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<p>Fernando Antonio Reis Filgueira Novo manual de OlericulturA Agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças edição UFV</p><p>SUMÁRIO PARTE I. OLERICULTURA GERAL 1. Introdução à Olericultura, 13 2. Universo da Olericultura, 22 3. Os Fatores 30 4. Solo, Nutrição e 41 5. Propagação e Implantação da Cultura, 64 6. Irrigação: O Controle da Água, 82 7. Controle Fitossanitário, Não "Guerra 94 8. A Sutil Arte da Comercialização, 111 9. Olericultura como Agronegócio, 129 10. Cultivo em Ambiente Protegido - O Desafio da Plasticultura, 138 11. Hortaliças na Alimentação Humana, 152 PARTE II. OLERICULTURA ESPECIAL 12. Solanáceas I: Alimento Universal, 161 13. Solanáceas II: Tomate, a Hortaliça Cosmopolita, 194 14. III: Pimentão e Outras Hortaliças-Fruto, 242 15. Aliáceas: Cebola e Outros Condimentos, 255 16. Brassicáceas: Couves e Plantas Relacionadas, 279 17. Asteráceas: Alface e Outras Hortaliças Herbáceas, 300 18. Apiáceas: Cenoura e Outras Culturas, 307 19. Fabáceas: Feijão-Vagem e Outras Favas, 322 20. Pepino e Outras Hortaliças-Fruto, 335 21. Convolvuláceas: a Batata de Clima 371 22. Quenopodiáceas: Beterraba e Hortaliças Herbáceas, 378 23. Rosáceas: Morango, um Frutinho Rasteiro, 386 24. Malváceas: Quiabo, uma Contribuição Africana, 394 25. Liliáceas: Aspargo, uma Haste Comestível, 400 26. Culturas Diversas: Milho, Taioba, Cará, Alcachofra e Espinafre, 406 Bibliografia 412 Índice Alfabético-Tabular, das Culturas Oleráceas, 419</p><p>PARTE I OLERICULTURA GERAL</p><p>CAPÍTULO 1 À OLERICULTURA CAMPO DA OLERICULTURA Olericultura é um termo muito preciso, utilizado no meio agro- nômico. Derivado do latim (oleris, hortaliça, + colere, cultivar), refere-se à ciência aplica- da, bem como ao estudo da agrotecnologia de produção das culturas oleráceas, minis- trado nos cursos de Agronomia. A palavra hortaliça refere-se ao grupo de plantas que apresentam, em sua maio- ria, as seguintes características: consistência tenra, não-lenhosa; ciclo biológico tratos culturais intensivos; cultivo em áreas menores, em relação às grandes e utilização na alimentação humana, sem exigir preparo industrial. Popularmente, as hortaliças ou a sua parte utilizável são denominadas, impropria- mente, "verduras" e "legumes". Observe-se que, além das plantas vulgarmente conheci- das como legumes e verduras, do ponto de vista agronômico também são incluídos na olericultura: batata, batata-doce, melancia, melão, milho-doce, milho-verde e morango. A olericultura pode ser vista como atividade agroeconômica, ciência aplicada, re- creação educativa, ou como fonte de alimento relevante para a nutrição humana. Aos olericultores, extensionistas rurais, agentes de assistência técnica e estudantes de ciências agrárias certamente interessaria mais de perto o primeiro enfoque; já pesquisador agrí- cola optaria pelo segundo; a professora do ensino fundamental consideraria terceiro; e ao nutricionista, ou mesmo à dona de casa esclarecida, interessaria último aspecto. É importante notar que os termos técnicos olericultura e horticultura não são sinônimos, tendo o segundo um significado muito mais abrangente, não devendo substi- tuir primeiro, como ocorre na fala popular. Assim é que, em países europeus, de tradição agrícola, bem como nos Estados Unidos, o termo horticultura englo- ba a produção de plantas muito diversificadas. tipo de produção intensiva de plantas praticado no hortus medieval local mura- do e próximo à residência foi denominado horticultura. Em contraposição, havia a agri- cultura (de agris, campo), referindo-se à produção extensiva de trigo e outros Portanto, inclui-se na horticultura a produção de plantas utilizadas na alimentação huma- na, bem como aquelas empregadas com finalidade estética, para aprimoramento do sa- bor dos alimentos ou para fins medicinais. O termo técnico fitotecnia (de fiton, planta) é ainda mais abrangente, referindo-se à agrotecnologia praticada na produção de plantas muito diversificadas úteis ao bem-</p><p>14 Novo Manual de Olericulture estar Tais plantas podem ser reunidas em quatro grandes subdivididos em outros mais particularizados. O seguinte esquema didático por sua adotado nos cursos de Agronomia, no Brasil e em outros países: vem sendo Grandes culturas: produtoras de grãos, fibras, estimulantes etc. Olericultura: hortaliças Fruticultura: fruteiras Floricultura: flores Horticultura Jardinocultura: plantas ornamentais Fitotecnia Viveiricultura: mudas em geral Cultura de plantas condimentares Cultura de plantas medicinais Cultura de cogumelos comestíveis Silvicultura: espécies florestais Forragicultura: pastagem e forrageiras para corte Conforme fica evidenciado, olericultura é o ramo da horticultura que abrange estudo da produção das culturas oleráceas. Note-se que tal abrangência não é 0 visto que tais culturas englobam quase uma centena de plantas alimentícias no mundo ocidental. No centro-sul do Brasil, são produzidas as 60 culturas focalizadas neste livro. A Escola Superior de Agricultura e Veterinária, de hoje Universidade Federal de Viçosa, possivelmente foi uma das primeiras instituições brasileiras a utilizar e a divulgar termo técnico olericultura. E isso já no início da década de 1930, como se observa no livro pioneiro do Prof. Humberto Bruno (BRUNO, 1934), que inspirou este. CARACTERÍSTICAS DO AGRONEGÓCIO A característica mais geral e marcante do agronegócio da produção de hortaliças é o fato de ser uma atividade agroeconômica altamente intensiva, em seus mais variados aspectos, em contraste com atividades extensivas, como a produção de Desse há emprego contínuo do solo de uma gleba, com vários ciclos culturais que se desenvol- vem em As atividades de campo são realizadas nas quatro estações do ano. Em olericultura, chamado "ano agrícola" termo utilizado por produtores de grãos se confunde com ano civil. Costuma-se dizer que o olericultor é um agricultor que não tem sossego, em tempo algum, nem direito a feriados e A olericultura exige alto investimento por hectare explorado, ou seja, alto "input" em termos físicos e Em contrapartida, possibilita a obtenção de elevada produ- ção física e de alta renda (bruta e por hectare cultivado e por ou seja, alto "output" É notória a obtenção de substancial volume físico de con- ou centrado em pequena área, inclusive a alta eficiência na utilização do físico bi até tridimensional (no caso de culturas tutoradas). Quanto à produtividade, por hectare</p><p>à 15 ou hectare a olericultura destaca-se em relação às demais opções o ciclo das culturas oleráceas é geralmente curto. A maioria das espécies é de ciclo anual: algumas são bienais exigem um periodo de frio entre as etapas vegetativa e reprodutiva e muito poucas são Por uma mesma ao longo de um ano pode ser utilizada com três tomatais ou seis culturas de alfa- ce propagadas por ou ainda doze semeaduras diretas de rabanete. Compare-se isso com as culturas produtoras de que utilizam o terreno uma só ou no máximo. A obtenção de mais de uma safra anualmente e na mesma gleba eleva o rendimento e econômico da olericultura. o agronegócio da produção de hortaliças também se identifica pelo tamanho mais reduzido da área porém intensivamente utilizada tanto no espaço como no tempo. menor tamanho das culturas facilita o aprimoramento nos tratos que são intensivos e Esse aprimoramento se observa mesmo em plantios mais como ocorre em culturas com finalidade A olericultura requer apurada sempre em constante evolução. Viabiliza e exige tecnológicos que seriam em outros tipos de agronegócio. É caso de produção de mudas em polinização manual de raleamento de desbaste de plantas em irrigação por gotejamento, (aplicação de nutrientes dissolvidos na água). cultura em casa de vegetação e o máximo de que é a cultura sem utilização de solo. São numero- SOS os tratos culturais poda, capina etc.). Também é intensiva a utilização de insumos agricolas (sementes, agrofilmes etc.). Além toma-se necessário o uso de equipamentos e implementos especializados, como galpões para beneficiamento, câmaras ca- sas de tratores, transplantadeiras etc. É notória a utilização intensiva de mão-de-obra rural em certamente acarretando significativos benefícios do ponto de vista contribuindo para diminuir o desemprego uma das pragas da economia globalizada desse início de século. Desse utiliza-se um número elevado de "serviços" por hectare trabalhado e por proprieda- Um "serviço" corresponde ao trabalho desenvolvido por um operário adulto durante sua jornada normal de apenas utilizando as mãos e ferramentas manuais. Exemplificando: durante a década de 1970. empregavam-se 800 ou mais serviços por hectare em tomatais tutorados e apenas 30 em milho no sul de Atualmente, a diferença em termos de utilização de mão-de-obra entre culturas extensivas e olericultura é ainda mais com o avanço da mecanização. A olericultura viabiliza o aproveitamento de glebas consideradas ticas. A utilização de tais glebas seria impraticável em outros tipos de atividade do ponto de vista agronômico e. o bem evidenciado quando o terreno se localiza próximo a cidades ou à margem de rodovias. Assim é que se toma perfeitamente viável o cultivo de hortaliças em terrenos de baixa muito pobres em nutrientes, desde que criteriosamente corrigidos e adubados. Glebas com solo pedre- goso também podem ser com certas espécies. São baixadas alagadas, após a necessária</p><p>Novo Manual de Olericultura 16 Finalmente, há de se considerar o agronegócio da produção de hortaliças uma dade agrícola de maior risco para o empresário rural, em relação a outras opções. Isso ocorre em virtude de maior incidência de problemas fitossanitários, maior sensibilidade às condições climáticas, notória ocorrência de anomalias de origem fisiológica nas dentre outros problemas. Devido às características peculiares, o agronegócio da olericultura requer grande capacidade técnico-administrativa do empresário rural no manejo dos fatores agronômi- cos e Também, que seja assistido por técnicos especializados, e mais intensi- vamente em relação a outros agricultores. Obviamente, torna-se mais exigen- te em relação à qualidade da assistência técnica. Aliás, um dos objetivos do autor ao escrever e publicar este livro é justamente contribuir para que menos perguntas "embara- formuladas aos técnicos, fiquem sem respostas convincentes e adequadas. TIPOS DE EXPLORAÇÃO EM OLERICULTURA Conforme a finalidade a que se o número de espécies, a localização da base física e a agrotecnologia utilizada, há alguns tipos característicos de exploração em olericultura, comumente encontrados no centro-sul do EXPLORAÇÃO DIVERSIFICADA Esta exploração é típica dos chamados "cinturões plantios localizados produtos ou se aos varejistas, como donos de bancas em feiras, de mercearias ou de seus periferia das cidades e próximos aos pontos de comercialização. O olericultor vende na olericultores ele em varejista, atingindo consumidor São tipo de exploração profissionais explorando áreas pequenas com espécies Esse em tende a sofrer motivados pela valorização dos terrenos, áreas urbanas ou suburbanas sujeitas à especulação transporte A interiorização não seja por da demais exploração desde que se disponha de estradas e custo de utilização da gleba, da água pode ser uma tendência auspiciosa. Desse possibilidade mão-de-obra rural é mais necessária mais barata e da energia elétrica torna-se a contribui para de inclusive com máquinas e e mais qualificada: há maior produzida Além redução diminui-se do custo a de por hectare implementos explorado simples; e tonelada e tudo de tanto utilização de água contaminada por atingir varejista em mais plantas como em Todavia perde-se por agentes causadores até ainda, consumidor em razão da a oportunidade grande distância de os locais de EXPLORAÇÃO ESPECIALIZADA volvidas Parece do Brasil tipo e de das exploração nações do para O qual tende a olericultura onde há menor número de espécies Primeiro Mundo e é comum Predomina haver no nas apenas centro-sul regiões uma mais ou desen- duas</p><p>Introdução à Olericultura 17 sendo produzidas por vez. A agrotecnologia de produção torna-se mais inclu- sive com maior utilização de máquinas e implementos, e é mais intensiva a aplicação de insumos agrícolas modernos. A propriedade rural, localiza-se longe dos cen- tros urbanos, porém a produção é escoada por estradas vicinais ou rodovias. olericultor especializado às vezes ocupa grandes áreas com uma só inclu- sive utilizando um grau de mecanização comparável ao dos produtores de Há pro- dutores que cultivam centenas de hectares com cebola. melão e outras hortaliças. Eles concentram-se nas complexidades da produção no não se dedi- cando à comercialização. Geralmente entregam seu produto a atacadistas, freqüentemente sediados longe do local da produção. Raramente vendem a varejistas e. muito menos, procuram atingir consumidor diretamente. Esse tipo de produtor é aquele que adota, mais prontamente, as inovações tecnológicas e valoriza a assistência agronômica. Graças à sua visão empresarial, ao espírito de iniciativa e à disponibilidade de recursos, é capaz de causar grande impacto socioeconômico na região onde atua. EXPLORAÇÃO COM FINALIDADE AGROINDUSTRIAL A industrialização de hortaliças é uma atividade que vem no Brasil, para abastecer os mercados interno e externo. Para fornecimento da matéria-prima ria à surgiu um tipo peculiar de exploração especializada. São extensas culturas com elevado grau de mecanização, e as hortaliças são cultivadas de maneira extensiva (aqui cabe a analogia com a produção de grãos). Objetiva obter considerável volume de produção a custo unitário mais reduzido Em algumas regiões brasileiras, esse tipo de exploração vem se para acompanhar a crescente demanda por alimentos industrializados ou semipreparados, motivada pelo fato de a dona de casa não mais dispor de muito tempo para os trabalhos Exemplos típicos são as culturas rasteiras de tomate para obtenção de massa; de ervilha para produção de grão seco posteriormente reidratado; de pimentão para ob- tenção do condimento páprica; de alho-porró para sopas e de aspargo para enlatamento dos turiões. HORTA RECREATIVA OU EDUCATIVA É precisamente nesse tipo de cultura que há certo retorno às origens da pois lembra hortuslatino e medieval. Aqui não se trata de uma exploração já que objetivo primordial é aprimorar a alimentação da família ou da comunidade Dessa propicia-se a obtenção de hortaliças de alta produzidas com requinte artesanal e em pequena escala. Tal atividade tem sido desenvolvida nos meios suburbano e e até em nesse caso, caixas com solo ou mesmo cultura hidropônica mais comum são as hortas tipicamente localizadas em pequenas próximas a a a escolas, a dentro de quartéis ou de Os trabalhos são executados com ajuda de terramentas por pessoas que se dedicam a outras atividades profissionais</p><p>Novo Manual de 18 fundamental, a horta pode tornar-se um meio da excelente Biologia, da professora No ensino e de maneira fascinante, os variados resultados aspectos também foram obtidos tornando 0 ilustrar, na prática atraente, motivando as crianças. Bons extensionistas um com ensino mais meio rural organizados em clubes orientados por dedicadas à trabalho jovens educativo do infelizmente relegado na época atual. Em instituições álcool recuperação apresentam dependência química viciados em ou em drogas 0 de cultivo pessoas de hortaliças que pode contribuir como um tipo de terapia. VIVEIRICULTURA A produção de mudas de certas espécies oleráceas, destacando-se tomate, alface e pimentão, tornou-se um tipo particular de exploração a partir de meados da década de 1980. Há agrônomos e agrotécnicos que se dedicam a tal atividade e fornecem ao olericultor mudas com garantia de qualidade, inclusive fitossanidade. Para olericultor que pretende implantar uma cultura pelo plantio de mudas, há vantagens ponderáveis em deixar essa fase altamente delicada sob os cuidados de um especialista, como ocorreu, há décadas, em outros países, como a Holanda e os Estados Unidos. No Brasil, a tendência atual é de que a viveiricultura, além da tradicional produ- ção de mudas cítricas, de café e de plantas ornamentais, também produza mudas de hortalicas. Trata-se de uma atividade especializada altamente lucrativa, uma opção para agrônomos e agrotécnicos PRODUÇÃO DE SEMENTES BOTÂNICAS A produção de material