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OS MECANISMOS DE DEFESA MECANISMOS DE DEFESA O Ego protege a personalidade contra a ameaça ruim. Para isso, utiliza-se dos chamados mecanismos de defesa. Todos estes mecanismos podem ser encontrados em indivíduos saudáveis, e sua ausência ou presença excessiva é, via de regra, indicação de possíveis sintomas neuróticos ou, em alguns casos extremos, sintomas psicóticos. Portanto, mecanismos de defesa são ações psicológicas que têm por finalidade, reduzir qualquer manifestação que pode colocar em perigo a integridade do Ego. Os mecanismos de defesa constituem operações de proteção do Ego para assegurar a nossa própria segurança Eles também representam uma forma de adaptação 3 Como diminuir esta ansiedade? Resolvendo a situação, lidando diretamente com ela Negar ou deformar a situação MECANISMOS DE DEFESA 4 Mecanismos de defesa do Ego Estratégias inconscientes que os indivíduos “encontram” para diminuir a angustia nascida dos conflitos anteriores. Situação que ocorre a partir do momento em que o superego se constitui e passa a impor ao id as regras e normas sociais, criando assim, um obstáculo intrínseco à satisfação das pulsões do Id. São divididas em: A) Defesas bem sucedidas – que geram o cessação daquilo que se rejeita. B) Defesas ineficazes que exigem repetição ou perpetuação do processo de rejeição. Função Permite que alguns conteúdos inconscientes cheguem no nível consciente de forma disfarçada 7 Conflito Id X Superego Frustração (Id) Tensão (Ego) “Escape”: Comportamento agressivo Álcool/Drogas Mecanismos de defesa do Ego (contenção das pulsões) Habitualmente: Pressão (Superego) Nenhum indivíduo, naturalmente, faz uso de todos os mecanismos de defesa possíveis. Cada pessoa utiliza uma seleção deles, mas estes se fixam em seu ego. Tornam-se modalidades regulares de reação de seu caráter, as quais são repetidas durante toda a vida, sempre que ocorre uma situação semelhante à original Zimerman (2010) 9 RECALQUE OU REPRESSÃO É considerado o primeiro mecanismo de defesa investigado por Freud, servindo como modelo para a construção de outros mecanismos de defesa mais complexos. A palavra em alemão escrita por Freud é Verdrängung. Segundo Hans (1996), a palavra é traduzida por recalque ou repressão. O autor afirma que este termo tem os seguintes significados: empurrar para o lado; desalojar. De uso quase que exclusivo da psicanálise, define-se recalque como sendo o movimento que o aparelho psíquico promove para despejar da consciência as representações que podem gerar desprazer. Recalque O recalque mantém-se existente e necessário, pois as fontes pulsionais, uma vez recalcadas, necessitam acessar a consciência e o mundo externo, onde irá encontrar a satisfação. Laplache e Pontalis (2001) afirmam que o recalque é um processo que obriga as ideias e as representações pulsionais a permanecerem no inconsciente. Esse funcionamento se estabelece para evitar o desprazer que pode ser gerado pelo retorno deste material, bem como o desequilíbrio psicológico do sujeito. Exemplo Imagine uma pessoa que tem nojo de batatas, ela comia batatas quando era pequena, mas hoje em dia simplesmente não consegue comer batatas e não sabe o motivo ou quando isso começou. Essa pessoa provavelmente teve alguma vivência envolvendo batatas que foi tão repulsiva para ela naquele momento, que sua mente entendeu que ela não conseguiria lidar com isso e recalcou aquela vivência, fazendo com que ela não se lembre do motivo ou a época em que começou a ter nojo de batatas. Hoje, ela apenas não gosta da batata, mas não sabe a razão, pois a razão foi recalcada graças ao mecanismo de defesa de sua mente que evitou que ela tivesse que lidar com aquele sofrimento. RACIONALIZAÇÃO Exemplo: Um aluno que, não ta conseguindo responder a uma questão, diz “isso não é interessante de saber mesmo” ou “não respondi porque não tive tempo de estudar, pois lá em casa fazem muito barulho. PROJEÇÃO O ato de atribuir a uma outra pessoa, animal ou objeto as qualidades, sentimentos ou intenções que a pessoa recusa em reconhecer em si próprio, como sendo seu e portanto, atribui (projeta) ao outro. É um mecanismo de defesa através do qual os aspectos da personalidade de um indivíduo são deslocados de dentro deste para o meio externo. Alguém que afirma textualmente que “todos nós somos algo desonestos” esta, na realidade, tentando projetar nos demais suas próprias características. Ou dizer que “todos os homens e mulheres querem apenas sexo”, pode refletir sua própria projeção. PROJEÇÃO Sempre que caracterizamos algo de fora de nós como sendo mau, perigoso, pervertido, imoral e assim por diante, sem reconhecermos que essas características podem também ser verdadeiras para nós, é provável que estejamos projetando. Pesquisas relativas à dinâmica do preconceito mostraram que as pessoas que tendem a estereotipar outras também revelam pouca percepção de seus próprios sentimentos. As pessoas que negam ter um determinado traço específico de personalidade são sempre mais críticas em relação a este traço quando o vêem nos outros. Exemplo: O marido infiel, mostra suspeita da fidelidade de sua esposa. INTROJEÇÃO Significa incorporar para dentro de nós mesmos normas, atitudes, modos de agir e pensar que são dos outros e não verdadeiramente nossos. É o oposto da projeção. Nos estágios iniciais do desenvolvimento tudo o que agrada é introjetado. É o mecanismo responsável por integrar elementos de outro indivíduo a estrutura do Ego; Exemplo: O sujeito acredita que se usar determinada roupa, marca, cigarro, etc se sentirá mais adequado, mais forte, mais sensual, etc. Também apropriam atributos de outras