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Guia Saude Mental na APS 2023

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<p>Ficha Catalográfica elaborada por: Josélia Pereira Rodrigues – CRB13/918.</p><p>Bibliotecária da Escola de Saúde Pública do Estado do Maranhão</p><p>Maranhão, Secretaria de Estado da Saúde.</p><p>Guia de Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde / Secreta-</p><p>ria de Estado da Saúde do Maranhão; Departamento de Aten-</p><p>ção à Saúde Mental. – São Luís, 2023.</p><p>80 f.</p><p>1. Atenção Primária. 2. Guia. 3. Saúde Mental. I. Título.</p><p>CDU 613.86(058)</p><p>2023. Projeto Participação Social no SUS.</p><p>Esta obra está licenciada com uma Licença</p><p>Creative Commons - Atribuição-Não Comercial – Compartilha Igual 4.0 Internacional.</p><p>É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.</p><p>Elaboração, distribuição e informações: Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão</p><p>Tiragem: 1ª edição – 2023 – 500 exemplares</p><p>Escola de Saúde Pública do Estado</p><p>do Maranhão</p><p>Rua da Estrela, 415 / Rua 28 de Julho</p><p>(do Giz), 312, Centro Histórico -</p><p>São Luís/MA | Brasil</p><p>Telefone: (98) 3232-3233</p><p>escoladesaudepublica.ma@gmail.com</p><p>Secretaria de Estado da Saúde/MA</p><p>Departamento de Atenção à Saúde Mental</p><p>Avenida dos Holandeses, 03, quadra 07,</p><p>Edifício Almere Office, Calhau -</p><p>São Luís/MA | Brasil</p><p>Telefone: (98) 3194- 6219</p><p>dasm.sesma@gmail.com</p><p>Normalização</p><p>Josélia Pereira Rodrigues</p><p>Bibliotecária - ESP/MA</p><p>Revisão</p><p>Maria de Lourdes Carvalho</p><p>Assessora Técnica - ESP/MA</p><p>Projeto gráfico</p><p>Daniele Ramaianne Rocha da Silva</p><p>Designer gráfica – ESP/MA</p><p>ESTADO DO MARANHÃO</p><p>Secretaria de Estado da Saúde</p><p>Departamento de Atenção à Saúde Mental</p><p>Escola de Saúde Pública do Estado do Maranhão</p><p>Guia de Saúde Mental na Atenção</p><p>Primária à Saúde</p><p>São Luís</p><p>2023</p><p>GOVERNADOR DO ESTADO DO MARANHÃO</p><p>Carlos Orleans Brandão Júnior</p><p>Secretário de Estado da Saúde do Maranhão</p><p>Tiago José Mendes Fernandes</p><p>Secretária Adjunta da Política de Atenção Primária e</p><p>Vigilância em Saúde</p><p>Waldeise Pereira</p><p>Superintendente de Atenção Primária à Saúde</p><p>William Vieira Ferreira</p><p>Escola de Saúde Pública do Estado do Maranhão</p><p>Ana Lúcia Nunes – Diretora Administrativa</p><p>Ananda Beatriz Rodrigues Marques – Diretora Científica</p><p>Coordenação Geral</p><p>Isabelle Campos Morais Rêgo de Araújo</p><p>Elaboração</p><p>Arlete Penha Cutrim</p><p>Anize Angela da Silva</p><p>Dilza Neri Correia</p><p>Isabelle Campos Morais Rêgo de Araujo</p><p>Luanna Mendonça Figueiredo Ferreira de Mesquita</p><p>Marcelo Francisco Azevedo de Matos</p><p>Maria das Neves Barros</p><p>Paula Ramos Almeida Penha</p><p>Ronaldo Ferreira Pereira Filho</p><p>Revisão</p><p>Isabelle Campos Morais Rêgo de Araújo</p><p>Patrícia Racquel Pinheiro Santos Galvão</p><p>Maria das Neves Barros</p><p>Marcelo Francisco Azevedo de Matos</p><p>Marluce Oliveira Sá</p><p>Marcos Antônio Barbosa Pacheco</p><p>Paula Ramos Almeida Penha</p><p>Colaboração</p><p>Andrea Carolina Dias Ferreira</p><p>Antônio Gomes Carneiro Júnior</p><p>Arthur Diniz Valente</p><p>Diogo Rafael Gomes Aires (in memorian)</p><p>Gracy Niédja Brandão Silva</p><p>Giselle Silva Dos Santos</p><p>Kátya Cyana Costa Ferreira Tanaka</p><p>Maria Joana Santos Do Lago</p><p>Raissy de Oliveira E Costa</p><p>Talita Raquel Ataide Rodrigues</p><p>Regina Maria Mota Lima</p><p>Rodrigo de Souza Barcelos Barroqueiro (in memorian)</p><p>Fi</p><p>g</p><p>u</p><p>ra</p><p>s Lista de Figuras</p><p>Figura 1 De uma rede hierárquica para uma rede poliárquica. 14</p><p>Figura 2 A metáfora da casa na construção social da APS. 15</p><p>Figura 3 Rede de Assistência Psicossocial (RAPS). 19</p><p>Figura 4 Sinais de sofrimento psíquicos. 21</p><p>Figura 5 Mitos comuns sobre comportamentos suicidas. 28</p><p>Figura 6</p><p>Principais sinais e sintomas em saúde mental na</p><p>infância e adolescência na Atenção Primária à Saúde 33</p><p>Figura 7 Rastreio cognitivo. 40</p><p>Figura 8 Rastreio de alteração de humor. 41</p><p>Figura 9 Entrevistando o usuário e a família. 46</p><p>Figura 10 Etapas de construção do PTS. 48</p><p>Figura 11 Características da escolha de um antidepressivo. 50</p><p>Q</p><p>u</p><p>ad</p><p>ro</p><p>s</p><p>Fl</p><p>u</p><p>xo</p><p>g</p><p>ra</p><p>m</p><p>as</p><p>Q</p><p>u</p><p>ad</p><p>ro</p><p>s Lista de Quadros</p><p>Quadro 1 Principais transtornos mentais encontrados nos</p><p>atendimentos de serviços de saúde. 22</p><p>Quadro 2 Sinais do alcoolismo. 25</p><p>Quadro 3 Perguntas fundamentais para investigação de</p><p>comportamento suicida.</p><p>27</p><p>Quadro 4 Fatores protetores para a infância e adolescência. 36</p><p>Quadro 5 Estratificação de Risco em saúde mental. 45</p><p>Fl</p><p>u</p><p>xo</p><p>g</p><p>ra</p><p>m</p><p>as Lista de Fluxogramas</p><p>Fluxograma 1 Avaliação multidimensional da pessoa idosa:</p><p>Dimensão Psicossocial.</p><p>39</p><p>Fluxograma 2 Considerações sobre a mudança de paradigma</p><p>no modelo de produção de cuidado.</p><p>43</p><p>Fluxograma 3 Fluxo e regulação. 56</p><p>Si</p><p>g</p><p>la</p><p>s&</p><p>A</p><p>b</p><p>re</p><p>v. Lista de abreviaturas e siglas</p><p>ACS - Agente Comunitário de Saúde</p><p>APS - Atenção Primária à Saúde</p><p>CAPS - Centros de Atenção Psicossocial</p><p>CVV - Centro de Valorização da Vida</p><p>DASF - Departamento de Atenção à Saúde da Família</p><p>DASM - Departamento de Atenção à Saúde Mental</p><p>DSM-V - Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais</p><p>ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente</p><p>ESF - Estratégia de Saúde da Família</p><p>NT - Neurotransmissores</p><p>OMS - Organização Mundial de Saúde</p><p>OPAS - Organização Pan-americana de Saúde</p><p>POP - Procedimento Operacional Padrão</p><p>PTS - Projeto Terapêutico Singular</p><p>RAPS - Rede de Atenção Psicossocial</p><p>RAS - Rede de Atenção à Saúde</p><p>REMUME - Relação Municipal de Medicamentos Essenciais</p><p>SES-MA - Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão</p><p>SNC - Sistema Nervoso Central</p><p>SSSM - Serviço de Saúde Mental</p><p>SUS - Sistema Único de Saúde</p><p>TOC - Transtorno obsessivo-compulsivo</p><p>Apresentação</p><p>Há um movimento mundial para o aprimoramento da oferta de servi-</p><p>ços em saúde mental, visando uma atenção qualificada às pessoas com</p><p>condições de saúde mental ou deficiências psicossociais. Entretanto,</p><p>os usuários, por vezes, encontram barreiras de acesso aos serviços, e</p><p>quando conseguem esse acesso, suas necessidades não são atendidas,</p><p>desrespeitando os dispositivos legais e o direito a dignidade, havendo</p><p>a violação e discriminação dentro desse contexto, com práticas desu-</p><p>manas, maus tratos, condições precárias de atendimento e negligência.</p><p>Neste contexto, a Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão (SES-</p><p>-MA), por meio do Departamento de Atenção à Saúde Mental (DASM) e</p><p>em parceria com o Departamento de Atenção à Saúde da Família (DASF),</p><p>pautada no compromisso de implantar e implementar a Política Nacio-</p><p>nal de Saúde Mental que é norteada pelas diretrizes do Sistema Único</p><p>de Saúde (SUS), com base na Lei 10.216/2001 e nas portarias 3088/2011</p><p>e 3588/2017, ratificou a necessidade da elaboração de um Guia de As-</p><p>sistência em Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde (APS). A Aten-</p><p>ção Primária à Saúde (APS) é porta de entrada aos serviços de saúde,</p><p>assim como a ordenadora de cuidados no SUS em todas as redes de</p><p>assistência à saúde, dentre elas a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).</p><p>Este instrumento tem como finalidade nortear os profissionais da</p><p>Atenção Primária do Estado do Maranhão para qualificação e ampliação</p><p>da assistência em Saúde Mental, por meio da implementação de uma</p><p>linha de cuidado em Saúde Mental na Atenção Primária, oferecendo</p><p>subsídios para ofertar um atendimento humanizado com acolhimento,</p><p>diagnóstico e plano de cuidado interprofissional eficiente e resolutivo,</p><p>com uma visão holística do indivíduo em sofrimento, ou com transtor-</p><p>nos mentais leves, além de facilitar a organização do fluxo de assistên-</p><p>cia, com referência e contra referência no encaminhamento entre os</p><p>pontos de atenção da Rede de Atenção Psicossocial, considerando a</p><p>necessidade do usuário e evitando, assim, internações desnecessárias.</p><p>10</p><p>1 Introdução</p><p>Este material visa a construção de um documento norteador para</p><p>uma abordagem equânime, baseada em evidências a fim de padroni-</p><p>zar o atendimento às demandas de Saúde Mental na Atenção Primária</p><p>à Saúde.</p><p>Considerando os dados do Atlas de Saúde Mental da Organização</p><p>Mundial de Saúde (OMS), cerca de 45% da população no mundo reside</p><p>em algum país que disponibiliza menos de um psiquiatra para cada</p><p>100.000 habitantes e com um déficit ainda maior com relação a neu-</p><p>rologistas (WHO, 2014). Diante destas evidências, percebe-se que a de-</p><p>pendência exclusiva de especialistas para o atendimento a indivíduos</p><p>com transtornos neurológicos, mentais ou por uso de substâncias</p><p>Apoio Matricial, para que seja possível sugerir estra-</p><p>tégias para uma adequada e efetiva ação de matriciamento.</p><p>Segundo Chiaverinni (2011), Apoio Matricial ou Matriciamento é um</p><p>novo modo de fazer e produzir saúde, tendo duas ou mais equipes</p><p>criando propostas de intervenção pedagógica-terapêutica, com uma</p><p>construção compartilhada e co-responsabilizada.</p><p>Portanto, falar de apoio matricial, é pensar em uma retaguarda as-</p><p>sistencial, é suplantar a perspectiva de encaminhamento comparti-</p><p>mentalizado, fragmentado e passar a uma prática compartilhada que</p><p>proporciona uma ação mais resolutiva da equipe, com um foco nas re-</p><p>ais necessidades do usuário.</p><p>Tendo em vista este dado, o apoio matricial se faz extremamente</p><p>necessário para um diálogo entre Atenção Básica e a saúde mental,</p><p>considerando que, ao lançar mão de um recurso tão importante, há</p><p>uma perspectiva da horizontalização do cuidado, saindo do foco do</p><p>especialista para uma organização da rede com base na comunicação</p><p>ativa, pautado no compartilhamento de conhecimentos e saberes, pen-</p><p>sando de fato na inter e transdisciplinaridade.</p><p>Assim, conforme afirma o Ministério da Saúde,</p><p>Apoiar equipes é intervir com elas em processos de trabalho,</p><p>não transmitindo supostos saberes prontos, mas em uma rela-</p><p>ção de solidariedade e cumplicidade com os agentes das práti-</p><p>cas. Apoiar é produzir analisadores sociais e modos de lidar com</p><p>a emergência de situações problemáticas das equipes para sair</p><p>da culpa e da impotência frente à complexidade dos desafios do</p><p>cotidiano da saúde. Apoiar é construir rodas para o exercício da</p><p>análise, cujo efeito primeiro é a ampliação da grupalidade entre</p><p>aqueles que estão em situação de trabalho (BRASIL, 2010b, p. 9).</p><p>57</p><p>O apoio matricial é, portanto, uma forma de apoiar institucional-</p><p>mente, de dar suporte técnico e especializado às equipes da Atenção</p><p>Primária com foco na clínica ampliada, no cuidado humanizado e inte-</p><p>gral, qualificando e ampliando o campo de ação destas equipes, tendo</p><p>o matriciador papel ativo no processo, incluindo a construção do Pro-</p><p>jeto Terapêutico Singular.</p><p>O profissional de referência técnica para matriciamento proporcio-</p><p>na, assim, uma retaguarda especializada do processo assistencial. Por</p><p>isso é um processo de transformação do cuidado ao usuário (CHIAVERI-</p><p>NI, 2011). Funciona na perspectiva de compartilhamento das situações</p><p>que se apresentam no território, considerando todas as contingências</p><p>envolvidas, de forma corresponsável por cada caso. Pode realizar-se</p><p>através de supervisões clínicas, intervenções conjuntas, atendimentos</p><p>conjuntos, além de capacitação.</p><p>É importante ter uma estruturação de como conduzir o apoio matricial</p><p>e um roteiro a ser seguido. Cabe destacar que esse roteiro é um norte-</p><p>ador para prática, mas deve ser considerada a singularidade de cada</p><p>caso, de cada pessoa, de cada equipe. Destaca-se aqui, a relevância da</p><p>estruturação do Projeto Terapêutico Singular, para organização de toda a</p><p>história do paciente, bem como metas relacionadas ao cuidado:</p><p>• Motivo do matriciamento;</p><p>• Informações claras sobre o usuário, família, o contexto e território;</p><p>• Problema manifestado no momento do atendimento;</p><p>• Visão familiar e da rede de apoio acerca do contexto do problema;</p><p>• História do problema atual;</p><p>• Início e fator desencadeante;</p><p>• Principais sintomas;</p><p>• Evolução da queixa;</p><p>• Intervenções biopsicossociais;</p><p>• Compartilhamento do caso;</p><p>• Configuração familiar e rede de apoio;</p><p>• História social e vida social atual (incluindo participação em</p><p>grupos e instituições);</p><p>• Situação econômica;</p><p>58</p><p>• Efeitos do caso na equipe multidisciplinar;</p><p>• Formulação diagnóstica multiaxial.