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SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................... 2 
2 INTRODUÇÃO À MICROBIOLOGIA ........................................................ 3 
2.1 Áreas de aplicação da microbiologia ................................................ 10 
3 A CÉLULA: UNIDADE FUNDAMENTAL DA VIDA QUE SE LIGA AO 
DNA ...........................................................................................................................12 
3.1 Citoplasma ....................................................................................... 16 
4 BACTÉRIAS: MORFOLOGIA E ESTRUTURAS .................................... 19 
4.1 Morfologia......................................................................................... 20 
4.2 Parede celular .................................................................................. 23 
5 FUNGOS ................................................................................................. 26 
6 VÍRUS ..................................................................................................... 38 
7 ALGAS .................................................................................................... 43 
8 PROTOZOÁRIOS ................................................................................... 46 
9 EXEMPLOS DE PATOLOGIAS RELACIONADAS A BACTÉRIAS ....... 48 
9.1 Tuberculose ...................................................................................... 49 
9.2 Hanseníase ...................................................................................... 51 
9.3 Leptospirose ..................................................................................... 53 
10 EXEMPLOS DE PATOLOGIAS RELACIONADAS AOS FUNGOS .... 56 
10.1 Candidíase ....................................................................................... 57 
11 EXEMPLO DE PATOLOGIA RELACIONADA A ALGAS ................... 58 
12 EXEMPLO DE PATOLOGIA RELACIONADA A PROTOZOÁRIOS .. 59 
12.1 Toxoplasmose .................................................................................. 60 
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................... 63 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Prezado aluno! 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora 
que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 INTRODUÇÃO À MICROBIOLOGIA 
No que diz respeito à sua origem etimológica, a Microbiologia derivou de três 
termos gregos distintos, a saber: mikros (pequeno), bios (vida) e logos (estudo). Esse 
fato evidencia a responsabilidade desta disciplina em analisar os organismos 
microscópicos, examinando suas estruturas, formas, características fisiológicas e 
bioquímicas, bem como sua reprodução e sua relação com o ambiente ou o 
hospedeiro, seja este benéfico ou prejudicial. 
A maioria dos microrganismos estudados consiste em organismos unicelulares, 
compostos por uma única célula que executa todas as funções vitais. 
Independentemente da complexidade do organismo em questão, a célula permanece 
como a unidade fundamental da vida, basicamente uma célula é composta por: 
➢ Citoplasma: um complexo orgânico coloidal composto por lipídios, proteínas e 
ácidos nucleicos. 
➢ Membrana plasmática: uma estrutura composta por uma bicamada 
fosfolipídica que delimita as células vivas, regula a entrada de solutos e separa 
o citoplasma do meio extracelular. 
➢ Núcleo: a região que abriga o material genético do organismo. É importante 
notar que, ao contrário dos organismos eucariontes, os procariontes não 
possuem um núcleo delimitado por uma membrana chamada carioteca 
(CARVALHO, 2010). 
Sob uma perspectiva mais ampla, todos os sistemas biológicos compartilham 
algumas características comuns, como: 
➢ capacidade de reprodução; 
➢ capacidade de ingerir ou assimilar alimentos e nutrientes para crescimento e 
obtenção de energia; 
➢ capacidade de excreção de produtos tóxicos; 
➢ capacidade de adaptação e resposta a mudanças ambientais; 
➢ susceptibilidade a mutações (CARVALHO, 2010). 
 
 
 
Todos os microrganismos possuem sistemas exclusivos que são alvo de 
estudo, considerando atividades genéticas, fisiológicas e bioquímicas cruciais para a 
manutenção da vida. Muitos desses organismos têm a capacidade de crescer e se 
reproduzir rapidamente, como é observado em algumas espécies bacterianas, que 
podem gerar até 100 gerações em cerca de 24 horas. 
Os processos metabólicos dos microrganismos apresentam semelhanças 
significativas com os de animais e plantas mais complexas. Um exemplo notável é o 
uso de glicose como fonte de energia pelas leveduras, processo que guarda 
semelhanças com o ocorrido nas células de mamíferos. Além disso, esses organismos 
possuem sistemas enzimáticos que desempenham papéis cruciais em suas funções 
biológicas (ACTOR, 2007). 
No século XIII, um frade chamado Robert Bacon (1220 - 1292) propôs a ideia 
de que doenças eram causadas por organismos invisíveis, uma teoria que também foi 
apoiada por médicos como Girolamo Fracastora (1478 - 1553) e Von Plenciz (1705 - 
1786), embora nenhum deles pudesse apresentar evidências sólidas. 
Em 1665, o cientista Robert Hooke (1635 - 1703) conseguiu observar e 
descrever células em uma amostra de cortiça, sugerindo que tanto plantas quanto 
animais compartilhavam elementos fundamentais em comum, independentemente de 
sua complexidade (ACTOR, 2007). 
O cientista holandês Anton van Leeuwenhoek, que viveu entre 1632 e 1723, é 
amplamente reconhecido como o primeiro a observar e descrever protozoários e 
bactérias. Em suas observações, ele se referia a esses organismos microscópicos 
como pequenos seres vivos, utilizando uma linguagem que refletia a surpresa e o 
fascínio com essas descobertas inovadoras. O termo "bactéria" foi introduzido pelo 
zoólogo alemão Christian Ehrenberg (1785 - 1876), que usou a palavra bacterium para 
descrever esses microrganismos, que se assemelhavam a pequenos bastões. 
O interesse científico em microrganismos cresceu após sua descoberta, 
levando à busca pela origem da vida. Desde os anos 384 a.C. até 322 a.C., Aristóteles 
acreditava que os animais podiam surgir espontaneamente a partir de plantas, solo 
ou outros animais, uma ideia que persistiu até o século XVII. 
 
 
 
A base para essa teoria residia na observação de larvas durante o processo de 
decomposição da carne. No entanto, o pesquisador Francesco Redi (1626 - 1697) 
questionou essa explicação e conduziu um estudo no qual colocou carne em três 
recipientes: um aberto, um fechado e um coberto com gaze. As moscas, atraídas pelo 
cheiro da carne, depositaram ovos na carne e na gaze, resultando no desenvolvimento 
de larvas. No entanto, nenhum mosquito depositou ovos no recipiente fechado (Figura 
1). 
Figura 1 – Experimento com carne de Francesco Redi 
 
Fonte: shre.ink/b1iw. 
Com a difusão da abiogênese (hipótese que conceituava que os seres vivos 
poderiam se originar de forma contínua e espontânea da matéria não viva), o 
naturalista John Needhamque significa "animal primitivo", foi 
atribuído a esses microrganismos devido à sua semelhança com animais no passado. 
Os protozoários são organismos heterótrofos que podem viver de forma isolada ou 
formar colônias, têm uma ampla distribuição em diversos ambientes, incluem 
ambientes aquáticos, solos e até mesmo ambientes extremos em termos de 
salinidade, temperatura, pH e pressão hidrostática. Algumas espécies de protozoários 
são parasitas de uma variedade de organismos, incluindo seres humanos (TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2018). 
Os protozoários de vida livre geralmente obtêm seu alimento através de 
fagocitose, embora alguns possam realizar fotossíntese. Eles são comuns em 
diferentes ambientes aquáticos, como plâncton, bentos, subsuperfície e em ambientes 
 
 
 
com condições extremas. Além disso, podem ser encontrados na superfície de rochas, 
na rizosfera de plantas, associados a algas, cianobactérias, zooplâncton, detritos e 
biofilmes, onde a comida é mais abundante. 
A maioria dos protozoários se reproduz assexuadamente, mas algumas 
espécies têm reprodução sexual. A reprodução assexuada envolve a duplicação do 
núcleo celular, seguida pela divisão da célula em duas, originando novos protozoários 
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
Os protozoários podem ser classificados de acordo com seu tipo de locomoção 
e a presença ou ausência de estruturas especiais de deslocamento. Assim, eles 
podem ser divididos em quatro grupos principais: flagelados, rizópodes, ciliados e 
esporozoários. 
➢ Flagelados: estes protozoários utilizam flagelos para se locomoverem, 
vibrando essas estruturas em um líquido. Alguns flagelados são de vida livre, 
enquanto outros são parasitas, causando doenças em seres humanos e outros 
organismos. Exemplos incluem o Tripanossoma, a Leishmania e a Giardia. 
➢ Rizópodes: os rizópodes, ou sarcodíneos, se locomovem e obtêm alimentos 
por meio de pseudópodes (falsos pés), que são alongamentos do citoplasma. 
As amebas são os principais representantes desse grupo, incluindo parasitas 
e espécies de vida livre. Um subgrupo especial de rizópodes são os 
foraminíferos, que têm carapaças ricas em cálcio e silício e desempenham um 
papel importante na formação de petróleo. 
➢ Ciliados: os ciliados apresentam pequenos filamentos em torno do corpo 
chamados cílios, que são usados para locomoção e captura de alimentos. 
Exemplos incluem o balantidium, parasita comum em porcos, e o paramecium, 
encontrado em ambientes de água doce. 
➢ Esporozoários: são parasitas e não têm capacidade de locomoção. Um 
exemplo bem conhecido é o plasmódio, causador da malária em seres 
humanos. 
 
 
 
Essa diversidade de protozoários desempenha papéis variados nos 
ecossistemas e inclui tanto organismos benéficos quanto patogênicos para outros 
seres vivos, isso inclui os humanos (Figura 19). 
Figura 19 - Protozoários 
 
Fonte: shre.ink/bTYX. 
9 EXEMPLOS DE PATOLOGIAS RELACIONADAS A BACTÉRIAS 
As bactérias são responsáveis por uma ampla gama de patologias que afetam 
humanos e animais. Algumas das doenças bacterianas mais comuns incluem a 
infecção urinária, que pode afetar tanto o trato urinário baixo quanto o superior; a 
meningite bacteriana, uma inflamação grave das meninges; a tuberculose, causada 
pelo Mycobacterium tuberculosis; a pneumonia bacteriana, que pode ser causada por 
várias espécies bacterianas; a leptospirose, transmitida pela urina de animais; a 
gonorreia e a sífilis, ambas doenças sexualmente transmissíveis (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2018). 
Essas doenças podem variar desde infecções superficiais até condições 
sistêmicas graves e são frequentemente tratadas com antibióticos. A prevenção 
muitas vezes envolve práticas de higiene adequadas e, em alguns casos, vacinação 
 
 
 
para evitar a transmissão desses agentes patógenos. Além disso, outras doenças 
bacterianas notáveis incluem o botulismo, o tétano e a hanseníase. 
A identificação precoce dessas doenças é importante para evitar complicações 
graves. O tratamento adequado e a prevenção são indispensáveis para controlar a 
disseminação dessas infecções. As bactérias são seres altamente interativos e, 
embora possam causar doenças, também desempenham papéis benéficos no 
organismo humano. 
A cooperação entre bactérias e humanos é complexa, e entender essa relação 
é vital para desenvolver estratégias eficazes de prevenção e tratamento. A educação 
sobre higiene pessoal e medidas preventivas é necessária para reduzir o risco de 
infecções bacterianas. Além disso, o uso responsável de antibióticos é para evitar a 
resistência bacteriana. 
A pesquisa contínua sobre as bactérias e suas interações com o corpo humano 
ajuda a melhorar os métodos de diagnóstico e tratamento dessas doenças. Com o 
avanço da medicina, novas terapias estão sendo desenvolvidas para combater 
infecções bacterianas resistentes a tratamentos convencionais. 
A conscientização sobre a importância da prevenção e do tratamento adequado 
é essencial para a saúde pública. As doenças bacterianas podem ter impactos 
significativos na saúde individual e coletiva, e sua prevenção é uma responsabilidade 
compartilhada entre indivíduos e sistemas de saúde (TORTORA; FUNKE; CASE, 
2018). 
9.1 Tuberculose 
A tuberculose é uma enfermidade infecciosa e contagiosa que tem como alvo 
principal os pulmões. A cada ano, são registrados aproximadamente 10 milhões de 
novos casos em todo o planeta, que resultam em mais de um milhão de óbitos. O 
advento da AIDS e a emergência de surtos de tuberculose resistente a medicamentos 
agravam ainda mais esse quadro. No contexto brasileiro, a tuberculose representa um 
 
