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Ultrassonografia Ultrassom - Histórico ü Com a elaboração da “Teoria do Som” proposta por John William, em 1877, a física inaugurou a acústica moderna; Som é a variação de pressão que ocorre no meio elástico (ar) devido a uma perturbação mecânica e que estimula o nosso sistema auditivo. ü Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o estudo de Rayleigh foi testado na navegação submarina. Geradores de sons eram usados para encontrar possíveis obstáculos, como icebergs, em uma distância de até cinco quilômetros. O procedimento é baseado na emissão de um pulso ultrassônico, que gera um eco quando encontra um objeto. Ultrassom - Histórico ü Com o efeito piezelétrico, foi possível criar o ultrassom, pode ser entendido como a habilidade de alguns materiais (especialmente os cristais e algumas cerâmicas) de gerar carga elétrica em resposta a uma tensão mecânica. Ø Durante o exame, o transdutor é aplicado com gel na região a ser analisada. O aparelho transforma os ecos do corpo humano em sinais, que irão gerar a imagem que será interpretada pelo profissional. O aparelho de ultrassom utiliza a energia elétrica e a transforma em energia acústica, que por sua vez é transformada em imagem. Ultrassom - Histórico ü Foi somente no ano de 1940 que ele foi utilizado na medicina para realização de diagnóstico, na Universidade de Viena. ü Apesar de não ser o primeiro a utilizar como ferramenta médica, John Wild é considerado o pai da ultrassonografia em medicina, pois foi ele que instituiu o uso do ultrassom para diagnóstico de tumores na mama. ü Por volta do ano de 1957, o casal de médicos norte-americanos, Douglas e Dorothy Howry (Pais da ultrassonografia diagnóstica), trouxeram para a prática de diagnósticos, porém naquela época o paciente deveria ficar submerso e imóvel dentro de uma banheira com água. Ø O Ultrassom começou a ser utilizado por volta da década de 1920, para a terapia física em atletas de futebol. Naquela época era utilizado de maneira empírica e acreditava-se que seria possível curar doenças como Parkinson e Artrite Reumatoide. Ultrassom - Histórico ü Por mais que seja um exame relativamente barato, requer um nível de treinamento e experiência extensos, já que se trata de uma ferramenta operador-dependente. O ultrassom fornece dados que podem ser de extrema importância para o manejo clínico do paciente, principalmente em situações de emergência. ü A banheira com água foi substituída por gel, e isso além de mais prático contribuía para a propagação das ondas a partir do transdutor, e desde então a medicina vem descobrindo inúmeros benefícios sobre a utilização desse método, desde o rápido diagnóstico de patologias, até à extensão exame físico. Ultrassom • Definição: emissão de ondas sonoras de alta freqüência, inaudíveis aos humanos (a freqüência audível é de cerca de 20.000 ciclos por segundo ou 20kHz (quilohertz)); - Diagnóstico médico: freqüência normalmente variando entre 2 a 15MHz ; - Freqüência: número de vezes que uma onda é repetida (ciclos) por segundo. Produção do ultrassom - Cristais piezoelétricos (zirconato de chumbo titânico), encontrados no transdutor onde sua superfície de contato chama-se “footprint” ; - Transdutores: instrumentos capazes de transformar uma forma de energia em outra; - Freqüência do transdutor: depende da espessura do material piezoelétrico utilizado em sua construção; - Quanto menor a espessura, maior a freqüência produzida. -Alta frequência à alta qualidade de imagem e menor profundidade. -Baixa frequência à baixa qualidade de imagem e maior profundidade. - Transdutores: classificados de acordo com tipo de imagem produzida: • Setoriais (eletrônicos ou mecânicos)à formam imagem triangular (feixes sonoros divergentes); • Lineares (eletrônicos)à formam uma imagem retangular (feixes sonoros de linhas paralelas); • Convexos (eletrônicos) à formam uma imagem em forma triangular (feixes sonoros convergentes). *** O transdutor é a peça mais frágil e mais cara do aparelho de ultrassonografia . ***O uso do gel acústico em transdutores tem como função eliminar todo o ar entre o transdutor e a pele . Produção do ultrassom - Impulso elétrico é aplicado no cristal à efeito piezoelétrico (é a propriedade de certos cristais de transformar energia elétrica em ondas mecânicas); - Resulta na deformação do cristal, ele vibra e as ondas do ultrassom são geradas; - Transfere energia (impulsos) elétrica