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1 
 
 
 
 
AULA 8 
 
 
 
 
 
 
ALGUNS CONCEITOS 
Ação 
 
 
 
 
Arendt (1995) dá à ação um papel relevante na condição humana. Por meio 
dela o homem é capaz de se distinguir, ao invés de permanecer apenas diferente. 
Essa distinção é expressa pelo discurso na ação. Ação e discurso permitem que os 
seres humanos se manifestem uns aos outros enquanto homens. Essa manifestação 
supera a existência corpórea e está atrelada à iniciativa. Prescindir dela significa 
abster-se da própria humanidade. 
O discurso dos/as trabalhadores/as mostra um caráter reflexivo, não apenas no 
âmbito da reflexão, mas, sim, da ação-reflexão, ao se falar sobre questões que 
interferem na saúde do/a trabalhador/a. pois por meio delas torna-se possível uma 
transformação da realidade, com melhorias à vida do/a trabalhador/a. 
1.3Trabalho: ação, necessidade e coerção 
SOCIOLOGIA DO TRABALHO 
“A ação é a condição de toda a vida política do homem na Terra. Nela 
o homem exerce sua qualidade de inteligência para introduzir seu 
conhecimento no espaço em que convive, com a intenção de 
modificar para melhor esse espaço, com a finalidade de estabelecer 
um acréscimo ao bem-estar de seus habitantes”. 
(Arendt, 1995, p. 151). 
 
2 
 
Segundo Arendt (1995), os sindicatos defendem e lutam pelos interesses da 
classe operária e são responsáveis pela posterior incorporação desta última na 
sociedade e, sobretudo, pela extraordinária melhora da segurança econômica, do 
prestígio social e do poder político da classe. 
 
Dessa forma, podemos notar que há, em Marx, uma preocupação com a 
ontologia- histórica do homem e sua relação com o trabalho, o intercâmbio necessário 
com a natureza que possibilita a transformação e a produção da realidade. O trabalho 
enquanto marcador ontológico. 
 
Coerção 
 
Como se sabe, a coerção de alguma forma induz, pressiona ou 
compele o indivíduo a fazer determinada ação mesmo contra a sua 
vontade. 
 
No caso da escravidão a forma de coerção usada era a força, o que fazia com 
que os escravizados trabalhassem em troca de comida e moradia, mesmo que ambas 
fossem precárias. Atualmente, uma forma de coerção nas organizações que pode ser 
usada como exemplo é o desemprego, ou seja, mesmo que o/a trabalhador/a esteja 
insatisfeito/a com o trabalho e exercendo atividades apenas com o propósito de buscar 
os objetivos estabelecidos pela organização, deixando de lado todas as suas 
expectativas em relação ao trabalho, o seu medo de sair e não conseguir espaço 
Em A Ideologia Alemã,̃ Marx e Engels nos mostram alguns pressupostos de sua 
análise, evidenciam-se 
“os indivíduos reais, sua ação e suas condições materiais de vida, tanto aquelas 
por eles já encontradas como as produzidas por sua própria ação” 
(MARX; ENGELS, 2007, p. 86-87). 
 
“Foi com o trabalho que o ser humano “desgrudou” um pouco da natureza e pôde, 
pela primeira vez, contrapor-se como sujeito ao mundo dos objetos naturais. Se 
não fosse o trabalho, não existiria a relação sujeito-objeto. O trabalho criou para o 
homem a possibilidade de ir além da pura natureza.” 
(KONDER, 2008, p. 24) 
 
 
3 
 
novamente no mercado de trabalho acaba fazendo com que a coerção tenha a eficácia 
esperada sobre ele/a. Outra forma que existe é a ideologia. 
 