pessoas, imitando-as, inconscientemente. IDENTIFICAÇÃO Identificação é a capacidade de ocupar lugares e posições psíquicas diferentes. Primeiro há uma identificação para depois se formar uma identidade, que seria encontrar um eu. Esse mecanismo é a base da constituição da personalidade humana. O sujeito assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo do outro e se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo desse outro. Em outras palavras, o indivíduo se identifica com o outro (pessoa ou objeto). Conceito desenvolvido por Melanie Klein como parte de um fenômeno próprio aquilo que ela denominou de posição esquizoparanóide (SEGAL, 1975). Exemplo: quando um filho cresce e age da mesma maneira opressiva que os pais. DESLOCAMENTO Exemplo: a transferência para o filho, da hostilidade de um indivíduo em relação ao chefe. NEGAÇÃO É a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o Ego. Os adultos têm a tendência de fantasiar que certos acontecimentos não são, de fato, do jeito que são, ou que na verdade nunca aconteceram. É a defesa que se baseia em negar a dor, ou outras sensações de desprazer. É considerado um dos mecanismos de defesa menos eficazes. FREUD explicou que a negação talvez represente compromisso entre a conscientização dos dados que a percepção fornece e a tendência a negar. Quem diz "felizmente, faz tempo que não tenho dor de cabeça", antes que ela comece, está querendo dizer, "sinto que a dor de cabeça está vindo, mas por enquanto ainda posso negá-la". Clivagem do Ego A clivagem do ego que consiste numa defesa do ego, em que coexistem dois processos psíquicos de defesa em simultâneo: um voltado para a realidade, o outro negando a realidade em causa e colocando no seu lugar um produto do desejo. Este mecanismo é característico das psicoses. Surge face a uma angústia provocada pelas pulsões de morte e funciona essencialmente para separar estas pulsões das pulsões de vida. A clivagem do ego está associada com o comportamento psicótico, quando o indivíduo apresenta, no âmbito do ego, duas personalidades contraditórias e simultâneas parente a realidade. Exemplo: Poema de Ferreira Gullar FORMAÇÃO REATIVA Exemplo: Matar por amor... CONVERSÃO Ramificações ISOLAMENTODistanciamento de uma pessoa ou objeto que causa desconforto por algum motivo ou isolar um comportamento ou pensamento interrompendo qualquer ligação. Exemplo de isolamento: um filho que, após a morte de sua mãe, fala com uma frequente e enorme naturalidade sobre a morte dela. ANULAÇÃO Freud diz que é um processo ativo consiste em desfazer o que se fez. O sujeito faz uma coisa que, real ou magicamente, é o contrario daquilo que, na realidade ou na imaginação se fez antes. Significa ter ações que contestam ou desfazem um dano que o indivíduo imagina que pode ser causado por seus desejos. Fazer o inverso do ato ou do pensamento precedente. Exemplo: fazer o sinal da cruz para afastar um pensamento pecaminoso FANTASIA O indivíduo concebe em sua mente uma situação que satisfaz uma necessidade ou desejo, que na vida real não pode por algum motivo ser satisfeito. Exemplo: Um homossexual que precisa manter o casamento e que, quando procurado pela esposa para o sexo, ele fantasia que esta tendo relações homo e não hétero durante o ato. Identificação com o agressor O indivíduo se torna aquele de quem havia tido medo, ao mesmo tempo, o suprime, o que o tranquiliza. Esse mecanismo, descrito por Ferenczi e Ana Freud, pode ir de simples inversão dos papéis (brincar de doutor, de lobo, de fantasma) a uma verdadeira introjeção do objeto perigoso. Foraclusão Conceito forjado por Jacques Lacan para designar um mecanismo específico da psicose, através do qual se produz a rejeição de um significante fundamental para fora do universo simbólico do sujeito. Quando essa rejeição se produz, o significante é foracluído. Não é integrado no inconsciente, como no recalque, e retorna sob forma alucinatória no real do sujeito. No Brasil também se usam "forclusão", "repúdio", "rejeição" e "preclusão". Denegação A denegação é um mecanismo de defesa em que o sujeito se recusa a reconhecer como seu um pensamento ou um desejo que foi anterior-mente expresso conscientemente. Na denegação o representante pulsional incômodo não é recalcado, mas o indivíduo depende dele, recusando-se a admitir que possa se tratar de uma pulsão que o atinja pessoalmente. Segundo Bergeret (2006) com esse mecanismo defensivo uma representação pode, tornar-se assim consciente, sob a condição de que sua origem seja negada. No perverso a recusa incide sobre uma parte muito focalizada da realidade, ficando o resto do campo perceptivo intacto. Bibliografia Freud, Sigmund (1916-1917). Conferências Introdutórias de Psicanálise, Conferência XXIII - Os Caminhos da Formação dos Sintomas. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Vol.XVI. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Freud, Sigmund (1916-1917). Conferências Introdutórias de Psicanálise, Conferência XVII - O Sentido dos Sintomas. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Vol.XVI. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Freud, Sigmund (1937). Análise Terminável e Interminável. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Bergeret, J. O problema das defesas. In: Bergeret, J. ...[et al.]. Psicopatologia: teoria e clínica. Porto Alegre: Artmed, 2006. Fenichel, Otto. Teoria Psicanalítica das Neuroses. São Paulo: Editora Atheneu, 2005 Bergeret, J. A personalidade Normal e Patológica. Porto Alegre: Artmed, 1998. image1.jpeg image2.png image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.gif image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg