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terrenos cultivados e 
recém-arados. 
A condição III aplica-se a solos quase saturados após cinco dias de chuvas fortes ou 
baixas temperaturas precedendo à tempestade de projeto. O quadro que se segue, a 
Tabela 12, fornece o resumo da transformação do CN para as três condições 
mencionadas. 
Constam também deste quadro os valores de CN recomendados para uso em conjunto 
com o procedimento de cálculo, que inclui as chuvas antecedentes à parte mais intensa 
da tempestade, conforme será descrito adiante. 
Tabela 12 - Número de Chuva CN para Diversas 
Condições de Umidade Antecedentes 
Condição II Condição O Condição I Condição III
15 15 7 33
20 19 9 39
25 23 12 45
30 27 15 50
35 30 19 55
40 33 23 60
45 36 27 65
50 39 31 70
55 43 35 75
60 47 40 79
65 51 45 83
70 56 51 87
75 61 57 91
80 67 63 94
85 74 70 97
90 82 78 98
95 92 87 99
100 100 100 100 
Observa-se uma grande variação do valor de CN para as diversas condições de umidade 
antecedentes do solo, o que introduz mais um fator de incerteza na sua avaliação, 
mascarando significativamente a precisão procurada na escolha do CN, em função da 
permeabilidade do solo, das condições de retenção superficial ou do tipo de cobertura 
vegetal, conforme já mencionadas. 
A expressão de Mockus representa satisfatoriamente o crescimento do coeficiente de 
deflúvio com a sucessão das precipitações no decurso de uma tempestade, o qual é 
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conseqüência do umedecimento progressivo do solo e do decréscimo da taxa de 
infiltração. 
Ê difícil definir o valor inicial das precipitações acumuladas no começo da tempestade, o 
qual depende das precipitações antecedentes e que, no projeto, são preferencialmente 
incluídas na própria tempestade. 
Para tempestades muito prolongadas, a expressão de Mockus fornece, no fim do período, 
coeficientes de deflúvio demasiadamente elevados, porque não leva em conta a 
reabilitação da taxa de infiltração do solo nas interrupções das precipitações, freqüentes 
em períodos de chuvas menos intensas. Por esse motivo considera-se no fim do período 
chuvoso uma infiltração mínima do solo, em substituição à aplicação da expressão de 
Mockus. 
6.4.2 CHUVAS ANTECEDENTES 
As chuvas que precedem a intensidade máxima de uma tempestade têm grande efeito 
sobre o deflúvio resultante, de modo que convêm atribuir-lhes valores condizentes com a 
freqüência da enchente de projeto. Assim, enchentes mais raras devem levar em conta a 
ocorrência de precipitações antecedentes mais severas. 
Desse modo, convém considerar a chuva que antecede o pico da tempestade num 
período de, pelo menos 5 dias, para estabelecer mais criteriosamente os valores a serem 
adotados para o número da curva de infiltração CN do solo, conforme sejam considerados 
maiores tempos de recorrência do projeto. Com o uso das chuvas antecedentes o 
coeficiente de deflúvio passa a depender menos da área da bacia Hidrográfica. 
Seguindo o procedimento convencional, que não inclui as precipitações antecedentes, 
resultam para pequenas bacias deflúvios totais, por unidade de área, consideravelmente 
mais baixos que para bacias maiores com o mesmo número de curva de infiltração do 
solo. 
Isso ocorre porque, com chuvas de menor duração e menores precipitações acumuladas, 
mais significativas nas bacias de menor porte, para a mesma curva CN, resultam 
deflúvios menores do que para as durações e precipitações acumuladas maiores, 
correspondentes às bacias maiores. 
Os resultados obtidos adotando-se o procedimento convencional serão mais coerentes 
com a adoção de números de curva de infiltração CN, mais altos nas bacias menores do 
que nas bacias maiores, mesmo tratando-se dos mesmos tipos de solo e cobertura 
vegetal. Essa dependência da curva de infiltração, em função do tempo de concentração 
ou da extensão da bacia hidrográfica, tem sido possivelmente o motivo de restrição ao 
uso do hidrograma unitário sintético para pequenas bacias. 
