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<p>CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR</p><p>2</p><p>Sumário</p><p>NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................ 4</p><p>CAPÍTULO 1 ...................................................................................................... 5</p><p>PROGRAMA DE CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR (PCIH) .............. 5</p><p>CAPÍTULO 2 ...................................................................................................... 7</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE: DEFINIÇÕES INFECÇÃO HOSPITALAR ............... 7</p><p>CAPÍTULO 3 .................................................................................................... 10</p><p>PREVENÇÃO E CONTROLE DAS INFECÇÕES HOSPITALARES E O</p><p>PROCESSO DE FORMAÇÃO/EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR ............................ 10</p><p>CAPÍTULO 4 .................................................................................................... 12</p><p>REPENSANDO ESTRATÉGIAS ...................................................................... 12</p><p>CAPÍTULO 5 .................................................................................................... 14</p><p>INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE (IRAS) ............... 14</p><p>CAPÍTULO 6 .................................................................................................... 18</p><p>HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS ........................................................................... 18</p><p>INSUMOS NECESSÁRIOS .......................................................................... 19</p><p>INDICAÇÕES PARA HIGIENE DAS MÃOS ................................................. 19</p><p>RECOMENDAÇÕES PARA HIGIENE DAS MÃOS ...................................... 20</p><p>HIGIENIZAÇÃO SIMPLES DAS MÃOS (COM ÁGUA E SABONETE LÍQUIDO)</p><p>................................................................................................................................ 21</p><p>HIGIENE DAS MÃOS COM ÁLCOOL GEL .................................................. 23</p><p>HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS COM SOLUÇÃO ANTISSÉPTICA ................. 27</p><p>RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS DE</p><p>ACORDO COM AS CATEGORIAS DE EVIDÊNCIA .............................................. 28</p><p>CAPÍTULO 7 .................................................................................................... 30</p><p>CUIDADOS ESPECIAIS .................................................................................. 30</p><p>3</p><p>Cuidado com o uso de luvas ........................................................................ 30</p><p>Cuidados com a pele das mãos ................................................................... 31</p><p>Os seguintes comportamentos devem ser evitados: .................................... 31</p><p>Os seguintes princípios devem ser seguidos: .............................................. 32</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 33</p><p>4</p><p>NOSSA HISTÓRIA</p><p>A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários,</p><p>em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-</p><p>Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços</p><p>educacionais em nível superior.</p><p>A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de</p><p>conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no</p><p>desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além</p><p>de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que</p><p>constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de</p><p>publicação ou outras normas de comunicação.</p><p>A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma</p><p>confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base</p><p>profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições</p><p>modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,</p><p>excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.</p><p>5</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>PROGRAMA DE CONTROLE DE INFECÇÃO</p><p>HOSPITALAR (PCIH)</p><p>As Infecções Hospitalares (IHs) têm merecido atenção do país e do mundo,</p><p>porque envolvem uma questão de saúde pública devido ao aumento da morbidade – o</p><p>que eleva, consideravelmente, os custos hospitalares –, e da mortalidade dos</p><p>pacientes, que poderiam ser evitados. Diante desses fatores, ficam evidentes a</p><p>preocupação e o esforço para conhecer a magnitude das IHs, bem como identificar</p><p>uma maneira de evitá-las de forma resolutiva e eficaz. Vários estudos foram realizados</p><p>com o propósito de mostrar que, mediante programas de controle e vigilância intensiva</p><p>das infecções, é possível a redução das taxas de incidência das IHs.</p><p>No Brasil, no intuito de melhorar o controle das IHs, criou-se, por exigência legal,</p><p>o Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) nas instituições hospitalares,</p><p>definido como um conjunto de ações que visam à redução máxima possível da</p><p>incidência e gravidade das infecções hospitalares.</p><p>Além da obrigatoriedade desse Programa, a partir de 1998, estabeleceu-se</p><p>também sua estrutura e operacionalização. Quanto à estrutura, foi criada a</p><p>Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), órgão de assessoria à</p><p>autoridade máxima da instituição de saúde e também de execução das ações de</p><p>controle das infecções hospitalares. Além disso, foi estabelecido que os membros</p><p>executores da CCIH representassem o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar</p><p>(SCIH). Definiu-se ainda o trabalho a ser realizado pelo PCIH, tendo como principal</p><p>ação a vigilância epidemiológica.</p><p>É fundamental que as atividades de prevenção e controle das IHs</p><p>permaneçam na linha de frente e na base das instituições hospitalares. Para isso,</p><p>é imprescindível a instalação de um PCIH que sustente e qualifique ações e</p><p>atividades mínimas de controle e prevenção.