 
 
Segundo Karl Marx (Manuscritos Econômicos Filosóficos, 1844.), o trabalho 
por si é uma forma de coerção, um trabalho forçado, uma necessidade não satisfatória 
em busca de necessidades satisfatórias. 
As organizações moldam os/as trabalhadores/as para que eles/as obtenham a 
eficácia esperada, caso o/a trabalhador/a de alguma maneira fuja desse molde, as 
organizações novamente entram em ação através da coerção e do controle sobre 
esse/a trabalhador/a. 
Como se sabe, “o mercado de trabalho é o campo em que se exercem 
mais diretamente as coerções materiais e simbólicas da competição”. 
Através da história, percebe-se que o uso da coerção foi usado em vários 
setores da sociedade e particularmente nas organizações. A coerção é também usada 
como uma forma de liderança (Liderança Coercitiva) que baseia seus atos 
influenciais predominantemente no poder de coerção de posição, ou seja, procura-se 
ter o maior controle possível sobre as ações e reações do/a trabalhador/a, o que tende 
a gerar passividade, alienação etc. 
A partir desses atos o/a trabalhador/a passa a ter atenção contínua no 
sentido de evitar desvios dos padrões estabelecidos e assegura a busca pelos 
objetivos. 
Necessidade 
 
 
 
 
 
 
Marx (1996) e Lukács (2010) se debruçaram sobre as particularidades 
dos seres humanos em relação aos demais animais e à natureza. 
 
Lembrar da Aula 05 
Ainda veremos mais 
sobre no item 2 
 
 
O trabalho aparece como necessidade vital dos seres humanos. 
 
 
4 
 
Para eles, o trabalho é o fundamento do ser humano, a essência do ser 
humano. 
 
É o autêntico fundamento de uma comunidade humana (INFRANCA, 2005). 
Para Infranca (2005), o trabalho é o fenômeno originário que permite a passagem do 
ser orgânico ao ser social. 
 
Marx distingue o ser humano dos animais ao levar em consideração os 
seguintes aspectos: diferentemente dos animais, o ser humano é a única espécie 
animal em que a atividade vital é consciente (LUKÁCS, 2010), e é orientada a um fim 
(teleologia do trabalho). 
 
Em outras palavras, o ser humano é a única espécie que consegue planejar 
(prévia ideação) antes de executar, só ele concebe o trabalho previamente antes de 
executar seu trabalho. 
 
 
 
 
Se os demais animais se produzem e reproduzem apenas por instinto, o ser 
humano consegue trabalhar conscientemente, produzir ferramentas, “regular” a 
natureza e, ao mesmo tempo, transformar-se. 
 
Além disso, só o ser humano se educa, só ele se desenvolve, só ele dá 
respostas para os problemas que surgem e só ele possui necessidades educacionais 
ilimitadas. 
A ATIVIDADE VITAL DO HOMEM 
A natureza é constituída por três esferas: 
 
 
 
Nas palavras de Marx (1996, p. 22): 
[...] Mas o que distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha é que ele 
construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera. No fim do processo 
de trabalho obtém-se um resultado que já no início deste existiu na imaginação do 
trabalhado, e portanto idealmente. 
 (MARX, 1983, P. 149-50). 
INORGÂNICA ORGÂNICA SOCIAL 
 
5 
 
 
 
 
Considerando a ação transformadora do homem, define-se trabalho como a 
atividade vital responsável pela relação deste com a natureza, sendo assim, o 
fundamento ontológico do surgimento do homem, pois o mesmo produz trabalho de 
forma consciente e planejada (teleologia) de acordo com suas necessidades. 
A característica teleológica do homem se traduz pela sua capacidade de 
planejamento, ou seja, de idealizar o objeto, antes de torná-lo matéria. Assim, o 
homem se afasta dos demais animais, à medida que suas ações tomam um caráter 
intencional, cuja finalidade é a concretização do que foi, antecipadamente, planejado. 
Para que o trabalho se realize, deve ser mediado por instrumentos que facilitem 
a manipulação dos elementos naturais. Assim como, o trabalho é meio de 
transformação da natureza, é, também, instrumento de transformação do homem, já 
que ao modificar a natureza, o homem se auto modifica numa relação dialética, em 
que: quanto mais o homem desenvolve sua ação intencional sobre a natureza, mais 
se distancia dela. Assim se refere Marx, em O Capital, sobre essa relação dialética: 
Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a natureza externa a ele [o homem] 
e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza. Ele desenvolve 
as potências nela adormecidas e sujeita o jogo de suas forças a seu próprio domínio 
(MARX 1867 apud ANTUNES, 2004, p.36) 
INORGÂNICA Dá base ao universo e independe das outras duas. 
ORGÂNICA
Caracterizada pela presença da atividade vital - que 
compreende a condição de carência do ser vivo, a 
capacidade de reprodução e o metabolismo biológico-a qual 
é responsável pela relação do ser vivo com a natureza. 
SOCIAL
O homem se diferencia das demais espécies, pelo caráter 
transformador de sua ação interventiva na natureza, pois a 
atividade vital dos demais seres é de caráter instintivo-
adaptativo. 
 
