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1 
 
3. Evidências da Actuação da Evolução 
Evolução é o processo através no qual ocorrem as mudanças ou transformações nos 
seres vivos ao longo do tempo, dando origem a novas espécies. 
A evolução tem suas bases ligadas fortemente ao estudo comparativo dos organismos, 
sejam fósseis ou actuais. 
Fig1. Evolução do Homo sapiens sapiens 
Desta feita, destacar-se evidências da actuação da evolução, a citar: Evidências 
Morfológicas (Anatomia Comparada), Paleontológicas, Embriológicas, Biogeográficas, 
Citológicas, Bioquímicas, Genéticas e Etológicas. Dentre estas ciências o estudo 
citologia e a bioquímica foram os mais recentes. 
3.1 Evidências Morfológicas 
A morfologia biológica serve tanto como ferramenta fundamental para a identificação e 
classificação das espécies, assim como, instrumento para a constatação de evidências 
evolutivas. A anatomia comparada fornece dados que apoiam o evolucionismo, 
revelando a existência de órgãos (estruturas) homólogos, análogos e vestigiais, nos 
indivíduos estudados. 
3.1.1 Órgãos homólogos 
Homologia numa análise morfológica, é a semelhança entre estruturas de diferentes 
organismos (animais distintos), oriundos da mesma origem embrionária. Estes podem 
desempenhar funções semelhantes ou não, mesmo tendo uma origem evolutiva comum. 
2 
 
 
Alguns exemplos de órgãos homólogos são: braço humano e as asas do morcego, 
nadadeiras anteriores do golfinho e patas anteriores do cavalo são estruturas homólogas 
entre si, por possuírem a mesma origem embrionária. 
 
Fig2. Homologia dos membros superiores dos mamíferos 
 
A homologia entre estruturas de dois organismos diferentes, sugere que eles se 
originaram de um grupo ancestral comum, embora não indique um grau de proximidade 
comum, partem várias linhas evolutivas que originaram várias espécies diferentes 
(irradiação adaptava). Segundo Darwin, “este fenómeno deve-se ao resultado da 
selecção natural afectada sobre os indivíduos que conquistaram meios ambientes 
diferentes”. Fenómeno este é designado de evolução divergente. 
3 
 
 
Fig3. Irradiação em mamíferos. 
3.1.2 Órgãos análogos 
Os órgãos ou estruturas análogas, são aquelas que têm uma estrutura e origem 
embriológica diferentes, mas que desempenham a mesma função. 
As estruturas análogas não reflectem por si só qualquer grau de parentesco. Elas 
fornecem indícios da adaptação de estruturas de diferentes organismos a uma mesma 
variável ecológica (que conquistaram meios semelhantes). 
Este fenómeno é chamado de evolução convergente e são exemplos: 
 Asas de morcegos, pássaros e insectos; 
 As pernas articuladas de insectos e vertebrados; 
 Nadadeiras do rabo de peixes, baleias e lagostas; 
 Os olhos dos vertebrados e moluscos cefalópodes (lulas e polvos). 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o_convergente
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lagosta
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lula
http://pt.wikipedia.org/wiki/Polvo
4 
 
 
 Fig4. Estruturas/órgãos homólogos e análogos. 
3.1.3 Órgãos vestigiais 
Órgãos vestigiais são estruturas análogas às que se apresentam bastante desenvolvidas 
em algumas espécies, mas que, devido ao desuso e à falta de necessidade noutras 
espécies, se atrofia e não se desenvolve. 
A explicação para a degeneração ou subdesenvolvimento desses órgãos pode ser dada 
em termos de mudança no ambiente ou modos de vida da espécie. Supõe-se que esses 
órgãos eram funcionais em espécies ancestrais e acabaram por se tornar não funcionais 
ou desnecessários nas espécies actuais. 
Os exemplos deste fenómeno são: 
 O ceco que é muito desenvolvido em animais que ingerem muita celulose, pois a 
função do ceco é a degradação desta, e pouco desenvolvido naqueles que a não 
ingerem; 
 Os músculos das orelhas no humano, que se tornaram desnecessários à medida 
que a visão se foi aperfeiçoando; 
 O cóccix na parte final da coluna vertebral no homem, hipoteticamente, em 
outros animais, o cóccix dá origem à cauda (em algumas anomalias genéticas, 
pessoas podem nascer com essa estrutura aumentada); 
 As asas vestigiais de aves que não voam como avestruzes; 
 O apêndice vermiforme humano; 
5 
 