</p><p>6</p><p>Acredita-se que estas reflexões estejam, em muito, determinadas por uma série</p><p>de indagações, (des)conhecimentos e pré-conceitos que norteiam a temática infecção</p><p>hospitalar, uma vez que se constitui em um campo de conhecimento recente. Apesar</p><p>de a história nos mostrar que a infecção hospitalar é tão antiga quanto a existência dos</p><p>hospitais, como tema que merece espaço de discussão tanto nas instituições de</p><p>assistência à saúde quanto nas instituições acadêmicas de formação profissional,</p><p>emerge de pouco tempo se comparado com a institucionalização da assistência.</p><p>Em contrapartida à existência destas reflexões, o que se visualiza é o fato de</p><p>que, muitas vezes, as ações que se processam na prática cotidiana dos hospitais, se</p><p>sucedem de forma repetitiva, mecanicista, como se o processo de "fazer" ocorresse de</p><p>forma dissociada do processo de "refletir". Infere-se isto, pelo fato de acreditar que o</p><p>processo de reflexão-ação, ou seja, que o fazer refletido, conduziria a uma realidade</p><p>diferenciada no que concerne às taxas de infecção hospitalar existente nos hospitais</p><p>brasileiros, taxas estas que refletem, concretamente, as ações de prevenção e controle</p><p>destas infecções, ou seja, possibilitam mensurar a eficácia e a eficiência das referidas</p><p>ações coletivas.</p><p>É como se aquela preocupação/reflexão com as infecções hospitalares pairasse</p><p>em uma esfera diferenciada da execução propriamente dita da assistência aos</p><p>pacientes/clientes, não interferindo neste processo.</p><p>Na tentativa de aproximar estes questionamentos de subsídios que busquem</p><p>respondê-los, far-se-á uma reflexão sobre as interfaces da ocorrência das infecções</p><p>hospitalares e o processo de formação do trabalhador, acreditando que a</p><p>construção/formação do ser humano se dá na práxis, que resulta da unidade dialética</p><p>entre teoria e prática, entre pensar e agir.</p><p>Esta unidade, por sua vez, não é algo mecânico, harmônico, mas traz</p><p>a marca</p><p>dos conflitos, avanços e recuos do processo histórico. Cabe, ainda, referir que teoria e</p><p>prática são dimensões do agir humano, assim sendo, a ação do trabalhador da saúde,</p><p>nesta consideração particular, ocorre em si mesmo e no mesmo espaço, seja nas</p><p>instituições de assistência à saúde, seja nas instituições acadêmicas de formação.</p><p>7</p><p>Entende-se esta unidade dialética não na sua origem, no ser humano potencial,</p><p>mas sim ao concretizar-se em diferentes espaços sociais, nos quais os seres humanos</p><p>assumem diferentes posições que numa aparência imediata se diferem entre si por um</p><p>fazer ou um agir, mas que esta aparência toma forma conjunta nas ações políticas</p><p>destes seres diferentes quando se encontram nos mesmos espaços de atuação.</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE: DEFINIÇÕES INFECÇÃO</p><p>HOSPITALAR</p><p>É premente que seja feito um resgate teórico sobre infecção hospitalar, devido</p><p>a complexidade que envolve esta temática, resgate este, no entanto, que pretende</p><p>pontuar apenas certos aspectos fundamentais, objetivando suscitar reflexões coletivas.</p><p>Segundo Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 1998, do Ministério da Saúde (MS),</p><p>Infecção Hospitalar (IH) é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se</p><p>manifeste durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a</p><p>internação ou procedimentos hospitalares.</p><p>Tal Portaria apresenta, também, os critérios gerais que auxiliam na definição das</p><p>infecções hospitalares. Os critérios, elencados pelo Ministério da Saúde são:</p><p> quando, na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção</p><p>comunitária (infecção comunitária é aquela constatada ou em incubação</p><p>no ato de admissão do paciente, desde que não relacionada com</p><p>internação anterior no mesmo hospital), foi isolado um germe diferente,</p><p>seguido do agravamento das condições clínicas do paciente;</p><p> quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não</p><p>houver evidência clínica e/ou dado laboratorial de infecção no momento</p><p>da internação, convenciona-se infecção hospitalar toda manifestação</p><p>clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas</p><p>após a admissão;</p><p>8</p><p> são também convencionadas infecções hospitalares aquelas</p><p>manifestadas antes de 72 (setenta e duas) horas da internação, quando</p><p>associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos, realizados</p><p>durante este período;</p><p> as infecções nos recém-nascido são hospitalares, com exceção das</p><p>transmitidas de forma transplacentária e aquelas associadas a bolsa rota</p><p>superior a 24 (vinte e quatro) horas;</p><p> os pacientes provenientes de outro hospital que internam com infecção,</p><p>são considerados por portadores de infecção hospitalar do hospital de</p><p>origem. Para o hospital onde interna, é considera da como infecção</p><p>comunitária.</p><p>Caracterizar os casos de infecção hospitalar, a partir destes critérios é de</p><p>extrema relevância, pois o cálculo das taxas de infecção hospitalar encontra, nesta</p><p>caracterização, um dos dados que permite sua elaboração.</p><p>As infecções hospitalares advêm, em parte, de situações especiais do corpo</p><p>humano, as quais causam alterações na condição orgânica e imunológica do</p><p>paciente/cliente, deixando-os mais suscetíveis, na relação com o ambiente hospitalar,</p><p>à adquirir infecções (extremos de idade, doenças imunossupressoras, entre outros).</p><p>Por outro lado, advém desta mesma relação, com a organização do trabalho que se</p><p>mostra diretamente na ação do trabalhador, que justifica, através da necessidade</p><p>apresentada pelos indivíduos, a utilização de procedimentos invasivos, no processo de</p><p>cuidados diretos.</p><p>Quanto a isto, salienta-se que cerca de 1/3 ou 1/2 de todas as infecções</p><p>hospitalares podem ser prevenidas. Este dado serve de alerta para as equipes atuantes</p><p>nas CCIHs e para toda a comunidade hospitalar. Se muito da ocorrência destas</p><p>infecções está na dependência da organização do trabalho, na referência da</p><p>assistência prestada pelas equipes aos pacientes/clientes e se, no mínimo um terço</p><p>pode ser evitada, está posto na ação do trabalho desenvolvida pelo trabalhador que,</p><p>9</p><p>por meio de sua mente e mãos, imprime movimento organizativo ao trabalho, a</p><p>responsabilidade por esta redução.