6 
 
 
. 
 
Para Marx (2004), o fenômeno da alienação pode ser entendido em seus 
quatro aspectos: a relação do trabalhador consigo mesmo, com o produto do 
seu trabalho, a sua relação com os outros seres humanos e com a natureza 
(MÉSZÁROS, 2006; AGAZZI, 2000). 
 
Nos manuscritos econômicos filosóficos, Marx reconhece que a chave de toda 
alienação religiosa, jurídica, moral, artística, política, econômica é o trabalho alienado, 
a forma alienada da atividade prática do homem (MÉSZÁROS, 2006). 
 
 No seu livro “A teoria da alienação” em Marx, Mészáros (2006) produziu uma 
excelente análise, recomposição e atualização do pensamento de Marx sobre este 
tema. 
 
 
 
 
 
 
Nas palavras de Mészáros: 
“A alienação da humanidade, no sentido fundamental do termo, significa perda de
 controle: sua corporificação numa força externa que confronta os indivíduos com
o um poder hostil e potencialmente destrutivo. Quando Marx analisou a alienação 
nos seus manuscritos de 1844, indicou os seus quatro principais aspectos: a alien
ação dos seres humanos em relação à natureza; à sua própria atividade produtiva
 à sua espécie, como espécie humana; e de uns em relação aos outros. E afirmo 
enfaticamente que isso não é uma “fatalidade da natureza”, mas uma forma de 
autoalienação. Dito de outra forma, não é o feito de uma força externa todo-
poderosa, natural ou metafísica, mas o resultado de um tipo determinado de 
desenvolvimento histórico, que pode ser positivamente alterado pela intervenção 
consciente no processo de transcender a autoalienação do trabalho”. 
(MÉSZÁROS, 2006, p.7) 
1.4Trabalho e alienação 
 
7 
 
Para Marx, a alienação se manifesta na realidade do homem, na maneira 
pela qual, a partir da divisão do trabalho, o produto do seu trabalho deixa de lhe 
pertencer. 
O surgimento do capitalismo determinou a intensificação da procura do lucro e 
confinou o operário à fábrica, retirando dele a posse do produto. Mas não é apenas o 
produto que deixa de lhe pertencer. Ele próprio abandona o centro de si mesmo. Não 
escolhe o salário, embora isso lhe parecia ficticiamente como resultado de um contrato 
livre, não escolhe o horário nem o ritmo de trabalho e passa a ser comandado de fora, 
por forças estranhas a ele. Ocorre então o que Marx chama de fetichismo da 
mercadoria e reificação do trabalhador. 
 
Assim, o autor diz que o modo de produção capitalista distorce os significados 
das relações sociais, quando coisifica o homem, transformando sua própria força de 
trabalho, em mercadoria e centralizando o consumo como mantenedor da lógica 
capital. Para isso, o sistema capitalista supervaloriza a aquisição da mercadoria, 
atrelando-se a ela a satisfação de necessidades humanas, mesmo que efêmeras, 
dispondo de estratégias que incidem, sobre as mercadorias um certo encantamento, 
seguido de alienação. 
Esta configura-se pela não compreensão do trabalhador acerca da 
totalidade do processo de produção da mercadoria, em decorrência da divisão 
sociotécnica do trabalho, assim como a fetichização da mercadoria que 
desvaloriza a participação do trabalhador nos processos produtivos. 
Fetichismo 
 
 
 
Dessa forma, Konder (2009) endossa o pensamento de Marx, quando diz: 
“A sociedade capitalista é a sociedade em que a alienação assume, claramente, 
as características da reificação, com o esmagamento das qualidades humanas e 
individuais do trabalhador por um mecanismo inumano, que transforma tudo em 
mercadoria” 
(KONDER, 2009. p.130) 
 
 
O fetichismo é o processo pelo qual a mercadoria, ser inanimado, é 
considerada como se tivesse vida, fazendo com que os valores de 
troca se tornem superiores aos valores de uso e determinem as 
relações entre os homens, e não vice-versa. (Arendt, 1995, p. 151). 
 
