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MICROBIOLOGIA, 
IMUNOLOGIA E 
PARASITOLOGIA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Catalina Yumi Masuda Nishi 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A Microbiologia é a ciência que estuda os microrganismos ou seres 
microscópicos, e como toda ciência, resulta de observação, identificação, 
pesquisa e explicação de fenômenos, fatos e suas relações com os outros seres 
no meio ambiente. Os seres microscópicos abrangem uma vasta gama de 
microrganismos, incluindo bactérias, fungos, protozoários, algas microscópicas 
e os vírus (entidades acelulares por muitos consideradas no limite entre os seres 
vivos e não vivos). Quando escutamos a palavra “Microbiologia”, podemos 
pensar em doenças, naquelas frases aprendidas na nossa infância – como “não 
coloque isso na boca sem saber onde esteve, pode ter germes” – ou em comida, 
devido aos anúncios de alimentos probióticos. Conhecer alguns fatos da 
microbiologia pode ajudar a entender nossa relação com os microrganismos nos 
diferentes ambientes da terra, estimulando o pensamento crítico e abrindo novos 
caminhos. 
Nesta aula, abordaremos alguns fatos históricos do início da Microbiologia 
para poder entender sua evolução como ciência no mundo e no Brasil. Serão 
descritos também os principais grupos de microrganismos, sua morfologia e 
fisiologia. Para esta aula, destacam-se os seguintes objetivos: 
• Objetivo geral: reconhecer os fundamentos da Microbiologia; descrever 
a morfologia e fisiologia dos principais microrganismos. 
• Objetivos específicos: compreender o desenvolvimento histórico da 
Microbiologia e os estudos microbiológicos no Brasil; identificar os 
principais grupos de microrganismos; descrever as estruturas anatômicas 
e sua fisiologia (das bactérias, dos fungos e dos vírus). 
TEMA 1 – HISTÓRIA DA MICROBIOLOGIA E MICROBIOLOGIA NO BRASIL 
A história nos tem mostrado como a ciência da Microbiologia tem 
influenciado a vida da humanidade: batalhas perdidas, migrações devidas a 
devastações de plantios, quedas de impérios. Apesar de, desde a Antiguidade, 
médicos e estudiosos gregos, romanos e asiáticos suspeitarem da existência 
dos microrganismos, criando medidas sanitárias incipientes, somente a partir do 
século XVII, quando o holandês Antony van Leeuwenhoek aprendeu a polir 
lentes, criando o microscópio composto, é que se inicia a “aventura” da 
microbiologia. Considera-se o marco principal do seu início observar pela 
 
 
3 
primeira vez microrganismos vivos, apesar de que, poucos anos antes, o inglês 
Robert Hooke tinha visualizado a célula. 
Por volta de 1822, quando o Brasil proclamava sua independência, 
nascia, na França, Louis Pasteur, quem estudaria química e física e ajudaria a 
indústria vinícola no entendimento do processo de fermentação (produção de 
álcool pela levedura) e como evitar a produção de ácidos por contaminação com 
microrganismos diferentes (bactérias), processo utilizado até hoje e conhecido 
como pasteurização. Pasteur refutou com êxito a teoria da geração espontânea 
com seu clássico experimento utilizando os frascos com gargalo de pescoço de 
cisne (Figura 1). Suas observações levaram à produção da vacina com 
microrganismos atenuados contra a cólera das galinhas e contra o antraz ou 
carbúnculo, doença nos carneiros. Ainda, desenvolveu também a vacina contra 
a raiva. 
Figura 1 – Experimento de Pasteur 
 
Crédito: Sergey Merkulov/Shutterstock 
 
 
 
4 
Nos séculos XVIII e XIX, inicia-se a era dourada da microbiologia. 
Pesquisadores descobriram formas de tingir os microrganismos, deixando-os 
mais visíveis; Carolus Lineaeus (também conhecido por Carl von Linné) 
desenvolveu um sistema de classificação geral. Após a descoberta de Pasteur, 
Robert Koch, médico alemão, propôs a teoria dos germes como causadores de 
doenças, identificando o agente causador da tuberculose, do antraz ou 
carbúnculo. Juntamente com seu assistente Walter Hesse e sua esposa Fanny, 
criaram a cultura em meio sólido utilizando o ágar (produto extraído de algas 
marinhas vermelhas). O doutor Koch estabeleceu uma série de procedimentos 
experimentais para se relacionar um microrganismo como causante de uma 
doença, conhecidos como os Postulados de Koch (Figura 2). 
Figura 2 – Postulados de Koch 
 
