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José Antonio Alves da Silva Junior Teorias da administração: construção do pensamento administrativo M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Jeane Passos de Souza - CRB 8a/6189) Silva Junior, José Antonio Alves da Teorias da administração : construção do pensamento administrativo / José Antonio Alves da Silva Junior. – São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2021. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-65-5536-655-6 (ePub/2021) e-ISBN 978-65-5536-656-3 (PDF/2021) 1. Administração I. Título. II. Série 21-1282t CDD – 658.001 BISAC BUS043000 Índice para catálogo sistemático 1. Teorias geral da Administração 658.001 TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO: CONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO ADMINISTRATIVO José Antonio Alves da Silva Junior M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Luís Américo Tousi Botelho Gerente/Publisher Luís Américo Tousi Botelho (luis.tbotelho@sp.senac.br) Coordenação Editorial/Prospecção Dolores Crisci Manzano (dolores.cmanzano@sp.senac.br) Administrativo grupoedsadministrativo@sp.senac.br Comercial comercial@editorasenacsp.com.br Acompanhamento Pedagógico Monica Rodrigues dos Santos Designer Educacional João Francisco Correia de Souza Revisão Técnica: Silmara Cristiane Gomes Preparação e Revisão de Texto Beatriz Bevilacqua Projeto Gráfico Alexandre Lemes da Silva Emília Corrêa Abreu Capa Antonio Carlos De Angelis Editoração Eletrônica Cristiane Marinho de Souza Ilustrações Cristiane Marinho de Souza Imagens Adobe Stock Photos E-pub Ricardo Diana Proibida a reprodução sem autorização expressa. 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(11) 2187-4450 – Fax (11) 2187-4486 E-mail: editora@sp.senac.br Home page: http://www.livrariasenac.com.br © Editora Senac São Paulo, 2021 Sumário Capítulo 1 Construção do pensamento administrativo, 7 1 Introdução às organizações, 8 2 Contexto histórico, 13 Considerações finais, 17 Referências, 18 Capítulo 2 Abordagem clássica, 19 1 Administração científica, 20 2 Teoria gerencial, 26 Considerações finais, 31 Referências, 32 Capítulo 3 Teoria das relações humanas, 33 1 Teoria das relações humanas, 34 2 Experiência de Hawthorne, 34 3 Estudos iniciais sobre liderança, 38 4 Cultura organizacional, 41 5 Teorias sobre liderança, 42 Considerações finais, 45 Referências, 45 Capítulo 4 Retomada do racionalismo, 47 1 Teoria da burocracia, 48 2 Características, funções e disfunções, 49 Considerações finais, 54 Referências, 54 Capítulo 5 Escola comportamentalista, 57 1 Teorias de motivação, 58 2 Teorias de conteúdo, 59 3 Teorias de processo, 64 Considerações finais, 68 Referências, 69 Capítulo 6 Perspectiva moderna, 71 1 Teoria dos sistemas, 72 2 Enfoque contingencial, 76 Considerações finais, 78 Referências, 79 Capítulo 7 Estudos contemporâneos, 81 1 Teoria crítica, 82 2 Estudos sobre liderança, 83 Considerações finais, 91 Referências, 92 Capítulo 8 Processo de tomada de decisão, 93 1 Tomada de decisão, 94 2 Heurísticas, 99 3 Armadilhas psicológicas na tomada de decisão, 100 4 Estilos de tomada de decisão, 101 Considerações finais, 103 Referências, 103 Sobre o autor, 105 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 7 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Construção do pensamento administrativo Os estudos sobre administração são fundamentais para a constru- ção e manutenção social. No presente capítulo discutiremos sobre as organizações, sua importância na sociedade e o contexto histórico que conduziu à formalização dos estudos em administração. Boa parte do que vivemos precisa ser administrado: nossas vidas, clubes, igrejas, aeroportos, cidades, estados, hospitais, empresas. Entende-se por administração tudo aquilo que reúne pessoas com um objetivo comum, e esse objetivo pode ter ou não fins lucrativos. 8 Teorias da administração Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Compreender a construção de um pensamento, os eventos históricos que o envolvem e o passado que o norteia nos auxilia a construir um futuro melhor. Conhecendo o passado, evitamos cometer os mesmos equívocos que os nossos antecessores. Começaremos, portanto, a compreender como se deu a construção do pensamento em administração. 