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<p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Curso Preparatório para</p><p>Exame da Ordem dos Advogados do Brasil</p><p>1ª Etapa</p><p>Crédito Tributário e Lançamento</p><p>Quando verificada no mundo dos fatos a situação definida em lei como fato gerador do tributo, nasce</p><p>a obrigação tributária. É necessário, então, definir, com precisão, o montante do tributo ou penalidade,</p><p>o devedor e o prazo para pagamento, de forma a conferir exigibilidade à obrigação.</p><p>Daí a exigência de um procedimento oficial consistente em declarar formalmente a ocorrência</p><p>do fato gerador, definir os elementos materiais da obrigação surgida (alíquota e base de</p><p>cálculo), calcular o montante devido, identificar o respectivo sujeito passivo, com o fito de</p><p>possibilitar que contra este seja feita a cobrança do tributo ou da penalidade pecuniária. Todo</p><p>esse procedimento é legalmente denominado de lançamento, conforme se pode extrair do art. 142</p><p>do CTN, abaixo transcrito:</p><p> Natureza jurídica: declaratória ou constitutiva?</p><p>O lançamento possui natureza jurídica mista, sendo constitutivo do crédito tributário e</p><p>declaratório da obrigação tributária.</p><p> Alteração do lançamento regularmente notificado</p><p>Após a realização do lançamento, a autoridade administrativa precisa comunicá-lo oficialmente ao</p><p>sujeito passivo, para que este possa pagar o montante do crédito constituído ou, em caso de</p><p>discordância, proceder à respectiva impugnação.</p><p>FATO</p><p>GERADOR</p><p>OBRIGAÇÃO</p><p>TRIBUTÁRIA LANÇAMENTO CRÉDITO</p><p>TRIBUTÁRIO</p><p>Lançamento</p><p>Natureza jurídica mista</p><p>DECLARATÓRIA</p><p>Da obrigação tributária</p><p>CONSTITUTIVA</p><p>Do crédito tributário</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo</p><p>lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato</p><p>gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo</p><p>devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>É a notificação que confere efeitos ao lançamento realizado é apenas a comunicação oficial da</p><p>realização do lançamento.</p><p>Com a notificação, o lançamento se presume definitivo. A regra passa a ser que o mesmo não mais</p><p>será alterado. O CTN, no seu art. 145, traz as hipóteses excepcionais em que o lançamento</p><p>regularmente notificado ao sujeito passivo pode ser alterado.</p><p> Impugnação pelo sujeito passivo</p><p> Recurso de ofício e recurso voluntário</p><p> Iniciativa de ofício da autoridade administrativa</p><p>Um dos princípios a ser observado na atividade administrativa é o da autotutela, corolário do</p><p>princípio da legalidade. Assim, da mesma forma que a administração não pode agir sem autorização</p><p>legal (legalidade), também deve tomar as providências para corrigir os atos que contrariam a lei,</p><p>anulando-os ou corrigindo-os. Verificado um vício no ato praticado, tem a Administração Tributária</p><p>o poder-dever de corrigi-lo, independentemente de provocação do particular.</p><p> Erro de direito e erro de fato – Possibilidade de alteração do lançamento</p><p>Se o lançamento (sempre individual e concreto) já foi realizado, a Administração não pode</p><p>alterar o critério jurídico adotado, pois lhe é vedada a revisão por “erro de direito”, de forma que</p><p>o novo critério somente poderá ser adotado para os fatos geradores supervenientes à inovação (art.</p><p>146 do CTN).</p><p>O chamado “erro de fato” pode – e deve – indiscutivelmente justificar a revisão de lançamento já</p><p>realizado. A expressão “erro de fato” se refere ao incorreto enquadramento das circunstâncias</p><p>objetivas que não dependem de interpretação normativa para sua verificação.</p><p>Exemplo: Se houve importação de dez toneladas de trigo e o lançamento foi feito como se</p><p>houvessem sido importadas apenas oito toneladas, está configurado erro de fato (não se trata de</p><p>modificação de critério jurídico, mas de dado objetivo manifestamente incorreto), de forma que</p><p>o lançamento deve ser revisto, com a observância do prazo decadencial.</p><p>A presunção de definitividade de lançamento regularmente notificado</p><p>não é absoluta, pois ainda existe possibilidade de alteração.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de:</p><p>I - impugnação do sujeito passivo;</p><p>II - recurso de ofício;</p><p>III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou</p><p>judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento</p><p>somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido</p><p>posteriormente à sua introdução.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p> Modalidades de lançamento</p><p>De acordo com a intensidade da participação do sujeito passivo no lançamento, a lei o classifica</p><p>em três modalidades, conforme demonstrado abaixo:</p><p>Aumenta a colaboração do sujeito passivo com a atividade do lançamento</p><p> Lançamento por arbitramento</p><p>O lançamento por arbitramento se refere aos casos em que o valor que vai servir como base de cálculo</p><p>na constituição do crédito tributário vai ser determinado com base numa prudente e razoável</p><p>suposição da autoridade administrativa.</p><p>Assim, a autoridade administrativa deve deflagrar um procedimento para encontrar um valor que a</p><p>experiência e o bom senso demonstrem ser o que comumente se verifica em situações semelhantes.</p><p>Exemplo: o cálculo do tributo toma por base valores que são declarados pelo sujeito passivo e</p><p>este se omite na sua obrigação ou a cumpre informando valores absolutamente fora da realidade,</p><p>tão incompatíveis com o mercado, que impossibilitam a aceitação.</p><p>Pelo dispositivo, pode-se afirmar corretamente que o arbitramento não se constitui numa quarta</p><p>modalidade de lançamento, sendo apenas uma técnica para se definir a base de cálculo, para que se</p><p>proceda a um lançamento de ofício.</p><p>Modalidades de</p><p>Lançamento</p><p>De ofício ou direto</p><p>O sujeito passivo não</p><p>participa da atividade.</p><p>Por declaração ou</p><p>misto</p><p>Equilíbrio entre a</p><p>participação do sujeito</p><p>passivo e a atividade do</p><p>sujeito ativo.</p><p>Por homologação ou</p><p>“autolançamento”</p><p>O sujeito passivo realiza quase</p><p>todos os atos que compõem a</p><p>atividade.</p><p>Não se trata de valor arbitrário, mas de valor arbitrado.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de</p><p>bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará</p><p>aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os</p><p>esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro</p><p>legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou</p><p>judicial.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p> Lançamento suplementar/complementar de ofício</p><p>Na maior parte dos incisos, a Administração soluciona problemas decorrentes de omissões, erros ou</p><p>fraudes, que justificam a realização de lançamento de ofício em substituição ou para a correção</p><p>de lançamento não feito ou feito incorretamente</p><p>procedimento segue seu curso normal.</p><p>STF “perfazendo-se o ato na integração de todos os elementos reclamados para a validade da</p><p>certidão, há de atentar-se para a substância e não para os defeitos formais que não comprometem o</p><p>essencial do documento tributário” (AI-AgR 81.681/MG).</p><p>Sendo o caso de nulidade, o art. 203 do CTN afirma que também será nulo o processo de cobrança</p><p>decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante</p><p>substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para</p><p>defesa, que somente poderá versar sobre a parte modificada.</p><p>Uma dúvida muito comum é referente ao momento até o qual a Fazenda Pública pode substituir a</p><p>certidão nula.</p><p>Ajuizada a ação de execução, estando presentes os requisitos legais, o juiz defere a inicial, o que</p><p>importa ordem de citação do executado para que, no prazo de cinco dias, pague ou garanta o juízo,</p><p>mediante depósito em dinheiro, fiança bancária ou indicação de bens à penhora. Garantida a</p><p>execução, o executado pode, ainda, se defender mediante a interposição de embargos à execução. É</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará</p><p>obrigatoriamente:</p><p>I – o nome do devedor e, sendo caso, o dos corresponsáveis, bem como, sempre que possível, o</p><p>domicílio ou a residência de um e de outros;</p><p>II – a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos;</p><p>III – a origem e natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja</p><p>fundado;</p><p>IV – a data em que foi inscrita;</p><p>V – sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo,</p><p>são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade poderá</p><p>ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvido ao</p><p>sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá versar sobre a parte</p><p>modificada.