Crédito: [mike jones] [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)] 
 
 
 
 
 
5 
 
Nesta era dourada, as etiologias de um grande número de doenças 
infecciosas foram identificadas, pesquisas realizadas resultaram em métodos de 
diagnóstico (cultura pura e isolamento) e prevenção (soros e vacinas, 
antissépticos). A microbiologia se firmou como um dos braços importantes da 
biologia e da medicina, permitindo que outros campos de estudo se estabelecem, 
como a imunologia. 
Parte do século XX pode ser considerada uma segunda era dourada pelos 
avanços na elucidação da participação e importância dos microrganismos nos 
ciclos da natureza, desvendando detalhes não conhecidos na bioquímica, no 
ambiente e na patologia. Porém, não como uma disciplina única, como Pasteur 
iniciou, e sim, fragmentada em subdisciplinas: a microbiologia e imunologia 
médicas, focadas nos organismos e suas relações com o hospedeiro, levando 
ao controle e tratamento das doenças infecciosas, com representantes como 
Alexander Flemming, Rebecca Lancefield, e Carlos Chagas; e a microbiologia 
ambiental, focada nos processos químicos e bioquímicos, cujos pioneiros são o 
russo Serguei Winogradsky e os holandeses Martinus Beijerinck e o Albert 
Kluyver. Com o descobrimento da genética e os mecanismos de intercambio 
genético, bem como a elucidação da estrutura do DNA e RNA por Watson e 
Crick, foram abertas novas possibilidades, e a microbiologia novamente se 
mostrou essencial para continuar a procura do entendimento de nosso planeta, 
como uma microbiologia integrativa. 
No Brasil, entre os anos 1892 e 1903, foram fundados o Laboratório de 
Bacteriologia em São Paulo, o qual, um ano depois, passou a se chamar Instituto 
Bacteriológico (primeira instituição que uniu a microbiologia à saúde pública) e 
os Institutos Sorológicos, um no Rio de Janeiro, na fazenda Manguinhos, e outro 
em São Paulo, na fazenda Butantan. Inicialmente, atuaram no combate das três 
principais epidemias que assolavam as principais cidades: a peste bubônica, 
pelo extermínio dos ratos (doença transmitida pela picada de pulgas infectadas 
pelo sangue desses roedores); a febre amarela, por meio da eliminação do 
mosquito Aedes aegypti (transmissor da doença viral); e a varíola, por meio da 
vacinação. Os médicos responsáveis pela implantação e direção dos institutos 
foram Adolpho Lutz e Oswaldo Cruz. Estes foram seguidos pelos dedicados 
médicos pesquisadores Vital Brasil, Rocha Lima, Gaspar Viana e Carlos Chagas. 
Por iniciativa de Oswaldo Cruz, o instituto de Manguinhos foi transformado em 
 
 
6 
instituto de medicina experimental pesquisando doenças tropicais, contando com 
estudantes interessados em estagiar e realizar seus trabalhos, iniciativa que 
contribuiu para o êxito da ciência brasileira. Foram desenvolvidas outras áreas 
de conhecimento como: Bacteriologia, Protozoologia, Hematologia, Imunologia, 
Helmintologia, Entomologia, entre outras. 
TEMA 2 – PRINCIPAIS GRUPOS DE MICRORGANISMOS 
Figura 3 – Tipos de microrganismos 
 
Crédito: Designua/Shutterstock. 
 
A classificação dos microrganismos teve seu começo no século XVIII, 
quando Linnaeus (1753) desenvolveu o sistema binomial e dividiu os organismos 
em dois reinos: Plantae (Bactérias, fungos, algas e plantas), e Animalia 
(Protozoários e animais superiores). A classificação foi mudando com a 
evidenciação de novas estruturas e características, resultado do 
desenvolvimento de melhores técnicas. Haeckel (1865) propôs a adição do reino 
Protista para todos os microrganismos (bactérias, fungos, protozoários e algas). 
Whittaker (1969) propôs a classificação em cinco reinos deacordo com a forma 
pela qual os organismos obtinham os nutrientes: Plantae (fotossíntese); Animalia 
(ingestão); Fungi (bolores e leveduras por absorção); Protista (algas por 
fotossíntese e protozoários por absorção e ingestão); e Monera (bactérias por 
absorção). Woese (1977), com os estudos das sequências de RNAr ribossomal, 
propôs a divisão em três reinos primários: Eubactérias; Archaea; Eucarya. 
 