</p><p>Esta responsabilidade, no entanto, exige instrumentos de saber que se</p><p>expressam por fundamentação teórica e experiência prática. Exige, também, reflexão</p><p>sobre as ações realizadas no cotidiano de trabalho e sua necessidade real.</p><p>Requer, ainda, a compreensão de que a prevenção e o controle das infecções</p><p>hospitalares (no sentido da vigilância à saúde no ambiente hospitalar) não está posta</p><p>apenas na existência de um órgão prescritivo e normativo, como a Comissão de</p><p>Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), mas sim, na construção conjunta de um</p><p>trabalho, no qual cada trabalhador da área da saúde apreenda de que este problema é</p><p>coletivo, mesmo aparecendo, de imediato, no corpo de um individuo sozinho.</p><p>Desta forma, a vigilância da infecção hospitalar (controle e prevenção) será</p><p>entendida e orientará a organização do trabalho de forma que, a co-responsabilidade</p><p>permeie o conjunto dos trabalhadores em suas diferentes posições e categorias na</p><p>instituição.</p><p>De nada adianta a CCIH normalizar e instituir medidas de prevenção das</p><p>infecções se a comunidade hospitalar como um todo, não participar destas</p><p>normatizações, pois conhecedora da realidade de trabalho, e se não houver adesão</p><p>individual e coletiva, o que pressupõe participação co-responsável.</p><p>Outra reflexão importante quando se fala em participação coletiva, está no fato</p><p>de que as ações de prevenção e controle das infecções hospitalares devem ser</p><p>entendidas como uma prática articulada de vigilância à saúde, cujo limite de realização</p><p>está no ambiente hospitalar, mas que compõe parcela da vigilância à saúde nas esferas</p><p>de gestão municipal, estadual e federal. Partindo deste pressuposto, percebe-se que a</p><p>vigilância das infecções hospitalares, se em consonância com a vigilância em saúde</p><p>dos municípios e estados, estará desenvolvendo suas ações pautadas em indicadores</p><p>outros que não só da instituição onde está inserida a CCIH, de modo a ampliar a</p><p>abrangência de tais ações e de contextualizá-las na realidade local, regional e não</p><p>apenas institucional.</p><p>10</p><p>Esta articulação denota a participação coletiva de diferentes profissionais e,</p><p>portanto, de diferentes conhecimentos organizados na direção da redução das taxas</p><p>de infecção hospitalar, como problema de saúde pública geral e não apenas</p><p>institucional.</p><p>A reflexão sobre infecção hospitalar e suas interfaces com o processo de</p><p>formação do trabalhador exige, não só um resgate teórico da temática, como também</p><p>uma abordagem histórica, visando sua contextualização na realidade vivida.</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>PREVENÇÃO E CONTROLE DAS INFECÇÕES</p><p>HOSPITALARES E O PROCESSO DE</p><p>FORMAÇÃO/EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR</p><p>Para que haja prevenção e controle das infecções hospitalares, não se pode</p><p>prescindir de um processo de formação/educação permanente do trabalhador, tanto</p><p>pelas mudanças frequentes que invadem a área da saúde, o que exige uma produção</p><p>e reprodução constante de conhecimentos, quanto pela necessidade de que esta</p><p>produção de conhecimentos tenha aplicabilidade na prática cotidiana dos trabalhadores</p><p>da saúde.</p><p>O conhecimento, quando aplicado às ações de trabalho, ou seja, quando</p><p>utilizado como saber operante e orientador nas e das ações de trabalho, provoca</p><p>alterações no processo de trabalho, as quais irão intervir, sobremaneira, na qualidade</p><p>da assistência prestada, na redução das taxas de infecção hospitalar.</p><p>O processo de formação/educação do trabalhador no e pelo trabalho, está para</p><p>além dos treinamentos formais que, muitas vezes, compõem as ações educativas</p><p>institucionalizadas, ou seja, está embasada no processo de formação do trabalhador</p><p>que propicia</p><p>à reformulação de hábitos, a reflexão, a ação transformadora, uma</p><p>educação que é contínua no processo de trabalho, que é parte dele e que nele se</p><p>processa.</p><p>11</p><p>Esta visão de educação, como componente do processo de trabalho, permite ao</p><p>trabalhador, refletir sobre sua prática cotidiana, analisar cada ação realizada, possibilita</p><p>que fundamente suas ações em um saber previamente produzido e não na rotinização,</p><p>no fazer pelo fazer, que podem conduzir a uma alienação do trabalhador. Quanto mais</p><p>envolvido com seu fazer, menos partícipe de processo de trabalho torna-se o</p><p>trabalhador. Não participando das diferentes etapas que compõem seu cotidiano de</p><p>trabalho, tende a não compreender a importância das medidas de prevenção e controle</p><p>das infecções hospitalares na organização do trabalho, nas ações de todos</p><p>trabalhadores da saúde.</p><p>É como se a aplicabilidade prática destas medidas, estivesse atrelada aos</p><p>trabalhadores da CCIH, sem a necessidade da participação de cada um e de todos.</p><p>Esta visão de participação coletiva no processo de trabalho é possibilitada pela</p><p>formação pedagógica continuada do trabalhador no e pelo trabalho.</p><p>Para que isto aconteça, o processo de formação do trabalhador tem que ter seu</p><p>início, ainda, no espaço de formação acadêmica. Pouco se fala sobre infecção</p><p>hospitalar na academia. Existe um investimento no graduando, para que, durante sua</p><p>formação, adquira competência para executar um procedimento esperado em seu</p><p>exercício profissional, mas a ênfase à prática do controle de infecção fica a desejar.</p><p>Assim sendo, os currículos dos cursos de graduação da área da saúde devem</p><p>contemplar esta temática, de forma a oferecer, ao acadêmico, os conhecimentos</p><p>necessários para que possa analisar, criticamente, suas ações de trabalho, quando na</p><p>esfera da prevenção e controle das infecções hospitalares.</p><p>O conhecimento repassado, produzido na academia tende a ser aplicado,</p><p>reproduzido pelo trabalhador, quando inserido no mercado de trabalho. Portanto, é</p><p>fundamental que a formação do acadêmico da área da saúde contemple as ações de</p><p>prevenção e controle das infecções hospitalares.