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O príncipe de Maquiavel: O começo da filosofia moderna, tem como primeiro representante o Nícolo Maquiavel. Maquiavel é considerado pai do realismo político, porém vale a pena tomar cuidado com tal nomenclatura, afinal isso pressupõe que os filósofos anteriores são idealistas, ora o pensamento dos filósofos anteriores a Maquiavel descreve um cenários político, porém também mostram para onde dever-se-ia chegar, não somente como é como é, mas como deve ser, ou seja, chamar o Maquiavel de pai do realismo político talvez possa ser injusto. O filósofo italiano, é considerado o primeiro pensador das ciências políticas, ele é um filósofo estritamente político, sua pretensão é uma Itália unificada, isso porquê a própria Itália estava dividida e dominada por potências estrangeiras, a Itália não existia como Estado nacional. Como uma colcha de retalhos, estava dividida em verdadeiros feudos dominados pelo Papa, pelos Médicis, pelos Aragão e invadida por Carlos VIII da França. O sonho de Maquiavel era uma Itália unificada, uma idealização para o pai do realismo político. Maquiavel busca então destacar as características morais de um governante e de uma pessoa privada, isso pois, para Maquiavel é preciso ser um bom político para se ter um bom governo, o príncipe ou o governante deve possuir características relacionadas com o cargo, e não deve-se ser as mesmas características da vida privada. "[...I ele [o príncipe] está longe tanto de como se vive e de como se deveria viver, pois aquele que deixa aquilo que se faz por aquilo que se deveria fazer, aprende antes a trabalhar em prol da própria ruina do que de sua conservação, porque um homem, que queira em todo lugar parecer bom, atrai ruina entre tantos que não são bons. Daí é necessário que um príncipe, desejoso de conservar-se, aprenda os meios de poder não ser bom e a fazer ou não uso disso, conforme as necessidades". Isso porquê, se for tentar ser tolerante sempre ou virtuoso, pode-se acabar por permitir a própria ruina, afinal pode-se existir uma ameaça que te faça um mal, o político não pode permitir isso, pois se permitir muita liberdade pode-se perder o cargo ou a vida, então é necessário para o príncipe que seja ruim quando for preciso, pois assim pode-se manter a ordem ou o próprio cargo. Maquiavel chega a dizer que só o soberano pode-se encontrar em situações de ter atitudes extremamente cruéis e desumanas, por isso é preferível para ele que o príncipe seja temido, antes de ser amado. Para Maquiavel o príncipe deve ser virtuoso, mas não no sentido das éticas das virtudes, para ele a virtude está relacionada com a força, a vontade, habilidade, astúcia, capacidade de controlar as situações, a concepção deixa de ser interna, ou seja, deixa-se de controlar a si próprio, passa-se a controlar aquilo que é externo, Maquiavel chama isso de “virtú”. Metade das coisas humanas dependem da sorte, a outra metade da virtú e da liberdade, ele diz: "Não por acaso, mas para que o nosso livre-arbítrio não desapareça, julgo poder ser verdade que a sorte seja árbitra de metade de nossas ações, mas que, também, ela deixe a nós governar a outra metade, ou quase." Para Maquiavel o príncipe é preciso ser virtuosos, pois o mesmo precisa de combater o acaso, já que o mesmo pode o prejudicar, Maquiavel tinha em mente que a Itália estava muito segregada, então para ele era importante a unificação da mesma através de um único homem, a sorte ou o acaso é o que muitas vezes domina a opinião dos povos, e para ele é preciso um governante que seja virtuoso, pois não pode-se contar com a sorte, mas sim, ir contra ela, é preciso ser astuto para se contrapor a determinado acontecimentos. "[...I porque a sorte é mulher. E, querendo mantê-la sob domínio, é necessário bater-lhe e espancá-la. O que se vê é que ela deixa-se mais vencer por estes (= os temperamentos impetuosos) do que por aqueles que procedem friamente. E sempre, como mulher, é amiga dos jovens, porque são menos respeitosos, mais ferozes e a dominam com mais audácia”. Sobre o livro “Primeira década de Tito Livio”, também conhecida como “Discorsi”, deixa muito claro a questão do exemplo, isso porquê Maquiavel percebe que é possível usar as histórias do passado como exemplo, para os ideias iluministas esse posicionamento de usar a história como exemplo é contraditório, afinal é possível perceber um tempo cíclico, pois se dá para usar a história como exemplo é perceptível que o tempo história é cíclica, entretanto para o iluminismo estamos caminhando rumo ao progresso, e não se tem nada para aprender com as histórias do passado. No príncipe Maquiavel pretende reconstruir a Itália, já no livro “Primeira década de Tito Livio”, Maquiavel tem como objetivo reconstruir o império Romano. O discurso da servidão voluntária de Etienne La Boétie: Etienne de la Boétie nasceu na França no século XVI em 1530, época do renascimento, movimento de regaste da cultura clássica e de intensas discussões políticas e religiosas. Etienne estudou Direito na Universidade de Orleãs e veio a falecer em 1563 com 32 anos um pouco antes de fazer 33 anos. Foi em vida filósofo, poeta e humanista, tradutor de Xenofonte e Plutarco, algo que era comum na época para os estudiosos humanistas, também era dito como grande amigo de Michel de Montaigne. A publicação de sua obra, Discurso da servidão voluntária (também conhecida sob o título Contra Um), se trata de mostrar do porquê nos nós deixamos dominar por tiranos, ou porque servimos a servidão, vale ressaltar que Etienne posteriormente foi considerado um precursor do pensamento anarquista. A título da obra, nota-se algo paradoxal, afinal como uma servidão pode ser voluntaria, isto é, sacrificar a própria liberdade, permitir ser escravizado, dispondo-se a servir? Afinal “Como tantos homens, burgos, tantas cidades e tantas nações suportam às vezes um tirano só, que não tem mais poder que o que lhe dão, que só pode prejudicá-los enquanto quiserem suportá-lo”, é dentro dessa temática que o autor vai trabalhar na obra, de quais são as possíveis causas que levariam os povos a se submeterem à vontade de um tirano. Assim Etienne busca entender o que é a servidão, diz ele: “Mas ó, bom Deus! O que é isso? Que nome damos a esse fenômeno? Que infortúnio é esse? Que vício é esse, ou melhor, que infeliz vício é esse? Ver infinitas pessoas servindo em vez de obedecer; sendo tiranizadas em vez de governadas; sendo desprovidas de bens e parentes, mulheres e crianças, até mesmo de uma vida própria! Sofrendo pilhagens, as obscenidades, as crueldades não de uma armada, não de um exército bárbaro do qual devam, antes de tudo, defender seu sangue e sua vida, mas sim de um único indivíduo; não de um Hércules nem de um Sansão, mas de um reles homenzinho”. Discurso da Servidão Voluntária - Etienne La Boétie. E esse meros homens para Etienne, se sente melhor que os outros, mas por quê? Talvez por ter dinheiro, ou talvez por sentir-se merecedor. Isso não interessa, esses homens sentem que os outros devem prestar-lhe contas e obedecer às suas ordens, esse homem se manifesta em diversos títulos que pode ser o presidente, o ditador, o chefe, o dono, o empreendedor, qualquer um deles, mas ainda não passa de um mero homem. Etienne vai dizer que: “Onde há poder, há tirania. A pergunta é: por que alguém se submete? Ou melhor: por que muitos se submetem a tão poucos?”. A resposta é porque criamos o hábito de nos submeter, é simplesmente mais fácil, e gera menos transtornos. “É o povo que se subjuga, que corta a própria garganta, que, podendo escolher entre servir ou ser livre, abandona a liberdade e toma o jugo, que consente com seu infortúnio e até mesmo a busca”. Para ele somos escravos procurando por senhores, fazemos, todas as ordens sem qualquer questionamento, sem a menor reflexão. Etienne mostra que é o povo que escolhe se subjugar, é o próprio povo que se degola e rejeita a liberdade e aceita servidão, como esse processo ocorre é um dos motivos da qual o autor reflete sobre. Ao analisar as raízes da servidão,Etienne revela três meios pelo qual um tirano chega ao poder: 1. O primeiro é o que passar de pai para filho, através do sangue “real”; 2. O segundo é por força armadas, que o tomam de maneira violenta; 3. O terceiro, o pior segundo o próprio Etienne, é a eleição do próprio povo, que escolhe o senhor a quem vai servir de quatro em quatro anos. Aos tiranos que obtém o poder por conta da guerra, agem como em terra conquistada, aos que nascem e são criados na realiza, consideram o povo como herança, afinal na visão do tirano os povos submetidos são vistos como servos hereditário, já que todo reinado tem seus súditos, já a última é a mais insuportável, pois envolve nosso consentimento, e é difícil aquele que subiu ao poder por “vontade popular” querer largá-lo facilmente, afinal “quase sempre considera o poderio que lhe foi confiado pelo povo como se devesse ser transmitido a seus filhos”. Logo para estruturar a tirania e manter a servidão, o tirano mantem distante a ideia de liberdade presente no espírito do povo, em suma, Etienne explica que “Para que os homens, enquanto neles resta vestígio de homem, se deixem sujeitar, é preciso uma das duas coisas: que sejam forçados ou iludidos. Iludidos, eles também perdem a liberdade; mas, então, menos freqüentemente pela sedução de outrem do que por sua própria cegueira.” Assim o povo se esquece de seu direito natural, que é ser livre, e serve tranquilamente como se tivesse perdido nada, pois no fundo eles nunca a conheceu. “No início serve-se contra a vontade e à força; mais tarde, acostuma-se, e os que vêm depois, nunca tendo conhecido a liberdade, nem mesmo sabendo o que é, servem sem pesar e fazem voluntariamente o que seus pais só haviam feito por imposição. Assim, os homens que nascem sob o jugo, alimentados e criados na servidão, sem olhar mais longe, contentam-se em viver como nasceram; e como não pensam ter outros direitos nem outros bens além dos que encontraram em sua entrada na vida, consideram como sua condição natural a própria condição de seu nascimento”. Porém somente isso não mantem o tirano no poder, afinal como tal pessoa teria tanto poder, senão com nosso próprio consentimento? “Não são as tropas de cavaleiros, não são os corpos de infantaria, não são as armas que protegem o tirano. À primeira vista, parece difícil crer, mas é a verdade: são sempre quatro ou cinco que mantêm o tirano, quatro ou cinco que mantêm todo o país em servidão”. Ou seja, não há armas e ameaças o bastante que um único homem possa segurar ou dizer que obrigasse todos a se submeterem. Um único homem jamais poderia intimidar a tantos sem o consentimento de outros. Forma-se assim uma pirâmide montada onde cinco ou seis que servem a este um, onde cinquenta ou sessenta servem a estes cinco ou seis, e assim por diante, tomando conta da cidade inteira, até chegar na nação inteira, milhões de indivíduos sorrateiramente conectados ao fio da servidão. A servidão tem a forma de uma pirâmide. Aquele que está mais embaixo sustenta o que está imediatamente acima. Mas quais são as razões para que a servidão seja voluntária? Por que servimos? Etienne vai enumera três razões que levam o homem à servidão voluntária: A primeira razão da servidão ser voluntaria é o hábito, Etienne diz “os homens são o que a educação faz de cada um”, ou seja, embora a natureza tenha uma grande força sobre nós, muito mais forte do que ela é o hábito, por hábito, somos ensinados a servir, ensinados a se submeter. É o hábito que, com a ajuda do tempo, nos leva a aceitar pacientemente, os fenômenos da servidão voluntariam, e é pelo hábito que também acabamos por deseja: “pois por melhor que seja, o natural se perde se não é cultivado, enquanto o hábito sempre nos conforma à sua maneira, apesar de nossas tendências naturais.” Logo, quando se nasce submisso e é criado na servidão decorre naturalmente a segunda razão da servidão voluntária: a covardia, sobre a tirania ou a figura de um líder recuamos e não lutamos mais, afinal “com a perda da liberdade, perde-se imediatamente a valentia [...]