 
7 
Figura 4 – Árvore filogenética de Carl Woese 
 
Crédito: image. wikimedia.org/wikipedia/commons 
 
Os microrganismos podem ser unicelulares, multicelulares e células 
aglomeradas. Eles se encontram distribuídos na natureza e podem ser benéficos 
ou patogênicos. Além disso, podem ser divididos em seis tipos: bactérias, 
arqueas, fungos, protozoários, algas e vírus. 
2.1 Protozoários 
Eucariontes, unicelulares. Como os animais, ingerem partículas 
alimentares. Não apresentam parede celular rígida, não possuem clorofila. 
Alguns se movimentam por cílios, flagelos ou por pseudópodes. Alguns 
produzem esporozoários porque formam corpos de repouso (assunto do Tema 
4, Fundamentos da Parasitologia). 
2.2 Algas 
Eucariontes, consideradas semelhantes às plantas por conterem o 
pigmento clorofila, que participa da fotossíntese, e apresentarem parede celular 
rígida. Podem ser unicelulares e microscópicas ou multicelulares. Crescem em 
ambientes diferentes, principalmente aquáticos. A utilização do emulsificante 
Agar, produzido pelas Rodophytas (algas vermelhas), permitiu o crescimento de 
microrganismos em meio sólido. Estudados pela Botânica, outro ramo da 
biologia. 
 
 
8 
2.3 Fungos 
Eucariontes, unicelulares ou multicelulares. Alguns microscópicos, outros 
com estruturas macroscópicas, como os cogumelos. Apresentam parede celular 
e obtêm os nutrientes por absorção. Amplamente distribuídos na natureza, 
atuam nela como decompositores, participando dos ciclos geoquímicos. Os 
fungos têm importância na indústria, como na alimentícia (pão, cerveja, queijos, 
vinhos e molhos são alguns exemplos) e na farmacêutica (produção de 
antibióticos), mas também alguns são responsáveis pela deterioração de 
materiais diversos e outros agentes patogênicos. O ramo da microbiologia que 
os estuda é a Micologia. 
2.4 Bactérias 
Procariontes, não possuem várias estruturas observadas nos eucariontes, 
como o núcleo definido pela membrana nuclear e as organelas membranosas. A 
composição da sua parede celular e seu comportamento perante colorações são 
utilizados como uma das formas de classificação. As bactérias têm um papel 
importante na natureza. Podem ser benéficas ou patogênicas. O ramo da 
microbiologia que as estuda é a Bacteriologia. 
2.5 Archaeas 
Procariontes, diferem das bactérias na composição de sua parede celular 
e têm a capacidade de se desenvolver em condições ambientais extremas. De 
acordo com o seu hábitat, podem ser divididos em: metanogênicas (produzem 
metano); halófilas (ambientes salgados); termófilas (altíssimas temperaturas); 
psicrófilas (baixíssimas temperaturas). 
2.6 Vírus 
São entidades moleculares acelulares, encontrando-se no limite das 
formas vivas e sem vida. Essas entidades consistem em um ácido nucleico (ADN 
ou ARN) envolto por um capsídeo proteico. Os vírus não conseguem se 
reproduzir nem ser metabolicamente ativos fora de uma célula hospedeira, 
portanto, são parasitas intracelulares obrigatórios, sendo capazes de infectar 
todas as formas de vida. São estudados pelo ramo da Virologia. 
 