</p><p>Com base no exposto, é importante mencionar que a equipe de apoio</p><p>matricial ou seu técnico de referência precisa adotar uma postura éti-</p><p>ca, sem julgamentos, apontando os pontos que precisam qualificação,</p><p>mas, principalmente, destacando os pontos fortes da equipe multipro-</p><p>fissional, considerando especialmente os pontos que envolvem auto-</p><p>nomia e clareza técnica no cuidado humanizado ao usuário. É impor-</p><p>tante que haja sempre a discussão acerca do diagnóstico, pois, com</p><p>base nisso, serão estabelecidas as estratégias de cuidado. Lembrando</p><p>que este diagnóstico deve ser sempre contextualizado, considerando a</p><p>história de vida pregressa e atual do usuário.</p><p>O trabalho de apoio matricial reforça que os processos de trabalho</p><p>não são estáticos e enrijecidos, que se deve considerar a singularida-</p><p>de dos sujeitos, as especificidades de cada caso, as contingências que</p><p>permeiam os envolvidos e as situações analisadas, ampliando assim, a</p><p>compreensão, a qualificação e a capacidade de intervenção das equi-</p><p>pes (CHIAVERINI, 2011).</p><p>Na atuação prática do matriciamento, têm-se diversas possibilida-</p><p>des como reuniões, discussão de casos. Além das intervenções conjun-</p><p>tas, que incluem as visitas domiciliares e atendimentos conjuntos. Tem</p><p>que se pensar na qualificação das equipes que compõem a Atenção</p><p>Primária, incluindo a temática da saúde mental, considerando que es-</p><p>tas equipes são as responsáveis pelo primeiro contato com o usuário</p><p>e, para além disso, com a continuidade e integralidade do cuidado. A</p><p>interconsulta é, portanto, um dos principais recursos do matriciamen-</p><p>to, que se constitui em uma ação colaborativa entre profissionais de</p><p>diferentes especialidades, com diferentes visões e saberes, visando a</p><p>integralidades do entendimento e do cuidado, e que envolvem discus-</p><p>são de casos, consultas conjuntas, visitas domiciliares ou outro recurso</p><p>necessário ao completo entendimento do caso do usuário e o cuidado</p><p>a ele (CHIAVERINI, 2011).</p><p>A consulta conjunta, como mencionado, faz parte da interconsulta, é</p><p>uma técnica de apoio matricial, de cunho técnico-pedagógico, pois se</p><p>trata da reunião dos profissionais de diferentes especialidades, o pa-</p><p>ciente e, quando necessário, representantes de sua rede de apoio, para</p><p>59</p><p>um atendimento conjunto, com objetivo maior de resolver demandas</p><p>relacionadas ao cuidado integral ao usuário, esclarecendo pontos des-</p><p>se cuidado e levantamento de estratégias necessárias à continuidade</p><p>do cuidado, traçando o projeto terapêutico singular (CHIAVERINI, 2011).</p><p>Cabe destacar que essa consulta conjunta não deve inserir muitos</p><p>atores, para não sobrecarregar o atendimento, dificultando o atingi-</p><p>mento do objetivo supracitado. Embora a consulta conjunta deva res-</p><p>peitar as especificidades do caso e a singularidade do sujeito, pode-se</p><p>pensar em algumas etapas, de forma a nortear o processo:</p><p>• Contato com a equipe para informar o que será feito, compar-</p><p>tilhar o planejamento e esclarecer sobre os objetivos desse</p><p>atendimento;</p><p>• Discutir, quando possível, o caso que será atendido;</p><p>• Explicar ao usuário e rede de apoio (quando necessário), o mo-</p><p>tivo desse atendimento e esclarecer possíveis dúvidas e novas</p><p>condutas;</p><p>• Solicitar autorização do próprio usuário para realização dessa</p><p>modalidade de atendimento;</p><p>• Realizar a consulta propriamente dita, sendo iniciada pela equi-</p><p>pe da Estratégia de Saúde da Família (ESF), com a inserção gra-</p><p>dativa do profissional matriciador como interconsultor. O con-</p><p>dutor deve ser o profissional da ESF;</p><p>• Discutir uma conduta compartilhada na ausência do paciente,</p><p>onde o matriciador deve ouvir as propostas de intervenções da</p><p>equipe, para posteriormente, fazer sugestões e/ou correções</p><p>necessárias. Todos os envolvidos deverão participar da defini-</p><p>ção da conduta e não o matriciador isoladamente;</p><p>• Organizar e planejar a revisão e avaliação do andamento do</p><p>projeto terapêutico singular do usuário. A periodicidade dessas</p><p>avaliações deve considerar, dentre outras questões, a gravidade</p><p>de cada caso;</p><p>• Em caso de necessidade de encaminhamento do usuário para aten-</p><p>ção especializada, não invalida o acompanhamento do caso pela</p><p>APS, considerando que o usuário é pertencente àquele território.</p><p>Por fim, é de extrema relevância mencionar o papel do Agente Comu-</p><p>nitário de Saúde (ACS) no processo do cuidado integral</p><p>na APS, e, por-</p><p>tanto, deve ser extremamente valorizado e escutado em todo processo</p><p>60</p><p>de planejamento, execução e avaliação do cuidado ao usuário em seu</p><p>território. Este profissional é um elo entre o usuário, comunidade e</p><p>equipe assistencial, com caráter integrador. O ACS tem a possibilidade</p><p>de estabelecer vínculo com o usuário, pois é o profissional que man-</p><p>tém uma relação ainda mais próxima, direta e contínua com o usuário</p><p>e, por isso, auxilia no estabelecimento de vínculo entre usuários, famí-</p><p>lias e serviços.</p><p>61</p><p>62</p><p>Referências</p><p>AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION – APA. Manual diagnóstico e es-</p><p>tatístico de transtornos mentais [recurso eletrônico]: DSM-5. Tradução</p><p>de Maria Inês Corrêa Nascimento et al.; Revisão técnica de Aristides</p><p>Volpato Cordioli et al. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.</p><p>ANDRADE, Arthur Guerra de. Alcoolismo: sintomas, diagnóstico e trata-</p><p>mentos. In: Minha Vida, out., 2022. Disponível em: https://www.minhavi-</p><p>da.com.br/saude/temas/alcoolismo. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA – ABP. Suicídio: informando</p><p>para prevenir. Brasília: Conselho Federal de Medicina - CFM, 2014.</p><p>BRASIL. Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da</p><p>Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF, 1990.</p><p>Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm.</p><p>Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Lei Nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as con-</p><p>dições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organiza-</p><p>ção e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras pro-</p><p>vidências. Brasília, DF, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Lei Nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a par-</p><p>ticipação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS)</p><p>e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros</p><p>na área da saúde e dá outras providências. Brasília, DF, 1990. Disponível</p><p>em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm. Acesso em: 15</p><p>dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 344, de 12 de maio de 1998.</p><p>Aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos su-</p><p>jeitos a controle especial. Brasília, DF, 1998. Disponível em: https://bvs-</p><p>ms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt2528_19_10_2006.html.</p><p>Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Lei Nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção</p><p>e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redire-</p><p>ciona o modelo assistencial em saúde mental. Brasília, DF, 2001. Dispo-</p><p>63</p><p>nível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.</p><p>htm. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Núcleo Técnico da</p><p>Política Nacional de Humanização. Humaniza SUS: acolhimento com</p><p>avaliação e classificação de risco: um paradigma ético-estético no fazer</p><p>em saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. (Série B. Textos Básicos</p><p>de Saúde).</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Confederação Nacional dos Transportes.</p><p>Alcoolismo. Brasília, DF, 2004. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.</p><p>br/alcoolismo/. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 2.528 de 19 de outubro de</p><p>2006. Aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Brasília,</p><p>DF, 2006. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/</p><p>gm/2006/prt2528_19_10_2006.html. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 4.279, de 30 de dezembro de</p><p>2010. Estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à</p><p>Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, DF, 2010.</p><p>Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/</p><p>prt4279_30_12_2010.html. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para a atenção integral</p><p>à saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em situação de vio-</p><p>lências: orientação para gestores e profissionais de saúde. Brasília: Mi-</p><p>nistério da Saúde, 2010a. (Série F. Comunicação e Educação em Saúde).</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política</p><p>Nacional de Humanização. Formação e intervenção. Brasília: Ministério</p><p>da Saúde, 2010b. (Série B. Textos Básicos de Saúde) (Cadernos Huma-</p><p>niza SUS; v. 1).</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 3.088, de 23 de dezembro de</p><p>2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofri-</p><p>mento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso</p><p>de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saú-</p><p>de (SUS). Brasília, DF, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/</p><p>bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html. Acesso em: 15</p><p>dez. 2022.</p><p>BRASIL. 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Dis-</p><p>ponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/</p><p>prc0002_03_10_2017.html. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação Nº 3, de 28 de</p><p>setembro de 2017. Consolidação das normas sobre as redes do Sistema</p><p>Único de Saúde. Brasília, DF, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.</p><p>gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0003_03_10_2017.html.html. Acesso</p><p>em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação Nº 4, de 28</p><p>de setembro de 2017. Consolidação das normas sobre os sistemas</p><p>e os subsistemas do Sistema Único de Saúde. Brasília, DF, 2017. Dis-</p><p>ponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/</p><p>prc0004_03_10_2017.html. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação Nº 5, de 28</p><p>de setembro de 2017. Consolidação das normas sobre as ações e os</p><p>serviços de saúde do Sistema Único de Saúde. Brasília, DF, 2017. Dis-</p><p>ponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/</p><p>prc0005_03_10_2017.html. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação Nº 6, de 28 de</p><p>setembro de 2017. Consolidação das normas sobre o financiamento e a</p><p>transferência dos recursos federais para as ações e os serviços de saú-</p><p>de do Sistema Único de Saúde. Brasília, DF, 2017. Disponível em: https://</p><p>bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0006_03_10_2017.</p><p>html. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 3.588, de 21 de dezembro de 2017.</p><p>Altera as Portarias de Consolidação no 3 e nº 6, de 28 de setembro de</p><p>2017, para dispor sobre a Rede de Atenção Psicossocial, e dá outras provi-</p><p>65</p><p>dências. Brasília, DF, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/</p><p>saudelegis/gm/2017/prt3588_22_12_2017.html. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. 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Acesso em: 22 dez. 2022.