. Perdem também a energia em todo o resto, têm o coração abatido e mole e não são capazes de grandes ações. Os tiranos o sabem e, à vista deste vício, fazem tudo para piorá-lo”. O tirano sabe que não vamos ter a coragem de ir contra a servidão. Sendo assim ele propõe piorar nossos vícios, ou seja, utiliza de instrumentos de alienação para se manter no poder, a fim de evitar uma rebelião. Nós subservientes dispomos de diversas distrações, ajudando com os vícios, tais meios podem ser as drogas, os bares, casas de prostituição, jogos, lutas públicas, fanfarras, enfim, todo meio de entorpecimento. O tirano não tem a necessidade de se preocupar com o povo ignorante, afinal eles se satisfazem com a política de pão e circo. “Os tiranos romanos foram longe [na política do pão e circo], festejando freqüentemente os homens das decúrias (homens do povo, agrupados de dez em dez, e alimentados às custas do tesouro público), empanturrando essa gente embrutecida e adulando-a por onde é mais fácil de prender, pelo prazer da boca. Por isso, o mais instruído dentre eles não teria largado sua tigela de sopa para recobrar a liberdade da República de Platão. Os tiranos distribuíam amplamente o quarto de trigo, o sesteiro de vinho, o sestércio [bolsa-família romana]; e então dava pena ouvir gritar: Viva o Rei! Os broncos não percebiam que, recebendo tudo isso, apenas recobravam uma parte de seu próprio bem, e que o tirano não teria podido dar-lhes a própria porção que recobravam se antes não a tivesse tirado deles mesmos. O que hoje apanhava o sestércio, o que se empanturrava no festim público abençoando Tibério e Nero por sua liberalidade, no dia seguinte, ao ser obrigado a abandonar seus bens à cobiça, seus filhos à luxuria, sua própria condição à crueldade desses magníficos imperadores ficavam mudos como uma pedra e imóvel como um tronco”. A última, a terceira razão da servidão voluntária, é a participação na tirania, Etienne mostra que os interesseiros pelo sedutor e grandioso tesouro público, ajudam o tirano se submetendo por vontade própria, e assim garantindo e assegurando seu poder. Isso o ajuda a submeter toda uma população, afinal “o tirano submete uns por intermédio dos outros”, essa terceira razão também é o meio pela qual os tiranos se mantem no poder. Assim se instala a rede da servidão, esses são os três caminhos que nos levam a servidão (hábito, covardia e participação). “são sempre quatro ou cinco homens que o apóiam e que para ele sujeitam o país inteiro. Sempre foi assim: cinco ou seis obtiveram o ouvido do tirano e por si mesmos dele se aproximaram ou então, foram chamados para serem os cúmplices de suas crueldades, os companheiros de seus prazeres, os complacentes para com suas volúpias sujas e os sócios de suas rapinas. Tão bem esses seis domam seu chefe que este se torna mau para com a sociedade, não só com suas próprias maldades, mas também com as deles. Esses seis têm seiscentos que debaixo deles domam e corrompem, como corromperam o tirano. Esses seiscentos mantêm sob sua dependência seis mil, que dignificam, aos quais fazem dar o governo das províncias ou o manejo dos dinheiros públicos, para que favoreçam sua avareza e crueldade, que as mantenham ou as exerçam no momento oportuno e, aliás, façam tanto mal que só possam se manter sob sua própria tutela e instar-se das leis e de suas penas através de sua proteção. Grande é a série que vêm depois deles. E quem quiser seguir o rastro não verá os seis mil, mas cem mil, milhões que por essa via se agarram ao tirano, formando uma corrente ininterrupta que sobe até ele. Daí procedia o aumento do poder do senado sob Júlio César, o estabelecimento de novas funções, a escolha para os cargos – não para reorganizar a justiça, mas sim para dar novos sustentáculos à tirania. Em suma, pelos ganhos e parcelas de ganhos que se obtêm com os tiranos chega-se ao ponto em que, afinal, aqueles a quem a tirania é proveitosa são em número quase tão grande quanto aquelespara quem a liberdade seria útil. Que condição é mais miserável que a de viver assim, nada tendo de seu e recebendo de um outro sua satisfação, sua liberdade, seu corpo e sua vida! Mas eles querem servir para amealhar bens”. Etienne argumenta que o tirano possui o poder por causa da voluntariedade do próprio povo subjugado, e uma solução apontada pelo autor é não servir, basta recusar-se a sustentá-lo para se torna livre, ou seja, basta não se submeter, o autor diz “sejam resolutos em não servir”. Etienne mostra que a única solução de escapar da servidão é no único lugar que ele não pode existir, na relação de amizade, pois o tirano não possui amigos, ele obtém a companhia de cumplices, “o tirano não ama, nunca amou. A amizade é um nome sagrado, uma coisa santa; só se dá entre pessoas de bem e só sobrevive pelo apreço mútuo; e se baseia não tanto em favores, mas na boa vida”. Onde está presente a injustiça, a maldade, e a tirania, não é possível reinar a amizade, afinal como fazer amigos se está sempre desconfiado de quem está ao seu lado? Uma aproximação verdadeira exige honestidade e confiança, “o que faz um amigo confiar noutro é a consciência de sua integridade: suas garantias são a boa natureza, a fé e a constância”, é encontrar a igualdade mesmo nas diferenças. Michel de Montaigne: As tradições dominantes no século IV eram o Platonismo e o Aristotelismo, a grande diferença com o século V, se dá com o ressurgimento dos escolásticos: o epicurismo, estoicismo e ceticismo. Este último, o ceticismo, foi dada por Sexto Empírico. O primeiro a utilizar Sexto Empírico de modo sistemático foi Gianfrancesco Pico della Mirandola (1469-1533), em sua obra “Exame das fatuidades das teorias dos pagãos e da verdade da doutrina cristã”, na qual ele utiliza elementos céticos para demonstrar a insuficiência das teorias filosóficas e, portanto, da razão pura, concluída que, para alcançar a verdade, é preciso a fé. O Ceticismo conseguiu até criar verdadeira e própria tempera cultural, especialmente na França com Michel de Montaigne (1533 - 1592). Em Montaigne o Ceticismo convive com uma fé sincera, porque para a razão não é confiável, justamente por isso, que é preciso a fé. Inspirando-se no Ceticismo de Sexto Empírico, Montaigne renuncia conhecer a verdade absoluta, Montaigne sustenta que a sabedoria, o "conhecer a si mesmo", não pode chegar a uma resposta sobre a essência do homem, mas apenas sobre suas características do homem singular: cada um deve construir para si uma sabedoria conforme sua própria medida. A grandeza do homem está em reconhecer e aceitar sua própria mediocridade. Também em Montaigne o ceticismo convive com uma fé sincera. Na realidade, sendo um cético, desconfia da razão, ele não põe a fé em xeque, pois está situa-se num plano diferente, sendo, portanto, estruturalmente inatacável pelo espirito cético. "O ateísmo - escreve Montaigne - é [...] uma proposição quase contra a natureza e monstruosa, difícil também e inapta para fixar-se no espirito humano, por mais insolente e desregulado que ele possa ser". Entretanto, a "naturalidade" do conhecimento de Deus depende inteira e exclusivamente da fé. O cético, portanto, só pode ser fideísta, mas o fideísmo de Montaigne não é o de místico. O interesse dos Ensaios volta-se predominantemente para o homem e não para Deus. Sobre a antiga exortação contida na sentença inscrita no templo de Delfos, "homem, conhece-te a ti mesmo", da qual Sócrates e grande parte do pensamento antigo se apropriaram, torna-se para Montaigne o programa do autêntico filosofar, mas não se isso: os filósofos antigos visavam ao conhecimento do homem com o objetivo de alcançar a felicidade - e esse objetivo também está no centro dos Ensaios de Montaigne. A dimensão mais autêntica da filosofia é a da "sabedoria", que ensina como devemos viver para sermos felizes, então é claro que o "conhece-te a ti mesmo" não pode desembocar em uma resposta sobre a essência do homem, mas somente sobre as características do homem singular, que alcançamos vivendo e observando os outros viverem, bem como procurando nos reconhecer a nós mesmos refletidos na experiência dos outros. Os homens são notavelmente diversos entre si e, não sendo possível estabelecer os mesmos preceitos para todos, é preciso que cada um construa uma sabedoria a sua própria medida. Cada qual se pode ser sábio de sua própria sabedoria; o sábio deve saber dizer sim a vida, em qualquer circunstância, e aprender a aceita-la e ama-la assim como é. Sobre os princípios de Montaigne: 1. Filosofar é preparar-se para a morta: Cícero diz que filosofar não é mais que preparar-se para a morte. É por isso que o estudo e a contemplação transportam de alguma forma nossa alma para fora de nós e a mantém ocupada, separada do corpo. É uma espécie de experiência e semelhança da morte, ou melhor, é fato que toda a sabedoria e todas as considerações do mundo se resolvem por fim neste ponto: ensinar-nos a não ter medo de morrer. Na verdade, ou a razão goza, ou deve apenas mirar para a nossa satisfação, e todo seu esforço deve, em conclusão, tender a fazer-nos viver bem. 2. Também na virtude o fim é o prazer: Todas as opiniões das pessoas são que o prazer é nosso escopo, embora a ele se mire com meios diversos; de outro modo, alguém as expulsaria logo que nascem, uma vez que quem ficaria ouvindo aquele que pusesse para si como fim nosso sofrimento e nosso infortúnio? As divergências das seitas filosóficas, neste caso, são apenas de palavras. Há mais obstinação e teimosia do que convém a uma tão santa profissão. Mas qualquer que seja o personagem que o homem represente, nele sempre representa a si mesmo. Digam o que disserem, até na virtude o último escopo de nossa aspiração é o prazer. Gosto de repetir no ouvido deles esta palavra que tanto os perturba. E se ela significa um prazer supremo e uma enorme satisfação, melhor condiz com a virtude do que com qualquer outra coisa. Esta volúpia, para ser mais forte, nervosa, robusta, viril, é por isso também mais fortemente voluptuosa. E deveríamos dar a ela o nome do prazer, que é mais propício, mais doce e natural: não o da virtude, com o qual a chamamos. 3. A virtude e o desprezo da morta: a felicidade e a bem-aventurança que resplandecem na virtude preenchem todas as suas pertinências e todas as suas ambiências, desde sua entrada até sua última porta. Ora, entre os principais benefícios da virtude está o desprezo do morte. É um meio que fornece à nossa vida uma doce tranquilidade, que torna nosso gosto puro e amável, sem que seja apagada qualquer outra volúpia. Eis por que todas as regras se encontram e convêm neste princípio. E, embora elas também nos levem de comum acordo a desprezar a dor, a pobreza e outros acidentes aos quais a vida humana está sujeita, isso não ocorre com igual preocupa, seja porque tais acidentes não são absolutamente necessários (a maior parte dos homens transcorre a vida sem provar a pobreza, e outros ainda sem provar dor e doença, como Xenófilo o Músico, o qual viveu cento e seis anos com saúde plena) ou porque, no pior dos casos, a morte pode pôr fim, quando nos aprouver, e eliminar todos os outros inconvenientes, mas, quanto à morte, ela é inevitável. 4. Ensinar a morrer é ensinar a viver: eu, no momento, estou, graças a Deus, em tal condição que posso partir quando lhe aprouver [...] Como os egípcios que, depois de seus banquetes, mandavam oferecer aos presentes uma grande imagem da morte por alguém que lhes gritava: "Bebe e goza, pois, quando morto, assim serás"; do mesmo modo tenho por hábito, de modo contínuo, manter a morte não só no pensamento mas também na boca; e não há nada de que me informe com tanto prazer como do morte dos homens: que palavras, que aspecto, que postura tiveram naquele momento, e não há passagem das histórias que eu não note com tanta a atenção. Pela interpolação de meus exemplos manifesta-se como eu tenha particular amor por este assunto. Se eu fosse um fazedor de livros, faria um livro comentado sobre diversas mortes. Quem ensina-seos homens a morrer, estaria lhes ensinando a viver. 5. É preciso tirar a mascara das coisas e também das pessoas: pensem de onde vem que nas guerras a imagem da morte, tanto ao vê-la em nós como nos outros, nos parece sem comparação menos terrível do que em nossas casas; de outra forma, veríamos um exército de médicos e de carpideiras: e pensei que, sendo ela sempre uma só, há sempre mais força de ânimo nas pessoas de aldeias e de baixo condição do que nas outras. Na verdade, creio que existem as imagens e aparências terríveis, com as quais pintamos a morte e que nos dão mais medo do que ela própria: um modo completamente diferente de se comportar, os gritos das mães, das mulheres e dos filhos, as visitas de pessoas espantados e abatidas, a assistência de uma multidão de servos pálidos e lacrimosos, um quarto sem luz, círios acesos médicos e padres apinhados à nossa cabeceira; em suma, só horror e espanto ao nosso redor. Eis-nos já sepultados e soterrados. As crianças têm medo até de seus amigos, quando os veem com aquela máscara das coisas, e também das pessoas: quando for tirado, encontraremos sob ela apenas aquela mesma morte que um servo ou uma simples camareira assistiram sem nenhum medo. Feliz a morte que acontece sem os enfeites de tal aparato. Francis Bacon: Filosofia Política da antiguidade ao renascimento: Nosso modelo de política é eurocêntrico. Tem como marco histórico a Grécia ateniense com as noções democráticas, atuação da vida pública e o princípio de isonomia (ideia de que todos são iguais). No livro seta da republica de Platão, temos o famoso mito da caverna que pode ser interpretado em três sentidos, sendo eles: epistemológicos, político, pedagógico. O mito é uma forma de conhecimento, que buscar atribuir sentido a realidade, seja contextualizando a criação do mundo ou reforçando um comportamento ético para um povo, exemplos disso são os mitos do segundo e decimo livro da republica, o mito de Giges e o mito de Er. No sentido política do mito da caverna o prisioneiro que escapa deve se tornar o filósofo rei, no sentido pedagógico o mesmo torna-se professor, e no epistemológicos compreende-se a realidade. Depois de Platão, surge Aristóteles com a cosmovisão de cidade justa, para ele a amizade e a justiça formam o fundamento da cidade, isso entre pessoas de ideias e interesses em comum, sendo a cidade uma associação de iguais, e a justiça que garante a igualdade. Para Aristóteles o Telos (finalidade) do homem é a felicidade e é o dever do governo caminhar em direção da felicidade, e para os cidadãos cabe o cultivo das virtudes, o bom governo educa os jovens e incentivo o cultivo das virtudes, para ele a virtude consiste no justo meio, ou seja, a virtude está entre o excesso e falta, entretanto, sempre para cima, com o bem! Ambos os pensadores tem características semelhantes, para eles um bom governo depende da virtude do governante para realizar um bom governo. Após ambos, temos os pensadores helenísticos que se concentram muito no campo da ética, após eles, se têm dois expoentes de suma importância na filosofia da idade média ou patrística, Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino. Rene Descartes: Descartes não contém diretamente uma ética ou uma visão política, mas é importante, pois demarca um início de uma época, considerado o pai da filosofia moderna, Descartes nasceu e veio a falecer em 1596 – 1650. Descartes é o fundador do racionalista moderno, o mesmo dividia os conhecimentos em uma arvore, as raízes é a metafísica, o tronco corresponde a física, nas folhas estão a mecânica, medicina e moral, essa é para Descartes a arvore do conhecimento. Descartes percebe na época a falta de um método ordenador, pois, para ele, deve e pode existir um método que é capaz de chegar a verdade indubitável, o novo método deve se apresentar como um início do novo saber, indo além dos edifícios estabelecidos na época, como a concepção aristotélica, Descartes junto com o seu método, a dúvida hiperbólica, ou seja, uma duvida exagerada, isso porquê o mesmo está em busca de verdades indubitáveis, e para se chegar a elas, é preciso de uma duvida exagerada, isso pelo rigor, pois somente uma verdade indubitável é capaz de sobreviver a uma duvida rigorosa. Descartes faz uma crítica à filosofia e a lógica tradicional no seu livro