</p><p>Por outro lado, nos campos de práticas, onde professores e alunos vivenciam</p><p>suas experiências, esses não operam com o devido saber acerca do controle e</p><p>prevenção das infecções hospitalares de forma a estimular, no educando, curiosidade</p><p>científica e vontade de aprender. Pois é preciso entender que este saber é parcela de</p><p>seu conhecimento profissional, que lhe garante competência e compromisso para com</p><p>12</p><p>os indivíduos e famílias, para os quais desenvolve suas diferentes ações de cuidado</p><p>com melhor qualidade.</p><p>Neste sentido, a organização do trabalhado da saúde e, mais especificamente,</p><p>da enfermagem, por manter uma relação direta e constante com os pacientes/clientes</p><p>e familiares, deve preocupar-se em possibilitar que o processo de formação do</p><p>trabalhador no que concerne à prevenção e controle das infecções hospitalares,</p><p>aconteça.</p><p>CAPÍTULO 4</p><p>REPENSANDO ESTRATÉGIAS</p><p>Países como o Brasil, caracterizados pela destinação de pequena quantidade</p><p>de recursos financeiros para o setor saúde, têm, na prevenção e no controle da infecção</p><p>hospitalar, o atendimento a uma necessidade econômica, devido os elevados custos</p><p>que demandam os casos de infecção hospitalar. Não se quer dizer, com isto, que este</p><p>é o único ou mais importante objetivo das ações destinadas a este fim. No entanto,</p><p>estando os hospitais inseridos em um modo de produção capitalista, que visa a</p><p>produtividade, este aspecto é de extrema importância.</p><p>O desenvolvimento de ações voltadas à prevenção e ao controle das infecções</p><p>hospitalares, sem dúvida, influenciará na redução dos índices de morbidade e</p><p>mortalidade dos pacientes/clientes e na redução dos custos.</p><p>Para tanto, as ações de prevenção e controle das infecções hospitalares,</p><p>necessitam estar presente no cotidiano de todos os trabalhadores da área da saúde,</p><p>pois não se faz prevenção sem a participação solidária de todos.</p><p>Além da participação de todos, a prevenção acontece vinculada ao processo de</p><p>formação do trabalhador. Sem o conhecimento necessário sobre as medidas de</p><p>prevenção, sem a aplicabilidade, na organização do trabalho, deste conhecimento, é</p><p>provável que ações de controle venham a ser desenvolvidas com maior ênfase do que</p><p>as voltadas à prevenção. Na saúde, o processo de formação/educação visa,</p><p>13</p><p>principalmente, criar condições para mudanças de comportamento, mudanças estas,</p><p>embasadas na crítica reflexiva da prática diária e na produção do conhecimento.</p><p>O trabalho em equipe, tanto dentro das CCIHs como nas demais dependências</p><p>hospitalares onde se dá a assistência, é crucial para que os diferentes conhecimentos</p><p>que caracterizam cada área específica de atuação, uma vez postos em discussão,</p><p>possibilitem a construção de um novo conhecimento, o qual, inserido no cotidiano</p><p>destes trabalhadores, conduza a redução da ocorrência de casos de infecção</p><p>hospitalar. A interdisciplinaridade, própria do trabalho em equipe, traduz a necessidade</p><p>posta na forma de organização do trabalho, para que a prevenção seja uma constante</p><p>nas ações dos trabalhadores.</p><p>As políticas voltadas à prevenção e ao controle das infecções hospitalares, tanto</p><p>as macro políticas (governamentais) quanto à micro políticas (institucionais), desde sua</p><p>elaboração até sua implementação e supervisão, necessitam contar com a participação</p><p>dos trabalhadores envolvidos com a assistência aos pacientes/clientes em hospitais.</p><p>Havendo participação coletiva, produção de conhecimentos com sua aplicação</p><p>nas ações da prática cotidiana, políticas elaboradas e supervisionadas quanto ao seu</p><p>cumprimento, fortalecimento das ações de prevenção, certamente resultados</p><p>expressivos no tocante às infecções hospitalares serão alcançados.</p><p>Há que se salientar, que a formação acadêmica dos futuros trabalhadores da</p><p>área da saúde, não prescinde da discussão e reflexão sobre esta temática, abrindo</p><p>assim, espaço para uma atuação profissional pautada no conhecimento construído em</p><p>conjunto.</p><p>Vale destacar, ainda, que a prevenção e o controle das infecções hospitalares</p><p>não acontecem em um contexto dissociado da formação/educação do trabalhador em</p><p>seu espaço/ambiente de trabalho. Isto posto, depreende-se a necessidade de que o</p><p>processo de trabalho na área da saúde contemple, em sua organização, o processo</p><p>educativo, que é capaz de desacomodar para transformar.</p><p>Transformação esta no sentido de disseminar, entre os trabalhadores da saúde,</p><p>as ações de prevenção e controle das infecções hospitalares, para que se possa</p><p>melhorar a qualidade de vida da população brasileira.</p><p>14</p><p>CAPÍTULO 5</p><p>INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À</p><p>SAÚDE (IRAS)</p><p>A problemática das Infecções Hospitalares ainda consiste em grande desafio</p><p>para a saúde pública em todo o mundo. Estas infecções prolongam o tempo de</p><p>internação, aumentam os custos hospitalares e as taxas de mortalidade, além de</p><p>contribuir para o sofrimento vivenciado pelo paciente e seus familiares.</p><p>O termo infecções hospitalares vem sendo substituído nos últimos anos pelo</p><p>termo Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), no qual a prevenção e o</p><p>controle das infecções passam a ser considerados para todos os locais onde se presta</p><p>o cuidado e a assistência à saúde. Sendo assim, o hospital não é o único local onde se</p><p>pode adquirir uma infecção, podendo existir o risco em procedimentos ambulatoriais,</p><p>serviços de hemodiálise, casas de repouso para idosos, instituições para doentes</p><p>crônicos, assistência domiciliar (“home care”) e clínicas odontológicas.</p><p>Em 12 de maio de 1998, o Ministério da Saúde decretou a Portaria nº 2.616, a</p><p>qual mantém a obrigatoriedade da instituição e manutenção de uma Comissão de</p><p>Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) nos hospitais.</p><p>A CCIH geralmente</p><p>é formada por profissionais médicos e enfermeiros</p><p>especializados. Entretanto, representantes de outras áreas do hospital também podem</p><p>colaborar com essa Comissão, como os setores de farmácia, nutrição, laboratório, área</p><p>médica (clínica médica e cirúrgica, obstetrícia, pediatria e cuidados intensivos) e</p><p>enfermagem.