</p><p>68</p><p>Apêndices 69</p><p>Apêndice A</p><p>RAPS DO MARANHÃO</p><p>SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL NO MARANHÃO POR REGIÃO DE SAÚDE</p><p>Região De Saúde Município Serviço</p><p>Açailândia Açailândia CAPS II</p><p>Buriticupu CAPS II</p><p>Bacabal Bacabal CAPS IJ</p><p>CAPS II</p><p>São Luis Gonzaga CAPS I</p><p>Vitorino Freire CAPS I</p><p>Balsas Balsas CAPS III</p><p>Riachão CAPS I</p><p>Formosa Da Serra</p><p>Negra</p><p>CAPS I</p><p>Barra Do Corda Barra Do Corda CAPS II</p><p>Grajaú CAPS II</p><p>Caxias</p><p>Caxias</p><p>CAPS III</p><p>CAPS AD</p><p>CAPS INFANTIL</p><p>Coordenação Municipal</p><p>De Saúde Mental</p><p>Coelho Neto</p><p>CAPS I</p><p>CAPS AD</p><p>Aldeias Altas CAPS I</p><p>São João Do Sóter CAPS I</p><p>SRT</p><p>Chapadinha Chapadinha CAPS II</p><p>Codó Codó CAPS II</p><p>Coroatá CAPS II</p><p>70</p><p>São Mateus CAPS I</p><p>Timbiras CAPS I</p><p>Imperatriz Amarante do Ma CAPS I</p><p>Campestre</p><p>do Maranhão</p><p>CAPS I</p><p>Imperatriz CAPS III</p><p>CAPS ADIII</p><p>CAPS INFANTIL</p><p>SRT</p><p>Coordenação Municipal</p><p>De Saúde Mental</p><p>Ambulatório De Saúde</p><p>Mental</p><p>João Lisboa CAPS I</p><p>Estreito CAPS I</p><p>Porto Franco CAPS I</p><p>Itapecuru Arari CAPS I</p><p>Miranda do Norte CAPS I</p><p>Vitória do Mearim CAPS I</p><p>Anajatuba CAPS I</p><p>Pedreiras Esperantinópolis CAPS I</p><p>Lago da Pedra CAPS I</p><p>Lima Campos CAPS I</p><p>Pedreiras</p><p>CAPS II</p><p>CAPS AD</p><p>Trizidela do Vale AMBULATÓRIO</p><p>Poção de Pedras CAPS I</p><p>Pinheiro Cururupu CAPS I</p><p>Pedro do Rosário CAPS I</p><p>Guimarães CAPS I</p><p>Mirinzal CAPS I</p><p>Pinheiro CAPS II</p><p>71</p><p>Coordenação Municipal</p><p>De Saúde Mental</p><p>Presidente Dutra Dom Pedro Caps I</p><p>Presidente Dutra CAPS I</p><p>Santo Antonio dos</p><p>Lopes</p><p>CAPS I</p><p>São Domingos do</p><p>Maranhão</p><p>CAPS I</p><p>Tuntum CAPS I</p><p>Coordenação De Saúde</p><p>Mental Municipal</p><p>Joselândia CAPS I</p><p>Capinzal do Norte CAPS I</p><p>Rosário Icatu CAPS I</p><p>Bacabeira CAPS I</p><p>Barreirinhas CAPS I</p><p>Rosário CAPS I</p><p>Santa Rita CAPS I</p><p>Santa Inês Alto Alegre</p><p>do Pindaré</p><p>CAPS I</p><p>Bom Jardim CAPS I</p><p>Santa Inês CAPS II</p><p>São João Dos Patos Colinas CAPSI</p><p>Pastos Bons CAPS I</p><p>Mirador CAPS I</p><p>São João dos Patos CAPS I</p><p>Buriti Bravo CAPS I</p><p>Passagem Franca CAPS III</p><p>São Luís Alcântara Caps I</p><p>Paço Do Lumiar CAPS II</p><p>São José de</p><p>Ribamar</p><p>CAPS II</p><p>Raposa CAPS I</p><p>72</p><p>São Luís Ambulatório FARINA</p><p>Ambulatório Clodomir</p><p>Pinheiro Costa</p><p>CAPS AD Municipal</p><p>CAPS II Municipal</p><p>CAPS Infantil Municipal</p><p>SRT 1 FILIPINHO</p><p>SRT 2 Jardim São</p><p>Cristóvão</p><p>SRT 3 Jardim São</p><p>Cristovão</p><p>SRT 4 Olho Dágua</p><p>Coordenação Municipal</p><p>De Saúde Mental</p><p>Hospital Nina</p><p>Rodrigues</p><p>Caps AD Estadual</p><p>Caps III Estadual</p><p>SRT1 Estadual - Monte</p><p>Castelo</p><p>SRT2 Estadual - Monte</p><p>Castelo</p><p>SRT3 Estadual - Paço</p><p>do Lumiar</p><p>Unidade de Acolhimento</p><p>- Cohab</p><p>Timon Parnarama Caps II</p><p>Matões CAPS I</p><p>Timon Coord. Municipal Saúde</p><p>Mental</p><p>CAPS II</p><p>CAPS Infantil</p><p>CAPS AD</p><p>Viana Matinha Caps I</p><p>Palmeirândia CAPS I</p><p>73</p><p>Penalva CAPS I</p><p>São Bento CAPS I</p><p>São João Batista CAPS I</p><p>São Vicente Férrer CAPS I</p><p>Olinda Nova CAPS I</p><p>Viana CAPS I</p><p>Zé Doca Gov. Nunes Freire Caps I</p><p>Zé Doca CAPS II</p><p>74</p><p>Apêndice B</p><p>Medicamentos Cadastrados No Sismental</p><p>Lista Dos Medicamentos Dispensados Na Raps Padronizados No Sismental</p><p>Medicamento / Concentração / Classe Terapêutica /</p><p>Forma Farmacêutica</p><p>Ac. Valpróico 500mg (Anticonvulsivante/Antidepressivo) comp</p><p>Ácido Valpróico CR 300mg comp (Anticonvulsivante/Antidepressivo)</p><p>Ácido Valpróico 250mg cápsulas (Anticonvulsivante)</p><p>Alprazolam 0,25mg comp (tratamento ansiedade)</p><p>Alprazolam 0,5mg comp (tratamento ansiedade)</p><p>Alprazolam 1mg comp (tratamento ansiedade)</p><p>Alprazolam 2mg comp (tratamento ansiedade)</p><p>Amitriptilina 25mg (Antidepressivo)Comp</p><p>Amitriptilina 75mg (Antidepressivo)Comp</p><p>Aripiprazol 10mg/comp (tratamento da esquizofrenia)</p><p>Aripiprazol 15mg/comp (tratamento da esquizofrenia)</p><p>Aripiprazol 20mg/comp (tratamento da esquizofrenia)</p><p>Aripiprazol 30mg/comp (tratamento da esquizofrenia)</p><p>Biperideno Sol. Injetável 5mg/ml (Antipsicótico) Ampola 1ml</p><p>Biperideno 2mg (Antipsicótico) Comp</p><p>Bromazepam 3mg comp (tratamento ansiedade)</p><p>Bromazepam 6mg comp (tratamento ansiedade)</p><p>Bupropiona 150mg (Antidepressivo/Antitabagismo) Comp</p><p>Carbamazepina Susp. Oral 2,5mg/ml (Anticonvulsivante/Antidepressivo)</p><p>Frasco</p><p>Carbamazepina 200mg (Anticonvulsivante/Anticonvulsivo)Comp</p><p>Carbamazepina 400mg Comp(Anticonvulsivante)</p><p>Carbonato de Lítio 300 mg comp(antidepressivo)</p><p>Carbonato de Lítio 450 mg comp(antidepressivo)</p><p>Citalopram 20mg/comp(depressão,pânico,fobia social e TOC)</p><p>Clobazam 10mg comp(ansiolítico, sedativo e hipnótico)</p><p>75</p><p>Clobazam 20mg comp(ansiolítico, sedativo e hipnótico)</p><p>Clomipramina (cloridrato) 25 mg comp (ansiolítico/antidepressivo)</p><p>Clonazepam Solução Oral 2,5 mg/ml frasco (ansiolítico/anticonvulsivante)</p><p>Clonazepam 0,25 mg comp sub lingual (ansiolítico/anticonvulsivante)</p><p>Clonazepam 0,5 mg comp (ansiolítico/anticonvulsivante)</p><p>Clonazepam 1 mg/comp (ansiolítico/anticonvulsivante)</p><p>Clonazepam 2 mg comp (ansiolítico/anticonvulsivante)</p><p>Cloridrato de Amantadina 100mg comp (antiparksoniano)</p><p>Cloridrato de Duloxetina 30mg/comp (antidepressivo, analgésico para</p><p>fibromialgia e ansiolítico)</p><p>Cloridrato de Memantina 10mg comp (tratamento da doença de Alzeimer)</p><p>Cloridrato de Tioridazina 100mg comp (tratamento da esquizofrenia)</p><p>Cloridrato de Trazodona 50mg/comp (antidepressivo)</p><p>Clorpromazina (cloridrato) 100 mg comp (antipsicótico)</p><p>Clorpromazina (cloridrato) 40 mg/ml Sol. Oral gotas (antipsicótico)</p><p>Clorpromazina (cloridrato) 5 mg Sol. Injetável ampola c/5ml (antipsicótico)</p><p>76</p><p>Medicamento/Concentração/Classe Terapêutica/Forma Farmacêutica</p><p>Clorpromazina 25mg comp (antipsicótico)</p><p>Clozapina 100mg comp(antiesquizofrênico)</p><p>Clozapina 25mg comp(antiesquizofrênico)</p><p>Desvenlafaxina 100mg/comp(antidepressivo)</p><p>Desvenlafaxina 50mg/comp(antidepressivo)</p><p>Diazepam 10 mg ampola c/2 ml(ansiolítico/anticonvulsivante)</p><p>Diazepam 10 mg comp(ansiolítico/anticonvulsivante)</p><p>Diazepam 5 mg comp(ansiolítico/anticonvulsivante)</p><p>Dissulfiram 250mg comp(alcoolismo)</p><p>Divalproato de Sódio 250mg comp(tratamento de episódios de mania as-</p><p>sociados com transtornos afetivos bipolares.)</p><p>Divalproato de Sódio 500mg comp(tratamento de episódios de mania as-</p><p>sociados com transtornos afetivos bipolares.)</p><p>Duloxetina 60mg cápsulas(antidepressivo)</p><p>Escitalopram 10mg Comp(depressão,pânico,fobia social e TOC)</p><p>Escitalopram 15mg Comp(depressão,pânico,fobia social e TOC)</p><p>Escitalopram 20mg Comp(depressão,pânico,fobia social e TOC)</p><p>Escitalopram 20mg/ml Gotas(depressão,pânico,fobia social e TOC)</p><p>Fenitoína Sódica 250 mg ampola c/5 ml(anticonvulsivante)</p><p>Fenitoína Suspensão oral 20mg/ml frasco(anticonvulsivante)</p><p>Fenitoína 100 mg comp(anticonvulsivante)</p><p>Fenobarbital Sódico 100 mg/ml ampola c/2 ml(anticonvulsivante)</p><p>Fenobarbital Solução Oral 40mg/ml frasco(anticonvulsivante)</p><p>Fenobarbital 100 mg comp(anticonvulsivante)</p><p>Fluoxetina (cloridrato) 10 mg cápsula(antidepressivo) Yes</p><p>Fluoxetina (cloridrato) 20 mg cápsula(antidepressivo)</p><p>Fluoxetina (cloridrato) 20mg/ml FR 20ml</p><p>Gabapentina 300mg comp(anticonvulsivante e analgésico)</p><p>Gabapentina 400mg comp(anticonvulsivante e analgésico)</p><p>Haloperidol Decanoato 70,52 mg/ml inj amp 1ml</p><p>Haloperidol 1 mg comp(antipsicótico)</p><p>77</p><p>Haloperidol 2 mg/ml Sol. Oral (gotas) frasco(antipsicótico)</p><p>Haloperidol 5 mg comp(antipsicótico)</p><p>Haloperidol 5 mg/ml Sol. Injetável ampola c/1 ml(antipsicótico)</p><p>Hemitartarato de Zolpidem 10mg/comp(hipnótico)</p><p>Hemitartarato de Zolpidem 12,50mg/comp(hipnótico)</p><p>Hemitartarato de Zolpidem 5mg/comp(hipnótico)</p><p>Hemitartarato de Zolpidem 6,25mg/comp(hipnótico)</p><p>Imipramina (cloridrato) 25 mg comp(antidepressivo)</p><p>Lamotrigina 100mg comp(antiepilético)</p><p>Lamotrigina 25mg comp(antiepilético)</p><p>Lamotrigina 50mg comp(antiepilético)</p><p>Levomepromazina gotas 40mg/ml Fr 15ml(sedativo)</p><p>Levomepromazina 100 mg comp(sedativo)</p><p>Levomepromazina 25 mg comp(sedativo)</p><p>Lorazepam 1mg comp(ansiolítico)</p><p>Lorazepam 2mg comp(ansiolítico)</p><p>Metilfenidato (cloridrato) 10 mg comp(antidepressivo) 78</p><p>Medicamento / Concentração / Classe Terapêutica / Forma Farmacêutica</p><p>Midazolam 15mg comp (benzodiazepínico)</p><p>Mirtazapina 15mg/comp(antidepressivo)</p><p>Mirtazapina 30mg comp(antidepressivo)</p><p>Naltrtexona 50mg comp(alcoolismo)</p><p>Nicotina 14 mg Adesivo Transdérmico (antitabagismo)</p><p>Nicotina 21 mg Adesivo Transdérmico (antitabagismo)</p><p>Nicotina 7 mg Adesivo Transdérmico (antitabagismo)</p><p>Nortriptilina (cloridrato) 25 mg cápsula(antidepressivo)s</p><p>Nortriptilina (cloridrato) 50mg cápsula(antidepressivo)</p><p>Nortriptilina (cloridrato) 75mg cápsula(antidepressivo)</p><p>Odansetrona 8mg/comp desintegração oral (Tratamento de náuseas e</p><p>vômitos)</p><p>Olanzapina 10mg Comp (antipsicótico)</p><p>Olanzapina 2,5mg Comp (antipsicótico)</p><p>Olanzapina 5mg Comp (antipsicótico)</p><p>Oxcarbazepina 300mg Comp(antiepiléptico)</p><p>Oxcarbazepina 6% Susp. Oral FR c/100ml(antiepiléptico)</p><p>Oxcarbazepina 600mg Comp(antiepiléptico)</p><p>Paroxetina 12,5 mg comp(antidepressivo)</p><p>Paroxetina 20mg comp(antidepressivo)</p><p>Periciazina 10 mg Comp(antipsicótico)</p><p>Periciazina 40 mg/ml Solução Oral (gotas) frasco(antipsicótico)</p><p>Pregabalina 150mg/comp(anticonvulsivo e antiepilético)</p><p>Pregabalina 75mg/comp(anticonvulsivo e antiepilético)</p><p>Prometazina (cloridrato) 25 mg/ml Inj amp 2ml (anti histamínico)</p><p>Prometazina 25 mg Comp(anti histamínicoco)</p><p>Quetiapina 100mg comp(esquizofrenia)</p><p>Quetiapina 200mg comp(esquizofrenia)</p><p>Quetiapina 25mg comp(esquizofrenia)</p><p>Quetiapina 50mg comp(esquizofrenia)</p><p>Aripiprazol 15mg/comp(tratamento da esquizofrenia)</p><p>79</p><p>Aripiprazol 20mg/comp(tratamento da esquizofrenia)</p><p>Risperidona (cloridrato) 1mg comp(antipisicótico)</p><p>Risperidona (cloridrato) 2 mg comp(antipsicótico)</p><p>Risperidona (cloridrato) 3mg comp(antipisicótico)</p><p>Risperidona (Sol. Oral) FR 30 ml(antipisicótico)</p><p>Sertralina 100mg comp(antidepressivo)</p><p>Sertralina 25mg comp(antidepressivo)</p><p>Sertralina 50 mg comp(antidepressivo)</p><p>Topiramato 100 mg comp(antiepilético)</p><p>Topiramato 25mg comp(anti epiléptico)</p><p>Topiramato 50mg comp(anti epiléptico)</p><p>Fluloxetina 60mg/comp(antidepressivo, analgésico para fibromialgia e</p><p>ansiolítico)</p><p>Valproato de Sódio 300mg/comp(antiepilético)</p><p>Valproato de Sódio 500mg/comp(antiepilético)</p><p>Venlafaxina 150 mg Cápsulas(tratamento depressão/ansiedade)</p><p>Venlafaxina 37,5 mg Comp(tratamento depressão/ansiedade)</p><p>Venlafaxina 50 mg Comp(tratamento depressão/ansiedade)</p><p>80</p><p>Título</p><p>Autor</p><p>Capa</p><p>Projeto Gráfico</p><p>Editorial</p><p>Formato</p><p>Páginas</p><p>Tipografia</p><p>Fotos</p><p>Vetores</p><p>Edição</p><p>Guia de Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde</p><p>Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão</p><p>Daniele Ramaianne Rocha da Silva</p><p>Daniele Ramaianne Rocha da Silva</p><p>Escola de Saúde Pública do Estado do Maranhão</p><p>15 x 23 cm</p><p>82 (virtual)</p><p>Montserrat (título), Fira Sans (corpo), Open Sans (oficial)</p><p>Freepik.com (capa, contracapa)</p><p>Freepik.com e Daniele R R. S.</p><p>1ª edição - 01/2023</p><p>Sua experiência com os materiais produzidos pela</p><p>ESP/MA é</p><p>valiosa para nós. Nos conte o que achou</p><p>deste material para melhorarmos continuamente as</p><p>produções e diagramações Use o leitor de QRCode ou</p><p>acesse o link: https://forms.gle/frcBLLL7KE7Aokty9</p><p>https://forms.gle/frcBLLL7KE7Aokty9</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>tem</p><p>impossibilitado o acesso e tratamento de milhões de pessoas.</p><p>Nesta perspectiva, entende-se que o cuidado é mais efetivo quando</p><p>vários atores estão envolvidos, em diferentes pontos de atenção, de</p><p>forma a garantir a integralidade do olhar ao sujeito e à coletividade</p><p>de um determinado território. A ideia de cuidado em rede diminui as</p><p>lacunas assistenciais e favorece uma assistência pautada na prevenção</p><p>e promoção da saúde, considerando as particularidades dos indivíduos</p><p>e das comunidades nas quais estão inseridos.</p><p>Para que isso seja possível, é necessário que as equipes, que atuam no</p><p>cuidado em saúde mental, estejam em consonância com os pré-requi-</p><p>sitos das políticas públicas e em constante aperfeiçoamento. Assim, en-</p><p>tende-se ser necessária a elaboração da primeira versão estadual des-</p><p>te guia, utilizando as seguintes estratégias: a criação de uma comissão</p><p>de trabalho composta por profissionais do Departamento Saúde Mental</p><p>(DASM), Departamento de Atenção à Saúde da Família (DASF), realização</p><p>de reuniões, revisão de literatura científica, apreciação de experiências</p><p>exitosas de outros Estados, escuta qualificada no território com os pro-</p><p>fissionais que atuam em serviços de Saúde Mental do Estado e Coorde-</p><p>nações de Atenção Primária dos municípios do Maranhão.</p><p>A construção de uma abordagem psicossocial na APS é uma proposta</p><p>prática que aborda formas de reorganizar o trabalho das equipes de</p><p>atenção primária e das unidades de saúde, fomentando a educação</p><p>11</p><p>permanente, a utilização de Procedimento Operacional Padrão (POP),</p><p>a Regulação Assistencial na rede dos eventos agudos ou de agudiza-</p><p>ções das condições crônicas de Saúde Mental, levando-se em conta</p><p>que os sistemas de atenção à saúde devem constituir-se em respos-</p><p>tas sociais, deliberadamente organizadas, para responder às necessi-</p><p>dades, demandas e preferências das sociedades. Nesse sentido, eles</p><p>devem ser articulados pelas necessidades de saúde da população que</p><p>se expressam, em boa parte, em situações demográficas, nutricionais e</p><p>epidemiológicas singulares.</p><p>12</p><p>2 Saúde Mental na</p><p>Atenção Primária à Saúde</p><p>Atualmente, cada vez mais se faz necessário um olhar para a saúde</p><p>emocional dos indivíduos. Quando se fala em saúde emocional, en-</p><p>tende-se que está intrinsecamente ligada a forma como reagimos aos</p><p>obstáculos que a vida nos impõe, aos desafios do cotidiano, a mudan-</p><p>ças que enfrentamos ao longo da vida. Tem relação com a forma que</p><p>lidamos com nossas ideias, pensamentos e emoções. Vale destacar que</p><p>não controlamos o momento que as emoções surgem, mas sim a forma</p><p>que nos comportamos frente a elas. É isso que nos diz sobre a nossa</p><p>saúde emocional.