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<p>Contabilidade de</p><p>Custos</p><p>12</p><p>AULA</p><p>Maxwell dos Santos Celestino, Prof. Dr.</p><p>Universidade Federal do Rio Grande do Norte</p><p>Centro de Ciências Sociais Aplicadas</p><p>Departamento de Ciências Contábeis</p><p>1</p><p>Capítulo 17</p><p>CUSTEIO VARIÁVEL ou direto</p><p>MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 11. ed. – [4. Reimpr.]. – São Paulo: Atlas, 2022.</p><p>Sumário</p><p>CUSTEIO VARIÁVEL</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>CONCEITOS</p><p>Custeio variável</p><p>Margem de contribuição</p><p>Exemplo da distinção entre Custeio Variável e por Absorção</p><p>Razões do não uso do Custeio Variável nos balanços</p><p>RESUMINDO...</p><p>17.1 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>Ao final desta aula, o aluno deverá ser capaz de:</p><p>COMPREENDER o método de Custeio Variável.</p><p>ENTENDER a distinção entre Custeio Variável e Custeio por Absorção.</p><p>CONCILIAR os resultados obtidos pelos dois métodos.</p><p>17.2 INTRODUÇÃO</p><p>Devido a existência de diversos problemas na alocação arbitrária dos custos indiretos (fixos, especialmente) aos produtos, como: elevado grau de subjetividade no rateio dos custos indiretos; grande chance de distorção no custo de determinados produtos (ou de todos); entre outros e em função da grande utilidade do conhecimento do Custo Variável e da Margem de Contribuição, nasceu uma forma alternativa para custeamento, o sistema de custeio variável.</p><p>Neste método, somente são alocados aos produtos os custos variáveis, ou seja, aqueles custos que variam em função do volume de produção, enquanto os custos fixos são considerados como despesas do período e lançados diretamente para o resultado do exercício.</p><p>É melhor fabricar ou comprar; É interessante aceitar ou não encomendas ou pedidos especiais; Escolha de fabricação ou não de determinados produtos; PE = CF/MC; Margem de Segurança = Receita – PE; e Grau de Alavancagem Operacional = Var % Lucro Operacional / Var %.</p><p>5</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Até o presente momento, quando havíamos falado em Custos para avaliação de estoques, tínhamos estudado o que se denomina Custeio por Absorção.</p><p>Resume-se este no critério fartamente analisado por nós em que se apropriam todos os custos de produção, quer fixos, quer variáveis, quer diretos ou indiretos, e tão somente os custos de produção, aos produtos elaborados. E como vimos, não há, normalmente, grande utilidade para fins gerenciais no uso de um valor em que existam custos fixos apropriados.</p><p>❶</p><p>Por sua própria natureza, os custos fixos existem independentemente da produção ou não desta ou daquela unidade, e acabam presentes no mesmo montante, mesmo que oscilações (dentro de certos limites) ocorram no volume de produção; tendem os custos fixos a ser muito mais um encargo para que a empresa possa ter condições de produção do que sacrifício para a produção específica desta ou daquela unidade; são necessários muito mais para que a indústria possa operar, ter instalada sua capacidade de produção, do que para produzir uma unidade a mais de determinado produto.</p><p>Três grandes problemas concorrem para isso:</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>❷</p><p>Por não dizerem respeito a este ou àquele produto ou a esta ou àquela unidade, são quase sempre distribuídos à base de critérios de rateio, que contêm, em maior ou menor grau, arbitrariedades; quase sempre grandes graus de arbitrariedade.</p><p>A maior parte das apropriações é feita em função de fatores de influência que, na verdade, não vinculam efetivamente cada custo a cada produto, porque essa vinculação é muito mais forçada do que costumamos acreditar. Se, a fim de avaliar um produto para efeito de estoque, isso pode ser uma forma de minimizar injustiças, para efeito de decisão simplesmente mais confunde do que auxilia; o fato de se apropriar de uma forma pode alocar mais custo em um produto do que em outro, e, se alterarmos o critério de rateio, talvez façamos o inverso.