 
9 
TEMA 3 – MORFOLOGIA E FISIOLOGIA BACTERIANA 
O tamanho médio da maioria das bactérias, células procarióticas ou 
procariontes varia de 0,5-1,5 µm de diâmetro ou comprimento. Existem em vários 
formatos: bacilos (bastonetes), cocos (esféricas, ovais), espirilos (em espiral 
como saca rolha) e vibriões (curvados como uma vírgula). Há alguns formatos 
não comuns, como as quadradas (i.e. Aquaspirillum magnetotacticum) e as 
apendiculadas (i.e. Hyphomicrobium); embora na maioria das espécies o formato 
é constante, algumas podem ser pleomórficas. 
As bactérias podem apresentar-se isoladas ou em agrupamentos espécie-
específicos, determinando o gênero. A maior frequência de agrupamentos 
específicos encontra-se entre os cocos: em duplas (diplococos), em fileiras 
(estreptococos), em cachos (estafilococos), em cubos (sarcinas) e em tétrades. 
Os bacilos formam arranjos em padrões variados, em correntes 
(estreptobacilos), e raramente em paliçada, como o Corynebacterium diphtheriae 
(causador da difteria), e em roseta, como o gênero Caulobacter. 
Figura 5 – Esquema e micrografia das estruturas encontradas nas bactérias. 
 
Crédito: Designua/Shutterstock 
A Figura 5 ilustra as estruturas essenciais e não essenciais da célula 
procarionte. Somente as estruturas essenciais estão presentes em todas as 
bactérias: citoplasma, ribossomos, nucleoide (molécula de DNA dupla fita 
circular), membrana citoplasmática e parede celular. As estruturas não 
 
 
10 
essenciais são determinadas por condições ambientais e favorecem a 
manutenção da viabilidade celular. No citoplasma, em algumas bactérias, 
encontramos os plasmídeos (moléculas de DNA circular com genes extras de 
características não vitais que conferem vantagens competitivas às células 
portadoras) e inclusões citoplasmáticas com material de reserva (grânulos 
metacromáticos de polifosfatos; glicogênio; grânulos de polidroxibutirato –
biopolímeros biodegradáveis). Vacúolos gasosos, que conferem capacidade de 
flutuar, também podem ser encontrados. 
A membrana citoplasmática composta de uma bicamada fosfolipídica 
acumula as funções das organelas presentes nos eucariontes como 
permeabilidade seletiva e excreção de solutos, obtenção de energia, 
biossíntese, divisão celular por fissão binária (mesossomos). 
A parede celular de peptidioglicano é uma estrutura rígida que mantém o 
formato das bactérias e evita a lise celular. Sua composição em camadas 
alternadas de unidades de N-acetilglicosamina e N-acetimurâmico interligadas 
por ligações cruzadas entre os tetrapeptídeos forma uma rede. Essa ligação 
cruzada é o alvo de vários antibióticos por ser específica dos procariontes. O 
processo de montagem do peptidioglicano é crítico para a sobrevivência da 
célula. As camadas da parede variam de acordo com o tipo de bactéria e ajudam 
na classificação e identificação conforme a resposta a colorações, como à 
coloração de Gram, que divide em dois grandes grupos os Gram positivos 
(parede composta principalmente de peptidioglicano e ácidos teicoicos) e os 
Gram negativos (parede de composição mais complexa, com poucas camadas 
de peptidioglicano e por uma membrana externa). 
Nas bactérias Gram negativas, a membrana externa cria uma barreira de 
permeabilidade adicional que exige mecanismos de transporte através desta 
membrana; o principal componente da membrana externa é o LPS 
lipopolissacarídeo ou endotoxina – composto de lipídeo A, polissacarídeo e 
Antígeno. O polissacarídeo espécie-específico, componente essencial para a 
sobrevivência da bactéria, provoca respostas fisiológicas no hospedeiro como 
febre, queda da pressão sanguínea, entre outros (Figura 6). 
 
 
11 
Figura 6 – Esquema da composição da parede celular de Gram positivas e Gram 
negativas 
 
Crédito: Designua/Shutterstock 
 
Estruturas externas à parede celular podem ser filamentosas: 
• o flagelo (composto pela proteína flagelina), com função de locomoção 
por rotação; 
• as fimbrias (composto pela proteína pilina); 
• as fibrilas (compostos pela proteína adesina), com função de aderença; 
• a fimbria sexual ou pili sexual, formação controlada por genes plasmidiais, 
cuja função é participar no processo de intercâmbio de material genético 
chamado de conjugação. 
Há também estruturas não filamentosas: 
• o glicocálice (composição variada de glicoproteínas e polissacarídeos); 
• a camada mucosa, que facilita a colonizaçãode superfícies; 
• a cápsula, que tem um papel importante em evitar a fagocitose da 
bactéria. 
Alguns gêneros bacterianos têm a capacidade de se diferenciar em 
endósporos, formas de resistência a condições ambientais adversas, voltando à 
sua forma vegetativa quando o ambiente readquire condições propícias. As 
bactérias produtoras de endósporos encontram-se principalmente no solo. 
Algumas foram modificadas e utilizadas como arma biológica. 
 