 
 
sério desafio para a saúde pública, com profundas raízes de ordem social (TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2018). 
A transmissão da tuberculose ocorre pelo ar, quando uma pessoa respira 
partículas contaminadas com o bacilo de Koch, o agente causador da doença. Esse 
contágio pode ocorrer em proximidade com um indivíduo com tuberculose pulmonar, 
mas também em locais públicos movimentados, como shoppings e cinemas, onde o 
bacilo de Koch pode permanecer no ar por longos períodos. Mesmo um tuberculoso 
que tosse em um ponto de ônibus pode contaminar outra pessoa que respire o ar 
contaminado, resultando no desenvolvimento da doença. 
É importante notar que a transmissão da tuberculose está restrita à forma 
pulmonar da doença; outros tipos, como a tuberculose miliar, óssea e ganglionar, não 
são transmissíveis de pessoa para pessoa. Além disso, um paciente com tuberculose 
pulmonar deixa de ser contagioso após 15 dias do início do tratamento adequado, 
desde que o siga rigorosamente, caso contrário, poderá transmitir a doença em 
qualquer estágio. 
Os sintomas mais comuns da tuberculose incluem tosse persistente com 
catarro e, em alguns casos, sangue, febre, fadiga, suores noturnos, inchaço no 
pescoço e perda de apetite. Se uma pessoa apresentar tosse por mais de três 
semanas, é fundamental que ela seja encaminhada a um médico ou profissional de 
saúde para realizar os testes necessários e determinar se possui a doença 
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
Enfatiza-se que certos grupos de risco, como fumantes e idosos, podem 
desconsiderar a tosse como um sintoma relevante, atribuindo-a a causas normais, 
como o tabagismo ou o envelhecimento. No entanto, esses grupos de risco devem 
estar atentos aos primeiros sinais e buscar assistência médica o mais rápido possível. 
O tratamento da tuberculose requer um período mínimo de seis meses e é 
essencial estabelecer uma relação de confiança entre o profissional de saúde e o 
paciente para garantir a adesão ao tratamento, minimizando o risco de abandono e 
facilitando a busca pela cura. 
 
 
 
É importante lembrar que um tratamento irregular pode complicar a doença e 
levar ao desenvolvimento de cepas resistentes aos medicamentos. No Brasil, os 
esquemas padronizados de tratamento para a tuberculose envolvemo uso de 
medicamentos como isoniazida (H), rifampicina (R), pirazinamida (Z) e etambutol (E). 
A maioria dos pacientes será tratada com esses esquemas e receberá 
acompanhamento na atenção básica. Veja a seguir uma ilustração que representa a 
bactéria causadora da tuberculose, bacilo de Koch (Figura 20). 
Figura 20 - Bacilo de Koch 
 
Fonte: shre.ink/bTYf 
9.2 Hanseníase 
Uma enfermidade de natureza infecciosa e de progressão gradual, que se 
manifesta predominantemente por meio de sintomas e sinais dermatoneurológicos, 
caracterizados por lesões na pele e nos nervos periféricos, especialmente nas áreas 
dos olhos, mãos e pés. O comprometimento dos nervos periféricos é a marca distintiva 
 
 
 
dessa patologia, conferindo-lhe um significativo potencial para induzir incapacidades 
físicas, que podem eventualmente resultar em deformidades (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2018). 
Essas incapacidades e deformidades podem acarretar uma série de desafios, 
como a redução da capacidade de trabalho, restrições na vida social e problemas de 
ordem psicológica. Elas também contribuem para a estigmatização e o preconceito 
associado à doença. Portanto, reforça-se a importância de ressaltar que a hanseníase 
é uma doença passível de cura, sendo que quanto mais cedo for diagnosticada e 
tratada, maiores são as chances de recuperação rápida do paciente. 
A transmissão da hanseníase ocorre por meio do contato físico próximo com 
pessoas doentes, embora também possa ser transmitida por via aérea após exposição 
frequente ao bacilo de Hansen (Figura 20). Essa transmissão não ocorre casualmente 
em encontros ou conversas ocasionais, mas requer um convívio íntimo e prolongado 
com pessoas infectadas. Normalmente, uma pessoa é considerada suspeita de ter 
hanseníase após um contato mínimo de 5 anos com um paciente infectado, 
geralmente dentro do ambiente familiar e de convivência próxima. 
É importante destacar que nem todas as pessoas expostas ao bacilo de 
Hansen desenvolvem a doença, uma vez que a maioria possui algum grau de 
resistência à infecção. Com a exposição contínua, a bactéria pode eventualmente 
vencer as defesas do organismo. Após a inalação, o bacilo alcança a mucosa 
respiratória das vias aéreas superiores, penetra na corrente sanguínea e se dissemina 
pela pele e pelos nervos. 
As manifestações clínicas da hanseníase incluem sintomas como sensação de 
formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades, manchas brancas ou 
avermelhadas na pele, frequentemente acompanhadas de perda de sensibilidade ao 
calor, frio, dor e tato (TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). Além disso, áreas da pele 
que aparentam ser normais podem apresentar alterações na sensibilidade e na 
secreção de suor, e podem ocorrer o aparecimento de caroços e placas em várias 
partes do corpo, bem como diminuição da força muscular, que levam à dificuldade em 
segurar objetos. 
 
 
 
O tratamento da hanseníase é geralmente de fácil administração, com uma 
duração que varia de seis a doze meses, dependendo do caso. É fundamental que as 
pessoas que apresentem sintomas procurem um médico para o diagnóstico, pois o 
tratamento adequado é essencial para evitar a transmissão da doença. O tratamento 
é oferecido gratuitamente pelo Sistema de Saúde Pública (SUS) e envolve a 
associação de medicamentos conforme os protocolos de poliquimioterapia 
(PQT/OMS). Para pacientes com hanseníase paucibacilar, o tratamento inclui 
rifampicina e dapsona, enquanto para pacientes com hanseníase multibacilar, o 
tratamento inclui rifampicina, dapsona e clofazimina. A Figura 21 ilustra de forma 
representativa o bacilo de Hansen: 
Figura 21 - Bacilo de Hansen 
 
Fonte: shre.ink/bTPC. 
9.3 Leptospirose 
A leptospirose é uma doença infecciosa aguda provocada pela bactéria 
Leptospira, conforme ilustrado na Figura 22. Sua transmissão ocorre principalmente 
através da urina de animais infectados, com destaque para roedores sinantrópicos, 
 
 
 
como o Rattus norvegicus (ratazana de esgoto), o Rattus (rato de telhado) e o Mus 
musculus (camundongo), conforme ilustrado na Figura 23. Estes animais podem 
adquirir a infecção sem desenvolver a doença, tornando-se portadores da Leptospira 
e eliminando-a no meio ambiente. Isso resulta na contaminação da água, do solo e 
dos alimentos, sendo o Rattus norvegicus o principal vetor da bactéria. Além dos 
roedores, outros animais como ovinos, caprinos, caninos, suínos, bovinos e equinos 
também podem atuar como transmissores da doença (TORTORA; FUNKE; CASE, 
2018). 
Figura 22 - Bactéria leptospira 
 
Fonte: //x.gd/1J3rl 
 
 
 
Figura 23 – Ratazana de esgoto 
 
Fonte: shre.ink/nCRb. 
A transmissão da doença ocorre quando há exposição direta ou indireta à urina 
de animais infectados. A bactéria pode penetrar no organismo humano através da 
pele, especialmente se houver lesões, ou quando a pele permanece imersa por longos 
períodos em água contaminada. Além disso, a penetração também pode ocorrer por 
meio das mucosas. A água e a lama contaminadas desempenham um papel 
fundamental na transmissão da doença para os seres humanos (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2018). 
Embora com rara frequência, outras formas de transmissão são possíveis, 
como o contato com sangue, tecidos e órgãos de animais infectados, transmissão 
acidental em laboratórios e a ingestão de água ou alimentos contaminados. A 
transmissão entre humanos é muito incomum e tem pouca relevância epidemiológica, 
ocorre principalmente através do contato com urina, sangue, secreções e tecidos de 
pessoas infectadas. 
As manifestações clínicas da doença incluem sintomas inespecíficos no início, 
como febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e calafrios. 
Outros sintomas podem envolver dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, olhos 
 
 
 
avermelhados, tosse, faringite e, em alguns casos, exantemas (manchas 
avermelhadas na pele), meningite e aumento dos linfonodos, baço e fígado. Em 
situações mais graves, podem ocorrer icterícia (olhos amarelados), manifestações 
hemorrágicas (equimoses, sangramentos nasais, gengivas e pulmões) e insuficiência 
renal, que levam ao torpor e até mesmo ao coma. 
O tratamento da doença envolve o uso de antibióticos e deve ser iniciado o 
mais cedo possível. Na fase precoce, são utilizados medicamentos como doxiciclina 
e amoxicilina. Na fase tardia, os medicamentos indicados incluem penicilina G 
cristalina, ampicilina, ceftriaxona e cefotaxima, sendo a escolha dependente da idade 
e do estado do paciente. A antibioticoterapia é eficaz, especialmente quando iniciada 
na primeira semana dos sintomas. 
10 EXEMPLOS DE PATOLOGIAS RELACIONADAS AOS FUNGOS 
Os fungos são responsáveis por uma variedade de patologias que afetam 
humanos e animais, causando infecções que podem ser superficiais ou profundas. 
Algumas das doenças fúngicas mais comuns incluem a candidíase, que pode afetar 
mucosas e pele; a aspergilose, que atinge principalmente os pulmões; a 
histoplasmose, causada pela inalação de esporos presentes em fezes de morcegos; 
a meningite fúngica, que inflama as meninges; a pneumocistose, uma infecção 
oportunista que afeta principalmente pacientes imunocomprometidos; a esporotricose, 
transmitida por arranhões ou cortes em contato com solo contaminado; a onicomicose, 
que afeta as unhas; a frieira, uma infecção comum nos pés; e a 
paracoccidioidomicose, que atinge principalmente áreas rurais na América Latina 
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
Essas doenças fúngicas podem variar desde infecções cutâneas até condições 
sistêmicas graves e são frequentemente tratadas com medicamentos antifúngicos. A 
prevenção muitas vezes envolve práticas de higiene adequadas e, em alguns casos, 
medidas de proteção ao manipular solo ou plantas contaminadas. A conscientização 
 
 
 
sobre os sintomas e métodos de prevenção é fundamental para a saúde pública, 
especialmente em regiões onde essas infecçõessão mais comuns. 
10.1 Candidíase 
A candidíase é uma infecção vaginal comum que é desencadeada pela 
presença de fungos pertencentes ao gênero Candida. A ocorrência da candidíase 
pode estar relacionada a um sistema imunológico enfraquecido ou à incapacidade das 
bactérias benéficas na vagina de controlar o crescimento excessivo do fungo Candida 
albicans (TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
Essas condições podem criar um ambiente propício para a proliferação da 
Candida, geralmente na forma da Candida albicans. Este tipo de fungo é naturalmente 
presente no corpo humano, mas o sistema imunológico normalmente o mantém sob 
controle. No entanto, quando o organismo está enfraquecido, como durante uma 
doença, ou passa por mudanças hormonais, como na gravidez, esses fungos podem 
se reproduzir de maneira descontrolada, resultando no desenvolvimento da 
candidíase. 
A transmissão da candidíase ocorre por meio do contato com secreções 
corporais, como saliva, pele, secreções vaginais e excrementos de pessoas 
infectadas. Além disso, pode haver transmissão vertical durante o parto. Essa infecção 
é mais comum nas mulheres e se desenvolve devido a fatores locais ou gerais que 
comprometem a sua resistência imunológica. As manifestações clínicas da candidíase 
variam de acordo com a região afetada: 
➢ Candidíase vaginal: caracterizada por coceira na região vaginal, corrimento 
branco semelhante à nata de leite, odor desagradável, além de possíveis 
ardores e dor durante as relações íntimas. 
➢ Candidíase no homem: geralmente assintomática, mas quando se manifesta, 
pode causar coceira, manchas vermelhas no pênis, leve inchaço, ardor ao 
urinar, feridas esbranquiçadas na glande e dor durante o contato íntimo. 
 