</p><p>Por se alterar um procedimento de distribuição de custos fixos, pode-se fazer de um produto rentável um não rentável (aparentemente), ou transformar um superavitário em deficitário, e vice-versa.</p><p>E não há lógica em se alterar o grau de rentabilidade de um produto em função de modificações nas formas de rateio; essa é uma maneira de se autoenganar. (O uso do ABC ameniza esse problema.)</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>O valor do custo fixo por unidade depende ainda do volume de produção: aumentando-se o volume, tem-se um menor custo fixo por unidade, e vice-versa. Se se for decidir com base em custo, é necessário associar-se sempre ao custo global o volume que se tomou como base. Se a empresa estiver reduzindo um item por ser pouco lucrativo, pior ainda ficará sua posição, devido à diminuição do volume; ou, se um produto estiver com baixo lucro, o aumento de preço com base em seu alto custo poderá provocar uma diminuição de sua procura, e, consequentemente, reduzir seu volume, e assim aumentar ainda mais o custo de produção, num círculo vicioso. Pior do que tudo isso, o custo de um produto pode variar em função da alteração de volume de outro produto, e não da sua própria; ao se aumentar a quantidade dos outros bens elaborados, o montante a ser carregado para um determinado produto será diminuído, já que os custos fixos globais serão agora carreados mais para aquele item, cuja quantidade cresceu. O custo de um produto pode, então, variar em função não de seu volume, mas da quantidade dos outros bens fabricados.</p><p>❸</p><p>O gráfico ilustra que, para o mesmo preço de venda, o custo fixo unitário diminui quantas mais vendas a sua empresa fizer, ou seja o custo fixo unitário aproxima-se de zero quando o número de vendas é muito grande. Ao contrário do custo fixo, o custo variável unitário pode-se alterar ou não com o aumento nas vendas (dependendo de como a sua empresa opera) mas não tendem para zero. Assim, o custo total unitário é variável, diminuindo com aumentos na quantidade. Este custo total unitário “tende” (matematicamente) para o custo variável unitário com o aumento das vendas.</p><p>CO = Custo de Oportunidade é o valor do Capital Próprio multiplicado por a taxa desejada de lucro para o periodo, dividido pela Margem de Contribuição.</p><p>8</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Por tudo isso, e mais ainda pelo visto nos capítulos precedentes, chegou-se ao ponto de indagar:</p><p>se todas essas desvantagens e riscos existem em função da apropriação dos Custos Fixos aos produtos e se são eles muito mais derivados da necessidade de se colocar em condições de operar uma produção que tem pouca vinculação (de fato) a este ou àquele produto ou unidade, e, além disso, se são na maioria, senão na totalidade, repetitivos a cada período, por que não se deixar de alocá-los aos produtos, tratando-os como se fossem despesas (encargos de período)?</p><p>Nasceu assim o Custeio Variável (Custeio significa forma de apropriação de Custos), onde só são apropriados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo diretamente para o Resultado; para os estoques só vão, como consequência, custos variáveis.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Vimos até agora que a grande diferença com os sistemas tradicionais é a atenção voltada para a alocação dos CIFs.</p><p>No Custeio por Absorção, os custos indiretos são alocados por meio de critérios de rateio subjetivos e o ABC propõe o uso do Rastreamento por meio dos direcionadores.</p><p>O ABC surge com a ideia de reduzir a arbitrariedade dos critérios de rateio do Custeio por Absorção, visto como uma ferramenta importante para a gestão da empresa, mas que ainda é criticado pelo fato de rastrear os custos fixos e que mesmo os direcionadores podem ainda conter certo grau de subjetividade (Método custeio complexo e que leva tempo para sua apuração total; É preciso formular os próprios padrões de análise, o que necessita muita dedicação por parte da equipe; As informações buscadas podem não estar totalmente fidedignas; e Possui necessidade de revisão constante).