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ACESSE AQUI ESTE MATERIAL DIGITAL! MARIA ALEXANDRA ESTRELA TAUANE SANTOS BRITO VANESSA CLÁUDIA VASCONCELOS SEGUNDO OLERICULTURA Coordenador(a) de Conteúdo Maquiel Duarte Vidal Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Alan Da Silva Francisco Alan Diego Hordina Laura Janke Design Educacional Rossana Costa Giani Revisão Textual Meyre Aparecida Barbosa da Silva Ilustração Andre Luis Azevedo da Silva Bruno Cesar Pardinho Figueiredo Eduardo Aparecido Alves Geison Ferreira da Silva Fotos Shutterstock e Envato Impresso por: Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Núcleo de Educação a Distância. ESTRELA, Maria Alexandra; BRITO, Tauane Santos; SEGUNDO, Vanessa Cláudia Vasconcelos. Olericultura / Maria Alexandra Estrela, Tauane Santos Brito, Vanessa Cláudia Vasconcelos Segundo. - Florianópolis, SC: Arqué, 2023. 208 p. ISBN papel 978-65-6083-084-4 ISBN digital 978-65-6083-085-1 1. Olericultura 2. Horticultura 3. EaD. I. Título. CDD - 635 EXPEDIENTE FICHA CATALOGRÁFICA N964 19428 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/20897 RECURSOS DE IMERSÃO Utilizado para temas, assuntos ou con- ceitos avançados, levando ao aprofun- damento do que está sendo trabalhado naquele momento do texto. APROFUNDANDO Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de filmes que se conectam com o tema do conteúdo. INDICAÇÃO DE FILME Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de livros que agregarão muito na sua vida profissional. INDICAÇÃO DE LIVRO Utilizado para desmistificar pontos que possam gerar confusão sobre o tema. Após o texto trazer a explicação, essa interlocução pode trazer pontos adicionais que contribuam para que o estudante não fique com dúvidas sobre o tema. ZOOM NO CONHECIMENTO Este item corresponde a uma proposta de reflexão que pode ser apresentada por meio de uma frase, um trecho breve ou uma pergunta. PENSANDO JUNTOS Utilizado para aprofundar o conhecimento em conteúdos relevantes utilizando uma lingua- gem audiovisual. EM FOCO Utilizado para agregar um con- teúdo externo. EU INDICO Professores especialistas e con- vidados, ampliando as discus- sões sobre os temas por meio de fantásticos podcasts. PLAY NO CONHECIMENTO PRODUTOS AUDIOVISUAIS Os elementos abaixo possuem recursos audiovisuais. Recursos de mídia dispo- níveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. 4 127U N I D A D E 3 INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS TUBEROSAS 128 INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS-FRUTO 150 INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS CONDIMENTARES 182 7U N I D A D E 1 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA OLERICULTURA 8 CLASSIFICAÇÃO DAS HORTALIÇAS 28 PLANEJAMENTO E INSTALAÇÃO DE HORTA 46 67U N I D A D E 2 O MERCADO E A COMERCIALIZAÇÃO DAS HORTALIÇAS 68 INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS HERBÁCEAS 88 INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS BULBARES 104 5 SUMÁRIO UNIDADE 1 MINHAS METAS INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA OLERICULTURA Conhecer a Horticultura e a Olericultura no contexto da produção agrícola. Compreender o papel econômico da Olericultura. Refletir sobre a importância econômica da Olericultura, por ser uma cultura de retorno econômico rápido. Entender a divisão da Olericultura: hortaliças, aromáticas e plantas medicinais. Analisar a participação da Olericultura no Produto Interno Bruto (PIB). Avaliar os benefícios da Olericultura para a agricultura familiar. Sintetizar a importância da Olericultura para a economia. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1 8 INICIE SUA JORNADA O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,9%, no primeiro trimestre de 2023, impulsionado, principalmente, pelo crescimento cada vez mais forte do Agronegócio (AGRO), que colaborou com 1,7 ponto. Em outras palavras, o PIB do Agro cresceu, neste período, o referente a 21,6% (IBGE, 2023). O Agronegócio é formado por todas as atividades agrícolas e pecuárias, incluindo as empresas agrícolas. Olericultura é parte da Horticultura, a qual é um segmento da agricultura que trata da fruticultura, olericultura, silvi- cultura e floricultura. Para o PIB do Agro, a Horticultura contribui, significativamente, com cerca de 9,5% ao ano, evoluindo com o crescimento econômico do país. No entanto, os dados sobre sua participação no PIB não são tão expressivos quando com- parado com as grandes culturas de exportação, como milho e soja. Isso se dá pelo fato da participação econômica do setor ser mais voltada para o público interno. Mesmo com a produção em grande escala, a alta perecibilidade do produto ainda é um problema para fins de exportação. Além disso, cultivar hortaliças requer bem mais investimentos em mão de obra e insumos. Portanto, atualmente, a produção da Olericultura tem acontecido, sobretudo, nas propriedades de agricultura familiar, garantindo a produção de alimentos frescos e saudáveis para os mercados locais. Com isso, destacamos que a Olericultura é um segmento da Horticultura que trabalha com a produção de vegetais herbáceos, mais conhecidos como hortali- ças, como o coentro. No entanto, a Olericultura abrange outros grupos de plantas. Atualmente, ela é a principal atividade responsável pela produção de alimentos saudáveis e nutritivos comercializados em feiras e mercados. Sendo uma das principais atividades da agricultura familiar, a Oleri- cultura fornece vegetais em seu estado natural, comercializados, principal- mente, em feiras para consumo interno dos brasileiros. Em linhas gerais, a Olericultura é uma ciência que estuda a produção de hortaliças, legumes e verduras, plantas de ciclos curtos, do plantio até a colheita, envolvendo o conhecimento de técnicas de cultivo, manejo do solo, controle de pragas e doenças, irrigação e fertilização. UNIASSELVI 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 As espécies hortícolas produzem alimentos saudáveis e nutritivos, ricos em vita- minas, minerais e fibras, contribuindo para a diversificação da dieta alimentar, o que é essencial para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, como diabete e doenças cardiovasculares. Por isso, é importante valorizar e investir na olericultura para promover a saúde e o bem-estar da população. Na olericultura, temos alguns fatores importantes para a produção de alimentos: grande volume de produção por área e retorno financeiro rápido. Dessa maneira, a Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), em um dos seus comunicados téc- nicos, destacou a produção de hortaliças como a principal fonte de renda da maioria dos agricultores familiares (AMARO et al., 2007). Contudo, a Olericultura não é feita somente das hortaliças, mesmo que sua produção seja maior e mais conhecida. Existem outros tipos de cultivo na olericultura, cada um com suas particularidades e seus benefícios, como o cultivo de plantas medicinais e aromáticas. A produção de plantas olerícolas ou hortaliças pode ser bem dinâmica, pois o cultivo das plantas deste grupo pode acontecer de maneiras diferentes, como o cultivo em solo – canteiros, hidroponia e cultivo em estufas. Cada um desses métodos apresenta vantagens e desvantagens em relação ao custo, à produtivi- dade, à qualidade dos alimentos e ao impacto ambiental. É importante conhecer cada um deles para escolher o mais adequado para cada situação e cada necessidade. Ao escolher as variedades de hortaliças para o seu cultivo, é importante consi- derar fatores, como clima, solo, disponibilidade de água e luz solar.de implantação elevado, o resultado final faz com- pensar o investimento. Logo, para cultivar hortaliças de forma sustentável, a horta hidropônica pode ser uma ótima opção. Escolha o local adequado para a horta hidropônica Antes de começar a planejar e instalar sua horta hidropônica, é importante es- colher o local adequado para ela. Certifique-se de que o local tenha acesso à luz solar direta por pelo menos 6 horas por dia. Além disso, verifique se o local é protegido de ventos fortes, com uma tem- peratura estável. Um local próximo a uma fonte de água também é ideal, pois facilitará o abastecimento do sistema hidropônico. Ao escolher o local adequado, você garante as condições ideais para o bom funcionamento do sistema e o crescimento saudável das suas plantas. Determine o tamanho e o tipo de sistema hidropônico que você deseja usar Antes de iniciar o planejamento e a instalação da sua horta hidropônica, é impor- tante determinar o tamanho e o tipo de sistema que você deseja usar. Existem diferentes opções disponíveis, como sistemas de fluxo e refluxo, sis- temas de filme nutritivo e sistemas de gotejamento. Cada tipo de sistema tem suas próprias vantagens e desvantagens, sendo importante fazer uma pesquisa e escolher aquele que melhor se adequa às suas necessidades e recursos disponíveis. Como funcionam as hortas que você conhece? Existe uma diversidade de estilos em hortas, seja no quintal de casa ou na horta comunitária. Veja mais sobre o tema no vídeo sugerido. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO 5 4 Figura 1 - Produção de hortaliças em hidroponia Fonte: https://img.freepik.com/fotos-gratis/sala-especial-equipada-para-o-cultivo-de-plantas-em-boas- -condicoes_181624-45492.jpg?w=740&t=st=1689814974~exp=1689815574~hmac=57c7fa8f75b- 2c0f535c8462e54f34e97097146d870ec15c203cf8d3711241ebf. Acesso em: 1 out. 2023. Descrição da Imagem: a figura apresenta uma fotografia de um galpão de produção de hortaliças no sistema de hidroponia. Além disso, você também precisa considerar o tamanho da sua horta e quantas plantas deseja cultivar. Isso lhe ajudará a determinar o tamanho do sistema e a quantidade de nutrientes e água necessários. Ao determinar o tamanho e o tipo de sistema hidropônico, você dará os primeiros passos para o sucesso da sua horta. Adquira os materiais necessários, como recipientes, tubos, bombas e nutrientes Após determinar o tamanho e o tipo de sistema hidropônico que você deseja usar, é hora de adquirir os materiais necessários. Você precisará de recipientes para as plantas, tubos para o fluxo de água, bombas para a circulação da água e nutrientes para alimentar as plantas. Certifique-se de escolher recipientes e tubos de alta qualidade que sejam duráveis e adequados para uso em sistemas hidropônicos. Além disso, verifique se você tem as bombas corretas para garantir uma circulação adequada da água. UNIASSELVI 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Quanto aos nutrientes, você pode encontrar kits específicos para hortas hidropô- nicas, os quais contêm todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento saudável das plantas. Certifique-se de seguir as instruções de dosagem corretamente para garantir que suas plantas recebam a quantidade adequada de nutrientes. Com os materiais necessários em mãos, você estará pronto para dar continuidade ao planejamento e à instalação da sua horta hidropônica. Prepare o ambiente, garantindo a iluminação adequada e a temperatura controlada Antes de iniciar a instalação da sua horta hidropônica, é importante preparar o ambiente para garantir que suas plantas recebam a iluminação adequada e que a temperatura seja controlada. A iluminação é essencial para o crescimento saudável das plantas, especial- mente em ambientes internos. Certifique-se de escolher uma área onde as plantas possam receber luz solar direta ou use luzes artificiais, como lâmpadas de LED, para fornecer a quantidade necessária de luz. Além disso, verifique se a temperatura do ambiente está na faixa ideal para o crescimento das plantas hidropônicas, que geralmente é entre 18° C e 24° C. Utilize um termômetro para monitorar a temperatura e a ajuste, se necessário, utilizando aquecedores ou resfriadores. Ao preparar o ambiente corretamente, você criará as condições ideais para o sucesso da sua horta hidropônica. Monte o sistema hidropônico segundo as instruções do fabricante Após preparar o ambiente, é hora de montar o sistema hidropônico segundo as instruções do fabricante. Cada sistema pode ter suas próprias especificidades, portanto, é importante seguir as orientações fornecidas pelo fabricante para ga- rantir o funcionamento adequado da sua horta hidropônica. Geralmente, isso envolve a montagem das estruturas de suporte, a instala- ção dos recipientes para as plantas e a conexão dos tubos e bombas de água. Certifique-se de seguir todas as etapas cuidadosamente e verificar se tudo está corretamente instalado antes de prosseguir. 5 1 VOCÊ SABE RESPONDER? Buscando compreender a produção de hortaliças hidropônicas, quais são os princípios básicos a serem adotados no planejamento da implantação de um sistema de hidroponia para hortaliças? Principais tratos culturais em hortas Na produção de hortaliças, temos outros fatores importantes a se considerar, que são os tratos culturais. Para cultivar uma horta, é importante conhecer os princi- pais tratos culturais necessários para garantir o crescimento saudável das plantas. Portanto, além de escolher o lugar certo e as espécies adequadas, é necessário saber também como cuidar das suas plantas eficientemente, desde a preparação do solo até a colheita, para obter bons resultados. Adubação A adubação é um dos principais tratos culturais em hortas e desempenha um papel fundamental no crescimento saudável das plantas. Ela fornece os nutrientes necessários para o desenvolvimento das plantas, como nitrogênio, fósforo e po- tássio. Além disso, a adubação também melhora a estrutura do solo, aumentando sua capacidade de retenção de água e nutrientes (MAKISHIMA, 2010). É importante escolher os fertilizantes certos para suas plantas, considerando suas necessidades específicas. Existem diferentes tipos de fertilizantes disponíveis, como os orgânicos e os químicos. Os fertilizantes orgânicos são feitos a partir de materiais naturais, como esterco, compostagem e restos de plantas. Já os fertilizantes químicos são produzidos sinteticamente e contêm nutrientes em forma concentrada. Ao escolher os fertilizantes, é importante considerar o tipo de planta que você está cultivando, suas necessidades nutricionais e as características do solo. É recomendado fazer uma análise do solo para identificar quais nutrientes estão em falta e ajustar a adubação. Uma montagem adequada do sistema é essencial para garantir o fornecimento adequado de água e nutrientes às plantas, promovendo seu crescimento saudável. UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Além disso, é importante seguir as instruções de aplicação dos fertilizantes, evitando o uso excessivo, que pode causar danos às plantas e ao meio ambiente. Uma adubação adequada e balanceada contribui para o crescimento saudável das plantas, aumentando a produtividade e a qualidade das colheitas em sua horta. Adubação Fornece os nutrientes necessários para o desenvolvimento das plantas, como nitrogênio, fósforo e potássio. Controle de pragas Pulgões, ácaros e lesmas podem causar danos significa- tivos às plantas, reduzindo sua produtividade e qualidade. Controle de doenças Doenças como fungos, bactérias e vírus podem afetar o crescimento saudável das plantas. Poda ou desbaste A poda ou o desbaste adequado das plantas ajuda a pro- mover um crescimento saudável, estimula a produção de frutos e flores e melhora a aparência geral das plantas, além de reduzir a competição por nutrientes. Quadro 1 - Resumo dos principais tratos culturais em hortas / Fonte:Matos (2002). Controle de pragas e doenças O controle de pragas e doenças é outro aspecto importante dos tratos culturais em hortas. Pragas como pulgões, ácaros e lesmas podem causar danos signifi- cativos às plantas, reduzindo sua produtividade e qualidade. Da mesma forma, doenças como fungos, bactérias e vírus podem afetar o crescimento saudável das plantas (MATOS, 2002). Para identificar e controlar pragas e doenças, é essencial estar atento aos sinais de infestação ou infecção. Isso inclui manchas nas folhas, deformações, presença de insetos ou sinais de danos nas plantas. Ao identificar uma praga ou doença, é importante agir rapidamente para evitar sua propagação e minimizar os danos. Existem diferentes métodos de controle de pragas e doenças, incluindo o uso de pesticidas, controle biológico, rotação de culturas e medidas preventivas. É importante escolher o método mais adequado para cada situação, considerando a gravidade da infestação ou infecção, o tipo de planta e os impactos ambientais. Além disso, é fundamental seguir as instruções de uso dos produtos quí- micos, garantindo a segurança das plantas, dos animais e do meio ambiente. O uso consciente e responsável de pesticidas é essencial para proteger a saúde das plantas e a sustentabilidade da horta. 5 8 Ao aprender a identificar e controlar pragas e doenças, você estará melhor equipado para manter suas plantas saudáveis e obter colheitas abundantes em sua horta. Podas, desbastes e colheitas A poda ou desbaste e a colheita são etapas importantes nos tratos culturais em hortas. A poda ou o desbaste adequado das plantas ajuda a promover um cresci- mento saudável, estimula a produção de frutos e flores e melhora a aparência geral das plantas, além de reduzir a competição por nutrientes. É importante saber quan- do e como podar cada tipo de planta, considerando suas necessidades específicas. A colheita também requer cuidados para garantir que os frutos e vegetais sejam colhidos no momento certo, quando estão maduros e saborosos. Além disso, é importante utilizar técnicas adequadas de colheita para evitar danos às plantas e garantir a máxima produtividade. Ao longo deste livro didático, você encontrará dicas e orientações sobre quando e como podar suas plantas, além de dicas para realizar colheitas eficientemente. Aprenda a cui- dar das suas plantas adequadamente e obtenha colheitas abundantes em sua horta. UNIASSELVI 5 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 NOVOS DESAFIOS Chegamos ao final de mais um estudo, no qual você deu mais um passo em seu processo formativo. O engenheiro agrônomo é um profissional com muitas habilidades e conhe- cimentos que auxilia agricultores e empresas a produzir mais e com qualidade. A produção de hortaliças não difere da produção de soja, milho ou outra commodity; o que separa as hortaliças das demais culturas é a sua alta perecibili- dade, fato que abre espaço para mais pesquisas e desenvolvimento de variedades com maior tempo de prateleira. Outro fato importante que devemos considerar a respeito das hortaliças é sua capacidade de manter resíduos de agrotóxicos em suas partes comestíveis. Aprendemos com os pesquisadores da Embrapa e extensionistas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) a trabalhar elementos teóricos e práticos das hortaliças, para, assim, termos um resultado satisfatório. Assista, agora, ao conteúdo referente à sua aula. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO 1 1 AUTOATIVIDADE 1. No cultivo de hortaliças, cada espécie deve ser plantada ou transplantada utilizando-se de um espaçamento adequado ao crescimento e desenvolvimento para alcançar o padrão de exigência do mercado. Assim, é necessário observar a distância entre linhas e entre as plantas na linha (AMARO et all, 2007). Sobre o espaçamento de plantio para hortaliças de pequeno porte, assinale a opção correta: a) A alface é plantada no espaçamento de 20 x 25 cm, enquanto a salsa e o coentro em linhas separadas de 25 x 10 cm. b) A chicória é plantada no espaçamento de 25 x 15 cm, enquanto o tomate em linhas separadas de 25 x 15 cm. c) A couve é plantada no espaçamento de 10 x 10 cm, enquanto a salsa em linhas se- paradas de 25 x 10 cm. d) A alface é plantada no espaçamento de 15 x 15 cm, enquanto a salsa em linhas se- paradas de 10 x 5 cm. e) A alface e a chicória são plantadas no espaçamento de 25 x 25 cm, enquanto a salsa e o coentro em linhas separadas de 25 x 10 cm. 2. A respeito da época de plantio, nas diferentes regiões do Brasil acontecem diversos ti- pos de variação climática, permitindo o cultivo de hortaliças com exigências climáticas diferentes ao longo do ano. No entanto, vale lembrar que a época de plantio influencia no ciclo de produção, na produtividade e na também na qualidade (JORGE et al., 2016). Sob a perspectiva da produção de hortaliças, a época de plantio influencia diretamente no ciclo de produção da planta respeito do tema, analise as opções a seguir e assinale a alternativa correta: a) Independentemente da época do ano, as condições climáticas sempre são favoráveis ao cultivo de todas as hortaliças. b) Com a adequação na estrutura e o uso de variedades adaptadas às condições climá- ticas adversas, é possível plantar hortaliças apenas em janeiro. c) Condições climáticas desfavoráveis ao cultivo, de determinadas hortaliças, inviabili- zam a horta, apesar da existência de variedades adaptadas. d) Dependendo da época do ano, as condições climáticas podem ser desfavoráveis ao cultivo de determinadas hortaliças. No entanto, isso não inviabiliza a horta, visto que a adequação na estrutura e a existência de novas variedades adaptadas às condições climáticas adversas permitem que o período de plantio seja estendido em várias regiões. e) As condições climáticas, quando desfavoráveis ao cultivo de determinadas hortaliças, inviabilizam a horta, pois não é possível adequar as estruturas e nem existem varie- dades adaptadas às condições climáticas adversas. 1 1 AUTOATIVIDADE 3. Quando tratamos da produção e da exploração de hortaliças, identificamos alguns tipos diferentes, por exemplo, na exploração diversificada, acontece o cultivo de mui- tas espécies olerícolas, geralmente em áreas pequenas, com menos de 10 hectares e utilizando de mão de obra familiar (PUIATTI, 2019). A respeito dos tipos de exploração de olerícolas, analise as afirmativas a seguir: I - A exploração diversificada é um tipo de exploração realizada distante dos grandes centros consumidores, nos cinturões verdes. II - Na exploração especializada, entra o trabalho do especialista, ou seja, um agricultor que aplica determinadas tecnologias em sua produção e é experiente no cultivo de determinadas espécies de hortaliças, geralmente uma a três espécies. III - A exploração industrial de hortaliças é uma atividade que destina a sua produção ao processamento na agroindústria de alimentos. IV - A exploração de hortas e a produção diversificada se diferenciam quanto aos objetivos da atividade: na diversificada, visa à venda da produção; e, na exploração de hortas, a produção destina-se à alimentação da família e/ou da comunidade. É correto o que se afirma em: a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) II, III e IV, apenas. 1 1 REFERÊNCIAS ALVES, R. A. M.; SEGOVIA, J. F. O. Planejamento de instalação de hortas. Macapá: Em- brapa Amapá, 2011. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/ item/70683/1/7-Planejando-a-Instalacao-de-Hortas.pdf. Acesso em: 19 jul. 2023. AMARAL, E. F. do. Amostragem de solo para avaliação da fertilidade. Rio Branco: Embra- pa, 1997. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/492532/1/ it06.pdf. Acessoem: 8 ago. 2023. AMARO, G. B. et al. Recomendações técnicas para o cultivo de hortaliças em agricul- tura familiar. Circular Técnica Embrapa Hortaliças, Brasília, n. 47,jan. 2007. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/781607/recomendacoes- -tecnicas-para-o-cultivo-de-hortalicas-em-agricultura-familiar. Acesso em: 15 jun. 2023. ARAÚJO NETO, P. R. de. Preparo de canteiros para o cultivo de hortaliças. Teresina: Em- brapa Meio-Norte, 2020. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/ item/219557/1/PreparoCanteirosCultivoHortalicas.pdf. Acesso em: 15 jul. 2023. CONRADO, T. V. et al. Horta fácil: software para o planejamento, dimensionamento e gerencia- mento de hortas em geral. Horticultura Brasileira, v. 29, p. 435-440, 2011. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/hb/a/sFyrfcdfSkgD6kWQgjZpKWM/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 jul. 2023. HENZ, G. P.; ALCÂNTARA, F. A. de. Hortas: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasí- lia: Embrapa Informação Tecnológica, 2009. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.em- brapa.br/bitstream/doc/663403/1/500perguntashortas.pdf. Acesso em: 8 ago. 2023. JORGE, M. H. A. et al. Implantação e condução de uma horta de médio porte. Brasília: EMBRAPA-DF, 2016. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/han- dle/doc/1063739. Acesso em: 15 jul. 2023. MAKISHIMA, N. et al. Projeto horta solidária: cultivo de hortaliças. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, 2010. Disponível em: https://www.cnpma.embrapa.br/down_site/horta/car- tilha_horta_final2010.pdf.Acesso em: 15 jul. 2023. MATOS, F. A. C. de. Horta doméstica. 5. ed. Brasília: Emater, 2002.Disponível em: https:// www.emater.df.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/HORTA-DOMESTICA-direcionado. compressed.pdf.Acesso em: 19 jul. 2023. MELO, P. C. T. de; ARAÚJO, T. H. de. Olericultura: planejamento da produção do plantio à comercialização. Curitiba: SENAR-PR, 2016. Disponível em: https://sistemafaep.org.br/wp- -content/uploads/2021/05/PR.0315-Olericultura-Planejamento-da-Producao_web.pdf. Acesso em: 23 abr. 2023. PUIATTI, M. Olericultura: a arte de cultivar hortaliças. Viçosa: UFV-MG, 2019. Disponível em: https://serieconhecimento.cead.ufv.br/wp-content/uploads/2020/03/Olericultura-down- load.pdf. Acesso em: 2 jul. 2023. TEIXEIRA, P. C. et al. Manual de métodos de análise de solos. 3. ed. Brasília: EMBRAPA, 2017. Dis- ponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/1085209. Acesso em: 2 jul.2023 1 1 1. Opção E. A alface e a chicória são plantadas no espaçamento de 25 x 25 cm, enquanto a salsa e o coentro em linhas separadas de 25 x 10 cm. 2. Opção D. A alternativa D é a única correta por apresentar os fatos a respeito da produção de hortaliças no Brasil, visto que, atualmente, é possível produzir durante todo o ano, inde- pendentemente das adversidades climáticas. Novas variedades, sistemas de produção modernos e cultivo controlado são alguns dos fatores. 3. Opção E. Entre as afirmativas, a única errada é a I, pois a exploração diversificada é um tipo de exploração realizada próximo aos grandes centros consumidores, nos cinturões verdes. GABARITO 1 4 MINHAS ANOTAÇÕES 1 5 UNIDADE 2 MINHAS METAS O MERCADO E A COMERCIALIZAÇÃO DAS HORTALIÇAS Compreender o processo de comercialização das hortaliças. Conhecer o significado dos negócios de hortaliças. Entender o processo de logística da cadeia de hortaliças. Identificar os principais meios de comercialização. Reconhecer a importância da comercialização em grupos, associações e cooperativas. Identificar os principais sistemas de produção e sua importância na comercialização. Analisar a comercialização das hortaliças. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4 1 8 INICIE SUA JORNADA O mercado de produção e comercialização de hortaliças no Brasil ocupa número significativos e em crescente expansão. Você sabia que, em 2022, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2023) teve uma comercialização de frutas e hortaliças superior a 60 bilhões nas centrais de abastecimento (Ceasas)? A Conab é um órgão que atua na geração de informações agropecuárias, com o acompanhamento das safras, considerando a pesquisa de preços, o levantamento de custos de produção e os estudos técnicos. Além disso, emite informações sobre a comercialização dos produtos hortigranjeiros. Já a Ceasa é formada por empresas estatais ou privadas que promovem e regulam a comercialização de produtos da hortifruticultura no atacado. Essa movimentação de frutas e hortaliças durante o mesmo ano, nos merca- dos atacadistas, permaneceu estável em relação aos números registrados em 2021, ou seja, chegando a 17,5 milhões de toneladas. Ano após ano, observa-se que a comercialização de hortaliças no Brasil cresce cada vez mais, principalmente em regiões onde antes não era comum a produção e a comercialização de hortaliças frescas. Além disso, o crescimento da agricultura familiar, o acesso ao crédito rural e o acesso à informação tem auxiliado no crescimento deste mercado. Neste podcast, você será convidado a iniciar uma reflexão sobre o processo de comercialização de hortaliças no Brasil. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO Diante desse crescimento no setor de hortaliças, como você analisa as condições de comercialização na atualidade? UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 DESENVOLVA SEU POTENCIAL Hortaliças são culturas temporárias, ou seja, a maioria das espécies são anuais, sendo produzidas em mais de um ciclo ao ano. Este fator posiciona as hortaliças como algumas das culturas mais lucrativas da agricultura (VILELA; HENZ, 2000). No entanto, a produção de hortaliças é desafiadora, por sua pereci- bilidade do início ao fim do ciclo, avançando para a pós-colheita, visto que alimentos perecíveis necessitam de cuidados e investimentos em tecnologia para sua conservação (TOFANELLI, 2009). Diante de todos os desafios enfrentados pelos produtores, a comercialização continua sendo o maior entrave. De acordo com Sato et al. (2008), os baixos rendimentos financeiros obtidos pelos produtores agrícolas, inviabiliza cada vez mais a produção de hortaliças em determinadas regiões. Fatores, como eventos climáticos, doenças e pragas ocasionam perdas e reduzem a qualidade do pro- duto, mas a comercialização da produção ainda é o principal fator que dificulta a otimização dos lucros dos produtores. VAMOS RECORDAR? Vamos recordar alguns pontos importantes ao estudo do mercado de comer- cialização de hortaliças? Atualmente, estamos acompanhando um momento de transição quando a olericultura convencional está sendo cada vez mais substituí- da pela olericultura orgânica. Um dos principais desafios para o produtor de hor- taliças é a comercialização individual, em que este pode perder em valor de mer- cado. Por outro lado, a comercialização em associações auxilia em um processo justo e rentável para os produtores. Leia mais no artigo “Mercados diferenciados de hortaliças”. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. 1 1 As hortaliças são conhecidas por suas características tenras, sejam folhosas sejam frutos, a maioria das hortaliças se desenvolve como plantas herbáceas de caules e folhas frágeis. Já os frutos precisam de condições adequadas para sua conser- vação, apresentando baixo tempo de prateleira após a colheita. A perecibilidade diz respeito às características inerentes ao alto teor de umidade e de nutrientes na parte da planta ou no fruto comestível. A presença de umidade facilita o desenvolvimento de microrganismos que se desenvolvem nessas partes comer- cializáveis, causando podridão, inviabilizando o consumo. VOCÊ SABE RESPONDER? O são alimentos perecíveis? Por que as hortaliças pertencem a este grupo? De acordo com Melo e Araújo (2016), a comercialização de hortaliças apresenta um grande desafio, principalmente na produção realizada por pequenos produ- tores rurais, ou seja, os agricultores familiares. A principal dificuldade deste grupo trata-se da ausência de organização em grupos,como as associações. Além dis- so, não possuem acesso ao conhecimento relacionado às complexidades do pro- cesso de comercialização e da inserção dos seus produtos no mercado. APROFUNDANDO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 SISTEMAS DE LOGÍSTICA E COMERCIALIZAÇÃO DE HORTALIÇAS Araújo et al. (2011) destacam que a comercialização de hortaliças deve estar inserida em um contexto que considere todos os elos da cadeia produtiva. No en- tanto, existem diferentes formas de comercialização que impactam, diretamente, os investimentos por parte do produtor e os lucros obtidos. Em geral, a comercialização das hortaliças acontece, por meio de feiras e companhias e centrais de abastecimento, como a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP). Os produtos chegam nestes ambientes, por meio da comercialização direta com o produtor ou por meio dos “atravessadores”, ou seja, comerciantes que compram os produtos dire- tamente no campo ao produtor. Portanto, o produto chega ao consumidor, por meio dos distribuidores, ou seja, o comerciante, que obtêm as hortaliças dos atacadistas (ARAÚJO et al., 2011). No entanto, este processo varia de uma região para outra, por exemplo, em feiras livres de pequenas cidades do interior, é comum que cada agricultor comercialize sua produção. São diversas as maneiras como as hortaliças são comercializadas e chegam ao consumidor, em algumas regiões é mais comum encontrar hortaliças nos chamados sacolões, quitandas e feirinhas de bairro. Com a expansão dos hiper- mercados, é possível encontrar frutas, verduras e legumes rastreados diretamente do produtor, gerando mais confiança ao consumidor. Não menos importante, a comercialização, por meio de programas dos governos, está se tornando cada vez mais popular, principalmente na comercialização de produtos da agricultura familiar para a merenda escolar. Independentemente de todos estes elementos citados, a organização e o pla- nejamento são os aspectos mais importantes na comercialização de hortaliças, visto que se trata de produtos perecíveis. Assim, dois aspectos são de extrema importância: a classificação e a padronização (MELO; ARAÚJO, 2016). 1 1 OS SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS A produção de hortaliças cresceu e expandiu, nos últimos anos, e como seria de se esperar, os sistemas de produção precisaram se adaptar a esta realidade. Atualmente, estamos passando por um processo de transição do sistema con- vencional para o sistema orgânico. O sistema de comercialização de hortaliças orgânicas ainda é limitado e acontece em dois sistemas principais: as feiras-li- vres e a entrega de cestas em domicílio, dificultando a expansão da olericultura orgânica para inúmeros agricultores (ASSIS; ROMEIRO, 2007). Outros modelos de cultivo, no entanto, incluindo a hidroponia e o uso da ro- bótica e da inteligência artificial elevam a qualidade dos sistemas de produção de hortaliças, em virtude do nível tecnológico adotado. Por outro lado, o produtor, bem como o comerciante de hortaliças, preocupa-se menos com o sistema e mais com o ponto de colheita, a qualidade do produto final e a lucratividade das vendas. Manipulação e Comercialização de Hortaliças foi lançado por um grupo de pesquisadores da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), no ano de 1998. Uma obra completa, que contempla os conteúdos pertinentes ao recon- hecimento das hortaliças, nos seus aspectos pós-colheita, como transporte, embalagens, refrigeração, gestão de estoque, exposição dos produtos na área de vendas e calendário de comercialização. