Nísia pode ser vista como a primeira feminis-
ta brasileira pela sua luta pelos direitos das 
mulheres à instrução.
( ) Nísia critica as mulheres indígenas nos capítulos 
finais da obra por sua indolência.
( ) Em Opúsculo humanitário, Nísia destaca o 
papel da colonização portuguesa no desen-
volvimento da educação brasileira.
5. A escravidão é abordada em diversos trechos de 
Opúsculo humanitário. Leia um fragmento sobre 
o tema retirado do capítulo XLIX, que inclui um 
trecho do poema A lágrima de um Caeté: 
É tempo de fazer sentir à nossa mocidade 
que por entre esses infelizes, a quem se oprime 
de trabalho e de maus-tratos, negando-se-
-lhes até a liberdade de refletir, existem mães, 
filhos, irmãos etc., que sofrem em silêncio sem 
outra defesa mais que suas lágrimas, sem outra 
garantia que a cega obediência, sem outra 
vingança que a sua muda oração a Deus! ...
Deus que nenhuma raça fez 
Para sobre uma outra ter 
Revoltante primazia,
Ilimitado poder.
Mães brasileiras, afastai dos olhos de 
vossos filhos o espetáculo de uma opressão 
cruel, que lhes enerva a compaixão, e agrava 
mais a triste sorte dessesmíseros a quem 
deveis, como cristãs, caridosamente dirigir. 
Ensinai-lhes cedo a olhá-los como nossos 
semelhantes, e, por conseguinte, dignos de 
nossa comiseração no estado a que os redu-
ziram nossos maiores.
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado 
Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). p. 89.
Considere as seguintes afirmações:
I A autora critica o sistema escravocrata, con-
denando a opressão e os maus-tratos aos 
quais os escravizados estão sujeitos.
II A citação do trecho de A lágrima de um Caeté 
corrobora a crítica da autora à escravidão.
III Os versos de A lágrima de um Caeté defen-
dem que nenhuma raça é superior a outra.
IV A autora deseja que as mães ensinem seus 
filhos a olhar para os escravizados como 
seus semelhantes.
Quais estão corretas?
A) Apenas I.
B) Apenas I e II.
C) Apenas I e III.
D) Apenas II e III.
E) I, II, III e IV.
6. Leia um trecho do capítulo LII de Opúsculo 
humanitário:
Vimos em França e em Inglaterra mães de 
quatro, cinco, e mais filhos, amamentando ainda 
um, saberem dividir e utilizar tão bem o seu tempo, 
que os pensavam, faziam todo o serviço interno da 
casa, e lhes sobravam horas para ajudarem seus 
maridos no comércio, nas artes ou na lavoura, 
apresentando no fim do dia um resultado de sua 
aplicação. Verdade é que naqueles países não 
se inculca, como aqui, à mulher a falsa ideia de 
que ela nada pode ser por si mesma, sendo-lhe 
indispensável o braço do homem para fazê-la 
viver, como a sua razão para dirigi-la! Assim, 
quando a jovem, de qualquer condição que seja, 
transpõe ali o limiar nupcial, não leva como as 
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nossas a presunção de que alcançou a única 
glória a que deve aspirar a mulher, esperando 
do marido todas as suas comodidades, e a satis-
fação de todos os seus caprichos; direito que 
julga indisputavelmente firmado constituindo-se 
simples mãe de seus filhos.
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado 
Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). p. 95.
 Considerando o contexto da obra e a citação, é 
correto afirmar que:
A) no Brasil, propagava-se a ideia de que as 
mulheres não podiam fazer nada sozinhas e 
precisavam necessariamente de um homem 
ao seu lado.
B) as mulheres inglesas e francesas possuem 
mais tempo disponível que as brasileiras.
C) na Inglaterra e na França, as mulheres en-
caravam o casamento como a única glória 
possível para uma mulher.
D) as mulheres brasileiras consideravam-se 
inferiores aos homens.
7. Em Opúsculo humanitário, a formação religiosa 
de Nísia Floresta desempenha um papel essencial 
em seu pensamento sobre a educação feminina. 
No capítulo LV, a autora diz: “A religião é a cadeia 
indestrutível que liga a mulher a seus deveres, 
a coroa mais preciosa que lhe cinge a fronte”. 
Sobre a presença da religião cristã em Opúsculo 
humanitário assinale verdadeiro (V) ou falso (F):
( ) Nísia Floresta critica o romance A cabana do 
pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe pela 
ausência de elementos religiosos na obra.