8 
 
Ou seja, a relação entre os produtores não aparece como sendo relação entre 
eles próprios (relação humana), mas entre os produtos do seu trabalho. Por exemplo, 
as relações não são entre alfaiate e carpinteiro, mas entre casaco e mesa. A 
mercadoria adquire valor superior ao homem, pois privilegiam-se as relações entre 
coisas, que vão definir relações materiais entre pessoas. Com isso, a mercadoria 
assume formas abstratas (o dinheiro, o capital) que, em vez de serem intermediárias 
entre indivíduos, convertem-se em realidades soberanas e tirânicas. Em 
consequência, a "humanização" da mercadoria leva à desumanização do homem, à 
sua coisificação, à reificação (do latim res, "coisa"), sendo o próprio homem 
transformado em mercadoria (sua força de trabalho tem um preço no mercado). 
 
ATUALIDADE DOS PRESSUPOSTOS MARXIANOS 
O conceito de alienação do trabalho encontrada inicialmente nos Manuscritos, 
publicado na primeira metade do século XX, é o resultado das primeiras inflexões do 
pensamento do jovem Marx, que tem sido cada vez mais resgatado por estudiosos e 
sociólogos do marxismo humanista, corrente que busca contrapor interpretações mais 
economicistas no seio do marxismo (NETTO, 2009). 
O intelectual húngaro, György Lukács (1885-1971), por exemplo, um dos 
fundadores do marxismo ocidental, levou adiante o desenvolvimento do conceito de 
reificação. Tal como Lukács, a Teoria Crítica dos pesquisadores da Escola de 
Frankfurt, foi influenciada pelas categorias marxianas constituintes do trabalho 
alienado, sobretudo, a primeira geração, ao formular sua crítica à razão instrumental 
e o fetichismo da técnica e da indústria cultural. 
O seu impacto, portanto, para a sociologia contemporânea é imenso, sendo 
bastante utilizada, principalmente, nos estudos da área da Sociologia do Trabalho. Tal 
conceito contribuiu para diversos estudos que partiram de premissas marxianas para 
as investigações sobre os fundamentos das reestruturações produtivas ocorridas no 
mundo do trabalho no século XX: o taylorismo-fordismo, o toyotismo, a acumulação 
flexível e os seus efeitos para a organização do trabalho. 
Assim como para compreender as mudanças no interior da classe 
trabalhadora, cada vez mais heterogênea e atravessada por interseccionalidades de 
raça, gênero, geração, entre outras (ANTUNES, 2009). A análise empreendida por 
Marx dos processos de trabalho e de valorização das mercadorias remete ao início da 
produção industrial capitalista do século XIX. 
Assim, a pergunta que fica suspensa no ar, dos quais muitos já tentaram 
responder afirmativamente ou não, é: tal interpretação da realidade daquela 
 
9 
 
época continua válida para a atualidade? Para procurar respondê-la, é 
necessário fugir de uma possível resposta dualista. 
Após a primeira e a segunda Revolução Industrial, vistas por Marx (a segunda 
em parte), há um consenso científico que, no século XX, houve uma terceira, 
composta principalmente pela computação e pela automação. Atualmente, estar-se-
ia na fronteira de uma quarta, possível pelos sistemas cyber-físicos. Constatado esses 
fatos, podemos afirmar que muitos dos processos ligados ao trabalho humano se 
tornaram mais complexos, sobretudo, a partir da terceira revolução industrial. 
No caso da categoria de alienação do trabalho, a utilização dela pode servir 
tanto como categoria para análise de dados empíricos como também para contribuir 
na construção de instrumentos técnicos de pesquisa, como índices de qualidade de 
trabalho, questionários, roteiros de entrevistas, entre outros, a serem respondidos por 
trabalhadores e trabalhadoras. Pelo fato de o conceito dar conta de diferentes “graus” 
ou “níveis” de alienação, o seu uso pode ser útil em diferentes objetos de estudo: 
pesquisas mais focalizadas nas condições e nos processos de trabalho, ou em relação 
a subjetividade, satisfação e sentidos do trabalho, como também nos estudos que 
procurem abordar as relaçõesde socialização e de solidariedade entre os/as 
trabalhadores/as. 
 