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Para Puiatti (2019), os principais pontos a se observar nos sistemas de produção de espécies cultivadas dizem respeito aos seguintes aspectos: • A colheita. • A classificação. • A embalagem. • A conservação pós-colheita. • A comercialização das hortaliças. Reconhecer o ponto de colheita de cada espécie cultivada é fundamental para o produtor, seja pela observação seja pelo contato físico. Além disso, deve-se obser- var o ciclo da cultura para se ter noção de quando a colheita poderá ser realizada. No que tange à comercialização, o que importa são os aspectos que remetem à qualidade, ou seja, ao padrão de qualidade, à rastreabilidade, à embalagem e à conservação no pós-colheita. O vídeo mostra a vivência de uma família produtora de hortaliças e mais especifi- camente, o momento da colheita. O canal Horta Fenato mostra como a família lida com a produção de hortaliças no dia a dia, do preparo do solo à colheita e à comer- cialização. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO 1 4 ESTRATÉGIAS, CANAIS DE COMERCIALIZAÇÃO E OS MERCADOS DIFERENCIADOS Atacado e varejo são as palavras de ordem no comércio. No mercado de hortaliças não seria diferente. Considerando os diferentes sistemas de produção e a necessidade logística de levar a hortaliça ao consumidor final, é fundamental criar estratégias de comercialização. O mercado das hortaliças frescas ainda é a principal forma de comercialização das hortaliças, que, de acordo com Tofanelli et al. (2007), a comercialização das hortaliças ainda é complexa em virtude do alto índice de perecibilidade destes pro- dutos. Ainda segundo o mesmo autor, outro fator que dificulta a comercialização destes vegetais é a sazonalidade dos preços que variam durante o ano, em virtude das oscilações do mercado, geralmente, relacionadas com as variações climáticas. Logo, o mercado é uma importante e complexa etapa entre a produção e o consu- mo das hortaliças, sendo definido pelos diversos canais de comercialização (distribui- ção), e deficiências, nesse processo, podem produzir efeitos gravemente indesejáveis. Assim, conhecer os canais de comercialização e os elos da cadeia produtiva, segundo as características de cada produto e seu mercado, é fundamental para melhor orga- nização e logística do processo. Por exemplo, fatores como local e horário de entrega do produto, na forma e quantidade esperadas, são elementos cruciais para o sucesso da comercialização de determinado produto (TOFANNELLI et al., 2007). A comercialização de frutas e hortaliças, durante o ano de 2022, nos prin- cipais mercados atacadistas, gerou uma movimentação de 61,8 bilhões, na economia brasileira. Na edição do ConabCast, o gerente de produtos Allan Silveira e o analista da Companhia, Aníbal Fontes, mostram os motivos que levaram a este resultado e aos impactos tanto no mercado interno como externo. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 As estratégias de comercialização são diversas (ARAÚJO, 2011): • Varejo. • Atacado. • Atravessador. • Sacolões. • Feiras livres. • Redes de supermercados. • Programas sociais - exemplo: Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da agricultura familiar. • Feira de produtores. • Delivery. 1 1 A comercialização de hortaliças é, de fato, dinâmica, por exemplo, os estudos de Gaspari e Khatounian (2016), em um assentamento de reforma agrária, mos- trou que as estratégias de comercialização utilizadas eram as seguintes: • A comercialização direta ao consumidor final é tida como uma forma de aumentar a rentabilidade financeira e fortalecer a agricultura familiar através da eliminação de agentes de comercialização. • A via de comercialização mais eficaz na ótica destas famílias assentadas de- penderá de fatores relacionados à estrutura familiar e ao estabelecimento rural. • No estabelecimento com produção de hortaliças comercializadas com ata- cadista intermediário, a dimensão da área de plantio é definida pela mão de obra disponível e pela exigência em trabalho das culturas. • Geralmente, são cultivadas poucas espécies em monocultura, sendo a escolha da espécie definida em acordocom o intermediário. • A produção está alicerçada e é dependente de insumos industriais, mas não depende de financiamento externo, uma vez que os custos produtivos estão na capacidade financeira da família e há baixo investimento em benfeitorias produtivas. O intermediário revende a produção em varejões. Por fim, o mercado diferenciado é uma opção que tem se tornado cada vez mais procurada por quem visa agregar valor aos seus produtos. De acordo com Junqueira e Luengo (2000), agregar valor das hortaliças é a melhor maneira de aumentar os lucros. Além disso, quando o agricultor assume a fase de comercialização, estará na direção de aumentar sua rentabilidade eco- nômica. Nesse contexto, o produtor deve investir para deixar de ser apenas um agricultor e se tornar empresário agrícola. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Logo, o melhor caminho para assumir a fase de comercialização é por meio da associação de produtores com interesse comum em associações ou coopera- tivas e atuar como grupo. Ainda de acordo com Junqueira e Luengo (2000), para agregar valor ao produto, é importante focar em diferenciais de mercados como: • Hortaliças não convencionais. • Hortaliças supergeladas e congeladas. • Hortaliças minimamente processadas. • Hortaliças enlatadas e em conservas. • Hortaliças desidratadas e liofilizadas. • Hortaliças orgânicas. Portanto, podemos observar que existem diversas possibilidades de agregar valor às hortaliças. No entanto, é necessário investir em conhecimento e tecnologias. Assim como estudamos aqui, o uso de técnicas para agregar valor às hortaliças é fundamental. Junqueira e Luengo (2000) descrevem profundamente as prin- cipais maneiras de agregar valor às hortaliças. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO PADRONIZAÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E RASTREABILIDADE As redes de supermercado estão entre as mais exigentes no quesito qualidade das hortaliças comercializadas. Dessa forma, para um produtor rural comerciali- 1 8 zar hortaliças para uma rede de supermercado, ele precisa investir em qualidade e, mais recentemente, em rastreabilidade. As exigências das redes de supermercado estão em sintonia com a exigência do consumidor. Em um mundo cada vez mais conectado, o consumidor busca ali- mentos de alto padrão de qualidade. Segundo Melo e Araújo (2016), o padrão de qualidade exigido pelo consumidor diz respeito, principalmente, em termos de: ■ aparência; ■ sabor; ■ valor nutricional; ■ livres de resíduos químicos e biológicos. Diante dessas exigências, a produção de hortaliças tornou-se bem mais comple- xa e necessária de mão de obra qualificada. Produzir alimentos tornou-se mais complexo diante das exigências do mercado, que busca alimentos cultivados, segundo as boas práticas agrícolas, protegendo o meio ambiente e zelando pela qualidade de vida dos trabalhadores. As exigências do mercado não se limitam à produção, mas se estendem, prin- cipalmente, no período após a colheita para garantir a qualidade do produto até que chegue ao consumidor. Para garantir o sucesso pós-colheita, a logística deve compreender as atividades de: ■ manuseio; ■ armazenagem; ■ embalagem e transporte. Dessa forma, o planejamento adequado destas atividades pode contribuir para diminuir os custos e proporcionar mais lucros para o olericultor (MELO; ARAÚ- JO, 2016). No entanto, a logística pode variar segundo a hortaliça e o tamanho da exploração, mas é descrita, basicamente, da seguinte forma: ■ colheita (manuseio); ■ classificação e padronização; ■ transporte e distribuição nos pontos de venda ao consumidor. UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 O tempo de armazenamento das hortaliças deve ser o mais limitado possível, visto que elas, na sua maioria, são extremamente perecíveis. Nesse contexto, a rastreabilidade visa garantir ao consumidor a origem do seu alimento. No Brasil, a rastreabilidade cresce a passos equilibrados, com al- gumas poucas empresas que fornecem o sistema, aliados à baixa disponibilidade financeira de grande número de produtores. ANÁLISE DE CASO – FORMAS DE COMERCIALIZAÇÃO DA BATATA-DOCE A Embrapa realiza estudos e pesquisas para identificar potencialidades e desen- volver novas variedades de hortaliças. A batata-doce é uma das principais hor- taliças estudadas, que já teve algumas novas variedades desenvolvidas ao longo dos últimos anos, desde a década de 1980. No entanto, só recentemente foram intensificadas as pesquisas voltadas para o melhoramento genético, fitossanidade, fitotecnia e pós-colheita (FERNANDES et al., 2021). A demanda crescente por esta hortaliça no mercado nacional e internacional é motivada por suas propriedades nutricionais e nutracêuticas promotoras da saúde (FERNANDES et al., 2021). Segundo uma pesquisa desenvolvida por Fernandes et al. (2021), a batata-doce ainda é comumente comercializada na condição in natura. No entanto, já cresce, no país, a comercialização da batata-doce nas seguintes condições: 8 1 • Minimamente processada. • Processada na forma de chips ou palha. • Farinha. • Fécula (amido ou goma). • Enriquecida com vitaminas (batata-doce de polpa alaranjada). Ainda, segundo o mesmos autores, a expansão do mercado consumidor de ba- tata-doce nas diferentes formas apresentadas contribui para o crescimento do setor, inclusive, com a instalação de indústrias de médio e grande porte para o processando batata-doce, principalmente na forma de chips. Assista, agora, ao conteúdo referente à sua aula. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO NOVOS DESAFIOS Você chegou ao final de mais um tema de aprendizagem! Esperamos que você tenha compreendido mais sobre o cultivo e a comercialização de hortaliças. A comercialização de hortaliças ainda pode ser empírica em muitas regiões, mas a popularização do consumo desses vegetais tem levado empresários e agricul- tores a investirem em grandes áreas de produção e no cultivo protegido, para as produzir em grande escala e abastecer o mercado. Como profissional, você encontrará diferentes desafios no campo e nos ne- gócios com hortaliças. Portanto, deve ficar atento à relação entre as boas práticas profissionais e a obtenção de lucros. Nossos principais e valores profissionais devem ser voltados para o bem comum e a garantia da segurança alimentar. UNIASSELVI 8 1 AUTOATIVIDADE 1. Hortaliças são culturas temporárias, ou seja, a maioria das espécies é anual, sendo pro- duzidas em mais de um ciclo ao ano. Esse fator posiciona as hortaliças como algumas das culturas mais lucrativas da agricultura (VILELA; HENZ, 2000). Em virtude de fatores ambientais e econômicos, a produção de hortaliças é desafiadora. Logo, os principais desafios na produção de hortaliças são: a) Cultivo em estufas. b) Hortaliças podem ficar vários dias na prateleira. c) Perecibilidade do início ao fim do ciclo e no pós-colheita. d) Somente as caraterísticas físicas dos solos arenosos. e) Apenas a indisponibilidade de água. 2. De acordo com Melo e Araújo (2016), a comercialização de hortaliças apresenta um grande desafio, principalmente na produção realizada por pequenos produtores rurais, ou seja, os agricultores familiares. Os pequenos agricultores possuem poucos recursos e, com isso, desejam e precisam obter resultados positivos da sua produção. A respeito das dificuldades e das possíveis soluções para os agricultores, analise as afirmativas e assinale a correta. a) A principal dificuldade dos agricultores familiares diz respeito à ausência de organi- zação em associações e não conhecer as complexidades do processo de comercia- lização de seus produtos. b) Falta de investimento dos governos é o único entrave na comercialização das hortaliças. c) Os agricultores possuem todo o conhecimento que precisam, o problema é a falta de chuvas. d) A única dificuldade dos agricultores é a falta de recursos financeiros.e) A única dificuldade dos agricultores são as discussões e as divergências nos grupos. 8 1 AUTOATIVIDADE 3. A batata-doce ainda é comumente comercializada na condição in natura. No entanto, já cresce no país a comercialização da batata-doce processada para agregar valor ao produto (FERNANDES et al., 2021). O processamento da batata-doce dá origem a alguns produtos. Sobre o tema, analise as afirmativas: I - A batata-doce minimamente processada facilita a conservação por mais tempo. II - Batata-doce de polpa alaranjada é uma mutação genética, e não uma forma de agregar valor. III - O processamento de hortaliças, como a batata, não contribui com o mercado con- sumidor. IV - Fécula de batata-doce é uma maneira de agregar valor e evitar desperdícios. É correto o que se afirma em: a) I e IV. b) II e III. c) III e IV. d) I, II e III. e) II, III e IV. 8 1 REFERÊNCIAS ARAÚJO, H. S. et al. Os principais sistemas de comercialização de hortaliças. Apta Regional - Pesquisa & Tecnologia, v. 8, n. 2, jul./dez. 2011. Disponível em: https://www.agricultura. sp.gov.br/documents/1007647/0/130.OS%20PRINCIPAIS%20SISTEMAS%20DE%20COMER- CIALIZA%C3%87%C3%83O%20DE%20HORTALI%C3%87AS.pdf/705a08db-5629-6741-2fde- -4830a2a6c20b. Acesso em: 24 ago. 2023. ASSIS, R. L. de; ROMEIRO, A. R. O processo de conversão de sistemas de produção de horta- liças convencionais para orgânicos. Rev. Adm. Pública, v. 41, n. 5, out. 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-76122007000500004. Acesso em: 24 ago. 2023. CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Balanço de comercialização de frutas e hortaliças mostra movimentação superior a R$ 60 bilhões nas Ceasas. Brasília, DF: Conab, 2023. Disponível em: https://www.conab.gov.br/ultimas-noticias/4976-balanco-de- -comercializacao-de-frutas-e-hortalicas-mostra-movimentacao-superior-a-r-60-bilhoes- -nas-ceasas#:~:text=e%20Promo%C3%A7%C3%A3o%20Institucional,Balan%C3%A7o%20 de%20comercializa%C3%A7%C3%A3o%20de%20frutas%20e%20hortali%C3%A7as%20 mostra%20movimenta%C3%A7%C3%A3o,R%24%2060%20bilh%C3%B5es%20nas%20Cea- sas&text=A%20movimenta%C3%A7%C3%A3o%20de%20frutas%20e,17%2C5%20milh%- C3%B5es%20de%20toneladas. Acesso em: 24 ago. 2023. FERNANDES, A. M. et al. Sistema de Produção de Batata-Doce. Embrapa, 2021. Dispo- nível em: https://www.embrapa.br/documents/1355126/8971369/Sistema+de+Produ%- C3%A7%C3%A3o+de+Batata-Doce.pdf/4632fe60-0c35-71af-79cc-7c15a01680c9. Acesso em: 24 ago. 2023. GASPARI, L. C. de; KHATOUNIAN, C. A. Características das Famílias, Estruturação da Pro- dução e Estratégias de Comercialização em um Assentamento de Reforma Agrária. Ar- tigo. Rev. Econ. Sociol. Rural, v. 54, n. 2, abr./jun. 2016. Disponível em: https://doi. org/10.1590/1234.56781806-947900540203. Acesso em: 24 ago. 2023. 8 4 https://www.agricultura.sp.gov.br/documents/1007647/0/130.OS%20 https://www.agricultura.sp.gov.br/documents/1007647/0/130.OS%20 REFERÊNCIAS JUNQUEIRA, A. H.; LUENGO, R. F. A. Mercados diferenciados de hortaliças. Artigo Convi- dado. Hortic. Bras., v. 18, n. 2, jul. 2000. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102- 05362000000200003. Acesso em: 24 ago. 2023. MELO, P. C. T. de; ARAÚJO, T. H. de. Olericultura: planejamento da produção do plantio à comercialização. Vol. 1. Curitiba: SENAR-PR, 2016. Disponível em: https://sistemafaep.org. br/wp-content/uploads/2021/05/PR.0315-Olericultura-Planejamento-da-Producao_web. pdf. Acesso em: 23 abr. 2023. PUIATTI, M. Olericultura: a arte de cultivar hortaliças. Viçosa: UFV-MG, 2019. Disponível em: https://serieconhecimento.cead.ufv.br/wp-content/uploads/2020/03/Olericultura-down- load.pdf. Acesso em: 15 jun. 2023. SATO, G. S. et al. Uma abordagem sobre a comercialização de hortaliças produzidas na região do alto tietê. Informações Econômicas, SP, v. 38, n. 1, jan. 2008. Disponível em: http://www. iea.sp.gov.br/ftpiea/ie/2008/tec4-0108.pdf. Acesso em: 24 ago. 2023. TOFANELLI, M. B. D. et al. Mercado de hortaliças frescas no município de Mineiros-GO. Página do Horticultor. Hortic. Bras., v. 25, n. 3, set. 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1590/ S0102-05362007000300030. Acesso em: 24 ago. 2023. TOFANELLI, M. B. D. et al. Levantamento de perdas em hortaliças frescas na rede varejista de Mineiros. Economia e Extensão Rural. Hortic. Bras., v. 27, n. 1, mar. 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-05362009000100024. Acesso em: 24 ago. 2023. VILELA, N. J.; HENZA, G. P. Situação atual da participação das hortaliças no agronegócio brasileiro e perspectivas futuras. Caderno de Ciência e Tecnologia, v. 17, n. 1, jan./abr., 2000. Disponível em: https://seer.sct.embrapa.br/index.php/cct/article/view/8863. Acesso em: 24 ago. 2023. 8 5 1. Opção C. A produção de hortaliças é desafiadora, fatores ambientais podem dificultar o ciclo produtivo, mas os principais desafios dizem respeito à fisiologia dessas plantas, ou seja, a perecibilidade do início ao fim do ciclo e no pós-colheita. 2. Opção A. A principal dificuldade deste grupo trata-se da ausência de organização em grupos, como as associações. Além disso, não possuem acesso ao conhecimento re- lacionado às complexidades do processo de comercialização e da inserção dos seus produtos no mercado. 3. Opção A. I - batata-doce minimamente processada facilita a conservação por mais tempo. II- batata-doce de polpa alaranjada é uma variedade enriquecida com betacaroteno e ainda possui alto teor de fibras. III – o processamento de hortaliças, como a batata, contribui com o mercado em vários aspectos, inclusive, com o desenvolvimento de indústrias de processamento. IV – fécula de batata-doce é uma maneira de agregar valor e evitar desperdícios. GABARITO 8 1 MINHAS ANOTAÇÕES 8 1 MINHAS METAS INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS HERBÁCEAS Enumerar os diferentes grupos de hortaliças herbáceas. Definir os principais termos ligados às hortaliças herbáceas. Descrever as hortaliças herbáceas. Identificar os principais grupos de hortaliças herbáceas. Denominar as hortaliças herbáceas segundo a sua espécie. Listar as hortaliças herbáceas mais conhecidas. Ordenar as hortaliças herbáceas de acordo com seus grupos econômicos. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5 8 8 INICIE SUA JORNADA A Olericultura é considerada uma arte de cultivar plantas conhecidas como hortali- ças. Nesse sentido, conhecemos como hortaliças as plantas de constituição renda ou mole, rica em água, conhecidas como herbáceas. No entanto, quando classificamos as hortaliças, identificamos que existem outros grupos de hortaliças que não são completamente herbáceas, bem como algumas dessas hortaliças se desenvolvem como herbáceas, mas a sua parte comestível se desenvolve embaixo do solo. De acordo com Bezerra et al. (2003), as hortaliças podem ser caracterizadas como plantas cultivadas em caráter intensivo, quanto à utilização do solo, aos tratos culturais, à mão de obra e ao uso de insumos agrícolas modernos, como sementes, defensivos e adubos químicos. Todos esses parâmetros, juntos, garan- tem alta produtividade em pequenas áreas e em curto espaço de tempo. Neste episódio do podcast, você terá um passo a passo para compreender, de maneira geral, o cultivo das hortaliças herbáceas. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO Como as hortaliças são também conhecidas como verduras, falaremos, neste capítulo das principais representantes das hortaliças, o grupo das herbáceas. No entanto, proponho relembrarmos a classificação, descrita por Ferreira Jú- nior et al. (2023), em três grandes grupos: ■ Tuberosas – as partes utilizáveis desenvolvem-se embaixo do solo; a saber: ■ Tubérculos – batatinha e cará. ■ Rizomas – inhame. ■ Bulbos – cebola e alho. ■ Raízes tuberosas – cenoura, beterraba, batata-doce, mandioquinha-salsa. ■ Herbáceas – partes utilizáveis se desenvolvem acima do solo, apresen- tando-se como tenras e suculentas: ■ Folhas – alface, repolho e espinafre.■ Talos e hastes – aspargo e aipo. ■ Flores e inflorescências – couve-flor e alcachofra. ■ Hortaliças-fruto – utiliza-se o fruto, verde ou maduro, todo ou em partes melancia, pimentão e ervilha. UNIASSELVI 8 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Os campos de hortaliças estão cheios das mais diversas espécies, as herbáceas, geralmente, prevalecem por apresentarem ciclo mais curto e, com isso, retorno financeiro mais rápido. VAMOS RECORDAR? Aprenda mais sobre a classificação das hortaliças, no artigo da pesquisadora da Companhia dos Orgânicos, Helen Elisa C. R Bevilacqua. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. DESENVOLVA SEU POTENCIAL HORTALIÇAS HERBÁCEAS Hortaliças herbáceas são as verduras do dia a dia e na mesa do consumidor. No senso comum, a maioria das pessoas não desconsidera detalhes de a hortaliça ser folha ou fruto. No entanto, para o profissional que atua no campo de produção, pós-colheita e comercialização, compreender estes termos técnicos é fundamental. O termo hortaliças herbáceas diz respeito às partes utilizáveis ou comestíveis que se desenvolvem acima do solo, sendo tenras e suculentas (SILVA; CHALCO, 2016). Por serem mais suculentas, concentram também maior teor nutricional em relação a outros grupos de hortaliças. Ricas, principalmente, em vitamina C, as hortaliças herbáceas são também as mais conhecidas por serem mais facil- mente cultivadas. São exemplos de hortaliças herbáceas as folhas, como alface, talos, hastes (como o aipo), e, ainda, as flores e as inflorescências (como a couve-flor). Portanto, de agora em diante, nós nos aprofundaremos no que diz respeito a estes grupos. 9 1 Por apresentarem, na sua maioria, ciclo curto de até 60 dias, como alface e salsa, estas plantas são as principais hortaliças cultivadas em hortas em gran- des extensões de áreas, resultando em abundância de hortaliças produzidas comercializadas, imediatamente, após a colheita, para evitar perdas. Em virtude destas características, muitas espécies de hortaliças herbáceas se adaptaram bem à produção hidropônica, que facilita o desenvolvimento das plan- tas e a posterior colheita. Portanto, as hortaliças que você conhece, de composição tenra, ou seja, caule e folhas suculentas e ciclo curto, são as hortaliças herbáceas, que, por sua vez, as partes comestíveis são aquelas que ficam acima do solo. O que são hortaliças herbáceas? De acordo com Puiatti (2019), as hortaliças são espécies de plantas essencial- mente herbáceas, apresentando consistência tenra, suculentas e com eleva- do conteúdo de água em seus tecidos. Tais características são as principais responsáveis pelas perdas pós-colheita. Dessa forma, os especialistas pon- tuam que o percentual de perdas de água em hortaliças herbáceas não deve ultrapassar 4%. Deve-se, no entanto, ter cuidado para não confundir o grupo das hortaliças, essencialmente herbáceas com outros grupos, como o caso do melão, sendo uma hortaliça fruto, que se apresenta com uma planta de consistência herbácea. Dessa forma, podemos observar que o principal fator que diferencia as hor- taliças herbáceas das demais é o fato de estas terem como principal parte utilizável a sua própria estrutura. APROFUNDANDO VOCÊ SABE RESPONDER? O que caracteriza uma hortaliça herbácea? UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Classificação das hortaliças herbáceas Apesar de a classificação das hortaliças herbáceas ser um tanto limitada em virtude de suas características muito semelhantes, ainda é possível dividi-las em três gru- pos, de acordo com suas partes consumíveis. Além disso, o pertencimento a famí- lias e grupos diferentes faz com que esta divisão se torne necessária. Desse modo, os três principais grupos a saber são: folhosas, talos e hastes, flores e inflorescências. A couve-flor, por exemplo, é uma Brassicaceae do tipo inflorescência que possui como principal parte comestível a inflorescência, tendo sua colheita rea- lizada em até 100 dias. Suas particularidades são semelhantes a de outras plantas do grupo, como o repolho e o brócolis (SILVA; CHALCO, 2016). Assim, a classificação das hortaliças herbáceas é fundamental para que o agri- cultor e o profissional compreenda com que tipo de planta que está trabalhando e, assim, poder investir em tratos culturais e técnicas adequadas a cada uma. Hortaliças herbáceas – folhas Hortaliças-folha ou folhosas são aquelas que possuem como parte utilizável ou comestível, as folhas. Geralmente, são plantas de ciclos muito curtos, algumas, como alface, podem produzir em até 35 dias. Frágeis e sensíveis aos intemperes, são plantas que requerem muito cuidado e investimento em mão de obra, no entanto são de grande vantagem para o agricultor, por serem de ciclo curto, gerando retorno financeiro rápido. Segundo Riva et al. (2023), as principais representantes do grupo das folhosas são: alface, repolho e espinafre. 9 1 HORTALIÇA FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO ORIGEM Alface Asteraceae Lactuca sativa Mediterrâneo Almeirão Asteraceae Cichorium intybus subsp. intybus Europa Mediterrânea Espinafre Amaranthaceae Spinacia oleracea Ásia Taioba Araceae Xanthosoma sagittifolium Schott América do Sul Repolho Brassicaceae Brassica oleracea var. capitata Europa Mediterrânea e da Ásia Menor Acelga Beta vulgaris Quenopodiácea Ásia Menor e do Mediterrâneo Agrião Brassicaceae Nasturtium Officinale Europa e Ásia Central Cheiro verde Apiaceae Petroselinum crispum Mediterrâneo Central Couve Brassicaceae Brassica oleracea Costa do Mediterrâ- neo Rúcula Brassicaceae Eruca vesicaria ssp. sativa Mediterrâneo Chicória Asteraceae Cichorium intybus Índia Bertalha Basellaceae Basella rubra Ásia Quadro 1 - Principais representantes do grupo das folhosas / Fonte: Bevilacqua (2013). Portanto, as hortaliças folhosas são de origem diversas e, ainda, pertencem às mais diversas famílias botânicas, facilitando o seu cultivo junto a outras plantas (LANA, 2021). Ainda de acordo com Lana (2021), o Brasil produz uma grande diversidade de espécies de hortaliças folhosas, algumas delas são as favoritas do consumidor brasileiro, como: • Alface-crespa em saladas e sanduíches. • Couve em farofas e feijoadas. • Cheiro-verde em quase todos os pratos salgados. UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Portanto, o mercado brasileiro fornece hortaliças folhosas para os mais diversos gostos. São espécies diferentes quanto à textura, ao sabor e à cor, tornam-se um convite para uma alimentação saborosa, saudável e diversificada, como destaca a tabela brasileira de composição dos alimentos (UNICAMP, 2011). Conheça o plantio de hortaliças na areia que vem gerando bons resultados aos agricultores paulistas. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO VOCÊ SABE RESPONDER? O que diferencia uma hortaliça-folhosa de uma hortaliça-fruta? Recur- sos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. Hortaliças talos e hastes De acordo com Puiatti (2019), as hortaliças classificadas como talos e hastes são aquelas em que as partes comestíveis ou utilizáveis são o caule ou as hastes. Já de acordo com Guimarães et al. (2022), as hortaliças-haste são aquelas das quais se consome o caule ou as hastes, como o salsão e o alho-poró. No entanto, nem todas as hortaliças possuem caules e hastes comestíveis. Além disso, vale ressaltar que nem todas as hortaliças herbáceas têm uma única finalidade em si, se tomarmos como exemplo a alface. Esta olerícola de ciclo curto é aproveitada quase que integralmente, pois suas folhas e caules são apro- veitáveis e consumíveis, principalmente, por serem ricas em água e nutrientes. Dessa forma, destacamos, de acordo com Filgueira (2008), as principais hor- taliças conhecidas por terem como parte aproveitável, o caule ou haste, são elas: 9 4 HORTALIÇA FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO ORIGEM Aspargo Asparagaceae Asparagus officinalis Sul da Europa e Ásia Funcho/Erva-doce Apiaceae Foeniculum vulgare Mill. Europa Aipo - Salsão Apiáceas Apium graveolens Sul da Europa Alho-poró Amaryllidaceae Allium ampeloprasum Leste do Mediterrâ- neo e oriente médio Quadro 2 - Principais hortaliças conhecidas por ter caule ou haste / Fonte: Filgueira (2008). As hortaliças consumidas na forma talo e haste são um grupo seleto de vege- tais que, na sua maioria, são aproveitados, integralmente. O salsão, por exem- plo, possui diversas aplicações culinárias e inúmeras propriedades nutricionais (FILGUEIRA, 2008). Já o aspargo, mesmo não sendo tão popular como outras hortaliças, apresenta outras tantas qualidades nutricionais e organolépticas, que tem caído no gosto daqueles que buscam uma alimentação mais saudável, prin- cipalmente, quem tem em vista emagrecer, pois este é rico em fibras. No entanto, por seu cultivo ser um tanto oneroso e sua primeira colheita só acontecer após quinze meses de plantio, ainda é uma hortaliça de difícil acesso para a maioria das pessoas, em virtude do seu alto custo. Os benefícios de consumir hortaliças talo são os mais diversos, visto que, estas espécies possuem em sua composição um importante nutriente essencial na manutenção da saúde e rejuvenescimento, os carotenoides, que possuem ação antioxidante e anti-inflamatória. Além da característica principal, ter como parte utilizável o caule ou a haste, este grupo de hortaliças herbáceas possui características peculiares, como um ciclo mais longo e, no caso do funcho, um sistema radicular profundo. Por ou- tro lado, o salsão, também conhecido como Aipo, é uma planta de ciclo anual, podendo ser cultivada durante o inverno e na primavera. Sua colheita pode ser realizada a partir de 150 a 180 dias de plantio. Além disso, recomenda-se que o amadurecimento do salsão seja direcionado para os meses mais frios, o que resulta em sabor mais doce e aromático (MATOS et al., 2019). UNIASSELVI 9 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Hortaliças, flores e inflorescências Muito se discute a respeito do consumo de flores, mas, no caso das hortaliças, muitas espécies são comercializadas na forma de flores e/ou inflorescências e nem são notadas. Algumas espécies hortícolas, como a couve-flor, tem como parte comestível e comercializável a inflorescência. Outro exemplo, é a alcachofra, sendo considerada uma flor, que pode ser consumida à vontade, por ter baixo valor calórico. Portanto, define-se hortaliça-flor como aquelas plantas cujas partes utilizadas e consumidas são as flores ou inflorescências geradas no processo natural de desenvolvimento da espécie. Tomando, como exemplo, a couve-flor, podemos destacar que esta espécie produz uma inflorescência, ou seja, um conjunto de pequenas flores que, se juntas, tornam-se praticamente invisíveis. Dessa forma, a couve-flor é comercializada por meio da sua inflorescência, geralmente, consumida crua ou cozida ao vapor. Ainda pouco popular e de custo alto em algumas regiões, esta hortaliça flor tem ganhado espaço no mercado em virtude dos estudos que têm buscado elevar o seu tempo de prateleira. De acordo com Lima et al. (2022), na pós-colheita da couve-flor, a perda de água é superior a 7% da massa fresca, o que inviabiliza a comercialização. No entanto, variedades melhoradas, geneticamente, e técnicas pós-colheita específicas podem ajudar a reduzir as perdas e melhorar os resultados do produtor de couve-flor. Atualidades no Manejo de Plantas Daninhas em Hortaliças Herbáceas Autor: Kassio Ferreira Mendes Sobre o Livro: fornece assuntos essenciais e atualizados de informações referentes às características gerais das hortal- iças herbáceas, períodos críticos de controle, principais plantas daninhas na cultura, métodos integrados de manejo (preventi- vo, cultural, físico, mecânico, biológico e químico); sendo desti- nado a professores, pesquisadores, extensionistas, estudantes de graduação e pós-graduação, produtores rurais e demais profissionais envolvidos na área da ciência das plantas daninhas. INDICAÇÃO DE LIVRO 9 1 NOVOS DESAFIOS Hortaliças são fontes de renda de grande número de agricultores brasileiros, dos mais tradicionais aos mais sofisticados, muitos estão tirando o seu sustento e aumentando sua renda diariamente, com o plantio e posterior comercialização de hortaliças. Em virtude da diversidade de espécies, aliada à diversidade edafoclimática das regiões do Brasil, temos um mercado em plena expansão. Cada vez mais o mercado de hortaliças cresce, e, no momento, o crescimento voltou-se para dois principais mercados, os orgânicos e os hidropônicos. Logo, aqueles que conse- guirem aliar a relação entre hortaliças orgânicas ao sistema hidropônico poderão participar de um mercado extraordinário. De posse do conhecimento teórico, chegou seu momento de explorar um mundo cheio de práticas das mais diversas naturezas, onde o protagonista é o agricultor, e você será aquele que o ajudará a realizar os seus mais diversos so- nhos. O papel do profissional não é desfazer as práticas e as crenças do agricultor, mas ser capaz de se inserir em seu mundo e adaptar suas práticas a conceitos que geram mais produtividade e lucros para o produtor rural. Não tenha medo dos desafios! Eles são muitos, mas você terá o conhecimento e a humildade como guias. Avante em sua jornada! As hortaliças herbáceas dividem-se em três grupos. Em cada grupo, existem hortaliças que são mais e menos consumidas. Em sua região, quais as hor- taliças herbáceas mais consumidas e a quais grupos ela pertence? PENSANDO JUNTOS Assista, agora, ao conteúdo referente à sua aula. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO UNIASSELVI 9 1 AUTOATIVIDADE 1. De acordo com Bevilacqua (2013), as hortaliças-tuberosas são aquelas que as partes utilizáveis se desenvolvem embaixo do solo, produzindo raízes comestíveis, conhecidas como: tubérculos, rizomas, bulbos e raízes. As hortaliças tuberosas produzem rizomas, como exemplo temos o inhame. A respeito das hortaliças tuberosas, assinale a alternativa correta. a) São bulbos, a batatinha e o alho. b) São exemplos de raízes tuberosas, a cenoura e a batata-doce. c) O alho é um rizoma. d) Cenoura é o principal exemplo de tubérculo. e) Cará é uma raiz tuberosa. 