Com a recomendação de considerar um período de chuva de pelo menos 5 dias antes do 
pico da tempestade, o número de curva CN referente a esse caso deve ser menor do que 
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o indicado para a condição II, a qual se refere à situação média de enchentes anuais em 
período chuvoso, excluindo as precipitações antecedentes. 
Para solos de permeabilidade média, e impermeáveis, poderá ser adotado um valor de 
CN próximo do recomendado para a condição l, no procedimento A, incluindo-se os 5 dias 
de chuvas antecedentes, a qual corresponde a solos secos, porém acima do ponto de 
murchamento. 
Os solos mais permeáveis são menos sensíveis às variações de condições antecedentes, 
de modo que parece ser mais apropriado utilizar valores de CN entre os indicados para as 
condições l e II. 
Comparando valores de descargas calculadas pelos procedimentos, para bacias de 
diversos portes e para o período de recorrência de TR = 10 anos, chega-se a descargas 
máximas aproximadamente iguais usando os valores de CNII e CN0 indicados na mesma 
linha da Tabela 12. Com isso pode-se estabelecer uma relação entre os dois 
procedimentos de cálculo abordados. 
Esse estudo da relação entre os números de curva CN a serem usados nos dois 
Procedimentos de cálculo foi efetuado para um posto de características médias do Brasil. 
Para um posto com características diferentes, a relação mencionada entre os números de 
curva CN altera-se devido ao uso de condições de chuvas antecedentes diferentes no 
procedimento não convencional. Isso mostra que o Procedimento A é de aplicação mais 
geral do que acontece com o procedimento convencional, levando-se em conta maior 
número de particularidades da potencialidade na formação de chuvas intensas de curta 
duração de cada posto. 
Se, no procedimento não convencional, for alterado o número de dias de chuvas 
antecedentes ao pico da tempestade, será necessário adotar outro número de curva de 
infiltração CN, atendendo a condições de umidade do solo diferentes. 
A consideração das chuvas antecedentes ou de sua exclusão dos cálculos conduz assim 
aos dois procedimentos mencionados. O primeiro procedimento, aqui proposto, admite 
uma tempestade de projeto mais prolongada, seja qual for a extensão da bacia de 
drenagem em questão, considerando os 5 dias de chuvas precedentes à precipitação de 
máxima intensidade e um número de curva CN0 relacionado com CNII, conforme indicado 
aproximadamente pela Tabela 11. 
O segundo, procedimento convencional, adota o número de curva CNII de período 
chuvoso, sem considerar as chuvas antecedentes ao pico da tempestade, a não ser num 
período curto de duração aproximadamente igual à metade do tempo de concentração da 
bacia hidrográfica. 
A vantagem deste procedimento em relação ao convencional consiste em incluir 
condições antecedentes de umidade do solo mais severas para enchentes de período de 
recorrência mais elevado e permitir o uso do mesmo número de curva CN, para solos 
semelhantes, independentemente da extensão da bacia hidrográfica. 
78 
 
O número de curva CNO, usado no Procedimento A, depende do grupo hidrológico do solo 
e de sua condição de retenção superficial, variando muito pouco com a alteração das 
condições antecedentes de umidade do solo. O número de curva CNII usado com o 
procedimento convencional, ao contrário, depende sensivelmente das condições 
antecedentes de umidade do solo. Com o uso do Procedimento A, sugerido, o projetista 
deve acostumar-se a associar o tipo de solo ao número de curva CN0 correspondente, a 
ser empregado nos cálculos. 
O conceito da simultaneidade das chuvas, exposto no item 6.3.2, afeta os valores das 
descargas máximas através das chuvas antecedentes na parte mais intensa da 
tempestade de projeto. 
No procedimento convencional, esse efeito já é afetado pela escolha mais judiciosa 
possível do número da curva de infiltração CN do solo, não aparecendo assim