propagativo, como a semente, é um tipo de exploração liças cializada que exige muito mais conhecimento do produtor em relação à obtenção de horta- espe- tal para mercado. Empresas produtoras de sementes contratam e orientam culturas com finalidade, inclusive fornecem a semente básica necessária e dão orientação técnica. Na situação atual, dificilmente se justifica a produção de sementes do inclusive linhagens pela ampla difusão dos híbridos cuja semente exige plantio por cruzamento parte olericultor, de duas especialmente desenvolvidas pela pesquisa para essa e DE ESTRUTURAS VEGETATIVAS As espécies alho, oleráceas de propagação produzidas morango e em culturas plantio de estruturas vegetativas a exemplo de batata, Estas devem especialmente orientadas, obedecendo-se normas ser de Bons pois tais estruturas são eficientes veiculadoras de a rigorosas de mudas vegetativas no são a produção de batata-semente va-se todos esses materiais isentos de morangueiro ou com e, mais de bulbos básica de alho-planta e que, cada vez baixo teor de vírus de outros a oferecer para resolver os campo problemas e práticos se da aproximam, agricultura. e e que segundo muito Obser- tem</p><p>Introdução à CULTIVO PROTEGIDO (PLASTICULTURA) a produção de hortaliças em cultivo dentro de casas de vege- tação ou de túneis cobertos com é uma exploração diferenciada das demais especialmente em razão da possibilidade de controle de alguns fatores agroclimáticos. considerando-se as vantagens de ordem agronômica e são poucas as espécies oleráceas que se adaptam ao cultivo sendo alface. tomate pimentão, melão e berinjela as mais comuns Outras já estão sendo inclusive plantas Atualmente, a plasticultura é uma vitoriosa realidade. após ter sido menosprezada durante décadas no sob argumento de tratar-se de um país tropical ao que parece foi esquecido notável efeito tão ou mais relevante que conhe- cido "efeito RUMOS DA OLERICULTURA BRASILEIRA A evolução da produção de hortaliças acompanha desenvolvimento geral de uma sendo mais diretamente influenciada por ele que outras atividades As- sim, é sensível às mudanças sociais, econômicas e decorrentes da elevação do nível de prosperidade geral, da urbanização e da industrialização. olericultor especi- alizado surge como resposta ao desenvolvimento econômico, que acarreta incremento na demanda e maior exigência na qualidade dos produtos, quanto ao aspecto principalmen- te, mas também ao sabor e à riqueza em vitaminas e nutrientes Quanto mais evoluído um povo, maior e mais diversificado é consumo de hortali- tanto ao natural como em forma industrializada, fato este claramente observado nos países desenvolvidos. nível de consumo relaciona-se não só com a renda pessoal, que, por sua vez, depende do progresso geral de um país, como também com grau de escola- ridade e de cultura geral de sua população. Além disso, a evolução do trabalho braçal para um tipo de trabalho mais leve reduz a necessidade de alimentos energéticos e pode aumen- tar a demanda de hortaliças. a evolução da agrotecnologia de resultando no aumento da oferta e na redução do preço para o também tende a elevar a demanda interna. A evoluiu mais acentuadamente no Brasil a partir do início da década de durante a Segunda Guerra Mundial Naquela época, existiam somente pequenas ex- plorações diversificadas, localizadas nos denominados nos arredores das A partir de houve um deslocamento em direção ao meio estabele cendo-se explorações em áreas com certas A interiorização certamente deveu-se ao fato de alguns olericultores buscarem melhores condições agroecológicas ou de ordem A olericultura brasileira evoluiu então da pequena "horta" para uma exploração comercial com caracteristicas de agronegócio. Essa mudança empresarial foi promovida pelos próprios sem de inicio, com apoio das entidades oficiais de pesquisa e de assistência técnica tradicionalmente voltadas para as "grandes culturas" Aqui cabe o reconhecimento dos méritos da dinâmica comunidade</p><p>20 Novo Manual de Olericultura nipo-brasileira e aos imigrantes europeus responsáveis pela expansão e interiorização da olericultura como agronegócio. aprimoramento da rede assistencial oficial e a ampliação aos produtores inclusive olericultores, ocorreram após o término da Segunda Guerra Em 6 de dezembro de 1948, foi criada a pioneira Associação de Crédito e Assistência Rural popu- larizada pela sigla ACAR em Minas Gerais (atualmente EMATER-MG). Essa nova lidade assistencial, adaptada do vitorioso modelo americano, logo foi implantada em outros estados. Tinha como originalidade acoplar a assistência técnica efetiva ao crédito rural e assistir o pequeno produtor, bem como sua família. Desde os primórdios, os extensionistas rurais têm contribuído efetivamente para a evolução da olericultura brasileira. Especialmente a partir da década de 1950, também instituições oficiais de pesquisa e de ensino passaram a apoiar a olericultura, surgindo uma retaguarda composta por professores e pesquisadores, além dos extensionistas. Tal movimento conso- lidou-se com a fundação da Sociedade de Olericultura do Brasil, em 23 de julho de 1961 atualmente Associação Brasileira de Horticultura (também abrangendo espécies condimentares, medicinais e ornamentais). Essa entidade, cada vez mais dinâmica, con- grega profissionais ligados aos variados aspectos da produção e da comercialização des- sas plantas hortícolas e, desde então, vem realizando congressos anuais em diversas cida- des brasileiras. Vale destacar que a entidade publica a primorosa revista técnico-científica "Horticultura Brasileira", atualmente de periodicidade trimestral. empenho do governo federal na implantação e no efetivo funcionamento das Centrais de Abastecimento (CEASAs), ao longo da década de 1970, também foi decisivo. A racionalização na comercialização beneficiou, como era esperado, a produção. A déca- da de 1980 foi considerada "a década perdida" quanto ao desenvolvimento geral e econômico do País não, porém, para a olericultura, especialmente graças às atividades da pesquisa oficial. Vale assinalar que a Embrapa Hortaliças (nome atual) foi criada em maio de 1981, no Distrito Federal, e vem contribuindo, desde então, para o aprimoramen- to da olericultura em âmbito nacional. Na década de 1990 a chamada "era da incerte- za" continuou-se a expansão da olericultura, inclusive com a definitiva implantação da cultura protegida, bem como desenvolvimento da hidroponia e da fertirrigação. Neste início de século, ocorreram a introdução do gotejamento e o plantio na palha de certas culturas oleráceas. Atualmente, o agronegócio da olericultura é reconhecido como alta- mente relevante no cômputo da agricultura brasileira. Explorando sua diversidade agroecológica, o País tem ampla possibilidade de ex- portar, em escala muito maior que a atual, produtos oleráceos naturais ou industrializa- dos, especialmente para mercados europeus, em particular durante o inverno rigoroso desses países, bem como para a China e outros países asiáticos. Abastecer a Europa e a Ásia com hortaliças, a preços competitivos, é uma possibilidade real para empresários brasileiros. Logicamente, estímulos governamentais, como redução de impostos e agilização dos trâmites legais de exportação, seriam fatores favoráveis. Nota-se que os fatores que dificultam e mesmo desestimulam a exportação de hortaliças são de ordem econômica e e não agronômica. Faltam sensibilidade, competência e agressividade aos em- presários e, às autoridades governamentais, uma política definida de estímulo à exporta- ção de produtos agrícolas.</p><p>Introdução à Olericultura 21 olericultor é um produtor rural capaz de pronta e a estímulos econômicos e inovações bem como a medidas governamen- tais dignas de aplauso. como a implantação das É um agricultor bem sintoniza- do com a realidade do às mudanças que ocorrem na agricultura ou fora dela. Dessa durante marasmo da década de 1980. foi iniciada a produção em casa de vegetação - uma vitoriosa iniciativa de olericultores inovadores e de empresários ligados à produção de Os independentemente do número de hectares constituem uma elite entre agricultores. devendo ser eficientes não apenas em mas também em outros aspectos que afetam como administração rural e visão Portanto, somente permanecem aqueles que mais agilmente se ajustam às constantes, imprevisíveis e radicais transformações mercadológicas e até que vêm ocorrendo nesse início de século € de E que os engenhei- engenheiros agrícolas e estejam bem conscientes do que deles se em termos de assistência</p><p>CAPÍTULO 2 UNIVERSO DA OLERICULTURA Dezenas de culturas oleráceas são produzidas no centro-sul do Brasil, sendo a vasti- dão e a complexidade do universo da olericultura devidas à multiplicidade e às peculiarida- des de cada espécie cultivada como Assim, para um estudo sistematizado da olericultura como ciência aplicada, torna-se necessária uma metodologia capaz de ciar as similaridades e as dessemelhanças entre as diferentes plantas. Nesse sentido, algu- mas classificações têm procurado agrupar as tendo como base suas característi- cas comuns, facilitando o seu estudo. CLASSIFICAÇÕES POPULAR E TÉCNICA DAS HORTALICAS A dona-de-casa brasileira típica não se impressiona com a grande complexidade do universo abrangido pelas culturas Para ela, as hortaliças podem ser reunidas em três grupos simplesmente. Desse modo, nessa classificação popular, os "legumes" constitu- em as hortaliças que exigem preparação culinária mais como cozimento, assamento ou fritura; as além de apresentarem a típica coloração verde, são consumidas pratos. ao natural; e os "temperos" são aquelas utilizadas para dar sabor especial aos Uma classificação técnica das - utilizada por professores em Viçosa já na década de 1930 foi adaptada pelas Centrais de Abastecimento e vem sendo aplicada. De acordo com essa classificação, as podem ser reunidas, segundo suas partes utili- záveis e comerciáveis, em três grandes grupos: Hortaliças-fruto utilizam-se os frutos ou partes deles, como as sementes: tomate, quiabo, etc. Hortaliças herbáceas - aquelas cujas partes comerciáveis e utilizáveis localizam-se acima (aspargo, do solo, sendo tenras e suculentas: folhas (alface, repolho, talos e hastes aipo, flores ou (couve-flor, alcachofra). ricas em Hortaliças tuberosas as partes utilizáveis desenvolvem-se dentro do solo, sendo bérculos cará); raízes rizomas (inhame): bulbos (alho rabanete e tu- e cebola). Na de melancia. melão e morango considerar Nas diversas tem-se cometido engano do ponto de vista implantação da na década como de "frutas" 1970, foi e adotada não como a classificação</p><p>da 23 nica os diretores não aceitaram o meu argumento de que essas três espécies também são já que apresentam as características peculiares às cultu- ras Por implicações de ordem agronômica na condução das culturas (controle fitossanitário manejo de aplicação da adubação) e também por razões inclusive por diminuir risco de insucesso econômico para é desejável que coexistam hortaliças e hortaliças tuberosas numa mesma explo- ração. tais termos serão utilizados neste livro CLASSIFICAÇÃO DAS Em meados da década de 1970. consultei alguns veteranos professores universitários de Olericultura sobre melhor critério para de maneira as culturas oleráceas Houve unanimidade nas opiniões deles as hortaliças deveriam ser reunidas pelo parentesco independentemente dos aspectos agrotecnológicos particulares en- volvendo a produção e consumo de cada uma. E VANTAGENS DESSA CLASSIFICAÇÃO A maior vantagem da classificação botânica é basear-se em características muito es- táveis, enquanto a agrotecnologia pode variar ao longo do tempo e conforme as tradições Foi enfatizado pelos professores consultados que as características de- finem melhor a localização de cada espécie dentro da imensa comunidade vege- da qual dependem a alimentação e a vida humana. A classificação das espécies vegetais no nas similaridades e nas dessemelhanças entre elas, mormente no que se refere aos órgãos vegetativos e No caso particular das plantas ainda não existe um consenso universal entre havendo desacordo quanto ao nome correto de algumas famílias, e espéci- es Dessa em meio a um emaranhado de às vezes fui obrigado a fazer resultando na compilação apresentada na Tabela Na segunda metade do século XX, os botânicos andaram mais ativos do que nunca em seus munidos de microscópios eletrônicos e de técnicas de laboratório refina- das adquiriram um conhecimento mais aprofundado do mundo ve- disso resultando algumas inovações na sistemática das plantas assim, a criação de novas famílias ou a atualização de nomes tradicionais de algumas delas, inclusive que abrangern espécies agricolas de mundial Alguns de tais "moder foram adotados neste livro. sendo questionados por UNIDADES TAXONÔMICAS Os botanicos agrupam as segundo suas em variedades formas e individuos do geral</p><p>24 para particular. Ao leitor deste livro. certamente mais ligado aos aspectos das apenas quatro unidades taxonômicas podem interessar mais de família: reunião de gêneros agrupamento de espécies afins: unidade taxonômica englobando indivíduos muito variedade população com características dentro de certas es- pécies Desde os trabalhos pioneiros do naturalista sueco Karl von Linné (1707-1778) mais conhecido no Brasil por Lineu adotou-se um sistema binário de nomenclatura botanica em latim, universalmente aceito. Assim, utiliza-se o nome do e da espécie propri amente dita para designar determinada espécie Os nomes científicos das hortali ças facilitam intercâmbio entre os evitando-se as dificuldades criadas pelo nomes populares nos diversos A relação das hortaliças mais cultivadas no centro-sul do Brasil, com nomes científicos atualizados das inclusive das famílias é apresentada Tabela 2.1. Cumpre destacar que há tendência para a criação de novas famílias, bem com para a atualização dos nomes de certas famílias tradicionais, inclusive daquelas que englobar espécies de grande econômica Exemplificando: foi adotada, nessa a família englobando alho, cebola e cebolinha de acordo com a modern classificação seguida por BREWSTER (1994) em seu livro publicado na Inglaterra. Sendo um agrônomo fitotecnista, e não um botânico taxionomista, procurei atual tendência de certos taxionomistas europeus, outrossim de alguns pesquisadores professores brasileiros. VARIEDADE E CULTIVAR A espécie tem sido considerada a unidade básica de trabalho dos send categoria sobre a qual Lineu baseou seu genial sistema de casos as espécies são subdivididas em variedades botânicas (utilizando- abreviatura Isso torna-se necessário quando certa população de plantas, dentro determinada apresenta características inclusive de importância agro mica e comercial. Um exemplo é a espécie Brassica que abrange algumas dades que constituem hortaliças de importância como acephala B capitata (repolho), B. oleracea botrytis B var italica (couve-brócolos). termo "variedade" utilizado no sentido agronômico tem sido substituido termo técnico cultivar derivado das palavras inglesas "cultivated a abreviatura Trata-se de um grupo de plantas cultivadas semelhantes se distingue de outros grupos por características de relevância agronômica e comercial peculiares devem ser mantidas nos ciclos de ao longo dos Um exemplo da adoção oficial desse termo a Lei de Proteção de em abril de 1997</p><p>Universo da Olericultura 25 As cultivares são obtidas por meio das técnicas de melhoramento genético, utilizadas por agrônomos Uma cultivar, em se tratando de olericultura, pode ser cons- tituída por plantas pertencentes a um dos quatro seguintes tipos de agrupamento: Clone: conjunto de plantas geneticamente idênticas e originárias de uma única planta-matriz propagada assexuadamente, ou seja, sem utilização de sementes Exemplos: cultivares propagadas vegetativamente, de alho, batata, couve-manteiga, mo- rango e mandioquinha-salsa. Linhagem: grupo de plantas, com aparência muito uniforme, propagadas por via sexual, cujas características são mantidas por seleção, tendo um padrão em vista. Origina- riamente, esse tipo de cultivar é obtido por autofecundação induzida. Exemplos: cultivares de algumas hortaliças propagadas por semente. Cultivar não-híbrida: grupo de plantas que apresenta pequenas diferenças genéti- cas (genótipo distinto), porém mantém características agronômicas comuns (fenótipo se- melhante) pelas quais o