chamado Meditações Metafísicas verificando suas crenças e disposto a colocar no lixo, por assim dizer, todas aquelas que não se mostrarem claras e distintas, entrando em uma estado de incerteza: “Encontrei-me tão perdido entre tantas duvidas e erros que me parecia que, ao procurar me instruir, não alcançara outro proveito que o de ter descoberto cada vez mais a minha ignorância”. Para isso, o filósofo explora uma série de argumentos céticos para verificar se suas crenças se sustentam. Descartes demostra uma crítica aos sentidos, afinal para ele os sentidos nos dão uma ilusão, pense que o mundo através dos sentidos parece plano e estável, porém demonstra ser esférico e está em movimento, ora como acreditar nos sentidos que por ventura pode nos enganar? Sendo assim, Descartes invalida os sentidos, pois não podemos confiar neles, as sensações imediatas não são certezas indubitável. O primeiro desses argumentos apela ao erro dos sentidos. Esse argumento era muito usado pelos céticos gregos na antiguidade. Observa que algumas ideias que formamos sobre o mundo ao nosso redor podem estar erradas porque nossos sentidos nos enganam. E como não é sensato confiar em quem já nos enganou uma vez, é melhor não aceitar totalmente o que nos mostram os sentidos. É prudente, portanto, não confiar no que conhecemos através deles, sobretudo naqueles casos em que mais falham, quando os objetos estão longe ou a luminosidade não favorece a visão. No entanto, há crenças que estão totalmente imunes a qualquer erro dessa natureza. Descartes observa que uma pessoa não poderia ser enganada pelos sentidos sobre o fato de estar em um determinado lugar, vestida de uma determinada maneira, que tem mãos e pernas etc. Esse é um conhecimento evidente do qual apenas um louco poderia duvidar. Diante disso, Descartes parte para um novo argumento cético: o argumento dos sonhos ou da loucura. Escreve Descartes: “Quantas vezes ocorreu-me sonhar, durante a noite, que estava (em outro) lugar, que estava vestido, que estava junto ao fogo, embora estivesse inteiramente nu dentro de meu leito?”, sono e vigília são diferentes, mas não raro confundimos as duas coisas. E como Descartes está disposto a aceitar apenas aquelas verdades claras e distintas, rejeita também o conhecimento imediato de si como possível ilusão. Por fim, Descartes considera a possível existência de um Deus enganador que chama de gênio maligno, pois o sentido de gênio maligno soa melhor para a época do que Deus enganador. Ele, argumenta a existisse de um ser todo-poderoso e malvado que nos enganasse sistematicamente sobre tudo. Pensamos que 2 + 2 = 4, essa parece uma verdade clara e distinta, porém, e se esse gênio maligno estivesse nos enganando nesse ponto? O mesmo poderia fazer em relação a tudo: o que sabemos sobre nosso corpo, o lugar onde estamos, as pessoas a nossa volta. Tudo isso poderia ser uma ilusão criada por esse gênio enganador. E assim chegamos à dúvida radical de Descartes. De fato, seu raciocínio parece não deixar lugar para qualquer certeza sobre o mundo que nos cerca, assim a primeira meditação termina com a suspensão do juízo. O método de Descartes o levou a rejeitar inicialmente todas as suas crenças. Depois de destruir tudo que sabia até então, Descartes faz uma análise cuidadosa para verificar se não há pelo menos uma crença que se salve em relação ao problema do gênio maligno. O método para descoberta da verdade de Descartes se consistem em quatro regras fundamentais, sendo a primeira a evidência que trata de aceitar como verdadeiro somente aquilo que é tal modo evidente para a razão; segunda regra é a análise que decompõe cada problema em seus elementos últimos; terceiro é a síntese trata-se de recomporos objetos mais simples e mais fáceis até os objetos mais complexo, por fim, a quarta regra é o controle que busca enumerar todos os elementos analisados e rever todas as operações sintéticas. Aplicando as regras dos métodos, Descartes consegue chegar algo absolutamente indubitável e assim que chega a sua primeira verdade clara e distinta: “cogito, ergo sum”. Depois de pôr todas as suas crenças em dúvida, Descartes conclui que é um ser que pensa. Um gênio maligno seria capaz de lhe enganar sobre todo, mas para que o engane ele deve ser algo. Como esse gênio poderia enganar alguém que não existe? Assim, é evidente que a ideia “penso, logo existo”, ou seja, existo enquanto pensamento é verdadeira, mesmo não podendo confirmar o extensão / o mundo externo / res extensa, posso concluir que mesmo sendo enganado, preciso existir nem que seja enquanto pensamento, logo se eu penso, eu existo. Essa é uma verdade fundamental que Descartes usa como o alicerce de toda sua filosofia. Nesse ponto, o filósofo tem certeza apenas de que existe, mas nada mais. Dado que é possível que exista um gênio maligno, não pode ter certeza sobre existência de uma mundo exterior, de que existem pessoas nele. Na verdade, não tem como saber nem como é seu corpo ou mesmo se tem um corpo. A única coisa que pode afirmar com evidência clara e distinta é que é um ser que pensa. Para dar um passo além e sair de si, Descartes terá que de alguma forma mostrar que o gênio maligno não existe e que podemos confiar em nossa percepção. Para fazer isso, Descartes tenta provar que Deus existe e, como Deus é bom, não permitiria que nossa vida não passasse de uma ilusão. Após a comprovação do cogito, Descartes parte para uma série de ideias simples para mostrar que existe um Deus. Ele observa, em primeiro lugar, que nada vem do nada, que tudo possui uma causa. Se chover, houve uma causa que levou à chuva, se uma planta nasceu, isso também teve uma causa. Além disso, essa causa deve adequada, deve ter tanta realidade quanto o efeito. Consideremos um exemplo simples, princípio básico usado por Descartes. Quando fervemos uma panela de água, ela deve ter recebido esse calor de alguma causa que tivesse pelo menos tanto calor. Assim, algo que não é quente o suficiente não pode fazer a água ferver, porque não tem a realidade necessária para produzir esse efeito. Em outras palavras, algo não pode dar o que não tem. Essa parece ser uma ideia clara e distinta difícil de questionar. O próximo passo dado por Descartes é analisar as ideias que traz em sua mente e verificar se há alguma aí cuja causa não tenha sido ele mesmo. Nesse ponto o filósofo argumenta que como é uma substância finita, pode ter criado as ideias que possui de outras substâncias finitas. Então, ele pode ter sido a causa da ideia de sol, de pessoas, animais etc. Não é necessário que nada disso exista como causa de suas ideias. Entretanto, entre essas ideias existe a ideia de Deus. Essa é a ideia de um ser infinito. Poderia, pergunta o filósofo, ter sido ele a causa dessa ideia? Tirando as consequências do princípio que a causa deve ter tanta realidade quanto o efeito, Descartes conclui que, como ser finito, não poderia ter criado a ideia de um ser infinito. A única explicação é, portanto, que um Deus tenha colocado tais ideias em sua mente. Portanto, Deus tem que existir. Assim Descartes, parte para assegurar o conhecimento, e para isso tenta comprovar Deus como garantia para o conhecimento. Descartes precisa mostrar que Deus não é um enganador e tampouco criou o homem naturalmente propenso ao erro. Descartes parte novamente nesse caso de ideias que considera claras e distintas. Deus, para ser Deus, deve ser um ser perfeito. Da mesmas forma que um quadrado, para ser um quadrado, deve ter quatro lados iguais, Deus, para ser Deus, deve ser um ser perfeito. Um ser perfeito poderia ser um gênio maligno? Descartes argumenta que a intenção de enganar revela malícia e fraqueza, duas características que são claramente incompatíveis com a perfeição divina. Portanto, Deus não é um ser enganador e tampouco poderia permitir que um ser dessa natureza existisse. Um deus enganador seria como um quadrado sem lados iguais ou com apenas três lados. Deus também não criou o ser humano propenso ao erro. Realmente, ele seria um ser malvado se tivesse criado os seres humanos de tal forma que estivessem constantemente sujeitos ao erro. Ao contrário, o erro surge não de um defeito natural, mas do mal uso de nossa capacidade de raciocinar. Ou seja, surge do fato de não seguirmos o método proposto por Descartes, por sermos precipitados e adotarmos crenças que não são claras e distintas. Descartes, por fim, usa a perfeição divina para garantir que as ideias que intuímos como claras e distintas são verdadeiras. O raciocínio é o seguinte. Como já vimos, Descartes pensa que há verdades como “eu existo” que são evidentes, de modo que ser humano algum seria capaz de negá-las. Ora, se fomos criados por Deus e ele nos fez de forma que somos incapazes de não acreditar em algo que é falso, então ele é um ser maldoso. Porém, Deus não é malvado. Por isso, deve ter criado o homem de forma que seja capaz de reconhecer a verdade e o erro. O fato de uma ideia ser clara e distinta é justamente um sinal, que Deus colocou na mente humana, de que uma ideia é verdadeira. De modo que todas as ideias claras e distintas são verdadeiras. E assim Descartes se afasta do ceticismo a que foi levado pela hipótese do gênio maligno. Ele conclui, depois de demonstrar que ele próprio existe e que Deus existe, que o ser humano pode conhecer a realidade porque foi criado por um ser bondoso. Embora também esteja sujeito ao erro, isso só acontece naquelas situações em que se aceita como verdadeiras ideias que não são claras e distintas. Blaise Pascal: Blaise Pascal nasceu em Clermont em 1623, considerado um gênio inclinado a matemática e à ciência. Seu pai não queria que ele lesse livros de matemática antes dos quinze anos e retirou todos os textos de matemática da casa. No entanto, ao contrário do esperado, isso gerou curiosidade em Blaise e, aos 12 anos, ele mostrou sua aptidão em geometria descobrindo que a soma dos ângulos internos de um triângulo é igual à soma de dois ângulos retos. Daí em diante teve o incentivo de seu pai, que lhe deu uma cópia do livro Os Elementos de Euclides, com 16 anos escreveu o “tratado das cônicas”, mas com o passar do tempo se perdeu, mas pode ser conhecida através das anotações de Leibniz; aos 18 anos criou a primeira calculadora para ajudar seu pai com o trabalho, afinal seu pai era contador da família real, aos 23 anos inventou a experiencia do vazio, demonstrando que todos os fenômenos até então atribuídos ao vazio são, ao contrário, causados pelo peso do ar. Um fato interessante da época, é que acreditava-se que o sangue não circulava, na verdade o sangue ia e voltava em seus corpos. Pascal é bastante influenciado por Montaigne, o elemento cético se mantém nele, pois Pascal também duvida da capacidade de conhecer a verdade, não que não seja possível alcançar, mas que talvez a razão e os sentidos não são suficiente para se chegar à verdade. A "primeira conversão", que pôs Pascal em contato com Port-Royal. Em 1646, o pai de Pascal caiu sobre o gelo e fraturou uma perna. Foi confiado aos cuidados de dois médicos competentes, Deslandes e De la Bouteillerie, que permaneceram durante três meses na casa de Pascal. Quem conta é Marguerite Périer, sobrinha de Pascal: "Esses senhores tinham tanto zelo e tanta caridade pelo bem espiritual do próximo quanto tinham pela saúde corporal. Eles notaram em meu avô e em toda a sua família muito espirito e, considerando como grande prejuízo que tantos talentos fossem empregados unicamente nas ciências humanas, de que sabiam muito bem a inutilidade e a futilidade, empenharam-se junto a Pascal, meu tio, para induzi-lo a leitura de livros de sólida piedade e para fazer com que lhe agradassem. E o conseguiram plenamente. Com efeito, como tinha espirito bem formadoe ótimo e, embora muito jovem, nunca se entregara a todas as loucuras da juventude, Pascal conheceu o bem, o sentiu, o amou e o abraçou. E quando aqueles senhores o ganharam para Deus, com ele ganharam toda a minha família. Com efeito, tão logo meu avô, depois daquela grave doença, começou a ficar em condições de dedicar-se a alguma coisa, seu filho, que começava a gostar de Deus, fez com que ele também o amasse, bem como minha tia, sua irmã, que ficou tão intimamente convencida que decidiu então deixar o mundo e tornar-se religiosa [...] Depois, todos conheceram o santo cura (o doutor Guillebert. cura de Ronville, amigo e discípulo de Saint-Cyran), que havia atraído para Deus aqueles dois senhores de que Deus se serviu para iluminar toda a nossa família, e colocaram-se sob a guia desse santo homem, que os conduziu para Deus de modo admirável". Assim, foram os dois médicos que colocaram nas mãos de Pascal as obras de Saint-Cyran, através das quais ele foi convencido. E essa é a chamada "primeira conversão" de Pascal. Já a "segunda conversão" realizou-se em 1654, quando Pascal decidiu deixar o mundo. Nesse mesmo ano, ele publicou o “Tratado sobre o equilíbrio dos líquidos”, “o Tratado sobre o peso da massa de ar” e o “Tratado do triangulo aritmético”, além de manter correspondência com Fermat sobre questões de cálculo da probabilidade. Nesse meio tempo, em setembro, Pascal visitou Jacqueline em Port-Royal e confiou-lhe que, "embora em meio às suas grandes ocupações e às coisas do mundo que mais podiam contribuir para fazê-lo amar", sentia "grande desprezo pelo mundo e desgosto quase intolerável pelas pessoas que nele vivem". Na noite de 23 de novembro de 1654, foi atingido por profunda e fulgurante iluminação religiosa, escrevendo então o “Memorial ou Pensamentos”, que durante o resto de sua vida manteve costurado em sua roupa, de onde um seu empregado o retirou alguns dias depois de sua morte. Esse Memorial começa com a inovação ao "Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó", e se encerra com estas palavras que se tornaram célebres. Pascal e a aposta, segundo o mesmo é mais fácil e preferível crer do que não crer, através da probabilidade podemos ver quatro principais possibilidades, primeira é acreditar em Deus e ele existir, logo você pode ganhar o paraíso, segunda possibilidade é acreditar em Deus e ele não existe, logo se Deus não existe você não tem nada a perder, terceira possibilidade é Deus não existir e você não acreditar