 
 
➢ Candidíase oral (sapinho): comum em bebês e adultos com sistema 
imunológico enfraquecido, caracteriza-se por placas esbranquiçadas na boca, 
língua, céu da boca e garganta, acompanhadas de ardência e dor ao engolir. 
➢ Candidíase na pele: provoca coceira e vermelhidão, principalmente em áreas 
de dobras da pele, ocorrem com maior frequência em pessoas com sistema 
imunológico enfraquecido. 
➢ Candidíase intestinal: evidenciada pela presença de pequenos resíduos 
esbranquiçados nas fezes, indicam que a infecção atingiu a parede do intestino. 
O tratamento da candidíase é realizado com o uso de antifúngicos em forma de 
comprimidos ou pomadas prescritos por um médico, dependendo da gravidade e do 
tipo de infecção por Cândida. Alguns dos medicamentos utilizados incluem fluconazol, 
clotrimazol, nistatina e cetoconazol. 
11 EXEMPLO DE PATOLOGIA RELACIONADA A ALGAS 
A maré vermelha é um fenômeno que pode ser de origem natural ou causado 
por ações humanas, resultando em um desequilíbrio ecológico. Esse processo 
decorre da rápida proliferação de microalgas dinoflageladas, também conhecidas 
como dinoflagelados pirrófitos. Não necessariamente apresenta uma coloração 
vermelha, podendo variar entre tons que vão do vermelho ao marrom, dependendo 
da intensidade do evento e das características da água (TORTORA; FUNKE; CASE, 
2017). 
Os principais ambientes afetados por esse fenômeno são os estuários, onde 
rios encontram o mar. O aumento da proliferação dessas microalgas reduz a 
quantidade de luz disponível para a fotossíntese, levando à diminuição do oxigênio na 
água e à liberação de toxinas. Além disso, a maré vermelha pode alterar a temperatura 
e a salinidade do ambiente aquático, resultando na morte da vida aquática em um 
curto período de tempo. O crescimento de microalgas dinoflageladas também está 
 
 
 
associado à expansão de diatomáceas e cianobactérias, que contribuem para o 
consumo rápido do oxigênio. 
Dinoflagelados são organismos unicelulares com dois flagelos, frequentemente 
chamados de "microalgas" sendo conhecidos por causar a maré vermelha. A maioria 
dos dinoflagelados é fotossintetizante, mas também existem espécies heterótrofas e 
parasitas. A reprodução assexuada desses organismos é outro fator que contribui 
para a ocorrência da maré vermelha. 
As causas desse fenômeno incluem tanto fatores naturais quanto impactos 
humanos. Estudos recentes sugerem que a poluição resultante de atividades 
humanas pode contribuir para o aumento da maré vermelha, devido à eutrofização 
dos ambientes marinhos causada pelo despejo de nutrientes, especialmente de 
esgotos não tratados (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
Houve eventos significativos de maré vermelha que resultaram em danos 
ambientais, como na África do Sul, em 1962, e na Bahia, em 2007, onde grandes 
florações de dinoflagelados causaram a morte de toneladas de peixes e outros 
organismos aquáticos devido à asfixia. 
Além dos efeitos diretos sobre a vida aquática, a maré vermelha pode afetar 
indiretamente os seres humanos. Animais filtradores de água que sobrevivem ao 
fenômeno podem transportar toxinas para outros organismos, incluindo seres 
humanos, através da cadeia alimentar. O consumo de ostras contaminadas por essas 
toxinas pode causar paralisia temporária, e pessoas que vivem próximas a áreas 
afetadas pela maré vermelha podem enfrentar problemas respiratórios graves 
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
12 EXEMPLO DE PATOLOGIA RELACIONADA A PROTOZOÁRIOS 
Os protozoários são organismos unicelulares que podem causar uma variedade 
de doenças em humanos e animais. Algumas das patologias mais comuns incluem a 
toxoplasmose, causada pelo Toxoplasma gondii; malária, causada pelo Plasmodium 
sp. e transmitida pela picada do mosquito Anopheles; a amebíase, causada pela 
 
 
 
Entamoeba histolytica e transmitida por meio da ingestão de água ou alimentos 
contaminados; a giardíase, causada pelo Giardia lamblia e transmitida principalmente 
por água e alimentos contaminados; a doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma 
cruzi e transmitida principalmente por triatomíneos; e a leishmaniose, causada pelo 
gênero Leishmania e transmitida por mosquitos flebotomos (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2017). 
Essas doenças podem variar desde infecções gastrointestinais até condições 
sistêmicas graves e são frequentemente tratadas com medicamentos específicos. A 
prevenção muitas vezes envolve práticas de higiene adequadas e medidas de controle 
vetorial para evitar a transmissão desses agentes patógenos. 
12.1 Toxoplasmose 
O agente causador da toxoplasmose é um protozoário da família dos 
coccídeos, sendo um parasita intracelular obrigatório. Este parasita possui um ciclo 
biológico complexo e tem a capacidade de infectar praticamente todas as espécies de 
animais de sangue quente. A toxoplasmose é uma antropozoonose com distribuição 
global, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. O Toxoplasma gondii, 
conforme ilustrado na Figura 22, que é o nome desse protozoário, é capaz de parasitar 
diversos tecidos de mamíferos e aves, demonstrando sua ampla gama de hospedeiros 
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
A forma predominante de transmissão e propagação dos agentes patogênicos 
para a população humana ainda é a via oral. A infecção geralmente não apresenta 
sintomas, porém, em casos de infecção congênita ou em indivíduos 
imunossuprimidos, como aqueles com AIDS ou em tratamento com corticoides, sérios 
sintomas ou mesmo óbito podem ocorrer. 
Em relação às manifestações clínicas, alguns indícios incluem febre, calafrios 
e sudorese. Dor de cabeça, dor muscular e faringite são sintomas comuns. Muitas 
vezes, o quadro clínico se assemelha ao de uma gripe prolongada, dificultando um 
diagnóstico preciso. Manchas vermelhas na pele ou aumento do baço, conhecido 
 
 
 
como hepatoesplenomegalia, também podem se manifestar, tornando o quadro 
semelhante ao de mononucleose. A toxoplasmose pode também causar infecções 
pulmonares que resultam em tosse e dificuldade respiratória. Além disso, o 
toxoplasma pode levar à miocardite, uma inflamação cardíaca, resultando em 
sintomas semelhantes aos da insuficiência cardíaca (TORTORA; FUNKE; CASE,2017). 
No tratamento da toxoplasmose, os medicamentos mais comumente utilizados 
incluem a pirimetamina, a sulfadiazina, o trimetoprima-sulfametoxazol e a 
clindamicina. A pirimetamina e o trimetoprima atuam inibindo a enzima di-hidrofolato 
redutase, essencial para a síntese de DNA e RNA dos parasitas. As sulfonamidas, 
como a sulfadiazina, bloqueiam a dihidropteroato sintase, competindo com o ácido p-
aminobenzóico (PABA) necessário para a síntese de ácido fólico pelos parasitas. Já 
a clindamicina interfere na síntese de proteínas, ligando-se à subunidade 50S do 
ribossomo, o que impede a tradução de mRNA em proteínas essenciais para o 
parasita. A seguir, uma ilustração do protozoário causador da toxoplasmose conforme 
a Figura 24: 
Figura 24 - Agente causador da toxoplasmose 
 
Fonte: //x.gd/ZPSNi. 
 
 
 
 
O tratamento de gestantes deve ser abordado com precaução e imediatismo. 
A pirimetamina é tóxica para a medula óssea, pois inibe a síntese de ácido fólico. 
Portanto, as pacientes devem receber ácido folínico (não ácido fólico, que anularia a 
ação terapêutica da pirimetamina) para prevenir efeitos adversos, como neutropenia, 
trombocitopenia e anemia. Nos casos em que a infecção fetal não for confirmada, o 
tratamento com espiramicina pode ser continuado ao longo de toda a gestação. 
Embora o benefício do tratamento durante a gestação ainda seja uma questão 
debatida, tem-se demonstrado que ele reduz a transmissão do parasita pela placenta 
e também atenua a gravidade dos sintomas nos recém-nascidos. 
 
 
 
 
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ACTOR, J. K. Imunologia e microbiologia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. 
AGUIAR, R.; SILFARNEY, D. Microbiologia & parasitologia. Fortaleza: Cursinho da 
Universidade EFIVEST, 2017. 
BROOKS, G. F. et al. Microbiologia médica de Jawetz, Melnick e Adelberg. 
Tradução: Cláudio M. Rocha de Souza. 26. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. 
CARVALHO, I. T. Microbiologia básica. Recife: EDUFRPE, 2010. 
FLINT, H. J. et al. The role of the gut microbiota in nutrition and health. Nature 
Reviews: Gastroenterology & Hepatology, [S. l.], v. 9, n. 10, p. 577-589, 2012. 
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. 
LEVINSON, W. Microbiologia médica e imunologia. 13. ed. Porto Alegre: McGraw-
Hill, 2016. 
LOPES, S.; RUSSO, S. Bio: volume único. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. 
REECE, J. B et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. 
STRÜMMER, E. S. et al. A importância dos probióticos na microbiota intestinal 
humana. Revista Brasileira de Nutrição Clínica, [S. l.], v. 27, n. 4, p. 264-272, 2012. 
TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2017.(1713-1781) realizou um experimento denominado "caldo 
nutritivo", no qual ele utilizava frascos abertos e fechados e os aquecia, mas depois 
de um tempo ele observou que os potes estavam contaminados com microrganismos. 
Needham imaginou que apenas aquecer o caldo nos potes já seria suficiente para 
eliminar os seres vivos, pensando que a matéria bruta, conjuntamente com o caldo 
nutritivo, apresentava uma força vital originando seres vivos a partir da abiogênese. 
 
 
 
Spallanzani concluiu que Needham não havia esterilizado o material 
adequadamente, permitindo a contaminação. No entanto, Needham argumentou que 
a fervura prolongada de Spallanzani teria destruído a "força vital" necessária para a 
geração espontânea de vida. Apesar disso, o experimento de Spallanzani reforçou as 
descobertas anteriores de Francesco Redi, que também haviam desafiado a teoria da 
abiogênese (ACTOR, 2007). 
Alguns anos mais tarde, dois outros pesquisadores conseguiram validar esses 
experimentos. O químico alemão Franz Schulze (1815 - 1873) em 1836 conduziu um 
experimento significativo no campo da microbiologia, no início do experimento, 
Schulze coletou amostras de diversos locais, garantindo uma variedade 
representativa de ambientes. As amostras foram então submetidas a um processo de 
cultivo em meios seletivos, que favorecem o crescimento de diferentes grupos de 
microrganismos, permitindo a observação da morfologia e o comportamento de 
crescimento das colônias. Ele passava o ar através de uma forte solução de ácido 
antes de inseri-lo na infusão de carne fervida dentro de um frasco lacrado. 
Enquanto isso, o médico alemão Theodor Schwann (1810 - 1882) forçou o ar 
através de tubos aquecidos antes de inseri-lo em um caldo estéril. Em ambos os 
casos, não ocorreu o desenvolvimento de microrganismos, no entanto, os defensores 
da geração espontânea argumentaram que tanto o calor quanto o ácido impediam o 
crescimento desses seres microscópicos (ACTOR, 2007). 
Outra confirmação veio do cientista francês Louis Pasteur (1822 - 1895). 
Pasteur queria demonstrar que microrganismos no ar eram responsáveis pela 
contaminação de líquidos, refutando a ideia da geração espontânea, que sugeria que 
a vida poderia surgir de matéria não viva. Ele preparou frascos de vidro com pescoços 
longos e curvados, que permitiam a entrada de ar, mas impediam a entrada de 
partículas maiores, como poeira e microrganismos. Também esterilizou o conteúdo 
dos frascos (geralmente um caldo nutritivo) aquecendo-os, matando assim quaisquer 
microrganismos presentes, logo após a esterilização, os frascos foram deixados ao ar 
livre. 
 