</p><p>Ao longo do dia, vivenciamos várias emoções distintas, boas ou ruins,</p><p>mas que fazem parte da nossa experiência de vida. À medida que não</p><p>encontramos uma forma de gerenciamento das nossas emoções, fica-</p><p>mos mais suscetíveis ao sofrimento psíquico e aos transtornos mentais</p><p>(EINSTEIN SAÚDE MENTAL, 2022).</p><p>Ao falarmos de Saúde Mental, temos que contemplar vários fatores</p><p>incluindo a capacidade de experenciar a sensação de bem-estar, o ma-</p><p>nejo adequado dos conflitos e adversidades. Envolve o reconhecimen-</p><p>to e respeito de nossas limitações. Além disso, está relacionado às nos-</p><p>sas habilidades sociais, tanto na forma de lidarmos conosco, como na</p><p>forma que interagirmos com os outros (EINSTEIN SAÚDE MENTAL, 2022).</p><p>Sendo assim, quando temos a nossa saúde mental afetada, desen-</p><p>volvemos condições que demandam um atendimento em serviços de</p><p>saúde, nos diversos níveis de atenção, considerando a complexidade</p><p>de acordo com a necessidade de cada sujeito. Uma assistência adequa-</p><p>da e continuada pode evitar a cronificação da doença.</p><p>Daí a importância de um olhar preventivo com foco na saúde emo-</p><p>cional e saúde mental, visando auxiliar os indivíduos no gerenciamen-</p><p>to de seus sentimentos e emoções, diminuindo as chances de desen-</p><p>volvimento de sofrimento psíquico e transtornos mentais (ESPÍRITO</p><p>SANTO, 2018). Contudo, manter a saúde emocional e saúde mental não</p><p>é tão simples. Vivemos várias situações que nos testam diariamente,</p><p>que exigem demais da nossa capacidade de sermos resilientes, que</p><p>13</p><p>nos forçam a vivermos em um modo “automatizado”, sem disponibi-</p><p>lizarmos momentos de autocuidado e de cuidado para com os outros</p><p>(EINSTEIN SAÚDE MENTAL, 2022).</p><p>Considerando que a Atenção Primária à Saúde tem como principal</p><p>característica o desenvolvimento de um conjunto de ações, tanto in-</p><p>dividuais como coletivas, voltado à prevenção de agravos, à proteção</p><p>e promoção de saúde, diagnóstico e cuidado, até a reabilitação e ma-</p><p>nutenção da saúde, esta torna-se a principal porta de entrada para os</p><p>serviços de Saúde, tendo como um de seus princípios básicos possi-</p><p>bilitar o primeiro acesso das pessoas do território ao Sistema Único</p><p>de Saúde, incluindo aquelas que demandam de cuidados em saúde</p><p>mental e/ou emocional, sempre apreciando o ser humano em sua inte-</p><p>gralidade na oferta do cuidado.</p><p>Figura 1 – De uma rede hierárquica para uma rede poliárquica.</p><p>Fonte: Elaborado com base em Mendes (2015).</p><p>14</p><p>Por ser um ponto de atenção que atende a um território específico e</p><p>mapeado, facilita aos profissionais uma maior aproximação com a co-</p><p>munidade, conhecendo a história de vida das pessoas, os seus vínculos</p><p>e redes de apoio, em todos os contextos aos quais estão inseridos. Por</p><p>isso, diz que a Atenção Primária à Saúde é a coordenadora do cuidado</p><p>e ordenadora das ações e serviços que compõem as redes de atenção</p><p>à Saúde (BRASIL, 2013; SANTA CATARINA, 2019).</p><p>Desta forma, cuidar da saúde emocional e saúde mental se torna</p><p>ainda mais estratégico e privilegiado, considerando a maior acessibi-</p><p>lidade, permitindo um estabelecimento de uma rotina de prevenção e</p><p>de promoção de um cuidado mais sistemático, facilitando, inclusive a</p><p>estratificação de risco, por ser um espaço que abarca um conjunto de</p><p>possibilidades de ações e intervenções (BRASIL, 2013).</p><p>Assim, as ações devem ter um foco ainda maior na promoção da saú-</p><p>de, incluindo aí a saúde mental, considerando a alta capacidade reso-</p><p>lutiva da APS, que, por meio de um olhar humanizado e integral, acolhe</p><p>demandas sem exigências de tantas tecnologias e complexidades, o</p><p>que contribui para uma redução do uso de medicamentos de forma</p><p>indiscriminada e de encaminhamentos desnecessários.</p><p>Figura 2 - A metáfora da casa na construção social da APS.</p><p>Fonte: Elaborado com base em Mendes (2015).</p><p>15</p><p>Por isso, a territorialização é cada vez mais necessária, perpassando</p><p>desde o conhecimento macro do território, considerando suas necessi-</p><p>dades e potencialidades, até ações micro, considerando as ações den-</p><p>tro de uma comunidade e até mais voltada ao sujeito. À medida que</p><p>há esse mapeamento, é possível utilizar todos os recursos existentes,</p><p>facilitando o fortalecimento de vínculos e a implicação do sujeito no</p><p>seu próprio cuidado. Para isso, por muitas vezes, as equipes precisam</p><p>desenvolver ações “extramuros”, especialmente no que tange às ações</p><p>de saúde mental, para uma maior efetividade e maior adesão ao pro-</p><p>cesso de autocuidado.</p><p>16</p><p>3 Componentes da Rede</p><p>de Atenção Psicossocial</p><p>A Rede de Atenç��o Psicossocial (RAPS), como as demais redes temá-</p><p>ticas que compõe a Rede de Atenção à Saúde (RAS), surge a partir da</p><p>Portaria nº 4279/2010 (diretrizes para a organização da Rede de Aten-</p><p>ção à Saúde), com o objetivo de fortalecer a Atenção Primária e a orga-</p><p>nização do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como da efetividade e</p><p>integralidade das ações em saúde.</p><p>Neste contexto, a Portaria nº 3088/2011, instituiu a RAPS, consolidando</p><p>o processo de Reforma Psiquiátrica norteada pela Lei nº 10.216/2001, que</p><p>versa sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtor-</p><p>nos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.</p><p>A partir das portarias de Consolidação nº 1 a nº 6 de 2017, que in-</p><p>crementam a Portaria nº 3.088/2011, entende-se que os serviços espe-</p><p>cializados, por si só, não são resolutivos como seriam</p><p>a partir de um</p><p>trabalho em rede. Ainda, a portaria nº 3.588/2017 propõe alterações</p><p>nas portarias de consolidação nº 3 e nº 6.</p><p>Com base nisso, entende-se a RAPS como a rede de atenção à saúde</p><p>das pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessida-</p><p>des decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS), cuja finalidade é a criação, ampliação,</p><p>articulação e integração de pontos de atenção à saúde para este pú-</p><p>blico específico, favorecendo os vínculos; atua com foco no território,</p><p>qualificando o cuidado por meio do acolhimento, do acompanhamento</p><p>contínuo e da atenção às urgências.</p><p>Assim, a RAPS é constituída por alguns pontos de atenção que devem</p><p>atuar de forma interligada, visando a integralidade do cuidado. Com-</p><p>posição da RAPS:</p><p>I - Atenção Primária à Saúde:</p><p>a) Unidade Básica de Saúde:</p><p>1. Equipes de Atenção Básica;</p><p>2. Equipes de Atenção Básica para populações específicas;</p><p>17</p><p>3. Equipe de Consultório na Rua;</p><p>4. Equipe de apoio aos serviços do componente Atenção Resi-</p><p>dencial de Caráter Transitório;</p><p>b) Centros de Convivência e Cultura.</p><p>II - Atenção Psicossocial:</p><p>a) Centros de Atenção Psicossocial, nas suas diferentes modali-</p><p>dades.</p><p>b) Equipe Multiprofissional de Atenção Especializada em Saúde</p><p>Mental / Unidades Ambulatoriais Especializadas.</p><p>III - Atenção de Urgência e Emergência:</p><p>a) SAMU 192;</p><p>b) Sala de Estabilização</p><p>c) UPA 24 horas;</p><p>d) Portas hospitalares de atenção à urgência/pronto socorro em</p><p>Hospital Geral;</p><p>e) Unidades Básicas de Saúde.</p><p>IV - Atenção Residencial de Caráter Transitório</p><p>a) Unidade de Acolhimento;</p><p>b) Serviços de Atenção em Regime Residencial.</p><p>V - Atenção Hospitalar:</p><p>a) Unidade de Referência Especializada em Hospital Geral;</p><p>b) Hospital Psiquiátrico Especializado;</p><p>c) Hospital dia.</p><p>Para ilustrar os componentes da RAPS, tem-se o fluxo abaixo dese-</p><p>nhado, com intuito de demonstrar que os atores envolvidos no proces-</p><p>so de atenção ao usuário em sofrimento psíquico ou com transtorno</p><p>18</p><p>mental devem olhar de forma integral para o usuário, na perspectiva</p><p>de uma clínica ampliada, pautada no acolhimento e no cuidado com-</p><p>partilhado e de base territorial.</p><p>Figura 3 - Rede de Assistência Psicossocial (RAPS).</p><p>Fonte: Adaptado de Marco Zero (2016).</p><p>Atenção Primária à Saúde é essencial para que tenhamos uma Rede</p><p>de Atenção Psicossocial resolutiva. Por isso necessita estar qualificada</p><p>para o cuidado à pessoa com transtorno mental, valorizando os prin-</p><p>cípios de territorialização, do vínculo com a população, do trabalho</p><p>19</p><p>em equipe e da participação democrática, participativa e solidária da</p><p>comunidade de acordo com suas necessidades reais, identificando fa-</p><p>tores de riscos e intervindo quando necessário (BRASIL, 2015).</p><p>20</p><p>4 Sofrimento psíquico e</p><p>transtornos mentais</p><p>Compreende-se sofrimento psíquico como sendo um estado mental</p><p>e/ou emocional (consciente ou inconsciente) gerado por situações co-</p><p>tidianas estressantes, onde o sujeito responde de forma inadequada</p><p>ocasionando o estado de sofrimento. A exposição prolongada a situa-</p><p>ções estressantes pode levar o sujeito a desenvolver o estado de “es-</p><p>gotamento vital”, provocando sérios prejuízos a sua saúde mental.</p><p>4.1 Sinais de Sofrimento Psíquico</p><p>Ao perceber que estão ocorrendo mudanças bruscas de comporta-</p><p>mento e que estes começam a prejudicar a rotina do sujeito, deve-se</p><p>considerar a ajuda de profissionais. Portanto, devemos ficar atentos a</p><p>sinais como:</p><p>Insônia / Mudança no comportamento (hábitos e costumes) / Ansiedade /</p><p>Fadiga incomum / Irritabilidade persistente / Uso de álcool e drogas.</p><p>Com base no exposto acerca do sofrimento psíquico, sua definição e</p><p>principais sinais, é importante sinalizar o conceito de transtorno mental,</p><p>bem como as principais classificações, com base em critérios diagnósticos.</p><p>21</p><p>4.2 Transtornos Mentais</p><p>O que são os Transtornos Mentais?</p><p>Os transtornos mentais podem ser compreendidos como todas e</p><p>quaisquer alterações do tipo intelectual, emocional ou comportamen-</p><p>tal que afetam o sujeito, interferindo diretamente na sua relação com</p><p>outro e com o meio que o cerca, podendo ocorrer em qualquer fase da</p><p>vida. Estes implicam em condições clinicamente significativas caracte-</p><p>rizadas por alterações do modo de pensar e do humor, ou por compor-</p><p>tamentos associados com angústia pessoal e/ou deterioração do fun-</p><p>cionamento, caracterizados por sintomas e sinais específicos, seguindo</p><p>um curso natural mais ou menos previsível, a menos que ocorram in-</p><p>tervenções (WHO, 2010).</p><p>Devido as causas dos transtornos mentais serem multifatoriais (or-</p><p>gânicas, hereditárias, psicossociais e ambientais) estas variam de pes-</p><p>soa para pessoa, podendo interagir entre si em uma complexa rede de</p><p>sofrimento e disfunções simultâneas, afetando o sujeito de diferentes</p><p>maneiras, o que pode causar alterações de humor, do comportamento,</p><p>do sono, do raciocínio e até mesmo das relações interpessoais.</p><p>Quais são os principais Transtornos Mentais prevalentes no Brasil e</p><p>seus sintomas?</p><p>De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos</p><p>Mentais (DSM-V), atualmente existem mais de 300 (trezentos) transtor-</p><p>nos catalogados. No quadro abaixo, destacamos algumas característi-</p><p>cas de transtornos frequentemente encontrados nos atendimentos de</p><p>serviços de saúde.</p><p>Quadro 1 - Principais transtornos mentais encontrados nos atendi-</p><p>mentos de serviços de saúde.</p><p>Nº TRANSTORNO CARACTERÍSTICAS PREVALÊNCIA</p><p>1º Ansiedade Caracterizada pela sensação</p><p>de desconforto, tensão, medo</p><p>ou mau pressentimento que</p><p>são provocados pela ante-</p><p>cipação de perigo ou algo</p><p>desconhecido. Pode afetar a</p><p>vida social e emocional do</p><p>indivíduo e provocar sinto-</p><p>mas como: tremores, falta de</p><p>ar, palpitações, sensação de</p><p>sufocamento, suor frio, etc.</p><p>De acordo com a Or-</p><p>ganização Mundial de</p><p>Saúde, cerca de 9,3%</p><p>da população brasilei-</p><p>ra possui um quadro</p><p>de ansiedade. O que</p><p>nos torna um dos</p><p>países mais ansiosos</p><p>do mundo (OPAS; OMS,</p><p>2017).</p><p>22</p><p>2º Depressão É um transtorno que causa</p><p>tristeza persistente e impe-</p><p>de a realização das tarefas</p><p>diárias; é definida por ser um</p><p>estado de humor deprimido</p><p>que pode persistir por muito</p><p>tempo. É também acompa-</p><p>nhada por sintomas como:</p><p>apatia, insônia, irritabilidade,</p><p>falta de energia, ganho ou</p><p>perda de peso e etc.</p><p>Segundo a OMS, cerca</p><p>de 5,8% da população</p><p>brasileira possui o</p><p>quadro de depressão</p><p>(OPAS; OMS, 2017).</p><p>3º Anorexia</p><p>Nervosa e</p><p>Bulimia</p><p>A anorexia é caracterizada</p><p>pela perda de peso intencio-</p><p>nal, provocada pela recusa</p><p>de alimentação, distorção da</p><p>própria imagem e medo de</p><p>engordar. A bulimia consiste</p><p>em comer grandes quantida-</p><p>des de comida e logo depois</p><p>eliminar as calorias de formas</p><p>prejudiciais para o corpo.</p><p>Esse tipo de transtor-</p><p>no é muito comum</p><p>na fase adolescente,</p><p>e afeta cerca de 4,7%</p><p>dos brasileiros.</p><p>4º Transtorno</p><p>Bipolar</p><p>Provoca grandes mudanças de</p><p>humor, dificuldades na comu-</p><p>nicação e socialização. Pode</p><p>oscilar em estados de depres-</p><p>são para impulsividades e</p><p>excesso de extroversão.