que ele exista, logo também não perde nada, a quarta, trata-se de você não acreditar na existência de Deus, mas Deus existir, logo perco o paraíso. Acredita. Não acredita. Deus existe. Ganho o Paraíso. Ganha o inferno. Deus não existe. Não perco nada e nem ganho. Não perco nada e nem ganho. Pascal e o divertimento, para ele o homem, é uma criatura que caiu de seu posto sem poder reencontra-lo, procurando-o por todo lugar com inquietude e sem êxito: não podendo curar a morte e a miséria, o homem decidiu não pensar nisso para tornar-se feliz, e escolheu o divertimento. O divertissment é fuga diante da visão lúcida da miséria humana, é aturdimento que faz divagar e chegar inadvertidamente à morte: o divertimento é fuga de nós mesmos, de nossa miséria, mas é a nossa máxima miséria, porque nos proíbe olhar para dentro de nós mesmos e pensar. Apenas o pensamento leva à verdade essencial, motivo pelo qual o homem e constitutivamente indigente e mísero: e é sobre a base desse reconhecimento que Pascal constrói sua apologia do cristianismo. No contexto do "eu imaginário", Pascal explora a natureza dual do ser humano. Ele argumenta que o ser humano é composto de duas partes: o "eu real" e o "eu imaginário". O "eu real" refere-se à nossa essência e ao nosso eu mais profundo, enquanto o "eu imaginário" se refere à nossa imagem pública, às máscaras que usamos para nos apresentarmos aos outros. Pascal acreditava que muitas vezes as pessoas se perdiam na preocupação com o "eu imaginário", preocupando-se com a opinião dos outros e tentando construir uma imagem perfeita para si mesmos. Ele argumentou que essa obsessão com a imagem externa leva ao vazio e à insatisfação interior. Para Pascal, a verdadeira felicidade e realização são alcançadas quando nós voltamos para o "eu real", quando buscamos um relacionamento autêntico com nós mesmos e com Deus. Ele defende que, ao reconhecermos nossa proteção e contenção, podemos encontrar uma conexão mais profunda com a verdade e experimentar uma verdadeira transformação interior. Assim, a ideia do "eu imaginário" de Pascal está relacionada à reflexão sobre a consideração, a busca pelo sentido da vida e a importância de uma espiritualidade verdadeira e íntima. Thomas Hobbes: Thomas Hobbes (1588-1679) foi um filósofo inglês, mais conhecido por seu influente trabalho em filosofia política. Ele viveu durante uma época de agitação política e social, incluindo a Guerra Civil Inglesa, que moldou significativamente suas ideias. A obra mais famosa de Hobbes é "Leviatã" (1651), na qual ele apresentou sua teoria política e defendeu uma forte autoridade central para manter a ordem e impedir que o "estado de natureza" descesse para o caos. Segundo Hobbes, no estado de natureza, as pessoas são movidas por seus próprios interesses e se envolvem em conflitos constantes. Ele acreditava que a vida no estado de natureza era "solitária, pobre, desagradável, brutal e curta". Para escapar desse estado de natureza, Hobbes argumentou que os indivíduos deveriam entregar voluntariamente seus direitos e liberdades a um governante ou governo soberano. Ele via o contrato social como um acordo entre o povo e o governante, o famoso contratualista, onde o povo abre mão de suas liberdades individuais em troca de proteção e segurança. Hobbes acreditava em uma Estado absoluto, muitos dizem que Hobbes acreditava na forma de governo, sendo ele o governo monarquista absolutista, que era para ele a forma mais eficaz de governo, pois poderia fazer cumprir as leis e manter a ordem de forma eficaz. A filosofia política de Hobbes baseava-se em uma visão mecanicista da natureza humana, vendo os indivíduos como motivados principalmente pela autopreservação e movidos por suas paixões. Ele rejeitou a ideia de direitos naturais e acreditava que toda autoridade derivava, em última instância, do soberano. As ideias de Hobbes foram altamente controversas durante seu tempo e continuam a ser debatidas hoje. Enquanto alguns criticaram sua visão pessimista da natureza humana e sua defesa da Estado absoluta, outros apreciaram seu foco na necessidade de ordem e estabilidade na sociedade. Seu trabalho teve um impacto significativo na filosofia política e moral. Sobre o conceito de estado de natureza, Hobbes apresenta um aspecto fundamental para sua filosofia política. Segundo ele, o estado de natureza é um cenário hipotético em que não há autoridade política estabelecida ou estrutura social. Representa uma condição pré-política e pré-social em que os indivíduos estão em um estado de total liberdade e igualdade. O estado de natureza trada-se de uma condição de conflito perpétuo e violência. Nesse estado, todo indivíduo tem direito natural a tudo e são movidos por seus próprios interesses e desejo de autopreservação. A ausência de uma autoridade central significa que não há leis ou acordos aplicáveis para governar o comportamento humano, levando a uma "guerra de todos contra todos". No estado de natureza, Hobbes argumentou que a vida seria caracterizada por constante medo, violência e incerteza. Ele descreveu essa condição como "solitária, pobre, desagradável, brutal e curta". As pessoas estariam em uma luta constante para proteger a si mesmas e seus interesses, levando a uma sociedade caótica e instável. Hobbes acreditava que o estado de natureza demonstrava a necessidade de uma autoridade política forte e absoluta para manter a ordem e prevenir as consequências destrutivas do interesse próprio individual. Ele propôs a teoria do contrato social como um meio deescapar do estado de natureza. De acordo com Hobbes, os indivíduos desistem voluntariamente de seus direitos naturais e transferem seu poder para um governante ou governo soberano. Em troca, o soberano garante a segurança, faz cumprir as leis e mantém a ordem social. Ao entrar em um contrato social e estabelecer uma autoridade central, Hobbes argumentou que os indivíduos poderiam escapar dos perigos e conflitos inerentes ao estado de natureza e viver em uma sociedade mais estável e segura. É importante notar que nem todos os filósofos concordam com a caracterização de Hobbes do estado de natureza ou com suas soluções propostas. As opiniões de Hobbes foram sujeitas a extensos debates e críticas, e teorias alternativas, como as propostas por John Locke e Jean-Jacques Rousseau, apresentaram diferentes interpretações do estado de natureza e do papel do governo. Hobbes tinha uma visão particular das leis naturais. Para ele, as leis naturais não eram princípios morais ou éticos inatos que regem a conduta humana, como acreditavam outros filósofos, mas sim leis que surgem da própria natureza humana e são fundamentadas em nosso desejo de autopreservação. O governo soberano, de acordo com Hobbes, seria responsável por impor leis e regulamentos que controlassem o comportamento humano e mantivessem a ordem na sociedade. Essas leis são consideradas "leis naturais" porque derivam da própria natureza humana, especificamente do desejo de autopreservação. Portanto, para Hobbes, as leis naturais não são princípios morais comportamentais, mas sim regras criadas pelo governo para governar a conduta humana e garantir a segurança e a ordem social. Elas são solicitadas na necessidade de proteger a vida e a propriedade e são impostas de maneira coercitiva pelo poder soberano. Já o Estado é uma instituição necessária para evitar o caos e a violência inerentes ao estado de natureza, onde não há um poder soberano que possa impor a ordem. O Estado, segundo Hobbes, é criado a partir de um contrato social, no qual os indivíduos abrem mão de sua liberdade e transferem seu poder para o soberano, em troca de segurança e proteção. Hobbes argumenta que o Estado tem a autoridade e o poder necessário para estabelecer e fazer cumprir as leis, resolver conflitos e preservar a paz social. Ele acredita que o poder absoluto do soberano é essencial para impedir a guerra e a anarquia, bem como para garantir a segurança e a estabilidade da sociedade. Além disso, Hobbes destaca que a obediência dos cidadãos é um dever moral, pois a ordem estabelecida pelo Estado é crucial para a sobrevivência e o bem-estar de todos. Ele argumenta que a autoridade do Estado é legítima e que os indivíduos devem submeter-se a ela para evitar os perigos e os males do estado de natureza. Hobbes e suas respectivas obras: 1. "Os Elementos da Lei, Natural e Político" (1640): a primeira grande obra de Hobbes, na qual ele explorou vários conceitos filosóficos e jurídicos, incluindo a natureza da soberania, contratos e o papel do governo. 2. "De Cive" (1642): Esta obra latina, traduzida como "Sobre o Cidadão", expandiu os temas introduzidos em "Os Elementos da Lei" e discutiu a autoridade política, a teoria do contrato social e os direitos e obrigações dos cidadãos. 3. "Leviatã" (1651): O trabalho mais famoso e influente de Hobbes, "Leviatã" é um tratado abrangente sobre filosofia política. Apresenta as ideias de Hobbes sobre o estado de natureza, a teoria do contrato social e a necessidade de uma autoridade central forte para manter a ordem social. O livro também investiga a natureza da psicologia humana e os fundamentos do conhecimento. 4. "De Corpore" (1655): Nesta obra, traduzida como "Sobre o Corpo", Hobbes explorou ideias filosóficas relacionadas à natureza da matéria, movimento e fenômenos físicos. 5. "De Homine" (1658): Traduzido como "On Man", este trabalho examina a natureza humana, com foco em tópicos como percepção, imaginação, linguagem e formação do conhecimento. 6. "De Cive" (versão latina, 1668): Hobbes revisou e expandiu seu trabalho anterior "De Cive", desenvolvendo ainda mais suas teorias sobre autoridade política e a natureza do estado. Espinoza: Baruch de Espinosa nasceu em 24 de novembro de 1632 e foi considerado um dos grandes filósofos racionalistas (ao lado de Leibiniz e Descartes) de sua época. Primeiro filho de uma família português-judia. Espinosa era chamado por seus pais pelo seu nome português: Bento, e é curioso imaginar que ele aprendeu suas primeiras palavras e português. Seus pais eram prósperos comerciantes, mas por serem judeus, mudaram-se para Amsterdam fugindo da inquisição. Quando Baruch de Espinosa nasceu em Amsterdam, seu pai já possuía dois filhos de outro casamento. Quando criança, Espinosa fez seus primeiros estudos na sinagoga à qual pertencia, era um aluno brilhante, estudou profundamente o Talmude e a Bíblia, além de aprender hebraico, mas o consideravam também muito questionador (um defeito na época). No entanto, o dedicado aluno precisou largar seus estudos para tomar conta dos negócios da família. Sobre sua juventude, Espinosa fala livremente com seus amigos sobre suas concepções religiosas, a ideia de um Deus antropomórfico, separado do mundo real, agindo como um déspota, parece absurda para ele; também não encontra nos textos sagrados muitas das histórias que lhes contam, nem Leis supostamente divinas. Como era de se esperar, suas opiniões não agradam aos líderes religiosos de sua época e após muitas ameaças, avisos e reprimendas, Espinosa foi acusado de ateísmo e excomungado em 1656. Começou seus estudos de filosofia, latim e grego com Van dem Endem, leu Descartes, Platão, Aristóteles, Epicuro, Cícero, Sêneca, os filósofos medievais entre outros, além de estudar matemática e outras ciências. Foi também quando começou a redação do seu Tratado de Correção do Intelecto. Neste período, Espinosa sofre o ataque de um judeu fanático que tenta esfaqueá-lo por envergonhar a comunidade judaica. O filósofo procurou companhias com quem pudesse dividir suas ideias. Mudou-se para Rijinsburg, em Leyden, pequena e tranquila cidade, com uma boa universidade que Espinosa visitava com frequência. Neste período escreveu seu Breve Tratado e os trechos iniciais de seu principal livro: Ética. Para sustentar-se, dizem que começou a trabalhar como polidor de lentes de telescópios e microscópios; exerceu este ofício, que aprendera ainda na sinagoga, até o fim de sua vida. Espinosa adotou uma das máximas de Epicuro: “viver os prazeres simples”. As práticas do filósofo do jardim moldam a vida de Espinosa: recusa de riquezas e bens materiais, prazeres sem exageros, uma vida dedicada à reflexão e ao conhecimento. Estas características não são vistas como um fim em si mesmo, mas são parte das condições para elevar seu pensamento. O asceticismo, neste caso, não é usado para a mortificação e preparação para outra vida, muito pelo contrário, é um meio de maximizar os efeitos de uma filosofia e de um pensamento rico e superabundante, que trazem felicidade e contentamento nesta vida. Espinosa foi convidado para dar aulas na Universidade de Heidelberg, mas recusou por entender que não teria a liberdade de falar livremente sobre suas ideias. Espinosa sempre foi o pensador da virtude e da potência, dos afetos e da alegria, de Deus e da Razão. Levantou-se contra o racionalismo de Descartes e os mandamentos religiosos, lutou contra o despotismo dos governos e também dentro de cada um de nós. Com um pequeno grupo de amigos, fez circular suas ideias. Até o fim de sua vida morou modestamente e sempre foi honesto para com seus pensamentos. Morreu prematuramente em 1677 com apenas 44 anos, talvez em decorrência do pó de vidro que respirava durante seu ofício. Sua Ética foi publicada postumamente e logo proibida por todas as autoridades religiosas e políticas, seu Tratado Político permaneceu inacabado. Espinosa é mais um daqueles filósofos perigosos para o status quo da sociedade, é impossível passar ileso pela potência de seus pensamentos. Suaobra reflete sua vida: pensamento e ação tornam-se um só. Espinosa nos é um filósofo essencial, com ele, aprendemos a viver o pensamento e pensar a vida. Spinoza é conhecido por suas idéias revolucionárias no campo da filosofia, especialmente no que diz respeito à ética e à metafísica. Sua obra mais influente é "Ética demonstrada à maneira dos geômetras”, publicada postumamente em 1677. Em sua obra "Ética", Spinoza propõe uma visão da ética baseada em uma abordagem racional e geométrica, seguindo o estilo dos tratados matemáticos da época. Seu objetivo é estabelecer uma ética fundamentada na razão. Alguns pontos clave de sua ética incluem: 1. Deus ou a Natureza: Spinoza identifica a Deus com a mesma naturalidade, e sua filosofia é em grande medida uma explicação de como tudo na realidade derivada de uma única substância divina. Em seu sistema, tudo o que existe é uma manifestação desta única substância, e a ética é uma exploração de como os humanos podem viver em harmonia com esta realidade. 