 
 
Os frascos com pescoços de cisne, que estavam protegidos da contaminação, 
permaneceram livres de microrganismos por longos períodos, em contrapartida, se os 
pescoços fossem quebrados ou se o caldo fosse exposto ao ar não filtrado, ele 
rapidamente se contaminava com microrganismos. Pasteur concluiu que a 
contaminação dos líquidos era causada por microrganismos presentes no ar, e não 
por uma geração espontânea. Esse experimento foi fundamental para o 
desenvolvimento da microbiologia e contribuiu para a aceitação da teoria germinal das 
doenças, influenciando práticas de esterilização e conservação de alimentos (ACTOR, 
2007). 
O trabalho de Pasteur teve um impacto profundo na medicina, na biologia e na 
indústria alimentícia, levando ao desenvolvimento de vacinas, métodos de 
pasteurização e ao entendimento de doenças infecciosas. Ele é lembrado como um 
dos fundadores da microbiologia moderna (Figura 2). 
Figura 2 – Experimento de Louis Pasteur 
 
Fonte: //x.gd/99R9z. 
Finalmente, uma experiência conduzida pelo físico britânico John Tyndall (1820 
- 1893) teve o objetivo de demonstrar a presença de microrganismos na poeira. Se 
um ambiente for mantido estéril e não receber a entrada de poeira transportada pelo 
vento, um caldo estéril não apresentará crescimento de micróbios por um período 
indefinido. Essas observações levaram Tyndall a desenvolver um método de 
 
 
 
esterilização conhecido como "esterilização em várias etapas" ou "técnica de Tyndall", 
que envolvia aquecer um meio de cultivo a uma temperatura que matava a maioria 
dos microrganismos, seguido por períodos de incubação para permitir que eventuais 
esporos germinassem e, em seguida, novos ciclos de aquecimento. Esse processo 
ajudou a demonstrar a importância da esterilização para a pesquisa microbiológica e 
teve um impacto significativo na prática de métodos de conservação e controle de 
microrganismos (ACTOR, 2007). 
Von Plenciz propôs a ideia de que certos organismos vivos poderiam ser a 
causa de diferentes doenças, variando de acordo com o agente causador. O médico 
Oliver Holmes (1809 - 1894) também defendeu essa teoria, sugerindo que a febre 
puerperal era contagiosa e transmitida por meio de um micróbio de uma mulher para 
outra, geralmente por meio de médicos e parteiras. 
Nesse contexto, o médico húngaro Ignaz Semmelweis (1818 - 1865) iniciou o 
uso de antissépticos em procedimentos obstétricos. Simultaneamente, Louis Pasteur 
começou a investigar métodos empregados na produção de cervejas e vinhos, 
identificando que a fermentação microbiana de grãos e frutas resultava na produção 
de álcool. 
Dessa forma, Pasteur recomendou a eliminação dos microrganismos 
indesejados por meio de um aquecimento intenso, suficiente para tornar os micróbios 
inofensivos, sem afetar o sabor das frutas. Isso levou à prática de aquecer sucos a 
uma temperatura entre 62 e 63 °C durante uma hora e meia, método posteriormente 
chamado de pasteurização em homenagem ao cientista. A pasteurização tornou-se o 
método predominante na fabricação de produtos lácteos e alimentos fermentados, 
persistindo até os dias atuais. 
Dentre outras áreas, o médico alemão Robert Koch (1843 - 1910) concentrou-
se no estudo do carbúnculo hemático, uma doença que afeta gado caprino e bovino, 
mas pode ser transmitida aos seres humanos. Ele identificou bacilos distintos no 
sangue de animais doentes, caracterizados por extremidades angulares. Esses 
microrganismos foram cultivados em meios de cultura e observados sob microscopia. 
 
 
 
Koch observou que apenas uma cepa cresceu nos meios de cultura e, a partir 
disso, inoculou essa cepa em animais para verificar se eles adoeceriam e 
manifestariam sintomas de carbúnculo. Esse procedimento permitiu a Koch isolar os 
mesmos microrganismos que ele havia identificado no laboratório, demonstrando pela 
primeira vez que bactérias também podiam causar doenças em animais (ACTOR, 
2007). 
Com base nesse experimento, Koch estabeleceu algumas hipóteses 
fundamentais, que incluem: a associação de um microrganismo específico a uma 
doença determinada; a capacidade de cultivar e isolar o microrganismo em 
laboratório; a capacidade do microrganismo isolado de gerar a doença esperada 
quando inoculado em animais; e a possibilidade de recuperar a mesma cultura do 
microrganismo a partir dos animais infectados no experimento. 
Os princípios da Biologia podem ser ilustrados por meio da exploração da 
Microbiologia, uma vez que os microrganismos apresentam muitas características que 
os tornam ferramentas ideais para a investigação de fenômenos biológicos. Eles 
oferecem sistemas específicos para a análise das reações fisiológicas, genéticas e 
bioquímicas que constituem a base da vida (ACTOR, 2007). 
Esses microrganismos podem ser convenientemente cultivados em tubos de 
ensaio ou frascos, ocupam menos espaço e demandam menos cuidados de 
manutenção do que plantas superiores e animais. Além disso, eles têm uma taxa de 
crescimento e reprodução extremamente rápida; algumas espécies bacterianas 
podem completar quase 100 gerações em apenas 24 horas. Os processos 
metabólicos dos microrganismos seguem padrões semelhantes aos observados em 
plantas superiores e animais. 
A microbiologia permite um estudo detalhadodos microrganismos, acompanha 
suas atividades vitais durante o crescimento, reprodução, envelhecimento e morte. Ao 
modificar o ambiente em que crescem, é possível alterar suas atividades metabólicas, 
regular seu crescimento e até fazer modificações em seu padrão genético, tudo isso 
sem necessariamente destruir o microrganismo. 
 
 
 
O estudo dos microrganismos é essencial, pios eles influenciam diretamente a 
vida humana e afetam os ecossistemas em todo mundo. É importante ressaltar a 
relevância desses organismos para que as crianças, desde os primeiros anos de 
escolaridade, compreendam sua importância tanto nos sistemas biológicos quanto em 
seu uso crescente nas novas tecnologias, especialmente na área de biotecnologia 
(ACTOR, 2007). 
Os principais grupos de microrganismos incluem protozoários, fungos, algas e 
bactérias. Embora os vírus não sejam considerados seres vivos, eles compartilham 
algumas características com células vivas e, portanto, são estudados como 
microrganismos. 
2.1 Áreas de aplicação da microbiologia 
Numerosos aspectos do campo da Microbiologia são divididos em duas áreas 
principais: microbiologia básica e microbiologia aplicada. Na microbiologia básica, o 
foco recai sobre a investigação da natureza fundamental e das propriedades dos 
microrganismos. Essa área aborda questões relacionadas a diversos tópicos, tais 
como: 
➢ Características morfológicas, que englobam a forma e o tamanho das 
células, composição química, entre outros aspectos. 
➢ Características fisiológicas, compreendem as necessidades nutricionais 
específicas e as condições necessárias para o crescimento e a reprodução dos 
microrganismos. 
➢ Atividades bioquímicas, exploram os mecanismos pelos quais os 
microrganismos obtêm energia. 
➢ Características genéticas, incluem hereditariedade e variabilidade das 
características. 
➢ Características ecológicas, que analisam a ocorrência natural dos 
microrganismos no ambiente e suas interações com outros organismos. 
 
 
 
➢ Potencial de patogenicidade dos microrganismos, ou seja, sua capacidade 
de causar doenças. 
➢ Classificação, que se concentra nas relações taxonômicas entre os diversos 
grupos de microrganismos. 
Por outro lado, a microbiologia aplicada se dedica a explorar como os 
microrganismos podem ser utilizados ou controlados para diversas finalidades 
práticas. Os principais campos de aplicação da microbiologia englobam a medicina, a 
produção de alimentos e laticínios, a agricultura, a indústria e o meio ambiente 
(ACTOR, 2007). 
Na indústria, por exemplo, microrganismos são empregados na síntese de uma 
ampla gama de substâncias químicas, desde ácido cítrico até antibióticos complexos 
e enzimas. Alguns microrganismos têm a capacidade de fermentar matéria orgânica 
de origem animal e humana e geram metano que pode ser coletado e utilizado como 
combustível. Na biometalurgia, as atividades químicas de bactérias são exploradas 
para extrair minerais de minérios de baixa qualidade, como cobre e ferro. A indústria 
petrolífera também utiliza bactérias e seus produtos, como exopolissacarídeos, para 
aprimorar a extração de petróleo de reservatórios rochosos. 
Na área ambiental, o foco está na pesquisa de microrganismos capazes de 
degradar poluentes específicos, como herbicidas e inseticidas. A microbiologia médica 
concentra-se nos microrganismos responsáveis por doenças humanas (patógenos) e 
está relacionada com a prevenção e o controle dessas doenças. Em conjunto com a 
engenharia genética, essa área de pesquisa desenvolve a produção de enzimas 
bacterianas capazes de dissolver coágulos sanguíneos, cria vacinas humanas que 
utilizam vírus de insetos e elabora testes laboratoriais rápidos para diagnosticar 
infecções virais, além de outras aplicações (REECE et al., 2015). 
Por fim, a microbiologia dos alimentos lida com as doenças que podem ser 
transmitidas por meio dos alimentos, como infecções causadas por salmonelas e 
intoxicações provocadas por estafilococos e clostrídios. Ela também se relaciona com 
 
 
 
aspectos positivos, como o uso de microrganismos na produção de alimentos e 
bebidas, como queijos, pães e cervejas. 
3 A CÉLULA: UNIDADE FUNDAMENTAL DA VIDA QUE SE LIGA AO DNA 
O estudo dos seres vivos se tornou mais esclarecedor com a implementação 
da classificação dos seres vivos, o que possibilitou uma compreensão mais 
aprofundada das relações evolutivas. Os microrganismos, nesse contexto, são 
agrupados em três grandes domínios: Bacteria, Archae (arqueobactérias) e Eukarya 
(eucariontes), conforme proposto por Carl Woese, que comparou diferentes 
nucleotídeos de RNA. 
O domínio Bacteria engloba as bactérias "verdadeiras", ou seja, aquelas que 
são procariontes. O domínio Archae é composto pelas arqueobactérias, que 
anteriormente foram erroneamente classificadas como parte do grupo basal das 
bactérias e também são procariontes. Já o domínio Eukarya abrange todos os seres 
eucariontes, inclui os reinos Fungi (fungos), Protista (algas e protozoários), Animalia 
(animais) e Plantae (vegetais). 
Quando essas classificações são exploradas individualmente, as células 
podem ser examinadas com base em sua configuração e organização. Células mais 
simples, especialmente em relação ao material genético, são denominadas 
procariontes, como é o caso dos lactobacilos encontrados na microbiota intestinal. Por 
outro lado, células com estruturas mais complexas e um núcleo envolvido por 
membrana são chamadas de eucariontes, e este grupo inclui plantas, animais, algas, 
fungos e protozoários (REECE et al., 2015). 
O termo "procariontes" tem origem no grego, onde "pro" significa "primeiro" e 
"karyon" faz alusão a "nós" ou "amêndoa", referindo-se à forma do núcleo presente 
nas células eucariontes. Os procariontes são organismos unicelulares que não 
possuem membrana que envolve o núcleo. Por sua vez, "eucariontes", também de 
origem grega, com "eu" significando "bom" ou "perfeito", e "karyon" denotando "noz" 
 
 
 
ou "amêndoa", apresentam a característica distintiva de terem membrana nuclear, 
chamada carioteca, e várias organelas dispersas pelo citoplasma. 
As células procariontes não possuem muitas das organelas encontradas nas 
células eucariontes. São caracterizadas por serem células sem membrana nuclear, 
constituem apenas ribossomos, enquanto as células eucariontes têm membrana 
nuclear e diversas organelas com funções específicas distribuídas pelo citoplasma. 
Essas são as principais distinções entre esses dois tipos de organismos. 
Células procariontes são as formas mais antigas de vida, elas existem no 
planeta há bilhões de anos, desde os primórdios da Terra. Devido ao processo de 
seleção natural, há procariontes com uma variedade de cores, formas e adaptações 
ao meio ambiente em que vivem. Essas células demonstram uma notável resistência 
a condições extremas, como radiação, salinidade elevada, altas temperaturas, entre 
outras (REECE et al., 2015). 
Em relação ao tamanho, as células procariontes são pequenas, com medidas 
de aproximadamente 1 a 5 μm, enquanto as células eucariontes são maiores, variam 
de cerca de 10 a 100 μm. Como mencionado anteriormente, as células procariontes 
geralmente são unicelulares e são altamente autossuficientes em termos de 
realização de todas as atividades vitais de um organismo. Um aspecto relevante dos 
procariontes é sua capacidade de movimento, muitas vezes mediado por flagelos, 
embora nem todas as espécies possuam essa estrutura (REECE et al., 2015). 
Além disso, os procariontes realizam trocas com o meio extracelular através de 
sua parede celular, que possui permeabilidade seletiva. Eles se reproduzem 
rapidamente por fissão binária, um processo no qual uma célula se divide em duas, 
seguido de duplicação subsequente. Sua capacidade mutagênica é resultado de 
recombinação genética, seja entre dois procariontes ou por meio da absorção de 
material genéticode organismos mortos, o que contribui para sua adaptabilidade e 
perpetuação. As Figuras 3 e 4 retratam a forma e composição das células eucariontes 
e procariontes. 
 