</p><p>Para fins gerenciais eles podem não ter grande utilidade, principalmente por motivos como envolver a alocação dos custos</p><p>fixos, os quais existem independentemente da fabricação das unidades e pelo fato de a alocação de tais custos ser arbitrária, com base em critérios de rateio, o que pode mais confundir a empresa e levá-la a tomar decisões de modo errôneo.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Em função destes aspectos, surgiu o Custeio Variável, o qual filtra alguns pontos criticados do sistema por Absorção e do ABC, conforme ilustração a seguir:</p><p>Figura 1: Esquema de aplicação do Custeio Variável</p><p>Fonte: Adaptado de Martins (2010)</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Em função destes aspectos, surgiu o Custeio Variável, o qual filtra alguns pontos criticados do sistema por Absorção e do ABC, conforme ilustração a seguir:</p><p>Fonte: Adaptado de Martins (2010)</p><p>Esquema Básico do Custeio por Absorção</p><p>Esquema Básico do Custeio Variável</p><p>LIMA, EGITO e SILVA (2004)</p><p>LIMA, EGITO e SILVA (2004)</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Gerenciamento da Capacidade de Produção</p><p>Determinar o nível ótimo de produção para atender a demanda é fundamental para a eficiência e eficácia da administração da produção. O desequilíbrio entre a capacidade e a demanda pode ter consequências econômicas desastrosas para a organização. O desafio é harmonizar, em todos os níveis, o grau de capacidade produtiva com o nível de demanda a ser atendida com o menor custo possível. Para isso é fundamental o planejamento e controle da capacidade produtiva.</p><p>O que é capacidade?</p><p>A palavra capacidade é comumente associada à ideia de volume máximo, espaço ou quantidade máxima de alguma coisa (capacidade estática).</p><p>Capacidade de produção:</p><p>Para Stevenson (2001), refere-se ao teto de carga que uma unidade operacional pode suportar. Segundo Moreira (2004), é a quantidade máxima de produtos e/ou serviços que podem ser produzidos num determinado tempo.</p><p>Classificação das capacidades</p><p>A capacidade pode ser classificada em capacidade instalada, de projeto, efetiva ou de carga e realizada.</p><p>Capacidade instalada: É a quantidade máxima que um sistema produtivo pode produzir ininterruptamente desconsiderando as perdas. Portanto, é a capacidade produtiva obtida numa jornada de trabalho de 24 horas ignorando as paradas para manutenção e perdas decorrentes de erros de programação da produção. Exemplo: Uma refinaria de óleo tem capacidade de produzir 8 toneladas por hora. Qual é a capacidade instalada da refinaria?</p><p>Capacidade instalada = 8 ton. / hora x 24 horas x 30 dias = 8 x 24 x 30 = 5.760 toneladas por mês.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Gerenciamento da Capacidade de Produção</p><p>Classificação das capacidades</p><p>Capacidade disponível ou de projeto: refere-se à capacidade máxima de um sistema produtivo numa jornada de trabalho sem considerar as perdas envolvidas.</p><p>Exemplo: A refinaria do exemplo anterior tem 720 horas mensais de capacidade (24 x 30), sua capacidade disponível pode ser:</p><p>As tentativas de operar com a máxima capacidade disponível devem ser analisadas com cautela, pois, corre-se o risco de se operar em “deseconomia de escala”. Ou seja, aumenta-se o custo de produção com horas-extras, adicional noturno, e baixa qualidade e produtividade.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Gerenciamento da Capacidade de Produção</p><p>Classificação das capacidades</p><p>Capacidade efetiva ou de carga: capacidade efetiva nada mais é que a capacidade disponível subtraídas das perdas planejadas dessa capacidade. As perdas planejadas são: setups (tempo de preparação), manutenções preventivas, auditorias da qualidade, trocas de turnos, intervalos de operações, etc.