1 Introdução às organizações As organizações estão presentes em nossas vidas todo o tempo, vivemos em uma sociedade de organizações. Nascemos, estudamos, trabalhamos e nos divertimos em organizações. Elas impactam nossas vidas todo o tempo. Quando não conseguimos embarcar em uma via- gem por problemas em aeroportos, quando pedimos uma refeição e ela demora ou chega o pedido trocado, quando compramos produtos ou serviços, em tudo temos organizações. Mesmo em movimentos sim- ples, como almoçar em casa, estamos lidando com organizações, pois o arroz que comemos foi produzido, embalado e vendido por uma delas. PARA PENSAR Pense em quais atividades você realizou hoje que não envolvem organi- zações em sua fabricação, geração ou entrega. Quando pensamos nas nossas atividades diárias, quase todas têm algum envolvimento organizacional, inclusive nossos sentimentos pes- soais, afinal, muito do que sentimos e pensamos recebe influência di- reta da religião que seguimos ou da nossa vida acadêmica (a igreja e a escola são também organizações). São muitos os impactos delas em nossas vidas: autores como Weber (2004) e Hall (2004), entre outros, apontam a impossibilidade de fugir das organizações ao longo da nossa 9Construção do pensamento administrativo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. existência,pois elas são parte do nosso cotidiano. Por isso, estudá-las e compreender o seu funcionamento se faz tão necessário. IMPORTANTE Estudamos organizações porque as organizações produzem impactos. Elas não são objetos benignos. Elas podem dis- seminar o ódio, mas também salvar vidas e, talvez, almas. Elas podem provocar a guerra, mas também trazer a paz. Esses impactos podem ser intencionais ou não intencionais, reconhecidos ou não (MERTON, 1957 apud HALL, 2004). As organizações fazem parte das civilizações há muito tempo. Como menciona Etzioni (1974, p. 8): As organizações não são uma invenção moderna. Os faraós delas se utilizaram para construir as pirâmides. Os imperadores da Chi- na delas se utilizaram, há milhares de anos, para construir grandes sistemas de irrigação. E os primeiros papas criaram uma igreja universal, a fim de servir uma religião universal. Contudo, a socie- dade moderna contém mais organizações, a fim de satisfazer uma diversidade maior de necessidades sociais e pessoais, que incluem uma proporção maior de seus cidadãos, e influem em setores mais amplos de suas vidas. Na realidade, a sociedade moderna tem tan- tas organizações, que é necessário todo um conjunto de organiza- ções secundárias a fim de organizá-las e supervisioná-las. As organizações podem produzir benefícios e malefícios sociais. Estudá-las é fundamental para compreender seu potencial e auxiliar na construção de uma sociedade melhor. Afinal, como podemos definir as organizações? Segundo Sobral e Peci (2008, p. 4): As organizações são grupos estruturados de pessoas que se jun- tam para alcançar objetivos comuns. Surgem como resposta à 10 Teorias da administração Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . necessidade dos indivíduos de alcançar metas que, isoladamen- te, não conseguiriam atingir, em virtude da complexidade e da va- riedade das tarefas inerentes ao trabalho a se efetuar. Note que um dos elementos da conceituação das organizações é o objetivo. As organizações se movimentam conforme os objetivos esta- belecidos, e os indivíduos não são diferentes. Os objetivos são funda- mentais. Quando não estão definidos, provavelmente não se sabe para onde se deve ir, afinal, quando não há objetivos estabelecidos, qualquer caminho pode servir. Os objetivos devem ser instituídos pelas orga- nizações de forma clara, direta e com possibilidade de realização. Os membros da organização poderão averiguar se compactuam com os objetivos estabelecidos e se desejam dedicar sua força física, mental e profissional para alcançar os objetivos. Existem alguns elementos que nos auxiliam a caracterizar as orga- nizações, são eles: 1. Propósito ou finalidade: toda organização deve ter um propósito ou uma finalidade para existir. Os objetivos, mencionados ante- riormente, auxiliam na construção desse propósito e apenas sa- bendo a finalidade da organização é que se pode direcionar seus atos. Lembre-se: qualquer caminho serve se não sabemos para onde vamos. 2. Pessoas: todas as organizações são formadas por pessoas, mes- mo aquelas que possuem produções automatizadas. Além disso, muitos especialistas acreditam que a automatização completa das organizações não seja algo possível em um futuro próximo, o que torna, portanto, as pessoas elementos fundamentais na ma- nutenção e progresso das organizações. Elas são responsáveis pelas atividades e tomadas de decisão objetivando o cumprimen- to dos propósitos estabelecidos e são o capital intelectual que movimenta e gera vantagens competitivas para as organizações. 