 
 
 
Figura 3 - Célula eucarionte
 
Fonte: shre.ink/bTnJ. 
Figura 4 - Célula procarionte 
 
 Fonte: shre.ink/bTnJ. 
No entanto, é importante observar que as células procariontes não são capazes 
de formar organismos multicelulares, mas podem se agrupar em colônias. Elas obtêm 
nutrição por meio de processos quimiotróficos ou fototróficos, captando energia de 
compostos químicos ou da luz, respectivamente. A figura 5 ilustra diferentes tamanhos 
e formas de bactérias, isso inclui cocos, bacilos e espiralados (LOPES; RUSSO, 
2013). 
 
 
 
 
Figura 5 – Tamanho e formatos das bactérias 
 
Fonte: shre.ink/bTUG. 
No contexto das células eucariontes, elas se caracterizam pela presença de 
organelas e estruturas que não são encontradas nas células procariontes. Além do 
núcleo envolto por uma carioteca, possuem organelas especializadas, o que as torna 
mais complexas em comparação às células procariontes. 
A evolução que levou ao surgimento das células eucariontes a partir de um 
ancestral comum ainda não é completamente compreendida. Uma teoria sugere que, 
ao longo do tempo, as membranas das células sofreram invaginações em sua 
superfície. Com o crescimento da complexidade e o aumento das invaginações, essas 
estruturas se uniram ao redor do núcleo inicial, formando as primeiras organelas 
específicas dos eucariontes, como o retículo endoplasmático. Posteriormente, outras 
organelas surgiram gradualmente. 
De acordo com Junqueira e Carneiro (2005), a configuração celular das células 
eucariontes permite a troca de compostos e solutos com o meio externo por meio de 
processos como exocitose e endocitose. Essas células podem assumir uma ampla 
variedade de formas devido à presença do exoesqueleto, uma estrutura de suporte. 
Elas estão presentes em organismos unicelulares e multicelulares e são capazes de 
reprodução sexuada. A divisão celular ocorre por meio de mitose ou meiose. 
 
 
 
No corpo humano, as células procariontes compõem mais de 100 tipos de 
células, encontradas nos tecidos conjuntivo, epitelial, nervoso e muscular. É 
importante destacar que, de maneira geral, todos os seres humanos possuem tanto 
células eucariontes quanto procariontes, as quais coexistem de maneira equilibrada 
para garantir as condições de saúde necessárias à manutenção da vida e ao 
funcionamento do ecossistema. Isso demonstra que as células eucariontes evoluíram 
a partir de formas mais simples ao longo do tempo, sem desmerecer a importância 
das células procariontes, que desempenham várias funções e características 
fundamentais. 
3.1 Citoplasma 
No interior da célula, encontra-se o citoplasma, um espaço intracelular 
preenchido por uma matriz de consistência gelatinosa conhecida como hialoplasma. 
Dentro deste espaço, estão contidos diversos elementos celulares, que inserem 
moléculas e organelas. 
O citoplasma é predominantemente composto por água, que representa cerca 
de 80% de sua composição (Junqueira; Carneiro, 2005). Além da água, ele contém 
íons, sais minerais e diversas moléculas, como proteínas, carboidratos e RNA, que 
compõem os 20% restantes de sua constituição, peroxissomos, mitocôndria, núcleo, 
entre outras estruturas (Figura 6). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 – Composição celular 
 
 Fonte: Aguiar e Silfarney, 2017. 
Organelas citoplasmáticas 
As organelas citoplasmáticas dos organismos procariontes são geralmente 
pequenas e não possuem núcleo organizado. Caracterizam-se por não possuírem 
organelas envoltas por membranas, tais como o retículo endoplasmático, o complexo 
de Golgi, as mitocôndrias e os plastos (Junqueira; Carneiro, 2005). 
As células eucariontes são mais complicadas e são típicas de protozoários, 
fungos, animais e vegetais. Uma organela citoplasmática pode ser definida como uma 
parte do citoplasma responsável por uma ou mais funções especiais. As organelas 
mais importantes estão citadas abaixo (Figura 7). 
 
 
 
Figura 7 – Principais organelas celulares 
 
Fonte: shre.ink/nrj5. 
➢ Ribossomos: sua função principal é realizar a fabricação das proteínas. 
➢ Mitocôndrias: essa organela está relacionada com um processo 
extremamente importante: a respiração celular. Nesse processo, a célula 
obtém energia para a realização de suas atividades. 
➢ Complexo de Golgi: essa organela participa de um processo chamado de 
secreção celular, que nada mais é do que a eliminação de substâncias para 
fora da célula. Ela também modifica, armazena e endereça algumas 
substâncias. 
➢ Centríolo: organela citoplasmática de forma cilíndrica, composta de proteínas 
e presente em células animais; também conhecida como centrossomo. Está 
aparentemente relacionada à movimentação dos cromossomos durante a 
divisão celular. 
➢ Lisossomos: relacionados principalmente à digestão de partículas no interior 
da célula (digestão intracelular). 
 
 
 
➢ Retículo endoplasmático liso: uma de suas funções é a síntese 
de lipídios e carboidratos. 
➢ Retículo endoplasmático rugoso: sua função principal é produzir algumas 
proteínas, principalmente aquelas que serão jogadas para fora da célula. 
➢ Cloroplastos: é uma organela presente nas células das plantas e outros 
organismos fotossintetizadores, como as algas e alguns protistas. Possui 
clorofila, pigmento responsável pela sua cor verde. 
➢ Flagelos: são estruturas citoplasmáticas anexas à membrana plasmática das 
células, têm origem a partir do prolongamento dos centríolos. Eles são 
constituídos de proteínas motoras (dineínas), e formam um conjunto de 
microtúbulos. 
4 BACTÉRIAS: MORFOLOGIA E ESTRUTURAS 
De acordo com Junqueira e Carneiro (2005), os microrganismos são 
organismos unicelulares que podem existir isoladamente ou se organizar em colônias 
complexas. Eles são caracterizados por consistir em apenas uma célula, o que os 
classifica como unicelulares. Os microrganismos procarióticos, como as bactérias, são 
notáveis por não possuírem um núcleo celular definido e carecerem de organelas 
membranosas, como mitocôndrias ou cloroplastos, que são comuns em células 
eucarióticas. 
Esses organismos são extremamente versáteis e podem ser encontrados em 
uma ampla variedade de ambientes, desde o trato intestinal de animais até as 
profundezas oceânicas. Além disso, os microrganismos desempenham papéis 
cruciais nos ecossistemas, participando em processos como a decomposição da 
matéria orgânica e o ciclo do nitrogênio. Eles também são fundamentais para diversas 
aplicações industriais, como a produção de alimentos fermentados e remédios 
(JUNQUEIRA; CANEIRO, 2005). 
Os microrganismos eucarióticos unicelulares, como os protozoários e alguns 
fungos, possuem um núcleo definido e organelas membranosas, diferentemente dos 
http://escolakids.uol.com.br/lipidios.htm
http://escolakids.uol.com.br/o-que-sao-os-carboidratos.htm
 
 
 
procariotas. Essa diversidade estrutural reflete a ampla gama de funções biológicas 
que esses organismos podem realizar, desde a fotossíntese até a fermentação. 
4.1 Morfologia 
A morfologia bacteriana refere-se ao estudo da forma e estrutura das bactérias, 
que são organismos procarióticos. As bactérias apresentam uma variedade de formas, 
como cocos, bacilos e espirais, cada uma adaptada a diferentes ambientes e modos 
de vida. A parede celular bacteriana é uma estrutura essencial que mantém a forma 
da célula e protege contra pressões osmóticas (JUNQUEIRA; CANEIRO, 2005). 
Além disso, muitas bactérias possuem flagelos, que são estruturas móveis que 
permitem o movimento. A morfologia bacteriana é importante para a identificação e 
classificação desses microrganismos. A compreensão dessas características é 
fundamental em microbiologia para entender o comportamento e a patogenicidade 
das bactérias. Analiseos exemplos abaixo: 
O tamanho das bactérias é geralmente medido em micrômetros (μm), uma 
unidade que representa um milionésimo de metro. A maioria das bactérias tem um 
comprimento que varia de 0,5 a 5,0 μm, embora algumas possam ser menores ou 
maiores. Por exemplo, as bactérias do gênero Mycoplasma são extremamente 
pequenas, com cerca de 0,3 μm de diâmetro, enquanto outras, como a Thiomargarita 
namibiensis, podem atingir até 750 μm de diâmetro, sendo visíveis a olho nu em 
alguns casos. A Thiomargarita magnifica, a maior bactéria conhecida, pode chegar a 
até 2 centímetros de comprimento, o que é excepcionalmente grande para um 
microrganismo (JUNQUEIRA; CANEIRO, 2005). Apesar da vasta diversidade de 
espécies bacterianas, elas podem ser categorizadas em grupos morfológicos gerais, 
facilitando a compreensão e classificação desses microrganismos: 
 Formas de cocos (esféricas): é o grupo de bactérias mais homogêneo em 
relação ao tamanho. Os cocos tomam denominações diferentes de acordo com o seu 
arranjo. A Figura 8 demonstra os diversos formatos das bactérias. 
 
 
 
 
Figura 8 – Formas bacterianas 
Fonte: shre.ink/bT9. 
As bactérias com forma de cocos são caracterizadas por sua estrutura esférica 
ou oval. De acordo com Junqueira e Carneiro (2005), não há uma menção específica 
sobre cocos em seu trabalho, mas outros autores destacam que os cocos são um dos 
principais grupos morfológicos das bactérias, ao lado dos bacilos e das formas 
espiraladas. Os cocos podem se organizar de várias maneiras, como micrococos, 
diplococos, tétrades, sarcina, estreptococos e estafilococos. Essas diferentes 
disposições são essenciais para a identificação e classificação desses 
microrganismos. 
 As bactérias são classificadas em diferentes formas morfológicas, incluindo 
bastonetes (bacilos), formas espiraladas (como os espirilos) e espiroquetas, que são 
 
 
 
formas alongadas e helicoidais (JUNQUEIRA; CANEIRO, 2005). A compreensão 
dessas características morfológicas é fundamental em microbiologia para entender o 
comportamento e a patogenicidade das bactérias: 
➢ Micrococos – cocos. 
➢ Diplococos – cocos agrupados aos pares. 
➢ Tétrades – agrupamentos de quatro cocos. 
➢ Sarcina – agrupamentos de oito cocos em forma cúbica. 
➢ Estreptococos – cocos agrupados em cadeias. 
➢ Estafilococos – cocos agrupados em grupos irregulares, lembram cachos de 
uva. 
➢ Forma de bastonete – são células cilíndricas em forma de bastonete; 
apresentam grande variação na forma e no tamanho entre gêneros e espécies. 
Exemplo: Escherichia coli. 
➢ Forma de bastonete estendido: Ela tem uma estrutura cilíndrica alongada, 
semelhante a um bastão, e é um dos tipos mais comuns de bactérias 
encontradas na natureza. Exemplo: Bacillus anthracis. 
➢ Forma de bastão (bacilos): são microrganismos com formato cilíndrico ou 
alongado, semelhantes a bastonetes, e são um dos tipos mais comuns de 
bactérias encontradas na natureza. Exemplo: Bacillus subtilis. 
➢ Forma helicoidal: é uma bactéria com estrutura espiralada, como as 
espiroquetas e espirilos. As espiroquetas são flexíveis e se movem por 
contrações citoplasmáticas, enquanto os espirilos têm corpo rígido e se movem 
com flagelos. Exemplo: Treponema pallidum. 
➢ Forma de vibrião: tem a forma de um bastonete curvo, semelhante a uma 
vírgula. Exemplo: Vibrio cholerae. 
➢ Formas espiraladas – caracterizadas por células em espiral; dividem-se em: 
• Espirilos – possuem corpo rígido e movem-se à custa de flagelos externos. 
Ex.: Aquaspirillium. 
 