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>precisamente até o julgamento em primeira instância dos embargos interpostos que a Fazenda</p><p>Pública pode substituir a certidão nula.</p><p>Certidões Negativas</p><p>“A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida”. Assim, apesar</p><p>de os sistemas informatizados da administração pública estarem normalmente programados para</p><p>expedir certidões que retratem a situação existente no momento da consulta, é plenamente viável</p><p>requerimento de certidão negativa relativa a determinado período ou a determinado tributo.</p><p>O prazo para a expedição da certidão é de dez dias, contados da data da entrada do requerimento na</p><p>repartição, apesar de, na maioria das vezes, o documento ser expedido imediatamente. A Fazenda</p><p>Pública só tem usado do prazo quando se faz necessária a análise de situação mais complexa, como</p><p>nos casos em que se tem que conferir a vigência de decisões judiciais, a regularidade de</p><p>parcelamentos, a suficiência de penhora etc.</p><p>Apesar da denominação “Certidão Negativa de Débito – CND”, o Superior Tribunal de Justiça</p><p>tem considerado válida a recusa de emissão quando o contribuinte descumpre obrigação</p><p>acessória, desde que tal consequência esteja prevista em lei. (REsp 1.042.585-RJ).</p><p> Certidões positivas com efeitos de negativas</p><p>Existem situações em que, apesar da existência de débitos, o sujeito passivo se encontra em situação</p><p>regular perante o Fisco. Nestes casos, é expedida a denominada certidão positiva com efeitos de</p><p>negativa. Trata-se de certidão positiva, pois débitos existem, mas com efeitos de negativa, pois o</p><p>requerente está em situação regular. Com esta certidão, o sujeito poderá praticar quaisquer atos</p><p>que dependam de apresentação de certidão negativa.</p><p>São, portanto, três as situações em que, apesar da existência de débitos, é reconhecida a regularidade</p><p>do sujeito passivo:</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja</p><p>feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as</p><p>informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade</p><p>e indique o período a que se refere o pedido.</p><p>Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e</p><p>será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de</p><p>créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja</p><p>exigibilidade esteja suspensa.</p><p>SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA</p><p>Súmula nº 392: A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da</p><p>sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação</p><p>do sujeito passivo da execução.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>a) Os créditos não estão vencidos</p><p>a rigor, créditos não vencidos não deveriam constar em certidões tributárias, de forma que a</p><p>certidão aqui deveria ser negativa. Mas, na linha do dispositivo, se constar da certidão a presença</p><p>de crédito não vencido a mesma será positiva, mas com efeitos de negativa.</p><p>b) Os créditos estão em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora</p><p>se já foi proposta a execução fiscal e realizada a apreensão judicial de bens suficientes à total</p><p>extinção do crédito (penhora), o direito do Fisco está garantido.</p><p>c) Os créditos estão com exigibilidade suspensa</p><p>se o Fisco não pode promover atos de cobrança, não estando o particular obrigado a fazer qualquer</p><p>recolhimento naquele momento, o mesmo está em situação regular, tendo o direito à certidão.</p><p> Dispensa da apresentação de certidão negativa</p><p>A norma é expressamente definida como autoaplicável (pois independe de disposição legal</p><p>permissiva) e tem por objetivo evitar que a exigência de apresentação da prova de quitação de</p><p>tributo (exigência burocrática) impeça a prática de um ato que se afigura urgente e acabe por</p><p>gerar perda de direito – seria desarrazoada e desproporcional a perda de um direito por esse motivo.</p><p>O problema é que a Fazenda tem um prazo para emitir a certidão negativa (10 dias), mas pode não</p><p>conseguir fazê-lo (greve, calamidade pública, problemas técnicos etc.). Também é possível que</p><p>mesmo a expedição dentro do prazo estipulado não possa evitar a caducidade do direito.</p><p>Nos termos do dispositivo, será possível ao interessado praticar o ato sem a “prova de quitação de</p><p>tributos, ou o seu suprimento”. Entretanto, como se extrai do dispositivo transcrito, todos os</p><p>participantes do ato responderão pelo tributo porventura devido, juros de mora e penalidades cabíveis.</p><p>Exemplo: uma greve na repartição fiscal impediu o licitante de obter a certidão, o mesmo pode</p><p>participar do procedimento sem o documento.</p><p> Responsabilidade por expedição de certidão com erro</p><p>Haverá dolo quando o servidor, sabendo do erro que macula a certidão, mesmo assim a expede,</p><p>normalmente visando ao benefício da pessoa a que se refere o documento. Há fraude quando o</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 207. Independentemente de disposição legal permissiva, será dispensada a prova de quitação de</p><p>tributos, ou o seu suprimento, quando se tratar</p><p>de prática de ato indispensável para evitar a caducidade</p><p>de direito, respondendo, porém, todos os participantes no ato pelo tributo porventura devido, juros de</p><p>mora e penalidades cabíveis, exceto as relativas a infrações cuja responsabilidade seja pessoal ao</p><p>infrator.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 208. A certidão negativa expedida com dolo ou fraude, que contenha erro contra a Fazenda</p><p>Pública, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a expedir, pelo crédito tributário e juros de</p><p>mora acrescidos.</p><p>SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA</p><p>Súmula nº 446: Declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é legítima a recusa de</p><p>expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>servidor altera, maquia, simula, insere dados sabidamente falsos na certidão que está a expedir.</p><p>Em qualquer caso, as consequências são as mesmas.</p><p>A rigor, se uma certidão negativa contém erro, é porque ela deveria ser positiva. Por conseguinte,</p><p>se há erro na certidão, este é sempre “contra a Fazenda Pública”. Se o erro não decorreu de dolo ou</p><p>fraude do servidor que a expediu este não será responsabilizado.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>em outra modalidade.</p><p>A análise das hipóteses de lançamento de ofício constantes do art. 149 deixa claro que, dependendo</p><p>das circunstâncias, todos os tributos podem vir a ser lançados de ofício, seja porque a lei determina</p><p>que o lançamento seja feito originariamente de ofício, seja porque foi necessário o suprimento de uma</p><p>omissão ou a correção de algum vício em lançamento anteriormente realizado. Nestas últimas</p><p>hipóteses, a constituição do crédito é normalmente realizada por intermédio de auto de infração, em</p><p>que também é lançada a respectiva penalidade pecuniária.</p><p>O parágrafo único exige que a revisão de lançamento seja feita dentro do prazo decadencial.</p><p> Lançamento por declaração ou misto</p><p>Há de se destacar o alerta de que não se deve confundir lançamento por declaração com</p><p>lançamento em cuja sistemática existe uma declaração.</p><p>Imposto de Renda: não é por declaração. Na declaração são apresentadas as matérias de fato</p><p>(rendimentos, fontes pagadoras) e de direito (verbas isentas, tributáveis, tributação exclusiva).</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 149, do CTN – O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos</p><p>seguintes casos:</p><p>I - quando a lei assim o determine;</p><p>II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação</p><p>tributária;</p><p>III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso</p><p>anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento</p><p>formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a</p><p>juízo daquela autoridade;</p><p>IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação</p><p>tributária como sendo de declaração obrigatória;</p><p>V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício</p><p>da atividade a que se refere o artigo seguinte;</p><p>VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que</p><p>dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária;</p><p>VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo,</p><p>fraude ou simulação;</p><p>VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento</p><p>anterior;</p><p>IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade</p><p>que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial.</p><p>Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da</p><p>Fazenda Pública.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando</p><p>um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre</p><p>matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p> Retificação de declaração</p><p>Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por declaração, após a entrega desta, deve haver a</p><p>análise por parte do Fisco, que tomará as providências necessárias à constituição do crédito e à</p><p>notificação ao sujeito passivo. Enquanto não concluídas essas etapas, o lançamento não estará</p><p>completo ou ainda não gerará efeitos (no último caso, se faltar apenas a notificação). É por esta razão</p><p>que o CTN admite a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, com o objetivo de</p><p>reduzir ou de excluir tributo, desde que seja feita mediante comprovação do erro em que se funde,</p><p>e antes de notificado o lançamento.</p><p>Notificado o lançamento, não mais é possível a alteração da declaração com o fim de reduzir ou</p><p>excluir tributo (para aumentar é possível a alteração), devendo eventuais erros ser objeto de</p><p>impugnação por parte do sujeito passivo.</p><p> Lançamento por homologação ou “autolançamento”</p><p>A homologação pode ser expressa ou tácita. Será expressa quando a autoridade administrativa editar</p><p>ato em que formalmente afirme sua concordância com a atividade do sujeito passivo, homologando-</p><p>a. Será tácita quando a Administração Tributária deixar escoar o prazo legal para a homologação</p><p>expressa. Assim, esgotado o prazo para a homologação expressa, dá-se a homologação tácita, e</p><p>o ciclo está completo.</p><p>Nessa linha, o § 4.º do art. 150 do CTN afirma que se a lei não fixar prazo para a homologação, será</p><p>ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo sem que a Fazenda</p><p>Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o</p><p>crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 147. [...]</p><p>§1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir</p><p>tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o</p><p>lançamento.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao</p><p>sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa,</p><p>opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida</p><p>pelo obrigado, expressamente a homologa.</p><p>§1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição</p><p>resolutória da ulterior homologação ao lançamento.</p><p>§2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo</p><p>sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.</p><p>§3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo</p><p>porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 150. [...]</p><p>§4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato</p><p>gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se</p><p>homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de</p><p>dolo, fraude ou simulação.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p> Modalidades de lançamento e autonomia</p><p>No transcorrer dos itens anteriores, a cada modalidade de lançamento analisada, foram apontados</p><p>exemplos práticos de sua aplicação. É fundamental perceber, contudo, que a exemplificação foi feita</p><p>tendo em vista a lógica adotada majoritariamente para estes tributos no Brasil. Todavia, não há</p><p>qualquer norma geral no direito brasileiro que determine que tais tributos sejam necessariamente</p><p>lançados de ofício, sendo possível que determinado ente preveja na legislação local a realização</p><p>dos lançamentos dos seus tributos na modalidade que entender mais conveniente.</p><p>De ofício ou direto Por declaração ou misto</p><p>Por homologação ou</p><p>“autolançamento”</p><p>IPTU, IPVA, Taxas e</p><p>Contribuições de Melhoria</p><p>ITBI e ITCMD Os demais tributos</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Suspensão do Crédito Tributário</p><p>São hipóteses em que a possibilidade de promoção de atos de cobrança por parte do Fisco fica</p><p>suspensa.</p><p>1) Depósito do Montante Integral</p><p> Via judicial</p><p> Via administrativa (não é obrigatório)</p><p> Depósito de maior valor</p><p>2) Reclamações e Recursos no Processo Administrativo Fiscal</p><p>3) Liminar em Mandado de Segurança</p><p>4) Liminar ou Tutela Antecipada em outras espécies de Ação Judicial</p><p>5) Moratória</p><p> Caráter geral – CTN, art. 152, I.</p><p> Caráter individual – CTN art. 152, II.</p><p> Moratória autônoma e heterônoma</p><p>As causas de suspensão do crédito tributário impedem que seja ajuizada execução fiscal.</p><p>Moratória autônoma: o ente competente para a instituição do tributo dilata o prazo.</p><p>Moratória heterônoma: a União concede moratória de tributo de competência alheia.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:</p><p>I - moratória;</p><p>II - o depósito do seu montante integral;</p><p>III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;</p><p>IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança.</p><p>V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;</p><p>VI – o parcelamento.</p><p>Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios</p><p>dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes.</p><p>SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL</p><p>Súmula Vinculante nº 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de</p><p>dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.</p><p>SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA</p><p>Súmula nº 373: É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso</p><p>administrativo.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Apesar de não constar expressamente do Código, é da essência da moratória a concessão em virtude</p><p>de excepcionais situações naturais, econômicas ou sociais, que dificultem o normal adimplemento</p><p>das obrigações tributárias. Na situação específica da moratória heterônoma, o CTN exige que a</p><p>dilação de prazo relativa aos tributos estaduais e municipais seja acompanhada de medidas</p><p>idênticas para os tributos federais e até para as obrigações de direito privado (contratos,</p><p>inclusive entre particulares).</p><p>6) Parcelamento</p><p>@mapeardireito</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica.</p><p>§1º Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência</p><p>de juros e multas.</p><p>§2º Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à moratória.</p><p>§3º Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em</p><p>recuperação judicial.</p><p>§4º A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo importa na aplicação das leis</p><p>gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial, não podendo, neste</p><p>caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal específica.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Extinção do Crédito Tributário</p><p>1) Pagamento</p><p> Local e prazo para o pagamento</p><p> Efeitos da mora</p><p>Em direito tributário, os efeitos da mora são automáticos (mora ex re), não sendo necessário ao</p><p>credor tomar qualquer providência para “constituir em mora” o devedor.</p><p>2) Compensação</p><p>Opera-se a compensação quando “duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da</p><p>outra”. A consequência é que as duas obrigações “extinguem-se até onde compensarem”.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 156. Extinguem o crédito tributário:</p><p>I - o pagamento;</p><p>II - a compensação;</p><p>III - a transação;</p><p>IV - remissão;</p><p>V - a prescrição e a decadência;</p><p>VI - a conversão de depósito em renda;</p><p>VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e</p><p>seus §§ 1º e 4º;</p><p>VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164;</p><p>IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que</p><p>não mais possa ser objeto de ação anulatória;</p><p>X - a decisão judicial passada em julgado.</p><p>XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.</p><p>Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior</p><p>verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 159. Quando a legislação tributária não dispuser a respeito, o pagamento é efetuado na repartição</p><p>competente do domicílio do sujeito passivo.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito</p><p>ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento.</p><p>Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas</p><p>condições que estabeleça.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for</p><p>o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de</p><p>quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>3) Transação</p><p>Como em direito público vige o princípio da indisponibilidade do patrimônio público, a utilização</p><p>da transação acaba sendo algo bastante restrito. Na prática, a transação sempre aparece combinada</p><p>com outros institutos, de forma que somente é extinta pela transação a parte que foi objeto da</p><p>concessão feita pelo Estado.