 
12 
 TEMA 4 – MORFOLOGIA E FISIOLOGIA DOS FUNGOS 
Os fungos são um grupo de organismos eucarióticos ou eucariontes, que 
incluem: microrganismos unicelulares, uninucleados, de formas esféricas ou 
ovais, denominadas levedura (Figura 7); bolores, que são multicelulares, 
multinucleados com estruturas filamentosas, chamadas de hifas (contínuas sem 
septos ou septadas), cujo conjunto denomina-se micélio. O micélio no interior do 
substrato funciona como elemento de sustentação e de absorção, sendo 
chamado de vegetativo; o que é projetado na superfície, diferenciando-se em 
corpos de frutificação ou propágulos (esporos), é chamado de reprodutivo 
(Figura 8 e 9); e os macroscópicos, amplamente conhecidos como cogumelos, 
também formam micélios (Figura 10). 
 
Figura 7 – Leveduras 
 
Crédito: Designua/Shutterstock. 
Figura 8 – Bolores 
 
Crédito: Kallayanee Naloka/Shutterstock. 
 
 
13 
Figura 9 – Hifa septada 
 
Crédito: Designua/Shutterstock. 
Figura 10 – Cogumelos 
 
Crédito: NoPainNoGain/Shutterstock. 
 
 
 
14 
Sua estrutura celular é eucarionte, com núcleo definido por membrana 
nuclear e organelas membranosas. Como as mitocôndrias, são desprovidas de 
clorofila ou quaisquer pigmentos fotossintetizantes, e sua membrana plasmática 
é estabilizada pelo ergosterol (molécula esteroide que atua como o colesterol 
nas células animais). A Figura 11 ilustra a parede celular rígida composta de 
camadas de polissacarídeos complexos, chamados de quitina (composto 
também presente no exoesqueleto dos insetos), que protege a célula de 
predadores e de dessecação. Os fungos se alimentam por absorção de 
nutrientes do ambiente que os rodeia, colonizando e crescendo no substrato do 
que se estão alimentando. Para facilitar a absorção dos nutrientes, secretam 
enzimas que digerem materiais variados, fazendo-os interessantes para a 
indústria química. São organismos aeróbicos e alguns podem ser anaeróbicos 
facultativos, heterotróficos e saprófitos. Alguns são parasitas e patogênicos para 
plantas, animais e humanos, por colonizá-los ou pela intoxicação ao ingerir 
alimentos contaminados com micotoxinas (aflatoxina, ergotina). 
Figura 11 – Esquema da composição da parede celular dos fungos 
 
Fonte: microbiologyinfo.com. 
As leveduras unicelulares se reproduzem assexuadamente por fissão 
binária ou por gemulação. Em algumas espécies, esses brotos não se separam 
 