grupo é identificado. É caso do pepino tipo Caipira, selecionada por olericultores a partir de populações heterogêneas tradicionalmente cultivadas nas pro- priedades rurais. Híbrido, ou cultivar híbrida: conjunto de plantas altamente uniforme, de modo geral obtidas pelo cruzamento controlado entre duas linhagens compatíveis escolhidas, mantidas por autofecundação induzida. Atualmente, há tendência para lançamento de híbridos de primeira geração (sementes de primeira geração, após o cruzamento) de brássicas, particularmente de repolho, couve-flor e brócolos. Também se nota essa tendência no caso de tomate, pepino e pimentão. Na situação atual, observa-se que as cultivares de hortaliças estão em constante mudança, inclusive pela introdução de novos híbridos. Então, torna-se relevante conceito de tipo ou grupo de cultivares dentro de uma mesma cultura, englobando aquelas cultiva- res com características agronômicas e comerciais comuns. Exemplificando, nos mercados interioranos do centro-sul, o consumidor prefere o pepino do grupo Caipira (verde-claro) em detrimento do tipo Aodai (verde-escuro). Há, portanto, maneiras variadas de se obter uma nova cultivar. Entretanto, histori- camente, a técnica que originou maior número de cultivares de hortaliças ao longo do tempo tem sido a seleção de plantas, no campo, a partir de um conjunto desuniforme a chamada "população". Tal trabalho, no passado, foi efetuado por olericultores com notá- vel capacidade de observação e espírito de pesquisador. Os fitomelhoristas profissionais, utilizam técnicas bem mais sofisticadas, como a autofecundação controlada de uma planta especialmente escolhida ou cruzamento entre linhagens autofecundadas com características complementares. Também valem-se de modernas técnicas de labora- tório, como cultivo de embrião, a cultura de tecidos, a indução de mutações, e a criação de plantas transgênicas, dentre outras. O nome original de uma cultivar preferencialmente no idioma de origem ou em forma aportuguesada deve ser mantido e utilizado pelos olericultores e por agentes de comercialização de hortaliças. As embalagens de sementes, mesmo quando importadas, devem conter nome original, inclusive para evitar duplicidade e facilitar intercâmbio</p><p>26 Novo Manual de Olericultura entre pesquisadores. fato Um problema sentido é a multiplicidade de nomes regionais mesma corriqueiro no caso de culturas de propagação como de uma cará e Para bem caracterizar uma cultura deve-se agregar ao nome da nome da variedade botânica, bem como o nome original da cultivar. Por exemplo, espécie completo e correto da couve-flor brasileira, pioneira no plantio de verão, é: Brassica nome var. botrytis CV. Piracicaba Observe-se que apenas foi omitido nome oleracea taxonomista simplificação usual e aceitável no meio embora inaceitável em do certos meios especialmente entre Nada em olericultura pode ser enfocado de maneira científica sem um mínimo conhe- cimento taxonômico uma conclusão adequada para esta seção. Desse uma classifi- cação taxonômica integra e sumariza tudo que se sabe sobre as plantas incluindo aspectos morfológicos, genéticos, ecológicos ou fisiológicos. Longe de constituir uma erudi- ção inútil, tal conhecimento possibilita ao agrônomo antecipar as exigências de determinada cultura, auxiliando-o na escolha e na utilização da agrotecnologia mais adequada. Tabela 2.1. Relação taxonômica das sessenta hortaliças mais cultivadas no centro-sul do Brasil, com seus nomes populares, científicos e família botânica Nome popular Nome científico (latim) Família Abóbora rasteira Cucurbita moschata Cucurbitácea Abobrinha italiana Cucurbita pepo Acelga verdadeira Beta vulgaris cicla Agrião aquático Rorippa Aipo (salsão) Apium graveolens var. dulce Apiácea Alcachofra Cynara scolymus Asterácea Alface Lactuca sativa Asterácea Alho Allium sativum Aliácea Alho Allium porrum Aliácea Almeirão Cichorium intybus Asterácea Aspargo Asparagus officinalis Liliácea Batata-doce batatas Batata (batatinha) Solanum tuberosum ssp. tuberosum Berinjela Solanum melongena Solanacea Beterraba Beta vulgaris Quenopodiacea Cará Dioscorea alata Dioscoreácea Cebola Allium cepa Aliácea Cebolinha Allium schoenoprasum Aliácea Cenoura Daucus carota Apiacea Chicória Cichorium endivia Asterácea Chuchu Sechium edule Coentro Coriandrum sativum Couve-brócolos Brassica oleracea italica Couve-chinesa Brassica pekinensis Couve-de-bruxelas oleracea gemmifera Couve-flor Brassica botrytis Couve-folha Brassica oleracea var acephala Continua</p><p>Universo da Olericultura 27 Tabela 2.1 - Cont. Nome popular Nome (latim) Couve-rábano Brassica oleracea gongylodes Couve-tronchuda Brassica oleracea var. tronchuda Ervilha Pisum sativum Fabácea Espinafre verdadeiro Spinacia oleracea Espinafre Tetragonia expansa Aizoácea Fava-italiana Vicia faba Fabácea Feijão-de-corda (caupi) Vigna unguiculata Fabácea Feijão-de-lima (fava) Phaseolus lunatus Fabácea Feijão-vagem (vagem) Phaseolus vulgaris Fabácea Funcho (erva-doce) Foeniculum vulgare var. dulce Inhame Colocasia esculenta Arácea Jiló Solanum gilo Mandioquinha (batata-baroa) Arracacia xanthorrhiza Maxixe Cucumis anguria Melancia Citrullus lanatus Melão Cucumis melo Milho-doce Zea mays Poácea Milho-verde Zea mays Poácea Moranga Cucurbita maxima Morango (moranguinho) Fragaria X ananassa Mostarda-de-folha Brassica juncea Nabo Brassica rapa var. rapa Pepino Cucumis sativus Pimenta Capsicum frutescens Solanácea Pimentão Capsicum annuum Quiabo Abelmoschus esculentus Malvácea Rabanete Raphanus sativus Rábano "daikon" Raphanus sativus acanthiformis Repolho Brassica oleracea var. capitata Rúcula Eruca sativa Salsa (salsinha) Petroselinum crispum Apiácea Xanthosoma sagittifolium Arácea Tomate Lycopersicon esculentum Observações: 1. Os nomes das espécies e das famílias foram obtidos compilando-se trabalhos de autores nos e alguns nomes tradicionais de famílias foram atualizados. 2. Foram eliminados os nomes dos taxonomistas, como é usual livros técnicos como este, objetivando-se vulgarizar os nomes das 3. No caso de haver mais de uma espécie cultivada, apresentou-se, apenas, aquela de maior relevância NOMES DAS EM IDIOMAS A universalidade do cultivo e do consumo das principais hortaliças torna-se patente ao se constatar que a maior parte possui nomes em vários idiomas. Na Tabela 2.2 constam os nomes em cinco idiomas ocidentais, contendo as variantes dos termos utilizados, no Brasil e em Portugal, para nomear as hortaliças abordadas neste livro.</p><p>28 Novo Manual de Tabela 2.2. Nomes das hortaliças produzidas no centro-sul, em cinco idiomas Português Alemão Abóbora rasteira Pumpkin Courge musquée Calabaza Abobrinha italiana Summer squash Gartenkürbis Courge (citrouille) Calabacita (zapalito) Acelga verdadeira Swiss chard Beisskohl (Mangold) Poirée (bette) Acelga suiza Agrião Water cress Brunnenkresse Cresson de fontaine Berro de agua Aipo (salsão) Celery Sellerie Apio Alcachofra Globe artichoke Artischocke Artichaut Alcachofa (alcaucil) Alface Lettuce Lattich (Salat) Laitue Lechuga Alho Garlic Knoblauch Ail Ajo Alho porro (alho Leek (purret) Porree (Breitlauch) Poireau (porreau) Ajopuerro (puerro) Almeirão Chicory Salatzichorie Chicorée sauvage Achicoria amarga Aspargo (espargo) Asparagus Spargel Asperge Esparrago Batata-doce Sweet potato Süsskartoffel (Batate) Patate douce Batata (camote) Batata (batatinha) Potato Kartoffel Pomme de terre Papa (patata) Berinjela Eggplant (brinjal) Eierfrucht Aubergine (melongène) Berenjena Beterraba Red beet (table beet) Rote Rübe (Rote Beete) Beterrave rouge (bette) Remolacha roja (betabel) Cará Chinese yam Yamswurzel Igname de Chine Name (igname) Cebola Onion Zwiebel Oignon Cebolla Cebolinha (cebola verde) Chives (cive) Schnittlauch Ciboulette (civette) Cebollino (cebolleta) Cenoura (cenourinha) Carrot Mohrrübe (Karotte) Carotte Zanahoria Chicória crespa Endive Endiviensalat (Endivie) Chicorée frisée (endive) Endivia (endibia) Chicória lisa (escarola) Escarole Eskariol Escarole Escarola Chuchu (chu-chu) Chayote Chayote Chayote Chayote (caiota) Coentro Coriander Koriander Coriandre Cilantro (culantro) Couve-brócolos (brócoli) Broccoli Brokkoli (Spargelkohl) Chou-broccoli Bróculi (brocol) Couve-chinesa Chinese cabbage Chinakohl Chou de Chine Col de China Couve-de-Bruxelas Brussels sprouts Brusseler Kohl Chou de Bruxelles Colecita de Bruselas Couve-flor Cauliflower Blumenkohl (Karfiol) Chou-fleur Couve-manteiga Collard Grünkohl (Blattkohl) Chou vert Col lisa (berza comun) Kohlrabi Kohlrabi Chou rave Colirrabano (col Couve-tronchuda Portugal cabbage Tronchudakohl Chou Col Garden pea Erbse Pois Guisante Ervilha-de-vagem Edible podded pea Zuckererbse Pois mange tout Guisante (Chicharo) Espinafre verdadeiro Spinach Espinaca Espinafre (tetragónia) New Zealand spinach Espinaca Nueva Zelanda Fava-italiana (fava) Fava bean Feldbohne (Ackerbohne) (fayot) Haba (caupi) Cowpea Augenbohne Dolique de Chine Chicharo tropical (feijoa) Lima bean Mondbohne Fève de Lima Frijol Lima Feijão-vagem (vagem) Snap bean Gartenbohne Haricot Vainita verde) Funcho (erva-doce-de-cabeça) Fennel Fenouil Hinojo Inhame Taro (dasheen) Taro Taro Taro (malanga) Mandioquinha-salsa (batata-baroa) Peruvian carrot - Arracacha Maxixe West Indian gherkin - - Melancia Watermelon Wassermelone Melão Pastèque Sandia Melon Zuckermelone Melon Milho-doce Sweet corn Zuckermais Mais sucré Maiz Moranga (girimum) Pumpkin Speisekurbis Morango (moranguinho) Potiron (giraumon) Zapallo Strawberry Gartenerdbeere Fraisier Fresa (frutilla) Mostarda-de-folha mustard Sarepta Sent Nabo Moutarde de Chine Mostaza china Garden turnip Cucumber Navet (rave) Nabo Pepino Gurke Pimenta Concombre Pepino Hot pepper (chili) (pimento) Sweet pepper Paprika Chile picante Paprika Quiabo (gambo) Piment (poivre) (pimiento) Okra (gumbo) Rabanete Okra (Ocher) Gombo (okra) Quimbombo (gombo) Radish Radieschen ("daikon") Radis (ravonet) Rabanito Radish Radies (Rettig) Repolho (couve-repolho) Radis Rabano Cabbage (pinchão) Weisskraut (Kopfkohl) Roquette Chou cabus (col-repollo) Ruke Salsa Roquette Parsley Petersilie (Peterlein) Persil Penejil Tannia Tomate Yautia Tomato Tomate Tomate Tomate (jitomate)</p><p>Universo da Olericultura 29 Superando as minhas expectativas, os meus livros técnicos anteriormente publica- dos ultrapassaram as fronteiras nacionais, conquistando leitores em vários países latino- americanos, principalmente, e também africanos. Esse fato pode indicar, inclusive, que faltam livros técnicos sobre olericultura também nesses países. Portanto, é em atenção aos leitores dessas nações amigas que foi compilada a Tabela visando facilitar a identificação das hortaliças também pelos seus nomes populares em diversos idiomas. Caso este livro seja utilizado em outros países, seus engenheiros-agrnomos e agrotécnicos devem ser consultados. Cabe aos técnicos efetuarem as necessárias adapta- ções, mormente no que se refere às condições edafoclimáticas regionais. E lembrem-se os interessados que nenhum livro pode substituir a imprescindível assistência técnica, mas pode complementá-la.</p><p>CAPÍTULO 3 os FATORES AGROCLIMÁTICOS As condições ambientais interferem, decisivamente, no desenvolvimento das plantas e na produção das culturas oleráceas. A compreensão dos fatores envolvidos, especialmente aqueles de natureza agroclimática, é imprescindível para quem pretende se dedicar ao estudo aprofundado ou mesmo à prática da olericultura comercial em bases AMBIENTE, GENÓTIPO E FENÓTIPO Existem alguns conceitos que devem ser bem compreendidos. Ambiente, ou "meio ambiente" expressão redundante muito utilizada pela imprensa é o conjunto de fatores agroecológicos e agrotecnológicos, externos à planta, mas que muito influenciam desenvol- vimento e a produção. É o caso do clima e do solo, como também da adubação, pulverização e outras práticas agrícolas todos incluídos nesse conceito por demais abrangente. genótipo a composição genética da planta é outro conceito fundamental. O resultado e de implicações práticas, da ação do genótipo interagindo com o ambiente constitui o fenótipo algo que interessa mais de perto ao olericultor. fenótipo é expresso nas características da planta cultivada, produtividade da cultura e qualidade do produto obtido, sendo, portanto, a expressão visível do genótipo. Dentro desse contexto, há duas vias para o possível aprimoramento da olericultura. A primeira via é a busca da melhoria da própria planta, procurando-se adequar seu genótipo a determinado ambiente. E isso se obtém por meio do melhoramento genético, resultando na obtenção de novas cultivares melhoradas, como é caso de cultivares adap- tadas a condições climáticas distintas daquelas para as quais a planta foi inicialmente sele- cionada. Bons exemplos são as cultivares de brássicas e cenoura ditas "de verão" já que, originalmente, todas as cultivares dessas espécies eram consideradas "de inver- no" e apenas produziam bem se plantadas no As novas cultivares foram criadas objetivando-se sua adaptação a clima cálido. A segunda via é a modificação e adequação do ambiente a um genótipo previamente escolhido, utilizando-se a moderna agrotecnologia. Em relação a clima, serve de exemplo o plantio de pepino uma planta intolerante ao frio em pleno inverno, em casa de beneficiada pelo efeito estufa. Outros exemplos são a adubação, irrigação e defensivos, que ambiente propício ao cultivo de certas hortaliças. Um caso notório é o da adubação de solos de baixa fertilidade natural, na região dos cerrados, que passam a produzir hortaliças exigentes em nutrientes, como tomate e</p><p>Os Fatores INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA As culturas oleráceas apresentam com ampla adaptação climática. prova- velmente por serem cultivadas há muito tempo e nas mais diversas As espécies de ciclo curto principalmente que são a maioria sempre encontram alguns meses com condições mesmo quando cultivadas em regiões de clima distinto daquele de onde tiveram sua origem. ao olericultor cabe conhecer as exigências climáticas das plantas que pretende bem como as peculiaridades climáticas de sua região ao longo do ano, procurando harmonizar Note-se que são os fatores climáticos que mais poderosamente influenciam algumas características relevantes de uma cultura, como duração do ciclo. precocidade na colheita, qualidade do pro- duto e. inclusive, preço de mercado. Indubitavelmente é a temperatura fator climático que maior influência exerce sobre a sendo, também principal fator limitante dessa A influência é verificada em todas as etapas do desenvolvimento da planta. Desse cada espécie botânica cultivada como hortaliça, cada variedade botânica e cada cultivar comercial apresentam uma faixa termoclimática mais propícia em cada etapa de seu ciclo. Temperaturas abaixo do nível ótimo podem ciclo, ou provocar florescimento prematuro de certas hortaliças, prejudicando desenvolvimento da parte aci- ma do nível ótimo, podem ocasionar perda de qualidade do produto. As variações termoclimáticas ao longo do dia, do mês e do ano afetam desempe- nho da planta profundamente, ou determinam a época adequada para plantio de certas espécies ou cultivares. ideal seria que cada propriedade dispusesse de um posto agrometeorológico provido de equipamentos que medissem e registrassem a variação tér- mica. As médias das temperaturas máximas e mínimas mensais caracterizam mês a mês, a variação térmica ao longo do ano. Os dados primários devem ser obtidos diariamen- ressaltando-se que as temperaturas máximas costumam ocorrer durante o dia e. as à noite. No cultivo de algumas solanáceas principalmente, a variação termoclimática entre dia e a noite exerce influência preponderante no desenvolvimento da planta e na Dentre fatores que afetam desempenho das sementes de a tempera- tura tem sido mais Sabe-se que a a emergência e desenvolvi- mento inicial das plântulas são diretamente condicionados pela temperatura do leito no qual se efetua a semeadura As condições ótimas são aquelas que possibilitam acelerar a porém sem diminuição da percentagem de sementes Assim, cada espécie olerácea apresenta suas exigências Sem dúvida. a temperatura do solo está diretamente relacionada com a temperatura do ar. com a duração do periodo luminoso a que exposto tal solo e com algumas racteristicas inerentes ao próprio Um exemplo prático e o eleito da solos escuros aquecem-se muito mais rapidamente que aqueles