</p><p>Exemplo: suponha-se que uma lei seja publicada autorizando que o Estado conceda desconto</p><p>de 80% das multas moratórias aplicadas contra os contribuintes que desistissem das ações</p><p>judiciais contestatórias dos créditos e procedessem ao pagamento no prazo de 30 dias contados</p><p>da desistência. A concessão do Estado seria o valor de 80% das multas, de forma que esta seria</p><p>a parcela do crédito extinta pela transação. O montante restante seria extinto pelo pagamento.</p><p>4) Remissão</p><p>Remissão é a dispensa gratuita da dívida, feita pelo credor em benefício do devedor. Tratando-</p><p>se de crédito tributário, devido ao princípio da indisponibilidade do patrimônio público, a remissão</p><p>somente pode ser concedida com fundamento em lei específica.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso</p><p>atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos</p><p>líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.</p><p>Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação</p><p>judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 171. A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da obrigação</p><p>tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em determinação de litígio e</p><p>conseqüente extinção de crédito tributário.</p><p>Parágrafo único. A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso.</p><p>CONSITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados,</p><p>ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>[...]</p><p>§ 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo,</p><p>concessão de crédito presumido, anistia</p><p>ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei</p><p>específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas</p><p>ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.</p><p>[...]</p><p>Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado,</p><p>remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo:</p><p>I - à situação econômica do sujeito passivo;</p><p>II - ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato;</p><p>III - à diminuta importância do crédito tributário;</p><p>IV - a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso;</p><p>V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante.</p><p>Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando</p><p>cabível, o disposto no artigo 155.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>A redação do dispositivo refere-se à expressão “crédito tributário” que, conforme já ressaltado,</p><p>abrange valores referentes a tributos e a multas.</p><p> Remissão de multa e Anistia</p><p>A anistia (sempre referente à multa) é uma forma de exclusão do crédito tributário. Excluir</p><p>significa impedir o lançamento, evitando o nascimento do crédito.</p><p>A remissão é forma de extinção de crédito tributário (referente à multa ou a tributo). Somente se</p><p>extingue o que já nasceu.</p><p>Portanto, se o Estado quer perdoar infrações cujas respectivas multas não foram lançadas, deverá</p><p>editar lei concedendo anistia, o que impedirá o lançamento e o consequente nascimento de crédito</p><p>tributário. Se a multa foi lançada, já existindo crédito tributário, o perdão somente pode ser dado</p><p>na forma de remissão, forma extintiva do crédito.</p><p>5) Decadência e Prescrição</p><p>Decadência: direito de constituir o crédito tributário – prazo para promover o lançamento.</p><p>Prescrição: ação (Execução Fiscal) – prazo para o ajuizamento da Execução Fiscal.</p><p>Decadência</p><p>Modalidades de lançamento – PRAZO: 5 anos</p><p>Lei editada em momento anterior ao lançamento das multas, impedindo autoridades</p><p>fiscais de fazê-lo anistia</p><p>Lei editada após as autuações, de forma a perdoar multas já lançadas remissão</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos,</p><p>contados:</p><p>I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;</p><p>II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento</p><p>anteriormente efetuado.</p><p>Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do</p><p>prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela</p><p>notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.</p><p>[...]</p><p>Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao</p><p>sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa,</p><p>opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida</p><p>pelo obrigado, expressamente a homologa.</p><p>[...]</p><p>§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato</p><p>gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se</p><p>homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de</p><p>dolo, fraude ou simulação.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>REGRA GERAL</p><p>art. 173, I, CTN</p><p>do 1º dia do exercício</p><p>financeiro seguinte</p><p>Ofício: IPTU, IPVA, Taxas e Contribuições de Melhoria.</p><p>Declaração: ITCMD e ITBI.</p><p>Homologação: o resto</p><p> sem recolhimento antecipado; dolo, fraude ou simulação – situações</p><p>excepcionais em que mesmo sendo lançamento por homologação,</p><p>observa-se a regra geral.</p><p>REGRA ESPECIAL</p><p>Art. 150, §4º, CTN</p><p>do fato gerador</p><p>Homologação: o resto</p><p> com recolhimento antecipado</p><p>Prescrição</p><p>Decadência LANÇAMENTO Prescrição</p><p> Prescrição intercorrente</p><p>1ª opção: pagar</p><p>2ª opção: recorrer</p><p>3ª opção: não pagar</p><p>30 dias, em regra para a constituição definitiva do crédito tributário.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da</p><p>sua constituição definitiva.</p><p>Parágrafo único. A prescrição se interrompe:</p><p>I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal;</p><p>II - pelo protesto judicial;</p><p>III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;</p><p>IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito</p><p>pelo devedor.</p><p>Lei nº 6.830/1980 – Lei de Execução Fiscal</p><p>Art. 40 - O Juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for localizado o devedor ou encontrados</p><p>bens sobre os quais possa recair a penhora, e, nesses casos, não correrá o prazo de prescrição.</p><p>§1º Suspenso o curso da execução, será aberta vista dos autos ao representante judicial da Fazenda</p><p>Pública.</p><p>§2º Decorrido o prazo máximo de 1 (um) ano, sem que seja localizado o devedor ou encontrados bens</p><p>penhoráveis, o Juiz ordenará o arquivamento dos autos.</p><p>§3º Encontrados que sejam, a qualquer tempo, o devedor ou os bens, serão desarquivados os autos para</p><p>prosseguimento da execução.</p><p>§4º Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de</p><p>ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de</p><p>imediato.</p><p>Não localizado o</p><p>devedor ou não</p><p>encontrados bens</p><p>penhoráveis</p><p>SUSPENSÃO</p><p>1 ano</p><p>Vista dos autos</p><p>ao representante</p><p>judicial da</p><p>Fazenda Pública</p><p>ARQUIVAMENTO</p><p>5 anos</p><p>Após ouvida a</p><p>Fazenda Pública</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>6) Conversão do depósito em renda</p><p>Não obtendo sucesso no litígio instaurado, a importância depositada será convertida em renda da</p><p>Fazenda Pública interessada, de forma que o crédito tributário respectivo será extinto.</p><p>7) Pagamento antecipado e a homologação do lançamento</p><p>No lançamento por homologação, o sujeito passivo calcula o montante do tributo devido, antecipa o</p><p>pagamento e fica no aguardo da homologação do seu proceder pela autoridade administrativa.</p><p>Assim, o crédito tributário somente estará extinto quando a autoridade administrativa competente</p><p>homologar a atividade do sujeito passivo ou quando houver “homologação do lançamento”.</p><p>8) Consignação em pagamento julgada pela procedência</p><p>A ação de consignação em pagamento é o meio processual adequado para que o sujeito passivo exerça</p><p>o seu direito de pagar e obter a quitação do tributo, quando tal providência está sendo obstada</p><p>por fato imputável ao credor.</p><p>9) Decisão administrativa irreformável</p><p>Se a decisão administrativa for pela improcedência do lançamento, o crédito estará</p><p>definitivamente extinto.</p><p>O juiz poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la</p><p>de imediato</p><p>A conversão do depósito em renda é modalidade de extinção do crédito tributário</p><p>necessariamente ligada à existência de um depósito anteriormente realizado.</p><p>Para o exclusivo efeito de definição do termo inicial do prazo para pleitear</p><p>restituição, considera-se extinto o crédito tributário, também na</p><p>sistemática do lançamento por homologação, na data do pagamento.