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<p>Transtorno psicótico</p><p>Transtorno psicótico diz respeito a um conjunto de problemas de saúde mental graves em</p><p>que o doente tem uma perceção distorcida da realidade ou interpreta-a de uma forma</p><p>diferente da daqueles que o rodeiam. Este tipo de sintomas, quando são mais severos e</p><p>incapacitantes, implicam a terapêutica e a vigilância clínica rigorosos de modo a permitir</p><p>que o doente viva o seu dia a dia com os sintomas controlados.</p><p>Este grupo de doenças mentais podem afetar algumas capacidades associadas não só</p><p>ao raciocínio como às percepções:</p><p>● Compreensão da realidade</p><p>● Comportamento adequado / apropriado</p><p>● Bons juízos de valor</p><p>● Raciocínio claro</p><p>● Resposta emocional</p><p>● Comunicação eficaz</p><p>Existem vários tipos de transtorno psicótico, sendo alguns exemplos:</p><p>● Esquizofrenia</p><p>● Distúrbio bipolar</p><p>● Transtorno esquizoafetivo</p><p>● Transtorno psicótico induzido por substância, como drogas</p><p>● Transtorno psicótico causado por outro problema de saúde e que afete o</p><p>funcionamento do cérebro, como é o caso de lesões cerebrais ou tumores</p><p>cerebrais</p><p>Os transtornos psicóticos - que, regra geral, surgem no final da adolescência ou nos</p><p>20/30 anos e tendencialmente afetam de igual forma ambos os sexos - têm tratamento,</p><p>incluindo habitualmente casos graves.</p><p>Sintomas do transtorno psicótico</p><p>O transtorno psicótico pode ter vários sintomas associados, mas há dois que têm maior</p><p>importância: as alucinações e os delírios.</p><p>Alucinações</p><p>As alucinações são falsas percepções, isto é, coisas que a pessoa está a</p><p>experienciar, mas que não são reais. As alucinações podem envolver os vários</p><p>sentidos, podendo incluir situações como:</p><p>● ver coisas que não existem ou que não estão à sua frente, como figuras</p><p>religiosas, animais ou objetos que se mexem de forma diferente daquela que seria</p><p>normal; ouvir vozes; sentir cheiros; sentir sabores; ou sentir algo a tocar na sua</p><p>pele.</p><p>Embora as alucinações sejam fruto da imaginação do doente, podem parecer-lhe muito</p><p>reais.</p><p>Delírios</p><p>Enquanto as alucinações são falsas percepções da realidade, os delírios são</p><p>falsas crenças. Isto é, acreditar em coisas que não são reais, como pensar que há</p><p>alguém ou algo a conspirar contra si ou até que está a receber mensagens secretas</p><p>da televisão.</p><p>Além disso, a pessoa pode também ter delírios sobre si mesma, achando que é</p><p>alguém muito importante (por exemplo, rica e poderosa) ou que consegue</p><p>ressuscitar outras pessoas ou controlar o tempo.</p><p>O doente pode continuar a acreditar nestes delírios mesmo quando</p><p>confrontado com provas de que estes não espelham a realidade. Para estas</p><p>pessoas, os delírios “são” reais e são assustadores, fazendo com que se</p><p>sintam ameaçadas ou inseguras.</p><p>sobretudo em combinação, os delírios e as alucinações podem causar grande</p><p>angústia no doente, assim como alterações comportamentais.</p><p>Além dos delírios e alucinações, existem outros possíveis sintomas de transtorno</p><p>psicótico, como:</p><p>● Agir de forma fria e distante, incapaz de expressar emoções</p><p>● Discurso desorganizado ou incoerente</p><p>● Comportamento anormal</p><p>● Raciocínio confuso</p><p>● Perda de interesse na higiene pessoal</p><p>● Perda de interesse em atividades habituais de lazer ou familiares</p><p>● Problemas escolares, laborais ou nos relacionamentos</p><p>● Alterações a nível de humor ou outros sintomas relacionados com o humor,</p><p>como depressão ou mania</p><p>● Movimentos mais lentificados ou anormais</p><p>ESQUIZOFRENIA</p><p>● A esquizofrenia caracteriza-se por psicose (perda do contato com a realidade),</p><p>alucinações (percepções falsas), delírios (crenças falsas), discurso e</p><p>comportamento desorganizados, embotamento afetivo (variação emocional</p><p>restrita), déficits cognitivos (comprometimento do raciocínio e da solução de</p><p>problemas) e disfunção ocupacional e social.</p><p>● A causa é desconhecida, porém, há fortes evidências de algum componente</p><p>genético e ambiental.</p><p>● Os sintomas geralmente começam na adolescência ou no início da idade</p><p>adulta.</p><p>● Um ou mais episódios de sintomas devem durar, no ≥ 6 meses antes que o</p><p>diagnóstico seja feito.</p><p>● Mundialmente, a prevalência da esquizofrenia é de 1%.</p><p>● A prevalência é comparável entre homens e mulheres e</p><p>relativamente constante entre culturas.</p><p>● A média de idade de início é por volta dos 20 anos de idade em</p><p>mulheres e um pouco mais cedo nos homens; cerca de 40% dos</p><p>homens têm o primeiro episódio antes dos 20 anos.