</p><p>Capacidade realizada: é a capacidade real em determinado período. Nada mais é que a capacidade resultante a da subtração das perdas não planejadas da capacidade efetiva. As perdas não planejadas são: ausência de matéria-prima, funcionários, energia, máquinas; deficiências de qualidade, manutenção corretiva, etc.</p><p>Índices de Capacidade</p><p>Índice de Eficiência: indica a eficiência do sistema produtivo na realização das operações programadas.</p><p>Índice de Utilização: demonstra a percentagem de uso da capacidade disponível.</p><p>Índice de Disponibilidade: demonstra, percentualmente, quanto de um sistema produtivo encontra-se disponível.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Custos Fixos</p><p>São aqueles que ocorrem em função da manutenção da produção, independente da quantidade que venha a ser produzida dentro da capacidade instalada.</p><p>Assim, tanto faz produzir zero ou dez toneladas de produto, os custos fixos permanecerão os mesmos. Por exemplo, o aluguel pago para a utilização de um ponto comercial, independentemente do fato da empresa estar produzindo ou parada, ou de estar produzindo maior ou menor quantidade de bens ou serviços.</p><p>O gráfico, a seguir, ilustra o custo fixo:</p><p>Custos Fixos X Capacidade de Prod. Instalada</p><p>Espera-se que, quanto mais próximo do volume máximo de produção, menor seja o custo unitário produzido, devido à economia de escala proporcionada.</p><p>Observe no gráfico a seguir que a reta do custo fixo unitário não começa no zero, mas na primeira unidade produzida, pois nesse volume de produção é ela que absorve todo o custo.</p><p>Exemplos desses custos são o custo de aluguel, os salários do pessoal administrativo, honorários pagos ao escritório de contabilidade e a depreciação.</p><p>16</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Custos Variáveis</p><p>São aqueles que aumentam ou diminuem, conforme o volume de produção.</p><p>São exemplos desse comportamento os custos da matéria-prima (quanto mais se produz, maior a necessidade, portanto maior o custo) e da energia elétrica (quanto mais se produz, maior o número de máquinas e equipamentos elétricos, consequentemente maiores o consumo e o custo).</p><p>A representação gráfica do custo variável total é:</p><p>Custos Variáveis</p><p>Em razão do comportamento dos custos variáveis, espera-se que cada unidade produzida tenha o mesmo custo.</p><p>No gráfico a seguir, temos uma representação para o custo variável unitário.</p><p>Observe que a reta do custo variável unitário não inicia no zero, mas em uma unidade, pois na quantidade zero não ocorrem custos variáveis.</p><p>17</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Ponto de Equilíbrio Contábil: quando Receitas menos Custos e Despesas Totais dão resultado nulo.</p><p>PEC = CFTotal ÷ MCUn</p><p>Ponto de Equilíbrio Econômico: quando dão como resultado o Custo de Oportunidade do Capital Próprio empregado.</p><p>PEE = (CFTotal ÷ MCUn) + Custo de oportunidade</p><p>Ponto de Equilíbrio Financeiro: quando o valor das disponibilidades permanece inalterado, independentemente de haver resultado contábil ou econômico.</p><p>PEF = (CF + DF – (depreciação)) ÷ MCUn</p><p>MCUn = PVUn – (CVUn + DVUn)</p><p>CO = Custo de Oportunidade é o valor do Capital Próprio multiplicado por a taxa desejada de lucro para o periodo, dividido pela Margem de Contribuição.</p><p>18</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Custo Total</p><p>É a soma dos custos fixos mais os variáveis.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Em função destes aspectos, surgiu o Custeio Variável, o qual filtra alguns pontos criticados do sistema por Absorção e do ABC, conforme ilustração a seguir:</p><p>Figura 1: Esquema de aplicação do Custeio Variável</p><p>Fonte: Adaptado de Martins (2010)</p><p>No Custeio Variável, somente os custos variáveis de produção (aqueles que variam com a produção) são considerados custos do produto. Isto normalmente abrange:</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>Nesse método, o custo indireto de fabricação fixo não é considerado custo do produto, mas sim custo do período, e é confrontado integralmente com as receitas do período (como é feito com as despesas no custeio por absorção).