EXPLORAÇÃO 
O capital humano também se tornou instrumento para a exploração do 
trabalho, à semelhança do capital físico. Os “vencedores” exploram os 
“perdedores”, com os primeiros apropriando-se do produto do trabalho dos 
últimos. 
Tanto o capital humano quanto o tradicional, descrito por Marx, em O capital, 
passaram a constituir instrumentos de legitimação da apropriação do trabalho alheio 
e da exploração. Os trabalhadores, com baixo ou sem investimento em capital 
humano, assim, já estão, a priori, excluídos da loteria em que se transformaram os 
mercados de trabalho capitalistas; nesse sentido, já são “perdedores”. 
As formas de exploração introduzidas pelo capital humano, ao se somarem à 
tradicional exploração do trabalho pelo capital, reforçaram ainda mais a tendência 
inerente à geração de desigualdades pelo capitalismo. Os diferenciais de salários 
justificados pelo capital humano tornaram-se elementos adicionais à dicotomia capital-
trabalho para explicar a crescente desigualdade engendrada pelo modo de produção 
capitalista. 
 
10 
 
Dentro desse conceito teórico, também surgem importantes implicações para 
as políticas públicas de combate à desigualdade. Diferentemente da tradicional visão 
econômica, na qual a desigualdade é fruto das diferenças produtivas entre os/as 
trabalhadores/as, surge um quadro em que ela é resultado inerente ao capitalismo. 
 
 
 
 
 
 
DA EXPLORAÇÃO COM ESPOLIAÇÃO Á ESPOLIAÇÃO COM EXPLORAÇÃO 
Para Ruy Braga, a relação entre empregador e empregado já é de espoliação 
e deve ainda se aprofundar diante da crise pela qual passa o Brasil. 
 
A palavra exploração é associada à ideia de extração, quando se retira 
algo, um recurso natural, por exemplo, sem contrapartida. No mundo do 
trabalho se diz que há exploração quando o/a trabalhador/a tem sua força 
produtiva capturada para além das condições mínimas de remuneração e 
proteção para aquela atividade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Expropriação é ser expropriado dos meios de produção. 
Espoliação é ser espoliado dos frutos de sua produção. 
 
 
 
O professor Ruy Braga, especialista em Sociologia do Trabalho, insere uma 
nova ideia nessa relação. Se o trabalhador tem direitos e estes não são 
respeitados, há de fato uma exploração. Porém, para o professor, quando esses 
direitos são capturados, revogados, há uma outra relação: a de espoliação. 
Analisaremos de modo mais 
detalhado, essa nova forma de 
exploração do trabalho do 
capitalismo e seus impactos 
sobre a desigualdade no item 2. 
ATENÇÃO 
NÃO CONFUNDIR 
 
 
EXPLORAÇÃO EXPROPRIAÇÃO ESPOLIAÇÃO 
 
11 
 
 
 
Esse modelo, apoiado na exploração com espoliação, se esgota. As forças 
capitalistas e o Estado brasileiro, diante do fato de que esse modelo se esgota e o 
indicador típico disso é o baixo crescimento econômico a partir da crise de 2008, até 
2010 —, se ativeram a medidas contracíclicas que sustentaram o crescimento 
econômico. A partir de 2010 e 2011 ocorre uma desaceleração econômica seguida de 
crise e recessão. Diante desse fato, que tem a ver com o contexto internacional, com 
o colapso de alguns setores muito importantes da economia brasileira, como é o caso 
do petróleo, do fim do ciclo de commodities, desarranjos internos, lutas de classe no 
país, se faz necessária uma transição e mudança desse modelo, tanto para forças 
capitalistas como para o Estado brasileiro. 
 