 
15 
e formam uma pequena cadeia chamada de pseudo-hifa, como a Candida 
albicans, que se fixa nas células epiteliais humanas na forma de levedura 
precisando estar na forma de pseudo-hifa para invadir tecidos mais profundos. 
Os fungos filamentosos reproduzem-se de forma sexuada, assexuada ou 
das duas formas, dependendo da espécie e das condições ambientais. A 
reprodução sexuada implica a união de dois esporos. A forma de reprodução dos 
fungos é uma característica fundamental para sua identificação. Fungos 
dimórficos são fungos que crescem como filamentosos ou leveduras segundo 
condições nutricionais e ambientais, fenômeno importante em micologia médica. 
A forma infectante é a forma micelial e a forma encontrada nos tecidos é a 
leveduriforme. Por exemplo, o Histoplasma capsulatum e o Blastomyces 
dermatitidis. 
TEMA 5 – MORFOLOGIA E FISIOLOGIA DOS VÍRUS 
A palavra latina vírus já era utilizada antes da teoria dos germes com o 
significado de veneno. No século XIX, apesar de muitos agentes causadores de 
doenças infecciosas terem sido identificados e procedimentos de controle 
desenvolvidos, alguns agentes continuavam a escapar dessas medidas, e foram 
chamados de agentes filtráveis, como mostrou o químico agrícola alemão Adolph 
Mayer, com a doença da planta do tabaco, e na mesma época o microbiologista 
e botânico holandês Martinus Beijerinck, que deu o nome de vírus a esses 
agentes para diferenciá-los das bactérias e outros agentes conhecidos até o 
momento. Somente no século XX, o primeiro vírus isolado e cristalizado foi o 
vírus do mosaico do tabaco (TMV). A visualização das estruturas do vírus 
somente foi possível com o desenvolvimento da microscopia eletrônica. 
Os vírus, entidades acelulares com capacidade de infectar e se multiplicar 
dentro de um hospedeiro, sendo parasitas intracelulares obrigatórios, são 
associações organizadas de macromoléculas compostas de ácido nucleico e 
proteínas, e metabolicamente inertes fora de uma célula viva. Os vírus infectam 
todas as formas de vida, desde bactérias, fungos, protozoários, insetos, plantas, 
animais e o ser humano. A estrutura viral completa é denominada vírion, 
variando de tamanho de 20 nm (pólio vírus) a 400 nm (vaccínia vírus). O vírion 
é constituído de um cerne de ácido nucleico (molécula de DNA ou RNA) 
envolvido por uma capa proteica chamada de capsídeo, codificada pela molécula 
de ácido nucléico viral. O capsídeo é formado de unidades de proteína 
https://www.revolvy.com/page/Martinus-Beijerinck
 
 
16 
denominados capsômeros, que conferem a ele a característica simétrica (Figura 
12). 
Figura 12 – Estrutura geral e forma os vírus 
 
Crédito: Designua/Shutterstock 
 
A evidenciação das estruturas no microscópio eletrônico mostrou três 
grupos: 
• ecosaédricos (Adenovírus, HIV); 
• helicoidais (TMV, vírus da raiva, vírus do sarampo); 
• estruturas complexas (Poxvírus – varíola, Flilovirus –Ebola). 
Alguns vírus apresentam o nucleocapsídeo coberto pela estrutura 
chamada de envelope, composta de bicamada lipídica e glicoproteínas. Essa 
membrana adquirida do hospedeiro e modificada, dependendo do vírus, pode ou 
não apresentar saliências chamadas de espículas ou pleplômeros (complexo 
carboidrato-proteína), utilizados para ancoragem no hospedeiro. Essa 
característica é específica ao vírus, sendo usada para identificação. Esse é o 
caso do vírus influenza; a identificação H1N1 refere-se a hemaglutinina (H) e 
neuraminidase (N). A figura 12 mostra o esquema da morfologia e a composição 
dos vírus. 
 
 
17 
A reprodução dos vírus dá-se pela replicação, na qual os componentes 
proteicos e o ácido nucleico viral são reproduzidos dentro de hospedeiros 
susceptíveis. O processo completo da infecção celular pelo vírus pode ser 
generalizado da seguinte forma: 1. O vírion ataca a célula hospedeira susceptível 
em sítios específicos (chave-fechadura, princípio universal de reconhecimento 
molecular, receptor – ligando); 2. Penetração do vírus completo ou somente do 
ácido nucleico viral (se vírus completo, ocorre o desnudamento dentro da célula 
para liberar o ácido nucléico viral); 3. Converter a célula numa fábrica de 
produção da progênie viral; 4. Montagem e maturação do vírus em local 
específico, característico de cada grupo de vírus; 5. Liberação após montagem 
e maturação dos vírions da célula hospedeira. Esse processo de replicação geral 
varia dependendo das características de cada célula hospedeira específica, 
bactérias, fungos, protozoários, insetos, animais e plantas. 
Os viroides possuem propriedades semelhantes às dos vírus, compostos 
de RNA fita simples e circular desprovidos de proteínas, identificados como 
causa de doenças em plantas. Os virusoides são praticamente iguais aos 
viroides, também de RNA fita simples, que somente se multiplicam se a célula 
hospedeira estiver sendo infectada simultaneamente ou se previamente tenha 
sido infectada por determinados vírus que o auxiliam. Nos humanos, até o 
momento o único virusoide é o deltavírus o vírus da hepatite viralD, sendo o 
vírus auxiliar o causador da hepatite viral tipo B. No final dos anos 1980 e início 
dos 1990, surgiu a encefalite espongiforme bovina, conhecida como “o mal da 
vaca louca”, doença neurodegenerativa fatal nos bovinos, causada pelos príons, 
pequenas partículas infecciosas de natureza proteica. Essas proteínas estão 
presentes nas células nervosas dos mamíferos com uma conformação normal, 
que, ao contato com uma proteína alterada e aberrante, o príon (infeccioso), 
presente nos animais infectados, muda sua conformação para a conformação 
aberrante. 
NA PRÁTICA 
• Pesquise como era a situação social na época dos pioneiros na 
microbiologia e suas incipientes medidas de higiene. Reflita e compare 
com a política pública de saúde atual da sua cidade. 
 