( ) A autora faz críticas ao clero brasileiro que 
oferece exemplos de uma conduta desregrada.
( ) Nísia elogia o perfil caridoso das mulheres 
francesas e cita como exemplo as irmãs São 
Vicente de Paulo.
( ) A autora elogia o modo com o qual a religião 
é ensinada em nossas paróquias.
( ) A autora faz duras críticas ao clero francês.
8. No início do capítulo XXVI, Nísia afirma: “Quanto 
mais ignorante é um povo, tanto mais fácil 
é a um governo absoluto exercer sobre ele 
seu ilimitado poder” (p. 52). Comente a frase 
considerando a temática central de Opúsculo 
humanitário. 
9. Leia o trecho de uma matéria com dados do IBGE 
sobre a situação das mulheres brasileiras na 
educação e no trabalho. A pesquisa foi divulgada 
em março de 2024.
Mulheres brasileiras na educação e no trabalho
[...]
No Brasil, ainda estamos caminhando 
para que haja a igualdade entre os sexos em 
todos os setores da sociedade. Enquanto esse 
dia não chega, que tal aprender com as es-
tatísticas como está a situação das mulheres 
brasileiras no trabalho, saúde e educação?
Você sabia que, em 2022, as mulheres 
dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos 
afazeres domésticos e cuidando de pessoas? 
Já os homens gastaram bem menos, 11,7 horas 
fazendo a mesma coisa!
Essa e outras informações estão no estudo 
“Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais 
das Mulheres no Brasil”, publicado pelo IBGE 
em março de 2024.
As estatísticas mostram que as mulheres 
tentam conciliar, de modo ainda desigual, os 
afazeres domésticos e cuidados de pessoas 
com o trabalho remunerado. Em muitos casos, 
elas só conseguem empregos que ocupem 
menos horas durante a semana.
Em 2022, 28,0% das mulheres estavam 
ocupadas (ou seja, trabalhando) em tempo 
parcial (de até 30 horas semanais), quase o 
dobro (14,4%) do verificado para os homens.
A taxa de participação das mulheres no 
mercado de trabalho foi de 53,3% enquanto 
a dos homens foi bem maior: 73,2%.
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Se no trabalho, a situação das mulheres ainda 
é desigual quando comparada aos homens, o 
estudo aponta uma melhora quando o assunto 
é educação.
Em 2022, cerca de 92,5% de meninas de 15 a 
17 anos estudavam, contra 91,9% de meninos 
na mesma faixa etária.
No mesmo ano, na população com 25 anos 
ou mais de idade, 35,5% dos homens não tin-
ham instrução ou possuíam apenas o Ensino 
Fundamental incompleto, contra 32,7% das 
mulheres.
MULHERES brasileiras na educação e no trabalho. IBGE Educa, 
[s.d]. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/
atualidades/20459-mulheres-brasileiras-na-educacao-e-no-
trabalho.html. Acesso em: 15 jul. 2024 
O contexto em que vivemos hoje no Brasil é 
muito diferente do descrito por Nísia Floresta 
no século XIX. As meninas têm o mesmo acesso 
à educação e ao mercado de trabalho que os 
meninos. No entanto, é possível observar que 
os cargos de poder e de alto escalão no mundo 
do trabalho são ocupados, em sua maioria, por 
homens. Considerando os dados da pesquisa, 
como você avalia a condição do sexo feminino 
hoje no Brasil em comparação com a época de 
Nísia Floresta? 
10. Sobre a estrutura de Opúsculo humanitário, é 
correto afirmar que:
A) a obra é ficcional e apresenta uma narradora 
em primeira-pessoa que comenta a vida das 
mulheres brasileiras no século XIX.
B) a obra é composta de textos ensaísticos que 
apresentam a visão de Nísia Floresta acerca 
da condição das mulheres e da educação 
do período em que escreve. 
C) a obra dialoga com aspectos do Romantismo 
brasileiro, movimento literário que caracte-
rizou o século XIX.
D) a obra é um manifesto de Nísia contra o 
sistema escravocrata brasileiro.
E) a obra apresenta personagens que dialogam 
a respeito das condições da mulher brasileira 
no século XIX.
11. Em Opúsculo humanitário, Nísia Floresta 
refere-se a diversos eventos históricos e sociais 
da realidade brasileira tanto no século XIX como 
em períodos anteriores. Vejamos o seguinte 
trecho do capítulo XXIX:
Uma lava do vulcão da Córsega, cuja 
erupção ameaçava derrubar todos os tronos 
da Europa, descendo a Portugal, estendeu 
essa influência até as hospitaleiras praias 
do Brasil, o qual abriu generosamente seus 
braços e seus tesouros à Família real, que 
vinha procurar um asilo em seu seio.