em ondas mecânicas de ultrassom e reconverte as ondas mecânicas de ultrassom (eco) em energia elétrica; - O impulso da energia elétrica vai ser exibido no monitor através de várias sombras em tom cinza. Produção do ultrassom • Terminologia: - Anecoico ou anecogênico : ausência de ecos (preto) (líquidos); - Ecoide ou ecogênico: escala de cinza - presença de ecos (cinza); - Hiperecoico ou hiperecogênico: ecos brilhantes, estruturas altamente reflexivas (branco); - Hipoecoico ou hipoecogênico: ecos esparsos, reflexão intermediária (cinza); - Isoecoico ou isoecogênico: ecogenicidade tecidual é a mesma das estruturas adjacentes similares. - Ex: gordura hiperecogênica; Cisto: possuem uma imagem arredondada, contornos definidos e apresenta falta de ecos no seu interior, ou seja, conteúdo anecogênico. Técnicas de exame ultrassonográfico - Posicionamento adequado do paciente; - Posicionamento adequado do equipamento de ultrassonografia em relação ao examinador; - O aparelho é colocado à frente do examinador à esquerda do paciente; - O transdutor é segurado com a mão direita e a mão esquerda para o ajuste dos controles. - A sala de exame ultrassonográfico deve ser escura, pois a luz pode interferir com a visão do ultrassonografista. Fonte: www.revistaveterinaria.com.br Imagens https://www.youtube.com/watch?v=R-DX5MVbShg&t=310s • Preparação do paciente: - Grande importância antes da avaliação ultrassonográfica; - Jejum de alimentar de 4-12 horas ( alimento sólido) ajuda a evitar acúmulo de gás no trato gastrointestinal; - Deve ter acesso à água durante o jejum à pois a bexiga repleta de urina é usada como janela acústica ; - Tricotomia ampla da região a ser estudada. Planos anatômicos ultrassonográficos - 3 planos: - Plano sagital ou longitudinal: são planos de imagens orientados de forma longitudinal ao axis do corpo. Usado na ultrassonografia abdominal e torácica. - Plano transversal: são planos de imagens que passam pelo corpo perpendicularmente ao axis do mesmo e divide o corpo ou específico órgão em segmentos craniais e caudais. Usado na ultrassonografia abdominal e torácica. - Plano frontal, dorsal ou coronal: são planos de imagens perpendiculares aos planos sagitais e transversos e dividem o corpo longitudinalmente em segmentos dorsais e ventrais, mais usado para avaliação do rim. Desenho esquemático dos planos anatômicos usados nos exames ultrassonográficos. ou dorsal Desenho esquemático dos planos anatômicos usados nos exames ultrassonográficos do rim. Ultrassonografia do abdômen • Baço: - Armazenamento de sangue. • Anatomia ultrassonográfica normal do baço: - Relaciona-se com: - Estômago, intestino delgado, lobo esquerdo do pâncreas e rim esquerdo; - É triangular em seção transversal; - Situa-se quase paralelo à curvatura maior do estômago; - É envolto por uma cápsula ecogênica; - Possui parênquima homogêneo ; - É considerado hiperecogênico em relação à cortical renal e parênquima hepático; - A região do hilo (vasos e nervos) é facilmente visibilizada; - A ultrassonografia detecta a presença de lesões difusas ou focais, sólidas ou cavitárias. • Alterações: - Alterações difusas no parênquima esplênico: - Raramente é o local de doença primária; - É envolvido em todas as inflamações sistêmicas, distúrbios hematopoiéticos generalizados e alguns distúrbios metabólicos. - Esplenomegalia: - Alteração mais frequente no baço; - Parênquima pode apresentarecogenicidade normal ou diminuída; - Processos crônicos a ecogenicidade pode estar aumentada. Baço: contornos lisos e parênquima homogêneo com ecogenicidade normal (canino). Baço de dimensões normais, contornos regulares, ecotextura homogênea e ecogenicidade habitual (felino). • Fígado - Avaliação do fígado é uma das principais aplicações da ultrassonografia abdominal em pequenos animais; - Devido às suas dimensões encontra-se maior dificuldade em avaliá-lo por completo; - No Us, a doença hepática é detectada quando 15% do parênquima hepático já está afetado, enquanto que os níveis séricos só estarão alterados quando 70% do parênquima já está acometido. - Padrão sonográfico normal é de ecotextura homogênea mais grosseira que do baço e contornos lisos; - Levemente hiperecogênica em relação ao córtex renal; - Hipoecogênica em relação ao baço; - Vesícula biliar possui parede hiperecogênica que pode medir de 1 a 5mm de espessura; - Normalmente o conteúdo é anecogênico. Fígado de dimensões preservadas, dentro dos limites do gradil