de coloração clara Nas condições observa-s que problema não são as baixas temperaturas no mas aquelas excessivamente Por exemplo, em</p><p>32 Novo Manual de Olericultura constatei germinação nula ou muito baixa em alface semeada diretamente, no verão de 1997/ 98, sob temperaturas elevadas do ar e do solo. Contrariamente, em laboratório, sob ra amena, a germinação dos mesmos lotes de sementes foi elevada, na mesma época. ADAPTAÇÃO TERMOCLIMÁTICA DAS CULTURAS OLERÁCEAS É possível enquadrar as numerosas espécies botânicas cultivadas como hortaliças em grandes grupos, inclusive considerando-se as particularidades das modernas cultivares. Para isso, levam-se em consideração as peculiares exigências termoclimáticas de cada cultura durante a maior parte do ciclo cultural. Com base nesse critério, têm-se a seguinte classificação: Hortaliças de clima quente: aquelas tipicamente intolerantes ao frio, que preju- dica ou mesmo inibe sua produção; exigem temperaturas elevadas, diurnas e noturnas; são todas intolerantes às geadas, porém algumas toleram temperaturas amenas. Exemplos: a maioria das cucurbitáceas, batata-doce e quiabo. Hortaliças de clima ameno: produzem melhor sob temperaturas amenas, que também são aquelas mais favoráveis ao bem-estar humano; toleram temperaturas mais baixas, próximas e acima de 0 °C, e podem, inclusive, tolerar geadas leves. Exemplos: tomate, batata, alface e moranga híbrida. Hortaliças de clima frio: exigem ou produzem melhor sob baixas tolerando aquelas ligeiramente abaixo de suportam geadas pesadas. Exemplos: alho. alcachofra e os vários tipos de couves. Dentro desse critério, pretendo enquadrar as culturas oleráceas em três grupos, mesmo que de modo imperfeito e sujeito a críticas (Tabela 3.1). A classificação das hortaliças segundo a exigência termoclimática apresentada certamente é sujeita a alte- rações. Assim é que os fitomelhoristas têm ampliado a faixa térmica favorável ao culti- de certas espécies, pela criação de cultivares ditas "de verão" apropriadas para cultivo sob temperaturas cálidas. Isso significa que, dentro de uma espécie típica de clima frio ou ameno, foram criadas novas cultivares adaptadas a clima mais quente. Bons exemplos ocorrem nas culturas de alface, cenoura e entre outras, as- sim ampliando-se a faixa de plantio e colheita de tais hortaliças, estabilizando a oferta ao longo do ano. Tabela 3.1. Classificação das culturas oleráceas pela exigência termoclimática Clima frio Clima ameno Clima quente Acelga verdadeira Abobrinha italiana Abóbora rasteira Aipo (salsão) Agrião d'água Batata-doce Alcachofra Alface* Berinjela Alho Almeirão Cará Batata Chuchu Continua</p><p>Os Fatores Agroclimáticos 33 Tabela 3.1 Cont. Clima frio Clima ameno Clima quente Aspargo Cenoura* Coentro Beterraba Chicória Cebola Moranga híbrida Feijão-de-corda (caupi) Cebolinha Rúcula Feijão-de-lima (fava) Couve-brócolos* Salsa Feijão-vagem Tomate Inhame Couve-de-bruxelas Jiló Maxixe Couve-folha Melancia Couve-rábano Melão Couve-tronchuda Milho-doce Ervilha Milho-verde Espinafre verdadeiro Moranga Fava italiana Pepino Funcho Pimenta Mandioquinha-salsa Pimentão Morango Quiabo Mostarda-de-folha Taioba Nabo Rabanete Rábano "daikon" Repolho* Observação: (*) Espécies que apresentam cultivares ditas "de ou adaptadas a temperaturas cáli- das pelos fitomelhoristas (nesse aspecto o Brasil é avançado). TERMOPERIODICIDADE ESTACIONAL As culturas oleráceas estão submetidas à variação estacional da temperatura, ao lon- go de seu ciclo, sendo essa variação indispensável para que ocorram processos biológicos importantes. efeito da termoperiodicidade estacional torna-se mais evidenciado nas espécies oleráceas ditas bienais, como em brássicas (couve-de-folha, couve-flor, couve-brócolos e repolho), cebola e beterraba. Tais plantas exigem temperatura fria para passar da etapa vegetativa do seu ciclo biológico para a reprodutiva, com a emissão do floral, e posterior desenvolvimento das Não se entenda que são exigidos dois anos como nome sugere -, mas dois de tempo separados por um intervalo com temperaturas favoravelmente A exigência de temperatura baixa para o florescimento certamente depende da da variedade botânica e da cultivar, havendo umas mais exigentes e outras menos. Note-se que a passagem para a etapa reprodutiva apenas interessa</p><p>ao produtor de sementes sendo desastrosa para olericultor comum que visa produto para a alimentação Por essa a escolha da cultivar adequada ao clima é considerando a disponibilidade das cultivares ditas "de que não devem ser plantadas no inverno exemplificando-se com cenoura e couve-flor As espécies ditas anuais independem de um intervalo de temperatura fria para que a planta passe da etapa vegetativa para a Um exemplo típico é a que exige longo e temperatura elevada para ocorrer o florescimento e a formação de se- mentes A maioria das hortaliças cultivadas no centro-sul é por espécies há as espécies de ciclo muito que podem ocupar terreno por um ou mais Tais plantas enfrentam as condições termoclimáticas decor- rentes da passagem das quatro Um exemplo é a aspargueira (termo usado pelos produtores que pode permanecer produtiva durante uma década no cam- Outro exemplo de perenidade menos evidente é caso do que se comporta como uma cultura anual por set afetado por fitopatógenos bactérias e além de que abreviam o seu TERMOPERIODICIDADE DIÁRIA A temperatura oscila ao longo de um dia de 24 sendo as noites mais frias geralmente Em algumas espécies as plantas se desenvolvern e produzem melhor quando a temperatura é inferior à uma diferença de 5-10 Quando mantidas sob temperatura e essas plantas são prejudicadas. o efeito decisivo da termoperiodicidade diária tem sido mais bem estudado em em pesquisas conduzidas na Europa e nos Estados as quais demons- tram que a temperatura noturna exerce maior no desenvolvimento da planta e na Em altas temperaturas crescimento vegetativo é porém são prejudicadas ou até inibidas a floração e a Tem sido demonstrado que tempera- turas notumas de 13-18 °C e diurnas de 20-25 °C são aquelas mais favoráveis à produção. Como comprovação prática da exigência termoperiódica do tomateiro, é conhecido o caso de antigos produtores por demais que se levantavam em meio à noite invernal para aquecerem suas verificavam que seus toma- teiros apresentavam menores desenvolvimento e produção em relação às plantas de vizi- nhos mais comodistas. que deixavam cair a temperatura que assim agindo eles propiciavam a termoperiodicidade diária adequada à cultura. As temperaturas indicadas foram aquelas obtidas experimentalmente nas condições do misfério sob menor luminosidade e com as cultivares regionalmente utilizadas. A exigência de termoperiodicidade também pode explicar a inadequação da tomaticultura a regiões que apre- sentam temperaturas e noturnas igualmente elevadas, como ocorre na Outros estudos demonstram que as temperaturas diurnas de 20-25 °C e notumas de são as mais favoráveis à nas condições européias e norte-americanas. explica mau desempenho dessa cultura em localidades brasileiras de baixa que apre- sentam temperaturas constantemente elevadas de dia e de noite. Inversamente, tem sido</p><p>Os Fatores Agroclimáticos 35 demonstrado sucesso da cultura em altitudes acima de 800 m. sob temperaturas amenas e noturnas favoravelmente menores, como ocorre em planaltos e regiões serranas do centro-sul. Outras menos também apresentam exigências de termoperiodicidade diária, devendo a temperatura noturna ser sempre mais baixa que a diurna, a exemplo do pimentão, da da ervilha e do morango. INFLUÊNCIA DA Luz: INTENSIDADE A luz solar é um fator climático relevante para desenvolvimento vegetal, pois pro- move processo da fotossíntese sem qual as vidas humana e animal seriam impossíveis sobre planeta. Quando se estuda a influência da luz na olericultura, há de se considerar a intensidade luminosa e a variação fotoperiódica separadamente. Experimentalmente, comprova-se que a um aumento na intensidade luminosa corresponde uma elevação na atividade fotossintética, dentro de certos limites, resultando em maior produção de matéria seca nas plantas. Contrariamente. a deficiência luminosa provoca maior alongamento celular, resultando em estiolamento, isto é, aumento na altura e extensão da parte aérea, porém sem correspondente elevação do teor de matéria seca. Dessa forma, em localidades em que prevalece alta intensidade luminosa, é estimulada a produtividade nas culturas oleráceas. Sob baixa luminosidade, ao contrário, há a formação de mudas estioladas e de plantas adultas de menor produtividade. A baixa intensidade luminosa tem sido fator limitante da olericultura no norte da Europa. Já em países tropicais, como Brasil, a alta luminosidade favorece a produtivida- de. Vale entatizar que as hortaliças são plantas altamente exigentes, ao contrário do que ocorre com plantas ornamentais de interior, que requerem baixa INFLUÊNCIA DA FOTOPERÍODO A duração do período luminoso o chamado fotoperíodo dentro de um dia de 24 horas, influencia numerosos processos fisiológicos nas plantas. E o caso do crescimento vegetativo, da floração e frutificação, da produção de sementes e da obtenção de produtos para a alimentação humana. O número de horas diárias de luz solar varia conforme a latitude da localidade e a estação do ano. Belém do Pará cidade situada pouco abaixo da linha do equador terres- tre (latitude de 0°) por exemplo, apresenta 12 horas diárias de luz, portanto a duração do dia é igual à da noite ao longo das quatro estações. À medida que se afasta do equador em direção ao extremo sul, constata-se que os dias vão se tornando, maio- res durante verão e menores no inverno. Nas localidades do centro-sul, os dias são mais longos durante verão e mais curtos no inverno. Essa variação no período luminoso denomina-se ao qual algumas hortaliças, especialmente aliáceas, são muito sensíveis. Em cebola e alho, somente ocorre a formação de bulbos quando os dias apresentam duração acima de um número mínimo de horas de luz fotoperíodo crítico, característico de cada cultivar. De acordo com a exigência</p><p>36 Novo Manual Olericultura há cultivares precoces e conforme necessidade de dias menores e maiores, respectivamente, para a bulbificação. Essa é a principal razão pela qual certas cultivares sulinas de cebola e de alho não produzem bulbos se plantadas durante outono época normal de plantio de tais culturas no centro-sul. Sendo cultivares tardias, a exi- gência fotoperiódica não é satisfeita, motivo pelo qual as plantas se mantêm vegetativas. A formação de flores também depende do estritamente, em certas espé- cies. Por isso, cultivares européias e norte-americanas de alface pendoam precocemente quando cultivadas nos dias longos do verão brasileiro. as produzem maior número de flores femininas, com aumento na produtividade, nos dias curtos do inverno. Já o morangueiro somente floresce e frutifica em dias curtos, tornando-se vegetativo durante os dias longos do verão. Do ponto de vista prático, fotoperíodo torna-se fator limitante somente da produ- ção de poucas espécies oleráceas, destacando-se o caso peculiar da cebola e do Em outras o fotoperiodismo afeta menos o desenvolvimento da planta, bem como a produção. Em campo, no a maioria das espécies oleráceas comporta-se como pouco sensível à variação fotoperiódica, ou mesmo indiferente, no caso das culturas de feijão-vagem e de tomate, por IMPORTÂNCIA DA UMIDADE A água é imprescindível à vida vegetal e constitui mais de 90% do peso da parte utilizável da maioria das hortaliças, sendo fácil, portanto, aquilatar sua importância na olericultura. O teor de umidade no solo a absorção de água e dos nutrientes minerais, essenciais ao desenvolvimento das plantas; a umidade do influencia a transpiração (perda de água pelas folhas) e outros processos que afetam a cultura. Dentre os fatores climáticos, o teor de umidade no solo é aquele que pode mais facilmente ser controlado pelo olericultor por meio da irrigação. Contrariamente, o controle da umidade do é bem mais difícil, a não ser pela escolha criteriosa da época de considerando-se que o é mais seco no Note-se que um elevado teor de umidade no ar afeta o estado fitossanitário da cultura, especialmente no que concerne ao ataque de fungos e bactérias Contrariamente, baixo teor favorece a mani- festação de ácaros e alguns O regime pluviométrico da localidade a produção das cultu- ras em geral. Entretanto, no caso particular da produção de espécies altamente exigentes de água, como é a maioria das hortaliças, o fornecimento desta não se pode basear apenas nas chuvas, por isso a irrigação racional é indispensável, devendo estar sempre presente nas cogitações do olericultor. Durante o período chuvoso, todavia, é possível cultivo não irrigado de certas espécies menos exigentes ou que dispõem de raízes mais profundas. por exemplo a aboboreira, chuchuzeiro, o quiabeiro, dentre Além do efeito benéfico de elevar o teor de água disponível no solo, as chuvas tam- bém acarretam alguns efeitos negativos às culturas, elevando a umidade do an e removen- do a camada protetora obtida pela pulverização com fungicidas, que favorece o ataque de certos Tais problemas fitossanitários são menos frequentes durante</p><p>Os Fatores Agroclimáticos 37 inverno. certamente devido à baixa umidade relativa do ar: durante O verão chuvoso po- dem tornar-se fator limitante no caso de culturas CLIMA DO CENTRO-SUL E A OLERICULTURA Inicialmente convém conceituar que seja um termo bastante utilizado neste livro técnico: abrange toda a vasta região limitada pelo paralelo de ao norte (interior do Estado de Mato Grosso), e pelo paralelo de ao sul (sul do Estado de São Paulo). É prudente que o leitor tenha em mente que texto foi elaborado considerando-se tão-somente as condições agroclimáticas da mencionada região brasileira. Caso livro seja utilizado em outras regiões, ou países, as considerações e sugestões devem sofrer as neces- sárias adaptações. É caso da do Nordeste ou dos estados do extremo sul do País (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Não é sem razão que faço essa adver- tência, é com base na ampla divulgação de meus livros anteriores. No centro-sul do Brasil, as quatro estações do ano não são tão bem definidas como ocorre na Europa, por exemplo, ou mesmo no extremo sul do Desse modo, distin- guem-se, mais apenas dois períodos agroclimáticos bem caracterizados: período chuvoso ou "das de setembro a março, mais quente e com dias mais longos; e período seco ou "da de abril a agosto, mais frio e com dias mais Quanto às quatro estações do ano, em sua conceituação geográfica estando Brasil localizado no hemisfério sul, as datas de início de cada uma delas são, respectivamente: Verão: 21-23 de dezembro; Outono: 20-22 de março; Inverno: 21-22 de junho; e Primavera: 22-23 de setembro. Dentro da faixa geográfica mencionada (centro-sul), é pequena a variação de latitu- porém há outros fatores geográficos que condicionam clima. Dentre eles. destaca-se a inclusive, determina o clima classificado como "tropical de alta- mente benéfico a muitas culturas oleráceas. O efeito moderador da altitude na temperatura é mais bem observado em localidades acima de 800 especialmente em torno de 1.000 onde verão é tipicamente suave. Assim, torna-se viável cultivo durante o verão de hortaliças exigentes em temperaturas amenas, como tomate e E que ocorre em regiões serranas e nos planaltos do centro-sul. regiões situadas abaixo de 400 m de altitude possibilitam a durante seu inverno suave, de espécies exi- gentes em temperaturas elevadas, como quiabo, jiló e melancia. Diferenças regionais de altitude podem ser aproveitadas para a produção de certas fora do período normal, ou seja, na entressafra. Nesse caso, há evidentes vantagens econômicas para devido às cotações comerciais mais elevadas dos produtos. Tal como sugerido, é perfeitamente viável a produção de hortaliças ao lon- go do ano e numa mesma pela adequada escolha das espécies e das cultivares</p><p>38 Novo Manual Olericultura (e as opções vêm aumentando a cada ano). Naturalmente devem ser escolhidas, as épocas de plantio mais propícias. Vale ressaltar que a é resultante da interação entre a carga genética da planta (genótipo) e os fatores ambientais devendo-se sempre buscar aquela interação mais Se olericultor do centro-sul em maior escala. que tern sido criado pelos com