</p><p>Algumas empresas e autores o denominam como Custeio Direto, no entanto é uma terminologia que expressa de forma equivocada o uso desse custeio, pois o mesmo não considera todos os custos diretos, mas apenas os diretos variáveis.</p><p>A literatura contábil esclarece que quaisquer custos de fabricação fixos diretos e quaisquer custos diretos, que não sejam de fabricação (como os de marketing), não são considerados para a avaliação dos estoques; e o custeio variável considera como</p><p>custos dos produtos, custos diretos e indiretos.</p><p>Materiais diretos</p><p>Mão de Obra direta</p><p>A parte variável dos custos indiretos de fabricação</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.1 Custeio Variável</p><p>O Custeio Variável utiliza a margem de contribuição para evidenciar resultado, demonstrando o valor que cada unidade do produto excede a receita e o custo que de fato provocou.</p><p>Em outras palavras, no custeio variável só são agregados aos produtos seus custos variáveis e os custos fixos são tratados como despesas.</p><p>É importante ressaltar que este método não é aceito para fins externos (Fisco), porém fornece informações importantes como:</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.2 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO</p><p>Para conceituarmos o indicador de margem de contribuição, faz-se necessário relembrar a diferença entre custos variáveis e custos fixos:</p><p>Os variáveis são aqueles que alteram diretamente em função do volume produzido, como por exemplo, os materiais diretos</p><p>Os fixos são aqueles que não têm relação direta com o volume produzido. É o caso do aluguel da fábrica, que não varia em função da quantidade produzida</p><p>A margem de contribuição (MC):</p><p>Representa a quantia gerada pelas vendas capaz de cobrir os custos fixos e ter como resultado o lucro</p><p>É expressa em unidades monetárias (reais [R$], por exemplo) e pode ser apresentada na forma unitária ou total</p><p>É calculada pela diferença entre a receita e os custos e despesas variáveis</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.2 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO</p><p>Acompanhe:</p><p>Podemos perceber que a margem de contribuição torna mais claro o potencial de cada produto, serviço ou até mesmo de departamentos, unidades etc. demonstrando como cada um contribui (daí o nome contribuição) para a amortização dos custos (e despesas) fixos e, depois, para a geração do resultado.</p><p>Apuração Unitária Total</p><p>Receita de Vendas Unidade Unitária X Quantidade</p><p>( - ) Custos e despesas variáveis Unidade Unitária X Quantidade</p><p>( = ) Margem de contribuição (MC) Unidade Unitária X Quantidade</p><p>( - ) Custos e despesas fixas - Custos e despesas fixos</p><p>( = ) Resultado do exercício - Resultado do exercício</p><p>MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO (MC) representa a potencialidade de um ou vários produtos em cobrir os gastos fixos (custos e/ou despesas) de uma empresa, e ainda contribuir para a geração de resultados.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.2 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO</p><p>Vamos fazer um exemplo de aplicação do conceito de Margem de Contribuição.</p><p>A Shoes S/A é uma indústria de calçados responsável pela fabricação de botas e sapatos na região de São Paulo. O gestor da empresa apresentou a você os seguintes dados:</p><p>O gestor possui uma verba para aplicar em Marketing nos produtos, mas não pode ser nos dois, precisa escolher apenas um deles. Com base nos dados anteriores o gestor pediu que você lhe ajudasse a definir qual produto deveria ter a venda incentivada pela campanha de Marketing.