2. Determinismo: Spinoza sustenta que tudo no universo é determinado pela necessidade. Não existe livre-arbítrio no sentido tradicional, já que nossas ações e decisões são o resultado necessário das causas que nos precedem. 3. Ética e Felicidade: Spinoza se abre para uma forma de vida que busca a sabedoria e a compreensão da natureza divina. Argumenta que a verdadeira felicidade se encontra em compreender nossas emoções e desejos, e em viver de acordo com a razão. Através do conhecimento e da autodisciplina, podemos nos libertar das paixões destrutivas e alcançar a tranquilidade mental. 4. Conatus: Spinoza introduz o conceito de "conatus", que se refere ao impulso inerente de cada coisa a perseverar em sua existência. No caso dos seres humanos, isso se manifesta como o desejo de buscar a autopreservação e a busca da felicidade. A ética de Spinoza implica entender e conduzir este impulso de maneira racional. Espinosa faz, ao longo da Ética, o caminho que vai de Deus, que é a substância infinitamente infinita e possui em si todos os atributos, para os modos, que são os seres humanos, limitados no tempo e no espaço para depois fazer o percurso de volta. O filósofo holandês também define as maneiras pelas quais somos afetados. E por último, faz o caminho que leva o homem da servidão à liberdade. Na verdade, podemos dizer que a filosofia espinosista tem este único propósito: através do conhecimento de Deus, sair da servidão e encontrar a liberdade. Toda a sua questão é investigar em que condições pode haver liberdade e por que vivemos tanto em servidão. Se foi necessário percorrer um caminho tão comprido, é porque nada é tão raro quanto encontrar um homem virtuoso e livre. Antes, foi necessário definir o conceito de servidão. Toda vez que o homem não age por sua natureza, ele está sendo conduzido por forças de fora. É impossível que o homem não seja afetado e muitas vezes levado por estas forças que o contrariam; isto acontece porque ele é apenas uma parte reduzida do mundo, com uma potência limitada em face de forças externas. Exatamente por isso, tal como Ovídio diz, o homem “vê o melhor, mas segue fazendo o pior”. Não há julgamento por parte de Espinosa, a fraqueza de agir do ser humano reflete sua fraqueza de pensar, ele é cheio de superstições e conhecimentos imaginativos. A liberdade vem quando a razão começa a pesar os afetos e aprende a refrear, medir e moderar; diferente dos impotentes que, em sua ilusão, acham necessário extinguir ou dominar absolutamente os afetos. Espinosa nunca fala contra a felicidade ou a tristeza, contra o amor ou o ódio, eles estão presentes tanto na servidão quanto na liberdade. A diferença é que, por compreender, o homem livre é a causa ativa de seus afetos; dito de outro modo, eles provêm de sua própria natureza. Por isso o sábio é mais potente que o ignorante, porque através de uma análise de sua capacidade atual de afetar e ser afetado, ele aprendeu a interagir com o mundo de modo a evitar maus-encontros e maximizar bons-encontros. Espinosa diz que o conhecimento é o mais potente dos afetos, porque a mente tem a força de afirmar e negar certas ideias, e este conhecimento é o caminho mais curto para a liberdade. “Tudo se passa, então, como se devêssemos distinguir dois momentos da razão ou da liberdade: aumentar a potência de agir ao mesmo tempo que nos esforçamos para experimentar o máximo de afecções passivas alegres; e dessa maneira, passar ao estágio final no qual a potência de agir aumentou tanto que é capaz de produzir afecções elas mesmas ativas” – Deleuze, Espinosa e o Problema da Expressão, p. 180 Saímos da causa parcial, onde nos imaginávamos distantes e alheios ao mundo e entramos na parte comum, onde temos parte na existência. É aqui que a ética nasce, em uma rede que se tece nas relações de modo que todos cresçam mutuamente e reforcem a alegria uns dos outros. O aumento da capacidade de agir implica em tomar parte, agir em conjunto, fazer aliados, conexões, criar interdependências, ajuda mútua, crescer na conveniência das relações necessárias entre as partes e diminuir a dependência infantil e impotente. Autonomia não é estar separado do mundo, é convir adequadamente com ele. Não queremos ser passivos com relação aos nossos encontros alegres; isso pode até ser bom, mas é pouco, a potência é potência de agir, ela quer fazer parte, ser causa de sua felicidade! “Por meio deste poder de ordenar e concatenar as afecções do corpo, podemos fazer com que não sejamos facilmente afetados por maus afetos” – Espinosa, Ética V, prop. 10, esc. Quanto mais conhecemos, mais somos capazes de escolher nossos encontros, é aí que Espinosa nos dá uma terapia para os afetos. A força maior da vida é o corpo agindo conjuntamente com o pensamento. O conhecimento, o aprendizado é um reflexo puro da potência que a mente tem de pensar, ele é sempre alegre. Se o conhecimento é triste, não é conhecimento, é ilusão, superstição, signo de poder! Por isso Espinosa nos introduz ao pensamento racional, quando não vivemos de acordo com o segundo gênero do conhecimento, logo nos tornamos contrários uns aos outros. Lembrando que a razão não comanda! Ela não pode ser colocada no lugar de um general em nossa cabeça que dá ordens, voltaríamos a Descartes se entendêssemos assim. A força que tem um indivíduo é sua capacidade de compreender, com a força da razão e do conhecimento, sua capacidade de existir como desejo, conatus que se esforça para realizar bons encontros e ser causa de sua própria potência de existir. Quanto mais efetuamos bons encontros, mais nossa potência aumenta. E, finalmente, quanto mais cresce nosso conatus, mais nos tornamos capazes de afetar e ser afetados. Liberdade é ter um corpo cada vez mais disposto a agir de múltiplas maneiras e ser afetado pelo mundo de múltiplas maneiras, aquilo que Espinosa chamou de plura simul. O conhecimento nos multiplica dentro de nós mesmos, assim, nos tornamos vários, cada vez mais ativos, cada vez mais artistas de nós mesmos. O gênero humano é apenas uma parte ínfima da potência infinita de Deus, mas quanto mais ele aumenta sua potência, mais se aproxima da criação. “Quanto mais uma coisa tem perfeição, tanto mais age e tanto menos padece e, inversamente, quanto mais age, tanto mais ela é perfeita” – Espinosa, Ética V, prop. 40. É impossível o homem ser totalmente livre, já sabemos, ele sempre estará submetido ao acaso dos encontros. Apenas Deus é absolutamente livre, porque nada o constrange, ele tem plena liberdade de agir e criar segundo sua essência. A liberdade se opõe ao constrangimento; é totalmente livre somente aquele que não é constrangido por nada no ato de criar. Mas nós também temos uma parte na essência divina, um grau de potência, ela se define por nossa potência atual, que varia de acordo com os encontros. Mas esta abertura tende ao infinito! Nossa liberdade está em fazer coincidir a atualização da potência de nosso ser com a natureza de nossa essência. Quando ser, fazer e desejar se tornam a mesma coisa, atuamos deacordo com a necessidade de nossa essência. Passamos a produzir a nós mesmos. Constituir-se o mais plenamente possível segundo sua própria potência. Produzir como consequência de nossa plenitude na existência, sendo causa adequada daquilo que acontece. Liberdade não é a ausência de causa, mas a necessidade da causa interna, necessidade de ser aquilo que se é. Liberdade é agir adequadamente para a conservação e ampliação de nossa potência de conhecer, existir e agir. “Diz-se livre a coisa que existe exclusivamente pela necessidade de sua natureza e que por si só é determinada a agir” – Espinosa, Ética I, def. 7. Com sua Ética, ele se contrapõe a Descartes: não é possível um domínio completo dos afetos; aos estoicos: não é possível extinguir os afetos. Também contrapõe-se às ideias cristãs de livre-arbítrio: liberdade não é a ausência de causa, mas a necessidade de uma causa interna, que é a essência do ser. Os homens em geral acham que são livres porque escolhem entre possíveis, mas desconhecem as causas pelas quais são levados a escolher, e por isso lutam por sua servidão como se fosse por sua liberdade. Os resultados de tais ideias nos levam a conclusões eminentemente práticas. Só se torna livre aquele que age no mundo segundo sua própria natureza, que não é outra coisa senão parte da natureza divina, parte da potência do ser. Espinosa erige uma filosofia prática. Só há uma substância, e ela é Deus, ou a Natureza; estamos mergulhados nesta substância, somos parte dela. Dos infinitos atributos de Deus nós temos conosco a extensão e o pensamento, ambos limitados no tempo e no espaço. Somos escravos porque não entendemos a essência eterna de Deus, estamos confusos e agimos de maneira a sempre nos prejudicarmos. Então é preciso uma análise profunda dos afetos e da natureza deles, compreender os afetos, aproximar razão e emoção. Jonh Locke: John Locke nasceu em 29 de agosto de 1632, em Wrington, Somerset, Inglaterra. Ele foi um filósofo, médico e teórico político inglês, amplamente considerado um dos pensadores mais influentes do Iluminismo e um dos fundadores do liberalismo moderno. Locke cresceu em uma família de classe média e recebeu uma educação sólida. Ele frequentou a Westminster School e, posteriormente, a Christ Church, na Universidade de Oxford, onde se destacou nos estudos clássicos e na filosofia. Após concluir seus estudos em Oxford, Locke começou a trabalhar como tutor e professor. Nessa época, ele entrou em contato com figuras intelectuais importantes, como Robert Boyle e Isaac Newton, cujas ideias científicas tiveram um impacto significativo em seu pensamento. Em 1667, Locke tornou-se médico pessoal e conselheiro do político inglês Anthony Ashley Cooper, mais tarde conhecido como Conde de Shaftesbury. Essa relação teve um grande impacto em sua carreira e influenciou suas ideias políticas. Locke acompanhou Shaftesbury em suas lutas políticas, que visavam proteger os direitos individuais e limitar o poder do monarca. Durante o período em que viveu na Holanda, no exílio, Locke escreveu sua obra mais famosa, "Ensaio Acerca do Entendimento Humano" (1690). Nesse trabalho, ele desenvolveu sua teoria do conhecimento, argumentando que a mente humana é uma "tábula rasa" no nascimento, ou seja, uma "folha em branco" que é preenchida por meio da experiência sensorial. Ele também defendeu a ideia de que os direitos individuais e a liberdade são fundamentais para a sociedade. Locke é também conhecido por sua obra política, "Dois Tratados sobre o Governo Civil" (1690), na qual ele defende a ideia de que o governo deve ser baseado no consentimento dos governados e deve ter como objetivo principal a proteção dos direitos naturais do indivíduo, como a vida, a liberdade e a propriedade. Suas ideias sobre direitos individuais, separação de poderes, governo limitado e contrato social tiveram uma influência profunda no desenvolvimento do pensamento político ocidental. Suas obras ajudaram a moldar a filosofia política dos Estados Unidos e foram referências importantes para a redação da Declaração de Independência e da Constituição dos Estados Unidos. John Locke faleceu em 28 de outubro de 1704, em Oates, Essex, Inglaterra, deixando um legado duradouro na filosofia política e na teoria do conhecimento. Sua ênfase na liberdade individual, no governo limitado e no poder do povo influenciou movimentos revolucionários e democráticos ao redor do mundo e continua a ser uma fonte de inspiração para defensores da liberdade e dos direitos humanos até os dias de hoje. Em seu livro "Dois Tratados sobre o Governo Civil", John Locke aborda a teoria política e as bases do governo. A obra consiste em dois tratados separados, nos quais ele discute temas como a origem do poder político, a natureza dos direitos individuais, a relação entre o governo e os cidadãos, e a legitimidade da resistência contra um governo tirânico. No primeiro tratado de John Locke, ele critica a teoria do direito divino dos reis, formulada por Robert Filmer. Locke argumenta contra a ideia de que os governantes têm um direito inato e divino ao poder absoluto. Ele contesta a noção de que os reis governam por um direito hereditário baseado na descendência de Adão, sustentando que essa teoria carece de fundamentação racional e não possui base sólida na natureza humana. Locke questiona a alegação de Filmer de que o poder político é conferido por Deus a um único governante, argumentando que isso não é consistente com a experiência humana nem com o princípio da igualdade natural entre os indivíduos. Ele defende a ideia de que todos os seres humanos nascem iguais em termos de direitos e que ninguém tem o direito natural de governar sobre os outros sem o consentimento destes. Ao criticar a teoria do direito divino dos reis, Locke busca fundamentar o poder político no consentimento dos governados. Ele defende que o poder deve derivar do povo, que tem o direito de escolher seus governantes e de limitar o poder destes, a fim de garantir a proteção dos direitos individuais e a promoção do bem comum. Essa crítica de Locke ao direito divino dos reis teve um impacto significativo na filosofia política, pois ajudou a minar a justificativa tradicional para o poder monárquico absoluto. Suas ideias foram influentes no desenvolvimento do pensamento político liberal e no avanço das ideias de democracia e soberania popular. 