11Construção do pensamento administrativo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Para que organizações sejam bem sucedidas é fundamental que existam pessoas qualificadas colaborando. 3. Estrutura: as organizações têm estruturas estabelecidas que auxi- liam na definição das responsabilidades e autoridade pertinentes a cada colaborador da organização. As estruturas tendem a estabe- lecer as formas de divisão do trabalho, as regras e procedimentos internos, as relações de autoridade, entre outros elementos. IMPORTANTE Assim, uma organização é uma entidade que possui um propósito, é composta por pessoas ou membros e tem uma estrutura organizacional (SOBRAL; PECI, 2008, p. 5). Conhecendo as características das organizações, é importante sa- ber que elas têm, na maioria das vezes, três níveis organizacionais de- finidos. Esses níveis auxiliam na determinação do papel e do foco de ação e de tomada de decisão dos componentes de cada um desses níveis. Podemos observá-los na figura 1. Figura 1 – Níveis organizacionais Nível estratégico: é o responsável pelas definições das estratégias organizacionais, dos objetivos, prazos e planos futuros. Observa a organização como um todo. Nível tático: é o responsável pela articulação interna do que foi determinado pelo nível estratégico, estabelecendo caminhos para que se consiga realizar o desenhado. Tem foco em unidades e áreas funcionais. Nível operacional: é o responsável pela articulação da execução das atividades que possibilitam a execução do que foi estabelecido pelo nível estratégico e desenhado pelo nível tático. O nível operacional tem foco na execução de atividades operacionais. 12 Teorias da administração Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . IMPORTANTE Existem administradores em todos os níveis organizacio- nais. No entanto, é a coordenação entre estes que garante o sucesso da organização como um todo. Apesar de todos possuírem diferentes funções, elas estão interligadas, e é essa sintonia que permite à organização o alcance de seus objetivos (SOBRAL; PECI, 2008, p. 7). Com o aumento do número de organizações e a ampliação de sua complexidade, se fez necessária a criação de técnicas e modelos admi- nistrativos que auxiliassem na sua gestão. Existem várias formas de se definir administração, mas, fundamen- talmente, administração é um processo complexo que visa alcançar os objetivos estabelecidos de forma eficiente e eficaz. Você sabe a diferen- ça entre esses dois termos? • Eficiência é a capacidade de realizar as atividades utilizando os recursos da melhor forma possível. Está diretamente relacionada ao modo como os recursos são utilizados para a execução de uma tarefa. • Eficácia é a capacidade de realizar as atividades de modo que os objetivos sejam alcançados. Está diretamente relacionada ao fim sem se importar com os meios. Na administração de recursos organizacionais, busca-se ter simul- taneamente eficiência e eficácia, utilizando processos que foram cons- truídos ao longo dos últimos séculos. Vamos conhecer agora como se deu o contexto histórico da administração, pois entendendo o passado temos mais chances de construir futuros melhores. 13Construção do pensamento administrativo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2 Contexto histórico Administraré uma atividade complexa e antiga: existem registros de atividades administrativas desde antes de Cristo, que tratam da admi- nistração de povos, da gestão na construção das pirâmides do Egito, dos discursos de filósofos sobre a política e a gestão do Estado. Todos são exemplos simples da profusão da prática administrativa, mas além disso, podemos pensar também nos homens das cavernas e de como administravam seu cotidiano para conseguir alimentos, conservá-los, etc. A administração está em tudo. Ainda que bastante nebulosa, a administração é uma atividade encontrada em empreendimentos de qualquer espécie, de todos os povos, de todos os tempos. Na verdade, todos os grandes líde- res que a história registra foram administradores – administrando países, coordenando explorações, dirigindo guerras, gerindo os esforços de outros homens (SILVA, 2013, p. 80). Embora tenhamos registro de atividades administrativas que remon- tam a civilizações muito antigas, como os sumérios que viveram