relação às novas cultivares adaptadas a condições as faixas de plantio e de colheita de certas espécies poderiam ser ampliadas. Isso traria as favoráveis ao abastecimento ao longo do ano, já se faz sentir nos casos de alface, couve-flor e pela utilização das chamadas "cultivares de verão" adaptadas a temperaturas cálidas. CALENDÁRIO DE PLANTIO É possível organizar um calendário de plantio, obtendo-se produção diversificada de hortaliças ao longo do ano. Para isso, é necessário considerar a adaptação termoclimática das a disponibilidade de cultivares adaptadas a condições diferenciadas. a altitu- de da a latitude e as épocas de plantio favoráveis. Também são importantes as preferências do consumidor, as épocas de safra (preços baixos) e entressafra (preços mais altos), dentre outras considerações mercadológicas. Ao olericultor diversificado, em particular, interessa produzir hortaliças variadas, de janeiro a dezembro, especialmente quando ele também assume papel de varejista, devendo manter abastecida sua banca em feira livre ou num mercado municipal por exemplo. As peculiaridades de cada cultura devem ser consideradas, porém é a temperatura fator determinante mais ponderável na organização do calendário de plantio. Consideran- do-se as estações do ano, hortaliças de clima quente são plantadas, geralmente, na pri- as de clima ameno no outono, exceto as cultivares ditas "de e aquelas de clima frio no com ressalva para as cultivares "de Seguramente, a condição termoclimática da localidade nos meses em que a planta estará no campo é que determina a época mais adequada de plantio de cada Assim, torna-se difícil rotular as culturas oleráceas. Por exemplo, em localidades de baixa nas quais as temperaturas são elevadas ao longo do ano, algumas hortaliças de clima quente podem ser plantadas durante inverno; igualmente em localidades nas quais as temperaturas são amenas ou frias, ao longo das quatro certas horta- liças de clima ameno podem ser plantadas inclusive no verão. Objetivando uma produção constante e diversificada de hortaliças ao longo do ano, deve-se considerar intervalo mais adequado para as datas de plantio. Para levam-se em conta ciclo cultural até início da colheita e a duração desta Um de 15-20 dias na semeadura pode assegurar suprimento constante de beterraba couve-flor e já intervalo de 45-60 dias é apropriado para nha-italiana, acelga, pepino, tomate e Algumas como alho, ervilha e apenas permitem 0 plantio dentro de uma faixa estreita, em determinados por causa de sua exigência</p><p>Os Fatores 39 em frio. Outras, devido ao ciclo mais longo, além de exigências climáticas peculiares, possibilitam O plantio tão-somente em certos meses, como cará, inhame e mandioquinha-salsa. As peculiaridades climáticas de cada cultura que serão apresentadas na Parte deste livro juntamente com os dados climatológicos da além do bom-senso e do de tudo isso facilita a organização de um calendário de plantio funcional. tal calendário regional é indispensável no planejamento do seja ele de pequeno ou grande porte. A SUPOSTA INFLUÊNCIA LUNAR A influência da lua sobre a agricultura tem sido considerada por agricultores tradicio- nais. Alguns se abstêm de efetuar certas como semeaduras e colheitas, durante certas fases da lua. Há supostas influências lunares no desenvolvimento do bulbo de cebo- la, no corte de madeira e na poda de Objetivando esclarecer essa questão foram conduzidos ensaios de campo na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Para investigar a influência lunar no desenvolvimento e, paralelamente, estudar comportamento em rela- ção ao fotoperiodismo e à temperatura, quatro grupos de hortaliças foram escolhidos: hor- taliças hortaliças de raízes, hortaliças de bulbos e Concluiu-se que não foram evidenciadas influências das fases da lua na produção das dez hortaliças mesmo naquelas tidas como Nos poucos casos em que ocorreu aumento ou diminuição na produção, tais diferenças podem quase sem- pre ser atribuídas a outras causas, como à baixa temperatura noturna e à variação fotoperiódica. Assim é que se revelaram sensíveis à variação de temperatura: alface, chi- cória, couve-flor. repolho, cenoura, nabo, rabanete e berinjela; e sensíveis simultanea- mente à temperatura e ao fotoperiodismo: cebola e beterraba. As fases tidas como opos- tas, de lua cheia e minguante, às vezes revelaram-se as mais produtivas; noutras vezes, como as de menor rendimento, mesmo ocorrendo em relação à nova e à crescente. Portanto, é possível na minha opinião que os agricultores estejam certos ao obser- varem certas influências estranhas na produção de hortaliças. Para eles, são explicáveis pelas fases lunares, quando a verdadeira causa pode muito bem ser a baixa temperatura noturna, por exemplo, ou outros fatores. AGROTECNOLOGIA NO CONTROLE CLIMÁTICO O olericultor dispõe, atualmente, de alguns artifícios agrotecnológicos que possibilitam certo controle sobre as condições climáticas na condução de uma cultura de hortaliças. Quando se pretende diminuir a temperatura do solo ou do leito de semeadura na formação de mudas, podem-se aplicar alguns tipos de cobertura palhosa, como: capim seco, palha da haste do arroz, palha de trigo, maravalha de madeira, bagacilho de cana,</p><p>40 Novo Mariual de Olericultura casca de arroz, etc. material deve ser abundante na região ou na propriedade e de baixo custo, e aplicado manualmente ou, se possível, com equipamento O principal objetivo é baixar a temperatura do solo e mantê-la favoravelmente estável, alguns graus abaixo da temperatura normal do solo descoberto, mesmo nas horas de maior insolação. Temperaturas amenas do solo favorecem muito o desenvolvimento das plantas e a produ- ção de algumas espécies como alho e morango, com as quais é comum uso dessa prática A cobertura palhosa oferece ainda outros benefícios para as culturas oleráceas. Um deles é manter adequado teor de umidade no solo por mais tempo, após a irrigação ou uma chuva, permitindo dilatar o turno de rega, em relação ao solo Assim, constata-se real economia de água e energia, reduzindo-se o custo de produção. Outra vantagem desse tipo de cobertura é o controle das plantas A inci- dência de ervas daninhas é reduzida, dependendo da podendo-se efetuar con- trole integrado com a utilização de herbicidas, pulverizados sobre o leito em pré-emergên- cia antes de se aplicar a Tais práticas são muito utilizadas em alho, por exemplo. No caso de sementeiras, ou mesmo na semeadura direta, também há benefícios aplicação da cobertura palhosa, desde que não prejudique a emergência das plântulas. na Dessa forma, pode-se cobrir com casca de arroz uma sementeira para produção de mudas de cebola ou um canteiro para semeadura direta de cenoura, não sendo necessária tão logo se constate o início da emergência das plântulas. ção do material. Porém, quando se aplica palha de cereais ou capim, remove-se material a remo- ou substitui as chuvas, elevando o teor de água útil no solo, além de influenciar complementa A irrigação constitui um tipo muito utilizado de controle já que olericultura, que será abordada à parte, no Capítulo 6. formado ao redor da planta irrigada. A irrigação é uma prática cultural de tal relevância o microclima em nos alguns meses A geada é danosa para a grande maioria das plantas oleráceas por controle da geada pela irrigação por aspersão também é um artifício utilizado dos antes que a formação dos cristais de gelo danifique, ser feita pela especialmente em altitudes A irrigação deve e ocorre vegetais. A água aplicada libera uma quantidade de calor, os teci- temperatura prevenir os controle da geada é tanto mais eficiente porém suficiente para do são encontrados da água em relação ao Exemplos da utilização quanto eficiente mais elevada for a no e outras espécies. entre produtores de batata, tomate, desse meio da noite e somente Para desligado maior segurança, ao nascer do o conjunto sol. de aspersão deve morango, ser ligado pepi- no Um cultivo ou de plantas dentro agrotecnologia baseada na aplicação "cultivo controle protegido" mais efetivo moderna do clima é obtido, pela chamada "plasticultura de baixa densidade é um de casas de vegetação ou de túneis cobertos por filmes de agrofilmes. de ra que plástica diretamente uma abordagem à parte (Capítulo 10). Igualmente, na olericultura brasileira cobertu merecerá assunto de tão grande relevância sobre solo em substituição à tradicional cobertura será enfocada palhosa. a</p><p>CAPÍTULO 4 SOLO, NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO As culturas oleráceas são altamente exigentes em razão pela qual os pro- dutores, às vezes, erram adubando em excesso: outras vezes. a adubação é desequilibrada: e. sem orientação agronômica. Neste capítulo, pretende-se contribuir tão- somente com algumas idéias e sugestões práticas, já que há bons livros que aprofundam melhor assunto um dos mais complexos no âmbito da Olericultura. SOLO E FORNECIMENTO DE NUTRIENTES O solo é substrato natural para a produção agrícola, servindo como meio para desenvolvimento das raízes. Em que pese sua relevância, entretanto, pode ser profundamen- te modificado ou até mesmo dispensado, em olericultura, como ocorre no cultivo Todavia, que acontece não é a sua substituição, mas a modificação promo- vida pelo olericultor. Observa-se que as suas propriedades físicas são mais relevantes que teor de nutrientes, já que esse pode ser facilmente melhorado. solo agrícola é uma importante fonte de nutrientes minerais para as No caso particular da olericultura, entretanto, é dada a elevada exigên- cia das culturas. Essa limitação da fertilidade natural é bem conhecida, podendo ser corrigida pela agrotecnologia. Evidentemente, devem-se minimizar possíveis danos ecológicos, como a contaminação da água subterrânea por nitratos ou de lagoas por As culturas necessitam de encontrar no sob forma e quantidade adequadas, 14 nutri- entes reconhecidos como essenciais aos vegetais. A ausência de qualquer um destes na solução do solo torna-se fator limitante do desenvolvimento e da produção das plantas. São eles: Nitrogênio (N) Principais Fósforo (P) Potássio (K) Macronutrientes Cálcio (Ca) Secundários Magnésio (Mg) Enxofre (S) boro zinco (Zn), molibdênio (Mo), cobre (Cu), ferro (Fe), cloro (CI) e níquel (Ni).</p><p>42 Novo Manual de Há ainda mais três nutrientes silício (Si), sódio (Na) e cobalto (Co) que não reconhecidos como essenciais para todas as plantas, mas que beneficiam algumas Este é um assunto que deve ser mais bem estudado em livros sobre nutrição de plantas, e não será aqui Os 14 nutrientes inicialmente citados são reconhecidos como essenciais ou cindíveis às plantas superiores às hortaliças entre elas. Os macronutrientes são extraídos em quantidades mais substanciais pelo sistema radicular (kg/ha) em relação aos micronutrientes (g/ha). Não obstante, a falta de alguns gramas de um micronutriente pode no insucesso de uma cultura, como se observa no campo. Quanto à distinção entre macronutrientes ditos "principais" e "secundários", trata-se de questão puramente legislativa concernente à comercialização de fertilizantes, sem qual- quer relevância agronômica. Os "secundários" (Ca, Mg e S) são igualmente relevantes na nutrição mineral das plantas. EXTRAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE NUTRIENTES As espécies oleráceas extraem do solo e exportam, em suas partes maior quantidade de nutrientes, por hectare, em relação a outras Isso ocorre em razão de suas exigências peculiares principalmente, da sua maior capacidade de produ- ção. Em olericultura, cresce em importância fornecimento dos macronutrientes secundá- rios, sendo os sintomas carenciais de Ca e Mg observados no campo. Em muitas situações, inclusive, as culturas extraem quantidades maiores desses macronutrientes, em relação aos principais. Como a calagem nem sempre é capaz de suprir adequadamente as hortaliças em Ca e Mg, é desejável que tais nutrientes estejam presentes também nas for- mulações NPK, utilizadas no plantio ou em cobertura. Não há utilidade prática no que se refere à determinação da adubação, em rar a quantidade de nutrientes extraída do solo ou aquelas exportadas pelas culturas. Ocor- re que as quantidades variam muito amplamente, influenciadas por uma série de fatores, destacando-se: cultivar plantada, condições do solo, variações climáticas, disponibilidade de água, produtividade obtida e ciclo da cultura. Há de se considerar, também, que parte substancial dos nutrientes extraídos pelas raízes pode retornar ao solo pela incorporação dos restos culturais uma prática altamente Deve-se ressaltar, ainda, que o nível de utilização efetiva de um nutriente pelo vegetal depende da fonte utilizada, época e local da aplicação, das interações entre nutrientes, dentre outros fatores. A fertilidade natural dos solos não satisfaz, as elevadas exigências nutricionais das culturas oleráceas algo que tem sido demonstrado por pesquisadores e comprovado, na prática, por Entretanto, há uma agrotecnologia técnico-cien- tífica utilizada para melhorar um solo agrícola algo muito mais complexo do que, simples- mente, aplicar formulações NPK. Em certas situações, solo é naturalmente rico em alguns nutrientes, como K e sendo capaz de suprir parcela substancial da exigência das culturas. Contrariamente, é incomum um solo brasileiro apresentar teor tão elevado de P em forma utilizável pela planta que possa dispensar a adubação fosfatada. Essa é a realidade, bem conhecida</p><p>Solo, Nutrição e Adubação 43 pelos produtores e pelos dedicados à assistência E aqui vale um alerta: as condições européias são bern diferenciadas daquelas brasileiras, razão pela qual recomendações de adubação e certas filosofias "naturalistas" importadas devem ser analisadas com extrema cautela. PAPEL DOS DIVERSOS NUTRIENTES As plantas dependem do suprimento adequado de 14 nutrientes, sendo irrelevante considerar alguns como mais importantes, já que a deficiência de qualquer um é capaz de comprometer resultado agronômico e econômico da cultura. NITROGÊNIO: MAGO DO VERDE fornecimento de doses adequadas de N favorece crescimento vegetativo, expan- de a área fotossinteticamente ativa e eleva o potencial produtivo da cultura. Todas as espé- cies são beneficiadas, porém as hortaliças herbáceas são aquelas que apresentam efeito direto na produtividade, já que produto é constituído por folhas, hastes tenras e Em hortaliças-fruto e tuberosas, também se constata correlação direta e positiva entre peso da parte aérea e a desde que não haja desequilíbrio na nutrição. Em N pode ocasionar: queima das folhas de plantas novas: aumentar a suscetibilidade da planta a certas doenças fúngicas e bacterianas: promover crescimento vegetativo exagerado; tornar os tecidos mais frágeis e sujeitos a danos dificultar a absorção de outros prolongar o ciclo cultural, retardando a e prejudi- car a qualidade de certos produtos. A carência de N é manifestada pela coloração verde- clara da planta ou pela clorose nas folhas inferiores. N costuma ser segundo macronutriente quanto à quantidade extraída pelas culturas. A forma de sua absorção pela planta é o ânion nitrato principalmente, podendo também ser o A forma nítrica é rapidamente absorvida, mas também é lixiviada com facilidade pela água, perdendo-se. Já a forma é fixada pelas par- tículas do solo, com menores perdas. No o Nexiste na forma preponderante- mente, sendo necessária a mineralização pelos microrganismos para ocorrer sua utilização pelas plantas. As culturas absorvem N ao longo do ciclo porém é pequena a absor- ção na etapa inicial do Portanto, é prejudicial aplicar a quantidade total de N necessária por ocasião do plantio, e sua eficiência ao ser utilizado pela planta aumenta parcelando-se a Como inexiste um método de análise confiável para medir a disponibilidade de N no que possa ser usado nos laboratórios, a recomendação precisa para a aplicação de N é dificultada. Nesse aspecto, vale a pessoal de agrônomos e além da utilização dos escassos dados de pesquisa E aqui um conselho: se ocor- rer erro na dose de N que seja para menos, já que se os sintomas iniciais de carência por meio da adubação foliar ou pela um excesso de N não pode ser corrigido.