</p><p>Para isso, responda às seguintes questões:</p><p>Calcule a Margem de Contribuição unitária de cada produto.</p><p>Calcule a Margem de Contribuição Total de cada produto.</p><p>Qual produto deve ter sua venda incentivada? Por quê?</p><p>Informações Botas Sapatos</p><p>Quantidade produzida e vendida 5.000 4.000</p><p>Preço de venda $ 100/un. $ 80/un.</p><p>Material direto $ 40/un. $ 30/un.</p><p>Mão de Obra direta $ 5,5/un. $ 5,5/un.</p><p>Custos fixos $ 2,1/un. $ 1,5/un.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.2 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO</p><p>Seguindo a metodologia de cálculo da Margem de Contribuição, temos:</p><p>Margem de Contribuição unitária de cada produto:</p><p>Margem de Contribuição total de cada produto:</p><p>Informações Botas Sapatos</p><p>Preço de venda $ 100,00/un. $ 80,00/un.</p><p>( - ) Custos Variáveis $ -45,50/un. $ -35,50/un.</p><p>Material direto $ -40,00/un. $ -30,00/un.</p><p>Mão de Obra direta $ -5,50/un. $ -5,50/un.</p><p>( = ) Margem de Contribuição unitária $ 54,50/un. $ 44,50/un.</p><p>Informações Botas Sapatos</p><p>Preço de venda 500.000 320.000</p><p>( - ) Custos Variáveis -227.500 -142.000</p><p>Material direto -200.000 -120.000</p><p>Mão de Obra direta -27.500 -22.000</p><p>( = ) Margem de Contribuição Total 272.500 198.000</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.2 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO</p><p>Margem de Contribuição total de cada produto:</p><p>Informações Botas Sapatos</p><p>Preço de venda 500.000 320.000</p><p>( - ) Custos Variáveis -227.500 -142.000</p><p>Material direto -200.000 -120.000</p><p>Mão de Obra direta -27.500 -22.000</p><p>( = ) Margem de Contribuição Total 272.500 198.000</p><p>Diante dos resultados você poderia dizer ao gestor para ele incentivar a venda das botas, pois é o produto com maior potencialidade para contribuir com a absorção dos custos fixos e gerar resultado (maior margem de contribuição).</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.2 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO</p><p>Resumindo</p><p>ML= LUCRO / PVP x 100</p><p>Sendo que,</p><p>ML - Margem de Lucro</p><p>PVP - Preço de Venda ao Público</p><p>CP - Custo de Produção/Aquisição</p><p>MC - Margem de Contribuição</p><p>CVu - Custo Variável Unitário</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.3 Exemplo da distinção entre Custeio Variável e por Absorção</p><p>Para se ter bem uma ideia de quais as diferenças que existiriam na Demonstração de Resultados e no Balanço com o uso alternativo de Custeio Variável e de Custeio por Absorção, façamos a seguinte hipótese: Uma indústria, elaborando um único produto, tem a seguinte movimentação:</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.3 Exemplo da distinção entre Custeio Variável e por Absorção</p><p>A indústria apropria seus custos pelo Custeio por Absorção e avalia seus estoques à base do PEPS (ou FIFO). Os dados para a elaboração das Demonstrações de Resultado e fixação dos valores dos estoques finais para cada ano são calculados assim:</p><p>+</p><p>=</p><p>+</p><p>=</p><p>+</p><p>=</p><p>+</p><p>400.000</p><p>320.000</p><p>630.000</p><p>150.000</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.3 Exemplo da distinção entre Custeio Variável e por Absorção</p><p>Analisando o Quadro 17.2 com os resultados dos quatro anos, notamos que, ao passar a empresa de $3.000.000 para $4.500.000 em vendas, teve seu resultado diminuído de $400.000 para $320.000.</p><p>Houve aumento de 50% nas vendas, mas uma queda de 20% no lucro!