 
 
• Espiroquetas – são flexíveis e locomovem-se geralmente por contrações do 
citoplasma, podem dar várias voltas completas em torno do próprio eixo. 
Ex.:Treponema. 
4.2 Parede celular 
A parede celular é uma composição rígida que está presente em quase todas 
as bactérias e localiza-se acima da membrana citoplasmática. Ela contém polímeros 
complexos conhecidos como peptidoglicanos, que são responsáveis pela sua rigidez. 
A parede celular impede que a célula estoure em decorrência do grande turgor, atua 
como uma barreira de proteção contra determinados agentes químicos e físicos 
externos e funciona como suporte de antígenos somáticos bacterianos (JUNQUEIRA; 
CANEIRO, 2005). As bactérias podem ser divididas em dois amplos grupos, com base 
na capacidade de suas paredes celulares fixarem o corante violeta cristal: as Gram-
positivas (que coram em roxo) e as Gram-negativas (que coram em vermelho), 
conforme pode ser observado na Figura 9. 
Figura 9 – Parede celular de um gram positivo e de um gram negativo 
 
Fonte: //x.gd/Z587q. 
 
 
 
A parede celular das bactérias Gram-positivas é predominantemente 
constituída de peptidoglicano, formado por uma camada espessa que envolve a 
célula. Adicionalmente, essa camada pode conter outros polímeros, como ácidos 
lipoteicóicos e polissacarídeos. Por outro lado, nas bactérias Gram-negativas, a 
camada de peptidoglicano é mais fina e está localizada abaixo da membrana externa, 
que é composta por lipoproteínas, fosfolipídios, proteínas e lipopolissacarídeos 
(JUNQUEIRA; CANEIRO, 2005). 
O processo de coloração de Gram, que envolve a aplicação sequencial de 
cristal violeta, lugol, álcool e fucsina, é utilizado para diferenciar as bactérias. Tanto 
as Gram-positivas quanto as Gram-negativas inicialmente adquirem a coloração roxa 
devido à penetração do cristal violeta e do lugol. No entanto, o álcool desidratante 
utilizado na etapa seguinte afeta de forma diferente os dois tipos de bactérias. Nas 
Gram-positivas, a espessa camada de peptidoglicano torna-se menos permeável, 
retém o corante roxo, enquanto nas Gram-negativas, devido à fina camada de 
peptidoglicano, o complexo corado é removido pelo álcool, deixado essas células sem 
cor. A aplicação subsequente de fucsina não altera a cor das Gram-positivas, mas 
torna as Gram-negativas avermelhadas. A técnica de coloração de Gram é 
amplamente utilizada na identificação e classificação de bactérias. 
Ao examinar a célula bacteriana, podem ser identificadas diversas estruturas. 
Os flagelos, apêndices finos semelhantes a cabelos, projetam-se através da parede 
celular e têm origem em uma estrutura granular chamada corpo basal, localizada logo 
abaixo da membrana citoplasmática, no citoplasma (JUNQUEIRA; CANEIRO, 2005). 
Os flagelos consistem em três partes: uma estrutura basal, uma semelhante a 
um gancho e um longo filamento que se estende para fora da parede celular. Os pelos, 
conhecidos como fímbrias, são apêndices filamentosos menores, mais curtos e mais 
numerosos do que os flagelos. Eles são encontrados em muitas bactérias Gram-
negativas e não estão diretamente relacionados à mobilidade. 
Os pelos podem desempenhar funções, como a aderência a superfícies, a 
absorção de vírus bacterianos e a facilitação da transferência de material genético 
durante a conjugação bacteriana (Figura 10). 
 
 
 
Figura 10 – Estrutura bacteriana 
 
Fonte: shre.ink/bHyI 
O glicocálice é uma substância viscosa que forma uma camada envoltória ao 
redor da célula. Quando organizado de forma estruturada e firmemente ligado à 
parede celular, é chamado de cápsula. Por outro lado, quando está desorganizado, 
sem uma forma definida e apenas levemente ligado à parede celular, é denominado 
camada limosa. O glicocálice pode ser composto por polissacarídeos, como 
galactose, ramnose e glicana, ou por polipeptídeos, como o ácido glutâmico. 
A principal função do glicocálice é facilitar a aderência da célula a superfícies. 
Além disso, ele desempenha papéis importantes na prevenção do ressecamento das 
bactérias, atuando como uma espécie de envelope protetor. O glicocálice também 
pode servir como reserva de alimentos e auxilia na proteção contra a adsorção e 
ataque por bacteriófagos, vírus que infectam bactérias. 
No corpo humano, há uma vasta quantidade de microrganismos, com uma 
concentração de materialgenético microbiano cerca de 100 vezes maior do que o 
encontrado em uma única célula humana. De acordo com Flint et al. (2012), os 
microrganismos exibem propriedades enzimáticas e metabólicas superiores às dos 
 
 
 
seres humanos. Entre os diferentes grupos presentes na microbiota do corpo humano, 
destacam-se os Firmicutes, Bacteroidetes, proteobactérias, actinobactérias, 
fusobactérias, Verrucomicrobia e algumas arqueobactérias. 
É evidente, portanto, que as bactérias exercem uma função essencial no 
organismo humano. A microbiota intestinal, por exemplo, assume uma função vital na 
decomposição dos nutrientes e na contenção de agentes patógenos que podem 
invadir o corpo, contribuindo para a prevenção de doenças. Strümmer et al. (2012) 
enfatizam a importância de manter um equilíbrio saudável na microbiota, incluindo 
probióticos que contêm microrganismos vivos na dieta, o que pode melhorar a 
absorção de nutrientes. 
5 FUNGOS 
Os fungos são seres eucariontes que pertencem ao reino Fungi, exibem 
heterotrofia e apresentam parede celular. Há espécies pluricelulares e unicelulares 
que podem realizar reprodução tanto sexuada quanto assexuada. Além disso, existem 
fungos anaeróbicos facultativos e aeróbicos. A diferenciação entre eles se baseia em 
suas características morfológicas, citológicas, patogênicas e reprodutivas. 
No que diz respeito aos aspectos morfológicos, os fungos podem assumir duas 
formas distintas. A primeira é a filamentosa, caracterizada por fungos multicelulares, 
também conhecidos como bolores ou mofos, devido às suas colônias filamentosas 
que se desenvolvem de forma semelhante ao bolor. A outra forma é a levedura, 
composta por fungos unicelulares que variam em formato de elipsoide a esférico. A 
Figura 11 exemplifica aspectos morfológicos dos fungos. 
 
 
 
 
Figura 11- Aspectos morfológicos dos fungos 
 
Fonte: shre.ink/bTlr. 
Além disso, há fungos que exibem variações morfológicas em resposta à 
temperatura, denominados dimórficos. Esses fungos assumem a forma de leveduras 
em temperaturas corporais (37°), enquanto em temperaturas ambiente, adotam a 
forma filamentosa. A concentração de dióxido de carbono no ambiente também pode 
influenciar essa alternância entre as formas: altas concentrações favorecem a forma 
filamentosa, enquanto baixas concentrações promovem a forma de levedura. 
Conforme observado por Tortora, Funke e Case (2018), o dimorfismo 
desempenha um papel crucial no reconhecimento de fungos patogênicos, como o 
Mucor indicus, que frequentemente afeta pacientes imunocomprometidos, resultando 
em uma condição conhecida como mucormicose. 
 
 
 
Quanto à estrutura vegetativa, é responsável pela captação de nutrientes e está 
intimamente relacionada com o crescimento e o metabolismo dos fungos. 
Morfologicamente, os fungos filamentosos apresentam uma estrutura composta por 
filamentos chamados hifas, que se assemelham a tubos cilíndricos ramificados. 
Quando as hifas se multiplicam, elas se agrupam e formam uma estrutura 
macroscópica chamado micélio, visível em condições favoráveis. As hifas podem ser 
classificadas como asseptadas ou septadas, conforme apresentado nas Figuras 12 e 
13. 
Figura 12 - Hifas 
 
Fonte: shre.ink/bTHs. 
Figura 13 - Hifa asseptada e septada 
 
 Fonte: shre.ink/bTl4. 
 
 
 
De acordo com Levinson (2016), as hifas septadas possuem divisões 
transversais que dividem a estrutura em várias unidades celulares uninucleadas. Por 
outro lado, as hifas asseptadas, também conhecidas como cenocíticas, não 
apresentam delimitações visíveis, ou seja, não possuem septos, paredes transversais 
ou membranas que separam os núcleos das células filhas adjacentes. 
Brooks et al. (2015) também fazem uma distinção entre hifas vegetativas e 
reprodutivas. As hifas vegetativas são responsáveis pela absorção de nutrientes 
através da penetração no meio nutritivo, enquanto as hifas reprodutivas, como o nome 
sugere, desempenham um papel na reprodução, com uma projeção fúngica acima da 
área de desenvolvimento durante o crescimento das hifas. 
Assim como acontece com as bactérias, o desenvolvimento dos fungos ocorre 
exclusivamente em ambientes que oferecem condições ideais para seu crescimento. 
Para que as estruturas reprodutivas e vegetativas dos fungos se desenvolvam 
plenamente, são necessários fatores como umidade, temperatura adequada, 
concentração adequada de CO2 e O2, um pH entre 4 e 7 (levemente ácido), iluminação 
adequada, micronutrientes (por exemplo, F, Zn, Cu) e macronutrientes (como Mg, C, 
N). Esse crescimento pode ser observado quando os fungos filamentosos formam 
colônias, que incluem áreas como a zona de frutificação (onde ocorre a reprodução) 
e a zona de crescimento. 
A parede celular bacteriana é formada principalmente por uma combinação de 
lipídeos, glicoproteínas e longas cadeias de polissacarídeos. Os carboidratos 
representam uma grande parte de sua composição, variando entre 80% e 90%. 
Dependendo da espécie, outros tipos de polímeros também podem estar presentes, 
contribuindo para a diversidade estrutural das paredes celulares. 
Os componentes da parede celular são de grande importância durante 
infecções, pois podem ativar a resposta imunológica do hospedeiro, e seus 
polissacarídeos podem ser identificados por meio de técnicas de coloração e 
histologia. 
Devido às variações nas paredes celulares, alguns fungos podem adquirir 
colorações escuras, em virtude da presença de melanina em sua parede. Isso também 
 
 
 
pode ser considerado um fator de virulência, pois a melanina é capaz de neutralizar 
os radicais livres produzidos pelo sistema imunológico (Levinson, 2016). 
A patogenicidade de um fungo não depende apenas de um único fator, mas 
sim de uma combinação de aspectos que podem desencadear várias respostas no 
hospedeiro. Por exemplo, a capacidade de penetrar nos tecidos e invadir fluidos e 
órgãos do hospedeiro, pode causar lesões e ser um indicativo de patogenicidade. Dois 
aspectos que podem determinar a patogenicidade de um fungo são: 
➢ O dimorfismo, que permite que o fungo cresça em duas formas distintas. 
➢ A presença de melanina, que protege o fungo dos radicais livres gerados 
pelas células do sistema imunológico e dos tecidos. Os fungos que contêm a 
substância podem ser chamados de demáceos. 
No entanto, é importante destacar que mesmo os fungos hialinos, que não 
possuem características patogênicas relacionadas ao pigmento, podem causar 
infecções em indivíduos imunocompetentes ou imunocomprometidos. Essas 
infecções resultam em micoses conhecidas como hialo-hifomicoses, que podem 
manifestar-se de forma subcutânea, superficial ou sistêmica. 
Outro mecanismo de patogenicidade dos fungos é sua capacidade de bloquear 
a síntese de citocinas, o que reduz a atividade fungicida dos macrófagos, como 
observado no caso do Cryptococcus neoformans, que é capaz de inibir citocinas como 
TNF alfa e IFN gama. Além disso, esse fungo possui uma cápsula espessa, que pode 
ser visualizada sob microscópio com corantes como tinta de nanquim ou da China 
(Levinson, 2016). 
Quanto à nutrição, os fungos podem obter nutrientes de várias maneiras, são 
classificados como saprófitos, simbióticos ou parasitas. Os fungos simbióticos 
estabelecem uma relação mutualística com seus hospedeiros, beneficiando ambos. 
Isso inclui relações simbióticas como as micorrizas, que envolvem a cooperação entre 
fungos e raízes de plantas para a absorção de nutrientes do solo, e os líquens, que 
são formados pela associação entre uma cianobactéria ou alga e um fungo. 
 