</p><p>Infecção Relacionada à Assistência a Saúde (IRAS) é qualquer infecção</p><p>adquirida após a admissão do paciente no hospital. As IRAS também podem se</p><p>manifestar durante a internação ou após a alta, desde que estejam relacionadas com a</p><p>internação ou com os procedimentos realizados durante a internação. As IRAS podem</p><p>também ser relacionadas com procedimentos realizados em ambulatórios, consultórios</p><p>e outras unidades de atendimento a saúde.</p><p>15</p><p>Fatores individuais, como extremos de idade (recém-nascidos ou idosos),</p><p>obesidade, desnutrição, diabetes, uso de alguns medicamentos (quimioterápicos) e</p><p>fumo. Além dos fatores relacionados ao paciente, outros fatores podem contribuir e</p><p>aumentar a chance de adquirir infecções, como por exemplo, o tempo de permanência</p><p>do paciente nos serviços de saúde (pois quanto maior o tempo de internação, maior o</p><p>risco de se adquirir infecções), a necessidade de procedimentos invasivos (como o uso</p><p>de sondas e cirurgias) e o uso excessivo de antibióticos, favorecem a quebra de</p><p>proteção do organismo, aumentando a chance de infecção.</p><p>Os sinais e sintomas são diversos, dependendo da localização da infecção.</p><p>Febre (maior ou igual a 38ºC), tremores e calafrios podem ser sinais importantes de</p><p>infecção. Em casos de cirurgia: vermelhidão, dor, abertura dos pontos ou saída de</p><p>secreção ou líquido no local da cirurgia.</p><p>A transmissão de micro-organismos patogênicos, ou seja, micro-organismos</p><p>capazes de produzirem doenças ocorrem na maioria das vezes por contato direto</p><p>(transmitido de uma pessoa a outra por meio do contato direto com as mãos) ou através</p><p>do contato indireto (objetos e superfícies contaminadas).</p><p>Várias medidas possuem eficácia na prevenção de IRAS. Sendo as mãos um</p><p>possível reservatório de micro-organismos que podem causar infecções, devemos</p><p>adotar a higienização das mãos como importante aliado na rotina diária. A higienização</p><p>das mãos é uma das medidas mais importantes na prevenção e controle das infecções.</p><p>É uma ação simples, rápida e de baixo custo.</p><p>Todos os profissionais que trabalham em serviços de saúde, que mantém</p><p>contato direto ou indireto com o paciente ou que atuam na manipulação de alimentos</p><p>ou medicamentos devem sempre higienizar as mãos. Visitantes e acompanhantes</p><p>também devem seguir esta recomendação.</p><p>Existem diversos estudos científicos que comprovam que higienização das mãos</p><p>atua diretamente na prevenção da transmissão das infecções. Independente do setor</p><p>em que o paciente se encontre, seja no pronto-socorro, enfermaria ou unidade de</p><p>terapia intensiva (UTI) deve-se sempre aderir ao procedimento da higienização das</p><p>mãos ao simples contato com o paciente ou com objetos e superfícies.</p><p>16</p><p>A limpeza do ambiente também é considerada parte importante no controle da</p><p>transmissão das infecções, incluindo pisos, paredes, macas, cadeiras de rodas e</p><p>mobília do quarto. As superfícies e objetos devem ser sempre limpos e, em algumas</p><p>situações, também desinfetados. Porém, o principal meio capaz de transportar os</p><p>micro-organismos dos objetos e superfícies contaminadas para os pacientes, são as</p><p>mãos.</p><p>Todos devem conhecer e se conscientizar da importância da higienização das</p><p>mãos no atendimento prestado. Este procedimento resulta em qualidade e segurança</p><p>ao paciente.</p><p>As mãos podem ser higienizadas com água e sabão ou com solução alcoólica</p><p>(por exemplo: álcool gel) quando estiverem limpas. O importante é friccionar todas as</p><p>superfícies das mãos (palmas, dorso, dedos e dedão, ponta dos dedos e punhos).</p><p>Depois de higienizar as mãos com solução alcoólica, é preciso deixar que elas</p><p>sequem naturalmente, não sendo necessário o uso de papel toalha.</p><p>Deve-se evitar higienizar as mãos com água e sabão seguido de solução</p><p>alcoólica, pois isto facilita o ressecamento da pele.</p><p>As IRAS são processos infecciosos que se tratadas logo no começo e</p><p>adequadamente têm cura. Qualquer infecção deve ser tratada com acompanhamento</p><p>médico. Somente o médico pode decidir as opções terapêuticas para o tratamento das</p><p>infecções, como antibióticos ou antifúngicos.</p><p>O uso indevido de medicamentos, como por exemplo, os antibióticos podem</p><p>provocar efeitos inesperados se utilizados incorretamente, podendo causar desde</p><p>reação alérgica a lesão de órgãos internos, como fígado e rins. Além disso, o uso</p><p>indevido de antibióticos pode promover a ocorrência de resistência dos micro-</p><p>organismos, fazendo com que os efeitos deste tipo de medicamento não atinja o</p><p>resultado esperado.</p><p>Desde 2004 a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem visto a segurança do</p><p>cuidado ao paciente como uma prioridade de saúde pública mundial. Exemplo disso é</p><p>a criação de campanhas internacionais que visam melhorar a qualidade e segurança</p><p>dos serviços prestados, envolvendo o paciente e seus familiares no processo do cuidar.</p><p>17</p><p>O paciente e a família devem ter participação na tomada de decisões sobre o</p><p>processo de tratamento da doença, sendo de grande importância o envolvimento do</p><p>paciente junto à equipe de saúde. Ao se sentir parte integrante da equipe de saúde, o</p><p>paciente passa a compor o “time de saúde” podendo assim, contribuir com a segurança</p><p>do seu próprio cuidado.</p><p>Algumas recomendações importantes devem ser seguidas pelos pacientes e</p><p>seus familiares para contribuir para a qualidade da assistência e a segurança do</p><p>cuidado:</p><p> Tornar-se informado sobre sua doença, fazendo perguntas relacionadas</p><p>ao tratamento;</p><p> Envolver um membro da família para estar acompanhando o tratamento;</p><p> Higienizar as mãos sempre que necessário;</p><p> Solicitar à equipe de saúde que higienize as mãos quando necessário;</p><p> Comunicar à equipe de saúde qualquer alteração relacionada ao cateter</p><p>ou curativo;</p><p> Solicitar a familiares e amigos a não visitarem caso estejam doentes;</p><p> Evitar tocar olhos, nariz e boca;</p><p> Cobrir nariz e boca com papel descartável quando tossir ou espirrar,</p><p>desprezando após o uso;</p><p> Se for fumante, tentar suspender o fumo;</p><p> Vacinar-se anualmente contra gripe.</p><p>18</p><p>A qualidade na assistência prestada nos serviços de saúde depende da atenção</p><p>dos profissionais, mas também do envolvimento apropriado do paciente e sua família.