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O PTS (Projeto Terapêutico Singular) é reconhecido na literatura da Saúde Coletiva como uma tecnologia leve-relacional do SUS, criada para organizar o cuidado de forma interdisciplinar, territorial e intersetorial. Contudo, estudos apontam desafios significativos à sua consolidação prática. Dimenstein (2014) alerta que uma formação profissional excessivamente biomédica e insuficiente em cogestão, escuta compartilhada e construção coletiva de objetivos compromete o uso do PTS como prática relacional e corresponsável. Santos e Campos (2015) demonstram que a sobrecarga de trabalho e a ausência de tempo institucional para diálogo transformam o PTS em mero preenchimento burocrático, esvaziando sua potência clínico-territorial. Yasui (2010) reforça que redes de cuidado não se instituem por decreto, mas por relações concretas e pactuações entre setores, e que a fragilização da articulação intersetorial gera fragmentação do cuidado e descontinuidade nas RAS (Redes de Atenção à Saúde) e na RAPS (Rede de Atenção Psicossocial). Franco e Merhy (2013) complementam que tensões entre saberes profissionais e limites institucionais exigem negociação contínua de sentidos e divisão compartilhada da responsabilidade clínica no território, dimensões nem sempre incorporadas durante a formação. Apesar dessas tensões, evidências mostram que o PTS tem potencialidades ainda mais fortes: reorganiza o processo de trabalho, fortalece práticas colaborativas, aproxima equipes e usuários do território real, amplia autonomia, vínculos e participação comunitária, sustenta decisões compartilhadas e reafirma a APS e a RAPS como cenários vivos de cidadania, democracia e produção de vida. Com base no texto apresentado, avalie as proposições abaixo: I. A formação profissional excessivamente biomédica dificulta a cogestão, a escuta compartilhada e a construção coletiva do PTS. II. A sobrecarga institucional e a falta de tempo para diálogo podem transformar o PTS em burocracia, esvaziando sua potência relacional. III. A articulação intersetorial frágil prejudica a continuidade do cuidado e fragmenta as redes RAS e RAPS. IV. Tensões entre saberes profissionais e limites institucionais exigem negociação contínua, podendo fragilizar o caráter relacional do PTS. É correto o que se afirma em: Opções da pergunta 3: a) II e III, apenas. b) I e III, apenas. c) I e IV, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II, III e IV.
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Renata Torres

há 4 dias

Respostas

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há 4 dias

Vamos analisar cada proposição: I. A formação profissional excessivamente biomédica dificulta a cogestão, a escuta compartilhada e a construção coletiva do PTS. Verdadeiro, o texto menciona que uma formação excessivamente biomédica compromete o uso do PTS como prática relacional. II. A sobrecarga institucional e a falta de tempo para diálogo podem transformar o PTS em burocracia, esvaziando sua potência relacional. Verdadeiro, o texto afirma que a sobrecarga de trabalho e a ausência de tempo institucional para diálogo transformam o PTS em mero preenchimento burocrático. III. A articulação intersetorial frágil prejudica a continuidade do cuidado e fragmenta as redes RAS e RAPS. Verdadeiro, o texto reforça que a fragilização da articulação intersetorial gera fragmentação do cuidado e descontinuidade nas RAS e RAPS. IV. Tensões entre saberes profissionais e limites institucionais exigem negociação contínua, podendo fragilizar o caráter relacional do PTS. Verdadeiro, o texto menciona que tensões entre saberes profissionais e limites institucionais exigem negociação contínua, o que pode impactar o caráter relacional do PTS. Dessa forma, todas as proposições (I, II, III e IV) estão corretas. Portanto, a alternativa correta é: e) I, II, III e IV.

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