</p><p>44 Novo Manual de Olericultura FÓSFORO: A CHAVE DA PRODUTIVIDADE fornecimento de doses adequadas de P às culturas favorece desenvolvimento de sistema radicular, aumentando a absorção de água e de nutrien- tes: aumenta vigor das plântulas oriundas da semeadura direta; ocasiona a obtenção de mudas vigorosas; favorece a formação de matéria seca nas plantas; favorece a floração, a frutificação e a formação de sementes; aumenta a precocidade da colheita; melhora a qua- lidade do produto; eleva a produtividade, às vezes muito substancialmente; e maximiza o lucro líquido obtido com a cultura. As plantas absorvem P na forma do ânion ortofosfato, principalmente em pH igual ou inferior a Somente é disponível P-solução, sendo essa uma pequena fração do P. total do solo. A menor quantidade de P extraída pelas plantas, em relação aos demais macronutrientes, pode causar a falsa impressão de que a adubação fosfatada seja menos importante. Muito pelo contrário: é aquela que mais favorece a produção nos solos brasilei- ros, geralmente. As culturas absorvem P desde os primeiros estádios, durante a germinação e a emer- gência daí por diante, até à senescência. P é, reconhecidamente, nutriente-chave para a obtenção de produtividade elevada na maioria das situações. Tem sido macronutriente que mais limita a produção, havendo aparente contradição entre a peque- na exigência das culturas e a resposta altamente positiva à adubação fosfatada. Ocorre que, além da notória pobreza do solo brasileiro em P em forma disponível para as raízes é baixo aproveitamento do P aplicado via adubação, sendo elevadas as perdas por fixação pelas partículas do solo. O sintoma carencial de P mais típico é a coloração purpúrea nas folhas e hastes, que tem sido constatada em plântulas oriundas da semeadura direta, no campo, ou em mudas recentemente transplantadas. Isso ocorre pelo fato de a planta ainda não ter desenvolvido um sistema radicular capaz de absorver a quantidade de P necessária, mesmo quando se aplicou adubação fosfatada. Ao se desenvolver, o sistema radicular passa a absorver, ade- quadamente, todos os nutrientes, inclusive o P. Sintomas de fitotoxidez ocasionados por excesso de aplicação de P são pratica- mente desconhecidos no Brasil. Entretanto, aplicações substanciais de P podem desequili- brar a absorção de outros nutrientes, como no caso de Zn. Como são necessárias aduba- ções fosfatadas fartas, em muitas situações, deve-se cuidar para fornecer à planta também doses adequadas desse e de outros nutrientes. A CHAVE DA QUALIDADE A aplicação de doses adequadas de K nas culturas favorece a formação e translocação de carboidratos e uso eficiente da água pela planta; equilibra a aplicação de N e contraba- lança os malefícios; aumenta a resistência a algumas doenças fúngicas e torna os tecidos mais fibrosos e a planta mais resistente a danos mecânicos e ao acamamento; e melhora a qualidade do produto (aspecto, coloração, sabor e propriedades bem como valor de mercado.</p><p>Solo, Nutrição e Adubação 45 O excesso de K desequilibra a nutrição da planta, prejudicando a absorção e utili- zação de outros nutrientes, como Ca. Entretanto, em olericultura não têm sido observa- dos sintomas visuais de fitotoxidez. Também, os sintomas de carência, tais como secamento das margens do limbo nas folhas inferiores, não são comumente As culturas oleráceas são exigentes em K disponível no solo, sendo esse primeiro macronutriente em ordem de extração para a maioria delas. Tal não ocorre quando se trata de já que grande parte do K extraído é devolvida ao solo pela incorpo- ração dos restos culturais. As plantas absorvem esse nutriente na forma do cátion potas- sio. Embora seja elevada a exigência de K, os pesquisadores têm demonstrado que, na maioria dos solos brasileiros, a adubação potássica não propicia resposta acentuada na produtividade das culturas. A razão é que tais solos dispõem de K em forma utilizável pelas plantas, mesmo quando deficientes em P e outros nutrientes. Por outro lado, K aplicado ao solo via adubação é bem utilizado pela planta, não sendo fixado como P, nem intensamente lixiviado como N. Sendo a absorção de K relativamente lenta, nos estádios iniciais do desenvolvimento vegetal, atualmente se enfatiza a aplicação parcela- da, em cobertura ou pela fertirrigação, juntamente com N. No caso da olericultura, é possível que esteja ocorrendo aplicação excessiva de K via adubação, com conseqüente na nutrição vegetal, dificultando a absor- ção e utilização de outros nutrientes. Também pode estar ocorrendo denominado "con- sumo de luxo" a planta extrai mais K do que necessita, sem aumento da produção ou outro benefício. CÁLCIO: RESPONSÁVEL PELA PREVENÇÃO DE ANOMALIAS Trata-se de um macronutriente que favorece a ampliação do sistema radicular, com a conseqüente melhoria na absorção de água e nutrientes. O fornecimento de Ca tem sido insatisfatório, muitas vezes no caso das culturas Estas são particularmente exigentes, sendo Ca extraído em maior quantidade que P em muitas. Ca, N e K devem estar com fornecimento em equilíbrio, bem como sua absorção e utilização pela planta, prevenindo-se anomalias fisiológicas ocasionadas pela carência de Ca. E caso da po- dridão-apical em frutos de tomate e melancia, por exemplo. Em solos pobres de Ca, apenas a calagem, em muitas situações, não é capaz de fornecer a quantidade desse macronutriente exigida pelas plantas. Portanto, recomenda- se que seu fornecimento também seja efetuado na adubação de plantio e pós-plantio, em cobertura ou por meio da fertirrigação. É provável que estejam ocorrendo casos de "fome-oculta" de Ca carência sem sintomas nítidos na olericultura do centro-sul. Há várias razões para essa suposição: muitos solos são deficientes; as culturas são exigentes; a calagem ainda não se tornou uma prática agrícola rotineira; e as formulações NPK utilizadas nem sempre contêm teo- res apreciáveis de Ca. Há culturas que apresentam sinais de deficiência de Ca como tomate, pimentão e melancia a denominada podridão-apical nos frutos.</p><p>46 Novo Manual de PARTE INTEGRANTE DA CLOROFILA Em muitas culturas, Mg é macronutriente absorvido em menor mas nem por isso deve ser menosprezada sua importância no planejamento da calagem e bação. Vale enfatizar que Mg é parte integrante da molécula da clorofila, e folhas cloróticas deficientes, são ineficientes para realizar a fotossíntese. A calagem, em muitas situações, não fornece a quantidade exigida de Mg pelas turas oleráceas, em se tratando de solos pobres e utilizando-se calcário Então a aplicação de termofosfato magnesiano, a adubação de plantio com as formulações NPK "multinutriente", ou mesmo a aplicação via foliar podem complementar fornecimento de Mg às plantas. Algumas culturas são mais exigentes, tendo sido constatados sintomas carenciais em clorose internerval nas folhas inferiores o chamado amarelo- baixeiro. ENXOFRE: AUSÊNCIA DE SINTOMAS CARENCIAIS Algumas culturas, como as brássicas, retiram do solo quantidades mais substanciais de S que de P - o que ilustra a relevância desse macronutriente classificado como "secun- dário". Nas plantas em geral, o S atua na formação de proteínas; também afeta sabor e 0 aroma de certas hortaliças condimentares, como alho, cebola e cebolinha. Nas regiões produtoras brasileiras, como ocorreu em regiões agrícolas de outros pa- somente houve preocupação com fornecimento de S às culturas ao serem introduzidas formulações NPK concentradas, isentas ou com baixo teor desse elemento. Observe-se que o problema inexiste ao se aplicarem formulações que incluem superfosfato simples ou sul- fato de potássio complementadas por adubações em cobertura com sulfato de amônio todas essas boas fontes de S. Nos solos do centro-sul, teor de S detectado pela análise de solo - é variável Naqueles sob vegetação de cerrado, pobres em S, a carência tem se manifestado, havendo respostas positivas à aplicação, como no caso da ervilha. Note-se que fornecimento pelas chuvas, em doses apreciáveis, somente ocorre em regiões sujeitas à poluição do ocasionada pelas chaminés das indústrias. É engano pensar que, em pleno meio rural, chuva constitua fonte confiável de S para as culturas. Sintomas carenciais não têm sido constatados, possivelmente devido à preferência que olericultor ainda demonstra por formulações NPK de baixa ou média que contêm teores apreciáveis de S. Quanto à denominada não há pesquisas capa zes de orientar a aplicação em Aliás, quando superfosfato simples é utilizado (uma das melhores fontes de P-solúvel), o fornecimento de S está assegurado. MICRONUTRIENTES: PRECIOSOS GRAMAS Os micronutrientes, embora extraídos em quantidades pelo sistema radicula da ordem de alguns gramas por hectare têm se tornado fator limitante do cultivo algumas espécies em solos de baixa</p><p>Solo, Nutrição e Adubação 47 boro (B) é o micronutriente cuja carência tem sido constatada com maior cia no campo. Tal carência se verifica especialmente em brássicas herbáceas (couve-flor, repolho e alho, cenoura e batata. Tem havido comprovação experimental da elevação da produtividade e do aprimoramento na qualidade do produto obtido com a aplicação de fontes minerais de B. utilizadas no solo ou em pulverização. zinco (Zn) é outro micronutriente que vem exigindo atenção, ressaltando-se que sinais carenciais típicos (listras verde-claras no limbo foliar) têm ocorrido em milho-doce. Todavia, é possível que a "fome-oculta" também ocorra em outras culturas (sem sinais já que a aplicação pesada de P diminui a absorção de Zn pelas agravando o problema em solos já por si deficientes. Sinais de deficiência não são comumente provavelmente em razão do uso intensivo de fungicidas tradicionais contendo Zn. Como vêm sendo substituídos por outros mais eficientes, porém sem Zn perigo de ocorrer carência generalizada é real. A carência de molibdênio (Mo) tem sido fator limitante importantíssimo da produ- ção de brássicas herbáceas, especialmente couve-flor e brócolos. Assim sendo, a aplicação foliar de Mo tornou-se prática rotineira entre produtores dessas culturas. A carência se ma- nifesta por deformações típicas no limbo foliar. Em outras culturas não têm sido constata- dos sinais visíveis de deficiência, mas podem estar ocorrendo casos de fome oculta. Tam- bém têm sido relatados casos de carência em alface. Deficiência de cobre (Cu) tem sido constatada em culturas de alface conduzidas em baixadas turfosas. Obtiveram-se respostas significativas ao fornecimento de Cu via foliar na correção dos sinais iniciais e no aumento da produtividade. Em culturas pulverizadas com fungicidas cúpricos, graças ao fornecimento foliar obtido, não há carência de Cu. Entretan- como tais fungicidas tradicionais vêm sendo substituídos, a carência pode tornar-se problemática. Contrariamente ao que sucede em outros países, sinais carenciais de outros como ferro (Fe) e cloro (CI), não são comumente constatados nos solos brasileiros. No Brasil, também não há notícias sobre deficiência de níquel (Ni). Não obstante, casos de "fome-oculta" podem estar ocorrendo no campo, por serem as culturas oleráceas exigentes em micronutrientes e por receberem doses elevadas de macronutrientes, disso resultando produção elevada. perigo de ocorrer carência de micronutrientes estará sem- pre presente. Que técnicos e olericultores estejam cientes disso. Um alerta ao leitor: a calagem deve ser conduzida de tal modo que pH do solo corrigido não se eleve acima de 6,5; a faixa 6,0-6,5 beneficia a maioria das culturas oleráceas. A principal razão é que a elevação excessiva do pH diminui a disponibilidade de certos micronutrientes, exemplificando-se com o Assim, autor verificou a carência de Mn em culturas de alho (amarelecimento das folhas) em Santa Juliana-MG, em gleba corrigida com elevação do pH para 7,0 ou mais, por falta de análise de solo e controle da calagem um erro É óbvio que a calagem somente deve ser aplicada após a análise e interpretação dos resultados tarefa para a qual os agrônomos estão habilitados (pelo menos aqueles graduados em faculdades de Agronomia</p><p>46 Novo Manual de INTEGRANTE DA CLOROFILA Em muitas Mg é macronutriente absorvido em menor quantidade nem por isso deve ser menosprezada sua importância no planejamento da calagem e adu bação. Vale enfatizar que Mg é parte integrante da molécula da e folhas são ineficientes para realizar a A em muitas não fornece a quantidade exigida de Mg pelas turas em se tratando de solos pobres e utilizando-se o calcário a aplicação de termofosfato magnesiano, a adubação de plantio com as formulações NPK ou mesmo a aplicação via foliar podem complementar fornecimento de Mg às Algumas culturas são mais tendo sido constatados sintomas carenciais em clorose internerval nas folhas inferiores chamado ENXOFRE: AUSÊNCIA DE SINTOMAS CARENCIAIS Algumas culturas, como as retiram do solo quantidades mais substanciais de S que de P - O que ilustra a relevância desse macronutriente classificado como "secun- dário" Nas plantas em geral, S atua na formação de também afeta sabor e aroma de certas condimentares, como cebola e Nas regiões produtoras como ocorreu em regiões agrícolas de outros pa- somente houve preocupação com fornecimento de S às culturas ao serem introduzidas formulações NPK concentradas, isentas ou com baixo teor desse Observe-se problema inexiste ao se aplicarem formulações que incluem superfosfato simples ou que sul- fato de complementadas por adubações em cobertura com sulfato de amônio todas essas boas fontes de S. Nos solos do teor de S detectado pela análise de solo é Naqueles sob vegetação de pobres em S. a carência tem se manifestado, havendo respostas positivas à como no caso da ervilha. Note-se que fornecimento de S pelas em doses apreciáveis, somente ocorre em regiões sujeitas à poluição do ar ocasionada pelas chaminés das É engano pensar em pleno meio rural, a chuva constitua fonte confiável de S para as Sintomas carenciais não têm sido possivelmente devido à preferência que o ainda demonstra por formulações NPK de baixa ou média que contêm teores apreciáveis de S. Quanto à denominada não há pesquisas capa zes de orientar a aplicação em olericultura quando superfosfato simples é utilizado (uma das melhores fontes de fornecimento de S está assegurado. MICRONUTRIENTES: PRECIOSOS GRAMAS Os embora extraídos em quantidades infimas pelo sistema radicular da ordem de alguns gramas por hectare se tornado limitante do cultivo de algumas espécies em solos de baixa fertilidade</p><p>Solo, Nutrição e Adubação 47 O boro (B) é o micronutriente cuja carência tem sido constatada com maior cia no campo. Tal carência se verifica especialmente em brássicas herbáceas (couve-flor, repolho e alho, beterraba, tomate, cenoura e batata. Tem havido comprovação experimental da elevação da produtividade e do aprimoramento na qualidade do produto obtido com a aplicação de fontes minerais de B, utilizadas no solo ou em pulverização. O zinco (Zn) é outro micronutriente que vem exigindo atenção, ressaltando-se que sinais carenciais típicos (listras verde-claras no limbo foliar) têm ocorrido em milho-doce. Todavia, é possível que a "fome-oculta" também ocorra em outras culturas (sem sinais já que a aplicação pesada de P diminui a absorção de Zn pelas plantas, agravando o problema em solos já por si deficientes. Sinais de deficiência não são comumente observados, provavelmente em razão do uso intensivo de fungicidas tradicionais contendo Zn. Como vêm sendo substituídos por outros mais eficientes, porém sem Zn - o perigo de ocorrer carência generalizada é real. A carência de molibdênio (Mo) tem sido fator limitante importantíssimo da produ- ção de brássicas herbáceas, especialmente couve-flor e brócolos. Assim sendo, a aplicação foliar de Mo tornou-se prática rotineira entre produtores dessas culturas. A carência se ma- nifesta por deformações típicas no limbo foliar. Em outras culturas não têm sido constata- dos sinais visíveis de deficiência, mas podem estar ocorrendo casos de fome oculta. Tam- bém têm sido relatados casos de carência em alface. Deficiência de cobre (Cu) tem sido constatada em culturas de alface conduzidas em baixadas turfosas. Obtiveram-se respostas significativas ao fornecimento de Cu via foliar na correção dos sinais iniciais e no aumento da produtividade. Em culturas pulverizadas com fungicidas cúpricos, graças ao fornecimento foliar obtido, não há carência de Cu. Entretan- to, como tais fungicidas tradicionais vêm sendo substituídos, a carência pode tornar-se problemática. Contrariamente ao que sucede em outros países, sinais carenciais de outros micronutrientes, como ferro (Fe) e cloro (CI), não são comumente constatados nos solos brasileiros. No Brasil, também não há notícias sobre deficiência de níquel (Ni). Não obstante, casos de "fome-oculta" podem estar ocorrendo no campo, por serem as culturas oleráceas exigentes em micronutrientes e por receberem doses elevadas de macronutrientes, disso resultando produção elevada. O perigo de ocorrer carência de micronutrientes estará sem- pre presente. Que técnicos e olericultores estejam cientes disso. Um alerta ao leitor: a calagem deve ser conduzida de tal modo que pH do solo corrigido não se eleve acima de 6,5; a faixa 6,0-6,5 beneficia a maioria das culturas oleráceas. A principal razão é que a elevação excessiva do pH diminui a disponibilidade de certos micronutrientes, exemplificando-se com manganês. Assim, autor verificou a carência de Mn em culturas de alho (amarelecimento das folhas) em Santa Juliana-MG, em gleba corrigida com elevação do pH para 7,0 ou mais, por falta de análise de solo e controle da calagem um erro inadmissível. É óbvio que a calagem somente deve ser aplicada após a análise e interpretação dos resultados tarefa para a qual os agrônomos estão habilitados (pelo menos aqueles graduados em faculdades de Agronomia sérias).