</p><p>Esse transtorno chega</p><p>a atingir 4% da popu-</p><p>lação brasileira.</p><p>5º Transtorno</p><p>Obsessivo-</p><p>-compulsivo</p><p>É um transtorno de an-</p><p>siedade caracterizado por</p><p>pensamentos recorrentes e</p><p>desagradáveis (obsessões) e</p><p>comportamentos repetitivos</p><p>ritualizados (compulsões),</p><p>voltados para a redução do</p><p>desconforto associado a tais</p><p>pensamentos. Pessoas que</p><p>possuem Transtorno obsessi-</p><p>vo-compulsivo (TOC), podem</p><p>ter obsessões por lavar as</p><p>mãos, limpeza, necessidade</p><p>de simetria e etc.</p><p>De acordo com es-</p><p>tudos, cerca de 3 a 4</p><p>milhões de brasileiros</p><p>(2% da população)</p><p>apresentam esse</p><p>quadro.</p><p>23</p><p>6º Esquizofrenia  É um transtorno psicótico</p><p>que provoca alteração no</p><p>pensamento, percepção,</p><p>vontade, atividades sociais e</p><p>linguagem. Caracterizada por</p><p>pensamentos ou experiências</p><p>que parecem não ter contato</p><p>com a realidade, fala ou com-</p><p>portamento desorganizado</p><p>e participação reduzida nas</p><p>atividades cotidianas.</p><p>Esse transtorno atinge</p><p>1% da população</p><p>brasileira</p><p>7º Estresse pós-</p><p>traumático</p><p>É marcado pela ansiedade</p><p>que surge após uma situação</p><p>traumática. A pessoa afetada</p><p>revive persistentemente o</p><p>ocorrido com recordações, e</p><p>apresenta grande sofrimento</p><p>psicológico.</p><p>A prevalência de</p><p>brasileiros afetados</p><p>pelo Transtorno de</p><p>Estresse pós-traumáti-</p><p>co chega a ser de 1% a</p><p>3% da população.</p><p>Fonte: American Psychiatric Association (2014).</p><p>Aprofundando...</p><p>Um homem de 45 anos visita uma clínica</p><p>de cuidados primários de saúde com do-</p><p>res no estômago. Ele descreve a dor como</p><p>tão ruim que, quando acontece, ele tem</p><p>problemas para recuperar o fôlego. Ele</p><p>teve que se ausentar por muito tempo do</p><p>trabalho por causa de dores no estômago</p><p>e, consequentemente, ficou com muito</p><p>trabalhado atrasado.</p><p>Ele é o principal provedor da família,</p><p>mas, sente-se muito ansioso, pois tem</p><p>um chefe exigente e muito trabalho para</p><p>atualizar, ele não sabe por onde começar.</p><p>Ele está tendo dificuldades para dormir à</p><p>noite está sempre pensando sobre o que</p><p>tem que fazer.</p><p>E agora, vamos refletir:</p><p>1. Como a equipe deve</p><p>conduzir este atendimento?</p><p>2. Você conseguiria identi-</p><p>ficar o diagnóstico?</p><p>3. Quais encaminhamentos</p><p>possíveis?</p><p>24</p><p>O que é o Alcoolismo?</p><p>De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o alcoolismo</p><p>é uma doença caracterizada pelo uso constante, descontrolado e pro-</p><p>gressivo do álcool, acarretando sérios prejuízos ao funcionamento do</p><p>organismo, podendo levar a morte nos casos mais graves (BRASIL, 2004).</p><p>Em estudo publicado em Washington em 2021 pela Organização Pan-</p><p>-americana de Saúde (OPAS), apontou que “O consumo de álcool foi</p><p>100% responsável por cerca de 85 mil mortes anuais durante o período</p><p>de 2013 a 2015 nas Américas, onde o consumo per capita é 25% superior</p><p>à média global” (OPAS; OMS, 2021, grifo nosso).</p><p>De acordo com o Psiquiatra Artur Guerra Andrade (2022), são sinais</p><p>do alcoolismo:</p><p>Quadro 2 - Sinais do alcoolismo.</p><p>SINAIS DO ALCOOLISMO</p><p>• Compulsão: uma necessidade forte ou desejo incontrolável</p><p>de beber;</p><p>• Dificuldade de controlar o consumo: não conseguir parar de</p><p>beber depois de ter começado;</p><p>• Sintomas de abstinência física, como náusea, suor, tremores</p><p>e ansiedade, quando se parar de beber;</p><p>• Tolerância: necessidade de doses maiores de álcool para</p><p>atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente in-</p><p>feriores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da</p><p>substância.</p><p>Fonte: Organizado com base em Andrade (2022).</p><p>Identificando o comportamento suicida</p><p>Em se tratando do cuidado, a pessoa em sofrimento psíquico e/ou</p><p>transtorno mental, é importante destacar que o comportamento suici-</p><p>da é uma condição de maior agravamento do quadro, sendo conside-</p><p>rado um grave problema de saúde pública. Contudo, mesmo diante de</p><p>altos índices identificados (às vezes com casos subnotificados), ainda</p><p>não se identifica uma discussão e uma abordagem sistemática acerca</p><p>do tema. Embora, considerando a existência de uma Política de Preven-</p><p>ção ao Suicídio, esse contexto vem se modificando.</p><p>25</p><p>https://www.minhavida.com.br/temas/compulsão</p><p>https://www.minhavida.com.br/saude/temas/ansiedade</p><p>A fim de contextualizar a importância acerca desta discussão e, além</p><p>disso, de desenvolvimento de estratégias e intervenções voltadas a pre-</p><p>venção e à gestão do comportamento suicida, é importante situar o sui-</p><p>cídio como um fenômeno complexo e multifacetado, de etiologia multi-</p><p>fatorial. A amplitude dos fatores envolvidos no comportamento suicida</p><p>engloba desde fatores distais, como experiências adversas no início da</p><p>vida e características genéticas e culturais, quanto fatores proximais,</p><p>como experiências traumáticas e o abuso de substâncias psicoativas</p><p>(BRASIL, 2021). Além disso, é necessário compreender o suicídio como</p><p>uma experiência individual, marcada pela ambivalência entre a busca</p><p>da morte, como mecanismo de cessação do sofrimento, e o desejo por</p><p>socorro. É importante destacar a associação da presença de transtorno</p><p>mental com o comportamento suicida, o que ocorre em 80% dos casos,</p><p>sendo o transtorno mais comum a depressão unipolar ou bipolar, tam-</p><p>bém com quadros associados a risco importante o abuso e dependên-</p><p>cia de substâncias psicoativas e a esquizofrenia (BRASIL, 2021).</p><p>Diante disso, é importante identificar, avaliar e cuidar dos indivíduos</p><p>que possuem algum tipo de comportamento suicida, seja no âmbito da</p><p>ideação (pensamentos suicidas), ou da tentativa já efetivada. Para isso,</p><p>é importante considerar inúmeras variáveis que compõem o contexto</p><p>biopsicossocial do indivíduo (SANTA CATARINA, 2019)</p><p>Sabendo-se que não é possível prever, de forma exata, aquela pes-</p><p>soa que cometerá o suicídio, ainda sim é possível identificar riscos que</p><p>podem ser gerenciados. Para facilitar a entrevista, segue abaixo um</p><p>quadro elaborado com perguntas a serem realizadas nas consultas com</p><p>pacientes na investigação do comportamento suicida:</p><p>26</p><p>Quadro 3 - Perguntas fundamentais para investigação de compor-</p><p>tamento suicida.</p><p>São seis perguntas fundamentais em cada consulta, sendo três delas</p><p>para todos os usuários:</p><p>PERGUNTAS RESPOSTAS</p><p>1. Você tem planos para o futuro? Não.</p><p>2. A vida vale a pena ser vivida? Não.</p><p>3. Se a morte viesse, ela seria</p><p>bem-vinda?</p><p>Sim para pacientes com indicativo</p><p>de comportamento suicida.</p><p>Se o usuário respondeu como foi referido acima, o profissional de saú-</p><p>de fará perguntas adicionais:</p><p>4. Você está pensando em se machucar/se ferir/fazer mal a você/em</p><p>morrer?</p><p>5. Você tem algum plano específico para morrer/se matar/tirar sua vida?</p><p>6. Você fez alguma tentativa de suicídio recentemente?</p><p>Outras questões relevantes</p><p>É necessário ainda avaliar a frequência e a severidade da ideação, bem</p><p>como possibilidade real de suicídio, identificando os planos e meios</p><p>para cometer o suicídio. Por isso, mais questões precisam ser avaliadas:</p><p>• Há meios acessíveis para cometer suicídio? (Armas, andar onde mora,</p><p>remédios ou inseticidas).</p><p>• Alguma preparação foi feita? (Carta, testamento ou acúmulo de com-</p><p>primidos).</p><p>Quão próximo a pessoa esteve de completar o suicídio? A pessoa prati-</p><p>cou anteriormente o ato suicida ou já tentou?</p><p>A pessoa tem habilidade de controlar seus impulsos?</p><p>Há fatores estressantes recentes que tenham piorado as habilidades de</p><p>lidar com as dificuldades ou de participar no plano de tratamento?</p><p>Há fatores protetores? Quais os motivos para a pessoa se mantar viva?</p><p>Qual a visão sobre o futuro?</p><p>Fonte: Santa Catarina (2019).</p><p>27</p><p>A abordagem e gestão do comportamento suicida ainda é dificultada</p><p>pelos tabus e especialmente, pelos mitos que permeiam esta temática e</p><p>que devem ser desmitificados para favorecer um cuidado mais imediato.</p><p>Mitos comuns sobre comportamentos suicidas:</p><p>28</p><p>29</p><p>Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria (2014).</p><p>4.3 Saúde Mental à Populações Vulneráveis</p><p>4.3.1 Saúde mental de crianças e adolescentes</p><p>Crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e, como tal, devem</p><p>ser protegidos pela lei e tratados com prioridade absoluta nas políticas</p><p>de saúde.</p><p>A compreensão sobre esses ciclos etários não se mantém constante</p><p>ao longo do tempo. A forma como socialmente esses sujeitos têm suas</p><p>potencialidades, limitações e necessidades identificadas, vai influen-</p><p>ciando e oferecendo parâmetros para as organizações na regulação da</p><p>vida cotidiana. Dessa forma, as normativas legais, institucionais e todo</p><p>o ordenamento social relativo a esse público acabam por refletir nos-</p><p>sas intenções, perspectivas e expectativas com relação às pessoas que</p><p>vivenciam esse momento.</p><p>No Brasil, existem algumas legislações específicas em respeito aos</p><p>diferentes momentos históricos, que produziram transformações na</p><p>compreensão jurídica e social da infância e da adolescência. Entre</p><p>elas, podemos citar o Código Mello Mattos (1927); o Código de Menores</p><p>(1979); e o Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA (1990) que é a le-</p><p>gislação atualmente vigente.</p><p>30</p><p>No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adoles-</p><p>cente é o conjunto de normas do ordenamento</p><p>jurídico que tem como objetivo a proteção</p><p>dos</p><p>direitos da criança e do adolescente, aplicando</p><p>medidas e expedindo encaminhamentos para</p><p>o juiz. É o marco legal e regulatório dos direitos</p><p>humanos de crianças e adolescentes.</p><p>O Código de Menores, uma das primeiras estrutu-</p><p>ras de proteção aos menores, em nosso sistema</p><p>pátrio, foi produto de uma época culturalmente</p><p>autoritária e patriarcal, portanto, não havia preo-</p><p>cupação com o problema do menor em compreen-</p><p>dê-lo e atendê-lo, mas sim com soluções paliati-</p><p>vas, o principal objetivo do legislador era “tirar de</p><p>circulação” aquilo que atrapalhava a ordem social.</p><p>O Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990) atribui ao Sis-</p><p>tema Único de Saúde (SUS) a função de promover o direito à vida e</p><p>à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que per-</p><p>mitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, por</p><p>meio do acesso universal e equânime às ações e aos serviços para a</p><p>promoção, a proteção e a recuperação da saúde, voltados para o pú-</p><p>blico de gestantes, parturientes, nutrizes, recém nascidos, crianças e</p><p>adolescentes até os 18 anos (artigos 7º e 11º do ECA, 1990). Com isso, o</p><p>SUS – por meio de suas Leis Orgânicas nº 8.080/1990 e nº 8.142/1990 e</p><p>de suas diversas políticas – assumiu responsabilidades sanitárias para</p><p>com crianças, adolescentes e suas famílias.</p><p>Saiba mais</p><p>Em 1927, o Brasil teve o primeiro Código de</p><p>Menores, conhecido como Código Melo Mattos,</p><p>que fixou a menoridade em 18 anos. Com isso,</p><p>houve conflito de leis entre o Código Melo Mat-</p><p>tos e a Consolidação das Leis Penais. A doutri-</p><p>na subjacente ao Código Mello Mattos (CMM)</p><p>era a de manter a ordem social.</p><p>Crédito Imagem: Museu da Justiça (ccmj.tjrj.jus.br/juiz-josé-cândido-de-albuquerque-mello-mattos)</p><p>Crédito Imagem: Estante Virtual https://www.estantevirtual.com.br/livros/ana-valderez-a-n-de-alencar/codigo-de-menores/1423060774</p><p>Crédito Imagem: Livraria do Senado (https://livraria.senado.leg.br/estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-e-normas-correla-</p><p>tas-1a-edicao?search=Estatuto da Criança e do Adolescente</p><p>31</p><p>4.3.2 Saúde mental de crianças e adolescentes na</p><p>Atenção Primária</p><p>A Atenção Primária à Saúde (APS), por ser a principal porta de entra-</p><p>da, coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e serviços dispo-</p><p>nibilizados na rede de atenção à saúde tem importante papel na Rede</p><p>de Atenção Psicossocial (RAPS).</p><p>As pessoas acometidas por transtorno mental, decorrentes ou não</p><p>do uso de substâncias psicoativas, desde alterações leves até as mais</p><p>graves, devem ter o seu cuidado na APS da mesma forma como as que</p><p>sofrem das demais condições crônicas de saúde. Como o estigma e o</p><p>próprio prejuízo decorrente da doença afetam negativamente a capa-</p><p>cidade de cuidado geral de saúde do portador de transtorno mental, a</p><p>APS deve transpor esses desafios para ofertar assistência integral.</p><p>Problemas relacionados a transtornos ou sofrimento mental, quan-</p><p>do não recebem cuidados durante a infância, tendem a persistir ao</p><p>longo da vida.</p><p>A porta de entrada para as situações que envolvem a saúde mental</p><p>da infância e adolescência geralmente é a Atenção Básica através das</p><p>Unidades Básicas de Saúde, ou Estratégias de Saúde da Família.