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AULA DE DIREITO APLICADO I 
 
 
1) CONCEITO DE DIREITO 
 
Segundo Paulo Nader Direito é um “ Conjunto de normas 
de conduta social, imposto coercitivamente pelo Estado, 
para realização de segurança, segundo critérios de 
justiça.” 
 
Elementos dentro do conceito: 
 
Conjunto de normas: Indica que o direito não deve ser 
interpretado isoladamente, mas sim através da 
integração de normas jurídicas. 
 
Conduta Social – Objetiva regular a convivência social 
estabelecendo limites à ação de cada um dos seus 
membros. 
 
Imposto Coercitivamente pelo Estado – Indica que o 
Estado utiliza-se do seu Poder para que as regras de 
Direito sejam observadas. 
 
Segurança ( segundo critérios de justiça ) – O direito 
estabelece um padrão de regras para definir o que é 
justo. 
 
 
 
 
2) DIREITO OBJETIVO E DIREITO SUBJETIVO 
 
Direito objetivo é o conjunto de normas jurídicas 
direcionadas e impostas a todos pelo Estado. Estas 
normas vinculam a conduta humana, são regras cogentes 
de comportamento, determinando como agir ou não agir 
– norma agendi. 
 
Direito subjetivo é a opção, a faculdade da pessoa de 
invocar o direito objetivo, ou seja, invocar a norma 
jurídica a seu favor - facultas agendi. 
 
A Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso X, garante 
a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra 
e da imagem das pessoas, assegurando indenização por 
dano material ou moral. Esta é uma regra imposta a 
todos, ou seja, é um direito objetivo, porém, cabe a 
pessoa que teve seu direito violado invocar ou não esta 
lei em seu favor, isto é, cabe à pessoa exercitar seu 
direito subjetivo. 
 
3) DIREITO POSITIVO E DIREITO NATURAL 
(JUSNATURALISMO) 
O direito positivo equivale ao direito objetivo, ou seja, 
quando se faz referência ao conjunto de normas jurídicas 
que regem o comportamento humano num determinado 
tempo e espaço está se falando em direito positivo e 
objetivo. Assim, quando se faz alusão à norma positiva ou 
objetiva trata-se de uma norma coerciva. 
 
O direito natural, por sua vez, diz respeito à ordem 
pública e social como um todo, independente de normas 
materiais, pois emana da moral, da ética e da consciência 
de um povo, refletindo no direito positivo, considerando 
que o legislador deve levar em conta o valor social da 
norma, pois sua finalidade é torná-la obrigatória a todos, 
mas principalmente àqueles que não respeitam o que é 
moralmente correto se não houver uma consequência 
séria que os obriguem a fazê-lo. 
 
O direito natural não é arbitrário, mas um direito sob 
medida; representa um equilíbrio entre o que é certo e o 
que é errado. Não é possível afirmar que uma pessoa ou 
uma coletividade agirá desta ou daquela forma, mas a 
probabilidade da agir conforme o que determina o 
sistema ético e moral de uma sociedade é maior. 
 
 
 
 
4) DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO 
Uma possível distinção estabelece que o direito público 
se refere aos interesses do Estado e o direito privado aos 
interesses particulares. Então relações de direito público 
seriam aquelas em que o Estado é parte e relações de 
direito privado aquelas que ocorrem somente entre 
particulares. Esta afirmação é correta, mas incompleta. 
O direito público, na verdade, regula as relações entre um 
Estado e outro, a sua organização, seu funcionamento e 
suas relações com particulares. Assim, estão regulados 
pelo direito público o Direito Internacional Público, o 
Direito Administrativo, o Direito Constitucional, o Direito 
Processual (civil ou penal), o Direito Tributário e o Direito 
Penal. São matérias tanto de interesse público quanto 
privado, mas cabe ao Estado a competência para tratar 
de tais assuntos. 
Já o direito privado é um conjunto de normas que regula 
as relações entre indivíduos face aos seus interesses 
particulares. Dessa forma, pertence ao âmbito do direito 
privado o Direito Civil, como direito privado comum, e o 
Direito Comercial, como direito privado especial (ramo 
originado do Direito Civil, em função de suas 
características próprias, considerando o Direito Civil). 
Alguns autores também consideram como direito privado 
especial o Direito do Trabalho e o Direito Internacional 
Privado. 
De uma forma mais simples, distingue-se Direito Público 
de Direito Privado considerando que o primeiro regula 
relações do Estado com outro Estado e com particulares e 
o segundo regula relações entre particulares em função 
do conflito de seus interesses pessoais. 
5) Distinção entre Direito e Moral 
 
Direito e a Moral são dois parâmetros, duas 
determinantes de condutas socialmente corretas, cada 
um com suas características e formas de imposição 
diferentes, mas que estão sempre juntos, de alguma 
forma. 
A idéia de que tudo que é direito é moral nem sempre é 
verdadeira. O Direito pode tutelar o que é amoral (o que 
não é moral nem imoral), como a legislação de trânsito, 
cuja alteração não afetaria a moralidade, e até mesmo o 
que é imoral (o que vai contra a moral), como, por 
exemplo, a divisão do lucro em valores idênticos entre os 
sócios, por mais diligente que seja um e ocioso o outro. 
Por maior que seja o desejo e o esforço para que o direito 
tutele só aquilo que é "lícito moral", sempre haverá 
resíduos imorais no Direito. 
A teoria do "mínimo ético" consiste em dizer que o 
Direito representa o mínimo de moral imposto para que a 
sociedade possa sobreviver. Como nem todas as pessoas 
levam em consideração a moralidade de um ato ao 
praticá-lo, ou seja, sempre existe um violador da moral, 
surge então a figura do direito, como instrumento de 
imposição das normas de forma mais rigorosa. 
Há regras que são seguidas naturalmente, ou seja, 
moralmente. Entretanto, há aquelas que só são 
cumpridas porque existe uma coação. 
É possível dizer que a moral é o mundo da conduta 
espontânea, a adesão do indivíduo ao que é determinado 
pela regra. Não existe moral forçada. Devolver o objeto 
perdido ao dono sob pressão de outrem não é um ato de 
verdadeira moralidade, pois não houve uma vontade 
espontânea da parte de quem o encontrou. 
Em relação ao Direito, pode-se dizer que suas regras só 
são seguidas, na maioria das vezes, porque por trás delas 
existe uma pena pelo seu não cumprimento, ou seja, só 
são cumpridas porque são cogentes. Esta é a principal 
distinção entre o direito e a moral: a sua coercibilidade. É 
possível ou não obedecer a uma norma de direito bem 
como à uma norma moral, mas o não cumprimento da 
segunda resultará em uma condenação moral, 
consequência abstrata, e não uma consequência objetiva, 
concreta. Isto significa que a moral é incoercível e o 
direito é coercível, tendo a pessoa a faculdade de 
obedecê-los segundo as conseqüências que sofrerá. Daí 
dizer que o direito e a moral são diferentes, mas de 
alguma forma estão juntos.

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