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo,</p><p>nos casos:</p><p>I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade,</p><p>ou ao cumprimento de obrigação acessória;</p><p>II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento</p><p>legal;</p><p>III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um</p><p>mesmo fato gerador.</p><p>§1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar.</p><p>§2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é</p><p>convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobra-se o crédito</p><p>acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>O particular não tem interesse em rediscutir matéria que foi objeto de decisão favorável.</p><p>Também não parece haver interesse de agir por parte de Fazenda Pública, uma vez que ela</p><p>própria, por meio de órgãos especializados, decidiu pela improcedência do lançamento.</p><p>10) Decisão judicial transitada em julgado</p><p>A decisão judicial passada em julgado favorável ao sujeito passivo.</p><p>11) Dação em pagamento em bens imóveis</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Exclusão do Crédito Tributário</p><p>Excluir o crédito tributário significa impedir a sua constituição.</p><p>As cláusulas excludentes (isenção e anistia) impedem a normal sucessão de fatos, na linha do tempo</p><p>do fenômeno jurídico tributário, pois o procedimento do lançamento, com o consequente nascimento</p><p>do crédito tributário, é evitado.</p><p>Conforme previsto no art. 175 do CTN, somente existem duas hipóteses de exclusão do crédito</p><p>tributário, quais sejam a isenção e a anistia.</p><p>A diferença fundamental entre ambas é que a isenção exclui crédito tributário relativo a tributo,</p><p>enquanto a anistia exclui crédito tributário relativo à penalidade pecuniária.</p><p>Isenção</p><p>Isenção é a dispensa legal do pagamento do tributo devido.</p><p> Intermédio de lei</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 175. Excluem o crédito tributário:</p><p>I - a isenção;</p><p>II - a anistia.</p><p>Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações</p><p>acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente.</p><p>CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados,</p><p>ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>[...]</p><p>§6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia</p><p>ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei</p><p>específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas</p><p>ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as</p><p>condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo</p><p>de sua duração.</p><p>Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante,</p><p>em função de condições a ela peculiares.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p> Isenções onerosas</p><p>As isenções onerosas são definidas como aquelas que não trazem somente o bônus da dispensa legal</p><p>do pagamento, mas também algum ônus como condição para o seu gozo.</p><p>A regra é, portanto, a possibilidade de revogação ou modificação, a qualquer tempo, da isenção não</p><p>onerosa.</p><p>Para ser abrangida pela exceção à plena revogabilidade, a isenção precisa ser concedida em</p><p>função de determinadas condições (onerosa) e por prazo certo.</p><p>Exemplo: imagine-se uma lei que conceda isenção de ICMS por dez anos (prazo certo) para as</p><p>empresas que se instalarem no interior de Pernambuco e produzam mamona destinada à</p><p>utilização no processo de produção de biodiesel (condições). A empresa que tenha cumprido os</p><p>requisitos durante a vigência da lei concessória tem direito adquirido à isenção, que não pode</p><p>ser revogada.</p><p>Não se pode confundir a revogação da isenção onerosa (impossível, por conta da proteção ao direito</p><p>adquirido) com revogação da lei concessória de isenção onerosa (possível, pois não se pode impedir</p><p>a revogação de uma lei).</p><p>Quem, durante a vigência da lei concessória, cumpre os requisitos para o gozo do benefício,</p><p>tem direito adquirido, pelo prazo previsto na lei, mesmo que esta venha a ser revogada.</p><p> Isenção em caráter geral ou individual</p><p>Assim como os demais benefícios fiscais, a isenção pode ser concedida em caráter geral (objetivo)</p><p>ou em caráter individual (subjetivo ou pessoal).</p><p>Haverá isenção concedida em caráter geral quando o benefício atingir a generalidade dos sujeitos</p><p>passivos, sem necessidade da comprovação por parte destes de alguma característica pessoal especial.</p><p>Haverá isenção em caráter individual quando a lei restringir a abrangência do benefício às</p><p>pessoas que preencham determinados requisitos, de forma que o gozo dependerá de requerimento</p><p>formulado à Administração Tributária no qual se comprove o cumprimento dos pressupostos legais</p><p>(STJ – REsp 196.473).</p><p>Resumo: a revogação da lei concessiva de isenção onerosa não tem o condão de</p><p>prejudicar quem já cumprira os requisitos para o gozo do benefício legal, mas impede</p><p>o gozo daqueles que não tinham cumprido tais requisitos na data da revogação da lei.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode</p><p>ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104.</p><p>SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL</p><p>Súmula nº 544: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente</p><p>suprimidas.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Anistia</p><p>Anistia é o perdão legal de infrações, tendo como consequência a proibição de que sejam</p><p>lançadas as respectivas penalidades pecuniárias. É por servir como impeditivo do procedimento</p><p>administrativo de lançamento que a anistia é incluída como hipótese de exclusão do crédito tributário.</p><p>Exemplo: Imagine-se que, em março de 2019, foi publicada uma lei afirmando que as pessoas</p><p>que entregassem a declaração de imposto de renda das pessoas físicas relativa ao exercício de</p><p>2018 após o prazo legal (último dia útil do mês de abril de 2019) estariam anistiadas da</p><p>respectiva multa. A situação é surreal e serviria de estímulo à entrega fora do prazo.</p><p>Existem, portanto, dois marcos temporais que delimitam a possibilidade de concessão de anistia:</p><p>O benefício somente pode ser concedido após o cometimento da infração (sob pena de servir de</p><p>incentivo à prática de atos ilícitos) e antes do lançamento da penalidade pecuniária, pois se o</p><p>crédito já está constituído, a dispensa somente pode ser realizada mediante remissão.</p><p> Anistia em caráter geral ou limitado</p><p>O CTN previu a possibilidade de concessão de anistia em caráter geral ou limitado, estipulando no</p><p>art. 181, II, as restrições que podem ser estabelecidas no segundo caso.</p><p>Assim, é possível que uma lei federal concessiva de anistia seja aplicável apenas às infrações relativas</p><p>à legislação do imposto de renda (alínea a).</p><p>Não se pode perdoar infração futura, sob pena de se</p><p>formalizar um incentivo legal à desobediência civil.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que</p><p>a concede, não se aplicando:</p><p>I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem essa qualificação,</p><p>sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em benefício</p><p>daquele;</p><p>II - salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas</p><p>naturais ou jurídicas.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 181. A anistia pode ser concedida:</p><p>I - em caráter geral;</p><p>II - limitadamente:</p><p>a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo;</p><p>b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até determinado montante, conjugadas ou não</p><p>com penalidades de outra natureza;</p><p>c) a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares;</p><p>d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, ou cuja fixação seja</p><p>atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>É viável também anistiar somente às infrações punidas com multas até mil reais, conjugadas ou não</p><p>com penalidade de outra natureza, como a proibição de gozo de regimes especiais de tributação</p><p>(alínea b).</p><p>Também é possível a concessão de anistia apenas aos contribuintes do imposto de renda domiciliados</p><p>na região metropolitana do Rio de Janeiro, na hipótese de esta região ser atingida por uma pane que</p><p>impeça o acesso à internet na última semana do prazo para entrega da declaração do imposto (alínea</p><p>c).</p><p>Por fim, é legítima a concessão de anistia do crédito tributário relativo à multa de imposto de renda</p><p>para os contribuintes que pagarem o imposto no prazo fixado pela própria lei ou pela autoridade</p><p>administrativa a quem a lei atribua tal poder (alínea d).