1º Que Adão não tinha, nem por direito natural de paternidade nem por doação positiva de Deus, autoridade alguma sobre seus filhos ou domínio sobre o mundo, como se pretende; 2º Que, caso seus herdeiros a tivessem, contudo, não teriam direito a ela; 3º Que, caso seus herdeiros a tivessem, por não haver lei da natureza ou lei em todos os casos que possam surgir, o direito de sucessão, e consequentemente de deter o manda, não poderia ter sido determinado com certeza; 4º Que, mesmo que houvesse sido determinado, ainda assim o conhecimento de qual é a linhagem mais antiga da descendência de Adão foi há tanto tempo completamente perdido que em todas as raças da humanidade e famílias do mundo não resta, a nenhuma mais que outra, a menor pretensão a ser a casa mais antiga e a ter o direito de herança. (Livro II, capitulo I, p. 379)[footnoteRef:1] [1: Dois tratados sobre o governo / Jonh Locke; tradução Júlio Fischer – São Paulo: Martins Fontes, 1998 – (clássico). ] No Segundo Tratado, Locke explora mais a fundo a teoria do contrato social. Ele defende que os seres humanos se unem em sociedade para proteger seus direitos naturais e que o governo é criado por meio de um contrato voluntário entre os cidadãos. O papel fundamental do governo é proteger esses direitos e garantir a segurança e a ordem na sociedade. Locke defende a separação de poderes e argumenta que o governo deve ser limitado e sujeito ao consentimento dos governados. John Locke discute sobre o estado de natureza, para Locke, é uma condição pré-política em que os indivíduos vivem sem um governo estabelecido. Nesse estado, os seres humanos são livres e iguais em termos de direitosnaturais. Locke descreve o estado de natureza como um estado de liberdade, mas também destaca que é um estado em que há incerteza e potencial para conflitos. Embora os indivíduos tenham direitos naturais, como a vida, a liberdade e a propriedade, a falta de um governo estabelecido pode levar a disputas e injustiças, uma vez que não há uma autoridade imparcial para resolver conflitos de maneira justa. Locke argumenta que os seres humanos, no estado de natureza, têm o direito de autopreservação e de proteger seus direitos naturais. No entanto, ele reconhece que a falta de um poder comum para fazer cumprir as leis naturais pode levar a uma condição de insegurança e instabilidade. Para sair do estado de natureza e estabelecer uma sociedade civil, Locke defende a formação de um governo baseado no consentimento dos governados. Esse governo tem como objetivo principal proteger os direitos naturais dos indivíduos e garantir a ordem e a segurança na sociedade. Portanto, a transição do estado de natureza para a sociedade civil envolve a renúncia parcial dos direitos individuais em troca da proteção oferecida pelo governo. Em resumo, Locke concebe o estado de natureza como um estado de liberdade e igualdade em que os indivíduos têm direitos naturais, mas também enfrentam incertezas e possíveis conflitos. A transição para a sociedade civil ocorre por meio da formação de um governo que visa proteger os direitos e garantir a ordem na sociedade. Já sobre o direito natural, Locke, diz que é um conjunto de direitos fundamentais que os indivíduos possuem independentemente da existência de um governo estabelecido. Esses direitos incluem a vida, a liberdade e a propriedade. Locke argumenta que esses direitos naturais são inalienáveis e pertencem a todos os seres humanos. Eles são baseados na natureza racional e igualitária dos indivíduos. Segundo Locke, esses direitos derivam de Deus ou da natureza e não podem ser arbitrariamente negados por qualquer autoridade política. O direito natural de Locke implica que todos os indivíduos têm o direito de se autopreservar, de buscar a felicidade e de exercer suas liberdades básicas. Isso significa que eles têm o direito de viver, de serem livres para agir de acordo com sua própria vontade dentro dos limites da lei natural e de possuir propriedade adquirida de forma justa. Além do crime que consiste em violar a lei e desviar-se da correta regra da razão, em virtude do que um homem torna-se degenerado e declara seu rompimento com os princípios da natureza humana e ser uma criatura nociva, há comumente a injuria feita por uma pessoa ou outra, causando com tal transgressão prejuízo a uma terceira; neste caso, aquele que sofre qualquer prejuízo tem, além do direito de punição comum a todos os demais homens, um direito particular de buscar uma reparação junto àquele que a causou. E qualquer outra pessoa que considere isso justo pode unir-se àquele que foi prejudicado e assisti-lo a recobrar do transgressor quanto possa compensá-la pelo dano sofrido. (Livro II, capitulo I, p. 388)[footnoteRef:2] [2: Dois tratados sobre o governo / Jonh Locke; tradução Júlio Fischer – São Paulo: Martins Fontes, 1998 – (clássico). ] No entanto, Locke ressalta que o direito natural não deve ser confundido com uma licença ilimitada para agir de qualquer maneira que se queira. Ele argumenta que, no estado de natureza, os indivíduos são regidos pela lei natural, que é imparcial e impõe limites à liberdade para garantir a preservação dos direitos de todos. Embora o direito natural seja inalienável, Locke reconhece que, no estabelecimento da sociedade civil, os indivíduos abrem mão de parte de sua liberdade natural para formar um governo que proteja seus direitos de maneira mais efetiva. Isso ocorre por meio do consentimento dos governados, que delegam certos poderes ao governo para garantir a segurança e a ordem na sociedade. Em suma, Locke defende a existência de direitos naturais inalienáveis, como a vida, a liberdade e a propriedade, que pertencem a todos os indivíduos. Esses direitos são baseados na natureza racional e igualitária dos seres humanos e são protegidos pela lei natural. A formação do governo ocorre para assegurar a proteção desses direitos e é baseada no consentimento dos governados. No geral, "Dois Tratados sobre o Governo Civil" de John Locke é uma defesa do governo baseado no consentimento dos governados, na proteção dos direitos individuais e na limitação do poder político. Sua obra teve uma influência duradoura no desenvolvimento da teoria política e nas ideias de liberdade e democracia. Leibniz: Gottfried Wilhelm Leibniz, nascido em 1 de julho de 1646 em Leipzig, Alemanha, foi um destacado filósofo, matemático, científico e diplomático do século XVII e princípios do XVIII. Proveniência de uma família acadêmica e mostrei um talento excepcional desde uma idade temporária. Sua educação inicial foi bajo da tutela de seu padre, Friedrich Leibnütz, um professor de filosofia moral. Aos 15 anos, Leibniz ingressou na Universidade de Leipzig, onde estudou filosofia, direito e matemática, posteriormente, continuou seus estudos nas universidades de Jena e Altdorf. Durante este tempo, desenvolveu seu interesse pela lógica, matemática e filosofia, e começou a escrever ensaios e tratados sobre diversos temas. Em 1666, Leibniz obteve seu Juris Doctorate e trabalhou como advogado e consultor jurídico em vários tribunais. No entanto, nunca deixei de cultivar seus interesses intelectuais em campos como a filosofia, as ciências naturais e as matemáticas. Um dos logros mais notáveis de Leibniz foi o desenvolvimento independente do cálculo, um ramo fundamental das matemáticas que também foi desenvolvido por Sir Isaac Newton ao mesmo tempo. Ainda há uma disputa histórica sobre quem inventou o primeiro cálculo, hoje em dia se reconhece a ambos como co-criadores independentes. Leibniz também trabalhou no desenvolvimento da notação matemática moderna, incluindo o uso do símbolo integral (∫) e o conceito de derivadas. Leibniz era um polímata e se interessava por uma ampla variedade de temas. Além de suas contribuições às matemáticas, também desenvolveu sua filosofia, que incluía conceitos como o "monadismo", que postulava que o universo consistia em unidades indivisíveis chamadas "mónadas". Também propõe o princípio de "razão suficiente", argumentando que todo tem uma razão ou explicação de por que é da maneira que é. Ao longo de sua vida, Leibniz viajou extensamente pela Europa e se relacionou com importantes figuras intelectuais e políticas de seu tempo. Foi um fervoroso defensor da unidade dos estados alemães e trabalhou como diplomata e assessor jurídico para diversos governos. Gottfried Wilhelm Leibniz, veio a falecer em 14 de novembro de 1716 em Hannover, Alemanha. Seu legado perdurou ao longo dos séculos, e seu trabalho continuou influenciando em múltiplos campos, desde a matemática e a filosofia até a informática e a teoria da computação. Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) foi um filósofo, matemático, cientista e polímata alemão que fez contribuições significativas para vários campos do conhecimento durante os séculos XVII e XVIII. Ele é frequentemente considerado um dos maiores pensadores da história intelectual ocidental e é considerado uma figura-chave na Era do Iluminismo. As realizações de Leibniz foram incrivelmente diversas, abrangendo várias disciplinas: 1. Matemática: Leibniz e Sir Isaac Newton são amplamente creditados por terem desenvolvido o cálculo de forma independente, quase simultaneamente, no final do século XVII. Suas abordagens para o cálculo eram diferentes, mas ambas tiveram um papel crucial na criação da base para o cálculo moderno, que se tornou uma ferramenta essencial na matemática e nas ciências. Isaac Newton desenvolveu o cálculo ao redor de 1665-1666, durante o período em que estava isolado na zona rural da Inglaterra durante a epidemia de peste bubônica. Newton trabalhou em sua teoria das fluxões (fluxions) e do método das "diferenças" para resolverproblemas relacionados com tangentes, áreas sob curvas e a taxa de mudança em processos dinâmicos. Ele também utilizou a notação de "dot" (˙) para denotar a derivada do tempo, um precursor da notação moderna d/dx. Por outro lado, Leibniz começou a desenvolver seu cálculo por volta de 1673 e o publicou mais tarde em 1684. Sua abordagem era baseada em ideias de diferenciais e integrais e incorporava uma notação muito mais intuitiva que se assemelha à notação atual com d/dx para denotar a derivada e ∫ para denotar a integral. A controvérsia histórica sobre a prioridade na descoberta do cálculo entre Newton e Leibniz levou a uma disputa amarga conhecida como a "controvérsia do cálculo". No final, ambos os matemáticos e seus trabalhos foram reconhecidos como cruciais para a fundação do cálculo moderno. Hoje em dia, o cálculo é uma das ferramentas matemáticas mais poderosas e essenciais, sendo fundamental para várias áreas da ciência, engenharia e outras disciplinas. 2. Lógica e Filosofia: Leibniz fez contribuições substanciais à lógica formal e à filosofia. Ele desenvolveu o conceito de "mônada", que era sua teoria metafísica de substâncias simples que fundamentam toda a realidade. Ele também trabalhou com o princípio da razão suficiente, argumentando que tudo tem uma explicação ou razão para sua existência. 3. Física Teórica: Leibniz estava interessado em física e contribuiu para a compreensão da mecânica, dinâmica e conservação de energia. Ele introduziu o conceito de vis viva (força viva), que se tornou um princípio importante no estudo da energia cinética. 4. Biblioteconomia e recuperação da informação: Leibniz concebeu a ideia de uma linguagem universal e desenvolveu um sistema chamado "characteristica universalis", uma linguagem simbólica destinada a representar todo o conhecimento humano. Ele também propôs uma calculadora mecânica para auxiliar na computação. 5. Diplomacia e Lei: Leibniz serviu como diplomata e consultor jurídico para vários governantes alemães. Ele contribuiu para a unificação dos estados alemães e promoveu a paz e o entendimento entre eles. 6. Teologia e Religião: Leibniz escreveu extensivamente sobre assuntos teológicos e acreditava que o mundo era o melhor possível que Deus poderia ter criado. Ele procurou conciliar suas ideias filosóficas com princípios religiosos. 7. História: Leibniz foi um ávido historiador e arquivista, fazendo contribuições significativas para a pesquisa histórica e a preservação de documentos históricos. As obras de Leibniz foram extensas e muitas vezes inéditas durante sua vida. Suas ideias influenciaram numerosos pensadores e continuam a ter um impacto duradouro em várias disciplinas acadêmicas. Embora não tenha conquistado o mesmo nível de fama que seu contemporâneo, Isaac Newton, as contribuições de Leibniz à matemática e à filosofia lhe renderam um lugar entre os grandes pensadores da história. Gottfried Wilhelm Leibniz escreveu uma grande quantidade de livros e escritos ao longo de sua vida. Alguns de seus livros mais destacados incluem: 1. "Disputatio Inauguralis de Casibus Perplexis in Jure" (1666): Esta fue su tesis de doctorado en derecho. 2. "De Arte Combinatoria" (1666): Neste trabalho, Leibniz explorou seu interesse em lógica e combinatória, apresentando idéias sobre um sistema simbólico universal para o raciocínio matemático e filosófico. 3. "Nova Methodus pro Maximis et Minimis" (1684): Este livro foi uma exposição de seu cálculo diferencial, onde apresentou o cálculo de máximos e mínimos utilizando suas notas e métodos. 4. "Codex Juris Gentium Diplomaticus" (1693): Leibniz trabalhou na recopilação e edição de documentos históricos, incluindo tratados internacionais e cartas diplomáticas. 5. "Monadología" (1714): Este escrito é uma das obras mais conhecidas de Leibniz. Nela, apresentamos sua filosofia metafísica e a teoria das mónadas. 6. "Théodicee" (1710): Neste livro, Leibniz aborda o problema do mal e busca reconciliar a existência do mal no mundo com a ideia de um Deus bom e todo poderoso. 7. "Essais de Théodicée sur la bonté de Dieu, la liberté de l'homme et l'origine du mal" (1710): Esta obra é uma versão em francês de la "Teodicea". 