</p><p>48 Novo Manual de A APLICAÇÃO DE NUTRIENTES Pesquisas relevantes sobre nutrição de plantas, conduzidas em séculos cem ser relembradas neste início do século XXI. É que, decorridos mais de século e ainda há pessoas, inclusive técnicos, que agem como se desconhecessern resultados então obtidos O cientista alemão barão Justus von Liebig e outros, no século XIX, cultivaram plantas a partir da semente, utilizando soluções contendo sais minerais, de composição similar que obtiveram pela análise do conteúdo mineral da planta Como os vegetais ram ciclo biológico normalmente, Liebig que as plantas necessitam de nutrientes minerais, e não se nutrem de matéria Assim foi que se consolidou a "teoria mineralista" em oposição à "teoria prevalecente na Europa de Liebig publicou seus dados experimentais e considerações no livro "A química orgânica e sua aplicação na agricultura e na fisiologia", em língua em 1841 (MENGEL & KIRKBY, 1987). Foi a partir de meados do século XIX que se generalizou a aplicação de fertilizantes minerais em agricultura prática condenada pelos adeptos da "agricultura Não obstante, atualmente sabe-se que os nutrientes minerais são absorvidos pelas raízes na forma Ressalte-se que a adubação é uma prática que deve ser conduzida sob tação agronômica, sendo excesso e desequilíbrio entre nutrientes mal não está na adubação mineral em si, porém na sua aplicação inadequada. No Brasil, a adubação mineral tem sido aplicada, em olericultura, em níveis mais eleva- dos que em quaisquer outras culturas. Exemplificando: na década de 1970, enquanto rizicultores do sul de relutavam em aplicar 40 kg/ha de havia tomaticultores utili- zando 800 kg/ha. Observe-se que solo tem sua importância diminuída como fonte de nutri- entes quando espécies oleráceas exigentes são cultivadas em glebas de fertilidade mediana ou baixa precisamente a situação mais comumente encontrada no centro-sul do As culturas oleráceas são mais produtivas e exigentes, razão pela qual extraem e exportam do solo maior quantidade de nutrientes, em relação às culturas de grãos, por exemplo, exigindo adubações mais fartas. A olericultura também é a atividade agrícola que oferece respostas mais substanciais à adubação no aspecto agronômico e quadamente conduzida, a adubação resulta em maior produção, obtida por unidade de tempo e área, de produtos com maior valor nutricional, aspecto mais atrativo, melhor sabor e aroma, bem como valor de venda maior. Certamente contribuem para isso eleva- do potencial genético das atuais cultivares melhoradas, inclusive mais exigentes em nutrien- tes, e toda a moderna agrotecnologia. A irrigação, por exemplo, favorece a utilização dos nutrientes pelas raízes; e controle fitossanitário mantém a superfície fotossintetizante ativa por mais tempo, contribuindo para elevar a produção. Numa sucessão de culturas sobre uma gleba, é fundamental considerar ponderável residual das adubações anteriormente aplicadas, já que é impraticável fornecer os nu- na medida exata para atender à demanda da cultura Assim é que efeito residual contribui para reduzir O custo da adubação da nova Por exemplo, milho-doce pode suceder uma cultura rasteira de tomate, exigindo pouca ou nenhuma Normalmente, efeito residual é inclusive contribuindo para melhorar a fertilidade do também pode ser prejudicial no caso de adubações</p><p>Solo, Nutrição e Adubação 49 outras Exemplifica-se com a aplicação de fontes de boro, sendo a cultura sucedida sensíveis a níveis elevados de B. Vale ressaltar que a análise do solo de cada gleba por de pode evitar tais uma propriedade efetuada anualmente e complementada por análise foliar das culturas A adubação é fator que onera o custo de produção de uma cultura, porém não Todavia, como a maximização do lucro líquido por hectare geralmente coincide com a da produtividade e da qualidade do produto obtido, é compensador investir em adubação. Aliás, tem sido constatado para economistas rurais que, no caso particular da olericultura, ótimo em termos agronômicos por coincide com ótimo em termos econômicos Sem dúvida, essa é uma prá- tica que proporciona respostas favoráveis, razão pela qual um elevado investimento em adubação costuma ser vantajoso agronômica e Em muitas situações, constata-se que aplica excesso de certos nutrientes, ou utiliza adubação desequilibrada, que, inclusive, pode ocasionar problemas ambientais, como a contaminação da água subterrânea por nitratos. Também deve-se considerar que há um limite genético para a planta responder à aplicação de nutrientes mesmo nas atuais cultivares híbridas de alta produção. Ao que parece, tal limite vem sendo ultrapassado em certas culturas, como batata, tomate e morango, com agronômicas, econô- micas e ambientais negativas. Entretanto, para racionalizar a adubação de pes- quisadores e agentes de assistência técnica devem agir, intensiva e coordenadamente algo a ser considerado pelas entidades oficiais e firmas Quanto a recomendações técnicas e fórmulas de valem a pena algumas No Brasil, as recomendações são condicionadas pelas for- mulações NPK disponíveis na localidade. Nada mais As doses dos nutrientes devem ser estabelecidas pelos agrônomos regionais, que, após a interpretação dos resulta- dos das análises de solo e foliar, devem consultar dados de pesquisa, observar o que outros produtores estão fazendo e considerar o custo da adubação, bem como provável lucro a ser obtido com a cultura. Na Parte deste livro, são oferecidas algumas sugestões, por cultura, que, na falta de dados regionais, podem ser utilizadas. Vale enfatizar que as faixas de aplicação sugeridas se referem à adubação das culturas em glebas de fertilidade media- na ou baixa, que é a situação mais comumente encontrada. O leitor atento observará que, em parte alguma deste livro técnico, são sugeridas formulações NPK particularizadas. Não que o autor seja contrário à utilização delas, já que é mais fácil aplicá-las em vez de utilizar adubos simples, mas porque, obviamente, a formu- lação deve atender à recomendação agronômica, e não o contrário, como vem ocorrendo. Considere-se, também, que não há "receitas" de adubação em olericultura, devendo cada caso particular ser estudado pelo agrônomo responsável pela assistência técnica o único profissional capaz de fornecer orientação mais segura. E, para aqueles produtores que ar- gumentarem que esta assistência não está disponível, eu afirmo que os maiores culpados são eles mesmos, por não valorizarem a atuação do Na prática se é que um profissional veterano pode sugerir algo em um assunto tão complexo como esse se um agrônomo errar na dose de P numa recomendação, que erre para mais (dentro de certos limites). no caso de N, que erre para menos, já</p><p>50 Novo Manual de Olericultura que excesso é altamente prejudicial à cultura e a deficiência é facilmente corrigida Na dose de K, é um perigo errar para mais, pelo desequilíbrio que ocasiona à nutrição da planta, sendo preferível não aplicar doses no plantio, optando pelo parcelamento. Quanto a Ca e Mg, não se considere que a calagem forneça as quantidades adequadas, sendo vel que as formulações também contenham esses macronutrientes, juntamente com S A FILOSOFIA DE "CONSTRUIR" SOLO Salvo raras o olericultor brasileiro preocupa-se em adubar a cultura que está sendo implantada um imediatismo até justificável, dentro do contexto em que ele vive e labuta. É até compreensível que um arrendatário não cogite em elevar nível de fertilidade da gleba por ele trabalhada, mas sim em satisfazer às exigências da cultura. Entretanto, essa atitude é irracional e injustificável no caso de um proprietário rural que pretende manter uma agricultura sustentável e produtiva. Em pouco mais de quatro décadas de atuação profissional, autor convenceu-se de que a filosofia de se preocupar apenas em adubar cada cultura é inadequada. Entretanto, a preocupação exclusiva em melhorar solo pode conduzir a desastres financei- ros. Por conseguinte, é mister implantar a filosofia de "construir" solo, a médio prazo, paralelamente à adubação das culturas imediatismo necessário à sobrevivência do pro- dutor, especialmente daqueles que dispõem de área limitada. A "construção" do solo tem sido defendida por estudiosos da agricultura em solos tropicais de baixa fertilidade. Entre- tanto, é necessário conciliar aquilo que é agronomicamente desejável com economica- mente viável ou financeiramente possível. Um programa de aprimoramento do solo deve ser implantado ao longo do tempo, obtendo-se alguns resultados num período mínimo de cinco ou dez anos. Então, ideal é que olericultor seja um proprietário rural, ou que o contrato de parceria preveja os investimentos necessários ao programa. O custo total da "construção" deve ser repartido pelas diversas culturas que serão implantadas ao longo do período previsto. Em termos de crédito rural, fica caracterizado um "investimento" e não um "custeio". Deve-se evitar o engano bancário de considerar a calagem e a adubação verde, por exemplo, incluídas no custeio de determinada cultura. O aprimoramento do solo é um investimento para ser ressarcido a médio ou longo prazo algo que os gerentes das agências financiadoras da produção devem CALAGEM A calagem é uma das primeiras práticas ao se cogitar em iniciar um programa de "construção" ou aprimoramento de um solo agrícola. É imprescindível a coleta de amostras de solo representativas das diversas glebas a serem trabalhadas, bem como a obtenção de resultados detalhados e confiáveis de análises químicas e físicas efetuadas em Em seguida, os dados devem ser interpretados por um agrônomo de preferência que conheça bem a A quantidade de calcário a aplicar pode ser calculada pelo método de saturação por atual bases muito utilizado no Estado de São Nesse método, objetiva-se elevar a</p><p>Solo, Nutrição e Adubação 51 percentagem de saturação por bases fornecida pela análise (V%) para nível desejável, de 60 a 80%, dependendo da cultura. Também procura-se elevar os teores de Ca e de Mg trocáveis, aplicando um corretivo rico em ambos os nutrientes, ou apenas em Ca, confor- me a situação. Pode-se optar por aplicar metade da quantidade calculada do corretivo antes da aração e a outra depois, seguindo-se a gradagem. A aplicação de calcário deve ser efetuada a lanço sobre solo, com antecedência mínima de 60 a 90 dias do plantio, devendo a gleba ser molhada nesse período pela chuva ou pela irrigação. Observe-se que a cal agrícola é um corretivo de mais rápida solubilização, que pode ser aplicada com antecedência menor, de até 30 A faixa de acidez do solo a ser atingida deve ser de pH 6,0 a 6,5 a mais favorável para a maioria das culturas, inclusive porque possibilita melhor absorção da maioria dos nutrientes. Em que pese sua indiscutível relevância para a olericultura, praticada nos solos áci- dos do centro-sul, a calagem tem sido menosprezada por muitos olericultores. Todavia, esses mesmos produtores são capazes de aplicar pesadas adubações minerais em glebas excessivamente ácidas, comprometendo, inclusive, o bom aproveitamento dos nutrientes. Outras vezes, o produtor efetua a calagem sem o acompanhamento pela análise do solo, resultando em redução na disponibilidade de certos micronutrientes, especialmente Mn, Fe, Cu e Zn. devida à elevação excessiva do pH do solo um erro a evitar. ADUBAÇÃO CORRETIVA A adubação corretiva tem por objetivos elevar a disponibilidade de certos nutrientes num solo de baixa fertilidade natural, ou empobrecido por anos de manejo inadequado; reduzir as perdas no solo de nutrientes aplicados em formas prontamente solúveis, proporci- onar melhor disponibilidade de certos nutrientes ao sistema radicular, o que ocorre em maior volume de solo a ser explorado pelas Evita-se, assim, que as raízes se concentrem em pequeno volume de solo como ocorre quando a adubação é localizada em covas. Nos solos do centro-sul, a adubação corretiva mais necessária consiste na denominada "fosfatagem", por ser baixo o teor de P-disponível. Consiste, por definição, em aplicar certos fosfatos a lanço sobre a gleba, seguindo-se a incorporação pela gradagem. Essa aplicação pode ser repetida em intervalos de 3-5 anos, naqueles anos em que não se efetua calagem, já que a elevação do pH prejudica a solubilização. Dessa forma, o olericultor, em vez de concen- trar a adubação fosfatada no sulco de plantio, passa a enriquecer solo como um todo. A fosfatagem com fosfatos naturais finamente moídos pode tornar-se uma prática agrícola vantajosa, inclusive devido ao baixo custo. Assim, pode-se aplicar a fluorapatita (fosfato de ou de Catalão), que contém 4-6% de solúvel em ácido cítrico, 25% de Ca e traços de micronutrientes. Entretanto, baixo teor em P-disponível obriga a aplica- ção de doses elevadas. O contato íntimo entre as finas do fosfato e as de um solo ácido apressa a solubilização do fósforo, também saturando as do solo. Posteriormente, ao serem aplicadas formulações NPK ao sulco de plantio, aproveita- mento do fósforo altamente solúvel nelas contido será maior. A médio e longo prazos, a fosfatagem pode elevar teor de P-disponível do solo. Esse fato é mais notório ao se pro- mover a rotação de culturas com pastagem uma boa prática</p><p>52 Novo Manual de termofosfato magnesiano é outro fertilizante que pode ser aplicado, contendo 16% de solúvel em ácido 20% de Ca, 9% de Mg e teores apreciáveis dos micronutrientes B, Zn, Mn, Cu e Mo. Igualmente, é uma boa fonte de silício considerado como um nutriente essencial de plantas por alguns pesquisadores. O Si também melhora a utilização de P pela planta e pode aumentar a resistência a certas doenças. O termofosfato também age como corretivo da acidez, devido à sua reação alcalina no Devido ao custo substancialmente mais em relação aos fosfatos naturais brasileiros, o termofosfato magnesiano tem sido mais aplicado ao sulco de plantio, junta- mente com a adubação orgânica ou mesmo a formulação NPK. As recomendações técni- cas variam de 500 a 1.200 kg/ha, conforme a cultura e o solo. Inclusive, há agrônomos, com boa vivência de campo, que sugerem aplicar metade da dose planejada de na adubação de plantio utilizando-se essa fonte. Observe-se que a aplicação do termofosfato no sulco descaracteriza, totalmente, a denominada Quanto à opção pela aplicação de fosfatos a lanço ou localizadamente, não há consen- entre pesquisadores brasileiros de reconhecida liderança científica em fertilidade do solo e adubação. Observe-se que há aqueles que consideram ineficiente a aplicação a lanço como leitor interessado nesse assunto polêmico poderá verificar em RIBEIRO et al. (1999). Na eu sugiro a aplicação de termofosfato ao sulco de plantio, especialmente naquelas culturas oleráceas de ciclo mediano ou mais longo, juntamente com fontes mais solúveis de P. Na verdade, faltam dados de pesquisa que esclareçam melhor esse assunto. A aplicação a lanço de potássio, seguida pela incorporação promovida pela gradagem a denominada "potassagem" não é usual no Brasil, embora utilizada por agricultores euro- peus. Pode até ser vantajosa, em solos pronunciadamente deficientes em K, contudo, em sugere-se a aplicação de fontes solúveis de K ao sulco de plantio, e também em adubações complementares parceladas pós-plantio o que me parece mais vantajoso. ADUBAÇÃO VERDE A incorporação de restos culturais ao solo é um meio eficiente e econômico que o dispõe para elevar o teor de matéria orgânica, além do enriquecimento em nutri- entes. A chamada "adubação verde" é um caso particular da incorporação de plantas herbáceas ao solo, favorecendo as condições físicas, químicas e biológicas. Consiste em incorporar a massa vegetal produzida no próprio terreno, utilizando-se, para isso, plantas da família das fabáceas (antigamente, leguminosas), especialmente cultivadas para essa Destacam-se, dentre elas, as crotalárias e as mucunas pela produção de massa verde e riqueza em N. Quando em floração, com as plantas ainda tenras e facilmente decomponíveis, promove-se a incorporação pela aração ou gradagem. Os benefícios dessa prática agrícola ancestral são numerosos e notáveis. mais relevante é a fixação do N atmosférico pelas raízes, em simbiose com certas bactérias fixadoras. deste, podem ser citados: a descompactação do solo, provocada pela passagem de a melhoria na utilização dos nutrientes pelas culturas; aumento na capacidade de armazenamento de água; a redução na população de nematóides daninhos; a redução na infestação de plantas invasoras; e certa proteção do solo contra a erosão provocada pelas chuvas.