</p><p>A parceria entre paciente, familiares e profissionais de saúde contribui para o sucesso</p><p>do tratamento!</p><p>CAPÍTULO 6</p><p>HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS</p><p>“Higiene das mãos” é um termo geral, que se refere a qualquer ação de higienizar</p><p>as mãos para prevenir a transmissão de micro-organismos e consequentemente evitar</p><p>que pacientes e profissionais de saúde adquiram IRAS. De acordo com a Agência</p><p>Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, o termo engloba a higiene simples, a higiene</p><p>antisséptica, a fricção antisséptica das mãos com preparação alcoólica, definidas a</p><p>seguir, e a antissepsia cirúrgica das mãos.</p><p> Higiene simples das mãos: ato de higienizar as mãos com água e</p><p>sabonete comum, sob a forma líquida.</p><p> Higiene antisséptica das mãos: ato de higienizar as mãos com água e</p><p>sabonete associado a agente antisséptico.</p><p> Fricção antisséptica das mãos com preparação alcoólica: aplicação</p><p>de preparação alcoólica nas mãos para reduzir a carga de</p><p>microrganismos sem a necessidade de enxague em água ou secagem</p><p>com papel toalha ou outros equipamentos.</p><p> Preparação alcoólica para higiene das mãos sob a forma gel:</p><p>preparação contendo álcool, na concentração final mínima de 70% com</p><p>atividade antibacteriana comprovada destinada a reduzir o número de</p><p>micro-organismos.</p><p>A higiene das mãos é uma importante medida no controle das infecções</p><p>em</p><p>serviços de saúde, por isso, tem sido considerado um dos pilares no programa de</p><p>controle de infecção hospitalar. Todos devem estar conscientes da importância da</p><p>19</p><p>higienização das mãos na assistência à saúde para segurança e qualidade da atenção</p><p>prestada.</p><p>INSUMOS NECESSÁRIOS</p><p>ÁGUA</p><p>Água livre de contaminantes químicos e biológicos.</p><p>SABONETE</p><p>Sabonete líquido, tipo refil, armazenado em dispensador de parede.</p><p>AGENTES ANTI-SÉPTICOS</p><p>Clorexidina degermante 2%;</p><p>Polvidine degermante 10%; Álcool gel a 70%.</p><p>PAPEL TOALHA</p><p>Não reciclável, de boa qualidade, armazenado em dispensador de parede.</p><p>INDICAÇÕES PARA HIGIENE DAS MÃOS</p><p>As mãos devem ser higienizadas em momentos essenciais e necessários de</p><p>acordo com o fluxo de cuidados assistenciais para prevenção de IRAS causadas por</p><p>transmissão cruzada pelas mãos:</p><p> Antes e após o contato com cada paciente, artigo ou superfície</p><p>contaminada;</p><p> Após contato com sangue, fluidos corpóreos, secreções, excreções;</p><p> Após contato, entre um paciente e outro, entre cada procedimento ou em</p><p>ocasiões em que exista risco de transferência de patógenos para</p><p>pacientes ou ambientes;</p><p>20</p><p>Entre procedimentos no mesmo paciente quando houver risco de infecção</p><p>cruzada de diferentes sítios anatômicos.</p><p>Antes e após o uso de luvas.</p><p>Antes e depois de efetuar atividades corriqueiras (assuar o nariz, ir ao banheiro,</p><p>se alimentar, etc).</p><p>RECOMENDAÇÕES PARA HIGIENE DAS MÃOS</p><p>As indicações para higiene das mãos contemplam:</p><p>Higienizar as mãos com sabonete líquido e água.</p><p>Quando estiverem visivelmente sujas ou manchadas de sangue ou outros fluidos</p><p>corporais ou após uso do banheiro;</p><p>Quando a exposição a potenciais patógenos formadores de esporos for</p><p>fortemente suspeita ou comprovada, inclusive surtos de C.difficile;</p><p>Em todas as outras situações, nas quais houver impossibilidade de obter</p><p>preparação alcoólica.</p><p>Higienizar as mãos com preparação alcoólica</p><p>21</p><p>Quando as mãos não estiverem visivelmente sujas e antes e depois de tocar o</p><p>paciente e após remover luvas;</p><p>Antes do manuseio de medicação ou preparação de alimentos;</p><p>Obs. Sabonete líquido e preparação alcoólica para a higiene das mãos não</p><p>devem ser utilizados concomitantemente</p><p>Não utilize unhas postiças quando prestar assistência direta ao paciente;</p><p>Mantenha as unhas naturais sempre curtas;</p><p>Não utilize anéis ou pulseiras quando estiver dando assistência ao paciente;</p><p>Deve ser enfatizada para o atendimento de pacientes graves (neonatos,</p><p>imunodeprimidos, internados em UTI, etc.), principalmente devido a grande</p><p>manipulação sofrida pelos mesmos e a frequência de infecções por germes</p><p>multirresistentes nestas populações;</p><p>Incentivar os pacientes, acompanhantes e visitantes o higienizar as mãos.</p><p>HIGIENIZAÇÃO SIMPLES DAS MÃOS (COM ÁGUA E SABONETE</p><p>LÍQUIDO)</p><p>Finalidade</p><p>Remover os micro-organismos que colonizam as camadas superficiais da pele,</p><p>assim como o suor, a oleosidade e as células mortas, retirando a sujidade propícia à</p><p>permanência e à proliferação de micro-organismos.</p><p>Duração do procedimento</p><p>A higienização simples das mãos deve ter duração mínima de 40 a 60 segundos.</p><p>Técnica</p><p>Abrir a torneira e molhar as mãos, evitando encostar-se na pia;</p><p>22</p><p>Aplicar na palma da mão quantidade suficiente de sabão líquido para cobrir todas</p><p>as superfícies das mãos (seguir quantidade recomendada pelo fabricante).</p><p>Ensaboar as palmas das mãos, friccionando-as entre si.</p><p>Esfregar a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda entrelaçando</p><p>os dedos e vice-versa</p><p>Entrelaçar os dedos e friccionar os espaços interdigitais</p><p>Esfregar o dorso dos dedos de uma mão com a palma da mão oposta, segurando</p><p>os dedos, com movimento de vai-e-vem e vice-versa.</p><p>Esfregar o polegar direito, com o auxílio da palma da mão esquerda, utilizando-</p><p>se movimento circular e vice-versa.</p><p>Friccionar as polpas digitais e unhas da mão esquerda contra a palma da mão</p><p>direita, fechada em concha, fazendo movimento circular e vice-versa.</p><p>Esfregar o punho esquerdo, com o auxílio da palma da mão direita, utilizando</p><p>movimento circular e vice-versa.</p><p>23</p><p>Enxaguar as mãos, retirando os resíduos dos dedos para os punhos.</p><p>Evitar contato direto das mãos ensaboadas com a torneira.</p><p>Enxugar as mãos com papel toalha.</p><p>Fechar a torneira acionando o pedal; com o cotovelo ou utilizar o papel toalha;</p><p>ou ainda, sem nenhum toque, se a torneira for fotoelétrica. Nunca use as mãos.