2. No grupo das hortaliças-flor e inflorescência, a couve-flor destaca-se como uma Bras- sicaceae do tipo inflorescência, possuindo como principal parte comestível a sua in- florescência, sua colheita é realizada em até 100 dias (SILVA; CHALCO, 2017). Hortaliças-flores e Inflorescências são espécies cuja parte comestível é a própria flor exibida pela planta. A respeito de hortaliças-flor, assinale a alternativa correta. a) Berinjela e abóbora são as principais hortaliças-flor. b) Brócolis e berinjela são hortaliças-flor. c) Couve-flor, brócolis, alcachofra são exemplos de hortaliças-flor e Inflorescências. d) São exemplo de hortaliças Inflorescências o taro e a cebola. e) Hortaliças Inflorescências são encontradas apenas no nordeste do Brasil. 9 8 AUTOATIVIDADE 3. A couve-flor é uma hortaliça-flor que possui suas particularidades semelhantes a de outras plantas do grupo, como o repolho e o brócolis, ou seja, ciclo curto, produção de inflorescência e necessidade de mão de obra intensa (SILVA; CHALCO, 2017). Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação pro- posta entre elas: I - A couve-flor é colhida em até 100 dias. PORQUE II - É uma Brassicaceae do tipo inflorescência. A respeito destas asserções, assinale a opção correta. a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é justificativa correta da I. c) A asserção I é proposição verdadeira, e a II é proposição falsa. d) A asserção I é proposição falsa, e a II é proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. 9 9 REFERÊNCIAS BEVILACQUA, H. E. C. R. Classificação das Hortaliças. Manual da Horta. SãoPaulo: 2006. Se- cretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. Disponível em: https://www.cdn.ciorganicos.com. br/wpcontent/uploads/2013/09/02manualhorta_1253891788.pdf. Acesso em: 26 set. 2023. BEZERRA, S. R. B. et al. Application of calcium and boron directed to inflorescences in pro- duction, quality and nutrient accumulation in lettuce seeds. Horticultura Brasileira, v. 41, p. e2427, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/hb/a/zNwhzKqYT9V3f9d77dtfGZq/?- format=pdf&lang=en. Acesso em: 6 out. 2023. FERREIRA JÚNIOR, J. J. et al. No-till broccoli production using different cover crop residues and nitrogen doses. Horticultura Brasileira, v. 41, p. e2479, 2023. Disponível em: https://www.scie- lo.br/j/hb/a/sN8bkKdZxmtNF4gfTdtRNKd/?format=pdf&lang=e. Acesso em: 6 out. 2023. FILGUEIRA, F. A. R. Manual de Olericultura. Vol. I. 3. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2008. GUIMARÃES, M. A. et al. Respostas fisiológicas da rúcula consorciada com nirá sob diferentes arranjos e épocas de cultivo. FRA. 2022. Horticultura Brasileira, v. 40, p. 255-260. Dispo- nível em: https://doi.org/10.1590/s0102-0536-20220302. Acesso em: 6 out. 2023. HENZ, G. P.; ALCÂNTARA, F. A. de. Hortas: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Bra- sília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2009. (Coleção 500 perguntas, 500 respostas). LIMA, D. M. et al. Estratégias para reduzir o desperdício de frutas e hortaliças: a busca por sistemas atacadistas sustentáveis. Scientific Communication - Hortic. Bras., v. 40, n. 3, jul./set. 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/hb/a/6FBmP3RZZgGccVxmkBCxSB- B/?lang=pt#. Acesso em: 6 out. 2023. LANA, M. M. Hortaliças Folhosas - Ponha esse verde no seu prato. Embrapa Hortaliças, 1 1 1 https://www.scielo.br/j/hb/a/sN8bkKdZxmtNF4gfTdtRNKd/ https://www.scielo.br/j/hb/a/sN8bkKdZxmtNF4gfTdtRNKd/ https://doi.org/10.1590/s0102-0536-20220302 REFERÊNCIAS 2021. Disponível em: https://www.embrapa.br/hortalica-nao-e-so-salada/hortalicas-folho- sas. Acesso em: 3 out. 2023. MATOS, T. S. et al. 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Tabela brasileira de composição de alimentos. 4. ed. rev. e ampl. Cam- pinas: NEPA-UNICAMP, 2011. 161 p. Disponível em: https://www.cfn.org.br/wpcontent/ uploads/2017/03/taco_4_edicao_ampliada_e_revisada.pdf. Acesso em: 5 out. 2023. 1 1 1 1. Opção B. Raízes tuberosas são estruturas que atuam como órgãos de reserva, sendo usadas na alimentação humana. São exemplos de raízes tuberosas: cenoura, beterraba, batata-doce, mandioquinha-salsa. 2. Opção C. Couve-flor, brócolis, alcachofra são exemplos de hortaliças-flor e Inflorescências. No entanto, berinjela e abóbora são hortaliças-fruto. Além disso, o taro é uma hortaliça tuberosa rizomática, e a cebola uma tuberosa bulbosa. Por fim, as hortaliças-inflores- cências podem ser cultivadas em qualquer lugar do Brasil. 3. Opção A. As asserções I e II são verdadeiras, e a II é justificativa correta da I. A couve-flor é colhida em até 100 dias, por ser uma Brassicaceae do tipo inflorescência. GABARITO 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 1 MINHAS METAS INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS BULBARES Entender a morfologia das hortaliças bulbares. Identificar as principais espécies de hortaliças bulbares. Conhecer as exigências climáticas e de solo. Dominar as práticas de cultivo. Compreender as principais pragas e doenças e seu controle. Entender o manejo da colheita. Adquirir conhecimentos sobre os desafios na produção de hortaliças bulbares. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6 1 1 4 INICIE SUA JORNADA Em algum momento, você, estudante, iniciará a sua jornada profissional. Então, imagine-se como um profissional em uma fazenda que se dedica ao cultivo de hortaliças. Ao ser encarregado de trabalhar, especificamente, com hortaliças bulbares você se depara com alguns questionamentos: como distinguir as necessidades de cada cultura? Como assegurar uma produção de qualidade, respeitando fatores climáticos e de manejo? A resolução destes questionamentos é primordial para o êxito da produção de hortaliças bulbares. Estas culturas representam um papel relevante na agricultura e no mercado alimentício. São vastamente utilizadas na culinária de diferentes culturas pelo mundo, possuem valor nutricional considerável, geram lucro para os produtores e colaboram para a segurança alimentar populacional. Estudante, se você tem curiosidade em desbravar as técnicas envolvidas no cultivo de hortaliças bulbares, não deixe de ouvir o episódio do nosso podcast “Hortaliças bulbares”. Nele, abordaremos os tratos culturais, os cuidados na colheita e os desafios no cultivo desta espécie. Não deixe de nos acompanhar nesta fantástica jornada. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo dig- ital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO Para encarar esses desafios, os conteúdos abordados neste tema auxiliarão você. Você se tornará mais confiante em suas decisões e aprenderá a lidar com desafios típicos desta atividade agrícola. Mais do que obter conhecimentos técnicos, você entenderá que o cultivo de hortaliças bulbares requer dedicação, observação e uma atitude proativa para ultrapassar desafios. E você poderá colaborar para a produção de alimentos e o bem-estar das pessoas. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 DESENVOLVA SEU POTENCIAL As hortaliças bulbares formam um conjunto de plantas que são cultivadas, principalmente, por apresentarem bulbos comestíveis, que são, basicamente, estruturas de armazenamento de nutrientes. Entre as hortaliças bulbares, des- tacam-se as da família Alliaceae, como cebola, alho e alho-poró, cada uma com suas particularidades. As espécies citadas são consideradas condimentos cos- mopolitas e, inclusive, muito apreciadas na culinária brasileira. Ricas em diver- sas substâncias, como amido, no caso do alho, componentes aromáticos e até fitoterápicos com atributos farmacológicos. Estas hortaliças estão entre as espécies cultivadas mais antigas, e tanto a ce- bola como o alho são originárias da Ásia. VAMOS RECORDAR? Os primeiros registros de cultivo de hortaliças bulbares datam de 4.000 anos, no Egito. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. 1 1 1 PRINCIPAIS ESPÉCIES DE HORTALIÇAS BULBARES Figura 1 - Folhas de cebola Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura apresenta uma foto- grafia colorida das folhas de cebola no primeiro plano. A folha da cebola é uma es- trutura lanceolada, longa, es- treita e de cor verde intenso. Estão cultivadas na terra e estão em fileiras e, ao fundo, apresenta o céu azul. Fim da descrição. Cebola Botânica Filgueira (2007) detalha a morfologia da cebola (Allium cepa) e a descreve como uma planta delicada, alcançando uma altura de 60 cm, e suas folhas são cilíndricas e cerosas (Figura 1). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 O caule verdadeiro é um disco comprimido localizado na base da planta, de onde surgem as folhas e as raízes. Em torno das bainhas das folhas, forma-se um pseudocaulecom uma parte inferior em formato de bulbo (Figura 2). Figura 2 - Pseudocaule e bulbo em formação de plantas de ce- bola / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura apresenta uma foto- grafia colorida do pseudo- caule e bulbo em formação de plantas de cebola no pri- meiro plano. As plantas de cebola estão em estágio de crescimento com vista para a estrutura do pseudocaule e formação do bulbo. Fim da descrição. As raízes crescem, predominantemente, na vertical, estendendo-se por um ci- lindro de, aproximadamente, 60 cm de altura por 25 cm de diâmetro. A porção utilizável é um bulbo denso e tunicado, revestido por camadas sobrepostas de bainhas de folhas carnudas (Figura 3). A bainha mais externa forma uma casca seca, que possui a cor característica da variedade cultivada. Figura 3 - Bulbos de cebola Fonte: https://pixabay.com/pt/ photos/bulbos-de-cebola-comi- da-fresco-84722/. Acesso em: 1 out. 2023. Descrição da Imagem: a figura apresenta uma foto- grafia colorida dos bulbos de cebolas. É um conjunto de bulbos de cebola, unifor- mes em tamanho, formato e de cores variadas. Fim da descrição. 1 1 8 https://pixabay.com/pt/photos/bulbos-de-cebola-comida-fresco-84722/ https://pixabay.com/pt/photos/bulbos-de-cebola-comida-fresco-84722/ https://pixabay.com/pt/photos/bulbos-de-cebola-comida-fresco-84722/ As flores estão agrupadas em uma inflorescência sim- ples, em forma de umbela (Figura 4). Estas são herma- froditas, porém predomina a polinização cruzada, e o fruto é uma cápsula com seis sementes de cor preta. Figura 4 - Inflorescência de ce- bola / Fonte: https://pixabay. com/pt/photos/plantas-cebo- la-flor-de-cebola-4177191/. Acesso em: 1 out. 2023. Descrição da Imagem: inflo- rescência de cebola com sua estrutura de flores dispostas em umbela. Fim da descrição. Temperatura e fotoperíodo A temperatura é um dos principais fatores que controla o crescimento da cebola, que abrange desde a emergência das plântulas até o crescimento completo das folhas. Já a bulbificação é regulada pelo comprimento do dia e sua interação com a temperatura. A bulbificação é proporcionada por dias longos e, em geral, esta não ocorre em dias com duração abaixo de dez horas de luz. A partir do número de horas de luz diário exigido para a formação de bulbos comercializáveis, as cultivares de cebola são distinguidas em: de dias curtos (DC), de dias intermediários (DI), de dias longos (DL) e de dias muito longos (DML) (LIMA; OLIVEIRA, 2022). O tempo demandado para o início da bulbificação e o crescimento por com- pleto do bulbo é reduzido à medida que a temperatura aumenta, contudo não ocorre bulbificação caso o comprimento do dia for insuficiente, mesmo se as condições de temperatura forem atendidas. APROFUNDANDO são hermafroditas, porém predomina a polinização cruzada UNIASSELVI 1 1 9 https://pixabay.com/pt/photos/plantas-cebola-flor-de-cebola-4177191/ https://pixabay.com/pt/photos/plantas-cebola-flor-de-cebola-4177191/ https://pixabay.com/pt/photos/plantas-cebola-flor-de-cebola-4177191/ TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Solo e adubação A cebola desenvolve-se, favoravelmente, em solos profundos, com alto teor de matéria orgânica, que apresenta boa retenção de umidade, bem drenados e “le- ves”. De forma geral, os solos com textura média, se bem drenados, são os mais recomendados por disporem de boas condições físicas e maior eficiência pro- dutiva (MADEIRA, 2022). Em se tratando de fertilidade, recomenda-se, fundamentado em análises de solo, proceder a correção e a adubação para cada circunstância. Irrigação No Brasil, o cultivo da cebola, exceto na Região Sul, é, essencialmente, realizado com irrigação. Até mesmo na Região Sul, a área irrigada vem expandindo, dessa forma, há garantia de produção e de maior rendimento em épocas de estiagem. Um bom suprimento de água é essencial durante todo o ciclo de cultivo, pois a cultura é pouco tolerante ao déficit hídrico. A fase em que a espécie apresenta maior sensibilidade à escassez de água é durante o crescimento do bulbo. Con- tudo a situação oposta, excesso de água, também é prejudicial e pode atrasar o ciclo (MAROUELLI, 2022). A irrigação deve ser suspensa ao primeiro indício de maturação (tombamen- to do pseudocaule). Controle de plantas invasoras A cebola é uma das culturas oleráceas muito favorecida pelo controle do “mato”. É comum realizar o controle químico, por meio do uso de herbicidas registrados para a cultura. No entanto, dependendo do tamanho da área de cultivo, pode ser realizada a capina manual. Controle fitossanitário Existem diversas pragas que acometem a cebola, mas, atualmente, no Brasil o chamado piolho-da-cebola (Thrips tabaci), que é um inseto minúsculo, é con- siderado a principal praga. Em circunstâncias de ataques severos, é perceptível 1 1 1 o prateamento das folhas da cebola, com áreas necróticas, esbranquiçadas, que, subsequentemente, ficam retorcidas e podem secar por completo. Consequen- temente, haverá comprometimento do crescimento das plantas e do tamanho e do peso dos bulbos. As perdas de produção podem chegar a 50% (MOURA; GUIMARÃES; FILHO, 2022). Caso haja a necessidade de realizar algum tipo de controle, recomenda-se o manejo integrado composto por duas ou mais medidas de controle, utilizadas, simultaneamente e de forma planejada. A primeira linha de defesa contra a praga deve ser o manejo do ambiente de cultivo. A realização de controle químico deve ser feita, racionalmente, para alcançar a eficiência de controle desejada, de forma a causar o mínimo desequilíbrio biológico possível e evitar o surgimento de populações de tripes com resistência aos inseticidas. Outras pragas de importância econômica são a larva-minadora, o áca- ro-da-cebola, as lagartas-roscas e as moscas-da-cebola. No que concerne às doenças da cebola, a mancha púrpura é uma das principais. Esta é favorecida em locais de clima quente (25-30 °C) e úmido. Normalmente, é causada por Alternaria porri (Ellis) Cif., mas também pode ser ocasionada por Stemphy- lium vesicarium. Estes fungos também infectam alho e alho-poró (LOPES; REIS, 2022). O sintoma da doença inicia-se nas folhas a partir do surgimento de pequenas pontuações brancas e de formato irregular. Estas pontuações evoluem para manchas elípticas com o centro cor de palha e, comumente, com os bordos arroxeados (por isso, o nome da doença). Lavouras intensamente atacadas poderão sofrer redução drástica do tamanho dos bulbos e da produção. Lesões situadas no pendão floral podem ocasionar sua quebra. O controle pode ser realizado pelo uso de cultivares de ciclo media- no, resistentes, rotação com culturas não aliáceas e pulverização com fungicidas específicos. Outros exemplos de doenças fúngicas relevantes para a cultura são antracnose, ferrugem, míldio, oídio, queima das pontas etc. Colheita Segundo Moretti (2022), a maturidade da cebola é definida pelo amolecimento da seção inferior do pseudocaule, conhecido, popularmente, como “pescoço”, e pelo tombamento da parte aérea da planta sobre o solo, acontecimento conhecido como “estalo” (Figura 5). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 É recomendável que a colheita seja procedida quando 40 a 70% das folhas apresentarem-se amarelecidas ou secas, o que é frequentemente associado a uma maior percentagem de plantas estaladas. Quando os bulbos têm como destino o armazenamento prolongado, é recomendado que a colheita seja realizada quando 50 a 80% das plantas encontrarem-se estaladas, os bulbos estiverem maduros e com o pescoço fino. A colheita e a cura da cebola no campo devem ser realizadas com tempo seco para garantir bulbos com boa qualidade. Figura 5 - Estalo e início do ama- relecimento das folhas de cebola Fonte: a autora. Descrição da Imagem: plan- tas de cebola após o estalo e o amarelecimento das folhas. As plantas estão direcionan- do energia para o crescimen- to do bulbo, e não mais das folhas. Fim da descrição. A crescenteAlém disso, é importante escolher variedades que sejam resistentes a doenças e pragas comuns Nos últimos anos, com o rápido crescimento populacional, a produção de hortal- iças levou a Olericultura para um novo momento na história da agricultura. Va- mos saber mais? Ouça o Podcast com atenção para compreender a importância da Olericultura. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am- biente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO 1 1 VAMOS RECORDAR? A Olericultura, no Brasil, gera mais de 7 milhões de empregos em uma área de, aproximadamente, 2,6 milhões de hectares. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. DESENVOLVA O SEU POTENCIAL A produção vegetal, no contexto dos estudos da Agronomia, consiste em dividir ou fragmentar as atividades de produção em grupos segundo as características comuns de cada espécie vegetal. Nesse contexto, surge a divisão da Horticultura, definida, inicialmente, no século XVII como a ciência do cultivo de jardins, posteriormente, reconhecida como uma atividade agrícola que cultiva plantas comestíveis e ornamentais. Ao longo do tempo, a Horticultura foi dividida em grupos distintos, segundo as características de cada grupo de plantas. Atualmente, os principais grupos da Horticultura são: Olericultura, Fruticultura e Floricultura. Com o mercado agrícola em alta, os segmentos da Horticultura crescem cada vez mais no mercado. O Brasil consolidou-se no Mercado Internacional como um dos maiores exportadores de laranja, melancia, uva, manga e banana. Já na Floricultura, o mercado de flores tornou-se bilionário em plena expansão, em 2021, atingindo o valor de 10,9 bilhões de reais. Os segmentos da Horticultura apresentam diversas possibilidades no mercado agrícola, com uma diversidade em cores e sabores. São mercados que crescem, diariamente, principalmente com o investimento crescente em tecnologia. Por- tanto, trata-se de um mercado gigante. De agora em diante, prosseguiremos tra- tando apenas da Olericultura. na região. Para garantir o sucesso do seu cultivo, é importante escolher um local com boa exposição solar e solo fértil. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 VOCÊ SABE RESPONDER? Por que as culturas olerícolas dão retorno econômico rápido? Quando falamos de Olericultura, estamos falando, mais precisamente, daquilo que o agricultor chama de hortaliças, verduras e, ainda, legumes. Como o termo verdura é um pouco vago e remete mais às partes verdes do vegetal, legume é termo associado a outros vegetais, como o feijão, então, chamaremos o produto da Olericultura apenas de hortaliças. No entanto, os termos verdura e legumes são usados popularmente, ou seja, o consumidor de diferentes lugares poderá empregar os termos citados para falar das hortaliças. CARACTERIZANDO A OLERICULTURA O termo olericultura tem origem no latim olus, oleris (herbáceo), somado ao ver- bo colere (cultivo). Dessa forma, surgiu o conceito olericultura, ou seja, “o cultivo de plantas herbáceas”. Seguido a isso, a Olericultura, do ponto de vista científico, é uma ciência que trabalha o ensino, a pesquisa e o cultivo de plantas herbáceas, em que suas partes são utilizadas na alimentação humana (PUIATTI, 2019). As plantas herbáceas que fazem parte deste grupo são chamadas de hortaliças ou olerícolas, ou oleráceas. Plantas de ciclo curto em sua maioria, com algumas exceções, como o inhame (Dioscorea cayanensis Lam) cujo ciclo pode ultrapas- sar 12 meses. Os profissionais que cultivam e trabalham com essas plantas são chamados de olericultores. 1 1 Outra característica importante das hortaliças é que, independentemente do ciclo, sempre serão necessários tratos culturais intensivos, ou seja, elevado consumo de recursos e mão de obra. Se, de um lado, é positivo e vantajoso, ao gerar empregos para a comunidade, por outro lado, trata-se de cultivos que requerem elevado investimento financeiro, podendo não ser viável em alguns casos. Mesmo diante desses fatores, a Olericultura é uma excelente atividade agrícola que pode empre- gar tanto a mão de obra familiar como fornecer emprego em regiões com baixa oferta de trabalho. O consumo da maioria das hortaliças acontece, geralmente, no formato fres- co, na forma de saladas e até sucos. No entanto, hortaliças, como batata, mandioca e inhame precisam passar por uma intensa limpeza e posterior cozimento antes de serem consumidas. CLASSIFICAÇÃO DAS HORTALIÇAS O Brasil é um país de extensa área territorial e diversidade edafoclimálitica, favore- cendo o cultivo de hortaliças de diversas espécies e cultivares, o ano inteiro (BRAI- NER, 2021). São mais de 50 espécies que se adaptam bem às mais diversas regiões. As plantas hortícolas são classificadas segundo as suas características físicas, reprodutivas e fatores, como adaptação a determinados ambientes. De maneira geral, os sistemas de classificação de plantas da atualidade trabalham com sete características principais: família, gênero, espécie, variedade botânica, cultivar, clone e linhagem. Todavia, os comerciantes de hortaliças e o público consumidor possuem sua própria classificação, ou seja, criam sua própria nomenclatura segun- do o conhecimento popular e as partes da planta comercializada. Assim, a classificação das hortaliças, nesse sentido, fica assim descrita: hortaliça de flor, folha ou haste (FFH), hortaliças de raízes, tubérculos, bulbo ou rizoma (RTBR) e hortaliças de fruto (MELO; ARAÚJO, 2016). ZOOM NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Veja, no Quadro 1, alguns exemplos de hortaliças por parte ou órgão comercializado: HORTALIÇAS HERBÁCEAS HORTALIÇAS TUBEROSAS HORTALIÇAS-FRUTO Folhosa: alface Tubérculo: batata Fruto imatura: pepino Talos e hastes: alho- -poró Rizoma: gengibre Fruto maduro: melão Flor: alcachofra Rizóforo: cará Inflorescência: brócolis Cormo: inhame Bulbo: cebola Raiz tuberosa: batata-doce Quadro 1- Exemplos de hortaliças classificadas segundo a parte ou o órgão comercializado Fonte: Puiatti (2019, p. 56). Além disso, Puiatti (2019) classifica as hortaliças usando como referência a tem- peratura, isto é, a maior ou a menor resistência a determinado fator climático, é a termo classificação. Nesta classificação, temos a oportunidade de identificar uma hortaliça segundo a sua resistência a um fator climático e, com isso, identificar se é viável, economicamente, cultivá-la. O mesmo autor também classifica as plantas por fotoperíodo, ou seja, segundo o comprimento do dia, a duração das horas de luz do dia de determinada região. Assim, ainda de acordo com Puiatti (2019), as hortaliças são classificadas da seguinte maneira: plantas de dias longos (PDL), plantas de dias curtos (PDC) e plantas de dias neutros (PDN) ou indiferentes. Todas essas classificações são necessárias em virtude da variedade de caracte- rísticas que estas plantas possuem. Como as hortaliças são, na sua maioria, plantas herbáceas e de ciclo curto, faz-se necessário ter controle de todas essas informações. Outra classificação muito importante é entre as plantas anuais, bianuais ou perenes. 1 4 Por exemplo, o alho (Allium sativum) é uma planta monocotiledônea, resistente ao clima frio, sensível ao fotoperíodo longo, bienal e tuberosa. Estas caracte- rísticas são fundamentais na escolha de uma hortaliça antes de plantá-la. Em virtude de necessidades como essas, é necessária a consultoria de um profis- sional que oriente o agricultor com as melhores decisões. O profissional certo é o engenheiro agrônomo. Cultivando hortaliças Uma vez que você compreendeu as principais características das hortaliças e sabe o que plantar em determinada região, é hora de pensar em como cultivá-las. Com o crescimento da tecnologia e dos sistemas mecanizados e autônomos, cultivar hortaliças ficou cada vez mais fácil. O cultivo de hortaliças requer o uso contínuo do solo, causando a degradação do mesmo, com a perda de nutrientesescassez de mão de obra para trabalhar na cebolicultura é uma questão preocupante. Pensando nisso, tecnologias voltadas para as diferentes fases de cultivo da cebola vêm sendo desenvolvidas. Convidamos você para as- sistir a um exemplo destas tecnologias, no canal Vale Agrícola. Neste vídeo, você conhecerá como é realizada a colheita mecânica da cebola. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO 1 1 1 Alho Botânica Segundo Resende (2023), o alho é uma espécie de porte herbáceo, suas folhas são lanceoladas (alongadas), estreitas e cerosas, atingem, em média, 60 cm de altura, a depender da cultivar. O pseudocaule é formado pelas bainhas das folhas e, na parte inferior deste, é formado o bulbo (Figura 6). Figura 6 - Folhas de alho Fonte: https://portalvidalivre. com/articles/672. Acesso em: 1 out. 2023. Descrição da Imagem: es- trutura lanceolada, longa, estreita e de cor verde in- tenso de folhas de alho. Fim da descrição. O caule verdadeiro (Figura 7) trata-se de um disco comprimido que dá origem às folhas e às raízes, que possuem poucas ramificações e profundidade entre 20 e 30 cm. UNIASSELVI 1 1 1 https://portalvidalivre.com/articles/672 https://portalvidalivre.com/articles/672 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 O bulbo possui formato redondo ou ovalado e é dividido em bulbilhos, popu- larmente conhecidos como dentes, que variam de 5 a 56. Os bulbilhos são com- pridos, ovoides e de forma arqueada, envolvido por folhas protetoras (brácteas), a coloração destas pode variar entre branca, vermelha, violeta, roxa e marrom (Figura 8). Figura 7 - Bulbo e caule de alho Fonte: https://br.freepik.com/vetores-gratis/cabe- ca-de-alho-realista-3d-vegetais-inteiros-e-den- tes-de-alho-lobulos-em-casca-cascas_3264848. htm#query=planta%20de%20alho&posi- tion=14&from_view=search&track=ais. Acesso em: 1 out. 2023. Descrição da Imagem: estrutura do bulbo, caule de alho e detalhamento da sua disposição interna e conexão com o caule. Fim da descrição. Figura 8 - Bulbilhos de alho Fonte: https://br.freepik.com/ fotos-gratis/close-up-de-a- lho-fresco-ligado-madeira-su- perficie_3346673.htm#pa- ge=3&query=dente%20de%20 alho&position=42&from_vie- w=search&track=ais. Acesso em: 1 out. 2023. Descrição da Imagem: grupo de bulbilhos de alho envoltos em capa protetora de colora- ção esbranquiçada. Fim da descrição. Acrescida a esta proteção individual, o bulbo também é envolto por túnicas es- branquiçadas que facilmente são destacadas. 1 1 4 Vernalização As aliáceas, em geral, são bastante sensíveis ao fotoperíodo e a temperaturas, com a cultura do alho não é diferente, como o material propagativo desta espécie é o bulbilho, é necessário realizar a vernalização ou a frigorificação dos bulbos de alho previamente ao plantio. Este procedimento tornará a planta menos sensível às condições climáticas citadas anteriormente e permitirá que os bulbos se desen- volvam em locais com fotoperíodo e temperatura não tão adequados a cultivar específica. Esta técnica possibilitou o aumento de regiões e de épocas de cultivo de variedades nobres de alho, como Caçador, Ito, Jonas e outras, que, atualmente, também podem ser cultivadas no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Filgueira (2007) afirma que a vernalização deverá ser realizada a uma temperatura entre 3 a 5° C com umidade relativa de 65 a 70%. Caso estas faixas não forem res- peitadas, poderá ocorrer a morte da gema de brotação por ressecamento (abaixo de 65%) ou o surgimento de fungos (acima de 70%). O tempo de armazenamento em câmara fria é variável, 45 a 60 dias, dependendo da região e época de plantio. Ainda, é imprescindível que se faça testes combinando tempo em câmara fria e época de plantio para adaptar a tecnologia de vernalização ao local. APROFUNDANDO É necessário que o índice de velocidade de dormência (IVD) dos bulbilhos esteja entre 30 a 40% para que o processo de vernalização ocorra. Se o IVD não estiver adequado quando chegar a época de vernalização, recomenda-se realizar um tratamento prévio expondo os bulbilhos a temperaturas de 10 a 15 °C, por oito a dez dias. A época de plantio deve ser bem articulada para diminuir o tempo que os bulbilhos permanecerão fora da câmara fria. Este deverá ser inferior a seis dias. O ciclo cultural dos alhos que passam pela vernalização é reduzido, 90 a 130 dias, enquanto no local de origem sem a vernalização chega até a 210 dias. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Solo e adubação É preferível que o cultivo de alho seja realizado em solos leves, de textura média, ricos em matéria orgânica, planos ou levemente inclinados para facilitar o preparo do terreno (FILGUEIRA, 2007). Anterior ao plantio, é essencial avaliar a condi- ção do solo, por meio de uma análise de solos. Caso seja necessário, proceder a correção da acidez, via calagem, e da fertilidade. O alho mostra resposta adequada à adubação orgânica, podendo ser utiliza- do composto, de esterco de gado ou de aves bem curtido. A adubação química deve ser aplicada diretamente nos canteiros e incorporada. Em caso de aplicação localizada, o adubo deverá ser posicionado cerca de 5 cm abaixo e ao lado dos sulcos de plantio, evitando contato direto com os bulbilhos. A adubação foliar é uma excelente opção para corrigir deficiência de micronutrientes, para esta prática, o uso de espalhante adesivo é essencial. Irrigação O cultivo do alho é afetado tanto devido à falta quanto ao excesso de água, sen- do assim, o manejo adequado da irrigação é crucial para uma boa produção e conservação pós-colheita dos bulbos. Comumente, utiliza-se a irrigação por aspersão, a microaspersão também é utilizada em pequenas áreas e o pivô central em grandes extensões (RESENDE, 2023). Controle de plantas invasoras e cobertura morta O alho apresenta crescimento inicial lento, porte baixo e arquitetura das folhas estreitas e eretas, que não cobrem totalmente o solo, e estas particularidades da cultura as tornam vulneráveis à competição de plantas invasoras. O período crítico ocorre entre o 20º dia e o início da maturação dos bulbos. Já no final do ciclo, as plantas daninhas não afetam mais a produção, porém dificultam a colheita e aumentam o banco de sementes no solo. O controle pode ser realiza- do manualmente, por capina manual, ou quimicamente pelo uso de herbicidas (RESENDE, 2023). 1 1 1 A prática cultural de utilizar cobertura morta sobre o solo pode trazer muitos benefícios, como redução da temperatura do solo, diminuição da perda de água por evapotranspiração, redução do impacto da chuva ou irrigação no solo e, consequentemente, da erosão e, até mesmo, dificultar o surgimento de plantas daninhas. Este trato cultural consiste em, após o plantio, cobrir o solo com uma camada que varia de 7 a 10 cm de capim, serragem, palha, casca de arroz ou outros restos vegetais que estejam disponíveis. É importante que esta cobertura esteja seca e sem sementes. E esta pode ainda ser incorporada ao solo como fonte de matéria orgânica ao final do ciclo (RESENDE, 2023). Controle Fitossanitário As categorias de doenças que afetam o cultivo do alho são divididas em aquelas que ocorrem no solo, acometendo os bulbos e as raízes, e as doenças foliares. As principais doenças do solo são podridão-branca, fusariose (podridão seca) e raiz rosada. As foliares são mancha púrpura, ferrugem, bacteriose do alho e mofo azul. As principais pragas que acometem a cultura são ácaros, tripes, pulgões e nematoides que, além dos danos decorrentes de seu ataque, são vetores de doenças, como as viroses do alho (FILGUEIRA, 2007). APROFUNDANDO Para o controle, o mais recomendado é que seja realizado o manejo integrado de pragas e doenças em que mais de um método de controle é utilizado em as- sociação. E o uso de controle químico deve sempre ser realizado, racionalmente, respeitando o ambiente e a população. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Colheita Segundo Resende(2023), a colheita do alho deverá ser iniciada quando, aproxi- madamente, 2/3 das folhas encontrarem-se amarelas ou secas, que é um indica- tivo de que os bulbos estão, fisiologicamente, maduros. Os métodos de colheita podem ser manuais com ferramentas, mecanizados com máquinas específicas ou com uma lâmina tracionada por trator para ajudar a colheita manual. A realização da colheita deve ser priorizada em dias ensolarados e, preferencial- mente, pela manhã. A cura inicial pode ser feita ao sol, posicionando os bulbos em fileiras e os cobrindo com as ramas das fileiras seguintes. Esse procedimento deve durar de 3 a 5 dias ao sol e, posteriormente, de 20 a 50 dias à sombra. No decorrer da cura e do armazenamento, é importante preservar as folhas e as raízes dos bulbos, para que a remobilização de nutrientes para o bulbo per- maneça. Quando as ramas estiverem completamente secas e a película externa do bulbo se soltando com facilidade, a cura pode ser considerada completa. Agora que já conhecemos a cultura do alho, que tal revisarmos os conteúdos vistos, assistindo ao vídeo do canal TV Portal Cabrália? Nele, você poderá rever alguns assuntos referentes ao cultivo e conhecer sobre o comércio desta cul- tura. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente vir- tual de aprendizagem. EU INDICO 1 1 8 Alho-poró A espécie alho-poró (Allium ampeloprasum), apesar de menos popular, quando comparada com outras do gênero Allium, tem ganhado espaço nas agroindústrias produtoras de sopas desidratadas. As cultivares utilizadas são todas importadas, e um exemplo é a francesa Monstrueux de Carentan. A planta é semelhante ao alho, porém é mais vigorosa, possui folhas largas e alongadas de cor verde-escura. O seu pseudocaule é alongado, que pode ser branco se estiolado, e a base da planta possui um bulbo simples (FILGUEIRA, 2007). Em comparação a outras aliáceas, essa cultura é menos tolerante ao calor, sendo tipicamente de clima frio. O recomendado é que a cultura seja semeada em regiões altas, com inverno frio, de fevereiro a julho, e, quando em regiões baixas e mais quentes, tentar a semeadura em abril-maio (Figura 9). Figura 9 - Campo de alho-poró Fonte: https://pixabay.com/pt/ photos/campo-de-alho-por%- C3%B3-694206/. Acesso em: 1 out. 2023. Descrição da Imagem: campo de alho-poró em sua plenitude, com plantas com folhas lineares, estreitas e de cor verde intenso. Fim da descrição. UNIASSELVI 1 1 9 https://pixabay.com/pt/photos/campo-de-alho-por%C3%B3-694206/ https://pixabay.com/pt/photos/campo-de-alho-por%C3%B3-694206/ https://pixabay.com/pt/photos/campo-de-alho-por%C3%B3-694206/ TEMA DE APRENDIZAGEM 6 A produção é melhor em solo com textura média, solto e leve. Pouco tolerante à acidez, a faixa de pH ideal situa-se na faixa de 6,0 a 6,8. A adubação orgânica traz benefícios e deve ser incorporada aos canteiros, semanas antes do transplantio. As irrigações devem ser vigorosas para impulsionar um ótimo crescimento vegetativo. O ciclo (da semeadura à colheita) dura cerca de 100 dias. Posterior à colheita, as plantas são lavadas, e as raízes são cortadas rente ao bulbo. A forma como o corte é feito e o destino do produto, mesa ou agroindústria, definem a maneira de colher e transportar as plantas. 1 1 1 NOVOS DESAFIOS Estudante, no decorrer deste tema, percorremos diversos aspectos das hor- taliças bulbares, da morfologia até a colheita. Agora, é o momento de nos atentarmos para os novos desafios que você, futuro agrônomo, encarará no mercado profissional. A procura por práticas agrícolas sustentáveis é uma realidade na agricultura moderna. Você, como futuro profissional, será agente transformador neste pro- cesso. A adoção de práticas, como o manejo integrado de pragas e doenças, o uso eficiente de recursos naturais e sistemas orgânicos são essenciais para a garantia de sustentabilidade das hortaliças. A agronomia está em sincronia com os avanços tecnológicos e em evolução constante. Ter domínio das tecnologias e das inovações agrícolas será crucial para que ocorra incremento da produtividade e para encarar desafios do merca- do. A compreensão da agricultura de precisão, automação e inteligência artificial na tomada de decisões será um diferencial competitivo em suas trajetórias. As mudanças decorrentes do clima têm impacto global. Como agrônomo, você se deparará com o desafio de adequar as práticas de cultivo destas hortaliças às condições do clima atual. A mitigação dos efeitos das mudanças climáticas em decorrência da agricultura também deverá ser considerada. Você terá a função de garantir a segurança alimentar populacional e atender às demandas do mercado e dos consumidores, por meio da produção de alimen- tos saudáveis e de qualidade, e terá a oportunidade de empreender e encontrar novas oportunidades. Não se esqueça da importância de relacionar a teoria obtida ao longo deste tema com as demandas efetivas do campo e do mercado. Assista, agora, ao conteúdo referente à sua aula. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO UNIASSELVI 1 1 1 AUTOATIVIDADE 1. Para que a colheita da cebola seja realizada, existem alguns indicativos do momento correto, como o tombamento do pseudocaule, seguindo-se do secamento da planta. Este evento indica a perfeita adaptação da cultivar e a completa maturação do bulbo, o que favorece a conservação pós-colheita. Com base no texto apresentado, assinale a alternativa que apresenta o nome conven- cionalmente utilizado para indicar o fenômeno que foi descrito. a) Estouro. b) Crepitação. c) Tapa. d) Estalo. e) Chapada. 2. Existem diversas pragas que acometem a cultura da cebola, e uma dessas pragas, quando em circunstâncias de ataques severos, causa o prateamento das folhas da cebola, com áreas necróticas, esbranquiçadas, que, subsequentemente, ficam retor- cidas e podem secar por completo. Assinale a afirmativa que contém a praga a que o texto se refere. a) Thrips tabaci. b) Alternaria porri. c) Colletotrichum circinans. d) Stemphylium vesicarium. e) Ferrugem. 1 1 1 AUTOATIVIDADE 3. A cebola possui fase vegetativa e reprodutiva, sendo que, na etapa vegetativa do ciclo, há o desenvolvimento e o amadurecimento do bulbo. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação pro- posta entre elas: I - A bulbificação é proporcionada por dias longos e, em geral, esta não ocorre em dias com duração abaixo de dez horas de luz. PORQUE II - A bulbificação é regulada pelo comprimento do dia e sua interação com a temperatura. A respeito destas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é justificativa correta da I. c) A asserção I é proposição verdadeira, e a II é proposição falsa. d) A asserção I é proposição falsa, e a II é proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. 1 1 1 REFERÊNCIAS FILGUEIRA, F. A. R. Novo Manual de Olericultura: agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. 3. ed. rev. e ampl. Viçosa, MG: Ed. UFV, 2007. 421p. MOURA, A. P. de; GUIMARÃES, J. A.; FILHO, M. M. Tripes. In: REIS, A. et al. (ed.) Árvore do conhecimento: cebola. Brasília, DF: Embrapa, 2022. Disponível em: https://www.embrapa. br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/cebola/pre-producao/caracteristicas/ clima. Acesso em: 6 ago. 2023. MORETTI, C. L. Colheita. In: REIS, A. et al. (ed.). Árvore do conhecimento: cebola. Brasília, DF: Embrapa, 2022. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao- -tecnologica/cultivos/cebola/pre-producao/caracteristicas/clima. Acesso em: 8 ago. 2023. MAROUELLI, W. A. Irrigação. In: REIS, A. et al. (ed.). Árvore do conhecimento: cebola. Bra- sília, DF: Embrapa, 2022. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informa- cao-tecnologica/cultivos/cebola/pre-producao/caracteristicas/clima. Acessoem: 1 ago. 2023. MADEIRA, N. R. Solo. In: REIS, A. et al. (ed.). Árvore do conhecimento: cebola. Brasília, DF: Embrapa, 2022. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao-tec- nologica/cultivos/cebola/pre-producao/caracteristicas/clima. Acesso em: 4 ago. 2023. LOPES, C. A.; REIS, A. Mancha púrpura. In: REIS, A. et al. (ed.). Árvore do conhecimento: cebola. Brasília, DF: Embrapa, 2022. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/agencia- -de-informacao-tecnologica/cultivos/cebola/pre-producao/caracteristicas/clima. Acesso em: 6 ago. 2023. LIMA, C. E. P.; OLIVEIRA, V. R. de Clima. In: REIS, A. et al. (ed.). Árvore do conhecimento: cebola. Brasília, DF: Embrapa, 2022. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/agencia- -de-informacao-tecnologica/cultivos/cebola/pre-producao/caracteristicas/clima. Acesso em: 4 ago. 2023. RESENDE, F. V. et al. Sistema de Produção de Alho. Embrapa, [20--]. Disponível em: ht- tps://www.embrapa.br/en/hortalicas/alho/como-plantar. Acesso em: 4 ago. 2023. 1 1 4 1. Opção D. Segundo Filgueira (2007), o primeiro sinal de amadurecimento é o “estalo” – o tombamento do pseudocaule – seguindo-se o secamento da planta. 2. Opção A. No Brasil, o chamado piolho-da-cebola (Thrips tabaci), que é um inseto minús- culo, é considerado a principal praga. Em circunstâncias de ataques severos, é percep- tível o prateamento das folhas da cebola, com áreas necróticas, esbranquiçadas, que, subsequentemente, ficam retorcidas e podem secar por completo. 3. Opção A. A bulbificação é regulada pelo comprimento do dia e sua interação com a tem- peratura. A bulbificação é proporcionada por dias longos e, em geral, esta não ocorre em dias com duração abaixo de dez horas de luz. GABARITO 1 1 5 UNIDADE 3 MINHAS METAS INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS TUBEROSAS Compreender a morfologia das hortaliças tuberosas (cenoura e beterraba). Conhecer as principais cultivares. Familiarizar-se com as exigências climáticas e de solo necessárias para o cultivo. Dominar os tratos culturais necessários. Conhecer as principais pragas e doenças e o seu manejo. Compreender o processo de colheita. Entender os desafios enfrentados na produção de hortaliças tuberosas. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7 1 1 8 INICIE SUA JORNADA Estudante, neste tema, veremos o cultivo de hortaliças tuberosas. Iniciaremos a nossa jornada nesse universo empolgante, exploraremos desde aspectos morfológicos até os cuidados necessários no cultivo das culturas da cenoura e da beterraba. Durante este ciclo, nós nos depararemos com alguns desafios e algumas ques- tões que transpõem o cultivo de hortaliças tuberosas. Por que estas culturas são tão relevantes? Quais os caminhos para obter melhores rendimentos? Como combater as ameaças fitossanitárias que, frequentemente, prejudicam a produção? Vamos nos aprofundar na botânica dessas hortaliças, compreender as dife- renças entre as cultivares e suas vantagens específicas e conhecer os cuidados essenciais no manejo para se obter uma produção satisfatória. Dessa maneira, construiremos um suporte de conhecimento que nos concederá segurança para enfrentar as situações futuras. Estudante, se você tem interesse em explorar as técnicas pertinentes ao culti- vo de hortaliças tuberosas, convido você a ouvir o episódio do nosso podcast “Hortaliças Tuberosas”. Nele, abordaremos desde os cuidados no manejo das plantas até as considerações durante a colheita. Não perca esta oportunidade! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO Os conhecimentos que adquiriremos neste tema poderão ser colocados em prá- tica no futuro profissional. As práticas de manejo do solo, adubação, semeadura e os tratos culturais serão habilidades essenciais que vocês desenvolverão. Como agrônomo, você enfrentará desafios reais do campo, experimentando e aperfei- çoando as suas técnicas no decorrer do tempo. Ao refletir sobre a nossa trajetória de aprendizagem, nos refinamos para um amanhã ainda mais promissor no cultivo de hortaliças tuberosas! UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Lembre-se de que este tema, além de instruir sobre o cultivo de hortaliças tuberosas, também o capacitará para contribuir, de forma significativa, com a alimentação global e o bem-estar humano. Trata-se de um passo não só para obter mais uma habilidade agrícola, mas também em direção a um mundo mais saudável e sustentável. VAMOS RECORDAR? Entender assuntos, além do cultivo de hortaliças tuberosas, que abranjam como comprar as melhores hortaliças tuberosas, armazená-las, adequadamente, para preservar o sabor e nutrientes e aprender como as consumir também é muito relevante. Para isso, convido você a ler o conteúdo disponibilizado pela Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa). Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem DESENVOLVA SEU POTENCIAL CENOURA 1 1 1 A cenoura (Daucus carota L.) é oriunda da região que, atualmente, se localiza no Afeganistão. Porém a cenoura de cor alaranjada é proveniente de seleção realizada de material asiático. A cultura possui versatilidade culinária e adaptabilidade a diversas condições de cultivo, motivo pela qual ela é uma das hortaliças mais cultivadas no mundo. Sua relevância vai além do fornecimento de carboidratos e sais minerais, pois é uma importante fonte de vitaminas, em especial a vitamina A. A cenoura é cultivada em toda a extensão nacional e possui grande importância econômica e social. É estimado que, anualmente, sejam cultivados cerca de 25 mil ha da cultura com produção em torno de 1 milhão de toneladas. Agora, exploraremos os aspectos imprescindíveis para o cultivo da cenoura. Iniciaremos com a botânica e as cultivares, trataremos sobre o clima e a época de plantio, seguidos pelo preparo do solo, a semeadura e os tratos culturais. Também apresentaremos as desordens fisiológicas e as etapas de colheita e pós-colheita. Nós nos dedicaremos a cada um desses tópicos no decorrer do nosso estudo. Botânica Filgueira (2007) afirma que a planta é herbácea e apresenta um caule discreto, situado no ponto de inserção das folhas, formadas por folíolos finamente recor- tados, com pecíolo longo e afilado. Na fase vegetativa do ciclo, é perceptível um tufo de folhas em posição vertical, atingindo 50 cm de altura. Entretanto, na fase de floração, o caule pode exceder 1,5 m de altura e, no topo, formam-se nume- rosas flores esbranquiçadas reunidas em umbelas compostas. Os frutos são secos (diaquênios), sendo a semente a metade de um fruto. A porção aproveitável trata-se de uma raiz pivotante, tuberosa, carnuda, lisa, reta e sem ramificações, o formato é cilíndrico ou cônico, e a cor é alaranjada. É rica em betacaroteno, precursor da vitamina A, sendo que quanto mais intensa for a cor, maior o teor de betacaroteno e maior o valor nutricional. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Cultivares Na década de 1950, as cenouras eram cultivadas, basicamente, em condições de outono-inverno do centro-sul. Atualmente, em virtude do melhoramento genético, incluindo esforços no Brasil, as variedades são classificadas a partir da sua adaptação ao clima. As cultivares Nantes e Forto produzem cenouras alaranjadas, doces e resis- tentes ao florescimento, entretanto necessitam de clima ameno e são sensíveis a calor e a chuvas em excesso. A utilização de híbridos importados tem melho- rado a produtividade e a qualidade. As variedades coloridas também estão em desenvolvimento, porém ainda é necessário analisar a aceitação do consumidor e os aspectos agronômicos. Algumas cultivares, como Brasília, Carandaí, Alvorada e Esplanada desenvolvem-se bem no verão. Estas são adaptadas a altas temperaturas e a chuvas e são resistentes à queima-das-folhas. Brasília é largamente cultivada e floresce com frio; Alvorada possui alta qualidade nutricional; Esplanada combina atributos das outras duas(FILGUEIRA, 2007). Clima e época de plantio Segundo Filgueira (2007), a planta, apesar de considerada bienal, é tipicamente cultivada como anual. Para as variedades nacionais, importantes no centro-sul, o florescimento ocorre após um período de frio. As baixas temperaturas no campo acarretam o florescimento precoce em cultivares brasileiras de prima- vera-verão. A espécie floresce em condições de dias longos e pela interação com fotoperíodo e baixas temperaturas. No momento de planejamento do cultivo, a relação entre variedade e clima deve ser observada. O florescimento é de extrema importância para produtores de sementes, mas não para agricultores de raízes. Cenouras europeias se adequam melhor a temperaturas amenas; as japonesas e as brasileiras são adaptadas a climas quentes. A partir da escolha adequada das variedades, o plantio pode ser realizado ao longo do ano em várias regiões. Lo- cais com, aproximadamente, 1.000 m de altitude, como São Gotardo, em Minas 1 1 1 Gerais, permitem plantio contínuo. Temperaturas excessivamente altas no ar e no solo prejudicam a germinação e o desenvolvimento de qualquer que seja a cultivar, é o que ocorre em regiões de baixa altitude. Climas amenos trazem benefícios à planta, proporcionando aumento da produtividade e qualidade das raízes, incluindo formato e cor alaranjada con- dicionada à existência de carotenoides. A ocorrência de geada é prejudicial à parte aérea, mas não às cenouras bem desenvolvidas provenientes de cultivos de outono-inverno. Preparo do solo e adubação O manejo do solo abrange a limpeza da área, aração, gradagem e formação de cantei- ros. Ao criar os canteiros, é essencial evitar o excesso de uso de rotoencanteiradores, para evitar a destruição da estrutura do solo e compactar o subsolo, prejudicando o crescimento das raízes. Caso seja necessário, a descompactação pode ser realizada com escarificadores e subsoladores. Todas estas ações devem seguir o contorno do terreno para reduzir a erosão e preservar solo e água (FILGUEIRA, 2007). A partir da análise do solo e, caso seja necessário, a quantidade adequada de calcário deve ser aplicada. A adubação organomineral corresponde à aplicação de adubos orgânicos e minerais anterior ao plantio. Este procedimento depende da análise da fertilidade do solo e das necessidades da cultura. Semeadura O cultivo da cenoura não demanda o desenvolvimento prévio de mudas. A eta- pa de plantio compreende o uso de sementes que são diretamente espalhadas nos canteiros. As sementes são alocadas em uma linha contínua, em sulcos com profundidade de 1 a 2 cm e espaçados 20 cm entre si. Essa distribuição pode ser realizada manualmente ou com auxílio de ferramentas manuais ou mecânicas de semeadura. Seja qual for o método escolhido, é de extrema importância ter aten- ção à profundidade do semeio. Um semeio excessivamente profundo (superior a 2 cm) pode acarretar a não emergência das plântulas. Um plantio muito super- ficial (inferior a 1 cm) pode causar problemas de germinação, principalmente em razão de ressecamento na camada superficial do solo ou devido às chuvas intensas ou excesso de irrigação (MATOS et al., 2011). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Tratos culturais Segundo Filgueira (2007), os principais tratos culturais para a cultura da cenoura são: IRRIGAÇÃO No decorrer de todo o ciclo de crescimento, a cenoura deman- da uma quantidade considerável de água, sendo a qualidade e a quantidade das raízes afetadas diretamente pelas condições de umidade no solo. Logo após a formação dos canteiros, é necessá- rio estabelecer um sistema de irrigação. O método mais comum é a aspersão convencional. DESBASTE O desbaste tem por objetivo reduzir a densidade de plantas na área cultivada, e, dessa forma, minimizar a competição por água, luz e nutrientes. Esta operação deve ser feita de uma só vez, no intervalo de 25 a 30 dias após o semeio, preservando um espaço de 5 a 10 centímetros entre as plantas. CONTROLE DE PLANTAS INVASORAS O período considerado crítico para a interferência das invasoras, em geral, vai da terceira até a sexta semana após o surgimento das plantas, havendo variação conforme o banco de sementes no solo, condições climáticas e sistema de cultivo. Para controlar essas plantas, podem ser utilizados métodos culturais, manuais, mecânicos e químicos, incluindo o uso de herbicidas. A escolha e a eficácia destes métodos têm relação com a natureza das invaso- ras, época de controle, condições climáticas, tipo de solo, práticas de cultivo, rotação de culturas, disponibilidade de herbicidas e re- cursos humanos e equipamentos disponíveis. CONTROLE FITOSSANITÁRIO A cultura da cenoura pode ser afetada por doenças causadas por fungos, bactérias, vírus e nematoides. Entretanto, em virtude do manejo integrado, que inclui medidas como o desenvolvimento de variedades resistentes, práticas culturais cuidadosas, criação de ambiente adequado e intervenções químicas. As doenças que acometem a cultura não significam uma restrição para a produção nacional, mas ainda podem impactar, negativamente, a qualidade e a quantidade das cenouras colhidas. 1 1 4 CONTROLE FITOSSANITÁRIO Entre as principais pragas que ameaçam a cultura estão as lagar- tas, com ênfase para a lagarta rosca (Agrotis ssp.). Para o controle, recomendam-se práticas culturais, como a incorporação de restos de plantas e eliminação de ervas daninhas, especialmente as gra- míneas. Também, é possível uma abordagem química, com pul- verizações, preferencialmente, à tarde e direcionadas à base das plantas, pois as larvas tendem a se esconder no solo durante o dia e saem à noite para se alimentar. Desordens fisiológicas Filgueira (2007) destaca as desordens fisiológicas observadas em cenoura, conforme podemos observar a seguir: RACHADURAS É uma desordem fisiológica que ocorre conforme a distribuição de chuvas ou irrigação durante o ciclo da cenoura. Caso o solo não esteja úmido o suficiente, as raízes principais desenvolvem raízes secundárias para buscar água de forma eficaz. E quando há água em excesso, as raízes absorvem tanto que racham longitudinalmente. Isso é mais evidencia- do próximo da colheita. Para que isso não ocorra, é recomendável irrigações uniformes e abundantes, principalmente no fim do ciclo. O cultivo em solos ricos em matéria orgânica também ajuda a prevenir essa situação. E a falta de boro pode agravar a situação. RAIZ BIFURCADA A bifurcação é decorrente de danos na ponta da raiz quando as plantas ainda são jo- vens. Essa desordem pode ser causada por nematoides e insetos que se alimentam da raiz. O solo deve ser solto e bem preparado, visto que qualquer fator que limite o crescimento normal da raiz pode acarretar a bifurcação. OMBRO VERDE E ROXO A exposição direta da raiz à luz solar pode causar o ombro verde ou roxo. A exposição das raízes pode ocorrer em decorrência de chuvas fortes durante o cultivo. O pigmento esverdeado ou arroxeado na parte superior é inofensivo. Contudo, para evitar é reco- mendado manter as raízes cobertas com solo. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Colheita Segundo Vieira, Makishima e Silva (2022), a colheita da cenoura ocorre entre 80 e 120 dias após a semeadura, variando de acordo com a cultivar, o clima e os cuidados empregados. O momento da colheita, a forma como é realizada e o ma- nuseio das raízes têm impacto no aspecto final e na capacidade de conservação do produto. Alguns indicativos do momento ideal para a colheita são amarelamento e secamento das folhas antigas e o dobramento para baixo das folhas mais jovens. Em escalas menores, é possível realizar a colheita manual, pelo arranquio das plantas, ou semimecanizada, por meio de uma lâmina acoplada a um trator que solta as raízes após afrouxar o solo. Após a passagem da lâmina, as raízes são coletadas, manualmente, é feita a retirada das folhas e são acondicionadas em caixas plásticas. A colheita totalmente mecanizada tambémpode ser realizada, para isso, são utilizadas colhedoras modernas que arrancam as plantas, cortam as folhas e acondicionam as raízes automaticamente. FLORESCIMENTO PRECOCE O florescimento é necessário e desejável para a produção de sementes, mas indesejá- vel quando o objetivo é a produção de raízes comerciais. A ocorrência de fotoperíodos longos e temperaturas amenas pode induzir esta desordem e a interrupção do cresci- mento das raízes. O plantio na época correta e a eliminação de plantas que florescem precocemente pode minimizar o problema. ALGODÃO O algodão branco é decorrente do excesso de água no solo. Para armazenar oxigênio, as raízes desenvolvem aerênquima. Para prevenir esta desordem, é aconselhável não manter o solo encharcado. 1 1 1 Pós-colheita Após a colheita, as cenouras passam por uma triagem em que aquelas que apresentam defeitos são descartadas. Posteriormente, são acondicionadas em caixas de madeira ou engradados de plástico e levadas ao galpão para lavagem, seleção, classificação e armazenamento. No decorrer da seleção, são removidas cenouras com defeitos, como quebras, rachaduras, ramificações, deformações, coloração inadequada, danos causados por pragas e outros aspectos que interfi- ram na qualidade e na aparência. Após a lavagem, é procedida a padronização e a classificação por tamanho e tipo pelos padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e da legislação local, e são embaladas em diferentes tipos de embalagem (MATOS et al., 2011). BETERRABA A beterraba (Beta vulgaris L.) é original de zonas de clima temperado, como Europa, e do norte da África. A espécie é uma hortaliça anual herbácea que per- tence à família Quenopodiácea. A porção mais consumida da planta é sua raiz tuberosa, composta por feixes vasculares que conduzem nutrientes. A raiz pode UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 ser consumida tanto crua como cozida. As folhas apresentam valor nutritivo con- siderável com elevadas fontes de nutrientes, como cálcio, ferro, sódio, potássio e vitaminas A, C e do complexo B. Vamos, agora, conhecer os elementos fundamentais envolvidos no cultivo da beterraba. Iniciando com a botânica e a diversidade de cultivares. Logo, en- tenderemos a influência do clima e o momento ideal para o plantio, seguidos pelo manejo do solo, semeadura e tratos culturais. Além disso, abordaremos as desordens fisiológicas e a colheita. Aprofundaremos cada um desses temas ao longo de nossa aprendizagem. Botânica A planta desenvolve uma região tuberosa, de cor arroxeada, devido ao aumento do hipocótilo – parte do caule localizado abaixo dos cotilédones. Esta coloração está relacionada com a presença de pigmento e é visível nas folhas, nas nervu- ras e nos pecíolos. A porção tuberosa tem formato globular e cresce quase à superfície do solo. Seu sabor é adocicado, até mesmo a variedade de beterraba oleracea, única que é cultivada no Brasil. As sementes convencionais, na verdade, são aglomerados de minúsculos frutos corticosos denominados como glomé- rulos. Cada fruto carrega um óvulo que origina uma semente botânica, e cada aglomerado engloba de três a quatro sementes, o que possibilita a formação de várias plântulas. Contudo, há sementes monogérmicas disponíveis, em cada glomérulo possui somente uma semente individual. Os glomérulos podem ser fragmentados, por meio de processos mecânicos. O sistema radicular é pivotante e a raiz principal pode alcançar até 60 cm de profundidade. Diferentemente da cenoura, é possível transplantar mudas para o local definitivo, caso seja desejável (FILGUEIRA, 2007). Cultivares Segundo Filgueira (2007), no Brasil, são poucas as variedades de beterraba culti- vadas, em geral, são importadas dos Estados Unidos ou da Europa. A referência de qualidade é a cultivar Early Wonder, que apresenta rápida maturação, raízes arredondadas e cor roxa, tanto interna quanto externamente. A cultivar é mais indicada para cultivo durante o outono e o inverno. 1 1 8 A cultivar Itapuã 202 é a única proveniente do Brasil, com produção de sementes no Rio Grande do Sul. Ela é tolerante à cercosporiose (principal doença da cultura), é mais resistente ao calor em relação a cultivares importadas, e, na cultivar, há uma redução de anéis brancos na raiz tuberosa, fixando-se uma cor com tonalidade mais avermelhada. A introdução de variedades híbridas teve início em 2000. Elas têm notoriedade por serem mais produtivas, maturação mais rápida, resistência a doenças fúngicas nas folhas, uniformidade maior e qualidade superior, de forma geral. Os híbridos também possuem raízes com coloração uniforme, atraente e sem anéis concêntricos mais claros no interior. Clima e época de plantio A espécie necessita de um período de frio intenso para ingressar na fase repro- dutiva. Nesse momento, ocorre a formação do pendão floral e, em seguida, a produção de sementes. Na fase vegetativa, a planta desenvolve folhas alongadas em torno de um caule pequeno, junto com a parte tuberosa. As condições ideais de cultivo para um bom desenvolvimento da beterraba abrangem temperaturas entre 10 °C e 20 °C. De acordo com a altitude, as janelas de plantio mudam: em altitudes inferiores a 400 metros, o período de plantio é de abril a junho; entre 400 e 800 metros, de fevereiro a junho; entre 800 e 1.000 metros, de fevereiro a setembro; e, acima de 1.000 metros, de fevereiro a novem- bro (AGUIAR et al., 2014). Solo e adubação A beterraba é uma cultura bastante sensível ao pH do solo, desenvolven- do-se melhor em solos com um pH entre 6,0 e 6,8. Logo, é comum a aplicação de calcário com o intuito de elevar a saturação por bases para, aproximada- mente, 80% e, assim, alcançar um pH de 6,5. Deve-se ter cuidado para que a aplicação de calcário não suprima a disponibilidade de boro (B) no solo, caso contrário, este deve ser suplementado via adubação (AGUIAR et al., 2014). UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Os solos com textura média ou argilosa são mais apropriados, desde que sejam soltos, possuam boa quantidade de matéria orgânica e um sistema de drenagem eficaz. Se o cultivo for direto, semeadura direta no solo, a exigência das propriedades físicas do solo é maior em relação ao cultivo com transplantio. A adubação orgânica semanas antes do plantio é uma forma de aprimorar tais propriedades (FILGUEIRA, 2007). Para a aplicação da adubação mineral durante o plantio e, posteriormente, em cobertura, é fundamental considerar a análise química do solo e as necessidades inerentes à cultura. Semeadura Segundo Aguiar et al. (2014), o cultivo de beterraba pode ser realizado, por meio de mudas produzidas em sementeiras. Para isso, as mudas são semeadas em sulcos a cada 15 cm, a uma profundidade de 15 mm. O transplante é realizado quando as mudas atingem, aproximadamente, 12-13 cm e 4-5 folhas, após 20-30 dias da semeadura. No momento do transplante, é importante evitar lesões à raiz princi- pal, para isso, mantém-se a profundidade original. Algumas vantagens associadas 1 4 1 ao cultivo por transplante são: redução de falhas, uniformidade e maior tamanho das beterrabas. Já a semeadura direta é mais econômica e tem como desvantagens a desuniformidade das plantas e beterrabas e a necessidade de desbaste. A germinação das sementes de beterraba é em torno de 80%, podendo ser aumentada com molho prévio e lavagem para remover inibidores. O espaçamento final recomendado é de 25-30 × 8-10 cm para obter beterrabas de tamanho médio. A largura dos canteiros deve possibilitar 4-5 fileiras com irrigação por aspersão ou 2-3 fileiras com irrigação por sulco. Tratos culturais Segundo Filgueira (2007), os principais tratos culturais para a cultura da be- terraba são: IRRIGAÇÃO É essencial, pois o estresse hídrico pode ocasionar raízes endurecidas e declínio na produção. Tratando-se de semeadura direta, é aconselhável realizar várias irrigações leves durante o dia, principalmente em períodos mais quentes doano. A irrigação por aspersão é preferível. COBERTURA DO SOLO É uma prática que pode ser utilizada tanto na semeadura direta quanto no uso de mu- das, porém, na primeira situação, deve ser utilizada de forma superficial para não preju- dicar a germinação das plântulas. CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS a) Mecânico: este utiliza implementos específicos de acordo com o sistema de plantio e estágio de crescimento das plantas. UNIASSELVI 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS b) Químico: para utilizar este método de controle, é aconselhável conferir os produtos que são registrados (http://agrofit.agricultura.gov.br/afrogit_cons/principal_agrofit_cons). c) Físico: em áreas de pequenas proporções e com acompanhamento, pode-se utilizar o fogo em sistemas agroecológicos. O canteiro é preparado, antecipadamente, possibi- litando a germinação das plantas daninhas. Em seguida, é utilizado um maçarico para queimar as plantas indesejadas. Subsequentemente, as mudas são transplantadas com o mínimo revolvimento do solo possível. CONTROLE FITOSSANITÁRIO A mancha foliar, ocasionada pelo fungo Cercospora beticola, acarreta danos considerá- veis na primavera e verão. A planta atacada apresenta pequenas lesões circulares nas folhas, com margens de tonalidade arroxeada e centro claro. Estas áreas afetadas se desprendem e deixam a folha com aspecto perfurado. Esta doença é favorecida por temperaturas elevadas e chuvas frequentes. Geralmente, as variedades cultivadas não apresentam uma alta resistência natural, em função disso o método mais comum de manejo é o uso de fungicidas sistêmicos. Entretanto, há novas cultivares de beterraba que têm expressado resistência. A cultura da beterraba também pode ser afetada por nematoides (Meloidogyne, Aple- lenchum avenae e Helicotylenchum dibystera), tombamento de plântulas (Fusarium spp., Phythophtora spp., Pythium spp. e Rhizoctonia solani), podridão-branca ou podridão de Sclerotium, mancha-de-Alternaria, mancha-de-Phoma, ramularia, Ralstonia solanacea- rum, Erwinia spp., Xanthomonas campestris pv. Betae. As principais pragas que afetam a cultura são: lagarta-rosca, lagarta-elasmo, vaquinha, pulgão do colo, mosca minadora e ácaros. Os produtos autorizados no controle de pragas e doenças podem ser consultados em: http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons. 1 4 1 Anomalias fisiológicas A ocorrência de temperaturas elevadas ocasiona a formação de anéis de tonali- dade mais clara no interior da maioria das cultivares de beterraba, reduzindo o valor do produto no mercado. Considerando que não estão disponíveis cultivares importadas tolerantes ao calor, o cultivo em meses quentes se restringe a regiões serranas ou planaltos com altitude próxima de 1.000 metros. Uma alternativa é a utilização de variedades nacionais desenvolvidas para climas mais quentes (FILGUEIRA, 2007). O surgimento de manchas escuras e fissuras na superfície da beterraba ocor- re, possivelmente, pela deficiência em boro (B), um nutriente que a cultura é altamente exigente. Colheita Figueira (2007) afirma que a época da colheita pode variar de acordo com o sistema de plantio adotado, caso tenha sido a semeadura direta, o ciclo é menor, possibilitando a colheita de beterrabas de tamanho médio entre 50 e 65 dias após o plantio. Em se tratando do plantio por mudas, o ciclo se estende por mais 20 a 30 dias. O momento ideal para a colheita é quando a maioria das beterrabas alcança o tamanho desejado, mesmo que ainda não tenha atingido seu máximo desenvolvimento. As beterrabas de cultivares não híbridas, geralmente, não atingem a maturidade, simultaneamente, o que estende o processo de colheita por alguns dias. Assista, agora, ao conteúdo referente à sua aula. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO UNIASSELVI 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 NOVOS DESAFIOS Ao aprendermos sobre as particularidades do cultivo de hortaliças tuberosas, esse conhecimento é traduzido em habilidades práticas muito apreciadas no cam- po profissional. A nossa instrução se transpõe na capacidade de como lidar com as mais diversas demandas. Os obstáculos que enfrentamos durante os nossos estudos se convertem em ferramentas para a nossa rotina profissional. Conforme nos aproximamos do ambiente profissional, notamos que o co- nhecimento assimilado ultrapassa o campo teórico. Esta é uma chance para nos sobressairmos, colaborando para o rendimento da produção agrícola, a seguran- ça alimentar e a inovação na agricultura. 1 4 4 1. A cultura da cenoura pode ser acometida por uma série de desordens fisiológicas, e uma destas é causada quando ocorre algum tipo de dano na ponta da raiz tuberosa nas fases iniciais de desenvolvimento das plantas. As causas mais comuns do são o ataque de nema- toides e de insetos de solo, mas outros fatores também podem ocasionar essa desordem. Marque o item que se refere à desordem fisiológica descrita anteriormente. a) Rachadura. b) Bifurcação. c) Ombro verde. d) Florescimento precoce. e) Ombro roxo. 2. Há poucas cultivares de beterraba plantadas no Brasil, sendo as sementes importadas dos Estados Unidos ou da Europa. Analise os itens sobre as cultivares de beterraba: I - A referência de qualidade é a cultivar Early Wonder. II - A cultivar Early Wonder é mais indicada para cultivo durante o verão e a primavera. III - A cultivar Itapuã 202 é a única proveniente da China. IV - A introdução de variedades híbridas teve início na década de 1990. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV. c) III e IV. d) I, II e III. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 4 5 3. O momento ideal para a colheita é quando a maioria das beterrabas alcança o tamanho desejado, mesmo que ainda não tenha atingido seu máximo desenvolvimento. Leia e julgue os itens a seguir: I - A época da colheita pode variar de acordo com o sistema de plantio adotado. II - Caso tenha sido realizada a semeadura direta, o ciclo é maior, possibilitando a colheita de beterrabas de tamanho médio, entre 90 e 105 dias após o plantio. III - As beterrabas de cultivares não híbridas, geralmente, atingem a maturidade, simulta- neamente, o que reduz o processo de colheita por alguns dias. IV - Em se tratando do plantio por mudas, o ciclo se estende por mais 20 a 30 dias. É correto o que se afirma em: a) I e IV. b) II e III. c) III e IV. d) I, II e III. e) II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 4 1 REFERÊNCIAS AGUIAR, A. T. E. et al. Instruções agrícolas para as principais culturas econômicas. Boletim IAC, n° 200. 7. ed. rev. e atual. Campinas: Instituto Agronômico, 2014. 452 p. FILGUEIRA, F. A. R. Novo Manual de Olericultura: agrotecnologia moderna na produção e co- mercialização de hortaliças. 3. ed. rev. e ampl. Viçosa, MG: Ed. UFV, 2007. 421p. MATOS, F. A. C. et al. Cenoura – Série Agricultura Familiar. Coleção Passo a Passo. Sebrae, 2011. Disponível em: http://uc.sebrae.com.br/files/institution alpublication/pdf/cartilha_cenoura_ passo_a_passo.pdf. VIEIRA, J. V.; MAKISHIMA, N.; SILVA, J. B. C. da Colheita In: CARVALHO, A. D. F. de et al. (ed.). Árvore do conhecimento: Cenoura. Brasília, DF: Embrapa, 2022. Disponível em: https://www.embrapa. br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/cenoura/producao/colheita. Acesso em: 22 ago. 2023. 1 4 1 https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/cenoura/producao/colheita https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/cenoura/producao/colheita https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/cenoura/producao/colheita 1. Opção B. A bifurcação é causada por algum tipo de dano na ponta da raiz tuberosa quando as plantas estão nas fases iniciais de desenvolvimento. As causas mais comuns do bifurca- mento são o ataque de nematoides e de insetos de solo, mas outros fatores também podem ocasionar esta desordem.2. Opção A. I – a referência de qualidade é a cultivar Early Wonder; II– a cultivar Early Wonder é mais indicada para cultivo durante o outono e o inverno; III – a cultivar Itapuã 202 é a única proveniente do Brasil; IV – introdução de variedades híbridas teve início em 2000. 3. Opção A. I – a época da colheita pode variar de acordo com o sistema de plantio adotado; II – caso tenha sido a semeadura direta, o ciclo é menor, possibilitando a colheita de be- terrabas de tamanho médio, entre 50 e 65 dias após o plantio; III – as beterrabas cultivares não híbridas, geralmente, não atingem a maturidade, simultaneamente, o que estende o processo de colheita por alguns dias; IV – em se tratando do plantio por mudas, o ciclo se estende por mais 20 a 30 dias. GABARITO 1 4 8 MINHAS ANOTAÇÕES 1 4 9 MINHAS METAS INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS-FRUTO Compreender a importância agronômica e social do cultivo de hortaliças. Compreender a importância dos nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvi- mento das plantas e como eles desempenham funções específicas nas plantas. Conhecer as principais famílias de hortaliças-fruto e suas características básicas. Adentrar nos manejos que abrangem o cultivo de hortaliças-fruto. Identificar características de cultivo que possam limitar o desenvolvimento de hortaliças-fruto. Identificar distúrbios que podem ocorrer ao longo do cultivo de hortaliças-fruto. Identificar pontos de destaque que podem direcionar um agricultor a adentrar no cultivo de hortaliças-fruto. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8 1 5 1 INICIE SUA JORNADA Você é um agricultor dedicado ao cultivo de hortaliças-fruto e lida com os de- safios do dia a dia. Em determinado momento, você se depara com o seguinte desafio: como maximizar a qualidade e a produtividade de suas hortaliças para atender à demanda dos consumidores? Para resolver essa problemática, você deve entender o papel vital das hortali- ças-fruto na alimentação humana, proporcionando uma fonte rica de nutrientes, fibras e sabores variados. Além disso, como a agricultura de hortaliças-fruto pode ser uma fonte significativa de renda para pequenos e grandes produtores, contribuindo para a segurança alimentar e econômica. Para enfrentar este desafio, você poderá experimentar diferentes técnicas de cultivo, como o uso de fertilizantes orgânicos e a implementação de sistemas de irrigação eficazes. Você também pode realizar pesquisas sobre as melhores práti- cas agrícolas e consultar outros agricultores e técnicos experientes. Ao longo das estações, você deverá ajustar suas estratégias com base nas condições climáticas e no crescimento das plantas, buscando sempre melhorar a qualidade e a produ- tividade das suas hortaliças-fruto. Após uma temporada de cul- tivo, será hora de refletir sobre sua experiência. Você perceberá que algumas técnicas foram mais eficazes do que outras e como a colaboração com outros agricul- tores e técnicos será valiosa para o aprendizado. Além disso, você compreenderá a importância das hortaliças-fruto não apenas na alimentação, mas também na sustentabilidade e na economia local. Suas reflexões o levaram a aprimorar suas práticas de cultivo, tornando-se um agricultor mais eficiente e consciente. UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Neste tema de aprendizagem, você enfrentará o desafio de maximizar a qualidade e a produtividade das hortaliças-fruto, compreenderá sua importância na alimen- tação e na economia, experimentará diferentes abordagens e refletirá sobre sua experiência como agricultor. Essas etapas facilitarão o seu entendimento do tema e o ajudarão a se envolver, de forma prática, no desenvolvimento de suas culturas. DESENVOLVA SEU POTENCIAL Hortaliças-fruto são um grupo de plantas cultivadas, principalmente, pelos seus frutos comestíveis, que são, geralmente, consumidos quando maduros. Esses frutos podem variar, amplamente, em forma, tamanho, cor e sabor. As horta- liças-fruto são uma parte importante da dieta humana, fornecendo nutrientes essenciais, fibras e sabores diversificados (BRANDÃO FILHO et al., 2018). Embora sejam frequentemente considerados legumes, muitas das hortali- ças-fruto são, na verdade, botanicamente, classificadas como frutos. Isso ocorre porque estas partes das plantas se desenvolvem a partir dos ovários das flores e contêm as sementes da planta. Alguns exemplos famosos de hortaliças-fruto incluem tomates, pimentões, abóboras, berinjelas e pepinos. No podcast "Um Ano de Hortaliças-Fruto: Cultivando Variedade ao Longo das Es- tações", você compreenderá como o ciclo reduzido das hortaliças-fruto auxilia os produtores e fornece fontes de renda em todos os momentos do ano. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Compreendendo os aspectos da produção de hortaliças, daremos continuidade aos estudos, convidando você a assistir ao vídeo sobre como criar uma empresa em uma pequena propriedade rural. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem 1 5 1 A diversidade de hortaliças-fruto permite uma ampla gama de preparações culinárias, desde saladas frescas até pratos cozidos, assados e fritos. Além de sua importância na culinária, as hortaliças-fruto também contribuem para uma dieta equilibrada, devido ao seu teor de vitaminas, minerais e antioxidantes. Por essas razões, elas continuam a ser uma parte essencial da alimentação humana, proporcionando sabor, nutrição e versatilidade às refeições (ANDRIOLO, 2020). No setor agrícola, as hortaliças-fruto participam de uma parcela significativa de renda de pequenos produtores, garantindo cultivos ao longo de todo ano. Contudo, há também grandes produtores de diversas hortaliças-fruto, como é o exemplo do tomate. Assista, aqui, uma reportagem sobre o plantio de hortaliças na areia que vem ge- rando bons resultados a agricultores paulistas. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EU INDICO UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 TOMATE SOLANACEAE A família Solanaceae, com cerca de 150 gêneros e 3.000 espécies, é uma das mais diversificadas entre as eudicotiledôneas, presente, globalmente, mas com a América do Sul como principal centro de diversidade. No Brasil, estudos indi- cam a presença de 28 a 32 gêneros e de 350 a 450 espécies. Entre as espécies de hortaliças-fruto de destaque na família, figuram o tomate (Solanum lycoper- sicum), o pimentão (Capsicum annum) e a berinjela (Solanum melongena), todas com relevância econômica internacional (BRANDÃO FILHO et al., 2018). É essencial salientar que os desafios no cultivo das hortaliças-fruto dessa família envolvem a necessidade de manejo preciso, além da considerável incidência de patógenos e pragas que podem impactar, negativamente, a produtividade e a qualidade pós-colheita dos frutos. Consequentemente, compreender os fatores fisiológicos, suas interações, suas influências climáticas e a sua identificação, sua caracterização, seu comportamento e seu controle de patógenos é de suma im- portância para o avanço dessas culturas (PUIATTI, 2019). O manejo adequado torna-se vital para mitigar estes desafios, garantindo cul- tivos mais saudáveis e produtivos. Investigações científicas e práticas agríco- las eficazes são fundamentais para enfrentar os obstáculos e explorar todo o potencial das hortaliças-fruto da família Solanaceae, que desempenham papel significativo na segurança alimentar global e na economia agrícola. APROFUNDANDO 1 5 4 O tomate (Solanum lycopersicum L.) é originário da América do Sul e foi domes- ticado no México antes de ser introduzido na Europa pelos espanhóis. Inicial- mente considerado venenoso, gradualmente ganhou aceitação na culinária es- panhola e italiana. O Brasil é o 9º maior produtor global de tomate, concentrado em estados, como Goiás, São Paulo e MinasGerais. Embora de alto risco devido a vários fatores, seu cultivo crescente e consumo ascendente no Brasil destaca sua relevância econômica e alimentar, ressaltando a necessidade de assistência técnica (ANDRIOLO, 2020). O tomateiro possui dois tipos de crescimento: determinado e indetermi- nado. O primeiro, chamado "rasteiro"/indústria, apresenta inflorescências após um número fixo de folhas e hastes, sendo conduzido, rasteiramente. Os frutos têm tamanho e maturação uniformes, permitindo colheita mecaniza- da. O tipo indeterminado é conduzido, verticalmente, com plantas de folhas contínuas e inflorescências em constante desenvolvimento, influenciando na produtividade. A fisiologia das plantas é complexa, com crescimento vegetativo e reprodutivo simultâneos. A formação dos frutos envolve período de cresci- mento celular e metabólico, levando de 7 a 9 semanas. O tomateiro indeter- minado é subdividido em grupos de acordo com características. Compreender estas especificidades é vital para um manejo bem-sucedido das variedades de tomate (BRANDÃO FILHO et al., 2018). O tomate tem requisitos ambientais essenciais: LUZ Vital para o crescimento, a radiação solar depende de fatores, como área foliar e época de plantio. A otimização da captura solar é crítica, usando coberturas com alta transmis- sividade. Costuma-se fazer desbaste. TEMPERATURA Adapta-se a diferentes climas, mas prefere ambientes amenos e secos. A temperatura ideal é 21 °C, com variação diurna de 26 °C e noturna de 17-20 °C. Extremos podem pre- judicar crescimento, a floração e a frutificação. UNIASSELVI 1 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Fisiologia do desenvolvimento do tomate Na fisiologia do desenvolvimento do tomate, a relação fonte-dreno é vital para a produção de fotoassimilados. O fruto torna-se o principal dreno após seu surgimento. Fatores como autossombreamento, telas inadequadas e estresse ambiental podem prejudicar a produção de assimilados. No crescimento inde- terminado, folhas acima e abaixo do cacho são cruciais para seu suprimento, enquanto, no determinado, cada haste alimenta a inflorescência. A competição entre crescimento foliar e apical afeta a colheita e a produtividade. Altos ní- veis de fotoassimilados favorecem ambos, mas sob limitações (temperatura e luminosidade), o crescimento foliar predomina. Após a inflorescência, fatores ambientais e hormonais influenciam os frutos, e a posição no racemo deter- mina o tamanho (ANDRIOLO, 2020). UMIDADE DO SOLO Exige umidade constante; déficit prolongado causa aborto de flores e frutos; excesso pode prejudicar oxigenação e favorecer patógenos. UMIDADE RELATIVA Ideal entre 50% e 70%, abaixo prejudica a entrada de CO2; extremos afetam crescimen- to, transpiração e fitossanidade. Acompanhamento frequente é essencial (BRANDÃO FILHO et al., 2018). 1 5 1 Conheça as principais desordens fisiológicas: PODRIDÃO APICAL DO FRUTO • Mancha cinza/enegrecida na base do fruto. • Deficiência de cálcio, baixa umidade, excesso de nitrogênio. • Desbalanceamento entre transporte de assimilados e cálcio. • Diminuição de cálcio na porção distal do fruto. • Condições salinas e alta temperatura aumentam o problema. • Controle: equilíbrio de cálcio, água e nutrição, redução da transpiração. ABSCISÃO FLORAL • Flores caem sob estresse (alta temperatura). • Amarelecimento da base do pedúnculo floral. • Temperaturas extremas prejudicam a fixação dos frutos. • Baixa umidade, ventos fortes também afetam. • Falhas no grão de pólen, no óvulo ou no zigoto. • Controle: genética resistente, otimização de fatores ambientais, hormônios. FALTA DE MUCILAGEM NA SEMENTE • Vazios entre placenta e parede do lóculo. • Causas: baixa luminosidade, comum no outono e no inverno. • Controle: manejo nutricional e ambiental. RACHADURA DOS FRUTOS • Rachaduras por influxo de água e solutos. • Temperatura, luminosidade alta associadas. • Práticas para crescimento uniforme e lento, equilíbrio de umidade. • Cobertura vegetal pode proteger contra rachaduras. • Cultivares resistentes e colheita no início da mudança de cor. UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Condução do tomate A condução da cultura do tomate envolve uma série de práticas fundamentais para garantir um cultivo saudável e produtivo. A produção de mudas é crucial, visando a mudas fitossanitariamente saudáveis, com equilíbrio entre parte aérea e raiz. O sistema radicular deve ser saudável, e não lignificado, evitando estresse. A escolha de bandejas adequadas é essencial para o desenvolvimento radicular ideal (BRANDÃO FILHO et al., 2018). Para lidar com patógenos de solo, a enxertia é uma solução, especialmente quando o desenvolvimento de genética resistente é demorado. A enxertia por garfagem é comum no tomate, permitindo cultivo em condições de doenças e temperaturas inadequadas (AMORIM et al., 2016). A densidade de plantio influencia a distribuição da radiação solar no dossel da cultura. O adensamento é usado em ambientes protegidos para maximizar a área, mas deve ser escolhido com base no mercado e propósito. A condução das hastes é uma escolha entre uma haste ou duas. Duas hastes economizam sementes, mas exigem cuidados rigorosos com água e nutrientes. O tutoramento é essencial para o crescimento prostrado do tomate. O método vertical com fitilhos plásticos é amplamente adotado, melhorando a distribuição de radiação e ventilação e facilitando a aplicação de defensivos (BRANDÃO FILHO et al., 2018). A remoção de brotações axilares, conhecida como desbrota, e a captação, a remoção do meristema apical, são práticas que impactam o crescimento da planta. O raleio de frutos é usado para frutos maiores e menor competição. A remoção das folhas baixeiras melhora a ventilação, exposição solar e previne doenças, mas deve ser feita após a colheita do primeiro cacho. Entre o cultivo de hortaliças-fruto, no Brasil, a fertirrigação é uma prática comum e rotineira. De todas as espécies, o tomate é uma das que mais explora esta tecno- logia. Saiba mais lendo o artigo de “Fertirrigação de hortaliças”. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EU INDICO 1 5 8 PIMENTÃO O pimentão, nativo das Américas, foi domesticado em regiões tropicais e sub- tropicais, abrangendo dos EUA ao Chile, possivelmente, com origem no México e na Guatemala. Consumido por indígenas, antes da colonização, a arqueologia indica seu uso em molhos. Introduzido na Espanha, em 1493, ganhou destaque no Mediterrâneo e se difundiu, globalmente, a partir dos séculos XVII-XVIII. A Itália apreciou-o na peperonata. Em alguns países, como a Alemanha, tornou-se popular no século XX. No Brasil, chegou em 1920. Índia, China, México, EUA e mais lideram a produção. O pimentão é versátil, usado em culinária, molhos e pratos diversos (BRANDÃO FILHO et al., 2018). O pimentão tem requisitos ambientais essenciais: TEMPERATURA O pimentão requer temperatura ótima entre 18 °C e 23 °C, com 23 °C durante o cres- cimento vegetativo e 21 °C na fase de frutificação. Temperaturas abaixo de 18 °C pre- judicam o crescimento, enquanto altas temperaturas, no período reprodutivo, podem causar aborto de flores e frutos pequenos. A amplitude térmica entre o dia e a noite deve ser mantida entre 7 °C e 9 °C para um desenvolvimento saudável. UNIASSELVI 1 5 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Fisiologia do desenvolvimento do pimentão A germinação do pimentão é lenta em temperaturas baixas, podendo levar até 9 dias a 15 °C. O processo é precedido por um período de dormência, superado armazenando sementes a 24 °C por 2-3 semanas. A velocidade de germinação aumenta ao retardar a retirada das sementes dos frutos por dez dias após ama- durecimento (ANDRIOLO, 2020). O pimentão tem crescimento mais lento que outras espécies, como o tomate. O uso de sombreamento (25-50%), durante o desenvolvimento das mudas, me- lhora a área foliar. A temperatura afeta o crescimento e a produção de matériaseca. O crescimento das raízes varia com o meio de cultivo e a técnica de propagação. LUZ O pimentão precisa de luminosidade adequada, especialmente, durante a floração. O sombreamento excessivo leva ao aborto de flores, prejudicando a produção. Por outro lado, baixa luminosidade resulta em estiolamento da planta, com distância entre os entrenós e ramos fracos. UMIDADE RELATIVA DO AR Manter a umidade relativa do ar entre 60% e 70% é ideal para o desenvolvimento do pimentão. Umidades superiores a 80% aumentam o risco de doenças, enquanto umida- des baixas causam frutos deformados e queda de flores e frutos. Na época de floração e frutificação, um manejo adequado da umidade é essencial. ÁGUA O pimentão é sensível ao excesso e à falta de água. Evitar encharcamento e manter a umidade do solo uniforme são vitais, pois a cultura é suscetível à asfixia radicular. Um estresse hídrico leve após o transplante pode estimular o desenvolvimento radicu- lar. No entanto o estresse hídrico durante a floração e a frutificação pode resultar em atrasos na colheita e perdas. Oscilações hídricas podem causar rachaduras nos frutos, destacando a importância do manejo adequado da água (BRANDÃO FILHO et al., 2018). 1 1 1 A floração não é fortemente influenciada pelo fotoperíodo. A temperatura noturna afeta o número de nós até a primeira flor, mas o status nutricional não. As flores são autopolinizadas, auxiliadas por insetos polinizadores no campo. Partenocarpia é possível sob temperaturas baixas. O estabelecimento das flores é influenciado por temperatura, nutrição e presença de insetos (BRANDÃO FILHO et al., 2018). O pimentão é autopolinizador, mas a presença de insetos melhora o estabele- cimento de frutos. Partenocarpia ocorre em temperaturas baixas. Frutos desen- volvidos desta maneira podem não ter sementes. A temperatura na pré-antese influencia o formato do fruto. O crescimento do fruto é afetado por condições ambientais após a antese, com relação positiva entre número de sementes e ta- manho. Limitações no crescimento da planta reduzem o crescimento do fruto. Os frutos são não climatéricos e devem ser colhidos com 50% de coloração para amadurecer. A atividade fotossintética nas folhas continua até o final do desen- volvimento dos frutos, havendo fluxos vegetativos e reprodutivos ao longo do ciclo. A remoção de flores pode promover o crescimento vegetativo para uma produção melhor (BRANDÃO FILHO et al., 2018). A seguir, conheça as principais desordens fisiológicas do pimentão: ABSCISÃO DE FLORES • Altas temperaturas, baixa luminosidade, estresse hídrico e presença de frutos em crescimento causam abscisão floral. • Altas temperaturas noturnas e estresse hídrico aumentam a abscisão. • Cultivares menos suscetíveis e medidas, como microaspersão, CO2 e inibidores de etileno ajudam no controle. ESCALDADURA • Excesso de luz solar em frutos maduros resulta em manchas esbranquiçadas. • Dano causado por aquecimento e radicais superóxidos, gerados pela luz. • Telas de sombreamento, plásticos difusores e manutenção das folhas podem prevenir. • Seleção de cultivares de folhas mais sombreadoras e com colorações diferentes. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Condução do pimentão A condução do cultivo de pimentão envolve várias etapas. A produção de mudas é crucial, garantindo um estabelecimento rápido e saudável das plantas. A terceirização da produção de mudas é comum. O tamanho da célula na pro- dução das mudas afeta o crescimento e a qualidade das plantas. A escolha do método de tutoramento, como vertical, espaldeira simples ou dupla, impacta na qualidade e no tamanho dos frutos. Podas e desbrotas regulam o crescimento das plantas, afetando a produtividade. O ponto de colheita é determinado pelo teor de sólidos solúveis ou pela coloração característica dos frutos. A colhei- ta é feita com corte próximo ao nó para aumentar a durabilidade dos frutos (BRANDÃO FILHO et al., 2018). PODRIDÃO APICAL • Manchas negras no ápice de frutos causadas por deficiência de cálcio. • Pode ocorrer mesmo com suprimentos adequados de cálcio no solo. • Adequada irrigação e umidade ambiental reduzem a incidência. • Evitar altos níveis de magnésio, potássio e nitrogênio na fertirrigação. • Aplicação de cálcio foliar e controle ambiental ajuda a remediar. FORMATO ANORMAL DO FRUTO • Temperaturas durante formação do ovário ou ausência de sementes afetam formato. • Frutos sem sementes por temperaturas baixas são menores e irregulares. • Desenvolvem-se totalmente, mas fora dos padrões comerciais (BRANDÃO FILHO et al., 2018). 1 1 1 BERINJELA A cultura da berinjela (Solanum melongena) é amplamente cultivada em di- versas regiões do mundo, apreciada por seus frutos com variadas formas, cores e sabores. Seu cultivo envolve várias etapas, incluindo produção de mudas, trans- plante, condução e colheita. PRODUÇÃO DE MUDAS A produção de mudas de berinjela segue princípios semelhantes a outras solanáceas. Mudas saudáveis e enxertadas são, frequentemente, preferidas para controle de doen- ças e desenvolvimento inicial. Viveiristas especializados podem fornecer mudas de qualidade, garantindo estabelecimento rápido e eficaz. TRANSPLANTE E CONDUÇÃO A berinjela pode ser cultivada em campo aberto ou em ambientes protegidos. Métodos de tutoramento, como estacas verticais, espaldeira simples ou dupla são utilizados para dar suporte às plantas e melhorar a ventilação e a exposição solar aos frutos. O controle de brotos, desbrotas e podas são práticas comuns para direcionar o crescimento e me- lhorar a produção (BRANDÃO FILHO et al., 2018). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 FISIOLOGIA A berinjela pertence à família Solanaceae e compartilha algumas características fisio- lógicas com o tomate e o pimentão. Sua condução pode afetar o equilíbrio entre cres- cimento vegetativo e reprodutivo, influenciando o tamanho e a qualidade dos frutos. A nutrição adequada, a regulação hormonal e os cuidados com fatores ambientais, como luz e umidade, são importantes para maximizar a produção e a qualidade dos frutos (TAIZ et al., 2017). DISTÚRBIOS E MANEJO Assim como o tomate e o pimentão, a berinjela pode ser afetada por doenças e pragas, como murcha de fusário, ácaros e pulgões. O manejo integrado de pragas e doenças é fundamental para garantir a saúde das plantas e a produção sustentável. Além disso, distúrbios fisiológicos, como frutos manchados e deformados, podem ser causados por desequilíbrios nutricionais ou estresses ambientais (AMORIM et al., 2016). COLHEITA E COMERCIALIZAÇÃO A colheita da berinjela é determinada pela maturação dos frutos, que, geralmente, ocorre quando atingem tamanho e coloração ideais. A colheita cuidadosa, com corte próximo ao pedúnculo, preserva a qualidade dos frutos. A berinjela é apreciada tanto no consumo fresco como no processamento, sendo comercializada em diversos mer- cados (BRANDÃO FILHO et al., 2018). 1 1 4 ABÓBORAS (CUCURBITACEAE) O controle de doenças em hortaliças destaca-se dentre os desafios destas culturas de tanta importância econômica e social, principalmente, devido ao grande número de hospedeiros do mesmo patógeno. No portal da Embrapa Hortaliças, há um banco de dados das principais doenças de hortaliças, com imagens dos sintomas e sugestões de manejo para lhe ajudar no dia a dia como engenheiro agrônomo. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO CUCURBITÁCEAS, FABACEAE E ROSACEAE Algumas famílias contribuem para a melhoria do solo, a fixação de nitrogênio e a diversificação agrícola e merecem destaque neste material. A família das Cucur- bitáceas (Cucurbitaceae) é fundamental na produção de alimentos e fibras, com espécies, como melancia, melão, pepino, abobrinha, abóbora e moranga. A família Fabaceae destaca-se por seus representantes comestíveis, como feijão-vagem e ervilha-torta, que formam vagens ricas emfibras e grãos nutricionais. A família Rosaceae inclui o morango cultivado (Fragaria ananassa) cuja produção tem au- mentado. Outras espécies com potencial, como o maxixe, chuchu e bucha das cucurbitáceas, além do grão de bico e lentilha das fabáceas, são pouco cultivadas, devido a razões culturais e à falta de informação (ANDRIOLO, 2020). APROFUNDANDO UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 As abóboras são vegetais de extrema importância econômica e social, sendo utilizadas para culinária, medicina e ornamentação. A produção global de abóboras ultrapassa 24 milhões de toneladas, sendo China, Rússia e Índia os maiores produtores. No Brasil, as abóboras ocupam uma posição modesta, mas seu consumo tem aumentado, devido à demanda por alimentos saudáveis e ricos em nutrientes. O gênero Cucurbita inclui várias espécies de abóboras, com destaque para Cucurbita pepo, C. maxima, C. moschata, C. argyrosperma e C. ficifolia. Essas espécies têm di- ferentes características botânicas, como folhas, caules, flores e frutos distintos. Abó- boras são plantas monoicas, com flores masculinas e femininas separadas, e polini- zação cruzada, predominantemente, feita por abelhas (BRANDÃO FILHO et al., 2018). As exigências climáticas variam de acordo com a espécie e cultivar, mas, em geral, as abóboras preferem temperaturas entre 18 e 30 °C. Dias curtos favorecem a formação de flores femininas, aumentando a produtividade, e temperaturas de 28 a 30 °C são ideais para a ação das abelhas polinizadoras. As abóboras necessitam de água, especialmente durante o florescimento e o desenvolvimento dos frutos, embora o excesso possa prejudicar a produção. O Brasil pode ser dividido em quatro regiões para o cultivo de abóboras, com épocas de plantio específicas. A preparação do solo é crucial para facilitar os tratos culturais, como o penteamento das ramas e a aplicação de reguladores de crescimento para induzir a frutificação (ANDRIOLO, 2020). No que diz respeito aos tratos culturais, é importante monitorar pragas e doen- ças, como a mosca-branca, a antracnose e os vírus do mosaico, aplicando medidas de controle adequadas. A colheita das abóboras deve ser realizada quando os frutos estiverem no ponto apropriado para cada espécie, variando entre dois e cinco meses após a germinação. A fertilidade do solo é fundamental, sendo recomendada a análise das amostras para determinar as necessidades nutricionais da cultura. A adubação, incluindo macro e micronutrientes, deve ser ajustada de acordo com os resulta- dos da análise. Além disso, o controle das plantas daninhas é essencial, especial- mente no início do ciclo da cultura (TAIZ et al., 2017). 1 1 1 Em resumo, o cultivo de abóboras envolve diversos aspectos, desde as exigências climáticas até os tratos culturais e o controle de pragas e doenças. Conhecendo as características específicas de cada espécie e cultivando, os agricultores podem maximizar a produtividade e a qualidade dos frutos. MELANCIAS E MELÕES (CUCURBITACEAE) UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 A cultura da melancia (Citrullus lanatus) no Brasil é de grande importância eco- nômica e social, cultivada em diversos ambientes por pequenos agricultores. Sua expressão comercial nas centrais de abastecimento (Ceasas) marcou a década de 1970, e, futuramente, com destaque para o Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) que comercializou 110.310 toneladas, em 2016. A melancia pode ser cultivada em sistemas irrigados ou de sequeiro, este último dispensando adubos e agrotóxicos (BRANDÃO FILHO et al., 2018). Originária da África tropical, a melancia, cultiva- da no Brasil, é uma variedade da África central. Seu crescimento é rasteiro, com caules pilosos e estruturas de fixação em espiral. As flores solitárias e efêmeras são polinizadas por abelhas. O fruto, conhecido como pepônio indeiscente, varia em peso, forma e cor da polpa, podendo ser redondo, oval ou cilíndrico. O plantio ocorre nos meses quentes e secos, com atenção às condições climáticas e de solo. A adubação é fundamental para o desenvolvimento, as- sim como tratos culturais, como desbaste, condução das ramas, polinização e proteção dos frutos. O espaçamento utilizado influencia a produção, variando de acordo com o mercado e o tamanho desejado para os frutos. O momento da colheita é cru- cial e identificado por características, como som oco ao bater, mudança de cor e secagem da gavinha. A colheita é manual e requer cuidado para evitar danos aos frutos. A comercialização é baseada no peso, sendo os frutos vendidos inteiros ou em pedaços (BRANDÃO FILHO et al., 2018). Quanto ao melão (Cucumis melo), sua diversidade é abrangente, perten- cendo ao gênero Cucumis, da família Cucurbitaceae. As plantas possuem hábito rasteiro ou trepador, algumas monoicas ou andromonoicas. Os frutos são bagas carnudas, variando em formato, cor e textura da casca e polpa. A melancia cultivada no Brasil, é uma variedade da África central A cultura do melão começou no antigo Egito, cerca de 2400 a.C. e se disseminou globalmente, resultando em um consumo de mais de 200 milhões de toneladas ao redor do mundo, com destaque para o Brasil como grande exportador para a União Europeia. A produção nacional é concentrada no Nordeste, mas São Paulo também produz melões de qualidade em ambiente protegido. 1 1 8 Existem duas categorias principais de melão: Cucumis melo var. inodorus, com frutos não climatéricos, casca lisa ou levemente enrugada, e polpa rica em açú- cares; e Cucumis melo var. cantaloupensis, incluindo variedades nobres, como Cantaloupe, Gália e Charentais, com frutos aromáticos e menor vida pós-colheita. Fatores climáticos desempenham papel crucial no cultivo do melão. A tempe- ratura ideal varia entre 25 e 35 °C, sendo prejudicial tanto o frio intenso quanto o calor extremo. A polinização por insetos é vital, com a faixa de temperatura de 28°C a 30 °C sendo ótima para a atividade das abelhas. Tratos culturais envolvem preparo do solo, adubação, semeadura, condu- ção, irrigação e colheita. A escolha da variedade determina o método de cultivo, desde semeadura direta em campo até produção de mudas em ambiente protegi- do. O sistema de condução vertical é comum em cultivo protegido, com atenção para o equilíbrio das folhas acima e abaixo dos frutos. Distúrbios fisiológicos, como fermentação, rachaduras e má formação podem ocorrer, devido a desequilíbrios nutricionais, manejo inadequado de água e problemas na polinização, comprometendo a qualidade dos frutos. O manejo adequado desses fatores é essencial para garantir uma produção de melão saudável e de alta qualidade (BRANDÃO FILHO et al., 2018). UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 PEPINO (CURCUBITACEAE) A cultura do pepino (Cucumis sativus L.) é originária da Ásia e possui cres- cente importância econômica, devido ao seu consumo como hortaliça-fruto. É consumido, principalmente, como parte de saladas e picles, com alta demanda, devido à facilidade de preparo. A planta apresenta caule herbáceo com gavinhas que servem como estruturas de fixação. Os frutos são consumidos enquanto ainda estão imaturos, sendo considerados legumes, embora se classifiquem como hortaliça-fruto. O pepino é adaptado a climas quentes, e seu desenvolvimento é prejudi- cado em temperaturas abaixo de 16 °C ou acima de 32 °C. Há variedades com diferentes características sexuais, como flores femininas, masculinas e herma- froditas. A polinização cruzada pode ser necessária para algumas variedades, enquanto outras podem desenvolver frutos sem necessidade de fecundação ovariana. A cultura é conduzida com diferentes sistemas de plantio e espa- çamentos, dependendo do tipo de pepino e do manejo adotado. A enxertia é uma técnica utilizada para melhorar a produtividade e a resistência das plantas. A adubação é essencial para o desenvolvimento saudável, sendo realizada tanto no plantio quanto em cobertura, com atenção aose custos elevados para recuperação. No entanto, a Olericultura é uma das principais atividades agrícolas que consegue viabilizar áreas até então impróprias para o cultivo de outras culturas comerciais, com posterior geração de grande volume de produção por área. Para cultivar hortaliças, o investimento financeiro é alto, o uso de insumos e mão de obra são intensos. Com isso, temos um fator importante a geração de grande número de vagas de emprego. Ao final de um período de cultivo e início da colheita, geralmente, tem-se um grande volume de produção, o que deve ser prontamente colhido e encaminhado para a comercialização ou beneficiamento de perdas pós-colheita. Estudante, assista a este vídeo e conheça como fazer colheita em alface americana. Saiba que é preciso ter muito cuidado para não estragar o produto depois de um longo período de cultivo. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Como a produção de hortaliças requer o uso intensivo do solo, por exemplo, a alface produz até dez ciclos no período de 1 ano, usando o mesmo local, ou seja, causando uma intensa degradação do solo. Para reduzir esse processo trabalhoso e caro, foram criados os sistemas de produção de hortaliças em estufas e, também, nos sistemas hidropônicos. O cultivo sem solo está revolucionando o que conhecemos como agricultura, e, para o cultivo de hortaliças, este sistema tem sido fundamental para produzir mais, reduzir perdas no plantio e na pós-colheita, além de reduzir custos com mão de obra. A hidroponia requer um investimento significativo e mão de obra qualificada. Além disso, o cultivo em estufas não se restringe à hidroponia, ao cultivo de mudas e em bandejas, também é recomendável em estufas. No entanto, o agricultor terá inúmeros outros benefícios. Nos últimos anos, outros fatores foram fundamentais para o crescimento da olericultura, como a produção terceirizada de mudas de hortaliças, que diminui perdas no plantio e reduz custos com mão de obra. A produção das mudas em bandejas de isopor também se tornou um fator importante na redução de perdas e na precisão quanto à mensuração de produção. Além da produção de mudas, os ambientes protegidos tornaram-se impor- tantes na produção de determinadas espécies hortícolas, visando controlar de- terminados fatores ambientais, como intensidade dos raios solares, umidade e excesso de precipitação. 1 1 Portanto, na produção de hortaliças, seja no modelo convencional, seja em ambientes controlados, sempre será necessário o cuidado com o crescimen- to e o desenvolvimento das plantas, que dependem do substrato, da água, da fotossíntese e do tempo. Além desses fatores, o clima é parte essencial para o sucesso da produção agrícola. As principais técnicas de cultivo de hortaliças, de acordo com Puiatti (2019), são: HIDROPONIA Produção de hortaliças em ambiente protegido, as casas de vegetação, sem o uso de solo as plantas ficam dispostas em bancadas com calhas contendo água e nutrientes. O custo inicial é elevado e requer mão de obra técnica qualificada. CULTIVO PROTEGIDO São técnicas em que se faz uso de coberturas da plantação, como estufas e casas de vegetação, construídas no espaço da horta, ou seja, o cultivo acontece no solo, mas é protegido. CULTIVO TRADICIONAL Hortas comunitárias e pequenos produtores ainda lideram o cultivo tradicional de hortaliças, que consiste em realizar o cultivo diretamente no solo, geralmente, usando canteiros. CULTIVO ORGÂNICO O cultivo orgânico é formado por dois tipos de prática: adubação verde e adubação orgânica. Neste sistema de cultivo, não é per- mitido o uso de defensivos e adubos químicos. Figura 1 - Cultivo de hortaliças em sistema de hidroponia Fonte: https://g1.globo.com/ ro/rondonia/rondonia-rural/no- ticia/2023/05/27/aprenda-co- mo-plantar-hortalicas-em-ca- sa-sem-o-uso-de-terra.ghtml. Acesso em: 1 out. 2023. Quadro 2 - Principais técnicas de cultivo de hortaliças / Fonte: adaptado de Puiatti (2019). Descrição da Imagem: a fi- gura mostra a produção de hortaliças em um sistema de hidroponia, cultivo sem solo; o substrato é formado ape- nas por água e nutrientes. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Agora que você compreendeu os principais sistemas de cultivo, apresentado por Puia- tti (2019), observamos as principais práticas realizadas no cultivo de hortaliças no modelo tradicional e compreendemos o manejo destas culturas. Veja a seguir: PREPARO DO SOLO O terreno deve ser limpo, e o solo revolvido a uma profundidade de até 20 cm, no caso de áreas ainda sem canteiros. Em áreas de plantio tradicional, a limpeza deve ser feita entre os canteiros, e estes devem ser restaurados e adubados antes do semeio ou transplantio. CORREÇÃO DO SOLO Antes do plantio, é essencial identificar o pH do solo, que pode ser realizado, enviando uma amostra ao laboratório para análise. Somente após uma análise de solos é que se deve realizar a correção do solo conforme a necessidade. PREPARO DOS CANTEIROS Em áreas sem canteiros, estes devem ser construídos, revolvendo-se o solo em até 20 cm de profundidade, retirando ervas daninhas, como a tiririca (Cyperus rotundus). Cada canteiro deve ficar a, pelo menos, 30 cm de distância um do outro, para facilitar o manejo e suas dimensões não devem ultrapassar os 30 cm de largura. CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS Antes do plantio, é necessário verificar o histórico da área quanto à infestação de determinada praga, como formigas, comum em hortas, causando grandes prejuízos. Além disso, áreas infestadas com fungos que causam doenças devem receber o devido tratamento antes do plantio. Uma técnica que auxilia os produ- tores e técnicos no controle de plantas daninhas, pragas e doenças é o mulching, que consiste em cobrir o solo para protegê-los. 1 8 IRRIGAÇÃO Os períodos de escassez de chuvas é quando as hortaliças precisam ser irrigadas e, para isso, é necessário também um cuidadoso projeto de irrigação, para evitar problemas comuns em áreas irrigadas, como lixiviação, erosão e salinização. A irrigação com microaspersão é usada em grandes áreas e auxilia na manutenção da umidade dos canteiros. Em campos onde o plantio é mais tecnológico, o uso da irrigação por superfície requer abundância de água, mas ainda são ampla- mente utilizados. FERTILIZANTES Os adubos orgânicos, como o esterco curtido, podem ser utilizados em qualquer tipo de solo; no argiloso, ele ajuda a soltar, e, nos arenosos, ajuda na retenção de água e nutrientes. No entanto, o uso deste deve ser feito segundo a recomendação de adubação para as culturas planejadas. Além disso, deve-se realizar o uso de fertilizantes químicos recomendados na análise, geralmente, uma fórmula de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), dividida em duas ou três aplicações ao longo do ciclo da planta. Vamos conhecer um pouco mais sobre frutas e hortaliças no Brasil? Acesse o vídeo. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Propagação de hortaliças A propagação de hortaliças tem sido motivo de estudos por parte de pesquisado- res e agricultores, em busca de facilitar o processo de propagação e reduzir perdas. Atualmente, as hortaliças são propagadas, por meio de dois métodos principais: ger- minação de semente e vegetativa (partes da planta dão origem a uma nova planta). Algumas espécies olerícolas ainda são propagadas apenas por sementes, como coentro e alface, fato este que se resume a algumas espécies e cultivares de polinização aberta e que não apresenta potencial para reprodução vege- tativa. Tendo em vista que muitas espécies de hortaliças ainda se propagam por sementes, o Brasil tornou-se um dos principais produtores de sementes certificadas em grandes empresas que produzem sementes selecionadas, ga- rantindo plantas de qualidade ao final donutrientes necessários, como cálcio e micronutrientes. 1 1 1 A colheita ocorre após 60 a 80 dias do plantio, quando os frutos atingem o tamanho e a coloração desejados. Para variedades destinadas ao processamen- to, é importante observar a relação comprimento x diâmetro de 3:1 e formato cilíndrico para garantir a aceitação pela indústria. A colheita é manual e pode se estender por até 60 dias, dependendo dos tratos culturais e da saúde das plantas. O cultivo do pepino requer cuidados específicos para obter frutos de alta quali- dade e produtividade (BRANDÃO FILHO et al., 2018). FEIJÃO-VAGEM E ERVILHA-TORTA (FABACEAE) Olericultura Geral Sobre o Livro: esta é a versão atualizada do clássico livro de olericultura que usamos como base nas disciplinas, abordando desde a definição de conceitos básicos as técnicas de olericul- tura sustentável e indicações de manejo de hortaliças. INDICAÇÃO DE LIVRO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 A família Fabaceae, também chamada de leguminosas, é uma vasta família de plantas com flores, englobando uma grande diversidade de espécies. Um exemplo notável é o feijão-vagem, uma variedade da mesma espécie que o feijão comum, caracterizado por suas vagens em desenvolvimento com baixo teor de fibras para facilitar o consumo. O feijão-vagem é uma hortaliça-fruto de destaque global, especialmente no Brasil, onde está entre as dez mais cultivadas. No caso do feijão-vagem, as escolhas de cultivares são influenciadas por cri- térios, como cor e formato das vagens. O clima é crucial, com preferência por temperaturas amenas entre 18 e 27 °C. Chuvas frequentes podem causar doenças, enquanto a falta de umidade prejudica o crescimento. A irrigação é fundamental, especialmente em locais com temperaturas elevadas. A cultura requer tratos culturais como tutoramento para proteger contra- ventos fortes e a queda das vagens. O manejo hídrico deve se adequar ao hábito de crescimento da cultivar. Pragas, como lagartas, pulgões e ácaros podem atacar, juntamente com doenças, como antracnose, ferrugem e murcha-de-fusarium. O controle integrado é crucial (BRANDÃO FILHO et al., 2018). Outra leguminosa, a ervilha-torta, possui relevância histórica e riqueza nu- tricional, com alto teor de proteínas, minerais e vitaminas. A cultura se adapta melhor a climas amenos e requer temperaturas moderadas. Seu ciclo varia de 90 a 140 dias, com estágios de germinação, crescimento vegetativo, floração, formação de vagens e maturação de sementes. A escolha da área de cultivo deve considerar a cultura antecessora. A adu- bação deve ser baseada em exigências nutricionais e análise de solo. A irrigação por gotejamento é recomendada, com atenção especial durante a floração e o enchimento das vagens. Doenças, como podridão e mofo-branco, e pragas, como pulgões e lagartas, são desafios na cultura. A colheita da ervilha-torta é manual, quando as vagens verdes atingem ta- manho adequado. A família Fabaceae representa uma riqueza botânica de apli- cação diversificada na agricultura e na alimentação, tendo grande importância econômica e nutricional (BRANDÃO FILHO et al., 2018). 1 1 1 MORANGO (ROSACEAE) A família Rosaceae abriga a cultura do morango, nativo de climas tempera- dos, apreciado pelo mercado, devido ao seu aroma, à sua cor e ao sabor, além de compostos nutracêuticos antioxidantes. No Brasil, seu cultivo tem relevância econômica e social, principalmente em Minas Gerais e São Paulo, ocupando cerca de 3,5 mil hectares. Seu pseudofruto origina-se da fecundação de uma flor com múltiplos ovários, apresentando aquênios e uma parte suculenta provenien- te do receptáculo floral. A propagação pode ser sexual ou vegetativa, sendo esta última comum na produção de mudas comerciais. A escolha e o preparo da área de cultivo são cruciais, priorizando solo bem drenado, estruturado e pH entre 5,5 e 6,0. O plantio é realizado entre março e julho, em regiões Sudeste e Sul. A cultura demanda cuidados fitossanitários, rotação de culturas e controle de plan- tas invasoras. Doenças, como antracnose, manchas e murchas afetam o morango, enquanto ácaros e pulgões são pragas comuns. A colheita manual começa cerca de dois meses após o plantio e requer resfriamento imediato para conservação. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 NUTRIÇÃO MINERAL DE HORTALIÇAS-FRUTO Considerando o que conversamos sobre o desenvolvimento de hortaliças-fruto, suas demandas fisiológicas e os distúrbios fisiológicos principais que identifica- mos, é importante ressaltar a função de cada nutriente no metabolismo vegetal e a importância da sua suplementação via adubação (sólida, líquida e/ou fertir- rigação) (MELO et al., 2016). Observe o Quadro 1 e conheça os nutrientes e suas funções principais: NITROGÊNIO (N) Constituinte de aminoácidos e clorofilas. de aminoácidos e clorofilas. ENXOFRE (S) Constituinte de metabólitos nitrogenados e clorofilas.las. FÓSFORO (P) Constituinte da molécula de energia (ATP). POTÁSSIO (K) Movimentação de água e ativação estimativa. CÁLCIO (CA) Estruturação celular. MAGNÉSIO (MG) Constituinte da clorofila. BORO (B) Participa da floração. FERRO (FE) Ativador enzimático. ZINCO (ZN) Ativação enzimática e produção de triptofano. MOLIBDÊNIO (MO) Ativação enzimática. MANGANÊS (MN) Regulação do metabolismo. COBRE (CU) Síntese de lignina. Quadro 1 - Nutrientes e suas funções principais / Fonte: Taiz et al. (2021). 1 1 4 NOVOS DESAFIOS As hortaliças-fruto desempenham um papel crucial na agricultura contemporâ- nea, atendendo a múltiplas necessidades da sociedade e do mercado. Seu valor vai além do aspecto nutricional, impactando tanto a segurança alimentar global quanto a economia agrícola. No contexto da crescente demanda alimentar mun- dial, essas hortaliças desempenham um papel vital ao fornecer nutrientes essen- ciais e contribuir para dietas saudáveis. No entanto, o cultivo enfrenta desafios consideráveis, como a constante ameaça de pragas e patógenos. O manejo eficaz de pragas e patógenos é uma batalha constante na produção de hortaliças-fruto. O uso indiscriminado de agroquímicos pode ter impactos negativos no ambiente e na saúde humana, tornando a busca por alternativas mais sustentáveis uma prioridade. Nesse sentido, as inovações tecnológicas têm desem- penhado um papel fundamental. Abordagens agroecológicas, produtos biológicos e técnicas de manejo integrado visam reduzir a dependência de agroquímicos, promovendo uma agricultura mais equilibrada e ambientalmente amigável. Assista, agora, ao conteúdo referente à sua aula. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 O cenário agrícola também está sendo impactado pelo êxodo dos trabalhadores rurais e a crescente demanda por mecanização. Isso aumenta a necessidade de otimização da produção, tornando a tecnologia essencial para suprir a lacuna de mão de obra. O melhoramento genético tem sido uma ferramenta-chave para o desen- volvimento de cultivares mais resistentes a doenças e pragas, ao mesmo tempo em que garantem maior produtividade. Além disso, produtos biológicos, como biopesticidas e microrganismos benéficos, oferecem alternativas viáveis para o controle de pragas e doenças, minimizando o uso de agroquímicos. A interseção entre a tecnologia e a agricultura moderna está permitindo a produção de mais alimentos em espaços limitados, com menor uso de agro- químicos. A adoção destas inovações não apenas aumenta a eficiência da pro- dução, mas também contribui para uma agricultura mais sustentável, alinhada com as demandas da sociedade contemporânea por alimentos saudáveis e eco- logicamente conscientes. Portanto, as hortaliças-fruto desempenham um papel fundamental na construção de um futuro alimentar mais seguro e sustentável, impulsionado por avanços tecnológicos e práticas agrícolas inovadoras. 1 1 1 1. O déficit hídrico prolongado prejudica o crescimentoda raiz e, como consequência, interfere no crescimento e no desenvolvimento da planta (provoca mau desenvolvimento da planta), tendo como resultado abortamento de flores e de frutos novos e o surgimento de vários distúrbios fisiológicos nos frutos em formação. A ocorrência de déficit hídrico tem relação direta com a ocorrência da anomalia denominada ‘podridão apical do fruto’, assunto que será discutido posteriormente no item ‘desordens fisiológicas’. Como o déficit hídrico prolongado afeta o crescimento e o desenvolvimento das plantas de tomate? I - Estimula o crescimento das raízes e aumenta a produção de flores e frutos. II - Causa a queda natural das flores e dos frutos, reduzindo a produtividade. III - Prejudica o crescimento das raízes, levando a problemas no desenvolvimento das plantas e dos frutos. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II. d) II e III. e) I, II e III. AUTOATIVIDADE 1 1 1 2. Nativa de regiões de clima temperado, o morangueiro (Fragaria x ananassa Duch.) é uma planta que apresenta ótima aceitação por parte do mercado consumidor, por causa do seu aroma, sua cor e seu sabor. Além destes atributos, a pesquisa moderna relata que o morango apresenta compostos nutracêuticos com função antioxidante, auxiliando na prevenção de várias enfermidades. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - Por ser nativa das regiões de clima temperado, o cultivo do morango enfrenta muitos desafios quando cultivado em regiões tropicais. PORQUE II - Regiões tropicais têm uma amplitude maior de temperatura, favorecendo o desenvol- vimento de diversos patógenos. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é justificativa correta da I. c) A asserção I é proposição verdadeira, e a II é proposição falsa. d) A asserção I é proposição falsa, e a II é proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 1 1 8 3. A demanda de nutrientes por este grupo de plantas é alta, sendo necessário, para produ- ções substanciais, o uso adicional de fertilizantes orgânicos e minerais. Contudo este uso pode dar-se de forma desordenada, com adubação excessiva, podendo resultar em de- sequilíbrios, caracterizados pelo excesso de alguns nutrientes e/ou deficiência de outros. Isso acarreta prejuízos financeiros por gastos desnecessários, baixas produções e produtos com menor qualidade nutricional e visual. O uso desordenado de fertilizantes pode também trazer problemas ambientais, como contaminação do solo e da água dos lençóis freáticos, mananciais, nascentes, córregos e rios. Assim, o conhecimento do solo, da capacidade de este fornecer nutrientes e água para as plantas e a demanda nutricional das mesmas são quesitos indispensáveis para o uso adequado dos recursos naturais, a fim de obter as me- lhores respostas em crescimento e em desenvolvimento das culturas, além de considerar os aspectos econômicos e socioambientais. Considerando os distúrbios fisiológicos nas hortaliças-fruto, analise as afirmativas a seguir: I - Abscisão de flores está relacionada à necessidade de boro. II - Manchas negras em alguns frutos estão relacionadas à deficiência de cálcio. III - Folhas velhas amareladas podem estar relacionadas à deficiência de nitrogênio. IV - É adequado o uso de altas dosagens de nitrogênio na fertirrigação. É correto o que se afirma em: a) I e IV. b) II e III. c) III e IV. d) I, II e III. e) II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 1 9 REFERÊNCIAS AMORIM, L. et al. Manual de Fitopatologia. Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas, 2016. ANDRIOLO, J. L. Olericultura geral. Fundação de Apoio a Tecnologia e Ciência. Santa Maria, RS: Editora UFSM, 2020. BRANDÃO FILHO, J. U. T. et al. Hortaliças-fruto. Prefácio de Chukichi Kurozawa. Marin- gá, PR: Eduem, 2018. 535 p. Disponível em: https://books.scielo.org/id/bv3jx/pdf/bran- dao-9786586383010.pdf. Acesso em: 23 abr. 2023. MELO, P. C. T. de; ARAÚJO, T. H. de. Olericultura: planejamento da produção do plantio à comer- cialização. Curitiba: SENAR-PR, 2016. Disponível em: https://sistemafaep.org.br/wp-content/ uploads/2021/05/PR.0315-Olericultura-Planejamento-da-Producao_web.pdf. Acesso em: 20 ago. 2023. PUIATTI, M. Olericultura: a arte de cultivar hortaliças. Viçosa: UFV-MG, 2019. Disponível em: ht- tps://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQYx3qLNL2ahFwbZfNuLVovRgjJT- Fyrv_pyr6OeDA5p&s. Acesso em: 20 ago. 2023. TAIZ, L. et al. Fisiologia e desenvolvimento vegetal. Porto Alegre: Artmed Editora, 2017. TAIZ, L. et al. Fundamentos de Fisiologia Vegetal. Porto Alegre: Artmed Editora, 2021. 1 8 1 1. Opção D. O texto menciona, claramente, que o déficit hídrico prolongado prejudica o cresci- mento da raiz das plantas de tomate. Isso, por sua vez, afeta, negativamente, o crescimento e o desenvolvimento geral da planta, causando o mau desenvolvimento da planta como um todo. O déficit hídrico resulta no abortamento de flores e frutos novos e também leva ao surgimento de distúrbios fisiológicos nos frutos em formação. Portanto, a resposta correta é a alternativa D, que descreve o efeito negativo do déficit hídrico nas raízes e no desenvolvi- mento global das plantas e dos frutos, conforme indicado no texto de referência. 2. Opção A. O cultivo do morango em países de clima tropical é um grande desafio em relação a patógenos, especialmente fungos. 3. Opção D. I - A retenção das flores está diretamente relacionada à nutrição adequada com boro. II- Podridão apical é um distúrbio que está relacionado a manchas escuras em plantas com deficiência de cálcio. III - Folhas velhas amareladas podem estar relacionadas à deficiência de nitrogênio, devido à translocação do nitrogênio disponível para folhas mais jovens em pleno desenvolvimento. IV - O excesso de nitrogênio em meio líquido resulta na formação de algas nos sistemas de transporte de água. GABARITO 1 8 1 MINHAS METAS INTRODUÇÃO AO CULTIVO DE HORTALIÇAS CONDIMENTARES Reconhecer as espécies mais comuns de hortaliças condimentares. Compreender as práticas fundamentais para o cultivo bem-sucedido. Dominar as técnicas de fornecimento de nutrientes essenciais para o crescimento saudável das plantas. Conhecer técnicas para promover o crescimento saudável. Compreender as estratégias de manejo orgânico e químico. Reconhecer os principais obstáculos enfrentados no cultivo de hortaliças condimentares e como os superar. Atualizar as tendências emergentes no cultivo e no consumo de hortaliças condimentares. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9 1 8 1 INICIE SUA JORNADA Neste tema de aprendizagem, você se deparará com um desafio empolgante no futuro: como podemos otimizar o cultivo e o uso das hortaliças condimentares, levando em consideração suas propriedades medicinais e sua importância cul- tural em várias partes do mundo? Aqui, você aprenderá a importância especial das hortaliças condimentares para além do seu uso na culinária, e descobrirá que essas plantas desempenham papéis valiosos na medicina tradicional e nas tradições alimentares de diversas comunidades em todo o globo. Compreender como os compostos medicinais, presentes nas hortaliças, podem ser extraídos e aplicados terapeuticamente será um aspecto significativo do seu aprendizado. Também conheceremos diferentes técnicas de cultivo, colheita e processamen- to destas hortaliças condimentares. Exploraremos como a qualidade dos com- postos medicinais varia de acordo com as práticas agrícolas e de processamento. Ao final deste tema, você será convidado a refletir sobre o impacto cultural, medicinal e econômico das hortaliças condimentares. Avaliaremos como suas descobertas podem ser aplicadas para melhorar a produção, preservar tradições e utilizar essas plantas terapêuticas em várias partes do mundo.Neste podcast, “A importância das especiarias na colonização do Brasil”, você compreenderá um pouco sobre a importância das hortaliças condimentares na alimentação humana e o valor agregado à alimentação. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Visando compreender a importância das hortaliças condimentares na sociedade e a expressividade delas em nossa cultura, recomendo um documentário sobre as chamadas ‘plantas medicinais’. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem UNIASSELVI 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Hortaliças condimentares são um grupo de plantas cultivadas em pequenas áreas, utilizadas na alimentação humana e animal como condimentos alimenta- res e/ou remédios, amplamente difundidos na sabedoria popular. Com a evolu- ção da ciência, muitos desses condimentos foram estudados e cultivados, visando à extração dos compostos que os tornam medicinais, como é o caso da hortelã, do alecrim, da camomila, entre outros (FILGUEIRA, 2000). Estas hortaliças têm grande importância nas culturas mundiais, tendo desta- ques diversos em múltiplas culturas em relação às características locais da região a ser avaliada. O gengibre destaca-se na cultura asiática, apesar de ser encontrado em diversas regiões do mundo, assim como as pimentas, na cultura mexicana, e o alho e a cebola, na cultura brasileira (HABER, 2013). Além dessas hortaliças, as plantas alimentícias não convencionais (PAN- Cs) têm despertado um interesse crescente nos últimos anos, devido à sua pro- messa de diversificar a oferta de alimentos, promover a sustentabilidade agrícola e aumentar a resiliência alimentar em face das mudanças climáticas. As PANCs são espécies vegetais que não fazem parte da agricultura industrial convencional, mas que possuem potencial alimentício e nutricional valioso. Elas abrem cami- nho para uma agricultura mais diversificada e sustentável, enquanto oferecem soluções para desafios alimentares globais (LORENZI; KINUPP, 2014). EU INDICO História da Alimentação no Brasil A série explora a história da alimentação no Brasil, trazendo o que aprendemos com as múltiplas culturas que interagem em nosso país. 1 8 4 O QUE SÃO HORTALIÇAS CONDIMENTARES? Hortaliças condimentares podem ser classificadas como plantas cultivadas com o objetivo de utilizar suas partes comestíveis para adicionar sabor, aroma e tempero aos alimentos. Essas plantas, geralmente, são ricas em compostos aromáticos, como óleos essenciais, que conferem um sabor distintivo às preparações culi- nárias. Elas são amplamente utilizadas em várias cozinhas ao redor do mundo para realçar o paladar dos pratos ou como tratamentos naturais para doenças simples e complexas, em alguns casos sem recomendação médica, mas baseada em conhecimento holístico (FILGUEIRA, 2000). Categorias das hortaliças condimentares As plantas condimentares são um grupo diversificado de vegetais apreciados por suas propriedades aromáticas, medicinais e culinárias. Essas plantas desempe- nham um papel fundamental para os pequenos agricultores e são amplamente utilizadas na gastronomia global e na promoção da saúde por meio de suas ca- racterísticas únicas. UNIASSELVI 1 8 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Ervas aromáticas São plantas que exalam aromas marcantes, como manjericão, salsa, cebolinha, coentro, alecrim, tomilho e hortelã, entre outras. Elas são frequentemente usadas frescas ou secas para dar sabor a sopas, carnes, molhos, saladas e diversos pratos. Pimentas Incluem variedades de plantas que possuem características marcantes, em especial a picância. Alguns exemplos são a pimenta vermelha, pimenta caiena, pimenta jalapeño e muitas outras. Elas são usadas para adicionar calor e picância aos pratos. Alho e cebola Podendo ser considerados vegetais, o alho e a cebola são frequentemente usados como condimentos, devido ao seu sabor forte e aromático, amplamente explorados em todas as culturas. Eles são ingredientes comuns em muitas receitas, desde as básicas às mais complexas. 1 8 1 Especiarias São partes secas de plantas com aromas marcantes e/ou pigmentos, como sementes, cascas, raízes ou frutos, usadas para temperar alimentos. Exemplos incluem canela, cravo, pimenta-do-reino, cominho, noz-moscada e gengibre. As especiarias são essenciais na culinária de muitas culturas, sendo as características principais de muitos pratos típicos tradicionais. Gengibre Esta planta tem como parte utilizável a raiz que apresenta um sabor picante e é amplamente utilizada na culinária asiática, em alimentos e bebidas, além de ser conhecida por suas propriedades medicinais. Açafrão e cúrcuma Podendo ser considerados vegetais, o alho e a cebola são frequentemente usados como condimentos, devido ao seu sabor forte e aromático, amplamente explorados em todas as culturas. Eles são ingredientes comuns em muitas receitas, desde as básicas às mais complexas. UNIASSELVI 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Plantas Aromáticas e Medicinais Cultivo e Utilização Autores: Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz Editora: IAPAR Sobre o Livro: uma das melhores formas de aprender sobre hortaliças condimentares é cultivando-as e as utilizando. Por isso, indicamos este livro sobre cultivo de hortaliças condimen- tares. INDICAÇÃO DE LIVRO E-book: Técnicas de Temperos Na Cozinha Autor: Cabral Veríssimo Editora: Clube de Autores Sobre o Livro: uma das melhores formas de aprender sobre hortaliças condimentares é cultivando-as e as utilizando. Por isso, indicamos este livro sobre técnicas culinárias. INDICAÇÃO DE LIVRO PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS As hortaliças condimentares têm várias características que as destacam como responsáveis por adicionar sabor e aroma aos alimentos. Entre elas, as principais características dessas plantas são (HABER, 2013): As hortaliças condimentares desempenham um papel importante na culi- nária, proporcionando uma ampla gama de sabores e aromas que enriquecem as refeições. Elas podem ser usadas frescas, secas, em pó ou como parte de misturas de temperos, dependendo da receita e das preferên- cias regionais. Além disso, muitas hortaliças condi- mentares também têm benefícios para a saúde, de- vido aos seus compostos bioativos (HABER, 2013). Têm benefícios para a saúde, devido aos seus compostos bioativos 1 8 8 1 AROMA E SABOR DISTINTIVOS Hortaliças condimentares são exploradas, principalmente, por causa de seus compostos aromáticos e sabores característicos. Atuam realçando o sabor dos pratos, tornando-os mais saborosos e atraentes. 2 COMPOSTOS BIOATIVOS Muitas hortaliças condimentares possuem compostos bioativos, como óleos essenciais, que, além de conferir sabor, podem ter propriedades medicinais e benéficas para a saúde. Estes compostos podem ser antioxidantes, anti-inflamatórios e antimicrobianos. 3 VERSATILIDADE CULINÁRIA As hortaliças condimentares são utilizadas em uma variedade de pratos e cozinhas ao redor do mundo. Podem ser utilizadas frescas, secas, em pó ou como óleo essencial, sendo versatilidade na culinária e demais propósitos. 4 FÁCIL CULTIVO Muitas hortaliças condimentares são de fácil cultivo em jardins domésticos e em peque- nos espaços, tornando-os acessíveis para uso doméstico. Muitas podem ser cultivadas em vasos ou jardins verticais. 5 LONGA HISTÓRIA DE USO Há uma longa história de uso de hortaliças condimentares na culinária e na medicina tradicional, desde as civilizações antigas, demonstrando importância cultural e culinária dessas plantas ao longo do tempo. 6 DIVERSIDADE DE TIPOS E SABORES Há uma diversidade de hortaliças condimentares, com sabor e aroma próprios e distintivos. Os cozinheiros escolhem ingredientes e complementam o prato que estão preparando. 7 USO TANTO EM PRATOS SALGADOS QUANTO DOCES Apesar de estaremligadas principalmente a pratos salgados, algumas hortaliças condi- mentares, como a canela e o cravo, também são usadas em sobremesas e pratos doces para adicionar sabor e aroma. 8 POTENCIAL PARA CONSERVAÇÃO Diversas hortaliças condimentares podem ser secas, moídas ou transformadas em óleos essenciais, facilitando o armazenamento a longo prazo e a disponibilidade durante todo o ano. UNIASSELVI 1 8 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Essas hortaliças são plantas valorizadas por suas características sensoriais, ver- satilidade culinária e potencial para melhorar o sabor e o aroma dos alimentos. Elas desempenham um papel fundamental na culinária de muitas culturas em todo o mundo e são apreciadas tanto por seu sabor quanto por suas propriedades benéficas para a saúde (HABER, 2013). EU INDICO Assista a uma reportagem sobre plantas medicinais e conheça o relógio do corpo humano. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem Características básicas de cultivo de hortaliças condimentares e aromáticas O cultivo de hortaliças condimentares e aromáticas varia em função da espécie, contudo existem algumas necessidades básicas importantes para o sucesso do cultivo em geral. Entre essas necessidades, as essenciais para o cultivo destas plantas são (HABER, 2013): Solo adequado A maioria destas plantas prosperam em solos bem drenados, o que evita o acúmulo de água nas raízes, prevenindo problemas, como apodrecimento radicular. Além disso, um solo rico em matéria orgânica fornece os nutrientes essenciais que essas plantas necessitam para um crescimento saudável. A estrutura do solo também é fundamental. Um solo com boa estrutura per- mite que as raízes se desenvolvam livremente, facilitando a absorção de nutrientes e água. O pH do solo também desempenha um papel importante, pois diferentes plantas têm preferências específicas de pH. Portanto, é essencial ajustar o pH do solo de acordo com a planta que você está cultivando para otimizar sua saúde e produtividade (FILGUEIRA, 2000). 