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado 
Federal, 2019. v. 3. (Coleção Escritoras do Brasil). p. 55.
 A que evento histórico do século XIX no Brasil 
refere-se Nísia no trecho?
A) Independência do Brasil.
B) Promulgação da Lei Áurea.
C) Proclamação da República.
D) A chegada da corte portuguesa no Rio deJaneiro.
12. No episódio em que Nísia comenta a trajetória 
da escritora e humanista portuguesa Públia 
Hortênsia de Castro na Universidade de Coimbra 
(capítulo XXI), é incorreto afirmar que: 
A) o episódio procura mostrar o preconceito 
dos portugueses com as mulheres.
B) o episódio demonstra a dificuldade encon-
trada pelas mulheres que desejavam estudar.
C) o episódio visa exaltar a inteligência e as 
conquistas de Públia Hortênsia de Castro.
D) o episódio comenta a falta de capacidade 
intelectual de Públia Hortênsia de Castro.
13. Vejamos um trecho do livro Nísia Floresta, de 
Constância Lima Duarte, a respeito da criação 
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Carine Andrade
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do Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, estabe-
lecimento de ensino criado e dirigido por Nísia. 
Esta escola, segundo depoimento de todos 
os que sobre ela escreveram, trouxe avanços 
consideráveis para a educação de seu tempo. 
E, entre as inovações aí reconhecidas, cos-
tumam ser lembradas o ensino do latim, do 
francês, do italiano e do inglês, bem como 
respectivas gramáticas e literaturas; o estudo 
da geografia e da história do país; a prática 
da educação física; e a limitação do número 
de alunas por turma como forma de garantir 
a qualidade do ensino. 
Tais questões consistiam realmente em 
novidades porque os demais colégios femininos 
enfatizavam principalmente o desenvolvi-
mento de prendas domésticas e se limitavam 
a um ensino superficial da língua materna e a 
noções rudimentares das quatro operações. 
A valorização da “educação da agulha” em 
detrimento da instrução era um fato tão aceito 
como sendo o mais correto, que não faltou 
quem criticasse o colégio de Nísia Floresta por 
incluir disciplinas consideradas supérfluas para 
a formação das meninas. Um dos críticos, por 
exemplo, no jornal O Mercantil, de 2 de janeiro 
de 1847, fez o seguinte comentário acerca dos 
exames finais em que várias alunas haviam 
sido premiadas com distinção: “trabalhos de 
língua não faltaram; os de agulha ficaram no 
escuro. Os maridos precisam de mulher que 
trabalhe mais e fale menos”.
Duarte, Constância Lima. Nísia Floresta. Recife: Fundação 
Joaquim Nabuco; Massangana: 2010. p. 17.
Considerando o trecho citado e a leitura de 
Opúsculo humanitário, comente o pioneirismo 
de Nísia Floresta ao criar e dirigir o Colégio 
Augusto.
14. Nos capítulos finais de Opúsculo humanitário, 
Nísia Floresta faz uma série de considerações 
sobre os aborígenes de nossa terra, destacando 
o papel das mulheres indígenas. Vejamos um 
trecho do capítulo LIX:
Dignas, por suas virtudes inatas, de rece-
berem educação moral e intelectual que as 
colocasse a par de nossas mulheres civilizadas, 
as aborígenes do Brasil foram as primeiras 
vítimas imoladas à licença dos homens da 
civilização, que vieram trazer ao seu país as 
vantagens da vida europeia. 
Companheiras submissas e fiéis de seus 
maridos, a quem seguiam na guerra e ajuda-
vam com incansável zelo e natural dedicação 
em diferentes mistérios da vida errante, na 
cabana ou fora dela, sua sorte era preferível 
à que depois lhes trouxe o cristianismo de 
seus vencedores, envolvendo-as na atmosfera 
de seus vícios, ligando-as ao férreo poste da 
escravidão, e vendendo-as, como faziam, com 
inaudita atrocidade sob o mesmo céu onde 
Deus as havia feito nascer com seus irmãos 
no pleno gozo da liberdade!
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado 
Federal, 2019. v. 3. p. 110. (Coleção Escritoras do Brasil).
Considere as seguintes afirmações:
I O trecho afirma que a vida das mulheres 
indígenas era pior antes da chegada dos 
europeus. 