</p><p>Nada há de errado nos cálculos, e sabemos que o problema se deve ao seguinte: a produção foi grande no primeiro ano, com baixo custo unitário ($65/un.), mas foi reduzida no segundo, aumentando esse valor ($72/un.). Apesar do grande acréscimo das vendas, o aumento do custo unitário foi mais relevante e acabou por provocar esse lucro final reduzido. Quanto aos estoques, caíram 50%, de 20.000 un. para 10.000 un. do 1º para o 2º ano, mas não houve tal redução em reais, devido também ao mesmo problema. De qualquer forma, fica uma dúvida para quem não estiver totalmente acostumado com os problemas de custos, pois não seria de se esperar que acréscimo tão grande nas vendas não viesse também acompanhado de lucros maiores.</p><p>No 3º ano houve uma redução de 16,7% nas vendas, em comparação com o 2º, mas os lucros aumentaram em 96,9%. As explicações são as mesmas: com a produção de 70.000 un. no 3º ano, o custo unitário caiu para $60/un., o que provocou um grande lucro, apesar de as primeiras vendas serem feitas com produtos remanescentes do ano anterior.</p><p>No 4º ano há outro acréscimo violento nas vendas (40%), mas outra vez o resultado reagiu de forma diferente, caindo 76%. Vendeu-se como nunca, mas obteve-se o menor lucro.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.3 Exemplo da distinção entre Custeio Variável e por Absorção</p><p>Como ficariam as demonstrações desses mesmos períodos sob o Custeio Variável?</p><p>Só se agregaria ao produto seu custo variável, passando os custos fixos a serem alocados integralmente para o resultado do período em que tivessem sido incorridos; assim, cada unidade estocada estaria sempre, independentemente do volume de produção de que participou, avaliada por $30,00. Teríamos, então:</p><p>Podemos verificar aqui que, aumentando-se as vendas, aumenta-se também o lucro; reduzindo-se o faturamento, cai o resultado. Não há, é claro, relacionamento igual em ambos em termos percentuais: aumentando-se as vendas em 50% no 2º ano, temos uma melhoria no resultado de 300%, passando de negativo de $ 300.000 para positivo de $ 600.000. Ao cair o faturamento em 16,7%, do 2º para o 3º ano, caiu o lucro em 75%. Isso é fácil de se explicar, já que, de diferentes valores de margem de</p><p>contribuição é sempre deduzido o mesmo montante de custo fixo. Basta ver que as alterações dos valores das margens de contribuição são, estas sim, exatamente iguais às das vendas em termos percentuais.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.3 Exemplo da distinção entre Custeio Variável e por Absorção</p><p>Mas uma melhor visualização podemos obter elaborando um gráfico para poder comparar os dois lucros, o obtido pelo Absorção e o dado pelo Variável, com as Vendas.</p><p>Pode-se notar no gráfico que o resultado pelo Custeio Variável sempre acompanha a inclinação das Vendas, enquanto pelo Absorção isso não ocorre necessariamente.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.3 Exemplo da distinção entre Custeio Variável e por Absorção</p><p>A diferença de valores de resultado entre um critério e outro está sempre localizada no custo fixo incorporado aos estoques. No fim do 1º ano, por exemplo, o Absorção mostra um estoque de $1.300.000, correspondente a 20.000 un. pelo custo unitário de $65. Pelo Variável é de $600.000, com o custo unitário de $30. A diferença, de 20.000 un. × $35 ($700.000), é o valor dos custos fixos incorporados pelo Absorção ao estoque, e é exatamente a diferença entre o lucro de um e outro critério (lucro de $400.000 para prejuízo de $300.000).</p><p>No fim do 2º ano, o Absorção tem $720.000 de estoques, correspondentes a 10.000 un. pelo valor unitário de $72. A diferença com o Variável é de $420.000, mas a diferença no lucro é de $280.000 ($320.000 – $600.000), porém ocorre que no resultado pelo Absorção do 2º ano estão alocados aqueles $700.000 de custo fixo estocado no fim do 1º ano. Houve, portanto, uma redução nos custos fixos do estoque de $280.000 ($700.000 – $420.000), e daí a diferença no resultado. Sempre esta última está definida em função dos custos fixos ativados.