</p><p>Em relação às crianças e aos adolescentes, considerando a gravidade</p><p>das situações em saúde mental, estes precisam ser avaliados e terem</p><p>garantido o manejo adequado que cada caso requer.</p><p>Em relação aos adolescentes, é comumente observado que, frente às</p><p>demandas para atendimento em saúde mental, eles não costumam pe-</p><p>dir tratamento espontaneamente, cabendo a terceiros buscá-los. Com</p><p>esse público específico, a construção de vínculo pode vir por outras</p><p>vias, como: cuidados com o corpo, busca por anticoncepção, interesse</p><p>por alguma atividade física, em grupo ou comunitária, dentre outras.</p><p>4.3.3 Principais sinais e sintomas em saúde mental na infância e</p><p>adolescência na Atenção Primária à Saúde</p><p>Os profissionais da APS, cotidianamente, atendem famílias e aco-</p><p>lhem diversas queixas em saúde mental na infância e na adolescência,</p><p>que merecem destaque. A APS tem papel fundamental na ampliação</p><p>do acesso e identificação dos problemas de saúde mental na infância</p><p>e adolescência, podendo ser resolutiva no manejo de muitas situações</p><p>(RIO DE JANEIRO, 2018).</p><p>32</p><p>Como exemplos de sinais e sintomas em saúde mental na infância e</p><p>na adolescência, frequentes na APS, podemos citar:</p><p>Dificuldade de Aprendizagem / Comportamento desafiador / Desatenção e Hiperatividade</p><p>/ Atraso no desenvolvimento / Dificuldade de relacionamento / Agressividade</p><p>Ainda, outros sinais e sintomas:</p><p>• Medo e tristeza;</p><p>• Ansiedade;</p><p>• Dificuldade de sono ou alimentação;</p><p>• Queixas somáticas;</p><p>• Isolamento e retração persistentes;</p><p>• Comportamentos antissociais;</p><p>• Situações de crise;</p><p>• Uso abusivo de drogas1;</p><p>1. Uso abusivo de drogas é uma situação que na grande maioria das vezes necessita</p><p>de ações articuladas com a rede de saúde e rede intersetorial para a construção de</p><p>projetos terapêuticos, evitando encaminhamentos burocráticos ou indicações in-</p><p>devidas de internação. A escuta acolhedora da criança ou adolescente que faz uso</p><p>de drogas permite a construção de vínculo com o profissional de saúde, bem como</p><p>o acesso aos motivos que fazem aquela criança ou adolescente usar esse tipo de</p><p>recurso em sua vida</p><p>33</p><p>• Casos de lesões autoprovocadas2;</p><p>• Alucinações e pseudo-alucinações;</p><p>• Situações de violências3.</p><p>O cuidado de Saúde Mental voltado para crianças e adolescentes</p><p>segue os princípios do acolhimento universal, do encaminhamento im-</p><p>plicado, da construção permanente de rede, do território como o lugar</p><p>psicossocial do sujeito e da intersetorialidade na ação do cuidado.</p><p>O objetivo da avaliação inicial nos cuidados em saúde mental (aco-</p><p>lhimento e primeira escuta) é formular hipóteses sobre o que está</p><p>acontecendo com a criança ou o adolescente e sua família, e delinear</p><p>as primeiras intervenções depois da discussão do caso.</p><p>No atendimento inicial de crianças/adolescentes, é importante cons-</p><p>truir um panorama das necessidades de acompanhamento:</p><p>• Ação inicial a escuta dos familiares/cuidadores;</p><p>• Leitura de relatórios de escola (quando for o caso);</p><p>• Levantamento do histórico de saúde a partir de prontuário e/ou</p><p>documentos que a família traga, além da observação e escuta da</p><p>criança/ adolescente.</p><p>2. Casos de lesões autoprovocadas, como o ato de se cortar, não são incomuns en-</p><p>tre adolescentes. Atualmente, tem-se observado o aumento de automutilação entre</p><p>adolescentes por meio das mídias sociais, que compartilham e incentivam estas</p><p>práticas. Essas atitudes, muitas vezes, são atos de pertencimento a um grupo. Nestes</p><p>casos, é fundamental a formação do vínculo, atenção centrada na pessoa e oferta de</p><p>espaço para o adolescente falar sobre como se sente em relação a sua vida e suas</p><p>relações. Ainda, em casos de lesões autoprovocadas, é fundamental avaliar se estão</p><p>relacionadas ao risco de suicídio.</p><p>3. Situações de violências – em 2010, o Ministério da Saúde lançou a Linha de Cui-</p><p>dado para a Atenção Integral à Saúde de Crianças, Adolescentes e suas Famílias em</p><p>Situação de Violências que consiste em uma estratégia para a ação, um caminho</p><p>para o alcance da atenção integral ou a integralidade da atenção, um dos princípios</p><p>do Sistema Único de Saúde (SUS), que proporciona a produção do cuidado desde</p><p>a atenção primária até o mais complexo nível de atenção, exigindo ainda a intera-</p><p>ção com os demais sistemas de garantia de direitos, proteção e defesa de crianças</p><p>e adolescentes. Entende-se por violência “Quaisquer atos ou omissões dos pais,</p><p>parentes, responsáveis, instituições e, em última instância, da sociedade em geral,</p><p>que redundam em dano físico, emocional, sexual e moral às vítimas” (BRASIL, 2010).</p><p>34</p><p>É necessário destacar que, nesse momento do recebimento da quei-</p><p>xa inicial, é fundamental a maneira como se manifesta a relação do</p><p>profissional de saúde com o que foi trazido pelos cuidadores e a forma</p><p>como a criança/adolescente se relaciona com o</p><p>que é dito sobre ela. O</p><p>conhecimento, as crenças e as atitudes dos pais ou dos profissionais/</p><p>setores demandantes, são fundamentais no processo de identificação</p><p>de problemas.</p><p>Nos casos em que não se observa sofrimento mental da criança ou</p><p>adolescente e a queixa se restringe a questão de base escolar, suge-</p><p>rimos explicar à família que, neste caso, a escola precisa oferecer um</p><p>plano de apoio educacional para auxiliar a criança em suas dificulda-</p><p>des, ou busca por profissionais de apoio do âmbito da educação (como</p><p>pedagogos ou psicopedagogos), pois não é caso de um tratamento em</p><p>saúde mental. Se necessário, realizar contato com a escola para melhor</p><p>compreender a queixa escolar e ofertar apoio ou orientações.</p><p>4.3.4 Compartilhamento do caso de crianças e adolescentes</p><p>com serviços especializados</p><p>Caso seja necessário o compartilhamento do caso com outro serviço,</p><p>deve-se fazer de maneira implicada, ou seja, não basta enviar relatório.</p><p>Neste caso, é importante fazer contato com o serviço de referência. Em</p><p>alguns casos, é recomendado discutir antes a próxima estratégia de cui-</p><p>dado no matriciamento e com a equipe que irá receber o caso. Isto por-</p><p>que a ação pode envolver encaminhamento compartilhado para a equi-</p><p>pe de atendimento especializado para uma avaliação mais aprofundada.</p><p>Na composição do Projeto Terapêutico Singular (PTS), deve-se ob-</p><p>servar alguns aspectos que estão mais bem descritos no item 4.4 deste</p><p>guia. Ao compartilhar um caso, é necessário que a equipe tenha clareza</p><p>se houve adesão ao PTS sugerido e acompanhe esse processo.</p><p>Salienta-se que a intervenção do Centros de Atenção Psicossocial</p><p>(CAPS) Infantojuvenil é necessária nos casos de consideráveis prejuízos</p><p>de funcionalidade, que inclui dificuldade em frequentar espaços so-</p><p>ciais, prejuízos nas habilidades comunicativas entre outros. É crescente</p><p>o número de procura deste serviço por jovens em risco de suicídio.</p><p>4.3.5 Identificando fatores protetores para a infância</p><p>e adolescência</p><p>A Linha de Cuidado da Rede de Atenção Psicossocial da Secretaria</p><p>Municipal de Saúde de Suzano (2021) aponta que na avaliação da quei-</p><p>xa inicial e da demanda de cuidados, é importante identificar se exis-</p><p>35</p><p>tem fatores protetores nos vários campos de vida da criança/adoles-</p><p>cente, de acordo com a descrição do quadro abaixo:</p><p>Quadro 4 - Fatores protetores para a infância e adolescência.</p><p>Fatores Protetores</p><p>da infância e</p><p>adolescência</p><p>Possíveis ações para</p><p>promoção de saúde</p><p>mental na infância e</p><p>adolescência*</p><p>Campo</p><p>Social</p><p>Família - Vínculos familiares</p><p>fortes;</p><p>- Oportunidades</p><p>para envolvimento</p><p>positivo na família.</p><p>- Sala de espera com</p><p>brinquedoteca;</p><p>- Grupos de orientação</p><p>de cuidadores;</p><p>- Grupos de jogos e</p><p>brincadeiras com</p><p>cuidadores e crianças;</p><p>- “Contação” ou leitura</p><p>de histórias;</p><p>- Filmes educativos com</p><p>debates;</p><p>Escola - Oportunidades de</p><p>envolvimento na vida</p><p>da escola, valorização</p><p>de suas conquistas</p><p>acadêmicas;</p><p>- Identificação com a</p><p>cultura da escola;</p><p>- Proposta pedagó-</p><p>gica condizente com</p><p>as necessidades da</p><p>criança/adolescente</p><p>- Roda de conversa</p><p>temáticas;</p><p>- Show de talentos para</p><p>crianças/adolescentes/</p><p>famílias;</p><p>- Oficina de música,</p><p>teatro, artesanato,</p><p>fotografia, etc.;</p><p>- Oficina de construção</p><p>de brinquedos;</p><p>Comunidade - Ligação forte com</p><p>a comunidade;</p><p>- Oportunidade para</p><p>uso construtivo do</p><p>lazer;</p><p>- Experiências</p><p>culturais positivas;</p><p>- Satisfação por</p><p>envolvimento na</p><p>comunidade.</p><p>- Oficina de movimento</p><p>/ dança (levando em</p><p>conta a influência</p><p>cultural do território e</p><p>da faixa etária);</p><p>- Festa do Dia das</p><p>Crianças e outras festas</p><p>de integração unidade</p><p>e comunidade.</p><p>36</p><p>Campo Psíquico - Habilidade de</p><p>aprender com a</p><p>experiência;</p><p>- Boa autoestima;</p><p>- Habilidades sociais;</p><p>- Capacidade para</p><p>resolver problemas.</p><p>*Gestor, verifique na</p><p>sua equipe quais habi-</p><p>lidades seus funcioná-</p><p>rios podem oferecer e</p><p>a disponibilidade para</p><p>envolver o máximo de</p><p>pessoas com atividades</p><p>de promoção de saúde.</p><p>Campo Biológico Desenvolvimento</p><p>apropriado à idade</p><p>A linha de cuidados discutida pela equipe/em matriciamento pode</p><p>envolver assistência social, escola, projetos socioeducativos, centros de</p><p>convivência, cultura, esporte, outros profissionais de saúde e todos os</p><p>dispositivos que possam auxiliar em relação à queixa e observação da</p><p>situação vivenciada.</p><p>Fonte: Suzano (2021).</p><p>4.4 Elaboração de Projeto Terapêutico Singular para</p><p>crianças e adolescentes</p><p>O Projeto Terapêutico Singular deve ser construído com base nas ne-</p><p>cessidades e singularidades de cada criança e família, tendo em vista</p><p>seus contextos reais de vida e as características e ofertas do território,</p><p>englobando as diferentes dimensões. Deve ainda ser reavaliado siste-</p><p>maticamente, levando em conta o processo de reabilitação psicosso-</p><p>cial, com vistas à produção de autonomia e a garantia de direitos.</p><p>Tanto para crianças quanto para adolescentes é imprescindível o tra-</p><p>balho com os responsáveis, sugerindo a inserção em grupos de cuida-</p><p>dores ou alguma atividade de promoção de saúde mental, pensando</p><p>que nesta fase do desenvolvimento, o cuidado precisa ser ampliado</p><p>para o núcleo de convivência.</p><p>O profissional, em conjunto com a equipe, traça um panorama dos</p><p>campos protetivos citados acima e sugere o projeto terapêutico sin-</p><p>gular tendo por base esses apontamentos. O Apoio matricial é funda-</p><p>mental nesse processo. Assim poderá ajudar a Unidade a identificar</p><p>e acionar a rede de cuidados, conforme a necessidade de cada caso.</p><p>Pode-se sugerir a inserção da criança ou adolescente em atividades</p><p>na rede Intersetorial, nos equipamentos de esporte, cultura e lazer do</p><p>37</p><p>município, compreendendo a inserção social como uma das estratégias</p><p>de cuidado em saúde mental, pois nem todas as ações de promoção de</p><p>saúde mental são oferecidas pelos equipamentos de saúde.</p><p>4.5 Saúde mental da pessoa idosa na Atenção Primária</p><p>A Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que o envelheci-</p><p>mento é um processo biopsicossocial intrínseco ao desenvolvimento</p><p>humano, que reflete diretamente as condições políticas, econômicas,</p><p>sanitárias, sociais, históricas e culturais de uma dada população (WHO,</p><p>2005). Sendo assim, o envelhecimento populacional é uma realidade no</p><p>Brasil o que demanda atenção às políticas voltadas para essas pessoas.</p><p>Neste sentido, tanto as instituições quanto os profissionais de saúde</p><p>devem estar preparados para lidar diretamente com esse público.</p><p>Neste contexto, na elaboração do Projeto Terapêutico Singular é im-</p><p>portante compreender a importância e necessidade da avaliação mul-</p><p>tidimensional (dimensões clínica, psicossocial e funcional) que pode</p><p>ser realizada por meio da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, onde a</p><p>articulação entre os diferentes pontos de atenção da Rede de Atenção</p><p>à Saúde é fundamental para o cuidado integral à pessoa idosa. Des-</p><p>taca-se que a avaliação multidimensional da pessoa idosa difere do</p><p>exame clínico padrão, por incluir, também, a avaliação das dimensões</p><p>funcional e psicossocial.</p><p>38</p><p>Fluxograma 1 - Avaliação multidimensional da pessoa idosa: Di-</p><p>mensão Psicossocial.</p><p>Fonte: Brasil (2018).