</p><p>Solo Nutrição 53 A única desvantagem é deixar a gleba durante alguns com uma cultura que não produzirá renda Talvez isso não explique a falta de tradição no uso dessa prática mas sim total desconhecimento por parte dos essa prática pode ser economicamente desvantajosa para um mas não para um proprietário ADUBAÇÃO MINERAL NO PLANTIO plantio é ocasião propícia para fornecimento de nutrientes às plantas via sistema N constitui podendo ou não integrar a adubação de já que a maior parcela da dose total programada deverá ser aplicada pós-plantio. A aplicação de K também pode ser se bem em muitas a dosagem total pode ser aplicada por ocasião do plantio. Não é tarefa fácil conciliar os aspectos agronômicos e econômicos e a praticidade na aplicação da adubação aplicam-se formulações obtidas a partir da mistura de adubos utilizados como fontes de Os três núme- ros visíveis nas embalagens referem-se às percentagens de N. e Observe-se que esses dois óxidos são uma forma arcaica (porém universal) de expressar os teores de P e K As sugestões de adubação das diversas culturas também são expressas da mesma normalmente em kg/ha (veja a Parte II Olericultura Há formulações contendo baixa, média e alta concentração dos macronutrientes principais, sendo aquelas mais concentradas pobres em Ca, Mg e S. Em solos de baixa formulações NPK concentradas nem sempre apresentam resultados veis obtidos com formulações de menor certamente devido à cia dos macronutrientes Uma solução para aliar economicidade e fornecimen- to dos seis macronutrientes está na aplicação de formulações de média que também podem conter Em constata-se que os corretivos de acidez não constituem fontes mente confiáveis de Ca e Há outro engano S não é veiculado pelas chuvas em quantidades adequadas às necessidades de certas culturas, a não ser em regiões em razão dos compostos sulfurosos emitidos pelas chaminés nocivos aos moradores e à natureza No constata-se que é notória a deficiência em Ca e mais raramente em S. dependendo da cultura e do solo. Conclui-se que a formulação NPK deva fornecer também os macronutrientes ditos "secundários" resultados das análises de solo e foliar devem ser considerados. Uma formulação NPK adequada ao plantio de hortaliças deve ser substancialmen- te mais rica em expresso em percentagem de em relação aos demais nutrientes P deve apresentar-se em forma utilizável pelas raizes Na maioria das situa ções fornecimento de P não deve ser como se com Ne Além disso, a fornecimento de P e Ca por ocasião do plantio favorece a formação de e ativo sistema radicular Também tem sido demonstrado que a localização de direta mente das raizes ou muito mais eficiente Desse a formulação deve apresentar baixa percentagem de elevada de e média de As firmas</p><p>54 Novo de Olericultura produtoras deverão ser consultadas, inclusive as formulações devem atender a dades particulares dos solos e das culturas regionalmente. A produção de formulações NPK granuladas é tendência mundial. A granulação di- minui as perdas provocadas pela lixiviação rápida (caso do N) ou pela fixação às do solo (caso do P), além de facilitar a aplicação e diminuir empedramento durante a estocagem. Tais formulações podem consistir numa simples mistura mecânica de grânulos de tamanho variável, contendo os nutrientes separadamente. Também podem ser constitu- ídas por grãos uniformes, obtidos a partir de uma pasta homogeneizada, de tal forma que cada grão contenha os nutrientes. Durante o processamento industrial, também podem ser incluídos micronutrientes nesses grãos uma idéia que poderia ser adotada para no caso de formulação para brássicas, por exemplo. ADUBAÇÕES EM COBERTURA Por ocasião do plantio, deve-se, na maioria das situações, aplicar a dosagem total necessária de porém apenas uma parcela mínima da dosagem total de N, e a metade, ou menos, da dosagem total de K. Aplicar as doses adequadas de N é uma arte, que depende de experiência pessoal com a cultura e o solo trabalhado. As adubações nitrogenadas com- plementares também podem conter Ca, Mg e S. Note-se que a aplicação de formulações NPK em cobertura é menos justificável que por ocasião do plantio, podendo-se utilizar adubos simples. As doses sugeridas de N em cobertura constam dos capítulos que abordam as culturas. Em alguns casos, a dose total de K também deve ser parcelada para aumentar a eficiência de sua utilização pela planta. A condição para que um nutriente possa ser utilizado pelas raízes, quando aplicado em cobertura, é que possua boa mobilidade vertical no solo. Nesse aspecto, destaca-se N seguido por K, enquanto P apresenta pequena mobilidade vertical. Por conseguinte, a aplicação de P em cobertura é prática ineficiente e antieconômica na maioria das situações. Uma exceção e caso do tomateiro tutorado, que responde bem à aplicação de P na primeira cobertura, desde que haja incorporação pela amontoa. Em outras situações, ao se aplicar P em cobertu- ra, parte substancial é fixada pelo solo e o restante não se move com velocidade suficiente para atingir as raízes ativas na absorção. Inversamente, por sua elevada a maior parcela da dose total planejada de N deve ser aplicada em cobertura. Assim, o N estará disponível para as raízes no tempo e no local mais favoráveis. Pela mesma razão, a adubação de plantio deve ser pobre em N, evitando-se perdas por lixiviação, para fora do alcance das raízes, e prevenindo danos às plantas Atualmente, considera-se que também em algumas culturas, deve ter aplicação parcelada mormente em solos arenosos. Adubações em cobertura são, geralmente, Serão mostradas as parti cularidades quanto à aplicação em cada cultura. Pequenos olericultores aplicam adubos nitrogenados manualmente, por cima do solo, em um filete ao lado da fileira de plantas, ou "em Também são usados implementos que deixam cair um filete contínuo do adubo ao lado das É importante que adubo seja localizado ao lado e próximo da planta, porém sem Quando é exigida a amontoa, adubo deve ser incorporado por</p><p>Solo, Nutrição e Adubação 55 ADUBAÇÃO VIA FOLIAR Em olericultura, a adubação foliar justifica-se e é recomendada quando vista como uma complementação às aplicações efetuadas no solo. Ainda, quando se pretende uma resposta rápida da cultura, em caso de carência de nutrientes, declarada ou iminente. MACRONUTRIENTES Os olericultores vêm utilizando a adubação foliar. Trata-se de complementar a adu- bação via solo, fornecendo pequena parcela da quantidade necessária dos ou mesmo parcela substancial, no caso dos micronutrientes. Experimentalmente, tem sido demonstrada a capacidade das culturas utilizarem nutrientes aplicados em pulverização. A eficiência varia conforme o nutriente, a espécie botânica e as condições agroecológicas. Há situações em que a adubação foliar é o único meio de corrigir sintomas de deficiên- cia mineral, com a presteza necessária para que a planta retome desenvolvimento e produ- za normalmente. A absorção de nutrientes via foliar é mais rápida que pela via normal, porém esta última absorve quantidades mais elevadas. Em aplicados sobre as folhas, os nutrientes sofrem perdas substancialmente menores. Servem de exemplos a lixiviação do N e a fixação do P quando aplicados ao solo. Resultados práticos têm confirmado as constatações experimentais, todavia as aplicações foliares não podem substituir os macronutrientes, mas apenas complementar a adubação radicular. As caldas são preparadas diluindo-se as formulações complexas ou fontes solúveis específicas. Assim, a experiência tem demonstrado que o fornecimento de N via foliar pode complementar, adequadamente, a adubação via solo. Formulações mais concentradas em N que nos demais macronutrientes devem ser aplicadas apenas durante o desenvolvimen- to vegetativo. Deve-se, inclusive, evitar o fornecimento excessivo de N. com os males já apontados. A pulverização com solução de uréia (45% de N) a 0,5-0,8% (5-8 gramas por litro) é um meio eficiente de corrigir sinais iniciais de carência de N. Também é adequado para fornecimento fracionado de N, substituindo ou complementando as adubações via solo vantajosamente. Note-se que a aplicação foliar requer a mesma mão-de-obra ria para efetuar as pulverizações com defensivos. A aplicação foliar de P pode ser uma solução para a adubação fosfatada complemen- tar, pós-plantio, de culturas que frutificam e produzem durante longo período. Em outras culturas, nas fases do desenvolvimento da planta nas quais é mais elevada a utilização de P (floração, frutificação e formação de sementes), pulverizações com soluções contendo P podem ser boa opção. A eficiente absorção foliar de P também tem sido demonstrada experimentalmente. Vale ressaltar que este é o macronutriente cuja aplicação resulta em maiores respostas em produtividade, mas é, também, de mais baixa eficiência na utiliza- ção pela planta, quando aplicado ao solo. Certamente, como no caso dos demais macronutrientes, não é viável fornecer todo o P necessário apenas por via foliar, porém essa via pode dar uma contribuição não Aplicações foliares de Ca e Mg se tornaram corriqueiras entre olericultores, após essa agrotecnologia ter sido disseminada por agentes de assistência técnica. Dessa maneira, controla-se a podridão-apical resultado da deficiente utilização de Ca pelas células da</p><p>56 Manual Olericultura extremidade estilar dos frutos de tomate, melancia e pimentão com solução contendo Ca a clorose internerval nas folhas inferiores de solanáceas vem sendo controlada com solução contendo Naturalmente, não se deve esquecer que a boa fonte desses dois MICRONUTRIENTES No caso dos a aplicação foliar pode suprir, total ou te, as exigências das culturas e ter custo muito inferior ao da aplicação via Além disso evita as perdas elevadas comuns nas aplicações ao solo, já que a eficiente utilização pelas raízes depende do grau de acidez e de outros fatores Algumas fontes de micronutrientes já são bem conhecidas pelos olericultores, como ácido tetraborato de sódio molibdato de sódio, sulfato de zinco e sulfato de Também há formulações comerciais ricas em Sucesso na aplicação de micronutrientes via foliar tem sido constatado na prevenção ou no controle de anomalias resultantes carência de deformação do limbo foliar de couve-brócolos (carência da de podridão interna e manchas ferruginosas de couve-flor (carência de B): manchas esbranquiçadas nas folhas de milho-doce (carência de Zn); aspecto "virótico" do topo do tomateiro (carência de e plantas atrofiadas de alface (carência de Cu). Alguns fungicidas tradicionais aplicados em pulverização são fontes eficien- fungicidas de geralmente Zn. Mn e conforme fungicida. esses estão sendo substituídos por novos produtos mais eficientes. zineb Desse a exemplo do ocorrido na onde a porém sem podem provocou aumentar aumento dos casos de carência de Zn, as deficiências de substituição Zn. Mn Cu de fungicidas adicionassem no micronutrientes Talvez fosse nas interessante que as firmas produtoras dos novos e CUIDADOS NA FOLIAR cuidados Quando para que se pretende a absorção aplicar possa nutrientes ser assegurada: minerais por via foliar, devem-se tomar alguns água volume fria exceção é comercial, dissolve bem em A com maioria dos sais Uma puros e das formulações comerciais complexas se zador no com água de água, Todos para devendo-se completar que exige volume fervura prévia, em peque- dentro de É um pequeno os produtos que, dissolvem-se em seguida, melhor deve ser ao ser feita dentro uma do tanque pasta concentrada de pulveri- ou tanque inibir a desejada absorção dos reações químicas formulação, capazes seja de prejudicar puro, no do prudente não misturar para evitar mais de um adubo foliar, seja do tanque. sal As ser misturadas formulações no mesmo NPK foliares mas são isso compatíveis com a maioria dos podendo dúvidas quanto à compatibilidade é não vale para todos os sais observar Se ocorrerem Talvez seja preferível efetuar possível pulverizações efetuar testes prévios e se há reações</p><p>56 Novo Manual Olericultura extremidade estilar dos frutos de tomate, melancia e pimentão com solução contendo Ca a clorose internerval nas folhas inferiores de solanáceas vem sendo controlada com solução contendo Mg. Naturalmente, não se deve esquecer que a calagem é boa fonte desses dois macronutrientes. MICRONUTRIENTES No caso dos micronutrientes, a aplicação foliar pode suprir, total ou te, as exigências das culturas e ter custo muito inferior ao da aplicação via Além evita as perdas elevadas comuns nas aplicações ao solo, já que a eficiente utilização pelas raízes depende do grau de acidez e de outros fatores edáficos. Algumas fontes de micronutrientes já são bem conhecidas pelos olericultores, como ácido bórico, tetraborato de sódio (bórax), molibdato de sódio, sulfato de zinco e sulfato de cobre. Também há formulações comerciais ricas em micronutrientes. Sucesso na aplicação de micronutrientes via foliar tem sido constatado na prevenção ou no controle de anomalias resultantes da carência de micronutrientes: deformação do limbo foliar de couve-brócolos (carência de Mo); podridão interna e manchas ferruginosas de couve-flor (carência de B); manchas esbranquiçadas nas folhas de milho-doce (carência de Zn); aspecto "virótico" do topo do tomateiro (carência de B); e plantas atrofiadas de alface (carência de Cu). Alguns fungicidas tradicionais aplicados em pulverização também são fontes eficien- tes de micronutrientes, geralmente Mn e Cu, conforme o fungicida. Entretanto, esses fungicidas estão sendo substituídos por novos produtos mais eficientes, porém sem Desse modo, a exemplo do ocorrido na Flórida, onde a substituição de zineb provocou aumento dos casos de carência de Zn, as deficiências de Mn e Cu podem aumentar no Brasil. Talvez fosse interessante que as firmas produtoras dos novos fungicidas adicionassem micronutrientes nas formulações. CUIDADOS NA APLICAÇÃO FOLIAR Quando se pretende aplicar nutrientes minerais por via foliar, devem-se tomar alguns cuidados para que a absorção possa ser assegurada: A maioria dos sais puros e das formulações comerciais complexas se dissolve bem em água fria com agitação. Uma exceção é bórax comercial, que exige fervura prévia, em peque- no volume de água, para solubilização, devendo-se completar volume do tanque de pulveri- zador com água fria. Todos os produtos dissolvem-se melhor ao ser feita uma pasta concentrada dentro de um pequeno que, em seguida, deve ser diluída dentro do tanque. É prudente não misturar mais de um adubo foliar, seja formulação, seja sal puro, no tanque do pulverizador, para evitar reações químicas indesejáveis, capazes de ou inibir a desejada absorção dos As formulações NPK foliares são compatíveis com a maioria dos defensivos, podendo ser misturadas no mesmo tanque; mas isso não vale para todos os sais puros. Se ocorrerem dúvidas quanto à é possível efetuar testes prévios e observar se há reações indesejáveis. Talvez seja preferível efetuar pulverizações separadamente.</p>