 
18 
• Pesquise o calendário de vacinas e elabore uma tabela com o tipo de 
microrganismo e suas características. Adicione na tabela quais outros 
microrganismos nos deparamos no dia a dia. 
• Pesquise a composição da parede do Mycobacterium e compare-a com 
as informações adquiridas nesta aula. 
• Pesquise quais bactérias produzem endósporos e reflita por que são 
utilizadas como armas biológicas. 
• Pesquise sobre o grupo de microrganismos Archaea e reflita sobre sua 
utilização para benefício da vida na Terra. 
Leitura complementar 
Caçadores de Micróbios, de Paul de Kruif; e Aventuras da Microbiologia, 
de Isaias Raw e Oswaldo Augusto Sant'Anna. 
Saiba mais 
SBM – Sociedade Brasileira de Microbiologia. Disponível em: 
<https://sbmicrobiologia.org.br/>. Acesso em: 25 set. 2019. 
MICROBIOLOGY online. Disponível em: 
<https://microbiologyonline.org/>. Acesso em: 25 set. 2019. 
MICROBIOLOGY Society. Disponível em: 
<https://microbiologysociety.org/>. Acesso em: 25 set. 2019. 
INSTITUTO BUTANTAN. Museu de Microbiologia. Disponível em: 
<http://www.butantan.gov.br/atracoes/museu-de-microbiologia>. Acesso em: 25 
set. 2019. 
FIOCRUZ – FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Museu da vida. Disponível 
em: <http://www.museudavida.fiocruz.br/>. Acesso em: 25 set. 2019. 
SCIENCE PROF ONLINE. Microbiology. Disponível em: 
<https://www.scienceprofonline.com/science-ed-links/science-education-links-
microbiology.html>. Acesso em: 25 set. 2019. 
 
 
 
19 
FINALIZANDO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Microbiologia 
História 
Microscópio composto 
Leeuwenhoek – 
microrganismos vivos 
Pasteur, Koch – Teoria 
dos germes, etiologia de 
várias infecções 
 
Winogradsky, Beijerinck, 
Kluyver – Microbiologia 
ambiental 
Brasil: O. Cruz, A. Lutz, V. 
Brasil, C. Chagas, 
Classificação 
Bactérias, archaea, 
vírus, protozoários, 
algas, fungos 
Bactérias – procarionte 
Fungos – Eucarionte 
Vírus – Acelular, limite 
entre vivo e inerte 
Morfofisiologia 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BENCHIMOL, J. L. A instituição da microbiologia e a história da saúde pública no 
Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 5, n. 2, p. 265-295, 2000. Disponível em: 
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Wiley & Sons, 2002. 
DWORKIN, M. Sergei Winogradsky: a founder of modern microbiology and the first 
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KRUIF, P. Microbe Hunters. San Diego: Harvest/HDJ Book, 1954. 
MALOY, S.; SCHAECHTER, M. The era of microbiology: a Golden Phoenix. 
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microbios.org/0901/0901001.pdf>. Acesso em: 25 set. 2019. 
PERRY, J. J.; STALEY, J. T.; LORY, S. Microbial Life. Sunderland: Sinauer 
Associates Publishers, 2002. 
RAW, I.; SANT’ANNA, O. A. Aventuras da Microbiologia. São Paulo: Hacker; 
Narrativa Um, 2002. 
TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. 6. ed. São Paulo: 
Artmed, 2000. 827p. 
 
 
 
 
 
 
 
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