II As mulheres indígenas são descritas como 
vítimas da civilização.
III O trecho destaca que as mulheres indígenas 
ajudavam seus companheiros em diferentes 
aspectos da vida.
IV O trecho afirma que as mulheres indígenas 
mantiveram-se livres dos vícios da civilização. 
Quais estão corretas?
A) Apenas I e II.
B) Apenas II e III.
C) Apenas I e IV.
D) Apenas III e IV.
E) I, II, III e IV.
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isponibilizado por Jardim
 da Babilônia 
15. Em Opúsculo humanitário, Nísia Floresta refletiu e 
escreveu sobre a necessidade de uma educação 
feminina de qualidade, condição inexistente na 
época em que viveu. Para isso, reuniu dados, 
estudou, pesquisou e fez suas propostas. Escreva 
sobre o que você gostaria que fosse diferente 
na educação escolar que recebeu. Caso esteja 
satisfeito com ela, escreva sobre os motivos 
que o deixam feliz com a educação a qual teve 
oportunidade. 
GABARITO
1. A
2. C
3. B
4. V – F – V – V – F – F
5. E
6. A
7. F – V – V – F – F
8. Resposta pessoal. 
9. Resposta pessoal. 
10. B
11. D
12. D
13. Resposta pessoal. 
14. B
15. Resposta pessoal.
RESOLUÇÕES
1 A
Alternativa A: correta. O papel de destaque que 
as mulheres passam a experimentar na escrita 
durante o Segundo Reinado é sintomático do 
surgimento de novas práticas culturais, como a 
ampliação do público leitor feminino e a popu-
larização dos folhetins. Em tais circunstâncias, 
na escrita, a atuação feminina ficava predomi-
nantemente circunscrita à produção de diários 
e correspondências, sendo o acesso à imprensa 
relatado pelo texto uma importante superação 
das barreiras sociais e culturais estabelecidas 
ao mundo feminino.
Alternativa B: incorreta. O texto trata de uma 
mudança no perfil de leitores, destacando a 
ampliação de um público leitor feminino. Não há 
menção à mudança de hábitos masculinos, mas, 
sim, às alterações ocorridas com a participação 
das mulheres na construção da literatura e da 
imprensa nacional.
Alternativa C: incorreta. O texto não menciona 
publicações juvenis, mas, sim, o processo de 
emergência das mulheres como leitoras e es-
critoras no cenário nacional. 
Alternativa D: incorreta. A circulação de manuais
pedagógicos não é tratada no texto e não apre-
senta nenhuma relação com a ampliação da 
presença feminina nos espaços de leitura. 
Alternativa E: incorreta. Segundo o texto, a inserção 
da figura feminina nos espaços de leitura e escrita 
esteve associada ao aparecimento dos folhetins, 
e não ao aparecimento de editoras comerciais. 
2 C
Alternativa C: incorreta. Segundo a análise de 
Nísia ao longo do livro, ainda havia a necessidade 
de uma grande reforma no sistema educacional. 
3 B
Alternativa A: incorreta. O fragmento diz que os 
gregos souberam cultivar a inteligência de seu 
povo e até aponta a inteligência da mulher, mas
não foi um destaque entre os povos do Oriente –
na verdade se juntou a eles no cometimento 
de erros. 
Alternativa B: correta. De acordo com o fragmento, 
as mulheres gregas não estavam prontas para 
cumprir sua nobre missão na terra.
Alternativa C: incorreta. Segundo a autora, os 
gregos cometeram os mesmos erros grosseiros 
dos povos do Oriente, e não o contrário. 
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 da Babilônia 
Alternativa D: incorreta. A inteligência da mulher, 
baseada na Ciência, começava a se destacar, e 
não era menor em relação à de outros povos.
Alternativa E: incorreta. Segundo a autora, as 
mulheres gregas destacavam-se nas ciências, 
mas faltavam-lhes as virtudes cristãs para cum-
prirem sua missão na Terra.
4 V – F – V – V – F – F
 Primeira afirmativa: verdadeira. Os textos foram 
publicados no Diário do Rio de Janeiro.
 Segunda afirmativa: falsa. Nísia lamenta o des-
caso dos governantes em relação à educação 
feminina.
 Terceira afirmativa: verdadeira. A crítica considera 
a obra uma síntese do pensamento de Nísia.
 Quarta afirmativa: verdadeira. Nísia é considerada
a primeira feminista brasileira.
 Quinta afirmativa: falsa. Nísia critica a opinião 
errônea de

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