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<p>ODONTOLOGIA LEGAL EM CASOS DE TRAGÉDIAS AMBIENTAIS: BRUMADINHO</p><p>José Natan Raimundo da Silva</p><p>01332824</p><p>Odontologia</p><p>TEXTO: A odontologia legal busca “a aplicação dos conhecimentos da ciência odontológica a serviço da Justiça” (MOACYR, 1997), podendo está presente em diversas situações, tais como: atuar em perícias criminais, tanatologia forense, identificação humana e nas resoluções de crimes (COUTINHO et al., 2013, p. 218). Um dos maiores desastres ambientais do Brasil aconteceu em 25 de janeiro de 2019 e destruiu uma pequena cidade em Minas Gerais, sendo 272 vidas perdidas em Brumadinho, após o rompimento de uma barragem da mineradora Vale, levando meses para a identificação dos corpos. Para casos de tragédias como essa, ao que se refere à identificação humana, é importante considerar que “‘identidade’ é um conjunto de características físicas, funcionais ou psíquicas, normais ou patológicas, que definem um indivíduo” (Krishnappa et al. 2013, pág. 53) e, identificação é o processo pelo qual se estabelece a identidade de um indivíduo (DARUGE, DARUGE JÚNIOR e FRANCESQUINI JÚNIOR, 2017.</p><p>Um dos métodos de identificação humana da odontologia legal é a análise das arcadas dentárias. Sweet (2010) afirma que é um dos métodos científicos mais eficientes e econômicos, considerando que “as características dos dentes, como tamanho, forma e disposição, são reconhecidas como únicas, diferenciando indivíduos e podem identificar pessoas vivas ou mortas” (SWEET, 1996). Outro método odontolegista é a rugoscopia palatina, “por serem permanentes e únicas para cada indivíduo podem ser utilizadas na identificação inclusive daqueles que não possuem dentes na cavidade oral” (POOJYA et al., 2015). A queiloscopia é um outro método, consiste no estudo das impressões labiais formadas pelas rugas e sulcos dos lábios (ACHARYA e SIVAPATHASUNDHARAM, 2006 apud SHARMA, SAXENA e RATHOD, 2009). Ainda, as radiografias do seio frontal da face, também é um método odontolegista que identifica o contorno, forma, área, simetria, ausência de septos e septos parciais (PEREIRA et al., 2021; DA SILVA et al., 2008.</p><p>Esses métodos mencionados (análise das arcadas dentárias, rugoscopia palatina, queiloscopia e radiografias do seio frontal da face) podem vir a contribuir na identificação de vítimas em tragédias como a de Brumadinho, como de fato aconteceu, onde foi permitido que realizasse procedimentos da odontologia legal para reconhecimento das vítimas, que é feita a partir da arcada dentária, por ser considerado o mais eficiente e leva a identificação de fato. Portanto, conclui-se, que a odontologia legal é um método primário que dispensa outros métodos complementares na identificação humana, efetivando assim sua importância em casos de tragédias.</p><p>REFERÊNCIAS:</p><p>ACHARYA Ashith B.; TAYLOR, J. A. Are a minimum number of concordant matches needed to establish identity in forensic odontology? Journal Forensic Odontostomatology. Junho, 2003.</p><p>COUTINHO, Carine Gomes Valois et al. O papel do odontolegista nas perícias criminais. Rev Odonto. 2013; 18 (2): 217-223.</p><p>DARUGE, E. et al. Tratado de Odontologia Legal e Deontologia, 1ª ed. Editora Santos. 2017.</p><p>KRISHNAPPA, Srinath et al. Palatal rugoscopy: Implementation in forensic odontology – A review. Journal Advanced Medical and Dental Sciences Research. 2013.</p><p>Pereira, J. G. D., et al. Frontal sinuses as tools for human identification: a systematic review of imaging methods. Dentomaxillofac Radiol. Julho de 2021;50(5):20200599. doi: 10.1259/dmfr.20200599. Epub 2021 Apr 9. PMID: 33835861.</p><p>POOJYA, R., et al. Palatal Rugae Patterns in Edentulous Cases, Are They A Reliable Forensic Marker? International Journal of Biomedical Science: IJBS. Setembro de 2015.</p><p>SILVA, Moacyr. Compêndio de Odontologia Legal. São Paulo: Medsi; 1997.</p><p>SWEET, David. Forensic dental identification. Forensic Science International. Setembro, 2010.</p><p>SWEET, David. et al. Forensic dentistry: a review of its scope and application. Journal of the Canadian Society of Forensic Science. Janeiro, 1996.</p>