</p><p>17.3 CONCEITOS</p><p>17.3.4 Razões do não uso do Custeio Variável nos balanços</p><p>Do ponto de vista decisorial, verificamos que o Custeio Variável tem condições de propiciar muito mais rapidamente informações vitais à empresa; também o resultado medido dentro do seu critério parece ser mais informativo à administração, por abandonar os custos fixos e tratá-los contabilmente como se fossem despesas, já que são quase sempre repetitivos e independentes dos diversos produtos e unidades.</p><p>Mas, os PRINCÍPIOS CONTÁBEIS hoje aceitos não admitem o uso de Demonstrações de Resultados e de Balanços avaliados à base do Custeio Variável; por isso, esse critério de avaliar estoque e resultado não é reconhecido pelos Contadores, pelos Auditores Independentes e tampouco pelo Fisco.</p><p>O Custeio Variável de fato fere as Normas Contábeis, principalmente o Regime de Competência.</p><p>Segundo o Regime de Competência, devemos apropriar as receitas e delas deduzir todos os sacrifícios envolvidos para sua obtenção.</p><p>Ora, se produzimos hoje, incorremos hoje em custos que são sacrifícios para a obtenção das receitas derivadas das vendas dos produtos feitos, e essas vendas poderão em parte vir amanhã. Não seria, dentro desse raciocínio, muito correto jogar todos os custos fixos contra as vendas de hoje, se parte dos produtos feitos só será vendida amanhã; deve então também ficar para amanhã uma parcela dos custos, quer variáveis, quer fixos, relativos a tais produtos.</p><p>Lembramos que no Brasil o Custeio por Absorção está contemplado no Pronunciamento Técnico CPC 16, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que trata da valoração de estoques, nos itens 12 a 14, justificando dessa forma a ainda não aceitação do Custeio Variável para efeitos de Balanços e Resultados.</p><p>Entretanto, essa situação poderá vir a mudar no futuro.</p><p>A seguir, estão contemplados os principais assuntos discorridos no capítulo:</p><p>No Custeio Variável, só são agregados aos produtos seus custos variáveis, considerando-se os custos fixos como se fossem despesas.</p><p>Nas Demonstrações à base do Custeio Variável obtém-se um lucro que acompanha sempre a direção das Vendas, o que não ocorre com o Absorção.</p><p>O Custeio Variável não é válido para Balanços de uso externo, deixando de ser aceito tanto pela Auditoria Independente quanto pelo Fisco.</p><p>17.4 Resumindo...</p><p>Bibliografia</p><p>Referências</p><p>LIMA, Gerlando Augusto Sampaio Franco de, EGITO, Meline Oliveira Tabosa do e SILVA, José Dionísio Gomes da. Utilização de informações de custos no processo gerencial: estudo comparativo entre a hotelaria do Estado do Rio Grande do Norte e a região nordeste, sob a ótica da gestão econômico-financeira. Revista Contabilidade & Finanças [online]. 2004, v. 15, n. spe [Acessado 19 Julho 2022] , pp. 106-116. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1519-70772004000400008>. Epub 09 Jun 2011. ISSN 1808-057X. https://doi.org/10.1590/S1519-70772004000400008.</p><p>MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 11. ed. – [4. Reimpr.]. – São Paulo: Atlas, 2022.</p><p>STENSON, Willian J. Administração das operações de produção. Rio de Janeiro: LTC, 2001.</p><p>http://www.bwsconsultoria.com/2011/04/gerenciamento-da-capacidade-de-producao.html</p><p>37</p><p>image2.jpeg</p><p>image3.jpeg</p><p>image4.jpeg</p><p>image5.jpeg</p><p>image6.jpeg</p><p>image19.png</p><p>image7.jpeg</p><p>image20.jpeg</p><p>image9.jpeg</p><p>image1.jpeg</p><p>image21.wmf</p><p>image10.jpeg</p><p>image22.png</p><p>image23.jpeg</p><p>image24.jpeg</p><p>image25.jpeg</p><p>image26.png</p><p>image27.png</p><p>image28.jpeg</p><p>image29.png</p><p>image30.png</p><p>image31.jpeg</p><p>image32.jpeg</p><p>image33.png</p><p>image34.png</p><p>image35.png</p><p>image36.png</p><p>image37.png</p><p>image38.png</p><p>image39.png</p><p>image40.png</p><p>image41.png</p><p>image42.png</p><p>image43.png</p><p>image44.gif</p><p>image45.png</p><p>image46.png</p><p>image47.png</p><p>image48.png</p><p>image49.png</p><p>image50.png</p><p>image51.png</p><p>image52.png</p><p>image53.png</p><p>image54.png</p><p>image55.png</p><p>image56.png</p><p>image57.png</p><p>image17.jpeg</p><p>image58.gif</p><p>image59.jpeg</p>