E a mudança desse modelo aponta na direção de uma espécie de inversão em 
relação a qual estratégia de acumulação deve ser a dominante. Ou seja, “se antes era 
exploração com espoliação, agora é espoliação com exploração” afirma Ruy Braga. 
Os Estados e as empresas exigem que os direitos dos trabalhadores sejam eliminados 
o máximo possível, que haja um aprofundamento da mercantilização de todos os 
serviços, em especial dos serviços públicos. 
 
“Também é necessária uma mercantilização do dinheiro, ou seja, um 
aprofundamento dessa estratégia de aumento de juros e de transferência de recursos 
públicos para os bancos privados, da dívida pública como esse mecanismo de 
transferência de renda negativa. Então, há uma tentativa, até o momento, bastante 
bem-sucedida de operar uma transição geral das bases sociais do próprio modelo de 
desenvolvimento brasileiro. É um regime de acumulação que transita na direção da 
espoliação.” 
 
QUAL É O RESULTADO DISSO PARA O MUNDO DO TRABALHO? 
“É desastroso. As classes trabalhadoras no Brasil estão diante de um desafio enorme 
que é resistir a essa onda de mercantilização, de financeirização, de ataque aos seus 
direitos que objetivam aprofundar as estratégias de espoliação. 
Basicamente o que os empresários desejam é substituir ou eliminar a Consolidação 
das Leis do Trabalho – CLT.” 
 
 
“Os estados e as empresas exigem que os direitos dos trabalhadores sejam 
eliminados o máximo possível, que haja um aprofundamento da mercantilização 
de todos os serviços”, explica Braga. 
 
 
12 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do 
trabalho. São Paulo: Boitempo, 2009. 
ANTUNES, Ricardo; FILGUEIRAS, Vitor. Plataformas digitais, Uberização do trabalho e 
regulação no Capitalismo contemporâneo. Contracampo, v. 39, n. 1, p. 27–43, 2020. 
COSTA, Marta Nunes da. O que Marx nos pode ensinar sobre a nova “classe perigosa” – 
Crítica, neoliberalismo e o futuro da emancipação humana. Novos estudos CEBRAP. v. 
101, p.97-114, março/2015. 
GORZ, André. O imaterial: conhecimento, valor e capital. São Paulo: Annablume, 2005. 
HARVEY, David. Condição pós-moderna. 17aed. Edições Loyola: São Paulo, 2008. 
KONDER, Leandro. O que é dialética? 28o ed. São Paulo: Brasiliense, 2008. MARX, Karl. 
Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004. 
MARX, Karl. O capital. Crítica da economia política. Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013. 
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007. 
MARX, K. Manuscrito Econômico-Filosóficos. 1844. 
ANTUNES, Ricardo (org). A dialética do trabalho: escritos de Marx e Engels. São Paulo: 
Expressão Popular, 2004. 
HARVEY, David. A transformação político-econômica do capitalismo do final do século XX. 
In: Condição Pós-Moderna: Uma Pesquisa sobra as Origens da Mudança Cultural. 
Tradução: Adail Ubirajara Sobral & Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Edições Loyola. 6a 
edição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
QUESTÕES 
 
 
1- “A noção de alienação é fundamental no pensamento marxista, pois 
apresenta o estado psicossocial primordial ao qual o indivíduo é submetido no 
modo de produção capitalista. Além disso, Marx não vê no trabalho uma 
expressão qualquer da vida. Para Marx, o trabalho tem uma localização 
especial, até mesmo privilegiada, por ser a exteriorização do ser. Por ser a 
objetificação da essência humana, por ser o processo de colocar para fora a 
mais pura humanidade, o esforço material da transformação do mundo e 
satisfação das necessidades.” (Disponível em: 
http://colunastortas.com.br/2014/02/05/o-que-e-alienacao-em-marx/.) 
 