</p><p>Na Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, há outros aspectos psicos-</p><p>sociais que devem ser investigados, pois são indicativos do grau de</p><p>vulnerabilidade da pessoa idosa e dos riscos para a sua fragilização</p><p>como, por exemplo não ter um cônjuge, especialmente em decorrência</p><p>da viuvez, aumentando os riscos para depressão e isolamento social,</p><p>assim como discriminações raciais, estigma ou preconceito sofridos ao</p><p>longo da vida e que são barreiras para o acesso a serviços e podem</p><p>causar sofrimento mental. Portanto, os profissionais de saúde devem</p><p>identificar e compreender os aspectos psicossociais que impactam na</p><p>saúde da pessoa idosa para que essas necessidades sejam incluídas</p><p>no Projeto Terapêutico Singular e direcionadas por meio de ações e</p><p>intervenções no contexto das equipes multiprofissionais e das redes</p><p>intersetoriais (BRASIL, 2018).</p><p>A depressão e a demência são doenças</p><p>comuns na pessoa idosa e</p><p>estão frequentemente associadas, com impacto na qualidade de vida,</p><p>no funcionamento global e na saúde física e mental das pessoas idosas.</p><p>A depressão é um importante fator de risco para o suicídio!</p><p>ATENÇÃO!</p><p>39</p><p>A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (Portaria GM/MS nº</p><p>2.528, de 19 de outubro de 2006), incluiu o tema suicídio na Linha de</p><p>Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa no SUS.</p><p>Portanto, o entendimento dos aspectos sociais, como, por exemplo,</p><p>dinâmica familiar, suporte social, violência; e outros fatores que inter-</p><p>ferem nas condições de saúde, como culturais, ambientais, étnico-ra-</p><p>ciais, de gênero e de orientação sexual também são pontos que com-</p><p>põem a avaliação psicossocial.</p><p>A avaliação psicossocial inclui, não somente, os aspectos relaciona-</p><p>dos à Saúde mental, como cognição, humor, comportamentos, situa-</p><p>ções de sofrimento psíquico e transtornos mentais estabelecidos, mas</p><p>também o acesso a recursos econômicos, como renda, aposentadoria,</p><p>recebimento de benefícios sociais, que interferem na saúde e na qua-</p><p>lidade de vida.</p><p>O declínio das funções cognitivas afeta a funcionalidade. Por exemplo:</p><p>se a pessoa idosa deixa de desempenhar uma função que tinha antes,</p><p>como tomar as medicações sozinha, pode sugerir o início de uma sín-</p><p>drome demencial ou outro problema de saúde que precisa ser avaliado.</p><p>Saiba mais</p><p>A cognição é um conjunto de domínios mentais</p><p>que inclui memória, função executiva, atenção,</p><p>práxis, linguagem, função visuoespacial e com-</p><p>portamento, que permite ao indivíduo compre-</p><p>ender e resolver os problemas do cotidiano.</p><p>Na Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa é possível realizar um ras-</p><p>treio breve sobre a cognição, com as perguntas abaixo.</p><p>Figura 7 – Rastreio cognitivo.</p><p>Fonte: Brasil (2018).</p><p>40</p><p>A resposta positiva a uma dessas questões sugere a aplicação de</p><p>outros instrumentos de rastreio, como o 10-Point Cognitive Screener</p><p>(10-CS), Teste do Desenho do Relógio e Teste de Fluência Verbal, que</p><p>estão presentes no CAB 19.</p><p>Figura 8 – Rastreio de alteração de humor.</p><p>Fonte: Brasil (2018).</p><p>Depressão e ansiedade são os principais transtornos de humor nas</p><p>pessoas idosas. A ansiedade pode ocorrer de forma isolada, porém,</p><p>geralmente está associada ou é um dos sintomas da depressão. A pre-</p><p>sença desses transtornos em pessoas idosas tem impacto negativo na</p><p>saúde, comprometendo a funcionalidade e, consequentemente, a qua-</p><p>lidade de vida. Alguns fatores que podem desencadear a depressão em</p><p>pessoas idosas são: Isolamento; dificuldade nas relações pessoais, pro-</p><p>blemas de comunicação; dificuldades econômicas e estresse da vida</p><p>diária e conflitos familiares.</p><p>41</p><p>Tem-se aqui um ponto importante a ser abordado e compreendido</p><p>no cuidado em saúde mental, especialmente na Atenção Primária. Des-</p><p>crever a linha de cuidado em saúde mental, permite uma organização</p><p>e padronização do processo de trabalho. Contudo, cabe considerar que</p><p>tal prática deve ser avaliada de acordo com as necessidades e particu-</p><p>laridades de cada indivíduo, compreendo seu contexto de vida, seus</p><p>vínculos e sua rede de apoio.</p><p>Quando falamos em linha de cuidado, objetivamos organizar os flu-</p><p>xos de acesso e de cuidado, definindo as atribuições dos serviços e</p><p>das equipes que ofertam essa assistência, fornecendo subsídios para</p><p>o desenvolvimento de ações voltadas a prevenção de agravos, promo-</p><p>ção da saúde e tratamento em saúde mental. Desta forma, é possível</p><p>agir de forma precoce, ofertando assistência de acordo com necessida-</p><p>de do sujeito, visando diminuir os riscos de cronificação e recorrência</p><p>do transtorno e consequentemente, reduzindo o impacto no contexto</p><p>biopsicossocial do indivíduo (SANTA CATARINA, 2019).</p><p>5.1 Acolhimento</p><p>Acolher, além de constituir-se em uma etapa do processo de traba-</p><p>lho das equipes de saúde, também é receber bem, ouvir a demanda,</p><p>oferecer ajuda, identificar riscos e situações problemáticas (BRASIL,</p><p>2010). É responsabilizar-se pelo usuário e compartilhar as possibilida-</p><p>des de resposta às situações que se apresentam.</p><p>Assim, o acolhimento não é um espaço ou um local, mas sim, uma</p><p>postura ética. Além disso, vai além da triagem e não é necessário um</p><p>profissional específico para fazê-lo. É responsabilidade de toda a equipe</p><p>e rede de cuidado. É imperativo o compartilhamento de saberes, conhe-</p><p>cimento das necessidades, potencialidades e angústias dos usuários.</p><p>Outrossim, pressupõe-se o uso de algumas ferramentas, como a es-</p><p>cuta qualificada, para identificação das necessidades, possibilidades,</p><p>5 Linha de cuidado em</p><p>Saúde Mental na Atenção</p><p>Primária à Saúde</p><p>42</p><p>angústias. Desse modo, é que o diferenciamos de triagem, pois ele não</p><p>se constitui como uma etapa do processo, mas como ação que deve</p><p>ocorrer em todos os locais e momentos do serviço de saúde.</p><p>Para que o acolhimento seja efetivo e eficaz, é necessária uma mu-</p><p>dança de paradigma no modelo de produção de cuidado, considerando:</p><p>Fonte: Autoria própria.</p><p>Com isso, é possível evitar práticas que levam à “psiquiatrização” e</p><p>à “medicalização” do sofrimento e, ao mesmo tempo, promover equi-</p><p>dade e o acesso, garantindo coeficientes terapêuticos de acordo com</p><p>as vulnerabilidades e potencialidades de cada usuário (FIGUEIREDO;</p><p>CAMPOS, 2009).</p><p>Fluxograma 2 - Considerações sobre a mudança de paradigma no</p><p>modelo de produção de cuidado.</p><p>43</p><p>5.2 Estratificação e classificação de risco</p><p>A estratificação de risco é uma ferramenta importante para conhecer</p><p>a população de um território, favorecendo o planejamento e um cuida-</p><p>do voltado às reais necessidades dos usuários dos serviços. Para isso,</p><p>são usados parâmetros visando orientar o nível de atenção que deverá</p><p>acontecer a assistência. Com base na estratificação será possível a cria-</p><p>ção de um plano de cuidado (SANTA CATARIANA, 2019).</p><p>A tecnologia de Avaliação com Classificação de Risco pressupõe a</p><p>determinação de agilidade no atendimento a partir da análise, sob a</p><p>óptica de protocolo pré-estabelecido, do grau de necessidade do usu-</p><p>ário, proporcionando atenção centrada no nível de complexidade e não</p><p>na ordem de chegada (BRASIL, 2004).</p><p>A avaliação de casos em saúde mental deve considerar a singula-</p><p>ridade dos sujeitos, personalizando o cuidado com base em todo o</p><p>contexto encontrado na avaliação inicial para além do quadro clínico</p><p>apresentado, levando em conta aspectos como o contexto familiar e</p><p>vulnerabilidade social na determinação do risco/gravidade.</p><p>Cada serviço de saúde deve buscar conhecer a rede de atenção exis-</p><p>tente em seu território, seja em âmbito local, municipal, regional ou</p><p>estadual a fim de otimizar e garantir a melhor orientação a cada caso,</p><p>realizando o encaminhamento implicado, que consiste na inclusão do</p><p>profissional responsável pelo encaminhamento, considerando todo o</p><p>processo, havendo a necessidade em alguns momento de realizar uma</p><p>ação junto ao serviço ao qual o indivíduo foi encaminhado, discutindo</p><p>as necessidades e condições do caso em questão.</p><p>De acordo com o Ministério da Saúde, classificar risco, favorece uma</p><p>maior agilidade na avaliação do sujeito, pois considera o grau de ne-</p><p>cessidade do usuário de acordo com o nível de complexidade do seu</p><p>caso e não a ordem de chegada para o atendimento (BRASIL, 2004). Isso</p><p>favorece o encaminhamento implicado quando necessário, conforme</p><p>citado acima. Para que isso se concretize, as equipes precisam ter bem</p><p>fundamentada a estratificação e classificação de risco, bem como a ar-</p><p>ticulação com a rede intra e intersetorial.</p><p>5.2.1 Modelo de estratificação de risco</p><p>O modelo de estratificação utilizado neste Guia será o desenvolvido</p><p>pela Secretaria de Saúde do Espírito Santo, modelo este que vem, ao</p><p>longo dos anos, apresentando grandes resultados juntos as APS da-</p><p>44</p><p>quele Estado. Neste modelo, a estratificação está dividida em cinco</p><p>áreas (de cores diferentes) indo do Não Urgente ao Risco Grave como</p><p>podemos observar no quadro a seguir:</p><p>Quadro 5 - Estratificação de Risco em saúde mental.</p><p>MODELO DE ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO</p><p>Nº GRAU DE RISCO CARACTERIZAÇÃO COR</p><p>1 NÃO URGENTE Situações inespecíficas, sín-</p><p>dromes, sinais e/ou sintomas</p><p>considerados NÃO URGENTES</p><p>que justifiquem referenciar para</p><p>acompanhamento na Atenção</p><p>Primária e/ou Especializada</p><p>AZUL</p><p>2 BAIXO Síndromes e/ou sinais e sin-</p><p>tomas considerados de RISCO</p><p>BAIXO, sem indicação de Atenção</p><p>24 horas e que justificam solici-</p><p>tação de tratamento em Atenção</p><p>Primária à Saúde com apoio da</p><p>ESF</p><p>VERDE</p><p>3 MODERADO Urgência considerada de RISCO</p><p>MODERADO, que justifica solici-</p><p>tação de tratamento em Centro</p><p>de Atenção Psicossocial (CAPS),</p><p>Ambulatório Especializado em</p><p>Saúde Mental e/ou Atenção</p><p>Primária à Saúde.</p><p>AMARELO</p><p>4 ELEVADO Urgência considerada de RIS-</p><p>CO ELEVADO, com necessidade</p><p>de classificação imediata, que</p><p>justifica atendimento clínico e/</p><p>ou especializado em que não há</p><p>riscos imediatos de vida</p><p>LARANJA</p><p>5 URGENTE Emergência considerada de</p><p>RISCO GRAVE, que justifica dire-</p><p>cionamento prioritário e atendi-</p><p>mento clínico e/ou especializado</p><p>imediato</p><p>VERMELHO</p><p>Fonte: Adaptado a partir do Protocolo de Classificação de Risco em Saúde Mental do</p><p>Espírito Santo (2018).</p><p>45</p><p>5.3 Avaliação em saúde mental</p><p>Para que haja uma adequada avaliação em saúde mental, deve-se</p><p>realizar uma anamnese bem estruturada, que inclua avaliação de ques-</p><p>tões físicas, mentais, emocionais, comportamentais e sociais, além de</p><p>outros aspectos relevantes no contexto biopsicossocial do usuário,</p><p>conforme sinalizado abaixo:</p><p>Figura 9 - Entrevistando o usuário e a família.</p><p>Fonte: Autoria própria.</p><p>46</p><p>A avaliação deve considerar os exames físico e psíquico (consideran-</p><p>do o nível de consciência, aparência global, comportamento, discurso,</p><p>pensamento, linguagem, humor, sensopercepção, juízo de realidade,</p><p>vontade, inteligência, dentre outros aspectos. Deve conter a hipótese</p><p>diagnóstica e a conduta terapêutica.</p><p>5.3.1 Abordagens Terapêuticas em Saúde Mental na Atenção</p><p>Primária à Saúde</p><p>Deve-se considerar que o cuidado ampliado envolve o protagonismo</p><p>dos sujeitos, considerando sua história de vida, singularidade e rela-</p><p>ções interpessoais. Com base nisso, é importante a estruturação do</p><p>Projeto Terapêutico Singular (PTS), que se constitui em um recurso da</p><p>clínica ampliada e da humanização em saúde (BRASIL, 2004).</p><p>A elaboração do PTS é uma ferramenta que organiza o processo de</p><p>trabalho e de cuidado em um serviço de saúde. Deve ser construído</p><p>com a participação da equipe multiprofissional, do usuário, da família</p><p>(quando se aplicar) outro ator necessário ao processo. É importante</p><p>ainda, realizar a identificação das necessidades de saúde, discutir o</p><p>diagnóstico, definir as ações de cuidado compartilhadas.</p><p>Para construir o PTS, deve-se considerar as quatro etapas a seguir: 47</p><p>Figura 10 – Etapas de construção do PTS.</p><p>Fonte: Autoria própria.</p><p>Esta organização leva ao aumento da eficácia dos tratamentos con-</p><p>siderando que a ampliação da comunicação traz o fortalecimento dos</p><p>vínculos e o aumento do grau de corresponsabilização, o que eleva as</p><p>chances de êxito no tratamento.</p><p>5.3.2 Abordagem farmacológica na Atenção Primária à Saúde</p><p>Cerca de 35% dos medicamentos são adquiridos no Brasil por au-</p><p>tomedicação. Os medicamentos são responsáveis por 27% das intoxi-</p><p>cações no Brasil, e 16% dos casos de morte por intoxicações são cau-</p><p>sados por medicamentos (SINITOX, 2014). Além disso, 50% de todos os</p><p>fármacos são prescritos, dispensados ou usados inadequadamente. E o</p><p>impacto financeiro também é evidente, já que os hospitais gastam em</p><p>torno de 20% de seus orçamentos com as complicações causadas pela</p><p>má utilização dos medicamentos.