costal, apresentando contornos definidos, margens finas e regulares, parênquima homogêneo e ecogenicidade habitual. Arquitetura vascular com calibre e trajeto preservados. Vesícula biliar repleta, com paredes finas e conteúdo anecogênico homogêneo. Ultrassonografia abdominal de cão. Vesícula biliar (VB) apresentando parte de seu conteúdo como hiperecogênico sedimentado (*), compatível com lama biliar. Fígado com dimensões preservadas, contornos regulares, ecotextura homogênea e ecogenicidade levemente elevada (achados ultrassonográficos podem estar relacionados a hepatopatia e/ou infiltrado gorduroso). Vesícula biliar repleta, parede fina e conteúdo anecogênico homogêneo. Trato Gastrointestinal - Indicações: - Doenças de origem obstrutiva; - Inflamatória; - Neoplásica; - Alteração na motilidade gastrointestinal. - Preparo: - Jejum alimentar em cães( diminuição do gás à evita reverberação); - Gatos: pode ocasionar evidente contração estomacal (forma de roseta), limitando a mensuração de sua parede. Estômago com conteúdo predominantemente gasoso e segmentos de parede examinados normoespessos, medindo até 0,29 cm. Estômago normal com conteúdo gasoso promovendo o artefato de reverberação e parede medindo em torno de 0,34cm de espessura. Ultrassonografia abdominal de cão. Parede gástrica com espessamento difuso (aproximadamente 0,66cm) e perda da estratificação de camadas, compatível com gastrite grave. Alças intestinais passíveis de avaliação, sem evidências de alterações sonográficas, com paredes preservadas em arquitetura e espessura. Duodeno com paredes normoespessas, medindo aproximadamente 0,37 cm, regulares e com padrão de estratificação preservado. Cólon com paredes preservadas em arquitetura e espessura, medindo cerca de 0,11 cm. - Pâncreas: - Fatores que podem limitar a avaliação e a identificação do pâncreas: - Dimensão do órgão e limites pouco definidos; - Ecogenicidade semelhante à do mesentério e tecidos adjacentes; - Proximidade com estruturas gastrintestinais preenchidas por gás; - Obesidade do paciente; - Excessiva movimentação respiratória. - Anatomia ultrassonográfica normal do pâncreas: - Situa-se adjacente à curvatura maior do estômago, duodeno, cólon ascendente e transverso; Pâncreas Duodeno Estômago - Técnica ultrassonográfica: - Cães: lobo direito é mais fácil de ser visualizado em relação ao esquerdo; - Gatos: - Lobo pancreático direito é menor e mais difícil de identificar; - Lobo esquerdo é maior e mais fácil de ser visualizado; - ***Quando o rim direito é visualizado o lobo pancreático direito pode ser localizado entre o rim e a veia porta. Ultrassonografia abdominal de felino. Em região epigástrica esquerda, entre estômago e baço, observa-se lobo pancreático esquerdo sem alterações, contendo estrutura tubular anecogênica, o ducto pancreático (seta). F, fígado. B, baço. E, estômago. Ultrassonografia abdominal de felino. Em região epigástrica esquerda, entre estômago e baço, observa-se lobo pancreático esquerdo sem alterações, contendo estrutura tubular anecogênica, o ducto pancreático (seta). F, fígado. B, baço. E, estômago. - Glândulas adrenais: - Glândula adrenal direita: - Mais difícil de ser visualizada em relação à glândula adrenal esquerda por ser menor; - Estar localizada mais profundamente e cranial; - Pela presença de gás (piloro, duodeno e cólon) e os movimentos respiratórios. - Glândula adrenal esquerda: - Encontra-se na borda craniomedial do rim esquerdo; - Caudalmente à artéria mesentérica cranial e cranialmente à artéria e veia renal. Ultrassonografia abdominal de cão. Glândula adrenal esquerda normal, formato de amendoim, polo caudal medindo 0,47 cm de espessura, localizada adjacente à aorta (A). Observa-se junção corticomedular como linha hiperecogênica. Ultrassonografia abdominal de cão. Glândula adrenal esquerda aumentada de tamanho, polo caudal medindo em torno de 1,13cm de espessura, compatível com hiperplasia de adrenal esquerda. Sistema reprodutor - Sistema reprodutor feminino: - Indicações: - Pesquisa de alterações ovarianas e uterinas; - Evolução gestacional; - Distúrbios na gestação como retenção, morte ou maceração fetal. Ultrassonografia abdominal de cadela. Caudal ao rim esquerdo nota-se estutura hipoecogênica ovalada, medindo aproximadamente 1,12 cm, compatível com ovário esquerdo. Ultrassonografia abdominal de cadela gestante. Vesícula gestacional preenchida por líquido anecogênico e embrião (seta) hiperecogênico. Idade