No que diz respeito à alienação, Karl Marx considera que: 
 
A - É a constatação básica de que o trabalhador está alienado em relação ao 
produto de seu trabalho sem impacto na luta classista. 
B -Construir as próprias ferramentas é exercer uma dominação impossível a 
qualquer outro animal, o que já elimina para o homem a possibilidade de total 
alienação. 
C -Uma das formas de reconhecer a alienação é quando, no fim do processo de 
trabalho, o produto feito se transforma em algo estranho, independente do ser que o 
produziu. 
D -É o estranhamento em não se reconhecer num produto a essência da pobreza e 
da alienação gerada pela substituição progressiva e inexorável do homem pela 
máquina. 
E- ela é o único motivo da mais valia. 
 
 
 
2- A centralidade ontológica do trabalho na vida dos homens é reconhecida por 
diversos estudiosos.Assim, o trabalho não se realiza sem 
 
A - o movimento de alienação. 
B - a capacidade teleológica. 
C - a objetivação sócio-histórica. 
D - a práxis orgânica. 
E - o processo de mais-valia. 
 
 
 
 
 
14 
 
3- Assinale a alternativa correta: 
a- espoliação é não ter meios de produção 
b- expropriação e não ficar com frutos do trabalho 
c- exploração é não ter meios de produção 
d- expropriação é não ter os meios de produção 
e- espoliação é não ter condições dignas 
 
4- “Tá vendo aquele edifício, moço, ajudei a levantar. 
Foi um tempo de aflição, eram quatro condução, 
Duas pra ir, duas pra voltar. 
Hoje depois dele pronto, olho pra cima e fico tonto, 
Mas chega um cidadão e me diz desconfiado: 
Tu tá aí admirado, ou tá querendo roubar. 
Meu domingo tá perdido, vou pra casa entristecido, 
Dá vontade de beber E pra aumentar o meu tédio, eu nem posso olhar pro prédio, 
Que eu ajudei a fazer. 
Tá vendo aquele colégio, moço, eu também trabalhei lá. 
Lá eu quase me arrebento, pus massa, fiz cimento, 
Ajudei a rebocar. 
Minha filha, inocente, vem pra mim toda contente 
Pai quero estudar. 
Mas me diz um cidadão: 
Criança de pé no chão aqui não pode estudar. 
Esta dor doeu mais forte. 
Porque eu deixei o Norte, eu me pus a me dizer. 
Lá a seca castigava, mas o pouco que eu plantava, 
Tinha direito de comer. 
 
15 
 
Tá vendo aquela Igreja, moço, onde o padre diz amém. 
Pus o sino e o badalo, enchi minha mão de calo, 
Lá eu trabalhei também. 
Lá sim, valeu a pena, tem quermesse, tem novena, 
E o padre me deixa entrar. 
Foi lá que Cristo me disse: 
Rapaz, deixe de tolice, não se deixe amedrontar. 
Fui eu que criei a terra, enchi os rios, fiz a serra, não deixei nada faltar. 
Hoje o homem criou asas, e na maioria das casas, 
Eu também não posso entrar”. 
(Música “Cidadão”, escrita por Zé Geraldo em 1981.) 
A musica reflete os conceitos de: 
 
a- Espoliação apenas 
b- Exploração apenas 
c- Expropriação apenas 
d- Exploração e Espoliação apenas 
e- Espoliação, expropriação e exploração 
 
 
5- Para responder à questão, leia o trecho da peça A mais-valia vai acabar, seu 
Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. A peça foi encenada em 1960 
na arena da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Brasil e promoveu 
um amplo debate. A mobilização resultante desse debate desencadeou a 
criação do Centro Popular de Cultura (CPC). 
 
CORO DOS DESGRAÇADOS: Trabalhamos noite e dia, dia e noite sem parar! 
Então de nada precisamos, se só precisamos trabalhar! Há mil anos sem parar! 
Fizemos as correntes que nos botaram nos pés, fizemos a Bastilha onde fomos 
morar, fizemos os canhões que vão nos apontar. Há mil anos sem parar! Não 
mandamos, não fugimos, não cheiramos, não matamos, não fingimos, não coçamos, 
não corremos, não deitamos, não sentamos: trabalhamos. Há mil anos sem parar! 
Ninguém sabe nosso nome, não conhecemos a espuma do mar, somos tristes e 
cansados. Há mil anos sem parar! Eu nunca ri — eu nunca ri — sempre trabalhei. Eu 
faço charutos e fumo bitucas, eu faço tecidos e ando pelado, eu faço vestido pra 
mulher, e nunca vi mulher desvestida. Há mil anos sem parar! Maria esqueceu de 
 
16 
 
mim e foi morar com seu Joaquim. Há mil anos sem parar! 
 