</p><p>48</p><p>No que se refere aos ansiolíticos e/ou antidepressivos, sabe-se que</p><p>o emprego concomitante com outros medicamentos pode potenciali-</p><p>zar ou reduzir o efeito destes, daí a necessidade do conhecimento e</p><p>experiência do médico prescritor. Dessa forma, o Ministério da Saúde</p><p>elaborou o Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração</p><p>de Medicamentos, onde a padronização de medicamentos é uma das</p><p>etapas preconizadas visto que a familiaridade dos profissionais com a</p><p>medicação diminui as possibilidades de erros na prescrição, dispen-</p><p>sação e administração. Esse protocolo foi elaborado com a finalidade</p><p>de promover práticas seguras no uso de medicamentos em estabeleci-</p><p>mentos de saúde.</p><p>No que se refere à prescrição correta de medicamentos, Firmo et al.</p><p>(2013) reconhecem que é uma etapa essencial para o consumo racio-</p><p>nal pelos pacientes. Assim, os medicamentos psicotrópicos devem ser</p><p>prescritos apenas com receituários de controle especial (A3, B1 e B2)</p><p>regulamentados pela Portaria 344/98. Para tanto, possui algumas prio-</p><p>ridades, entre as quais está a promoção do uso racional de medica-</p><p>mentos, que compreende a prescrição apropriada, a disponibilidade</p><p>oportuna e a preços acessíveis, a dispensação em condições adequa-</p><p>das e o consumo nas doses indicadas, nos intervalos definidos e no</p><p>período indicado de medicamentos eficazes, seguros e de qualidade</p><p>(BRASIL, 1998).</p><p>Antidepressivo</p><p>São medicamentos usados no tratamento de quadros de depressão,</p><p>ansiedade, fobias, distúrbios alimentares, dentre outros, podendo ser</p><p>usados isoladamente ou associados a outros medicamentos e não cau-</p><p>sam dependência. O objetivo do tratamento é a remissão dos sintomas</p><p>e a recuperação dos níveis normais de funcionamento e do bem-estar</p><p>do indivíduo.</p><p>Atualmente, o mercado dispõe de diversos antidepressivos com efi-</p><p>cácia comprovada enquanto substâncias reguladoras do humor. Entre-</p><p>tanto, seus efeitos adversos, às vezes, tornam-se fator preponderante</p><p>para a não adesão à terapia. Neste sentido, não há em vigor um antide-</p><p>pressivo ideal, mas existe uma grande disponibilidade de fármacos que</p><p>atuam por diferentes mecanismos de ação, o que permite uma escolha</p><p>otimizada da terapia. A escolha do antidepressivo deverá ser baseada</p><p>em vários fatores tais como: o tipo de sintomatologia, a idade, o uso</p><p>concomitante com outras terapias e a história clínica do indivíduo. Es-</p><p>49</p><p>tes medicamentos agem no sistema nervoso e sua função é normalizar</p><p>o fluxo de Neurotransmissores (NT), que são moléculas que levam o</p><p>impulso nervoso entre um Neurônio e outro, sendo os mais importan-</p><p>tes: Serotonina, Noradrenalina, Dopamina, Acetilcolina GABA e Orexina</p><p>ou Hipocretina.</p><p>Embora não exista um antidepressivo “ideal”, a literatura aponta al-</p><p>gumas características que devem ser levadas em consideração em sua</p><p>escolha, como por exemplo as demonstradas no diagrama abaixo.</p><p>Figura 11 – Características da escolha de um antidepressivo.</p><p>Fonte: Adaptado de Neves (2015).</p><p>50</p><p>O consumo de medicamento realizado por quem não precisa é arris-</p><p>cado. Porém, esse não é o único problema, além de tomar medicamen-</p><p>to errado, ainda administra de forma errada, levando a uma superdo-</p><p>sagem desta substância. A análise dos dados de superdosagem indica</p><p>que o maior risco dos antidepressivos é o óbito por dose excessiva,</p><p>sendo que o número destes eventos ultrapassa, de longe, o dos óbitos</p><p>por efeitos adversos. Sugere-se que quaisquer avaliações dos benefí-</p><p>cios e dos riscos globais de drogas antidepressivas devem incluir não</p><p>apenas os riscos com doses terapêuticas, mas também os perigos de-</p><p>correntes da superdosagem.</p><p>Um outro problema também é a abstinência desse medicamento</p><p>quando seu uso é interrompido abruptamente. Atualmente, está sen-</p><p>do usado um novo tipo de medicamento que é mais seguro que os</p><p>antidepressivos convencionais utilizados anteriormente: os chamados</p><p>inibidores da recaptação da serotonina e têm sido o grupo de drogas</p><p>mais empregadas no tratamento de distúrbios psiquiátricos como de-</p><p>pressão, ansiedade, bulimia, estresse pós-traumático. Porém um dos</p><p>problemas mais frequentes associados ao uso desses inibidores é o</p><p>aparecimento de síndrome de abstinência, quando  sua administra-</p><p>ção é interrompida abruptamente. Síndrome de abstinência é definida</p><p>como “[...] um conjunto de sinais e sintomas de instalação e duração</p><p>previsíveis, que envolve sintomas psicológicos e</p><p>orgânicos previamen-</p><p>te ausentes à suspensão da droga e que desaparecem depois que ela</p><p>foi reiniciada” (SOUSA et al., 2015, p. 1). Quanto mais rapidamente a</p><p>pessoa parar de tomar o medicamento após o início do tratamento, é</p><p>mais provável que ela sofra com essa síndrome; e para que o paciente</p><p>não sofra com isso, a dose de medicamento deve ser diminuída grada-</p><p>tivamente (SOUSA et al., 2015).</p><p>Ansiolíticos</p><p>Os ansiolíticos apresentam componentes que atuam no controle da</p><p>ansiedade de pacientes com alterações de saúde associadas ao Sis-</p><p>tema Nervoso Central (SNC), afetando suas emoções, o humor e seu</p><p>comportamento (FIGUEIREDO, 2012). O principal representante desta</p><p>classe são os benzodiazepínicos, um dos medicamentos mais prescri-</p><p>tos mundialmente, como o Diazepam, o Clonazepam, o Alprazolam e o</p><p>Midazolan (CARVALHO, 2016). Por vezes seu uso ocorre de forma abusi-</p><p>va, podendo gerar diversos efeitos adversos.</p><p>51</p><p>Este fato pode ocorrer devido a fatores como: erros em prescrições</p><p>médicas, automedicação, dependência química e aumento das enfer-</p><p>midades relacionadas à psiquiatria (GRASSI; CASTRO 2012). Entretanto,</p><p>os efeitos dessas substâncias, decorrentes do seu uso crônico, por me-</p><p>ses ou anos, podem resultar na dependência química do usuário (GRU-</p><p>BER; MAZON, 2014), sendo que a abstinência prejudica severamente a</p><p>sua vida social.</p><p>Os benzodiazepínicos representam um grupo de psicofármacos que</p><p>reduzem o nível de ansiedade em doses baixas e podem induzir o sono</p><p>em dose mais altas. Indicados para tratar ansiedade ou insônia severas,</p><p>que causam sofrimento e comprometimento funcional do indivíduo.</p><p>Devido estarem associados à dependência e a sintomas de abs-</p><p>tinência, devem ser administrados na menor dose terapêutica e por</p><p>período mais curto possível (máximo de 4 semanas). Os benzodiazepí-</p><p>nicos que costumam estar disponíveis na Atenção Primária à Saúde,</p><p>geralmente, são Diazepam e Clonazepam.</p><p>Antipsicóticos ou Neurolépticos</p><p>Os medicamentos antipsicóticos são uma classe de fármacos utiliza-</p><p>dos para o tratamento de psicoses, que são um grupo de transtornos</p><p>psiquiátricos que causam dificuldades em distinguir o que é criado na</p><p>própria mente do que é real. Psicose diz respeito a sintomas como delí-</p><p>rios, alucinações, pensamento e fala desorganizados e comportamento</p><p>motor bizarro e inadequado que indicam que a pessoa perdeu o conta-</p><p>to com a realidade. Existem vários transtornos mentais que causam os</p><p>sintomas da psicose.</p><p>Estes medicamentos podem ser eficazes no sentido de reduzir ou</p><p>eliminar sintomas de psicoses tais como alucinações, delírios, pensa-</p><p>mento desorganizado e agressividade. Embora os medicamentos an-</p><p>tipsicóticos sejam os mais frequentemente receitados para tratar a es-</p><p>quizofrenia, eles parecem ter eficácia no tratamento desses sintomas,</p><p>independentemente de serem originados por esquizofrenia, mania,</p><p>demência ou pelo uso de substâncias, como anfetaminas.</p><p>No tratamento com antipsicóticos, deve-se levar em conta a natu-</p><p>reza do transtorno (o diagnóstico), se agudo ou crônico, para decidir</p><p>quanto à manutenção do medicamento por mais ou por menos tem-</p><p>po. Em episódios psicóticos breves, como os provocados por drogas ou</p><p>52</p><p>problemas cerebrais, o antipsicótico pode ser suspenso pouco tempo</p><p>depois de cessados os sintomas e removida a causa. Na esquizofrenia,</p><p>entretanto o tratamento deve ser mantido por longos períodos para a</p><p>prevenção de recaídas. A suspensão total raramente é possível e deve</p><p>ser feita lentamente. Em outros quadros como na mania aguda, de-</p><p>pressão com sintomas psicóticos, episódio psicótico agudo, o uso de</p><p>antipsicóticos pode ser de curta duração (CORDIOLI, [2005]).</p><p>5.3.3 Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME)</p><p>É fundamental que dentro da “Relação Municipal de Medicamentos</p><p>Essenciais (REMUME)”, esteja contemplado o elenco de medicamentos</p><p>padronizado da RAPS que é dispensado nos serviços de saúde mental,</p><p>objetivando garantir o acesso e uso racional pelos usuários, para que</p><p>possamos obter êxito na terapia farmacológica.</p><p>Convém ressaltar, que praticamente 100% dos usuários dos servi-</p><p>ços de saúde mental utilizam, pelo menos, um medicamento em seus</p><p>tratamentos medicamentosos, muitas das vezes dos que constam na</p><p>Portaria 344/98 da SNVS/MS e suas atualizações, o que requer uma as-</p><p>sistência farmacêutica presencial, não só para orientação sobre o uso</p><p>racional dos medicamentos, como também para atender as normas sa-</p><p>nitárias vigentes para este tipo especial de medicamento.</p><p>Para que esse atendimento farmacêutico seja feito de maneira eficaz,</p><p>requer preferencialmente a existência de uma farmácia física dentro</p><p>das dependências dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), ou em</p><p>casos excepcionais, onde não houver essa possibilidade, que os usuá-</p><p>rios sejam atendidos por uma Farmácia da rede que compõe a Atenção</p><p>Primária (uma UBS, por exemplo), de forma que lhes sejam garantidos</p><p>o acesso aos dos medicamentos.</p><p>Para facilitar o registro e planejamento de aquisição desses medi-</p><p>camentos, o DASM desenvolveu um Sistema Informatizado que faz o</p><p>levantamento do “Perfil Epidemiológico dos Usuários dos Serviços de</p><p>Saúde Mental”, denominado SISMENTAL que, entre várias informações</p><p>importantes, existe um campo específico que regista os medicamen-</p><p>tos dispensados aos usuários, sua posologia e a quantidade diária, fa-</p><p>cilitando assim que o farmacêutico possa fazer a previsão mensal de</p><p>aquisição de todos os medicamentos necessários ao atendimento da</p><p>demanda de cada CAPS, garantindo acesso e uso racional dos mesmos.</p><p>Para facilitar esse registro, trona-se necessário que os prescritores</p><p>(psiquiatras e médicos especialistas em saúde mental) definam a lista</p><p>53</p><p>padronizada dos medicamentos de cada serviço, para que o farmacêu-</p><p>tico responsável pela Assistência Farmacêutica Municipal possa garan-</p><p>tir o suprimento desses medicamentos ao CAPS e demais serviços de</p><p>saúde mental do município.</p><p>No anexo deste instrumento, segue a lista padronizada de medica-</p><p>mentos que consta no cadastro do SISMENTAL, atualizada até dezem-</p><p>bro de 2022, para conhecimento e divulgação, destacando-se que essa</p><p>lista contempla todos os tipos de serviços, o que necessariamente não</p><p>significa que todos esses medicamentos devem constar em todas as</p><p>farmácias dos CAPS.</p><p>Cada serviço deve analisar e definir qual sua lista padronizada, de</p><p>acordo com suas especificidades, e de acordo com o tipo de usuário</p><p>que é atendido em cada CAPS ou Serviço de Saúde Mental (SSSM).</p><p>Cabe destacar que no cadastro do SISMENTAL são registrados somente</p><p>medicamentos sujeitos a controle especial, regidos pela Portaria 344/98</p><p>e suas atualizações, e em suas denominações com o nome genérico, não</p><p>sendo utilizados nomes comerciais dos referidos medicamentos.</p><p>Na definição da lista padronizada de cada Serviço de Saúde Mental,</p><p>deve conter todos os medicamentos que são dispensados aos usuá-</p><p>rios, e não só os sujeitos a controle especial, para que as necessidades</p><p>farmacológicas deles sejam plenamente atendidas, inclusive as utili-</p><p>zadas para suprir outras comorbidades, além das relacionadas com os</p><p>transtornos mentais, e que devem ser atendidas pela Atenção Primária,</p><p>tais como as relacionadas com hipertensão, diabetes, etc.</p><p>54</p><p>6 Organização do fluxo</p><p>e regulação</p><p>A organização e regulação do sujeito portador de transtornos men-</p><p>tais dependerá de como estará organizada a Rede de Atenção Psicosso-</p><p>cial dentro do território (local e regional), bem como, deverá levar em</p><p>conta o quadro (grau de risco) em que este se encontra, após avaliação</p><p>rigorosa realizada pela equipe da atenção primária.</p><p>55</p><p>Fluxograma 3 - Fluxo e regulação.</p><p>Fonte: Autoria própria.</p><p>56</p><p>7 Matriciamento em</p><p>saúde mental</p><p>Quando se fala em cuidado em saúde mental na Atenção Primária é</p><p>essencial discutir sobre o apoio matricial como parte de uma estratégia</p><p>de cuidado integral à pessoa com sofrimento psíquico e/ou transtorno</p><p>mental. Mas, para iniciar essa discussão, faz-se necessário conceituar o</p><p>que concerne esse</p>

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