1 9 1 Para determinar as condições ideais do solo, é aconselhável realizar testes de solo para avaliar o pH e os níveis de nutrientes. Em seguida, você pode fazer emendas ao solo, como adicionar matéria orgânica ou ajustar o pH para atender às necessidades específicas da planta. Garantir um solo adequado é o primeiro passo para criar um ambiente favorável ao crescimento saudável e à produção de hortaliças condimentares e aromáticas de alta qualidade. Luz solar A maioria destas plantas exige um ambiente com plena exposição ao sol para um de- senvolvimento saudável. Em geral, elas necessitam de, pelo menos, 6 a 8 horas de luz solar direta, diariamente, para prosperar. A luz solar fornece a energia necessária para o processo de fotossíntese, que é vital para o crescimento e a produção de compostos aromáticos nas plantas. A falta de luz solar adequada pode resultar em crescimento fraco, folhas pálidas e uma produção reduzida de sabores e aromas. Portanto, ao planejar o cultivo de hortaliças condimentares e aromáticas, é fundamental escolher locais de plantio que recebam a quantidade adequada de luz solar para garantir um crescimento robusto e uma colheita de qualidade (FILGUEIRA, 2000). Água A quantidade e a frequência de irrigação variam de acordo com a espécie espe- cífica, a região e as condições climáticas. É essencial adaptar a irrigação às neces- sidades individuais de cada planta, garantindo que elas recebam água suficiente sem excessos que possam prejudicar o sistema radicular. O excesso de água pode levar ao apodrecimento das raízes, ao murchamen- to das plantas e ao desenvolvimento de doenças fúngicas. Portanto, é crucial monitorar o solo e as plantas regularmente para determinar quando regar. A utilização de sistemas de irrigação adequados, como gotejamento ou aspersão, pode ajudar a manter um suprimento constante de água, evitando picos de umi- dade e mantendo o solo em níveis ideais de umidade. Além disso, a irrigação por gotejamento direciona a água diretamente para a base das plantas, reduzindo o desperdício e minimizando o risco de doenças foliares. Em resumo, a irrigação cuidadosa e adaptada às necessidades individuais das hortaliças condimentares e aromáticas é fundamental para promover o cresci- UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 mento saudável e a qualidade da colheita, evitando problemas relacionados ao excesso de água e garantindo um suprimento adequado de umidade. Espaçamento Cada espécie tem requisitos específicos de espaço entre as plantas para garantir o crescimento saudável. O espaçamento recomendado leva em conta o tamanho final da planta, a extensão de suas raízes e sua capacidade de capturar nutrientes e luz solar. Plantar as hortaliças com o espaçamento correto ajuda a evitar a competi- ção por nutrientes, água e luz. Quando as plantas estão muito próximas umas das outras, elas podem sombrear umas às outras e impedir o desenvolvimento adequado das folhas e das partes condimentares. Isso pode resultar em um cres- cimento enfraquecido e uma produção reduzida. Por outro lado, um espaçamento adequado permite que cada planta receba os recursos de que precisa e tenha espaço para se expandir. Isso promove um crescimen- to robusto, folhagem saudável e uma colheita mais abundante. Portanto, ao cultivar hortaliças condimentares, siga as recomendações de espaçamento para otimizar o desenvolvimento das plantas e obter os melhores resultados (DUMKE, 2022). Fertilização A fertilização desempenha um papel crítico no cultivo bem-sucedido de horta- liças condimentares e aromáticas. Os três macronutrientes essenciais que estas plantas precisam em maior quantidade são nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Cada um desempenha um papel fundamental no desenvolvimento saudável das plantas (FILGUEIRA, 2000). O nitrogênio é crucial para o crescimento das hortaliças, pois está envolvido na formação de clorofila e no desenvolvimento de folhas verdes saudáveis. É especialmente importante para as plantas condimentares, pois contribui para a produção de compostos aromáticos. No entanto o excesso de nitrogênio pode resultar em um crescimento excessivo de folhagem em detrimento da produção de condimentos. Portanto, é importante equilibrar o fornecimento de nitrogênio de acordo com as necessidades específicas da planta. O fósforo é vital para o desenvolvimento de raízes fortes e saudáveis bem como para a formação de flores e frutos. É essencial no início do ciclo de vida 1 9 1 das plantas condimentares, quando o desenvolvimento radicular é crítico. O potássio desempenha um papel importante na regulação do equilíbrio hídrico das plantas e na síntese de compostos aromáticos. Ajuda a fortalecer as plantas, tornando-as mais resistentes a doenças e estresses ambientais. Antes do plantio, é aconselhável incorporar fertilizantes orgânicos ou com- postos ricos em N, P e K ao solo para fornecer um suprimento inicial de nu- trientes. Durante o crescimento das plantas, a fertilização periódica pode ser necessária para atender às demandas nutricionais em diferentes estágios de de- senvolvimento. O uso de fertilizantes balanceados ou específicos para a cultura é importante para garantir que as hortaliças condimentares recebam os nutrientes necessários para um crescimento saudável e a produção de condimentos de alta qualidade. No entanto, é importante evitar o excesso de fertilização, pois isso pode causar desequilíbrios nutricionais e prejudicar as plantas. Portanto, o mo- nitoramento constante das necessidades nutricionais é essencial para um cultivo bem-sucedido. Proteção contra pragas e doenças O monitoramento regular das plantas é fundamental para identificar e abordar problemas o mais cedo possível. Realize inspeções frequentes para detectar qual- quer sinal de infestação de pragas ou doenças. Isso inclui a observação de folhas danificadas, manchas, presença de insetos, ovos ou larvas, equaisquer outros sintomas anormais. O monitoramento atento ajuda a identificar problemas no estágio inicial, permitindo uma resposta mais eficaz (FILGUEIRA, 2000). Prefira métodos orgânicos de controle de pragas e doenças sempre que pos- sível, como a aplicação de pesticidas naturais, o uso de predadores benéficos, a rotação de culturas e o manejo adequado do solo. Estes métodos minimizam os impactos negativos ao meio ambiente e à saúde humana. Em casos graves ou quando métodos orgânicos não são suficientes, produtos químicos podem ser necessários. Utilize apenas produtos registrados e autoriza- dos para a cultura em questão. Siga, rigorosamente, as instruções de aplicação e respeite os períodos de carência para garantir a segurança alimentar. É fundamental manter registros detalhados das práticas de proteção, incluin- do datas de monitoramento, ações tomadas e resultados. Isso ajuda a desenvolver estratégias mais eficazes de manejo de pragas e doenças ao longo do tempo. A UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 proteção adequada contra pragas e doenças é essencial para preservar a saúde e a produtividade das plantas de hortaliças condimentares e aromáticas, assegurando um cultivo de alta qualidade (FILGUEIRA, 2000). Propagação A escolha do método de propagação depende da espécie específica. Muitas podem ser cultivadas a partir de sementes, o método mais comum e econômico. Outras, como o manjericão ou a hortelã, podem ser propagadas, por meio de estacas de caule ou divisão de plantas existentes. Selecionar o método adequado garante o início bem- sucedido do cultivo e a obtenção de plantas saudáveis e produtivas (DUMKE, 2022). Clima e sazonalidade É vital adaptar as escolhas de plantas ao clima da sua região. Algumas hortaliças condimentares são anuais e completam seu ciclo de vida em uma única estação de crescimento, enquanto outras são perenes e podem sobreviver por várias esta- ções. É importante proteger as plantas de geadas e temperaturas extremas usando coberturas ou estufas, especialmente durante os meses mais frios. A consideração do clima e da sazonalidade ajuda a garantir um cultivo bem-sucedido e contínuo dessas plantas, maximizando a produção ao longo do ano. Poda e colheita A poda e a colheita adequadas são práticas fundamentais no cultivo de hortali- ças condimentares e aromáticas, e sua execução precisa levar em consideração aspectos técnicos específicos. A poda visa promover o crescimento saudável das plantas e a produção de partes condimentares de alta qualidade. A poda deve ser realizada com ferramentas limpas e afiadas para evitar ferimentos desnecessários nas plantas. Os principais objetivos da poda incluem a remoção de folhas ou ramos danificados, mortos ou doentes, a abertura do dossel da planta para permitir uma melhor circulação de ar e a remoção de flores ou brotos laterais indesejados para direcionar a energia da plan- ta para a produção de condimentos. A frequência e a intensidade da poda variam de acordo com a espécie e o hábito de crescimento da planta (FILGUEIRA, 2000). 1 9 4 A colheita é uma etapa crítica na produção de hortaliças condimentares e aromáticas. Ela deve ser realizada no momento certo para garantir a máxima qualidade e o sabor dos condimentos. O momento da colheita depende da parte da planta que está sendo cultivada (folhas, flores, raízes etc.) e da maturidade desejada. Utilize ferramentas afiadas para minimizar danos às plantas durante a colheita e colha regularmente para estimular o crescimento adicional. Armazene as partes colhidas, adequadamente, para manter sua frescura e sabor. A execução precisa destas práticas e contribui para o crescimento saudável das plantas e a obtenção de condimentos de alta qualidade, atendendo aos pa- drões técnicos necessários para o cultivo bem-sucedido. Rotação de culturas Evitar o cultivo repetido das mesmas hortaliças no mesmo solo ajuda a reduzir a acumulação de pragas e doenças. Ao alternar as culturas, o solo permanece equilibrado em nutrientes e menos suscetível a problemas, promovendo colheitas mais saudáveis e produtivas (DUMKE, 2022). Lembre-se de que cada hortaliça condimentar ou aromática pode ter requisitos específicos, portanto, é importante pesquisar as necessidades individuais da planta que você deseja cultivar. Além disso, observe as condições locais e adapte suas práticas de cultivo conforme necessário para obter os melhores resultados. O uso de hortaliças condimentares no controle de pragas e doenças O uso de hortaliças aromáticas para afetar pragas e patógenos é uma prática agrícola que tem ganhado destaque, devido aos benefícios tanto na proteção das plantas quanto na melhoria da biodiversidade nos agroecossistemas. As hortali- ças aromáticas são plantas que produzem óleos essenciais e compostos voláteis que podem ter efeitos repelentes ou tóxicos sobre pragas e patógenos. Este mé- todo, conhecido como controle biológico por plantas aromáticas, oferece uma alternativa mais sustentável e amiga do ambiente em comparação com o uso de pesticidas químicos (FILGUEIRA, 2000). UNIASSELVI 1 9 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Algumas hortaliças aromáticas possuem propriedades antimicrobianas na- turais devido aos compostos químicos que produzem. Por exemplo, o alho e a cebola contêm compostos sulfurosos que têm demonstrado ser eficazes contra fungos e bactérias patogênicas. Quando incorporados ao solo ou usados em extratos e óleos essenciais, esses compostos podem ajudar a prevenir doenças de plantas, como a ferrugem e a murcha. O cultivo de hortaliças aromáticas pode atrair polinizadores benéficos, como abelhas e borboletas, que desempenham um papel importante na polini- zação de outras plantas. Além disso, a presença dessas plantas pode criar habitats para predadores naturais de pragas, como joaninhas e crisopídeos, que ajudam a manter as populações de pragas sob controle. Embora o uso de hortaliças aromáticas para o controle de pragas e patógenos tenha várias vantagens, há desafios a serem considerados. A eficácia das plantas aromáticas pode variar, dependendo das condições climáticas, do tipo de praga ou patógeno e da variedade da planta aromática utilizada. Além disso, a integra- ção bem-sucedida dessas práticas em sistemas de cultivo convencionais pode exi- gir mudanças na gestão agrícola e na educação dos agricultores (HABER, 2013). As hortaliças aromáticas, como a hortelã, o manjericão e o alecrim, emitem odores que podem repelir pragas de jardim, como pulgões, moscas-brancas e ácaros. Estas plantas liberam compostos voláteis que perturbam os sentidos das pragas, afastando-as da área de cultivo. Isso pode reduzir a necessidade de pesti- cidas químicos e, assim, minimizar o impacto ambiental e a exposição a resíduos tóxicos nos alimentos. 1 9 1 À medida que a agricultura sustentável e a preocupação com o uso responsável de pesticidas crescem, o uso de hortaliças aromáticas está se tornando uma prática mais comum. A pesquisa continua a investigar novas variedades e métodos de aplicação para maximizar os benefícios dessas plantas no controle de pragas e patógenos. Além disso, a educação dos agricultores sobre as vantagens dessas práticas está se expandindo, promovendo uma agricultura mais saudável e equilibrada. Em resumo, o uso de hortaliças aromáticas como uma estratégia de controle bio- lógico é uma abordagem promissora para reduzir o uso de pesticidas químicos na agricultura, promovendo sistemas mais sustentáveis e benéficos para o meio ambiente. Com uma compreensão aprofundada dos compostos voláteis e das propriedades antimicrobianas dessas plantas, os agricultores podem aproveitar os benefícios das hortaliças aromáticas para proteger suas culturas de pragas e patógenos, de forma mais natural e eficaz. PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANCS) Diversidade Nutricional e Alimentar As PANCs apresentam uma riqueza de nutrientes e sabores que, muitas vezes, são subexplorados. Elas podemcomplementar nossa dieta com uma ampla gama de nutrientes, como vitaminas, minerais e antioxidantes, que são cruciais para a saúde humana. Por exemplo, plantas, como a ora-pro-nóbis e a bertalha são ricas em proteínas, enquanto o jambu e a azedinha são repletos de vitamina C. Incorporar PANCs em nossa alimentação amplia a gama de sabores e texturas disponíveis, tornando-a mais atraente e diversificada (LIBERATO et al., 2019). Sustentabilidade e Resiliência O cultivo de PANCs pode contribuir, significativamente, para a sustentabilidade agrícola. Muitas dessas plantas são adaptadas a diferentes condições climáticas e de solo, reduzindo a necessidade de insumos químicos e recursos hídricos. Além disso, a diversidade de PANCs pode aumentar a resistência de sistemas agríco- UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 las a pragas e doenças, diminuindo a dependência de monoculturas suscetíveis (LORENZI; KINUPP, 2014). Cultivo Futuro de PANCs O cultivo de PANCs, como hortaliças, no futuro, requer uma abordagem cuidadosa e estratégica. Aqui, estão algumas considerações-chave (LORENZI; KINUPP, 2014): Existem, no entanto, desafios significativos a serem superados no cultivo futuro de PANCs (LIBERATO et al., 2019): 1 ACEITAÇÃO DO CONSUMIDOR Convencer os consumidores a adotarem PANCs pode ser um desafio, especialmente quando estas plantas são desconhecidas ou vistas como "fora do padrão". 2 DISPONIBILIDADE DE SEMENTES A disponibilidade de sementes e mudas de PANCs pode ser limitada. Estabelecer bancos de germoplasma e incentivar a produção de sementes é fundamental. 3 REGULAMENTAÇÕES E NORMAS Muitos lugares, as PANCs não são regulamentadas ou reconhecidas nas normas ali- mentares, o que pode dificultar seu cultivo e sua comercialização. 4 CONHECIMENTO E CAPACITAÇÃO É necessário treinamento adequado para agricultores sobre o cultivo de PANCs, in- cluindo práticas de manejo e colheita. 5 PROMOÇÃO E MARKETING A criação de mercados para PANCs requer esforços de marketing e promoção para destacar seus benefícios nutricionais e culinários. 1 9 8 6 IDENTIFICAÇÃO E SELEÇÃO ADEQUADA É crucial identificar e selecionar PANCs apropriadas para a região, levando em conta as condições climáticas e de solo. As plantas nativas, geralmente, têm uma vantagem adaptativa. 7 CONHECIMENTO TRADICIONAL E MODERNO O conhecimento tradicional sobre o cultivo e uso de PANCs é valioso e deve ser preservado. Ao mesmo tempo, a pesquisa moderna pode aprimorar as práticas de cultivo e a compreensão dos benefícios nutricionais. 8 MANEJO SUSTENTÁVEL O manejo sustentável das PANCs envolve a aplicação de práticas agrícolas orgânicas que reduzem o impacto ambiental, a rotação de culturas para manter a saúde do solo e o uso eficiente de recursos, como água e fertilizantes. Isso garante que o cultivo seja, ecologicamente, responsável e, economicamente, viável a longo prazo. 9 EDUCAÇÃO E PROMOÇÃO Educar agricultores e consumidores sobre os benefícios das PANCs é fundamental. Promover o consumo de PANCs em restaurantes, mercados e na indústria alimentícia pode aumentar sua aceitação e demanda. 10 POLÍTICAS DE APOIO Políticas governamentais que incentivam o cultivo de PANCs, como subsídios e regu- lamentações favoráveis, podem impulsionar a sua adoção e crescimento. UNIASSELVI 1 9 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Em conclusão, o cultivo de PANCs, como hortaliças, no futuro, oferece oportuni- dades significativas para promover a diversificação alimentar, a sustentabilidade agrícola e a resiliência alimentar. Para atingir seu pleno potencial, é necessário um esforço conjunto que envolva agricultores, pesquisadores, reguladores e consu- midores. O reconhecimento do valor das PANCs e sua integração na agricultura e dieta globais podem contribuir para um futuro mais saudável e sustentável (LORENZI; KINUPP, 2014). Assista, agora, ao conteúdo referente à sua aula. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO NOVOS DESAFIOS O cultivo de plantas condimentares é essencial na agricultura mundial, mas en- frenta desafios que exigem inovação e adaptação dos produtores. Uma das preo- cupações primordiais é a necessidade de adotar técnicas de manejo sustentável, superando a dependência de agrotóxicos prejudiciais ao solo e à biodiversidade. A busca por um cultivo com menos agrotóxicos é urgente, devido à crescente conscientização dos consumidores sobre os riscos à saúde. Pequenos produtores, por sua vez, sentem a pressão para migrar para outros setores, devido à falta de incentivos econômicos e à dificuldade de acesso a mercados. Em alguns casos, a falta de conhecimento sobre o cultivo de certas plantas condimentares é um obstáculo, especialmente para espécies menos difundidas. A automatização de processos também se mostra desafiadora, dada a com- plexidade das etapas de cultivo e o processamento, que, muitas vezes, requerem toque humano especializado. A falta de maquinário adaptado contribui para a dependência do trabalho manual, afetando a eficiência. 1 1 1 Em resumo, o cultivo de plantas condimentares enfrenta desafios multifacetados, desde a adoção de práticas sustentáveis até a redução do uso de agrotóxicos, a pressão sobre pequenos produtores e a necessidade de pesquisa e educação. Enfrentar esses desafios exige uma abordagem holística que promova práticas agrícolas sustentáveis, educação e valorização dessas plantas em nossa cultura alimentar global. Os engenheiros agrônomos enfrentam desafios essenciais no contexto do cultivo de plantas condimentares, para assegurar sua produção sustentável: ■ Liderar a adoção de práticas agrícolas sustentáveis. ■ Reduzir a dependência de agrotóxicos. ■ Preservar a saúde do solo e a biodiversidade. ■ Pesquisar e desenvolver métodos orgânicos de cultivo e na criação de tecnologias específicas para plantas condimentares. ■ Buscar soluções de automação para melhorar a eficiência e a produtividade. ■ Educar e capacitar produtores rurais, disseminando conhecimento sobre as melhores práticas de cultivo e manejo. A assistência técnica é crucial para solucionar problemas relacionados a pragas, doenças e cultivo, garantindo a qualidade das plantas condimentares. Outro desafio importante é reter pequenos produtores na produção de plantas condi- mentares, especialmente, diante da pressão para migrar para outros setores ou cultivos em grande escala. Engenheiros agrônomos podem explorar modelos de negócios alternativos para tornar a produção mais lucrativa e sustentável para os agricultores. Por meio de pesquisa contínua e da inovação, eles também contribuem para desenvolver variedades mais resistentes e eficazes de plantas condimentares. Em resumo, estes profissionais desempenham um papel vital na promoção da pro- dução sustentável de plantas condimentares, garantindo sua disponibilidade na culinária e na medicina tradicional em todo o mundo. UNIASSELVI 1 1 1 1. As plantas alimentícias não convencionais (PANCs) têm despertado um interesse crescente nos últimos anos, devido à sua promessa de diversificar a oferta de alimentos, promover a sustentabilidade agrícola e aumentar a resiliência alimentar em face das mudanças cli- máticas. As PANCs são espécies vegetais que não fazem parte da agricultura industrial convencional, mas que possuem potencial alimentício e nutricional valioso. Eles abrem caminho para uma agricultura mais diversificada e sustentável, enquanto oferecem solu- ções para desafios alimentares globais (LORENZI; KINUPP, 2014). Não é exemplo de plantas alimentícias não convencionais (PANCs): a) Alface. b) Hortelã. c) Alecrim. d) Capim pé de galinha. e) Camomila. 2. As hortaliças condimentares desempenham um papel importante na culinária, proporcio- nando uma ampla gama de sabores e aromas que enriquecem as refeições. Elas podem ser usadas frescas, secas, em pó ou como parte de misturas de temperos, dependendo da receita e das preferênciasregionais. Além disso, muitas hortaliças condimentares também têm benefícios para a saúde, devido aos seus compostos bioativos (HABER; CLEMENTE, 2013). Não são características que destacam hortaliças condimentares das demais hortaliças: a) Aroma e sabor distintivos. b) Produção de compostos bioativos. c) Fácil cultivo. d) Longa história de uso. e) Restrição no uso culinário. AUTOATIVIDADE 1 1 1 3. O cultivo de hortaliças condimentares e aromáticas varia em função da espécie, contudo existem algumas necessidades básicas importantes para o sucesso do cultivo em geral (HABER; CLEMENTE, 2013): Sobre a necessidade do solo das hortaliças condimentares, analise a afirmativa a seguir e selecione a afirmação correta. a) A maioria destas plantas prosperam em solos bem drenados. b) Um solo rico em matéria orgânica não fornece os nutrientes essenciais para o desen- volvimento das plantas. c) Um solo compactado permite que as raízes se desenvolvam livremente, facilitando a absorção de nutrientes e água. d) O pH do solo não influencia no desenvolvimento das plantas. e) Solos mal drenados estimulam o desenvolvimento radicular. AUTOATIVIDADE 1 1 1 REFERÊNCIAS DUMKE, D. et al. Guia de cultivos em pequenos espaços: hortaliças, plantas medicinais, aromáticas, condimentares e PANC. Bento Gonçalves, RS: IFRS; Valinhos, SP: Bueno Teixeira, 2022. FILGUEIRA, F. A. R. Novo manual de olericultura: Agrotecnologia moderna na produção e com- ercialização de hortaliças. Viçosa: UFV, 2000. 402 p. HABER, L. L.; CLEMENTE, F. M. V. T. (ed.). Plantas Aromáticas e Condimentares: uso aplicado na horticultura. Brasília, DF: Embrapa, 2013. 152 p. LIBERATO, P. da S.; DE LIMA, D. V. T.; DA SILVA, G. M. B. PANCs - Plantas alimentícias não conven- cionais e seus benefícios nutricionais. Environmental Smoke, v. 2, n. 2, p. 102-111, 2019. LORENZI, H.; KINUPP, V. F. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2014. 1 1 4 1. D. Plantas alimentícias não convencionais são plantas que, geralmente, estão na natureza, mas não são consideradas alimentares, como é o caso do capim pé de galinha. 2. E. Uma das características mais marcantes das hortaliças condimentares é a versatilidade do uso em preparações culinárias doces e salgadas, por isso, a opção E está incorreta, restrição culinária não é uma característica das hortaliças condimentares. 3. A. Apenas a alternativa A está correta. As alternativas de B a E demonstram características que afetam, negativamente, o desenvolvimento das plantas. GABARITO 1 1 5 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 8 unidade 1 Introdução ao estudo da olericultura Classificação das hortaliças Planejamento e instalação de horta unidade 2 O mercado e a comercialização das hortaliças Introdução ao cultivo de hortaliças herbáceas Introdução ao cultivo de hortaliças bulbares unidade 3 Introdução ao cultivo de hortaliças tuberosas Introdução ao cultivo de hortaliças-fruto Introdução ao cultivo de hortaliças condimentares _Hlk146535086 _Hlk146609373 Button 28: Forms - Uniasselvi:ciclo. No entanto, a produção de hortaliças usando sementes só é realizada em plantas onde ainda não existe viabilidade de cultivo por meio da propagação vegetativa. Esta, usando plan- tas saudáveis, que apresente determinadas características mais adequadas ao mercado, apresenta maior viabilidade para o produtor de hortaliças e diversas outras espécies vegetais. No caso das hortaliças, características, como mais tempo de prateleira, são indis- pensáveis para a maioria das espécies. Hortaliças, como pepino, tomate e melão são largamente produzidas usando o processo de enxertia, garantindo a multi- plicação de plantas com características desejáveis para o produtor. Por exemplo, a produção de tomates que, por longos anos, causou prejuízos aos agricultores, em virtude da murcha-bacteriana, com as variedades enxertadas, foi possível produzir tomates em larga escala com baixo índice de perdas. Leia o artigo do pesquisador da Embrapa, em publicação na Revista SEED News, destacando os desafios e as oportunidades do setor de produção de sementes no Brasil. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO 1 1 A enxertia é usada visando transferir determinadas características de uma espécie para outra, principalmente na transferência de resistência a determinadas doenças de solo, geralmente, causadas por bactérias e nematoides. O processo de enxertia consiste na união de partes vegetativas de duas plantas compatíveis, onde uma possui características de resistência ou produtividade superior. No entanto, a propagação de hortaliças também tem sido motivo de estudos para a criação de novas variedades e cultivares, que sejam apresentadas em campo com garantia de sucesso. Este é um trabalho realizado por instituições públicas e privadas em programas de melhoramento genético de plantas, resultado da modificação na composição genética da planta, em que são trabalhados aspectos de genética, botâ- nica e biotecnologia. Por fim, o resultado desses processos possibilita aos agricultores menos perdas e produtos de melhor qualidade para o mercado. O mercado de hortaliças O mercado da comercialização de hortaliças é formado por segmentos, onde estão presentes as hortaliças produzidas no modelo tradicional, as orgânicas e as derivadas da agricultura familiar. Como a produção de hortaliças acontece em pequenas e grandes propriedades, o cultivo de hortaliças gera abundância de empregos e movimenta o mercado intensamente. Com o aumento da produção, o baixo custo e a oferta elevada, o consumo também aumentam. Com isso, o mercado expande cada vez mais, fato que pode ser confirmado quando observamos as prateleiras de vegetais nos mercados. O consumo de horta- liças, assim como das frutas, aumenta à medida que a população se torna consciente dos benefícios para a saúde e a qualidade de vida. Fator este desencadeado a partir do momento em que as redes sociais começaram a crescer e a presença de médicos e nutricionistas tornou-se uma influência na busca por uma alimentação saudável. Estudante, assista a este vídeo para saber que a pesquisadora da Embrapa apresenta uma nova variedade de batata-doce roxa. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Além disso, à medida que a população mundial cresce, os alimentos que se de- senvolvem mais rápido e são produzidos em grande escala, como as hortaliças, tornando-se cada vez mais prioritários no mercado. 10 Bilhões: o que tem para comer? No filme, temos um panorama da preocupação mundial com a distribuição de alimentos. Com o aumento da população mun- dial, que deve atingir dez bilhões até 2050, o filme apresenta um olhar analítico sobre o enorme espectro da produção e a distribuição global de alimentos. INDICAÇÃO DE FILME Portanto, plantas de ciclo curto, além de garantir alta rentabilidade e retorno econômico rápido, são, também, as principais fontes de nutrientes para grande parte da população de baixa renda. Em alguns Estados do Brasil, uma porção de coentro pode ser comercializada por menos de R$ 1,00, e 1 kg de batata-doce pode ser encontrada por até R$ 2,00. Assim, podemos contar com as hortaliças em um mundo em constante crescimento. 1 1 NOVOS DESAFIOS Segundo o que discutimos nesta introdução à Olericultura, é importante que você compreenda como funciona o mercado das hortaliças no Brasil e como o engenheiro agrônomo pode atuar nesse mercado em expansão. Diante do exposto, você precisa compreender as características gerais desse mercado e ter esse conhecimento como base para os próximos capítulos. Olericul- tura é um segmento da Agronomia e Fitotecnia que tem recebido elevados investi- mentos em pesquisa para desenvolver plantas cada vez mais adequadas ao mercado. Para atuar nesse mercado que gera milhares de empregos ao longo dos anos, é importante conhecer os principais aspectos das culturas, seus sistemas de pro- dução e compreender a relação entre a teoria e a prática. Assista, agora, ao conteúdo referente à sua aula. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO UNIASSELVI 1 1 AUTOATIVIDADE 1. O Agronegócio é formado por todas as atividades agrícolas e pecuárias, incluindo as empresas agrícolas. O Agronegócio abastece, de maneira regular e a preços decres- centes, o mercado brasileiro e de outros países, de alimentos e de outros produtos agropecuários (PINTO, 2006). Fonte: PINTO, L. C. G. O crescimento recente do agronegócio brasileiro. Embrapa 50, 2006. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publica- cao/121461/o-crescimento-recente-do-agronegocio-brasileiro. Acesso em: 16 jun. 2023. Buscando compreender o atual cenário da agricultura no Brasil sobre o Agronegócio, assinale a alternativa correta. a) A diversidade climática dificulta o cultivo da maioria das hortaliças. b) O sucesso do agronegócio deve-se, exclusivamente, à exportação de hortaliças. c) O Agronegócio gera emprego e renda para a população da região, auxiliando no de- senvolvimento regional. d) Desmatamento para a expansão da fronteira agrícola não prejudica os recursos na- turais. e) Hortaliças não fazem parte do Agronegócio. 2. Hortaliças não são apenas uma referência à salada nossa de cada dia. Saborosas e refrescantes, existem diversos tipos de hortaliças, refrescante, doce, neutra. São várias as sensações. Em virtude dessas diferenças, as hortaliças são classificadas em grupo (LUENGO et al., 1999). Fonte: LUENGO, R. F. A. et al. Classificação de hortaliças. Brasília: Embrapa-DF, 1999. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/774206/ classificacao-de-hortalicas. Acesso em: 12 jun. 2023. Em relação à classificação das hortaliças, analise as afirmativas a seguir: I - Folhosas: alface, couve e salsa. II - Frutos: batata inglesa e melão. III - Tubérculos: berinjela e pepino. IV - Bulbos: cenoura e alface. É correto o que se afirma em: 1 4 AUTOATIVIDADE a) I, apenas. b) II e IV. c) III e IV. d) I, II e III. e) I, II, III e IV. 3. Os canteiros são volumes de terra levantados para o cultivo de algumas hortaliças mais frágeis, como o coentro. Canteiros são extremamente úteis quando se trata de hortaliças de crescimento inicial lento, além de evitar o acúmulo de água entre as plantas (ARAÚJO NETO, 2020). Fonte: ARAÚJO NETO, P. R. de. Preparo de canteiros para cultivo de hortaliças. Te- resina: Embrapa-PI, 2020. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bits- tream/item/219557/1/PreparoCanteirosCultivoHortalicas.pdf. Acesso em: 19 jun. 2023. A respeito da escolha do local da instalação dos canteiros, analise as afirmativas: I - O local deve ser de fácil acesso, próximo à fonte de água e sombreado durante todo o dia. II - Próximo de fonte de água de boa qualidade, plano e afastado de fossas. III - Fácil acesso, ensolarado e ricoem matéria orgânica. IV - Terreno inclinado, solo raso e próximo de fonte de água. É correto o que se afirma em: a) I e IV. b) II e III. c) III e IV. d) I, II e III. e) II, III e IV. 1 5 REFERÊNCIAS AMARO, G. B. et al. Recomendações técnicas para o cultivo de hortaliças em agricul- tura familiar - Embrapa Hortaliças. Circular Técnica, 47. Brasília: Embrapa-DF, 2007. Dispo- nível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/781607/recomen- dacoes-tecnicas-para-o-cultivo-de-hortalicas-em-agricultura-familiar. Acesso em: 15 jun. 2023. BRAINER, M. S. C. P. Produção de Hortaliças na área de atuação do BNB. Caderno Setorial EDENE, Fortaleza, a. 6, n. 180, 2021. Disponível em: https://www.bnb.gov.br/s482-dspace/ bitstream/123456789/902/1/2021_CDS_180.pdf. Acesso em: 17 jun. 2023. IBGE. PIB cresce 1,9% no 1º trimestre de 2023. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noti- cias/releases/37029-pib-cresce-1-9-no-1-trimestre-de-2023. Acesso em: 12 jun. 2023. MELO, P. C. T. de; ARAÚJO, T. H. de. Olericultura: planejamento da produção do plantio à comercialização. Curitiba: SENAR-PR, 2016. 1v. Disponível em: https://sistemafaep.org.br/ wp-content/uploads/2021/05/PR.0315-Olericultura-Planejamento-da-Producao_web.pdf. Acesso em: 23 abr. 2023. PUIATTI, M. Olericultura: a arte de cultivar hortaliças. Viçosa: UFV-MG, 2019. Disponível em: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQYx3qLNL2ahFwbZfNuLVovRg- jJTFyrv_pyr6OeDA5p&s. Acesso em: 15 jun. 2023. 1 1 1. Opção C. O Agronegócio gera emprego e renda para a população da região, auxiliando no desenvolvimento regional. Assim, a alternativa C correta porque são as características da atuação do Agronegócio nas regiões onde se encontra em desenvolvimento. A diversidade climática não é um empecilho para a produção no agronegócio, o sucesso do Agronegócio é originário de vários fatores e várias culturas, as hortaliças fazem parte do mercado, junto a diversas outras culturas; o desmatamento independentemente da finalidade altera o meio ambiente e a disponibilidade de recursos naturais, e as hortaliças, assim como as frutas e os cereais fazem parte da cadeia do agronegócio. 2. Opção A. II - Frutos: batata inglesa (hortaliça-tubérculo) e melão (hortaliça-fruto); III - Tubérculos: berinjela (hortaliça-fruto) e pepino (hortaliça-fruto); e IV - Bulbos: cenoura (hortaliça-tuberosa) e alface (hortaliça-folhosa). 3. Opção B. O local de instalação de um canteiro deve ser de fácil acesso, plano, solo pro- fundo, próximo à fonte de água de boa qualidade, ensolarado, rico em matéria orgânica e distante de fossas. GABARITO 1 1 MINHAS METAS CLASSIFICAÇÃO DAS HORTALIÇAS Compreender a importância da classificação das hortaliças. Identificar as características dos diferentes grupos de hortaliças. Diferenciar os tipos de hortaliças. Conhecer a taxonomia botânica das hortaliças. Compreender a classificação técnica das hortaliças. Reconhecer a importância dos diferentes grupos de hortaliças. Analisar os impactos econômicos da classificação das hortaliças. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2 1 8 INICIE SUA JORNADA A segurança alimentar da população brasileira é também marcada pela presença constante das hortaliças. Produzidas, principalmente, por agricultores familiares, elas e suas diversidades já fazem parte da mesa do brasileiro. Fáceis de cultivar, utilizando-se de pequenas áreas e produzindo em curto espaço de tempo, estas plantas tornaram-se, ao longo dos anos, uma importante alternativa alimentar. De um lado, fonte de renda, do outro, fonte de nutrientes, e a popularidade crescente das hortaliças deve-se, principalmente, à diversidade de espécies e culti- vares. Folhas, flores e as demais partes das hortaliças são, geralmente, aproveitadas nos mais diversos tipos de receitas. O aproveitamento integral dos alimentos e as dietas veganas têm colaborado também para o sucesso das hortaliças no mercado. Ricas em nutrientes e água, fácil de plantar e de ser colhida, assim são as hortaliças. No entanto, esta diversidade botânica criou a necessidade de se classificar estas plantas. As classificações são diversas, aqui, consideramos as classificações em grupos segundo as características botânicas e daremos ênfase, também, na classi- ficação comercial, como a realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Você compreende a importância de classificar as hortaliças? VAMOS RECORDAR? Compreendendo os aspectos gerais da classificação das hortaliças, daremos continuidade aos estudos, convidando você, estudante, a conhecer o artigo in- titulado “Recomendações técnicas para o cultivo de hortaliças em agricultura fa- miliar”, de autoria de um grupo de pesquisadores da Empresa Brasileira de Agro- pecuária (Embrapa). Neste artigo, são abordados os principais tópicos que tratam da produção de hortaliças no âmbito da agricultura familiar, principal agente pro- dutor de hortaliças em território nacional. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. Neste Podcast, você compreenderá os impactos econômicos do processo de classificação das hortaliças. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Ainda considerando a referência citada anteriormente, no que diz respeito à classifi- cação comercial, por que nem todas as hortaliças se encaixam nos mesmos grupos? PENSANDO JUNTOS DESENVOLVA O SEU POTENCIAL A classificação das hortaliças acontece em virtude de fatores, como a diversidade botânica e os aspectos econômicos. Abordaremos, inicialmente, a classificação realizada pela Embrapa (2007), considerando as partes comestíveis. Posterior- mente, usaremos a classificação taxonômica, citada por Melo e Araújo (2016) no caderno técnico do SENAR-PR. E não menos importante, citamos a classificação do ponto de vista comercial, citado no Manual de Classificação de Frutas e Hor- taliças da CEASA-DF (2022). Classificar as hortaliças quanto às suas características taxonômicas é fun- damental no meio acadêmico e científico, porém o profissional Engenheiro Agrônomo também precisa conhecer as hortaliças, segundo as classificações comerciais, mesmo que não apresentem um fundamento puramente científico. Consulte o caderno técnico da Embrapa. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO 1 1 CONCEITUANDO E CLASSIFICANDO AS HORTALIÇAS Compreender os diferentes tipos de hortaliças e saber como as identificar é parte importante do processo de produção delas. Além disso, o profissional deve en- tender o que são as hortaliças, de maneira conceitual e prática. Portanto, relembramos que as hortaliças são plantas comestíveis, cultivadas e utilizadas na alimentação humana. São ricas em nutrientes essenciais, como vitami- nas, minerais e fibras, e desempenham um papel importante em uma dieta saudável. No grupo das hortaliças, podem ser incluídos uma variedade de vegetais, como folhas verdes, raízes, tubérculos, legumes e frutas. Elas podem ser con- sumidas cruas, cozidas, em saladas, sopas, sucos e em uma variedade de pratos culinários. E são estes diferentes tipos de vegetais que necessitam ser classificados para facilitar o processo produtivo e o consumo (BRAINER, 2021). De acordo com Melo e Araújo (2016), as hortaliças são agrupadas segundo ca- racterísticas, como parentesco e semelhanças, ou seja, a principal classificação é realizada conforme as características botânicas. Para fins de classificação, são usados, principalmente, órgãos vegetativos e reprodutivos. Portanto, para os profissionais, olericultores e técnicos, a classificação é reali- zada, principalmente, com base em características que se agrupam em unidades taxonômicas. Veja a seguir o Quadro 1: UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2FAMÍLIA Grupo de plantas com gêneros similares. GÊNERO Grupo de espécies similares. ESPÉCIE Grupo de indivíduos muito semelhantes entre si. VARIEDADE OU CULTIVAR Grupo de plantas na mesma espécie com caracterís- ticas marcadamente diferentes. Quadro 1 - Classificação com base em características que se agrupam em unidades taxonômicas Fonte: Melo e Araújo (2016). São muitos elementos que diferenciam uma hortaliça de outra, por exemplo, a cebola pertence à família Amaryllidaceae, gênero Allium e espécie Allium cepa L. No entanto o alho pertence ao mesmo gênero, mas se encontra em outra espécie, ou seja, muitas hortaliças são semelhantes, mas pertencem a grupos diferentes (KIIL et al., 2007). Para Puiatti (2019), o processo de classificação das plantas consiste em agru- par indivíduos que apresentam características em comum. Logo, classificar uma planta de hortaliça ou um grupo torna-se uma tarefa simples, ao longo do período de trabalho do profissional técnico. Além disso, existem manuais técnicos com a função de agrupar as espécies, identificando e catalogando informações geradas a respeito delas, como o Manual da Embrapa (LUENGO et al., 2006). VOCÊ SABE RESPONDER? Por que é importante classificar as hortaliças? 1 1 Portanto, compreender a morfologia, a fisiologia e o ciclo das hortaliças é fator impor- tante no processo produtivo e na tomada de decisões, na produção e no pós-colheita. Tipos Comuns de Hortaliças Existem vários tipos comuns de hortaliças que podem ser facilmente encontrados em supermercados e feiras. São grupos de plantas cultivados, localmente, em canteiros e hortas regionais (AMARO, 2007). Os principais grupos de hortaliças produzidos no Brasil são classificados conforme descrito a seguir, sendo esta a classificação técnica mais usada pelas Centrais de Abastecimento (CEASAs): FOLHOSAS Estas hortaliças têm folhas verdes e são ricas em nutrientes. Neste grupo, incluem-se alface, espinafre e rúcula. RAÍZES São hortaliças, com raízes comestíveis e são uma boa fonte de carboidratos. Exemplos incluem cenoura, beterraba e rabanete. CRUCÍFERAS Estas hortaliças pertencem à família Brassicaceae e são conhecidas por suas propriedades anticancerígenas. Ex- emplos incluem brócolis, couve-flor e repolho. LEGUMES São hortaliças ricas em proteínas e fibras. Exemplos in- cluem feijão, ervilha e lentilha. BULBOSAS Estas hortaliças têm uma parte bulbosa que é consumida. Exemplos incluem cebola, alho e alho-poró. FRUTOS Tomate, pepino, abobrinha e berinjela são exemplos de hor- taliças frutos. Embora sejam considerados frutos, botanica- mente, são consumidos como hortaliças e são versáteis em diferentes preparações culinárias. Quadro 2 - Principais grupos de hortaliças produzidos no Brasil / Fonte: Ceasa (2022). Além dos grupos principais, as hortaliças também podem ser classificadas em sub- grupos, os quais são categorias mais específicas dentro de cada grupo. Por exemplo, no grupo das folhosas, existem subgrupos, como alface-crespa, alface-americana e rúcula selvagem. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 No grupo das raízes, há subgrupos, como cenoura-roxa, beterraba dourada e nabo-japonês. Esses subgrupos ajudam a identificar as diferentes variedades de hortaliças e suas características específicas. Conhecer os subgrupos também pode ser útil na hora de escolher quais hortaliças cultivar ou comprar, segundo as preferências do mercado (NASCIMENTO, 2015). No entanto, de acordo com Amaro et al. (2007, p. 2), “a classificação das hortaliças pode ser um pouco mais extensa”, dividindo-a em oito grupos específicos: Hortaliças-folhosas: alface, almeirão, agrião, espinafre, couve, cebolinha, salsa, rúcula. Hortaliças-flores: couve-flor, couve, brócolis. Hortaliças-frutos: berinjela, jiló, abóbora, quiabo, chuchu, tomate, pimentão, pepino. Hortaliças-tubérculos: batata; cará. Hortaliças-raízes: cenoura, beterraba, rabanete, nabo, batata-doce. Hortaliças-bulbos: cebola, alho; hortaliças-rizomas: inhame. Hortaliças-hastes: aspargo, aipo ou salsão. Hortaliças-condimentos: cebolinha, coentro, pimenta, salsa, manjericão, hortelã. Quadro 3 - Classificação das hortaliças em oito grupos / Fonte: Amaro et al. (2007). 1 4 Classificação das Hortaliças por Família Botânica Além dos diferentes tipos de hortaliças, também podemos classificá-las por fa- mília. Isso significa que algumas hortaliças têm características semelhantes e pertencem à mesma família botânica. Alguns exemplos de famílias de hortaliças (PUIATII, 2019) incluem: Assista ao vídeo e entenda mais sobre as principais hortaliças produzidas no Brasil. Acesse o link. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO SOLANÁCEAS Incluem vegetais, como tomate, batata, pimentão e berinjela. Estas hortaliças são conhecidas por suas frutas suculentas, saborosas e ricas em vitaminas e minerais, e muitas delas contêm compostos antioxidantes. CRUCÍFERAS OU BRASSICACEAE Incluem vegetais, como brócolis, couve-flor, repolho e rúcula. Estas hortaliças são ricas em nutrientes, possuem sabor característico, sendo conhecidas por seus benefícios para a saúde, incluindo propriedades anticancerígenas. APIÁCEAS Incluem vegetais, como cenoura, salsa, aipo e funcho. Estas hortaliças têm um aroma e um sabor distintos e são, frequentemente utilizadas como temperos. Além disso, são ricas em vitaminas e minerais, e muitas delas têm propriedades diuréticas e digestivas. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Portanto, essas são apenas algumas das famílias botânicas que podem ser usadas para classificar as hortaliças. Conhecer a classificação das hortaliças pode auxiliar na escolha e na combinação de diferentes tipos de hortaliças, antes do plantio. CUCURBITÁCEAS Incluem vegetais, como abóbora, melão, pepino e abobrinha. Estas hortaliças têm uma textura suculenta e são ótimas para adicionar em saladas e pratos refrescantes. ASTERACEAE Também conhecida como família das margaridas, inclui hortaliças, como alface, chicória e alcachofra. Essas hortaliças são ricas em fibras e vitaminas, e algumas delas têm propriedades antioxidantes. LILIÁCEAS Inclui cebola, alho e alho-poró. Estas hortaliças possuem propriedades antibac- terianas e antiinflamatórias. 1 1 Classificar as hortaliças é parte essencial no processo de melhoramento genético e na criação de novas cultivares. Além disso, conhecer cada grupo facilita a tomada de decisões no pós-colheita, reduzindo as perdas. VOCÊ SABE RESPONDER? Diante do que estudamos até agora, como você classificaria as hortaliças que fizeram parte da sua refeição hoje? Quantas hortaliças você consumiu hoje? Qual o seu grupo preferido? Folhosas? Tuberosas? Classificação Comercial e Pós-colheita Já vimos que as hortaliças são classificadas de acordo com suas características e, ainda, segundo as partes comestíveis. No entanto, quando o alimento é levado para comercialização, ele recebe uma classificação técnica, muito bem descrita no livro da CEASA-DF, intitulado Guia de Frutas e Hortaliças Comercializadas na CEASA-DF. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO Expressões, como tomate-extra e batata de primeira, são termos comuns nas feiras de todo o Brasil, sendo esta a classificação mais popular que conecta pro- fissionais e consumidores. Essas denominações são usadas pelos comerciantes para determinar o preço dos produtos. Por exemplo, os produtos classificados como extra, especial e primeira são considerados de melhor qualidade e, ge- ralmente, custam mais caros. No entanto, se um produto é classificado como de segunda, por exemplo, ele possui o mesmo valor nutricional que um de primeira, mas possui menor valor comercial por ter características, como deformações ou manchas (BOTREL, 2023). Portanto, uma classificação comercial no pós-colheita é tão importante quanto a classificação taxionômica, por determinar ovalor de mercado do produto, ou seja, de determinada hortaliça. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 O tempo de prateleira é fator determinante na valorização comercial das hor- taliças, visto que uma hortaliça, como a batata, o inhame e a mandioca podem ficar expostos à refrigeração por alguns dias. Por outro lado, hortaliças folhosas, como alface e a rúcula, precisam de refrigeração adequada para sua conservação. Todos estes fatores contribuem para a valorização de determinado produto no mercado. Que todas as hortaliças são perecíveis é um fato, mas que determinado grupo é mais perecível é uma realidade que ainda requer estudos e pesquisas para melhorar as condições no pós-colheita. Portanto, o profissional que trabalha com hortaliça deve compreender bem a fisiologia destas no pós-colheita para evitar perdas. De acordo com Rosa et al. (2018), além dos conhecimentos atualmente aplicados, muitos estudos estão sen- do desenvolvidos na criação de tecnologia pós-colheita, como a rastreabilidade e o revestimento comestível. Como classificar, corretamente, as hortaliças Para classificar, corretamente, as hortaliças, é importante conhecer os principais grupos e subgrupos. Primeiro, deve-se identificar o grupo ao qual a hortaliça per- tence, como folhosas, raízes, frutos, bulbos, entre outros. Em seguida, dentro de cada grupo, procurar pelos subgrupos específicos. Por exemplo, no grupo das folhosas, você pode encontrar subgrupos, como alface-crespa, alface-americana e rúcula-selvagem. Já no grupo das raízes, há subgrupos, como cenoura-roxa, beterraba-dourada e nabo-japonês. Essa classificação ajuda a entender as variedades de hortaliças e suas carac- terísticas únicas. Ao conhecer os subgrupos, você poderá fazer escolhas mais informadas ao cultivar ou comprar hortaliças, de acordo com suas preferências e suas necessidades (NASCIMENTO, 2015). Manuseio, danos mecânicos e contaminação são as principais causas de per- das da produção de hortaliças. Assista ao vídeo sobre os cuidados no cultivo de frutas e hortifrútis e como evitar perdas. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO 1 8 Plantar Saber - Horta Didática na Escola O filme mostra a relação interdisciplinar do trabalho com hor- tas, envolvendo a educação, a saúde, o meio ambiente e a ali- mentação. De forma simples e lúdica, o documentário é apre- sentado por professores e estudantes. A Universidade Federal Rural do Semiárido criou o docu- mentário Plantar Saber - Horta Didática na Escola, lançado em 2016. O filme completo encontra-se disponível, gratuita- mente, no YouTube. INDICAÇÃO DE FILME Cada hortaliça pertence a determinado grupo, com características específicas, por isso, conhecê-los requer estudos, para identificar fatores, como tipo de solo, umidade e condições gerais de campo. Portanto, o profissional que trabalha com hortaliças precisa entender bem da morfologia, da fisiologia e, ainda, dos solos e da nutrição de plantas para encaixar cada grupo de hortaliças em seu devido lugar. Plantar alho e cebola na mesma área é mais fácil do que plantar alho e inhame, visto que são grupos diferentes e que apresentam necessidades e ciclos bem dife- rentes. Portanto, separar as hortaliças segundo as classificações citadas é essencial para o sucesso da produção. Como armazenar e conservar Hortaliças De acordo com Puiatii (2019), armazenar e conservar hortaliças frescas correta- mente é essencial para garantir sua qualidade e prolongar seu tempo de prateleira. Aqui estão algumas informações para auxiliar na manutenção das hortaliças frescas por mais tempo: UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 LAVE E SEQUE Antes de armazenar as hortaliças, certifique-se de lavá-las, cuidadosamente, para remover sujeira e resíduos. Em seguida, seque-as, completamente, para evitar o acúmulo de umidade, o que pode levar ao apodrecimento. ARMAZENE NA GELADEIRA A maioria das hortaliças deve ser armazenada na geladeira para manter sua fres- cura. Coloque-as em sacos plásticos perfurados ou em recipientes herméticos para evitar a perda de umidade e as proteger de odores indesejados. SEPARE AS HORTALIÇAS Evite misturar diferentes tipos de hortaliças no mesmo recipiente, pois algumas podem liberar gases que aceleram o processo de amadurecimento e deterioração. Armazene cada tipo de hortaliça, separadamente, para preservar sua qualidade. VERIFIQUE REGULARMENTE Verifique suas hortaliças, regularmente, para remover qualquer peça que esteja começando a apodrecer. Isso ajudará a evitar que o apodrecimento se espalhe para as outras hortaliças. CONGELE AS SOBRAS Se você tiver hortaliças sobrando, considere congelá-las para uso posterior. Lave, corte e realize o branqueamento das hortaliças antes de congelar para preservar sua textura e sabor. Seguindo essas dicas simples, será possível desfrutar de hortaliças frescas e sabo- rosas por mais tempo, reduzindo o desperdício e aproveitando ao máximo seus benefícios nutricionais e vida útil. 4 1 NOVOS DESAFIOS Conhecer as hortaliças e conseguir separá-las em grupos e subgrupos pode ser desafiador para o profissional. No entanto, ao estudar as principais classificações das hortaliças, você compreenderá a dinâmica destes grupos. Ao classificar as hortaliças e as estudar separadamente, como no caso de prestar assessoria técnica em um plantio comercial de tomates, é fundamental aprofundar-se em todas as características desta importante Solanaceae. Assista, agora, ao conteúdo referente à sua aula. Recursos de mídia dis- poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO UNIASSELVI 4 1 AUTOATIVIDADE 1. Entre os diversos tipos de produtos cultivados pelos agricultores familiares, as horta- liças destacam-se, pois, além de enriquecer e complementar a sua dieta, possibilitam um retorno econômico rápido (AMARO, 2007). A respeito da classificação das hortaliças, é correto o que se afirma em: a) Hortaliças-folhosas: alface, tomate e rúcula. b) Hortaliças-frutos: batata-doce, tomate e espinafre. c) Hortaliças-tubérculos: batata e cará. d) Hortaliças-bulbos: batata e alho. e) Hortaliças-flores: alface e brócolis. 2. A classificação das hortaliças é um processo necessário e importante para produto- res e consumidores. O sistema de classificação botânica, realiza o agrupamento das hortaliças segundo o parentesco e as semelhanças entre elas, utilizando-se os órgãos vegetativos e reprodutivos (MELO; ARAÚJO, 2016). Das alternativas descritas a seguir, qual define, corretamente, as características da clas- sificação botânica das hortaliças? a) No sistema de classificação botânica, as hortaliças são agrupadas segundo o paren- tesco e as semelhanças, considerando os órgãos vegetativos e reprodutivos. b) Este sistema é limitado ao Brasil. c) Esta classificação divide as hortaliças em dois grupos taxonômicos muito bem de- finidos. d) Família é a reunião de espécies semelhantes. e) Variedade botânica é o mesmo que gênero. 4 1 AUTOATIVIDADE 3. Compreender os diferentes tipos de hortaliças e saber como identificá-las é parte im- portante do processo de produção destas. As principais classificações tomam como base os aspectos botânicos e comerciais. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação pro- posta entre elas: I - A classificação taxonômica das hortaliças considera quatro elementos principais: fa- mília, gênero, espécie e variedade. PORQUE II - O processo de classificação das plantas consiste em agrupar indivíduos que apresen- tam características em comum. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é justificativa correta da I. c) A asserção I é proposição verdadeira, e a II é proposição falsa. d) A asserção I é proposição falsa, e a II é proposição verdadeira. e) As asserções Ie II são falsas. 4 1 REFERÊNCIAS AMARO, G. B. et al. Recomendações técnicas para o cultivo de hortaliças em agricul- tura familiar - Embrapa Hortaliças. Circular Técnica, 47. Brasília: Embrapa-DF, 2007. Dispo- nível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/781607/recomen- dacoes-tecnicas-para-o-cultivo-de-hortalicas-em-agricultura-familiar. Acesso em: 15 jun. 2023. BOTREL, N. Pós-colheita de hortaliças. Brasília: Embrapa Hortaliças, 1 dez. 2017. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/31380496/pos-colheita-de-hor- talicas. Acesso em: 15 jun. 2023. BRAINER, M. S. C. P. Produção de Hortaliças na área de atuação do BNB. Caderno Setorial EDENE, Fortaleza, a. 6, n. 180, 2021. Disponível em: https://www.bnb.gov.br/s482dspace/ bitstream/123456789/902/1/2021_CDS_180.pdf. Acesso em: 17 jun. 2023. CEASA. Guia de Frutas e Hortaliças Comercializadas na CEASA - DF. Brasília: CEA- SA-DF, 2022. Disponível em: https://www.ceasa.df.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/ Guia-de-variedades-de-frutas-e-hortalicas-comercializados-na-CEASA-DF-banana.pdf. Acesso em: 17 jun. 2023. KIILL, L. H. P. et al. Cultivo da Cebola no Nordeste. Embrapa Semi-Árido. Sistemas de Pro- dução, n. 3. 2007. Disponível em: http://www.cpatsa.embrapa.br:8080/sistema_producao/ spcebola/botanica.htm. Acesso em: 28 jun. 2023. LUENGO, R. F. A. et al. Classificação de hortaliças. Brasília: Embrapa-DF, 1999. 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Pós-colheita e comercialização. Maringá: EDUEM, 2018. p. 489- 526. Disponível em: https://books.scielo.org/id/bv3jx/pdf/brandao-9786586383010-17.pdf. Acesso em: 26 jun. 2023. 4 4 1. Opção C. Batata e beterraba são hortaliças raízes, tuberosas. 2. Opção A. A alternativa B está incorreta porque a principal vantagem deste sistema é que ele é estável e usado no mundo inteiro. A alternativa C está incorreta porque esta classificação divide as hortaliças em quatro unidades taxonômicas: família, gênero, espécie e variedade. A alternativa D está incorreta porque a família é a reunião de gêneros com afinidade. A alternativa E está incorreta porque variedade botânica é o mesmo que cultivar. 3. Opção A. A classificação taxonômica das hortaliças considera quatro elementos principais: família, gênero, espécie e variedade. Portanto, as duas asserções estão corretas porque o processo de classificação das plantas consiste em agrupar indivíduos que apresentam características em comum, ou seja, em uma família são agrupadas plantas com caracte- rísticas semelhantes. Por exemplo, alho e a cebola pertencem à mesma família, a Aliácea, justificável tendo em vista suas semelhanças botânicas e fisiológicas. GABARITO 4 5 MINHAS METAS PLANEJAMENTO E INSTALAÇÃO DE HORTA Compreender os formatos de produção de hortaliças. Reconhecer o planejamento da produção de hortaliças. Identificar os principais aspectos do planejamento e instalação de hortas. Conhecer um software de planejamento de hortas. Analisar as características das áreas de produção. Diferenciar as fases da produção de hortaliças. Compreender o planejamento do cultivo de hortaliças. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3 4 1 INICIE SUA JORNADA Nos últimos anos, observou-se um grande aumento na procura por hortaliças nos mercados de todo o Brasil, causado pela conscientização da população, que passou a compreender a importância do consumo de hortaliças para a saúde. Com o aumento do número de médicos e nutricionistas nas redes sociais, podemos observar uma procura crescente por alimentos frescos e integrais. As hortaliças, são fontes naturais de proteínas, minerais e vitaminas, além de possuírem baixo valor calórico. Portanto, quando o consumo aumenta, é necessário que a produção também aumente. Nesse contexto entra a necessidade do planejamento na produção de hortaliças. Assim, quais aspectos o profissional da Agronomia deve considerar ao planejar a produção de hortaliças? VAMOS RECORDAR? Daremos continuidade relembrando alguns elementos importantes: o cultivo de hortaliças é predisposto à infestação de insetos — pragas e doenças. No en- tanto, quando a implantação das hortas é bem planejada e conduzida, poderá propiciar colheitas com alto rendimento econômico, além de minimizar impac- tos ambientais (ALVES; SEGOVIA, 2011). A produção de alimentos ocupa pouco mais de 30% do território brasileiro, o que é considerado insuficiente pela Organização das Nações Unidas para a Ali- mentação e a Agricultura (Food and Agriculture Oraganization – FAO). Diante da diversidade edafoclimática, espera-se que o Brasil utilize ao menos 40% de seu território para a produção de alimentos. Neste podcast, você é convidado a refletir sobre a importância do planejamento e instalação de hortas, ou seja, trata-se de um guia na produção de hortaliças. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Se a produção de grandes culturas e a criação de animais ocupam áreas extensas e, por vezes, se faz necessária a destruição de grandes áreas de florestas, na olericul- tura, temos a produção em abundância de hortaliças em pequenas áreas e, ainda, se utilizando de áreas improdutivas para outras culturas (AMARO et al., 2007). No entanto, apesar da facilidade de instalação, é necessário preparar o local antes da instalação de uma horta. Algumas características, como a topo- grafia do lugar, poderão impactar diretamente o resultado de um projeto de horta. Assim, destacamos agora os principais aspectos a se considerar antes da implantação de uma horta, ou seja, os elementos de um projeto de horta (MELO, 2016). Portanto, as áreas de produção de hortaliças precisam apresentar caracterís- ticas que facilitem os processos de implantação, manejo, colheita e escoamento da produção, para evitar perdas e prejuízos ao produtor rural. A tecnologia pode auxiliar nessas tomadas de decisões. Por exemplo, Conrado et al. (2011) criaram um software que permite aos profissionais e agricultores a criarem o seu projeto de horta, considerando todas as variáveis que interferem no processo de desenvolvimento de uma horta. PLANEJANDO A INSTALAÇÃO DA HORTA O processo de instalação de uma horta, deve passar inicialmente por um cuida- doso planejamento. No entanto, a atual produção de hortaliças não é realizada de uma única maneira, mas de uma diversidade de sistemas. Inicialmente, trata- remos do sistema de produção tradicional de hortas em canteiros. Escolha do local adequado A escolha do local adequado é um dos primeiros passos para o planejamento da instalação de uma horta. Logo, é importante escolher um local que receba luz solar direta por um período significativo ao longo do dia. Além disso, o local deve ser plano e ter um bom sistema de drenagem, para evitar o acúmulo de água oriunda das chuvas e irrigação. Também é importante considerar a proximidade de uma fonte de água para facilitar a irrigação das plantas no período de estiagem. 4 8 A disponibilidadede espaço e a facilidade de acesso ao local para facilitar os cuida- dos e a colheita das plantas também devem ser avaliadas. Alves e Segovia (2011) des- tacam os seguintes pontos, a respeito da escolha do local para implantação de hortas: TOPOGRAFIA Terrenos planos ou levemente inclinados são os ideais para o plantio de hortaliças. FERTILIDADE DO SOLO Como as hortaliças precisam de solos mais leves e com maior disponibilidade de nutrientes, os solos ricos em matéria orgânica e com baixa acidez são ideais para o plantio de hortaliças. Para determinar a fertilidade do solo, é necessário proceder a análise química deste. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DO SOLO Para o bom desenvolvimento das hortaliças, é importante dar preferência aos so- los de textura média, isto é, que não sejam argilosos nem arenosos. Para ter uma noção rápida e, ainda, em campo, do tipo de solo, basta pegar um pouco do solo e esfregar entre os dedos. Se ficar pegajoso nos dedos, o solo é argiloso; se a sen- sação for de arranhar, o solo é arenoso. No entanto, a melhor maneira de verificar os aspectos físicos do solo é por meio da análise física realizada em laboratório. INSOLAÇÃO As culturas hortícolas precisam de pelo menos 6 horas de sol diariamente. Assim, é recomendável que a área de plantio não seja sombreada e os canteiros sejam dispostos no sentido norte-sul para receber luz durante a maior parte do dia. DISPONIBILIDADE DE ÁGUA A produção de 1 hectare de hortaliças requer cerca de 1 litro por segundo de água. Por isso, será necessário que o ponto de captação de água seja próximo da horta, o que facilita a irrigação nos períodos de estiagem. UNIASSELVI 4 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Após a coleta, as amostras podem ser levadas ao laboratório como simples ou compostas. Em áreas pequenas, é comum usar apenas uma amostra simples, en- quanto, em grandes áreas, são coletadas 10 a 20 amostras, sendo posteriormente misturadas e daí retirada uma amostra que será enviada para análise. Todos esses aspectos devem ser considerados ao escolher um terreno para ins- talar uma horta. O projetista deve ficar atento aos mínimos detalhes que podem impactar a produção de hortaliças (TEIXEIRA, 2017). Para avaliar a fertilidade do solo, deve-se realizar a coleta de amostras e enviar ao laboratório, para análise e posterior recomendação, caso seja necessário. A coleta das amostras deve ser realizada a uma profundidade de até 10 cm, segundo as diferentes características das áreas do terreno, em zigue-zague, conectando as áreas a serem analisadas. Para saber mais, leia o caderno de instruções da Embrapa. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EU INDICO 5 1 Avaliação da disponibilidade de luz solar Antes de começar a instalar sua horta, é essencial avaliar a disponibilidade de luz solar no local escolhido. As plantas precisam de luz solar direta por pelo menos 6 horas por dia para realizar a fotossíntese e crescer saudáveis. Observe se o local recebe luz solar durante grande parte do dia e se não há obstruções, como árvores ou prédios, que possam bloquear a luz. Caso o local não tenha luz solar suficiente, considere a possibilidade de utilizar técnicas de cultivo em ambientes internos, como a utilização de luzes artificiais, como as estufas em ambientes controlados. Preparação do solo Antes de iniciar a instalação da horta, é importante preparar o solo adequada- mente. Certifique-se de remover qualquer tipo de vegetação existente, como grama ou ervas daninhas, para evitar a competição por nutrientes. Hortas Editora: Embrapa Editores técnicos: Gilmar Paulo Henz e Flávia Aparecida de Alcântara Sobre o Livro: você pergunta e a Embrapa responde! Este livro apresenta informações básicas sobre o cultivo das hortaliças. Com este livro, a Embrapa espera popularizar, ainda mais, a produção de hortaliças no Brasil em hortas domésticas, comunitárias e escolares, recuperando uma tradição antiga e o prazer das pessoas de produzir seus próprios alimentos. INDICAÇÃO DE LIVRO Em seguida, é recomendado adicionar matéria orgânica, como composto ou esterco, para enriquecer o solo e melhorar sua fertilidade. Além disso, é impor- tante nivelar o solo e remover quaisquer pedras ou detritos que prejudiquem o crescimento das plantas. Ao preparar o solo corretamente, você cria as condições ideais para o sucesso da sua horta. UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Escolha das plantas adequadas ao clima e ao espaço disponível Ao planejar a instalação de uma horta, é essencial escolher as plantas adequadas ao clima da sua região e ao espaço disponível. Verifique as condições de tempe- ratura, umidade e luminosidade do local onde a horta será instalada. Algumas plantas preferem climas mais quentes e ensolarados, enquanto outras se adaptam melhor a climas mais frios e sombreados. Além disso, considere o espaço disponível para a horta. Se você possui um espaço limitado, opte por plantas que não cresçam muito ou que possam ser cultivadas em vasos. Escolher as plantas certas garantirá que elas se desenvolvam de forma saudável e produtiva. Planejamento da irrigação e drenagem Além de escolher as plantas adequadas, é importante planejar a irrigação e drena- gem da sua horta. A quantidade de água necessária para cada planta pode variar, então, é fundamental garantir que elas recebam a quantidade adequada de água para o seu crescimento saudável (JORGE, 2016). Além disso, deve-se garantir que o solo tenha uma boa drenagem para evitar o acúmulo de água e o apodrecimento das raízes das plantas. Pode-se optar por sistemas de irrigação automatizados ou regar manualmente, mas sempre se certificando de monitorar regularmente a umidade do solo e ajustar a quantidade de água conforme necessário. Planejar a irrigação e a drenagem adequadamente ajudará a manter suas plantas saudáveis e evitar problemas como o apodrecimento das raízes. Dimensionando os canteiros No dimensionamento da horta, o principal são os canteiros, que devem obedecer certas características. De acordo com Alves e Segovia (2011), estes devem ser construídos, seguindo as seguintes orientações: 5 1 • A terra deve ser movimentada, de modo a ficar cerca de 20 cm mais altos que o nível do solo. • Sua largura deve ser em média 120 cm. Já o comprimento é variável, mas não são recomendados canteiros com mais de 100 m de comprimento, para não dificultar a movimentação de máquinas e pessoas. • O espaçamento entre canteiros dependerá das tecnologias, máquinas e im- plementos que serão utilizados. Já em cultivo realizado apenas com utensíli- os manuais, a distância de 1,00 a 1,50 m é suficiente. • No canteiro deve-se manter uma distância de pelo menos 3 cm entre plantas, para evitar sombreamento. Como os canteiros são os elementos centrais de uma horta, estes devem ser pla- nejados e dimensionados de maneira que as culturas ali implantadas produzem em quantidade e qualidade adequadas (ARAÚJO NETO, 2020). Os procedimentos técnicos de implantação de hortas são adotados por pro- fissionais. No entanto, os olericultores na sua grande maioria não buscam o apoio técnico de um profissional, usando apenas o conhecimento transferido de uma geração a outra, sem o uso de recursos tecnológico. Planejamento e Instalação de uma horta hidropônica Desde o início do cultivo de hortaliças em hortas abertas, sempre se buscou métodos e estratégias que pudessem reduzir as perdas e facilitar o manejo. A hidroponia, assim como o cultivo protegido, chegou para mudar essa realidade. Estudante, assista a este vídeo, que mostra como criar canteiros pode ser desa- fiador para profissionais e agricultores. Portanto, conhecer as técnicas básicas é fundamental. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambi- ente virtual de aprendizagem. EU INDICO UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 A hidroponia tornou-se o principal método de produção de hortaliças nos últimos anos. Apesar do custo