</p><p>● É raro o início na infância; o início cedo na adolescência ou o início</p><p>tardio na vida (quando às vezes é chamada parafrenia) pode ocorrer.</p><p>Embora sua causa e mecanismo específicos sejam desconhecidos, a</p><p>esquizofrenia tem uma base biológica, como evidenciado por</p><p>● Alterações na estrutura do cérebro (p. ex., ventrículos cerebrais</p><p>aumentados, afinamento do córtex, menor tamanho do hipocampo</p><p>anterior e de outras regiões do cérebro)</p><p>● Alterações neuroquímicas, especialmente alteração da atividade dos</p><p>marcadores da transmissão de dopamina e glutamato.</p><p>● Fatores de risco genéticos recém-demonstrados</p><p>ESQUIZOFRENIA</p><p>BIPOLARIDADE</p><p>No transtorno bipolar (antigamente denominado transtorno maníaco-depressivo),</p><p>os episódios de depressão se alternam com episódios de mania (ou com uma</p><p>forma menos grave de mania denominada hipomania).</p><p>A mania se caracteriza por sensação excessiva de euforia e autoconfiança ou</p><p>atividade física que são desproporcionais a qualquer situação, e muitas pessoas</p><p>praticam comportamentos arriscados.</p><p>● Os episódios de depressão e mania podem ocorrer separados ou</p><p>juntos.</p><p>O transtorno bipolar começa normalmente na adolescência, na faixa</p><p>dos 20 ou dos 30 anos. O transtorno bipolar em crianças é raro.</p><p>A maioria dos transtornos bipolares pode ser classificada como</p><p>● Transtorno bipolar I: A pessoa já apresentou, no mínimo, um</p><p>episódio maníaco completo (que tenha impedido de desempenhar</p><p>suas funções normalmente ou que inclua delírios) e,</p><p>normalmente, já teve também episódios depressivos.</p><p>● Transtorno bipolar II: A pessoa já apresentou episódios</p><p>depressivos graves e no mínimo um episódio maníaco mais leve</p><p>(hipomaníaco), mas nenhum episódio maníaco completo.</p><p>https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/dist%C3%BArbios-da-sa%C3%BAde-mental-em-crian%C3%A7as-e-adolescentes/transtorno-bipolar-em-crian%C3%A7as-e-adolescentes</p><p>Episódios mistos</p><p>Quando a depressão e a mania ou a hipomania ocorrem em um</p><p>único episódio, a pessoa pode ficar momentaneamente triste</p><p>em meio à euforia, ou é possível que os pensamentos</p><p>comecem a ficar acelerados em meio à depressão. Muitas</p><p>vezes, a pessoa vai para a cama deprimida, acorda cedo no dia</p><p>seguinte e se sente eufórica e cheia de energia.</p><p>● O risco de suicídio durante episódios mistos é</p><p>particularmente alto.</p><p>Transtorno Bipolar</p><p>Causas</p><p>Alguns problemas / situações identificados como podendo causar psicose</p><p>são:</p><p>● Problemas de saúde físicos, como acidente vascular cerebral, tumor</p><p>cerebral e infeção cerebral</p><p>● Experiência traumática</p><p>● Mudança drástica na vida familiar ou laboral</p><p>● Stress</p><p>● Consumo de álcool e de drogas</p><p>● Efeitos adversos de medicamentos</p><p>Além disso, pessoas que sofrem de determinados tipos de transtornos</p><p>psicóticos (como esquizofrenia) podem ter problemas nas áreas do cérebro</p><p>responsáveis por funções como raciocínio, motivação e perceção.</p><p>Nalgumas situações, é possível associar a psicose a uma patologia mental</p><p>específica, como depressão severa, esquizofrenia e distúrbio bipolar.</p><p>Uma vez que nalgumas famílias são registrados vários casos de transtorno</p><p>psicótico, é possível que este distúrbio seja, em parte, hereditário.</p><p>A causa exata do episódio psicótico pode influenciar a frequência com que</p><p>ocorre e a sua duração.</p><p>Tratamento do transtorno psicótico</p><p>É possível tratar o transtorno psicótico e a maioria dos doentes tem uma boa recuperação com a</p><p>adoção do tratamento e do acompanhamento.</p><p>O plano terapêutico depende sempre da causa do transtorno psicótico, podendo incluir:</p><p>● Medicação</p><p>● Psicoterapia</p><p>Em casos mais graves da doença, em que o doente pode representar um perigo</p><p>para si próprio ou para</p><p>terceiros ou em que não consegue cuidar de si próprio devido à doença, pode ser necessária</p><p>hospitalização.</p><p>Prevenção</p><p>Não existem estratégias que possam ajudar a prevenir os transtornos psicóticos. Contudo, é importante</p><p>ter em consideração que quanto mais cedo o tratamento for iniciado, melhor. Esta é a melhor forma de</p><p>minimizar o impacto que a doença pode ter na vida do doente.</p><p>Pessoas que têm elevado risco de vir a ter transtornos psicóticos - por exemplo, as que têm histórico</p><p>familiar destes problemas - devem evitar o consumo de drogas e de álcool. Estas medidas podem</p><p>ajudar a prevenir estes problemas de saúde mental.</p>