 (Apito longo. Um cartaz aparece: 
“Dois minutos de descanso e lamba as unhas.” 
 Todos vão tentar sentar. 
Menos o Desgraçado 4 que fica de pé furioso.) 
 
DESGRAÇADO 1: Ajuda-me aqui, Dois. Eu quero me dá uma sentadinha. 
 (Desgraçado 2 ri de tudo.) 
DESGRAÇADO 3: Senta. (Desgraçado 1 vai pôr a cabeça no chão.) De assim, não. 
Acho que não é com a cabeça não. 
DESGRAÇADO 1: Eu esqueci. 
DESGRAÇADO 3: A bunda, põe ela no chão. A perna é que eu não sei. 
DESGRAÇADO 2: A perna tira. 
 (Desgraçado 3 e Desgraçado 2 desistem de descobrir. Se atiram no chão.) 
DESGRAÇADO 1: A perna dobra! (Senta. Satisfeito.) 
DESGRAÇADO 2: Quero ver levantar. 
 (Todos olham para Desgraçado 4, fazem sinais para que ele se sente.) 
DESGRAÇADO 4: Não! Chega pra mim! Eu só trabalho, trabalho, trabalho… (Perde 
o fôlego.) 
DESGRAÇADO 3: Eu te ajudo: trabalho, trabalho, trabalho... 
DESGRAÇADO 4: E tenho dois minutos de descanso? Nunca vi o sol, não tomei 
leite condensado, não canto na rua, esqueci do sentar, quando chega a hora de 
descansar, fico pensando na hora de trabalhar! Chega! 
 SLIDE: Quem canta seus males espanta. 
DESGRAÇADO 1: (cantando) A paga vem depois que a gente morre! Você vira um 
anjo todo branco, rindo sempre da brancura, bebe leite em teta de nuvem, não tem 
mais fome, não tem saudade, pinta o céu de cor de felicidade! 
(Peças do CPC, 2016. Adaptado.) 
O título da peça refere-se a importante conceito da teoria de 
a) Jean-Jacques Rousseau. 
b) Friedrich Nietzsche. 
c) Karl Marx. 
d) Max Weber. 
e) Jean-Paul Sartre. 
 
 
17 
 
GABARITO 
 
1- C 
 
É a constatação básica de que o trabalhador está alienado em relação ao produto de 
seu trabalho que tem impacto na luta classista. 
Construir as próprias ferramentas é exercer uma dominação impossível a qualquer 
outro animal, o que não elimina para o homem a possibilidade de total alienação. 
Uma das formas de reconhecer a alienação é quando, no fim do processo de 
trabalho, o produto feito se transforma em algo estranho, independente do ser que o 
produziu. 
É o estranhamento em não se reconhecer num produto a essência da pobreza e da 
alienação gerada pela substituição progressiva mas não inexorável do homem pela 
máquina. 
Ela é o não é único motivo da mais valia. 
 
2- B 
 
Considerando a ação transformadora do homem, define-se trabalho como a 
atividade vital responsável pela relação deste com a natureza, sendo assim, o 
fundamento ontológico do surgimento do homem, pois o mesmo produz trabalho de 
forma consciente e planejada (teleologia) de acordo com suas necessidades. 
A característica teleológica do homem se traduz pela sua capacidade de 
planejamento, ou seja, de idealizar o objeto, antes de torná-lo matéria. Assim, o 
homem se afasta dos demais animais, à medida que suas ações tomam um caráter 
intencional, cuja finalidade é a concretização do que foi, antecipadamente, planejado. 
 
3- D 
expropriação é não ter os meios de produção. 
 4-E 
Ele é espoliado porque não ficou com o que construiu. Ele narra um trabalho explorado 
e que passa fome. E ele é trabalhador e não proprietário dos meios de produção, 
portanto também é expropriado. 
 5-C 
 
Marx

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