</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Garantias e Privilégios do Crédito Tributário</p><p>Garantias</p><p> Alienação fraudulenta presunção de fraude</p><p>Visando a proteger o crédito tributário contra atos tendentes a fraudar as providências judiciais</p><p>destinadas à sua satisfação, o Código Tributário Nacional previu, no seu art. 185, a seguinte regra:</p><p>O dispositivo foi objeto de alteração pela Lei Complementar nº 118/2005. Antes, para a configuração</p><p>da fraude, era necessário que o crédito tributário estivesse inscrito em dívida ativa em fase de</p><p>execução.</p><p>Com a nova redação dada ao dispositivo, a possibilidade de presunção de fraude foi antecipada</p><p>para o momento da regular inscrição em dívida ativa. Há de se entender que a aplicabilidade da</p><p>nova regra depende de comunicação ao sujeito passivo da inscrição do seu débito.</p><p>O único argumento cabível para que não se configure a presunção é o constante do parágrafo único</p><p>do art. 185, qual seja o de que foram “reservados, pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total</p><p>pagamento da dívida inscrita”.</p><p> Penhora online</p><p>Garantias: regras que asseguram direitos. Em matéria tributária, as garantias facilitam a</p><p>entrada do Estado no patrimônio particular para receber a prestação relativa ao tributo.</p><p>Privilégios: regras que inserem o crédito tributário numa posição de vantagem quanto</p><p>aos demais.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito</p><p>passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como</p><p>dívida ativa.</p><p>Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados, pelo</p><p>devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar</p><p>bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a</p><p>indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio</p><p>eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência de bens, especialmente ao</p><p>registro público de imóveis e às autoridades supervisoras do mercado bancário e do mercado de</p><p>capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial.</p><p>§1º A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor total exigível, devendo o</p><p>juiz determinar o imediato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores que excederem esse</p><p>limite.</p><p>§2º Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo enviarão</p><p>imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja indisponibilidade houverem</p><p>promovido.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Verificada a situação descrita no artigo, o juiz se utilizará preferencialmente de meio eletrônico para</p><p>comunicar aos órgãos e entidades indicados no dispositivo a ordem de indisponibilidade dos bens.</p><p>Na prática, quanto ao mercado financeiro, o Banco Central disponibiliza aos juízes o acesso direto ao</p><p>sistema informatizado SISBAJUD (que substituiu o antigo BacenJud1), dando maior agilidade ao</p><p>procedimento.</p><p>Dentro dessa linha, o §1º, do art. 185-A impõe ao juiz que determine o levantamento do excesso da</p><p>penhora, liberando os demais bens ou valores do devedor, para que este tenha como dar continuidade</p><p>à sua vida econômica e financeira.</p><p>Completando a sequência lógica das regras, o §2º do artigo determina aos órgãos e entidades que,</p><p>em cumprimento à ordem judicial promoveram a indisponibilidade de bens e direitos do</p><p>devedor executado, repassem imediatamente as respectivas listas de bens e direitos, de forma a</p><p>possibilitar que o magistrado se desincumba da responsabilidade que lhe foi atribuída pelo §1º do</p><p>artigo, fazendo que a penhora recaia exclusivamente sobre os valores suficientes para garantir o</p><p>crédito tributário.</p><p> Aplicação somente para créditos tributários</p><p>Tendo em vista que as regras ora estudadas constam do Código Tributário Nacional (art. 185-A), o</p><p>Superior Tribunal de Justiça considera que elas somente podem ser aplicadas à execução fiscal da</p><p>dívida ativa tributária, não sendo possível a extensão para a de natureza não tributária (REsp</p><p>1.073.094/PR). Dessa forma, a título exemplificativo, se o crédito executado decorre de uma multa</p><p>trabalhista (dívida ativa não tributária), serão inaplicáveis as regras ora estudadas.</p><p> CTN X CPC</p><p>Atualmente, existe no Código de Processo Civil regra semelhante ao art. 185-A, do Código Tributário</p><p>Nacional, criando uma espécie de “penhora online” aplicável às execuções em geral.</p><p>O ponto crucial é que o dispositivo exige</p><p>mero “requerimento do exequente” para que o juiz torne</p><p>indisponíveis os ativos financeiros existentes em nome do executado. O problema é que a regra do</p><p>art. 185-A do CTN coloca entre os requisitos para o deferimento da medida o de que não tenham</p><p>sido encontrados bens penhoráveis, o que levou a parte da doutrina defender que para o uso do</p><p>instituto seria necessário que a Fazenda exaurisse as diligências que lhe eram possíveis na</p><p>tentativa de localizar bens do devedor.</p><p>Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de ser o exaurimento das</p><p>diligências em busca de bens penhoráveis requisito inafastável para que a Fazenda obtenha a</p><p>ordem judicial de indisponibilidade dos bens do executado.</p><p>1 SISBAJUD é o sistema de envio de ordens judiciais de constrição de valores por via eletrônica, o qual se dá mediante</p><p>o indicação de conta única para penhora em dinheiro.</p><p>CÓDIGO PROCESSUAL DE CIVIL</p><p>Art. 854. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou em aplicação financeira, o juiz, a</p><p>requerimento do exequente, sem dar ciência prévia do ato ao executado, determinará às instituições</p><p>financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro</p><p>nacional, que torne indisponíveis ativos financeiros existentes em nome do executado, limitando-se a</p><p>indisponibilidade ao valor indicado na execução.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p> Garantias como rol não exaustivo</p><p>A enumeração das garantias que o CTN atribui ao crédito tributário não exclui outras que sejam</p><p>expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das características do tributo a que se</p><p>refiram (CTN, art. 183). A lista, portanto, não é taxativa.</p><p>Privilégios</p><p>As regras sobre os privilégios do crédito tributário têm sua aplicabilidade nos casos em que há</p><p>cobrança coletiva de créditos, como ocorre nos processos de falência, recuperação judicial,</p><p>inventário, arrolamento e liquidação de empresas.</p><p>Nessas hipóteses, todos os créditos terão seus vencimentos antecipados e serão ordenados em classes</p><p>legais, de forma que só se passa para a segunda classe após o pagamento dos integrantes da primeira.</p><p>Assim, ao se falar em privilégios do crédito tributário, está-se a tratar das regras que colocam o</p><p>crédito tributário numa das primeiras classes da lista.</p><p> Concurso de preferência entre pessoas jurídicas de Direito Público</p><p>O dispositivo trata de uma série de procedimentos judiciais caracterizados pela cobrança coletiva de</p><p>créditos. A tramitação desses processos ocorre no denominado juízo universal, justamente porque</p><p>os credores não podem mais ajuizar ações executórias individuais contra o devedor, devendo se</p><p>sujeitar a concurso ou se habilitar no processo em trâmite no juízo dito “universal”.</p><p>Em face do art. 187 do CTN, pode-se afirmar que a ação de execução fiscal é exceção à</p><p>universalidade dos juízos citados, de forma que a Fazenda Pública pode ajuizar sua ação executória</p><p>individual no seu juízo privativo.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste Capítulo ao crédito tributário não exclui outras</p><p>que sejam expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das características do tributo a</p><p>que se refiram.</p><p>Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza deste</p><p>nem a da obrigação tributária a que corresponda.</p><p>SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA</p><p>Súmula nº 560: A decretação da indisponibilidade de bens e direitos, na forma do art. 185 A do CTN,</p><p>pressupõe o exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis, o qual fica caracterizado</p><p>quando infrutíferos o pedido de constrição sobre ativos financeiros e a expedição de ofícios aos</p><p>registros públicos do domicílio do executado, ao Denatran ou Detran.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou habilitação</p><p>em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento.</p><p>Parágrafo único. O concurso de preferência somente se verifica entre pessoas jurídicas de direito</p><p>público, na seguinte ordem:</p><p>I - União;</p><p>II - Estados, Distrito Federal e Territórios, conjuntamente e pró rata;</p><p>III - Municípios, conjuntamente e pró rata.