 
 
Os fungos saprófitos, por outro lado, obtêm nutrientes através da 
decomposição de matéria orgânica, como madeira em decomposição, folhas caídas 
e fezes. Eles produzem enzimas que degradam a matéria orgânica em substâncias 
mais simples, sendo então absorvidas pelas hifas para a produção de energia. Isso 
desempenha um papelimportante no ciclo de nutrientes, pois libera nutrientes no solo 
para serem reutilizados por plantas e outros organismos (LEVINSON, 2016). 
Há também fungos parasitas, que obtêm nutrientes e energia à custa das 
células de outros organismos sem fornecer benefícios em troca. Esses fungos são 
considerados parasitas devido à sua capacidade de enfraquecer, danificar ou matar 
as células do hospedeiro, conforme relata a Figura 14. 
Figura 14 – Fungos que parasitam o hospedeiro 
 
Fonte: shre.ink/nq9t. 
Em relação à reprodução assexuada, existem três formas distintas de ocorrer: 
1. A disseminação e o crescimento de filamentos de hifas. 
2. A produção assexuada de esporos (mofos, bolores). 
3. A divisão simples, conhecida como brotamento (leveduras). 
 
 
 
Por outro lado, a reprodução sexuada se realiza por meio da produção de 
esporos sexuados, resultante da fusão de núcleos de duas linhagens diferentes 
pertencentes à mesma espécie de fungos (LEVINSON, 2016). Este é o método de 
reprodução menos comum, mas é essencial para promover a recombinação genética, 
pois garante a diversidade necessária para o desenvolvimento genético dos fungos. 
Quanto ao brotamento, este fenômeno ocorre quando uma célula progenitora 
forma uma protuberância na sua superfície externa, chamada de broto, que se alonga 
e se divide, resultando na presença de um núcleo no broto e outro na célula 
progenitora. Posteriormente, a parede celular é organizada para permitir que o broto 
se solte, mas, caso isso não ocorra, pode acontecer a formação de uma pseudo-hifa 
que também tem a capacidade de se agrupar para criar uma estrutura chamada 
pseudomicélio (LEVINSON, 2016). 
 Durante o processo de brotamento, os fungos podem utilizar essa 
característica como um mecanismo para invadir tecidos de hospedeiros, como 
observado em infecções causadas pelo Candida albicans. Quanto à reprodução 
assexuada, existem métodos variados que os fungos empregam para se multiplicar: 
➢ A produção de esporos por meio de mitose seguida de divisão celular, sem a 
fusão de núcleos das células. Esse método é o mais comum entre os fungos 
patogênicos e os esporos podem ser classificados como conídios e 
esporangiósporos. 
• Os conídios são esporos que podem ser unicelulares ou multicelulares, e não 
estão em envoltos por uma membrana externa protetora. Esses esporos têm 
relevância significativa na micologia médica e podem ser formados nas 
extremidades ou laterais das hifas. Existem diferentes tipos de conídeos, que 
incluem: o Artroconídios ou artrósporos, que consistem em fragmentos das 
extremidades das hifas, um exemplo disso são os esporos produzidos pelo 
fungo Coccidioides immitis, causador da coccidioidomicose. O 
Clamidoconídios ou clamidósporos, que apresentam uma forma arredondada 
devida a espessa parede celular que protege contra dessecação e calor, como 
é o caso da Candida albicans. O Blastoconídios ou blastósporos, que tem 
 
 
 
características hidrofílicas, os tornam facilmente dispersos em ambientes 
aquosos, são produzidos por brotamento por fungos do gênero Cryptococcus. 
Por outro lado, os esporangiósporos são esporos gerados por meio de divisão 
mitótica, dentro de estruturas chamadas esporângios. Este método é comum em 
fungos dimórficos, como os do gênero Rhizopus e Mucor. 
No contexto dos esporos sexuados, estes são gametângios originados pela 
fusão de células haploides que resultam em uma célula diploide. Posteriormente essa 
célula passa por mitose e meiose, dependendo do local onde são produzidos novos 
esporos haploides. Dependendo do local onde são produzidos, podem ser chamados 
de ascósporos, se gerados dentro de sacos, ou basidiósporos, se produzidos em 
extremidades claviformes chamadas basídios. Este último é característico de 
cogumelos comestíveis e do gênero Cryptococcus (LEVINSON, 2016). 
No caso de fungos zigomicetos, a fusão de hifas resulta na formação de 
zigósporos, que são esporos simples com uma espessa parede celular. Vale ressaltar 
que os esporos sexuados têm uma resistência relativa a fatores como calor, 
dessecação, congelamento e alguns agentes químicos, embora não sejam tão 
resistentes ao calor quanto os esporos bacterianos. 
A reprodução sexuada ocorre após a reprodução assexuada sendo composta 
por três fases: 
➢ Plasmogamia: nesta fase, ocorre a fusão dos núcleos das células, 
aproximando-os. 
➢ Cariogamia: durante esta fase, os núcleos fundem-se, resultando em uma 
célula binucleada. 
➢ Meiose: a meiose reduz o número de cromossomos de diploide para haploide, 
produzindo esporos com ou sem variação genética. 
Os esporos gerados iniciam seu desenvolvimento em condições favoráveis, o 
que leva ao crescimento de hifas que eventualmente se ramificam e dão origem ao 
micélio. Como a reprodução inclui uma etapa assexuada, há uma ampla oportunidade 
para a disseminação de fungos com estrutura de conídios. 
 
 
 
Quanto aos esporos de leveduras, como clamidósporos, artrósporos e 
blastósporos, eles podem ser observados sob um microscópio óptico com lente de 
objetiva 40x. Fungos filamentosos, por outro lado, produzem diferentes tipos de 
esporos, como microconídios, macroconídios, esporangióforos e conidióforos. Os 
macroconídios são os maiores esporos produzidos por esses fungos, enquanto os 
microconídios são os menores. Os conidióforos são hifas que geram conídios, e os 
esporangióforos têm hifas que formam esporângios. 
Conforme TORTORA, et al. (2018), os benefícios oferecidos pelos fungos nem 
sempre recebem a mesma atenção que os danos que podem causar. Diariamente, as 
pessoas desfrutam de produtos que têm origem direta ou indireta dos fungos. Um 
exemplo notável é a fermentação promovida por fungos na produção de álcool etílico 
e dióxido de carbono, fundamentais na fabricação de bebidas como vinho e cerveja, 
bem como na produção de alimentos como pão e massas em geral. 
Algumas espécies de fungos também contribuem para conferir sabores e 
aromas distintos a diferentes tipos de queijos. O consumo de cogumelos comestíveis 
é uma prática comum em várias partes do mundo, especialmente em países orientais, 
e sua popularidade tem aumentado continuamente no Brasil. 
No campo da medicina, os fungos ganharam destaque devido ao 
desenvolvimento de antibióticos, com destaque para a penicilina, que é sintetizada a 
partir de metabólitos do fungo Penicillium chrysogenum. Além disso, esteroides e 
hormônios de crescimento vegetal também têm origem em metabólitos desses 
organismos. Um exemplo notável do uso de metabólitos fúngicos na medicina é a 
ciclosporina, administrada a pessoas submetidas a transplantes, e que foi isolada de 
fungos encontrados no solo, como Tolypocladium inflatum e Cylindrocarpon lucidum, 
na década de 70. 
Muitas enzimas de origem fúngica têm sido exploradas na indústria alimentícia 
e em diversos processos biotecnológicos, isso inclui a produção de sucos de frutas e 
a indústria de papel. Além disso, a partir de certas espécies de fungos, é possível 
sintetizar substâncias inseticidas que auxiliam no controle de pragas. Nas últimas 
 
 
 
décadas, os fungos têm sido objeto de estudo para sua aplicação na recuperação de 
ambientes degradados por poluentes químicos. 
Características gerais dos fungos 
Frequentemente, comparações são estabelecidas entre os fungos e os 
vegetais, embora sejam organismos desprovidos de clorofila em suas células, o que 
impede a realização da fotossíntese. Todos os fungos são eucariotos e podem 
assumir formas unicelulares, como as leveduras e quitrídias, ou multicelulares. 
Tipicamente, esses organismos apresentam duas unidades nucleares em suas 
células, as quais podem ser discernidas sob um microscópio óptico mediante o uso 
de técnicas de coloração específicas (TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
As células fúngicas tendem a se agrupar em filamentos, podendo ou não conter 
septos entre elas. Mesmo quando septos estão presentes,as funções metabólicas 
ocorrem sem interrupções entre as células. O crescimento das hifas é apical, embora 
existam regiões com elevada capacidade de crescimento, especialmente 
relacionadas às funções reprodutivas. A partir de um pequeno fragmento de hifa, um 
novo indivíduo pode ser gerado. Hifas oriundas de micélios ou esporos diferentes 
interagem entre si e ampliam a superfície de contato e as relações estabelecidas com 
o ambiente. As células fúngicas não possuem plastídios nem centríolos. 
As mitocôndrias desses organismos possuem cristas planas, e estruturas como 
o complexo de Golgi e os peroxissomos estão presentes. A parede celular dos fungos 
é composta principalmente por quitina e β-glucanos. A membrana celular é constituída 
por ergosterol, um tipo de esterol característico dos fungos, embora também esteja 
presente em algumas microalgas. Flagelos podem ser encontrados apenas nas 
estruturas reprodutivas de alguns grupos. Os fungos são organismos heterotróficos, 
obtendo nutrientes por meio de absorção, ou seja, liberam enzimas nos substratos 
que colonizam e absorvem os nutrientes através de sua parede e membrana celular. 
Dentro das células dos fungos, há um fluxo citoplasmático que facilita a difusão 
de nutrientes solúveis, promovendo o metabolismo entre as células. Os fungos exibem 
reprodução sexuada e/ou assexuada de diversas maneiras, além de apresentarem o 
 
 
 
fenômeno de parassexualidade, que envolve recombinação genética durante a 
mitose. As estruturas de reprodução diferem daquelas somáticas, exibindo uma ampla 
variedade de formas que são utilizadas na classificação dos fungos (LEVINSON, 
2016). 
Leveduras 
As leveduras representam microrganismos unicelulares que desempenham um 
papel significativo como fontes de proteínas utilizadas na fabricação de produtos 
naturais, bebidas e alimentos elaborados por meio de processos de fermentação. 
 A morfologia das leveduras, ao contrário dos bolores, não exibe uma grande 
diversidade, o que torna a identificação baseada apenas na morfologia insuficiente em 
muitos casos. No entanto, em algumas situações, uma identificação rápida e 
presumida pode ser feita com base na morfologia, auxiliando no diagnóstico de 
infecções. Por exemplo, a presença de hifas hialinas e ramificadas sugere o gênero 
Candida, e a formação de clamidósporos (células de reserva) ou tubos germinativos, 
em certas condições in vitro, pode indicar a Candida albicans (LEVINSON, 2016). 
Outros gêneros, como Cryptococcus, Rhodotorula, Geotrichum e Trichosporon, 
frequentemente podem ser identificados com base apenas em características 
morfológicas distintas. No entanto, a caracterização precisa de outros gêneros e 
espécies de leveduras geralmente requer testes bioquímicos. É importante observar 
que, do ponto de vista clínico, a identificação precisa das leveduras nem sempre é 
crucial, mas pode ser relevante do ponto de vista epidemiológico. Veja abaixo uma 
imagem referente a Candida Albicans vista do microscópio (Figura 15). 
 
 
 
Figura 15 - Candida Albicans 
 
Fonte: shre.ink/bTOx. 
Características das leveduras 
As leveduras, diferentemente dos fungos, apresentam uma característica 
unicelular distintiva. Sua reprodução ocorre principalmente por meio da divisão 
binária, um processo que permite um rápido desenvolvimento e reprodução das 
células, superando em velocidade os bolores. 
Esses microrganismos não possuem clorofila, o que os torna incapazes de 
realizar fotossíntese. Em termos de tamanho, as leveduras geralmente têm dimensões 
de 10 a 15 micras e podem assumir formatos esféricos, ovais ou em forma de bastão. 
Em termos de morfologia e comportamento, as leveduras compartilham semelhanças 
com as bactérias, incluindo a formação de colônias, métodos de cultivo e atividades 
bioquímicas. Elas têm uma faixa de temperatura favorável ao crescimento que varia 
de 25 a 40ºC. 
As leveduras podem crescer tanto na presença quanto na ausência de oxigênio 
e exibem atividades fermentativas e oxidativas. Elas têm a capacidade de fermentar 
ácidos orgânicos e carboidratos, além de serem proteolíticas, embora algumas 
espécies também possam decompor gordura. 
 