 Os olhos ou estruturas oculares em diversas espécies cegas cavernícolas ou 
residentes em outros ambientes afóticos, como peixes, cobras-cegas, e a toupeira 
do deserto da Namíbia; 
 As asas traseiras vestigiais de moscas e mosquitos; 
 As folhas vestigiais de algumas xeromorfas (cactus) e de plantas parasitas 
(cuscuta). 
 
 
 
 Fig5. Órgãos vestigiais do coelho e do homem (comparação). 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mosca
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mosquito
http://pt.wikipedia.org/wiki/Xeromorfa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cactus
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuscuta
http://evidenciasdaevolucao.files.wordpress.com/2010/06/orgao_vestigial.jpg
6 
 
 
 Fig6. As vértebras soldadas do cóccix e anomalia genética 
 que produziu uma cauda em um bebê. 
3.2 Evidências Paleontológicas 
Paleontologia é o estudo da vida passada baseado no registro fóssil e suas relações com 
os diferentes períodos de tempo geológicos. 
A paleontologia é o estudo dos fósseis e é um dos factores que mais apoiam o 
evolucionismo, pois mostra que o nosso planeta foi habitado por seres diferentes dos 
actuais. Ocorre apenas em componentes esqueléticos dos indivíduos, que ficam 
gravados nas rochas. Estruturas esqueléticas e outras partes duras do organismo são as 
formas mais comuns de fossilização de restos de organismos (Paul, 1998), 
(Behrensmeyer, 1980) e (Martin, 1999). 
Além da petrificação, o corpo morto de um organismo pode ser bem preservado em 
gelo, em resina endurecida de árvores coníferas (âmbar), em alcatrão, em ambientes 
anaeróbios e em turfas ácidas. 
A história evolutiva dos seres vivos pode ser dada por árvores filogenéticas, que se 
tratam de diagramas ramificados, que se iniciam num ancestral comum, cada ramo 
corresponde ao aparecimento de uma nova forma. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paleontologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Resina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Con%C3%ADferas
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%82mbar
7 
 
 Fig7. Fóssil de trilobita. 
Trilobites eram animais com carapaças duras, parentes dos actuais caranguejos e 
camarões. Foram extintos 250 milhões de anos atrás. 
É possível descobrir como um grupo de organismos evoluiu arrumando seu registro 
fóssil em uma sequência cronológica. 
Limitações 
O registro fóssil é uma fonte importante para cientistas na investigação da história 
evolucionária dos organismos. Entretanto, devido a limitações inerentes ao registro 
fóssil, não existe uma boa sequência de formas intermediárias entre grupos relacionados 
de espécies. 
Algumas das razões para a imperfeição do registro fóssil são: 
 Em geral, a probabilidade de um organismo fossilizar-se depois de morto é bem 
baixa; 
 Algumas espécies ou grupos têm menos chance de tornarem-se fósseis porque 
apresentam corpos moles, e outras têm menos chance de tornarem-se fósseis, 
porque eles vivem (e morrem) em condições que não favorecem a fossilização. 
 Muitos fósseis são destruídos por movimentos de terra e pela erosão; 
 A maioria dos fósseis apresenta informações sobre a forma externa, mas muito 
pouco sobre como o organismo funcionava; 
 A importância do estudo dos fósseis para a evolução está na possibilidade de 
conhecermos organismos que viveram na Terra em tempos remotos, sob condições 
ambientais distintas das encontradas actualmente, e que podem fornecer indícios de 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Trilobita
http://pt.wikipedia.org/wiki/Caranguejos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Camar%C3%B5es
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Asaphiscuswheelerii.jpg
8 
 
parentesco com as espécies actuais. Por isso, os fósseis são considerados importantes 
testemunhos da evolução. 
3.3 Evidências Embriológicas 
A Embriologia comparativa mostra como embriões começam a desenvolvercom as 
mesmas características parecendo o mesmo. Durante seus respectivos 
desenvolvimentos, suas similaridades decrescem vagarosamente até que eles tomem as 
formas de suas classes particulares. É o caso dos vertebrados adultos (peixes, répteis, 
aves e mamíferos), entretanto seus embriões são bem similares em estágios iniciais. Em 
embriões de peixes, um coração de duas câmaras, algumas veias, e partes de artérias 
desenvolvem-se e persistem em peixes adultos. As mesmas estruturas formaram-se em 
estágios inicias do desenvolvimento de embriões humanos, mas não persistem nos 
adultos. 
 