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Conforme preveem os parágrafos únicos do art. 187, do CTN, e do art. 29, da LEF, no concurso de</p><p>preferência entre pessoas jurídicas de direito público, deve ser obedecida a seguinte ordem na</p><p>realização dos pagamentos:</p><p> União e suas autarquias</p><p> Estados, Distrito Federal e Territórios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata;</p><p> Municípios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata.</p><p>Pairava sobre o dispositivo uma séria suspeita de inconstitucionalidade, por criar uma sequência de</p><p>preferências entre entes federados que a Constituição define como autônomos, sem nenhuma espécie</p><p>de hierarquização.</p><p>Em um primeiro momento, o STF considerou válida a regra, visto que, ao se privilegiar a União, cria-</p><p>se uma preferência em favor de todos os brasileiros, em vez de dar preferência a brasileiros de</p><p>determinados Estados ou Municípios. Não sendo possível o benefício nacional, atinge-se o estadual</p><p>e, por fim, o local.</p><p>Súmula nº 563, do STF: O concurso de preferência a que se refere o parágrafo único do art. 187 do</p><p>Código Tributário Nacional é compatível com o disposto no art. 9.º, inciso I, da Constituição Federal.</p><p>ADPF nº 357/DF</p><p>Preferência da União no recebimento de créditos da dívida ativa</p><p>O concurso de preferência entre os entes federados na cobrança judicial dos créditos</p><p>tributários e não tributários, previsto no parágrafo único do art. 187 da Lei 5.172/1966</p><p>(Código Tributário Nacional) e no parágrafo único do art. 29 da Lei 6.830/1980 (Lei de</p><p>Execuções Fiscais), não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 (CF/1988).</p><p>Isso porque ameaça o pacto federativo e contraria o inc. III do art. 19 da CF/1988 a definição de</p><p>hierarquia na cobrança judicial dos créditos da dívida pública da União aos estados e Distrito</p><p>Federal e esses aos Municípios.</p><p>A autonomia e a isonomia dos entes federados são os alicerces para a manutenção do modelo</p><p>jurídico-constitucional adotado.</p><p>Somente pela Constituição, e quando houver finalidade constitucional adequadamente</p><p>demonstrada, pode-se criar distinções entre os entes federados na cobrança judicial dos créditos</p><p>tributários e não tributários.</p><p>Com base nesse entendimento, o Plenário, por maioria, julgou procedente o pedido formulado em</p><p>arguição de descumprimento de preceito fundamental para declarar a não recepção, pela</p><p>CF/1988, das normas previstas no parágrafo único do art. 187 da Lei 5.172/1966 e no</p><p>parágrafo único do art. 29 da Lei 6.830/1980, e para cancelar o Enunciado 563 da Súmula</p><p>do Supremo Tribunal Federal (STF).</p><p>ADPF 357/DF, relatora Min. Cármen Lúcia, julgamento em 24.6.2021</p><p>SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA</p><p>Súmula nº 497: Os créditos das autarquias federais preferem aos créditos da Fazenda estadual desde</p><p>que coexistam penhoras sobre o mesmo bem.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Administração Tributária</p><p>Fiscalização</p><p>Dívida ativa</p><p>Certidões negativas</p><p>Estímulo do</p><p>cumprimento</p><p>espontâneo / Punição</p><p>dos infratores</p><p>Providências</p><p>executórias contra os</p><p>que não cumpriram</p><p>suas obrigações</p><p>Comprovação da</p><p>regularidade</p><p>possibilitando acesso</p><p>aos benefícios legais</p><p>Fiscalização</p><p>1) Poderes das autoridades fiscais</p><p>O poder não deve ser um fim em si mesmo, mas apenas um meio para atingir um fim maior. Tratando-</p><p>se de competências das autoridades fiscais, o poder é conferido na exata medida que o legislador</p><p>considerar necessária para o eficiente exercício das atividades de fiscalização e arrecadação, levando</p><p>em consideração as peculiaridades de cada tributo administrado.</p><p>Assim, faz-se necessário que a legislação tributária regule alguns poderes e competências das</p><p>autoridades administrativas de uma maneira geral e com aplicabilidade a todos os tributos</p><p>administrados pelo respectivo ente.</p><p>Exemplo: fiscalização do imposto de importação num ponto de fronteira, porto ou aeroporto</p><p>alfandegado, porta de entrada do País, área de segurança nacional. A necessidade de uma ágil</p><p>e eficiente atividade fiscal protetiva da economia nacional justifica a atribuição, aos Auditores-</p><p>Fiscais ali lotados, de um conjunto de poderes inimagináveis para um Auditor-Fiscal</p><p>responsável pela administração do ITR.</p><p>A própria Constituição Federal autoriza a Administração Tributária a entrar na intimidade</p><p>econômica dos particulares, mediante a identificação dos respectivos patrimônios, rendimentos e</p><p>atividades econômicas (CF, art. 145, §1º). Nessa linha, o art. 195 do CTN afasta a aplicação de</p><p>quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias,</p><p>livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais</p><p>ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los.</p><p>Assim, o caráter sigiloso da escrituração comercial e fiscal, bem como dos documentos que</p><p>comprovam os fatos escriturados, não pode ser oposto ao Fisco, devendo os sujeitos passivos</p><p>mantê-los (livros e documentos) até que ocorra a prescrição dos créditos decorrentes das operações</p><p>a que se refiram (CTN, art. 195, parágrafo único).</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais</p><p>excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e</p><p>efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de</p><p>exibi-los.</p><p>Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos</p><p>lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários</p><p>decorrentes das operações a que se refiram.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p> Livros de escrituração opcionais</p><p>Em cada espécie de atividade econômica existem livros de escrituração opcional, de forma que os</p><p>sujeitos passivos podem optar por mantê-los ou não. Se a fiscalização requisita livro opcional e o</p><p>sujeito passivo informa que não procede à escrituração do livro requisitado, nenhuma punição lhe</p><p>pode ser aplicada.</p><p>Todavia, se mantém o livro opcional, não pode se negar a apresentá-lo, sob pena de configuração de</p><p>embaraço à fiscalização.</p><p> Requisição de informações</p><p>O CTN também atribui às autoridades fiscais o poder de requisitar de determinadas pessoas todas as</p><p>informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros.</p><p> Requisição de força pública</p><p>SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL</p><p>Súmula nº 439: Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais,</p><p>limitado o exame aos pontos objeto da investigação.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as</p><p>informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros:</p><p>I - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício;</p><p>II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;</p><p>III - as empresas de administração de bens;</p><p>IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais;</p><p>V - os inventariantes;</p><p>VI - os síndicos, comissários e liquidatários;</p><p>VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função,</p><p>ministério, atividade ou profissão.</p><p>Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações</p><p>quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em</p><p>razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 200. As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da força pública federal,</p><p>estadual ou municipal, e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas</p><p>funções, ou quando necessário à efetivação de medida prevista na legislação tributária, ainda que não</p><p>se configure fato definido em lei como crime ou contravenção.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização</p><p>lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação</p><p>aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas.</p><p>Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos</p><p>livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização,</p><p>cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Requisitar significa pedir com força vinculante ou ordenar. Assim, não podem as autoridades</p><p>policiais deixar de atender a requisição das autoridades fiscais nas situações descritas no dispositivo.</p><p>Exemplos: - Quando a autoridade fiscal ou a administração pública é vítima de desacato ou</p><p>outro crime, a requisição de força policial é plenamente justificável.