 
 
Esses microrganismos desempenham um papel significativo na indústria 
alimentícia e de bebidas, pois são utilizados na fabricação de produtos como vinhos, 
cervejas, aguardentes e pães, devido à sua capacidade de fermentação e produção 
de compostos desejáveis. 
6 VÍRUS 
Os vírus são entidades distintas, desprovidas de células, caracterizadas por 
algumas particularidades notáveis. Uma de suas características marcantes é a 
presença de uma cápsula proteica que envolve o material genético, que pode ser DNA 
ou RNA. Essa estrutura é essencial para permitir a replicação viral no interior da célula 
hospedeira, onde os vírus aproveitam os recursos intracelulares para sintetizar 
compostos e produzir uma nova cápsula que abrigará o material genético, permitindo 
sua transferência para outras células. 
Tortora, et al. (2018) destaca diversas diferenças entre vírus e bactérias, que 
foram resumidas no Quadro 1. 
Quadro 1 – Diferenças entre bactérias e vírus 
 
Bactérias 
típicas 
Riquétsias/clamídias Vírus 
Parasita 
intracelular 
Não Sim Sim 
Membrana celular Sim Sim Não 
Fissão binária Sim Sim Não 
Atravessa filtros 
bacteriológicos 
Não Não/Sim Sim 
RNA e DNA Sim Sim Sim/Não 
Produz ATP Sim Sim/Não Não 
Ribossomos Sim Sim Não 
 
 
 
Sensíveis a 
antibióticos 
Sim Sim Não 
Sensíveis a 
interferon 
Não Não Sim 
Fonte: shre.ink/bTO9. 
Estrutura viral 
O tamanho dos vírus varia significativamente, com diâmetros de 20 a 10.000 
nm. Como resultado desse tamanho diminuto, eles só podem ser visualizados através 
do uso de um microscópio eletrônico, o que só se tornou possível no século XX devido 
aos avanços tecnológicos. Foi somente em 1935 que o bioquímico e virologista 
Wendell Stanley (1904-1971) conseguiu isolar e caracterizar a estrutura do vírus do 
mosaico do tabaco, marco que incentivou a comunidade científica a direcionar seus 
estudos para essa área (TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
Com o tempo, as estruturas dos vírus foram identificadas e compreendidas. 
Essas estruturas incluem: 
➢ Ácido nucleico: este componente representa o material genético do vírus, que 
pode ser constituído de RNA ou DNA, ou ambos (citomegalovírus, por 
exemplo). São de fita simples ou dupla e pode estar organizado de forma 
circular ou linear. Alguns exemplos incluem o parvovírus (DNA de fita simples), 
o adenovírus (DNA de fita dupla), o picornavírus (RNA de fita simples) e o 
reovírus (RNA de fita dupla). 
➢ Capsídeo: é uma cobertura que protege o ácido nucleico do vírus. É composto 
por unidades proteicas chamadas capsômeros, cuja organização varia de 
acordo com o tipo de vírus. 
➢ Envelope: alguns vírus possuem uma membrana lipídica chamado envelope 
que envolve o capsídeo. Esse envelope é composto principalmente por lipídios 
e proteínas. 
Veja na Figura 16 a representação de um vírus: 
 
 
 
Figura 16 - Vírus 
 
Fonte: shre.ink/bT02. 
Características dos vírus 
De acordo com TORTORA, et al. (2018), os vírus são microrganismos 
extremamente pequenos e acelulares, que dependem de células hospedeiras para se 
reproduzir. Eles consistem basicamente em um material genético, que pode ser DNA 
ou RNA, envolto por uma capa proteica chamada capsídeo. Alguns vírus possuem, 
além do capsídeo, uma camada adicional chamado envelope, composta por lipídeos 
e proteínas, que facilita a interação com as células hospedeiras. 
Os vírus são capazes de induzir a produção de moléculas que ajudam a 
transportar seu material genético para outras células, desempenhando um papel 
significativo na evolução e na patologia de diversas doenças. Sua replicação ocorre 
dentro das células hospedeiras, utilizando os recursos celulares para produzir novas 
partículas virais infecciosas. 
➢ Possuemácidos nucleicos, DNA ou RNA, ou os dois em seu material genético 
(citomegalovírus). 
➢ Possuem uma cobertura proteica, envolvendo o ácido nucleico. 
 
 
 
➢ Multiplicam-se dentro de células vivas, usam a maquinaria de síntese das 
células. 
➢ Induzem a síntese de estruturas especializadas, capazes de transferir o ácido 
nucleico viral para outras células. 
➢ Parasitas obrigatórios, apresentam incapacidade de crescer e se dividir 
autonomamente. 
➢ Replicação somente a partir de seu próprio material genético. 
 
Classificação morfológica 
De acordo com a estrutura do capsídeo, Tortora, Funke e Case (2018) 
classificam os vírus em várias categorias distintas: 
➢ Poliédricos: esses vírus apresentam uma estrutura com múltiplas faces, como 
é o caso do adenovírus, que possui 20 faces triangulares sendo conhecido por 
causar a conjuntivite. 
➢ Helicoidais: esses vírus têm uma forma que se assemelha a bastonetes. 
Exemplos de vírus helicoidais incluem o vírus do ebola e o vírus da raiva. 
➢ Envelopados: os vírus envelopados são geralmente esféricos devido à 
presença de um envelope lipídico ao seu redor. Um exemplo desse tipo de vírus 
é o herpesvírus. 
➢ Complexos: esses vírus se distinguem por terem um genoma maior e mais 
complexo, que desempenha funções além da simples replicação viral. Alguns 
vírus complexos, como os bacteriófagos, possuem uma estrutura com uma 
bainha de cauda helicoidal. 
Essas categorias são usadas para classificar os vírus com base na estrutura 
do capsídeo que os envolve (Figura 17). 
 
 
 
Figura 17- Morfologia dos vírus 
Fonte: shre.ink/bT6i. 
Replicação viral 
Os vírus têm a capacidade de se reproduzir apenas dentro de células 
hospedeiras vivas, pois dependem das organelas dessas células para produzir suas 
estruturas e replicar seu material genético. Embora o ciclo de replicação dos vírus que 
infectam bactérias e células mais complexas seja bastante semelhante, ainda existem 
diferenças relacionadas às características dessas células (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2018). 
Para ilustrar, a interação inicial entre um vírus bacteriófago e sua célula 
hospedeira ocorre quando as fibras da cauda se ligam às proteínas da parede celular. 
Por outro lado, a infecção viral em uma célula animal começa com a ligação entre as 
glicoproteínas do vírus e as proteínas da membrana plasmática. Uma diferença 
notável é que os bacteriófagos injetam seu material genético no interior da célula, 
enquanto aqueles que infectam células animais entram na célula com seu capsídeo 
por meio de fusão ou endocitose. 
 
 
 
Apesar dessas diferenças específicas entre os diferentes tipos de vírus, o 
resultado sempre será a produção de milhares de cópias do vírus no interior da célula 
hospedeira. O ciclo de replicação dos bacteriófagos pode ser dividido em dois tipos: 
lisogênico, em que o vírus pode coexistir com a célula hospedeira sem a matar, e 
lítico, em que a infecção viral leva à morte da célula hospedeira. 
Vírus de DNA 
Certos vírus apresentam um genoma extenso, como no caso dos herpesvírus, 
que produzem genes benéficos e adquirem uma certa independência do metabolismo 
da célula hospedeira. As moléculas de DNA viral podem existir em duas conformações 
distintas: linear ou circular. Os vírus pertencentes à família Polyomaviridae têm um 
genoma pequeno que adota a forma circular de DNA, enquanto os herpesvírus 
possuem um genoma linear do ácido desoxirribonucleico (DNA) de dupla fita. Vírus 
com genomas de fita simples não possibilitam a correção do material genético 
danificado (TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
Vírus de RNA 
Uma vez que o metabolismo celular lida com o DNA, os vírus que possuem 
RNA em seu genoma devem possuir ou produzir enzimas específicas para a 
conversão desse RNA em DNA. Um exemplo notável dessas enzimas é a 
transcriptase reversa presente no HIV e as replicases em outros vírus. Nos retrovírus, 
que são uma classe de vírus que contêm ácido ribonucleico (RNA) em seu genoma, 
ocorre a conversão de seu RNA em DNA pela ação da transcriptase reversa quando 
eles entram na célula hospedeira (TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
7 ALGAS 
O termo "algas", em um sentido amplo, abarca um grupo diversificado de 
organismos aquáticos, que compartilham principalmente a ausência de tecidos 
especializados para a condução de água e de células estéreis ao redor de seus órgãos 
reprodutivos. Devido a essa diversidade, esses organismos não formam uma 
 
 
 
categoria taxonômica específica, mas sim um conjunto de categorias distintas, são 
tradicionalmente classificados em reinos como Monera, Protista e Plantae, e variam 
de acordo com diferentes sistemas de classificação baseados em dados de biologia 
molecular. 
O estudo das algas no Brasil começou a ganhar destaque no século XX, com 
pesquisadores como A. B. Joly na Universidade de São Paulo, que formou os 
primeiros ficólogos brasileiros e impulsionou o conhecimento da flora de algas no país. 
Isso resultou em avanços significativos no entendimento da flora ficológica brasileira. 
As algas apresentam uma ampla variedade de formas e estruturas, desde 
unicelulares isoladas, agregados de células, colônias, filamentos simples ou 
ramificados, até estruturas multinucleadas e tecidos mais complexos. Algumas algas 
podem ser móveis devido à presença de flagelos, o que pode levá-las a serem 
confundidas com protozoários. Certas algas multicelulares, como as feofíceas 
conhecidas como kelps, exibem uma organização mais elaborada, com formação de 
tecidos e divisão de trabalho. Além disso, podem atingir grandes comprimentos, 
chegando até 60 metros (TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
Dentro da classificação das algas, podem-se destacar algumas categorias, 
como as: 
➢ Euglenófitas, são unicelulares e flageladas. 
➢ Pirrófitas, são responsáveis por algumas marés vermelhas. 
➢ Crisófitas, possuem paredes celulares ricas em sílica e são conhecidas como 
diatomáceas. 
➢ Clorófitas, podem ser unicelulares ou multicelulares. As Feófitas, ou algas 
pardas, apresentam estruturas multicelulares e pigmentos como a fucoxantina. 
➢ Rodófitas, ou algas vermelhas, são predominantemente multicelulares e 
possuem pigmentos como a ficocianina e a ficoeritrina, além de celulose e 
hidrocoloides na composição da parede celular. 
A morfologia das algas varia significativamente entre os diferentes grupos, 
refletindo adaptações a seus ambientes específicos. Em geral, as algas podem ser 
 
 
 
classificadas em três grupos principais: algas verdes (Chlorophyta), algas pardas 
(Phaeophyceae) e algas vermelhas (Rhodophyta) (TORTORA; FUNKE; CASE, 2018). 
➢ Estrutura celular: as algas são predominantemente unicelulares ou 
multicelulares. As algas unicelulares, como as diatomáceas e as euglenófitas, 
possuem uma estrutura simples, geralmente consistindo em uma única célula 
envolta por uma parede celular. Já as algas multicelulares, como as algas 
pardas (ex.: kelp) e as algas vermelhas, apresentam uma organização mais 
complexa, com diferentes tipos de células e tecidos especializados. 
➢ Componentes morfológicos: as algas multicelulares possuem estruturas que 
podem ser comparadas a órgãos das plantas superiores. Elas podem ter talos, 
que funcionam como caules, lâminas foliares que atuam como folhas e raízes 
que, embora não sejam verdadeiras raízes, ajudam na fixação ao substrato. A 
cor das algas é determinada pela presença de pigmentos, como a clorofila, que 
reflete a luz verde, e outros pigmentos acessórios, como os carotenoides e 
ficobilinas, que conferem tonalidades amarelas, vermelhas e marrons. 
Essa diversidade de algas, conforme ilustrado na Figura 18, desempenha um 
papel fundamental nos ecossistemas aquáticos e oferece uma riqueza de 
características morfológicas e bioquímicas para estudo e pesquisa. 
 
 
 
Figura 18 - Algas 
 
Fonte: shre.ink/bT4G. 
8 PROTOZOÁRIOS 
O termo "protozoário", de origem grega

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