8. "Nouveaux Essais sur l'Entendement Humain" (1704): Nesta obra, Leibniz critica a teoria do conhecimento de John Locke e apresenta suas próprias idéias sobre a percepção, a mente e o conhecimento. Estes são apenas alguns exemplos dos muitos escritos que Leibniz produziu ao longo de sua vida. Suas obras abrangem uma ampla gama de temas, desde a matemática e a filosofia até a teologia, a história e a política. Seu legado intelectual continua sendo estudado e apreciado na atualidade. Jean Jacques Rousseau: Jean Jacques Rousseau nasceu em Genebra, na Suíça, em 1712. A mãe de Rousseau morreu nove dias após o parto. Seu pai era um relojoeiro burguês. A família era calvinista. Quando Rousseau tinha 12 anos, seu pai casou-se novamente e o abandonou com o tio materno. Aos 15 anos, não suportando o convívio com o tio, Rousseau fugiu de casa e foi acolhido pelo Padre Católico Confignon, sacerdote local responsável por resgatar os genebrinos do protestantismo. O Padre Confignon cuidou de Rousseau por um ano até quando decidiu enviá-lo para Annecy, na França, para que ele obtivesse uma educação de maior qualidade. O jovem Rousseau, então, foi encaminhado para os cuidados de Madame de Warens, mulher de 28 anos que o encantou. Ela cuidou de Rousseau desde os seus 16 anos, garantindo boa educação para o jovem, enviando-o para estudar em Turim, na Itália. Mesmo sendo ela uma figura materna para Rousseau, a ponto de ele a chamar de “Maman”, os dois se tornaram amantes quando Rousseau completou 20 anos. Contudo, pelo fato de Madame de Warens possuir vários outros amantes, Rousseau não suportou os diversos casos de sua cuidadora devido a sua intensa paixão por ela. Assim, ele mudou-se para Paris. Um dos empregos de Rousseau na capital francesa foi como músico. Sua ópera, O Adivinho da Vila, fez sucesso em Paris. Devido a seu destaque na primeira arte, Diderot, o criador da Enciclopédia, convidou Rousseau para escrever sobre música na primeira Enciclopédia da história. Em Paris, também desenvolveu sua vida intelectual, sendo vencedor de concursos de ensaios teóricos sobre diversos assuntos que lhe renderam fama na cidade. Nesse período, conheceu sua principal amante, Thérèse Levasseur, com quem teve 5 filhos. Rousseau, negando-se a criar seus filhos, convenceu sua amante a enviar todos para o orfanato. Curiosamente, logo após abandonar seus filhos, elaborou sua obra “Emílio”, ou Da Educação”, que ensina como educar os filhos. Após a publicação de “Emílio”, “Do Contrato Social” e “Nova Heloísa”, o povo de Paris se revoltou contra Rousseau devido a suas ideias anti-tradicionais. Suas obras criticavam o que o povo mais valorizava em sua sociedade. Rousseau teve que fugir de Paris e passou a morar em Motiers, sob a proteção do Rei Jorge III. Sobre as principais obras de Rousseau são: 1. Do Contrato Social (1762); 2. Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens (1755) ; 3. Discurso Sobre as Ciências e as Artes (1750); 4. Emílio, ou da Educação (1762); As principais ideias de Rousseau Rousseau era a favor da ideia de formação da sociedade através do “contrato social”. Segundo ele, os homens eram livres e bons, até que se uniram para formar sociedades e assim foram corrompidos e aprisionados pela propriedade privada. As principais teorias defendidas por Rousseau são: 1. Contrato social – Rousseau fez um livro com o mesmo nome, no qual defende a filosofia política do contratualismo, explica mais adiante neste artigo; 2. Estado de natureza – os homens na natureza sem a existência de sociedades; 3. Pacto social – os homens decidiram se unir em povos, criando estruturas que retiram a liberdade individual; 4. A principal frase de Rousseau, que mostra parte de seu pensamento do estado de natureza – “O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado”. Sobre origem e natureza do contratosocial: O conceito de contrato social desenvolvido por Jean-Jacques Rousseau é uma parte fundamental de sua filosofia política e está contido principalmente em sua obra "Do Contrato Social" (título completo: "Do Contrato Social ou Princípios do Direito Político"). Publicada em 1762, essa obra explora a origem, a natureza e os princípios do governo legítimo e da organização social. Rousseau parte da premissa de que, na natureza, os seres humanos são livres e iguais, mas que a sociedade civilizada impõe restrições à sua liberdade natural. Ele acredita que a passagem da liberdade natural para a vida em sociedade ocorreu por meio de um contrato social, no qual os indivíduos abriram mão de certas liberdades em troca da segurança e dos benefícios proporcionados por uma comunidade organizada. A ideia central do contrato social de Rousseau é a noção de "vontade geral"[footnoteRef:3]. Ele argumenta que o contrato não é um acordo entre indivíduos particulares, mas sim um acordo coletivo em que todos os membros da sociedade se unem para formar um corpo político. A vontade geral não se refere à soma das vontades individuais, mas sim, ao interesse comum e ao bem-estar do todo. [3: A "vontade geral" é um conceito complexo e central na filosofia política de Rousseau. Ele argumentou que a verdadeira soberania reside no povo como um todo, e não em qualquer indivíduo ou específico. A vontade geral representa o que é melhor para a sociedade como um todo, e não apenas para interesses particulares. De acordo com Rousseau, a busca pela vontade geral é uma busca pelo bem comum e pelo interesse coletivo da comunidade. Ele distingue a "vontade geral" da "vontade da maioria", que poderia ser influenciada por interesses particulares e paixões individuais. A vontade geral não é apenas uma soma das vontades individuais, mas sim uma expressão da vontade coletiva da comunidade, que busca o que é melhor para todos, levando em consideração o bem-estar e a liberdade de cada indivíduo. No entanto, Rousseau reconheceu que determinar a vontade geral poderia ser um desafio, e ele enfatizou a importância da participação ativa dos cidadãos na tomada de decisões políticas. Ele argumentava que os cidadãos deveriam estar envolvidos no processo de formulação das leis e na deliberação pública para garantir que a vontade geral fosse expressa e representada. A ideia da "vontade geral" teve um impacto significativo nas discussões sobre democracia, representação política e participação cidadã. No entanto, as interpretações e críticas desse conceito divergem amplamente. Alguns críticos argumentam que a "vontade geral" pode ser ambígua e suscetível a manipulações, enquanto outros destacam a importância da busca pelo bem comum e da inclusão de todas as vozes na esfera política. Em resumo, a "vontade geral" é um conceito central na filosofia política de Rousseau, representando a busca pela vontade coletiva da sociedade, que visa o bem comum e o interesse de todos os membros da comunidade.] Para Rousseau, o contrato social tem o objetivo de estabelecer um governo legítimo que esteja de acordo com a vontade geral. Ele critica as formas de governo absolutistas e defende uma forma de governo democrático e participativo, onde os cidadãos tenham uma influência direta na tomada de decisões políticas. Ele também argumenta que a propriedade privada, que é uma característica da sociedade civilizada, é a fonte de muitas desigualdades e injustiças. Vale destacar que a teoria de Rousseau sobre o contrato social teve um impacto profundo nas discussões políticas e filosóficas subsequentes. Ela influenciou pensadores como Karl Marx, que desenvolveu sua própria análise das estruturas sociais e econômicas a partir de uma perspectiva crítica semelhante. No entanto, também gerou debates e críticas, especialmente em relação à viabilidade prática da implementação da vontade geral e à questão de como reconciliar a liberdade individual com as necessidades de uma sociedade organizada. Em sua obra "Do Contrato Social" e em outros escritos, Rousseau explora esse estado primordial para entender a natureza humana e a origem das sociedades. O estado de natureza de Rousseau não é apenas uma descrição histórica, mas também uma construção teórica que serve de base para suas visões sobre governo, liberdade e desigualdade. Para Rousseau, o estado de natureza representa o cenário pré-social, onde os seres humanos existiam antes da formação de instituições sociais e políticas. Nesse estado, as pessoas eram naturalmente livres e iguais, não havia leis ou convenções, e a sobrevivência era guiada pelo instinto e pelas necessidades básicas. No entanto, esse estado de natureza também era marcado por emoções, competição por recursos escassos e instintos brutais. Ao contrário de outros filósofos políticos, como Thomas Hobbes, que descreviam o estado de natureza como caótico e brutal, Rousseau acreditava que os seres humanos eram inicialmente bons e pacíficos em sua condição natural. Ele argumentava que a corrupção da natureza humana ocorria com a formação das sociedades e introdução da propriedade privada, que trazia desigualdade, competição e conflito. A importância do estado de natureza para Rousseau reside no fato de que ele serve como uma base para sua teoria do contrato social. Ele propõe que, através de um contrato voluntário, os indivíduos concordaram em formar uma sociedade organizada e instituir um governo, a fim de superar os desafios do estado de natureza. Esse contrato era baseado na "vontade geral", que representava os interesses e o bem comum de toda a comunidade. Portanto, o estado de natureza de Rousseau é uma ferramenta conceitual para examinar a natureza humana e as mudanças que ocorreram à medida que a sociedade evoluiu. Ele argumenta que a desigualdade, a opressão e a corrupção moral são características da sociedade civilizada, em contraste com a liberdade e a igualdade iniciais do estado de natureza. No entanto, sua visão sobre como retornar a um equilíbrio entre a sociedade organizada e a obediência humana levanta questões fundamentais sobre a natureza da política, da liberdade e da justiça social. Em sua obra "Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens", Rousseau apresenta suas perspectivas sobre como a desigualdade surgiu e como a propriedade privada contribuiu para essa evolução. Ele argumentava que, no estado de natureza, os seres humanos viviam em um equilíbrio relativo, sem grandes diferenças de riqueza ou poder. Contudo, à medida que as sociedades evoluíam e a propriedade privada emergia, a desigualdade começava a se manifestar. A propriedade privada apresentava a competição por recursos escassos e levava à transmissão de bens materiais por parte de alguns indivíduos, ocorrendo em diferenças substanciais de riqueza e status. A introdução da propriedade privada também trouxe consigo a noção de posse e a necessidade de proteger o que era considerado "meu". Essa noção de propriedade levou à criação de leis e instituições para proteger os bens acumulados, e, por consequência, estabeleceu barreiras entre aqueles que possuíam propriedade e aqueles que não possuíam. A desigualdade, então, não era apenas econômica, mas também estava profundamente enraizada nas instituições sociais e políticas. Rousseau via propriedade privada como um catalisador da desigualdade e da corrupção moral. Ele argumentava que, à medida que as pessoas acumulavam riqueza e propriedade, elas também acumulavam poder e influência sobre os menos afortunados. Isso resultou na exploração[footnoteRef:4] dos mais flexíveis e na perpetuação de sistemas injustos. Rousseau alertava que a propriedade, ao substituir de pessoas com necessidades básicas, havia se tornado uma fonte de descontentamento, pois os indivíduos agora se comparavam uns aos outros com base em suas posses. [4: Rousseau via a desigualdade política como um meio pelo qual os mais poderosos exploravam e oprimiam os menos privilegiados. Ele acreditava que os detentores do poder frequentementeusavam sua posição para impor leis e políticas que beneficiavam a si mesmos e mantinham os menos favorecidos em uma situação de subjugação.] Para Rousseau, a desigualdade não era apenas um problema econômico, mas também social e moral. Ele enfatizava que a desigualdade não era uma característica inerente da natureza humana, mas sim uma consequência das instituições sociais e políticas. Ele argumentava que, para restaurar uma forma de igualdade mais justa, era necessário considerar as origens da desigualdade e repensar as estruturas sociais que a perpetuavam. Em suma, uma análise de Rousseau sobre a desigualdade e a propriedade oferece uma crítica perspicaz sobre como a introdução da propriedade privada influencia as relações sociais, cria desigualdades e contribui para a corrupção moral. Sobre a crítica a civilização: Para Rousseau, a civilização não era apenas um avanço natural da humanidade, mas uma fonte de alienação e decadência. Ele via a sociedade civilizada como uma força que, paradoxalmente, afastava as pessoas de sua natureza inata e autônoma. Ao promover a harmonia entre os seres humanos, a civilização impulsionou uma competição desenfreada, alimentando a busca por riqueza, prestígio e poder. Nesse cenário, Rousseau via uma perda da verdadeira essência do indivíduo. A alienação era uma consequência da busca por uma imagem superficial de sucesso na sociedade civilizada. A ênfase na ostentação e nas aparências obscuras como conexões genuínas entre as pessoas. Ao se concentrar em status social e material genético, a sociedade se afastava das pessoas umas das outras e as privava de uma compreensão mútua adotada. Em vez de buscar a virtude e a sabedoria, os indivíduos foram levados a perseguir um vazio superficial. Rousseau também criticou o papel das artes e das ciências na civilização. Ele argumentava que essas formas de expressão, embora aparentemente enriquecedoras, muitas vezes contribuíram para a decadência moral. O avanço científico e artístico foi acompanhado por uma perda de valores e sensibilidade. A cultura, segundo Rousseau, muitas vezes se torna uma cortina de fumaça que escondia as verdadeiras preocupações humanas. Em suas obras, Rousseau não apenas delineava essas críticas, mas também propunha alternativas. Ele via a possibilidade de uma sociedade mais justa e autônoma através da restauração de uma conexão mais profunda com a natureza humana. O contrato social, segundo suas ideias, deveria ser fundamentado na "vontade geral", onde os interesses comuns da comunidade eram priorizados em vez das aspirações individuais. Por meio dessa abordagem, Rousseau acreditava que era possível criar um ambiente onde as pessoas pudessem ser administrativas livres e autônomas, em contraste com as limitações impostas pela civilização corrompida. Em resumo, as críticas de Rousseau à civilização ecoam como um resultado atemporal da complexidade inerente à nossa busca pelo progresso. Seus escritos enfatizaram a necessidade de equilibrar o avanço material com a preservação dos valores humanos genuínos. A influência duradoura de suas ideias destaca a importância de continuarmos a questionar e refletir sobre o impacto da civilização em nossa busca por uma