Fig9. Embriologia comparativa do peixe ao homem. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Embriologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Embri%C3%A3o
http://evidenciasdaevolucao.files.wordpress.com/2010/06/embriologia_comparativa.jpg
9 
 
3.4 Evidências Biogeográficas 
A Biogeográficas analisa a distribuição geográfica dos seres vivos. Frequentemente em 
populações, as espécies tendem a ser mais semelhantes quanto maior for a sua 
aproximação física, e caso contrário (isoladas), maiores são as diferenças entre si, 
mesmo que as condições ambientais sejam semelhantes. 
Neste contexto pode-se citar certos factores que favorecem as evidências 
biogeoquímicas, tais como: 
 Migração e isolamento; 
 Deriva continental (fósseis do mesmo grupo de anfíbios antigos, artrópodes e 
pteridófitas são encontradas na América do Sul, África, Índia, Austrália e 
Antártica, os quais podem ser datados como pertencentes a era paleozóica, e 
que nessa época essas regiões eram unidas em uma única massa de terra); 
 Distribuição de ilhas oceânicas (muitos animais em pequenas ilhas isoladas só 
têm espécies nativas que só poderiam chegar nelas pelo mar ou ar, como 
pássaros, insectos e tartarugas). 
 As diferenças biogeográficas ocorreram devido à deriva dos continentes, a qual 
separou indivíduos da mesma espécie, que evoluíram dando origem a diferentes 
espécies, cada uma adaptada ao ambiente onde viveram. 
Durante suas viagens, Darwin colectou um grande número de espécies, muitas delas 
desconhecidas na Europa que posteriormente deram suporte a evolução por selecção 
natural. 
Todos os organismos são adaptados ao seu ambiente a um maior ou menor grau. Se os 
factores abióticos e bióticos dentro de um habitat são capazes de sustentar uma espécie 
em particular em uma área geográfica, então se supõem que a mesma espécie seria 
encontrada em um habitat similar em uma área geográfica também similar. Por isso 
plantas e animais são descontinuamente distribuídos através do mundo. 
 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pteridophyta
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paleoz%C3%B3ico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sele%C3%A7%C3%A3o_natural
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sele%C3%A7%C3%A3o_natural
http://pt.wikipedia.org/wiki/Habitat
10 
 
3.5 Evidências Citológicas 
A teoria celular elaborada por Schleiden e Schwan, em 1839, constitui uma prova 
citológica a favor da evolução. O facto de todos os seres vivos serem constituídos por 
células, as quais possuem funções muito semelhantes veio apoiar largamente uma 
origem comum. Assim, apesar das diferenças que podem ser observadas a nível 
macroscópico, se analisarmos o mundo vivo a nível microscópico, podemos concluir 
que não há grandes diferenças entre os seres vivos. 
Exemplo: a mitose e a meiose, são idênticas nas células animais e vegetais. 
Os estudos de bioquímica e fisiologia celular, viriam a revelar a existência de vias 
metabólicas idênticas em organismos muito diferentes, como animais e plantas. 
3.6 Evidências Bioquímicas e Genéticas 
A Bioquímica e a genética são ciências que têm uma notável evolução nos últimos anos, 
e têm ajudado bastante no estudo do processo evolutivo. 
Ao analisar os componentes químicas e genéticas das várias espécies podemos notar que 
quanto mais semelhante for a sua constituição química, maior o grau de parentesco ou 
filogenia que pode ser estabelecido. 
Entre as provas bioquímicas que apoiam o evolucionismo, destacam-se: 
 O facto de todos os organismos serem constituídos pelos mesmos compostos 
orgânicos (glícidos, prótidos, lípidos e ácidos nucleicos); 
 A universalidade do código genético com a intervenção do DNA e do RNA no 
mecanismo da síntese proteica; 
 O ATP é usado como uma moeda metabólica por toda a vida existente; 
 O código genético é o mesmo para quase todos os organismos, significando que 
um pedaço de RNA em uma bactéria codifica para uma mesma proteína em uma 
célula humana. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/ATP
11 
 