gestacional aproximada de 25 dias. A, alça intestinal. Ultrassonografia abdominal de cão. Em região cranial à bexiga observa-se útero aumentado de tamanho com parede espessada e irregular, e conteúdo hipoecogênico compatível com piometra (confirmado por cirurgia). - Sistema reprodutor masculino: - Anatomia ultrassonográfica normal dos testículos e epidídimos: - Testículos: localizados no interior da bolsa escrotal; - Contorno ovalado; - Tamaho variável; - Epidídimos: se situam sobre os testículos, sendo que a cabeça do epidídimo fica na porção cranial do testículo; - Possuem textura homogênea hipo ou isoecogênica em relação à próstata; Ultrassonografia testicular de cão. Testículos normais apresentando-se homogêneos, simétricos, com linha mediastinal (cabeça de seta) e bolsa escrotal (seta) preservados. Linha mediastinal Bolsa escrotal Ultrassonografia abdominal de cão criptorquida unilateral. Em região caudal do abdômen observa-se testículo de tamanho reduzido (1,08cm) e discreta linha mediastinal, relacionado a testículo ectópico. B, bexiga; P, próstata. Ultrassonografia abdominal de cão. Corte longitudinal de próstata evidenciada como estrutura ovalada ecogênica, de contorno regular, caudal à bexiga (B). - Sistema urinário: - Avaliação da forma, do contorno, da dimensão e da arquitetura interna dos órgãos. - Rins: - Órgãos circundados por tecido adiposo; - Ambos possuem um formato de grão de feijão. - Anatomia ultrassonográfica normal dos rins: - Rim direito localiza-se na fossa renal e mantém proximidade com a adrenal direita, lobo direito do pâncreas e duodeno; - Rim esquerdo relaciona-se à grande curvatura do estômago, baço, lobo esquerdo do pâncreas e adrenal esquerda. Ultrassonografia abdominal de felino. Rim esquerdo normal . Região cortical hiperecogênica quando comparada a região medular. A cápsula renal (seta) é vista como fina linha hiperecogênica envolvendo o órgão. Ultrassonografia abdominal de felino. Rim direito apresentando múltiplas estruturas circulares e anecogênicas de tamanhos variáveis (*) em parênquima cortical e medular, relacionado à doença renal policística. Ultrassonografia abdominal de cão. Bexiga normal apresentando formato piriforme, conteúdo anecogênico e parede lisa e fina, medindo em torno de 0,18cm. Ultrassonografia abdominal de cão.Bexiga apresentando estrutura hiperecogênica formadora de sombra acústica medindo em torno de 1,98cm, compatível com urólito vesical. - Bexiga apresenta-se em adequada repleção líquida, com aspecto piriforme normal, apresentando parede regular, medindo cerca de 0,22 cm e conteúdo anecogênico homogêneo, destacando-se estrutura de superfície hiperecogênica, formadora de tênue sombreamento acústico posterior, medindo aproximadamente 0,45 cm de comprimento (litíase) - Ureteres - Anatomia ultrassonográfica normal dos ureteres: - Não são visibilizados ecograficamente devido ao seu pequeno diâmetro. Ultrassonografia abdominal de cão. Estrutura tubular anecogênica em topografia de ureter proximal medindo em torno de 0,93cm, relacionado à hidroureter direito. Ultrassonografia abdominal de cão. Ureter dilatado, medindo aproximadamente 0,6cm, contendo múltiplas estruturas hiperecogênicas formadoras de sombra acústica, maior medindo 1,01cm, compatível com hidroureter e urólitos ureterais. ØA qualidade da imagem depende da habilidade do operador. ØObter imagens claras das estruturas alvo pode ser tecnicamente difícil em pacientes com excesso de peso. ØA ultrassonografia não pode ser utilizada para obter imagens através de ossos ou gases, assim é difícil a obtenção de algumas imagens. Desvantagens da ultrassonografia https://xdocs.com.br/doc/complicaoes-da-esterelizaao-cirurgica-em-caes- e-gatos-283q253qd4o6 (COMPLICAÇÕES DA ESTERILIZAÇÃO CIRÚRGICA DE FÊMEAS CANINAS E FELINAS. REVISÃO DA LITERATURA). https://revistas.unipar.br/index.php/veterinaria/article/view/8478/4143 (PANCREATECTOMIA SECUNDÁRIA À ADERÊNCIA APÓS OVÁRIOHISTERECTOMIA EM UMA CADELA - RELATO DE CASO) https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/15253 (Estudo de prevalência da nefrolitíase e ureterolitíase diagnosticada por ecografia em gatos com e sem doença renal crónica) http://www.cbra.org.br/portal/downloads/publicacoes/rbra/v43/n2/p 248-260%20(RB806).pdf (Avanços da ultrassonografia gestacional em cadelas) https://revistamvez- crmvsp.com.br/index.php/recmvz/article/view/37909 (Colangiografia transcolecística percutânea em cães e gatos)