sociedade mais justa e significativa. Bem Comum e Participação Democrática: Jean-Jacques Rousseau, sustentava uma visão ardente sobre o papel da participação democrática na busca pelo bem comum. Ele acreditava que a essência de um governo justo residia na capacidade de permitir que cada cidadão contribuísse ativamente nas decisões políticas, assegurando que a "vontade geral" fosse genuinamente representada e que os interesses coletivos fossem protegidos. A participação democrática não era meramente um aspecto conveniente da governança, mas a pedra angular de uma sociedade justa. Ele via a política como um meio de expressão da vontade coletiva, uma manifestação dos interesses compartilhados por todos os cidadãos, em vez de favorecer apenas as aspirações de uma elite privilegiada. Em sua obra seminal "Do Contrato Social", ele proclamava que, ao participar ativamente nas decisões políticas, cada indivíduo contribuía para a formação da "vontade geral", que não era a mera soma das vontades individuais, mas sim o esquema dos interesses comuns que beneficiariam toda a sociedade. A participação democrática de acordo com Rousseau não se limitava a eleições regulares. Ele advogava por um nível mais profundo de engajamento, onde os cidadãos deliberariam juntos sobre questões importantes e teriam a oportunidade de influenciar as políticas públicas. Ele via essa participação como um antídoto contra as tentativas corruptivas do poder e como uma forma de manter o governo responsável perante o povo. Rousseau também reconhecia que a participação ativa era uma maneira de garantir que as políticas e leis refletissem seriamente as necessidades e desejos de todos os estratos da sociedade. Ele acreditava que a desigualdade política e a exploração poderiam ser mitigadas por meio de uma democracia genuína, onde os cidadãos não apenas elegiam representantes, mas também participavam diretamente das decisões que moldavam suas vidas. No entanto, a visão de Rousseau também gerou debates e desafios. Críticos questionaram a viabilidade de implementar uma democracia direta em sociedades complexas, argumentando que isso poderia ser impraticável devido ao tamanho e à diversidade dos indivíduos. No entanto, as ideias de Rousseau sobre a participação democrática continuaram a influenciar os debates sobre governança, representação e justiça ao longo da história. Em resumo, a defesa apaixonada de Rousseau pela participação democrática reflete sua crença de que um governo administrativo justo deve emergir do engajamento ativo de cada cidadão. Sua visão permanece relevante, lembrando-nos da importância de envolver todos os membros da sociedade na tomada de decisões, a fim de alcançar um bem comum genuíno e uma governança que respeite os interesses coletivos. Marques de Sade: Voltaire: Voltaire era o pseudônimo de François-Marie Arouet, um escritor, filósofo e historiador iluminista francês que viveu de 1694 a 1778. Ele é mais conhecido por sua inteligência, obras satíricas e defesa da liberdade de expressão, tolerância religiosa e separação. da igreja e do estado. Os escritos de Voltaire tiveram uma influência significativa no desenvolvimento do pensamento político e filosófico moderno. Algumas das obras mais notáveis de Voltaire incluem: 1. "Cândido" (1759): Esta é talvez a obra mais famosa de Voltaire, uma novela satírica que critica o otimismo de sua época. Através das desventuras do protagonista Cândido, Voltaire explora o problema filosófico do mal e do absurdo do mundo. 2. "Letters Concerning the English Nation" (1733): Esta obra elogia a relativa tolerância religiosa, a liberdade de expressão e o progresso científico na Inglaterra em comparação com a França. Teve um impacto significativo no pensamento iluminista na Europa. 3. "Dicionário Filosófico" (1764): Neste dicionário, Voltaire fornece definições e explicações de vários conceitos filosóficos e culturais. Ele o usa como plataforma para defender a razão, o ceticismo e o secularismo. 4. "A Era de Luís XIV" (1751): Esta obra histórica examina o reinado de Luís XIV da França e os desenvolvimentos culturais, políticos e sociais do período. 5. "Tratado sobre a Tolerância" (1763): Voltaire defendeu apaixonadamente a tolerância religiosa e criticou o fanatismo religioso, especialmente após a perseguição às minorias religiosas e a execução de Jean Calas, um protestante que foi injustamente acusado de assassinato. Voltaire foi um escritor prolífico e uma figura chave no cenário intelectual e cultural do Iluminismo, que foi um período caracterizado pelo foco na razão, nos direitos individuais e na busca do conhecimento. Suas ideias e escritos continuam a ser estudados e influentes nas discussões contemporâneas de filosofia, política e literatura. Sobre o "Dicionário Filosófico" de Voltaire, também conhecidocomo "Dicionário Filosófico", é uma obra importante na literatura filosófica e crítica escrita por Voltaire. Publicado pela primeira vez em 1764, este livro é uma coleção de ensaios, artigos e verbetes que abordam uma variedade de temas filosóficos, culturais, religiosos e políticos da época. Neste dicionário, Voltaire expõe e comenta suas opiniões sobre uma ampla gama de questões, muitas vezes com um tom crítico e satírico. O "Dicionário Filosófico" foi uma das obras de Voltaire que mais contribuiu para a disseminação dos ideais iluministas na Europa do século XVIII. Ele promoveu valores como a razão, o ceticismo, a tolerância religiosa e a liberdade de pensamento. Voltaire usou esse dicionário como uma ferramenta para criticar a intolerância religiosa, a superstição, o dogmatismo e outros aspectos da sociedade e da igreja que ele considerava pertinentes ao progresso humano. Essa obra teve um impacto significativo no pensamento e no debate intelectual da época, influenciando outros filósofos e pensadores do Iluminismo e contribuindo para a promoção da liberdade de expressão e do livre pensamento. Ela continua sendo estudada e lida hoje como um exemplo importante da crítica iluminista aos sistemas de convivência e às estruturas de poder da época. Marquês de Condorcet: Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat, Marquês de Condorcet (1743–1794), comumente conhecido como Marquês de Condorcet, foi um filósofo, matemático e pensador político francês durante o período do Iluminismo. Ele fez contribuições significativas em vários campos, incluindo matemática, ciências sociais e teoria política. Alguns aspectos importantes de sua vida: Primeiros Anos e Educação: Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat nasceu em 17 de setembro de 1743, na cidade de Ribemont, na França. Ele nasceu em uma família nobre, que lhe proporcionou uma educação privilegiada. Desde cedo, Condorcet declarou notável para a matemática e as ciências naturais. Seu interesse precoce nessas áreas o levou a estudar no Collège de Navarre em Paris, onde se destacou em suas atividades acadêmicas. Contribuições Matemáticas e Acadêmicas: Aos 16 anos, Condorcet entrou na renomada Académie des Sciences, onde rapidamente ganhou reconhecimento por suas contribuições à matemática e às ciências. Ele fez avanços importantes em teoria das probabilidades, álgebra e análise matemática. Sua tese de doutorado, defendida em 1765, sobre a integração de equações diferenciais, o localizado como um matemático talentoso. Filosofia e Política: Condorcet não se limita à matemática; ele também se interessou pela filosofia e pela política. Durante a década de 1770, ele começou a se envolver em círculos intelectuais e a desenvolver suas ideias políticas. Influenciado pelo Iluminismo, Condorcet acreditava na capacidade da razão humana de guiar a sociedade em direção ao progresso. A Revolução Francesa: Com o início da Revolução Francesa em 1789, Condorcet viu uma oportunidade de aplicar suas ideias políticas. Ele se tornou um defensor ativo da igualdade, da liberdade e do sistema democrático representativo. Durante esse período, ele escreveu panfletos e artigos que defendiam a Constituição e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Esboço do Progresso Humano: Uma das obras mais conhecidas de Condorcet é "Esboço de um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano" (1795). Nesse trabalho, ele expressou sua crença de que a humanidade estava em um caminho contínuo de progresso, impulsionado pelo avanço da educação, da ciência e da razão. Ele vislumbrou um futuro em que a sociedade superaria as superstições e as desigualdades. Defesa dos Direitos das Mulheres: Uma característica notável do pensamento de Condorcet foi seu apoio aos direitos das mulheres. Ele argumentou que a educação deveria ser igual para ambos os sexos e que as mulheres tinham capacidade de contribuir significativamente para a sociedade. Sua defesa dos direitos das mulheres foi pioneira para a época. Perseguição e Morte: Com a radicalização da Revolução Francesa, Condorcet encontrou oposição de facções políticas mais extremistas, como os jacobinos. Suas opiniões moderadas e suas críticas a líderes radicais o colocaram em perigo. Para evitar a prisão, Condorcet se escondeu, mas acabou sendo capturado em março de 1794. Para evitar ser preso e enfrentar a guilhotina, ele optou por cometer suicídio na prisão em 28 de março de 1794. Marquês de Condorcet deixou um legado como matemático, filósofo político e defensor dos direitos humanos e da igualdade. Suas contribuições para a matemática, a filosofia e os princípios democráticos continuam a ser científicas e debatidas até hoje. John Stuart Mill: Edmund Burke: Edmund Burke (12 de janeiro de 1729 - 9 de julho de 1797) foi um notável filósofo, político e escritor irlandês-britânico, conhecido por suas contribuições para o pensamento político e sua influência na política britânica durante a segunda metade do século XVIII. Burke nasceu em Dublin, Irlanda, em uma família católica irlandesa. Estudei no Trinity College de Dublin e mais tarde no Middle Temple em Londres, onde estudei direito. Ingressou na política britânica como membro do Parlamento (MP) pela cidade de Wendover em 1765. Ao longo de sua carreira política, serviu em várias cargas e representou diferentes circunscrições, incluindo Bristol e Malton. Burke é conhecido por sua obra filosófica e política, especialmente "Reflexões sobre a Revolução na França" (Reflexões sobre a Revolução em França), publicada em 1790. Nesta obra, criticou duramente a Revolução Francesa e defendeu as tradições e a estabilidad social como fundamentos para a política. É considerado um dos padres do conservadorismo político. Burke também foi um defensor da ideia de que a lei e o governo deveriam ser enraizados na lei natural e na tradição. Argumentou contra a tirania e a revolução como meios para mudar o governo. Apesar de seu conservadorismo, Burke também foi crítico do imperialismo britânico na Índia e defendeu os direitos e a humanidade dos habitantes indígenas da Índia em seu discurso sobre a Companhia das Índias Orientais em 1783. A obra e as ideias de Burke influenciaram figuras políticas e filosóficas posteriores, incluindo os primeiros conservadores britânicos. Sua ênfase na política de prudência e a importância da tradição continuam sendo relevantes na política contemporânea. Edmund Burke faleceu em 9 de julho de 1797 em Beaconsfield, Inglaterra. Seu legado perdura na filosofia política e na história intelectual, e sua obra continua sendo objeto de estudo e debate no âmbito da teoria política. Em resumo, Edmund Burke foi um importante pensador político e político britânico-irlandês, cujas idéias e escritos influenciaram a política e a filosofia no século XVIII e seguiram sendo relevantes na atualidade. Sua abordagem de preservação da tradição e da política de prudência destruiu uma vida duradoura no pensamento político ocidental. Sua obra mais influente, "Reflexões sobre a Revolução em França" (1790), é considerada uma das pedras angulares do pensamento conservador. Aqui estão alguns dos principais princípios e ideias associados a Edmund Burke e ao conservadorismo: 1. Respeito pela tradição e a história: Burke acreditava que a sabedoria acumulada ao longo do tempo nas instituições, costumes e tradições de uma deveria ser valorizada e preservada. Ele argumentava que uma mudança abrupta e revolucionária era perigosa e poderia levar ao caos. 2. Ceticismo em relação à razão abstrata: Burke era cético em relação à ideia de que uma razão pura poderia ser usada para reorganizar uma sociedade de acordo com princípios abstratos. Ele enfatizava a importância da experiência prática e da prudência política. 3. Desconfiança das utopias e da engenharia social: Burke se opôs a tentativas de remodelar a sociedade de acordo com uma visão idealizada. Ele via tais projetos como perigosos, uma vez que muitas vezes resultaram em efeitos colaterais não intencionais. 4. Importância das instituições e da autoridade:Burke valorizava a estabilidade proporcionada pelas instituições políticas e sociais tradicionais. Ele acreditava que a autoridade e a ordem seriam necessárias para evitar a anarquia. 5. Conservação gradual das reformas: Embora Burke fosse muitas vezes visto como alguém contrário a qualquer forma de reforma, ele na verdade apoiava reformas graduais e orgânicas que respeitavam a estrutura existente da sociedade. 6. Ceticismo em relação à revolução: Burke era um crítico feroz da Revolução Francesa e dos excessos revolucionários. Ele via a revolução como uma força destrutiva que ameaçava as tradições, a ordem social e a estabilidade. 7. Responsabilidade dos governantes: Burke acreditava que os governantes tinham uma responsabilidade moral para com a sociedade e que deviam governar com prudência e bom senso, considerando as necessidades e os interesses do povo. Embora as ideias de Edmund Burke tenham influenciado o pensamento conservador, é importante notar que o conservadorismo é uma tradição multifacetada e existem diferentes correntes dentro do conservadorismo que interpretam e aplicam esses princípios de maneiras diversas. Burke é considerado um dos pais fundadores do conservadorismo, mas suas ideias também evoluíram ao longo do tempo e foram interpretadas de várias maneiras por outros pensadores conservadores ao longo da história.