A mutação cria novos genes, e a recombinação os mistura com os genes já existentes, 
originando os indivíduos geneticamente variados de uma população. A selecção natural, 
por sua vez, favorece os portadores de determinados conjuntos gênicos adaptativos, que 
tendem a sobreviver e se reproduzir em maior escala que outros. Em função da actuação 
desses e de outros factores evolutivos, a composição gênica das populações se modifica 
ao longo do tempo. 
Segundo a teoria da evolução, duas espécies terão maior semelhança entre suas 
proteínas quanto mais próximo for o grau de parentesco sob o ponto de vista evolutivo. 
Comparações de sequências de DNA permitem o agrupamento de organismos pelo 
critério de similaridades entre as sequências, resultando em árvores filogenéticas 
tipicamente congruentes com a taxonomia tradicional, e são frequentemente usadas para 
fortalecer ou corrigir classificações taxonómicas. 
3.7 Evidências Etológicas 
O termo ethos deriva do grego e significa” da natureza da coisa”. A etologia é a ciência 
das relações comparadas do comportamento animal, o que inclui também os humanos. 
Uma preocupação básica de etologia é a evolução do comportamento através do 
processo de selecção natural, e Darwin, em seu livro (A origem da espécies) dedica um 
capítulo ao instinto, em que formula a hipótese de que”Todos os instintos mas 
complexos e maravilhosos”se originaram através do processo natural, tendo preservado 
as variações continuamente acumuladas que são biologicamente vantajosas. 
Darwin acreditava que apenas os órgãos evoluíam, mas que aquisições mentais 
gradativas também ocorriam. 
Um primeiro princípio é a concepção de que, a exemplo dos órgãos e outras estruturas 
corporais, o comportamento é produto e instrumento do processo de evolução através de 
selecção natural. Isso implica em dizer que o comportamento tem função adaptativa 
(afecta o sucesso reprodutivo) e possui algum grau de determinação genética. Isto quer 
dizer que o comportamento é produto da evolução filogenética.A partir desse 
pressuposto, os etólogos se deparam com as quatro perguntas fundamentais em 
relação ao comportamento segundo Tinbergen: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Filogen%C3%A9tica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taxonomia
12 
 
1. Qual é a função (do ponto de vista adaptativo); 
2. Qual é a causa (factores causais próximos); 
3. Como o comportamento se desenvolve ao longo da vida do indivíduo (ontogênese); 
4. Como se desenvolveu no decorrer a história evolucionária (filogênese). 
Essas perguntas irão orientar o trabalho do etólogo. 
Além da contribuição teórica, a Etologia também propiciou grandes avanços no estudo 
do comportamento através de contribuições metodológicas. A ênfase na observação e na 
descrição detalhada do comportamento, em situação o mais natural possível, foi 
fundamental para a compreensão do comportamento de forma mais holística. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
 
5. Bibliografia 
AMABIS, J. M. & MARTHO, G. R. Biologia, 3ed., São Paulo, Editora Moderna, 
1995. 511 p. 
--------------------------------------------, Biologia das Populações, 1ed., São Paulo, Editora 
Moderna, volume 3, 1997, pp 218-238. 
BEHE, M. A caixa preta de Darwin. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997. 300 p. 
BRITO, Elias Avancini; FAVARETTO, José Arnaldo. uma abordagem evolutiva e 
ecológica. SãoPaulo: Moderna, 2002. 3 v. 
FUTUYMA, D. J. Biologia evolutiva. 2a ed. Ribeirão Preto, Sociedade Brasileira de 
Genética, 1993. 631 p. 
STORER, T. I., USINGER, R. L., STEBBINS. R. C.& NYBAKKEN, J. W. Zoologia 
Geral. 6a ed. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1991. 816 p. 
Http://www.google.com/evidenciasdaactuaçaodaevolucao? 
 
 
http://www.google.com/evidencias