</p><p>HIGIENE DAS MÃOS COM ÁLCOOL GEL</p><p>Indicações</p><p>Mãos não visivelmente sujas;</p><p>Antes de entrar em contato com os pacientes;</p><p>Após contato com pele íntegra de pacientes;</p><p>24</p><p>Após o contato com objetos inanimados próximos ao paciente.</p><p>Finalidade</p><p>A utilização de preparação alcoólica para higiene das mãos sob a forma gel (na</p><p>concentração final mínima de 70%) tem como finalidade reduzir a carga microbiana das</p><p>mãos e pode substituir a higienização com água e sabonete líquido quando as mãos</p><p>não estiverem visivelmente sujas. A fricção antisséptica das mãos com preparação</p><p>alcoólica não realiza remoção de sujidades.</p><p>Duração do procedimento</p><p>A fricção das mãos com preparação alcoólica antisséptica deve ter duração de</p><p>no mínimo 20 a 30 segundos.</p><p>Técnica</p><p>Os seguintes passos devem ser seguidos durante a realização da técnica de</p><p>fricção antisséptica das mãos com preparação alcoólica:</p><p> Aplique uma quantidade suficiente de preparação alcóolica em uma mão</p><p>em forma de concha para cobrir todas as superfícies das mãos.</p><p> Friccione as palmas das mãos entre si;</p><p> Friccione a palma de mão direita contra o dorso da mão esquerda,</p><p>entrelaçando os dedos e vice-versa;</p><p> Friccione a palma das mãos entre si com os dedos entrelaçados;</p><p> Friccione o dorso dos dedos de uma mão com a palma da mão oposta,</p><p>segurando os dedos, com movimento vai-e-vem e vice-versa;</p><p> Friccione o polegar esquerdo com o auxílio da palma da mão direita,</p><p>utilizando- se de movimento circular e vice-versa;</p><p>25</p><p> Friccione as polpas digitais e unhas da mão direita contra a palma da mão</p><p>esquerda, fazendo um movimento circular e vice-versa;</p><p> Quando estiverem secas, suas mãos estarão seguras.</p><p>26</p><p>27</p><p>HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS COM SOLUÇÃO ANTISSÉPTICA</p><p>Finalidade</p><p>Promover a remoção de sujidades e da microbiota transitória, reduzindo a</p><p>microbiota residente das mãos, com auxílio de um antisséptico.</p><p>Duração do procedimento</p><p>A higienização antisséptica das mãos deve ter duração mínima de 40 a 60</p><p>segundos.</p><p>Técnica</p><p>A técnica de higienização antisséptica é igual àquela utilizada para a</p><p>higienização simples das mãos, substituindo-se o sabonete líquido comum por um</p><p>associado a antisséptico, como antisséptico degermante.</p><p>ESPECTRO ANTIMICROBIANO E CARACTERÍSTICAS DE AGENTES</p><p>ANTISSÉPTICOS UTILIZADOS PARA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS</p><p>Grupo Bactérias</p><p>Gram</p><p>Positivas</p><p>Bactérias</p><p>Gram</p><p>Negativas</p><p>Micobactérias Fungos</p><p>Vírus</p><p>Velocidade</p><p>de Ação</p><p>Comentários</p><p>Álcoois</p><p>+++</p><p>+++</p><p>+++</p><p>+++</p><p>+</p><p>++</p><p>rápida</p><p>Concentração ótima: 70%;</p><p>não apresenta efeito</p><p>residual</p><p>Clorexidina (2%</p><p>ou4%)</p><p>+++</p><p>++</p><p>+</p><p>+</p><p>+</p><p>++</p><p>intermediária</p><p>Apresenta,efeito residual;</p><p>raras reações alérgicas</p><p>Compostos de iodo</p><p>+++</p><p>+++</p><p>+++</p><p>+</p><p>+</p><p>+</p><p>++</p><p>intermediária</p><p>Causa queimaduras na</p><p>pele; irritantes quando</p><p>usados na higienização</p><p>antisséptica das mãos</p><p>Iodóforos</p><p>+++</p><p>+++</p><p>+</p><p>+</p><p>+</p><p>+</p><p>+</p><p>intermediária</p><p>Irritação da pele menor</p><p>que a de composto de</p><p>iodo; apresenta efeito</p><p>residual; aceitabilidade</p><p>variável</p><p>28</p><p>Triclosan +++ ++ + -</p><p>-</p><p>+</p><p>++</p><p>intermediária Aceitabilidade variável</p><p>para as mãos</p><p>Legenda: +++ excelente / ++ bom / + regular / - nenhuma ou insuficiente atividade antimicrobiana</p><p>RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS</p><p>DE ACORDO COM AS CATEGORIAS DE EVIDÊNCIA</p><p>RECOMENDAÇÕES GERAIS SOBRE HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS</p><p>categoria</p><p>Lavar as mãos com água e sabão quando essas estiverem</p><p>visivelmente sujas ou contaminadas com material proteico ou estiverem</p><p>visivelmente sujas com sangue ou outro fluido corporal.</p><p>IA</p><p>Higienizar as mãos se essas não estiverem visivelmente sujas,</p><p>utilizando álcool a 70%, para descontaminação rotineira das mãos antes de</p><p>ter contato direto com o paciente.</p><p>IB</p><p>Descontaminar as mãos antes de calçar luvas estéreis quando na</p><p>inserção de cateter central intravascular.</p><p>IB</p><p>Descontaminar as mãos antes da inserção de cateteres urinários,</p><p>cateteres vasculares periféricos ou outros procedimentos invasivos que não</p><p>requerem cirurgias.</p><p>IB</p><p>Descontaminar as mãos depois do contato com pele integra de</p><p>pacientes.</p><p>IB</p><p>Descontaminar as mãos antes e depois de contato com fluidos</p><p>corporais ou excreções, mucosas, pele não íntegra e curativos mesmo que as</p><p>mãos não estejam visivelmente sujas.</p><p>IA</p><p>Descontaminar as mãos após a remoção das luvas. IB</p><p>Descontaminar as mãos após do contato com objetos inanimados,</p><p>inclusive equipamentos médicos, próximos aos pacientes.</p><p>II</p><p>Descontaminar as mãos se mudar de um sítio contaminado para uma</p><p>área limpa do corpo durante os cuidados ao paciente.</p><p>II</p><p>Higienizar as mãos com água e sabão, antes de comer e após usar o</p><p>banheiro.</p><p>IB</p><p>29</p><p>mãos deverá ser realizada antes e após tocar o sítio de inserção do cateter,</p><p>bem como antes e após a inserção, remoção, manipulação ou troca de</p><p>curativo.</p><p>Utilize luvas se possível contato com sangue ou outros materiais</p><p>potencialmente contaminados, membranas mucosas e pele não intacta.</p><p>---</p><p>Remova as luvas após o contato prestado ao paciente. ---</p><p>Não utilize as mesmas luvas para cuidar de mais de um paciente e não</p><p>lave as luvas entre os usos entre diferentes pacientes.</p><p>---</p><p>Troque de luvas se mudar de um sítio anatômico contaminado para</p><p>outro limpo.</p><p>--</p><p>A degermação das mãos em cirurgias deve durar 5 minutos antes da</p><p>primeira cirurgia e 2 a 3 minutos antes das cirurgias subsequentes.</p><p>---</p><p>Nenhuma recomendação pode ser feita a respeito do uso rotineiro de</p><p>friccionar as mãos com produto que não seja a base de álcool.