há 5 mil anos a.C., e também registros posteriores de civilizações como as do antigo Egito, Babilônia, China, Grécia, Roma etc. em que cons- tam ações militares, religiosas, filosóficas e econômicas. Realizar uma construção cronológica do surgimento da administração é algo extre- mamente complexo, considerando a falta de documentos. Um exemplo disso está entre os militares influenciadores dos con- ceitos administrativos que se inspiraram na obra de Sun Tzu, A Arte da Guerra, para tratar de estratégias de ações usadas inclusive nos dias atuais quando se pensa em mercado. Não há registros formais sobre Sun Tzu, mas especula-se que ele nasceu na província de Ch’i, na China, e que tenha vivido entre 544 e 496 a.C. 14 Teorias da administração Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . PARA SABER MAIS "Conhece-te a ti e ao teu inimigo e, em cem batalhas que sejam, nunca correras perigo. Quando te conheces mas desconheces o teu inimigo, as tuas hipóteses de perder ou de ganhar são iguais. Se te desconheces e ao teu inimigo também, é certo que, em qualquer batalha, correrás perigo (SUN TZU, p. 46, 2003)." O livro A arte da guerra é dividido em treze capítulos: 1. Análise e planos – “Há momentos em que a maior sabedoria é parecer não saber nada.” 2. Operação de guerra – “Na guerra, preze pela vitória rápida e evite as operações prolongadas.” 3. Preparo do ataque – “A melhor inteligência militar é atacar as estratégias dos inimigos, depois das alianças estão seus soldados em seu próprio campo.” 4. Posições e táticas – “A invencibilidade repousa na defesa, e a vulnerabilidade revela-se no ataque.” 5. Estratégia do confronto direto/indireto – “Comandar muitos é o mes- mo que comandar poucos; tudo é uma questão de organização.” 6. Pontos fracos e pontos fortes – “Um grande general não é arrasta- do ao combate; ao contrário, sabe impô-lo ao inimigo.” 7. Manobras – “Quando cercar o inimigo deixe uma saída para ele, caso contrário, ele lutará até a morte.” 8. Eventualidade – “Um general que perde facilmente o controle e se deixa levar pela cólera será ludibriado pelo inimigo, por meio de provocações.” 9. Exército em movimento – “Quando há soldados sussurrando em grupos e o comandante falando em voz vacilante, isso revela inimi- zades entre superiores e subordinados.” 10. Terreno – “Quando os soldados são muito mais fortes do que seus oficiais, o resultado é insubordinação; caso o contrário, o resultado é colapso.” 11. Tipos de situação – “A velocidade é a essência da guerra.” 12. Ataque pelo fogo – “Em batalhas, quaisquer que sejam os resul- tados, o gosto será amargo mesmo para os vencedores; a guerra deve ser a última solução.” 15Construção do pensamento administrativo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 13. Uso de espiões – “O que possibilita ao soberano inteligência e a seu comandante conquistar o inimigo é a previsão, conhecimento que só pode ser adquirido por meio de homens que estejam a par de toda a movimentação do inimigo.” Não deixe de conhecer esse clássico da literatura em sua totalidade. Assim, se tivéssemos, com os documentos que chegaram até nós, que criar uma ordem cronológica dos eventos administrativos até o iní- cio do século XIX, teríamos: Quadro 1 – Cronologia dos eventos administrativos ANO LOCALIZAÇÃO E/OU AUTORES EVENTOS 5.000 a.C. Suméria Controle administrativo 4.000 a.C. Egito Planejamento, organização e controle. 2.600 a.C. Egito Descentralização do poder. 2.000 a.C. Babilônia (Hamurabi) Estabelecimento do salário mínimo. Conceito de controle e responsabilidade. 1.491 a.C. Israel (Moisés) Utilização do princípio da organização por autoridade hierárquica. Princípio da exceção. 500 a.C. China (Sun Tzu) Planejamento, organização e direção. 400 a.C. Grécia (Sócrates) Enunciado da universalidade da administração. Habilidades gerenciais. 1436 Arsenal de Veneza Fabricação e montagem de galeras de guerra, armas e equipamentos. 1525 Roma (Maquiavel) Liderança e descrição de táticas políticas. Reconhecimento da necessidade de coesão. Fonte: adaptado de Silva (2003, p. 102). 16 Teorias da administração Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Porém, a partir do século XVIII, eventos históricos contribuíram para que a administração tomasse o lugar de destaque. A revolução indus- trial é um desses eventos, e as revoluções industriais subsequentes fi- zeram com que as organizações se adaptassem e se reinventassem. Comumente, se divide a revolução industrial em três períodos: 1. 