</p><p>- Nos casos de embaraço à fiscalização (ato ou omissão dolosa tendente a dificultar o</p><p>procedimento fiscal) ou da necessidade de “adotar medida prevista na legislação tributária”, a</p><p>requisição também é legalmente cabível, mesmo não configurada prática de crime ou</p><p>contravenção.</p><p>2) Os deveres das autoridades fiscais</p><p> Documentar o início do procedimento</p><p>A lavratura de Termo de Início de Fiscalização pode produzir efeitos, quais sejam:</p><p> estabelece o termo inicial para o término do procedimento de fiscalização</p><p> antecipa o termo inicial de fluência do prazo decadencial (se esta já não teve seu curso</p><p>iniciado)</p><p> afasta a espontaneidade do sujeito passivo (Denúncia espontânea)</p><p> Manter sigilo e suas exceções</p><p>As autoridades fiscais, no exercício de suas atribuições, têm acesso a informações privilegiadas sobre</p><p>a situação econômica ou financeira do sujeito passivo e sobre a natureza e o estado de seus negócios</p><p>ou atividades. A contrapartida ao conhecimento das informações é o dever de mantê-las em sigilo,</p><p>sob pena de responsabilização administrativa, cível e criminal.</p><p>Não submete à regra do sigilo as meras informações cadastrais, como nome do</p><p>contribuinte, número de seus documentos, endereço etc.</p><p> Transferência do sigilo</p><p>Nos casos previstos no §1º, a informação não deixa de ser sigilosa, apenas sendo transferida do</p><p>âmbito da Administração Tributária para uma outra organização, mantendo-se, nesta, também em</p><p>sigilo.</p><p>Na primeira hipótese, a autoridade judiciária (juiz ou tribunal) requisita a informação protegida pelo</p><p>sigilo. A informação não é divulgada, devendo permanecer em sigilo também no âmbito do</p><p>judiciário.</p><p>A solicitação administrativa de dados protegidos por sigilo fiscal não deve se transformar num</p><p>procedimento de rotina para a coleta de indícios para que se instaurem futuras investigações. Não se</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 198. [...]</p><p>§1º Excetuam-se do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes:</p><p>I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça;</p><p>II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja</p><p>comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com</p><p>o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>pode esquecer que a manutenção do sigilo continua sendo regra, de forma que a solicitação só é</p><p>cabível quando efetivamente existam graves indícios de cometimento de ilícito administrativo que já</p><p>esteja sendo objeto de apuração em processo regularmente instaurado.</p><p>A regra tenta deixar claro o que foi aqui defendido à exaustão. A informação sai sigilosa da repartição</p><p>fiscal e deve ser mantida em sigilo também na organização requisitante ou solicitante, passando esta</p><p>a ser verdadeira detentora do sigilo.</p><p> Divulgação das informações</p><p>O §3º do art. 198 do CTN estipula casos nos quais as informações que, pelo seu conteúdo, estariam</p><p>protegidas pela regra do sigilo fiscal podem ser divulgadas – as informações deixam de ser sigilosas,</p><p>podendo inclusive ser veiculadas pela imprensa. É a seguinte a redação do dispositivo:</p><p> Permuta de informações sigilosas entre entes tributantes</p><p>Após a EC nº 42/2003, a própria Constituição Federal de 1988 passou a prever que as diversas</p><p>administrações tributárias atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros</p><p>e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio (art. 37, XXII). No âmbito da legislação</p><p>infraconstitucional, a colaboração recíproca é prevista no art. 199 do CTN, nos seguintes termos:</p><p>Tanto pelos termos constitucionais quanto pelos legais, a possibilidade de permuta de informações</p><p>é norma de eficácia limitada, por depender de lei de caráter geral ou de convênio que permita</p><p>a transferência do sigilo entre os signatários.</p><p>A previsão legal de colaboração entre os fiscos serve também de fundamento para o que a doutrina</p><p>denomina prova emprestada, ou seja, para a possibilidade de que uma prova produzida num</p><p>determinado processo administrativo fiscal seja reutilizada noutro, mesmo que conduzido em</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 198. [...]</p><p>§2º O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado</p><p>mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade</p><p>solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 198. [...]</p><p>§3º Não é vedada a divulgação de informações relativas a:</p><p>I – representações fiscais para fins penais;</p><p>II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública;</p><p>III – parcelamento ou moratória.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestar-</p><p>se-ão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações,</p><p>na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio.</p><p>Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou</p><p>convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da</p><p>fiscalização de tributos.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>diferente esfera administrativa. A possibilidade abrange as diversas espécies de prova (documental,</p><p>testemunhal, pericial, confessional etc.).</p><p>Para os que o defendem, o uso da prova emprestada tem fundamento no princípio da economia</p><p>processual, aproveitando-se no novo processo toda a atividade probatória, muitas vezes custosa, já</p><p>realizada no processo originário.</p><p>Segundo a jurisprudência dominante, para que tal possibilidade exista é fundamental o respeito</p><p>ao contraditório, tendo sido a prova emprestada produzida em processo em que se tenha assegurada</p><p>tal garantia ao mesmo sujeito contra quem a prova será novamente utilizada (STF, AI 741.193/PR;</p><p>STJ, REsp 81.094/MG).</p><p>Por fim, cabe registrar que, no âmbito internacional, a necessidade de permuta de informações</p><p>sigilosas também se faz presente. Há muito tempo as infrações fiscais e os crimes contra a ordem</p><p>tributária romperam as fronteiras dos Estados-nações, sendo impossível a qualquer deles fiscalizar</p><p>eficientemente as operações internacionais sem o intercâmbio de dados.</p><p>Dívida Ativa</p><p>Quando se deve ao Estado, a medida a ser providenciada é a inscrição do débito em dívida ativa,</p><p>de forma que esta é composta por débitos de origem tributária e não tributária.</p><p>A Lei das Execuções Fiscais retira qualquer efeito prático da distinção, ao tratar da mesma forma a</p><p>execução de ambas as modalidades. Especificamente tratando de matéria tributária, o CTN afirma:</p><p>Para ser qualificada como tributária, basta que a dívida ativa seja proveniente de crédito desta natureza</p><p>– o único objetivo da inscrição é possibilitar a futura execução fiscal. O título executivo que vai</p><p>aparelhar a futura ação de execução fiscal é a certidão de dívida ativa.</p><p>Em termos pragmáticos, inscrever em dívida ativa é incluir um devedor num cadastro em que</p><p>estão aqueles que não adimpliram suas obrigações no prazo.</p><p>No ato de inscrição, a Fazenda Pública unilateralmente declara que alguém deve e elabora um</p><p>documento que dá presunção de liquidez e certeza da existência de tal débito. A presunção,</p><p>todavia, admite prova em contrário (defesa do contribuinte), sendo, portanto, relativa (art. 204,</p><p>parágrafo único, do CTN).</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita</p><p>na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei</p><p>ou por decisão final proferida em processo regular.</p><p>CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova</p><p>pré-constituída.</p><p>Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova</p><p>inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite.</p><p>Material de uso exclusivo do aluno MARIANA DE CASTRO TRINDADE - CPF: 09995440636. Venda ou uso por terceiros expressamente proibidos.</p><p>CPF: 09995440636</p><p>Direito Tributário</p><p>Prof.ª. Fernanda Prata</p><p>Os requisitos do termo de inscrição estão estatuídos no art. 202 do CTN, conforme abaixo</p><p>transcrito:</p><p> Nulidade da Certidão de Dívida Ativa</p><p>Extrai-se do art. 203 do CTN que a omissão de quaisquer dos requisitos previstos no termo de</p><p>inscrição ou o erro a eles relativo é causa de nulidade da inscrição, o que contaminará a certidão e</p><p>o processo de cobrança decorrente (aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada).</p><p>O prejuízo que poderia ser gerado por imperfeição num termo de inscrição em dívida ativa ou na</p><p>certidão dele extraída seria, fundamentalmente, a criação de dificuldades para o exercício do</p><p>direito a defesa. Nesse caso, haveria plena aplicabilidade da regra que exige a proclamação da</p><p>nulidade do termo e dos atos dele decorrentes.</p><p>Entretanto, se os vícios não prejudicam a defesa, não se deve proclamar a nulidade, e o</p>