</p><p>NR</p><p>Não é recomendada a higienização das mãos com álcool gel,</p><p>imediatamente após a lavagem com água e sabão, a fim de evitar</p><p>ressecamento da pele e dermatite de contato.</p><p>---</p><p>A higienização das mãos com álcool gel não deverá exceder o número</p><p>de cinco vezes, pois acima desse quantitativo, a solução adere sujidade e</p><p>torna-se fonte de contaminação.</p><p>---</p><p>Não é recomendado o uso de toalhas de pano tipo rolo em ambientes</p><p>de saúde.</p><p>II</p><p>O uso de luvas não substitui a necessidade de higienização das mãos.</p><p>No cuidado específico com cateteres intravasculares, a higienização das</p><p>IA</p><p>30</p><p>CAPÍTULO 7</p><p>CUIDADOS ESPECIAIS</p><p>Cuidado com o uso de luvas</p><p>O uso de luvas não altera nem substitui a higienização das mãos, seu uso por</p><p>profissionais de saúde não deve ser adotado indiscriminadamente, devendo ser restrito</p><p>às indicações a seguir:</p><p> Utilizá-las para proteção individual, nos casos de contato com sangue e</p><p>líquidos corporais e contato com mucosas e pele não íntegra de todos os</p><p>pacientes;</p><p> Utilizá-las para reduzir a possibilidade de os micro-organismos das mãos</p><p>do profissional contaminarem o campo operatório (luvas cirúrgicas);</p><p> Utilizá-las para reduzir a possibilidade de transmissão de micro-</p><p>organismos de um paciente para outro nas situações de precaução de</p><p>contato;</p><p> Trocar de luvas sempre que entrar em contato com outro paciente;</p><p> Trocar de luvas durante o contato com o paciente se for mudar de um sítio</p><p>corporal contaminado para outro, limpo;</p><p> Trocar de luvas quando estas estiverem danificadas;</p><p> Nunca tocar desnecessariamente superfícies e materiais (tais como</p><p>telefones, maçanetas, portas) quando estiver com luvas;</p><p> Higienizar as mãos antes e após o uso de luvas.</p><p>31</p><p>Cuidados com a pele das mãos</p><p>Os seguintes aspectos devem ser levados em consideração para garantir o bom</p><p>estado da pele das mãos:</p><p> a fricção das mãos com preparação alcoólica contendo um agente</p><p>umectante agride menos a pele do que a higiene com sabonete líquido e</p><p>água;</p><p> as luvas entalcadas podem causar irritação quando utilizadas</p><p>simultaneamente com produtos alcoólicos;</p><p> o uso de cremes de proteção para as mãos ajudam a melhorar a condição</p><p>da pele, desde que sejam compatíveis com os produtos de higiene das</p><p>mãos e as luvas utilizadas.</p><p>Os seguintes comportamentos devem ser evitados:</p><p> utilizar sabonete líquido e água, simultaneamente a produtos alcoólicos;</p><p> utilizar água quente para lavar mãos com sabonete líquido e água;</p><p> calçar luvas com as mãos molhadas, levando a riscos de causar irritação;</p><p> higienizar as mãos além das indicações recomendadas;</p><p> usar luvas fora das recomendações.</p><p>32</p><p>Os seguintes princípios devem ser seguidos:</p><p> enxaguar abundantemente as mãos para remover resíduos de sabonete</p><p>líquido e sabonete antisséptico;</p><p> friccionar as mãos até a completa evaporação da preparação alcoólica;</p><p> secar cuidadosamente as mãos após lavar com sabonete líquido e água;</p><p> manter as unhas naturais, limpas e curtas;</p><p> não usar unhas postiças quando entrar em contato direto com os</p><p>pacientes;</p><p> deixar punhos e dedos livres, sem a presença de adornos como relógios,</p><p>pulseiras e anéis, etc;</p><p> aplicar regularmente um creme protetor para as mãos (uso individual).</p><p>33</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Higienização das mãos</p><p>em serviços de saúde. Brasília/DF: 2007. disponível em http:\\ www.anvisa.gov.br</p><p>[acesso em julho de 2011].</p><p>Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).</p><p>Portaria nº 2.616/MS/GM, de 12 de maio de 1998. Diário Oficial da União,</p><p>Brasília, 13 de maio de 1998. disponível em</p><p>http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/2616_98.htm [acesso em agosto de 2011].</p><p>Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac. disponível em</p><p>http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/ih/if_publico.htm [acesso em agosto de 2011].</p><p>Improving Care Search Centre. disponível em</p><p>http://www.patientsforpatientsafety.ca/English/Pages/default.aspx [acesso em</p><p>setembro de 2011].</p><p>Medeiros, EAS, Wey, SB, Guerra C. Diretrizes para a prevenção e o controle de</p><p>infecções relacionadas à assistência à saúde. Comissão de Epidemiologia</p><p>Hospitalar, Hospital São Paulo, Universidade Federal de São Paulo. São Paulo,</p><p>2005. Fonte: Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do</p><p>paciente em Serviços de Saúde: Higienização das Mãos. Brasília: ANVISA, 2009.</p><p>National Center for Patient Safety (NCPS). United States Department of Veterans</p><p>Affairs. Infection: Don't Pass It On. disponível em</p><p>http://www.publichealth.va.gov/infectiondontpassiton [acesso em setembro de</p><p>2011].Pereira, CR. Guia para higiene das mãos em serviços de assistência à saúde.</p><p>http://www.anvisa.gov.br/</p><p>http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/2616_98.htm</p><p>http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/2616_98.htm</p><p>http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/ih/if_publico.htm</p><p>http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/ih/if_publico.htm</p><p>http://www.patientsforpatientsafety.ca/English/Pages/default.aspx</p><p>http://www.patientsforpatientsafety.ca/English/Pages/default.aspx</p><p>http://www.publichealth.va.gov/infectiondontpassiton</p><p>http://www.publichealth.va.gov/infectiondontpassiton</p><p>34</p><p>APECIH. Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar. São</p><p>Paulo: APECIH, 2003. 4 p.</p><p>World Health Organization (WHO). Patients for Patient Safety – Statement of Case.</p><p>How patient engagement became a priority. disponível</p><p>em:</p><p>http://www.who.int/patientsafety/patients_for_patient/statement/en/index.html</p><p>[acesso em agosto de 2011].</p><p>World Health Organization (WHO). Prevention of hospital-acquired infections.</p><p>disponível em http://WHO/CDS/CSR/EPH/2002.12 [acesso em agosto de 2011].</p><p>http://www.who.int/patientsafety/patients_for_patient/statement/en/index.html</p><p>http://www.who.int/patientsafety/patients_for_patient/statement/en/index.html</p><p>http://who/CDS/CSR/EPH/2002.12</p>