1760 a 1850 – com a ascensão da energia a vapor na Inglaterra. 2. 1850 a 1900 – com a ascensão da energia elétrica. 3. 1900 a 2000 – com o surgimento dos conglomerados industriais. Para muitos autores, estamos passando pelo terceiro período da re- volução ou, como é comumente chamada, – a 4ª revolução industrial. As revoluções industriais tiveram grande impacto na construção do pensamento administrativo. Com elas foi necessário repensar, em virtu- de da complexidade organizacional, os meios e as formas de adminis- trar. Vejamos quais contribuições foram essas: Quadro 2 – Contribuições das revoluções industriais ANO LOCALIZAÇÃO E/OU AUTORES EVENTOS 1776 Escócia (Adam Smith) Aplicação do princípio da especialização. Conceitos de controle e remuneração. 1800 Inglaterra (Michael Boulton) Padronização do princípio da especialização. Conceitos de controle e remuneração. 1810 Escócia (Robert Owen) Aplicações de práticas de pessoal. Treinamento de operários. Plano de casas para os operários. 1832 Inglaterra (Charles Babbage) Ênfase no método científico. Especialização, divisão de trabalho, estudo de tempos e movimentos, contabilidade de custos. 1855 EUA (Henry Poor) Princípios de organização, comunicação e informação aplicados às ferrovias norte-americanas. (cont.) 17Construção do pensamento administrativo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.ANO LOCALIZAÇÃO E/OU AUTORES EVENTOS 1856 EUA (Daniel MacCallum) Uso do organograma para ilustrar a estrutura organizacional e sua aplicação sistemática das ferrovias. 1881 EUA (Joseph Warthon) Fundação do primeiro curso de administração da Universidade da Pensilvânia. 1886 EUA (Henry Metcalfe; Henry Towne) A arte e a ciência da administração, filosofia da administração. 1900 EUA (Frederick W. Taylor) Administração científica e seus princípios. 1908 França (Henry Fayol) Teoria da administração, seus princípios e aplicabilidade. Fonte: adaptado de Silva (2003, p.102). Todos esses elementos contribuíram para a construção dos pensa- mentos em administração e influenciaram o que chamamos de adminis- tração moderna, que teve início nos anos 1900. É importante conhecê-los pois, considerando a complexidade das organizações e a expansão dos mercados, passa a ser necessário sistematizar os estudos e conhecer as teorias que auxiliam, ainda nos dias atuais, as organizações e seus gesto- res a caminharem rumo ao desenvolvimento e crescimento. Considerações finais Neste capítulo falamos sobre as organizações e de como somos en- volvidos por elas, seu impacto em nosso dia a dia e sua importância. Falamos também sobre o contexto histórico para a construção do pensamento administrativo. Vimos que a administração tem permeado a história há muitos anos, sendo elemento fundamental da civilização. Vivemos em uma sociedade de organizações na qual a administração pas- sou a ser um elemento fundamental para a condução dessa sociedade. 18 Teorias da administração Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Considerando a necessidade da administração para a manutenção e crescimento das organizações, a partir dos anos 1900 as teorias ad- ministrativas começam a ser formuladas. Surgem várias perspectivas e falaremos de cada uma delas ao longo deste livro. Tudo isso é importante, pois conhecer o funcionamento das orga- nizações nos auxilia na condução de nossas carreiras, de nossas rela- ções e, principalmente, para aqueles que desejam ser gestores, trata-se do alicerce dessa jornada. Referências ETZIONI, Amitai. Organizações Modernas. São Paulo: Pioneira, 1974. HALL, Richard H. Organizações: estruturas, processos e resultados. São Paulo: Pearson Hall, 2004. KOUZES, James M.; POSNER, Barry. O novo desafio da liderança: a fonte mais confiável para quem deseja aperfeiçoar sua capacidade de liderança. Rio de Janeio: Elsevier, 2008. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da administração: da revolu- ção urbana à revolução digital. São Paulo: Atlas, 2007 ROBBINS, Stephen P.; JUDGE, Timothy A.; SOBRAL, Filipe. Comportamento organizacional: Teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. SILVA, Reinaldo O. Teorias da administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. SOBRAL, Filipe; PECI, Alketa. Administração: teoria e prática no contexto brasi- leiro. São Paulo: Pearson Hall, 2008. SUN Tzu. A arte da guerra. São Paulo: Editora Martin Claret, 2003 WEBER, Max. A ética protestante e o espírito capitalista. São Paulo: Cia das Letras, 2004.